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Numero do processo: 10930.904457/2012-90
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 26/10/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.807
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/10/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 44 57 /2 01 2- 90 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904457/201290 Acórdão n.º 3803004.807 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904457/201290 Acórdão n.º 3803004.807 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904457/201290 Acórdão n.º 3803004.807 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904572/2012-14
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2005
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 45 72 /2 01 2- 14 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904572/201214 Acórdão n.º 3801002.369 S3TE01 Fl. 64 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904572/201214 Acórdão n.º 3801002.369 S3TE01 Fl. 65 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904572/201214 Acórdão n.º 3801002.369 S3TE01 Fl. 66 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904572/201214 Acórdão n.º 3801002.369 S3TE01 Fl. 67 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 73DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912969/2009-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2003 a 30/08/2003
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA.
Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 Juros Recebidos; 3.23.02 - Descontos Obtidos; 3.23.04- Variação Monetária Ativa; 3.23.05 Créditos de operações diversas; 3.23.06 Taxa Cambial e 3.23.08 Receitas de Aplicação Financeira, homologando-se o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/08/2003 a 30/08/2003 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2003 a 30/08/2003 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 69 /2 00 9- 52 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidam os presentes autos de discussão relacionada com compensação de crédito próprio oriundo de pagamento a maior ou indevido com débito do contribuinte não homologado relativamente ao período de apuração de 01/08/2003 a 30/08/2003, referente à contribuição para a COFINS. A razão da não homologação, segundo infere dos autos, decorre da inexistência de saldo credor disponível informado em DCTF por ter sido integralmente utilizados para quitação de débitos confessados. Tomando conhecimento da negativa por meio do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando ausência da apresentação de DCTF retificadora, fazendoa imediatamente a ciência da decisão. Conhecida a manifestação, restou improcedente ao argumento de ser necessária, além da retificação da DCTF, a demonstração do real motivo que levou o contribuinte a proceder à modificação para menos do débito declarado, afirmando, ainda, que poderia ter sido justificado por meio de documentos contábeis, DIPJ e DACON. Irresignada com o resultado do julgamento em primeira instância apresenta Recurso Voluntário, sustentando a tese de que o pagamento a maior adveio da inclusão de receitas à base de cálculo não sujeitas à incidência das Contribuições para o PIS e a COFINS ao ensejo de que encontra submetida ao regime cumulativo de que trata a Lei nº 9.718/98. Cuidou, nessa fase processual, acostar planilhas destacando as receitas que compõe o grupo de “Outras Receitas” incluído à base de cálculo indevidamente, bem como, cópias de peças contábeis. Argumenta também que o fato de não apresentar DCTF retificadora se traduz em mero erro, passível de correção. Esse caderno processual retorna a esse Colegiado em razão do Acórdão proferido em 07 de julho de 2011, que converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado: 1) o verdadeiro faturamento da empresa informado em DIPJ e em outras declarações obrigatórias; 2) se a recorrente estava submetida ao regime cumulativo; 3) que fosse detalhado as receitas que compõe o grupo “Outras Receitas”, informando se as mesmas estavam sujeitas ou não à incidência da contribuição. O resultado da diligência fiscal encontra assim: “INFORMAÇÃO FISCAL PROCESSO N: 10.830.912.969/200952 COMPETÊNCIA: 08/2003 TRIBUTO: COFINS Contribuinte Nome / Nome Empresarial CPF / CNPJ COIM BRASIL LTDA 65.426.538/000108 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912969/200952 Acórdão n.º 3403002.670 S3C4T3 Fl. 9 3 Logradouro Número Complemento R. ANGELO BEVILÁQUA, 527 Bairro Cidade / UF CEP DISTRITO INDUSTRIAL VINHEDO /SP 13.280000 Conforme Despacho de Diligência, contido neste processo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara resolveu converter o Julgamento em Diligência, para: 1) que seja averiguado por meio da contabilidade, da DIPJ e outras declarações obrigatórias o verdadeiro faturamento da empresa; 2) verificar se a empresa está realmente sujeita ao regime cumulativo; 3) detalhar as receitas que compõem o grupo “outras receitas”, informando se estão ou não sujeitas à incidência da contribuição. Resposta ao item 1; 1.1 Através da contabilidade e documentos correlatos apuramos o valor de R$ 20.842.908,70 referente ao Faturamento da Empresa, e o valor de R$ 19.582.062,85 referente a Base de Cálculo da contribuição. 1.2 – Conforme solicitado, estamos anexando os Demonstrativos do Total Faturamento e da Base de Cálculo original, para o PIS/PASEP e COFINS, declarado pelo contribuinte em suas Fichas 21 A (cálculo da contribuição para o PIS/PASEP) e 26 A (cálculo da contribuição para a COFINS), integrantes da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica DIPJ. ( = R$ 19.582.062,85) 1.3 Estamos também anexando uma planilha “MEMÓRIA DE CÁLCULO” de origem contábil, onde contém todo o Faturamento da empresa e demonstra: A Base de Cálculo PIS/COFINS reconhecida hoje pela empresa: B Base de Cálculo Outras Receitas e Receitas Financeiras (origem do pedido de ressarcimento); C Base de Cálculo original (da época), que é a soma de A + B ( = R$ 19.582.062,85); Resposta ao item 2; 2.1 – A sistemática da Cumulatividade foi alterada com o advento da Medida Provisória n. 66, de 29/08/2002, convertida posteriormente na Lei n. 10.637 de 30/12/2002, que introduziu a sistemática NÃO CUMULATIVA do PIS/PASEP. A NÃO CUMULATIVIDADE da COFINS veio em seguida, por meio da Medida Provisória n. 135, de 30/12/2003, convertida em Lei n. 10.833 de 29/12/2003. Então, a partir de 01/12/2002, em relação ao PIS/PASEP, e 01/02/2004, em relação à COFINS, passamos a conviver com os dois regimes de apuração das contribuições, o CUMULATIVO e o NÃO CUMULATIVO. Portanto neste Fl. 265DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 processo, nesta contribuição aqui tratada, relativamente a este mês de competência, a sistemática utilizada ainda é a CUMULATIVA. Resposta ao item 3; 3.1 – Antes da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo do PIS/PASEP e da COFINS era sobre o Faturamento da Pessoa Jurídica, porém com a edição da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo passou a ser a RECEITA BRUTA da Pessoa Jurídica, ocorrendo o denominado ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Com a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009 em seu inc. XII do art. 79, foi revogado o dispositivo da abrangência da Base de Cálculo, reconhecido como inconstitucional. Assim, depois disto, somente as receitas decorrentes do objeto social da Pessoa Jurídica são Bases de Cálculos para o PIS e COFINS, ficando de fora as demais Receitas, como por exemplo as Receitas Financeiras e de Aluguéis de Imóveis. 3.2 Entendemos então, que até a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009, todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: 3.15.01 Receitas Diversas Operacionais Nesta conta foram lançados créditos de R$ 24.008,35 em 2001, R$ 31.429,81 em 2002 e 53.977,25 em 2003, distribuídos em diversos valores lançados ao longo de cada mês. Se referem a descontos concedidos por fornecedores ou juros pagos por clientes, que acabaram por serem registradas nestas contas. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.02 Recuperação de Despesas Lançamento de devolução de prêmio de seguro cobrado a maior. Lançamento de valor recebido de sinistro causado por dano elétrico. Foram oferecidos à tributação e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.03 Amortização de Ágio/Deságio de Investimento Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágio apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.15.05 – Recuperação de Custo Realizado Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS (pois a contribuinte entende que não se enquadram no conceito de faturamento e da Base de Cálculo). Os valores referentes aos meses de outubro e dezembro de 2002 foram tributados, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.06 Honorários Advocatícios Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza Fl. 266DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912969/200952 Acórdão n.º 3403002.670 S3C4T3 Fl. 10 5 devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes pagamento de serviços prestados honorários de advogados. 3.15.07 – Despesas com Indenizações a Terceiros Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois não se enquadram no conceito de faturamento. Os valores referentes ao mês de julho de 2002 referese despesa com serviços prestados a empresas Owaco. 3.15.08 Amortização de Ágio Novacote Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágioNovacote apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 – Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. Diante do acima exposto, encaminhese o presente processo à 3a.Turma da 4a. Câmara do CARF. Campinas, em 07 de agosto de 2012. AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil Nome Matrícula Assinatura RADAMÉS ASSAD JÚNIOR 877.852 SP CAMPINAS DRF”. É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão travada entre o Fisco e o Contribuinte é da inexistência do indébito apontado oriundo de pagamento a maior decorrente da inclusão à base de cálculo de receitas não provenientes do faturamento da empresa. A negativa da Administração Tributária se prende ao episódio da ausência de apresentação de DCTF retificadora antes do Despacho Decisório que negou o pleito. Em sede recursal entendeu o Colegiado em transformar o julgamento em diligência para verificação de três pontos, o que restou a meu sentir esclarecido pelo Agente Fiscal como se infere da transcrição consignada no relatório. Há entendimento de que cabe ao Interessado comprovar no primeiro momento em que consubstancia o direito buscado, em sede administrativa, também existe aqueles cujos juízos são de que esse tempo de comprovação é mais largado, tudo isso em homenagem ao princípio da verdade. É o que ocorreu neste caderno. O rigor em obediência ao rito penso que é necessário em razão da importância do instituto processual, no entanto, cabe ao Julgador Administrativo, em certas oportunidades temperálo, é o caso tratado nesse processado. Vejo que a diligência foi de grande valia e luminosa ao julgamento, tomando como fonte a informação fiscal que, definitivamente esclareceu que há inclusão à base de cálculo de receitas não oriundas do faturamento. Sendo um ponto relevante ao deslinde da querela, portanto, não há como deixar de enxergar o direito subjetivo do contribuinte em estar nessa sede debatendo para ver reconhecido o seu pleito. Nesse sentido a diligência fiscal dissecou as contas: 3.15.00 “Outras Receitas/Despesas Operacionais” e 3.23.00 “Receitas Financeiras” “... todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: Com a segurança traduzida pelas informações colhidas em diligência, a toda evidência, que a contribuinte fez incluir à base de cálculo receitas não sujeita a exação da contribuição exigida. Corrobora ainda com afirmação de que no período de apuração do indébito a recorrente encontrava submetida ao regime cumulativo das contribuições destinadas para o PIS e a COFINS, fato esse suficiente o bastante para aplicar a regra traçada pela Lei nº 9.718/98. Assim, demonstra que as receitas contabilizadas nas contas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Fl. 268DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912969/200952 Acórdão n.º 3403002.670 S3C4T3 Fl. 11 7 Financeiras, as formam a base de cálculo, e, sendo assim, apuração da contribuição é maior do que o valor correto a ser apurado incidente sobre o faturamento. Infere da leitura das explicações elaboradas durante a diligência aqui anotadas que tratam de receitas não sujeitas à incidência de contribuição: 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 –mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa”. Assim, em que pese o comentário de que toda e qualquer receita até ao advento da Lei nº 11.941/2009, mesmo sabedor da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 pelo STF, estava sujeita à incidência da contribuição é interpretação subjetiva do Auditor Fiscal. Estando submetida ao regime cumulativo das contribuições, como é de toda sabença, o faturamento é receita proveniente da venda de mercadorias, prestação de serviços, ou venda de mercadorias e prestação de serviços como restou declarado pela mais alta corte do judiciário. Em sendo assim, o entendimento de alcance extendido a todo e qualquer receita há muito restou decididamente sepultada, e, não há como acolher tal entendimento trazido em diligência quanto à eficácia do inciso 1ºm do art. 3º da Lei nº 9.818/98 até ao acontecimento da Lei nº 11.941/2009, não encontra respaldo na doutrina e tampouco na jurisprudência forense, assim como, administrativa. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Por força do Regimento Interno, as decisões relativas à declaração de inconstitucionalidade pelo STJ e do STF deve ser aplicadas de pronto ao procedimento administrativo. Confirmado a inclusão à base de cálculo, além do faturamento, de outras receitas que em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 deixou de ser consideradas para efeitos de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Assim, milita em favor da contribuinte o direito de reaver da Fazenda Pública o que pagou a maior, dúvida não há mais quanto à inclusão de receitas diferentes do faturamento à base de cálculo. Há entendimento dessa Turma que a retificação de DCTF não é determinante no reconhecimento do direito de pedir indébito, em sendo assim, mantenho fiel a esse posicionamento. Certo do direito exercido, entendendo administração de que o valor demonstrado em planilha juntada com o resultado da diligência esteja correto, embora afiançado pelo Auditor Fiscal encarregado do trabalho, deve ser reconhecido. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial, reconhecendo o direito da contribuinte em afastar da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras. O provimento é parcial porque essa decisão limitou a reconhecer o direito da exclusão da base de cálculo em relação aos valores oferecidos à tributação conforme constatado em diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 270DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 05/03/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10120.904792/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Restituição. Compensação. Admissibilidade.
A compensação tributária deve obedecer estritamente os termos legais, pois a declaração de compensação tem o caráter de extinguir o tributo devido (compensado), na data de sua apresentação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o crédito alegado deve ser indicado de modo preciso e ser devidamente comprovado para que a compensação possa ser homologada.
Numero da decisão: 1302-001.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade .
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. A compensação tributária deve obedecer estritamente os termos legais, pois a declaração de compensação tem o caráter de extinguir o tributo devido (compensado), na data de sua apresentação, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Assim, o crédito alegado deve ser indicado de modo preciso e ser devidamente comprovado para que a compensação possa ser homologada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araujo e Eduardo de Andrade . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 47 92 /2 00 9- 27 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Trata o processo de manifestação de inconformidade em face de despacho decisório de não homologação de declaração de compensação. A DCOMP não homologada tem por objeto a compensação de débito do sujeito passivo, com base em suposto direito creditório oriundo de ‘pagamento indevido ou a maior’ de IRPJ, código 5993, no valor de R$ 283.310,03, do período de apuração 31/05/2005, com data de arrecadação em 30/06/2005. Transmitida em 15/03/2006, a DCOMP recebeu o Despacho Decisório de ‘não homologação’, emitido em 20/04/2009, em razão da utilização integral do pagamento discriminado para a quitação do débito de código 5993, do PA 31/05/2005, portanto, sem crédito disponível para a compensação. Cientificada desse despacho em 29/04/2009, a interessada apresentou, em 28/05/2009, manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que “efetuou recolhimentos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 transmitida em 29/06/2006”, sob o “regime de tributação com base em balancete de suspensão ou redução do imposto” e pede revisão do despacho decisório. A 4ª Turma da DRJ/BSB pelo acórdão nº 0345.537, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, unanimemente, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. É inadmissível a utilização de pagamentos a título de estimativa mensal para fins de compensação tributária. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Intimado da decisão da DRJ em 16/12/2011, a Interessada apresentou recurso voluntário tempestivo, em 23/12/2011 alegando basicamente o seguinte: a origem dos créditos compensados por meio do PER/DCOMP advém dos recolhimentos do IRPJ e da CSLL, do exercício de 2006, ano calendário 2005, recolhidos a maior conforme apurado na DIPJ 2006 (anexa) transmitida em 29.06.2006, originando, portanto, o direito a compensação com os demais tributos. os valores foram compensados nos recolhimentos do PIS e do COFINS, conforme demonstrado. verificouse com base no acórdão, que a origem dos créditos tributários, a serem compensados, fora informada de maneira indevida. onde deveria ser assinalado créditos de "saldo negativo de CSLL e saldo negativo de IRPJ", fora preenchido "pagamento indevido ou a maior." Único fator que amparou a decisão em desfavor do contribuinte. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.904792/200927 Acórdão n.º 1302001.367 S1C3T2 Fl. 135 3 pugna pelo reconhecimento do direito creditório tolhido em razão da equivocada 'denominação' do referido crédito, mero erro formal, quando em contrapartida verificase, claramente, a correta origem do saldo negativo. É o relatório. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva O recurso voluntário apresentado pela recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. Em 06/11/2012 a 2ª Turma da 3ª Câmara, através da resolução nº 1302000209, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eduardo de Andrade e Luiz Tadeu Matozinho Machado, converteu o julgamento em diligência para que os autos retornassem à jurisdição da Contribuinte e se confirmassem, com provas documentais, a existência ou não do crédito pleiteado.Uma vez superada esta questão, fezse necessário a apreciação da compensação propriamente dita. Tendo retornado os autos sem a que a Contribuinte tivesse sido cientificada da diligência solicitada, foi proferida nova resolução convertendo o julgamento em diligência, determinando que fosse sanado o equívoco. Intimada a Contribuinte da decisão da diligência, sem que tivesse se pronunciado, conforme despacho de encaminhamento de fls., o processo retornou para julgamento. Destacase da diligência DRF/GOI/SEORT de 09/05/2013 o seguinte: “Foram realizadas consultas aos sistemas da RFB verificandose que: a) As estimativas apuradas pelo CONTRIBUINTE foram declaradas e liquidadas. Ver Extrato Completo do Contribuinte Pessoa Jurídica (fl. 104). Neste extrato podemos verificar que os valores pagos são exatamente os valores apurados de estimativa. Observar que Valor Disponível dos pagamentos é R$ 0,00 (zero reais). Os valores dos débitos foram originados de DCTF; b) Os valores de estimativa apurados na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa são exatamente os valores declarados em DCTF, extrato mencionado no item “a”, para os períodos de apuração 01/2005 a 06/2005; c) Para os períodos 07/2005 a 12/2005 a Ficha 11 apurou valor negativo, porém foram declarados em DCTF e liquidados débitos de período de apuração 07/2005 a 09/2005; d) Na DIPJ, Ficha 11, e na DCTF não foram declarados valores de IRPJ estimativa a pagar e não há recolhimento para os períodos de apuração 10/2005 a 12/2005; e) Na Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral foi informado o total recolhido por estimativa, R$ 1.177.956,62, inclusive as referentes aos períodos de apuração 07/2005 a 09/2005, para apurar IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL cujo IMPOSTO DE RENDA A PAGAR na DIPJ é R$ 912.052,11 (saldo negativo); f) Não consta apresentação de PER/DCOMP tipo de crédito SALDO NEGATIVO DE IRPJ, período de apuração 2005. Ver relação de Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.904792/200927 Acórdão n.º 1302001.367 S1C3T2 Fl. 136 5 PER/DCOMP que foram apresentadas pelo interessado para este tipo de crédito . Obs.: Em anexo planilha com os dados das estimativas declaradas na DCTF e na DIPJ. Conclusão a) Quanto aos pagamentos referentes aos PA 01/2005 a 06/2005 não existem pagamentos indevidos ou a maior. Foram declarados débitos de estimativa na DIPJ e DCTF e os pagamentos são no exato valor dos débitos. Foram utilizados composição SALDO NEGATIVO DE IRPJ apurado no ano calendário 2005, exercício 2006. Ver Ficha 12A; b) Quanto aos pagamentos referentes aos PA 07/2005 a 09/2005 podemos concluir que não são indevidos porque foram declarados em DCTF, embora não declarados na DIPJ, e utilizados na composição SALDO NEGATIVO DE IRPJ apurado no ano calendário 2005, exercício 2006. Ver Ficha 12A; c) Foi apurado um valor de R$ 912.052,11 de saldo negativo de IRPJ e não pagamento indevido ou a maior de recolhimento de estimativa; d) O pagamento objeto do PER/DCOMP 22897.68741.150306.1.3.04 1413 foi utilizado para liquidar débito de estimativa declarado e foi utilizado na apuração do saldo negativo de IRPJ – Ficha 12A da DIPJ. Diante do exposto, tendo sido efetuada a diligência que concluiu pela não homologação pretendida por inexistência de direito creditório e não tendo se pronunciado a Contribuinte, apesar de intimada, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 15504.016114/2010-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007, 2008
IRPF. LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO.
As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso dos prazos de decadência e prescrição.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE.
A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, como na hipóteses dos autos.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa isolada lançada, por falta de recolhimento de carnê-leão, em virtude de concomitância na cobrança da multa de ofício e da multa isolada. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral o patrono do Recorrente, Dr. Nilson Vitor de Araujo - OAB/MG 66750.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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LIVRO CAIXA. DESPESAS. COMPROVAÇÃO. As despesas de livro caixa devem ser comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, que deve ser guardada pelo contribuinte durante o curso dos prazos de decadência e prescrição. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PROVA. NECESSIDADE. A multa de ofício qualificada só pode ser aplicada nas hipóteses em que há a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, como na hipóteses dos autos. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para excluir a multa isolada lançada, por falta de recolhimento de carnêleão, em virtude de concomitância na cobrança da multa de ofício e da multa isolada. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, que votou por negar provimento ao recurso. Realizou sustentação oral o patrono do Recorrente, Dr. Nilson Vitor de Araujo OAB/MG 66750. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 61 14 /2 01 0- 58 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 378 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Celia Maria de Souza Murphy, Francisco Marconi de Oliveira, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 361/371) interposto em 16 de setembro de 2011 contra o acórdão de fls. 335/350, do qual o Recorrente teve ciência em 22 de agosto de 2011 (fl. 359), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 07/16, lavrado em 08 de setembro de 2010, em decorrência de (i) dedução indevida de despesas de livro caixa (ajuste anual e carnêleão) e de (ii) multa isolada decorrente da falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, verificadas nos anoscalendário de 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. LIVRO CAIXA. Para se gozar da dedução de livro Caixa, as despesas necessárias e indispensáveis à manutenção da fonte produtora dos rendimentos devem ser provadas por documentos idôneos, cabendo ao contribuinte, se questionado, comprovar a realização dos pagamentos e a sua vinculação à efetiva prestação dos serviços ou à aquisição das mercadorias. MULTA QUALIFICADA. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 379 3 A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam o evidente intuito de fraude. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 335). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 361/371, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Aduz o Recorrente, em seu arrazoado, que (i) estaria comprovado, por meio de declarações e recibos emitidos, o efetivo desembolso das despesas relativas à remuneração paga à empresa Serena Informação Ltda., aos honorários advocatícios de advogados e contadores, e, por fim, às despesas relativas à manutenção e pequenas reformas do imóvel; (ii) referidas despesas seriam dedutíveis no livro caixa, independentemente da comprovação da existência de vínculo empregatício, eis que necessárias à prestação dos serviços do Recorrente. No tocante à escrituração das receitas no livro caixa, dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n. 3.000/99), mais especificamente em seu art. 75, que é possível a sua dedução da base de cálculo do tributo, desde que relativas (i) à remuneração paga a terceiros com vínculo empregatício, (ii) emolumentos e (iii) despesas de custeio necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora. Nesse sentido, confira se: “Art. 75. O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade (Lei 8.134, de 1990 art. 6º, e Lei 9.250, de 1995, art. 4º, inciso I): I – a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II – os emolumentos pagos a terceiros; III – as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 380 4 Parágrafo único. O dispositivo neste artigo não se aplica (Lei 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei 9.520, de 1995, art. 34): I – a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como as despesas de arrendamento; II – as despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III – em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48.” Em que pese à expressa dedutibilidade admitida pela legislação, cumpre salientar que é ônus do contribuinte comprovar a devida ocorrência e a regularidade das atividades realizadas e passíveis de dedução nos termos da lei, assim como de manter em boa ordem os documentos comprobatórios das despesas incorridas enquanto não esgotado o prazo decadencial, sob pena de glosa. Sobre o assunto, o então Primeiro Conselho de Contribuintes vinha se pronunciando da seguinte forma: “ÔNUS DA PROVA O ônus de provar a inveracidade de informação por ela apresentada ao Fisco e que deu base ao lançamento, cabe à recorrente. OBRIGAÇÃO DE GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir modificar sua situação patrimonial. Recurso Voluntário Negado.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª. Câmara, Recurso Voluntário nº 144480, relatora Conselheira Silvana Mancini Karam, j. 29/05/2008) “IRPJ LUCRO REAL ANUAL PRELIMINAR DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, que se dá, no caso de apuração anual do lucro real, no dia 31 de dezembro do anocalendário respectivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Aplicação da Súmula 1CC Nº 02. ÔNUS DA PROVA O ônus de provar a inveracidade de informação por ela apresentada ao Fisco e que deu base ao lançamento, cabe à recorrente. OBRIGAÇÃO DE GUARDA DE LIVROS E DOCUMENTOS A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam a vir modificar sua situação patrimonial. Recurso Voluntário Negado” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª. Câmara, Recurso 152165, relator Conselheiro Caio Marcos Cândido, j. 14/09/2007). Fl. 380DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 381 5 Nesse sentido, pois, as pesquisas realizadas junto à empresa Serena Informação Ltda., conforme apontado pela DRJ, não comprovam a ocorrência da prestação dos serviços de informática supostamente necessários à consecução da atividade do mencionado cartório. Ao contrário, as informações obtidas pela fiscalização acabam por gerar dúvidas acerca da regularidade dos referidos pagamentos e das respectivas deduções em livro caixa. Essa circunstância é suficiente para justificar a manutenção da decisão recorrida, pois é do Recorrente o ônus de provar os fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do Fisco, o que não foi feito no presente caso. No que se refere à possibilidade de dedução de valores atinentes a honorários de advogados e contadores, bem como aos gastos declarados como sendo de reforma no imóvel, importante que se analise a hipótese diante de uma interpretação do próprio art. 75 do RIR/99. Não obstante a legislação permita a dedutibilidade de determinadas despesas do livro caixa, isto não significa que o contribuinte poderá fazêlo com relação a toda e qualquer despesa. Neste sentido, estipula o art. 75, III, do RIR/99, que serão dedutíveis as “despesas de custeio necessárias à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora”. Neste ponto, também caberia ao Recorrente o ônus de comprovar que tais valores enquadravamse nesta categoria. Com relação aos honorários pagos aos profissionais, não é possível aferirse, da simples análise dos recibos colacionados nos autos, se os serviços prestados eram necessários à percepção das receitas e à manutenção da fonte produtora, tampouco se se referiam a atividades relacionadas ao Cartório do 1ª Ofício de Notas de Belo Horizonte, em nome de quem foi emitido o recibo. Também com relação às despesas com reformas, aduz o Recorrente que são referentes “à conservação e reparos”, não tendo comprovado, de igual forma, a subsunção ao disposto pelo art. 75 do RIR/99. Em relação à imputação de multa qualificada na presente hipótese, entendo cabível, na medida em que o “evidente intuito de fraude” restou demonstrado pelo Fisco, nos itens 1.20 a 1.22 do Termo de Verificação Fiscal. De fato, a partir de uma breve análise dos autos, verificase ter a fiscalização demonstrado, de forma inconteste, a existência de fraude (qualificada, ainda, pelo dolo e simulação), conluio ou sonegação no caso vertente, pressupostos estes indispensáveis para a qualificação da multa de ofício, a teor do que consta do art. 44, §1º, da Lei 9.430/96. Ora, no presente caso, entendo que houve a comprovação por parte da fiscalização de atos do contribuinte que ensejam a ocorrência de fraude, conluio ou sonegação, tal como previstos nos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64. Por derradeiro, fazse necessário afastar a exigência da multa isolada, porquanto é vedada sua cumulação com a multa de ofício aplicada. Com efeito, diante do princípio da consunção, transposto dos lindes do direito penal, viola a necessária proporcionalidade das penas a interpretação de que seriam cumuláveis referidas multas sobre o mesmo ilícito, qual seja, deixar de recolher o tributo devido. Por esse preciso motivo, sendo certo que o nãorecolhimento ao final do ano calendário do IRPF devido engloba a ausência do recolhimento antecipado do tributo, é decorrência lógica que se o principal foi impugnado, o “acessório” também o foi. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 382 6 Assim sendo, considerandose que a antecipação do recolhimento é iter procedimental lógico à omissão de rendimentos, não se faz possível cumular as multas de ofício e isolada, sob pena de incorrerse em bis in idem punitivo, consoante já me manifestei em outras oportunidades: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA IMPOSSIBILIDADE A multa isolada não pode ser exigida concomitantemente com a multa de ofício. Precedentes da 2ª Câmara e da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” (Primeiro Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n.º 153.289, Relator Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, sessão de 05/11/2008) Válido conferir, neste esteio, o seguinte julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA –IRPF Exercício: 2002, 2003 MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO. A aplicação concomitante da multa isolada (inciso II, a, do art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação atribuída pela Lei n° 11.488, de 2007) com a multa de oficio (inciso I, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996), não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão n° 0104.987, julg. em 15/06/2004). Recurso especial negado.” (CSRF, 2ª Turma da 2ª Câmara, Recurso Especial n.º 157.292, Acórdão n.º 920200.746, Relator Conselheiro Moisés Nunes da Silva, sessão de 13/04/2010). Nesse exato sentido decidiram, de forma reiterada, todas as câmaras, sem exceção, do antigo Conselho de Contribuintes, consoante alguns acórdãos selecionados, cujas ementas seguem transcritas: “MULTA ISOLADA A multa de que trata o art. 18 da Lei 10.833, de 2003, é a multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. A expressão "multa isolada" não significa que se trate de multa diversa da multa de ofício, mas sim, que a multa de ofício é aplicada isoladamente, ou seja, desacompanhada do principal sobre o qual incidiu.” (1º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.660, Relatora Conselheira SANDRA MARIA FARONI, j. em 06/03/2008.) “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO Pacífica a jurisprudência deste Primeiro Conselho de Contribuintes de que não cabe a aplicação concomitante da multa de lançamento de ofício com multa isolada, apuradas em face da mesma omissão (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004).” Fl. 382DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 15504.016114/201058 Acórdão n.º 2101002.385 S2C1T1 Fl. 383 7 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário n. 153.809, Relatora Conselheira NÚBIA MATOS MOURA, j. em 07/08/2008) “MULTA ISOLADA – MULTA DE OFÍCIO – CUMULATIVIDADE – Afastase a multa isolada quando a sua aplicação cumulativamente com a multa de ofício implica na dupla penalização do mesmo fato.” (1º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, Recurso Voluntário n. 161.967, Relator Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO, j. em 17/04/2008) Reconheço, portanto, a impossibilidade de cumulação das multas de ofício e isolada, excluindose do quantum debeatur o valor referente à multa isolada. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para excluir a multa isolada lançada, por falta de recolhimento de carnêleão, em virtude de concomitância na cobrança da multa de ofício e da multa isolada. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 383DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000613/96-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1991, 1992
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE EM ACÓRDÃO DE EMBARGOS. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhecem de embargos que apontam a existência de obscuridade em acórdão de embargos que se manifestou estritamente sobre a matéria embargada. Se a obscuridade arguida se deu no acórdão de recurso voluntário e não foi trazida nos primeiros embargos apresentados, não cabe a sua apresentação intempestiva, suscitada por via transversa, mediante embargos dos próprios embargos.
Numero da decisão: 1302-001.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1991, 1992 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE EM ACÓRDÃO DE EMBARGOS. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhecem de embargos que apontam a existência de obscuridade em acórdão de embargos que se manifestou estritamente sobre a matéria embargada. Se a obscuridade arguida se deu no acórdão de recurso voluntário e não foi trazida nos primeiros embargos apresentados, não cabe a sua apresentação intempestiva, suscitada por via transversa, mediante embargos dos próprios embargos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1991, 1992 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE EM ACÓRDÃO DE EMBARGOS. MATÉRIA NÃO SUSCITADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhecem de embargos que apontam a existência de obscuridade em acórdão de embargos que se manifestou estritamente sobre a matéria embargada. Se a obscuridade arguida se deu no acórdão de recurso voluntário e não foi trazida nos primeiros embargos apresentados, não cabe a sua apresentação intempestiva, suscitada por via transversa, mediante embargos dos próprios embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer dos embargos de declaração, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcelo de Assis Guerra, Hélio Eduardo de Paiva Araujo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 06 13 /9 6- 71 Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10245.000613/9671 Acórdão n.º 1302001.306 S1C3T2 Fl. 1.176 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 130200.040, proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 26/08/2009, com a seguinte ementa: Recebidos os embargos para esclarecer que o valor lançado é inferior ao limite de alçada, sendo, por conseqüência lógica, também o valor exonerado inferior aquele limite. O colegiado conheceu dos embargos interpostos contra o Acórdão nº 105 17.263, proferido pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, para esclarecer que o valor total lançado é inferior ao valor de alçada. Cientificada em 20/07/2011, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs na novos embargos de declaração em 21/07/2011, sustentando que o acórdão embargado contém obscuridade ao conhecer dos primeiros embargos, sem emprestarlhes efeitos modificativos quanto ao conhecimento do recurso de ofício, aduzindo que: Contra o acórdão de fls. 970/994, a Fazenda Nacional havia interposto embargos de declaração suscitando omissão pela ausência de apreciação do valor de alçada, em reais, na data do julgamento (fls. 999/1000). Ao conhecer daqueles embargos, essa egrégia Turma afirmou que o valor de alçada, para efeito do conhecimento do recurso de oficio, compreende a soma do valor do tributo e das multas. Adiante, reconheceu que o valor do tributo, no presente caso, corresponde a R$ 391.795,24 (trezentos e noventa e um mil, setecentos e noventa e cinco reais e vinte e quatro centavos), e que a multa ostenta idêntico valor. Assim, o total do montante exonerado (tributo + multa) corresponde a R$ 783.590,48 (setecentos e oitenta e três mil, quinhentos e noventa reais e quarenta e oito centavos). Não obstante, o recurso de oficio não foi conhecido, sob o fundamento de que o valor de alçada foi inferior a R$ 1.000.000,00, "limite definido por ato do Ministro da Fazenda" (fl. 1.003). Ocorre que o recurso de oficio interposto pela DRJ teve por fundamento a Portaria MF n° 375/2001, vigente à época do ato processual praticado (fl. 902). Não ficou claro se o entendimento da Turma foi no sentido de afastar, deliberadamente, a aplicação da norma da Portaria vigente à época da prática do ato de interposição do recurso, ou se houve mero lapso manifesto na apreciação de tal requisito de admissibilidade recursal. [...] Ao final, a embargante requer que “que sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para que sejam esclarecidas as questões em debate, e, consequentemente, conhecido o recurso de oficio”. É o relatório. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10245.000613/9671 Acórdão n.º 1302001.306 S1C3T2 Fl. 1.177 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega a Fazenda Nacional, ora embargante, que o acórdão embargado contém obscuridade a ser sanada, na medida em que ao conhecer dos embargos anteriormente opostos não emprestou efeitos modificativos à decisão recorrida, deixando assim de conhecer o recurso de ofício por considerar que o valor estava abaixo do limite de alçada fixado pelo Ministro da Fazenda. Sustenta que “não ficou claro se o entendimento da Turma foi no sentido de afastar, deliberadamente, a aplicação da norma da Portaria vigente à época da prática do ato de interposição do recurso, ou se houve mero lapso manifesto na apreciação de tal requisito de admissibilidade recursal”. Não existe qualquer obscuridade no acórdão embargado. O pronunciamento integrativo do colegiado por meio do acórdão ora embargado deveuse aos embargos interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 10517.263, proferido pela 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, recurso no qual alegou a existência de omissão naquela decisão quanto ao “valor exonerado em reais, na data do julgamento, computada a correção monetária e juros moratórios, para fins de análise do novo valor de alçada”. O acórdão embargado esclareceu que o próprio montante total lançado era inferior ao limite de alçada observado pelo acórdão de recurso voluntário. Desta feita, se havia obscuridade quanto à norma aplicada esta se deu no acórdão de recurso voluntário e não foi arguida nos primeiro embargos apresentados. Assim, não cabe a sua apresentação intempestiva, suscitada por via transversa, mediante embargos dos próprios embargos. Desta feita o recurso não preenche os requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do RICARF. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. Sala de sessões, em 11 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10245.000613/9671 Acórdão n.º 1302001.306 S1C3T2 Fl. 1.178 4 Fl. 1178DF CARF MF Impresso em 31/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 18 /03/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10925.905068/2012-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Apr 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 29/02/2004
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.850
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 29/02/2004 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. A Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidem sobre o faturamento, que corresponde à totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 50 68 /2 01 2- 51 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 58 2 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 59 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Restituição PER, apresentado pela contribuinte acima qualificada. Em análise do pedido, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba/SC decidiu indeferilo (Despacho Decisório à folha 5), em razão de que o valor recolhido via DARF, indicado como fonte do crédito contra a Fazenda Nacional, já havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para restituição solicitada no PER. Inconformada com o não deferimento de seu Pedido de Restituição, a contribuinte esclarece, em síntese, que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega que a exigência da prévia retificação da DCTF como condição para reconhecer o crédito tributário pleiteado pela recorrente não possui qualquer fundamento legal, devendo ser enfrentado os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 60 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial e o acórdão de primeira instância, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Apesar da alegação da existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não ter sido acompanhada na peça impugnatória da retificação da respectiva DCTF, instrumento de confissão de dívida, que a princípio estaria na esfera de responsabilidade do contribuinte, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, sendo que a falta de apresentação de DCTF retificadora, por se tratar de prova indiciária, não excluiria o direito da recorrente à repetição do indébito, nos termos do art. 165 do CTN, in verbis: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais Fl. 60DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 61 5 suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. Apesar da recorrente argumentar que o ICMS, por não representar riqueza do contribuinte e sim receita do Erário Estadual, é um ônus fiscal e não faturamento. Esse, porém, referese a uma universalidade, um todo composto pelas receitas da empresa, pouco importando qual é a composição destas receitas ou se os impostos indiretos compõem o preço de venda. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 62 6 INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. No mais, o julgamento do Recurso Especial (REsp) no 1.127.877SP foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, razão pela qual o entendimento ali expresso deverá ser seguido pelos conselheiros no âmbito do CARF, conforme caput do artigo 62A1 do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, com alterações introduzidas pela Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.905068/201251 Acórdão n.º 3801002.850 S3TE01 Fl. 63 7 (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 63DF CARF MF Impresso em 01/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 13/03/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 01/04/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000487/2004-64
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
NORMAS REGIMENTAIS. NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO.
Nos termos do § 1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF: Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B, medida que se impõe até que o julgamento lá proferido possa ser aqui reproduzido na forma do caput do mesmo artigo regimental
Numero da decisão: 9303-002.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NORMAS REGIMENTAIS. NECESSIDADE DE SOBRESTAMENTO DE JULGAMENTO. Nos termos do § 1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF: Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543-B, medida que se impõe até que o julgamento lá proferido possa ser aqui reproduzido na forma do caput do mesmo artigo regimental
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em exercício JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. EDITADO EM: 07/03/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente)
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score : 1.0
Numero do processo: 10865.720403/2012-02
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010
NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL
Afasta-se a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento.
SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo.
INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO.
A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo.
Numero da decisão: 2403-002.303
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Afasta-se a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo. INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1499; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 2 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.720403/201202 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403002.303 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 16 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MECMONT INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2010 a 31/12/2010 NULIDADE. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL Afastase a nulidade quando devidamente apresentada a fundamentação legal do lançamento e adequadamente descritos os fatos que ensejaram o lançamento. SOLICITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Não cabe solicitar compensação em fase de contencioso administrativo de crédito em discussão noutro processo. INCLUSÃO DE DÉBITO EM PARCELAMENTO. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é própria da fase do contencioso administrativo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 04 03 /2 01 2- 02 Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Freitas De Souza Costa, Ivacir Julio De Souza, Maria Anselma Coscrato Dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720403/201202 Acórdão n.º 2403002.303 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, Acórdão 1440.492 da 7ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. A autuação e a impugnação foram assim apresentadas no relatório do acórdão recorrido: Compõem o presente processo os Autos de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 51.002.6893, nº 51.002.6907 e nº 51.002.6915. A fiscalização registra no Relatório Fiscal – RF que tratase de lançamentos incidentes sobre a mão de obra utilizada em obra de construção civil executada pela impugnante, apurada por aferição indireta em decorrência da falta de sua comprovação na documentação apresentada ela empresa. O sujeito passivo ampliou o prédio sede da empresa em 307,07 m², atingindo o total de 1.635,21 m², conforme matrícula CEI, projetos e declaração prestada à fiscalização, sem comprovar a aprovação da municipalidade e os gastos com a efetivação da ampliação. Pela ausência de comprovação dos gastos com a edificação, em especial a mão de obra dispendida, foi utilizado o parâmetro da aferição indireta para determinála, apresenta legislação que embasa tal procedimento. Traz os critérios de apuração da mão de obra, em conformidade com o disposto na Instrução Normativa – IN RFB nº 971/2009, apresentando quadro demonstrativo dos valores apurados, chegandose à base de cálculo das contribuições previdenciárias aqui lançadas pelo montante de R$ 55.099,41, competência 12/2010. Aduz ainda nos itens 10.1 e 10.2 do RF sobre o enquadramento do contribuinte como construção civil para determinação da alíquota do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT no código CNAE específico, que determinou a alíquota 3%, descreve critérios. Registra também a alíquota destinada as entidades terceiras pelo valor de 5,8%, beneficiando FNDE (2,5%), INCRA (0,2%), SESI (1,5%), SENAI (1%) e SEBRAE (0,6%). Os Autos lavrados referemse à: Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 51.002.6893, de 05/03/2012, de contribuições referentes à parte da empresa e ao RAT, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 em GFIP. O crédito tributário assim constituído, relativo à competência 12/2010, importa em R$ 23.802,17 (vinte e tres mil, oitocentos e dois reais e dezessete centavos), valor consolidado em 05/03/2012. Auto de Infração de Obrigações Principais AIOP nº 51.002.6907, de 05/03/2012, no valor de R$ 8.279,01 (oito mil, duzentos e setenta e nove reais e um centavo), referente às contribuições dos segurados empregados, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados em GFIP. O lançamento referese à competência 12/2010 e foi consolidado em 05/03/2012. Auto de Infração de Obrigações Principais – AIOP nº 51.002.6915, de 05/03/2012, de contribuições destinadas às entidades terceiras, quais sejam, FNDE – Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, incidentes sobre os valores de mão de obra apurada por aferição indireta, utilizada em obra de construção civil conforme acima, e que não foram declarados em GFIP. O crédito tributário assim constituído, relativo à competência 12/2010, importa em R$ 6.002,30 ( seis mil e dois reais e trinta centavos), valor consolidado em 05/03/2012. Tudo conforme descrito no Relatório Fiscal RF do presente processo. Relaciona ainda os documentos examinados durante o procedimento de fiscalização, os anexos que compõem o presente processo e os débitos lançados nesta a ação fiscal. A autuada, cientificada do lançamento, apresenta impugnação tempestiva, alegando, em síntese, que: Entende ser indevida a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito –NFLD da forma como fora lavrada, bem como serem inconstitucionais e ilegais as exações levantadas. Nulidade do lançamento por imprecisão da capitulação legal –Cerceamento de defesa. A fiscalização omitiu a fundamentação legal em que baseou a imposição tributária, bem como omitiu a descrição da matéria tributável, resultando totalmente nula tal exigência. Limitouse tão somente a anexar relação confusa, genérica e imprecisa da legislação que rege as contribuições ao INSS, não correlacionando os dispositivos com a matéria glosada. Violou com isso o contido no art. 10, inciso IV, do Decreto nº 70.235/1972, transcreveo. Cita doutrinadores, inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, discorre fartamente sobre o tema. Traz jurisprudência administrativa. Requer o cancelamento da NFLD, em decorrência do comprometimento ao contraditório. Prejudicial de mérito – Decadência/Prescrição: A NFLD foi lavrada em 05/03/2012, invoca que todos os lançamentos anteriores aos 5 anos sejam considerados prescritos. Cita art. 173 inciso I, do CTN, transcreveo. Dispõe robustamente sobre o tema, como a decadência já está tratada em lei complementar Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720403/201202 Acórdão n.º 2403002.303 S2C4T3 Fl. 4 5 tributária – CTN, art. 173 e é de cinco anos, não há que se falar no prazo do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Pleiteia que se reconheça a caducidade dos créditos levantados pela fiscalização, extinguindoos. Abuso do Poder Discricionário. A autuação, se lavrada sobre uma contribuição caducada há mais de 5 anos, resulta num verdadeiro abuso por parte da fiscalização. Discorre fartamente sobre a teoria do abuso do direito. Afronta da Lei nº 8.212/91 aos princípios da legalidade genérica e estrita legalidade. Trata na seqüência da condição de segurado obrigatório da Previdência Social do transportador autônomo e de sua contribuição, traz artigo desta Lei, do Decreto nº 3.048/99, da Portaria nº 1.135/2001 do MPAS, conclui que só lei pode fixar aspectos essenciais da hipótese de incidência, cita doutrinadores. Dispõe ainda que a referida Portaria não respeitou o princípio da anterioridade de 90 dias para as contribuições de seguridade. Das compensações realizadas pela impugnante – lisura e correção dos procedimentos. Dispõe acerca da contribuição previdenciária incidente sobre prólabore e autônomos, de que a impugnante já possui judicialmente o reconhecimento da inconstitucionalidade das contribuições referidas, bem como o direito de compensar, desde que o faça com contribuições devidas pelo mesmo contribuinte. Cita Lei 8.383/91, trata da correção monetária e Ordem de Serviços emitidas pelo INSS que estipulou regras para se proceder a compensação em questão. Requer que se refaçam os cálculos, homologando as compensações realizadas. Das verbas relativas a terceiros: * Das contribuições ao SAT – Seguro Acidente de Trabalho – Afronta aos princípios da legalidade genérica e estrita legalidade. Cita e transcreve artigo da Lei nº 8.212/91, aduz que a lei não estabeleceu o conceito de atividade preponderante, nem de risco leve, médio ou grave, elementos essenciais e necessários à cobrança desta contribuição, tendo dessa forma sido afrontado o princípio da legalidade. Há necessidade de edição de lei tornando o tipo em tela fechado. Impossibilidade do Poder Executivo suprir lacunas de lei por meio de Decreto. Foi editado o Decreto 612/92 indicando o alcance do termo atividade preponderante. A lei sendo omissa, não cabe ao Poder Executivo suprir a lacuna legal existente. Cita doutrinadores. As alterações pretendidas pelo Decreto 2.173/97 e pela Orientação Normativa 2/97. Discorre fartamente acerca destes atos normativos, concluindo pela sua inconstitucionalidade. Reconhecimento jurisprudencial. Remansosa é a jurisprudência dos Tribunais no sentido de que o grau de risco afeto às atividades desenvolvidas por funcionários de empresa deve compatibilizar com as funções e os locais onde são desenvolvidas as atividades. Cita jurisprudências. Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 * Da contribuição a título do INCRA – Ilegalidade. Aborda de forma ampla o tema e conclui que a exigência em questão é ilegal porque não há qualquer respaldo jurídico para a sua cobrança, seja pela atual Constituição, seja pela legislação inferior, e ainda, por inexistir relação jurídico tributária a permitir sua manutenção, tendo em vista que o destinatário da contribuição não tem qualquer vínculo com a previdência ou assistência social. Trata ainda da duplicidade do fato gerador, da não cumulatividade, da quebra da equidade pela ofensa ao art. 194, parágrafo único, IV, da CF e do adicional como verdadeiro imposto. * Da contribuição ao SEBRAE – Inconstitucionalidade/Ilegalidade. Discorre sobre o tema, concluindo que não há justificativa à exigência da contribuição ao SEBRAE, posto que criada sem autorização constitucional e incidente sobre folha de salários, mesmo não sendo destinada ao custeio da seguridade social. Discorre ainda sobre a necessidade de Lei Complementar para sua instituição, sobre a ausência de contraprestação pelo recolhimento do SEBRAE, sobre a natureza das atividades da impugnante, já que o SEBRAE é um adicional, uma simples majoração das alíquotas previstas no DL nº 2.318/86 (SESI, SENAI, SESC e SENAC), que foi instituída a cobrança do SEST e SENAT, desvinculando as empresa transportadoras do SESI e SENAI. * Das contribuições ao SEST e SENAT – inconstitucionalidade / ilegalidade. Não foi instituída por lei complementar e não se encontra prevista no art. 149 da CF uma nova contribuição parafiscal. Do efeito confiscatório da multa cominada. Na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito a fiscalização lançou uma pesada multa pelo pretenso descumprimento de obrigações tributárias. Não havendo conduta ilícita, não há razão para imposição de multas. Traz jurisprudências sobre caráter confiscatório da multa aplicada em outros processos. Ainda que a multa aplicada esteja prevista em legislação específica, tal como no presente caso, assume caráter nitidamente confiscatório desrespeitando ao Princípio do NãoConfisco, previsto na Constituição Federal. Inaplicabilidade da Taxa Selic como índices de juros sobre o débito de tributos e contribuições sociais federais. Discorre fartamente sobre o tema, sobre características da Taxa Selic, traz jurisprudência, aduz que a Selic padece dos mesmos vícios da TR, transcreve parecer da Procuradoria Geral da República sobre a TR, que a fixação de tais valores feita pela União resulta em confisco do patrimônio do devedor e fere os princípios constitucionais da moralidade e vedação ao enriquecimento sem causa, da propriedade e do não confisco de tributos. Fica claro pelo exposto a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic como juros de mora, por se tratar de taxa de remuneração de aplicação no mercado financeiro. Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720403/201202 Acórdão n.º 2403002.303 S2C4T3 Fl. 5 7 Do crédito de restituição de contribuições previdenciárias retidas. Tramita na Receita Federal do Brasil RFB o processo nº 35408.000716/200360, referente à restituição de retenção (Lei nº 9.711/98) no valor original de R$ 146.713,64. A auditoria fiscal da Previdência Social em 28/08/2003, reconheceu a procedência parcial pelo montante de R$ 141.777,94, relaciona os valores por competência, de 08/2002 a 12/2002. Caso o temerário expediente traga qualquer sanção, cabem ser compensados os créditos já reconhecidos. Relata histórico da empresa. Do REFIS 2009 aderido, o qual permitia a inclusão das retenções dos funcionários. A impugnante optou pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no âmbito da PGFN, apenas não informou a totalidade dos débitos porque se utilizou dos próprios lançamentos abrangidos pela opção de parcelamento emitido pelo relatório da Fazenda. Assim, diante do equívoco verificado na época, pela não consolidação dos lançamentos, requer a inclusão de todos os débitos não incluídos no relatório, exigindose a suspensão dos mesmos com a homologação da inclusão dos mesmos no parcelamento. Das GFIP entregues com supressão de informações. A impugnante não reconhece o reenvio de informações na entrega de GFIP, com redução de contribuições previdenciárias, conforme descrito nos processos 10865.720398/201220 e 10865.720399/201274. Tendo enviado GFIP com informações corretas, dispõe que não partiu da empresa auditada o noticiado reenvio, requerendo por tais razões, a conversão em diligência (prova pericial) para que se verifique o ID do computador que reenviou tais informações. A impugnante ficou surpresa com o resultado levantado pela Auditoria, e que esse procedimento teria o propósito da obtenção de CND. Para obtenção de uma CND bastaria parcelar o débito, e se não houvesse sufrágio financeiro, após a obtenção de CND positiva com efeitos negativos, poderia deixar de pagar, obtendo o mesmo resultado, sem cometimento de ilícitos, caso fosse o impugnante portador de más intenções. Reforça a necessidade de se verificar a origem dos envios de novas GFIP, discorre a respeito, trata do crime de sonegação fiscal, concluindo que necessário se faz atender ao requerimento de perícia nos computadores da impugnante, onde poderá facilmente ser averiguado que não foram os sócios ou o contador da impugnante que efetuou as alterações em GFIP, bem como uma auditoria interna na Autarquia para verificar como e de que forma foram supostamente adulteradas as informações fiscais do contribuinte. Requer a nulidade do AI em comento, pela ausência da correta capitulação legal, o que implica em cerceamento de defesa. Acaso seja ultrapassada a preliminar argüida, o que se admite apenas em atenção ao princípio da eventualidade, requer a total desconstituição da exigência impugnada, reconhecendose a Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 inexigibilidade da multa hostilizada em atendimento às razões anteriormente expostas e a não aplicação da taxa Selic. Não se reconhecendo os pedidos anteriores, que sejam reconhecidos os créditos existentes compensandoos com eventuais débitos consolidados. Requer ainda a inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento da Lei nº 11.941/2009, no âmbito da PGFN, porque não foram incluídos por razões alheias ao impugnante. Requer ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente a prova pericial, requerendo posterior formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. Em especial, no tocante a prova pericial, requer seja periciado o equipamento que emitiu o reenvio de GFIP, logrando verificar a origem e autoria do mencionado reenvio, através de pesquisa do IP do equipamento, requerendo prazo para apresentação dos quesitos a ser apresentado ao ilustre “expert”. É a síntese dos autos. O voto condutor da decisão da DRJ observa que alguns pontos abordados na impugnação não se aplicam a este processo, tais como: transportador autônomo; SEST e SENAT; contribuição incidente sobre autônomos e prólabore declaradas inconstitucionais e sua compensação e decadência. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega/questiona, em síntese: · Nulidade. Imprecisão na capitulação legal. · Crédito de restituição de contribuições retidas, processo 35408.000716/200360, indeferido, porém co recurso. Solicita suspensão do presente processo até decisão definitiva daquele, pra então se efetuar a compensação. · Aderiu ao REFIS 2009 (Lei 11.941), que permitia a inclusão de retenções. Requer inclusão no parcelamento. É o relatório Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10865.720403/201202 Acórdão n.º 2403002.303 S2C4T3 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. NULIDADE CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO. A recorrente alega cerceamento de defesa por entender imprecisa a capitulação legal e a descrição da matéria tributada. Não concordo com a recorrente. Entendo que os fatos estão bem descritos no Relatório Fiscal. Pra a questão da fundamentação legal, cada Auto de Infração de obrigação principal contém seu relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD e o auto de infração de obrigação acessória contém especificação do dispositivo legal infringido, da multa aplicada e da gradação da multa. Não percebi imprecisão. CRÉDITO DE RESTITUIÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES RETIDAS. A recorrente alega possuir crédito de restituição de contribuições retidas, processo 35408.000716/200360. Informa adicionalmente que a restituição foi indeferida, porém foi apresentado recurso. Solicita suspensão do presente processo até decisão definitiva daquele, pra então se efetuar a compensação. Conforme colocado pela própria recorrente, tratase de outro assunto, discutido noutro processo. Não cabe misturar as coisas. O que se discutirá neste processo são ao autos de infração aqui presentes. Também não cabe suspender este processo. Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Para a solicitação de compensação, essa questão deve ser tratada fora deste contencioso administrativo. REFIS – LEI 11.941/2009 Alega a autuada que optou pelo parcelamento da Lei nº 11.941/2009. no âmbito da PGFN, e que apenas não informou a totalidade dos débitos porque se utilizou dos próprios lançamentos abrangidos pelo relatório da Fazenda, não tendo, portanto, sido incluídos todos os seus débitos no parcelamento. Requer, no recurso, já o tendo requerido na impugnação, a inclusão dos débitos no parcelamento. Não pode ser atendido o pleito da recorrente. A solicitação de inclusão de débito em parcelamento não é processada no contencioso administrativo. CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 23/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 0/04/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 11020.003966/2005-08
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1999
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador.
INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
Recurso Especial Provido do Contribuinte
Numero da decisão: 9101-001.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e João Carlos de Lima Junior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Participou do julgamento o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
Nome do relator: JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Recurso Especial Provido do Contribuinte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e João Carlos de Lima Junior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarou-se impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Participou do julgamento o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Os Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente).
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DECADÊNCIA Recorrente MARCOPOLO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, e tendo havido pagamento antecipado, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Recurso Especial Provido do Contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, em dar provimento ao Recurso Especial de Divergência, interposto pelo contribuinte. Vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e João Carlos de Lima Junior, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Declarouse impedido o Conselheiro Valmir Sandri. Participou do julgamento o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva. Os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 66 /2 00 5- 08 Fl. 7144DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 3 2 Conselheiros Moises Giacomelli Nunes da Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Susy Gomes Hoffmann irão apresentar declaração de voto (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Karem Jureidini Dias, Valmar Fonseca de Menezes, Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Suplente Convocado), Jorge Celso Freire da Silva, João Carlos de Lima Júnior, Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente). Fl. 7145DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório A recorrente, irresignada com o decidido no acórdão nº 10517.083, apresentou recurso especial (fls. 6.686/6.724) para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. Sustenta a recorrente que a decisão sob exame teria divergido do entendimento manifestado por outras turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em relação a diversas matérias. Por meio do Despacho 191/2010, o Presidente da 3ª Câmara da Primeira Seção negou seguimento ao recurso especial apresentado pela recorrente. Posteriormente, o Despacho nº 191R/2010, da lavra do Presidente da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, confirmou o despacho anterior. Inconformada com o exame de admissibilidade do recurso, a recorrente ingressou com mandado de segurança (001142558.2011.4.01.3400) na Justiça Federal do Distrito Federal, no qual pleiteia o conhecimento do recurso especial. A recorrente obteve decisão favorável no sentido de determinar o conhecimento do recurso especial em relação à contagem do prazo decadencial para o lançamento do auto de infração. Em suas contrarrazões, a Procuradoria da Fazenda Nacional, insiste na delimitação da discussão e sobre a necessidade de se analisar apenas a questão da decadência e não os demais aspectos da autuação, como por exemplo, fatos, provas e presunções relacionadas à simulação. É o que importa relatar. Fl. 7146DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Jorge Celso Freire da Silva Relator. O Recurso Especial do Contribuinte deve ser conhecimento quanto à decadência, quer por ser matéria de ordem pública, quer em face à decisão judicial cuja cópia consta dos autos que determinou a subida do recurso. Tratase de crédito tributário correspondente ao anocalendário de 1999, notificado à recorrente em 22/12/2005, sendo que em ocasião anterior, quando examinados os mesmos fatos, só que em relação a outro anocalendário, esta Turma entendeu pela inexistência de situação capaz de caracterizar a multa qualificada. O recurso especial é tempestivo e preenche os demais requisitos regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase do exame de questão relativa à decadência e ao direito do Fisco de lançar tributos. Daí porque o exame da questão merece maior cuidado do julgador tendo em vista que violaria a legalidade manter a cobrança de crédito tributário se o direito do Fisco já se encontrar definitivamente extinto e fulminado pela decadência, consoante prevê expressamente o artigo 156, V, do CTN. Como ensina o Prof. Eurico Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição são mecanismos para absorção de incertezas, são limites impostos pelo próprio ordenamento à positivação do direito (...). A decadência do direito do Fisco corresponde à perda da competência administrativa do Fisco para efetuar o ato de lançamento tributário (...). (Decadência e Prescrição no Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 4ª ed, 2011, p. 236). De início cumpre lembrar que mesmo na via especial, quando se tratar de questão de ordem pública prejudicial e de direito, em respeito ao princípio da legalidade, é necessário que o julgador, em qualquer instância, tribunal ou fase processual, proceda à análise dessa questão, até mesmo de ofício, caso não seja argüida pela parte. É como deve ser vista a apreciação relativa ao prazo decadencial tendo em vista que se trata de matéria ordem pública. Destacase, neste sentido, recentes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: “DECADÊNCIA. EXAME EX OFFICIO. GRAU DE JURISDIÇÃO. As matérias tratadas pelos incisos IV, V e VI do art. 267 do Código de Processo Civil (CPC) são de ordem pública e podem ser examinadas ex officio e a qualquer tempo ou grau de jurisdição. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma. Acórdão 920201.395. Julgado em 12/04/2011). ADE NULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO Fl. 7147DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 6 5 PELA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. EFEITO TRANSLATIVO DOS RECURSOS. O Ato Declaratório que exclui o contribuinte do Simples, com base em existência de pendências perante a PGNF, sem especificar quais sejam, encontrase maculado de nulidade. Matéria, esta, de ordem pública, que pode ser conhecida de ofício em sede de julgamento de recurso especial. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão nº 9101 001.079. Julgado em 28/06/2011) No mesmo sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, § 4º E 173 DO CTN). NULIDADE ABSOLUTA. CONHECIMENTO EX OFFICIO LIMITES DO RECURSO ESPECIAL. 1. O prequestionamento é exigência indispensável ao conhecimento do recurso especial, fora do qual não se pode reconhecer sequer as nulidades absolutas. 2. A mais recente posição doutrinária admite sejam reconhecidas nulidades absolutas ex officio, por ser matéria de ordem pública. Assim, se ultrapassado o juízo de conhecimento, por outros fundamentos, abrese a via do especial (Súmula 456/STF). 3. Hipótese em que se conheceu do recurso especial por violação do art. 161 do CTN, ensejando no seu julgamento o reconhecimento ex officio da decadência. 4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Hipótese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN. 6. Crédito tributário fulminado pela decadência, nos termos do art. 156, V do CTN. 7. O julgamento do recurso especial com observância às regras técnicas que lhe são inerentes não importa em negativa de prestação jurisdicional, supressão de instância ou contrariedade a qualquer dispositivo constitucional, inclusive aos princípios do devido processo legal, ampla defesa ou contraditório. Fl. 7148DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 7 6 8. Agravo regimental provido para prover em parte o recurso especial e reconhecer, de ofício, a decadência. (AgRg no AI nº 939.714. Relatora Min. Eliana Calmon. DJ: 12/02/2008).” Portanto, apesar de o caso examinado estar neste órgão julgador assegurado por medida judicial, nada obsta que, por dever de ofício e em cumprimento à legalidade, ele seja examinado para fins de apreciação da decadência, independentemente de haver medida judicial uma vez que a decadência é fator de extinção do crédito tributário nos termos do artigo 156, V, do Código Tributário Nacional. Ressaltese que a decadência é a matéria objeto do recurso especial e foi prequestionada desde o início pela recorrente. Daí porque, como bem colocado na citada decisão do STJ, AgRg no AI nº 939.714, Min. Eliana Calmon, estando o recurso especial submetido à apreciação do órgão julgador, a decadência deverá ser examinada em todos os seus aspectos para que possa identificar se ocorreu ou não a extinção do direito de Fisco de constituir o crédito tributário. Porém, o marco decadencial não é único, de acordo com a lei e a jurisprudência do STJ em recurso repetitivo, daí porque, somente se pode decidir a questão diante do caso concreto o que passa, necessariamente, pelo exame de aspectos, tais como: a) forma de lançamento: homologação ou não; b) existência ou não de pagamento; e c) ocorrência de fraude, dolo ou simulação; d) existência de medida preparatória para o lançamento. Neste sentido, é a opinião do Ministro Fux, no Recurso Repetitivo nº 973.733, quando leciona: “Deveras, a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210).” Ressaltese que, no presente julgamento, não se pretende rever os critérios da decisão já proferida, até porque não existe tal possibilidade nesta instância. Porém, em respeito à legalidade, por se tratar de hipótese de extinção de crédito tributário, somente haverá o crédito tributário se ele ainda não tiver sido alcançado pela decadência. Portanto, mesmo no restrito exame de qual o correto prazo decadencial a ser adotado para o caso, fazse necessário identificar qual a hipótese legal a ser aplicada aos fatos, para que se dê a correta aplicação do direito. Não se pode saber qual a regra jurídica aplicável para determinada situação, sem antes analisar os aspectos envolvidos que irão contextualizar a aplicação da regra abstrata ao caso concreto. Fl. 7149DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 8 7 No exame do presente caso, existe uma premissa inafastável que deverá ser observado pelo colegiado. É que, em 21/12/2010, foi editada a Portaria n. 586/2010, pela qual foi alterado o regimento interno desta Corte Administrativa para, entre outras providências, determinar que “as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (RI/CARF, art. 62A). Deste modo, os parâmetros sob os quais deverá decidir o colegiado, são aqueles colocados no Recurso Repetitivo do STJ nº 973.733. Assim, para que seja aplicada a lei que rege o prazo decadencial, em consonância com a jurisprudência, antes de se adotar uma posição é necessário que sejam examinadas questões cuja resposta irá se refletir na decisão a ser tomada, como a seguir se expõe as premissas sobre as quais se fundará o julgamento. a) Qual forma de lançamento do tributo? O Código Tributário Nacional não tratou, igualitariamente, dos marcos e das formas de fluência do prazo decadencial para todos os tributos. O art. 150, parágrafo 4º, por exemplo, prevê um marco decadencial específico para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Sendo assim, para que se possa analisar adequadamente quais regras jurídicas aplicáveis ao caso, é fundamental o exame da forma de lançamento do tributo em questão. No caso, conforme pode ser observado no termo de verificação fiscal e demais documentos juntados aos autos, é inquestionável que os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação. Portanto, firmada a primeira questão de fato prejudicial ao exame da decadência, qual seja: os tributos estão sujeitos ao lançamento por homologação. b) Houve antecipação do pagamento? Após a constatação da hipótese de lançamento por homologação, surge a necessidade de verificação ou não da ocorrência de pagamento antecipado, ainda que parcial, no período objeto do auto de infração. Este Conselho tinha entendimento pacificado no sentido de que nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo qüinqüenal de decadência para constituição do crédito é a ocorrência do respectivo fato gerador, a teor do art. 150, § 4º do CTN, independentemente da realização (ou não) de pagamento antecipado do tributo pelo contribuinte. Contudo, tendo em vista o art 62A do RICARF, o decidido no Recurso Repetitivo, impõese, neste caso, a observância do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do Fl. 7150DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 9 8 exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, nos casos de evidente intuito de fraude ou simulação e quando não há medida preparatória do lançamento em período anterior ao início da contagem do prazo decadencial. Com isso, para o correto exame da decadência no caso concreto, fazse necessário verificar se houve pagamento antecipado efetuado pela recorrente no período fiscalizado. Pois bem, a partir do exame do auto de infração e termo de verificação fiscal, assim como as declarações e Darf’s do período, verificase que o lançamento em apreço corresponde a diferenças de receitas já declaradas e pagas pela contribuinte. Desta feita, é incontroverso que a recorrente efetuou pagamento antecipado relativo às receitas declaradas e correspondentes ao período fiscalizado. Assim, firmada a segunda questão de fato prejudicial ao exame da decadência, qual seja: houve declaração e pagamento antecipado relativo ao período fiscalizado. c) Houve dolo, fraude ou simulação? Verificado que os tributos estão sujeito ao lançamento por homologação, assim como houve pagamento antecipado no período fiscalizado, restanos saber se, no caso, estão presentes as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. Cumpre ressaltar que, ao contrário do afirmado pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional, o exame da ocorrência ou não de dolo, fraude ou simulação não está albergado pela preclusão. Na verdade, como bem destacou a conselheira Susy Gomes Hoffamn, na sua declaração de voto constante dos acórdãos que decidiram os demais processos relativos a esta mesma operação, no recurso especial não pode o colegiado “declinarse sobre o conjunto probatório presente nos autos, a fim de avaliálo e constatar se determinado fato encontrase ou não comprovado”, pois, segundo ela, a CSRF é “campo de discussão de questões jurídicas, de direito”. Porém, prossegue aquela ilustre conselheira, “Outro o cenário, contudo, em que a Câmara Superior de Recursos Fiscais, em face do narrado no acórdão recorrido, e nele tido por comprovado ou não, emite um juízo jurídico diverso daquele emitido pelo órgão a quo, mas desde que sobre as mesmas premissas fáticas. Neste caso, não se tem propriamente um reexame do material de conhecimento (dos fatos e provas), mas sim uma reavaliação jurídica daqueles fatos já explicitados no Acórdão recorrido.” Não se discute aqui o reexame das operações ou das provas que deram ensejo à autuação, mas apenas vai se identificar se na hipótese existe algum com dolo, fraude ou simulação. Tudo em estreita consonância com o também já decidido pelo STJ, como citado também pela Conselheira Susy Gomes Hoffamn: Fl. 7151DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 10 9 “PENAL. RECURSO ESPECIAL. ART. 168ª DO CÓDIGO PENAL. REEXAME E REVALORAÇÃO DE PROVAS. SÚMULA Nº 07/STJ. I A revaloração da prova ou de dados explicitamente admitidos e delineados no decisório recorrido não implica no vedado reexame do material de conhecimento (Precedentes). II Não se conhece de recurso especial que, para o seu objetivo, exige o reexame da quaestio facti (Súmula nº 7 STJ). Recurso não conhecido. (REsp 683702/RS, Rel. Ministro FELIX FISCHER, QUINTA TURMA, julgado em 01/03/2005, DJ 02/05/2005, p. 400)” Adentrando no caso, especificamente, inicialmente, é importante trazer a baila a observação da autoridade fiscal (fl. 20): “DELIMITAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE VENDA AO EXTERIOR SOB ANÁLISE 10. As operações de Venda ao Exterior objeto de nossas análises limitaramse às relacionadas na tabela por nós elaborada, denominada de PLANILHA DO FISCO (folhas 63 a 68). Esta informação foi gerada com base nas vendas registradas no período de janeiro de 1999 a dezembro de 1999, relacionadas com o planejamento já citado, oficialmente, informadas pelo contribuinte na tabela denominada de PLANILHA DO CONTRIBUINTE (folhas 69 a 78), a qual encontrase devidamente assinada pelos responsáveis legais da empresa. 11. Apesar de, nesta auditoria tributária, termos trabalhado apenas o ano de 1999, para evitar a decadência relativa aos fatos geradores decorrentes das operações, nos demais anos subseqüentes tais operações se repetem. A constituição do crédito tributário vinculado às operações ocorridas nestes anos será oportunamente realizada..” Ou seja, apesar de tratar cada período em um processo específico, a fiscalização entende que a infração ocorreu da mesma maneira uniforme para todos os períodos subseqüentes. Com isso, considerouse, no presente caso, uma hipótese de infração continuada que, por questões meramente administrativas, permitiu o desmembramento dos mesmos fatos em vários processos. A questão da existência ou não do dolo em relação à infração que foi considerada como continuada pela fiscalização, já foi objeto de exame e decisão deste Colegiado que, para os períodos subseqüentes, firmou posicionamento no sentido de inocorrência de dolo, fraude ou simulação nas operações praticadas pela Recorrente, conforme pode ser observado adiante: Fl. 7152DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 11 10 “INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.402. Sessão de 17/07/2012) INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.403. Sessão de 17/07/2012) INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para aplicação do percentual de 150%, depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não restou cabalmente comprovado o dolo por parte do contribuinte para fins tributário, logo incabível a aplicação da multa qualificada.(CSRF. Acórdão 910101.404. Sessão de 17/07/2012).” Vêse, assim, que este mesmo Colegiado já decidiu pela inexistência de dolo com relação a toda a operação uma vez que, repitase, todos os processos têm como base os mesmos fatos e provas, tendo havida uma mera divisão em processos diferentes por uma simples questão procedimental. No caso deste processo, igualmente a todos os demais e decorrente da mesma operação, imputase à recorrente uma suposta omissão dolosa tendente a impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502/1964. No entanto, em nenhum momento, houve a demonstração da evidente intenção fraudulenta da contribuinte como exige a lei. Fl. 7153DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 12 11 E mais, a partir do exame do conjunto probatório presente nos autos, o colegiado já chegou à conclusão e decidiu que a recorrente não impediu ou ocultou o conhecimento dos fatos para a fiscalização, pelo contrário, como afirmado pela própria autoridade fiscal, foi a partir das informações, documentos e declarações da empresa que foi possível se apurar os fatos autuados. Aliás, somente foi possível o exame detalhado da operação, por parte da fiscalização, porque a recorrente detinha todas as informações formalizadas em instrumentos públicos e particulares, bem como registros contábeis e financeiros colocados à disposição e que foram entregues ao Fisco. Ainda tomando emprestado as palavras da Conselheira Susy Gomes Hoffamann, “Pois bem, no presente caso, é de se fixar se a pretensão recursal da Fazenda envolve a revaloração jurídica da prova ou se demanda uma verdadeira reincursão no material probatório. Pareceme que, no caso, só é possível analisar o recurso sob a ótica da revaloração jurídica da prova, apesar de a pretensão da Recorrente ser o de uma verdadeira reincursão no material probatório.” “Não nos cabe, aqui, mergulhar na análise das provas constantes dos autos, pois que isto constituiria o indevido reexame probatório. Cabenos apenas considerar aqueles dados retratados no acórdão recorrido. Caso contrário, este órgão julgador estaria a analisar um eventual “julgamento errôneo da prova” (error facti judicando), o que, nos termos do acima exposto, não é cabível em sede de recurso especial.” No caso, salta aos olhos que não se está fazendo um reexame de provas ou examinando qualquer outra questão já decidida no acórdão recorrido, mas, este colegiado está procedendo ao exame material da questão objeto de recurso, ou seja, qual o início da contagem do prazo decadencial se de acordo com o art 150, § 4º, ou de acordo com o art 173 do CTN. Vale ressaltar que o colegiado para decidir examinando os elementos do processo considerou que estava comprovado a realização das operações e que não havia qualquer simulação ou fraude tendo em vista que, além da recorrente haver fornecido todos os elementos e entregues as declarações para a autoridade fiscal, ela obedeceu às leis que existem para alcançar planejamentos tributários como a lei dos preços de transferência e a tributação dos lucros do exterior com relação a operações entre coligadas e controladas. Por outro lado, ainda que se considere que a recorrente, in casu, teria planejado irregularmente suas operações, a partir do decidido nos demais processos, concluise que não se pode atribuir à contribuinte qualquer intuito doloso de evadir receitas tributárias, especialmente porque, como já mencionado, todas as operações questionadas sempre foram levadas ao conhecimento fiscal, por meio de declarações fiscais, demonstrações financeiras, registros aduaneiros, dentre outros documentos, e que por anos e anos jamais foram questionadas pelas autoridades fiscais. Então, se a conclusão é de que a operação foi feita às claras e não houve intuito doloso como neste processo, inclusive porque foram obedecidas todas as leis vigentes Fl. 7154DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 13 12 que existem para coibir planejamentos tributários, não é possível decidir de forma diversa para este caso do que foi decidido nos outros processos. Não se pode qualificar a mesma operação como um ato simulado, fraudulento e doloso, para fins de contagem do prazo decadencial em um processo e considerála como verdadeira e legítima em outros casos. Logo, não é possível considerar a existência de simulação, dolo ou fraude em vários períodos e considerar a conduta da recorrente como dolosa, para fins de aplicação do termo inicial para fluência do prazo decadencial. Sendo assim, sem necessidade de se examinar ou rever provas, apenas a partir da simples leitura os julgamentos deste Colegiado, ou seja, apenas a partir da materialidade jurídica que é questão de direito e, independentemente do exame do mérito das operações, não há como considerar a ocorrência de dolo fraude ou simulação na operação em comento, seja por ausência de provas da fraude, seja pelo forte conjunto probatório que indica a boafé da recorrente em declarar todos os fatos e prestar todas as informações cabíveis ao fisco. Portanto, resta firmada a terceira e última questão prejudicial ao exame da decadência, qual seja: no caso, como já decidido nos demais, não se pode dizer que houve conduta dolosa, fraudulenta ou simulada. De tudo que aqui foi dito já se pode antecipar que não havendo dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial deve se dar de acordo com o art 150, § 4º do CTN. Mas, por qualquer ótica que se analise o caso, ainda assim podese concluir que no caso, no momento do lançamento, já se encontra extinto o direito do Fisco de constituir o crédito tributário. Como se demonstra a seguir. d) Existência de medida preparatória ao lançamento (parágrafo único do art. 173 do CTN) O Código Tributário Nacional, ao tratar dos marcos temporais para verificação da decadência, dispôs no parágrafo único do art. 173 que também haveria fluência do prazo decadencial após o transcurso do prazo de cinco anos da ciência, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Fl. 7155DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 14 13 Porém, apesar da truncada redação, o parágrafo único não constitui uma hipótese autônoma de regra decadencial, mas tão somente uma hipótese de antecipação dos prazos previstos nos incisos anteriores. Ou seja, ocorrendo a ciência, por parte do contribuinte, de medidas preparatórias indispensáveis à constituição do crédito tributário antes do início da fluência do prazo decadencial, o prazo deve ser antecipado. Destacase, neste sentido, o trecho do voto apresentado pelo ilustre conselheiro Dr. Marcos Aurélio Valadão no acórdão nº 9303002.179: “O parágrafo único do art. 173 do CTN deve ser interpretado no contexto do artigo e não como uma norma isolada. Assim, se em um caso concreto, antes do início do prazo a que se refere o inço I do art. 173 ocorrer uma notificação (e.g., ciência do MPF), o prazo, nesse caso mais favorável ao contribuinte, começa a correr da ciência e não do 1º dia do exercício seguinte (menos favorável ao contribuinte, pois resultaria em um prazo de decadência mais longo). O parágrafo único é uma exceção ao inciso I do art. 173 e não um dispositivo autônomo. Os dois marcos temporais do art. 173, expressos em seu inciso I e parágrafo único, não são isolados, mas concorrentes, i.e., o que acontecer primeiro, prevalece. Qualquer outra lógica interpretativa levaria a reconhecer a existência da interrupção do prazo decadencial, o que não é admissível no sistema do CTN.” Daí porque a verificação da existência ou não de medida preparatória é relevante para a correta identificação do prazo decadencial. Por outro lado, em função do disposto no Recurso Especial nº 973.733, cumpre estabelecer qual declaração, no âmbito da legislação tributária federal, possui os mesmos efeitos jurídicos de um ato preparatório ao lançamento, capaz de antecipar a fluência dos prazos decadenciais previstos no art. 173 do Código Tributário Nacional. Por tratar inteiramente da questão, pedese licença para transcrever parte do voto da ilustre Conselheira Dra. Maria Teresa Martinez Lopez, proferido no acórdão nº 9900 000.334 e acompanhado pelos membros do Pleno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Em se tratando da aplicação do artigo 173, o termo inicial da contagem (dies a quo) é distinto dependendo se há ou não medida preparatória para o lançamento. É o que se depreende do item 01 da ementa do Recurso Representativo de Controvérsia, no qual se afirma que o prazo decadencial conta se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: ‘nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito’ Fl. 7156DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 15 14 Ou seja, para a aplicação do dies a quo previsto no inciso I do artigo 173, do CTN (primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado) é necessário que: (i) se trate de lançamento por homologação (obrigação de pagamento antecipado); (ii) inexistência de antecipação de pagamento; (iii) inexistência das figuras de: dolo, fraude ou simulação; e (iv) inexistência de declaração parcial prévia do débito (vale dizer, não há medida preparatória para o lançamento). Entendeseque declaração prévia é a declaração insuficiente (parcial), uma vez que, se a declaração fosse integral, estarseia enfrentado prazo prescricional e não prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Enquanto instrumento de constituição do crédito tributário, a declaração prévia parcial enquadrase no conceito de medida preparatória ao lançamento, constante no parágrafo único do artigo 173 e a que alude o Recurso Representativo de Controvérsia.” Logo, no âmbito da legislação tributária federal, as declarações que não possuem o condão de constituir o crédito tributário, como por exemplo, a DIPJ ou a despeito de constituir não foram preenchidas na sua integralidade (parcial), nos termos do parágrafo único do art. 173 do CTN, são hipóteses de antecipação do prazo decadencial, uma vez que, com a apresentação das mesmas o Fisco já toma conhecimento de elementos suficientes para fazer valer o seu legítimo direito de iniciar a fiscalização e o controle do cumprimento das obrigações tributárias por parte dos contribuintes. Salientese que, mesmo em momento anterior ao Recurso Representativo do Superior Tribunal de Justiça, esta Câmara Superior de Recursos Fiscais já havia pacificado o entendimento no sentido que a apresentação de declaração em período posterior ao fato gerador do tributo antecipa o início da fluência do prazo decadencial para o dia da entrega da declaração: “DECADÊNCIA IRPJ A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 1731 e § único do CTN). (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão CSRF/0105.751. Julgado em 03/12/2007) Fl. 7157DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 16 15 DECADÊNCIA IRPJ A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, o IRPJ passou a ser tributo sujeito ao lançamento pela modalidade homologação. O inicio da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Na ocorrência de dolo fraude ou simulação, o inicio da contagem do prazo deslocase do fato gerador para o primeiro dia do exercício seguinte àquele no qual o lançamento poderia ser realizado, antecipando para o dia da entrega da declaração se feita no ano seguinte ao da ocorrência dos fatos geradores. (Art. 150 § 4°e 1731 e § único do CTN). (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 1ª Turma. Acórdão CSRF/0105.689. Julgado em 12/06/2007).” Por isso, devese verificar, no caso concreto, a existência de qualquer fato que possa, em tese, antecipar a fluência do prazo decadencial previsto no art. 173 do CTN. Pois bem, compulsando os autos, verificase a existência de Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, apresentada no dia 30/06/2000 (fls. 843920), bem como apresentou DCTF para o respectivo período. Analisadas as questões prejudiciais atinentes ao exame de qual o marco normativo adequado para o exame da decadência, passase a examinar o tema a luz das premissas traçadas. Em vista de referida regra regimental, impõese a observância in casu do entendimento firmado pelo E. Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 973.733/SC, o qual estabelece que o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado somente nas hipóteses em que o contribuinte não realiza o pagamento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação. Verbis: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg Fl. 7158DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 17 16 nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC (2007/01769940), STJ, Primeira Seção, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 12/08/2009, DJe 18/09/2009, RDTAPET vol. 24 p. 184).” No que interessa ao presente julgamento, o acórdão acima, submetido ao regime do art. 543C, do CPC, pacificou o seguinte entendimento, verbis: Fl. 7159DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 18 17 “(i) o prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito;” Entendimento que, aliás, já foi pacificado pelo Plenário do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Comprovada a existência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 150 do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado.(Pleno CARF. Acórdão nº 9900000.271.Sessão de 07/12/2011) DECADÊNCIA. FORMA DE CONTAGEM. APLICAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA STJ, CONFORME RECURSO ESPECIAL Nº 973.733/SC SUBMETIDO AO REGIME DO ART. 543C DO CPC. Por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, impõese a observância das decisões proferidas pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. No Recurso Especial nº 973.733/SC restou pacificado que a aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, está condicionada à realização do pagamento antecipado do tributo sujeito ao lançamento por homologação. Do contrário, aplicase o prazo de decadência previsto no art. 173, I do CTN. Constatada inexistência de pagamento antecipado no caso dos autos, observase o prazo de decadência previsto no art. 173, inciso I, do CTN. Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional Negado. (Pleno CARF. Acórdão nº 9900000.269.Sessão de 07/12/2011).” No caso, houve o recolhimento antecipado dos tributos devidos nas mesmas que são do mesmo tipo daqueles lançados nos autos de infração, IRPJ e CSLL, bem assim conforme tudo que já foi detalhado acima não há como considerar a existência de fraude, dolo ou simulação, o que reclama a aplicação do prazo decadencial previsto no parágrafo 4º do art. 150 do CTN. Fl. 7160DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 19 18 Ademais, os tributos lançados são referentes ao anocalendário de 1999, cujos fatos geradores ocorreram em 31/12/1999 e a ciência do lançamento de ofício ocorreu em 22/12/2005. Por outro lado, ainda que se considere a impossibilidade de aplicação do parágrafo 4º do art. 150 do CTN, o crédito tributário, igualmente, encontrase fulminado pela decadência. Como visto, a recorrente apresentou DIPJ e DCTF após a ocorrência do fato gerador dos tributos em apreço, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse antecipado para o dia da entrega da respectiva declaração, nos termos do parágrafo único do art. 173, que, de fato, ocorreu em junho de 2000. Portanto, consideradas (i) as disposições Regimentais do CARF; (ii) a data de ocorrência do fato gerador do tributo; (iii) a data de ciência do lançamento; e (iv) a existência de recolhimento antecipado do tributo; (v) ausência de fraude, dolo ou simulação; (vi) existência de medida preparatória que antecipou a fluência do prazo decadencial, impõese reconhecer o decurso do prazo decadencial, seja em observância ao art. 150, § 4º, seja em cumprimento ao disposto no parágrafo único do art. 173, ambos do CTN. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial para, no mérito, darlhe provimento tão somente para reconhecer a decadência e, por conseguinte, a extinção do crédito tributário lançado no processo. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Fl. 7161DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 20 19 Declaração de Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva A profundidade dos debates quando da sessão de julgamento, o voto do ilustre relator Jorge Celso Freire da Silva analisando a questão sob os mais diversos aspectos, a divergência levantada pelo Conselheiro Marco Aurélio Pereira Valadão e as considerações dos demais integrantes do colegiado destacando os motivos pelos quais acompanhavam o relator, me conduzem a presente declaração de voto. No presente caso, analisando o mesmo tipo de operações comerciais, a autoridade fiscal lavrou autos de infrações distintos para cada anocalendário, imputando à recorrente a prática de dolo e exigindo tributos com multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento), em todo o período fiscalizado. Apresentadas defesas, dois dos processos, inclusive este, foram julgados pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e os demais pela Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, órgão que sucedeu o antigo Conselho de Contribuintes em suas atribuições. Quando do exame deste processo pela Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes aquele Colegiado, por maioria de votos, entendeu por manter a exigência do crédito tributário, inclusive com a multa qualificada. Apreciando os mesmos fatos, só que relacionados a outros anoscalendário, a Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF, por unanimidade de votos, decidiu afastar a multa qualificada e, indo além, afastou a exigência do crédito tributário1. Inconformada com a decisão da Segunda Turma da Quarta Câmara da Primeira Seção que afastou a multa qualificada, a Douta Procuradoria da Fazenda Nacional ingressou com recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, alegando divergência com a decisão proferida pela Quinta Câmara. Examinando o mérito do recurso especial de divergência interposto pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, a Primeira Turma da CSRF firmou entendimento de que os fatos descritos nas autuações não caracterizavam a pratica de ato doloso, fraude ou simulação. Assim, manteve a decisão da Segunda Turma da Quarta Câmara que havia cancelado a exigência do crédito tributário. Se naqueles processo, tratando dos mesmos fatos, só que em anoscalendários distintos, a CSRF entendeu pela inexistência de multa qualificada, resta indagar como fica a situação deste processo onde foi negado seguimento ao recurso especial da contribuinte, em relação à multa qualificada? A resposta, ao meu sentir, exige reflexões, ainda que breves, quanto ao princípio da legalidade e da busca da verdade na constituição e na exigência de crédito tributário decorrente de lançamento de ofício. 1 O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira que havia votado pela manutenção do lançamento quando do julgamento pela Quinta Câmara, melhor examinando a questão, no julgamento em relação aos outros anoscalendário, votou pelo cancelamento da exigência. Fl. 7162DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 21 20 I Do princípio da legalidade e busca da verdade na constituição e na exigência do crédito tributário decorrente de lançamento de ofício. Comparando as questões que envolvem o direito tributário com o direito penal verificase, no que diz respeito à legalidade e à verdade material, tanto na Constituição da República, quanto nos respectivos Códigos, que elas têm os mesmos alicerces jurídicos. Na Constituição, por exemplo, temse os artigos 5º, XXXIX2 e 150, I3, tratando, respectivamente, da legalidade em relação as questões penais e tributárias. Mas não é só. Quando se avalia a acusação fiscal tendo por norte o artigo 142 do CTN, verificase que ao efetuar o lançamento do crédito tributário a autoridade fiscal deve verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Por sua vez, o Código de Processo Penal em seu artigo 41, ao tratar da acusação, prevê que "a denúncia ou queixa conterá a exposição do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias, a qualificação do acusado ou esclarecimentos pelos quais se possa identificálo, a classificação do crime e, quando necessário, o rol das testemunhas." Enquanto no processo civil, se não contestados, prevalecem os fatos alegados pelas partes, ou seja a verdade formal, no processo penal e no processo administrativo o julgador deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Desta forma, quem examina a questão tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada. Isto explica, por exemplo, o dever da Administração Pública de anular seus próprios atos, quando constatado ilegalidade. Neste mesmo sentido, o Poder Judiciário, juízes e tribunais, em qualquer instância ou momento, ainda que não conhecendo do recurso interposto, têm competência para expedir habeas corpus de ofício sempre que constatar que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal (art. 654, § 2º do CPP) 4. Fixados tais pontos, há que trazer esta discussão para o direito tributário. Pode a Câmara Superior de Recursos Fiscais ou Turma Recursal, ainda que não conhecendo de recurso, ou diante de questão não alegada, em constatando ilegalidade, manifestarse de ofício para evitar que seja exigido crédito tributário em desconformidade com as normas aplicáveis à espécie?5 Em relação à controvérsia posta, conhecido o recurso, quanto à matéria de direito não há preclusão. Esta pode ser alegada e deve ser conhecida em qualquer instância, pois cabe acusado se defender dos fatos e ao julgador aplicar o direito que incide sobre os fatos. A dicção do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, dispondo que "considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante" deve ser 2 XXXIX não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal; 3 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 4 § 2º. Os juízes e os tribunais têm competência para expedir de ofício ordem de habeas corpus, quando no curso de processo verificarem que alguém sofre ou está na iminência de sofrer coação ilegal 5 Nos termos do art. 145, III, combinado com o art. 149, IV, ambos do CTN, o lançamento pode ser alterado em virtude de erro ou omissão quanto a elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. Fl. 7163DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 22 21 compreendida como impugnação à matéria de fato. Quanto ao direito aplicável aos fatos este é de observância obrigatória por todos, Administração e Contribuintes. Todavia, a matéria tornase mais complexa quando não se conhece do recurso e se constata ilegalidade na exigência do crédito tributário. Deve a Administração silenciar diante de sua própria ilegalidade para tirar proveito ou, em face ao princípio da moralidade e legalidade, indicados no artigo 37, da Constituição Federal, tem o dever proceder a correção de ofício, ainda que isto importe em cancelamento ou redução de credito tributário? Dado a necessidade de observância do princípio da moralidade e por questões éticos, entendendo ética como a parte da filosofia dedicada aos estudos dos valores morais e princípios ideais do comportamento humano perante a sociedade, penso que tanto a Administração quanto os Contribuintes, em constatando imprecisões relacionadas a exigência ou pagamento de crédito tributário devem satisfazêlo de ofício. Com estas considerações compreendo a afirmação do ilustre relator quando, em determinado ponto de seu voto, destaca que "ainda que se considere que a recorrente, in casu, teria planejado irregularmente suas operações, a partir do decidido nos demais processos, concluise que não se pode atribuir à contribuinte qualquer intuito doloso de evadir receitas tributárias, especialmente porque....". Na verdade, o relator, por questão ética, ao tomar conhecimento da decisão que reconheceu que a conduta da recorrente não foi dolosa trouxe esta notícia aos autos. Para o relator, o CARF como órgão que tem o dever de revisar lançamentos fiscais para evitar ilegalidades não pode silenciar diante da exigência de crédito que considere indevido. Nesta linha, examinada a questão de mérito e afastada a situação de multa qualificada, não seria possível julgar este feito atendose a questão formal, quando sabidamente a acusação de dolo, fraude e simulação resultaram afastadas. Em que pese os irrefutáveis fundamentos contidos no voto do relator, tenho que a solução pode ser dirimida de forma mais simples, aplicando o disposto no parágrafo único do artigo 173 do CTN, fundamentos estes que também integram o voto do relator. II Dos efeitos jurídicos da entrega da DIPJ Nos termos do artigo 43 da Lei nº 8.383, de 1991, as pessoas jurídicas deverão apresentar, em cada ano, declaração de ajuste anual consolidando os resultados mensais auferidos nos meses de janeiro a dezembro do ano anterior, nos seguintes prazos: I até o último dia útil do mês de março, as tributadas com bases no lucro presumido; II até o último dia útil do mês de abril, as tributadas com base no lucro real; III até o último dia útil do mês de junho, as demais. Atualmente, e no período fiscalizado, as declarações do imposto de renda das pessoas físicas e jurídicas são recebidas e processadas por meio eletrônico. Assim, há que se avaliar qual o efeito jurídico do recebimento e processamento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ por parte da Receita Federal. Ao receber e processar a "Declaração do Imposto de Renda", em relação à atividade realizada pelo sujeito passivo, a autoridade fiscal pratica o primeiro ato que pode ter dois desdobramentos: Fl. 7164DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 23 22 a) em concordando com as informações prestadas do sujeito passivo a autoridade fiscal as homologa de forma expressa ou, em assim não procedendo, temse o início do prazo de cinco anos para homologação tácita. b) em não concordando com as informações prestadas pelo sujeito passivo, ao receber e processar a declaração tempestivamente entregue temse a primeira medida preparatória indispensável ao lançamento. O prazo fixado no artigo da Lei 8.883 de 1991, para entrega da declaração de ajuste anual é o momento até onde a Administração deve aguardar para, a partir desta data, verificar a prática de eventuais irregularidades relacionadas à apuração do IRPJ e da CSLL, cujo fato gerador ocorreu em 31 de dezembro do ano anterior. Se não for entregue a declaração em 30 de junho do anocalendário seguinte ao período fiscalizado e tampouco houver antecipação de pagamento, o marco inicial do prazo decadencial dáse na forma do artigo 173, I, isto é, do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Nos casos em que o sujeito passivo entrega a Declaração o prazo previsto no artigo 173,I, à luz do parágrafo único deste mesmo artigo, antecipase para a data da entrega da declaração. Assim o é porque o processamento da Declaração se constitui em medida preparatória ao lançamento. Isto é, em discordando da declaração entregue abrese o prazo decadencial de 5 (cinco) anos para que a autoridade fiscal realize o lançamento de ofício. No caso concreto, conforme destacado pelo relator, em 30/06/2000 a recorrente entregou DIPJ e apresentou DCTF para o respectivo período. Com o processamento da DIPJ e da DCTF deuse início ao prazo decadencial de cinco anos que findou em 30/06/2005. Ocorre que a notificação do lançamento deuse em 22/12/2005, quando o crédito tributário em relação ao anocalendário de 1999, mesmo considerando a questão da multa qualificada, já se encontrava extinto pela decadência. ISSO POSTO, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar a exigência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 7165DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 24 23 Declaração de Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Com a devida vênia ao Relator e àqueles que comungam do mesmo entendimento, não consigo vislumbrar na d. Sentença nos compungiu a (re)julgar a decadência deste caso, uma extrapolação para as questões de mérito que estão já assentadas em definitivo, na esfera administrativa, e consubstanciadas no teor do Acórdão 10517.083, ora recorrido. Se o M. Juiz quisesse nos impor a tarefa de rejulgar tudo novamente, teria anulado a decisão e não simplesmente determinado que fosse realizada a rediscussão da questão da decadência, o que se deve por uma incerteza na jurisprudência sobre o tema (que envolve questões da pagamento, não pagamento, solo, fraude, simulação, a data da descoberta do ilícito, etc). Assim, entendo que a sentença judicial não nos autoriza à rediscussão das circunstâncias da matéria fática e sua interpretação com relação aos outros aspectos do julgamento, i.e., se houve ou não dolo, fraude ou simulação, bem como a subsunção aos ditames legais aos fatos (o que resulta, por exemplo, em multa qualificada, como esta assentado no Acórdão 10517.083). Assim, no meu ponto de vista esta matéria já está assentada e, repito, a sentença judicial não nos autoriza a fazer novamente seu julgamento. Apenas para reforçar o argumento, vejase que sentença em seus fundamentos diz: “[...]Contudo, o importante é a análise dos fundamentos (de direito) de um julgado e de outro e o desfecho prático e real deles, que, na espécie, seria discrepante, a revelar a necessidade de se conhecer do recurso para a afastar a divergência do tema, repitase, de direito. Quanto aos demais temas e aspectos, nada a corrigir. Nas questões alusivas à qualificação da infração como omissão de receita, desconsideração do conjunto probatório sem plausibilidade/razoabilidade, simulação em operações de venda por trading do mesmo grupo e caracterização e multa agravada por evidente intuito de fraude e erro de proibição, o que se discute, no fundo, são fatos e provas/presunções relacionados à simulação.” E do dispositivo da sentença consta: “Diante do exposto, defiro em parte o pedido liminar apenas para determinar à autoridade impetrada, Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais que em relação ao tema da contagem do prazo decadencial, conheça do recurso especial de divergência, propiciandose que, no mérito, seja julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se entender de direito.” Ora o mérito a que se refere o M; Juiz é o mérito da decadência, e não o mérito de toda questão em si, tanto que o deferimento foi em parte, e decidir de outro modo seria anular a decisão, para que tudo fosse reanalisado. Não, definitivamente não é o caso. Fl. 7166DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 25 24 Assim, estamos atrelados ao que está decido no Acórdão 10517.083, no que diz respeito à circunstâncias que afetam diretamente a contagem do prazo. Neste sentido, o Acórdão 10517.083 tem o seguinte entendimento: “EXPORTAÇÕES PARA PESSOAS VINCULADAS INEXISTÊNCIA. SIMULAÇÃO As declarações de vontade de mera aparência, reveladoras da prática de ato simulado, uma vez afastadas, fazem emergir os atos que se buscou dissimular. No caso vertente, em que a contribuinte construiu de forma artificiosa operações de exportação para empresas sediadas em países que adotam tratamento fiscal favorecido, o abandono da intermediação inexistente impõe a tributação das receitas omitidas, resultante da diferença entre o montante efetivamente pago pelo destinatário final e o apropriado contabilmente pela fornecedora do produto. ... MULTA QUALIFICADA Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado do contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de oficio qualificada de 150%, prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996. No caso vertente, não há que se falar em erro de proibição, vez que os elementos carreados aos autos pela autoridade fiscal deixam fora de dúvida que a Recorrente tinha real consciência da ilicitude de sua conduta.” Ora, a existência de simulação (aspecto não mais sob julgamento, ainda que não se concorde com ele) implica a impossibilidade de aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, e remete o caso ao art. 173, I, do CTN, inclusive por força de jurisprudência judicial assentada e também por força do Súmula CARF 72 que diz: “Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN.” Aplicado ao caso concreto, implica em inexistência do transcurso do prazo decadencial, pelo que voto no sentido de manter a exigência, negando provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 7167DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 26 25 Declaração de Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann A razão de ser desta declaração de voto reside apenas no fato de registrar os debates finais que ocorreram no momento do julgamento deste processo. A questão a ser tratada aqui versa sobre a extensão e profundidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte no que tange à decadência e sobre o efeito traslativo do recurso. Pois bem. Como bem esclarecido pelo Eminente Relator, o conhecimento do Recurso Especial ora em análise ocorreu por meio de decisão judicial que determinou o conhecimento do Recurso no que se refere ao tema da decadência, determinando ao final da sentença que esta Turma da CSRF julgue como entender de direito. Assim, entendo que uma vez conhecido o Recurso no tema da decadência, foi dada a extensão do Recurso. Só se poderá julgar dentro do tema da decadência, mas neste tema, os julgadores têm a profundidade, ou seja, dentro do tema da decadência os julgadores podem julgar com a profundidade que entenderem, não ficando sujeitos aos fundamentos trazidos no Acórdão recorrido ou na decisão divergente trazida como paradigma. Podem e devem julgar de acordo com os fundamentos que entenderem o de direito e aplicáveis ao tema da decadência. E, esta extensão e profundidade estão claras no Código de Processo Civil, no artigo 515, nos seguintes termos: “Art. 515. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que a sentença não as tenha julgado por inteiro. § 2o Quando o pedido ou a defesa tiver mais de um fundamento e o juiz acolher apenas um deles, a apelação devolverá ao tribunal o conhecimento dos demais. § 3o Nos casos de extinção do processo sem julgamento do mérito (art. 267), o tribunal pode julgar desde logo a lide, se a causa versar questão exclusivamente de direito e estiver em condições de imediato julgamento. § 4o Constatando a ocorrência de nulidade sanável, o tribunal poderá determinar a realização ou renovação do ato processual, intimadas as partes; cumprida a diligência, sempre que possível prosseguirá o julgamento da apelação.” Portanto, entendo que dentro do tema da decadência, esta Turma tem a plena possibilidade de decidir se houve ou não a fraude, a fim de decidir sobre o cabimento ou não do artigo 173 do Código Tributário Nacional. Fl. 7168DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO Processo nº 11020.003966/200508 Acórdão n.º 9101001.761 CSRFT1 Fl. 27 26 E, o tema da fraude, só pode ser discutido para fins de verificação da ocorrência da decadência, de tal modo, que esta Turma só pode decidir se houve a fraude, como alegado pela fiscalização e julgado pela Câmara recorrida, a fim de decidir se ocorreu a decadência. Enfim, dentro desta perspectiva é que o meu voto, no mesmos termos do julgado nos demais casos já citados pelo Relator, entendo que não há que se falar em fraude pela Recorrente, razão pela qual entendo que não cabe a aplicação do previsto no artigo 173 do CTN. Assim, voto pelo provimento do Recurso. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 7169DF CARF MF Impresso em 30/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MOISES GIACOMELLI N UNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digi talmente em 06/02/2014 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digitalmente em 25/03/2014 por OTACILIO DAN TAS CARTAXO
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