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Numero do processo: 13769.000578/2008-91
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
LANÇAMENTO. CANCELAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
À míngua de elementos de provas capazes de alterar o resultado do IRPF em tela, rejeita-se o pretenso cancelamento do lançamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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CANCELAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. À míngua de elementos de provas capazes de alterar o resultado do IRPF em tela, rejeitase o pretenso cancelamento do lançamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Ewan Teles Aguiar. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis. Relatório Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2006, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 6.764,62. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 9. 00 05 78 /2 00 8- 91 Fl. 58DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13769.000578/200891 Acórdão n.º 2801002.960 S2TE01 Fl. 59 2 O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de dependente, despesas com instrução e despesas médicas. Em sua impugnação, às fls. 01 e 02, o contribuinte contestou as glosas realizadas pela autoridade fiscal. A 4ª Turma da DRJ/BSA/DF julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 37/43, que restou assim ementado: DEDUÇÕES. DEPENDENTES. Para fins de dedução na Declaração de Ajuste Anual, todas as despesas estão sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea. Poderão ser considerados como dependentes o menor pobre, até 21 anos, desde que o contribuinte o crie e o eduque e do qual detenha a guarda judicial. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. Poderão ser deduzidos, nas declarações de rendimentos, os pagamentos efetuados com dependentes junto a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação préescolar), de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. As despesas médicas dedutíveis referemse a pagamentos comprovados com documentos hábeis e idôneos efetuados pelo contribuinte, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, desde que relativos ao seu tratamento ou de seus dependentes. Regularmente cientificada daquele acórdão em 28/07/2011 (fl. 47), a viúva do contribuinte interpôs recurso voluntário de fl. 48, em 24/08/2011, informando que o Sr. Jorge Miguel Pereira faleceu em 03/07/2011 acometido de neoplasia maligna, conforme documentos ora apresentados. Em decorrência desses fatos, pretende seja cancelado o presente lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES Processo nº 13769.000578/200891 Acórdão n.º 2801002.960 S2TE01 Fl. 60 3 Cuida o presente processo de exigência de crédito tributário formalizado em decorrência da glosa de deduções declaradas a título de dependente, despesas com instrução e despesas médicas. A recorrente não contesta as glosas objeto do presente lançamento que foram mantidas pela decisão recorrida. Entretanto, pleiteia o cancelamento da exigência fiscal, tendo em vista o falecimento do contribuinte que foi acometido de neoplasia maligna. Ressaltese que não há elementos de provas nos autos que possibilita este Colegiado reconhecer a isenção, motivada pela existência de moléstia grave, dos proventos recebidos pelo contribuinte relativamente ao anocalendário de 2005. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 60DF CARF MF Impresso em 22/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 18/03/201 3 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALH AES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000116/2010-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Numero da decisão: 1301-001.010
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ em São Paulo/SP. Verificase que em desfavor da recorrente foram lavrados autos de infração (fls. 169, 172/177 e 184/191), atinentes ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) em relação aos fatos geradores do ano calendário de 2005 e 2007, que perfazem um crédito tributário total de R$ 5.080.068,97 e R$ 1.864.737,72, respectivamente, composto de principal, multa de ofício de 75% e juros de mora vinculados, calculados até 30/12/2009, com reflexos nas apurações dos saldos acumulados dos Prejuízos Fiscais e das Bases de Cálculo Negativas da CSLL dos períodos compreendidos de 2005 a 2007 (fls. 164/166 e 178/180). Os referidos autos de infração decorreram de constatações em procedimento de revisão interna da DIPJ transmitidas pela recorrente, apurandose, consoante Termo de Verificação e Intimação Fiscal IRPJ e CSLL (fls. 167/168 e 181/183), compensação indevida de prejuízos fiscais apurados, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstos e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda e compensação indevida das bases de cálculo da CSLL apuradas, ante a falta de observância do limite de compensação de 30% das bases negativas de períodos anteriores. Destacou a Fiscalização, no termo de encerramento dos trabalhos, que a revisão das declarações pautouse em informações consignadas para os anoscalendário de 2005 e 2007 (DIPJ ND 1053812 e 150147), cujas respectivas apurações do imposto e da contribuição demonstravam que o contribuinte promoveu as compensações em proporção equivalente a 100% (cem por cento) dos saldos de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, contrapondose às disposições estabelecidas pelos artigos 42 e 58 da Lei n° 8.981/95, com a redação dada pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95. Salientouse ainda, que paralelamente a análise dos documentos apresentados e das informações existentes nos sistemas da RFB demonstrou que a recorrente deixou de Fl. 469DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000116/201057 Acórdão n.º 1301001.010 S1C3T1 Fl. 2 3 confessar a quase totalidade das exigências fiscais devidas a título de IRPJ e CSLL, exceção feita às correspondentes estimativas apuradas em maio do anobase de 2007, circunstâncias que motivaram a averiguação da questão com intuito de confirmar a existência de ações judiciais em curso, referentes aos tributos e períodos objetos do procedimento fiscal e que, para tanto, promoveuse a lavratura do Termo de Intimação Fiscal n° 1 de 05/10/2009, cientificado por via postal em 21/10/2009 (fls. 3/4), cujo atendimento ocorreu mediante comparecimento do contador da empresa à unidade administrativa em 18/11/2008, ocasião em que protocolou petição na qual carreou o acervo demandado (fls. 128/155), entre os quais a apresentação de Certidão de Objeto e Pé emitida pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, dando conta de julgamento procedente enunciado nos autos do Mandado de Segurança n° 2001.61.00.019681 7, concedendo segurança no sentido de reconhecer o direito líquido e certo da recorrente compensar integralmente os prejuízos fiscais acumulados a partir de dezembro de 1997, sem observância das limitações assentadas na legislação tributária, para efeito de cálculo do IRPJ e da CSLL. A autoridade fiscal salienta, porém, que a mesma certidão assinalava que aquele juízo deu provimento à apelação conduzida pelo Ministério Público Federal, em sessão realizada em 29/10/2009, salientando que a Fiscalização realizou nova requisição de informações à recorrente (fls. 156/157), demandando a apresentação da petição inicial, liminar concedida, recurso da União Federal e decisão do julgamento prolatado em 29/10/2009, registrandose, entretanto, que transcorrido o prazo legal o contador da entidade compareceu novamente à unidade administrativa, porém, desta feita, não promoveu a entrega da documentação exigida na aludida intimação sob a justificativa de que não logrou êxito na obtenção dos correspondentes atos processuais perante o Judiciário Federal (fls. 158/163). Destacou a Fiscalização, portanto, que diante do atendimento insatisfatório da demanda, promoveuse a lavratura dos autos de infração sob litígio, bem como os ajustes reflexivos dos saldos acumulados de Prejuízos Fiscais e das Bases de Cálculo Negativas da CSLL nos anos calendários de 2005, 2006 e 2007. Os autos de infração fizeram constar no contexto das informações noticiadas na "Descrição dos Fatos, Enquadramento Legal e Intimação" (fls. 174 e 187) que os lançamentos dos créditos tributários foram levados a efeito com exigibilidade suspensa, nos termos do artigo 151, incisos II e IV do CTN, por força de Medida Liminar concedida nos autos do Processo n° 2001.61.00.0196817, prolatada em sede da 14ª Vara Federal em São Paulo/SP, assinalandose que afastada a suspensão da exigibilidade, seja pela falta ou insuficiência de depósito, caducidade ou cassação desfavorável da ação promovida pelo sujeito passivo, deverá recolher total ou parcialmente os créditos tributários lançados, em conformidade com o teor e extensão do julgado proferido no âmbito judicial, observado os acréscimos legais cabíveis, sob pena de inscrição em dívida ativa, resguardandose o direito de compensação de eventuais depósitos judiciais efetuados e passíveis de conversão em renda da União. Cientificado pessoalmente dos autos de infração, dos demonstrativos de ajuste dos saldos acumulados de Prejuízos Fiscais e das Bases de Cálculo Negativas da CSLL e do Termo de Verificação Fiscal (fls. 164/168, 177/183 e 191), a recorrente apresentou Impugnação (fls. 199/206), acompanhado da documentação de folhas 207 a 339, segundo a qual pede o reconhecimento da inadmissibilidade de imputação da multa de ofício sobre as importâncias objeto dos lançamentos de ofício. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Para tanto, sustentou a recorrente que em 27/07/2001, impetrou Mandado de Segurança, distribuído à 14ª Vara Federal da Seção Judiciária de São Paulo/SP sob o n° 2001.61.00.0196817, com pedido de liminar contra ato do Delegado da Receita Federal em São Paulo/SP a fim de assegurar o direito ao aproveitamento integral dos prejuízos fiscais do ano de 1997 e seguintes, visando aproveitamento em lucros apurados em períodos supervenientes e, consequente, cálculo da base imponível do IRPJ e CSLL sem observância das limitações estabelecidas pela legislação tributária. Sustentou ainda, que em 09/08/2001, obteve o deferimento de liminar pleiteada para fins de autorizar a compensação demandada na inicial e em 18/04/2002 ocorreu a concessão da segurança pleiteada, pela qual se reconheceu o direito líquido e certo de realizar o aproveitamento do saldo do prejuízo fiscal para efeito de cálculo do IRPJ e CSLL e que após o processamento de recurso apresentado pela União, assentou que os autos foram distribuídos para a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, cuja matéria foi objeto de julgamento prolatado em 29/10/2009, reformando a sentença consoante se pode comprovar por meio das informações contidas na Certidão de Objeto e Pé expedida em 13/11/2009. Enfatizou a recorrente, todavia, que os termos da sentença foram objeto de publicação no D.O.U. em 20/01/2010 e que muito embora reconheça compreensível a lavratura do auto de infração para fins de evitar a decadência concernente às parcelas excedentes aos limites legais de compensação de prejuízos fiscais e base negativa da CSLL, reconhecendose a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários levados a efeito mediante lançamento de ofício, sustentou a Fiscalização equivocouse ao imputarlhe a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento). Seguiu argumentando que no momento da lavratura dos autos de infração, dispunha do prazo de 30 (trinta) dias, contados da ciência da decisão que afastou a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários associados à medida judicial, para efetuar o recolhimento das referidas importâncias, desprovido de incidência de qualquer espécie de multa, consoante autoriza o artigo 63, caput e § 2° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 e nesse sentido, assinala, ainda, que considerando a extinção integral do crédito tributário ora lançado, acrescido dos juros de mora pelo pagamento e pela compensação firmados nos termos do art. 156, incisos I e II do CTN, efetivados dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a publicação do acórdão que reformou a sentença judicial favorável ao contribuinte, entende não ser devida qualquer multa de ofício ou de mora. Reafirma a incidência do art. 63 da Lei n° 9.430/96, assentando que tais dispositivos dispõem que não cabe multa de ofício na constituição do crédito tributário destinada a prevenir a decadência relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN, bem como a interrupção de multa de mora desde a concessão de medida liminar até 30 dias após a data da publicação de decisão judicial que considerar devida a exigência fiscal. Seguiu enfatizando que à época da lavratura dos autos de infração o mandado de segurança não havia transitado em julgado e que a medida liminar era passível de recurso, circunstância reconhecida nas próprias autuações ao formalizar os lançamentos com a exigibilidade suspensa, mencionando expressamente a ação judicial que contemplava a permissão para o contribuinte agir em harmonia com a conduta praticada, tornando a mencionar que a medida liminar foi concedida em 09/08/2001, logo, anteriormente ao início do procedimento fiscal, reclamando ser incabível a aplicação da multa de ofício e da multa mora, este último, por sinal, sob a justificativa de que recolheu o principal e os juros de mora dentro do prazo de 30 (trinta) dias após a publicação do acórdão que reformou a sentença favorável à entidade, assim, denotando que dispunha até o dia 19/02/2010 para extinguir o crédito Fl. 471DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000116/201057 Acórdão n.º 1301001.010 S1C3T1 Fl. 3 5 tributário, sacramentando que a extinção dos valores principais e dos juros de mora se deu por meio de recolhimentos e compensação, nos moldes do artigo 156, inciso I e II do CTN, cuja leitura e análise dos DARF e PER/DCOMP acostados à peça impugnatória permitiria inferir que a pessoa jurídica pagou as importâncias em 12/02/2010 e 17/02/2010. Encerrando os argumentos de defesa que protestou pela improcedência da incidência da multa nos lançamentos de ofício, destacando ementas de decisões proferidas pelo Conselho de Contribuintes e pelo STJ para os fins reforçar as alegações inerentes à impugnação, requerendo o provimento da peça impugnatória e o cancelamento da multa de ofício. Após a apresentação da referida Impugnação o feito foi encaminhado à DRJ/SP para julgamento, enfatizandose, todavia, que o montante não impugnado pelo sujeito passivo (principal mais juros) foi objeto de transferência das respectivas importâncias para controle no Processo Administrativo n° 16151.001075/201002, e, posteriormente à remessa dos autos ao órgão julgamento, promoveuse a juntada do Ofício n° 33/2010/PFN/DIAJU, de 16/08/2010, expedido pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de São Paulo, por meio do qual encaminhouse cópia de decisão transitada em julgado, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 001968133.2001.4036100, bem como informações acerca de andamento de processo administrativo instaurado em nome da sociedade, ante as alegações carreadas às fls. 208/212 dos autos da respectiva medida judicial, sendo que a mencionada informação processual noticiada pela PFN/SP reportase à petição protocolada pela recorrente em 05/07/2010, sob o n° 2010.0001576501, distribuída para a 14ª Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo Justiça Federal em São Paulo (fls. 414/418), cujos termos impulsionam a retomada dos trâmites da ação judicial, inaugurando demanda por intermédio da qual pretenderia a recorrente o reconhecimento de que o dispositivo constante do artigo 63 caput e § 2° da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, fosse aplicado à tributação do IRPJ e CSLL vinculados ao caso em apreço, circunstância que determina que os impostos devidos com a reforma da sentença concessiva da segurança sejam cobrados e pagos sem multa de ofício e que a multa de mora, interrompida com a medida favorável à requerente, passasse a ser cobrada somente após o 30° (trigésimo) dia após a data da publicação da decisão judicial que reformou a sentença que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário. Em vista da citada petição no processo judicial, a 7ª Turma da DRJ em São Paulo/SP, nos termos do acórdão e voto de folhas 422 a 432, não conheceu da Impugnação ao fundamento de concomitância entre o mérito da Impugnação e o que levado, pela petição última, ao crivo do Poder Judiciário. Devidamente cientificada da decisão (fl. 433), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, afirmando não haver a citada concomitância, porquanto a aventada petição dirigida ao Juízo da 14ª Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo Justiça Federal em São Paulo (fls. 414/418), pretendeu unicamente verificar o alcance do conteúdo decisório que lhe foi desfavorável, sendo que o Poder Judiciário se teria negado a conhecer da citada petição, porquanto apresentada após o trânsito em julgado da referida ação. Quanto ao mérito da discussão, reiterou não ser cabível a aplicação de qualquer penalidade pelos mesmos motivos já relatados. É o relatório. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Duas questões devem ser salientadas para marcar o limite objetivo do caso em análise. A primeira se relaciona a própria extensão da matéria impugnada, valendo frisar que a recorrente se insurge tão somente contra a aplicação da multa em auto de infração lavrado à época em que o tributo nele ventilado se achava com a exigibilidade suspensa, sendo que após perderse tal status o tributo foi devidamente recolhido com os juros de mora. A segunda questão, diz com o pressuposto de análise do mérito do inconformismo, porquanto reputou a decisão recorrida ser caso de concomitância com a questão levada ao Poder Judiciário. Por ser prejudicial ao conhecimento da matéria, de rigor partirse pelo enfretamento da questão atinente à concomitância, fazendoo para registrar desde logo que para tal matéria em comento (concomitância), aplicase a Súmula CARF nº 01, de cuja redação extraise o seguinte teor: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Para aplicarse o mencionado entendimento, portanto, que visa a preservação do princípio da unicidade da jurisdição, necessário apenas identificar se na espécie a petição apresentada pela recorrente, após o trânsito em julgado da ação judicial, por meio da qual pretendeu que o Poder Judiciário se manifestasse sobre a aplicação da multa de ofício, tem o condão de indicar a reconhecida concomitância. Conforme estabelecido na decisão recorrida fica patente que a recorrente,ulteriormente à interposição da peça impugnatória, ingressou com demanda judicial principiada após o transito em julgado da lide conduzida nos autos do Mandado de Segurança n°2001.61.00.0196817 (fls. 414/418), assim, cujo objeto do pedido integra a controvérsia que motivou a instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, qual seja a exoneração Fl. 473DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.000116/201057 Acórdão n.º 1301001.010 S1C3T1 Fl. 4 7 de multa de ofício derivada da tributação do IRPJ e dá CSLL levada a efeito pela autoridade administrativa, em face da apuração "de exigências fiscais devidas pelo exercício de compensações em proporção equivalente a 100% (cem_por cento) dos saldos de prejuízos"fiscais" e da base de cálculo negativa de CSLL de períodos anteriores, contrapondo se às disposições estabelecidas pelos art. 42 e 58 da Lei n° 8.981/95, com a redação dada pelo art. 16 da Lei n° 9.065/95. Neste contexto, é forçoso inferir que a controvérsia, que durante certo período, mantinha seus trâmites exclusivamente no âmbito administrativo, deslocouse de forma oblíqua e concorrente também para apreciação do Poder Judiciário, tendo em vista que no contexto de ambas as peças processuais encontramse presentes a identidade da causa de pedir e da postulação de mérito. Vale relembrar que a instrução do inteiro teor da petição protocolada pela entidade em 05/07/2010, sob o n° 2010.0001576501, distribuída para a 14 Vara Cível da Subseção Judiciária de São Paulo Justiça Federal em São Paulo (fls. 414/418),ocorreu em razão de encaminhamento de expediente formulado pela Procuradoria da Fazenda Nacional no Estado de São Paulo (fl. 344).De outro lado, vale frisar que o ajuizamento de demanda judicial concomitantemente às instâncias administrativas de julgamento conduz na imposição de limitações no exame na matéria, consoante se denota pela disposição estabelecida no § 2 o do art. I o do Decretolei n.° 1.737, de 20/12/1979, trasladado abaixo: "Art 1º[...] § 2° A proposititra, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Desta forma, sempre que o sujeito passivo da obrigação tributária ingressa com o ajuizamento de ação ou demanda judicial vertente a instaurar determinada controvérsia que proveniente de eventuais dissonâncias entende possuir contra a Fazenda Nacional, esvazia se plenamente o contencioso administrativo, tendo em vista o primado da decisão judicial sob qualquer deliberação administrativa. Em suma, cumpre inferir que a propositura de demanda judicial formulada pela recorrente, com a inserção de objetos e arguições de mérito exatamente análogos aquelas que compuseram a aludida peça impugnatória, caracterizam a renúncia tácita do seguimento do curso regular da fase litigiosa do procedimento, impondo prejuízo que perfaz obstar o exame da matéria ante a concomitância de lides em esferas distintas e do caráter preponderante das decisões judiciais em relação àquelas emitidas no âmbito administrativo. Com tais ponderações, encaminho meu voto no sentido de NÃO conhecer do recurso. Sala das Sessões, em 08 de agosto de 2012 (assinado digitalmente) Fl. 474DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 26/09/2012 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 p or ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13839.004493/2007-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Exercício: 2001
DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA.
A contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Inicia-se no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela Secex à Receita Federal.
LANÇAMENTO SEM MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o lançamento, por preterição do direito de defesa, se o sujeito passivo revelou ter pleno conhecimento dos seus fundamentos, rebatendo-os um a um.
DRAWBACK SUSPENSÃO. ADIMPLEMENTO DO REGIME.
A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback-Suspensão está no cumprimento do compromisso de exportação, e, uma vez comprovado cabalmente que tal compromisso foi cumprido, faz jus o beneficiário ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos empregados na produção dos produtos exportados.
Numero da decisão: 3201-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Quanto à preliminar de decadência, por unanimidade de votos negado provimento ao recurso, tendo os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) acompanhado o relator pelas conclusões. No que se refere à preliminar de nulidade do lançamento, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Quanto ao mérito: i) por maioria de votos negado provimento ao recurso quanto ao adimplemento das condições de drawback referentes à DI não constante do ato concessório, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Adriene Maria de Miranda Veras e designado o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor; ii) dado provimento por maioria de votos quanto às demais importações, vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sergio Celani; iii) por unanimidade de votos não se conheceu do recurso quanto à não aplicação dos juros de mora; e iv) por unanimidade de votos negado provimento quanto ao termo inicial da contagem dos juros.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño Relator
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano DAmorim, Daniel Mariz Gudiño Paulo Sergio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Morais. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela Secex à Receita Federal. LANÇAMENTO SEM MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o lançamento, por preterição do direito de defesa, se o sujeito passivo revelou ter pleno conhecimento dos seus fundamentos, rebatendoos um a um. DRAWBACK SUSPENSÃO. ADIMPLEMENTO DO REGIME. A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão está no cumprimento do compromisso de exportação, e, uma vez comprovado cabalmente que tal compromisso foi cumprido, faz jus o beneficiário ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos empregados na produção dos produtos exportados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Quanto à preliminar de decadência, por unanimidade de votos negado provimento ao recurso, tendo os conselheiros Paulo Sergio Celani e Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente) acompanhado o relator pelas conclusões. No que se refere à preliminar de nulidade do lançamento, por unanimidade de votos, negado provimento ao recurso. Quanto ao mérito: i) por maioria de votos negado provimento ao recurso quanto ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 44 93 /2 00 7- 21 Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 2 adimplemento das condições de drawback referentes à DI não constante do ato concessório, vencidos os conselheiros Daniel Mariz Gudiño e Adriene Maria de Miranda Veras e designado o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes para redigir o voto vencedor; ii) dado provimento por maioria de votos quanto às demais importações, vencidos os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim e Paulo Sergio Celani; iii) por unanimidade de votos não se conheceu do recurso quanto à não aplicação dos juros de mora; e iv) por unanimidade de votos negado provimento quanto ao termo inicial da contagem dos juros. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Daniel Mariz Gudiño Paulo Sergio Celani, Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Morais. Ausente justificadamente o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento da manifestação de inconformidade, transcrevese o relatório da instância a quo, seguido da ementa da decisão recorrida e das razões do Recurso Voluntário ora examinado: O interessado foi autuado em face do inadimplemento do compromisso de exportar do drawback suspensão. Foram lançados impostos, juros e multas. Intimado em 26/10/2007, o interessado apresentou impugnação em 27/11/2007 (fls. 1.2801.303). Alega: 1. O ato concessório nº 156000/0004210, de 27/11/2000 expirou em 27/5/2002 e teve encerramento formalizado pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) em 7/5/2003, mediante "relatório de comprovação de drawback". 2. A desconsideração integral do drawback por parte da autoridade fiscal e suas conclusões partiram de análise prematura e equivocada dos elementos apresentados no curso da fiscalização. 3. É nulo o lançamento porque a autoridade deixa expressa a impossibilidade de se afirmar, com a certeza necessária, o cumprimento ou não dos requisitos do ato concessório. Na dúvida e sem considerar todos os elementos apresentados pelo impugnante, a autoridade optou por invalidar o regime aduaneiro, tornando o lançamento carente de motivação. 4. O agente fiscal falhou na busca da verdade material dos fatos. Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.432 3 5. O processo administrativo tem como um de seus princípios o da verdade material. Cita julgados (fls. 1.284 e 1.285). 6. Houve decadência. Os autos de infração foram lavrados em 26/10/2007, após 5 anos do registro das declarações de importação (DI), que ocorreu entre 18/4 e 29/10/2001, e após o vencimento do regime de drawback (27/5/2002). 7. O imposto sobre a importação (II) e o imposto sobre produtos industrializados (IPI) são tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Não havendo manifestação do fisco, ocorre a homologação tácita em 5 anos contados do fato gerador, conforme Código Tributário Nacional (CTN), artigo 150, § 4º c/c artigo 156, V. 8. O drawback suspensão, na qualidade de benefício fiscal que suspende a cobrança de tributos até o implemento de condição resolutiva, não tem o condão de alterar o momento da ocorrência do fato gerador dos tributos nem de postergar o início da contagem do prazo decadencial. Cita julgados (fl. 1.287). 9. O ato concessório vigorou até 27/5/2002. Consequentemente, poderiam as autoridades fiscais alegar que somente a partir de então é que seria possível aferir se houve ou não o cumprimento das condições estipuladas em tal ato. O impugnante não concorda, pois o CTN não abre exceção para tal entendimento. 10. Segundo esse entendimento, expirado o prazo para exportação em 27/5/2002, o término do prazo para lançamento seria 27/5/2007, cinco meses antes da efetiva lavratura dos autos de infração impugnados. Cita acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fl. 1.288). 11. Para os que defendem a ocorrência de lançamento por declaração no drawback suspensão, o prazo para cobrar eventuais créditos tributários ficaria suspenso até o término do ato concessório, momento a partir do qual o prazo prescricional de 5 anos começaria a contar. Nessa hipótese também se verifica a extinção dos créditos tributários. 12. Cita que parte do Conselho de Contribuintes tem acolhido essa tese (fls. 1.289 e 1.290). 13. Mérito. A multiplicidade de descrições de mercadorias exportadas decorre unicamente da variação de tamanho e modelo dos absorventes fabricados. O código de produto utilizado internamente pela empresa para identificação nas faturas comerciais e nos registros de exportação (RE) não altera nem compromete a prova de exportação dos bens. 14. A afirmação fiscal de que "não basta que a mercadoria exportada seja classificada na NCM concedida pelo Ato Concessório" deveria estar acompanhada de indícios que Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 4 demonstrassem a diferença entre as mercadorias previstas nesse ato e aquelas efetivamente exportadas. 15. Em relação às condições de cumprimento do ato concessório, a fiscalização levanta dúvidas quanto à utilização dos insumos e a identidade entre os bens produzidos e os previstos no ato concessório, não trazendo qualquer suspeita no tocante à materialidade das exportações. 16. A fiscalização relaciona apenas determinadas declarações de importação (DI), admitindo a regularidade das outras importações efetuadas no curso do presente procedimento de drawback. 17. O impugnante apresentou à fiscalização 10 planilhas (descritas em fl. 1.292 e juntadas às fls. 1.3261.360), segundo as quais os insumos efetivamente beneficiados pelo regime foram integralmente consumidos na produção de absorventes femininos exportados. 18. A finalidade precípua do benefício fiscal é fomentar as exportações e a indústria nacional. Não merece acolhida a acusação da autoridade fiscal de que, pela simples divergência de descrição, não seria possível a constatação do cumprimento do compromisso de exportação. 19. Ficam minimizados os obstáculos impostos pela autoridade se se (sic) considerar que os bens que o impugnante comprometeuse a exportar divergem em detalhes inexpressivos, como tamanho, utilização (noturna ou diurna), consistência (espessura da camada de proteção), dentre outros, que "não modificam o fato de que a Impugnante exportou absorventes femininos fato este em nenhum momento contestado pela d. fiscalização" (fl. 1.293). Meras divergências formais não podem comprometer todo o benefício fiscal. 20. Não é razoável que o exportador estaria vinculado à estrita descrição de suas mercadorias, quando no caso concreto verificase que ambas são absorventes femininos, enquadradas no mesmo NCM (4818.40.90), com características e aplicações idênticas. 21. O Conselho de Contribuintes tem entendido prevalecer a finalidade do benefício fiscal, em detrimento de detalhes pormenores como o modelo ou característica secundária de um "mesmo produto". Cita decisões (fl. 1.294). 22. Colocase à disposição para que se proceda a nova diligência em seu estabelecimento e verificação, a partir de registros contábeis, fiscais e gerenciais, do alegado na impugnação. 23. O impugnante admite a retificação de RE após a averbação do embarque. Agiu com boafé e dentro dos limites da legislação tributária. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.433 5 24. Não há qualquer norma tributária que proíba os contribuintes de retificarem seus documentos fiscais. 25. Se o próprio Siscomex traz a possibilidade de alteração, após averbada a carga, do código da operação e de inserção dos dados adicionais necessários à vinculação ao regime de drawback, não há como prevalecer o entendimento de que tal retificação seria proibida. O artigo 644 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) prevê a possibilidade de retificação dos documentos de exportação. 26. As autoridades fiscais elencaram dispositivos normativos. Porém, tais normas apenas mencionam a obrigatoriedade de vinculação dos documentos ao regime de drawback, o que jamais foi contestado pelo impugnante. Ao contrário, há que se reconhecer que os RE relacionados ao ato concessório foram retificados tãologo o impugnante detectou as falhas em seu sistema. 27. Tendo posteriormente detectado tais falhas em seu sistema, o impugnante tratou de acessar o Siscomex e retificar cada um dos RE para alterar o código da operação, mencionando o drawback, e incluir o número do ato concessório e das DI relacionadas ao produto exportado. 28. Cita decisões do Conselho de Contribuintes (fls. 1.298 e 1.299). 29. Não pretendeu fazer prova do cumprimento das condições de drawback unicamente através da retificação dos RE. Ofereceu elementos que evidenciam o emprego dos insumos importados no processo produtivo dos bens objeto do compromisso de exportação. 30. Não pode subsistir a cobrança de multa de ofício. O presente caso reúne todas as condições necessárias à relevação da multa (artigo 654 do Regulamento Aduaneiro). Ainda que se entenda que o Conselho de Contribuintes não tenha competência para decidir sobre relevação da multa, necessária será a remessa dos autos ao Ministro da Fazenda (cita acórdão em fl. 1.301). 31. Os juros de mora foram calculados de forma equivocada. A fiscalização utilizou a taxa Selic desde a data de registro das DI até a data de lançamento. 32. Contudo, não há que se falar em mora no pagamento de tributos suspensos até o vencimento do regime de drawback. Cita acórdão do Conselho de Contribuintes (fl. 1.302). Requer o recalculo dos juros, para que o termo inicial seja o mês subsequente ao vencimento do regime em questão. Recebida a impugnação pela repartição "a quo", os autos encaminhados a esta Delegacia de Julgamento (DRJ) e distribuídos ao relator, com 1.364 fls. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 6 A impugnação foi julgada improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1751.613, de 14/06/2011: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2001 DRAWBACK SUSPENSÃO. A contagem do prazo decadencial deve obedecer ao disposto no artigo 173, inciso I, do CTN. Iniciase no primeiro dia do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela Secex à Receita Federal. O beneficiário do regime deve comprovar a exportação das mercadorias previstas no ato concessório. Devem ser importadas e exportadas exatamente as mercadorias previstas no ato concessório. Inadimplido o regime, os juros de mora são devidos desde o registro das declarações de importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, o Recorrente interpôs seu recurso voluntário, de forma tempestiva, reiterando praticamente todos os argumentos suscitados em sua impugnação. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 22/11/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño – Relator O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. PRELIMINARES DECADÊNCIA A Recorrente inicia a sua defesa alegando que a decisão recorrida está equivocada ao prever que a contagem do prazo decadencial aplicável ao regime especial de drawbacksuspensão é regida pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, devendo ser tomado como termo a quo o primeiro dia útil do exercício seguinte ao da emissão e encaminhamento do Relatório de Comprovação pela Secex à Receita Federal. Embora já tenha havido neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais o entendimento de que a regra do art. 173, I, do CTN não seria aplicável ao regime especial de Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.434 7 drawbacksuspensão, o entendimento mais recente, inclusive da Câmara Superior, ampara a decisão recorrida. Confirase: DRAWBACK. DECADÊNCIA. PRAZO. ART. 173, INCISO I DO CTN. A fiscalização do cumprimento do regime aduaneiro de Drawback, somente pode ser iniciado após 30 dias do prazo final para cumprimento do compromisso de exportação, portanto o prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário referente ao descumprimento do regime de drawback, extingue em 5 (cinco) anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte, àquele em que foi extinto o prazo para a conclusão do regime, nos termos do inciso I, do art. 173 do CTN. (Acórdão nº 3102001.516, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, Sessão de 23/05/2012) ......................................................................................................... DECADÊNCIA. PRAZO DE CONTAGEM. ENCERRAMENTO DO REGIME. DRAWBACK VERDEAMARELO. O termo inicial de contagem do prazo decadencial, no caso de Drawbacksuspensão, é o do art. 173, inciso I, do CTN, estabelecido em função da possibilidade ou não de o Fisco realizar o lançamento. (Acórdão nº 3302001.581, Rel. Cons. José Antônio Francisco, Sessão de 26/04/2012) ......................................................................................................... DECADÊNCIA. IPI E II. IMPORTAÇÕES EFETUADAS SOB O REGIME DRAWBACK SUSPENSÃO. O direito de a Fazenda constituir o crédito tributário do IPI e II, extinguese no prazo de 05 (cinco) anos a partir do fim do prazo para exportação do Ato Concessório. (Acórdão nº 3101001.043, Rel. Cons. Luiz Roberto Domingo, Sessão de 16/02/2012) ......................................................................................................... DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. REGIME DE DRAWBACK SUSPENSÃO. DESCUMPRIMENTO. No regime de drawback suspensão o prazo decadencial só se inicia no primeiro dia do exercício financeiro seguinte ao do tennino do regime. Decadência que há de ser afastada. Notificação do contribuinte antes do transcurso do prazo de cinco anos. Recurso Especial do Procurador Provido. (Acórdão nº 930300.470, Rel. Cons. Nanci Gama, Redatora Designada Cons. Susy Gomes Hoffmann, Sessão de 19/11/2009) Portanto, não merece ser acolhida a preliminar de decadência suscitada pela Recorrente. NULIDADE POR FALTA DE MOTIVAÇÃO Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 8 A Recorrente afirma que as conclusões da autoridade autuante partiram de análise prematura e equivocada dos elementos apresentados no curso da fiscalização, deixando claro que, na sua visão, a autoridade expressou incerteza quanto ao cumprimento dos requisitos do ato concessório e que falhou na busca da verdade material dos fatos. Por outro lado, a decisão recorrida esclarece que as “conclusões” da fiscalização foram devidamente amparadas por diligência, que apontou as seguintes irregularidades no cumprimento do regime de drawback: ü importações não amparadas pelo ato concessório; ü retificação de RE após a averbação do embarque; ü descrição de mercadoria no ato concessório diferente da apresentada em RE e fatura comercial. As hipóteses de nulidade do lançamento estão elencadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, a saber: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. No caso concreto, o auto de infração foi lavrado por pessoa competente e tanto a impugnação quanto o recurso voluntário demonstraram que não houve preterição do direito de defesa. Haveria preterição desse direito se a motivação do auto de infração não permitisse que a Recorrente apresentasse defesa, o que não ocorreu. Os motivos listados como fundamento do lançamento foram atacados um a um. Há farta jurisprudência do CARF no sentido de que, se o interessado apresenta defesa, demonstrando ter conhecimento pleno da fundamentação do auto de infração, não há vício de nulidade por cerceamento de defesa. Nesse sentido, merece destaque a recente decisão da Câmara Superior, in verbis: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO POR NÃO INFORMAÇÃO DE TRIBUTO EM GFIP. DECORRENTE DO LANÇAMENTO DO PRINCIPAL. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O presente processo cuida de auto de infração que impôs multa pelo descumprimento de obrigação acessória: a falta de informação de contribuições previdenciárias em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. Os tributos não informados em GFIP decorreram de valores pagos à cooperativa de trabalho médico por empresas consideradas como filiais de fato do autuado, e que foram objeto de cobrança em notificação de lançamento constante de outro processo. Como não constavam nos autos quaisquer informações sobre o motivo porque as empresas que efetuaram os pagamentos foram consideradas filiais de fato do contribuinte, o acórdão recorrido entendeu que o auto de infração era nulo, maculado por vício material, por não descrever a infração de forma clara e precisa, o que teria prejudicado o direito de defesa do autuado. Entretanto, não é nulo o lançamento por preterição de direito Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.435 9 de defesa, pois o contribuinte revelou conhecer sobejamente a relação entre os dois processos, defendendose deste com os mesmos argumentos do outro. De fato, não é possível se apreciar o mérito do auto de infração que cobra multa por descumprimento de obrigação acessória de forma desconexa da notificação de lançamento que lança as contribuições previdenciárias. Caso o lançamento dos tributos seja cancelado, o mesmo destino se dará às penalidades pelo descumprimento das obrigações acessórias a eles relativas. Por outro lado, caso o principal seja mantido, então haverá sentido em se discorrer se as obrigações acessórias decorrentes não foram cumpridas. Recurso especial provido. (Grifouse) (Acórdão nº 9202002.004, Rel. Cons. Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Sessão de 22/03/2012) Desse modo, não merece ser acolhida a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente. MÉRITO O ADIMPLEMENTO DO REGIME a) Importações não amparadas pelo ato concessório A instância a quo dá razão à fiscalização quanto ao fato de que as divergências existentes entre as informações contidas no ato concessório e aquelas declaradas pela Recorrente em suas importações seria motivo suficiente para descaracterizar o benefício fiscal do drawbacksuspensão. Confirase, a propósito, um trecho conclusivo da decisão recorrida: Embora o impugnante alegue que os insumos importados com suspensão foram empregados nos produtos importados (sic), a discrepância entre as descrições impede a comprovação do adimplemento do regime. Já a Recorrente alega que comprovou ter consumido os insumos importados na produção e na exportação do produto final (absorventes higiênicos), sendo que diferenças na descrição de detalhes inexpressivos (i.e. tamanho, utilização, consistência) desses produtos não são suficientes para impedir a verificação do cumprimento do compromisso de exportação, nos termos do Ato Concessório nº 156000/0004210. b) Retificação de RE após a averbação do embarque Apesar de ter reconhecido textualmente que não há vedação legal à retificação do RE após a averbação do embarque, a instância a quo decidiu que o RE retificado carecia da necessária legitimidade para ser aceito como comprobatório do adimplemento do regime de drawback, pois a falta de prestação de informações relativas a essa operação impede que a autoridade aduaneira examine a carga exportada a fim de verificar a sua compatibilidade com o ato concessório. Em sua defesa, a Recorrente sustenta que os procedimentos de exportação foram submetidos à análise das autoridades aduaneiras e, quando foi verificado o equívoco Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 10 quanto à vinculação dos REs ao regime de drawback, ele foi imediatamente corrigido e aceito pela SECEX. Como a retificação não foi motivada por fraude, o próprio Regulamento Aduaneiro de 2002 respalda o procedimento adotado pela Recorrente, a saber: Art. 644. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade aduaneira alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder (Lei nº 5.025, de 1966, art. 65). c) Descrição de mercadoria no ato concessório diferente da apresentada em RE e fatura comercial Finalmente, a decisão recorrida rejeita a alegação de que não seria razoável impor ao exportador uma vinculação estrita à descrição de suas mercadorias. Segundo o colegiado da instância a quo, “não compete à autoridade administrativa deixar de observar disposição normativa sob a alegação de ‘razoabilidade’”. E prossegue: “Se o direito aduaneiro estabeleceu para o regime de drawback previsão de mercadorias a exportar, deve a autoridade exigir a exportação de tais mercadorias para considerálo adimplido”. Cita ainda o art. 111, I, do CTN, que assim dispõe: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; [...] A Recorrente, a seu turno, defende que a finalidade última do regime de drawback foi atendida. Isso porque demonstrou, com base em documentos hábeis e idôneos, que os insumos importados foram utilizados na produção de produtos exportados, assim como apresentou prova cabal de que cumpriu seu compromisso de exportar absorventes higiênicos femininos. Em seu recurso voluntário, listou os documentos apresentados na fase impugnatória, a saber: (1) Planilha de "Controle" (Doc. 03 – da impugnação): relata o fluxo de importação e consumo de cada um dos insumos importados e empregados no processo produtivo dos bens em sua planta industrial ao longo do período de vigência do regime de drawback. Em muitas ocasiões, notase que o consumo superou o volume de insumos importados, o que demonstra que, muitas vezes, a Recorrente recorreu a fornecedores domésticos para suprir sua necessidade de produção; (2) Planilha de "Consumo" (Doc. 04 – da impugnação): relata o volume individual de cada insumo consumido na produção dos produtos e relaciona a quantidade de mercadorias fabricadas em função de data e ordem de serviço, durante o prazo de vigência do drawback; (3) REs e Ordens de Serviço (Doc.05 – da impugnação): paracada RE emitida, relaciona o código interno da mercadoria exportada, o número de absorventes por pacote, depacotes por caixa e de quantidades de caixas em cada uma das REs, além de vincular o número e datadas ordens de serviço internamente emitidas para a produção das mercadorias exportadas; Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.436 11 (4) DIs (Doc. 06 – da impugnação): lista cada uma das DIs relacionadas no lançamento fiscal, demonstrando o código NCM e a descrição dos insumos importados, a quantidade importada, valor de importação e data de desembaraço; e, (5), (6), (7), (8), (9) e (10) Laudo técnico de cada um dos modelos de absorvente ALWAYS fabricados pela Recorrente (Doc. 07 – da impugnação): traz a descrição pormenorizada de cada um dos modelos de absorvente fabricados pela Recorrente, elenca e quantifica os insumos empregados em cada produto, com a taxa de perda por unidade fabricada, discrimina as funções e aplicações de cada produto, relaciona a NCM e o número de absorventes acondicionados em cada caixa na medida em que variamos códigos de produto. Conclusão A despeito de a decisão recorrida seguir um raciocínio bastante coerente, diante de todo o suporte documental apresentado pela Recorrente, inclusive a aprovação, pela SECEX, dos RE retificados, resta evidente que a essência do regime do drawback foi observada no caso concreto. Nesse contexto, há precedentes do CARF que relevam as formalidades impostas pela regulamentação do regime de drawbacksuspensão, inclusive da Câmara Superior e, mais recentemente, deste colegiado. Confirase: DRAWBACK SUSPENSÃO. A essencialidade para fruição do Regime Aduaneiro Especial de DrawbackSuspensão está no cumprimento do compromisso de exportação, e, uma vez cumprido tal compromisso, faz jus o contribuinte ao direito de não pagar os tributos incidentes na importação dos insumos com beneficio fiscal. TERMO ADITIVO AO ATO CONCESS6RIO CONCEDIDO PELA SECEX. Uma vez concedido o aditivo ao ato concessório pelo órgão competente, não é possível que a fiscalização deixe de considerar este termo aditivo. Recurso Especial do Procurador Negado. (Acórdão nº 930300.276, Rel. Cons. Susy Gomes Hoffmann, Sessão de 21/10/2009) ......................................................................................................... DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Comprovado o cumprimento integral do regime em diligência pela administração tributária, resta adimplido o compromisso de drawback assumido, a despeito do erro cometido pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 3201000.990, Rel. Cons. Luciano Lopes de Almeida Morais, Sessão de 23/05/2012) Com base nesses precedentes, merece provimento o recurso voluntário. APLICABILIDADE DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES 12 Na impugnação, a ora Recorrente pleiteou a relevação da multa de ofício, com base no art. 654 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Alterando completamente o fundamento do seu pedido, já na fase recursal, passou a questionar a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, e não mais a multa de ofício em si. Tal conduta redunda inexoravelmente em preclusão lógica, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por essa razão, essa matéria não pode ser apreciada. Nesse sentido, seguem abaixo algumas ementas de decisões proferidas pelo CARF: MATÉRIA NÃO TRATADA NA INSTÂNCIA A QUO. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo, exceto quando deva ser reconhecida de ofício. (Acórdão nº 3401001.586, Rel. Cons. Emanuel Carlos Dantas de Assis, Sessão de 01/09/2011) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO TEMPORAL. Questão não provocada a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, e somente demandada em grau de recurso, constitui matéria preclusa. (Acórdão nº 3101000.706, Rel. Cons. Tarásio Campelo Borges, Sessão de 03/05/2011) Portanto, ainda que no mérito o recurso voluntário mereça ser conhecido e provido, nesse particular não deveria ser conhecido. TERMO INICIAL DOS JUROS EXIGIDOS A divergência sobre esse tema pode ser descrita sucintamente da seguinte maneira: de um lado, a Recorrente pleiteia que o termo inicial para a cobrança dos juros seja o mês subsequente ao suposto inadimplemento do regime de drawback, ao passo que a instância a quo, corroborando o entendimento da fiscalização, decidiu que os juros devem ser cobrados desde a data de registro das DIs. A decisão recorrida não merece reparos sobre o tema. Isso porque, quando as condições para a fruição do drawback não são adimplidas, os tributos suspensos passam a ser devidos como se o regime nunca houvesse existido. Vale dizer, o fato gerador do tributo ocorreu quando do registro das DIs, porém, com a expectativa de que o compromisso de exportação assumido pelo importador fosse cumprido plenamente, a sua exigibilidade ficou suspensa. Frustrada essa expectativa, a suspensão cessa, tornandose exigível o tributo devidamente acrescido de multa e juros moratórios. Portanto, ainda que no mérito o recurso voluntário mereça ser conhecido e provido, nesse particular não deveria ser provido. Diante de todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, exonerando o crédito tributário integralmente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño – Relator Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Processo nº 13839.004493/200721 Acórdão n.º 3201001.177 S3C2T1 Fl. 1.437 13 Voto Vencedor Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes – Relator designado Fui designado como relator em face do julgamento quanto à negativa de provimento ao recurso quanto ao adimplemento das condições de drawback referentes à DI não constante do ato concessório. Entendi neste caso que não deve ser dado provimento ao recurso nesta parte porque a Fiscalização afirmou que não foram comprovadas as exportações previstas no ato concessório e a recorrente, a seu turno, não afastou tal afirmação. A decisão da DRJ bem esclarece: Porém, foi visto anteriormente que deve o beneficiário do regime comprovar a exportação das mercadorias previstas no ato concessório. Devem ser importadas e exportadas exatamente as mercadorias previstas no ato concessório, conforme estabelecido pelo Comunicado Decex n2 21/1997 (negritos meus): (...) O próprio impugnante reconhece a divergência entre as descrições contidas no ato concessório e nos RE. Portanto, falta comprovação por parte do interessado. Embora o impugnante alegue que os insumos importados com suspensão foram empregados nos produtos importados, a discrepância entre as descrições impede a comprovação do adimplemento do regime. Assim, por falta de provas, voto por negar provimento ao recurso neste ponto. Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes – Relator designado Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 21/03/2013 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Numero do processo: 16403.000259/2009-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõe-se o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 1102-000.737
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõese o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 08814.73544.110208.1.3.040249 (fls. 01 05), relativa à compensação do débito de Cofins (código de receita 2172) do mês de dezembro/2003, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 3.942,03, com utilização do direito creditório de R$ 2.442,70 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL (código de receita 2484) do mês de outubro/2003, recolhimento este efetuado em 28/11/2003 (R$ 2.442,70). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório n° 935/2009 (fls. 0910), proferido em 11/12/2009, não homologou a compensação declarada em 11/02/2008 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista entender que o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que manteve a restrição anteriormente prevista na IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, art. 10. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2010 (fl. 15), a reclamante apresentou, em 17/06/2010, a tempestiva Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000259/200902 Acórdão n.º 110200.737 S1C1T2 Fl. 2 3 manifestação de inconformidade de fls. 1721, instruída com os documentos de fls. 2265, cujo teor é sintetizado a seguir: a) aduz que em 28/11/2003 recolheu indevidamente R$ 2.442,70 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) não restou comprovada nos autos a existência do alegado pagamento indevido ou a maior, mediante apresentação dos balanços/balancetes de suspensão/redução levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário, mormente considerando que a reclamante informou que as estimativas de CSLL foram apuradas por escritório de contabilidade externa com base nas notas fiscais do período (com base na receita bruta); e (b) mesmo se assim não fosse, “a indicação dessa estimativa de CSLL como direito creditório configura descumprimento da regra constante do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, em vigor à dada da transmissão da declaração de compensação em análise, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, pois o DARF em referência teria sido recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; não ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem ter utilizado valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida. É o relatório. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Entendo que os valores recolhidos pelo contribuinte a título de antecipação (estimativa) de IRPJ e CSLL podem ser restituídos e compensados, mesmo dentro do respectivo anocalendário, desde que o sujeito passivo comprove cabalmente que os montantes recolhidos a esse título eram indevidos na data do respectivo recolhimento (v.g., quando o contribuinte faz prova de ter recolhido valores de estimativas acima dos montantes fixados em lei para tanto). Ausente tal comprovação, os valores em referência obrigatoriamente representarão mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário, sendo que eventual indébito (rectius: saldo negativo) apenas poderá ser apurado (compensado ou restituído) após o encerramento do respectivo anocalendário e entrega da declaração de ajuste pelo contribuinte. Citado entendimento foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende de ementa de acórdão abaixo transcrita, verbis: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido do tributo.” (1a Turma da CSRF, Processo n. 14.033.000222/200572; Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 30 de setembro de 2009) No caso, verificase dos autos que a Contribuinte declarou na Ficha 16 Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) da DIPJ 2004 (ND 0881654), apresentada em 29/06/2004 (fls. 7479), não ter apurado débito de estimativa de CSLL para o mês de competência outubro/2003. Contudo, na DCTF original do 4º trimestre/2003 (ND 0000.100.2004.51769975), apresentada em 13/02/2004, foi confessado débito de R$ 2.442,70 de estimativa de CSLL para esse mês (fl. 80), cujo valor foi retificado para zero em DCTFs retificadoras apresentadas em 24.09.2007 (ND 0000.100.2007.32145132, fls. 81) e em 05/03/2008 (ND 0000.100.2008.12392541, fls. 82). Como bem asseverado pelo acórdão recorrido, não há prova nos autos de que os valores recolhidos pela Contribuinte a título de estimativa eram indevidos na data do respectivo recolhimento, o que seria fundamental para o reconhecimento do alegado pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, a Contribuinte informa ter débitos de (estimativa) de CSLL em períodos anteriores no próprio anocalendário de 2003 (cf. DIPJ/2004) e não trouxe aos autos provas de que tais valores tenham sido tempestivamente anteriormente quitados (como antecipação do tributo devido ao final do ano calendário), a fim de que os valores de estimativa recolhidos fossem efetivamente um indébito. Além disso, a Contribuinte confessou originariamente dever à Fazenda o valor que ora pretende ver restituído, não trazendo aos autos os elementos de prova indispensáveis para comprovar a correção da declaração retificadora por ela própria apresentada. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000259/200902 Acórdão n.º 110200.737 S1C1T2 Fl. 3 5 O fato de a Contribuinte eventualmente não ter se utilizado de valores de estimativa na apuração do resultado respectivo, o que se admite apenas para fins de argumentação já que também não há prova cabal nesse sentido, não altera a natureza jurídica dos montantes recolhidos (estimativas) e não transforma o valor devido (na data do recolhimento) em indevido. Conforme determina a legislação vigente, ao final do ano calendário, a Contribuinte deveria (i) ter deduzido o montante recolhido a título de estimativas do valor do tributo apurado definitivamente; e caso aquele (estimativas) excedesse a este (tributo devido), (ii) ter pleiteado a restituição/compensação do saldo (negativo) respectivo. Ao assim deixar de proceder a Contribuinte, impõese a rejeição de seu pleito de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10830.917548/2009-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/08/2008 Ementa: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe, para esse período, o valor de IPI liquidado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível neste período. DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não- homologação da DCOMP. Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3403-001.771
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 31/08/2008 Ementa: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe, para esse período, o valor de IPI liquidado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível neste período. DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO- RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser não-homologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não- homologação da DCOMP. Recurso voluntário provido.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917548/200918 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.771 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de setembro de 2012 Matéria IPI.COMPENSAÇÃO Recorrente CLICHERLUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CLICHÊS E MATRIZES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/08/2008 Ementa: CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. RECOLHIMENTO DE IPI A MAIOR. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Se o contribuinte efetua, no Livro Registro de Apuração do IPI, um creditamento extemporâneo em determinado período de apuração, mas recolhe, para esse período, o valor de IPI liquidado sem computar o crédito extemporâneo escriturado, a consequência é a formação de indébito restituível neste período. DCOMP. CRÉDITO PREVIAMENTE ALOCADO EM DCTF NÃO RETIFICADA. PRODUÇÃO DE PROVA APÓS O INDEFERIMENTO PELA DRF. POSSIBILIDADE. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. ART. 16 DO DECRETO Nº 70.235/72. Se o contribuinte não retifica DCTF na qual equivocadamente vinculara crédito posteriormente lançado em DCOMP, nem por isso a compensação deverá ser nãohomologada. Caberá ao contribuinte, entretanto, aproveitar o processo administrativo para produzir prova contábil que demonstre o desacerto das informações prestadas na DCTF, sob pena de não homologação da DCOMP. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Tratase de PER/DCOMP (fls. 21/26) com a qual a recorrente pretende extinguir débitos de IRPJ e CSLL do 4º trimestre de 2008, com créditos de pagamento indevido de IPI em agosto de 2008. Os autos dão conta de que, na apuração do IPI devido em agosto de 2008, a recorrente escriturou, extemporaneamente, créditos de MP, ME e PI entrados no estabelecimento em julho de 2008. O aproveitamento desse crédito fez com que o saldo do período (agosto/08), de devedor em R$24.821,20, resultasse devedor em R$343,99. Embora fazendo esse aproveitamento no Livro Registro de Apuração – LRAIPI, a recorrente procedeu, ato contínuo, como se não o houvesse feito: simplesmente recolheu o IPI do período no valor de R$24.821,20 (fls. 20) e informou, em DCTF, um débito de IPI nesse mesmo valor (fls. 27/30). A partir da informação prestada em DCTF pela recorrente, concluiu a DRF inexistir indébito de IPI para agosto de 2008, constatação bastante para, via despacho eletrônico e sem qualquer providencia investigativa, não homologar a compensação pretendida (fls. 19). Falando pela primeira vez nos autos (fls. 1/7), a recorrente reconheceu o equívoco da informação lançada na DCTF e, para infirmála, trouxe aos autos o LRAIPI do mês de agosto de 2008 (fls. 35/37), demonstrando a escrituração do crédito extemporâneo (na rubrica “Outros Créditos” da seção “Entradas”) e a consequente formação de saldo credor no período. A DRJRibeirão Preto/SP manteve a nãohomologação do PER/DComp (fls. 58/60) sob dois fundamentos: (a) a recorrente não poderia lançar retroativamente o crédito extemporâneo no próprio período de entrada dos respectivos insumos, gerando com isso um indébito restituível naquele período; o procedimento correto, ao invés disso, seria lançar o crédito no período de apuração em que constatado, o que poderia gerar não mais um indébito restituível Fl. 510DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.917548/200918 Acórdão n.º 3403001.771 S3C4T3 Fl. 2 3 no período de origem do crédito, mas apenas um saldo credor ressarcível no período de escrituração do crédito; e (b) mesmo que superado esse equívoco preliminar, a recorrente não fez prova de que os créditos extemporâneos aproveitados decorriam de MP, PI e ME aptos à apropriação para fins de IPI. Sobreveio tempestivo voluntário (fls. 64/87), no qual a recorrente sustenta que não escriturou retroativamente os créditos extemporâneos. E, para prova da idoneidade dos créditos aproveitados, trouxe aos autos as respectivas notas fiscais de aquisição. Este Colegiado, na sessão de 7 de julho de 2011, converteu o julgamento em diligência (fls. 466/470) para que a DRF de origem esclarecesse se (i) as NFs juntadas às fls. 179/458 corresponderiam aos créditos extemporâneos escriturados no LRAIPI de 08/2008 (fls. 35/37) e (ii) os bens adquiridos por estas NFs atenderiam aos requisitos do art. 164, do RIPI/02 para legitimar o creditamento do IPI. Resultou da solicitação de diligência o relatório de fls. 482/484, pelo qual a autoridade preparadora responde positivamente às duas questões formuladas, ou seja, confirmando a escrituração do LRAIPI referente a 08/2008, bem como o atendimento aos requisitos do art. 164, do RIPI/02. Aberto prazo para manifestação, a recorrente peticiona (fls. 500/504) ratificando, em síntese, o posicionamento e o relatório elaborado pela DRF. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O recurso é tempestivo e obedece às demais formalidades da interposição, razão pela qual dele conheço. 1 Cabimento do Pedido de Restituição. Não vislumbro, no proceder da recorrente, o equívoco procedimental apontado pela DRJ. A recorrente não está pedindo restituição do IPI do período de apuração de entrada dos créditos extemporâneos (julho/2008), mas do período de apuração em que, tardiamente, foram estes escriturados (agosto/2008). É o que se constata no LRAIPI juntado a fls. 35/37. Ao contrário do que afirma a DRJ, o indébito não se formou porque a recorrente lançou o crédito retroativamente no período de apuração já encerrado, mas sim porque, lançandoo no período subsequente, ainda em aberto, por alguma razão pagou o IPI desse período sem considerar o creditamento extemporâneo que acabara de fazer. É dizer, o pagamento do IPI de agosto/2008 foi feito em momento em que o LRAIPI respectivo já indicava saldo devedor menor, porque já escriturado com o crédito extemporâneo lançado. Insistase, com o lançamento dos créditos extemporâneos, o saldo devedor de IPI referente a 08/2008 foi reduzido. Por descuido ou por outro motivo que aqui é Fl. 511DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 irrelevante, pagou a recorrente quantia em desacordo com o que indicava o seu livro de apuração. A consequência disso é, sem dúvida, a formação de indébito restituível. 2 Desnecessidade de Prévia Retificação da DCTF. A próxima questão preliminar a ser enfrentada referese à necessidade ou não de que o contribuinte retifique a DCTF previamente à transmissão do PER/DCOMP. Em diversos julgados já manifestei meu entendimento a respeito: o contribuinte pode – e deve – aproveitar o processo administrativo para infirmar a declaração prestada na DCTF, isto é, para demonstrar que o débito lá confessado na verdade não existia, com isso “liberando” o pagamento respectivo para vinculálo ao PER/DCOMP posteriormente transmitido. Por outro giro, o contribuinte tem a oportunidade de demonstrar seu direito no processo administrativo; se, contudo, limitarse, na manifestação de inconformidade, a alegar violação à ampla defesa, a prerrogativa precluirá. Nesse sentido, acórdão de minha relatoria: “O objeto central dos processos administrativofiscais formados de pedidos de restituição e de declarações de compensação está, justamente, na investigação da existência e dimensão do crédito tributário pretendido pelo sujeito passivo. E como bem expôs a DRJ recorrida, o crédito restituendo constitui, nesta espécie de procedimento, fato constitutivo do direito do contribuinte e, portanto, ocorrência cuja prova em princípio cabe a ele, contribuinte, realizar (CPC, artigo 333, I). Por isso mesmo, é com certa reserva que observo a prolação do despacho decisório, em compensações declaradas em via eletrônica, sem que a negativa seja precedida de oportunidade para produção da prova, via intimação do contribuinte. Por ocasião da prolação do despacho decisório lavrado nestes autos, vigorava a IN/SRF nº 600/05, cujos artigos 3o e 4o estabeleciam: “Art. 3º (...) §1o A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. Art. 4o A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” De ordinário, portanto, a declaração de compensação já era transmitida eletronicamente. Somente nas hipóteses em que o programa PER/DCOMP não era aplicável, seja por limitação normativa, seja por limitação técnica, é que o contribuinte tinha Fl. 512DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.917548/200918 Acórdão n.º 3403001.771 S3C4T3 Fl. 3 5 permissão para formalizar o ato via formulário físico. E apenas nesse último caso, isto é, na declaração de compensação em formulário físico, o contribuinte tinha o ônus de, desde logo, produzir a prova documental do direito creditório (art. 3º, §1º). Nas hipóteses em que estivesse compelido a usar o formulário eletrônico, competia ao sujeito passivo simplesmente formalizar a declaração e aguardar que a unidade processadora lhe oportunizasse o momento para a produção da prova (art. 4o). Daí porque o indeferimento da restituição eletrônica sem prévia intimação do contribuinte lhe subtrai valiosa oportunidade para documentação do direito alegado, o que, a meu ver, é especialmente relevante se a recusa vem fundada na suposta inexistência ou insuficiência do crédito. Esta imperfeição procedimental, contudo, não é, a meu ver, drástica o bastante para nulificar a decisão, como apregoa a recorrente. Penso assim porque o processo administrativo serve justamente para que o contribuinte possa provar o seu direito com vistas a alcançarse a tão almejada verdade material. A teor dos arts. 74, §11 da Lei nº 9.430/96 e 14 do Decreto nº 70.235/72, é a manifestação de inconformidade que deflagra a fase litigiosa do processo administrativo de compensação, a partir da qual os princípios do contraditório e ampla defesa fazemse mandatórios. Antes da manifestação de inconformidade, vivese a fase inquisitiva do procedimento administrativo, que atende às conveniências da própria Administração apenas. Nesse sentido, a lição precisa de James Marins: “Na etapa fiscalizatória, não há, porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento (...). Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao processo administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos” (in Direito processual tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2001. p.222). Chamando a etapa inquisitória de “procedimento administrativo”, conclui este mesmo doutrinador: “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte”. É dizer, por mais que a colheita de provas, por iniciativa do Fisco, antes do indeferimento da DCOMP seja recomendável e até sugerida pelo art. 4o da IN/SRF nº 600/05, tratase de providência sob juízo de conveniência da Administração. Fl. 513DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 Noutro giro, se a DRF erra ao indeferir o pleito compensatório sem investigar o fato gerador, a recorrente peca mais gravemente ao desperdiçar a oportunidade de, com amparo no artigo 16 do Decreto no. 70.235/72, produzir, a partir da sua manifestação de inconformidade, prova idônea a seu favor (Proc. adm. 10875.901395/200628; Ac. 340300.971, sessão de 2 de junho de 2011)”. 3 Comprovação do Indébito. Em outros processos restitutórios da recorrente muito similares a este, julgados por esta Turma na sessão de julho de 2011, o creditamento extemporâneo transformara em credor o saldo até então devedor do respectivo período, razão pela qual a recorrente, ademais de pedir a restituição do indébito, pedira também o ressarcimento do saldo. Nos referidos processos restitutórios, a recorrente comprovou o deferimento do respectivo PER/DCOMP ressarcitório pela DRF, o que foi sopesado pela Turma como prova conclusiva da necessária idoneidade e legitimidade dos créditos extemporâneos objeto do litígio. Para o 3º trimestre de 2008, contudo, o creditamento extemporâneo não produziu saldo credor de IPI, apenas reduziu o saldo devedor, não rendendo ensejo a qualquer pedido ressarcitório cujo deslinde valesse como prova da idoneidade dos créditos tardios. Assim, os autos foram baixados em diligência para que a DRF de origem elucidasse se as notas fiscais de fls. 179/458 corresponderiam aos créditos extemporâneos, no valor total de R$24.477,21, escriturados no LRAIPI de agosto de 2008 e, em caso positivo, se os bens adquiridos por meio destas notas atenderiam aos requisitos dos arts. 164 e seguintes do RIPI/2002 para legitimar o respectivo creditamento do IPI. Em atenção às determinações deste Conselho, a DRF de origem, por meio do relatório de fls. 482/484, responde positivamente às duas questões formuladas, ou seja, confirma a escrituração do RAIPI referente a 08/2008, resultando saldo devedor de IPI no montante de R$343,99, e ratifica que as aquisições de MP, PI e ME espelhadas nas NFs de fls. 179/458 atenderam aos requisitos do art. 164, do RIPI/02. Não há dúvidas, portanto, de que os créditos e a respectiva escrituração extemporânea foram regulares, de modo que está comprovada a formação do indébito de IPI, objeto do presente PER/DComp. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para homologar o PER/DComp objeto deste processo. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 514DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 10830.917548/200918 Acórdão n.º 3403001.771 S3C4T3 Fl. 4 7 Fl. 515DF CARF MF Impresso em 10/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 06/10/20 12 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/10/2012 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 15374.904577/2008-87
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CONHECIMENTO. SEM EFEITO INFRINGENTE.
Omisso ponto que deveria ser conhecido, os Embargos Declaratórios revela instrumento apropriado a saná-lo. Homologação tácita só é cabível quando verificado lapso temporal superior a cinco anos. No caso desse feito o prazo conta a partir da data da apresentação da declaração retificadora que substitui integralmente a retificada, diante da constatação de que o tempo é inferior a cinco anos, impõe em rejeitar os embargos de declaração.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 3403-001.877
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, mantendo-se o resultado do julgamento.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CONHECIMENTO. SEM EFEITO INFRINGENTE. Omisso ponto que deveria ser conhecido, os Embargos Declaratórios revela instrumento apropriado a saná-lo. Homologação tácita só é cabível quando verificado lapso temporal superior a cinco anos. No caso desse feito o prazo conta a partir da data da apresentação da declaração retificadora que substitui integralmente a retificada, diante da constatação de que o tempo é inferior a cinco anos, impõe em rejeitar os embargos de declaração. Embargos Acolhidos em Parte.
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OMISSÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. DECLARAÇÃO RETIFICADORA. CONHECIMENTO. SEM EFEITO INFRINGENTE. Omisso ponto que deveria ser conhecido, os Embargos Declaratórios revela instrumento apropriado a sanálo. Homologação tácita só é cabível quando verificado lapso temporal superior a cinco anos. No caso desse feito o prazo conta a partir da data da apresentação da declaração retificadora que substitui integralmente a retificada, diante da constatação de que o tempo é inferior a cinco anos, impõe em rejeitar os embargos de declaração. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração sem efeito modificativo para sanar a omissão apontada no acórdão embargado, mantendose o resultado do julgamento. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 45 77 /2 00 8- 87 Fl. 170DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de Embargos interposto pela Contribuinte com o objetivo de ver modificado o acórdão número 3403.01.328, que manteve intacta a decisão de piso que deixou de reconhecer o direito creditório pleiteado por meio de PER/ DCOMP, sendo assim, também não homologou a compensação sob o argumento de que a Recorrente não carreou aos autos elementos suficientes à comprovação do seu direito. Sustenta existência de omissão pelo fato de não ter sido apreciado alegação da ocorrência de homologação tácita em razão lapso temporal entre o pedido e a decisão que negou o pleito. O pedido teria sido transmitido em 15 de dezembro de 2003 e retificado em 07 de abril de 2005. O despacho decisório foi proferido em 09 de maio de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Domingos de Sá Filho. Cuidase de recurso tempestivo e atende aos demais pressupostos necessários ao conhecimento. O acórdão embargado negou provimento ao recurso sob os argumentos da inexistência de prova em relação ao pleito. Há sustentação de que teria ocorrido homologação tácita em decorrência do lapso temporal entre o pedido e o despacho decisório. A sustentação procede, em verdade não restou apreciada alegação de homologação tácita. Impõe conhecer e examinar a matéria. É de toda sabença que a declaração retificadora substitui integralmente à original, de modo que, devese contar o tempo a partir da data de transmissão e recepção da nova declaração. Constatado que a Declaração retificadora foi apresentada em 7 de abril de 2005 e o Despacho Decisório proferido em 09 de maio de 2008, não há de se falar em homologação tácita diante do lapso temporal inferior a cinco anos. Com esses fundamentos impõe acolher os embargos para sanar o ponto omisso em relação alegação de homologação tácita e rejeitar os argumentos trazidos em sede de embargos declaratórios. Diante do exposto, conhecer para sanar o ponto omisso sem efeitos modificativo, mantendo o resultado do julgado. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 171DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 15374.904577/200887 Acórdão n.º 3403001.877 S3C4T3 Fl. 5 3 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 15504.015926/2010-86
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Mar 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida- Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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MOLÉSTIA GRAVE. A isenção do imposto de renda ao portador de moléstia grave reclama o atendimento dos seguintes requisitos: (a) reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no dispositivo legal pertinente, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente em exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre e Luís Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 59 26 /2 01 0- 86 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 120 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 95/96), a seguir reproduzido: Contra o contribuinte Dalmir de Jesus, CPF 008.491.03649, foi expedida Notificação de Lançamento, fls. 09 a 14, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008, formalizando a exigência de crédito tributário assim discriminado (valores em reais): Imposto de Renda Suplementar ................................ 10.039,89 Multa de Ofício ........................................................... 7.529,91 Juros de Mora calculados até 07/2010 ...................... 1.104,38 Imposto de Renda Pessoa Física .................................. 645,77 Multa de Mora .............................................................. 129,15 Juros de Mora calculados até 07/2010.......................... 71,03 Valor do crédito tributário apurado ......................... 9.520,13 O lançamento reportase aos dados informados na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, entre os quais foram alterados: os rendimentos tributáveis recebidos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais de R$ 0,00 para R$ 799.139,45 por ter sido verificada omissão de rendimentos; o imposto de renda retido na fonte pela Assembleia Legislativa de Minas Gerais de R$ 175.179,25 para R$ 163.792,45. Na Declaração de Ajuste Anual referente ao exercício 2009 apresentada em 27/04/2009 (fls. 19 a 26), foram informados, entre outros dados, rendimentos tributáveis no valor de R$ 61.041,73 e imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 177.735,37, tendo sido apurado saldo de imposto a restituir no valor de R$ 177.735,37. Cientificado em 09/08/2010 (fl. 17), o contribuinte apresenta, em 08/09/2010, fl. 15, impugnação às fls. 01 a 04, instruída com os documentos de fls. 07 a 08, com as seguintes alegações, em síntese: protocolizou pedido de isenção e restituição de imposto de renda por intermédio do processo n° 10680.002427/200850; em 14/04/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil solicitou Assembleia Legislativa manifestação quanto ao correto enquadramento da doença e a data do reconhecimento; Fl. 120DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 121 3 em 23/04/2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil recebeu oficio da fonte pagadora, informando que o diagnóstico não se enquadra como espondilite anquilosante; recebeu, em agosto de 2010, Notificação de Lançamento, devido à omissão de rendimentos e compensação indevida de imposto de renda retido na fonte; Da Preliminar o contribuinte, segundo laudo médico fornecido pelo SUS Centro de Saúde Tia Amância, é portador de moléstia grave desde abril de 1999, sendo que no citado laudo ficou estabelecido o correto enquadramento da patologia por seu nome legal "espondiloartrose anquilosante", com base na conclusão da medicina especializada; o referido centro de saúde é unidade gerenciada pela Secretaria Municipal de Saúde por meio do Distrito Sanitário Centrosul, integrando assim as unidades de saúde do município e estando apto para emissão de documento; apresentou ainda, parecer médico pericial emitido pela Secretaria de Estado de Segurança Pública — Superintendência de Policia Técnico Cientifica — Instituto Médico Legal, corroborando o diagnóstico e reafirmando o enquadramento; Do Mérito segundo a legislação, os proventos de aposentadoria são isentos ou não tributáveis quando o contribuinte é portador de espondiloartrose anquilosante; segundo o acórdão emanado pelo Conselho de Contribuintes, SUS é competente para emissão de laudo médico oficial vinculado à Prefeitura Municipal, falecendo competência à autoridade tributária para questionar quanto a formalidades de atestados, pareceres e diagnósticos médicos; segundo o parecer CST/SIPR n° 960/89, tornase inócua a discussão acerca da utilização do CID ou acepção semântica da doença no âmbito administrativo, uma vez que houve o correto enquadramento por seu nome legal, cabendo apenas à administração a aplicação da lei; a legalidade, como principio de administração, significa que o administrador público está, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei e deles não pode se afastar ou desviar, sob pena de praticar ato inválido e exporse à responsabilidade disciplinar, civil e criminal; é portador de moléstia grave, o que enseja não somente a isenção, mas também a restituição dos valores retidos a titulo de imposto de renda pela fonte pagadora; a norma isentiva não estabelece que o laudo seja emitido pela fonte pagadora e deixa em aberto ao contribuinte requerer a Fl. 121DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 122 4 documentação hábil a serviço médico oficial, seja da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal; com o intuito de eliminar a divergência, solicitou à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, parecer médico pericial, documento este revestido de detalhamento, especificidade e conclusividade, no qual consta de forma objetiva e inequívoca o enquadramento da doença na norma isentiva; não entende porque foi considerado mero oficio expedido por instituição que legitimamente não é parte integrante do processo, em detrimento do laudo médico emitido por órgão oficial; ao processar suas declarações retificadoras, de acordo com a orientação da Receita Federal do Brasil, respeitou o prazo prescricional e anexou somente o que a legislação exige; a DATASUS, em relação ao CID M45, referese a "espondilite ancilosante" e não "espondilite anquilosante", conforme consta no oficio expedido pela Assembleia Legislativa, assim a Gerência Geral se perde tanto na utilização da acepção semântica quanto na utilização do CID, arvorandose inclusive em tentar corrigir o que o legislador incluiu na norma. Ao final, requer que seja acolhida a presente impugnação, com o expurgo do processo da interferência ilegítima de terceiros, no caso, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais, e o crédito dos valores retidos sobre os proventos de aposentadoria, incluindo a parcela sobre o 13° salário, corrigidos a titulo de restituição. Foi acostado aos autos termo de resposta do contribuinte datado de 26 de maio de 2010, fls. 45 a 48, cujos documentos originais foram anexados no processo n° 15504.020604/200915 às fls. 46 a 49. Por meio do referido termo, o contribuinte apresenta cópia do informe de rendimentos da empresa Real Tókio Marine Vida e Previdência S.A. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2009 MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. A condição de portador de moléstia enumerada no inciso XIV do artigo 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 123 5 DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO O décimo terceiro salário é tributado exclusivamente na fonte, sendo incabível sua compensação na declaração de ajuste anual. Impugnação Improcedente Cientificado da decisão em 21/03/2011 (fl. 63), o Interessado apresentou recurso em 19/04/2011 (fls. 64/72), acompanhado dos documentos de fls. 73/113. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Requereu, por intermédio do processo nº 10680.002427/200850, restituição do imposto de renda sobre os proventos de aposentadoria, por ser portador de moléstia grave. Em 21/07/2008 recebeu DespachoDecisório negando o seu direito. Em 21/03/2011 foi intimado da decisão proferida pela 5ª Turma da DRJ/BHE, no bojo do presente processo administrativo, que julgou a impugnação apresentada improcedente. Tanto o Laudo Médico fornecido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, quanto o Laudo Médico fornecido pela Secretaria de Estado de Segurança Pública no item "Embasamento Legal", atestam, de forma inequívoca, que a moléstia citada se enquadra em lei isentiva. Acatando o disposto no Parecer CST SIPR nº 960/89, ambos os laudos são documentos suficientes para constatação do seu direito. Recebeu a Intimação nº 053/2010, onde foi solicitado a entrar em contato com o NUSAP — Núcleo de Perícias Médicas, com o intuito de agendar perícia médica no prazo de 20 (vinte) dias, afim de que fosse emitido Laudo Médico Pericial conclusivo. Prontamente entrou em contato com o Núcleo de Perícia tentando proceder ao agendamento solicitado e foi informado que o mesmo não poderia ser efetuado, tendo em vista que o processo não se encontrava naquela repartição. Processou a consulta e verificou que o mesmo processo encontravase na Eq Rest Pessoa Física DRFBHEMG. Ficou aguardando até o dia 27/06 véspera do vencimento do prazo para que o processo fosse movimentado e o mesmo pudesse proceder ao agendamento solicitado. Como o processo não foi encaminhado ao NUSAP, viuse impedido de atender à referida intimação. O Laudo emitido pela Secretaria de Estado de Segurança Pública atesta de forma objetiva e inequívoca o enquadramento da doença na norma isentiva, independentemente da não apresentação de RX de coluna vertebral e exame bioquímico. Segundo a Lei nº 7.713, de 1988, art. 6°, inciso XIV, a Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e a Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2°, XIV, os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por espondiloartrose anquilosante são considerados rendimentos isentos ou não tributáveis. Não entende porque a RFB por intermédio do Serviço de Fiscalização/DRJ considera válido mero oficio recebido da Assembleia Legislativa, que em nenhum momento se caracteriza como laudo nem parecer pericial, em detrimento de laudos médicos emitidos por órgãos oficiais, como a norma requer. Fica surpreso, pois segundo a Fl. 123DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 124 6 Assembleia Legislativa o diagnóstico não se enquadra com "Espondilite Anquilosante" — (CID M45) e que o nome definido pelo legislador de "Espondiloartrose Anquilosante" seria inadequado na Lei nº 7.713/1988. Ressalta que para o DATASUS o CID M 45 se refere a "Espondilite ancilosante" e não "Espondifite Anquilosante", conforme consta de oficio da Assembleia, ficando claro que a GerênciaGeral de Saúde e Assistência se perde tanto na utilização da acepção semântica, quanto na utilização do CID, arvorandose, inclusive, em tentar corrigir o que o legislador positivo incluiu na norma. Nenhum dos três médicos que assinam o oficio em nome da Assembleia Legislativa é especialista na patologia manifestada pelo contribuinte. A norma requer, para considerar o direito, a emissão de laudo médico contendo preâmbulo, histórico, discussão, conclusão e resposta aos quesitos, consoante Processo de Consulta nº 260/01. Documento médico que desconsiderasse o direito deveria acompanhar o mesmo critério, fato não observado em oficio da Assembleia Legislativa nem em Parecer Médico Pericial do NUSAP, constante dos autos. É portador de patologia grave que enseja não somente a isenção sobre os seus proventos de aposentadoria quanto à restituição dos valores indevidamente retidos – fato comprovado em laudo pericial emitido pelo SUS. A norma isentiva não estabelece que o laudo seja emitido pela fonte pagadora, mas deixa em aberto ao contribuinte requerer a documentação hábil a qualquer serviço médico oficial, seja da união, estado, município ou distrito federal. Ao fim, requer seja acolhido o presente Recurso com o cancelamento da exigência e a emissão de parecer decisório concessivo do direito, reconhecendo ser o contribuinte portador de patologia grave desde abril de 1999. Caso não seja esse o entendimento, requer a exclusão da multa de oficio com base na Súmula CARF nº 25. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Na peça recursal o Interessado não questiona a glosa de imposto de renda retido na fonte incidente sobre o décimo terceiro salário. Assim, a controvérsia se resume ao valor qualificado como rendimentos isentos e não tributáveis (R$ 799.139,45) lançado no campo “Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave” da declaração de ajuste anual do Recorrente, bem como à possibilidade de exclusão da multa de ofício com base na Súmula CARF nº 25. A intributabilidade dos proventos de aposentadoria do portador de moléstia grave encontra previsão no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 125 7 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O art. 30 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, impõe, ainda, como condição para a isenção do imposto de renda de que trata o inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1988, a emissão de laudo pericial emitido por serviço médico oficial, nos seguintes termos: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Para gozo do benefício fiscal, portanto, fazse necessário que o beneficiário preencha os requisitos legais exigidos, quais sejam: (a) o reconhecimento do contribuinte como portador de uma das moléstias especificadas no inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998, comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial e (b) serem os rendimentos provenientes de aposentadoria ou reforma. Observo, por oportuno, que o conteúdo normativo do inciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713/1998 é explícito em conceder o benefício fiscal tão somente em favor dos portadores das moléstias nele enumeradas. Significa dizer que o rol nele contido é taxativo (numerus clausus). A única exceção é a fibrose cística, incluída na relação por força do disposto no § 2º do art. 30 da Lei nº 9.250/1995, verbis: § 2º Na relação das moléstias a que se refere oinciso XIV do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada peloart. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, fica incluída a fibrose cística (mucoviscidose). No caso concreto, o Interessado, com vistas a ver reconhecido o direito à isenção do imposto de renda retido pela fonte pagadora, apresentou os seguintes documentos emitidos por serviços médicos públicos: a) Laudo Pericial com timbre da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (fl. 32 deste processo digital), emitido em 22.02.2008, nos seguintes termos: Atestamos, para efeito de comprovação junto à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte – MG, que o Sr. Dalmir de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 126 8 Jesus, Carteira de Identidade M 255043, CPF 008.491.08649, é portador de espondiloartrose CID 10 – M 479, estando sob cuidados médicos desde abril de 1999 segundo relatório médico do Dr. Sérgio Noqueira Drumond Jr CRM MG 32394, necessitando de controle por tempo indeterminado. b) Parecer Médico Pericial com timbre da Superintendência de Polícia Técnico Científica, Instituto Médico Legal IML de Três Pontas (fls. 38/41 deste processo digital), emitido em 30.05.2008, com a seguinte conclusão: Periciado portador de espondilite anquilosante em quadril, conforme documento médico firmado em 1999, (cirurgia) que evoluiu com aparecimento de piora funcional, sendo necessário outra cirurgia em 2007 contra lateral para recuperação de função articular, à luz dos conhecimentos médicos atuais, patologia definitiva e irreversível (considerando elementos clínicos ao exame, parecer médico especializado anexo e comprovação radiológica de sacroileite). CID: M 479 A Classificação Internacional de Doenças – CID revela que o código M 479 referese a doença denominada “Espondilose não especificada”, o que significa dizer que o Recorrente, a princípio, não preenche um dos requisitos legais necessários à fruição da isenção de imposto de renda prevista no inciso XIV, do art. 6º, da Lei nº 7.713/1988, qual seja, ser portador de uma das doenças relacionadas no referido dispositivo legal (espondiloartrose anquilosante). Observo, no entanto, que o Parecer Médico Pericial do IML de Três Pontas, não obstante também tenha consignado o código M 479, registrou ser o Recorrente portador de “espondilite anquilosante”, também denominada “espondiloartrose anquilosante” (mesmo sem a apreciação do RX da coluna vertebral/bacia e sem o resultado bioquímico de HLAB27), doença esta que figura na CID sob o código M 45 e está contemplada na relação exaustiva de doenças que autorizam a fruição do benefício fiscal. Constatase, assim, um descompasso nos laudos apresentados pelo Recorrente: os dois apontam o código M 479 da CID (espondilose não especificada), que não está contemplada com a isenção legal, mas um deles descreve a doença do Interessado com a denominação constante do dispositivo legal autorizador da benesse fiscal (espondilite anquilosante, também denominada espondiloartrose anquilosante). A Autoridade preparadora, nos autos do Processo de Restituição nº 10680.002427/200850, verificando a inconsistência relatada, solicitou à Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais (fonte pagadora) pronunciamento acerca do correto enquadramento legal da doença do Recorrente. Em resposta enviada à DRF BHE, a Coordenação de Saúde e Assistência da Assembleia (fl. 35 deste processo digital) assim se pronunciou: Com vistas a subsidiar análise do Pedido de Restituição do Imposto de Renda do contribuinte Dalmir de Jesus, servidor aposentado da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, CPF: 008.481.03649, Processo nº 10680.002427/200850, referente à isenção de Imposto de Renda sobre os proventos de aposentadoria, temos a informal que a Lei 7.713/88 contempla o diagnóstico de espondilite anquilosante, também Fl. 126DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 127 9 inadequadamente denominada espondiloartrose anquilosante (CID: M 45), dentre as doenças que dão direito à isenção de Imposto de Renda. O Dr. Sérgio Nogueira Drumond Júnior, CRMMG32304 atesta ser o servidor portador de espondiloartrose anquilosante, mas informa o CID: M 479 (espondilose não especificada), que não está relacionada na referida lei. Além disso,. não apresenta exames comprobatórios de espondilite anquilosante, tais como: teste sorológico especifico (HLAB27), comprovação radiológica ou tomográfica de anquilose da coluna vertebral e bacia. Assim sendo, não temos elementos para classificar o servidor como portador de espondilite anquilosante. A Autoridade julgadora de piso, para “formar um perfeito juízo sobre a matéria”, requereu a diligência de fl. 42 deste processo digital, solicitando ao Núcleo de Saúde e Perícias Médicas (NUSAP) da Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda em Minas Gerais que informasse se o contribuinte era portador de moléstia grave prevista no inciso XIV, do art. 6º da Lei nº 7.713/1988. O Recorrente alega que entrou em contato com o Núcleo de Perícias do Ministério da Fazenda com o objetivo de proceder ao agendamento de perícia, mas foi informado que o mesmo não poderia ser efetuado, uma vez que o processo não se encontrava naquela repartição. Os documentos de fls. 43/44 deste processo digital (correspondência do NUSAP e intimação da DRF BHE), entretanto, vão de encontro à alegação do Interessado. O excerto abaixo transcrito, que consta da correspondência do NUSAP, explicita a divergência entre a alegação do interessado e os documentos constantes dos autos: De ordem, para emissão de Parecer Medico Pericial conclusivo, e após tentativas infrutíferas, o contribuinte deverá agendar perícia neste Núcleo em horário comercial, trazendo consigo RX de coluna lombosacra e Exames bioquimicos. Como a perícia não foi agendada, o NUSAP, com base nos documentos até então apresentados pelo Recorrente, emitiu o Parecer Médico Pericial nº 042010 (fl. 45 deste processo digital), nos seguintes termos: Interessado: Dalmir de Jesus Processo: 10680.002427/200850 Isenção IRPF por moléstia grave. Decisão: A Junta Médica do Ministério da Fazenda em Minas Gerais, após avaliação da solicitação constante do presente processo, concluiu que, do ponto de vista médico, o requerente não se enquadra para o beneficio pleiteado. Fundamento Legal: Artigo 6º, inciso XIV da Lei n°. 7.713/88 com a redação dada pela Lei nº 8.541/92, alterada pela Lei nº. 9.250/95 e Lei n°. 11.052/04. Anoto, por importante à solução da controvérsia, que o Relatório Médico (fl. 33 deste processo digital) que serviu de fundamento à emissão do Laudo Pericial emitido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (fl. 32), datado de 15.02.2008, aponta código CID M 479 (Espondilose não especificada), ao passo que os documentos colacionados aos autos em Fl. 127DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 15504.015926/201086 Acórdão n.º 2801002.894 S2TE01 Fl. 128 10 sede recursal (Relatório Médico de fl. 91, datado de 25.05.2008, e Prontuário Médico de fl. 93, datado de junho de 1999) atestam que a doença do Recorrente está classificada sob o código M 160 da CID (coxartrose primária bilateral), que também não consta da relação taxativa prevista no dispositivo legal autorizador do benefício fiscal. Nesse cenário de inúmeras divergências entre os vários documentos apresentados pelo Interessado, entendo que devem prevalecer a manifestação da Coordenação de Saúde e Assistência da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (fl. 35 deste processo digital) e o Parecer Médico Pericial nº 042010 (fl. 45 deste processo digital) emitido pelo NUSAP do Ministério da Fazenda. Registro, por fim, a impossibilidade de exclusão da multa de ofício com base na Súmula CARF nº 25, porquanto esta regula hipótese de não aplicação de multa qualificada em casos de presunção de omissão de receitas ou rendimentos, que não é o caso do presente processo administrativo. Face ao exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 128DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 02/02/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 18088.720244/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2010 a 31/12/2010
Ementa:
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO.
A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsimir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.329
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluída do lançamento a parcela referente à multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. MULTA ISOLADA. COMPROVAÇÃO DA FALSIDADE DA DECLARAÇÃO.. INSTRUÇÃO DEFICIENTE DO PROCESSO. A falsidade da declaração, a conduta dolosa do sujeito passivo tem que estar demonstrada no auto de infração para se subsimir ao tipo infracional previsto no art. 89, §10 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, devendo ser excluída do lançamento a parcela referente à multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 02 44 /2 01 1- 16 Fl. 8475DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Andre Luis Marsico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Adriana Sato, Bianca Delgado Pinheiro. Fl. 8476DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 102 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado contra o sujeito passivo acima identificado em 18/10/2011, referese à glosa de valores compensados indevidamente nas competências de 05/2010 a 12/2010, relativos às contribuições incidentes sobre as seguintes verbas: adicional de 1/3 de férias, horas extras, adicional noturno, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e pagamento pelos primeiros 15 dias de afastamento por auxíliodoença, no período de 04/2000 a 05/2010. O relatório fiscal diz que a auditoria foi efetuada para confirmar a regularidade das compensações informadas em GFIP. Que foram solicitados os demonstrativos, planilhas de cálculo e documentos comprobatórios referentes às compensações efetuadas, mas não foi entregue qualquer documentação comprobatória para o Fisco. Aduz o relatório que o contribuinte adotou a prescrição decenal para as competências até 08/06/2005 e quinquenal para as competências a partir de 09/06/2005, e que foi aplicada a multa isolada de 150%, por ter o contribuinte inserido em GFIP informação de compensação sem qualquer comprovação do direito creditório. O Fisco ressalta a intenção dolosa do contribuinte ao não entregar a documentação solicitada para permitir a correta identificação das rubricas envolvidas no recolhimento supostamente indevido, o que maculou de inverdades as declarações de compensação em GFIP’s. Após a impugnação Acordão Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o Supremo Tribunal Federal fixou entendimento que é ilegítima a contribuição previdenciária sobre adicional de férias, horas extras, 1/3 de férias, serviços exraordinários, adicionais noturno, de insalubridade e demais adicionais, sendo que apurou créditos relativos a tais verbas e procedeu às compensações; b) os créditos são legítimos e as compensações fidedignas; c) não foi comprovada pelo fisco a falsiddae das declarações para a imputação da multa de ofício; d) as compensações podem ser efetuadas sem a anuência do judiciário ou da RFB; e) que também não é necessário o trânsito em julgado das ações judiciais para se promover a compensação; Fl. 8477DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 f) o auto de infração deve ser anulado por vício formal e material, por ser incabível a aplicação concomitante de multa de lançamento de ofício com multa isolada. Requer o acolhimento do recurso e o cancelamento do débito. É o relatório. Fl. 8478DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 103 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Insurgese o Recorrente contra a glosa de compensação efetuada pelo Fisco, porque entende que as compensações foram realizadas regularmente. O direito à restituição de créditos tributários pagos indevidamente ou a maior foi regulamentado no Código Tributário Nacional, artigos 165 a 169, sendo que, se por algum motivo o imposto pago for superior ao previsto na lei, haverá indébito a repetir. No art. 165 do CTN constam as hipóteses de restituição, onde será devolvido o tributo pago em desconformidade com as circunstâncias materiais ou em duplicidade, ou quando houver erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito. A restituição pode ser feita diretamente em moeda ou por compensação com tributos de mesma espécie, vencidos ou vincendos. A compensação é uma modalidade de restituição, aplicandoselhe, as mesmas regras relativas àquela. O art. 168 do CTN fixou o prazo de 5 anos, a contar da extinção do crédito tributário, para a apresentação de requerimento de restituição de tributos que tenham sido pagos indevidamente ou a maior. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 inseriu no ordenamento jurídico norma tributária de natureza interpretativa, dispondo que a extinção do crédito tributário ocorrerá no momento do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. Lei Complementar nº 118/2005 Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o §1o do art. 150 da referida Lei. Portanto, a compensação de contribuições previdenciárias deve obedecer ao do prazo prescricional de cinco anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o §1º do art. 150 do CTN. O instituto da compensação de tributos federais foi regulamentado pela Lei 8.383/91, no seu artigo 66: LEI N° 8.383, de 30 de dezembro de 1991 Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no Fl. 8479DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 recolhimento de importância correspondente a período subsequente. §1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. (grifos nossos) §2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. §3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. §4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. E, quanto as contribuições sociais destinadas ao financiamento da Seguridade Social, o instituto da compensação foi regulamentado pelo art. 89 da Lei Nº 8.212/91: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §4º Na hipótese de recolhimento indevido, as contribuições serão restituídas ou compensadas atualizadas monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §5º Observado o disposto no §3º, o saldo remanescente em favor do contribuinte, que não comporte compensação de uma só vez, será atualizado monetariamente. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §6º A atualização monetária de que tratam os §§ 4º e 5º deste artigo observará os mesmos critérios utilizados na cobrança da própria contribuição. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §7º Não será permitida ao beneficiário a antecipação do pagamento de contribuições para efeito de recebimento de benefícios.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §8º Verificada a existência de débito em nome do sujeito passivo, o valor da restituição será utilizado para extinguilo, total ou parcialmente, mediante compensação. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 8480DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 104 7 No caso em tela, o Fisco relata que o recorrente informou em GFIP valores a serem compensados nas competências de 05/2010 a 12/2010, relativos a recolhimentos supostamente efetuados a maior, no período de 04/2000 a 05/2005 e 06/2005 a 05/2010. A recorrente ampara seu direito à compensação em recolhimentos havidos sobre verbas que entende indenizatórias, mas que de acordo com a legislação vigente são passíveis da incidência contributiva previdenciária, por se subsumirem ao conceito de salário de contribuição, insculpido no artigo 28 da Lei n.º 8.212/91: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados integram ou não o salário de contribuição, sendo que as excludentes do mesmo estão contidas no §9º, do citado artigo, onde não se incluem as verbas que a recorrente quer se eximir do recolhimento previdenciário: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a)os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 8481DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 e) as importâncias: (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, Lei nº 9.528, de 10/12/97) 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 5. recebidas a título de incentivo à demissão; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 9 recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 8482DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 105 9 n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Incluído pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) A recorrente limitase a dizer que compensou verbas indenizatórias suportada por jurisprudências dos tribunais pátrios, mas não logrou demonstrar qualquer decisão que lhe atingisse Fl. 8483DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 O relatório fiscal e todos os documentos que embasaram a auditoria fiscal demonstram que a ação fiscalizatória se deu para comprovar a licitude da compensação efetuada, e por isso foram solicitados, através de termos próprios, os documentos comprobatórios do real direito à compensação de valores relativos às contribuições sociais, mas o recorrente não atendeu às solicitações. A alegação da recorrente de que as compensações podem se operar independentemente da anuência da Receita Federal do Brasil e do Judiciário não tem o condão de legitimálas. É certo que o contribuinte pode se compensar de valores recolhidos indevidamente, mas é prioritário que exista o recolhimento indevido, o que não restou demonstrado pela autuada. A propositura de ação judicial para declarar que determinadas verbas não compõem o salário de contribuição, não autoriza ao contribuinte proceder à compensação de valores antes de sentença definitiva. Portanto, correto o procedimento fiscal que glosou as compensações efetuadas pelo contribuinte com a única justificativa de serem verbas indenizatórias. No caso presente, o lançamento contempla a multa de ofício, em virtude da aplicação do artigo 35A da citada Lei n.º 8.212/91, introduzido pela MP 449 de 03/12/2008, convertida, posteriormente, na Lei 11.941, de 27/05/2009, com agravamento da multa por conta da declaração falsa em GFIP, quanto às compensações, que conforme demonstrado pelo Fisco eram improcedentes e indevidas. De acordo com o contido no parágrafo 10, do artigo 89, da Lei n.º 8.212/91, a aplicação da multa isolada pressupõe a existência da compensação indevida aliada à comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. È de se notar que, a compensação indevida de contribuições previdenciárias é tida apenas como inadimplemento de tributo, e não quer dizer que havendo compensação indevida, necessariamente, estará configurada a falsidade para, de forma ardilosa, ludibriar o fisco Para que se possa aplicar a multa isolada nos casos de compensação indevida, é essencial que reste demonstrada e comprovada a falsidade ou a fraude praticada pelo sujeito passivo, não basta apenas fazer menção à existência de compensação indevida. Peço licença ao ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva para transcrever parte de seu voto proferido no julgamento do processo 13433.000631/201061 do MUNICÍPIO DE AREIA BRANCA PREFEITURA MUNICIPAL, Acórdão 2302002.285, de 23/01/2003, que trata do assunto Do que se extrai da dicção do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, a aplicação da multa isolada encontrase subjugada à ocorrência simultânea de duas condicionantes inafastáveis, sendo a primeira a própria compensação indevida (“na hipótese de compensação indevida”) e a segunda, a comprovada falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo (“quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”). Ambos assumem, dessa maneira, cunho de aplicação cumulativa, de modo que a ausência de uma ou de outra não se rende ensejo à aplicação da penalidade em relevo. Nessa perspectiva, a mera compensação indevida de contribuições previdenciárias configurase, tão somente, inadimplemento de tributo devido e não recolhido, em relação aos quais, na constituição de ofício do crédito tributário, além Fl. 8484DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 106 11 do principal, o lançamento deverá contemplar os acréscimos legais de caráter moratório, nos termos fixados no §9º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Fato diametralmente diverso se configura com o emprego de meio fraudulento, aqui incluída a falsidade, visando a iludir o Fisco Federal sobre a efetiva ocorrência do fato jurígeno tributário, ou a excluir ou modificar suas características essenciais e/ou efeitos, ocultandoo, assim, de forma ardilosa. Na apreciação do caso concreto, uma vez caracterizada a compensação indevida, a configuração da hipótese de incidência da multa isolada exige, para a sua consumação, a demonstração da falsidade, eis que elemento objetivo do tipo, sendo necessária e imprescindível sua comprovação, a teor do §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Indispensável, pois, se perquirir onde se encontra a falsidade ou fraude na declaração das compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, e se fazer coligir aos autos os elementos de convicção da efetiva ocorrência da falsia em relevo. Ora, mas o que se entende por falsidade de declaração? Um mero erro material de digitação na GFIP, resultando num montante de compensação a maior que as forças do crédito de titularidade do sujeito passivo, já se consumaria numa falsidade de declaração? Uma declaração a maior do montante compensável, em GFIP, resultante do emprego de metodologia de atualização do crédito e de acumulação de juros moratórios diferente da adotada pela RFB, seria suficiente para enquadrala como acometida de falsidade? Ou seria necessário, para a consumação da conduta típica em tela, que o infrator, consciente de que não possui qualquer direito creditório, informe dolosamente no documento em apreço compensação de créditos previdenciários sabidamente inexistentes (ou a menor) visando à redução do montante a ser recolhido? A Lei nº 8.212/91 não define, para fins de enquadramento na conduta tipificada no §10 do seu art. 89, o conceito do termo “falsidade de declaração”, tampouco sua abrangência e alcance. Nessas situações, ante a ausência de disposição expressa, o codex tributário impõese a integração legislativa mediante a analogia, os princípios gerais de direito tributário, os princípios gerais de direito público e a equidade. Código Tributário Nacional CTN Art. 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; Fl. 8485DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a equidade. §1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. §2º O emprego da equidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. Tratandose de normas que impingem ao infrator uma penalidade decorrente da transgressão de uma norma de conduta, nada mais natural do que a integração analógica com as normas que dimanam do Direito Penal. Sob tal prisma, há que se perquirir se, para a caracterização de falsidade de declaração, seria necessária a tipificação de falsidade de documento público ou, numa gradação mais branda, suficiente seria a mera falsidade ideológica? Cumpre salientar que, para os efeitos da incidência da lei penal, a GFIP equiparase a documento público, a teor dos §§ 2º e 3º do art. 297 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Falsificação de documento público Art. 297 Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro: Pena reclusão, de dois a seis anos, e multa. §1º Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, aumentase a pena de sexta parte. §2º Para os efeitos penais, equiparamse a documento público o emanado de entidade paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade comercial, os livros mercantis e o testamento particular. (grifos nossos) §3º Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir: (Incluído pela Lei nº 9.983/ 2000) I na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado obrigatório; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) II na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter sido escrita; (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) III em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que deveria ter constado. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Fl. 8486DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 107 13 §4º Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no §3º, nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de trabalho ou de prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 9.983/2000) (grifos nossos) Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: (grifos nossos) Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendose do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Seja num caso, seja no outro, os princípios de direito público atávicos ao Direito Penal exigem, para a subsunção à conduta típica, não somente a coincidência objetiva de condutas, mas, também, a presença do elemento subjetivo consubstanciado no dolo ou na culpa, esta, quando expressamente prevista no corpo do tipo, a teor do Parágrafo Único do art. 18 do Código Penal. DecretoLei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 – Código Penal Art. 18 Dizse o crime: (Redação dada pela Lei nº 7.209/84) Crime doloso(Incluído pela Lei nº 7.209/84) I doloso, quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo;(Incluído pela Lei nº 7.209/84) Crime culposo(Incluído pela Lei nº 7.209/84) II culposo, quando o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Parágrafo único Salvo os casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. (Incluído pela Lei nº 7.209/84) Assim, sob o prisma da norma que pespega penalidades, indispensável para a caracterização da conduta típica de falsidade de documento público e de falsidade ideológica a comprovação da coexistência do elemento subjetivo do tipo consistente na consciência e vontade de concretizar os requisitos objetivos do tipo. Mostrase valioso revisitar também os conceitos jurídicos assentados na Lei nº 4.502/64, verbatim: Fl. 8487DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Lei nº 4.502/64 Art. 68. A autoridade fixará a pena de multa partindo da pena básica estabelecida para a infração, como se atenuantes houvesse, só a majorando em razão das circunstâncias agravantes ou qualificativas provadas no processo. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...)§2º São circunstâncias qualificativas a sonegação, a fraude e o conluio. (Redação dada pelo DecretoLei nº 34/66) (...)Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Notese, ainda, que a falsidade ideológica se qualifica como um tipo penal incongruente, exigindo para a sua caracterização, além do dolo genérico, uma intenção especial do agente, um requisito subjetivo transcendental denominado dolo específico, consubstanciado num especial fim de agir, in casu, a intenção de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Pintado nesse matiz o quadro fáticojurídico, se nos antolha que, para que se configure a ocorrência do tipo infracional previsto no §10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91, necessária é a presença do elemento subjetivo associado à conduta típica descrita na norma, consistente na consciência do agente de que, mesmo sabedor de que não possui direito creditório à altura, mesmo assim informa na GFIP compensação de contribuições previdenciárias visando a esquivarse do recolhimento da exação devida. Por esse motivo, exige a regra tributária em realce que, para a caracterização do tipo infracional em debate, o agente fiscal tem que demonstrar a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. A tal conclusão também se converge, ao se apreciar, pelo crivo da proporcionalidade, a dualidade de imputações fixadas nos parágrafos 9º e 10 do art. 89 da Lei nº 8.212/91: Tratandose de compensação indevida, nas hipóteses em que o agente não teve a intenção de fraudar a norma tributária, a penalidade pecuniária a ser aplicada será a mais branda, nos termos fixados no §9º do Fl. 8488DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18088.720244/201116 Acórdão n.º 2302002.329 S2C3T2 Fl. 108 15 suso mencionado art. 89, consistente na multa de mora graduada na forma do art. 61 da Lei nº 9.430/96, além dos juros moratórios. Tratandose, por outro viés, de tentativa de fraude mediante a consciente e inescusável inserção de informações falsas na GFIP, visando dolosamente a reduzir tributo, rigorosa deverá ser a punição a ser infligida ao infrator, consistente na multa de 150% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Nestes casos, assentado que a penalidade estabelecida na lei é por demais severa, deve o agente fiscal se certificar de que a conduta perpetrada pelo sujeito passivo, de fato, reuniu todos elementos objetivos e subjetivos do tipo, de molde a se evitar, ao máximo, a imputação de penalidade indevida. Não por outra razão, a hipótese típica em debate exige do agente fiscal, além da descrição do fato e da disposição legal infringida (art. 10 do Decreto nº 70.235/72), a comprovação da falsidade da declaração. Não se pode perder de vista que a interpretação defendida nos parágrafos antecedentes também se coaduna à regra de hermenêutica plantada no art. 112 do CTN, do qual floresce o princípio da interpretação mais benéfica ao infrator da lei que definir infrações ou cominar penalidades em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato, à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos, à autoria, imputabilidade, ou punibilidade ou à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Código Tributário Nacional CTN Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Tal interpretação, indubitavelmente, se revela como a mais benéfica ao acusado, uma vez que exclui do tipo infracional mais severo as compensações indevidas nas quais o agente não teve o dolo de fraudar a Lei de Custeio da Seguridade Social, conduzindo tais casos à hipótese genérica e abstrata assentada no §9º do citado art. 89 da Lei nº 8.212/91, que prevê, tão somente, a incidência de juros e multa moratória sobre o montante indevidamente compensado. Portanto, é de se ver que não restou comprovado nos autos que o recorrente tenha agido de forma dolosa ao informar em GFIP seu direito à compensação. Ainda que a compensação tenha sido considerada indevida pelo fisco, não há que se aplicar a multa isolada Fl. 8489DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 sem a cabal demonstração do dolo, da fraude cometida, para se subsumir ao disposto pelo artigo 89, §10º da Lei n.º 8.212/91: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Alterado pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. Incluído pela MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449, DE 3 DE DEZEMBRO DE 2008 – DOU DE 4/12/2008 Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, devendo ser excluída do lançamento, a parcela referente à multa isolada. . Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 8490DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 26/02/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11030.905007/2009-25
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos da presente resolução. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros José Luiz Bordignon, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Tratase de Manifestação de Inconformidade, fls. 10 e 11, contra despacho decisório eletrônico da DRF/Passo Fundo, nº. 842600965, fl. 06, que não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp nº 17708.14903.280406.1.3.046200, em virtude do crédito apontado ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos da contribuinte, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 30 .9 05 00 7/ 20 09 -2 5 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905007/200925 Resolução nº 3801000.437 S3TE01 Fl. 40 2 não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp. Cientificada do despacho decisório, em 29/06/2009, a interessada apresentou, em 28/07/2009, manifestação de inconformidade, fls. 10 e 11, alegando, em síntese, que: · efetuou a opção pelo regime não cumulativo e refez a apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da COFINS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei; · após a retificação da apuração do referido mês, o débito que havia sido apurado deixou de existir. A DCTF do período foi retificada; · requer o recebimento da manifestação de inconformidade e homologação Per/Dcomp n° 17708.14903.280406.1.3.046200. A DRJ em Salvador (BA), às fls. 23/26, julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. DISPONIBILIDADE DO CRÉDITO. O crédito usado em compensação tem que estar disponível na data da transmissão do PER/DCOMP. RESTITUIÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS. COMPROVAÇÃO. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea acarreta a negação de reconhecimento do direito creditório, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 29 a 34, no qual , apesar de fazer referência ao período de apuração de maio/2004, reproduz, na essência, as razões apresentadas por ocasião da impugnação. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905007/200925 Resolução nº 3801000.437 S3TE01 Fl. 41 3 Voto O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração da Cofins faturamento, referente ao mês de jun/2004, em função da lei nº 10.892/2004, que, no seu art. 4º, facultava às cooperativas de produção agropecuária adotarem antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de maio de 2004, e no parágrafo único do art. 4º, que deu o prazo de até o décimo dia do mês subseqüente ao da publicação da referida lei para que fosse feita a opção pelo regime não cumulativo. Do exame do despacho decisório que indeferiu a compensação, verificase que essa matéria não foi apreciada. A autoridade fiscal, em síntese, apenas considerou os dados apresentados na DCTF original. Tal fundamentação, por certo, decorre de análise superficial, realizada nos limites de sistema informatizado de informações (batimento entre o pagamento informado como indevido e sua situação no conta corrente – disponível ou não), no qual não se está analisando efetivamente o mérito da questão, cuja análise somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Registrese, por oportuno, que a DCTF retificadora foi apresentada antes da ciência do despacho decisório. Assim, a interessada não foi intimada a justificar a origem de seu crédito, o que de fato lhe trouxe prejuízo. Convém ressaltar que o simples erro de preenchimento da DCTF não pode resultar em enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional. Ademais, não há óbice legal para a apresentação de DCTF retificadora antes da emissão do despacho decisório. De sorte que o mero erro de fato no preenchimento da DCTF não é elemento suficiente para afastar o direito à restituição de tributo pago a maior indevidamente. No mérito, analisemos os arts. 4º e 5º da lei nº 10.892/2004: Art. 4o As sociedades cooperativas de produção agropecuária e as de consumo poderão adotar antecipadamente o regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Parágrafo único. A opção será exercida até o 10o (décimo) dia do mês subseqüente ao da data de publicação desta Lei, de acordo com as normas e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, produzindo efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 5o Esta Lei entra em vigor em 1o de outubro de 2004, exceto em relação ao seu art. 4o, que entra em vigor na data da sua publicação. A recorrente, por se tratar de sociedade cooperativa de produção agropecuária, tendo efetuado a opção de antecipação do regime de nãocumulatividade de que trata o art. 4º da Lei nº 10.892, de 2004, deveria apurar as contribuições nesse regime a partir de 1º de maio Fl. 41DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11030.905007/200925 Resolução nº 3801000.437 S3TE01 Fl. 42 4 de 2004. A adesão antecipada pelo regime de nãocumulatividade foi regulamentada pela IN SRF 433/2004. Como a publicação da Lei nº 10.892 ocorreu em 14.7.2004, essa opção deuse de forma retroativa em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de maio de 2004, o que poderia ocasionar divergências em relação às contribuições apuradas pelo regime de incidência cumulativo, como alegado pela recorrente. Neste sentido, os dados da DCTF retificadora apontados no acórdão recorrido e os documentos colacionados são indícios de prova dos créditos e, em tese, ratificam os argumentos apresentados. Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constata se que, no caso vertente, os documentos apresentados são insuficientes para se apurar o valor correto da contribuição para a COFINS referente ao período de apuração em discussão. Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) Anexe cópia da DCTF retificadora/ativa referente ao 2º trimestre de 2004; b) Informe se o contribuinte efetuou a opção do art. 4º da Lei nº 10.892/2004 regulamentada pela IN SRF 433/2004, intimandoo, se necessário, a apresentar a cópia do documento comprobatório da adesão antecipada; c) apure o valor devido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidente sobre o faturamento com base na escrituração fiscal e contábil, período de apuração de Jun/2004, segundo o regime de incidência não cumulativo, nos termos do art. 4º da Lei nº 10.892/2004; d) cientifique a interessada quanto ao teor dos cálculos para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator Fl. 42DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 28/03/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720648/2011-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. BIS IN IDEM. MULTIPLAS AUTUAÇÕES EM DECORRÊNCIA DE AÇÕES ADVINDAS DO MESMO FATO GERADOR.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996.
Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09.
O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor.
Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso - no processo AIOA DEBCAD 37.318.775-0 (CFL 68) - no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso, no processo AIOA DEBCAD 37.318.776-9, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso; c) em dar provimento parcial ao Recurso - nos processos AIOP DEBCAD 37.318.772-6, AIOP DEBCAD 37.318.773-4, AIOP DEBCAD 37.318.774-2 - no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redatora: Bernadete de Oliveira Barros.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro De Moraes - Relator.
(assinado digitalmente)
Bernadete de Oliveira Barros - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. BIS IN IDEM. MULTIPLAS AUTUAÇÕES EM DECORRÊNCIA DE AÇÕES ADVINDAS DO MESMO FATO GERADOR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32-A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso - no processo AIOA DEBCAD 37.318.775-0 (CFL 68) - no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso, no processo AIOA DEBCAD 37.318.776-9, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso; c) em dar provimento parcial ao Recurso - nos processos AIOP DEBCAD 37.318.772-6, AIOP DEBCAD 37.318.773-4, AIOP DEBCAD 37.318.774-2 - no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro De Moraes - Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes.
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INCOMPETÊNCIA DO CARF. TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. BIS IN IDEM. MULTIPLAS AUTUAÇÕES EM DECORRÊNCIA DE AÇÕES ADVINDAS DO MESMO FATO GERADOR. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os transportadores autônomos se enquadram na categoria de contribuintes individuais, regida pelo art. 22, III, da Lei 8.212, de 1991. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Em relação à aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o seu cálculo final deve observar o disposto no artigo 32A, da Lei 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 48 /2 01 1- 26 Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso no processo AIOA DEBCAD 37.318.7750 (CFL 68) no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, até 11/2008, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; b) em negar provimento ao recurso, no processo AIOA DEBCAD 37.318.7769, nos termos do voto da Redatora. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antônio de Souza Correa, que votaram em dar provimento ao recurso; c) em dar provimento parcial ao Recurso nos processos AIOP DEBCAD 37.318.7726, AIOP DEBCAD 37.318.7734, AIOP DEBCAD 37.318.7742 no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do (a) Relator (a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a) Redatora: Bernadete de Oliveira Barros. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro De Moraes Relator. (assinado digitalmente) Bernadete de Oliveira Barros Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antônio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.534 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa TRASNPORTES TRANSVIDAL LTDA – ME em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2009. 2. Conforme narra o relatório fiscal o débito foi lançado tendo em vista a constatação de que houve o descumprimento de obrigações tributárias relativas às contribuições sociais previdenciárias: “3.1.2. No exercício das atribuições de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, deuse início ao procedimento fiscal em 13/01/2011, às 09:50hs, através de ciência do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF, em atendimento ao MPF nº 10.1.04.00201100020, com fins de verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais previdenciárias; a cargo da empresa sobre a remuneração dos transportadores rodoviários autônomos; dos contribuinte individuais descontadas pela empresa; bem como as contribuições para outras entidades e fundos (SEST/SENAT), contribuições estas dos transportadores rodoviários autônomos recolhidas pela empresa.” (f. 44) 3. Ainda segundo a peça introdutória fazem parte do lançamento os seguintes levantamentos: a) AIOP DEBCAD 37.318.7726 (CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA): “constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações de contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos por se tratar de prestação de serviços tomados de pessoas físicas sem vínculo empregatício.” (f. 49) b) AIOP DEBCAD 37.318.7734 (CONTRIBUIÇÃO TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO AUTÔNOMO): “constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal em relação ao contribuinte individual o exercício de atividade remunerada”. (f. 51) c) AIOP DEBCAD 37.318.7742 (CONTRIBUIÇÃO OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS): “constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações de contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos por se tratar de prestação de serviços tomados de pessoas físicas sem vínculo empregatício.” (f. 53) d) AIOA DEBCAD 37.318.7750 (CFL 68): “a apresentação de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de calculo, seja em relação aos campos que alteram o valor das contribuições é Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei 8.212/1991, art. 32, inciso IV, §5º, c/c o inciso II do art. 284 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributário principal relativamente à penalidade pecuniária, multa por infração, aplicada nos termos dos art. 92 a 102 da mesma Lei.” (f. 60) e) AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34): “deixar de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 61) f) AIOA DEBCAD 37.318.7777 (CFL 30): “deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RDB é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I e §9 do artigo 32 da Lei 8.212/1991 e no inciso I e §9 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/1999, e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) g) AIOA DEBCAD 37.318.7785 (CFL 59): “deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I alínea ‘a’ do artigo 30 da Lei 8.212/1991 e no inciso I alínea ‘a’ do artigo 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1990 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) 4. O acórdão de primeira instância restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE. A constitucionalidade e a legalidade das leis são vinculadas para a Administração Pública. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE POR SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.535 5 A remuneração do segurado contribuinte individual que presta serviço de transporte à empresa é aferida indiretamente em razão das peculiaridades inerentes à atividade, na forma determinada pela legislação. CONTRIBUIÇÃO PATRONAL PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVDUAL. As contribuições previdenciárias a cargo da empresa incidem sobre a remuneração do segurado contribuinte individual, na forma prevista na legislação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO SEGURADO CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. BASE DE CÁLCULO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE. Não se confunde a sistemática da retenção de 11% sobre o valor dos serviços prestados por empresa, mediante cessão de mãodeobra, com a contribuição do segurado contribuinte individual que presta serviço à empresa, a quem compete a arrecadação, mediante o desconto de sua remuneração e o correspondente recolhimento. A contribuição previdenciária do segurado contribuinte individual incide sobre sua remuneração, observando o limite máximo do saláriode contribuição, na forma prevista na legislação. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS AO SEST E AO SENAT. RESPONSABILIDADE. BASE DE CÁLCULO. Compete às empresas tomadoras dos serviços de trabalhadores transportadores rodoviários a arrecadação e o recolhimento das contribuições por eles devidas ao SEST e ao SENAT. As contribuições destinadas a terceiros têm a mesma base de cálculo das contribuições previdenciárias. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 GFIP. OMISSÃO DE FATO GERADOR. Constitui infração à legislação previdenciária deixar o contribuinte de informar mensalmente na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Às obrigações acessórias vinculadas à declaração das contribuições previdenciárias não recolhidas aplicase a multa prevista na legislação de regência, exceto quando a nova previsão legal de multa for mais benéfica ao contribuinte. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 Não se confunde a nova previsão legal de multa para a hipótese em que o contribuinte deixa de recolher o tributo e não informa ou informa com incorreção a GFIP, com a nova previsão legal destinada a penalizar a empresa que recolheu o tributo, tendo exclusivamente deixado de informar ou informado de forma inexata a GFIP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO E MULTA DE MORA. NOVA PREVISÃO LEGAL. MULTA MAIS BENÉFICA. As contribuições previdenciárias incluídas em lançamento fiscal, sujeitam se à incidência de multa de mora ou de ofício, na competência, prevalecendo para as competências anteriores à vigência da nova lei, a mais benéfica para o sujeito passivo. MULTA. INEXISTÊNCIA DE NOVA PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar na aplicação da penalidade mais benéfica quando inexiste nova previsão legal para a conduta. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO. Inaplicável o Princípio da Consumação às penalidades previstas por descumprimento de obrigações tributárias, cujas hipóteses de incidência são distintas e decorrem de lei específica. JUROS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. Os juros incidentes sobre o valor originário das contribuições devidas obedecem a legislação vigente à época dos fatos geradores. JUROS. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIA. Somente a partir da constituição dos créditos por descumprimento de obrigação acessória corem os juros equivalentes á taxa SELIC. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (ff. 1451 a 1453) 5. Buscando reverter o lançamento de débito, o contribuinte apresentou suas razões levantando as seguintes preliminares: a) primeiramente, aponta como prejudicial o fato de o Colegiado a quo não ter reconhecido e julgado as ilegalidades e inconstitucionalidades existentes na autuação fiscal e pugna pela apreciação de tais questões por este Conselho; b) por fim, requer que até a decisão final do processo, seja observada a amplitude de defesa e contraditório no curso do processo fiscal em lide, com a apreciação dos documentos/provas que, por razões alheias à vontade do contribuinte, eventualmente não tenha ainda sido possível apresentar; Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.536 7 6. Ainda em sede recursal, a empresa trouxe à análise deste Órgão Julgador os mesmos fundamentos apresentados em sua peça impugnatória, os quais transcrevo da decisão de primeira instância: “ AI Debcad nº 37.318.7726: a) discorda da fixação do percentual aplicado sobre o valor bruto do frete por meio de decreto, correspondente à remuneração do segurado contribuinte individual que presta serviços de transportes à empresa. Alega desobediência ao princípio da legalidade e da tipicidade. Refere entendimentos jurisprudenciais pela não aceitação da fixação da base de cálculo por ato infralegal. Conclui ser ilegal a base de cálculo fixada no parágrafo 4º do artigo 201 do Decreto nº 3048/99, desobedecendo ao inciso III do artigo 22 da Lei nº 8.212/91, bem como aos limites traçados pelos artigos 150 e 195 da Constituição Federal. Aduz que a autuação não reflete a realidade tributável efetivamente ocorrida, no caso, a remuneração paga ao transportador autônomo. Requer seja julgado improcedente o lançamento pelos fundamentos apontados; b) insurgese quando à aplicação concomitante da multa de mora com a multa de ofício, configurando ‘bis in idem’. Alega que a multa de mora tem cabimento nos recolhimentos espontâneos ainda que fora do prazo, enquanto que a multa de ofício após a movimentação do aparato fiscal para exigir o recolhimento do tributo. Refere o Parecer/PGFN/CAR nº 433/2009, que considera que a aplicação da multa do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, destinase a punir tanto o não pagamento do tributo devido como a não apresentação da declaração ou a apresentação da declaração de forma inexata. Entende ser hipótese da aplicação do inciso IV do artigo 112, do CTN, por restarem dúvidas quanto à interpretação da penalidade. Aduz que a conduta mais ampla absorve as condutas menos amplas e geralmente menos grave, as quais funcionam como meio para a prática daquela, conforme já entendeu o próprio STJ. Requer a exclusão da multa de mora. AI Debcad nº 37.318.7734: a) afirma ser ilegal a base de cálculo adotada sobre a remuneração paga ao transportador autônomo. Faz referência aos argumentos contidos na impugnação da base de cálculo da autuação 37.318.7726, requerendo seja considerada improcedente a exigência fiscal; b) consoante parágrafo 2º do artigo 219 do Decreto nº 3.048/99, também contemplado pela Instrução Normativa SRF nº 971/09, apenas são passíveis de retenção os serviços prestados mediante cessão de mãode obra ou empreitada, como é o caso da prestação dos serviços de transporte de passageiros. Por outro lado, a mesma Instrução Normativa exclui da incidência os serviços de transporte da carga. Por esse motivo, mesmo que se tratasse de pessoa jurídica não estaria sujeito à retenção o contribuinte individual equiparado à empresa, consoante incisos IV e V do artigo 149 da IN 971/09, já contemplado no inciso IV do artigo 176 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005. Segundo o artigo 150 do Decreto 3000/99 (RIR) as pessoas físicas que exercem atividades habituais visando lucro devem ser qualificadas como pessoas jurídicas, o que robustece seu entendimento no sentido de estar desobrigada da retenção Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 da contribuição previdenciária. Aduz estarem os serviços dispensados da retenção por tratase da situação em que as contratadas não possuem empregados; o serviço é prestado pessoalmente pelo titular ou sócios; e o seu faturamento do mês anterior é igual ou inferior a duas vezes o limite máximo do saláriodecontribuição. Acrescenta ser hipótese em que o valor a recolher por trabalhador é inferior ao valor mínimo de R$ 29,00, estando assim dispensada da retenção; c) quanto à multa, refere os argumentos expostos na impugnação ao AI Debcad nº 37.318.7726, relativos à impossibilidade de aplicação concomitante da multa de mora e da multa de ofício. AI Debcad nº 37.318.7742: a) entende ilegal a base de cálculo adotada sobre a remuneração paga ao transportador autônomo, fazendo referência aos argumentos contidos na impugnação da base de cálculo da autuação 37.318.7726. Requer seja considerada improcedente a exigência fiscal; b) no que pertine à multa, insurgese pelos mesmos fundamentos contidos na impugnação do AI Debcad nº 37.318.7726, relativos à impossibilidade de aplicação concomitante da multa de mora e da multa de ofício. AI Debcad nº 37.318.7750: a) afirma que as obrigações acessórias têm como objetivo o controle do adimplemento da obrigação principal. Todavia, isto significa que a autoridade administrativa possa aplicar tantas quantas entende cabíveis, especialmente quando fragmentadas em diversas outras e onde a inobservância de uma está associada ao descumprimento de outra. Estando vinculadas a ilícitos de mesma natureza e de forma continuada, pois decorrem uma da outra, devem ser absorvidas pela sanção mais grave, ou seja, 75% do suposto débito tributário apurado para o período de 12/2008 a 12/2009, por inteligência do inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Aduz que deva ser aplicado à sanção administrativa o princípio da consunção do direito penal, em que a conduta mais ampla absorve as condutas menos amplas e geralmente menos graves, conforme já entendeu o próprio STJ. Requer seja considerada para o período 12/2008 a 12/2009, apenas a multa de 75% constante do total do crédito tributário, já que as competências anteriores vale a multa fixada na tabela 5.1. razão pela qual deve ser reconhecida a insubsistência das autuações DEBCAD nºs 37.318.7769, 37.318.7777 e 37.318.7785. b) afirma que apesar da revogação do dispositivo legal que fundamentou a aplicação da multa, pela Lei nº 11.941/09, quando foi adicionado o artigo 32A à Lei nº 8.212/91, não foi demostrada qual a penalidade menos gravosa, assim como foi efetuado com a multa de mora no substítulo 4.5 – ACRÉSMOS LEGAIS. Conclui que a autuação deve ser julgada improcedente por manifesta ilegalidade ao fundamentarse em dispositivo legal revogado e por não apurar a sanção mais benéfica ao contribuinte. AIs Debcad nºs 37.318.7769 e 37.318.7777: Insurgese contra a aplicação cumulativa de multa com as demais autuações, alegando que as multas dos Autos de Infração em referência foram absorvidas pela multa de 75% do total do crédito tributário período 12/2008 a 12/2009. Reitera as alegações da descritas no item ‘a’ do processo AI Debcad nº 37.318.7750, supra. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.537 9 AI Debcad nº 37.318.7785: Faz referência às alegações descritas no item ‘a’ do processo AI Debcad nº 37.318.7750, pela impossibilidade de aplicação cumulativa da multa, já que foi absorvida pela multa de 75%. Discorre sobre o caráter confiscatório da multa de 75% prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Requer a exclusão da penalidade haja vista encontrase divorciada de qualquer parâmetro de proporcionalidade e razoabilidade aceitáveis, bem como por seu inadmissível e inconstitucional caráter confiscatório. Expõe argumentos contra a aplicação de juros sobre a multa de ofício no percentual de 75%, previsto no parágrafo 3º do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, por não encontrar respaldo em lei, além de ofender a lógica jurídica e redundar em enriquecimento ilícito das fazendas públicas. Postula, pelos motivos expostos, pela nulidade e pela improcedência dos lançamentos” (ff. 1455 a 1458) 7. Sem apresentação de contrarrazões, os autos foram encaminhados para apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 Voto Vencido Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES 2. Preliminarmente, pugna o contribuinte pelo julgamento das “ilegalidades e inconstitucionalidades” que considera existentes no lançamento sob o argumento de que a esfera administrativa possui competência para a análise de questões nas quais reste clara a inconstitucionalidade da norma aplicada pelo agente fiscal. 3. E não obstante o arrazoado trazido pelo recorrente, entendo que tal argumento não merece prosperar, pois, a teor do que dispõe o art. 26A do Decreto 70.235/72, com redação dada pela Lei n.º 11.941/2009, exceto nos casos previstos no § 6º do mesmo dispositivo legal, a seguir transcrito, este órgão julgador, de cunho administrativo, não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de lei. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” 4. Segundo o caput do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, é vedado aos seus Conselheiros membros, sob Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.538 11 fundamento de inconstitucionalidade, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Ademais, a súmula n.º 2 do CARF preceitua “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 5. Dessa forma, afastamse as alegações de inconstitucionalidade e de ilegalidade, pois os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições contidas no auto de infração em apreço, todos discriminados nos Fundamentos Legais do Débito, encontramse em plena vigência, não havendo até a presente data manifestação do Supremo Tribunal Federal sobre a inaplicabilidade dos mesmos. 6. Assim, rejeito as alegações do contribuinte de inconstitucionalidade dos atos normativos que embasam o lançamento e passo à análise das demais questões recursais. DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE A CONTRATAÇÃO DE TRANSPORTADOR AUTÔNOMO 7. Conforme narrado no relatório, o auto de infração foi constituído com base nos seguintes levantamentos: a) AIOP DEBCAD 37.318.7726 (CONTRIBUIÇÃO DA EMPRESA): “constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações de contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos por se tratar de prestação de serviços tomados de pessoas físicas sem vínculo empregatício.” (f. 49) b) AIOP DEBCAD 37.318.7734 (CONTRIBUIÇÃO TRANSPORTADOR RODOVIÁRIO AUTÔNOMO): “constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal em relação ao contribuinte individual o exercício de atividade remunerada”. (f. 51) c) AIOP DEBCAD 37.318.7742 (CONTRIBUIÇÃO OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS): “constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações de contribuintes individuais transportadores rodoviários autônomos por se tratar de prestação de serviços tomados de pessoas físicas sem vínculo empregatício.” (f. 53) d) AIOA DEBCAD 37.318.7750 (CFL 68): “a apresentação de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de calculo, seja em relação aos campos que alteram o valor das contribuições é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei 8.212/1991, art. 32, inciso IV, §5º, c/c o inciso II do art. 284 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributário principal relativamente à penalidade pecuniária, multa por infração, aplicada nos termos dos art. 92 a 102 da mesma Lei.” (f. 60) e) AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34): “deixar de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei nº 8.212, de Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 61) f) AIOA DEBCAD 37.318.7777 (CFL 30): “deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RDB é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I e §9 do artigo 32 da Lei 8.212/1991 e no inciso I e §9 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/1999, e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) g) AIOA DEBCAD 37.318.7785 (CFL 59): “deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I alínea ‘a’ do artigo 30 da Lei 8.212/1991 e no inciso I alínea ‘a’ do artigo 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1990 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) 8. Dessa forma, verificase que a controvérsia trazida à análise deste Conselho cingese à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. 9. Os trabalhadores autônomos, como o caso dos transportadores, são incluídos na categoria dos contribuintes individuais. Vejamos a definição do termo adotado pelo Ministério da Previdência Social: “Contribuinte individual: Nesta categoria estão as pessoas que trabalham por conta própria (autônomos) e os trabalhadores que prestam serviços de natureza eventual a empresas, sem vínculo empregatício. São considerados contribuintes individuais, entre outros, os sacerdotes, os diretores que recebem remuneração decorrente de atividade em empresa urbana ou rural, os síndicos remunerados, os motoristas de táxi, os vendedores ambulantes, as diaristas, os pintores, os eletricistas, os associados de cooperativas de trabalho e outros.” 10. Sobre a questão, a legislação previdência determina que a empresa que contratar transportador autônomo, contribuinte individual do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), deverá recolher: a) 20% (contribuição patronal) – calculado sobre a remuneração paga, devida ou creditada ao transportador autônomo; (artigo 22, III, Lei 8.212) b) 11% descontada do transportador autônomo e calculada sobre o valor da remuneração a ele paga, devida ou creditada, observado o limite máximo do Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.539 13 saláriodecontribuição; (artigo 4º, da Lei 10.666/2003 e artigo 33, §5º, da Lei 8.212/91) c) 1,5% e 1,0% (contribuições devidas ao Serviço Social do Transporte (SEST) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (SENAT), respectivamente – descontadas ao transportados autônomo e calculadas sobre o valor do saláriodecontribuição destes. (art. 1º, I, ‘b’, II, ‘b’; art. 2º, II e §3º, ‘a’, art. 3º e §1º do Decreto 1.007/93 e art. 7º, II, §1º e 2º da Lei 8.706/93) 11. Assim, verificada a adequação entre a natureza do fato gerador e da correspondente contribuição lançada, todas demonstradas com clareza pelo agente fiscal em seu relatório, devese concluir que o lançamento tem fundamentos e que a contribuição é devida. 12. Dessa forma, mantenho o lançamento com relação às contribuições devidas e não recolhidas referentes ao pagamento feito a transportadores autônomos, em consonância com o Colegiado a quo. DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA DE MORA 13. Sobre as multas aplicadas, o recorrente alega a inaplicabilidade da multa de mora e da multa de ofício em um mesmo lançamento. Sem razão o contribuinte. 14. Isso porque, conforme muito bem colocado pelo julgador de primeira instância, no caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos. 15. Nesse contexto, a multa de mora, prevista na nova redação do artigo 35, da Lei 8.212/91, foi constituída com o intuito de penalizar àqueles que não recolham contribuições sociais previdenciárias nos prazos previstos em legislação, in verbis: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 16. E o supracitado artigo 61, da Lei nº 9.430/96, por sua vez, dispõe em sua redação que: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” 17. Assim, verificada a existência de legislação mais benéfica ao contribuinte, diante da aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade da imputação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 18. O mesmo ordenamento (Lei nº 11.941/2009) trouxe ao corpo da Lei 8.212/91 o artigo 35A o qual prevê que “nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 19. E esse é o caso do auto de infração ora em análise, no qual, devido à falta de recolhimento de contribuições sociais previdenciárias sobre o pagamento feito a transportadores rodoviários autônomos, ocorreu o lançamento de ofício. 20. Dispõe o artigo 44, da Lei 9.430/ 1996 que nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: “Art. 44 (...) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)” 21. Dessa forma, verificase que a fiscalização seguiu rigorosamente a aplicação dos artigos 35 e 35A, da Lei 8.212/91, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2008. 22. Nesse sentido, cito parte da ementa do julgado do Recurso Voluntário nº 893.631, de relatoria da Conselheira Liege Lacroix Thomasi, que findou no acórdão nº 2302 01.534, da 3ª Câmara, da 2ª Turma, da 2ª Seção de Julgamento do CARF: “MULTA Quanto à multa, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme previa o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época do lançamento, válido para as competências até 11/12008. A partir da competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941, multa de ofício. Não recolhendo na época Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.540 15 própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.” 23. Firme nas razões expostas acima, mantenho a decisão recorrida também neste ponto. DA INEXISTÊNCIA DE DISPENSA DE RETENÇÃO (IN/SRF Nº 971/2009) 24. Com relação ao levantamento nº 37.318.7734, insurgese o contribuinte sob a alegação de que “há expressa previsão normativa veiculada pela IN/SRF nº 971 de 2009 (cuja redação, vale lembrar, repetese na IN/SRP nº 3, de 14 de julho de 2005), que DISPENSA a retenção nos casos em que ‘a contratada não possuir em pregados, o serviço for prestado pessoalmente pelo titular ou sócio e o seu faturamento do mês anterior for igual ou inferior a 2 (duas) vezes o limite máximo do saláriodecontribuição, cumulativamente”. (f. 1508) 25. Ocorre que, a redação citada acima, transcrita da peça recursal, tratase do inciso II, do artigo 120, da IN/SRF nº 971 e referese à contratação de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, previsto no artigo 31, da Lei 8.212/91, que não é o caso dos autos, no qual houve a contratação de transportador autônomo (contribuinte individual) e exigese a arrecadação e recolhimento, por parte da empresa, das contribuições do segurado contribuinte individual, mediante o desconto de 11% da remuneração conforme disposto no art. 4º, da Lei 10.666/2003 e 33, §5º, da Lei 8.212/91. 26. Dessa forma, não há que se falar em dispensa de retenção, como desejado pela empresa autuada. Por esse motivo afasto a questão suscitada. DA IMPOSSIBILIDADE DE DISPENSA DE RETENÇÃO NOS CASOS EM QUE A EMISSÃO DA GPS NÃO ULTRAPASSE R$ 29,00 27. Ainda com relação ao levantamento nº 37.318.7734, alega o contribuinte que “a Resolução INSS/DC nº 39 de 23.11.2000, estipulou o valor mínimo do documento fiscal de R$ 29,00 (resultado da aplicação da alíquota de 11% sobre o valor efetivamente pago em retribuição ao serviço prestado), para então reputar obrigatório a retenção das contribuições previdenciárias junto à rede arrecadadora, a partir de 1º de dezembro de 2000.” (f. 1512) 28. Sobre a questão, cumpre observar que, por força do artigo 4º, da Lei 10.666/2003, as pessoas jurídicas contratantes de contribuinte individual (no caso, autônomo) passaram a ter obrigação de arrecadar contribuição previdenciária e efetuar o recolhimento junto com as demais contribuições previdenciárias do mês. 29. Dessa forma, ocorre o fato gerador da obrigação previdenciária no mês em que for pago o serviço, sendo que a base de cálculo é o valor dos serviços prestados pelo autônomo, chamado de salário de contribuição. Os limites mínimos e máximos do salário de contribuição são fixados periodicamente pelo Ministério da Previdência Social e a alíquota para retenção é de 11% (§4º, do artigo 3º, da Lei 8.212/91). 30. Ressaltese que mesmo quando o valor do serviço prestado seja da inferior ao limite mínimo do saláriocontribuição, o contratante de contribuinte individual Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 16 (autônomo) deverá realizar a retenção e o recolhimento da contribuição à previdência, porém deve ser respeitado o valor mínimo da GPS, conforme disposto no artigo 1º e parágrafo único, da Resolução INSS/DC nº 39/2000. “Art. 1º A partir de 1º de dezembro de 2000 é vedada a utilização de documento de arrecadação previdenciária de valor inferior a R$ 29,00 (vinte e nove reais). Parágrafo único. A contribuição Previdenciária devida que, no período de apuração, resultar valor inferior a R$ 29,00 (vinte e nove reais), deverá ser adicionada à contribuição ou importância correspondente nos períodos subseqüentes, até que o total seja igual ou superior a R$ 29,00 (vinte e nove reais), quando então deverá ser recolhida no prazo de vencimento estabelecido pela legislação para este último período de apuração.” 31. Assim, o próprio segura contribuinte individual deverá recolher diretamente a complementação da contribuição incidente sobre a diferença entre o limite mínimo do saláriodecontribuição e a remuneração total recebida, aplicando sobre a parcela complementar a alíquota de 20%. 32. Pelo exposto, não acato as argumentações trazidas com relação à dispensa de retenção nos casos em que a emissão da GPS não ultrapasse o limite mínimo. DOS LANÇAMENTOS POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA 33. Insurgese, ainda, o contribuinte contra o lançamento de quatro autos de infração por descumprimento de obrigação acessória sob a argumentação de “impossibilidade de se cumular multas diversas sobre infrações continuadas de mesma natureza”. (f.1.514) 34. E em consonância com o que descreve o relatório fiscal, a autuação fiscal se deu com a finalidade de “verificar o cumprimento das obrigações tributárias relativas às contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa sobre a remuneração dos transportadores rodoviários autônomos; dos contribuintes individuais descontadas pela empresa; bem como as contribuições para outras entidades e fundos (SEST/SENAT), contribuições estas dos transportadores rodoviários autônomos recolhidas pela empresa” (f. 44). 35. Assim, conforme informado anteriormente, a controvérsia objeto de análise cingese à incidência de contribuições sociais sobre os pagamentos feitos pela empresa a transportadores rodoviários autônomos. E com base na ocorrência desse único fato gerador, foram lavrados quatro autos de infração contra o sujeito passivo pelo descumprimento das seguintes obrigações acessórias: a) AIOA DEBCAD 37.318.7750 (CFL 68): “a apresentação de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de calculo, seja em relação aos campos que alteram o valor das contribuições é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei 8.212/1991, art. 32, inciso IV, §5º, c/c o inciso II do art. 284 do RPS aprovado pelo Decreto 3.048/1999 e a sua não observância convertese em obrigação Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.541 17 tributário principal relativamente à penalidade pecuniária, multa por infração, aplicada nos termos dos art. 92 a 102 da mesma Lei.” (f. 60) b) AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34): “deixar de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 61) c) AIOA DEBCAD 37.318.7777 (CFL 30): “deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RDB é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I e §9 do artigo 32 da Lei 8.212/1991 e no inciso I e §9 do artigo 225 do Regulamento da Previdência Social aprovado pelo Decreto 3.048/1999, e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) d) AIOA DEBCAD 37.318.7785 (CFL 59): “deixar de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos e do contribuinte individual a seu serviço é descumprimento de obrigação tributária acessória definida no inciso I alínea ‘a’ do artigo 30 da Lei 8.212/1991 e no inciso I alínea ‘a’ do artigo 216 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1990 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 62) 36. E sobre a questão da emissão de vários autos de infração por descumprimento de obrigação acessória relativos ao mesmo fato gerador, venho me posicionando no sentido de que o contribuinte já se encontra devidamente punido com a emissão do primeiro auto e, assim, não poderia ser novamente castigado pela não observância de obrigação acessória. 37. Sem adentrar no mérito e na capitulação legal de cada uma das infrações imputadas ao contribuinte tenho que a apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e por deixar de exibir as Guias abarcaram, efetivamente, a reprimenda ora cominada à empresa. 38. Não se questiona aqui o fato de que a falta de lançamento mensal em títulos de contabilidade, a entrega deficiente de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 e a não apresentação de GFIP constituem infrações distintas, possuindo inclusive fundamentação legal diferente. Entretanto, para efeito de punição a aplicação de uma multa pode ser inserida no contexto da outra. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 18 39. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida. (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91) 40. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública”. (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores) 41. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 42. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76 onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 43. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.542 19 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 44. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser media não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 45. E no caso concreto, entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao autuar nove vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre sí. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 46. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 47. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termo: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 48. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 20 que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública”. (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279) 49. Assim, firme está meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por nove vezes, agravando as multas aplicadas. 50. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. 51. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 52. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 53. Feitas tais considerações, tenho como certo que uma das autuações fiscais por descumprimento de obrigação acessória deve ser retirada, qual seja a de deixar de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios, por considerar que já houve a devida reprimenda quando a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores. 54. Assim, meu voto é por decotar o AIOA abaixo discriminado: AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34): “deixar de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios é descumprimento de obrigação tributária acessória definida na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999 e a sua não observância convertese em obrigação tributária principal relativamente à penalidade pecuniária, multa isolada, aplicada nos termos dos art. 92 e 102 da mesma Lei.” (f. 61) DA APLICAÇÃO DO ARTIGO 32A 55. Caso a multa a ser mantida seja a que trata do descumprimento do disposto no artigo 32, inciso IV – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.543 21 fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – entendo que o lançamento deve ser reformado também neste ponto. 56. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 57. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 22 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 58. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 59. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 60. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 61. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.544 23 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 62. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 63. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 64. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 24 65. Quanto à cobrança de multa em lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 66. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. 67. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.545 25 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 68. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 69. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 70. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 26 Porém, nos casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 71. Razão pela qual entendo que deve ser aplicado ao cálculo da multa o artigo 32A, caso seja mais benéfico ao contribuinte. DA AUSÊNCIA DE CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA 72. A alegação de que a multa aplicada é abusiva e possui caráter confiscatório não se sustenta, considerando a existência de norma específica que determina a aplicação da multa em face de infração às regras instituídas pela legislação tributária. 73. Este posicionamento está em consonância com o entendimento do CARF. A propósito transcrevo ementa de julgado apenas para reforçar a minha posição: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO PROPRIETÁRIO. DECADÊNCIA. SOLIDARIEDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O prazo para a constituição do crédito previdenciário é de dez anos, conforme previsto no art. 45 da Lei nº 8.212/91. SOLIDARIEDADE. O proprietário, o incorporador, o dono da obra ou o condomínio da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários pelo cumprimento das obrigações para com o Fisco. TAXA SELIC. MULTA DE OFÍCIO. JUROS. Correta a aplicação da taxa SELIC, prevista no artigo 13 da Lei nº 9.065/95, por conformada com os termos do artigo 161 do CTN. PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO. O princípio da vedação ao confisco, estabelecido pela Constituição Federal, não obsta que a autoridade fiscal imponha multa, em conformidade com legislação em vigor. Recurso negado. (Segundo Conselho de Contribuintes / Quinta Câmara. Proc. nº 35564.005439/200621 / Acórdão nº 20500.056 Data do julgamento 20/11/2007. Relator: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes)” DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO 74. A recorrente afirma que aplicação de juros não pode ser feita em conjunto com a multa de ofício, pois tal imposição contraria o ordenamento jurídico. 75. Ocorre que, no caso concreto, houve a aplicação de uma multa de ofício em decorrência do não recolhimento de contribuição previdenciária, assim, a multa de ofício constitui, ao lado do tributo propriamente devido, a obrigação tributária principal, conforme dispõe o artigo 113, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” (g.n.) 76. Dessa forma, verificase que a obrigação principal é formada tanto pelo tributo cobrado quanto pela penalidade pecuniária aplicada (multa). Portanto, o crédito tributário, o qual decorre da obrigação tributária, é composto pelo tributo a ser recolhido e pela correspondente multa de ofício, sendo que ambos estão sujeitos à incidência de juros de mora quando não pagos no vencimento estipulado pela lei, conforme assevera o art. 161, do CTN: Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.546 27 “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.” 77. Além disso, o artigo 43 da Lei n.º 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, in verbis: “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”. 78. E a legislação de regência, sobretudo a Lei nº 8.212/91, reza que as contribuições sociais arrecadadas e outras importâncias arrecadadas pelo INSS (como é o caso das multas) estão sujeitas à incidência da taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia, nos termos do artigo 34, verbis: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) 79. Nesse sentido, sito ementa de acórdão da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO – APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 28 Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão n.º 920201.806. Recurso especial negado” 80. Assim, tenho como certo que a aplicação de juro sobre a multa de ofício não ofendem ao ordenamento jurídico pátrio e que sua imposição é devida. CONCLUSÃO 81. Ante ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL apenas para determinar: a) decotar do rol de infrações o “AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34)” por entender que houve no caso aplicação de mais de uma multa por uma mesmo ato do contribuinte (bis in idem); b) caso a multa a ser mantida seja a que trata do descumprimento do disposto no artigo 32, inciso IV, seja aplicado ao cálculo da multa o artigo 32A, caso mais benéfica ao contribuinte. 82. No mais, mantenho o lançamento em sua totalidade, por entender que não há correção a fazer no julgado de primeira instância. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Voto Vencedor Conselheira Bernadete de Oliveira Barros Permitome divergir do entendimento do Relator, em relação ao duplo sancionamento, pelas razões a seguir expostas. O Relator vota por decotar, do débito lançado, o AIOA DEBCAD 37.318.7769 (CFL 34), lavrado por ter a recorrente deixado de lançar os fatos geradores de contribuições previdenciárias em títulos próprios da contabilidade. Justifica seu entendimento alegando que já houve a devida reprimenda quando a empresa apresentou GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores. Contudo, tratamse de infrações distintas, sendo que, para cada uma, há a capitulação legal específica, com a aplicação da penalidade prevista nos normativos previdenciários. Assim, ao deixar de lançar, em títulos próprios da contabilidade, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária, a recorrente infringiu o disposto no art. 32, II, Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11030.720648/201126 Acórdão n.º 2301003.045 S2C3T1 Fl. 1.547 29 combinado com o art. 225, II, e §§13 a 17 do RPS, tendolhe sido aplicada a multa prevista no art. 283, II, “a”, do referido no normativo legal, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Dessa forma, ocorreu a infração apontada acima, o que não é negado pelo relator, como também ocorreram as outras infrações indicadas pela fiscalzação. Se foram lavrados 09 Autos de Infração, com a cobrança de multa isolada, conforme consta do voto do Relator, é porque a recorrente descumpriu várias obrigações, acessórias e principais, sendo que, para cada uma das infrações cometidas pela empresa, a Lei estabelece uma penalidade a ser aplicada. E como não é facultado ao servidor público deixar de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigações acessórias, lavrou corretamente o presente auto, impondo a penalidade prevista nos normativos legais para cada tipo de infração, em observância à legislação que trata da matéria. Nesse sentido, meu voto é por manter, no lançamento, o AIOA DEBCAD 37.318.7769. Bernadete de Oliveira Barros Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 13/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 28 /01/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 28/01/2013 por BERNADETE DE OLIVEIR A BARROS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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