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8215252 #
Numero do processo: 13881.720118/2018-69
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 29 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2017 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Comprovada a retenção e o recolhimento do imposto a glosa deve ser cancelada.
Numero da decisão: 2001-002.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura.
Nome do relator: FABIANA OKCHSTEIN KELBERT

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GLOSA POR COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Comprovada a retenção e o recolhimento do imposto a glosa deve ser cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 16-86.202 proferido pelo 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) - DRJ/SPO que julgou improcedente a impugnação e manteve a glosa de dedução indevida de imposto de renda retido na fonte. De acordo com a DRJ, em sede de procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2017 ano calendário 2016 o contribuinte teve glosado valor do imposto retido na fonte no valor declarado de R$ 10.252,40 por não ter apresentado planilha de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 1. 72 01 18 /2 01 8- 69 Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.116 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720118/2018-69 verbas. O comprovante de levantamento (de valores recebidos em reclamatória trabalhista) seria de parte dos rendimentos sem incidência de imposto na fonte. Em sua impugnação, alegou que o valor foi retido na fonte e teria sido informado na Declaração em outro CNPJ. No recurso voluntário (e-fls. 42-43) o recorrente esclarece que houve foi um equívoco cometido pela Vara do Trabalho onde tramitou sua reclamatória, que resultou em recolhimento do imposto de renda por meio de GRU e não por meio de DARF, o que seria correto. Juntou documentos que dão conta desta situação e comprova o recolhimento correto (e- fls. 45-68). É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, então passo a conhecer do seu mérito. Da glosa por compensação indevida Trata-se que questão bastante singela e que não comporta maiores digressões. Conforme mencionado no relatório, por conta de erro cometido pela Vara do Trabalho de Aparecida/SP, o valor que deveria ter sido retido e recolhido na fonte nos autos da reclamatória promovida pelo ora recorrente, foi recolhido por GRU como custas. Ao constatar o equívoco, o magistrado informou o ocorrido ao Delegado da Receita Federal, como se observa (e-fl. 63): Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.116 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720118/2018-69 Em resposta (e-fl. 66), o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB) orientou acerca do procedimento que deveria ser adotado: Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.116 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720118/2018-69 A orientação da RFB foi devidamente cumprida, e com o recurso voluntário foi comprovado o recolhido do imposto de renda (e-fl. 62), como se infere: Por fim, destaco que o código da receita informado no DARF, 1889, corresponde a imposto de renda retido na fonte relativo a rendimentos acumulados. Desse modo, a glosa da compensação não merece subsistir. Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.116 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13881.720118/2018-69 CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito DOU PROVIMENTO para afastar a glosa da compensação. (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital

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8196602 #
Numero do processo: 15563.720072/2015-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1301-000.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por rejeitar as preliminares suscitadas, a arguição de decadência e o pedido de perícia, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração referente a despesas com dividendos e restabelecer a dedutibilidade da exclusão realizada no Lalur a título de estorno de capitalização de leasing e também a dedução de despesas com amortização de ágio. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO

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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento nos termos do voto do relator, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por rejeitar as preliminares suscitadas, a arguição de decadência e o pedido de perícia, e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar a infração referente a despesas com dividendos e restabelecer a dedutibilidade da exclusão realizada no Lalur a título de estorno de capitalização de leasing e também a dedução de despesas com amortização de ágio. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 07 2/ 20 15 -6 3 Fl. 1795DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Relatório O presente processo foi alvo da Resolução nº 1301-000.433, na sessão de 25 de julho de 2007, então relatado pela Conselheira Milene de Araújo Macedo. Reproduzo o relatório daquela decisão: Trata-se o presente processo de recurso voluntário, interposto contra o Acórdão nº 14- 060.204 - 3ª Turma da DRJ/RPO, que considerou improcedente a impugnação da contribuinte para manter os autos de infração de IRPJ e CSLL, nos valores de R$ 9.674.526,77 e R$ 3.491.469,64, respectivamente, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora. Consta do Termo de Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração, que a fiscalização apurou as seguintes infrações: "II.l - FALTA DE ADIÇÃO DE VALORES INDEVIDAMENTE CONTABILIZADOS COMO DESPESA Conforme se depreende dos itens 7 e 8 a fiscalizada contabilizou lançamento a crédito de conta de passivo de código 21600100001 - DIVIDENDOS PROPOSTOS OU A PAGAR, no valor de R$ 5.339.000,00, a débito de conta de resultados (conta de código 5002010002 - DESPESAS TRANSFERIDAS). O lançamento efetuado foi o seguinte: D Data Cód.Conta Conta D D/C C Valor Histórico 3 31/12/2010 5002 10002 DESPESAS TRANSFERIDAS D/ 5.339.000,00 AJUSTE DF 3 31/12/2010 2160100001 DIVIDENDOS PROPOSTOS OU A PAGAR C 5.339.000,00 AJUSTE DF Intimada a justificar tal lançamento, que contraria norma contábil, uma vez que os dividendos propostos devem ser contabilizados a débito de patrimônio líquido a fiscalizada afirmou que: a) A conta DESPESAS TRANSFERIDAS (código 50020100002) seria uma conta transitória de transferência do resultado do exercício para o patrimônio líquido; b) O lançamento realizado na conta transitória de transferência do resultado do exercício não afetou e tampouco reduziu a base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social e c) Tenta justificar o lançamento efetuado em relação ao lançamento que seria efetuado de acordo com as "melhores práticas", afirmando que nos dois casos o resultado do exercício não seria alterado. Assim, a partir de comparação do lançamento realizado em comparação aquele de acordo com as "melhores práticas" a partir do resultado da empresa de R$ 80.000.000,00 antes do lançamento de dividendos propostos de R$ 5.339.000,00 a seguir transcrito: [...] Fl. 1796DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Este Auditor Fiscal não pode aceitar as justificativas da fiscalizadas, pelos seguintes motivos: - Não procede a afirmativa da fiscalizada de que tal conta se trata apenas de conta transitória de transferência do resultado do exercício não tendo afetado o resultado do exercício. Senão vejamos, a conta de código 5002010002 - DESPESAS TRANSFERIDAS, analítica, faz parte do grupo de contas sintéticas OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, que segundo Demonstrativo do Resultado do Exercício 2010 (DRE 2010, anexo ao presente Termo de Verificação) possui saldo final devedor antes do encerramento de R$ 81.815.272,73, diminuindo o valor do Resultado do Exercício. Caso o lançamento de R$ 5.339.000,00 a débito da conta DESPESAS TRANSFERIDAS, não tivesse sido efetuado, o valor final das DESPESAS TRANSFERIDAS, que teve saldo antes do encerramento credor em R$ 306.649.413,52, teria saldo credor majorado em R$ 5.339.000,00, e consequentemente o saldo devedor da conta sintética OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS seria diminuído do mesmo valor, levando o resultado antes da CSLL e IRPJ de R$ 77.443.786,24 para R$ 82.822.786,24. Foi efetuado busca na contabilidade da fiscalizada de lançamento no valor de R$ 5.339.000,00 que pudesse anular o efeito do valor indevidamente classificado como despesa e não foi encontrado qualquer outro lançamento na contabilidade além do objeto de questionamento deste Auditor Fiscal. - Não procede a afirmativa da fiscalizada de que não foi afetado o valor do resultado do exercício. O exemplo daí apenas demonstraria que o patrimônio líquido não seria alterado (uma vez que após transitar pela conta LUCROS ACUMULADOS, por exemplo, os dividendos propostos são debitados de PL e creditado a passivo. Dispõe o art.274 do RIR/1999: [...] Dispõe o art. 201 da Lei nº 6.404/1976: [...] Assim, tendo contabilizado indevidamente como despesa valor de dividendos propostos, tal "despesa" de R$ 5.339.000,00 deve ser adicionado para efeitos de apuração do lucro real [...] II.2 - EXCLUSÕES [...] II.2.a - EXCLUSÕES NAO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL - AMORTIZAÇÃO ACELERADA DE BEM [sic] JÁ TOTALMENTE AMORTIZADO Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 3 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014, no qual este Auditor Fiscal solicita informar matriz legal de exclusão no valor de R$ 5.661.061,07 referente a conta de ativo intangível 1240100001 - SOFTWARE E LICENÇAS, sem que houvesse controle na parte B no Lalur e ainda solicitada a apresentação de documentação comprobatória da Fl. 1797DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 operação que deu causa a tal escrituração, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada foi: "Informa a Requerente que o ativo que deu origem a exclusão sofreu depreciação acelerada fazendo com que os saldos contábeis estivessem completamente amortizados em dezembro de 2010" A evasiva resposta da fiscalizada, sem que fosse apresentada qualquer documentação comprobatória, traz em si a impossibilidade de exclusão de tal valor para efeito de apuração do lucro real. Sem apresentar qualquer documentação comprobatória do bem a que deu causa a amortização acelerada (em sua resposta a fiscalizada, contraditoriamente, cita depreciação e amortização acelerada, mas por se tratar de intangível este Auditor Fiscal trabalha como amortização), a fiscalizada afirma que os ativos que deram origem a exclusão estavam com os saldos contábeis completamente amortizados em dezembro de 2010. Como regra, as exclusões de valores de amortização acelerada devem ser controladas na parte B do Lalur, pois o valor amortizado (contábil mais a acelerada) não pode superar o valor do bem. A fiscalizada não controlou tais valores na parte B do Lalur e afirma que o bem já estava totalmente amortizado. Assim, tal exclusão é indevida. Embora a amortização acelerada incentivada seja aplicável apenas na apuração do lucro real a fiscalizada excluiu também na base de cálculo da CSLL, razão pela qual se aplicou a infração reflexa também para a CSLL. [...] II.2.b - EXCLUSÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL - UTILIZAÇÃO DO LALUR PARA EXCLUIR AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO NÃO CONTABILIZADO Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 1 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014, no qual este Auditor Fiscal solicita informar, em relação a exclusão de R$ 79.979.200,00 referente a "Amortização do Ágio - Petroflex", matriz legal de tal exclusão, apresentar documentação comprobatória da operação que deu causa a tal ágio e demonstrar a contabilização de tais valores, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada, datada de 16/06/2014, foi: "A Requerente informa que a LANXESS Participações Ltda, originou ágio que gerou a exclusão e a devida amortização de acordo com os preceitos legais. A Requerente apresenta (Anexo 1), toda a documentação que deu causa, sendo elas: - Estatuto Social da Petroflex Indústria e Comércio S/A - CNPJ: 29.667.225/0001-77; - Contrato Social da LANXESS Participações - CNPJ: 09.124.110/0001-30, com suas alterações; - Protocolo de Incorporação da empresa LANXESS Participações pela empresa Petroflex Indústria e Comércio S/A; -Ata de reunião da aprovação da incorporação; -Laudo de avaliação que apurou o ágio na modalidade de "justo mercado", conforme constante no artigo 385 do Decreto 3000/99 e pelas Instruções n° 247/96 e 285/98." Fl. 1798DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 A fiscalizada não demonstrou a contabilização dos valores conforme solicitado no item l.c do Termo de Constatação e Intimação Fiscal. E, com efeito, tais valores de amortização de ágio não faziam parte da contabilidade societária e nem da contabilidade fiscal (obtida através da integração entre a contabilidade societária, enviada através da ECD com o arquivo "FCONT", formando a contabilidade fiscal). A resposta da fiscalizada, fazendo menção ao art. 385 do RIR/99, e as Instruções CVM n° 247/96 e n° 285/98, induz que a mesma quis se aproveitar de amortização do valor do ágio conforme previsto no inciso III do Art. 386 do RIR/1999 (não citado em sua resposta), e descumprindo totalmente a legislação para possível aproveitamento de despesa de amortização de ágio, não contabilizou tais valores e quis dar tratamento de exclusão a pretensas despesas de amortização de ágio, em frontal desrespeito a legislação fiscal (vide PN CST n° 96/1978 e § I o do art. 8 o da IN RFB n° 949/2009). Transcrevo a seguir os arts. 385 e 386 do RIR/99: [...] Este Auditor Fiscal depreende, pela resposta da fiscalizada, que a fiscalizada pretendia aproveitar ágio pago por empresa veículo (Lanxess Participações) na aquisição da Petroflex, e posteriormente, com a incorporação da controladora (Lanxess Participações) por parte da controlada (Petroflex, cuja razão social foi alterada para Lanxess Elastômeros do Brasil S/A) utilizar-se das despesas de amortização de ágio. O aproveitamento de despesas de amortização de ágio oriundo de aquisição de participação societária tem sido matéria controversa na relação "fisco" x "contribuinte". A que se observar se o ágio na aquisição de participação societária foi efetivamente pago, se o negócio foi entre partes independentes, se houve utilização de empresa veículo, etc. No caso específico, as sociedades alemãs, LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH, sócias da empresa veículo LANXESS PARTICIPAÇÕES, adquiriram por meio desta a PETROFLEX IND. E COMÉRCIO. Posteriormente a PETROFLEX incorporou a LANXESS PARTICIPAÇÕES, tendo alterado sua razão social para LANXESS ELASTÔMEROS DO BRASIL S/A. Pretende aproveitar despesas de amortização de ágio pago pela empresa veículo (LANXESS PARTICIPAÇÕES) na compra da PETROFLEX. Ocorre que a na [sic] contabilidade da LANXESS ELASTÔMEROS (nova razão social da PETROFLEX) não há registro de tal ágio e nem tampouco o lançamento de despesa de amortização do ágio. Pretende, contrariando a legislação fiscal, utilizar-se de exclusões para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. As reais adquirentes (LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH) permanecem com o investimento (LANXESS ELASTÔMEROS). Assim, o ágio pago deve ser reconhecido nas reais empresas investidoras. O fato é que não está contabilizado na investida e é totalmente descabida a pretensão de utilizar-se do Lalur para se valer de amortização de ágio não contabilizado. O ágio sobre o investimento e as despesas de amortização não foram escriturados nem na contabilidade societária e nem na contabilidade fiscal. A única menção a ágio na contabilidade encontra-se na conta de patrimônio líquido de código 2320000004 - RESERVA ESPECIAL DE ÁGIO, com saldo em 01/01/2010 e 31/12/2010 de R$ 129.557.781,10. Tendo sido intimada a apresentar a comprovação do primeiro registro do valor apontado (itens 11 e 12 do presente Termo) a fiscalizada demonstra que tratou a amortização de ágio como benefício fiscal concedido pela legislação brasileira. Tal Fl. 1799DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 pretensão não procede, por falta de previsão legal. Em NOTAS EXPLICATIVAS anexadas a sua resposta demonstra que um dia antes da incorporação da LANXESS Participações Ltda, o ágio de R$ 399.896 mil fazia parte do ativo da incorporada. Não tendo sido transferido para a incorporadora, o possível aproveitamento de despesas de amortização de ágio. Possivelmente o valor pago a maior (ágio) pelas reais adquirentes (LANXESS INTERNATIONAL HOLDING GMBH e LANXESS DEUTSCHLAND GMBH) está escriturado, de alguma forma, em suas contabilidades. O fato é que a fiscalizada não poderia valer-se de pretenso "benefício fiscal" de forma extracontábil, dado não haver qualquer previsão legal. Assim, está sendo glosada a exclusão de despesa de amortização de ágio não contabilizado, no valor de R$ 79.979.200,00 por falta de previsão legal. No item II.2 transcrevo legislação referente a exclusões (art. 247 e 250 do RIR/99), da impossibilidade de utilização do Lalur para suprir deficiências da escrituração (PN CST n° 96/1978) e regras do Regime Tributário de Transição (Lei n° 11.941/2009 e IN RFB/2009). [...] II.2.C - EXCLUSÕES NAO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL - ESTORNO DE CAPITALIZAÇÃO DE LEASING Conforme descrito nos itens 9 e 10, em questionamento 4 do Termo de Constatação e Intimação lavrado em 27/05/2014. no qual este Auditor Fiscal solicita informar, em relação a adição de R$ 1.603.530,15 e exclusão R$ 2.633.200,02 matriz legal de tal adição e exclusão (tendo a exclusão superado a adição em R$ 1.029.669,87), e apresentar documentação comprobatória da operação que deu causa a tal escrituração, a fiscalizada apresentou resposta não acatada por este Auditor Fiscal. A resposta da fiscalizada, datada de 16/06/2014, foi: " valor de R$ 1.029.669,87, foi o efeito líquido da conta 1320200997 referente leasing que foi capitalizado " Em seguida demonstra lançamento entre contas patrimoniais, e que a síntese do lançamento teria sido o lançamento: Conta descrição valor D - 1320200997 MAQS. EQUIPAMENTOS 1.029.669,07 C - 1190300099 OUTRAS DESP MÊS SEGUI 1.029.669,07- Este Auditor Fiscal não acatou a justificativa da fiscalizada. Não vejo amparo legal em nenhum dos casos previstos de exclusão previstos no art. 250 do RIR/99, mais uma vez transcrito: [...] Não houve o valor de R$ 1.029.669,07 levado a crédito de conta de resultado o (o que poderia buscar enquadramento no inciso II do art. 250 do RIR/99) . Caso a fiscalizada quisesse fazer possíveis ajustes em sua contabilidade segundo os critérios vigentes até 31/12/2007 (uma vez que gastos com leasing, ativados segundo as novas normas contábeis, podiam pelas regras vigentes até 31/12/2007 serem contabilizados como despesa). Se esta era a pretensão da fiscalizada, deveria tê-lo feito através de ajustes no Fl. 1800DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 RTT através do FCONT. Citando mais uma vez o PN CST n° 96/1998 e § 1° do art. 8° da IN RFB n° 949/2009, não se pode utilizar o Lalur ou qualquer outro mecanismo de controle para fazer tais ajustes. [...] III- ALTERAÇÕES DO PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Em face da auditoria realizada este Auditor Fiscal alterará os valores de controle interno da Receita Federal do Brasil de acompanhamento de prejuízos fiscais e base de cálculo da Contribuição Social conforme PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS DO IRPJ e PLANILHA DE COMPENSAÇÃO DE BASE DE CALCULO NEGATIVA DA CSLL, parte integrante do Auto de Infração entregue em mídia digital assinado eletronicamente por este Auditor Fiscal. Foi dada ao contribuinte a compensação de 30% sobre o valor do novo lucro real e base de cálculo da CSLL após as infrações apuradas. Fica a fiscalizada INTIMADA a retificar os valores na parte B do Lalur dos prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL." Na impugnação apresentada, tempestivamente em 29/04/2015, a contribuinte assim se manifestou, para cada uma das infrações apuradas: "3.1. DA CORREÇÃO DO PROCEDIMENTO DA IMPUGNANTE QUANTO À NÃO ADIÇÃO DE VALORES A TÍTULO DE DIVIDENDOS PROPOSTOS ALEGADAMENTE CONTABILIZADOS COMO DESPESA - INFRAÇÃO II.1 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Ocorre que, ao contrário do que concluiu o I. Auditor Fiscal, a Impugnante não impactou o resultado base do IRPJ e da CSLL com o montante a título de despesa de dividendos propostos, conforme resta cabalmente demonstrado pela verificação de cópia da Demonstração do Resultado do Exercício ("DRE") extraída do sistema da Impugnante (doc. 08), protestando pela sua posterior juntada em via assinada por seu contador responsável, bem como das suas Demonstrações Financeiras auditadas pela renomada firma internacional de auditoria PricewaterhouseCoopers (doe. 05). Primeiramente, através da simples leitura das contas contábeis (linhas) que compõem o resultado no ano-calendário de 2010, denota-se que o valor de R$ 5.339.000,00 não foi inserido como despesa, para fins de redução do resultado final do exercício de R$ 52.963,555,48, informado como lucro líquido do exercício nesta DRE e replicado na Ficha 06A (Demonstração do Resultado - PJ em Geral) da DIPJ 2011, o que ratifica que este montante não representou impacto nas apurações do IRPJ e da CSLL. Adicionalmente, através da leitura das Demonstrações Financeiras auditadas da Sociedade, resta claramente demonstrado na parte relacionada a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ("DMPL") que o valor de Dividendos Mínimos Obrigatórios em questão (R$ 5.339.000,00) impactou a débito o patrimônio líquido da Impugnante, logo, por conseguinte, não poderia ter impactado as contas de resultado. Tal fato poderá ser igualmente comprovado através da prova pericial ora requisitada, na qual se ratificará a total aderência do procedimento adotado pela Impugnante a legislação de regência, bem como através de eventual prova documental Fl. 1801DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 suplementar (ora requisitada), corroborando as robustas provas ora acostadas na presente peça impugnatória. Por todo o exposto, tendo em vista que foi devidamente comprovada a correção do tratamento fiscal adotado, e, ainda, que não houve qualquer impacto destes dividendos em resultado, posto que debitados à conta de patrimônio liquido, requer a Impugnante sejam canceladas as autuações nesse ponto, com os consectários lógicos do cancelamento dos acréscimos legais e ajuste na redução de estoques de prejuízo fiscal (IRPJ) e base negativa da CSLL. 3.2. DO PLENO DIREITO DA. IMPUGNANTE ÀS EXCLUSÕES APONTADAS PELA AUTORIDADE FISCAL NA SEÇÃO II DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL 3.2.1. MERO EQUÍVOCO NA INSTRUMENTALIZAÇÃO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS NÃO PODE SER INTERPRETADO COMO FATO GERADOR DE TRIBUTO COM SUPORTE EM PRESUNÇÃO PELA AUTORIDADE FISCAL À LUZ DOS PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL [...] Nesse ponto, com exceção da alegada infração referente à falta de adição de valores a título de dividendos propostos contabilizados como despesa, já devidamente combatida e rechaçada em Seção anterior, não há dúvidas de que a Autoridade Fiscal se vale do alegado descumprimento de obrigação acessória (FCONT) como principal fundamento para os lançamentos tributários referentes às exclusões consideradas indevidas. Veja-se os seguintes excertos do Termo de Verificação Fiscal no qual se sustenta a cobrança fiscal, nos seguintes termos: [...] Denota-se que o mero equívoco no procedimento de instrumentalização de obrigação acessória não pode servir de base para a pretensão da Autoridade Fiscal de lançamento tributário despido de seu elemento material indispensável, o fato gerador, sem o qual a lei não se permite a imposição de tributo, no caso o IRPJ e a CSLL (com seus acréscimos) com a malsinada redução dos estoques de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL. Portanto, tendo em vista que não poderá subsistir cobrança fiscal pelo suposto equívoco apontado pelo limo, Fiscal no atendimento à obrigação acessória ante os Princípios da Legalidade e da Verdade Material que regem o Processo Administrativo Tributário, passa a Impugnante a comprovar a total correção do procedimento adotado, expondo as razões pelas quais devem ser canceladas as autuações ora guerreadas ante a comprovação do seu bom direito. 3.2.2. DO DIREITO DA IMPUGNANTE À EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE BENEFÍCIO DE AMORTIZAÇÃO ACELERADA DE INTANGÍVEL - INFRAÇÃO II.2.A DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Ao contrário do afirmado pela Fiscalização, a exclusão promovida pela Impugnante está em consonância com a legislação aplicável, sendo de Direito o seu Fl. 1802DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 reconhecimento, tendo em vista se tratar de montante devidamente registrado no Lalur do período, a teor do robusto lastro probatório carreado aos autos, somado às provas que serão produzidas no curso desse processo. Pelo acima exposto, requer a Impugnante sejam canceladas as autuações nesse ponto, reconhecendo-se o seu pleno direito às exclusões promovidas em atendimento aos parâmetros contábeis e fiscais aplicáveis. 3.2.3. DOS LIMITES DA FUNDAMENTAÇÃO ADOTADA PELA AUTORIDADE FISCAL PARA A EQUIVOCADA GLOSA DA EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA - INFRAÇÃO II.2.B DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Inicialmente, verifica-se que as autuações fiscais se basearam unicamente na suposta ausência da correta contabilização do benefício fiscal de amortização do ágio, conforme relato transcrito abaixo: [...] Diante das razões expostas no Termo de Verificação Fiscal somadas à fundamentação utilizada nas autuações fiscais ora vergastadas, verifica-se que os lançamentos tributários não se pautaram em qualquer conclusão quanto à simulação fou qualquer outro vício do negócio jurídico) referente à operação societária, realizada no caso em análise entre partes independentes, sendo certo que não foram apontados como fundamentação lega) os artigos 116, parágrafo único, ou 149, inciso VII, do CTN. No presente caso, o critério jurídico utilizado foi a suposta intransponível exigência legal da perfeita instrumentalização das obrigações acessórias a cargo da Impugnante - dentre elas a evidenciacão em FCONT e a alegada ausência de contabilização - não tendo havido qualquer embasamento em simulacão/fraude das operações realizadas, até porque tal argumentação seria patentemente insubsistente, conforme será pormenorizado nas Seções seguintes. [...] Por todo o acima exposto, considerando-se que o Termo de Verificação Fiscal e os Autos de Infração descreveram os fatos atendo-se à alegada constatação de equívoco na contabilização do ágio, não tendo sido apontados como disposições legais infringidas os artigos de lei que tratam da possibilidade de desconsideração de negócio jurídico em razão de simulação (fraude), depreende-se que seria claramente ilegal e inconstitucional eventual pretensão da Autoridade Fiscal em ampliar ou alterar os motivos jurídicos que utiliza para fundamentar a cobrança fiscal em análise. 3.2.4. DA EQUIVOCADA AFIRMAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL DE AUSÊNCIA DE CONTABILIZAÇÃO DO ÁGIO Conforme já abordado nessa peça de defesa, o Termo de Verificação Fiscal que instrui os Autos de Infração em análise contém afirmação da Autoridade Fiscal no sentido de que a Impugnante não teria demonstrado a contabilização do ágio gerado a partir da aquisição de participação societária da sociedade Petroflex Indústria e Comércio S.A. ("Petroflex"), nos seguintes termos: Fl. 1803DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 [...] No entanto, é inverídica a afirmação de que não haveria qualquer registro contábil do ágio, sendo certo que as demonstrações financeiras da Impugnante demonstram um critério de contabilização que, de acordo com a Fiscalização, estaria em desacordo com as normas de reporte contábil. Todavia, não há como pretender argumentar que o ágio simplesmente não encontra registro contábil na Impugnante, até porque a própria Autoridade Fiscal afirma que este está registrado apenas no valor do benefício fiscal previsto em lei. Diante do exposto, tendo em vista que a motivação das autuações fiscais em tela se restringe à suposta ausência de contabilização e que os documentos que instruem esta peça de defesa demonstram, de forma cabal, a correção dos procedimentos apontados que são suficientes para reportar o ágio gerado em operação societária de aquisição de participação societária anterior à incorporação da sociedade investidora, requer a Impugnante, também nesse ponto, o cancelamento das cobranças fiscais. 3.2.5. DOS REQUISITOS DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO Devidamente traçadas na Seção anterior as razões pelas quais merecem cancelamento as Autuações ora combatidas em razão por estarem pautadas em premissa equivocada - ausência de contabilização do ágio - a Impugnante passa a demonstrar o seu pleno direito ao benefício fiscal indevidamente glosado pela Autoridade Fiscal. [...] A despeito de a jurisprudência do CARF apontar, com acerto, para apenas dois requisitos fundamentais para o aproveitamento do ágio (goodwill) - a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição - verificam-se no presente caso as seguintes características: - A aquisição de participação societária da sociedade investida (ora Impugnante) ocorreu por valor superior ao seu valor patrimonial (doe. 05); - O ágio foi fundamentado por expectativa de rentabilidade futura (goodwill), conforme laudo ora acostado (doc. 09); - Houve efetiva absorção do patrimônio a sociedade Lanxess Participações Ltda. pela Impugnante, por meio de incorporação (doc. 10); - A amortização do ágio (goodwill) não excedeu o limite mensal de 1/60, atendendo a legislação de regência do tema; - A aquisição de participação societária ocorreu entre sociedades de diferentes Grupos Econômicos; e - Houve o efetivo desembolso financeiro na operação de aquisição da sociedade incorporada (Lanxess Participações Ltda.), conforme atestam os anexos comprovantes. Desta forma, dúvida não há que a Impugnante atendeu - e continua atendendo - a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ e CSLL, Fl. 1804DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 de forma que não pode prevalecer a pretensão da fiscalização em caracterizar a operação em análise de forma como se não tivessem sido observados os requisitos. [...] 3.3. A OPERAÇÃO QUE ORIGINOU O ÁGIO POR EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA (GOODWILL) A Impugnante, de fato, atendeu a TODOS - sem exceção - os requisitos para adquirir o direito de amortizar o ágio. Vejamos com mais vagar. I- QUE SE TRATE DE AQUISIÇÃO POR PESSOA JURÍDICA DE PARTICIPAÇÃO EM SOCIEDADE COLIGADA OU CONTROLADA. CONFORME O CAPUT DO ARTIGO 20 DO DECRETO-LEI N° 1.598/1977 [...] II - QUE A PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA TENHA SIDO ADQUIRIDA COM O ÁGIO. HAVENDO O DESDOBRAMENTO DO CUSTO DE AQUISIÇÃO ENTRE INVESTIMENTO E ÁGIO, CONFORME ESTABELECIDO NO CAPUT E INCISOS I E II DO MESMO ARTIGO [...] III - QUE O ÁGIO TENHA SIDO JUSTIFICADO ECONOMICAMENTE. COM BASE NO VALOR DE RENTABILIDADE DA COLIGADA OU CONTROLADA. COM BASE EM PREVISÃO DOS RESULTADOS NOS EXERCÍCIOS FUTUROS. CONFORME PERMITIDO PELO ITEM "B" DO PARÁGRAFO 2° DO REFERIDO ARTIGO 20 [...] IV - QUE A JUSTIFICATIVA ECONÔMICA SEJA BASEADA EM DEMONSTRAÇÃO QUE O CONTRIBUINTE ARQUIVA COMO COMPROVANTE DA ESCRITURAÇÃO [...] V- QUE. CONFORME O ARTIGO 7° DA LEI N° 9.532/1997. HAJA A INCORPORAÇÃO. FUSÃO OU CISÃO ENTRE DUAS PESSOAS JURÍDICAS. NA QUAL DETENHA PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA ADQUIRIDA COM ÁGIO APURADO SEGUNDO O DISPOSTO NO ART. 20 RETRO MENCIONADO [...] VI - AINDA DE ACORDO COM O MESMO ARTIGO 7º QUE A AMORTIZAÇÃO DO AGIO NÃO ULTRAPASSE 1/60 POR MÊS [...] 3.3.1. PROTEÇÃO AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Fl. 1805DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Destaque-se que não há na legislação em vigor quaisquer outros requisitos que não os aqui expostos. [...] Ora, se a lei não coloca outros requisitos para o aproveitamento do ágio, não poderia a Administração fazê-lo, sob pena de afronta ao princípio da legalidade consagrado na CRFB/88, em seu artigo 150, inciso I, senão vejamos: [...] Desta feita, qualquer outro requisito para a amortização do ágio que seja suscitados pela administração deve ser veementemente repelido. Sendo assim, não restam dúvidas de que a Impugnante atendeu - e continua atendendo - a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ e CSLL. Desta feita, a conclusão lógica a que se chega é que o direito à amortização do ágio por parte da Impugnante é mais do que legítimo, não cabendo qualquer sorte de questionamento quanto à matéria, 3.3.2. DO DIREITO DA IMPUGNANTE À EXCLUSÃO DO MONTANTE A TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO DE LEASING - INFRAÇÃO II.2.C DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL [...] Com o advento da Lei n° 11.638/07, que alterou o artigo 179, inciso IV, da Lei n" 6.404/76, a legislação passou a determinar que para a adequada classificação contábil a essência deve se sobrepor à forma, razão pela qual, mesmo não possuindo a propriedade dos bens, os mesmos deverão ser classificados nos ativo quando a companhia detiver os benefícios, os riscos e o controle, alterando substancialmente a forma de contabilização do arrendamento mercantil financeiro, que passou a ser classificado no ativo imobilizado e no passivo da arrendatária no momento da contratação da operação. Exatamente nessa linha, a Impugnante efetuou a capitalização (registro no seu Ativo Imobilizado) do bem arrendado, tendo como contrapartida lançamento no Passivo Exigível. [...] Assim, a Impugnante, para fins de reporte contábil (contabilidade societária) efetuou os lançamentos referentes ao leasing financeiro a débito no seu Ativo Imobilizado e a crédito no Passivo Exigível, mas para fins do correto tratamento fiscal (contabilidade fiscal), efetuou a exclusão da despesa do leasinq (capitalizado apenas para fins contábeis), mais especificamente, do montante referente ao Valor Residual Garantido "VRG", no valor de RS 1.029.669.87. [...] Diante do acima exposto, conclui-se que os procedimentos contábil e fiscal adotados pela Impugnante estão de acordo com a substância do negócio jurídico praticado, bem como em consonância com o tratamento fiscal decorrente da neutralidade Fl. 1806DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 dos efeitos fiscais das novas normas contábeis advindas da Lei n° 11.638/07 pelo RTT instituído pela Lei n° 11.941/09, não cabendo à Autoridade Fiscal se pautar em mero descumprimento de obrigação acessória para efetuar a glosa de despesa a título de VGR, no valor de R$ 1.029.669,87, devidamente excluída da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade. 3.3.3. DA MANUTENÇÃO DOS SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CSLL [...] Como restou devidamente comprovado, sendo o tratamento fiscal realizado em estrita consonância com a legislação fiscal, não há que se falar no recalculo do prejuízo fiscal e da base negativa no caso em exame. 4. DOS QUESITOS PARA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL CONTÁBIL No que se refere à Infração II.1 do Termo de Verificação Fiscal, em atenção ao disposto no artigo 16, inciso IV e §1°, do Decreto n° 70.235/72, passa a Impugnante a expor o rol de quesitos a serem respondidos pelo douto Perito Contábil, guiada pela relevante e robusta prova documental aduzida nestes autos bem como por demais documentos e informações que o perito entender necessários para a sua avaliação, senão vejamos: (i) Queira o Sr. Perito esclarecer se o montante registrado na contabilidade da Impugnante, no valor de R$ 5.339.000,00, impactou o resultado do ano-calendário de 2010 por não ter sido inserido como despesa, para fins de redução do resultado final do exercício de R$ 52.963.555,48; e (ii) Queira o Sr. Perito esclarecer se o valor de R$ 5.339.000,00 a título de dividendos impactou a débito o Patrimônio Líquido da Impugnante, conforme aponta a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ("DMPL"). Informe o Sr. Perito se, diante desse cenário, o referido valor poderia impactar o resultado no ano-calendário de 2010. Adicionalmente, protesta a Impugnante, desde já, pela produção de prova pericial contábil também em relação às demais alegadas infrações apontadas nos Autos de Infração ora atacados, caso se faça necessário para corroborar a insubsistência da cobrança fiscal." No julgamento realizado em 20 de abril de 2016, a 3ª Turma da DRJ/RPO julgou improcedente a impugnação, por meio do acórdão nº 14-060.204, assim ementado: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 GLOSA DE VALORES CONTABILIZADOS INDEVIDAMENTE A TITULO DESPESAS DEDUTÍVEIS. Correta a glosa despesas de dividendos a pagar que implicaram em redução indevida do lucro real. DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. FALTA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. INTERNAÇÃO DE AGIO COM USO DE EMPRESA VEÍCULO. Para que o ágio tenha efeitos no âmbito tributário, é Fl. 1807DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 necessário haver incorporação, fusão ou cisão, por meio da qual ocorre uma confusão patrimonial entre os patrimônios do adquirente e da empresa adquirida, sendo artificial o uso de empresa veículo para esse fim, mormente por investidor domiciliado no exterior. GLOSA DE EXCLUSÃO INDEVIDA NO Lalur. VALORES PASSIVEIS DE AJUSTE MEDIANTE O FCONT. A empresa sujeita ao RTT deve utilizar o FCONT para realizar os ajustes a serem levados ao Lalur, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. GLOSA DE DESPESAS. EXCESSO DE AMORTIZAÇÃO. Correta a glosa de despesas de depreciação de bem integralmente amortizado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Devidamente cientificado em 23/05/2016 (fls. 1.176), o sujeito passivo apresentou, tempestivamente, em 16/06/2016 (fls. 1.177) , o recurso voluntário de fls. 1.288 a 1.360, argumentando, em síntese os itens a seguir relacionados, os quais serão melhor detalhados por ocasião do voto: - Preliminarmente, requer a declaração de nulidade do acórdão recorrido, ante a violação ao direito à ampla defesa e ao contraditório, em decorrência da pretendida modificação na fundamentação que dá lastro aos lançamentos tributários combatidos nestes autos, bem como pela negativa de produção de prova pericial contábil, a teor do que dispõem os artigos 146, do CTN c/c artigo 2 o, inciso VIII, da Lei n° 9.784/99 c/c artigos 9 o , 10 e 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, determinando-se o retorno dos autos à primeira instância para novo julgamento; - Solicita o reconhecimento da decadência/preclusão do direito de a Fiscalização questionar um ágio originado e passível de amortização desde o ano-calendário de 2008. Tanto se considerada a data de registro inicial da conta (01/04/2008) quanto a incorporação do investimento adquirido com ágio, ensejando assim sua amortização para fins fiscais (31/12/2008), tem-se a impossibilidade de questionamento dessas despesas após 31/12/2013; - Ainda em sede de preliminar, no que diz respeito à amortização do ágio por expectativa de rentabilidade futura, entende que o lançamento deve ser repelido pelo simples fato de que tais valores já foram devidamente amortizados e deduzidos para fins fiscais nos anos- calendários de 2008 e 2009, sem qualquer tipo de questionamento por parte da Fiscalização, de forma que o pontual questionamento apenas no ano de 2010 se mostra contraditório; - No mérito requer o provimento integral ao recurso voluntário, com o cancelamento da infração relativa à falta de adição de dividendos no valor de R$ 5.339.000.00, por ser inquestionável a correção do procedimento adotado, conforme sobejamente demonstrado em sua peça impugnatória e reiterado neste recurso; - Relativamente à infração de exclusão do benefício de amortização acelerada incentivada de licenciamento de software, no valor de R$ 5.661.061,07, afirma que o mero equívoco na instrumentalização de obrigações acessórias não pode ser interpretado como fato Fl. 1808DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 gerador de tributo, com suporte em presunção pela autoridade fiscal à luz dos princípios da legalidade e da verdade material; - Quanto à exclusão de montante a título de amortização de ágio por expectativa de rentabilidade futura, no valor de RS 79.979.200,00, alega que o Termo de Verificação Fiscal e os autos de infração descreveram os fatos atendo-se à alegada constatação de equívoco na contabilização do ágio e ausência de incorporação da empresa adquirida com os supostos w reais adquirentes". Apesar disso, atendeu a todas as condições necessárias para a efetiva dedução do ágio para fins de IRPJ e CSLL. Afirma que se trata de investimento adquirido junto a partes independentes e não-relacionadas, em que houve a correspondente tributação dos ganhos de capital auferidos pelos vendedores e devido cumprimento dos demais requisitos formais exigidos pela legislação então aplicável. Acrescenta que existiam diversos propósitos negociais para que referida compra se desse por meio de uma sociedade holding brasileira, dentre elas a necessidade de realização de uma Oferta Pública de Aquisição - OPA aos acionistas minoritários da empresa adquirida, nos termos do artigo 254-A da Lei das Sociedades por Ações ("LSA") e da Instrução Normativa CVM n° 361, de 05.03.2002 ("ICVM 361/02"); - Com relação à infração de exclusão de montante a título de capitalização de contrato de arrendamento mercantil (leasing) no valor de R$ 1.029.669.07, o próprio acórdão recorrido reconheceu que "foi justificado e comprovado que o valor de R$ 1.209.669,87 refere-se a despesa de contrato de Leasing", concluindo que "realmente trata-se de um erro quanto a forma de contabilização", motivo pelo qual, não pode a fiscalização se pautar em mero descumprimento de obrigação acessória para glosar a despesa, sob pena de flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade. O recurso voluntário foi conhecido por ocasião da conversão do julgamento em diligência na Resolução nº 1301-000.433. Por oportuno, reproduzo excerto do voto condutor dessa decisão em relação ao objeto da diligência: A fiscalização identificou na Escrituração Contábil Digital ECD da contribuinte o registro contábil dos dividendos propostos ou a pagar, no valor de R$ 5.339.000,00. O lançamento foi efetuado a débito da conta de resultado 5002010002 Despesas Transferidas e a crédito da conta de passivo 21600100001 Dividendos Propostos ou a Pagar. Considerando que os dividendos devem ser contabilizados a débito de patrimônio líquido, durante a ação fiscal a contribuinte foi intimada a justificar o motivo pelo qual o lançamento foi efetuado a débito da conta 5002010002 - Despesas Transferidas. Na resposta apresentada a Recorrente informou referida conta seria transitória de transferência do resultado do exercício para o patrimônio líquido, e que o lançamento realizado não afetou ou reduziu a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Para justificar suas alegações, compara o lançamento efetuado em sua contabilidade com o lançamento realizado de acordo com as melhores práticas contábeis e conclui que nos dois casos o resultado do exercício não seria alterado. A fiscalização considerou improcedente a afirmativa da contribuinte de que o lançamento não teria afetado o resultado, visto ser a conta de código 5002010002 - Despesas Transferidas uma conta analítica do grupo de contas sintéticas OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS, e que de acordo com o Demonstrativo do Resultado do Exercício de 2010, esta conta sintética possui saldo devedor antes do encerramento no valor de R$ 81.815.272,73. Fl. 1809DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Aduziu que se o lançamento dos dividendos, no valor de R$ 5.339.000,00, não tivesse sido efetuado, o saldo final da conta transitória 5002010002 Despesas Transferidas, no valor credor de R$ 306.649.413,52, teria seu saldo majorado em R$ 5.339.000,00 e, consequentemente, o saldo devedor da conta sintética OUTRAS DESPESAS OPERACIONAIS seria diminuído e resultado do exercício antes do IRPJ e CSLL aumentado nesse mesmo valor. Com relação ao exemplo apresentado, afirmou que o mesmo apenas demonstra que o patrimônio líquido não seria alterado se os dividendos fossem debitados do patrimônio líquido e creditados na conta de passivo 21600100001 - Dividendos Propostos ou a Pagar. Com fundamento nos arts. 247, 249, inciso I e 274 do RIR/99 e art. 201 da Lei nº 6.404/76, a fiscalização constatou que os dividendos pagos foram indevidamente contabilizados como despesa e os adicionou para efeitos de apuração do lucro real. No julgamento em primeira instância a 3ª Turma da DRJ/RPO entendeu correta a adição ao lucro real das despesas de dividendos a pagar que implicaram redução indevida do lucro líquido do período e manteve o lançamento efetuado pela fiscalização. No recurso voluntário apresentado a Recorrente repete os argumentos efetuados na impugnação e alega que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o resultado do período não foi impactado com o montante a título de despesa de dividendos propostos. Pretende comprovar suas alegações com o Laudo de Constatação de Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação, elaborado pela PricewaterhouseCoopers, datado de 15/06/2016, e anexado ao recurso apresentado em 16/06/2016. Alega que a conclusão do laudo apenas reflete as informações prestadas pela Recorrente em sua escrituração contábil digital, Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE (doc. 8 da impugnação) e suas Demonstrações Financeiras auditadas (doc. 5 da impugnação). No recurso a Recorrente transcreve trecho do laudo onde consta que, de acordo com a DMPL Demonstração de Mutação do Patrimônio Líquido, a constituição da obrigação de R$ 5.339 mil foi deduzida do montante do lucro líquido do exercício totalmente tributado conforme a DIPJ. Afirma o laudo que se o valor dos dividendos estivesse registrado em conta contábil incluída no Lucro Líquido do exercício, o valor líquido a ser incluído na DMPL seria R$ 47.623 mil e dessa forma não comportaria nova redução do patrimônio líquido, visto que a obrigação de pagar dividendos já estaria constituída em contrapartida das despesas do exercício. Prossegue ainda a Recorrente que, de acordo com o laudo elaborado pela PwC, as contas dos grupos "4 Contas transitórias por centros de custo" e "5 Contas transitórias" existem com finalidades gerenciais e organizacionais, não fazendo parte do lucro líquido da empresa. Afirma que no caso do grupo 5 eventualmente registram lançamentos, porém ao final do período, são realocados para suas devidas e correspondentes contas contábeis, tendo sido meramente um demonstrativo temporário do lançamento. Ao final o laudo conclui que o somatório dos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo, ou seja, não influenciam o resultado, de forma que a conta que recebeu, transitoriamente, o lançamento de dividendos, compõe um grupo de contas cujo saldo não produz efeitos no resultado do exercício. Afirma ainda a Recorrente, que o próprio "Balancete antes do encerramento Grupo de Conta Sintética" anexo ao Termo de Verificação Fiscal, demonstra que a conta contábil 5002010002 - Despesas Transferidas, pertencente ao grupo 5, não está compreendida na conta contábil 03010201070200000000 - Outras Despesas Operacionais, esta última pertencente ao grupo 3. De acordo com a Recorrente, tratam-- se de contas distintas constantes do mesmo balancete e não do "Razão Analítico" da conta contábil 03010201070200000000 - Outras Despesas Operacionais, até porque são lançamentos pertencentes a grupos diferentes da contabilidade da Recorrente, sendo certo que, as contas pertencentes aos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo/zero, não impactando no resultado do exercício. Fl. 1810DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 De início, vale ressaltar que o "Laudo de Constatação de Reconhecimento, Mensuração e Evidenciação" a que a contribuinte se refere, somente foi trazido aos autos em grau de recurso, sem qualquer justificativa para sua apresentação extemporânea, que somente seria permitida nas hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72: [...] Assim, teria precluído o direito da Recorrente em trazer novos documentos aos autos e o mencionado laudo não teria valor probatório, entretanto, alega a Recorrente que a conclusão do laudo apenas reflete as informações por ela prestadas em sua escrituração contábil digital, Demonstrativo de Resultado do Exercício DRE (doc. 8 da impugnação) e suas Demonstrações Financeiras auditadas (doc. 5 da impugnação). Por este motivo, entendo que o laudo anexado às fls. 1.665 a 1.683 deve ser submetido à apreciação da autoridade autuante, com o objetivo de verificar se suas conclusões relativas aos dividendos propostos, são ou não contrárias aos registros efetuados pela Recorrente em sua escrituração contábil digital. Diante do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização: - Analise o item "3.1 Dos Dividendos" do laudo (fls. 1.671 a 1.675), e verifique na escrituração contábil da contribuinte, se o somatório das contas dos grupos 4 e 5 possuem resultado nulo, e, portanto, a conta transitória 5002010002 - Despesas Transferidas, que recebeu o lançamento a débito dos dividendos propostos a pagar no valor de R$ 5.339.000,00, não produziu efeitos no resultado do exercício; - Seja dada ciência à contribuinte do relatório fiscal da diligência, reabrindo-lhe o prazo de 30 dias para manifestação, nos termos do parágrafo único do art 35 do Decreto nº 7.574/2011. Os autos retornaram à unidade de origem e a autoridade fiscal incumbida da realização de diligência produziu o relatório de “Informação Fiscal” de fls. 1764-1767, concluindo, em síntese que: [...] as contas de início '4' possuíam, antes do encerramento do exercício do ano de 2010, um total devedor de R$ 1.572.662.555,52, enquanto as contas de início '5' totalizaram R$ 1.572.662.555,52, com saldo credor. Assim, se pode afirmar que a soma dos saldos de início '4' e '5' anulam-se, de forma agregada, no encerramento do exercício. Quanto à afirmativa de que, pelo fato da soma dos saldos credores e devedores, das contas de início '4' e '5' serem do mesmo montante, isso não afetou o resultado do exercício, esse Auditor-Fiscal não concorda, conforme o item seguinte. [...] O lançamento que gerou o lançamento de ofício foi o de dividendos propostos, lançados a crédito em conta de passivo (conta 2160100001 - DIVIDENDOS PROPOSTOS OU A PAGAR), contra DESPESAS TRANSFERIDAS, conta de início 5 (5002010002). [...] Assim, a diligenciada não poderia ter creditado em conta de passivo os dividendos propostos ou a pagar, contra conta de despesas transferidas, que compõe as contas de resultado. O lançamento foi efetuado antes do encerramento do exercício. O correto seria efetuar inicialmente o encerramento do exercício, e após apurado o resultado do exercício, e transferir para conta de lucros acumulados, por exemplo, que faz parte de o patrimônio líquido, efetuar o lançamento a débito de patrimônio líquido e crédito de passivo. Tendo sido intimado, quando do curso da fiscalização a demonstrar que o lançamento, que contraria o art. 201 Lei das S/A, tinha o seu efeito anulado, tentou demonstrar que, pelo fato de as contas de início 4 e 5 terem sido anuladas quando do Fl. 1811DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 encerramento do exercício, de maneira agregada, o lançamento apontado pela fiscalização teria seus efeitos anulados. Essa afirmação não é verdadeira, no entendimento deste Auditor-Fiscal. Intimada a se manifestar sobre as conclusões da autoridade fiscal, a Recorrente apresentou o expediente de fls. 1783-1791, aduzindo que: 5. Não se trata de mera alegação da Recorrente. Além das demonstrações financeiras juntadas aos autos pela Recorrente, que corroboram todos os argumentos de defesa, foi apresentado laudo técnico (fls. 1.665/1.683) pela PricewaterhouseCoopers (“PwC”), renomada firma de auditoria independente, que concluiu categoricamente que “o lançamento correspondente aos dividendos propostos em contas transitórias não afetou o lucro tributável do período tendo em vista que os valores de tais contas se anularam”. 6. Pela leitura da breve manifestação do i. Auditor Fiscal não se vislumbra qualquer razão que contraponha a análise e as conclusões do laudo em questão [...] 8. Cumpre esclarecer, mais uma vez, que o valor de R$ 5.339.000,00 se refere a dividendos mínimos obrigatórios, cujo suporte legal se encontra no artigo 202, da Lei nº 6.404/76, como já demonstrado pela Recorrente. 9. Pois bem. Conforme determina a norma contábil, os dividendos propostos a serem pagos que estão fundamentados em obrigação estatutária (dividendo mínimo obrigatório) são registrados a crédito no Passivo Circulante e a débito de Patrimônio Líquido. Apenas os dividendos propostos pela administração excedentes a esse mínimo obrigatório devem ser registrados com débito a Lucros ou Prejuízos Acumulados, mas a crédito de conta especial do Patrimônio Líquido 1 . [...] 12. A Fiscalização, então, afirma que “Foi efetuada busca na contabilidade da fiscalizada de lançamento no valor de R$ 5.339.000,00 que pudesse anular o efeito do valor indevidamente classificado como despesa e não foi encontrado qualquer outro lançamento na contabilidade além do objeto de questionamento deste Auditor Fiscal”. 13. Tal afirmação absolutamente equivocada foi inteiramente acolhida no v. Acórdão recorrido indo de encontro às conclusões do laudo técnico apresentado. 14. O laudo da PwC inicia a sua fundamentação com suporte em Demonstração Financeira da Recorrente auditada por empresa independente, na qual se constata o lucro líquido do exercício confirmado pela própria Autoridade Fiscal e mencionado no v. Acórdão recorrido de R$ 52.963.786,24. [...] 15. Como pode ser facilmente constatado pela análise da Demonstração de Resultado do Exercício da empresa acima, o lucro líquido (prejuízo) antes da tributação do Imposto de Renda e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido é de R$ 77.442 mil, sendo esta a base contábil para o cálculo dos tributos. 16. Após a incidência dos tributos, verifica-se que o lucro líquido do exercício foi de R$ 52.962 mil, pelo que o laudo técnico do PwC inferiu que se constatam somente duas deduções: (a) a da contribuição social – R$ 6.480 mil e (b) a do imposto de renda – R$ 18.000 mil, destacando-se que houve uma diferença de R$ 1 mil a maior na DIPJ relativa a arredondamento, não sendo considerada relevante). 17. Não há nada que indique, diante destas evidências, que o montante correspondente aos R$ 5.339.000,00 causou redução desta base. Vejamos. 18. Como já sobejamente demonstrado pela Recorrente, é clarividente que, pelas mesmas Demonstrações Financeiras, é possível concluir que o referido resultado do período – lucro líquido de R$ 52.963.786,24 – foi transferido para o Patrimônio 1 Manual de Contabilidade Societária/Eliseu Martins [et. al.] – 2 ed. – São Paulo: Atlas 2013 – Seção 22.5.11 – pg. 429. Fl. 1812DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Líquido em perfeita consonância com o procedimento contábil aplicável, a teor dos lançamentos constantes na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (“DMPL”), a saber: [...] 19. Com efeito, a mesma DMPL auditada referente ao ano-calendário de 2010 aponta a um só tempo e em linhas distintas, para o lançamento a título de (i) lucro líquido do exercício de R$ 52.963.786,24, e de (ii) dividendos mínimos obrigatórios de R$ 5.339.000,00. 20. Ainda de acordo com as informações corroboradas no laudo técnico da PwC, a DIPJ exercício 2011 (ano-calendário 2010) informa os mesmos montantes de lucro líquido do exercício acima destacado e de Lucro antes do IRPJ e da CSLL, indicados nas Demonstrações Financeiras, [...] 21. Diante da realidade dos fatos espelhada nos lançamentos contábeis efetuados, o laudo técnico não deixa margem para dúvidas ao esclarecer que “se o valor de Dividendos estivesse registrado em conta contábil incluída no Lucro Líquido do exercício, o valor líquido a ser incluído na DMPL seria R$ 47.623 mil e dessa forma não comportaria nova redução do Patrimônio Líquido, visto que a obrigação de pagar dividendos já estaria constituída em contrapartida das despesas do exercício”. 22. Aduz, ainda, que “Como pode ser constatado na DMPL, a obrigação de pagar dividendos foi constituída após o lucro líquido do exercício ser aportado ao patrimônio líquido do exercício ser aportado ao patrimônio líquido em referência, no valor de R$ 52.962 mil, para a partir dessa inclusão, o montante de R$ 5.339 mil ser destinado ao pagamento de dividendos”. 23. Além disso, em análise detalhada do procedimento contábil adotado pela Recorrente, cuja equivocada interpretação da i. Autoridade Fiscal foi acolhida pelo v. Acórdão recorrido e segundo a qual teria havido ilegal falta de adição de dividendos ao lucro líquido do exercício (supostamente contabilizados como despesa), o irretocável laudo técnico da PwC esclarece: [...] 24. Ora, a conclusão indicada pelo laudo parte de um exame analítico do balancete da empresa, com base no qual não há outra realidade a ser inferida que não o fato de que A CONTA 5002010002 compõe um grupo de contas cujo saldo NÃO PRODUZ EFEITOS NO RESULTADO DO EXERCÍCIO! 25. Portanto, conclui-se que o valor de R$ 5.339.000,00 não foi registrado como despesas para fins de redução do resultado final do exercício, não havendo qualquer impacto na base tributável! 26. Ademais, pela leitura da DMPL, verifica-se que o valor de Dividendos Mínimos Obrigatórios impactou a débito o patrimônio líquido da Recorrente, logo, não poderia ter impactado as contas de resultado. Em seguida, os autos retornaram ao CARF e foram submetidos a novo sorteio em razão de a então conselheira aelatora da Resolução em comento não mais compor os quadros de conselheiros do CARF, cabendo-me o seu relato. É o relatório. Fl. 1813DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso voluntário já foi conhecido por ocasião de sua conversão em diligência. De toda forma, ratifico seu conhecimento em razão de ser tempestivo e assinado por procuradores devidamente habilitados. 2 DA NOVA PROPOSTA DE DILIGÊNCIA 2.1 DAS EXCLUSÕES A TÍTULO DE ESTORNO DE CAPITALIZAÇÃO DE LEASING Na sessão de julgamento apresentei integralmente minha proposta de voto quanto às preliminares e o mérito do recurso voluntário. Contudo, durante os debates, a partir dos valiosos argumentos do ilustre Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa em seu voto vista, curvei-me ao seu entendimento da necessidade de nova realização de diligência, dessa feita, muito pontual em relação às exclusões a título de estorno de capitalização de leasing. Recapitulo o meu voto apresentado sobre o tema, sem, contudo, concluir pelo desfecho do julgamento, adotando as razões apresentadas pelo Conselheiro Ricardo Antonio Carvalho Barbosa para realização de nova diligência. A Recorrente alega que o próprio acórdão atacado confirma que restou comprovado, na impugnação, que o valor de R$ 1.029.669,87 se refere a despesas de contrato de leasing e que os lançamentos foram mantidos por um erro quanto a forma de contabilização. Aduz que em uma completa inversão de valores, a autoridade fiscal afastou-se do dever de averiguar a realidade dos fatos para consagrar a suposta prevalência da forma sobre o conteúdo e que, em afronta aos princípios da legalidade, da verdade material e da segurança jurídica. Afirma a Recorrente ter firmado contrato de arrendamento mercantil financeiro com a Unibanco Leasing S.A - Arrendamento Mercantil de bem descrito como "Sistema de Transporte e Manipulação de Fardos e Transportes de Pallets", conforme documento juntado às fls. 1.066 a 1.073. Por se tratar de leasing financeiro, com o advento da Lei nº 11.638/07, que alterou o art. 179, inciso IV, da Lei nº 6.404/76, os bens para os quais a companhia detiver os benefícios, riscos e o controle, mesmo não possuindo a propriedade deles devem ser classificados no ativo imobilizado. Assim, para fins contábeis (contabilidade societária) efetuou os lançamentos referentes ao leasing financeiro a débito do ativo imobilizado e a crédito no passivo exigível, porém, para fins fiscais (contabilidade fiscal) efetuou a exclusão da despesa do leasing no montante referente ao valor residual garantido - VRG de R$ 1.029.669,87. Ainda de acordo com a Recorrente, o valor total pago de R$ 1.258.731,73 (fls. 1.065) é composto das seguintes parcelas: (i) R$ 1.029.669,87 a título de VRG (conta contábil 1190300099); Fl. 1814DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 21 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 (ii) R$ 229.061,86, composto por montantes de leasing a pagar e contribuições (COFINS e PIS) incidentes sobre a operação (contas contábeis 2129900018 - 1130300044 e 1130300043), conforme previsto na cláusula 7.2 do contrato de leasing financeiro. Dessa forma, entende a Recorrente que o mero descumprimento de obrigação acessória não é motivo para a fiscalização efetuar a glosa da despesa a título de valor residual garantido, no montante de R$ 1.029.669,87, devidamente excluída da apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, sob pena de flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade. Para a solução da lide, faz-se necessária a análise da legislação relativa às novas regras contábeis, introduzidas pelas Leis nº 11.638/2007 e Lei nº 11.941/2009. Veja o que dispõe o art. 1º da Lei nº 11.638/2007, que alterou o art. 179 da Lei nº 6.404/72, na parte relativa ao leasing: "Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I - no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II - no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (artigo 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III - em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; IV – no ativo imobilizado: os direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da companhia ou da empresa ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à companhia os benefícios, riscos e controle desses bens; (Redação dada pela Lei nº 11.638/2007) [...]" Em busca da neutralidade dos efeitos tributários decorrentes da adoção dos novos métodos e critérios instituídos pela Lei nº 11.638/2007, até a normatização definitiva da integração entre a legislação tributária e os novos métodos e critérios internacionais de contabilidade 2 , foi instituído o Regime Tributário de Transição - RTT, por meio do art. 15 da Lei nº 11.941/2009: Art. 15. Fica instituído o Regime Tributário de Transição – RTT de apuração do lucro real, que trata dos ajustes tributários decorrentes dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n o 11.638, de 28 de dezembro de 2007, e pelos arts. 37 e 38 desta Lei. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Revogado pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1 o O RTT vigerá até a entrada em vigor de lei que discipline os efeitos tributários dos novos métodos e critérios contábeis, buscando a neutralidade tributária. § 2 o Nos anos-calendário de 2008 e 2009, o RTT será optativo, observado o seguinte: I – a opção aplicar-se-á ao biênio 2008-2009, vedada a aplicação do regime em um único ano-calendário; II – a opção a que se refere o inciso I deste parágrafo deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica 2009; 2 O que somente veio a ocorrer com o advento da Lei nº 12.973/2014. Fl. 1815DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11638.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv627.htm#art99x http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Mpv/mpv627.htm#art99 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art117 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art117 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L12973.htm#art117 Fl. 22 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 III – no caso de apuração pelo lucro real trimestral dos trimestres já transcorridos do ano-calendário de 2008, a eventual diferença entre o valor do imposto devido com base na opção pelo RTT e o valor antes apurado deverá ser compensada ou recolhida até o último dia útil do primeiro mês subsequente ao de publicação desta Lei, conforme o caso; IV – na hipótese de início de atividades no ano-calendário de 2009, a opção deverá ser manifestada, de forma irretratável, na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica 2010. § 3 o Observado o prazo estabelecido no § 1 o deste artigo, o RTT será obrigatório a partir do ano-calendário de 2010, inclusive para a apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. § 4 o Quando paga até o prazo previsto no inciso III do § 2 o deste artigo, a diferença apurada será recolhida sem acréscimos. Com o objetivo de regulamentar o Regime Tributário de Transição - RTT é que foi instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição - FCONT, por meio da Instrução Normativa RFB nº 949/2009: Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.139, de 28 de março de 2011) Art. 9º O FCONT deverá ser apresentado em meio digital até às 24 (vinte e quatro) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, mediante a utilização de aplicativo a ser disponibilizado no dia 15 de outubro de 2009, no sítio da Secretaria da Fl. 1816DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 23 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Receita Federal do Brasil na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda. gov. br>. Parágrafo único. Para a apresentação do FCONT é obrigatória a assinatura digital mediante utilização de certificado digital válido. Com a adoção das novas regras contábeis internacionais e buscando a neutralidade fiscal desses novos métodos, foi introduzido pela Lei nº 11.941/09, o Regime Tributário de Transição - RTT, o qual foi regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 949/09. Essa Instrução Normativa, vigente à época dos fatos geradores, instituiu o FCONT - Controle Fiscal Contábil de Transição, que era uma escrituração das contas patrimoniais e de resultado, e necessários à reversão dos efeitos fiscais decorrentes dos novos critérios contábeis, de forma que, da junção entre a ECD e o FCONT, teria o Fisco à sua disposição o registro do lucro líquido conforme os critérios contábeis vigentes até 31/12/2007. A adoção do FCONT fez-se necessária à realização dos ajustes e, de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 949/09, não poderia ser substituído por quaisquer outros controles ou meios de cálculo. O fundamento de legalidade que daria suporte à referida Instrução Normativa é o art. 24 da Lei nº 11.941/2009, verbis: Art. 24. Nas hipóteses de que tratam os arts. 20 e 21 desta Lei, o controle dos ajustes extracontábeis decorrentes da opção pelo RTT será definido em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Veja-se o que dispunha os arts. 3º, 7º e 8º da Instrução Normativa RFB nº 949/09: Art. 3º A pessoa jurídica sujeita ao RTT, para reverter o efeito da utilização de métodos e critérios contábeis diferentes daqueles previstos na legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, deverá: I - utilizar os métodos e critérios da legislação societária para apurar, em sua escrituração contábil, o resultado do período antes do Imposto sobre a Renda, deduzido das participações; II - utilizar os métodos e critérios contábeis aplicáveis à legislação tributária, a que se refere o art. 2º, para apurar o resultado do período, para fins fiscais; III - determinar a diferença entre os valores apurados nos incisos I e II; e IV - ajustar, exclusivamente no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), o resultado do período, apurado nos termos do inciso I, pela diferença apurada no inciso III. § 1º Para a realização do ajuste específico, de que trata o inciso IV do caput, deverá ser mantido o controle definido nos arts. 7º a 9º. § 2º O ajuste específico no Lalur, referido no inciso IV, não dispensa a realização dos demais ajustes de adição e exclusão, prescritos ou autorizados pela legislação tributária em vigor, para apuração da base de cálculo do imposto. § 3º Os demais ajustes a que se refere o § 2º devem ser realizados com base nos valores mantidos nos registros do controle previsto nos arts. 7º a 9º. [...] Art. 7º Fica instituído o Controle Fiscal Contábil de Transição (FCONT) para fins de registros auxiliares previstos no inciso II do § 2º do art. 8º do Decreto-Lei nº 1.598, de Fl. 1817DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 24 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 1977, destinado obrigatória e exclusivamente às pessoas jurídicas sujeitas cumulativamente ao lucro real e ao RTT. Art. 8º O FCONT é uma escrituração, das contas patrimoniais e de resultado, em partidas dobradas, que considera os métodos e critérios contábeis aplicados pela legislação tributária, nos termos do art. 2º. § 1º A utilização do FCONT é necessária à realização dos ajustes previstos no inciso IV do art. 3º, não podendo ser substituído por qualquer outro controle ou memória de cálculo. § 2º Para fins de escrituração do FCONT, poderá ser utilizado critério de atribuição de custos fixos e variáveis aos produtos acabados e em elaboração mediante rateio diverso daquele utilizado para fins societários, desde que esteja integrado e coordenado com o restante da escrituração, nos termos do art. 294 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. § 3º O atendimento à condição prevista no § 2º impede a aplicação do disposto no art. 296 do Decreto nº 3.000, de 1999. § 4º No caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º, fica dispensada a elaboração do FCONT. § 4º A elaboração do FCONT é obrigatória, mesmo no caso de não existir lançamento com base em métodos e critérios diferentes daqueles prescritos pela legislação tributária, baseada nos critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007, nos termos do art. 2º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1139, de 28 de março de 2011) Conforme se observa, o inciso IV do art. 3º da IN RFB 949/2009 estabelece que os ajustes decorrentes de novos critérios contábeis devem ser registrados exclusivamente no Lalur, ou seja, não devem ser feitos ajustes na escrituração comercial, porém, para que sejam permitidos esses ajustes no Lalur, o § 1º do mesmo artigo exige a manutenção do FCONT. Importante ressaltar ainda, que de acordo como § 1º do art. 8, da Instrução Normativa RFB nº 949/09, o FCONT não pode ser substituído por qualquer outro meio de controle ou memória de cálculo. Pois bem, entendo que a ausência de registro no FCONT, por si só, não é passível de ensejar a tributação, pois não se extrai do citado artigo 24 da Lei nº 11.941/2009 3 , base legal para edição e fundamento de validade da IN RFB 949/2009, tal consequência. Veja-se que quando o legislador quis que eventual não evidenciação ou alteração de critério contábil tivesse efeito imediato na apuração da base de cálculo do IRPJ, o fez de forma explícita, como, por exemplo, conta no § 3º do art. 13 da Lei nº 12.973/2014 no que diz respeito aos controles em subcontas dos ganhos decorrentes de avaliação de ativo ou passivo com base no valor justo: Avaliação a Valor Justo Subseção I 3 Art. 24. Nas hipóteses de que tratam os arts. 20 e 21 desta Lei, o controle dos ajustes extracontábeis decorrentes da opção pelo RTT será definido em ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 1818DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16111#513198 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16111#513198 Fl. 25 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Ganho Art. 13. O ganho decorrente de avaliação de ativo ou passivo com base no valor justo não será computado na determinação do lucro real desde que o respectivo aumento no valor do ativo ou a redução no valor do passivo seja evidenciado contabilmente em subconta vinculada ao ativo ou passivo. (Vigência) § 1º O ganho evidenciado por meio da subconta de que trata o caput será computado na determinação do lucro real à medida que o ativo for realizado, inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão, alienação ou baixa, ou quando o passivo for liquidado ou baixado. § 2º O ganho a que se refere o § 1º não será computado na determinação do lucro real caso o valor realizado, inclusive mediante depreciação, amortização, exaustão, alienação ou baixa, seja indedutível. § 3º Na hipótese de não ser evidenciado por meio de subconta na forma prevista no caput , o ganho será tributado. [grifo nosso] [...] Conforme já abordado, adoto as razões apresentadas pelo Conselheiro Ricardo Barbosa para conversão do julgamento em diligência, nos termos, resumidamente transcritos a seguir. Em que pese a conclusão de que a ausência de registro no FCONT, por si só, não é passível de ensejar a tributação, considero necessário investigar se as provas que constam no processo dão lastro para conclusão de que o procedimento adotado pela empresa não causou prejuízos ao fisco. Nesse aspecto, gostaria de inicialmente relembrar as principais diferenças provocadas pela nova contabilidade, a partir da Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, com relação às normas anteriores, no que concerne ao contrato de arrendamento mercantil (leasing): De forma resumida, têm-se os seguintes efeitos na apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido provocados por um contrato de arrendamento mercantil, durante o período de sua vigência:  Antiga contabilidade - despesa relacionada à contraprestação de arrendamento mercantil (que pode envolver um valor residual garantido – VRG4). Uma despesa decorrente da depreciação somente pode ocorrer ao final do contrato e se o bem foi adquirido;  Nova contabilidade – despesa relacionada à depreciação do bem objeto de arrendamento, registrado no ativo da empresa, e despesa financeira (juros). Os lançamentos contábeis que ocorrem durante a vigência do contrato podem resumidamente ser representados da seguinte forma: 4 Valor Residual Garantido: Corresponde ao mínimo que será recebido pela Arrendadora na venda a terceiros do bem arrendado, na eventual hipótese de devolução do bem. O pagamento do VRG poderá ocorrer no início do contrato, durante o vencimento das contraprestações de arrendamento, ou no seu final. O pagamento do valor residual garantido não caracteriza o exercício da opção de compra. Fl. 1819DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 26 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Antiga contabilidade: Pagamento das Prestações: D - Despesa de Arrendamento Mercantil (CR) C - Caixa/Bancos Nova Contabilidade: D - Equipamentos D - Juros a Apropriar C - Arrendamento Mercantil Financeiro a Pagar Pagamento das Prestações e Valor Residual: D - Arrendamento Mercantil Financeiro a Pagar C - Caixa/Bancos Apropriação da Despesa Financeira D - Despesa Financeira (CR) C - Juros a Apropriar Depreciação: D - Despesa de Depreciação (CR) C - Depreciação Acumulada O ajuste estabelecido pela legislação tributária para fins do Regime Tributário de Transição – RTT, pode ser representado pela seguinte fórmula:  Ajuste do RTT = (Vr. Despesa de Depreciação + Vr. Despesa Financeira) - (Vr. Contraprestação Arrendamento Mercantil) O resultado em cada período pode ser positivo ou negativo, variando de acordo com o prazo do contrato e a vida útil do bem para fins de depreciação. Assim, não necessariamente o ajuste implica num benefício para empresa (em termos de redução do lucro real), por isso que é obrigatório, e não opcional, para fins do RTT. Não se trata de um ajuste tão simples, daí ter sido instituída um livro fiscal específico para esse fim, no caso o “Controle Fiscal Contábil de Transição – FCONT”. Com efeito, no presente caso, não tendo o contribuinte procedido de acordo com a legislação tributária, que expressamente determinava a apuração do ajuste do RTT no FCONT”, caberia, em decorrência da infração cometida, para comprovar que não causou prejuízos à Fazenda Pública, ter indicado os seguintes registros no Lalur:  as exclusões relacionadas ao pagamento das contraprestações de arrendamento mercantil;  as adições relativas à despesa de depreciação do bem objeto de arrendamento; e  as adições relativas à despesa financeira (se consideradas contabilmente quando do registro do bem arrendado). Fl. 1820DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 27 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Todas as operações são necessárias. Assim, caso só tenha procedido com relação ao valor da contraprestação (exclusão no Lalur), se beneficiou em duplicidade, pois na sua contabilidade foram geradas despesas em decorrência da depreciação e dos juros. Essa é a questão que precisa estar devidamente comprovada no presente processo. Na decisão da DRJ consta o seguinte (destaque acrescido): Quanto a essa matéria entendo que foi justificado e comprovado que o valor de R$ 1.209.669,87 refere-se a despesa de contrato de Leasing (fl. 1065 e seguintes) que, segundo a Fiscalização, deveria ter sido contabilizado na forma de "ajuste RTT" ao invés de exclusão no Lalur. A meu ver, realmente trata-se de um erro quanto à forma de contabilização, mas que todavia não pode ser superado nesta instância administrativa haja vista que a Instrução Normativa RFB 949/2009, por seu artigo 8º, §1º, é taxativa quanto a obrigatoriedade do FCONT para esses ajustes vejamos: Note-se que a decisão da autoridade a quo é apenas genérica, afirmando que a análise da forma de contabilização não pode ser superada em sede de julgamento de primeira instância, que é vinculada às normas expedidas pela RFB (art. 6º, inciso V, da Portaria RFB nº 341, de 2011). Presumo que, por essa razão não aprofundou a análise sobre os necessários ajustes que deveriam ter sido feitos pelo contribuinte, para anular as despesas de depreciação geradas pelo bem ativado (leasing financeiro – nova contabilidade). Vejamos, agora, o conteúdo de outras peças que compõem o processo: Termo de Verificação Fiscal: fls. 462 (destaque em amarelo acrescido) xxxxxxxxxxxxx Fl. 1821DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 28 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 O responsável pelo lançamento baseou-se, portanto, nas disposições contidas na Instrução Normativa RFB nº 949, de 2009 (o que era o esperado, dado que é vinculado aos atos normativos expedidos pela Receita Federal). Recurso Voluntário: Fls. 1.619/1.620 (destaque em amarelo acrescido) Fl. 1822DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 29 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Como se pode observar, a Recorrente não fez qualquer referência aos demais ajustes que obrigatoriamente deveriam ter sido feitos no Lalur, no que se refere à despesa de depreciação gerada pelo bem objeto de arrendamento e a despesa de juros. Não consegui identificar nos autos qualquer documento comprovando tal procedimento. Com efeito, tendo em vista que foi o próprio contribuinte que agiu de forma irregular, não efetuando os devidos ajustes no FCONT, caberia a ele provar que, mesmo nesta hipótese, não teria causado prejuízo ao fisco. O ônus da prova na presente situação é da parte interessada, uma vez que não cumpriu a obrigação acessória, nos termos da legislação tributária vigente. Caso tivesse efetuado os ajustes no FCONT, caberia ao Fisco demonstrar a imprestabilidade dos registros, o que não ocorreu no presente caso. Portanto, somente se tiver devidamente comprovado nos autos que o procedimento adotado pela empresa não gerou prejuízos tributários à Fazenda Pública, é que se pode acolher a tese da defendente. Em resumo, concluo que a falta de preenchimento do FCONT pode ser escusável, mas desde que não tenha gerado prejuízos ao Fisco. No presente caso, os elementos de prova não permitem que se chegue a essa conclusão. Não consegui identificar nos autos as necessárias adições que deveriam ter sido feitas pela pessoa jurídica, em decorrência da despesa de depreciação gerada pelo bem arrendado e das despesas de juros. Como o contribuinte não comprovou os demais ajustes, a presente decisão, a partir das peças que compõem o processo, pode estar legitimando o reconhecimento em duplicidade (via contraprestação e via despesas de depreciação e financeira). A atividade probatória compreende a contextualização de elementos relevantes relacionados à lide, e não a mera anexação de um conjunto de documentos ao processo. Os elementos de prova precisam estar devidamente identificados e relacionados com os fatos narrados no processo. Fl. 1823DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 30 da Resolução n.º 1301-000.781 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15563.720072/2015-63 Por tais motivos, entendo que o julgamento deve ser convertido em diligência, nos termos a seguir expostos. 3 CONCLUSÃO Por essas razões, voto por converter o julgamento em diligência a fim de que a autoridade fiscal designada para sua realização: (i) intime o contribuinte a apresentar todos os registros contábeis e os ajustes efetuados no Lalur relacionados ao bem objeto de arrendamento mercantil, de forma que se possa identificar se a falta de preenchimento do FCONT não ocasionou prejuízos para Fazenda Pública, conforme a defesa alega na peça recursal; (ii) ao final, elabore Relatório de Diligência 5 com as informações ora solicitadas. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindo- se prazo de 30 dias para que, querendo, manifeste-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Após o cumprimento dos procedimentos ora requeridos, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto 5 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3 o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Fl. 1824DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 13934.720135/2015-91
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.897
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.

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APARECIDO PIRES - LANCHONETE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 93 4. 72 01 35 /2 01 5- 91 Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.897 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13934.720135/2015-91 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 16592.724974/2015-94
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário
Numero da decisão: 2002-003.487
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.729950/2015-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.729950/2015-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.

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GFIP. MULTA POR ATRASO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP dentro do prazo fixado para a sua entrega. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 49. A denúncia espontânea não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 46. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.729950/2015-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 59 2. 72 49 74 /2 01 5- 94 Fl. 69DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.487 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724974/2015-94 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-003.424, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo de auto de infração – AI (e-fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Tal autuação gerou lançamento de multa correspondente a 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, conforme “Comprovante de Declaração das Contribuições a Recolher à Previdência Social e a Outras Entidades e Fundos por FPAS”, prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91. A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, que, por unanimidade, foi julgada improcedente pela DRJ. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. no qual alega, em síntese que:  entrega espontânea das GFIP, antes de qualquer ação fiscal e dentro do prazo legal;  o instituto denúncia espontânea deve ser aplicado ao caso;  ausência de intimação do contribuinte;  inconstitucionalidade do artigo 49 da Lei nº 13.097/15 É o relatório. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.424, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Conforme os autos, trata o presente processo de auto de infração – AI (e- fls.) lavrado pela entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social - GFIP fora do prazo fixado na legislação. Fl. 70DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.487 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724974/2015-94 Do cumprimento da obrigação acessória – entrega da GFIP O Código Tributário Nacional (CTN - Lei nº 5.172/66) diferencia, expressamente, a obrigação tributária principal da obrigação tributária acessória. Aquela, decorre do dever de transferir montante pecuniário aos cofres públicos, quitar tributo, conceito este trazido no artigo 3º do diploma legal: Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Mais a frente, o artigo 113 do CTN não deixa qualquer dúvida quanto a natureza jurídica distinta das obrigações: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, converte-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A obrigação acessória, como retro mencionado, decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas impostas ao contribuinte em prol de auxiliar o Fisco no recolhimento de tributos, por exemplo, manter livros fiscais, envio de informações, dentre outras. Assim, além de distintas, ambas as obrigações são autônomas. Mesmo que o contribuinte quite seu débito tributário com o Fisco, não fica desobrigado a apresentação da obrigação acessória, no caso em tela, a Guia de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP. O CTN ainda reforça a diferença de ambas as obrigações quando da delimitação do fato gerador: Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 115. Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. Como sanção ao não cumprimento da obrigação acessória in casu, o artigo 32-A, da Lei nº 8.212/91, prevê a incidência de multa sobre o Fl. 71DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.487 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724974/2015-94 montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas, como se vê: Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar-se-á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (Vide Lei nº 13.097, de 2015) (Vide Lei nº 13.097, de 2015) I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não-apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Da denúncia espontânea Quanto a alegação da aplicação do instituto da denúncia espontânea no presente caso, deixo de formular considerações mais delongadas haja vista o conteúdo da Súmula CARF n° 49, cujo efeito é vinculante em relação à Administração Tributária Federal: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Como já colacionado no voto, pelo exposto no artigo 32-A, II da Lei nº 8.212/91, a multa incide sobre o montante das contribuições previdenciárias informadas no documento ainda que tenham sido integralmente pagas. Fl. 72DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art48 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-2018/2015/Lei/L13097.htm#art49 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L11941.htm#art26 https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-003.487 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 16592.724974/2015-94 Das alegações de inconstitucionalidade Quanto às alegações acerca da violação aos princípios constitucionais e do caráter confiscatório da multa, aplica-se o disposto na Súmula CARF n° 2, de observância obrigatória por seus Conselheiros: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da ausência se intimação do contribuinte Quanto a alegação de falta de intimação prévia do contribuinte, a Súmula CARF nº 46, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, tem a seguinte redação: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 73DF CARF MF Documento nato-digital https://carf.economia.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf

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Numero do processo: 18186.729709/2016-09
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-001.043
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.

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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 72 97 09 /2 01 6- 09 Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-001.043 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 18186.729709/2016-09 No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10855.720007/2016-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.684
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-05-11T19:54:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-05-11T19:54:51Z; Last-Modified: 2020-05-11T19:54:51Z; dcterms:modified: 2020-05-11T19:54:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-05-11T19:54:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-05-11T19:54:51Z; meta:save-date: 2020-05-11T19:54:51Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-05-11T19:54:51Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-05-11T19:54:51Z; created: 2020-05-11T19:54:51Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2020-05-11T19:54:51Z; pdf:charsPerPage: 2089; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-05-11T19:54:51Z | Conteúdo => S2-TE03 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.720007/2016-10 Recurso Voluntário Acórdão nº 2003-000.684 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2020 Recorrente GRUPO MARCA S.S. - LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2011 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 00 07 /2 01 6- 10 Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.684 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10855.720007/2016-10 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 15521.000217/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 NULIDADE. ACÓRDAO DRJ. DECADÊNCIA. Quando não ocorre o pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais justifica o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. Para a imposição da multa qualificada é necessário demonstrar a conduta dolosa de sonegação ou fraude do contribuinte, diferenciando-a da mera omissão de declaração e pagamento. MULTA AGRAVADA. RESPONSABILIDADE LANÇADO. DOS ADMINISTRADORES PELO TRIBUTO. Para a responsabilização dos administradores pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes é necessária demonstração dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTO CONEXO. Aplica-se ao lançamento conexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103.
Numero da decisão: 1301-004.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em face do limite de alçada, rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD

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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-11T15:05:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-11T15:05:34Z; Last-Modified: 2020-04-11T15:05:34Z; dcterms:modified: 2020-04-11T15:05:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-11T15:05:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-11T15:05:34Z; meta:save-date: 2020-04-11T15:05:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-11T15:05:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-11T15:05:34Z; created: 2020-04-11T15:05:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; Creation-Date: 2020-04-11T15:05:34Z; pdf:charsPerPage: 1842; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-11T15:05:34Z | Conteúdo => S1-C3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 15521.000217/2010-98 Recurso De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1301-004.425 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2020 Recorrentes DISTRIBUIDORA JM DE ALIMENTOS PROGRESSO LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2005 NULIDADE. ACÓRDAO DRJ. DECADÊNCIA. Quando não ocorre o pagamento antecipado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ARBITRAMENTO. A falta de apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais justifica o arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. SIMPLES OMISSÃO DE RECEITA. Para a imposição da multa qualificada é necessário demonstrar a conduta dolosa de sonegação ou fraude do contribuinte, diferenciando-a da mera omissão de declaração e pagamento. MULTA AGRAVADA. RESPONSABILIDADE LANÇADO. DOS ADMINISTRADORES PELO TRIBUTO. Para a responsabilização dos administradores pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes é necessária demonstração dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. PIS. CSLL. COFINS. LANÇAMENTO CONEXO. Aplica-se ao lançamento conexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DO VALOR DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. MOMENTO DA VERIFICAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 103. A Portaria MF nº 63/2017 elevou para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) o valor mínimo da exoneração do crédito e penalidades AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 52 1. 00 02 17 /2 01 0- 98 Fl. 5949DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 promovida pelas Delegacias Regionais de Julgamento para dar ensejo à interposição válida de Recurso de Ofício. Súmula CARF nº 103. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício em face do limite de alçada, rejeitar as arguições de nulidade e de decadência, e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício para 75% e excluir o coobrigado do polo passivo da obrigação tributária. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ricardo Antonio Carvalho Barbosa, Rogério Garcia Peres, Giovana Pereira de Paiva Leite, Lucas Esteves Borges, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da Resolução CARF nº 1301000.152, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pelo Sócio solidarizado da contribuinte acima identificada e de Recurso de Ofício manuseados contra decisão proferida pela 1a Turma da DRJ do Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo administrativo acerca de Autos de Infração (fls. 194/243), lavrados para formalização e exigência de créditos tributários de IRPJ, no valor primitivo de R$ 557.499,51, de PIS, no valor de R$ 157.489,39, de CSLL, no valor de R$ 261.674,78, e de COFINS, no valor de R$ 726.874,37, acrescidos de multa de 225% e de juros de mora, sendo que o crédito tributário total, originariamente, monta a R$ 6.591.029,48. De acordo com a Fiscalização houve arbitramento do lucro tendo em vista que o interessado, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, deixou de apresentá-los. O arbitramento foi efetuado com base nos depósitos bancários, cujos documentos hábeis e idôneos para a comprovação da sua origem não foram apresentados, como descrito no Termo de Verificação Fiscal. No mesmo Termo de Verificação Fiscal, apontou-se que "pelo mesmo motivo que gerou arbitramento do lucro — falta de apresentação de quaisquer documentos ou esclarecimentos, foi agravada a multa aplicada em 50%". Acrescentando-se que a omissão de receitas se deu de forma intencional, por serem expressivos os valores flagrados como receitas, omitidos via não apresentação de declarações, inclusive Fl. 5950DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 porque foi 'providenciada a baixa da empresa filial na RFB (em 11/03/2004 — fl. 20), o que resultou na qualificação da multa e na Representação Fiscal para Fins Penais. Registrou-se que "o sócio administrador da empresa era o sócio ROBSON JOSÉ ALVES DE AZEVEDO (fls. 155), que também era o responsável pela gestão financeira da empresa, fato constatado uma vez que todos os cheques emitidos e de titularidade da empresa filial, das contas correntes mantidas no BRADESCO e na CAIXA ECONÔMICA, foram por ele assinados (fl. 150 e docs. do Anexo I)", mencionando-se que as alterações societárias que davam notícia de substituição de sócios não foram comprovadas e que as tentativas de encontrar os sócios apontados como novos sócios foram inúteis. O enquadramento legal se encontra nos Autos de Infração. A pessoa jurídica foi intimada por Edital (fl. 244) e não apresentou impugnação. O sócio solidarizado, ROBSON JOSÉ ALVES DE AZEVEDO, cientificado em 14/12/2010 (fl. 245), apresentou, em 13/01/2011, a impugnação de fls. 255/274. Em sua defesa, alega, em síntese, que houve erro na identificação do sujeito passivo e que foi arrolado como responsável pelo crédito tributário de empresa com a qual não mantém vínculo (a não ser como ex-sócio, conforme comprova com a juntada de Alterações Contratuais registradas na JUCERJA). Afirmou ter-se operado a decadência e que houve cobrança em duplicidade, pela não consideração de diversos estornos, conforme planilha, aduzindo que o agravamento da multa seria injustificado, porque prestou as declarações que lhe foram solicitadas, da mesma maneira, restou injustificada a qualificação. A 1a Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, nos termos do acórdão e voto de folhas 381 em diante, julgou o lançamento parcialmente procedente, registrando não ter havido qualquer pecha capaz de inquinar de nulidade o lançamento, afastando a decadência na medida em que não se identificaria na espécie antecipação de pagamento, situação que deslocaria a contagem do prazo para a regra geral do artigo 173 do CTN, que aplicado ao caso, considerando lançamento relativo ao ano- calendário 2005, cuja ciência do Auto de Infração ocorreu em 14/12/2010 (fl. 245), afastava-se a decadência. Consignou-se na sequência, que a fiscalização arbitrou o lucro tendo em vista a falta de apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais, situação que não fora elidida e que justifica o arbitramento do lucro (art. 530, III, do RIR/999). Diante disso, assentou-se que o arbitramento foi efetuado com base nos depósitos bancários, cujos documentos hábeis e idôneos para a comprovação da sua origem não foram apresentados e que a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seu art. 42, a existência dos depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita, sendo que diante de presunção legal, ocorre inversão do ônus da prova e com isso, atenuou-se a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa, apenas, demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo. Concluiu-se, deste modo, ser legítima a autuação quando não comprovada a origem dos depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ressalvando, no entanto, assistir razão ao impugnante quando alega que houve exigência indevida, pela não consideração dos cheques devolvidos, conforme planilha (fls. 291/360). Fl. 5951DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Sendo assim, de acordo com a decisão recorrida, os valores correspondentes à devolução dos cheques ou operação irregular (ex. envelope vazio), discriminados na planilha de fls. 291/360, preparada pelo impugnante, devem ser deduzidos do montante dos depósitos de origem não comprovada, pois não corresponderam a um efetivo recebimento de recursos, reputando que o lançamento de IRPJ seria procedente em parte, aplicando-se aos lançamentos conexos o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula, quando não há matéria especifica a ensejar conclusão diversa. Por fim, assinalou-se que no Termo de Verificação Fiscal a fiscalização aponta que a omissão de receitas se deu de forma intencional, por serem expressivos os valores flagrados como receitas, omitidos via não apresentação de declarações, inclusive porque foi providenciada a baixa da empresa filial na RFB (em 11/03/2004 — fl. 20), o que resultou na qualificação da multa e na Representação Fiscal para Fins Penais e que as assertivas da fiscalização foram demonstradas com os elementos de prova juntados aos Autos e considerando que o recorrente não trouxe nada aos autos, deveria ser mantida a multa de 150%. Quanto ao agravamento da multa aplicada, segundo a decisão recorrida, no Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização aponta que "pelo mesmo motivo que gerou arbitramento do lucro — falta de apresentação de quaisquer documentos ou esclarecimentos, foi agravada a multa aplicada em 50%", porém, não se poderia agravar a penalidade com base, justamente, no fundamento do arbitramento/lançamento, reduzindo o patamar da penalidade. Por fim, manteve-se a responsabilização do recorrente. Diversas foram as tentativas de intimação da contribuinte e dos demais sócios, culminando com o Edital de folha 422. O sócio Robson José Alves de Azevedo obteve ciência dos autos por intermédio de sua procuradora (fl. 419), em 23 de agosto de 2011 e protocolou Recurso Voluntário em 23 de setembro de 2011 (fls. 423 - 440). Em sua peça recursal alega a nulidade do acórdão recorrido, porquanto o teria mantido no polo passivo da exigência fiscal. Alegou a nulidade dos editais, o que inquinaria de nulidade o atuo de infração, tornou a insistir na decadência afirmando tratar-se de lançamento sujeito ao lançamento por homologação, cujo cômputo, portanto, se dá pela regra do artigo 150, § 4° do CTN. No mérito do seu recurso defendeu a impossibilidade de sua responsabilização, do arbitramento e da multa qualificada. Em sessão de julgamento de 07 de Agosto de 2013, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Camara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho decidiu por sobrestar o processo tendo em vista que diante do fato de a contribuinte não haver atendido às intimações, realizadas por fim via Edital, e assim não lhe fornecer os extratos bancários, valeu-se do expediente de apresentar as denominadas “requisições de movimentação financeira” diretamente aos Bancos (vide volume I – RMF e respostas dos Bancos). Constatado que a Fiscalização obteve ao menos parte das informações mediante expedição direta de requisição aos bancos, sem ordem judicial, e estando a matéria pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, cujo representativo Fl. 5952DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 da controvérsia é o RE 601314, tal como indicado no acompanhamento da listagem de Repercussão Geral obtido no site do STF, item 225 da Tabela indicativa, disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeral/anexo/Tabela_ RG__grupos_tematicos.pdf Sendo assim, presente a regra contida nos §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, impõe-se, de ofício, sobrestar-se o feito até que sobrevenha decisão definitiva no Leadin Case, de forma a pacificar o entendimento prestigiando-se o entendimento da Corte Suprema e evitando-se discussões desnecessárias. É o relatório. Fl. 5953DF CARF MF Documento nato-digital http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeral/anexo/Tabela_RG__grupos_tematicos.pdf http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeral/anexo/Tabela_RG__grupos_tematicos.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Voto Conselheira Bianca Felicia Rothschild, Relatora. Recurso de Ofício Inicialmente, analisando os requisitos de admissibilidade do Recurso de Ofício, constata-se que tal apelo foi tirado de v. Acórdão que exonerou débito tributário (considerando, aqui, principal e multas) em monta inferior ao atual valor de alçada que propiciaria seu manejo e consequente conhecimento por este E. CARF. Posto isso, tal montante (o valor total lançado é de R$ 1.475.998,33) está abaixo do mínimo de R$ 2.500.000,00 fixados pela Portaria MF n° 63/2017, acarretando no seu não conhecimento, considerando-se definitivamente exonerado tal crédito fiscal, nos precisos termos e limites da r. decisão da DRJ a quo. Tais circunstâncias e ocorrência também atraem a incidência da Súmula CARFn° 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Como se extrai de tal entendimento sumular plenamente vigente deste E. Conselho, ainda que quando da prolatação do v. Acórdão recorrido a monta do débito cancelado enquadrava-se na hipótese de Recurso de Ofício, o derradeiro momento da verificação do limite do valor de alçada é na apreciação do feito pelo Julgador de 2a Instância administrativa. In casu, como mencionado, tal evento ocorre após a vigência Portaria MF n° 63/2017, não havendo mais justificativa e motivação para o conhecimento recursal. Conclusão Desta forma, voto por NÃO CONHECER do Recurso de Ofício, nos termos da Súmula CARF n° 103. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 5954DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e, uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Cuida-se de Recurso Voluntário interposto pelo Sócio solidarizado da contribuinte (Robson José Alves de Azevedo) e de Recurso de Ofício contra decisão da DRJ/RJ. Trata-se de Autos de Infração de IRPJ, CSLL e Pis/Cofins acrescidos de multa de 225% e de juros de mora. De acordo com a Fiscalização houve arbitramento do lucro com base no valor dos depósitos bancários, tendo em vista que o interessado, notificado a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, deixou de apresentá-los. Pelo mesmo motivo que gerou arbitramento do lucro — falta de apresentação de quaisquer documentos ou esclarecimentos - foi agravada a multa aplicada em 50%. Acreditando- se que a omissão de receitas se deu de forma intencional, houve qualificação da multa (150%). Registrou-se que o sócio administrador da empresa era o sócio Robson José Alves de Azevedo o gestor financeiro da empresa, posto que muitos dos cheques emitidos e de titularidade da empresa filial foram por ele assinados. Intimada por Edital (fl. 244), a pessoa jurídica não apresentou impugnação. A decisão de primeira instancia julgou a impugnação parcialmente favorável ao contribuinte para reconhecer a exclusão da base de calculo dos cheques devolvidos ou operação irregular (ex. envelope vazio). E, ainda, para excluir a multa agravada (não se poderia agravar a penalidade com base no mesmo fundamento do arbitramento/lançamento). Por fim, manteve-se a responsabilização do recorrente. Feito este brevíssimo resumo dos fatos, seguimos a analise dos argumentos trazidos pelo Sr. Robson José Alves de Azevedo em seu Recurso Volutário. Preliminares Nulidade do Acórdão Preliminarmente, o Recorrente alega a nulidade do Acórdão, haja vista entender que o mesmo não teria analisado a existência da responsabilidade tributária atribuída ao Recorrente, se limitando apenas em mantê-la, sob a alegação de que à DRJ cabe, apenas, julgar o lançamento que constitui o crédito tributário. Defende o Recorrente que o Órgão Julgador de primeira instância, ao se declinar de apreciar as razões de defesa apresentadas na impugnação afasta a constituição da relação jurídica entre o Estado e o Responsável Tributário. Alega que o Órgão Julgador de primeira instância produziu decisão viciada no aspecto formal e material. A autoridade julgadora, portanto, teria privado o contribuinte da análise de todos os pontos por ele suscitados. Entendo que neste ponto carece de razão o Recorrente. Fl. 5955DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Houve por parte da decisão de primeira instancia manifestação acerca da motivação da manutenção da responsabilidade tributaria do Sr. Robson, vejamos o trecho correspondente da decisão recorrida (e-fl. 781): Não houve erro na identificação do sujeito passivo. As receitas omitidas foram resultado de atividades comerciais praticadas por pessoa jurídica, sendo, então, o crédito tributário constituído em nome desta. No entanto, tendo a fiscalização verificado que "o sócio administrador da empresa era o sócio ROBSON JOSÉ ALVES DE AZEVEDO (fls. 155), que também era o responsável pela gestão financeira da empresa, fato constatado uma vez que todos os cheques emitidos e de titularidade da empresa filial, das contas correntes mantidas no BRADESCO e na CAIXA ECONÔMICA, foram por ele assinados (fl. 150 e does. do Anexo I)", este foi apontado como responsável tributário pela empresa (item VII do Termo de Verificação Fiscal). A fiscalização informa, ainda, que as alterações societárias que davam notícia de substituição de sócios não foram comprovadas e que as tentativas de encontrar os sócios apontados como novos sócios foram inúteis. Na impugnação não foi juntado aos Autos qualquer elemento probante que demonstrasse a inexistência dos fatos relatados no Termo de Verificação Fiscal, fatos estes suficientes para justificar a imputação de responsabilidade tributária. A juntada de Alterações Contratuais registradas na JUCERJA comprova a substituição formal de sócios, mas não comprova ter havido efetivamente a substituição de sócios (mesmo que os ditos novos sócios tivessem sido localizados), posto que restou demonstrado que ROBSON JOSÉ ALVES DE AZEVEDO era o responsável pela gestão financeira da empresa, uma vez que os cheques emitidos e de titularidade da empresa filial foram por ele assinados (conforme fichas cadastrais da CEF (fl. 150) e do Bradesco (fl. 6 do Anexo I) e cópias dos cheques juntadas no Anexo I). Assim, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada a ROBSON JOSÉ ALVES DE AZEVEDO. Ademais, à DRJ cabe, apenas, julgar o lançamento que constituiu o crédito tributário. Este entendimento se encontra de acordo com o PARECER/PGFN/CRJ/CAT/N° 55/2009 (conclusão, item t: "t) O administrador- infrator responsável é terceiro interessado no processo administrativo fiscal que discute somente a constituição do crédito tributário, possuindo, assim, legitimidade para impugnar e produzir provas; sua participação nesse processo, porém, não é indispensável;"). Pela transcrição do trecho acima, nota-se que houve claro posicionamento por parte da autoridade de primeira instancia, confirmando seu entendimento em linha do que foi apurado pela fiscalização. Neste sentido, voto no sentido de não reconhecer qualquer nulidade no acordão recorrido. Arbitramento Como visto no Relatório, a fiscalização arbitrou o lucro tendo em vista a falta de apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais. Fl. 5956DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Alega o Recorrente que a empresa nunca foi intimada para comprovar a origem de tais depósitos. O Edital para tanto contém vícios que o torna nulo. O Termo de Intimação, que se pretende dar ciência pelo Edital n° 52/2010, foi lavrado em 26/11/2010 quando o Edital n° 52/2010 é datado de 19/11/2010 e afixado na mesma data. Logo, conclui que a empresa não teve oportunidade para comprovar a origem dos depósitos bancários que por presunção foram considerados receitas omitidas e serviram de base para o arbitramento e tributação. Entendo que não obstante qualquer avaliação de cerceamento de defesa, poderia a empresa ou o Recorrente ter trazido aos autos comprovação da origem dos depósitos bancários em momento posterior à autuação. Uma vez que não houve apresentação de livros e documentos contábeis/fiscais, há justificativa do arbitramento do lucro (art. 530, III, do RIR/1999). Deve, então, ser mantido, o arbitramento. Qualificação da Multa Em relação a qualificação da multa, a fiscalização entendeu que a omissão de receitas se deu de forma intencional, posto que os valores eram expressivos e não houve apresentação das declarações fiscais, inclusive porque foi providenciada baixa da filiar na RFB. Entendo que a motivação acima mencionada não basta para fins de qualificação da multa posto que não expressa intuito de fraude pelo contribuinte. Ademais, não sendo a conta bancária mantida em nome de terceiros nem de "laranjas", mas, sim, em nome da empresa, pelo que a qualificação da multa deve ser afastada. A literalidade das Súmulas 14 e 34 mostram o cenário: Súmula CARF n° 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF n° 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Claro que o montante da omissão foi mantido à margem da tributação. Não há dúvidas. Porém, foi exatamente estr fato que levou ao arbitramento e aos lançamentos de ofício, o que não significa que a multa de ofício deva ser qualificada, mais não fosse, pelo conteúdo das Súmulas vinculantes, antes reproduzidas. Deve, então, ser afastada a qualificação da multa. Neste mesmo sentido, entendo que deve ser afastada a responsabilização do sócio, posto que não houve necessária demonstração dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. Desta forma, deve ser afastada a responsabilidade tributária do Sr. Robson José Alves de Azevedo. Decadência Fl. 5957DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Uma vez afastado o intuito de fraude (desqualificação da multa de ofício), passa- se a analise da preliminar de decadência, posto que tal questão influencia diretamente na avaliação na regra de decadência aplicável (Art. 173, I x Art.150 p. 4º do CTN). Argumenta o Recorrente que o r. Acórdão direciona o dies a quo para a regra contida no artigo 173, I do CTN, justificado, segundo ele, pela constatação de fraude e por não ter observado pagamento antecipado. Entende que as alegações de decadência apresentadas não merecem ser rejeitadas, por não estar devidamente comprovada a aludida fraude e porque tratando-se de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, mesmo que não tenha havido pagamento, aplica-se o artigo 150,§ 4o, do CTN. Entendo que carece de razão a Recorrente. Uma vez que o próprio Recorrente admite que não houve pagamento antecipado, torna-se forçosa a aplicação da regra geral de decadência do Art. 173, I do CTN, posto que o imposto de renda, neste caso, perde sua natureza de tributo com lançamento realizado por homologação. Quebra de sigilo bancário Apesar de argumentos de defesa não terem sido levantados em relação à quebra de sigilo bancário do sujeito passivo, importante mencionar meu posicionamento, tendo em vista que o presente processo foi sobrestado por decisão deste Colegiado. Neste sentido, vale citar que no julgamento do Recurso Extraordinário n.° 601.314, o Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento definitivo, com repercussão geral (Tema 225), firmou os entendimentos, a saber: TEMA 225, a) Fornecimento de informações sobre movimentações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, nos termos do art. 6.° da Lei Complementar n.° 105/2001; TESE - TEMA 225, a) O art. 6.° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. TEMA 225, b) Aplicação retroativa da Lei n.° 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência; TESE - TEMA 225, b) A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1.°, do CTN. Na ementa do referido Recurso Extraordinário n.° 601.314, da lavra do Supremo Tribunal Federal (STF), já definitivamente julgado, tem-se a seguinte diretriz: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6.° DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter Fl. 5958DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entende-se que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verifica-se que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observando-se um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplica-se, portanto, o artigo 144, § 1.°, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item "a" do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: "O art. 6.°da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal". 7. Fixação de tese em relação ao item "b" do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: "A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1°, do CTN". 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (RE 601.314, Relator Min. EDSON FACHIN, Tribunal Pleno, julgado em 24/02/2016, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-198 DIVULG 15-09-2016 PUBLIC 16-09-2016) Neste diapasão, tenho a consignar que a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) adveio do fato de ter deixado o contribuinte de apresentar os documentos bancários solicitados pela fiscalização, descumprindo o dever de prestar os esclarecimentos e as informações exigidas, em desrespeito ao disposto nos arts. 927 e 928 do RIR/99, vigente à época, in verbis: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos Auditores- Fiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n.° 2.354, de 1954, art. 7.°). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximir-se de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal (Decreto-Lei n.° 5.844, de 1943, art. 123, Decreto-Lei n.° 1.718, de 27 de novembro de 1979, art. 2.°, e Lein.°5.172, de 1966, art. 197). Fl. 5959DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1301-004.425 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 15521.000217/2010-98 Apenas diante da não apresentação dos dados solicitados, foi emitida a RMF direcionada a instituição financeira, estando a fiscalização amparada no procedimento do art. 6.° da Lei Complementar n.° 105/2001 e art. 3.° do Decreto n.° 3.724, de 2001. Veja-se que ao solicitar às instituições financeiras os extratos bancários do contribuinte, a autoridade administrativa utiliza os meios e instrumentos de fiscalização colocados à sua disposição pelo ordenamento jurídico para que a ação fiscal possa ter eficácia. Deste modo, não se pode entender como nulo o procedimento que observa as diretrizes legais. A Constituição Federal, em seu art. 145, § 1.°, confere poderes ao Fisco para identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e atividades econômicas do contribuinte. Acrescente-se que o art. 197, inciso II, do Código Tributário Nacional, prescreve que, mediante intimação, as instituições financeiras são obrigadas a prestar à autoridade administrativa tributária todas as informações de que disponham com relação a bens, negócios ou atividades de terceiros. De mais a mais, o sigilo bancário é preservado dentro do processo administrativo fiscal, somando-se ao sigilo fiscal. Aliás, o Decreto n.° 3.724, de 2001, que regulamentou o art. 6.° da Lei Complementar 105, de 2001, estabelece em seus artigos 8.°, 9.° e 10, parágrafo único, a obrigatoriedade de preservação do sigilo fiscal por parte dos servidores e as penalidades pelo seu descumprimento. Conclusão Desta forma, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL para, rejeitar as preliminares de nulidade e decadência, mas excluir a qualificação da multa de ofício e excluir a responsabilidade tributária do sócio, mantendo-se o lançamento arbitrado com base no valor dos depósitos bancários omitidos. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild. Fl. 5960DF CARF MF Documento nato-digital

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8192201 #
Numero do processo: 10183.001640/98-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue Apr 07 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA. POSSIBILIDADE. DATA INICIAL. No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, constatada a oposição ilegítima de seu aproveitamento, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias do protocolo do pedido.
Numero da decisão: 9303-010.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL

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RESSARCIMENTO. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA. POSSIBILIDADE. DATA INICIAL. No caso de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, constatada a oposição ilegítima de seu aproveitamento, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias do protocolo do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 16 40 /9 8- 31 Fl. 728DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-010.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10183.001640/98-31 Relatório Trata-se de recurso especial de divergência, interposto pelo contribuinte, em face do acórdão nº 3201-004.393, de 25/10/2018, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. POSSIBILIDADE. STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. RESP Nº 993.164/MG. O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado inclusive em relação às aquisições efetuadas de pessoas físicas e cooperativas. Recurso Especial nº 993.164/MG, submetido ao regime do artigo 543C. CORREÇÃO TAXA SELIC. RESSARCIMENTO DE IPI. TERMO INICIAL. Os ressarcimentos de IPI devem sofrer atualização pela taxa Selic quando haja oposição ilegítima do Fisco ao pedido. O Termo inicial da atualização é o 361º dia do protocolo do pedido, marco da oposição ilegítima do Fisco, cf. art. 24 da Lei 11.457/2007, quando não haja, anteriormente, manifestação da administração contrária à pretensão legítima do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte A insurgência do contribuinte refere-se unicamente ao marco inicial da atualização, pela taxa Selic, do ressarcimento de IPI. Enquanto o acórdão recorrido reconheceu que o prazo inicial para a aplicação da taxa Selic é contado a partir do 361º dia do protocolo do pedido, os acórdãos paradigmas reconheceram que essa contagem dá-se desde o protocolo do pedido. O recurso especial foi admitido por despacho aprovado pelo presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Em contrarrazões, a Fazenda Nacional pede o improvimento do recurso. É o relatório. Fl. 729DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-010.282 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10183.001640/98-31 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal – Relator. O recurso especial do contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos formais e materiais ao seu conhecimento. A matéria admitida no âmbito do recurso especial do contribuinte refere-se à aplicação da taxa Selic no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. Os acórdãos paradigmas reconheceram sua aplicação desde a data do protocolo do pedido. O recorrente pede a aplicação do entendimento neles esposados, uma vez que o acórdão recorrido reconheceu o marco inicial como sendo o 361º dia do protocolo. Esta matéria já está pacificada nos julgamentos do CARF com a edição da Súmula CARF nº 154, abaixo transcrita: Súmula CARF 154 Constatada a oposição ilegítima ao ressarcimento de crédito presumido do IPI, a correção monetária, pela taxa Selic, deve ser contada a partir do encerramento do prazo de 360 dias para a análise do pedido do contribuinte, conforme o art. 24 da Lei nº 11.457/07. Como se vê, o acórdão recorrido não merece reparos, pois aplicou o mesmo marco inicial da súmula acima transcrita. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (documento assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 730DF CARF MF Documento nato-digital

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8232104 #
Numero do processo: 10580.905933/2008-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Sep 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) transmitido, homologa-se a compensação do débito fiscal nele declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3301-001.110
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais

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Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/12/2004  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO  Provada  a  certeza  e  liquidez  do  crédito  financeiro  declarado  no  Pedido  de  Restituição/Declaração  de  Compensação  (Per/Dcomp)  transmitido,  homologa­se a compensação do débito fiscal nele declarado.  RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento  ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.  (Assinado Digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente  (Assinado Digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de  Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa  Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas.  Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  Salvador  que  julgou  improcedente  a manifestação  de  inconformidade  interposta  contra  despacho decisório     Fl. 119DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21 /09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS     2 que  não  homologou  a  compensação  de  débito  de  Cofins,  vencido  na  data  de  15/12/2004,  declarado  no  Pedido  de  Restituição/Declaração  de Compensação  (Per/Dcomp)  às  fls.  27/32,  com crédito  financeiro decorrente de pagamento a maior dessa mesma contribuição referente  ao mês de setembro de 2003, recolhida em 15/10/2003.  A  DRF  não  homologou  a  compensação  do  débito  fiscal  declarado  sob  o  fundamento  de  que  o  crédito  financeiro  declarado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débitos declarados em outros dois Per/Dcomps, conforme despacho decisório às fls. 25.  Cientificada  dessa  decisão,  inconformada,  a  recorrente  apresentou  manifestação de inconformidade (fls. 02/05), insistindo na homologação, alegando, em síntese,  equívocos  no  preenchimento  dos  Per/Dcomps  vinculados  ao  crédito  financeiro  utilizado  nas  compensações.  Se  comparado  o  crédito  financeiro,  devidamente  acrescido  dos  juros  compensatórios,  com  os  débitos  declarados  em  cada  um  dos  três  Per/Dcomps,  verifica­se  a  suficiência dele para compensar os três débitos neles informados.  Analisada  a  manifestação  de  inconformidade,  aquela  DRJ  julgou­a  improcedente, mantendo a não­homologação da  compensação do débito declarado, conforme  Acórdão nº 15­23.838, datado de 19/05/2010, às fls. 88/91, sob as seguintes ementas:  “DCTF  RETIFICADORA  POSTERIOR  À  CIÊNCIA  DE  DESPACHO DECISÓRIO. NÃO ADMISSÃO.  Não  cabe  reparo  o  despacho  decisório  que  não  homologou  a  compensação  declarada  pelo  contribuinte  por  inexistência  de  direito  creditório,  tendo  em  vista  que  o  recolhimento  alegado  como  origem  do  crédito  estava  integralmente  alocado  para  a  quitação de débito confessado.  COMPENSAÇÃO.  O  crédito  usado  em  compensação  tem  que  estar  disponível  na  data da transmissão do PERDCOMP.”  Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (94/100),  requerendo  a  sua  reforma  a  fim  de  que  se  homologue  a  compensação  do  débito  fiscal  declarado,  alegando,  em  síntese,  que  o  crédito  financeiro  de  R$15.543,21  decorrente  de  recolhimento  efetuado  na  data  de  15/10/2003,  ao  contrário  do  decidido  pela  autoridade  administrativa competente, é suficiente para compensar os débitos de Cofins, objeto de outros  dois  Per/Dcomps  cujas  compensações  já  foram  homologadas,  bem  como  o  débito  discutido  neste Per/Dcomp.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Adão Vitorino de Morais  O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no  Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  Conforme  consta  do  despacho  decisório  às  fls.  25,  a  DRF  Salvador  reconheceu  o  direito  de  a  recorrente  repetir/compensar  o  crédito  financeiro  declarado  no  Per/Dcomp em discussão. Contudo, não homologou a compensação do débito fiscal declarado  Fl. 120DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21 /09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.905933/2008­21  Acórdão n.º 3301­01.110  S3­C3T1  Fl. 120          3 sob o fundamento de que o crédito financeiro declarado, no valor original de R$15.543,21, foi  integralmente  utilizado  nas  compensações  dos  débitos  fiscais,  objetos  de  outros  dois  Per/Dcomps, ou seja, nº 28671.81193.1.3.04­3846, débito de Cofins, no valor de R$10.048,00,  e nº 16550.02933.061104.1.3.04­5063, débito de Cofins, no valor de R$5.495,21,  totalizando  os R$15.543,21.  No entanto, ao contrário do entendimento daquela DRF, os valores originais  utilizados naqueles Per/Dcomps foram: a) nº 28671.81193.1.3.04­3846 (fls. 41/46): a.1) crédito  (original)  declarado: R$15.543,21;  a.2) crédito  (original)  utilizado: R$10.047,99;  a.3) crédito  atualizado: R$11.546,15; a.4) débito declarado e compensado: R$11.546,00; a.5) saldo credor  (original)  R$5.495,22;  e.  b)  nº  16550.02933.061104.1.3.04­5063  (fls.  34/39):  b.1)  crédito  (original)  declarado:  R$5.495,22;  b.2)  crédito  (original)  utilizado:  R$2.696,31  b.3)  crédito  atualizado: R$6.381,05; b.4) débito declarado e compensado: R$3.130,95; e, b.5) saldo credor:  R$2.798,91. Somando­se as duas parcelas dos créditos (originais) utilizados nas compensações  declaradas  em  ambos  os  Per/Dcomps  (10.047,99+2.696,31),  apura­se  um  total  de  R$12.7744,30  que  deduzido  do  valor  do  crédito  original  de  R$15.543,21,  resulta  no  saldo  credor de R$2.798,91, objeto do Per/Dcomp em discussão.  Portanto,  aquele  valor  constitui  indébito  tributário  passível  de  repetição/compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomp.  A  compensação  de  débitos  fiscais,  mediante  a  transmissão  de  Per/Dcomp,  segundo o  art.  74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996,  está  condicionada  à  certeza e  liquidez do  crédito financeiro declarado.  No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a  certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Per/Dcomp em discussão.  Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento  ao recurso voluntário para reconhecer a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, no  Per/Dcomp em discussão, no valor original de R$2.798,91 (dois mil setecentos e noventa e oito  reais e noventa e um centavos), cabendo à autoridade administrativa competente homologar a  compensação do débito declarado.  (Assinado Digitalmente)  José Adão Vitorino de Morais ­ Relator                              Fl. 121DF CARF MF Emitido em 17/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 21 /09/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS

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Numero do processo: 10935.001271/2011-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDÚSTRIA. CONTRATOS DE PARCERIA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO. A simples engorda de animais, que consiste em serviço prestado por pessoa física a pessoa jurídica, não concede o direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial, uma vez que não se constitui em aquisição de bens, conforme exigido pela legislação, mas, sim, em prestação de serviço.
Numero da decisão: 9303-008.077
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Nome do relator: Rodrigo da Costa Pôssas

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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0520.15025.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001271/2011­56  Acórdão n.º 9303­008.077  CSRF­T3  Fl. 3          2  Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007  CRÉDITO  PRESUMIDO.  CONTRATOS  DE  PARCERIA.  PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO CABE DIREITO.  Não há direito à apuração do crédito presumido previsto no art. 8º da  Lei 10.925, de 2004, que somente pode ser apurado sobre a aquisição  de bens, mas não de serviços.  Se o criador não tem o direito de usar, gozar, dispor da coisa; posto  que não pode comercializar os animais que cria, mas apenas devolvê­ los  a  quem  lhe  entregou;  inclusive  a  sua,  assim  chamada,  quota­ parte; por força do contrato de parceria; não são há que se falar em  aquisição de bens por parte da agroindústria; mas sim em prestação  de serviço; não sendo portanto cabendo portanto crédito presumido a  agroindústria. E mais,  não  se pode diferenciar a atividade  exercida  pelo  criador  com  relação  a  sua  quota­parte  dos  demais  animais,  como dizer que com relação a um animal produz e aos outros presta  serviço.  ...  Recurso Voluntário Negado  Entende  a  recorrente,  em  síntese,  que  o  entendimento  prevalente  é  o  do  aresto paradigma (3403­002.413), no sentido de que deva ser reconhecido que nos contratos  de  integração  agrícola  a  aquisição  da  quota­parte  do  produtor  rural  pela  empresa  agroindustrial,  se  qualifica  como  aquisição  de  bens  de  pessoas  físicas  utilizados  como  insumos  na  produção  de  bens  destinados  a  alimentação  humana,  com  direito,  portanto,  ao  crédito presumido das contribuições da Cofins e do PIS. Alega que a operação realizada tem  natureza de produção de bens da quota­parte do produtor  rural nos contratos de parceria, e  não de prestação de serviços, entendimento vazado no recorrido.  Acresce  que  "nos  contratos  de  parceria  avícola/suinícola  o  objeto  do  contrato é a criação de frangos/suínos para o abate. A agroindústria (parceira­outorgante) se  obriga ao fornecimento de pintos e suínos para cria, recria, medicamentos, ração, assistência  técnica  e  transporte,  e  o  produtor  rural  (parceiro­outorgado)  se  obriga  ao  alojamento  em  estrutura própria (aviário) e ao desenvolvimento desses animais até chegarem ao ponto ideal  de  abate,  arcando  com  as  despesas  trabalhistas  e  previdenciárias  da  contratação  de  funcionários, energia elétrica, manutenção, etc.".  Em  resumo,  entende  que  nos  contratos  de  parceria  avícola/suinícola  a  natureza  jurídica  da  quota­parte  do  produtor  rural  é  a  produção  de  bens  próprios  e  não  a  prestação de serviços, que não é uma operação dissociada, o que, em consequência, lhe daria  direito ao crédito presumido a que alude o art. 8º da Lei 10.925/2004, na aquisição da quota­ parte dos produtores nos contratos de parceria rural.  Em  contrarrazões,  a  Fazenda  Nacional  alega  que  o  referido  crédito  presumido só pode ser apurado sobre a aquisição de bens, e que aquisição dos pintos/filhotes  trata­se de pagamento por prestação de serviço e não por aquisição de bens, como exige a lei.  Alfim, postula que seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte.  É o relatório.  Fl. 2428DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0520.15025.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10935.001271/2011­56  Acórdão n.º 9303­008.077  CSRF­T3  Fl. 4          3  Voto             Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão 9303­008.069, de  20/02/2019, proferido no julgamento do processo 10935.000742/2011­17, paradigma ao qual o  presente processo foi vinculado.  Transcreve­se  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303­008.069):  "Conheço do recurso nos termos em que processado.  A  quaestio  posta  ao  nosso  conhecimento  cinge­se  a  definirmos  se  a  entrega  dos  animais no sistema de integração entre a recorrente e os produtores rurais caracteriza­se como  aquisição  de  bens,  ou,  como  em  todas  decisões  nestes  autos,  trata­se,  em  verdade,  de  prestação de serviço caracterizada pela contratação de produtores rurais pessoas físicas  para promoverem o serviço de engorda de frangos e suínos, o que não lhe daria direito ao  crédito presumido a que se refere o caput do art. 8º da Lei 10.925/2004 (com a redação dada  pela  Lei  11.051/2004),  já  que  o  mesmo  somente  pode  ser  calculado  sobre  o  valor  de  bens  adquiridos e não sobre serviços.  A recorrente é cooperativa de produção agropecuária atuando em vasto seguimento  agroindustrial, comercial e prestação de serviços a seus cooperados, passando pela criação de  aves  e  suínos  em  sistema  integrado,  abatedouros  e  processamento  das  carnes  derivadas,  aquisição, beneficiamento e comercialização de cereais, fabricação de rações (utilizando como  base os cereais adquiridos de seus associados e outros resíduos do beneficiamento de grãos),  exportação,  comercialização  de  insumos  agrícolas,  produtos  veterinários,  armazenagens,  prestação  de  serviços  fitossanitários  e  transportes,  que  são  alguns  exemplos  dentre  as  atividades  mantidas  pela  entidade,  traduzindo  o  objetivo  social  constante  de  seus  atos  constitutivos, descrito como:   “A prestação  de  serviços  a  seus  cooperados  para  promover,  no  interesse  comum,  com  base  na  colaboração  mutua  a  que  eles  se  obrigam,  o  seu  desenvolvimento  sócio­ econômico, de proveito comum, dentre as atividades econômicas florestal, agrícola, avícola,  pecuária, comercial e industrial, e a prestação de serviços de transporte de cargas em geral,  na mais ampla e abrangente forma de administração, assistência técnica e comercio, visando  atender as suas necessidades e as de seus associados”.  O direito de apuração e apropriação do crédito presumido em análise está previsto  no art. 8º da Lei 10.925/2004:  “Art.  8º  As  pessoas  jurídicas,  inclusive  cooperativas,  que  produzam  mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos  2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e  nos  códigos  03.02,  03.03,  03.04,  03.05,  0504.00,  0701.90.00,  0702.00.00,  0706.10.00,  07.08,  0709.90,  07.10,  07.12  a  07.14,  exceto  os  códigos  0713.33.19,  0713.33.29  e  0713.33.99,  1701.11.00,  1701.99.00,  1702.90.00,  18.01,  18.03,  1804.00.00,  1805.00.00,  20.09,  2101.11.10  e  2209.00.00,  todos  da  NCM,  destinadas  à  alimentação  humana  ou  animal,  poderão  deduzir  da  Contribuição  para  o  Fl. 2429DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 10935.001271/2011­56  Acórdão n.º 9303­008.077  CSRF­T3  Fl. 5          4  PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito  presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do  caput  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637,  de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  adquiridos  de  pessoa  física  ou  recebidos  de  cooperado  pessoa  física.  (Redação  dada  pela  Lei  nº  11.051, de 2004) (Vigência) (Vide Lei nº 12.599, de 2012)  § 1º O disposto no caput deste artigo aplica­se  também às aquisições  efetuadas de:  I ...  II ...  III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de  produção agropecuária.” (grifamos)  Basicamente  as mercadorias  produzidas  pela  empresa,  e  destinadas  a  alimentação  humana  e  posteriormente  exportadas1,  e  que  geram  possibilidade  de  utilização  do  credito  presumido  em  condição  privilegiada,  ou  seja,  para  fins  de  ressarcimento,  são  carnes  (seus  cortes) e miudezas comestíveis de frangos, suínos e ainda óleo de soja.  Dentre  as  aquisições  com  apropriação  de  crédito  presumido  da  agroindústria,  vinculada à exportação, foram verificadas as informações prestadas pela recorrente nas fichas  e  linhas  próprias  de  apuração  dos  créditos  do  DACON  (Demonstrativo  de  Apuração  das  Contribuições Sociais), donde resultaram as glosas específicas e/ou inconsistências conforme  detalhamento constante dos demonstrativos de resumo mensal das glosas.  No  item  “Crédito  presumido de  origem animal”,  a  recorrente  aponta  créditos pela  entrada  de  frangos  e  suínos,  porém  a  auditoria  fiscal  entendeu  que  tais  operações  não  se  qualificam  como  compra  efetiva,  sendo  na  realidade  o  pagamento  pelos  serviços  prestados  (mão  de  obra)  de  seus  associados  na  criação  das  aves  e  animais.  Tal  conclusão  advém  da  logística  empregada  no  sistema  de  integração  ou  parceria  adotado  pela  cooperativa  e  respectivos  contratos  firmados  com  seus  associados,  conforme  algumas  cópias  exemplificativas juntadas às fls. 895/909 (para frangos) e fls. 910/921 (para suínos).  Nos contratos de parceria fica evidente que as aves e animais já são de propriedade  da  cooperativa,  apenas  sendo  remetidos  às  propriedades  rurais  dos  associados  para  a  contraprestação de serviços na sua criação e posterior devolução, devendo o parceiro, em  resumo,  seguir  rígido  sistema  de  manejo  pré  estabelecido,  adotar  na  alimentação  exclusivamente  a  ração  e  medicamentos  fornecidos  pela  contratante  e  ao  final  do  prazo  estabelecido,  devolver  o  lote  completo de  animais ou aves,  recebendo  como pagamento  por seus serviços o resultado de um índice que mede o êxito de seu trabalho (IEP – Índice  de Eficiência Produtiva). Para subsidiar tal conclusão, destacamos alguns fatos que traduzem  por si o entendimento de que não há compra de mercadoria, mas pagamento de prestação de  serviços:  1  ­  A  cooperativa  não  paga  diretamente  em  espécie  o  resultado  do  trabalho  do  associado medido pelo IEP, usa o artifício de entregar simbolicamente seu equivalente valor  em  produto  (aves/suínos),  mas,  com  uma  cláusula  de  fidelidade  nos  contratos,  obriga  o  parceiro  a  vender  exclusivamente  para  a  própria  cooperativa,  ou  seja,  faz  uma  operação  triangular para ocultar o pagamento a título de serviços prestados, substituindo pelo imediato  pagamento  de  uma  suposta  compra  de  produtos,  que,  documentalmente,  já  é  de  sua  propriedade;                                                              1 Classificadas nos códigos NCM 0207.14.00 e 02.10.99.00, dentro do Capítulo 2, carnes e miudezas comestíveis  das aves da posição 01.05; 0203.29.00 ­ Carnes congeladas de suínos, e 1507.10.00 óleo de soja degomado bruto.  Fl. 2430DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 10935.001271/2011­56  Acórdão n.º 9303­008.077  CSRF­T3  Fl. 6          5  2 ­ Sem entrar na seara tributária com o reflexo de tal procedimento equivocado, o  fato é que representa uma distorção da realidade, onde o parceiro é investido na qualidade de  proprietário das aves/suínos de forma virtual e apenas por alguns segundos,  tempo suficiente  para a emissão da nota fiscal de compra, instrumento que na prática retrata o pagamento por  seus serviços;  3  ­  Ao  término  da  criação,  o  transporte  integral  do  lote  de  aves/suínos,  da  propriedade rural até o frigorífico é realizado pela Coopavel, para garantir que não haja desvio  da  produção.  Somente  no  abate  o  parceiro/produtor  rural  tomará  conhecimento  do  valor  de  seus  serviços  prestados,  ocasião  em  que  para  recebê­lo  aceita  a  emissão  de  uma  nota  fiscal  simulando a venda de parte do lote, que não é seu, pois apenas detém a posse precária e não a  propriedade;   4 - Os contratos de parceria caracterizam o criador como fiel depositário das aves  ou suínos;   5 - Se os próprios contratos de parcerias definem que o criador receberá pelas suas  tarefas/trabalhos para cada lote que concluir a criação, um valor pecuniário, logo, considerando  não pertencer ao criador a propriedade dos animais e aves, ração e medicamentos utilizados no  trato,  é  impróprio  que  este  possa  vender  à  cooperativa  parte  do  lote  (que  não  é  seu),  para  mascarar  o  pagamento  dos  serviços  prestados,  dando­lhe  a  versão  de  “aquisição  de  mercadorias”;  Para  confirmação  desta  estratégia,  transcrevemos  a  seguir  alguns  trechos  básicos  constantes em seus contratos de parceria juntados ao processo:  ­ “A COOPAVEL fornecerá os seguintes insumos ao CRIADOR , para que este  viabilize  a  criação  de  frangos:  os  pintainhos  necessários,  os medicamentos,  a  ração,  assistência  técnica,  transporte  das  aves  da  propriedade  para  o  frigorífico” (Clausula segunda – Parceria avícola)  ­ “A retenção de frangos pelo CRIADOR em índice superior ao permitido (para  alimentação),  caracterizará  o  furto,  respondendo o mesmo  penal  e  civilmente  pelo ato praticado.” (grifamos Clausula segunda, § 2º)  ­ “O CRIADOR promoverá o desenvolvimento dos  frangos em aviários de sua  propriedade,  ...  ,  correndo as  suas  expensas as despesas com  ... mão de obra,  funcionários, trabalhistas e previdenciária.” (Clausula Terceira)  ­ “O CRIADOR é o único e exclusivo responsável pela apanha e carregamento  dos frangos nos caminhões da COOPAVEL ...” (Clausula Terceira, § 1º)  ­ “Os  frangos  serão criados até a  idade  de 35 a  60 dias,  contada a  partir do  recebimento pelo CRIADOR dos pintinhos, ...” (Clausula Quarta)  ­  “O  CRIADOR,  por  cada  lote  criado,  receberá  pecuniariamente  o  valor  apurado  através  da  aplicação  da  tabela  referente  ao  Índice  de  Eficiência  Produtiva – IEP,...” Grifamos (Clausula Quinta)  ­  “O  CRIADOR  por  este  instrumento  constitui­se  fiel  depositário  das  aves  postas em seu poder pela COOPAVEL, para que efetue a criação objeto deste  instrumento, ..., responderá pelas penas de depositário infiel, nos termos da lei,  especialmente  se  der  causa  ao  desaparecimento  de  frangos  ...”  Grifamos  (Clausula Décima Segunda)  ­  “O  CRIADOR  se  obriga  ainda  a  não  criar  na  propriedade  onde  está  construído  o  aviário  quaisquer  tipos  de  aves,  sejam  silvestres,  ornamentais,  domésticas,  ou  para  consumo  próprio”  (Clausula  Nona)  –  Também  Fl. 2431DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. 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Processo nº 10935.001271/2011­56  Acórdão n.º 9303­008.077  CSRF­T3  Fl. 7          6  comprovando por tal restrição que é impossível o parceiro possuir outras aves  de sua propriedade para vender à cooperativa.  Os contratos de parceria de suinocultura seguem a mesma rotina acima descrita, sob  mesmas condições contratuais.  Portanto,  caem  por  terra  as  alegações  de  que  a  autoridade  está  qualificando  as  operações como prestação de  serviços para efeito da apuração do crédito presumido e como  produção própria para efeito da incidência da contribuição para o Funrural (art. 168 da INRFB  nº 971, de 2009), uma vez que existe comprovação, inequívoca, de que os parceiros/criadores  prestam somente serviço de engorda de animais à cooperativa.  Em  consequência,  correta  a  interpretação  do  Fisco  que  se  trata,  in  casu,  da  contratação de produtores  rurais  (pessoas  físicas) para promoverem o  serviço de  engorda de  frangos  e  suínos,  o  que  não  se  subsume  à  previsão  legal  do  crédito  presumido  expressa  no  caput do art. 8º da Lei n.º 10.925, de 2004, com a redação pela Lei n.º 11.051, de 2004, já que  tal crédito somente pode ser calculado sobre o valor de bens e não de serviços.  Assim, sem reparos à r. decisão, a qual deve ser mantida.  CONCLUSÃO  Em  face  do  exposto,  conheço  do  recurso  especial  do  contribuinte  e  nego­lhe  provimento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado conheceu do Recurso  Especial do contribuinte e, no mérito, negou­lhe provimento.  (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas                              Fl. 2432DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0520.15025.WJRA. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VILMA SANTOS DA GRACA em 14/03/2019 11:06:00. Documento autenticado digitalmente por VILMA SANTOS DA GRACA em 14/03/2019. Documento assinado digitalmente por: RODRIGO DA COSTA POSSAS em 21/03/2019. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 16/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0520.15025.WJRA Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 131E0D7E98ED2C6594859CA512DFCC3CD9684121E92DDB7BD95A8E5975B16FEE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10935.001271/2011-56. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.

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