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Numero do processo: 10380.017285/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
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Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, determinar o SOBRESTAMENTO do processo enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal para o RE nº 601.314/SP, divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Maria Elisa Brussi Boechat (substituta) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .0 17 28 5/ 20 08 -1 8 Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Trata se de auditoria fiscal levada a efeito em pessoa jurídica optante pelo regime jurídico tributário simplificado instituído pela Lei n° 9.317, de 1996, o Simples, na condição de empresa de pequeno porte (EPP). A auditoria fiscal foi determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 0310100/00618/08, concernente aos anoscalendário 2004 e 2005. O que se discute neste processo administrativo são as exigências fiscais relativas ao anocalendário 2004. Quanto ao anocalendário 2005, tendo em vista o contribuinte haver sido excluído do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2005, conforme assentado no Ato Declaratório Executivo nº 63, de 14/10/2008 (matéria tratada no processo administrativo de nº 10380.016501/200808), o lançamento foi efetivado a partir do arbitramento do lucro, sendo que os respectivos créditos tributários são discutidos no processo nº 10380.019142/200832. A contribuinte, por meio do Termo de Início de Fiscalização (fl. 109), foi intimada a apresentar, no prazo assinalado pela Fiscalização: “1. Os livros contábeis: Diário, Razão e/ou Caixa, relativos aos anos calendário de 2004 e 2005; 2 — Apresentar relação nominal de todas as contascorrentes de depósitos bancários mantidas pelo sujeito passivo em instituições financeiras no BRASIL e/ou EXTERIOR, INCLUSIVE, as relativas a outros INVESTIMENTOS, cuja movimentação financeira deuse no transcorrer dos anoscalendário de 2004 e 2005. Outrossim, informamos ao INTIMADO, que a presente relação DEVERÁ se fazer acompanhar de seus correspondentes EXTRATOS BANCÁRIOS.” Ainda como parte do Termo de Início de Fiscalização, fezse constar a observação de que a contribuinte, caso tivesse dificuldade de apresentar os extratos bancários, objeto da presente intimação, poderia autorizar, por escrito, a fiscalização a os obter junto às instituições financeiras correspondentes. Atendendo à intimação, a contribuinte assevera que, em razão de desorganização administrativa da empresa, não mantém escrituração contábil em livros Razão, Caixa e Diário; ainda, em razão da dificuldade de obter os extratos bancários dos anos de 2004 e 2005, a empresa expressamente autoriza a Receita Federal do Brasil a requerer os extratos atinentes às seguintes contas bancárias – que alegadamente seriam as únicas contas de titularidade da empresa: 1)BANCO RURAL Agencia: 0022 Conta: 065000657 2) BANCO MERCANTIL DO BRASIL Agencia: 0026 Conta: 026051743 Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 4 3 Apesar de ter declarado possuir apenas as duas contas bancárias acima mencionadas, a Fiscalização apurou, por meio de informações a que tinha acesso (CPMF), a existência de duas outras contas bancárias mantidas pela contribuinte no Banco Bradesco e no Banco do Brasil, e procedeu à emissão de Requisições de Movimentação Finaneira – RMFs às quatro instituições. Foram, então lavrados Auto de Infração que encerram exigências, à alíquota do regime do SIMPLES, de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS e INSS atinentes ao anocalendário 2004. Todas as exigências se fizeram acompanhar de lançamento de multa de ofício (75%). Os lançamentos em questão lastreimase na presunção legal de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não contabilizados a que alude o art. 42 da Lei n. 9.430/96. A contribuinte alega que houve irregularidade no procedimento fiscal, porque a autoridade fiscal promoveu a quebra de sigilo bancário, na medida em que emitiu RMF a duas instituições financeiras para as quais não havia obtido autorização. É mister trazer à balha – no que tange à omissão de receitas por depósitos bancários – o seguinte excerto da Impugnação, verbis: “3. Em todos os autos de infração ora impugnados, o fiscal autuante anotou que obteve os extratos bancários com base em autorização do contribuinte. 4. A afirmação e totalmente equivocada. 5. Com efeito, no documento de fl. 120, constou, unicamente, a autorização para que a Receita Federal obtivesse os extratos dos Bancos RURAL e MERCANTIL DO BRASIL. 6. Realmente, após indicar a existência das contas nos citados bancos (indicandose, inclusive, agencia e número da conta), consignouse que "fica a Receita Federal devidamente autorizada a requerer, JUNTO A ESSES BANCOS tais documentos". 7. Percebese, com muita facilidade, que a autorização ficou restrita, expressamente, às duas instituições fmanceçiras apontadas no documento (Banco Mercantil do Brasil e Rural). 8. Assim, o auditor fiscal incidiu em manifesto erro ao afirmar que o contribuinte o autorizou a buscar os extratos bancários. E, em seguida, incorreu em ilegalidade ao requisitar informações de instituições financeiras diversas daquelas (Bradesco e Banco do Brasil).” (destaques no original) Alegase ainda a existência de distorções nos valores dos depósitos bancários não escriturados, que deram azo ao lançamento correspondente à infração relativa à omissão de receitas. Consoante afirmado pela Recorrente, teria havido estornos e duplicidades nos depósitos, não considerados pela autoridade lançadora. A Recorrente, a título ilustrativo, indicou dois valores que considerou terem sido considerados em duplicidade, em razão de haver (i) estornos de depósitos de cheques devolvidos e (ii) reapresentação de cheque com depósitos idênticos. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 5 4 A DRJ decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 08002.309, de 13/01/2012, fls. 331335, para que o processo fosse encaminhado à DRF Fortaleza para que o sujeito passivo fosse intimado a apresentar demonstrativo contendo a relação exaustiva de todos os lançamentos que, no seu entendimento, tivessem sido indevidamente tributados. Diante da inação da contribuinte, que apresentou resposta, indicando os lançamentos que entendia terem sido indevidamente tributados, a impugnação do contribuinte foi julgada parcialmente procedente, para excluir apenas os valores que indicara na Impugnação como sendo duplamente contabilizados pela Fiscalização. O acórdão de impugnação restou assim ementado: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário:2004 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA RMF. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Verificado que o procedimento adotado pela fiscalização encontra fundamento no Decreto nº 3.724, de 2001, que autoriza a expedição de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, não há que se falar em nulidade do feito. OMISSÃO DE RECEITA DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. REGULARIDADE DA TRIBUTAÇÃO. O art. 42 da Lei 9.430, de 1996, contempla uma presunção legal de omissão de receitas, estabelecida com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs o competente Recurso Voluntário (fls. 365371), em que reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência em 19.11.2012, fl. 363, e interposição em 26.11.2012, fls. 365 e seguintes) e, assim, dele tomo conhecimento. Fl. 592DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 6 5 É absolutamente estreme de dúvidas que o caso em vergaste envolve lançamento de ofício lastreado em presunção legal de omissão de receitas por depósitos bancários não identificados pelo sujeito passivo após regular intimação (art. 42 da Lei n. 9.430/96). Ocorre que o Fisco teve acesso à movimentação financeira de duas das contas da Recorrente sem amparo em qualquer decisão judicial, sendo inequívoca a expedição de bastantes Requisições de Movimentação Financeira – RMFs. Frisese que o contribuinte expressamente pleiteia o reconhecimento da nulidade do lançamento em virtude de dito procedimento, o que se verifica pela leitura do trecho do inconformismo supratranscrito. Entendo que a análise do presente feito não pode ter lugar no momento presente, revelandose imperioso o seu sobrestamento, na esteira do §1o do art. 62A do Regimento Interno deste Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que reza, verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. §1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. No que tange ao tema em referência, é inquestionável que o Supremo Tribunal vem sobrestando feitos que versam sobre a questão em análise – ante o reconhecimento da repercussão geral no Recurso Extraordinário n. 601.314/SP –, o que se depreende da leitura do seguinte decisum, prolatado nos autos do Agravo de Instrumento n. 765.714/SP, litteris: No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria – sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6o). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3o, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência – cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discute se questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (AI 765.714/SP; Min. Ricardo Lewandowski; DJ 22/10/2010; sem grifos no original) Fl. 593DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO Processo nº 10380.017285/200818 Resolução nº 1101000.086 S1C1T1 Fl. 7 6 Nessa senda, diante da hialina incidência do supracitado §1o do art. 62A, determino o SOBRESTAMENTO do vertente feito até deslinde final do Recurso Extraordinário n. 601.314, em que se reconheceu a Repercussão Geral da quaestio iuris de que se cuida. BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator Fl. 594DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/08/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/09/2013 por MARCOS AURELI O PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.677984/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.478
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1649; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 293 1 292 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.677984/200953 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3302000.478 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de abril/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 98 4/ 20 09 -5 3 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 294 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 295 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 296 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 297 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 298 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 299 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 300 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 301 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 302 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 303 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 304 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 305 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 306 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 306DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677984/200953 Resolução nº 3302000.478 S3C3T2 Fl. 307 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 307DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
score : 1.0
Numero do processo: 15504.008239/2009-71
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2005,2006
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
Os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos).
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2005,2006 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos). DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2325; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 252 1 251 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.008239/200971 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.463 – 3ª Turma Especial Sessão de 25 de novembro de 2014 Matéria LUCRO PRESUMIDO Recorrente ROLIM, VIOTTI & LEITE CAMPOS ADVOGADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005,2006 NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO PRESUMIDO.OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. Os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos). DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 82 39 /2 00 9- 71 Fl. 761DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 253 2 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani e Meigan Sack Rodrigues que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0414, com a exigência do crédito tributário no valor de R$293.860,82 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro presumido referente aos segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2004 e aos primeiro, segundo, terceiro e quarto trimestres do anocalendário de 2005. Consta na Descrição dos Fatos: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 OMISSÃO (REDUÇÃO INDEVIDA) DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Fl. 762DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 254 3 Art. 528 do RIR/99. Lei n° 9.249/95, art. 15, e Lei n° 9.430/96, arts. 10 e 25, inciso I Art. 20 da Lei n° 5.474, de 18/07/1968. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 1524 com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.020,99 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 PIS SOBRE OMISSÃO DE RECEITA FALTA/INSUFICIÊNCIA DO PIS Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 1° e 3° da Lei Complementar n° 7/70; Art. 24, § 2°, da Lei n° 9.249/95; Arts. 2°, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. III – O Auto de Infração às fls. 25 34 com a exigência do crédito tributário no valor de R$110.867,69 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 COFINS OMISSÃO DE RECEITA Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Arts. 2°, inciso II e parágrafo único, 3°, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n° 4.524/02. IV – O Auto de Infração às fls. 3544 a exigência do crédito tributário no valor de R$105.789,85 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos: 001 CSLL PRESTADORA DE SERVIÇOS FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Fl. 763DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 255 4 Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a titulo de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais são objeto de lançamento de oficio. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 22 da Lei n° 10.684/03 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 302336, com as alegações abaixo transcritas. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: II. DIREITO DO CONCEITO DE RECEITA,E A SUA DIFERENCIAÇÃO DOS MEROS INGRESSOS A presente autuação fiscal decorre do entendimento da autoridade tributária de que os ingressos contabilizados pela Impugnante a, titulo de "reembolso de despesas" configurariam ,receita tributável, e por isso passível de inclusão na. base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS e também do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre'o Lucro (Lucro Presumido). Na fundamentação do auto de infração, é trazida legislação que define o conceito de receita bruta como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o prego dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 44 da Lei nº 4.506/64 e Decretolei nº 1.598/77, art. 12). O conceito de receita, tendo em vista que é utilizado pela Constituição Federal para a' definição de competência tributária (artigo 195, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 42/98), deve ser interpretado tendo em vista o conteúdo jurídico que lhe é .dado pelo ramo do. direito privado do qual se origina (Direito Comercial); nos termos da ' artigo 110 do Código Tributário Nacional. Ou seja, o legislador constitucional ao trazer, para o núcleo da regra " instituidora de competência impositiva o conceito de receita, utilizouse de um instituto jurídico que possui conteúdo já previamente definido, o qual não pode ser ultrapassado tanto pelo legislador' ordinário quanto pelo intérprete e aplicador das normas tributárias. No presente caso, conforme será amplamente demonstrado' (com base inclusive na ,melhor doutrina e na jurisprudência administrativa Tribunais) efetuou se uma interpretação equivocada sobre a natureza dos ingressos contabilizados pela Impugnante como "Reembolso de Despesas", de forma a se determinar a incid8rIcia do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL sobre valores que efetivamente não configuram no caso aquisição de riqueza nova (receita). Partindose da própria fundamentação legal deste lançamento, podemos já trazer um conceito ' básico , de. receita como sendo os valores representativos de entradas ou ingressos no patrimônio de uma pessoa em decorrência das suas atividades negociais, remunerandoa pelo exercício destas, e se destinando a pertencer ao seu respectivo patrimônio. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 256 5 Desta definição se retiram dois 'requisitos intrínsecos ao conceito de receita que serão importantes para a análise deste caso concreto: a) os ingressos devem decorrer da atividade negocial' do contribuinte, sendo uma remuneração desta; b) os Valores devem efetivamente passar a compor o patrimônio do contribuinte. [...] A definição contábil reforça o entendimento de que o conceito de receita, pressupõe o ingresso de riqueza que efetivamente se consolidará no contribuinte, compondo o seu patrimônio (no caso da pessoa jurídica, o Patrimônio Liquido). Por isso, nem todoo ingresso no contribuinte:será receita tributável, já que em diversas situações o mesmo pode ser mero ingresso transitório que não se incorporará no seu patrimônio. A, inexistência do requisito da permanência do ingresso (incorporação ao Patrimonial) é indispensável inclusive para se atender ao principio da capacidade contributiva (que é um limite constitucional ao poder de tributar), sob pena incidir a tributação sobre um fator, que não corresponde à potencialidade econômica para suportála. [...] Assim, apesar dessa diferenciação ter que ser efetuada pela análise e identificação de cada entrada positiva (receita ou ingresso), esta atividade interpretativa deve ser centrada nos parâmetros definidos pela ordem jurídica (nos termos em que corretamente interpretada pelos operadores). O ingresso que hão configura receita deve ser considerado como aquela entrada que não tem natureza de remuneração ou contraprestação ao exercício da atividade econômica de quem o recebe, bem como não se incorpora positivamente ao seu patrimônio. Ou seja, não configuram receitas tributáveis as entradas de valores que apenas transitam contabilmente pela empresa, mas sem se incorporar como elemento novo ao seu patrimônio. [...] As duas principais espécies de ingressos que não caracterizam receitas tributáveis sac, certos tipos de reembolsos de despesas e aquelas entradas referentes ao ressarcimento de despesas que são rateadas entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico. Em ambas as hipóteses, reembolso ou rateio de despesas, não é a denominação contábil que determina a sua natureza tributável ou não tributável, mas sim a sua análise em face dos pressupostos que informam o conceito de receita, já expostos nesta impugnação; Tratando já diretamente do reembolso de despesas, a sua caracterização, como receita ou como mera entrada depende da natureza do gasto reembolsado. O fato desta entrada estar vinculada, diretamente ''ou indiretamente, a , um contrato de prestação de serviço por si só não é definidor da sua natureza jurídica. O critério definidor já consagrado pela doutrina diferencia dois tipos de despesas vinculadas a prestação do serviço: as despesas incorridas para a prestação do serviço e que compõem o custo operacional do prestador; e as despesas que, apesar de arcadas originariamente pelo prestador, na, verdade se referem a obrigações ou dispêndios do tomador, que, por comodidade ou facilitação da obtenção dos resultados pretendidos pelas partes, é quitada pelo prestador no pressuposto do seu posterior reembolso (pagamento por conta e ordem). Essa matéria pressupõe, então, a análise do contexto do qual surgiu e se pagou determinada despesa, em face da, relação contratual firmada entre tomador e prestador e a segregação dos dispêndios que configUram custo operacional da prestação, daqueles outros que não são incorridos como condição da referida prestação. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 257 6 Conforme será inequivocamente demonstrado, no caso da Impugnante são claramente segregáveis, com base 'em Critérios jurídicos, econômicos e de razoabilidade, as obrigações pagas que correspondem a custos operacionais de sua atividade, de outros valores que na verdade se referem a pagamentos efetuados por conta e ordem dos tomadores (já que se referem a obrigações destes). [...] 11.2. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA DOS. TRIBUNAIS A questão da diferenciação entre receita tributável e valores reembolsáveis (pagamento em nome de terceiros), inclusive especificamente no caso dos prestadores de serviços, já foi objeto de análise dos órgãos de julgamento administrativo e judicial, havendo sólidos precedentes reconhecendo a pertinência da argumentação jurídica deduzida no item anterior. [...] A decisão do Superior Tribunal de Justiça é irretocável e não deixa dúvidas da impossibilidade jurídica de se tributarem corno receita valores que, apesar de ingressarem 'contabilmente na pessoa jurídica, não integram o seu patrimônio, seja por se referirem a receitas de outrem, seja por se referirem ao reembolso de ‘pagamentos efetuados por,conta e ordem de terceiros. Estando desta forma consolidados os pressupostos jurídicos que devem nortear a análise da presente autuação em face dos argumentos deduzidos nesta defesa, passa a Impugnante a explicitar a natureza dos reembolsos de despesas equivocadamente considerados como receita tributável pela Fiscalização. 11.3 — DA NATUREZA DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE TERCEIROS DOS VALORES AUTUADOS A Impugnante é sociedade de advogados que tem como objeto social a prestação de serviços de advocacia e consultoria jurídica. Tratandose de profissão regulamentada, a remuneração dos serviços. , efetuada nos termos da legislação própria. O artigo 22 da Lei no 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) dispõe que "a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados,.‘ aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência". A remuneração dos serviços "prestados pela Impugnante, portanto, se dá pela cobrança de honorários advocatícios na modalidade de prolabore acompanhamento (decorrente dá prestação do trabalho em si) e de sucesso/sucumbência (decorrente do ganho total ou parcial da ação). Desta forma, a Impugnante oferece a tributação do PIS/COFINS e ' IRPJ/CSLL (Lucro Presumido) os valores referentes aos honorários advocatícios que recebe pelos seus serviços, bem como outras receitas que compõem o seu lucro operacional (por exemplo, receitas financeiras). Contudo, em virtude da natureza do seu serviço e da forma como o mesmo é prestado, a Impugnante incorre em diversas despesas que não se referem ao seu custo operacional, e que na verdade são de responsabilidade do seu cliente. E conforme expressamente definido contratualmente, posteriormente ao pagamento das despesas deste tipo e mediante comprovação documental, a Impugnante é ressarcida pelos verdadeiros responsáveis por aqueles dispêndios. [...] A existência de cláusulas, especificas para os honorários advocatícios e para os reembolsos de despesas deixam patente que o serviço prestado pela Impugnante é Fl. 766DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 258 7 um serviço individualizado e eminentemente intelectual, de defesa dos interesses jurídicos dos seus clientes., Ocorre que para litigar administrativa ou judicialmente, qualquer pessoa física ou jurídica irá incorrer em outros custos além daqueles referentes ao trabalho do seu advogado. , Por exemplo, terá que arcar com as custas judiciais e taxas de oficiais de justiça. Poderá ter que arcar também com o custo de outros profissionais, corno os peritos judiciais. Todos estes custos são de responsabilidade daquele que está litigando e não do seu advogado. Apenas para facilitar a condução do processo, o advogado na maioria Os vezes paga em nome do seu cliente essas despesas. Caso contrário seria grande o risco de uma perda de prazo recursal pelo fato de , o cliente não ter enviado a tempo o comprovante do recolhimento das custas recursais (caso esse pagamento ficasse originariamente sob sua responsabilidade). Portanto, a figura do reembolso de despesa é natural, e totalmente razoável e justificável na prestação de serviços jurídicos. E exatamente por isso, e consoante já exaustivamente demonstrado a Impugnante tem a convicção que os valores referentes ao, reembolso de despesa não têm a natureza de efetiva receita sua, motivo pelo qual estes não são incluídos na base de cálculo dos referidos tributos. Entretanto, equivocadamente, a Fiscalização Tributária considerou que os valores contabilizados corno "reembolso de despesas" teriam a natureza de receita tributável. [...] A seguir demonstrase a natureza e .justificativa de cada um destes grupos de reembolso de despesas. Com relação as cópias de todos os comprovantes de pagamento, a Impugnante informa que tendo em vista'o volume de documentos, não esta fazendo _a juntada dos mesmos .nesta Impugnação, mas que já se coloca à disposição para tanto (requerendO apenas o deferimento , de um prazo razoável para tanto). Requerse de antemão, nos termos do disposto no inciso IV e na alínea ' "a" do §4º ambos do artigo 16 do Decreto no 70.235/72, que ,caso seja considerada necessária a análise documental, sejam os autos baixados em diligência. 1) Custas e despesas análogas Nesse grupo estão incluídas todos os tipos de custas judiciais (de distribuição, recursais, etc.), as taxas judiciárias (por exemplo, taxas pela utilização do oficial de justiça) e as autenticações de documentos. As custas e taxas judiciárias são cobradas para remunerar a utilização do aparato judiciário, sendo devido por todo aquele que ingressa com um litígio. [...] Desta forma, não restam dúvidas que não se pode imputar as custas e despesas judiciais a natureza de custos operacionais da Impugnante, uma vez que legalmente são valores devidos pelo seu cliente. E por isso, o reembolso destes valores para recompor o patrimônio da Impugnante pelo custo do seu pagamento em nome do cliente (tanto que no documento de arrecadação consta sempre o nome da parte e nunca o do seu advogado) é mero reembolso de despesas e não receita tributável. 2) Despesas com Advogados Correspondentes O prolabore cobrado pela Impugnante remunera .o trabalho técnico da condução dos processos e o acompanhamento dos mesmos nas cidades nas quais possui base (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília). Fl. 767DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 259 8 Contudo, a Impugnante um escritório de advocacia de grande porte que possui como clientes empresas) de atuação nacional, as quais por este motivos possuem processos nos diversos Estados da Federação. Enquanto a responsabilidade pela condução técnica é sempre da Impugnante, nas comarcas, localizadas fora das capitais, citadas, é necessário o trabalho de outro profissional (chamado de advogado correspondente) que será responsável pelo acompanhamento de publicações nos diários oficiais locais, bem como pela execução de atos que demandam a presença , física (obtenção de cópias de decisões, protocolos de petições, etc.). A despesa com o advogado correspondente é do cliente, uma vez que se, trata de outra prestação de serviço, que extrapola o objeto daquele contratado com a Impugnante. [...] Inclusive, a separação entre os valores recebidos a títulos de honorários e o valor das despesas que devem ser arcadas pelo cliente (como os advogados correspondentes) é prática Orientada pelas Seccionais da Ordem dos Advogados do Brasil, entidade legalmente responsável Pela regulamentação e controle do exercício da advocacia. [...] De se destacar ainda, que o citado valor compõe a receita do advogado correspondente e compõe assim a base de cálculo do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (no caso de sociedade de advogados) ou do IRPF (no caso de pessoa física), sendo que a presente autuação configura a dupla incidência tributária sobre o mesmo fato econômico. [...] Impõese, portanto também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 3) Despesas com Viagens Conforme já exposto, a Impugnante é responsável pela condução técnica do processo, com a preparação e protocolo de todas as pegas processuais que o irão compor. Contudo, é usual que para que essa condução seja mais efetiva,.em prol do sucesso buscado pelo cliente, sejam necessárias viagens de profissionais da Impugnante (até porque, conforme já exposto, a Impugnante é responsável por processos que correm em praticamente todos os Estados da Federação). [...] Como a condução do processo já está abrangida nos honorários pactuados, a Impugnante não cobra nenhum adicional pelo fato de que o seu profissional está tendo que se deslocar. Mas por outro lado também não pode lhe ser imputado que arque com os custos (passagens aéreas, hotéis, táxis até aeroportos e para o trânsito na cidade de destino, etc). Casa este custo fosse de responsabilidade da Impugnante, a sua atividade econômica (que como logicamente objetiva o lucro) se tornaria inviável. Isto porque é impossível se prever quantas viagens podem ser necessárias na condução de um processo, que normalmente dura anos até chegar ao seu término. [...] Ressaltese:, que o reembolso somente é efetuado mediante apresentação dos comprovantes de cada pagamento, o que permite a comprovação da natureza dos valores contabilizados a este titulo. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 260 9 Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 4) Despesas com Deslocamento O acompanhamento de um processo administrativo ou judicial exige um imprevisível número de deslocamentos para fóruns, tribunais, Delegacias da Receita Federal, etc. Também são usuais os deslocamentos para reuniões com o cliente ou com terceiros pelo mesmo indicados (por exemplo; auditores externos). Esses deslocamentos são mais comumente efetuados por táxis, mas podem ser também efetuados em carros particulares dos advogados (com reembolso de quilometragem percorrida e estacionamento) e são contratualmente de responsabilidade do cliente (uma vez que são despesas incorridas em seu interesse). [...] Ressalte que a Impugnante somente emite nota de reembolso para deslocamentos realizados para o 'cumprimento de tarefas e diligências efetuadas Por determinação ou em prol do cliente; Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 5) Despesas incorridas na condução do processo A Impugnante para o exercício de suas atividades incorre em diversos cUstos necessários os quais suporta e que são componentes da apuração do seu lucro (receitas menos despesas). Por exemplo: pagamento de sua folha de salários aluguel do imóvel no qual está instalada, material de informática e de escritório entre tantas outras. Contudo, ,existem gastos que não são como os supracitados, decorrentes da sua operação. Tratamse, no caso; de custos variáveis e diretamente vinculados ao trâmite de cada processo. [...] O mesmo raciocínio jurídico aplicase presente autuação, que determina o provimento do pedido de seu cancelamento. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Por todo o exposto, requerse o cancelamento integral da presente autuação fiscal, urna' vez que resta comprovada que não possuem a natureza de receita tributável os valores recebidos pela Impugnante como reembolso de despesas (gastos por conta e ordem de terceiros). Destacandose que, no caso de custas e taxas judiciais, autenticações e honorários de perito, •a própria legislação processual civil dispõe expressamente que se trata de valores devidos por aquele que demanda judicialmente, não podendo de forma alguma ser considerado como 'um custo do advogado responsável pela causa. E com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento e demais documentos vinculados ao reembolso de despesas,' a Impugnante informa que, tendo em vista o volume de documentos, não está fazendo a juntada dos mesmos nesta Impugnação, mas que já se coloca à disposição para tanto (requerendo apenas o Fl. 769DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 261 10 deferimento de um prazo razoável). Requerse, assim, nos termos 'do disposto no inciso IV e na alínea "a" do §4º ambos do artigo 16 do Decreto no,70.235/72, que caso seja considerada necessária a análise documental, sejam os autos baixados em diligência. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0230.121, de 21.12.2010, fls. 388397: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de cálculo do IRPJ, o valor percebido a título de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de calculo da CSLL, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de cálculo da contribuição para o PIS, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2005, 2006 RECEITA BRUTA REEMBOLSO DE DESPESAS Integra a receita bruta da pessoa jurídica, para fins de calculo da Cofins, o valor percebido a titulo de reembolso de despesas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 17.10.2011, fl. 670, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 16.11.2011, fls. 671720, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: II. DIREITO II. 1. DA DECISÃO RECORRIDA A decisão proferida pela DRJ/BHE considerou que os valores de reembolso de despesas incluídos pela Fiscalização Tributária na base de cálculo do IRPJ, Fl. 770DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 262 11 CSLL, PIS e COFINS, comporiam a receita bruta do Recorrente, nos termos da definição constante do Regulamento do Imposto de Renda, aplicável também aos demais tributos em questão. Isso porque, no caso, a receita bruta teria como base o preço dos serviços prestados pelo Recorrente, o qual abrangeria todo o custo envolvido na prestação, como matériasprimas, e bens e serviços consumidos na sua consecução. Sendo que o reembolso de despesas, a ser ver, seria parcela componente do preço dos serviços, vinculada a suportar o custo da sua prestação. Citese trecho do voto proferido pelo Relator: [...] Nos tópicos seguintes se demonstrará, de forma irrefutável, o equívoco da manutenção do lançamento em questão. Mas já antecipando, a decisão recorrida, a par de trazer argumentos a respeito da relação entre a receita bruta e o preço dos serviços prestados, se equivoca ao não efetuar corretamente a diferenciação entre o que se constitui no preço do serviço prestado pelo Recorrente e o mero ingresso de reembolso de valores pagos por conta e ordem de terceiros (no caso, os seus clientes). O Recorrente considerou na base de cálculo dos valores que recolheu a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS a totalidade dos montantes que recebeu e referentes ao preço dos seus serviços que foram contratados. O preço do seu serviço se encontra previamente estipulado nos respectivos contratos de serviços advocatícios, e o mesmo abarca todo o custo e margem vinculados à sua atividade. Dessa forma, nenhum outro valor é cobrado dos seus clientes, no que se refere ao conjunto de elementos humanos (remuneração dos seus advogados e demais funcionários) e materiais (instalações, materiais de uso e consumo, energia elétrica, e todos os demais inerentes a atividade de um escritório de advocacia). Tanto que o lançamento somente abarca os valores percebidos a título de reembolso de despesa, não havendo qualquer questionamento sobre a documentação que os suportou. A negativa de análise da diferença entre o preço dos serviços do Recorrente e o contexto dos valores recebidos a título de reembolso de despesas é patente na decisão. Além de se negar a analisar a natureza das despesas reembolsadas, a decisão buscou darlhe o tratamento de exclusão da base de cálculo, para poder justificar o lançamento, pela suposta falta de previsão legal para tal exclusão. Citese novamente o voto do Relator: [...] Primeiro, não se trata no caso de exclusão da base de cálculo, que necessitaria de previsão legal expressa, e sim de valores que não são abrangidos pela materialidade dos referidos tributos (lucro e receita) e que, portanto, não são tributáveis, independentemente da existência de previsão expressa nesse sentido. Por outro lado, a negativa de se reconhecer que valores como o de custas e de honorários de perito não se encontram abrangidos pelo preço dos serviços do Recorrente é feita pela decisão de forma totalmente simplista e equivocada. No caso, pela simples arguição de que as normas que regulam o processo civil não teriam eficácia no campo tributário. Conforme restou muito bem demonstrado na Impugnação, tais valores pela sua natureza intrínseca, confirmada inclusive pelas normas processuais, são custos arcados por todo aquele que implementa uma discussão administrativa ou judicial e Fl. 771DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 263 12 que não estão abrangidos pelos honorários do advogado contratado para patrocinar a causa. A própria experiência comum comprova tal fato. Afinal, todo aquele que já litigou em algum momento sabe que além do pagamento dos advogados terá que arcar com os valores referentes a custas, taxas judiciárias, honorários de peritos, autenticações e diversos outros custos inerentes ao processo judicial. Tanto que a parte que demanda (no caso, o cliente do Recorrente) pode efetuar por si mesmo o pagamento, por exemplo, de custas e taxas judiciais, e simplesmente enviar o comprovante para o Recorrente juntar nos autos. Ou ainda, no caso de advogado integrante do escritório ter que viajar para cumprir determinada tarefa vinculada a condução do processo (por exemplo, ida à Brasília para sustentação oral em Tribunal), o cliente pode emitir e pagar diretamente as passagens. Essas situações efetivamente ocorrem no diaadia. Entretanto, os curtos prazos processuais e a necessidade de agilidade, determinam que, na maioria das vezes, o escritório faça o pagamento da despesa por conta e ordem do cliente e depois requeira o reembolso. Outra situação que demonstra o absurdo do entendimento fiscal aplicado nesse caso. Honorários de perito. Tal despesa é decorrente do andamento do processo, tanto que em muitos processos inexiste perícia. Não há qualquer relação entre essa despesa e o preço do serviço do Recorrente. É inequívoco que se trata de remuneração de serviço de terceiro, nomeado pelo juízo, a quem incumbe inclusive fixar o valor dos seus honorários. O fato de o Recorrente ter antecipado o pagamento desses honorários, a pedido do seu cliente, e depois requerido o seu reembolso, transforma a verba em sua remuneração? Claramente que não. Ou seja, a decisão recorrida, data venia, se absteve de efetivamente analisar o caso concreto do Recorrente, mantendo uma exigência fiscal que não possui válida base legal. Dessa forma, e conforme será demonstrado com ainda mais propriedade a seguir, é equivocada a decisão recorrida, impondose a sua reforma por este Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e consequente cancelamento do lançamento fiscal em análise. II.2. DO CONCEITO DE RECEITA E A SUA DIFERENCIAÇÃO DOS MEROS INGRESSOS E REEMBOLSO A autuação fiscal ora em análise decorre do entendimento da autoridade tributária de que os ingressos contabilizados pelo Recorrente a título de "reembolso de despesas" configurariam receita tributável, e por isso passível de inclusão na base de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS e também do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social Sobre o Lucro (Lucro Presumido). Na fundamentação do auto de infração é trazida legislação que define o conceito de receita bruta como sendo o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (art. 44 da Lei n° 4.506/64 e Decretolei n° 1.598/77, art. 12). O conceito de receita, tendo em vista que é utilizado pela Constituição Federal para a definição de competência tributária (artigo 195, com a redação dada pela Fl. 772DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 264 13 Emenda Constitucional n° 20/98), devese ser interpretado tendo em vista o conteúdo jurídico que lhe é dado pelo ramo do direito privado do qual se origina (Direito Comercial), nos termos do artigo 110 do Código Tributário Nacional. Ou seja, o legislador constitucional, ao trazer para o núcleo da regra instituidora de competência impositiva o conceito de receita, utilizouse de um instituto jurídico que possui conteúdo já previamente definido, o qual não pode ser ultrapassado tanto pelo legislador ordinário quanto pelo intérprete e aplicador das normas tributárias. No presente caso, conforme será amplamente demonstrado (com base inclusive na melhor doutrina e na jurisprudência administrativa e dos Tribunais) efetuouse uma interpretação equivocada sobre a natureza dos ingressos contabilizados pelo Recorrente como "Reembolso de Despesas", de forma a se determinar a incidência do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL sobre valores que efetivamente não configuram no caso aquisição de riqueza nova (receita). Partindose da própria fundamentação legal deste lançamento, podemos já trazer um conceito básico de receita como sendo os valores representativos de entradas ou ingressos no patrimônio de uma pessoa em decorrência das suas atividades negociais, remunerandoa pelo exercício destas, e se destinando a pertencer ao seu respectivo patrimônio. Desta definição se retiram dois requisitos intrínsecos ao conceito de receita que serão importantes para a análise deste caso concreto: a) os ingressos devem decorrer da atividade negocial do contribuinte, sendo uma remuneração desta; b) os valores devem efetivamente passar a compor o patrimônio do contribuinte. Os referidos requisitos são identificáveis também na definição que a ciência contábil dá ao conceito de receita. [...] A definição contábil reforça o entendimento de que o conceito de receita pressupõe o ingresso de riqueza que efetivamente se consolidará no contribuinte, compondo o seu patrimônio (no caso da pessoa jurídica, o Patrimônio Líquido). Por isso, nem todo o ingresso no contribuinte será receita tributável, já que em diversas situações o mesmo pode ser mero ingresso transitório que não se incorporará no seu patrimônio. A inexistência do requisito da permanência do ingresso (incorporação ao patrimonial) é indispensável inclusive para se atender ao princípio da capacidade contributiva (que é um limite constitucional ao poder de tributar), sob pena incidir a tributação sobre um fator que não corresponde à potencialidade econômica para suportála. [...] A doutrina e também a jurisprudência, como se demonstrará, diferenciam corretamente a receita tributável de outros ingressos que por sua natureza (relação fática ou jurídica de que decorrem) não agregam efetivamente ao patrimônio do contribuinte. Ou seja, não integram o conjunto de direitos e obrigações que, no seu conjunto, e desde que tenha valor econômico, a ordem jurídica não o denomina como patrimônio. Assim, apesar dessa diferenciação ter que se efetuada pela análise e identificação de cada entrada positiva (receita ou ingresso), esta atividade interpretativa deve ser centrada nos parâmetros definidos pela ordem jurídica (nos termos em que é corretamente interpretada pelos operadores). A decisão acorrida pretendeu absorver todos os valores recebidos pelo Recorrente como sendo decorrentes do pagamento dos serviços advocatícios Fl. 773DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 265 14 prestados. Para tanto desconsiderou: a) que os contratos firmados com os seus clientes determinam de forma específica o preço dos serviços e prevêem o reembolso das despesas incorridas pelo cliente para o andamento do seu processo e que por questão de agilidade e segurança são antecipadas pelo Recorrente; b) o fato de que as notas de reembolso em questão se referem exclusivamente a despesas cuja natureza reembolsável está prevista contratualmente e que se encontram suportadas pelos comprovantes de pagamento. Não cabe ao intérprete alargar a hipótese de incidência e a base de cálculo dos tributos, tendo em vista a sua vinculação aos princípios da legalidade, tipicidade e capacidade contributiva. [...] Assim, o ingresso que não configura receita deve ser considerado como aquela entrada que não tem natureza de remuneração ou contraprestação ao exercício de sua atividade econômica, bem como não se incorpora positivamente ao seu patrimônio. Ou seja, não configuram receitas tributáveis as entradas de valores que apenas transitam contabilmente pela empresa, mas sem se incorporar como elemento novo ao seu patrimônio. [...] As duas principais espécies de ingressos que não caracterizam receitas tributáveis são certos tipos de reembolsos de despesas e aquelas entradas referentes ao ressarcimento de despesas que são rateadas entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico. Em ambas as hipóteses, reembolso ou rateio de despesas, não é a denominação contábil que determina a sua natureza tributável ou nãotributável, mas sim a sua análise em face dos pressupostos que informam e conceito de receita, já expostos neste Recurso. E tratando já diretamente do reembolso de despesas, a sua caracterização como receita ou como mera entrada depende da natureza do gasto reembolsado. Sendo que o fato desta entrada estar vinculado, diretamente ou indiretamente, a um contrato de prestação de serviço, isso, por si só, não é definidor da sua natureza jurídica. O critério definidor já consagrado pela doutrina diferencia dois tipos de despesas vinculadas à prestação do serviço: as despesas incorridas para a prestação do serviço e que compõe o custo operacional do prestador; e as despesas que apesar de arcadas originariamente pelo prestador na verdade se referem a obrigações ou dispêndios do tomador, que por comodidade ou facilitação da obtenção dos resultados pretendidos pelas partes, é quitada pelo prestador no pressuposto do seu posterior reembolso (pagamento por conta e ordem). Essa matéria pressupõe, então, a análise do contexto do qual surgiu e se pagou determinada despesa, em face da relação contratual firmada entre tomador e prestador, e a segregação dos dispêndios que configuram custo operacional da prestação, daqueles outros que não são incorridos como condição da referida prestação. E, no caso do Recorrente, é claramente segregável, com base em critérios jurídicos, econômicos e de razoabilidade, as obrigações pagas que correspondem a custos operacionais de sua atividade, de outros valores que na verdade se referem a pagamentos efetuados por conta e ordem dos tomadores (já que se referem à obrigações destes). [...] Fl. 774DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 266 15 O exemplo dado no texto citado é bastante representativo da diferença entre custos da prestação do serviço e pagamento feito por conta e ordem de terceiro (despesa reembolsável). Afinal, não é necessário qualquer profundo conhecimento jurídico ou do funcionamento do Poder Judiciário para se reconhecer que o pagamento das custas processuais é um ônus próprio daquele que busca a tutela jurisdicional, não sendo um custo que o advogado deve arcar para a prestação do seu serviço. Este fato demonstra também que, tanto na autuação fiscal quanto na decisão administrativa não se efetuou minimamente uma análise sobre qual a natureza dos serviços prestados pelo Recorrente, caso contrário, não se teria incluído os valores das custas pagas em nome dos clientes no cálculo dos tributos lançados. II.3. DA JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E DOS TRIBUNAIS A questão da diferenciação entre receita tributável e valores reembolsáveis (pagamento em nome de terceiros), inclusive especificamente no caso dos prestadores de serviços, já foi objeto de análise dos órgãos de julgamento administrativo e judicial, havendo sólidos precedentes reconhecendo a pertinência da argumentação jurídica deduzida no item anterior. [...] A decisão do Superior Tribunal de Justiça é irretocável e não deixa dúvidas da impossibilidade jurídica de se tributar com receita valores que, apesar de ingressarem contabilmente na pessoa jurídica, não integram o seu patrimônio, seja por se referirem a receitas de outrem, seja por se referirem ao reembolso de pagamentos efetuados por conta e ordem de terceiros. Estando desta forma consolidados os pressupostos jurídicos que devem nortear a análise da presente autuação em face dos argumentos deduzidos tanto na Impugnação quanto nesse Recurso Voluntário, passa o Recorrente a explicitar a natureza dos reembolsos de despesas equivocadamente considerados como receita tributável pela Fiscalização. II.4 DA NATUREZA DE REEMBOLSO DE DESPESAS DE TERCEIROS DOS VALORES AUTUADOS O Recorrente é sociedade de advogados que tem como objeto social a prestação de serviços de advocacia e consultoria jurídica. Tratandose de profissão regulamentada, a remuneração dos serviços é efetuada nos termos da legislação própria. O artigo 22 da Lei n° 8.906/94 (Estatuto da Advocacia) dispõe que "a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência." [...] A remuneração dos serviços prestados pelo Recorrente, portanto, é via a cobrança de honorários advocatícios na modalidade de prólabore acompanhamento (decorrente da prestação do trabalho em si) e de sucesso/sucumbência (decorrente do ganho total ou parcial da ação). Desta forma, o Recorrente oferece à tributação do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (Lucro Presumido) os valores referentes aos honorários advocatícios que recebe pelos seus serviços, bem como outras receitas que compõe o seu lucro operacional. Contudo, em virtude da natureza do seu serviço e da forma como o mesmo é prestado, o Recorrente em várias situações incorre em diversas despesas, efetuadas contratualmente por conta e ordem do seu cliente, e que não se referem ao seu custo Fl. 775DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 267 16 operacional. Nesses casos, e conforme expressamente definido contratualmente, posteriormente ao pagamento das despesas deste tipo e mediante comprovação documental, o Recorrente é ressarcido pelos verdadeiros responsáveis por aqueles dispêndios. [...] A existência de cláusulas específicas para os honorários advocatícios e para os reembolsos de despesas deixam patente que o serviço prestado pelo Recorrente é um serviço individualizado e eminentemente intelectual, de defesa dos interesses jurídicos dos seus clientes. Ocorre que para litigar administrativa ou judicialmente, qualquer pessoa física ou jurídica irá incorrer em outros custos além daqueles referentes ao trabalho do seu advogado. Por exemplo, terá que arcar com as custas judiciais e taxas de oficiais de justiça. Poderá ter que arcar também com o custo de outros profissionais, como os peritos judiciais. Todos estes custos são de responsabilidade daquele que está litigando e não do seu advogado. Sendo apenas que para facilitar a condução do processo o advogado, na maioria das vezes, paga em nome do seu cliente essas despesas. Caso contrário seria grande o risco de uma perda de prazo recursal pelo fato de o cliente não ter enviado a tempo o comprovante do recolhimento das custas recursais (caso esse pagamento ficasse originariamente sob sua responsabilidade). Portanto, a figura do reembolso de despesa é totalmente razoável e justificável na prestação de serviços jurídicos. E exatamente por isso, e consoante já exaustivamente demonstrado, que o Recorrente tem a convicção que os valores referentes ao reembolso de despesa não tem a natureza de efetiva receita sua, motivo pelo qual estes não são incluídos na base de cálculo dos referidos tributos. Entretanto, equivocadamente, a Fiscalização Tributária considerou que os valores contabilizados como "reembolso de despesas" teriam a natureza de receita tributável. Citando mais uma vez o Termo de Verificação Fiscal: O texto legal é claro ao considerar, como preço dos serviços prestados, a soma a pagar em dinheiro. Consequentemente, não importe ser a título de reembolso de despesas ou mesmo a qualquer outro título, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve, evidentemente, integrar a receita bruta. O Contrato firmado e a forma de faturar parte por meio de Notas Fiscal e parte por Nota de Reembolso não respalda o procedimento do interessado. O faturamento engloba as despesas e o lucro bruto. O fato de não ter sido emitido documento fiscal em relação aos reembolsos não dispensa a apropriação total da receita bruta. Nas folhas 1 e 2 do Termo de Verificação Fiscal se apresenta Tabela na qual se identificou as rubricas contabilizadas pelo Recorrente como referentes a reembolsos de despesas. Importante frisar que a Fiscalização em nenhum momento questionou ou duvidou da forma como se efetuaram os lançamentos contábeis por parte do Recorrente, fazendo a sua análise com base nestas informações. Para fins de facilitar a identificação da natureza e justificativa de cada rubrica, as mesmas podem ser segregadas nos seguintes grupos: 1) Custas e despesas análogas Reembolso de Custas Fl. 776DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 268 17 Reembolso de Autenticações Reembolso de Taxas e Emolumentos 2) Despesas com Advogados Correspondentes Reembolso de Honorários de Acompanhamento Reembolso de INSS s/ Honor de Acompanhamento 3) Despesas com Viagens Reembolso de Passagem Aérea Reembolso de Hotel Reembolso de Despesas c/ Viagem Reembolso de Lanches e Refeições 4) Despesas com Deslocamento Reembolso de Táxi Reembolso de Quilometragem Reembolso de Serviços de Entrega Reembolso de Ônibus/Metrô Reembolso de Estacionamento 5) Despesas incorridas na condução do processo Reembolso de Fotocópias Reembolso de Correios Reembolso de Telefone Reembolso de Assinatura de Jornais (Informadores Jurídicos) Reembolso de Despesas Diversas A seguir, demonstrarseá a natureza e justificativa de cada um destes grupos de reembolso de despesas. Conforme expressamente consignado na Impugnação, com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento, o Recorrente, tendo em vista o volume de documentos, não efetuou a juntada dos mesmos na defesa, mas se colocou à disposição para tanto (requerendo apenas o deferimento de um prazo razoável). Por isso, requereu na defesa, nos termos do disposto no inciso IV e na alínea " a " do § 4°, ambos do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, que caso a DIPJ considerasse necessária a análise documental, fossem os autos baixados em diligência. Contudo, a decisão recorrida considerou desnecessária qualquer diligência para a análise do caso concreto. [...] O Recorrente, dessa forma, reitera que está à disposição deste Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para a apresentação de qualquer esclarecimento Fl. 777DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 269 18 ou documento adicional, caso eventualmente seja considerado necessária a baixa dos autos em diligência. 1) Custas e despesas análogas Nesse grupo estão incluídas todos os tipos de custas judiciais (de distribuição, recursais, etc), as taxas judiciárias (por exemplo, taxas pela utilização do oficial de justiça) e as autenticações de documentos. As custas e taxas judiciárias são cobradas para remunerar a utilização do aparato judiciário, sendo devido por todo aquele que ingressa com um litígio. [...] Desta forma, não restam dúvidas que não se pode imputar às custas e despesas judiciais a natureza de custos operacionais do Recorrente, uma vez que legalmente são valores devidos pelo seu cliente. E por isso, o reembolso destes valores para recompor o patrimônio do Recorrente pelo custo do seu pagamento em nome do cliente (tanto que no documento de arrecadação consta sempre o nome da parte e nunca o do seu advogado) é mero reembolso de despesas e não receita tributável. 2) Despesas com Advogados Correspondentes O prólabore cobrado pelo Recorrente remunera o trabalho técnico da condução dos processos e o acompanhamento dos mesmos nas cidades nas quais possui base (Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília). Contudo, o Recorrente é um escritório de advocacia de grande porte que possui como clientes empresas de atuação nacional, as quais por este motivo possuem processos nos diversos Estados da Federação. Enquanto a responsabilidade pela condução técnica é sempre do Recorrente, nas comarcas localizadas fora das capitais citadas, é necessário o trabalho de outro profissional (chamado de advogado correspondente) que será responsável pelo acompanhamento de publicações nos diários oficiais locais, bem como pela execução de atos que demandam a presença física (obtenção de cópias de decisões, protocolos de petições, etc). A despesa com o advogado correspondente é do cliente, uma vez que se trata de outra prestação de serviço, que extrapola o objeto daquele contratado com o Recorrente. [...] De se destacar ainda, que o citado valor compõe a receita do advogado correspondente e compõe assim a base de cálculo do PIS/COFINS e IRPJ/CSLL (no caso de sociedade de advogados) ou do IRPF (no caso de pessoa física), sendo que a presente autuação configura a dupla incidência tributária sobre o mesmo fato econômico. Impõese, portanto, também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 3) Despesas com Viagens Conforme já exposto, o Recorrente é responsável pela condução técnica do processo, bem com pela preparação e protocolo de todas as peças processuais que o irão compor. Contudo, é usual que para que essa condução seja mais efetiva, em prol do sucesso buscado pelo cliente, sejam necessárias viagens de profissionais do Fl. 778DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 270 19 Recorrente (até porque, conforme já exposto, o Recorrente é responsável por processos que correm em praticamente todos os Estados da Federação). Notadamente tendo em vista que os Tribunais Superiores (STJ e STF) e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais estão localizados em Brasília. Assim, sempre que são necessários despachos com magistrados ou julgadores administrativos ou que são marcados julgamentos nos quais é possível a execução de sustentação oral por parte do advogado, o Recorrente indaga ao cliente se ele quer que o advogado diretamente responsável pelo processo se desloque para efetuar providências desta natureza. Nesses casos, os despachos ou sustentações orais não são indispensáveis (ou seja, as decisões serão proferidas com base nas petições protocoladas). Mas como o cliente é o maior interessado no sucesso da demanda, este tem a alternativa de optar pelo deslocamento do advogado responsável, arcando, contudo, com os custos de viagens decorrentes. Como a condução do processo já está abrangida nos honorários pactuados, o Recorrente não cobra nenhum adicional pelo fato de que o seu profissional está tendo que se deslocar. Mas, por outro lado, também não pode lhe ser imputado que arque com os custos (passagens aéreas, hotéis, táxis até aeroportos e para o trânsito na cidade de destino, etc). Caso este custo fosse de responsabilidade do Recorrente, a sua atividade econômica (que como todas, objetiva o lucro) se tomaria inviável. Isto porque é impossível se prever quantas viagens podem ser necessárias na condução de um processo, que normalmente perdura por anos até chegar ao seu término. Também neste ponto, o cliente tem toda a possibilidade de assumir diretamente os custos da viagem, comprando as passagens e reservando o hotel, por exemplo. Mas também é facilmente compreensível que operacionalmente para ele seja melhor que o escritório antecipe essas despesas para posterior reembolso (muitas vezes, as empresas apenas estipulam limites de gastos, que direcionam a compra de passagens e marcação de hotéis). Ressaltese que o reembolso somente é efetuado mediante a apresentação dos comprovantes de cada pagamento, o que permite a comprovação da natureza dos valores contabilizados a este título. Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 4) Despesas com Deslocamento O acompanhamento de um processo administrativo ou judicial exige um imprevisível número de deslocamentos para fóruns, tribunais, Delegacias da Receita Federal do Brasil, etc. Também são usuais os deslocamentos para reuniões com o cliente ou com terceiros pelo mesmo indicados (por exemplo, auditores externos). Esses deslocamentos são mais comumente efetuados por táxis, mas podem ser também efetuados em carros particulares dos advogados (com reembolso de quilometragem percorrida e estacionamento) e são contratualmente de responsabilidade do cliente (uma vez que são despesas incorridas em seu interesse). [...] Fl. 779DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 271 20 Ressalte que o Recorrente somente emite nota de reembolso para deslocamentos realizados para o cumprimento de tarefas e diligências efetuadas por determinação ou em prol do cliente. Impõese também neste tópico o cancelamento da presente exigência fiscal. 5) Despesas incorridas na condução do processo O Recorrente para o exercício de suas atividades incorre em diversos custos necessários os quais suporta e que são componentes da apuração do seu lucro (receitas menos despesas). Por exemplo: pagamento de sua folha de salários, aluguel do imóvel no qual está instalada, material de informática e de escritório, entre tantas outras. Contudo, existem gastos que não são como os supracitados, decorrentes da sua operação. Tratamse, no caso, de custos variáveis e diretamente vinculados ao trâmite de cada processo. São dessa natureza: a) o custo com cópias de documentos que instruirão os processos. Normalmente os processos são instruídos com um volume grande de documentos (por exemplo, contratos e documentos contábeis e fiscais) que necessitam ser fotocopiados. Usualmente, também, o Recorrente é demandado a enviar relatórios para auditorias externas, os quais também são copiados. E, em outras diversas situações, são necessárias a obtenção de cópias para o cliente. Nesse caso, essas cópias, que não se referem ao trabalho intelectual prestado pelo Recorrente (o qual demanda outros custos, como pessoal, cursos, livros, etc.) são tiradas em prol de uma necessidade do cliente, sendo o custo por este arcado, conforme previamente acordado no contrato de prestação de serviços; b) despesas com o envio de documentos pelos Correios. Tratase de despesas também efetuadas em prol das mais diversas demandas dos clientes (envio de documentos para auditorias, peritos, advogados correspondentes, controladoras no Brasil e no exterior, etc); c) despesas com telefonemas interurbanos e internacionais efetuados em atendimento a demanda dos clientes. Nesse caso, na fatura de reembolso juntase cópia da conta de telefone e identificase o número vinculado à ligação reembolsada, de forma que o cliente pode confirmar que tratase de uma despesa decorrente ao atendimento de sua demanda; d) Informadores. Determinados clientes demandam que o escritório reforce a segurança do seu procedimento de identificação de publicações através da contratação de determinado serviço de leitura de diários oficiais. Por ser uma demanda específica e fora do procedimento normal adotado pelo escritório, a despesa é arcada pelo cliente demandante. [...] O mesmo raciocínio jurídico aplicase à presente autuação, o que determina o provimento do pedido de seu cancelamento. Solicita produção de todos os meios de prova. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 272 21 Conclui que: Por todo o exposto, requerse a reforma da decisão proferida pela DRJ/BHE e o conseqüente cancelamento integral da presente autuação fiscal, uma vez que resta comprovada que não possuem a natureza de receita tributável os valores recebidos pelo Recorrente como reembolso de despesas (gastos por conta e ordem de terceiros). E com relação às cópias de todos os comprovantes de pagamento, o Recorrente reitera o consignado na Impugnação, de que se coloca à disposição para a sua apresentação (requerendo apenas o deferimento de um prazo razoável, tendo em vista o volume da documentação), caso seja considerado necessário pela Turma julgadora a baixa do processo em diligência fiscal. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº Fl. 781DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 273 22 As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 0444 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/BHE/MG nº 0230.121, de 21.12.2010, fls. 388397, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 274 23 ensejaram os procedimentos de ofício. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. Ademais, no Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 5051, que foi cientificado a Recorrente em 16.12.2008 consta: No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal e na forma do disposto no art. 7º da Lei nº 2.354/54 e no art. 7° do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, damos inicio ao procedimento de fiscalização junto ao contribuinte acima identificado. Com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o contribuinte INTIMADO a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005: Tributo: COFINS e PIS. 1. Livros Diário e Razão ou, opcionalmente Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária; 2. Contrato/Estatuto Social e suas alterações 3. Informar se adotou o regime de caixa (se adotou o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento) 4. Livro Registro de Apuração do ISS 5. Relação de todas as medidas judiciais propostas pela empresa, relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Apresentar, de forma reduzida, uma descrição do objeto da ação (pedido) e situação atual dos processos; 6. Informar eventuais créditos tributários já confessados em parcelamentos especiais (REFIS/PAES/PAEX) ou em compensações (PER/DCOMP) que não foram declarados em DCTF; 7. Apresentar demonstrativos mensais de apuração da base de cálculo da COFINS e PIS, contribuição retida por clientes, valor suspenso e valor a pagar. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 275 24 8. Apresentar os DARF de pagamentos ou, eventualmente, de depósitos judiciais; 9. Apresentar os comprovantes de retenção da COFINS e PIS pelos clientes. 10. Designar preposto ou representante legal para acompanhar os trabalhos e as solicitações da fiscalização. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. A resposta à presente intimação deverá ser prestada por escrito, datada e assinada pelo contribuinte, ou seu representante legal, com indicação dos elementos que estão sendo apresentados. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 9798, que foi cientificado a Recorrente em 11.02.2009 consta: Nos termos do Decreto nº 70.235/72 comunicamos nesta data, ao contribuinte supra identificado, a continuação da ação fiscal iniciada em 16/12/2008. Período de apuração: 01/06/2004 a 31/12/2005: Tributo: COFINS e PIS. Constatamos que a empresa apresentou uma planilha contendo a relação de NF emitidas e os valores retidos de COFINS e PIS. Para um universo de 3600 notas fiscais foi selecionada uma amostra de documentos, de forma aleatória combinada com a seleção de maiores valores. Portanto, fica o contribuinte INTIMADO a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: Deixar à disposição na sede da empresa, as seguintes notas fiscais: Nº Ord. NF nº Nº Ord. NF nº 1 19806 32 21699 2 19923 33 21832 3 19957 34 21903 4 20025 35 21984 5 20034 36 22004 6 20104 37 22017 7 20229 38 22071 8 20242 39 22085 9 20257 40 22109 10 20258 41 22119 11 20406 42 22131 12 20419 43 22142 13 20455 44 22246 14 20512 45 22285 15 20532 46 22312 16 20550 47 22332 17 20685 48 22423 18 20719 49 22439 19 20742 50 22638 20 20882 51 22655 21 21044 52 22709 22 21148 53 22717 23 21206 54 22807 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 276 25 24 21346 55 22940 25 21409 56 22940 26 21430 57 23016 27 21474 58 23153 28 21523 59 23231 29 21534 60 23244 30 21609 61 23356 31 21640 62 23428 63 23437 Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. No Termo de Constatação e Intimação Fiscal, fls. 160161, que foi cientificado a Recorrente em 14.04.2009 consta: Nos termos do Decreto nº 70.235/72 comunicamos nesta data, ao contribuinte supra identificado, a continuação da ação fiscal iniciada em 16/12/2008. Período: 01/04/2004 a 31/12/2005: Constatamos que a empresa escritura na conta 1.1.2.02.0002 "Clientes — Notas de Reembolso" os valores empenhados e recebidos dos clientes a título de reembolso de despesas. Em anexo é apresentado um relatório com os valores a crédito nesta conta relativo aos recebimentos. Desta forma, com base nos arts. 904, 905, 911, 927 e 928 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda), fica o sujeito passivo acima identificado INTIMADO a apresentar, no prazo de 13 (treze) dias a contar da ciência deste, os elementos abaixo especificados: 1. Verificar se os valores constantes da planilha estão corretos; 2. Informar qual a natureza destes recebimentos e se foram adicionados à base de cálculo da COFINS, PIS, IRPJ e CSLL; 3. Apresentar cópias das seguintes "Notas de Reembolso" (selecionadas aleatoriamente): [...] Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. Ainda, a Recorrente na impugnação e no recurso voluntário poderia ter produzido as provas que entendesse necessárias, trazendo aos autos a demonstração de suas teses de defesa. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento fiscal, inclusive pela falta de “diferenciação entre o que se constitui no preço do serviço prestado pelo Recorrente e o mero ingresso de reembolso de valores pagos por conta e ordem de terceiros (no caso, os seus clientes)”, defendendo que em relação a esses últimos não caberia oferecêlos a tributação. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 277 26 A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, cabendo à autoridade a prova da não veracidade dos fatos registrados. O regime de tributação com base no lucro presumido trimestral é uma opção da pessoa jurídica para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada com o pagamento do imposto devido correspondente ao primeiro período de apuração de cada anocalendário. É determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração. Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. A pessoa jurídica deve manter o Livro Registro de Inventário, bem como a escrituração contábil nos termos da legislação comercial, ressalvada a hipótese, neste caso, de escriturar o Livro Caixa, incluindo toda a movimentação financeira, inclusive bancária. Caracterizase como omissão a falta de registro de receita, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente7. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º, art. 25 e art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 278 27 Está registrado no Termo de Verificação Encerramento de Ação Fiscal, fls. 4549, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Constatamos que a empresa escritura na conta 1.1.2.02.0002 "Clientes — Notas de Reembolso" os valores recebidos dos clientes a título de reembolso de despesas, sendo que em 14/04/09 a fiscalizada foi intimada a Informar qual a natureza destes recebimentos e se foram adicionados à base de cálculo da COFINS, PIS, IRPJ e CSLL, bem como apresentar cópias de algumas "Notas de Reembolso" (selecionadas aleatoriamente). Em resposta recebida de 27/04/09 é informado o seguinte: [...] • São cobrados dos clientes os honorários prólabore e/ou honorário de sucesso. • Informa que os "seus clientes incorrem em diversos custos que são inerentes e indispensáveis ao acesso as jurisdições administrativa e judicial; • Acrescenta que as "propostas e contratos trazem cláusulas expressas nas quais se consignam de forma plenamente identificada e segregada os valores referentes aos honorários decorrente do trabalho a ser prestado e aqueles outros valores, decorrentes da antecipação do pagamento de quantias devidas pelo tomador do serviço". Anexos à resposta o sujeito passivo apresentou 32 cópias dos espelhos da Notas de Reembolso, das 49 solicitadas. Tais notas servem de amostra da natureza dos reembolsos cobrados, que de forma ilustrativa são assim distribuídas [...]: NATUREZA DO REEMBOLSO VALOR % da Amostra Reembolso de Passagem Aérea Total 5.422,07 24,67% Reembolso de Honorários Acomp. Total 2.743,50 12,48% Reembolso de Táxi Total 2.743,58 12,48% Reembolso de Custas Judiciais Total 2.024,39 9,21% Reembolso de Hotel Total 1.812,09 8,25% Reembolso de Despesas Diversas Total 1.734,28 7,89% Reembolso de Despesas c/ Viagem Total 1.410,05 6,42% Reembolso de Correios Total 1.066,66 4,85% Reembolso de Telefone Total 771,74 3,51% Reembolso de Quilometragem Total 594,82 2,71% Reembolso de Fotocópias Total 563,80 2,57% Reembolso de Serviços de Entrega Total 278,70 1,27% Reembolso de INSS s/Honor de Acomp. PF Total 259,20 1,18% Reembolso de Autenticações Total 238,00 1,08% Reembolso de Taxas e Emolumentos Total 133,09 0,61% Reembolso Assinatura de Jornais Total 130,80 0,60% Reembolso de Lanches e Refeições Total 32,65 0,15% Reembolso de Ônibus/Metrô Total 29,96 0,14% Reembolso de Estacionamento Total 7,00 0,03% Reembolso de CPMF Total 1,54 0,01% Total Geral 21.975,92 100,00% Fl. 787DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 279 28 Tais valores são ilustrativos, pois estão sujeitos a erros estatísticos, mas demonstram que a natureza dos custos são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n° 4.506/64, art. 47, § 2°). Cabe aqui citar alguns conceitos simples para se ter a visão geral: A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei n°4.506/64, art. 44, e DecretoLei n° 1.598/77, art. 12). Para relembrar, a receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (DecretoLei n ° 1 598/77, art. 12 § 1 °). O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos (Lei n° 6.404/76, art. 187, inciso II). O lucro presumido é uma forma de tributação simplificada, e opcional, para determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL das pessoas jurídicas que não estiverem obrigadas, no anocalendário, à apuração do lucro real. A base de cálculo do lucro presumido, decorrente da receita bruta, será determinada trimestralmente, mediante a aplicação do percentual sobre a receita bruta de 32% (trinta e dois por cento), para as atividades de prestação de serviços, pelas sociedades civis, relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada; (Lei n ° 9.249/95, art. 15, e Lei n° 9.430/96, arts. 1° e 25, inciso 1). O que a sistemática do Lucro Presumido quer alcançar é o calculo simplificado do lucro, este calculado em 32%. Ou seja, admitese que 68% do faturamento corresponderiam aos custos e apenas 32% o lucro bruto. O sujeito passivo, ao excluir do faturamento os custos, cria uma deturpação da sistemática. Se a empresa fosse tributada no Lucro Real não haveria efeito fiscal, pois o lucro líquido é aumentado tanto por entradas a título de receitas como a título de "estorno de despesa", assim a designação não interfere. O mesmo ocorreria se fosse tributado o lucro nas pessoas físicas dos advogados, pois as despesas/custos seriam deduzidas por via do livro caixa. Voltando ao lucro presumido, cabe buscar, em legislação especifica, o que vem a ser o preço dos serviços prestados. Nesse sentido, a Lei n° 5.474, de 18/07/1968, dispondo sobre a emissão de duplicatas e faturas, preceitua, em seu art. 20: Art. 20 — As empresas, individuais ou coletivas, fundações ou sociedades civis, que se dediquem a prestação de serviços, poderão, também, na forma desta Lei, emitir fatura e duplicata. [...] § 2° A soma a pagar em dinheiro corresponderá ao preço dos serviços prestados. O texto legal é claro ao considerar, como preço dos serviços prestados, a soma a pagar em dinheiro. Conseqüentemente, não importa ser a título de reembolso de despesas ou mesmo a qualquer outro título, esses valores compõem o preço dos serviços prestados. Logo, em sendo preço, deve, evidentemente, integrar a receita bruta. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 280 29 O Contrato firmado e a forma de faturar parte por meio de Nota Fiscal e parte por Nota de Reembolso não respalda o procedimento do interessado. O faturamento engloba as despesas e o lucro bruto. O fato de não ter sido emitido documento fiscal em relação aos reembolsos não dispensa a apropriação total da receita bruta. Com relação às exclusões da receita bruta, o CTN, em seu art. 111, determina a interpretação literal de legislação tributária que disponha sobre suspensão, exclusão ou outorga de isenção. Nessa linha, em se tratando da apuração da receita bruta, a legislação tributária fixa o modo pelo qual será apurada, explicitando os títulos das parcelas a serem subtraídas de sua composição. No caso, as deduções da receita bruta permitidas no IRPJ estão determinadas pelo art. 280 do RIR/1999, a seguir transcrito: Art. 280. A receita liquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas (Decreto Lei n° 1.598, de 1977, art. 12, § 1°). Pelo exposto, concluise que os reembolsos de despesas ou de custos integram a receita bruta, ou seja, a receita bruta é representada pelo valor total contratado (honorários e reembolsos). O mesmo se aplica às contribuições para o PIS e COFINS, no sentido de que os custos só são dedutíveis em se tratando da sistemática de apuração não cumulativa, que estaria o sujeito passivo submetido se apurasse o Lucro Real. Ao optar pelo lucro presumido fazse, também, a opção pelo regime cumulativo. Os arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, que assim dispõem: "Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, sendo calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde receita bruta da pessoa jurídica. § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio liquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. [...] Fl. 789DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 281 30 DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO Em decorrência da não inclusão dos valores cobrados a título de "Reembolso de Despesa" no faturamento, resultou numa omissão, ou diminuição, da receita tributável, gerando recolhimento a menor de IRPJ e com reflexo na CSLL, PIS e COFINS, os quais serão objeto de lançamento de oficio, sendo este Termo parte integrante do Auto de Infração. Em anexo é apresentado o extrato da contacontábil 1.1.2.02.0002 "Clientes Notas de Reembolso" e o relatório com os valores a crédito nesta conta relativo aos recebimentos, já expurgados dos lançamentos de estorno relativo à baixas para perdas e recebimentos a titulo de rateio de despesas entre as empresas do mesmo grupo. Abaixo encontramse demonstrados os valores de base de cálculo a lançar: [...] MÊS CRÉDITOS Recebimentos Estorno Vlr Baixa Tranf. Rateio de Custos Faturamento a Lançar 01/04/04 37.525,52 1,73 0,00 37.523,79 01/05/04 81.503,47 3.301,21 3.420,21 74.782,05 01/06/04 69.746,14 63,10 4.060,26 65.622,78 01/07/04 133.989,48 11,03 3.301,57 130.676,88 01/08/04 97.958,90 35,63 10.035,86 87.887,41 01/09/04 87.075,30 17,33 7.840,26 79.217,71 01/10/04 104.258,89 44,73 5.700,07 98.514,09 01/11/04 88.523,48 524,65 10.985,72 77.013,11 01/12/04 85.520,51 3.369,42 6.133,46 76.017,63 01/01/05 70.155,12 124,27 15.587,95 54.442,90 01/02/05 60.488,37 62,80 1.196,72 59.228,85 01/03/05 39.970,05 100,50 3.594,21 36.275,34 01/04/05 78.396,63 6.791,29 2.155,09 69.450,25 01/05/05 112.875,74 8.720,76 19.050,79 85.104,19 01/06/05 80.951,41 1.527,02 8.900,39 70.524,00 01/07/05 72.755,04 0,00 5.034,84 67.720,20 01/08/05 101.646,69 370,82 5.718,05 95.557,82 01/09/05 121.731,02 0,00 16.770,70 104.960,32 01/10/05 79.976,96 0,00 15.634,44 64.342,52 01/11/05 102.314,79 138,45 17.301,75 84.874,59 01/12/05 131.849,46 903,71 27.746,70 103.199,05 Total Geral 1.839.212,97 26.108,45 190.169,04 1.622.935,48 Tendo em vista que a Recorrente ser optante pela apuração do tributo pela modalidade de lucro presumido, vale observar o que dispõe a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a determinação do lucro presumido: Art. 25. O lucro presumido será o montante determinado pela soma das seguintes parcelas: I o valor resultante da aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pelo art. 31 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, auferida no período de apuração de que trata o art. 1º desta Lei; (Vide arts. 5º e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) Fl. 790DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 282 31 II os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo inciso anterior e demais valores determinados nesta Lei, auferidos naquele mesmo período. (Vide arts. 5º e 98 da MP nº 627, de 11 de novembro de 2013) Por sua vez, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, assim prescreve: “Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) a) prestação de serviços em geral, [...] § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. § 3º As receitas provenientes de atividade incentivada não comporão a base de cálculo do imposto, na proporção do benefício a que a pessoa jurídica, submetida ao regime de tributação com base no lucro real, fizer jus. § 4º O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) No que toca à conceituação de receita bruta, devese observar o que dispõe o art. 31 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, remetido tanto pelo inciso I do art. 25 da Lei n° 9.430, de 1996, quanto pelo caput do art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, reproduzido a seguir: “Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia.(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) Parágrafo único. Na receita bruta, não se incluem as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratante dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” Fl. 791DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 283 32 A Recorrente defende que os valores, que ela denomina como reembolsos, recebidos dos clientes que ela possui não podem ser objeto da tributação na composição da receita sobre o qual será aplicada coeficiente para calcular o lucro presumido, como informa em sua defesa: “a) o custo com cópias de documentos que instruirão os processos. Normalmente os processos são instruídos com um volume grande de documentos (por exemplo, contratos e documentos contábeis e fiscais) que necessitam ser fotocopiados. Usualmente, também, o Recorrente é demandado a enviar relatórios para auditorias externas, os quais também são copiados. E, em outras diversas situações, são necessárias a obtenção de cópias para o cliente. Nesse caso, essas cópias, que não se referem ao trabalho intelectual prestado pelo Recorrente (o qual demanda outros custos, como pessoal, cursos, livros, etc.) são tiradas em prol de uma necessidade do cliente, sendo o custo por este arcado, conforme previamente acordado no contrato de prestação de serviços; b) despesas com o envio de documentos pelos Correios. Tratase de despesas também efetuadas em prol das mais diversas demandas dos clientes (envio de documentos para auditorias, peritos, advogados correspondentes, controladoras no Brasil e no exterior, etc); c) despesas com telefonemas interurbanos e internacionais efetuados em atendimento a demanda dos clientes. Nesse caso, na fatura de reembolso juntase cópia da conta de telefone e identificase o número vinculado à ligação reembolsada, de forma que o cliente pode confirmar que tratase de uma despesa decorrente ao atendimento de sua demanda; d) Informadores. Determinados clientes demandam que o escritório reforce a segurança do seu procedimento de identificação de publicações através da contratação de determinado serviço de leitura de diários oficiais. Por ser uma demanda específica e fora do procedimento normal adotado pelo escritório, a despesa é arcada pelo cliente demandante.” Sobre honorários advocatícios, tem cabimento mencionar o Estatuto da Advocacia e da OAB, previsto na Lei 8.906, de 04 de julho de 1994: Art. 22. A prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência. § 1º O advogado, quando indicado para patrocinar causa de juridicamente necessitado, no caso de impossibilidade da Defensoria Pública no local da prestação de serviço, tem direito aos honorários fixados pelo juiz, segundo tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB, e pagos pelo Estado. § 2º Na falta de estipulação ou de acordo, os honorários são fixados por arbitramento judicial, em remuneração compatível com o trabalho e o valor econômico da questão, não podendo ser inferiores aos estabelecidos na tabela organizada pelo Conselho Seccional da OAB. § 3º Salvo estipulação em contrário, um terço dos honorários é devido no início do serviço, outro terço até a decisão de primeira instância e o restante no final. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 284 33 § 4º Se o advogado fizer juntar aos autos o seu contrato de honorários antes de expedirse o mandado de levantamento ou precatório, o juiz deve determinar que lhe sejam pagos diretamente, por dedução da quantia a ser recebida pelo constituinte, salvo se este provar que já os pagou. § 5º O disposto neste artigo não se aplica quando se tratar de mandato outorgado por advogado para defesa em processo oriundo de ato ou omissão praticada no exercício da profissão. Art. 23. Os honorários incluídos na condenação, por arbitramento ou sucumbência, pertencem ao advogado, tendo este direito autônomo para executar a sentença nesta parte, podendo requerer que o precatório, quando necessário, seja expedido em seu favor. Art. 24. A decisão judicial que fixar ou arbitrar honorários e o contrato escrito que o estipular são títulos executivos e constituem crédito privilegiado na falência, concordata, concurso de credores, insolvência civil e liquidação extrajudicial. § 1º A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. § 2º Na hipótese de falecimento ou incapacidade civil do advogado, os honorários de sucumbência, proporcionais ao trabalho realizado, são recebidos por seus sucessores ou representantes legais. § 3º É nula qualquer disposição, cláusula, regulamento ou convenção individual ou coletiva que retire do advogado o direito ao recebimento dos honorários de sucumbência. § 4º O acordo feito pelo cliente do advogado e a parte contrária, salvo aquiescência do profissional, não lhe prejudica os honorários, quer os convencionados, quer os concedidos por sentença. [...] Art. 35. Os honorários advocatícios e sua eventual correção, bem como sua majoração decorrente do aumento dos atos judiciais que advierem como necessários, devem ser previstos em contrato escrito, qualquer que seja o objeto e o meio da prestação do serviço profissional, contendo todas as especificações e forma de pagamento, inclusive no caso de acordo. § 1º Os honorários da sucumbência não excluem os contratados, porém devem ser levados em conta no acerto final com o cliente ou constituinte, tendo sempre presente o que foi ajustado na aceitação da causa. § 2º A compensação ou o desconto dos honorários contratados e de valores que devam ser entregues ao constituinte ou cliente só Fl. 793DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 285 34 podem ocorrer se houver prévia autorização ou previsão contratual. § 3º A forma e as condições de resgate dos encargos gerais, judiciais e extrajudiciais, inclusive eventual remuneração de outro profissional, advogado ou não, para desempenho de serviço auxiliar ou complementar técnico e especializado, ou com incumbência pertinente fora da Comarca, devem integrar as condições gerais do contrato. (grifos acrescentados) Outro ponto relevante ao deslinde da questão é observar que essas despesas correm por conta da Recorrente, por força de alegada cláusula avençada em contrato de prestação de serviços advocatícios. Embora a Recorrente afirme entender que tais reembolsos/pagamentos provenientes dos clientes não constituam sua receita própria, argumentando que os pagamentos se prestam a reembolsar despesas por conta e ordem de terceiros, clientes, tal entendimento não se sustenta como se passa a explicar. Temse que os honorários da sucumbência não excluem os contratados, porém devem ser levados em conta no acerto final com o cliente ou constituinte, tendo sempre presente o que foi ajustado na aceitação da causa. Se a Recorrente fosse optante pelo lucro real como forma de apuração de tributo, as custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento, despesas incorridas na condução do processo, entre outras, constituiriam custos ou despesas inerentes à prestação de serviços prestados como pode se depreender dos seguintes dispositivos legais: art. 290, art. 299 e art. 344 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Inferese assim que compõem o preço dos serviços prestados e, por conseguinte, integram a receita bruta decorrente da prestação de serviços advocatícios. Na apuração do resultado da pessoa jurídica, o custo é deduzido da receita líquida da prestação de serviços, definida como a receita bruta diminuída dos serviços cancelados, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre serviços para determinação do lucro bruto, nos termos do art. conforme do art. 278 e art. 280 do RIR, de 1999. As despesas operacionais devem ser computadas na determinação do lucro operacional, consoante o art. 277 do RIR, de 1999. Ambos, consequentemente, reduzirão o lucro líquido, a partir do qual seria apurada a base de cálculo do tributo das pessoas jurídicas tributadas pelo regime do lucro real. Nesse sentido há que se ressaltar que para alcançar o objeto social da Recorrente, qual seja, prestação de serviços advocatícios, é usual ou normal no exercício de suas de atividades entendendose como necessárias as pagas ou incorridas para sua a realização que incorra em despesas em razão da referida prestação de serviços advocatícios, que após descontadas da receita nos termos legais, resultam no lucro objeto de tributação, caso adotasse a tributação com base no lucro real. Em outras palavras, as despesas indicadas na peça de defesa são essenciais ao cumprimento do objeto social da Recorrente. Por outro lado, é descabido o argumento de afastar estas despesas como se de outrem fossem, já que todas elas são inerentes à prestação de serviços advocatícios em questão, ou seja, despesas necessárias ao alcance do fim social da Recorrente. Em que pese a alegação de que há cláusula contratual estabelecida entre a Recorrente e os cliente de que as despesas Fl. 794DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 286 35 correrão por conta destes últimos, é relevante observar o que dispõe art. 123 do Código Tributário Nacional, em relação às convenções particulares: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, não é lícito à Recorrente considerar que as despesas listadas na pela recursal são por elas adimplidas por conta e ordem de outrem do ponto de vista tributário, mas tãosomente do ponto de vista contratual, atinente ao Direito Civil. Nesse sentido, o ingresso de valores recebidos pela Recorrente dos clientes, para fazer face a estas custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo que, repisese são despesas inerentes e necessárias ao êxito do fim social da Recorrente, devem ser consideradas integrantes de sua receita bruta. Vale reproduzir o conceito de despesas operacionais constantes do art. 299 do RIR, de 1999: “Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Tornase, claro, portanto, que os ingressos de valores que se prestam a reembolsar as despesas necessárias à atividade da pessoa jurídica, considerarseão receitas, passíveis de tributação. Como a Recorrente é optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, não há que se falar em dedução dos custos e despesas operacionais. Nessa sistemática, que é forma opcional de tributação oferecida ao sujeito passivo, a dedução de custos e despesas é substituída por um percentual de presunção do lucro, em conformidade com o art. 26 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Isso, contudo, não modifica a apuração nem a natureza da receita auferida. Em outras palavras, todos os valores recebidos compõem o preço da prestação de serviços advocatícios, ainda que discriminados em rubricas diversas tais como reembolsos de custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo. O que ocorre, na realidade, é um repasse de despesas, que serão de responsabilidade do cliente quitar e reembolsados à Recorrente, e por conseguinte integra o Fl. 795DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 287 36 preço da prestação de serviços advocatícios, ainda que discriminando separadamente as rubricas. Desse modo, a receita dos escritórios que tenham por atividade a prestação de serviços advocatícios, inclui, além do valor percebido a título de honorários, todas as demais verbas reembolsadas pelos cliente a qualquer título, como de custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo, entre outras, por se tratar de receita operacional própria da atividade social. Por essa razões, consideramse receitas auferidas pela Recorrente, decorrentes do exercício de sua atividade econômica, além de honorários decorrentes da prestação de serviços advocatícios, valores recebidos dos clientes, independente da denominação utilizada, que se prestam a pagar despesas com custas e despesas análogas, despesas com advogados correspondentes, despesas com viagens, despesas com deslocamento e despesas incorridas na condução do processo. Ademais, as convenções entre particulares não podem afastar estas despesas como se de outrem fossem, já que todas elas são inerentes à prestação de serviços advocatícios, necessárias ao alcance do fim social da Recorrente. As convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Assim, tais valores devem integrar a base de cálculo sobre a qual se calcula o lucro presumido das pessoas jurídicas optantes por esta modalidade de tributação do IRPJ, de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. No que se refere ao PIS e a Cofins, reiterese temse que o somatório de reembolso de despesas é considerado como receita bruta, para fins do art. 3º Lei nº 9.718, 27 de novembro de 1998. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto, não restando caracterizada a falta de comprovação do ilícito fiscal. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 796DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 288 37 Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 10. Os lançamentos de PIS, de COFINS e de CSLL sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 10 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Declaração de Voto Conselheiro Fernando Ferreira Castellani Tratase, o presente recurso, de discussão centrada no conceito de receita tributável, para fins de IRPJ, CSLL, PIS E COFINS, para fatos geradores ocorridos no período de 04/2004 a 12/2005. Em apertada síntese, o recorrente, escritório de advocacia, deixou de oferecer à tributação valores recebidos de seus clientes à título de reembolsos de despesas específicas, tais como custas processuais, valores de cópias reprográficas, custos de deslocamentos específicos de avião, taxi ou carro, peritos, advogados correspondentes, dentre outros. O recorrente, mensalmente, ao faturar os valores devidos pelos clientes, emitia nota fiscal de prestação de serviços, englobando a totalidade dos valores de honorários advocatícios ajustados contratualmente, e nota de débito de reembolso, acompanhadas dos comprovantes, para mera devolução dos valores antecipados pelos escritório. Toda essa operação era regularmente Fl. 797DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 289 38 contabilizada, em conta própria identificada contacontábil 1.1.2.02.0002 "Clientes Notas de Reembolso". A fiscalização não contesta a existência dos valores, assim como sua comprovação. Não há questionamento acerca de eventual inexistência da despesa e do pagamento, mas apenas de sua classificação e tratamento jurídico. Basicamente, o que se discute é a caracterização ou não desses valores supostamente de reembolso como receita tributável. A análise do presente caso deve passar, necessariamente, em dois pontos fundamentais: i. caracterização do reembolso como receita; e ii. efetiva caracterização de um pagamento como mero reembolso. Explico: devemos analisar, inicialmente, em um plano conceitual, se o reembolso de uma despesa de terceiro pode ser considerada receita e, definida essa premissa, analisar se os valores indicados como reembolso são, efetivamente mero reembolso e não receita disfarçada (na qual se esconderia mais valia típica da atividade fim). No que se refere ao primeiro ponto destacado, pareceme absolutamente claro que os reembolsos de despesas não podem, em hipótese algum, serem tratados como receita tributável. Conceitualmente, receita tributável não se confunde com receita contábil. Há de se atentar de que a partir do substrato do fato jurídico devese definir o contorno do fato tributário e do fato contábil, e não o contrário. Isso é muito importante. Existem diferentes extratos de linguagem, cada qual com sua função e com sua especificidade. Em excepcional trabalho sobre o tema, o professor José Antônio Minatel resume bem essas diferentes acepções do termo receita: “São diferentes as perspectivas que o vocábulo receita experimenta em diferentes linguagens: realidade autônoma com a tônica no ingresso financeiro (linguagem do texto constitucional); ponto de partida, ou meio que contribui positivamente para a formação do resultado da entidade empresarial (linguagem da lei societária); conceito relativo que exige cotejo com custos e despesas, através de métodos e técnicas uniformizadoras da elaboração das demonstrações financeiras para registro e exteriorização do resultado da entidade (linguagem da ciência contábil); registro de ingresso público, ou indicativo de formação de preços das utilidades colocadas no mercado (linguagem da ciência econômica); entrada definitiva de dinheiro nos cofres do poder público (linguagem da ciência das finanças); ingresso pela venda de mercadorias e serviços, acepção restrita em que receita corresponde ao conceito de faturamento (LC nº 70/91), posteriormente ampliada para corresponder a outros ingresso (Lei nº 9.718/98), sendo irrelevante o tipo de atividade e a classificação contábil adotada (linguagem da lei tributária)”. (Conteúdo do conceito de receita e regime jurídico para sua tributação. São Paulo: MP Editora, 2005, p. 243). O resumo mostra bem a dificuldade a ser enfrentada, que não se refere, de forma alguma, a discussão sobre eventual despesa ou custo dedutível, pois a rigor disso não trata, mas apenas e tão somente a correta adequação do conceito de receita tributável. Em passagem interessante, o professor Ives Grandra da Silva Martins, assim se manifesta: Fl. 798DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 290 39 “Etimologicamente, receita significa a quantia recebida,m apurada ou arrecadada, que acresce ao conjunto de rendimentos da pessoa física, em decorrência direta ou indireta da atividade por ela exercida. Salienta, entretanto, a doutrina, que nem toda entrada é receita. Só pode ser tido como receita o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio do contribuinte. O simples registro na contabilidade da empresa da entrada de determinada importância não a transforma em receita.(...). Ademais, o mero ingresso de valores na contabilidade de uma empresa não é fator que demonstre a existência de capacidade contributiva – limite imposto à instituição de tributos, inclusive de contribuições sociais, que tem como fato gerador elemento denotador dessa capacidade, como é o caso do conceito de receita.” (PIS e COFINS – Não incidência sobre reembolso. RDDT 122, 2005, p. 132). É nota marcante e essencial do conceito de receita, para fins tributários, a presença de incontestável capacidade contributiva. A capacidade contributiva somente estará presente diante de auferição efetiva de receita própria, independente de eventual apuração de resultado de atividade. Isso significa dizer que a materialidade receita demonstrará capacidade contributiva, podendo ser objeto de tributação, ainda que o resultado apurado das operações ou da operação seja negativo (venda por valor menor que o custo de aquisição). Receita não é resultado, como o lucro, por exemplo. Todo e qualquer reembolso de despesa ou de custo não relacionado à prestação da atividade essencial contratada devem ser desconsiderados para fins de configuração de receita. Notese: despesas ou custos não relacionados à prestação da atividade contratada. No presente caso, o recorrente é escritório de advocacia regularmente constituído, em regime de tributação pelo lucro presumido. A atividade contratada repousa, como não poderia deixar de ser, na atividade intelectual de advocacia, que consiste em assessoramento, em aconselhamento e em defesa ténica em processos, administrativos e judiciais. Faz parte da atividade contratada, então, a realização de reuniões, elaboração de opiniões legais ou pareceres, elaboração de petições e de defesas, a definição de estratégias empresarias, entre outras. Para prestar tal atividade, a contratada, então recorrente, deverá manter instalações adequadas (próprias ou de terceiros), possuir maquinário e infraestrutura para elaboração de peças (computadores, impressoras, livros, para consulta, papelaria em geral, funcionários, administrativos e operacionais – advogados, entre outros). Por essa atividade, única, por sinal, passível de ser oferecida e comercializada pelos escritórios de advocacia, atividade regulada por lei própria, serão ajustados e devidos honorários profissionais, calculados de diversas formas possíveis (valor fechado por trabalho, percentual do benefício econômico, por horas trabalhadas, entre outras). Os honorários, ainda, podem ser arbitrados (na falta de ajuste contratual) e de sucumbência (definidos no processo, para a parte vencedora). Contratualmente, a recorrente, assim como a maioria dos escritórios de advocacia, definem valores de honorários de forma independente e apartada das despesas específicas geradas para a prestação da atividade, não englobadas na atividade própria. Em outras palavras, definese a remuneração sem considerar os custos com taxas judiciais e de Fl. 799DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 291 40 cartórios, cópias, deslocamentos, perícias, alimentação, envio de documentos, entre outros. Essa medida tem um objetivo claro e evidente, motivado pela boa fé contratual: demonstrar, de maneira inequívoca, o valor dos honorários advocatícios. A forma usual de contratação e de remuneração da atividade dos escritórios de advocacia e demais prestadores de serviços de atividade intelectual estabelece a sistemática de eventual antecipação de pagamento de despesas próprias do contratante (taxas, cópias, etc) pelo profissional contratado, com posterior reembolso mediante a comprovação efetiva da despesa e envio do documento comprobatório (guia de recolhimento, nota fiscal, boleto, entre outros). A justificativa para essa sistemática é óbvia: garantir segurança ao contratante que não está suportando honorários maiores do que os definidos contratualmente, assim como, a depender do regime de tributação, utilizar, em sua contabilidade fiscal, como custo ou despesa dedutível. Essa sistemática, de forma alguma, pode ser equiparada a um subterfúgio contratual para a mera diminuição de receita tributável, tão pouco equiparada a meras convenções privadas que visam alterar sujeição passiva e, portanto, inoponíveis à administração tributária. Tratase, isso sim, de modelo contratual comum e rotineiro, lícito, regular e amparado pela legislação. Toda análise jurídica acerca de uma operação, para sua eventual validação ou desconsideração, para fins tributários, deve, necessariamente, percorrer três diferentes searas: jurídica, contábil e econômica. Havendo a comprovação da operação nos três diferentes estratos de linguagem, devese, como regra, aceitar a regularidade da operação. O recorrente, aparentemente, desenvolve operações amparadas nos três níveis de análise: juridicamente, existe um contrato formal e regular, disciplinando a remuneração da atividade prestada e o reembolso das despesas e dos custos específicos, de forma apartada; contabilmente, existe registro expresso e formal na contabilidade de todos os pagamentos e dos documentos respectivos classificados como reembolso de despesas; economicamente, existe o pagamento efetivo dos valores. Existindo, efetivamente, suporte nos três diferentes aspectos de análise, parecenos demasiadamente rígida a interpretação, por presunção, de que tratase de receita própria, sonegada e intencionalmente classificada como reembolso apenas para diminuição da tributação do recorrente, prestador de serviço intelectual. Importante destacar que a opção, pela recorrente, pelo sistemática do lucro presumido em nada altera a conclusão acerca da possibilidade de não oferecimento à tributação dos valores de reembolso. A rigor, o que se discute aqui não é a possibilidade de dedução dos valores de reembolso do resultado (na condição de custos e/ou despesas necessárias), mas sim de sua não inclusão no próprio conceito de receita bruta. Obviamente, a sistemática do lucro presumido impede qualquer dedução, já que, como o próprio nome deixa claro, o resultado é decorrente de uma presunção, calculada a partir da receita bruta. A exclusão dos valores de reembolso do valor de receita bruta decorre do reconhecimento de sua natureza jurídica específica de valor diverso de receita, não de seu reconhecimento como despesa ou custo. Definido, aqui, então, meu posicionamento acerca da não caracterização dos reembolsos como receita própria, excluindo, assim, da base inicial do cálculo do próprio lucro presumido para fins de IRPJ e, consequentemente, para CSLL, PIS e COFINS. Fl. 800DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 292 41 No que se refere ao segundo ponto destacado, ou seja, o reconhecimento de um ingresso como efetivo reembolso, passo as minhas considerações. Inicialmente destaco novamente que considero como não configurador de receita tributável os ingressos caracterizadores de mero reembolso. Tratase, em minha opinião, de ponto claro. A caracterização de um ingresso como reembolso, contudo, não é assunto simples. O ingresso caracterizador de mero reembolso deve ser aquele que representa apenas e tão somente o mero repasse de despesa tida com terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, não vinculadas diretamente à prestação da atividade essencial contratada. Mais que isso, o valor, para ser assim considerado, não pode ser acrescido de qualquer mais valia ou remuneração e comprovada por documento idôneo emitido pelo terceiro. Assim, em análise ainda inicial, para ser considerado mero reembolso, a despesa deve ser algo diferente da atividade contratada, ainda que a ela vinculada, por obviedade. Na prestação do serviço jurídico, por exemplo, a atividade intelectual de elaboração da peça processual, o custo do estagiário ou profissional que auxilia em sua confecção, o papel, tinta, impressora e computador para sua elaboração, o aluguel do espaço utilizado (escritório), dentre outros, são absolutamente essenciais e diretamente vinculados a prestação contratada, devendo, portanto, ser remunerado pelos honorários profissionais contratados, caracterizadores de receita. Os valores, contudo, de taxa judicial para a distribuição, autenticação de documento necessário, deslocamento para acompenhamento, entre outros, comprovados pela guia de recolhimento, fatura do cartório e recibo da empresa de transporte ou taxista são meros reembolsos, afinal são valores que não integram a remuneração da atividade. A argumentação de que o eventual custo de deslocamento ao fórum, para distribuição da ação ou despacho com juiz, por exemplo, é essencial a prestação e sua remuneração, portanto, é honorário de serviço caracterizador de receita tributável é tão falacioso quanto entender que o valor de passagem aérea adquirida pela Receita Federal para custear a ida de conselheiro para julgamento no CARF, em Brasília, é rendimento tributável, afinal, é essencial à realização do julgamento e, portanto, da atividade fim, a presença do conselheiro no local. O mesmo raciocínio vale para eventual diária para funcionário público que se desloca para outra localidade para cumprir diligência. O valor pago, então, é rendimento tributável e não indenização. Situações similares devem receber tratamento equivalente. Não se pode permitir que a mera escolha de palavras aleatórias defina tratamento jurídico diferenciado, caracterizador de arbítrio refutado pela isonomia. Aplicando o raciocínio ao caso concreto da recorrente, entendo que a eventual caracterização do ingresso como receita tributável ou não (mero reembolso) dependerá da análise de cada rubrica específica, conceitual e documentalmente. Conforme apontado pela contabilidade da recorrida, foram distribuídos, como ingressos decorrentes de reembolso, os seguintes: 1) Custas e despesas análogas Reembolso de Custas Fl. 801DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 293 42 Reembolso de Autenticações Reembolso de Taxas e Emolumentos 2) Despesas com Advogados Correspondentes Reembolso de Honorários de Acompanhamento Reembolso de INSS s/ Honor de Acompanhamento 3) Despesas com Viagens Reembolso de Passagem Aérea Reembolso de Hotel Reembolso de Despesas c/ Viagem Reembolso de Lanches e Refeições 4) Despesas com Deslocamento Reembolso de Táxi Reembolso de Quilometragem Reembolso de Serviços de Entrega Reembolso de Ônibus/Metrô Reembolso de Estacionamento 5) Despesas incorridas na condução do processo Reembolso de Fotocópias Reembolso de Correios Reembolso de Telefone Reembolso de Assinatura de Jornais (Informadores Jurídicos) Reembolso de Despesas Diversas Os presentes itens, apesar de todos indicados como reembolso de despesa, na contabilidade, devem receber tratamento tributário compatível com sua realidade fática e jurídica. Apenas para exemplificar, vejamos: i. valores constantes do item custas e despesas análogas, por exemplo, não geram, qualquer dúvida (desde que regularmente documentados), não devendo, portanto, ser considerado receita tributável; ii. valores alocados no item despesas com advogado correspondente, por sua vez, devem ser analisados de maneira mais detida, de forma a se atestar, com segurança, não se tratar de profissional contratado com habitualidade (o que acabaria por ocultar contratação formal de empregado); iii. valores como os constantes do item despesas com deslocamento, por fim, somente poderiam ser admitidos se decorrentes de contratação de terceiro (recibo de taxi ou transportadora ou comprovante de Fl. 802DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I Processo nº 15504.008239/200971 Acórdão n.º 1803002.463 S1TE03 Fl. 294 43 abastecimento de combustível), não se admitindo mero documento interno realizado pelo próprio profissional do escritório (relatório de viagens sem valor fiscal). Assim, pelos exemplos acima detalhados, percebese a necessidade plena de comprovação de que os valores indicados na contabilidade são efetivamente reembolso de despesas e não mera remuneração, com mais valia e, portanto, ganho tributável embutido. Essa análise, contudo, depende de comprovação documental e análise pontual, incompatível nessa instancia processual. Desta forma, no que se refere especificamente ao reconhecimento dos ingressos como mero reembolso, entendo pela necessidade de retorno à Delegacia da Receita Federal, em diligência, para verificação documental dos valores indicados, para sua manutenção ou eventual glosa. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Ferreira Castellani Fl. 803DF CARF MF Impresso em 14/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 13/01/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 12/01/2015 por FERNANDO FERREIRA CASTELLAN I
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000752/2005-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1801-000.350
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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score : 1.0
Numero do processo: 10245.900197/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Considera-se homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência.
Recurso Voluntário Provido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3301-002.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considera-se homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Considerase homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Provas apresentadas e comprovadas em diligência. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 01 97 /2 00 9- 14 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 308 2 Relatório JOÃO EVANGELISTA FERREIRA DE SOUSA & CIA LTDA., já qualificado nos autos, recorre a este Conselho (Recurso Voluntário de fls. 95 e seguintes) contra o acórdão nº 0118.649,de 03 de agosto de 2010, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA (fls. 92 e seguintes), que não reconheceu o direito creditório alegado, não homologando a compensação declarada, através de PERDCOMP (fls.), conforme relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: Tratase de declaração de compensação transmitida em 19/10/2006 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 366,60, resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2172, do período de apuração de 31/07/2002, no valor originário de R$ 1.542,99. A Delegacia de origem, em análise datada de 25.05.2009 (fl. 03), constatou que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...), mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 03/06/2009, a interessada apresentou, em 26.06.2009, manifestação de inconformidade na qual alega (fls. 01/02): "Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positivas e negativas com base na Lei n°10.147/2000, que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim um crédito a ser compensado posteriormente. Quando foi retificada a DIPJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a do PIS. Em 21/06/2009, procedemos à alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora. (.) Entendemos que, após os esclarecimentos que estão ao nosso alcance, não vemos mais motivos para o indeferimento da PER/DCOMP. Nos colocamos à disposição para fazermos qualquer modificação que se faça necessária para que seja efetuada a devida compensação.(.) Como pode ser constatado, nossa empresa recolheu as referidas contribuições a maior, portanto, nos é permitida a compensação com os débitos vencidos.(.) À vista de todo o exposto, está sobejamente demonstrada a insubsistência e a improcedência do Despacho Decisório.” Fl. 308DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 309 3 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente e não reconheceu o direito creditório, sob a seguinte Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. 0 crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como é o caso da DCTF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ONUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação apresentada pelo sujeito passivo quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Nas declarações de compensação referentes a pagamentos indevidos ou a maior o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entre outras alegações constantes do v. Acórdão extraise o seguinte trecho: No caso presente, ao efetivar sua compensação, por intermédio de DCOMP, a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo receita de código 2172, do período de apuração de 07/2002. Ocorre que, em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatouse que o referido DARF encontravase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito passivo, não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. Neste ponto, cumpre referir que o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de divida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado a divida ativa da Unido sem que se faça necessário o lançamento de oficio. 0 valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. Assim, é condição necessária — embora não suficiente — a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 310 4 Esclareçase, ainda em relação ao tema, que a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTF Retificadora,mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. Ou seja, para ilidir a presunção de legitimidade do crédito tributário vinculado ao pagamento antecipado (lançamento por homologação'), não se mostra suficiente que o contribuinte promova a redução do débito confessado em DCTF (e menos ainda que o faça apenas em declaração de informações econômico fiscais da pessoa jurídica), fazendose necessário, notadamente, que demonstre, por intermédio de sua escrita contábil e fiscal e respectiva documentação de suporte, que o pagamento foi realmente indevido. Desta feita, ambas as condições devemse encontrar presentes para que possa ser reconhecida a pretensão creditória do sujeito passivo. No caso concreto, como permanece válida a confissão de divida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTF Retificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. Assinalese que em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. Acrescendo a tudo o que se afirmou até aqui, o Decreto n° 70.235, de 1972, assim dispõe: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.° da Lei n.° 8.748/1993) (grifouse) Constatase, pois, que figura como ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Tempestivamente, o contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 97 e seguintes, alegando, sumariamente, que “Os créditos oriundos dos pedidos de compensação se originaram na elaboração das listas positives e negativas com base na Lei o° 10.147/2000 que foram elaboradas após o pagamento das contribuições, gerando assim créditos a serem compensados posteriormente. Quando foi retificada a D1PJ 2003, por esquecimento não foi alterada a ficha da COFINS, sendo alterada apenas a ficha do PIS. Em 21/06/2009, procedemos a alteração da referida ficha, transmitindo uma nova declaração retificadora.0 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 311 5 fato de não termos feito a DCTF retificadora no tempo hábil, não impede que os créditos existentes sejam identificados. Na confecção da PERDCOMP20722.28423.141206.1.3.046201, foi utilizado do total de créditos referente julho/2002 que é de R$ 1.210,81, apenas R$366,60”. A Empresa reconhece a falha por não ter retificado a DCTF, mas apresenta os documentos contábeis que – no seu entender – comprovam o alegado crédito. Por fim, requer seja cancelado o débito fiscal reclamado. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, e também para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência foi realizada. É o Relatório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 312 6 Voto Conforme constatado anteriormente, o recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos na lei e deve ser conhecido. O contribuinte, que atua no ramo farmacêutico, teria declarado em DCTF débito relativo à COFINS, período de apuração de julho de 2002, no valor de R$ 1.542,99, quitado através de DARF. Desse valor existiria um crédito de R$ 1.210,81 e teria utilizado apenas R$ 366,60. para compensação através da PER/DCOMP objeto deste processo. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada, pela inexistência de crédito, pois os pagamentos realizados teriam sido integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O Contribuinte informa ter apresentado apenas DIPJ retificadora, esquecendo se de apresentar DCTF retificadora. Em sede de recurso, como já havia feito quando da sua Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte argumenta que, quando apurou a contribuição originalmente teria incluído indevidamente valores que, pela Lei 10.147/00, deveriam ser excluídos da base de cálculo, surgindo aí o valor a ser compensado. De início deve ser ressaltado, como constou no Despacho Decisório, que o Contribuinte deveria ter observado o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, segundo o qual as alegações e provas devem ser apresentadas em primeira instância. Entretanto, o presente processo decorre de Despacho Decisório eletrônico, o qual tem origem nas informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Nessas situações, não há uma fase de instrução, antes do mencionado Despacho Eletrônico. É feita apenas uma verificação nos registros do sistema da Receita Federal e aí é gerado, eletronicamente, o Despacho. Não se pode menosprezar a possibilidade de erro nas Declarações e até por esse motivo é prevista a retificação, no prazo legal. Mas, iniciado o procedimento fiscal, não mais é permitida a alteração da Declaração ou, se efetuada, a retificação não produz nenhum efeito, nos termos da Súmula do CARF nº 33. Como se aduz dos autos, o Contribuinte apresentou a justificativa para o seu erro já na sua Manifestação de Inconformidade, e essa justificativa, como se verá a seguir, não chegou a ser analisada pelo Despacho Decisório. Na apresentação do seu Recurso Voluntário, os documentos juntados aos autos podem confirmar as alegações do Contribuinte e a existência do crédito. Neste processo, o Acórdão Recorrido prendeuse apenas e tão somente à declaração constante da DCTF e ao fato do Contribuinte não ter apresentado na Manifestação de Inconformidade as provas das alegações. Todavia, como mencionado, o Contribuinte desde o início apresentou os seus motivos para o erro na declaração e se colocou à disposição para apresentar quaisquer elementos necessários. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 313 7 Outro aspecto relevante é que, conforme se verifica de seu Contrato Social, a área de atuação da Recorrente é exatamente o ramo farmacêutico e perfumaria, alcançado pelas disposições da Lei 10.147/00 (alíquota zero ou isenção). Tal documento foi apresentado já na manifestação de inconformidade, mas este e outros aspectos não foram apreciados ou verificados pelo Despacho Decisório. O julgamento do presente recurso foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem examinasse as alegações do Contribuinte e os documentos juntados, para que se verificasse se realmente existe pagamento a maior do tributo e suas conseqüências no PER/DCOMP apresentado. A diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem chegou a seguinte conclusão: Foram confrontados os valores informados na DIPJ, referentes à receita bruta, às Vendas de Produtos/Mercadorias sujeitas à substituição tributária e a base de cálculo da Cofins, fls. 302/303, com os valores apurados nas Listas Positivas e Negativas apresentadas pelo interessado, fls 108/180. Foi verificado o total da receita bruta escriturado no Livro Caixa, fls 252/256, com os valores escriturados no Livro Registro de Saídas, fls 202/205, com os valores informados na Guia de Informação Mensal do ICMS – GIM, fls. 110. Percebe se que todos guardam compatibilidade entre si. A verificação foi feita desta forma, uma vez que a pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido está dispensada da escrituração contábil, desde que mantenha o livro Caixa, regime no qual se enquadra a interessada. Ressaltese que, segundo a DIPJ vigente para o anocalendário 2002, transmitida em 17/06/2009, por ser retificadora, a COFINS apurada monta R$ 332,18, compatível com a apuração efetuada por meio desta diligência. Diante das verificações efetuadas, a diligência constatou que o valor do crédito que pode ser reconhecido é de R$ 1.210,81. Esse valor é resultado do cálculo demonstrado abaixo: Valor recolhido em 15/08/2002: R$ 1.542,99 () Valor devido da Cofins (período apuração 07/2002): R$ 332,18 (=) Crédito de pagamento indevido/a maior: R$ 1.210,81 Importa alertar a Delegacia da Receita Federal que será responsável pela operacionalização da compensação de que há mais de um débito a ser compensado com esse crédito. Em face do exposto, considerando que a turma designada para o julgamento no CARF determinou, por unanimidade, a conversão do julgamento em diligência, para que se buscasse a verdade real dos fatos e, que, assim, o resultado da diligência realizada pela Delegacia da Receita Federal de origem foi de que, realmente o contribuinte tem direito ao crédito, dou provimento ao recurso voluntário. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10245.900197/200914 Acórdão n.º 3301002.494 S3C3T1 Fl. 314 8 Luiz Augusto do Couto Chagas Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 314DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 28 /01/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/02/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10280.901359/2012-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte).
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 13 59 /2 01 2- 01 Fl. 956DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 11720.34692.301109.1.1.087226 (fls. 2 a 5)1, com transmissão em 30/11/2009, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/2o trimestre de 2008, em valor de R$ 8.664.242,51 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações R$ 8.403.119,41 (DCOMP de fls. 6 a 9). A análise efetuada pela fiscalização culmina no parecer de fls. 10 a 15 (emitido em 22/05/2012), no qual são informadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilhas anexas): (a) produtos/bens que não são aplicados diretamente no processo produtivo ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento do crédito; (b) serviços considerados pela fiscalização como não utilizados na produção dos bens (Alumina, que é o produto final); (c) bens do ativo imobilizado, considerando as glosas efetuadas no processo administrativo no 10280722272/200965 (com depreciação de 1/48 para as aquisições de maio/2004 a dezembro/2005, e de 1/12 para as aquisições de fevereiro a dezembro/2007); (d) em relação aos meses de abril a junho de 2008, bens que não compõem o ativo imobilizado, bens que não são utilizados diretamente na produção de alumina e bens com descrição incompleta, que não permita a vinculação ao ativo ou ao processo produtivo; e (e) nas notas enquadradas como custos de edificações, foi aplicada sem fundamento a taxa de depreciação de 1/12 (ao invés de 1/24, conforme art. 6 da Lei no 11.488/2007). Com base no parecer é emitido Despacho Decisório (extrato à fl. 738, com ciência à empresa em 18/07/2012, cf. AR de fl. 739), deferindose crédito no montante de R$ 6.388.301,47, homologandose parcialmente a DCOMP, e exigindose o pagamento em relação aos débitos indevidamente compensados, com acréscimos legais. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 957DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 957 3 A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 16/08/2012 (fls. 740 a 789), anexando material explicativo do processo produtivo de alumina (fls.742 a 749, aclarando a função do óleo BPF, do ácido sulfúrico, do oxigênio e da cal, entre outros, além dos serviços portuários e de transporte de rejeitos industriais) e sustentando que: (a) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (b) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado sob o fundamento de que a empresa não teria observado as exigências constantes da Lei no 11.196/2005 (depreciação de 1/12 somente em relação às máquinas e equipamentos adquiridos sob o RECAP) não procedem, visto que a empresa, “por uma questão de tempo real de depreciação das máquinas e equipamentos aplicados em seu processo de industrialização, não se apropria de tais créditos automaticamente, de modo que pelas especificidades da impugnante, é evidente que a conduta apontada no parecer seria, como é, impraticável”, e não há por parte do fisco a indicação de quais seriam os prazos corretos; (d) não há uma clara indicação da razão as glosas do ativo imobilizado, nem quais seriam os itens específicos, ao menos referidos em planilha que permita à postulante compreender o porquê da desconsideração; (e) o ativo imobilizado compreende todo o complexo de bens e direitos /ativo patrimonial imprescindível a que a sociedade empresária se mantenha em operação, abarcando edificações, equipamentos, maquinário, e também benfeitorias em locação ou arrendamento, e móveis, utensílios, entre outros, havendo previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002); e (f) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Em 04/12/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 865 a 877), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade (e da demanda pericial), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) as glosas em relação ao ativo imobilizado alcançam, de forma geral, produtos não utilizados na produção de bens destinados a venda e bens considerados como edificações, perfeitamente individualizados; e (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado, e às taxas previstas na legislação de regência. Cientificada do acórdão da DRJ em 03/01/2014 (AR de fl. 879), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 30/01/2014 (fls. 880 a 924), basicamente reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, acrescentando que: (a) da análise do processo produtivo da empresa e de disposições normativas expressas temse que são considerados como insumos os bens aplicados diretamente na produção (como alumina e fluorita em pó), os combustíveis e lubrificantes (como óleo BPF e GLP) e as partes e peças (de reposição), e os serviços diretamente aplicados ou consumidos no processo produtivo, e de manutenção de máquinas e equipamentos; e (b) insumo é, assim, tudo aquilo que concorre na composição do processo produtivo. Fl. 958DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, o presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 2o trimestre de 2008. Os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma em diversos processos da mesma recorrente (em que pese existir nos presentes autos haver uma melhor descrição do processo produtivo da empresa): (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos; (d) glosas de serviços considerados como insumos; e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Fl. 959DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 958 5 Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se presta a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, indeferese, por desnecessária, a realização de perícia no caso concreto. Aproveitase ainda este tópico preliminar para aclarar que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção de julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se discorde eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias Fl. 960DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. Fl. 961DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 959 7 3.1. Bens utilizados como insumo Em relação a bens utilizados como insumos, o texto que trata da justificativa para as glosas (fls. 11/12) é extremamente sintético, pelo que merece ser integralmente transcrito: 13) CRÉDITOS DECORRENTES DE BENS INFORMADOS COMO INSUMOS, OBJETO DE GLOSA: Em primeiro lugar cabe realçar que a legislação em vigor estabelece que a pessoa jurídica poderá creditarse em relação a aquisições de bens e serviços utilizados como insumos, inclusive combustíveis e lubrificantes (art 3º da Lei 10.637/2002).Todavia o bem para ser considerado insumo deve guardar relação com o conceito estabelecido no artigo 8º da IN 404/2004 que considera insumo a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. O contribuinte apresentou uma extensa relação de bens adquiridos utilizados para crédito de PIS. As glosas demonstradas nas planilhas de glosas de Insumos do arquivo correspondente em anexo, são de bens que não se enquadram como Insumos ou são descritos de forma imprecisa que não possibilita enquadramento para fins de aproveitamento de crédito. Exemplo: Materiais Diversos e Frete. Nota da Planilha Insumos: N Glosa por não enquadramento no conceito de insumo; NSD Glosa por não apresentar descrição ou descrição incompleta; S Crédito aceito.” Vejase que o conceito de insumo adotado pelo fisco (derivado da legislação do IPI) não corresponde ao aclarado no tópico anterior do presente voto. Assim, fazse necessário verificar se os bens glosados são efetivamente necessários à produção de alumina (produto final fabricado pela empresa). Na planilha referente a glosas de bens (fls. 235 a 351 e 352 a 468 abril; fls. 469 a 595 maio; e fls. 596 a 713 junho)2, são relacionados como não enquadrados no conceito de insumos (N): ácido sulfúrico (CFOP compra para industrialização ou produção rural); inibidor de corrosão para tratamento de água potável, dispersante; acetileno, oxigênio, gás argônio, Conhec. Transp. aprovada Ger. Marcílio Santana (CFOP serviço de transporte); Ctrc. Ref. Fornec. Eletrotecnica Wilson (CFOP serviço de transporte); Ctrc. Ref. Fornec. Carbomil Química S/A (CFOP serviço de transporte); thinner e tinta de acabamento (CFOP material de uso e consumo); avental, luvas, lentes para óculos, chuveiro, tonner e cartuchos para impressoras; adesivos, cabos, bicicleta caloi barra forte, alicate, chave de fenda, rolamentos, parafusos, arruelas, e outros materiais de uso e consumo. Na mesma planilha, são ainda glosados por conter descrição incompleta (NSD) os 2 Confessese que é preciso muito boa vontade para verificar a qual categoria está vinculado cada bem no mês de abril, pois a coluna da planilha com o detalhamento da categoria (N, S ou NSD)está em página diferente da referente à descrição do bem. Os bens relacionados à fl. 235, por exemplo, são categorizados à fl. 352. Os relacionados à fl. 236 são categorizados à fl. 353, e assim por diante. Fl. 962DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 bens descritos como: “frete” (sem especificação); “materiais diversos”; e bens sem qualquer descrição. Por certo que em relação a itens descritos como “materiais diversos”, ou “fretes”, ou ainda sequer descritos, resta inviável a identificação com o processo produtivo, tornando carente de comprovação o direito de crédito (a menos que fornecidos pela postulante elementos adicionais, o que não ocorre nestes autos). Também em relação aos materiais de escritório (como cartuchos para impressoras ) e de uso/consumo (como ferramentas ou vestes) não há dúvidas de que assiste razão ao fisco nas glosas. Há que se ter, também, alguma criatividade para imaginar como uma bicicleta caloi barra forte é indispensável à produção de alumina. Expurgando ainda algumas siglas pouco decifráveis (em regra se referindo a fretes não identificados precisamente), restam a analisar somente os produtos químicos: ácido sulfúrico, inibidor de corrosão, dispersante, acetileno, oxigênio e gás argônio. Em todo o arrazoado da empresa sobre seu processo produtivo, no entanto, somente há questionamento específico em relação ao ácido sulfúrico. E entendemos que assiste razão à recorrente, como tem reiteradamente decidido esta Terceira Turma, que já apreciou diversos outros processos da mesma empresa, em relação a idêntico processo produtivo, restando configurado que o ácido sulfúrico se enquadra no conceito de insumo: “A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza e consignou na planilha 10 que o inibidor de corrosão e o dispersante de sais são aplicados no tratamento de água potável e no resfriamento de água. (...) A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. (...) Fl. 963DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 960 9 Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 – A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização.”(voto condutor do Acórdão no 3403001.955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação à matéria, sessão de 20.mar.2013) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 956) “O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. (...) Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. (...) Quanto às demais aquisições de bens, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário , deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização..” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403002.765) Assim, na linha que já vem adotando esta turma, entendese que são improcedentes as glosas em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como dos correspondentes fretes, desde que identificados). E, ainda acompanhando a recorrente Fl. 964DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 jurisprudência da turma, mantémse a glosa em relação aos demais itens, não questionados especificamente nas peças de defesa. 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumo, são igualmente sintéticas as motivações das glosas (fl. 12), aqui integralmente transcritas: “15) CRÉDITOS DECORRENTENTES (sic) DOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: Serviços glosados por não serem considerados como utilizados diretamente na produção da Alumina (produto final) conforme Planilha de glosas, em anexo.” Entre os serviços glosados (planilha de fls. 714 a 737) estão: revisão em parafusadeira; serviços de hotelaria aos empregados da Alunorte; e serviço descrito como “Secretaria da Receita Federal”. Mas é novamente genérica a defesa. E os únicos serviços especificamente questionados (remoção de resíduos e operações portuárias) não foram objeto de glosa. Diante da ausência de questionamento específico em relação aos itens glosados, considerase, neste tópico, improcedente o recurso voluntário. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, a justificativa da glosa (fls. 12/14), novamente transcrita de forma integral, remete parcialmente a outro processo administrativo (que teve o recurso voluntário recentemente apreciado por esta turma): “16) CRÉDITOS DECORRENTES DO ATIVO IMOBILIZADO: O contribuinte apurou crédito de depreciação em duas modalidades: 1/48 avos para bens adquiridos de Maio/2004 a Dezembro/2005 e 1/12 avos para as aquisições posteriores. Para o trimestre em análise efetuamos glosas da seguinte maneira: a) Considerando glosas realizadas em procedimento fiscal anterior formalizado no Processo 10280.722272/200965 para as aquisições de Maio/2004 a Dezembro/2005 (1/48 avos) e de fevereiro a dezembro de 2007 (1/12 avos) conforme demonstrado abaixo: (...) b) Glosas efetuadas nos meses Abril, Maio e Junho de 2008 (art. 3º da Lei 10.637/2002) Efetuamos glosas conforme planilha DEPRECIAÇÃO em anexo. Referemse tais Notas Fiscais a aquisições de bens enquadrados nas seguintes situações: bens que não compõem o ativo imobilizado, bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina, bens que não foram provados pertencerem ao ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta. Fl. 965DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 961 11 Com relação às Notas Fiscais enquadradas como custos de EDIFICAÇÕES embora haja previsão para crédito de PIS no artigo 3º da Lei 10.637/2002 o contribuinte aplicou aos mesmos a taxa de depreciação na modalidade 1/12 avos sem fundamentação legal para tanto. A taxa de depreciação, neste caso, deve ser aplicada em função da vida útil da edificação (§ 1º do Art. 1º da IN 457/2004) ou na modalidade 1/24 avos na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (art. 6º da Lei 11.488/2007).” (grifo nosso) Na planilha de fls. 126 a 234, as glosas são codificadas da seguinte forma: NP (para bens do ativo imobilizado que não são utilizados diretamente na produção da Alumina); NA (para bens que não compõe o ativo imobilizado); NSD (para bens em relação aos quais não se provou a configuração de ativo imobilizado para utilização na produção da Alumina ou com descrição incompleta); e EDIF (para edificações). A recorrente não questiona a simples remissão ao outro processo, sem detalhamento da motivação da parcela correspondente das glosas nestes autos, e parece compreender bem a motivação quando se defende da mesma forma que naquele processo, discutindo os dois mecanismos de depreciação (1/48 e 1/12). Mas a defesa é novamente genérica, com reprodução de diversos dispositivos normativos e decisões, sem a eficaz vinculação à situação concreta narrada nos autos. E, reiterese, esta mesma Terceira Turma já apreciou aquele processo administrativo, exatamente em relação à matéria, concluindo que: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o Fl. 966DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não Fl. 967DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.901359/201201 Acórdão n.º 3403003.519 S3C4T3 Fl. 962 13 contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.954, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.955 e 956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas decorrentes efetuadas pelo fisco. Nos itens referentes aos meses de abril a junho de 2008, não assiste melhor sorte à recorrente. Pela simples leitura das listas de glosas (com as correspondentes codificações), percebese que os bens relacionados enquadramse objetivamente em cada uma das categorias descritas pelo fisco (NP, NA, NSD e EDIF). E, ao contrário da fiscalização, que detalha e individualiza as glosas, a recorrente não traz qualquer questionamento específico de item glosado. Quanto às taxas de depreciação para edificações, devem ser aplicadas na forma do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (art. 1o, § 1o da IN SRF no 457/2004) ou do art. 6o da Lei no 11.488/2007 (art. 1o, § 2o da IN SRF no 457/2004). A recorrente, em suas peças de defesa, ao invés de discernir as máquinas e equipamentos adquiridos sob o RECAP, simplesmente afirma ser “impraticável” a conduta apontada no parecer, em virtude das especificidades da empresa. Por fim, a regra de que o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado encontra expressa guarida no art. 305, § 2o do RIR (por sua vez derivado de disposição legal Fl. 968DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 art. 57, § 8o da Lei no 4.506//1964): “[A] quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir”. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte). Rosaldo Trevisan Fl. 969DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10280.722268/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 68 /2 00 9- 05 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 35361.91866.230807.1.1.086264 (fls. 5 a 8)1, com transmissão em 16/08/2007, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/1o trimestre de 2007, em saldo de R$ 6.442.070,58 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações (DCOMP de fls. 9 a 36, nos valores de R$ 4.867.500,13, R$ 1.266.290,39, R$ 10,33, R$ 1.128,43, R$ 19.278,18, R$ 8.969,73 e R$ 2.043,42). Iniciada a ação fiscal tendente a verificar o direito creditório demandado, em 03/09/2010 (fls. 40/41), a empresa é intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, culminando a análise fiscal no relatório de fls. 411 a 415, no qual são relacionadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilhas anexas ao relatório): (a) combustíveis e carvão energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a Lei no 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007 (os combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agirem diretamente no processo produtivo; (b) produtos/bens que não são aplicados diretamente no processo produtivo; (c) produtos/bens considerados como ativo imobilizado; (d) produtos/bens que não contêm descrição detalhada ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; (e) fretes referentes aos produtos/bens glosados; (f) serviços considerados pela fiscalização como não utilizados na produção dos bens; e (g) bens do ativo imobilizado que não se enquadram como máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda e edificações. Com base no relatório da fiscalização é emitido o Despacho Decisório de fl. 421 (em 05/12/2011), deferindose crédito no montante de R$ 2.606.465,92, e o Auto de Infração de fl. 419 (com ciência à empresa em 15/12/2011), no valor glosado, de R$ 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 664DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 664 3 3.835.604,67. Em relação às compensações (homologadas parcialmente, o despacho decisório figura à fl. 423. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 11/01/2012 (fls. 510 a 545), sustentando que: (a) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (b) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (c) os custos com transporte de rejeitos são geradores de créditos, pois inerentes às atividades produtivas da empresa, assim como os custos de transporte dos insumos considerados glosados; (d) constituem insumos o óleo BPF (destinado à queima em fornos adequados para calcinação de hidrato e geração de vapor nas caldeiras), o ácido sulfúrico (para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, na neutralização de efluentes cáusticos), inclusive glosado em duplicidade, e o inibidor de corrosão (que forma uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento); (e) há previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002), embora no caso concreto tais bens sejam efetivamente utilizados na produção de alumina, e o aproveitamento possa ser feito em bases diferenciadas (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP e depreciação acelerada para aquisições de bens de capital por empresas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas nas áreas de atuação da SUDAM e da SUDENE, cabendo ainda destacar que o fisco considerou indevidamente (sem justificativa) como edificações algumas máquinas e equipamentos; e (f) não houve violação ao REIDI, que reduziu para 24 meses o prazo mínimo para utilização dos créditos decorrentes da aquisição de edificações. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Ainda em 11/01/2012 apresenta a empresa impugnação à autuação (fls. 439 a 474), basicamente sob as mesmas razões utilizadas para desconstituir as glosas. Em 08/02/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 574 a 592), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade e da impugnação (e pela improcedência da demanda por perícia), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) em relação a ativo imobilizado, as glosas estão todas especificamente motivadas (DT05 glosados em virtude da data de aquisição/emissão nota fiscal ser anterior à previsão legal, que só reconheceu o beneficio para bens adquiridos a partir de 2006; EDIF06 glosados por serem considerados como edificações do ano de 2006; EDIF07 glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007; N glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não serem empregados no processo produtivo do adquirente; NCD glosados por não estarem relacionados no Decreto no 5.789/2006, mencionados no Decreto no 5.988/2006; e NREB glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito), não havendo cerceamento de defesa; (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado; (e) as glosas em relação ao ativo imobilizado não alcançam a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado cada uma das glosas Fl. 665DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 efetuadas para, na sequência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas as depreciações adotadas pelo sujeito passivo; e (f) as glosas em relação a “bens considerados como edificações” estão com a perfeita e individualizada identificação do bem ou serviço glosado (v.g., bens e serviços explicitamente destinados ao setor administrativo ou caracterizados como obras civis, passando por gaveteiros, armários, poltronas, colchões, leitos, serviços de paisagismo e de fornecimento de refeições). Cientificada do acórdão da DRJ em 15/02/2012 (AR de fl. 593), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 16/03/2012 (fls. 595 a 638), basicamente reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, e acrescentando que: (a) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem; (b) a Lei no 11.488/2007 não vedou nem autorizou o aproveitamento de créditos em relação ao óleo BPF (ou outro óleo combustível), que já era autorizado pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c) são relevantes as decisões administrativas/judiciais trazidas aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, a ação fiscal buscou verificar o direito creditório demandado neste processo e em outros (referentes a “PIS não cumulativo” e a “COFINS não cumulativa”, de 2005 a 2007). O presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 1o trimestre de 2007. Cabe destacar que o processo congênere (de no 10280.722277/200998, referente à COFINS relativa ao 1o trimestre de 2007) foi apreciado por esta Terceira Turma recentemente, acordandose que: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. CRÉDITOS. ÁCIDO SULFÚRICO, FRETES, SERVIÇOS DE REMOÇÃO DE REJEITOS INDUSTRIAIS. É legítima a tomada de crédito da contribuição nãocumulativa em relação às aquisições de ácido sulfúrico e respectivos fretes, óleo BPF utilizado como combustível e serviços de remoção de lama vermelha, areia e crosta, por integrarem o custo de produção do produto exportado (alumina).”(Acórdão no 3403001.956, Fl. 666DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 665 5 Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, maioria, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, maioria, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do quarto e do terceiro trimestres de 2007) (nos três julgamentos fui vencido quanto ao reconhecimento de créditos em relação à remoção de resíduos, ao lado do Cons. Robson José Bayerl) Assim, prosseguese na análise do presente processo, destacandose que os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma nos Acórdãos mencionados: (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos (v.g., óleo BPF e ácido sulfúrico); (d) glosas de serviços considerados como insumos (transporte de rejeitos); e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 667DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se presta a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, indeferese, por desnecessária, a realização de perícia no caso concreto. Aproveitase ainda este tópico preliminar para aclarar que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção de julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se discorde eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 666 7 Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. 3.1. Bens utilizados como insumo Fl. 669DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 Em relação a bens utilizados como insumos, as glosas efetuadas foram (fl. 412): “10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados.” Na planilha 10 (fls. 346 a 353) são detalhadas as glosas de bens, que abrangem: óleo combustível BPF (para geração de vapor das caldeiras para o processo de calcinação do hidrato), ácido sulfúrico (para limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de efluentes líquidos), e inibidor de corrosão (para tratamento de água potável e resfriamento de água). São ainda glosados os fretes relativos ao transporte de ácido sulfúrico. A empresa alega em sua defesa que consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços. Sobre o tema, remetemos ao entendimento já exarado neste voto a respeito da delimitação do conceito de insumos para as contribuições, reiterando que o insumo gerador de créditos deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. E, nesse contexto, cabe destacar que esta Turma já analisou dois dos itens sobre os quais se defende a empresa (em relação ao mesmo período), concluindo unanimemente que estes são enquadrados no conceito de insumos adotado: “A descrição do processo produtivo permite identificar que o óleo BPF é aplicado no processo produtivo como fonte de energia para a calcinação do hidrato; a areia é utilizada no processo produtivo como elemento filtrante e depois de tratada é descartada como rejeito industrial; a lama vermelha se origina do processamento do underflow e é descartada como rejeito industrial, após ser devidamente tratada; e o ácido sulfúrico é utilizado para desincrustar linhas e trocadores de calor, para neutralizar efluentes e para desmineralizar a água das caldeiras. Na descrição do processo produtivo não foi possível verificar onde são aplicados e nem a função desempenhada pelos produtos inibidor de corrosão, antiespumante e aditivo dispersante. Entretanto, a fiscalização consignou na planilha 10 que a função do aditivo dispersante é eliminar borras do óleo combustível pesado. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 667 9 O exame da planilha 10 revela que neste processo administrativo a fiscalização só glosou créditos decorrentes das aquisições de ácido sulfúrico, dos respectivos fretes e do óleo BPF. A motivação para a glosa dos fretes foi a mesma utilizada para o ácido, ou seja, o frete foi glosado porque o material transportado, sob a ótica da fiscalização, não tinha aptidão para gerar crédito da contribuição. A fiscalização considerou o ácido sulfúrico como material de limpeza. A descrição do processo produtivo revela que o ácido sulfúrico tem outras utilidades, além se servir como desincrustante. A limpeza de dutos e trocadores de calor, assim como a desmineralização da água das caldeiras e o tratamento de efluentes são procedimentos necessários para assegurar a eficiência das instalações fabris e a proteção do meioambiente. A empresa incorre em custos ao adotar esses procedimentos. E é inequívoco que esses custos estão umbilicalmente correlacionados com o processo produtivo da alumina, enquadrandose na disposição do art. 290, I do RIR/99. Assim, devem ser afastadas as glosas relativas ao ácido sulfúrico e aos respectivos fretes, uma vez que são insumos que integram o custo de produção (art. 290, I, do RIR/99). Integrando o custo de produção, o valor desses insumos deve ser considerado no cálculo do crédito da contribuição, nos termos do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03. Relativamente ao óleo BPF, não se questiona que ele é aplicado no processo produtivo para calcinar o hidrato. O que se questiona é que sendo ele fonte de energia térmica, a previsão legal para a tomada de crédito só surgiu a partir de junho de 2007 com a publicação da Lei nº 11.488/2007. Não há como se concordar com os argumentos lançados pela autoridade administrativa e nem pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional, pois a interpretação acima é fruto de um equívoco que consiste em confundir a fonte da energia com a própria energia. Vejamos. É certo que a redação original do art. 3º, III, da Lei nº 10.833/03 só previa o crédito em relação à energia elétrica. Entretanto, o art. 3º, II, na mesma redação original, estabelecia o direito de crédito em relação a combustíveis, in verbis: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a:(Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I – omissis...; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;” (Grifei) Com a nova redação do art. 3º da Lei nº 10.833/03, introduzida pela Lei nº 10.488/2007, o inciso III passou a prever o direito de crédito em relação à “energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.” A empresa, ao adquirir o óleo BPF, está adquirindo um combustível previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e não a energia térmica que passou a ser prevista no inciso III a partir de junho de 2007. E isto é assim porque o óleo BPF para poder gerar o calor necessário à calcinação do hidrato, deve sofrer uma reação química com o oxigênio denominada combustão. É a combustão do combustível (óleo BPF), que se dá na presença do comburente (oxigênio presente na atmosfera), que gera a energia térmica necessária ao processo produtivo. O inciso III na redação da Lei nº 11.488/2007 prevê o direito de crédito em relação à aquisição da energia e não em relação à fonte de energia. Eis aí o equivoco cometido pela fiscalização e pela ilustre Procuradora da Fazenda Nacional. Tratandose as aquisições de óleo BPF de aquisições de combustível e não de energia térmica, o crédito no trimestre em questão tem amparo no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 na redação vigente à época dos fatos, devendo ser revertida a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto aos demais bens descritos na planilha 10 A, tidos pela recorrente como insumos, verificase que em sua maioria não são relacionados ao processo produtivo. Após a leitura da descrição do processo de fabricação da alumina, é de clareza vítrea que torneiras para jardim, ferramentas manuais, ferramentas intercambiáveis, trenas, tábuas de passar, lixeiras para a sala de RH, pilha alcalina AAA, bateria automotiva, etc, não são insumos aplicados no processo produtivo, não sendo aptos a gerarem créditos da contribuição. A mesma planilha relaciona alguns poucos bens que geram dúvidas quanto a integrarem ou não o custo de produção. Entretanto, a descrição do processo produtivo não permitiu identificar onde esses bens são aplicados e nem a função que desempenham. Estão nesta classe de produtos: a espuma de poliuretano e guarnição esponjosa, a roda cortadora para aço e ferro, disjuntores e transformador de comando. A fiscalização considerou que esses produtos não são insumos porque não se desgastam ou perdem suas propriedades físicas ou químicas mediante ação direta do produto em fabricação. Segundo o critério do Fisco, realmente tais produtos não são insumos aptos a gerarem créditos das contribuições, mas pelo critério do custo de produção, que vem sendo adotado pelo CARF, tais produtos poderiam ensejar a tomada do crédito, caso a recorrente tivesse apresentado algum elemento capaz de elidir a glosa efetuada. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 668 11 Caberia à recorrente ter comprovado na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário onde são aplicados e quais as funções desempenhadas pelos produtos, pois a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72 a impugnação deve ser específica e vir acompanhada dos elementos de prova necessários ao convencimento do julgador. Tendo em vista, que não houve contestação específica em relação aos demais bens relacionados na planilha 10 A e que os elementos existentes nos autos não permitem identificar nem a função e nem onde são aplicados aqueles produtos, há que se manter a glosa efetuada pela fiscalização.” (voto condutor do Acórdão no 3403001.956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação à matéria, sessão de 20.mar.2013) Em relação ao terceiro item (inibidor de corrosão), a glosa é fundamentada no fato de a aplicação ser em água potável, e não em água destinada ao processo produtivo. Na manifestação de inconformidade a empresa até alega (fl. 514) que o inibidor de corrosão é utilizado para “formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento”. Mas sequer esta informação é renovada em sede de recurso voluntário, restando carente de questionamento específico tal item. Assim, mantenho o entendimento externado pela turma no referido julgamento, reconhecendo o direito ao crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e óleo combustível BPF. Não havendo questionamento específico, mantémse a glosa em relação aos demais itens. 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumo, as glosas são as seguintes (fl. 412): “CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): Pela análise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas.” Na planilha 8 (fls. 342 e 343) são detalhadas as glosas de serviços, que abrangem troca de telha e montagem/desmontagem de andaimes, entre outros, não questionados especificamente pela defesa, restrita aos serviços de transporte de rejeitos industriais. E no único serviço especificamente questionado assiste razão à recorrente, conforme também já assentado unanimemente por esta turma recentemente. Transcrevase excerto do julgamento que resultou no Acórdão no 3403002.764, no qual passamos a acolher a possibilidade de crédito em relação à remoção de resíduos, reformando posicionamento anterior, adotado nos Acórdãos no 3403001.954, 955 e 956: Fl. 673DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Quanto às demais aquisições de serviços, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo –precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização.” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) Assim, novamente mantenho o entendimento externado pela turma, reconhecendo o direito ao crédito em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais, mantendose a glosa em relação aos serviços não especificamente questionados pela defesa. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, as motivações para as glosas (efetuadas em relação a bens com depreciação de 1/48 e de 1/12 foram, respectivamente (fls. 413/414): 13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro anos) correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de Fl. 674DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 669 13 aquisição do bem (Lei no 10.833/2003, art 3o , § 14, introduzido pela Lei no 10.865, art. 21 e Instrução Normativa SRF no 457/2004, art. 1, inciso I do § 2o e art. 2o, § 2o, e inciso II do caput). Através (sic) dos arquivos magnéticos referentes a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como maquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda. 2) Máquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. (...) Em relação à construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma (sic) só entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008. (...) 13.2 Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a l/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam. (Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto no 5.988/2006). Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses, constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos. Elaboramos a Planilha 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Abaixo segue codificação adotada para as glosas efetuadas na planilha 07D: DT05 Glosados em virtude da data de aquisição(emissão nota fiscal) ser anterior a previsão legal que só reconheceu o benefício para bens adquiridos a partir de 2006 EDIF06 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2006. EDIF07 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 N Glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo do adquirente. NCD Glosados por não estarem relacionados no Decreto 5.789/2006 mencionado no Decreto no 5.988/2006. NREB Glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito.” (grifo nosso) O primeiro grupo de glosas (depreciação de 1/48 Lei no 10.833/2003, art. 3o, § 14) é detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 99 a 210). De fato, compulsando as planilhas percebese que os objetos das glosas são bens destinados a atividades administrativas (v.g., mesa de reunião, gaveteiro, armário, colchão, leitos e poltronas) ou tratamse de obras civis, não atendendo aos pressupostos da matriz legal (serem máquinas e equipamentos e destinarem se ao processo produtivo). No segundo grupo de glosas (depreciação de 1/12 Lei no 11.196/2005, art. 31), a fiscalização expõe que ocorreram diversas irregularidades, detalhadas nas planilhas de fls. 211 a 341, dividindoas em seis grupos: aquisição anterior à vigência da base legal; edificações de período posterior (2006 e 2007); ausência de qualificação como bens do ativo imobilizado ou empregados no processo produtivo; falta de previsão no decreto regulamentador; e vendas equiparadas a exportações. E a recorrente, em ambos os casos, apresenta defesa genérica, não apontando objetivamente elementos que levariam a comprovar a adequação ao comando legal, ou sequer suscitar dúvida quanto ao registrado pelo fisco. São reproduzidos diversos dispositivos normativos e decisões, mas a defesa não consegue vinculálos de forma eficaz à situação concreta narrada nos autos. Como destacou o julgador de piso, “não foi a autoridade fiscal, mas sim a contribuinte que não se desincumbiu do ônus mínimo de demonstrar razões de fato e de direito que pudessem corroborar suas afirmações”. E a regra de que o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado encontra expressa guarida no art. 305, § 2o do RIR (por sua vez derivado de disposição legal art. 57, § 8o da Lei no 4.506//1964): “[A] quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir”. Também em relação a tal tema já se manifestou esta Turma no processo congênere de COFINS relativa ao mesmo período, chegando às mesmas conclusões que aqui externamos: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Fl. 676DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 670 15 Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.954 e 955, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do quarto e do terceiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas efetuadas pelo fisco. 4. Considerações finais Cabe destacar derradeiramente que o presente processo inclui ainda um Auto de Infração (fl. 419). A autuação, no montante de R$ 3.835.604,67 (não há indicação de multas ou juros) só é mencionada na referida folha, e foi expressamente lavrada “em obediência ao Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722268/200905 Acórdão n.º 3403003.516 S3C4T3 Fl. 671 17 disposto no art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72”. Tal dispositivo, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009, dispõe: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário”. Matematicamente, percebese que o valor da autuação (R$ 3.835.604,67) corresponde exatamente (em verdade, com diferença de um centavo) ao crédito pleiteado no PER de fls. 5 a 8 (R$ 6.442.070,58) subtraído do valor homologado das compensações pelo despacho de fl. 421 (R$ 2.606.465,92). Ou seja, equivale ao valor glosado de créditos. E se a empresa não detém os créditos, a providência a ser adotada pelo fisco é a não efetivação do ressarcimento ou da restituição. Caso já tenham os créditos sido utilizados em compensação declarada, mas não homologada, ainda assim não haveria que se falar em lançamento, mas na providência referida no art. 74, §§ 6o a 9o da Lei no 9.430/1996 (encaminhamento para inscrição em dívida ativa). Assim, entendese que, pelo próprio fundamento adotado (art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72), não se está efetivamente exigindo crédito tributário, mas tão somente registrando o valor glosado. Não trata, portanto, o presente processo de exigência de crédito tributário, mas de análise de PER (no montante de R$ 6.442.070,58) e de DCOMP (valores de R$ 4.867.500,13, R$ 1.266.290,39, R$ 10,33, R$ 1.128,43, R$ 19.278,18, R$ 8.969,73 e R$ 2.043,42), com parcial deferimento na unidade local, como exposto. Entendimento diverso levaria ou a duplicidade de exigência ou a exigência via lançamento de crédito confessado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Rosaldo Trevisan Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 18 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.003947/2009-01
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2009
ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. FALTA DE AJUSTE ENTRE NORMA E FATO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente SERTA DO BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 01/06/2009 ASSISTÊNCIA À SAÚDE FORNECIDA PELO EMPREGADOR POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO. AUSÊNCIA DE SUBSUNÇÃO À NORMA TRIBUTÁRIA. HIPÓTESE DE AUSÊNCIA DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. FALTA DE AJUSTE ENTRE NORMA E FATO. LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Ricardo Magaldi Messetti, Oseas Coimbra Júnior, Fabio Pallaretti Calcini, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 39 47 /2 00 9- 01 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 583 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal PAF contempla o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.218.9768, que objetiva o lançamento das contribuições sociais previdenciárias decorrentes da prestação de serviços de cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho, bem como o lançamento de Glosa de Compensação Indevida realizada pelo contribuinte, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 24 a 43, com período de apuração de 07/2004 a 05/2009, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 55 e 56. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 21/12/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, fls. 01. O contribuinte apresentou petição de defesa com razões, as fls. 326 a 360, em 20/01/2010, acompanhada dos documentos, de fls. 361 a 457. Consta dos autos, as fls. 461 e 462, pedido de desistência da impugnação/recurso por parte do contribuinte, relativamente a Glosa de Compensação, tal pedido se fez acompanhar dos documentos, de fls. 463 a 478. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1440.568 9ª, Turma DRJ/RPO, em 27/02/2013, fls. 516 a 519. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento do decisório da DRJ, em 28/03/2013, conforme AR, de fls. 523. Irresignado o contribuinte impetrou Recurso Voluntário, em 29/04/2013, fls 537 a 561, acompanhada dos documentos, de fls. 562 a 577. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas, salvo os tópicos que se referem a inconstitucionalidade de leis, v.g., das cooperativas, Art. 22, IV, da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99 – 15%; Multa Punitiva Inconstitucionalidade; SELIC inconstitucionalidade Mérito. · que é possível a esfera administrativa afastar a aplicação de lei que padece de inconstitucionalidade, sendo isso reconhecido pelo TIT/SP e defendido por Alberto Xavier em artigo jurídico que publicou, cita um precedente do 1º CC, de 14/06/1994 e outros dois da CSRF, datados de 14/04/1989 e 06/11/2001, cita HLM, bem como a professora LMLRR que cita José Afonso da Silva, sendo evidente que o que se pleiteava não era a declaração de inconstitucionalidade da lei, mas sim a não aplicação de lei inconstitucional, devendo o órgão Fl. 583DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 584 3 julgador manifestarse acerca da inconstitucionalidade e da inaplicabilidade da norma inconstitucional; · que os TRF’s têm entendido que o patamar adequado de multa é de 20%, transcreve decisões, sendo inadmissível o percentual aplicado neste lançamento, sendo que os tribunais superiores sugerem uma multa de 20%, porém a recorrente entende ser este patamar de 20%, ainda, elevado, sugerindo 2%, conforme parágrafo 1º, do artigo 52, da Lei 8.078/90, acrescentado pelo Lei 9.298/96, devendo por analogia e respeito ao princípio da isonomia ser aplicado o percentual de 2%, pois a inflação não chega a 1%, devendo a multa ser anulada por incabível; · que, ainda, que houvesse lei criando a SELIC em razão da aplicação do artigo 161, §1º, do CTN tal patamar não poderia ser superior a 1%, sendo que para ultrapassálo necessário seria lei complementar; · Do requerimento: a) recebimento; b) acolhimento do recurso, reformandose a decisão a quo, julgandose o lançamento totalmente improcedente. A autoridade preparadora não se manifestou sobre a tempestividade do recurso. Os autos subiram ao CARF, fls. 580. Os presentes autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 18/07/2014, Lote 09, despacho, de fls. 581. É o Relatório. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 585 4 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Equivocase a recorrente não é possível ao julgador administrativo adentrar em questões de inconstitucionalidade seja para declarála ou simplesmente reconhecêla para afastar a aplicação da lei, pois o afastamento da aplicação da lei existente, válida e eficaz, enseja violação ao princípio da legalidade, usurpação da competência constitucional do Chefe do Poder Executivo Federal, uma vez que só àquela autoridade cabe autorizar a não aplicação de lei, no âmbito da Administração Pública Federal, sendo que o mero afastamento da aplicação da lei confundese com a declaração de sua inconstitucionalidade é o espírito da SV Nº transcrita. Súmula Vinculante 10 Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte. Não cabe ao julgador administrativo pronunciarse sobre questões de inconstitucionalidade ante a expressa vedação legal, abaixo transcrita. Decreto 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) RICARF PT/MF 256/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A razão é muito simples no Poder Executivo – Administração Pública vige o princípio da hierarquia e quem exerce sua chefia máxima é o Senhor Presidente da República, a quem a Constituição da República Federativa do Brasil atribui em primeiro mão a competência de por intermédio da sanção em projeto de lei aprovado pelo Congresso Nacional, introduzir a norma no mundo jurídico, dandolhe existência, estipulando sua vigência e atribuindolhe eficácia. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 586 5 Logo, não é cabível que um servidor que lhe é subordinado e subalterno e lhe deve obediência, possa desfazer de um ato da maior autoridade do Poder Executivo, pois assim estaríamos subvertendo o regime. Além do que, a própria CRFB/88 no artigo 102, caput, estabeleceu que o seu guardião é o Supremo Tribunal Federal – STF. Assim cabe exclusivamente ao órgão maior do judiciário brasileiro o controle concentrado de constitucionalidade da leis e aos demais órgãos do judiciário o difuso. A CRFB/88 não atribui competência para órgão julgador administrativo seja ele qual for, exercer o controle de constitucionalidade das leis. Ademais, todas as normas que passam pelo processo legislativo constitucionalmente estabelecido gozam de presunção de constitucionalidade e assim devem ser respeitadas, afinal de contas é a própria CRFB/88 em seu artigo 5º, inciso LVII, diz: “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;”, “mutatis mutandis”, por que condenar a lei antes que o órgão competente o faça. Assim sendo, todas as argumentações ligadas a questão de constitucionalidade, seja em preliminar ou em mérito, não foram sumariadas e nem serão apreciadas, ante a vedação legal expressa, que se impõe, como demonstrado. Os precedentes administrativos do extinto CC ou da CSRF citados pela recorrente e que entendiam pela possibilidade de afastamento das normas inconstitucionais, não mais têm aplicabilidade, pois todos são anteriores a vedação imposta pela Lei 11.941/2009, e decisão do TIT/SP não obriga ao CARF e não irradia efeitos jurídicos a terceiros. No entanto, o contrário não é vedado ao julgador administrativo, isto é, esclarecer a constitucionalidade, deste ou daquele ato legal. O critério de proporcionalidade e razoabilidade na fixação do patamar da multa é voltado ao legislador ordinário e não ao aplicador da norma, pois a esse último cabe obedecer ao princípio da legalidade e por certo na discussão legislativa que antecedeu a aprovação do projeto de lei, tais princípios foram debatidos. De mais a mais o próprio Supremo Tribunal Federal – STF na ADI 551/RJ suscitada pela recorrente já informou que multa no percentual de até 100% do tributo não configura confisco, foi o que disse o E. Ministro Marco Aurélio Melo em seu voto, veja a passagem transcrita, pois a premissa é simples se a multa não pode ultrapassar o valor do principal por certo esse valor pode chegar até cem por cento. VOTO O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO (PRESIDENTE) – Embora haja dificuldade, como ressaltado pelo ministro Sepúlveda Pertence, para se fixar o que se entende como multa abusiva, constatamos que as multas são acessórios e não podem, como tal, ultrapassar o valor do principal. No caso, quando se cogita de multa de duas vezes o valor do principal – que é o tributo não recolhido – ou de cinco vezes, na hipótese de sonegação, verificase o abandono dessa premissa e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 587 6 Por isso, acompanho o relator. ADI 5511/RJ. Data 24/10/2002. Tribunal Pleno. (o destaque é meu). Este não é o único precedente do Corte Suprema no RE 241.074RS o D. Ministro Ilmar Galvão assim se posicionou sobre a matéria. EMENTA: TRIBUTÁRIO. COFINS. PARCELAMENTO. JUROS. MULTA DE 80% . ALEGAÇÕES DE EFEITO CONFISCATÓRIO, USURA, E DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DA ISONOMIA. Alegações improcedentes, em face da legislação que rege a matéria, visto que as cominações impostas à contribuinte, por meio de lançamento de ofício, decorrem do fato de haverse ela omitido na declaração e recolhimento tempestivos da contribuição, assentando o Supremo Tribunal Federal, por outro lado, que a norma do art. 192, § 3.º, da Carta Magna, não é autoaplicável. Recurso não conhecido. (RE 241074, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Primeira Turma, julgado em 12/11/2002, DJ 19122002 PP00093 EMENT VOL0209607 PP01416) (o grifo é meu). Aliás, a legislação civil admite que a multa possa chegar a cem por cento da obrigação sem que tal seja considerado confisco. Lei 10.406/2002 Art. 412. O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal. Assim sendo, não há motivos para excluir ou reduzir as multas aplicadas, uma vez que estão dentro dos limites admitidos e previstos na legislação. A legislação citada pelo contribuinte não tem aplicabilidade no âmbito do processo administrativo fiscal e muito menos na seara tributária federal, pois referese a relação consumerista no âmbito privado. A multas tributárias têm regramento e legislação próprias e a elas se subordinam. A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 34, da Lei 8.212/91, assim o determinava, estando presente no artigo 35 e 35A, da Lei 8.212/91, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 588 7 O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Fl. 588DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 589 8 Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) A exação em tela nestes autos, qual seja contribuição social previdenciária, em razão da prestação de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, no caso específica médico, UNIMED LESTE PAULISTA COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, vem sendo objeto de muitas discussões no âmbito do contencioso administrativo e até recentemente vinha me posicionando ao lado de sua validade. Todavia, após novas reflexões e análise de vários elementos entre os quais os estudos sobre a matéria realizado pelo Cons. Amílcar Barca Teixeira Júnior, passei a adotar um novo posicionamento. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 590 9 Realmente, de um olhar mais aguçado verifico que a questão em tela não se subsume ao que consta do artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, observese os esclarecimentos. O citado texto legal diz que “...relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados...”, e, como fica claro no presente caso os serviços não são prestados a ela recorrente empresa, mas sim aos beneficiários da cooperativa, que são os colaboradores da recorrente. A diferença pode ser sutil, mas implica em uma significativa mudança de direção. Um exemplo, talvez, possa por luz sobre a matéria. Imaginese uma cooperativa de trabalho típica – como a de carregadores e descarregadores de carga, em uma transportadora. Ora a transportadora vai contratar a cooperativa que colocará nas dependências desta ou de terceiros os cooperados que realizarão os serviços. Ou seja, uma pessoa jurídica contrata uma cooperativa e recebe serviços dos cooperados por intermédio da cooperativa, hipótese da Lei 8.212/91, artigo 22, IV. No caso dos autos a empresa contrata a cooperativa que ofertará os cooperados em seus consultórios próprios ou nas dependências de hospitais e clínicas conveniadas e os serviços serão prestados aos beneficiários pessoas físicas, colaboradores da empresa fiscalizada e não a entidade contratante da cooperativa. Destarte, penso que a exação ou a situação não se amolda ao artigo 22, IV, da Lei 8.212/91, pois o serviço não é prestado a favor da empresa contratante, mas sim dos beneficiários pessoas físicas, colaboradores da empresa fiscalizada. A exação tornase indevida, isto é, esta deixa de ter suporte e substrato, pois não ocorre o nascimento da obrigação tributária, uma vez que a hipótese de incidência e o fato jurídico material do mundo dos fenômenos não se ajustam, pois compreendem círculos excêntricos e não concêntricos, não havendo a subsunção do fato à norma jurídica tributária. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10865.003947/200901 Acórdão n.º 2803003.885 S2TE03 Fl. 591 10 Além do que dito, acima e considerado pelos membros dessa turma o Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE 595838 / SP considerou o artigo 22, IV, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99 inconstitucional, observese a decisão. Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. É como voto. Ressalto, por oportuno que como consta dos autos em pelo menos duas passagens que o Levantamento GL – GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA, ainda, consta deste PAF, apesar da desistência da impugnação e do recurso formalizada pelo contribuinte, pois segundo consta havia inviabilidade técnica para a realização do desmembramento, devendo a DRF – origem observar, diligenciar e solucionar o situação. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento, pois entendo que a hipótese de incidência abstratamente prevista em lei e situação fática não se ajustam. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/12/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10384.004546/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 13/10/2009
INFRAÇÃO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE PESSOAL E EXCLUSIVA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADO.
Por força do artigo 41 da Lei 8.212/1991, vigente à época da infração, os dirigentes dos órgãos públicos eram responsabilizados pessoal e exclusivamente pelo descumprimento das obrigações tributárias acessórias. Com a sua revogação, a responsabilidade passou a ser dos órgãos públicos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.473
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos e corrigir de ofício o trecho do acórdão embargado.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. RESPONSABILIDADE PESSOAL E EXCLUSIVA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADO. Por força do artigo 41 da Lei 8.212/1991, vigente à época da infração, os dirigentes dos órgãos públicos eram responsabilizados pessoal e exclusivamente pelo descumprimento das obrigações tributárias acessórias. Com a sua revogação, a responsabilidade passou a ser dos órgãos públicos. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos e corrigir de ofício o trecho do acórdão embargado. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 00 45 46 /2 00 9- 72 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração com fundamento no artigo 65 do Regimento Interno do CARF, opostos pela Fazenda Nacional contra acórdão desta turma: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Alega a embargante que o acórdão teria incorrido em contradição ao prover o recurso voluntário com fundamento na revogação do artigo 41 da Lei nº 8.212/91 e na impossibilidade de retroatividade da Medida Provisória n° 449/2008 para imputar responsabilidade por infrações diretamente aos órgãos públicos. Segundo a embargante, não se discute no processo a responsabilidade pessoal do administrador público, cujo dispositivo foi revogado pela Medida Provisória n° 449/2008, mas a sujeição passiva dos órgãos públicos, equiparados às empresas em geral conforme artigo 15 da Lei nº 8.212/91, pela infração prevista no art. 32, inciso IV da mesma lei. Segue transcrição: Ocorre que a acusação fiscal não está lastreada no disposto na Lei nº 8.212, art. 41, mas sim no art. 32, inciso IV.Diz a respeito o auto de infração, (...) A referida norma está vigente e versa sobre a responsabilidade por obrigação acessória correlacionada com a sujeição passiva direta e indireta. Diz a Lei nº 8.212, art. 15, (...) Portanto, smj, a presente lide nada tem a ver com a responsabilidade pessoal do administrador público1, cujo dispositivo foi revogado pela Lei nº 11.941. É o Relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10384.004546/200972 Acórdão n.º 2402004.473 S2C4T2 Fl. 101 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Verifico o preenchimento dos requisitos formais dos embargos opostos e, portanto, passo a examinálos. O acórdão embargado adotou como fundamento que antes da Medida Provisória n° 449/2008 o órgão público não podia ser responsabilizado pelo descumprimento de obrigações acessórias, já que nesse caso a responsabilidade, de acordo com o artigo 41 da Lei 8.212/1991, era pessoal e exclusiva do dirigente público. Segue transcrição: LEI TRIBUTÁRIA. ATRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE. IRRETROATIVIDADE. Com a revogação do artigo 41 da Lei 8.212/1991, operada pela Medida Provisória n° 449/2008, posteriormente convertida na Lei 11.941/2009, os entes públicos passaram a responder pelas infrações oriundas do descumprimento de obrigações acessórias previstas na legislação previdenciária. Tratandose de regra impositiva de responsabilidade pelo descumprimento de obrigação acessória e conseqüente penalidade pelo seu descumprimento, não é possível a sua aplicação retroativa. No voto também restou claro que a entidade de direito público somente pode ser responsabilizada pelas infrações, como as empresas em geral, após a extinção da responsabilidade pessoal dos dirigentes públicos: A recorrente é entidade de direito público. No caso, até a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, a responsabilidade por infrações era atribuída ao dirigente, conforme dispunha o art. 41 da Lei nº 8.212/1991, revogado pela citada Medida Provisória, in verbis: (...) impede a imputação da responsabilidade ao ente público, já que, como informado, vigia o artigo 41, cuja regra era a responsabilidade do dirigente do órgão. Acolho a preliminar de nulidade do lançamento por ilegitimidade passiva do órgão público recorrente. Portanto, independentemente de qual seja a infração por descumprimento de obrigação acessória a responsabilidade à época era exclusiva do dirigente público. A equiparação dos órgãos públicos às empresas em geral pelo artigo 15 da Lei 8.212/1991 não sofreu alteração e sempre fora aplicado para se atribuir responsabilidade tributária pelas obrigações principais, mas não para as obrigações acessórias justamente por Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 força do artigo 41 da mesma lei. Atualmente, com a revogação pela Medida Provisória nº 449/2008 desse dispositivo que atribuía responsabilidade pessoal aos dirigentes, os órgãos públicos respondem pelas obrigações principais e acessórias. Assim, os embargos não seriam a via para a revisão desse entendimento, como sustenta a embargante. Contudo, constato no acórdão embargado um erro material que merece correção. O voto descreve a infração como sendo: “deixar de descontar contribuições dos segurados”, quando o certo seria: “por deixar de preparar folhas de pagamento de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias”, como descrito do relatório do acórdão: A infração objeto da autuação é por descumprimento de obrigação acessória: deixar de descontar contribuições dos segurados. Apesar de nesse caso a descrição da infração em nada modificar a conclusão, o acórdão precisa de ser corrigido de ofício nessa oportunidade. Assim, voto no sentido de rejeitar os embargos opostos e corrigir de ofício o trecho do acórdão acima apontado. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 26/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720031/2012-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Assim sendo, não se reconhece nulidade, sob a justificativa de ausência de justa causa, ou autuação baseada em supostas alegações da Fiscalização, quando o Relatório de Auditoria Fiscal contém descrição detalhada das infrações cometidas pela contribuinte.
NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREJUIZO. NULIDADE INEXISTENTE.
O prazo de duração do procedimento fiscal não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, conforme previsão contida no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ALEGAÇÃO DE FURTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CABIMENTO.
Cabe o arbitramento de lucros não obstante o suposto extravio de livros e documentos em razão de furto, na medida em que não é devidamente comprovado que a escrita se encontrava efetivamente no veículo objeto de sinistro; não se tomaram as devidas providências para assegurar a boa guarda da documentação; e não se providenciou a regularização da escrita contábil após o decurso de prazo razoável para tal.
LUCRO ARBITRADO. BASE DE CALCULO. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITA BRUTA CONHECIDA. CABIMENTO.
Correto o arbitramento do lucro com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), que configuram a receita bruta conhecida, quando a pessoa jurídica, no curso da ação fiscal, alega extravio de livros e documentos, sem observar os requisitos do parágrafo primeiro do art. 264 do RIR/99 e afirma não ter elementos para reconstituir sua escrituração.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adota-se uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos registros dos livros fiscais e nos entes acessórios, tipificado está o evidente intuído de fraude.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS / FISCAIS. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS ESPECÍFICAS PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE.
Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação de livros contábeis / fiscais, reconstituição de sua escrita contábil e apresentação de documentos, já que estas omissões geram conseqüências específicas previstas na legislação de regência que levam ao arbitramento do lucro pela inexistência de escrituração.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal
INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível.
RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE.
A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal.
Preliminares Rejeitadas.
Recurso Voluntário da Contribuinte Parcialmente Providos e Recurso Voluntário do Coobrigado Provido.
Numero da decisão: 1402-001.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelos Recorrentes e, no mérito, dar provimento parcial para desagravar a multa de oficio qualificada reduzindo-a ao percentual de 150% e excluir do polo passivo da obrigação o sócio Francisco Júlio Galvão Lucchesi, nos termos do voto do relator. Vencidos, nessa última parte, os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna. que mantinham a responsabilização.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Assim sendo, não se reconhece nulidade, sob a justificativa de ausência de justa causa, ou autuação baseada em supostas alegações da Fiscalização, quando o Relatório de Auditoria Fiscal contém descrição detalhada das infrações cometidas pela contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREJUIZO. NULIDADE INEXISTENTE. O prazo de duração do procedimento fiscal não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, conforme previsão contida no art. 142 do Código Tributário Nacional - CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ALEGAÇÃO DE FURTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CABIMENTO. Cabe o arbitramento de lucros não obstante o suposto extravio de livros e documentos em razão de furto, na medida em que não é devidamente comprovado que a escrita se encontrava efetivamente no veículo objeto de sinistro; não se tomaram as devidas providências para assegurar a boa guarda da documentação; e não se providenciou a regularização da escrita contábil após o decurso de prazo razoável para tal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CALCULO. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITA BRUTA CONHECIDA. CABIMENTO. Correto o arbitramento do lucro com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), que configuram a receita bruta conhecida, quando a pessoa jurídica, no curso da ação fiscal, alega extravio de livros e documentos, sem observar os requisitos do parágrafo primeiro do art. 264 do RIR/99 e afirma não ter elementos para reconstituir sua escrituração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adota-se uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos registros dos livros fiscais e nos entes acessórios, tipificado está o evidente intuído de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS / FISCAIS. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS ESPECÍFICAS PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação de livros contábeis / fiscais, reconstituição de sua escrita contábil e apresentação de documentos, já que estas omissões geram conseqüências específicas previstas na legislação de regência que levam ao arbitramento do lucro pela inexistência de escrituração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário da Contribuinte Parcialmente Providos e Recurso Voluntário do Coobrigado Provido.
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COOBRIGADO: FRANCISCO JÚLIO GALVÃO LUCCHESI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Assim sendo, não se reconhece nulidade, sob a justificativa de ausência de justa causa, ou autuação baseada em supostas alegações da Fiscalização, quando o Relatório de Auditoria Fiscal contém descrição detalhada das infrações cometidas pela contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE PREJUIZO. NULIDADE INEXISTENTE. O prazo de duração do procedimento fiscal não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, cuja atividade é vinculada e obrigatória, conforme previsão contida no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS. ALEGAÇÃO DE FURTO. FALTA DE AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 00 31 /2 01 2- 31 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 COMPROVAÇÃO. FALTA DE REGULARIZAÇÃO DA ESCRITA CONTÁBIL. CABIMENTO. Cabe o arbitramento de lucros não obstante o suposto extravio de livros e documentos em razão de furto, na medida em que não é devidamente comprovado que a escrita se encontrava efetivamente no veículo objeto de sinistro; não se tomaram as devidas providências para assegurar a boa guarda da documentação; e não se providenciou a regularização da escrita contábil após o decurso de prazo razoável para tal. LUCRO ARBITRADO. BASE DE CALCULO. GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). RECEITA BRUTA CONHECIDA. CABIMENTO. Correto o arbitramento do lucro com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), que configuram a receita bruta conhecida, quando a pessoa jurídica, no curso da ação fiscal, alega extravio de livros e documentos, sem observar os requisitos do parágrafo primeiro do art. 264 do RIR/99 e afirma não ter elementos para reconstituir sua escrituração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRESENÇA DOS PRINCÍPIOS DE OCULTAÇÃO E DE PRÁTICA REITERADA CONDENÁVEL. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. O acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adotase uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos registros dos livros fiscais e nos entes acessórios, tipificado está o evidente intuído de fraude. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO DOS LIVROS CONTÁBEIS / FISCAIS. RECONSTITUIÇÃO DE ESCRITA CONTÁBIL. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. CONSEQÜÊNCIAS ESPECÍFICAS PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação de livros contábeis / fiscais, reconstituição de sua escrita contábil e apresentação de documentos, já que estas omissões geram conseqüências específicas previstas na legislação de regência que levam ao arbitramento do lucro pela inexistência de escrituração. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Fl. 492DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 3 3 ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Assim, o decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. A imputação de responsabilidade solidária por crédito tributário só pode ocorrer nas hipóteses e nos limites fixados na legislação, que a restringe às pessoas expressamente designadas em lei e àquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário da Contribuinte Parcialmente Providos e Recurso Voluntário do Coobrigado Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelos Recorrentes e, no mérito, dar provimento parcial para desagravar a multa de oficio qualificada reduzindoa ao percentual de 150% e excluir do polo passivo da obrigação o sócio Francisco Júlio Galvão Lucchesi, nos termos do voto do relator. Vencidos, nessa última parte, os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Carlos Mozart Barreto Vianna. que mantinham a responsabilização. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Fl. 493DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. Ausente o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento o Conselheiro Carlos Mozart Barreto Vianna. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 4 5 Relatório COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 48.546.857/000138, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, na Rua Riachuelo, nº 73, 4° Andar Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 422/457, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 422/457. Contra a contribuinte, acima identificada, foram lavrados, em 14/09/2012, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo – SP, os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ); de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS); de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 247/277), com ciência por AR, em 17/09/2012 (fl. 306), exigindose o recolhimento de crédito tributário no valor total de R$ 29.923.663,90), a título de tributos e contribuições, acrescidos de multa de ofício qualificada de 225% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuições referente ao exercício de 2008, correspondente ao anocalendário de 2007. Foi lavrado Termo de Sujeição Solidária (responsabilidade tributária integral) pelo crédito tributário constituído em nome do sócio proprietário, FRANCISCO JÚLIO GALVÃO LUCCHESI– CPF/MF nº 026.175.24809. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente ao exercício de 2008, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu necessário procedimento de arbitramento tendo em vista que o contribuinte, sujeito a tributação com base no Lucro Real, não apresentou escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, peça elaborada em separado e que faz parte integrante e inseparável dos Autos de Infração lavrados. Infração capitulada Art. 532 do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 278/298), entre outros, os seguintes aspectos: que a Auditoria se deveu às inconsistências verificadas no batimento entre as Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) x Receita Bruta de vendas (cruzamento de informações com outros fiscos e órgãos congêneres); que a contribuinte entregou a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ do exercício 2008 zerada à Receita Federal, enquanto que a receita bruta extraída do livro Registro de Saídas da empresa totalizou R$111.987.456,23. Apesar de intimada, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento para justificar a divergência apontada (DIPJ/2008 X Registro de Saídas); bem como deixou de apresentar a escrituração contábil do ano de 2007 (Diário e Razão); Fl. 495DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 que as Autoridades Fiscais constataram que o arquivo digital da contabilidade do anocalendário de 2007 continha diversas inconsistências. Além disso, como a contabilidade não estava acompanhada da documentação hábil e idônea, foi considerada imprestável para determinação do lucro real; que, por meio dos Termos de Intimação Fiscal TIF n°s 10 e 11, a empresa Comercial e Industrial Lucchesi foi intimada a entregar os arquivos digitais dos seus registros contábeis dos anoscalendário 2006, 2007, 2008 e 2009, nos termos do Ato Declaratório Executivo/Cofis n° 15/2001, sob pena de constituição do crédito tributário com os elementos disponíveis, sem prejuízo de outras providências legais cabíveis. Em atendimento, foi informado às Autoridades Fiscais, no dia 09/05/2011, por petição assinada em nome da empresa Lucchesi Artefatos Plásticos Ltda.(?), que a contribuinte se encontrava "impossibilitada de apresentar os documentos requeridos, tendo em vista o furto do veículo que transportava os livros e computadores da empresa, como noticiado na petição protocolizada em 23.03.2011"; que, foi entregue um Boletim Eletrônico de Ocorrência B. E.O. 202156/2011 que registra o furto do veículo M. Benz 313 CDI Sprinter e que teriam sido levados, juntamente com o veículo, os documentos contábeis da Lucchesi Artefatos dos anos de 2006 a 2010, dois computadores e dois moldes de injeção para fabricação de garrafas de leite; que os livros furtados pertenciam à empresa Lucchesi Artefatos Plásticos Ltda., que não estava sob ação fiscal, não haveria motivos para a não apresentação dos livros contábeis da Comercial e Industrial Lucchesi Ltda. requisitados pela Fiscalização; que tivessem sido furtados os livros da Comercial e Industrial Lucchesi Ltda., tal fato não a eximiria de providenciar a reconstituição da sua escrituração contábil e de cumprir o disposto no art. 264, § 1° do Decreto n° 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99); que, por meio do TIF nº 18, os Auditores Fiscais determinaram a reconstituição da sua escrituração contábil correspondente ao período de 01/01/2007 a 31/12/2007 e a sua apresentação, em meio digital, nos termos do ADE/Cofis nº 15 de 23/10/2001; que, por meio do TIF nº 20, a contribuinte foi intimada a informar se o furto dos documentos contábeis e fiscais foi comunicado à Junta Comercial do Estado de São Paulo – JUCESP, conforme dispõe o art. 26 da Instrução Normativa DNRC nº 107/08; que, em face da não apresentação da escrituração contábil relativa ao ano calendário de 2007, bem como da não retificação da DIPJ/2008, as Autoridades Fiscais, nos termos do art. 530, inciso I do RIR/99), apuraram o IRPJ devido com base nos critérios do lucro arbitrado. Seu cálculo, bem como a apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes ao anocalendário de 2007 estão demonstrados nas fls. 299/303; que em decorrência do arbitramento do lucro, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins foram lançadas no regime cumulativo; que, foi aplicada a multa de ofício de 150 % (cento e cinquenta por cento), sobre a diferença de tributos federais (parágrafo 1º do art. 44 da Lei n° 9.430/96), em face dos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Além disso, em virtude da Fl. 496DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 5 7 contribuinte deixar de atender às intimações fiscais, aplicouse a multa agravada de que trata o art. 44, § 2°, inciso I da Lei n° 9.430/96; que com base no art. 124, inciso I combinado com o art. 135, inciso III, ambos do Código Tributário Nacional CTN (Lei n° 5.172/66), foi lavrado Termo de Sujeição Solidária em nome de Francisco Júlio Galvão Lucchesi, brasileiro, casado, CPF 026.175.24809, sócioadministrador da Comercial e Industrial Lucchesi Ltda.; que, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais pelo cometimento, em tese, de crime contra a ordem tributária previsto na Lei n° 8.137/90, em conformidade com o que dispõe o art. 3°, §§ 3° a 5° da Portaria RFB n° 2.439/2010, alterada pela Portaria RFB n° 3.182/2011; que a Auditoria constatou, por fim, no sítio da Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, que o Juiz de Direito da 2a Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível da Comarca de São Paulo SP deferiu, em 04/04/2012, o processamento da recuperação judicial da empresa Comercial e Industrial Lucchesi Ltda. e que nomeou para o cargo de Administrador Judicial a sociedade Approbato Machado Advogados (fl. 237). Em sua peça impugnatória de fls. 311/344, instruída pelos documentos fls. 345/352 apresentada, tempestivamente, em 15/10/2012, a autuada COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA, se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o processo administrativo é intempestivo, verificandose que entre a emissão do MPF em agosto/2009 até a intimação do contribuinte em setembro de 2012, passaramse mais de três anos. Assim, a fiscalização perdurou por prazo muito além da razoabilidade e sem atender o preconizado no disposto no inciso LXXVIII, artigo 5° da Carta Magna, visto que o motivo da presente autuação é o mesmo das autuações anteriores elaboradas pela fiscalização. Dessa forma, está precluído seu direito de autuar a impugnante e, portanto, o procedimento fiscal é nulo de pleno direito por total decurso de prazo; que o presente Auto de Infração é nulo por inexistência de justa causa para a formação do processo administrativo contra o Impugnante, cuja pretensão está eivada de nulidades absolutas e cujos dispositivos oferecidos não possibilitam o entendimento esposado na exação, tampouco abre espaço ou possibilidade para o apenamento pretendido, tornando imprestável, por completo, o procedimento fiscal por inocorrência de qualquer ato ilícito; que os lançamentos realizados de forma equivocada se deveram a erros no sistema, na época dos fatos por profissional técnico terceirizado, não se verificando qualquer máfé do contribuinte. Além disso, foi vítima de furto que culminou, na perda de documentos e equipamentos nos quais constavam informações exigidas pela Autoridade Fiscal. A integralidade da documentação requisitada pela autoridade, juntamente de computadores com dados e informações da empresa, encontravamse no interior do veículo M. Benz 313 CDI Sprinter, placa DBL 7578, ano 2007, o qual foi objeto de furto, devidamente formalizado através do BO nº 202156/2011; que tratouse de mero equívoco haver constado a denominação da empresa Lucchesi Artefatos Plásticos Ltda. (empresa integrante do mesmo grupo econômico), uma vez que a totalidade da documentação e computadores pertinentes a ambas as empresas (Lucchesi Fl. 497DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 Artefatos e Comercial e Industrial Lucchesi) foram "extraviados quando do furto do veículo que os transportava”; que o fato foi devidamente formalizado, seja mediante a lavratura de competente Boletim de Ocorrência, seja através de publicação em jornal de grande circulação, denotando evidente boafé; que não tendo sido os documentos apresentados em decorrência de caso fortuito e/ou força maior, resta evidente que a presente autuação não pode prevalecer, pois se trata de excludente de responsabilidade; que a autoridade fiscal embasa todo o procedimento em meras presunções, fato que o torna totalmente destituído de qualquer sustentabilidade, existindo inúmeras outras fontes (DCTF, SINTEGRA etc.) através das quais seria possível a identificação da renda e/ou da base de cálculo dos impostos, objetos da autuação; que pela mesma razão e em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, elementos imprescindíveis para o seu agravamento, a multa cominada é absolutamente abusiva, caracterizando nítido caráter de confisco. Colaciona jurisprudência administrativa; que o julgamento administrativo deve sempre observar o principio da igualdade e buscar a verdade material do fato questionado, declinando um julgamento intocável e imparcial, pois é direito do contribuinte obter uma motivação dentro do que foi pautado pelas partes. FRANCISCO JÚLIO GALVÃO LUCCHESI (sócioproprietário). como responsável solidário, apresenta a sua peça impugnatória de fls. 353/375, instruída pelos documentos de fls. 376/385 tempestivamente, em 15/10/2012, onde o mesmo se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando a sua exclusão do pólo passivo da obrigação tributária, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o termo de Sujeição Passiva Solidária é nulo por inexistência de justa causa para a formação do processo administrativo contra o Impugnante, cuja pretensão está eivada de nulidades absolutas, tornando imprestável, por completo, o procedimento fiscal por inocorrência de qualquer ato ilícito. A Fiscalização não demonstrou dolo do Impugnante capaz de lhe atribuir a sujeição solidária, não se desincumbindo do ônus da prova; que a Fiscalização reconhece que a solidariedade passiva somente pode ser atribuída em casos de ilícito devidamente comprovados e, no entanto, não provou nenhum ilícito cometido; que, dessa forma, o ônus da prova cabe à administração, não tendo a autuada que fazer contraprova de ato que desde logo se presume idôneo. Conforme artigo 112 do CTN, em caso de dúvida, a lei deverá favorecer o acusado. Colaciona doutrina e jurisprudência administrativa e judicial. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelos impugnantes, os membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, concluíram pela improcedência das impugnações e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, preliminarmente, os Impugnantes alegam que se caracterizou a intempestividade do processo administrativo, pois entre a emissão do Mandado de Fl. 498DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 6 9 Procedimento Fiscal em agosto/2009 até a intimação da contribuinte em setembro/2012, passaramse mais de três anos, não tendo sido observado, portanto, o disposto no inciso LXXVIII do artigo 5° da Carta Magna. Tal procedimento fiscal seria nulo de pleno direito por total decurso de prazo; que ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002009041825 (cujas cópias ora junto ao processo, às fls. 391/392), há que se considerar que a autoridade que os emitiu – Superintendente Adjunto, estava autorizada para tanto, conforme expressamente previsto no artigo 19, inciso IV, da Portaria SRF nº 11.371/2007 e no parágrafo 3º do artigo 6º da Portaria RFB nº 3.014/2011, vigentes à época da auditoria. Constou, ainda, da identificação a autoridade que expediu o MPF, o seu nome, a sua matrícula e respectivo cargo na Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região; que o presente Mandado de Procedimento Fiscal MPF atende à legislação regente autorizadora de sucessivas prorrogações, não havendo, portanto, neste aspecto, nulidade do procedimento fiscal; que, ainda preliminarmente, os Impugnantes argumentam que o Auto de Infração e o Termo de Sujeição Passiva são nulos, em face da inexistência de justa causa para a formação do presente processo, restando evidente que os Impugnantes não vulneraram os dispositivos legais inseridos no auto de infração; que não procede tal alegação. A justa causa encontrase plenamente descrita no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 278/303), através do qual a Autoridade Fiscal descreveu, com detalhes, as infrações cometidas pelo contribuinte. Os lançamentos foram feitos com base na sistemática do lucro arbitrado, em face da não apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos por parte da empresa contribuinte. A própria fiscalizada reconheceu que não os apresentou em virtude da ocorrência de furto. Assim sendo, a análise da justa causa constitui matéria a ser apreciada, propriamente, no mérito; que a Impugnante, no mérito, alega não ter apresentado outros documentos hábeis à Fiscalização em face de furto sofrido, em 21/03/2011, conforme registro do Boletim de Ocorrência Eletrônico n° 202156/2011, o que vem a caracterizar caso fortuito/de força maior e, portanto, condição excludente da obrigação (art. 393 do Código Civil); que observese, inicialmente, que em 12/04/2012, tendo em vista o referido furto, ocorrido durante a ação fiscal, a Autoridade Lançadora restituiu ao contribuinte cópia da documentação já recebida em meio magnético (arquivos da contabilidade, relativos ao ano calendário de 2007 – Termo de Intimação Fiscal nº 18 – fls. 221/225), a fim de que pudesse reconstituir sua contabilidade e prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas; que, assim, não obstante o referido Boletim de Ocorrência registre o furto de vários documentos fiscais – ressaltese que dele consta a informação de outra pessoa jurídica que não a Impugnante, não merece prosperar sua alegação de que a exigência de apresentação de qualquer outro documento pela fiscalização para comprovar os créditos lançados na contabilidade revelarseia um ato impossível em face do ocorrido; que constatase, pelos dispositivos acima transcritos que, ocorrendo extravio de livros e/ou documentos, deve o contribuinte providenciar a legalização de novos livros ou documentos. Tendo em vista que os documentos da empresa foram furtados em 21/03/2011 (portanto, durante a ação fiscal), a própria Autoridade Lançadora, em 12/04/2012, restituiu ao Fl. 499DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 contribuinte cópia da documentação já recebida em meio magnético: arquivos da contabilidade, relativos ao anocalendário de 2007; que a contribuinte foi novamente intimada a informar se foram observadas as formalidades previstas no art. 26 da Instrução Normativa DNRC n° 107/08 (art. 264, § 1º do RIR), no tocante à comunicação do furto da documentação contábil e fiscal à Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, no prazo de 48 horas da ocorrência do fato (Termo de Intimação Fiscal n° 20, fls. 229 a 231) e demais providências. Não consta dos autos resposta da contribuinte em relação a tal procedimento; que a não observação por parte da contribuinte, ao disposto no citado artigo 264, por si só, seria bastante para que, segundo a legislação tributária, a alegação de extravio não se revista da eficácia de elidir o procedimento fiscal. Sem o relato minucioso à JUCESP, detalhando quais os livros e documentos furtados, consoante o determinado no précitado artigo do RIR/1.999, não há como se dar por comprovado o furto tal como alega a interessada; que não se pode deixar de perceber que, a despeito da impugnante declarar se impossibilitada de atender às solicitações da fiscalização, não há sinais de qualquer esforço de sua parte em tentar reconstituir sua escrituração. Pois a própria Autoridade Lançadora restituiu à contribuinte cópia da documentação já recebida em meio magnético, a fim de que pudesse reconstituir sua contabilidade e prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas. Constatase que a empresa permaneceu inerte, sem providenciar a comunicação do furto, a confecção e a legalização de nova escrituração contábil; que o art. 393 do Código Civil, ao fixar que o devedor não responde pelos prejuízos resultantes de casos fortuitos e/ou de força maior, não desonera o contribuinte da obrigação tributária acessória de providenciar a legalização de novos livros fiscais e, evidentemente, da respectiva documentação; que, do até aqui exposto, restou claro que as provas cabíveis à Autoridade Fiscal foram apresentadas e encontramse nos autos do processo. Observese que os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, cabendo à Impugnante a iniciativa de apresentar os elementos capazes de demonstrar qualquer irregularidade no ato praticado. Já a Defendente não se desincumbiu do seu ônus de provar, não juntando qualquer documento que desconstituísse os valores lançados; que a Impugnante alega que não é cabível a multa de 150%, agravada em 50%, perfazendo o total de 225% em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, sendo abusiva com nítido caráter de confisco. No máximo, admite que seja minorada para o percentual de 75%, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN; que as Autoridades informam que no exame dos livros contábeis da Fiscalizada do anocalendário 2006 (anterior, portanto, ao período apurado nos presentes autos de infrações), foram constatadas infrações à legislação tributária, tais como: utilização de diversas notas fiscais de entrada inidôneas para reduzir o lucro tributável e gerar créditos indevidos de PIS e Cofins não cumulativos; registro de mais de 100 (cem) notas fiscais de venda na contabilidade/livros fiscais por somente dez por cento do seu valor; falta de registro na contabilidade da aquisição de bem imóvel, dentre outras. E que os processos fiscais formalizados naquela oportunidade foram impugnados pela contribuinte, sendo que algumas das impugnações já foram apreciadas na primeira instância e os créditos tributários foram mantidos integralmente. Assim, é cabível concluir que a não apresentação da escrituração do Fl. 500DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 7 11 anocalendário 2007 teve por objetivo impedir o conhecimento da repetição dos fatos acima expostos; que as apurações procedidas durante a ação fiscal, bem assim o conjunto de elementos acostados aos autos, revelam que o contribuinte omitiu integralmente as receitas no montante de R$ 111.987.456,23 em sua DIPJ (anocalendário de 2007, entregue com os valores de receita zerados) de forma sistemática e reiterada (levandose em conta os fatos descritos referentes a 2006 e o não recolhimento de estimativas em 2007), a demonstrar o seu evidente intuito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, conforme já apontado no item 10.13, em especial, o quanto já relatado sobre as Guias de Informação e Apuração do ICMS; que no tocante à majoração da multa de 150% para 225% (agravamento em 50%), afigurase igualmente correta a sua adoção. Conforme a alínea a, do § 2º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, reproduzido anteriormente, tal agravamento é cabível sempre que a fiscalizada não atender, no prazo marcado, às intimações para prestar esclarecimentos; que, no caso em tela, e segundo detalhadamente descrito no Relatório de Auditoria Fiscal, muitas intimações deixaram de ser atendidas, e muitos esclarecimentos solicitados não foram dados, mesmo após diversas prorrogações de prazos e reintimações. Além disso, as Autoridades Fiscais demonstraram, consistentemente, que a contribuinte teve por objetivo evitar o exame de seus livros contábeis do anocalendário de 2007 (fl. 292), impedindo a verificação da apuração do lucro líquido do referido ano. Destarte, perfeitamente cabível o agravamento da multa de ofício para o percentual de 225%; que, quanto ao suposto caráter confiscatório da multa, não compete à instância administrativa apreciar alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo legal. Cumprenos tão somente aplicar a legislação de regência que, no caso, foi devidamente observada; que foi atribuída a Francisco Júlio Galvão Lucchesi, na qualidade de sócio administrador, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado. Tratase de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, nos termos do artigo 124, I e 135, III do CTN; que, portanto, seja em razão das disposições do artigo 124, I, ou do artigo 135, III, do CTN, e diante das evidências expostas na auditoria fiscal, está correto o procedimento no que diz respeito à identificação do sr. Francisco Júlio Galvão Lucchesi como responsável tributário, uma vez que está patente que ele estava plenamente no exercício da administração dos interesses da empresa autuada e agiu ao arrepio da lei, deixando de declarar suas receitas com o fim de recolher menos tributos, e, por isso, na qualidade de sócio administrador da empresa era de sua responsabilidade cumprir os ditames da lei tributária; que, sendo assim, é irretocável a imputação da responsabilidade atribuída pela Auditoria Fiscal ao sr. Francisco Júlio Galvão Lucchesi; que o pedido para intimação no endereço do patrono, portanto, em relação ao requerimento da Impugnante para que as intimações/publicações sejam enviadas ao escritório do seu procurador, indeferese o pedido, pois, na atual fase processual, o Decreto n° 70.235/72, em seu art. 23, inciso II (na redação da pela Lei nº 9.532/97), determina que elas sejam feitas por via postal ou por qualquer outro meio com prova de recebimento no domicílio Fl. 501DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este definido no parágrafo 4º do mesmo dispositivo legal, no qual não se enquadra o requerido. A presente decisão encontrase consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 NULIDADES. MPF. PRAZO DE DURAÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. O auto de infração lavrado por servidor competente, com preenchimento dos requisitos exigidos nas normas do Processo Administrativo Tributário, não é nulo. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. MERAS ALEGAÇÕES. DESCRIÇÃO SUFICIENTE NARRADA NO RAF. Não se reconhece nulidade, sob a justificativa de ausência de justa causa, ou autuação baseada em supostas alegações da Fiscalização, quando o Relatório de Auditoria Fiscal contém descrição detalhada das infrações cometidas pela contribuinte. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 LUCRO ARBITRADO. GIA. RECEITA BRUTA CONHECIDA. CABIMENTO. Correto o arbitramento do lucro com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), que configuram a receita bruta conhecida, quando a pessoa jurídica, no curso da ação fiscal, alega extravio de livros e documentos, sem observar os requisitos do parágrafo primeiro do art. 264 do RIR/99 e afirma não ter elementos para reconstituir sua escrituração. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO DO SUJEITO PASSIVO. ENDEREÇO DIVERSO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação de regência do processo de determinação e exigência de créditos tributários da União determina que as intimações sejam feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, não havendo previsão de encaminhamento para endereço diverso, nem mesmo para o escritório dos procuradores do contribuinte. EXIGÊNCIAS CONEXAS. APLICABILIDADE. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 8 13 Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA DE 150%. Constatado que o contribuinte declarou a menor seus rendimentos, subtraindo sistemática e reiteradamente vultosas receitas em suas DIPJ referentes ao período autuado, resta caracterizado o evidente intuito de fraude, e cabível a multa qualificada de 150%. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. AGRAVAMENTO PARA O PERCENTUAL DE 225%. A falta de atendimento, no prazo marcado, às diversas intimações para prestar esclarecimentos à fiscalização, autorizam o agravamento do percentual da multa de ofício. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/01/2014, conforme Termo constante às fl. 420, e, com ela não se conformando, a contribuinte autuada COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA. interpôs, tempestivamente, em 04/02/2014, o recurso voluntário de fls. 422/457, instruída pelo documento fl. 458, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, no que diz respeito à intempestividade do processo administrativo, [e de se dizer que a fiscalização confessa no mesmo termo que no ano de 2010 elaborou outros dois processos sobre o mesmo embasamento, neste diapasão, verificase que entre a emissão do MPF em agosto/2009 ate a intimação do contribuinte em setembro de 2012, se passaram mais de três anos. Assim, a fiscalização extrapolou todos os limites legais e princípios constitucionais, tendo dessa forma precluido o seu direito de autuar a recorrente/ que é nulo o Auto de Infração que ora se hostiliza, em face da sua manifesta impropriedade, especialmente por inexistência de justa causa para a formação do processo administrativo contra o Recorrente, cuja pretensão está eivada de nulidades absolutas, imprestabilizando por completo o procedimento fiscal por inocorrência de qualquer ato ilícito, muito menos a irrogada na peça acusatória; Fl. 503DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 que nula é a exação, não há como prosperar a pretensão do autuante, que pela falta de justa causa parra a instauração da ação fiscal, quer, sobretudo, pela impropriedade de que está revestido o ato formal, que direcionado no sentido da exigência, desamparada da indispensável garantia legal; que, assim, inexistindo justa causa para a lavratura do auto de infração sob impugnação, ilegítimo e nulo se apresenta a proposta de lançamento que ora se hostiliza, cuja pretensão esta eivada de nulidade absoluta, imprestabilizando por completo a exação fiscal; que, no que diz respeito ao lançamento equivocado nos livros contábeis e Da Impossibilidade de Atendimento às Intimações Fiscais, é de se dizer que como já esclarecido a fiscalização, os lançamentos realizados de forma equivocada se deu por erro nos sistema, na época dos fatos por profissional técnico terceirizado, que infelizmente já veio a falecer; que, neste sentido, temse que em momento algum se verificou a máfé do contribuinte, até mesmo por ter sido a própria recorrente quem implementou todos os esforços para atender as intimações da fiscalização, porem, foi vitima de furto que culminou na perda de documentos e equipamentos nos quais constavam informações exigidas pela autoridade fiscal; que, inexistiu máfé por parte da Recorrente que, de sua parte, promoveu todas as medidas para registrar a ocorrência, dando, inclusive, amplo conhecimento público dos fatos, mormente; que no caso de fortuito e força maior, excludente de obrigação, é de se dizer que uma vez esclarecido que as exigências da fiscalização assumiram contornos de ato impossível face ao furto sofrido pela Recorrente, devidamente comunicado a fiscalização já em curso há mais de um ano, impõese, ressaltar a veracidade dos fatos, não só narrados pela Recorrente, mas também devidamente registrados e publicados e jornais de grande circulação, donde não há que se falar em qualquer informação inidônea; que não tendo sido os documentos apresentados em decorrência de caso fortuito e/ou força maior, resta evidente que a presente autuação não pode prevalecer, pois se tratar de excludente de responsabilidade; que, por tudo o exposto, cumpre denotar que a autoridade fiscal embasa todo o procedimento em meras presunções, fato que o torna totalmente destituído de qualquer sustentabilidade; que desta feita, resta cabal a insustentabilidade da autuação, mormente, dos valores pretendidos, posto que presumidos de maneira desvirtuada; que, no que diz respeito a abusividade da multa aplicada e o caráter confiscatória, é de se dizer que a legislação tributária é muito rigorosa, ainda mais no procedimento de fiscalização, quando o fisco muitas vezes aplica multas sancionatórias com é que de rigor a rigorosa diminuição da multa aplicada, tendo em vista que a autuação é integralmente embasada em eras presunções, mormente, a cabal ausência de dolo, fraude ou simulação, elementos imprescindíveis ao eventual agravamento da multa; que da imparcialidade deste julgamento, portanto, um julgamento imparcial é direito do contribuinte, ora acusado, dentro dos fatos arguidos tanto pela Recorrida como pela Recorrente, aguardandose uma motivação dentro do que foi pautado pelas partes; que nada mais justo que o julgamento improcedente da presente demanda, como medida de justiça e aplicação de determinação judicial. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 9 15 Também interpôs, dia 04/02/2014, o recurso voluntário de fls. 459/487, instruída pela documento fl. 488, o sócioproprietário, Francisco Júlio Galvão Lucchesi, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas no recurso voluntario da empresa, COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. A discussão no presente processo decorre do trabalho de Auditoria Fiscal realizado na pessoa jurídica indicada, relativo ao anocalendário de 2007, foram lavrados em 14/09/2012, e cientificados em 17/09/2012, autos de infração: a) do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (fls. 247/254); b) da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 270/277); c) da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 262/269) e d) da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 255/261). O crédito tributário total lançado foi de R$ 29.923.663,90. A decisão recorrida formou o seu convencimento pela improcedência da peça impugnatória sob o argumento básico de que é correto o arbitramento do lucro com base nas Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA), que configuram a receita bruta conhecida, quando a pessoa jurídica, no curso da ação fiscal, alega extravio de livros e documentos, sem observar os requisitos do parágrafo primeiro do art. 264 do RIR/99 e que constatado que o contribuinte declarou a menor seus rendimentos, subtraindo sistemática e reiteradamente vultosas receitas em suas DIPJ referentes ao período autuado, resta caracterizado o evidente intuito de fraude, e cabível a multa qualificada de 150%. Inconformada, em virtude de não ter logrando êxito na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, ataca o que entende terem sido os fundamentos do lançamento apresentando preliminares de nulidade do lançamento, bem como apresenta razões de mérito. A recorrente, preliminarmente, requer a anulação dos lançamentos, sob a alegação de que teria havido cerceamento de direito de defesa em razão do prazo de duração do procedimento fiscal, ausência de justa causa, bem como descrição lacônica ou a não individualização dos fatos, que decorrem de situações claramente presumidas, além de não terem sido observadas as garantias constitucionais. Ou seja, sustenta que os autos de infração lavrados violam o disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, pois a autoridade fiscal autuante teria arbitrado o lucro da empresa sem descrever adequadamente os fatos. 1 – DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. No que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, é de se dizer que, como visto no relatório à suplicante argúi a nulidade do auto de infração sob o argumento de que os Mandados de Procedimento Fiscal – MPF foram emitidos fora dos critérios estabelecidos na legislação de regência. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 10 17 Ora, no que diz respeito ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF nº 08.1.90.002009041825 (cujas cópias ora junto ao processo, às fls. 391/392), há que se considerar que a autoridade que os emitiu – SuperintendenteAdjunto, estava autorizada para tanto, conforme expressamente previsto no artigo 19, inciso IV, da Portaria SRF nº 11.371/2007 e no parágrafo 3º do artigo 6º da Portaria RFB nº 3.014/2011, vigentes à época da auditoria. Constou, ainda, da identificação a autoridade que expediu o MPF, o seu nome, a sua matrícula e respectivo cargo na Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil 8ª Região. No que se refere ao prazo de duração e validade, consta que o MPF obteve sucessivas prorrogações até 25/01/2013. Elas ocorreram em conformidade com o que determina o art. 12 da Portaria SRF nº 11.371/2007, ratificado pelo art. 12 da Portaria RFB nº 3.014/2011. Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, disciplinado pela Portaria SRF nº 1.265, de 1999, com as alterações incluídas pela Portaria SRF nº 1.614, de 2000 e Portaria SRF nº 3.007, de 2001, é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Desta forma, o mandado consiste em uma ordem emanada de dirigentes das unidades da Receita Federal para que seus auditores, em nome desta, executem atividades fiscais, tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Ora, com a devida vênia, neste processo, não há que se falar em nulidade, porquanto, todos os requisitos previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o processo administrativo fiscal, foram observados quando da lavratura do auto de infração. É equivocada a conclusão da suplicante no sentido de que as informações sucintas e falhas na emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF levaria à incompetência do agente fiscal para o ato constitutivo do crédito tributário. A competência do auditor fiscal para os procedimentos de fiscalização e lavratura dos autos de infração não advém da existência do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, mas de lei que determina as atribuições do agente, estabelecendo os limites de sua atuação. A emissão do MPF, bem como as alterações nele efetuadas, tais como prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição do auditor responsável pela ação fiscal, tributos a serem examinados ou períodos de apuração, são procedidas mediante registro eletrônico, sendo disponibilizada, à contribuinte, tal informação na Internet, com a simples utilização de um código de acesso próprio, informado no Termo de Início de Fiscalização (fls. 03/04), em conformidade com os arts. 4º e 9 da mesma Portaria RFB nº 3.014, de 2011. Neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é posição majoritária o entendimento de que a alguma irregularidade, por ventura, existente no Mandado de Procedimento Fiscal não provoca nulidade do lançamento, conforme se observa nas ementas dos Acórdãos abaixo citados: Acórdão n° 20177049 PAF. MPF. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. Por tal, Fl. 507DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 eventuais vícios em relação ao mesmo, desde que evidenciado que não houve qualquer afronta aos direitos do administrado, não ensejam a nulidade do lançamento. Acórdão n° 108.07458 NULIDADE – INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância de norma infralegal não pode gerar nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal. Acórdão n° 202.14949 NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). IRREGULARIDADE FORMAL. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. NULIDADE INEXISTENTE. Irregularidade formal em MPF não tem o condão de retirar a competência do agente fiscal de proceder ao lançamento, atividade vinculada e obrigatória (art. 142, CTN), se verificados os pressupostos legais. Ademais, não tendo havido prejuízo à defesa do contribuinte, não há se falar em nulidade de ato. Acórdão n° 107.06797 MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em qualquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A não observância – na instauração ou amplitude do MPF – poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou. Acórdão n° 107.06820 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MPF – A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao Fl. 508DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 11 19 princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo disciplinar e não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Verificase, pelo exame do processo, que não ocorreram os pressupostos previstos no Processo Administrativo Fiscal, tendo sido concedido ao sujeito passivo o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, na fase de instrução do processo em resposta às intimações que recebeu argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir as infrações apuradas pela fiscalização. Dessa maneira, se revela totalmente improfícua sua alegação de nulidade, porque a apuração da infração foi feita com estrita observância das normas legais e com obediência a Portaria SRF nº 1.265, de 1999 (e portarias posteriores). Mesmo que verdadeira fosse à assertiva do recorrente, é de se dizer que eventuais falhas na emissão ou na prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal não têm o condão de macular ação fiscal e tampouco o lançamento dela decorrente. Os recorrentes argumentam, ainda, que o Auto de Infração e o Termo de Sujeição Passiva são nulos, em face da inexistência de justa causa para a formação do presente processo, restando evidente que os recorrentes não vulneraram os dispositivos legais inseridos no auto de infração. No caso em tela, não procede tal alegação. A justa causa encontrase plenamente descrita no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 278/303), através do qual a Autoridade Fiscal descreveu, com detalhes, as infrações cometidas pelo contribuinte. Os lançamentos foram feitos com base na sistemática do lucro arbitrado, em face da não apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos por parte da empresa contribuinte. A própria fiscalizada reconheceu que não os apresentou em virtude da ocorrência de furto. Verificase, assim, que a contribuinte teve conhecimento do inteiro teor do processo, sendolhe concedido prazo para apresentar impugnação escrita, instruída com os documentos que entendesse necessários, respeitandose, assim, o direito ao contraditório e a ampla defesa. É importante registrar que a contribuinte teve conhecimento do procedimento fiscal contra ela dirigido, pois, ainda durante a fiscalização, foi intimada a prestar esclarecimentos e fazer comprovações, tendo se manifestado e apresentado os documentos que julgou serem pertinentes. Entendo que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no Fl. 509DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Além disso, não procede à nulidade do lançamento amparada nos argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vista ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 247/277, bem como o Relatório da Ação Fiscal de fls. 1478/1493, identifica por nome e CNPJ a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo SP, cuja ciência foi por AR e descreve as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Fl. 510DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 12 21 Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação das irregularidades apontadas no Auto de Infração lavrado sem que a recorrente comprovasse efetivamente as suas alegações. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das irregularidades apontadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem à perfeita compreensão do procedimento fiscal adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através dos Autos de Infrações lavrados. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pela recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pela recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto, bem como a matéria de prova. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 2 – DO MÉRITO PROPRIAMENTE DITO A recorrente alega não ter apresentado outros documentos hábeis à Fiscalização em face de furto sofrido, em 21/03/2011, conforme registro do Boletim de Ocorrência Eletrônico n° 202156/2011, o que vem a caracterizar caso fortuito/de força maior e, portanto, condição excludente da obrigação (art. 393 do Código Civil). Ressaltase, que em 12/04/2012, tendo em vista o referido furto, ocorrido durante a ação fiscal, a autoridade fiscal lançadora restituiu a recorrente cópia da documentação já recebida em meio magnético (arquivos da contabilidade, relativos ao ano calendário de 2007 – Termos de Intimação Fiscal nº 18 – fls. 221/225), a fim de que pudesse reconstituir sua contabilidade e prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas. Importante observar que, não obstante o referido Boletim de Ocorrência registre o furto de vários documentos fiscais – ressaltese que dele consta a informação de outra pessoa jurídica que não a recorrente, portanto, não merece prosperar sua alegação de que a exigência de apresentação de qualquer outro documento pela fiscalização para comprovar os créditos lançados na contabilidade revelarseia um ato impossível em face do ocorrido. De acordo com o disposto nas normas legais de regência, a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial. Assim, o RIR/99, em seu Capítulo II – Escrituração do Contribuinte, Seção IV – Conservação de Livros e Comprovantes, dispõe: Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem Fl. 512DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 13 23 ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). § 1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). § 2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). § 3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). Ocorrendo extravio dos livros ou qualquer outro documento de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fica, nos termos do § 1° do citado artigo, obrigada a publicar o evento em jornal de grande circulação e ainda comunicar ao órgão de registro de comércio, no prazo de 48 horas, e remeter cópia à unidade da Secretaria da Receita Federal. À luz dos dispositivos legais citados, a contribuinte obrigase a manter em ordem os livros comerciais e fiscais e a documentação correspondente, e ainda informar à Secretaria da Receita Federal o extravio dos mesmos, portanto, incabível a alegação da recorrente de que não estaria obrigada a dar noticia à Secretária da Receita Federal, da ocorrência do furto dos seus livros e documentos, por falta de amparo legal. Além disso, deve o contribuinte providenciar a legalização de novos livros ou documentos. Tendo em vista que os documentos da empresa foram furtados em 21/03/2011 (portanto, durante a ação fiscal), a própria Autoridade Lançadora, em 12/04/2012, restituiu ao contribuinte cópia da documentação já recebida em meio magnético: arquivos da contabilidade, relativos ao anocalendário de 2007. Resta claro, nos autos, que a contribuinte foi novamente intimada a informar se foram observadas as formalidades previstas no art. 26 da Instrução Normativa DNRC n° 107/08 (art. 264, § 1º do RIR), no tocante à comunicação do furto da documentação contábil e fiscal à Junta Comercial do Estado de São Paulo JUCESP, no prazo de 48 horas da ocorrência do fato (Termo de Intimação Fiscal n° 20, fls. 229 a 231) e demais providências. Não consta dos autos resposta da contribuinte em relação a tal procedimento. A tributação com base lucro no arbitrado será admitida em lançamento de ofício quando a pessoa jurídica obrigada a tributação com base no lucro real não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas na legislação fiscal, de acordo com o previsto na legislação de regência. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 Não se pode deixar de perceber que, a despeito da recorrente declararse impossibilitada de atender às solicitações da fiscalização, não há sinais de qualquer esforço de sua parte em tentar reconstituir sua escrituração. Pois a própria autoridade fiscal lançadora restituiu à contribuinte cópia da documentação já recebida em meio magnético, a fim de que pudesse reconstituir sua contabilidade e prestar os esclarecimentos e as informações solicitadas. Constatase que a empresa permaneceu inerte, sem providenciar a comunicação do furto, a confecção e a legalização de nova escrituração contábil. Portanto, diante dos seguintes fatos: a) das inconsistências verificadas no batimento entre as Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) x Receita Bruta de vendas; b) da não retificação da DIPJ do anocalendário de 2007 zerada entregue à Receita Federal (enquanto que a receita bruta extraída do livro Registro de Saídas da empresa totalizou R$ 111.987.456,23); c) de que, apesar de intimada, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer documento para justificar a divergência apontada; d) de que deixou de apresentar a escrituração contábil do ano de 2007 (Diário e Razão); e) de que a Autoridade Lançadora restituiu cópia da documentação já recebida em meio magnético a fim de permitir a reconstituição da contabilidade e prestação dos esclarecimentos e das informações solicitadas; f) de que o arquivo digital da contabilidade (anocalendário de 2007) continha diversas inconsistências; e, por fim, g) de que não houve, por parte da contribuinte, a tentativa de reconstituição da escrita, em face do alegado furto as Autoridades Fiscais, corretamente, nos termos do art. 530, inciso I do RIR/99), adotaram a sistemática do lucro arbitrado na apuração do respectivo imposto, utilizando como provas diretas as GIA informadas pela contribuinte à Secretaria do Estado de São Paulo. O entendimento expresso por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em reiteradas decisões é no sentido de que a ausência da escrituração comercial e fiscal e dos documentos que a respaldam, tem como conseqüência o arbitramento do lucro. 3 – DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA A recorrente alega que não é cabível a multa de 150%, agravada em 50%, perfazendo o total de 225% em face da ausência de dolo, fraude ou simulação, sendo abusiva com nítido caráter de confisco. No máximo, admite que seja minorada para o percentual de 75%, nos termos do artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional. Registrese que, conforme fl. 292, a autoridade fiscal informou que no exame dos livros contábeis da Fiscalizada do anocalendário 2006 (anterior, portanto, ao período apurado nos presentes autos de infrações), foram constatadas infrações à legislação tributária, tais como: utilização de diversas notas fiscais de entrada inidôneas para reduzir o lucro tributável e gerar créditos indevidos de PIS e Cofins não cumulativos; registro de mais de 100 (cem) notas fiscais de venda na contabilidade/livros fiscais por somente dez por cento do seu valor; falta de registro na contabilidade da aquisição de bem imóvel, dentre outras. E que os processos fiscais formalizados naquela oportunidade foram impugnados pela contribuinte, sendo que algumas das impugnações já foram apreciadas na primeira instância e os créditos tributários foram mantidos integralmente. Assim, é razoável concluir que a não apresentação da escrituração do anocalendário 2007 teve por objetivo impedir o conhecimento da repetição dos fatos acima expostos. As apurações procedidas durante a ação fiscal, bem assim o conjunto de elementos acostados aos autos, revelam que o contribuinte omitiu integralmente as receitas no montante de R$ 111.987.456,23 em sua DIPJ (anocalendário de 2007, entregue com os valores de receita zerados) de forma sistemática e reiterada (levandose em conta os fatos descritos referentes a 2006 e o não recolhimento de estimativas em 2007), a demonstrar o seu Fl. 514DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 14 25 evidente intuito de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal., conforme receitas auferidas pela recorrente mediante condutas de venda sem nota fiscal e com uso de notas fiscais paralelas a autoridade fiscal entendeu haver o evidente intuito de fraude. Em decorrência desses fatos, foi aplicada a multa qualificada de 150%, de acordo com o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996. Como se vê nos autos, a ora recorrente foi autuada sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de expedientes, cujo objetivo único era o não pagamento dos tributos e contribuições e que no entender da autoridade lançadora caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude, já que sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do IPI, “é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Porém, para a legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito acima integra, juntamente com o de fraude e conluio da aplicável ao IPI, o de “evidente intuito de fraude”. Como se vê o artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se o ato praticado pela recorrente configurara ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendo que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este está devidamente demonstrado nos autos, através da utilização de expedientes inidôneos. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto, a exemplo da entrega das DIPJ zeradas e o expediente do extravio dos documentos e livros contábeis. Já ficou decidido por este Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Decisão, por si só suficiente para uma análise preâmbular da matéria sob exame. Não será necessário à referência de decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na medida em que é Fl. 515DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a falta de recolhimento do imposto de renda. Da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade administrativa se pode dizer que houve o “evidente intuito de fraude” que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. Como se vê nos autos, a recorrente foi autuada sob a acusação de entrega das DIPJ zeradas, sem constar as receitas auferidas e vendas sem a emissão de documentação fiscal. Sendo que até o momento a suplicante não apresentou qualquer documento que lhe fosse favorável no sentido de descaracterizar a infração ou atenuar a imputação que lhe é dirigida de ação dolosa e fraudulenta. Não trouxe aos autos documentos que comprovassem a efetiva emissão de documentário fiscal idônea para lastrear as vendas realizadas. Não apresentou documentos e informações lastreadas em documentação emitida por terceiros e que fossem convincentes para comprovar os fatos ocorridos. Limitouse na sua defesa a meras alegações, muitas vezes não condizentes com as provas dos autos. Assim, entendo que neste processo, está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, do art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja aquilo que se tem em vista, ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação das receitas e dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. É cristalino, que nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 15 27 É sabido, que o acervo probante do ato tributário ilícito, no mais das vezes exige, para a sua validade e sustentação, a busca de elementos outros que estão à margem do rotineiro material colocado à disposição do Fisco para o seu conhecimento, análise, convicção e conclusão. Se a par do exposto, adotase uma prática reiterada de se ocultar a ocorrência do fato gerador, com subtração permanente de receitas nos registros dos livros fiscais e nos entes acessórios, tipificado está o evidente intuído de fraude. Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. 4 – DO AGRAVAMENTO DA MULTA QUALIFICADA Por outro lado, cabe esclarecer que foi aplicada a multa de ofício qualificada de 150%, agravada em 50% (= 225%) pelo não atendimento a intimação, conforme previsto no art. 44, inciso I, § 2o, da Lei no 9.430, 1996. Ou seja, a recorrente foi intimada para que apresentasse os livros fiscais / contábeis, reconstituição de sua escrita contábil e demais documentos. Resta claro nos autos de que no caso em tela, o que resultou no agravamento da multa de ofício para 225%, está vinculado ao fato de que a contribuinte na teria atendido às intimações realizadas, conforme descrito no Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 293), cujo trecho passo a transcrever: A contribuinte, ao deixar de atender as diversas intimações fiscais, também se sujeita ao agravamento da multa de que trata o art. 44 da Lei n. 9.430/96. Observase que as diversas intimações fiscais não atendidas ao que se refere a autoridade fiscal lançadora se concentram na solicitação da escrituração contábil e fiscal da empresa, bem como documentos relacionados ao assunto do extravio de documentação. Ora, a jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se firmado no sentido de que para se realizar o agravamento da penalidade é necessário que à conduta do sujeito passivo esteja associado um prejuízo concreto ao curso da ação fiscal. Ou seja, é medida aplicável naqueles casos em que o fisco só pode chegar aos valores tributáveis depois de expurgados os artifícios postos pelo sujeito passivo, conforme se constata nos julgados abaixo transcritos: Acórdão 910100.468, de 16 de agosto de 2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. APRESENTAÇÃO PARCIAL DA DOCUMENTAÇÃO SOLICITADA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVRO DIÁRIO E RAZÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento à intimação fiscal para apresentação dos livros contábeis e documentação fiscal, já que estas omissões têm conseqüências específicas previstas na legislação de regência, que no caso foi o arbitramento do lucro em razão da falta da apresentação dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Acórdão nº 1101000.828, de 07 de novembro de 2012 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 MULTA AGRAVADA. DESCABIMENTO. Não se justifica a aplicação da multa agravada quando o contribuinte apresentou resposta às intimações da fiscalização, conquanto tenha apresentado esclarecimentos insuficientes. Acórdão nº 2202002.331, de 19 de junho de 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. ART. 42, LEI N. 9.430/96. LEGITIMIDADE. É legítimo o lançamento de imposto de renda com base em omissão de rendimentos baseada em depósitos bancários sem origem comprovada tendo como fundamento o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desde que sejam seguidos todos os procedimentos nela presentes. MULTA QUALIFICADA. DOLO COMPROVADO. É devida a qualificação de omissão de rendimentos quando comprovada omissão dolosa. Considerase a omissão como dolosa quando a renda for decorrente de esquemas fraudulentos. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÕES. É inaplicável o agravamento de multa quando o não atendimento a intimação da Fiscalização não inviabilizar o lançamento do tributo. Acórdão nº 10617.240, de 05 de fevereiro de 2009 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração. Acórdão nº 1302001.121, de 12 de junho de 2013 MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA PARA 112,5%. APRESENTAÇÃO DE EXTRATOS BANCÁRIOS. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 16 29 COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. NÃO ATENDIMENTO DE INTIMAÇÃO DE FORMA SATISFATÓRIA. HIPÓTESE DE INAPLICABILIDADE. Inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do atendimento parcial das intimações. O não atendimento às intimações, na qual eram solicitados os livros contábeis e fiscais, bem como as justificativas para o extravio de documentos, não obstou o procedimento fiscal, pois a lei faculta ao fisco a possibilidade de realizar o arbitramento do lucro. Foi isto que aconteceu, ou seja, a fiscalização intimou a contribuinte a apresentar a documentação por ela pretendida e, ante a falta de manifestação da mesma, efetuou o lançamento arbitrando o lucro da empresa, conforme previsto na legislação de regência. O arbitramento é uma medida extrema de apuração da base tributável. Ora, a falta de apresentação dos livros contábeis e fiscais autoriza a autoridade fiscal proceder ao arbitramento do lucro. Como se vê ao se recusar a apresentar seus livros contábeis e fiscais, bem como proceder a regularização de sua escrita a contribuinte atua contra si próprio, não se podendo, nestes casos, terse como evidenciada conduta tendente à caracterização da situação que justifique a imposição da multa de agravada. Assim sendo, inaplicável o agravamento da multa de ofício em face do não atendimento às intimações para apresentação de livros contábeis e fiscais, bem como a não regularização da escrita, já que estas omissões tem conseqüências específicas previstas na legislação de regência que [e o arbitramento do lucro. Diante do exposto, entendo de que não restou evidenciada a situação de fato que daria ensejo à aplicação da multa de ofício no percentual de 225%, devendo a mesma ser reduzida para o percentual de 150%. 5 – DO CONFISCO. QUER EM RELAÇÃO AO IMPOSTO. QUER EM RELAÇÃO ÀS MULTAS APLICADAS. ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS COM BASE NA TAXA SELIC Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange a alegação de ilegalidade e ofensa a princípios constitucionais (confisco, ilegalidade e inconstitucionalidade), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de Fl. 519DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. [...] A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do Fl. 520DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 17 31 processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação [...] Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal [...] Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 De qualquer forma, há que se esclarecer que o imposto de renda é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos ou receitas tributáveis auferidas e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Assim sendo, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal. É entendimento, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais é inócua, já que os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Fl. 522DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 18 33 Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do então Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).” 6 – DO LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. PIS. COFINS Do relato se infere que as exigências da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS); e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS), decorrem do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora e mantida de forma integral pela decisão recorrida. Em observância ao princípio da decorrência e pela certeza da relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir no presente julgado, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a irregularidade apurada, devese manter o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer a dele originada (lançamento decorrente) repousam sobre o mesmo suporte fático. 7 – DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO FRANCISCO JULIO GALVAO LUCCHESI. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, INCISO I, DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Foi atribuída a Francisco Júlio Galvão Lucchesi, na qualidade de sócio administrador, responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado. Tratase de um caso típico de responsabilidade solidária passiva, nos termos do artigo 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional. O Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 243/245) relata o seguinte: Fl. 523DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 2 No curso da ação fiscal, constatouse que a contribuinte entregou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2008 zerada e foi regularmente intimada a retificála, além de apresentar os seus livros contábeis relativos ao ano de 2007, mas ela não fez nem uma coisa nem outra, alegando que os livros teriam sido furtados. 3 A omissão da contribuinte levou as autoridades fiscais a arbitrarem o lucro da Comercial e Industrial Lucchesi Ltda. no anocalendário de 2007, tendo em vista que, nesses casos, essa é a única forma de apuração do IRPJ (e reflexos) prevista na legislação fiscal. (...) 7 No tocante à responsabilidade tributária solidária, o Código Tributário Nacional – CTN (Lei nº 5.172/66) dispõe em seu art. 124, inciso I, que são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. 8 E no art. 135, inciso III, o CTN estabelece que os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. 9 O sr. Francisco Júlio Galvão Lucchesi, CPF nº 026.175.24809, é o único sócioadministrador da Comercial e Industrial Ltda. e teve interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, além de ter praticado atos com infração de lei, pois tinha pleno conhecimento dos fatos – entrega de declarações zeradas à Receita Federal e do Boletim Eletrônico de Ocorrência com falsidade ideológica, de acordo com o que consta do Relatório de Auditoria Fiscal, letra “F – Responsabilidade Solidária”. 10 Isto posto, o sr. Francisco Júlio Galvão Lucchesi, na condição de sujeito passivo solidário, é responsável pelo crédito tributário constituído em nome da Comercial e Industrial Lucchesi Ltda. Alega o recorrente que, no presente caso, a Fiscalização não demonstrou a existência do ilícito e do dolo, condições necessárias para a atribuição da sujeição solidária, não se desincumbindo do ônus da prova. Inicialmente se torna importante ressaltar que a COMERCIAL E INDUSTRIAL LUCCHESI LTDA. foi identificada nos autos de infração lavrados por figurar ela como contribuinte dos tributos lançados. A despeito disso, foi lavrado para o responsável apontado pela autoridade fiscal o documento intitulado “Termo de Sujeição Passiva Solidaria”, nos quais consta a identificação do responsável e da base legal (arts. 124, I, 135, III, do CTN) utilizada para a imputação de responsabilidade. Ademais, nos autos de infração lavrados consta a fundamentação fáticojurídica para a atribuição de responsabilidade tributária, tendo a autoridade fiscal concluído que ele teria interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da omissão de receitas, pois deliberou a forma da tributação e recebeu os frutos financeiros das operações realizadas. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 19 35 Adita o recorrente que a imputação de responsabilidade em questão está embasada em presunção, inexistindo, ressalvada a declaração por ele prestada, documento capaz de comprovar que o Sr. Francisco Júlio Galvão Lucchesi praticou algum ato irregular. O entendimento da autoridade fiscal quanto a esse aspecto da matéria tributária é passível de contestação, da mesma forma que os demais aspectos do lançamento, sendo legítimos para se opor às conclusões da autoridade lançadora os indigitados responsáveis solidários. Quanto ao mérito da questão, cumpre assinalar, de início, que a sujeição passiva tributária, sendo elemento essencial do lançamento, se subordina ao princípio da legalidade estrita. É dizer, as possibilidades de sujeição passiva se submetem aos limites e às condições definidas em lei. Pois bem, o Código Tributário Nacional – CTN, no seu artigo 121 assim delimita as possibilidades, em geral, da sujeição passiva tributária principal. Diz, verbis: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. A doutrina caminha unida no entendimento que essa relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador corresponde à própria realização do fato gerador. Isso é particularmente claro quanto aos fatos geradores definidos em função de estado da pessoa, isto é, ser proprietário de imóvel, importar mercadoria, obter a disponibilidade de renda, etc. Assim, o sujeito passivo emerge da própria definição do fato gerador. Na peculiar expressão de Paulo de Barros Carvalho, “é no critério pessoal do conseqüente da regra matriz de incidência que colhemos elementos informadores para a determinação do sujeito passivo.” A mim me parece claro, portanto, que o artigo 121 do Código Tributário Nacional só deixa margem a duas possibilidades de sujeição passiva tributária, isto é, à possibilidade de se imputar a uma pessoa a obrigação de pagar tributo ou penalidade: ter relação pessoal e direta com o fato gerador, nos termos acima referidos, ou ser expressamente apontadas pela lei. Dito isso, passo ao exame do caso concreto, em que a autuação aponta como fundamentos para a imputação de responsabilidade solidária, os artigos 124, I e 135, III. Passo ao exame desses outros dispositivos. Reza o art. 124, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; Fl. 525DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 II – as pessoas expressamente designadas por lei. Cuidase no caso, da hipótese referida no inciso I. A questão aqui é definir o alcance da expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador do imposto”, tema controvertido dada a vagueza da expressão. Paulo de Barros Carvalho a reconhece quando diz que “o interesse comum dos participantes na realização do fato jurídico tributário é o que define, segundo o inc. I, o aparecimento da solidariedade entre os devedores”, mas exclui a simples participação nos acontecimentos envolvendo o fato gerador como critério definidor do vínculo de solidariedade. Diz Paulo de Barros, “aquilo que vemos repetirse com freqüência, em casos dessa natureza, é que o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade”. É dizer, não basta participar dos fatos envolvendo os acontecimentos caracterizadores do fato gerador. É como no exemplo mencionado por Paulo de Barros Carvalho de uma operação de compra e venda de mercadorias, onde ambos, comprador e vendedor, têm interesse comum na operação, porém não se cogita de responsabilidade solidária entre ambos. Concordando com essas ponderações, penso que o “interesse comum” referido no inciso I do art. 124 deve ser interpretado em conformidade com o limite estabelecido no inciso I do art. 121. Isto é, se o art. 121 limita as possibilidades de sujeição passiva às pessoas expressamente apontadas pela lei e àquelas que têm relação pessoal e direta com o fato gerador, ao versar sobre a responsabilidade solidária, não pode o mesmo Código Tributário Nacional referirse a situação que amplia essas possibilidades. É dizer, esse interesse comum referido no inciso I deve, necessariamente, estar associado a uma relação pessoal e direta com o fato gerador. Assim, além das pessoas expressamente apontadas pela lei, seriam solidariamente obrigadas ao pagamento do tributo pessoas que tenham, em comum, relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador. Luciano Amaro propõe a seguinte solução para a interpretação do art. 124, I coerente com a regra do art. 121, I, a saber: O interesse comum no fato gerador põe o devedor solidário numa posição também comum. Se em dada situação (a co propriedade, no exemplo dado), a lei define o titular do domínio como contribuinte, nenhum dos coproprietários seriam qualificados como terceiros, pois ambos ocupariam, no binômio Fiscocontribuinte, o lugar do segundo (ou seja, o lugar de contribuinte). Ocorre que cada qual só se poderia dizer contribuinte em relação à parcela de tributo que correspondesse à sua quota de interesse na situação. Como a obrigação tributária (sendo pecuniária) seria divisível, cada qual poderia, em princípio, ser obrigado apenas pela parte equivalente ao seu quinhão de interesse. O que determina o Código Tributário Nacional (art. 124, I) é a solidariedade de ambos como devedores da obrigação inteira, onde se poderia dizer que a condição de sujeito passivo assumiria forma híbrida em que cada codevedor seria contribuinte na parte que lhe toca e responsável pela porção que caiba ao outro. Penso que a grande virtude dessa construção é explicitar a vinculação do interesse comum do art. 124, I à condição de sujeito passivo como contribuinte, do 121, I. Isto é, para figurar como obrigado solidário com base no art. 124, I a pessoa teria que estar numa posição em que poderia ser considerada contribuinte, ainda que em relação a apenas uma parte da obrigação. A sujeição passiva solidária decorreria da impossibilidade de divisão, dado o interesse comum, da parcela da obrigação a ser imputada a cada um ou mesmo da opção do legislador, no caso de interesse comum, de atribuir responsabilidade solidária, sem interferir na divisão, entre os coobrigados da parcela de cada um. O exemplo geralmente mencionado pela Fl. 526DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10803.720031/201231 Acórdão n.º 1402001.854 S1C4T2 Fl. 20 37 doutrina e referido por Luciano Amaro é o da copropriedade de imóvel. Todos os co proprietários estariam na situação referida no art. 121, I e, portanto, poderiam ser considerados contribuintes, pelo menos em relação ao seu quinhão. Não basta, portanto, para ser apontado responsável solidário, nos termos do art. 124, I do Código Tributário Nacional, que a pessoa concorra para a realização do fato gerador, que participe de ações que culminem com a ocorrência do fato gerador. É preciso que, mais do que participar do fato gerador, o realize, ao lado de outras pessoas, que envergue a condição pessoal ou realize as ações definidas como necessárias à ocorrência do fato gerador: obter a disponibilidade de renda, ter o domínio útil de imóvel, obter receita, etc. No caso que se examina, tratase de lançamento para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS). A autuação não demonstra que os indigitados obrigados solidários tenham sido os beneficiários da disponibilidade econômica ou jurídica da renda. A acusação, segundo se extrai da descrição dos fatos, é de que concorreram diretamente para o pretenso evidente intuito de fraude, ocultando os fatos geradores através de meios fraudulentos, bem com as responsabilidades decorrem do fato de terem praticado diretamente ou tolerado a prática de atos abusivos e ilegais quando em posição de influir para a não ocorrência dos mesmos. Por tudo o que foi acima exposto, essa participação não está compreendida como hipótese de sujeição passiva tributária, com base no art. 124, I do Código Tributário Nacional. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial para desagravar a multa de oficio qualificada reduzindoa ao percentual de 150% e excluir do pólo passivo da obrigação o sócio Francisco Júlio Galvão Lucchesi. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 527DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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