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Numero do processo: 11020.006979/2008-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/1992 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Numero da decisão: 9303-007.886
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 69 79 /2 00 8- 73 Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 296 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3802001.230, de 22 de agosto de 2012 (fls. 246 a 255 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na transmissão eletrônica de pedidos de compensações de PIS, no período de 25/10/2004 a 06/01/2005, com crédito da ação ordinária nº 1999.71.07.0057102, no valor total de R$ 11.435,22. Nos termos do despacho decisório foram homologadas em parte as compensações declaradas pelo Contribuinte, apenas as compensações de PIS com PIS, não Fl. 296DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 297 3 sendo homologadas as compensações de PIS com outros tributos, obedecendo o disposto da decisão judicial juntada aos autos. Inconformado, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: realizou as compensações obedecendo à legislação vigente à época e à decisão judicial; em nenhum momento a decisão judicial restringiu a compensação apenas com o PIS, mas sim autorizou a compensação com estes, possibilitando a compensação com os demais tributos arrecadados pela Receita Federal; no caso em tela, os tributos ora cobrados estão prescritos; os débitos declarados em DCTF referemse aos anos de 1999 a 2005, e a ciência deuse somente em 20/08/09, decaiu o direito de lançar da União. Por fim, requereu a exclusão de qualquer tributo cujo fato gerador seja anterior a 20/08/04. A DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, rejeitando a aduzida homologação tácita das compensações, mas reconhecendo o direito à liquidação dos débitos declarados pela recorrente com o título judicial em seu favor, até o montante dos créditos calculados pela Fazenda pública. Conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/1992 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. A homologação tácita do pedido de compensação só ocorre quando expirado o prazo quinquenal previsto no art. 74, § 5º, da Lei no 9.430/96, hipótese que não se confirmou nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1992 a 30/09/1995 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 298 4 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL QUE DÁ PARCIAL PROVIMENTO AO PEDIDO RECONHECENDO O DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DECISÃO EM CONFORMIDADE COM AS RESTRIÇÕES LEGAIS VIGENTES À ÉPOCA. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. Realidade em que a interessada interpôs ação judicial pleiteando a compensação de indébitos do PIS, exigido segundo os moldes dos Decretoslei nos 2.445/88 e 2.449/88, com débitos do próprio PIS, da COFINS, da CSLL e do IRPJ. Contudo, o pleito foi julgado apenas parcialmente procedente, reconhecendo o direito de compensação unicamente com débitos do próprio PIS. Porém, o deferimento parcial do pedido pela Justiça não impede seja o correspondente título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da interessada, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que decisão nesse sentido fosse proferida pelo Poder Judiciário frente às limitações normativas à época vigentes. Deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal que não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente em justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento para reconhecer o direito à liquidação dos débitos declarados pela pleiteante com o título judicial em seu favor, até o montante dos créditos calculados pela Fazenda pública. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 257 a 265) em face do acordão recorrido que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito ao provimento dado pelo acórdão para reconhecer o direito à compensação do PIS com tributos com o IRPJ, a CSLL e a COFINS, uma vez que a decisão judicial teria se limitado a autorizar a compensação unicamente para a quitação dos débitos do próprio PIS. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de nº 20402.901. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro da ementa do acórdão paradigma no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 268 a 270. Fl. 298DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 299 5 O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 285 a 288, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 268 a 270. Pois, a decisão recorrida permitiu a compensação do PIS com IRPJ, CSLL e COFINS, referente ao período respaldado por decisão judicial transitada em julgado, a qual permitiu a compensação de valores recolhidos a título de PIS apenas com o próprio PIS, mas não com os referentes a outros tributos, sob o fundamento que a legislação superveniente já não mais estabelecia tal limitação. Por sua vez, no paradigma apresentado restou assentado o entendimento segundo o qual devese respeitar a decisão imutável pelo trânsito em julgado, nos termos da Constituição Federal/88, indeferindose a compensação pleiteada pelo contribuinte em relação a outros tributos não autorizados pelo Poder Judiciário, sendo inaplicável a lei posterior que possibilita a compensação com outros tributos. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Da preliminar alegada em Contrarrazões Em sede de contrarrazões, o Contribuinte pede que seja declarada a prescrição intercorrente dos presentes autos, os quais devem ser arquivados de ofício. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 300 6 No entanto, deixo de acatar a preliminar em vista de que não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal, conforme Súmula CARF nº 11 Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Do mérito Nos termos do despacho decisório foram homologadas em parte as compensações declaradas pelo Contribuinte, apenas as compensações de PIS com PIS, não sendo homologadas as compensações de PIS com outros tributos, obedecendo o disposto da decisão judicial juntada aos autos. A ação interposta pela recorrente buscava a tutela judicial para a compensação dos indébitos do PIS, exigido segundo os moldes dos Decretoslei nos 2.445/88 e 2.449/88, com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ (vide petição inicial de fls. 53/68). Todavia, a decisão judicial de primeira instância julgou parcialmente procedente o pedido da autora, reconhecendo o direito creditório, mas limitando a utilização dos créditos unicamente para a quitação dos débitos do próprio PIS, por compensação (v. fls. 90) em 2000. Tal entendimento foi mantido pelo TRF da 4a Região (fls. 92/101), em 2001, tendo a ação transitado em julgado sem alteração da amplitude de utilização do direito reconhecido pelo Poder Judiciário. Importa destacar que a interessada, na execução da sentença, chegou a pleitear a substituição da compensação por restituição (ver petição de fls. 117/123), pleito que, no entanto, foi rejeitado pela Justiça Federal em Caxias do Sul ao acolher os Embargos opostos pela União à execução da sentença referenciada (ver decisão às fls. 125/129). Agindo dessa forma, o Poder Judiciário reafirmou que o título judicial decorrente do pagamento indevido do PIS só poderia ser utilizado para fins de compensação com débitos do próprio PIS (como ressaltado, a peça inaugural buscava a compensação dos indébitos do PIS com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ). Fl. 300DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 301 7 Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei nº. 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei nº 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 302 8 Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 303 9 FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 304 10 SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 305 11 As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 306 12 DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Também através da Nota COSIT nº 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 307 13 Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 308 14 não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor do Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS, atendendo somente em parte ao pleito da demandante, que buscava a compensação dos indébitos do PIS com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Por fim, o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no Resp. 1.137.738, no sentido de que o contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇAO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 309 15 ESPECIAL. ART.170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇAO. MAJORAÇAO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇAO DO ART.535 DO CPC NAO CONFIGURADA. [...] 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizou apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. [...] 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.006979/200873 Acórdão n.º 9303007.886 CSRFT3 Fl. 310 16 extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp488992/MG). A vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.012956/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005
DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO AO IRPJ, BASEADO NO MESMO MPF E ELEMENTOS DE PROVA. PORTARIA MF 256/2009. PORTARIA MF 343/2015. ARTIGO 59, INCISO II, DECRETO 70.235/1972.
Todos os elementos de prova do auto de infração e o Mandado de Procedimento Fiscal que ensejou o lançamento são os mesmo que originaram lançamento de IRPJ/CSLL, cabendo a apreciação de recurso pela Primeira Seção. Os atos processuais praticados pela Terceira Seção devem ser anulados vis-a-vis a previsão do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
Numero da decisão: 3401-005.687
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão de recurso voluntário e de ofício, e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DECLINAÇÃO DE COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO AO IRPJ, BASEADO NO MESMO MPF E ELEMENTOS DE PROVA. PORTARIA MF 256/2009. PORTARIA MF 343/2015. ARTIGO 59, INCISO II, DECRETO 70.235/1972. Todos os elementos de prova do auto de infração e o Mandado de Procedimento Fiscal que ensejou o lançamento são os mesmo que originaram lançamento de IRPJ/CSLL, cabendo a apreciação de recurso pela Primeira Seção. Os atos processuais praticados pela Terceira Seção devem ser anulados vis-a-vis a previsão do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
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LANÇAMENTO REFLEXO AO IRPJ, BASEADO NO MESMO MPF E ELEMENTOS DE PROVA. PORTARIA MF 256/2009. PORTARIA MF 343/2015. ARTIGO 59, INCISO II, DECRETO 70.235/1972. Todos os elementos de prova do auto de infração e o Mandado de Procedimento Fiscal que ensejou o lançamento são os mesmo que originaram lançamento de IRPJ/CSLL, cabendo a apreciação de recurso pela Primeira Seção. Os atos processuais praticados pela Terceira Seção devem ser anulados visavis a previsão do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão de recurso voluntário e de ofício, e declinar da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 29 56 /2 00 6- 84 Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 881 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 563 e seguintes) contra decisão da 4a Turma da DRJ/FOR, , que considerou improcedente as razões da Recorrente sobre a nulidade de Auto de Infração referente à COFINS, relativamente aos seguintes períodos mensais de apuração: (i) Regime de Incidência Cumulativa: janeiro a abril c junho a dezembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003, e janeiro de 2004; (ii) Regime de Incidência NãoCumulativa: fevereiro a dezembro de 2004 c janeiro a dezembro de 2005. Do Lançamento Naquela ocasião, a D. Fiscalização lançou crédito tributário (fls. 04 e seguintes) de R$10.422.489,63 (dez milhões, quatrocentos e vinte e dois mil, quatrocentos e oitenta e nove reais e sessenta e três centavos), mais consectários de mora, totalizando a exigência em R$21.415.741,16 (vinte e um milhões, quatrocentos e quinze mil, setecentos e quarenta e um reais e dezesseis centavos). Em síntese, o lançamento de ofício decorreu de procedimento de verificações obrigatórias, tendo sido constatadas diferenças entre os valores escriturados c os declarados e/ou recolhidos da contribuição, conforme demonstrativo às fls 19/22, relativamente aos seguintes períodos mensais de apuração: (i) Regime de Incidência Cumulativa: janeiro a abril e junho a dezembro de 2002, janeiro a dezembro de 2003, e janeiro de 2004; (ii) Regime de Incidência NãoCumulativa: fevereiro a dezembro de 2004 c janeiro a dezembro de 2005. 3. A infração foi fundamentada no art. 149 da Lei n° 5.172, de 1966; no art. Io da Lei Complementar no 70, de 1991, combinado com os arts. 2°, 3" e 8o da Lei n° 9.718, de 1998, com as alterações das Medidas Provisórias (MPs) n° 1.807, de 1999, e 1.858, de 1999, e reedições; nos arts. 2o, capul, inc. II, e parágrafo único. 3°, 10, 22 e 51, todos do Decreto n° 4.524, de 2002. (fls 541 e seguintes) Da Impugnação A Contribuinte apresentou impugnação, em 22.01.2007 (fls. 63 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Em preliminar Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 882 3 · Nulidade do procedimento fiscal, por ofensa às formalidades necessárias à constituição do crédito tributário, previstas nos arts. 10 c 11, do Decreto n° 70.235, de 1972, em razão de não haverem sido indicadas a data e a hora da lavratura do AI, nem constar a indicação do cargo do autor do feito; No mérito · Alega a existência de inconsistências e incertezas nos valores apurados pela Fiscalização, a qual não demonstrou nem comprovou as bases de cálculo arroladas na autuação; tampouco motivou a desconsideração dos valores informados pela contribuinte, conforme planilha comparativa que elabora; discorre sobre o ônus da prova da autoridade lançadora no procedimento fiscal, cujo descumprimento leva à insubsistência do feito; · Ressalta que, mesmo depois da vigência do Decreto n° 5.164, de 2004, que reduziu a zero, a partir de agosto daquele ano, a alíquota do PIS c da Cofins incidente sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime nãocumulativo, o autor do feito continuou a levantar bases de Cálculo das exações, em desconformidade com a escrituração da contribuinte e mesmo com a legislação; · Em seguida, esclarece que sua atividade fundamental é a participação cm outras empresas, conforme seu estatuto social e, nessa condição, recebeu das sociedades investidas valores pagos a título de dividendos, operações de resgate de ações, juros sobre capital próprio e rendimentos financeiros, os quais não se enquadram no conceito de faturamento (receita bruta da venda de mercadorias e serviços), conforme recente posicionamento do Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários que menciona; por via de conseqüência, não se pode querer incidir a contribuição social exigida nos autos sobre valores de outra natureza; · Passa a discorrer sobre as inconstitucionalidades contidas no art. 3o da Lei n° 9.718, de 1998 (citado na fundamentação da exigência), que pretendeu alargar o conceito de faturamento quanto às bases de cálculo do PIS e da Cofins, vícios reconhecidos pelo Excelso Pretório; assevera que a alteração constitucional promovida pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998, não tem o condão de validar as disposições da referida lei que alteraram as bases de cálculo das contribuições, concluindo, ao final, que, "o.v valores levantados pela fiscalização, por possuírem natureza de receita financeira, decorrentes de rendimentos de aplicação financeira, do pagamento de juros sobre capital próprio, de dividendos e de resgate de ações, jamais poderiam ter sido objeto de autuação pelos AFRF, nos lermos da jurisprudência do STF. "; Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 883 4 · Sem especificar o período de apuração em que o pretenso lato teria ocorrido, a contribuinte reclama contra a inclusão do valor de R$ 21.399.610,69, na base de cálculo da exação, o qual corresponde à amortização de ágio da sociedade controlada Coelce, através do procedimento contábil de "desdobramento e resgate de ações", cuja não incidência tributária de PIS e Cofins procura demonstrar, em razão de seu caráter de dividendos e/ou valores destinados a restabelecer o patrimônio investido pela ora impugnante naquela sociedade, por meio da operação denominada resgate de ações pelo valor patrimonial; · A impugnante historia a operação que deu azo ao recebimento da cilada quantia, bem como a legislação que ampara a tese esposada, a qual foi acatada pela Administração Tributária, conforme solução de consulta formulada pela Coelce, nos termos do PAF nº 10380.100554/200474; nesse sentido, arremata a defesa que: "(•••) afigurase absolutamente desprovida de base legal a pretensão da D. Autoridade Argentaria de tributar peia contribuição ao PIS/PASEP os valores recebidos pela Impugnante, que têm inequivocamente a natureza jurídica de (1) dividendos e/ou (2) de valores com o jilo de restabelecer o patrimônio investido pela Impugnante naquela controlada (resgate de ações pelo valor patrimonial)." "O fato é que em razão de sua natureza jurídica, estão expressamente excluídos da tributação pela contribuição ao PIS, também por força de norma legal expressa. " (grifo nosso); · A defesa se insurge, ainda, contra a tributação dos juros sobre o capital próprio pelas contribuições sociais aqui tratadas, argumentado que esses têm a natureza de dividendos, expressamente excluídos das correspondentes bases de cálculo, a teor do que dispõe O inc. II do §2° do ai't. 3o da Lei n° 9.718, de 1998; em longo arrazoado, ilustrado por textos doutrinários, a impugnante faz um histórico do instituto criado na esteira da Lei n° 9.249 de 1995 (art. 9o), correlacionandoo com a distribuição de resultados disciplinada pelas leis comercial e fiscal; ressalta a impropriedade da denominação a ele dada pelo legislador, assim como, o tratamento contábil determinado pela Comissão de Valores Mobiliários a ser seguido pelas companhias abertas, para concluir que: "Nessas condições, data máxima vénia, afigurase absolutamente desprovida de base legal a pretensão da autuante de tributar pelas contribuições ao PIS os valores recebidos pela Impugnante a titulo de juros sobre o capital próprio, que têm inequivocamente a natureza jurídica de dividendos, sob pena de violação não só às normas legais indicadas, mas também ao princípio da legalidade (arts. 5", II, e 150, I, da Constituição Federal art 97do CTN)"; · Para demonstrar que não obtém faturamento entendido como o produto da venda de mercadorias e/ou de serviços cm decorrência da atividade por cia exercida, a autuada assevera que não houve a Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 884 5 ocorrência de fatos geradores a justificar a exigência de tributos a serem recolhidos, sendo incorreta a imputação fiscal ora guerreada; · No máximo, caberia a aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória decorrente da falta de entrega de DCTF, ressalvandose que, caso venham a ser ultrapassadas todas as ilicitudes indicadas, a impugnante detém vultoso "crédito tributário”(mais de R$ 23 milhões), suficiente para quitação de qualquer pretenso débito, por intermédio do procedimento de compensação, não obstante a ausência de formalização das competentes PER/DCOMPs. Da Primeira Conversão em Diligência (Resolução DRJ/FOR n° 910) A DRJ converteu o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: (i) elaborasse demonstrativo das bases de cálculo da Cofins, indicando as respectivas rubricas que a compõem, por período de apuração, e esclarecendo as diferenças apuradas em relação aos valores informados nas planilhas fornecidas pela contribuinte durante a ação fiscal; (ii) informasse se o valor de R$ 21.399.610,69, recebido pela autuada de sua sociedade ligada Coelce, compôs a base de cálculo de algum dos períodos de apuração arrolados no auto de infração, como alegado na impugnação. Da Segunda Conversão em Diligência (Resolução DRJ/FOR n° 1.666) Novamente, os autos foram remetidos para diligência no sentido de: (i) juntar aos autos prova documental dos seguintes valores que integraram a base de cálculo da contribuição: a. Valores referentes à conta "Rendas a Receber" (112.21.1) do ano de 2002; b. Valores referentes à conta "Outras Despesas Financeiras" (635.04.1.9) do ano de 2002; e c. Valores referentes à conta "Outras Despesas Financeiras" (635.04.1.9) do ano de 2003; (ii) informar a data da eletiva realização (pagamento do principal, dos juros e de dividendos) da variação cambial que integrou a base de cálculo da contribuição (conta n° 631.04.1.3), tendo em vista que, por força da Medida Provisória n° 2.15835/2001 c da IN SRF 247/2002, as variações monetárias ativas em função da taxa de câmbio devem ser tributadas quando da liquidação da correspondente operação. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 885 6 Por fim, em pronunciamento quando da segunda diligência, a Recorrente informou, às fls 284 e seguintes, que houve trânsito em julgado no Mandado de Segurança 2003.81.00.0092481 (às fls 460 e seguintes), em que obteve a declaração de inexigibilidade da Contribuição com base no §1° do art. 3º da Lei n° 9.718, de 1998. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio Acórdão 0820.775 (fls. 540 e seguintes), exarado pela 4a Turma da DRJ/FOR, em 03.05.2011, do qual a Contribuinte tomou conhecimento em 14.07.2011 (fl.644), através do qual foi considerado procedente em parte o crédito tributário lançado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 COFINS CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. PESSOA JURÍDICA. OBJETO SOCIAL. PARTICIPAÇÃO EM OUTRAS SOCIEDADES. A pessoa jurídica que tem por objeto social a participação, como cotista ou acionista, cm outras sociedades aufere receita decorrente de sua atividade empresarial típica, quando obtém juros sobre o capital próprio, resgata ações ou recebe dividendos cm função de investimento avaliado pelo método da equivalência patrimonial, de modo que o valor de tais operações integra a base de cálculo da Cofins. COFINS CUMULATIVA E NÃO CUMULATIVA. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte integram a base de cálculo da Cofins, quando da liquidação da correspondente operação, a não ser que o contribuinte tenha optado pela sua tribulação de acordo com o regime de competência, o que se verifica no pagamento realizado. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de fevereiro de 2004, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. COFINS NÃO CUMULATIVA. RECEITAS FINANCEIRAS. DECRETO N° 5.164/2004. ALÍQUOTA ZERO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas á alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo, não se aplicando, todavia, àquelas oriundas de juros sobre capital próprio e as decorrentes de operações de hedge. Impugnação Procedente em Parte Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 886 7 Crédito Tributário Mantido em Parte Do Recurso Voluntário Irresignado, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando tãosomente a informação do transito em julgado de ação judicial que vinha discutindo o alargamento da base de cálculo das contribuições sociais no regime cumulativo. Do Recurso de Ofício Em vista da anulação parcial dos lançamentos promovidos na ação fiscal superarem o limite de alçada, houve interposição de recurso de oficio, cujas razões da Fazenda Nacional constam às fls. 727. Do Primeiro Julgamento pelo CARF Em primeiro julgamento (fls 742 e seguintes), o recurso do contribuinte foi considerado intempestivo; ao passo que o recurso de ofício não foi objeto de acórdão, o que levou à oposição de embargos da Fazenda Nacional. Esses embargos foram conhecidos, porém o recurso de ofício foi negado (fls 751 e seguintes). Dos Embargos contra a intempestividade e da desistência parcial Por outro lado, a Recorrente restou inconformada com o não conhecimento por intempestividade, razão pela qual veio a opor Embargos (fls. 770 e seguintes) alegando que o prazo final para apresentação de recurso era feriado municipal. Entrementes, a Recorrente veio a incluir parte dos débitos litigiosos em programa de parcelamento (fls. 796), em 25.08.2014. Após diligência provocada em razão dos embargos apresentados pelo contribuinte, foi verificado que, de fato, houvera feriado naquela data e que, em razão disso, não ocorrera expediente na Receita Federal. Com o despacho de admissibilidade concluído no sentido favorável ao contribuinte, os autos foram encaminhados ao exconselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, que, em despacho de saneamento (fls. 861), que reproduzo na íntegra: Tratase de embargos de declaração, interpostos pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 65, do RICARF/15, em face do Acórdão nº 3401001.838, de 26/06/2012 (fls1 742/744), que não conheceu do recurso voluntário (fls. 563/606), por intempestividade, revista por meio da INFORMAÇÃO FISCAL de fl. 855. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 887 8 Às fls. 796/798, PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL, de 25/08/2014. Acontece que à fl. 832, despacho de encaminhamento da unidade de preparo, responsável atual, propondo o retorno deste processo ao CARF para apreciação dos embargos, porém, sem manifestação expressa, nem mesmo Extrato do Processo atualizado, sobre quais valores e matérias ainda permanecem em litígio, levandose em conta o decidido sobre: a Impugnação, no Acórdão nº 0820.775 4ª Turma da DRJ/FOR, de 03/05/2011 (fls. 540/553); o Recurso de Ofício, no Acórdão nº 3401 002.234 – 4ª CAM/1ª TO/3ª SEJUL do CARF, de 25/04/2013 (fls. 751/759); e a supracitada desistência parcial. Nesse sentido, diante dos inúmeros equívocos ocorridos no tramite processual e visando uma maior segurança do julgamento, proponho que se baixe o presente à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niteroi/RJ, para que a autoridade preparadora formalize informação, em documento que ateste quais valores e matérias ainda permanecem em litígio, após a desistência parcial acatada, inclusive, anexando Extrato do Processo atualizado, confirmando, s.m.j., se apenas a rubrica contábil/tributos, abaixo, permanecem 'Devedor'. Os termos do despacho acima forma cumpridos às fls. 684 e seguintes, confirmando o saldo acima destacado: Após, os embargos novamente foram encaminhados ao CARF, e a mim distribuídos em maio de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Os Embargos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento. Tem razão a Embargante ao argüir, nos termos exarados na resposta à diligência, que o Recurso Voluntário é tempestivo em vista a confirmação da existência de feriado municipal. Por essa razão, deverseia passar à sua apreciação, caso não houvesse uma questão de ordem prejudicial ao seu julgamento. Explico a seguir. Verificouse, da análise dos autos, que todos os elementos de prova de auto de infração formalizado por ocasião do Mandado de Procedimento Fiscal nº 03.1.01.002006 000610, tanto é que o Termo de Verificação Fiscal só é encontrado em documento anexo à impugnação da Recorrente, às fls 141 e seguintes, vinculado ao mesmo MPF, cuja abordagem trata exclusivamente do IRPJ/CSLL. Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 888 9 Esse pormenor é absolutamente relevante, uma vez que, desde a época do julgamento do Recurso Voluntário, e conseqüentes embargos que ensejaram a apreciação (e desprovimento) do Recurso de Ofício e atos processuais seguintes, já era prevista a competência da 1ª Seção para apreciar o recurso. Vejamos o que dispunha o Regimento Interno do CARF, consignado na Portaria MF 256/2009, em seu Anexo II, vigente à época: Art. 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Da mesma forma, essa é a atual redação do artigo 2º, do Anexo II, do RICARF, nos termos da Portaria MF Nº 343/2015: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; Nessa linha, resta claro nunca coube a essa Seção julgar a matéria dos presentes autos, por ser de competência exclusiva da Primeira Seção. Dito isso, como primeira consequência, todos os atos processuais, inclusive sobre a decisão definitiva sobre o Recurso de Ofício, devem ser anulados, por vício previsto no artigo 59, inciso I, do Decreto 70.235/1972. Como segunda decorrência, o presente processo deve ser encaminhado à Primeira Seção de Julgamento, para apreciação do Recurso Voluntário e do Recurso de Ofício. Pelo exposto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para anular o acórdão de recurso voluntário e de ofício, e, de ofício, declinar da competência para seu julgamento à Primeira Seção do CARF. Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 889 10 (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10380.012956/200684 Acórdão n.º 3401005.687 S3C4T1 Fl. 890 11 Fl. 890DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.906791/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.595
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 79 1/ 20 09 -5 6 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10380.906791/200956 Resolução nº 1201000.595 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.906791/200956 Resolução nº 1201000.595 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10380.906791/200956 Resolução nº 1201000.595 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10380.906791/200956 Resolução nº 1201000.595 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.906791/200956 Resolução nº 1201000.595 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.720794/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 07 94 /2 01 0- 12 Fl. 1056DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12072.915, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 1058DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10855.720794/201012 Acórdão n.º 3301005.479 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1062DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720010/2009-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004
ÔNUS DA PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
É ônus do sujeito passivo atender as intimações para apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, especialmente a documentação que embasa os seus argumentos, ônus este cuja desincumbência milita a favor dos argumentos trazidos pela Administração Pública.
Numero da decisão: 3302-006.245
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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É ônus do sujeito passivo atender as intimações para apresentação dos documentos solicitados pela autoridade fiscal, especialmente a documentação que embasa os seus argumentos, ônus este cuja desincumbência milita a favor dos argumentos trazidos pela Administração Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 10 /2 00 9- 36 Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo no qual discutese a incidência de PIS e de COFINS em razão de alegadas divergências entre os valores declarados pela requerente em DCTF e recolhidos, e os valores registrados em sua contabilidade, referentes ao anocalendário de 2004. Por retratar com precisão os fatos ocorridos no presente processo, transcrevo o Relatório redigido pela DRJ em Belém, que embasou a decisão ora recorrida (Acórdão 01 15.875, de 17 de dezembro de 2009. “Trata o presente processo de Autos de Infração referentes a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004, relativos à: a) Contribuição para O PIS, no valor de R$ 3.576.565,20 (fl. 192), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008; e b) Contribuição para O financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 2.474.275,62 (fl. 198), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. A autoridade fiscal, conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 14/18, informa que: "(...) verificamos a ocorrência de insuficiência de declaração de débitos de PIS e COFINS, com regime de incidência nãocumulativa, nas DCTF referentes aos periodos do anocalenário de 2004 indicados no “Demonstrativo de PIS Não Cumulatívo a Recolher" e “Demonstrativo de COFINS NãoCumulatívo a Recolher”, anexo, nos quais estão demonstrados os batimentos entre os débitos apurados e os valores dos créditos das respectivas contribuições (..). Tal procedimento tem por finalidade o cotejo entre os valores de tributos devidos mensalmente a recolher, registrados em contas do passivo, com os valores desses tributos declarados em DCTF. Esse cotejo teve por base as informações constantes 'nos lançamentos contábeis, apresentados à fiscalização em meio magnético, e de planilhas demonstrativos em Excel, apresentadas à fiscalização pelo sujeito passivo, dos quais extraímos cópias para instruir o lançamento do respectivo crédito tributário. Os valores a serem lançados por meio de auto de infração estão demonstrados na coluna “diferenças apuradas ” Cientificada dos lançamentos em 26/12/2008 (fls. 193 e 199), a contribuinte apresentou, em 26/01/2009, a impugnação de fls. 292/301, na qual alega: a) No curso da ação fiscal, nada foi solicitado a respeito do PIS e da Cofins 2004, motivo que causou espanto à impugnante ao ser surpreendida com a autuação. O auto de infração foi lavrado com base em informações contábeis insuficientes para definição do quantum a pagar de PIS/Cofins e que não correspondem à verdade dos fatos, uma vez que a impugnante se ateve aos Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 4 3 termos da última intimação que recebeu, reunindo documentos. relativos a outros tributos. b) Quanto ao PIS de janeiro/2004, depreendese da análise da memória de cálculo acostada, que o erro se deu quanto ao recolhimento e preenchimento da DCTF. O valor apurado foi de R$ 949.128,19, conforme memória de cálculo e respectivo Dacon. Porém, o recolhimento foi feito no montante de R$ 1.029.626,22, perfeitamente correlacionado na DCTF, contudo maior que o devido, Assim, a impugnante é credora e não devedora. A planilha trazida pela fiscalização não apresentou todas as contas contábeis (conforme memória de cálculo) aptas a compor o valor correto do PIS a pagar. Ademais, a contabilidade pode sofrer ajustes ao longo dos anos em virtude das conciliações de diversas contas, realocando valores. Convém mencionar que não foi solicitada à impugnante, em nenhum momento, a planilha com a base de cálculo do PIS de janeiro de 2004, conforme declarado em Dacon. Uma simples planilha com algumas contas contábeis não pode ser considerada documento hábil a sustentar uma composição de base de cálculo do tributo, mas sim a memória de cálculo efetuada que serve de espelho ao Dacon. Logo, não há que se falar em ausência de recolhimento, mas sim em equívoco no preenchimento de uma obrigação acessória. Idêntico raciocínio aplica aos demais fatos geradores, tanto de PIS quanto de Cofins, objeto da autação, concluindo que, de acordo com a documentação acostada aos autos, todos os supostos débitos correspondem a dívidas fictícias, pois os débitos deveriam seradequadamente extintos mediante retificação de DCTF ou de oficio, uma vez que se encontram quitados dentro do prazo legal. c) Discorre acerca do lançamento como ato jurídico, asseverando que, pela análise do art. 145 do CTN, há possibilidade de se corrigir o engano cometido pela autoridade fiscal na confecção do auto de infração, uma vez que os valores trazidos não correspondem a tributos: a pagar, conforme memória de cálculo 'da apuração (contendo as corretas contas contábeis) e Dacon, comprovados pelos respectivos DARFS e DCTFs. Cita julgados administrativos. Tomando em conta tais argumentos, pleiteia seja reconhecido de oficio o equívoco cometido, com a anulação do lançamento. Protesta pela juntada de novos elementos de prova e eventual designação de perícia." Sobreveio a decisão de primeira instância na qual a Impugnação foi julgada improcedente, tenso sido lavrada a seguinte Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. PERÍCIA. REQUISITOS. Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 5 4 Considerase não formulado O pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n°'70.235, de 1972. PIS. BASE DE CÁLCULO. ERRO EM SUA APURAÇÃO. MATERIA DE PROVA. ONUS DO SUJEITO PASSIVO. Os registros contábeis da pessoa jurídica fazem prova do seu conteúdo, a ele vinculando O sujeito passivo e servindo de fundamento suficiente para a exigência de Ofício. Tal conteúdo, para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do contribuinte. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS » Data do fato gerador: 28/02/2004, 31/05/2004, 31/07/2004, 31/08/2004 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, ll, do Código Tributário Nacional. PERÍCIA. REQUISITOS. Considerase não formulado O pedido de perícia que deixa de atender aos requisitos previstos no art. 16 do Decreto n° 70.235, de 1972. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ERRO EM SUA APURAÇÃO. MATÉRIA DE PROVA. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Os registros contábeis 'da pessoa jurídica fazem prova do seu conteúdo, a ele vinculando o sujeito passivo e servindo de fundamento suficiente para a exigência de ofício. Tal conteúdo; para ser ilidido, depende da apresentação de documentos e provas do erro alegado, cujo ônus probante encontrase a cargo do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra este Acórdão a Recorrente apresentou Recurso Voluntário onde sustenta, em síntese: Que foi intimada para apresentar elementos da escrita contábil e fiscal dos anos de 2003 a 2008. Salienta os seguintes pontos, por cada capítulo: Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 6 5 1 PIS não cumulativo (Código 6912) de Janeiro de 2004. Sustenta que não houve ausência de recolhimento, mas equívoco no preenchimento de obrigação acessória, eis que a empresa teria deixado de se creditar do valor total do crédito. 2 PIS não cumulativo (Código 6912) de Maio de 2004. Sustenta que houve pagamento a maior em razão do fato de que havia crédito no período. 3 PIS não cumulativo (Código 6912) de Junho de 2004. Sustenta que o valor apurado foi adimplido, mas que houve erro no repasse de informações ao sistema de arrecadação do fisco, do qual não pode, segundo ela, ser penalizada. 4 PIS não cumulativo (Código 6912) de Julho de 2004. Sustenta que houve lançamentos indevidos em razão de erros contábeis. 5 PIS não cumulativo (Código 6912) de Agosto de 2004. Sustenta que houve um ajuste de COFINS contabilizado indevidamente na conta de PIS. 6 COFINS não cumulativo (Código 5856) de Fevereiro de 2004. Sustenta que a fiscalização não levou em consideração suposto crédito de PIS calculado sobre o estoque. 7 COFINS não cumulativo (Código 5856) de Maio de 2004. Sustenta que houve pagamento a maior, razão pela qual não há créditos tributários a serem exigidos. 8 COFINS não cumulativo (Código 5856) de Julho de 2004. Sustenta que houve um lançamento realizado em conta errada, mas que não há créditos tributários a serem exigidos. 9 COFINS não cumulativo (Código 5856) de Agosto de 2004. Sustenta que há pagamento a maior do tributo, razão pela qual não pode ser exigido qualquer crédito. Sinteticamente, alega que os créditos exigidos decorrem, em alguns casos, de preenchimento equivocado de DCTF, que seria um equívoco formal que, por sua vez, não é apto a gerar o crédito tributário. O Recurso Voluntário foi apreciado na sessão de 28 de janeiro de 2015, onde determinouse a realização de diligência, nos seguintes termos: "Por todas essas razões, em consonância com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, chegase à conclusão que os equívocos apontados pela recorrente precisam ser analisados, porém, por não dispor de todos os elementos necessários para tal análise, com fundamento no art. 18 do Decreto 70.235/1972, propõese a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade fiscal da Receita Federal de origem, com base nos elementos colacionados aos autos, ou, caso se revelem insuficientes, com base no que for solicitado à recorrente mediante intimação, se assim entender a autoridade fiscal encarregada do trabalho, adote as seguintes providências: a) com base nos lançamentos contábeis de fls. 99/192 e, se for o caso, nos novos documentos apresentados pela autuada, em relação a cada débito, informar se ocorreram ou não os Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 7 6 equívocos cometidos na escrituração contábil informados pela recorrente e, se for o caso, apurar o novo valor das respectivas contribuições a pagar; b) com base nas DCTF e nos comprovantes de pagamento, informar os valores declarados e pagos nos respectivos meses da autuação; c) apresentar planilha contendo os valores mensais consolidados dos débitos das contribuições a pagar, declarados na DCTF e recolhidos nos meses da autuação; d) cientificar a recorrente do resultado do trabalho realizado, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias, para se pronunciar a respeito dos novos elementos apurados; e e) findo o referido prazo, com ou sem manifestação da recorrente, devolver os autos a este Colegiado, para prosseguimento do julgamento." Sinteticamente, o Termo de Encerramento de Diligência (Fls. 722 e seguintes) ressaltou que a Recorrente não apresentou documentos que seriam imprescindíveis para os trabalhos, especialmente: Livro Diário em versão pesquisável, em o comprovante de sua autenticação na Junta Comercial do Estado do Amazonas. Apresentou balancetes mensais em PDF, impropriamente denominados de "arquivos de saldos mensais". Apresentou ainda tabelas de planos de contas em Excel e Tabela de Centro de Custos /Serviço em Excel. Não apresentou o Livro Razão, os arquivos digitais referentes aos lançamentos contábeis obrigatórios e solicitados e somente apresentou cópias em PDF das microfichas referentes ao primeiro e último dia de cada mês. O Recorrente, por sua vez, em sua Manifestação Acerca do Relatório de Diligência, pugnou por requerer a declaração de nulidade do trabalho em razão de investigação insuficiente dos fatos que ensejaram as glosas realizadas, sob o argumento de que as investigações não foram aprofundadas. Acerca da Conclusão do Termo de Encerramento de Diligência a Recorrente afirma que a fiscalização descumpriu os termos da Resolução n. 3102000.337, e ignorou os registros contábeis juntados, especificamente o Diário e os balancetes de fls. 449611. Finalmente requer o cancelamento do lançamento fiscal por comprovação da fragilidade dos trabalhos. É o Relatório. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. O presente processo teve início a partir de Auto de Infração de PIS e de COFINS cujos fatos geradores teriam ocorrido no anocalendário de 2004. Quando da apresentação da Impugnação, a Recorrente afirmou que não trouxe aos autos toda a documentação que seria suficiente a comprovação do seu direito, requerendo a realização de Perícia sem que o pedido fosse revestido das formalidades de que trata o artigo 16 e seguintes do Decreto n. 70.235/72. Foi exatamente a ausência de provas dos fatos constitutivos do direito do Recorrente que embasou a decisão da DRJ. Em sede de Recurso Voluntário a Recorrente novamente requereu a produção de provas, o que lhe foi deferido por meio da realização de diligência determinada pela Resolução n. 3102000.337, o que na prática foi uma terceira oportunidade de demonstrar o alegado. Quando da elaboração da Resolução o Relator salientou a plausibilidade do direito da Recorrente, contudo entendeu que careceria de provas, que deveriam ser trazidas na diligência. Contudo, o Termo de Encerramento de Diligência aponta que não foram atendidos requerimentos para apresentação de documentos que, segundo a autoridade fiscal, seriam necessários à conclusão dos trabalhos, merecendo destaque: "Conforme pode ser verificado na cartaresposta apresentada em 10 de outubro de 2016, a empresa diligenciada não atendeu à reintimação nos termos acima formulados: não apresentou os arquivos digitais da contabilidade e também não apresentou o Livro Razão em PDF ou outro meio, conforme alternativa de apresentação estabelecida no mencionado termo. (...) 9.1) Entendemos que, com base nos elementos disponibilizados pela empresa diligenciada, acima mencionados, este item da demanda formulada pelo órgão julgados, qeu consistente no aspecto central da questão em tela, restou prejudicado, em virtude do que foi exposto no item 8 acima: Para correta verificação dos "equívocos contábeis" suscitados pelo sujeito passivo nos lançamentos contábeis demonstrados pela Auditoria fiscal às fls. 20/192 (...) seria necessário que a empresa: 1) indicasse de forma analítica quais são esses equívocos, com a indicação dos registros contábeis e dos elementos que comprovam quais os corretos lançamentos a retificálos mediante a apresentação do Razão; 2) Mesmo na falta da apresentação de todos os elementos indicados no item 1 acima, tal lacuna poderia ser suprida durante a diligência fiscal, caso a diligenciada atendesse integralmente às intimações mediante a apresentação efetiva dos elementos que deixou de apresentar, Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10283.720010/200936 Acórdão n.º 3302006.245 S3C3T2 Fl. 9 8 quais sejam: o Livro Razão em meio papel, em PDF ou os registros contábeis em meio digital em relação aos que estava obrigado (...)" Não é possível fechar os olhos e desconsiderar o enorme volume de documentos trazidos aos autos pela Recorrente, contudo, também não é lícito olvidar que ele não atendeu as intimações e reintimações para a juntada de documentos que a autoridade fiscal entendeu relevante requerer. Desta forma, é de se concluir que a Recorrente não se desincumbiu do seu ônus de demonstrar os fatos constitutivos do seu direito quando da apresentação da Impugnação, na qual também deixou de formular o pedido de perícia na forma da legislação em vigor, bem como deixou de apresentar os documentos requeridos em sede de diligência fiscal. Por estas razões, voto no sentido de que seja negado provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Fl. 1651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002357/2005-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 21/07/1999 a 25/08/1999
FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A falta ou insuficiência de recolhimento da CPMF enseja o lançamento de oficio, com os acréscimos legais.
RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE. ART. 5°, § 3° DA LEI N° 9.311/96.
Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pela instituição financeira, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação, nos termos do art. 5°, § 3° da Lei n° 9.311/96.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.591
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro - Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 21/07/1999 a 25/08/1999 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A falta ou insuficiência de recolhimento da CPMF enseja o lançamento de oficio, com os acréscimos legais. RESPONSABILIDADE SUPLETIVA DO CONTRIBUINTE. ART. 5°, § 3° DA LEI N° 9.311/96. Na falta de retenção e recolhimento da CPMF pela instituição financeira, responde o contribuinte na qualidade de responsável supletivo pela obrigação, nos termos do art. 5°, § 3° da Lei n° 9.311/96. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 23 57 /2 00 5- 06 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13603.002357/200506 Acórdão n.º 3301005.591 S3C3T1 Fl. 82 2 Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Adoto o relatório da decisão recorrida, que bem sintetiza os detalhes do litígio: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/08), relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, totalizando um crédito tributário de R$ 3.267,91, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos fatos geradores de 21/07/1999, 28/07/1999, 04/08/1999, 11/08/1999, 18/08/1999 e 25/08/1999 (fl.05). A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da contribuição nos citados períodos, conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is), de fls. 04/05. Os dados enviados pelas instituições financeiras à Receita Federal estão espelhados no relatório "Valores Informados pelos Declarantes" (fl. 09). Como enquadramento legal, foram citados: arts. 2°, 4°, 5°, 6° e 7°, da Lei n° 9.311, de 1996; art. 1° da Lei n°9.539, de 1997, c/c art. 1° da Emenda Constitucional n°21, de 1999; e art. 45 da MP n°2.11330, de 2001, e suas reedições. Irresignado, tendo sido cientificado em 09/01/2006 (fl. 24), o autuado apresentou, em 08/02/2006, acompanhadas dos documentos de fls. 31/43, as suas razões de discordância (fls. 27/30), assim resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente lançamento, argumenta que pelos extratos da conta bancária que apresenta (Bank Boston Banco Múltiplo S/A), pode ser visto que houve pagamento de CPMF no período apontado no Auto de Infração e que os valores informados pela instituição financeira não coincidem com os lançamentos feitos na citada conta. Assim, requer que os bancos descritos nos autos (Bank Boston e Banco Bandeirantes) ou que a Receita Federal informem todos os valores que levaram a constituir as somas descritas no relatório de fl. 09. Lembra que se trata de sigilo bancário que deve ser exposto exclusivamente à empresa ou a seu procurador, para que possa exercer a defesa administrativa em sua plenitude. Alega não haver nos autos qualquer documento, número de processo ou outra forma de prova que informe a existência do processo judicial mencionado pelo autuante e em que medida teria beneficiado o contribuinte. Ressalta que não deu procuração a nenhuma instituição financeira para em seu nome propor qualquer ação e, se houve a determinação da suspensão do recolhimento da CPMF, não há que se falar em multa, pois não poderia desobedecer a ordem judicial. Frisa ainda que não foi intimado a pagar em trinta dias sem juros e multa a exação, nos termos da lei, Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13603.002357/200506 Acórdão n.º 3301005.591 S3C3T1 Fl. 83 3 mas sim para impugnar ou pagar o constante no Auto de Infração, com multa e juros. Por fim, requer seja determinado aos Bancos, ou juntada pela Receita Federal, a descrição concernente a todos os valores cobrados, abrindo vista de cinco dias para que se manifeste; seja determinada a juntada dos documentos referentes ao processo judicial referido no Auto de Infração, abrindo vista de cinco dias para que sobre eles se manifeste; sejam as intimações feitas diretamente aos seus procuradores; e a juntada do Contrato Social e da última alteração contratual e dos extratos bancários do período em questão. A 1ª Turma da DRJ/BHE, acórdão nº 0217.876, negou provimento à impugnação, com decisão assim ementada: CPMF. A falta ou insuficiência de recolhimento da CPMF enseja o lançamento de oficio, com os acréscimos legais cabíveis. Em seu recurso voluntário, a Recorrente ratifica todos os argumentos de sua impugnação. Não junta novos documentos. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Em primeiro lugar, afasto as alegações de cerceamento de defesa, por falta de exibição de documentos, porquanto o auto de infração cumpre os requisitos do art. 10 e 59 do Decreto n° 70.235/72 e os elementos necessários à constituição dos fatos estão presentes nos autos. Na origem, houve procedimento fiscal para verificar o recolhimento de CPMF pelas instituições financeiras, em virtude de decisão judicial favorável à empresa, que posteriormente foi revogada. Tratase de ação civil pública movida pelo Ministério Público, que é fato notório na época dos fatos. Houve ampla divulgação dessa ação e do seu desfecho, inclusive na mídia. Por força da MP n° 2.15835, as instituições financeiras ficaram obrigadas a apurar e registrar os valores devidos no período de vigência de decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição, e, após a revogação dessa medida impeditiva, a efetuar o débito na conta bancária de seus clientescontribuintes, a menos que houvesse manifestação expressa em contrário, encerramento de conta ou insuficiência de saldo: Art. 45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13603.002357/200506 Acórdão n.º 3301005.591 S3C3T1 Fl. 84 4 I apurar e registrar os valores devidos no período de vigência da decisão judicial impeditiva da retenção e do recolhimento da contribuição; II efetuar o débito em conta de seus clientescontribuintes, a menos que haja expressa manifestação em contrário: a) no dia 29 de setembro de 2000, relativamente às liminares, tutelas antecipadas ou decisões de mérito, revogadas até 31 de agosto de 2000; b) no trigésimo dia subsequente ao da revogação da medida judicial ocorrida a partir de 1° de setembro de 2000; III recolher ao Tesouro Nacional, até o terceiro dia útil da semana subsequente es do débito em conta, o valor da contribuição, acrescido de juros de mora e de multa moratória, segundo normas a serem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal; IV encaminhar a Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) nome ou razão social do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; b) valor e data das operações que serviram de base de cálculo e o valor da contribuição devida. Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV deste artigo, a contribuição não se sujeita ao limite estabelecido no art. 68 da Lei n° 9.430, de 1996, e será exigida do contribuinte por meio de lançamento de oficio. Nesse contexto, as instituições financeiras, nas quais a Recorrente mantinha contas bancárias, prestaram à Receita Federal as informações relativas a não retenção da CPMF. Tal base de cálculo foi a utilizada no auto de infração, que está de acordo com os extratos juntados pela Recorrente em impugnação. Ao contrário do que a empresa alegou, não houve qualquer pagamento no período autuado. A Lei n° 9.311/96, no art. 4°, I, prescreve que são contribuintes da CPMF os titulares das contas referidas nos incisos I e II do seu art. 2°: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13603.002357/200506 Acórdão n.º 3301005.591 S3C3T1 Fl. 85 5 depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; II o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, até o limite de valor da redução do saldo devedor; Art. 4° São contribuintes: I os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2°, ainda que movimentadas por terceiros; Já o art. 5°, §3°, dispõe que: Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: (...) § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Logo, o contribuinte possui, em caráter supletivo, a responsabilidade pelo pagamento da CPMF, no caso de sua não retenção pela instituição financeira responsável. Apontou a fiscalização que a contribuinte não efetuou qualquer pagamento referente à CPMF, conforme os registros da RFB. O contribuinte por sua vez, não logrou êxito em comprovar qualquer recolhimento. Por isso, inexistindo prova do pagamento, deve ser constituído o lançamento de ofício da CPMF devida, por imperativo do art. 142 do CTN, inclusos os consectários legais: multa (art. 44, I, da Lei n° 9.430/96) e juros SELIC. A questão resta pacificada no STJ, como se observa nos julgados abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SORE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA CPMF. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POR LIMINAR, EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. POSTERIOR DECISÃO QUE CONSIDERA DEVIDO O TRIBUTO. JUROS DE MORA E MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO INTERNO IMPROVIDO. I. Agravo interno aviado contra decisão monocrática publicada em 20/06/2018, que julgara Recurso Especial interposto contra acórdão publicado na vigência do CPC/73. II. Na origem, o Tribunal a quo, em autos de Ação Ordinária, negou provimento à Apelação e à Remessa Oficial, tida por interposta, para manter a sentença, ao fundamento de que não incidem juros de mora e multa moratória sobre os valores não recolhidos a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPMF, no período em que o contribuinte encontravase albergado por decisão Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13603.002357/200506 Acórdão n.º 3301005.591 S3C3T1 Fl. 86 6 judicial. III. Ao assim decidir, o Tribunal de origem atuou em desconformidade com a pacífica orientação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que "são devidos juros moratórios e multa pelo não recolhimento de CPMF em face de liminar suspensiva de exigibilidade do crédito fiscal, posteriormente cassada" (STJ, AgRg no REsp 1.278.672/MG, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, Segunda Turma, DJe de 16/02/2012). Nesse sentido: STJ, REsp 1.650.825/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe de 05/05/2017; AgRg no REsp 1.253.445/MG, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2014; REsp 1.011.609/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 06/08/2009. IV. Agravo interno improvido. AgInt no REsp 1.294.813/MA, DJ 12/11/2018. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CPMF. LIMINAR EM AÇÃO CIVIL PÚBLICA. CASSAÇÃO. JUROS E MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. 1. São devidos juros moratórios e multa pelo não recolhimento de CPMF em face de liminar suspensiva de exigibilidade do crédito fiscal, posteriormente cassada. Precedentes da Primeira e Segunda Turmas. 2. "Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária" (Súmula 405/STF). 3. Recurso especial provido (eSTJ fl. 409). AgRg no REsp 1.278.672/MG, DJ 16/02/2012. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.945024/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
Numero da decisão: 3302-006.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido.
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 24 /2 01 3- 16 Fl. 434DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 3 2 O objeto do presente processo versa sobre indeferimento de ressarcimento e não homologação de compensações relacionadas a crédito de COFINS não cumulativa por inexistência de crédito para tanto. Por bem descrever os fatos, transcrevo e adoto o relatório do acórdão nº 10 56.029, da 2ª Turma da DRJ/POA, proferido na sessão de 03 de fevereiro de 2016: Trata o presente processo de análise e acompanhamento de PER/DCOMP transmitido pela contribuinte em 20/02/2013, através do qual pretendeu ressarcimento de valores credores de COFINS nãocumulativa vinculados à receita de exportação relativos ao 4º trimestre de 2012 (§ 1º do art. 6º da Lei n° 10.833/2003). Constou apresentação de DCOMPs (ver relação na fl. 236). A repartição fiscalizadora efetuou a necessária verificação, tendo produzido Informação Fiscal onde apontou, pormenorizadamente, os problemas encontrados. Foi proferido Despacho Decisório por meio do qual foi indeferido o pedido de ressarcimento, não tendo sido homologadas as DCOMPs vinculadas ao pretendido crédito. Desse Despacho Decisório a contribuinte tomou ciência em 14/04/2015 (Relação ECT e AR de fls. 321 e 322) e, não se conformando, apresentou, através de procuradores, manifestação de inconformidade onde, inicialmente, referiu à tempestividade e aos fatos, aduzindo a seguir (de forma sintética): 1) Preliminar. Nulidade do DD por ausência de análise do crédito: o despacho decisório é um ato tipicamente administrativo, devendo observar as determinações legais, inclusive princípios e critérios previstos no art. 2º da Lei nº 9.784/1999 (regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal). O ato administrativo viola todos os princípios listados, porque a autoridade administrativa sequer analisou a existência do crédito pleiteado, se o mesmo foi apurado de acordo com as normas de regência ou se ele poderia ser utilizado na compensação de débitos próprios ou ser objeto de ressarcimento em dinheiro. O DD simplesmente negou a integralidade do crédito, donde a empresa requer a nulidade daquele ato. 2) Mérito. Correta interpretação da regra do § 3º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012: o contribuinte que apura créditos passíveis de ressarcimento, pode compensálos com débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, cabendo posteriormente à autoridade administrativa homologálos ou não. Os dispositivos legais prescrevem que PIS/COFINS não incidem sobre receitas decorrentes de exportações de mercadorias e serviços, disciplinando, em seus parágrafos, as formas de utilização de créditos vinculados a essas receitas. A legislação tributária permite expressamente que, mesmo não havendo a incidência de Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 4 3 PIS/COFINS sobre as receitas decorrentes da exportação de mercadorias e serviços, a pessoa jurídica vendedora apure créditos sobre despesas especificadas na própria lei. A legislação possibilita ao contribuinte o ressarcimento de tais créditos quando estes não forem integralmente utilizados na dedução dos débitos apurados no trimestre. A autoridade fiscal cometeu um equívoco. Ocorre que cujo valor possa ser alterado (§ 3º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012), expressa uma situação fática de que o valor litigado compõe o montante objeto do pedido de ressarcimento/compensação. Cujo valor é algo que integra, que está dentro do pedido e não determinado montante que futura e incertamente possa vir agregálo. A afirmação fiscal (a procedência das ações judiciais teria o condão de ampliar o crédito das contribuições), por si só é suficiente para ratificar que a situação fática analisada não se enquadra na norma. Para tentar justificar o indeferimento integral do crédito e sequer analisar a sua composição, o Fisco baseouse em um parágrafo isolado (e de forma gramaticalmente equivocada), dissociandoo das demais regras aplicáveis à espécie, fazendo uma interpretação isolada e descontextualizada do mesmo. O § 3º do art. 32 da IN 1300/2012 não restringe o direito ao ressarcimento e a compensação sempre que o contribuinte constar do pólo ativo de qualquer ação judicial. Ele somente restringe o montante que estiver efetivamente sendo litigado na ação judicial, quando ainda há uma indecisão quanto à legitimidade do crédito. Nesses casos, como a própria legitimidade do crédito encontrase em discussão, determinase que o contribuinte aguarde o desfecho judicial, prosseguimento com o ressarcimento e compensação apenas após o trânsito em julgado. O contribuinte pode espontaneamente apresentar pedidos de ressarcimento e compensação dos créditos que entender que são líquidos e certos, notadamente porque a compensação, no âmbito do lançamento por homologação, não necessita de prévia autorização da autoridade fiscal. Essa se desvirtuou da finalidade da lei e interpretou o § 3º do art. 32 da IN de forma ampla e desconexa, sem ao menos questionar o contexto fático que ensejou o surgimento do crédito, vez que ignorou o fato de que os créditos pleiteados não se encontravam em discussão nas demandas judiciais apontadas. A própria Informação Fiscal atesta que o eventual efeito a ser deflagrado pelas ações judiciais, cingese ao aumento do valor do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Impõese a reforma do DD. 3) IN não pode limitar o direito da empresa: ainda que se sustente o acerto da interpretação fiscal acerca do § 3° do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012 e que havendo ação judicial que possa impactar no valor do crédito (ainda que positivamente), donde a empresa fica impedida de ressarcir qualquer crédito, impõese a reforma do DD. Isso porque a função da Instrução Normativa é interpretativa, subordinandose ao dispositivo legal, lhe sendo vedado inovar para estabelecer obrigações ou ainda para criar limitações ao direito dos contribuintes. Deve ela seguir os ditames impostos Fl. 436DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 5 4 pelas Leis, não havendo previsão para que inove no ordenamento jurídico. Assim, não há qualquer vedação legal que obste a empresa de ingressar com pedido de ressarcimento de créditos considerados incontroversos e que não estão sendo discutidos judicialmente. A vedação que o Fisco tentou criar mediante interpretação de dispositivo legal, não encontra respaldo na legislação de regência, não podendo subsistir, sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. 4) Realização de perícia/diligência: a empresa requer seja realizada diligência/perícia (inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972). Essas são indispensáveis para demonstrar a composição do crédito objeto do pedido de ressarcimento e comprovar que as ações judiciais mencionadas na Informação Fiscal em nada impactam no valor pleiteado, que deve ser considerado incontroverso. Também será cabível para comprovação da real natureza de cada bem/serviço adquirido, como se dá seu emprego no processo produtivo e que (a) são efetivamente utilizados nos estabelecimentos produtores e industriais; (b) que são custos de produção; (c) que foram contabilizados como tal, dentre outras informações indispensáveis. Indica peritos e formula quesitos. 5) Pedidos: a empresa requer o conhecimento e provimento de sua Manifestação de Inconformidade, devendose reconhecer a nulidade do DD, determinandose a emissão de novo despacho devidamente fundamentado, com análise da composição do crédito pleiteado. Requer a reforma do ato administrativo para que seja reconhecido integralmente o crédito objeto do Pedido de Ressarcimento, homologandose todas as compensações declaradas. Pugna pela realização de diligência/perícia, em consonância com o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972. A repartição de origem encaminhou o processo para julgamento. No acórdão do qual foi retirado o relatório acima, por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo indeferimento do pedido de ressarcimento e consequente não homologação da compensação, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Restando consignado no Despacho Decisório, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da pretendida compensação, deve ser afastada a pretensão de declaração de nulidade do ato administrativo. AFRONTA A PRINCÍPIOS ADMINISTRATIVOS. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 6 5 A apreciação de eventuais afrontas a princípios administrativos está deferida ao Poder Judiciário, por força do próprio texto constitucional. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. É inócuo suscitar na esfera administrativa alegação de ilegalidade de ato normativo editado pela RFB. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Não se justifica a realização de diligência/perícia quando presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 ENTENDIMENTOS ADMINISTRATIVOS. EFEITOS. NÃO VINCULAÇÃO. As referências a entendimentos de primeira ou segunda instância administrativa não vinculam os julgamentos emanados pelas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. OBSERVAÇÃO DE MEDIDAS JUDICIAIS. Tendo a auditoria verificado a existência ou não de créditos passíveis de ressarcimento, observando no procedimento óbices constantes de medidas judiciais, não pode a autoridade julgadora reformular a decisão sem que aqueles sejam superados. DIREITO AO RESSARCIMENTO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Nos termos do CTN, apenas créditos líquidos e certos são passíveis de ressarcimento/restituição/compensação tributária. Inconformada com a r. decisão acima transcrita a contribuinte interpôs recurso voluntário, onde repisou todas as razões trazidas na manifestação de inconformidade. Passo seguinte, o processo distribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 7 6 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Ressaltase que todos os argumentos trazidos no recurso voluntário da recorrente, são os mesmos que outrora fizeram parte de sua manifestação de inconformidade, não havendo qualquer inovação quanto às razões que, em tese, poderiam levar ao provimento da peça recursal. I Preliminar I.1 Nulidade do Despacho decisório por ausência de análise de crédito, inobservância de princípios administrativos Segundo o entendimento da recorrente o despacho decisório padeceria de nulidade, vez que não segue as disciplinas dos princípios administrativos, notadamente da razoabilidade e proporcionalidade, legalidade e finalidade. Entretanto, entendo que a alegação não pode prosperar. Todos os atos realizados pelas autoridades fiscais, vertidas em documentos e parte do presente processo, foram realizados obedecendo os ditames da legislação pertinente ao assunto, não havendo que se falar em inobservância dos princípios mencionados. Ademais, para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n°70.235/72. Assim, não é obrigado a manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da legalidade das normas legais regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário, podendo apenas reconhecer inconstitucionalidades já declaradas pelo Supremo. Ressaltase que a constitucionalidade e legalidade de norma tributária não pode ser objeto de apreciação por parte da autoridade julgadora administrativa, por expressa imposição da Súmula CARF nº 02, forjada nos seguintes termos: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II Mérito II.1 Regra do § 3ª do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012 Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 8 7 Segundo o entendimento da recorrente a autoridade administrativa utilizou interpretação equivocada das regras trazidas pelo § 3º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, vez que não homologou o pedido de ressarcimento e homologação de compensação, pois os créditos que embasariam a compensação estariam sendo discutidos em ação judicial. Não há dúvida quanto ao impedimento trazido pela mencionada instrução normativa, que vai ao encontro com o que é disciplinado pelo art. 170A do Código Tributário Nacional, ao não permitir a compensação de créditos pendentes em discussão judicial. Ao contrário do alegado pela recorrente, conforme bem pontuado no acórdão recorrido, as medidas judiciais informadas, ainda não finalizadas, em caso de provimento em favor da contribuinte farão aumentar os saldos credores a seu favor e, consequentemente, maior crédito aproveitável em ressarcimento/compensação, sem qualquer delimitação temporal para o aproveitamento. Vale ressalta que mesmo intimada a demonstra quais seriam as despesas financeiras que permitiriam o ressarcimento dos créditos pleiteados, a contribuinte recorrente não demonstrou seu direito. Desta forma, o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC1). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de 1 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10880.945024/201316 Acórdão n.º 3302006.298 S3C3T2 Fl. 9 8 fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)2 Assim, deixando a Recorrente de trazer aos autos documentos capazes de comprovar a origem do crédito pleiteado, entendo correta a decisão de piso e, adoto seus fundamentos como razão de decidir. II.1 Do pedido de Diligência/Perícia Seguindo a mesma direção traçada no tópico acima, o pedido de diligência feito pela recorrente não tem como prosperar, pois conforme demonstrado no despacho decisório, bem como no acórdão recorrido, não demonstrou de forma clara a existência de seu hipotético direito, não sendo possível à Administração Pública, nessa fase processual, tomar o lugar do contribuinte e passar a fazer prova a favor do mesmo. Desta forma, correto o indeferimento de produção de prova pericial por meio de diligência conforme pleiteado pela recorrente. III. Conclusão Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário.É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. 2 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 441DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.918465/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1402-000.766
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.918461/2009-14, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.918461/200914, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 18 46 5/ 20 09 -9 4 Fl. 138DF CARF MF Processo nº 15374.918465/200994 Resolução nº 1402000.766 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil que decidiu manter o r. Despacho Decisório que não homologou o pedido de compensação apresentado pela Recorrente, por ter constatado que o crédito tinha sido utilizado para pagamento de outros débitos da contribuinte. Para evitar repetições, colaciono o relatório do v. acórdão recorrido: No dia [...], a interessada transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP [...], no qual informou possuir crédito oriundo do pagamento indevido do imposto de renda do 4º trimestre de 2003 (código de receita: 2089), no montante de R$ 7.684,47, que foi utilizado na compensação de débito fiscal próprio [...]. A compensação declarada não foi homologada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela DERAT/RJ [...]: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF: Período de Apuração Código de Receita Valor Total do DARF Data de Arrecadação 31/12/2003 2089 7.761,31 29/02/2004 Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PERDCOMP. Cientificada do despacho decisório [...], a interessada apresentou [...]a manifestação de inconformidade[...]. Alegou, em síntese, o preenchimento equivocado da DCTF original do 4º trimestre de 2003, no que toca ao valor devido de IRPJ, equívoco esse corrigido na DCTF retificadora apresentada em 01/06/2009 [...]. Inconformada com a decisão do v. acórdão "a quo", a Recorrente interpôs Recurso Voluntário visando sua reforma, acostando aos autos nova DIPJ/04 retificada com a Número do pagamento Valor origina total Processo (Pr)/PERDCOMP (PD)/Débito (Db) Valor original utilizado 4315574208 7.761,31 Db. cód 2089 PA 31/12/2003 7.761,31 Valor total 7.761,31 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 15374.918465/200994 Resolução nº 1402000.766 S1C4T2 Fl. 4 3 apuração do imposto de renda pelo regime de lucro presumido (oito por cento sobre a receita bruta para apurar a base de cálculo do IRPJ a ser tributado pelo lucro presumido nos termos do artigo 15 da Lei 9.249/95) e uma cópia da resposta da Consulta que tratou sobre a IN SRF 306/03 os quais esclareceu que os serviços prestados pela Recorrente se enquadram aos serviços hospitalares. Resumidamente, a Recorrente juntou aos autos sem sede de impugnação o pedido de compensação/restituição apresentado, o comprovante de arrecadação no valor de R$ 7.761,31 (código da receita 2089), a DCTF retificada apresentada em 01/06/2009, após ter sido proferido o r. Despacho Decisório e em sede de Recurso Voluntário a cópia da DIPJ/04 retificada para tributar o IPPJ pelo regime do lucro presumido sob a base de cálculo encontrada com a aplicação da alíquota de 8% sobre a receita bruta e a consulta sobre os serviços hospitalares. É o relatório. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 15374.918465/200994 Resolução nº 1402000.766 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1402000.763, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.918461/2009 14, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402000.763): "O Recurso Voluntário é tempestivo e possui os requisitos previstos na legislação, motivos pelos quais deve ser admitido. O r. Despacho Decisório não homologou a compensação requerida devido ao fato de o crédito apontado pela Recorrente ter sido utilizado para extinção de outros débitos da própria requerente. Em sede de manifestação de inconformidade a Recorrente juntou cópia da DCTF retificada relativa ao quarto trimestre de 2003, cópia do DARF onde indica o crédito que entende objeto da lide, cópia da PER/DCOMP e apresenta alegação de que cometeu um equivoco no preenchimento da primeira DCTF onde indicou indevidamente o valor do débito e afirma que o crédito existe. A DRJ ao julgar a manifestação de inconformidade entendeu que a Recorrente não apresentou provas suficientes para desconstituir a fundamentação do r. Despacho Decisório relativo a utilização do mesmo crédito para quitar outros débitos pertencentes a ela. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente acrescenta alegação de que devido a resposta da consulta ter sido favorável a ela, onde aponta que presta serviços hospitalares nos termos do artigo 23 da IN SRF 306/2003 e por isso deveria apurar o IRPJ pelo regime do lucro presumido sob a base tributável encontrada na aplicação do percentual de 8% sobre a receita bruta nos termos do artigo 15, parágrafo primeiro, inciso III, alínea "a", da Lei 9.249/1995, retificou a DIPJ/04 e a DCTF relativa ao 4 (quarto) trimestre de 2003. Vejamos nas palavras da própria Recorrente. Desta forma, a matéria a ser discutida nos autos é relativa a possibilidade de se aceitar a entrega da DCTF durante o processo administrativo e após ter sido proferido o r. Despacho Decisório, bem como a possibilidade de se retificar a DIPJ antes do despacho decisório, para que tais documentos fiquem de acordo com a tributação do lucro presumido, bem como nos termos do benefício reconhecido pela Consulta. Vejamos a alegação da Recorrente abaixo. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15374.918465/200994 Resolução nº 1402000.766 S1C4T2 Fl. 6 5 Pois bem. Em relação a possibilidade da apresentação da DCTF em sede de Recurso Voluntário, em respeito ao princípio da busca da verdade material, entendo não verifico qualquer óbice. Inclusive, fazendo um paralelo da matéria analisada neste processo, esta C. Turma tem jurisprudência no sentido de que a DCTF pode ser retificada após o r. despacho decisório. A Título exemplificativo, segue ementa do v. acórdão que decidiu neste sentido: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 15374.918465/200994 Resolução nº 1402000.766 S1C4T2 Fl. 7 6 Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considera não homologada a compensação declarada. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTFs extingue se após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido (Processo 10880.967614/201219) Terceira Seção de Julgamento. Sendo assim, entendo ser necessário converter o julgamento em diligência para que: 1 encaminhese os autos para a autoridade fiscal para se manifestar sobre a existência do crédito pleiteado com base na DIPJ retificada e a DCTF retificada. 2 elabore relatório circinstânciado informando se com base na análise da DIPJ retificada, com a DCTF e a DARF a Recorrente tem direito a restituição do crédito. 3 caso se constate que a Recorrente tem direito ao crédito, informar se o montante pode absorver o débito que se pretende compensar. Pelo exposto e por tudo que consta processado nos autos, converto o julgamento em diligência. É como voto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 10983.911358/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
INSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. "DEDO DE BORRACHA A50" E "AMÔNIA ANIDRA"
De acordo com o laudo técnico carreado aos autos pela embargante, o "Dedo de Borracha A50" compõe a depenadeira, utilizada no setor de frangos. E a "amônia anidra" é aplicada para resfriamento das câmaras frigoríficas, em que são conservados os produtos. Como são necessários ao processo produtivo, incluem-se no conceito de insumos, e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS.
"GRILLER". OMISSÃO.
Na Planilha "CFOP - Notas Fiscais Glosadas - Operações sem direito a credito", nas linhas 24 e 25 e 29 a 32, há produtos que contém em sua descrição a palavra "griller".
Assim, em relação a este tópico, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Contudo, sem efeitos infringentes, pois a embargante não estabeleceu uma relação entre suas explicações e a descrição do produto contida nas notas fiscais de compra e os Laudos Técnicos, confirmando que o produto é insumo do processo industrial e, por conseguinte, daria direito a créditos de PIS e COFINS.
Numero da decisão: 3301-005.575
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanear as omissões identificadas no Acórdão n° 3301-004.056, em relação às aquisições dos produtos em cujas descrições encontrava-se a palavra "Griller", de "Dedo de Borracha A50" e de "Amônia Anidra", porém com efeitos infringentes somente em relação às compras de "Dedo de Borracha A50" e de "Amônia Anidra", cujo direito ao registro de crédito de PIS passa a ser reconhecido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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DIREITO AO CRÉDITO. "DEDO DE BORRACHA A50" E "AMÔNIA ANIDRA" De acordo com o laudo técnico carreado aos autos pela embargante, o "Dedo de Borracha A50" compõe a depenadeira, utilizada no setor de frangos. E a "amônia anidra" é aplicada para resfriamento das câmaras frigoríficas, em que são conservados os produtos. Como são necessários ao processo produtivo, incluemse no conceito de insumos, e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. "GRILLER". OMISSÃO. Na Planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito", nas linhas 24 e 25 e 29 a 32, há produtos que contém em sua descrição a palavra "griller". Assim, em relação a este tópico, devem ser acolhidos os embargos de declaração. Contudo, sem efeitos infringentes, pois a embargante não estabeleceu uma relação entre suas explicações e a descrição do produto contida nas notas fiscais de compra e os Laudos Técnicos, confirmando que o produto é insumo do processo industrial e, por conseguinte, daria direito a créditos de PIS e COFINS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanear as omissões identificadas no Acórdão n° 3301004.056, em relação às aquisições dos produtos em cujas descrições encontravase a palavra "Griller", de "Dedo de Borracha A50" e de "Amônia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 91 13 58 /2 01 1- 68 Fl. 2231DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.232 2 Anidra", porém com efeitos infringentes somente em relação às compras de "Dedo de Borracha A50" e de "Amônia Anidra", cujo direito ao registro de crédito de PIS passa a ser reconhecido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão embargada: "Adoto o relatório da decisão de primeira instância: 'Tratase de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social e Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) – PER/DCOMP nº 16276.07827.290110.1.5.084929, transmitido em 29/01/2010 vinculados à receita de exportação, apurados no 4º trimestre calendário de 2009, no valor de R$ 5.774.478,00. Do Despacho Decisório O Pedido de Ressarcimento foi indeferido e as compensações vinculadas não homologada. Tendo em vista a ocorrência de declarações de compensação não homologadas e transmitidas na vigência da Lei nº 12.249/2010, foi lavrado auto de infração para exigência de multa isolada correspondente, tratado no processo nº 11516.722503/201450. Por conta das glosas efetuadas, foram alterados os valores utilizados para desconto dos débitos informados em Dacon, sendo consumidos todos os créditos disponíveis e restando saldo a pagar o qual foi lançado através do auto de infração, tratado no processo nº 11516.722481/201428. No relatório fiscal, a autoridade fiscal informa: os processos nºs 11516.722481/201428, 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, 10983.911360/201137, tratam da mesma matéria fática, divididos apenas por razões processuais em processos de ressarcimento e processos de auto de infração de cada trimestre, e que, portanto, devem ser analisados em conjunto, por trimestre; os autos de infração para exigência de multa isolada devida pela não homologação das compensações, foram tratados nos processos números 11516.722503/201450, 11516.722502/201413, 11516.722510/201451, 11516.722509/201427. Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.233 3 Após descrever o procedimento fiscal, passa a identificar as glosas realizadas conforme as linhas do Dacon, como segue. 1. Ficha 06A do Dacon Aquisições no Mercado Interno Da base de cálculo dos créditos apurados em Dacon, Ficha 06A –, foram glosados os valores que seguem: 1.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados: 1.1.1. os valores das aquisições de bens sujeitos a alíquota zero, listadas na planilha NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.1.2. os valores dos bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Da linha 02 foram glosados os valores referentes a: 1.2.1. aquisições de bens que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, listados na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos; 1.2.2. aquisições de bens utilizados como insumos e sujeitos à alíquota zero; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero; 1.2.3. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.2.4. notas fiscais que representam aquisições de insumos de pessoas jurídicas e que deveriam ter ocorrido com suspensão obrigatória de PIS/Pasep e Cofins; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória; 1.2.5. notas fiscais de aquisição de serviços de fretes e carretos lançados na Linha 2 do Dacon sem a identificação e CNPJ do fornecedor ou prestador dos serviços; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha SEM Identificação Notas Fiscais Glosadas sem identificação do Fornecedor. 1.3. Linha 03 Serviços Utilizados como Insumo 1.3.1. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito; 1.3.2. aquisições de serviços que não se enquadram no conceito de insumo, conforme o art. 8º, §4º, inc. I, alínea “b” da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, tais como SERVICO MANUTENCAO EQUIP INFORMATICA, SERVICO Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.234 4 LIMPEZA GERAL EM INSTALACOES, SERVICO TREINAMENTO e SERVICO DE COPIA E IMPRESSÃO; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.4. Linha 05 – Despesas de Aluguéis de Prédios Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte. 1.5. Linha 06 – Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos Locados de Pessoa Jurídica Foram glosadas: 1.5.1. as diferenças entre os valores informados no Dacon e os valores comprovados por meio da memória de cálculo apresentada pela contribuinte; 1.5.2. os valores relativos a ALUGUEIS DE VEICULOS, ALUGUEL PALCO EVENTOS E SERVIÇO DE LOCAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SOFTWARE, estes, por não se enquadram no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.637/2002, que somente contempla “aluguéis de máquinas e equipamentos, pagos à pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na planilha NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos. 1.6. Linha 07 – Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda Foram glosadas: 1.6.1. as despesas com fretes em relação aos quais a interessada, apesar de intimada e reintimada para tanto, não logrou apresentar a vinculação com as vendas efetuadas, de modo a possibilitar a confirmação das exigências legais para o creditamento. Cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na FVNC Fretes de Vendas Não Comprovados; 1.6.2. notas fiscais cujo Código Fiscal de Operação (CFOP) não representa aquisição de insumos e nem outra operação com direito a crédito; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito. 2. Ficha 06A – CRÉDITOS PRESUMIDOS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS Linha 25 – Calculados sobre Insumos de Origem Animal Linha 26 – Calculados sobre Insumos de Origem Vegetal A autoridade fiscal relata que a contribuinte lançou nas linhas 25, 26 e 27 (Ajustes Positivos de Crédito) o crédito presumido de sua atividade agroindustrial Lei nº 10.925/2004 e nº Lei 12.058/2009 , conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 001/00555 (fls. 525), presente neste processo a fls. 562 e seguintes, e informa que, dos dados apresentados nas planilhas citadas no item b da referida intimação (planilha com a composição dos valores informados na linha 27 das fichas 06A e 16A ), verificase que, apesar de citar os artigos 32 e 33, a contribuinte apurou na linha 27 apenas os créditos previstos no art. 34 da lei 12.058/2009. Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.235 5 Traz em seu relatório a listagem dos insumos adquiridos com o benefício do crédito presumido da Lei nº 10.925/2004 e da nº Lei 12.058/2009 que sofreram alteração de alíquotas e glosa, totalizados por descrição em cada mês e informa que as notas fiscais cujos valores foram glosados estão devidamente individualizadas no arquivo não paginável denominado CREDITO PRESUMIDOdetalheBRF2009 04trim.xlsx anexado a este processo. Informa que foram realizados os seguintes ajustes: a) glosa das operações que não configuram aquisições de insumos com qualquer crédito presumido. Nesta categoria se incluem aquisições de produtos industrializados, aquisições de quaisquer bens para revenda ou aquisições para entrega futura. Estas situações estão corrigidas para alíquota zero de crédito presumido nas listagens anexas e nos resumos acima; b) as aquisições de bens de origem vegetal ou animal, mas não classificadas nas posições da NCM listadas no art. 8º da Lei 10.925/2004, enquadrados, portanto, no §3º, inc III do citado artigo, tiveram a alíquota corrigida para 2,66% para a Cofins e 0,5775% para o PIS/Pasep; c) as aquisições de soja e seus derivados, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. II e aquisições de bovinos vivos da posição 01.02 da NCM, enquadradas na Lei nº 12.058/2009, art. 33, §3º, tiveram a alíquota corrigida para 3,8% para a Cofins e 0,825% para o PIS/Pasep; d) as aquisições de bens de origem animal, enquadradas na Lei 10.925/2004, art. 8º, §3º, inc. I, que embora estivessem com a alíquota correta, 4,56% para a Cofins e 0,99% para o PIS/Pasep, tiveram os valores de crédito corrigidos porque o valor constante da planilha do contribuinte não correspondia à multiplicação da alíquota pela base de cálculo; e) os valores informados na linha 27 (Ajuste Positivos de Créditos) foram glosados porque a empresa não faz jus ao crédito presumido do art. 34 da Lei nº 12.058/2009, tendo em vista o § 1º daquele artigo 3. Ficha 06B Aquisições de Insumos no Mercado Externo 3.1. Linha 01 – Bens para Revenda Foram glosados os valores das aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos. 3.2. Linha 02 – Bens Utilizados como Insumo Foram glosados os valores referentes a: 3.2.1. Aquisições de bens cujo CFOP não representa aquisição de insumos; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito 3.2.2. Aquisições de bens sujeitos à alíquota zero da contribuição; cada uma das notas fiscais glosadas está especificada na listagem NT Notas Fiscais Glosadas Alíquota zero. Da manifestação de inconformidade Inicialmente, a recorrente requer a reunião do presente processo aos processos nºs 10983.911358/201168, 10983.911355/201124, 10983.911352/201191, Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.236 6 11516.722502/201413, 11516.722503/201450, 11516.722509/201427, 11516.722510/201451 e 11516.722481/201428. Suscita a nulidade do procedimento fiscal alegando, em síntese, cerceamento do direito de defesa e ofensa ao princípio da motivação ante a “fundamentação precária do despacho decisório”. Reclama que a fiscalização indicou o motivo das glosas através de siglas, “igualmente repetidas para cada item” e que não é “razoável” que esta se limite a justificar sua glosa alegando tão somente que os mesmos não se enquadram na definição de "insumos" trazida pela IN SRF nº 404/04, sem tecer quaisquer considerações sobre o processo produtivo da empresa. Nesse sentido, defende, em síntese, que cabia ao fisco “ter aprofundado a análise do emprego do insumo no processo produtivo da requerente” e dizer o motivo de cada glosa indicada na listagem de glosas. A fim de afastar o conceito de insumo adotado pela Fiscalização, e defender que a palavra "insumo", empregada pelas Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003, possui abrangência muito maior do que pretende lhe dar a RFB, nas Instruções Normativas SRF nº 247, de 11/11/2002, e nº 404, de 12/3/2004, tece considerações sobre a não cumulatividade das contribuições em tela estabelecendo o seu entendimento sobre o conceito de insumo aplicável ao caso, à luz da interpretação que faz da legislação, da jurisprudência e da doutrina. Conclui, então, que o conceito de insumos empregado pelas referidas lei é amplo, “alcançando todos os custos, despesas e encargos vinculados ao produto vendido, ainda que incorridos após a fase de produção, mas que com ele se relacionem, e não apenas aqueles previstos nos atos fazendários”. Traz a descrição das atividades produtivas da empresa e, na sequência, passa a discorrer especificamente sobre cada tipo de glosa. Bens adquiridos para revenda Em relação às glosas das aquisições de Bens adquiridos para revenda, aduz que a fiscalização equivocouse ao glosar créditos apurados nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.833/03 sob o fundamento de que os itens considerados na base de cálculo “não estariam enquadrados no conceito de insumo contido na IN SRF n. 404/04”. Diz que a fiscalização confundiu os incisos I e II do art. 3º e alega que a tomada de créditos nos termos do inciso I exige tão somente que os bens sejam adquiridos para posterior revenda, não havendo qualquer vinculação da tomada do crédito com o conceito de insumo. Bens e serviços utilizados como insumo Inicialmente a Recorrente menciona que ficou demonstrado que a ausência de uma investigação mais aprofundada dos fatos, aliada à equivocada fundamentação jurídica, levou a fiscalização a glosar indevidamente diversos itens usados diretamente na produção, muitos deles podendo ser classificados, inclusive, como matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem. Em relação aos itens glosados por não consistirem de insumos, diz que “não irá proceder a uma justificação individuada de cada um deles”, que se aterá a “fazer observações adicionais pontuais, sobre alguns dos mais relevantes”. Assim segue. Em relação aos Pallets, explica que são utilizados em diversas etapas do processo produtivo, uma vez que Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.237 7 (...) são usados na própria industrialização, para a movimentação das matériasprimas e dos produtos em fase de industrialização, evitando seu contato direto com o solo, diminuindo o risco de contaminação. Os pallets também garantem a segurança na movimentação das cargas, permitem a mecanização e levantamento dos produtos e cargas nele transportados, mas, principalmente, possibilita a unitização de todo um quantitativo de produtos e de matérias primas entre fornecedores e a requerente e entre as diversas etapas da produção. Menciona que a jurisprudência do CARF reconhece o direito ao crédito quanto aos pallets, na qualidade de insumo. No título Serviços utilizados como insumo, a interessada defende que dão direito ao crédito os serviços relacionados com a movimentação dos produtos e matériasprimas nas diversas etapas da produção, os quais foram glosados; cita como exemplo: serviços de repaletização e reforma de pallets; serviços de aplicação de strecht nos pallets; serviços de carga e descarga; serviços de montagem dos equipamentos usados na produção; bem como os serviços de manutenção dos mesmos, dentre outros. Também defende o direito ao crédito em relação aos custos com serviços de transporte de matériasprimas e de produtos adquiridos como insumos, bem como seu transporte do fornecedor até à empresa e seu deslocamento durante a fase de produção alegando que o CARF os reconhece como custo de produção. No título Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes defende o crédito em relação as despesas com a aquisição de peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos, alegando que próprio fisco reconhece que são também passíveis de creditamento; cita a Solução de Consulta nº 9, de 12/01/2012, da 9ª Região Fiscal, Solução de Consulta nº 11, de 27/1/2011, da 8ª Região Fiscal; Solução de Consulta nº 520, de 26/10/2004, da 7ª Região Fiscal; Solução de Divergência COSIT nº 14, de 31/10/2007. A Recorrente defende o direito a crédito em relação “todos os gastos realizados na produção da requerente que sejam decorrentes de exigências legais”. No item Serviços e produtos decorrentes de exigências legais, alega, em síntese, que existem normas do Poder Público que impõe procedimentos de higiene dentro da área fabril, bem como a utilização de equipamentos de proteção individual e também o controle e manutenção da segurança sanitária, cujo descumprimento ensejaria a “inviabilização da própria atividade, não estando a critério da requerente furtarse ou não a estes gastos”. Defende o crédito em relação: aos serviços aplicados e à aquisição de produtos utilizados na higienização das dependências do setor fabril, das máquinas da produção e do pessoal que lá trabalha; à aquisição de uniformes e equipamentos de proteção individual; aos serviços de análises físicoquímicas e laboratoriais. No mesmo tópico defende o crédito em relação às aquisições de: “Equipamentos como facas, brincos de marcação para suínos e produtos químicos usados em diversas etapas da produção são exemplos de exigências das normas reguladoras às quais a requerente não pode deixar de se submeter”; equipamentos usados na atividade, que embora não sejam os de uso ordinário, igualmente devem obedecer as especificações dos órgãos reguladores; carimbos de marcação que seguem os padrões impostos pelo Poder Público. Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.238 8 Já no tópico Outros itens, a Recorrente diz que “não é possível proceder a uma análise minuciosa, trazendo detalhes de cada item listado pela fiscalização”, mas aduz que “confia que a descrição de suas atividades, em todo seu processo produtivo, permita esclarecer o seu direito ao crédito face à natureza dos bens elencados nos autos” Hipótese de bens adquiridos com suspensão Em relação às aos bens adquiridos com suspensão, a interessada alega que a fiscalização equivocouse ao realizar as glosas dos itens listados, isto porque, segundo alega, os créditos apurados no período em questão, e glosados pela fiscalização sob a rubrica "bens utilizados como insumos", não são relativos à operações sujeitas à apuração do crédito presumido (art. 8o da Lei n. 10925/04) nem, tampouco, à suspensão (art. 9o da referida lei). Crédito presumido da agroindústria No que se refere ao crédito presumido da agroindústria previsto no art. 8º da Lei n° 10.925/2004, a interessada alega que o método para o cálculo do crédito presumido, conforme seu parágrafo 3º, está vinculado à natureza do produto desenvolvido pela empresa adquirente do insumo e titular do direito de crédito. Afirma que o parágrafo 10, do art. 8º, da Lei n° 10.925/2004, incluído pela Lei nº 2.865/2013, confirma exatamente a interpretação que sustenta. E acrescenta que é esse o entendimento adotado pelo CARF. Quanto ao crédito presumido previsto no art. 33 da Lei n. 12.058/2009, alega que o entendimento da Autoridade Fiscal de que as aquisições para revenda não geram esse tipo crédito não seria a interpretação correta do dispositivo. Afirma que, na redação vigente à época dos fatos, não há qualquer restrição para apuração do crédito presumido sobre a revenda; defende que para a apuração do referido crédito presumido exigiase: (i) ser pessoa jurídica que produza mercadorias classificadas nos códigos 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, 05.06.90.00, 05.10.00.10, 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24 e 41.04.41.30 da NCM; (ii) que as mercadorias fossem destinadas à exportação; (iii) que os créditos presumidos fossem apurados sobre as aquisições de bens classificados na posição 01.02 da NCM; e (iv) que tais bens fossem adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Acrescenta que, ademais, que no seu caso, não há simples revenda de mercadorias ao exterior. Pois os produtos classificados na posição 01.02 da NCM ("BOI VIVO") foram transformados em outros produtos derivados, tais como cortes in natura, sebo, aproveitamento de couro, dentre outros, devidamente destinados à exportação. Por fim, em relação aos créditos presumidos previstos no art. 34 da Lei nº 10.925/2004, diz que não merece prosperar o entendimento da fiscalização de que a requerente estaria enquadrada na hipótese de vedação do parágrafo 1º do referido dispositivo, eis que, supostamente, ela industrializaria apenas bovinos vivos das posições 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM. Nesse sentido alega: que industrializa outros produtos além daqueles descritos no parágrafo 1º do art. 34; que a apuração do crédito presumido nos termos acima é realizada pela requerente apenas nas hipóteses de aquisição de cortes e carcaças (classificados nos códigos 0201 e 0202 da NCM), nos exatos termos exigidos no caput do art. 34, empregados em outros produtos que não aqueles listados nas 01.02, 02.01 e 02.02 da NCM, tais como os produtos classificados nos códigos 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29 e 15.02.00.1, 41.01.20.10, 41.04.11.24, 41.04.41.30 da NCM. Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.239 9 Despesas de aluguel com máquinas e equipamentos Contra à glosa dos alugueis de veículos a Interessada alega que os chamados "Caminhões Munck" ou "guindautos", não são somente veículos, mas máquinas com um guindaste acoplado utilizadas para movimentar os animais e os materiais essenciais ao processo produtivo da requerente, sendo sua semelhança com um veículo tão somente funcional, qual seja, a capacidade de locomoção. E que o aluguel desses e de empilhadeiras elétricas e outros equipamentos utilizados nas atividades da requerente, está em estrita observância ao disposto no inciso IV, do art. 3º, da Lei n. 10833/2003; cita: "ALUGUEL EMPILHADEIRA ELÉTRICA" e ALUGUEL VEICULO CARGA", dentre outros. Despesas com armazenagem e frete nas operações de venda A Recorrente inicialmente aponta a precariedade do trabalho fiscal que glosou todos os gastos com serviços de frete, limitandose a alegar a ausência de vinculação entre as notas fiscais de venda e o conhecimento de transporte, quando, segundo alega, restou comprovado, pelos arquivos apresentados pela requerente no curso do procedimento fiscal, que efetivamente ocorreram dispêndios desta natureza geradores de crédito. Reclama que a alegação da Fiscalização foi no sentido de que não seria possível afirmar que os fretes em questão seriam efetivamente relacionados à venda de mercadorias. Mas que, além dos fretes de venda, tem direito a crédito em relação a fretes na aquisição de insumo e fretes de insumos e produtos acabados entre estabelecimentos da requerente. Aduz que apesar de restar consignado na informação fiscal que "não foram alterados os valores relativos à armazenagem", verificouse, pela análise das planilhas apresentadas pela fiscalização, glosas relativas a despesas incorridas a tal título. Defende, assim, que são indevidas as seguintes glosas: "SERVIÇO ARMAZENAGEM" (código do produto 808592), lançados na linha 7 do DACON ("despesas de armazenagem e fretes na operação de venda"); bem como, "MOVIMENTAÇÃO SEPARAÇÃO MERCADORIA SADIA" (código do produto 920999); "SERVIÇO CARGA E DESCARGA (TRANSBORDO)" (código do produto 810135); "SERVIÇO DE APLICAÇÃO DE STRECH PALLET" (código do produto 918832); "SERVIÇO DE OPERADOR LOGÍSTICO" (código do produto 928863), lançados de forma equivocada nas linhas 2 e 3 do DACON; dentre outros. Direito à atualização do crédito postulado pela SELIC Com fundamento em julgados do STJ, a interessada defende que faz jus à atualização do crédito postulado, mediante remuneração pela taxa Selic. Inaplicabilidade da multa sobre os débitos compensados A contribuinte alega que, ainda que se entendesse pela inexistência do direito creditório, nestas situações sobre as quais o fisco já se pronunciou favoravelmente ao creditamento – através de soluções de consulta ou de divergência, tal como das despesas relativas a fretes, peças de reposição de máquinas e equipamentos, dentre outros instrumentos utilizados na produção, além dos serviços para a sua manutenção e dos combustíveis e lubrificantes necessários ao funcionamento das máquinas e equipamentos não poderia ser cobrada com acréscimos legais atinentes a juros e multa em virtude da não homologação das compensações de débitos com aqueles créditos e nem ser aplicada a multa isolada. Aduz que agiu em cumprimento Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.240 10 a essas práticas reiteradas, que são verdadeiras normas complementares das leis tributárias, descabendo, neste caso, a imposição de penalidades e a cobrança de juros, nos termos do art. 100, inciso III, e parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Diante dos argumentos expendidos, a interessa requer que seja julgada procedente a presente manifestação de inconformidade, para o fim de que seja reformado o despacho decisório com o deferimento do pedido de ressarcimento formulado e a homologação das compensações vinculadas. Protesta por provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a realização de diligências, perícia e a juntada de documentos. É o relatório.' A DRJ em Florianópolis julgou a impugnação integralmente improcedente e o Acórdão n° 0736.511, de 29/01/15, foi assim ementado: 'ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS. COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA E JUROS. Por expressa previsão legal, não cabe atualização monetária ou incidência de juros sobre o crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, passível de utilização através de desconto, compensação ou ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE/ CERCEAMENTO DE DEFESA Respeitados pela Administração Fazendária os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, é improcedente é alegação de cerceamento de defesa e nulidade do feito fiscal. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE É do contribuinte o ônus de demonstrar e comprovar ao Fisco a existência do crédito utilizado por meio de desconto, restituição ou ressarcimento e compensação. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. MATÉRIA INCONTESTE. Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.241 11 O julgador administrativo é impedido de manifestarse em relação a matéria contra a qual o contribuinte não se manifestou expressamente, pelo que se reputa definitivo, na esfera administrativa, a glosa de crédito na parte relacionada a tal matéria. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. DESCARACTERIZAÇÃO COMO NORMAS COMPLEMENTARES DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. As decisões judiciais prolatadas em ações individuais não produzem efeitos para outros que não aqueles que compõem a relação processual. E as decisões administrativas, não formalmente dotadas de caráter normativo, igualmente se aplicam inter partes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS PAR REPOSIÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. As partes e peças de reposição aplicadas em máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, desde que as máquinas e equipamentos em que foram utilizadas sejam diretamente utilizados no processo Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.242 12 produtivo do bem destinado à venda e desde que não repercutam em aumento, superior a um ano, de vida útil do bem. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep ss aquisições de combustíveis e lubrificantes geram crédito desde que tais produtos sejam diretamente utilizados nas máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da empresa. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos podem ser considerados insumos para fins de creditamento na sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, entretanto, desde que as máquinas e equipamentos em que são aplicados sejam diretamente utilizados no processo produtivo do bem destinado à venda. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO INSUMO COM SUSPENSÃO. CRÉDITO PRESUMIDO. Comprovado que a venda Leite in Natura e outros produtos agropecuários ocorreu com o benefício da suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista no art. 9º da nº10.925/2004, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3º da Lei nº 10.637/2002, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÃO DE CREDITAMENTO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, as despesas com serviços de frete somente geram crédito quando: o serviço consista de insumo; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de venda, tendo as despesas sido arcadas pelo vendedor; o frete contratado esteja relacionado a uma operação de aquisição de insumo, tendo as despesas sido arcadas pelo adquirente. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. ALUGUEIS DE VEÍCULO. CRÉDITO INEXISTENTE. A hipótese de crédito prevista no art. 3º, inciso IV, da Lei nº 10.637/2002, somente contempla alugueis “prédios, máquinas e equipamentos”, não se aplicando a alugueis “veículos”. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, a natureza do bem produzido pela empresa que Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.243 13 desenvolva atividade agroindustrial é considerada para fins de aferir seu direito ao aproveitamento do crédito presumido, já no cálculo do crédito deve ser observada a alíquota conforme a natureza do insumo adquirido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. AGROINDÚSTRIA. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos do artigo 34 da Lei nº 12.058/2009, caput e § 1º, em sua redação original, a pessoa jurídica tributada pelo Lucro Real fazia jus a créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep referentes às mercadorias adquiridas no mercado interno com a suspensão prevista no inciso II do art. 32, da mesma lei, e destinadas à revenda ou industrialização, desde que as receitas das vendas desses bens ou das vendas das mercadorias produzidas a partir deles não se sujeitassem a esta mesma suspensão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido' Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisa os argumentos contidos na manifestação de inconformidade. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou contrarazões, por meio das quais pretendeu robustecer os argumentos da fiscalização e da DRJ e requereu que seja negado provimento ao recurso voluntário. É o relatório." Este colegiado julgou o recurso voluntário parcialmente procedente e o Acórdão n° 3301004.056, de 27/09/17, teve as seguintes ementas e dispositivo: "Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO Deve ser afastada a preliminar de nulidade, uma vez que o despacho decisório foi devidamente fundamentado em documentos carreados aos autos e na legislação aplicável. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/10/2009 a 31/12/2009 CRÉDITOS. INSUMOS. "GÁS GLP CILINDRO P20". COMBUSTÍVEL PARA EMPILHADEIRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não deve ser admitido o crédito, quando o contribuinte alega que foi aplicado em empilhadeira, porém não prova que este bem integra o ativo imobilizado. BENS PARA REVENDA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO NO DACON Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.244 14 Os incisos I dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03 admitem créditos sobre bens adquiridos para revenda. Assim, devem ser admitidos créditos sobre as aquisições cujos CFOP indicavam tratarse de "compras para comercialização", exceto às de "Gás GLP Cilindro P20", tratado em tópico específico, e as tributadas à alíquota zero. O fato de terem sido erroneamente classificados no DACON em linha destinada a insumos não tem o condão de impedir a tomada do crédito autorizada em lei. CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS Os pallets são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. CRÉDITOS. INSUMOS. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO E COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO Deve ser reconhecido o crédito calculado sobre "Dedo de Borracha A 50", indicado no Laudo Técnico como componente de depenadeiras. Não devem ser admitidos os créditos calculados sobre os demais itens, pois o contribuinte não apresentou comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. GÁS ARGÔNIO, DICOFLENACO SÓDICO INJETÁVEL, PLASMA SANGUÍNEO ULTRAFILTRADO, GRILLER, AMÔNIA ANIDRA E DESINFETANTE ORTOZOOL Admitese na base de cálculo dos créditos apenas as compras de "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo" e "amônia anidra", posto que somente nestes casos restou comprovado que eram insumos industriais. CRÉDITOS INTEGRAIS. COMPRAS COM SUSPENSÃO DE BENS DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. Nos termos dos artigos 8° e 9° da Lei n° 10.925/04, não davam direito a créditos integrais, porém presumidos, as compras de produtos de origem animal e vegetal beneficiadas com suspensão. CRÉDITOS. INSUMOS. REPALETIZAÇÃO E REFORMA DE PALLETS, SERVIÇOS DE APLICAÇÃO DE STRECHT Os pallets e o strecht (filme plástico que envolve o pallet) são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrandose no conceito de insumos. Da mesma forma, devem ser considerados como insumos os serviços de repalletização e reforma de pallets e os de aplicação do strecht. CRÉDITOS. SERVIÇOS DE CARGA E DESCARGA "TRANSBORDO" Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.245 15 Devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, por serem gastos conexos aos de frete e armazenagem, que são expressamente autorizados pelos incisos II e IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos os créditos, quando o contribuinte não apresenta comprovação de que relacionavamse com máquinas e equipamentos utilizados na produção. CRÉDITOS. INSUMOS. SERVIÇOS E PRODUTOS DECORRENTES DE EXIGÊNCIAS LEGAIS Os serviços e produtos adquiridos para utilização nos setores industriais, em razão de exigências legais, porém cujo objetivo maior era o de preservar a qualidade do alimento, devem ser admitidos na base de cálculo dos créditos, na qualidade de insumos. CRÉDITOS. ALUGUEL DE VEÍCULO DE CARGA Não devem ser admitidos, por não terem sido abrangidos pelos incisos IV dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. CRÉDITOS. FRETES E ARMAZENAGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO Não devem ser admitidos, por não ter sido comprovado que foram incorridos em operações de venda (incisos IX dos artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 8° DA LEI 10.925/04 A alíquota do crédito presumido deve ser determinada com base na posição NCM dos produtos finais nos quais os insumos foram aplicados. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 33 DA LEI 12.058/09 Somente podem ser calculados créditos presumidos sobre insumos aplicados em processo industrial. O benefício não se aplica a mercadorias adquiridas para revenda. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. ART. 34 DA LEI 12.058/09 A recorrente não fazia jus ao crédito, pois enquadravase na exceção à regra, prevista no § 1° do art. 34 da Lei n° 12.058/09, qual seja, industrializava os produtos das posições 01.02, 02.01 e 02.02. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE CRÉDITOS ESCRITURAIS Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.246 16 A decisão vinculante do STJ, que determina o cômputo de juros, não se aplica ao caso, pois não houve qualquer "ato estatal, administrativo ou normativo" que tenha oposto qualquer óbice `a aplicação do regime da não cumulatividade. MATÉRIAS NÃO INTEGRANTES DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO Não devem ser conhecidos os argumentos atinentes à inaplicabilidade de multa de mora e juros sobre débitos considerados como não liquidados, em razão de não homologação de DCOMP, e à suposta dupla punição do mesmo fato, em razão de cobranças de multa de mora e multa isolada, por não serem integrantes da lide. DILIGÊNCIA. PEDIDO NEGADO Deve ser negado o pedido de diligência, uma vez que os autos contêm os elementos necessários à formação da convicção do julgador. Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e no mérito: (i) por maioria de votos, negar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre o "Gás Gás GLP Cilindro P 20", vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (ii) por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a legitimidade de créditos relativos aos bens adquiridos para revenda, sob os CFOP 1.102, 1.403 e 2.403, exceto quanto àqueles cuja compra foi realizada com alíquota zero e ao "Gás Gás GLP Cilindro P 20"; (iii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, no que concerne aos créditos sobre as compras de pallets; (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (v) por unanimidade de votos, dar provimento aos argumentos em favor dos créditos sobre os produtos "dicoflenaco sódico injetável", "plasma sanguíneo ultrafiltrado" e "amônia anidra" e, por maioria de votos, negar provimento aos demais itens, vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões e Valcir Gassen que concediam também para o "gás argônio"; (vi) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos integrais dos produtos listados na planilha "SUSPENSÃO Notas Fiscais Glosadas Aquisição PJ – Suspensão obrigatória", e, por maioria de votos, conceder o crédito presumido admitido pelo art. 8° da Lei n° 10.925/04, vencido o Conselheiro Antonio; (vii) por unanimidade de votos, dar provimento, reconhecendo os créditos relativos aos serviços de repaletização, reforma de pallets, aplicação de strecht e carga e descarga (transbordo) e, por Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.247 17 maioria de votos, negar os referentes aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (viii) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo os créditos relativos aos "serviços e produtos decorrentes de exigências legais", excetuados os tributados à alíquota zero; (ix) por maioria de votos, negar provimento ao crédito relativo ao aluguel de empilhadeiras e caminhões munck, vencida a Conselheira Maria Eduarda Simões; (x) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos sobre despesas com armazenagem e fretes; (xi) por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, admitindo que o percentual a ser aplicado sobre a alíquota da contribuição, para fins de cálculo do crédito presumido previsto no inciso I do § 3° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, deve ser determinado de acordo com a posição da TIPI do produto em que o insumo foi aplicado; (xii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 33 da Lei n. 12.058/09; (xiii) por unanimidade de votos, negar provimento aos créditos presumidos calculados de acordo com o artigo 34 da Lei n. 12.058/2009; (xiv) por unanimidade de votos, negar provimento à incidência de juros SELIC sobre os créditos escriturais; (xv) por unanimidade de votos, não conhecer dos demais argumentos apresentados pela Recorrente, por não integrarem o presente litígio; (xvi) por unanimidade de votos, negar provimento ao pedido de realização de diligência ou perícia." Inconformado, o contribuinte opôs embargos de declaração (fls. 2.718 a 2.189), os quais foram parcialmente admitidos pelo Presidente desta turma (Exame de Admissibilidade, fls. 2.260 a 2.266). Os seguintes tópicos do recurso voluntário deverão ser novamente apreciados, em razão de omissões e contradições cometidas pelo acórdão acima reproduzido: a) "Dedo de borracha A 50; b) "Leite in natura"; c) "Crédito sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos"; d) "Amônia anidra"; e) "Créditos sobre aluguel de empilhadeiras"; f) "Despesas de armazenagem"; e g) "Griller". É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O contribuinte opôs embargos de declaração em face do Acórdão n° 3301 004.058, acusandoo de ter cometido omissões e contradições, quando da avaliação da legitimidade de determinados créditos de PIS do 4° trimestre de 2009. O Presidente admitiu parcialmente os embargos e determinou o saneamento do Acórdão, em relação aos tópicos do recurso voluntário que dispunham sobre os créditos calculados sobre os seguintes bens, custos ou despesas a) "Dedo de borracha A 50; b) "Leite in natura"; c) "Crédito sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos"; d) "Amônia Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.248 18 anidra"; e) "Créditos sobre aluguel de empilhadeiras"; f) "Despesas de armazenagem"; e g) "Griller". Em sessão do dia 28/08/18, os argumentos da embargante para cada um dos itens acima listados foram apreciados por esta turma, em sede dos processos 10983.911355/201124 e 10983.911360/201137, com edição dos Acórdãos em Embargos n° 3301005.010 e 3301005.011. Desta forma, com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adotei como razões de decidir o Acórdão em Embargos n° 3301005.011. "i) DEDOS DE BORRACHA A 50" Reproduzo o respectivo trecho do DA: 'Dedos de borracha A 50' Segundo a embargante, existe contradição quanto aos "dedos de borracha A 50", pois os créditos relativos a esse insumo foram reconhecidos no dispositivo do julgado, mas não teria constado da fundamentação argumentação nesse sentido. Segundo a embargante, a prova cabal de que tais créditos foram reconhecidos durante a sessão de julgamento é o Acórdão nº 3301004.056, proferido na mesma assentada. Analisando a fundamentação do voto condutor, verificase que na fl. 2121 existe fundamentação no sentido de negar o direito ao crédito em relação aos "dedos de borracha A 50" em razão da falta de provas, conforme excerto a seguir: '(...) Não obstante concordar com a recorrente, no plano conceitual, da leitura dos autos, notadamente, do laudo técnico acostado, não é possível afirmar estarmos diante de bens comprovadamente enquadrados no conceito de insumos. Identificase no relatório técnico o uso de depenadeiras no setor de frangos. Contudo, não há comprovação de que "Dedo de Borracha A 50" foi aplicado naquele equipamento. (...)' Por seu turno, na folha de rosto do Acórdão recorrido, encontramos a seguinte decisão, no sentido de reconhecer o referido crédito: '(...) (iv) quanto a "Partes e peças de reposição, combustíveis e lubrificantes", por maioria de votos, dar provimento parcial, para reconhecer os créditos sobre "dedo de borracha A 50", vencidos os Conselheiros Maria Eduarda Simões, Valcir Gassen e José Henrique Mauri, que davam provimento também aos créditos sobre óleos de Manona WS786, óleo hydrodrive HP 68 Houghton, óleo diesel aditivado e Acomplamento de Borracha; (...)' Portanto, estando presente o vício apontado pela defesa, o processo deverá retornar à pauta de julgamento a fim de que o vício seja saneado.' Procede a reclamação da embargante. Na fl. 1.529 (Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", preparado pela Tyno Consultoria e validado pelos Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.249 19 pesquisadores do Centro de Tecnologia de Carnes do ITAL) consta que o citado item compõe a "Depenadeira", equipamento do setor de escaldagem de aves. Por este motivo, esta turma concedeu o crédito, o qual foi consignado no dispositivo (fl. 2.098), porém não no corpo do voto. Assim, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para sanear a omissão identificada no corpo do voto condutor da decisão embargada, que não incluiu entre os créditos da COFINS acatados pelo colegiado os calculados sobre compras de "Dedos de Borracha A50". ii) 'LEITE IN NATURA' Transcrevo o correspondente trecho do DA: 'Leite in natura' Segundo a embargante, houve omissão no julgado, pois a decisão não se manifestou sobre informação contida nas fls. 149 e ss. do laudo técnico juntado pela embargante, que indica que o resfriamento do leite in natura era realizado pela embargante, e não pela alienante do referido produto. Sendo assim, não há que se falar em direito ao crédito presumido sobre as aquisições de leite, pois esse crédito só é aplicável na hipótese de a pessoa jurídica fornecedora efetuar cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura. No recurso voluntário (fl. 1332), verificase que a defesa se insurgiu contra a decisão da DRJ, na parte em que retirou informações da internet para poder chancelar a glosa do crédito integral perpetrada pela fiscalização, relativamente às aquisições de leite in natura, conforme se pode verificar no seguinte excerto do recurso: Analisando a fundamentação contida nas fls. 2122/2124, verificase que o acórdão recorrido limitouse a transcrever os dispositivos legais que estabelecem a suspensão do PIS e COFINS e a reproduzir a fundamentação do Acórdão da DRJ, deixando de enfrentar o argumento do recurso voluntário acima colacionado. Em consequência, o julgado embargado incorreu nas seguintes omissões: (i) abstevese Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.250 20 de sopesar as provas juntadas pela fiscalização e o laudo técnico apresentado pela defesa; (ii) abstevese de declinar qual prova sustenta a conclusão no sentido de que a valoração de prova feita pela DRJ é a mais adequada; e (iii) abstevese de proferir juízo acerca do conteúdo e da legitimidade de provas colhidas pelo julgador de primeira instância na internet, que nem sequer foram importadas para dentro dos autos (quod non est in acts non est in mundo). Quanto ao leite in natura, estão caracterizados dois dos pressupostos que rendem ensejo aos embargos de declaração: (i) a omissão na apreciação de argumentos (insuficiência e impossibilidade de utilizar provas colhidas na internet e que não estão juntadas nos autos); e (ii) omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado (sopesamento das provas apresentadas pelas partes com pronunciamento expresso sobre sua valoração). Portanto, o processo deverá retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento da omissão apontada pela embargante.' Passo ao exame dos argumentos da embargante. Em primeiro lugar, cumpre consignar que esta turma adotou como razão de decidir trecho do voto condutor da decisão da DRJ, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99. Em segundo, que o produto adquirido, objeto da glosa que a embargante almeja reverter, é o "LEITE CRU REFRIGERADO TPO C" (g.n.). Em terceiro, que a fiscalização enquadrou as respectivas compras no inciso II do art. 9° c/c o inciso III do § 1° do art. 8° da Lei n° 10.925/04, que dispõem que estão suspensas de PIS/COFINS as compras de "pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura" (g.n.). Uma vez suspensas das incidências das contribuições, são conferidos os créditos presumidos (art. 8° da Lei n° 10.925/04) e não integrais, como pretendia a embargante. Por fim, em quarto, que tanto as descrições dos processos produtivos contidas nas peças de defesa quanto nos Laudos Técnicos foram examinados, tendo sido, inclusive, expressamente citados no acórdão embargado (fl. 2.128), quando do início da revisão do recurso voluntário: '(. . .) Antes de adentrar na análise de cada um dos subtópicos acima listados, consigno que a recorrente fez em suas peças de defesa detalhada descrição do processo produtivo de cada uma de suas áreas de negócio. E robusteceua, com dois laudos técnicos independentes: o "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A." (fls. 1.488 a 2.031), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, que emitiu "Declaração de Validação" (fl. 1.487); e o "Relatório Descritivo Lactalis e a Planilha Itens Lactalis" (fls. 2.033 a 2.092), preparado pela Tyno Consultoria e validado pela Ital (fl. 2.032). (. . .)' (g.n.) Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.251 21 A primeira omissão seria a seguinte: (i) "a omissão na apreciação de argumentos (insuficiência e impossibilidade de utilizar provas colhidas na internet e que não estão juntadas nos autos)". O argumento que não teria sido analisado é o de que a embargante anexou laudo, atestando que realiza processo de resfriamento de leite, o que seria suficiente para concluir que o fornecedor de leite não realizava resfriamento de leite. E, se o mesmo não realizava resfriamento de leite, não se enquadraria na hipótese de suspensão do inciso II do art. 9° c/c o inciso III do § 1° do art. 8° da Lei n° 10.925/04. E, por conseguinte, teria direito a registrar créditos integrais de PIS e COFINS e não presumidos, como determinou a fiscalização. Antes de adentrar nos argumentos da embargante, cumpre consignar que, definitivamente, não se pode admitir como uma construção lógica a de que o fato de a embargante realizar resfriamento implica, necessariamente, em dizer que TODOS os seus fornecedores não o fazem. Ademais, da leitura das peças de defesa e do laudo técnico carreado aos autos pela embargante, não se me parece crível que uma empresa que transporta e vende a granel leite cru também não realize o resfriamento que prestase a manter a integridade do produto. Quanto às alegações propriamente ditas, o fato de a embargante praticar resfriamento de leite foi sim considerado por ambas as instâncias administrativas. Na fl. 1.129, da manifestação de inconformidade, e, na fl. 1.307, do recurso voluntário, encontrase o "fluxograma da cadeia de lácteos", no qual consta a etapa "resfriamento". E, no trecho da decisão da DRJ adotado como razão de decidir, consta que a conclusão foi construída a partir "(. . .) da descrição do processo produtivo da empresa e as descrições dos produtos glosados (. . .)" acórdão embargado, fl. 2.124. Assim, não houve tal omissão. Ocorreu, entretanto, que a turma não considerou que o fato de a embargante realizar resfriamento significava que o seu fornecedor NÃO O REALIZAVA. Aliás, com efeito, a descrição do produto adquirido e objeto da glosa é "LEITE CRU REFRIGERADO TIPO C". Em seguida, afasto os argumentos de que não foi apreciada a alegação de que a consulta à internet não seria suficiente para a formação do juízo dos colegiados administrativos, bem como de que seria inadequada, pois não fora carreada aos autos. Não o acato, porque as conclusões da fiscalização (item 4.3 da "Informação Fiscal"), ratificadas pela DRJ e por esta turma, basearamse nas descrições do processo produtivo e dos produtos adquiridos, conforme trecho acima transcrito do voto condutor da decisão de piso, adotado por esta turma. E, por fim, acerca da impossibilidade de a DRJ ter utilizado informações colhidas na internet e não carreadas aos autos, também não acolho, pelos motivos citados no parágrafo anterior, e, principalmente, por não constar no recurso voluntário (fls. 1.324) e tampouco nos embargos propriamente ditos fls. 2.179 a 2.181). Em suma, rejeito os embargos de declaração, no que concerne aos argumentos atinentes à glosa de créditos integrais de COFINS sobre compras de leite in natura." Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.252 22 iii) 'CRÉDITO SOBRE SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS' O tópico foi assim endereçado pelo DA: 'A defesa alegou omissão no Acórdão na parte em que negou o direito aos créditos sobre serviços de montagem e manutenção de equipamentos, em razão da falta de análise do laudo técnico. Analisando o voto condutor do Acórdão, verificase que tal qual ocorreu com a decisão da DRJ, o direito ao crédito em relação aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos foi negado, sob o argumento de falta de provas de que tal serviço seria aplicado ou empregado na produção, conforme seguinte excerto do voto conduto do Acórdão (fl. 2134): '(...) Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. (...)' Conforme se pode verificar, o voto não fez nenhuma menção ao laudo técnico apresentado, o qual trouxe uma planilha (Anexo II) na qual os peritos procuraram esclarecer onde os são aplicados ou utilizados. Portanto, o acórdão recorrido incorreu em omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado (ainda que para rejeitar as constatações do laudo técnico), devendo o processo retornar à pauta para o fim de que seja sanado o vício apontado.' Conforme mencionado no tópico anterior, os laudos técnicos foram sim examinados. No Anexo II do "Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A", consta que os equipamentos das áreas de produção sofreram manutenções. Ocorre que o mais importante não foi realizado: os serviços mencionados no Anexo II do referido relatório não foram correlacionados às notas fiscais de manutenção e montagem objetos de glosa pela fiscalização ("NI Notas Fiscais Glosadas que não representam Aquisição de Insumos, localizada no arquivo não paginável denominado GLOSAS BRF200904trim.xls"). Assim, tanto para a fiscalização quanto para os colegiados julgadores, não foi possível identificar em que máquinas e equipamentos se da área industrial ou administrativa os serviços foram aplicados. E, em razão disto, a conclusão foi: '(. . .) Por fim, nego provimento aos argumentos relativos aos serviços de montagem e manutenção de equipamentos, por falta de comprovação de sua utilização na área industrial. A recorrente teria de ter trazido alguma evidência de que estavam relacionados a máquinas e equipamentos utilizados na indústria. Fl. 2252DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.253 23 (. . .)' (g.n.) Portanto, rejeito os argumentos da embargante. (. . .) iv) "AMÔNIA ANIDRA" O DA assim tratou do tema em epígrafe: 'Segundo a embargante, foi negado o direito ao crédito sobre "amônia anidra" no bojo de outros itens. Entretanto, houve análise pormenorizada dos demais itens, mas não houve fundamentação que sustente a negativa de crédito em relação à amônia anidra. Conforme se verifica na fl. 2122, realmente não foi apresentada fundamentação para negar o crédito em relação à amônia anidra. Fundamentar é dizer o porquê da decisão e nesta parte do voto não foi explicitado o porquê de o contribuinte não ter direito ao crédito sobre a amônia anidra. Portanto, o processo deverá retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento do vício apontado.' Assiste razão à embargante. Tal qual o ocorrido no item "i", quando da redação final do corpo do voto condutor, dentre as aquisições cujos créditos foram admitidos, foram omitidas as relativas ao produto "amônia anidra". Constam, todavia, no dispositivo (fl. 2.124), conforme apontado nos embargos de declaração (fl. 2.182). Com efeito, também neste caso, a turma decidiu, tendo como fundamento as "(. . .) explicações da recorrente e do laudo técnico 'Relatório explicativo das operações relativas às Linhas de Produção da BRF S.A.", formalmente ratificado pela Secretaria de Abastecimento e Agricultura do Estado de São Paulo, por meio da "Declaração de Validação", nos autos, às fls. 1.487 e 1.488 a 2.031 (. . .)". Assim, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para sanear a omissão identificada no corpo do voto condutor da decisão embargada, que não incluiu entre os créditos da COFINS acatados pelo colegiado os calculados sobre compras de "amônia anidra". v) 'CRÉDITOS SOBRE ALUGUEL DE EMPILHADEIRAS' O DA descreveu a omissão, da seguinte forma: "Segundo a embargante, o acórdão recorrido asseverou que não fora objeto de contestação a glosa de créditos sobre aluguel de empilhadeiras. Contudo tal glosa foi contestada expressamente no recurso voluntário, mas o acórdão omitiuse em apreciar o argumento. Compulsandose o processo, verificase que na fl. 1332 do recurso voluntário, houve contestação expressa da glosa de créditos tomados sobre aluguéis de empilhadeiras, conforme o seguinte excerto: Fl. 2253DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.254 24 Por outro lado, no voto condutor do Acórdão (fl. 2135), foi consignado o seguinte: "(...) Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga".(...)" Portanto, a fundamentação apresentada na sequência do parágrafo acima transcrito se referiu apenas à glosa de veículos de carga, quedando omisso o Acórdão em relação à insurgência da defesa contra a glosa de créditos sobre empilhadeiras. Deve o processo retornar à pauta de julgamento, com proposta de saneamento da omissão apontada.' Não houve omissão. Uma revisão atenta do acórdão embargado revela que as compras de "empilhadeiras" e "caminhões munk" compunham o item "veículos de carga" e foram devidamente examinadas, como segue (fls. 2.135 e 2.136): 'IV) FICHA 6A LINHA 06 DESPESAS COM ALUGUÉIS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LOCADOS DE PESSOA JURÍDICA De acordo com a planilha de glosas "NI", em relação à linha 06, foram glosadas notas fiscais contendo as seguintes descrições: i) "SERVICO DE LOCACAO E MANUTENCAO SOFTWARE" ii) "ALUGUEL VEICULO CARGA" iii) "SERVICO LOCACAO DE PROJETOR MULTI MIDIA" iv) "ALUGUEL PALCO EVENTOS" Segundo a fiscalização, não foi atendido o disposto no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, que permite o creditamento somente sobre "aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa". A DRJ ratificou o procedimento fiscal, destacando que, para fins fiscais, não se pode considerar que os veículos estejam inseridos no conceito de máquinas e equipamentos. Fl. 2254DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.255 25 Na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, a recorrente combate exclusivamente a glosa dos aluguéis de "veículos de carga". Informa que são imprescindíveis ao processo produtivo, pois são EMPILHADEIRAS para deslocamento interno de MP, PI e PA e "caminhões munck", usado para transporte de materiais pesados. Apresentou duas notas fiscais, como exemplos de compras destes itens. Protesta contra a decisão recorrida, acusandoa de alterar o fundamento da acusação, quando esta dispôs que o aluguel de veículos não se encontra no inciso IV do art. 3° da Lei n° 10.833/03, pois não estão compreendidos no rol das máquinas e equipamentos. Não obstante, contesta tal argumento, aprofundandose no estudo do significado do vocábulo máquinas. Conclui que abrangeria veículos. Entendo que a DRJ não inovou, porém justificou o posicionamento da fiscalização, com o qual, inclusive, estou de pleno acordo. Não obstante quaisquer digressões semânticas acerca dos vocábulos "máquinas" e "veículos", que eventualmente pudessem levar à conclusão de que o segundo é espécie e o segundo gênero, tradicionalmente, a legislação dispõe sobre os aspectos fiscais relacionados a veículos e máquinas de forma absolutamente distinta. E foi isto que a DRJ, com muita propriedade, demonstrou, citando diversos exemplos, dentre os quais repiso os seguintes: i) o caput do art. 1° da Lei n° 10.485/02: "As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos (. . .)." ii) incisos III dos art. 2° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03: " no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos (. . .)." Desta forma, não obstante reconhecer a imprescindibilidade dos citados veículos à operação do contribuinte, mais uma vez expresso que considero que o art. 3° traz uma lista taxativa de hipóteses de tomada de créditos, não podendo o intérprete ampliála. Assim, nego provimento aos argumentos.'(g.n.) Isto posto, rejeito os argumentos da embargante." vi) 'DESPESAS DE ARMAZENAGEM' Despacho de Admissibilidade (DA): 'Despesas de armazenagem' Segundo a embargante, houve omissão no julgado referente à alegação quanto a despesas de armazenagem. O Acórdão reconheceu o crédito em relação à despesa com carga e descarga (transbordo), mas omitiuse quanto às rubricas "serviços de armazenagem", "movimentação separação mercadoria Sadia", "serviço de operador logístico", dentre outras. Na fl. 1343 do recurso voluntário, verificase que o contribuinte alegou o seguinte: Fl. 2255DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.256 26 Analisando o voto condutor do Acórdão (fls. 2125), verificase que realmente não foi apresentada fundamentação quanto todos os serviços mencionados no recurso voluntário, mas apenas quanto ao serviço de transbordo. Portanto, o processo deverá retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento da omissão apontada.' Os argumentos da embargante não procedem. As glosas de despesas com armazenagem (código 808592 Linha 07 do DACON) encontramse na Planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito", localizada no arquivo não paginável denominado "GLOSAS BRF200904trim.xls". E o tema foi tratado pelo Acórdão embargado nas fls. 2.128 e 2.129, como segue: 'V) "FICHA 6A LINHA 07 DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA" A fiscalização glosou despesas com fretes, indicando as respectivas notas fiscais na planilha "FVNC Fretes de Vendas não Comprovados", e com armazenagem, na planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a crédito". Em ambos os casos, as glosas ocorreram, porque, apesar de intimada e reintimada, a recorrente não relacionou as notas fiscais de fretes e armazenagem às correspondentes operações de venda, o que satisfaria o previsto no inciso IX da Lei n° 10.833/03: 'Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (. . .) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (. . .)' A DRJ ratificou a conclusão da autuante. Fl. 2256DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.257 27 Em suas peças de defesa, a recorrente alega que apresentou arquivos, contendo notas fiscais, com número, série, data, fornecedor, CNPJ, valor do frete, código da empresa e CFOP da operação. E apresenta extensa argumentação em defesa dos créditos calculados sobre armazenagem e fretes em operações de compra de insumos, venda de produtos acabados e deslocamentos entre seus estabelecimentos de insumos, produtos em elaboração e produtos acabados. Não obstante concordar com todos os argumentos de defesa relacionados à interpretação e aplicação do dispositivo legal que permite o desconto de créditos de COFINS sobre armazenagem e fretes, de fato, a recorrente não conciliou os valores computados na base de cálculo de créditos de COFINS com as correspondentes notas fiscais de venda. Diante disto, não há alternativa que não a de negar provimento." (g.n.) Rejeito os argumentos da embargante." vii) "GRILLER" O DA descreveu a pretensão da embargante da seguinte forma: 'Griller' Segundo a embargante, houve omissão quanto ao direito aos créditos sobre aquisições de "griller", pois o relator informou que não identificou glosas desse produto, mas na planilha de glosas contém tal produto na linha 29 da planilha de glosas. Mais uma vez estamos diante da alegação de omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, pois se trata de omissão na análise da prova. Analisando a planilha de glosas, anexada na forma de arquivo não paginável ao eprocesso no segundo arquivo com a extensão .rar, verificase que realmente na aba CFOP encontramse quatro registros que fazem alusão ao produto "griller", o que demonstra que houve glosa desse produto no trimestre em questão. Portanto, presente a omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter se manifestado, pois como o relator considerou que não houve glosa, a glosa restou mantida sem fundamentação para tanto no Acórdão recorrido. Deve o processo retornar à pauta de julgamento com proposta de saneamento do vício alegado.' De fato, houve a alegada omissão. Em nova revisão da Planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito", localizada no arquivo não paginável denominado "GLOSAS BRF200904trim.xls", confirmei o citado pela recorrente: nas linhas 29 a 30 há o produto "ET AA 21X7 ARAB GRILLER 1100G 10PC PERDX" (g.n.). E, no recurso, assim explicou sua aplicação no processo fabril: Fl. 2257DF CARF MF Processo nº 10983.911358/201168 Acórdão n.º 3301005.575 S3C3T1 Fl. 2.258 28 Contudo, a embargante não estabeleceu uma relação entre suas explicações e a descrição do produto contida nas notas fiscais de compra e os Laudos Técnicos, confirmando que o produto é insumo do processo industrial e, por conseguinte, daria direito a créditos de PIS e COFINS. Assim sendo, acolho os embargos, para sanear a omissão quanto à ocorrência de glosas de produto "Griller", sem, todavia, conferir lhes efeitos infrigentes." (fim da transcrição do Acórdão em Embargos n° 3301 005.011) Cumpre adicionar ao acima transcrito que, na Planilha "CFOP Notas Fiscais Glosadas Operações sem direito a credito", nas linhas 24 e 25 e 29 a 32, há produtos que contém em sua descrição a palavra "griller". Não obstante, aplicase a conclusão acima transcrita, qual seja a de que "a embargante não estabeleceu uma relação entre suas explicações e a descrição do produto contida nas notas fiscais de compra e os Laudos Técnicos, confirmando que o produto é insumo do processo industrial e, por conseguinte, daria direito a créditos de PIS e COFINS. Assim sendo, acolho os embargos, para sanear a omissão quanto à ocorrência de glosas de produto "Griller", sem, todavia, conferirlhes efeitos infrigentes." CONCLUSÃO Acolho parcialmente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte, para sanear as omissões identificadas no Acórdão n° 3301004.058, em relação às aquisições dos produtos "Dedo de Borracha A50", "Amônia Anidra" e "Griller". Contudo, confiro efeitos infringentes tão somente às compras dos produtos "Dedo de Borracha A50" e "Amônia Anidra", cujo direito ao registro de créditos de PIS passa a ser reconhecido. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 2258DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.000212/2007-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do fato gerador: 31/12/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS PARCELADAS.
Em caso de inclusão de estimativas em processo de parcelamento, apenas as parcelas efetivamente recolhidas quando do pedido de
restituição/compensação devem ser levadas na composição do saldo negativo pleiteado, conforme deferido em primeira instância.
Numero da decisão: 1103-000.813
Decisão: Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS PARCELADAS. Em caso de inclusão de estimativas em processo de parcelamento, apenas as parcelas efetivamente recolhidas quando do pedido de restituição/compensação devem ser levadas na composição do saldo negativo pleiteado, conforme deferido em primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado em NEGAR provimento ao recurso por unanimidade de votos, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 00 02 12 /2 00 7- 16 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 198 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp transmitidos em 24/10/05, 14/03/06, e 15/03/06, (fls.01/35), em que foi apontado como crédito saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário 2002. Conforme Despacho Decisório (fls.81/88), cientificado ao contribuinte em 05/04/07, consoante informação dos Correios à fl.104, deferiuse parcialmente o pleito. In verbis: “[...] Com relação às DCOMPs enviadas em 10/2005: a. RECONHECER o direito creditório do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, no valor original de R$ 620,58 (seiscentos e vinte reais, e cinqüenta e oito centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado ao final de 2002, correspondente à amortização da estimativa parcelada do IRPJ de 03/2002; b. HOMOLOGAR PARCIALMENTE a compensação declarada através do PER/DCOMP de número 16304.61333.241005.1.3.025550, até o limite do direito creditório reconhecido no item anterior (R$ 620,58 originais); c. NÃO HOMOLOGAR a compensação declarada através do PER/DCOMP de número 20966.39801.241005.1.3.021009. Com relação às DCOMPs enviadas em 03/2006: d. RECONHECER o direito creditório do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, no valor original de R$ 35.496,60 (trinta e cinco mil, quatrocentos e noventa e seis reais, e sessenta centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado ao final de 2002, correspondente à amortização da estimativa parcelada do IRPJ de 01/2002; e. HOMOLOGAR a compensação declarada através do PER/DCOMP de número 30514.07364.150306.1.3.022083, com base no crédito reconhecido no item anterior (R$ 35.496,60 originais); f. RECONHECER o direito creditório do contribuinte, contra a Fazenda Nacional, no valor original de R$ 209.549,62 (duzentos e nove mil, quinhentos e quarenta e nove reais, e sessenta e dois centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado ao final de 2002, , correspondente à amortização da estimativa parcelada do IRPJ de 03/2002 (já descontado o valor de R$620,58 reconhecido no item "a”, acima); g. HOMOLOGAR a compensação declarada através do PER/DCOMP de número 30075.96193.140306.1.3.020594, com base no crédito reconhecido no item anterior (f); Fl. 198DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 199 3 h. NÃO HOMOLOGAR as compensações declaradas através dos PER/DCOMPs de números 35303.77898.150306.1.3.021842, 27276.01631.150306.1.3.020864.” Tal decisão lastreouse nos fundamentos abaixo sintetizados: o saldo negativo apurado em 31/12/2002 decorreu de estimativas de janeiro (R$ 35.496,60), março (R$ 707.876,50), junho (R$ 712.904,55) e setembro (R$ 159.126,93), parceladas mediante processo nº 13116.451867/200414; o art.6º da Lei nº 9.430/96 assegura o direito à restituição apenas com relação às estimativas efetivamente pagas, o que foi ratificado pelas IN SRF nº 460/04 e nº 600/05; para fins de reconhecimento do saldo negativo passível de restituição/compensação, a data de transmissão dos PER/Dcomp seria, conforme art.74, §2º, da Lei nº 9.430/96, o marco considerado para se identificar quais estimativas foram efetivamente recolhidas; na data das transmissões dos PER/Dcomp, apenas as estimativas de janeiro (integral) e março (parcial) estariam pagas. O contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls.113/117), considerada improcedente pela Segunda Turma da DRJ – Brasília (DF), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.157/167): DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ ORIUNDO DE ESTIMATIVAS PARCELADAS. Somente podem ser consideradas como crédito para fins de compensação as parcelas pagas até a data da transmissão da Dcomp. Devidamente cientificado do acórdão em 11/06/10 (fl.169), o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário em 24/06/10 (fls.170/172), em que sustenta: “[...] O nobre Delegado da Delegacia da Receita Federal em Anápolis, em seu Despacho decisório, afirma que o crédito apurado em 31/12/2002, baseado em estimativas parceladas, só pode ser utilizado à medida que forem sendo pagas as parcelas, e desde que o montante já pago exceda o valor do imposto determinado com base no lucro real apurado em 31 de dezembro. 2.2.2. Em razão disso, a douta autoridade deixou de homologar o pleito da Requerente, mesmo reconhecendo a existência do saldo negativo de IRPJ calculado, senão vejase: (...) 5. Ressaltese que, por ocasião da análise do processo 13116.720019/200533, verificouse que o Lucro Real apurado na DIPJ/2003 estava em conformidade com as escriturações contábil e fiscal apresentadas (Despacho Decisório DRFANA n° 36, de 07/03/2006, fl. 63), dando respaldo ao Saldo Negativo de IRPJ calculado. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 200 4 2.2.2. Ora, senhores julgadores, é patente que a negativa de homologação das compensações declaradas pela contribuinte é deveras equivocada, posto que não existe, no ordenamento jurídico pátrio, nenhum óbice legal para que os indébitos confessados e parcelados possam ser restituídos e, por conseguinte, compensados. 2.2.3. É que o parcelamento de indébitos fiscais equiparase ao pagamento, na medida em que os efeitos jurídicos são os mesmos, eis que, uma vez parcelado um tributo apurado a maior ou indevidamente, este, mesmo não havendo a quitação do parcelamento, jamais retorna ao seu status quo ante, pois será inscrito em dívida ativa e exigido do contribuinte, administrativa ou judicialmente. 2.2.4. Assim, aplicase analogicamente à situação presente o disposto no art. 6°, §1º, inciso II, da Lei n° 9.430/96, bem como o prescrito nos arts. 2º, 5° e 10 da IN SRF n° 600/2005, especialmente porque, como reconheceu a nobre autoridade recorrida, o montante parcelado foi superior ao Imposto de Renda apurado na DIPJ/2003 (vide fls. 84/85, item 9). 2.2.5. Demais disso, há que considerar, também, que o somatório das parcelas pagas, relativamente ao parcelamento objeto do processo administrativo n° 13116.451867/200414, já supera o valor do saldo negativo de IRPJ apurado em 31/12/2002, baseado em estimativas. 2.2.6. Logo, mesmo que apenas o pagamento ensejasse a compensação, ainda assim a pretensão da contribuinte deveria ter prosperado, posto que ela, como se constata do demonstrativo constante do Despacho Decisório fustigado, em 15/03/2006 já havia amortizado o equivalente a 25% (vinte e cinco por cento) do total consolidado e 92% do total do saldo negativo de IRPJ. 2.2.6. Sendo assim, por esse motivo também o Despacho Decisório em debate deve ser reformado, de forma que, alfim, seja reconhecido o direito creditório da contribuinte e definitivamente homologadas as compensações declaradas por meios dos PER/DCOMP's 35303.77898.150306.1.3.021842 e 22276.01631.150306.1.3.020864.” É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 201 5 A questão a ser resolvida diz respeito à definição do marco temporal para se considerar quais estimativas, recolhidas no curso de um processo de parcelamento, podem ser levadas à apuração do saldo negativo de IRPJ, objeto do pedido de restituição. Na DIPJ 2003 (Ficha 12 A – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real; fl.53). o saldo negativo foi assim composto: Imposto devido R$ 0,00 14. () IRRF por órgão público R$ 13.440,77 16. () IR mensal pago por estimativa R$ 1.229.650,34 17. () Parcelamento formalizado de IR estimado R$ 3.107.938,86 Saldo negativo de IR R$ 4.351.029.97 No Despacho Decisório, informouse que “...A parcela do saldo negativo correspondente ao IRRF por órgão público e IR mensal pago/compensado por estimativa, no montante de R$ 1.243.091,11 (R$ 1.229.650,34 + 13.440,77) já foi objeto de outras Dcomp tratadas no processo nº 13116.720019/200533”. Assim, a restituição/compensação, objeto de análise no presente processo, decorre do saldo negativo composto exclusivamente pelas estimativas parceladas, não havendo controvérsia sobre tal premissa. O art.165, I, do Código Tributário Nacional (CTN), dispõe que podem ser objeto de restituição “pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”. Em igual sentido, o art.2º das IN SRF nº 460/04 e 600/05, transcrito no acórdão recorrido. Nesse contexto, o comando do art.170 do CTN contempla a certeza e liquidez dos créditos como requisitos essenciais à compensação: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. No caso concreto, afirmouse no Despacho Decisório que, à vista dos assentamentos contábeis e fiscais do contribuinte, a apuração do lucro real daria respaldo à apuração do saldo negativo: [...] Ressaltese que, por ocasião da análise do processo 13116.720019/200533, verificouse que o Lucro Real apurado na DIPJ /2003 estava em conformidade com as escriturações contábil e fiscal apresentadas (Despacho Decisório DRFANA n° 36, de 07/03/2006, fl.63), dando respaldo ao Saldo Negativo de IRPJ calculado.” As instâncias precedentes entenderam, ainda, que apenas poderiam ser objeto de restituição as estimativas pagas até a data de protocolização dos PER/DComp. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 202 6 De tal conclusão não se diverge. Em que pese a continuidade do adimplemento do parcelamento após a entrega dos PER/Dcomp e a informação fiscal de que as novas parcelas representam pagamentos indevidos, o deferimento dos valores recolhidos até a execução do acórdão não se viabiliza à luz da legislação vigente, ao menos neste processo. A interpretação que se extrai dos artigos 165 e 170, ambos do CTN, é que o direito à restituição/compensação diz respeito, tomandose o caso concreto, a pagamentos indevidos quando do pedido. Isso não significa, como afirma o Recorrente, que as decisões precedentes que não lhe foram integralmente favoráveis decorreram do fato de as estimativas terem sido parceladas. Como visto no relatório supra, a Secretaria da Receita Federal do Brasil deferiu parcialmente o direito creditório e a compensação decorrentes de valores recolhidos no bojo do referido parcelamento de dívidas. O art.74 da Lei nº 9.430/96 dispõe que o crédito a ser utilizado na compensação deve estar devidamente caracterizado, o que, naturalmente, pressupõe a sua certeza no momento da respectiva declaração. Não se pode falar em compensação, ainda que sob condição resolutória, quando inexiste o crédito, pois é este que conduz à extinção dos débitos. Tal conclusão deflui do texto legal. In verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (destaquei) Quando dos pedidos de restituição e compensação, o requerente não era credor da Fazenda Nacional no montante informado, que englobaria a totalidade das estimativas, pois ainda iriam ser recolhidas, razão pela qual não se poderia, naquele momento, falarse em extinção dos débitos, por ele apontados, a partir de tais supostos créditos. O art.42 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/12, que atualmente estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, dispõe que até mesmo o pedido de restituição dos valores excedentes aos débitos compensados, devem ser objeto de novo pedido: Fl. 202DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13116.000212/200716 Acórdão n.º 1103000.813 S1C1T3 Fl. 203 7 Art. 42. O crédito do sujeito passivo, para com a Fazenda Nacional, que exceder ao total dos débitos por ele compensados mediante a entrega da Declaração de Compensação somente será restituído ou ressarcido pela RFB caso tenha sido requerido pelo sujeito passivo mediante pedido de restituição ou pedido de ressarcimento formalizado dentro do prazo previsto no art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) ou no art. 1º do Decreto nº 20.910, de 6 de janeiro de 1932. Por fim, quanto à alegação de amortização indevida, devem ser prestigiadas as conclusões do acórdão recorrido, as quais são adotadas como fundamento deste voto. Textualmente: “[...] Outra alegação constante da manifestação de inconformidade foi a de que, ainda que apenas o pagamento ensejasse a compensação, o somatório das parcelas já pagas equivalia a 25% do total consolidado no parcelamento e a 92% do total do saldo negativo de IRPJ, suficiente, portanto, para que sua pretensão prosperasse. O contribuinte equivocase em sua interpretação dos dados constantes dos demonstrativos da autoridade fiscal às fl. 85/86. Muito embora o total das parcelas pagas até 15/03/2006 amortizassem cerca de 25% da dívida consolidada no parcelamento, nesta estavam incluídos também outros débitos: da dívida consolidada no processo, de R$ 13.969.694,61 (fl.37), apenas R$ 3.835.516,77 se referem a IRPJ, e apenas parte deste montante IRPJ, R$ 1.615.404,58, se refere às estimativas aqui tratadas (01/2002, 03/2002, 06/2002 e 09/2002). Ou seja, grande parte dos valores recolhidos não se referem a estas estimativas. Logo foi necessário proceder uma imputação das parcelas pagas na proporção entre as estimativas e o total da dívida parcelada, a fim de determinar o valor efetivamente pago destas estimativas. Não há ressalvas a fazer quanto aos cálculos efetuados da autoridade fiscal.” Pelo exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 203DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/04/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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