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Numero do processo: 10907.000224/2007-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE.
Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos e com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público.
Numero da decisão: 9202-007.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RECURSOS REMETIDOS AO EXTERIOR. PROVAS DE TITULARIDADE OBTIDAS LEGALMENTE. POSSIBILIDADE. Constitui prova suficiente da titularidade de remessas de recursos ao exterior os laudos emitidos e com base em mídia eletrônica enviada pelo Ministério Público. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 02 24 /2 00 7- 46 Fl. 838DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 766/783, contra o acórdão nº 2802002.447, proferido na sessão do dia 13 de agosto de 2013, que restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2004 IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR QUE SE CONSUMA EM 31 DE DEZEMBRO. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. No Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual, considerase ocorrido o fato gerador em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não há decadência se o contribuinte foi regularmente intimado do lançamento de ofício em data que respeita tanto o prazo estatuído pelo §4º do art. 150, quanto o prazo do inciso I do art. 173, ambos do CTN. IRPF. RESPONSABILIDADE. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DE VALOR QUE RESPEITA OS LIMITES DA RESPONSABILIDADE DO CÔNJUGE MEEIRO. O sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são pessoalmente responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação. In casu, o crédito tributário exigido atendeu ao referido limite. IRPF. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. REMESSAS DE RECURSOS AO/NO EXTERIOR. PROVA INDICIÁRIA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPUTAR VALORES EM QUE NÃO HÁ SUFICIENTE COMPROVAÇÃO DO FATO GERADOR. Para caracterizar a infração de omissão de rendimentos a prova indiciária deve ser constituída de indícios que sejam veementes, graves, precisos e convergentes, que examinados em conjunto levem ao convencimento do julgador, hipótese que não restou caracterizada nos autos. Destarte, os respectivos dispêndios devem ser excluídos do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, sem prejuízo da manutenção da apuração da omissão com base nos demais itens comprovados. MULTA APLICÁVEL AO ESPÓLIO. HERDEIROS E CÔNJUGE MEEIRO. INAPLICABILIDADE. A multa prevista para o não pagamento de tributos que é prevista em relação ao espólio, não se aplica aos herdeiros e cônjuge meeiro, que são pessoalmente responsáveis pelos tributos e pelos juros de mora. Fl. 839DF CARF MF Processo nº 10907.000224/200746 Acórdão n.º 9202007.450 CSRFT2 Fl. 839 3 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos Demonstrativos de Acréscimo Patrimonial a Descoberto os valores alusivos à operações Beacon Hill e MTB CBCHudson Bank e a multa, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. Como bem relatado pela Câmara a quo: Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2003 e 2004, anocalendário 2002 e 2003, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto na fiscalização levada a efeito em Adriano Rafael Lima dos Reis Maya que foi identificado como remetente de recursos para o exterior, no bojo da investigações da empresa "Beacon Hill Service Corporation", do "Merchants Bank" e "MTBCBCHudson Bank". O anocalendário 2001 foi tratado no processo nº 1907.003029/200697. Este auto de infração, referese às operações do "Beacon Hill Service Corporation" e "MTBCBCHudson Bank" cujas transferências foram computadas como aplicações de recursos. O valor do crédito tributário apurado em relação ao de cujus está sendo exigido de forma proporcional entre os herdeiros (Sandra e Bruno) conforme o quinhão herdado, meação e bens em comum (fruto de união estável). Decorreu tal lançamento da apuração de omissão de rendimentos, caracterizada por acréscimo patrimonial não respaldado por rendimentos declarados/comprovados, conforme apurado em procedimento de fiscalização de Adriano Rafael Lima dos Reis Maya, CPF 233.405.92934, falecido, do qual a contribuinte é meeira e herdeira, e detalhado no termo de verificação fiscal de fls. 503/512, nos demonstrativos de evolução patrimonial mensal de fls. 522/523 e no auto de infração à fl. 513. O enquadramento legal da exigência reportase aos arts. 1° ao 3°, §§, da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; aos arts. 1° e 2° da Lei n° 8.134, de 14 de abril de 1990; aos arts. 1.723, 1.725 e 1.790 da Lei N° 10.406, de 10 de janeiro de 2002; ao art. 1° da Medida Provisória 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 10 de maio de 2002; e aos arts. 55, inciso XIII, § único, 806 e 807 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR11999 (fl. 513). Fl. 840DF CARF MF 4 Intimada, a Fazenda Nacional interpôs o presente Recurso Especial, efls. 766/783, requerendo a reforma do acórdão recorrido. Conforme despacho de efls. 785/790, o Recurso Especial foi admitido no seguintes termos: Com efeito, o cotejo do acórdão recorrido com o primeiro paradigma colacionado pela Recorrente permite concluir que ambos os julgados são referentes a autuações relativas a contribuintes que movimentaram recursos por meio da empresa “Beacon Hill Service Corporation” e que, a despeito da similitude fática verificada entre os conjuntos probatórios, as soluções adotadas foram diversas em relação à força probante dos documentos que embasaram o lançamento. No caso do recorrido, considerouse que o conjunto probatório não seria suficiente a comprovar a titularidade dos recursos movimentados no exterior, enquanto que no paradigma tal vinculação foi mantida. Demonstrada a divergência mediante a análise do primeiro paradigma, tornase dispensável o exame do segundo. Diante de todo o exposto, com fundamento nos artigos 67 e 68, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a força probante dos documentos que sustentam o lançamento. Intimado, o Contribuinte apresentou contrarrazões de efls. 803/822, requerendo o não conhecimento do Recurso Especial da PGFN, caso conhecido, que seja negado provimento. É o relatório Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. A matéria em discussão é a força probante dos documentos que sustentam o lançamento Operação Beacon Hill. No tocante a validade dos documentos, destaco as considerações constantes nas efls. 656 dos autos: A contribuinte alega, quanto aos documentos, que "a análise e um eventual reconhecimento das informações listadas encontra se prejudicada, vez que apresentamse em códigos e de forma precária, com vários campos em branco, impedindo, com isso, o Fl. 841DF CARF MF Processo nº 10907.000224/200746 Acórdão n.º 9202007.450 CSRFT2 Fl. 840 5 contraditório e a ampla defesa assegurados pelo inciso LV, do artigo 5°, da Constituição Federal" e, também que não foi provado que o de cujus "de fato realizou as movimentações financeiras apontadas como 'Operações Merchants' e/ou que tais valores agregaram o seu patrimônio". Não se vislumbra qualquer dúvida quanto à força probante dos documentos acostados pela autoridade fiscal. Estes documentos foram encaminhados pela Justiça Federal (fls. 31/36 e 47/48), são frutos de operações de combate à movimentação ilegal de recursos financeiros para/e no exterior, materializam informações a respeito de contas mantidas em instituições financeiras americanas e foram remetidos pelas autoridades daquele país estrangeiro (fls. 40/46), segundo os trâmites legais, de forma que gozam de presunção de autenticidade. Os dados foram entregues em meio magnético, cujas transcrições se deram através dos competentes Laudos de Exame EconômicoFinanceiro n's. 1032/04 (fls. 12/22), 1258/04 (fls. 51/57) e 2.171/2005 (fls. 70/81), sendo que os documentos de fls. 10 a 11 e 93 a 113 são extratos das remessas internacionais individualizadas, obtidas desses arquivos magnéticos, atestados pela autoridade fiscal, gozando, pois, de fé pública, quanto a estamparem fielmente as informações contidas nos arquivos remetidos pela Justiça Federal. Assim, em relação aos documentos que foram utilizados como provas para a autuação destaco: (i) documentos enviados pela JF e (ii) Laudos de Exame EconômicoFinanceiro. Casos evolvendo a Operação Beacon Hill já foram objeto de análise de colegiado, destaco o acórdão nº 9202007.098, de relatoria da Ilma. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que na oportunidade acompanhei pelas conclusões, porém, entendo que cabe a aplicação no presente caso: Conforme consta do Auto de Infração, em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. No curso do inquérito instaurado pelo Departamento de Polícia Federal, ficou evidenciado que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas no exterior à revelia do Sistema Financeiro Nacional, ordenando, remetendo ou se beneficiando de recursos em divisas estrangeiras, utilizandose de contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas offshore com participação de brasileiros. Passando às questões pontuais de mérito, temse, conforme consta dos relatórios fiscais, que nos casos ora apreciados do exame dessa relação, elaborada pela Equipe Especial de Fl. 842DF CARF MF 6 Fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB, constatase que, de fato, no campo em que o referido laudo pericial explica ser representativo do “cliente que determinou a ordem de pagamento (não constitui, necessariamente o remetente original)”– está registrado como ordenante o sujeito passivo. Constatase também, que no campo “Debit Name (Nome debitado)” está registrada a conta “New York, NY 10036”. Logo, os recursos foram debitados, isto é, sacados dessa conta corrente para serem creditados, isto é, depositados na conta corrente indicada no campo “Credit Name (nome creditado)”, no caso, “226 E 54TH STREET SUITE 701 NEW YORK NY 100223703”. De acordo com o relatório fiscal, da descrição dos fatos que ensejaram a lavratura do auto de infração, com a finalidade de identificar o titular da conta registrada nas ordens de pagamento, a fiscalização utilizouse como instrumento de pesquisa os dados cadastrais do CPF, que alimentam os bancos de dados sistematizados da RFB Pois bem, embora alegue o recorrente: que nunca teve recursos no exterior; nunca enviou nem recebeu valores ao exterior; não têm qualquer relação com a empresa e as contas relacionadas nos anexos; que as supostas movimentações financeiras de Nova York para Nova York (anexo 12), nas quais aparece como ordenante, não devem ser acatadas posto que inexiste assinatura ou qualquer outra informação que possa gerar credibilidade, não vejo como dar guarida a suas alegações, frente a análise do caso concreto. Não se pode perder de vista que, quando não está presente no processo prova objetiva da ocorrência de determinada situação, a autoridade julgadora formará sua livre convicção, na forma do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (...) Assim, no que tange à alegação de que não efetuou qualquer remessa de recurso ao exterior, verificase que a fiscalização, por meio das informações repassadas pela Polícia Federal, por ordem do juiz Sérgio Fernando Moro, da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba (PR), identificou que o autuado remeteu ao exterior, por intermédio da Beacon Hill Service Corporation BHSC, valores, consoante se extrai do documento intitulado “Operações da Representação Fiscal constantes dos autos Conforme muito bem delimitado no voto vencedor do acórdão 9202002.455 de 08/11/2012 uma operação com a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC e similares possui os seguintes intervenientes: • Remetente/ordenante • Intermediador financeiro • Beacon Hill Service Corporation – BHSC • Banco JP Morgan Chase/NY/Outros Bancos Fl. 843DF CARF MF Processo nº 10907.000224/200746 Acórdão n.º 9202007.450 CSRFT2 Fl. 841 7 • Beneficiário Remetente: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia como responsável pela remessa das divisas ao exterior. Confundese, em várias situações, com a figura do ordenante, abaixo descrita; Ordenante: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como responsável pela ordem/determinação de movimentação de recursos no exterior. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "order Customer" e/ou "details of payment", antecedido da sigla B.0.(By order); Beneficiário: Quando o contribuinte, figura na transcrição da mídia, como destinatário final das divisas ordenadas/remetidas. Em geral, pode ser encontrado nas colunas "ACC Party" e/ou "Ult.Benef', podendo estar antecedido da sigla FFC ("for further credit"); Intermediário: Pessoa física ou jurídica, responsável pela intermediação de compra e venda de moeda estrangeira, à margem do Sistema Financeiro, atuando nas operações de remessa/repatriação de recursos para/do exterior ou na movimentação de recursos no exterior. Em algumas transações, o beneficiário figura, simultaneamente, como ordenante/remetente dos recursos. Em que pese procure o recorrente, digase, sem sucesso, desqualificar as provas dos autos, penso que o tipo de operação praticada objetivava ocultar das autoridades fiscais brasileiras recursos no exterior e, dessa feita, a prova produzida pela fiscalização dificilmente seria obtida por meio de registros contábeis do contribuinte ou em documento por ele assinado. Ademais, a maioria dessas transações financeiras era efetuada por ordens verbais ou eletrônicas, portanto o convencimento probatório é formado por um conjunto de elementos que convergem no sentido de revelar a ocorrência de determinados fatos envolvendo certos agentes. Os documentos e/ou informações obtidas pela Polícia Federal, com os quais embasou o Laudo Pericial, foram fornecidas por instituições financeiras, a princípio, idôneas, de sorte que tais informações, se não contrapostas, valem como verdadeiras, surtindo, pois, os efeitos jurídicos pretendidos no feito fiscal em apreço. Assim, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 844DF CARF MF 8 Fl. 845DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.906220/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.895
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação declarada, relativa a suposto crédito da Cofins, em razão do fato de que o pagamento informado como origem do crédito já se encontrava utilizado para quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que a não homologação da compensação decorrera da não retificação da DCTF, que contemplasse a real demonstração dos valores efetivamente devidos e recolhidos conforme planilha acostada aos autos , equívoco esse decorrente de simples erro de fato. Segundo ele, não houvera, por parte da Receita Federal, aprofundamento da análise do pedido para fins de se comprovar o direito creditório pleiteado, o que poderia ser superado com a realização de diligência. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 06 22 0/ 20 12 -4 3 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10930.906220/201243 Resolução nº 3302000.895 S3C3T2 Fl. 3 2 A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual reiterou os argumentos encetados na Manifestação de Inconformidade, merecendo destaque o requerimento da conversão do julgamento em diligência para que fossem analisados os documentos anexados, bem como o conceito de insumo por ele esposado. É o relatório. Voto. Paulo Guilherme Deroulede, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3302000.881, de 26/09/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.906214/201296, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3302000.881): 1. Admissibilidade. O Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 2. As provas apresentadas. A Recorrente pleiteou o crédito objeto do presente Recurso Voluntário, contudo tal pretensão foi denegada por meio do Despacho Decisório de fls. 18, atacada por meio da Manifestação de Inconformidade de fls. 22 e, posteriormente pelo Recurso Voluntário. Analisando a referida Manifestação de Inconformidade é possível aferir que já nela o Contribuinte pugnou pela necessidade de análise da documentação contábil com o objetivo de aferir a legitimidade do crédito: "Por outro ângulo, se as informações e esclarecimentos que viessem a ser fornecidos não fossem satisfatórios para o adequado convencimento da mais absoluta legitimidade dos valores dos quais se pretende compensar, a RFB poderia, ainda, determinar o diligenciamento contábil e fiscal na empresa a fim de aferir a legitimidade do crédito do Contribuinte, situação esta que não se vislumbrou em razão da sumariedade da análise e do despacho prolatado pelo órgão." A Recorrente, quando da apresentação da já mencionada Manifestação de Inconformidade, trouxe aos autos os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais, DCTF Retificadoras dentre outros documentos que razoavelmente entendeu comprovarem seu direito ao crédito pleiteado. Contudo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, em seu limite de discricionariedade, entendeu que tais documentos eram insuficientes e que o contribuinte não havia se desincumbido do seu dever de realizar a prova do seu direito. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10930.906220/201243 Resolução nº 3302000.895 S3C3T2 Fl. 4 3 Isto porque o artigo 16 do Decreto 70.235/72 estabelece que todas as provas devam ser apresentadas quando da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, na forma dos parágrafos 4º e 5º. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (destaques não constantes do original) Em Recurso Voluntário a Recorrente defendeu que a documentação era suficiente e que caso assim a referida DRJ não houvesse entendido, que deveria ter solicitado documentação que entendesse satisfatória. Também no próprio Recurso Voluntário a Recorrente requereu a juntada de documentos, bem como a conversão do julgamento em diligência, pretensão para a qual valeuse do artigo 18 do Decreto 70.235/72, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10930.906220/201243 Resolução nº 3302000.895 S3C3T2 Fl. 5 4 Este colegiado possui entendimento no sentido de que não é lícito ao Recorrente utilizarse da via do Recurso Voluntário como fase probatória, deixando para apenas nele trazer aos autos documentos que deveriam ter sido juntados quando da Manifestação de Inconformidade. Isto porque sendo o processo uma sequência concatenada de atos, a diligência em sede de Recurso Voluntário não pode se transformar em um subterfúgio para suprir eventuais inércias das partes quando à juntada de documentos na fase processual legalmente estabelecida para tanto, limitandose a um mecanismo para sanar dúvidas surgidas a partir da matéria submetida a análise, razão pela qual deve ser rejeitada no caso concreto. Contudo, este colegiado também admite que quando o contribuinte oportunamente apresenta, em sede de Manifestação de Inconformidade, os documentos que entende suficientes, mas que assim não são valorados pela DRJ, a ele é lícito trazer novos documentos em sede de Recurso Voluntário, ou mesmo pleitear por conversão do julgamento em diligência, sempre levando em consideração uma análise de "fumus boni iuris" ou, em outras palavras, da plausibilidade da alegação em relação à documentação trazida. No caso concreto, a recorrente sustenta que procedeu a recomposição da COFINS do período de apuração de agosto de 2010, dentro do período prescricional e encontrou créditos referentes a: " Bens para revenda; Bens utilizados como insumos; Serviços utilizados como insumos; Despesas de Energia Elétrica; Despesas de Aluguéis de Prédio Locados de PJ; Despesas de Aluguéis de Mercado e Frete sobre venda; Sobre bens do Ativo Mobilizado (Enc. Depreciação); Devolução de vendas sujeita a alíquota 7,60%; Crédito Presumido Relativo à Estoque de Abertura; Crédito relativo à Importação." A questão submetida à análise diz respeito ao hipotético direito de crédito daquilo que a Recorrente afirma subsumiremse ao conceito de bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, independente do contato direto com o produto em fabricação, a exemplo dos combustíveis e lubrificantes (efls. 136). A Recorrente sustenta que possui direito a crédito sobre materiais de embalagens utilizados no processo produtivo, com a finalidade de deixar o produto em condições de ser estocado e comercializado, bem como serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo (efls. 136). A fim de melhor subsidiar o julgamento da lide e de se evitar a exigência em duplicidade de crédito tributário, voto no sentido de converter o julgamento em Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10930.906220/201243 Resolução nº 3302000.895 S3C3T2 Fl. 6 5 diligência à repartição de origem para a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar a Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) Com base nestes documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que a autoridade administrativa adote as seguintes providências: a) apreciar toda a matéria probatória até então juntada aos autos bem como e eventualmente reintimar o Recorrente para que junte aos autos novos documentos que entenda necessários à comprovação da existência do crédito alegado, alertandoo de que a atividade de provar não se limita a simplesmente juntar documentos nos autos, sem a necessária conciliação entre os registros contábeis fiscais e os documentos que os legitimam, evidenciando o crédito; b) com base nesses documentos elaborar parecer conclusivo e dar ciência desse parecer ao Recorrente, abrindo o prazo regulamentar de trinta dias para manifestação, e; c) atendida a diligência, restituir o processo a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 36204.000960/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2803-000.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade preparadora comunique a autuada da resposta fiscal (fls. 318 e seguintes dos autos físicos),
oportunizando a sua manifestação a respeito pelo prazo de 30 (trinta) dias
Nome do relator: Gustavo Vettorato
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) relator(a), para que a autoridade preparadora comunique a autuada da resposta fiscal (fls. 318 e seguintes dos autos físicos), oportunizando a sua manifestação a respeito pelo prazo de 30 (trinta) dias. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 62 04 .0 00 96 0/ 20 07 -1 3 Fl. 373DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0219.16267.2MIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36204.000960/200713 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2803000.162 S2TE03 Fl. 352 2 Relatório Tratase de Pedido de Restituição de supostos créditos relativos a valores pagos no período de 08/2002, 09/2002, 10/2002 e 12/2002 a título de contribuições previdenciárias por VIGSERV SERVIÇOS DE VIGILÂNCIA. De forma a comprovar o seu direito, a empresa apresentou cópias de GPS, bem como folhas de pagamentos obtidas a partir da base de dados contidos no sistema de dados da previdência. Segundo fundamentação utilizada pela solicitante, a empresa foi fiscalizada durante o período compreendido entre agosto de 2000 a janeiro de 2005, sendo apurados diversos débitos consubstanciados nas NFLDs 35.776.4633, 35.776.4641, 35.776.4668, 35.776.4650. Ao término da ação fiscal, além do levantamento de diferenças devidas, foram observados créditos relativos a contribuições não aproveitados, o que foi objeto de informação fiscal (fls. 236), na qual foi inserida planilha com créditos apurados em competências diversas daquelas contidas no pedido de restituição formulado pelo contribuinte. O Serviço de Orientação Tributária, por meio do Parecer 1.523/2007, acolheu o entendimento contido na informação fiscal e reconheceu a improcedência do pedido de restituição dos indébitos (fls. 245/246), conforme se verifica pela ementa abaixo colacionada: “Assunto: Restituição de Contribuição Previdenciária Ementa: O sujeito passivo poderá requerer a restituição se não optar pela compensação dos valores pagos a maior. Dispositivos Legais: Art. 89, caput, da Lei 8.212/91. Solicitação improcedente.” O parecer em questão foi apontado como fundamento pela Delegada da Receita Federal em Vitória no despacho decisório (fls. 246) que julgou improcedente o pedido de restituição, nos seguintes termos: “DESPACHO DECISÓRIO Tendo em vista o parecer do SEORT, com o qual concordo e aprovo, ACOLHO a proposição manifestada e DECIDO pela IMPROCEDÊNCIA do direito creditório. Ao SECAT, para adoção dos procedimentos necessários à implementação da restituição, devendo ser verificada a existência de situações impeditivas ao pagamento, bem como às normas aplicáveis às compensações de ofício.” Contra essa decisão, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo (fls.251/253), por meio do qual alega, em síntese, que (a) computandose os valores recolhidos pela empresa, mesmo considerando os abatimentos feitos, permanece um saldo credor; (b) quando do levantamento de débitos, sequer foram mencionados tais créditos, não ocorrendo efetivamente um exame cuidadoso de todos os elementos apresentados; (c) as guias descontadas e que constam nos levantamentos são GPS com código 2100, e os valores das guias recolhidas pela empresa com o código 2631, provenientes de retenção de 11% ultrapassaram os valores Fl. 374DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0219.16267.2MIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36204.000960/200713 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2803000.162 S2TE03 Fl. 353 3 deduzidos, existindo saldo credor a favor da empresa; (d) com relação aos débitos levantados de n°35.776.4648 e 35.776.4650, nenhum desconto foi considerado ou abatido, não havendo que se falar que os créditos foram considerados; (e) a Instrução Normativa n° 03, de 14/07/2005, quando trata de contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Previdenciária, prevê, no artigo 197, que a restituição é um procedimento administrativo mediante o qual o sujeito passivo é ressarcido pela SRP de valores recolhidos indevidamente à previdência social, ou a outras entidades e fundos, observado o disposto no art. 202. Não apresentadas as contrarrazões. Os autos vieram à presente turma especial, e foram distribuidos à relatoria da então Concelheira Dra. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, que votou pela conversão do julgamento em diligência, recebendo aprovação do voto pelos demais conselheiros. A conversão continha a seguinte ordem: Por todo o exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal se manifeste sobre a existência de direito crédito nas competências 08/2002, 09/2002, 10/2002 e 12/2002, complementando a sua informação fiscal e o Relatório VNA juntado aos autos. Após, comuniquese a autuada para conhecimento e eventual manifestação, se assim entender necessária. A autoridade fiscal se manifestou às fls. 318 e seguintes dos autos físicos, contudo da manifestação fiscal a autuada não foi intimada para oferecer qualquer manifestação, mesmo assim os autos retornaram a esta turma especial e foram redistribuidos ao presente conselheiro. É o relatório. Fl. 375DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0219.16267.2MIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36204.000960/200713 Erro! Fonte de referência não encontrada. n.º 2803000.162 S2TE03 Fl. 354 4 Voto Em razão da não observância da autoridade preparadora sobre o dever de intimar a autuada da resposta fiscal à solicitação de diligência, bem como para evitar nulidade de julgamento em face da não oportunização ao contraditório (art. 59, I, do Dec. 70.325), devem os autos retornarem à autoridade preparadora para que a autuada seja comunicada da resposta fiscal, oportunizando a sua manifestação a respeito. Isso posto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora comunique a autuada da resposta fiscal (fls. 318 e seguintes dos autos físicos), oportunizando a sua manifestação a respeito pelo prazo de 30 (trinta) dias. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator Fl. 376DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP07.0219.16267.2MIS. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GUSTAVO VETTORATO em 20/06/2013 16:08:34. Documento autenticado digitalmente por GUSTAVO VETTORATO em 20/06/2013. Documento assinado digitalmente por: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA em 14/07/2013 e GUSTAVO VETTORATO em 20/06/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 07/02/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP07.0219.16267.2MIS Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CD604A6B32AF99BA9CFB9308C3CD451B2BCD5878 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 36204.000960/2007-13. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11042.000318/2008-86
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 09/05/2008
A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros.
A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de ceder o nome ao verdadeiro interessado na importação.
Uma vez caracterizada a ocorrência da infração em questão, aplicável a multa disposta no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007.
Numero da decisão: 3002-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 09/05/2008 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de ceder o nome ao verdadeiro interessado na importação. Uma vez caracterizada a ocorrência da infração em questão, aplicável a multa disposta no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007.
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A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” ao verdadeiro interessado na importação. Uma vez caracterizada a ocorrência da infração em questão, aplicável a multa disposta no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 2. 00 03 18 /2 00 8- 86 Fl. 569DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 569,5 2 Por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 512/515 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 24/06/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 119.901,45, em virtude dos fatos a seguir escritos. Marfim Gestões Comercial, Importação, Exportação e Assessoria Ltda promoveu a importação das mercadorias relacionadas no anexo a este Auto de Infração, por intermédio da Declaração de Importação n° 08/06840433, com omissão do real adquirente/encomendante. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas e que a mesma operava como interposta pessoa em comércio exterior, praticando assim infração de cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Face ao que determina o art. 33 da Lei 11.488/07, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 03/07/2008 (fls. 3), o contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 31/07/2008, na forma do artigo 56 do Decreto n° 7.574/2011, de fls. 415 à 424, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: A reclamante foi notificada acerca da suposta caracterização da interposição fraudulenta no que diz respeito à Declaração de Importação n° 08/06840433, registrada no dia 09 de maio de 2008, para fins impugnação no que*diz respeito aos fatos descritos no processo administrativo em comento e mula aplicada. Narra o agente fiscal que a DI que tinha como objeto a importação de casacos, mais especificamente 26 caixas de papelão, com/preço bruto total de 2.741,40 kg e peso líquido de 2.557,30 kg, teve registrado tanto do importador quanto o adquirente da mercadoria a empresa ora impugnante, isto em 09/05/2008, o que não seria condizente com a realidade dos fatos no seu entender. Percebese que, parametrizada a D.I. para o canal vermelho de conferência aduaneira da mercadoria, constatouse que as mercadorias encontravamse etiquetadas com os dizeres “Importado por: MKJ Importação Comércio Ltda, CNPJ 03.403.405/000320”, além de composições do tecido e indicação de fabricação no Uruguai. Desta forma, foram intimadas a empresa Marfim e a empresa MKJ para esclarecimentos a respeito da situação. Requerida a prorrogação do prazo por 10 dias foram atendidas as intimações em 27 de maio de 2008, foram prestados os esclarecimentos pertinentes. ⊙ DA RELAÇÃO COMERCIAL ESTABELECIDA ENTRE AS PARTES E DA OPERAÇÃO REALIZADA Fl. 570DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 570 3 Em data, 18 de dezembro de 2007 foi firmado entre a empresa impugnante e a empresa MKJ Instrumento de Promessa de Compra e Venda de Mercadorias Importação por Encomenda, segundo o qual se estabeleceu uma relação comercial entre as partes. Como sempre. a empresa impugnante seguiu a legislação pertinente, tendo inclusive realizado a vinculação do mencionado instrumento na Receita Federal do Brasil. Outrossim utilizando como subsidio o contrato firmado iniciouse a operação de importação por encomenda, para importação de casacos, tendo como adquirente a MKJ, a qual redundou no registro da D.I. n.° 08/06840433 conforme será explanado. Neste compasso foi iniciada a operação em conformidade com o contrato vinculado na Receita Federal, sendo, inclusive, informado para o Exportador todos os dados de forma correta, ou seja, o destinatário como sendo a empresa MKJ e a consignatária como sendo a empresa Marfim Gestões Comercial Importação e Exportação Ltda. No entanto, no decorrer da operação' comercial realizada entre a MKJ e a empresa Marfim, a carta de fiança firmada entre as partes teve seu prazo expirado em 30 de abril de 2008, sem renovação imediata, gerando então a modificação da operação anteriormente realizada. Não poderia a ora impugnante manter a operação da forma como anteriormente estabelecida, sem a formalização de garantia da operação, uma vez que o montante que estava com a importação em tramite era elevado. Desta forma, no meio dá operação foi modificada sua natureza, no, intuito de resguardar a empresa Importadora, ou seja, a Marfim. Assim, foi emitido o CRT já com base na nova situação fática, bem como registrada a D.I. e realizada a observação mencionada no MCI, ou seja, de que se tratava defuma importação própria, haja vista a impossibilidade de alteração do MCI já emitido. Outrossim, embora não mencionado de forma expressa no contrato, á garantia relativa a esta operação tratavase de carta fiança, a qual expirou sem 30 de abril de"2008, sem renovação automática. Logo, como se percebe o contrato autorizava a 'venda' a terceiros, dos produtos ora importados, o que pretendia fazer a empresa Importadora, uma vez que não foi formalizada de plano nova garantia. Aliás, como aplicar penalidade à empresa ora impugnante, se esta respondeu a todas intimações em conformidade com a relação comercial estabelecida, inclusive requerendo a retificação da D.I. no intuito de regularizar a situação, uma vez que após notificação datada de 08 de maio de 2008 foi restabelecida sua relação comercial com a MKJ. Percebese assim que, ao contrário do afirmado pelo Nobre Fiscal em momento algum houve a intenção de ludibriar o fisco, uma vez que efetivamente foram apresentados os fatos da forma como foi seu real acontecimento. Fl. 571DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 570,5 4 ⊙ DA BOA FÉ FALTA DE DOLO DA EMPRESA IMPUGNANTE Outro fato que demonstra o equivoco do Nobre Fiscal ao aplicar uma multa tão pesada, é que o procedimento em que este se baseia não denota dolo dos envolvidos, pelo contrário, a farta documentação trazida ao processo administrativo mostra a clareza das operações realizadas. A intenção dolosa deveria ter sido provada pelo Fisco, situação que não se amolda a narrativa dos fatos. A prova da intenção da empresa em burlar o Fisco deve ser irrefutável e não presumida como se depreende do presente processo. A aplicação de penalidade nos moldes confeccionada afronta o forte principio constitucional da verdade real. Observase que não houve qualquer dolo em lesar o fisco por parte da empresa impugnante, de modo que, foram efetivamente apresentados os fatos da forma como realmente ocorreram. Logo, denotase a boafé da empresa impugnante, que tanto no decorrer da operações prestou informações em conformidade com á realidade fática, quanto após notificação para esclarecimentos, inclusive requerendo a retificação da D.I, não havendo razões para a imposição de penalidade e aplicação de multa em valor excessivo pelo Fisco. ⊙ DA DEFINIÇÃO DE SIMULAÇÃO E SEU ALCANCE E mister ressaltar que a simulação pode esconder negócio real, vedado pela lei; como também pode não ocultar nenhum outro, ato. Conforme a hipótese, a simulação recebe o nome, de relativa ou absoluta. A simulação absoluta ocorre quando, por, detrás do ato simulado, nenhum ato existe. O exemplo clássico é do devedor que . ciente da execução que está em vias de sofrer, elabora documento de confissão de dividas com oferecimento de garantia real a , amigo, objetivando assim subtrair seus bens dos efeitos constritivos da execução. Não existe divida com o amigo, não, há outro negocio que se busque esconder. De verdadeiro apenas a intenção de prejudicar os verdadeiros credores. Por sua vez, entende se por simulação relativa, aquela, que esconde outro ato proibido pela lei. O exemplo tradicional é do marido que impossibilitado de efetuar doação à concubina, simula com ela contrato de compra e venda. Note que por detrás deste último contrato há outro ato real e desejado pelas partes, a despeito da vedação legal. ⊙ DA DESCARACTERIZAÇÃO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA — DA INOCÊNCIA DA EMPRESA Fl. 572DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 571 5 Devese ressaltar que a afirmação da Receita de que foram produzidos documentos falsos não condiz com a realidade fática, carecendo de análise mais apurada, pois há que se verificar de forma mais precisa se tal documentação é idônea ou realmente falsa. De se salientar que os conceitos de inidóneo e falso não se eqüivalem. Inidôneo significa inadequado e falso o que não e verdadeiro. Ainda que ,possa parecer uma discussão puramente semântica, é fundamental a definição correta, até mesmo para fins.de perfeito enquadramento legal, sem o qual impossível culminar a sanção fiscal. Vejase que é justamente isso que a impugnante está tentando demonstrar, se existente ela seja formal, alheia a sua vontade, e não uma falsidade documental implementada dolosamente. Por conseguinte, a aplicação de multa em valor excessivamente alto, pautase em meros indícios, obtidos mediante procedimento administrativo que, como se viu, não exauriu a fiscalização tributária. A irregularidade constatada em procedimento administrativo, como neste caso, deve ser demonstrada com elementos hábeis, considerada a gravidade da pena de perdimento, que deve ser sempre cominada com amparo em provas robustas, dentro de rigorosos critérios de investigação. Relevante destacar que, no caso em tela, não restam argumentos para justificar a aplicação da penalidade, porque a alegação de dano ao Erário também merece, ser afastada, uma vez que todos os impostos inerentes a operação foram recolhido bem como que houve o pedido de retificação dos documentos pertinentes, o qual inclusive, esperase deferimento para sua efetivação. Salientase que os documentos respaldam a operação realizada, bem como demonstram exatamente a realidade tática, tanto que o contrato firmado entre as partes foi devidamente vinculado na Receita Federal;bem como o certificado de origem foi emitido de forma correta, o que faz com que as alegações do fiscal sejam desconsideradas. ⊙ DO PEDIDO Ante o exposto, requerse o recebimento e processamento da presente impugnação para o fim de determinar o cancelamento do lançamento realizado, urna, vez que não restou caracterizada a interposição fraudulenta conforme informado pelo Agente Fiscal. Protesta pela juntada dos documentos que se fizerem necessários. Quanto ao relatório acima transcrito, cumpre retificar a informação constante do primeiro parágrafo, relativa ao valor da multa regulamentar exigida. Em que pese ter a DRJ indicado que o valor em discussão na presente demanda seria de R$ 119.901,45, verificase que este, na verdade, corresponde ao valor da base de cálculo considerada pela fiscalização. A multa, por sua vez, correspondente ao percentual de 10%, totalizava, à época da lavratura do auto de infração, o montante de R$ 11.990,14 (vide fl. 02 dos autos). O contribuinte juntou, com a impugnação, procuração, atos constitutivos da empresa, documento de identificação, auto de infração, extrato de declaração de importação e contrato de promessa de compra e venda de mercadorias (fls. 425/458). Fl. 573DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 571,5 6 Às fls. 460/462, consta renúncia dos advogados que patrocinavam a defesa do contribuinte. Às fls. 465/471, consta resolução que converteu o julgamento em diligência para solicitar os seguintes esclarecimentos da autoridade preparadora e, em seguida, abertura de prazo para manifestação do contribuinte: 1. Em decorrência da constatação da ocorrência da prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificada no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76, houve a apreensão da mercadoria ou a lavratura do auto de infração referente a multa de 100% do valor aduaneiro (§3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76) 2. No caso da apreensão da mercadoria, informar o número, o trâmite resultado e o resultado (se houver) do processo referente à pena de perdimento (rito do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76); ou 3. No caso da lavratura do auto de infração referente a multa de 100% do valor aduaneiro (inciso V c/c §3º, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76), informar o seu número e sua localização; 4. Se o processo referente à lavratura do auto de infração referente a multa de 100% do valor aduaneiro ainda estiver junto à autoridade preparadora, que esse seja remetido à 23ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo. Foram juntados aos autos, então, pela autoridade responsável, documentos e informações (fls. 472/508), concluindo suas respostas da seguinte forma: Em atendimento aos questionamentos que compõem a demanda, esclarecemos que houve a proposição de aplicação da pena de perdimento às mercadorias constantes da DI 08/06840433, cuja cópia se encontra às fls. 034 a 036 deste processo. Cumprido o rito processual, restou aplicada a pena de perdimento, e destinadas as mercadorias, na forma legal, mediante leilão. Portanto: Quesito1: Houve a apreensão da mercadoria objeto da DI 08/06840433; Quesito 2: A proposta de aplicação de pena de perdimento foi autuada sob o nº 11042.000319/200821, e, vencido o rito processual, aplicada a pena de perdimento. As mercadorias foram leiloadas. Quesitos 3 e 4: prejudicados. Cumprida a diligência, instruo o processo fiscal com o Despacho decisório IRF/JAG/Gabinete nº 031/08, de 01/10/2008, exarado no âmbito do processo 11042.000318/200821, de julgamento em única instância quanto à aplicação da pena de perdimento, e registros de contabilização das mercadorias no CTMA. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/05/2008 Fl. 574DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 572 7 A infração por "cessão de nome" é um sucedâneo da prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros. Cessão de nome. Ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seus fundamentos, a decisão (fls. 511/547) relatou os documentos apresentados pelo contribuinte quando instado a prestar esclarecimentos e documentos, afirmando não terem sido apresentados os Certificados de Origem, apesar de solicitados, bem como relatou os esclarecimentos prestados pela empresa MKJ Importação. Analisadas as cláusulas do contrato alegadamente existente entre as duas empresas, e os esclarecimentos prestados por ambas, a primeira instância concluiu não haver correspondência entre o conteúdo previsto em tais cláusulas e esclarecimentos prestados acerca dos fatos ocorridos. O acórdão consignou ter ficado caracterizado o uso da empresa Marfim Gestões Comerciais (recorrente neste processo) como importador interposto pela empresa MKJ Importação, o que seria fato incontroverso nos autos (admitido à fl. 04 da impugnação), e em razão de constar o nome da última empresa como importadora nas etiquetas dos produtos, bem como por decorrência da conclusão atingida com a análise dos esclarecimentos e documentos apresentados pelas empresas. A decisão consignou, ainda, que restou configurado o dolo no presente caso e que, a respeito da alegação de boafé, as responsabilidades tributária e aduaneira são objetivas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 25/11/2015 (vide AR à fl. 551 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 18/12/2015, Recurso Voluntário (fls. 558/563). Em seu recurso, o contribuinte arguiu não terem seus esclarecimentos sido considerados pela decisão recorrida, e reforçou os seguintes argumentos de sua impugnação: i) havia contrato de promessa de compra e venda de mercadorias firmado entre a recorrente e a empresa MKJ, que havia sido informado à RFB, e, em razão do encerramento do prazo da fiança do referido contrato, alterouse a operação, passando nela a constar como importador a recorrente; ii) a data de assinatura do contrato com a MKJ reflete as práticas do mundo corporativo, no qual os contratos são operados mesmo antes das assinaturas, como se assinados estivessem, em razão das tratativas necessárias; iii) apresentou à fiscalização todos os fatos e documentos necessários ao seu esclarecimento, devendo se buscar a verdade na situação; iv) a recorrente agiu de boafé. Ao fim, afirmou não ter restado caracterizada sua máfé nem interposição fraudulenta, e requereu o cancelamento do lançamento fiscal. Protestou pelos documentos juntados e por produção de demais provas que vierem a ser necessárias. Não juntou novos documentos em seu recurso. Fl. 575DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 572,5 8 Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De início, é importante registrar que, conforme esclareceu a diligência determinada pela DRJ nos presentes autos, "a proposta de aplicação de pena de perdimento foi autuada sob o nº 11042.000319/200821, e, vencido o rito processual, aplicada a pena de perdimento. As mercadorias foram leiloadas". Vêse, portanto, que, naquele processo, em que também se discutia a configuração ou não da interposição fraudulenta de terceiros com vistas à ocultação do real importador no que tange a esta mesma operação de importação, concluiu a fiscalização pela correção da penalidade imposta na autuação (vide despacho decisório IRF/JAG/Gabinete nº 031/08, de 01/10/2008, anexado às fls. 474/505 dos presentes autos). Nos presentes autos, por seu turno, este Colegiado deverá se manifestar sobre a validade da aplicação da multa pela infração de cessão de nome, destinada ao importador ostensivo. Embora reconheça que este tema encontra posicionamentos divergentes na jurisprudência administrativa, entendo que a penalidade aqui analisada disposta no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 (multa por cessão de nome), veio apenas substituir a penalidade de declaração de inaptidão, disposta no art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Nesse contexto, poderá ser aplicada de forma cumulativa com a penalidade de perdimento disposta no art. 23 do Decreto lei nº 1.455/1976, que via de regra busca penalizar a pessoa jurídica ocultada (adquirente de fato). No intuito de esclarecer o tema, o art. 727 do Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro) assim dispôs: Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na Fl. 576DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 573 9 exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). (Grifos apostos). Verificase, portanto, a possibilidade de coexistência de dois processos diversos, um para fins de exigência da multa por cessão de nome e outro para fins de aplicação da pena de perdimento, embora ambos tenham como fundamento legal uma mesma importação. Feitas essas considerações preliminares, passo, então, à análise do caso concreto aqui analisado. Consoante acima narrado, o contribuinte embasou a sua defesa no argumento de que, em que pese a existência de contrato de promessa de compra e venda de mercadorias firmado entre a recorrente e a empresa MKJ, que a operação fora alterada em razão do encerramento do prazo da fiança do referido contrato. Em outras palavras, resta incontroverso nos autos que as mercadorias em comento foram destinadas à MKJ, a qual figurava como encomendante das referidas mercadorias, as quais já possuíam, inclusive, etiquetas com o seu respectivo nome. O que se discute na presente contenda, então, é se o encerramento do prazo da fiança do referido contrato seria suficiente para se entender como válida a alteração da operação de importação, passando de encomenda para própria. Ou seja, deverá este Colegiado analisar se tal fato seria capaz de afastar a configuração da interposição fraudulenta de terceiros, a qual autoriza a aplicação da multa por cessão de nome ao importador ostensivo. Penso que não. Consoante restou detidamente analisado pela DRJ na decisão recorrida, não consta dos autos elementos suficientes para fins de confirmar que houve, de fato, interrupção dos efeitos do contrato firmado entre as partes, visto que, com base nos termos contratuais ali postos, a mera expiração da carta de fiança apresentada não levaria a este efeito imediato. Há, ainda, inconsistências relacionadas às datas em que o contrato teria perdido a sua validade e os registros da importação em questão. Por outro lado, verificase que a fiscalização identificou razões para que esta operação de importação específica não fosse registrada em nome da MKJ, visto que o valor extrapolaria o limite de importação permitido para a referida empresa. Sendo assim, por entender que o caso restou corretamente e detidamente analisado pela decisão recorrida, transcrevo parte dela a seguir, adotandoa como razão de decidir: ▣ OS FATOS QUE EMBASAM A PRESENTE AÇÃO FISCAL ● A caracterização da prática da importação por encomenda entre as empresas MARFIM GESTÕES COMERCIAL (importador) e MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA (encomendante). Em 09 de maio de 2008 foi registrada a Declaração de Importação DI n° 08/06840433, pretendendo a importação da mercadoria amparada pelo Conhecimento de Transporte Internacional por Rodovia CRT 2008UY137001081, cujo objeto são 263 caixas de papelão que dizem conter casacos femininos tamanho Fl. 577DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 573,5 10 adulto com forro, e jaquetas femininas tamanho adulto com forro, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul NCM 6202.13.00. A DI n° 08/06840433 foi formulada na modalidade de Despacho Normal, para Consumo, tendo por importador e adquirente da mercadoria MARFIM GESTÕES COMERCIAL IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E ASSESSORIA LTDA, inscrita no CNPJ sob o n° 06.249.926/000100. Consta do registro da Declaração de Importação o número do Manifesto Internacional de Carga/Declaração de Trânsito Aduaneiro MIC/DTA n° 2008UY137003033. Está declarado o acondicionamento da mercadoria a ela referente em 263 caixas de papelão, com peso bruto total de 2.741,40 Kg e peso líquido de 2.557,30 kg. Informa ainda o custo do frete externo de US$ 300,00 (trezentos dólares estadunidenses), do seguro US$ 171,48 (cento e setenta e um dólares estadunidenses, e quarenta e oito cents), do VMLE Valor da Mercadoria no Local de Embarque de US$ 71.150,00 (setenta e um mil, cento e cinqüenta dólares estadunidenses), e do VMLD Valor da Mercadoria no Local de Destino de US$ 71.621,42 (setenta e um mil, seiscentos e vinte e um dólares estadunidenses, e quarenta e dois cents), correspondente à soma das parcelas anteriores. Constam ainda da Declaração de Importação o n° das Declarações de Exportação registradas no pais de origem, Uruguay, números 2008526713 e 2008526589, e os tributos incidentes sobre a operação de importação, tal como declarados pelo importador. No campo destinado aos dados complementares constam diversas informações, entre elas número das faturas (001368, 001369 e 001370), do MIC/DTA, do CRT, datas de emissão dos documentos e de chegada, memória de cálculo dos tributos declarados como incidentes sobre a operação, razão social e CNPJ do importador, despachantes aduaneiros e ajudantes de despachante aduaneiro autorizados pelo importador a operarem no despacho aduaneiro, e a seguinte expressão: "REGIME ESPECIAL DE SC O CAMBIO, CARTA DE CRÉDITO OU FINANCIAMENTO DEVERAO SER CONTRATADOS PELA EMPRESA: MARFIM GESTOES COMERCIAL, IMPOTAO, EXPOTAO E ASSESSORIA LTDA INSCRITA NO CNPJ: 06.249.926/000100" O Relatório de Procedimento Fiscal explica que Jaguarão conta com uma área de Controle Integrado, o que significa dizer que todos os órgão anuentes e intervenientes no processo de importação / exportação dos dois países limítrofes, Brasil e Uruguai, atuam na mesma área alfandegada, compartilhando estas instalações físicas e a logística local. Ainda que localizada em território brasileiro, as mercadorias em trânsito do ponto em que a fronteira é ultrapassada até o ingresso no Porto Seco de Jaguarão estão sob jurisdição da Aduana uruguaia. Tal jurisdição se estende até o momento em que é desembaraçada a mercadoria, pela Aduana uruguaia. Por isto, em procedimento regular de importações brasileiras / exportações uruguaias, o MIC/DTA, acompanhado dos demais documentos instrutivos do despacho de exportação uruguaia, deve ser apresentado à Aduana do Uruguai, e por Fl. 578DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 574 11 ela liberado antes de dar inicio ao despacho aduaneiro no Brasil. O despacho aduaneiro de importação no Brasil deve então ser instruído com o MIC/DTA liberado pela Aduana uruguaia. Entretanto, para dar maior celeridade aos procedimentos burocráticos relativos às importações brasileiras, foi autorizado, por meio da portaria IRF/JAG n° 003/2007, o trâmite simultâneo da exportação uruguaia e da importação brasileira, dispensando a formalidade de apresentar o MIC/DTA liberado (carimbado) pela aduana uruguaia como documento instrutivo do despacho, bastando uma via do documento sem anotação desta liberação. Entretanto, para liberação da mercadoria junto ao concessionário que administra o Recinto Alfandegado, deverá ser apresentada a cópia do MIC/DTA devidamente liberada pela aduana uruguaia. Em relação à operação de importação em comento, o MIC/DTA n° 2008UY137003033 possui manifestadas seis cargas, a diversos destinos e destinatários, correspondendo a carga em questão à indicada na folha 4, de um total de quatro, e à carga 6, de um total de seis. A carga de número seis possui as seguintes informações, nos correspondentes campos do manifesto: Campo 23 número do conhecimento: “ UY137001081 ”■ Campo 24 alfândega de destino: “IRFYAGUARON RS BRASIL”; Campo 25 moeda: " U$S ”; Campo26 origem das mercadorias: “URUGUAY”; Campo 27 valor FOT: " 71150,00 ”; Campo 28 frete em US$: “ 2600,00”; Campo 29 Seguro em US$: “ ”; Campo 30 tipo dos volumes: " CAJA DE CARTON/CARTON ”; Campo 31 quantidade de volumes: "263,00”; Campo 32 peso bruto (kg): " 2557,30 Campo 33 remetente: “ANTEPLANO S.A. MONTEVIDEOURUGUA¥”; Campo 34 destinatário: " MKJIMPORTACAO E COMERCIO LTDA ESTREITO FLORIANÓPILS/SC BRASIL ”, Campo 35 consignatário:"MARFIM GESTÕES COMERCIAL IMP.EEXP.LTDA BLUMENAU/SC BRASIL”, Campo 36 documentos anexos: " Facturas Comerciales N° 001368, 001369, 001370 ”. No verso desta folha encontrase ressalva, em campo de observações, com os seguintes dizeres: "OBS: RESSALVAMOS CAMPO 34 Correto: DeMKJ IMP. COMERCIO LTDA Para Marfin Gestões Imp. Exp Ltda Fl. 579DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 574,5 12 Atenciosamente" No CRT 2008UY137001081, que acoberta o transporte da mercadoria objeto da Declaração de Importação em questão, constam preenchidos: Campo 01 remetente: “ANTEPLANO SÃO CONCEPCION ARENAL1910 MONTEVIDEO URUGUAY Campo 04 destinatário:"MARFIM GESTÕES COMERCIAL IMP.EEXP. EASS. LTDA RUA GUSTAVOZIMMERMMAN, 310 BLUMENAU/SCBRASILITOUPAVA CENTRAL CNPJ 06.249.926/000100 CEP 89.062100", Campo 06 consignatário: “MARFIM GESTÕES COMERCIAL IMP.E EXP. EASS. LTDA RUA GUSTAVO ZIMMERMMAN, 310 BLUMENAU/SCBRASILITOUPAVA CENTRAL CNPJ 06.249.926/000100 CEP 89.062100", Campo 09 notificar a. “MARFIM GESTÕES COMERCIAL IMP.E EXP. EASS. LTDA RUA GUSTAVO ZIMMERMMAN, 310 BL UMENA U/SC BRASIL ITOUPA VA CENTRAL CNPJ06.249.926/000100 CEP 89.062100 Campo 17 documentos anexos: “FACTURA COMERCIAL:N°001368,001369, 001370 ”. Os demais campos contém dados que caracterizam as mercadorias por ele suportadas e o contrato de transporte propriamente dito, como frete e seguro. A Declaração de Importação n° 08/06840433 foi parametrizada para o canal vermelho de conferência aduaneira, implicando a verificação documental do despacho, e verificação física da mercadoria. O Relatório de Procedimento Fiscal ressalta, porém, que foi encontrada, em cada peca analisada, a etiqueta de identificação do importador, firmemente costurada no produto, no lado interno esquerdo, com os seguintes dizeres: “IMPORTADO POR: MKJ IMPORTAÇÃO E COMÉRCIO LTDA, CNPJ 03.403.405/0003 20'e as indicações da composição do tecido, “EXTERIOR: 85% P0LIÉSTER 15% LÃ" ou “EXTERIOR: 100% POLIÉSTER” , e “FORRO: 100% POLIÉSTER”, bem como indicação da origem “FABRICADO N0 URUGUAI”. Também constam infografos das instruções de manuseio do produto. Abaixo a amostra dessas etiquetas. (...) Portanto, esse fato por si só já demonstra o uso da empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL como importador interposto pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO. Esse fato é tido como INCONTROVERSO, pois é admitido às folhas 04 da impugnação: Outrossim utilizando como subsidio o contrato firmado iniciouse a operação de importação por encomenda, para importação de casacos, tendo,como adquirente a MKJ, a qual redundou no registro da DI n0 08/0684043,3 conforme será explanado. Fl. 580DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 575 13 ● Do contrato de encomenda Com o objetivo de esclarecer qual o real adquirente da mercadoria, foram intimadas as empresas autuadas a apresentar documentos e informações complementares. Para tanto, foram expedidas as intimações IRF/JAG/EDA 017/2008 e IRF/JAG/EDA 018/2008, datadas de 16/05/2008, cuja ciência pelo representante das autuadas se deu em 17/05/2008, às 11:11 h. As intimações foram atendidas em 27 de maio de 2008, dentro do prazo prorrogado. Em atendimento à intimação a empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL apresentou os documentos anexos, prestando, em síntese, os seguintes esclarecimentos: a) Possuir somente uma única conta bancária, no Banco Bradesco 237, Agência 2656, Conta 5444. Esta conta foi migrada de outra agência do mesmo banco, a Agência 1512; b) Que os tributos federais incidentes sobre as operações de importação realizadas mediante registro das Dl 08/06403076, 08/06403084, e 08/06840433, foram debitados à conta número 94.696, da Agência 03301, de titularidade de Múltipla Assessoria Aduaneira Ltda; c) Que os tributos estaduais incidentes sobre as operações de importação realizadas mediante registro das Dl 08/06403076, 08/06403084, e 08/06840433, foram debitados à sua conta 5444, antes referida; d) Que anexa extratos de sua conta, comprovando o débito do ICMS incidente sobre as operações e a transferência dos recursos à Múltipla Assessoria Aduaneira Ltda, para pagamento dos tributos federais; e) Que anexa os contratos de câmbio números 07/011312, 08/001692, 08/004630, 08/004631, e 08/004755, que suportam as operações comerciais representadas pelas Dl 08/06403076, 08/06403084, e 08/06840433; f) Que a DI 08/06403076 teve fechado o câmbio em 14/02/2008 e em 02/05/2008, a Dl 08/06403084 teve fechado o câmbio em 19/12/2007 e em 02/05/2008, e a Dl 08/06840433 teve fechado o câmbio em 19/12/2007 e em 06/05/2008, e anexa os extratos de contacorrente correspondentes; g) Que anexa cópia do Instrumento de Promessa de Compra e Venda de Mercadorias Importadas celebrado com a MKJ Importação e Comércio Ltda, encomendante de produtos por ela importados; h) Que anexa notas fiscais de entrada e de salda para os produtos a que se referem as Declarações de Importação n° 08/06403076, 08/06403084, bem como os documentos instrutivos destas DIs; i) Que anexa a sétima alteração contratual de seus atos constitutivos, informando ser esta a última alteração com consolidação da redação, e cópia dos documentos de identidade de seus representantes legais; j) Que administram a sociedade seus sócios, JAIME JOSÉ TOMASELLI e SELMA BEPPLER TOMASELLI; Fl. 581DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 575,5 14 k) Que anexa procurações outorgadas pela empresa a FRANCISCO JOSÉ MAESTRI, advogado, conferindo amplo, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar todos os negócios da outorgante, e a ELISÂNGELA SALVAN e MAURO MARCELO SPERBER DOS SANTOS, despachantes aduaneiros. Importante ressaltar que dos documentos instrutivos das Declarações de Importação n° 08/06403076 e 08/06403084 não constam os Certificados de Origem, apesar de solicitados. Por sua vez, a empresa MKJ IMPORTAÇÃO apresentou em atendimento à intimação os documentos anexos, com os seguintes esclarecimentos: a) Relação de contas em que movimenta seus recursos financeiros; b) Indica as contas para as quais foram transferidas recursos financeiros para pagamento dos tributos e estaduais incidentes sobre as operações e o pagamento das importações, e que o pagamento das importações foi realizado a partir de sua conta no banco Safra, Agência 13700, conta 0631, em Florianópolis/SC, anexando extratos relativos a estas operações; c) Que anexa cópia de cartafiança que garante as importações; d) Que anexa cópia do Instrumento de Promessa de Compra e Venda de Mercadorias Importadas celebrado com a Marfim Gestões Comercial, Importação, Exportação e Assessoria Ltda, importadora dos produtos por ela encomendados; e) Que anexa as notas fiscais emitida por Marfim Gestões Comercial, Importação, Exportação e Assessoria Ltda que suportam a entrada das mercadorias importadas em seu estoque; f) Que anexa cópia de seus atos constitutivos; g) Que anexa cópia dos documentos de identidade de seus representantes legais; h) Que administram a sociedade seus sócios, JAIME JOSÉ TOMASELLI e SELMA BEPPLER TOMASELLI; i) E por fim, que anexa procuração outorgada pela empresa a ROBERTO BRESEGHELO DE CAMARGO, NEUSA MARIA CORRÊA DE ALMEIDA, e ADEMAR DE ALMEIDA, para o fim de representar a outorgante perante quaisquer estabelecimentos bancários, com necessidade de assinatura conjunta de pelo menos dois outorgados e/ou o representante legal da outorgante, e com limites de alçada. Consideradas insuficientes as informações obtidas, foram expedidas outras duas novas intimações, 024/2008 e 025/2008, respectivamente a empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL e a empresa MKJ IMPORTAÇÃO. Em resumo, a empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL declarou que: a Carta de Fiança firmada sob o n° 210.9452, de suporte ao contrato entre Marfim Gestões e MKJ para a importação por encomenda, teve seu prazo de vigência expirado. Em conseqüência, a encomendante foi notificada da irregularidade. Após regularizada a situação da fiança, foi restabelecida a relação entre as partes. No entanto, como o registro da Dl já havia sido efetivado considerando a notificação realizada no dia 08/05/08, se faz necessária sua Fl. 582DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 576 15 retificação,,.retificação esta que requer. Informa ainda que uma vez retificada a Dl como solicitado, as mercadorias serão destinadas ao encomendante, nos termos contratuais, e anexa notificação enviada a MKJ, comunicando rescisão unilateral do contrato, invocando as cláusulas 10.5 e 10.5.1, pela expiração da fiança, cuja responsabilidade exclusiva é da MKJ, em atendimento ao item 1 da intimação; anexa as faturas proforma 077, 078, 079, 080 e 081, e original do contrato de câmbio 07/011312, e a fatura proforma 002/07 e original do contrato de câmbio 08/001692, em atendimento ao item 2 da intimação; anexa cópia dos Certificados de Origem 340146 e 339796, correspondentes às faturas 01542 de Barsin SA e 001356 de Anteplano SA, em atendimento ao item 3 da intimação; anexa extrato de sua conta de dezembro de 2007, com os detalhamentos solicitados, em atendimento ao item 4 da intimação; declara a destinação das mercadorias importadas, acobertadas pelo CRT 2008UY0137001081, afirmando serem destinadas ao encomendante, MKJ, em atendimento ao item 5 da intimação. Atendendo a intimação 025, a empresa MKJ IMPORTAÇÃO declarou que: se comprometeu a adquirir mercadorias a serem importadas por Marfim Gestões, conforme contrato de importação por encomenda. Vencida a cartafiança em 30/04/2008, a MKJ foi notificada por Marfim Gestões da rescisão do contrato. Posteriormente foi renovada a cartafiança e restabelecida a relação contratual entre as partes, em pleno vigor atualmente, e anexa notificação recebida de Marfim Gestões, nova cópia do contrato de importação por encomenda, cópia de carta fiança 210.9452 do Banco Safra, cópia da cartafiança 1010847/2008 do Banco Industrial e Comercial, em atendimento ao item 1 da intimação; anexa cópia das faturas proforma emitidas por Anteplano SA, 077, 078, 079, 080 e 081, em atendimento ao item 2 da intimação; anexa registro de propriedade/detenção de marca e contrato de licenciamento, em atendimento ao item 3 da intimação; anexa cópia dos extratos das DIs 08/06403076 e 08/06403084, em atendimento ao item 4 da intimação. O contrato celebrado entre a empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL e a empresa MKJ IMPORTAÇÃO para a realização de importações da primeira sob encomenda da segunda, foi celebrado em 18/12/2007, dia anterior à celebração do primeiro contrato de câmbio, instruído com as faturas proforma 077, 078, 079, 080 e 081/07, cuja data de emissão é 30/10/2007, e previsão de entrega nelas consignada é 31/03/2008. Portanto, quando da celebração do contrato entre as empresas Marfim Gestões e MKJ as negociações relativas à aquisição das mercadorias ao exportador uruguaio já se encontravam finalizadas e documentadas. As autuadas afirmam que o contrato de importação por encomenda foi rescindido unilateralmente por Marfim Gestões, por meio de notificação datada de 08/05/2008, em decorrência da expiração da cartafiança contratada pela MKJ junto ao Banco Safra em garantia â execução do contrato. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 576,5 16 Afirmam também que, uma vez sanada a irregularidade mediante contratação de nova cartafiança, a relação contratual foi restabelecida, estando atualmente em pleno vigor. Não há instrumentos aditivos ao contrato materializando as ocorrências mencionadas. São invocados os itens 10.5 e 10.5.1 do contrato para regular a importação em andamento, cuja Dl foi registrada sob o número 08/06840433. Da leitura do contrato verificase, porém, que dentre as cláusulas reguladoras da rescisão contratual somente se encontra a previsão de rescisão unilateral imediata, conforme suas disposições 10.1 e 10. 2, nos seguintes casos: por iniciativa de Marfim Gestões, pela falta de pagamento ou recusa de recebimento das mercadorias importadas de parte de MKJ; por qualquer das partes, se a outra parte; tiver títulos protestados e não justificados em 10 dias, ou tornarse notoriamente insubsistente; tiver a falência decretada, requerer recuperação judicial ou extra judicial ou entrar em liquidação; e infringir qualquer condição substancial do presente ajuste e desde que a outra parte tenha sido notificada para reparar e ainda assim não o tenha feito no prazo estipulado na notificação. Quanto à caracterização da garantia como condição contratual substancial, apenas por meio de exercício lógico podese concluir assim, haja vista que em nenhuma cláusula ou item está estabelecida a obrigação de prestação de garantia, apenas mencionada na Cláusula 7.1 e 10.5.1. A Cláusula 7.1 apenas esclarece, quanto à garantia, que caracterizado o 'inadimplemento nela previsto, poderá ser executada a garantia outorgada, não estando limitada a esta ação para busca de seus direitos, ou seja, a execução da garantia não necessariamente satisfaz ou esgota o leque de ações de reparo, apenas isto. Notese que o inadimplemento contratual pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO é caracterizado pela recusa em receber os bens estrangeiros encomendados,.ou não pagar quaisquer quantias devidas de acordo com o contrato. A empresa MKJ IMPORTAÇÃO, como se percebe pela análise das importações anteriores realizadas à Anteplano SA e Barsin SA cumpriu rigorosa e diligentemente tais condições, conforme atestam os extratos das movimentações financeiras e os documentos de suporte das operações. A Cláusula 10.5.1 segue no mesmo sentido, autorizando a empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL a executar a garantia na situação especificada na Cláusula, qual seja, o reembolso pelos custos incorridos no caso da rescisão contratual motivada por responsabilidade da empresa MKJ IMPORTAÇÃO de importações em andamento (produtos já destinados à exportação). Ainda, inovam as alegações quando afirmam ter havido a rescisão contratual, sem prévia notificação. E rescindido o contrato, que este tornara a vigorar, após Fl. 584DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 577 17 corrigida a irregularidade que deu causa à rescisão. Em outras palavras, o contrato ressucitou após sua extinção. Esta situação estaria a justificar a omissão de MKJ do registro da Dl 08/06840433, indicando a Marfim Gestões como importador e como adquirente da mercadoria. Ainda que se considerasse, apesar das previsões contratuais, que efetivamente a constituição de garantia fosse elemento essencial à sua validade, ou que pelo menos se tratasse de condição substancial cujo inadimplemento justificasse a rescisão, embora não estivesse expressamente prevista, ainda assim, por força da cláusula 10.2.3 do contrato só podería ser .operada a rescisão contratual por este motivo, desde que previamente notificada a falta detectada, e não solucionada no prazo da notificação. Verificase, porém, que não houve por parte da outra contraente omissão na correção da falta, posto que imediatamente contratou nova garantia. Aparentemente, este raciocínio segue o pensamento da autuada, pois apresenta estas alegações a justificar a incidência no erro no registro da Declaração de Importação, razão pela qual, inclusive, solicita a retificação da Declaração, para que nesta se faça constar como devido o encomendante da mercadoria no campo próprio, adquirente. Importante destacar que independentemente de qualquer alegação referente à rescisão do contrato de importação por encomenda, o fato é que a empresa MKJ IMPORTAÇÃO se valeu da empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL para obter produtos importados no mercado interno, o que evidência o uso da empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL como importador interposto pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO. ● Os Certificados de Origem Nas intimações também foram solicitados os Certificados de Origem que acompanharam as faturas 1354, 1355, e 1356, que suportaram a emissão do CRT 2008UY01828.33716, datado de 29/04/2008, solicitação esta que já havia constado das intimações originais números 017 e 018. Os Certificados de Origem que instruem a Declaração de Importação n° 08/06840433, que acompanharam as faturas 1368, 1369 e 1370 foram expedidos em 23/04/2008, e o CRT por elas suportado, 2008UY01370.01081, em 07/05/2008. Os Certificados de Origem 3411064, 3411065, e 3411066, relativos as Faturas 1369, 1370, e 1368, emitidos para o exportador ANTEPLANO S.A., indicam como Importador Marfim Gestões Comercial, Importação, Exportação e Assessoria Ltda, e como consignatário MKJ Importação e Comércio Ltda. (...) ● A configuração do dolo Considerandose a habilitação pela qual optou a empresa MKJ IMPORTAÇÃO, fica caracterizada a intenção do dolo a partir da solicitação de retificação da Declaração de Importação, pois nesta hipótese seria extrapolado o limite às operações imposto pela modalidade de habilitação. O fato que se alega motivador da omissão da empresa MKJ IMPORTAÇÃO do corpo da Declaração de Importação (campos Adquirente e Informações Fl. 585DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 577,5 18 Complementares) ocorreu apenas em 08/05/2008, data da expedição da notificação que pretendeu rescindir o contrato. Esta foi a data do desembaraço da exportação no Uruguai. O CRT, emitido em 07/05/2008, não poderia declarar nos campos 4 Destinatário, 6 Consignatãrio e 9 Notificar a, o nome da empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL, já que a contratação original, como expressamente declarado pelas Autuadas, foi de uma operação por encomenda. Logo, o CRT não é documento idôneo a instruir o despacho, já que foi preenchido com informações que vieram tornarse verdadeiras, a existir, apenas no dia seguinte à sua emissão. A importação sob comento, declarada como de exclusivo interesse e responsabilidade de Marfim Gestões, representada pela Dl 08/06840433, somava o montante CIF de US$ 71.621,42, acima, portanto, do saldo remanescente do limite operacional da habilitação da MKJ. A empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL está habilitada a operar no comércio exterior na modalidade oridinária, tendo declarado sua estimativa de operações de comércio exterior no montante de US$64.285,71 para Importações e US$257.142,86 para exportações. Suas operações, nos últimos seis meses, estão dentro destas estimativas. A empresa MKJ IMPORTAÇÃO, entretanto, possui habilitação do tipo simplificada, na modalidade pequena monta: Ou seja, a autorização para operar no comércio exterior como importador ou adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros é de US$ 150.000,00. A Declaração de Importação n° 08/06840433 foi registrada em 09/05/2008. No período de novembro de 2007 a abril de 2008 não foram realizadas importações pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO. Em maio, porém, foram realizadas duas importações, cujo valor CIF totalizou US$ 94.576,38, conforme o quadro a seguir: Portanto, de acordo com a habilitação requerida pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO, o seu limite de operações para o restante do mês de maio e para os seis meses subseqüentes era de US$ 55.423,62. A importação sob comento, declarada como de exclusivo interesse e responsabilidade da empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL, representada pela Declaração de Importação n° 08/06840433, somava o montante CIF de US$ 71.621,42, acima, portanto, do saldo remanescente do limite operacional da habilitação da MKJ. Somada esta importação As demais, fica evidente a extrapolação do limite de operações na modalidade de habilitação obtida pela empresa MKJ IMPORTAÇÃO: Fl. 586DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 578 19 O SISCOMEX atualmente veda o registro de Declaração de Importação que esteja em desacordo com os limites de operação determinados segundo a habilitação obtida pelo interessado. Tivesse a empresa MKJ IMPORTAÇÃO obtido uma habilitação simplificada na modalidade exclusivamente encomendante, ou mesmo ordinária, sujeitandose às diligências e fiscalizações necessárias a sua obtenção, esta Declaração de Importação poderia ter sido registrada tal como a operação efetivamente foi realizada, tendo por adquirente e destinatário da mercadoria a MKJ. Impossibilitado o registro da Declaração de Importação na forma correta, ao invés de promover a internação dos produtos apenas no limite permitido, ou requerer revisão de sua habilitação para modalidade que viabilizasse a operação pretendida, foi omitida, a informação de que o adquirente era de fato a empresa MKJ IMPORTAÇÃO, caracterizando fraude no despacho, por ocultação do sujeito passivo. Embora exista contrato para importação por encomenda entre o REAL COMPRADOR – empresa MKJ IMPORTAÇÃO – e o importador interposto – empresa MARFIM GESTÕES COMERCIAL – ao praticar a omissão do encomendante no registro da Declaração de Importação, caracteriza assim a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros com escopo no inciso V, do artigo 23 do Decreto Lei n° 1.455/76. ▣ A INFRAÇÃO POR "CESSÃO DE NOME" A infração por “cessão de nome” surge como um sucedâneo da prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Ceder seu nome, mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seu real beneficiário, ficando sujeita a multa tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Como visto, há duas formas de se apurar a interposição fraudulenta de terceiros em operações de importação: ¨ A prática efetiva (inciso V, art. 23, do Decreto nº 1.455/76) onde há a necessidade da fiscalização identificar tanto o sujeito passivo oculto (REAL COMPRADOR) quanto a interposta pessoa na importação; e Fl. 587DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 578,5 20 ¨ A prática presumida (§2º, art.23, do Decreto nº 1.455/76) quando o importador não faz comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação.| A prática EFETIVA da interposição fraudulenta de terceiros implica em duas infrações: ¨ Uma infração tipificada no inciso V, do artigo 23, do Decreto Lei 1.455/76, punível com a aplicação da pena de perdimento, tendo por destinatário o real adquirente da mercadoria e conseguinte substituição pela multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria no caso de que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Uma infração imprópria que pode ser cometida por qualquer um. ¨ Outra infração tipificada no caput do artigo 33 da Lei 11.488/2007, punível com a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), tendo por destinatário a pessoa jurídica que cedeu seu nome. Uma infração própria, já que para cometêla o agente deve ter a condição de ser importador devidamente habilitado no SISCOMEX. Nesse sentido, citase o artigo 99 do DecretoLei nº 37/66: Art.99 Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, quando for o caso, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. (Grifo Nosso) São portanto duas condutas infracionais distintas, afetando bens jurídicos tutelados dispares: ¨ Art. 33 da Lei 11.488/2007: Infração própria cometida apenas pelo importador de direito (INTERPOSTO), em razão de sua habilitação no Siscomex, por ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. O parágrafo único do referido artigo é explicito em determinar que sua aplicação vem a inibir a declaração de inaptidão do CNPJ do importador/exportador de direito (ou ostensivo), decorrente da previsão feita pelo §1º, do artigo 81 da Lei nº 9430/96, não fazendo referência à qualquer outro artigo. A conduta tipificada do importador de direito (INTERPOSTO) é de “ceder o nome” agindo em descompasso em relação à higidez do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Por fim, o próprio § 3º, do artigo 727, do Regulamento Aduaneiro – Decreto 6.759/2009 endossa esse entendimento. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) Fl. 588DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 579 21 § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. (Grifo Nosso) Portanto, a incidência da multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/07 não exclui a aplicação da pena de perdimento. ▣ DA BOA FÉ ALEGADA Oportuno agora se faz trazer comentários a respeito do alegado quanto à boa fé: É imprescindível para a análise a transcrição do artigo 136 do Código Tributário Nacional: Responsabilidade por Infrações Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Esse artigo possui o seu correspondente no DecretoLei n° 37/66: Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. O artigo 136 do Código Tributário Nacional é taxativo no sentido de que a responsabilidade tributária é objetiva. O §2º, do artigo 94 do Decreto Lei n° 37/66, também é taxativo no sentido de que a responsabilidade por infração aduaneira é objetiva. Assim, ainda agindo de boafé, cercado das cautelas de praxe, com razões suficientes para acreditar que está praticando um ato em conformidade com o direito, ainda que ignore o fato de seu ato ou de seus representantes estar em descompasso com a legislação, o Impugnante não pode se furtar de sua responsabilidade. O Código Tributário Nacional, ao preceituar a aplicação de sanção por infrações tributárias, utiliza a expressão “independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Linha absolutamente idêntica é adotada pelo DecretoLei n° 37/66. Ambos ordenamentos desconsideram a intenção do agente ou responsável como pressuposto para a aplicação da devida punição, bem como dispensa a comprovação dos efeitos e extensão dos danos à Fazenda Pública. A boa fé alegada, ainda que preponderante, por força dos artigos transcritos, não tem o condão de afastar a responsabilidade por infrações da legislação tributária. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11042.000318/200886 Acórdão n.º 3002000.589 S3C0T2 Fl. 579,5 22 Assim, o legislador ao consagrar a responsabilidade objetiva por atos infracionais, dispensa a Fazenda Pública de perquirir fatos comprovadores da presença do dolo ou da culpa e elementos de materialidade efetiva para aplicar a sanção correspondente. A responsabilidade objetiva garante de forma mais eficaz a coercibilidade do sistema punitivo tributário. De outro modo, a atividade de fiscalização se inviabilizaria se a cada infração tivesse que se provar que o contribuinte não autorizou determinada operação por negligência, imperícia ou imprudência. Para legitimar a sanção, basta a certificação do fato infracional, independente da existência de culpa, demonstração de boafé e ocorrência de efetivo dano ao Erário público. Diante do exposto, no uso da competência legal, outorgada pelo inciso I do art. 61 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, com redação dada pela Lei no 9.019, de 30 de março de 1995, art. 7o, § 5o, julgase IMPROCEDENTE a impugnação constante no presente processo. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 590DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.906886/2012-52
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2009
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3003-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2009 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO E DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado.
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INOCORRÊNCIA. Estando presentes os requisitos formais previstos nos atos normativos que disciplinam a compensação, que possibilitem ao contribuinte compreender o motivo da sua não homologação, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, não há que se falar em nulidade do despacho decisório ou da decisão recorrida por cerceamento de defesa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 86 /2 01 2- 52 Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 3 2 Marcos Antonio Borges Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP cujo crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior de COFINS no valor original na data de transmissão de R$ 28.837,67, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 24/06/2009. Após processada foi exarado o Despacho Decisório no qual consta que o pagamento descrito no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Intimado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade aonde alega, em síntese: Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 4 3 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão nº 02 056.407. O fundamento adotado, em síntese, foi o de rejeição da preliminar de nulidade e falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade e requer seja acolhida a preliminar alegada referente à nulidade tanto o despacho decisório quanto o acórdão recorrido e, caso não seja este o entendimento, requer seja dado provimento ao recurso, reconhecendose o seu direito creditório e homologandose a compensação pleiteada. É o Relatório. Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre de recolhimento a maior, decorrente de revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, e não retificado em DCTF. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade no despacho decisório e da decisão recorrida por ausência de fundamentação e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa, entendo que não assiste razão à recorrente. O instituto da compensação está previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2° A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. In casu, o contribuinte apresentou declaração de compensação de débitos diversos e apontou o documento de arrecadação (DARF) referente a COFINS, como origem do crédito, alegando “pagamento indevido ou a maior”, conforme disposto nas normas regulamentadoras. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. A fundamentação da não homologação da compensação pleiteada reside no cotejo entre as próprias declarações apresentadas pelo contribuinte e os documentos apontados como origem do direito creditório. A analise eletrônica do PERDCOMP se deu com base nas declarações ativas quando da apresentação do mesmo. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 6 5 Uma vez que o direito creditório não foi reconhecido, a compensação foi não homologada e o sujeito passivo foi cientificado e intimado a efetuar o pagamento dos débitos indevidamente compensados com os respectivos acréscimos legais. Tal procedimento, conforme o disposto no aludido diploma legal, foi disciplinado pela Receita Federal através de diversas Instruções Normativas ao longo do tempo, não se verificando no despacho decisório combatido qualquer inobservância das formalidades ali prescritas, não caracterizando assim o alegado vicio que poderia levar a eventual invalidade do ato administrativo. Embora os critérios dessa análise possam ser insuficientes para criar um juízo de certeza da inexistência ou insuficiência do crédito do contribuinte, esse fato por si só não ensejaria a decretação da nulidade do despacho por cerceamento de defesa, qual seja, a impossibilidade de o impugnante defenderse da não homologação, por falta de compreensão do motivo da não homologação. Por certo, na sistemática da análise dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior, na qual é feito um batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não, não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que ocorreu no presente caso, em que a recorrente já na fase litigiosa informou a origem do indébito e, posteriormente, juntou a documentação comprobatória que entendeu embasar o seu direito. Não resta caracterizada a nulidade se o impugnante, a partir do despacho decisório, assimila as conseqüências do fato que deu origem à rejeição da compensação, que lhe possibilitem saber quais pontos devem ser esclarecidos em sua defesa, para comprovação de seu direito creditório, bem como, o fato da decisão de primeira instância ter sido fundamentada na falta de documentação hábil, idônea e suficiente para comprovação de suposto erro no preenchimento inicial da DCTF, de modo a dar a conhecer ao contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligências, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a sua realização deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. Alega a Recorrente que efetuou revisão dos seus créditos da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS e deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no pagamento das contribuições a maior durante todo o período revisado. Para embasar o seu direito juntou ao presente processo DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário. Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 7 6 Apesar da complementação das alegações da recorrente e a correspondente documentação comprobatória terem sido apresentadas apenas em sede de Recurso Voluntário, o que, em tese, estaria atingida pela preclusão consumativa, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, com respaldo ainda na alínea “c” do § 4º art. 16 do PAF (Decreto nº 70.235/1972), quando a juntada de provas destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, mormente quando a Turma de Julgamento de primeira instância manteve a decisão denegatória da compensação, com base no argumento de que não foram apresentadas as provas adequadas e suficientes à comprovação do crédito compensado, quando tal questão não fora abordada no âmbito do Despacho Decisório guerreado. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), artigo 373, inciso I: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No entanto, a Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Conforme jurisprudência majoritária do CARF e da posição firmada recentemente pelo STJ, a comprovação no caso do direito creditório referente a revisão de créditos da nãocumulatividade da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS revela a necessidade de aferição casuística da aplicação do conceito de insumos a determinado gasto, tendo sempre em vista a atividade desempenhada pelo contribuinte. Em outras palavras, saber se determinado dispêndio integra o conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições nãocumulativas passa pela análise de sua essencialidade ou relevância em face das particularidades da atividade que determinada empresa desempenha. Nesse contexto, a instrução probatória ganha sensível importância, pois, em cada caso e para cada despesa, deverão ser demonstradas a relevância e a essencialidade dos gastos para atividade empresarial desenvolvida. Em cada caso concreto, a subsunção de um determinado gasto ao conceito de insumos deverá ser pautada pela análise da sua essencialidade e/ou relevância para a atividade produtiva ou de prestação de serviços, levando se em consideração a natureza da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Apesar de ter trazido aos autos DACON original e retificador, demonstrativo dos cálculos, amostras de Notas Fiscais e cópias de fls do Livro Diário, essa documentação é insuficiente para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. As declarações retificadas e demonstrativos produzidos pelo contribuinte, por si só, não fazem prova do direito alegado, bem como, as notas fiscais apresentadas por Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 8 7 amostragem são insuficientes para cobrir a redução dos débitos que se pretende. Apesar da documentação fiscal apresentada, ainda que extemporaneamente, esta não vem acompanhada de esclarecimentos analíticos para demonstrar quais despesas dedutíveis no regime da não cumulatividade deixaram de ser consideradas, seu eventual impacto na apuração do tributo e demais elementos que poderiam servir para comprovar o enquadramento do dispêndio no conceito de insumos para fins de direito creditório no regime das contribuições não cumulativas. A alegação de erro na apuração dos débitos que teriam dado ensejo ao crédito de pagamento indevido ou a maior não foram acompanhadas na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, ainda mais porque não foi acompanhada de qualquer alegação de impossibilidade na sua apresentação, bem como, dos documentos comprobatórios que poderiam até embasar uma eventual retificação de ofício. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito da contribuição, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados, o que não se verifica no caso em tela. Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 13888.906886/201252 Acórdão n.º 3003000.095 S3C0T3 Fl. 9 8 Fl. 1018DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.900237/2008-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
DIREITO CREDITÓRIO.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública.
Numero da decisão: 1103-000.562
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSÉ SÉRGIO GOMES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende seja reconhecido junto à Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. documento assinado digitalmente ALOYSIO JOSÉ PERCÍNIO DA SILVA Presidente. documento assinado digitalmente JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Aloysio José Percínio da Silva, Hugo Correia Sotero, José Sérgio Gomes, Cristiane Silva Costa, Mário Sérgio Fernandes Barroso e Marcos Shigueo Takata. Relatório Fl. 52DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900237/200812 Acórdão n.º 110300.562 S1C1T3 Fl. 2 2 Em foco recurso voluntário contra decisão da 3ª Turma de Julgamento da DRJ em RecifePE que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN, o qual não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de apontado indébito no recolhimento efetuado em 15/04/2003 a título de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado sob o regime do lucro presumido no primeiro trimestre civil do ano de 2003 e, consequentemente, deixou de homologar a compensação inserta na declaração de compensação (Dcomp) transmitida pela internet à central de dados da Receita Federal do Brasil em data de 30 de abril de 2004 visando extinguir débito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) apurada no mês de março de 2004. Analisando a declaração de compensação concluiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil em NatalRN que seria improcedente o apontado indébito fiscal em razão do pagamento, presumidamente realizado de forma indevida ou a maior que o devido, ter sido integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, nada restando para a compensação pretendida. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade prevista no artigo 74, § 7º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, argumentando que incidiu em erro material ao não retificar sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) para adequar as informações às constantes em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ). Aduziu, também, que vinha aplicando sobre o faturamento mensal o percentual de presunção de 32% (trinta e dois por cento) quando deveria ter utilizado o percentual de 8% (oito por cento) previsto no art. 15, § 1º, III, “a”, da Lei nº 9.249/95 em razão de sua condição de prestadora de serviço hospitalar, surgindo, por conseguinte, crédito oriundo de recolhimento a maior. Juntou aos autos, como comprovantes da existência do crédito pretendido, cópia da declaração de compensação, incluindo recibo, e de seu contrato social. Por fim, requereu a procedência da manifestação de inconformidade e conseqüente homologação da compensação. Aquela 3ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto do decisório da autoridade fiscal em vista da contribuinte ter retificado sua DCTF apenas em 11 de junho de 2008, após a ciência daquela decisão. Registrou, mais, que a contribuinte pretendeu o indébito fiscal tão somente com os dados declarados em DCTF e que não trouxe a prova do alegado pagamento indevido ou a maior que o devido, desatendendo ao disposto no artigo 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Ciente do decisório em 30 de março de 2011, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 29 do mês seguinte no qual aduz que não é o erro material no preenchimento da DCTF, ou tampouco o retardo na correção do vício, que faz sucumbir o direito ao crédito e sua respectiva utilização mediante compensação e assim assevera: as meras informações prestadas pelo particular em DCTF não têm o condão de fundamentar o indeferimento do pleito deduzido pelo contribuinte, porquanto o direito à compensação não se encontra, não se materializa a partir das declarações efetuadas no corpo de DCTF, mas sim no mundo dos fatos, com o efetivo recolhimento a maior de tributo. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900237/200812 Acórdão n.º 110300.562 S1C1T3 Fl. 3 3 Ao final, requer o provimento do recurso a homologação da compensação. É o relatório, em apertada síntese. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes, Relator Observo a legitimidade processual e o aviamento do recurso no trintídio legal. Assim sendo, dele tomo conhecimento. Cediço que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas, mesmo porque o pagamento foi efetuado na sistemática do lançamento conhecido por homologação, definido no artigo 150 do Código Tributário Nacional como sendo aquele em que o próprio contribuinte exerce a atividade de apuração do montante realmente devido, de sorte tal que, até prova em contrário, goza da presunção de acerto. Nesse diapasão, a certeza e liquidez de direito creditório a favor do sujeito passivo, por conta de recolhimento a maior que o devido de IRPJ pago sob o regime de apuração do lucro presumido, não se apura em razão do quantum do lucro ou do tributo declarado no ano calendário pelo instrumento da DIPJ, ou do tributo confessado em DCTF, mas sim em relação ao quantum mostrado pela contabilidade e outros documentos fiscais, conjuntamente, sendo a declaração de rendimentos e a DCTF meros elementos da composição. Noutras palavras: por si só não exprimem a figura do indébito fiscal, pois, atos unilaterais, não têm o condão de formatar crédito contra a Fazenda Nacional. A declaração encontrase provada, sem dúvida, não assim os fatos nela consignados. Daí porque é necessário que aos autos viessem provas contábeis, é dizer, os lançamentos constantes nos livros exigidos pela legislação do tributo. Como exemplo, a contabilização das receitas que ensejaram a aplicação do percentual de presunção do lucro e/ou os documentos (notas fiscais ou recibos) que lastrearam ditos registros, de sorte a se apurar a natureza jurídica desses ingressos, é dizer, se derivam, total ou parcialmente, de efetivo atendimento hospitalar, ponto de partida para a discussão quanto ao direito de utilização de percentual reduzido de presunção de lucro. No caso dos autos a contribuinte busca reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional calcada em mera alegação de erro no dimensionamento da quantia devida, nada ofertando quando do inconformismo à autoridade julgadora de primeira instância, oportunidade em que se instaurou o litígio e na qual, por aplicação dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 c/c artigo 74, § 11, da Lei nº 9.430 de 27 de dezembro de 1996, lhe foi aberta a apresentação do arcabouço probatório. Com o recurso voluntário endereçado a esta Corte continuou invocando seu direito alicerçado na premissa de que a simples comparação entre o valor recolhido (DARF) e Fl. 54DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10469.900237/200812 Acórdão n.º 110300.562 S1C1T3 Fl. 4 4 aquele indicado na DIPJ ou DCTF seria suficiente para exteriorizar pagamento a maior que o devido. Rogando venia e levandose em conta a regra basilar extraída do artigo 333, inciso I, do estatuto processual civil pátrio, tenho que a certeza e liquidez de um crédito não se realizam num universo dessa simplicidade. É certo que a Administração deve se pautar pelos princípios do não enriquecimento sem causa, razoabilidade e verdade material, implicando no dever de reconhecer erros praticados pelos Administrados, porém, o erro há de ser demonstrado e o indébito deve se materializar verdadeiro. Com tais razões, VOTO pelo improvimento do recurso. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2011 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 08/11/2011 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 06/12/2011 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002380/2007-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA
O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Não constatado.
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 9:
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário
Não há que se falar em nulidade dos Autos de Infração, por cerceamento de defesa quando os Autos de Infração (AIs) são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação, e quando o Relatório do Procedimento Fiscal e os Anexos dos AIs, bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações.
OMISSÃO RENDIMENTOS TRABALHO COM VÍNCULO. SÚMULA CARF Nº 12.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do ano-calendário
O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
A dedução, na apuração da base de cálculo do imposto de renda, a título de dependentes, é permitida, desde que comprovados os requisitos previstos na legislação tributária. Necessidade de comprovação da dependência econômica do dependente para com o Contribuinte.
DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÃO à PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
Serão deduzidas as contribuições feitas a entidades de previdência privada domiciliadas no pais, cujo ônus tenha sido do participante, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, até o limite de 12% do total dos rendimentos tributáveis. Necessidade de comprovação que efetivamente contribuiu para com a previdência privada.
DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA
Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO-PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECEBIDOS.
Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de dedução de despesas médicas quando existir nos autos documentação contendo indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento ou da efetividade da prestação desses serviços.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF.
Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2301-005.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
João Maurício Vital - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. João Maurício Vital - Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente).
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Não constatado. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Não há que se falar em nulidade dos Autos de Infração, por cerceamento de defesa quando os Autos de Infração (AIs) são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação, e quando o Relatório do Procedimento Fiscal e os Anexos dos AIs, bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações. OMISSÃO RENDIMENTOS TRABALHO COM VÍNCULO. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do ano-calendário O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A dedução, na apuração da base de cálculo do imposto de renda, a título de dependentes, é permitida, desde que comprovados os requisitos previstos na legislação tributária. Necessidade de comprovação da dependência econômica do dependente para com o Contribuinte. DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÃO à PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA Serão deduzidas as contribuições feitas a entidades de previdência privada domiciliadas no pais, cujo ônus tenha sido do participante, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, até o limite de 12% do total dos rendimentos tributáveis. Necessidade de comprovação que efetivamente contribuiu para com a previdência privada. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO-PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECEBIDOS. Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de dedução de despesas médicas quando existir nos autos documentação contendo indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento ou da efetividade da prestação desses serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche os requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. Não constatado. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Não há que se falar em nulidade dos Autos de Infração, por cerceamento de defesa quando os Autos de Infração (AI’s) são regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendolhe concedido prazo para sua manifestação, e quando o Relatório do Procedimento Fiscal e os Anexos dos AI’s, bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam as autuações. OMISSÃO RENDIMENTOS TRABALHO COM VÍNCULO. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 23 80 /2 00 7- 24 Fl. 247DF CARF MF 2 Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do anocalendário O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA A dedução, na apuração da base de cálculo do imposto de renda, a título de dependentes, é permitida, desde que comprovados os requisitos previstos na legislação tributária. Necessidade de comprovação da dependência econômica do dependente para com o Contribuinte. DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. CONTRIBUIÇÃO à PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA Serão deduzidas as contribuições feitas a entidades de previdência privada domiciliadas no pais, cujo ônus tenha sido do participante, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, até o limite de 12% do total dos rendimentos tributáveis. Necessidade de comprovação que efetivamente contribuiu para com a previdência privada. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. NÃO COMPROVAÇÃO. INOCORRÊNCIA Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECEBIDOS. Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de dedução de despesas médicas quando existir nos autos documentação contendo indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento ou da efetividade da prestação desses serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA 4 CARF. Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 248DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 247 3 João Maurício Vital Presidente. (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Jorge Henrique Backes (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 217/239) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 186/208) proferida pela 1ª Turma da DRJ/REC, Acórdão 1120.152 de 06/09/2007, que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DEDUÇÃO DE DESPESAS COM INSTRUÇÃO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Reputase não impugnada a matéria, quando o contribuinte não contesta a infração em sua peça defensória. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Devem compor a base de cálculo do imposto de renda apurado na declaração de ajuste anual todos os rendimentos tributáveis recebidos pelo contribuinte no curso do anocalendário. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DEPENDENTES. A dedução, na apuração da base de cálculo do imposto de renda, a título de dependentes, é permitida, desde que comprovados os requisitos previstos na legislação tributária. DEDUÇÃO DA BASE DE CALCULO. CONSTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA. Serão deduzidas as contribuições feitas a entidades de previdência privada domiciliadas no pais, cujo ônus tenha sido do participante, destinadas a custear benefícios complementares Fl. 249DF CARF MF 4 assemelhados aos da previdência social, até o limite de 12% do total dos rendimentos tributáveis. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÕES. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DE DUCÃO DE DESPESAS MÉDICAS. INDÍCIOS DE NÃO PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS CONSIGNADOS NOS RECEBIDOS. Deve ser mantida a glosa do valor declarado a título de dedução de despesas médicas quando existir nos autos documentação contendo indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos apresentados não foram, de fato, executados e o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do pagamento ou da efetividade da prestação desses serviços. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIM ITA RIO Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NOTA FISCAL. INIDÔNEA. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da multa de ofício qualificada, no percentual de 150% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte, quando restar comprovada a ocorrência de uma das condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73, da Lei n° 4.502/1964. LANÇAMENTO DE OFICIO. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência da Multa de ofício ao percentual de 75% sobre o valor do imposto apurado em procedimento de ofício, que deverá ser exigida juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. LEGALIDADE. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 248 5 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, dispondo, no processo, de todos os elementos que lhe possibilitam rebatêlas, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MATÉRIA PENAL. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da ocorrência de fato típico, previsto em lei penal. Matéria a ser julgada pela autoridade judicial competente, sendo o caso. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação da observância da constitucionalidade da lei tributária, uma vez que neste juízo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia. DECISÕES ADMINISTRATIVAS_ EFEITOS As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, sendo aquele objeto da decisão. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. A extensão dos efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, desde que seja editado ato especifico do Sr. Secretário da Receita Federal do Brasil nesse sentido. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes entre as quais são dadas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Lançamento Procedente Conforme consta do Auto de Infração (fls. 2/13) lavrado em 22/03/2007, contra o Contribuinte foi lançado o recolhimento de imposto sobre a renda de pessoa física (IRPF) relativamente ao anocalendário de 2002, no valor total de R$ 16.386,50 (dezesseis mil, trezentos e oitenta e seis reais e cinquenta centavos), acrescido de multa de lançamento de Fl. 251DF CARF MF 6 oficio e de juros de mora, calculados até 28/02/2007, perfazendo um crédito tributário total de R$ 39.430.30 (trinta e nove mil, quatrocentos e trinta reais e trinta centavos). Segundo o Auto de Infração, contra a Contribuinte foi lançado os seguintes tributos: · Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica com vínculo empregatício, auferidos no anocalendário 2002 apurado pela divergência entre o valor rendimento auferido da UFPE informado na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 18) e o valor informado na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF apresentada pela fonte pagadora (fls. 25). · Conforme DIRF apresentada pelo INSS (fl. 22), a Contribuinte auferiu R$14.339,52, com IR retido na fonte no valor de R$246,48; a DIRF da UFPE (fl. 25) declarou que a contribuinte auferiu o rendimento tributável de R$15.480,62, com retenção de R$ 423,24 de IR, sendo constatada a omissão de R$1.090,59. · Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente – dedução indevida de dependente: contribuinte foi intimada (fls. 53), em 06/03/2006, a apresentar os comprovantes de dependência, não sendo atendidas as requisições, razão pela qual houve a glosa da dedução os gastos com os três dependentes relacionados, por falta de comprovação; · Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente – dedução indevida de despesas médicas: houve a glosa de dedução com despesas médicas, no valor total de R$ 44.300,00, sendo que do valor de R$ 10.500,00 da Univida Saúde a glosa se deu diante da não comprovação efetiva da prestação dos serviços, assim como não comprovou o efetivo pagamento; R$18.700,00 dos beneficiários Jurandir Luciano de Sá e Diaclin Diagnóstico Clínico LTDA a glosa se deu diante da não comprovação efetiva da prestação dos serviços, assim como não comprovou o efetivo pagamento; R$6.800,00 da Emergência Pernambuco LTDA a glosa se deu diante da falta de previsão legal, assim como, não houve a comprovação efetiva da prestação dos serviços, bem como não comprovou o efetivo pagamento; R$8.300,00 dos beneficiários Samira Ruhana Souza de Araújo, Glauria Ma Simões Maia Almeida e Marcia Santos Medeiros, a glosa se deu diante da falta de comprovação; · Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente – dedução indevida de despesas com instrução: glosa do valor de R$5.994,00 por falta de comprovação; · Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente – dedução indevida de despesas de Previdência Privada/FAPI: glosa do valor de R$12.394,44 por falta de comprovação As fls. 26. 63 e 65 comprovam que a contribuinte foi intimada diversas vezes para juntar aos autos os documentos que comprovavam as deduções glosadas, assim como, Fl. 252DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 249 7 necessário pontuar que a Autoridade Fiscal procurou perante a Prefeitura Municipal de Recife a autenticidade das Notas Fiscais apresentadas pela Contribuinte, conforme fl. 56/61. Nas fls. 73/171 a Contribuinte apresenta sua impugnação, acompanhada de documentação, na qual alega: · Auto de Infração é nulo por não constar a alíquota utilizada para a apuração do valor do imposto; a intimação da Contribuinte se deu fora do prazo legal, face ao incorreto endereço ao qual foi enviada a notificação, sendo que o correto endereço da mesma havia sido informado no DAA de 2006; · Que a contribuinte foi aposentada por invalidez permanente em 02/12/2003, conforme Portaria de n. 203, sendo que em 27 de novembro de 2003 foi emitido o laudo médico ri° 45/03, que concluiu pela isenção do imposto de renda, nos termos do art. 6°, XIV, da Lei IV 7.713/1988, a partir desta data, atestado pelo Ministério da Fazenda no processo 01498.000170/200363; · Que a impugnante efetuou, neste anocalendário, despesas médicas maiores que as permitidas em dedução. "devido às seríssimas condições de saúde”; · Que todos os rendimentos recebidos pela contribuinte, no ano calendário de 2002, da fonte pagadora UFPE, já foram devidamente tributados; · Que não houve disponibilidade econômica ou jurídica de renda; · Que foram indevidas as glosas das deduções referentes a dependentes, uma vez que os três dependentes listados são filhos legítimos da contribuinte, conforme documentação anexada à Impugnação; · Que, a impugnante está sendo acusada de omissão de rendimentos recebi dos a título de resgate de previdência privada, quando o imposto, neste caso, é retido na fonte, conforme disposto no art. 33 da Lei n° 9.250/1995; · Requer a extinção do auto de infração, face ao descumprimento do estabelecido no art. 10, V, do Decreto n° 70.235/1972, pela "inexistência de determinação da base imponível e da multa aplicada pela ausência de apresentação de declaração de IRPF"; · Caso não seja acatada a preliminar arguida, que seja julgado improcedente o lançamento e desconstituído o crédito tributário; · Requer ainda seja desconsiderada a multa confiscatória de 75% e declarada a ilegalidade da aplicação da taxa Selic, anulandose o auto de infração; Fl. 253DF CARF MF 8 Com relação à documentação juntada pela Contribuinte, destacamse os seguintes: 1. Termo de curatela da Contribuinte, que passou a ser curatelada por seu filho – fls. 97; 2. Declaração de ajuste anula da Contribuinte – fls. 101/104 3. Pensão Estadual do Governo do Estado de Pernambuco – FUNAPE fl. 125 4. Processo de aposentadoria por invalidez perante o IPHAN – fl. 127 e ss. 5. Extrato de Laudo Médico com conclusão de que se enquadra à isenção do IRPF Fl. 132 6. Parecer do Apoio jurídico da FUNAPE pelo enquadramento da Contribuinte na isenção de IR – fl. 134; 7. Atestados/Declarações/ Exames Médicos – fls. 137/157 8. Laudo Médico Oficial – elaborado pelo Ministério da Fazenda fl. 163/167 9. Processo de Interdição – fls .168/171; 10. Parecer Favorável da Junta Médica pela aposentadoria por invalidez – fl. 172 11. Nota Fiscal – DIACLIN – Exames clínicos – R$9.200,00 fl. 175; 12. Nota Fiscal Emergência Pernambuco LTDA – Ambulância R$6.800,00 – Fl. 176; 13. RPA Marcia dos Santos Medeiros Psicóloga – R$1.000,00 – Fl. 177; 14. RPA Gláuria Maria Simões Maia Almeida Psicóloga – R$1.300,00 – Fl. 178 15. RPA Jurandir Luciano de Sá Psicólogo – R$9.500,00 – Fl. 179 16. Edital de Publicação da concessão da Aposentadoria da Contribuinte (08/12/2003) – fl. 180 A DRJ entendeu pela procedência do lançamento. Sobre cada ponto, constatase: · Com relação à nulidade suscitada pela falta de determinação da base imponível, observa que o na fl. 10 do AI há a identificação da alíquota aplicável na apuração: 27,5%; Fl. 254DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 250 9 · Com relação à nulidade suscitada por cerceamento de defesa, observa que as alegações da contribuinte não procedem, em razão do fato de que a fiscalização teve início em 28/12/2006, sendo a intimação enviada no endereço constante na base cadastral da época (R. Navegantes, 293, Boa Viagem), sendo que a correspondência foi recebida e solicitado prorrogação de prazo; posteriormente, em 26/01/2005, foram fornecidos, pelo curador e filho da autuada, os documentos de fls. 30 a 33 e, em 25/02/2005, a documentação anexada às fls. 35 a 52. Apenas em 06/03/2006 foi emitido novo termo de intimação e este é que teve a correspondência retornado sem recebimento. Novas intimações foram encaminhadas à contribuinte, em 24/10/2006 e 13/02/2007, sendo este último o único que contém um item que não havia sido objeto de solicitação anterior: os comprovantes de pagamento à previdência privada. Portanto, do início até o final decorreram mais de dois anos, não sendo surpresa nenhuma à contribuinte, sendo que a suposta documentação não foi apresentada sequer na impugnação, em 25/04/2007; · Sobre a inconstitucionalidade da lei tributaria, necessário pontuar a incapacidade da autoridade administrativa em apreciar o pedido; · Com relação à omissão de rendimentos, não há como considerar a alegação da contribuinte, pois não traz nenhuma prova, como o informe anual de rendimentos e os contracheques mensais, referentes a Universidade Federal de Pernambuco, há apenas a declaração de imposto retido na fonte (fl. 25) que comprova a omissão; · No que se refere a dedução a título de dependentes glosada na autuação, nos termos do art. 77 do Decreto 3000/1999, dos três dependentes apontados, dois são netos (Felipe Bechmann Fiho e Pedro Henrique da Costa Pinto Freire), não há nenhuma documentação comprobatória (guarda judicial); com relação ao filho Bernardo Martins da Costa Pinto, que teria completado 25 anos no anocalendário 2001, não se vislumbra sua situação de dependência; · No que se refere a glosa da contribuição de previdência privada, em que a Contribuinte requereu a dedução no valor de R$12.394,44, nos termos do art. 74,II do Decreto 3000/1999, não há comprovação/documentos que comprovem que a contribuinte efetuou recolhimentos a planos de previdência privada, sendo indevida a dedução da base de cálculo pleiteada. · No que se refere a glosa da dedução das despesas médicas, observa: · O valor de R$10.500,00 da nota fiscal no 0001, série A, de fls. 40, da Univida Saúde, CNPJ 02.780.563/000175, sem data de emissão, na diligencia realizada junto à Prefeitura de Recife, constatou que a NF pertencia a pessoa jurídica com outra denominação social a "Unido de Assistência Médica Ltda", e não à suposta emitente da nota fiscal, a Univida Saúde, sendo que autorização da emissão do talonário de Fl. 255DF CARF MF 10 notas fiscais referente à União de Assistência Médica Ltda é datada de 30/12/2003, enquanto a nota fiscal de n° 0001 se refere a serviços prestados durante o anocalendário de 2002. Portanto, verificase que a NF é inidônea por conter nome de pessoa jurídica distinta e falsa data de emissão, e, ainda, não consta do processo qualquer documento que comprove a efetividade do tratamento nem, tampouco, do pagamento supostamente efetuado pela autuada Univida, devendo restar mantida a glosa e por utilizar documento inidôneo, devida a aplicação de multa de 150%, por ser conduta enquadrada nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64; · O valor de R$ 6.800,00 da nota fiscal no 2456 série A, de fls. 40, da Emergência Pernambuco Ltda emitida em 30/09/2002, relativo ao transporte de ambulância, deva ser mantida a glosa, uma vez que não há previsão para dedução de pagamentos efetuados em razão de transporte do paciente; · O valor de R$8.300,00 dos recibos com psicólogos Samira Ruhana Souza de Araújo, Glaura Maria Simões Maia Almeida e Marcia Santos Medeiros, deve ser mantida a glosa por ausência de documentação comprobatória das deduções; · Os valores de R$ 9.500,00 e R$ R$ 9.200,00, totalizando R$ 18.700,00, informados como pagos ao Sr. Jurandir Luciano de SA e à Diaclin Diagnóstico Clinico Ltda, não houve a prova da efetividade da prestação dos serviços nem, tampouco, dos pagamentos e, nos termos do Art. 73 do RIR/99, as deduções estão sujeitas a comprovação do juízo da autoridade lançadora. A prova definitiva da despesa médica, nesses casos, é feita com a apresentação de documentos que comprovem a transferência de numerário (o pagamento) e de documentos que comprovem a realização do serviço (laudos, exames, aquisição de materiais aplicados ao tratamento). A existência de recibos e de notas fiscais, por si sós, nesses casos, como já dito acima, não tem este condão. · Com relação à multa de ofício, observa sua legalidade, assim como é devida a utilização da taxa de juros SELIC; No Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte de fls. 217/239, requer: 1. Nulidade do auto de infração por ausência de alíquota incidente do imposto; 2. Nulidade por cerceamento de defesa intimação em endereço incorreto; 3. Que a contribuinte foi aposentada por invalidez permanente em 02/12/2003, conforme Portaria de n. 203, sendo que em 27 de novembro de 2003 foi emitido o laudo médico ri° 45/03, que concluiu pela isenção do imposto de renda, nos termos do art. 6°, XIV, da Lei IV 7.713/1988, a partir desta data, atestado pelo Ministério da Fazenda no processo 01498.000170/200363; Fl. 256DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 251 11 4. Que a diferença entre os valores recebidos no ano calendário 2002 de apuração que foram objeto da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício do AI (R$1.090,59) é indenização paga à título de férias; 5. Que todos os rendimentos recebidos pela contribuinte, no ano calendário de 2002, da fonte pagadora UFPE, já foram devidamente tributados; 6. Que não houve disponibilidade econômica ou jurídica de renda; 7. Que foram indevidas as glosas das deduções referentes a dependentes, uma vez que os três dependentes listados são filhos legítimos da contribuinte, conforme documentação; 8. Quando o legislador se refere a pagamentos a médicos e dentistas, sua evidente intenção é restringir essas despesas aos pagamentos dos serviços prestados diretamente por esses profissionais. Desse modo, qualquer que seja a forma, espécie, tipo ou causa da prestação dos serviços desses profissionais, as despesas poderão ser admitidas, quando eles, em razão de suas especialidades e das necessidades, executarem pessoalmente os serviços médicos ou dentários indispensáveis ao tratamento e à recuperação da saúde física e mental dos clientes; 9. Que a impugnante está sendo acusada de omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada, quando o imposto, neste caso, é retido na fonte, conforme disposto no art. 33 da Lei n° 9.250/1995; Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta da fl. 202, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 24/10/2007, apresentando Recurso Voluntário em 21/11/2007 (fls.217), portanto tempestivo e preenchido os requisitos de admissibilidade. Passase, então, à análise de seu mérito. Fl. 257DF CARF MF 12 Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pela Contribuinte referente à revisão da Declaração de Imposto de Renda da mesma, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica com vínculo empregatício e deduções indevidas com despesas de dependentes; médicas e instrução, o qual gerou o Auto de Infração ora discutido que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$ 39.430.30 (trinta e nove mil, quatrocentos e trinta reais e trinta centavos). Primeiramente, cumpre ressaltar que aquilo que a Contribuinte não impugnou em seu Recurso Voluntário, mas que foi matéria discutida em sede de impugnação, houve a preclusão da matéria e reconhecimento, por parte da Contribuinte, da legalidade da cobrança. Portanto, preclusa a discussão sobre a legalidade da multa de ofício aplicada e a utilização da taxa SELIC. Inclusive, com relação à utilização da taxa SELIC, necessário destacar que a matéria já se encontra resolvida e sumulada: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Além disto, necessário pontuar a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Portanto, devida a utilização da taxa SELIC e a imposição dos juros sobre a multa de ofício. Sobre cada ponto trazido em seu Recurso Voluntário, julgase: Nulidade do auto de infração por ausência de alíquota incidente do imposto Afirma a contribuinte que não há a indicação da alíquota do imposto exigido no Auto de Infração. Como bem destacado, reafirmo que na fl. 10 do Auto (11 do processo) há a clara indicação de que a alíquota utilizada foi a de 27,5%. O CTN afirma em seu art. 142: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido Fl. 258DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 252 13 o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim como este Conselho tem a seguinte Jurisprudência consolidada sobre a matéria: VÍCIO MATERIAL. NULIDADE. O vicio material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equivoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário. (Acórdão nº 9202 003.469 Sessão de 10 de dezembro de 2014) Portanto não assiste razão a Contribuinte, indefiro seu pedido. Nulidade por cerceamento de defesa intimação em endereço incorreto Sobre a afirmação de cerceamento de defesa por ter, a autoridade fiscal, enviado intimações em endereço distinto do seu domicílio fiscal, destacase o entendimento deste Conselho: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Jurisprudências consolidadas: (...) PRELIMINAR DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração correspondente. Ademais, não restou justificada as alegações trazidas pela contribuinte que ensejasse a nulidade do auto de infração. CARF. Autos 13433.720980/2011¬83. Acórdão 1301002.934. 1ª Seção de Julgamento. 3ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Sessão 10/04/2018. (...) Fl. 259DF CARF MF 14 NULIDADE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A nulidade de um lançamento fiscal pressupõe a existência de um ato administrativo lavrado por autoridade incompetente ou que não se franqueie à parte adversária o amplo direito de se defender. Caso isto não ocorra ou não se prove , impendese afastar o pedido de nulidade do lançamento. CARF. Autos 10935.723840/2016¬22. Acórdão 1401002.354. 1ª Seção de Julgamento. 4ªCâmara/1ªTurmaOrdinária. Sessão 10/04/2018 Constata que a Contribuinte teve ciência do início do procedimento fiscal em seu domicílio fiscal, sendo que na oportunidade, inclusive, manifestouse, solicitando prorrogação de seu prazo. Portanto, a Contribuinte sabia que contra si tramitava um procedimento fiscal, sendo seu dever informar à receita a mudança de domicílio fiscal. Por fim, necessário pontuar que a Contribuinte teve oportunizada a apresentação de impugnação e recurso voluntário, oportunidades em que a mesma pode juntar toda a prova do direito que alega, não sendo negada a juntada de nenhum documento. Inclusive, destacase que a contribuinte não juntou nenhuma documentação nova quando da interposição de seu recurso voluntário. Ante ao exposto, não se vislumbra o suposto cerceamento de defesa alegado. Sanada as preliminares, passase à análise do mérito. Omissão rendimentos Trabalho com Vínculo A contribuinte auferiu rendimentos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), durante o anocalendário de 2002, no total anual de RS 15.480,62, conforme declaração de imposto de renda retido na fonte de fls. 26, sendo que ofereceu à tributação R$ 14.230,95, sendo lançado a diferença dos rendimentos omitidos. A Contribuinte alega que é isenta de recolhimento de IRPF. Entretanto, observase na prova carreada aos autos que sua isenção somente foi conferida em 02/12/2003 (fl. 34), ou seja, depois do período apurado. Descabido o pedido. Com relação à alegação de que os valores eram indenizatórios, pagamentos de férias, observa que não há qualquer prova do alegado. Pelo contrário, há prova que vai de encontro: a DIRF juntada na fl. 26 que aponta a diferença dos valores. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na Fl. 260DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 253 15 pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. As provas carreadas aos autos comprovam que de fato houve omissão de rendimentos no IRPF declarado pela Contribuinte, sendo devida a cobrança. Poderia a Contribuinte, sabendo da necessidade da apresentação de prova do alegado, visto decisão da DRJ, ter trazido com seu Recurso Voluntário qualquer indício de veracidade de sua alegação, entretanto optou em apresentar o mesmo sem anexar qualquer documento que ensejasse a dúvida na julgadora. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. Glosa – Dedução Despesas Dependentes A Contribuinte requer dedução de despesas de três dependentes: Felipe Bechmann Filho, Pedro Henrique da Costa Pinto Freire e Bernardo Martins da Costa Pinto. O Art. 77 do Decreto 3000/99 é claro ao determinar expressamente as condições de dependência: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Fl. 261DF CARF MF 16 VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges. § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte. Novamente, não traz qualquer prova da dependência dos mesmos: certidão de nascimento, cópia da guarda judicial; comprovante de despesas emitidas no nome da contribuinte; comprovante de endereço que comprova que residem sobre a mesma residência, entre outros. Felipe Bechmann Filho e Pedro Henrique da Costa Pinto Freire são netos, sendo necessária a comprovação de que a Contribuinte tinha guarda judicial dos mesmos. Bernardo Martins da Costa Pinto é filho da Contribuinte, mas tinha 25 anos na época do período apurado. Necessária a comprovação da dependência. Não há uma prova sequer sobre este pedido. Pelo contrário, nas fls. 168 em que há a juntada da petição inicial de interdição da Contribuinte, há expresso reconhecimento pela parte de que apenas Ricardo, Bernardo e Juliana “são os 3 únicos filhos”, ou seja, há desconsideração dos netos e Bernardo é maior e suficiente economicamente de forma a pleitear a interdição de sua mãe em 2003. Diante do exposto, glosa a dedução das despesas com dependentes. Glosa – Dedução Despesas Médicas No presente Auto de Infração, constatase a glosa da dedução com despesas médicas, no valor total de R$ 44.300,00, diante da não comprovação do efetivo pagamento e da efetiva prestação do serviço, apesar de juntar os recibos/notas fiscais, sendo eles: · RPA emitido no dia 30/12/2002 por Jurandir Luciano de Sá, psicólogo, no valor de R$9.500,00, juntado na Fl. 179, para tratamento psicológico no ano de 2002, despesa que a Autoridade Fiscal e a DRJ entenderam que não houve a prova da efetividade da prestação dos serviços nem, tampouco, dos pagamentos e, nos termos do Art. 73 do RIR/99, as deduções estão sujeitas a comprovação do juízo da autoridade lançadora; · RPA emitido no dia 30/12/2002 por Marcia dos Santos Medeiros, psicóloga, no valor de R$1.000,00, juntado na Fl. 177 para tratamento Fl. 262DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 254 17 psicológico no ano de 2002, despesa que a Autoridade Fiscal e a DRJ entenderam que não houve a prova da efetividade da prestação dos serviços nem, tampouco, dos pagamentos e, nos termos do Art. 73 do RIR/99, as deduções estão sujeitas a comprovação do juízo da autoridade lançadora; · RPA emitido no dia 30/12/2002 por Gláuria Maria Simões Maia Almeida, psicóloga, no valor de R$1.300,00, juntado na Fl. 178 para tratamento psicológico no ano de 2002, despesa que a Autoridade Fiscal e a DRJ entenderam que não houve a prova da efetividade da prestação dos serviços nem, tampouco, dos pagamentos e, nos termos do Art. 73 do RIR/99, as deduções estão sujeitas a comprovação do juízo da autoridade lançadora; · Nota Fiscal n° 0001, série A, emitida pela Univida Saúde, CNPJ 02.780.563/000175, no valor de R$ 10.500,00, juntada na fl. 41, relativa a serviços de internamento no período de 12/05/2002 a 03/07/2002 (fls. 40). A Autoridade Fiscal glosou a despesa, pois na referida Nota Fiscal não consta a data de emissão e a DRJ confirmou a glosa, pois em diligência à Prefeitura da Cidade do Recife (documentos de fls. 56 a 61), verificouse que a autorização para impressão de documentos fiscais n° 3.0900/370, constante do rodapé da citada nota fiscal, pertencia a pessoa jurídica com outra denominação social a "União de Assistência Médica LTDA", e não à suposta emitente da nota fiscal, a Univida Saúde e ainda, constatouse perante o órgão oficial que a autorização da emissão do talonário de notas fiscais referente à União de Assistência Médica Ltda é datada de 30/12/2003, ou seja, posterior ao período de apuração (2002), de quando esta nota foi supostamente emitida. · Nota Fiscal n° 0064, série A, emitida pela DIACLIN Diagnóstico Clinico Ltda, CNPJ 04.539.647/000147, com dois valores informados na mesma nota, um de R$ 9.200,00 e outro de R$ 6.800,00, relativa a exames clínicos realizados no período de 10/10/2002 a 04/12/2002 (fls. 42), emitida em 04/12/2002, glosado por não haver a prova da efetividade da prestação dos serviços nem, tampouco, dos pagamentos; · Nota Fiscal n° 2456, série A, emitida pela Emergência Pernambuco Ltda, CNPJ 04.205.667/000181, no valor de R$ 6.800,00, relativa a transporte de ambulância no período de 15/08/2002 a 30/09/2002 (fls. 43), emitida em 30/09/2002. A glosa se deu diante da não previsão na lei para a dedução de pagamentos efetuados em razão de transporte do paciente. A lei permite, unicamente, a dedução de despesas referentes a tratamentos e exames médicos, como se verifica da leitura do art. 8°, II, alínea "a", da Lei n° 9.250/1995. Em seu recurso voluntário, a Contribuinte apresenta fundamentação genérica, afirmando que os serviços e os pagamentos foram de fato efetuados. Fl. 263DF CARF MF 18 Sobre o tema, a legislação determina: Art. 8"A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; § 2º disposto na alínea a do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CCG de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Este Conselho, tem as seguintes Jurisprudências Consolidadas sobre o tema: DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO. A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admitese ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal. (Acórdão nº 9202003.693 27/01/2016) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. MULTA QUALIFICADA. Uma vez caracterizada, através de indícios suficientes carreados aos autos, a utilização de recibos inidôneos pelo contribuinte, é de se manter a qualificadora. (Acórdão nº 9202003.689 27/01/2016) IRPF — GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis as despesas médicas do contribuinte e de seus dependentes, cujo pagamento estiver especificado e comprovado, Fl. 264DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 255 19 conforme disposição do artigo 8º, inciso II, alínea "a", § 2 º, da Lei n° 9.250/95. (Acórdão nº 9202003.560 Sessão de 28 de janeiro de 2015) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em não havendo tal solicitação, não é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº 9202 003.657 05/03/2015) Analisando aos autos, constatase a presença apenas de recibos, sendo que, quando intimada para juntar outras provas que comprovasse a efetiva realização do serviço, a Contribuinte restou silente. Não é verossímil que um paciente seja tratado por três psicólogos distintos em um mesmo ano. Poderia a Contribuinte ter trazido declarações/relatos dos profissionais sobre as atividades desempenhadas na Contribuinte durante o ano de apuração, entretanto, restou silente. Sobre a Nota emitida pela Univida Saúde que em diligência fiscal constatou no órgão de fiscalização (prefeitura de Recife) que o nome do emitente é, na verdade, outro (União de Assistência Médica LTDA), há prova oficial que a autorização para emissão do talonário de notas fiscais deste emitente é posterior à data que o serviço teria sido supostamente prestado, pois a permissão é de 30/12/2003 e o serviço teria sido prestado entre 12/05/2002 a 03/07/2002. Há evidência da fraude. A contribuinte poderia ter trazido aos autos justificativa, como, por exemplo, que a prestadora de serviço emitiu esta nota depois da autuação, entretanto o serviço teria sido efetivamente prestado, comprovandose com os prontuários de internação referente ao período; declarações de enfermeiros ou médicos que atenderam a Contribuinte durante o período. Mas não, traz uma defesa genérica e sem prova alguma, mesmo havendo prova oficial contra si mesma nos autos. Com relação a Nota Fiscal da DIACLIN na fl. 42, verificase que existem dois valores em uma mesma nota, na descrição dos serviços prestados e valor aparece R$ 9.200,00 e embaixo, no valor total da nota consta R$ 6.800,00. Este fato causou, com razão, estranheza à Autoridade Fiscal que lançou o Auto. Não se sabe o valor que de fato foi despendido (se é que foi pago qualquer valor) à empresa Diaclin, assim como não há, na nota, a descrição dos serviços prestados (apenas diz “exames clínicos”). Poderia a Contribuinte ter juntado a cópia desses exames, em que identifica que de fato o serviço foi prestado e colaboraria com a alegação da defesa. A dedução de despesas médicas está sujeita à prova adicional, além do recibo/nota fiscal e, neste caso, não há Fl. 265DF CARF MF 20 qualquer elemento que colabora com a defesa apresentada pela Contribuinte, embora poderia ter trazido elementos/documentos em sua impugnação ou em seu Recurso Voluntário. Por fim, com relação à nota fiscal emitida pela Emergência Pernambuco Ltda, no valor de R$ 6.800,00, para transporte de ambulância, constata que de fato não há previsão legislativa. Apesar disso, poderia até me convencer sobre a expansão do entendimento do que compõe despesas médicas, de forma a abarcar os gastos com transporte particular do paciente (ambulância) se não fosse pelo fato de que, no presente caso, não se tem a prova efetiva que o serviço foi realmente prestado. As Notas Fiscais da Diaclin, da Emergência (ambulância) e da Univida não informam o nome do paciente (que deveria ser da Contribuinte) e, ainda, período de internamento constante na nota da Univida foi de maio a julho o que não coincide com o período de transporte de ambulância que foi de agosto a setembro, assim como não coincide com o período em que os exames foram supostamente realizados que foi de outubro a dezembro. Por estas razões, indefiro o pedido e mantenho a glosa. Glosa Dedução Previdência Privada Sobre o pedido de dedução dos valores despendidos com Previdência Privada, verificase a legislação e o entendimento deste Conselho (Jurisprudência consolidada): Art. 74 do Decreto 3000/99: Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderão ser deduzidas: I as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II as contribuições para as entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário. § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à dedução prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS, DE INSTRUÇÃO E DE PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação de multa qualificada, no caso de utilização, na Declaração de Ajuste Anual, de deduções de Fl. 266DF CARF MF Processo nº 19647.002380/200724 Acórdão n.º 2301005.818 S2C3T1 Fl. 256 21 despesas médicas, de dependentes e de instrução, bem como de previdência privada/FAPI, quando o Contribuinte não efetuou os respectivos pagamentos, tampouco ele ou seus dependentes fizeram uso dos serviços relacionados. (Acórdão nº 9202 003.675 09/12/2015) Portanto, necessária a prova de que a Contribuinte efetuou o pagamento da previdência privada para poder deferir a dedução pleiteada. Não se encontra nos autos a prova de qualquer pagamento. Ante ao exposto, negase o pedido e glosa a dedução indevida à título de previdência privada. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.906198/2012-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário.
DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data.
Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002
RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
Numero da decisão: 3003-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO DE MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase preclusa a questão que não tenha sido suscitada expressamente em recurso voluntário. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. MATÉRIAS DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. PRAZO PRESCRICIONAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. COMPENSAÇÃO. RESSARCIMENTO. RESTITUIÇÃO. LEI 118/05. APLICAÇÃO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. DECISÃO. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, reconhecidas como de Repercussão Geral, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62, § 2º, Anexo II, Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito é de 10 anos contados do seu fato gerador para as ações ajuizadas antes do decurso da vacatio legis de 120 dias da Lei Complementar nº 118/05, finda em 09 de junho de 2005, e de cinco anos para as ações ajuizadas após essa data. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 61 98 /2 01 2- 93 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13896.906198/201293 Acórdão n.º 3003000.119 S3C0T3 Fl. 3 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 RESTITUIÇÃO. EXAURIMENTO DO PRAZO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Tratam os autos de declaração de compensação PER/DCOMP nº 11258.91089.280710.1.3.040255, transmitido eletronicamente em 28/07/2010, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. O PER/DCOMP visava compensar o débito nele discriminado, com crédito de COFINS, Código de Receita 2172, decorrente de recolhimento com Darf, no valor de R$ R$ 48.036,59, efetuado em 15/03/2002. A partir da análise do PER/DCOMP, foi emitido Despacho Decisório, de acordo com o qual constatouse que, na data de transmissão do pedido de compensação, já havia sido extinto o direito creditório ali informado, em virtude de terem se passado mais de cinco anos entre a data de arrecadação do DARF e a data de transmissão do PER/DCOMP, resultando em não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento os arts. 165 e 170 do CTN, e art. 74 da Lei nº. 9.430. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou, em síntese, que o PER/DCOMP em litígio encontravase respaldado pelo PER/DCOMP nº 24124.43951.080607.1.7.046880, já homologado, e que desta compensação havia restado saldo de R$ 44.719,98, para ser usado em compensações futuras. A 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu decisão nos termos da seguinte ementa: Fl. 67DF CARF MF Processo nº 13896.906198/201293 Acórdão n.º 3003000.119 S3C0T3 Fl. 4 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002 COMPENSAÇÃO APÓS A EXTINÇÃO DO DIREITO DE PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Não se admite a compensação com crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 anos da data da entrega do PER/DCOMP e que não tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando, em síntese, que não houve decadência do direito creditório indicado na declaração de compensação, pois o crédito pleiteado decorre de tributo cujo lançamento se dá por homologação, para o qual o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito creditório deve ser o de homologação ou constituição definitiva do crédito tributário. A recorrente cita jurisprudência a fim de sustentar sua tese de que o prazo para a restituição/compensação de tributos com lançamento por homologação seria de dez anos (tese do 5 + 5) a partir da ocorrência do fato gerador. Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. Importa destacar, primeiramente, que a recorrente não trouxe, em sede de recurso voluntário, as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade acerca da legitimidade da utilização dos créditos informados no PER/DCOMP em litígio em face de ter ocorrido homologação de PER/DCOMP anterior, na qual havia restado saldo credor para ser utilizado em compensações futuras. Nesse aspecto, a recorrente aquiesce com a decisão a quo, a qual estabeleceu que a existência de DCOMP transmitida antes da extinção do direito de pleitear restituição de determinado pagamento não legitima compensações com ele efetuadas depois da extinção do direito de postular restituição. De fato, a existência de crédito remanescente em compensação homologada não afasta a necessidade de seu pedido de restituição se dar dentro do prazo decadencial. Essa matéria, no entanto, é questão preclusa, nos termos do art. 17 do Decreto nº. 70.235/72, estranha ao recurso ora analisado. Como já destacado no relatório, a recorrente traz, em sede de Recurso Voluntário, novos argumentos para afastar a decisão recorrida. Com efeito, em sua impugnação perante a instância a quo, a recorrente não apresentou a tese apresentada em seu Recurso, segundo a qual, aos tributos sujeitos a lançamento por homologação deveria ser Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13896.906198/201293 Acórdão n.º 3003000.119 S3C0T3 Fl. 5 4 aplicado o prazo decadencial de dez anos para extinção do direito à restituição/compensação. Tratase, portanto, de matéria não ventilada em sede de manifestação de inconformidade. Tendo em vista que a decadência e a prescrição constituem matérias de ordem pública, podendo, assim, serem conhecidas a qualquer tempo, entendo que os argumentos trazidos no Recurso Voluntário devem ser conhecidos. Não obstante, analisando a tese defendida pela recorrente à luz do caso concreto e das normas a ele aplicáveis, constatase que ocorreu, de fato, a extinção do prazo para o aproveitamento dos créditos apontados na DCOMP transmitida. Explico. A questão da prescrição (ou, no dizer da recorrente, "decadência") concernente ao aproveitamento de créditos de tributos sujeitos a lançamento por homologação foi matéria bastante discutida no direito brasileiro, suscitando calorosos embates em passado razoavelmente recente. Ocorre que, a partir do julgamento do RE 566.621/RS com repercussão geral, pelo Supremo Tribunal Federal, tal matéria foi definitivamente decidida, tendo sido consignado que deve se aplicar o prazo de cinco anos para os casos de repetição ou compensação de indébitos aos processos ajuizados a partir de 9 de junho de 2005, aplicando se o prazo de dez anos para os processos anteriores. Eis a ementa da decisão de relatoria da Min. Elle Gracie: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Fl. 69DF CARF MF Processo nº 13896.906198/201293 Acórdão n.º 3003000.119 S3C0T3 Fl. 6 5 Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tal questão da prescrição foi também definitivamente dirimida no âmbito do CARF, tendo sido exarada a Súmula CARF nº. 91, com efeito vinculante, cujo teor segue transcrito: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Importa registrar que a mencionada súmula é de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termos do art. 72, Anexo II do RICARF. Por força do art. 62, §2º, Anexo II do RICARF, também é obrigatória a reprodução, pelos conselheiros no âmbito do CARF, das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil. Nesse caso, inafastável a aplicação do teor da decisão no RE 566.621/RS, acima transcrita, cujo julgamento se deu segundo a sistemática prevista no art. 543B do antigo Código de Processo Civil. As decisões acima transcritas deverão iluminar a análise do caso concreto. Compulsando os autos, constatase que a recorrente transmitiu, em 28/07/2010, o PER/DCOMP nº 11258.91089.280710.1.3.040255, visando compensar débitos de COFINS, indicando que teria créditos da mesma contribuição originado de pagamento decorrente de recolhimento em DARF. Como relatado, tal compensação não foi homologada, tendo a recorrente apresentado, em manifestação de inconformidade, o argumento de que o crédito indicado na referida compensação é, na verdade, proveniente de crédito de pagamento indevido ou a maior, efetuado em 15/03/2002, e utilizado em parte no PER/DCOMP nº 24124.43951.080607.1.7.046880, já homologado. Tendo em vista que o PER/DCOMP nº 11258.91089.280710.1.3.040255 foi transmitido em data posterior a 9 de junho de 2005, devese aplicar ao caso concreto o prazo para a repetição ou compensação de indébito de cinco anos do fato gerador. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 13896.906198/201293 Acórdão n.º 3003000.119 S3C0T3 Fl. 7 6 Assim, considerando que o crédito alegado é do período de apuração de 03/2002 e que o PER/DCOMP nº 11258.91089.280710.1.3.040255 foi transmitido apenas em 28/07/2010, ou seja, após o prazo de cinco anos do pagamento indevido ou a maior, conclui se que ocorreu a prescrição para a compensação/repetição de indébito. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909850/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2000
COFINS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.442
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 50 /2 01 1- 93 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 4 3 próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.169, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/09/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 5 4 Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 6 5 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 8 7 atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 9 8 previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 10 9 tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 11 10 PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 12 11 exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909850/201193 Acórdão n.º 3201004.442 S3C2T1 Fl. 13 12 pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.910652/2009-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA.
A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular.
A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente GARRA ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 06 52 /2 00 9- 94 Fl. 68DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, proferido pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo excertos dos termos e fundamentos da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório [...]que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado, cientificado em [...], apresentou, em [...], manifestação de inconformidade [...]. Nesta peça, alega, em síntese, que: até outubro de 2003, recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro Presumido utilizando o percentual de 12%; por cautela, a partir de novembro de 2003, alterou o percentual para 32%; a partir da MP nº 252/2005, voltou a utilizar o percentual de 12%, tendo acumulado crédito de pagamento a maior, conforme tabela, que foi utilizado para a quitação de tributos; a Receita Federal está exigindo multa para pagamento dentro do prazo; a DCTF foi transmitida em data anterior ao pedido de compensação, motivo pelo qual não foi encontrado o crédito; a DCTF foi retificada em 11/08/2009. É o relatório. Voto Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço. A teor do art. 170 do Código Tributário Naciona CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10783.910652/200994 Acórdão n.º 1401003.061 S1C4T1 Fl. 69 3 afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual consta informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Os débitos objeto de compensação não homologada devem ser exigidos com os acréscimos de multa e de juros de mora, por expressa determinação legal (art. 38 da Instrução Normativa RFB 900/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Julgadora Maria de Lourde Fl. 70DF CARF MF 4 Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentando tabelas com os valores que entende devidos e compensados de vários tributos, diferenças entre os valores recolhidos (origem do eventual crédito), créditos e débitos atualizados, além de tabela comparativa processos de cobrança com a utilização de multa e juros de mora, tudo isto para arrematar com a mesma conclusão da impugnação apresentada: Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Tanto o Despacho Decisório quanto o acórdão proferido pela DRJ estão, considerando as informações do PER/DCOMP, corretos em suas decisões, uma vez que não houve a indicação precisa de eventual pagamento indevido, no caso de CSLL. De se dizer que processos desta natureza (PER/DCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. No caso em questão, a Recorrente, alertada pelo decidido no Despacho Decisório que indeferiu seu pleito, apresentou uma DCTF retificadora onde ali repousariam, então, os valores que entende como devidos. A instância de piso não aceitou tal retificação: A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10783.910652/200994 Acórdão n.º 1401003.061 S1C4T1 Fl. 70 5 Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Em situações desta natureza, onde apenas o crédito pleiteado fora informado de maneira equivocada no PER/DCOMP, entendo que se pode aceitar a DCTF retificadora apresentada após o Despacho Decisório, mas, ressaltese, tratandose de uma situação pontual, onde, de plano, poderseia aferir a existência do direito creditório da Requerente. Mas não é o caso dos autos. De se mostrar. A Recorrente afirmou em sua Impugnação que sua forma de tributação era o lucro presumido, onde o IRPJ é apurado por trimestre, entretanto, "por opção do seu setor financeiro, recolhe antecipadamente ao final de cada mês", procedimento incorreto, pois vedada a apuração e o pagamento mensal do tributo devido (art.516 do RIR/99), aí incluída a CSLL. A Recorrente afirmou que recolhia, até outubro de 2003, a CSLL utilizando como base de cálculo o percentual de 12% da receita bruta e a partir daí até setembro de 2005, utilizou a base de cálculo da CSLL no percentual de 32%, por força do art.22 da Lei 10.684/2003, quando, então, voltou a utilizar o percentual de 12%, agora em face da Medida Provisória nº 252/2005. Em seu entendimento teria recolhido a maior a CSLL relativa ao período compreendido entre novembro de 2003 a setembro de 2005, entretanto, não apresenta e nem fundamenta suas razões de existência do eventual direito creditório alegado em seu recurso. Pelo exposto, já seria o suficiente para lhe negar seu pleito, mas ainda há outros entraves que impedem ou permitam reconhecer qualquer sinal do eventual crédito nos moldes em que aventado pela Recorrente. Base de Cálculo da CSLL Lei 9.250/1995 Art.20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do ano calendário. Em 2003, houve alteração do artigo supra, que teria motivado (?) a Recorrente ao recolhimento da CSLL utilizando o percentual de 32% como base de cálculo: Base de Cálculo da CSLL Fl. 72DF CARF MF 6 Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 Art.22. O art.20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do parágrafo 1º do art.15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. De se ver o dispositivo supra citado, que excepcionou a utilização de percentual de 32%: Lei 9.250/1995 (art.15 com redação anterior à dada pela Lei 12.973/14) Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 2005. Parágrafo 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de : [...] III. trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (redação anterior a Lei nº 11.727, de 2008) [...] A Recorrente nem sabe dizer porque passou a utilizar o percentual de 32% na base de cálculo da CSLL. Seu Contrato Social nos dá uma pista, somente isto, desta mudança, pois ali consta em seu objeto social (cláusula terceira, Volume V1) a exploração das seguintes atividades: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10783.910652/200994 Acórdão n.º 1401003.061 S1C4T1 Fl. 71 7 Se a Recorrente se utilizar de construção civil por empreitada, por exemplo, devese observar a aplicação dos materiais envolvidos, ou seja, se fornecidos pelo empreiteiro, fica sujeito ao percentual de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, enquadrandose no caput do art.15 da Lei 9.249/95 e assim, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL é de 12%. Serviços de desenho técnico especializados de arquitetura e engenharia, me parece que enquadramse em prestação de serviços em geral, passíveis, portanto, de utilização do percentual de 32% na base de cálculo da CSLL, mas, enfim, nada foi demonstrado pela Recorrente, que possui o exercício, pelo menos consta em seu Contrato Social, de mais de uma atividade, o que pode levar à utilização de percentuais diferentes da base de cálculo da CSLL: 32% sobre a receita bruta da atividade enquadrada no inciso III do parágrafo 1º do art.15 da Lei 9.249/95 e de 12% sobre a receita bruta das demais atividades. Além desta ausência de fundamentação da razão de pedir, não há nos autos uma nota fiscal sequer que demonstrasse a natureza das atividades exercidas pela Recorrente. Diz a Recorrente ainda, em seu recurso voluntário, que, a partir de setembro de 2005, com a edição da Medida Provisória nº 252/2005, "voltamos a utilizar o percentual de 12% aplicado no cálculo da CSLL." A Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005 perdeu sua eficácia, tendo seu prazo de vigência encerrado em 13 de outubro de 2005, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 38, de 2005. Posteriormente foi editada uma nova MP, agora de nº 255, de 1° de julho de 2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 que, naquilo que possa ter alguma alusão ao afirmado pela Recorrente seria o seguinte: Lei 11.196/2005 Capítulo VII DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Art.34. Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.15. ........................................................................................ .................................................................................. Parágrafo 4º. O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato." "Art.20. ......................................................................................... Fl. 74DF CARF MF 8 Parágrafo 1º. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestre calendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (tres) primeiros trimestres. Parágrafo 2º. O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o parágrafo 4º do art.15 desta Lei." Depreendese da mencionada Lei que o percentual de 8% também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que "explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato", valendo o mesmo para fins de cálculo da CSLL. Nada mais do que isto, ficando sem sentido a afirmação da Recorrente, a seguir reproduzida: Por qualquer ângulo que se analise o pleito da Recorrente, verificase que não há um indício sequer de que a Recorrente possua o alegado crédito de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 75DF CARF MF
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