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Numero do processo: 16561.720040/2012-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/11/2007
IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007.
INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE MÁ-FÉ. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. A alegação de ausência de má-fé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária.
SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 137 DO CTN.
A responsabilidade pessoal referida no art. 137 do CTN não implica o afastamento da pessoa jurídica infratora da relação tributária.
Numero da decisão: 3201-001.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, correto o indeferimento, por prescindível, do pedido de diligência ou perícia. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/11/2007 IMPORTAÇÃO. CESSÃO DO NOME A TERCEIROS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, está sujeira à multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. INFRAÇÃO. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. AUSÊNCIA DE MÁFÉ. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. A alegação de ausência de máfé do contribuinte é irrelevante em matéria tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 40 /2 01 2- 06 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.108 2 SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 137 DO CTN. A responsabilidade pessoal referida no art. 137 do CTN não implica o afastamento da pessoa jurídica infratora da relação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Adriene Maria de Miranda Veras, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 13/04/2007, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no valor de R$ 2.329.168,17 em virtude dos fatos a seguir descritos. Em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, constatous eque Laser Company Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 01.407.689/000136) durante os anos de 2007 e 2008 adquiriu mercadorias no exterior e as nacionalizou por meio de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. As mercadorias (consoles e CDs de videogame) foram adquiridas nos Estados Unidos da América dos vendedores SVG Distribution Inc., Florida State Games Inc. e US1 America Inc. e declaradas à Aduana brasileira como se tivessem sido adquiridas por R Four Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.334.937/000180), ACS Distribuidora Ltda. (CNPJ nº 07.462.759/000135) Alarm Trade Importação e Exportação de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.963.257/000150), Solution Importadora de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.033.287/000168) e Mecab Comércio Importação, ora autuada, e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda. (CNPJ nº 60.837.911/000108). Estas cinco empresas, em nome de quem foram registradas as declarações de importação (DI), revenderam ficticiamente as Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.109 3 mercadorias para Albert Import Eletrônicos Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 07.174.369./000160), Laser Tech Comércio e Importação de Eletrônicos Ltda. (CNPJ nº 09.051.636/000137) e Eletron Brasil Comércio de Bens de Consumo Ltda. (CNPJ nº 08.479.049/000180), que posteriormente as revenderam para o mercado varejista nacional. As empresas Laser Company, Albert Import, Laser Tech e Eletron Brasil estão vinculadas entre si por meio das pessoas físicas Alberto Mucciolo (CPF nº 000.347.03853) e seu filho Jefferson Mucciolo (CPF nº 106.236.81854), considerados responsáveis solidários pelas infrações cometidas. Constatados estes fatos, autuamse: 1º) Laser Company, por ocultar a si próprio (real comprador), mediante interposição fraudulenta de terceiros (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, inc. V), com responsabilidade solidária e pessoal de Alberto Mucciolo e Jefferson Mucciolo (lei nº 5.172/1966, art.124, inc. I, e art. 135, inc. III), em todas as importações; 2º) R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, por ocultarem o real comprador (Laser Company), mediante interposição fraudulenta de si próprios (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, inc. V), nas respectivas importações; 3º) R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, cumulativamente, por cessão de nome (lei nº 11.488/2007, art. 33, caput), nas respectivas importações; 4º) Ricardo Bragança Pontes da Silva (CPF nº 217.412.38862), Arthur Celso de Souza (CPF nº 060.767.38855), Paulo Deives Ferreira de Queiroz (CPF nº 047.070.23894), João Batista Gallo (CPF nº 013.938.23807) e Victor Aguirre Sarlo (CPF nº 020.237.85782), sócios majoritários e administradores respectivamente de R Four, ACS, Alarm Trade, Solution e Mecab, à época das importações respectivas, pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários (lei nº 5.172/1966, art. 135, inc. III). No 1º e 2º caso, aplicamse as multas administrativas de 100% do valor aduaneiro (decretolei nº 1.455/1976, art. 23, § 3º) e de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado ou apurado (medidaprovisória nº 2.15835/2001, art. 88, parágrafo único); e cobramse os tributos aduaneiros acrescidos de juros de mora (lei nº 9.430/1996, art. 61, § 3º) e multa de ofício qualificada de 150% (lei nº 9.430/1996, art. 44, § 1º). No 3º caso, aplica se a multa administrativa de 10% do valor aduaneiro (lei nº 11.488/2007, art. 33, caput). Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 19/04/2012 (fls.719), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 17/05/2012, na forma do artigo 56 do Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.110 4 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 724 à 794, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 57 Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, a impugnante alegou que: PRELIMINARES: CERCEAMENTO DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA: Antes de adentrar na questão dos argumentos que certamente culminarão com a exclusão de responsabilidade da empresa impugnante e de seu sócio, Sr. Victor, inclusive solidária, pelos fatos lhe foram imputados, evidente que, a postura do fisco federal, ao lavrar precocemente o combatido Auto de Infração, certamente violou os preceitos legais que regem o processo administrativo fiscal em consonância com a Lei 9.784/99 e Dec. 70235/72, que possibilita a produção de todos meios de provas em favor da empresa impugnante. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidas, em especial, prova documental, perícia contábil, expedição de ofício as instituições bancárias de onde se extraiu valores dos depósitos, a fim de obter informações necessárias em defesa do impugnante para o justo e perfeito julgamento deste processo administrativo fiscal. REQUERIMENTO DE PROVAS E DILIGÊNCIAS Com efeito, antes da lavratura precoce do combatido Auto de Infração, haveria a necessidade de ter sido respeitada pela autoridade fiscal todas as fases do processo administrativo, em especial a instrução, porquanto a empresa impugnante iria se valer de oitiva de testemunhas que seriam arroladas oportunamente, sem prejuízo da prova documental e, mormente pericial para comprovar o estado de saúde do sócio. Sr.Victor. Destarte, após a manifestação da empresa impugnante em resposta ao Termo de esclarecimento, os nobres fiscais deveriam ter realizado o máximo de diligências, através de uma investigação profunda das empresas e sócios envolvidos, em busca da verdade real dos fatos. Os Fiscais não tiveram a mínima cautela em individualizar a conduta dos sócios das empresas envolvidas, apenas aplicaram ilicitamente responsabilidade solidária a todos indistintamente, ferindo por conseqüência os preceitos constitucionais do contraditório e da ampla defesa e da individualização da pena. Princípios Penais que também devem ser aplicados e observados na esfera tributária, já que devidamente previstos na Carta Maior, que é a lei suprema. Conquanto a solidariedade em sede de direito privado tenha respaldo jurídico, no atinente às acusações de prática de crime tanto na esfera comum como tributária já não é passível de Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.111 5 aceitação, ainda mais quando foram feitas por presunção, por decorrência do princípio constitucional que determina a individualização da conduta criminal e que as conseqüências do crime não podem alcançar senão seu autor, segundo as definições inscritas em cada tipo penal pelo legislador. Pelo histórico dos autos, podemos concluir que, os nobres fiscais sustentaram a participação do sócio da empresa impugnante, Sr. Victor somente pelo fato do mesmo figurar como administrador da empresa, como isto fosse indícios suficientes e seguros para imputar a coautoria dos crimes de falsidade ideológica, uso de documento falso e descaminho, quando na realidade se trata de acusação frágil e totalmente contrária a realidade, ainda mais quando já informado que, o Sr. Victor não estava na frente da impugnante, por motivo de doença. A presunção de legitimidade do ato administrativo não pode esvaziar a oportunidade do contribuinte, no caso a empresa impugnante de exercer sua ampla defesa dentro do contraditório, nem mesmo que seja para reduzir ao mínimo a atribuição do órgão julgador de requisitar novos elementos de prova. Portanto, não poderia o nobre fiscal ter passado literalmente por cima desse consagrado direito constitucional antes de lavrar precocemente o combatido Auto de Infração. Por este motivo, de forma a evitar a perpetuação do cerceamento de defesa, desde já requer q seja possibilitada a produção de prova documental. testemunhal e principalmente pericial médica. Da forma com que foi conduzida a verificação fiscal que originou o lançamento do auto de infração evidenciou a ilegalidade que viciou todo o lançamento. Isso porque a Administração deve atuar dentro da legalidade estrita, buscando afastarse ao máximo da mera presunção. Junta textos da Doutrina a respeito do assunto. Caso estas regras que disciplinam especificamente a cobrança do tributo, demonstrar clara afronta as normas superiores, não podem conseqüentemente ser aplicadas para a indevida imposição de multa ou majoração da base de cálculo, pois acima dela está um texto maior que vincula com muito mais força a autoridade administrativa. Com efeito, há que ser observada a fase de instrução, permitindo que, a empresa impugnante possa produzir todas as provas que julgar necessárias, em atendimento ao preceito constitucional do contraditório e da ampla defesa, sob pena de nulidade. Infelizmente, a nobre autoridade fiscal preferiu concluir o combatido Auto de Infração, em vez de possibilitar a defesa da empresa impugnante, cerceando o direito constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.112 6 Diante disso, observase claramente a supressão da fase de instrução do Processo Administrativo, retirando o direito da contribuinte, ora impugnante apresentar provas de suas alegações na fase apropriada, em manifestas as cláusulas do devido processo legal. Desde já fica cristalina a nulidade do procedimento adotado no combatido Auto de Infração, imposto pelo fisco federal, dada a flagrante violação do exercício do contraditório e da ampla defesa. NULIDADE POR NÃO APONTADA A INFRINGÊNCIA COMETIDA COM A DESCRIÇÃO EXPRESSA DO DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO. Conforme preconiza a legislação tributária, deverá o auto de infração identificar o infrator, descrever a infração com clareza e indicar os dispositivos legais dados por infringidos. No caso em tela, a descrição do fato no lançamento não mantém coerência com a fundamentação legal da suposta infração. Cabe destacar, em preliminar, que toda e qualquer infração apontada pelo Fisco tem de descrever detalhadamente as infrações apontadas com a capitulação legal, correndo o risco de se tornar nulo o lançamento, no qual impede o principio do contraditório, como ocorreu no caso em tela. Constatase que foi imputado a empresa impugnante e a seu sócio, Sr. Victor, a responsabilidade pelos créditos correspondentes a obrigações e excesso de poderes, consoante apontado no relatório confeccionado pelos auditores fiscais, em razão do que decorria no entender dos mesmos, a responsabilidade solidária, cuja tipificação está descrita no inciso III do artigo 135 da Lei 5.172/66, que dispõe sobre o Sistema Tributário Nacional. No mesmo sentido, entenderam os nobres fiscais que, a empresa impugnante e, seu sócio Sr. Victor descumpriram a obrigação de demonstrar a origem dos recursos, imputando aos mesmos a prática de interposição fraudulenta de terceiros, cuja modalidade está disciplinada no art. 23, § 2.°, do DecretoLei n.° 1.455/76, e consiste na conduta de não comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados em operação no comércio exterior. No entanto, temse que no Auto de Infração no campo especifico, não aponta nenhum dos dois dispositivos inciso III do artigo 135 da Lei 5.172/66, artigo 23, § 2°, do DecretoLei n.° 1.455/76. Isto posto, tornase nulo o feito fiscal, por não apontar expressamente o dispositivo legal infringido, com relação à interposição de terceiro fraudulenta, conforme determina a legislação pátria. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.113 7 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO INEXISTÊNCIA DE JUSTA CAUSA. Inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento que ora se hostiliza, cuja pretensão está eivada de nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal, visto que desde a fase de esclarecimentos, a empresa impugnante através de sócio o Sr. Victor, informou que, não participou das contestadas operações de importação, visto que durante os anos de 2007 a 2008 esteve acometido de doença grave, o que motivou se afastar da empresa. Com efeito, não vulneração dos dispositivos legais inseridos no auto de infração, que deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. Nula é a exação. Não há como prosperar a pretensão dos nobres fiscais, que pela falta de justa causa para a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela impropriedade de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável garantia legal. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO E DA MULTA ADVINDA DO AUTO DE INFRAÇÃO: A exigibilidade do tributo enfocado pela notificação restará suspenso visto o disciplinado, quer pela legislação Estadual, quer pelo Art. 151 do CTN, este ainda em vigor. Ainda além observando o brocardo acessoríum sequitur príncipale, estando suspensa e exigibilidade do tributo e face a interposição da presente defesa, as multas aplicadas pelos autos de infração devem necessariamente permanecer com a exigibilidade suspensa, sendo vedada sua inscrição em dívida ativa. No mesmo sentido, não há que se falar em caracterização de crime contra a ordem tributária, carecendo de fundamento e extemporâneo concluirse pela ocorrência da existência de ilícitos passíveis de envio ao Ministério Publico Federal. DOS FATOS. A fiscalização aduaneira autuou a empresa importadora, ora impugnante, e lavraram o combatido Auto de Infração, sob o fundamento de que a mesma cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, configurando em tese a denominada “interposição fraudulenta" cumulada com subfaturamento. Não há que se imputar irregularidade alguma a empresa importadora, ora impugnante muito menos ao seu sócio Sr. Victor Aguirre Sarlo. o que certamente será reconhecido não só após a apresentação desta peça resistência, como restará Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.114 8 corroborado na fase de instrução após o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, com a produção de todas as provas necessárias para o deslinde do feito. O Sr. Victor, sócio da empresa impugnante, não participou das contestadas operações de importação, visto que durante os anos de 2007 a 2008 esteve acometido de doença grave, o que motivou se afastar da empresa, deixando a gerência única e exclusivamente nas mãos de um amigo seu, Sr. Raimundo Vieira dos Santos. Como já informado anteriormente, o sócio da empresa impugnante, Sr. Victor passou por um momento de grande turbulência na sua vida, não só do ponto de vista da sua saúde, mas também financeiro, deixando bem afastado das atividades da empresa impugnante. Por este motivo, desconhece não só os exportadores estrangeiros, como todas as empresas envolvidas e as pessoas mencionadas no Relatório da Auditoria Fiscal, como é o caso da Sra. Maria Cristina de Souza Pinto e, outras que figuram como "notify”. Da referida situação aproveitouse o Sr. Raimundo que, após conquistar a confiança da família, tornandoa dependente dele, mostrandose conhecer da área de atuação da empresa, ofereceuse para tocar a empresa impugnante, enquanto perdurasse a moléstia que impossibilitava o Sr. Victor de trabalhar. Foi então que, o Sr. Raimundo levou clientes para a empresa impugnante e, começou a operar com a senha do SISCOMEX do Sr. Vitor que ora encontravase acamado, sem nenhuma condição para laborar, mas necessitando de recursos para honrar seus compromissos e custear seu tratamento médico e psicológico. Após iniciar a recuperação da moléstia sofrida, passou o proprietário da empresa, Sr. Victor, a desconfiar do Sr. Raimundo e a questionálo, ocasião em que este último simplesmente sumiu sem deixar nenhum contato e notícias. A teoria da aparência indica uma circunstância pela qual uma pessoa, é considerada o titular de um direito, embora não o seja, leva a efeito um ato jurídico com terceiro de boafé. Contudo. não é o caso de aplicação desta Teoria, de forma a considerar que os praticados pelo Sr. Raimundo seriam considerados válidos como manifestação de vontade da empresa impugnante. Do que extrai dos autos, a empresa impugnante sempre teve bom histórico, e, somente após a gerência do Sr. Raimundo é que passou a desviar a finalidade lícita que sempre foi da empresa. Basta verifica seu histórico desde a abertura da empresa até as questionadas importações. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.115 9 Com efeito, se houve algum tipo de conluio ou ajuste doloso entre as partes envolvidas nestas operações de importação, sem sombra de dúvidas ocorreu sem o conhecimento e consentimento do Sr. Victor, posto que o mesmo jamais seria solidário com qualquer ato de comércio que não estivesse revestido sob o pálio da legalidade. Destarte, quando evidente que o ato não se coaduna com os poderes de representação, tornase evidente, notório, a exorbitância dos poderes que estão sendo exercidas, viciando totalmente os atos jurídicos porventura realizados, tornando impossível sua capacidade de atingir o proponente, no caso, o Sr. Victor, sócio da empresa impugnante. APLICAÇÃO DA TEORIA DOS ATOS ULTRA VIRES SOCIETATES: Dentro desta esteira de raciocínio, convém invocar ainda, a consagrada “Teoria dos Atos Ultra Vires Societates", que certamente se enquadra nos caso em discussão, onde destaca que ultra vires não são apenas os atos que excedam ao objeto social da empresa, mas também aqueles que, não sendo indispensáveis a realização do objeto social, não são expressamente autorizados pelo Estatuto. como também os atos de qualquer natureza por ele vedados Como já destacado, é ato não só alheio ao objeto da sociedade (atos ultra vires), como também aqueles não autorizados e vedados pela empresa, que se mostram irregulares aos atos praticados anteriormente, não se concebendo que terceiros acreditem que se trata de ato da sociedade. Por não se tratar de um ato, a princípio, imputável à sociedade, quem deve responder pelo ato é o administrador que o praticou, não o empresário. Nesses casos, não há dúvida que o administrador assumirá responsabilidade pessoal por tais atos. Ao invalidar negócio jurídico por defeito de consentimento, a lei tem por objetivo de tutelar o sujeito, cuja vontade não se expressou de modo consciente e livre. Por estes motivos, desconhece o Sr. Victor a razão das próprias divergências encontradas nas declarações de importação, uma vez que não verificava nenhum documento no período que estava acometido da doença. Situação esta que desde já elimina qualquer solidariedade com as empresas e partes envolvidas nestas operações de importação. Assim, jamais foi de conhecimento do Sr. Victor que, o Sr. Raimundo utilizou sua empresa para encobertar outras empresas e operações de importação que foram realizadas muito menos que, houve fraude e sonegação no recolhimento dos tributos aduaneiros. Com isso, certamente restará comprovado que o Sr. Victor não praticou nenhuma das irregularidades preconizadas no Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.116 10 combatido Auto de Infração e, tanto ele, como sua empresa não sofrerão precocemente a aplicação de qualquer sanção, haja vista a presunção de inocência, prevista no comando legal do artigo 5o na Constituição Federal. NÃO OBSERVÂNCIA DO CORRETO MÉTODO DE FIXAÇÃO DO VALOR ADUANEIRO: Apenas a título de argumentação, mesmo não tendo conhecimento real dos verdadeiros fatos que nortearam as operações de importação questionadas neste Auto de Infração, não podemos perder de vista que, os ilustres fiscais não obedeceram a contento os métodos de valoração aduaneira, o que certamente comprometeu o lançamento fiscal realizado, visto que arbitraram alguns valores por mera presunção. Conforme está estabelecido no Acordo para Implementação do Artigo VII da Rodada Uruguai do GATT, o valor aduaneiro deve ser fixado pelo primeiro método de valoração que é o método através do qual o valor real da transação é determinado pelo exame dos documentos que instruem o despacho aduaneiro de importação, principalmente a fatura comercial (Commercial Invoice). Determina o Tratado, também, e como já se disse, que os métodos de valoração são sucessivos, sendo certo que o segundo método (valor real de transação de mercadorias idênticas) só poderá ser utilizado na hipótese de ser impossível a valoração pelo primeiro método. Tal diapasão, o terceiro método (valor real de transação das mercadorias similares) só poderá ser utilizado na impossibilidade de utilização do primeiro e assim sucessivamente, o que não foi observado no caso em discussão. Infelizmente pela experiência temos constatado que, a Secretaria da Receita Federal brasileira, tem utilizado o terceiro método de valoração na medida em busca encontrar o valor real da transação através de critério comparativo de importações de mercadorias similares, como ocorreu neste combatido Auto de Infração. Ocorre, porém, que tal circunstância é via de regra não observada, ou seja, é usual no Brasil que o terceiro método de valoração seja utilizado sem que seja desclassificada a fatura comercial como documento comprobatório do valor real da transação, situação ocorrida no caso em comento. Ao adotar práticas de atribuição de valor aduaneiro utilizando se de critérios não permitidos pelo Tratado Internacional, a autoridade aduaneira distanciouse dos objetivos maiores do regramento que são os de tornar cada vez mais transparentes as relações comerciais entre os Estadosmembros, afastandose as barreiras ao livre comércio entre os países, ou, quando da necessidade imposição de tais barreiras, sejam as mesmas Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.117 11 preferencialmente tarifárias em obediência a esse mesmo critério de transparência. O rito procedimento a ser seguido pela Administração, previsto no Decreto 2498/98 e IN SRF 16/98. Esse rito prevê, entre outros procedimentos, que o exame conclusivo do valor declarado consiste na análise minuciosa desse valor, à vista dos dados constantes da Declaração de Importação, da declaração do valor aduaneiro e dos documentos que a instruem e que, quando as informações prestadas pelo importador não forem suficientes para aceitação do valor declarado como preço efetivamente pago ou a pagar pela mercadoria importada, a autoridade aduaneira poderá decidir pela impossibilidade da utilização da aplicação do método do valor de transação, mas deverá notificar o importador sobre os motivos que o levaram à recusa da aplicação do método do valor de transação. Conforme o artigo 17 do GATT. as administrações aduaneiras têm o direito de se assegurar da veracidade e exatidão das declarações apresentadas para fins de valoração aduaneira. Quando elas entenderem, comprovadamente que as informações prestadas não merecem fé. deverão descaracterizar o valor de transação declarado e, em conformidade com as regras do Acordo, determinar o correto valor aduaneiro da mercadoria importada. Só nas condições dos artigos 1o e 8o do Acordo de Valoração Aduaneira, devidamente comprovadas, é que se descaracteriza o valor declarado pelo importador. No caso em questão, só se pode vislumbrar que a fiscalização entendeu ter havido fraude na documentação, mesmo sem ter sido produzida nenhuma prova neste sentido, pois nenhuma das outras hipóteses retro citadas foi mencionada. Acontece que inexiste uma prova material do subfaturamento no presente processo. Assim, seria necessária uma análise dos indícios levantados pela fiscalização aduaneira com a intenção de verificar se está configurada a hipótese capaz de desconsiderar o valor declarado, o não se verifica nestes autos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. DO SUBFATURAMENTO: Com efeito, resta claro que, o subfaturamento é operação única e concreta, que precisa ser inequívoca. Deveria a fiscalização aduaneira ter realizado o devido processo investigatório, dando oportunidade à empresa impugnante de manifestarse a respeito, principalmente quando em fase de esclarecimento informou que, o sócio Sr.Victor não participou das operações de importação contestadas, já que estava acometido de doença grave, com seu estado de consciência comprometido. Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.118 12 Assim, em que pese os argumentos aduzidos anteriormente nesta defesa, há que ser reconhecida à nulidade do auto de infração, por notável infringência às disposições do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio do GATT. A fiscalização aduaneira promoveu a valoração pelo terceiro método sem nenhuma comprovação quanto aos valores ou procedimentos para chegar ao valor que considerou como correto, tendo, aparentemente, na realidade, simplesmente arbitrado um valor, metodológico que não foi previsto no Acordo. Tanto é verdade que, alguns valores foram pelos nobres fiscais por mera presunção. Isto posto, não tendo logrado em êxito em comprovar, nem mesmo através de prova indiciária, que o valor declarado não corresponde ao valor real da transação, o descaracterizacão do 1° método não é válido, nem o metodologia aplicada pode prosperar. DA MULTA: Como conseqüência, a exigência de tributos e multas é improcedente, além da aplicação da pena de perdimento, conforme colocada no Auto de Infração, que ora se combate. Para embasar a aplicação da multa por conta do suposto subfaturamento, entendeu a fiscalização aduaneira ter encontrado mercadorias idênticas negociadas a preço mais alto, o que segundo eles, isso seria prova suficiente de subfaturamento. Entretanto, a multa administrativa prevista no inciso II do artigo 526, do regulamento aduaneiro, é eminentemente cambial e não tributária. Ela pressupõe que, dolosamente, a mercadoria seja licenciada para fins de fechamento de câmbio, por valor abaixo do realmente negociado, sendo o pagamento feito por outras vias. O que não restou demonstrado nestes autos. Como já bem observado, nada existe de concreto no presente processo, que comprove cabalmente, com elementos hábeis e idôneos, a impossibilidade de se usar o valor de transação, mas tãosomente o singelo procedimento despido de qualquer apoio metodológico ou científico, tudo nos impele a desclassificar as infrações imputadas. Destarte, concluise que, cabe ao Fisco fazer a prova dos fatos que alega não podendo o autuação basearse em meros indícios ou presunções. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Para que haja autuação por subfaturamento é necessária uma prova clara, evidente, de que o preço atribuído na importação é inferior de fato ao preço da mercadoria no mercado naquele Fl. 1118DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.119 13 momento, bem como prova de que tenha havido de alguma forma pagamento da suposta diferença. A mesma mercadoria pode ter vários preços em vários mercados, por inúmeras questões. Destarte, o fisco deve provar a fraude, não cabendo ao contribuinte qualquer obrigação de provar que o preço por ele usado seja verdadeiro. Cabe só ao fisco provar de forma absoluta que o preço não é verdadeiro. Fraude não se presume e a prova cabe a quem alega. O lançamento deve ser liquido e certo. Não pode ser algo vago. Não pode se basear em informações duvidosas. Auto de infração só pode se basear em prova irrefutável e o contribuinte não é obrigado a produzir prova contra si mesmo e nem a fazer prova negativa. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. DO CONFISCO Não sendo acolhidos os argumentos acima destacados, ainda assim o Auto de Infração não merece prosperar, em razão de indiscutível excesso e verdadeiro confisco no crédito tributário apurado, porquanto se persistir certamente agravará ainda mais o estado econômico do Sr. Victor e, comprometerá o prosseguimento das atividades profissionais da empresa impugnante. Felizmente, o princípio da vedação do confisco é previsto no sistema tributário nacional como uma das limitações constitucionais ao poder de tributar. Segundo a regra ínsita no art. 150. IV. da Constituição Federal. Por imposto confiscatório devemos entender aquele que absorve grande parte do valor da propriedade ou de sua renda, havendo uma diferença apenas entre o imposto constitucional e o confiscatório. O princípio do não confisco há de ser aplicado conjuntamente com o princípio do proporcionolidade, vêse que este desponta como técnica de aplicação do primeiro. A simbiose, pois, de ambos os princípios constitucionais torna menos complexa a adequação do princípio do não confisco, ou seja, facilita sua aplicação do plano normativo ao fático. A proporcionalidade, como instrumento de interpretação do princípio da vedação da multa confiscatória, em um caso concreto, recebe um limite oriundo do próprio conceito da vedação do confisco elaborado pela doutrina do direito tributário. É que o limite que indicará se a multa será ou não necessária corresponde, justamente, ao não sacrifício da fonte produtora do elemento (base de cálculo) tributável. Ao elemento necessidade, que, juntamente com a adequação e a proporcionalidade em sentido estrito, compõe o princípio da Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.120 14 proibição do excesso, devese ajustar o próprio conceito doutrinário do princípio do não confisco, de modo que será desnecessária, e, portanto, desproporcional, a multa que finde por sacrificar a própria fonte produtiva tributável. APLICACÃO DO ARTIGO 112 DO CTN. Nos termos do artigo 112 do CTN, a legislação tributária deve ser interpretada de forma mais favorável ao acusado, ou seja, devem ser observados os preceitos constitucionais da Razoabilidade e da Proporcionolidade da medida, razão pela qual nos termos do artigo dispositivo legal acima mencionado, na hipótese de prevalecer à responsabilidade da empresa impugnante e de sócio Sr. Victor, SUBSIDIARIMENTE. requer seja aplicada uma sanção pecuniária de acordo com a própria realidade financeira da empresa, tendo como base de cálculo o seu próprio capital social de R$ 150.000,00, de forma a afastar o crédito tributário apurado no combatido Auto de Infração, porquanto se trata de verdadeiro confisco e excesso. Destarte, a hipótese de prosperar o combatido Auto de Infração e, a empresa impugnante e seu sócio não forem isentos de responsabilidade, requer seja aplicada a multa, no percentual de 10% sobre o capital social da empresa (R$ 150.000,00), restando não só o contestado confisco, mas de se evitar a perpetuação do indiscutível excesso aplicado no combatido Auto de Infração. DO PEDIDO. Por todo exposto, requer a empresa impugnante seja dado provimento a presente Impugnação, reconhecendo as preliminares argüidas, haja vista a nulidade do Auto de Infração, principalmente por ter sido cerceado o exercício do contraditório e da ampla defesa contra a empresa impugnante e seu sócio Sr. Victor, visto que após a apresentação das informações prestadas em cumprimento ao Termo de Esclarecimento, o fisco federal deveria ter produzido uma fase de instrução e, não lavrar precocemente o Auto de Infração, de forma a prestigiar a busca da verdade real dos fatos. No entanto, caso não seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração, ainda assim há que ser dado provimento a presente Impugnação, sendo descaracterizadas as penalidades aplicadas a empresa impugnante. bem como a seu sócio Sr. Victor. inclusive a responsabilidade solidária, em razão do comprovado vicio de consentimento da vontade que certamente culminou com a nulidade dos negócios jurídicos. Na hipótese de não serem acolhidos os pedidos principais, subsidiariamente, requer seja aplicada uma pena pecuniária, tendo como base de cálculo o próprio capital da empresa impugnante, sendo aplicada analogicamente a multa no mesmo percentual de 10% sobre o valor de R$ 150.000.00. privilegiando não só o consagrado Princípio da Proporcionalidade e da Dignidade Humana, mas principalmente Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.121 15 o da aplicação da penalidade mais favorável ao contribuinte, afastando por conseqüência os Princípios da Proibição do Confisco e da Proibição de Excesso. Protesta por todos os meios de prova admitidos em direito. Apresenta, por fim, quesitos para PERÍCIA MEDICA a ser realizada no Sr. VICTOR AGUIRRE SARLO. Sobreveio decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em.São Paulo I, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontram se consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 06/11/2007 Dano ao Erário, causado por interposição fraudulenta. Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, fica sujeito a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007. A fiscalização trouxe elemento concreto e relevante para desabonar o valor declarado nas Declarações de Importação analisadas na ação fiscal. Os valores estão subfaturados. A fiscalização não pautou suas conclusões no cômputo do valor de mercadorias importadas similares, mas sim no cômputo do valor de transação das mercadorias efetivamente importadas. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. De início, esclarecese que o presente lançamento tem por objeto a aplicação de multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/07, no valor de 10% sobre o valor da mercadoria, decorrente da constatação de que a recorrente cedeu seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.122 16 Ressaltese que o auto de infração tem por único responsável a contribuinte Mecab Comércio de Importação e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda., inexistindo qualquer imposição de responsabilidade solidária em relação aos sócios da empresa. A recorrente requer que o julgamento de 1ª instância seja anulado por ter negado à realização de perícia, ofendendo ao seu direito de ampla defesa. Seu pedido de perícia aponta os seguintes quesitos a serem respondidos: Se o Sr. Victor estava debilitado para conduzir os negócios da empresa impugnante, por motivo das doenças? Constatar a gravidade das doenças sofridas pelo Sr. Victor que motivou o afastamento dos negócios da empresa impugnante com a devida análise dos documentos juntados na defesa? E se as doenças constatadas podem agravar o estado de consciência, comprometendo o poder de concentração? Se as doenças acometidas pelo Sr. Victor são capazes de reduzir significativamente a capacidade de atenção, concentração, motivação, estímulo, criatividade e foco no resultado para desempenho de suas atividades profissionais? Se pelos documentos apresentados, pode se constatar se os episódios de depressão eram repetidos? Qual a freqüência? Duração total dos episódios? E se os episódios são decorrentes de depressão endógena? Quais os efeitos das medicações usadas pelo Sr. Victor para o tratamento de suas doenças? Em atenção ao alegado, tendo em vista os quesitos apontados, entendo ser desnecessária a realização de perícia. A instrução probatória proposta não redundaria em nenhum fato relevante à lide, capaz de modificar a decisão. Os quesitos formulados tem a clara intenção de demonstrar que o sócio majoritário da empresa recorrente se encontrava com a saúde debilitada, e não poderia ter praticado as condutas que ensejaram na aplicação da multa. Ocorre, contudo, que a infração não está sendo imputada ao sócio da empresa, mas sim à pessoa jurídica Mecab. Desta forma, mesmo que restasse configurado que os fatos que resultaram na autuação não foram executados pelo sócio Sr. Victor, permaneceria devida a imposição da multa caso constatada sua prática pela Mecab. Assim sendo, a luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, que permite à autoridade julgadora indeferir a perícia solicitada quando entendêla prescindível, não configurando qualquer cerceamento ao direito de defesa esta decisão, mostrase correto o indeferimento do pedido de produção de prova pericial pela autoridade recorrida. Ressaltese que o presente lançamento se encontra amparado em vasta gama de documentos anexados pela autoridade fiscal, não havendo nenhuma mácula ao princípio da verdade material o fato de não se ter acatado o pleito da recorrente. Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.123 17 Assim sendo, pelos mesmos motivos, indefiro o pedido de produção de prova pericial requerida no recurso voluntário. Em atenção à alegação de inexistência de justa causa do lançamento, embasada no fato de que o sócio Sr. Victor não teria participado das contestadas operações de importação, como já explicitado, a conduta está sendo imputada à pessoa jurídica Mecab, e não à pessoa física de seu sócio majoritário, sendo, portanto, irrelevante o argumento. A recorrente sustenta também a ocorrência de cerceamento de direito de defesa, decorrente da fiscalização não ter concedido oportunidade a interessada para se manifestar durante o procedimento fiscal. Constatase, contudo, que para a recorrente foi concedido o prazo legal de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso tivesse interesse. Esclarecese que o procedimento de fiscalização possui cunho eminentemente inquisitório, decorrente do exercício do poder de polícia, inerente ao ato de fiscalizar. Esta etapa, em que ocorre a investigação fiscal, é constituída de medidas preparatórias tendentes a definir a pretensão da Fazenda, procedimentos que conduzem a constituição do crédito tributário. Após esta etapa, ocorrendo o lançamento, abrese ao contribuinte a oportunidade de contestação da exigência fiscal, ocasião em que oferece sua impugnação. A partir daí instaurase o Processo Administrativo Fiscal propriamente dito, a fase contenciosa, que exige a observância de suas normas regentes, entre elas os princípios da Ampla Defesa e do Contraditório. Este momento inicial, de termino do procedimento fiscal e de abertura do processo, encontrase devidamente positivado no artigo 14 do Decreto 70.235/72: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Desta forma, o fato de a autoridade fiscal, durante a fase preparatória ao lançamento, não ter concedido oportunidade para manifestação da recorrente não configura cerceamento ao seu direito de defesa ou contraditório. Como já explicitado, foi oferecido a recorrente o prazo de trinta dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação e juntar as provas suficientes a elidir o valor autuado pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no caso em tela. Assim sendo, não se mostra presente no procedimento fiscal o vício apontado pela recorrente. No tocante a alegada falta de demonstração da fundamentação legal do lançamento, constatase, da leitura do auto de infração de fls. 716/717, que a aplicação da multa tem por fundamento legal o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007, mostrandose sem razão a recorrente. Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.124 18 Quanto ao mérito, a recorrente sustenta que a responsabilidade pela infração deveria recair sobre o administrador que efetivamente praticou as importações, e não à empresa ou ao seu sócio majoritário. Neste ponto, reproduzse o comando legal que impôs a aplicação da penalidade, qual seja o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifo nosso) A redação é clara ao estabelecer a sujeição passiva à pessoa jurídica que ceder seu nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiros, e não ao administrador que efetuou os procedimentos em nome da empresa. A recorrente busca a aplicação da Teoria do Atos Ultra Vires Societates para transferir a responsabilidade pela infração da empresa para o administrador. Segundo esta teoria, quando os atos negociais são praticados por um de seus representantes sem a permissão do objeto social, a sociedade não responderia por estes, mas sim o responsável direito pelo ato. Tal tese, contudo, não se mostra aplicável ao caso concreto, posto estarmos tratando de infração relacionada ao comércio exterior, que, como vimos, é explícita ao definir a responsabilidade à pessoa jurídica que praticou o ato, sem fazer nenhuma menção a uma possível transferência desta responsabilidade. No Direito Tributário, em regra, as multas não são impostas aos agentes da infração, mas sim ao sujeito passivo da obrigação tributária, principal ou acessória, que não foi satisfeita. Como exceção, o CTN, em seu artigo 137, impõe a responsabilidade pessoal ao agente nas seguintes situações: Art. 137. A responsabilidade é pessoal ao agente: I quanto às infrações conceituadas por lei como crimes ou contravenções, salvo quando praticadas no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito; II quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; III quanto às infrações que decorram direta e exclusivamente de dolo específico: Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.125 19 a) das pessoas referidas no artigo 134, contra aquelas por quem respondem; b) dos mandatários, prepostos ou empregados, contra seus mandantes, preponentes ou empregadores; c) dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, contra estas. A responsabilidade pessoal, contudo, por não ser exclusiva do agente, não afasta da obrigação a figura da pessoa jurídica. Tal entendimento tem por base o CTN, que, ao tratar em seu artigo 128 de responsabilidade tributária, apresenta disposição geral que exige que a atribuição a terceira pessoa seja definida de forma expressa em lei: CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária SEÇÃO I Disposição Geral Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Desta forma, tendo em vista que a responsabilidade do pessoa jurídica infratora encontrase estabelecida no da Lei n° 11.488/2007, não é razoável admitirse que a mesma desapareça sem que a lei o diga expressamente. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do infrator. Tal norma não impede a recorrente de exigir do administrador, em ação regressiva, o pagamento da multa. Não pode, contudo, ser imposto ao Fisco, de forma a excluir a responsabilidade da recorrente. No tocante a alegação de ausência de máfé por parte da empresa e de seu sócio, cumpre chamar a atenção para o fato de que a imposição de penalidade pelo descumprimento de obrigação tributária tem natureza eminentemente objetiva e decorre da simples violação da norma, sendo irrelevante para a sua configuração a investigação do dolo ou culpa do agente infrator. O artigo 136 do CTN é claro neste sentido: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.126 20 O DecretoLei nº 37/66, em seu artigo 94, §2º, específico em relação às infrações relacionadas ao comércio exterior, tem previsão idêntica: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Assim, a investigação do elemento subjetivo da conduta infracional se mostra totalmente desnecessária à imputação da responsabilidade por infrações à legislação tributária e aduaneira, vez que as mesmas possuem natureza eminentemente objetiva. Esclarecese ainda que este órgão colegiado não pode afastar a responsabilidade objetiva do art. 136, como deseja a recorrente, posto já encontrarse sumulada no âmbito do CARF a impossibilidade de afastamento de comando legal tributário vigente: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação à infração propriamente dita, a recorrente afirma não restarem comprovados os fatos que resultaram na autuação. Como relatado, à recorrente está sendo imputada a conduta de ceder o seu nome a terceiros para importação de mercadorias, com o objetivo de acobertar os reais intervenientes do negócio. A autuação encontrase embasada nas seguintes constatações, extraídas do relatório fiscal: Em procedimento de fiscalização aduaneira de zona secundária, constatouse que Laser Company Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 01.407.689/000136) durante os anos de 2007 e 2008 adquiriu mercadorias no exterior e as nacionalizou por meio de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. As mercadorias (consoles e CDs de videogame) foram adquiridas nos Estados Unidos da América dos vendedores SVG Distribution Inc., Florida State Games Inc. e US1 America Inc. e declaradas à Aduana brasileira como se tivessem sido adquiridas por R Four Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 06.334.937/000180), ACS Distribuidora Ltda. (CNPJ nº 07.462.759/000135), Alarm Trade Importação e Exportação de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.963.257/000150), Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.127 21 Solution Importadora de Produtos Industrializados Ltda. (CNPJ nº 08.033.287/000168) e Mecab Comércio Importação e Exportação de Produtos Manufaturados Ltda. (CNPJ nº 60.837.911/000108). Estas cinco empresas, em nome de quem foram registradas as declarações de importação (DI), revenderam ficticiamente as mercadorias para Albert Import Eletrônicos Importação e Exportação Ltda. (CNPJ nº 07.174.369./000160), Laser Tech Comércio e Importação de Eletrônicos Ltda. (CNPJ nº 09.051.636/000137) e Eletron Brasil Comércio de Bens de Consumo Ltda. (CNPJ nº 08.479.049/000180), que posteriormente as revenderam para o mercado varejista nacional. (grifo nosso) Para comprovar a infração, a autoridade fiscal carreou aos autos os seguintes documentos, entre outros: as faturas comerciais com a data de embarque das mercadorias, bem como tabela com a associação destas faturas às Declarações de Importação (DI) registradas pelo importador no Siscomex; os documentos apresentados pelas empresas exportadoras das mercadorias à aduana dos Estados Unidos da América, em relação aos quais o relatório fiscal apresenta os seguintes comentários: SED abrevia “shipper’s export declaration” e mostra o que o despachante aduaneiro (“forwarding agent”) declarou à Aduana americana; invoice é a fatura comercial; sales/purchase order é o pedido de venda/compra; packing slip/list relaciona as mercadorias despachadas pelo vendedor (romaneio de carga); straight bill of lading mostra o conhecimento de carga no transporte dentro dos EUA, anterior ao transporte internacional; email traz trechos da correspondência eletrônica trocada entre o “forwarding agent” nos EUA e o comprador no Brasil ou seu preposto; picking sheet relaciona as mercadorias despachadas pelo vendedor (romaneio de carga); shipping instructions são instruções de embarque dadas ao “forwarding agent” nos EUA pelo comprador no Brasil ou seu preposto. Em todos os documentos de compra e venda de mercadoria mencionados acima, não há nenhuma menção a outro comprador a não ser Laser Company (Distribution ou Distributors), sempre acompanhada do endereço Rua Madre de Deus, 432, Mooca, Sao PauloSP, ou Rua Madre de Deus, 1285, ap. 131, São PauloSP, ou Rua do Oratorio, 1606, 9 andar, salas 902/903/904, Mooca, SPBrazil. As fichas cadastrais6 da JUCESP anexas mostram que o primeiro endereço é de Laser Company, pertencente a Jefferson Mucciolo; o segundo é o endereço residencial de Alberto Mucciolo; e o terceiro é o endereço tanto de Albert Import quanto de Laser Tech, ambas pertencentes a Alberto Mucciolo. Embora conste desses documentos como compradora das mercadorias, Laser Company não registrou nenhuma DI no Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.128 22 Siscomex nem aparece como adquirente em nenhuma DI registrada por pessoa jurídica importadora por sua conta e ordem. Laser Company tem declarado7 à RFB que está inativa desde 01/01/2000 e se encontra com sua inscrição no CNPJ suspensa desde 19/01/2007, quando teve solicitação de baixa indeferida. No Registro Público de Empresas Mercantis, mantido pela JUCESP, Laser Company se encontra desde 07/11/2006 na ondição de dissolvida, com distrato social datado de 10/03/2000. Contudo Laser Company mantém ativo a internet site de comércio eletrônico9, onde informa que “tem muitos anos de mercado, e investe em tecnologias avançadas de proteção de dados para oferecer mais segurança a seus clientes”. Confirmando esta atividade, em 13/10/2009, em diligência em Albert Import e Laser Tech, a fiscalização foi atendida por Edilson Carlos Batista Ventura, que se apresentou com gerente de vendas de Laser Company.(grifo nosso) as notas fiscais de entrada e saída correspondentes a cada embarque; os conhecimentos de carga, acompanhados dos seguintes comentários: Do embarque nº 1 ao 20, os conhecimentos de carga são todos endossáveis, isto é, o consignatário é omitido, estando a mercadoria consignada à ordem (to order) do embarcador (shipper), de modo que o destinatário da mercadoria permanece oculto. Entretanto, o destino das mercadorias acaba por se revelar na parte a ser notificada: Alberto Mucciolo ou Maria Cristina de Souza Pinto, sócia minoritária de Laser Tech e funcionária de Albert Import; e também nas referências de exportação, ao mencionar o CPF nº 000.347.03853, de Alberto Mucciolo. Além disso, nesses embarques, a parte a ser notificada é acompanhada normalmente do endereço residencial de Alberto Mucciolo ou do endereço antigo de Laser Tech. As informações contidas nos conhecimentos de carga seguem as instruções dadas ao despachante aduaneiro nos EUA (“forwardind agent”), oriundas do Brasil, conforme se observa nos emails e shipping instructions, documentos fornecidos pela Aduana americana. Nos emails, encontramse os endereços “Jefferson – Laser” jefferson@lasercompany.com.br e “jeffrock jeffrock” muccmetal@yahoo.com (embarques nº 2, 9 e 17). No email do embarque nº 17, encontrase manuscrita a expressão “as per Jefferson 11/21/07”, que quer dizer “conforme Jefferson 21/11/2007”. Nas instruções do embarque nº 21, encontrase manuscrita a expressão “Shipping inst. From Je”, que quer dizer “instruções de embarque oriundas de Je”, remetendo a Jefferson. O endereço “Agnaldo – WAMC Master” agnaldo@wamcmaster.com.br encontrase no email dos embarques nº 1 e 2. No email do embarque nº 1, há menção também aos destinatários Evaldo, Walter e Alexandre – WAMC. Nas instruções do embarque nº 3, há manuscrita a expressão Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.129 23 “sps wamcmast. May 5/07”, que quer dizer “(incompreensível) WAMCMaster Maio 05, 2007”. No email do embarque nº 24, há manuscrita a expressão “S/I as per Agnaldo”, que quer dizer “instruções de embarque conforme Agnaldo”. Albert Import manteve como representantes cadastrados no Siscomex os despachantes aduaneiros Evaldo Martins da Costa, Valter Azevedo e Agnaldo Francisco Barbosa da Silva, sócios de WAMC Máster Assessoria Aduaneira Ltda.23 Desse modo, as informações contidas nos conhecimentos de carga remontam a instruções dadas ou por intermédio de WAMC Master ou diretamente por Jefferson Mucciolo. (grifo nosso) Pelos documentos anexados à autuação, é possível concluir que a recorrente de fato, cedeu seu nome para a empresa Laser Company Importação e Exportação Ltda. realizar importações. Ademais, as afirmações da recorrente deixam transparecer que esta situação realmente ocorreu, por meio de um administrador da mesma, a quem o sócio majoritário da recorrente cedeu sua senha para utilização do Siscomex. Reproduzse excertos da peça recursal que levam a esta conclusão: Foi então que, o Sr. Raimundo levou clientes para a empresa impugnante e, começou a operar com a senha do SISCOMEX do Sr. Vitor que ora encontravase acamado, sem nenhuma condição para laborar, mas necessitando de recursos para honrar seus compromissos e custear seu tratamento médico e psicológico. Após iniciar a recuperação da moléstia sofrida, passou o proprietário da empresa, Sr. Victor, a desconfiar do Sr. Raimundo e a questionálo, ocasião em que este último simplesmente sumiu sem deixar nenhum contato e notícias. [...] Ora nobres julgadores, jamais foi de conhecimento do Sr. Victor que, o Sr. Raimundo utilizava sua empresa para encobertar outras empresas nas operações de importação que foram realizadas, muito menos que, houve fraude e sonegação entre elas no recolhimento dos tributos aduaneiros, porque se assim fosse, jamais teria o deixado na condução da sua empresa, evitando que fosse jogado fora todo prestigio e respeito conquistado ao longo destes anos. Desta forma, entendo restar comprovada a conduta descrita na autuação fiscal. No tocante a apuração de subfaturamento pela autoridade fiscal, que resultaram no aumento do valor das mercadorias importadas em relação aos valores constantes das DI, a mesma foi justificada como decorrente da diferença entre o preço unitário das mercadorias apurado nos documentos fornecidos pela Aduana americana com o preço unitário declarado pelos importadores nas DI. Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.130 24 Foram ainda apresentadas as seguintes informações: A fiscalização entrou em contato34 com Sharon Barone (Sharon@FloridaStateGames.net), representante de Florida State Games Inc., e foi informada de que: 1º) o console Sony PS3 nunca foi vendido por menos de US$ 300,00; 2º) o console Nintendo Wii, ao menos por US$ 250,00; 3º) o console Sony PSP, aproximadamente por US$ 300,00. Os documentos fornecidos pela Aduana americana confirmam parcialmente essa informação: PS3 varia de US$ 375,00 a US$ 500,00; Wii, de US$ 290,00 a US$ 330,00; PSP, de US$ 169,00 a US$ 195,00. A fiscalização também entrou em contato com Peter Yu (peteryu@gamersweb.com), proprietário de US1 America Inc., e foi informada de que o preço de jogo para videogame lançado em 2007 variava: 1º) de US$ 25,00 a 30,00 para PS2; 2º) de US$ 45,00 a 55,00 para PS3; 3º) de US$ 15,00 a 25,00 para PSP; 4º) de US$ 30,00 a 40,00 para Wii; 5º) de US$ 40,00 a 50,00 para XBOX3. No embarque nº 7, encontrase o único documento fornecido pela Aduana americana referente a US1 America (packing list nº 100667). Nele, o preço unitário de US$ 30,00 (US$ 51.120,00 / 1704 unidades) confirma a informação prestada por Peter Yu, já que o jogo “Winning Eleven Evolution – P2” era lançamento para 2007, utilizável no console PS2. Os demais jogos do embarque nº 7 foram lançados entre 2003 e 2005. A fiscalização relata ainda ter identificado uma grande rede varejista nacional, qual seja a FNAC Brasil Ltda. (CNPJ nº 02.634.926/000407), que informou o preço pelos quais foram adquiridas as mercadorias de Albert Import e de Laser Tech, concluindo que: Enquanto a grande rede varejista nacional estava comprando as mercadorias importadas por preços que variavam de R$ 532,92 a R$ 1.769,55, os importadores preferiram vendêlas por preços que variavam de R$ 46,80 a R$ 82,55, preços de 10 a 20 vezes menores. Isto evidencia que a revenda dos importadores foi fictícia, operando eles apenas como pessoas interpostas. Ao final, informa como forma procedidos os cálculos: Os documentos fornecidos pela Aduana americana permitiram apuração parcial do preço efetivamente praticado nas importações, sendo o restante arbitrado48 conforme o art. 88, inc. I, da medidaprovisória nº 2.15835/2003. O preço arbitrado nos embarques nº 2, 10, 16, 18, 19, 20 e 23 utilizou o preço médio da tabela nº 13 abaixo. A descrição da mercadoria (“consoles”) nos conhecimentos de carga desses embarques é idêntica à descrição nos conhecimentos de carga dos embarques da tabela nº 13, inclusive com menção da classificação fiscal (NCM 9504 1010). O preço médio da tabela abaixo também foi adotado nos embarques nº 4 e 22, mas comparandose com a descrição declarada nas DIs respectivas, pois os importadores não forneceram os conhecimentos de carga. Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.131 25 [...] Ao preço FOB da mercadoria acrescentase o frete internacional apurado, obtendose o preço CFR da mercadoria, que neste caso vem a ser o valor aduaneiro. A tabela nº 14 abaixo compara o valor aduaneiro calculado pela fiscalização com o valor aduaneiro declarado pelos importadores. 93% foi o índice de omissão do valor aduaneiro alcançado por este esquema de interposição fraudulenta cumulada com subfaturamento. Constatase, do acima exposto, que a fiscalização trouxe inúmeras evidências que apontavam a ocorrência de subfaturamento nas importações realizadas em nome da recorrente, efetuando as correções na forma devida. A recorrente, a seu turno, nada trouxe aos autos para confrontar o amplo leque de provas apresentadas pela fiscalização, de forma que não se pode considerar como corretas as informações prestadas nas DI. Por fim, em relação as alegações de equívoco no método de valoração aduaneira, transcrevese trecho da decisão recorrida, a qual se adota neste voto: Os métodos de valoração previstos pelo Acordo de Valoração Aduaneira são em seis para a determinação do valor aduaneiro das mercadorias importadas: 1º Método – método do valor da transação. 2º Método – método do valor de transação de mercadorias idênticas. 3º Método – método do valor de transação de mercadorias similares. 4º Método – método do valor de revenda (ou método do valor dedutivo). 5º Método – método do custo de produção (ou método do valor computado). 6º Método – método do último recurso (ou método pelo critério da razoabilidade). O 1º método de valoração aduaneira, que retrata valor de transação é o efetivo valor aduaneiro da mercadoria importada, conforme definido no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio – GATT 1994 (Acordo de Valoração Aduaneira), promulgado pelo Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Na impossibilidade de aplicação do método do valor de transação, o valor aduaneiro será determinado conforme um dos métodos substitutivos previstos nos artigos 2, 3, 5, 6 e 7 do referido Acordo. O 2º e 3º métodos de valoração aduaneira necessitam de Declarações de Importação paradigmas do mesmo país de Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.132 26 origem e em tempo aproximado e que tenham sido aceitas com base no artigo 1º do Acordo de Valoração Aduaneira, o que não aconteceu; O 4º método de valoração aduaneira exige que a mercadoria já tenha sido submetida a venda e a partir do valor de revenda, deduzse o valor aduaneiro, o que não aconteceu; O 5º método de valoração aduaneira, a valoração é a documentação fornecida pelo importador, o que também não aconteceu; Conforme relatado acima, a fiscalização contatou os próprios vendedores das mercadorias importadas Florida State Games Inc. e US1 America Inc. em seu trabalho de apuração do valor aduaneiro efetivamente praticado. As respostas obtidas com os exportadores mercadorias embasaram a ação fiscal. O impugnante protesta pelo uso do 3º método de valoração aduaneira método do valor de transação de mercadorias similares. Ocorre que a fiscalização não pautou suas conclusões no cômputo do valor de mercadorias importadas similares, mas sim no cômputo do valor de transação das mercadorias efetivamente importadas. A fiscalização não promoveu nenhuma pesquisa de preços de produtos parecidos ou semelhantes. Tampouco fez uma coleta de informações em seus bancos de dados sobre o valor de importação tendo por parâmetro o mesmo código NCM das mercadorias importadas. A fiscalização indagou os próprios vendedores das mercadorias Florida State Games Inc. e US1 America Inc. a respeito dos valores praticados, obtendo assim o efetivo valor de transação, já que, conforme suas declarações, as faturas – invoices – que instruíam os despachos aduaneiros eram inidôneas. Assim, a fiscalização nada mais fez do que aplicar o 1º método de valoração aduaneira, como disciplina os artigos transcritos. Com relação a alegação de que a pena imposta configuraria confisco, e ao requerimento de que seja aplicada analogicamente multa, no percentual de 10% sobre o montante do capital social da empresa, conforme já esclarecido, este órgão colegiado não pode afastar a aplicação de comando legal tributário vigente. Desta forma, em estando a presente autuação embasada em dispositivo legal expresso, não se acatam tais alegações e requerimentos. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 16561.720040/201206 Acórdão n.º 3201001.613 S3C2T1 Fl. 1.133 27 Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 14/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 07/05/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/05/2014 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15504.008764/2010-20
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA.
Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1801-001.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA NÃO NECESSÁRIA. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 87 64 /2 01 0- 20 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 75 2 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Tem cabimento a incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic sobre débitos tributários não pagos nos prazos legais, inclusive sobre a multa de ofício isolada. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento à fl. 12, com a exigência do crédito tributário no valor de R$103.875,25 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 04.05.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 22.01.2009. Para tanto, foi tem cabimento o seguinte enquadramento legal: art. 113, art. 115 e art. 160 do Código Tributário Nacional, art. 11 do DecretoLei º 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 30 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1996, art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 e art. 19 da Lei nº n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004, bem como art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 e art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 76 3 Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0209, com as alegações a seguir transcritas: I Da tempestividade: A notificação da Impugnante sobre os termos do AI citado em epígrafe deuse no dia 01/04/2010. Destarte, respeitado o trintídio legal para a interposição do presente recurso, nos termos do art. 15 do Decreto n°. 70.235/72, é ele, pois, tempestivo. [...] II Do lançamento: [...] Não obstante, é descabida a multa imposta, consoante será comprovado pelos fatos e fundamentos que a seguir serão aduzidos. III —Do direito: III. 01 — Da apresentação da DCTF antes de qualquer medida fiscalizatória — Espontaneidade da declaração — Denúncia espontânea — art. 138 do CTN: É cediço que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória —DCTF, in casu, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional [...]. Nesse sentido, aplicando o artigo acima, a não entrega da DCTF, quando enviada sem qualquer ação anterior do Fisco contra um contribuinte, ilide qualquer multa pela não entrega. Isso porque a descaracterização do "inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração" via recuperação da espontaneidade, exclui a incidência de qualquer penalidade administrativa para o contribuinte. No presente caso, como indicado na própria notificação de lançamento, a Impugnante apresentou a DCTF, antes de qualquer procedimento fiscal. Portanto, a Impugnante faz jus à fruição dos beneplácitos de que trata o artigo 138 do CTN, não podendo a Autoridade Fiscal multála a posteriori ao adimplemento da obrigação acessória de entrega da declaração. [...] Destarte, descabe a multa, tendo em vista que a DCTF foi entregue espontaneamente ao fisco. III. 02 — Da multa isolada aplicada — Aplicação de Princípios Tributários em relação As características pessoais do caso — Princípios da vedação do confisco, proporcionalidade e equidade — Aplicação: Sabese que o artigo 150, IV, da CF/88 veda ao Fisco utilizar o tributo com efeito de confisco. Cingese a matéria litigiosa à exigência da multa de oficio, pela não apresentação da DCTF. Sem querer trespassar pela seara da discussão se tal principio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser retiradas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na Fl. 76DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 77 4 norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidades e equidade. A desproporção, in casu, é evidente, visto que o valor da multa aplicada atinge a 10% (dez por cento) do valor do imposto devido. [...] E neste viés, observese que o ato do contribuinte que é sancionado pela multa em comento é tão somente não declarar a DCTF no prazo legal, sendo que não houve qualquer prejuízo ao fisco. Ora, é flagrante a infração ao principio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe ao Contribuinte, contraditoriamente, obrigação desnecessária e formalmente já cumprida. E salutar tanto para os contribuintes, quanto para a ordem jurídica banir as multas confiscatórias como a presente, sendo exatamente isso que se requer: a não aplicação da multa. Deste modo, a Impugnante requer seja aplicado o Principio da Equidade no valor da multa cominada, a fim de reduzir o ônus excessivo em face à situação de dificuldades da empresa. III. 03 —Da inaplicabilidade da Taxa SELIC em matéria tributária: E cediço que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. [...] Assim, requer seja afastada a incidência da taxa SELIC sobre os tributos lançados em detrimento a ora Impugnante. III. 04 — Lei n° 10.426/06 — Da necessariedade da notificação do Contribuinte para apresentar esclarecimentos: Gizadas as considerações acima, que certamente já demonstraram o descabimento da multa imposta, cabe dispor, em respeito ao princípio da eventualidade, que conforme preceitua o caput do art. 7 da Lei n° 10.426/02, cabe ao Sr. Auditor Fiscal ao detectar a não entrega de uma DCTF pelo Contribuinte, antes de impor a multa, notificálo para prestar esclarecimentos. Por isso, tendo em vista que o Sr. Auditor Fiscal adotou procedimento equivocado ao impor a multa à ora Impugnante, já que impôs a multa sem antes notificála para prestar esclarecimentos, a referida multa deve ser devidamente afastada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante todo o exposto, requer seja julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI ora impugnado. Termos em que, pede deferimento. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 78 5 Está registrado como resultado do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0234.928, de 27.09.2011, fls. 3744: Impugnação Improcedente. Restou ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DCTF. MULTA POR ATRASO. O contribuinte que está obrigado a entregar DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislação vigente, quando deixar de apresentála ou apresentála em atraso. Notificada em 14.11.2011, fl. 50, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 02.12.2011, fls. 5259, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta I – da Tempestividade A notificação da Recorrente sobre os termos do Acórdão citado em epígrafe deuse no dia 14/11/2011. Destarte, respeitado o trintídio legal para a interposição do presente recurso, nos termos do art. 33 do Decreto n°. 70.235/72, é ele pois, tempestivo. II – Sinopse dos Fatos [...] Interposta impugnação fiscal, tempestivamente esta foi inteiramente desacolhida, sendo o lançamento julgado procedente em Acórdão proferido pela 3a Turma Julgamento da Delegacia Fiscal da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte/MG em sessão do dia 27 de setembro de 2011 [...]. Não obstante a decisão prolatada no âmbito da Delegacia Fiscal não tratou, com a devida acuidade dos argumentos de fato e de direito expostos na peça impugnatória, o que enseja e justifica a interposição do presente recurso à segunda instância, com o fim de reformar a Decisão [...]. III —Do mérito: III. 01 — Da apresentação da DCTF antes de qualquer medida fiscalizatória — Espontaneidade da declaração — Denúncia espontânea — art. 138 do CTN: É cediço que a apresentação espontânea de uma obrigação acessória —DCTF, in casu, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante o disposto no art. 138 do Código Tributário Nacional [...]. Nesse sentido, aplicando o artigo acima, a não entrega da DCTF, quando enviada sem qualquer ação anterior do Fisco contra um contribuinte, ilide qualquer multa pela não entrega. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 79 6 Isso porque a descaracterização do "inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração" via recuperação da espontaneidade, exclui a incidência de qualquer penalidade administrativa para o contribuinte. No presente caso, como indicado na própria notificação de lançamento, a Impugnante apresentou a DCTF, antes de qualquer procedimento fiscal. Portanto, a Impugnante faz jus à fruição dos beneplácitos de que trata o artigo 138 do CTN, não podendo a Autoridade Fiscal multála a posteriori ao adimplemento da obrigação acessória de entrega da declaração. [...] Quanto a este argumentos apresentado pela ora Recorrente, também na Impugnação Fiscal o Acórdão restou praticamente omisso. [...] Ora é certo que a fundamentação do r Acórdão guerreado contraria toda a jurisprudência juntada na Impugnação e neste Recurso pela contribuinte. Ademais, destacase que a denúncia espontânea é um benefício posto em favor do contribuinte pela própria legislação, não havendo que se falar em ameaça ao caráter impositivo da norma . A bem da verdade sabese que todo benefício que visa excluir a aplicação de uma penalidade, por uma conduta posterior do contribuinte (evitandose dano ao poder público) de fato é uma opção legislativa de apaziguar uma exigência e o caráter sancionatório da norma. Não cabe, portanto ao aplicador da Lei, se tal benefício deve ou não atingir o caráter impositivo da lei, considerando que foi a própria norma em um contexto sistemático, que assim o quis. Destarte, descabe a multa, tendo em vista que a DCTF foi entregue espontaneamente ao fisco. III. 02 — Da multa isolada aplicada — Aplicação de Princípios Tributários em relação As características pessoais do caso — Princípios da vedação do confisco, proporcionalidade e equidade — Aplicação: Sabese que o artigo 150, IV, da CF/88 veda ao Fisco utilizar o tributo com efeito de confisco. Cingese a matéria litigiosa à exigência da multa de oficio, pela não apresentação da DCTF. Sem querer trespassar pela seara da discussão se tal principio se estende às multas, é forçoso reconhecer que as excessivamente onerosas devem ser retiradas de nosso ordenamento jurídico, em virtude de, a despeito de não estarem incluídas na norma constitucional supramencionada, não só ferirem o direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), mas sobretudo os princípios da proporcionalidades e equidade. A desproporção, in casu, é evidente, visto que o valor da multa aplicada atinge a 10% (dez por cento) do valor do imposto devido. [...] E neste viés, observese que o ato do contribuinte que é sancionado pela multa em comento é tão somente não declarar a DCTF no prazo legal, sendo que não houve qualquer prejuízo ao fisco. Ora, é flagrante a infração ao principio da vedação ao confisco, já que a multa, no caso em tela, impõe ao Contribuinte, contraditoriamente, obrigação desnecessária e formalmente já cumprida. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 80 7 E salutar tanto para os contribuintes, quanto para a ordem jurídica banir as multas confiscatórias como a presente, sendo exatamente isso que se requer: a não aplicação da multa. Deste modo, a Impugnante requer seja aplicado o Principio da Equidade no valor da multa cominada, a fim de reduzir o ônus excessivo em face à situação de dificuldades da empresa. III. 03 —Da inaplicabilidade da Taxa SELIC em matéria tributária: E cediço que não é cabível a aplicação da taxa SELIC para atualização de tributos, ante a própria natureza da referida taxa e a ausência de Lei que fixe sua utilização. [...] Assim, requer seja afastada a incidência da taxa SELIC sobre os tributos lançados em detrimento a ora Impugnante. III. 04 — Lei n° 10.426/06 — Da necessariedade da notificação do Contribuinte para apresentar esclarecimentos: Gizadas as considerações acima, que certamente já demonstraram o descabimento da multa imposta, cabe dispor, em respeito ao princípio da eventualidade, que conforme preceitua o caput do art. 7 da Lei n° 10.426/02, cabe ao Sr. Auditor Fiscal ao detectar a não entrega de uma DCTF pelo Contribuinte, antes de impor a multa, notificálo para prestar esclarecimentos. Por isso, tendo em vista que o Sr. Auditor Fiscal adotou procedimento equivocado ao impor a multa à ora Impugnante, já que impôs a multa sem antes notificála para prestar esclarecimentos, a referida multa deve ser devidamente afastada. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui: Ante todo o exposto, requer a Recorrente seja acolhido o presente recurso voluntário para reforma in totum o r. Acórdão proferido pela Delegacia Fiscal e, ao final, julgada improcedente a multa imposta e insubsistente o AI ora recorrido Termos em que, pede deferimento. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 81 8 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, a Notificação de Lançamento pode ser lavrada sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. A Notificação de Lançamento foi lavrada por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente diz que o lançamento não poderia ter ido realizado sem prévia intimação. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 82 9 suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador2. A Notificação de Lançamento foi lavrada com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante da multa de ofício isolada devida e identificação do sujeito passivo e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 46, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente menciona que a exigência não poderia ter sido formalizada. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador3. A Notificação de Lançamento foi lavrada com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente suscita que está amparada pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal4. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 5, cujo 2 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 4 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 5 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 83 10 trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF6. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 6 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 84 11 A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura da Notificação de Lançamento. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 85 12 (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária9. As obrigações acessórias decorrem diretamente da lei, no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 10 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega de declaração. Consta na Descrição dos Fatos, fl. 12, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00(quinhentos reais) nos demais casos. No presente caso, restou comprovado que houve atraso na entrega em 04.05.2010 da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do mês de novembro do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 22.01.2009. A proposição mencionada pela defendente, por conseguinte, não tem validade. A Recorrente discorda da incidência de juros de mora equivalentes à taxa Selic sobre a multa de ofício isolada. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, e se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês11. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. 11 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 86 13 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) para títulos federais, nos termos da Súmula CARF nº 4. Por conseguinte, os débitos tributários não pagos nos prazos legais são acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.200912 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF13. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas que, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Para todas as situações em que os débitos tributários não são pagos nos prazos legais, sobre eles incidem de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 12 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 13 Fundamentação legal: art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15504.008764/201020 Acórdão n.º 1801001.913 S1TE01 Fl. 87 14 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 87DF CARF MF Impresso em 26/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 11030.902118/2012-85
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 18 /2 01 2- 85 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 19 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.774, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 20 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 21 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 22 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 23 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 24 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 25 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902118/201285 Acórdão n.º 3803005.869 S3TE03 Fl. 26 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16707.009643/99-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/10/1996 a 30/06/1999
EMBARGOS. OMISSÃO. COMPROVAÇÃO.
Uma vez constatado a existência de omissão (falta de apreciação de argumentos relevantes) no Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária.
LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO.
Verificada a ocorrência de erro material na autuação, cabe a correção dos valores lançados, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72.
VENDA PARA ENTREGA FUTURA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado, pela escrituração no livro de Registro de Saída, que uma operação é de venda para entrega futura, há que ser dado o mesmo tratamento tributário para todas as operações deste tipo.
Embargos de Declaração Acolhidos. Acórdão Re-Ratificado.
Numero da decisão: 3302-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para re-ratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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OMISSÃO. COMPROVAÇÃO. Uma vez constatado a existência de omissão (falta de apreciação de argumentos relevantes) no Acórdão, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. LANÇAMENTO. ERRO DE FATO. RETIFICAÇÃO. Verificada a ocorrência de erro material na autuação, cabe a correção dos valores lançados, nos termos do artigo 60 do Decreto nº 70.235/72. VENDA PARA ENTREGA FUTURA. COMPROVAÇÃO. Comprovado, pela escrituração no livro de Registro de Saída, que uma operação é de venda para entrega futura, há que ser dado o mesmo tratamento tributário para todas as operações deste tipo. Embargos de Declaração Acolhidos. Acórdão ReRatificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração para reratificar o acórdão embargado, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 96 43 /9 9- 79 Fl. 840DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 3 2 EDITADO EM: 01/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Deroulede, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Contra a empresa embargante foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins, relativa a fatos geradores ocorridos entre outubro de 1996 e junho de 1999, tendo em vista que a Fiscalização constatou diferença entre o valor devido e o valor declarado da exação (fls. 01/26). Inconformada com a autuação a empresa interessada impugnou o lançamento, cujas razões estão sintetizadas no relatório do acórdão da primeira instância, que leio em sessão. A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Recife PE julgou procedente o lançamento, nos termos do Acórdão DRJ/REC nº 00.231, de 23/11/2001, cuja ementa abaixo se transcreve. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/10/1996 a 31/12/1996, 01/08/1997 a 31/08/1997, 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/05/1999 a 30/06/1999 Ementa: BASE DE CÁLCULO. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social incide sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, deduzidas as exclusões previstas em lei. A partir de fevereiro de 1999, a base de cálculo da COFINS é o faturamento, considerado a totalidade da receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Lançamento Procedente. Ciente desta decisão em 20/12/2001 (AR de fl. 149), a interessada ingressou, no dia 15/01/2002, com o recurso voluntário de fls. 156/161, no qual alega, em síntese, que Fl. 841DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 4 3 houve erro em sua escrituração fiscal e que notas fiscais de simples remessa foram escrituradas como venda, afetando a base de cálculo da Cofins, pelo que pede a realização de diligência para apurar a verdade material sobre a base de cálculo da exação. Na sessão do dia 05/11/2003 a Primeira Câmara do extinto Segundo Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 20100.377 (fls. 342/344), converteu o julgamento em diligência para a repartição lançadora apurar as alegações de erro de fato trazidas pela recorrente. Realizado a diligência, foi constatado erro de fato na base de cálculo dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996, sendo apurado para esses meses o valor da Cofins devida de R$ 630,59, R$ 1.720,95 e R$ 1.172,27, respectivamente, e ratificado o valor lançado dos demais períodos de apuração (fls. 377/390). Ciente do resultado da diligência (fl. 391), a empresa recorrente apresentou sua manifestação sobre o resultado da diligência. Esta não foi anexada ao processo e o julgamento do recurso ocorreu como se a empresa não tivesse se manifestado sobre o resultado da diligência, nos termos do Acórdão nº 210200.120, de 03 de junho de 2009, que deu provimento parcial ao seu Recurso Voluntário. Ciente do referido acórdão, a empresa ingressa com requerimento pleiteando a nulidade do acórdão sob a alegação de que sua manifestação sobre o resultado da diligência não foi anexada aos autos do processo e o julgamento ocorreu sem que fosse apreciado seus relevantes argumentos constantes da manifestação sobre o resultado da diligência. Pelo Despacho nº 3302135, de 01/11/2013, o Presidente da Turma de Julgamento recebeu o requerimento da empresa como embargos de declaração e entendeu procedente a alegação de que a manifestação da Embargante sobre o resultado da diligência não foi juntada aos autos e, conseqüentemente, não foi apreciada quando do julgamento do recurso voluntário. Por esta razão, deu seguimento aos embargos de declaração da empresa interessada para a Turma de Julgamento apreciar as alegações trazidas pela Embargante, que podem alterar o resultado do acórdão embargado. A manifestação sobre o resultado da diligência apresentada pela empresa está dividida em 3 partes. As duas primeira trazem alegações novas, não apresentadas no recurso voluntário, e a terceira parte diz respeito ao resultado da diligência propriamente dito. A seguir está uma síntese das alegações trazidas pela empresa interessada. PARTE I – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Então conforme afirmação da própria autoridade fiscalizadora a Base de Calculo da Receita de Vendas foi obtida através do Livro de Apuração do ICMS, fls. 51 a 99. A fl. 51 referese ao mês de janeiro de 1995, seqüencialmente até a fl. 98 que se refere a Dezembro de 1998. A fl. 99, é o termo de encerramento do livro fiscal. Sendo assim, os valores que compõe a Base de Cálculo da Receita de Vendas, só estão demonstrados de Janeiro/95 a Dezembro de 1998. A proveniência dos valores referente AnoCalendário 1999, contidos na Composição da Base de Cálculo (Apuração Sintética) (fl. 14), não ficou demonstrada no Auto de Infração ou nos seus anexos. Devendo Fl. 842DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 5 4 assim, as Receitas de Vendas não comprovadas dos meses de maio e junho de 1999, não serem consideradas na Apuração do Débito (fl.19) Neste mesmo sentido, a autoridade fiscalizadora afirmou que Base de Calculo da Receita de Serviços foi obtida através do Livro de Apuração do ISS, fls. 31 a 50. A fl. 31 referese ao mês de Janeiro de 1995, seqüencialmente até a fl. 49, que se refere a Julho de 1996. A fl. 50 também é termo de encerramento. Então os valores que compõe a Base de Cálculo da Receita de Serviço, só estão demonstrados de Janeiro/95 a Julho de 1996. A Composição da Base de Cálculo (Apuração Sintética) fl. 11, referente ao AnoCalendário 1996, apresenta valores para os meses de Agosto a Novembro de 1996, que não foram comprovados nos autos de Infração. Devendo assim, as receitas de Serviços não comprovados dos meses outubro e novembro de 2006 (sic) não serem consideradas na Apuração do Débito (fl. 16). Consta também do Termo de Inicio de Auditoria Fiscal (fl. 09), que a empresa foi solicitada a apresentar os documentos referentes ao período de janeiro/1995 a Junho/1999. Não consta em nenhum relatório ou no Auto de Infração que a empresa não tenha apresentado qualquer período dos documentos solicitados. Como visto acima, não ficou devidamente comprovado de onde foram obtidos alguns valores constantes da Base de Cálculo sobre a qual foi apurado o valor do débito devido pela empresa. [...] Esta omissão de documentos relativa a certo período, deixa o autuado sem defesa, pois não tinha como deduzir se foi usada a mesma metodologia dos outros períodos, ou se para apenas este período houve outra forma de apuração. Sequer tinha a certeza de qual documentação foi efetivamente tirados os valores que compõe a Base de Cálculo do período, se do Livro de ICMS e ISS, ou de outra fonte de informação. A recorrente alega desde o inicio do processo, falhas nos valores apurados que só poderiam vir a ser elucidados através de diligência. Todos seus argumentos e planilhas apresentados na Impugnação (fl. 103 a 141) não foram considerados. Em conseqüência, alega a embargante que o processo não está instruído com a documentação (Livros de Apuração de ICMS e ISS) necessária para comprovar os dados de todo o período apurado, configurando cerceamento do direito de defesa da autuada e, conseqüentemente, anulação do auto de infração, nos termos do já decido pelo Conselho de Contribuintes (Acórdãos 30234277, 2039713, 20308588). PARTE II – CRÉDITOS A SEREM COMPENSADOS Conforme demonstrativo anexo (DOC. 01), preparado com base nos próprios documentos acima referido. O total de credito apurado para o período que foi feita compensação (Jan/95 a set/96) foi de R$ 15.114,48, não foi considerado o crédito Fl. 843DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 6 5 recolhido no valor de R$794,26 (fl.30), totalizando um credito em favor da recorrente de R$15.908,74. No entanto, os valores do principal consolidados apurados pelo AFRF, para este mesmo período foi de R$9.808,16. Havendo assim por diferença, um crédito em favor do recorrente de R$ 6.100,58, que também deve ser considerado na compensação dos seus débitos. PARTE III – DO RELATÓRIO E CONCLUSÕES DA DILIGÊNCIA A empresa Recorrente discorda de dois pontos do Relatório: 1. Faturamento e Remessa Futura Anos de 1998 e 1999 (Quadro XIII) 2. Cancelamento da NF N. 001279, no valor de 525.000,00 (Quadro VIII). As razões da discordância da Embargante podem ser resumidas nos seguintes termos: 1. Faturamento e Remessa Futura – Anos de 1998 e 1999 Neste quadro, se analisa detalhadamente a Nota Fiscal "mãe" n. 01890, emitida em 16/02/1998, CFOP 6.11, operação sem débito de tributo, registrada no livro Registro de Saída n. 6, fl. 22. Neste quadro, a autoridade considera o valor desta nota como R$140.000,00. No entanto, conforme se verifica na cópia da NF já constante dos autos (fl. 291) e no próprio lançamento da NF no livro de saída (fl. 327), o valor correto é R$87.500,00. Apesar da conclusão da Diligência n. 8 (fl. 389) que o valor desta nota fiscal não está incluído no auto de infração que tem como base R$ 118.607,50, por se o seu valor considerado de R$ 140.000,00, maior que a própria base de cálculo. Este entendimento está equivocado, conforme se verifica nas informações do próprio processo, o valor correto desta NF "mãe" n. 01890, é de R$87.500,00. Este valor está indevidamente incluído na base de cálculo deste período e deverá ser excluído, assim como foram excluídos os valores das outras notas "mães". A base de calculo do lançamento para o mês de fevereiro de 1998 foi RS118.607,74, correspondente o valor lançando nas saídas do Registro de Apuração de ICMS (fl.88), estando incluído o valor de R$87.500,00 referente a NF n.01890, conforme demonstrado no quadro anexo (DOC.02). Esclarecida esta discrepância, deve o valor de 87.500,00, referente a NF n. 01890, ser excluído do fator gerador referente a 28/02/1998 do auto de infração. 2. Cancelamento da NF nº 001279, no valor de 525.000,00 (Quadro VIII). No entanto no que se refere ao item 4 da conclusão referente esta NF n. 001279, temos que discordar da autoridade fiscalizadora. Esta Nota, por se tratar de uma Nota Fiscal Fl. 844DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 7 6 "Mãe", foi emitida sem débito e com Natureza de Entrega Futura. Esta nota foi cancelada, mas não consta a primeira via no livro, pois a mesma foi enviada para a compradora. Como o pedido foi cancelado, ela deveria ter sido devolvida, mas não o foi. Na época foi solicitada sua devolução, mas isto nunca ocorreu. A Embargante alega que entrou em contato com a empresa compradora (AGROPARMA) e com a sua controladora (PARMALAT) para conseguir a primeira via da nota fiscal nº 001279, sem sucesso. Alega que a nota fiscal nº 001279 é uma nota fiscal “mãe” e, igualmente às outras notas fiscais “mãe”, ela não compõe a base de cálculo da Cofins, pelas evidências que apresenta, a exemplo de falta de entrega da mercadoria consignada na referida nota fiscal. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. Os Embargos de Declaração atendem aos requisitos legais, dele se conhece. Como se viu, trata o presente de auto de infração de Cofins, lavrado em razão de diferença entre o valor devido e o valor declarado pela recorrente. Em seu recurso voluntário, a recorrente solicita a realização de diligência, no que foi atendida. Feito a diligência, ficou constatado a existência de erro de fato na apuração da base de cálculo da Cofins dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996. A autoridade Fiscal apurou novo valor da Cofins devida para o referido período (R$ 630,59, R$ 1.720,95 e R$ 1.172,27, respectivamente) e ratificou o valor lançado dos demais períodos de apuração (fls. 377/390). Ciente do resultado da diligência, a empresa apresenta sua manifestação alegando o seguinte: 1 nulidade do auto de infração por não está instruído com cópia do Livro de Registro de Apuração do ICMS dos meses de maio e junho de 1999 e do livro de Apuração de ISS dos meses de outubro e novembro de 2006. O Relatório Fiscal não informa de onde foi extraído a base de cálculo desses períodos de apuração. Este fato caracteriza cerceamento do direito de defesa porque a empresa não sabe de onde foi retirado a base de cálculo da Cofins dos meses de maio, junho e agosto a novembro de 1999, sendo nulo o auto de infração, que deveria estar instruído com toda a documentação que lhe deu suporte. Fl. 845DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 8 7 2 na apuração do débito não foi considerado o crédito recolhido no valor de R$ 794,26. Conseqüentemente, no período de janeiro de 1995 a setembro de 1996 há uma diferença (crédito) a favor da empresa autuada de R$ 6.100,58, que deveria ser considerado na compensação de seus débitos; 3 O valor da Nota Fiscal “mãe” nº 01890, de 16/02/1998, é R$ 87.500,00 e não R$ 140.000,00 como consta do resultado da diligência. O valor dessa nota fiscal está incluído na base de cálculo do PA 02/98, posto que escriturado no livro Registro de Saída e no livro Registro de Apuração de ICMS, de onde foi retirado a base de cálculo da Cofins; 4 A Nota Fiscal nº 01279, no valor de R$ 525.000,00, é uma nota fiscal “mãe” relativo a venda para entrega futura e, igualmente a inúmera outras, não há débito de Cofins, independente de ter sido cancelada ou não. Sobre a prova do cancelamento, especialmente a apresentação da 1ª via, resultou improfícuo seu esforço de conseguíla junto à empresa sua cliente (AGROPARMA) ou à empresa que a controlava (PARMALAT). Pela natureza das suas operações fica evidente que a operação é exatamente igual às outras tantas que realizou, ou seja, que a referida nota fiscal é do tipo “mãe”, que não sofre tributação. Em sede de preliminar, devo analisar duas questões levantadas pela empresa Embargante quando da manifestação sobre o resultado da diligência: 1ª) nulidade do auto de infração por falta de indicação, no Relatório Fiscal, e juntada aos autos do Livro Registro de Apuração do ICMS dos meses de maio e junho de 1999 e do Livro de Apuração de ISS dos meses de agosto a novembro de 1996; e 2ª) falta de aproveitamento, na apuração do débito, de crédito no valor de R$ 794,26. Essas matérias não foram objeto de impugnação. E a impugnação estabelece a fase litigiosa do procedimento e o momento de sua apresentação é aquele estabelecido no art. 15 do Decreto no 70.235/72. Estabelece, também, o art. 17 deste mesmo diploma legal, que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Conseqüentemente, sobre essas matérias não há litígio e nem foi objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. Não tendo sido objeto de julgamento, não há como este Conselho apreciálas, posto que preclusa. Mesmo preclusa, e por ser matéria de ordem pública, a alegação da empresa sobre a nulidade do auto de infração não procede porque não é obrigatório a juntada de cópia de livros fiscais aos autos, mas sim que o auto de infração esteja acompanhado dos demonstrativos necessários à apuração do tributo, fato que ocorreu no presente processo, conforme documentos acostados às fls. 01/52. Quanto ao mérito, o resultado da diligência não deixa dúvida de que ocorreu erro de fato no lançamento da Cofins dos meses de outubro, novembro e dezembro de 1996, merecendo acolhida a pretensão da recorrente para retificar o valor dos débitos desses períodos de apuração, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235/72. Quanto ao valor da Nota Fiscal nº 01890, de 16/02/1998, há o erro apontado pela Embargante. Pela cópia anexada aos autos, está comprovado que o valor desta nota fiscal é R$ 87.500,00. Conseqüentemente, seu valor está incluído no valor registrado no livro de Registro de Apuração de ICMS no CFOP 6.11 (R$ 94.400,00), considerado na base de cálculo do período de apuração de fevereiro de 1998. Conseqüentemente, a correta base de cálculo da Cofins de fevereiro de 1998 é R$ 31.107,50 (= R$ 118.607,50 – R$ 87.500,00) e o valor da Cofins devida é R$ 622,15 e não o valor lançado de R$ 2.372,15. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16707.009643/9979 Acórdão n.º 3302002.481 S3C3T2 Fl. 9 8 Quanto a Nota Fiscal nº 001279, de 21/08/97 (fl. 361), no valor de R$ 525.000,00, não há dúvidas de que a empresa Embargante não logrou provar que a mesma foi cancelada. Embora relevantes, seus argumentos neste sentido não merecem acolhida. No entanto, tem a empresa Embargante razão a afirmar que referida nota fiscal é do tipo “mãe”, não sujeita à tributação. Igualmente às outras tantas notas fiscais deste tipo, a natureza da operação é “venda entrega futura”. O CFOP consignado na nota fiscal é 6.99. No entanto, no livro Registro de Saída o CFOP escriturado é 6.11, comprovando o erro de emissão da nota fiscal, independente de sua retificação formal. Ademais, não há comprovação da saída posterior da mercadoria consignada na nota fiscal nº 01279. Conseqüentemente, a base de cálculo da Cofins de agosto de 1997 deve ser reduzida para R$ 28.874,00 (= 553.874,00 – R$ 525.000,00) e o valor da Cofins devida também deve ser reduzido para R$ 577,48. Por tais razões, que reputo suficientes ao deslinde, ainda que outras tenham sido alinhadas, voto no sentido de acolher os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão embargado e dar parcial provimento ao recurso voluntário para reduzir o valor devido da Cofins dos períodos de apuração de outubro, novembro e dezembro de 1996, agosto de 1997 e fevereiro de 1998, para os valores referidos no corpo deste voto, mantendo, no mais, a decisão recorrida. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 847DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10980.015835/2008-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 58 35 /2 00 8- 97 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 20 a 22: Trata o presente processo de notificação de lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, relativa à declaração de ajuste anual do exercício 2004, anocalendário 2003, para a exigência de imposto suplementar de RS 4.727,33, além de multa de oficio de 75% e acréscimos legais, em face da constatação de dedução indevida de despesas médicas, no valor de RS 18.250,00, por falta de comprovação ou de previsão legal, constando da complementação da descrição dos fatos que: (a) o valor de R$ 5.250,00, declarado como pago a JOAO MANUEL CARDOSO MARTINS, foi glosado por haver sido informado em duplicidade, considerando o outro valor declarado de R$ 250,00; (b) o valor de R$ 13.000,00 declarado como pago a THOMAZ JEFFERSON LEMOS PESSOA foi glosado por falta de comprovação de efetivo pagamento e o contribuinte, intimado a fornecer tal prova, limitouse a apresentar recibos, não tendo também trazido laudos, relatórios ou exames que comprovassem a realização dos procedimentos. Cientificado, por via postal, em 29/10/2008 (fl. 19), o interessado apresentou, tempestivamente, em 03/11/2008, impugnação (fls. 01/07), instruída com documentos (fls. 08/15), a seguir sintetizada. Argumenta que, antes do lançamento, apresentou esclarecimentos, informando os tratamentos, os nomes, especialidades e endereços dos dois médicos, o que considera suficientes, com base em recibos, que defende serem documentos hábeis e idôneos comprovação das despesas efetuadas. Diz que não basta a suposição de inexistência da prestação do serviço médico para deslegitimar o documento apresentado, nem a alegação de que o profissional havia expedido recibos a outros contribuintes sem a efetiva prestação de serviços, sob pena de se atentar contra a segurança jurídica. Cita jurisprudência administrativa e judicial, acrescentando que a fiscalização não fez prova de que os serviços não foram efetuados. Contesta a exigência de cópia de extratos de movimentação bancária, a fim de demonstrar os saques, aduzindo se tratar de tentativa de burlar o disposto na Lei Complementar n° 105, de 2001. Pelo exposto, requer o cancelamento integral da exigência, inclusive multa e juros. No que se refere ao juros de mora, ad argumentandum tantum, pleiteia o reconhecimento da ilegalidade e da inconstitucionalidade da taxa Selic, discorrendo sobre sua natureza e sustentando que não há lei que a defina sua origem e forma de cálculo, contrariando o disposto no art. 150, I e III, "b", da Constituição Federal e no art. 161, § 1°, do CTN, além de violar o principio da indelegabilidade tributária, a teor do art. 48, I, da Constituição. Acerca da matéria, transcreve jurisprudência do STJ, concluindo haver ofensa aos princípios da legalidade, da anterioridade, da Fl. 48DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 4 3 segurança jurídica e da indelegabilidade de competência tributária. Requer, assim, que os juros de mora sejam adequados ao limite de 1% ao mês. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que o valor glosado de R$ 5.250,00, declarado como pago a JOÃO MANUEL CARDOSO MARTINS, não foi impugnado e que não foram apresentadas provas de quitação efetiva do valor de R$ 13.000,00 declarado como pago a THOMAZ JEFFERSON LEMOS PESSOA, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual, além de restrita as hipóteses previstas em lei, está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados, podendo ser exigida a demonstração do efetivo desembolso e dos serviços contratados. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Presentes os pressupostos de exigência, cobramse juros de mora pelos percentuais legalmente determinados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 31/32, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguinte: Valor de R$ 5.250,00: Houve um erro de indicação de CPF na DIRPF, a duplicidade ocorreu somente sob esse aspecto em relação ao prestador João Manuel Cardoso Martins. Na verdade esse valor foi gasto com o dentista Dr. Flávio Graciano e Valor de R$ 13.000,00: Em relação a este valor, confirma que os valores foram pagos e os serviços prestados conforme a documentação constante dos autos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 49DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 5 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Discutese as seguintes glosas das despesas médicas: Valor de R$ 5.250,00, pago a Flávio Graciano, dentista , considerandose o equívoco da informação em relação ao CPF dessa despesa na DIRPF conforme alegado pelo recorrente e Valor de R$ 13.000,00, pago a Thomaz Jefferson Lemos Pessoa, dentista. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação Fl. 50DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 6 5 tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 109 mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de aprox. R$ 22 mil, fl. 16), na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento) e na tipologia 5 (15/06/2003 sábado – fl.40, 15/09/2003 domingo – fl.41 e 15/11/2003 – feriado nacional – fl.42). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a apresentação das declarações e radiografias sem nenhuma comprovação de pagamento não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou somente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Ainda, em relação aos recibos emitidos pelo dentista Flávio Graciano, observamos que este trabalha num município distinto, Colombo, PR, do recorrente e que tanto Fl. 51DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10980.015835/200897 Acórdão n.º 2102002.594 S2C1T2 Fl. 7 6 a Declaração de fl. 34 como os recibos de fls. 35 a 37, não mencionam qual o tratamento efetuado e tampouco quem seria o paciente. De outro lado, não encontramos para nenhuma das despesas, cópias de exames, laudos ou outros documentos complementares que pudesse formar um conjunto de provas convincente das alegações do contribuinte. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas em apreço. Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000128/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA.
Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória (declarar GFIP, e informar as compensações em GPS), o prazo decadencial acompanha a regra de contagem estabelecida para a obrigação principal. Comprovada a decadência da obrigação principal, há que ser afastada a penalidade aplicada no presente processo.
Numero da decisão: 2403-001.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari.
Carlos Alberto Mees Stringari- Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA. Em se tratando de descumprimento de obrigação acessória (declarar GFIP, e informar as compensações em GPS), o prazo decadencial acompanha a regra de contagem estabelecida para a obrigação principal. Comprovada a decadência da obrigação principal, há que ser afastada a penalidade aplicada no presente processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 01 28 /2 00 8- 01 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso. Vencido o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Carolina Wanderley Landim e Maria Anselma Coscrato dos Santos Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19740.000128/200801 Acórdão n.º 2403001.834 S2C4T3 Fl. 142 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado às fls. 96 a 122 contra o Acórdão proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJOI (fls. 81 a 89), que julgou procedente o lançamento consubstanciado no Auto de Infração – AI – DEBCAD nº 37.129.6188, através do qual foi aplicada multa por descumprimento de obrigações acessórias no valor de R$ 1.195,13. A Recorrente foi notificada da lavratura do Auto de Infração em 20/12/2007. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 15 a 21), a penalidade imputada à Recorrente decorre (i) da não apresentação de GFIP sem movimento em relação às competências de 02/1999 a 09/2000; e (ii) de ter a empresa deixado de informar compensações nas GPS (período descontínuo entre 01/1999 a 05/2002, detalhado em planilha no relatório fiscal). Em virtude destas infrações, foi aplicada a multa de acordo com o disposto nos artigos 92 e 102 da Lei 8212/91 e art. 283, "caput" e § 3° e art. 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06.05.99, no valor de R$ 1.195,13. A Recorrente foi notificada dos termos da acusação fiscal em 20/12/2007, contra a qual apresentou impugnação às fls. 30 a 52, alegando, aqui em breve síntese, que os créditos lançados, objeto do Auto de Infração DEBCAD nº 37.129.6188, são indevidos e inexistentes por se referirem a período que foi atingido pela decadência, e que, portanto, por força do art. 156, V do Código Tributário Nacional – CTN estariam extintos. Argumentou a Recorrente que o prazo decadencial aplicável ao presente caso é o disposto no art. 150, § 4 do CTN, uma vez que, tratandose de obrigação acessória vinculada a tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial para lançamento da multa deve ser o mesmo para constituição da obrigação principal, portanto, 05 anos contados do fato gerador. Ressalta que, por terem natureza tributária, as contribuições previdenciárias estariam sujeitas ao prazo decadencial previsto no CTN, devendo de pronto ser afastado o prazo decadencial de 10 (dez) anos contido na Lei 8.212/1991, fundamentando seu pedido com julgados do STF e STJ, e deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por fim, requereu a total improcedência do lançamento, bem como o cancelamento das exigências fiscais dele decorrentes. Instada a apreciar a peça impugnatória, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – DRJ/RJOI, a despeito de reconhecer que o lapso decadencial aplicável ao caso seria aquele previsto no art. 173, I, julgou o lançamento procedente, manteve por completo a exigência, por entender que a obrigatoriedade de guarda da documentação fiscal permanecia por 10 anos, a teor do artigo 32, § 11 da Lei n. 8.212/1991. A ementa da decisão segue abaixo transcrita (Acórdão nº 1220.702): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Período de apuração: 01/02/1999 a 31/05/2002 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Apresentar a empresa GFIP em desconformidade com o respectivo Manual de Orientação constitui infração ao artigo 32, inciso IV e §§ 1º e 3º da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 9.528/97, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, a teor do disposto no artigo 173, I, do CTN. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão de primeira instância, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 96 a 122), reiterando os argumentos dispostos na Impugnação, no sentido de que a totalidade dos créditos previdenciários exigidos encontrase fulminada pela decadência, nos termos do art. 150, §4º do CTN; e que em relação ao prazo de guarda dos documentos, o contribuinte somente estaria obrigado a conservar a documentação até que se opere a decadência do direito de a fazenda pública constituir os créditos tributários relativos aos respectivos exercícios. Requereu ao final o total provimento do Recurso Voluntário, para que seja reformado o Acórdão combatido, com o conseqüente julgamento pela total improcedência do Auto de Infração. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19740.000128/200801 Acórdão n.º 2403001.834 S2C4T3 Fl. 143 5 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Depreendese, da análise dos autos, que o ponto central da lide diz respeito à interpretação do prazo decadencial aplicado à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento das obrigações acessórias relativas às contribuições previdenciárias. Foi verificado, durante a fiscalização, que a empresa deixou de apresentar GFIP sem movimento para determinado estabelecimento indicado no Relatório de Infração, bem como deixou de informar em GPS compensações efetuadas em diversos estabelecimentos. O Acórdão recorrido admitiu que, à vista da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212/90, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, com efeitos erga omnes, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos prazos prescricionais e decadenciais previstos no Código Tributário Nacional, de modo que o lapso decadencial cabível na hipótese de descumprimento de obrigação acessória seria de cinco anos contados do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado pela autoridade fazendária, nos termos do art. 173, I do CTN. Embora seja certo de que o prazo decadencial aplicável para lançamento das contribuições previdenciárias é qüinqüenal e regese pelo Código Tributário Nacional, entendo que o prazo decadencial aplicável aos casos de descumprimento de obrigação acessória regese pelo mesmo prazo aplicável ao descumprimento da obrigação principal a que está relacionada. A falta de apresentação de GFIP, sem movimento, bem como a falta de informação em GFIP das compensações efetuadas, são infrações diretamente relacionadas ao pagamento das contribuições previdenciárias devidas pela pessoa jurídica e, como tal, sujeitamse ao mesmo prazo previsto para lançamento das contribuições que eventualmente tenham deixado de ser recolhidas no período em que cometidas as infrações. De fato, não faria sentido que a contribuição previdenciária que eventualmente tivesse deixado de ser recolhida estivessem fulminada pela decadência, enquanto a obrigação acessória a ela relacionada ainda pudesse dar ensejo à aplicação de penalidade ao contribuinte que a descumpriu. Sendo assim, é preciso verificar qual o prazo decadencial aplicável no caso ao descumprimento da obrigação principal – se o previsto no artigo 150, §4o ou aquela previsto no 173, I, do CTN. Caso tenha havido pagamento antecipado das contribuições previdenciárias nos meses objeto da autuação, o prazo decadencial contase da data do fato gerador, a teor do artigo 150, §4o, do CTN. Não tendo havido antecipação do pagamento, o prazo contase do Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, tal como previsto no artigo 173, I, do CTN. Aplicandose os prazos acima ao caso concreto, concluise que, quanto à não apresentação de GFIP sem movimento, relativa às competências de 02/1999 a 09/2000, já operouse a decadência, vez que a notificação do lançamento ocorreu em 20/12/2007. Neste caso, seja contando o prazo com base no artigo 150, §4o, seja pelo artigo 173, I do CTN, o direito de o Fisco lançar já se encontrava decaído. Já quanto à infração relativa à falta de informação das compensações em GFIP, relativa a período descontínuo entre 01/1999 a 05/2002, estão decaídos de acordo com a contagem prevista no artigo 173, I, apenas os períodos até dezembro de 2001. O período de janeiro a maio de 2002, portanto, não estaria decaído, caso fosse adotada a contagem prevista no referido artigo. Observase, contudo, que sendo a infração capitulada a falta de informação de compensação em GFIP, houve procedimento de compensação realizado pelo contribuinte que equivale ao pagamento antecipado, passível de homologação. Além disso, houve também o recolhimento via GPS, conforme se verifica do Termo de Encerramento, em que consta a entrega de GPS pelo contribuinte. Tendo havido a antecipação de recolhimento e de compensação pela Recorrente, há de ser aplicado o artigo 150, §4o, diante do que, tendo a notificação do lançamento ocorrido em 20/12/2007, o período de janeiro a maio de 2002 também se encontra atingido pela decadência. Estando decaída a obrigação tributária, não se pode exigir do contribuinte a guarda dos documentos exigidos por esta fiscalização. De fato, no que diz respeito ao prazo de guarda da documentação, também não assiste razão ao órgão julgador de primeira instância, quando entende pela aplicação do prazo decenal previsto no § 11o do artigo 32 da Lei n. 8.212/1991. Tendo sido reconhecida a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8,212/1991, com a consequente aplicabilidade dos prazos decadenciais veiculados no CTN, não há como subsistir o prazo decenal de guarda de documentos para apresentação à fiscalização. Tal prazo, por óbvio, estava diretamente relacionado ao prazo decadencial decenal antes previsto na legislação – prazo este cuja inconstitucionalidade foi reconhecida pela STF. Sendo assim, estando decaída a obrigação tributária, não se pode exigir do contribuinte a guarda dos documentos exigidos no curso da fiscalização, diante do deve ser afastada a multa aplicada. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a aplicação da multa exigida, por ter se operado a decadência. É como voto. Carolina Wanderley Landim Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 19740.000128/200801 Acórdão n.º 2403001.834 S2C4T3 Fl. 144 7 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 01/11 /2013 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 19515.000636/2009-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido implica arbitramento do lucro, que se dará mediante a aplicação dos percentuais fixados no RIR/99 sobre a receita bruta conhecida, acrescidos de vinte por cento. A aplicação desses percentuais sobre a receita conhecida para a apuração do lucro considera fictamente os custos e despesas incorridos pelo contribuinte no curso de suas atividades.
Numero da decisão: 1102-000.924
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, Manoel Mota Fonseca
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido implica arbitramento do lucro, que se dará mediante a aplicação dos percentuais fixados no RIR/99 sobre a receita bruta conhecida, acrescidos de vinte por cento. A aplicação desses percentuais sobre a receita conhecida para a apuração do lucro considera fictamente os custos e despesas incorridos pelo contribuinte no curso de suas atividades.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé - Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, Manoel Mota Fonseca
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ART. 42 DA LEI N. 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Precedentes. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação dos livros e documentos necessários à apuração do lucro presumido implica arbitramento do lucro, que se dará mediante a aplicação dos percentuais fixados no RIR/99 sobre a receita bruta conhecida, acrescidos de vinte por cento. A aplicação desses percentuais sobre a receita conhecida para a apuração do lucro considera fictamente os custos e despesas incorridos pelo contribuinte no curso de suas atividades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 36 /2 00 9- 26 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joao Otavio Oppermann Thomé, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jose Evande Carvalho Araujo, Antonio Carlos Guidoni Filho, Ricardo Marozzi Gregorio, Manoel Mota Fonseca Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Sétima Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, apesar de regularmente notificado. ARBITRAMENTO DE LUCROS. A não apresentação dos livros contábeis e fiscais, ou do Livro Caixa, e dos documentos da escrituração comercial e fiscal durante o procedimento de fiscalização autoriza a realização do arbitramento dos lucros. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicamse aos lançamentos de CSLL, PIS e COFINS as mesmas conclusões e razões de decidir consideradas para o lançamento do IRPJ, por serem comuns os seus fundamentos fáticos e jurídicos, exceto no que se refere a aspectos peculiares àqueles tributos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador da COFINS deve ser reconhecido de ofício, uma vez que a atividade de julgamento administrativo implica no controle de legalidade do lançamento pela própria administração tributária. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. Erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador do PIS deve ser reconhecido de ofício, uma vez que a atividade de julgamento administrativo implica no controle de legalidade do lançamento pela própria administração tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “ (...) Em 04.03.2009 foram lavrados autos de infração contra o interessado acima identificado, com ciência pela via postal em 07.03.2009, por meio dos quais foram exigidas importâncias de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS do anocalendário 2005, conforme abaixo: (...) O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 202 a 206, acompanhado de Anexo de fls. 207 a 233, discriminando os depósitos bancários utilizados no lançamento. O Auditor Fiscal relata que compareceu pessoalmente ao endereço que consta dos cadastros da RFB como sendo o do contribuinte, tendo constatado que a empresa não mais funcionava naquele local. Enviado o termo de início ao mesmo endereço, por via postal, foi ele recusado. Dessa forma, o autuante encaminhou o Termo de Início de Fiscalização ao representante da empresa perante a RFB, no seu endereço cadastral, solicitando a apresentação do contrato social, relação das instituições financeiras com as quais havia transacionado em 2005, livros comerciais e fiscais do mesmo período e respectivos arquivos magnéticos. O contador da empresa apenas informou quais as instituições financeiras em que o contribuinte manteve contas em 2005. Assim, foi realizada nova intimação para que fossem apresentados o contrato social, extratos das contas bancárias e a escrituração da movimentação financeira no Livro Caixa, ou se fosse o caso nos Livros Diário e Razão. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 5 4 Em resposta, foram entregues os extratos e o contrato social, porém não os livros contábeis e fiscais. Das informações contidas nos extratos bancários, foram excluídos os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica, resgates de aplicações financeiras, estornos e cheques devolvidos, e após a conciliação das contas bancárias, foi realizada nova intimação para que fosse comprovada a origem dos recursos correspondentes aos créditos remanescentes. Uma vez que o contribuinte não justificou a origem dos recursos depositados em suas contas correntes, foi realizado o lançamento de ofício com base na presunção de omissão de receitas prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, e o lucro foi arbitrado, nos termos do artigo 47 da Lei nº 8.981/95, tendo em vista que o contribuinte não apresentou à fiscalização os livros e documentos da escrituração contábil e fiscal. A receita declarada em DIPJ foi deduzida do total dos depósitos considerados não justificados. Com relação à receita bruta declarada na DIPJ pelo Lucro Presumido, foi aplicado percentual de 9,6% do lucro arbitrado, calculado o tributo devido, e deduzido o valor declarado em DCTF, para fins de constituição do crédito tributário do IRPJ e da CSLL. Em 01.04.2009 foi apresentada impugnação (fls. 259 a 270). Argumenta o contribuinte que o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 estabeleceu uma nova modalidade de fato gerador, os depósitos bancários, porém apenas a lei complementar poderia ter instituído esta nova tributação, por força do artigo 146 da CF/88. Além disso, o CTN, em seu artigo 43, define o fato gerador do imposto de renda como sendo a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, e que seria necessária a demonstração cabal, pelo Fisco, de que os depósitos deram origem a uma disponibilidade de renda, a um aumento de seu patrimônio. Quanto ao lançamento tributário relativo à parcela da receita bruta declarada em DIPJ, o contribuinte afirma que deveria a fiscalização proceder a compensação dos valores já recolhidos, em obediência aos princípios administrativos da legalidade e da moralidade. Considera indevido o arbitramento realizado, pois a legislação em que se baseou a fiscalização para arbitrar os lucros dirigese à apuração com base no lucro real, enquanto o contribuinte apresentou a sua declaração pelo lucro presumido. Além disso, com base no artigo 288 do RIR/99 (artigo 24 da Lei nº 9.249/95), citado pelo próprio autuante, a apuração realizada Fl. 401DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 6 5 pelo Fisco deveria ter sido baseada no lucro presumido, regime pelo qual optou, regularmente. Requer ao final o reconhecimento de sua defesa. É o relatório.” O acórdão recorrido julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pela Contribuinte pelos fundamentos sintetizados na ementa acima transcrita. Em síntese, na parte provida, excluiuse dos lançamentos originários de PIS e da COFINS relativos às competências setembro e dezembro de 2005 as parcelas de receita omitida pela Contribuinte nos meses de julho/agosto e de outubro/novembro de 2005, respectivamente, por erro de identificação do aspecto temporal do fato gerador. Em recurso voluntário, a Contribuinte reproduz alegações de impugnação quanto à ilegalidade da tributação dos depósitos bancários e suscita nulidade dos lançamentos por utilização de critério de apuração de omissão de receita vedada por lei, reportandose às regras de tributação relativas às empresas vinculadas ao sistema simplificado de tributação (SIMPLES). É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário foi interposto tempestivamente e por parte legítima, pelo que dele se toma conhecimento. Após a edição da Lei n. 9.430/96 (art. 42), não se contesta em seara administrativa a legitimidade do procedimento fiscal de presumir a omissão de receitas ou rendimentos tributáveis quanto a valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem respectiva. Nesse sentido, é a remansosa jurisprudência dessa Corte, verbis: Número do Recurso: 139536 Câmara: OITAVA CÂMARA Número do Processo: 13808.005672/200157 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ Recorrente: PLAYCENTER S.A. Recorrida/Interessado: 10ª TURMA/DRJSÃO PAULO/SP I Data da Sessão: 10/08/2005 00:00:00 Fl. 402DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 7 6 Relator: José Carlos Teixeira da Fonseca Decisão: Acórdão 10808430 Resultado: DPU DAR PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa: IRPJ – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – OCORRÊNCIAS ANTERIORES A 1997 – A presunção legal de omissão de receitas nos casos de depósitos bancários de origem não comprovada, prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, só produz efeitos a partir de 1º de janeiro de 1997, conforme disposto no artigo 87 deste mesmo diploma legal. No mesmo sentido: Número do Recurso: 144253 Câmara: QUINTA CÂMARA Número do Processo: 10875.000137/200461 Tipo do Recurso: VOLUNTÁRIO Matéria: IRPJ E OUTROS Recorrente: HIKARI INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida/Interessado: 2ª TURMA/DRJCAMPINAS/SP Data da Sessão: 22/02/2006 01:00:00 Relator: José Carlos Passuello Decisão: Acórdão 10515528 Resultado: DPPU DAR PROVIMENTO PARCIAL POR UNANIMIDADE Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso. Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA PRELIMINAR DE NULIDADE Não é nulo o lançamento apoiado em valores de depósitos bancários cuja intimação para comprovação foi devidamente formalizada e que constam de anexo ao termo de constatação, somente por não ter havido ciência individual na planilha que os demonstra, mas tendo firmada a expressa ciência, tanto nas intimações quanto no termo de constatação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS O artigo 42 da Lei n° 9.430/96 erigiu em legal a antiga presunção simples de que a falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária do contribuinte, objeto de expressa intimação para sua comprovação, o que não logrou fazer ou mesmo tentar, reflete omissão de receitas. (...) A Fiscalização encaminhou à Contribuinte intimação específica para que esta prestasse esclarecimentos e apresentasse documentos relativos à matéria tributada (fls. 159 do PDF dos autos digitalizados), na qual detalhou as operações (depósitos/créditos bancários) que estavam sendo consideradas para fins de incidência tributária e cuja origem deveria ser comprovada pela Contribuinte para ilidir os lançamentos. Em resposta a tal intimação, a Contribuinte não logrou comprovar a origem dos valores depositados/creditados em contas bancárias de sua titularidade. Ante a falta de tal comprovação, legítima a imposição fiscal. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO Processo nº 19515.000636/200926 Acórdão n.º 1102000.924 S1C1T2 Fl. 8 7 Ante o teor da insurgência da Contribuinte sobre o tema, ressaltese ainda que (a) a jurisprudência administrativa colacionada em recurso voluntário referese a fatos geradores ocorridos em períodos anteriores a 01.01.1997, enquanto ainda não estava vigente o referido art. 42 da Lei n. 9.430/96; e (b) a essa Corte é vedado o exame de constitucionalidade de lei (no caso, art. 42 da Lei n. 9.430/96), ante os expressos termos da Súmula CARF n. 02. Quanto à questão relativa ao arbitramento de lucros, tratase de procedimento previsto em lei, admitido pela doutrina e jurisprudência pátrias, destinado à apuração do montante tributável nos casos em que, em linhas gerais, o contribuinte deixa de apresentar escrita contábil e fiscal suficiente para apuração do lucro real ou presumido, tal como ocorreu de forma incontroversa no caso. Os argumentos aduzidos sobre a “utilização de critério de apuração de omissão de receita vedado em lei” não merecem maiores considerações pois a Contribuinte sequer é microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo regime simplificado de tributação (SIMPLES). Conforme faz prova DIPJ de fls. 187 e seguintes dos autos, a Contribuinte é pessoa jurídica optante pelo regime de tributação pelo lucro presumido, sujeita às regras ordinárias de tributação, inclusive, mas sem se limitar, ao arbitramento de lucros no caso de ausência de apresentação de livros contábeis à Fiscalização e às hipóteses de presunção legal de omissão de receitas. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário interposto para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 24 /04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por ANTONIO CARLOS GUI DONI FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11030.902123/2012-98
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2002
INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado.
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-005.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões.
(Assinado Digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/11/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária - RMIT- do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 19 1 18 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.902123/201298 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.874 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria Compensação Recorrente SANDERO INDUSTRIA E COMERCIO DE VELAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2002 INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. DESCABIMENTO.O fato gerador e a base de cálculo das contribuições é o faturamento. O ICMS não se insere nos critérios informadores da Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT do PIS e da Cofins, para a formação da norma tributária ensejadora do nascimento da obrigação tributária principal, portanto não configura faturamento da pessoa jurídica e sim arrecadação do Estado. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 21 23 /2 01 2- 98 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Juliano Eduardo Lirani; Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues., João Alfredo Eduão Ferreira, e Corintho Oliveira Machado (Presidente). Relatório Sob a alegação de realização de pagamento a maior ou indevido de PIS/PASEP a contribuinte transmitiu Per/DComp, entretanto a compensação realizada restou não homologada, eis que por meio de despacho decisório eletrônico a autoridade administrativa declarou que, a partir do DARF discriminado, constatou haver outros débitos e que o crédito informado foi integralmente utilizado para a quitação dos mesmos, não havendo saldo credor o suficiente para solver os débitos declarados na DComp aviada. Sobreveio a manifestação do inconformismo e com ela os argumentos de que: (i) a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento mensal (art. 2º, LC nº 70/91; RE 150.755); (ii) o conceito de faturamento não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”. Verificase que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, aqui entendido como terceiro titular desses valores. Nesse sentido encontrase em fase decisória o RE nº 240.785, Rel. Min. Marco Aurélio, segundo o qual o conceito de faturamento “decorre de um negócio jurídico”, de uma operação, assim, “a base de cálculo da Cofins não pode extravasar, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela percebida com a operação mercantil ou similar”. Assim o valor do ICMS não pode ser incluído na base de cálculo da COFINS e do PIS, por não ser incluído no conceito de “faturamento”, mas mero “ingresso” na escrituração contábil das empresas. O ICMS e o IPI é antecipação de pagamento (mera transferência) repassado ao consumidor final, não se adequando ao conceito de faturamento, pois tratase de receita do Estado e não da pessoa jurídica; (iii) que possui a garantia constitucional ao direito de propriedade (art. 5º, XXII, CF), da vedação à utilização do tributo com caráter de confisco (art. 150, IV, CF) e do princípio da capacidade contributiva (art. 145, § 1º, CF/88); (iv) que as competências tributárias atribuídas pelos artigos 153, 154 e 155 da CF/88 revelam que os tributos devem incidir, exclusivamente, sobre os fatos signos presuntivos de riqueza e que tributar aquilo que não representa riqueza implica, inevitavelmente, em ofensa a todos os dispositivos constitucionais citados; (v) que o ICMS não é riqueza do contribuinte. Finalmente requereu a restituição corrigida à base da taxa Selic. Colacionou aos autos a título de elemento material de prova o DARF correspondente ao pagamento efetuado e o Registro de Apuração de ICMS, nada mencionando acerca do saldo devedor, apenas sobre o credor. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 20 3 A decisão prolatada pela 2ª Turma da DRJ/BHE, de 08/10/2013 (fls. 01/) por meio do Acórdão nº 0249.779, entendeu pela impossibilidade da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição da Cofins, eis que por estrita previsão legal, o ICMS incidente sobre as vendas só poderia ser excluído da receita bruta, para fim de determinação da base de cálculo da contribuição em tela, quando o contribuinte figurar na condição de substituto tributário (até a vigência da Lei nº 10.637, de 2002). Não havendo comprovação da situação prevista em lei, não há como acatar a alegação da defesa. E no mesmo sentido veio a Lei nº 10.833/03. Dessa forma não havendo previsão legal pára as exclusões pleiteadas, caracterizada está a correção do Despacho Decisório Eletrônico e, demonstrada a inexistência dos pretendidos créditos, resta prejudicada a análise da aplicação da taxa Selic sobre aqueles. A legislação que rege o julgamento administrativo de primeira instância não determina a publicação da pauta das sessões no DOU. Ciente da decisão prolatada em 01/11/2013, a contribuinte protocolou defesas específicas em 28/11/2013, respectivamente, em sede de recurso voluntário, reiterando, de forma minudente, acerca das razões de defesas apresentadas na exordial. Requereu ainda a publicação da pauta de julgamento no DOU com indicação da empresa recorrente. É relatório. Voto Conselheiro Relator Conselheiro Relator Jorge Victor Rodrigues O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente cumpre informar que a publicação de pauta de julgamento é de domínio público, constando do DOU e do sítio do CARF, portanto disponível aos interessados. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 59DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da referida contribuição, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 21 5 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 61DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 22 7 [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Fl. 63DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... Fl. 64DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 23 9 b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; Fl. 66DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 24 11 IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato Fl. 67DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 25 13 a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Fl. 69DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 26 15 "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11030.902123/201298 Acórdão n.º 3803005.874 S3TE03 Fl. 27 17 prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 18 No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto por negar provimento ao recurso interposto. É como voto. Sala de sessão em 26 de março de 2014 Jorge Victor Rodrigues Relator Relator Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/04/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10935.904610/2012-39
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 24/10/2006
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.393
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. .
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 10 /2 01 2- 39 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904610/201239 Acórdão n.º 3801002.393 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 10970.000788/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL.
Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, . por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 e para recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrente HOSPITAL SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS A TERCEIROS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 88 /2 01 0- 11 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram deste julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Carlos Henrique De Oliveira, Thiago Taborda Simões, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ronaldo De Lima Macedo, Lourenço Ferreira Do Prado Fl. 364DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 364 3 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado sob o DEBCAD n°, 37.289.9340, referente às contribuições devidas pela empresa e destinadas a outras entidades e fundos: FNDE, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 80/106, “o fato gerador das contribuições lançadas é constituído pelos valores pagos a prestadores de serviços pessoas físicas, considerados como segurado empregado”. Ainda de acordo com a fiscalização, “os serviços prestados por profissionais da saúde, em regime de plantão, pelas suas características, não são excepcionais ou transitórios, mas inseridos diretamente no contexto das atividades normais e permanentemente desenvolvidas pelo contribuinte, não se caracterizando, portanto, como uma necessidade esporádica ou emergencial.”. Sendo assim, aplicável o disposto no art. 6°, XXVI, da IN SRP n° 03/2005, que caracteriza o médico ou profissional da saúde plantonista como segurado obrigatório perante o RGPS. A autoridade fiscal esclarece que no caso em análise, a entidade hospitalar Recorrente contrata profissionais da saúde não credenciados ou conveniados para execução dos serviços relativos aos respectivos convênios, restando descaracterizado o repasse de honorários que ocorre quando os médicos são conveniados a planos de saúde, em que a responsabilidade de recolhimento das contribuições é da cooperativa (operadora do plano de saúde). Intimada da autuação, a Recorrente apresentou impugnação de fls. 112/291. Os autos foram apensados ao processo principal, relativo ao lançamento da cota patronal das contribuições. Nos autos principais foi proferido despacho solicitando diligência para que a autoridade lançadora especificasse a intimação que não foi atendida e os fatos geradores a ela relacionados que resultaram no agravamento da multa e apreciasse as declarações dos segurados que já recolhiam suas contribuições em outros vínculos para indicar os valores a serem excluídos. A autoridade fiscal atendeu a solicitação e às fls. 709/789 daqueles autos o contribuinte apresentou manifestação em que informa ter cumprido todas as exigências da fiscalização, ressaltando que houve requerimento de prorrogação de prazo que não foi atendido. Em acórdão de fls. 295/299, a impugnação foi julgada parcialmente procedente para reconhecer a exclusão do agravamento da multa aplicada, reduzindoa a 75%. Na parte mantida do débito, o fundamento foi no sentido de que não seriam pertinentes as alegações relativas à improcedência da contribuição dos segurados que recolhem sobre o limite máximo do salário de contribuição assim como as alegações de improcedência sobre o repasse de honorários médicos ou sobre a receita descrita no livro tesouraria, visto que os referidos valores são relativos a contribuintes individuais e não integram a base da presente autuação; Fl. 365DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Houve declaração de voto (fls. 299/300) a favor da nulidade do processo por falta de clareza e coerência no relatório fiscal e, ainda, por falha na indicação da fundamentação legal. Ainda de acordo com a declaração de voto, o arbitramento por aferição indireta ocorreu somente em relação ao levantamento ‘Livro Tesouraria’, com base em duas das hipóteses previstas pelo art. 33 da Lei n° 8.212/91. Ademais, o Ilma Redatora destacou a utilização de contabilidade não formalizada, vez que não registrada na Junta Comercial. Face ao resultado do julgamento, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 307/325, alegando em suma: 1) A Recorrente juntou cópia de suas demonstrações contábeis que apontam, pormenorizadamente, o repasse feito a cada médico e, em relação aos comprovantes de pagamento dos repasses anotados, a Recorrente solicitou prazo para levantamento e este não foi concedido; 2) Quanto ao arbitramento por aferição indireta relativo ao levantamento LT e LT1 – LIVRO TESOURARIA, houve contradição uma vez que ora a fiscalização entendeu ser a contabilidade imprestável para demonstrar as reais atividades do contribuinte e ora utilizouse da mesma para justificar a autuação; 3) A adoção de metodologia equivocada da fiscalização (utilização de contabilidade não registrada na Junta Comercial – tida como imprestável – e, ao mesmo tempo, a sua dispensa para justificar a aferição indireta) impõe a anulação total do auto de infração; 4) O serviço hospitalar não se confunde com o serviço médico prestado em consultórios médicos situados dentro ou fora de hospitais, cujo objeto é a mera consulta de pacientes; 5) A Recorrente presta serviços hospitalares e não serviços médicos. Os serviços médicos prestados em suas dependências ocorrem apenas em decorrência da disponibilização de seu espaço físico para que os sócios (médicos) possam exercer livremente sua atividade; 6) Quando do recebimento dos valores devidos pelos clientes a título de contraprestação dos serviços hospitalares prestados pela Recorrente e dos serviços médicos prestados pelos sócios, por vezes a recorrente faz o recebimento do valor total, repassando, posteriormente, o valor relativo aos serviços médicos aos respectivos médicos que prestaram o serviço. Tal recebimento não faz parte do faturamento da Recorrente, vez que os valores sequer transitam em conta de resultados; 7) São três provas de que os valores não fazem parte do faturamento da Recorrente: i) tais valores são integralmente repassados aos médicos que efetivaram o serviço; ii) tais valores não compõem a conta de resultado da Recorrente, sendo lançados somente em ativo e passivo; iii) a Recorrente não presta serviços médicos, somente hospitalares; b) Nos termos do § 1°, do art. 278 da IN 03/2005, assim como no art. 206, § 1° da IN 971/09, a utilização das dependências do hospital pelo médico não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa e, nesta hipótese, a entidade hospitalar se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, sendo Fl. 366DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 365 5 que o responsável pelo pagamento da contribuição devida pela empresa será o SUS ou a empresa de plano ou seguro de saúde; c) Em relação aos valores pagos diretamente aos médicos, a Recorrente alega que tais valores nunca foram recebidos pelo Hospital, pois as consultas médicas eram acertadas diretamente entre o médico e os pacientes. A Recorrente não tem sequer o controle dos valores recebidos, pois tais são devidos aos médicos e não a ela. Ao final, requer a improcedência do lançamento e o conseqüente cancelamento do crédito tributário. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 367DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões Preliminarmente Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito A matéria ora analisada encontravase expressamente regulada pela IN/SRP n° 3 de 2005, vigente à época dos fatos geradores observados na presente autuação: Art. 278: A utilização das dependências ou dos serviços da empresa que atua na área da saúde, pelo médico ou profissional da saúde, pelo atendimento de seus clientes particulares ou conveniados, percebendo honorários diretamente desses clientes ou de operadora ou seguradora de saúde, inclusive do SUS, com quem mantenha contrato de credenciamento ou convênio, não gera qualquer encargo previdenciário para a empresa locatária ou cedente. § 1º Na hipótese prevista no caput, a entidade hospitalar ou afim se reveste da qualidade de mera repassadora dos honorários, os quais não deverão constar em contas de resultado de sua escrituração contábil, sendo que o responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida pela empresa e pela arrecadação e recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual será, conforme o caso, o ente público integrante do SUS, ou de outro sistema de saúde, ou a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou diretamente o segurado. § 2º Comprovado que a entidade hospitalar ou afim não se reveste da qualidade de mera repassadora, o crédito previdenciário será lançado: I com base nos valores registrados nas contas de receitas e de despesas de sua escrituração contábil; II mediante arbitramento quando for constatado que os honorários não constam em contas de receita e de despesa de sua escrituração contábil. Nos termos do regulamento supra descrito, o hospital que fornece ao médico o espaço para atendimento de seus pacientes, seja de forma onerosa (locação) seja de forma gratuita (cessão), não responde por quaisquer encargos de ordem previdenciária, salvo nos casos em que comprovado que a entidade hospitalar não se configura mera repassadora dos honorários. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10970.000788/201011 Acórdão n.º 2402003.755 S2C4T2 Fl. 366 7 No caso em tela, dos documentos acostados como prova no auto de infração não é possível verificar com certeza o vínculo empregatício e/ou a natureza de prestação de serviços dos médicos em relação a Recorrente. Intimada a apresentar de forma detalhada a forma de repasse e as informações quanto a consultas médicas realizadas em suas dependências, a Recorrente apresentou planilhas com informações no sentido de que os valores recebidos a título de consulta médica, em verdade, não passavam de repasses aos médicos. Entretanto, tal afirmativa somente é verificada nos valores relacionados na conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, sendo que nas demais contas acostadas aos autos não se pode chegar a conclusão idêntica. Somente na conta REPASSE DE HONORÁRIOS é possível verificar que os valores recebidos foram integralmente repassados aos médicos, não ficando a Recorrente com qualquer valor que pudesse configurar contratação dos serviços médicos. A simples suposição da existência de serviços não é suficiente como suporte para o lançamento. É necessário o cotejamento da situação fática com as características definidas pela norma como hipótese de incidência. A subsunção fática à regra de incidência deve ser detalhadamente consignada no relatório fiscal a fim de possibilitar as garantias constitucionais à ampla defesa e ao contraditório. Violálas contamina o ato administrativo de lançamento com vício insuscetível de convalidação. Destarte, considerando a ausência de comprovação pelo Fisco, no que diz respeito especificamente à conta “REPASSE DE HONORÁRIOS”, nos termos do § 2°, do art. 278 da IN/SRP n° 3/05, voto pelo provimento parcial do recurso, para excluir tais valores, uma vez que das informações acostadas, não é possível a desconfiguração da natureza de mera repassadora da Recorrente. Neste sentido este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já julgou: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 30/11/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. CONVÊNIO MÉDICO. HOSPITAL. MERO REPASSADOR DE HONORÁRIOS MÉDICOS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Na hipótese de a entidade hospitalar se revestir da qualidade de mera repassadora dos honorários médicos será a responsável pelo pagamento da contribuição social previdenciária devida e pelo recolhimento da contribuição do segurado contribuinte individual a empresa que atua mediante plano ou seguro de saúde que pagou o segurado. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido Parcialmente. 1 Por sua vez, os outros levantamentos realizados nas contas “PLANTÕES MÉDICOS” e “TESOURARIA”, não se referem a valores repassados, pelo que subsiste o lançamento. 1 CARF, PAF n° 35254.002328/200586, Acórdão n° 2301002.430, Cons. Relator DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Sessão 27/10/2011. Fl. 369DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Multa No que diz respeito à penalidade aplicada – multa de ofício , a autoridade fiscal ao lavrar o auto de infração decidiu pela aplicação do disposto no art. 44, § 2°, I, da Lei n° 9.430/96. Entretanto, assim como verificado pela autoridade julgadora em sede de acórdão n° 0935.863 da 5ª Turma da DRJ/JFA, a majoração da multa de ofício de que trata a lei é aplicável apenas nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar a documentação necessária a verificação da ocorrência do fato gerador. No caso em tela, apesar de considerada insuficiente pela autoridade fiscal, o contribuinte apresentou parcialmente a documentação, sendo afastada a hipótese de majoração legalmente prevista, bem como cabível o recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário e a ele dou parcial provimento para excluir do lançamento os débitos referentes às contas REPASSE DE HONORÁRIOS, por vício material, bem como para recalcular a multa aplicada nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 370DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/02/2014 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 06/02/201 4 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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