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Numero do processo: 36582.003526/2006-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 03 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.272
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Ana Maria Bandeira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1161; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 681 1 680 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36582.003526/200699 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2402000.272 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de outubro de 2012 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ITAIPU BINACIONAL Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Walter Murilo Melo Andrade, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 65 82 .0 03 52 6/ 20 06 -9 9 Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36582.003526/200699 Resolução nº 2402000.272 S2C4T2 Fl. 682 2 RELATÓRIO Tratase do lançamento de contribuições previdenciárias correspondentes à retenção dos 11% incidentes sobre o valor das notas fiscais/faturas de serviços prestados, conforme previsto no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, modificado pela Lei nº 9.711/1998. O Relatório Fiscal (fls. 24/29) informa que foram apuradas retenções e diferenças de retenções incidentes sobre valores de notas fiscais de prestação de serviços de construção civil. A ITAIPU contratou com um Consórcio de Empresas — denominado CEITAPU Consórcio Empresarial Itaipu, formado pelas empresas IVAI ENGENHARIA DE OBRAS S/A, VOITH SIEMENS HYDRO POWER GENERATION LTDA e EBE — EMPRESA BRASILEIRA DE ENGENHARIA S/A, para a construção de duas novas unidades Geradoras, chamadas de 9A e 18A. Os levantamentos desta NFLD referemse especificamente aos serviços objeto de tal contrato. A auditoria fiscal informa que todos os valores faturados no referido contrato foi feito em moeda estrangeira (Dólar) e o procedimento da fiscalização consistiu em utilizarse do valor em Reais efetivamente pago às contratadas, tendo sido considerada data base a data do respectivo pagamento, qual seja,a data da conversão em Reais. Uma das empresas prestadoras, a IVAI ENGENHARIA DE OBRAS S/A, obteve liminar em 25/03/2002, através do processo 2001.34.00.00337059 (Justiça Federal de Brasília), para se eximir da retenção de 11%. Assim foram lançados os valores correspondente à retenção dos serviços efetuados antes da obtenção da liminar e os prestados após a cessação dos seus efeitos. De igual forma, a empresa EBE — EMPRESA BRASILEIRA DE ENGENHARIA S/A, obteve liminar na justiça para que a tomadora se abstivesse de efetuar a retenção, a qual foi cassada posteriormente. Assim, foram lançados os valores de retenção correspondentes ao período anterior e ao posterior à vigência da liminar. A autuada teve ciência do lançamento em 30/05/2006 e apresentou defesa (fls. 153/173). No julgamento de primeira instância, o lançamento foi considerado procedente pela DecisãoNotificação nº 14.421.4/165/06 (fls. 205/212) Após tomarem ciência de tal decisão, a autuada apresentou recurso, bem como juntou documentos aos autos. Em seu recurso (fls. 219/244), a Itaipu Binacional alegou, em síntese, o seguinte: Que é uma entidade de natureza jurídica internacional criada por manifestação formal de República Federativa do Brasil e da República do Paraguai, por essa razão devem ser Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36582.003526/200699 Resolução nº 2402000.272 S2C4T2 Fl. 683 3 observadas as regras jurídicas pertinentes aos efeitos que decorrem de normas internacionais adotada pela República Federativa do Brasil. Menciona dispositivos contidos no Tratado de Itaipu para concluir que há fundadas dúvidas quanto à exigência fiscal e previdenciária que se impõe a uma entidade de natureza jurídica internacional. Salienta que a outra Parte Contratante, a República do Paraguai, poderá vir a entender que a presente exigência fiscal e previdenciária representa uma usurpação de parte dos lucros ou dos fundos da Itaipu Binacional. Entende que antes da lavratura de notificação de débito ou auto de infração, a matéria deveria ser submetida à apreciação do Presidente da República, a quem compete, com exclusividade, celebrar os tratados internacionais. Quanto ao mérito, considera que os serviços de construção civil não comportam “cessão de mão de obra” e não se submetem ao regime de retenção de 11%. Entende que é inaplicável o art. 31 da Lei 8.212/91 (com a redação da Lei 9.711/98) e que seria aplicável o Art. 30, inc. VI, da mesma Lei 8.212/91, que trata da responsabilidade solidária. Menciona que segundo a decisão recorrida, a obrigação derivaria do Art. 219, § 2°, inc. III, do RGPS (Decreto 3048/99). Entretanto, tal entendimento estaria incorreto, uma vez que Decreto é ato infralegal e não poderia modificar a lei. Menciona jurisprudência e doutrina e alega que a obra teria sido realizada por empreitada total. Questiona a incidência de retenção sobre valores que corresponderiam a materiais e equipamentos, junta documentos e solicita a realização de diligência para a análise destes. Em relação às empresas VOITH/SIEMENS e EBE, a decisão recorrida alterou o fundamento legal da exigência, pois na impugnação, a Recorrente alegou que os serviços prestados por estas duas empresas não se enquadrariam como serviços de construção civil, mas sim de montagem e desmontagem das unidades geradoras (9A e 18A), nos quais não houve cessão de mãodeobra. Portanto, inaplicáveis os arts. 158 e 159 da ININSS/DC n° 100, de 18.12.2003. Percebendo o erro cometido pela fiscalização, a autoridade julgadora alterou a fundamentação legal, para agora entender que a base seria a do art. 146 da IN SRP nº 03, de 14.07.2005. Como houve inovação quanto à fundamentação legal, entende que deveria ser reaberto prazo para de defesa, o que não ocorreu, de forma que há nulidade no processo administrativo por cerceamento do direito de defesa e supressão de instância. Considera uma impropriedade o lançamento sem fiscalização da contratada e aponta erros no lançamento em algumas competências. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36582.003526/200699 Resolução nº 2402000.272 S2C4T2 Fl. 684 4 Os autos foram encaminhados a este Conselho e pela Resolução nº 240100.016 (fls. 667/671), o julgamento foi convertido em diligência para que houvesse manifestação da auditoria fiscal a respeito da alegada empreitada total e erros apontados, bem como análise da documentação juntada. Em resposta, foi elaborada Informação Fiscal (fls. 673/674) onde a auditoria fiscal argumenta que toda a documentação apresentada pela empresa fiscalizada foi analisada na ação fiscal e da análise desta documentação, verificouse a obrigação de retenção que não teria sido cumprida. Informa que as planilhas e outros documentos anexados ao Relatório Fiscal (fls. 30 a 148), demonstram tal análise. A empresa foi intimada da Informação Fiscal e manifestouse (fls. 677/378), alegando que o agente fiscal, ao prestar a sua informação, não examinou os documentos juntados, restringindose a afirmar que toda a documentação disponibilizada teria sido objeto de análise minuciosa por parte da Fiscalização, como forma de determinar a obrigação que deveria ser exigida. Assim, requer o cancelamento da autuação. É o relatório. Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36582.003526/200699 Resolução nº 2402000.272 S2C4T2 Fl. 685 5 VOTO Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Cumpre informar que a Conselheira Relatora que procedeu à análise que resultou no pedido de diligência não está mais vinculada a esta Câmara, razão pela qual os autos foram a mim distribuídos. Após a decisão de primeira instância, a autuada apresentou farta documentação, como também fez alegações no recurso que levaram à conversão do julgamento em diligência para manifestação da autoridade fiscal. Entretanto, da leitura da Informação Fiscal elaborada não é possível dizer que esta seja suficiente para esclarecer os pontos trazidos pela recorrente. A auditoria fiscal limitouse a afirmar que efetuou análise de toda a documentação fornecida pela empresa fiscalizada, cujas conclusões constariam do Relatório Fiscal e seus anexos. No entanto, em seu recurso a autuada traz questões que merecem ser melhor esclarecidas. A autuada alega que a contratação do serviços teria se dado por empreitada total e no contrato é mencionado que este seria realizado por empreitada “integral”. Asseverese que se trata de obra de grande porte realizada por um consórcio de empresas cujo objeto é o seguinte: Constitui objeto do presente Contrato a implantação na Usina Hidrelétrica de Itaipu, pelas CONTRATADAS, sob o regime de empreitada integral, de 2 (duas) unidades geradoras de energia elétrica, completas, com potência nominal de 700 MW cada, sendo uma na freqüência de 50 Hz e outra na freqüência de 60 Hz, incluindo a execução do projeto, a fabricação, os testes em fábrica, o transporte, a armazenagem, a montagem eletromecânica, as obras civis, os ensaios para a colocação em serviço e o comissionamento. Pela análise do objeto inferese que a obra pode ter sido realizada por empreitada total. Portanto, é necessário que a auditoria fiscal apresente os fatos que levaram à conclusão de que não se tratava de empreitada total, como , por exemplo, informando quem foi responsável pela matrícula da obra. A recorrente aponta, também, alguns equívocos que, segundo entende, foram cometidos no "levantamento 16". Assim, deve a auditoria fiscal esclarecer se tais equívocos ocorreram ou não. Vale lembrar que o contribuinte deve ser intimado do resultado da diligência para manifestação, caso entenda necessário. Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36582.003526/200699 Resolução nº 2402000.272 S2C4T2 Fl. 686 6 Diante do exposto. Voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que as questões mencionadas sejam esclarecidas pela auditoria fiscal. É como voto. Ana Maria Bandeira Relatora Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 04/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2012 por LIZONTINA MARIA CAETANO, Assinado digitalmente em 03/12/2 012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722785/2010-29
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-001.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Ivacir Júlio de Souza Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ivacir Júlio de Souza Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1980; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.722785/201029 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 2403001.659 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2012 Matéria LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BANCO DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. NULIDADE DO LANÇAMENTO ORIGINÁRIO POR VÍCIO MATERIAL. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º ou do art. 173, I do CTN, a depender da antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso em face de decadência por quaisquer dos critérios estabelecidos no CTN. Votaram pelas conclusões os conselheiros Ivacir Julio de Souza e Carolina Wanderley Landim. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ivacir Júlio de Souza – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Julio de Souza, Carolina Wanderley Landim, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 27 85 /2 01 0- 29 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI, DEBCAD n. 37.292.8323, lavrado em face do BANCO DO BRASIL S/A, no valor de R$ 1.968,11 (hum mil, novecentos e sessenta e oito reais e onze centavo), cuja notificação ocorreu em 23/08/2010 (fl. 02), em relação às competências de 11/1996 a 02/2001. Segundo Relatório Fiscal de folhas 11/23 e na documentação anexa, o lançamento decorre da responsabilidade solidária imputada à Recorrente, contratante de serviços de construção civil, por não ter comprovado o cumprimento das obrigações previdenciárias pela contratada, conforme estabelecido pela legislação vigente há época do fato gerador. O objeto do lançamento são as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados da empresa executora de obra de construção civil – ARTEFORMA CONSTRUÇÕES LTDA. CNPJ 88.332.473/000137, incluídas em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil, na condição de contratante dos serviços, responde solidariamente. Ainda segundo a Fiscalização o presente lançamento objetiva restabelecer a exigência fiscal, anulada por vício formal, nos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 e 35.067.6690, por meio dos Acórdãos ns. 2.338/2005 e 2.339/2005, ambos de 29/09/2005, conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS, verbis: “NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO LAVRADA COM FALTA DO TIPO DE DÉBITO, ACARRETANDO AUSÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL NO RELATÓRIO FUNDAMENTOS LEGAIS DO DÉBITO, ENSEJA A SUA NULIDADE, PELA IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE SE EFETUAR A CORREÇÃO NO SISTEMA DE CADASTRAMENTO DE DÉBITO, CARACTERIZANDOSE VÍCIO FORMAL INSANÁVEL – LANÇAMENTO NULO.” Foram feitos ajustes para que fossem excluídas as empresas do levantamento original que sofreram procedimento fiscal previdenciário, mantidas as competências não alcançadas pela auditoria fiscal previdenciária e, excluídas as empresas do levantamento original que não foram identificados (CNPJ ou Razão Social). A Fiscalização aplicou a decadência nos termos do art. 173, inciso II do CTN. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 81/95, acompanhada dos documentos de fls. 101/143. DA DECISÃO DA DRJ Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 3 3 Após analisar os argumentos da Recorrente, a 5a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, prolatou o Acórdão n° 0347.900, de fls. 146/159, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1996 a 28/02/2001 AIOP DEBCAD nº 37.292.8323 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa se estão devidamente discriminados, no Auto de Infração e em seus anexos, os fatos geradores e as contribuições apuradas, bem como a indicação de onde os valores foram extraídos e os dispositivos legais que amparam o lançamento, uma vez que essas informações possibilitam ao impugnante identificar com precisão os valores apurados e permitem o exercício do pleno direito de defesa e do contraditório. O cerceamento ao direito de defesa somente se caracteriza pela ação ou omissão, por parte da autoridade lançadora, que impeça o sujeito passivo de conhecer dados ou fatos que, notoriamente, impossibilitem o exercício de sua defesa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CONSTRUÇÃO CIVIL. ELISÃO. BENEFÍCIO DE ORDEM. FISCALIZAÇÃO PRÉVIA. O contratante de quaisquer serviços de construção civil responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias em relação aos serviços prestados. A elisão da responsabilidade solidária somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. A não apresentação desses documentos pelo tomador de serviços implica no lançamento a esse título. A solidariedade não comporta benefício de ordem, podendo ser exigido o total do crédito constituído da empresa contratante sem que haja apuração prévia no prestador de serviços, ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor. AFERIÇÃO INDIRETA. PERCENTUAL SOBRE NOTAS FISCAIS. ATO NORMATIVO. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, pode a Administração Tributária, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. A utilização de percentual definido em ato normativo, incidente sobre o valor dos serviços contidos em notas fiscais, para fins de apuração indireta da base de cálculo Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 das contribuições previdenciárias, constitui procedimento que observa os princípios da legalidade e da proporcionalidade. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITOS CND. PROVA REGULAR. A CND certifica a inexistência, no momento de sua emissão, de crédito formalmente constituído. Contudo, não suprime o lançamento de contribuições devidas em função da constatação de ocorrência de fato gerador. O direito de o Fisco cobrar qualquer débito apurado posteriormente está previsto em lei e ressalvado na própria CND. A apresentação de CND emitida em nome de empresa prestadora de serviços não é suficiente para elidir a responsabilidade solidária na construção civil. A elisão somente é possível com a comprovação do recolhimento da contribuição devida, pela apresentação dos documentos exigidos pela legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 163/180, com os seguintes argumentos, após resumir os fatos: Da Verdade dos Fatos – Da Constituição Irregular do Crédito Tributário – Da Imperiosa Necessidade de Notificação da Empresa Contratada – Da Subsunção à Lei de Licitações A Recorrente destaca que a DRJ não acolheu o pedido de chamamento ao processo ante a falta de previsão legal no âmbito do processo administrativo. Ressalta, porém, não haver dúvida sobre as obras de reforma nas agências da Recorrente terem sido executadas por empresas da construção civil legalmente constituídas e habilitadas para executar os trabalhos, que ficaram responsáveis pelo fornecimento, contratação e remuneração da mãodeobra necessária à realização da obra, estando sob sua responsabilidade o recolhimento de todas as contribuições, inclusive previdenciárias. Por esse motivo, os documentos de prova dos recolhimentos previdenciários estão de posse da ARTEFORMA CONSTRUÇÕES LTDA. CNPJ 88.332.473/000137, a exemplo daqueles que compõem os processos originários de ns. 11686.000242/200813 (NFLD n. 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD n. 35.067.6690) e considerados na redução dos valores anteriormente autuados. Evidenciando pagamentos que se contrapõem aos diversos débitos cobrados novamente neste processo. Não restam dúvidas de que a obrigação para recolher a contribuição previdenciária é da empresa contratada, nos termos do art. 49, § 1o, alínea “b” da Lei n. 8.212/91, com redação dada pela Lei n. 11.941/09. Segundo a Recorrente, o conceito de “obra de construção civil” constante na citada lei se refere exclusivamente à “construção ou obras de vulto”, que se faz necessária à supervisão de profissionais técnicos habilitados, o que não ocorreu no caso em Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 4 5 tela, tendo em vista que se tratou de meros reparos, manutenção de dependência da recorrendo, sendo desnecessária a matrícula da obra. Ademais, por fazer parte da Administração Pública Federal, e somente poder contratar mediante licitação pública, a Recorrente estava respaldado pelo art. 71, § 1º da Lei n. 8.666/93 (Lei de Licitações/LLIC) e pelo art. 61 do Decreto Lei n. 2.300/86. Dispositivos esses que transferem a responsabilidade pelos encargos previdenciários para as empresas contratadas. Por outro lado, o art. 124, II, do CTN e o art. 265 do CC são taxativos ao referirse à obrigação solidária: “as pessoas expressamente designadas por lei” e que a solidariedade não se presume e resulta da lei ou da vontade das partes, não podendo ser fixada de forma arbitrária. Mesmo que se admita a obrigação solidária, os valores pagos nos Processos ns. 11686.000242/200813 (NFLD n. 35.067.6682) e 11686.00241/200879 (NFLD n. 35.067.6690), devem ser aproveitados para a Recorrente. Sob o risco de haver pagamento em duplicidade, urje seja determinado o chamamento ao processo da empresa contratada e o apensamento aos citados processos, em nome dos princípios da eficiência, legalidade e economicidade processual. Do Mérito Da Inexistência de Responsabilidade Solidária – Da Apresentação da CND Pela Contratada Resta evidente a impossibilidade de enquadrar a Recorrente como responsável solidária, já que a responsabilidade pelo recolhimento do tributo foi assumida pela empresa contratada, esta na forma de licitação pública. De acordo com o art. 124, inciso II, do CTN devem ser notificadas as pessoas expressamente designadas por lei. E, correse o risco de pagamento em duplicidade, provocando enriquecimento ilícito da Fazenda Pública, uma vez que sequer foi apurada, perante a contratada, sua adimplência. Registra que as Certidões Negativas de Débito – CND, expedidas há época das autuações originais, confirmam sobremaneira a inexistência de débito pendente em nome da empresa contratada junto ao INSS, descabendo, por conseguinte, eventual responsabilidade solidária por débito que, no período autuado, era inexistente. Estando viciado o ato de origem em relação ao fato gerador, à base de cálculo e à inclusão de períodos atingidos por CND, não se pode exigir da Recorrente responsabilização solidária por cumprimento de obrigação ilíquida e incerta. Da Irregularidade na Constituição e Cobrança do Crédito Tributário – Da Inexistência de Obrigação Solidária – Da Aplicação do Benefício de Ordem Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 Segundo a Recorrente, o fundamento utilizado na fl. 152 do Acórdão recorrido, no sentido de que “o lançamento de que trata este processo não é de responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o artigo 31 da Lei 8.212/91, mas de responsabilidade solidária, decorrente de serviços de construção civil, de acordo com o artigo 30, VI, da lei 8.212/91”, não condiz com a verdade, descabendo o benefício de ordem. Pela conferência do próprio Auto de Infração, no campo “3.1. A COMPOSIÇÃO DAS NFLD 35.067.6682 E NFLD 35.067.6690 E O NOVO LANÇAMENTO FISCAL”, podese confirmar a inverdade. Destaca ainda “(...) SM1 – 35.067.6682 – Remuneração paga aos segurados empregados das empresas prestadoras de seviços com cessão de mãodeobra, incluída em notas fiscais, faturas e recibos, pelas quais o Banco do Brasil na condição de contratante dos serviços responde solidariamente. Período anterior a 01/1999.” Demonstrado que a autuação também se referiu à responsabilidade solidária decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, deverá ser aplicado o benefício de ordem para afastar a coresponsabilidade solidária atribuída à Recorrente. Traz doutrina acerca do “benefício de ordem”. Nesse diapasão, a Recorrente entende que a autuação se mostra indevida, por não lhe ter sido garantido o benefício de ordem, cobrando em primeiro lugar, do contribuinte propriamente dito, já que a redação do art. 30, inciso IV da Lei n. 8.212/91, não vedava sua aplicação. Dessa forma, a manutenção parcial da autuação se mostra indevida, já que haveria de ser garantido à Recorrente o benefício de ordem, por meio da cobrança, em primeiro lugar, do contribuinte propriamente dito (empresa contratada). Ademais, a redação do art. 30, VI, da Lei n. 8.212/91 (originada do art. 79, § 2o, da Lei n. 3.807/60), não afastava a aplicação de benefício de ordem. A Recorrente traz a Súmula n. 126 do TFR e jurisprudência do STJ. Ademais, considerando que a redação original do art. 31 da Lei n. 8.212/91 vigorou até fevereiro de 1999, em face da edição da Lei n. 9.711/98, o Banco tem assegurado, ao menos até fevereiro de 1999, o direito de exigir que promova a cobrança de eventual crédito, primeiramente, em nome da empresa contratada, sujeito passivo da obrigação tributária. Da Irregularidade na Apuração e Lançamento do Crédito Tributário – Da Ausência de Normativo Legal Para Fixação da Base de Cálculo em Percentual à Ordem de 40% Dispõe ter o agente fiscal estipulado, ao seu alvedrio, o percentual de 40% do valor expresso nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços como base para cálculo da contribuição previdenciária; e que, a fixação da base de cálculo dos tributos só pode ser estabelecida por lei, segundo o art. 97, inciso IV, do CTN. Que o legislador ordinário já havia determinado a forma de apuração da base de cálculo da contribuição em tela, no art. 33, § 4º da Lei n. 8.212/91. Que as autuações originárias reputaramse nulas, uma vez que o agente fiscal norteouse em norma ilegal – IN DC/INSS n. 18/2000 – para a fixação da base de cálculo do crédito lançado, pois as Instruções Normativas, enquanto espécies de ato Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 5 7 administrativo, estão vinculadas e subordinadas às disposições estabelecidas na lei, podendo tão somente operacionalizar os mandamentos nela fixados, de modo a facilitar sua execução. Assim, ao ampliar a matriz legal, a referida IN feriu os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada em matéria tributária. Traz doutrina e jurisprudência do STF para fundamentar ao legado. Da Irregularidade na Constituição do Crédito – Dos Serviços Contratados Mediante Empreitada Parcial – Da Inexistência de Obrigação Solidária Segundo a Recorrente, a aplicação da responsabilidade solidária só seria cabível em se tratando de contratação de serviços mediante empreitada total, o que não foi o caso. Que da leitura da “Relação de Pagamentos a Prestadores de Serviços/Empreiteiros/Subempreteiros”, constante no Auto de Infração, os serviços prestados estavam de acordo com o art. 31 da Lei n. 8.212/91 (redação da Lei n. 9.711/98), regulamentado pelo Decreto n. 3.048/99 (que ampliou a lista de serviços contida no § 4o do art. 31), estando sujeitos à retenção de 11% sobre o valor da Nota Fiscal, prevalecendo a solidariedade apenas na contratação dos serviços de construção civil quando contratados mediante empreitada total. Para a Recorrente o art. 30 da IN INSS/DC n. 18/2000 estabeleceu que as atividades e os serviços de construção civil constantes no Anexo I e quando executados por contratação de empreitadas específicas não estão sujeitas à responsabilidade solidária, mas sim, quando for o caso, exclusivamente à retenção de 11% ao teor da OS/INSS/DAF n. 209/99. Da Legal, Devida e Obrigatória “Revisão de Ofício” do Lançamento Tributário – Do não Confisco Destaca a Recorrente que nos termos do art. 53 da Lei n. 9.784/99 “a Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos”. O Processo Administrativo deve priorizar o princípio da verdade material, por isso, a Administração Pública tem o deverpoder de anular, corrigir ou modificar o lançamento, independentemente de se tratar de erro de fato ou de direito. O art. 149 do CTN determina ao julgador administrativo realizar de ofício o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência, da legalidade, da moralidade administrativa e do não confisco. Ao final requer o provimento do recurso, para que seja cancelado o injusto e ilegal crédito tributário constituído, assim como seja reconhecida a nulidade da autuação procedida e a declaração da insubsistência do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 207, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 217DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 6 9 constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. É fato incontroverso que este lançamento substituiu as DEBCADs ns. 35.067.6682 e 35.067.6690, Procs. ns. 35239.001804/200459 e 35239.001805/200401, respectivamente, pois, assim destacou o Fiscal autuante no seu Relatório Fiscal, especificamente na fl. 11, verbis: “O lançamento ora realizado objetiva restabelecer a exigência anulada por vício formal dos Lançamentos Fiscais constituídos pelas NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito n° 35.067.6682 (levantamentos SC1 e SM1) e 35.067.6690 (levantamento SC2) (ver item 4 deste relatório fiscal), conforme ementa da 4ª CAJ – CÂMARA DE JULGAMENTO/CRPS:” Analisando os Acórdãos proferidos pela 04a CaJ – Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, referentes às citadas NFLDs, tem se a seguinte ementa, verbis: “EMENTA: LANÇAMENTO POR ARBITRAMENTO. FALTA DE TIPO DE DÉBITO. AUSÊNCIA DE ESPECIFICAÇÃO DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA DE CORREÇÃO. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. NULIDADE. Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada com falta do tipo de débito, acarretando ausência da fundamentação legal no Relatório Fundamentos Legais do Débito, enseja a sua nulidade, pela impossibilidade técnica de se efetuar a correção no sistema de cadastramento de débito, caracterizandose vício formal insanável. LANÇAMENTO NULO.” (grifo nosso) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Para delimitar o início da contagem do prazo decadencial, temse que analisar se a anulação das NFLDs substituídas se deram por vício formal, como destacado na ementa, ou por vício material. Pela leitura da ementa, fica explicitado que as DEBCADs foram anuladas em decorrência da existência de vício formal. Por outro lado, analisando trechos dos Acórdãos nºs. 2338/2005 e 2339/2005, respectivamente, extraise o que segue, verbis: “Impende observar que, apesar de ser inquestionável a possibilidade de o notificado figurar no pólo passivo da obrigação previdenciária, conforme dispõem os artigos 124 e 125 do Código Tributário Nacional, além do inciso VI do art. 30 e o art. 31 da lei nº 8.212, de 1991, não é menos certo que a fiscalização deixou de assinalar os fundamentos de direito que autorizariam o presente lançamento. (...) Pelo fato de estar fiscalizando uma empresa tomadora de serviços, o presente lançamento se deu por meios indiretos: notas fiscais de serviços, haja vista a empresa não ter procedido na forma determinada pela legislação, conforme já assinalado. Entretanto, em nenhum momento sequer o contribuinte foi informado de que o lançamento seria por arbitramento, conforme consta no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991. (...) No presente caso, no anexo Fundamentos Legais do Débito não consta a fundamentação legal para aferição indireta por arbitramento, mencionando o dispositivo que ampara a pretensão da autarquia previdenciária, sendo certo que o sistema informatizado do setor de fiscalização não admite a correção nestes casos. (...) Importante ressaltar que, além de a fiscalização ter o dever de relatar as circunstâncias e o fundamento legal que ensejaram o arbitramento e a conseqüente lavratura da notificação em relação ao sujeito passivo solidário, é mister que se informe, também, outras evidências a respeito da possível obrigação previdenciária não cumprida e que se diz solidária. (...) Assim, considerando que a responsabilidade solidária não é um fim em si mesmo, isto é, não cria por si só o fato gerador, é importante ter a certeza que exista uma obrigação que se diga solidária, pois se ela não existir, tampouco se pode afirmar que há responsabilidade para outrem. Ou seja, em princípio, a não apresentação das guias e folhas de pagamento específicas, permitem inferir a existência de inadimplemento da obrigação previdenciária, por parte do prestador. Todavia, o fato gerador não pode ser presumido, nem tampouco inferido. O CTN informa que o fato gerador é a Fl. 219DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 7 11 situação definida em lei como necessária e suficiente para sua ocorrência. Dessa forma, fazse necessário acrescentar outras informações que permitirão ao julgador formar sua convicção quanto à certeza da obrigação inadimplida, ou não. (...) A partir do art. 55, consta uma série de determinações para que o AFPS analise as informações disponíveis relativas a todos os devedores solidários, visando à verificação da regularidade da obrigação tributária a ser exigida, de forma a evitar o lançamento de crédito já extinto ou que já esteja sendo discutido ou cobrado judicial ou administrativamente. Ante o exposto, CONSIDERANDO que a presente notificação foi lavrada em desconformidade com a legislação vigente; CONSIDERANDO que, não foi informado ao contribuinte o fundamento legal para que fosse promovido o arbitramento das contribuições previdenciárias, possivelmente, existentes; CONSIDERANDO que a ausência de fundamento legal não pode ser sanada por limitação do sistema de processamento de dados da fiscalização da autarquia previdenciária; CONSIDERANDO que, mesmo que fosse possível o saneamento, tal procedimento somente poderia ser feito até a decisão de primeira instância (art. 203 do CTN). CONSIDERANDO que o contribuinte teve prejudicado seu direito constitucional do devido processo legal e da ampla defesa face à omissão das normas de lei que autorizariam o fisco em promover o arbitramento. CONSIDERANDO que a menção referente à responsabilidade solidária dá fundamento para o elemento sujeito passivo da obrigação previdenciária. CONSIDERANDO que a menção referente ao arbitramento dá fundamento ao elemento fato gerador da obrigação previdenciária. CONSIDERANDO que o Termo de Inscrição em Dívida Ativa é documento solene cujas formalidades são essenciais para a prática do ato a que se destina.” (grifo nosso) Nesse diapasão, mister se faz analisar as DEBCADs ns. 35.067.6682 e 35.067.6690, há luz da legislação vigente há época, qual seja: art. 142 do CTN, art. 37 da Lei 8.212/91 e art. 243 do Decreto n. 3.048/99, verbis: CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 220DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n. 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Decreto n. 3.048: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (grifo nosso) O lançamento, como ato vinculado, deve atender aos preceitos legais, assim como leciona o Professor Luciano Amaro (Direito tributário brasileiro – 10a ed. Atual. – São Paulo: Saraiva, 2004. Pg. 337), verbis: “O lançamento deve ser efetuado pelo sujeito ativo nos termos da lei, vale dizer, tem de ser feito sempre que a lei o determine, e sua consecução deve respeitar os critérios da lei, sem margem de discrição dentro da qual o sujeito ativo pudesse, por razões de conveniência ou oportunidade, decidir entre lançar ou não, ou lançar valor maior ou menor, segundo sua avaliação discricionária.” (grifo nosso) Logo, restou evidenciado que os lançamentos originários ocorreram sem a devida fundamentação legal, não atendendo, por conseguinte, a legislação tributária, cerceando, inclusive, o direito de defesa da Recorrente. Nessa toada, verifico que tais equívocos nos lançamentos originários não ensejam a nulidade decorrente de vício formal, e sim na nulidade das DEBCADs por vício material, tendo em vista que a Fiscalização à época não informou ao contribuinte a fundamentação legal para embasar o arbitramento. A fim de robustar esse entendimento, trago à baila, trechos do Acórdão n. 920200.668, do Proc. n. 35465.000814/200584, julgado por unanimidade em 13 de abril de 2010 pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/1998 VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material Fl. 221DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 11080.722785/201029 Acórdão n.º 2403001.659 S2C4T3 Fl. 8 13 necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (...) Por todo o exposto, a descrição dos fatos, quando existente mas tida como insuficiente, contamina o lançamento com um vício de conteúdo, material e, portanto, não se deve aplicar a regra especial no artigo 173, II, mas tão somente as regras gerais nos artigos 150, §4° e 173, 1 do Código Tributário Nacional. Portanto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” (grifo nosso) O período de apuração compreendeu as competências 11/1996 a 02/2001. A notificação ocorreu em 23/08/2010 (fl. 02), tendo em vista que para este relator as DEBCADs originárias continham vícios materiais. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período total, por quaisquer dos critérios do CTN. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente o recurso para aplicar a decadência total por quaisquer dos critérios do CTN. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 222DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903039/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Matheus Monteiro Morosini, OAB/PR nº 40.519.
Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Relatório
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Sustentou pela recorrente o Dr. Matheus Monteiro Morosini, OAB/PR nº 40.519. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Cuidase os de Recurso Voluntário objetivando o afastamento do indeferimento de restituição e compensação de crédito oriundo de pagamento por meio de DARF a maior do que o valor devido para o PIS relativo ao período de apuração de 01.11.2002 a 30.11.2002. Sustenta a Interessada que o indeferimento ocorreu sob o fundamento de que a existência de crédito no crédito original de R$ 1.344,84 para extinção de débito indicado na declaração, mas verificado que o crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. O crédito pleiteado tem origem segundo alegação no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. A DCTF foi retificada após o conhecimento da decisão contida no despacho decisório, que negou a existência do crédito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 03 03 9/ 20 08 -1 1 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.903039/200811 Resolução nº 3403000.405 S3C4T3 Fl. 4 2 Foram trazidas à colação cópias do razão contábeis com o objetivo de demonstrar a origem do crédito. Em razões recursais manteve os mesmos argumentos tecidos na fase de Inconformidade de Manifestação. .É o relatório. Voto Tratase de controvérsia relativa à existência de crédito proveniente de pagamento por meio de DARF a maior do que o valor devido para o PIS em razão da redução alíquota a zero, cuja pretensão da Recorrente é utilizálo em processo de compensação de débito próprio. A recusa do reconhecimento decorreu da inexistência do crédito por ter sido o pagamento alocado para quitação de débito confessado em DCTF original, retificada posterior ao Despacho Decisório. Como indício de prova no sentido de confirmar a existência do crédito foi carreada aos autos cópias do razão. Em obediência ao princípio da verdade material vislumbro a possibilidade de transformar o julgamento em diligência no sentido da fiscalização proceder à análise na contabilidade do Recorrente com o objetivo de apurar com base nos assentamentos contábeis, se de fato houve recolhimento superior ao devido para PIS no período de apuração indicado nestes autos. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Com essas considerações voto no sentido de transformar o julgamento em diligência. Dêse vista o Recorrente, para que tenha ciência e se manifeste se entender necessário no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 103DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10980.903039/200811 Resolução nº 3403000.405 S3C4T3 Fl. 5 3 Com essas considerações voto no sentido de transformar o julgamento em diligência para apurar se houve pagamento a maior do que o devido com base nos razões trazidos à colação. Dêse vista o Recorrente, para que tenha ciência e se manifeste se entender necessário no prazo de 30 (trinta) dias. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 104DF CARF MF Impresso em 20/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003428/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. EX-COMBATENTES DA FEB, PENSÃO, ISENÇÃO. As pensões e os proventos auferidos com fundamento no artigo 30 da Lei nº 4242/63, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira - FEB, são isentos de imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713 de 1988 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR199).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 19/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. EX-COMBATENTES DA FEB, PENSÃO, ISENÇÃO. As pensões e os proventos auferidos com fundamento no artigo 30 da Lei nº 4242/63, em decorrência de reforma ou de falecimento de ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira - FEB, são isentos de imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713 de 1988 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR199). Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora EDITADO EM: 19/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 47 1 46 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.003428/200851 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.740 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2012 Matéria IRPF Recorrente FRANCISCO RAYMUNDO DOS PASSOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF. EXCOMBATENTES DA FEB, PENSÃO, ISENÇÃO. As pensões e os proventos auferidos com fundamento no artigo 30 da Lei nº 4242/63, em decorrência de reforma ou de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, são isentos de imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713 de 1988 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR199). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 19/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 34 28 /2 00 8- 51 Fl. 47DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 2 Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 08/11), para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2005, no montante de R$3.500,40, incluídos os acréscimos legais, decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Comando da Marinha, no valor de R$19.737,25. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls.01/02), em que afirma ser EXCOMBATENTE DA MARINHA DE GUERRA DO BRASIL, tendo sido concedida sua pensão com fundamento no artigo 6º, da Lei nº 7713/88, estando, portanto seus rendimentos isentos, conforme consta do art.39, inciso XXV do RIR/99. Após analisar a matéria, os Membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJ2 n° 1328.392 de12/03/2010, fls. 24/26, em decisão assim ementada: “EXCOMBATENTE. FEB. ISENÇÃO. Somente são isentos do imposto de renda os proventos e pensões decorrentes de reforma ou falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, pagos de acordo com os Decretosleis n. 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963 e art. 17 da Lei nº 8.059, de 04 de julho de 1990. Impugnação Improcedente.” Cientificado dessa decisão em 28/12/2010 (fls. 27 verso), o contribuinte apresentou, em 25/01/2011, recurso voluntário tempestivo de fls. 29/30, em que argumenta que a sua Pensão Militar teve como amparo o Art. 30 da Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, estando portanto isento de IRPF. Como prova, apresenta seu Título de Pensão Militar, fls.31. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 35 (última). É o Relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Não há argüição de preliminar. No mérito, a questão em análise versa sobre a isenção do IRPF, a que se refere o artigo 6º, inciso XII, da Lei nº 7.713/88, matriz legal do inciso XXXV, do artigo 39, RIR/99 (aprovado pelo Decreto nº 3000/99), verbis: “XXXV as pensões e os proventos concedidos de acordo com o DecretoLei nº 8.794 e o DecretoLei nº 8.795, ambos de 23 de janeiro de 1946, e Lei nº 2.579, de 23 de agosto de 1955, Lei nº 4.242, de 17 de julho de 1963, art. 30, e Lei nº 8.059, de 4 de julho de 1990, art. 17, em decorrência de reforma ou falecimento Fl. 48DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 10768.003428/200851 Acórdão n.º 2201001.740 S2C2T1 Fl. 48 3 de excombatente da Força Expedicionária Brasileira (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XII);” Ao analisar os fatos, assim concluiu a autoridade recorrida: 15. Nesse sentido, conforme determina o art. 111 do CTN, é importante lembrar que interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Conseqüentemente, não se aceitam isenções senão aquelas exata e restritivamente inseridas na letra da lei, não se acatando técnicas interpretativas extensivas a situações não literalmente previstas. Outrossim, registrese que fica patente a intenção do legislador: conceder isenção exatamente aos casos de pensão vinculados ás incapacidades, falecimentos e desaparecimentos de excombatentes previstos nos DecretosLeis n.° 8.794/46 e 8.795/46, Lei n.° 2.579/55, e art. 30 da Lei n° 4.242/63. 16 No presente caso, a certidão de 02/09/1966, à fl. 06, trata da Lei n. 4.297/63, e o contribuinte não juntou nenhum outro documento para comprovar que a sua pensão atual é decorrente dos Decretosleis nºs 8.794 e 8.795, de 23 de janeiro de 1946, Lei nº 12.579, de 23 de agosto de 1955, art. 30 da Lei n. 2 4.242, de 17 de julho de 1963 ou art. 17 da Lei n2 8.059, de 04 de julho de 1990; não estão, portanto, presentes os requisitos para o gozo da isenção dos rendimentos auferidos pelo impugnante, cabendo manter o lançamento. (Grifos no original). Em resposta aos argumentos da autoridade recorrida, o recorrente acostou ao seu recurso voluntário, o Título de Pensão Militar (fls. 31), no qual resta expressamente consignado que o fundamento da sua aposentadoria é o art. 30 da Lei nº 4242/63. Cabe destacar, que as pensões e os proventos concedidos, entre outras hipóteses, de acordo com o art.30 da Lei nº 4242/63, em decorrência de reforma ou de falecimento de excombatente da Força Expedicionária Brasileira FEB, são isentos do imposto de renda, nos termos do artigo 6°, inciso XII, da Lei n° 7.713/88 (artigo 39, inciso XXXV, do RIR/1999). Inclusive, essa matéria é recorrente neste Conselho e pacificada através de decisões reiteradas que asseguram o direito à isenção do imposto de renda sobre proventos de pensão auferidos em decorrência de reforma ou falecimento de excombatentes da Força Expedicionária Brasileira, desde que tenham sido concedidas de acordo com as determinações da Lei nº 7.71.3/88. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 49DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 19/09/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 50DF CARF MF Impresso em 19/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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Numero do processo: 12269.001963/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004, 01/02/2006 a 28/02/2006
Ementa: SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, implica no recolhimento das contribuições previdenciárias , antes substituídas. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea c do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004, 01/02/2006 a 28/02/2006 Ementa: SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno SIMPLES, implica no recolhimento das contribuições previdenciárias , antes substituídas. MULTA MORATÓRIA RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91,na redação vigente à época da lavratura, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. O benefício da retroatividade benigna constante da alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN é de ser observado quando uma nova lei cominar a uma determinada infração tributária uma penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração. Nos casos de lançamento de ofício de tributo devido e não recolhido, o mecanismo de cálculo da multa de mora introduzido pela MP n° 449/08 deve operar como um limitador legal do valor máximo a que a multa poderá alcançar, eis que, até a fase anterior ao ajuizamento da execução fiscal, a metodologia de cálculo fixada pelo revogado art. 35 da Lei nº 8.212/91 se mostra mais benéfico ao contribuinte. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 19 63 /2 00 9- 13 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 178 3 Relatório O Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado em 29/05/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 01/06/2009, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 05/2004 a 12/2004, bem como de diferenças relativas a acréscimos legais no mesmo período e na competência 02/2006. O relatório fiscal de fls. 23/26, esclarece que o levantamento se deu com base nas folhas de pagamento da autuada, que foi excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2002. Após impugnação, Acórdão de fls. 135/142, pugnou pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o processo administrativo não obedeceu aos pressupostos do artigo 142, do CTN, nem do artigo 10, do Decreto 70.235/72, cerceando a defesa do contribuinte; b) que não teve direito de discutir administrativamente a constituição do crédito; c) que a exclusão do SIMPLES somente poderia ter sido efetuada após procedimento administrativo que garantisse o contraditório e a ampla defesa; d) que o sócio que motivou a sua exclusão do SIMPLES retirouse da sociedade em 31/12/2003; e) que em face da Lei Complementar n.º 123/2006, migrou automaticamente para o SIMPLES, já que preenchia os requisitos; f) que cumpre com todas as exigências legais para manter se no SIMPLES; g) que o agir do fisco foi extremamente severo ao não aceitar as justificativas da recorrente; h) a inexigibilidade das contribuições para o SAT, que não poderiam estar reguladas por decreto; ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição; i) a inexigibilidade e inconstitucionalidade da multa devido à vedação ao confisco; Fl. 186DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 j) a exclusão da taxa SELIC, por ser incabível. Requer a extinção da cobrança em apreço. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 179 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a nulidade da autuação por cerceamento de defesa, indignandose com sua exclusão do SIMPLES, que segundo ela, se deu sem o devido procedimento administrativo que lhe permitisse o contraditório e a ampla defesa. Entretanto, do mero exame dos autos é possível se vislumbrar que a exclusão do sistema foi efetuada com toda a garantia de participação da recorrente, conforme fazem prova os documentos de fls.88, Ato Declaratório de Exclusão, fls. 84, a capa do processo administrativo de n.º 11080.101179/2003, que trata da Exclusão do Sistema e onde a empresa se manifestou trazendo suas razões contra o procedimento, fls. 85, Acórdão da DRJ que confirmou a exclusão, fls.31/34, cientificando a empresa de que tinha o prazo de trinta dias para a interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, fls. 131, Notificação da DRF/POA/SECAT, comunicando indeferimento da solicitação de revisão, AR fls.132 e nas fls. 133, consta despacho do mesmo setor dizendo que não houve manifestação do contribuinte no prazo concedido para a interposição de recurso, o que tornou a exclusão definitiva. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 180 7 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Com relação ao SIMPLES, são inócuas as assertivas da recorrente, posto que a situação de exclusão já foi devidamente tratada em processo próprio, transitou em julgado e não pode ser mais examinada por este Colegiado, ainda considerando que o prazo para interposição de recurso transcorreu sem manifestação, por parte do contribuinte, naquele processo. O processo, ora examinado, trata de auto de infração por descumprimento de obrigação principal devido a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa, na condição de excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em relação ao SAT – Seguro de Acidente de Trabalho, temos que a exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n ° 9.732/1998, nestas palavras: Art.22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11/12/98) Fl. 190DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Regulamenta o dispositivo acima transcrito o art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, com alterações posteriores, nestas palavras: Art.202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. § 1º As alíquotas constantes do caput serão acrescidas de doze, nove ou seis pontos percentuais, respectivamente, se a atividade exercida pelo segurado a serviço da empresa ensejar a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição. § 2º O acréscimo de que trata o parágrafo anterior incide exclusivamente sobre a remuneração do segurado sujeito às condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. § 3º Considerase preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. § 4º A atividade econômica preponderante da empresa e os respectivos riscos de acidentes do trabalho compõem a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, prevista no Anexo V. § 5º O enquadramento no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante e será feito mensalmente, cabendo ao Instituto Nacional do Seguro Social rever o autoenquadramento em qualquer tempo. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 181 9 § 6º Verificado erro no autoenquadramento, o Instituto Nacional do Seguro Social adotará as medidas necessárias à sua correção, orientando o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procedendo à notificação dos valores devidos. § 7º O disposto neste artigo não se aplica à pessoa física de que trata a alínea “a” do inciso V do caput do art. 9º. § 8º Quando se tratar de produtor rural pessoa jurídica que se dedique à produção rural e contribua nos moldes do inciso IV do caput do art. 201, a contribuição referida neste artigo corresponde a zero vírgula um por cento incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção. § 9º (Revogado pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) § 10. Será devida contribuição adicional de doze, nove ou seis pontos percentuais, a cargo da cooperativa de produção, incidente sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao cooperado filiado, na hipótese de exercício de atividade que autorize a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 11. Será devida contribuição adicional de nove, sete ou cinco pontos percentuais, a cargo da empresa tomadora de serviços de cooperado filiado a cooperativa de trabalho, incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, conforme a atividade exercida pelo cooperado permita a concessão de aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) § 12. Para os fins do § 11, será emitida nota fiscal ou fatura de prestação de serviços específica para a atividade exercida pelo cooperado que permita a concessão de aposentadoria especial. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repelese a argüição de contrariedade ao princípio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Nesse sentido já decidiu o STF, no RE n ° 343.446SC, cujo relator foi o Min. Carlos Velloso, em 20.3.2003, cuja ementa transcrevo: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. LEI 7.787/89, ARTS. 3º E 4º; LEI 8.212/91, ART. 22, II, REDAÇÃO DA LEI 9.732/98. DECRETOS 612/92, 2.173/97 E 3.048/99. C.F., ARTIGO 195, § 4º; ART. 154, II; ART. 5º, II; ART. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, Fl. 192DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido.” Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, vigente à época do lançamento. Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. O art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 182 11 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou Fl. 194DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, quanto à inconstitucionalidade das leis, ressaltase que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.001963/200913 Acórdão n.º 2302002.035 S2C3T2 Fl. 183 13 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 196DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10480.914179/2009-29
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA.
Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-001.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Luiz Bordignon - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: JOSE LUIZ BORDIGNON
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2000 a 30/11/2000 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido.
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INOVAÇÃO NA FUNDAMENTAÇÃO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. Acatada a preliminar de cerceamento de defesa, por supressão de instância, posto que a autoridade julgadora de primeira instância inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, anular a Decisão da DRJ nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso e o Conselheiro Sidney Eduardo Stahl que dava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 41 79 /2 00 9- 29 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 José Luiz Bordignon Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914179/200929 Acórdão n.º 3801001.695 S3TE01 Fl. 92 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Tratase de manifestação de inconformidade protocolizada em 12/11/2009, em face do Despacho proferido eletronicamente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife/PE DRF/REC/PE, mediante o qual foi indeferido/nãohomologada Pedido Eletrônico de Restituição/ Declaração de Compensação (PER/DCOMP. . 2. Consoante se verifica às fls. 01/04 , a contribuinte, através de sobredito PER/DCOMP, declarou a compensação do débito descrito em sua página com conjecturado crédito, no montante originário de R$ 90.082,44, que seria derivado de pagamento indevido a título da COFINS, código de receita: 2172, do período de apuração de novembro de 2000, efetuado aos 15/12/2000. 3. Inferese, do Despacho Decisório de fl.05, que, com fundamento nos arts. 165 e 170, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN) e, ainda, no art. 74, da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, por decorrência, foi não homologada a compensação no qual o pretenso crédito foi utilizado – pois o pagamento vinculado ao suposto indébito foi totalmente aproveitado para a extinção do débito de COFINS do período de apuração de novembro de 2000 . 4. O sujeito passivo, cientificado de enfocado Despacho Decisório aos 21/10/2009 (vide aviso de recebimento de fl.41), interpôs a mencionada manifestação de inconformidade, na qual alega possuir créditos pautados em decisão judicial favorável à Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Pernambuco OAB/PE (à qual a empresa seria (sic) sindicalizada), garantidora da isenção do pagamento da COFINS às empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas, motivo por que teria direito ao reconhecimento do indébito do pagamento da COFINS tratado nos correntes autos e, conseqüentemente, à homologação das compensações realizadas por intermédio do PER/DCOMP aqui examinado. 5. Sustenta a recorrente, ainda, que, de acordo com informações colhidas junto ao Centro de Atendimento ao Contribuinte CAC da DRF/REC/PE, a conclusão atingida pelo Despacho Decisório censurado se deveria à nãoretificação, para o novo valor apurado, da respectiva Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) circunstância que, na visão da defendente, não anularia a existência do pretendido crédito. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 6. Á manifestação de inconformidade, o sujeito passivo anexou, dentre outros documentos, cópia de acórdão proferido pelo E. Tribunal Regional Federal da 5ª Região TRF/5ª Região (fls. 22/37) e de certidão de trânsito em julgado (fl.38). 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls.54/57). A Delegacia de Julgamento em Recife (PE) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11 /2000 a 30/11/2000 SOCIEDADE CIVIL. COFINS. ISENÇÃO RECONHECIDA POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SUBSEQÜENTE POSICIONAMENTO DIVERSO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. TITULO JUDICIAL. INEXIGIBILIDADE. É inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado que reconhece direito à isenção do pagamento da COFINS a sociedades civis prestadoras de serviços relacionados a profissão legalmente regulamentada, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal, especialmente quando a eficácia da decisão judicial transitada em julgado haja sido desconstituída em ação rescisória. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO FUNDADO EM TÍTULO JUDICIAL INEXIGÍVEL. NÃOHOMOLOGAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. PROCEDÊNCIA. É procedente o Despacho Decisório que não homologa compensações em que é utilizado suposto direito creditório fundado em titulo judicial inexigível, por inexistir crédito líquido e certo a ser compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 68 a 73, aduzindo, em síntese. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914179/200929 Acórdão n.º 3801001.695 S3TE01 Fl. 93 5 A decisão da DRF/Recife considerou não homologadas as compensações com base no fato de que os DARF’s aos quais estavam vinculados os créditos estavam totalmente utilizados. A Recorrente baseou sua manifestação de inconformidade em argumentos e fatos que tentavam ilidir a decisão da DRF/Recife, buscando demonstrar a existência dos créditos tributários em favor da empresa. Em sede de julgamento por parte da DRJ/Recife não está ocorrendo apenas a revisão proferida pela DRF/Recife, mas sim uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações, que agora sustentase na apresentação das DCOMP antes do trânsito em julgado da ação, sem que tenha sido oportunizado à empresa a possibilidade de apresentar defesa sobre o assunto. Toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. A decisão proferida pela 2ª Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente nos argumentos sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre novos fatos e informações apresentados ao processo, merece reparos. A argumentação da DRJ/Recife não condiz com a realidade dos fatos. Em seu item 19, a decisão da DRJ/Recife informa que não seria possível a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de COFINS. A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da COFINS já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos ex nunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício isenção da COFINS somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. A liminar é decisão precária e não anulou os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. DO PEDIDO: De todo o exposto e demonstrado nesta, restando provada a existência dos créditos relativos a pagamentos indevidos de COFINS e que a decisão proferida pela DRJ/Recife está em dissonância com a realidade dos fatos, requer que seja processado Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 regularmente o presente Recurso Voluntário, na forma do Decreto nº 70.235/72, de acordo com os mandamentos do art. 74, da Lei nº 9.430/96 e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife, reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título de Cofins e, consequentemente, homologar a compensação realizada no PER/DCOMP relacionado a esse processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914179/200929 Acórdão n.º 3801001.695 S3TE01 Fl. 94 7 Voto Conselheiro José Luiz Bordignon, Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a Requerente teve seu pedido de compensação indeferido em razão do pagamento ter sido integralmente utilizado na quitação do débito declarado em DCTF, não restando saldo disponível a ser aproveitado para compensar com débitos informados no PerDcomp. Em sua Manifestação de Inconformidade, aduz a empresa que estava isenta do pagamento da contribuição para a COFINS na forma do decidido judicialmente, portanto todos os pagamentos realizados a tal título tornaramse indevidos consoante disposição do art. 165, I, do CTN. A Autoridade Julgadora de Primeira Instância, com fulcro no art. 741, II e parágrafo único do Código de Processo Civil, abaixo colacionado, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo a decisão da DRF/Recife, sob o fundamento de que é inexigível o título judicial, consubstanciado em decisão judicial transitada em julgado, quando sobrevindo a respeito posicionamento diverso consolidado junto ao Supremo Tribunal Federal. Art. 741. Na execução contra a Fazenda Pública, os embargos só poderão versar sobre: [...] II inexigibilidade do título; [...] Parágrafo único. Para efeito do disposto no inciso II do caput deste artigo, considerase também inexigível o título judicial fundado em lei ou ato normativo declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como incompatíveis com a Constituição Federal. Por seu turno, a Recorrente se contrapõe aos fundamentos da DRJ/Recife, pontuando duas questões, a saber: Cerceamento de defesa em razão da inovação perpetrada pela DRJ/Recife que inovou o conteúdo do indeferimento inicial das compensações sem prévia comunicação e abertura de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e alegações apresentadas ao processo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 A decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício de isenção da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5ª Região decidiu dar parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc a decisão e que apenas contra esta decisão do TRF foi proferida a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. I Da preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Protesta a Requerente pela ocorrência de cerceamento de defesa em razão de inovação no conteúdo do indeferimento inicial, consubstanciado na ausência de comunicação prévia dos documentos acostados aos autos e abertura de prazo para manifestação. Passemos à análise do arguido. Da análise dos autos, constatase que foram juntados os documentos de fls. 42 a 57, conforme informação de fls. 58, abaixo colacionada: 7. Este julgador juntou aos presentes autos os seguintes documentos: (i) extrato de consulta processual junto ao sítio do TRF/ 5ª Região à Ação Rescisória tombada sob o n° 2006.05.00.0442426 e ementas dos acórdãos proferidos naquela ação aos 23/11/2007, 27/02/2008 e 16/06/2010 (fls.42/53 ); e (ii) extrato de consulta processual junto ao sítio do Supremo Tribunal Federal STF à Reclamação etiquetada sob o n° 6.917/PE e decisão monocrática nela proferida aos 09/12/2008 pelo Exmo. Ministro Joaquim Barbosa (fls. 54/57). Importante registrar que a juntada dos referidos documentos ocorreu após a apresentação da manifestação de inconformidade pelo Contribuinte. Também, que não há impedimento legal para a juntada de novos documentos pela autoridade administrativa/julgadora, todavia o que não é permitido é inovar em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. No caso presente, além do Contribuinte não ter sido cientificado da juntada de novos elementos ao processo, a razão de decidir estampada no acórdão se deu com fundamento nos novos documentos. Convém aclarar que, nos casos em que a autoridade administrativa/julgadora carrear aos autos documentos após a apresentação da peça impugnatória, é essencial que o contribuinte seja cientificado e aberto prazo para manifestação, se desejar, só assim estará garantido o pleno exercício de seu direito a ampla defesa e ao contraditório, postulados gravados na Constituição Federal e no Processo Administrativo Fiscal. Não obstante, a manifestação de inconformidade é ato que faz nascer o contencioso, repercutindo na mudança do procedimento administrativo preparatório para o de julgamento, comportando ao contribuinte as garantias relativas ao devido processo legal. Resta claro que o Despacho Decisório emanado pela DRF/Recife teve como fundamento a insuficiência de saldo disponível para procederse a compensação, enquanto que Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.914179/200929 Acórdão n.º 3801001.695 S3TE01 Fl. 95 9 a decisão da DRJ/Recife alicerçou –se nos efeitos das decisões judiciais prolatadas nos processos (i) AMS nº 80558/PE (2001.83.00.145250); (ii) Ação Rescisória nº 5471/PE (2006.05.00.0442426) e (iii) RCL/6917 – STF – Reclamação. O que não se pode, agora, em segunda instância administrativa de julgamento, é analisar fatos e documentos que não constavam da lide inicial, sob pena de afrontar garantias e princípios processuais, como por exemplo, o do duplo grau de jurisdição. É fato que a Recorrente tem o direito de participação no processo administrativo em relação a todo e qualquer ato ou documento juntado, sendo que a falta de comunicação acarreta cerceamento de defesa pela ausência de contraditório. Desse modo, as normas reguladoras do processo administrativo fiscal outorgam ao contribuinte o direito de ter a matéria litigiosa, seus fundamentos, argumentos e provas analisados pelas duas instâncias administrativas de julgamento, sem o que teríamos como conseqüência a supressão de uma delas. Desse modo, diante das razões acima expostas, encaminho meu voto no sentido de julgar procedente o recurso voluntário para declarar NULA a decisão da DRJ/Recife, como também todos os atos praticados posteriormente à referida decisão, posto que esta inovou em relação aos fundamentos primeiros apresentados pelo fisco sem que a Requerente tenha sido cientificada dos mesmos e oportunizada sua manifestação. A partir de então, deve o processo retornar à Unidade de Origem para: 1. Cientificar o contribuinte dessa decisão; 2. Cientificar o contribuinte dos documentos de fls. 42 a 57, juntados pela DRJ/Recife; 3. Abrir prazo para manifestação, se assim desejar; 4. Aplicar o rito do PAF. É como voto. (assinado digitalmente) José Luiz Bordignon Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por JOSE LUIZ BORDIGNON, Assinado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10140.720821/2011-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008
PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA. RENÚNCIA.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa em renúncia ao contencioso administrativo em relação à matéria submetida à apreciação judiciária, devendo o processo ter seguimento normal no que se refere à matéria diferenciada.
DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL EM DINHEIRO.
Comprovado nos autos que o recorrente efetuou depósito integral da contribuição previdenciária, cessa-se a incidência dos acréscimos legais, conforme dispõe o artigo 9° da Lei n° 6.830, de 22/09/1980.
JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2402-003.193
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados, para os quais tenha havido depósito judicial integral.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008 PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa em renúncia ao contencioso administrativo em relação à matéria submetida à apreciação judiciária, devendo o processo ter seguimento normal no que se refere à matéria diferenciada. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL EM DINHEIRO. Comprovado nos autos que o recorrente efetuou depósito integral da contribuição previdenciária, cessa-se a incidência dos acréscimos legais, conforme dispõe o artigo 9° da Lei n° 6.830, de 22/09/1980. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados, para os quais tenha havido depósito judicial integral. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA. RENÚNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo importa em renúncia ao contencioso administrativo em relação à matéria submetida à apreciação judiciária, devendo o processo ter seguimento normal no que se refere à matéria diferenciada. DEPÓSITO JUDICIAL INTEGRAL EM DINHEIRO. Comprovado nos autos que o recorrente efetuou depósito integral da contribuição previdenciária, cessase a incidência dos acréscimos legais, conforme dispõe o artigo 9° da Lei n° 6.830, de 22/09/1980. JUROS DE MORA. SELIC. APLICAÇÃO É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 21 /2 01 1- 86 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos juros e multa lançados, para os quais tenha havido depósito judicial integral. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 864DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720821/201186 Acórdão n.º 2402003.193 S2C4T2 Fl. 864 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado com ciência em 14/06/2011. O crédito, destinado ao SENAR, é decorrente da receita bruta auferida pelo produtor rural pessoa física proveniente da comercialização da sua produção. Seguem transcrições do acórdão recorrido: CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SENAR INCIDENTES SOBRE A RECEITA PROVENIENTE DA COMERCIALIZAÇÃO DE PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, devese limitar a aplicála, não tendo competência para declarar norma inconstitucional. AÇÃO JUDICIAL. A Administração Pública fica impedida de apreciar a matéria posta em juízo, uma vez que as decisões judiciais devem prevalecer sobre as administrativas. MULTA E JUROS. DEPÓSITO JUDICIAL Não há previsão legal para a não exigência de multa e juros, relativamente a crédito com exigibilidade suspensa em decorrência de depósito judicial do seu montante integral. ... Há decisão judicial (processo 0001.27024.1996.4.03.6000) julgando inexigível a contribuição prevista no art. 25 da lei 8212/1991, na alteração promovida pela Lei 8540/1992. Entretanto, a extensão de tal decisão aos fatos geradores ocorridos após a lei 10.256/2001 e a conseqüente liberação dos depósitos judiciais efetuados estão sendo questionadas pelo contribuinte junto ao Tribunal Regional Federal da 3ã Região, no agravo de instrumento n° 001331153.2011.4.03.0000/MS. Contra a decisão, o recorrente interpôs recurso voluntário, onde se reiteram as alegações trazidas na impugnação: 1. Como consta na autuação, a cooperativa autuada ajuizou em 1996 a Ação Declaratória c/c Repetição de Indébito n.° 000127024.1996.4.03.6000 (96.00012709) contra a União, com pedido imediato de depósito judicial, mês a mês, das contribuições sociais vincendas, cuja exigibilidade estava em discussão (Funrural art. 25, Lei n.° 8.212/91) providência deferida pelo Juízo a quo à f. 106 e com pedidos mediatos para restar reconhecida a inexistência de relação jurídicotributária que a obrigasse a efetuar o recolhimento das referidas Fl. 865DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 contribuições, e condenar a União (Fazenda Nacional) a restituir o indébito referente aos 5 anos anteriores à data do ajuizamento da ação (06.03.1996). Não foram objeto da demanda, no pedido e nas decisões judiciais, as contribuições ao SENAR 2. No Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 541.324 AgRED/MS, pelo acórdão de f. 247/250 (STF), a Segunda Turma, por unanimidade, acolheu os embargos de declaração com efeitos infringentes para reformar o acórdão de f. 394/399 (TRF da 3a Região) e "dar provimento ao recurso extraordinário para julgar procedente a ação declaratória de inexistência da obrigação tributária, invertendo se os ônus da sucumbência." 3. A decisão do STF foi publicada no dia 23/11/2010, sendo que os autos foram remetidos em carga para a Procuradoria da Fazenda Nacional em 15/12/2010, tendo transcorrido o prazo para eventual irresignação sem qualquer manifestação da PFN, tendo havido o trânsito em julgado em 07/02/2011. 4. A questão sobre a extensão do julgado acima referido, inclusive se abrangeria ou não as contribuições ao SENAR, ao contrário do que consta na autuação, está em discussão no âmbito do TRF da 3a Região, nos autos do Agravo de Instrumento n.° 2011.03.00.0141892 (0014189 75.2011.4.03.0000), que ainda aguarda julgamento, tendo sido deferido efeito suspensivo para impedir a conversão em renda daquelas. 5. Ocorre que, independentemente do resultado final do referido Agravo de Instrumento, ainda passível de recursos junto ao Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal, e mesmo que, ao final, se decida favoravelmente à União, é manifestamente improcedente a autuação ora impugnada porque não há fundamento legal a sustentar as referidas exações. Mérito 1. O lançamento tributário é exercido por uma atividade administrativa vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade pessoal do agente público. 2. A impossibilidade de serem sopesados aspectos de conveniência e oportunidade em relação ao lançamento tributário decorre do princípio constitucional da estrita legalidade que norteia a atividade da administração pública (artigo 37, caput, da Constituição Federal). Na atividade administrativa do lançamento, deve a administração fazendária aplicar a lei objetivamente, isto é, através de uma ação administrativa imparcial e livre de subjetivismos. 3. Na espécie dos autos, sem maiores esforços, é possível constatar que o agente fiscal autuante, deixou de lado a lei e teve como tributáveis hipóteses de incidência com relação as quais não há fundamentação legal. 4. A contribuição destinada ao SENAR, estabelecida inicialmente à alíquota de 0,1% (um décimo por cento) pela Lei Fl. 866DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720821/201186 Acórdão n.º 2402003.193 S2C4T2 Fl. 865 5 n° 9.528, de 10/12/1997 (art. 6o), posteriormente majorada para 0,2% (dois décimos por cento) pela Lei n° 10.256, de 09/07/2001 (art. 3o), toma, igualmente, como base de cálculo, a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, ou seja a mesma base de cálculo que o E. Supremo Tribunal Federal afirmou não ser autorizada, antes da Emenda Constitucional n° 20/98, a sofrer incidência de contribuição social destinada à Previdência Social. 5. Como se sabe, com relação às contribuições para o Funrural, o Supremo Tribunal Federal, no RE 363.852 (MG), em decisão proferida pelo plenário em 03.02.2010, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1o da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, sendo que um dos fundamentos da decisão foi a contrariedade ao artigo 195 da CF. 6. Embora a contribuição destinada ao SENAR esteja compreendida no conceito de "contribuições sociais", tendo por matriz o artigo 149 da Constituição Federal, mas não tendo destinação previdenciária, é forte o entendimento e ele pode ser observado no próprio voto condutor da referida decisão do Supremo, elaborado pelo Ministro Marco Aurélio de que as contribuições exigíveis ao empregador, inclusive quando não destinadas à Previdência, devem se submeter ao referido artigo 195 da CF. 7. Convém destacar ainda que, no caso da contribuição para o SENAR, o artigo 6o da Lei n° 9.528/97 é inconstitucional por ofender o artigo 62 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) que estabelece a criação do nos mesmos moldes da legislação relativa ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio (SENAC). 8. Como determina o referido dispositivo constitucional, a criação do SENAR sob a égide da Constituição Federal de 1988 somente foi permitida conforme os moldes da legislação relativa ao SENAI e SENAC a qual abrange, evidentemente, os mesmos moldes das fontes de recursos destes dois outros órgãos. 9. Respeitando a determinação constitucional, foi instituído como renda do SENAR uma contribuição exigida a alíquota de 2,5% sobre o montante das remunerações pagas pelos seus contribuintes pessoas jurídicas aos seus empregados, seguindo os mesmos moldes das contribuições devidas para o SENAI e SENAC, nos termos previstos no artigo 3o, inciso I da Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991. 10. Esta forma de cobrança, por determinação constitucional, adota o modelo das Contribuições para o SENAI e SENAC, que em conjunto resultam na cobrança da mesma alíquota de 2,5% sobre as remunerações dos empregados dos contribuintes pessoas jurídicas como estabelecem os artigos 1o e seguintes do Fl. 867DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 DecretoLei n° 6.246, de 5 de fevereiro de 1944, e 3o do Decreto n° 60.466, de 14 de março de 1967. 11. Todavia, com o advento do artigo 6o da Lei n° 9.528/97, a legislação relacionada a Contribuição para o SENAR deixou de observar os moldes da legislação aplicável ao SENAI e SESI e sem respeitar a determinação contida no artigo 62 do ADCT instituiu a contestada exigência na alíquota de 0,2% sobre receita bruta da comercialização da produção rural de produtores pessoas físicas. Em razão disto, este dispositivo é inconstitucional por não respeitar a determinação contida no artigo 62 do ADCT o SENAR não possui autorização constitucional para incidir sobre outra base afora a folha de salários (art. 240 da CF/88 c/c art. 62 do ADCT). 12. Em relação a contribuição para o SENAR, mesmo se não estivessem presentes as inconstitucionalidades defendidas acima, persistiria a impossibilidade do adquirente como é o caso da Cooperativa Impugnante ser obrigado ao seu pagamento, porque a mesma não está abrangida pela subrogação prevista no artigo 30, inciso IV da Lei n° 8.212/91. 13. Nos termos do referido dispositivo, a responsabilidade está limitada ao cumprimento das obrigações do artigo 25 da Lei n° 8.212/91, as quais nunca englobaram a obrigação de recolher a contribuição para o SENAR dos empregadores rurais pessoas físicas referido no artigo 6o da Lei n° 9.528/97. Multa e Ofício/Mora/Juros 1. Ainda que se admita, à guisa de argumentação, subsistirem os lançamentos impugnados, há que se ressaltar que, nesse caso, a multa e os juros impostos não podem prosperar porque, como consta na própria autuação, as contribuições supostamente devidas foram objeto de tempestivos depósitos judiciais integrais e em dinheiro, junto ao feito 96.00012709, da 4a Vara Federal de Campo Grande, MS. 2. Como se sabe, a teor do artigo 151, II, do CTN e conforme reiteradas decisões judiciais (Súmula 112/STJ: O depósito somente suspende a exigibilidade do crédito tributário se for integral e em dinheiro), os depósitos integrais como ocorreram no caso suspendem a exigibilidade e arredam os efeitos da mora (multa e juros). É o Relatório. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720821/201186 Acórdão n.º 2402003.193 S2C4T2 Fl. 866 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Preliminares É comprovado nos autos que ao ajuizar ação onde se discute o mérito da exigência fiscal, o recorrente efetuou depósito integral da contribuição previdenciária. Conforme dispõe o artigo 9° da Lei n° 6.830, de 22/09/1980, o depósito tal como efetuado pelo recorrente faz cessar a incidência dos acréscimos legais: Art. 9º Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: I efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; ... § 1º O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do respectivo cônjuge. § 2º Juntarseá aos autos a prova do depósito, da fiança bancária ou da penhora dos bens do executado ou de terceiros. § 3º A garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro ou fiança bancária, produz os mesmos efeitos da penhora. § 4º Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. ... E também o artigo 63, §2º da Lei nº 9.430/1996, que estipula a interrupção da incidência de multa de mora mesmo no caso de medida liminar: Art.63.Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Fl. 869DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (g.n.) Nesse sentido, entendo que devam ser excluídos do lançamento os juros e multa de mora incidentes sobre as bases de cálculo incluídas no lançamento para as quais tenham sido realizados depósito integral em dinheiro. Mérito Verificase que se trata de lançamento relativo aos fatos geradores ocorridos no período em que já vigente a Emenda Constitucional n° 20, de 15/12/1998 que incluiu a competência para a instituição de contribuição previdenciária sobre a receita e o faturamento. Logo, a atual decisão do STF pela inconstitucionalidade formal do artigo 25 da Lei nº 8.212/91 não se aplica ao presente caso. Conforme relatório do acórdão recorrido, discutese em agravo a aplicação da decisão do STF nos RE nº 541.324 e RE 363.852 aos fatos geradores ocorridos após a Lei nº 10.256/2001: A extensão de tal julgado aos fatos geradores ocorridos após a lei 10.256/2001 e a conseqüente liberação dos depósitos judiciais efetuados estão sendo questionadas nos autos do Agravo de Instrumento n.° 00133113.2011.4.03.0000/MS, TRF da 3a Região, tendo sido opostos, além de Embargos de Declaração, em 04/07/2011, Recursos Especial e Extraordinário, em 16/09/2011, contra o acórdão que deu provimento ao referido recurso. Portanto, entendo que por renúncia à discussão na esfera administrativa, não devam ser conhecidas as questões sobre a exigência da contribuição, como dispõem: Lei n.º 8.213, de 24/07/91: Art.126 (...) §3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Lei n.º 6.830, de 22/09/80: Art. 38. A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato, declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720821/201186 Acórdão n.º 2402003.193 S2C4T2 Fl. 867 9 Parágrafo único. A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Decreto n.º 3.048, de 06/05/99: Art. 307. A propositura pelo beneficiário de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (Redação dada pelo Decreto nº 6.722, de 2008). Quanto à não incidência da taxa SELIC, o artigo 26A do Decreto n° 70.235/72 restringe a atuação do órgão administrativo no sentido de afastar dispositivo legal vigente: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Ressaltase que recentemente o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da incidência da taxa SELIC para fins de acréscimos legais de tributos: RE 582461 / SP SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIORelator(a): Min. GILMAR MENDESJulgamento: 18/05/2011 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe158 DIVULG 17082011 PUBLIC 18082011 EMENT VOL02568 02 PP00177 Parte(s) RELATOR : MIN. GILMAR MENDES RECTE.(S) : JAGUARY ENGENHARIA, MINERAÇÃO E COMÉRCIO LTDA ADV.(A/S) : MARCO AURÉLIO DE BARROS MONTENEGRO E OUTRO(A/S)RECDO.(A/S) : ESTADO DE SÃO PAULO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADOR GERAL DO ESTADO DE SÃO PAULO INTDO.(A/S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL Ementa 1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no Fl. 871DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Decisão O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, conheceu do recurso extraordinário, contra o voto da Senhora Ministra Cármen Lúcia, que dele conhecia apenas em parte. No mérito, o Tribunal, por maioria, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Votou o Presidente, Ministro Cezar Peluso. Em seguida, o Presidente apresentou proposta de redação de súmula vinculante, a ser encaminhada à Comissão de Jurisprudência, com o seguinte teor: “É constitucional a inclusão do valor do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS na sua própria base de cálculo.” Falaram, pelo recorrido, o Dr. Aylton Marcelo Barbosa da Silva, Procurador do Estado e, pelo amicus curiae, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa e, em viagem oficial à Federação da Rússia, o Senhor Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.05.2011. Em razão do exposto, voto por conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso a fim de que sejam excluídos do lançamento os juros e multa de mora incidentes sobre as bases de cálculo a partir do depósito judicial integral. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 872DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10140.720821/201186 Acórdão n.º 2402003.193 S2C4T2 Fl. 868 11 Fl. 873DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/12/ 2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 19515.002675/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2008
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Negado É suficiente para demonstrar a ocorrência do fato jurídico tributário relativo a contribuições sociais a apresentação da declaração de GFIP prestada pelo sujeito passivo. RETENÇÕES DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. É vedada a compensação das retenções efetuadas pelo tomador de serviços prestados mediante cessão de mão de obra com as contribuições destinadas a outras entidades e fundos. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS EM ATRASO. INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC. As contribuições sociais recolhidas fora do prazo legal sujeitam-se aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SEL1C, a que se refere o art. 13 da Lei n.° 9,065, de 20 de junho de 1995. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório.
Numero da decisão: 2401-002.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) afastar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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As Delegacias Especiais da Receita Federal do Brasil de Fiscalização DEFIS possuem competência para lançamento de contribuições para outras entidades e fundos arrecadas pela RFB. COMPROVAÇÃO DA OCORRÊNCIA DOS FATOS GERADORES. DECLARAÇÃO DE GFIP. É suficiente para demonstrar a ocorrência do fato jurídico tributário relativo a contribuições sociais a apresentação da declaração de GFIP prestada pelo sujeito passivo. RETENÇÕES DECORRENTES DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR CESSÃO DE MÃO DE OBRA. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM CONTRIBUIÇÕES PARA OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. É vedada a compensação das retenções efetuadas pelo tomador de serviços prestados mediante cessão de mão de obra com as contribuições destinadas a outras entidades e fundos. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS RECOLHIDAS EM ATRASO. INCIDÊNCIA DOS JUROS SELIC. As contribuições sociais recolhidas fora do prazo legal sujeitamse aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SEL1C, a que se refere o art. 13 da Lei n.° 9,065, de 20 de junho de 1995. MULTA CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 75 /2 01 0- 00 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que tem caráter confiscatório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2008 RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O Relatório de Representantes Legais representa mera formalidade exigida pelas normas de fiscalização, em que é feita a discriminação das pessoas que representavam a empresa ou participavam do seu quadro societário no período do lançamento, não acarretando, na fase administrativa do procedimento, qualquer responsabilização das pessoas constantes daquela relação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. CONTAGEM PELA REGRA DO INCISO I DO ART. 173 DO CTN. Inexistindo antecipação de recolhimento das contribuições previdenciárias, a contagem do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias tem como marco inicial o primeiro dia do exercício seguinte aquele em que os tributos poderiam ter sido lançados. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; II) afastar a preliminar de nulidade; e III) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002675/201000 Acórdão n.º 2401002.610 S2C4T1 Fl. 252 3 Relatório Tratase do Auto de Infração – AI n.º 37.235.6028 contra o sujeito passivo acima identificado para exigência de contribuições patronais para outras entidades e fundos. De acordo como o Relatório Fiscal, fls. 72/78, as contribuições incidiram sobre as remunerações pagas aos empregados da empresa, apuradas nas folhas de pagamento e informadas nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIPs. Aduziu o fisco que, no período de 07/2005 a 10/2007, o contribuinte informou nas GFIP o código "3138" referente às contribuições para outras entidades e fundos(terceiros), quando o correto seria o código "3139". Com isso, deixou de declarar nas GFIPs o código destinado ao recolhimentos das contribuições destinadas ao salário educação. Já no período de 11/2007 a 08/2008, informou o código "0", deixando assim de declarar nas GFIPs todas as contribuições destinadas aos terceiros. Afirmase que as contribuições não declaradas, também não foram recolhidas e estão sendo exigidas mediante o presente AI. Ressalta que, para aplicação da multa mais benéfica, em atendimento ao disposto no art. 106, inciso II, alínea "c" do CTN, foi verificado que a legislação vigente à época dos fatos geradores era mais benéfica ao sujeito passivo, tendo a multa de mora sido fixada em 24%. O sujeito passivo ofertou impugnação, fls. 81/109, cujas razões não foram acatadas pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, que declarou procedente o lançamento, ver fls. 161/184. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário, fls. 194/236, na qual, em apertada síntese, alegou que: a) a sua documentação fiscal sempre esteve à disposição da Auditoria Fiscal, porém foi surpreendida com a autuação pela não exibição de documentos; b) a partir da Lei n.º 11.547/2007, as contribuições para terceiros passaram a ter as mesmas condições da contribuição previdenciária, logo, hoje é possível utilizar os valores de retenção sobre faturas de prestação de serviços para compensar os valores devidos a outras entidades e fundos; c) a DEFIS –Delegacia Especial de Fiscalização de São Paulo não tem competência para efetuar o lançamento ora discutido; d) não tendo sido homologada a compensação declarada em GFIP, o lançamento caberia à Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária – DERAT; Fl. 253DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) o Relatório Fiscal não detalha as datas das intimações efetuadas durante o procedimento fiscal, nem se houve pedidos de esclarecimentos; f) na espécie, não se materializou o fato jurídico tributário; g) tendo sido quitadas, mediante compensação de valores retidos, as contribuições declaradas, inexistem diferenças de contribuições a serem recolhidas; h) o Relatório Fiscal é conflituoso, posto, embora cite que o crédito diz respeito a contribuições patronais, não indica as bases de cálculo, as contribuições da empresa e dos segurados; i) por outro lado, o anexo Fundamentos Legais do Débito aponta apenas a existência de compensações indevidas; j) a recorrente opera junto à São Paulo Transporte S/A, empresa constituída pelo Município de São Paulo com a natureza jurídica de empresa de economia mista, executando serviço que, segundo entendimento da própria Procuradoria Geral Federal, subsumese ao art. 31 da Lei n.º 8.212/1991. Portanto, cabe à tomadora proceder à retenção e recolhimento das contribuições previdenciárias no percentual de 11% sobre o faturamento; k) segundo o Parecer n.º 33/2003, de lavra da Procuradoria Federal Especializada do INSS, o descumprimento do dever de reter as contribuições dos prestadores enseja a responsabilidade única da tomadora, não podendo a exigência recair sobre as empresas cedentes de mão de obra; l) conforme se vê do Memorando INSS/DIREP/CGTRIJ/CGREC/CGFISC n.º 01/2004, constante dos autos do Mandado de Segurança n.º 2007.61.00.0199560, dando conta de que a São Paulo Transportes já foi fiscalizada com lavratura das NFLD n.º 35.418.5420 e 35.211.3510, relativas à retenção de 11% sobre as notas fiscais emitidas pelas empresas de transporte. No referido Memorando, determinase a retificação dos lançamentos de débitos efetuados nas prestadoras de serviço; m) não foram apropriados como créditos da recorrente os valores que foram retidos pelo seu contratante, conforme previsto no contrato efetuado entre a Secretaria Municipal de Transportes de São Paulo e o consórcio do qual faz parte a empresa autuada; o) o valor do faturamento das empresas prestadoras de serviço para a São Paulo Transportes S/A é publicado na página eletrônica da Secretaria de Transportes, donde se poderia obter o valor da retenção; p) a multa deveria ter sido fixada em 20%, posto que esse era, até o advento da MP n.º 449/2008, o teto para aplicação de multa decorrente de glosas de compensação; q) também ocorreu na espécie atropelo ao princípio constitucional da vedação ao confisco; r) devese considerar ainda a obrigatoriedade de se reduzir a multa em 50%, posto que as contribuições foram declaradas em GFIP; s) parte do crédito lançado foi alcançado pela decadência; t) devem ser excluídos do polo passivo os sócios e procuradores da empresa autuada. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002675/201000 Acórdão n.º 2401002.610 S2C4T1 Fl. 253 5 Ao final, requer a declaração de nulidade ou improcedência do crédito, bem como o julgamento conjunto de todos os créditos lançados na ação fiscal. É o relatório. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ................................................................................................ Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça, tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que, com base nos elementos constantes nos autos, não seja possível se chegar a uma conclusão segura sobre esse fato. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002675/201000 Acórdão n.º 2401002.610 S2C4T1 Fl. 254 7 Na situação sob enfoque, verificase que no período de 07/2005 a 07/2007, nada foi recolhido ao FNDE (Salário Educação) e, para o período posterior, não houve qualquer recolhimento para os terceiros. Assim, seguindo a jurisprudência majoritária do CARF, entendo que deva ser aplicada a norma do art. 173, I, do CTN, para a contagem do prazo de decadência. Esse posicionamento conduzme à conclusão de que inocorreu a decadência suscitada, posto que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo deuse em 13/10/2010 e o período do lançamento é de 07/2005 a 08/2008. Órgão competente para efetuar o lançamento Nos termos do recurso, não poderia a DEFIS lavrar a autuação, haja vista que, tratandose de não homologação de compensação, a competência seria da DERAT, de cuja decisão caberia pedido de reconsideração. Essa tese não se sustenta, haja vista que o crédito em questão não diz respeito à compensação não homologa, mas a exigência de contribuições a outras entidades e fundos, não declaradas, nem recolhidas. Assim, ao efetuar a lavratura, atuou a Delegacia Especial de Fiscalização – DEFIS em conformidade com a competência expressa no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n.º 587/2010, que assim dispõe: Art. 223. À Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Fiscalização Defis, quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, excetuados os relativos ao comércio exterior, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, desenvolver as atividades de fiscalização, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística e de gestão de pessoas, e, especificamente: I processar lançamentos de ofício, imposição de multas e outras penas aplicáveis às infrações à legislação tributária, bem como as correspondentes representações fiscais; (...) Sem dúvida, a Delegacia Especial de Fiscalização tem competência para lançar de ofício as contribuições para outras entidades e fundos não recolhidas tempestivamente pelos sujeitos passivos. Esclarecimentos solicitados O AI sob cuidado não se originou da falta de esclarecimentos à intimação efetuada pelo fisco, mas da análise da documentação apresenta durante o procedimento fiscal, mormente as GFIP. Assim, não é pertinente o argumento de que o fisco omitiu no seu relato às intimações efetuadas, posto que essa informação não é relevante para o deslinde da contenda.. A ocorrência dos fatos geradores Fl. 257DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A comprovação dos fatos geradores de contribuições previdenciárias encontrase nas declarações prestadas pela empresa mediante a GFIP. Nas mesmas o sujeito passivo declarou as remunerações dos segurados a seu serviço e as contribuições decorrentes, além das compensações efetuadas. O fisco de posse desses dados verificou que a empresa não estava recolhendo a totalidade das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Verifico que o Relatório Fiscal indica quais as contribuições estão sendo exigidas no lançamento, as bases de cálculo apuradas e a fundamentação legal adotada. Não há nesse caso, o que se falar em cerceamento ao direito de defesa da recorrente. Posso afirmar que os fatos geradores e as circunstâncias em que ocorreram encontramse suficientemente delineada no AI, carecendo de razão a alegada falta de comprovação do fato jurídico tributário. A retenção sobre faturas de prestação de serviço mediante cessão de mão de obra Instituída pela Lei n.º 9.711/1998, que deu nova redação ao art. 31 da Lei n.º 8.212/1991, veio instituir uma nova técnica de arrecadação previdenciária para o segmento das empresas prestadoras de serviço por cessão de mão de obra. Até então responsabilizavase solidariamente o tomador dos serviços pelas contribuições decorrentes da remuneração dos trabalhadores envolvidos na prestação. A partir do novo marco normativo, passouse a exigir que a empresa contratante efetuasse a retenção, a título de antecipação do recolhimento das contribuições previdenciárias, de 11% sobre as faturas de prestação de serviço e recolher em nome da prestadora. A empresa que sofre as retenções passa a ter o direito a se compensar do valores retidos quando do pagamento de suas obrigações previdenciárias normais, desde que efetuasse o destaque da retenção na nota fiscal ou comprovasse o recolhimento das quantias retidas pela tomadora. Todavia, considerando que a retenção diz respeito a contribuições para a Seguridade Social, a compensação somente é possível realizar a compensação com contribuições previdenciárias, não podendo se estender às contribuições lançadas, estas destinadas a outras entidades e fundos. É o que diz o § 1.º do art. 31 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. § 1o O valor retido de que trata o caput deste artigo, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, poderá ser compensado por qualquer estabelecimento da Fl. 258DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002675/201000 Acórdão n.º 2401002.610 S2C4T1 Fl. 255 9 empresa cedente da mão de obra, por ocasião do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. O § 11 do art. 219 é ainda mais específico quanto à impossibilidade de se compensar os valores da retenção com as contribuições dos terceiros. Eis o dispositivo: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (...) §11. As importâncias retidas não podem ser compensadas com contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social para outras entidades. (...) Diante desses dispositivos, cai por terra toda argumentação de mérito e o conjunto probatório que a acompanha, posto que tentam demonstrar que o lançamento é improcedente, em razão das contribuições apuradas, destinadas a outras entidades e fundos, teriam sido quitadas com créditos decorrentes da retenção de 11%. Nesse sentido, posso concluir com segurança que o fisco agiu com acerto ao lançar as contribuições destinadas aos terceiros não declaradas na GFIP e nem recolhidas pela autuada. Acréscimos moratórios A argumentação de que os juros e a multa aplicada ao lançamento são confiscatórios não merece acolhida. Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Quanto à multa, ao contrário do que afirma a recorrente, a mesma foi fixada no patamar de 24% para todo o período. Esse percentual foi aplicado, após verificação de qual seria a multa mais benéfica, tendose em conta as alterações legislativas promovidas pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n. 11.941/2009. O fisco demonstrou ser esta mais benéfica ao sujeito passivo que a multa aplicada com esteio na legislação atualmente em vigência. Vejo que não é caso de redução da multa em 50%, posto que essa benesse somente era concedida, nos termos do revogado § 4.º do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, aos contribuintes que tivessem declarado as contribuições devidas em GFIP, o que não é o caso da autuada em relação às contribuições para outras entidades e fundos. O suposto caráter confiscatório da multa também não deve ser acolhido. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da multa por descumprimento de obrigação de pagar o tributo é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja Fl. 260DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.002675/201000 Acórdão n.º 2401002.610 S2C4T1 Fl. 256 11 vista que uma vez definido o patamar da sua quantificação pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da falta de pagamento do tributo fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no Discriminativo Sintético do Débito, em que são expressos os valores originários a multa e os juros aplicados no lançamento. Ao contrário do que afirma a recorrente a multa foi aplicada no patamar de vinte por cento, conforme prevê a redação atual do art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, por se mostrar mais benéfica à autuada. Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. Nessa linha de entendimento, dispõe o enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n.º 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre a alegação de inconstitucionalidade da multa aplicada, uma vez que o Fisco tãosomente utilizou os instrumentos legais de que dispunha. Exclusão dos representantes legais do polo passivo A preliminar relativa impossibilidade se arrolar o presidente e os diretores da recorrente como devedores solidários não deve ser acolhida. É preciso que se tenha em conta que a relação de representantes legais da empresa, que constitui anexo do AI, é uma formalidade prevista nas normas de fiscalização que tem cunho meramente informativo, não causando qualquer ônus, na fase administrativa, para as pessoas elencados. Somente após o trânsito administrativo da lide tributária é que o órgão responsável pela inscrição em Dívida Ativa verificará a ocorrência dos pressupostos legais para imputação da responsabilidade tributárias aos representantes da pessoa jurídica. Assim, nessa fase processual não há o que se falar em responsabilidade solidária dos gestores ou procuradores da empresa. 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 261DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Conclusão Ante todo o exposto, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento, por indeferir o pedido de exclusão dos representantes legais do polo passivo, por não reconhecer a decadência e, no mérito, pelo desprovimento do recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 262DF CARF MF Impresso em 24/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/08 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 14041.000640/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.232
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Igor Araújo Soares Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ana Maria Bandeira.
Nome do relator: Não se aplica
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Júlio César Vieira Gomes – Presidente Igor Araújo Soares – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Igor Araújo Soares, Ewan Teles Aguiar, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Ana Maria Bandeira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 64 0/ 20 07 -2 2 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 99 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário interposto por S/A CORREIO BRAZILIENSE em face do acórdão de fls. 59/64 que manteve a integralidade do Auto de Infração n. 37.058.7235 lavrado para a cobrança de multa por ter deixado de informar em GFIP, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, no caso as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados empregados referentes a prêmios e bonificações, verificado nas Notas Ficais da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. O período apurado compreende a competência de 11/2003, tendo sido o contribuinte cientificado em 17/08/2007. Consta do Relatório Fiscal que no período, a recorrente pagou aos seus funcionários prêmios e bonificações por meio diverso do registro normal em folha de pagamento conforme preceitua o RPS aprovado pelo Decreto 3.048/99. Tais pagamentos foram realizados com base nas notas Fiscais da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA emitidas em 03 e 04/11/2003. Quando requisitada a apresentação de relação de beneficiários do referido pagamento, a recorrente não o fez tempestivamente. O auditor constatou que ao verificar a folha de pagamento da empresa e a GFIP, relativa ao período fiscalizado, a recorrente deixou de informar todos os valores supramencionados. De acordo com o agente fiscal, o valor da multa foi calculado por competência em que houve omissão, correspondente a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, respeitado o limite máximo em função do número de segurados da recorrente – a autoridade fiscal verificou que no período fiscalizado constavam 804 funcionários –, conforme disposto na Lei n° 8.212, de 24.07.91, art. 32, §5°, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inc. II e art. 373. Valores atualizados pela Portaria MPS n°. 142 de 11/04/2007. Em seu recurso, a recorrente requer a reforma da decisão de primeira instância baseada no fato de estar sendo penalizada duas vezes pelo mesmo fato: a) Auto de Infração nº 37.058.7197: por violação ao disposto nos arts. 32, I, da Lei 8.212/1991 e 225, I, § 9 0, do Decreto 3.048/1999, com a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999. b) Auto de Infração n° 37.058.7235: por violação ao disposto nos arts. 32, IV, da Lei 8.212/1991 e 225, W, §§ 1° a 6°, do Decreto 3.048/1999 Explicou que possuía convicto desconhecimento que abonos/prêmios constituiriam fato gerador de contribuição previdenciária, ressaltando que seria a mesma matéria discutida nos três processos referentes aos Autos de Infração n° 37.058.7197, n° Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 100 3 37.058.7235 e n° 37.017.6723: exigibilidade ou não da contribuição previdenciária incidente sobre os abonos/prêmios pagos aos empregados e dirigentes da recorrente Segundo a recorrente, os abonos/prêmios não foram tributados porque a Lei 8.212/91, a qual definiu o fato gerador da contribuição, excluiu do campo de incidência "as importâncias recebidas a titulo de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário" (art. 28, § 8°, e, 7). Ainda em seu recurso, informou que a lei estabeleceu duas hipóteses de não incidência da contribuição: a título de ganhos eventuais e incidência nos abonos expressamente desvinculados do salário; aduziu que o prêmio encaixase como ganho eventual e como abono, respectivamente, por ter sido estipulado a ser pago em um programa de incentivo e condicionado a certos eventos ou condições e porque se inclui no conceito doutrinário trazido, do autor Arnaldo Süssekind. Esses programas, segundo a recorrente, encaixamse no chamado programa de marketing de incentivo. Ressalta a recorrente que os pagamentos não eram feitos de forma indiscriminada, e sim, para a grande maioria dos empregados, o abono/prêmio era pago anualmente se fossem cumpridas as metas estabelecidas pelo programa, inclusive nos anos de 2005 e 2006 não receberam. O Grupo Executivo recebia o abono anual com antecipação semestral e o Grupo Comercial mensalmente de acordo com o cumprimento das metas trimestrais. Amparado por doutrina e jurisprudência de Tribunais, a recorrente aduz ter o programa de incentivo o objetivo de aumentar o ganho do empregado e da eficiência empresarial e aumentar a lucratividade da empresa e permitir a participação dos empregados em parte desse lucro. Aduz ter a autoridade fiscal uma interpretação restritiva, procurando por meio de uma interpretação abrogante, revogar o texto que permitiria a nãoincidência tributária. Requer a reforma da decisão de primeira instância por considerar não ter observado que a imposição de penalidade em matéria tributária deve obedecer ao disposto no art. 136 do CTN, nos termos das regras previstas nos arts. 137 e 112, conforme jurisprudência do STJ. Caso seja negado provimento à impugnação da aplicação da multa, a recorrente que exclua a agravante de reincidência genérica prevista no art. 290, V, do Decreto 3.048/1999, sob pena de violação à garantia da reserva legal prevista no art. 5º, II, da Constituição. Por fim, pede que seja anulada a multa imposta. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, vieram os autos a este Eng. Conselho. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.000640/200722 Resolução nº 2402000.232 S2C4T2 Fl. 101 4 VOTO Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator A analisar os argumentos de defesa objeto do presente processo, verifico que contra o contribuinte epigrafado foram lançadas, também, as contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de premiação via cartão da empresa SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA. Referido lançamento foi efetuado nos autos do processo n. 14041.000639/2007 06 (DEBCAD n° 37.017.6723), conforme informações do próprio contribuinte, o qual não foi a mim distribuído e não pude localizar no sistema de andamentos. Em que pese se tratar no caso de obrigação acessória em decorrência da não informação em GFIP dos fatos geradores de contribuições, tenho que as alegações recursais constantes neste e nos demais processos os quais tramitam em conjunto com o presente e que a mim foram distribuídos devem guardar consonância com o julgamento do lançamento principal, até porque, se julgado improcedente o lançamento principal, também o serão os autos de infração a que ora me reporto, inclusive o presente. Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA determinando à secretaria desta Eg. 4a Câmara, 2a Turma Ordinária do CARF que promova o apensamento do presente processo ao de n. 14041.000639/200706. Após, retornem os autos para julgamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 15/12/20 12 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 23/01/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10280.000757/2003-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS.
As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitam-se os embargos opostos.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 1202-000.856
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(Documento assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. PRESSUPOSTOS. As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Não demonstrando a embargante a ocorrência de imperfeições no acórdão, rejeitamse os embargos opostos. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Geraldo Valentim Neto e Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 07 57 /2 00 3- 17 Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 452 2 Após o despacho do Presidente desta Colenda Câmara, retornam os autos para exame do pedido formulado pelo embargante, com base no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, denominado de “Embargos de Declaração”, por entender o peticionário existir omissão no Acórdão nº 120200.588, prolatado na sessão de 04 de outubro de 2011, apresentando em seu arrazoado de fls. 405/443 o seguinte: “Ocorre que o acórdão foi omisso sobre questão essencial ao deslinde da controvérsia. Com efeito, analisandose a peça de insurgência inaugural de fls. 116/128, verificase que o autuado não impugnou especificamente multa e as razões que levaram sua qualificação. Tal matéria, destaquese mais uma vez, não foi ventilada de forma explícita e específica, em sua impugnação, conforme se observa pelo teor da peça de fls. 116/128. Alí apenas há menções genéricas à falta de intenção de fraudar o Fisco e o pedido genérico de cancelamento da multa, que, portanto, não cumpre o ônus da impugnação especificada dos fatos. Em conseqüência, não se instaurou litígio em relação a matéria, em razão do quê não foi objeto de consideração, análise e decisão pela autoridade julgadora de primeira instância, no relatório de sua decisão. Noutros termos, como bem aduziu o voto condutor do aresto, no Relatório Fiscal de fls. 73 a 87 a autoridade fiscal trouxe os motivos que ensejaram a qualificação da multa. Logo, caberia ao autuado contraporse a cada um, de forma específica e fundamentada. Esse é o comando que se extrai do artigo 302, do Código de Processo Civil:"Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados". Ademais, é conclusão que deflui do princípio do devido processo legal, do contraditório e da paridade de armas, pois se por um lado deve o Fisco argüir e comprovar, de forma fundamentada, os motivos que ensejaram a qualificação da multa, deve o contribuinte arcar com o ônus da contestação específica de contradizêlos, também da mesma forma específica e fundamentada. Cabe observar, por exemplo, que o contribuinte nada aduz sobre a apresentação reiterada de declarações zeradas, somente argumentando que foram apresentadas declarações retificadoras já em sede recursal, o que ensejou inclusive o retardamento do feito com a conversão do julgamento em diligência. Logo, evidente a inovação de matéria que não foi especificamente impugnada: a multa e as razões que levaram à sua qualificação. Entretanto, inobstante as considerações acima tecidas de que a impugnação do sujeito passivo não ventila impugnação específica e pedido expresso referente à multa aplicada e os motivos que conduziram à sua qualificação, sendo tal insurgência objeto de inovação em sede de recurso voluntário, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 453 3 observase que o acórdão embargado, bem como o teor do voto sagrado vencedor que dele faz parte integrante, em contrapartida, deu procedência ao recurso do interessado justamente em relação a essa matéria, sem se pronunciar expressamente sobre essas questões. Como se observa, operouse, no caso, a preclusão administrativa, na forma dos arts. 14, 16, e 17 do Decreto nº 70.235/72, fato este sobre o qual foi omissa a decisão deste Colegiado, pois a matéria relativa à multa e as razões para sua qualificação, não foi objeto de insurgéncia especifica na impugnação, sendo matéria objeto de inovação no recurso voluntário. É o teor dos dispositivos mencionados: "Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 16. A impugnação mencionara: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." Ora, sabese que o legislador não utiliza palavras em vão, pois todas têm sua razão de existir. E aqui não foi diferente. Nos dispositivos supracitados, estáse a indicar que o Processo Administrativo Fiscal seguirá os mesmos princípios adotados pelo Código de Processo Civil, dentre eles, o do ônus da impugnação específica dos fatos e da sanção processual pela inércia do interessado no momento adequado (preclusão). Freddie Diddier Júnior, em sua obra Curso de Direito Processual Civil, Vol. 1, 11ª edição, Salvador, Editora Juspodvim, 2009, p. 439, dispara no sentido de que "não se admite formulação dc defesa genérica. O réu não pode apresentar a sua defesa com a negativa geral dos fatos apresentados pelo autor (art. 302 do CPC). Cabelhe impugnálos especificadamente". Com base nisso, perdeu o sujeito passivo em epígrafe o momento processual oportuno de recorrer e/ou postular sobre matérias que não foram objeto de sua impugnação, como inevitável efeito da preclusão (que é "a perda de uma faculdade processual ou da possibilidade de se rediscutirem ou rejulgarem questões" — Diddier, op. cit., p. 54). E mais, permissa vênia, houve um julgamento extra petita por parte desta Câmara, pois os Il. julgadores analisaram argumentos que estão fora de alcance neste processo administrativo, tendo em vista que não foram objeto de Fl. 453DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 454 4 questionamento especifico e de pleito expresso pelo interessado, no momento processual oportuno. Sob o ângulo do Processo Civil, norma subsidiária do processo administrativo fiscal nos termos do art. 108, do CTN, "o juiz decidira a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte" (art. 128, CPC). De igual maneira, o art. 460, também do Código de Processo Civil prescreve que é "defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado". Desse modo, o juiz ou qualquer autoridade administrativa deve aterse ao pedido do autor, sendo extra petita o julgado além de tais limites. Do contrário, bastaria ao impugnante dizer — impugno tudo o que for contrário ao ordenamento jurídico — e pronto:estaria o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais legitimado a manifestarse sobre qualquer assunto ligado ao processo. À luz do Decreto nº 70.235, de 1972, o legislador optou por restringir o campo de julgamento da autoridade administrativa, que só pode decidir dentro dos ditames legais. Inobstante todas essas considerações, o acórdão embargado deu provimento ao recurso voluntário no ponto, sem atentarse para essa questão da preclusão e do julgamento conforme os limites da demanda delimitados pelo pedido da parte (julgamento extra petita). Diante de todo o exposto, fazse necessário o pronunciamento deste Colegiado sobre as questões acima postas, tendo em vista que o autuado não questionou especificamente na impugnação de fls. 116/128, a exigência da multa aplicada e as razões que levaram à sua qualificação, não cumprindo, pois, o ônus da impugnação específica dos fatos, tendo como conseqüência a não instauração da fase litigiosa do procedimento com relação a tais matérias (preclusão) nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72. Há ainda outra omissão relevante. 0 voto condutor assentou quanto à desqualificação da multa: "Pela analise dos autos, vejo que não ficou caracteriza a situação de conduta dolosa praticada pela empresa, que motivasse a qualificação da multa de oficio para o percentual de 150%. O fato informado pela fiscalização teve por base o pressuposto de que a empresa teria apresentado a DIPJ dos anos de 1996 e 1997 com campos zerados e deixado de entregar a DIPJ do ano de 1998. Alem disso, teria sido a empresa repassada fraudulentamente a novos sócios sem capacidade financeira e que estes transferiram a sede da pessoa jurídica para local Fl. 454DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 455 5 inexistente, o que, por si só, não sustenta a aplicação da multa exacerbada. Com efeito, restou comprovado na diligência que a autuada retificou antes do inicio da fiscalização as DIRPJs apresentadas com os campos zerados, fato que a meu ver infirmaria a situação de dolo, regularizando sua situação fiscal.” Como visto, o acórdão não analisou a repercussão de fato narrado em diversos momentos do feito, inclusive pelo próprio contribuinte. De fato, em 02/04/2002 foi emitido o MPF de fl. 01. Consta no Relatório da Fiscalização que em 04/09/2002, antes da entrega das DIPJ Retificadoras (fato que ocorreu em 11/09/2002 — fl. 278), o auditor responsável pela fiscalização manteve contato telefônico com Lúcia Helena (ft. 73). O próprio contribuinte argumento esse contato telefônico feito pelo auditor com a Sra. Lúcia Helena em sua defesa, conforme se observa na impugnação as fls. 120/122: "Não se pode por isso exigir que os endereços dos sócios ora referidos, seja no terreno do EMAUS (cujo número provavelmente é outro). Contudo os sócios tiveram o cuidado de fornecer o telefone da Sra. Lúcia Helena Gomes (2252658) com residência fixa, para serem localizados na hipótese de mudança de endereço." (fl. 120) "Não se pode admitir o arbitramento (baseado em mapas demonstrativos de exportação que a Receita Federal possui), quando a autoridade fiscal após contato com a Sra. Lucia Helena Gomes veio, através dela, a conhecer os fatos reais por ela relatados. (...) Isso caracteriza cerceamento do direito de defesa. Por oportuno informamos que durante a visita a Sra. Lucia Helena Gomes, foi mostrado documento contábeis e fiscais da empresa ora autuada (...) A autoridade fiscal informa que o endereço da firma à Trav. Apinajes 1803 não existe assim como o dos sócios a Trav. Padre Eutíquio 2658 mas que telefonou para o nº (091) 2252658 que consta nos endereços dos sócios Maria de Fátima Miranda Lopes e Manoel Mendonça Dias e foi atendido em 04.09.02 pela Sra. Lúcia Helena que disse não conhecer os sócios ora referidos. No entanto em 31.03.2003 esteve no endereço da Sra. Lúcia Helena cujo telefone é 225.2658 e dela recebeu todos os esclarecimentos inclusive foi lhe sugerido que levasse os livros e documentos fiscais e contábeis para fiscalização, mas optou pela lavratura do auto de infração por arbitramento em virtude de decurso de prazo da ação fiscal segundo alegou a autoridade fiscal." (fls. 121/122) Vejase que o contribuinte atribui à Sra. Lucia Helena verdadeira condição de representante da empresa, chegando ao ponto de elegêla para apresentar esclarecimentos e documentos contábeis e fiscais ao Fisco. Vêse também que a referida pessoa Fl. 455DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 456 6 consta como testemunha em diversos atos contratuais registrados pela pessoa jurídica (fls. 10 a 22). O endereço dos novos sócios corresponde, de fato, ao da Sra. Lúcia Helena e o próprio contribuinte menciona reiteradamente o conhecimento da ação fiscal como ocorrido em 04/09/2002. Ocorre que no recurso voluntário o contribuinte adota conduta contraditória ao afirmar que a ação fiscal teve inicio com a afixação de edital em 04/12/2002 (ver fl. 176). Logo, aqui cabível o cotejo com o que dispõe o Decreto nº 70.235/72: "Art. 7 O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de oficio, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributaria ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° 0 inicio do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no §1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." Assim, tendo em vista a proibição do venire contra factum proprium, corolário do principio da boafé, da confiança e da lealdade processual, e tendo em vista o principio da verdade material, vê se que o Colegiado foi omisso sobre a questão, não tendo se pronunciado sobre essas particularidades que tem o condão de influir na fixação no inicio do procedimento fiscal. Registramse ainda outros vícios no acórdão embargado. Segundo a Lei nº 4.502/64, artigo 71, "Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária”. Logo, o acórdão foi omisso, pois não analisou a conduta do contribuinte sob a égide do referido dispositivo legal. É dizer: a norma também prevê como conduta ilícita o retardamento tendente a impedir o conhecimento do fato gerador. E, conforme aduzido pela autoridade fiscal, além da conduta reiterada de apresentar declarações com valores zerados, o contribuinte omitiu valores expressivos da tributação, razão que também conduz à qualificação da multa (por três anos seguidos a impugnante apresentou receitas de exportação acima de 1 milhão de reais (R$ 2.816.019,42 em 1996; R$ 1.996.099,34 em Fl. 456DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 457 7 1997 e R$ 7.350.274,91 em 1998), mas apresentou DIRJ indicando não haver qualquer receita tributável e sequer apresentou DIRPJ no anocalendário de 1998). As retificadoras somente foram apresentadas em 11/09/2002, após já ter se consumado a conduta reiterada de apresentar declarações zeradas com valores que não guardavam correspondência com a realidade e, que também consistiam na omissão reiterada de expressivos valores da tributação por diversos anoscalendário. Nesse momento (em 11/09/2002), a empresa já tinha conhecimento da ação fiscal, por meio da Sra. Lúcia Helena, conforme confessa às fls. 10/122 dos autos. Por fim, a autoridade autuante registra não só a prestação de informações divergentes de dados levantados pela fiscalização, como também inconciliáveis por si mesmas nas Declarações Retificadoras apresentadas pelo contribuinte. Ali o auditor afirma que as declarações retificadoras (apresentadas em dois momentos: 11/09/2002 e 07/01/2001) "apresentam inconsistência de lançamento e discrepância de valores tanto entre fichas de uma mesma declaração, quanto entre as próprias declarações”. Aí desponta, portanto, o vicio da omissão, tendo em vista que o Colegiado considerou que a apresentação das DIPJ Retificadoras em 11/09/2002 descaracterizaria o intuito doloso do contribuinte. Contudo, deixou de se manifestar sob outra ótica, qual seja, se ainda assim, diante mesmo das declarações apresentadas, persistiria (ou não) a conduta reiterada de declarações inexatas e/ou omissão reiterada de expressivos valores. Portanto, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado.” No julgamento do mérito, deliberaram os julgadores “por unanimidade de votos, em desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75% e rejeitar a preliminar de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Por maioria de votos, acolher parcialmente a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para os fatos geradores acontecidos até 30/09/1997, vencido o conselheiro Carlos Alberto Donassolo que acolhia a decadência apenas para o ano de 1996. Por unanimidade de votos, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado”, como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 412. É o Relatório. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 458 8 Voto Conselheiro Nelson Lósso Filho Vieramme os autos, em atendimento ao despacho do Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja examinado o pedido manifestado pela embargante às fls. 435/443, que vislumbrou ter ocorrido omissão no voto, conforme consta do Relatório. Rejeito os embargos opostos, em virtude de não restar configurada a irregularidade apontada. Vejo que o posicionamento adotado pela decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: “Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase preliminar de nulidade do lançamento quando não configurado vício ou omissão de que possa ter decorrido o cerceamento do direito de defesa. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. A contagem do prazo decadencial, na forma do art. 173, I, do CTN, deve se iniciar a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento de ofício, quando não restar comprovado no período em questão o pagamento do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Tendo a ciência do auto de infração sido realizada em 29 de abril de 2003, cabível a decadência para os fatos geradores acontecidos até 30 de setembro de 1997. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS CONTÁBEIS E FISCAIS. A falta de apresentação pela fiscalizada de livros contábeis e fiscais impossibilita a apuração do Lucro Real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. Inexistindo arbitramento condicional, o ato administrativo de lançamento não se modifica pela posterior apresentação de livros e documentos cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO. Incabível a qualificação da multa de ofício quando não caracterizada nos autos a prática de dolo, fraude ou simulação por parte da autuada. A constatação de que os novos sócios que Fl. 458DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 459 9 ingressaram na empresa eram de baixo poder aquisitivo e a não localização da pessoa jurídica no seu novo endereço são indícios de fraude, que não justificam a aplicação da multa exacerbada. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. O decidido no julgamento do lançamento principal do Imposto de Renda Pessoa Jurídica faz coisa julgada no dele decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e efeito entre eles existente. Preliminar de decadência parcialmente acolhida. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Da leitura do Acórdão nº 120200.588, vejo que o voto proferido na sessão de 04/10/2011 foi no sentido de desqualificar a multa de ofício e reduzir seu percentual a 75%, como se observa do excerto que extraio: “O autuante justifica a imposição da multa qualificada com os fundamentos a seguir, descritos no Relatório de Fiscalização de fls. 073/87: “7) Descrição dos Fatos Caracterizadores do Ilícito: A pessoa jurídica fiscalizada incorreu em infração à legislação Tributária pelos motivos descritos a seguir:” 7.1 Entregou as declarações do Imposto de Renda, dos anos calendário de 1996 e 1997, totalmente em branco nos campos destinados as informações financeiras, como também deixou de entregar a declaração do Imposto de Renda do anocalendário de 1998, omitindo, dessa forma, a totalidade das operações realizadas nesses anoscalendários e os tributos incidentes sobre as mesmas. 7.2 Os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, ESPEDITO SOUZA (único sóciogerente) e MARTA DE ARAUJO SOUZA, transferem a totalidade de suas cotas de capital para MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, pessoas que conforme consta no Cadastro de Pessoa Física, entregaram Declaração de Isentos do Imposto de Renda, evidenciando serem pessoas de baixa renda. 7.3 A sociedade, no mês da saída dos sócios ESPEDITO SOUZA e MARTA DE ARAUJO SOUZA, porém ainda na gestão do sócio gerente ESPEDITO SOUZA, transferem a sede da empresa para a Travessa Apinajés, nº 1803, em Belém/PA, endereço que constatamos ser inexistente conforme Termo lavrado em 08/09/2002. 7.4 Após a saída dos antigos sócios, a sociedade altera a razão social de BRASIL ESPESO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para AMERICAN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Fl. 459DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 460 10 7.5 No Enquadramento de Microempresa, arquivado na JUCEPA está informado o endereço dos sócios MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, como sendo na Tv. Padre Eutiquio, nº 2658, nesta cidade de Belém, porém ficou constatado que o referido número não existe no aludido logradouro, no local onde poderia receber este número está instalada há anos o Movimento de EMAUS, tradicional organização beneficente. Assim, ao omitir a totalidade de suas receitas operacionais nas declarações do Imposto de Renda dos anoscalendários de 1996 e 1997, ao deixar de entregar a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998 e, ao alterar a sua razão social, o contribuinte tentou escapar do lançamento dos tributos e da sua cobrança. Transferindo a totalidade das cotas do capital social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para adquirir o empreendimento e ao transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente, os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias tentaram esquivarse da responsabilidade do pagamento das referidas obrigações. Dessa forma sujeitouse à incidência da multa qualificada sobre os créditos tributários apurados, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, como também ficou caracterizado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 10 e 2° da Lei 8.173/90.” Pela análise dos autos, vejo que não ficou caracteriza a situação de conduta dolosa praticada pela empresa, que motivasse a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%. O fato informado pela fiscalização teve por base o pressuposto de que a empresa teria apresentado a DIPJ dos anos de 1996 e 1997 com campos zerados e deixado de entregar a DIPJ do ano de 1998. Além disso, teria sido a empresa repassada fraudulentamente a novos sócios sem capacidade financeira e que estes transferiram a sede da pessoa jurídica para local inexistente, o que, por si só, não sustenta a aplicação da multa exacerbada. Com efeito, restou comprovado na diligência que a autuada retificou antes do início da fiscalização às DIRPJs apresentadas com os campos zerados, fato que a meu ver infirmaria a situação de dolo, regularizando sua situação fiscal. A mudança do controle da empresa para sócios com pouca capacidade financeira e o novo endereço do domicílio fiscal não localizado, são indícios de fraude que estaria sendo perpetrada contra o Fisco, não sua comprovação. Quando muito poderia ser uma tentativa de fraude à execução fiscal, à cobrança do tributo pelo órgão competente, não restando configurada a intenção dolosa do contribuinte em Fl. 460DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 461 11 deixar de levar ao conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador do tributo. A imposição da multa qualificada de 150% depende de procedimento adotado pela fiscalização que identifique e comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O ônus da prova, quando da imposição de penalidades pela constatação de dolo, fraude ou simulação cabe a quem alega, à Fazenda Pública, o que não restou configurado no auto de infração. Paulo Celso B. Bonilha, em seu livro Da Prova no Processo Administrativo Tributário, pág. 76, 2ª Edição, Editora Dialética, afirma ao tratar de ônus da prova: “Sob esta perspectiva, a pretensão da Fazenda fundase na ocorrência do fato gerador, cujos elementos configuradores supõemse presentes e comprovados, atestando a identidade de sua matéria fática com tipo legal. Se um desses elementos se ressentir de certeza, ante o contraste da impugnação, incumbe à Fazenda o ônus de comprovar a sua existência. Esse é o teor da conclusão de Tesouro, que extrai da relação substancial a regra processual da carga da prova, “in verbis”: “No processo tributário, a prova deve resultar do fato em que é fundamentado o provimento (nos limites, obviamente, nos quais o recorrente contestou tal ou quais fatos); se o fato não resulta provado, o provimento é infundado e, portanto, deve ser anulado: essa regra substancial, da qual descende a regra processual do ônus da prova a cargo da Fazenda.” As infrações tributárias podem ser classificadas conforme a participação subjetiva do agente, sendo definidas como subjetivas ou objetivas. As infrações subjetivas são aquelas em que para ficar caracterizado o que exige a lei deve ser provado que o autor do ilícito tenha agido com dolo ou culpa. Paulo de Barros Carvalho, em seu livro Curso de Direito Tributário, 14ª edição, às pág. 510/511, conclui o seguinte quanto ao ônus da prova no caso de constatação de dolo fraude ou simulação: “O discrimine entre infrações objetivas e subjetivas abre espaço a larga aplicação prática. Tratandose da primeira, o único recurso de que dispõe o suposto autor do ilícito, para defender se, é concentrar razões que demonstrem a inexistência material do fato acoimado de antijurídico, descaracterizandoo em qualquer de seus elementos constituintes. Cabelhe a prova, com todas as dificuldades que lhe são inerentes. Agora, no setor das infrações subjetivas, em que penetra o dolo ou a culpa na compostura do enunciado descritivo do fato ilícito, a coisa se inverte, competindo ao Fisco, com toda a gama instrumental dos seus expedientes administrativos, exibir os fundamentos concretos que revelem a presença do dolo ou da culpa, como nexo entre a participação do agente e o resultado material que dessa forma produziu. Os embaraços dessa comprovação, que nem sempre é fácil, transmudamse para a atividade Fl. 461DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 462 12 fiscalizadora da Administração, que terá a incumbência intransferível de evidenciar não só a materialidade do evento como, também, o elemento volitivo que propiciou ao infrator atingir seus fins contrários às disposições da ordem jurídica vigente. As dificuldades a que nos reportamos, sejam as experimentadas pelo sujeito passivo, no caso de impugnar pretensões punitivas por ilícitos de natureza objetiva, sejam aquelas outras que os funcionários da fiscalização tributária enfrentam para certificar a infração subjetiva, nem sempre são adequadamente suplantadas. Nos autos de infração, o agente limitase a circunscrever os caracteres fácticos, fazendo breve alusão ao cunho doloso ou culposo da conduta do administrado. Isto não basta. Há de provar, de maneira inequívoca, o elemento subjetivo que integra o fato típico, com a mesma evidência com que demonstra a integração material da ocorrência fáctica. É justamente por tais argumentos que as presunções não devem ter admissibilidade no que tange às infrações subjetivas. O dolo e a culpa não se presumem, provamse.”(grifo nosso) Portanto, no caso de dolo, fraude ou simulação, a imputação de penalidades pelo Fisco necessita que estas ocorrências sejam provadas, independentemente da apuração da infração fiscal, sendo incabível como meio de prova para a imposição da multa qualificada a utilização de presunções, índices e ficções. No presente caso, deve ser desqualificada a multa de ofício exigida, por não provado o dolo específico, e reduzido o seu percentual de 150% para 75%”. Após analisar as argumentações anteriormente expostas e confrontálas com as alegações apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional, concluo que não restou provada nenhuma imperfeição no voto proferido, não há omissão, dúvida, inexatidão ou contradição no julgado, que pudesse justificar o embargo aqui analisado. Incabível a afirmação de que matéria preclusa teria sido analisada no voto, não abordada pelo acórdão de primeira instância, porque o contribuinte em sua impugnação questiona a constatação de fraude, que tem como conseqüência direta a imposição da multa qualificada de 150%, como se verifica da impugnação de fls. 116/128: “Pelos fatos narrados não houve fraude a fiscalização. Fraude é ação ou omissão dolosa que não está comprovada na ação fiscal. Requer a ora autuada, PRELIMINARMENTE, a nulidade da ação pela nulidade das notificações e intimações e pela decadência do direito de constituir o crédito tributário. No MÉRITO, baseados na documentação fiscal e contábil da requerente, não há imposto a recolher (Imposto de Renda e Contribuição Social sobre Lucro) conforme se comprova com documentos da empresa. Por isso improcede o enquadramento Fl. 462DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 463 13 no art. 1º da Lei 8137/90. Não havendo imposto, improcede a multa e demais acréscimos.” Além disso, o Acórdão nº 1.774, fls. 155/165 enfrentou o agravamento da multa de ofício: “Ementa MULTA AGRAVADA Constatado no curso da fiscalização a existência de simulação tendente a subtrair responsabilidade dos sócios de fato quanto aos tributos devidos, procede o agravamento da penalidade imposta.” Também no corpo do acórdão recorrido é enfrentada a matéria agravamento da multa, o que possibilitou ao recurso especificar tal assunto: “MULTA AGRAVADA SIMULAÇÃO. 28. Na peça impugnatória é afirmado que não houve a intenção de burlar o Estado e que a mudança dos sócios se deu para "facilitar o trabalho de cancelamento" de empresa. Não se vislumbra de que forma o trabalho de cancelamento da impugnante tenha sido facilitado com a mudança de sócios. 29. Compulsando o processo, verificase que as providências tomadas pelos sócios de fato indicam a ocorrência de simulação de transferência de propriedade da empresa com o fito de transferir responsabilidade tributária. 30. A evidência materializase pelo conjunto das medidas adotadas após o anocalendário de 1998 quando a empresa exportou o equivalente e R$ 7.350.274,91 e sequer apresentou D1RPJ: 1) o endereço foi alterado para local inexistente; 2) alteração do quadro societário, sendo incluídos sócios que não dispõem de recursos financeiros suficiente para tal;3) o endereço dos novos sócios corresponde, da fato, ao da senhora Lúcia Helena; 4) por três anos seguidos a impugnante apresentou receitas de exportação acima de 1 milhão de reais (R$ 2.816.019,42 em 1996; R$ 1.996.099,34 em 1997 e R$ 7.350.274,91 em 1998), mas apresentou DIRPJ indicando não haver qualquer receita tributável e sequer apresentou DIRPJ no anocalendário de 1998. 31. Assim, nos termos do artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1995, está caracterizado o evidente intuito de fraude; fato que implica no agravamento da penalidade imposta e na representação fiscal para fins penais.” Os fundamentos utilizados pela embargante para justificar sua tese de que teria havido ciência pela empresa do início da fiscalização, antes da retificação das DIRPJs, por meio de comunicação verbal a Sr. Lúcia Helena, representante da pessoa jurídica, não resistem a uma simples leitura do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. Com efeito, o processo administrativo fiscal exige que o início da ação fiscal seja comunicado por escrito ao fiscalizado, não se admitindo a comunicação verbal. Fl. 463DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 464 14 Também não se sustenta a alegação da existência de omissão no acórdão embargado, quanto a ocorrência de infração continuada, de conduta reiterada de declarações inexatas e/ou omissão de expressivos valores, pois não consta da descrição dos fatos do Auto de Infração, fls. 88/98, ou do Relatório de Fiscalização, fls. 73/87, qualquer menção a esses motivos para a qualificação da multa, conforme se verifica pelo excerto a seguir: “7) Descrição dos Fatos Caracterizadores do Ilícito: A pessoa jurídica fiscalizada incorreu em infração à legislação Tributária pelos motivos descritos a seguir:” 7.1 Entregou as declarações do Imposto de Renda, dos anos calendário de 1996 e 1997, totalmente em branco nos campos destinados as informações financeiras, como também deixou de entregar a declaração do Imposto de Renda do anocalendário de 1998, omitindo, dessa forma, a totalidade das operações realizadas nesses anoscalendários e os tributos incidentes sobre as mesmas. 7.2 Os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores dos tributos, ESPEDITO SOUZA (único sóciogerente) e MARTA DE ARAUJO SOUZA, transferem a totalidade de suas cotas de capital para MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, pessoas que conforme consta no Cadastro de Pessoa Física, entregaram Declaração de Isentos do Imposto de Renda, evidenciando serem pessoas de baixa renda. 7.3 A sociedade, no mês da saída dos sócios ESPEDITO SOUZA e MARTA DE ARAUJO SOUZA, porém ainda na gestão do sócio gerente ESPEDITO SOUZA, transferem a sede da empresa para a Travessa Apinajés, nº 1803, em Belém/PA, endereço que constatamos ser inexistente conforme Termo lavrado em 08/09/2002. 7.4 Após a saída dos antigos sócios, a sociedade altera a razão social de BRASIL ESPESO COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, para AMERICAN COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. 7.5 No Enquadramento de Microempresa, arquivado na JUCEPA está informado o endereço dos sócios MANOEL MENDONÇA DIAS e MARIA DE FATIMA MIRANDA LOPES, como sendo na Tv. Padre Eutiquio, nº 2658, nesta cidade de Belém, porém ficou constatado que o referido número não existe no aludido logradouro, no local onde poderia receber este número está instalada há anos o Movimento de EMAUS, tradicional organização beneficente. 9) Conclusão: Assim, ao omitir a totalidade de suas receitas operacionais nas declarações do Imposto de Renda dos anoscalendários de 1996 e 1997, ao deixar de entregar a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1998 e, ao alterar a sua razão Fl. 464DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 465 15 social, o contribuinte tentou escapar do lançamento dos tributos e da sua cobrança. Transferindo a totalidade das cotas do capital social para pessoas notoriamente incapacitadas financeiramente para adquirir o empreendimento e ao transferir o domicilio fiscal da empresa para um endereço inexistente, os sócios à época da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias tentaram esquivarse da responsabilidade do pagamento das referidas obrigações. Dessa forma sujeitouse à incidência da multa qualificada sobre os créditos tributários apurados, prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430/90, como também ficou caracterizado, em tese, como Crime Contra a Ordem Tributária, previsto nos art. 10 e 2° da Lei 8.173/90.” Não considero como omissão o que a representante da Fazenda Nacional indicou existir no acórdão, pretendeu a Sra. Procuradora contrapor os fundamentos expostos na decisão prolatada por esta Turma, objetivando rediscutir questão de mérito e obter efeitos infringentes na esfera administrativa, situação que só poderia ocorrer caso as incorreções fossem de tal monta que maculassem o mérito decidido pelos membros desta Turma naquela data, fato que não vislumbro ter ocorrido. Os embargos de declaração não são o remédio adequado para tal situação. Caso não concordasse com o mérito do julgamento e constatasse divergência com decisão proferida por outra Turma, tinha a Embargante à sua disposição a possibilidade de submissão da controvérsia ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conformidade com o Processo Administrativo Fiscal. Deve a embargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegiado. Trago à colação, por pertinente, julgado da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.7740SPEdcl, em que foi relator o Min. Humberto Gomes de Barros: “Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por outra. Os embargos declaratórios são apelos de integração não de substituição.” (DJU de 22/12/93, pag. 24.895) Assim sendo, tendo em vista a inocorrência de omissão, contradição ou obscuridade no acórdão combatido, entendo devam ser rejeitados os embargos opostos. (Documento assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Relator Fl. 465DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO Processo nº 10280.000757/200317 Acórdão n.º 1202000.856 S1C2T2 Fl. 466 16 Fl. 466DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/09/2012 por NELSON LOSSO FILHO, Assinado digitalmente em 30/09/2012 p or NELSON LOSSO FILHO
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