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Numero do processo: 10530.901080/2014-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2011
AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei.
SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR.
Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar.
Numero da decisão: 1301-003.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10530.900482/2014-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de despacho decisório complementar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 90 10 80 /2 01 4- 91 Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 3 2 à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. Declarouse impedido de participar do julgamento o Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado), substituído pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado). O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10530.900482/201479, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Breno do Carmo Moreira Vieira (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 4 3 Relatório MINERAÇÃO CARAÍBA S.A. recorre a este Conselho em face do acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pleiteando sua reforma, com fulcro nos §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c c artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório emitido eletronicamente. A Declaração de Compensação foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de IRPJ, Código de Receita 2089. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP transmitido, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, tratando, inicialmente, sobre a tempestividade e a suspensão da exigibilidade. Afirma que, no período de apuração em questão, sujeitouse ao recolhimento dos tributos no regime de tributação pelo Lucro Presumido. Neste contexto, na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do período especificado apurou um débito de IRPJ e efetuou recolhimentos em Darf em três cotas. Tendo percebido que os valores declarados como devidos não correspondiam à realidade, apresentou DIPJ retificadora, identificandose a existência de indébito tributário. Ato contínuo, transmitiu PER/DCOMP objetivando utilizar o crédito apurado para quitação de outros débitos. Na parte que trata da comprovação das parcelas não homologadas, o manifestante alega que incorreu em erro formal ao manter a identificação na sua DCTF do valor originalmente devido, realizando as compensações por meio de PER/DCOMP com base na DIPJ retificadora, bem como nos pagamentos efetivamente realizados por meio de Darf. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 5 4 Assevera que os Darf que constituem o direito ao crédito do requerente foram efetivamente pagos e já se encontravam registrados nos sistemas da própria Receita Federal, sendo, portanto, plenamente possível a correção da omissão apresentada. Ao que parece, apegouse a fiscalização ao erro formal do requerente, que não retificou a DCTF. Contudo, a falta de retificação da DCTF não é motivo hábil a justificar a não homologação da compensação, posto que a DIPJ retificadora e também os Darf pagos confirmam a existência do crédito. Acrescenta que, antes de decidir acerca da inexistência do crédito, o julgador poderia ter decidido pela conversão do julgamento em diligência. O manifestante faz ainda referência à legislação pertinente e jurisprudência a respeito do assunto em pauta, para destacar que, havendo a comprovada apuração do crédito (diferença entre o valor apurado na DIPJ original e na retificadora) decorrente de pagamento a maior que o devido (somatório dos Darf), não há que se falar em negativa na compensação por erro formal, facilmente identificado documentalmente. Ao final, requer o manifestante a suspensão da exigibilidade do crédito cuja compensação não foi homologada até o julgamento definitivo do processo em tela, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430, de 1996, c/c art. 151, III, do Código Tributário Nacional (CTN). No mérito, requer seja determinada a homologação da compensação pretendida, tendo em vista a comprovação do crédito tributário utilizado, ensejando a extinção do suposto débito, em atenção ao disposto no art. 156, II, do CTN. Protesta ainda pela realização de perícia ou diligência fiscal, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, caso entendido como necessária à apuração do quanto alegado e confirmação do crédito tributário utilizado pelo requerente devidamente declarado em sua DIPJ. Analisando a manifestação de inconformidade apresentada, a turma a quo julgoua improcedente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte, tempestivamente, apresentou recurso voluntário com os mesmos argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida com o consequentemente reconhecimento do direito creditório requerido e a homologação das compensações declaradas. Adicionalmente, afirmou que a DRJ inovou ao exigir prova dos erros que deram ensejo à retificação da DIPJ e, a fim de contrapor os argumentos da DRJ de que somente a DIPJ retificadora não faria prova do recolhimento indevido, apresentou documentos que comprovariam que na DIPJ original, embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução. Os documentos também demonstrariam que não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”. É o relatório. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.881, de 14/05/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10530.900482/2014 79, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.881): O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade do recurso, dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte, para manter na íntegra o despacho decisório que não homologou as compensações pleiteadas. Entendeuse que o contribuinte, além de não retificar a DCTF e o crédito pleiteado já estar totalmente alocado a outros débitos, não comprovou o suposto erro no cálculo do tributo devido, não sendo hábil para tanto somente a transmissão de DIPJ retificadora. Pois bem, passo à análise da controvérsia. O crédito pleiteado referese a pagamento indevido de IRPJ decorrente de suposto preenchimento incorreto da DIPJ original, posteriormente retificada. O contribuinte, contudo, não retificou a DCTF em que constava o débito declarado, tendo a turma julgadora de primeira instância indicado ser esse o primeiro óbice ao reconhecimento de crédito requerido, uma vez que o crédito pleiteado estaria totalmente alocado ao débito declarado em DCTF. Contudo, a ausência de retificação da DCTF, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito pleiteado, podendo levar ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 7 6 administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito, justamente o segundo ponto levantado pela DRJ como razão para julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. No caso concreto, a Recorrente novamente anexou aos autos as fichas das DIPJs original e retificadora, apontando, agora, claramente os supostos erros na determinação do IRPJ devido que teria cometido em razão de erro no preenchimento da DIPJ original e, consequentemente, no valor de IRPJ confessado na DCTF, quais sejam: Fl. 344DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 8 7 embora tivesse feito constar na Ficha 57 a indicação das retenções realizadas pelas fontes pagadoras, acabou por não incluílas na Ficha 14B – Apuração do IRPJ sobre o Lucro presumido e Cálculo da Isenção e Redução; não teria inserido na DIPJ original a informação referente à “redução por reinvestimento”; documento que confirmaria a retenção de IRPJ na fonte referente a seus rendimentos constante nas DIRF em que aparece como beneficiária. Frisase, a bem da verdade, que o único documento novo apresentado, em realidade, é aquele que comprovaria a retenção de IRPJ. Desse modo, como o contribuinte entendia que a discriminação dessas informações constantes na DIPJ Retificadora, por si só, seria suficiente a demonstrar o crédito pleiteado, apresentou tal informação para contrapor a decisão de primeira instância, a teor do que dispõe a alínea “c” do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Além disso, tratase de informação disponível nos sistemas da RFB, o que, isoladamente, não justificaria sua inadmissão para fins de comprovação do direito alegado, competindo à administração instruir os autos de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 9.784/991. Nesse contexto, e considerando que a análise do mérito do pedido do contribuinte, no que diz respeito à comprovação do erro no preenchimento da DIPJ original, não foi alvo de análise pela unidade e pela DRJ, entendo que não seja o caso de conversão do julgamento em diligência, pois, se assim procedêssemos, implicaria supressão de instância, não permitindo ao contribuinte ter o direito de discutir provas em duas instâncias. Desse modo, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, voto no sentido de se afastar o óbice da ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e dar provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para a análise de mérito do presente processo, reiniciandose o exame do pedido. É importante ressaltar que o presente voto é pelo provimento parcial do recurso voluntário, por meio de acórdão, e não a conversão do julgamento em diligência situação que implicaria que a decisão fosse exarada em forma de resolução2. Ou seja, uma vez superado o óbice preliminar que fundamentou o despacho decisório e a decisão de primeira instância quanto ao não reconhecimento do direito creditório pleiteado, a retomada do exame, desde a unidade origem com a prolação de um despacho decisório complementar , permite ao contribuinte, em tese, que em caso de eventual indeferimento do pleito do contribuinte em relação ao mérito de seu pedido, rediscuta a matéria em duas instâncias, ou seja, a apresentação de nova manifestação de inconformidade, e, se for o caso, novo recurso voluntário3. 1 Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. 2 Nos termos do § 4º do art. 63 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 63. [...] § 4º A decisão será em forma de resolução quando for cabível à turma pronunciarse sobre o mesmo recurso, em momento posterior. 3 Ressaltase que o procedimento adotado (prover parcialmente ao recurso), além de permitir ao contribuinte manter seu direito a eventuais dois recursos sobre o mérito do pedido, contribui para a diminuição do fluxo Fl. 345DF CARF MF Processo nº 10530.901080/201491 Acórdão n.º 1301003.887 S1C3T1 Fl. 9 8 Dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso para superar os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto desnecessário de processos entre as Delegacias da Receita Federal do Brasil e o CARF, uma vez que, em caso de reconhecimento integral do direito requerido nesse reexame realizado pela unidade de origem, os autos não terão que retornar ao CARF para aguardar novo julgamento (que, nesse caso, em realidade, implicaria mera homologação do resultado da diligência). Fl. 346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.910445/2010-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.119
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: Relator
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 04 45 /2 01 0- 61 Fl. 8818DF CARF MF Processo nº 10830.910445/201061 Acórdão n.º 3302006.119 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado, dada a inobservância do valor tributável mínimo nas transações da fiscalizada com sua única cliente, empresa interdependente, Unilever Brasil Ltda., conforme reconstituição da escrita fiscal. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo que determinadas compensações por ele declarados haviam sido homologadas tacitamente, situação essa não reconhecida no trabalho fiscal. Alegou, ainda, que estava ocorrendo cobrança de tributo em duplicidade, em razão da glosa ocorrida em outro processo, e teceu comentários sobre o "valor tributável mínimo". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.319, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando praticamente os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 8819DF CARF MF Processo nº 10830.910445/201061 Acórdão n.º 3302006.119 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.118, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.910444/201016, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.118): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito, já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II. Da homologação Tácita Argumenta a recorrente que haveria a homologação tácita das compensações declaradas, tendo em vista ter percorrido o prazo de 5 anos contados da data de entrega da declaração e a prolação do despacho decisório que denegou a compensação. Entretanto, entendo que não há razão que de guarida às alegações trazidas pela recorrente, tendo em vista que o prazo para a contagem do prazo da homologação tácita começa a transcorrere a partir de 04/05/2009, data da retificadora informada no presente processo (art. 78 IN 1300). II Mérito Fl. 8820DF CARF MF Processo nº 10830.910445/201061 Acórdão n.º 3302006.119 S3C3T2 Fl. 5 4 No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10480.724644/201156, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente a presente pedido de ressarcimento e compensação. Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito esta definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que, quanto à alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação, neste processo ela também não se configurou, pois, conforme se verifica à fl. 2, a Declaração de Compensação Retificadora fora transmitida em janeiro de 2009, tendo o contribuinte sido cientificado do Despacho Decisório respectivo em 28/05/2012 (fl. 8506). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 8821DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900311/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.833
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de Preparo apresente novos cálculos considerando o resultado do julgamento externalizado no Acórdão nº 3401-004.243, bem como a reconstituição da escrita fiscal relativa ao primeiro decêndio de janeiro de 2004, o que impacta nos períodos de apuração discutidos nos presentes autos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente), Rosaldo Trevisan (Presidente) e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado, que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento).
Relatório
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de Preparo apresente novos cálculos considerando o resultado do julgamento externalizado no Acórdão nº 3401004.243, bem como a reconstituição da escrita fiscal relativa ao primeiro decêndio de janeiro de 2004, o que impacta nos períodos de apuração discutidos nos presentes autos. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Lazaro Antônio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente), Rosaldo Trevisan (Presidente) e Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado, que atuou em substituição ao Conselheiro Tiago Guerra Machado, que declarou impedimento). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 00 31 1/ 20 09 -8 9 Fl. 2031DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 2.032 ___________ 1. Complemento relatório de fls. 19331939, encartado na Resolução nº 3401001.377, de minha relatoria, mas cujo voto vencedor foi redigido pelo i. Conselheiro Robson José Bayerl, proferida por esta e. Turma em sessão de julgamento ocorrida em 18 de abril de 2018. 2. Naquela oportunidade, decidiuse, por voto de qualidade, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: 1) Reapuração do saldo credor do contribuinte, pelo restabelecimento dos créditos por aquisições isentas, consoante decisão no MSC 91.00477834, com apuração do valor a ressarcir, até o limite do somatório dos créditos passíveis de ressarcimento pelo art. 11 da Lei nº 9.779/99, como alhures exemplificado; 2) Elaborar relatório circunstanciado dos exames e aferições realizados. 3. Nesta toada, o AFRFB responsável pelo cumprimento da Resolução, respondeu nos seguintes termos: Atendendo à solicitação do CARF a fiscalização, em cumprimento ao TDPF Diligência nº 08.1.09.002018004455, efetuou os ajustes necessários visando à adequação do lançamento à decisão do CARF, nos termos das premissas a seguir listadas: 1) Foram incluídos na apuração do montante dos créditos de IPI a ressarcir os valores do IPI relativos à aquisição de insumos isentos (R$ 7.468.864,63) que haviam sido excluídos durante os trabalhos de fiscalização; 2) Foram efetuados os novos cálculos para apurar o valor do crédito de IPI a ressarcir; 3) Objetivando explicitar as operações mencionados nos itens acima “1 e 2”, esta fiscalização elaborou, bem como juntou ao questionado processo, o “Demonstrativo Expresso em Reais ($) do Crédito e do Saldo Credor de IPI a Ressarcir do Período de 01/07/2004 a 30/09/2004 (3º Trimestre/2004)” (doc. inserido às fls. 2.192). 4. A Recorrente se manifestou acerca do relatório produzido aduzindo que: 1. Identificou equívocos no demonstrativo elaborado pela DRJRPO: Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10840.900311/200989 Resolução nº 3401001.833 S3C4T1 Fl. 2.033 3 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Adotando a premissa estabelecida na resolução nº 3401001.377, principalmente quanto ao alcance da coisa julgada, e considerando os esclarecimentos aduzidos pela Recorrente, entendo que a resposta à diligência apresenta erros materiais na medida em que não considera a) a reconstituição da escrita fiscal relativa ao primeiro decêndio de janeiro de 2004 e em relação à glosa de crédito duplicidade, no valor de R$ 957.446,83, objeto do acórdão nº 3401004.243. 7. Isto posto, e considerando que quando da sessão de julgamento ocorrida em 18 de abril de 2018 se entendeu que o processo não se encontrava em condições de julgamento, e que os erros materiais apontados tornam os cálculos inconclusivos, voto pela conversão do presente julgado em diligência para que a Delegacia de Preparo apresente novos cálculos considerando o resultado do julgamento externalizado no acórdão nº 3401004.243, bem como a reconstituição da escrita fiscal relativa ao primeiro decêndio de janeiro de 2004, o que impacta nos períodos de apuração discutidos nos presentes autos. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2033DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.016982/00-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1997
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte.
JUROS MORATORJOS - SELIC.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratorios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006).
Recurso 'Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao recurso, no termos do voto do Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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São tributáveis os valores correspondentes ao acréscimo do patrimônio da pessoa fisica, quando esse acréscimo não for justificado por rendimentos oferecidos à tributação, rendimentos isentos ou tributados exclusivamente na fonte. JUROS MORATORJOS - SELIC. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratorios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC n° 4, publicada no DOU, Seção 1, de 26, 27 e 28/06/2006). Recurso 'Voluntário Negado Vistos, relatados e ii scutidos o presentes autos., I Acordam o: membros do ar egiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, no ermos do voto do .• elatora. Iiti G •VANNI CHRIS 1 t i UNE ' AMPOS — Presidente. 1 NUBIA MATOS 4 dR. : —Relatora II , - i EDITADO EM: 08/03/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Cluistian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Marcelo Magalhães Peixoto (convocado), Rubens Maurício Carvalho, Rogério de Lellis Pinto (convocado) e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório MÁRIO SÉRGIO SEPAROVIC RODRIGUES, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da 6' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP II, mediante Acórdão DRJ/SP011 n° 2.148, de 13/02/2003, fls. 47/55, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário, fls. 59/74. Mediante Auto de Infração, fls. 09/13, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), no valor total de R$ 254.081,46, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 31/10/2000. A infração apurada pela autoridade fiscal, detalhada no Auto de Infração e no Termo de Verificação Fiscal, fls. 04/05, foi acréscimo patrimonial a descoberto, no mês de janeiro de 1996, determinado em razão da aquisição de quotas de capital da pessoa jurídica Agropecuária Mimoso Ltda. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 16/25, que se encontra assim resumida no Acórdão recorrido: 4.1. que o valor de R$ 1.500.000,00, relativo à aquisição da Agropecuária Mimoso, foi pago por meio da nota promissória emitida em nome de seu pai, Francisco Rodrigues Filho e avalizada pelos demais sócios; 4.2. que o aumento patrimonial relativo à aquisição mencionada ocorreu em julho de 1995, data da realização do negócio, e não em janeiro de 1996; 4.3. que o aumento das cotas do capital social, em R$ 200.000,00, ocorreu por doação de seu pai, conforme alteração contratual; 4.4. que a distribuição de lucros foi ocorrendo durante o ano- calendário 1996, embora contabilizada em 31/12/1996; 4.5. que a cobrança de juros Selic deve ser afastada, apresentando um acórdão da 2' Turma do Superior Tribunal de Justiça. A DRJ São Paulo/SP II julgou, por unanimidade de votos, procedente o lançamento, de sorte que cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 15/08/2007, Aviso de Recebimento (AR), fls. 56, o contribuinte apresentou, em 14/09/2007, Recurso Voluntário, fls. 59/74, no qual reproduz e reforça as alegações e argumentos da impugnação. .4a 2 Processo n° 10880.016982/00-20 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00461 Fl. 115 Em 04/10/2007, o contribuinte apresentou petição, fls. 88, na qual requer juntada de Declaração, fls. 89/90, firmada por seu pai, Francisco Rodrigues Filho, em 14/09/2007. No referido documento, o declarante afirma que suportou integralmente os pagamentos referentes às aquisições das quotas de capital da Agropecuária Mimoso Ltda em seu nome e de seus filhos. Esclarece, ainda, que a cessão de quotas a que se refere a Décima Quarta Alteração Contratual da mencionada empresa se deu também mediante doação. É o Relatório. Voto Conselheira NUE IA MATOS MOURA O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Trata o lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto no mês de janeiro de 1996, caracterizado pela aquisição de quotas de capital da pessoa jurídica Agropecuária Mimoso Ltda. Na Décima Segunda Alteração Contratual da Agropecuária Mimoso Lida, fls. 27/34, lavrada em 07/07/1995, consta que ingressaram na sociedade o contribuinte, seu pai, Francisco Rodrigues Filho, e seus irmãos, Francisco Separovic Rodrigues e Ricardo Separovic Rodrigues. A cláusula quarta da alteração contratual assim estabeleceu: O valor da cessão da totalidade da participação societária da AGROPECUÁRIA MIMOSO LTDA, é estabelecido em R$3.500.000,00 (três milhões e quinhentos mil reais), pago pelos cessionários aos cedentes, pela seguinte forma: a) 2.000.000,00 (dois milhões de reais) nesta oportunidade, em moeda corrente no país, a ser dividido pelos cedentes sevando a participação societária de cada um- b) R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) representada pela Nota Promissória do respectivo valor, com vencimento para 03/01/96, a título de pro soluto, de emissão do cessionário FRANCISCO RODRIGUES FILHO e avalizada pelos demais. (...) (grifei) Ainda segundo a referida alteração contratual (cláusula quinta do contrato social consolidado), a participação dos sócios no capital social ficou assim definida: SÓCIOS QUOTAS VALOR (R$) Francisco Rodrigues Filho 1.925.000,00 1.925.000,00 Mário Sérgio Separovic Rodrigues 525.000,00 525.000,00 A /1 3 f Francisco Separovic Rodrigues 525.000,00 525.000,00 Ricardo Separovic Rodrigues 525.000,00 525.000,00 TOTAIS 3.500.000,00 3.500.000,00 Sá na décima Quarta Alteração Contratual da Agropecuária Mimoso Ltda, fls. 35/37, consta que o sócio Francisco Rodrigues Filho cedeu e transferiu, em 03/01/1996, 200.000 quotas para cada um de seus filhos pelo valor de R$ 200.000,00, de sorte que a participação dos sócios no capital social passou a ter a seguinte configuração: SÓCIOS QUOTAS VALOR (R$) Francisco Rodrigues Filho 1.325.000,00 1.325.000,00 Mário Sérgio Separovic Rodrigues 725.000,00 725.000,00 Francisco Separovic Rodrigues 725.000,00 725.000,00 Ricardo Separovic Rodrigues 725.000,00 725.000,00 TOTAIS 3.500.000,00 3.500.000,00 Em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1997, ano-calendário 1996, fls. 38/43,o contribuinte assim informou na declaração de bens e direitos: DISCRIMINAÇÃO ANO DE 1995 ANO DE 1996 Cotas do capital da Agropecuária Mimoso Ltda, adquiridas 300.000,00 300.000,00 em 07/07195 Cotas de capital social da Agropecuária Mimoso Ltda, 0,00 225.000,00 integralizadas em dinheiro em 02/01/96 Cotas do capital da Agropecuária Mimoso Ltda, adquiridas 0,00 200.000,00 em 02/01/96, de Francisco Rodrigues Filho Observe-se que as informações prestadas pelo contribuinte em sua DAA guardam perfeita consonância com o disposto nas alterações contratuais da Agropecuária Mimoso Ltda e, nestes termos, a autoridade fiscal, quando da elaboração do demonstrativo da evolução patrimonial, considerou que o contribuinte realizou um dispêndio total, em janeiro de 1996, com a aquisição de quotas de capital da Agropecuária Mimoso Lida, no valor de 128 425.000,00. 411 4 Processo n° 10880.016982/00-20 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.467 11. 116 No recurso, o contribuinte afirma, em síntese, que não efetuou tal pagamento, trazendo para comprovar sua alegação declaração firmada por seu genitor, em 14/09/2007, na qual o declarante afirma que suportou integralmente os pagamentos referentes às aquisições das quotas de capital da Agropecuária Mimoso Ltda em seu nome e de seus filhos. Esclarece, ainda, que a cessão de quotas a que se refere a Décima Quarta Alteração Contratual da mencionada empresa se deu também mediante doação. Ora, tal declaração, firmada somente na data da apresentação do recurso, não tem o condão de contraditar as informações extraídas das alterações contratuais da Agropecuária Mimoso Ltda. Ressalte-se que a DAA do contribuinte, tampouco as alterações contratuais, mencionam que as quotas de capital estivessem sendo adquiridas por meio de doação. Note-se que a cláusula quarta da Décima Segunda Alteração Contratual da Agropecuária Mimoso Ltda afirma expressamente que o pagamento de R$ 2.000.000,00 foi dividido pelos cedentes segundo a participação societária de cada um. Tal expressão permite concluir que o contribuinte pagou, em 07/07/1995, a quantia de R$ 300.000,00 e, em 02/01/1996, o valor de R$ 225 000 00 Ou seja, a Nota Promissória emitida por Francisco Rodrigues Filho contemplava os pagamentos que todos os sócios deveriam fazer na data prometida. Tanto é verdade que os demais sócios constam como avalistas da nota promissória. O fato de a Nota Promissória ser emitida por Francisco Rodrigues Filho e os demais sócios como avalistas não pode ser tomado como prova de que o emitente tenha arcado sozinho com o pagamento integral do valor prometido. Veja-se que da alteração contratual resta claro que o contribuinte adquiriu 525.000 quotas da Agropecuária Mimoso Ltda, pelo valor de R$ 525.000,00, e que pagou em 07/07/1995 a quantia de R$ 300.000,00, sendo, portanto, devedor do saldo de R$ 225.000,00, contemplado na referida Nota Promissória, da qual foi avalista. Quanto às demais quotas, adquiridas conforme Décima Quarta Alteração Contratual, também não se pode acatar a tese do recorrente de que as mesmas tenham sido adquiridas mediante doação recebida de seu genitor. A Alteração Contratual não menciona que a transferência tenha se dado de forma graciosa, tampouco, o contribuinte informou em sua DAA que houvesse recebido qualquer tipo de doação no ano-calendário 1996. Já a alegação do recorrente de que a distribuição de lucros teria ocorrido ao longo do ano-calendário 1996 falece de comprovação. Ademais o contribuinte sequer indica em sua defesa qual a quantia que teria sido recebida em janeiro de 1996. Nestes termos a infração de omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser mantida nos termos em que consubstanciada no Auto de Infração. Quanto aos juros Selic, a matéria já foi pacificada neste Conselho de Contribuintes que editou súmula, aplicável ao caso, que cristaliza o entendimento de que é legitima a aplicação dessa taxa, a saber: Súmula 1° CC n` 4: A partir de de abril de 1995, os juros P moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados rÁ Li'j' pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para titulas federais. (publicadas no DOU, Seção 1, dos dias 26, 27 e 28/06/2006, vigorando a partir de 28/07/2006) Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. NUBIA MATOS MOURA - Relatora
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Numero do processo: 10320.003857/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) instrua os autos com a íntegra dos recursos voluntários das pessoas jurídicas Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A) e Alcan Alumina Ltda.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira.
Relatório
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) instrua os autos com a íntegra dos recursos voluntários das pessoas jurídicas Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A) e Alcan Alumina Ltda. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira. Relatório Cuidase de recursos voluntários interpostos pelas pessoas jurídicas que formam o Consórcio de Alumínio do Maranhão Alumar, em face do Acórdão n. 0825.261 6ª. Turma da DRJ/Fortalexza/CE (efls. 1497/1514) que julgou parcialmente procedente as impugnações apresentadas pelo referido Consórcio e manteve em parte o crédito tributário constituído em 24/09/2007 mediante a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 37.108.9433 (efls. 03/30), com fulcro na responsabilidade solidária dos sujeitos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 03 85 7/ 20 07 -0 5 Fl. 1938DF CARF MF Processo nº 10320.003857/200705 Resolução nº 2402000.758 S2C4T2 Fl. 1.939 2 passivos Consórcio de Alumínio do Maranhão S/A, e respectivas pessoas jurídicas que o compõem, pela retenção e recolhimento de 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, conforme determina o art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação dada pela Lei n. 9.711/98, conforme discriminado no Relatório Fiscal (efls. 31/53). Cientificadas da decisão de piso, as pessoas jurídicas que compõem o Consórcio de Alumínio do Maranhão S/A interpuseram recursos voluntários de efls. 1536/1558 e 1858/1881 (BHP Billiton Metais S/A); efls. 1593/1604 (Alcoa World Alumina Brasil Ltda.); efls. 1606/1626 (Alcoa Alumínio Ltda.); e efls. 1627/1636 (Alcan Alumina Ltda.). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator Da análise dos autos, verificase que foi solicitado, mediante despacho de encaminhamento (efl. 1916), saneamento deste processo à unidade de origem da RFB, tendo em vista a ausência de páginas dos recursos voluntários das pessoas jurídicas Alcoa World Alumina Brasil Ltda. e Alcan Alumina Ltda. Ocorre que a unidade de origem da RFB devolveu os autos, mediante despacho de encaminhamento (efl. 1920), com as seguintes alegações: Tratase de despacho à fl. 1916, o qual solicita saneamento do processo por considerar incompleto recurso voluntário apresentado pelo contribuinte. Analisando o referido documento (fls. 1593/1885), identificouse que o recurso voluntário apresentado pelo contribuinte está completo e na sua totalidade de páginas nas folhas de 1606/1626. Em relação aos documentos juntados (fls. 1593/1604 e fls. 1627/1636), desconsiderálos, visto tratarse de documentos anexados em duplicidade. Ao CARF para continuidade da análise do recurso apresentado pelo contribuinte. Em face das alegações da unidade de origem, acima reproduzidas, é necessário esclarecer que: i) Constam dos autos 04 (quatro) recursos voluntários interpostos pelas pessoas jurídicas que compõem o Consórcio de Alumínio do Maranhão S/A Alumar, a saber: BHP Billiton Metais S/A; Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A); Alcoa Alumínio S/A; e Alcan Alumina Ltda.; ii) São, portanto, 04 (quatro) recorrentes e não há duplicidade de recursos voluntários, exceto da pessoa jurídica BHP Billiton Metais S/A, que apresentou duas vezes o mesmo recurso, por ter sido duplamente cientificada da mesma decisão da DRJ (Acórdão n. 0825.261), conforme alega; Fl. 1939DF CARF MF Processo nº 10320.003857/200705 Resolução nº 2402000.758 S2C4T2 Fl. 1.940 3 iii) Os recursos voluntários das pessoas jurídicas BHP Billiton Metais S/A (e fls. 1536/1558 e 1858/1881) e Alcoa Alumínio S/A (efls. 1606/1626) encontramse completos; iv) O recurso voluntário da pessoa jurídica Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A) encontrase incompleto, pois se inicia à efl. 1593 e é descontinuado à efl. 1604, sem conclusão e sem sequer assinatura do signatário; v) O recurso voluntário da pessoa jurídica Alcan Alumina Ltda. também encontrase incompleto, pois se inicia à efl. 1627 e é descontinuado à efl. 1636, sem conclusão e sem sequer assinatura do signatário; Isto posto, resta caracterizado evidente prejuízo à defesa das pessoas jurídicas Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A) e da Alcan Alumina Ltda., a reclamar saneamento com a inclusão nos autos dos respectivos recursos voluntários em sua integralidade. Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem da RFB para que sejam juntados aos autos a íntegra dos recursos voluntários das pessoas jurídicas Alcoa World Alumina Brasil Ltda. (sucessora universal por incorporação de Abalco S/A) e Alcan Alumina Ltda. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 1940DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002201/2006-95
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DIRF.
A informação de rendimentos pagos, prestada pela fonte pagadora por meio de DIRF, é meio idôneo de comprovação dos rendimentos recebidos e do imposto retido pela fonte pagadora.
Numero da decisão: 9202-007.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORMAÇÃO PRESTADA EM DIRF. A informação de rendimentos pagos, prestada pela fonte pagadora por meio de DIRF, é meio idôneo de comprovação dos rendimentos recebidos e do imposto retido pela fonte pagadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva (relatora), Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 22 01 /2 00 6- 95 Fl. 498DF CARF MF 2 Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 358/367, contra o acórdão nº 2201000.535, julgado na sessão do dia 03 de fevereiro de 2010 pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF, que restou assim ementada: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 DESPESAS MÉDICAS E ODONTOLÓGICAS FALTA DE COMPROVAÇÃO GLOSA MANTIDA. 1. Nos casos em que há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas a título de tratamento médico e odontológico, mantémse a exigência do crédito tributário. (Inteligência do artigo 11 § 3°., do Decreto Lei n° 5.844, de 1943). PROCESSO TRABALHISTA VALORES PAGOS A TÍTULO DE ANUÊNIO VERBAS QUE NÃO POSSUEM NATUREZA INDENIZATÓRIA. 2. Os valores pagos pela fonte pagadora a titulo de anuênio estão inseridos na remuneração devida pelo trabalho e, desta forma não possuem natureza indenizatória, razão pela qual estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DEPENDENTE NETO NECESSIDADE DE TERMO DE GUARDA JUDICIAL PARA FINS DE DEDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 3. Nos termos do artigo 35 V da Lei n°9.250, de 1995, para que o neto seja considerado dependente, para fins de dedução do imposto de renda, é necessário que o contribuinte, no caso o avô, detenha guarda judicial, requisito este que não existe no caso dos autos. LANÇAMENTO FEITO COM BASE EM INFORMAÇÕES PRESTADAS POR MEIO DE DIRF CONTRIBUINTE QUE NEGA TER RECEBIDO OS VALORES EMPRESA INTIMADA, POR SUA MASSA FALIDA INFORMA NÃO POSSUIR COMPROVANTE INEXISTÊNCIA DE PROVA DE PAGAMENTO VALORES AFASTADOS DA BASE D CÁLCULO. A parte que nega a existência de determinado fato que lhe é atribuído e que não tem como fazer prova negativa de que o fato não ocorreu. Para se exigir imposto de renda com base em pagamento, cabe à autoridade lançadora fazer prova do pagamento. A circunstância da empresa que encaminhou a DIRF Fl. 499DF CARF MF Processo nº 10907.002201/200695 Acórdão n.º 9202007.822 CSRFT2 Fl. 499 3 ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. Recurso acolhido em relação a este ponto. LIMITE DE ISENÇÃO PARA DECLARANTES COM 65 ANOS OU MAIS RESTRIÇÃO INCOMPATÍVEL COM AS GARANTIAS FUNDAMENTAIS ASSEGURADAS AOS IDOSOS NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E NO ESTATUTO DO IDOSO COMPENSAÇÃO DOS VALORES COM O MONTANTE DESCONTADO NA FONTE SOBRE INDENIZAÇÃO TRABALHISTA 5. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, que deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos dos art. 111 e 176 do CTN, assim, não há que se falar em ofensa as garantias fundamentais conferidas ao idoso na CF/1988 e no Estatuto do Idoso. 6. Sendo tributáveis tanto os rendimentos decorrentes da reclamatória trabalhista quanto os valores excedentes ao limite de isenção para contribuintes maiores de 65 anos, incabível o pedido de compensação. Recurso parcialmente provido. Como descrito pela Câmara a quo: Trata o presente processo de exigência feita por meio do auto de infração de fls. 179 e seguintes, correspondente aos anos calendário de 2001 a 2005, notificado à parte interessada em 25/09/2006, conforme AR de fl. 196. Foi apurado crédito tributário no valor de RS 101.871,27. A exigênCia do crédito tributário deuse com multa de 75% e 112,5%. As declarações de ajuste anual correspondentes aos anos fiscalizados constam das fls. 03 e seguintes, pelo que se extrai dos autos que o recorrente é médico aposentado. As infrações que ensejaram o lançamento foram as seguintes: 1) omissão de rendimentos recebidos do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, em 17/03/2002, em decorrência de ação trabalhista; 2) omissão de rendimentos recebidos da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá, nos anoscalendário de 2002 e 2003; 3) dedução indevida de dependente, nos anoscalendário 2001 a 2003, em razão da falta de comprovação da relação de dependência do neto Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; 4) dedução indevida de despesas com instrução, nos anos calendário de 2001 a 2003, também por falta de comprovação da relação de dependência de Ian Lucas Bettega Almeida do Nascimento; Fl. 500DF CARF MF 4 5) dedução indevida de despesas médicas, nos anoscalendário de 2001 a 2005; 6) classificação indevida de rendimentos na DIRF, excedentes ao limite de isenção para declarantes com 65 anos ou mais, nos anoscalendário de 2001, 2002, 2003 e 2005. Intimada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, efls. 358/367, requerendo a reforma do acórdão. Apresenta como paradigma os acórdãos abaixo: Acórdão n.º 10417.226 DECADÊNCIA A Fazenda Nacional decai do direito de proceder a novo lançamento ou a lançamento suplementar após decorridos cinco anos da notificação do lançamento primitivo ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se aquele se der após esta data. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Não havendo prova em contrário trazida pelo contribuinte, correto é o lançamento do imposto em razão de rendimentos omitidos apurados através de informações da DIRF. DEDUÇÃO MENSAL DO RENDIMENTO TRIBUTÁVEL LIVROCAIXA DESPESAS COM PESSOAL — Somente poderão ser deduzidos, da base de cálculo do imposto, os dispêndios realizados por contribuinte não assalariado, comprovadamente pagos, indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, enumerados na legislação de regência, não se enquadrando, entre estes, despesas com a remuneração paga a terceiros sem vínculo empregatício. Recurso negado. Acórdão n.º 10422.428 DECADÊNCIA AJUSTE ANUAL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Sendo a tributação das pessoas físicas sujeita a ajuste na declaração anual e independente de exame prévio da autoridade administrativa, o lançamento é por homologação, hipótese em que o direito de a Fazenda Nacional lançar decai após cinco anos, contados de 31 de dezembro de cada anocalendário questionado. • OMISSÃO DE RENDIMENTOS VALORES RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA TRIBUTAÇÃO Os valores recebidos de pessoa jurídica, informados na DIRF pela fonte pagadora, caracterizam, salvo prova em contrário, rendimentos recebidos. AUMENTO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA CONCEITOS Embora o primeiro esteja contido no segundo, não se confundem os conceitos de aumentos patrimoniais a descoberto bens/direitos dos quais se tenha a posse ou propriedade, suscetíveis de Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10907.002201/200695 Acórdão n.º 9202007.822 CSRFT2 Fl. 500 5 apreciação econômica, e sinais exteriores de riqueza gastos, dispêndios ou exaurimento de recursos; por constituírem matérias táticas, inadmissível sua tributação sob presunção, competindo ao fisco a prova efetiva de sua ocorrência. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL GASTOS E/OU APLICAÇÕES INCOMPATÍVEIS COMA RENDA DECLARADA LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO BASE DE CÁLCULO APURAÇÃO MENSAL 0:5NUS DA PROVA O fluxo financeiro de origens e aplicações de recursos será apurado, mensalmente, onde serão considerados todos os ingressos e dispêndios realizados no mês, pelo contribuinte. A lei autoriza a presunção de omissão de rendimentos, desde que a autoridade lançadora comprove gastos e/ou aplicações incompatíveis com a renda declarada disponível (tributada, não tributada ou tributada exclusivamente na fonte). LEVANTAMENTO PATRIMONIAL FLUXO FINANCEIRO SOBRAS DE RECURSOS As sobras de recursos, apuradas em levantamentos patrimoniais mensais realizadas pela fiscalização, devem ser transferidas para o mês seguinte, pela inexistência de previsão legal para se considerar como renda consumida, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS DO ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Preliminar acolhida. Conforme despacho de efls. 376/399, o Recurso foi admitido, conforme trecho transcrito abaixo: A Recorrente aponta divergência de entendimentos entre o acórdão recorrido e os paradigmas quanto ao valor da DIRF como prova do recebimento de rendimentos nela informados. Enquanto o acórdão recorrido sustenta que, no caso de negativa por parte do autuado, o ônus de comprovar o recebimento é do Fisco, os acórdão paradigmas assentam o entendimento de que a DIFR é prova do recebimento, salvo prova em contrário. A dissensão jurisprudencial neste caso é evidente e o recurso especial é a via adequada para provocar a uniformização por parte da CSRF. (Grifei) Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 397/399), Recurso Especial, que foi inadmitido, bem como o Agravo. É o relatório. Voto Vencido Fl. 502DF CARF MF 6 Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os requisitos pela o seu conhecimento, conforme despacho de efls. 376/399. Assim, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. A matéria em discussão e o valor da DIRF como prova do recebimento de rendimentos nela informados. Verificase que a Contribuinte apresentou todas as provas possíveis, conforme efls. 2/130, 138/145, 148/149, 152/155, 158/163, 169/180, dentre elas DAA, comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte. O Acórdão recorrido apresenta a seguinte informação: Em relação a este item, tratase de autuação feita com base na DIRF (fls. 170 e 176). Conforme decisões deste Conselho, sempre que aquele a quem se atribui um pagamento, por meio de DIRF, negar que recebeu, cabe autoridade lançadora à fazer prova do pagamento, pois o autuado não tem como fazer prova de fato que afirma não ter ocorrido. A circunstância do Hospital ter encerrado suas atividades não exime a autoridade fiscal de provar o pagamento sobre o qual exige imposto de renda. O acórdão recorrido, em relação a este ponto,'argumenta que caberia ao Dr. Carlos Eduardo M. Lobo, como responsável pelo Hospital, localizar e fornecer a documentação contábil da Santa Casa ao Sr. Olavo Muniz de Carvalho, síndico da Massa Falida, para que este entregasse ao recorrente ou demonstrasse o erro de preenchimento das DIRFs. Tal fundamento mostrase insubsistente, pois o fato de terceiro não ter localizado a prova do pagamento, que o fiscalizado nega ter recebido, não permite à autoridade fiscal presumir que este se efetivou, pois pagamento, no direito brasileiro, somente se prova mediante recibo ou crédito em conta bancária pertencente ao beneficiário. Por não ter a Fiscalização comprovado a materialidade do pagamento, neste ponto dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo, nos anoscalendário de 2002 e 2003, os valores de R$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de IRRF, especificados às fls. 170 e 176. Veja que a Contribuinte apresentou suas Declarações de Ajustes Anuais, comprovantes de rendimentos, sendo que a Contribuinte afirma que não recebeu os valores imputados pela Fiscalização, e o Hospital responsável encerrou suas atividades, assim, a Fiscalização presumiu os pagamentos, destaco o ponto do acórdão recorrido: Tal fundamento mostrase insubsistente, pois o fato de terceiro não ter localizado a prova do pagamento, que o fiscalizado nega ter recebido, não permite à autoridade fiscal presumir que este se efetivou, pois pagamento, no direito brasileiro, somente se Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10907.002201/200695 Acórdão n.º 9202007.822 CSRFT2 Fl. 501 7 prova mediante recibo ou crédito em conta bancária pertencente ao beneficiário. Por não ter a Fiscalização comprovado a materialidade do pagamento, neste ponto dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo, nos anoscalendário de 2002 e 2003, os valores de R$ 12.280,00 e R$ 12.500,00, respectivamente, devendo, na execução do acórdão, também ser desconsiderado os valores informados a título de IRRF, especificados às fls. 170 e 176. Nesse sentido destaco o acórdão nº 2401004.694: IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO COM BASE EM DIRF. PRESUNÇÃO RELATIVA. De conformidade com a jurisprudência administrativa, a Dirf não pode ser considerada como elemento de prova isolado, hábil a sustentar a exigência. Como qualquer outra declaração prestada por terceiro, tem valor de prova relativo, o qual deve ser afastado quando o sujeito passivo tem sucesso em comprovar o erro em que se funda, o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o autuado apresentou provas robustas demonstrando que os dados constantes da DIRF, fundamento da autuação, não representava a realidade dos fatos, notadamente em relação aos pretensos rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, recebidos de pessoa jurídica. A Contribuinte apresentou vários documentos, cabe a fiscalização comprovar a materialidade dos pagamentos, se realmente ocorreram por parte do hospital que teve suas atividades encerradas. Diante de todo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional, e no mérito em NEGARLHE provimento. (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Redator designado Divergi da Relatora quanto ao mérito. Registro, para maior clareza, que a matéria em litígio diz respeito aos valores tidos como omitidos, nos anos de 2002 e 2003, recebidos da Santa Casa de Misericórdia de Paranaguá. O fundamento do Recorrido, corroborado pela Relatora, foi o de que, como a contribuinte negou o recebimento dos valores, caberia ao Fisco, nas circunstâncias do caso, comprovar a efetividade desses recebimentos. Tratase de valores declarados pela fonte Fl. 504DF CARF MF 8 pagadora em DIRF regularmente apresentada. O contribuinte nega o recebimento dos recursos e, em sede de impugnação, apresentou declaração, supostamente de representante da instituição na qual se afirma que o contribuinte não teria prestado serviço naquela instituição “nos últimos dez anos”. A referida declaração encontrase às fls. 230. Ocorre que essa declaração é ambígua e foi assinada por pessoa que, na data da assinatura, não mais representava a instituição. Ambígua, pois afirma que o contribuinte não teria trabalhado no Hospital nos últimos dez anos, sugerindo não ter trabalhado em relação de emprego, mas os recebimentos imputados ao contribuinte referemse a trabalho eventual, sem vínculo empregatício. E a pessoa que assina a declaração, datada de 04/10/2006, como Diretor Geral, Sr. Carlos Alberto Lobo, não era, à época da assinatura, representante legal da instituição, que deixou de existir definitivamente em dezembro de 2004, conforme se apurou em diligências determinadas pela Delegacia de Julgamento. O que se tem, portanto, é, por um lado, uma DIRF apresentada tempestivamente quando a instituição estava em funcionamento e, por outro lado, uma declaração prestada, de forma ambígua e por pessoa que não representava a instituição quando da assinatura declaração. Em regra, embora a informação prestada em DIRF possa ser contestada, pois passível de erro, essa contestação há de ser consistente, o que não se tem no caso: tratavase de instituição hospitalar e o contribuinte é médico; intimado, o contribuinte apressouse em apresentar declaração inidônea como prova de sua alegação de que não recebeu rendimento da fonte pagadora. Nessas condições, penso que a DIRF apresentada pela fonte pagadora é fonte adequada da informação que ensejou a autuação fiscal. Ante o exposto, dou provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 505DF CARF MF
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Numero do processo: 10926.000494/2006-48
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 01/08/2006
PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. CERTIFICADO DE ORIGEM INEXATO, DESCREVENDO MERCADORIA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. RECURSO IMPROVIDO.
Quando constatado que a mercadoria importada é diversa daquela descrita na DI e no Certificado de Origem, cuja evidência restar devidamente caracterizada em prova técnica, mostra-se razoável a desqualificação, pela autoridade aduaneira, do certificado de origem, posto que não ampara a mercadoria submetida a despacho.
Numero da decisão: 3002-000.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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BELMUDES SARETTA - EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 01/08/2006 PIS E COFINS IMPORTAÇÃO. CERTIFICADO DE ORIGEM INEXATO, DESCREVENDO MERCADORIA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. RECURSO IMPROVIDO. Quando constatado que a mercadoria importada é diversa daquela descrita na DI e no Certificado de Origem, cuja evidência restar devidamente caracterizada em prova técnica, mostra-se razoável a desqualificação, pela autoridade aduaneira, do certificado de origem, posto que não ampara a mercadoria submetida a despacho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, às fls. 68 dos autos: Trata o presente processo de Autos de Infrações lavrados para constituição de crédito tributário no valor de R$ 21,79 referentes ao COFINS - importação (R$ 10,23) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 6. 00 04 94 /2 00 6- 48 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 1,5 e Multa proporcional (R$ 7,67), ao PIS/PASEP - importação (R$ 2,22) e Multa proporcional (R$ 1,67) em função de ter sido apurada nova base de cálculo para as contribuições, em face de existir diferença entre o imposto de importação recolhido e o devido. Trata-se de consequência da desqualificação do certificado de origem, em virtude deste não abranger a mercadoria efetivamente importada. O interessado por meio da declaração de importação (DI) n° 06/0898154-5 (fls. 18 a 21) submeteu a despacho 30 toneladas de "pré mistura para pão francês", NCM 1901.20.00, solicitando enquadramento tarifário conforme Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18. Para comprovação da origem da mercadoria, o importador apresentou o Certificado de Origem do Mercosul n° 61554 (fl.25) emitido na Argentina. Retiradas amostras da mercadoria e encaminhadas para análise, o Laboratório de Análises L.A. Falcão Bauer emitiu Laudo de Análise n° 1908/2006-1 (fls. 30 e 31) em 16/08/2006. A conclusão do laudo é que a mercadoria analisada não se trata de "Mistura e Pastas para a Preparação de Produtos de Padaria, Pastelaria e da Industria de Bolachas e Biscoitos", mas sim de "Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro contendo 0,29% de Cloreto de Sódio (Sal)". Considerando que trata-se de mercadoria distinta da declarada, a fiscalização reclassificou a mercadoria para a NCM 1101.00.10 e, entendendo que o certificado de origem não amparava a mercadoria efetivamente apresentada para despacho desqualificou o mesmo, (fl. 03). Regularmente cientificado (fl.34), o interessado apresentou impugnação de folhas 37 a 42, anexando os documentos de folhas 43 a 54. Em síntese, traz as seguintes alegações: Que, o texto traduzido (Resolução Geral n° 1598) comprova que o produto importado da Argentina representava o produto da NCM 1901.20.00; Que, a desclassificação de um determinado produto deve ser feito de forma individualizada para cada despacho aduaneiro, ou seja, deve-se observar o estado de cada mercadoria apresentada em cada despacho. Portanto, é nulo o auto de infração; Que, o contribuinte não foi intimado para apresentar contra prova, o laudo apresentado pela fiscalização é prova unilateral; Que, a competência legislativa para conceituar "produto alimentício" no Brasil não cabe à Receita Federal e sim à Vigilância Sanitária, vinculada ao Ministério da Saúde; Que, em relação aos componentes existentes no produto, consta como aditivo, fortificante e cloreto de sódio, num percentual de 0,63%, o que o faz ser localizada na posição tarifária NCM 1901.20.00; Que, não há intuito de fraude, falta comprovação, a multa de ofício apresenta cunho confiscatório; Requer, a procedência da impugnação, a nulidade da autuação, que seja excluída a multa face não ocorrer as hipóteses de fraude e simulação, que seja determinada a suspensão da cobrança, emitindo-se as certidões negativas, que o Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 2 subscritor declare a autenticidade das cópias documentais, e ainda, que todas as publicações sejam efetuadas em nome do Advogado ANTONIO SAGRILO. Em 22/02/2008, a interessada juntou aos autos "Informações" (fl. 59), citando o Ato Declaratório Executivo RFB n° 01/08, e trazendo esclarecimentos que reforçam a tese da impugnante O contribuinte juntou, com a manifestação de inconformidade, procuração, cartão de CNPJ, documentos relativos à operação de comércio exterior, nota fiscal e documento de identificação (fls. 45/56 e 59). Às fls. 61/63, o contribuinte peticionou, apresentando informações acerca da classificação do produto importado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário. Em suas razões, o acórdão (fls. 67/74) consignou que o presente processo decorre da apuração do imposto de importação em virtude da desqualificação do certificado de origem através do processo n° 10926.000490/2006-60. Afirmou que as questões controversas giram em torno de aceitar-se, ou não, o Certificado de Origem do Mercosul, considerando que a mercadoria descrita diverge da efetivamente importada, com base no resultado do Laudo de Análise n° 1908/2006-1, produzido nos autos. Afirmou que a Resolução n° 1598 da Argentina não comprova a classificação fiscal adotada, pois está em desacordo com o Laudo de Análise n° 1908/2006-1. Afirmou estar equivocado o contribuinte no tocante à matéria, que se referiria a tratamento tributário de mercadoria e não a restrições de caráter sanitário ou ambiental, afastando, assim, o argumento de que a competência legislativa para conceituar o produto seria da Vigilância Sanitária. Igualmente afastado restou o argumento de cerceamento do direito de defesa em relação à produção do laudo sobre o produto, pois o contribuinte teria acompanhado a retirada da amostra e, a despeito da arguição apresentada, não juntou qualquer laudo nem apresentou quesitos nos autos. A decisão informou, acerca do argumento de caráter confiscatório da multa, pertencer ao Poder Judiciário a competência para apreciar tal arguição, estando o julgador administrativo vinculado ao princípio da legalidade. Assim, com base nestas razões, julgou procedente o lançamento. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 16/07/2009 (vide AR à fl. 80 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 12/08/2009, Recurso Voluntário (fls. 82/88). Em seu recurso, o contribuinte reapresentou os argumentos contidos em sua impugnação, à exceção da arguição acerca do valor da multa. Pediu, ao fim, I) o afastamento da nova base de cálculo do PIS/COFINS, II) o reconhecimento da nulidade do auto de infração, III) a exclusão, de sua conta corrente, do crédito tributário em questão e IV) a suspensão da cobrança e emissão de certidões negativas. Não juntou novos documentos em seu recurso. Consta, às fls. 93/103, cópia do acórdão que julgou o recurso voluntário interposto no processo nº 10926.000490/2006-60. Em razão da ocorrência do julgamento do referido Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 2,5 processo sem que o presente tenha sido julgado, foi proferido o despacho de fl. 104 determinando o encaminhamento destes autos ao CARF para julgamento. Os autos, então, vieram-me conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, verifica-se que o Recorrente não trouxe mais em seu Recurso Voluntário a arguição relacionada ao caráter confiscatório da multa, o qual encontraria óbice na súmula nº 02 do CARF. Resta-nos, portanto, apreciar os demais argumentos recursais apresentados. Quanto a estes, constata-se que o Recorrente limitou-se a reproduzir em seu Recurso Voluntário os mesmos fundamentos constantes da sua manifestação de inconformidade. Sendo assim, por concordar com os termos da decisão recorrida, transcrevo-a a seguir, adotando-a como razão de decidir: Como já informado no relatório, as autuações do presente processo decorrem da diferença existente entre o imposto de importação utilizado na base de cálculo das contribuições quando do registro da declaração de importação e o imposto de importação apurado em virtude da desqualificação do certificado de origem, processo n°10926.000490/2006-60. Depreende-se da análise do processo, que os fatos controversos giram em torno da aceitação ou não de Certificado de Origem do Mercosul apresentado em despacho aduaneiro, em face da constatação de que a mercadoria descrita no documento é divergente da mercadoria efetivamente importada, conforme resultado do Laudo de Análise n° 1908/2006-1 (fls. 30 e 31). O interessado, por ocasião da importação, apresentou o Certificado de Origem, regularmente emitido pela "CÂMARA DE COMERCIO EXTERIOR DE MISIONES'', entidade habilitada para tanto, conforme previsto em lei e nos acordos internacionais, comprovando ser o produto "Premezcla para Pan Francês marca Única ..." originário do Mercosul. Em 26/03/1991, foi assinado o Tratado de Assunção, instituindo o Mercosul - Mercado Comum do Sul, entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Em 29/11/1991 foi assinado o Acordo de Complementação Econômica (ACE) n° 18, internalizado no País pelo Decreto n° 550 de 27/05/1992. Esse ACE foi alterado por diversos Protocolos Adicionais, sendo que o VIII Protocolo Adicional ao ACE n° 18, introduzido em nossa legislação pelo Decreto n° 1.568, de 21 de julho de 1995, traz, em seu Anexo I, o Regulamente de Origem das Mercadorias no Mercado Comum do Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 3 Sul. Esse Regulamento de Origem está disciplinado no País pela Portaria Interministerial MF/MICT/MRE n° 11/1997 e pela IN SRF n° 149/2002. Para aplicação das alíquotas preferenciais, no âmbito do Mercosul, há que se comprovar a origem das mercadorias. Dessa forma, o Regulamento de Origem das Mercadorias, definiu que o documento comprobatório da origem da mercadoria é o Certificado de Origem do Mercosul, emitido pelas repartições oficiais ou organismos ou entidades por elas credenciadas. No Brasil coube à Secretaria da Receita Federal a tarefa de realizar o controle da origem, no curso do despacho de importação ou em procedimento de fiscalização posterior. No despacho de importação o certificado de origem deve ser apresentado juntamente com os demais documentos instrutivos da Declaração de Importação, no modelo padrão aprovado. A aceitação do Certificado de Origem do Mercosul depende do cumprimento do disposto nas normas regulamentares. Em relação à aceitação do certificado de Origem na Portaria Interministerial n° 11/MF/MICT/MRE, de 21/01/97 tem-se no que: ANEXOU REGIME DE ORIGEM MERCOSUL INSTRUTIVO PARA O CONTROLE DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DO MERCOSUL POR PARTE DAS ADMINISTRAÇÕES ADUANEIRAS D - CONTROLE DO CERTIFICADO DE ORIGEM 10. No caso de serem detectados erros formais na confecção do Certificado de Origem, avaliados como tais pelas administrações aduaneiras - caso por exemplo de inversão em números de faturas ou em datas, errônea menção do nome ou domicílio do importador, etc.-,... 11. No caso de erros de codificação (campo 9) a respeito das mercadoria consignada no Certificado de Origem, as administrações aduaneiras procederão, quando corresponder, de conformidade com suas respectivas normativas. 12. Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes às descritas no item 10. (Grifos acrescidos) Por sua vez, a IN SRF n° 149/02 claramente estabelece que: Art. 6o A descrição da mercadoria deverá permitir a correta correspondência com os códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), podendo o Certificado de Origem conter, adicionalmente, a sua denominação usual, de modo a identificá-la com a descrição presente na fatura comercial. Art. 7o Quando a autoridade aduaneira decidir por classificação fiscal distinta do código NCM indicado no Certificado de Origem, será dado curso ao despacho de importação com tratamento tarifário preferencial, desde que se refira ao mesmo produto e não implique modificações no requisito de origem. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o tratamento tarifário preferencial somente será reconhecido se a Diretriz da Comissão de Comércio do Mercosul (CCM) que aprovou o Ditame Classificatório emanado do Comitê Técnico de Tarifas, Nomenclatura e Classificação de Mercadorias — CT n" 1 sobre a classificação da mercadoria em questão tiver sido internalizada ou, caso não tenha sido adotada essa Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 3,5 providência, seja apresentada pelo importador a decisão sobre classificação fiscal da mercadoria emitida pela autoridade competente da SRF e seu equivalente documento de classificação emitido pela administração aduaneira do Estado-Parte exportador. Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: ...(Grifos acrescidos) Feitos estes esclarecimentos passa-se à análise das alegações ofertadas pela impugnante. A interessada traz aos autos cópia da Resolução n° 1598 da Argentina (fls. 54,53 e 52), que em síntese trata da classificação dos produtos "Mistura" e "Farinha", e cujo teor também foi tratado no Ato Declaratório Executivo RFB n° 1/08: Artigo único. As mercadorias a seguir especificadas se classificam nos seguintes códigos da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovada pela Resolução CAMEX n° 43, de 22 de dezembro de 2006: Ditame de Classificação-Mercadoria-Código NCM 01/06-Bebida alimentícia à base de soja, mesmo adicionada de suco de fruta, de cacau ou aromatizada, acondicionada para venda a retalho-2202.90.00 01/07-Mistura para preparação de produtos de padaria à base de farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina Bu vitamina B2, ácido fálico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) superior a 0,5%, em peso-1901.20.00 02/07- Farinha de trigo fortificada com vitaminas (por exemplo, vitamina Bi, vitamina B2, ácido fálico) e minerais (por exemplo, ferro), com adição de melhoradores de panificação (por exemplo, metabissulfito de sódio, azodicarbonamida), emulsificantes (por exemplo, estearoil lactato de sódio) e uma proporção de sal (cloreto de sódio) inferior ou igual a 0,5%, em peso- 1101.00.10 (Grifos acrescidos) Contrariamente ao entendimento da interessada, a Resolução n° 1598 da Argentina não se presta a comprovar a descrição ou classificação fiscal adotada, como se vê no Laudo de Análise n° 1908/2006-1 (fls. 30 e 31) a mercadoria em comento trata-se de "Farinha de Trigo fortificada com Ácido Fólico e Ferro contendo 0,29% de Cloreto de Sódio(Sal)". No item 9 do citado laudo está consignado: De acordo com as análises realizadas não foi detectada a presença de antioxidantes, emulsificantes, de pás para levedar preparados (farinhas fermentantes) ou de outro componente que caracterize a mercadoria como uma preparação. No presente caso, foi retirada amostra, conforme o "Termo de Coleta de Amostra n° 017/2006" (fl. 29). Em tal termo está consignado a DI n° 06/0898154-5, e na mesma página consta a assinatura do representante legal do importador, Sr. César Muniz. Por sua vez, o Laudo de Análise n° 1908/2006-1 (fls. 30 e 31) tem consignado o mesmo número de declaração de importação, DI n° 06/0898154-5. Portanto, não Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 4 procede a alegação de que tenha sido utilizado, no presente caso, análise de laudo pertencente a outro despacho, ou que a amostra não foi individualizada. Também parece haver equívoco no entendimento, por parte da interessada, sobre a matéria em questão. Não se o trata o caso de conceituar "produto alimentício" no Brasil, se trata sim de questões específicas relacionados ao tratamento tributário de mercadoria. Observe-se que o fisco não impõe restrições de caráter sanitário ou mesmo ambiental, as restrições no presente caso, decorrem do fato de a interessada apresentar um produto para fiscalização e descrever outro na declaração de importação. A classificação fiscal que no caso é apenas consequência, decorre evidentemente de conceitos previstos na legislação afeta ao tema. Assim, a classificação fiscal é feita por meio do código NCM, que se refere à Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto n° 97.409/1988, de 23/12/1988, DOU de 27/12/1888. Para sua composição, os países do Mercosul consolidaram o código de classificação em oito dígitos, ao acrescentar mais dois dígitos de identificação de mercadorias. Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do Mercosul. Destarte, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC -1). Regras previstas na Resolução Camex n° 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF n° 99/2001. Para que se possa formar convicção quanto ao adequado enquadramento tarifário de um produto, é indispensável conhecer, com detalhes, todas as suas características, para assim chegar-se a sua correta identificação e, em observância às normas pertinentes, laborar a correspondente classificação fiscal. Justamente neste sentido foi que a fiscalização solicitou o laudo técnico. Não procede a alegação da interessada de que a mercadoria tenha fortificante e cloreto de sódio, num percentual de 0,63%, o laudo apresenta informações divergentes. A assistência técnica efetuada demonstrou que a mercadoria existente possui composição divergente da mercadoria descrita na Declaração de Importação e respectivos documentos instrutivos. Também não procede a insinuação de que tenha ocorrido cerceamento no direito de defesa ou que restou prejudicado o exercício do contraditório e da ampla defesa. Tendo acompanhado a retirada de amostra não há que se cogitar a possibilidade de que tal ato tenha sido efetivado com preterição de direito da interessada. Tais direitos estão devidamente resguardados no presente processo administrativo, contudo a despeito de alegar não ter sido intimada para apresentar contra prova ou fazer quesitos, a interessada não juntou aos autos qualquer laudo, nem formulou qualquer quesito, contrariando o disposto no artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 e que regula o presente feito: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 4,5 Art. 16. A impugnação mencionará: IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § Io Considerar-se-á nao formulado o pedido de diligencia ou pericia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ... (Grifos acrescidos) Ademais, o preceito contido na legislação que rege o processo administrativo fiscal é a consagração da idéia de que a prova documental a ser produzida, por meio de diligência, antes de qualquer outra razão, tem o objetivo de firmar convencimento da autoridade julgadora, que pode ter a necessidade, em face da presença de questões de difícil deslinde, de municiar-se de mais elementos de prova. No entanto, não é o caso no presente processo. A multa aplicada não está agravada por "fraude" como entendido pela interessada. O Enquadramento Legal (fls. 14 e 16) indica claramente a aplicação do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96 com redação dada pelo artigo 18 da MP n° 303/06, que assim estabeleceu: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I-de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; ...(Grifos acrescidos) Como se observa a multa decorre do lançamento de ofício. Sobre a alegação da impugnante, de que a multa tem efeito confiscatório tem-se que a Constituição Federal, em seu artigo 150, IV, veda às pessoas jurídicas de direito público a utilização de tributo com o efeito de confisco, clara limitação ao poder de tributar. Pode-se dizer que o princípio do não-confisco é uma limitação imposta pelo legislador constituinte ao legislador infraconstitucional, não podendo este último instituir tributo que tenha efeito confiscatório, dirige-se ao legislador ordinário e não ao servidor público que aplica a lei. Finalmente, num segundo momento, o princípio dirige-se, eventualmente, ao Poder Judiciário que deve aplicá-lo no controle difuso ou concentrado da constitucionalidade das leis. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 5 Todavia, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à administração tributária. Esta se submete ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. Não cabe à administração tributária criar a lei, e muito menos se furtar a aplicá-la ou negar sua vigência. Ao contrário, a administração deve continuar a observar a lei até que outra a revogue, ou então que o Poder Judiciário a afaste. Como se sabe, administração pública rege-se pelo princípio da estrita legalidade (CF, art. 37, capuf), especialmente em matéria de administração tributária, que é uma atividade administrativa plenamente vinculada (CTN, arts. 3 2 e 142, parágrafo único). Isto posto, fica muito claro que é impossível aplicar ao caso os princípios da razoabilidade ou da proporcionabilidade, os fatos em questão estão perfeitamente tipificados na legislação que rege a matéria, e na legislação também está determinado qual o procedimento a ser adotado pela autoridade fiscal, não havendo espaço para qualquer interpretação discricionária que pudesse deixar margem à aplicação de tais princípios. Como já dito a autoridade fiscal é regida pelo princípio da estrita legalidade. Em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, v o t o no sentido de JULGAR PROCEDENTE O LANÇAMENTO. Por fim, não é demais mencionar que o Recorrente também teve negado o seu pleito no Processo nº 10926.000490/2006-60, conforme ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO - II Data do fato gerador: 01/08/2006 Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CERTIFICADO DE ORIGEM INEXATO, DESCREVENDO MERCADORIA DIVERSA DA EFETIVAMENTE IMPORTADA. LAUDO TÉCNICO IDENTIFICANDO PRECISAMENTE A MERCADORIA, COM APONTE DAS CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS. RECLASSIFICAÇÃO PELO FISCO. PERDA DAS VANTAGENS FISCAIS DO MERCADO COMUM. RECURSO IMPROVIDO. Sempre que a mercadoria importada for diversa daquela descrita na DI e no Certificado de Origem, cuja evidência ficar devidamente caracterizada em prova técnica, mostra-se razoável a desqualificação, pela autoridade aduaneira, do certificado de origem, posto que não ampara a mercadoria submetida a despacho, gerando, por consequência, a perda do tratamento fiscal diferenciado, vigente no âmbito do Mercosul. Recurso voluntário a que se nega provimento. Da conclusão Com fulcro nas razões supra expedidas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10926.000494/2006-48 Acórdão n.º 3002-000.746 S3-TE02 Fl. 5,5 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Fl. 118DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.600017/2001-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 1996
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Constando, o valor considerado omitido, na declaração de rendimentos IRPJ da microempresa da qual o contribuinte era sócio, como rendimentos pagos ao mesmo, deve referido rendimento ser tributável.
Numero da decisão: 2401-006.761
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
1.0 = *:*
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constando, o valor considerado omitido, na declaração de rendimentos IRPJ da microempresa da qual o contribuinte era sócio, como rendimentos pagos ao mesmo, deve referido rendimento ser tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausente a Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Trata-se de auto de infração de imposto de renda pessoa física - IRPF, espelho às fls. 93/94, ano-calendário 1996, que apurou imposto suplementar no valor de R$ 990,64, acrescido de juros e multa de ofício, em virtude de omissão de rendimentos no valor de R$ 5.992,68. Consta da Informação Fiscal de fl. 37 que: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 60 00 17 /2 00 1- 20 Fl. 177DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.761 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.600017/2001-20 Para o contribuinte autuado foram apresentadas duas declarações do ano- calendário 1996, exercício 1997: a) uma em modelo completo, recepcionada em 25/4/97, enviada pela internet, arquivada na DRF/Marília (fls. 55/58); e b) outra em modelo simplificado, recepcionada em 29/4/97 por meio de formulário, arquivada na DRF/Osasco (fl. 61). Foi cancelada a declaração em formulário e adicionado os rendimentos nela declarados para a declaração enviada pela internet, sendo lavrado o Auto de Infração. O contribuinte alega que a declaração enviada pela internet foi feita seu o seu conhecimento e consentimento. Conforme DIRPJ da empresa Kadoshei Confecção Ltda - ME de fls. 73/74, foi informado rendimento pago ao contribuinte no valor de R$ 5.992,68, no ano de 1996. Em instrumento particular de compromisso de compra e venda de fundo de comércio, fls. 75/76, datado de 30/12/95, consta que a empresa foi vendida. A alteração societária foi realizada em 1/1/97, conforme documento de fls. 77/79. Em impugnação de fls. 110/111, o contribuinte alega que deve ser considerada válida a declaração entregue em 29/04/97, por ser a correta, que transferiu a empresa e que não exerceu em 1996 nenhuma atividade comercial e tampouco angariou rendimentos. A DRJ/SPOII, julgou o lançamento procedente, conforme Acórdão 17-22.755 de fls. 155/157, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FísicA - IRPF Exercício: 1997 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constando, o valor considerado omitido, na declaração de rendimentos IRPJ da microempresa da qual o contribuinte era sócio, como rendimentos pagos ao mesmo, deve a autuação ser mantida. Lançamento Procedente O contribuinte foi cientificado do Acórdão em 24/3/08 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 164) e em 23/4/08 apresentou recurso voluntário, fls. 167/170, que contém, em síntese: Declara que iniciou as atividades na empresa Kadoshei Confecção Ltda - ME em 1994 e já em 1995 não fazia retirada de valores. Que a empresa foi vendida, mas devido à dúvida se superaria a crise financeira, acordou-se que a transferência na junta comercial ocorreria após um tempo. Diz que começou a trabalhar na empresa GERDAU e que a declaração enviada pela internet era indevida e mentirosa, conforme declaração do contador que a enviou. Afirma que não houve omissão de rendimentos e que só não cancelou a declaração enviada pela internet, por falta de conhecimento da mesma. Entende ser injusto considerar somente a alteração contratual arquivada na Junta Comercial em 1997, porque ainda que fosse, não justificaria as retiradas. Requer a baixa dos débitos improcedentes. Fl. 178DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.761 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.600017/2001-20 À fl. 113 foi juntada declaração do contabilista Carlos Valério, na qual informa que ele entregou, sem estar autorizado, DIRPF do contribuinte, não tendo este auferido rendimentos da pessoa jurídica naquele ano. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. MÉRITO A legislação tributária define o fato gerador do imposto de renda, conforme CTN, art. 43, II: Art.43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. No presente caso, o valor da renda que o contribuinte alega desconhecer, foi também informado na DIRPJ da empresa, da qual, segundo Junta Comercial, o contribuinte era proprietário até 31/12/1996. Conforme consta do acórdão recorrido, o contribuinte busca negar os fatos mediante declarações de terceiros, convenções particulares, ineficazes para provar suas alegações. No caso dos autos, deve prevalecer a alteração contratual arquivada na Junta Comercial. A discordância dos fatos não pode ser considerada para afastar o lançamento. A discordância desprovida da indicação dos motivos de fato (devidamente comprovados) ou de direito em que se fundamenta a irresignação é entendida como negativa geral, o que não configura impugnação ou recurso. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 179DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.761 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13830.600017/2001-20 Fl. 180DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.932170/2013-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/10/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/10/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 21 70 /2 01 3- 73 Fl. 72DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.414 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932170/2013-73 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 73DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.414 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932170/2013-73 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 74DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.414 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932170/2013-73 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 75DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.414 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932170/2013-73 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.414 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.932170/2013-73 Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.005508/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF.
Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN a teor da Súmula CARF nº 59.
INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 1401-003.550
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A prática da entrega, com atraso, da declaração, não caracteriza a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN a teor da Súmula CARF nº 59. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA. Inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendo-lhe observar a legislação em vigor. Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Carlos André Soares Nogueira, Leticia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada). Ausente a conselheira Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin substituída pela Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 55 08 /2 00 7- 17 Fl. 85DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-003.550 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005508/2007-17 Relatório Inicio com a transcrição do relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de impugnação à exigência da multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, referente ao 1º, 2°, 3° e 4º trimestre do ano-calendário de 2004 (fl. 35), no valor de R$ 219.603,74. Não se conformando com o lançamento acima descrito, a interessada apresentou a impugnação de fl(s). 01 a 22, na qual alega, em apertada síntese, o seguinte: - que as DCTF(s) em tela foram apresentadas antes de qualquer procedimento da administração. Conclui, que está albergada pelo instituto da denuncia espontânea/ previsto no artigo 138 do CTN; e - que a multa aplicada afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Analisando a impugnação a Delegacia de Julgamento considerou a mesma improcedente mantendo a autuação em todos os seus termos. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual aduziu as mesmas razões acerca da espontaneidade para exoneração da multa aplicada e pela ofensa aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, etc. Para tanto apresenta doutrina e jurisprudência que entende serem adequadas a justificar o seu entendimento. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A discussão que se apresenta no presente processo refere-se à imposição de multa por atraso na entrega de DCTF. O recorrente, desde a impugnação, pleiteia que esta multa seja desonerada em razão da necessária aplicação do art. 138, do CTN que, em seu entender, haja vista a espontaneidade de sua atuação, lhe isentaria da penalidade. Acrescenta, ainda, que a aplicação da referida multa ofenderia aos princípios jurídicos da razoabilidade e proporcionalidade. Apesar de ser extensa a peça recursal no que concerne à apresentação de doutrina e jurisprudência que o recorrente pretende prevalecerem, toda a argumentação orbita em torno destes dois argumentos principais. Fl. 86DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-003.550 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005508/2007-17 Assim, passaremos à sua análise. Para tanto, desnecessário maiores esclarecimentos. Os pontos de controvérsia colocados pelo recorrente resolvem-se pela aplicação dos entendimentos já consolidados neste CARF por meio de Súmulas com efeito vinculante. Temos então, com relação à ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade que este CARF não pode se manifestar sobre inconstitucionalidade de norma tributãria, conforme abaixo. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 101-94876, de 25/02/2005 Acórdão nº 103-21568, de 18/03/2004 Acórdão nº 105-14586, de 11/08/2004 Acórdão nº 108-06035, de 14/03/2000 Acórdão nº 102-46146, de 15/10/2003 Acórdão nº 203-09298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201-77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 202-15674, de 06/07/2004 Acórdão nº 201-78180, de 27/01/2005 Acórdão nº 204-00115, de 17/05/2005 O fundamento desta Súmula se baseia no fato de que o órgão julgador administrativo não tem competência constitucional para declarar a inconstitucionalidade de Lei. Apenas ao Poder Judiciário é atribuída esta competência. Por isso, não sendo competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de norma, cabe ao órgão administrativo apenas aplicar as normas postas. Assim, não pode esta Turma deixar de aplicar a norma que determina a aplicação da multa, posto não ter competência para impedir a aplicação de norma, com base na Súmula 02 do CARF. Com relação ao argumento da denúncia espontânea como possibilidade de exclusão da penalidade, também já existe entendimento formado neste CARF que foi consolidado por meio da Súmula CARF nº 49, conforme abaixo. Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº CSRF/04-00.574, de 19/06/2007 Acórdão nº 192-00.096, de 06/10/2008 Acórdão nº 192-00.010, de 08/09/2008 Acórdão nº 107-09.410, de 30/05/2008 Acórdão nº 102-49.353, de 10/10/2008 Acórdão nº 101-96.625, de 07/03/2008 Fl. 87DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-003.550 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005508/2007-17 Acórdão nº 107-09.330, de 06/03/2008 Acórdão nº 107-09.230, de 08/11/2007 Acórdão nº 105-16.674, de 14/09/2007 Acórdão nº 105-16.676, de 14/09/2007 Acórdão nº 105-16.489, de 23/05/2007 Acórdão nº 108-09.252, de 02/03/2007 Acórdão nº 101-95.964, de 25/01/2007 Acórdão nº 108-09.029, de 22/09/2006 Acórdão nº 101-94.871, de 25/02/2005 Desnecessário se faz tecer maiores comentários acerca da aplicação desta Súmula. O próprio texto sumulado já é autoexplicativo no sentido de que não é aplicável o dispositivo do art. 138, do CTN aos casos de multa aplicada por atraso na entrega de declaração. Desta forma, diante do apresentado acima, não se podem aceitar os argumentos aduzidos pelo recorrente em sua peça recursal, tendo em vista os entendimentos consolidados no âmbito deste CARF representados pelas Súmulas acima apresentadas. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator Fl. 88DF CARF MF
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