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Numero do processo: 11444.000045/2007-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2004
IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
Consideram-se adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sem esses requisitos, não há que se falar em suspensão do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-001.836
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora, que davam provimento parcial ao recurso. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente
(Assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ANTONIO FRANCISCO - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2004 IPI. VENDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Sem esses requisitos, não há que se falar em suspensão do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os conselheiros Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora, que davam provimento parcial ao recurso. Designado o conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente (Assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 00 45 /2 00 7- 66 Fl. 188DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes e Fábia Regina Freitas. Relatório Tratase de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI – lavrado em virtude de a fiscalização entender que não foram atendidos os pressupostos legais que permitiam a saída do produto com suspensão de imposto, posto que a Recorrente realizou a venda de mercadorias com o fim específico de exportação sem comprovar a realização de exportação. Por retratar a realidade dos fatos adoto o relatório de primeira instância administrativa, a saber: “Tratase de lançamento de oficio, fls. 04 a 07, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor total de R$ 13.136,06, incluídos multa de ofício e juros de mora, calculados até 30/03/2007. Consta da descrição dos fatos, fls. 05/06, que a contribuinte efetuou vendas a comerciais exportadoras com “SUSPENSÃO DO IPI” em desacordo com os dispositivos legais, ou seja, vendas amparadas por notas fiscais que não atendem o “fim específico de exportação”, pois as mercadorias foram remetidas para o endereço das comerciais exportadoras e outros locais não alfandegados. Cientificada da exigência fiscal em 23/04/2007, fl. 04, a autuada apresentou, em 23/05/2007, a impugnação de folhas 118 a 127, alegando em síntese que: por economia processual, requer a reunião deste processo ao de nº 11444.000046/200719 – COFINS, considerando que os fatos que deram ensejo à lavratura do auto de infração naqueles autos são os mesmos que motivaram o presente. Alem disso, naqueles autos, a interessada promove a juntada de milhares de cópias de documentos, as quais também seriam juntadas aqui; a imunidade do IPI em relação às receitas de exportação, prevista na Constituição Federal, art. 153, § 3º, III, argumentando que, “se a exportação foi concretizada e a venda, ainda que para empresa comercial exportadora, se ultimou com a finalidade de exportação, a Imunidade deve ser preservada.”; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11444.000045/200766 Acórdão n.º 3302001.836 S3C3T2 Fl. 189 3 as condições invocadas pela fiscalização, “da maneira como agiram, acabaram se tornando um fim em si mesmo, com o que não se pode coadunar. juntou os documentos que comprovam as exportações e a contabilização como “receitas de exportação”, na subconta “comerciais exportadoras”. é inconstitucional qualquer dispositivo legal que estabeleça para o caso outra condição, por desafiar o art. 153, § 3º, II, que não estabeleceu outro requisito para a Imunidade, a não ser a exigência de se destinar produtos para o exterior. as conclusões da fiscalização pautaramse no art. 39 da Lei nº 9.532, de 1997, que estabelece a saída do produto do estabelecimento industrial com o fim específico de exportação como condição para fruição do benefício da suspensão do imposto, contrariando o art. 110 do Código Tributário Nacional, que determina que a lei tributaria não pode alterar os conceitos, institutos e forma de direito privado empregados pela Constituição, com o propósito de definir a exigência de tributos. havendo comprovação efetiva da operação de exportação, “não há como querer esvaziar a sua natureza, simplesmente por não ter sido observada mera formalidade.” ao empresar à expressão “venda com fim específico de exportação” significado que transcende o conteúdo dos próprios vocábulos, além de contrariar o espírito da lei de estimular as exportações, a Lei nº 9.532, de 1997, acabou alterando conceitos de direito privado, desvirtuando a idéia de “venda com fim específico”, pelo fato de não se satisfazer pela comprovação da efetividade da exportação; diante do exposto, resta demonstrado que a Interessada faz jus à suspensão do IPI, mormente porque vendeu mercadorias para empresas exportadoras, devidamente regularizadas, as quais efetivaram as exportações dos produtos vendidos pela Interessada; para comprovar a efetividade das exportações das mercadorias remetidas com fim específico de exportação à Comercial Exportadora, a Interessada junta os documentos descritos abaixo para cada notas fiscal: a) planilha de controle das exportações das mercadorias relativas a cada nota fiscal emitida; b) cópia da nota fiscal de venda das mercadorias para comercial exportadora; c) memorando de exportação; d) Commercial Invoice; e) cópia da consulta da declaração simplificada de exportação ou comprovante de exportação emitidos pelo Siscomex; f) cópia das notas fiscais de venda pra o exterior emitidas pelas empresas Comerciais Exportadoras; ante o exposto, requer o cancelamento do auto de infração.” Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Após analisar as razões trazidas à colação pela Recorrente, a 4 ª Turma da DRJ/SDR proferiu o acórdão nº 1529.638 (fls. 147/152), o qual restou da seguinte forma ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/09/2003 a 31/01/2004 CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. FALTA DE LANÇAMENTO. CONDIÇÕES PARA SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. SAÍDAS PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. Somente há previsão legal para suspensão do imposto nas saídas de produtos, destinados à exportação, para empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação, sendo isso entendido como remessas efetuadas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, caso contrário, configurase a falta de lançamento do imposto nas saídas do estabelecimento industrial. Impugnação Improcedente.” Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário às fls. 157/184, por meio do qual reiterou suas razões de impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme relatado, tratase de auto de infração lavrado contra a Recorrente em virtude desta ter realizado a saída de produtos para comercial exportadora com suspensão de IPI sem, entretanto, entregar o produto em área alfandegada ou em porto para exportação direta. A Recorrente comprova a efetiva exportação das mercadorias e pleiteia o cancelamento do auto de infração, uma vez que as mercadorias foram efetivamente exportadas. As autoridades de julgamento de primeira instância administrativa entenderam por bem manter o auto de infração, haja vista que o § 2, do artigo 39 da Lei nº 9.532/97, alterou o RIPI para o fim de tornar obrigatória a remessa direta do produto do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, verbis: RIPI/2002, art. 42, V, “a” – vigente à época “Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11444.000045/200766 Acórdão n.º 3302001.836 S3C3T2 Fl. 190 5 (...) V os produtos, destinados à exportação, que saiam do estabelecimento industrial para (Lei no 9.532, de 1997, art. 39): a) empresas comerciais exportadoras, com o fim específico de exportação nos termos do parágrafo único deste artigo (Lei no 9.532, de 1997, art. 39, inciso I); b) recintos alfandegados (Lei no 9.532, de 1997, art. 39, inciso II); ou c) outros locais onde se processe o despacho aduaneiro de exportação (Lei no 9.532, de 1997, art. 39, inciso II); §1o No caso da alínea a do inciso V, consideramse adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora (Lei no 9.532, de 1997, art. 39, § 2o)” A r. decisão recorrida entendeu, portanto, pela aplicação do artigo 111 do Código Tributário Nacional, que restringe a interpretação dos benefícios fiscais, concluindo: Fls. 151 Trecho do Acórdão recorrido: “Resta claro, portanto, que, para o gozo da suspensão do IPI na saída dos produtos, estes devem ser remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, o que não aconteceu no presente caso concreto, justificando o lançamento de ofício. A observância dos aspectos formais não pode ser reduzida, visto que a determinação contida na legislação, quando trata do beneficio da suspensão do IPI, explicita claramente em que condições o produtor pode dar saída, sem o lançamento do referido imposto, aos produtos por ele fabricados, quando os vende para empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação.” Com razão a Recorrente. O benefício da suspensão do IPI tem como objetivo incentivar a indústria nacional exportadora, por esta razão somente é aplicável se o produto industrializado for exportado. O Regulamento do IPI, ao dispor sobre o que vai ser considerado como “exportado” quis definir a presunção no caso de exportação, delimitando o conceito do que será considerado como exportado. Neste aspecto, as operações em que os produtos tenham sido remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, são presumidas como sendo operações de exportação, ou seja, nestes casos o contribuinte tem direito ao benefício independentemente de comprovar se aquele produto foi efetivamente exportado, porque se presume que a exportação ocorreu. Com isso, correta a fiscalização quando procedeu à autuação, pois constatou que os produtos não cumpriram o requisito legal que lhe possibilitava (ao agente fiscal) aplicar Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA 6 a presunção de exportação. Desta forma, a autoridade fazendária presumiu exatamente o oposto, que o produto não foi exportado. Todavia, a presunção acabou no exato momento em que a Recorrente apresentou documentos comprovando que o produto foi efetivamente exportado. Neste caso, não há mais necessidade de aplicar quaisquer presunção, porque temse a realidade fática documentalmente demonstrada. A presunção apenas se justifica quando não há conhecimento dos fatos ocorridos. Ante o exposto, conheço do presente para o fim de DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo o direito à suspensão do IPI nos casos em que foi comprovada a exportação do produto, ressalvado à fiscalização a verificação de diferenças. É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Voto Vencedor Conselheiro José Antonio Francisco, Redator Designado Divirjo do voto da Relatora em relação à questão. Esclareçase, inicialmente, que a saída com suspensão do IPI é uma modalidade de exclusão condicional do crédito tributário atrelada a uma situação posterior que implique hipótese provável em que o imposto não é devido, como a isenção ou imunidade. No caso, a venda para o exterior (exportação) é hipótese de imunidade do IPI, que atinge diretamente a saída do estabelecimento exportador. O estabelecimento exportador, quando realiza a venda ao exterior, beneficia se da nãoincidência na saída e da manutenção do crédito na entrada, que, ao final, anulará a carga tributária sobre o produto exportado. Entretanto, o Regulamento do IPI estabelece uma antecipação desses efeitos para aquele que efetuar a venda ao estabelecimento exportador, desde que tal venda seja efetuada com o fim específico de exportação. Nessa hipótese, com a garantia de que a mercadoria seja exportada de acordo com a definição de “fim específico de exportação” , a saída do estabelecimento produtor para o exportador se dá com suspensão do IPI, de forma a evitar o registro do imposto, seu pagamento, a transferência de seu encargo ao exportador e a necessidade de ressarcimento do imposto. De fato, não se trata, data vênia, de aspecto meramente formal, mas de requisito específico de suspensão. A lei não suspende da incidência do IPI a venda que futuramente possa representar exportação, mas a “venda com fim específico de exportação”. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11444.000045/200766 Acórdão n.º 3302001.836 S3C3T2 Fl. 191 7 São duas situações jurídicas distintas. A primeira é representada por qualquer venda de mercadoria que, no futuro, seja revendida ao exterior, enquanto que a segunda é caracterizada pela venda que satisfaz especificamente os requisitos para que se considere a venda com o fim específico de exportação. Notese que a própria lei define o que caracteriza tal modalidade de venda, aplicandose ao caso o disposto no art. 111, I, do Código Tributário Nacional (Lei n. 5.172, de 1966). Dessa forma, simplesmente não há espaço para interpretação mais abrangente. Repitase que os requisitos que caracterizam o “fim específico de exportação” não são meros aspectos formais, mas, sim, requisitos essenciais da suspensão, conforme definido pela própria lei. Não há que se falar, no caso, de presunção relativa, pois não importa se o produto foi ou não exportado, do ponto de vista do exportador. Se houver algum desvio da mercadoria depois de dada a saída com o fim específico de exportação, a responsabilidade tributária recairá sobre quem praticar o desvio. Por outro lado, se a saída não se der com o fim específico de exportação, não há suspensão. À vista do exposto e adotando os demais fundamentos do acórdão de primeira instância, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei n. 9.784, de 1999, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) JOSÉ ANTONIO FRANCISCO Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 18/12/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/01/2013 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, A ssinado digitalmente em 09/01/2013 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.903076/2008-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/08//2003
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
Numero da decisão: 3801-001.197
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Sthal - Relator.
EDITADO EM: 31/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/08//2003 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal - Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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INTEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Sthal Relator. EDITADO EM: 31/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu, Sidney Eduardo Stahl (Relator) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 30 76 /2 00 8- 41 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 23/09/2004 (fls. 13), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de agosto de 2003, por meio de guia DARF, cujo recolhimento se deu em 15/09/2003, com débitos de PIS/PASEP do mesmo período de apuração de janeiro de 2003, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 1.577,46. A compensação não foi homologada pela DRF de Origem, conforme despacho decisório de fls. 18, o que ensejou a apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte às fls. 01, e que restou julgada improcedente pela DRJ de Origem, através do acórdão de fls. 26/30, cujo relatório é suficiente para o correto entendimento da questão em debate nesses autos, cumprindo a sua transcrição integral: “Tratase o presente processo da Declaração de Compensação (DCOMP) de nº 09877.26418.230904.1.3.049014, transmitida eletronicamente em 23/09/2004, com base em créditos relativos à Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP foi identificado pelos sistemas internos da RFB, que o referido DARF, na verdade, havia sido utilizado para pagamento de outro débito, conforme demonstrado no quadro a seguir, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada pela contribuinte no PER/DCOMP objeto da atual lide. Utilização dos pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP: (...) Assim, em 12/08/2008, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 18), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 1.577,46. Cientificado, via postal, dessa decisão em 21/08/2008 (fl. 22), bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/09/2008, manifestação de inconformidade às fls. 1, acrescida de documentação anexa. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903076/200841 Acórdão n.º 3801001.197 S3TE01 Fl. 75 3 A contribuinte contesta a decisão proferida no Despacho Decisório, alegando que teria deixado de retificar os valores reais do débito compensado no PER/DCOMP e informados a maior na DCTF original. Desse modo, não teria sido possível para os sistemas da RFB confirmarem a existência do crédito pleiteado, visto que os valores teriam sido informados indevidamente na DCTF. A contribuinte informa, ainda, que já teria retificado a DCTF que conteria informações sobre o crédito informado no PER/DCOMP e solicita nova revisão do Per/DCOMP objeto da lide. Ao final, requer que seja acolhida a presente a Manifestação de Inconformidade, cancelandose o débito fiscal reclamado e constante no Despacho Decisório emitido pela RFB.” O acórdão da DRJ cujo relatório está acima transcrito restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 ERRO NAS INFORMAÇÕES CONTIDAS NA DCTF. AUSÊNCIA DECOMPROVAÇÃO. Não foram apresentadas provas que demonstrassem a existência de erro no preenchimento das informações contidas na DCTF original. A simples entrega de DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O contribuinte, intimado do referido acórdão em 01/06/2011 (fls 34) insurge se contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário de fls. 36/42 (protocolizado em 08/07/2011), através do qual apresenta essencialmente os mesmos argumentos de sua manifestação de inconformidade. Através do Memorando nº 146/2012/SECAT/DRFGOI/SRRF01/RFB/MF GO, endereçado a este Conselho, a procuradoria informa, ainda, a propositura de uma Ação Ordinária, distribuída sob o nº 2009.35.04.0004300 perante a Justiça Federal da Subseção de Aparecida GO, através da qual requer a contribuinte a homologação das compensações em discussão. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl Preliminarmente é dever do julgador apreciar os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário. O artigo 56 da Lei n° 9.784/99 confirma o direito constitucional de o contribuinte interpor recurso contra as decisões administrativas, determinando que “das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito”. Dai, concluise, que o sujeito passivo possui o direito de recorrer das decisões administrativas, proferidas pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, pois, somente assim, estará assegurado o seu direito à ampla defesa, consagrado pela Constituição Federal e pelas normas infraconstitucionais. Vislumbrase que tal fato busca, na verdade, o reexame da decisão por outra autoridade, a fim de obterse um aprimoramento dos julgados na fundamentação de suas decisões, propiciando, desta forma, maior segurança ao sistema. Pois bem, vencido em primeira instância, o contribuinte não está obrigado a recorrer, mas, se assim proceder, estará sujeito ao prazo de 30 dias, sob pena de preclusão, apresentar Recurso Voluntário, conforme preceitua o caput do artigo 33, do Decreto n° 70.235/72. Verificase, que se ultrapassado esse período, qual seja, 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da decisão, sem a apresentação pelo contribuinte do Recurso Voluntário, estará ele impedido de apresentar referido recurso em outro momento. O contribuinte, como pode ser visto, foi intimado do acórdão ao qual recorre em 01/06/2011 (fls 34) e insurgiuse contra o mesmo através do presente Recurso Voluntário somente em 08/07/2011, quando o trintídio já houvera se esgotado. Independentemente da existência de uma possível concomitância com a noticiada ação judicial – que deve ter sido promovida pelo patrono da Recorrente apenas para mascarar as impropriedades por ele cometidas nesse processo e que somente fez perder o tempo desse Conselho e do Judiciário, porque se esse processo fosse instruído com os documentos comprobatório do crédito, ninguém lhe negaria o direito – não há como se conhecer desse recurso por intempestivo. Nesse sentido voto por não conhecer do presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 77DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10120.903076/200841 Acórdão n.º 3801001.197 S3TE01 Fl. 76 5 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 07/12/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 20/12/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.001435/2008-89
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.107
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência para que a Unidade preparadora (1) junte a intimação feita antes da notificação de lançamento e o respectivo comprovante de recebimento, (2) dê ciência ao contribuinte dos documentos juntados aos autos, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestar-se, se assim desejar.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 17/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência para que a Unidade preparadora (1) junte a intimação feita antes da notificação de lançamento e o respectivo comprovante de recebimento, (2) dê ciência ao contribuinte dos documentos juntados aos autos, concedendolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse, se assim desejar. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 17/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2004 , anocalendário 2003, em virtude de glosa integral das deduções de despesas com instrução (R$364,20), despesas médicas (R$19.679,74) e de previdência privada/Fapi (R$379,03) em razão da falta de atendimento à intimação para comprovar essas deduções. Na impugnação a contribuinte alegou que não foi intimada para esclarecimentos, que cometeu erros ao não ter declarado como despesas pessoais as despesas de seu consultório ao invés de incluir no Livro Caixa, o que resultaria em ausência de imposto a pagar, que deixa à disposição o livro caixa e que parte das despesas médicas estão comprovadas (Unimed de R$1.191,29, Previdência Privada/Fapi de R$265,30). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 01 43 5/ 20 08 -8 9 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.001435/200889 Resolução nº 2802000.107 S2TE02 Fl. 245 2 A DRJ deferiu em parte a impugnação. Foi restabelecida dedução de R$1.191,20 de despesas médicas (Unimed) e de R$265,30 comprovada como previdência privada paga à Caixa Vida e Previdência. A glosa de despesas com instrução foi mantida por falta de documentação e não foi acolhida a solicitação para considerar as despesas médicas como Livro Caixa por que não foi apresentado o Livro caixa nem a documentação correspondente, ocorrendo a preclusão (art. 15 do Decreto 70.235/1972). Ciente da decisão de primeira instância em 23/03/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 19/04/2011 mediante o qual: a) reitera que não recebeu intimação anterior ao lançamento e que cometeu erro ao indicar como despesas pessoais as despesas próprias de Livro Caixa; b) sustenta que a documentação (Livro Caixa e comprovantes) ora apresentada deve ser apreciada pelo Colegiado, nesse ponto cita precedentes judiciais; e requer que sejam considerados os recibos de José Francisco Neto (R$1.572,50) e de Giovani Nascimento (R$6.677,00) não escriturados no Livro Caixa, relativos a dezembro de 2003. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. A recorrente é odontóloga e o litígio trata da dedutibilidade de despesas escrituradas em Livro Caixa apresentado somente na fase recursal que, segundo alega a recorrente, comprovam a dedutibilidade das despesas incorretamente declaradas como despesas pessoas (despesas médicas). Antes de ingressar no mérito, a recorrente alega que não recebeu notificação para prestar esclarecimentos na fase anterior ao lançamento. Embora o não atendimento à intimação tenha sido o motivo do lançamento, não há nos autos a prova de que esta intimação tenha sido feita e regularmente notificada ao contribuinte. Juntar esta intimação aos autos é atribuição da Unidade preparadora. Portanto, voto para que seja realizada diligência para que a Unidade preparadora (1) junte a intimação feita antes da notificação de lançamento e o respectivo comprovante de recebimento, (2) dê ciência ao contribuinte dos documentos juntados aos autos, concedendo lhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestarse, se assim desejar. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 248DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 22 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10875.901895/2011-27
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO.
O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis.
PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO.
A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-001.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
EDITADO EM: 02/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 REPERCUSSÃO GERAL. JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62-A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62-A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boa-fé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo - denominada PER/Dcomp - veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) REGIS XAVIER HOLANDA - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Jose´ Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi.
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JUÍZO PRÉVIO DE ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. INAPLICABILIDADE DO ART. 62A, § 1º, DO REGIMENTO INTERNO. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. PER/DCOMP. NÃO IDENTIFICAÇÃO DO CRÉDITO COMPENSADO. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA COMPENSAÇÃO. A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp veicula a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Sem a identificação do crédito e dos débitos compensados, não se aperfeiçoa o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 18 95 /2 01 1- 27 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 REGIS XAVIER HOLANDA Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. EDITADO EM: 02/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, José Fernandes do Nascimento e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausente momentaneamente o Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 55): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. CERTEZA. LIQUIDEZ.COMPROVAÇÃO. A compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos e/ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. INTIMAÇÃO POR VIA POSTAL. É válida a ciência do lançamento de ofício quando entregue, pelos Correios, no domicílio eleito pela contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei ou ato normativo. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Permanecerá suspensa a exigibilidade dos débitos declarados em DCOMP enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901895/201127 Acórdão n.º 3802001.398 S3TE02 Fl. 91 3 O Recorrente, nas razões recursais de fls. 7389, alega ter formalizado o pedido de compensação com fundamento na inconstitucionalidade da inclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Aduz que a certeza do direito à compensação advém do art. 195 da Constituição e que recolheu os Darfs sem subtrair as parcelas do Icms. É o Relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 23/02/2012 (fls. 69) e o protocolo do recurso, em 14/03/2012 (fls. 71/72). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Embora o sujeito passivo alegue que o direito creditório seria decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins – matéria que, como se sabe, teve repercussão geral reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 574.706/PR1 entendese que não cabe o sobrestamento do feito mediante aplicação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno2. O exame do sobrestamento pressupõe o prévio juízo de admissibilidade do recurso. Do contrário, até mesmo recursos intempestivos deveriam ficar sobrestados aguardando a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal. O § 1º do art. 62A, ademais, deve ser interpretado à luz do princípio da lealdade e boafé, de modo a evitar que a alegação de matéria sob repercussão geral se converta em causa de protelação do exame do mérito de recursos manifestamente incabíveis. Ademais, no caso dos autos, notase que a inconstitucionalidade da inclusão do Icms na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sequer foi ventilada na manifestação de inconformidade. Portanto, tal alegação não pode ser conhecida, consoante reconhece a remansosa jurisprudência do Carf: [...] PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. CONHECIMENTO NA FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Em conformidade com o princípio da preclusão processual, se o sujeito passivo não contestou a matéria, no todo ou em parte, perante a autoridade julgadora de primeiro grau, não poderá mais fazêlo perante a instância superior, sob pena de inovação do feito e supressão de instância. (Acórdão 3802000.585. 3a S. 1 “Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785.” (DJe088, de 16/05/2008). 2 ""Art. 62A. [...] Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B." Fl. 93DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 2a C. 2a TE. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. de 05/07/2011). “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. Recurso Voluntário Negado.” (Acórdão 310100.409. 3a. S. 1a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Tarásio Campelo Borges. S. de 29/04/2010). [...] NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO ABORDADA NA INSTÂNCIA ANTERIOR. PRECLUSÃO. EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. Considerase preclusa matéria que não foi objeto de impugnação e que, por conseguinte, não foi objeto da decisão recorrida.” (Acórdão 340100.169. 3a S. 4a C. 1a TO. Rel. Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. S. de 13/08/2009). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPUGNAÇÃO E RECURSO VOLUNTÁRO. PRECLUSÃO. ART. 17 DO DECRETO 70.235/72. O recurso voluntário é cabível contra a decisão de primeira instância, de modo que o âmbito válido de sua fundamentação naturalmente se circunscreve aos temas tratados no julgamento que pretende reformar. O recurso voluntário não pode inovar, veiculando novos argumentos de defesa que não foram apresentados na impugnação nem debatidos em primeira instância. Exceção feita apenas quanto a temas reconhecidamente de ordem pública, como é o caso da decadência e da prescrição.” (Acórdão 340300.385. 3a S. 4a C. 3a TO. Rel. Conselheiro Ivan Allegretti. S. de 25/05/2010). Assim, se a matéria sob repercussão geral não pode ser conhecida, por não ter sido ventilada na instância a quo, é igualmente descabido o sobrestamento do feito, inclusive porque, a rigor, no presente caso concreto, a não homologação ocorreu devido à utilização do Darf para a quitação de outros débitos declarados pelo contribuinte (fls. 69). Tal situação se deu porque o Recorrente, ao apresentar a PER/Dcomp, deixou de retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), o que fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação (fls. 42). Em circunstâncias dessa natureza, a Turma tem admitido a homologação da compensação, desde que retificada a Dctf e, principalmente, demonstrada a existência do direito creditório. Nesse sentido, cumpre destacar o julgado a seguir, de nossa relatoria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Fl. 94DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901895/201127 Acórdão n.º 3802001.398 S3TE02 Fl. 92 5 Data do fato gerador: 31/05/2005 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.007. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 22/05/2012) No presente caso, o Recorrente, além de não apresentar qualquer prova do direito creditório, sequer retificou a Dctf, razão pela qual não cabe a compensação. O sujeito passivo, na verdade, se limitou a afirmar que não tem como esclarecer a origem do crédito apurado e compensado (fls. 75). O Recurso, destarte, além de inovar indevidamente na suposta origem do direito creditório, mostrase manifestamente improcedente. Afinal, devese ter presente que a Lei nº 10.637/2002, ao alterar o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, promoveu a unificação do regime de compensação, extinguindo as compensações realizadas na Dctf, na escrituração contábil e a condicionada ao deferimento de pedido administrativo. Todas essas modalidades foram substituídas pela autocompensação, que ressaltadas as contribuições para a seguridade social compensadas na Gfip (Guia de Recolhimento do Fgts e Informações à Previdência Social) é aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal. No regime da autocompensação, como se sabe, a extinção do crédito tributário ocorre por iniciativa do sujeito passivo, mediante entrega de declaração contendo informações relativas aos créditos e débitos compensados, que, por sua vez, fica sujeita à posterior homologação pela autoridade competente no prazo de até cinco anos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002). § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) A declaração do sujeito passivo denominada PER/Dcomp revestese de especial importância no mundo jurídico, porquanto representa a formalização em linguagem competente da extinção do crédito tributário e do débito da Fazenda Nacional. Tratase, consoante destaca Paulo de Barros Carvalho, do veículo introdutor da norma individual e concreta que positiva o fato jurídico extintivo: “O fato extintivo da compensação será positivado por norma individual e concreta que promova o encontro das relações, extinguindoas no quantum em que se equivalerem. Os sujeitos habilitados a expedir a norma individual e concreta da compensação, formalizando o mencionado ‘encontro de contas’, são a autoridade administrativa e a autoridade judiciária. Há hipóteses em que a lei autoriza ao próprio particular a efetivação da compensação tributária. Esta, todavia, somente é utilizada quando o ato do particular for homologado pela Administração, de maneira tácita ou expressa. Dito de outro modo, o aplicarse da norma de compensação gera a extinção do crédito tributário e do débito do Fisco. Mas, para que esta se concretize, necessário o relato em linguagem competente não apenas das relações que se pretende compensar, mas também do fato da compensação. Apenas se descrito no antecedente de norma individual e concreta irradiará os efeitos previstos no consequente normativo, operandose extinção dos vínculos obrigacionais.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário, linguagem e método. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2008, p. 480481). Em razão disso, para produzir os seus efeitos jurídicos próprios, a PER/Dcomp pressupõe a correta identificação do crédito e dos respectivos débitos compensados. Do contrário, não há como se aperfeiçoar juridicamente o encontro de contas entre as relações jurídicas obrigacionais. No presente feito, diante da não identificação da origem do crédito compensado, não há como se proceder à homologação da compensação, devido ao não aperfeiçoamento jurídico do encontro de contas pretendido pelo Recorrente. Votase, portanto, pelo conhecimento do recurso e pelo desprovimento, com a consequente manutenção do acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 96DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10875.901895/201127 Acórdão n.º 3802001.398 S3TE02 Fl. 93 7 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 28/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 25/01/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 13971.901602/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal na hipótese de restarem comprovados e justificados, documentalmente, os equívocos que ensejaram a retificação de obrigações acessórias.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-000.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal na hipótese de restarem comprovados e justificados, documentalmente, os equívocos que ensejaram a retificação de obrigações acessórias. Recurso voluntário negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NA INDICAÇÃO DOS CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal na hipótese de restarem comprovados e justificados, documentalmente, os equívocos que ensejaram a retificação de obrigações acessórias. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 16 02 /2 01 0- 21 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901602/201021 Acórdão n.º 3202000.574 S3C2T2 Fl. 61 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 49/57) interposto pelo Contribuinte (“Recorrente”), em face do acórdão n° 0725.295 proferido pela Quarta Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis (fls. 43/45), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual a contribuinte solicita compensação débito próprio com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido via Darf. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, pela não homologação da compensação declarada com base na constatação de que o Darf discriminado no PER/DCOMP não havia sido localizado nos sistemas da Receita Federal do Brasil. Inconformada com a nãohomologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que, por engano, no preenchimento do programa PER/DCOMP foi informado que o crédito seria oriundo de pagamento efetuado via Darf quando na realidade este decorreria de saldo remanescente de compensação. Defende que não pode ser penalizada por erro facilmente apurado nos arquivos da RFB, pugna pelo reconhecimento do crédito, anulação do Despacho Decisório ou revisão da decisão”. Em sua decisão, a DRJFNS houve por bem indeferir o pedido da Recorrente, sob o entendimento manifestado na ementa do acórdão recorrido, abaixo transcrita: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO CRÉDITO. LIMITE. A análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido a autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório não Reconhecido”. Inconformada com tal decisão, a Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário, reiterando os argumentos citados em sua Manifestação de Inconformidade. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901602/201021 Acórdão n.º 3202000.574 S3C2T2 Fl. 62 3 É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. No presente caso, a Recorrente pretendeu compensar débitos próprios, administrados pela Receita Federal do Brasil, com crédito remanescente da PER/DCOMP nº 33729.55877.140904.1.3.572851, que, de acordo com as razões recursais, estaria tacitamente homologada, em virtude do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem que a Autoridade Fiscal se manifestasse. A DRJ Florianópolis, por sua vez, entendeu que “a análise do pedido de compensação formulado pelo contribuinte/pleiteante limitase ao escopo do que consta na DCOMP, não sendo permitido à autoridade administrativa conceder crédito diverso do pedido”, uma vez que na DCOMP constava a informação de que o crédito estava vinculado ao recolhimento de um Darf. Entendo que compete à Recorrente apresentar os elementos que provam o direito alegado, bem como elidir a imputação da irregularidade apontada. Ao analisar os argumentos trazidos pela Recorrente, em conjunto com os documentos acostados ao processo, noto que as irregularidades apontadas pelas Autoridades Fiscais não foram concretamente rebatidas, vale dizer, não restou comprovado o direito ao crédito. Isto porque a Recorrente não traz qualquer documento apto a comprovar os seus argumentos, pautandose em meras alegações. Primeiramente, sobre o alegado erro no preenchimento da PER/DCOMP, a Recorrente não demonstra o erro e sequer comprovao. Ainda, quanto à alegação de que o crédito ora discutido é oriundo de saldo remanescente de PER/DCOMP já homologada pela RFB, a Recorrente não traz elementos aptos a demonstrar que, de fato, existe saldo remanescente não utilizado em ocasiões diversas da presente. Portanto, em virtude das alegações da Recorrente não terem restado comprovadas, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 62DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13971.901602/201021 Acórdão n.º 3202000.574 S3C2T2 Fl. 63 4 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 06/12/2012 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10805.901120/2008-80
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/05/2004
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE
É defeso ao contribuinte a retificação de PER/DCOMP, antes do primeiro despacho que o examine, sendo vedado à retificação de oficio, salvo os casos previstos em lei.
Numero da decisão: 3803-003.603
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, quanto ao mérito, acompanhou o relator por suas conclusões.
[assinado digitalmente]
Alexandre Kern - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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RETIFICAÇÃO DE OFICIO. IMPOSSIBILIDADE É defeso ao contribuinte a retificação de PER/DCOMP, antes do primeiro despacho que o examine, sendo vedado à retificação de oficio, salvo os casos previstos em lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Hélcio Lafetá Reis, quanto ao mérito, acompanhou o relator por suas conclusões. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP nº 34511.23904.140504.1.3.040941, fls. 2/6, através do qual foi requerida a compensação de PIS pago a maior, do período de apuração AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 11 20 /2 00 8- 80 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Outubro de 2003, no valor original de R$ 6.130,46, com débito de PIS no valor total de R$ 6.504,42 da competência Abril de 2004. A DRF em Santo Andre não homologou o PER/DCOMP em Despacho Decisório eletrônico, fls. 11, em razão da inexistência do credito alegado pela contribuinte. Irresignada a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que: a. Informou, em PER/DCOMP, possuir credito de PIS decorrente do Processo administrativo n° 10805.001.618/200417. b. O credito está pendente de decisão administrativa c. A decisão foi precipitada e ilegal. d. Requer por fim a revisão da decisão da DRF e a suspensão da exigibilidade do debito. A DRJ em Campinas julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por falta de provas. Constata que os créditos requeridos no processo mencionado, n° 10805.001618/200417, são referentes a saldos negativos de IRPJ e da CSLL do ano calendário 2002, portanto, nem o tributo, nem o período, guardariam conexão com o credito informado no PER/DCOMP em discussão. Inconformada a contribuinte apresentou Recurso Voluntario a esta turma julgadora onde preliminarmente ataca a decisão da DRF alegando erro formal em consequência de falta de fundamentação dos dispositivos, requerendo o reconhecimento de sua nulidade. No mérito, insiste nos mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, ressaltando que a Receita Federal deveria aguardar a decisão administrativa definitiva do processo indicado. Conclui pedindo a reforma da decisão, o reconhecimento do credito em pendência no processo administrativo anexado e ainda a sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo e preencho os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. I – Preliminar de Nulidade Preliminarmente a recorrente alega nulidade no Despacho Decisório que não homologou o seu pedido de compensação. A nulidade se daria em decorrência do erro formal por ausência de fundamentação dos dispositivos infligidos no enquadramento legal. O sujeito passivo colaciona parte do texto que traz a fundamentação legal do Despacho Decisório em discussão, que se lê: Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10805.901120/200880 Acórdão n.º 3803003.603 S3TE03 Fl. 11 3 “Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Destaco abaixo o art. 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN): ”Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Grifamos. O art. 170 do CTN, mencionado na fundamentação legal do Despacho Decisório, é claro em afirmar que somente créditos líquidos e certos do sujeito passivo poderão ser utilizados para compensar créditos tributários. A inexistência do credito declarado torna impossível sua compensação. No mesmo sentido e em cumprimento ao que determina o artigo 170 do CTN, a Lei 9.430/96, no seu artigo 74, determina: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.” Ressalto que o Despacho Decisório em discussão é eletrônico, e é produzido automaticamente, seguindo um modelo prédeterminado, onde consta toda a fundamentação legal para suas decisões. O fato de estarem expostos dispositivos que vão alem da matéria, não o faz nulo. Pelo exposto, afasto a preliminar de nulidade. II Do Mérito O PER/DCOMP em análise indicou credito de PIS pago a maior. A recorrente em sua defesa alega que o crédito tem origem noutro processo administrativo. Em analise, chegamos à conclusão que o processo administrativo anexado, n° 10805.001.618/200417, discute credito diferente do indicado no pedido de compensação, não tendo qualquer vinculo possível com o presente processo. Discordamos dos argumentos trazidos pela contribuinte por se pautarem exclusivamente na tentativa de mudar a fonte de crédito indicada, apontando para tal, outro processo administrativo. Entendemos que a administração tributária não pode retificar, de oficio, declaração feita pela contribuinte para atribuir crédito diferente daquele originalmente alegado, ainda mais quando o processo administrativo no qual alega a existência do crédito encontravase pendente de análise. A Lei nº 9.430/96, no seu artigo 74, parágrafo 1º, atribuí expressamente ao sujeito passivo que deseje a compensação com créditos passíveis de restituição e ressarcimento, a obrigação de fazêlo mediante entrega de declaração com todas as Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN 4 informações necessárias e indispensáveis, tanto do crédito quanto do débito a ser compensado, vejamos: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002).” Grifo nosso. Ainda é facultado ao contribuinte o direito de retificar a PER/DCOMP, mediante a apresentação de documento retificador, mas isto, antes da análise do seu pedido de compensação e não em sede de manifestação de inconformidade, como tenta fazêlo. Entendemos, portanto, impossível a tese do sujeito passivo, na tentativa de retificar de oficio o PER/DCOMP em discussão, alterando o crédito alegado. Por outro lado, a contribuinte, não logrou êxito em comprovar a existência do credito alegado no PER/DCOMP em análise, ou seja, de PIS recolhido a maior ou indevidamente, não sendo possível divergir das decisões das instâncias a quo. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e não reconhecer direito creditório requerido. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 30/ 10/2012 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 16643.000016/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2004, 2006, 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. ERRO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
Improcede o lançamento em que verificada a dissociação entre a descrição da infração imputada, bem como a existência de erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aos lançamentos reflexos aplicam-se as mesmas conclusões do julgamento do tributo principal, por decorrerem de idêntica fundamentação.
Numero da decisão: 1202-000.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Nelson Lósso Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2004, 2006, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. ERRO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Improcede o lançamento em que verificada a dissociação entre a descrição da infração imputada, bem como a existência de erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aos lançamentos reflexos aplicam-se as mesmas conclusões do julgamento do tributo principal, por decorrerem de idêntica fundamentação.
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Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2004, 2006, 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. ERRO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. Improcede o lançamento em que verificada a dissociação entre a descrição da infração imputada, bem como a existência de erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aos lançamentos reflexos aplicamse as mesmas conclusões do julgamento do tributo principal, por decorrerem de idêntica fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Nelson Lósso Filho Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 16 /2 00 9- 33 Fl. 845DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Lósso Filho, Carlos Alberto Donassolo, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso de ofício apresentado em face de decisão de primeira instância que cancelou integralmente a autuação de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, decorrentes da infração de omissão de receitas, relativa a fatos geradores ocorridos em 2003, 2005 e 2007, com multa de ofício de 150%. Os autos de infração (fls.609/635) trazem os seguintes enquadramentos legais: IRPJ art. 24 da Lei nº 9.249/95, arts. 247, 249, inciso II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 281, 283 e 288 do RIR/99; PIS arts. 1º e 3º, da Lei Complementar nº 07/70, art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95, arts. 2º , inciso I, alínea “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002; COFINS arts. 2º , inciso II e parágrafo único, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto nº 4.524/2002; CSLL art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 24 da Lei nº 9.249/95, art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 37 da Lei nº 10.637/2002; Multa de ofício de 150% art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96; juros de mora art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls.638/654), os fatos analisados incluem operações do Grupo Schincariol no exterior, descritas cronologicamente consoante síntese abaixo. I A pessoa jurídica Primo Schincariol International (PSI) foi constituída em 05/10/1990, com escritório nas Ilhas Virgens Britânicas, e passou pelas seguintes alterações contratuais principais: em 30/12/96 mudou sua sede para Avenida Arriaga, 77, Edifício Marina Fórum, 6º andar, sala 605, Freguesia da Sé, Concelho de Funchal, Ilha da Madeira, e remodelou o contrato, tendo como única sócia a Schincariol Participações e Representação (SPR); em 16/04/98 aumentou capital através da nova sócia PSICRITU, que cedeu parte das Debêntures adquiridas junto a Schincariol Empreendimentos Imobiliários (SEISA), equivalendo ao valor de face de R$ 10.000.000,00; em 16/02/2000, houve divisão, cessão e unificação de cota com alteração parcial do pacto: PSICRITU dividiu sua cota em duas, em percentuais distintos e cedeu a maior parte, gratuitamente, para a SPR, que a unificou com a cota que já detinha; em 12/01/2001, através de instrumento particular de alienação de participação societária, a SPR alienou à PSICRITU a cota da PSI pelo valor de R$ 161.892.791,22, correspondente ao aumento de capital da adquirente, sua controlada; em 31/12/2001, através da Ata nº 20, a PSI distribuiu dividendos acumulados de Euros 54.211.151,59, correspondendo aos períodos anteriores a 2001, e Euros 3.938.848,41, que era parte do lucro obtido em 31/12/2001, no total de Euros 58.150.000,00; Fl. 847DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 5 4 em 24/05/2002, as cotas representativas do capital social foram redenominadas para Euro, passando a cota da SPR a valer Euros 10.900.018,27 e a cota da PSICRITU a valer Euros 1.742.667,86, totalizando o capital de Euros 12.642.686,13; em 30/11/2002, por instrumento particular de alienação de participações societárias, a PSICRITU foi a alienante e a Primo Schincariol Ind. Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro (PSICRRJ) foi a adquirente de 13,207547% do capital social da PSI, pelo valor de Euros 1.773.596,17; em 30/12/2002, aumentou o capital em Euros 11.211.438,64, referente à subscrição por Geofinance Limited, provenientes da conversão de parte dos créditos que esta detinha na PSI, mais subscrição de ágio de Euros 72.285.652,64, mediante a conversão dos remanescentes dos créditos no valor de Euros 62.285.652,64 e o restante no montante em dinheiro (Euros 10.000.000,00). Na mesma data, a PSICRITU dividiu a cota de Euros 1.742.667,86 em duas, cedendo a cota no valor de Euros 1.669.788,71 para PSICRRJ, pelo preço de Euros 1.773.596,17, e unificando as duas cotas de que era titular; em 01/11/2003, a PSI vendeu ativos para a Geofinance, conforme contrato; em 20/10/2003, a Geofinance adquiriu cotas da PSI pertencentes à PSICR RJ, conforme contrato; em 12/11/2003, a Geofinance adquiriu cotas da PSI pertencentes à PSICR ITU, conforme contrato; em 19/12/2003, através de contrato de cessão e transferência de cotas, a Geofinance vendeu à Brantford Consulting Ltd, a cota de sua propriedade de Euros 11.211.438,64 (47% do capital) pelo preço de US$ 1.000,00 (mil dólares), nomeando como procurador o Senhor José Nelson Schincariol, acionista majoritário do Grupo Schincariol, com poderes para, em nome da Geofinance, receber e dar quitação pelo preço de compra das cotas; II A pessoa jurídica Brantford Consulting Ltd foi constituída em 18/09/2001, com sede na República de Mauritius, tendo como acionista a empresa CONQUEROR, situada também em Mauritius, ambas tendo como diretores os Srs. Gilberto Schincariol, José Nelson Schincariol, Francisco Flora Neto e Alcides Vargas Porteiro. III A pessoa jurídica Village Serviços Internacionais Lda foi constituída em 01/07/96, tendo como sócios a PSICRITU e SPR, sediada na Ilha da Madeira, no mesmo endereço e com o mesmo objeto social da PSI, e passou pelas seguintes alterações contratuais principais: em 30/12/96, ocorreu a transferência da cota da SPR para a PSICRItu; em 19/11/2003, pela ata nº 12, a única sócia nomeou revisor oficial de contas Sr. Jose Joaquim Afonso Diz atento ao projetado aumento de capital mediante entrada em espécie a ser realizado por novo sócio. O capital de Euros 22.445.905,37 foi integralizado com transferência de dividendos que a fiscalizada tinha a receber (usufrutuária) da empresa Schincariol Administração Patrimonial (SAP), cujo valor em reais perfazia R$ 38.258.000,00. na mesma data, pela ata n° 13, foi registrada a decisão da sócia única PSICR na Village pelo aumento de capital de Euros 22.445.905,37 para o montante de Euros Fl. 848DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 6 5 64.658.151,96, ou seja, aumento de Euros 42.212.246,59, mediante a conferência de créditos que a nova sócia PSI detinha junto ao Grupo Schincariol do Brasil, estando presentes os representantes da sociedade PSI, da Geofinance Limited e PSICR RJ (fiscalizada); ainda pela ata nº 13, foi autorizada a cessão da quota detida pela sócia PSI, no valor nominal de Euros 42.212.246,59 à sociedade Geofinance pelo preço igual ao respectivo valor nominal (ponto 2), foi também autorizada a divisão, para efeitos de cessão, da quota detida pela sócia Geofinance, no valor nominal de Euros 42.212.246,59 em duas cotas de Euros 11.200.000,00 e outra no valor nominal de Euros 31.012.246,59 (ponto 3), e ainda foi autorizada a cessão da quota de Euros 11.200.000,00 para a PSICRRJ, nos termos do contrato de 20/10/03 e da quota de Euros 31.012.246,59 para a PSICRItu, nos termos do contrato de 12/11/03 (ponto 4); em 31/12/05, foi feita a restituição do capital da Village no valor de Euros 38.144.031,47 (equivalente a R$ 91.530.648,18); em 30/11/07, data do efetivo encerramento da Village, foi restituído o valor de R$ 35.642.228,32, equivalente a Euros 13.601.671,60, convertido pela taxa de 2,62043. A autoridade fiscal, após citar o art.43 do CTN e o art. 42 da Lei nº 9.430/96, concluiu que a Geofinance foi apenas uma empresa veículo para legalização de receitas omitidas que se encontravam no exterior sem qualquer declaração do Grupo Schincariol, aduzindo, em síntese, que: (i) não havia razão, nem fiscal e nem substância econômica para a empresa Geofinance adquirir a Primo Schincariol International (PSI), se esta tinha apenas e tão somente negócios com o Grupo Schincariol do Brasil (compra de mercadorias no exterior e venda para o Grupo no BRASIL), tendo em vista, com conhecimento de todos os envolvidos, que o Grupo Schincariol possuía a empresa Village, no mesmo endereço, como o mesmo objeto social e que acabou por comprovar que faria o mesmíssimo papel da PSI, logo, após a aquisição da PSI pela Geofinance cessaria o principal movimento econômico com o único cliente, ou seja, o grupo Schincariol; (ii) a PSI, e depois a Village, comprava no mercado e vendia para o Grupo Schincariol sem obter lucro na venda, o que se verifica a partir da semelhança entre o valor de venda e o valor de custo das mercadorias, conforme dados extraídos dos balanços da PSI e, em sequência, dos balanços da Village; (iii) por outro lado, em relação às contas de fornecedores havia muito pouco a ser pago, ou seja, a PSI (e depois a Village) comprava e pagava aos fornecedores sem deter recursos em caixa, visto que revendia suas compras exclusivamente ao Grupo Schincariol no Brasil e os valores eram registrados em contas correntes aguardando a possibilidade de liquidação através de compensação futura, consoante demonstrativo de resumo das remessas da PSICRItu à Village (fls.567602); (iv) em contraponto aos dados das fichas de operações com exterior (fichas 43 a 45 DIPJ), é demonstrado o valor das importações de bens e demais encargos de pessoas jurídicas vinculadas e de paraísos fiscais, onde se constata a diferença entre remessas e aquisições; Fl. 849DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 7 6 (v) a constatação é agravada pelos valores emprestados ao Grupo Schincariol do Brasil, já que o valor que compõe o ativo da PSI está ligado a empresas Schincariol sediadas no Brasil (títulos negociáveis debêntures Seisa, clientes Schincariol pela aquisição de mercadorias e ativos fixos, títulos a receber representados por empréstimos e participações societárias (Andree Overseas e Schincariol Patrimonial SAP), não representando dinheiro em espécie; (vi) posteriormente, os valores oriundos da Geofinance transformaramse em reais no Brasil com a seguinte operação: a Geofinance adquiria T. Bills junto ao Banco Credit Lyonnais (Uruguai) e, em seguida, os transferia para PSI ou Andreé Overseas, que os transferia para o Grupo Schincariol no Brasil, que os revendia a outras empresas brasileiras (p.ex Grupo Odelbrecht), que os revendia para o Credit Lyonnais, no mesmo dia; (vii) o capital de terceiros, de valores muito pouco representativos (basicamente fornecedores), teve importância relevante apenas no ano calendário de 2001 com o aparecimento de empréstimos concedidos pela Andreé Overseas (em 2001, Euros 42.227.005,79, em 2002, Euros 22.978.257,82, zerando em 2003) e Geofinance (em 2001, Euros 23.208.932,87 e em 2002, Euros 22.978.257,82), o que indica que em determinado momento havia a necessidade de dinheiro em espécie para liquidar operações comerciais da PSI; (viii) a empresa André Overseas, instalada em pais com tributação favorecida tinha como sócio principal a PSICRRJ (fiscalizada); (ix) o capital da PSI, até 2001, era composto de Escudos 2.534.167.395,00 equivalente a Euros 12.642.686,13, sendo que Euros 7.235.921,81 (equivalente a R$ 10.000.000,00) foi capitalizado com integração do titulo debêntures da Seisa, logo não envolveu dinheiro em espécie. A partir de 2002, pela transformação do dinheiro de suspeitos empréstimos da Geofínance, acrescido de novos valores, o capital foi aumentado em Euros 11.211.438,64 e ágio na emissão de novas ações de Euros 72.285.652,64, ou seja, Euros 83.497.091,28 (suposto dinheiro oriundo da Geofinance e cedido gratuitamente); (x) a Geofinance não tinha motivo econômico para adquirir uma empresa com indícios claros de futuro incerto, a menos que o dinheiro pertencesse a pessoa oculta; (xi) os balanços das controladas PSI e ViIlage, e a resposta da fiscalizada (fl.15 item A 19.2) no sentido de que‘as receitas são provenientes de vendas de matérias primas e máquinas’, confirmam a tese fiscal. Segundo a acusação fiscal, houve simulação no procedimento de recâmbio do dinheiro oriundo da Geofinance para o Brasil, visto que: (i) a PSI tornase uma nova sócia da Village, integralizando com os créditos que a PSI detinha junto ao Grupo Schincariol do Brasil (empréstimos, conta corrente de venda de mercadorias e ativos fixos); (ii) simultaneamente, a Geofinance adquire valor dos ativos da PSI (debêntures, contas correntes com empresas do Grupo no Brasil (basicamente, venda de mercadorias e bens e participação societária na Village) e divide em duas cotas, programando a nova jogada que seria adquirir capital da PSI junto a PSICRITU E PSICR RJ; Fl. 850DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 8 7 (iii) a Geofinance adquire participações que a PSICRITU e PSICR RJ detinham na PSI, pagando, basicamente, com participação na VilIage, contas correntes e debêntures da SEISA; (iv) de posse das quotas integrais da Village, a PSICR E PSICR RJ realizaram a operação final, extinguir a Village, trazendo em retorno para o Brasil o dinheiro oculto no exterior, a liquidação das dívidas em contas correntes (basicamente, empréstimos e compra de mercadorias e ativos fixos); (v) quanto à aquisição pela Geofinace de quotas da PSI, era evidente o desinteresse nessa compra e sua função de empresa veículo, pois, imediatamente a seguir, tais cotas foram colocadas à venda, tendo sido eleitos os mesmos advogados da Schincariol para processar a venda à Brantford (empresa de propriedade dos mesmos sócios da Schincariol), assegurando que o nome Schincariol constante da PSI seria preservado, além da outorga de procuração ao Sr. José Nelson Schincariol para negociação incondicional da PSI. Em seguida, a autoridade fiscal deduz que, como não havia registro da saída junto ao Banco Central do Brasil, a solução encontrada para receber dinheiro do exterior foi realizálo através da compra e venda de Letras do Tesouro Americano, utilizando para tanto, os serviços do Banco Credit Lyonnais, sediado no Uruguai. Após PSI e Village terem liquidado os valores junto aos fornecedores, as contas correntes por aquisição de mercadorias e ativos ajustamse apenas com lançamentos contábeis, ou seja, o que era ativo (débito) na Village encontra o passivo (crédito) na PSICRITU e PSICRRJ (fiscalizada). A explicação dos valores tributados como omissão de receitas na PSICRItu (processo nº 16643.000013/200908) e PSICRRJ (estes autos) ficou consignada no trecho do relatório fiscal transcrito abaixo (fls.809/810): 2003 Foram tributados valores cuja origem são os valores de contas correntes e dinheiro, partindo do principio de que as controladas no exterior (PSI e VILLAGE) liquidaram valores devidos a seus fornecedores e ainda emprestaram dinheiro ao Grupo Schincariol no Brasil, dinheiro este oculto na medida em que o Grupo Brasileiro não remeteu dinheiro suficiente para pagamento das aquisições de revenda das controladas. Foi aplicada a taxa de conversão de 31/12/03 e do resultado obtido foi retirado o valor que as fiscalizadas (PSICR ITU E PSICR RJ) ofereceram à tributação naquele ano calendário, ou seja, resultado não operacional apurado na ficha 06 da DIPJ daquele exercício. 2005 e 2007 foram coletados os valores exatos de restituição do capital apontados no razão abaixo demonstrado, deduzidos dos lucros que a PSICR e PSICR RJ ofereceram a tributação nos anos calendários mencionados no quadro. O valor de R$ 18.295.829,93 (fl.441))foi retirado da memória de calculo de equivalência patrimonial da PSICR RJ quando da apuração do ano calendário de 2005, conforme o seguinte calculo: valor de restituição/ devolução total Euros 38.144.031,47 multiplicado pela taxa de conversão da época R$ Fl. 851DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 9 8 2,76905 e multiplicado pelo percentual de participação do RJ 17,321868%. O valor da PSICR RJ de 2007 R$ 7.467.391,43 (fl.443) é fruto da soma das devoluções ocorridas em 13/11/07 e 30/11/07 como baixa do investimento nos valores de R$ 1.689.066,10, RS 4.076.721,13 e R$ 1.701.604,19, que equivale ao calculo R$ 35.642.228,32 (fl.378) devolvido a PSICR ITU dividido pela participação desta no capital da Village (82,6781320) e multiplicado pela participação da PSICR RJ no mesmo capital da controlada (17,3218680%). Inconformada, a contribuinte impugnou o lançamento. As razões da impugnação (fls. 664/701) foram assim resumidas na decisão recorrida, verbis: a. Ocorreu a decadência do direito do Fisco de proceder ao lançamento, cuja ciência se deu em 17/11/2009, dado que o suposto fato tributável teria ocorrido apenas em 2003, não sendo possível estendêlo em parcelas, para 31/12/2005 e 31/12/2007, e, ausentes o dolo, fraude ou simulação, seria imponível a aplicação do art. 150, § 4º do CTN, condição que levaria ao reconhecimento do término do prazo extintivo em 31/12/2008; b. O suposto fato tributário teria ocorrido por ocasião do contrato firmado entre a impugnante e a Geofinance em 12/11/2003, sendo descabido pulverizar esse suposto fato gerador para que projete efeitos em 2005 e 2007, pois significaria negar o regime de competência que a lei impõe às pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, sendo óbvio que a decadência fulminaria também os lançamentos reflexos; c. O Fisco está impedido de rever de ofício os critérios de contabilização de mútuos efetivados muito antes de 2003, desde 1999, conforme será demonstrado; d. A atuação está baseada em uma profusão de dispositivos legais – art. 24 da Lei nº 9.249/95, arts. 247, 249, inc. II, 251 e parágrafo único, 278, 279, 280, 281, 283 e 288 do RIR/1999 – que se revelam impróprios, sendo estranho o auditorfiscal ter buscado no relatório fiscal apoio no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, que encerra a hipótese de presunção de omissão de receitas no caso em que é detectada a existência de depósitos bancários de origem não comprovada, não guardando comunicação com a acusação feita (...)”; e. Os únicos dispositivos que poderiam dar fundamento ao lançamento, mas não o fazem, porque desconectados dos fatos, seriam os artigos 281 (saldo credor de caixa, falta de escrituração de pagamentos efetuados, manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada) e 283 (falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente) que trazem hipóteses de presunção de omissão de receitas que não são subsumidas à acusação fiscal; f. Desse modo, a inexistência de fundamento legal para a presente autuação foi, ao mesmo tempo, causa e efeito do Fl. 852DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 10 9 nascimento do presente auto de infração em que se tributou não o suposto auferimento de receitas que teriam sido remetidas ao exterior, mas sim o retorno desses valores; g. Houve apenas a restituição de capital, originário na conversão de passivos regularmente contabilizados no balanço da impugnante em momentos passados, muito anteriores aos períodosbase lançados, por participações no exterior; h. Caso houvesse alguma omissão de receitas, ela teria ocorrido no momento em que esses recursos foram auferidos e enviados ao exterior; i. Consta do próprio Termo de Verificação que a omissão teria ocorrido em datas passadas, mas não no retorno desses valores; j. Desse modo, como acusar a empresa, em 2009, de supostas omissões ocorridas em períodos anteriores seria improcedente, em face da decadência, a solução encontrada pela fiscalização foi considerar ocorrida a infração no ano de 2003, ocasião em que foi firmado o contrato entre a impugnante e a Geofinance, mas que também estaria decaído, razão pela qual o autuante adotou uma segunda solução, consistente em diluir o fato gerador em outros dois anos, quando houve o recebimento de valores por conta da participação na empresa Village, recebida naquela transação com a Geofinance em 2003; l. O próprio agente fiscal constatou que a Impugnante tinha dívidas com a PSI, sendo que os balanços desta não deixam dúvidas de que os passivos vêm desde 1999 e foram extintos em 31/12/2003: [...] m. No mesmo períodobase (2003), a Geofinance adquiriu ativos da PSI (debêntures, contas correntes com empresas o Grupo Schincariol no Brasil e participação societária na Village); depois, a Geofinance adquiriu por 16.2000.000,00 de euros a participação que a Impugnante detinha na PSI, que foi paga, fundamentalmente, com a participação na Village, contas correntes e debêntures da SEISA, sendo esta a operação que o Fisco considerou como irregular “legalização de valores”, consoante apontado no último parágrafo do TVF, sem levar em consideração que, se houve algum ganho, isso ocorreu exclusivamente naquele momento (2003), sendo que ele foi reconhecido e oferecido à tributação, o que foi aceito pelo exator (vide Dipj, doc. 10), embora tenha tomado um valor a menor, em prejuízo da Impugnante; n. As reestruturações societárias foram documentalmente comprovadas, com todos os registros contábeis pertinentes, tendo sido constatado pelo próprio Fisco a regularidade da documentação que suporta as transações, pois em nenhum momento o auditor fiscal alegou a falsidade dos documentos, preferindo tergiversar, emitindo opiniões de caráter pessoal; o. O Fisco não acusa a fiscalizada de ter auferido receita no exterior, nem de ter auferido lucros ou ganho de capital nas Fl. 853DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 11 10 datas apontadas no lançamento, mas afirma que o lançamento tem fundamento na omissão de receita por suposta restituição de capital do investimento; p. Se o capital já estava investido no exterior e, sob o ponto de vista do Fisco, a Impugnante é quem promovera o investimento e criara um esquema para seu retorno ao país, novamente se tem a questão de ser impossível se falar em omissão de receitas no retorno porque, se alguma omissão tivesse ocorrido, o que se nega, seria sempre no envio e não, no retorno. q. Além disso, se o contrato foi firmado em 20/10/2003, o regime de competência dos exercícios, obrigatoriamente aplicado às empresas jurídicas tributadas com base no lucro real, impõe que o registro da transação seja feito em 2003, quando o fato foi aperfeiçoado, não importando se as remessas foram feitas em duas datas posteriores; r. O fato eleito pelo Fisco ocorreu em 2003, ocasião em que a fiscalizada apurou ganho de capital, oferecendoo à tributação, o que foi inclusive considerado pelo auditor fiscal no lançamento sob censura, não se verificando diferimento da tributação, não podendo então o Fisco dividir o fato gerador; s. O mesmo auditorfiscal já havia tratado do assunto ora em questão, reconhecendo a tributação de fatos cuidados nestes autos junto ao processo nº 16328.001076/200611, cuja cópia do Termo de Verificação Fiscal encontrase em anexo; t. O auditorfiscal deduziu do lançamento o valor de R$ 10.944.422,24, relativo ao ganho de capital apurado em 2003 decorrente da transação com a Geofinance, conforme consta do quadro de fls. 11 do TVF; todavia, o valor correto é de R$ 31.643.627,10, conforme demonstrado nas planilhas e Dipj/2004 (docs. 10 e 11), o que levaria a um resultado negativo em 2003 de R$ 16.318.332,10, ao invés de um resultado a tributar de R$ 4.380.872,76, valor que anularia os demais valores tributáveis em 2005 e 2007; u. O Fisco sequer levou em consideração que os Títulos do Tesouro dos Estados Unidos – TBills que inflam a presente exigência (em 30/03/2005 – 27.004.350,00 e em 05/04/2005 – 9.494.717,40) pertencem a outra empresa (PrimoItu) que já havia sido autuada, nesses exatos valores, conforme cópia que se segue (doc. 12), a título de “depósitos bancários sem comprovação de origem” e que originou o processo nº 16024.00652/2007 [rectius, 16024.00642/200755], que atualmente está em fase de recurso voluntário no CARF. v. Além de ser imperativo a exclusão do valor lançado em duplicidade e relativo a outra pessoa jurídica, resta óbvio a confusão de conceitos engendradas para “encontrar” algum fato gerador em cada uma das fiscalizações feitas, tendo sido tomadas movimentações de ativos que já pertenciam à empresa como se fossem “fatos novos” e como se a disponibilidade Fl. 854DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 12 11 econômica ou jurídica de alguma renda estivesse sendo adquirida naquele momento; w. É incabível a multa agravada de 150% , pois, ainda que o Fisco tivesse razão, qual seria o motivo para se aplicar a multa de 75% a quem vende sem nota fiscal e de 150% neste suposto caso de omissão de receitas pelo retorno de capital de coligada no exterior que, tecnicamente, sequer poderia ser considerado receita omitida e que, ainda, incide sobre uma transação que resultou em um ganho de capital oferecido à tributação, fato este reconhecido pelo próprio autuante; x. Não parece razoável que alguém acusado de perpetrar toda uma série de atos dolosos, ainda assim levaria, espontaneamente, R$ 31.643.627,10 à tributação, relativos ao ganho de capital, podendo o Fisco discordar do tratamento tributário aplicado à transação, sendo demasiado tomar a conduta como prática dolosa de sonegação fiscal, pois, no máximo, estarseia diante de um caso em que o Fisco pretende tributar o valor total dos ativos recebidos, interpretação que, por absurdo, viesse a prevalecer, não seria possível exasperar a multa; y. Quanto aos lançamentos reflexos, as argumentações tecidas anteriormente são extensivas para os lançamentos de PIS, COFINS e CSLL. z. Protesta pela juntada posterior de documentos, bem como pela produção de todas as provas admitidas em Direito e, por fim, requer a nulidade dos lançamentos de oficio. A partir dos elementos acima relatados, a 1ª Turma da DRJ/SPOI julgou procedente a impugnação, cancelando o lançamento, em decisão que guardou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2005, 2007 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica os lançamentos da contribuição para o Programa de Integração Social (Pis), da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a estes outros lançamentos naquilo em que for cabível. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2005, 2007 OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO. DISSOCIAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. ERRO. LANÇAMENTO. IMPROCEDÊNCIA Fl. 855DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 13 12 A dissociação entre a descrição da infração imputada ao fiscalizado e as presunções legais de omissão de receitas a ela vinculadas, bem como a existência de erro na identificação do momento de ocorrência do fato gerador, impõe o cancelamento do lançamento. Os fundamentos da DRJ para a conclusão pela improcedência da autuação foram, em síntese, que: (i) o auditorfiscal fundamentou a constatação de omissão de receitas nos artigos 281, 283 e 288 do RIR/99, os quais veiculam diversas hipóteses de omissão de receitas deduzidas pela via presuntiva, embora conste da peça acusatória a imputação de uma única infração, consistente em omissão de receitas mediante introdução no país de receitas omitidas que se encontravam no exterior, o que não se subsume nos dispositivos legais mencionados; (i) não está evidenciada nos autos a existência de saldo credor de caixa, nem foram identificados pagamentos que teriam sido efetuados e não escriturados pela PSICRRJ, que poderiam configurar, respectivamente, as hipóteses de presunção de omissão de receitas previstas nos incisos I e II do art. 281 do RIR; (iii) também não é possível considerar que se trata da hipótese prevista no inciso III do referido dispositivo, dado que a peça fiscal não identifica as contas passivas e respectivos saldos que seriam inidôneos, nem a conduta ilícita imputada à contribuinte – simulação de restituição de capital investido para legalizar receitas omitidas que se encontravam no exterior – não se conformaria com a mencionada presunção legal de omissão de receitas com base em passivo fictício; (iv) a conduta infracional objeto de autuação, da mesma maneira, não se subsume a quaisquer das hipóteses omissivas de receitas previstas no artigo 283 do RIR (falta de emissão de nota fiscal, recibo ou documento equivalente), dispositivo também apontado no campo próprio do auto de infração; (v) o Termo de Verificação Fiscal contém outro enquadramento legal para a presente autuação, o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que, no caso concreto, não constam dos autos extratos bancários em nome da PSICRRJ, ou, tampouco, a intimação feita à contribuinte para justificar valores creditados ou depositados em contas de depósito ou investimento mantidas em instituições financeiras; (vi) a imputação fiscal não se amolda a nenhuma das hipóteses legais de presunção de omissão de receitas apontadas pelo autuante, impondose reconhecer a improcedência do presente lançamento; (vii) ainda que se aceitasse a tese do auditorfiscal de que a finalidade dos atos praticados pela fiscalizada e o seu grupo empresarial era o de internar “receitas omitidas”, o próprio relatório e a descrição da imputação fiscal deixam claros que o ato infracional não teria ocorrido nos momentos fixados no presente lançamento; (viii) o auditorfiscal, ao apontar que a Geofinance foi utilizada como mero instrumento para legitimar a entrada no país de receitas omitidas que se encontravam no exterior e que não tinham sido declaradas pelo Grupo Schincariol, tratandose de ingresso de “receitas omitidas que se encontravam no exterior”, evidencia que a infração tributária teria ocorrido em momento anterior àquele fixado no auto de infração; Fl. 856DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 14 13 (ix) o autuante, em trecho de seu relatório (fls. 647), indica ter conhecimento, inclusive, que a saída do numerário do país teria ocorrido sem o devido registro no Banco Central do Brasil, reforçando a percepção de que a receita foi auferida e omitida em momento anterior ao do retorno; (x) o momento da ocorrência do fato gerador e suas demais circunstâncias materiais constituemse em elementos essenciais do lançamento, por força do disposto no art. 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), razão pela qual o erro na identificação do momento da ocorrência do fato gerador impõe o cancelamento da autuação, restando prejudicadas as demais alegações, inclusive de decadência. Dessa decisão, recorreuse de ofício à instância superior, consoante o disposto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/97, e na Portaria do Ministro da Fazenda n.º 3, de 2008. A Fazenda Nacional, por seu procurador, apresentou contrarrazões (fls.824 842), em que sustenta a procedência do lançamento com base nos argumentos a seguir sintetizados: (i) a fiscalização demonstrou detalhadamente que os ingressos de recursos ocorridos em 2003, 2005 e 2007 no caixa da Contribuinte não guardavam a condição de "devolução de capital", haja vista que tiveram suporte em operações simuladas, com existência meramente formal e, com isso, constituíram receitas que deveriam ter sido oferecidas à tributação; (ii) a decisão da DRJ desviou e superou o objeto discutido nos presentes autos, a partir de ilações não compartilhadas pela Fiscalização, descendo a considerações sobre a "origem dos recursos que estavam no exterior" ou sobre "quando e por que os recursos teriam sido enviados ao exterior"; (iii) as operações da contribuinte carecem de propósito negocial, consistindo em ação com a única e exclusiva finalidade de reduzir a incidência de tributos devidos; (iv) no Termo de Verificação Fiscal (fls. 874 – Vol.05) pode ser constatado que várias operações ocorreram em datas próximas ou até no mesmo dia (ex.: operações com TBills ou algumas cessões de cotas), entre pessoas jurídicas ligadas e cuja existência mostrou se meramente formal, o que, de acordo com a jurisprudência do Conselho afastam a validade do planejamento; (vi) a empresa Geofinance foi apenas uma empresa veículo para legalização de valores que se encontravam no exterior. É o relatório. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Viviane Vidal Wagner O recurso de ofício atende aos pressupostos legais para seu conhecimento. Tratandose de reexame necessário, compete à segunda instância de julgamento analisar os fatos que ensejaram o lançamento para compreender o mérito da questão. No caso concreto, a complexidade dos fatos descritos no relatório exigem uma análise cuidadosa. A acusação fiscal aponta a infração denominada “Omissão de Receitas caracterizada pela utilização de planejamento tributário, pelo uso de controladas no exterior, para, através de mutação de venda e aquisição de investimento extinguila ao final e ter “restituição de capital” do investimento”, nos anoscalendário 2003, 2005 e 2007. Para demonstrar a ocorrência dos fatos geradores apontados, o auditorfiscal descreve uma sequência de operações de alteração societária em sociedades do Grupo Schincariol sediadas em países com tributação favorecida, imputando à autuada a infração de omissão de receitas, no momento em que teria ocorrido o retorno do capital investido na empresa Village Serviços Internacionais Lda (Village). Segundo a acusação fiscal, houve falta de propósito econômico que pudesse justificar o interesse da Geofinance Limited (Geofinance) em adquirir a Primo International INC (PSI), empresa controlada pela autuada e pela PSICRItu, e pela qual a compradora cedeu às vendedoras, como parte do preço de venda, cotas do capital da Village, visto que a atividade da PSI consistia em comprar mercadorias no exterior e revendêlas ao Grupo Schincariol no Brasil. Aduziu a autoridade fiscal que a rentabilidade decorrente dessa operação para a adquirente ficaria comprometida após a alienação, pois o Grupo deveria passar a operar com a própria Village, cuja atividade se assemelhava à da PSI, que perderia seu único cliente, visto que a descrição da constituição das empresas Grupo Schincariol no exterior demonstra que as pessoas jurídicas PSI e Village situavamse no mesmo endereço e detinham o mesmo objeto social. Os empréstimos feitos à PSI pela Geofinance em 2002, utilizados para aumentar o capital social daquela, também foram questionados pela fiscalização, que deduziu que as transações descritas poderiam ser justificadas se o dinheiro utilizado pela Geofinance na aquisição da PSI pertencesse a pessoa oculta. Dos fatos apurados decorreu a conclusão fiscal de que “a Geofinance foi apenas uma empresa veículo para legalização de receitas omitidas que se encontravam no exterior sem qualquer declaração do Grupo Schincariol” (fls. 645). O julgador de primeira instância reconhece que os autos contêm fortes indícios que parecem corroborar as conclusões do auditorfiscal acerca da anormalidade das operações realizadas pelas empresas do Grupo Schincariol, ponderando que “o auditorfiscal deixa claro que a conduta infracional cometida pela fiscalizada foi o de internar receitas omitidas que se encontravam no exterior”. Conclui, todavia, que os fatos apurados e descritos não correspondem à hipótese infracional prevista nos dispositivos legais apontados como fundamentos da autuação, bem como a referência ao ingresso de “receitas omitidas que se encontravam no exterior” evidencia que a infração tributária teria ocorrido em momento Fl. 858DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 16 15 anterior àquele fixado no auto de infração, gerando erro na identificação do momento da ocorrência do fato gerador. Cabe transcrever o excerto do voto do i. relator de primeira instância no ponto em que analisa subsunção da situação fática aos dispositivos legais referidos na autuação, verbis: Por sua vez, o Termo de Verificação Fiscal, documento em que estão relatados os fatos que fundamentam o presente lançamento e do qual é parte integrante, contém outro enquadramento legal para a presente autuação, o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996: Depósitos Bancários Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratase também de uma hipótese normativa de presunção de omissão de receitas que se concretiza quando o titular de conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, depois de regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nessas contas. A caracterização dessa infração passa, em síntese, pelo seguinte rito: o auditor fiscal, primeiramente, identifica a conta de depósito ou de investimento do contribuinte, discrimina os créditos e os depósitos nela efetuados que sejam de interesse da fiscalização e, posteriormente, intima o titular dessa conta a explicar a origem desses valores. Caso o contribuinte não justifique a origem e tributação dos depósitos e créditos bancários, restará caracterizada a presunção legal. Nesta hipótese de omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não justificados, o ônus da prova é do contribuinte que deverá apresentar elementos probantes que permitam identificar a origem dos recursos ingressados, bem como de sua regular escrituração. No caso em apreço, não constam dos autos extratos bancários em nome da PSICR RJ, ou, tampouco, a intimação feita à contribuinte para justificar valores creditados ou depositados em contas de depósito ou investimento mantidas em instituições financeiras É certo que o autuante menciona em seu relatório fiscal que os valores tributados foram obtidos “a partir do razão da conta investimentos da PSICRItu na Village” (fls. 649), identificada como “Conta 180001”. Todavia, a referida “Conta 18001” não é uma conta de depósito ou de investimento bancário, mas uma conta contábil patrimonial, destinada a registrar o valor de investimentos em outras sociedades e, mesmo que se possa dizer se tratar de uma “conta de investimentos”, sua natureza jurídica é diferente daquela “conta de investimento mantida junto a instituição financeira”, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Além disso, essa conta contábil sequer faz parte do plano de contas da escrituração contábil da fiscalizada PSICRRJ, sendo uma conta da PSICRItu. Portanto, verificase que a imputação fiscal não se amolda a nenhuma das hipóteses legais de presunção de omissão de receitas apontadas pelo autuante, impondose reconhecer a improcedência do presente lançamento. É de se observar que não se está negando a ocorrência dos fatos descritos pela autoridade autuante. Ao contrário, os autos contêm fortes indícios que parecem Fl. 859DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 17 16 corroborar as conclusões do auditorfiscal acerca da anormalidade das operações realizadas pelas empresas do Grupo Schincariol, demonstrando o diligente trabalho investigativo efetuado que, neste aspecto, merece elogio. Entretanto, ainda que se aceitasse a tese do auditorfiscal de que a finalidade dos atos praticados pela fiscalizada e o seu grupo empresarial era o de internar “receitas omitidas”, o próprio relatório e a descrição da imputação fiscal deixam claros que o ato infracional não teria ocorrido nos momentos fixados no presente lançamento. Com efeito, o autuante consigna que a Geofinance foi utilizada como mero instrumento para legitimar a entrada no país de receitas omitidas que se encontravam no exterior e que não tinham sido declaradas pelo Grupo Schincariol. Portanto, se se trata de ingresso de “receitas omitidas que se encontravam no exterior”, o auditorfiscal evidencia que a infração tributária teria ocorrido em momento anterior àquele fixado no auto de infração. Isto é, se a receita omitida já se encontrava no exterior, significa que a fiscalizada já a teria enviado para lá em momento anterior. Assim, a infração tributária, tal como descrita pelo autuante, já havia ocorrido anteriormente, na saída do numerário do país, ou até mesmo antes desta, mas não por ocasião do seu retorno na forma de restituição de capital. O autuante, em trecho de seu relatório (fls. 647), indica ter conhecimento, inclusive, que a saída do numerário do país teria ocorrido sem o devido registro no Banco Central do Brasil, reforçando a percepção de que a receita foi auferida e omitida em momento anterior ao do retorno. A descrição do fato jurídicotributário indica que a infração ocorreu no passado, e, supondose que ela tivesse se adequado a alguma das hipóteses legais apontadas pelo autuante, ainda assim o crédito tributário estaria maculado, na medida que teria sido constituído com erro na identificação do momento da ocorrência do fato gerador. Em outras palavras, o momento da ocorrência do fato gerador e suas demais circunstâncias materiais constituemse em elementos essenciais do lançamento, por força do disposto no artigo 142 da Lei nº 5.172/66 (CTN) e artigo 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), razão pela qual os vícios destas naturezas contidos nesta exigência fiscal impõem seu cancelamento. No mesmo sentido, e também por unanimidade, concluiu outra turma julgadora de primeira instância ao apreciar o lançamento em face da PSICRItu, com base nos mesmos fatos, formalizado nos autos do processo nº 16643.000013/200908, como atesta consulta aos sistemas da Receita Federal. A análise dos elementos constantes dos autos demonstram que essa conclusão não merece reparos. Interessam à identificação do fato gerador apontado na presente autuação as operações realizadas a partir de 30/11/2002, quando a PSICRRJ (autuada) ingressou como sócia da PSI e, em seguida, o ingresso da Geofinance como sócia da PSI, em 30/12/2002, quando integralizou capital com significativo ágio, o que passou a ser questionado pela autoridade fiscal. Posteriormente, em 01/11/2003, a PSI vendeu ativos para a Geofinance e, em 20/10/2003, a Geofinance adquiriu cotas da PSI pertencentes à PSICRRJ (autuada). O papel da Village passa a ter relevância a partir de 19/11/2003, quando de sua reavaliação em função do aumento de capital com o ingresso de novo sócio (PSI), que depois cedeu sua quota para Geofinance. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 18 17 Conforme apurou a autoridade fiscal, a Village sucedeu a PSI nas operações de compra no mercado e venda para o Grupo Schincariol, sem auferir lucro, e, mais, sem demonstrar a efetiva circulação de moeda, visto que os valores a receber das empresas do Grupo no Brasil permaneciam em contas correntes aguardando liquidação futura. Foi constatada, ainda, grande diferença entre as remessas efetuadas pela autuada e as aquisições de pessoas vinculadas e de paraísos fiscais realizadas pela autuada e outras empresas do Grupo. Além disso, verificouse que o ativo da PSI era formado exclusivamente por créditos contra empresas do Grupo Schincariol e participações societárias, não havendo ativo circulante. Ficou evidenciado, ainda, que o capital de terceiros integrado à PSI em 2001 e 2002 decorreu de empréstimos concedidos por Andree Overseas (cujo sócio principal era a PSICR RJ) e, em 2002, pelo ágio na aquisição de novas ações por parte da Geofinance. A autoridade fiscal questionou a participação da empresa Geofinance no processo de aumento de capital da Village, o qual, após a extinção desta, foi devolvido à autuada, já que, em razão do ágio aportado pela Geofinance na PSI, a autuada e a PSICRItu puderam se retirar da PSI levando os ativos (representados por créditos junto ao Grupo Schincariol). Tais ativos foram transferidos para a Village com a intervenção da Geofinance. O trabalho fiscal levantou evidências de que o planejamento tributário foi orquestrado pelo Grupo Schincariol, apurando que a Geofinance teria sido representada naquelas operações pelas mesmas pessoas que representavam o Grupo no exterior e que, posteriormente, a sua participação na PSI foi transferida à empresa Brantford Consulting Ltd, representada pelo Sr. José Nelson Schincariol. Sobre o desfecho das operações que ensejaram a presente autuação, a autoridade fiscal assim se manifestou: d) De posse das quotas integrais da Village, a PSICR E PSICR RJ realizaram a operação final, extinguir a VILLAGE, trazendo em retorno para o Brasil o dinheiro oculto no exterior, a liquidação das dividas em contas correntes (empréstimos e compra de mercadorias e ativos fixos, fundamentalmente). Restava finalmente como seria feita a transferência do dinheiro, em espécie, já que tal dinheiro não tinha lastro, ou seja, como receber dinheiro do exterior se não tinha registro da saída junto ao Banco Central do Brasil, e a solução encontrada foi realizar através da compra e venda de Letras do Tesouro Americano, utilizando para tanto, os serviços do Banco Credit Lyonnais (sempre o mesmo), sediado no Uruguai. Quanto às contas correntes por aquisição de mercadorias e ativos, (lembrando que PSI e Village haviam liquidado os valores junto aos fornecedores) se ajusta apenas com lançamentos contábeis, ou seja, o que era ativo (debito) na Village encontra o passivo (credito) na PSICRITU E PSICR RJ e fechamse por lançamento contábil. Chamase atenção que tal operação não poderia despertar qualquer suspeita pelo Banco Central do Brasil, naquele momento, uma das principais preocupações. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 19 18 Diante desse quadro, a autoridade fiscal tributou “os valores que, através da Geofinance, foram legalizados, como omissão de receitas, nas datas em que a PSICRITU e PSICR RJ tiveram o ressarcimento dos valores (2003, 2005 e 2007)”. Cabe referir que, embora a autoridade fiscal mencione nos autos que a internalização de valores em espécie mantidos irregularmente no exterior seria feita mediante operações envolvendo a Geofinance, o Credit Lyonnais, a PSI ou a Andree Overseas, as quais promoveriam a circulação por meio de TBills, tendo como intermediárias outras empresas brasileiras, a acusação fiscal em análise não envolve qualquer operação com TBills. No caso dos autos, o valor tributável apurado pela autoridade fiscal em 2003 correspondeu ao montante de Euros 5.000.000,00, convertido para reais e deduzido do valor oferecido como ganho de capital, com a justificativa de que “as controladas no exterior (PSI e VILLAGE) liquidaram valores devidos a seus fornecedores e ainda emprestaram dinheiro ao Grupo Schincariol no Brasil, dinheiro este oculto na medida em que o Grupo Brasileiro não remeteu dinheiro suficiente para pagamento das aquisições de revenda das controladas”. Inexiste no relatório, contudo, qualquer referência sobre a origem do montante apurado, nem qualquer esclarecimento sobre a vinculação do ganho de capital deduzido nessa operação, cujo montante foi, inclusive, questionado pela impugnante. Em relação aos anoscalendário 2005 e 2007, segundo o relatório fiscal, foram coletados os valores exatos de restituição do capital apontados no razão da conta de investimentos da PSICRITU na Village, deduzidos dos lucros que a PSICRRJ ofereceu à tributação nos respectivos anos. Os valores autuados correspondem, de fato, aos montantes restituídos à autuada, conforme a documentação que retrata a evolução patrimonial e o encerramento da Village. A identificação da origem dos valores autuados nos anoscalendário 2005 e 2007, contudo, não permite aduzir que estes seriam tributáveis naqueles momentos, considerando que toda a construção fiscal pretendeu demonstrar que tais valores teriam sido ocultados no exterior e a restituição de capital seria uma forma de retornálos sem tributação. Todavia, o enquadramento legal proposto, como bem apontou o relator de primeira instância, exige a evidência de uma hipótese de presunção de omissão de receita, o que, de fato, não se verifica nos autos. Diante do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 862DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO Processo nº 16643.000016/200933 Acórdão n.º 1202000.874 S1C2T2 Fl. 20 19 Fl. 863DF CARF MF Impresso em 06/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por NELSON LOSSO FILHO
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Numero do processo: 10865.002353/2007-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. PRAZO PARA PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO.
O prazo para o pedido administrativo de repetição de indébito reconhecido na via judicial, qüinqüenal, tem início na data do trânsito em julgado.
DECADÊNCIA. A tese em vigor anteriormente à Lei Complementar 118/05, segundo o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça, é a dos cinco mais cinco, isto é, o direito decai após dez anos do fato gerador.
Numero da decisão: 3401-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência com relação aos períodos de apuração de fevereiro a outubro de 1995. Por voto de qualidade, negar provimento para os demais períodos, em face da decadência, vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo Minatel, OAB 210198.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Relator.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE - Redator designado.
EDITADO EM: 08/01/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/10/1995 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECONHECIDO EM AÇÃO JUDICIAL PRÓPRIA. PRAZO PARA PEDIDO ADMINISTRATIVO. TERMO INICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. O prazo para o pedido administrativo de repetição de indébito reconhecido na via judicial, qüinqüenal, tem início na data do trânsito em julgado. DECADÊNCIA. A tese em vigor anteriormente à Lei Complementar 118/05, segundo o entendimento do E. Superior Tribunal de Justiça, é a dos cinco mais cinco, isto é, o direito decai após dez anos do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar a decadência com relação aos períodos de apuração de fevereiro a outubro de 1995. Por voto de qualidade, negar provimento para os demais períodos, em face da decadência, vencidos os Conselheiros Fernando Marques Cleto Duarte, Jean Cleuter Simões Mendonça e Angela Sartori. Designado o Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis. Sustentou pela recorrente Dr. Gustavo Minatel, OAB 210198. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 23 53 /2 00 7- 11 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 EDITADO EM: 08/01/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cleto Duarte e Angela Sartori Relatório Em 15.7.05, a contribuinte International Paper do Brasil Ltda. Protocolou Declaração de Compensação de créditos da contribuição para o PIS/PASEP de set/89 a out/95, no montante de R$ 31.376.715,48, com débitos de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IPI de junho a outubro de 2005, tendo em vista decisão judicial que reconheceu à interessada, nos autos da ação ordinária n° 90.00322677, o direito à repetição de indébito referente aos valores recolhidos a maior a título de PIS em decorrência inconstitucionalidade e suspensão da execução dos Decretoslei n° 2.445/88 e n° 2.449/88. Em Despacho Decisório do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, foi proposta a nãohomologação das compensações. Segundo o Despacho: a) os recolhimentos ao PIS no intervalo de mai/90 a out/95 não integram a demanda judicial da contribuinte que condenara a “União Federal a restituir à autora o valor recolhido com base na legislação declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; b) ocorreu a decadência dos pedidos, pois foram transmitidos depois de transcorrido o prazo de 5 anos do último recolhimento reclamado, em 30.10.95. Em 13.5.10, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese, que: a) era beneficiária de decisão judicial transitada em julgado que considerou inconstitucionais as alterações legislativas ultimadas pelos DecretosLei nº 2.445/88 e 2.449/88, porém para analise de processo administrativo, foi exigido que a contribuinte desistisse da ação judicial. Após cumprida a exigência foi realizado novo protocolo, sob nº 10830.002832/200564. A data para contagem do prazo decadencial correta é 28.2.05, data do protocolo do processo que exigiu a desistência da ação de execução judicial; b) a DRF/Limeira, ao concluir que os pedidos de restituição estariam decaídos pois não foram objetos da ação judicial, deixou de examinar o conteúdo e alcance da decisão. A sentença confirmada pelo TRF da 3ª Região assim dispõe: “Isto posto, e considerando tudo mais do que dos autos consta, julgo procedente a presente ação, reconhecendo a inexistência de relação jurídicotributária mencionada na petição inicial (…)” O reconhecimento por sentença transitada em julgado da inexistência da relação jurídico tributária é que autoriza a repetição de indébitos dos valores recolhidos após maio/90. c) nos autos do processo administrativo nº 10830.002832/200564, consta Despacho Decisório que defere expressamente a habilitação do direito creditório. Uma vez Fl. 561DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão n.º 3401001.740 S3C4T1 Fl. 544 3 reconhecido o direito ao crédito por autoridade competente, só com a anulação do Despacho Decisório que o habilita é que poderseia falar em decadência do crédito; d) caso não aceito o exposto acima, grande parte do pedido de restituição está dentro do prazo de para repetição do indébito. Segundo a jurisprudência do STJ, o entendimento é que a extinção do crédito tributário operese com a homologação do lançamento, o que resulta num prazo de 10 anos, 5 anos para a homologação tácita e mais 5 anos para o exercício do direito. O art. 3º da Lei Complementar nº 118/05 atinge as ações propostas após 9.6.05, data que passou a viger o referido instrumento normativo no ordenamento jurídico. Transcreve jurisprudência relativa ao seu entendimento do prazo decadencial; Em 24.6.10, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP acordou, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade. Segundo o voto: a) o deferimento do pedido de habilitação não significa reconhecimento do direito creditório, pois trata apenas da verificação dos requisitos previstos nos inc. I a IV do § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 517/05, abaixo transcritos: “§ 2º. O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I – o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II – a ação tem por objetivo o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III – houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV – houve homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito.” Portanto, o não reconhecimento do direito creditório pela autoridade a quo não violou qualquer norma, nem significou contrariedade a outro despacho decisório; b) quanto ao prazo para repetição, e conseqüentemente para compensação provenientes do trânsito em julgado de sua ação judicial, prazo correto é o estabelecido pelo Decreto nº 20.910/32: “Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem”. Assim, se o direito à repetição se originou com o trânsito em julgado de sua ação judicial, em 10.9.99, o prazo para seu exercício expirou em 10.9.04. Melhor sorte não restaria a contribuinte caso fosse aplicado o disposto no CTN. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Em 14.10.10, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, no qual repisou os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Conheço do recurso por ser tempestivo e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou Declaração de Compensação de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP de set/89 a out/95, com débitos de COFINS, PIS, IRPJ, CSLL e IPI de junho a outubro de 2005, tendo em vista decisão judicial. Não logrando êxito em sua demanda apresentou Recurso Voluntário, onde alega em síntese que o deferimento do pedido de habilitação não significa reconhecimento do direito creditório e de que o prazo decadencial é de 10 anos. No que tange ao pedido de habilitação, a decisão recorrida não merece o menor retoque, tendo em vista que o deferimento deste não significa reconhecimento do direito creditório, pois trata apenas da verificação dos requisitos previstos nos inc. I a IV do § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 517/05, abaixo transcritos: “§ 2º. O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: I – o sujeito passivo figura no pólo ativo da ação; II – a ação tem por objetivo o reconhecimento de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF; III – houve reconhecimento do crédito por decisão judicial transitada em julgado; e IV – houve homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito.” Portanto, o não reconhecimento do direito creditório pela autoridade a quo não violou qualquer norma, nem significou contrariedade a outro despacho decisório. Analisando as peças do processo judicial presentes nos autos deste processo administrativo, verificamos a existência de dois pedidos distintos, o primeiro a declaração de inexistência de relação jurídicotributária, e o segundo a repetição de indébito referente aos tributos pagos de set/89 a abr/90. Neste caso, a ação de execução teve como objeto apenas o segundo pedido, por este motivo, devemos considerar prazos decadenciais distintos para cada ponto da sentença, diferentemente do entendimento da contribuinte, que busca tratar todos os pontos da mesma maneira. No que tange aos períodos de mai/90 até out/95, como não estavam inclusos na execução, podem existir dois prazos decadenciais: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão n.º 3401001.740 S3C4T1 Fl. 545 5 cinco anos contados do trânsito em julgado da ação declaratória, isto é, 10.9.1999, conforme o inciso X do artigo 156, concomitantemente ao inciso I do artigo 168, ambos do CTN, reproduzidos abaixo: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) X a decisão judicial passada em julgado. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; dez anos contados da data do pagamento, conforme a tese dos cinco mais cinco, baseada no parágrafo 4º do art. 150 concomitantemente ao inciso I do art. 168, ambos do CTN, reproduzidos abaixo: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; No direito tributário devemos aplicar a interpretação mais favorável à contribuinte, tendo em vista que se considerarmos o prazo decadencial como cinco anos datados do trânsito em julgado, ela abrangerá todos os créditos, e que se considerarmos dez anos da data do pagamento ainda existirão créditos passíveis de compensação, devemos aplicar esta segunda interpretação. A jurisprudência do E. Superior Tribunal de Justiça corrobora o entendimento de que neste caso deve ser aplicada a tese dos cinco mais cinco, conforme reproduzo abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AOS ARTS. 535 E 458 DO CPC. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. MANDADO DE SEGURANÇA Fl. 564DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 PREVENTIVO. COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. PRESCRIÇÃO. COFINS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. ISENÇÃO. ART. 6º, INC. II, DA LEI COMPLEMENTAR N. 70/91 (LEI MATERIALMENTE ORDINÁRIA). REVOGAÇÃO. ART. 56 DA LEI N. 9.430/96. OCORRÊNCIA. PRECEDENTE DE RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA (REsp n. 826.428/MG). 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação aos arts. 535 e 458 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Não se depreende do acórdão recorrido o necessário prequestionamento do dispositivo legal apontado como violado (art. 1º da Lei n. 1.533/51), tampouco da tese jurídica aventada nas razões recursais, deixando de atender ao comando constitucional que exige a presença de causa decidida como requisito para a interposição do apelo nobre (art. 105, inc. III, da CR/88). Incidência da Sumula n. 211 desta Corte. 3. O mandado de segurança impetrado com o objetivo de se obter o reconhecimento do direito à compensação tributária tem caráter preventivo, em face de eventual autuação fiscal, de modo que deve ser afastada a alegação de decadência. Precedentes. 4. Consolidado no âmbito desta Corte que, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05, a prescrição é regida pela conhecida tese dos cinco mais cinco. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial no EREsp n. 644.736/PE. 5. A jurisprudência desta Corte cedeu ao entendimento consolidado no STF, para considerar válida a revogação da isenção prevista no art. 6º, inc. II, da Lei Complementar n. 70/91 (lei materialmente ordinária), perpetrada pelo art. 56 da Lei n. 9.430/96 (REsp n. 826.428/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1.7.2010, representativo de controvérsia, nos termos art. 543C do CPC e Res STJ n. 8/08). 6. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido. (REsp 833.409/BA, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 14/09/2010, DJe 06/10/2010) Portanto, os fatos geradores ocorridos após 28.2.95 não foram alcançados pela decadência, uma vez que nesta data a contribuinte apresentou seu pedido de habilitação, Fl. 565DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão n.º 3401001.740 S3C4T1 Fl. 546 7 devendo neste caso ser deferida a compensação pleiteada, tendo em vista a sentença declaratória de inexistência de relação jurídico tributária. No que tange aos períodos referentes à set/89 a abr/90, como estes foram alvo de execução contra a Fazenda Nacional, e houve renúncia desta ação, para cumprir o requisito presente no inciso IV do parágrafo 2º do art. 3º da Instrução Normativa nº 517 de 25.2.2005, reproduzida abaixo: Art. 3º Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o Pedido Eletrônico de Restituição e o Pedido Eletrônico de Ressarcimento, gerados a partir do Programa PER/DCOMP 1.6, somente serão recepcionados pela SRF após prévia habilitação do crédito pela Delegacia da Receita Federal (DRF), Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. 2º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: IV houve a homologação pela Justiça Federal da desistência da execução do título judicial ou da renúncia à sua execução, bem assim a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios, no caso de ação de repetição de indébito. Tendo em vista que a possibilidade de compensação surge apenas com a desistência da ação de execução, não podemos alegar que este direito sofreu decadência, tendo em viste que até este momento, sequer chegou a existir, este entendimento é corroborado no inciso IV do parágrafo 4º do art. 71 da Instrução Normativa nº. 900 de 30 de dezembro de 2008, que reproduzo abaixo: Art. 71. Na hipótese de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, a Declaração de Compensação, o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente serão recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, Derat ou Deinf com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. § 4º O pedido de habilitação do crédito será deferido pelo titular da DRF, Derat ou Deinf, mediante a confirmação de que: IV o pedido foi formalizado no prazo de 5 (cinco) anos da data do trânsito em julgado da decisão ou da homologação da desistência da execução do título judicial; e V na hipótese de ação de repetição de indébito, bem como nas demais hipóteses de crédito amparado em título judicial passível de execução, houve a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou a comprovação da renúncia à sua execução, e a assunção de todas as custas e dos honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 Frente a todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, dando provimento no que tange aos períodos de set/89 a abr/90, tendo em vista o objeto da ação de execução, tendo seu prazo decadencial contado da data da desistência da ação, bem como aos pagamentos ocorridos de mar/95 a out/95 tendo em vista a tese dos cinco mais cinco. Relator FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE – Relator. Voto Vencedor Emanuel Carlos Dantas de Assis, designado relator quanto ao termo inicial do prazo para o pedido administrativo escorado no direito reconhecido na ação judicial. Reportandome ao relatório e voto do ilustre Relator, peço vênia para divergir em relação ao termo inicial do prazo qüinqüenal para o pedido administrativo da repetição do indébito, que se escora na ação judicial transitada em julgado em 10/09/1999. Interpreto que esse prazo deve ser contado não do protocolo de desistência da ação judicial, como entendeu o voto vencido, mas do trânsito em julgado. Assim, em 28/02/2005, data do pedido de habilitação do direito creditório reconhecido judicialmente, o direito ao pedido administrativo com supedâneo na ação judicial já havia decaído. Apesar de não haver discordância quanto à data considerada (à unanimidade) como a do pedido de repetição do indébito – 28/02/2005, quando o contribuinte apresentou seu pedido de habilitação , neste dia o direito amparado na ação judicial já se encontrava decaído (aqui, a divergência, pelo voto de qualidade). Sem mais poder se escorar na ação judicial, em face decadência, o pedido de habilitação serve ao contribuinte para repetir os períodos de apuração de maio de 1990 a outubro de 1995, não contemplados naquela (o pedido judicial abrangia os períodos setembro de 1989 a abril de 1990). O provimento parcial para afastar a decadência em relação aos períodos de fevereiro de 1995 a outubro de 1995 (neste ponto também não houve discordância) levou em conta, além da data de 28/02/2005, a tese dos dez anos (ou cinco mais cinco) adotada pelo STJ para os pedidos anteriores a 09/06/2005 – cento e vinte dias após a publicação da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005. Ressaltado o cerne da divergência, cuido da interpretação que prevaleceu pelo voto de qualidade e concluiu que o termo inicial do prazo quinquenal para o pedido administrativo é a data do trânsito em julgado da ação judicial. Afasto a Instrução Normativa nº 900, de 30/12/2008, utilizada no voto vencido para considerar “que a possibilidade de compensação surge apenas com a desistência da ação de execução”, por ser posterior ao pedido administrativo (refirome ao pedido de habilitação, protocolado em 28/02/2005, e tido à unanimidade como válido para fins da compensação pleiteada). Independentemente da legalidade do art. 71 da referida Instrução Normativa – cujo caput estabelecia que o pedido de ressarcimento e o pedido de reembolso somente seriam recepcionados pela RFB após prévia habilitação do crédito pela DRF, a meu ver extrapolando os permissivos postos nas leis que regem a matéria –, é induvidoso que esse ato infralegal não se aplicava à época. Afinal, a legislação que deve ser aplicada à Fl. 567DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão n.º 3401001.740 S3C4T1 Fl. 547 9 compensação é a vigente momento do encontro de contas (e não a do pagamento que originou o indébito, por exemplo).1 Na época do pedido administrativo destes autos estava em vigor a IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que estabelecia o seguinte (negrito acrescentado): DISCUSSÃO JUDICIAL DO CRÉDITO Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. § 1o A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2o Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 3o Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4o A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF 1 O STF, tratando das limitações impostas pelas Leis nº 9.029/95 e nº 9.132/95, já interpretou que o regime jurídico é do momento do encontro de contas, conforme o julgado abaixo: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTÔNOMOS E ADMINISTRADORES. PAGAMENTO INDEVIDO. CRÉDITO UTILIZÁVEL PARA EXTINÇÃO, POR COMPENSAÇÃO, DE DÉBITOS DA MESMA NATUREZA, ATÉ O LIMITE DE 30%, QUANDO CONSTITUÍDOS APÓS A EDIÇÃO DA LEI Nº 9.129/95. ALEGADA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DO DIREITO ADQUIRIDO E DA IRRETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Se o crédito se constituiu após o advento do referido diploma legal, é fora de dúvida que a sua extinção, mediante compensação, ou por outro qualquer meio, há de processarse pelo regime nele estabelecido e não pelo da lei anterior, posto aplicável, no caso, o princípio segundo o qual não há direito adquirido a regime jurídico. Recurso não conhecido.” (STF, 1ª Turma, RE 254.459/SC, rel. Min. Ilmar Galvão, 23.5.2000, unânime. No mesmo sentido: STF, 1ª Turma, AIAgR 511024, rel. Min. Eros Grau, 14.6.2005, unânime). Embora o tema compensação, tãosomente (quando não envolve o direito intertemporal e divergências sobre aplicação de princípios constitucionais), seja de competência do STJ (assim já decidiu a 2ª Turma do STF, no Agravo Regimental no RE nº 230.2047/PR versando exatamente sobre os limites à compensação introduzidos pela Lei nº 9.129/95 – e no AIAgR 541448/RS, rel. Min. Gilmar Mendes, 14.3.2006, unânime), na situação em que discutidos o direito adquirido e a irretroatividade de lei tributária a competência passa a ser do STF. No julgamento com a ementa acima transcrita, o relator, Min. Ilmar Galvão, considerou que a lei a ser aplicada é aquela que regula a extinção do crédito tributário liquidado mediante compensação, e não a lei que trata da compensação no momento anterior do pagamento indevido que originou o indébito a compensar. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 darseá na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. Como se vê, a vedação introduzida pelo caput do art. 50 da IN RFB nº 900, de 2008, inexistia em 28/02/20052. O que havia, e continua havendo após o art. 170A do CTN, incluído pelo art. 1º da LC nº 104, de 10 de janeiro de 2001, é a vedação à compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado. Daí o termo inicial ser dado pelo trânsito em julgado da ação impetrada pela ora Recorrente. A corroborar a interpretação ora adotada, a jurisprudência do CARF, da qual menciono os acórdãos abaixo (negritos acrescentados): ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 16/10/1989 a 15/05/1990 FINSOCIAL. COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. DECADÊNCIA. Nos casos de ação judicial de repetição de indébito favorável ao contribuinte o prazo de cinco anos para requerer o direito na via administrativa deve ser contado a partir do trânsito em julgado da ação judicial. Constatado que no vencimento desse prazo o processo judicial encontravase arquivado por despacho judicial que indeferiu a remessa dos autos à Seção de Cálculos, em vista de inexistência de débito a liquidar, tendo esse arquivamento perdurado por quase 7 anos, há que se concluir pela perda do prazo para pleitear o direito administrativamente. (Processo nº 13502.000346/200783, Recurso nº 518.209 Voluntário, Acórdão nº 320200.304–2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 02 de junho de 2011, Relator Cons. José Luiz Novo Rossari, unânime). 2 Instruções Normativas posteriores à IN SRF nº 210, de 2002, mas anteriores à IN RFB nº 900, de 2008, continuaram sem vedar o simples recebimento do pedido de compensação (ou declaração de compensação) antes da desistência da ação de execução judicial. A IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, também não continha essa vedação (que me parece ilegal, ressalto), como se vê no § 2º do seu art. 50: Discussão Judicial Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1 º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação pelo Poder Judiciário da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 2 º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou da renúncia a sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. Alterada pela IN RFB nº 563, de 23 de agosto de 2005. § 3 º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4 º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10865.002353/200711 Acórdão n.º 3401001.740 S3C4T1 Fl. 548 11 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 31/01/1992 FINSOCIAL. RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA SOLICITAÇÃO DA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. DISCUSSÃO JUDICIAL. Segundo entendimento consolidado pelo STJ, nos termos do art. 168 do CTN, o prazo para pedir restituição é contado da extinção do crédito tributário, e a extinção não acontece somente com o pagamento, e sim com este e a homologação do lançamento, na forma do art. 156, VII, do diploma tributário pátrio. Se nesse ínterim o contribuinte submete o crédito tributário a discussão judicial, a extinção do crédito tributário fica condicionada ao trânsito em julgado do processo no Judiciário. Se a coisa julgada formouse em 12/09/2003, o prazo de cinco anos para pedir restituição encerrouse em 12/09/2008. Tendo em vista que o pedido administrativo é de 16/01/2001, não há como declararse fluido o prazo decadencial. Processo n• 13706.000145/200102, Recurso nº 136.070 Voluntário, Acórdão nº 30239.875, Sessão de 16 de outubro de 2008, Relator Cons. Corintho Oliveira Machado, unânime). Por fim, sublinho ter inexistido divergência quanto ao prazo de cinco anos para o pedido (a discordância se deu em torno da data inicial desse intervalo). Diante do art. 1º do Decreto nº 20.9103, de 6 de janeiro de 1932, parece certo o prazo qüinqüenal. Descabe cogitar, em se tratando de direito creditório com origem em ação judicial, da tese dos dez anos (cinco mais cinco) abraçada pelo STJ. A interpretação do STJ foi aplicada pelo Colegiado apenas para os períodos de apuração não incluídos na ação judicial, como já esclarecido mais acima. Pelo exposto, voto por considerar como data inicial do prazo qüinqüenal para o pedido administrativo a do trânsito em julgado. No mais, acompanho o voto do sábio Relator, na parte em que dá provimento para afastar a decadência dos períodos de fevereiro a outubro de 1995. Emanuel Carlos Dantas de Assis 3 Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em (cinco) anos, contados da data do ato ou fato do qual se originarem. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 09/01/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 37284.008813/2004-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003
DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Infração capitulada no art. 33, parágrafo 2°, da Lei n°8.212/91.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-003.025
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente
Thiago Taborda Simões Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003 DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Infração capitulada no art. 33, parágrafo 2°, da Lei n°8.212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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AUTO DE INFRAÇÃO: DEIXAR DE EXIBIR LIVROS E DOCUMENTOS.. Recorrente SINDICATO DOS EMPREGADOS NO COMÉRCIO DO DF Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/2003 DEIXAR A EMPRESA DE EXIBIR DOCUMENTOS E LIVROS RELACIONADOS COM AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Infração capitulada no art. 33, parágrafo 2°, da Lei n°8.212/91. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente Thiago Taborda Simões – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 28 4. 00 88 13 /2 00 4- 51 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 37284.008813/200451 Acórdão n.º 2402003.025 S2C4T2 Fl. 221 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve autuação fiscal lavrada em 15/03/2004 por descumprimento das obrigações tributárias acessórias definidas no art. 33 da Lei n° 8.212/91. No caso, o contribuinte deixou de exibir parte dos documentos solicitados por meio do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, datado de 28 de julho de 2003, para apresentação em 04 de agosto de 2003. Não foram apresentados os seguintes documentos: a) folhas de pagamento de diretores no período de 12/1995 e 01, 02, 03, 04 e 05/1996; b) comprovantes de pagamento dos autônomos contratados e demais prestadores de serviços; e c) alvarás, habitese e outros documentos relativos a obras de construção civil de sua responsabilidade (excetuados os contratos). Além disso, as folhas de pagamento de diretores, quanto apresentadas, não refletem todas as remunerações pagas, conforme apurado na contabilidade do contribuinte. Salientese que, devido à ausência de documentação ou sua insuficiência, os fatos geradores nas competências compreendidas entre 06/1996 a 12/2002 foram apurados de forma indireta, por meio da contabilidade do Recorrente. Ademais, a não apresentação dos documentos ensejou a aferição de valores nas competências de 12/1995 e 01, 02, 03, 04 e 05/1996, baseada no artigo 33, § 3º da Lei n ° 8.212/1991 e com o art. 233, parágrafo único, do Decreto n° 3.048/99. Com efeito, ao contribuinte fora imputada infração e multa prevista no art. 33, parágrafo 2°, da Lei n° 8.212/91. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação requerendo anulação integral do débito, alegando que: i) não deixou de apresentar a documentação requerida na fiscalização, bem como não houve deficiência na apresentação dos documentos; ii) o Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF constitui documento hábil a demonstrar que toda documentação requerida foi apresentada; iii) os débitos correspondentes às competências de 01/1993 a 05/1996 foram confessados e parcelados em 96 parcelas em 21/10/1997, conforme DEBCAD 557261180, às quais vinham sendo pagas regularmente, logo não poderia responder novamente pelo mesmo suposto débito; iv) as remunerações pagas aos administradores sindicais e aos diretores estão fora do campo de incidência das contribuições sociais; v) o contribuinte não pode ser fiscalizado duas vezes em relação ao mesmo período; e vi) é inconclusivo o Relatório da Multa Aplicada. Em caso de manutenção do lançamento, requer a restituição ou compensação dos valores pagos. A Gerência Executiva da Previdência Social do Distrito Federal proferiu decisão mantendo a autuação, sob o argumento de que: i) o contribuinte não juntou aos autos qualquer documento capaz de demonstrar que apresentou os documentos solicitados, não sendo o TEAF documento hábil para comprovar a entrega da documentação; ii) é prescindível que o Relatório da Multa Aplicada relacione a data e o valor dos pagamentos realizados pelo contribuinte, bem como quais guias sofreram omissão ou incorreção no seu preenchimento à época do fato gerador, com a indicação do valor correto e diferença encontrada; iii) os débitos confessados em parcelados no DEBCAD referemse às competências de 12/1993, 03/1994 a Fl. 225DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 4 03/1995 e 05/1995 a 05/1996, logo não existe duplicidade na cobrança; iv) o art. 149 do CTN e os arts. 225 e 229A da IN INSS/DC nº 070/2002 permitem a reabertura de fiscalização; iii) os diretores sindicais devem manterse vinculados à Previdência Social na qualidade de empregados; e iv) a penalidade aplicada encontrase fundamentada no art. 283, inciso II, "j", do Decreto n° 3.048/99, considerada a ausência de agravantes. Em face da decisão o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os termos da impugnação. Em 30/07/2004 sobreveio informação do “Serviço de Análise de Defesas e Recursos” da Previdência Social, negando seguimento ao Recurso por deserção, em função da não realização pelo contribuinte do depósito de 30% do valor do débito instituído pelo art.126, § 1º da Lei 8.213/91. O débito foi inscrito em dívida ativa e, posteriormente, incluído em parcelamento em âmbito administrativo. Em 08/03/2010, após determinada a rescisão do parcelamento pelo não recolhimento das prestações mensais desde janeiro de 2009, a Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário recebeu Mandado de Intimação da 4ª Vara Federal do DF para ciência e cumprimento do Acórdão que determinou o recebimento do Recurso interposto pelo contribuinte, com base na inconstitucionalidade da exigência do depósito recursal de 30%. Os autos foram encaminhados ao CARF para apreciação do Recurso. É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES Processo nº 37284.008813/200451 Acórdão n.º 2402003.025 S2C4T2 Fl. 222 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminar O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Compulsando os autos, verificase que o recorrente não atendeu integralmente a intimação realizada em 16/02/2004 na forma prescrita pelo Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD. Ademais, as informações relacionadas no Relatório da Multa Aplicada são suficientes para aferir a infração cometida e a penalidade cominada ao contribuinte, razão pela qual não deve ser considerado inconclusivo. Quanto à alegação do pagamento do débito mediante confissão e parcelamento, verificando o Termo de Parcelamento de fls. 50 e ss. verificase que de fato os débitos referentes às competências de 01/1993 a 05/1996 encontramse confessados. Entretanto não é possível depreender que foram incluídos na base de cálculo os valores decorrentes do descumprimento das obrigações acessórias que serviram de base para a autuação fiscal. Isto posto, face a não comprovação da presença das penalidades cominadas no referido parcelamento, entendo por não acolher a pretensão do Recorrente. Igualmente, não há que se falar em restituição ou compensação dos valores pagos no parcelamento, vez que não correspondem ao objeto da autuação fiscal ora discutida. Em relação ao argumento da impossibilidade da refiscalização, não há nos autos informação acerca de uma primeira fiscalização, mas apenas de confissão e parcelamento de débito, o que torna insubsistente a pretensão. Os dirigentes sindicais são segurados da Previdência Social, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTE SINDICAL INCIDÊNCIA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI INEXISTÊNCIA TESES NÃO PREQUESTIONADAS SÚMULA 282/STF CARÁTER REMUNERATÓRIAS DE VERBAS PAGAS – REEXAME NECESSÁRIO RECURSO ESPECIAL CABIMENTO PRECEDENTE DA SEÇÃO. 1. É cabível recurso especial tirado de acórdão que julga exclusivamente reexame necessário. Precedente: REsp Fl. 227DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES 6 905.771/CE da 1ª. Seção, julgado em 29.6.2010, ainda não publicado. 2. É inadmissível o recurso especial quanto a questão não decidida pelo Tribunal de origem, por falta de prequestionamento. 3. Inexistência de aplicação retroativa da legislação previdenciária, que sempre previu a incidência de contribuições previdenciárias sobre segurados obrigatório, empresário e contribuinte individual e sobre as quantias pagas pelos sindicatos, equiparados por força de lei às empresas, aos dirigentes remunerados. 4. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (Recurso Especial nº 5599114/ES, Segunda Turma. Relatora Ministra Eliana Calmon. DJU de 08/09/2010) Conclusão Isto posto, conheço do recurso voluntário e a ele nego provimento. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 228DF CARF MF Impresso em 26/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/11/201 2 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 06/11/2012 por THIAGO TABORDA SIMOES
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Numero do processo: 10783.904833/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DECADÊNCIA NA VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS.
Sendo o exame realizado dentro do prazo de cinco anos do envio da PER/DCOMP, não há decadência no direito da autoridade administrativa analisá-los.
RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. EXCLUSÃO DOS VALORES JÁ RESSARCIDOS.
O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores, sob pena de locupletamento indevido.
CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. .
Inexistindo crédito, não há que ser analisada a questão da correção destes.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-001.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
EDITADO EM: 28/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DECADÊNCIA NA VERIFICAÇÃO DOS CRÉDITOS. Sendo o exame realizado dentro do prazo de cinco anos do envio da PER/DCOMP, não há decadência no direito da autoridade administrativa analisálos. RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. EXCLUSÃO DOS VALORES JÁ RESSARCIDOS. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores, sob pena de locupletamento indevido. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. . Inexistindo crédito, não há que ser analisada a questão da correção destes. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso interposto. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 28/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 48 33 /2 00 9- 81 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Paulo Sérgio Celani, Daniel Mariz Gudiño e Leonardo Mussi da Silva. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instancia: Trata o presente processo de Declaração de Compensação Eletrônica, PER/DCOMP 41627.35357.300705.1.3.017185, onde o estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2004, no montante de R$ 24.079,23, apurado segundo o art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999: A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o deferimento do saldo credor indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$ 24.079,23 Valor do crédito reconhecido: R$ 0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao semestre em referência, atá a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 24.079,23 4.815,83 11.678,415 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, onde vem argumentando que houve erro do sistema na apuração do saldo credor apurado ao final do 3º trimestre de 2004 (que será o saldo credor de período anterior do mês de outubro de 2004). Segundo alega, o saldo credor do livro de registro e apuração do IPI era de R$ 81.208,90, sendo que o sistema apurou um saldo de R$ 29.647,11. No seu entendimento essa diferença, transportada para os períodos de apuração subseqüentes, teria feito com que o saldo credor apurado em junho de 2005 fosse reduzido para R$ 0,00, quando o correto deveria ser R$ 51.561,79. A utilização Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.904833/200981 Acórdão n.º 3201001.133 S3C2T1 Fl. 81 3 do saldo que entende correto (R$ 81.208,90 ao final do 3º trimestre de 2003) provocaria a superação do motivo do indeferimento. Alega ainda, que tal erro teria sido ocasionado pelo preenchimento errado do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, que continha a informação de que o saldo credor final de junho de 2005 seria R$ 0,00, informação que foi corrigida no formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775. Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a conseqüente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG indeferiu o pedido da contribuinte, conforme Decisão DRJ/JFA n.º 34.605, de 27/04/2011, assim ementada: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. CRÉDITO JÁ RESSARCIDO. EXCLUSÃO. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores sob pena de se apurar erroneamente o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR QUE PERMANECE NA ESCRITA. UTILIZAÇÃO NA AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS. O saldo credor que permanece na escrita deve ser utilizado, prioritariamente, na amortização dos saldos devedores eventualmente apurados no decorrer do tempo em que esse saldo permaneceu na escrita sem que fosse solicitado o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Intimado o contribuinte da decisão, apresenta recurso voluntário. Após, é dado seguimento ao processo. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES 4 Quanto à decadência, não merece guarida a pretensão da recorrente. Como bem podemos observar, a DCOMP enviada com o seu crédito data de 2005 e o presente processo teve início em 2009, ou seja, dentro do prazo de cinco anos para análise. Assim, é de ser afastada a preliminar de decadência levantada. Como se verifica, o crédito pretendido pela recorrente inexiste. Em relação aos supostos erros no preenchimento da PER/DCOMP, a autoridade julgadora analisouo e verificou que este inexistiu, já que a informação tida como incorreta foi mantida quando da apresentação da declaração retificadora, nestes termos: Com relação ao ponto central da discordância, o alegado erro no saldo do mês de junho/2005 supostamente causado pelo erro no preenchimento do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, temos que esclarecer, primeiramente, que a divergência de saldos para o final do mês de junho/2005, R$ 51.561,79 no formulário PER/DCOMP e R$ 0,00 na apuração pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC), não tem qualquer relação com esse erro de preenchimento informado. De fato, as informações relativas aos créditos e débitos do 2º trimestre de 2005, utilizadas na construção do livro do período após o ressarcimento (DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO DO PERÍODO APÓS O RESSARCIMENTO disponibilizado para a manifestante no sítio da Receita Federal do Brasil juntamente com o despacho decisório), foram retiradas do mencionado formulário, daquele que conteria o erro no saldo de junho/2005. Ocorre, porém, que tais informações (valores dos créditos e débitos do período) são idênticas às do formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775, o que demonstra que a divergência não foi ocasionada pelas informações prestadas naquele formulário. Ademais, a apuração da recorrente em relação aos saldos credores de IPI foi toda analisada, não sendo verificada a existência dos créditos pretendidos. A contrario sensu, a recorrente não trouxe aos autos qualquer documento que pudesse afastar a análise e decisão recorrida. Por fim, quanto ao pedido de correção monetária sobre os créditos de IPI, não tem melhor sorte a recorrente, já que não há o crédito pretendido. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 25 de outubro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES Processo nº 10783.904833/200981 Acórdão n.º 3201001.133 S3C2T1 Fl. 82 5 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 08/01/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por LUCIANO LOPE S DE ALMEIDA MORAES
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