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Numero do processo: 19515.001942/2002-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998
AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA.
A modificação de critério jurídico adotado pela autoridade tributária no exercício do lançamento, pela autoridade julgadora de primeira instância não é possível, ainda que se resulte em valores inferiores àquele originalmente lançado. A utilização de outro critério, diferente daquele originalmente utilizado, para a apuração do valor tributável mínimo do IPI, efetuado após diligência solicitada pela autoridade julgadora, configura-se como mudança de critério jurídico, que somente produzirá efeitos para fatos futuros, conforme disposto no artigo 146 do CTN.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-004.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. SEGURANÇA JURÍDICA. PROTEÇÃO DA CONFIANÇA. A modificação de critério jurídico adotado pela autoridade tributária no exercício do lançamento, pela autoridade julgadora de primeira instância não é possível, ainda que se resulte em valores inferiores àquele originalmente lançado. A utilização de outro critério, diferente daquele originalmente utilizado, para a apuração do valor tributável mínimo do IPI, efetuado após diligência solicitada pela autoridade julgadora, configurase como mudança de critério jurídico, que somente produzirá efeitos para fatos futuros, conforme disposto no artigo 146 do CTN. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que não conheceram e, no mérito, acordam, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencido o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os Conselheiros Júlio César Alves Ramos e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 42 /2 00 2- 11 Fl. 6204DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.204 2 Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão nº 3201001.912, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 20/12/1997 a 31/03/1998 IPI. REMESSAS PARA INTERDEPENDENTES. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. É nulo o auto de infração, com fundamento no art. 146 CTN, quando os resultados de diligência alteram o fundamentos iniciais, nos quais se estribaram o auto de infração. O presente processo referese a lançamento de IPI, acrescido de multa proporcional ao valor do imposto e juros moratório, referente às operações realizadas pela recorrente no período de 20/12/1997 a 31/03/1998, por suposta falta de lançamento e recolhimento do IPI, em razão de o contribuinte ter supostamente dado saída de produtos tributados destinados à empresa interdependente (AVON COSMÉTICOS LTDA. CNPJ 56.991.441/000157), calculando o imposto sem observar o valor tributável mínimo, nos termos dos artigos 123I e 124 do RIPI/98 (artigo 68, inciso I, alínea “a”, do RIPI/82), bem como por ter promovido a saída de seus produtos com alíquotas menores que as estabelecidas pela TIPI, conforme Termo de Constatação de fls. 1.674 a 1.678, que se reporta ao relatório fiscal de fls. 1.550 a 1.593. A turma julgadora a quo, por unanimidade de votos, acordou em dar provimento ao recurso voluntário, para anular o auto de infração, em virtude de suposta mudança de critério jurídico do lançamento, com fulcro no art. 146 do Código Tributário Nacional. A Fazenda Nacional interpôs embargos de declaração, para esclarecimento do tipo de vício que supostamente maculou o lançamento se nulidade material ou formal para efeitos do cabimento da regra veiculada no art. art. 173, II, do Código Tributário Nacional. Os embargos foram rejeitados, por entenderem os julgadores que a natureza do vício que maculou o lançamento de ofício não teria feito parte do objeto processual (Acórdão de Embargos nº 3201001.935, às fls. 6.095 a 6.097). Foram interpostos novos embargos pela Fazenda Nacional que foram rejeitados (Despacho de Admissibilidade de Embargos às fls. 6.122 a 6.123). Fl. 6205DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.205 3 A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls. 6.125 a 6.135), suscitando divergência em relação à nulidade do lançamento e à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido pela comprovação da divergência suscitada, conforme despacho de admissibilidade às fls. 6.194 a 6.197. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo: os autos foram recebidos na Procuradoria da Fazenda Nacional no dia 11/05/2016 e devolvidos no dia 13/05/2016, conforme despachos de encaminhamento (processo movimentado no eProcesso) às fls. 6.124 e 6.136. Por oportuno, cumpre relembrar que, nos termos do § 3º do art. 7º da Portaria MF nº 527/2010, os procuradores serão considerados intimados após o término do prazo de 30 dias, contados do recebimento dos autos. A recorrente alega divergência jurisprudencial em relação à nulidade do lançamento e à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Para comprovar o dissenso em relação à nulidade do lançamento foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos 20401.231 e 1302001.364. Quanto ao primeiro paradigma, não foram constatadas divergências jurisprudenciais. Com relação ao segundo paradigma (Acórdão 1302001.364), constatase a divergência jurisprudencial apontada pela Fazenda Nacional. Enquanto o acórdão recorrido decidiu pela nulidade do lançamento em virtude de suposta mudança de critério jurídico do lançamento, o acórdão paradigma entendeu que alterações processadas de ofício no lançamento pela autoridade fazendária, a favor do contribuinte, não seria causa a ensejar nulidade do auto de infração com fundamento em mudança do critério jurídico adotado inicialmente. Já para comprovar o dissenso em relação à segunda matéria (natureza do vício) foi colacionado, como paradigma, o Acórdão 3403002.987, que traz entendimento diverso acerca de matéria semelhante. Enquanto o acórdão recorrido decidiu pela anulação do lançamento por vício material, o acórdão paradigma entendeu que tal vício acarreta a nulidade do lançamento por vício formal. Com essas considerações, concluise que a divergência jurisprudencial foi comprovada também neste ponto. Portanto, a matéria devolvida ao Colegiado cingese à nulidade do lançamento e à natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento. Quanto à primeira matéria, nulidade do lançamento, o fundamento da decisão a quo foi a alteração do critério jurídico pela DRJ daquele adotado no auto de infração, Fl. 6206DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.206 4 após a realização de diligências propostas pelo julgador de primeiro grau, com base no art. 146 do CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Transcrevo trecho do voto recorrido acerca da questão, da lavra da Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo: “Na autuação, aplicouse o art.68, inciso I, “a” do Regulamento do IPI vigente à época, para se arbitrar o valor tributável [...]. Não obstante, na peça de impugnação afirmouse que não seria possível a apuração do valor tributável mínimo com fulcro no inciso I, do art. 68 transcrito, considerandose a ausência de vendas no mercado atacadista de sua praça, com seus produtos, que seriam exclusivamente destinados à sua interdependente, a empresa distribuidora Avon Comésticos. Por essa razão, aplicou para a formação da base de cálculo do IPI, a regrado inciso III do mesmo dispositivo, segundo o qual o valor é composto por custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem como do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação. Outrossim, foi contestada a metodologia de apuração do IPI devido, considerandose que a regra de valor tributável mínimo aplicada pela fiscalização, determinava que a referência para apuração seria o “preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente”, de maneira que haveria nulidade da autuação, pois sendo a remetente a Avon Industrial Ltda., cuja praça é a cidade de São Paulo, sendo este o mercado atacadista a ser considerado para análise. Não obstante, os levantamentos da fiscalização teriam se valido dos preços praticados pela Avon Cosméticos, estabelecida nas praças de Osasco, em São Paulo, e de Maracanaú, no Ceará, que seriam os destinatários dos produtos. Nesse contexto, quando da apreciação da impugnação do processo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, foi convertido o julgamento em diligência (fls. 1835 e ss.) [...]. Após a juntada de diversos documentos pela autuada, e de levantamentos de preços no mercado atacadista em que está estabelecida, pela fiscalização, temse, às fls. 4217 e ss., os resultados da diligência efetuada. Às fls. 4224 do referido relatório, afirmase que foram intimadas empresas concorrentes da Recorrente, na praça de São Paulo, para que apresentassem os preços correntes de venda de seus produtos, classificados nas posições 33.03 até a posição 33.07 da TIPI, solicitando deixar à disposição as respectivas notas fiscais, para conferência. E com base nos preços correntes praticados no mercado atacadista, pela Avon Cosméticos e pelas empresas concorrentes, foi calculada a média ponderada do preço de cada produto, conforme o parágrafo 5°, do artigo 68, do RIPI/82. Fl. 6207DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.207 5 Observouse que foram mantidos na pesquisa, os preços praticados pela Avon Cosméticos, porque compunha, a parcela mais significativa das vendas no mercado atacadista de São Paulo, além desta fornecer exclusivamente alguns dos produtos, sem similares na referida praça. [...]. Do reprocessamento de dados do levantamento, decorreram diversos relatórios de supostos erros de alíquota e base de cálculo, que, foram objeto de ajuste no crédito tributário apurado, que levaram à sua redução, conforme planilha às fls.4232. Posteriormente, considerandose que as médias ponderadas dos preços dos produtos que compunham o mercado atacadista da praça do remetente, foram calculados com base nos preços praticados nos mesmos períodos de dezembro de 1997 a março de 1998, ou seja, nos mesmos períodos em que ocorreram as saídas do estabelecimento remetente, a Recorrente, manifestouse no sentido de que haveria ofensa ao disposto no parágrafo 5° do artigo 68, do RIPI/1982, que dispunha que os cálculos deveriam ser realizados com base nos preços de mercado do mês precedente. Realizada nova diligência (relatório às fls.4957), foram refeitos os cálculos dos demonstrativos às fls. 3405 a 3611 e 4244 do Relatório de Encerramento de Diligência e, no seu curso, concluiuse a ocorrência de erros no levantamento anterior, [...]. Em face dos resultados dessas diligências, que foram acatadas pela decisão recorrida, alega a Recorrente que houve o estabelecimento de um novo critério para a determinação do valor mínimo tributável do IPI nas operações entre empresas interdependentes. Destarte, em face da alegação de que no lançamento original teriam sido adotados indevidamente os preços praticados pelo destinatário no cálculo da média ponderada, o levantamento final do crédito tributário veiculou diversos critérios de levantamento, quais sejam, o preço do destinatário, localizado em praça diversa, e os preços de produtos similares de empresas concorrentes localizadas na praça da Avon Industrial. E no referido levantamento entre empresas que supostamente atuavam no mesmo mercado , empresas “B” e “C”, que não foram identificadas por questões de “sigilo fiscal”, segundo a fiscalização, foi feito levantamento com base no gênero de cada mercadoria e seu código tarifário na TIPI, sem outras ponderações referentes à especificidade de cada item levantado, ou mesmo peso/volume dos produtos, a quantidade e qualidade Não houve outras informações complementares sobre a metodologia empregada, ou sobre os documentos que suportariam esse levantamento. Às fls. 5901 encontrase a decisão recorrida, donde se extrai que foi rechaçada a argumentação de mudança de critério jurídico do lançamento, sob o entendimento de que a diligência realizada não resultou em agravamento da exigência inicial, nem em inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência. Teria apenas ocorrido um “mero procedimento revisional do cálculo do crédito tributário”, que redundou em redução do valor lançado, no montante de R$28.939.500,62, de um valor inicial lançado de R$67.974.971,97. É patente que o caso dos autos não se trata de mero decote do lançamento anterior, ou seja, não se tratou de mero cálculo aritmético, pois cambiou a própria metodologia de efetivação de cálculos, que resultou em redução do crédito Fl. 6208DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.208 6 tributário. Aliás, sobre esse último ponto, apontado pela fiscalização como suficiente para legitimar os resultados das diligências, em nada altera esse quadro. A regra que estribou o lançamento original foi a da média ponderada dos preços da Recorrente e de sua interdependente comercial, nos próprios meses das saídas dos produtos. A regra que estribou o levantamento realizados nas diligências, foi a da média ponderada dos preços praticados por três contribuintes não identificados, localizados no praça da recorrente, mais os da interdependente comercial, nos meses anteriores aos da saída. Por essa razão, entendese plenamente aplicável o art. 146 do Código Tributário Nacional, que veda a mudança de critério jurídico do lançamento[...].” (grifo nosso) É incontroverso que a decisão de primeiro grau alterou o lançamento efetuado: o montante inicial lançado de R$ 67.974.971,97 foi reduzido em R$ 28.939.500,62. A dúvida está em configurar a essa alteração, que se processou pela modificação na forma de se apurar o valor tributável mínimo, como sendo uma modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento em consequência de decisão administrativa, ou como sendo um mero procedimento revisional do cálculo do crédito tributário. Entendo que as duas hipóteses se confundem: o procedimento revisional do cálculo do crédito tributário é perfeitamente possível e exigido sempre que se constate uma irregularidade no lançamento efetuado. É derivada do princípio de autotutela da administração, que deve rever seus próprios atos quando eivados de vícios e irregularidades. Entretanto, como forma de se proteger a segurança jurídica do sujeito passivo e sua confiança legítima, o legislador introduziu em nosso sistema tributário, a regra do artigo 146 do CTN, na qual a modificação no lançamento originada da revisão do ato administrativo, quando feita nos critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento, somente pode ser efetivada para fatos futuros. Dessa forma, a solução para a controvérsia reside em identificarmos se ocorreu uma modificação nos critérios jurídicos adotados no lançamento original pela decisão da DRJ após as diligências efetuadas. Constatase que a regra que estribou o lançamento original, para o cálculo do valor tributável mínimo, foi a da média ponderada dos preços da contribuinte e de sua interdependente comercial, nos próprios meses das saídas dos produtos. Já a regra que estribou o levantamento realizados nas diligências, foi a da média ponderada dos preços praticados por três contribuintes não identificados, localizados na praça da recorrente, mais os da interdependente comercial, nos meses anteriores aos da saída. Efetivamente houve um vício no lançamento original, na apuração da base tributável, vício esse reconhecido pelo julgador de primeiro grau após a diligência efetuada. A alteração processada somente ocorreu pela constatação do erro na apuração original, que alterou a forma de se apurar o valor tributável mínimo. Não se trata de cerceamento do direito de defesa, visto que o contribuinte revelou conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, Fl. 6209DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.209 7 de forma meticulosa, mediante impugnação e recurso, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, exatamente como ocorreu nos autos. Também não procede alegações de ausência de prejuízo, visto que o recálculo do crédito tributário se mostrou favorável ao contribuinte, tal como aconteceu nos autos. Tratase, pois, de uma vedação contida no Código Tributário Nacional como forma da proteção da confiança legítima do contribuinte. Para enquadrarmos a situação em análise àquela prevista no artigo 146 do CTN, importanos extrair o real alcance da norma, a partir de sua decomposição: 1. A modificação introduzida nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento A modificação no critério de apuração do valor tributável mínimo adotado pela autoridade administrativa é incontroversa: enquanto o lançamento original considerou a média ponderada dos preços da contribuinte e de sua interdependente comercial, nos próprios meses das saídas dos produtos, a retificação do lançamento considerou a média ponderada dos preços praticados por três contribuintes não identificados, localizados na praça da recorrente, mais os da interdependente comercial, nos meses anteriores aos da saída. Não se trata de mero erro de cálculo, mas de forma de apuração da base tributável do IPI a partir do conceito de valor tributável mínimo. 2. De ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial É incontroverso que a modificação foi introduzida em decorrência de decisão administrativa (Acórdão 1430.577, da DRJ/RPO, às fls. 5050 a 5061). 3. Somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução Consequente: apenas para fatos futuros à sua introdução, ou seja, apenas para fatos futuros a 24 de agosto de 2010, data da decisão da DRJ) Tal entendimento não diverge das seguintes decisões unânimes desta Terceira Turma de Julgamento da CSRF: Acórdão 930301.501 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Fl. 6210DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.210 8 Acórdão 9303001.690 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotandose um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto d infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. No mesmo sentido os Acórdãos CSRF/0104.535 e CSRF/0104.490. Quanto à segunda matéria, natureza do vício que ensejou a anulação do lançamento, a decisão a quo entendeu que não se tratava de vício formal, mas material. Temos entendimento convergente. Sendo a descrição dos fatos, a correta determinação da matéria tributável e da fundamentação legal elementos substanciais e próprios da obrigação tributária, os equívocos na sua determinação no decorrer da realização do ato administrativo de lançamento, que ensejaram sua revisão, que devem obedecer ao disposto no artigo 146 do CTN, tem natureza material, por alcançar a própria substância do crédito tributário. Diante do exposto, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinatura digital) Rodrigo da Costa Pôssas Declaração de Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Julguei oportuno explicitar minhas razões para ter acompanhado o relator no mérito, em virtude de ter, em recente julgado, manifestado o entendimento de que considero perfeitamente possível que a fiscalização proceda a novo lançamento, com base naquele critério que restar definido em julgamento administrativo, desde que respeitado o prazo decadencial e, obviamente, resguardados a ampla defesa e o contraditório. Fl. 6211DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.211 9 Quis dizer, então, que não vejo óbice na disposição do art. 146 para que, definida, pela autoridade julgadora administrativa ou pelo Poder Judiciário, a forma correta como o tributo deva ser exigido, que a fiscalização retorne a sujeito passivo objeto de ação fiscal anterior e efetue novo lançamento, quanto aos mesmos fatos geradores, pelo critério julgado correto. Nessa linha, o que o artigo do código restringe, a meu sentir, é a mudança de critério por parte da Administração, isto é, até dado período entenderse correto certo critério, que passa a nortear a ação do sujeito passivo, e, posteriormente, rever a Administração esse critério. É, no meu entender, essa mudança de critério que o legislador pretende alcançar, em respeito ao princípio da segurança jurídica, fazendo com que só incida para fatos posteriores. No caso concreto, exigiria que o arbitramento na forma inicialmente encetada pela autoridade fiscal incumbida da fiscalização já tivesse sido referendado pelas instâncias julgadoras em lançamento(s) anterior(es), e, neste processo, ele estivesse sendo revisto. Não me parece tenha sido este o caso, como também não fora no julgamento da reunião de janeiro a que me referi acima. Em ambos os casos o que se tinha era um auto de infração improcedente porque embasado em incorreto fundamento: neste, porque a autoridade lançadora entendeu que a expressão "praça" posta no ato regulamentar estaria se referindo ao local da efetiva comercialização do produto, ainda que diferente da cidade do remetente; no outro, porque afirmavase estar considerando a nãocumulatividade da COFINS, mas usavamse a alíquota da cumulatividade e o seu enquadramento legal. Em ambos, determinara a autoridade julgadora que o critério estava errado e qual seria o correto. Também em ambos, procedeuse a novo lançamento, no mesmo processo já em curso. Nos dois, igualmente, respeitaramse o contraditório e a ampla defesa, na medida em que a empresa foi cientificada do novo lançamento e se lhe deu prazo para manifestarse. A diferença é que, lá, o novo lançamento, adotando o critério correto apontado pela DRJ, foi feito dentro do prazo decadencial; aqui, não. Com efeito, a "diligência" requerida pela DRJ, somente foi concluída em 2008, mais de sete anos depois dos fatos geradores respectivos. Aliás, o prazo decadencial já estava escoado mesmo quando ela foi requerida, em 2003. É essa necessidade de respeito ao prazo decadencial que me leva a por entre aspas a expressão diligência acima. E é ela também que torna, de ordinário, imprestáveis esses lançamentos feitos no curso do próprio processo. E isso porque o instituto da diligência, posto no Decreto 70.235, destinase ao julgador e não à autoridade incumbida de lançar. Deveras, ela tem por objetivo dar ao julgador elementos que entendeu ausentes ou insuficientes para a formação de sua convicção. Não corresponde, pois, a uma autorização para ajustar ou corrigir lançamento improcedente que lhe chegue às mãos, ainda que valendose, para tanto, de novos procedimentos junto ao sujeito passivo, e mesmo que destes se dê ciência ao sujeito passivo e se lhe abra prazo para apresentar nova defesa. Fl. 6212DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.212 10 Dessas diligências, portanto, até pode resultar o agravamento da exigência anterior, consubstanciado nos chamados autos complementares. Entendo que somente quando neles está preservado o critério adotado originalmente é que não se pode falar, coerentemente, de decadência. E a razão é simples: tratase, então, e sem nenhuma dúvida, do mesmo lançamento anterior, complementado naquilo que faltante originalmente. No caso dos autos, exigiria que a instância julgadora concordasse que "praça" pode mesmo ser entendida como local de comercialização, mas houvesse detectado algum erro na apuração desse valor. E digo, em ambos os casos, de ordinário, porque até admito, em respeito aos princípios da formalidade mitigada e da instrumentalidade das formas, que o tal lançamento complementar se dê sob novas regras, desde que, como acima dito, respeitados o prazo decadencial, o contraditório e a ampla defesa. Assim penso porque a questão de ser aberta, propriamente, nova ação fiscal, ou darse continuidade a uma já em curso é de menor importância diante da verdade a ser perseguida. Mas o que definitivamente não podem ser a diligência e o auto complementar é, em conjunto, um instrumento para corrigir um lançamento improcedente quando já não mais possível novo lançamento. Tendo sido isto o que ocorreu no presente caso, votei pela nulidade acolhida pelo dr. Rodrigo Pôssas. (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Conselheira Vanessa Marini Cecconello Com a devida vênia ao excelente voto do nobre Relator, ousei divergir do mesmo tão somente com relação à admissibilidade do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Embora tenha prevalecido, no julgamento pelo Colegiado, o entendimento de que haveria de ser dado seguimento ao apelo especial, pertinente declarar as razões pelas quais votei pelo não conhecimento. Conforme bem relatado, tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 3201001.912, que deu provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração, com fulcro no art. 146 do Código Tributário Nacional – CTN, por ter havido alteração substancial dos fundamentos utilizados para lavratura do auto de infração. Da análise do acórdão recorrido, depreendese ter sido o argumento principal para anular a autuação a ocorrência de vício de ordem material no lançamento, por alteração do critério jurídico após a realização de diligência, não havendo discussão quanto ao cerceamento de defesa da Contribuinte. Destaquese os seguintes trechos do julgado, in verbis: [...] Fl. 6213DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.213 11 Conforme explanado na mencionada Representação Fiscal, durante os trabalhos realizados nas empresas Avon Industrial Ltda. e Avon Cosméticos Ltda., verificouse que em julho de 1995, a Avon Cosméticos criou a Avon Industrial, para a qual transferiu toda a produção industrial, passando apenas a revender os produtos para as revendedoras finais, não figurando mais como contribuinte do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados. Nesse processo, a Avon Industrial fazia primeiramente uma remessa em consignação, quando era tributado o IPI, e posteriormente, quando da venda da Avon Cosméticos para as revendedoras, fazia uma venda sem tributação. [...] No que tange ao IPI as acusações gravitam em torno de dois pontos: a acusação de subfaturamento e errônea aplicação de alíquotas em virtude de incorreta classificação fiscal dos produtos em referência. Observese que o caso concreto, ainda, guarda questão prejudicial crucial para o deslinde da controvérsia, qual seja, a alegação de alteração do critério jurídico do lançamento, na medida em que o presente processo foi duas vezes convertido em diligências, que resultaram em apurações de informações pela fiscalização, que poderiam implicar a alteração do fundamento inicial da autuação. Em conformidade com citado Relatório Fiscal e seus anexos, a Recorrente teria subfaturado as suas vendas em 1997 e 1998, visando à redução das bases de cálculo do IPI, na medida em que a Avon Cosméticos Ltda. compraria produtos bem abaixo do seu mercado atacadista. De acordo com a fiscalização, a sistemática utilizada seria a de segregar atividades, para assim reduzir o faturamento da indústria, cujo base de cálculo do IPI, repassando as mercadorias para a comercial por um preço menor; ao passo que a comercial, por seu lado, por não estar sujeita ao IPI, recebia os produtos já industrializados da sua coligada (indústria), com valor subfaturado, aplicando margem de comercialização adequada, isenta de IPI. Foi arbitrado o valor do IPI, com base na acusação de subfaturamento, de acordo com a seguinte metodologia descrita no Termo de Verificação Fiscal (fls.1568): 34.Somente após termos verificado a consistência de todos os dados é que passamos a efetuar todas as análises que descrevemos nos tópicos a seguir. Comparamos, por exemplo: a) os totais das vendas da Avon Industrial, com base nas notas de venda, com as compras da Avon Cosméticos, com fundamento em suas notas de compra: b) as classificações fiscais das mercadorias com a TIPI, respectivas alíquotas e denominações dos produtos; c) os totais de venda e compra da Avon Industrial e da Avon Cosméticos, com os respectivos registros contábeis, balancetes e demais informações disponibilizadas à fiscalização; [...] Fl. 6214DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.214 12 37.Apresentamos abaixo os relatórios conclusivos emitidos, decorrentes desse trabalho: a) “Preços Praticados na Avon Cosméticos Ltda. ", resultado da pesquisa nos arquivos de Notas de Venda da Avon Cosméticos, dos preços de venda em cada mês. Para janeiro a abril de 1997, o preço de venda considerado foi primeiro encontrado nos meses subseqüentes. [...] d) “Relatório de Saídas por decêndio", resultado da aplicação do preço praticado na Avon Cosméticos, conforme relatório no subitem "a", calculando o IPI devido conforme relatório no subitem em todas as saídas de produtos da Avon Industrial relativas a vendas a Avon Cosméticos, resultando na apuração de: a.1) subfaturamento da Avon Industrial, referente às vendas realizadas a Avon Cosméticos; a.2) Valor do IPI calculado sobre os valores subfaturados. e) “Relação de Saídas 02 a 041997 por decêndio", decorrente da aplicação do preço que teria sido praticado pela Avon Cosméticos, conforme estimativa (arbitramento) no relatório conforme subitem "a", dai resultando a apuração de: a.1) subfaturamento da Avon Industrial, referente às vendas realizadas a Avon Cosméticos; a.2) Valor do IPI calculado sobre os valores subfaturados. [...] Na autuação, aplicouse o art.68, inciso I, “a” do Regulamento do IPI vigente à época, para se arbitrar o valor tributável, que assim dispõe: Art. 68. O valor tributável não poderá ser inferior (Lei nº 4.502/64, art. 15; e Decretosleis nºs 34/66, art. 2, alteração 5ª, e 1.593/77, art. 28): I – ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente: a) quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência, ressalvado o disposto no inciso I do art. 64; [...] Outrossim, foi contestada a metodologia de apuração do IPI devido, considerandose que a regra de valor tributável mínimo aplicada pela fiscalização, determinava que a referência para apuração seria o “preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente”, de maneira que haveria nulidade da autuação, pois sendo a remetente a Avon Industrial Ltda., cuja praça é a cidade de São Paulo, sendo este o mercado atacadista a ser considerado para análise. Não obstante, os levantamentos da fiscalização teriam se valido dos preços praticados pela Avon Cosméticos, estabelecida nas praças de Osasco, em São Paulo, e de Maracanaú, no Ceará, que seriam os destinatários dos produtos. Fl. 6215DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.215 13 Nesse contexto, quando da apreciação da impugnação do processo pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, foi convertido o julgamento em diligência (fls. 1835 e ss.), para: [...] Do reprocessamento de dados do levantamento, decorreram diversos relatórios de supostos erros de alíquota e base de cálculo, que, foram objeto de ajuste no crédito tributário apurado, que levaram à sua redução, conforme planilha às fls.4232. Posteriormente, considerandose que as médias ponderadas dos preços dos produtos que compunham o mercado atacadista da praça do remetente, foram calculados com base nos preços praticados nos mesmos períodos de dezembro de 1997 a março de 1998, ou seja, nos mesmos períodos em que ocorreram as saídas do estabelecimento remetente, a Recorrente, manifestouse no sentido de que haveria ofensa ao disposto no parágrafo 5° do artigo 68, do RIPI/1982, que dispunha que os cálculos deveriam ser realizados com base nos preços de mercado do mês precedente. Realizada nova diligência (relatório às fls.4957), foram refeitos os cálculos dos demonstrativos às fls. 3405 a 3611 e 4244 do Relatório de Encerramento de Diligência e, no seu curso, concluiuse a ocorrência de erros no levantamento anterior [...]. [...] Em face dos resultados dessas diligências, que foram acatadas pela decisão recorrida, alega a Recorrente que houve o estabelecimento de um novo critério para a determinação do valor mínimo tributável do IPI nas operações entre empresas interdependentes. Destarte, em face da alegação de que no lançamento original teriam sido adotados indevidamente os preços praticados pelo destinatário no cálculo da média ponderada, o levantamento final do crédito tributário veiculou diversos critérios de levantamento, quais sejam, o preço do destinatário, localizado em praça diversa, e os preços de produtos similares de empresas concorrentes localizadas na praça da Avon Industrial. E no referido levantamento entre empresas que supostamente atuavam no mesmo mercado , empresas “B” e “C”, que não foram identificadas por questões de “sigilo fiscal”, segundo a fiscalização, foi feito levantamento com base no gênero de cada mercadoria e seu código tarifário na TIPI, sem outras ponderações referentes à especificidade de cada item levantado, ou mesmo peso/volume dos produtos, a quantidade e qualidade. Não houve outras informações complementares sobre a metodologia empregada, ou sobre os documentos que suportariam esse levantamento. [...] É patente que o caso dos autos não se trata de mero decote do lançamento anterior, ou seja, não se tratou de mero cálculo aritmético, pois cambiou a própria metodologia de efetivação de cálculos, que resultou em redução do crédito tributário. Aliás, sobre esse último ponto, apontado pela fiscalização como suficiente para legitimar os resultados das diligências, em nada altera esse quadro. Fl. 6216DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.216 14 A regra que estribou o lançamento original foi a da média ponderada dos preços da Recorrente e de sua interdependente comercial, nos próprios meses das saídas dos produtos. A regra que estribou o levantamento realizados nas diligências, foi a da média ponderada dos preços praticados por três contribuintes não identificados, localizados no praça da recorrente, mais os da interdependente comercial, nos meses anteriores aos da saída. Por essa razão, entendese plenamente aplicável o art. 146 do Código Tributário Nacional, que veda a mudança de critério jurídico do lançamento, nos seguintes termos: [...] Corrobora a afirmação o fato de que o art.149 do mesmo diploma normativo elenca expressamente as hipóteses de revisão de ofício do lançamento. Nesse contexto, do que foi até o presente momento apreciado, já há fundamento hábil a sustentar a nulidade de pleno direito do lançamento. E não se tratando de nulidade meramente formal, para que houvesse a cobrança do suposto crédito tributário, deveria haver novo lançamento de ofício, desde que observado o novo prazo decadencial. Observese que se caminhássemos adiante na análise dos vícios do lançamento, outras questões viriam à baila, como a metodologia do levantamento, que não trouxe parâmetros claros para se verificar se os preços de referência seriam de mercadorias da mesma espécie dos produtos fabricados pela Recorrente , nos termos do AD CST n° 5/82. [...] Contra a decisão de provimento do recurso voluntário, ratificada pelo Acórdão nº 3201001.935 que rejeitou os embargos de declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, esta insurgiuse por meio de recurso especial suscitando divergência quanto à existência de nulidade na autuação e a natureza do vício. Para comprovação do dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs: (a) 20401.231, alegando ausência de nulidade pois o vício no lançamento, se existente, não teria ocasionado prejuízo ao exercício da ampla defesa e do contraditório pela Contribuinte; (b) 1302001.364, embasando argumento de que o recálculo do crédito tributário a favor do Contribuinte, não enseja a nulidade do auto de infração por mudança do critério jurídico inicialmente adotado; e (c) 3403002.987, para demonstrar ser o vício por mudança de critério jurídico de natureza formal. No exame de admissibilidade, foi dado seguimento ao recurso especial, nos seguintes termos: (a) com relação ao acórdão nº 20401.231, foi considerada como não comprovada a divergência jurisprudencial por ausência de identidade entre os arestos confrontados. Isso porque "[...] seguindo o entendimento do acórdão paradigma, não caberia a anulação do lançamento quando não restou configurado o efetivo e concreto prejuízo à defesa. Entretanto, o fundamento da decisão recorrida foi outra matéria: a suposta mudança de critério jurídico do lançamento.". Fl. 6217DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.217 15 (b) com base nos acórdãos paradigmas nºs 1302001.364 e 3403002.987, que tratam da natureza do vício do auto de infração pela mudança de critério jurídico no lançamento, foi acolhida a alegação de dissenso interpretativo. Ocorre que, com a devida vênia, o recurso especial da Fazenda Nacional não merece ter seguimento, pois embora os acórdãos paradigmas nºs 1302001.364 e 3403002.987 não tratam de situações fáticas similares a dos presentes autos, pois: (a) no acórdão nº 1302001.364, tratouse de hipótese de mero recálculo de valores objeto do lançamento, consistindo em simples operação aritmética após terem sido analisados novos documentos, ao contrário dos presentes autos, em que houve alteração do próprio método da realização dos cálculos, na forma enfatizada pela decisão recorrida; (b) já o acórdão nº 3403002.987 referese à ocorrência de nulidade do auto de infração por vício de ordem formal, no entanto, tendo ocorrido naquele caso descrição incorreta no fato motivador do lançamento pois, em momento posterior, foi comprovado pelo Contribuinte a existência de processo judicial informado em DCTF, o que teria sido o motivador do lançamento. Além disso, deuse o embasamento nos requisitos formais estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e no art. 142 do CTN, não havendo sequer menção e/ou debate acerca do art. 146 do CTN. Também com relação a este segundo paradigma, diversa é a hipótese dos autos, em que houve equívoco na metodologia utilizada pela Fiscalização para a lavratura da autuação, sendo posteriormente modificada em diligência solicitada em sede de julgamento de impugnação. Com as vênias que são devidas à posição contrária, que inclusive prevaleceu no julgamento pelo Colegiado, não há, portanto, dissenso de interpretação a ensejar a admissibilidade do recurso especial. Ultrapassada a admissibilidade do apelo especial da Fazenda Nacional, no mérito, decidiu a Egrégia 3ª Turma da CSRF pela existência de nulidade do auto de infração, em razão da alteração de critério jurídico do lançamento, caracterizada como vício de ordem material, entendimento do qual se compartilha. A relevância de se distinguir se o vício que maculou o lançamento é de ordem formal ou material está no fato de o Código Tributário Nacional CTN prolongar o prazo de decadência para que seja constituído o crédito tributário quando se reconhece a existência do vício formal, conforme inteligência do seu art. 173, inciso II. O vício formal pode ser entendido como aquele que atinge o procedimento e, não raro, pode ser sanado sem a necessidade de anulação do ato de lançamento original, podendo ser corrigido pela própria autoridade julgadora. Assim, estarseá diante de vício formal quando defeituoso(s) algum(ns) do(s) pressuposto(s) de formação do ato administrativo, a saber: (a) o agente competente; (b) o procedimento estabelecido na norma para a sua constituição e(c) o motivo do ato. O vício material, por sua vez, por macular a substância do lançamento, norma individual e concreta, prejudica a validade da obrigação tributária, sendo imprescindível nesses casos a realização de um novo ato administrativo de lançamento. Portanto, o vício material é a ilicitude nos elementos da estrutura normativa do ato: (a) o fato jurídicotributário; e (b) a Fl. 6218DF CARF MF Processo nº 19515.001942/200211 Acórdão n.º 9303004.627 CSRFT3 Fl. 6.218 16 relação jurídica tributária da regramatriz de incidência tributária, ambos componentes internos do ato administrativo. Nessa hipótese, há equívoco, no momento da realização do lançamento, na análise das condições legais para a exigência do tributo ou constituição do crédito tributário. Constatada a nulidade da autuação pela ocorrência de vício material, em virtude de alteração posterior de critério jurídico do lançamento, por ter sido inicialmente utilizada a metodologia equivocada de cálculo do crédito tributário, caberá à Administração Tributária sanar o equívoco mediante novo lançamento, sem o defeito apontado, desde que não tenha decaído o direito de fazêlo. A decretação de nulidade do lançamento por vício material não suspende ou interrompe o prazo decadencial para outro lançamento, pois não aplicável a disposição contida no art. 173, inciso II do CTN. Portanto, inconteste nos presentes autos a existência de vício material que tornou nulo o auto de infração lavrado pela Administração Tributária, por alteração posterior de critério jurídico consistente na metodologia de cálculo do crédito tributário devido. Com base nessas considerações, divergi do nobre Relator na admissibilidade, não conhecendo do recurso especial e, vencida, o acompanhei no mérito para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, reconhecendo a nulidade do auto de infração por vício material. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 6219DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.730238/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º).
Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas.
Numero da decisão: 2202-003.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. (Lei nº 9.250/1995, art. 8º, inc. II, § 2º). Sanada a falta apontada pela Autoridade lançadora, devem ser aceitos os recibos comprobatórios das despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 02 38 /2 01 4- 41 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 08/12), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2011, ano calendário de 2010, em que foram glosados R$ 52.064,00 indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagas a: · Cesar Antônio Castellan, no valor de R$ 2.600,00, pois apresentados comprovantes de depósitos nos quais não é possível identificar se os pagamentos se referem a despesas médicas; · Caroline Liell, no valor de R$ 8.400,00, recibos apresentados não informam o endereço da profissional; · Denise Silveira Warszawsky, no valor de R$ 500,00, recibo apresentado não informa o endereço da profissional nem está assinado pela profissional; · Eduardo Martins de Carvalho, no valor de R$ 1.200,00, pois apresentados comprovantes de depósitos nos quais não é possível identificar se os pagamentos se referem a despesas médicas; · Pedro Nery da Luz Junior, no valor de R$ 12.300,00, recibos não indicam o endereço do profissional e um dos recibos, contém carimbo da especialidade de urologia e informa que o valor pago referese a fonoterapia; · Leandro Giacometti da Silva, no valor de R$ 27.064,00, recibos não indicam o paciente da fisioterapia, na maioria dos documentos não consta o endereço do profissional e nos poucos restantes, a informação não está completa. Foi apresentada impugnação tempestiva alegando que os valores das despesas médicas referemse a tratamento da própria contribuinte que fora acometida de AVC no ano de 2003, tendo ficado absolutamente incapaz, exigindo atendimento médico em tempo integral, o que justifica o elevado valor gasto com despesas médicas. Junta Certidão de Óbito da notificada, ocorrido em 12/11/2011 (fls. 03), Certidão do Poder Judiciário do RS, dando conta que foi nomeado inventariante o herdeiro Mirko Lauffer Júnior (fls. 04) e recibos às fls. 13/32 (Leandro, fls. 13/20; Pedro Luz Jr, fls. 21/24; Eduardo Carvalho, fls. 25/26; Denise, fls. 27; Caroline, fls. 28/32). Não apresentou qualquer documento ou argumento com relação às despesas glosadas de Cesar Antônio Castellan. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), julgou improcedente a impugnação, conforme acórdão de fls. 91/97, mantendo a glosa das despesas médicas haja vista que os documentos apresentados não suprem as faltas apontadas pela autoridade lançadora. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 11080.730238/201441 Acórdão n.º 2202003.938 S2C2T2 Fl. 124 3 Cientificado dessa decisão por via postal em 17/03/2015 (A.R. de fls. 107), o inventariante apresentou Recurso Voluntário em 23/03/2015 (fls. 109), informando estar juntando declarações dos profissionais que trabalharam e perceberam honorários, com relação a serviços médicos na tentativa de recuperação física da paciente, Dr. Pedro Nery da Luz Junior e o fisioterapeuta respiratório Leandro Giacomelli da Silva. Anexou declaração do Dr. Leandro, atestando o atendimento fisioterápico respiratório prestado com informação de seu endereço e CREFITO (fls. 114) e declaração do Dr. Pedro Nery, de que atendeu a Sra. Marlene como médico urologista em atendimento domiciliar, sendo que na declaração consta o endereço do profissional e CREMERS (fls. 115). É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. A controvérsia nestes autos se resume à não aceitação de recibos dos profissionais Pedro Nery da Luz Junior e Leandro Giacometti da Silva, no valor de R$ 39.364,00, por falta de atendimento às formalidades exigidas na legislação. A parte não recorrida nestes autos foi transferida para o processo nº 11080.722.846/201562 para fins de prosseguimento da cobrança. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 que transcrevo: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades Fl. 125DF CARF MF 4 que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (...) ( sem grifos no original) Na mesma linha o artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). (...) III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas FísicasCPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa JurídicaCNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pelo Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. Com relação aos profissionais Pedro Nery da Luz Junior e Leandro Giacometti da Silva, as declarações juntadas ao recurso voluntário suprem as falhas indicadas na Notificação Fiscal, devendo ser restabelecida a dedução destas despesas. Deste modo, com base nas provas apresentadas, há que se restabelecer a dedução a título de despesas médicas, no valor de R$ 39.364,00. CONCLUSÃO Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11080.730238/201441 Acórdão n.º 2202003.938 S2C2T2 Fl. 125 5 Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para restabelecer a dedução de despesas médicas no valor de R$ 39.364,00. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 127DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000022/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.962
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GRAND MOTORS COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 00 22 /2 01 1- 96 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 12585.000022/201196 Acórdão n.º 3302003.962 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.459. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 12585.000022/201196 Acórdão n.º 3302003.962 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 12585.000022/201196 Acórdão n.º 3302003.962 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 168DF CARF MF Processo nº 12585.000022/201196 Acórdão n.º 3302003.962 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 169DF CARF MF Processo nº 12585.000022/201196 Acórdão n.º 3302003.962 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 170DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.723548/2013-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012
ALIMENTAÇÃO NA FORMA DE TICKET. PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
O ticket-refeição (ou vale-alimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregar-lhes ticket-refeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados
Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura.
Numero da decisão: 2201-003.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Assinado digitalmente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PAGAMENTO IN NATURA. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. O ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação in natura. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 35 48 /2 01 3- 17 Fl. 289DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Consoante o relatório fiscal (REFISC) anexado às fls. 52 a 56, no curso do procedimento de fiscalização na CÂMARA MUNICIPAL DE BELÉM, instaurado para a verificação do cumprimento, pelo referido órgão, de suas obrigações relativas às contribuições destinadas à previdência social, foi lavrado o Auto de Infração nº 51.050.4396, para constituição do crédito correspondente às contribuições previstas nos incisos I e II do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Ainda nos termos do mencionado relatório: 1º) Na presente autuação consta o levantamento “VR – VALE REFEIÇÃO”, que engloba os valores pagos a título de vale refeição/ticket alimentação repassados aos gabinetes dos vereadores e não declarados em GFIP, referentes ao período de 01/2009 a 12/2012; 2º) Portanto, constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos a título de “VALE ALIMENTAÇÃO / TICKET ALIMENTAÇÃO” aos vereadores, gerando, segundo a legislação em vigor, débitos nas rubricas “Empresa” e “Seguro do Acidente do Trabalho SAT/RAT”; 3º) De acordo com o Art. 3º da Lei nº 6.321, de 1976 (lei de criação do Programa de Alimentação do Trabalhador PAT) e o art. 6º do Decreto nº 05 de 1991 (regulamentação do PAT), as parcelas custeadas pelo empregador não têm natureza salarial, não se incorporam à remuneração para quaisquer efeitos, não constituem base de incidência de contribuição previdenciária, nem se configuram rendimento tributável dos trabalhadores, desde que cumpridas todas as regras do Programa; 4º) Dentre essas regras, a inscrição regular no Programa, de acordo com o art. 499 c/c art. 3º , § 2°. da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, é condição para a isenção da contribuição previdenciária incidente sobre os valores líquidos dos benefícios de natureza alimentar concedidos a trabalhadores vinculados ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS; 5º) Os valores nominais a ser repassados aos gabinetes dos vereadores são determinados por Atos da Comissão Executiva da Câmara Municipal de Belém, conforme discriminado no item 6 do REFISC, cujas cópias estão a anexadas; Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 2201003.600 S2C2T1 Fl. 3 3 6º) Os vereadores são abrangidos pelo RGPS, de forma que as parcelas pagas a título de valerefeição/ticket alimentação não amparados pela adesão ao PAT são parcelas remuneratórias e constituem o salário de contribuição para efeitos previdenciários; 7º) Como a Câmara Municipal de Belém possui 35 vereadores, os valores lançados mensalmente como fato gerador de contribuição previdenciária são resultado do produto entre o valor repassado a cada gabinete multiplicado por 35; 8º) A omissão na GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL GFIP de fatos geradores de contribuição previdenciária constituise em ilícito tipificado como Sonegação de Contribuição Previdenciária, motivo pelo qual foi lavrada a devida Representação Fiscal para Fins Penais. Inconformada com o lançamento, a Câmara Municipal de Belém interpôs a impugnação juntada às fls. 64 a 71, em que postula o cancelamento do Auto de Infração nº 51.050.4396, mediante as seguintes alegações, em síntese: 1ª) É infundada a alegação da IMPUGNADA, quando afirma que os Vales Refeições concedidos aos gabinetes dos Vereadores têm natureza salarial, constituindose, desse modo, em rendimento tributável e base de contribuição previdenciária; 2º) O regramento constitucional estabelece que a gestão pública deve obedecer, dentre outros princípios, ao da legalidade e ao da moralidade, insculpidos no art. 37, da Carta Magna e, mais especificamente, o art. 39, § 4º da Constituição Federal (CF/88), que determina que os Vereadores serão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela única, sendo vedado que se acrescente qualquer parcela remuneratória à remuneração (em sentido amplo) dos detentores de mandatos eletivos do poder legislativo municipal; mas não falece de legalidade à concessão de verba indenizatória aos parlamentares, através de lei (art. 37, § 11 da CF/88), em sentido estrito; 3º) Sendo assim, não há que se falar que o vale alimentação disponibilizado aos gabinetes dos vereadores seja por natureza acréscimo remuneratório, mas sim, tem por escopo única e exclusivamente indenizar os parlamentares pelos gastos de rotina com gabinetes; 4º) O Direito entende que verbas indenizatórias não constituem renda, e, portanto, não devem ser tributadas. Renda são os valores recebidos em um determinado período que tendem a aumentar seu patrimônio; a indenização, distante disso, nada mais é que uma recomposição do seu patrimônio algo que deveria ter sido pago no passado e não foi, ou uma compensação por uma perda material ou emocional, por exemplo; Fl. 291DF CARF MF 4 5º) Frente a tal entendimento, não resta dúvida concluirse que o fato gerador da obrigação de contribuir com a previdência social é todo acréscimo patrimonial angariado pelo contribuinte, o que não se dá com o vale alimentação distribuído aos gabinetes dos vereadores, pois tal verba não possui a natureza de renda, mas natureza indenizatória, eis que se trata de recurso que o Poder Legislativo repassa para custear os trabalhos dos gabinetes parlamentares. Denominase “indenizatória” porque é liberada para custear gastos realizados. Isto posto, vêm os autos conclusos para julgamento. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a impugnação, restando mantida a notificação de lançamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PAGAMENTOS EM DINHEIRO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. Ainda que a título de custeio de despesas com alimentação, os valores relativos aos pagamentos em dinheiro, efetuados pela empresa em benefício de seus empregados, integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte reiterou, em síntese, os argumentos dispostos na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme narrado, tratase de auto de infração em decorrência do pagamento de valores a título de “VALE ALIMENTAÇÃO / TICKET ALIMENTAÇÃO” a vereadores, gerando, segundo a fiscalização, débitos nas rubricas “Empresa” e “Seguro do Acidente do Trabalho SAT/RAT”. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10280.723548/201317 Acórdão n.º 2201003.600 S2C2T1 Fl. 4 5 A questão a ser enfrentada quanto a esta matéria é, em sua essência, relativa à natureza da verba paga mediante o uso de cartão ou ticket de alimentação, sem inscrição no PAT para o período autuado. Sobre a matéria, há entendimento no sentido de que a utilização de cartão/ticket se trata de auxílio alimentação pago in natura se aplicando o disposto no Parecer PGFN 2.117/2011, não podendo prevalecer sua inclusão na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inscrição no PAT. Porém, existem os que entendem que tal pagamento tem natureza de auxílio alimentação pago em pecúnia, sendo, portanto, a inscrição no PAT condição necessária para a sua exclusão da base de cálculo da contribuição. No meu entender, o ticketrefeição (ou valealimentação) se aproxima muito mais do fornecimento de alimentação in natura do que propriamente do pagamento em dinheiro, não havendo diferença relevante entre a empresa fornecer os alimentos aos empregados diretamente nas suas instalações ou entregarlhes ticketrefeição para que possam se alimentar nos restaurantes conveniados, sendo que a inscrição no PAT seria uma mera obrigação acessória, cujo descumprimento não descaracteriza a natureza jurídica desse fornecimento. Além disso, considero que não se faz relevante a forma pela qual é feita o pagamento da verba, pois sua natureza não se altera pela forma de fornecimento. Evidentemente, o pagamento pelo fornecimento direto dos alimentos na própria empresa reduz o risco de utilização remuneratória indevida da verba. Apesar desse contexto, não é possível entender que o pagamento na forma de ticket (fornecimento de alimentos por empresas conveniadas, fora das instalações da empresa, mediante apresentação de um cartão) seria necessariamente utilizado para remunerar o trabalhador, pois a máfé não se presume, devendo ser comprovada. Pelo que se depreende dos autos, a rubrica foi considerada como base para incidência da contribuição previdenciária pelo fato de ter sido paga na forma de ticket e não pela constatação do abuso do pagamento, ou seja, pela demonstração de que o valor correspondia, na verdade, à remuneração e não à verba indenizatória, ou seja, não houve descaracterização da natureza da verba pela fiscalização. De acordo com os artigos 3º da Lei n.º 6.321/76 e 6º do Decreto n.º 5/1991, o pagamento in natura do auxílioalimentação pela empresa nos programas de alimentação previamente aprovados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária e do FGTS. No mesmo sentido, a Lei n° 8.212/1991 estabelece em seu artigo 28, parágrafo 9º, alínea “c”, que a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321/1976 não integrará base de cálculo da contribuição previdenciária. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou no sentido de que, ainda que a empresa não esteja inscrita no PAT, não incide a contribuição previdenciária sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação. Fl. 293DF CARF MF 6 Diante da jurisprudência pacífica do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.117/2011, esclarecendo que, esteja ou não o empregador inscrito no PAT, o auxílioalimentação pago in natura não ostenta natureza salarial e, portanto, não integra a remuneração do trabalhador. Nessa mesma manifestação, a PGFN recomendou a edição de Ato Declaratório nesse sentido. Acolhendo a sugestão, a Procuradora Geral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório nº 3/2011, estabelecendo que “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. Nessa esteira, a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil (IN RFB) nº 1.453/2014 alterou o inciso III do art. 58 da IN RFB nº 971/2009 para retirar o requisito de concordância com “os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE)” para fins de tributação da alimentação in natura. É dizer: também está claro para a Receita Federal que essas parcelas não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. Nesse contexto, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001197/2009-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA.
A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE.
Considera-se salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-005.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator.
Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considera-se salário-de-contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo - Presidente-Substituta Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 173 1 172 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001197/200979 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301005.026 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria REMUNERAÇÃO INDIRETA: VEÍCULOS Recorrente M & G FIBRAS E RESINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUSÊNCIA DE RELAÇÃO NOMINAL DE BENEFICIÁRIOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO A DEFESA. A ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento não é causa de nulidade do lançamento que alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Não há prejuízo a defesa quando empresa tem conhecimento dos beneficiários através de suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 11 97 /2 00 9- 79 Fl. 174DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para negarlhe provimento, nos termos do voto do relator. Andrea Brose Adolfo PresidenteSubstituta Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: ANDREA BROSE ADOLFO, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, FABIO PIOVESAN BOZZA, JORGE HENRIQUE BACKES, ALEXANDRE EVARISTO PINTO e FERNANDA MELO LEAL. Fl. 175DF CARF MF Processo nº 19515.001197/200979 Acórdão n.º 2301005.026 S2C3T1 Fl. 174 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal realizado em 08/04/2009 para constituição da contribuição previdenciária patronal sobre remuneração indireta, veículo para uso particular do segurado empregado. Segue transcrição de trecho da decisão recorrida: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO EMPRESA. CESSÃO DE VEÍCULOS. SALÁRIO UTILIDADE. Considerase saláriodecontribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas e os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Em relação às contribuições previdenciárias, somente as exclusões arroladas exaustivamente na legislação não integram o salário de contribuição. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento de defesa quando o Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao Contribuinte o ônus da prova de suas alegações, ao contestar fatos apurados na Contabilidade, nas Folhas de Pagamento, e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), de sua própria elaboração. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. A apresentação de provas no contencioso administrativo deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. SUJEITO PASSIVO. INTIMAÇÃO. Pertence à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária DERAT jurisdicionante do Fl. 176DF CARF MF 4 contribuinte a competência para intimação de acórdão emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido ... O Relatório Fiscal, de fls. 16 a 21, informa que constitui fato gerador do presente lançamento veículos disponibilizados a segurados da empresa de forma permanente no período de 01/2004 a 12/2004 Levantamento código VEI. ... Informa ainda o Relatório Fiscal, em síntese, que: No exame da contabilidade da empresa e dos documentos apresentados, constatouse ser prática do contribuinte a colocação de veículos à disposição de seus empregados, vendedores, gerentes e diretores, de forma permanente, conforme relação de veículos em planilha anexa, fornecida pela própria empresa, em meio magnético, e anexada ao presente processo. Tais veículos ficam à disposição desses segurados de forma permanente, fora do horário normal de expediente, sábados, domingos, feriados e férias, caracterizando, portanto, salário indireto. Para apuração da base de cálculo da contribuição em pauta, foram considerados os valores lançados a titulo de depreciação dos citados veiculos, seguros de veículos, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção, na contabilidade da empresa, conforme detalhado em planilha elaborada pela fiscalização também em meio magnético e anexada ao processo. Tais valores de depreciação, seguros, IPVA/DPVAT, licenciamento e manutenção, foram informados pela própria empresa em planilha fornecida em meio magnético, também anexada ao processo, e estão de acordo com a contabilidade apresentada. A contabilidade da empresa foi apresentada em arquivo magnético padrão MANAD (anexado aos autos) para o ano verificado de 2004, assim como sua folha de pagamento. Os veículos são disponibilizados para Diretores e Gerentes e para vendedores externos, sendo que, tais vendedores utilizam os veículos também durante o horário de expediente para a execução do seu trabalho. Sendo assim, utilizamos um critério para os veiculos cedidos aos Diretores e Gerentes (empregados administrativos) e outro para os veiculos cedidos aos Vendedores externos. Para os veículos cedidos aos Diretores e Gerentes, consideramos como base de cálculo de contribuição previdenciária o total (100%) dos valores mensais relativos à depreciação, seguro, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção de tais veículos, apurados conforme planilha elaborada pela Fl. 177DF CARF MF Processo nº 19515.001197/200979 Acórdão n.º 2301005.026 S2C3T1 Fl. 175 5 fiscalização, em meio magnético, baseada nas informações fornecidas pela própria empresa, devidamente contabilizadas. Para os veiculos cedidos aos vendedores externos, consideramos como base de cálculo de contribuição previdenciária 35% (trinta e cinco por cento) dos valores mensais totais relativos à depreciação, seguro, licenciamento, IPVA/DPVAT e manutenção de tais veiculos, também apurados conforme planilha elaborada pela fiscalização em meio magnético, baseada nas informações fornecidas pela própria empresa, devidamente contabilizadas. Consideramos o percentual de 35% do valor total das despesas de veiculos como base de cálculo das contribuições previdenciárias em razão de: Os beneficiários dos veículos cedidos os utilizam durante os cinco dias úteis da semana. Dessa forma, os veículos são utilizados de forma particular por cada beneficiário apenas em 52 domingos, mais 52 sábados, mais 10 feriados (9 nacionais e 1 municipal), e durante 15 dias de férias (descontados os dias não úteis das férias) o que totaliza 129 dias. Dessa forma, 129 dias multiplicado por 100, dividido por 365 nos levam a um percentual aproximado de 35%. Portanto, aplicandose o percentual de 35% sobre o valor lançado pelo contribuinte a título das despesas anteriormente mencionadas, encontramos a base de cálculo para apurarse a contribuição não recolhida, conforme detalhado na já citada planilha. Constam das referidas planilhas elaboradas pela fiscalização e também da planilha fornecida pela própria empresa, os nomes dos empregados para os quais foram disponibilizados tais veículos, sejam eles Diretores, Gerentes ou Vendedores. Não calculamos a parte dos segurados da contribuição devida, pois os empregados beneficiados por esse salário indireto já se encontram contribuindo pelo teto máximo do salário de contribuição da previdência social. Foram examinados durante a ação fiscal os seguintes documentos: GPS, GFIPS, Folhas de Pagamento, Planilha de veículos fornecida pela empresa, Contabilidade da empresa apresentada em arquivo magnético padrão MANAD e outros. Como os elementos de prova citados neste processo foram os mesmos utilizados no Auto de Infração n° 37.208.1150, lavrado nesta ação fiscal e lançado separadamente por razões procedimentais, informamos que tais elementos estão anexados apenas neste AI, mas servem de prova e de anexos para os demais já citados, emitidos nessa mesma ação fiscal. O recorrente reitera as alegações em impugnação, em síntese: PRELIMINARES DE DIREITO Fl. 178DF CARF MF 6 Apresentamse uma preliminar de direito e um protesto: a) houve cerceamento de defesa na medida em que se constata a ausência de um Discriminativo do Débito escrito em que apresenta os beneficiados pelos pagamentos e os valores mensais de cada um deles, o que configura um constrangimento ao direito constitucional de ampla defesa (CF, art. 5º, LV). b) protesta pela juntada de documentos, provas, perícias e pareceres favoráveis ao procedimento da defendente e também, quando for o caso, pela apresentação das GPS relativas a contribuições recolhidas como devidas pelo contribuinte. Do Direito A cessão de veículos aos empregados é matéria tormentosa no Direito do Trabalho, repercutindo na previdência social. Além do valetransporte e dos ônibus contratados pela empresa existem, grosso modo, pelo menos duas modalidades básicas de fornecimento que envolve a presente autuação: a) para o exercício da atividade profissional, hipótese em que não é considerado salário, mas ferramenta de trabalho; e b) entrega pura e simples, constituindose em salário in natura. As despesas com o transporte necessário ao trabalho em fontes de trabalho são tidas como imprescindíveis à execução do serviço e, consequentemente, não integram o saláriode contribuição, no entender do venerando DNPS (Resolução CD/DNPS n° 362/71 Proc. MTPS n° 13.327/71, in BS/DS n° 154, de 13.8.71 e do subitem 39.2, c, da Portaria SPS n° 2/79). A defendente cede os veículos para que os empregados possam realizar as suas incumbências laborais. Se em alguma circunstância, deles se servem como meio de locomoção de suas residências para trabalho e do trabalho para suas residências, ela o faz visando a ter certeza de um transporte ideal. E, ainda, se com eles permanecem no pernoite, essa disponibilidade do veículo faz parte de uma concessão que visa otimizar a relação jurídica trabalhista, propiciando conforto aos seus colaboradores. Não há aí “animus contrahendi " de ter o valor correspondente como remuneração. De modo geral, o máximo que a jurisprudência tem acolhido é considerar 5/7 por semana como sendo ferramenta de trabalho e 2/7 como remuneração, conclusão que induz ao recolhimento da contribuição correspondente. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 19515.001197/200979 Acórdão n.º 2301005.026 S2C3T1 Fl. 176 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, Fl. 180DF CARF MF 8 no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Quanto a preliminar de nulidade do lançamento quanto a ausência de relação nominal dos segurados empregados beneficiários do pagamento, entendo que no presente caso a motivação apresentada no lançamento é suficiente para o pleno conhecimento por parte da recorrente desses beneficiários, bastando para tanto examinar suas próprias folhas de pagamento referente aos meses de apuração do tributo. Não há prejuízo à defesa quando o lançamento alcança todos os segurados empregados a serviço da empresa. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 19515.001197/200979 Acórdão n.º 2301005.026 S2C3T1 Fl. 177 9 Ainda assim, está consignado no relatório fiscal que o recorrente recebeu em meio magnético uma planilha nominal. Ressaltase, também, que vícios de nulidade na decisão, em regra, não contaminam os atos processuais anteriores, como dispõe o artigo 59, §1º do Decreto nº 70.235/72, acima transcrito. No mérito, o recorrente não demonstra a proporção do uso a serviço, apenas traz o entendimento de que o deslocamento residência/trabalho e viceversa teria natureza de auxíliotransporte; portanto, também não sujeito à incidência. Porém, no presente caso, a fiscalização, de forma diligente e cálculo coerente, traz para a incidência tributária somente o valor correspondente ao período em que os veículos se destinaram a uso particular. Nesse caso, de fato, caberia a recorrente trazer elementos de prova de que não se trataria de remuneração indireta, mas de uma uso para o trabalho, o que não o fez. Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 182DF CARF MF 10 Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722302/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2401-000.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722302/201083 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2401000.581 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 09 de maio de 2017 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente ADLERASSESSORAMENTO EMPRESARIAL E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .7 22 30 2/ 20 10 -8 3 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10166.722302/201083 Resolução nº 2401000.581 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Tratase de Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória DEBCAD n° 37.297.2500, consolidado em 07/10/2010, em face da ADLER Assessoramento Empresarial e Representações Ltda., no valor de R$ 18.183,86 (dezoito mil, cento e oitenta e três reais e oitenta e seis centavos), referente à multa por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP com incorreções, omissões, ou inexatidões no período de 01/99 a 12/2002. De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 06/11 os fatos que ensejaram tal atuação se baseiam em documentos já existentes no Auto de Infração original (DEBCAD N° 35.675.4189), anulado pro vício formal. Sendo assim, o Auto de Infração aqui tratado, se configura como um lançamento substitutivo. A Fiscalização alega que o crédito tributário apurado decorreu de práticas fraudulentas por parte da empresa, traduzidas em omissão de faturamento pela prática criminosa de calçamento de notas fiscais e a conseqüente omissão de fatos geradores de contribuição previdenciária em seus registros contábeis. A Recorrente apresentou Impugnação e o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AIOA DEBCAD n. 37.297.2535 CFL 68 OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. Determina a lavratura de auto de infração a omissão de fatos geradores previdenciários na declaração prestada pela empresa em GFIP, conforme art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91. Inconformada, a Empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 349/365, alegando, em síntese: Preliminarmente, a presente Autuação, por conexão administrativa, terá provimento intimamente ligado com aquele a ser deferido no processo de n° 10166016223/200815, em que se discute o AI DEBCAD n° 35.675.4219, na medida em que, se considerada insubsistente a obrigação principal, não há como subsistir a obrigação acessória; Que o presente processo deve ser apensado ao que trata da obrigação principal, para conjunta tramitação, sob pena de nulidade; Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10166.722302/201083 Resolução nº 2401000.581 S2C4T1 Fl. 4 3 Que devese calcular, antecipadamente, o valor da multa. utilizandose os fatores de redução decorrente da aplicação dos critérios de multa mais benéfica ao contribuinte e não apenas no momento do pagamento, caso contrário estarseia a prestigiar a incerteza e a falta de liquidez a este lançamento; Que em razão da retroatividade dos efeitos da lei mais benéfica nos termos do Art. 106,II, c, do CTN, tratandose de ato não definitivamente julgado, e por força da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, que incluiu o art. 32A à Lei 8.212/91, deve, no presente caso, decidirse pela aplicação da multa mais benéfica; A 3ª Turma Especial do CARF, por intermédio da Resolução nº 2803000.128, às fls. 367/377, por maioria de votos, entendeu pela conexão e determinou que os presentes autos fossem encaminhados à 1º TO da 3ª Câmara, da 2ª Seção do CARF, ou Turma responsável, para julgamento conjunto com processo nº 10166.016223/200815, com base no artigo 9º , § 1º do Decreto nº 70.235/72. Nesse diapasão, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2 Seção, ao analisar os autos já com as devidas conexões promovidas, mais uma vez converte o feito em diligência, por intermédio da Resolução nº 2302000.358, às fls. 381/384, tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, naquele feito, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Assim o julgamento foi convertido em diligência para que se aguarde o deslinde do processo nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão a ser proferida nestes autos. Ocorre que, da manifestação fiscal, em retorno da diligência solicitada nos autos nº 10166.016223/200815, a Recorrente não foi intimada a se manifestar, conforme pude constatar após análise daqueles autos. É o relatório. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10166.722302/201083 Resolução nº 2401000.581 S2C4T1 Fl. 5 4 VOTO Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Inicialmente cumprese ressaltar que a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de julgamento do CARF, por intermédio da Resolução nº 2302000.358, às fls. 381/384, converteu o presente feito em diligência tendo em vista que, no processo principal nº 10166.016223/200815, o retorno da diligência, naquele feito, estava incompleto, tendo em vista que o Auditor fiscal, cumpriu apenas 03 (três) das solicitações realizadas por este Conselho, deixando de esclarecer se as obrigações fiscais incidentes sobre o faturamento foram efetivamente quitadas e/ou incluídas no REFIS, bem como para que a Fiscalização analise as guias de pagamento juntadas aos autos pela Recorrente, com o intuito de clarificar se os DARFs acostados representam, de fato, as parcelas correspondentes à migração do REFIS para o parcelamento da Lei nº 11.941. Ocorre que, após o retorno da referida diligência de fls.11.251/11.253, nos autos do processo nº 10166.016223/200815, ao invés de se promover a intimação da Empresa Recorrente para se manifestar sobre o retorno da diligência, o processo foi encaminhado para nova distribuição/sorteio de Relator, em virtude do anterior não mais pertencer ao colegiado do CARF (fls.11.256). Em seguida, os autos foram designados a esta relatoria (fls.11.263). Assim, novamente aquele feito foi convertido em diligência para intimar a Recorrente a se manifestar sobre a Informação Fiscal proferida. Nessa esteira de acontecimentos, diante da falta de intimação para manifestação da Recorrente naquele feito, e em observância ao princípio da ampla defesa e do contraditório, reitero a conversão do presente feito em diligência, para que se aguarde o deslinde do processo principal nº 10166.016223/200815, ante a possibilidade de sua decisão irradiar efeitos na decisão aqui a ser proferida.. Conclusão Voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.721414/2011-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
MULTA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
Constitui descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de declarar em GFIP, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária.
COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS IMUNIDADE
Deve ser exonerada a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à exigência de contribuição decorrente da receita de exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada através de cooperativa por força da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição.
Numero da decisão: 2401-004.921
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do cálculo da multa os valores relativos à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural por meio de cooperativa.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, dar-lhe provimento parcial para excluir do cálculo da multa os valores relativos à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural por meio de cooperativa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
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COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. EXPORTAÇÃO REALIZADA POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS IMUNIDADE Deve ser exonerada a multa por descumprimento de obrigação acessória relativa à exigência de contribuição decorrente da receita de exportação decorrente da comercialização de produtos rurais, realizada através de cooperativa por força da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 14 14 /2 01 1- 97 Fl. 501DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento parcial para excluir do cálculo da multa os valores relativos à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural por meio de cooperativa. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10825.721414/201197 Acórdão n.º 2401004.921 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto, em face da decisão da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO), que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa do Acórdão nº 1458.439 (fls.124/130): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. Constitui descumprimento de obrigação acessória, deixar a empresa de declarar em GFIP, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária. Debcad 37.343.2364 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A fiscalização lavrou em face do sujeito passivo o Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2364 (fl. 03), no valor de R$ 160.065,15, por descumprimento de obrigação acessória, face a empresa não ter declarado os fatos geradores das contribuições, parte patronal, devidas à Previdência Social, relativas ao período compreendido entre 09/2008 a 12/2008. Em 09/09/2011 a Contribuinte tomou ciência dos Autos de Infração, pessoalmente, e em 11/10/2011, tempestivamente, apresentou impugnação (fls. 65/93). Deste ponto em diante, adotase parte do relatório da decisão recorrida, que bem retrata os fundamentos do lançamento e da impugnação, iniciandose pelo próprio Relatório Fiscal: As contribuições previdenciárias não declaradas e não recolhidas, objeto do presente lançamento, bem como a compensação indevida, ensejaram a lavratura de autos de infração de obrigação principal, relacionadas nos seguintes Debcads: Debcad n° 37.343.2283 – relacionado com as contribuições previdenciárias incidentes sobre o valor obtido por aferição indireta da remuneração da mãodeobra com base nas notas fiscais de prestação de serviços (processo 10825.721409/2011 84); Debcad n° 37.343.2305 – relacionado com as contribuições previdenciárias incidentes sobre revenda de mercadorias (processo 10825.721409/201184); Fl. 503DF CARF MF 4 Debcad n° 37.343.2321 – relacionado com as contribuições previdenciárias incidentes sobre valor venda de exportação indireta via trading companies (processo 10825.721410/2011 17); Debcad n° 37.343.2348 contribuição previdenciária incidente sobre valor venda de exportação direta – cooperativa (processo 10825.721412/201106); Debcad n° 37.343.2356 contribuição previdenciária relativa a glosa de compensação (processo 10825.721413/201142). Esclarece a fiscalização que, como os fatos geradores das referidas obrigações acessórias do presente lançamento ocorreram antes da competência 12/2008, comparou (planilhas nas folhas 56 a 58) as multas previstas pela legislação anterior e posterior à MP 449/2008, a fim de encontrar a multa mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do Código Tributário Nacional). Multa da legislação anterior à MP 449/2008: multa de mora, prevista no art. 35, I (24% ou 12%, para as compensações indevidas) mais a multa prevista no art. 32, §4º, ambos da Lei nº 8.212/1991. Multa da legislação posterior à MP 449/2008: multa de ofício, prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430/1996 (75%) mais a multa prevista no art. 32A, “caput” e inc. I, incluídos pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A autuada impugnou o lançamento com as seguintes alegações: Em relação aos fatos geradores relacionados no Debcad n° 37.343.2348 (contribuição previdenciária incidente sobre valor venda de exportação direta – cooperativa): esclarece que entrega diariamente toda sua produção, mediante a emissão de nota fiscal de entrega para venda (não de venda) abrangendo a totalidade da produção do dia imediatamente anterior; a produção entregue à Coopersucar fica estocada em galpões cedidos à Coopersucar em comodato para posterior retirada, conforme comprova o contrato de comodato anexado; a produção entregue à Coopersucar é comercializada no mercado interno e externo juntamente com as produções das demais usinas cooperadas, cabendo à Coopersucar a realização do rateio da receita globalmente auferida na proporção da produção de cada uma das cooperadas, que é realizado de acordo com o Parecer Normativo CST n° 66/1986, que disciplina a apropriação da receita operacional no caso de faturamento de ato cooperativo; referido rateio de receitas é informado mensalmente pela Coopersucar às cooperadas com a indicação do montante das receitas vinculadas a cada tipo de produto (açúcar, álcool anidro e álcool hidratado), bem como o mercado em que este foi comercializado (interno ou externo, via exportação direta ou por Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10825.721414/201197 Acórdão n.º 2401004.921 S2C4T1 Fl. 4 5 meio de trading companies); a realização de operações de exportação pela Coopersucar é atestada pelos comprovantes de exportação do período expedidos pela Receita Federal do Brasil; a cooperativa não pode ser considerada como intermediária nas operações de exportação que realiza em favor de suas cooperadas, conforme parágrafo único do art. 79 da Lei n° 5.764, de 16.12.1971, e Parecer Normativo CST n° 66/1986; a entrega de produtos dos associados à cooperativa para posterior comercialização é mencionada como exemplo típico de ato cooperativo pela própria Receita Federal do Brasil; o §2° do art. 245 da IN nº 03/2005 é claro ao dispor que se considera receita proveniente do comércio interno apenas aquela "decorrente de comercialização com empresa constituída e em funcionamento no País"; no caso concreto, em se tratando de ato cooperativo sem natureza mercantil, há de ser afastada a aplicação da referida regra; a inexistência de ato mercantil entre a cooperativa e suas associadas é amplamente afirmada pela jurisprudência do STJ ao reconhecer a nãoincidência do PIS/COFINS sobre os atos cooperativos; sobre o citado Parecer Normativo, o Relatório Fiscal afirma, que este "não regulamenta a tribulação de contribuições previdenciárias na hipótese de exportação"; embora referido parecer normativo não trate especificamente da incidência das contribuições sociais não há como negar a disciplina do reconhecimento contábil de receitas pela cooperada em relação às operações mercantis realizadas pela cooperativa, de modo a evidenciar a unidade e conjunção de ambas; cita julgados do CARF e da TRF 3ª Região favoráveis à sua tese. Em relação aos fatos geradores relacionados no Debcad n° 37.343.2321 contribuição previdenciária incidente sobre valor venda de exportação indireta via trading companies: a União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo – ÚNICA impetrou o mandado de segurança coletivo preventivo n. 2005.61.00.0251305, com pedido de liminar, com o objetivo de garantir do direito de suas associadas ao não pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as receitas de exportação indireta, realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras e trading companies, em razão da imunidade tributária prevista no art. 149, §2°, I, da Constituição Federal; a despeito da existência da referida ação judicial, há de ser afastada qualquer alegação de configuração de renúncia ao direito da Impugnante de apresentar defesa, face do presente auto de infração, conforme ampla jurisprudência deste Tribunal Administrativo no sentido que o mandado de segurança coletivo Fl. 505DF CARF MF 6 impetrado por associação não configura renúncia à esfera administrativa do associado; as receitas oriundas de vendas ao exterior, seja por meio de trading company ou diretamente pela Coopersucar estão abrangidas por imunidade concedida pela Constituição Federal, em seu artigo 149, §2o, I, não se sujeitando às contribuições previstas no art. 22A da Lei nº 8.212/1991; é ilegítima a restrição e condição previstas no art. 245, §§1° e 2o, da Instrução Normativa SRF n° 03/2005, de modo a afastar a imunidade tributária em função das operações de exportação realizadas por meio de trading companies, uma vez que inseriu distinção não prevista no texto constitucional. Em relação aos fatos geradores relacionados no Debcad n° 37.343.2305 contribuição previdenciária incidente sobre Revenda de Mercadorias: De acordo com o art. 22A da Lei nº 8.212/1991, deve compor a base de contribuições previdenciárias apenas as receitas provenientes da comercialização da produção rural, a qual abrange somente os produtos e subprodutos vinculados à sua atividadefim (operacional) e objeto social; efetuou a venda de óleo lubrificante usado e de restos de canos de evaporação, chapas de alumínio e outras peças, que foram substituídas por conta da reforma e manutenção das máquinas e equipamentos da empresa; a venda de sucata não faz parte do seu objeto social, sendo realizada apenas de modo subsidiário por conta da manutenção e reforma de seus equipamentos; a receita de revenda de combustíveis não pode integrar a base de cálculo da contribuição exigida, uma vez foram adquiridos de terceiros; o art. 248 da IN SRP 03/2005, é manifestamente ilegítimo, pois amplia indevida e ilegalmente a base de cálculo prevista no art. 22A da Lei n° 8.212/91, restrita apenas à receita bruta proveniente da comercialização de produção. Em relação ao Debcad n° 37.343.2356 contribuição previdenciária relativa a glosa de compensação: os créditos compensados são provenientes do MS impetrado em litisconsórcio ativo com outras empresas do setor sucroalcoleiro; referido MS transitou em julgado; realizou a compensação com fundamento no trânsito em julgado do MS que reconheceu a ilegalidade de cobrança de contribuição previdenciária sobre pagamentos efetuados a tratoristas e motoristas rurais; propôs ação ordinária para liquidar valores a serem compensados, pois inexistia à época dispositivo que regulamentasse a compensação no âmbito previdenciário; Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10825.721414/201197 Acórdão n.º 2401004.921 S2C4T1 Fl. 5 7 com a superveniência das regras para realizar a compensação no âmbito previdenciário e com o trânsito em julgado da ação ordinária, realizou a compensação de seus créditos; o motivo da ação ordinária 002533385.1988.4.03.03.6100 foi somente para apurar e liquidar o valor exato se seu crédito; contesta a premissa adotada pela fiscalização de “ausência de autorização judicial”, em face do caráter meramente executivo da ação em que busca a liquidação dos valores a serem compensados; o art. 170A do CTN trata do requisito de existência de direito creditório em favor do contribuinte; superada a discussão acerca do tributo, abrese a possibilidade da materialização da compensação pretendida, ainda que exista em relação à compensação ação judicial destinada à liquidação de seu valor; a fiscalização afasta a aplicação do art. 170A do CTN, porém não indicou qualquer dispositivo legal que impedisse a compensação (supostamente violado), restringindose à suposta “ausência de autorização judicial para fazêla”. O processo foi encaminhado para apreciação e julgamento pela 9ª Turma da DRJ/RPO, e esta, por unanimidade de votos, decidiu pela IMPROCEDÊNCIA DA IMPUGNAÇÃO apresentada, MANTENDO O CRÉDITO TRIBUTÁRIO exigido. A Contribuinte foi cientificada da decisão de 1ª Instância, Acordão nº 14 58.439, via Correio (AR – fls. 134/135), em 16/06/2015. Inconformado com a decisão de 1ª instância, a Contribuinte apresentou em 20/07/2015, tempestivamente, seu Recurso Voluntário (fls. 139/145), onde, em síntese, aduziu os seguintes argumentos para reforma do acórdão recorrido: 1. Necessidade de vinculação e julgamento conjunto deste processo com os processos administrativos nº 10825.721410/201117, nº 10825.721412/201106 e nº 10825.721413/201142; 2. No caso da remota hipótese de ser superada a preliminar aduzida, alega, para que o Auto de Infração deve ser cancelado, conforme as razões que se seguem: a. A inexigibilidade da multa apurada com base nas contribuições exigidas por meio do DEBCAD nº 37.343.232 1, pelas razões aduzidas no Processos Administrativos nº 10825.721410/201117; b. A inexigibilidade da multa apurada com base nas contribuições exigidas por meio do DEBCAD nº 37.343.234 8, pelas razões aduzidas no Processos Administrativos nº 10825.721412/201106; Fl. 507DF CARF MF 8 c. A inexigibilidade da multa apurada com base nas contribuições exigidas por meio do DEBCAD nº 37.343.235 6, pelas razões aduzidas no Processos Administrativos nº 10825.721413/201142. Conclui seu RV requerendo a reforma do acórdão recorrido, para que seja cancelado o Auto de Infração objeto do lançamento. É o relatório. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10825.721414/201197 Acórdão n.º 2401004.921 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito O presente Lançamento trata de auto de infração relativo à multa por descumprimento de obrigação acessória, por não ter a empresa declarado os fatos geradores das contribuições “parte patronal” relativas ao período de 09/2008 a 12/2008. Consoante a fiscalização os fatos geradores estão representados nos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.343.2321 e 37.343.2348, do período de 09/2008 a 12/2008. A Recorrente noticia o pagamento dos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.343.2283, 37.343.2305. Da inexigibilidade da multa por descumprimento de obrigação acessória apurada com base nas contribuições exigidas nos Autos de Infração DEBCAD nºs 37.343.2321 e 37.343.2348, no período de 09/2008 a 12/2008 Conforme se verifica dos fatos narrados pela fiscalização no Auto de Infração DEBCAD nº 37.343.2321 e 37.343.2348, referido Lançamento trata de auto de infração lavrado contra a empresa Recorrente, relativo às contribuições previdenciárias patronais, inclusive GIILRAT, incidentes sobre a receita de exportação da produção rural realizada por intermédio de COOPERATIVA e de “TRADING COMPANIES”, do período de 09/2008 a 12/2008. Em informações prestadas à Fiscalização, a Recorrente esclareceu que não houve tributação por contribuições previdenciárias das receitas auferidas pela Empresa em decorrência da exportação de seus produtos por intermédio de Comerciais Exportadoras (“tradings”), ante os expressos termos do art. 149, § 2º, I da Constituição Federal que outorga imunidade (em relação a contribuições sociais) e a estas receitas. No ponto, a empresa colocase à disposição de V. Sas. Para disponibilizar documentação comprobatória do fato de que todas as operações celebradas com Comerciais Exportadoras tiveram fim específico de exportação e as mercadorias respectivas foram efetivamente exportadas. Fl. 509DF CARF MF 10 Cabe, inicialmente, esclarecer a operação comercial efetuada pela Recorrente. Conforme descrito no Relatório Fiscal, bem como no Recurso Voluntário, a empresa atua como cooperada, integrante da Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool (COPERSUCAR), que detém o conhecimento e a expertise necessários para melhor colocação da sua produção nos mercados consumidores internos e externos. Na condição de cooperada, juntamente com outros produtores, entrega à cooperativa a sua produção para fins de comercialização no mercado interno e externo, conforme contrato de cooperativa juntado aos autos, cabendo a Copersucar efetuar o rateio das receitas às cooperadas com a indicação do montante das receitas vinculadas ao tipo de produto, bem como o mercado em que o produto foi comercializado e, no caso de exportação, se ocorreu de forma direta ou através de trading companies. Em alegações recursais a Recorrente defende que as receitas oriundas de vendas ao exterior, por meio de trading companies ou diretamente pela Copersucar, estão abrangidas por imunidade concedida no artigo 149, §2º, I, da Constituição Federal. Destarte, conforme se destaca no Relatório Fiscal, a controvérsia do presente processo administrativo reside no fato das vendas para o mercado externo terem sido efetuadas por meio de cooperativa e através de trading companies, e assim, como a produção não foi comercializada diretamente com o adquirente domiciliado no exterior, não estaria albergada pela imunidade. Importante nesse ponto destacar o que dispõe o art. 149, § 2º, inciso I, da Constituição Federal: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. (...) §2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) I – não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 33/2001) Como se vê, o texto constitucional é claro ao estabelecer que as receitas decorrentes da exportação são imunes à incidência das contribuições sociais. Assim, se a norma imunizante exclui da abrangência tributária as receitas decorrentes de exportação e se os produtos comercializados pela Recorrente foram efetivamente exportados, por meio da cooperativa adquirente da produção e de trading companies, conforme exposto na acusação fiscal, constatase que as receitas repassadas pela cooperativa à cooperada são decorrentes de exportação. Importante trazer à colação decisão proferida no âmbito do Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE 627.815/PR, de relatoria da Ministra Rosa Weber, julgado sobre a sistemática da repercussão geral, em que se discutiu a abrangência das “receitas decorrentes de exportação” a que se refere o art. 149, § 2º, I, da Lei Maior, firmando Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10825.721414/201197 Acórdão n.º 2401004.921 S2C4T1 Fl. 7 11 entendimento, ao qual me filio, no sentido de que a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. Vejamos a ementa a seguir transcrita: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 3009 2013 PUBLIC 01102013) Resta evidente que a norma constitucional imunizante visa garantir a maior eficácia de valores inseridos na Constituição a fim de que sua abrangência não se torne inócua. A interpretação deve ser feita de modo evoluído, à luz dos anseios albergados na Carta da República que confirma as políticas voltadas ao fomento da exportação. Daí a razão da desoneração tributária das contribuições sociais sobre as receitas de exportação. Fl. 511DF CARF MF 12 Ora, no presente caso, o fato da Recorrente repassar a sua produção à cooperativa para fins de comercialização no mercado interno e externo, em virtude de questões comerciais relacionadas ao melhor conhecimento do mercado, ao custo operacional, à logística que envolve essas operações, em nada desnatura o caráter de venda destinada à exportação, bem como a natureza das receitas delas decorrentes. Nesse diapasão, ressai lógico e razoável que empresas ligadas ao agronegócio efetivem as vendas destinadas ao exterior através de cooperativas ou trading companies como forma de viabilizar a venda ao mercado exterior. Assim, tendo em vista que o lançamento se refere à exigência de contribuição decorrente da receita de exportação da comercialização de produtos rurais, realizada através de cooperativa ou trading companies, e que no entendimento desta Relatora estaria abarcado pela imunidade tributária do art. 149, §2°, I, da Constituição, deveria, por conseguinte, ser exonerada a totalidade da multa exigida no presente processo administrativo. No entanto, cabe noticiar que foi proferido julgamento por esta Turma Julgadora em 07/06/2017, em que foi negado provimento ao Recurso Voluntário do processo nº 10825.721410/201117, e que restei vencida. Desta forma, as exigências das obrigações acessórias devem ter o mesmo destino dos processos já julgados pelo colegiado, pois encontrase diretamente relacionadas à obrigação principal. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário, para, no mérito DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do cálculo da multa os valores relativos à contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural por meio de cooperativa. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 512DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.902179/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.601
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 79 /2 01 2- 83 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902179/201283 Acórdão n.º 3401003.601 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de PIS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902179/201283 Acórdão n.º 3401003.601 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902179/201283 Acórdão n.º 3401003.601 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10820.902179/201283 Acórdão n.º 3401003.601 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1084DF CARF MF
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Numero do processo: 35230.000576/2005-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação.
PREVIDENCIÁRIO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2011
A Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.
Numero da decisão: 2301-005.036
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos embargos opostos pela Fazenda Nacional a fim de sanar a contradição apontada, de forma a declarar que o recurso voluntário oposto pela empresa Vivenda Construções Ltda. foi integralmente provido, afastando somente a tributação sobre seguro.
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação. PREVIDENCIÁRIO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2011 A Procuradora-Geral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Somente a contradição interna é embargável, não alcançando eventual contradição entre a decisão e outras peças do processo, circunstância que configura mera irresignação. PREVIDENCIÁRIO. SEGURO DE VIDA EM GRUPO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2011 A ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12/2011, dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos embargos opostos pela Fazenda Nacional a fim de sanar a contradição apontada, de forma a declarar que o recurso voluntário oposto pela empresa Vivenda Construções Ltda. foi integralmente provido, afastando somente a tributação sobre seguro. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 23 0. 00 05 76 /2 00 5- 61 Fl. 649DF CARF MF 2 Andréa Brose Adolfo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Fábio Piovesan Bozza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício), Júlio César Vieira Gomes, Fábio Piovesan Bozza, Jorge Henrique Backes, Alexandre Evaristo Pinto, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 2403001.926, de 21/02/2013, que, por unanimidade de votos, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto pela empresa Vivenda Construções Ltda. para afastar a tributação sobre seguro: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12 /2011 A ProcuradoraGeral Da Fazenda Nacional, mediante Ato Declaratório nº 12 /2011, dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos bem como desiste dos já interpostos nas discussões sobre a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles. Recurso Voluntário Provido em Parte. Alega a Embargante obscuridade em virtude do provimento parcial do recurso voluntário, considerando que não teria restado claro qual parte foi provida, eis que: (a) o próprio acórdão embargado fez constar que a contribuinte interpôs recurso voluntário onde discutiria somente o levantamento definido no lançamento como SEG – SEGURO SASSE/FÁCIL; (b) o acórdão corrobora a tese recursal de nãoincidência da contribuição previdenciária sobre os valores do SEGSEGURO SASSE/FÁCIL, quando afirma: Na forma da apólice n° 970.10.000.889, contratada pela empresa junto a Caixa Econômica Federal – CEF, fls 78, o seguro é empresarial e contempla os planos 6007 e 6010 que motivaram o lançamento em tela, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um dos segurados como alude o sobredito Ato declaratório. Fl. 650DF CARF MF Processo nº 35230.000576/200561 Acórdão n.º 2301005.036 S2C3T1 Fl. 650 3 Os embargos foram admitidos para julgamento pelo presidente da turma. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Fábio Piovesan Bozza Com razão a Embargante. Embora a atuação fiscal versasse sobre diversos levantamentos, o único item discutido no recurso voluntário foi a incidência de contribuição previdenciária sobre o pagamento de seguro de vida em favor dos empregados. A conclusão do eminente conselheiro relator, acompanhada pelos demais componentes da turma, foi no sentido de afastar a tributação, não havendo parte vencida. Conclusão Em face do exposto, voto por conhecer e dar provimento aos embargos opostos pela Fazenda Nacional a fim de sanar a contradição apontada, de forma a declarar que o recurso voluntário oposto pela empresa Vivenda Construções Ltda. foi integralmente provido, afastando somente a tributação sobre seguro. É como voto. Fábio Piovesan Bozza – Relator. Fl. 651DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.907930/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade.
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO.
A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador.
Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
Numero da decisão: 3402-004.023
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Assinatura Digital
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenha-se com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente contestada. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria atinente à glosa não contestada por ocasião da manifestação de inconformidade. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. FRETE E ARMAZENAMENTO. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO/ARMAZENADO. A apuração do crédito de frete e de armazenamento não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o dispêndio configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal, i.e., custo e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. Os itens relativos a embalagem para transporte, desde que não se trate de um bem ativável, deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 79 30 /2 01 1- 61 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 3 2 cumulativo de PIS e Cofins, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda mantenhase com características desejadas quando chegar ao comprador. Recurso voluntário parcialmente conhecido e, na parte conhecida, provido. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso da seguinte forma: a) por unanimidade de votos, foram revertidas as glosas relativas às aquisições de paletes "one way"; e b) por maioria de votos, foram revertidas as glosas sobre fretes e despesa de armazenagem sobre as aquisições de insumos. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Assinatura Digital Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Renato Vieira de Avila, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 14052.620 da DRJ/RPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Os insumos utilizados no processo produtivo somente dão direito a crédito no regime de incidência nãocumulativa, se incorporados diretamente ao bem produzido ou se consumidos/alterados no processo de industrialização em função de ação exercida diretamente sobre o produto e desde que não incorporados ao ativo imobilizado. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. Somente dão direito a crédito no regime de incidência não cumulativa, os gastos expressamente previstos na legislação de regência. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Versa o processo sobre pedido de ressarcimento, relativamente ao saldo credor de PIS não cumulativo(a) exportação. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 4 3 Mediante despacho decisório, a DRF/Piracicaba reconheceu parcialmente o direito creditório, em face das glosas de créditos referente aos seguintes itens: a) aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; b) gastos relativos a transporte e armazenamento de insumos importados ocorridos após o desembaraço aduaneiro; c) gastos com embalagens de transporte (paletes); d) comissões de compra; e) despesas de energia térmica A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade sustentando, em síntese, que foram indevidas as glosas relativas às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Os argumentos da manifestante não foram acatados pela Delegacia de Julgamento, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Quanto às gastos com embalagens, só podem ser considerados insumos se elas se incorporarem ao produto em fabricação ou sofrer alteração em suas propriedades em função da ação diretamente exercida sobre ele, ou seja, somente as embalagens de apresentação do produto geram direito ao crédito, posto que estas se incorporam ao produto em fabricação. Assim, as embalagens destinadas apenas a proteger ou transportar o produto acabado não dão direito a crédito da não cumulatividade, mesmo que descartáveis e/ou de utilização obrigatória. De acordo com o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, apenas os gastos com armazenagem e frete na operação de venda dão direito a créditos da não cumulatividade, portanto não se aplica às aquisições de insumos importados, como ocorreu com as glosas aplicadas no caso concreto. O “valor aduaneiro” definido pela Lei como base de cálculo do crédito relativo aos insumos importados, abrange apenas os gastos ocorridos até a importação, ou seja, até a realização do desembaraço aduaneiro. De forma que procedeu corretamente a autoridade a quo ao glosar os créditos referentes a gastos com armazenagem e frete relativos aos insumo importados, mas realizados após o desembaraço das mercadorias. A contribuinte apresentou recurso voluntário, aduzindo, em síntese: 1. Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins O conceito de insumo para fins de crédito de PIS e de COFINS não pode ser restrito ao que está estabelecido nas Instruções Normativas da SRF, devendo ser entendido como todos os custos diretos e indiretos incorridos, abrangendo, inclusive, outras despesas tidas como essenciais para o desenvolvimento da atividade empresarial. 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero A aquisição dos produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários tributados à alíquota zero gera, sim, créditos de PIS e de COFINS, uma vez que tais insumos foram previamente sujeitos a incidência em cascata dos tributos, nas etapas anteriores da circulação. Podese considerar que não há de fato uma alíquota zero, mas, sim, uma antecipação do pagamento das contribuições, um desvio de finalidade do modelo de tributação que fora concebido para esses tributos, porquanto se tributará valor além do agregado, caso a glosa de tais créditos seja mantida. Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 5 4 3. Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados A apropriação creditória referente aos dispêndios com frete e com armazenagem dão direito a crédito per se, sem que seja necessário vinculálos à importação. o simples desembolso de valores, a esse título, permite a tomada de créditos, como técnica de realização da não cumulatividade das contribuições em foco. Há muitas decisões administrativas que entendem pela possibilidade de tomada de crédito das despesas de frete, conforme se verifica nas ementas transcritas. No que tange às despesas com armazenagem, é plenamente possível a tomada de crédito de PIS e COFINS, conforme o julgado firmado pelo e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região na Apelação Cível n° 0029040 40.2008.404.7100/RS Relator : Des. Federal Joel Ilan Paciornik. A própria Receita Federal do Brasil já assegurou, em Resposta a Consulta Fiscal, que a apropriação de créditos calculados sobre expensas com frete e com armazenagem é válida per se, desde que comprovados tais dispêndios. A incidência ou não das contribuições sobre as operações de entrada e de saída, assim como a inclusão destes custos na base de cálculo dos tributos, é completamente irrelevante. Não fosse assim, não se permitiria o creditamento nos casos em que a tributação é monofásica, conforme Solução de Consulta nº 323, de 19 de Dezembro de 2012. 4. Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets A recorrente adquire pallets de madeira, do tipo "One Way", que são utilizados como materiais de embalagem para possibilitar as vendas, principalmente as exportações de seus produtos, sendo certo que não os recebe em retorno. Portanto, tais pallets não são contabilizados no ativo da recorrente. Em tal cenário, esses pallets compõem o custo de fabricação e comercialização dos produtos exportados, configurando insumo essencial a estas atividades. É completamente irrelevante o fato de o pallet não compor a compleição final das mercadorias, mormente porquanto tal critério não está posto por qualquer lei, quer complementar, quer ordinária. 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra As comissões compõem o custo de compra das mercadorias, de maneira a integrar a base de cálculo do creditamento correlato ao insumo. Os artigos 3º, § 1º, inciso I das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 são claros ao dispor que "o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2° desta Lei sobre o valor dos itens mencionados no inciso II do caput, adquiridos no mês". Dizer em sentido contrário corresponderia a mitigar a nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, diferenciando parcelas de composição do custo de aquisição que a lei não quis segregar. 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal A tomada de crédito de PIS e de COFINS calculados em relação a despesas com energia térmica está elencada nos artigos 3o, incisos III, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003. A corroborar com o dispositivo legal há a Solução de Consulta n° 61, de março de 2013. 7. Da busca da verdade material no processo administrativo tributário Os documentos que instruem a manifestação de inconformidade, bem como os julgados e soluções de consultas transcritos, atestam, de maneira clara e inequívoca, a possibilidade de tomada dos créditos de PIS e COFINS oriundos das despesas com armazenamento e frete das Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 6 5 mercadorias importadas pela ora recorrente, bem como da aquisição de pallets de madeira, utilizado como material de embalagem para possibilitar as exportações de seus produtos industrializados. Em atenção ao princípio da verdade material, tem a autoridade administrativa o dever de apurar a verdade dos fatos, que, neste caso, é a possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS em nome da recorrente e, por conseguinte, a realização do ressarcimento da forma correta. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.008, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.907915/201112, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402004.008): "Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último relativamente a várias matérias. Na manifestação de inconformidade, além das alegações de ordem genérica acerca do conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições e do princípio da verdade material, a manifestante somente tinha contestado as glosas referentes às: i) despesas de frete e armazenagem de insumos importados após o desembaraço aduaneiro e ii) aquisições de paletes. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz outras alegações de defesa e contesta expressamente todas as glosas efetuadas pela fiscalização, conforme tópicos do Relatório acima. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 7 6 (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Assim, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Nesse sentido, tem este CARF decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF Sessão de 08 de dezembro de 2016 Relator: Demes Brito Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 8 7 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – CARF 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Assim, não conheço das inovações recursais trazidas no recurso voluntário sob os seguintes tópicos: 2. Da glosa indevida de créditos relativos à aquisição de produtos químicos, fertilizantes e defensivos agropecuários, tributados à alíquota zero; 5. Da glosa indevida de créditos sobre os pagamentos de comissões de compra; e 6. Da glosa indevida de créditos sobre despesas de energia térmica, por falta de previsão legal. Passase a analisar somente a matéria do recurso voluntário que esteja contida na lide delimitada pela manifestação de inconformidade. "Da interpretação do conceito de Insumo para efeitos de tomada de créditos de pis e de cofins" Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 9 8 interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda. Filiome ao entendimento que tem aceitado os créditos de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: (...) Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições não cumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os Fl. 225DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 10 9 “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/991. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. (...) ... "Da glosa indevida de créditos na aquisição de pallets" Acerca das glosas relativas aos paletes de madeira do tipo "One Way", entendo que elas devem ser revertidas, acompanhando o voto do Ilustre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, proferido em face da recorrente no processo nº 13878.000213/200587 (Acórdão nº 3402002.826– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 25 de janeiro de 2016, conforme extrato abaixo: (...) A decisão recorrida, como se vê, foi além do conceito restrito de insumo das Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004. Aplicando diretamente as disposições do Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), restringiu o direito ao crédito apenas às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. Tratase, porém, de interpretação que não tem respaldo na legislação, à medida que a IN SRF nº 247/2002, não opera com a distinção adotada pela decisão recorrida: (...) 1 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 11 10 E mais. Neste caso, entendo que tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, e sim de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado, pois são descartáveis. A recorrente fabrica e exporta seus produtos, que notoriamente são sensíveis e facilmente afetados por situações cotidianas, como por exemplo contatos físicos com outros produtos, deterioração por contatos de produtos naturais, como água, umidade, produtos químicos, etc. No presente caso, verificase que a paletização que envolve o acondicionamento (pallet, papelão e os filmes strech) não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem no estabelecimento industrial. Isso porque, devido ao tamanho reduzido das embalagens individuais, não há como estocar o produto na fábrica sem a sua paletização. Do contrário, haveria o desmoronamento das pilhas de armazenagem, por exemplo. Ademais, a paletização, além de indispensável à estocagem e ao transporte da mercadoria, constitui exigência de normas de controle sanitário na área de alimentos. Com efeito, de acordo com a Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326, de 30 de julho de 1997, que aprova o Regulamento Técnico; “Condições Higiênicos Sanitárias e de Boas Práticas de Fabricação para Estabelecimentos Produtores/Industrializadores de Alimentos”: “5.3.10 Os insumos, matérias primas e produtos terminados devem estar localizados sobre estrados e separados das paredes para permitir a correta higienização do local.” “8.8 – Armazenamento e transporte de matérias primas e produtos acabados: 8.8.1 – As matéria primas e produtos acabados devem ser armazenados e transportados segundo as boas práticas respectivas de forma a impedir a contaminação e/ou a proliferação de microorganismos e que protejam contra a alteração ou danos ao recipiente ou embalagem. Durante o armazenamento deve ser exercida uma inspeção periódica dos produtos acabados, a fim de que somente sejam expedidos alimentos aptos para o consumo humano e sejam cumpridas as especificações de rótulo quanto as condições e transporte, quando existam.” (g.n.) A paletização, portanto, atende exigência de acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação do produto e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1), nos termos previstos na Portaria SVS/MS nº 326/1997. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 12 11 Tratase, assim, diferentemente dos casos em que ocorre especificamente para a etapa de transporte, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias. Foi informado ainda pela recorrente que o pallet têm natureza one way (sem retorno), o que afasta o seu enquadramento com bem do ativo imobilizado. (...) "Da busca da verdade material no processo administrativo tributário" Por fim, a invocação do princípio da verdade material em nada auxilia a recorrente no presente processo, eis que não há aqui controvérsia sobre matérias de fato, mas tão somente divergências quanto à qualificação jurídica dos fatos. Assim, em face do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário no que concerne às inovações recursais (alíquota zero, comissões de compra e energia térmica) e, na parte conhecida, darlhe provimento parcial para reverter as glosas relativas às aquisições de paletes "one way". (...)2 "Da glosa indevida de créditos relativos a despesas com frete e com armazenagem de insumos importados" 1. Com a devida vênia, ousei divergir da douta relatora do caso apenas em relação ao creditamento nas operações de frete e armazenamento, haja vista as razões que passo a expor 2. Convém destacar que, segundo o que restou apurado nos autos, a fiscalização e o contribuinte convergem em relação ao fato de que os dispêndios em questão (frete e armazenamento) foram arcados pela Recorrente, configurando, pois, custo em relação à tomada de tais serviços. Em suma, a recorrente e a fiscalização admitem que os dispêndios citados são formalmente custeados pela recorrente, o que torna este fato inconteste. 3. A discussão, todavia, gravita em torno do fato da fiscalização ter partido da premissa que tais dispêndios não dariam direito a crédito, uma vez que o insumo transportado/armazenado não estaria sujeito à incidência da COFINS. Por outro giro verbal, o que a fiscalização sustenta, indevidamente, é que o crédito de frete e de armazenamento deve seguir a mesma sistemática de creditamento do bem transportado, como se houvesse uma relação de subsidiariedade entre tais créditos. 2 Não foi transcrita a parte do voto da relatora do paradigma que tratou do direito de crédito relativo a despesas com frete e com armazenagem, por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tãosomente, o entendimento que prevalesceu sobre a questão. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 13 12 4. Tal entendimento, todavia, é indevido. A apuração dos créditos em tela não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado/armazenado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão, até que porque não haveria qualquer sentido nisso, já que o frete e o armazenamento sofreram a incidência integral da contribuição e, por isso, não podem ser comparados ao procedimento aplicável ao bem transportado/armazenado. Não se comparam elementos distintos por absoluta impropriedade de meio e inconsistência de conclusão. 5. Logo, uma vez provado que o frete e o armazenamento configuram custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Inclusive, é assim que tem decidido este Tribunal administrativo, consoante se observa das ementas abaixo transcritas: Ementa ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 30/09/2009 (...). CRÉDITO. FRETE DE INSUMOS. POSSIBILIDADE. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. É permitido ao contribuinte tomar crédito do custo do transporte de insumos quando ainda em fase de produção. Neste diapasão, uma vez que o frete em si é tributado pelas contribuições, ainda que os objetos transportados se refiram a insumos que não sofreram a incidência do PIS e COFINS, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF; Acórdão n. 3302002.780; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 11/12/2014). Ementa Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 (...). CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Tratandose de frete tributado pelas contribuições, ainda que se refiram a insumos adquiridos que não sofreram a incidência, o custo do serviço gera direito a crédito. (...). Fl. 229DF CARF MF Processo nº 13888.907930/201161 Acórdão n.º 3402004.023 S3C4T2 Fl. 14 13 (CARF; Acórdão n. 3302001.916; 2a T. da 3a Câmara da 3a Seção; j. em 29/01/2013) 6. Neste sentido, inclusive, é o recentíssimo julgado desta turma julgadora, conforme se observa da seguinte ementa: Ementa Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 (...). FRETE. CUSTO DE AQUISIÇÃO DO ADQUIRENTE. CRÉDITO VÁLIDO INDEPENDENTEMENTE DO REGIME DE CRÉDITO DO BEM TRANSPORTADO. A apuração do crédito de frete não possui uma relação de subsidiariedade com a forma de apuração do crédito do produto transportado. Não há qualquer previsão legal neste diapasão. Uma vez provado que o frete configura custo de aquisição para o adquirente, ele deve ser tratado como tal e, por conseguinte, gerar crédito em sua integralidade. Recurso voluntário parcialmente provido. Direito creditório reconhecido em parte. (Acórdão n. 3402003.968; sessão de 28 março de 2017). 7. Assim, com base em tais fundamentos reconheço como válidos os créditos de frete e armazenamento vindicados pela recorrente, motivo pelo qual, na parte reconhecida, dou integral provimento ao recurso voluntário interposto." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço parcialmente do recurso voluntário, e na parte conhecida, dou integral provimento. assinado digitalmente Antônio Carlos Atulim Fl. 230DF CARF MF
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