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Numero do processo: 15374.916739/2008-20
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.647
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Fez sustentação oral: Dr. Marcelo de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues (Relator), Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencido o relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. Fez sustentação oral: Dr. Marcelo de Freitas e Castro, OAB/RJ nº 129.036. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues (Relator), Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 67 39 /2 00 8- 20 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Relatório O contribuinte por meio do Per/DComp eletrônico nº 18249.25979.281004.1.3.048856, transmitida em 28/10/2004 (fls. 02/06), buscou homologar a compensação de créditos tributários oriundos de pagamento a maior de Cofins (cód. rec. 2172), valor original de R$ 4.406,09, com débito próprio de CSLL da competência de fevereiro /2002, com vencimento/quota em 15/03/02. O Despacho Decisório nº 781157305 proferido pela Derat/RJ em 12/08/2008 (fl. 09), após análise eletrônica realizada pelo sistema de processamento de dados da RFB, se pronunciou pela inexistência do crédito alegado pelo contribuinte, posto que foi integralmente utilizado para liquidação de débitos próprios, não restando saldo para a compensação informada no Per/DComp, por conseguinte deliberou o órgão administrativo pela não homologação da compensação declarada. Ao tomar ciência da exação em 25/09/08 (fls. 11/22), a contribuinte informou a autoridade administrativa haver retificado a DCTF original referente ao 1o trimestre/2002, bem como a DIPJ/2003, haja vista não haver localizado anteriormente a utilização desses créditos, conforme registrado nos Livros Razão dos anos de 2003 e 2004, cópias anexas em 18/09/08 Livro Razão – Cofins a recuperar ( fls. 12/13); recibo de entrega da DCTF retificadora (fl. 14/15), sendo este documento reconhecido como manifestação de inconformidade. Foram os autos encaminhados conclusos para o julgamento da lide pela 4ª Turma da DRJ/RJ2, que proferiu a decisão, cuja ementa adiante se transcreve por meio do Acórdão nº 1334.801, de 18/05/11 (fls. 23/25). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 ALEGAÇÃO DE CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO IDÔNEA. Cabe ao contribuinte trazer na impugnação todos os elementos de prova de que dispõe para comprovar o crédito alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. O voto condutor do acórdão de fls. 23/25 teceu considerações acerca dos princípios da verdade material e da oficialidade, como também acerca do dispositivo do art. 170 do CTN, para aduzir que nos autos não há qualquer explicação para a afirmação de que a base de cálculo que serviu de parâmetro para a DCTF transmitida continha valor de receita superior ao que efetivamente representava a base de cálculo da Cofins do período em apreço, e que o contribuinte não juntou aos autos cópias de livros empresariais ou fiscais que comprovassem a real base de cálculos que lhe conferiria o direito creditório, colacionando tão somente o lançamento relacionado à compensação, posteriormente à apuração da base de cálculo. Do exposto concluiu que a liquidez do direito há de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, seja através de guias de pagamento (ou de controles internos da RFB confirmando a efetivação dos recolhimentos), seja através da comprovação das bases de cálculo sobre as quais ocorreram os fatos geradores, não havendo a Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916739/200820 Acórdão n.º 3803003.647 S3TE03 Fl. 96 3 interessada trazido aos autos qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Argumentou o i. Relator, ainda, que no caso em análise, a interessada reduziu o valor da contribuição para a Cofins relativa ao período de apuração de fevereiro de 2002, sem justificar o motivo, nem demonstrar contabilmente como apurou novo valor, o que deveria ter feito. Por tais razões foi julgada a improcedência da manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório da contribuinte. Inconformada com o teor da decisão de primeira instância, cuja ciência deu se em 01/08/11 conforme registrado em AR, dela recorreu o contribuinte em 25/08/11, conforme atesta o protocolo do recurso aviado, para deduzir acerca das razões de reforma ante a liquidez e certeza do crédito e pela impossibilidade de aplicação extrema do princípio do formalismo em detrimento do prejuízo do direito do administrado, resumidamente: · Houve a constatação da existência de erro de fato, ou seja, de indébito proveniente de recolhimento a maior de Cofins no mês de fevereiro de 2002, por meio de DARF R$ 8.139,09, sendo apurado no mesmo período débitos no valor de R$ 3.146,81, portanto restando um saldo credor de R$ 4.992,28 (que foi informado na Dcomp em questão e que instrui os presentes autos); · O mero equívoco quando do cumprimento de obrigações acessórias, que não eram bastante para ilidir o direito creditório e, por tal razão, não foi homologada a compensação declarada; · A diferença entre o valor recolhido e o valor declarado em DCTF constitui indébito tributário no valor de R$ 4.992,28; · A Recorrente percebeu em 18/09/2008 que havia declarado valores equivocados referentes a Cofins e apresentou DCTF retificadora (cópia anexa), apenas para corrigir os equívocos cometidos no preenchimento da declaração, cujo valor relativa à Cofins de fevereiro/02 corresponde a R$ 3.146,81; · O procedimento adotado pela Recorrente foi absolutamente correto, observou todos os preceitos da legislação contidos no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 e nas IN SRF nº 210/02 e 460/2004, vigente à época dos fatos, sendo que o fato da e Recorrente ter declarado em DCTF original, valores equivocados, não pode tornála devedora de tributo indevido. A Recorrente menciona julgados do STF e dos Conselhos de Contribuintes/MF em corroboração à sua tese (RE 104.5451/SP; 104.7321/SP; 103.1263/SP; AC 10319.995, DOU de 22/06/99; AC 20402.364, DOU de 14/09/07; AC 10806.291, DOU de 30/01/01 e AC 10513.143, DOU de 29/05/00), dos quais destacase as ementas daqueles acórdãos proferidos pelo já extinto Conselhos de Contribuintes. REVISÃO DE LANÇAMENTO COM BASE EM DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – restando demonstrados pela escrituração Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 da contribuinte equívocos e lacunas cometidos quando do preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, impõese a sua recomposição objetivando escoimála das incongruências praticadas, sobrelevandose a verdade material na quantificação do tributo devido. COFINS. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. Erro no preenchimento de DCTF, devidamente comprovado por documentação contábil da contribuinte, não enseja cobrança de tributo indevido. Recurso Provido. ERRO DE FATO – IRPJ Ano 1993: Cancelase a exigência fiscal apurada em revisão sumária da declaração de rendimentos do imposto de renda pessoa jurídica, quando comprovada a ocorrência de erro de fato no seu preenchimento em relação ao cálculo da isenção deste tributo. Recurso de ofício negado. REVISÃO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS – ERRO DE FATO – IRPJ – EX 1994 – Não prospera o lançamento resultante da revisão interna a declaração de rendimentos, quando calcado em mero erro de fato cometido em seu preenchimento, devidamente comprovado pela pessoa jurídica. Aduziu ainda a Recorrente: · Em se tratando de erro de fato no preenchimento da DCTF com valores indevidamente majorados, que em momento algum trouxe prejuízo para o erário público, devem ser considerados, para fins de quantificação do direito creditório ora pleiteado, os valores informados em DCTF retificadora já transmitida e constante dos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil. · Ainda que assim não o fosse, caso as autoridades julgadoras de primeira instância administrativa tivessem quaisquer dúvidas acerca dos valores declarados em DCTF retificadora, não poderiam por este motivo indeferir as compensações, mas sim, a designar a realização de uma diligência, de modo a sanar quaisquer eventuais divergências existentes e, assim, quantificar de forma devida o valor do direito creditório utilizado na compensação. · Isto porque, por mais que a Recorrente tenha informado na DCTF original valores indevidamente majorados, não restam dúvidas que as autoridades julgadoras de primeira instância já tinham conhecimento da transmissão de DCTF retificadora na qual constam os valores corretos devidos a título de Cofins. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916739/200820 Acórdão n.º 3803003.647 S3TE03 Fl. 97 5 · O fato de ter sido feita uma DCTF retificadora da respectiva DCTF, motivaria ainda mais a designação de uma diligência para que o contribuinte pudesse explicar o porquê das retificações, e ter a oportunidade de demonstrar que o equívoco cometido no preenchimento da declaração original em nada afetou o seu direito líquido e certo da compensação. · Não há justa motivação para o indeferimento das compensações requeridas pela Recorrente, e o entendimento constante da decisão recorrida não se coaduna com a legislação fiscal federal nem com os princípios norteadores do processo administrativo. · Isto porque, nos termos do artigo 923 do RIR/99, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte, c/c o disposto no artigo 924 deste mandamus, que estabelece caber à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos registrados, sendo estes argumentos expendidos o segundo fundamento do recurso interposto. · A decisão recorrida não se preocupou em comprovar o que alega, tentando justificar uma ilegal inversão do ônus da prova que não tem o menor cabimento em âmbito administrativo, tornando, portanto, insubsistentes os motivos que a levaram a não homologar parte da compensação pleiteada. · A corroborar com a tese adotada de aplicação do princípio da verdade material nos processos de restituição menciona a título de melhor jurisprudência adotada pelo CARF, o Acórdão 10419.193. Requer ao final a reforma do julgado a quo, para o reconhecimento da integralidade do direito creditório referente ao pagamento a maior de Cofins no mês de janeiro/02 e, para determinação da homologação das compensações até o limite do direito creditório, extinguindo os respectivos crédito tributários na forma do art. 156, II, do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 A controvérsia submetida à apreciação desta Corte aborda a questão de liquidez e certeza do crédito alegado pelo contribuinte, bem como da ausência do exame da DCTF (2o trim/02) e DIPJ/03 retificadoras pelo juízo da instância a quo, que deu como justificativa para a recusa a não colação aos autos de cópias de livros empresariais ou fiscais que comprovassem a real base de cálculos, que lhe conferiria o direito creditório. O recorrente reconheceu que cometeu erro de fato na transmissão do Per/DComp nº 18249.25979.281004.1.3.048856 e, após o despacho decisório, procedeu a retificação daqueles documentos acima informados, juntando aos autos cópias do Livro Razão – Cofins a recuperar (fls. 12/13) e da DCTF retificadora do 2o trim/02 (fl. 14/21), respectivamente, que entendeu ser o bastante para a comprovação do alegado em seu inconformismo ante o despacho decisório, com vistas à regularização de sua situação fiscal, e o fez, segundo alegado de acordo com a legislação vigente. Ocorre que mesmo estando a par dos fatos acima descritos o juízo a quo negouse a se pronunciar acerca da liquidez e certeza dos créditos do contribuinte, a partir da retificação efetuada e, se porventura restava dúvida acerca da aludida liquidez do direito creditório da contribuinte, tampouco buscou esclarecêlas por meio de diligência à repartição de origem, limitandose, outrossim, a se pronunciar pela improcedência da manifestação de inconformidade. O juízo a quo sequer argüiu a perda da espontaneidade pelo contribuinte, eis que tais documentos somente foram retificados em 18/09/08, portanto após a data do despacho decisório que se deu em 12/08/08. A verdade material é o princípio que rege o Direito Administrativo Tributário e se desenvolve a partir do exercício do direito ao contraditório, sob pena de alegação ao amplo direito de defesa. Diz respeito ao direito de audiência pelo administrado e se constitui em ato vinculatório, ex vi do art 142 do CTN, portanto relacionado ao poderdever investigatório da autoridade administrativa, a que não se pode olvidar. Partindose da premissa que o sujeito passivo prestou informações acerca da antecipação do pagamento de tributo devido à autoridade administrativa, que por sua vez após ulterior exame da regularidade atividade prestada a homologa ou não, ou dito em outras palavras, se o lançamento fiscal depende da declaração pelo sujeito passivo de sua atividade, na forma da legislação tributária, cabe a individualização e quantificação, ou seja, a verificação da certeza e liquidez acerca do crédito informado, ou da penalidade que lhe deva ser atribuída, o que não ocorreu in casu. E tal procedimento deveria ocorrer antes de apenar o sujeito passivo, pois após a constituição do crédito fiscal cabelhe o direito de exercício à ampla defesa, ex do art. 5o, LIV e LV, CF/88. Entretanto se tal situação se perpetuar restará caracterizado o cerceamento deste direito. Isto posto e após procedido o exame dos elementos materiais constantes dos autos e, sabedor do madamus contido no disposto no art. 147, § 2o, do CTN1, bem assim considerando que esta Turma em situações análogas tem se posicionado pelo retorno dos autos 1 Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º (...). § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916739/200820 Acórdão n.º 3803003.647 S3TE03 Fl. 98 7 à instância a quo para o exame dos documentos ignorados e posterior pronunciamento acerca da liquidez e certeza do crédito constante da DComp sob análise, pugno pelo retorno do presente processo para que seja procedida à completude da prestação jurisprudencial. Dou provimento ao recurso para anular o processo desde a origem, retornandose os autos a DRF competente, para que haja o devido pronunciamento acerca da liquidez e certeza do crédito constante do Per/DComp nº 18249.25979.281004.1.3.048856, bem assim se há saldo credor para a compensação declarada. É assim que voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Voto Vencedor Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado De início, registrese que o contribuinte não trouxe aos autos qualquer elemento de prova que pudesse convalidar as suas alegações no que tange à efetiva existência do direito creditório pleiteado, como, por exemplo, a escrituração contábilfiscal e os documentos que a lastreiam, todos esses indispensáveis à comprovação do indébito. Foi trazida aos autos, além de cópias das declarações preenchidas e entregues pelo contribuinte, apenas uma listagem identificada como “Razão”, em que constam informações acerca das compensações efetuadas, nada havendo quanto às bases de cálculo da contribuição. Em razão da total falta de prova, evidenciouse flagrante descaso do interessado no que tange à comprovação de seu alegado direito. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente, ao afirmar que a autoridade administrativa competente deveria ter cumprido sua obrigação legal de diligenciar junto ao estabelecimento para apurar a real extensão da contribuição devida. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Com base no excerto supra, é possível concluir que o interessado, tendo em vista o duplo grau de jurisidição, deveria ter produzido a prova de suas alegações na fase de Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão. Não se pode perder de vista que, enquanto nos casos de lançamento de ofício de crédito tributário, cabe à Administração tributária o ônus de comprovar o não recolhimento do tributo devido pelo contribuinte, nos casos de processos inaugurados por pedido do próprio interessado, cabe a este, e não à Administração tributária que o apreciará, explicitar e comprovar o direito pleiteado. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 15374.916739/200820 Acórdão n.º 3803003.647 S3TE03 Fl. 99 9 O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Nesse contexto, mostrase oportuno e esclarecedor o seguinte excerto extraído da obra “Processo administrativo federal” de autoria de Rodrigo Francisco de Paula, editora Dey Rey, Belo Horizonte, 2006, páginas 153 a 154: Dessa feita, em muitas situações, a mera alegação não se apresenta suficiente. É necessário conferirlhe grau substancial de veracidade, com elementos que revelem liame entre o alegado e o ocorrido. Assim, o impugnante deve se desimcumbir de sua tarefa de comprovar o que alega, para que suas alegações se revistam de um tônus diverso do meramente protelatório, já que a impugnação administrativa suspende a exigibilidade do crédito tributário. Nesse sentido, dada a ausência de comprovação, com documentação hábil, do indébito alegado, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 10 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 15374.916739/200820 Interessada: CCAA CENTRO DE CULTURA ANGLO AMERICANO LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.647, de 24 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 24 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/11/2012 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 05/11/2012 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalm ente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10218.720028/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PERÍCIA.
A perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. OBRIGATORIEDADE.
Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, deve a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, meio hábil para arbitrar o VTN, que servirá para apurar o ITR devido.
Numero da decisão: 2201-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Relator
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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A perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas já incluídas nos autos. Deve ser indeferida quando, em subversão à lei processual, vise produzir prova que deveria ter sido apresentada com a impugnação. ITR. VALOR DA TERRA NUA. LAUDO TÉCNICO. OBRIGATORIEDADE. Caso o contribuinte não apresente laudo técnico com o valor da terra nua, deve a autoridade fiscal se valer do valor constante do SIPT, meio hábil para arbitrar o VTN, que servirá para apurar o ITR devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 28 /2 00 8- 31 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/04), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 170.944,43, calculados até 28/09/2007, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Machado”, com área declarada de 4.356,0 ha, localizado no Município de Tucumã – PA. A fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 1,00 para R$ 871.200,00 ou R$ 200,00/ha, com base no SIPT, correspondente ao menor valor por aptidão agrícola, conforme demonstrativo de fl. 26. Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: declara que, desde o ano de 2000, não é proprietário do imóvel rural denominado “Fazenda Machado”, posto que efetuou a venda do mesmo naquele período; a apresentação da DITR/2004 em seu nome, deuse em razão de inúmeros óbices burocráticos para transferir a titularidade do imóvel para o novo proprietário e, conseqüentemente, não providenciou a alteração dos dados cadastrais do imóvel junto à Receita Federal. Isto, para evitar a inscrição de seu nome em Divida Ativa da União; pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, invocando o disposto no art. 151 do CTN e citando Geraldo Ataliba; pede a anulação do lançamento, uma vez que a sua intenção ao apresentar a declaração do ITR do imóvel que não lhe pertencia e, por tal motivo, declarou valores que não correspondiam com as características do imóvel com o único intuito de evitar que seu nome, que ainda constava como titular do referido imóvel, respondesse por penalidades e restrições fiscais, como inscrição na divida ativa, com as implicações decorrentes; por não ter sido possível localizar o atual proprietário do imóvel, requer a realização de perícia na área em questão, por necessária e imprescindível, em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa; protesta pela produção de prova pericial, que sejam aceitas as razões de mérito expendidas, para considerar a total improcedência do lançamento impugnado, e por fim, requer que seja acolhida a presente impugnação para o fim de decidir pela insubsistência e improcedência da ação fiscal, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720028/200831 Acórdão n.º 2201001.825 S2C2T1 Fl. 3 3 Cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como contribuinte do imposto na correspondente DITR/2004, além de não ter sido devidamente comprovado nos autos a efetiva alienação do imóvel em data anterior à do fato gerador do imposto, observada a legislação pertinente. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no menor valor, por aptidão agrícola da terra, constante do SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, por falta de documentação hábil comprovando o seu valor fundiário, a preços de 1º/01/2004, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 25/03/2011 (fl. 38), Sebastião Machado de Oliveira apresenta Recurso Voluntário em 25/04/2011 (fls. 41 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal alterou o VTN do imóvel rural declarado pelo recorrente de R$ 1,00 para R$ 871.200,00 ou R$ 200,00/ha, com base no SIPT Sistema de Preços de Terra praticados no município de Tucumã/PA (fl. 26). De acordo com a Descrição dos Fatos, fl. 02, “Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado”. Em sua peça recursal alega o suplicante, preliminarmente, ilegitimidade passiva, pois, segundo argumenta, o verdadeiro proprietário do imóvel é o Sr. João Pereira Salgado, conforme faz prova o Contrato de Compra e Venda de Imóvel Rural. Afirma, ainda, que a fiscalização efetuou acusação genérica, já que não há qualquer relatório técnico que possibilite a autoridade instituir uma sanção pecuniária. Suscita, também, nulidade da decisão de primeira instância, pois considera a decisão recorrida mal fundamentada. Por fim protesta pelo pedido de perícia que alega ser imprescindível. Pois bem, em que pese o argumento despendido no sentido da exclusão do contribuinte do pólo passivo da relação tributária penso, pois, que a tese não merece acolhimento. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Em verdade, o recorrente apresentou como prova tão somente cópia do Contrato de Compra e Venda de Imóvel, deixando, contudo, de apresentar a competente escritura pública registrada à margem da matrícula do imóvel rural. Ademais, cabe observar que após a data da assinatura do suposto Contrato de Compra e Venda de Imóvel (10/03/2000) o recorrente apresentou as declarações de ITR para o imóvel em questão. Necessário se faz ainda mencionar que o imóvel encontrase em situação ativa e em nome do contribuinte, conforme faz prova o extrato de fl. 09. Assim, considerando que não restou comprovado que o Sr. João Pereira Salgado é de fato o proprietário do imóvel rural e que o Sr. Sebastião Machado de Oliveira, além de não apresentar a escritura pública devidamente registrada em nome do suposto proprietário, promoveu a entrega das DITR do exercício fiscalizado, resta, pois, caracterizado que o recorrente é o contribuinte do ITR, nos termos do art. 4º da Lei n° 9.393/1996. Destarte, afastase, pois, a suscitada preliminar. Quanto à alegação de que a fiscalização efetuou acusação genérica, porquanto não há qualquer relatório técnico que possibilite a autoridade instituir uma sanção pecuniária, tal afirmativa, por si só, não tem o condão invalidar o feito fiscal. A bem da verdade, a exigência foi constituída com base no art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393/1996, tendo a autoridade fiscal bem explicitado as razões que deram origem ao lançamento, qual seja, “Após regularmente intimado, o contribuinte não comprovou por meio de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, o valor da terra nua declarado” (Descrição dos Fatos, fl. 02). Além do mais, o arbitramento efetuado pela autoridade fiscal no lançamento se deu conforme previsto em lei e para descaracterizálo bastaria que o contribuinte comprovasse o VTN declarado, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação do Imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Rejeitase, também, esta preliminar. No que tange a alegação de que a decisão recorrida foi mal fundamentada, cabe, igualmente, afastála. Com efeito, o julgado analisou a integralidade dos elementos processuais e apreciou todos os argumentos impugnatórios, conforme se extrai do aresto de fls. 29/35. Além do mais, a decisão recorrida explicitou os motivos pelos quais considerou insuficientes as alegações apresentadas, inexistindo, portanto, preterição do direito de defesa. Assim, válido o lançamento também neste ponto. Em relação ao pedido de perícia, apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear sua realização, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo indeferir as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto n° 70.235, de 1972). No presente caso, conforme bem salientou a decisão recorrida, a perícia proposta pelo contribuinte tem por objetivo a busca de elementos probatórios de suas alegações. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10218.720028/200831 Acórdão n.º 2201001.825 S2C2T1 Fl. 4 5 Destarte, devese indeferir o pedido de perícia quando esta se revela desnecessária e prescindível para o deslinde da questão. Encerrada a apreciação das questões preliminares, passase ao exame do mérito. Com o escopo de elucidar a matéria ora em controvérsia reproduzo, de antemão, o art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393, de 19 de dezembro de 1996: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1o As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. O referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/93, cuja redação vigente à época da edição da Lei no 9.393/96 dispunha: Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1o A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. § 2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado. O arbitramento do valor da terra nua é um expediente legítimo previsto no art. 148 do CTN, para as situações em que não mereçam fé as informações prestadas pelo sujeito passivo. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Ora, conforme já mencionado neste voto, o arbitramento foi efetuado pela autoridade fiscal em função do insignificante valor da terra nua informado pelo recorrente em sua DITR/2004, ou seja, R$ 1,00. Neste caso, para descaracterizálo bastaria que o contribuinte comprovasse o VTN declarado, mediante a apresentação de Laudo de Avaliação do Imóvel, elaborado nos termos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Ressaltese que as informações prestadas pelo contribuinte na DITR são passíveis de comprovação, pois se sujeitam a homologação, conforme previsto no art. 10 da Lei n° 9393, de 1996. Portanto, não houve inversão do ônus da prova, conforme afirma a defesa, mas, fundamentalmente, a necessidade de se comprovar o VTN declarado. Não o fazendo sujeitouse o suplicante ao arbitramento com base no art. 14, caput e §1o, da Lei no 9.393/1996. Por fim, em diversos momentos de sua peça recursal o contribuinte alega ofensa a princípios constitucionais de vedação de confisco e da proporcionalidade. Frisese que os referidos princípios dirigemse ao legislador, que deve observálos quando da elaboração das leis tributárias. Além do mais, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante ao exposto, voto por rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 79DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720979/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
DESPACHO DECISÓRIO. REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE.
Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. Caracteriza o cerceamento do direito de defesa a falta de indicação do fundamento legal no despacho decisório proferido em face da apresentação de PER/DCOMP pelo contribuinte. É nulo o despacho decisório proferido nestas circunstâncias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o Despacho Decisório da DRF, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 09 79 /2 01 0- 71 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720979/201071 Acórdão n.º 3302001.829 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório No dia 20/10/2008 a empresa MONTECARLO VEÍCULOS LTDA., já qualificada nos autos, ingressou com pedido de ressarcimento de créditos de Cofins não cumulativa, previsto no art. 17 da Lei no 11.033/2004, relativo ao 3º trimestre de 2006. A DRF em BELÉM PA indeferiu o pedido da interessada porque entendeu que não gera direito de crédito as aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica), glosando tais créditos da apuração feita pela Recorrente. Inconformada com esta decisão, a empresa ingressou com a manifestação de inconformidade, cujo resumo das alegações constam do relatório da decisão recorrida fls. 110/112. A 3ª Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA indeferiu a solicitação da interessada, nos termos do Acórdão nº 0124.325, de 28/02/2012, cuja ementa abaixo se transcreve. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de atos normativos. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. A possibilidade de manutenção dos créditos prevista no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Ciente desta decisão em 20/04/2012, a interessada ingressou, no dia 21/05/2012, com o recurso voluntário de fls. 120/139, no qual alega que: 1) é nulo o despacho decisório por não indicar o fundamento legal da decisão de não admitir crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica); 2) o direito ao crédito na aquisição de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica) está confirmado pelo art. 17 da Lei nº 11.034/04. O Dacon permite tal aproveitamento; 3) a IN SRF nº 594/2005 impõe limitações ao direito de crédito não previstas em lei; 4) é patente o direito dos comerciantes atacadistas e varejista de produtos constantes da Lei nº 10.485/02 se apropriar dos créditos de PIS e Cofins calculados sobre a aquisição destes bens revendidos à alíquota zero; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720979/201071 Acórdão n.º 3302001.829 S3C3T2 Fl. 4 3 5) qualquer tentativa de impedir ou limitar a manutenção de créditos decorrentes da venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, no regime da não cumulatividade, é inconstitucional por violar o princípio da igualdade tributária. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este Conselheiro Relator. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. Dele se conhece. Como relatado, a empresa Recorrente está pleiteando, com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o ressarcimento de crédito de Cofins e a Autoridade Administrativa competente da RFB indeferiu o pleito da Recorrente pelas razões e fundamentos a seguir transcritos: 1) Fundamentos consignados no Relatório Fiscal adotado pelos Despachos Decisórios (Fls. 25/26): LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA: Lei 10.833/2003 [...] OBJETIVO DO PROCEDIMENTO: análise dos Pedidos de Ressarcimento da Contribuição para a COFINS (verificações de créditos e ressarcimento indicados no PER/DCOMP), relativos aos seguintes períodos: 2º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.981/201040); 3° trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.979/201071)e 4º trimestre de 2006 (PROC: 10280 720.980/201003). [...] CRÉDITOS DECORRENTES DE COMPRAS DE PEÇAS OBJETO DE GLOSA: a planilha denominada "Recomposição da contribuição nãocumulativa devida" demonstra que em nenhum dos meses dos trimestres objeto das PER/DCOMP’s relacionadas no item 5 o sujeito passivo apresentou saldo de crédito a ser ressarcido. A análise da relação de Notas Fiscais de compras apresentada resultou na exclusão de todas as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada ( incidência monofásica), as quais não são geradoras de crédito. 2) Fundamentos consignados no Despacho Decisório SEFIS/DRF/BEL nº 538/2011, que indeferiu o pedido de ressarcimento (Fl. 29): Com base nas informações e documentos constantes do processo acima identificado, ínsito no RELATÓRIO FISCAL de fls. 24 a 25, que aprovo, e no uso da competência estabelecida pelo inciso II do artigo 285 da Portaria MF n° 125/2009 e art. 57 da IN Fl. 159DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720979/201071 Acórdão n.º 3302001.829 S3C3T2 Fl. 5 4 RFB n° 900/2008 e de acordo com a Delegação de competência prevista no inciso II do Art. 5° da Portaria DRF/BEL n° 39/2011, publicada no DOU de 3 de março de 2011, decido indeferir o pedido crédito atinente ao ressarcimento de Créditos da COFINS NãoCumulativa (3° trimestre/2006), no valor de R$ 39.874,61 (Trinta e nove mil, oitocentos e setenta e quatro reais e sessenta e um centavos). 3) Fundamentos consignados no Parecer SEORT nº 849/2011, adotado pelo Despacho Decisório nº 831/2011 (Fl. 30): FUNDAMENTAÇÃO. Trata o processo de pedido de ressarcimento/compensação de COFINS no montante de R$ 39.874,61 (fl. 4). Fundamentouse o pedido na existência de crédito da COFINS Mercado Interno nos termos do art. 17 da Lei n° 11.033/2004. O Serviço de Fiscalização da DRF/Belém, por meio do Relatório acostado nas folhas 24 a 27 apurou a inexistência do direito creditório pleiteado. Com base no mencionado Relatório, o Chefe do Serviço de Fiscalização da DRF/Belém emitiu o Despacho Decisório n° 538/2011 indeferiu o Pedido de Ressarcimento (fl. 28). O indeferimento do Pedido de Ressarcimento implica no indeferimento do Pedido de Compensação, por força da inexistência de direito creditório. CONCLUSÃO. Diante do exposto, proponho: A não homologação dos débitos da Declarações de Compensação n° 39261.39573.201008.1.3.112060 e 36257.96845.241008.1.3.11 1400. 4) Fundamentos consignados no Despacho Decisório nº 831/2011, que não homologou as compensações declaradas (Fl. 31): Com base nas informações e documentos constantes deste processo, especialmente o Parecer SEORT n° 849/2011 e no uso da competência estabelecida com a delegação prevista no art. 3º, item IV, da Portaria DRF/BEL n° 47/2009, publicada no Diário Oficial da União de 07 de abril de 2009, resolvo NÃO HOMOLOGAR as declarações de compensação a seguir elencadas: 39261.39573.201008.1.3.112060 e 36257.96845.241008.1.3.111400. No caso de inconformidade do requerente, este poderá manifestarse à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém DRJ/BEL no prazo de 30 (trinta) dias a partir da ciência deste Despacho Decisório, nos termos do disposto no art. 74, § 9º, da Lei n° 9.430/96. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720979/201071 Acórdão n.º 3302001.829 S3C3T2 Fl. 6 5 À EQRECC/SEORT/DRF/BEL, para dar ciência ao interessado deste Despacho Decisório e proceder as demais providências cabíveis. Em sua apelação a empresa levanta a preliminar de nulidade dos Despachos Decisórios proferidos pela DRF em Belém PA por falta de indicação da fundamentação legal da decisão proferida, caracterizando cerceamento do direito de defesa. Por seu turno, a decisão recorrida assim tratou a matéria: Da Nulidade do Despacho Decisório Dispõe o art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF) sobre a questão de nulidade, verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto, o Despacho Decisório foi lavrado e assinado por autoridade administrativa competente e contem todos os requisitos legais, restando plenamente válidos, não havendo que se falar em nulidade. No que concerne à alegação de cerceamento de defesa, a prova cabal de que a defesa não foi preterida consistiu na apresentação tempestiva da robusta manifestação de inconformidade que ora se conhece e analisa. É por demais sabido que a atividade administrativa tributária é plenamente vinculada, não possuindo o administrador tributário poder discricionário. Isto implica que, mais do que as outras decisões administrativas, a decisão do administrador tributário deve ser fundamentada, ou seja, além de estar conforme com a norma, precisar indicar para o administrado contribuinte qual a norma legal que o autoriza a tomar a decisão. No caso dos autos, a decisão foi tomada sem indicar seu fundamento legal, tomando como base a opinião (digo opinião porque não há indicação expressa do dispositivo legal que proíba a fruição do crédito pleiteado ou a informação de que não há dispositivo legal que autorize o crédito pleiteado) dos AFRFB, responsáveis pela apuração da veracidade das informações prestadas pela Recorrente no PER/DCOMP, de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] não são geradoras de crédito”. Ora, para contrapor esta decisão, bastaria a Recorrente também expor a sua opinião (coisa que efetivamente fez) de que “as aquisições de bens sujeitas à tributação concentrada (incidência monofásica), [...] são geradoras de crédito”. É a opinião de um contra a opinião de outro. Qual vale mais? Não sei! Ao contrário do que diz a decisão recorrida, a falta de indicação da fundamentação legal no despacho decisório caracteriza, sim, cerceamento do direito de defesa, dando motivo à nulidade do mesmo, nos termos do inciso II, do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10280.720979/201071 Acórdão n.º 3302001.829 S3C3T2 Fl. 7 6 Esclareçase que a indicação, no Relatório Fiscal, da Lei nº 10.833/03 como sendo a legislação de regência, não supre a necessidade da decisão administrativa indicar o dispositivo legal infringido (da própria Lei nº 10.833/03 ou de outras normas) que levou à decisão de não reconhecer o direito ao crédito nas aquisições de bens sujeitos à tributação concentrada (incidência monofásica). Deve, portanto, outro despacho decisório ser proferido pela DRF em Belém PA, com a necessária indicação da fundamentação legal do decidido. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular os Despachos Decisórios nºs 538/2011 e 831/2011, determinando que outro (ou outros) seja proferido com a necessária indicação da fundamentação legal. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10855.900473/2008-77
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificado o lapso manifesto constante no Voto condutor do Acórdão embargado.
Numero da decisão: 1801-001.220
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP por lapso manifesto no Voto condutor e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-00.426, de 14.12.2010, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Relatora
Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP por lapso manifesto no Voto condutor e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801-00.426, de 14.12.2010, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes.
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Os Embargos de Declaração merecem ser acolhidos quando verificado o lapso manifesto constante no Voto condutor do Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP por lapso manifesto no Voto condutor e ratificar o decidido no Acórdão nº 1801 00.426, de 14.12.2010, nos termos do voto da Relatora. Ausente momentaneamente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 04 73 /2 00 8- 77 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900473/200877 Acórdão n.º 1801001.220 S1TE01 Fl. 3 2 Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 30.01.2004, fls. 0102, utilizandose do crédito relativo ao pagamento a maior no valor total de R$21.938,03 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30.09.2003, para compensação do débito de IRPJ, código nº 5993, referente ao fato gerador de dezembro de 2003 no valor de R$23.111,71. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 0304, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada em 30.04.2008, fl. 05, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 20.05.2008, fls. 0607, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1423.848, de 08.05.2009, fls. 9698:“Manifestação de Inconformidade Improcedente”. Consta que ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA. Demonstrada nos autos a inexistência do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. Ainda que as características de débito discriminado em DCOMP coincidam com as de débito quitado por pagamento em DARF, são considerados, sem prova em contrário, débitos distintos. Notificada em 30.07.2008, fl. 101, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 28.08.2009, fl. 102, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Está consignado como resultado do Acórdão da 1ª TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.426, de 14.12.2010, fls. 172181: “Recurso Voluntário Negado”. Restou ementado Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2004 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900473/200877 Acórdão n.º 1801001.220 S1TE01 Fl. 4 3 PER/DCOMP. CANCELAMENTO. Há previsão legal para a cancelamento da Per/DComp por iniciativa da Recorrente oportunidade em que as informações constantes no documento podem ser canceladas e desde que preenchidas as condições legais, dentre as quais que a sua apresentação seja efetuada caso a sua análise se encontre pendente de decisão administrativa à data do pedido de cancelamento. BALANCETE MENSAL. TRANSCRIÇÃO OBRIGATÓRIA. O balancete mensal utilizado para suspender ou reduzir o tributo deve ser transcrito obrigatoriamente no Livro Diário e a apuração do resultado deve estar contido no Livro LALUR. CONFISSÃO DE DÍVIDA A Per/DComp é considerada confissão de dívida e instrumento hábil e idôneo de constituição do crédito tributário. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba/SP (DRF/Sorocaba/SP) interpôs Embargos de Declaração no qual evidencia que há erro material no Voto condutor do Acórdão embargado que se refere ao crédito tributário de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Preliminar – Cabimento dos Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração apresentados pela DRF/Sorocaba/SP atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, deles tomo conhecimento. A Embargante suscita que há erro material no Voto condutor do Acórdão embargado que se refere à indicação do crédito tributário de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), que em verdade seria de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. No Voto condutor do Acórdão embargado consta: Fl. 207DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900473/200877 Acórdão n.º 1801001.220 S1TE01 Fl. 5 4 Analisando os dados constantes na DIPJ do anocalendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, temse que a CSLL devida mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 1.507,35 1.507,35 1.507,35 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 0,00 0,00 0,00 0,00 Setembro 6.826,53 6.826,53 6.826,53 0,00 Outubro 10.578,60 10.578,60 10.578,60 0,00 Novembro 11.341,65 11.341,65 11.341,65 11.341,65 Dezembro 4.216,40 4.216,40 4.216,40 4.216,40 Logo, ficou configurado o lapso manifesto constante no Voto condutor do Acórdão embargado, uma vez que o direito creditório analisado nos autos é atinente ao pagamento a maior no valor total de R$21.938,03 de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) determinado sobre a base de cálculo estimada, código nº 5993, efetuado em 30.09.2003. Por esta razão, os Embargos de Declaração interpostos pela DRF/Sorocaba/SP devem ser acolhidos. Mérito No mérito cumpre corrigir o lapso manifesto no Voto condutor e ratificar o decidido no Acórdão nº 180100.426, de 14.12.2010. Em face do exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração para re ratificar o Acórdão embargado nos seguintes termos: Analisando os dados constantes na DIPJ do anocalendário de 2003, bem como com as cópias dos DARF, do LALUR, e do Livro Diário, temse que o IRPJ devido mensalmente é: Meses de 2003 DIPJ – R$ LALUR – R$ DARF – R$ Livro Diário – R$ Fl. 208DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10855.900473/200877 Acórdão n.º 1801001.220 S1TE01 Fl. 6 5 Janeiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Fevereiro 0,00 0,00 0,00 0,00 Março 0,00 0,00 0,00 0,00 Abril 0,00 0,00 0,00 0,00 Maio 3.637,06 3.637,06 3.637,06 0,00 Junho 0,00 0,00 0,00 0,00 Julho 0,00 0,00 0,00 0,00 Agosto 21.938,03 21.938,03 21.938,03 0,00 Setembro 18.927,48 18.927,48 18.927,48 0,00 Outubro 26.741,12 26.741,12 26.741,12 0,00 Novembro 28.952,13 28.952,13 28.952,13 28.952,13 Dezembro 3.382,40 3.382,40 3.382,40 3.382,40 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 209DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/10/2 012 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10840.720710/2009-68
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sun Mar 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2801-000.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antônio de Pádua Athayde Magalhães Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Ausente, ainda, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 9ª Turma da DRJ/SP2 (Fls. 110), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 20/04/2009, contra o contribuinte acima identificado, em decorrência de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda referente ao Exercício 2005, Ano Calendário 2004, tendo sido apurado crédito RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .7 20 71 0/ 20 09 -6 8 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10840.720710/200968 Resolução nº 2801000.186 S2TE01 Fl. 135 2 tributário de R$ 7.417,60, já acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora (fls. 102/107). Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento legal que foram apuradas as seguintes deduções indevidas: Instrução: glosa de R$ 1.040,00, relativo a pagamentos declarados ao Centro Brasileiro de Cadeias Musculares e Técnicas G.D.S. Ltda, por falta de amparo legal. Pesquisas realizadas junto aos sistemas informatizados da Receita Federal revelam que o estabelecimento encontrase inscrito no CNAE 9609299 – outras atividades de serviços pessoais não especificadas anteriormente; Dedução Indevida de Despesas Médicas: glosa de R$ 10.805,00. Em função dos valores envolvidos, a contribuinte foi intimada a comprovar a efetividade dos pagamentos e da utilização dos serviços referentes à fisioterapeuta Daniela Vittorazzi, no valor de R$ 2.080,00, e à psicóloga Érica Vittorazzi, no valor de R$ 3.040,00 e, em virtude da falta de comprovação foi efetuada a glosa. Além disso, foi glosada a quantia de R$ 825,00 relativa à despesa com a sobrinha Gabriela, não dependente, e o valor de R$ 4.860,00 paga a Sônia Regina Arantes, por falta de previsão legal (terapia psicocorporal, terapeuta holístico). Os Termos de Intimação Fiscal, a cópia da DIRPF/2005, bem como os documentos apresentados pela contribuinte estão acostados às fls. 7/54 dos autos. Na impugnação tempestiva de fls. 55/57, apresentada por procurador qualificado às fls. 58, e acompanhada dos documentos de fls. 60/94, após breve síntese dos fatos, são trazidas as seguintes alegações, abaixo sintetizadas: faz tratamento e acompanhamento há algum tempo com a fisioterapeuta Daniela Vittorazzi e com a psicóloga Erica Vittorazzi; as sessões foram pagas conforme recibos apresentados, sempre foram pagos em dinheiro; com relação à Drª Sonia Regina Arantes (psicocorporal morfoanalítica), no valor de R$ 4.860,00, esclarece que o tratamento abrange cuidar do corpo e da mente no mesmo espaço de tempo. Os profissionais da área de fisioterapia, profissão da impugnante, requerem desenvolvimento psíquico para atuar em sua atividade, motivo pelo qual a necessidade do tratamento; quanto à instrução do curso pago ao Centro Brasileiro de Cadeias Musculares e Técnicas GDS Ltda, de R$ 1.040,00, afirma que o curso referese a atualização profissional e se enquadram em gastos efetivos para o desenvolvimento de sua atividade; segundo o RIR/99, todos as despesas informadas na declaração estão devidamente comprovadas e foram apresentadas quando solicitadas, não cabendo ao AuditorFiscal presumir que os pagamentos não estão comprovados porque foram pagos em espécie. O regulamento não há Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10840.720710/200968 Resolução nº 2801000.186 S2TE01 Fl. 136 3 exigência quanto à forma de pagamento das despesas, apenas que essas sejam comprovadas por documentos hábeis e idôneos. Transcreve o art. 46 da IN SRF nº 15/2001 e algumas ementas de acórdãos proferidos por Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Passo adiante, a 9ª Turma da DRJ/SP2 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: GLOSA DE DEDUÇÕES COM DESPESAS MÉDICAS. Mantidas as glosas de despesas médicas, visto que o direito às suas deduções condicionase à comprovação da efetividade dos serviços prestados, bem como dos correspondentes pagamentos. DEDUÇÕES. DESPESA DE INSTRUÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. São dedutíveis apenas os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil (creche e educação pré escolar), e de 1º, 2º e 3º graus e aos cursos de especialização ou profissionalizantes do próprio contribuinte e de seus dependentes. Cientificada em 03/10/2011 (Fls. 120), foi interposto Recurso Voluntário em 01/11/2011 (fls. 121 a 130), onde é argumentado em síntese: (...) Eméritos Julgadores, em que pese o trabalho do Auditor Fiscal na tentativa de encontrar irregularidades na declaração de renda da Recorrente, o seu trabalho não pode prevalecer uma vez que está tisnado pela marca indelével da inconsistência, tornandose inprestável para o fim a que se destina. DAS MOTIVAÇÕES E ARGUMENTAÇÕES DO AUDITOR FISCAL (...) Em primeiro lugar, adota o Auditor postura nitidamente contrária ao contribuinte, como se estivesse diante de duas classes de cidadãos: uma em prol da legalidade, da arrecadação, do resguardo do bem público, por ele representada. A outra classe, constituída por cidadãos de máfé, todos eles empenhados em burlar o fisco, em negar as emanações do Estado, composta pela contribuinte ora Recorrente e pelos profissionais emitentes dos recibos. A presunção de inocência, corolário da presunção de idoneidade e dela decorrente, constitucionalmente garantida, passa ao largo das manifestações do Auditor Fiscal. Exigir do contribuinte que ao proceder os pagamentos através de moeda corrente, demonstrem que houve coincidência de saques nos Bancos é uma excrescência. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10840.720710/200968 Resolução nº 2801000.186 S2TE01 Fl. 137 4 Ninguém vai ao banco e realiza saques separados para cada despesa que possui. Pensar dessa forma beira a insanidade, afronta todos os princípios da lógica aristotélica. (...) O que diferencia a coincidência de valor e data do saque com o pagamento da efetiva declaração do pagamento em dinheiro, confrontada com saques de valores diferentes do pagamento realizado e associados a recibos devidamente confirmados pelos seus emitentes? DO DIREITO O entendimento dos tribunais desautoriza o trabalho do Auditor Fiscal, movido pela fúria arrecadadora que assola o nosso país, em que se elevou o superávit fiscal ao status de religião e dogma a ser defendido e conseguido por todos os meios e em todas as circunstâncias, é que se apurou o valor apontado no auto de infração, que mora se combate. (...) No caso presente, todo o eixo de suporte da argumentação do Fisco sustentase na ausência de comprovação de saque bancário, ou ainda, da pretensão falta de necessidade dos atendimentos médicos. DA PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA Todo o conjunto probatório compilado no procedimento realizado pelo Auditor Fiscal, associado ao princípio constitucional da presunção da inocência, ou mais estritamente, da não culpabilidade, comprova a inconsistência do trabalho levado a efeito e que deu ensejo à lavratura do Auto de Infração em desfavor da Recorrente. (...) O Auditor Fiscal afastouse da lei federal, ou seja, do Código de Processo Civil ao desconsiderar os saques a maior, coincidentes em datas ou feitos em dia anterior, associados a recibos devidamente confirmados pelos emitentes, tudo isso analisado em circunstância familiar que suporta o ônus de variadas despesas, como meios moralmente legítimos de prova dos pagamentos efetuados e declarados ao fisco pela Recorrente. (...) DA DESPESA COM DEPENDENTES A glosa das despesas da Recorrente realizadas coma sua sobrinha Gabriela, não deve subsistir. (..) POSTO ISSO, requer à Vossa Excelência, na qualidade de Presidente do Conselho de Contribuinte, que se digne acolher o presente RECURSO para anular o acórdão proferido, reconhecendo como válido todos as lançamentos efetivados no Imposto de Renda da Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES Processo nº 10840.720710/200968 Resolução nº 2801000.186 S2TE01 Fl. 138 5 Recorrente referente ao exercício de 2.005, ano base de 2.004, por ser medida de direito e de justiça. Ao final o advogado Rosimar Ferreira, OAB/SP. 126.636, solicita: Ao final, requer sejam cadastrados o nome do Advogado da Recorrente para as futuras publicações sejam feitas em seu nome. Requer, outrossim, a concessão do prazo de cinco dias para a juntada do instrumento de procuração, tendo em vista que a Recorrente encontrase viajando. Entretanto o instrumento de procuração não é vislumbrado no corpo do processo. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Antes de tudo, é dever analisar as condições de admissibilidade do recurso. É que, conforme se verifica nos autos, o recurso foi apresentado pelo advogado Rosimar Ferreira. Contudo, não constam nos autos documentos que atestem ser o Sr. Rosimar Ferreira, que assina o recurso, o representante legal da contribuinte autuada. Ante o acima exposto, proponho o retorno dos autos à DRFB de origem para que a autoridade preparadora solicite da Sra. Denise Ferreira de Menezes documentação que comprove ser o advogado que assina o recurso o seu representante legal. Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 25/ 02/2013 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por ANTONIO DE PADUA AT HAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 11444.000350/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008
EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO FEDERAL, ESTADUAL, DISTRITAL OU MUNICIPAL, NESSA QUALIDADE NÃO AMPARADO POR RPPS. FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS.
As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, ficando sujeitos os agentes políticos e as respectivas pessoas jurídicas de direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial.
AUTO DE INFRAÇÃO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM.
Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da pessoa jurídica de direito público interno, sempre que a auditoria fiscal se desenvolver no órgão público da administração direta, seguido da identificação do órgão fiscalizado, devendo constar do relatório fiscal a identificação dos respectivos dirigentes e os correspondentes períodos de gestão.
AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA.
Não enseja nulidade do lançamento a lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela por ela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada, em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
CARF. COMPETÊNCIA.
À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e sobre a aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vice-presidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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FILIAÇÃO OBRIGATÓRIA AO RGPS. As pessoas físicas exercentes de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, são qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, ficando sujeitos os agentes políticos e as respectivas pessoas jurídicas de direito público interno às obrigações tributárias fixadas na Lei de Custeio da Seguridade Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pelo decurso do prazo decadencial. AUTO DE INFRAÇÃO. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. LEGITIMIDADE AD PROCESSUM. Os documentos de constituição do crédito previdenciário serão emitidos em nome da pessoa jurídica de direito público interno, sempre que a auditoria fiscal se desenvolver no órgão público da administração direta, seguido da identificação do órgão fiscalizado, devendo constar do relatório fiscal a identificação dos respectivos dirigentes e os correspondentes períodos de gestão. AUTO DE INFRAÇÃO. LOCAL DA LAVRATURA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 03 50 /2 01 0- 53 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Não enseja nulidade do lançamento a lavratura de Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico em que se houve por lavrado o auto. Súmula nº 6 do CARF. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela por ela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada, em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. CARF. COMPETÊNCIA. À 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF foi deferida, tão somente, a competência para processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação aplicável a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, e sobre a aplicação de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente a tal tributo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 234 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Adriana Sato, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/04/2005 a 31/12/2008 Data da lavratura do AIOP: 19/04/2010. Data da Ciência do AIOP: 27/04/2010. Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal mediante a qual se formaliza o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo do município destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas a exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores , conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 22/30. As remunerações dos segurados empregados, assim considerados os exercentes de mandato eletivo municipal – vereadores , (art. 12, inciso I, alínea ‘j’ da Lei nº 8.212/91), foram apuradas com base na Relação de Pagamentos dos Vereadores da Câmara Municipal de Guaimbê, a fls. 63/107, referente ao período de 04/2005 a 12/2008. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 114/148. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 179/189, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 11 de abril de 2011, conforme Avisos de Recebimento a fls. 193/194. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 195/226, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Nulidade total da presente autuação, por ausência de capacidade jurídica do poder legislativo local; · Nulidade da autuação pelo não atendimento aos requisitos mínimos de lavratura de auto infracional; Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 · Desnecessidade de recolhimento de contribuições previdenciárias por parte de agentes políticos; · Decadência parcial; Ao fim, requer o Recorrente a declaração de nulidade do Auto de Infração. Alternativamente, requer o reconhecimento da decadência parcial das obrigações tributárias que integram o vertente lançamento tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 11/04/2011. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 09 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Superado o pressuposto temporal, presente os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 235 5 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urgem serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário desta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à tese de que ao lançamento de contribuições previdenciárias cujos fatos geradores somente poderiam ter sido apurados mediante ação fiscal, aplicarseia o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Diante de tal cenário, o entendimento deste que vos relata mostrase isolado neste Colegiado. Dessarte, em atenção aos clamores da eficiência exigida pela Lex Excelsior, curvome ao entendimento majoritário desta Corte Administrativa, em respeito à opinio iuris dos demais Conselheiros. No caso em apreciação, colhemos das provas e alegações presentes nos autos de que, em favor da rubrica objeto do lançamento, não se houve por efetuado qualquer prévio recolhimento de contribuições previdenciárias. Tal circunstância nos é trazida não somente pela narrativa dos fatos, mas, também, pela verificação de que, no Discriminativo Analítico de Débito a fls. 06/13, não consta qualquer crédito a favor da Autuada, tampouco integra o Fl. 238DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 236 7 Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. Além disso, as importâncias relativas à em foco também não foram declaradas nas GFIP correspondentes. Tal conclusão é corroborada pelo fato de o Recorrente não entender que sobre a remuneração de agentes políticos não há incidência de contribuições previdenciárias. Nessas circunstâncias, somente pelo desenvolvimento de uma ação fiscal específica nas dependências do órgão público em questão é que os fatos geradores objeto do presente lançamento poderiam ser apurados. Nessa perspectiva, a análise da subsunção do fato in concreto à norma de regência revela que, ao caso sub examine, operase a incidência das disposições inscritas no inciso I do transcrito art. 173 do CTN. Assim delimitadas as circunstâncias materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência do lançamento realizada no dia 27 de abril de 2010, este alcançaria todos os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2004, inclusive, excluído os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: Fl. 239DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 237 9 No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 2004 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 2006, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 2010, inclusive. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, não demanda áurea mestria concluir que as obrigações tributárias objeto do presente lançamento, em sua integralidade, não se houveram ainda por finadas pela algozaria do instituto da decadência tributária. 2.2. DA ALEGADA NULIDADE DO LANÇAMENTO Alega o Recorrente nulidade total da presente autuação, por ausência de capacidade jurídica do poder legislativo local. Pugna, igualmente, pela nulidade da autuação pelo não atendimento aos requisitos mínimos de lavratura de auto infracional. A razão, todavia, não lhe sorri. O Recorrente introduziu nos autos extenso arrazoado acerca da legitimidade ad processum do Poder Legislativo Municipal, máxime em razão da carência de capacidade jurídica da Câmara municipal, desperdiçando a específica oportunidade concedida pela lei para se manifestar nos autos, no pleno exercício do seu constitucional direito ao contraditório e à ampla defesa, para atacar os reais motivos ensejadores da autuação e espancar os fatos sobre os quais se escorou o órgão julgador a quo, no juízo negativo de provimento da impugnação. Com efeito, como muito bem reconhecido pelo Autuado, a Câmara Municipal não detém personalidade jurídica, tampouco capacidade processual para figurar no polo passivo da relação jurídica tributária, sendo o município a pessoa jurídica própria a ser demandada nos eventuais lançamentos de ofício visando à constituição de crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias incidentes sobre os fatos geradores específicos apurados nas ordens daquele Órgão Legislativo Municipal, em atenção ao preceito inscrito no inciso II do art. 12 do Código de Processo Civil. Código de Processo Civil Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: I a União, os Estados, o Distrito Federal e os Territórios, por seus procuradores; II o Município, por seu Prefeito ou procurador; (...) Fl. 241DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Ocorre, todavia, que, conforme avulta da Folha de Rosto do Auto de Infração ora em apreciação, o lançamento sobre o qual nos debruçamos não se houve por lavrado em face da Câmara Municipal do Município de Guaimbê, como assim identificaram os olhos do Recorrente, mas, sim, em desfavor do próprio Município de Guaimbê, pessoa jurídica de direito público Interno, CNPJ 49.890.171/000122, contribuinte do Regime Geral de Previdência Social nos termos do art. 15, I da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (grifos nossos) II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; (grifos nossos) IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107/2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei. Parágrafo único. Salvo disposição em contrário, as pessoas jurídicas de direito público, a que se tenha dado estrutura de direito privado, regemse, no que couber, quanto ao seu funcionamento, pelas normas deste Código. As normas e procedimento internos de auditoria da RFB não se distraíram em tal cuidado, determinando expressamente que nos procedimentos fiscais desenvolvidos em órgãos da administração pública direta, as eventuais notificações de lançamento devem ser emitidas em nome do ente estatal, com a identificação do CNPJ dos respectivos órgãos, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão, a teor do art. 639 da IN SRP nº 3/2005. Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 639. Em se tratando de órgão da Administração Pública direta, a NFLD será lavrada em nome da União, do estado, do Distrito Federal ou do município, seguido da identificação do órgão, devendo constar do relatório fiscal a identificação do dirigente e respectivo período de gestão. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 238 11 Correto, portanto, o procedimento conduzido pelo agente fiscal ao lavrar o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal em nome da pessoa jurídica de direito público interno, in casu, o município de Guaimbê, e ao notificar a pessoa do Prefeito Municipal, representante legal do ente público em questão, inexistindo qualquer vício de legitimidade a justificar a alegação de nulidade do procedimento tão credulamente defendida pelo Recorrente. Também se revela improcedente a alegação de carência de requisitos mínimos para a lavratura da vertente notificação de lançamento. Reza o art. 37 da Lei nº 8.212/91 que, constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias a fiscalização tem, por dever de ofício, que lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores das contribuições devidas e dos períodos a que se referem. Compulsando os autos do processo verificase que o Relatório Fiscal destacou com clareza solar os motivos ensejadores da lavratura do vertente Auto de Infração de Obrigação Principal, consubstanciados nas remunerações pagas a exercentes de mandatos eletivos municipais (Vereadores), qualificados pela Lei de Custeio da Seguridade Social como integrantes da categoria de “segurados empregados", nos termos da alínea “j” do inciso I do art. 12 da Lei n° 8.212/91, fatos geradores esses que deixaram de ser declaradas nas respectivas GFIP, como assim determina taxativamente o inciso IV do art. 32 do Diploma Legal em foco. Na mesma esteira, o Discriminativo de Débito a fls. 06/13 descreve, de forma analítica, discriminados por estabelecimento do Recorrente, competência, levantamento, código e descrição do lançamento, o montante da base de cálculo apurada, a descrição e valor de cada rubrica lançada, bem como suas correspondentes alíquotas de incidência, valor líquido devido em cada competência assim como os respectivos acréscimos legais. O montante da base de cálculo lançada também pode ser sindicado e conferido pelo confronto com as Relações de Pagamentos dos Vereadores fornecidos pelo próprio ente fiscalizado, a fls. 63/107 dos autos. Os Relatórios Fiscais integrantes do Processo Administrativo Fiscal em foco descrevem pormenorizadamente toda a fundamentação legal que oferece esteio jurídico ao lançamento tributário ora em julgo, com especial destaque ao FLD Fundamentos Legais do Débito, a fls. 14/15, o qual houvese por elaborado de maneira extremamente individualizada por lançamento, sendo estruturado de forma atomizada por tópicos específicos condizentes com os mais diversos e variados aspectos relacionados com procedimento fiscal e o crédito tributário ora em apreciação, descrevendo, pormenorizadamente, em cada horizonte temporal, todos os instrumentos normativos que dão esteio às atribuições e competências do auditor fiscal, às contribuições sociais lançadas e seus acessórios pecuniários, às substituições tributárias, aos prazos e obrigações de recolhimento, às obrigações acessórias pertinentes ao caso espécie, dentre outras, especificando, não somente o Diploma Legal invocado, mas, igualmente, os dispositivos normativos correspondentes, permitindo ao Increpado a perfeita compreensão dos fundamentos e razões da autuação. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIPF e TEPF, dentre outros, havendo Fl. 243DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restandolhe garantido, dessarte, o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Em cumprimento às determinações estatuídas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72, verificamos que todos os elementos essenciais pertinentes ao instrumento de lançamento nele previsto encontramse presentes no Auto de Infração de Obrigação Principal em foco. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Cumpre alertar o Recorrente, dada a sua relevância, que o preceito inscrito no inciso II do referido art. 10 do Decreto n° 70.235/72 exige que no Auto de Infração conste, expressamente, o local, a data e a hora de sua lavratura, estando o termo “local” empregado em seu sentido de “localidade”, para fins de determinação de jurisdição e competência da autoridade fiscal responsável pela lavratura do auto. Olhando com os olhos de ver, constatase que a lei que rege o Processo Administrativo Fiscal não exige que o Auto de Infração seja lavrado nas dependências do estabelecimento do Autuado, como assim interpreta de forma tendenciosa e equivocada o Recorrente, nada impedindo que seja formalizado na própria repartição fiscal circunscricionante, e não propriamente no local onde foi praticada a infração, desde que a autoridade lançadora possua os dados e informações necessárias e indispensáveis à sua formalização. Nesse sentido já se posicionou a jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se depreende dos termos que textualizam o verbete de sua Súmula nº 6, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Cabível neste ponto o esclarecimento de que o processo administrativo fiscal é precedido de uma fase inquisitiva, na qual a autoridade fiscal pratica todos os atos de ofício de sua competência, aplicando a legislação tributária à situação de fato, cujo resultado pode ou não desaguar na formalização de lançamento tributário. Nessa fase preliminar, conhecida como oficiosa ou não contenciosa, a autoridade administrativa procede à coleta de informações, dados e elementos de prova, ao exame de documentos, à auditagem dos registros contábeis e Fl. 244DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 239 13 fiscais, tendentes ao apuro de eventual ocorrência de fatos geradores de obrigação tributária principal e/ou acessória. Sublinhese que, tanto as provas coletadas diretamente pela fiscalização quanto àquelas obtidas por intermédio dos trabalhos complementares de investigação não se submetem, nesta fase do procedimento, ao crivo do contraditório e da ampla defesa, direito constitucional este que se abrirá ao sujeito passivo com a notificação do lançamento, momento processual próprio em que o Notificado, desejando, pode impugnar os termos do lançamento, oportunidade em que se instaura a fase contenciosa do Processo Administrativo Fiscal, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72, quando então o contribuinte tem ao seu inteiro dispor o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Tal compreensão é corroborada pelos termos consignados no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal que assegura aos litigantes, nos processos judiciais e administrativos, o contraditório e a ampla defesa, sendo certo que só se há que falar em litígio após a impugnação do lançamento, se assim desejar o Autuado, uma vez que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido (caso em que não é instaurada a fase contraditória) ou, exercendo o direito de defesa e do exercício do contraditório, poderá impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Constituição Federal de 1988 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (grifos nossos) Não se deve olvidar que, ao tomar ciência de eventual lançamento tributário, o Notificado tem a faculdade de nada contestar, anuindo com a exigência fiscal, vindo a pagar ou a parcelar o que lhe está sendo exigido, hipótese em que não é instaurada a fase contraditória. Ao revés, pode ele, também, exercendo o seu direito de defesa, impugnar o lançamento, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento fiscal. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Como visto, verificase que o Auto de Infração em relevo foi lavrado em harmonia com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas e os períodos a que se referem, constando ainda no Auto de Infração em relevo, a qualificação do Autuado e seu CNPJ, o local, a data e a hora da sua lavratura, a descrição do fato jurígeno tributário, as disposições legais infringidas e a penalidade aplicada, a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias, bem como a assinatura da Autoridade Lançadora e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de nulidade tão veementemente erguida pelo Recorrente. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO EXERCENTE DE MANDATO ELETIVO Alega o Recorrente a desnecessidade de recolhimento de contribuições previdenciárias por parte de agentes políticos. Razão não lhe assiste. O §1º do art. 13 da Lei nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, acrescentou ao inciso I do art. 12 da Lei nº 8.212/91 a alínea “h”, a qual qualificava como segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social. Ocorre que, quando da edição da citada Lei Ordinária 9.506/97, o artigo 195 da Constituição Federal dispunha que: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidente sobre a folha de salários, o faturamento e o lucro; Fl. 246DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 240 15 II dos trabalhadores; Com fundamento na tese de que o inciso II do já visto art. 195 da CF/88 não comportava os agentes políticos, forte no argumento de que eles não poderiam ser qualificados como "trabalhadores", e em razão de não se tratar de instituição de contribuição sobre "a folha de salários, o faturamento e os lucros", o disposto no art. 13, §1º da Lei nº 9.506/97 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Decisão proferida em 08/10/2003 nos autos do RE nº 351.717/PR, DJ de 21/11/2003, eis que, segundo o Excelso Pretório, a criação de uma nova figura de segurado obrigatório da Previdência Social somente poderia ter ocorrido por meio de lei complementar, nunca por Lei Ordinária. Em virtude de tal decisão ter sido proferida no trâmite do Controle Difuso de Constitucionalidade, tal veredictum beneficiou, à época, tão somente, o impetrante da ação judicial em relevo. Nessa perspectiva, em decorrência própria da aludida decisão da Suprema Corte, o Senado Federal suspendeu, com fundamento no art. 52, X da CF/88, a execução da norma inscrita na alínea "h" do Inciso I do Art. 12 da Lei nº 8.212/91, conforme Resolução nº 26, de 21 de junho de 2005, in verbis: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 52. Compete privativamente ao Senado Federal: (...) X suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; RESOLUÇÃO Nº 26, DE 2005 Suspende a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997. O Senado Federal resolve: Art. 1º É suspensa a execução da alínea "h" do inciso I do art. 12 da Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentada pelo § 1º do art. 13 da Lei Federal nº 9.506, de 30 de outubro de 1997, em virtude de declaração de inconstitucionalidade em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário nº 351.7171 Paraná. O entrave constitucional acima abordado veio a ser desbloqueado com a publicação da Emenda Constitucional nº 20/98, a qual conferiu nova redação ao Inciso II do art. 195 da Constituição Federal de 1988, que passou a ter a seguinte redação: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, Fl. 247DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20/98) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20/98) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, A Emenda Constitucional nº 20/98 incluiu, ainda, o §13 no art. 40 da nossa Lei Soberana, nos seguintes termos: Constituição da República Federativa do Brasil Art. 40. O servidor será aposentado: (...) §13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplicase o regime geral de previdência social. Nesse contexto, com as alterações constitucionais introduzidas pela Emenda Constitucional nº 20/98, ficou afastada a reserva da lei complementar para a instituição de nova categoria de segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social, possibilitando que nova lei ordinária, tão só, formalizasse legalmente a sua criação. E foi exatamente o que se sucedeu em 18 de junho de 2004 com a promulgação da Lei nº 10.887/2004, que acrescentou ao tão comentado inciso I do art. 12 da Lei 8212/91 a alínea ‘j’, com a mesma redação da extirpada alínea ‘h’ já vista anteriormente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: (...) j) o exercente de mandato eletivo federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de previdência social; Dessarte, efetivadas as comentadas modificações legislativas, os servidores ocupantes exclusivamente de cargos eletivos – aqui incluídos os agentes políticos federais, estaduais e municipais , não vinculados a regime próprio de previdência social, passaram a ser segurados obrigatórios do RGPS, sujeitando os agentes políticos ora referidos, bem como os Fl. 248DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 241 17 entes públicos respectivos, às obrigações tributárias estabelecidas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Desta forma, a partir de 21 de junho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.887/2004, com eficácia a partir de 19 de setembro de 2004, por força da anterioridade específica prevista no art. 195, §6º da CF/88, tornouse indiscutível e obrigatória a contribuição previdenciária dos Entes Públicos Federativos incidentes sobre a remuneração paga a seus exercentes de mandato eletivo, nos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, bem como a contribuição previdenciária a cargo destes, incidentes sobre os seus respectivos subsídios, observado o limite máximo do Salário de Contribuição, conforme art. 20 do mesmo diploma Legal, desde que tais agentes políticos não estejam vinculados a regime próprio de previdência social. No entanto, é de salientar que, se a vinculação a regime próprio de previdência for concomitante com outras atividades remuneradas, situação bem comum no caso de vereadores, o agente político será segurado obrigatório em relação a cada atividade desenvolvida, mesmo se a vinculação se der a regimes previdenciários diferentes, podendo ser, como exemplo, contribuinte de regime próprio de previdência social na qualidade de servidor público titular de cargo efetivo e contribuinte do regime geral de previdência social, na qualidade de vereador. Nesse sentido assim ilumina o art. 6º, XIX da IN SRP nº 3/2005, na redação vigente à data de ocorrência dos fatos geradores: Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 6° Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (grifos nossos) (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Outra não é a norma tributária inscrita no art. da IN RFB nº 971/2009 Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 6º Deve contribuir obrigatoriamente na qualidade de segurado empregado: (...) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 XIX o exercente de mandato eletivo federal, estadual, distrital ou municipal, salvo o titular de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações de direito público, afastado para o exercício do mandato eletivo, filiado a RPPS no cargo de origem, observada a legislação de regência e os respectivos períodos de vigência; (...) §2º Na hipótese do inciso XIX do caput, o servidor público vinculado a RPPS que exercer, concomitantemente, o mandato eletivo no cargo de vereador, será obrigatoriamente filiado ao RGPS em razão do cargo eletivo, devendo contribuir para o RGPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do mandato eletivo e para o RPPS sobre a remuneração recebida pelo exercício do cargo efetivo. Chamamos a atenção para a clareza do dispositivo infralegal ao determinar que, nas hipóteses de o exercente de mandato eletivo municipal ser filiado, concomitantemente, a Regime Próprio de Previdência Social, para não contribuir ao Regime Geral de Previdência Social pelos valores auferidos pelo exercício do cargo na Câmara Municipal, como vereador, deve estar oficialmente afastado da sua atividade como servidor titular de cargo efetivo, exercendo apenas a vereança. Assim, sendo mantendo as duas atividades simultaneamente e auferindo remuneração em ambas, o vereador servido contribuirá ao RPPS pelo salário na atividade de servidor público efetivo e para o RGPS, pelos subsídios recebidos como vereador. Nesse contexto, sendo as pessoas físicas exercentes de mandato eletivo municipal qualificadas como segurados obrigatórios do RGPS, eis que não amparadas, nessa qualidade, por Regime Próprio de Previdência Social, no período de apuração do crédito tributário objeto do vertente Auto de Infração, ou por auferirem, simultaneamente, remuneração pelo exercício da vereança e de cargo efetivo municipal como servidor titular, procedente é o lançamento levado a cabo pela autoridade fiscal. Não procede, portanto, a alegação de desnecessidade de recolhimento de contribuições previdenciárias por parte de agentes políticos vinculados a regimes previdenciários diversos. Conforme devidamente esclarecido, para que fossem inexigíveis tais contribuições, teria o Recorrente que comprovar o efetivo afastamento dos servidores vinculados a RPPS, situação essa não demonstrada nos autos. No Processo Administrativo Fiscal, alegar sem nada provar produz os mesmos efeitos que nada alegar. 3.2. DA LEGISLAÇÃO APLICÁVEL Não concordamos, todavia, com o critério de aplicação da multa de mora e da multa de ofício adotado pela Autoridade Lançadora, corroborada pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o Fl. 250DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 242 19 lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo obrigado, porém mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35 ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por ai. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Fl. 251DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Seguridade Social o art. 35A que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de multa de ofício de 75%, Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 252DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 243 21 II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nessa perspectiva, o regramento da penalidade pecuniária a ser aplicada ao recolhimento espontâneo feito a destempo e ao lançamento de ofício de contribuições previdenciárias que, antes da metamorfose legislativa promovida pela MP nº 449/2008, encontravamse acomodados em um mesmo dispositivo legal, o art. 35 da Lei nº 8.212/91, agora se encontram dispostos em separado, respectivamente nos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96, por força dos preceitos inscritos nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Dispensando um enfoque, exclusivamente, ao lançamento de ofício, que é a matéria posta em apreciação no vertente caso, observamos que a novel legislação severizou a penalidade a ser aplicada ao descumprimento total ou parcial da obrigação tributária principal. Com efeito, enquanto que a legislação anterior previa multa pecuniária variando de 24% a 50%, em função da fase processual em que se encontrar o correspondente Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário, a legislação atual prevê, em qualquer caso, a multa de ofício no valor fixo de 75%, circunstância que demonstra que a Fl. 253DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 novel legislação sempre se mostrará mais gravosa ao sujeito passivo do que a legislação então revogada. Ocorre que a Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessória, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia Fl. 254DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 244 23 descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que, no caso, o exame da retroatividade benigna deve adstringirse ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação principal, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária acessória. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno, pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação principal que é absolutamente independente de qualquer obrigação acessória a ela associada. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de obrigação principal, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que as disciplinas acerca da imposição de penalidades pelo descumprimento de obrigações acessória e principal encontramse previstas em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 245 25 Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91 um tratamento mais gravoso ao contribuinte, inexistindo hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência, a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido. Assim, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, devese observância aos comandos inscritos no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na sequência, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, incide a regra estampada nos artigos 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. 3.3. DA PRODUÇÃO ULTERIOR DE PROVAS O Recorrente protesta, ainda, por provar o alegado por todos os meios de provas admitidos por lei. Tal rogativa não encontra ambiente legislativo propício para florescer. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Fazenda, a disciplina da matéria em relevo foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 16 assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 257DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Fl. 258DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 246 27 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Avulta, nesse panorama jurídico, que o Recorrente não tem que protestar pela produção de provas documentais no processo administrativo fiscal. Tem sim, por disposição legal, que produzir as provas de seu direito, de forma concentrada, já em sede de impugnação, colacionadas juntamente na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. De acordo com os princípios basilares do direito processual, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse contexto, não logrando o Recorrente comprovar efetivamente a ocorrência de qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no aludido §5º do art. 16 do citado Decreto nº 70.235/72, a autorização de juntada de novas provas ou a apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação representaria, por parte deste Colegiado, negativa de vigência à Legislação tributária, providência que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 3.4. DA CONCESSÃO DE CND O Recorrente requer a expedição de Certidão Positiva com Efeito de Negativa até a decisão final destes autos. Ocorre, todavia, que a esta 2ª Seção houvese por outorgada, tão somente, a competência para perscrutar a conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Foge à competência deste Colegiado, por óbvio, a atribuição de conceder Certidão Positiva com Efeito de Negativa, motivo pelo qual tal pedido não poderá ser apreciado. Cumpre esclarecer, nada obstante, que qualquer assunto pertinente à emissão de certidões que atestem a inexistência de débitos perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB deve ser tratado diretamente na Delegacia da Receita Federal do Brasil circunscricionante do domicílio do peticionário, não possuindo regimentalmente este Conselho Administrativo competência para a apreciação e deliberação de pedidos a respeito do tema, a teor do art. 1º do Capítulo I, Título I do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Regimento Interno do CARF Fl. 259DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI 28 ANEXO II DA COMPETÊNCIA, ESTRUTURA E FUNCIONAMENTO DOS COLEGIADOS TÍTULO I DOS ÓRGÃOS JULGADORES CAPÍTULO I DA COMPETÊNCIA PARA O JULGAMENTO DOS RECURSOS Art. 1° Compete aos órgãos julgadores do CARF o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Parágrafo único. As Seções serão especializadas por matéria, na forma dos arts. 2° a 4°. Art. 3° À Segunda Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF); II Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); III Imposto Territorial Rural (ITR); IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3° da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007; e V penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas físicas e jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo. Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. §2° Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluise na competência da Segunda Seção. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11444.000350/201053 Acórdão n.º 2302002.137 S2C3T2 Fl. 247 29 penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 261DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/10/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10120.011371/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO - NÃO LANÇAR EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE -
Toda empresa é obrigada a lançar, em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias.
Numero da decisão: 2301-003.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silvério, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Lopes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 71 /2 00 9- 51 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 27/10/2009, por ter a empresa acima identificada deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso II, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso II, §§ 13 a 17, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 05), da análise dos arquivos digitais de sua escrituração contábil, a fiscalização identificou vários documentos registrados incorretamente no centro de custo das obras fiscalizadas. A autoridade lançadora informa que despesas de algumas obras, como férias, aquisições de materiais, serviços de sub empreitadas, entre outras, foram contabilizadas em centro de custo de outras obras, contrariando os normativos legais que tratam da matéria. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0347.002, da 5a Turma da DRJ/BSB (fls. 68), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 81), repetindo basicamente os argumentos trazidos na impugnação. Inicialmente, tece comentários sobre os antecedentes da Empresa, reafirmando sua seriedade, e informando que a recorrente se surpreendeu com a lavratura dos Autos de Infração, pois tinha certeza do cumprimento integral de toda a obrigação vinculada à norma previdenciária, e que os erros cometidos não o foram com o objetivo de sonegar, mas que servirão para aperfeiçoar os controles sobre práticas envolvendo a norma previdenciária. Traz conceitos próprios da Ciência Contábil e as regras a ela aplicáveis, para tentar demonstrar que as falhas apontadas pela auditoria, como motivadores da lavratura do presente auto de infração, não atende ao princípio de relevância, pois foram meros erros de classificação contábil cometidos pelo setor de classificação, perfeitamente corrigíveis, sendo que essa correção, já providenciada, não irá alterar, em valores absolutos, nenhuma quantia devida ao erário previdenciário. Com relação ao fato de estar registrado nos centros de custos das obras fiscalizadas gastos antes e após o encerramento da obra, justificase esclarecendo que a recorrente não tem como registrar gastos realizados com a obra antes da locação de pessoal à mesma, observando que a norma trabalhista, a qual o contribuinte também está obrigado a observar, determina que somente após adequar perfeitamente o canteiro de obras é que poderá alocar trabalhadores para ela. Da mesma forma, por um período de cinco anos, a empresa incorporadora é a responsável pelos reparos e manutenção da construção, sendo que os gastos incorridos com essa manutenção da obra já entregue será debitada como custos daquela obra já encerrada e, como a empresa não poderia manter equipe de trabalhadores em cada obra encerrada, os reparos são realizados por equipes suplementares ou pelo deslocamento temporário de trabalhadores de outras obras. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.011371/200951 Acórdão n.º 2301003.136 S2C3T1 Fl. 98 3 Conclui que os erros cometidos por ocasião da classificação dos custos incorridos em cada obra, apesar de não serem relevantes, são perfeitamente corrigíveis por meio de lançamentos corretivos, que serão posteriormente feitos e que, os valores de férias contabilizados como se fossem incorridos no mês de pagamento, foram corretamente declarados em GFIPs no mês de gozo, caracterizando assim a correção e oportunidade dos valores pagos à Previdência Social. Finaliza requerendo que seja retificado o Acórdão combatido e que sejam julgados, em conjunto, todos os demais autos lavrados em decorrência da caracterização no descumprimento de outras obrigações acessórias e de falta de recolhimento de obrigações principais, por se tratar de matérias correlatas. É o relatório. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, verificase que a recorrente não nega que tenha cometido as irregularidades apontadas pela autoridade autuante no Relatório Fiscal. Ela apenas tenta se justificar, alegando que os equívocos foram insignificante e que foram meros erros de classificação contábil cometidos pelo setor de classificação, perfeitamente corrigíveis, sendo que essa correção, já providenciada, não irá alterar, em valores absolutos, nenhuma quantia devida ao erário previdenciário Contudo o erro foi cometido, conforme a própria autuada reconhece em sua peça recursal. Assim, houve infração à legislação previdenciária. E, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8.212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O art. 32, I, da Lei 8.212/91, determina que: Art. 32. A empresa é também obrigada a I – (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; 0 art. 225 do RPS, § 13, inciso II, dispõe que cabe à empresa a obrigação do registro mensal em contas individualizadas de sua contabilidade, de todos os fatos geradores de contribuições sociais de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e as nãointegrantes do salário de contribuição, bem como as contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados, as contribuições sociais a cargo da empresa, os valores retidos de empresas prestadoras de serviços, os valores pagos a cooperativas de trabalho e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. A penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser relevada, tendo em vista o não preenchimento dos requisitos previstos no §1º, do art. 291, do Decreto 3.048/99. Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.011371/200951 Acórdão n.º 2301003.136 S2C3T1 Fl. 99 5 clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Pelo exposto, constatase que, o ao contrário do que afirma a recorrente, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Em relação ao argumento de que os erros cometidos não o foram com o objetivo de sonegar e que as irregularidades apontadas pelo agente fiscal não irão alterar, em valores absolutos, nenhuma quantia devida ao erário previdenciário, cumpre observar que a infração foi cometida e o auto não pode ser cancelado. Conforme estabelecido pelo CTN em seu art. 136, “Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infração da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”. Mister lembrar que o descumprimento de obrigações legais, sejam elas acessórias ou principais, sempre prejudica o erário. E é com o objetivo do melhor funcionamento da administração tributária, para que não se faça letra morta à lei e se evite a sonegação fiscal em massa é que o legislador impôs a penalidade pecuniária ao sujeito passivo que vilipendia obrigação legal a todos imposta. Dessa forma, não pode a legislação dar tratamento igual a um contribuinte que é diligente, cumpre os prazos procedimentais e lança em sua contabilidade, de forma discriminada, por centro de custo, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, a um outro contribuinte que não cumpre obrigações acessórias e dificulta a administração tributária ao deixar de registrar, em contas próprias de sua contabilidade, todos os fatos relacionados às contribuições sociais, de forma a identificar, clara e precisamente, por centro de custo, as rubricas integrantes e as não integrantes do salário de contribuição. Relativamente ao pedido de que sejam julgados em conjunto, além do auto ora contestado, os demais lavrados em decorrência do descumprimento de outras obrigações, acessórias e principais, por se tratar de matérias correlatas, cumpre observar que a empresa estava obrigada a registrar, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, por centro de custo, os fatos geradores da contribuição previdenciária. Assim, não há razão para o julgamento em conjunto com os demais autos lavrados na ação fiscal, conforme requerido pela autuada, pois, mesmo que venham a ser julgados improcedentes os lançamentos efetuados por meio dos demais Autos de Infração, basta o registro em título impróprio da contabilidade de uma despesa efetuada pela recorrente, para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. Nesse sentido, CONSIDERANDO tudo o mais que dos autos consta; Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14 /12/2012 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.013935/2008-48
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS.
A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA
A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-001.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dr. Erika Gadelha Muniz OAB/CE 13838.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS - COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerê-la ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - FOLHA DE PAGAMENTO - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INOBSERVÂNCIA DE PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL - INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado
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A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DA AUTUAÇÃO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COMPROVAÇÃO DE REQUISITOS. A entidade beneficente de assistência social, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, cumulativamente todos os requisitos dos incisos do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO FOLHA DE PAGAMENTO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 39 35 /2 00 8- 48 Fl. 134DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELA RECEITA FEDERAL DO BRASIL INCIDÊNCIA A autuação ocorre por deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou devidas aos segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dr. Erika Gadelha Muniz OAB/CE –13838. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 128 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 84 a 97, com Anexos às fls. 98 a 117 e 121 a 124, apresentado contra Acórdão nº 0815.876 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 73 a 77, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA nº 37.083.2558, no montante de R$ 1.254,89 (um mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, o Auto de Infração nº. 37.083.2558, Código de Fundamentação Legal – CFL 30, foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente por ela ter deixado de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a segurados, de modo que a divergência, entre o procedimento correto e o utilizado pelo sujeito passivo se situa na não inclusão, na(s) folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas pelas filiais 000283 (Colégio Shalom) e 001417 (Sistema Shalom de Comunicação). O Relatório Fiscal da Infração, fls. 15, indica que a infração foi detectada, após exame nas folhas de pagamento apresentadas pela empresa. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 32, I, combinado com art. 225, I e § 9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 92 e 102 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inc. I, alínea "a" e art. 373. A Portaria Interministerial MPS/MF nº 77, de 11.03.2008, conforme previsto no artigo 373 do citado RPS., estabeleceu o valor referido no Art. 283, II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, em R$ 1.254,89 (um mil, duzentos e cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, não ficou caracterizada nem circunstância agravante e nem circunstâncias atenuantes. Observase no relatório TEAF – Termo de Encerramento da Ação Fiscal, às fls. 13 e 14, que no resultado do procedimento fiscal foram lavrados outros Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, tais como o AIOP nº 37.178.3828. Desta forma, segundo o Relatório Fiscal referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.178.3828, às fls. 64 a 66, o Recorrente não possui o Ato declaratório de isenção de contribuições previdenciárias. Outrossim, informase que existe a sentença proferida em 28/03/2005 da 9ª Vara da Justiça Federal no Processo n° 2004.81.00.0194294 9ª Vara da Justiça Federal do Ceará, tendo sido concedida a segurança para declarar a nulidade dos créditos lançados por ação fiscal anterior de números 318442680 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 e 355344955 e consta que a ação judicial promovida pela Empresa não teve como objeto o reconhecimento da imunidade. Observa ainda o Relatório Fiscal referente ao Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.178.3828, às fls. 64 a 66, que até o encerramento desta ação fiscal não houve decisão ou qualquer motivação para alteração de procedimentos. Portanto prosseguiuse normalmente aos lançamentos dos créditos detectados em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal. O Recorrente teve ciência do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF em 17.03.2008, às fls. 06 a 07, na qual consta o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 0310100.2008.00165. O período objeto do Auto de Infração, conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, é de 01/2004 a 12/2004. O Recorrente teve ciência do AIOA no dia 16.09.2008, conforme fls. 01. O Recorrente apresentou impugnação tempestiva, às fls. 23 a 35, com Anexos às fls. 36 a 70. A decisão de 1ª instância, Acórdão nº 0815.876 – 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza CE, fls. 73 a 77, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme a Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DISPENSA DE EMENTA. Acórdão dispensado de conter ementa, nos termos das disposições da Portaria SRF n° 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão de 1ª instância, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 84 a 97, com Anexos às fls. 98 a 117 e 121 a 124, onde alega, em apertada síntese: Em sede Preliminar: (a) Da inconstitucionalidade da Lei 8212/1991 violação a preceitos constitucionais. O direito à Imunidade das contribuições para o financiamento da seguridade social por parte da Impugnante está albergado pela Constituição Federal, sendoo incontestável tanto na doutrina quanto na jurisprudência, retirando a liberdade do legislador ordinário de criar tributos. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 129 5 Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional. (b) Da imunidade prevista no art. 195, § 7 º, CRFB/1988 Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Destacase que o Ministro Marco Aurélio, em decisão liminar proferida da ADI 2.028DF, referendada pelo Plenário do STF como se verifica através da ementa, abaixo colacionada, na nota Precedente do STF sobre a matéria, é expresso no sentido que o art. 195, §7°, da CF, ora sob comentaria, trata de verdadeira imunidade e que a lei que disciplina as exigências é a Lei Complementar. (c) Da não incidência do § 1 º, art. 55, Lei 8.212/1991 para o reconhecimento da imunidade Dispõe o §1°, do art. 55, da Lei n° 8.212/91, in verbis,que a "isenção" das contribuições previdenciárias deverão ser requeridas ao INSS que terá o prazo de 30 dias para despachar, desde que reconhecidas todos os requisitos do caput, numa pretensão de regular "as exigências da Lei" prevista na parte final do §7°, do art. 195, da CF/88, condicionando a IMUNIDADE AO ATO DECLARATÓRIO. Destacase que a ADI em trâmite no STF suspendeu a eficácia destas normas, a saber: referendou a concessão dá medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1°, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n°. 8.212/1991, e acrescentoulhe os §§ 3 °, 4 ° e 5°, bem como dos arts. 4o, 5° e 7°, da Lei n°. 9.732/98, por reconhecer sua inconstitucionalidade. Constatase que a legislação que deve regular, a imunidade é o Código Tributário Nacional, por ter reconhecido status de Lei Complementar, e não a Lei Ordinária n°. 8.212/91. Ademais, o CTN não condicionou a Imunidade a Ato Declaratório. No Mérito: (d) o Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social Fl. 138DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Detectase que o CENTRO CATÓLICO DE EVANGELIZAÇÃO SHALOM É UMA ENTIDADE FILANTRÓPICA SEM FINS LUCRATIVOS; POIS O MESMO É UMA ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS COM RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA E REGISTRO NO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, ATENDENDO A TODOS OS REQUISITOS PARA GOZAR DA IMUNIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE SEGURIDADE SOCIAL. Em face do preenchimento de todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN, tornase desnecessário e até abusiva todo e qualquer ato ou autorização administrativa para o reconhecimento do Direito à Imunidade. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela LCP n° 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. O Recorrente colacionou ainda os seguintes documentos, em Anexo ao Recurso Voluntário, às fls. 98 a 117 e 121 a 124: 1. Procuração; 2. Contrato Social e Último Aditivo; 3. CNPJ; 4. Cópia da Decisão de Primeira Instância da DRJ; Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, conforme fls. 126. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 130 7 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação às fls. 126. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões Preliminares e ao Mérito. DAS PRELIMINARES (a) Da inconstitucionalidade da Lei 8212/1991 violação a preceitos constitucionais. O Recorrente argumenta em relação à violação a preceitos constitucionais: O direito à Imunidade das contribuições para o financiamento da seguridade social por parte da Impugnante está albergado pela Constituição Federal, sendoo incontestável tanto na doutrina quanto na jurisprudência, retirando a liberdade do legislador ordinário de criar tributos. Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional. Analisemos. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (b) Da imunidade prevista no art. 195, § 7 º, CRFB/1988 Fl. 141DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 131 9 O Recorrente alega: Ressaltese que a lei referida no final do parágrafo sétimo do artigo 195 da CF/88 é a Lei Complementar do art. 146 da CF, ou seja, o Código Tributário Nacional: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Destacase que o Ministro Marco Aurélio, em decisão liminar proferida da ADI 2.028DF, referendada pelo Plenário do STF como se verifica através da ementa, abaixo colacionada, na nota Precedente do STF sobre a matéria, é expresso no sentido que o art. 195, §7°, da CF, ora sob comentaria, trata de verdadeira imunidade e que a lei que disciplina as exigências é a Lei Complementar. O Recorrente alega: (c) Da não incidência do § 1 º, art. 55, Lei 8.212/1991 para o reconhecimento da imunidade Dispõe o §1°, do art. 55, da Lei n° 8.212/91, in verbis,que a "isenção" das contribuições previdenciárias deverão ser requeridas ao INSS que terá o prazo de 30 dias para despachar, desde que reconhecidas todos os requisitos do caput, numa pretensão de regular "as exigências da Lei" prevista na parte final do §7°, do art. 195, da CF/88, condicionando a IMUNIDADE AO ATO DECLARATÓRIO. Destacase que a ADI em trâmite no STF suspendeu a eficácia destas normas, a saber: referendou a concessão dá medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1°, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei n°. 8.212/1991, e acrescentoulhe os §§ 3 °, 4 ° e 5°, bem como dos arts. 4o, 5° e 7°, da Lei n°. 9.732/98, por reconhecer sua inconstitucionalidade. Constatase que a legislação que deve regular, a imunidade é o Código Tributário Nacional, por ter reconhecido status de Lei Complementar, e não a Lei Ordinária n°. 8.212/91. Ademais, o CTN não condicionou a Imunidade a Ato Declaratório. Analisemos. Em que pese a argumentação do Recorrente no sentido de que o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988 – CRFB/1988 remete a questão da isenção das contribuições à disciplina de Lei Complementar, observemos que o Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 2.028 – 5 (vide também a ADI 2.0366, no mesmo sentido) assentou jurisprudência Fl. 142DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 no sentido de que não há inconstitucionalidade no disciplinamento da imunidade prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, por lei ordinária. Neste sentido, pela clareza de suas lições, confirase o entendimento exarado no voto proferido pelo Ministro José Carlos Moreira Alves: Ou seja, o art. 195, § 7° da Constituição Federal de 1988, remete a Lei ordinária, quanto à isenção das contribuições previdenciárias: "Art. 195 (..) § 7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." (gn) Por outro lado, lembremos que é vedado ao Conselheiro do CARF afastar a aplicação de lei ou ato normativo por inconstitucionalidade, nos termos da Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Então, colacionando a decisão liminar julgada pelo Pleno do STF na ADI 2.028 – 5, na relatoria do eminente Min. Moreira Alves, de modo a implicar na restauração da redação original do art. 55, Lei 8.212/1991: Decisão : O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação Fl. 143DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 132 11 do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5º, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99. O citado dispositivo, art. 195, § 7º, CRFB/1988, remete à lei ordinária a incumbência da definição das exigências a serem atendidas pelas entidades beneficentes para gozarem de isenção das contribuições previdenciárias, exigências estas insculpidas no art. 55 da Lei n° 8.212/1991: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal,. II — seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III —promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97). § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. §2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. Da leitura do regramento legal acima, concluise que a entidade beneficente, para gozar da isenção, deverá requerêla ao órgão competente, oportunidade em que deverá demonstrar que cumpre, rigorosamente, todos os requisitos dos incisos I a V do art. 55 da Lei n° 8.212/1991. A forma de apresentação do requerimento está disciplinada no art. 208 do Decreto n°3.048/1999, com a redação à época dos fatos: Art.208. A pessoa jurídica de direito privado deve requerer o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, em formulário próprio, juntando os seguintes documentos: Fl. 144DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 I decretos declaratórios de entidade de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II Registro e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) III estatuto da entidade com a respectiva certidão de registro em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; IV ata de eleição ou nomeação da diretoria em exercício, registrada em cartório ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas; V comprovante de entrega da declaração de imunidade do imposto de renda de pessoa jurídica, fornecido pelo setor competente do Ministério da Fazenda; VI relação nominal de todas as suas dependências, estabelecimentos e obras de construção civil, identificados pelos respectivos números de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou matrícula no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; e VII resumo de informações de assistência social, em formulário próprio. §1º O Instituto Nacional do Seguro Social decidirá sobre o pedido no prazo de trinta dias contados da data do protocolo. §2º Deferido o pedido, o Instituto Nacional do Seguro Social expedirá Ato Declaratório e comunicará à pessoa jurídica requerente a decisão sobre o pedido de reconhecimento do direito à isenção, que gerará efeito a partir da data do seu protocolo. §3ºA existência de débito em nome da requerente constitui impedimento ao deferimento do pedido até que seja regularizada a situação da entidade requerente, hipótese em que a decisão concessória da isenção produzirá efeitos a partir do 1º dia do mês em que for comprovada a regularização da situação. (Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4º No caso de não ser proferida a decisão de que trata o §1º, o interessado poderá reclamar à autoridade superior, que apreciará o pedido da concessão da isenção requerida e promoverá a apuração de eventual responsabilidade do servidor omisso, se for o caso. §5º Indeferido o pedido de isenção, cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social, que decidirá por uma de suas Câmaras de Julgamento. §6º Os documentos referidos nos incisos I a V poderão ser apresentados por cópia, conferida e autenticada pelo servidor encarregado da instrução, à vista dos respectivos originais. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 133 13 Feito o requerimento, o órgão competente decidirá em 30 (trinta) dias sobre o pedido e, em caso de deferimento, emitirá Ato Declaratório, com efeitos a partir da data do seu protocolo. A titulo de esclarecimento o órgão competente era até 27/10/2004 o Instituto Nacional do Seguro Social INSS; de 28/10/2004 a 14108/2005 e 19/11/2005 a 01/05/2007 a Secretaria da Receita Previdenciária SRP, criada pela MP 222 de 04/10/2004, convertida na Lei 11.098/2005; de 15/08/2005 a 18/11/2005 e a partir de 02/05/2007 a Receita Federal do Brasil RFB, por força da MP n°258, de 21/07/2005 e da Lei n° 11.457/2007, respectivamente. Atestou o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, que o Recorrente não requereu o reconhecimento da isenção ao Instituto Nacional do Seguro Social, conforme estabelece a legislação já mencionada, ou seja, art. 55, Lei 8.212/1991 c/c art. 208 do Decreto n°3.048/1999, estando assim obrigado a recolher as contribuições previdenciárias integralmente, ou seja, relativas à parte dos segurados, da empresa e de Terceiros. Feitas essas considerações ficou demonstrado que, ao contrário da argumentação do Recorrente, ele não faz jus no período notificado à isenção de contribuições previdenciárias. Da regularidade da autuação Ademais, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. Folha de Rosto do Auto de Infração; b. Instruções para o Contribuinte – IPC; c. REPLEG – Relatório de representantes Legais; Fl. 146DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 d. VÍNCULOS – Relação de Vínculos; e. TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal; f. Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD; g. Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF; h. Relatório Fiscal da Infração da Infração e da Aplicação da Multa. Cumprenos esclarecer ainda, que a autuação fiscal foi elaborada nos termos do artigo 293, Decreto 3.048/1999, especialmente com a discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura. Art.293.Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §1oRecebido o autodeinfração, o autuado terá o prazo de trinta dias, a contar da ciência, para efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de cinqüenta por cento ou impugnar a autuação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §2oImpugnada a autuação, o autuado, após a ciência da decisão de primeira instância, poderá efetuar o pagamento da multa de ofício com redução de vinte e cinco por cento, até a data limite para interposição de recurso. (Redação dada pelo Decreto nº 6.103, de 2007) §3ºO recolhimento do valor da multa, com redução, implica renúncia ao direito de impugnar ou de recorrer.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) §4oApresentada impugnação, o processo será submetido à autoridade competente, que decidirá sobre a autuação, cabendo recurso na forma da Subseção II da Seção II do Capítulo Único do Título I do Livro V deste Regulamento. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) Analisandose o auto de infração e seus anexos, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. artigo 293, Decreto 3.048/1999. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.013935/200848 Acórdão n.º 2403001.539 S2C4T3 Fl. 134 15 DO MÉRITO. (d) o Recorrente é uma entidade beneficente de assistência social O Recorrente alega: Detectase que o CENTRO CATÓLICO DE EVANGELIZAÇÃO SHALOM É UMA ENTIDADE FILANTRÓPICA SEM FINS LUCRATIVOS; POIS O MESMO É UMA ASSOCIAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS COM RECONHECIMENTO DE UTILIDADE PÚBLICA E REGISTRO NO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, ATENDENDO A TODOS OS REQUISITOS PARA GOZAR DA IMUNIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DE SEGURIDADE SOCIAL. Em face do preenchimento de todos os requisitos previstos no art. 14 do CTN, tornase desnecessário e até abusiva todo e qualquer ato ou autorização administrativa para o reconhecimento do Direito à Imunidade. Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9° é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I — não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer titulo; (Redação dada pela LCP n° 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no Pais, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1° Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do artigo 9°, a autoridade competente pode suspender a aplicação do beneficio. § 2° Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9° são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. Analisemos. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 A questão relativa à disciplina legal da isenção já foi discutida nos tópicos (b) e (c) acima, com a aplicação do art. 55 da Lei 8.212/1991, nos termos da ADI 2.0285, STF, ou seja, com vigência da redação original do art. 55 da Lei 8.212/1991. Observase assim que o Recorrente, nos termos do Relatório Fiscal da Infração, às fls. 15, não cumpriu cumulativamente os requisitos elencados no art. 55, Lei 8.212/1991, em especial a existência de ato declaratório de isenção de contribuições previdenciárias, não ensejando portanto aos benefícios da isenção de contribuições previdenciárias relacionadas à imunidade de entidades beneficentes. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, não acolher AS PRELIMINARES suscitadas e, NO MÉRITO, negar provimento ao Recurso. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10980.011169/2007-37
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INOVAÇÃO NOS AUTOS QUANDO DA DECISÃO DA DRJ. INCABÍVEL.
Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitando-se a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Recurso a que se dá provimento.
Numero da decisão: 2802-001.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 17/12/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Sidney Ferro Barros acompanhou o relator pelas conclusões.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE PROVA DO DESEMBOLSO OU DO EFETIVO PAGAMENTO SEM APONTAMENTO DE VÍCIOS NOS COMPROVANTES APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE. INOVAÇÃO NOS AUTOS QUANDO DA DECISÃO DA DRJ. INCABÍVEL. Não tendo a autoridade fiscal apontado quaisquer vícios nos comprovantes apresentados pelo Contribuinte, limitandose a exigir, concomitantemente à exigência de apresentação dos recibos, prova do pagamento das despesas, deve se manter o valor deduzido, pois deve a autoridade lançadora justificar a exigência do efetivo desembolso. Incabível a inovação nos autos quando da decisão da DRJ para agregar fundamentos faltantes no auto de infração de forma a justificar a inidoneidade dos comprovantes de pagamento. Vinculação do ato de lançamento. Recurso a que se dá provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 11 69 /2 00 7- 37 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 17/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. O Conselheiro Sidney Ferro Barros acompanhou o relator pelas conclusões. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fl. 08), o qual apurou supostas irregularidades (fls. 09) em virtude da revisão da declaração de rendimentos – DIRPF, do exercício 2003, anocalendário 2002, em virtude de deduções indevidas de despesas médicas no valor total de R$ 40.000,00, sendo glosados R$ 30.000,00 pagos ao fisioterapeuta Glauco A. Eberhardt e R$ 10.000,00 pagos à fisioterapeuta Rosemari A. Pires, por falta de comprovação de efetivos pagamento e tratamento, além de se lhe impor multa exigida isoladamente pela falta de recolhimento mensal do imposto (carnê leão). Resta consignado no auto de infração, a título de fundamentação que, para gozar da dedução pleiteada, não basta a mera exibição do recibo sem vinculação dos efetivos pagamento e tratamento. O Contribuinte foi cientificado (fl.60). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01, juntando cópia de recibos de despesas médicas dentre outros documentos, alegando, em breve síntese, que diante dos comprovantes apresentados é abusiva a exigência de prova de efetivo pagamento, de vez que não prevista em lei. Quanto à multa exigida isoladamente, afirma têla pago com a redução facultada, anexando DARF recolhido (fl.50). Em julgamento, a 4ª Turma da DRJ/CTA, em sessão realizada no dia 22/12/2009, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, por meio do Acórdão n.º 06 24.985, uma vez que (i) a imposição da multa exigida isoladamente, no valor de R$547,29, constitui matéria não impugnada pelo contribuinte, (ii) é ônus do contribuinte comprovar os pagamentos objeto de dedução, quando solicitado, (iii) as deduções são expressivas, não bastando a disponibilidade de meros recibos, sem vinculação do pagamento ou da efetiva prestação do serviço, mormente quando restarem dúvidas quanto à idoneidade dos documentos, (iv) os valores chamam a atenção por tratarse de quantias arredondadas e girando em torno de aproximadamente 43,44% dos rendimentos declarados; (v) é incomum que as despesas tenham sido feitas com dois profissionais de mesma especialização; (vi) questionase a declaração dada pelo profissional Glauco Eberhardt (fls.28), por ter sido emitida cinco anos após o tratamento, desacompanhada de quaisquer outros elementos de prova; (vii) os valores pagos encontramse fora dos padrões mercadológicos; (viii) a maioria dos rendimentos declarados pelo contribuinte é proveniente de pessoas jurídicas, normalmente transitando pelo sistema bancário, não sendo crível que os valores sempre fosse sacados para pagamento em dinheiro aos profissionais como alega o contribuinte. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 70, o Recorrente, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário às fl. 71, atacando parcialmente a decisão exarada pela DRJ, reiterando o pedido de retificação da glosa de despesas médicas, ao Fl. 85DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.011169/200737 Acórdão n.º 2802001.426 S2TE02 Fl. 80 3 fundamento de que (i) a decisão, ao desprezar os comprovantes trazidos ao processo, está em desacordo com o princípio da verdade material e as provas dos autos, (ii) que os recibos trazidos aos autos foram ratificados pelos profissionais em questão; (iii) que a necessidade de tratamento do contribuinte está comprovada pela documentação médica constante dos autos, para além dos recibos; (iv) que o tratamento do contribuinte foi domiciliar, razão pela qual os valores são mais elevados que os cobrados por atendimento em consultório; (v) o fato de não ser usual o pagamento em dinheiro não o torna meio vedado de pagamento, repisando ainda os argumentos trazidos em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, no particular em que impugna a exigência concernente, exclusivamente, à glosa da dedução de despesas médicas, eis que este, e apenas este, é o objeto da irresignação do Contribuinte/Recorrente. Com a devida vênia ao Órgão prolator da decisão recorrida, cuja decisão deve ser enaltecida em sua tese, o caso concreto é de, s.m.j., resolução simples, na medida em que o lançamento de ofício impugnado não se desincumbe do dever de motivar seu ato administrativo de efeito concreto (lançamento de ofício), pois não apresenta razões suficientes para que possa afirmar que houve “dedução indevida” (fls.09). A comprovação dos pagamentos aos fisioterapeutas fezse por meio dos documentos carreados aos autos pelo contribuinte. Se considera a fiscalização que a documentação é inidônea para comprovar as despesas informadas, deveria se haver desincumbido de apontar as razões para tanto. Uma vez mais, com todas as vênias, não se pode admitir nenhum dos fundamentos apontados pelo órgão a quo e descritos no relatório supra, para justificar as razões pelas quais as despesas deduzidas pelo contribuinte “chamam atenção”, uma vez que nenhum desses motivos foi ventilado no auto de infração, tendo assim nesses aspectos inovado nos autos, em face do contido no auto de infração. Por esta razões, não se pode aqui adentrar a analisar se os comprovantes trazidos pelo recorrente atendem ou não às exigências do RIR/99 para servirem de comprovação de suas deduções, já que não fundouse o auto de infração na indicação de qualquer deficiência dos mesmos, tampouco discutirse as circunstâncias ainda que pouco usuais que circundam os pagamentos efetuados pelo contribuinte. Caberia, pois, à autoridade autuante dizer exatamente o porquê de sua recusa aos comprovantes apresentados pelo ora Recorrente para justificar a dedução das despesas médicas objeto de glosa, assim como no mesmo sentido não possui competência a DRJ para agravar o lançamento inovando em seus fundamentos, atribuindo motivação complementar ao auto de infração. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 O artigo 73 do RIR/99, estabelece em seu caput que “todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora”. Ora, se o contribuinte não apresentasse qualquer comprovação ou justificativa para as deduções questionadas, dúvida não haveria em manterse o lançamento, mas, tendo apresentado comprovantes, como já dito, deveria a fiscalização apontara as razões pelas quais não os acolhe, já que não contém o RIR/99 ou outro diploma legal qualquer permissivo genérico para a exigência dos comprovantes de efetivo desembolso, independentemente de fundamentação. Desta forma, voto por dar provimento integral ao recurso, no sentido de restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas pelo auto de infração de fls.(08 e ss.), mantendose apenas a multa exigida isoladamente, por não ser objeto do presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10980.011169/200737 Acórdão n.º 2802001.426 S2TE02 Fl. 81 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 17 de dezembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 88DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 17/ 12/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10380.913377/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NELSO KICHEL- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA - Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Presidente. (documento assinado digitalmente) NELSO KICHEL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 13 37 7/ 20 09 -0 1 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 65 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.27/39 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Fortaleza (fls. 23/24verso) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 25/06/2008, a contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 28694.19436.250608.1.3.042750 (fls. 01/04), informando compensação tributária: a) débito informado: CSLL/COFINS/PIS/PASEP, código de receita 595202 Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003, período de apuração 1ª Quinzena Junho/2008, data de vencimento 30/06/2008, R$ 1.248,88; b) crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 915,00; que o suposto direito creditório decorreu de pagamento indevido ou a maior da CSLL do período de apuração 31/07/2005, código de receita 2484, data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29, conforme comprovante de arrecadação (fls.14 e 42). Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 05/06, pela DRF/Fortaleza, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 624.575,16. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Fl. 65DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 66 3 Ciente dessa decisão em 21/10/2009 (fls. 07/08), a contribuinte, em 20/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 09/12), juntando ainda documentos de fls. 13/18, cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da existência do crédito pleiteado: a) que, em 31/08/2005, efetuou o recolhimento de R$ 729.466,29, referente à CSLL – Estimativa Mensal, período de apuração: julho de 2005. Comprovante de pagamento (fls. 14 e 42); b) que, ao findar o anocalendário 2005, foi apurado, em verdade, um prejuízo fiscal. Desta forma, inexistindo lucro, não se configurou a situação hipotética descrita na norma tributária apta a configurar a incidência da CSLL; c) que, assim, o valor recolhido por estimativa, referente ao período de apuração do mês de julho de 2005, foi, de fato, indevido, conforme constatado no fechamento do ano calendário 2005 (prejuízo fiscal). E, sendo indevido, a recorrente utilizou esse crédito para compensar valores a pagar do ano de 2008, nesse ano; que no PER/DCOMP objeto dos autos utilizou parte desse crédito; d) que na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ 2006 consta, expressamente, que teve um prejuizo fiscal no anocalendário 2005. Não havendo, por conseguinte, que se cogitar em incidência do IRPJ e da CSLL nesse ano, uma vez que não houve base tributável nesse ano, para efeito desse imposto e da referida contribuição. Juntou cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral (parte da Ficha da DIPJ), onde consta Lucro Líquido Negativo do Período de Apuração: R$ 73.173.069,26 (fl. 15); e) que referido prejuízo, também, foi informado na DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, onde restou consignado expressamente que inexistem valores de IRPJ e de CSLL a pagar em 2005 (obs: DCTF retificadora transmitida após ciência do despacho decisório de fls. 05/06); Por fim, com base nessas razões, concluiu a contribuinte: que dúvida não resta da existência do crédito, decorrente da inexistência de base tributável, em face do prejuízo fiscal devidamente comprovado e informado na DIPJ 2006 e na DCTF Retificadora, tudo do anocalendário 2005; que, comprovada a existência do crédito, a Instrução Normativa RFB n.° 900 autoriza a compensacão com outros débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão pela qual requer a revisão do despacho que não homologou a compensação pleiteada. A DRJ/Fortaleza, conforme Acórdão de fls. 23/24verso, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado pela impossibilidade de aproveitamento direto de antecipações de pagamento por estimativa como crédito sem leválo, primeiro, para a declaração de ajuste, cuja ementa transcrevo: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 66DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 67 4 Exercício: 2008 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE PAGAMENTO DE ESTIMATIVA COMO CRÉDITO. As estimativas efetivamente recolhidas são antecipações do tributo devido ao final do anocalendário. Em conseqüência, passível de restituição somente é o saldo negativo apurado na Declaração de Ajuste Anual. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Ciente desse decisum em 27/07/2010 (fl. 26), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 25/08/2010 (fls. 27/39), juntando ainda os documentos de fls.39/57, reiterando as razões já apresentadas na impugnação na primeira instância de julgamento; porém, nesta instância recursal, acrescentou: que, em que pese ter efetuado o pagamento da CSLL – Estimativa Mensal no montante de R$ 729.466,29, período de apuração julho 2005, apurou que não havia CSLL pagar nesse período, pois, na Ficha 16 – Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, apurou, mediante balanço ou balancete mensal de suspensão/redução, resultado negativo R$ (22.238.973,21), conforme demonstra cópia da referida Ficha da DIPJ 2006, anocalendário 2005, juntada aos autos (fl. 43); que a DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, também, comprova que, com base em balancete de suspensão/redução, sequer havia valor a ser recolhido a esse título, para o período de apuração julho/2005 (fls.44/56); que, através do Balancete de Suspensão/redução, a pessoa jurídica poderá suspender o pagamento do tributo do anocalendário, desde que demonstre que o valor do tributo devido, calculado com base no lucro real do periodo em curso, é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago por estimativa dos meses anteriores à quele a que se refere o balanço ou balancete mensal levantado; que, utilizando o direito disposto no artigo 74, da Lei n.° 9.430/96 cumulado com Instruções Normativas baixadas pela RFB, apresentou Declaração de Compensação, compensando o referido crédito da CSLL (apurado por estimativa e indevidamente recolhido) com outros valores a pagar do ano de 2008, sendo que, no presente PER/DCOMP, utilizou apenas parte desse crédito, atualizado pela SELIC; que, mesmo diante de todo o correto procedimento na forma do artigo 165 do CTN, cumulado com o artigo 74 da Lei n.° 9.430/96 que regula a compensação de créditos advindos de pagamentos feitos indevidamente ou a maior, teve seu direito creditório negado pela RFB por despacho decisório, sob o fundamento de que o valor a ser compensado já havia sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, não havendo crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP; que, efetuada a retificação da DCTF, (fl. 44), a decisão recorrida, apesar de não rechaçar a existência do crédito, nega o seu aproveitamento sob o argumento de que não Fl. 67DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 68 5 poderia ter sido utilizado no PER/DCOMP como CSLL Estimativa Mensal pagamento indevido ou a maior. De fato, quando do preenchimento da PER/DCOMP, o valor do crédito a ser compensado foi classificado no campo "Tipo de Crédito" como "pagamento indevido ou a maior"; que, entretanto, pela ótica do acórdão recorrido, tal crédito deveria ter sido classificado como “saldo negativo da CSLL do anocalendário”; que o acórdão objurgado ainda sugere que a recorrente formule novo pedido de compensação, desta vez com a "correta” classificação do crédito; que, mesmo se admitindo que houve o equívoco no preenchimento do campo "Tipo de Crédito" do PER/DCOMP, o que se cogita apenas em atenção ao principio da eventualidade, um erro meramente formal, que não ocasionou absolutamente nenhum prejuízo à RFB, não poderia servir de fundamento para a negativa do direito creditório, uma vez que restou demonstrado nos autos que houve pagamento indevido da CSLL do período de apuração de julho do ano de 2005. Os documentos acostados comprovam cabalmente a existência do crédito de R$ 729.466,29; que a decisão, ora atacada, ao não reconhecer o crédito, negou vigência aos principios informadores do processo administrativo, dentre eles, os da finalidade, eficiência (economicidade), razoabilidade e da verdade material (Lei n.° 9784/99; art. 2º); que outro ponto merecedor de reparo referese à alusão do acórdão recorrido ao art. 10 da Instrução Normativa'SRF n.° 600/2005. Vale ressaltar que referida regra traz vedação à compensação do pagamento das estimativas de IRPJ e CSLL com esses mesmos tributos no mês imediatamente seguinte, que não é o caso; que a Lei n.° 9.430/96, que dispõe sobre a forma de cálculo e apuração por estimativa mensal do IRPJ e da CSLL, em nenhum momento disciplina que os valores indevidamente pagos ou a maior de estimativa mensal somente poderiam ser utilizados na declaração do IRPJ e da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período. Citou, em favor de sua tese, o Acórdão nº 10516.205, Sessão de 06/12/2006, Relator José Clóvis Alves. Ainda, no mesmo sentido, mencionou o Acórdão da CSRF nº 0100.406, de outubro/2009; que tem direito à compensação tributária, citando o art.170 do CTN e art. 74 da Lei nº 9.430096. Por fim, com base nessas razões, a recorrente pediu reforma da decisão recorrida, para que seja deferido o crédito pleiteado e homologada a compensação tributária objeto dos autos. É o relatório. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 69 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de compensação tributária que, nas fases anteriores do processo, por falta de comprovação da liquidez e certeza do direito creditório pleiteado, deixou de ser homologada. Nesta instância recursal, nas razões do recurso, a recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, pedindo o reconhecimento do direito creditório pleiteado e, por conseguinte, a extinção dos débitos informados, pela homologação da compensação. Compulsando os autos, constatase que a recorrente, no anocalendário 2005, estava submetida à apuração do IRPJ com base no Lucro Real anual, porém obrigada a antecipar pagamento do imposto por estimativa mensal, com base na receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão ou redução. Por força do art. 28 da Lei nº 9.430/96, a apuração da CSLL segue o regime de apuração do IRPJ. Em relação à antecipação de pagamento da CSLL estimativa mensal do período de apuração julho/2005, a recorrente busca provar, nos autos, que efetuou recolhimento a maior ou indevido dessa exação fiscal do referido período. Nesse sentido, a contribuinte juntou aos autos as seguintes provas do suposto pagamento a maior ou indevido do PA julho/2005: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ Cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido Mensal por Estimativa, onde informou, para o período de apuração julho/2005, CSLL a Pagar R$ 0,00, em face de resultado negativo apurado para esse período, com base em balancete de suspensão/redução, ou seja, R$ ( 22.238.973,21) (fl. 43). Não consta dos autos cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005. Sequer consta cópia completa da Ficha 16; b) cópia da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DIPJ 2006, anocalendário 2005, informando RESULTADO DO PERÍODO DE APURAÇÃO de R$ ( 73.173.069,26) = prejuízo contábil (fl. 15); c) cópia do Comprovante de Arrecadação da CSLL Estimativa Mensal, período de apuração julho/2005, código de receita 2484 (IRPJOPTANTES APURAÇÃO C/ BASE NO LUCRO REALESTIMATIVA MENSAL), data de arrecadação 31/08/2005, valor do recolhimento R$ 729.466,29 (fls.14 e 42); d) cópia de DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009 (fls. 44/56). Fl. 69DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 70 7 Em face desses documentos juntados, a recorrente demanda a título de direito creditório da CSLL, nestes autos, somente parte do referido recolhimento, ou seja, R$ 915,00 (valor original), alegando que, na data de transmissão do PER/DCOMP, havia saldo disponível, relativo ao referido recolhimento, de R$ 623.660,16 (valor original na data de transmissão) – fl. 02. Entretanto, nas fases anteriores do processo, o direito creditório restou denegado, com base na seguinte fundamentação: a) consta do Despacho Decisório da DRF/Fortaleza, de 07/10/2009 (fl. 05), que a recorrente confessara em DCTF débito da CSLL estimativa mensal do PA Julho/2005 no mesmo valor do pagamento efetuado, ou seja, R$ 729.466,29. Crédito pleiteado não disponível. Entretanto, não consta dos autos cópia da respectiva DCTF (primitiva) de confissão do débito do PA julho/2005. A contribuinte juntou cópia da DCTF retificadora, transmitida em 27/10/2009, ou seja, DCTF retificadora efetuada após ciência do referido despacho decisório (fls. 44/56); b) consta do Acórdão da DRJ/Fortaleza, de 25/06/2010, que o crédito pleiteado foi denegado pela impossibilidade de aproveitamento de antecipações de pagamento por estimativa mensal como crédito, devendo, primeiro, levar o valor da antecipação de pagamento para a declaração de ajuste anual, pois somente é possível utilizar em compensação tributária o saldo negativo apurado na declaração de ajuste anual (fls. 23/24). Não obstante, entendo que o equívoco na classificação do crédito pleiteado, se foi pedido devolução de antecipação de pagamento da CSLL do PA julho/2005 e não o saldo negativo do anocalendário 2005, tal situação, por si só, não pode obstar ou prejudicar eventual existência do crédito pleiteado e seu reconhecimento. Entretanto, os elementos de prova constantes dos autos são insuficientes, não permitem a formação de convicção do julgador quanto ao mérito do litígio. Vale dizer, há falhas de instrução do processo. Tornase necessário que a contribuinte, como autora do pedido de aproveitamento de crédito, complete as provas que faltam nos autos, quanto ao seu pretenso direito creditório, nos termos dos arts. 15 e 16, III, do PAF e art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro. No caso, em relação ao pretenso direito creditório, as falhas de instrução do processo são as seguintes: a) cópia de parte da Ficha 16 da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (fl. 43). Sequer consta cópia completa dessa Ficha; b) sequer consta cópia da Ficha de Apuração da CSLL – Ajuste Anual. Sem cotejar, analisar, os dados dessas Fichas, não há condições de saber se o direito creditório pleiteado já foi, ou não, utilizado na declaração de ajuste anual, para formação do saldo negativo; c) não consta cópia da DCTF original do PA julho/2005. Nas fls. 44/56, dos autos, há cópia de folhas de DCTF Retificadora, quanto ao PA julho/2005. Então, deve existir uma DCTF original, pois há uma DCTF retificadora para o período de apuração relativo ao Fl. 70DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 71 8 direito creditório pleiteado. Tornase necessário, por conseguinte, juntar aos autos cópia dessas DCTF (primitiva e retificadora), para comparar os dados ou informações que foram retificadas pela contribuinte; d) não consta dos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do ano calendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, que, inclusive, para terem efeito legal, devem estar registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário. A propósito, transcrevo o disposto no citado dispositivo legal, in verbis: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; (...) e) não consta dos autos cópia do Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do direito creditório pleiteado. Em face disso, para complementação das provas e em consonância com o princípio da verdade material, propugno pela conversão do julgamento em diligência para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Fortaleza, para as seguintes providências: 1) juntada de cópia completa da DIPJ 2006, anocalendário 2005; 2) juntada de cópia completa da DCTF original, relativo ao período de apuração julho/2005; 3) juntada de cópia completa da DCTF retificadora de 27/10/2009; 4) intimação da contribuinte para fornecer e juntar aos autos cópia dos balancetes de suspensão/redução do anocalendário 2005 de que trata o art. 35 da Lei nº 8.981/95, registrados no LALUR e transcritos no Livro Diário; 5) intimação da contribuinte para apresentar à fiscalização sua escrituração contábil, mormente dos Livro Razão, Diário e Lalur do anocalendário 2005, para comprovação do seu direito creditório; 6) elaboração de relatório completo, circunstanciado, e conclusivo do resultado da diligência, quanto à existência ou não do direito creditório original pleiteado nos presentes autos e se disponível para utilização para compensação com os débitos informados nos autos; 7) intimação da contribuinte do resultado do relatório de diligência, abrindo prazo de 30 (trinta) dias, a partir da ciência, para, em querendo, apresentar contrarrazões. Transcorrido o prazo, com ou sem manifestação da contribuite, retornem os autos para julgamento. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10380.913377/200901 Resolução nº 1802000.125 S1TE02 Fl. 72 9 Por tudo foi exposto, voto para converter o julgamento em diligência, conforme proposto. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 26/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 23/12/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por NELSO KICHEL
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