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Numero do processo: 13116.722568/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA
A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada.
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA.
O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado.
COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA.
O artigo 170-A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PREVISÃO LEGAL. DESCUMPRIMENTO. SANÇÃO.
Os deveres instrumentais são inseridos pela Lei no interesse da Administração Tributária. O descumprimento de tais deveres fere o dever de colaboração existente entre o contribuinte e o Estado, ensejando a penalidade prevista pela Lei.
APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS.
Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4.
Numero da decisão: 2201-003.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a multa isolada aplicada; e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário em sua integralidade
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente.
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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INSERÇÃO DE INFORMAÇÃO FALSA. OCORRÊNCIA A Lei de Custeio da Previdência Social determina a aplicação da multa isolada no caso de compensação indevida em que se verifique falsidade da declaração prestada pelo sujeito passivo. É falsa a informação que diverge daquela constante da sentença que possibilita a compensação efetuada. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE LEI ESPECÍFICA. O instituto da compensação, segundo o CTN, exige lei específica que o regule. O Fisco só pode homologar a compensação realizada se esta se der nos termos da lei ou, caso exista, de sentença judicial que explicite todo o procedimento a ser adotado. COMPENSAÇÃO. SENTENÇA JUDICIAL. TRÂNSITO EM JULGADO. EXIGÊNCIA. O artigo 170A do CTN é explicito e não permite a compensação de sentença judicial antes do trânsito em julgado. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PREVISÃO LEGAL. DESCUMPRIMENTO. SANÇÃO. Os deveres instrumentais são inseridos pela Lei no interesse da Administração Tributária. O descumprimento de tais deveres fere o dever de colaboração existente entre o contribuinte e o Estado, ensejando a penalidade prevista pela Lei. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. COMPATIBILIDADE COM AS DISPOSIÇÕES CODICISTAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 25 68 /2 01 2- 71 Fl. 1116DF CARF MF 2 Não há incompatibilidade da Lei nº 8.981/95 com as disposições do artigo 161, § 1º do CTN. Precedentes judiciais e administrativos. Inteligência da Súmula CARF nº 4. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a multa isolada aplicada; e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário em sua integralidade CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário interposto contra acórdão de impugnação que julgou procedente em parte o lançamento de glosa de compensações efetuadas, antes do trânsito em julgado, de contribuições previdenciárias recolhidas e incidentes sobre aviso prévio indenizado, décimo terceiro salário proporcional ao aviso prévio indenizado, primeiros quinze dias de afastamento por auxíliodoença, salário maternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias. A descrição dos motivos ensejadores do lançamento tributário se encontram no Relatório Fiscal (folhas 39 do processo digitalizado). Na ação fiscal foram constituídos os seguintes documentos de crédito: Auto de Infração AI n° 51.028.4809, no valor de R$ 3.232.371,87, por glosa de compensação indevida de contribuição previdenciária incidente sobre as verbas pagas e descriminadas no relatório fiscal aos segurados empregados. Auto de infração n° 51. 028.4817, no valor de R$ 3.349.672,50 referente multa isolada em razão da inserção de dados falsos em GFIP, consoante a previsão constante do artigo 89 da Lei nº 8.212/91. Auto de infração n° 51. 046.0810, no valor de R$ 17.173,58 referente ao descumprimento de obrigação acessória, por não prestar esclarecimentos necessários à fiscalização Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.117 3 Auto de infração n° 51. 028.4825, no valor de R$ 17.173,58 referente ao descumprimento de obrigação acessória, por deixar de apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias. O crédito tributário constituído se refere a período de novembro de 2009 a abril de 2011. O lançamento tributário se aperfeiçoou com a ciência do Contribuinte, por via postal, em 10 de julho de 2013 (AR às folhas 932). Consta do relatório fiscal a seguinte descrição fática (fls. 44): "IV. DAS CONSTATAÇÕES 4.1. DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO À COMPENSAÇÃO Analisando os elementos apresentados pelo sujeito passivo em resposta às diversas intimações realizadas e as informações coletadas externamente e junto aos bancos de dados da RFB, as compensações efetuadas pela fiscalizada se mostram indevidas, pelos motivos adiante aduzidos. 4.1.1. DA AUSENCIA DO TRANSITO EM JULGADO AUTORIZANDO AS COMPENSAÇÕES No que se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado que foram objeto de discussão judicial no processo n° 44176420104013400, ajuizado em 01/02/2010, em consulta ao sítio do TRF1 na internet, verificouse que o mesmo, atualmente, encontrase concluso para sentença do juízo monocrático, tendo sido concedida tão somente a tutela antecipada, suspendendo a exigibilidade crédito tributário referente à rubrica em comento. No entanto, não houve, na citada decisão cautelar, autorização para que o sujeito passivo efetuasse a compensação antes do trânsito em julgado. Já no que concerne ao processo n° 44184920104013400, também ajuizado em 01/02/2010, no qual se discute a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos relativos aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes e acidentados, ao salário matemidade, férias e adicional constitucional de férias (adicional 1/3), bem como o direito à compensação dos valores supostamente recolhidos de forma indevida, o juízo de 1a instância julgou, em 27/01/2011, totalmente improcedente a pretensão da fiscalizada. Inconformada com a referida decisão monocrática, o sujeito passivo interpôs recurso ao TRF1, o qual, nos termos do acórdão datado de 28/10/2011, deu parcial provimento à apelação do contribuinte, no sentido de tão somente determinar a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento gue antecedem a concessão do auxílio doença, seja por motivo de doença ou acidente, bem assim, sobre o terço constitucional de férias. Em relação às remunerações de férias gozadas e de salário Fl. 1118DF CARF MF 4 maternidade o órgão colegiado em comento entendeu que as mesmas verbas possuem natureza salarial e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. mantendo, portanto, em relação às citadas rubricas a decisão de 1a instância. No gue tange ao direito de efetuar a compensação dos valores indevidos, o TRF1 vedou a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170A do CTN. Determinou também que, nos casos de repetição e compensação de tributos, aplicase a taxa SELIC nos termos da Lei 9.250/95, art. 39. S 4", incidindo desde 1° de janeiro de 1996. que não pode ser cumulada com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. Ocorre que, ao arrepio do que dispõe o CTN, o sujeito passivo efetuou compensações antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Ademais, em nenhum momento a fiscalizada, ainda que em caráter cautelar, esteve amparada pelo Judiciário a compensar os valores antes do seu veredicto final irrecorrível. No que se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre o salário maternidade e as férias, a improcedência do direito de efetuar as compensações é ainda mais evidente, porquanto as mesmas nem sequer foram julgadas indevidas. Com efeito, todas as compensações efetuadas pelo sujeito passivo nas GFIPs de competências 11/2009 a 04/2011 são claramente indevidas, devendo ser r jeto de glosa pela fiscalização. Portanto, somente após o trânsito em julgado da decisão judicial, caso assim deseje, a fiscalizada poderá efetuar nova compensação em relação aos valores que o Poder Judiciário entender indevidos, nos termos em que este estabelecer. 4.1.2. DA NÃO COMPROVAÇÃO DO EFETIVO RECOLHIMENTO DOS VALORES DISCUTIDOS Ainda que o sujeito passivo estivesse autorizado judicialmente a efetuar as compensações em comento, as mesmas não seriam devidas, visto que a fiscalizada deixou de comprovar, mediante documentação hábil e idônea, o efetivo recolhimento dos valores supostamente indevidos. Conforme esposado alhures, apesar de intimado e reintimado, o sujeito passivo não apresentou o retro mencionado demonstrativo que possibilitaria o cotejo entre os supostos recolhimentos indevidos e as bases de cálculo totais (as quais englobariam as rubricas em discussão) das contribuições previdenciárias constantes dos resumos das folhas de pagamento. A elaboração do citado demonstrativo tornase necessário visto que as GPS apresentadas, que segundo o sujeito passivo, estariam associadas aos supostos recolhimentos indevidos, por si só, não possibilitam identificar se os citados recolhimentos correspondem às contribuições previdenciárias devidas sobre os valores das rubricas ora discutidas, pois os referidos recolhimentos não são individualizados por saláriode contribuição. Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.118 5 Em relação à planilha apresentada pelo contribuinte, deve ser ressaltado que, em que pese a fiscalizada ter efetuado compensações em GFIP nas competências 13/2009 e 13/2010, nada foi informado no referido documento acerca das mesmas. Ademais, não foram apresentadas os originais de todas as folhas de pagamento requisitadas, bem como seus correspondentes resumos, documentos indispensáveis à conferência das rubricas em debate e da apuração da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Outro ponto digno de nota é que foi identificado que diversos resumos das folhas de pagamento apresentados, que seguem como elemento de prova no presente processo, foram emitidos extemporaneamente no ano de 2012, portanto não sendo os originais da época dos supostos recolhimentos indevidos." Verificando o descumprimento da legislação de regência, a autoridade lançadora constitui o crédito tributário, nos termos descritos no Relatório Fiscal. Inconformado, o Contribuinte apresenta impugnação (fls. 937), tempestivamente. Em consequência, o lançamento foi considerado parcialmente procedente, por unanimidade de votos, pelo Acórdão de Impugnação nº 1267.567 da 17ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2009 a 30/04/2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA. DECISÃO JUDICIAL. INEXISTÊNCIA DE TRÂNSITO EM JULGADO. É devida a glosa dos valores compensados antes do trânsito em julgado da decisão favorável ao sujeito passivo. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não constitui óbice para a formalização do lançamento preventivo de decadência. MULTA QUALIFICADA. COMPENSAÇÃO ANTES DO TRÂNSITO EM JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. É ilegítima a cominação da multa qualificada tão somente em razão de ter o contribuinte compensado antes do trânsito em julgado da decisão que reconheceu a inexistência da relação jurídica tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 1120DF CARF MF 6 Em razão do valor do crédito exonerado, referente ao afastamento da qualificadora da multa de ofício pela decisão de piso, houve recurso de ofício. Em 26 de agosto de 2014, o Contribuinte foi cientificado, via AR (fls 1112), da decisão que contrariou parcialmente seus interesses. Em 14 de setembro seguinte, tempestivamente portanto, foi interposto recurso voluntário (fls 1070), do qual constam, em síntese, as seguintes alegações: · O procedimento fiscal adotado pelo contribuinte cumpre as determinações constantes da Lei nº 9.430/96 e, portanto, possui o manto da legalidade. Segundo o STJ não há necessidade de propositura de ação judicial prévia. · A regra prevista no artigo 170A do CTN é dirigida, pelo Poder Legislativo, ao Poder Judiciário e não ao contribuinte. · Além de outros argumentos, entende também com base no dito acima, ser o procedimento de compensação adotado totalmente legal. · Alega ainda que os valores compensados decorrem de verbas pagas indevidamente, a título de contribuição previdenciária, uma vez que não há incidência da quota patronal das referidas contribuições sobre as verbas mencionadas no REFISC. · Alega, com base em jurisprudência e reiteradamente, a não incidência da quota patronal da contribuição .previdenciária sobre as verbas em discussão. · Requer a conversão do julgamento em diligência para que se verifique se nos presentes autos de infração i) estão sendo cobradas as parcelas em discussão em razão das decisões judiciais proferidas nos autos do Agravo de Instrumento nº 003918231.2010.4.01.0000 e na Apelação 000441849.2010.4.01.3400; ii) se os créditos tomados e as compensações glosadas se referem à verbas cuja incidência das contribuições previdenciárias é controvertida. · Argumenta que não caberia maioria maiores esclarecimentos sobre os valores recolhidos indevidamente em cada competência, uma vez que tais comprovações se encontram devidamente contabilizadas e o Fisco não se preocupou em verificar tais documentos. · Argui a inaplicabilidade da Taxa Selic sobre o créditos tributário em discussão, mencionando jurisprudência. Os processos foram distribuídos, por sorteio eletrônico, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.119 7 Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira O recurso de ofício preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Como relatado a decisão de piso entendeu por afastar a qualificadora da multa de ofício. O voto condutor da decisão da DRJ Rio de Janeiro tem a seguinte argumentação (fls 1065): "25. De acordo com o § 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a multa de 150% será aplicada apenas nos casos em que a compensação indevida decorrer de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, conforme texto reproduzido a seguir: “Art. 89 ......................................................................................................... ............ (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” 26. Embora a Lei nº 8.212/91 não tenha definido o sentido do termo falsidade, é razoável perquirilo, inicialmente, através da interpretação literal da norma. De acordo com o Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa, falsidade é a “característica do que é contrário à verdade”. Em outras palavras, o agravamento da multa será cabível nos casos em que a informação prestada pelo contribuinte divergir da realidade fática expressa em lastro documental hábil em demonstrála. Esta, no entanto, não é a única elementar exigida pela norma. 27. Nos termos do art. 136 do CTN, a lei definidora de infrações tributárias poderá valorizar o elemento anímico do agente, impondoo como condição para a caracterização do ilícito, senão vejamos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. 28. Veja que a própria definição de falsidade no vernáculo nos remete à idéia de ato voluntário, livre e consciente que, no caso em exame, é praticado pelo agente no intuito de reduzir ou afastar o recolhimento do tributo devido, mediante inclusão em GFIP de valores por ele supostamente compensáveis. Forçoso reconhecerse, portanto, a ausência do dolo específico na Fl. 1122DF CARF MF 8 espécie, consubstanciado no especial fim de agir por parte do infrator." (destaques não constam do acórdão) Discordo totalmente da decisão de piso. O que me causa espécie é que a motivação da discordância é a mesma. O legislador já valorou a conduta ensejadora da multa isolada. Mera declaração falsa, assim entendida aquela que é diversa da realidade, forçosamente nos termos da lei, motiva a aplicação da penalidade. Assim o é porque assim determinou o legislador. Sem maiores delongas. Como consta do voto condutor da decisão de piso, falso é aquilo que é diverso da realidade. Aqui mister uma consideração. Não é a mera inserção de dado diverso da realidade que enseja a penalidade. Há que se comprovar a inserção do dado falso relativo à compensação indevida. Esse é o ponto determinante da questão, a separação entre o cabimento ou não da multa qualificada. Falso é o dado inserido, conhecido pelo contribuinte, determinante para que a compensação seja considerada como indevida. Todos reconhecemos a complexidade da legislação tributária aplicável hodiernamente. Em razão de tal enredamento, muitas vezes obscuro e confuso, a adoção de determinada postura tributária pelo sujeito passivo pode causar, no ver da administração tributária, motivo para lançamento de ofício, ou como se analisa no caso em apreço, glosa de compensação. Nessas condições entendo inaplicável a multa isolada prevista no artigo 89, §10 da Lei de Custeio. Diversa é a situação em apreço. Segundo o Relatório Fiscal, (fls 50): " Conforme já relatado anteriormente, o sujeito passivo ajuizou, em M'*""^ * duas ações judiciais (processos n° 44176420104013400 e 44184920104013400), postulando, dentre outros pedidos, a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de: aviso prévio indenizado; quinze primeiros dias de afastamento de seus empregados por motivo de auxílio doença e acidente; férias; adicional constitucional de férias (adicional 1/3); e saláriomaternidade. Ocorre que a partir de 13/05/2010 o sujeito passivo mesmo sem autorização judicial efetuou compensações de expressivos valores nas GFIPs de competências 11/2009 a 04/2011. Ainda mais grave, foi a conduta da fiscalizada em continuar efetuando compensações, malgrado já ter pleno conhecimento das decisões judiciais que vedavam a compensação antes do trânsito em julgado ou até mesmo cuja pretensão foi totalmente denegada, senão vejamos. Em relação ao processo n° 44176420104013400, foi concedida a tutela antecipada pretendida em 01/03/2010, determinando a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado. No entanto, a referida Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.120 9 decisão não autorizou a correspondente compensação, determinação esta gue não foi cumprida pela fiscalizada. No que se refere ao processo n° 44184920104013400, a decisão monocrática, datada de 27/01/2011, indeferiu integralmente a pretensão do contribuinte, incluindo nessa toada, a de efetuar a compensação. Em relação à referida controvérsia judicial, o sujeito passivo incorreu em duas condutas irregulares: efetuou compensações antes da sentença em comento; ainda tendo conhecimento da total improcedência do pedido e da decisão denegatoria do referido direito exarada pelo juízo competente, permaneceu efetuando compensações dos dias 04/02/2011. 16/03/2011.14/04/2011, 05/05/2011 e 26/08/2011. Ainda em relação ao processo citado no parágrafo anterior, cabe ressaltar que acórdão do TRF1 que julgou à apelação interposta pela fiscalizada, datado de 28/10/2011, reformou parcialmente a decisão do juízo a quo, determinando a não incidência da contribuição previdenciária somente sobre os valores pagos a título auxílio doença ou acidente e sobre 0 terço constitucional de férias. Impende destacar que o tribunal não autorizou a compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Tais fatos demonstram de forma inconteste que as declarações apresentadas pelo sujeito passivo não representam a verdade dos fatos, pois este tinha pleno conhecimento da inexistência dos pretensos créditos compensados. Destarte, ficou caracterizada, com clareza solar, a ação dolosa do contribuinte em lesar os cofres públicos. Deste modo, restou comprovada a materialização da hipótese prevista artigo 89, § 10, da Lei n° 8.212/91, ficando a empresa fiscalizada sujeita à multa isolada de 150 % (cento e cinqüenta por cento) sobre o total do débito indevidamente compensado prevista neste mesmo dispositivo legal, in verbis:" (destaques originais) Patente a conduta do contribuinte. Sabedor da vedação da compensação antes do trânsito em julgado da decisão, insere os valores de crédito assegurados por decisão judicial sujeita à alteração, como valores passíveis de compensação. Há inserção de informação diversa da que deveria ter sido escrita, informação falsa portanto. Não se pode admitir que a Recorrente desconheça além da lei, a sentença judicial que obteve. Ao recorrer ao Poder Judiciário para ter reconhecido seu direito de crédito, o sujeito passivo, necessariamente, teve que contratar um profissional com conhecimento mínimo do tema para ingressar com a ação. Não é crível que tal profissional, exitoso em sua demanda, não tenha informado o resultado obtido e principalmente a extensão deste. Mesmo não o fazendo, o que se analisa somente por hipótese, não é crível, aos olhos deste julgador, que o Contribuinte não conheça a lei e nem a sentença judicial que o favoreceu. Fl. 1124DF CARF MF 10 Como dito, não é qualquer informação diversa que no meu entendimento cause a qualificadora prevista na norma. Dúvidas interpretativas reais, possibilidades de duplo entendimento, ou mesmo, casuísmos raros, podem ensejar uma informação errônea na declaração, porém, sem atrair a pena. A imposição de penalidades cabe, segundo expressa disposição do artigo 142 do CTN à autoridade lançadora. Tal poder enseja o dever dessa mesma autoridade em comprovar tal imposição de pena, ou seja, para que a penalidade aplicada subsista, é ônus da Administração Tributária comprovar que houve a prática reprovada legalmente e motivadora da sanção legal. Tal entendimento encontra apoio na legislação tributária. Recordemos as disposições do Decreto nº 70.235/72: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaquei) Logo, em que pese as alegações da decisão de piso, a imputação da penalidade majorada decorre da comprovação da conduta prevista na lei. Portanto, é do texto legal que se retira a pratica vedada pelo ordenamento e a quantificação de sua reprovação. É no relatório fiscal que se comprova que o sujeito passivo, ou terceiro em favor dele, incidiu na conduta ativa ou omissiva proibida pela lei. Simples assim! Não restam dúvidas sobre o ditame da lei. Havendo falsidade na declaração prestada pelo sujeito passivo caberá a multa que aqui se discute. Ressaltemos: Não se discute o dolo, fraude ou simulação. Nenhuma dessas condutas constam do tipo sancionador. A única questão que se deve ponderar é: houve falsidade na declaração prestada? Falsa declaração, segundo a ínclita Professora Maria Helena Diniz (Dicionário Jurídico Universitário, Ed. Saraiva, pag. 263), é: "Falsa declaração. 1. Direito civil. Dizse da declaração negocial que não corresponde à verdade ou à realidade dos fatos. 2. Direito Penal. a) Crime contra a fé pública que consiste em inserir declaração diversa da que devia ser escrita, ou não correspondente à realidade, com intuito de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar verdade sobre fato jurídico relevante, apenado com reclusão e multa. Tratase do crime de falsidade ideológica. (...)"(destaquei) Tratando do tema, Alexandre Macedo Tavares (A não Homologação da Compensação e/ou o Indeferimento de Pedido de Ressarcimento e a Endêmica Multa de Ofício, Revista Dialética de Direito Tributário, Vol. 202, Ed. Dialética, pg.46) , afirma sobre a falsidade de declaração constante do texto legal: "Tratase de modalidade comissiva, onde o agente (contribuinte), diretamente, insere informação falsa ou diversa do que deveria ter sido escrita" Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.121 11 Claro resta que, no lançamento em apreço, houve, como comprovado pelo Fisco, inserção de informação falsa pois diversa da realidade existente no caso concreto causadora de compensação indevida. Observase a incidência da norma geral e abstrata contida na Lei de Custeio. Multa isolada aplicável. Recurso de ofício provido. Passemos à analise do recurso voluntário. Observo que o mesmo é tempestivo e atende as demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço e passo a analisálo na ordem de suas alegações. DA ESTRITA LEGALIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL ADOTADO PELO RECORRENTE Consta do recurso (fls. 1077): "No caso em tela, as declarações previstas no parágrafo 1º da Lei 9.430/96 outras não são senão as GFIP's descritas nos Autos de Infração n° 51.048.1469 e 51.048.1477 Comprot n° 10166.722434/201439, o que apenas reforça e confirma o argumento segundo o qual o procedimento de compensação foi absolutamente regular. Não obstante, caso se entenda pela necessidade de autorização judicial para realização da compensação por força do prescrito no artigo 170A do Código Tributário Nacional, cumpre contrastar as peculiaridades do debate ao mais recente entendimento do Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, para ao final demonstrar a impertinência da vedação legal às questões ora debatidas. O montante apontado como devido deriva, exclusivamente, de valores relativos às contribuições previdenciárias devidas pelo Recorrente, restituídos em razão de sentença judicial que reconheceu o direito líquido e certo deste de compensar prestações futuras com os valores até então recolhidos indevidamente a título de contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos empregados afastados com auxílio doença/acidente, adicional de férias e aviso prévio indenizado. O Superior Tribunal de Justiça é unânime ao afastar do campo de incidência dó contribuição previdenciária os valores pagos nos quinze primeiros dias aos empregados doentes ou acidentados, a título de saláriomaternidade, bem como em relação às férias, adicional de férias e aviso prévio indenizado, de modo que não x( ,tam dúvidas acerca do direito à compensação do montante indevidamente recolhido. O posicionamento firmado no âmbito do Tribunal da Cidadania evidencia a irregularidade da arrecadação formalizada com fulcro nos dispositivos normativos eivados de vício jurídico, o que, indubitavelmente, diferencia a situação de outras em que o erro do próprio contribuinte faz com que valores sejam indevidamente recolhidos aos cofres públicos. Fl. 1126DF CARF MF 12 Em casos de ilegalidade, como o presente, o contribuinte é forçado, em razão de uma norma viciada, a recolher valores indevidos em favor da Administração Pública, isto é, o erro não decorre de sua inobservância às disposições tributárias, pelo contrário, o Fisco, sob o crivo da estrita legalidade, coage os administrados a agirem de acordo com uma Lei eivada de vício. Por este motivo, este Insigne Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem entendendo que a ilegalidade/inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tune do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito e, embora tomada em controle difuso, a decisão tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (Processo n° 10875.003912/200430 Recurso n° 240623 Sessão realizada em 05/09/2008). (destacamos) Não se pode concordar com os argumentos esposados. O instituto da compensação é forma de extinção do crédito tributário, consoante o disposto no artigo 156 do Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, recepcionada pela Carta de 1988 (artigo 146, III) como lei complementar. Tratando especificamente do tema, o Códex Tributário explicita em seu artigo 170: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento." (negritei) Exsurge da leitura do texto legal que os limites da compensação decorrem de expressa previsão legal, uma vez que a lei pode estipular não só a própria compensação em si, como também as condições e garantias que a autorizem. Não cabe ao interprete do direito, tampouco ao sujeito passivo, estipular as condições da compensação dos eventuais créditos existentes frente ao débito decorrente do surgimento da obrigação tributária. Explicitando o caráter singular da compensação tributária, leciona Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário, 3ª ed., Ed. Saraiva, pg. 619): "Em matéria tributária, não se aplica a compensação legal regulada no Código Civil. Na verdade, quando o novo Código Civil foi promulgado, seu artigo 374 estendia o instituto à matéria fiscal, mas o referido artigo, matéria de lei complementar nos termos do artigo 146 da Constituição Federal, foi imediatamente revogado pela Lei nº 10.677/03. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.122 13 Assim, aplicase o que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional: (...)" (negritei) Paulo de Barros Carvalho (Curso de Direito Tributário, 14ª ed. Ed. Saraiva, pag. 457), no mesmo sentido das especificidades da compensação tributária, nos lembra que: "Sempre em homenagem ao princípio da indisponibilidade dos bens públicos, o Código Tributário Nacional acolhe o instituto da compensação como forma extintiva, mas desde que haja lei que autorize. É a seguinte a redação do seu art. 170: (...)" (destaquei) Os dois professores titulares de Direito Tributário da Faculdade de Direito do Largo São Francisco apontam de maneira inequívoca a necessária autorização legal para que exista a compensação tributária. Schoueri (ob. cit. pg.620) é veemente quanto à questão: "Relevante, outrossim, notar que, na matéria fiscal, a compensação somente se dá quando a lei autorizar, e nos limites desta. Não há um direito assegurado à compensação ampla e irrestrita. Diversos Municípios não prevêem compensação. Nesses casos, o sujeito passivo mantém sua obrigação, mesmo tendo créditos contra a Administração Pública" (destaques não constam do original) Patente a ausência de direito à compensação fora dos limites da lei tributária. Nesse sentido os argumentos da recorrente padecem de respaldo jurídico. Há, forçosamente, que se verificar no caso concreto quais as exigências legais que permitem a extinção do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias por meio de compensação. De plano constatamos que existe permissivo legal para a compensação. A Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212/91, em seu artigo 89, prescreve: "Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas 'a', 'b' e 'c' do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil." (negritei) Voltando os olhos para as condições estabelecidas pela RFB, encontramos na Instrução Normativa RFB nº 900, vigente à época dos procedimentos, as regras necessárias para o encontro de contas. Com os regramentos aplicáveis devidamente determinados, recordemos que os créditos compensados pelo sujeito passivo surgiram a partir de sentenças judiciais que reconheceram a não incidência das contribuições previdenciárias sobre determinadas verbas pagas pelo Contribuinte aos seus empregados. Não se pode olvidar que, em que pese a opinião pessoal deste julgador sobre o tema, para a análise sobre a procedência do crédito tributário que aqui se discute, a incidência Fl. 1128DF CARF MF 14 tributária no caso concreto é irrelevante. Importa, sim, observar se houve, pelo sujeito passivo, cumprimento das exigências constantes da legislação tributária sobre a compensação das contribuições previdenciárias no caso da existência de ação judicial, pois existe uma norma individual e concreto sentença que permite a compensação. Com o fito de espancar qualquer dúvida: no caso em apreço, o que se discute, a motivação da glosa de compensação realizada pelo Fisco, é o cumprimento das exigências legais para se possa implementar o encontro de contas autorizado. Vejamos. Consta do artigo 170A do Código Tributário Nacional: "Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial." (destaques não constam do texto legal) Como não poderia deixar de ser, a IN RFB nº 900, expressamente veda: "Art. 34 . O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. (...) § 2° A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. § 3o Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: I o crédito que: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado;" (grifamos) Patente a vedação legal à compensação antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu o crédito tributário do sujeito passivo. Não obstante a expressa proibição constante da lei, observou a Autoridade Fiscal que tal vedação também constava da sentença que reconheceu o direito de crédito do Recorrente (fls. 44): "No que se refere às contribuições previdenciárias incidentes sobre os valores pagos a título de aviso prévio indenizado que foram objeto de discussão judicial no processo n° 44176420104013400, ajuizado em 01/02/2010, em consulta ao sítio do TRF1 na internet, verificouse que o mesmo, atualmente, encontrase concluso para sentença do juízo monocrático, tendo sido concedida tão somente a tutela antecipada, suspendendo a exigibilidade crédito tributário referente à rubrica em comento. No entanto, não houve, na citada decisão cautelar, autorização para que o sujeito passivo efetuasse a compensação antes do trânsito em julgado. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.123 15 Já no que concerne ao processo n° 44184920104013400, também ajuizado em 01/02/2010, no qual se discute a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos relativos aos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento dos empregados doentes e acidentados, ao salário maternidade, férias e adicional constitucional de férias (adicional 1/3), bem como o direito à compensação dos valores supostamente recolhidos de forma indevida, o juízo de 1a instância julgou, em 27/01/2011, totalmente improcedente a pretensão da fiscalizada. Inconformada com a referida decisão monocrática, o sujeito passivo interpôs recurso ao TRF1, o qual, nos termos do acórdão datado de 28/10/2011, deu parcial provimento à apelação do contribuinte, no sentido de tão somente determinar a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado nos primeiros quinze dias de afastamento gue antecedem a concessão do auxílio doença, seja por motivo de doença ou acidente, bem assim, sobre o terço constitucional de férias. Em relação às remunerações de férias gozadas e de salário maternidade o órgão colegiado em comento entendeu que as mesmas verbas possuem natureza salarial e, por isso, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. mantendo, portanto, em relação às citadas rubricas a decisão de 1a instância. No gue tange ao direito de efetuar a compensação dos valores indevidos, o TRF1 vedou a sua realização antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, conforme prevê o art. 170A do CTN. Determinou também que, nos casos de repetição e compensação de tributos, aplicase a taxa SELIC nos termos da Lei 9.250/95, art. 39. S 4", incidindo desde 1° de janeiro de 1996. que não pode ser cumulada com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária." (destaques originais) Tal descumprimento da lei, e também da sentença judicial, é o motivo fulcral do lançamento. Sobre isso não resta dúvida. Assim se pronunciou o Fisco (fls. 48): "V. DA GLOSA DAS COMPENSAÇÕES Auto de Infração DEBCAB n" 51.028.4809 Período de lançamento do crédito tributário: 11/2009 a 04/2011 Em decorrência do já esposado alhures, os valores compensados nas GFIP's abaixo foram considerados indevidos e glosados pela fiscalização, sendo o crédito tributário correspondente constituído através do auto de infração ora lavrado Logo, não cabem os argumentos do contribuinte quando à lisura de seu procedimento e ao direito de compensação por própria vontade. Como bem apontado por Luis Eduardo Schoueri, não há amplo direito à compensação, ao reverso o direito do contribuinte está delineado pela vontade do legislador. Com esse supedâneo, não cabem os argumentos e a jurisprudência mencionada pelo recurso, quanto mais ao se recordar que a norma individual e concreta Fl. 1130DF CARF MF 16 representada pela sentença judicial, obtida pelo sujeito passivo, contém a mesma restrição ao direito à compensação: há que se aguardar a definitividade da decisão. Como visto, tampouco se discute a existência do crédito, ou seja, a incidência da quota patronal das contribuições previdenciárias sobre as verbas mencionadas. Aliás, tal questão, a incidência das contribuições sobre as verbas especificadas, se encontra sob análise do poder judiciário, não cabendo discussão na via administrativa, consoante sólida jurisprudência, inclusive consolidada por meio da Súmula CARF nº 1. Com essa constatação, sobre a desnecessidade e impossibilidade da discussão sobre a origem dos créditos compensados, este julgador não se pronunciará sobre a incidência da contribuição patronal previdenciária e também sobre a natureza das verbas em si, alegações constantes do recurso. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso nessa parte. DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Em que pese o pedido de conversão em diligência ser por mim considerado prejudicial de mérito, passo a apreciálo pois, como dito, sigo o recurso na ordem de suas alegações. Segundo a Recorrente (fls 1093): "Desde já requer a Recorrente a conversão do julgamento em diligência, com esteio no artigo 16, IV do Decreto n° 70.235/72, para que se verifique: Se nos presentes Autos de Infração estão sendo cobradas as parcelas suspensas da Contribuição Previdenciária, ou seja, relativas aos valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, de 1/3 (um terço) de férias e de aviso prévio indenizado, conforme decisões proferidas no Agravo de Instrumento n° 0039185 31.2010.4.01.0000 e na Apelação 000441849.2010.4.01.3400; Se os créditos tomados e cuja compensação restou glosada referemse aos valores pagos nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado doente ou acidentado, salário maternidade, aviso prévio indenizado e férias e adicional de 1/3 (um terço) de férias, valores cuja inclusão na base de cálculo da Contribuição Previdenciária é totalmente controversa à luz do atual posicionamento da jurisprudência. Este pleito se justifica pela necessidade de, no primeiro caso, excluir a parcela suspensa da Contribuição do Auto de Infração; no segundo, para a comprovação que os créditos foram tomados à luz do entendimento jurisprudencial acerca da matéria. Desta forma, é medida de Justiça a conversão do presente julgamento em diligência para elucidação destes pontos que guardam íntima ligação com o crédito tributário exigido, de modo que o indeferimento deste pleito, restando devidamente justificado nos termos da lei, constituirseá flagrante atentado ao princípio da ampla defesa" Entendo desnecessária a diligência requerida. Explico. Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.124 17 O relatório fiscal é expresso, e não poderia deixar de sêlo, quanto às parcelas integrantes do lançamento. Constam das folhas 48 até as folhas 54 todos as parcelas integrantes de cada um dos documentos de crédito (debcad's) constituídos. Não obstante, ainda há às folhas 54 tabela que menciona os autos de infração relacionado a cada debcad. Vejamos: A justificativa da diligência apresentada pelo Recorrente se funda, como visto acima, na necessidade de verificação de eventual crédito lançado sobre as verbas em discussão em face suspensão da exigibilidade dos créditos lançados, em razão das demandas judiciais propostas; e ainda sobre quais são as compensações glosadas. Ora, tais esclarecimentos foram prestados pela fiscalização, por meio das intimações e reintimações realizadas, além de constarem do relatório fiscal. Não há o lançamento de verbas com exigibilidade suspensa e os valores de compensação glosados são aqueles realizados pelo contribuinte, que por óbvio, sabe quais foram. Recurso voluntário negado também nessa parte. DA EXIGÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE DEMONSTRATIVO COMPROVANDO O EFETIVO RECOLHIMENTO DOS VALORES INDEVIDOS Alega a Recorrente (fls 1094), ao se insurgir contra a multa aplicada pelo descumprimento de obrigações acessória representada pelos autos de infração mencionados no quadro supra: "Sustenta o Fisco que a ora Recorrente não teria apresentado demonstrativo comprovando o efetivo recolhimento dos valores indevidos, conforme lhe foi solicitado. No entanto, a tal alegação não pode ser dada guarida, pois tal informação está disponível nos registros contábeis da empresa, aos quais poderia ter acesso o Auditor Fiscal caso assim requeresse. Fl. 1132DF CARF MF 18 Notese que nos mencionados registros constam todos os recolhimentos efetivados pela empresa, e assim, logicamente, também os valores recolhidos a maior. Se a autoridade fiscal não obteve tal informação foi porque deixou de requerêla, e não pode ser responsabilizado o contribuinte pela inércia do Auditor. Ademais, cumpre destacar que o próprio acórdão da DRJ/RJO foi omisso quanto à fundamentação da manutenção do Auto de Infração, apenas declarando sua validade. Isto porque, não existem nos autos elementos suficientes a demonstrar o dolo da Recorrente na não apresentação do demonstrativo, posto que não houve empecilho à apreciação pelo Auditor Fiscal dos registros contábeis da empresa, que só não ocorreu, conforme já explicitado, pois o mesmo não o solicitou. Desta forma, se afigura insustentável a manutenção da multa por descumprimento de obrigação acessória tal qual determinada pelo Fisco" (destaquei) Alega ainda que não houve falta de esclarecimento por parte do contribuinte, quanto aos valores recolhidos indevidamente em cada competência, posto que tais informações também constavam da contabilidade do sujeito passivo. Tais alegações beiram a desfaçatez. As multas foram aplicadas, nos exatos termos da legislação de regência, em face do desleixo do Contribuinte em atender às solicitações do Fisco, representadas pelas intimações e reintimações realizadas. Prescreve a Lei nº 8.212/91, em seu artigo 32, III, que a empresa é obrigada prestar as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse do Fisco, bem como prestar os esclarecimentos solicitados pela Fiscalização. Já o artigo 33, §§ 2º e 3º, determina que a empresa é obrigada a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas na lei de Custeio, sob pena de multa. O Regulamento da Previdência Social, explicita: "Art.283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos8.212 e 8.213, ambas de 1991, e10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) j)deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.125 19 social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;" (destaquei) Verifico, pelo Relatório Fiscal, que houve diversas intimações e reintimações sobre questões de interesse da Autoridade Fiscal que não foram atendidas pelo sujeito passivo, do que resultou: "O sujeito passivo, apesar de intimado, deixou de prestar os esclarecimentos à fiscalização, nos termos do disposto no artigo 32, inciso III, da Lei n° 8.212/91, visto que: Não foi apresentado demonstrativo que comprovasse o efetivo recolhimento dos supostos recolhimentos indevidos, contendo a identificação das GPS a eles relacionadas. Tal documento possibilitaria o cotejo entre os supostos recolhimentos indevidos e as bases de cálculo totais (as quais englobariam as rubricas em discussão) das contribuições previdenciárias constantes dos resumos das folhas òe pagamento. Deixou de esclarecer, dentro de cada competência em que foi efetuada a compensação, quais foram os supostos valores recolhidos indevidamente, referentes a cada uma das rubricas ora discutidas. Deixou de prestar as necessárias informações acerca das compensações efetuadas nas competências 13/2009 e 13/2010." De plano se pode afirmar que é uma obrigação tributária acessória do sujeito passivo a prestação negativa (ou seja, suportar), a fiscalização tributária. Esta, por óbvio, se dará nos termos da legislação tributária, seja em caráter geral ou específico, em função do tributo que se pretende verificar, consoante se observa no artigo 194 e seguintes do Códex Tributário. Claro remanesce que a fiscalização tributária decorre, e ao mesmo tempo é instrumento, do poder/dever que a Autoridade Tributária tem de prover os cofres públicos com as receitas derivadas destinadas ao custeio do Estado. Decorre do poder de império que cabe ao Estado, no interesse de toda a nação, de financiarse para o cumprimento dos deveres constitucionais a Ele impostos. O poder de fiscalização, decorre portanto, do próprio poder de tributação. Para exercêlo em sua plenitude, é obrigação do Estado verificar o cumprimento das obrigações tributárias por todos os contribuintes, ainda mais ao se recordar o princípio da isonomia tributária que determina que todos devem ser igualmente tratados, na medida de sua condição, perante a exação. Esse mister é executado por meio de um procedimento pelo qual a Administração Tributária busca colher provas, junto ao obrigado, da correção do cumprimento das obrigações, por esse adotado. Por óbvio que se trata de um procedimento investigatório Fl. 1134DF CARF MF 20 decorrente de um poder de Estado ao qual o sujeito passivo simplesmente deve se submeter, tendo por óbvio respeitados seus direitos e garantias individuais, sob pena da sanção legalmente prevista. Não quis o Recorrente atender ao Fisco. Cabe a ele suportar a sanção legal. Recurso negado também nessa parte. DA INAPLICABILIDADE DA TAXA SELIC Consta do recurso a insurgência do contribuinte contra a aplicação da taxa Selic ao lançamento tributário em discussão. Segundo o Recorrente há nítida incompatibilidade entre o artigo 161, § 1º do CTN e as disposições da Lei 8981/95. Quanto a este argumento, melhor sorte não cabe ao Recorrente. O tema da aplicação da taxa SELIC é amplamente conhecido pelos membros deste Conselho. A incidência dos juros, com base na taxa mencionada, nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei, o que, de plano, afasta a discussão do âmbito administrativo. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Em complemento, a Súmula CARF nº 5, assevera: "Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Corroborando tal entendimento, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.126 21 Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no Fl. 1136DF CARF MF 22 vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 13116.722568/201271 Acórdão n.º 2201003.369 S2C2T1 Fl. 1.127 23 Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado também nessa parte. Conclusão Diante do exposto, e com fundamento nas disposições acima mencionadas, voto por conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a multa isolada aplicada, e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. assinado digitalmente Carlos Henrique de Oliveira Relator Fl. 1138DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.724244/2012-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU - INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa.
QUESTÕES COM TRANSITO EM JULGADO, NÃO CONHECIMENTO.
Questões já discutidas em processo específico e com trânsito em julgado no próprio CARF não devem ser conhecidas em processo distinto.
Numero da decisão: 2201-003.142
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e decadência (com base no art. 150, § 4º, do CTN). Por maioria de votos, não conhecer do recurso quanto ao direito a imunidade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Marcelo Vasconcelos de Almeida. No mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa de mora com base na redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei 11.941/2009, e recalcular a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 11/2008, com base na redação do artigo 32A da Lei 8.212/1991. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Sr. Jorge Anderson Corte Real, CRA/RS 17.904.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Carlos Henrique de Oliveira - Relator.
Carlos Alberto Mees Stringari - Redator designado.
EDITADO EM: 23/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira
Nome do relator: Relator
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ASTROGILDO DE AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU INOCORRÊNCIA. Não há nulidade sem prejuízo para a parte, quanto mais se houve no processo administrativo tributário total garantia ao contraditório e ampla defesa. QUESTÕES COM TRANSITO EM JULGADO, NÃO CONHECIMENTO. Questões já discutidas em processo específico e com trânsito em julgado no próprio CARF não devem ser conhecidas em processo distinto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e decadência (com base no art. 150, § 4º, do CTN). Por maioria de votos, não conhecer do recurso quanto ao direito a imunidade. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (relator), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado) e Marcelo Vasconcelos de Almeida. No mérito, por maioria de votos dar provimento parcial ao recurso para recalcular a multa de mora com base na redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, dada pela Lei 11.941/2009, e recalcular a multa por descumprimento de obrigação acessória até a competência 11/2008, com base na redação do artigo 32A da Lei 8.212/1991. Vencidos os Conselheiros Carlos Henrique de Oliveira (Relator) e Eduardo Tadeu Farah (Presidente). Designado para elaboração do voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Mess Stringari. Realizou sustentação oral pelo contribuinte o Sr. Jorge Anderson Corte Real, CRA/RS 17.904. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 42 44 /2 01 2- 35 Fl. 6984DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Carlos Henrique de Oliveira Relator. Carlos Alberto Mees Stringari Redator designado. EDITADO EM: 23/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre, Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Presente ao julgamento a Procuradora da Fazenda Nacional Sara Ribeiro Braga Ferreira Relatório Tratase de crédito previdenciário referente a contribuições sociais da empresa, as devidas ao custeio do seguro acidente de trabalho e aos terceiros, decorrentes de suspensão da isenção de entidade beneficente por descumprimento dos requisitos legais para fruição do benefício constitucional. O procedimento fiscal foi instaurado por meio de Mandado de Procedimento Fiscal, MPF nº 10.1.03.002010005081, do qual o contribuinte teve ciência pessoal em 20 de janeiro de 2011 (efls 2503). O contribuinte foi pessoalmente cientificado do lançamento tributário, relativo às competências 01/2007 a 12/2011, em 26 de dezembro de 2012, conforme se verifica no TEAF de efolhas 6259. Informa ainda a autoridade notificante que em 21 de março de 2012, a Recorrente foi intimada, em outro procedimento fiscal, a manifestarse sobre o cumprimento dos requisitos exigidos para que a entidade, aqui Recorrente, usufruísse da isenção da quota patronal das contribuições previdenciárias. Como decorrência desse procedimento fiscal foi emitido em 17 de julho de 2012, Termo de Notificação Fiscal suspendendo o gozo do benefício da imunidade tributária no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2011. Esses atos administrativos estão consubstanciados no processo digital de nº 11060.722784/201284 O procedimento fiscal autorizado pelo MPF supra identificado, embasador do lançamento tributária, culminou na constituição de crédito tributário no valor originário de R$ 91.691.990,52, consolidado em 26/12/2012, constituídos em quatros autos de infração referentes aos DEBCAD's 37.302.1470 e 51.017.0021 relativos a quota patronal e SAT, e 37.302.1488 e 51.017.0030 relativos a outras entidades e fundos. O descumprimento da correspondente obrigação acessória (informação em GFIP), CFL 68, foi lançado por meio do DEBCAD 37.302.1461. Mister realçar que somente os autos de infração AI DEBCAD 51.017.0021 no valor de R$ 52.528.676,27 (quota patronal, SAT e adicional GILRAT), e DEBCAD 51.017.0030 no valor de R$ 11.226.365,98 (contribuições destinadas aos terceiros) ambos relativos ao período de 01/2009 a 13/2011, integram o presente processo administrativo. Fl. 6985DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 3 3 A autoridade lançadora no relatório fiscal, após discorrer sobre a legislação aplicável às entidades beneficentes, apresenta a explicação dos procedimentos que culminaram na perda da isenção e consequente constituição do crédito tributário (efls. 5470): "No que se refere ao direito à isenção de contribuições sociais destinadas a Seguridade Social, estabelecia o art. 55 da lei 8.212/91 que a entidade beneficente de assistência social atendesse, cumulativamente, dentre outros requisitos os seguintes: II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei n° 9.528. de 10.12.97). Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, ao regulamentar a concessão e revogação da isenção previa no art. 206, especialmente no § 8o, incisos I a IV, a emissão de Informação Fiscal na qual deveriam ser relatados os fatos que determinariam a perda da isenção. § 82 O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto n° 4.862, de 2003) Com a vigência da Lei 12.101, de 27/11/2009 (DOU de 30/11/2009) que passou a disciplinar inteiramente a matéria, inclusive revogando o art. 55 da Lei 8.212/91. E o Decreto 7.237, de 21/07/2010, que regulamenta a Lei 12.101/2009 e revoga art. 206 do Decreto 3.048/99. No novo ordenamento acima citado, deixou de haver a previsão dos Atos Declaratórios de Concessão e de Revogação da Isenção, conforme se verifica do art. 32 e parágrafos da Lei 12.101/2009, verbis: Fl. 6986DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatara os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § I o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente Como, também, o Decreto 7.237/2010, explicita nos seu artigo 42 e parágrafos Io a 3o: Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § l o Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito à isenção, e o lançamento correspondente terá como termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o O julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Diante do exposto, e considerando o rito do processo administrativo fiscal vigente, informamos que deixamos de emitir a Informação fiscal e o Ato Cancelatório subsequente, e passamos a relatar no presente relatório as irregularidades que levaram a perda da isenção das contribuições previdenciárias pela entidade. V DA PERDA DA ISENÇÃO O HCAA apresentou as GFIPs dos anos 2007 a 2011 como isenta da cota patronal e terceiros, conforme previsto em lei, tendo informado que é uma entidade beneficente de assistência social. No exercício do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n°. 1010300.2010.00508.1, iniciamos ação fiscal junto ao HCAA em 20/01/2011. Como resultado, verificamos que o HCAA não observou os requisitos legais para que a mesma pudesse usufruir o benefício de isenção das Contribuições previdenciárias no período de 01/2007 a 12/2011. Neste aspecto, lavramos o presente Relatório de Fiscalização, que é parte integrante e inseparável dos Autos de Infração DEBCAD 37.302.1461,37.302.1470, 37.302.1488, 51.017.0021 e 51.017.0030, no qual relatamos os fatos que determinam a suspensão do benefício da isenção, em atendimento ao disposto nos artigos 5 5 da Lei n°. 9.812, de 24/07/1991, 28 da Medida Provisória 446, de 07/11/2008 e 29 da Lei 1 2 . 1 0 1 , de 27/11/2009. Os fatos ocorridos no período acima mencionado foram caracterizados pela fiscalização como infração ao disposto no artigo 55, incisos III a V da Lei n°. 8.212, de 24/07/2001, no artigo 28, Fl. 6987DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 4 5 incisos II, III, VII e V I I I da Medida Provisória 446, de 07/11/2008 e no artigo 29, incisos I I , I V e V da Lei 1 2 . 1 0 1 , de 27/11/2009. Os fatos ocorridos encontramse exaustivamente pormenorizados no Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284, que é parte integrante e inseparável do Termo de Notificação Fiscal de suspensão do benefício de imunidade tributária, cientificado o HCAA em 17/07/2012, pelo A H Fiscal da Receita Federal do Brasil Marcelo Figueiredo de Azevedo Júnior, os quais foram anexados ao presente Processo. "Como explicitado no parágrafo anterior, os fatos ocorridos que deram causa a suspensão da isenção da cota patronal da contribuição social previdenciária já foram exaustivamente jrm^norizados no Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284, nos ateremos a citar JS itens do relatório de fiscalização com pequena descrição, enquadrando nos incisos do artigo 55 da Lei n°. 8.212, de 24/07/2001, nos incisos do artigo 28 da Medida Provisória n° 446, de 07/11/2008 e nos incisos do artigo 29 da Lei 12.101, de 27/11/2009, infringidos. Item 3.1. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 IMPORTAÇÃO DOS EQUIPAMENTOS MÉDICOS CEDIDOS A EMPRESAS TERCEIRIZADAS E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E I I DO CTN Verificamos que o HCAA, quando da importação de equipamentos, equipamentos estes cuja utilização foi TRANSFERIDA/CEDIDA, mediante sua locação às empresas DIX, RSM e IRV (pessoas jurídicas com fins lucrativos), incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VIII da Medida Provisória n° 446/2008, no artigo 29, incisos II e V da Lei n°. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.2. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 TERCEIRIZAÇÃO DE SERVIÇOS MÉDICOS E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Verificamos que a existência de diversas clínicas particulares que utilizam a área física e os equipamentos cedidos pelo HCAA através de contratos de terceirização da prestação de serviços médicos, o fato de o Hospital ter assumido o custo com a construção da edificação e a instalação de equipamentos onde atualmente está localizada a empresa RSM, com investimentos de R$ 5.981.914,09 para que a referida clínica particular pudesse INICIAR suas atividades em 07/2008, assim como a construção do empreendimento denominado "Policlínica Provedor Wilson Aita", que até 31/12/2011 havia custado R$ 41.829.029,22 ao Hospital, demonstram o DESVIRTUAMENTO de sua FINALIDADE, voltada para a PROMOÇÃO, proteção e recuperação da saúde, bem como o DESVIRTUAMENTO de seu PATRIMÔNIO, o qual deve ser aplicado INTEGRALMENTE na MANUTENÇÃO e Fl. 6988DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 DESENVOLVIMENTO de seus objetivos institucionais, em DESACORDO com o disposto nos artigos 2º, 3º e 11 do Estatuto Social, no artigo 55, incisos III e V da Lei nº 8.212/91, no artigo 28, inciso II e V da Medida Provisória nº 446/2008, e no artigo 29, inciso II e V da Lei nº 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009 Item 3.3. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 DESVIRTUAMENTO DO CONCEITO DE GRATUIDADE E INEXATIDÃO NO REGISTRO DE DESPESAS COM GRATUIDADES E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS II E III DO CTN Verificamos, que o HCAA, ao efetuar as transferências de inadimplências e de custos gerais de internação para as contas de resultado de despesas com gratuidades, bem como ao considerar atendimentos para pacientes particulares que não podem ser considerados como pessoas carentes e serviços médicos prestados por empresas terceirizadas como despesas com gratuidades, os quais resultaram no SIGNIFICATIVO montante de R$ 27.441.250,12 de acréscimos INDEVIDOS de contas contábeis a título de gratuidade nos anos de 2004 a 2011, apresentado no Anexo 21, incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 55, incisos III e V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, incisos II e IV da Lei n°. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2004 a 2011, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.4. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 INEXATIDÃO NO REGISTRO DE RECEITAS COM SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AO REQUISITO DISPOSTO NO ARTIGO 14, INCISO III DO CTN Verificamos que o HCAA ASSUMIU na Resposta de 18/05/2012 ter deixado de contabilizar em contas de resultado de receitas, a serem computadas na determinação do lucro operacional dos anos de 2007 e 2008, os depósitos bancários no montante de R$ 1.133.602,47, recebidos da PMSM como subvenção para o custeio de 22 profissionais médicos previstos no Convênio n°. 062, de 17/06/2007, e em seu Io Termo Aditivo, de 29/10/2007, em DESACORDO ao disposto no artigo 392, inciso I do RIR/99, no Parecer Normativo CST n°. 112/78, no Item 10.19.2.3 da NBC n°. T 10.19, aprovada pela Resolução CFC n°. 877/00, no artigo 14, inciso III do CTN, no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso VII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, inciso IV daLein0. 12.101/09. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2007 a 2008, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.5. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 Fl. 6989DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 5 7 ALUGUEL DE TERRENO À EMPRESA ALT E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN O HCAA sempre SOUBE que o imóvel localizado à Rua Gaspar Martins, 1478 seria sublocado pela empresa ALT à empresa DE FRANCE, uma vez que a Cláusula 6a do contrato firmado em 06/03/2006 (fls. 2334 e 2335) estabelece que o imóvel a ser construído sobre o terreno locado poderia ser utilizado pelo locatário no comércio de REVENDA DE AUTOMÓVEIS, podendo o locatário SUBLOCAR o imóvel SEM consentimento prévio do HCAA. Entendemos que o HCAA possuía plenas condições de construir no imóvel atualmente ocupado pela empresa DE FRANCE as edificações necessárias para a prestação de serviços médicos voltados para a promoção, proteção e recuperação da saúde, os quais representam a sua FINALIDADE, disposta no artigo 3o de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Entretanto, o HCAA optou por favorecer ENORMEMENTE seu ex Diretor Administrativo, tendo efetuado a locação de imóvel localizado em área NOBRE da cidade de Santa Maria RS à empresa ALT, pelo valor IRRISÓRIO de R$ 200,00, o que demonstra que o mesmo DESVIRTUOU o seu patrimônio, disposto no artigo 11 de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578), deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, inciso II da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Além disso, o HCAA, ao ASSUMIR que deixou de registrar em conta de resultado de receita com aluguéis o montante de R$ 972,00 de aluguéis devidos pela empresa ALT no período de 04/2008 a 03/2009, de acordo com o Anexo 24, incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 14, inciso III do CTN, de que a EBAS, para assegurar sua imunidade tributária, deve manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2006 a 2011, nos termos do artigo 32, § 1o da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.6. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 O ENVOLVIMENTO DO HCAA NO ÂMBITO DA OPERAÇÃO FARISEU E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Em consonância com o entendimento da Polícia Federal exposto no RP/IPL n°. 389/2004 (fls. 24 a 106), verificamos que o HCAA, ao efetuar pagamentos no montante de R$ 168.000,00 pelos serviços prestados pelas empresas BM ASSESSORIA EM ADMINISTRAÇÃO e Fl. 6990DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 BM APOIO EM ADMINISTRAÇÃO no período de 22/06/2007 a 26/12/2011, os quais estão mais para serviços de LOBISTA do que para os serviços de consultoria previstos nos contratos de 13/06/2007 e 01/09/20 por utilizar parte de seus recursos em um esquema ILÍCITO para a obtenção FRAUDULENTA de renovações de seus CEBAS junto ao CNAS, o que implicou no DESVIRTUAMENTO de sua FINALIDADE, voltada para a PROMOÇÃO, proteção e recuperação da saúde, bem como no DESVIRTUAMENTO de seu PATRIMÔNIO, o qual deve ser aplicado INT ORALMENTE na MANUTENÇÃO e DESENVOLVIMENTO de seus objetivos institucionais, de acordo com o disposto nos artigos 2o, 3o e 11 de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Além disso, o HCAA deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°. 8.212/91, no artigo 28, inciso III e VIII da Medida Provisória n° 446/2008 e no artigo 29, incisos II e V da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais e não distribuísse resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2007 a 2011, nos termos do artigo 32, § Io da Lei n°. 12.101/2009. Item 3.7. do Relatório de Fiscalização do processo 11060.722784/201284 A REMUNERAÇÃO DO EXDIRETOR EXECUTIVO ALFREDO LONGHI E SUAS IMPLICAÇÕES EM RELAÇÃO AOS REQUISITOS DISPOSTOS NO ARTIGO 14, INCISOS I E II DO CTN Para o gozo da imunidade, as instituições de assistência social, tais como o HCAA, estão obrigadas a atender os requisitos dispostos no artigo 12, § 2o da Lei n°. 9.532, de 10/12/1997, sendo que a alínea "a" dispõe quanto à NÃO remuneração, por qualquer forma, de seus DIRIGENTES pelos serviços prestados. A restrição à remuneração de dirigente das entidades imunes disposta no artigo 12, § 2o, alínea "a" da Lei n°. 9.532/97 não constava do CTN. Entretanto, o descumprimento de tal requisito pode ser considerado como uma distribuição disfarçada de lucros, em afronta ao disposto no artigo 14, inciso I do CTN. Ademais, o artigo 55, inciso IV da Lei n°. 8.212/91 dispõe que para usufruir a isenção da CPP, os DIRETORES, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores da EBAS NÃO podem ser remunerados e NÃO podem usufruir vantagens ou benefícios a qualquer título. Sendo assim, verificamos que o HCAA incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 4°, § 3o da IN/SRF n° 113/98, no artigo 14, inciso I do CTN e no artigo 55, inciso IV da Lei n°. 8.212/91. Adicionalmente, o HCAA contabilizou a débito da conta de resultado "Viagens e Ajuda de Custo" (códigos 3104003 e 4020203019), do grupo "Despesas Administrativas" (código 3104) e da conta de Fl. 6991DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 6 9 resultado "Reclamatória Trabalhista" (código 4020102010), do grupo "Despesas com Pessoal" (código 40201), os montantes de R$ 3.154,35 e R$ 13.000,00, no total de R$ 16.154,35 de despesas E NECESSÁRIAS com o Sr. ALFREDO LONGHI no período de 25/09/2009 a 23/08/2011, em DESACORDO ao disposto no artigo 14, incisos I e II do CTN e no artigo 55, inciso Vda eir. 8.212/91. Tais fatos implicam na SUSPENSÃO do direito a isenção das contribuições previdenciárias patronais nos anos de 2004 a 2011, nos termos do artigo 32, § Io da Lei n°. 12.101/2009." (negritos originais, sublinhados nossos) Consta explicitamente do Relatório Fiscal (fls 5478), que os créditos tributários foram apurados nas folhas de pagamento apresentadas pelo contribuinte, GFIP's entregues no código 639, na qual constava somente as contribuições descontadas dos segurados e das remunerações declaradas em RAIS. Informa ainda a autoridade Fiscal que procedeu o lançamento, por tipo de levantamento, a saber (fls. 5477): "Os fatos geradores de contribuição previdenciária apurados no desenvolvimento da auditoria fiscal, foram classificados por Tipo de Levantamento, levandose em consideração o período ao qual ocorre o tipo de multa menos severa, e conjugados ainda com a natureza da contribuição a ser apurada, de modo a emitir autos de infração distintos em: a) contribuição da empresa, inclusive RAT para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (antigo seguro acidente do trabalho) e adicionais por exposição a agentes nocivos, e ainda, b) contribuição da empresa devida a outras entidades (Terceiros), conforme segue: LEVANTAMENTO A Remuneração de Segurado Empregado e contribuinte individual para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social), incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado" e do contribuinte individual, relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal (FPAS 515). LEVANTAMENTO A2 Remuneração de Segurado Empregado e contribuinte individual para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência SocaD ii dente sobre a remuneração do segurado "Empregado" e do contribuinte individual, rela vãmente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal (FPAS 515). LEVANTAMENTO B Remuneração de Segurado Empregado exposto a agentes nocivos para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado", relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 515). Fl. 6992DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 LEVANTAMENTO B2 Remuneração de Segurado Empregado exposto a agentes nocivos para apuração das contribuições cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP incidente sobre a remuneração do segurado "Empregado", relativamente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 515). LEVANTAMENTO C Remuneração de Segurado empregado localizado em obras de construção civil para apuração das contribuições incidente sobre a remuneração do segurado "empregado", cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP, relativamente ao período 01/2007 a 11/2008, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 507). LEVANTAMENTO C2 Remuneração de Segurado empregado localizado em obras de construção civil para apuração das contribuições incidente sobre a remuneração do segurado "empregado", cujos fatos geradores não foram declarados em GFIP, relativamente ao período 12/2008 a 12/2011, período em que a entidade não fazia jus à isenção da Quota Patronal. (FPAS 507). O contribuinte teve ciência pessoal do lançamento tributário, relativo às competências 01/2007 a 12/2011, em 26 de dezembro de 2012, conforme se verifica no TEAF de efolhas 6734. Inconformado, apresentou tempestivamente, em 27 de janeiro de 2013, impugnação (efls .6740). A 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o acórdão 1042.969 (fls 6756), pela qual manteve na íntegra o lançamento tributário. A decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2011 ENTIDADE BENEFICENTE. ISENÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS. O direito à isenção das contribuições sociais, previsto no art. 195, § 7º da Constituição Federal está condicionado, ao cumprimento cumulativo dos requisitos exigidos pelo artigo 55 da Lei nº 8.212/1991 e artigo 28 da Medida Provisória nº. 446/2008, sendo que o não atendimento a qualquer de tais requisitos autoriza a suspensão da isenção e o lançamento dos créditos tributários, no período correspondente. PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONEXÃO. JULGAMENTO CONJUNTO. As normas que regem o processo administrativo fiscal não trazem a previsão de julgamento conjunto de processos distintos. Impugnação Improcedente" Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 04 de abril de 2013 (AR de fls. 6781), o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls 6787) em 06 de maio de 2013, tempestivamente, portanto. Fl. 6993DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 7 11 Na peça recursal, manifesta sua inconformidade, repetindo os argumentos da impugnação e requer a nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa e insubsistentes os lançamentos. São, resumidamente, seus argumentos: Nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa da Recorrente, uma vez que antecipouse ao julgamento do processo matriz, no qual se discute especificamente a insubsistência da cassação da imunidade ; é entidade beneficente de assistência social e de promoção e recuperação da saúde, mantendo e renovando seu CEBAS há 41 anos e Declaração de Utilidade Pública Federal há 44 anos e Registro no CNAS desde 1951, não tendo fins lucrativos há 109 anos. Por tudo isso goza de imunidade tributária referente aos impostos nos termos do artigo 150, VI, "c", da Constituição Federal ; goza também da isenção das contribuições previdenciárias nos termos do artigo 195, § 7º, da Carta Magna, nos termos da jurisprudência uniforme do STF; cumpre os requisitos cumulativamente do artigo 14 do CTN e os da Lei de Custeio da Previdência (artigo 55) e os previstos no artigo 29 da Lei nº 12.101/09; comprovou, periodicamente, o atendimento aos requisitos legais com a apresentação do Relatório Anual de Atividades, Balanços e demais demonstrativos contábeis, sendo ainda mais completos os entregues à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria requer a nulidade de primeira instância em razão do descumprimento dos §§ 9º e 10º do artigo 32 da Lei º 9.430/96 que estabelece que "as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente"; que a suspensão da imunidade é ilegal, por pretensa inobservância das disposições do artigo 14 do CTN. Porém a suspensão da imunidade resultou da publicação do Ato Declaratório Executivo DRF/STM nº 29 de 10/09/12, contra o qual foi interposta contestação, ainda não julgada. que segundo a Lei nº 12.101/09, a constatação do descumprimento dos requisitos para o gozo deve ser precedida de representação da RFB ao Ministério da Saúde, e somente após o cancelamento da certificação pelo Ministério é estarão cumpridos os requisitos para o lançamento tributário. que todos os fatos que levaram à suspensão da imunidade foram refutados e nenhum deles é suficientemente forte ou verdadeiro para sustentar a decretação da suspensão da imunidade; O recurso vem a ser conhecido pela 1ª Turma da 3ª Câmara desta 2ª Seção, que, em sessão de 10 de março de 2015, por meio da Resolução 2301000.527, converte o Fl. 6994DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 julgamento em diligência para que se anexe cópia do Relatório Fiscal do processo 11060.722784/201284 e cópias das decisões sobre o ADE nº 29/12. Tais peças foram anexadas, dentre elas destacamos a decisão consubstanciada no Acórdão 1202001.201, de 24 de setembro de 2014, prolatado pela 2ª TO da 2ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, abaixo ementada: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. O prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador somente nos casos em que, cumulativamente, (a) o contribuinte efetuar pagamento antecipado do respectivo crédito tributário e (b) não estiverem presentes as hipóteses de dolo, fraude e simulação. MULTA. QUALIFICAÇÃO. Não havendo sólidos e inquestionáveis elementos comprobatórios da ocorrência de específica atitude dolosa fraudulenta, retirase a qualificadora de multa de ofício. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL CSLL, PIS E CO FINS. ISENÇÃO. DESATENDIMENTO DE REQUISITOS. RITO APLICÁVEL. Constatado que a entidade não atendeu aos requisitos para gozo de isenção, a fiscalização relatará os fatos que demonstram o não atendimento e lavrará o auto de infração ao período correspondente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃOCUMULATIVO.INAPLICABILIDADE. A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Fl. 6995DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 8 13 Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, estão sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a totalidade das receitas auferidas, mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento), respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa dos mencionados produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS HOSPITAIS E OUTROS ESTABELECIMENTOS DE SAÚDE. ALÍQUOTA ZERO. INAPLICABILIDADE. Os hospitais, prontos socorros, clínicas médicas, odontológicas, de fisioterapia e de fonoaudiologia, e os laboratórios de anatomia patológica, citológica ou de análises clínicas, estão sujeitos à incidência cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre a totalidade das receitas auferidas , mediante a aplicação das alíquotas de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) e 3% (três por cento),respectivamente, sendo vedado a essas entidades a segregação, na receita bruta, do valor correspondente aos produtos relacionados no art. 1º da Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, utilizados como insumos na prestação de seus serviços, bem como a aplicação de alíquotas zero das referidas contribuições sobre parcelas da receita bruta relativa dos mencionados produtos." Cientificado do cumprimento da diligência e da juntada dos documentos, o Recorrente se manifesta, tempestivamente, reiterando os argumentos de seu recurso e requerendo a nulidade da decisão de primeira instância e o enfrentamento do presente Recurso após a decisão do processo principal. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade, como se verifica inclusive da Resolução prolatada pela 1ª Turma da 3ª Câmara, e portanto passo à apreciação. Fl. 6996DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Tratase de retorno de diligência na qual foi solicitado a juntada das decisões de primeiro e segundo graus administrativo relativo ao processo de suspensão da imunidade tributária da Entidade Recorrente. Tais decisões, cujas ementas transcreveuse no relatório acima, mantiveram a suspensão decidida pela DRF Santa Maria/RS. Cumprida a diligência requerida e devidamente cientificada a Recorrente, analisemos o Recurso Voluntário na ordem da apresentação das alegações. DA ENTIDADE RECORRENTE IMUNE DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A Recorrente reitera sua condição de entidade imune de contribuições sociais. Alega que tal condição decorre da manutenção e renovação contínuas de CEBAS e Declaração de Utilidade Pública Federal, além de registro no CNAS. Alega também que tal condição decorre do cumprimento do requisito da apresentação do Relatório Anual de Atividades, Balanços e demais demonstrativos contábeis à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria. Não obstante as alegações, entendo serem os requisitos mencionados, por si só, insuficientes. Além de cumprilos, as entidades para fruírem a imunidade prevista no artigo 150, VI, 'c', e aquela que mais nos interessa no caso concreto, a do artigo 195, § 7º, ambos da Carta Magna, devem cumprir os requisitos legais. É justamente a verificação desse cumprimento, ou descumprimento segundo a Fiscalização, sobre a qual versa o lançamento tributário vergastado. Tais argumentos já foram enfrentados no processo principal (11060.722784/201284), julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara deste Conselho, cujo excerto abaixo foi retirado do voto condutor da decisão (fls 6933), em face de minha total concordância com as razões de decidir apresentadas: "Tais certificações, todavia, no entender desta relatoria, por si só não são absolutas para garantir os benefícios fiscais em tela, uma vez que a legislação de regência, especialmente a Lei nº 9.532/97, art. 12, a Lei nº 9.430/96, art. 32, a Lei nº 8.212/91, art. 55 e a Lei nº 12.101/2009, art. 29, autorizam a fiscalização a provar eventual descumprimento dos requisitos exigidos para a fruição dos benefícios de imunidade/isenção e, se for o caso, a decretação de seu cancelamento e a constituição das exigências fiscais pertinentes. Diante disso, salvo melhor juízo, as certificações exibidas não vedam o procedimento fiscal instaurado." (negritamos) Nesse sentido, não havendo, nesse ponto, nenhum fato provado pelo contribuinte que contrarie as alegações da Fiscalização, entendo não caber razão ao Recorrente, nesse ponto. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO POR CERCEAMENTO DE DEFESA Alega a Recorrente ao pleitear a nulidade da decisão de primeira instância: Fl. 6997DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 9 15 "Conforme previsto nos §§ 9o e 10 do art. 32 da Lei n° 9.430/96, que estabelece procedimentos nos casos de suspensão de imunidade/isenção, "as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente". Também, o § 1o do art. 9o do Decreto n° 70.235/72 sugere que os lançamentos formalizados contra o mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos pretensos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, podem ser objeto de um único processo. Evidentemente, no caso, não é essencial que os Autos de Infração sejam inseridos em um único processo. O que se questiona aqui é a realização do julgamento de processo decorrente antes do julgamento do processo principal. Embora não haja previsão legal direta acerca da possibilidade de sobrestamento do processo administrativo, no caso, por não serem mutuamente excludentes as tramitações do processo matriz com o processo decorrente, por questão de lógica e coerência o processo decorrente deve aguardar o julgamento do processo matriz. Afinal, o decidido no lançamento principal também deve ser estendido ao processo decorrente em vista da estreita correlação de causa e efeito entre eles existente" Como bem mencionado pelo Recorrente, tanto a Lei nº 9.430/96 quanto o Decreto 70.235/72 não são peremptórios quanto a formalização em um mesmo processo, indicando um procedimento que por vezes, no interesse da Administração Tributária, pode não se realizar. Tal interesse deve ser observado, sempre na confluência entre os princípios que regem o processo administrativo tributário dentre os quais o contraditório e a ampla defesa quando há motivo determinante para tal exceção. É o que observo no caso em concreto. O julgamento administrativo, no mais das vezes, é realizado por câmaras especializadas em cada tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Com tal especialização, além da óbvia qualidade do julgamento, obtémse maior produtividade e portanto menor tempo de duração do processo até seu trânsito em definitivo. Mister realçar que tal especialização não ocorre somente no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais como também nas turmas das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Com essa motivação e com a certeza da inexistência de prejuízo ao contribuinte em face da total possibilidade de defesa constatável pelos conteúdos das impugnações e recursos apresentados e da garantia do contraditório, não observou nenhum dos requisitos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 que trata das nulidades no processo administrativo. Mister não olvidar que o julgamento do processo principal já tramitou pela duas instâncias, tendo sido reconhecida a procedência da suspensão determinada. Tal processo se encontra, na presente data, aguardando julgamento de Recurso Especial da Fazenda Nacional, somente quanto à forma de apuração do lucro real e à multa qualificada, pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 6998DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 Assim, voto por negar provimento ao recurso voluntário nessa parte. DA ILEGAL SUSPENSÃO DA IMUNIDADE No entender da Recorrente a suspensão da imunidade quanto às contribuições previdenciárias contrariou as disposições da Lei 12.101/2009, pois tal suspensão deve ser precedida por representação da RFB ao Ministério da Saúde. Não se pode concordar com tal argumentação. O artigo 32 da Lei 12.101/2009 é de claríssima redação e determina que constatado o descumprimento dos requisitos, a fiscalização deve lavrar o auto de infração correspondente, cabendo à entidade o direito ao contraditório nos termos do processo administrativo fiscal. Vejamos a letra da lei: "Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente." (destaques nossos) Os ditames legais foram estritamente seguidos no caso em tela. Houve a fiscalização, precedida pela expedição de Ato Declaratório Executivo que determinou a suspensão da imunidade e consequente lavratura dos autos de infração cabíveis, tudo consoante se observa no relatório acima produzido. O devido processo administrativo fiscal segue o rito determinado pelo Decreto nº 70.235/72. Por essas razões não se pode concordar com a ilegalidade arguída nesse ponto. Passando as questões de mérito que motivaram a suspensão da isenção, ou seja o descumprimento dos requisitos apontados pela Fiscalização, a Recorrente os recorda, sinteticamente, em seu recurso (fls 6800): "a) Importação dos equipamentos médicos cedidos a empresas terceirizadas e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN b)Terceirização dos serviços médicos e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN; c)Desvirtuamento do conceito de gratuidade e inexatidão no registro de despesas com gratuidades e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos II e III do CTN; Fl. 6999DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 10 17 d)Inexatidão no registro de receitas com subvenções para custeio e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, inciso III do CTN; e)Aluguel de terreno à empresa ALT e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN; f)Envolvimento do HCAA no âmbito da operação Fariseu e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e I I d o CTN; g)Remuneração do exDiretor Executivo Alfredo Longhi e suas implicações em relação aos requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN." Passando a combatêlos, individualmente e na ordem apresentada, argumenta (fls 66802): "Nesse contexto, defendendo seu legítimo direito à imunidade tributária, o HCAA alegou, quanto à acusação da letra "a", acima referida, que a utilização de equipamentos médicos importados é matéria que está sendo discutida perante o Poder Judiciário, razão pela qual descabe seu exame na via administrativa Ademais, a terceirização de serviços é um moderno .mecanismo que propicia a eficiência administrativa e econômica, não admitindo o enquadramento, ainda mais quando desacompanhada de uma mínima análise de seus resultados, nas disposições dos incisos I e II do art. 14 do CTN, isto é, como procedimento vedado às entidades que fruem de imunidade tributária. Por outro lado, se o desenvolvimento do serviço prestado pelo Hospital exige equipamentos importados, e se estes contribuem no tratamento de pessoas carentes, tais compras devem ser incentivadas, tudo em prol do atendimento eficiente e eficaz. Afinal, o que deve ser combatido é o desequilíbrio entre inversões com atendimento a carentes e os benefícios fiscais fruídos em vista da isenção, e não a modernização dos equipamentos e o aperfeiçoamento dos métodos de atendimento. Quanto ao argumento fiscal de "terceirização dos serviços médicos" ("b"), o Impugnante já argumentou (fls. 5315 / 5316), o que ora se reafirma, que tal terceirização visa a objetivos essenciais ao bom atendimento do HCAA, como, por exemplo, a oferta de serviços de alta complexidade e tecnologia a um custo mais reduzido. Também, defendeu que a terceirização dos serviços não retira o caráter de filantropia, nos termos dos preceitos constitucionais e da legislação em vigor. Por fim, relatou que não existe absolutamente nenhuma prova ou mesmo qualquer indício de que o ora Recorrente distribuiu parcela de seu patrimônio ou renda, a qualquer título, ou de que não aplicou integralmente no país seus Fl. 7000DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 recursos para manutenção dos objetivos institucionais." (destaques nossos) Em que pese a estranheza do investimento realizado para que outrem opere as instalações e equipamentos do contratante, vez que a terceirização dos serviços em regra é realizada para minimizar custos do contratante entregandose à prestadora de serviços toda a responsabilidade do fazer, restando ao tomador a única responsabilidade de pagar não há nos autos a comprovação de que houve distribuição de patrimônio ou renda da Recorrente às empresas prestadoras. Nesse sentido, não se pode concordar sem conteúdo probatório robusto trazidos ao autos com os argumentos da fiscalização quanto ao desvirtuamento do PATRIMÔNIO ou RENDA da Recorrente quando da terceirização. Haveria desvirtuamento do patrimônio se os equipamentos adquiridos fossem cedidos ou transferidos a terceiros, afastando aquele que tem a propriedade de tal patrimônio de seu uso e gozo. A terceirização como se pode inferir dos autos, se dá nos estabelecimentos do Contribuinte (cuja construção, aliás, é tida como desvirtuamento de finalidade pela Autoridade Fiscal), e mais, os serviços são prestados no interesse da Entidade, serviços de saúde, com o uso desses equipamentos, sem os quais, por óbvio, os serviços não poderiam ser realizados. Nesse sentido, vejo uso e gozo pela Recorrente, claro que por intermédio do prestador de serviço, o que nos permite inferir que seu patrimônio continua sendo usado para as finalidades a que se propôs. Quanto à transferência de renda, esta só se pode asseverar, se a margem de lucro do Hospital for muito inferior aquela que ele obteria se ele mesmo realizasse os serviços. Veja que tal afirmação depende de uma análise tanto nos custos da tomadora de serviços quanto na prestadora de serviços, ainda mais ao se recordar que tal análise demandaria ainda a observação dos custos de imobilização nos quais a Recorrente incidiu. Nada disso foi juntado aos autos pelo Fisco, o que, por ser ponto fundante de suas alegações, ou seja, ponto constitutivo de seu direito, deveria ser provado pelo Auditor Fiscal. Mister ressaltar que tal entendimento é o mesmo constante do voto do Acórdão 1202001.201, prolatado pela 2ª TO da 2ª Câmara desta 2ª Seção, que manteve a suspensão da isenção: "Nesse panorama, se analisada a arguição da recorrente, deve se reconhecer que a terceirização de serviços é legal, admitida inclusive por instituições imunes, e até sugerida no âmbito administrativo, conforme conclusões emanadas do XIV Congresso Nacional das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos, reproduzidas no recurso voluntário: “Para que os hospitais filantrópicos não tenham problemas trabalhistas com seus médicos é melhor que tentem a contratação dos profissionais através de empresas jurídicas, como clínicas, pois assim em vez de se contratar o médico, contratase a clínica e a vinculação se torna civil e não trabalhista”. Por outro lado, caso fosse efetiva a acusação da fiscalização, de que as terceirizadas estariam se beneficiando com lucros exorbitantes, estaria superada a argumentação da recorrente. Fl. 7001DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 11 19 Porém, embora fossem apontados, isoladamente, muitos números, não há provas efetivas de que os contratos, nesse aspecto, favoreciam as terceiras empresas. E não há como negar o peso que a fiscalização e o acórdão recorrido, atribuíram à questão. Isso pode ser observado, por exemplo, pelo entendimento descrito na parte em que o voto a quo justificou a manutenção da multa qualificada, cuja fraude estaria espelhada, principalmente, na terceirização. Diz o voto condutor: “Dos fatos de que fiscalização lançou mão para qualificar a multa, o que mais chama a atenção é ter o interessado aplicado uma vultosa parcela de seu patrimônio à formação de estruturas destinadas à prestação de serviços médicos. Adicionalmente, dotoua de pessoal próprio. No entanto, apesar de todo esse esforço, em vez de explorar diretamente essas estruturas – repito, criadas com recursos e pessoal próprios , cedeu seu uso a terceiros, cessão essa que redundou na obtenção de alguma receita por parte do interessado, porém em um valor muito inferior ao volume de receitas obtidas pelos terceirizados exploradores. A meu ver, esse tipo de operação é, como diz a fiscalização, fraudulento, na medida em que serviu para uma disfarçada distribuição para terceiros de resultados do interessado”. (...) Ante essas considerações, especialmente por imprecisos os números, por pertenceram à entidade as estruturas e por legais os procedimentos de terceirização dos serviços relatados, não há como declarar infringidos, pelos aspectos em tela, os incisos I e II do art. 14 da Lei nº 5.172/66 (CTN)." (destacamos) Por todo o exposto, não se verifica a motivação da suspensão da isenção quanto a estes pontos, isto é a cessão de equipamentos médicos importados e a terceirização dos serviços médicos. Passando ao item 'c' das alegações da Recorrente, que versa sobre "o desvirtuamento do conceito de gratuidade e inexatidão do registro de despesas com gratuidade", além da afirmação da Entidade que superou as gratuidades legalmente exigidas, encontramos os seguintes argumentos(fls. 6803): "Nesse passo, a Defesa aponta ainda regulamentação atual, trazida na esteira da Lei n° 12.101/2009, destacando a Portaria "M/MS n° 1.970/2011 (Ministério da Saúde), específica para as entidades de saúde, que introduziu "regras mais amenas ao cumprimento dos procedimentos de Certificação (CEBAS) e ao alcance da desoneração de Contribuições Sociais" (fl. 5320). Inclusive, conforme já arguido, quanto à prestação de gratuidades, essas regras mais amenas estão sendo aplicadas "com efeito retroativo pelo Ministério da Saúde (assim como pelo MEC e MDS) nos exames dos processos anteriores a 2009" (fl. 5321)." Fl. 7002DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 20 Nesse ponto não podemos dar razão à Recorrente. Segundo, consta do Relatório Fiscal (fls 5474), houve "transferências de inadimplências e de custos gerais de internação para as contas de resultado de despesas com gratuidades, bem como ao se considerar atendimento para pacientes particulares que não podem ser considerados como pessoas carentes e serviços médicos prestados por empresas terceirizadas como despesas de gratuidade" sendo que tais lançamentos constam do anexo 21 do Relatório Fiscal do processo principal. Ora, a Recorrente não se contrapõe, faticamente, contra tais lançamentos, se limitando a argumentar que cumpriu os limites de gratuidade com sobras e que o Ministério da Saúde relativizou as regras quanto às prestações de gratuidades. Não há comprovação de fato modificativo ou impeditivo da alegações fiscais. A Recorrente incide no mesmo erro das alegações não comprovadas quanto a imputação fiscal, ao se insurgir contra a "inexatidão no registro de receitas com subvenção para custeio". Vejamos suas alegações (mesma fls 6803): "Já quanto ao item "d" ("inexatidão no registro de receitas com subvenções para custeio"), o HCAA alegou que a inocorrência de registro desses valores em Receita não fez base de cálculo à gratuidade em nenhum exercício. Ainda assim, reconheceu que pode ter havido equívoco procedimental em relação à escolha do grupo contábil para registro, sendo utilizadas contas de passivo e não de resultado. Entretanto, salientou que, mesmo com o recalculo de gratuidades (fl. 5327), o HCAA teve aplicações em gratuidade superior ao exigido na legislação competente." Aqui impende ressaltar que a própria Recorrente reconhece a omissão quanto ao reconhecimento da receita da subvenção, o que torna a questão incontroversa e patente o descumprimento da legislação, em especial quanto ao disposto. A escrituração contábil e regular, e portanto exata, é ponto crucial para a fruição das isenções tributárias. Somente com tal metodologia, pode a Administração Tributária verificar o cumprimento dos ditames legais para o gozo da vantagem fiscal. Toda a legislação de regência sobre o tema exige da entidade isenta, com rigor, tal procedimento. Tanto assim o é que a Lei nº 8.212/91, 12.101/09 e o próprio CTN, fixandonos somente na legislação que nos afeta mais diretamente, contém tal disposição. Não obstante, não se pode acatar a alegação de que, mesmo ao se recalcular a receita, houve o atingimento do mínimo legal de gratuidade a ser ofertado pela entidade, um vez que o próprio cálculo das gratuidades ofertadas deve ser revisto consoante nosso entendimento exarado no ponto anterior do voto. Ao não apresentálo, e por isso têlo desconsiderado, não se pode concordar com sua utilização para validar o presente tópico. Logo, se verifica o descumprimento do presente requisito, consubstanciado no item 'd' acima. Quanto ao aluguel do terreno à empresa ALT, item 'e' acima, a Recorrente alega ser o negócio lícito e sem vedação legal em face dos efeitos econômicos ocorridos, com geração de receita aplicada no seu desiderato estatutário. Fl. 7003DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 12 21 Porém entendo que tal locação contém ilegalidade flagrante, posto que firmada com empresa de seu diretor. Vejamos as alegações fiscais: "O HCAA sempre SOUBE que o imóvel localizado à Rua Gaspar Martins, 1478 seria sublocado pela empresa ALT à empresa DE FRANCE, uma vez que a Cláusula 6a do contrato firmado em 06/03/2006 (fls. 2334 e 2335) estabelece que o imóvel a ser construído sobre o terreno locado poderia ser utilizado pelo locatário no comércio de REVENDA DE AUTOMÓVEIS, podendo o locatário SUBLOCAR o imóvel SEM consentimento prévio do HCAA. Entendemos que o HCAA possuía plenas condições de construir no imóvel atualmente ocupado pela empresa DE FRANCE as edificações necessárias para a prestação de serviços médicos voltados para a promoção, proteção e recuperação da saúde, os quais representam a sua FINALIDADE, disposta no artigo 3º de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578). Entretanto, o HCAA optou por favorecer ENORMEMENTE seu exDiretor Administrativo, tendo efetuado a locação de imóvel localizado em área NOBRE da cidade de Santa Maria RS à empresa ALT, pelo valor IRRISÓRIO de R$ 200,00, o que demonstra que o mesmo DESVIRTUOU o seu patrimônio, disposto no artigo 11 de seu Estatuto Social (fls. 569 a 578), deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 14, incisos I e II do CTN para a manutenção de sua imunidade tributária, quais sejam: não distribuir qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título (Redação dada pela Lei Complementar n°. 104, de 10/01/2001) (inciso I); aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais (inciso II), bem como deixou de atender os requisitos dispostos no artigo 55, inciso V da Lei n°.8.212/91 e no artigo 29, inciso II da Lei n°. 12.101/09 para a manutenção da isenção à CPP, de que a EBAS aplicasse integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. Além disso, o HCAA, ao ASSUMIR que deixou de registrar em conta de resultado de receita com aluguéis o montante de R$ 972,00 de aluguéis devidos pela empresa ALT no período de 04/2008 a 03/2009, de acordo com o Anexo 24 ao Relatório de Fiscalização (fls. 5072 a 5308), incorreu em DESACORDO ao disposto no artigo 14, inciso III do CTN, de que a EBAS, para assegurar sua imunidade tributária, deve manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão" Entendo que o negócio em si, a locação por valor inferior ao do mercado, pode sim, em face da incorporação da construção ao patrimônio da Recorrente, ser viável e não constituir desvio de finalidade pela Entidade. Porém, vejo, no caso, ofensa à prescrição constante do artigo 55, inciso IV da Lei 8.212/91 e do inciso I do artigo 29 da Lei nº 12.101/09, consubstanciada na proibição de Fl. 7004DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 22 percepção por parte dos diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores de remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título. Clara a vantagem ou benefício concedido. Patente o descumprimento de requisito legal para o gozo de isenção mencionado no item 'e', em razão da oferta de vantagem indevida ao seu diretor. Analisemos agora a questão do envolvimento do HCAA no âmbito da operação Fariseu da Polícia Federal. Por conta do acerto da conclusões e do detalhamento das razões de decidir e ainda, por ter este julgador o mesmo entendimento, reproduzo nesse ponto com a devida licença os termos do voto constante do acórdão 1202001.201 (fls 6483): "Envolvimento do HCAA do Âmbito da Operação Fariseu A operação Fariseu é a denominação de uma operação da Polícia Federal, que identificou procedimentos relacionados a agentes, principalmente advogados, que operavam no Conselho Nacional de Assistência Social no sentido de ver aprovados os pleitos de seus clientes perante aquele Conselho. Evidentemente, como qualquer entidade imune, também a recorrente mantinha processos de seu interesse que tramitavam naquele órgão administrativo. Nesse contexto, a fiscalização, fundada em processos administrativos e judiciais instaurados pela operação Fariseu ou conexos a esta, colheu páginas de denúncias contra terceiros, dos quais extraiu conclusões que justificariam infrações imputáveis ao HCAA, fortes o suficiente para caracterizarem infrações ao disposto nos incisos I e II do art. 14 do CTN. Em sua defesa prévia, o HCAA refutou as acusações, sintetizadas no parágrafo ora transcrito: “Com efeito, a insinuosa conclusão desta auditoria fiscal de que teria o HCAA utilizado parte de seus recursos em um esquema ilícito para a obtenção fraudulenta de renovações de seus CEBAS junto ao CNAS, é açodada e flagrantemente desrespeitosa à própria Justiça, que nada concluiu sobre as pífias denúncias do IPL 389/2008. Isso porque, além de não ter havido indiciamento das pessoas referidas nas mencionadas degravações telefônicas, muito menos de qualquer membro da direção do HCAA, em face do que ali constou, não houve, igualmente, denúncia penal em relação a estes fatos” (fl. 6110). Em outra parte a fiscalizada conclui: “A fiscalização não pode se sobrepor ao exame de questões fáticas probatórias submetidas ao Judiciário, tanto na esfera civil como criminal. Até porque, não há julgamento definitivo em tais ações, pelo contrário, a Ação Civil Pública seque teve juízo de valor sobre o seu recebimento, enquanto que a ação penal está apenas na fase de instrução e julgamento” (fl. 6111). De fato, compulsando o amplo relatório fiscal (fls. 5072 a 5308), não ficou comprovado, nas explanações em pauta, o Fl. 7005DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 13 23 envolvimento efetivo do HCAA ou de seus diretores nas denúncias formuladas. Nesse panorama, as alusões fiscais a pretensos ilícitos não podem ser tidas como caracterizadoras de ilegalidades capazes de sustentar a suspensão da imunidade/isenção do HCAA." (destaques nossos) Por concordamos em tudo e por tudo com o voto do Conselheiro Relator, não vemos motivos nesse ponto que ensejem a suspensão da isenção da Recorrente. Por fim, caminhando para o item 'g', remuneração do ExDiretor Alfredo Longhi, consta do recurso voluntário as seguintes alegações (fls "Por fim, quanto ao item (g) "remuneração do exDiretor Executivo Alfredo Longhi", refere o ora Recorrente (fl. 5332) que o Sr. Alfredo Longhi ingressou no HCAA como Diretor Administrativo empregado, depois contratado na sua pessoa jurídica ALT Assessoria e Consultoria de Empresas Ltda. Portanto, jamais o mencionado empregado exerceu a função de dirigente estatutário a quem se direciona a vedação remuneratória de que trata o art. 3o, VIII, do Decreto n° 2.536/98. Esse direcionamento específico também consta na Lei n° 12.101/2009 (art. 29, inc. I) que veda remuneração de Diretores "em razão das competências, funções ou atividades que sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos" (sublinhamos). Idêntica redação foi assumida pelo Decreto regulamentador dessa nova Lei Decreto n° 7.237/2010 em seu art. 40, inc.l. Este elenco normativo repete ipsis litteris a regra vedatória de remuneração do citado art. 3o, VIII do Decreto n° 2.536/98, vigente à época." Embora o entendimento deste julgador seja pela impossibilidade de remuneração de quaisquer diretores da entidades que usufruem das imunidades condicionais postas pela Carta Magna, é inegável o movimento do legislador pátrio no sentido da profissionalização e consequente remuneração dos dirigentes das EBAS. Tal constatação decorre de simples leitura da legislação de regência, em especial da Lei 12.101/09, que teve a redação de seu inciso I do artigo 29 alterada pela Lei 12.868/13 e novamente pela Lei 13.151/15, ambas com interpretação mais alargada quanto à possibilidade da remuneração dos dirigentes das EBAS. Nesse sentido, entendo como cabível os argumentos do Recorrente nessa parte. CONCLUSÃO QUANTO AO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO Consoante se pode verificar da análise das alegações da Recorrente e dos requisitos constantes do Relatório Fiscal, houveram desconformidades na conduta da entidade que ensejam, por expressa disposição legal, a suspensão da fuição da isenção das contribuições sociais previdenciárias. Recordemos. Fl. 7006DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 24 Houve o descumprimento da comprovação das gratuidades exigidas por lei, uma vez que considerou como tal inadimplências e prestação de serviços de terceiros. Também foi constatado pela Fiscalização a ausência da escrituração como receita de subvenções . Descumpriuse, portanto, a exigência da manutenção de contabilidade regular e formal, e portanto exata. Tal conduta ofende não só o inciso III do artigo 14 do CTN como também o inciso IV do artigo 29 da Lei 12.101/09. Por outro lado, a entidade permitiu que seu diretor obtivesse nítida vantagem ao locar um terreno de sua propriedade para que a empresa deste diretor construísse um prédio e o sublocasse a terceiros, com óbvia vantagem financeira. Ao assim proceder, ofendeu as disposições do artigo 55, inciso IV, da Lei nº 8.212/91 e do inciso I do artigo 29 da Lei nº 12.101/09. Por todo o exposto, entendo não terem sido cumpridos os requisitos previstos no artigo 55 da Lei de Custeio da Previdência Social, vigente durante parte do período fiscalizado, tampouco os constantes do artigo 29 da Lei nº 12.101/09 que revogou o artigo 55 da Lei nº 8.212/91, o que enseja a suspensão da isenção da contribuições sociais previdenciárias. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento, mantendo o crédito tributário em sua inteireza. Carlos Henrique de Oliveira Relator Voto Vencedor A divergência com o relator restringese à questão do conhecimento do trecho do recurso que discute o direito à imunidade. Na apresentação do relatório, por parte do relator, ficou registrado que a questão do direito à imunidade está tratada noutro processo, especificamente o de nº 11060.722784/201284. Abaixo transcrevo trecho do relatório contendo o mencionado acima. Informa ainda a autoridade notificante que em 21 de março de 2012, a Recorrente foi intimada, em outro procedimento fiscal, a manifestarse sobre o cumprimento dos requisitos exigidos para que a entidade, aqui Recorrente, usufruísse da isenção da quota patronal das contribuições previdenciárias. Como decorrência desse procedimento fiscal foi emitido em 17 de julho de 2012, Termo de Notificação Fiscal suspendendo o gozo do benefício da imunidade tributária no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2011. Esses atos administrativos estão consubstanciados no processo digital de nº 11060.722784/2012 84 Fl. 7007DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 11060.724244/201235 Acórdão n.º 2201003.142 S2C2T1 Fl. 14 25 Durante os debates, o representante do recorrente afirmou que a questão do direito à imunidade havia transitado em julgado quando discutida na processo 11060.722784/201284. Entendo que este processo trata de obrigação principal, que o direito à imunidade foi objeto de outro processo, que a questão transitou em julgado (naquele processo) e que esse assunto não deve aqui ser conhecido. Carlos Alberto Mees Stringari Relator Designado Fl. 7008DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 3/06/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 27/06/2016 por CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10882.900472/2008-03
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.998
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2002 a 30/09/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 72 /2 00 8- 03 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.964, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 174DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900472/200803 Acórdão n.º 9303003.998 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.903658/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 06/04/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 58 /2 01 2- 70 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903658/201270 Acórdão n.º 3402003.626 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.999, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903658/201270 Acórdão n.º 3402003.626 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903658/201270 Acórdão n.º 3402003.626 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903658/201270 Acórdão n.º 3402003.626 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903658/201270 Acórdão n.º 3402003.626 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13951.000346/2004-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o
ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Ausência de provas
quanto às alegações de supostos equívocos cometidos no cálculo dos créditos
e quanto aos valores de frete entre estabelecimentos da pessoa jurídica.
PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o
PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da
legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente
alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário
ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção
do produto final.
CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES.
É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao
custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o
custo de produção do produto destinado à venda.
CRÉDITOS. FRETE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA
As despesas com o transporte para a remessa para industrialização por
encomenda devem integrar a base de cálculo dos créditos da PIS por
integrarem o custo de produção, na forma do art. 3º, II, da Lei n.º
10.637/2002.
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 3º, §11º, LEI N.º 10.833/2003.
Considerando a redação vigente à época, o crédito presumido das pessoas
jurídicas "cerealistas" somente poderia ser deduzido do PIS/COFINS devidos na venda para pessoas jurídicas "agroindustriais" indicadas na lei, que
produzam mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Ausência
de previsão legislativa específica quanto à venda para exportação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3402-003.521
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais (Linha 03) e aos fretes nas remessas para industrialização (Linha 07). Vencido o Conselheiro Jorge Freire
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Em se tratando de ressarcimento ou compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. Ausência de provas quanto às alegações de supostos equívocos cometidos no cálculo dos créditos e quanto aos valores de frete entre estabelecimentos da pessoa jurídica. PIS NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. CONCEITO O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo (custo de produção), e, consequentemente, à obtenção do produto final. CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda. CRÉDITOS. FRETE. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA As despesas com o transporte para a remessa para industrialização por encomenda devem integrar a base de cálculo dos créditos da PIS por integrarem o custo de produção, na forma do art. 3º, II, da Lei n.º 10.637/2002. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 3º, §11º, LEI N.º 10.833/2003. Considerando a redação vigente à época, o crédito presumido das pessoas jurídicas "cerealistas" somente poderia ser deduzido do PIS/COFINS devidos Fl. 631DF CARF MF 2 na venda para pessoas jurídicas "agroindustriais" indicadas na lei, que produzam mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. Ausência de previsão legislativa específica quanto à venda para exportação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais (Linha 03) e aos fretes nas remessas para industrialização (Linha 07). Vencido o Conselheiro Jorge Freire. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratam-se de Declarações de Compensação apresentadas pela ora Recorrente para o reconhecimento e compensação de créditos de PIS - Mercado Externo relativos ao período de apuração de maio/2004 (fls. 2/3) e junho/2004 (fls. 5/6) com débitos de PIS/COFINS Cumulativos (códigos de receita 8109 e 2172, respectivamente). Após procedimento de fiscalização, foi emitido Despacho Decisório às fls. 527/562 homologando parcialmente das compensações declaradas, com a glosa de parte dos créditos pleiteados como indicando em sua ementa: "Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Período de apuração: maio e junho de 2004. Crédito da contribuição para o PIS/PASEP — mercado externo. Somente aquisição de serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A. venda podem integrar o cálculo de desconto de créditos na apuração da contribuição. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 632 3 Devoluções de vendas ocorridas anteriormente adoção da não-cumulatividade integram o estoque de abertura no inicio da opção, desde que tributadas pela respectiva contribuição sua anterior saída. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para transferências de mercadorias (produtos acabados) dos estabelecimentos industriais para os estabelecimentos distribuidores da mesma pessoa jurídica, não geram direito a desconto de créditos. A pessoa jurídica que adquirir cereais (trigo, milho e soja) em grãos, de pessoa física residente no Pais, somente faz jus ao crédito presumido da contribuição, na condição de agroindústria, se tais aquisições forem destinadas pela adquirente à utilização em processo produtivo dos bens elencados especificamente no §10 da Lei n. 10.637, de 2002 (incluído pelo art. 25 da Lei n. 10.684, de 2003). A pessoa jurídica que adquirir cereais (trigo, milho e soja) em grãos, de pessoa física residente no Pais, somente faz jus ao crédito presumido da contribuição, na condição de cerealista, se as revendas forem realizadas para empresas classificadas como agroindústria. Não se tratando de produtos de incidência monofásica, a presunção de créditos por conta do estoque de abertura se faz com as aliquotas cumulativas da contribuição, fracionando a utilização em 12 parcelas. Base legal: Lei n. 10.627, de 2002; Lei n. 10.833, de 2003; Lei n. 10.865, de 2004; Lei n. 10.892, de 2004. Declarações de Compensação. Presentes os requisitos necessários nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, e suas posteriores alterações, efetiva-se a compensação até o limite do montante do crédito reconhecido. Compensação parcialmente homologada. Base legal: art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996; IN/SRF n. 600, de 2005, IN/SRF n. 831, de 2008." (fls. 527/528) Como se depreende daquele despacho, os créditos constantes das seguintes linhas da Ficha 04 do DACON foram parcialmente glosados pela fiscalização: • Linha 03 — Serviços Utilizados como insumos. A glosa abrangeu especificamente os serviços referentes a tratamento e destinação de efluentes industriais. Nos termos do Despacho Decisório: "49. Compondo ainda o montante pleiteado a titulo de serviços utilizados como insumos, a empresa apresenta extrato de conta contábil, referente ao prestados Gesco Projetos, Comércio e Representações LTDA CNPJ 04.019.575/0001-07, à fl. 85 (maio) e fl. 126 (junho). Segundo se apurou nos documentos fiscais relacionados a tais dispêndios (cópia à fl. 162/163), trata-se de serviços referentes a tratamento e destinação de efluentes industriais. Não se conformam, assim, como serviços utilizados como insumos produtivos, uma vez que não atuam nem indiretamente sobre o produto em processamento. São na realidade despesas com serviços diversos, como o é, por exemplo, a limpeza ou faxina da área industrial. 50. Deste modo, à exclusão dos valores apurados como dispêndios pagos A. empresa Gesco, segundo restou verificado, cabe aos demais creditamento ao amparo do inciso II do art. 3 °. da Lei n. 10.637, de 2002, referente a aquisições de serviços destinados ao seu processo de industrialização neste período analisado." (fl. 536 - grifei) Fl. 633DF CARF MF 4 • Linha 07 - Despesas de Armazenagem de Mercadorias e Frete na Operação de Venda. Como indicado no Despacho, a glosa se referiu aos fretes sobre linter remetido para industrialização: "63. Já para as despesas de fretes indicadas pela própria empresa com o código de operação interna 2309, ou seja, fretes a apropriar sobre linter remetido para industrialização (listagem a fl. 457), não se verifica a caracterização especifica de venda nestas operações, requisito este explicito no texto legal de modo a autorizar- se o creditamento baseado nestes valores." (fl. 538 - grifei) • Linha 11 — Devolução de Vendas Sujeitas A Incidência Não- Cumulativa. Creditamento equivocado no estoque de abertura, com aproveitamento de crédito de saídas não tributadas dentro do regime da cumulatividade, cuja devolução não poderia implicar creditamento no estoque de abertura. Como confirmado no despacho decisório, tratam-se de operações de devoluções cujas vendas foram realizadas de 13/11/2003 a 28/03/2004 e de 14/01/2000 a 24/10/2003 (fl. 540/541). • Linha 13 — Outras Operações com Direito a Crédito. Foram reconhecidos os créditos de despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoa jurídica, com a glosa dos valores relativos às aquisições de produtos in-natura de origem vegetal (com análise deslocada para a linha 18, abaixo) e os fretes sobre transferências entre estabelecimentos. Como descrito no Despacho Decisório: "85. A empresa cumulou nesta linha valores de dispêndios correspondentes a três origens distintas, segundo seus demonstrativos As fl. 72 (maio) e fl. 114 (junho): aquisições de produtos in-natura de origem vegetal, despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos junto a pessoa jurídica, e pagamentos de fretes de transferência entre os estabelecimentos da requerente. (...) 89. Deste procedimento da requerente infere-se, portanto, que a intenção era apurar-se crédito presumido relativo às aquisições de pessoas físicas, de produtos in natura de origem vegetal, A fração de 80% da alíquota aplicável ao crédito da respectiva contribuição PIS, proporcionalizando ainda para destinação aos mercados interno e externo, segundo respectivas receitas de vendas, à ausência de segregação contábil. 90. Em assim sendo, e havendo linha própria para apuração de crédito presumido das atividades agroindustriais (linha 18 do DACON), tais montantes serão excluídos desta linha 13, para apreciação quando da abordagem e análise da linha 18, realizada a seguir. (...) 94. Deste modo, nada se apurou que desabonasse o creditamento relativo aos dispêndios financeiros informados nesta linha 13, sendo que a sustentação legal se faz nos termos do inciso V caput do art. 3º. da Lei n. 10.637, de 2002, atualmente com redação diversa nos termos da Lei n. 10.865, de 2004. 95. Finalmente, relativamente aos valores consignados a titulo de fretes sobre transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, sobre os quais se pleiteia créditos das contribuições PIS, traz-se à luz a Solução de Divergências COSIT n. 011, de 27/09/2007, cuja ementa assim dispõe: (...) 96. Deste entendimento, não há como se acatar o pleito da empresa para creditamento relativo a tais dispêndios de fretes sobre transferências, pois não se tratando efetivamente de insumo produtivo, ainda que transferências de produtos não acabados, não há previsão legal para apuração e desconto de eventuais créditos relacionados." (fls. 542/544) Fl. 634DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 633 5 • Linha 18 — Crédito Presumido — Atividades Agroindustriais . Foram duas as glosas realizadas neste ponto por entender a fiscalização que estaria equivocada a apuração do crédito presumido: (a) quanto a mercadoria comercializada pela cooperativa (linter de algodão), por se classificar na posição 14.04.20.10-0 da TIPI; (b) quanto às aquisições de produtos in-natura de origem vegetal, informados na linha 13, em razão das operações realizadas pela Recorrente não se enquadrarem na hipótese legal de creditamento por se tratarem, em verdade, de uma operação de revenda (cerealista) e não de uma agroindústria. Peço vênia pra transcrever quase na integralidade a fundamentação trazida no Despacho Decisório neste ponto: "107. Em assim sendo, as cooperativas de produção agropecuária estão autorizadas à dedução dos créditos em tela. 108. Vencidas esta preliminar, passa-se à análise dos elementos afetos às operações que geraram tal crédito presumido, e de pronto, verifica-se que a mercadoria de origem vegetal produzida pela cooperativa, o "linter de algodão", classifica-se na posição 14.04.20.10-00, segundo informado pela própria empresa (fl. 69). 109. Com tal classificação na TIPI, alheia ao rol expressamente enunciado no § 10 da Lei n. 10.637, de 2002 (incluído pelo art. 25 da Lei n° 10.684, de 2003), e art. 39 da IN/SRF n. 635, de 2006, não há como reconhecer-se enquadramento legal para fruição do beneficio. Dai resulta que tais valores indicados pela empresa não puderam ser acatados por esta auditoria fiscal, como créditos a descontar. 110. Há ainda a análise dos valores excluídos da linha 13 do DACON, e trazidos à verificação nesta linha 18, por mais apropriado. 111. Conforme anteriormente explanado, os valores informados pela empresa na linha 13 de seu DACON estão cumulados com dispêndios correspondentes a aquisições de produtos in-natura de origem vegetal, cujos montantes foram excluídos daquela linha 13 para análise quando da abordagem desta linha 18. 112. Os montantes lá consignados relativos a aquisições de produtos in-natura de origem vegetal foram obtidos conforme movimentação de estoque apresentada pela empresa às fls. 100/101 (para maio) e fls. 142/143 (para junho). A partir destes valores, a interessada demonstra a apuração dos créditos pleiteados, segundo consta ao final de sua planilha geral, A. fl. 72 (maio) e fl. 114 (junho): do total mensal das entradas de produtos in-natura de origem vegetal (R$ 22.688.819,06 para maio e R$ 8.992.462,17 para junho), subtrairam-se as aquisições destes mesmos produtos fornecidos por pessoas jurídicas (R$ 1.831.536,27 para maio e R$ 714.738,83 para junho), cujo resultado foi identificado como "valor liquido com direito ao crédito presumido". Numa fração de 80% deste resultado (assim chamado de "crédito presumido de 80%"), aplicou-se então um coeficiente de rateio com base nas receitas de exportação sobre receitas totais (mercado externo em 74,28% para maio e 74,15% para junho), para cada mês, obtendo a empresa assim os chamados "crédito presumido s/ mercado externo" e "crédito presumido s/ mercado interno", cujos valores resultantes estão consignados na composição das respectivas colunas do DACON, linha 13, e acima discriminados. 113. Deste procedimento da requerente infere-se, portanto, que a intenção era apurar-se crédito presumido relativo as aquisições de pessoas físicas, de produtos in-natura de origem vegetal, à fração de 80% da alíquota aplicável ao crédito da respectiva contribuição PIS, proporcionalizando ainda para destinação aos mercados interno e externo, segundo respectivas receitas de vendas, a ausência de segregação contábil. 114. Pode-se assumir assim que a empresa estaria pleiteando créditos presumidos sobre as aquisições de pessoas físicas na condição de agroindústria. Nesta conformação, o crédito presumido estaria disciplinado, para o PIS, nos termos do Fl. 635DF CARF MF 6 art. 30 , §§ 10 e 11, da Lei 10.637/2002 (incluídos pelo art. 25 da Lei n° 10.684/2003). O disciplinamento da não-cumulatividade para a COFINS pela Lei n. 10.833, de 2003, equalizou em 80% a alíquota aplicável à presunção deste crédito em tela, conforme §§5° . e 6°. do art. 3° , c/c art. 15 na redação dada pelo art. 21 da Lei n. 10.865, de 2004. Tais excertos legais já se encontram colacionados em tópicos precedentes. 115. Os produtos in-natura de origem vegetal adquiridos pela empresa, de fornecedores pessoas fisicas foram verificados como sendo soja, milho, trigo, triguilho, aveia branca, aveia preta e triticale, todos indicados como grãos. 116. Para os produtos informados pela empresa como de sua produção (fl. 68 e 69), nos quais tais grãos poderiam ser identificados como insumos, temos: óleo de soja e farelo de soja. Não foram, entretanto, verificadas saídas de óleo de soja para o mercado interno nos CFOP 5.101 ou 6.101. Para farelo de soja, a única saída identificada diz respeito à Nota Fiscal n. 052945 de 22/06/2004, CFOP 7501, relativa a exportação de mercadoria recebida para este fim especifico, recebimento este via Nota Fiscal de entrada n. 012101, de 22/06/2004, CFOP 1.501, de mesmo produto e quantidade (3.419.000 Kgs), do fornecedor CNPJ 47.067.525/0097-50 (tudo segundo arquivo digital apresentado pela empresa). 117. Portanto, em sua atuação no mercado interno, não há como se entender a empresa nos moldes de uma adquirente que seja "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal destinados a alimentação humana ou animal", conforme §5 ° do art. 3° da Lei n. 10.833, de 2003, e §10 do art. 3° da Lei n. 10.637, de 2002 já. transcritos. Deste modo, não há que se falar em créditos presumidos relativamente às receitas no mercado interno, decorrente de atividades agroindustriais, conforme pleiteado pela requerente, por ausência de conformação com as condições legais impostas para fruição do beneficio da presunção de crédito. 118. Para o mercado externo, por sua vez, identificou-se saídas de grãos para exportações tanto diretas quanto indiretas, apenas para os produtos soja e milho (Demonstrativo de exportações diretas às fls. 401 , e Demonstrativo de exportações indiretas às fls. 410 a 417). 119. Os documentos fiscais de tais saídas de exportação de grãos trazem consignados no corpo da Nota Fiscal "VENDA DE MERC. ADQ. TERC. CEREAIS (EXPORTAÇÃO)". Cópias de alguns destes documentos às fls. 298, 318, 344, 355, 356, 380, 384, 386, 388, 393 e 394 exemplificam a assertiva. Os próprios CFOP consignado pela empresa nas Notas Fiscais de saídas, sejam nas exportações diretas, sejam nas indiretas, informam simplesmente revenda de mercadorias adquiridas (CFOP 7.102: venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros; CFOP 5.502 e 6.502: remessa de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros, com fim especifico de exportação). 120. As respectivas saídas realizadas se apresentam assim como sendo dos mesmos produtos vegetais adquiridos in-natura, eventualmente após procedimentos de secagem, limpeza de impurezas e padronização, conforme informado pela empresa (fl. 69) em atendimento ao TIF 003/2008. 121. Novamente intimada via TIF 014/2008 (fls. 269 a 271), desta feita especificamente a informar e descrever os processos aos quais as matérias primas agrícolas "soja em grãos" e "milho em grãos" são submetidas na empresa, desde sua aquisição até a saída para exportação, a interessada informa: "Os produtos acima se iniciam com a aquisição junto aos nossos associados e não associados de forma in natura, com umidade e impurezas variáveis, posteriormente são destinados a descarga em moegas e em seguida efetuado o beneficiamento, passando pelo processo de secagem, limpeza das impurezas e padronização, obtendo no final do processo produtivo, o produto seco e limpo e armazenado, para posterior venda...." (fl. 272, que grifou-se). 122. Do que se expôs, afigura-se distinção entre a situação da requerente e aquela expressamente conformada para fruição do beneficio, qual seja, de que a adquirente/requerente seja "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem Fl. 636DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 634 7 animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal", conforme §5 ° do art. 3° da Lei n. 10.833, de 2003, já transcrito. Isto porque nos procedimento de secagem, limpeza e padronização citados pela empresa, não há qualquer indicativo de que se realizem operações de industrialização, especialmente na modalidade transformação, nos termos do inciso I do art. 4° do Decreto n° 4.544, de 2002 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados — RIPI/02). 123. As operações, conforme realizadas pela empresa, configuram-na não como agroindústria, mas sim como cerealista, sendo vejamos. Nos termos da vigente IN SRF n° 660, de 17/07/2006 (art. 3°, § 1°, inciso I), cerealista é "a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal". Anteriormente, tal definição já constava do art. 8°, § 1°, inciso I, da Lei no 10.925, de 2004 (com a redação que lhe deu a Lei n° 11.196, de 2005). 124. Deste modo, na condição de cerealista, a empresa poderia se aproveitar de crédito presumido nos termos dispostos nos §§11 e 12 do art. 3° da mesma Lei n. 10.833, de 2003, relativamente à COFINS, c/c seu art. 15 para extensão ao PIS: (...) 125. - Para se conformar ao texto legal, as saídas dos produtos in-natura de origem vegetal adquiridos de pessoas físicas pela empresa na condição de cerealista, deveriam ser realizadas para as empresas a que se refere o §5° do artigo 3° da mesma Lei n. 10.833, de 2003, ou seja, para empresas agroindustriais. 126. Como assim não ocorreu, uma vez que as saídas se destinaram exportação, não cumpriu a requerente os requisitos determinados no texto legal para fruição do crédito presumido. Não faz jus, portanto, também aos créditos pleiteados e indicados nas colunas relativas ao mercado externo, no seu DACON. 127. Entretanto, na condição de cerealista, e relativamente as receitas decorrentes de vendas no mercado interno, apurou-se venda de grãos para empresas clientes que, segundo informação cadastral, conformam-se na condição de agroindústria, ensejando assim situação especifica autorizadora de aproveitamento de crédito presumido. 128. Tais vendas de produtos agrícolas in natura (grãos) para agroindústrias no mercado interno, foram apuradas do seguinte modo: no arquivo digital apresentado pela empresa, nos CFOP 5.102 e 6.102 (revenda no mercado interno de mercadoria adquirida), para clientes pessoa jurídica cuja informação cadastral de CNAE indicava atividade diversa de comércio atacadista (seja atacadista de matéria prima agrícola, seja de defensivos, adubos ou assemelhados, seja ainda de outros produtos considerados genericamente), vendas estas representativas de saídas efetivas de mercadorias (quantidade não nula no documento fiscal). (...) 130. Na ausência de rastreamento contábil passível de identificação das compras que originaram tais saídas, elegeu-se um critério baseado no custo médio por quilograma (Kg) das aquisições realizadas no mês para cada um dos produtos identificados nas saídas. Utilizou-se assim este custo médio para, aplicado ao volume (quantidade qtd em Kgs) vendido na condição apurada, obter-se então o custo médio de aquisição da mercadoria vendida, para o mês considerado. Sobre este custo de aquisição, assim determinado, é que se obtém o valor do crédito presumido a 80% da alíquota de PIS, nos termos do §11 do art. 3º da Lei n. 10.833, de 2003, c/c art. 15." (fls. 546-550) • Linha 19 — Crédito Presumido Relativo a Estoque de Abertura . Equívoco na abertura do estoque de abertura (fls. 550/552). Fl. 637DF CARF MF 8 • Linha 26 — Ajustes Positivos de Créditos. Cooperativa não encontrou a origem dos valores declarados (fl. 553) Em sua manifestação de inconformidade, a Cooperativa indica que foram corretas as glosas consignadas nas linhas 11, 19 e 26, contestando as demais glosas. Em análise desta defesa, foi proferida a decisão de primeira instância ora recorrida, mantendo integralmente o Despacho Decisório. Esta decisão foi ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO CRÉDITO PLEITEADO NO PEDIDO DE RESSARCIMENTO E UTILIZADO NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Nos processos de ressarcimento e compensação, é a manifestação de inconformidade que instaura a .fase litigiosa do procedimento, e os limites do litígio estão definidos pelo pedido de ressarcimento ou declaração de compensação apresentada pelo contribuinte e pelo ato de indeferimento ou não-homologação praticado pela autoridade fiscal competente. BASE DE CALCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. No cálculo do PIS, o sujeito passivo poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. REGIME DA NÃO-CUMU.LATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a credito no âmbito do regime da não-cumulatividade, as aquisições de serviços dc frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam. associadas à operação de venda, quando o Onus for suportado pelo vendedor PIS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. BENS ADQUIRIDOS DE PESSOA FÍSICA. A pessoa jurídica (cerealista) que adquiria cereais (trigo, milho e soja) em grãos de pessoa física residente no Pais, não fazia jus ao crédito presumido da contribuição estabelecido na legislação de regência, em relação aos cereais adquiridos para revenda, seja porque ela não exercia a atividade de produção, requisito essencial para utilização do referido crédito, seja porque as vendas deveriam ser realizadas para empresas classificadas como de agroindústria. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIDO. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido reconhecido o direito creditório vindicado e vinculado às compensações declaradas, mantém-se o direito creditório reconhecido e a não homologação das compensações. Rest/Ress. Indeferido - Comp. não homologada" (fls. 590/591) Após a regular notificação em 13/04/2009 (fl. 602), a Cooperativa apresentou Recurso Voluntário em 13/05/2009 (fls. 606/623) trazendo os mesmos argumentos aventados na Manifestação de Inconformidade quanto às linhas 03, 07, 13 e 18, sem trazer, contudo, qualquer complementação documental. Sustentou-se, em síntese: (i) necessidade de correção dos erros cometidos no preenchimento do DACON na distribuição dos dispêndios entre as colunas "Receita do Mercado Interno" e "Receita de Exportação" para a correta apuração dos créditos passíveis de ressarcimento. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 635 9 A proporção correta que deveria ter sido considerada pela fiscalização seria, para Maio/2004, 4,7050% relativa ao Mercado Interno (Receita de R$ 1.235.531,38) e 95,2950% relativa ao Mercado Externo (Receita de R$ 25.024.171,39). Por sua vez, para Junho/2004 seria 8,4129% para o Mercado Interno (Receita de R$1.985.822,83) e 91,5871% para o Mercado Externo (Receita de R$ 21.618.736,84). Por conseguinte, foram apontados equívocos cometidos no cálculo dos créditos que foram reconhecidos pela própria fiscalização (nas Linhas 04, 05, 09, 10 e no item da Linha 13 quanto ao crédito relativo às despesas financeiras de empréstimos e financiamentos obtidos de pessoa jurídica). (ii) o descabimento das glosas efetuadas: (ii.1) Linha 03 - Serviços utilizados como insumos: segundo a Recorrente, tratam-se dos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais para atender a legislação ambiental, sendo necessários à produção; (ii.2) Linha 07 - Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: em se tratando de fretes despendidos na remessa para industrialização, são gastos que integram o custo de produto; (ii.3) Linha 13 - Outras Operações com Direito a Crédito: validade do crédito de fretes sobre transferências por integrarem o custo de produção; (ii.4) Linha 18 - Crédito Presumido — Atividades Agroindustriais. A Recorrente trouxe argumentos para buscar sustentar a validade do crédito presumido apurado nas aquisições de produtos in-natura e origem vegetal declarada na linha 13 do DACON, apurado com fulcro no art. 3º, §§ 5º, 6º e 11º da Lei n.º 10.833/2003 e no art. 39 da Instrução Normativa SRF n.º 635/2006, vez que a cooperativa produz mercadorias milho e soja, classificadas nos capítulos 10 (posição 10.05) e 12 (posição 12.01). Neste ponto, a Recorrente reconheceu a validade da glosa realizada quanto ao "linter de algodão", glosado por se classificar na posição 14.04.20.10-00 (crédito vinculado ao mercado interno no valor de R$ 3.522,25). Em seguida, os autos foram encaminhados para este CARF. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Conforme relatado, o presente processo se refere exclusivamente à pedidos de compensação de créditos da PIS - Exportação, relativos às competências de maio e junho de Fl. 639DF CARF MF 10 2004, para a qual houve a glosa parcial dos créditos pleiteados pelo sujeito passivo na forma do art. 74 da Lei n.º 9.430/96. Os assuntos em discussão são: (a) viabilidade do ajuste dos equívocos cometidos no DACON no preenchimento das colunas "Receita do Mercado Interno" e "Receita de Exportação", com reflexos nos valores dos créditos; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos; (d) glosas de serviços considerados como insumos; (e) glosas em relação ao crédito presumido nas atividades agroindustriais (art. 3º, §§ 10 e 11, da Lei 10.637/2002) e cerealista (art. 3º, §§ 11º e 12º da Lei n.º 10.833/2003, aplicável ao PIS por força do art. 15 desta mesma lei). Visando facilitar a análise a ser empreendida, o voto será dividido em três tópicos, sendo as glosas identificadas da mesma forma como identificado no despacho decisório: I - DOS EQUÍVOCOS NO PREENCHIMENTO DO DACON. Avaliada a questão identificada no item (a) acima; II - DO CONCEITO DE INSUMO . Neste ponto são enfrentadas as questões identificadas nos pontos (b), (c) e (d) acima, com a análise das glosas trazidas nas Linhas 03 (serviços referentes a tratamento e destinação de efluentes industriais), 07 (frete sobre produto remetido para industrialização) e 13 (frete sobre transferências entre estabelecimentos); III - DO CRÉDITO PRESUMIDO NAS ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS. As glosas da Linha 18 e de parte da Linha 13 se referem ao crédito presumido nas atividades agropecuárias (questão identificada no ponto (e) acima). Antes de adentrar nestes tópicos, vale consignar que, em se tratando de declaração de compensação, o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de comprovar, por meio de documentos hábeis e idôneos, a existência do direito creditório, demonstrando que o direito invocado existe. Assim, na hipótese de serem identificados equívocos no cálculo do crédito ou quanto aos itens entendidos como não adequadamente descritos ou equivocadamente enquadrados, caberia ao sujeito passivo trazer aos autos os elementos aptos a comprovar a existência de direito creditório, capazes de demonstrar, de forma cabal, que a Fiscalização incorreu em erro no cálculo ou com as glosas, em conformidade com os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972 1 . Com efeito, o ônus probatório nos processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito, no entendimento reiterado desse Conselho 2 . 1 “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III- os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" 2 A título de exemplo: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de Fl. 640DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 636 11 No presente caso, constata-se primeiramente que, quantos aos supostos equívocos no preenchimento do DACON, a Recorrente se pautou a trazer alegações genéricas e cálculos sem qualquer substrato documental. Como será detalhado adiante, a Recorrente não apresentou quaisquer documentos suscetíveis de afastar a validade da apuração do crédito realizado no Despacho Decisório, não trazendo sequer uma memória de cálculo dos créditos diferente daquela por ela mesma apresentada e na qual se respaldou a fiscalização. Por sua vez, quanto aos itens de bens e insumos glosados (Linhas 03, 07 e 13) e quanto ao crédito presumido (Linha 18), constam dos autos os documentos apresentados pela Recorrente à época da fiscalização, não tendo sido apresentados quaisquer documentos adicionais nas defesas administrativas. Feito este apontamento inicial passa-se, em seguida, à análise de cada um dos itens. I - DOS EQUÍVOCOS NO PREENCHIMENTO DO DACON Como relatado, sustenta a Recorrente que teria se equivocado no preenchimento do DACON na distribuição dos dispêndios entre as colunas "Receita do Mercado Interno" e "Receita de Exportação". Como se depreende das planilhas apresentadas na defesa, entende a Recorrente que a proporção correta para a distribuição dos dispêndios seria: Competência Percentual Mercado Interno Percentual Mercado Externo Maio/2004 4,7050% 95,2950% Junho/2004 8,4129% 91,5871% Entretanto, seja na Manifestação de Inconformidade, seja no Recurso Voluntário, a Recorrente não apresentou qualquer documento para comprovar o novo cálculo por ela apresentado, muito diferente daquele apresentado à época da fiscalização, como se depreende das planilhas de memória de cálculo do DACON apresentadas: • Maio/2004 (fls. 73 do e-processo e 72 do processo físico): • Junho/2004 (fls. 115 do e-processo e 114 do processo físico): propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/2014-43. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401-003.096 - grifei) Fl. 641DF CARF MF 12 E aqui frise-se que foi exatamente com fulcro nestas planilhas de memória de cálculo apresentadas pela própria Recorrente durante a fiscalização (e, portanto, não apenas considerando as informações prestadas no DACON), que o trabalho fiscal foi realizado, como indicado no Despacho Decisório: "Da apuração do crédito 33. A verificação do quantum de crédito de PIS apurado pela interessada e indicado para utilização nas compensações pleiteadas será realizada à luz de seu DACON — Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (extrato as fls. 55 a 61), e documentos apresentados pela empresa no transcorrer do procedimento fiscal, especialmente conjunto de arquivos digitais de entradas e de saídas, para cada um dos estabelecimentos (matriz e filiais), e Livros Registro de Apuração de ICMS, também apresentados. Para os créditos originados de entradas passíveis de registro apenas em seus livros contábeis (como por exemplo, despesas de aluguéis, encargos de amortização, despesas de juros em operações financeiras), serão utilizados demonstrativos específicos apresentados pela empresa, segundo sua contabilidade, e apensos as fls. 72 e 114." (fl. 534 - grifei) Assim, o trabalho fiscal foi realizado com claro prestígio ao princípio da verdade material, considerando todos os elementos apresentados pela Recorrente no processo de fiscalização e não apenas o DACON. Ora, se a Recorrente identificou equívocos cometidos na prestação de informações à época da fiscalização, ensejando em erros nas conclusões fiscais do Despacho Decisório, deveria tê-las demonstrado cabalmente, com os documentos e planilhas de memória de cálculo pertinentes, o que não ocorreu. Assim, não vislumbro nos autos quaisquer elementos capazes de afastar a higidez dos cálculos dos créditos realizados pela fiscalização no Despacho Decisório, negando provimento aos pedidos de ajuste da Recorrente. II - DO CONCEITO DE INSUMOS Neste ponto, o debate travado pela Recorrente centra-se no enquadramento no conceito de insumos dos bens e serviços glosados nas Linhas 03, 07 e 13 que, em seu entender, geram direito aos créditos do PIS. Como se depreende do Despacho Decisório, o Fisco glosou créditos de insumos baseado em conceito mais restritivo, no sentido de que poderão ser descontados créditos em relação a produtos que sejam aplicados ou consumidos em ação direta sobre o produto em fabricação. Este posicionamento, indicado nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, foi enfrentado pela Recorrente em sua defesa, ainda que de forma genérica. Assim, antes do exame das questões fáticas envolvidas, importante que sejam feitas breves considerações acerca do conceito de insumo e a não cumulatividade do PIS e da COFINS (ambos com sistemática não cumulativa idêntica). As contribuições do PIS e da COFINS não cumulativas foram instituídas por diplomas legais ordinários, quais sejam, a Lei n.º 10.637/2002 (conversão da MP 66/2002 que Fl. 642DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 637 13 instituiu o PIS não cumulativo - vigência a partir de 01/12/2002) e a Lei n.º 10.833/2003 (conversão da MP 135/2003 que instituiu a COFINS não cumulativa - vigência a partir de 01/02/2004). Como contribuições incidentes sobre a receita, na forma do art. 1º destes diplomas legais, a sistemática não cumulativa foi prevista para determinadas pessoas jurídicas sendo mantida, para as demais, a sistemática cumulativa do PIS e da COFINS incidentes sobre o faturamento. No art. 3º das referidas leis o legislador identificou a forma como seria operacionalizada a não cumulatividade dessas contribuições, identificando os créditos suscetíveis de serem deduzidos do valor do tributo apurado na forma do art. 2º. Esses créditos são calculados pela aplicação da alíquota do tributo sobre determinadas despesas, identificadas taxativamente, dentre as quais os "bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes" (inciso II), ora sob análise. Este Conselho Administrativo, de forma majoritária e à luz de uma interpretação histórica e teleológica dos referidos diplomas legais, tem adotado a interpretação do conceito de insumos considerando a sua essencialidade/necessidade para o processo produtivo da empresa ou para a prestação de serviço 3 , em uma aproximação que não é tão ampla como da legislação do Imposto de Renda, nem tão restritiva como aquela veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e adotada pelo I. Fiscal no caso em tela. Importante mencionar que este entendimento poderá ser ampliado pelo Superior Tribunal de Justiça, em julgamento em curso na sistemática dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170). Com efeito, como se depreende do trecho do voto do E. Ministro Relator Napoleão Nunes Maia Filho, proferido em 23/09/2015 em julgamento ainda não concluído 4 , foi externado um primeiro posicionamento no sentido de se garantir o creditamento do PIS e da COFINS sobre todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços necessários para o exercício da atividade empresarial, direta ou indiretamente: “26. O creditamento no IPI e no ICMS – digo isso apenas para recordar – vincula- se ao quantum recolhido nas operações anteriores porque os fatos geradores desses impostos são, respectivamente, a industrialização e a circulação comercial de mercadoria ou alguns serviços. No caso do PIS/COFINS, o creditamento consiste em verdadeiro ou autêntico desconto, pois essas contribuições têm por fato gerador o próprio faturamento da empresa ou da entidade a ela equiparada; a distinção é formidavelmente gritante, como se percebe. 3 Como bem esclarece o Acórdão nº 3403-002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final." (grifei) 4 Julgamento foi suspenso pelo pedido de vista do Ministro Og Fernandes, que apresentou seu voto em julgamento ocorrido em 11/05/2016 conhecendo parcialmente do recurso especial e, nessa parte, negando-lhe provimento. Naquela oportunidade foi ainda apresentado o voto do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques conhecendo parcialmente do recurso especial e, nessa parte, dando-lhe parcial provimento. Em seguida, pediu vista o Sr. Ministro Benedito Gonçalves, aguardando ainda a votação pelos Ministros Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria e Humberto Martins. Fl. 643DF CARF MF 14 27. E essa é a pedra-de-toque para afastar a confusão que comumente havia entre o creditamento do IPI e o creditamento do PIS/COFINS. No primeiro caso, o tributo incide sobre o produto, então o crédito efetivamente decorre dos insumos; no segundo caso, vê-se que o tributo incide sobre o faturamento, então o crédito deve decorrer – e somente pode decorrer – das despesas, sendo essa conclusão de clareza ofuscante ou brilhante como a do sol nordestino. 28. Ocorre que a regulamentação levada a efeito pelo Poder Executivo – como é normal de acontecer quando se confere ao credor o condão de arbitrar quanto o devedor lhe pagará – ainda se prende àquela antiga confusão entre o creditamento do IPI e o creditamento do PIS/COFINS, considerando o crédito destes a partir dos insumos (como no primeiro caso), e não das despesas. 29. Nesse proceder, a interpretação fazendária desvirtua, com a devida vênia, o propósito da não cumulatividade, afastando-se do padrão legal que supostamente estaria a disciplinar, alguns diriam, em prol de maior arrecadação de curto prazo, às expensas do desenvolvimento econômico e da geração de riquezas do país, problema que se agrava por se tratar de tributos que incidem sobre a primeira linha da DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), base de cálculo alargada. (...) 36. Contudo, a reflexão nos mostra que o conceito estreito de insumo, para além de inviabilizar a tributação exclusiva do valor agregado do bem ou do serviço, como determina a lógica do comando legal, decorre de apreensão equivocada, com a devida vênia, do art. 111 do CTN em que, aliás, insiste, persiste e não desiste a Fazenda Pública, como se trabalhasse algo aleatório ou incerto, num ambiente em que se prima pelas certezas, qual seja, o ambiente da tributação. 37. Como bem apontado no parecer do eminente Professor HUGO DE BRITO MACHADO (fls. 604), o creditamento não consiste em benefício fiscal, tampouto é causa de suspensão ou exclusão do crédito tributário, e menos ainda representa dispensa do cumprimento de obrigações acessórias, de modo que não há de ser interpretado necessariamente de forma literal ou restritiva, como está naquele dispositivo do CTN; essa assertiva do mestre cearense calha como uma luva na compreensão do tema que se discute. 38.Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. (...) 40. Diante do exposto e esperando que algum dos eminentes julgadores deste egrégio Colegiado peça vista destes autos, para verticalizar, muito mais competentemente, o estudo deste problema, voto pelo provimento do Recurso Especial, para declarar a ilegalidade da restrição ao conceito de insumo levada a efeito pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, reconhecendo que devem ser consideradas no conceito de insumo, para fim de creditamento de PIS e COFINS, todas as despesas realizadas com a aquisição de bens e serviços necessários para o exercício da atividade empresarial, direta ou indiretamente.” (grifei) Ora, no meu entender particular, para garantir a coerência 5 e dar efetividade ao princípio da não cumulatividade, o legislador ordinário não poderia ter se valido de restrições e deveria ter assegurado o creditamento de todas as despesas incorridas na atividade empresarial para auferir a receita (fato tributado pelas contribuições). Já tive a oportunidade de me manifestar sobre esta questão na seara doutrinária, entendendo que ao apresentar um rol 5 ÁVILA, Humberto. O "postulado do legislador coerente" e a não-cumulatividade das contribuições. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.). Grandes questões atuais do Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2007. v. 11. p. 180. Fl. 644DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 638 15 taxativo de créditos, a legislação do PIS e da COFINS culminou em efetivo efeito cumulativo, contrário à finalidade da não cumulatividade 6 . Contudo, inegável que a lei em vigor trouxe limites, com um rol taxativo de bens/serviços passíveis de creditamento e exigindo que, para o creditamento, o insumo seja utilizado "na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda" (art. 3º, II, Leis Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). Assim, considerando a seara administrativa na qual se insere essa discussão e enquanto ainda não concluído o julgamento do recurso repetitivo acima referenciado, não posso me desvincular dos termos da lei, na forma exigida pelo Regimento Interno deste Conselho 7 . Nesse contexto, e adotando o entendimento já externado em diversas ocasiões por esta Turma 8 , filio-me ao entendimento que vêm sendo solidificado no âmbito deste CARF, entendendo por insumos para fins de aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS aquelas despesas incorridas com bens ou serviços comprovadamente utilizados na atividade da pessoa jurídica, seja "na prestação de serviços" ou "na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda", que guarde, portanto, relação com as receitas tributadas. Nesse sentido, de forma exemplificativa, traz-se ainda a ementa abaixo de julgado do Conselho Superior: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins 6 DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Competência tributária residual e as contribuições destinadas à Seguridade Social. Belo Horizonte: D´Plácido, 2015, p. 296 7 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II - que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103-A da Constituição Federal; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." 8 À título de exemplo, trago julgamento Relatado pelo Nobre Conselheiro Waldir Navarro Bezerra: "PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis - dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, vê-se que o legislador optou por um regime de não- cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização. PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. A não-comprovação dos créditos, referentes à não-cumulatividade, indicados no DACON, implica sua glosa por parte da fiscalização. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10675.002237/2004-88. Sessão 15/03/2016 Nº Acórdão 3402-002.965 - grifei) Fl. 645DF CARF MF 16 Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 Ementa: CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS N 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. EMPRESA DE FABRICAÇÃO DE MÓVEIS. CRÉDITOS RECONHECIDOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. INSUMOS. Tratando-se de uma empresa fabricante de móveis, foram reconhecidos créditos com relação à aquisição de materiais para manutenção de máquinas. Os gastos incorridos na aquisição de materiais para manutenção de máquinas são necessários e imprescindíveis à atividade produtiva da contribuinte, inserindo no conceito de “insumo” previsto no inciso II do artigo 3o da Lei n o 10.833/2003. Recurso Especial do Procurador Negado" (Número do Processo 11020.001960/2006-79. Data da Sessão 14/08/2014. Relator Rodrigo Cardozo Miranda. Nº Acórdão 9303-003.079 - grifei) Dessa forma, para decidir quanto ao direito ao crédito do PIS e da COFINS não-cumulativos é imprescindível que, primeiro, se analise as características da atividade produtiva desenvolvida pela empresa para, então, identificar quais as aquisições que configuram insumo para os bens por ela produzidos. Verifica-se no Estatuto Social que a Recorrente é Cooperativa constituída na forma da Lei n.º 5.764/1971, voltada aos associados que se dedicam à atividade agropecuária ou extrativa. No exercício de seu objetivo social, realizam uma série de atividades identificadas no art. 2º, §1º, do referido Estatuto: "Art.2° A sociedade, com base na colaboração reciproca a que se obrigam seus associados, objetiva promover o estimulo, o desenvolvimento progressivo e a defesa de suas atividades sociais e econômicas de natureza comum. §1° Para a consecução de seus objetivos, a Cooperativa se propõe a: a)transportar, sempre que possível, do local da produção para as suas dependências, os produtos agropecuários de seus associados; b)padronizar, armazenar, beneficiar, industrializar e comercializar, em comum, os produtos, registrando as marcas quando for o caso, bem como realizar expurgo de produtos agrícolas armazenados de associados ou terceiros; c)adquirir, para fornecimento a seus associados, bens de produção e outros necessários ao desenvolvimento de atividade agropecuária, tais como: defensivos agricolas (inseticidas, herbicidas, acaricidas, fungicidas), fertilizantes, biofertilizantes, inoculantes, corretivos, sementes e similares, inclusive artigos de uso doméstico e pessoal; Fl. 646DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 639 17 d)proceder à produção de artigos destinados ao abastecimento dos seus associados, através de processos de transformação, beneficiamento, industrialização e embalagem e ainda prestar serviços de tratamento de sementes e expurgo; e)fazer adiantamento em dinheiro, sempre que possível, do valor dos produtos recebidos dos associados, ou que estejam em fase de produção; f)obter recursos para fazer os financiamentos de custeio de lavouras e investimentos para associados, pelo repasse de Crédito Rural, na medida em que for possível e que o interesse social aconselhar; g)manter um departamento técnico para prestar serviços de assistência técnica, elaboração de planos simples de custeio, laudos técnicos, projetos de investimentos agropecuários e afins, vinculados ou não ao Crédito Rural mediante convênio ou credenciamento quando necessário, cujos serviços serão remunerados a Cooperativa pelos associados; h)realizar pesquisas e treinamento que visem o aprimoramento tecnológico da atividade agropecuária; i)produzir e comercializar sementes e mudas e, operar com representações comerciais; j)promover reflorestamento para fins energéticos; k) registrar-se como Armazéns Gerais, Agente Marítimo e Operador Portuário; I) prestar serviços fitossanitários, com acompanhamento agronômico e em concordância com a legislação vigente." (fls. 13/14) Considerando esta atividade social, com fulcro no conceito de insumo aqui adotado e na documentação acostada aos autos à época da fiscalização, irei examinar as glosas objeto das Linhas 03, 07 e 13 do DACON. II.1. Linha 03 - Serviços utilizados como insumos: serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais Como indicado no Despacho Decisório, o presente item se refere ao serviço "Serv. de tratamento e destinação de efl. ind." indicado nas Notas Fiscais acostada aos autos, prestado à Recorrente pela empresa Gesco Projetos, Comércio e Representações Ltda. Segundo a Recorrente, tratam-se de serviços "de tratamento e destinação de efluentes industriais para atender a legislação ambiental, portanto, necessários para a produção ou fabricação dos produtos destinados à venda. A produção não existiria se não houvesse a prestação desses serviços." (fl. 611) Por entender que esse serviço não teria sido aplicado diretamente na produção (com o consumo do serviço no produto final), a decisão recorrida manteve integralmente a glosa. Naquela oportunidade, os julgadores evidenciaram que a ora Recorrente não teria apresentado nos autos provas de que tais gastos integram seu processo produtivo: "Conforme registrado na pag.10 do Despacho Decisório de fls. 523/558, a parcela dos créditos constantes da linha 03 da ficha 04 do DACON, referente aos valores pagos a pessoa jurídica Gesco Projeto Comércio e Representações Ltda, pelos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais, não foi considerada, pois se trata de serviço que não atua nem indiretamente sobre o produto em processamento, isto é, não se enquadra no conceito de insumo, já que não é aplicado diretamente na produção. De outra parte, considerando que a questão decisiva consiste em saber se houve o consumo do bem ou serviço no produto final, tem-se, pelo que dos autos consta, que Fl. 647DF CARF MF 18 não foi realizada pela interessada a prova de que tais dispêndios integram o processo produtivo da empresa. Não se confirmando, assim, que os gastos em questão se tratam de insumos aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, resta ratificar o entendimento de que tais despesas não geram direito a apuração de créditos a serem descontados do PIS." (fl. 597 - grifei) Entretanto, ainda que o único documento acostado aos autos seja a nota fiscal de prestação de serviço, entendo neste ponto pela reversão da glosa, eis que os serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais integram o custo da produção de qualquer empresa industrial, sendo-lhes necessárias, inclusive, para o regular cumprimento das normas ambientais. Com efeito, à época dos fatos geradores já estava vigente 9 a Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA nº 313/2002 que, ao criar o Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais, exigiu que as indústrias realizassem o tratamento dos resíduos existentes ou gerados no curso da atividade industrial, inclusive para a obtenção do licenciamento ambiental: "Art. 1o Os resíduos existentes ou gerados pelas atividades industriais serão objeto de controle específico, como parte integrante do processo de licenciamento ambiental. Art. 2o Para fins desta Resolução entende-se que: I - resíduo sólido industrial: é todo o resíduo que resulte de atividades industriais e que se encontre nos estados sólido, semi-sólido, gasoso - quando contido, e líquido - cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgoto ou em corpos d`água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água e aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição. II - Inventário Nacional de Resíduos Sólidos Industriais: é o conjunto de informações sobre a geração, características, armazenamento, transporte, tratamento, reutilização, reciclagem, recuperação e disposição final dos resíduos sólidos gerados pelas indústrias do país. (...) Art. 8o As indústrias, a partir de sessenta dias da data de publicação desta Resolução, deverão registrar mensalmente e manter na unidade industrial os dados de geração e destinação dos resíduos gerados para efeito de obtenção dos dados para o Inventário Nacional dos Resíduos Industriais." (grifei) Assim, pela nota fiscal acostada ao processo, possível identificar que se está diante do serviço de tratamento dos resíduos/rejeitos sólidos decorrentes do processo industrial, despedido pela Cooperativa em cumprimento das normas ambientais vigentes à época. Trata- se, portanto, de um custo de sua produção, essencial para a própria continuidade da atividade industrial. 9 Cumpre mencionar que em 2010 (e, portanto, após a ocorrência dos fatos geradores envolvidos neste processo), foi promulgada a Lei n.º 12.305/2010 que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos, regulamentada pelo Decreto n.º 7.404/2010. Os referidos diplomas normativos deram ainda maior ênfase à necessidade de gestão dos resíduos sólidos produzidos não apenas pela indústria, mas por quaisquer pessoas físicas ou jurídicas que gerem resíduos. Nos termos do art. 35 do referido Decreto, a gestão dos resíduos sólidos compreende a "não geração, redução, reutilização, reciclagem, tratamento dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos", nesta orem de prioridade. Fl. 648DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 640 19 Reconhecendo os dispêndios com tratamento de efluentes como custo da produção, vejam-se, a título de exemplo, alguns julgados deste CARF e da Câmara Superior: "Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.833/2003 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de Cofins aos parâmetros adotados no creditamento de IN. No inciso H desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. Esse dispositivo legal também considerou como insumo combustíveis e lubrificantes, o que, no âmbito do I.PI, seria um verdadeiro sacrilégio. Mas as diferenças não param aí, nos incisos seguintes, permitiu-se o creditamento de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa .juridica, utilizados nas atividades da empresa etc. Isso denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cofins às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. (...) As condições para fruição dos créditos acima mencionados encontram-se reguladas nos parágrafos desse artigo. Voltando ao caso dos autos, os gastos com aquisição de combustíveis e de, com lubrificantes, junto à pessoa jurídica domiciliada no pais, bem com as despesas havidas com a remoção de resíduos industriais, pagas a pessoa jurídica nacional prestadora de serviços geram direito a créditos de Cofins, nos termos do art. .3° transcrito linhas acima." (CSRF. Acórdão n.º 9303-01.036 Trecho do voto do Relator Henrique Pinheiro Torres no Processo n.º 11065.101317/2006-28 Sessão 23/08/2010. Julgamento unânime - grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 Ementa: CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. A cessão de créditos de ICMS não se constitui em base de cálculo da contribuição, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não representando receita. RECUPERAÇÃO DE CUSTOS E DESPESAS. NÃO INCIDÊNCIA. Os ingressos que a pessoa jurídica perceba a título de efetiva recuperação de custos e despesas não constituem receita para fins de tributação por meio da COFINS, notadamente por significarem mero estorno daqueles dispêndios anteriormente incorridos e não, como seria indispensável, aquisição de direito novo. COFINS NÃO-CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. CUSTOS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES DO PROCESSO PRODUTIVO. Os dispêndios em que o industrial incorre para remover ou tratar os resíduos do processo compõem o respectivo custo de produção. Não importa se o custo é causa ou se é efeito da atividade fabril. Interessa apenas que seja pertinente a ela. Não importa, tampouco, se o tratamento é exigência de norma jurídica cogente ou se, ao contrário, constitui responsabilidade que a própria empresa se atribui. (...)" (Processo n.º 13007.000080/2004-17 Sessão 28/11/2013 Relatora Fabia Regina Freitas. Acórdão n.º 3301-002.137) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele Fl. 649DF CARF MF 20 da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. REGIME NÃO CUMULATIVO. INCLUSÃO DE CUSTOS E DESPESAS. O art. 6º, § 3º, da Lei 10.833/03 e o art. 27 da IN 900/08 não garantem aos contribuintes o direito à inclusão de todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora no cálculo dos créditos do regime não-cumulativo. (...) CRÉDITOS. TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda (celulose). (...) Recurso voluntário provido em parte." (Processo n.º 10630.902732/2011-34 Relator Antonio Carlos Atulim. Acórdão n.º 3403-002.824) Dessa forma, por integrar o custo da produção industrial, proponho a reversão da glosa relativa à Linha 03 do DACON quanto aos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais. II.2. Linha 07 — Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: fretes nas remessas para industrialização Como indicado no Despacho Decisório, a parcela glosada nesta linha se refere aos fretes despendidos na remessa para industrialização do linter. Vejam-se novamente os termos do Despacho: "63. Já para as despesas de fretes indicadas pela própria empresa com o código de operação interna 2309, ou seja, fretes a apropriar sobre linter remetido para industrialização (listagem a fl. 457), não se verifica a caracterização especifica de venda nestas operações, requisito este explicito no texto legal de modo a autorizar- se o creditamento baseado nestes valores." (fl. 538 - grifei) Como descrito pela Recorrente durante a fiscalização, o linter é o produto final por ela comercializado, após a industrialização do caroço de algodão adquirido de seus associados. Na descrição de seu processo produtivo, a Recorrente indicou a necessidade de remessas para industrialização por encomenda de todos os produtos por ela exportados, dentre os quais o linter. Em suas palavras: "ITEM 3) — Que produtos são considerados Matéria Prima-Indústria, Produtos Agrícolas; Os produtos considerados nas planilhas de compras para fins de base de cálculo do Crédito Presumido, para ressarcimento do valor do Pis/Pasep e Cofins Não- Cumulativos com base nas nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, referente ás exportações são os seguintes: Matéria Prima: Código Descrição 1.7 Soja em grãos 3.1 Milho em grãos 1404.5 Caroço de algodão Produtos Agrícolas: (Matéria Prima) Código Descrição 1.7 Soja em grãos 3.1 Milho em grãos 4.8 Trigo em Grãos 6.2 Triguilho em grãos Fl. 650DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 641 21 309.4 Aveia Branca em Grãos 319.3 Triticale em Grãos 1053.5 Aveia Preta em Grãos 1126.6 Milho Baixo Padrão em Grãos Em relação aos produtos vendidos no mercado interno e externo, compõe o processo produtivo todos os itens acima. Quanto a produção de óleo de algodão, óleo de soja, farelo de soja e linter, além dos itens acima, são utilizados: soda cáustica liquida — 50% (1628.5), hexano (1629.2), arame p/ enfardamento de linter (1476.2), saco de tecido de polipropileno (1.432.8), tela p/ enfardamento de linter (1472.4) e serviços prestados por terceiros no processo produtivo dos produtos exportados (industrialização por encomenda). ITEM 3.1) Como é a participação desses produtos (ou grupos de produtos - subdivisão) no processo produtivo da empresa. O processo produtivo de 100% (cem por cento) dos produtos acima se inicia com a aquisição junto aos nossos associados e não associados de forma in natura, com umidade e impureza variáveis, posteriormente são destinados a descarga em moegas e em seguida efetuado o beneficiamento, passando pelo processo de secagem, limpeza das impurezas e padronização, obtendo no final do processo produtivo, diversos produtos industrializados, tais como: óleo de soja, oleo de algodão, soja beneficiada, farelo de soja e linter. ITEM 3.2) Produtos exportados no período de Maio de Junho de 2004: Código Descrição NCM 1.7 Soja em grãos 12.01.00.90-00 3.1 Milho em grãos 10.05.90.10-00 1444.1 Linter de Algodão 14.04.20..10-00" (fls. 69-70 e-processo - grifei) Considerando que as remessas para industrialização por encomenda são essenciais para a produção do produto final exportado (linter de algodão, NCM 14.04.20.10- 00), como elucidado pela Recorrente à época da fiscalização, o frete na remessa dos produtos para essa industrialização integra o custo da produção. Reconhecendo os créditos dos custos com a industrialização por encomenda, trago recente manifestação de outra turma dessa Seção de Julgamento: "(...) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. (...) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2009 REGISTRO DE CRÉDITOS BÁSICOS. CONCEITO DE INSUMOS. Fl. 651DF CARF MF 22 Considera-se como insumo, para fins de registro de créditos básicos, observados os limites impostos pelas Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de produto destinado à venda, e que tenha relação com as receitas tributadas, dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo e cuja subtração obsta a atividade da empresa ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes Nesta linha, deve ser reconhecido o direito ao registro de créditos relativos a custos com industrialização por encomenda, embalagens para transporte, fretes nas compras de insumos e no seu transporte entre estabelecimentos da Recorrente, pallets de madeira, operador logístico, análises laboratoriais, repalletização e tintas para carimbo. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" (Processo n.º 10983.721188/2013-93 Data da Sessão 21/06/2016 Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira. Acórdão n.º 3301- 002.999 - grifei) Desta forma, considerando que a remessa para a industrialização por encomenda é custo da produção do linter de algodão, exportado pela Recorrente, propõe-se reestabelecer o crédito glosado neste item. II.3. Linha 13 — Outras Operações com Direito a Crédito: fretes sobre transferências entre estabelecimentos. Como mencionado no relatório, a discussão relativa à Linha 13 se refere, apenas, aos créditos de fretes sobre transferências entre estabelecimentos que, como afirmado pela fiscalização, não seriam de insumos produtivos. Atentando-se para as defesas apresentadas pelo sujeito passivo e para as informações prestadas na época da fiscalização, vislumbra-se que em nenhum momento foram informados quais eram os bens que estavam sendo transferidos entre os estabelecimentos da Recorrente. De fato, de forma geral sustentou-se no Recurso Voluntário: "Neste item foram glosados os valores de R$ 69.634,63 em maio de 2004 e R$ 15.968,71 em junho de 2004, ambos vinculados ao mercado interno, sob o argumento de falta de previsão legal, tendo em vista que tais dispêndios não se enquadram como insumo produtivo. De fato, reconhecemos que não foi apropriada a inclusão nesta linha dos pagamentos de fretes de transferência entre os estabelecimento da empresa, pois o correto seria a linha 03. Porém, esse fato não retira da impugnante o direito de crédito sobre os dispêndios realizados como custo de produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, conforme previsto no do artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002. Como se sabe, os gastos com fretes nas compras, nas transferências entre estabelecimentos ou remessas para industrialização integram o custo de aquisição das mercadorias, matérias primas ou produtos da empresa, e como tal o crédito está amparado no aludido texto legal." (fls. 615) Da mesma forma, a Recorrente não apresentou documentos que pudessem confirmar a natureza das operações de frete, não sendo possível verificar se os fretes foram despedidos dentro do ciclo de produção da Recorrente. Em razão da ausência de provas suficientes à avaliar se a transferência entre estabelecimentos poderia ser considerada como um custo necessário à produção, nego provimento ao Recurso neste ponto. Fl. 652DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 642 23 III - DO CRÉDITO PRESUMIDO NAS ATIVIDADES AGROPECUÁ RIAS Como delineado no relatório, as glosas realizadas neste ponto decorrem do entendimento da fiscalização de que estaria equivocada a apuração do crédito presumido calculado sobre as aquisições de produtos de origem vegetal de pessoas físicas cooperadas, em razão: (a) da mercadoria produzida não constar da previsão legal (linter de algodão, classificado na posição 14.04.20.10-0 da TIPI, para cuja produção foi adquirido caroço de algodão); (b) das operações realizadas pela Recorrente quanto ao milho em grãos e a soja em grãos não se enquadrarem na hipótese legal de creditamento por se tratarem, em verdade, de uma operação de revenda (cerealista) e não de uma agroindústria (não envolvendo, portanto, produção). A cooperativa se enquadraria somente na previsão do art. 3º, §11º, da Lei n.º 10.833/2003, aplicável ao PIS por força do art. 15, II desta mesma lei, que garante o crédito presumido referente às aquisições de pessoas físicas quando da venda para empresas produtoras/agroindustriais (no mercado interno, não para exportação). Quanto ao item (a) acima, a Recorrente afirmou em seu Recurso que a glosa do crédito está correta, apresentado desconformidade, apenas, quanto ao item (b). Sustentou a Recorrente a validade do crédito presumido, vez que: � a cooperativa produz mercadorias de origem vegetal na forma do art. 3º, §10º, da Lei n.º 10.637/2002, quais sejam, milho em grãos e soja em grãos, classificadas respectivamente nos capítulos 10 (posição 10.05) e 12 (posição 12.01) da Nomeclatura Comum do Mercosul - NCM. A legislação não traz qualquer referência quanto à modalidade de produção para garantir a validade do crédito. � ainda que se considere a hipótese de creditamento do art. 3º §11º da Lei n.º 10.833/2003, na condição de cerealista, não há na legislação a exigência de que o crédito seja calculado apenas quando as vendas sejam realizadas para empresas domiciliadas no Brasil, de acordo com o CNAE destas empresas adquirentes. Considerando o período envolvido (maio e junho/2004), a legislação aplicável para avaliar a validade do crédito presumido de PIS das atividades agropecuárias é o art. 3º, §§ 5º, 11º e 12º da Lei n.º 10.833/2003 e art. 3º, §§10º e 11º da Lei n.º 10.637/2002, nas redações vigentes antes das alterações legislativas trazidas pela Lei n.º 10.925/2004 (que entraram em vigor, quanto a essa questão, em 01/08/2004 - arts. 8º, 9º e 17, III, da Lei n.º 10.925/2004). Referidos dispositivos legais expressavam: Lei n.º 10.637/2002 "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 653DF CARF MF 24 II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 10. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 15.14, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul, destinados à alimentação humana ou animal poderão deduzir da contribuição para o PIS/Pasep, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) § 11. Relativamente ao crédito presumido referido no § 10: (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) I - seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a setenta por cento daquela constante do art. 2o ; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II - o valor das aquisições não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de bem ou serviço, pela Secretaria da Receita Federal. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003)" (grifei) Lei n.º 10.833/2003 "Art. 3o (...) § 5o Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da COFINS, devida em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens e serviços referidos no inciso II do caput deste artigo, adquiridos, no mesmo período, de pessoas físicas residentes no País. (...) § 11. Sem prejuízo do aproveitamento dos créditos apurados na forma deste artigo, as pessoas jurídicas que adquiram diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal, classificados nas posições 10.01 a 10.08 e 12.01, todos da NCM, que exerçam cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar tais produtos, poderão deduzir da COFINS devida, relativamente às vendas realizadas às pessoas jurídicas a que se refere o § 5o, em cada período de apuração, crédito presumido calculado à alíquota correspondente a 80% (oitenta por cento) daquela prevista no art. 2o sobre o valor de aquisição dos referidos produtos in natura. § 12. Relativamente ao crédito presumido referido no § 11: I - o valor das aquisições que servir de base para cálculo do crédito presumido não poderá ser superior ao que vier a ser fixado, por espécie de produto, pela Secretaria da Receita Federal - SRF; e II - a Secretaria da Receita Federal expedirá os atos necessários para regulamentá- lo." (grifei) Fl. 654DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 643 25 Atentando-se para o caso em tela, em especial das explicações fáticas trazidas pela Recorrente tanto à época da fiscalização, como em seu Recurso Voluntário, possível confirmar que estamos diante da previsão do crédito presumido trazida no art. 3º, §11º, da Lei n.º 10.833/2003, e não do art. 3º, §§ 10º e 11º da Lei n.º 10.637/2002 como inicialmente aduzido pela Recorrente. Com efeito, a descrição do processo produtivo do milho em grãos (NCM 10.05.90.10-00) e da soja em grãos (NCM 12.01.00.90-00) é idêntica à atividade descrita no §11º do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003: a cooperativa adquire milho em grãos e soja em grãos de seus cooperados com "umidade e impureza variáveis" que, para seu consumo, precisam passar por um "processo de secagem, limpeza das impurezas e padronização" (fls. 69-70 do e- processo) Portanto, nos exatos termos do referido diploma legal, a cooperativa adquiriu "diretamente de pessoas físicas residentes no País produtos in natura de origem vegetal", classificados nas posições 10.05 e 12.01 da NCM, exercendo, quanto a esses produtos "as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar", cumulativamente. Assim, considerando a descrição da atividade realizada pela própria Recorrente quanto ao milho e a soja em grãos, entendo que não há dúvidas quanto ao enquadramento na previsão do crédito presumido do §11º do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, passando a análise de seus requisitos. Segundo esta previsão legal, o crédito presumido, calculado sobre o valor de aquisição dos insumos, será deduzido do valor da contribuição devida relativamente às vendas realizadas às "pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2 a 4, 8 a 12 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, 15.07 a 1514, 1515.2, 1516.20.00, 15.17, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul - NCM, destinados à alimentação humana ou animal" (redação do art. 3º, §5º, Lei n.º 10.833/2003) Vislumbra-se que, com esta redação, a lei promoveu uma restrição ao aproveitamento do crédito presumido do §11º do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, das empresas ordinariamente denominadas de "cerealistas" à luz da legislação atualmente vigente: este crédito somente poderia ser deduzido da contribuição devida na saída destinada às pessoas jurídicas indicadas na lei, que produzam mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal e que podem tomar o crédito presumido indicado no art. 3º, §5º da Lei n.º 10.833/2003 (ordinariamente chamadas de "agroindustriais", igualmente considerando a legislação em vigor atualmente). Ademais, este crédito presumido não é garantido nas exportações, vez que restringido somente para as vendas para aquelas pessoas jurídicas nacionais, que podem tomar o crédito presumido na condição de produtoras/"agroindústrias". Ainda que de forma claramente contrária ao princípio da não cumulatividade, especialmente em razão do efeito cumulativo nas exportações 10 , e não obstante minha 10 Como já foi inclusive mencionado em voto vencido proferido no âmbito deste Conselho, no Acórdão nº 3801- 004.878 (processo nº 11030.002239/2005-04, na sessão de 27/01/2015). Fl. 655DF CARF MF 26 irresignação pessoal 11 , esta é a redação legal vigente à época dos fatos e a que deve ser observada nesta seara administrativa como já mencionado alhures, na forma exigida pelo Regimento Interno deste Conselho. Assim, não merece reparo o Despacho Decisório que, em conformidade com a legislação aplicável à época, acima pormenorizada, reconheceu o crédito apenas para as vendas no mercado interno que foram comprovadamente realizadas às pessoas jurídicas produtoras de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal (agroindustrial), não reconhecendo o crédito nas exportações por ausência de previsão legal específica. A utilização da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE para identificar se a empresa adquirente seria produtora de mercadorias ou atacadista foi coerente com a exigência da legislação, utilizando como critério um índice padronizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE e constante do próprio CNPJ. De toda forma, a Recorrente apenas alegou, de forma genérica, que este critério deveria ser afastado por não estar previsto expressamente na lei, sem trazer, contudo, qualquer elemento concreto, especialmente documental, suscetível de afastar sua aplicação no caso. Diante do exposto, não merece reparo o Despacho Decisório neste ponto. IV. CONCLUSÃO DO VOTO De forma conclusiva, sintetiza-se no quadro abaixo as glosas e as conclusões do voto que estão acima detalhadas: GLOSAS COOPERMIBRA - PTA 13951.000346/2004-42 Item Conclusão voto Linha 03 - Serviços utilizados como insumos: serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais Reversão da glosa por se tratar de custo da produção, em conformidade com os Acórdãos 3301-002.137 e 3403-002.824 deste CARF e com o Acórdão 9303- 01.036 da CSRF. Linha 07 - Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda: fretes nas remessas para industrialização Reversão da glosa por se tratar de custo da produção em conformidade com o Acórdão n.º 3301-002.999 Linha 13 - Outras Operações com Direito a Crédito: fretes sobre transferências entre estabelecimentos. Mantida a glosa por ausência de documentos. Linha 18 — Crédito Presumido — Atividades Agroindustriais Mantida a glosa por ter sido realizada em conformidade com a legislação então vigente Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação aos serviços de tratamento e destinação de efluentes industriais (Linha 03) e aos fretes nas remessas para industrialização (Linha 07). É como voto. Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora 11 DELIGNE, Maysa de Sá Pittondo. Competência tributária residual e as contribuições destinadas à seguridade social. Belo Horizonte: D´Plácido, 2015, p. 271/301 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 13951.000346/2004-42 Acórdão n.º 3402-003.521 S3-C4T2 Fl. 644 27 Fl. 657DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720174/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É indispensável a presença cumulativa desses dois requisitos para fazer jus à isenção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.541
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Rosemary Figueiroa Augusto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É indispensável a presença cumulativa desses dois requisitos para fazer jus à isenção. Recurso Voluntário Negado
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. Para reconhecimento da isenção decorrente de moléstia grave prevista no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713/1988 e alterações, os rendimentos precisam ser provenientes de aposentadoria ou pensão e a moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. É indispensável a presença cumulativa desses dois requisitos para fazer jus à isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 01 74 /2 01 4- 85 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11543.720174/201485 Acórdão n.º 2202003.541 S2C2T2 Fl. 112 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antônio de Souza Correa (Suplente convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de notificação de lançamento de IRPF (fls. 07/10), relativa ao ano calendário 2012, exercício 2013, por omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, no valor de R$ 297.852,62, apurados com base na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) da pessoa jurídica. Na impugnação (fls. 02/03), o Contribuinte alegou que havia declarado esse montante como isento, sob a justificativa de ser portador de moléstia grave, e trouxe aos autos os documentos de fls. 04/06 e 11/31, estando entre eles o laudo pericial (fls. 11/15), a publicação de sua aposentadoria (fls. 16/18) e comprovante de rendimentos (fls. 19). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campo Grande (MS), às fls. 70/73, negou provimento à impugnação pelo fato de a aposentadoria do contribuinte ter sido concedida a partir de 28 de junho de 2013 e os rendimentos considerados omitidos se referirem ao anocalendário de 2012. Inconformado, o sujeito passivo interpôs o recurso voluntário de fls. 77/78, alegando que não se considerou o laudo médico de perícia de aposentadoria do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo (IPAJM), datado de 28/06/2011, novamente apresentado às fls. 80/83; e que também não se levou em conta o Ato Declaratório Normativo nº 10, de 16/05/1996, da Coordenação do Sistema de Tributação, que estabelece que a "isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5ª da IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial". Diz que a Receita Federal não pode se fundar no fato de o IPAJM ter publicado sua aposentadoria no Diário Oficial sem levar em conta a data da constatação da moléstia grave, indicada no laudo pericial como sendo 28/06/2011, a partir da qual entende que incide o direito à isenção plena. Pede, assim, a anulação da multa que foi indevidamente aplicada, uma vez que declarou regularmente o seu direito à isenção por moléstia grave; bem como a reforma da decisão anterior para reconhecer o direito à isenção e à restituição do imposto indevidamente retido e cancelar a multa. É o relatório. Voto Fl. 117DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11543.720174/201485 Acórdão n.º 2202003.541 S2C2T2 Fl. 113 3 Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, conforme Lei nº 7.713/1998 e Súmula CARF nº 63, a seguir: Lei nº 7.713/1988 : Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) Súmula CARF Nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso em análise, verificase que o contribuinte trouxe aos autos (às fls. 11/15 e 80/83), os laudos médicos periciais, emitidos em 20/02/2014, pelo Instituto de Previdência dos Servidores do Estado do Espírito Santo (IPAJM), que comprovam sua condição de portador de cardiopatia grave CID I 71, a partir de 28/06/2011, e declaram que a moléstia não é passível de controle. De se mencionar que esses laudos também foram apreciados pela DRJ. Entretanto, o fato de o laudo pericial indicar como início da doença o dia 28/06/2011 não é suficiente para se concluir que a partir dessa data o contribuinte estaria imediatamente aposentado, pois é possível que a pessoa diagnosticada como portadora de uma das moléstias previstas na norma isentiva ainda continue a trabalhar, recebendo os rendimentos de sua atividade laboral, os quais, frisase, não são isentos. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 11543.720174/201485 Acórdão n.º 2202003.541 S2C2T2 Fl. 114 4 Assim, para o contribuinte fazer jus à isenção, além da comprovação da moléstia prevista no texto legal, mediante laudo expedido por serviço médico oficial, é indispensável comprovar que os rendimentos recebidos são oriundos de aposentadoria. Porém, conforme a Portaria nº 1.521, de 02/12/2013, publicada no Diário Oficial dos Poderes do Estado, em 05/12/2013, trazida pelo interessado às fls. 16, a aposentadoria por invalidez lhe foi concedida a partir de 28 de junho de 2013. Logo, não se comprovou se tratar de rendimentos de aposentadoria os montantes recebidos do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo, no anocalendário 2012, considerados omitidos na notificação de lançamento. Dessa forma, como não restou confirmado o direito do contribuinte à isenção, voto por NEGAR provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Rosemary Figueiroa Augusto Relatora Fl. 119DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/0 9/2016 por ROSEMARY FIGUEIROA AUGUSTO, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.001761/2010-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006, 2007
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006, 2007 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado AGRO PECUARIA VALE DO RIO GRANDE S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007 ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 17 61 /2 01 0- 07 Fl. 286DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o Contribuinte e por meio do qual exigese a complementação do pagamento do Imposto Territorial Rural ITR relativo aos exercícios de 2006 e 2007. Com base na descrição dos fatos (fl. 04 e ss) a infração foi assim resumida pela fiscalização: LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Em conseqüência da não apresentação do ADA, referente à Reserva Legal informada nas DITR e da averbação de apenas 47,26 ha de reserva legal, da não comprovação do rebanho referente à área de pastagens informada e da não apresentação de laudo de avaliação do valor da terra nua para comprovar o VTN informado o presente auto de infração foi lavrado com exclusão da área de reserva legal, da área de pastagens e alteração do Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, o que gerou as seguintes conseqüências: aumento da área tributável, aumento do VTN tributável, redução do grau de utilização, aumento da alíquota. Cobrase o imposto sobre o valor total da área apurada, qual seja, 3.267,8ha e com base no novo VTN apurado. Em sua impugnação (fls. 166) o Contribuinte defende, com base no art. 10, §7º da Lei nº 9.393/96 com redação dada pela MP nº 2.16666/01, que o Ato Declaratório Ambiental ADA e também a prévia averbação da área no respectivo registro o imóvel, não são requisitos necessários para caracterização das áreas de reserva legal para fim de isenção do ITR. Afirma haver nos autos comprovação acerca das áreas destinadas a pastagem, e argui nulidade do arbitramento do valor do VTN por ausência de desqualificação do valor declarado e desconhecimento dos critérios do arbitramento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o lançamento. Afastando a nulidade arguida o Colegiado entendeu que a área de reserva legal, para fins de exclusão do ITR, deve ser, por expressa disposição legal, averbada na matrícula do imóvel e ser reconhecida como de interesse ambiental mediante protocolização do ADA dentro do prazo previsto em ato normativo do Ibama; quanto à área de pastagem e o Valor da Terra Nua esclareceu que a ausência de provas por parte do contribuinte justifica a realização do lançamento nos moldes em que lavrado pela autoridade competente. Em seu Recurso Voluntário o Contribuinte reitera os argumentos de defesa. Por meio do acórdão nº 2101002.656 a 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para restabelecer a área de reserva legal de 47,26 ha, haja vista a existência de averbação da limitação no respectivo registro do imóvel. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 287 3 Referido acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006, 2007 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que a Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. ÁREA DE PASTAGEM. GRAU DE UTILIZAÇÃO. A área de pastagem somente poder ser considerada para efeitos de determinação do grau de utilização quando devidamente comprovada. ITR. VTN. ARBITRAMENTO. A fiscalização arbitrará o VTN com base no SIPT nas hipóteses em que o contribuinte não apresentar laudo de avaliação com observância das normas da ABNT. Recurso provido em parte. Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência. Citando como paradigma o acórdão nº 39100037, afirma o Recorrente que enquanto o acórdão impugnado dispensa a comprovação da área de reserva legal por meio de protocolização tempestiva do ADA pelo contribuinte junto ao IBAMA ou órgão ambiental conveniado, o paradigma afirma tratar a referida declaração de requisito indispensável à fruição da isenção do ITR nos termos do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Fl. 288DF CARF MF 4 Em contrarrazões o Contribuinte limitouse a citar decisão proferida por esta Câmara Superior e requereu que fosse negado provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Conforme exposto no relatório, o objeto do recurso é a discussão acerca dos requisitos necessários para que o contribuinte tenha direito a exclusão de áreas classificadas como de reserva legal do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, requisitos para aplicação da exoneração prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, que até 1º de janeiro de 2013, possuía a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Sabese que o ITR, previsto no art. 153, VI da Constituição Federal e no art. 29 do CTN, é imposto de apuração anual que possui como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana de município, em 1º de janeiro de cada ano. Analisando as característica da base de cálculo eleita pelo legislador conjuntamente com o teor do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir fato que coaduna com a característica extrafiscal do ITR, que somente há interesse da União que sejam tributadas áreas tidas como produtivas/aproveitáveis, havendo ainda uma preocupação em se favorecer aqueles que um vez tolhidos do exercício pleno de sua propriedade sejam ainda mais onerados pela incidência de um tributo. As áreas caracterizadas como de preservação permanente e de reserva legal diante das limitações que lhe são impostas, por expressa determinação legal são excluídas do cômputo do VTN – Valor da Terra Nua, montante utilizado para a obtenção da base de cálculo do ITR. Por essa razão, no entendimento desta Relatora, o inciso II acima citado ao conceituar “área tributável” não prevê uma isenção, ele nos traz na verdade uma hipótese de não incidência do ITR. Entretanto, para que a propriedade, o domínio útil ou a posse dessas áreas não caracterize fato gerador do imposto é necessário que o imóvel rural preencha as condições, no presente caso, previstas na então vigente Lei nº 4.771/65. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 288 5 As características da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal estavam descritas, respectivamente no art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e 16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) do Código Florestal de 1965: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, obervarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Fl. 290DF CARF MF 6 (...) Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 289 7 I o plano de bacia hidrográfica; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II o plano diretor municipal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III o zoneamento ecológicoeconômico; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IV outras categorias de zoneamento ambiental; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.166 67, de 2001) § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Fl. 292DF CARF MF 8 § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Interpretando os dispositivos percebemos além de diferenças ecológicas existentes entre uma APP e uma ARL, diferença formal/procedimental na constituição dessas áreas. Em relação a Área de Preservação Permanente, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da Lei nº 4.771/65 as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização, nos demais casos estando área pleiteada localizada nos espaços selecionados pelo legislador, caracterizada estava pelo só efeito da lei, sem necessidade de cumprimento de qualquer outro requisito uma APP. Em contrapartida, por força dos §§4º e 8º do art. 16 para caracterização de um Área de Reserva Legal, além dos requisitos ecológicos, exigiase i) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda ii) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel, averbação essa que era substituída por Termo de Ajustamento de Conduta nos casos em que o Contribuinte fosse apenas possuidor do bem. Faziase necessária a realização desses esclarecimentos, pois as diferenças formais apontadas traz impactos diretos no estudo dos requisitos para aplicação da não incidência do ITR especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 290 9 No presente caso, nos interessa discutir acerca dos requisitos que devem ser cumpridos pelo Contribuinte para que reste caracterizada a não incidência do ITR sobre áreas classificadas como de Reserva Legal. Do requisito da averbação: Considerando a redação da Lei nº 4.771/65 afirmase que o ato de averbação em nada afeta a constituição de uma área de preservação permanente a qual existe é pode ser comprovada por qualquer meio capaz de demonstrar que aquele imóvel ou parte dele está localizado em áreas com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bemestar das populações humanas. A própria Receita Federal do Brasil nos documentos "Perguntas e Respostas do ITR" manifestava expressamente no sentido de a legislação do ITR não exigir a averbação da área de preservação permanente no Cartório de Registro de Imóveis. Por outro lado a necessidade de averbação das áreas de Reserva Legal é exigência prevista na própria Lei nº 4.771/65, razão pela qual filiome a corrente cujo entendimento é no sentido de ser a averbação requisito constitutivo da referida área. A averbação, precedida da outra exigência legal de ser a área reconhecida pelo poder público, é condição imprescindível para a existência da Área de Reserva Legal, sendo que tal fato nos leva a conclusão lógica de que para fins de cálculo do ITR tal averbação deve ser anterior ao fato gerador. O Superior Tribunal de Justiça já pacificou o citado entendimento, valendo citar parte do voto proferido pelo Ministro Benedito Gonçalves, no RESP nº 1.125.632PR: Ao contrário da área de preservação permanente, para as áreas de reserva legal a legislação traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal. Assim, somente com a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel é que se poderia saber, com certeza, qual parte do imóvel deveria receber a proteção do art. 16, § 8º, do Código Florestal (...) Assim, considerado que a norma de apuração do ITR prevista no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96 a qual nos remete aos conceitos e requisitos da então nº Lei nº 4.771/65 podemos afirmar que para fim de não incidência do ITR a averbação da área delimitada pelo Poder Público no registro do imóvel em data anterior a ocorrência do fato gerador é requisito aplicável apenas à Área de Reserva Legal. Do Ato Declaratório Ambiental ADA: Fl. 294DF CARF MF 10 A discussão quanto a necessidade de apresentação do ADA para fins da não incidência do ITR sobre áreas de Preservação Permanente e também Reserva Legal, é um pouco mais polêmica, isso porque tratase de exigência inicialmente prevista por meio de norma infralegal, valendo citar a IN SRF nº 67/97. Nem a Lei nº 9.393/96, nem a Lei nº 4.771/65 exigiam o ADA para fins constituição das respectivas áreas ou para fins de apuração do imposto. Por tal razão, após amplo debate concluise que para os fatos geradores ocorridos até o ano de 2000, era dispensável a apresentação do ADA, conclusão que pode ser ilustrada pela seguinte ementa do STJ : PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. ISENÇÃO. EXIGÊNCIA CONTIDA NA IN SRF Nº 67/97. IMPOSSIBILIDADE. (...) 2. De acordo com a jurisprudência do STJ, é prescindível a apresentação do ADA Ato Declaratório Ambiental para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN nº 67/97). Ato normativo infralegal não é capaz de restringir o direito à isenção do ITR, disciplinada nos termos da Lei nº 9.393/96 e da Lei 4.771/65. 3. Na hipótese, discutese a exigibilidade de tributo declarado em 1997, isto é, antes da entrada em vigor da Lei 10.165/00, que acrescentou o § 1º ao art. 17O da Lei 6.938/81. Logo, é evidente que esse dispositivo não incide na espécie, assim como também não há necessidade de se examinar a aplicabilidade do art. 106, I, do CTN, em virtude da nova redação atribuída ao § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 pela MP nº 2.16667/01. 4. Recurso especial não provido. (REsp 1.283.326/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 8/11/2011, DJe 22/11/2011.) Tal entendimento fundamentase na regra de que a norma jurídica que regulamenta o conteúdo de uma lei é veículo secundário e infralegal e, portanto, seu conteúdo e alcance deve se restringir aos comando impostos pela lei em função da qual foi expedida. Neste sentido uma instrução normativa não poderia prever condição não exigida pela norma originária, mormente quando tal condição depende de manifestação de órgão cuja atuação não se vincula com o objetivo da norma desoneração tributária. Tal discussão assume um novo viés com a criação do art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em 29.01.2000 foi editada a Lei nº 9.960/00 que acrescentou o citado art. 17 O à Lei nº 6.938/81, nesta oportunidade, por meio do §1º, o legislador expressamente previu que a utilização do ADA para efeito de redução do valor do ITR era opcional. Ocorre que tal previsão não produziu efeitos, pois antes mesmo da ocorrência de um novo fato gerador do ITR o referido artigo foi radicalmente modificado pela Lei nº 10.165, publicada em 27 de dezembro de 2000, a qual tornou o ADA instrumento obrigatório para fins de ITR: Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 291 11 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do IBAMA.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do IBAMA, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Diante desta alteração normativa discutese agora se lei posterior teria o condão de condicionar a aplicação de norma específica de não incidência tributária à realização de dever extra fiscal. Se diz extra fiscal porque como conceituado pelo próprio órgão o ADA nada mais é que um documento de cadastro das áreas do imóvel junto ao IBAMA. Destacase: a função do ADA é apenas informar ao IBAMA a existência de área de interesse ambiental em propriedade, posse ou domínio de particular área essa reconhecida seja pela própria lei no caso de APP, ou por meio da averbação no caso da ARL. É documento meramente informativo de uma área já existente, ou seja, o ADA não é requisito para constituição de áreas não consideradas pelo legislador quando da delimitação do fato gerador do ITR. É por essa razão que compartilho do entendimento de que o ADA não tem reflexos sobre a regra matriz de incidência do ITR, a ausência de documento informativo ou sua apresentação intempestiva não pode gerar como efeito a desconsideração de área reconhecidamente classificada como não tributada pelo legislador. Fl. 296DF CARF MF 12 Assim, é notável o conflito existente entre o art. 10, §1º, II da Lei nº 9.393/96 e o art. 17O da Lei nº 6.938/81, antinomia que deve ser solucionada pela aplicação do critério da especialidade, devendo prevalecer neste sentido a norma que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, qual a Lei nº 9.393/96. Destaco que, embora essa Relatora tenha o entendimento isolado de que o ADA é requisito dispensável para fins de desoneração do ITR em qualquer circunstância, o entendimento da maioria deste Colegiado é no sentido de se reconhecer ao Contribuinte o direito a isenção nos casos em que existir averbação da ARL à margem do registro do imóvel antes da ocorrência do fato gerador, para a maioria o cumprimento deste requisito formal supre a necessidade de apresentação do ADA. Por fim, embora utilizandose de outros fundamentos, é importante mencionar que o Poder Judiciário, por meio do Superior Tribunal de Justiça tem firmado jurisprudência no sentido de que o ADA nunca foi, mesmo com a criação do art. 17O, requisito para desoneração do ITR, desoneração essa entendida pelos Ministros como isenção. Essa orientação do STJ foi recentemente reconhecida pela própria Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1329/2016 que atualizou o Item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer prevista no art.2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN Nº 502/2016. Pela relevância, peço vênia para transcreve parte do parecer: a) Área de reserva legal e área de preservação permanente (NOVO) * Data da alteração da redação do resumo e da Observação 1, bem como da inclusão da Observação 2: 05/09/2016 Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). PARECER PGFN/CRJ/No 1329/2016 Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 292 13 Documento público. Averbação e prova da Área de Reserva Legal e da Área de Preservação Permanente. Natureza jurídica do registro. Ato Declaratório Ambiental. Isenção do Imposto Territorial Rural. Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer. Art. 10, II, “a”, e § 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Lei nº 12.651, de 2012. Lei 10.165, de 2000. (...) II.1 Exame da jurisprudência sobre o questionamento feito à luz da legislação anterior à Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000 que deu nova redação ao art. 17O da Lei nº 6.938, de 27 de dezembro de 2000 e à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal (...) 12. Após as considerações acima, restam incontroversas, no âmbito da Corte de Justiça, à luz da legislação aplicável ao questionamento, as posições abaixo: (i) é indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo aquela, para fins tributários, eficácia constitutiva; (ii) a prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; (iii) é desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois tal área se localiza a olho nu; e (iv) é desnecessária a apresentação do ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR. (...) II.2 Considerações relacionadas ao questionamento à luz da legislação anterior à Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012 Novo Código Florestal. (...) 21. Em que pese tal possibilidade de interpretação, o STJ utilizouse do teor do § 7º no art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, para reforçar a tese de que o ADA é inexigível, tendo, ao que tudo indica, desprezado o conteúdo do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 2000, pois não foram encontradas decisões enfrentando esse regramento. Além disso, registrou que, como o dispositivo é norma interpretativa mais benéfica ao contribuinte, deveria retroagir. 22. Essa argumentação consta no inteiro teor dos acórdãos vencedores que trataram do tema, bem como na ementa do REsp nº 587.429/AL, senão vejamos: Trecho do voto da Ministra Eliana Calmon, Relatora do REsp nº 665.123/PR: Fl. 298DF CARF MF 14 Como reforço do meu argumento, destaco que a Medida Provisória 2.166 67, de 24/08/2001, ainda vigente, mas não prequestionada no caso dos autos, fez inserir o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96 para deslindar finalmente a controvérsia, dispensando o Ato Declaratório Ambiental nas hipótese de áreas de preservação permanente e de reserva legal para fins de cálculo do ITR [...] Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.112.283/PB: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. Trecho do voto do Ministro Benedito Gonçalves, Relator do REsp nº 1.108.019/SP: Assim, considerando a superveniência de lei mais benéfica (MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001), que prevê a dispensa de prévia apresentação pelo contribuinte do ato declaratório expedido pelo Ibama, impõese a aplicação do princípio insculpido no art. 106, do CTN. "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.EXCLUSÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP.2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106, DO CTN. RETROOPERÂNCIA DA LEX MITIOR. 1. Recorrente autuada pelo fato objetivo de ter excluído da base de cálculo do ITR área de preservação permanente, sem prévio ato declaratório do IBAMA, consoante autorização da norma interpretativa de eficácia ex tunc consistente na Lei 9.393/96. 2. A MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, ao inserir § 7º ao art.10, da lei 9.393/96, dispensando a apresentação, pelo contribuinte, de ato declaratório do IBAMA, com a finalidade de excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal, é de cunho interpretativo, podendo, de acordo com o permissivo do art. 106, I, do CTN, aplicarse a fator pretéritos, pelo que indevido o lançamento complementar, ressalvada a possibilidade da Administração demonstrar a falta de veracidade da declaração contribuinte. 3. Consectariamente, forçoso concluir que a MP 2.16667, de 24 de agosto de 2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante § 7º, do art. 10, da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art.106, do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retrooperância da lex mitior. 4. Recurso especial improvido." (REsp 587.429/AL, Rel. Ministro Luiz Fux, PRIMEIRA TURMA, DJe de 2/8/2004) 23. A partir das colocações postas, concluise que, mesmo com a vigência do art. 17O, caput e §1º, da Lei nº 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000, até a entrada em vigor da Lei nº 12.651, de 2012, o STJ continuou Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10665.001761/201007 Acórdão n.º 9202004.625 CSRFT2 Fl. 293 15 a rechaçar a exigência do ADA com base no teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. 24. Consequentemente, caso a ação envolva fato gerador de ITR, ocorrido antes da vigência da Lei nº 12.651, de 2012, não há motivo para discutir em juízo a obrigação de o contribuinte apresentar o ADA para o gozo de isenção do ITR, diante da pacificação da jurisprudência. (...) Portanto, considerando que há nos autos prova da averbação das áreas classificadas como de Reserva Legal em data anterior a ocorrência do fato gerador, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito a não incidência do ITR. Diante do exposto, negase provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.001666/2001-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não-cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009).
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
INCLUSÃO DE RECEITAS DE VENDA NO MERCADO INTERNO NA RECEITA OPERACIONAL BRUTA
Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, inclui-se no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES.
O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte.
Os valores correspondentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE ÁGUA.
Os produtos utilizados no tratamento de água não se podem considerar integrados diretamente ao processo de produção, não configurando insumos para efeito de crédito presumido de IPI.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-001.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento total. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor.
(Assinado com certificado digital)
Carlos Alberto de Freitas Barreto - Presidente
(Assinado com certificado digital)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Redator Designado ad hoc
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da nãocumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543 C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. INCLUSÃO DE RECEITAS DE VENDA NO MERCADO INTERNO NA RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 16 66 /2 00 1- 95 Fl. 913DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 914 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE ÁGUA. Os produtos utilizados no tratamento de água não se podem considerar integrados diretamente ao processo de produção, não configurando insumos para efeito de crédito presumido de IPI. Recurso Especial da Fazenda Nacional Negado e Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional; e II) pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial do sujeito passivo quanto às aquisições de pessoas físicas e cooperativas. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Gileno Gurjão Barreto, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que davam provimento total. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim para redigir o voto vencedor. (Assinado com certificado digital) Carlos Alberto de Freitas Barreto Presidente (Assinado com certificado digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho Redator Designado ad hoc (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto). Fl. 914DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 915 3 Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 816 a 823) e por Braspelco Indústria e Comércio Ltda. (fls. 828 a 845) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 795 a 814) que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à incidência de atualização dos créditos remanescentes a partir do pedido e negou provimento quanto às aquisições de combustíveis, material para tratamento de água, bem como as aquisições de insumos de cooperativas e pessoas físicas; e quanto à inclusão na receita de exportação de parcela relativa à variação do câmbio ocorrida entre a data da emissão da nota fiscal da exportação e a data do fechamento do câmbio. A ementa do v. acórdão recorrido, que bem resume os seus fundamentos, é a seguinte: IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS). Incabível o ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins a título de incentivo fiscal em relação a produtos adquiridos de pessoas físicas e ou cooperativas que não suportaram o pagamento dessas contribuições. Ao determinar a forma de apuração do incentivo, a lei excluiu da base de cálculo do benefício fiscal as aquisições que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à Cofins no fornecimento ao produtorexportador. INCLUSÃO DE RECEITAS DE VENDA NO MERCADO INTERNO NA RECEITA OPERACIONAL BRUTA Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros, mas tais produtos são excluídos do valor correspondente às compras de insumos. INCLUSÃO, ENTRE AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS, DE PRODUTOS QUE NÃO SE ENQUADRAM NOS CONCEITOS DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS NA LEGISLAÇÃO DO IPI Para enquadramento no benefício, somente se caracterizam, como matériaprima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre ele, no processo de fabricação. Os produtos utilizados no tratamento de água e os combustíveis, por não atuarem diretamente sobre o. produto final industrializado pela reclamante, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INCLUSÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para efeito de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação normativa, a receita de exportação Fl. 915DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 916 4 deve ser apurada segundo o câmbio vigente na data do embarque. APLICAÇÃO TAXA SELIC. Não se revestindo a atualização monetária de nenhum plus, deve ser aplicada aos valores a serem ressarcidos a título de incentivo fiscal, sob pena de afrontar a própria lei instituidora do benefício, se este tiver seu valor corroído pelos efeitos da inflação. De outro turno, a não aplicação de qualquer índice para recompor o valor de compra da moeda revestese de verdadeiro enriquecimento ilícito da outra parte. Recurso provido em parte. O recurso especial de divergência da Fazenda Nacional foi admitido através do r. despacho de fl. 824 no tocante à correção monetária pela taxa Selic dos créditos presumidos a serem ressarcidos, notadamente por violação ao disposto no § 4º do artigo 39 da Lei nº 9.250/95. Contrarrazões do contribuinte às fls. 846 a 851. O contribuinte, por outro lado, também interpôs recurso especial, abordando as questões relativas ao 1) critério de cálculo da relação RE/ROB; 2) inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, de insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas; 3) inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, de aquisições de combustíveis e produtos utilizados no tratamento da água; 4) inclusão da variação cambial na receita de exportação; e 5) multa de mora sobre valores indevidamente compensados. O recurso especial do contribuinte foi admitido através dos r. despachos de fls. 885 a 890 apenas no que tange ao 1) critério para o cálculo da relação RE/ROB; 2) inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas fisicas e cooperativas e 3) das aquisições de produtos utilizados no tratamento da água. Contrarrazões da Fazenda Nacional às fls. 893 a 908. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho , Relator ad hoc Por intermédio do despacho de fl. 912, nos termos da disposição do art. 17, III, do RICARF1, incumbiume o Senhor Presidente do Colegiado a formalizar o voto vencido 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 916DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 917 5 do Acórdão 9303001.407, cuja minuta foi entregue pelo relator original, exConselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. A designação devese ao fato da renúncia ao cargo de conselheiro ter ocorrido antes da formalização e assinatura deste acórdão. A minuta do voto vencido foi entregue à Secretaria da Câmara pela relator original após a sua renúncia, a qual foi adotada no relatório e será reproduzida neste voto vencido, in verbis: Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que os recursos merecem ser conhecidos. Com relação à atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC, veiculada no recurso especial da Fazenda Nacional, é de se notar que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “recursos repetitivos”. O precedente acima aludido tem a seguinte ementa: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel.Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em Fl. 917DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 918 6 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) (grifos nossos) A decisão acima aludida foi proferida justamente em julgamento relativo a pedido de ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a Lei 9.363/1996, em que atos normativos infralegais obstaculizaram a inclusão na base de cálculo do incentivo das compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas. Restou consolidado, assim, no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, a atualização do ressarcimento de créditos presumidos de IPI pela taxa SELIC. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 918DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 919 7 § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. O recurso especial da Fazenda Nacional, por conseqüência, não merece provimento. No tocante ao recurso voluntário do contribuinte, especificamente quanto ao 1) critério para o cálculo da relação RE/ROB, pretendese que seja excluída da receita operacional bruta e da receita de exportação as receitas de produtos adquiridos e revendidos no mercado interno. Neste ponto, entendo que deve prevalecer o entendimento esposado na r. decisão recorrida, pedindo vênia para adotar como razão de decidir o seguinte excerto do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, verbis: (...) Agora, entretanto, pretende que o critério adotado seja outro, a saber, a exclusão da receita operacional bruta dos valores relativos à venda no mercado interno das mercadorias adquiridas de terceiros. Ora, nenhum embasamento legal há para tal exclusão. A legislação que rege o benefício, Lei n° 9.363/96, é clara ao determinar que se apliquem os conceitos de receita operacional bruta e receita de exportação próprios da legislação do Imposto de Renda. Foi essa, aliás, a razão principal do voto no sentido de incluir a receita da venda no exterior dessas mercadorias adquiridas no mercado interno e não submetidas a industrialização no estabelecimento. Não se pode, pois, criar um novo critério apenas por ser mais benéfico ao contribuinte. Nesse mesmo sentido, a citação genérica das IINN SRF ti% 313/03 e 315/03 não socorre à recorrente. A primeira define receita de exportação e receita bruta operacional ambas líquidas das vendas no exterior de mercadorias adquiridas no mercado interno e não submetidas a qualquer operação de industrialização. Nela não há qualquer menção à exclusão aqui pretendida. E nem poderia deixar de ser assim, uma vez que a própria legislação do imposto de renda, e, antes dela, a própria legislação comercial, atinente aos atos de registro contábil, determinam a inclusão de todos os valores provenientes de vendas, tanto no mercado interno quanto no externo. Notese que a IN 315/03 disciplina apenas a sistemática alternativa de apuração do crédito presumido instituída pela Lei n° 10.276/2001, não se aplicando à postulação da empresa. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 920 8 Embora não seja razão de decidir, vale salientar que o critério adotado — o da inclusão das vendas no exterior — é mais benéfico às empresas, pois aumenta o percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta. Seu corolário, porém, é a inclusão das vendas no mercado interno de mercadorias adquiridas de terceiro, pois essa parcela compõe inquestionavelmente a receita operacional bruta conforme definido na legislação do IR. Com esses fundamentos, voto por negar provimento neste ponto ao recurso. Por outro lado, 2) no que tange à questão relativa à inclusão dos gastos com insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas na base de cálculo do crédito da Lei nº 9.363/96, meu entendimento coincide com o do seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Processo n° 13974.000122/200391 Recurso n° 228.637 Especial do Contribuinte Acórdão n° 930300.682 – 3ª Turma Sessão de 2 de fevereiro de 2010 Matéria IPI Crédito Presumido Aquisições de não contribuintes Recorrente CEREAGRO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. O incentivo corresponde a um crédito que é presumido, cujo valor deflui de fórmula estabelecida pela lei, a qual considera que é possível ter havido sucessivas incidências das duas contribuições, mas que, por se tratar de presunção "juris et de jure", não exige nem admite prova ou contraprova de incidências ou não incidências, seja pelo Fisco, seja pelo contribuinte. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da Cofins (pessoas físicas e cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n° 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 921 9 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator (grifos nossos) Por último, com relação 3) à inclusão, na base de cálculo do crédito presumido, das aquisições de produtos utilizados no tratamento da água, entendo que a r. decisão recorrida merece prevalecer, face à jurisprudência reiterada a respeito da matéria, sendo de destacar, dentre vários julgados, o seguinte: Número do Recurso: 202123084 Turma: SEGUNDA TURMA Número do Processo: 13982.000153/9960 Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria: RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente: CHAPECÓ COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS Interessado(a): FAZENDA NACIONAL Data da Sessão: 24/01/2006 15:30:00 Relator(a): Antonio Bezerra Neto Acórdão: CSRF/0202.229 Decisão: OUTROS OUTROS Texto da Decisão: Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso em relação aos insumos utilizados na fabricação de ração e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para incluir na base de cálculo do incentivo as aquisições de pessoas físicas. Vencidos os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Francisco Maurício R. de Albuquerque Silva e Adriene Maria de Miranda, que também incluíam na referida base de cálculo os produtos utilizados no tratamento de água, e os Conselheiros Antonio Bezerra Neto (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Antonio Carlos Atulim, e Henrique Pinheiro Torres que negaram provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Dalton César Cordeiro de Miranda. Ementa: IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes do PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. COMBUSTÍVEL E PRODUTOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DE ÁGUA. O combustível e os produtos utilizados no tratamento de água não se podem considerar integrados diretamente ao processo de produção, não Fl. 921DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 922 10 configurando insumos para efeito de crédito presumido de IPI. Recurso especial provido em parte (grifos nossos) Por conseguinte, em face de todo o exposto, no tocante ao recurso especial da Fazenda Nacional, e com arrimo no artigo 62A do RICARF, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial a fim de que o ressarcimento de créditos presumidos de IPI se dê com a atualização pela taxa SELIC. Com relação ao recurso especial interposto pelo contribuinte, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial quanto à inclusão na base de cálculo do crédito presumido das aquisições de insumos efetuadas perante pessoas físicas e cooperativas, e NEGAR PROVIMENTO quanto às aquisições de produtos utilizados no tratamento da água, bem como quanto à matéria referente ao critério para o cálculo da relação RE/ROB. Esses foram os argumentos apresentados pelo relator original que os reproduzi na íntegra. (Assinado com certificado digital) Gilson Macedo Rosenburg Filho Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator Designado. Atrevome a divergir do ilustre relator originário no que tange à questão da apuração do coeficiente de exportação. O crédito presumido de IPI em discussão se refere a fatos geradores ocorridos durante o anocalendário de 2001, quando estava em vigor a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, cujo art. 3º, § 15, assim dispunha: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque Fl. 922DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10675.001666/200195 Acórdão n.º 9303001.407 CSRFT3 Fl. 923 11 ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. (grifei) Desse modo, o pleito da defesa não tem a menor possibilidade jurídica de prosperar, pois se a receita bruta de exportação corresponde ao produto da venda para o exterior de mercadorias nacionais, a receita proveniente da exportação de produtos adquiridos de terceiros e exportados sem sofrer processo de industrialização deve integrar tanto a receita operacional bruta, quanto a receita de exportação para o fim de apuração do coeficiente de exportação, tal como restou decidido no acórdão recorrido. Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator para negar provimento ao recurso especial do contribuinte nesta parte, acompanhandoo quanto ao direito de crédito sobre aquisições de pessoas físicas e cooperativas. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 923DF CARF MF Impresso em 15/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assina do digitalmente em 08/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 18471.002204/2005-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto.
Numero da decisão: 9202-004.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, por falta de similitude fática entre os julgados em confronto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Gerson Macedo Guerra (relator), que conheceram. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 22 04 /2 00 5- 17 Fl. 537DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Auto de Infração objetivando a cobrança de IRPF, multa de ofício agravada e juros moratórios, contra o contribuinte em epígrafe, tendo em vista a constatação de omissão de rendimentos do caracterizada por depósitos bancários efetuados em contas de titularidade do contribuinte em relação aos quais, regularmente intimado, não logrou esclarecer e comprovar a origem dos recursos. A Impugnação apresentada regularmente foi julgada improcedente. Nesse contexto, tempestivamente, foi apresentado Recurso Voluntário pelo Contribuinte. No julgamento do Recurso a 1ª Turma Especial, da 2ª Seção de Julgamento foi NEGADO provimento ao Recurso Voluntário, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CPMF. RETROATIVIDADE. SÚMULA CARF Nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DE RECURSOS. LUCROS DISTRIBUÍDOS. Os lucros distribuídos aptos a justificarem a origem de depósitos bancários são apenas aqueles corroborados por documentos hábeis e idôneos, oportunamente apresentados à autoridade fiscalizadora. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. O não atendimento do contribuinte, no prazo marcado, às intimações para prestar esclarecimentos, dá ensejo ao agravamento da multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencida a Conselheira Tânia Mara Paschoalin que desagravava a multa de ofício. Regularmente intimado da decisão o contribuinte, tempestiva e regularmente apresentou Recurso Especial de divergência, visando rediscutir a multa agravada, indicando os acórdãos paradigmas nº 10617.240 e 340200.050, que desagravaram a multa de ofício na hipótese da fiscalização já possuir os elementos necessários à constituição do crédito, e quando Fl. 538DF CARF MF Processo nº 18471.002204/200517 Acórdão n.º 9202004.526 CSRFT2 Fl. 327 3 as informações que deixaram de ser apresentadas apenas viabilizariam uma possível redução do quantum tributável. Na análise de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo entendimento de que restou cristalino o dissídio jurisprudencial invocado pelo contribuinte. De fato, os acórdãos paradigmas acostados aos autos contém com exatidão, em suas razões de decidir, a mesma controvérsia do acórdão recorrido, mas foi decidido de maneira diversa deste, no que tange ao agravamento da multa de ofício. Regularmente intimada a União apresentou contrarrazões, argumentando, em síntese: 1. Que o agravamento da multa prevista na Lei nº 9.430/96 não é ato discricionário do agente administrativo, pelo contrário, é imperativo. No momento em que o sujeito passivo pratica alguma das condutas previstas, cabe o agravamento da penalidade, não competindo ao agente administrativo fazer juízo de legalidade ou proporcionalidade; 2. Desconsiderar o agravamento da multa, no presente caso, importa em violação ao art. 136 do CTN, segundo o qual a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Sobre a admissibilidade do Recurso Especial, importante transcrever os seguintes trechos do referido despacho de admissibilidade: Cientificado do acórdão em 06/08/2013 (efl. 478), o contribuinte tempestivamente apresentou recurso especial em 21/08/2013 (efls. 481/490), no qual alega dissídio jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado na decisão recorrida a respeito da manutenção da multa de ofício agravada, posto que foi o único prejudicado pela conduta de não prestar os esclarecimento requisitados pela fiscalização, tendo contra si caracterizada a infração de omissão de rendimentos pela existência de depósitos bancários de origem não comprovada. Indica os acórdãos paradigmas nºs 10617.240 e 340200.050, que desagravaram a multa de ofício na hipótese da fiscalização já possuir os elementos necessários à constituição do crédito, e quando as informações que deixaram de ser apresentadas apenas viabilizariam uma possível redução do quantum tributável. Transcrevo a seguir as ementas dos acórdãos paradigmas que tratam da matéria em litígio: (...) Fl. 539DF CARF MF 4 Neste passo, resta cristalino o dissídio jurisprudencial invocado pelo contribuinte. De fato, os acórdãos paradigmas acostados aos autos contém com exatidão, em suas razões de decidir, a mesma controvérsia do acórdão recorrido, mas foi decidido de maneira diversa deste, no que tange ao agravamento da multa de ofício. Confirase: Acórdão nº 10617.240 É de se reconhecer que as condutas do fiscalizado não prejudicaram a confecção do lançamento aqui em debate. A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes tem afastado o agravamento da multa de ofício, quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento. Como exemplo, vejase o Acórdão n° 10248.679, sessão de 06/07/2007, relator o conselheiro Antônio José Praga de Souza, que restou assim ementado: (...) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E AGRAVADA RENDIMENTOS APURADOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁMOS, OMITIDOS NA DECLARAÇÃO DE IRPF EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE O fato de a fiscalização apurar omissão de rendimentos em face de depósitos bancários sem origem, não configura, por si só, a prática de dolo, fraude ou simulação, nos termos dos art. 71 a 73 da Lei 4.502 de 1964. Por sua vez descabe o agravamento da multa, falta de atendimento a intimação; quando a fiscalização já dispõe de todos os elementos necessários à lavratura do auto de infração, aplicando a presunção legal do art. 42 da Lei9.430 de 1996. (grifos do original) A situação acima tem similaridade com a presente autuação. Ora, a ausência de esclarecimentos no tocante às despesas do livro caixa levou a glosa integral de tais despesas. Devese reconhecer que a conduta do fiscalizado não prejudicou o trabalho fiscal, porém, ao revés, agravou a situação do próprio recorrente. Assim quer parecer que o agravamento foi manejado apenas como um meio de apenar adicionalmente o contribuinte por uma conduta que, acaso evitada, poderia até afastar a infração da glosa do livro caixa, ou seja, o único prejudicado pela conduta de não prestar os esclarecimentos requisitados pela fiscalização foi o próprio contribuinte. Acórdão nº 340200.050 No caso concreto, em primeiro lugar, constatase que foram várias as intimações havidas ao longo da fiscalização, inclusive para terceiros, clientes do contribuinte, a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte. Depois, verificase que a omissão do contribuinte referiuse ao atendimento de duas intimações, sendo que tal omissão em nada dificultou ou impediu o lançamento, mormente frente aos extratos bancários já em poder da fiscalização e das respostas aos termos de intimação apresentadas pelos clientes do Recorrente. E, por fim, de se levar em conta, também, que os elementos necessários à Fl. 540DF CARF MF Processo nº 18471.002204/200517 Acórdão n.º 9202004.526 CSRFT2 Fl. 328 5 autuação extratos bancários foram obtidos diretamente pela fiscalização junto às instituições bancárias. Não vislumbro, portanto, nenhum prejuízo ou embaraço à fiscalização nas omissões do contribuinte, suficientes a justificar a imposição da multa agravada. (grifos acrescidos) Em face ao exposto, proponho seja dado seguimento ao recurso Em meu entendimento não há reparos a serem feitos na análise de admissibilidade realizada, donde restou claro o dissídio jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado na decisão recorrida a respeito da manutenção da multa de ofício agravada, e o entendimento exposto nos acórdãos paradigmas que desagravaram a multa de ofício na hipótese da fiscalização já possuir os elementos necessários à constituição do crédito, e quando as informações que deixaram de ser apresentadas apenas viabilizariam uma possível redução do quantum tributável. Assim, voto por conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, Redatora Designada Discordo do voto do Ilustre Conselheiro Relator, no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Tratase de Recurso Especial de Divergência e esta somente se caracteriza quando, analisandose situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço normativo. No caso do acórdão recorrido, tratase de autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem e o agravamento da multa de ofício foi mantido, tendo em vista que os esclarecimentos solicitados pelo Fisco e não prestados pelo Contribuinte não diziam respeito apenas à origem dos depósitos bancários, mas também a dados da Declaração de Ajuste Anual, inclusive sobre aquisição de bens e direitos, o que poderia inclusive ter ensejado a aplicação de outra espécie de infração. Registrese que, no presente caso, o Contribuinte não atendeu a nenhuma das intimações que lhe foram enviadas. Confirase o respectivo trecho do acórdão recorrido: "Quanto aos esclarecimentos não prestados, diferentementemente do alegado, não se referiam apenas à origem dos recursos utilizados nos depósitos bancários, mas também à comprovação dos dados prestados na declaração de ajuste anual apresentada, inclusive no tocante à aquisição de bens e direitos (vide Termo de Intimação Fiscal de fls. 10 a 12, com AR às fls. 13). Ocorre que o interessado, embora intimado e reintimado a apresentar esclarecimentos e informações à autoridade Fl. 541DF CARF MF 6 fiscalizadora não se manifestou em nenhum momento, como bem exposto no acórdão recorrido." (grifei) Assim, a divergência interpretativa somente restaria demonstrada com a indicação de paradigma em que os esclarecimentos solicitados pelo Fisco também não dissessem respeito à infração apurada, mas sim a dados constantes da Declaração de Ajuste Anual, inclusive sobre aquisição de bens e direitos, e mesmo assim o agravamento da multa fosse afastado, malgrado o não atendimento a nenhuma das diversas intimações enviadas ao Contribuinte. Entretanto, quanto ao primeiro paradigma indicado Acórdão nº 10617.240 este trata de glosas de despesas de livrocaixa, das quais o Fisco já tinha conhecimento, parte delas inclusive que o próprio Contribuinte esclareceu ter sido a respectiva documentação objeto de furto. Nesse contexto, o Relator concluiu que o Fisco, como já dispunha de todas as despesas, não teria sido prejudicado, uma vez que o atendimento às intimações específicas para esclarecer sobre as despesas de livrocaixa só beneficiaria o Contribuinte. Frisese que não se tratou de silêncio absoluto por parte do Contribuinte, como no caso do recorrido. Confirase o paradigma: Ementa "MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização já detinha informações suficientes para concretizar a autuação. Assim, o não atendimento às intimações da fiscalização não obstou a lavratura do auto de infração." (grifei) Relatório Ao contribuinte foram imputadas duas infrações, a saber: (...) 2) dedução indevida de despesas de livro caixa, nos anos calendário 2002 e 2003, condutas essas apenadas com multas de oficio de 75% e 112,50%, nos anoscalendário 2002 e 2003, respectivamente. (...) No tocante à infração de n° 2, acima, o contribuinte apresentou dedução de livro caixa em suas declarações dos anoscalendário 2002 e 2003. Intimado a apresentar a documentação das despesas contabilizadas no livro caixa, o contribuinte informou que o livro caixa de 2002 e 2003 e a documentação pertinente foram furtados, conforme boletim ocorrência policial acostados aos autos, com evento criminoso ocorrido em 12/05/2003 (fls. 94 e 95)." (grifei) Voto "No tocante à glosa do livro caixa, nos anoscalendário 2002 e 2003, o contribuinte trouxe um boletim de ocorrência policial, dando conta de um furto de várias notas fiscais e de um livro caixa, dos anoscalendário 2001 a 2003, datado, o boletim, de 12/05/2003 Fl. 542DF CARF MF Processo nº 18471.002204/200517 Acórdão n.º 9202004.526 CSRFT2 Fl. 329 7 (fls. 94). (...) É de se reconhecer que as condutas do fiscalizado não prejudicaram a confecção do lançamento aqui em debate. A jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes tem afastado o agravamento da multa de ofício, quando a conduta do contribuinte não causa embaraço ou dificuldade ao trabalho da autoridade autuante, consubstanciado na posse pela autoridade de todos os elementos para concretizar o lançamento." Com efeito, não é essa a situação do acórdão recorrido, em que o Fisco visava obter informações das quais não dispunha, inclusive sobre aquisição de bens e direitos, portanto o atendimento à intimação poderia não favorecer ao sujeito passivo e sim motivar a aplicação de uma outra infração, além daquela motivada por depósitos bancários sem identificação de origem. Destarte, ausente a similitude fática, não há que se falar em dissídio interpretativo. No que tange ao segundo paradigma Acórdão nº 340200.050 este trata de autuação com base em depósitos bancários sem identificação de origem e, ao contrário do que ocorreu no recorrido, a intimação visava obter exatamente a comprovação da origem dos depósitos. No caso, a Fiscalização já dispunha dos extratos bancários e de dados obtidos de terceiros, graças a informações prestadas pelo próprio Contribuinte. Confirase os trechos do paradigma: Ementa "MULTA AGRAVADA NÃO ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE AUSÊNCIA DE PREJUÍZO PARA O LANÇAMENTO DESCABIMENTO Devese desagravar a multa de oficio, pois a fiscalização tinha elementos suficientes para concretizar a autuação, inclusive com informações prestadas por terceiros. Assim, o não atendimento de duas intimações da fiscalização, pelo contribuinte, não obstou a lavratura do auto de infração, não criando qualquer prejuízo para o procedimento fiscal". (grifei) Voto "No caso concreto, em primeiro lugar, constatase que foram várias as intimações havidas ao longo da fiscalização, inclusive para terceiros, clientes do contribuinte, a partir de informações prestadas pelo próprio contribuinte. Depois, verificase que a omissão do contribuinte referiuse ao atendimento de duas intimações, sendo que tal omissão em nada dificultou ou impediu o lançamento, mormente frente aos extratos bancários já em poder da fiscalização e das respostas aos termos de intimação apresentadas pelos clientes do Recorrente. E, por fim, de se levar em conta, também, que os elementos necessários à autuação — extratos bancários — foram obtidos diretamente pela fiscalização junto às instituições bancárias. Fl. 543DF CARF MF 8 Não vislumbro, portanto, nenhum prejuízo ou embaraço à fiscalização nas omissões do contribuinte, suficientes a justificar a imposição da multa agravada." De plano, constatase que nesse paradigma também não se verificou o silêncio absoluto por parte do Contribuinte, como ocorreu no caso do recorrido. Ademais, longe de demonstrar a alegada divergência jurisprudencial, o acórdão recorrido e esse segundo paradigma encontramse em sintonia, já que a razão para a manutenção do agravamento, no recorrido, foi exatamente o fato de os esclarecimentos não dizerem respeito à origem dos depósitos bancários, de cujos dados a Fiscalização já dispunha, mas sim visarem a obtenção de informações diversas, constantes da Declaração de Ajuste Anual, inclusive acerca de aquisição de bens e direitos. E utilizando a mesma lógica, no paradigma desagravouse a multa exatamente porque a intimação mirava os depósitos bancários, cujos extratos já se encontravam em poder da Fiscalização, assim como informações acerca de clientes, prestadas pelo próprio Contribuinte. Destarte, as soluções diversas não resultam de divergência jurisprudencial e sim das diferentes situações fáticas observadas nos acórdãos recorrido e paradigma. Diante do exposto, não restou demonstrada a alegada divergência jurisprudencial, razão pela qual não conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 544DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720037/2011-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
LUCROS DO EXTERIOR. AUFERIDOS DIRETAMENTE
Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil.
RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA.
A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária.
TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO
A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado, não impede a exigência, na empresa situada no Brasil, de impostos sobre de lucro recebidos do exterior, provenientes daquele Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora no Brasil tem direito antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetua-se a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora, e dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduz-se o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do total de IRPJ mais CSLL devido no Brasil.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal.
Numero da decisão: 1201-001.465
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício.
(documento assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EVA MARIA LOS - Relator.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Ester Marques Lins de Souza, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 LUCROS DO EXTERIOR. AUFERIDOS DIRETAMENTE Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado, não impede a exigência, na empresa situada no Brasil, de impostos sobre de lucro recebidos do exterior, provenientes daquele Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora no Brasil tem direito antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetua-se a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora, e dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduz-se o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do total de IRPJ mais CSLL devido no Brasil. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decido no principal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS - Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Ester Marques Lins de Souza, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-09-22T13:05:41Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-09-22T13:05:41Z; Last-Modified: 2016-09-22T13:05:41Z; dcterms:modified: 2016-09-22T13:05:41Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:a0cf403a-5ad7-4ad3-a4c9-f7a6e1dfaa25; Last-Save-Date: 2016-09-22T13:05:41Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-09-22T13:05:41Z; meta:save-date: 2016-09-22T13:05:41Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-09-22T13:05:41Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-09-22T13:05:41Z; created: 2016-09-22T13:05:41Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2016-09-22T13:05:41Z; pdf:charsPerPage: 2453; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-09-22T13:05:41Z | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720037/201193 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1201001.465 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2016 Matéria Lucros Auferidos no Exterior Recorrente WEG EQUIPAMENTOS ELETRICOS S/A, CNPJ 07.175.725/000160 Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCROS DO EXTERIOR. AUFERIDOS DIRETAMENTE Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas e da contribuição social sobre o lucro líquido, são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. RESULTADOS. CONTROLADAS INDIRETAS NO EXTERIOR. CONSOLIDAÇÃO NA CONTROLADA DIRETA. A controlada no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR BITRIBUTAÇÃO A existência de Tratado para Evitar Bitributação, entre o Brasil e outro Estado, não impede a exigência, na empresa situada no Brasil, de impostos sobre de lucro recebidos do exterior, provenientes daquele Estado, pois a partir da fração dos lucros da controlada no exterior a que a controladora no Brasil tem direito antes de descontado o imposto pago naquele Estado, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela controladora, e dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pela controlada no exterior; dessa forma, a controlada é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago no exterior até o limite do total de IRPJ mais CSLL devido no Brasil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 37 /2 01 1- 93 Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 3 2 Aplicase ao lançamento decorrente, o decido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso de Ofício. (documento assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (documento assinado digitalmente) EVA MARIA LOS Relator. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Ester Marques Lins de Souza, José Carlos de Assis Guimarães, José Roberto Adelino da Silva, Luis Fabiano Alves Penteado e Ronaldo Apelbaum. Relatório Trata o processo de autos de infração que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$14.816.826,98, base legal nos arts. 249, 250, 926 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$5.334.057,71, base legal nos nos arts. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88; art. 1º da Lei n° 9.316/96 e art. 28 da Lei n° 9.430/96; art. 37 da Lei n° 10.637/02, págs. 515/524, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, e relativos ao anocalendário 2006; a infração autuada foi: 0001 Resultados operacionais não declarados, relativos a lucro operacional escriturado, mas não declarado; às págs. 527/528, Demonstrativos da Compensação de Prejuízos Fiscais e das Bases de Cálculo Negativas da CSLL; os motivos da autuação e descrição dos procedimentos de fiscalização constam do Termo de Verificação Fiscal de págs. 491/513. 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva, que foi julgada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis, Acórdão nº 0737.243 da 3ª Turma da DRJ/FNS, em 15 de maio de 2015, que considerou a impugnação procedente, por maioria de votos, e exonerou o crédito tributário in totum; as ementas esclarecem a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR POR MEIO DE CONTROLADAS INDIRETAS. Serão considerados de forma individualizada os lucros auferidos no exterior por filiais, sucursais, controladas e coligadas. É indiferente, para efeito de aplicação da legislação tributária e societária, que seja direto ou indireto o controle por parte da pessoa jurídica tributada no Brasil.Considerase ocorrido o fato gerador do tributo Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 4 3 devido no Brasil na data do balanço em que tiverem sido apurados os lucros auferidos no exterior por controladas indiretas, independentemente de ter havido sua efetiva disponibilização ou distribuição. TRIBUTAÇÃO EM BASES MUNDIAIS. CONSOLIDAÇÃO VERTICAL DE RESULTADOS.POSSIBILIDADE. Os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, poderão ser consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. CONTROLADAS INDIRETAS SITUADAS EM PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DE TRATADO INTERNACIONAL PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. A possibilidade de compensação, nos limites previstos em lei, do tributo pago no exterior com aqueles apurados pela controladora situada no Brasil é prerrogativa do contribuinte que decorre da legislação interna e independe da existência de tratados internacional para evitar a dupla tributação. PREJUÍZOS CONTÁBEIS. DEDUÇÃO DOS LUCROS NO EXTERIOR. Para fins de apuração do imposto de renda e da contribuição social devida no Brasil, é facultada às controladas/coligadas no exterior proceder à compensação de seus resultado positivos no exercício com resultados negativos acumulados em exercícios anteriores. Nessa compensação, não se aplica a regra que limita a restrição de que trata o art. 15 da Lei n º 9.065, de 1995 (redução limitada a 30% do resultado auferido). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE CSLL. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. 3. O contribuinte foi cientificado em 22/05/2015, págs. 918/919. 4. À decisão da DRJ/FNS, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, págs. 925/944, apresentou Contrarrazões ao Recurso de Ofício, resumido a seguir. 5. A empresa WEG Exportadora (incorporada pela WEG Equipamentos Elétricos S/A, em 2009 pela ora Autuada) detinha em 2006 diversas participações em empresas no exterior, dentre as quais a controlada direta WEG Ibéria S/A, na Espanha; esta, por sua vez, controlava diretamente as empresas Weg Germany Gmbh, na Alemanha; Weg Indústrias Venezuela C. A., na Venezuela; Weg Austrália Pty Ltd, na Austrália; Weg Colômbia Ltda, na Colômbia; Weg Eletric Motors Corp., nos Estados Unidos; Weg Eletric Motors (UK)Ltd, na Inglaterra; portanto, estas últimas eram controladas indiretas da autuada que, segundo o autuante, deixou de adicionar ao lucro líquido, para fins de apuração do lucro real e base de cálculo da CSLL, os Fl. 1024DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 5 4 lucros das controladas indiretas (segundo o art. 74 da Medida Provisória nº 2.15853, de 2001); o autuante asseverou não haver tratados para evitar bitributação entre o Brasil e estes países. 6. A autuada argumentou a improcedência da tributação de controladas indiretas, à vista da existência de tratado e o art. 1º, § 6º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, segundo o qual os lucros das controladas indiretas haveriam de ser consolidados na direta; que não foram compensados os impostos pagos nos demais países, nem considerados os prejuízos acumulados. Após diligência, a DRJ considerou tais valores, excluindoos da autuação; porém restaram dois pontos controvertidos: i) a possibilidade de consolidação de resultados das empresas controladas no exterior, prevalecendo o entendimento de que seria devida a consolidação dos resultados de todas as controladas indiretas na controlada direta, conforme defendeu a autuada e transcreveu conclusão do relator à pág. 928 (íi) a regra de compensação do resultado das controladas com prejuízos próprios acumulados de exercícios anteriores, prevalecendo que a compensação é intransferível, podendo se operar somente em relação ao resultado da própria empresa. 7. E transcreve o Voto Divergente às págs. 928/928. 8. Sobre a Interpretação e da Qualificação de Lucros Auferidos no Exterior por Intermédio de Controladas ou Coligadas, examina as normas do Tratado para evitar a dupla tributação da renda, firmado entre BrasilEspanha; o art. 7º, que transcreve, pág. 930, limitase a definir que os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis neste Estado e passa a analisar o que pode ser considerado lucro das empresas residentes em cada pais e ressalta que nenhum artigo do Tratado define o que seria lucro para fins de incidência do imposto sobre a renda; mas o § 2º do art. 3º prevê uma regra residual, qual seja: deve ser observada a legislação interna do Estado contratante quando não estiverem presentes, no texto do Tratado, a definição de algum termo ou expressão. Portanto, a definição dos "lucros de uma empresa de um Estado Contratante" (no caso, o Brasil) deve ser buscada o ordenamento jurídico brasileiro, no art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001 e art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995. 9. Essas normas consagram o princípio da universalidade ou tributação em bases universais, do art. 153, I, § 2º da Constituição Federal de 1988 CF de 1988 e determinam que os lucros auferidos no exterior integram o lucro real da controladora residente no Brasil; tais lucro no exterior auferidos por meio de controladas ou coligadas serão considerados pelo regime de competência, ou seja, na data do balanço que os apurou (autorizados pelo art. 43 § 2º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº ....de 1966); cita o decido pelo Supremo Tribunal federal STF no RE 541090/SC. Primeiramente, conforme demonstrado acima, o objeto da Lei n° 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não é o lucro de empresa estrangeira, mas os lucros da sociedade controladora sediada no Brasil. Significa dizer que o enfoque da legislação nacional foi delimitar o conceito de lucro real, incluindo na base de cálculo do IRPJ e da CSLL os lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas. Implica dizer que os valores apurados pelas controladas estrangeiras caracterizam lucros da controladora residente no Brasil nos termos do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Fl. 1025DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 6 5 Novamente, fazse pertinente registrar que tais conclusões estào plenamente consoantes com aquilo que foi decidido pelo STF no RE 541090/SC, como ficou reluzente no voto condutor do Ministro Teori Zavascki. O entendimento de que o art. 74 afrontaria o artigo 7o das Convenções decorre do errôneo entendimento, expressamente rechaçado pelo STF, de que a tributação incidiria sobre lucros da controlada estrangeira, o que é uma falácia. Conforme chancelou o Pretório Excelso, a apuração de lucros pela controlada traduz se em disponibilidade econômica de renda, estando no âmbito de incidência do imposto de renda da pessoa jurídica brasileira segundo um regime de competência. 10. Relata o voto do ministro Teori Zavascki que historia que várias medidas foram editadas, todavia, ainda permitiam movimentos de elisão fiscal, especialmente em relação a empresas coligadas ou controladas, conforme demonstrou, voto do Ministro Nelson Jobim, na ADI 2.588/DF. Assim, visando a combater esse problema e dar tratamento sistemático semelhante entre filiais e sucursais e controladas e coligadas, outras normas foram editadas: a MP 1.924/1999 e, finalmente, a MP 2.15834, de 27.07.2001, cujo art. 74 (reproduzido na MP 2.15835/2001, ainda em vigor por força da EC 32/2001) e conclui que: Diante disto, o entendimento de que a tributação pelo artigo 74 seria de alguma forma obstada pelo art. 7o dos Tratados que seguem o modelo da OCDE parte da premissa equivocada de que se trata de tributação sobre o lucro da controlada, contrariando o quanto decidido pelo STF. 11. E destaca outro ponto que precisa ser esclarecido sobre o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, cujo propósito como norma CFC não é desconsiderar a personalidade jurídica da controlada ou coligada situada no exterior, mas apenas incluir na apuração do tributo devido pela empresa residente no Brasil os resultados obtidos por intermédio da subsidiária estrangeira. Tanto é assim que, como registrado na decisão do STF no RE 541090, o art. 74 somente alterou o tratamento do reconhecimento dos resultados de controladas e coligadas, passando do regime de caixa (previsto na Lei 9.532/97) para um regime de competência, semelhante ao já existente para filiais e sucursais e que no mesmo sentido, a própria OCDE já manifestou entendimento de que as normas CFC (como é o art. 74) não são incompatíveis com as disposições da convençãomodelo atinentes aos lucros das empresas. 12. Acerca da Aplicabilidade do art. 74 aos Lucros Advindos dos Resultados de Controladas Indiretas, destaca que não limitou o conceito de pessoa jurídica controlada; a legislação tributária tampouco conceituou entidades controladas e coligadas; é no direito societário, art. 243, § 2º da Lei bº 6.404, de 1976, Lei das SAs, que a expressão Controlada, "abrange tanto a noção de domínio direto quanto indireto"; também o art. 1.098 do Código Civil de 2002, apresenta em caráter amplo, sem distinção entre a modalidade de controle direto ou indireto e obviamente, o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, não cumpriria seu objetivo , se não alcançasse também as controladas indiretas, pois bastaria aos contribuintes por ela visados estender a cadeia de participações societárias. Assim sendo, e evidente que, uma vez que os resultados das controladas indiretas resultam em disponibilidade de renda para a controladora brasileira da mesma forma que os resultados das Fl. 1026DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 7 6 controladas diretas, o mesmo tratamento lhes deve ser dado diante do art. 74. Nisso, as duas correntes que se formaram na DRJ concordaram. A discórdia exsurge, no entanto, no que toca ao reconhecimento e à consolidação dos resultados das controladas indiretas na controlada direta, determinada pelo art.1Io §6° da IN 213/2002. 13. Sobre a Consolidação dos Resultados das Controladas, Indiretas – Art. 1º §6º da IN nº 213, de 2002, relata que a DRJ decidiu que os lucros das controladas indiretas deviam ser consolidados verticalmente na controlada direta, para serem tributados e que a autuação violou o art. 1º, § 6º da IN SRF nº 213, de 2002 e que este somente rege os resultados das controladas diretas; já o relator vencido, advogou que tal entendimento da DRJ conflita com o art. 16, I da Lei nº 9.430, de 1996 que determina que os lucros das filiais, controladas e coligadas sejam considerados de forma individualizada. 14. A PFN discorda do entendimento da DRJ, esclarecendo que o autuante corretamente computou no lançamento os resultados de cada controlada indireta da autuada (em vez de abraçar a suposição de que estariam consolidadas nos resultados da controlada direta WEG Ibéria e refletidos nos resultados desta), dado que a Espanha e a WEG Ibéria (o que está confirmado no relatório anual da controlada, págs. 133 e seguintes) avalia as participações em empresas do grupo econômico pelo Método do Custo de Aquisição e não pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), adotado no Brasil. 15. Destaca que a legislação tributária brasileira determina expressamente que os resultados das filiais, sucursais, controladas e coligadas situadas no exterior sejam considerados de forma individualizada. Isso é o que preceitua o inciso I do art. 16 da Lei n° 9.430, de 1996, c/c os incisos I e II do § 2o do art. 25 da Lei n° 9.249, de 1995 e aduz: Entender de outra maneira seria fruto de uma interpretação isolada da expressão "consolidados no balanço da filial, sucursal, controlada ou coligada", empregada no § 6o do artigo 1o da IN SRF 213/2002, conferindolhe extensão de significado indevida. Se a consolidação a que se refere esse § 6o tivesse o significado que lhe pretende atribuir a recorrente, a Instrução Normativa SRF n° 213, de 2002, entraria em conflito com a Lei n° 9.430, de 1996, visto que o inciso I do seu artigo 16 taxativamente determina que os lucros de filiais, sucursais, controladas e coligadas sejam considerados de forma individualizada. Além disso, haveria ainda contradição com o parágrafo imediatamente anterior do mesmo artigo Io da mesma Instrução Normativa. Esse § 5o determina, de conformidade com o disposto na Lei n° 9.430/96, que, para efeito de tributação no Brasil, os lucros serão computados na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de forma individualizada, por filial, sucursal, controlada ou coligada, vedada a consolidação dos valores, sendo admitida apenas a compensação de lucros e prejuízos conforme disposto no § 5o do art. 4o desta Instrução Normativa. Vejase que apenas em se tratando de filiais e sucursais localizadas dentro dum mesmo país, é que se permite que os resultados sejam apurados de forma unificada, Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 8 7 compensandose entre si lucros e prejuízos, desde que a matriz no Brasil indique uma das filiais ou sucursais como estabelecimento líder. (...) Nesse sentido, o termo "consolidação" presente no § 6o significa demonstrar no balanço os resultados auferidos por outras sociedades ou entidades de que participa a pessoa jurídica controlada, ainda que essa participação seja indireta. A consolidação aí quer dizer "trazer à tona, dar a conhecer", mas não implica nenhuma regra a respeito do tratamento tributário que se deve dar a esses lucros, pois esse aspecto já se acha determinado no artigo 16 da Lei n° 9.430, de 1996, e no próprio § 5o do artigo 1º da Instrução Normativa n° 213, de 2002. 16. Destaca que concordar com a tese da autuada, abriria espaço para, sob tutela de Tratados para evitar dupla tributação, albergar lucros auferidos em terceiros países, com os quais o Brasil não mantém tratados. 17. Não é correto que o art. 16 da lei nº 9.430, de 1996, se limita às controladas diretas. 18. Recomenda dar integral provimento ao Recurso de Ofício e aduz que: Não obstante, ainda que se considere correta a tese vencedora na DRJ, entendendose que a autoridade fiscal deveria ter consolidado o resultado de todas as controladas indiretas da autuada sob a WEG Ibéria, tal decisão deveria acarretar o mero ajustamento na base de cálculo do lançamento, podendo a consolidação e a glosa do montante eventualmente lançado a maior em decorrência da nãoconsolidacão ser efetivada em sede de execução do acórdão. Não se trata, em absoluto, de hipótese que enseje o cancelamento da autuação. 19. Mas, se provido o recurso de ofício, destaca que a autoridade fiscal não compensou saldo de prejuízos acumulados nas controladas indiretas da recorrente porque não houve manifestação requerendo tal providência, até a apresentação da impugnação; e o § 2o do art. 4o da IN SRF 213/02 dispõe que "os prejuízos apurados por uma controlada ou coligada, no exterior, poderão ser compensados com lucros dessa mesma controlada". Portanto, a compensação, não é compulsória. Entende que a própria autuada é quem deveria têla feito no ato em que submetesse os lucros auferidos no exterior à tributação. 20. Conclui que, é de se restabelecer na integralidade o auto de infração. 21. As Contrarrazões da PFN foram encaminhadas ao CARF em 27/10/2015; o contribuinte apresentou contestação, em 27/11/2015, págs. 947/991, lembrando o direito ao contraditório e ampla defesa, art. 5º, LV da CF, de 1988, que a autorizam. 22. Esclarece dois pontos: 1) a discussão não se refere ao momento da tributação dos lucros auferidos por controladas no exterior, matéria esta adstrita ao art. 74, da MP n° 2158 35/01, cuja incidência e/ou constitucionalidade não foi discutida nos autos, mas, tãosomente sobre a tributação de IRPJ e de CSLL sobre os lucros auferidos por seis controladas indiretas da Recorrida; 2) não abrange a incidência de IRPJ e de CSLL sobre os lucros auferidos pelas Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 9 8 controladas diretas da Recorrida, já que, para este caso, o autuante reconheceu que, estando estas empresas sediadas em países com os quais o Brasil possui Acordo ou Tratado para Evitar a Dupla Tributação (Tratado), devese reconhecer a sua aplicabilidade para o presente caso. 23. Apresenta à pág. 951 o organograma demonstrando a WEG Ibéria, sua controlada direta na Espanha, a qual, por sua vez controla as demais, sendo estas, portanto, controladas indiretas da autuada. 24. Que não se discute nos autos a prevalência de Tratados, o que foi respeitado pelo autuante. 25. Porém o Fisco autuou os lucros oriundos de empresas de países com os quais o Brasil não possui tais Tratados, entendendo que a autuada deveria ter oferecido à tributação os lucros auferidos no exterior pelas controladas, seja diretas seja indiretas, com o que não concorda com base no art. 1º, § 6º da IN SRF nº 213, de 2002, que visa evitar a tripla tributação: na controlada indireta, na controlada direta e na controladora brasileira; como os lucros da indiretas foram consolidados na controlada direta WEG Iberia, sediada na Espanha, signatária de Tratado com o Brasil, aplicandose o citado dispositivo informa que a DRJ acolheu a sua tese. 26. Também reivindicou o reconhecimento: a) dos créditos relativos aos tributos pagos no exterior o que foi provido pela DRJ, após diligência e excluídos os valores; b) do prejuízo contábil apurado nas controladas indiretas, para a apuração do lucro tributável. 27. E a impossibilidade da exigência de juros sobre multa de ofício. 28. E expõe argumentos que impedem o provimento do Recurso de Ofício defendido pela PFN . A Breve Análise do Histórico da Legislação quanto à tributação dos lucros auferidos no exterior pelas controladas diretas 29. Os lucros, rendimentos ganhos de capital auferidos no exterior passaram a ser tributados, com a Lei nº 9.249, de 1995 (tributação em bases universais); a Lei nº 9.532, de 1997, estabeleceu o momento da tributação pelo IRPJ brasileiro, quando fossem disponibilizados: a) para filiais e sucursais na data do balanço de apuração; b) para controladas e coligadas, quando pago; a MP nº 2.15835, de 2001 determinou que os lucros de controlada ou coligada no exterior, deveriam ser considerados disponibilizados em 31 de dezembro; a RFB editou a IN SRF 213, de 2002, que regulamentou o art. 74 da citada MP, estabelecendo que tais lucros seriam considerados na apuração do IRPJ e CSLL na data do balanço de 31 de dezembro do anocalendário. B Da suposta interpretação e da qualificação de lucros auferidos no exterior por intermédio de controladas ou coligadas 30. Discorda da interpretação da PGFN de que o art. 7º do Tratado limitase a definir qual país poderá tributar os lucros, mas que não teria esgotado a disciplina da tributação dos lucros por dois ou mais Estados e que caberia a aplicação da legislação interna, por omissão do Tratado em definir o lucro; e que o art. 74 da MP nº 2.15835, de 2001, e art. 25 da Lei nº 9.249, de 1995, se aplicam. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 10 9 31. Afirma que a impossibilidade de tributação dos lucros das controladas internas já restou superada quando da lavratura dos Autos de Infração, quando definiu que a fiscalização versaria apenas sobre as empresas sediadas em países com os quais o Brasil não possui Tratado: 41. Isso porque, em que pese os esforços da PGFN em tentar afastar a aplicação do Tratado firmado entre BrasilEspanha (que impossibilitaria a tributação dos lucros das controladas indiretas), é fato incontroverso nos autos que tal discussão já restou superara por ocasião da lavratura dos AIs. 32. E o autuante baseouse na legislação interna, mas não observou a norma fiscal brasileira que determina a consolidação dos resultados das controladas indiretas na direta (consolidação vertical), mas que foi observada pela DRJ, no Acórdão recorrido. 33. Também destaca que o Fiscal não autuou qualquer valor advindo da controlada direta WEG Ibéria, em respeito ao Tratado. 34. Rebate a argumentação sobre inaplicabilidade do Tratado BrasilEspanha, a teor de decisão do STF, RE nº 541.090/SC, lembrando que o STF, nos autos da ADI nº 25881/DF, decidiu apenas sobre a aplicabilidade do art. 74 da MP 2.15835, no que se refere "às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (paraísos fiscais, assim definidos em lei)", determinando que, para tais empresas, aplicarseá o regime de competência. 35. O Recurso Extraordinário n° 541.090/SC, trata da mesma questão já decidida pelo Pretório Excelso na ADI n° 25881/DF; o julgamento nos autos do RE n° 541.090/SC não autorizou o descumprimento de Tratados Internacionais em que o Brasil é signatário para evitar a bitributação; cita trecho do voto do Ministro Dias Toffoli, proferido no citado RE, pág. 958 e resume que tratam somente do regime de tributação aplicável aos lucros auferidos no exterior de controladas ou coligadas. 36. Aduz que, no julgado RE n° 541.090/SC, como a matéria acerca da prevalência (ou não) dos Tratados Internacionais para evitar a bitributação não havia sido discutida no Tribunal de Origem, a Suprema Corte determinou o retorno do processo ao TRF da 4a Região, para que este se pronunciasse sobre o tema e este decidiu que prevalece a regra internacional frente à norma interna nos casos em que o Brasil possui acordo para evitar a dupla tributação. (...). A norma interna deixa de ser aplicada na hipótese específica regulada pelo tratado, mas continua válida e aplicável a todas as situações que não envolvem os sujeitos e os elementos de estraneidade definidos no tratado. Ocorre, dessa forma, a suspensão da eficácia da norma interna e não propriamente revogação ou modificação. 3. Entender que a superveniência de norma interna conflitante com o tratado internacional modificaria o regramento a ser aplicado implica denúncia implícita do acordo, sem a adoção dos procedimentos constitucionais e legais para tanto, desprezando, ademais, os princípios da boafé, da segurança e da cooperação que norteiam as relações internacionais. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 11 10 C Da suposta aplicação do art. 74 aos resultados das controladas indiretas 37. Discorda que o art. 243, § 2º da lei das SAs e o art. 1.098 do Código Civil de 2002, se referem a controladas direta e inclusive indiretas, o que justificaria a aplicação do art. 74 da MP nº 2.158, de 2001, o que explica na sequência. D A consolidação vertical de resultados prevista na IN n°. 213/02 e o Princípio da Legalidade Tributária 38. Explica que, como detinha (a) o controle direto na WEG Ibéria e, em decorrência, o (b) controle indireto das empresas, citadas no parágrafo 12, sendo estas diretamente controladas pela WIB, defendeu a necessidade da chamada "consolidação vertical de resultados", sistemática, prevista na legislação societária, em que os resultados das controladas indiretas vão sendo consolidados nas bases de cálculo de IRPJ e CSLL de suas respectivas; controladoras (controladas diretas) até que o resultado destas últimas seja também consolidado nas bases de cálculo de suas próprias controladoras (investidora nacional). 39. Dessa forma, o resultado da controladora no Brasil, inclui os resultados das controladas indiretas, de acordo com o art. 1º, § 6º da IN SRF nº 213, de 2002 ( a norma específica deve prevalecer). 40. Afirma, foi o que ocorreu, no presente caso e a DRJ decidiu corretamente: 41. Diz que o Acórdão da DRJ analisou com propriedade a tese defendida pela Recorrida e o voto vencedor, que a norma fiscal (IN n° 213/2002) faz clara distinção entre controle direto e indireto, e que há regras específicas para cada modalidade de controle: no direto, há vedação de consolidação dos resultados; no indireto, a norma determina seja feita a consolidação vertical dos resultados, impedindo, desse modo, que a Recorrida reconheça de forma individualizada os resultados das suas controladas indiretas e os argumentos na declaração de voto vencido, cuja tese também foi defendida pela PGFN, não guardam consonância com norma específica que trata da matéria (IN n° 213/2002). Transcreve Acórdão do CARF nesse sentido, págs. 969/973. 42. Também discorda do argumento da PFN que questionou a consolidação vertical das controladas indiretas na WEG Ibéria, ao argumento de que a Espanha não determina a avaliação de participações societárias pelo MEP, o que não a invalida. E A Convenção BrasilEspanha para Evitar a Dupla Tributação da Renda. A tributação dos lucros auferidos das controladas indiretas quando de sua consolidação na WEG Ibéria. 43. A autuação reconheceu que não eram tributáveis, em função do Tratado, os resultados da Controlada direta WEG Ibéria; mesmo assim a Litigante repete argumentos nesse sentido, constantes da impugnação. 44. Destaca que o art. 98, do CTN, estabelece a prevalência dos Tratados Internacionais sobre a legislação interna, o que foi demonstrado em julgado do Superior Tribunal de Justiça STJ, págs. 979/981 e referida conclusão afasta o entendimento da Solução de Consulta Interna Cosit nº 18 de 08 de agosto de 2013, pois revogou acórdão do Tribunal Regional federal da 2ª Região, utilizado para defender o teor da referida Solução de Consulta. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 12 11 45. Assim a WEB Ibéria, consolidou os resultados das respectivas controladas e o submeteu o fisco Espanhol. F Da Inconsistência dos Valores Apontados no Lançamento Fiscal apontaas, para a remota hipótese de reforma do Acórdão recorrido. F.1 Da necessidade de reconhecer o prejuízo contábil apurado pelas Controladas Indiretas para apuração do lucro tributável 46. Reclama que o Acórdão recorrido não admitiu a compensação dos prejuízos fiscais das controladas diretas, ao argumento de que os resultados positivos deveriam ter sido consolidados na WEG Ibéria; também discorda que tal compensação não seja compulsória; concorda apenas, que não poderiam ser utilizados pela Recorrida. 47. Demonstra às págs. 984/985, os prejuízos em 31/12/2005, das controladas indiretas WEG Electric Motors. Corp (EUA), no total de R$32.044.199,00, e da WEG Electric Motors (UK) Ltda (Reino Unido), no total de R$13.255.107,00, e que os documentos respectivos estão no doc. 8 (págs. 788/856) da impugnação; efetua cálculo de compensação à pág. 986. 48. Ressalta que os saldos de prejuízos da controladas indiretas devem ser considerados a teor do art. 4º, § 2º da IN SRF nº 213, de 2002. F.2) Da necessidade de retificar os Autos de Infração, também deduzindo o IR pago no exterior. 49. Apresenta demonstrativo à pág. 987, onde demonstra a compensação dos prejuízos das controladas indiretas e a compensação do IRPJ e CSLL apurados, deduzidos do IRPJ pago no exterior pela controladas indiretas. Nesse demonstrativo, o valor total de IRPJ somado à CSLL a pagar resulta em R$5.690.490,00 E (sic) A ilegalidade da futura aplicação de juros sobre a multa de ofício 50. Os créditos tributários de Auto de Infração são acrescidos de multa de ofício, e a partir da lavratura do ato de constituição de tais créditos, essas multas passam a ser mensalmente atualizadas com base na taxa de juros Selic, realizada com amparo não na lei, mas no Parecer MF n.° 28, de 02 de abril de 1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (Cosít). 51. Mas o art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, utilizado como base legal pela Cosit, trata tãosomente da incidência de juros sobre créditos tributários (débitos fiscais) decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício aplicadas pela Receita Federal do Brasil. Cita e transcreve Acórdãos do CARF nesse sentido, assim como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 52. Assevera que tal procedimento somente seria válido nos casos em que a multa aplicada pelas autoridades fiscais correspondesse ao valor principal do crédito tributário, como, por exemplo, na hipótese de autuação do contribuinte por descumprimento da legislação fiscal (obrigação acessória) e correlata aplicação da multa administrativa, conforme art. 43 da Lei nº 9.430, de 1996. 53. Pelo exposto, inaplicáveis juros de mora sobra a multa de ofício. Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 13 12 Voto Conselheiro Relator Eva Maria Los 1 A autuação. 54. A Autuada incorporou em 2009, a empresa WEG Exportadora CNPJ 04.719.045/000171; esta última era à época da autuação, no anocalendário 2006, controladora da empresa (controlada direta) WEG Ibéria S/A, na Espanha; esta, por sua vez, controlava diretamente as empresas Weg Germany Gmbh, na Alemanha; Weg Indústrias Venezuela C. A., na Venezuela; Weg Austrália Pty Ltd, na Austrália; Weg Colômbia Ltda, na Colômbia; Weg Eletric Motors Corp., nos Estados Unidos; Weg Eletric Motors (UK)Ltd, na Inglaterra, estas últimas, portanto, controladas indiretas da WEG Exportadora. 55. A autuação foi efetuada contra a Autuada WEG Equipamentos Eletricos S/A, CNPJ 07.175.725/000160, como sucessora, por incorporação, da WEG Exportadora. 56. O fiscal autuante, partiu da premissa de que não cabia tributar resultados auferidos pela empresa controladora no Brasil, recebidos da controlada direta situada na Espanha WEG Ibéria, devido a Acordo ou Tratado para Evitar a Dupla Tributação (Tratado), entre este pais e o Brasil. 57. E autuou os resultados das controladas indiretas (por sua vez controladas pela controlada direta sita na Espanha, WEG Ibéria), na controladora no Brasil (que, por sucessão, é a Autuada), justificando o feito pelo fato de que o Brasil não mantém Tratados com os países onde aquelas controladas indiretas estão sediadas. 58. Resumindo, formalizou a exigência de ofício diretamente na Autuada, relativamente os resultados das controladas diretas da WEG Ibéria, e que se caracterizam como controladas indiretas da empresa incorporada pela Autuada e portanto, desta. 59. Daqui para a frente, aos referir a Autuada, tratase da sucessora por incorporação da WEG Exportadora. 60. A Autuada alega que a WEG Ibéria, sua controlada na Espanha e controladora daquelas empresas, teria consolidado os resultados das respectivas controladas, em obediência ao que determina o art. 14, § 6º da Instrução Normativa SRF nº 213, de 2002. 61. Contudo, no Termo de Verificação Fiscal, o fiscal autuante informa, pág. 496, que na Linha 05 das Fichas 09A e 17A do anocalendário 2006, a Autuada não adicionou qualquer valor a título de "lucros disponibilizados no exterior", para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. 62. Portanto, a Autuada (que responde pela empresa incorporada) não declarou os resultados que teriam sido consolidados pela sua controlada direta WEG Ibéria. 63. Em outras palavras, se a controlada WEG Ibéria consolidou os resultados das controladas indiretas, o resultado refletido na WEG Ibéria não foi oferecido à tributação pela Autuada. Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 14 13 2 Legislação 64. IN SRF nº 213, de 07 de outubro de 2002, tendo em vista o disposto no Código Tributário Nacional CTN e as leis referentes à tributação de lucros oriundos do exterior, determinou: Art. 1º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, estão sujeitos à incidência do imposto de renda das pessoas jurídicas (IRPJ) e da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL), na forma da legislação específica, observadas as disposições desta Instrução Normativa. § 1º Os lucros referidos neste artigo são os apurados por filiais e sucursais da pessoa jurídica domiciliada no Brasil e os decorrentes de participações societárias, inclusive em controladas e coligadas. § 2º Os rendimentos e ganhos de capital a que se refere este artigo são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. (...) Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (,,,) § 4º A compensação do imposto será efetuada, de forma individualizada, por controlada, coligada, filial ou sucursal, vedada a consolidação dos valores de impostos correspondentes a diversas controladas, coligadas, filiais ou sucursais. (...) § 6º A filial, sucursal, controlada ou coligada, no exterior, deverá consolidar os tributos pagos correspondentes a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos por meio de outras pessoas jurídicas nas quais tenha participação societária. § 7º Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. (...) § 9º O valor do tributo pago no exterior, a ser compensado, não poderá exceder o montante do imposto de renda e adicional, devidos no Brasil, sobre o valor dos lucros, rendimentos e ganhos de capital incluídos na apuração do lucro real. (...) Art. 15. O saldo do tributo pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda e adicional devidos no Brasil, poderá ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros, rendimentos e ganhos de capital oriundos do exterior, até o valor devido em decorrência dessa adição. 65. O § 6º do art. 14 supra determina claramente que os lucros das controladas indiretas deveriam ter sido consolidados na controlada direta WEG Ibéria, na Espanha. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 15 14 66. Também é claro § 2º do art. 1º, que os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, por pessoa jurídica domiciliada no Brasil, sujeitos à incidência do IRPJ e CSLL, de que trata a legislação que a IN regulamenta são os auferidos no exterior diretamente pela pessoa jurídica domiciliada no Brasil. 67. Portanto estão corretas as colocações do voto vencedor da DRJ/FNS: 4.16 No caso em análise, não se questiona o fato de que as seis empresas cujos resultados positivos motivaram o lançamento sejam sociedades controladas pela WEG IBERIA S/A (fl. 494). Em razão dessa relação de controle, tais resultados deveriam ser alcançados na consolidação realizada (ou a ser realizada) nessa controlada direta (WEG IBERIA S/A). Obviamente a autoridade fiscal não adotou esse caminho pois, por ocasião do lançamento (e em data anterior à edição da SCI n° 18/2013) mantinha o entendimento de que não caberia lançamento nessa controlada direta (WEG IBERIA S/A), por estar ela sediada em país com o qual o Brasil mantém acordo para evitar a dupla tributação. 4.17 No entanto, como já citado, o entendimento adotado pela administração tributária federal implica que tais acordos internacionais que tomam por base o art. 7o da Convenção Modelo da OCDE não se prestam a "blindar" os resultados obtidos nas controladas situadas em países signatários. O fisco nacional pode, sim, exigir que os resultados obtidos nesses países signatários desses tratados/acordos para evitar a bitributação sejam considerados para efeito de incidência do IRPJ e da CSLL na controladora residente. Nesse caso, a "dupla tributação" é evitada pelo aproveitamento do imposto pago no país de origem, conforme previsto na legislação interna (art. 26, da Lei n° 9.249, de 28/12/1995). 4.18 Concluise, então, que a única possibilidade de se tributar, no Brasil, os resultados das controladas indiretas seria por meio do resultado da controlada direta (WEG IBÉRIA S/A), a qual deveria trazer para a apuração do seu resultado, os resultados positivos daquelas controladas indiretas. Entretanto, o critério jurídico adotado pela autoridade fiscal equivocado, a juízo desse relator inviabiliza que se conheça o efeito final dessa consolidação na WEG IBÉRIA S/A, impedindo a manutenção de qualquer parcela do suposto crédito tributário lançado. 68. Como se evidenciou que os resultados das controladas indiretas deixaram de ser consolidados na controlada direta; consequentemente, foram omitidos tais rendimentos na Autuada. 69. O fiscal autuante supriu a lacuna, ao adicionálos ao resultado da Autuada; embora estivesse errada a premissa que adotou de que não cabia considerálos na apuração pela legislação brasileira a que a controlada direta WEG Ibéria estava obrigada: Lei nº 9.249, de 26 de Dezembro de 1995. Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 16 15 dezembro de cada ano. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) (...) § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira 3 Tratado Internacional ou Acordo para Evitar Bitributação. 70. O autuante interpretou erroneamente a forma de tratamento a ser aplicada a empresa controlada situada em país signatário de Tratado com o Brasil. 71. O Tratado para Evitar Bitributação, entre Espanha e Brasil, não impede a autuação de resultado da WEG Ibéria auferido pela Autuada: a. a partir da fração dos lucros da controlada (WEG Ibéria) a que a controladora tem direito (neste caso 100%) , antes de descontado o imposto pago na Espanha, efetuase a apuração do IRPJ e CSLL devidos pela Autuada; dos valores de IRPJ e CSLL apurados, deduzse o valor do imposto pago pela controlada na Espanha. 72. Dessa forma, a controlada, na Espanha, é tributada pelo país de residência; a controladora no Brasil, recolhe sobre seus ganhos recebidos do exterior, permitida a compensação do que foi pago na Espanha até o limite do devido no Brasil do total de IRPJ mais CSLL. 4 Apuração dos Resultados operacionais não declarados, relativos a lucro operacional escriturado, mas não declarado. 73. Intimada , a Autuada apresentou os resultados das controladas indiretas: Dem 17 AI Lucro Líquido antes do Imposto de Renda (R$)_ Nome da sociedade 2006 Weg Germany Gmbh 5.926.619,08 Weg Indústrias Venezuela C. A. 2.038.012,92 Weg Austrália Pty Ltd 1.819.615,09 Weg Colômbia Ltda 972.186,91 Weg Eletric Motors Corp. 46.645.965,94 Weg Eletric Motors (UK) Ltd. 1.864.908,00 TOTAL 59.267.307,94 74. Consoante a normatização da RFB, esses resultados deveriam ter sido consolidados na WEG Ibéria, controlada direta. Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 17 16 75. A apuração do IRPJ e CSLL a exigir deveria incidir sobre os rendimentos auferidos no exterior diretamente pela Autuada, que é a pessoa jurídica domiciliada no Brasil, isto é percebidos por esta diretamente da controlada na Espanha. 76. Contudo, não há qualquer menção ou documento nos autos a demonstrar quais os resultados apurados pela WEG Ibéria na Espanha; se se tratava de holding pura sem operações próprias ou se desenvolvia operações industriais ou comerciais que gerassem resultados; se apurou resultados positivos, se tais resultados foram disponibilizados à controladora brasileira, uma vez que a Espanha não se trata de país classificado como "de tributação favorecida", ou "paraíso fiscal", aplicandose aos resultados da controladora situada na Espanha o decidido pelo STF, com repercussão geral e efeito erga omnes: 77. Fonte: site do STF, que informa a posição da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.588/DF: DI 2588/DF DISTRITO FEDERAL AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Relator(a): Min. ELLEN GRACIE Relator(a) p/ Acórdão: Min. JOAQUIM BARBOSA Julgamento: 10/04/2013 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Publicação DJe027 DIVULG 07022014 PUBLIC 10022014 EMENT VOL0271901 PP00001 Parte(s) REQTE.(S): CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA CNI ADV.(A/S : GUSTAVO DO AMARAL MARTINS E OUTROS INTDO.(A/S) : PRESIDENTE DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) : CONGRESSO NACIONAL Decisão: Prosseguindo no julgamento, o Tribunal, por maioria, julgou parcialmente procedente a ação para, com eficácia erga omnes e efeito vinculante, conferir interpretação conforme, no sentido de que o art. 74 da MP nº 2.15835/2001 não se aplica às empresas “coligadas” localizadas em países sem tributação favorecida (não “paraísos fiscais”), e que o referido dispositivo se aplica às empresas “controladas” localizadas em países de tributação favorecida ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei), vencidos os Ministros Marco Aurélio, Sepúlveda Pertence, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello. O Tribunal deliberou pela não aplicabilidade retroativa do parágrafo único do art. 74 da MP nº 2.15835/2001. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa, que lavrará o acórdão. Não participaram da votação os Ministros Teori Zavascki, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármen Lúcia, por sucederem a ministros que votaram em assentadas anteriores. Impedido o Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 10.04.2013.(Grifouse.) 78. Concluise, do exposto, que a autuação não reuniu elementos de prova suficientes a caracterizar a existência de lucros recebidos diretamente do exterior, pela autuada. Voto por negar provimento ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 16643.720037/201193 Acórdão n.º 1201001.465 S1C2T1 Fl. 18 17 Relator Eva Maria Los Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 26/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por EVA MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por EV A MARIA LOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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