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Numero do processo: 11050.001188/2009-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 15/06/2004 a 26/06/2004
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.669
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 11 88 /2 00 9- 81 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 159 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3102001.986. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 159DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 160 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 160DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 161 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 161DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 162 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 162DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 163 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 163DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 164 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 165 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 165DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 166 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 167 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 167DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 168 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 168DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11050.001188/200981 Acórdão n.º 9303003.669 CSRF‐T3 Fl. 169 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 169DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15563.720010/2015-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.805
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de auto de infração do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI (e fls. 1147 a 1178), lavrado em 27 de janeiro de 2015 (efl. 1179), relativamente aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2010, em razão da falta de destaque do IPI em notas fiscais de saída, de falta de estorno ou estorno a menor de créditos indevidos, de registro de créditos básicos indevidos e de utilização indevida de créditos de período anterior (esta última infração, somente relativa ao período de janeiro de 2010). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 63 .7 20 01 0/ 20 15 -5 1 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 3 2 As infrações apuradas pelo fiscal responsável foram descritas no termo de verificação fiscal TVF de efls.1124 a 1146. Em suma, são as seguintes: g.1. Infração Saldo Credor de Período Anterior Indevido 63. No Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, para o mês de janeiro de 2010, há registro de saldo credor transferido do período anterior no importe de R$ 18.160.569,67. 64. No entanto, após reconstituição da escrita no curso do procedimento fiscal que deu origem ao processo administrativo nº 15563.720204/201395, cujo demonstrativo encontrase anexo juntamente com o respectivo Auto de Infração, apurouse saldo devedor, no mês de dezembro de 2009, no valor de R$ 460.721,02. 65. Constatouse, assim, utilização de saldo credor de período anterior indevido, no total de R$ 18.160.569,67, o que constitui infração à legislação do imposto e impõe a reconstituição da escrita, a partir do mês de janeiro de 2010, desconsiderandose o saldo credor utilizado indevidamente. g.2. Infração Crédito Básico Indevido 66. De acordo com o que foi apurado no tópico "f.2. Da Apuração e Classificação dos Créditos", o contribuinte efetuou no RAIPI registro indevido de créditos do imposto, por este ter sido calculado em desacordo com a TIPI vigente à época do fato gerador, como é o caso de entradas não tributadas, tributadas à alíquota zero, imunes e isentas, o que configura infração à legislação do imposto. 67. Tais valores encontramse indicados no demonstrativo intitulado "Demonstrativo de Apuração e Classificação dos Créditos de IPI", na coluna "Apuração e Classificação dos Créditos de IPI/Desconsideração de Créditos/Alíq.Div.TIPI". g.3. Infração Falta de Estorno de Crédito 68. Também em conformidade com o que foi apurado no tópico "f.2. Da Apuração e Classificação dos Créditos", o contribuinte deixou de efetuar no RAIPI o estorno de créditos relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados em produtos não tributados pelo IPI (NT), o que configura infração à legislação do imposto. 69. Anotese que os percentuais dos créditos anulados pela Fiscalização foram apurados na forma do art. 3º da IN SRF nº 33/1999 e de acordo com o demonstrativo "Cálculo dos Percentuais de Saídas de Produção do Estabelecimento". 70. Os valores dos créditos indevidos encontramse indicados no demonstrativo intitulado "Demonstrativo de Apuração e Classificação dos Créditos de IPI", na coluna "Apuração e Classificação dos Créditos de IPI/Desconsideração de Créditos/Saída NT". g.4. Infração Inobservância da Alíquota Aplicável e Falta de Destaque do IPI. 71. Após apurados valores do IPI não lançados pelo contribuinte, conforme relatado no tópico "f.3. Da Apuração dos Débitos", o Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 4 3 contribuinte foi intimado a esclarecer a razão e a fundamentação legal de não ter efetuado o destaque do imposto e seu respectivo registro no RAIPI (Termo de Intimação Fiscal nº 432/2014). 72. Contudo, conforme exposto nos tópicos "f.4. Da Intimação do Contribuinte Relativa a Falta de Destaque de IPI" e "f.5. Do Produto Lubrax Industrial AV60 IN", não logrou êxito em apresentar justificativa válida para a falta de destaque do imposto. 73. Alegou, em síntese, quanto ao produto "Lubrax Industrial AV60 IN", estar amparado pela imunidade prevista no artigo 155, §3º, da Constituição Federal, a qual não se aplica ao produto em questão, pelas razões expostas pela Fiscalização no tópico "f.5". 74. Configurouse, assim, infração à legislação do IPI, consubstanciada na saída de produtos tributados, com inobservância da correta aplicação da alíquota prevista na TIPI e o respectivo lançamento do imposto. 75. Todos os valores passíveis de lançamento de ofício relativos a este tópico encontramse indicados na coluna "IPI Não Destacado" do "DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO IMPOSTO FALTA DE DESTAQUE DO IPI TOTAIS MENSAIS". g.5. Da Reconstituição da Escrita 77. Face às infrações apuradas, será necessário reconstituir a escrita do contribuinte, a partir de janeiro de 2010, o que se fará em conformidade com os demonstrativos anexos ao Auto de Infração lavrado para fins de constituição de ofício do crédito tributário. 78. Anotese que, na reconstituição da escrita, como “Outros Créditos ou Débitos a Incluir na Reconstituição da Escrita”, foram efetuados os seguintes ajustes: a) Anulação do estorno efetuado no RAIPI no PA 07/2010, no valor de R$ 20.671.843,76, que corresponde exatamente à soma dos valores pleiteados através de PERDCOMP para o 4º trimestre/2009, o 1º trimestre/2010 e o 2º trimestre/2010 (R$ 7.943.610,03 + R$ 6.551.945,74 + R$ 6.176.287,99); b) Anulação do “Crédito Indevido – IPI” lançado a débito no RAIPI no PA 11/2011, no valor de R$ 18.307.134,93, por se referir a crédito indevido anterior a 2011 e portanto já tratado em procedimentos fiscais anteriores. Em sua Impugnação, o Contribuinte alegou o seguinte: Em relação à primeira infração acima mencionada (item “g.4” do TVF), alegou que os produtos em questão seriam imunes ao IPI, à vista do disposto no art. 155, § 3º, da Constituição Federal. O entendimento da Fiscalização, baseado, no art. 18, § 3º1, do RIPI/2002 (Decreto n. 4.544, de 2002), estaria equivocado, uma vez que "a redação da norma apresentada não leva ao entendimento de que derivado de petróleo seja somente o produto produzido na etapa de refino". Acrescentou: O que a norma visa evitar é que se busque a imunidade de produtos essencialmente não derivados de petróleo, mas que tenham em sua Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 5 4 composição elementos derivados de petróleo, a exemplo do plástico, que tem como matériaprima o polietileno (derivado de petróleo). Nesse contexto, deveriam ser levadas em conta as disposições da Lei n. 9.478, de 1997 ("Lei do Petróleo"), art. 6º, III, que classifica como derivados do petróleo os "produtos decorrentes da transformação do petróleo". Acrescentou que não haveria transformação dos produtos (NCM 2710.1993) no estabelecimento, uma vez que haveria apenas adição de antioxidante, mantendose a mesma classificação fiscal na saída. O produto adquirido da refinaria seria o "óleo isolante naftênico", classificado como tributado, mas com saída sem destaque do IPI, em razão da imunidade, o que nunca foi contestado pela Fiscalização. Alegou juntar cópia de relatório técnico do Instituto Nacional de Tecnologia INT, citando parte da conclusão, segundo a qual o produto teria 98,2% de hidrocarbonetos em sua composição e apenas 1,2% do aditivo BHT, com classificação do produto na posição 2710.1993 da TIPI. (...) Quanto à segunda infração falta de estorno de créditos de entradas de produtos "NT" – (“g.3”), alegou que a Fiscalização teria considerado seu estabelecimento como não contribuinte do IPI para tal efeito. (...) Citou trechos de acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Carf sobre a classificação de produtos "NT", concluindo que a saída de produtos imunes permitiria a manutenção dos créditos, citando o Ato Declaratório Cosit n. 7, de 2000, a IN SRF n. 33, de 1999 e o art. 195, § 2º, do RIPI/2002. Segundo a Interessada, "no caso de exportação dos referidos óleos lubrificantes teríamos produtos com notação ‘NI’’ cuja apropriação dos créditos seria autorizada, demonstrando a necessidade de revisão da Súmula 20 do CARF". Afirmou, ainda, que várias soluções de consultas da 7ª Região Fiscal teriam confirmado tal entendimento. (...) Em relação à terceira infração (créditos indevidos de entradas não tributadas, de alíquota zero, imunes e isentas – “g.2”), apresentou as seguintes alegações: No documento intitulado “Demonstrativo de Apuração e Classificação dos Créditos de IPI na coluna "Apuração Classificação dos Créditos de IPI/Desconsideração de Créditos/AlÍq. Div. TIPI, anexo ao Auto de Infração, a autoridade fiscal relaciona os produtos que ingressaram no estabelecimento sem tributação e que. portanto, não geram direito de crédito. Em outras palavras, a autoridade fiscal informa ter a ora impugnante efetuado no RAIPI registro indevido de créditos do imposto em razão de entradas não tributadas. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 6 5 No entanto, observando a coluna "Descrição Nota .Fiscal" do mesmo demonstrativo vimos se tratar de entradas de "TAMBOR METAL”. Como se pode notar a partir das notas fiscais de aquisição do ‘tambor metal', tal produto está classificado na NCM 7310.10.90, e, de acordo com a mesma TlPi vigente à época, possuía alíquota de 5%. Na coluna “Dados dos Itens das Notas Fiscais Conforme Planilha do Contribuinte/Valor IPI' podemos verificar que houve destaque de IPI nas notas fiscais de aquisição. Anexamos à presente defesa, por amostragem, as notas fiscais de aquisição n° 4399, 4405 e 4407 onde se demonstra que foram destacados o IPI nos valores de R$1.034,60, R$855,69 e R$809,01, respectivamente (anexo 12). Assim, não se trata de entradas não tributadas, como entendeu a autoridade fiscal, mas de entradas tributadas. Desse modo. a escrituração.do referido crédito é legítima, tendo em vista a idoneidade dos documentos fiscais de aquisição acima referidos. Relativamente à quarta infração (redução do saldo anterior, à vista do processo 15563.720204/201395 “g.1”), alegou que "a validade desses créditos é discutida no processo administrativo n. 15563.720204/201395, cuja discussão ainda não se encerrou nas searas administrativa e judicial". Por fim, alegou ser nulo o lançamento, considerando a seguinte consideração da Fiscalização, no TVF: "[...] a quantidade e o percentual de cada um dos insumos empregados indistintamente na industrialização de produtos tributados, isentos e não tributados, foram efetuados cálculo para apuração proporcional dos créditos a serem desconsiderados e dos créditos passíveis de ressarcimento, com base no valor das saídas dos produtos fabricados pelo estabelecimento industrial nos três meses imediatamente anteriores ao período de apuração a considerar, na forma do art. 3º da IN SRF 33/99 [...]" (...) Em relação aos PER/DCOMP apresentados, alegou que a conclusão da Fiscalização, contida no final do TVF, de que caberia o indeferimento dos ressarcimentos seria equivocada, uma vez que no próprio TVF (iten 34), teria sido reconhecido que parte das suas saídas não seria de produtos NT. A referida Impugnação foi julgada parcialmente procedente pela DRJ/Ribeirão PretoSP, com o reconhecimento da legitimidade dos créditos relativos às entradas do produto "tambor metálico", constantes do demonstrativo de efls. 9511106, e para excluir a parcela da multa incidente sobre o IPI não destacado em nota fiscal, calculada na forma isolada, que foi incorretamente lançada. O acórdão foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITOS BÁSICOS DE IPI. ESCRITURAÇÃO DE VALOR MAIOR DO QUE O CORRESPONDENTE À ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE DESTAQUE DO IMPOSTO EM RELAÇÃO A PRODUTOS NÃO DERIVADOS DO PETRÓLEO. NÃO CONTESTAÇÃO. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 7 6 Tornase definitiva a matéria não contestada expressamente pelo contribuinte na manifestação de inconformidade. SALDO CREDOR DE PERÍODO ANTERIOR. MATÉRIA DISCUTIDA EM OUTRO PROCESSO. EFEITOS. Aplicamse os efeitos das decisões exarados no processo próprio, relativamente a matéria nele discutida e que tenha reflexo na determinação do imposto devido no processo em análise. RELATÓRIO FISCAL. REFERÊNCIA AOS EFEITOS DA AÇÃO FISCAL SOBRE PERDCOMPS DE OUTROS PROCESSOS. EFEITOS. A apuração do saldo credor ressarcível, objeto de declaração de compensação, embora deva levar em conta o resultado do julgamento do auto de infração que tenha implicado a redução do saldo, somente pode ser examinado por despacho decisório próprio. IPI. MULTA SOBRE O IPI NÃO DESTACADO EM NOTA FISCAL. ERRO NA APURAÇÃO DA MULTA EXIGIDA NA FORMA ISOLADA. Verificado erro na apuração da multa incidente sobre o IPI não destacado em nota fiscal pelo contribuinte lançada de forma isolada, impõese o reconhecimento de ofício de sua improcedência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 IPI. CRÉDITOS DE INSUMOS EMPREGADOS EM PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. APLICAÇÃO DO ART. 100, PARÁGRAFO ÚNICO DO CTN E INTERPRETAÇÃO SUPERADA. Descabe o afastamento da imposição de penalidades e da cobrança de juros de mora, relativamente à observância de norma complementar de direito tributário já superada administrativa e judicialmente, à época do fato gerador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO DE IPI. MATÉRIAPRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM EMPREGADOS EM PRODUTOS IMUNES. INEXISTÊNCIA DE DIREITO. A impossibilidade de manutenção de créditos, relativamente a entradas de insumos empregados em produtos imunes, é questão pacifica no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e resolvida pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de julgamento de recurso repetitivo. IMUNIDADE. DERIVADOS DE PETRÓLEO. Em prestígio ao princípio da hierarquia e da vinculação, não cabe aos órgãos administrativos negar aplicação aos atos normativos expedidos regularmente. A imunidade relativa aos derivados de petróleo restringese aos hidrocarbonetos decorrentes do refino. A indicação de uma alíquota aplicável de 5% ao produto demonstra absoluta e inequivocamente que o Decreto que regulamenta o IPI entendeu ser o produto tributável. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 8 7 Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da sucumbência parcial da Fazenda Pública, o processo foi devolvido ao CARF para reexame da matéria em Recurso de Ofício. Ao mesmo tempo, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em que repisa as razões da sua impugnação. O julgamento foi convertido em diligência em razão de envolver valores discutidos no PAF nº 15563.720204/201395, nos seguintes termos: Assim sendo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que retornem os autos à DRF para verificação do término do julgamento administrativo do PAF nº 15563.720204/201395. Caso seja verificado o término do seu julgamento nas instâncias administrativas, que seja informado o teor final da decisão acerca do saldo apurado no PA de Dezembro/2009 ou que, estando em trâmite o processo administrativo, que este aguarde a resolução daquele para retorno dos autos a esta turma para julgamento. Em cumprimento à Resolução, juntouse cópia da decisão da DRJ no mencionado processo, em fls. 1460/1482. É o relatório. VOTO Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Da mesma forma, o Recurso de Ofício ultrapassa o piso de alçada, devendo ser conhecido. O Fiscal verifica, no TVF, que no Livro Registro de Apuração do IPI RAIPI, para o mês de janeiro de 2010, há registro de saldo credor transferido do período anterior no valor de R$ 18.160.569,67. Todavia, após reconstituição da escrita no curso do procedimento fiscal que deu origem ao processo administrativo nº 15563.720204/201395, cujo demonstrativo encontrase anexo juntamente com o respectivo Auto de Infração (fls. 919938), apurouse saldo devedor, no mês de dezembro de 2009, no valor de R$ 460.721,02. O Contribuinte, por sua vez, afirma que é indevida a consideração desses valores na análise do presente processo, por estar o PAF nº 15563.720204/201395 ainda pendente de julgamento na seara administrativa. Os efeitos do PAF nº 15563.720204/201395 são prejudiciais à apuração do crédito tributário no presente processo, razão pela qual o julgamento foi convertido em diligência para que este ficasse sobrestado "enquanto pender a resolução" daquele. A redação adotada foi claríssima: Assim sendo, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que retornem os autos à DRF para verificação do término do julgamento administrativo do PAF nº 15563.720204/201395. Caso seja verificado o término do seu julgamento nas instâncias administrativas, que seja Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15563.720010/201551 Resolução nº 3402000.805 S3C4T2 Fl. 9 8 informado o teor final da decisão acerca do saldo apurado no PA de Dezembro/2009 ou que, estando em trâmite o processo administrativo, que este aguarde a resolução daquele para retorno dos autos a esta turma para julgamento. A autoridade administrativa encaminhou os autos ao CARF com despacho nos seguintes termos: Tendo em vista que o Acórdão referente ao processo nº 15563720204/201395 já se encontra anexado ao presente processo, conforme o que foi solicitado na Resolução (fls. 1448 a 1455), proponho o seu retorno ao CARF. Não há qualquer declaração ou prova de que houve o trânsito em julgado administrativo do crédito tributário discutido no PAF nº 15563.720204/201395, pelo contrário, apenas há a sua decisão de primeira instância, passível de Recurso Voluntário por parte do contribuinte, o que prolongaria o processo às demais instâncias administrativas. Desse modo, voto por NOVA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que este processo permaneça sobrestado até a decisão administrativa FINAL no PAF nº 15563.720204/201395, devendo a autoridade fiscal certificar o seu trânsito em julgado administrativo, com remessa da decisão final a este Conselho. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 02/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 29/0 7/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13819.720638/2015-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário
Numero da decisão: 2202-003.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade
(Assinado digitalmente)
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA- Presidente.
(Assinado digitalmente)
JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora.
EDITADO EM: 20/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA- Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO- Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVIDADE Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade (Assinado digitalmente) MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Presidente. (Assinado digitalmente) JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO Relatora. EDITADO EM: 20/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 06 38 /2 01 5- 82 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), MARTIN DA SILVA GESTO, JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, DILSON JATAHY FONSECA NETO, MARCELA BRASIL DE ARAUJO NOGUEIRA (Suplente convocada), JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARCIO DE LACERDA MARTINS (Suplente convocado), MARCIO HENRIQUE SALES PARADA Relatório Adoto o relatório constante do acórdão proferido pela Delegacia Regional de Julgamento em Juiz de Fora (MG): "Trata o presente processo de lançamento formalizado pela Notificação de fls.08/11, lavrada pela DRF/São José dos Campos/SP em 02/02/2015, decorrente da revisão efetuada pela autoridade lançadora na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2011 Retificadora apresentada pelo contribuinte retro identificado, cópia apensada às fls.39/43, que apurou “omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica decorrentes de ação da Justiça Federal”, no valor de R$ 51.078,30, resultando, em conseqüência, a apuração de imposto de renda pessoa física suplementar (código 2904), no valor de R$ 14.046,53, acrescido de multa de ofício (passível de redução), no valor de R$ 10.534,89, e juros de mora, no valor de R$ 4.926,11, calculados até janeiro de 2015. Conforme expresso no item “descrição dos fatos e enquadramento legal” da Notificação contestada, a autoridade fiscal assim justificou o procedimento adotado: Omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica. Da análise dos documentos apresentados pelo contribuinte e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 51.078,30, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido foi compensado o IRRF sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00 (zero). Valores lançados conforme DIRF do Banco do Brasil S/A. Em sua peça impugnatória de fls.06/07, instruída com os elementos de fls.14/21, o contribuinte, por meio de seu procurador nomeado pelo instrumento de fls.12, contesta o lançamento efetuado, argumentando, em síntese, que: 1) O valor contestado corresponde aos “honorários advocatícios” pagos pelos serviços prestados na ação judicial; 2) Houve o preenchimento equivocado de sua DIRPF/2011 pois, para o valor recebido a título de Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), “foi selecionada a forma de tributação na Declaração de Ajuste Anual, sendo que o correto seria a forma de tributação na fonte”; 3) “Se ela houvesse sido preenchida corretamente, o contribuinte teria restituição e não imposto de renda a pagar”; 4) Solicita que seja aceita a alteração de “Opção de Tributação de Ajuste para Retido na Fonte, o número de meses da ação é de 107 meses, compreendendo o período de agosto de 1998 à junho de 2007” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13819.720638/201582 Acórdão n.º 2202003.325 S2C2T2 Fl. 101 3 A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente impugnação nos termos do acórdão de fls. 46 a 50. Diante da referida decisão, foi expedido o AR de fls. 53 para o endereço da Av Caminho do Mar, nº 3559, Bairro Rudge Ramos, 09611000, São Bernardo do Campo, São Paulo . O referido AR foi recebido em 09/06/2015 por Rosiani Pereira Leal. Em 23 de julho de 2015, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/61, no qual alega, preliminarmente, que só tomou ciência da decisão no dia 16/07/2015 e que não recebeu nenhuma notificação da Receita Federal informando sobre a decisão recorrida. Alega também que o resultado enviado pelo correio em 09/06/2015, foi recebido por Rosiani a quem não conhece. Quanto ao mérito, reproduz as alegações suscitadas perante à Delegacia Regional de Julgamento. A SECAT atesta a intempesitividade do recuso, às fls. 98, antes de encaminhálo ao CARF. Voto Conselheiro Relatora Júnia Roberta Gouveia Sampaio Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. A Delegacia Regional de Julgamento julgou improcedente impugnação nos termos do acórdão de fls. 46 a 50. Diante da referida decisão, foi expedido o AR de fls. 53 para o endereço da Av Caminho do Mar, nº 3559, Bairro Rudge Ramos, 09611000, São Bernardo do Campo, São Paulo . O referido AR foi recebido em 09/06/2015 por Rosiani Pereira Leal. Em 23 de julho de 2015, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 60/61, no qual alega, preliminarmente, que só tomou ciência da decisão no dia 16/07/2015 e que não recebeu nenhuma notificação da Receita Federal informando sobre a decisão recorrida. Alega também que o resultado enviado pelo correio em 09/06/2015, foi recebido por Rosiani a quem não conhece. Conforme se verifica pela Declaração de Ajuste de fls. 7078 (Exercício 2011 ano calendário 2010), bem como pelo próprio Recurso Voluntário de fls. 60/61, o endereço do Recorrente constante dos dados da Receita Federal, bem como por ele própria mencionado em seu Recurso é o Av Caminho do Mar, nº 3559, Bairro Rudge Ramos, 09611000, São Bernardo do Campo, São Paulo. Além disso, é importante ressaltar que o próprio Recorrente não faz qualquer contestação quanto ao seu endereço. Em seu recurso se limita afirmar que não conhece a pessoa que recebeu a decisão. No entanto, conforme se verifica pela leitura do Aviso de Recebimento (fls. 53) a correspondência foi recebida em seu endereço. Sendo assim, de acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no Fl. 102DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA 4 domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário" Em face do exposto, não conheço do Recurso Voluntário em face da sua intempestividade. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 2 6/04/2016 por JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, Assinado digitalmente em 29/04/2016 por MARCO AURELIO D E OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 35365.001038/2006-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/12/2001 a 30/09/2006
ERRO DE FPAS. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.NULIDADE. VÍCIO MATERIAL.
É nulo, por vício material, o lançamento fiscal com erro de enquadramentodo FPAS no documento constitutivo do crédito tributário por meio de NFLD.
Numero da decisão: 2302-003.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, que anulou o lançamento por vício formal, relativo ao erro de enquadramento no FPAS. Por maioria de votos, o colegiado entendeu que o vício que maculou o lançamento tem natureza material, porquanto não se trata apenas de erro formal de enquadramento, mas sim da motivação descrita pelo Fisco para a aplicação do FPAS 515, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância, com fundamento diverso pugna pela aplicação do FPAS 787. Considerando que as alíquotas referentes a cada um dos FPAS citados são diversas, acarretando recolhimento de contribuições para as terceiras entidades distintas, não há como catalogar o vício como formal.O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que o vício é de natureza formal. Por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu ser o vício de natureza formal.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc
Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material, o lançamento fiscal com erro de enquadramentodo FPAS no documento constitutivo do crédito tributário por meio de NFLD. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, Por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso de Ofício, que anulou o lançamento por vício formal, relativo ao erro de enquadramento no FPAS. Por maioria de votos, o colegiado entendeu que o vício que maculou o lançamento tem natureza material, porquanto não se trata apenas de erro formal de enquadramento, mas sim da motivação descrita pelo Fisco para a aplicação do FPAS 515, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância, com fundamento diverso pugna pela aplicação do FPAS 787. Considerando que as alíquotas referentes a cada um dos FPAS citados são diversas, acarretando recolhimento de contribuições para as terceiras entidades distintas, não há como catalogar o vício como formal.O Conselheiro Arlindo da Costa e Silva divergiu por entender que o vício é de natureza formal. Por maioria de votos em dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu ser o vício de natureza formal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 36 5. 00 10 38 /2 00 6- 49 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 579 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc Conselheiros presentes à sessão: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), FABIO PALLARETTI CALCINI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES (Relator). Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD nº 37.032.5842,consolidado em 06/12/2006, em face dePOMAGRI FRUTAS LTDA, no valor deR$ 1.453.878,20 (um milhão, quatrocentos e cinquenta e três mil, oitocentos e setenta e oito reais e vinte centavos)referente às contribuições devidas à Seguridade social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais (retiradas de pro labore), correspondentes à cota da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e às destinadas às outras entidades, bem como a contribuição incidente sobre a aquisição de produtos rurais de produtor rural pessoa física, no período de 12/2001 a 09/2006, conforme Relatório Fiscal de fls. 356 a 363. Segundo relatório fiscal, a empresa se enquadrou como produtora rural pessoa jurídica (FPAS 604), no estabelecimento matriz, recolhendo a contribuição previdenciária sobre o valor da comercialização de sua produção rural; e na filial, no Fl. 579DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 580 3 estabelecimento de CNPJ 77.891.505/000622, enquadrouse como empresa de comércio em geral (FPAS 515), contribuinte sobre a folha de pagamento. A autoridade fiscal cita ainda que em ambos os estabelecimentos há compra sistemática de produtos rurais para atender a demanda do estabelecimento filial, no CEASA de Contagem/MG, onde revende esses produtos. Narra que a atividade econômica autônoma impede a empresa de se considerar como produtor rural para fins de custeio da Previdência Social, bem como ser necessário o enquadramento do FPAS por empresa e não por estabelecimento, pelo que o enquadramento deveria ser como comércio em geral (FPAS 515) e não apenas a sua filial; que os recolhimentos feitos na matriz foram insuficientes para quitar as contribuições realmente devidas. Relata que os recolhimentos sobre a venda de sua produção e sobre a aquisição de produtos rurais de pessoas físicas foram abatidos no cálculo da contribuição devida sobre a folha de pagamentos; que aproveitou os créditos da empresa, provenientes da ação judicial transitada em julgado n° 94.70004752, para as competências 01/1999 a 06/1999; e que a empresa recolheu em juízo a contribuição devida ao FNDE (2,5%) até a competência 03/2002. O sujeito passivo apresentou impugnação às fls. 406 a 415, acompanhada dos documentos de fls. 417 a 482. Aduziu na referida petição que o estabelecimento matriz, em Fraiburgo/SC, produz maçãs e comercializa seus próprios frutos, enquadrandose como empresa rural, no FPAS 604, nos termos do anexo II da Instrução Normativa – IN SRP 03/2005; que a aquisição de maçãs de outros produtores rurais de pessoas físicas, referese a uma pequena parcela de frutos para atender a demanda de mercado, não suprida pela sua produção própria, porém, entende que tal fato não caracteriza a atividade econômica, mencionada nos artigos 240, XXII e 241, II, da IN SRP n° 03/2005. Aduziu ainda que, ao contrário do afirmado pela autoridade fiscal, o seu enquadramento no código FPAS deve ser feito por estabelecimento, de acordo com a atividade econômica exercida, nos termos do art. 146, § 2º da IN INSS/DC n° 100/2003 e do art. 137, § 2º da IN SRP n° 03/2005, combinado com o art. 581, § 1º da Lei n° 5.542/1943 (CLT), pelo que considera ter agido corretamente ao enquadrar a matriz – produtora rural , no FPAS 604, posto que a atividade de comércio só é exercida na filial de Contagem/MG, enquadrada no FPAS 515. Insurgiuse contra o fato de a autoridade lançadora ter desconsiderado as compensações feitas pela empresa e declaradas em GFIP, em face de créditos, decorrentes da ação judicial transitada em julgado n° 94.70004752, para indevidamente realocalas e abatê las do débito lavrado na NFLD n° 37.032.5826, em competências que, no seu entendimento, estão abrangidas pela decadência (01/1999 a 06/1999). Recebida a impugnação, os autos foram baixados em diligência paraesclarecimentos por parte da autoridade lançadora sobre o enquadramento do FPAS daimpugnante, retornando com a Informação Fiscal de fls. 486 a 487, em que reconhece que oestabelecimento matriz da empresa se enquadra no FPAS 787 e não no FPAS 515, como Fl. 580DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 581 4 haviaexposto anteriormente e que em ambos os FPAS a contribuição previdenciária da parte daempresa é calculada sobre a folha de pagamento, havendo alteração apenas em relação àcontribuição às outras entidades e fundos, pelo que entende se deve manter odesenquadramento da empresa da condição de produtor rural pessoa jurídica, sugerindo o cancelamento da NFLD e posterior nova lavratura fiscal no FPAS correto; no tocante aoprocedimento de compensação aduzido pela parte impugnante, observa que poderá sercorrigido quando do novo lançamento fiscal. Submetido os autos a julgamento, a 5ª Turma de Julgamento, na datade14/09/2007, proferiu o Acórdão nº 070010780,declarando a nulidade do lançamento fiscal,fato ao erro de enquadramento no FPAS no instrumento de constituição do crédito tributário,devido à impossibilidade de saneamento do vício, determinando a lavratura de novolançamento fiscal (fls. 494 a 501). Foi interposto Recurso de Ofício ao então Segundo Conselho deContribuintes, na forma do art. 366, I, “a”, do Regulamento da Previdência Social (RPS),aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação conferida pelo Decreto nº6.032, de 01 de fevereiro de 2007, combinado com o artigo 29 da Lei nº 11.457, de 16 demarço de 2007 e Portaria MPS nº 158, de 11 de abril de 2007. Em sessão realizada em 14/08/2012, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), proferiu oAcórdão nº 2301002.964,conhecendo o recurso de ofício, a fim de anular a decisão deprimeira instância, por considerar omissão no julgamento que deixou de apontar a natureza dovício de nulidade, se formal ou material, remetendo à origem para nova decisão. Dos termos do Acórdão do Egrégio Conselho foi cientificado o sujeitopassivo, retornando os autos para julgamento. Assim sendo, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC,entendeu por julgar procedente a impugnação e exonerar o crédito tributário. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2001 a 30/09/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIAL. EMPRESA.ÚNICA ENTIDADE CONTRIBUINTE. Para fins da contribuição previdenciária, a empresa deve ser considerada uma única entidade contribuinte, independente de quantosestabelecimentos possuir. Tratamentos tributários diferenciados devem terexpressa previsão em lei. DESCARACTERIZAÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOAJURÍDICA. ATIVIDADE COMERCIAL. Não se enquadra na categoria de “produtor rural pessoa jurídica”, para finsda contribuição previdenciária, a empresa que, além da atividade rural,também exerce atividade comercial. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 582 5 ERRO DE FPAS. IMPOSSIBILIDADE DE SANEAMENTO.NULIDADE. VÍCIO FORMAL. É nulo, por vício formal, o lançamento fiscal com erro de enquadramentodo FPAS no documento constitutivo do crédito tributário por meio deNFLD. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Não obstante a propositura do recurso de ofício, a Entidade, irresignada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário tempestivo, alegando, em síntese: a) Que o entendimento da autoridade julgadora não merece prosperar quanto à declaração de nulidade do lançamento fiscal por vício formal, posto que a alteração na classificação do FPAS produz efeitos jurídicos diretos na apuração do montante do tributo devido, ou seja, no conteúdo da notificação fiscal. b) Que o equívoco cometido pela fiscalização configura, assim, um erro de direito, um vício material e insanável, que compromete a notificação fiscal com a eiva da nulidade absoluta. c) Que não procede o entendimento do acórdão recorrido de que o engano na qualificação do FPAS se trata de vício de forma na instrumentalização do documento. O erro cometido pelo Fisco reflete no cálculo do montante devido do crédito tributário, ou seja, no conteúdo da notificação fiscal e no direito aplicável à hipótese. Classificase, então, como vício material. d) Que essa circunstância é relevante para definição do critério decadencial aplicável à espécie: se a regra insculpida no artigo 173, II (anulação por vício de forma) ou se a diretriz prevista no artigo 150, § 4º, ambos do CTN. e) Que, em virtude de tratarse de erro material, o prazo decadencial deverá ser computado de acordo com o que estabelece o art. 150, § 4 º do CTN (5 anos a partir da data do fato gerador do tributo). f) Que assim, como a exigência fiscal referese a contribuições sociais de competências dezembro/2001 a setembro/2006, o direito de lançar tal crédito tributário decaio em setembro/2011. g) Que, destarte, a exigência fiscal combatida foi totalmente fulminada pela decadência, a teor do art. 156 do CTN. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 583 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pela resolução ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Recurso de ofício. Em nosso entender deve ser dado provimento ao recurso de ofício. A decisão recorrida anulou o lançamento por vício formal, relativo ao erro de enquadramento no FPAS. Esse equívoco, vício, em nosso entender, não pode ser caracterizado como vício formal, mas sim como material, CHegase a essa conclusão porquanto não se trata apenas de erro formal de enquadramento, mas sim da motivação descrita pelo Fisco para a aplicação do FPAS 515, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância, com fundamento diverso pugna pela aplicação do FPAS 787. Considerando que as alíquotas referentes a cada um dos FPAS citados são diversas, acarretando recolhimento de contribuições para as terceiras entidades distintas, não há como catalogar o vício como formal, motivo de caracterizar o vício como material. Assim, dou provimento ao recurso de ofício. Recurso Voluntário Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentando os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Da ocorrência de erro material Em princípio, importante fazer um breve adendo a respeito dos processos administrativos, que, independentemente de versarem sobre a obrigação principal, de cobrança do tributo, como no caso em apreço, ou a acessória, de cobrança da penalidade pecuniária, ambos devemestar devidamente instruídos com os documentos e elementos fáticos necessários ao seu julgamento e, ainda, observarem os princípios legais regedores e as regras especiais de validade dos atos administrativos. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 584 7 No caso em tela, percebese que o próprio Fisco, ao proferir acórdão referente ao r. processo, acusa erro de enquadramento do FPAS no instrumento de constituição do crédito tributário. Acrescentese que, para a autoridade julgadora da Impugnação, a qualificação equivocada do FPAS no lançamento do crédito tributário equivaleria a um vício de natureza formal que implicaria na declaração da nulidade da notificação fiscal a fim de possibilitar a feitura de novo lançamento fiscal na forma correta. Dito isto, e mais nada, a consta no acórdão de impugnação a justificativa pelo qual se considerou o vício como formal. Vejase: Hodiernamente, dado ao relevante tema e reflexos advindos de taldeclaração, a Secretaria da Receita Federal do Brasil procurou traçar alguns marcosdelineadores sobre as espécies de nulidades em seus aspectos de erro de direito e erro de fato,conforme Solução de Consulta Interna nº 8, de 8 de março de 2013, elaborada pela respeitávelCoordenaçãoGeralde Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ), disponível em<http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/SolucoesConsulta/ 2013/Cosit/SCICosit082013.pdf.>, cuja conclusão restou assim definida: [...] Conclusão 11. Em decorrência do exposto,concluiseque: a) Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique oexercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. b) A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro defato é convalidável e, por isso,anulável por vício formal. c) Apenas o erro na subsunção do fato ao critério pessoal da regramatriz deincidência que configura erro de direito é vício material. [...]. Alegou, por fim, que no caso em debate, a natureza do vício na espécie formal seamolda perfeitamente à resposta da Solução de Consulta, por considerar que se trata apenas deerro na formalização do instrumento do lançamento fiscal. Contudo, é cediço que quando se trata de ato administrativo, como o lançamento tributário, por exemplo, é no Direito Administrativo que encontramos as regras especiais de validade dos atos praticados pela Administração Pública: competência, motivo, conteúdo, forma e finalidade. Assim, é formal, o vício que contamina o ato administrativo em seu elemento “forma”; por toda a doutrina, cito a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro.1 Segundo a mesma autora, o elemento “forma” comporta duas concepções: uma restrita, que considera forma como a exteriorização do ato administrativo (por exemplo: autodeinfração) e outra ampla, que inclui todas as demais formalidades (por exemplo: precedido de MPF, ciência obrigatória do sujeito passivo, oportunidade de impugnação no prazo legal etc), isto é, esta última confundese com o conceito de procedimento, prática de atos consecutivos visando à consecução de determinado resultado final. 1 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella: Direito Administrativo, São Paulo: Editora Atlas, 11ª edição, páginas 187 a 192. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 585 8 Portanto, qualquer que seja a concepção, “forma”, esta não se confunde com o “conteúdo” material. A materialidade é um requisito de validade através do qual o ato administrativo, praticado porque o motivo que o deflagra ocorreu, é exteriorizado para a realização da finalidade determinada pela lei. E quando se diz “exteriorização”, devese concebêla como a materialização de um ato de vontade através de determinado instrumento. Com isso, temse que conteúdo e forma não se confundem: um mesmo conteúdo pode ser veiculado através de vários instrumentos, mas somente será válido nas relações jurídicas entre a Administração Pública e os administrados, aquele prescrito em lei. Ademais, nas relações de direito público, a forma confere segurança ao administradocontra investidas arbitrárias da Administração. Os efeitos dos atos administrativos impositivos ou de império são quase sempre gravosos para os administrados, daí a exigência legal de formalidades ou ritos. No caso do ato administrativo de lançamento, o autodeinfração com todos os seus relatórios e elementos extrínsecos é o instrumento de constituição do crédito tributário. E a sua lavratura se dá em razão da ocorrência do fato descrito pela regramatriz como gerador de obrigação tributária. Esse fato gerador, pertencente ao mundo fenomênico, constitui, mais do que sua validade, o núcleo de existência do lançamento. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência ou quando a motivação do auto não corresponde ao fato apontado carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. É o que a jurisprudência deste Conselho denomina de vício material: “[...]RECURSO EX OFFICIO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – VÍCIO FORMAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, são elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto. O levantamento e observância desses elementos básicos antecedem e são preparatórios à sua formalização, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, aí sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.[...]” (7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes – Recurso nº 129.310, Sessão de 09/07/2002)Por sua vez, o vício material do lançamento ocorre quando a autoridade lançadora não demonstra/descreve de forma clara e precisa os fatos/motivos que a levaram a lavrar a notificação fiscal e/ou auto de infração. Diz respeito ao conteúdo do ato administrativo, pressupostos intrínsecos do lançamento. *** O vício material ocorre quando o auto de infração não preenche aos requisitos constantes do art. 142 do Código Tributário Nacional, havendo equívoco na construção do lançamento quanto à verificação das condições legais para a exigência do tributo ou contribuição do crédito tributário, enquanto que o vício formal ocorre quando o lançamento contiver omissão ou inobservância de formalidades essenciais, de normas que regem o procedimento da lavratura do auto, Fl. 585DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº35365.001038/200649 Acórdão n.º 2302003.373 S2C3T2 Fl. 586 9 ou seja, da maneira de sua realização... (Acórdão n° 19200.015 IRPF, de 14/10/2008 da Segunda Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes) Outrossim, conforme acórdão acima, restará configurado o vício quando há equívocos na construção do lançamento, artigo 142 do CTN. Desta feita, comprovado está que o equívocona motivação da autuação e a falta de descrição clara e precisa dos fatos geradores que ensejaram a autuação, incorre em vício material. No caso em apreço, basta uma análise perfunctória do descrito no Relatório Fiscal para que não pairem dúvidas acerca da fragilidade deste, que não permite um correto entendimento do Recorrente, para sua defesa, tampouco do julgador, que não possui parâmetros concretos para se basear em seu julgamento. Por fim, resta apenas esclarecer que, ainda que para as competências 11/2008 e 12/2008 o entendimento aqui exposto não seja aplicado, posto que, para estas competências será cabível a redação anterior do art. 31 da Lei nº 8.212/1991, o lançamento é uno e diante do vício verificado deverá ser anulado. Por todo o exposto, não vislumbro outra possibilidade, senão anular o presente Auto de Infração, por vício material. Conclusão Ante todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e, quanto ao recurso voluntário, conheço do recurso, para, no mérito, dar provimento ao Recurso Voluntário para anular o lançamento por vício material. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento, conforme registro. Marcelo Oliveira Fl. 586DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10166.720116/2008-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE.
A desconformidade entre o fato real e o fato descrito na norma individual e concreta (ato de lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes. É ilegal a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, uma vez que sendo o lançamento tributário um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3402-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que negaram provimento por entenderem aplicável ao caso concreto a decisão proferida no mandado de segurança coletivo. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ATO ADMINISTRATIVO VINCULADO. TEORIA DOS MOTIVOS DETERMINANTES. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. IMPOSSIBILIDADE. A desconformidade entre o fato real e o fato descrito na norma individual e concreta (ato de lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes. É ilegal a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, uma vez que sendo o lançamento tributário um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz, Valdete Aparecida Marinheiro, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto, que negaram provimento por entenderem aplicável ao caso concreto a decisão proferida no mandado de segurança coletivo. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto apresentou declaração de voto. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Antonio Carlos Garcia de Souza, OAB/RJ 48.955 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 01 16 /2 00 8- 95 Fl. 3681DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 2 (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Juiz de Fora/MG, que julgou procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte ao reconhecer como legítimo o aproveitamento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (“IPI”), que motivaram a autuação fiscal (fls 733) de cobrança do imposto federal no montante de R$ 50.245.361,82, acrescido de multa proporcional no valor de R$ 37.684.020,90 e juros de mora que, até a data de 31/10/2008, perfaziam R$ 26.115.891,32. No Termo de Verificação Fiscal (“TVF”), de fls 727, a autoridade fiscal esclarece que foi constatado que a empresa Brasal Refrigerante S/A (doravante designada como “Contribuinte, “Brasal” ou “Recorrida”) havia se creditado do IPI com a utilização de produtos (matéria prima) oriundos da Zona Franca de Manaus (“ZFM”) com alíquota zero (posição 2106.90.10) no período de 1º de janeiro de 2003 a 31 de dezembro de 2006. Foi assim lavrado o citado auto de infração para cobrança de IPI (fls 733), tendo em vista a utilização de crédito básico indevido (ficto), com fundamento nos artigos 34. Inciso II, 122, 127, 130, 164, 199 caput e parágrafo único, 200, inciso IV e 202, inciso III e V do Decreto n. 4.544/2002 (“RIPI/2002”), uma vez que, no entendimento fazendário, a Recorrida não possuía o direito de escriturar créditos de produtos sujeitos à alíquota zero. Inconformada com o lançamento fiscal, o Contribuinte apresentou, em 18/12/2008, Impugnação de fls 776. Em seu texto, explica que os produtos comprados da ZFM são concentrados utilizados na produção de refrigerante da marca CocaCola, pugnando pelo direito ao aproveitamento do crédito do IPI mediante as alegações abaixo sintetizada: i) Os produtos que deram origem às glosas não se sujeitam à alíquota zero, mas sim à alíquota de 27% e é isento do IPI (fabricado na ZFM, contendo insumo regional). Nesta toada, discorre sobre a diferença entre os institutos da “alíquota zero” e da “isenção” para fins de creditamento do IPI; ii) Possui coisa julgada em seu favor, formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, uma vez que é integrante da Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), impetrante do MS. O pedido de ação era justamente o direito ao crédito de produtos isentos oriundos da ZFM. A decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento Fl. 3682DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 112 3 interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União. Assim, o crédito tributário estaria extinto por força do artigo 156, inciso X do CTN; iii) Subsidiariamente, com relação ao período anterior a 27/11/2003, afirma que há decadência (ciência do lançamento ocorrida em 27/11/2003, fulminando o crédito tributário, uma vez que deve ser utilizado ao artigo 150, §4º do CTN na contagem do prazo do IPI, tributo sujeito ao lançamento por homologação); iv) O enquadramento da infração que foi dada ao lançamento tributário não se sustenta, pois os créditos derivam da aquisição de insumos isentos, aos quais tem direito em razão do princípio da não cumulatividade; v) O artigo 6º do Decretolei n. 1.435, de 16 de dezembro de 1975 expressamente concede o crédito de IPI da aquisição de concentrados isentos. Cita jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes em seu favor (Acórdão n. 20215.304); vi) Por fim, faz requerimento de diligência para provar que a glosa recaiu sobre concentrado fabricado na ZFM utilizado na fabricação de refrigerante (cocacola) sujeito ao IPI na alíquota de 27%. Sobreveio então a Decisão da DRJ de Juiz de Fora/MG (fls 1338), de 19 de junho de 2009, que, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento, exonerando a empresa do crédito tributário exigido pelo auto de infração. Os julgadores chegaram a este resultado por duas razões: i) Entendeu que o Contribuinte preenche os requisitos legais, previstos na legislação do IPI e da Zona Franca da Manaus, para fazer jus a tomada de crédito de IPI como se a matéria prima adquirida fosse efetivamente tributada; ii) Outrossim, entendeu que o Contribuinte possui decisão judicial transitada em julgado que lhe garante o crédito, pois a associação impetrou o MS justamente visando resguardar o direito de seus associados de manter em sua escrita fiscal o crédito de IPI. 1 Conclui então que é efetivamente o percentual de 27% a ser utilizado para o cálculo do crédito de IPI, pois, como informa o Contribuinte, o concentrado que utiliza na fabricação de seus refrigerantes enquadrase na primeira exceção do item 2106.90.10 da Tabela do IPI (“TIPI”), que já existia desde o Decreto 2.092/96, sendo repetida nos Decretos 4.070/2001 e 6.006/2006. E ementa do julgamento foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI 1 A autuada se fez presente na assembléia geral que concedeu, expressamente, poderes para que a Associação promovesse a mencionada ação judicial, como se verifica no documento de fls. 57/58. Fl. 3683DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 4 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006 AMAZÔNIA OCIDENTAL. DIREITO AO CRÉDITO Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção concedida aos produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produzidos por estabelecimentos localizado: na Amazônia Ocidental, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto. CONCENTRADOS PARA ELABORAÇÃO DE REFRIGERANTES. ALIQUOTA. Os concentrados para elaboração de refrigerantes classificamse no Ex 01 do código 2106.90.10 da TIPI, estando sujeito, em situação de tributação normal, á alíquota de 27% (vinte e sete). Foram então apresentadas Razões ao Recurso de Ofício pela União, representada pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional “PGFN” (fls. 1352), asseverando que (i) o acórdão da DRJ decidiu contrariamente às provas dos autos; (ii) a informação no sentido de que o produto que ensejou o lançamento seria “concentrado utilizado na fabricação de refrigerantes", isento do IPI e se enquadrando na exceção 01 da TIPI 2106.90.10 (alíquota de 27%, para o crédito) somente apareceu em sede de impugnação; e iii) no auto de infração nem mesmo houve descrição dos produtos pela autoridade lançadora, que somente indicou que a posição TIPI aplicável é a de n. 2106.90.10, cuja alíquota é zero e, portanto, não permite creditamento algum, tudo com base nas notas fiscais e escrituração dos livros do contribuinte. Conclui então que: “A presente discussão fatalmente é uma destas situações em que a descrição dos produtos e seu devido enquadramento se toma mais intrincada e demanda conhecimento técnico para tanto.” (...) “Observese que a empresa tãosomente informa em nota fiscal e em livros fiscais tratarse da posição 2106.90.10, ou seja, "preparação dos tipos utilizados para elaboração de bebidas". (...) “Nesta hipótese, como a contribuinte é quem requer a modificação do enquadramento, pois a fiscalização partiu da premissa de que suas informações estavam corretas e a posicionou na regra geral 2106.90.10, deveria esta trazer prova em contrário ao processo administrativo ou mesmo pleitear a realização de diligência para esclarecer tal fato.” Em segundo lugar, a PGFN afirma que não há comprovação acerca do cumprimento dos requisitos legais para a utilização dos créditos (Artigo 71 do RIPI/98, artigo 82 do RIPI/02), quais sejam, utilização de matériaprima agrícola e extrativas vegetais de produção regional de estabelecimento localizado na Amazônia Ocidental e o produto ser elaborado por estabelecimento com projeto aprovado pela SUFRAMA. Como terceiro ponto, assinala que mesmo que superados os itens anteriores, não haverá direito ao crédito, uma vez que só é possível dar crédito de IPI quando há efetivo pagamento na operação. Posteriormente passa a tratar das decisões do STF que somente Fl. 3684DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 113 5 autorizam o creditamento de IPI quando houver efetivo pagamento do imposto na operação antecedente da cadeia produtiva (RE 353657, RE 496757). Não há cobrança, não há o que se compensar, afirma a Recorrente. Tal entendimento também se aplicaria aos insumos isentos (RE 566819). Finalmente, a Recorrente afirma que a decisão judicial levantada pelo contribuinte não alcança o crédito discutido nestes autos, pois o Mandado de Segurança Coletivo ("MSC") foi impetrado tão somente contra o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro, sendo somente a esta parte adstrita a ordem judicial, pois só ele estava no polo passivo desta. O auto de infração foi lavrado no Distrito Federal, sendo os auditores e Delegado da Receita Federal ali circunscritos alheios aos efeitos da decisão judicial. Remetidos os autos para a apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF” ou “Conselho”), em Resolução datada de 28 de julho de 2010, a 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento entendeu por bem baixar o processo em diligência para que a repartição de origem respondesse a 4 quesitos, abaixo destacados, já com as respostas posteriormente trazidas aos autos pelas informações fiscais de fls 2419: 1. Relacionar as matérias primas objeto da glosa; Resp: As matériasprimas objeto da glosa estão relacionadas como 005 – Outros Créditos nos Quadro Demonstrativos de números 001, 002, 003 e 004 anexos ao Termo de Diligência (fls. 603 a 615). 2. Intimar à autuada para comprovar, por meio de laudo técnico emitido por entidade pública, quais produtos agrícolas ou extrativos vegetais são utilizados, como matéria prima, na fabricação dos insumos objeto da glosa; Resp: O Laudo Técnico foi emitido por entidade pública SUFRAMA tão somente em relação ao açúcar mascavo e álcool os quais foram adquiridos de produtores da Amazônia Ocidental. 3. Intimar a autuada para comprovar quais dos produtos referidos no item 2 são produzidos na Amazônia Ocidental e, para estes, comprovar que o fabricante (Recofarma) os adquiriu exclusivamente de cultivo ou extração regional (Amazônia Ocidental); Resp: O único insumo que compõe a industrialização do concentrado é o açúcar mascavo o qual representa 3,907% do total das Entradas de Insumo e Mercadorias conforme DIPJ/2007 (fls. 643). 4. Diante da resposta do itens 2 e 3, informar se os produtos relacionados no item 1 atendem às condições para o gozo da isenção prevista n inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Se for necessário, intimar a recorrente para prestar outras informações sobre as condições a que se refere o inciso III do art. 82 do RIPI/2002. Fl. 3685DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 6 Resp: NÃO, o concentrado (NCM 2906.90.10 Concentrado com alíquota “0” sic) não foi industrializado com matériasprimas agrícolas e extrativas de produção regional, já que o açúcar mascavo representa apenas 3,907%, e, as principais matérias primas tem origem no exterior (641 a 642). Quando a recorrente efetua vendas no Brasil utiliza a classificação correta em todas as notas fiscais de saída do concentrado (2906.90.10 sic) inclusive nos produtos (Concentrado) exportados para a Venezuela e outros países (644 a 646). Para confirmar que tanto a Brasal quanto a Recofarma têm conhecimento de que a classificação correta é NCM 2906.90.10 (sic), a recorrente na tentativa de alterar a classificação fiscal do produto, emitiu vários anos depois da ocorrência do fato gerador do IPI que é a saída do estabelecimento industrial diversas cartas (fls. 647 a 658) com base no art. 395 do Decreto nº 7.212 de 15.06.2010. A recorrente não teve o cuidado de observar que o artigo 395, inciso I do Decreto nº 7.212 de 15.06.2010 contraria frontalmente a intenção da recorrente de alterar a correta classificação fiscal que é NCM 2906.90.10 com alíquota “0”. Em petição de fls 2429, a Recorrida afirma ser totalmente irrelevante a informação sobre a porcentagem de açúcar mascavo bem como os documentos fiscais da Recofarma. Escora tal conclusão no fato de o artigo 6º do DL 1.435/75 não exigir, para a fruição do benefício, que o produto seja produzido exclusivamente com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. A autoridade fiscal não tem competência para simplesmente desconsiderar o benefício fiscal concedido pela Suframa e comprovado nestes autos, alega. Outrossim, assegura que as cartas de correção não alteraram a natureza da operação e a mercadoria que, pela descrição na nota fiscal e regras de classificação, classifica se no Ex 01 da posição 2106.90.10, posto que se destinam à fabricação de refrigerantes da posição 22.02. Não houve qualquer mudança no valor do imposto, que é isento. Assim, as notas fiscais já tinham a classificação do produto, independentemente das cartas de correção. Retornaram os autos ao CARF, que expediu nova Resolução em 22 de julho de 2014 (fls 2502), por entender que ainda faltavam elementos para o deslinde da questão. Assim, o julgamento foi convertido em diligência para que a autoridade fiscal apresentasse os seguintes documentos: 1. A Resolução nº 457, de 1988 e Parecer Técnico nº 094, de 1992, mencionados pelo Parecer Técnico nº 88, de 1993, a Resolução nº 350, de 24/09/92, e Resolução nº 098, de 05/03/93, mencionadas no Parecer Técnico 35, de 1997; 2. A portaria interministerial mencionada na Resolução nº 387, de 1993 que fixou o processo produtivo básico definitivo; 3. Outras resoluções ou portarias interministeriais que tenham concedido o benefício do art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 1975, não juntadas aos autos; 4. Relação das matérias primas glosadas, transcrevendo a descrição do item das notas fiscais; 5. Juntadas das notas fiscais mencionadas nos quadros das folhas 603 a 615; Fl. 3686DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 114 7 6. Prova pericial a ser realizada pelo INT ou órgão congênere, para a definição dos aspectos técnicos das matérias primas glosadas, especialmente quanto à capacidade de diluição mencionada nos textos dos Ex01 e Ex02 do código 2106.90.10. Tudo quanto requerido foi trazido aos autos do presente Processo administrativo, bem como novos esclarecimentos da Recorrida. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 1. DA PRECLUSÃO DO DIREITO DA RECORRIDA DE PRODUZIR PROVAS Sobre esse primeiro ponto destacado pelas razões da Recorrente, destaco que a Recorrida defendeuse, pelo meio processual cabível (impugnação), explicitando as razões da improcedência da autuação fiscal (tratarse de produtos adquiridos com isenção, cumprindo os requisitos do artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75 e do artigo 82 do RIPI/2007 para fruição do crédito de IPI) e requerendo explicitamente o deferimento de diligência (segundo o artigo 16 do Decreto n. 70.235/72) para provar que a glosa recaiu sobre concentrado fabricado na ZFM utilizado na fabricação de refrigerante (cocacola) sujeito ao IPI na alíquota de 27%. Disto já não vejo vício algum sobre a produção de provas nesse processo,. Ressalto ainda que no Processo Administrativo Fiscal a distribuição do ônus da prova não ocorre como pretende a Recorrente. Neste sentido, vale a transcrição das palavras do Conselheiro Antonio Carlos Atulim sobre o papel da fiscalização quando da lavratura de autos de infração: É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 42 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade (Acórdão n. 3402002.881, Processo n. 13656.721158/201115, Sessão de 28/01/2016) Grifei. No caso sob análise, a Fiscalização se limitou a, baseandose nas notas fiscais, efetuar a glosa afirmando que as matérias primas eram adquiridas com alíquota zero de Fl. 3687DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 8 IPI, fato que não traz consigo previsão legal para a escrituração de créditos do mesmo imposto. Não foi levantada nem provada pelo Fisco a questão do cumprimento dos requisitos do artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75, relativo às aquisições de matériaprima da ZFM isenta. O contribuinte, portanto, nada mais faz nesse processo do que buscar a prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, do art. 36 da Lei nº 9.784/99 e do artigo 333 do Código de Processo Civil, conforme se apresentou a controvérsia. Por essas razões este Conselho expediu duas Resoluções para que fossem complementadas as informações e provas necessárias para o deslinde da controvérsia, sempre dentro dos limites estabelecidos por lei ao andamento do Processo Administrativo Fiscal. Lembrese que o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72 permite que a autoridade julgadora determine a realização de diligências ou perícias quando entendêlas necessárias para a formação de seu convencimento. Neste sentido, inclusive, o CARF já superou tacitamente as alegações da Recorrente sobre a suposta preclusão do direito de produzir provas da Recorrida, uma vez que pelas Resoluções de 2010 e 2014 determinouse justamente a realização as diligências necessárias ao caso. Assim, pelo princípio do impulso oficial do processo (artigo 262 do Código de Processo Civil), entendo já superada a alegação de preclusão probatória e julgo o caso a partir desse ponto. 1. DA DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO A FAVOR DA RECORRIDA Inicialmente, é preciso esclarecer que, pelas notas fiscais juntadas aos autos, constato que fornecedora dos insumos, informava nas notas fiscais de saída que os concentrados para a produção de refrigerantes eram isentos do IPI por força dos artigos 69, incisos I e II e 82, inciso III do RIPI/2002. Isto significa que a Recofarma (fornecedor das mercadorias ao Contribuinte) usufruiu tanto da isenção para produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (artigo 9º do DecretoLei nº 288/67), quanto da isenção prevista para produtos industrializados na Amazônia Ocidental com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional (artigo 6º do DecretoLei nº 1.435/75). Tendo isto em vista, antes de adentrar na discussão sobre o cumprimento ou descumprimento do regime jurídico de exoneração tributária e o consequente direito ao crédito de IPI ora sob análise (artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75), cumpre avaliar a existência ou não de coisa julgada em favor da Recorrida. Isto porque no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que o Contribuinte alega fundar seu direito, buscavase a tutela judicial para garantir o crédito de IPI pela aquisição de produtos isentos estampada no artigo 9º do Decreto lei n. 288/67, haja vista que, para esta específica isenção, a legislação tributária não outorga o respectivo direito à escrituração de crédito do IPI. Sobre o Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, entende a Recorrida que possui coisa julgada em seu favor, à medida que esta ação foi impetrada pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de Cocacola (AFBCC), como substituta processual de seus associados. A seu turno a Fazenda Pública alega que a coisa julgada não beneficia o Contribuinte. Isto porque a ação foi manejada no Rio de Janeiro, tendo sido elencada como autoridade coatora o Delegado da Receita Federal daquela jurisdição. Assim, a coisa julgada ali formada não alcançaria o Contribuinte, cujo domicílio fiscal está sob a jurisdição do Delegado da Receita Federal de outro estado brasileiro, responsável pela lavratura do auto de infração ora sob análise. Fl. 3688DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 115 9 A discussão acerca dos efeitos do julgamento do citado Mandado de Segurança Coletivo com relação às empresas associadas à AFBCC não é nova no CARF. Em julgamentos de casos semelhantes, este Conselho vem afastando a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, cuja decisão favorável aos contribuintes transitou em julgado em 02/12/1999, depois de negado o Agravo de Instrumento interposto no bojo do Recurso Extraordinário manejado pela União (e.g. Processo n. 10950.000026/201052, Acórdão n. 3403003.323, de 15 de outubro de 2014; e Processo n. 15956.720043/201316, Acórdão n. 3403003.491, de 27 de janeiro de 2015). Pautam este entendimento no fato de o Supremo Tribunal Federal (“STF”), quando da análise da Reclamação 7.7781/SP (apresentada por Associado da AFBCC), julgada em 30/04/2014, ter decidido pela restrição territorial dos efeitos do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834 à jurisdição do órgão prolator, vale dizer, o Rio de Janeiro. Vejase a ementa da Reclamação: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifei) Destaco abaixo trecho do voto do Ministro Relator, Gilmar Mendes Ferreira, no qual encontramos a razão que levou ao julgamento neste sentido: Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que “ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos. (grifei) Todavia, ouso, com a devida vênia, discordar do julgamento proferido pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal, razão pela qual entendo que esta decisão não merece guarida do CARF. Efetivamente, o julgamento da Reclamação n. 7.7781/SP recaiu em uma “vala comum” a qual não pertence, culminando em decisão totalmente dissociada do direito processual aplicável aos mandados de segurança coletivos de matéria tributária, bem como do caso concreto levado à apreciação do STF, e que agora merece uma análise mais cuidadosa deste Conselho. Fl. 3689DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 10 Neste sentido, vale salientar que, em consulta sobre o andamento processual da Reclamação n. 7.778 (apresentada por Companhia de Bebidas Ipiranga, associada que fora substituída pela AFBCC no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834) no sítio eletrônico do STF, constatase que foram opostos embargos de declaração ainda pendentes de julgamento. Assim, a decisão ainda não é final. Dito isto, passo à demonstração dos sucessivos equívocos que são cometidos ao se afastar a autoridade da coisa julgada formada no Mandado de segurança Coletivo n. 91.00477834 dos membros da AFBCC. 1.1. Mandado de segurança coletivo como meio de tutela de direitos individuais homogêneos em contraposição aos instrumentos de tutela dos interesses transindividuais em juízo Desde já adianto que a confusão iniciada no julgamento da Reclamação n. 7.7781, que vem reverberando nos julgamentos do CARF, consiste em tratar o mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como se fosse uma ação coletiva que visa provimento jurisdicional acerca de direitos transindividuais (ou coletivos em sentido lato). Tal confusão tornase especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação das regras que disciplinam a coisa julgada formada nas ações coletivas aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com o direito que cada uma desses instrumentos processuais visa tutelar, tampouco com a disciplina jurídica expressamente posta pelo ordenamento pátrio para cada uma dessas ações. O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação. 1.1.1. Dos diferentes direitos tutelado nas Ações Coletivas e nos Mandados de Segurança Coletivos, acarretando em diferentes regimes jurídicos aplicáveis Não se deve confundir “direito coletivo” (= gênero do qual fazem partes as espécies direito coletivo em sentido estrito e direito difuso) com “defesa coletiva de direitos” (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo). 2 A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento dos direitos “individuais homogêneos” como espécie dos “direitos coletivos ou difusos”, acarretando na utilização equivocada de instrumentos processuais específicos para uma ou outra situação.3 Tal equívoco, de aplicação de regime jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781. Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos são direitos sem titular individualmente determinado e materialmente indivisíveis (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os direitos 2 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 32. 3 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 33. Fl. 3690DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 116 11 individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação, peço licença para fazer uso das palavras de Teori Zavaski, 4 que sintetiza o espinhoso assunto de forma didática: A expressão ‘direito individuais homogêneos’ foi cunhada, em nosso direito positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor – CDC (Lei 8.078/90), para designar um conjunto de direitos subjetivos ‘de origem comum’ (art. 81, parágrafo único, III), que em razão de sua homogeneidade, podem ser tutelados por ‘ações coletivas’ (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito material, mas simplesmente de uma nova expressão para classificar certos direitos subjetivo individuais, aqueles mesmo aos quis se refere o CPC no art. 46, ou seja, direitos que ‘derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito’ (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ’por um ponto comum de fato ou de direito’. (...) Tratase de direitos originados da incidência de um mesmo conjunto normativo sobre uma situação fática idêntica ou assemelhada. (grifei) O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o tratamento desses direitos (direitos coletivos x direitos individuais homogêneos) e traçou dois subsistemas distintos: i) o subsistema dos instrumentos de tutela dos direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos instrumentos para tutelar coletivamente os direitos subjetivos individuais homogêneos (ações civis coletivas, nas quais se inclui o mandado de segurança coletivo). 5 Sendo diferentes os regimes jurídicos citados acima, igualmente diversa é a forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela de direito coletivo da coisa julgada formada em ação coletiva de tutela de direito individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo: 1.1.2. Da impropriedade de aplicação das normas relativas à coisa julgada das ações coletivas ao Mandado de segurança Coletivo sobre matéria tributária Nas ações coletivas (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) de modo geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as pessoas, determinados grupos sociais, ou a sociedade como um todo, que compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem as ações judiciais, conforme previsão legal. Vêse que os interesses em jogo nestas ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente o interesse público. 6 Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder Judiciário ultrapasse os limites das partes que compuseram o processo, ou seja, a coisa julgada 4 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, pp. 145 e 146. 5 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 49. 6 MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. São Paulo, Saraiva, 2012, 25ª ed, p. 50. Fl. 3691DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 12 nas ações coletiva é erga omnes ou ultra partes (e.g. artigo 103 do CDC).7 Afinal, o direito é de uma determinada coletividade, devendo a toda ela surtir efeito a decisão. Neste contexto é que se insere o art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985 (Lei da Ação Civil Pública), cuja redação original segue transcrita a seguir: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova (grifei) Este dispositivo, contudo, teve sua redação alterada pela Lei n. 9.494/1997 passando a ter a seguinte forma: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova. (grifei) Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei n. 9.494/1997 trouxe nova regra às ações coletivas, em seu artigo 2ºA – que é o fundamento da decisão do STF na Reclamação n. 77781, e, portanto, o cerne da presente controvérsia , in verbis: Art. 2oA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (grifei) Constatase de pronto que este dispositivo veio disciplinar o “problema” relativo ao efeito erga omnes das sentenças prolatadas em ações para tutela de interesses coletivos (ação popular e ação civil pública), nas quais a eficácia subjetiva da coisa julgada não se limita às partes que compõe o processo, diferentemente do que ocorre com as ações individuais. Recordese que a ação civil pública também pode ser promovida por entidades associativas, porém, quando transitada em julgado, a coisa julgada material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi prolatada a decisão. Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.778 1, a qual, recordese, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou o mandamus, uma vez que fora autuado pela Receita Federal de Ribeirão Preto mesmo possuindo a coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834, aplicouos ao caso, decretando ser 7 Art. 103. Nas ações coletivas de que trata este código, a sentença fará coisa julgada: I erga omnes, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação, com idêntico fundamento valendose de nova prova, na hipótese do inciso I do parágrafo único do art. 81; II ultra partes, mas limitadamente ao grupo, categoria ou classe, salvo improcedência por insuficiência de provas, nos termos do inciso anterior, quando se tratar da hipótese prevista no inciso II do parágrafo único do art. 81; III erga omnes, apenas no caso de procedência do pedido, para beneficiar todas as vítimas e seus sucessores, na hipótese do inciso III do parágrafo único do art. 81 Fl. 3692DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 117 13 impossível a utilização da autoridade da coisa julgada pela empresa reclamante, por estar fora da competência territorial do órgão prolator da decisão. Perguntase: está correto tal entendimento? Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes. 1.1.2.1. O MSC n. 91.00477834 cuida de direito individual homogêneo, específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas partes do processo, e não por terceiros Como esclarecido nos itens anteriores, não se deve pensar que os mandados de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos (transindividuais). Não. Em regra, os mandados de segurança coletivos são utilizados processualmente para resguardar direito líquido e certo individual homogêneo de um grupo, com base no artigo 5º, inciso LXX da Constituição. 8 Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários poucas vezes serão enquadrados nos direitos coletivos em sentido estrito, e simplesmente não se enquadram entre os direitos difusos jamais, como observa Cleide Previtalli Cais: 9 Por sua própria natureza, caracterizados pela indivisibilidade, indeterminação de indivíduos e indisponibilidade, os direitos difusos jamais compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação do titular e disponibilidade, uma vez que são dotados de cunho eminentemente patrimonial. Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas), que, por meio de associação, levam ao Poder Judiciário questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), 10 que são individuais homogêneos e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário em uma única ação, o mandado de segurança coletivo. 8 Não se está aqui a olvidar que é possível que determinada classe de indivíduos bata às portas do Judiciário não por meio de uma ação civil pública, ação popular, etc, mas sim por meio de mandado de segurança coletivo (artigo 5º, incisos LXIX e LXX da Constituição Federal), por substituição processual, sendo representados por sua associação. Teori Zavaski, em sua obra “Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos” dá o exemplo de uma associação que, em nome de seus associados (e.g. engenheiros), impetra mandado de segurança coletivo contra a ilegítima exclusão dos membros da classe de determinado edital de concurso público. Temos aí exemplo de mandado de segurança coletivo como ferramenta para tutela de direito transindividual, prevista no artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009, que alargou a regra do artigo 5º, LXX da Constituição. Contudo, tal situação é exceção, e não a regra. A regra é que mandados de segurança coletivos sejam manejados para fazer valer “direitos individuais e homogêneos”, como visto acima. (Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 194). 9 CAIS, Cleide Previtalli. O Processo Tributário, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, 6ª ed, p. 359 10 Não por outra razão a Lei n. 7.437/85 veda expressamente o uso da Ação Civil Pública para questões tributárias (artigo 1º, §1º) Fl. 3693DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 14 Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não era vigente quando sobreveio a sentença do MSC n. 91.00477834, mas que nada mais fez do que esclarecer os procedimentos que vinham sendo adotados pelos jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: I coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; II individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei) Notase que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança coletivo, dispõe que a imutabilidade da sentença abarca todos os substituídos pela associação impetrante. Tal regra se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21: aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos individuais homogêneos. Ocorre que os direitos individuais homogêneos, conforme exposto no item 1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para tutela dos direitos individuais homogêneos não pretende, em momento algum, qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos de MSC os membros da associação são por ela substituídos, mas os direitos ali pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6º do CPC).11 Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997). Afinal no mandado de segurança coletivo, que visa tutelar direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada necessariamente se restringe aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada, uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou 11 Art. 6º Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. Fl. 3694DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 118 15 categoria substituídos pela impetrante; por definição, os direitos daquela tipologia pertencem a pessoas determinadas ou determináveis."12 Ou seja, não é necessária a preocupação em se reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe nestes casos. Não se confunde tal situação, com direitos coletivos, de maior amplitude e que possuem destinatário indeterminados, aos quais sim aplicável a regra do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meioambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, como claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. A permissão judicial para a escrituração de crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual homogêneo pleiteado pela AFBCC em nome de seus membros, que só a eles se aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa julgada no MSC n. 91.00477834 tem, portanto, força de lei entre as partes, vale dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados. In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante, está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva” (Reclamação n. 7.7781), como precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo, a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária em que se discutem direitos individuais homogêneos, restringindose tão somente às ações nas quais são tutelados direitos coletivos (transindividuais), que nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834. 1.1.2.2. Mesmo que o MSC n. 91.00477834 tivesse por escopo tutelar direito transindividual, o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 não se aplica aos mandados de segurança coletivos Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas todas as linhas acima para comprovar que a Recorrida está legitimamente abarcado pela coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834 (mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença não acarreta em efeitos erga omnes, tanto pela dicção da lei como pelo pedido do writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 é totalmente estranho à questão), ainda assim restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781. Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997, de modo a restringir a coisa julgada aos “substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator”. 12 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 133. Fl. 3695DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 16 É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a lição de James Marins: 13 “A Lei n. 12.016/2009 – acertadamente – estabeleceu a eficácia da coisa julgada diferente do mandado de segurança coletivo em relação às demais ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput, do referido diploma legal.” (grifei) Cássio Scarpinella Bueno, 14 ao abordar especificamente o tema, leciona que mesmo anteriormente à publicação da nova lei do mandado de segurança (Lei n. 12.016/2009), tanto a doutrina como a jurisprudência eram uníssonas sobre a inaplicabilidade do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo, in verbis: Sobre regras restritivas, cabe lembrar do caput do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/2001, segundo a qual ‘“ a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator’. O dispositivo, já ensinavam doutrina e jurisprudência, não deveria ser aplicado no mandado de segurança coletivo. O silêncio da nova lei, no particular, deve ser entendido como consciente (e correto) afastamento daquela disciplina. Para estar sujeito à coisa julgada que se forma no mandado de segurança coletivo, basta que o indivíduo tenha sido devidamente substituído pelo impetrante, sendo indiferente, para tanto, o momento em que se verificou o elo associativo, que, de resto, pode até não existir tendo em conta as exigências feitas pela Lei n. 12.016/2009 e, superiormente, pela Constituição Federal, para reconhecer àqueles entes legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei) Ratificando este entendimento, peço vênia para mais uma vez fazer uso das lições de Teori Zavaski: 15 No mandado de segurança coletivo a eficácia subjetiva está, portanto vinculada à representatividade do impetrante, sem limites de natureza territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há também o limite territorial estabelecido no art. 2ºA e seu parágrafo da Lei n. 9.494/1997. (...) Não há como justificar a aplicação destes limites e exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia constitucional fundamental que é, deve ter sua eficácia potencializada em grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram expressa ou implicitamente da própria Constituição, supõem fundamento razoável e previsão 13 MARINS, James. Direito Processial Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial. Dialética, São Paulo: 5ª edição, p. 623. 14 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 136. 15 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 208 Fl. 3696DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 119 17 específica em lei. Não se concebendo razão plausível da extensão da exigência do mandado de segurança coletivo, nem havendo menção expressa nesse sentido no art. 2ºA, é de se entender que suas disposições não lhe são aplicáveis. (grifei) Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC 91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de instrumento processual com disciplina jurídica própria, além de possuir status de garantia constitucional, não pode prevalecer o entendimento de que se aplicaria a limitação territorial do artigo 2ºA da Lei n. 9.494/1997. Por essa razão, muito embora o Contribuinte esteja fora da competência territorial do órgão prolator da decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação a eles. 1.3. Da questão da autoridade coatora Cumpre, por fim, analisar o argumento da Recorrente no sentido de que a AFBCC teria elencado autoridade coatora no MSC n. 91.00477834 (Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro) que não abrange a autoridade que teve a competência para o lançamento tributário em questão, vale dizer, o Delegado da Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração. Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo. Ali está ressaltado pela Impetrante (AFBCC) que, no momento da propositura do writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo, mas tão somente o mando de segurança individual (Lei n. 1.533/1951). Ademais, resta esclarecido que o objetivo da AFBCC foi insurgirse, em nome de seus membros, contra eminente ato coator de qualquer um dos delegados da receita federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um tributo federal (IPI) recolhido pelas empresas associada espalhadas pelo Brasil. Inclusive, no pedido do mandamus, a Impetrante requer que seja dada ciência da decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo isso de acordo com o fato de que a União Federal que é a legitimada passiva da ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora, tão somente porque ali estava situada a Associação, substituta processual dos seus associados. Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive, nas decisões judiciais que integram o processo nunca foi contestada a exatidão do procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o processo correu normalmente, sem que os magistrados apontassem qualquer problema formal no writ. A autoridade coatora, devemos lembrar, é mero representante funcional do poder público que presta informações e determina a competência para a impetração do mandado de segurança. Destarte, a autoridade coatora não se confunde com a parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso. 16 Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido de poder de decisão e, certa escala 16 MANCUSO, Rodolfo. Sobre a identificação da autoridade coatora e a impetração contra a lei em tese nos mandados de segurança. Revista de Processo, n. 44, p. 69 84, ano 11. São Paulo: RT, out/dez., 1986, p. 74. Fl. 3697DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 18 hierárquica, que, nessa qualidade: praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado. Como bem se sabe, a coisa julgada tem força de lei entre as partes que compuseram a lide. Assim, a coisa julgada oriunda da sentença do mandado de segurança coletivo atingirá a Impetrante (resvalando no direito daqueles que substitui artigo 22 da Lei n, 12.016) e a Impetrada, que é, como visto nos trechos acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o polo passivo, e não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional. No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que: Parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade” (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei) Não foi de outra forma que o Supremo Tribunal Federal, por julgamento unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. PLURARIDADE DE IMPETRADOS. MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO DAS AÇÕES. IDENTIDADE DE PEDIDOS QUANTO À MATÉRIA SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A existência de diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são vinculadas a uma mesma pessoa jurídica de direito público. 2. Há litispendência, e não continência, se a diferença entre os objetos das ações mandamentais é matéria insusceptível de exame por meio de mandado de segurança. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesta oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações, o Ministro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que: Muito bem. Feita a radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o mesmo e a União está no polo passivo, com legitimidade para recorrer e contra arrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a elas senão o dever de prestar informações. No mesmo sentido destacase ainda o voto do Ministro Cesar Peluso no julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644 E a razão óbvia era e é porque parte passiva legítima ad causam, no mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou do ato impugnado, senão a pessoa jurídica a cujos quadros pertença, na condição de única destinatária dos efeitos jurídicos da sentença mandamental. (...) Fl. 3698DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 120 19 Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a autoridade a que se atribui a prática do ato supostamente lesivo a direito líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos efeitos da sentença definitiva. Portanto, os efeitos da sentença, bem como a sua imutabilidade (coisa julgada) do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que visava garantir direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o Delegado da Receita Federal deste ou daquele estado e os membros da AFBCC. Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado pela AFBCC como autoridade coatora, uma vez que neste estado encontravase situada a Associação, que substituía seus membros, com a finalidade de prestar informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2º da Lei n. 1533/1951, a lei do mandado de segurança então vigente, que em seu artigo 2º colocava: "considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais." Não se pode deixar de notar que, caso prevalecesse o argumento levantado pela Fazenda Nacional, ou o entendimento do STF exposto na Reclamação n. 7.7781, concluiríamos que inexiste a possibilidade de utilização do mandado de segurança coletivo para questões de tributação federal, o que certamente não é verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior, caso prevalecesse tal argumento da Fazenda Nacional, forçosamente estaríamos afastando a autoridade da coisa julgada que paira entre a União e os membros da AFBCC, sem qualquer razão jurídica para tanto, incidindo assim tanto em desrespeito à Constituição (artigo 5º, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2. CONCLUSÃO Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado. Nesse sentido, voto pela improcedência do recurso de ofício, mantendo o cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim Conforme se pode verificar nos autos, a fiscalização glosou os créditos sob o fundamento de que insumos adquiridos com alíquota zero não dão direito ao crédito. Fl. 3699DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 20 Isso ficou bem claro em duas passagens existentes na descrição dos fatos e no termo de constatação (fls. 729 e 735): Observem senhores conselheiros que nem de longe a fiscalização arranhou o assunto principal, que são as isenções dos DecretosLeis nº 1.435/76 e 288/67, pois até mesmo os julgados do STF invocados para dar lastro a autuação se referem à questão do crédito sobre insumos sujeitos à alíquota zero. E o fisco tinha pleno conhecimento de que a empresa havia adquirido concentrados fabricados em Manaus com aquelas isenções, pois o próprio exator anexou a título de exemplo a Nota Fiscal de fl. 721 que consigna expressamente o seguinte: Fl. 3700DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 121 21 Apesar de conhecer todos esses elementos, a fiscalização insistiu em motivar o lançamento com o fato "o crédito é indevido porque os concentrados estão sujeitos à alíquota zero", quando a realidade fática era evidente: o contribuinte tomou o crédito sobre produtos isentos, por entender que estava amparado pelos arts. 69, I e II; 82, III e 341, II do RIPI/2002. A Turma de Julgamento da DRJ constatou imediatamente a desconformidade entre a situação real das aquisições isentas da ZFM e a situação descrita pela fiscalização no suporte físico do lançamento: Após fazer essa constatação, a DRJ dirigiu sua decisão no sentido de prover a impugnação do contribuinte, admitindo a aplicabilidade do mandado de segurança coletivo e considerando que a isenção foi regularmente concedida pela Suframa. Essa decisão é frontalmente contrária ao que este colegiado decidiu quanto a essas matérias nos recentes Acórdãos 3402002.921; 3402002.922; 3402002.927; 3402 002.932; 3402002.933; 3402002.934 e 3402002.935. Entretanto, embora incorretos os fundamentos da decisão de primeiro grau, este colegiado não pode reformálos adotando os fundamentos dos votos vencedores declinados nos Acórdãos citados no parágrafo anterior, sob pena de manter o ato administrativo de lançamento sob fundamento diverso daquele originalmente invocado pelo fisco. Vejamos. Da obra de Hely Lopes Meirelles extraise o seguinte excerto: “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). A desconformidade entre o fato real e o fato descrito na norma individual e concreta (ato de lançamento) é causa de decretação da improcedência do lançamento pelo mérito, com base na teoria dos motivos determinantes. No caso dos autos, é evidente o descompasso entre a motivação do auto de infração e a situação real do contribuinte: a autuação foi lastreada no fato de que "insumos tributados com alíquota zero não dão direito ao crédito de IPI"; quando a realidade fática evidenciada pela Nota Fiscal e pela TIPI trazidas ao processo pela própria fiscalização, revelam que se trata de crédito tomado sobre aquisições de produtos isentos originários da Zona Franca, com base nos arts. 69, I e II; 82, III e 341, II do RIPI/2002. Fl. 3701DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 22 Observem senhores conselheiros que a constatação acima de improcedência do lançamento foi reforçada pelo que restou solicitado nas duas diligências determinadas pela antiga Turma 3302. Na Resolução 330200.052, consta que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional constatou a carência probatória da fiscalização, conforme se vê no seguinte excerto: (...) Nas duas diligências solicitadas aquele colegiado mirou no objetivo de obter elementos probatórios que permitissem a aferição do cumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 82, III, do RIPI/2002, que permitiriam a contemplação dos concentrados com a isenção e com o direito de gerarem créditos fictos do imposto. Acontece que se esses elementos probatórios demonstrarem que os requisitos legais exigidos pelo art. 82, III, do RIPI/2002 não foram cumpridos, a reforma da decisão da DRJ acarretará a manutenção do lançamento fiscal por fundamento diverso daquele que foi originalmente invocado, o que é totalmente ilegal, já que sendo o lançamento um ato administrativo enquadrado na classe dos atos vinculados, os motivos invocados originalmente são vinculantes para a Administração. Em sede de julgamento administrativo não há como trocar o fundamento "o crédito é indevido porque os insumos estão sujeitos à alíquota zero", pelo fundamento "o crédito é indevido porque o fabricante dos concentrados não cumpriu os requisitos do art. 82, III, do RIPI/2002". Desse modo, são totalmente impertinentes as duas diligências solicitadas pela antiga Turma 3302, pois visaram a obtenção de provas com o objetivo claro de tentar manter a autuação por fundamento diverso do originalmente invocado. Sendo manifestamente improcedente o auto de infração, foi correto o seu cancelamento pela DRJ, mas pelos fundamentos acima declinados. E com tais fundamentos, acompanho a ilustre relatora Thais De Laurentiis Galkowicz pelas conclusões para negar provimento ao recurso de ofício. Antonio Carlos Atulim Declaração de Voto Fl. 3702DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 122 23 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Versa o presente processo sobre Auto de Infração decorrente da tomada de créditos de IPI de saídas isentas da Zona Franca de Manaus, conforme de resto bem descrito no relatório que compõe este Acórdão. Na impugnação, o contribuinte informa que possui ordem judicial definitiva proferida nos autos do Mandado de Segurança Coletivo transitado em julgado em que garante o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumo isento, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes, adquirido de estabelecimento na Zona Franca de Manaus. Em reconhecendo este Colegiado a existência de coisa julgada individual, sequer há que ser admitido o Recurso de Ofício, pela presença de pressuposto processual negativo, que impede o exame de mérito no processo. Conforme lição histórica de Oskar Von Bülow: "os pressupostos processuais são os requisitos para a admissibilidade (die erfordenisse für die zulässigkeit), as condições prévias para a formação definitiva de tôda (sic) relação processual (die vorbedingungen für zustandekommen des ganzen prozessverhältiness), a condição de existência da relação processual, os requisitos para a válida formação definitiva da relação processual." (Teoria das exceções e dos pressupostos processuais. Tradução e notas de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003. P.10) A propositura de uma ação, ou a apresentação de uma impugnação, estabelece dois planos de relações: o direito material e o direito processual. O primeiro é discutido no processo, e o segundo é o continente em que se coloca a discussão sobre aquele. Sobre isso, frisa Von Bülow que a relação jurídica processual tem três aspectos específicos: os sujeitos, o objeto, e os pressupostos processuais, que evidenciam a autonomia da relação jurídica processual em relação ao direito material. Para Teresa Arruda Alvim Wambier, os pressupostos processuais são elementos cuja presença é imprescindível para a existência e para a validade da relação processual e, de outra parte, cuja inexistência é imperativa para que a relação processual exista validamente, nos casos dos pressupostos processuais negativos (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades da sentença. São Paulo: RT, 1990, p. 22.). Dela não discrepa Chiovenda, ao afirmar que os pressupostos processuais são as condições para obtenção de um pronunciamento qualquer, favorável ou desfavorável, sobre a demanda (CHIOVENDA, Giuseppe. Instituciones de derecho procesal civil. Tradução de E. Gómez Orbaneja. 2.ed. vol. 2. Madri: Revista do Derecho Privado, 1948, pp. 110111). Os pressupostos processuais negativos são aqueles elementos deverão estar ausentes para que o processo possa receber um pronunciamento de mérito é dizer, a presença de qualquer desses pressupostos negativos implica, no âmbito judicial, na sentença não Fl. 3703DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO 24 resolutiva do mérito, que faz coisa jurídica apenas formal. Essa é a prescrição do Código de Processo Civil, em seu art.485, V: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; O Código de Processo Civil reconhece como pressupostos processuais negativos as figuras da perempção, litispendência e a coisa julgada, nesse caso devendo ser entendida a coisa julgada material, que resolveu o mérito, na linha do art.337, §4º, art.502 e 503 da Lei 13.105/2015 (NCPC): Art.337. (...) §4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. No âmbito do procedimento administrativo tributário não há a figura da sentença, mas isso não implica que esses pressupostos não tenham guarida neste âmbito. Pelo contrário, verificase que são tratados como requisitos de admissibilidade de recursos e reclamações no âmbito administrativo, a exemplo da Súmula CARF nº01, que determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, e qual seria o tratamento do CARF para os casos de ausência de pressuposto processual negativo? Corroborando a ilação que fizemos acima, e em breve consulta à jurisprudência desse órgão, através do sítio virtual do Conselho, verificase cerca de 161 (cento e sessenta e um) acórdãos nos quais a existência de litispendência (tratada como concomitância no âmbito administrativo) impede o conhecimento dos recursos voluntários. Vejase que não há óbice à aplicação da mesma sistemática aos Recursos de Ofício, vez que o Decreto 70.235 não discrimina duas espécies de recurso, mas apenas prescrevendo que nos casos do inc. I e II do art.34 desse diploma, o recurso será feito Fl. 3704DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO Processo nº 10166.720116/200895 Acórdão n.º 3402003.067 S3C4T2 Fl. 123 25 oficiosamente (art.34, caput), e será interposto mediante declaração na própria decisão (art.34, §1º). Não é de se causar espécie a presença de controle de requisitos de admissibilidade nos recursos de ofício, vez que eles estão sujeito a um requisito adicional, qual seja o limite de alçada, que condiciona o seu conhecimento por este colegiado. Por outro lado, corrobora esse entendimento a verificação de que o Decreto 70.235, quando quis dar um tratamento específico a um dos pressupostos processuais negativos, seu trouxe regra expressa, como de resto se depreende do tratamento dado à perempção, em seu art.35, verbis " o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.". Contrario sensu, é de se entender que na presença dos demais pressupostos processuais negativos o processo não deve ser julgado, ergo não deverá ser conhecido pelo colegiado. Devese frisar aqui, também, que o expediente não viola de qualquer forma o direito de defesa de mérito do contribuinte, na tentativa de convalidar a decisão da DRJ no âmbito do CARF, haja vista que, havendo interesse da Fazenda, ela deve apresentar Recurso Especial para que a questão da admissibilidade seja discutida na CSRF e, em caso de reversão do entendimento naquela instância superior, deverá o processo retorna a esta turma para manifestação sobre o mérito do caso. Portanto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO, em razão do reconhecimento da existência de coisa julgada sobre a questão discutida, o que configura pressuposto processual negativo que inviabiliza a apreciação do mérito por este colegiado. Em sendo vencido quanto a ausência de condições de admissibilidade, acompanho a relatora no julgamento de mérito. Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3705DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Numero do processo: 10715.004218/2010-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 11/07/2007 a 08/08/2007 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 42 18 /2 01 0- 11 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 239 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801005.328, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 240 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 240DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 241 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 242 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 242DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 243 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 243DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 244 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 244DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 245 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 245DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.004218/201011 Acórdão n.º 9303003.761 CSRFT3 Fl. 246 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 246DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16682.721507/2013-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AUSÊNCIA DE NULIDADE NO AUTO DE INFRAÇÃO
Estando o lançamento suficientemente motivado, estando indicado o fundamento jurídico e tendo sido feito a subsunção da norma ao caso, não há que se falar em nulidade.
INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
A inovação ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma.
CONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 74 DA MP 2.158-35/01
Com base na presunção de constitucionalidade que goza toda lei e no disposto na Súmula CARF nº 2, o artigo 74 da MP 2.158-35/01 aplica-se à receita da Contribuinte relativa à participação nos lucros de sua controlada.
DISPONIBILIDADE. ARTIGO 43 DO CTN. RESPEITADO.
Considerando que o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 estabeleceu o regime de competência e, como consequência, sujeitou as empresas brasileiras à disponibilidade econômica, conclui-se que não há violação ao disposto no artigo 43 do CTN.
ARTIGO 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. OBSERVADO. PROPÓSITO NEGOCIAL. DESNECESSIDADE.
Por ser o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.158-35/01 uma norma específica e autoaplicável, ele não precisa, para ser aplicado, aguardar a regulamentação por lei ordinária do parágrafo único do artigo 116 do CTN, nem precisa ser apurada a existência de propósito negocial.
ARTIGO 7º DO TRATADO. INAPLICÁVEL.
Configurada a disponibilização econômica do lucro, não há mais que se falar na tributação do lucro, seja da empresa estrangeira, seja da empresa brasileira, mas, sim, deve-se falar em dividendo e, portanto, inexiste ofensa ao artigo 7º do Tratado Brasil e Países Baixos.
ARTIGO 10 DO TRATADO. APLICABILIDADE.
Por terem os lucros disponibilizados nos termos do art. 74 da MP 2158-35/01 a natureza de dividendos, aplica-se a eles o disposto nos artigos 10 e 23 da Convenção Brasil-Países Baixos. Não havendo nos referidos artigos da Convenção quaisquer limitações à tributação desses rendimentos que não tenham sido contempladas pela própria legislação interna do País, não há ajustes a fazer no lançamento efetuado.
CSLL. REFLEXO. ABRANGÊNCIA DO TRATADO.
Independentemente da abrangência da CSLL pela Convenção Brasil-Países Baixos, não há nela limitações à tributação dos dividendos pela CSLL que não tenham sido contempladas pela própria legislação interna do País.
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA.
É legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. As estimativas mensais não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. A Súmula CARF nº 105 não se aplica às multas cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 22 de janeiro de 2007.
Numero da decisão: 1201-001.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e o Conselheiro Luis Fabiano, que lhe davam provimento. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou a tese vencedora pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
(assinado digitalmente)
JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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INOVAÇÃO. INEXISTÊNCIA. A inovação ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma. CONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 74 DA MP 2.15835/01 Com base na presunção de constitucionalidade que goza toda lei e no disposto na Súmula CARF nº 2, o artigo 74 da MP 2.15835/01 aplicase à receita da Contribuinte relativa à participação nos lucros de sua controlada. DISPONIBILIDADE. ARTIGO 43 DO CTN. RESPEITADO. Considerando que o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 estabeleceu o regime de competência e, como consequência, sujeitou as empresas brasileiras à disponibilidade econômica, concluise que não há violação ao disposto no artigo 43 do CTN. ARTIGO 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. OBSERVADO. PROPÓSITO NEGOCIAL. DESNECESSIDADE. Por ser o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 uma norma específica e autoaplicável, ele não precisa, para ser aplicado, aguardar a regulamentação por lei ordinária do parágrafo único do artigo 116 do CTN, nem precisa ser apurada a existência de propósito negocial. ARTIGO 7º DO TRATADO. INAPLICÁVEL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 15 07 /2 01 3- 31 Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.302 2 Configurada a disponibilização econômica do lucro, não há mais que se falar na tributação do lucro, seja da empresa estrangeira, seja da empresa brasileira, mas, sim, devese falar em dividendo e, portanto, inexiste ofensa ao artigo 7º do Tratado Brasil e Países Baixos. ARTIGO 10 DO TRATADO. APLICABILIDADE. Por terem os lucros disponibilizados nos termos do art. 74 da MP 215835/01 a natureza de dividendos, aplicase a eles o disposto nos artigos 10 e 23 da Convenção BrasilPaíses Baixos. Não havendo nos referidos artigos da Convenção quaisquer limitações à tributação desses rendimentos que não tenham sido contempladas pela própria legislação interna do País, não há ajustes a fazer no lançamento efetuado. CSLL. REFLEXO. ABRANGÊNCIA DO TRATADO. Independentemente da abrangência da CSLL pela Convenção BrasilPaíses Baixos, não há nela limitações à tributação dos dividendos pela CSLL que não tenham sido contempladas pela própria legislação interna do País. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. É legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. As estimativas mensais não se confundem com a obrigação tributária decorrente do fato gerador anual. A Súmula CARF nº 105 não se aplica às multas cujos fatos geradores tenham ocorrido a partir de 22 de janeiro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos o Relator e o Conselheiro Luis Fabiano, que lhe davam provimento. O Conselheiro Roberto Caparroz acompanhou a tese vencedora pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro João Thomé. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. (assinado digitalmente) JOÃO OTÁVIO OPPERMANN THOMÉ Redator designado. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.303 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa e Marcelo Cuba Netto. Relatório Em apertada síntese, tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão de nº 12.66.823 (fls. 966/1013), o qual manteve o Auto de Infração, pois a Contribuinte teria desrespeitado o art. 74 da MP nº 2.15835, já que não teria computado no seu lucro o percentual que lhe cabia do lucro auferido por sua controlada (PNBV) na Holanda. Em suma, a ação fiscal teve início em 11/12/2012 (fls. 329/331), intimando a Contribuinte para, no prazo de vinte dias, apresentar diversos documentos. Devidamente intimada em 11/12/2012 (fl. 331), a Contribuinte apresentou a grande maioria dos documentos que lhe foram solicitados. Em 16/01/2014, a Fiscalização elaborou o Termo de Verificação Fiscal (fls. 669/701), cujos principais pontos podemos resumir da seguinte forma: A Fiscalização entendeu que, como a controladora no Brasil (a Contribuinte) não computou o percentual que lhe cabia, qual seja R$ 1.455.237.500,40 do lucro auferido por sua controlada (PNBV) na Holanda, em relação ao anocalendário de 2009, conforme exigia o art. 74 da MP nº 2.15835, esse valor (i) deveria ser adicionado na apuração do lucro real e o imposto pago no exterior, no montante de R$ 160.678,75, compensado com o IRPJ devido no Brasil, nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249/95; e (ii) deveria ser adicionado à base de cálculo da CSL, nos moldes do art. 21 da MP nº 2.15835. A Fiscalização asseverou que “constatado o não pagamento de estimativa de IRPJ e CSLL em dezembro/2009, por falta de adição à base de cálculo do período, do lucro auferido pela controlada PNBV ao final deste ano, cabível a aplicação da multa isolada” – fls. 699/700. Por fim, a Fiscalização deixou consignado que “não foram aproveitados o saldo credor de IRPJ e a base de cálculo negativa de CSLL apurados pelo contribuinte no período pelo fato de os mesmos serem objeto de pedido de restituição e/ou compensação específicos” – fl. 700. Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.304 4 Em 13/01/2014, a autoridade fiscal lavrou Autos de Infração para constituição de IRPJ (fls. 702/710) e de CSL (fls. 711/717), referentes a 31/12/2009, nos seguintes valores (fls. 702 e 711): Tributo Principal Multa Proporcional Multa Isolada Total IRPJ R$ 363.648.696,35 R$ 272.736.522,26 R$ 19.303.477,83 R$ 655.688.696,44 CSL R$ 130.971.375,04 R$ 98.228.531,28 R$ 26.100.672,79 R$ 255.300.579,11 Total R$ 910.989.275,55 A infração do IRPJ foi assim descrita no auto de infração: “0001 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL FALTA DE ADIÇÃO DO LUCRO AUFERIDO NO EXTERIOR POR CONTROLADA Ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do Lucro Real, do resultado positivo auferido no exterior pela controlada Petrobrás Netherlands B.V., domiciliada na Holanda, a teor do termo de Verificação fiscal em anexo. [Destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Art. 3º da Lei nº 9.249/95 Arts. 43 e 143 do CTN com redação dada pela LC 104/2001 Art. 25, §§ 2º e 3º, e art. 26 da Lei nº 9.249/95; Art. 16 da Lei nº 9.430/96; Arts. 249, inciso II, 394 e 395, do RIR/99; Arts. 21 e 74 da MP 2.15835/01, além daquelas mencionadas no Termo de Verificação Fiscal em anexo. (...) 0002 MULTA OU JUROS ISOLADOS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA Falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.305 5 bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, a teor do Termo de Verificação Fiscal, em anexo. [Destrincha as datas e os valores apurados] Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 222 e 843 do RIR/99, art. 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07” – fls. 704/705. Com base na mesma descrição, mas fundamentada em dispositivos diversos, foi formalizada a infração da CSL. Cientificada em 17/01/2014 (fl. 720), a Contribuinte, em 13/02/2014, apresentou Impugnação (fls. 724/758 e anexos – fls. 759/882), cujos principais argumentos foram assim resumidos por ela própria às fls. 756/757: “* O auto viola os princípios da ampla defesa e contraditório, tendo em vista que inobserva os comandos estadeados nos artigos 2º e 50, § 1º da Lei 9784/99, aplicada ao caso por força do art. 69 do mesmo diploma legal, ao apresentar motivação confusa, e não comprovar a ocorrência de elisão, devendo ser anulado. * O único indício utilizado pela fiscalização para afirmar que a PNBV não teria propósito negocial no ano de 2009 é imprestável (documento relativo ao ano de 2008). A comprovação de ausência de propósito negocial da PNBV tem que se basear em provas relacionadas ao ano de 2009, já que é este o ano que foi objeto de autuação fiscal. * O art. 74 da MP 215835/01 contraria o conceito de renda disponível, constante do caput do art. 43 do CTN (a disponibilidade de renda não pode ser, como não é, ficção). * As normas CFC são normas de exceção. * A autuação com base no artigo 74 da MP 215835 e fundamento em ser a mesma uma cláusula antielisiva, não pode se manter, por não ser possível desconsiderar atos, fatos, pessoas jurídicas com base em elisão fiscal, sem que seja criado por lei um procedimento para tanto, nos termos do preconizado pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, contrariado pelo presente auto. * Mesmo que se entenda que o artigo 74 da MP 215835 é norma autoaplicável, descolada do comando veiculado pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, o que só se admite por amor ao debate, o auto não se sustenta, pois a fiscalização não Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.306 6 comprovou a prática elisiva que justifica a imposição de uma norma antielisiva, pressuposto lógico e necessário para complementar a fundamentação do presente auto * O tratado entre Brasil e Holanda para evitar a bitributação impede a tributação, pelo Brasil, dos lucros auferidos pela PNBV. O art. 7º, item 1 do referido tratado, que foi internalizado em nosso direito pelo Decreto Executivo Federal n.° 355/91, e tem observância obrigatória nos termos do art. 98 do CTN, estabelece competência exclusiva para a tributação dos lucros auferidos pela empresa ao Estado contratante onde aquela estiver domiciliada, ou seja, no caso em questão a competência para tributar os lucros auferidos pela PNBV é exclusiva da Holanda. * Tanto o IRPJ quanto a CSLL se encontram sob o pálio protetor do aludido tratado (na essência, ambos se interessam pelo lucro da pessoa jurídica). * Não é possível cumular a multa isolada com a de ofício, tendo em vista que isso configura dupla penalização não admitida por ampla jurisprudência administrativa.” Em 10/07/2014, a 4ª Turma da DRJ/RJ1, por meio do Acórdão de nº 12.66.823 (fls. 966/1013), decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. O aludido acórdão restou assim ementado às fls. 966/968: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. VÍCIO DE MOTIVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Constatada a coerência interna entre os fatos narrados no Termo de Verificação Fiscal e a norma tipificadora da infração, e confirmada a inocorrência de qualquer vício de motivação capaz de prejudicar o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa, rejeitase a preliminar de nulidade levantada pelo sujeito passivo. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. APRECIAÇÃO PELO JULGADOR ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação de lei validamente inserida no ordenamento jurídico, sob o fundamento de inconstitucionalidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.307 7 Anocalendário: 2009 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ATRAVÉS DE COLIGADAS E CONTROLADAS. MOMENTO DA DISPONIBILIZAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do imposto de renda, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior consideramse disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço em que foram apurados (art. 74 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001). ALEGAÇÃO DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE O ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.15835/2001 E O ART. 43 DO CTN. INOCORRÊNCIA. O art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, ao definir a data do balanço como momento da disponibilização do lucro, não feriu a regramatriz do art. 43 do CTN. Para que esteja configurado o fato gerador do imposto de renda, não é necessário que o lucro da coligada ou controlada estrangeira tenha sido efetivamente distribuído à investidora brasileira (disponibilidade financeira). Basta que tenha havido o efetivo acréscimo patrimonial (disponibilidade econômica). ALEGAÇÃO DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE O ART. 74 DA MP 215835/2001 E O ART. 7°, PARÁGRAFO 1°, DO TRATADO BRASIL HOLANDA. INOCORRÊNCIA. O Tratado BrasilHolanda, a exemplo de outros acordos que adotam o textobase da ConvençãoModelo da OCDE, estabelece, em seu Artigo 7°, Parágrafo 1°, uma cláusula de competência exclusiva em favor do Estado de residência da pessoa jurídica. De acordo com esta regra, os lucros de uma empresa só podem ser tributados no Estado onde ela está domiciliada. A referida cláusula não limita, todavia, o direito de um Estado Contratante adotar regras de transparência fiscal em sua legislação interna, com o objetivo de tributar, na pessoa de seus residentes, o lucro apurado por empresa domiciliada no outro Estado Contratante, na proporção da participação societária destes residentes naquela empresa. Comentários da OCDE ao Artigo 7°, Parágrafo 1°, da ConvençãoModelo. Por revestir a natureza de uma regra de transparência fiscal, o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001 não conflita com o Artigo 7°, Parágrafo 1°, do Tratado BrasilHolanda. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. APÓS ENCERRAMENTO DO EXERCÍCIO. CABIMENTO. Cabível a multa exigida isoladamente, quando a pessoa jurídica sujeita ao pagamento mensal do IRPJ, determinada sobre a base de cálculo estimada, deixar de efetuar o seu recolhimento dentro Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.308 8 do prazo legal de vencimento, por expressa previsão legal. A referida multa é aplicável quando a falta é detectada após o encerramento do exercício de apuração da base de cálculo destes tributos, por interpretação lógica do disposto no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1996. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2009 LUCROS AUFERIDOS NO EXTERIOR ATRAVÉS DE COLIGADAS E CONTROLADAS. DECORRÊNCIA. As regras do imposto de renda relativas à tributação dos lucros auferidos no exterior aplicamse, também, à contribuição social sobre o lucro líquido (arts. 21 e 74 da Medida Provisória n° 2.15835/2001). Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido” Os fundamentos do acórdão proferido pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, podem ser assim resumidos: DA PRELIMINAR DE NULIDADE “A arguição de nulidade, decididamente, não procede. A motivação do lan çamento foi exposta com absoluta clareza: — a Interessada deixou de adicionar ao lucro líqui do, para fins de determinação do lucro real, os resultados positivos auferidos no exterior atra vés de controladas estrangeiras, contrariando, assim, o disposto no art. 74 da Medida Provisória Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.309 9 n° 2.15835, de 24/08/2001. Em lugar nenhum está dito que a autuação decorreu da prática de elisão fiscal. O que o AuditorFiscal autuante afirmou, sim, é que o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, possui natureza de norma antielisiva. Isto não significa dizer, todavia, que, nas autuações fundamentadas neste dispositivo legal, a autoridade lança dora tenha que comprovar o fato concreto caracterizador da elisão” – fl. 987. DA INCOMPATIBILDIADE ENTRE O ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001 E O ART. 43 DO CTN O § 2° do art. 43 do Código Tributário Nacional, que foi acrescentado pela Lei Complementar n° 104/01, deixou claro que, na hipótese de receitas oriundas do exterior, a lei ordinária é instrumento legítimo para definir o momento da aquisição da disponibilidade, com vistas à incidência do imposto de renda. Assim, como o art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 estabeleceu, em observância a tal dispositivo, que os lucros auferidos no exterior, através de coligadas ou controladas, seriam considerados disponibilizados na data do balanço em que fossem apurados, não haveria incompatibilidade com o art. 43 do CTN. Ademais, “os lucros considerados disponibilizados, por força do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, são decorrentes de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. [...] o que se está tributando, na verdade, não é o lucro auferido pela coligada ou controlada estrangeira, mas sim o resultado positivo da equivalência patrimonial, que tem natureza de renda e é lançado em conta de resultado, aumentando o lucro líquido. E nem se alegue que a disponibilidade econômica ainda não teria sido adquirida, por ocasião do lançamento contábil. Tanto é certo que foi adquirida que pode ser objeto, inclusive, de distribuição aos sócios da investidora brasileira, sob a forma de dividendos” – fl. 991. A fim de demonstrar a aludida compatibilidade, a DRJ colacionou diversos julgados do Superior Tribunal de Justiça. CONSTITUCIONALIDADE DO ART. 74 DA MP Nº 2.15835/2001 Ademais, a DRJ sustentou que em relação à “constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, devo lembrar que o exame de tais alegações constitui matéria afeta à competência do Poder Judiciário” – fl. 994. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.310 10 “Quanto à advertência do contribuinte de que o Supremo Tribunal Federal teria acolhido, no Recurso Extraordinário n° 611.586, incidente de repercussão geral, no que diz respeito ao tema da constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, cumpre ressaltar que tal fato não tem, por enquanto, nenhuma repercussão no julgamento do presente processo administrativo” – fl. 995. DA IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇAO DO ART. 74 DA MP Nº 2.15835/01 COMO NORMA ANTIELISIVA Não haveria violação ao art. 116, parágrafo único, do CTN, pois “a Interessada comete um imperdoável erro conceitual, ignorando a diferença entre normas gerais antielisivas e normas antielisivas específicas” – fl. 996 A DRJ, enquadrando o art. 74 da MP n 2.15835/01 como uma norma antielisiva específica, acentuou que, “diferentemente das normas gerais antielisivas (que exigem do Fisco a demonstração de ocorrência da elisão), as normas antielisivas específicas alcançam seu resultado com a simples materialização do fato descrito na hipótese normativa, sem que a autoridade administrativa precise provar, concretamente, a prática da elisão” – fls. 996/997. DA ALEGADA VIOLAÇÃO DO ARTIGO 7º, PARÁGRAFO 1º, DO TRATADO BRASILHOLANDA A DRJ entendeu que o art. 74 da MP n 2.15835/01 não violaria o art. 7°, Parágrafo 1°, do Tratado BrasilHolanda, já que “referida regra, todavia, não é absoluta. Em certas situações, a OCDE admite que os lucros de uma empresa domiciliada em um Estado Contratante sejam tributados, diretamente, na pessoa dos sócios residentes no outro Estado Contratante, como se aquela empresa fosse “transparente” do ponto de vista fiscal” – fl. 999. “O modelo brasileiro de transparência fiscal internacional [previsto no art. 74 da MP n 2.15835/01] está perfeitamente afinado com os princípios defendidos pela OCDE. As críticas quanto ao excessivo alcance da legislação interna, que supostamente desconsideraria o nível de tributação praticado no país de domicílio da controlada estrangeira, não me parecem pertinentes. Afinal, a neutralidade tributária, no regime brasileiro, é sempre assegurada pelo mecanismo da compensação do imposto pago no exterior (art. 26 da Lei n° 9.249, de 26/12/1995)” – fl. 1008. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.311 11 DO PROPÓSITO NEGOCIAL “A questão da existência ou inexistência de propósito negocial não interfere com a aplicação do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001. O dispositivo em questão, como já vimos, é uma norma antielisiva específica, que incide sobre os lucros auferidos no exterior através de coligadas e controladas, independentemente de estar configurado o planejamento tributário abusivo. Examinando, de todo modo, a documentação acostada aos autos, e mais especificamente as informações contidas no “Relatório Anual de 2008” da PETROBRAS NETHERLANDS B.V. (fls. 586/668), fico plenamente convencido de que a criação desta subsidiaria atendeu, muito mais, a uma agressiva estratégia de economia tributária, do que a qualquer propósito negocial eventualmente existente” – fl. 1008. Isso porque, (i) deveria a Contribuinte ter apresentado os documentos relativos a 2009, ao invés de contrariar os indícios obtidos com as provas de 2008; (ii) a PNBV só possuía em 2008 um empregado numa empresa com um patrimônio líquido de US$ 548 milhões; (iii) a empresa não apresentava planta produtiva, apenas arrendava plataformas de petróleo, embarcações e outros equipamentos ao “Grupo Petrobrás”; (iv) os lucros auferidos em 2008 foram tributados a uma alíquota efetiva de 0,23%; e (v) não houve distribuição de dividendos em 2007 e 2008. DA CSL A DRJ sustentou que a CSLL não teria sido mencionada nos tratados contemporâneos à sua criação, como o assinado com a Holanda, pois, naquela época, a CSL não incidia sobre os rendimentos pagos a contribuintes residentes no exterior. Diante do alargamento da base imponível da CSL com o advento da Medida Provisória n° 1.8586/99, a DRJ entendeu que a CSL estaria abrangida pelo Tratado Brasil Holanda, nos termos do Artigo 2°, Parágrafo 3°, do aludido Tratado e seria cabível a sua cobrança sobre os lucros auferidos através da PNBV. DA MULTA ISOLADA A DRJ asseverou que o texto legal não excluiu a multa isolada na hipótese de haver lançamento de oficio que exigisse tributo em virtude da recomposição pela fiscalização da base de cálculo anual, nos termos do artigo 16 da IN SRF nº 93/97. Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.312 12 Ademais, a DRJ destacou que “embora possa eventualmente ocorrer coincidência de base de cálculo, a hipótese de incidência de cada uma das multas é distinta” – fl. 1011. Por fim, entendeu correta a aplicação do percentual de 50% para a multa isolada, em virtude do disposto no artigo 14 da Medida Provisória nº 351/07. Cientificada em 17/07/2014 (fl. 1020), a Contribuinte, em 13/08/2014, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1023/1065 e anexos – fls. 1066/1187), sustentando, em síntese, que: DA NÃO ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 74 DA MP 2.15835/01 A Contribuinte sustentou que “em momento algum da Impugnação foi arguida a inconstitucionalidade do art. 74 da MP em comento” – fl. 1027. DO MÉTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL Como o Auto de Infração não tratou sobre o método de equivalência patrimonial (MEP), o acórdão da DRJ inovou ao tratar do assunto, razão pela qual a manifestação da DRJ em relação a este tópico deveria ser desconsiderada. Ainda que assim não fosse, “o MEP é de extrema relevância para o direito societário e sua correspondente contabilidade. Contudo, apesar de acompanhar o fato econômico, não pode ser utilizado como presunção de fato gerador do IR” fl. 1029, nos termos do artigo 23, parágrafo único, do Decretolei nº 1.598/77 e artigo 25, § 6º, da Lei nº 9.249/95 (aplicável ao IRPJ) e artigo 2º, §1º, “c”, da Lei nº 7.689/88 (aplicável à CSL). DA VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO “Temse nítido que a motivação para respaldar a aplicação do art. 74 da MP 215835 ao caso em tela não se desenvolveu nos termos exigidos pelo art. 50, § 1º da Lei Federal n.° 9784/99, pois ela não foi apresentada de forma clara, mas sim confusa e contraditória, pois até agora não se sabe se o fiscal considera que o art. 74 da MP 215835 visa atingir o lucro no exterior da controlada por ser uma norma de transparência fiscal, ou se ele entende que essa norma só tributa o lucro da empresa brasileira relativo a sua controlada no exterior, o que por si só já é suficiente para fulminar o presente auto de infração por vicio de Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.313 13 motivação, que macula de forma direta e imediata as garantias do contraditório e da ampla defesa” – fl. 1032. DO ART. 74 DA MP Nº 2.15835/01 “Se aplicado o art. 74 da MP 215835/01 a toda e qualquer controlada e coligada de empresa brasileira no exterior, procura, de forma errada, veicular o sistema de transparência fiscal internacional, não observando parâmetros recomendáveis para a instauração desse sistema tais como os indicados acima, trazendo uma ficção jurídica para o fato gerador do imposto de renda, sem atentar para o comando previsto no art. 43 do CTN, já que procura conceituar como disponível renda que assim não se encontra, e em tal ponto altera o conceito de renda admitido por nossa ordem constitucional vigente (art. 153, III, CRFB), maculando o art. 110 do CTN; ademais, sua aplicação em termos gerais não observa o princípio da capacidade contributiva, postulado máximo do sistema tributário de qualquer Estado Democrático de Direito, que não pode ser posto de lado em nome da praticabilidade tributária” – fl. 1046. Ademais, “a autuação com base no artigo 74 da MP 215835, por ser fundamentada em ser a mesma uma cláusula antielisiva, não pode se manter, por não ser possível desconsiderar atos, fatos, pessoas jurídicas com base em elisão fiscal, sem que seja criado por lei um procedimento para tanto, nos termos do preconizado pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, contrariado pelo presente auto” – fl. 1048. DA AUSÊNCIA DE PROVA POR PARTE DA FISCALIZAÇÃO Ainda que se entendesse que o artigo 74 da MP 215835 fosse autoaplicável, descolada do comando veiculado pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, a Fiscalização teria de comprovar que a PNBV era uma empresa de papel, sem qualquer capacidade operacional e que foi criada com o intuito de gerar apenas economia fiscal. A Contribuinte sustentou que não teria sido comprovada a ausência de propósito negocial pela Fiscalização, vez que (i) “não é verdade que a PNBV possuía apenas um diretor administrativo em 2009. Conforme resolução do conselho de administração da PNBV, assinada em 28 de julho de 2009, o sr. Cornelis Franciscus Josef Looman também atuava como diretor administrativo da PNBV” – fl. 1036; (ii) a falta de distribuição de dividendos em 2007 e em 2008 não poderia ser considerada indício de que a empresa apenas estaria interessa em economizar tributos, já que esse indício se refere a ano diverso do objeto Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.314 14 de autuação fiscal; e (iii) a exigência de que a Contribuinte apresentasse relatórios dos auditores independentes e diretores das controladas de 2009 extravasou os limites da soberania territorial brasileira e afrontou os artigos 197 e 199, parágrafo único, do CTN. DA COMPROVAÇÃO DO PROPÓSITO NEGOCIAL A Contribuinte apresentou as seguintes provas da capacidade operacional da PNBV no exercício de 2009: (i) serviços jurídicos com o escritório holandês Houthoff Buruma (ANEXO III da Impugnação); (ii) contrato celebrado com o escritório Loyens & Loeff N.V. (ANEXO IV da Impugnação); (iii) contrato de aluguel do escritório da PNBV na Holanda, celebrado em 07 de julho de 2009 (ANEXO V da Impugnação); (iv) fatura telefônica da PNBV, emitida no mês de dezembro de 2009 (ANEXO VI da Impugnação); e (v) declaração prestada pelo gerente administrativo e financeiro da PNBV de que foram praticadas 76 resoluções escritas pela Diretoria no exercício de 2009 (ANEXO XII da Impugnação). A Contribuinte também afirmou que a PNBV “conta com uma sede própria com mais de 600 m², 26 funcionários, sendo 2 diretores residentes e 4 expatriados. Anualmente, são gastos 44 mil euros apenas em despesas com plano de saúde para seus funcionários, tendo investido a expressiva quantia de 750 milhões de euros em bens para utilização nas instalações na Holanda” – fls. 1040. Além da capacidade operacional, a Contribuinte apresentou as seguintes provas de que a PNBV também possuía em 2009 propósito negocial: (i) resolução do conselho de administração da PNBV, assinada em 28 de julho de 2009, na qual propunham que a PETROBRAS efetuasse emissão de ações (ANEXO VII da Impugnação); (ii) ata de reunião do conselho de administração da PNBV, ocorrida em 1º de agosto de 2009 (ANEXO VIII da Impugnação); (iii) escritura de emissão de ações nominativas no capital da PNBV, ocorrida em 20 de agosto de 2009 (ANEXO IX da Impugnação); (iv) escritura de emissão de ações de capital da PNBV, ocorrida em 20 de agosto de 2009 (ANEXO X da Impugnação); e (v) ata de reunião do conselho de administração da PNBV, ocorrida no dia 24 de março de 2010, que aprovou o exercício financeiro de 2009 (ANEXO XI da Impugnação). DO TRATADO CONTRA A BITRIBUTAÇÃO CELEBRADO ENTE BRASIL E HOLANDA “O art. 74 busca tributar o lucro auferido pela pessoa jurídica controlada ou coligada estrangeira, que nos termos do item 1 do art. 7 do tratado em comento só pode ser Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.315 15 tributado pelo país da residência da pessoa jurídica que aufere lucros, ou seja, no conflito entre norma geral que prevê a tributação do lucro pelo Brasil e a regra especial que determina que tal tributação deve ser feita na Holanda, sede da PNBV, deve prevalecer a regra prevista no tratado, ou seja, a tributação deve se dar exclusivamente na Holanda, em razão da regra da competência exclusiva [e do princípio da capacidade contribuinte, bem como do disposto no art. 98 do CTN e artigo 27 da Convenção de Viena sobre os Tratados de 1969]” – fl. 1052. “A incompatibilidade do art. 74 da MP 215835/01 com os tratados contra a dupla tributação decorre ainda de a sistemática por eles adotada apenas prever um mecanismo de eliminação de dupla tributação dos lucros distribuídos quando a tributação ocorre no momento da distribuição, tendo esta como fato gerador, como sucede com o art. 10 combinado com o art. 23 do Modelo OCDE. Porém, essa sistemática não prevê, nem admite, que a tributação ocorra em momento anterior ao da distribuição efetiva, quando ainda são lucros não distribuídos pela pessoa jurídica estrangeira” – fl. 1053. DA APLICAÇÃO DO TRATADO BRASILHOLANDA À CSL “É de invocar quanto a este ponto os mesmos argumentos apresentados acerca da impossibilidade de se sujeitar ao IRPJ brasileiro os lucros auferidos pela empresa PNBV, controlada da Recorrente, domiciliada na Holanda, por força do artigo 7º, item 1 do tratado contra a dupla tributação celebrado entre Brasil e Holanda, para obstar, também a tributação dos mesmos pela CSLL” – fl. 1056. DA MULTA ISOLADA A Contribuinte sustentou que não caberia a aplicação da multa isolada no presente caso, pois (i) os lucros oriundos do exterior não são tributados como receita bruta auferida mensalmente, mas num único momento (data do balanço – tributação analítica/isolada); e (ii) a cobrança de multa isolada e multa de ofício tratarseia de dupla e ilegítima penalização, em fragrante violação ao critério da consunção, ao princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Encaminhados os autos à PGFN em 23/09/2014 (fl. 1194), esta apresentou, em 23/10/2014, suas contrarrazões (fls. 1195/1242), sustentando que: Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.316 16 DA INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO “A recorrente utiliza trechos do Termo de Verificação Fiscal e do Auto de Infração de forma isolada, “esquecendo” do panorama geral. Se for considerada toda a descrição fática conjuntamente à fundamentação legal trazida no TVF e no Auto de Infração, fica evidente que não existe a suposta contradição no trabalho da Fiscalização. Com efeito, a autoridade fiscal deixou claro que o objeto do lançamento são os lucros auferidos por intermédio de controlada residente no exterior que não foram oferecidos à tributação.” – fl. 1199. DA SUBSTÂNCIA ECONÔMICA DA PNBV “A Fiscalização expressamente consignou que a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, depende simplesmente do fato de existir lucro auferidos (sic) por intermédio de controlada residente no exterior que não tenham sido oferecidos à tributação pela controladora residente no Brasil. Nesse contexto, perde força a argumentação da contribuinte no sentido de que a autoridade fiscal não teria comprovado a falta de propósito negocial da controlada residente na Holanda. Com efeito, apesar de a autoridade administrativa ter trazido alguns comentários sobre a estrutura empresarial da PNBV, essa discussão mostrouse meramente complementar” – fls. 1202/1203. DA VIOLAÇÃO DO TRATADO BRASILHOLANDA A PGFN acentuou que “compete ao aplicador do tratado buscar nas legislações de cada país contratante o significado dos termos não definidos nos tratados [nos termos do artigo 3º, parágrafo 2º, da Convenção Modelo da OCDE]. A r. decisão de primeira instância respeitou tal regra, ao dar ao termo “lucro de empresa residente” um significado que está em conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro. Isso porque entendeu, acertadamente, que a lei brasileira estaria incidindo sobre lucros de empresa residente no Brasil, o que, evidentemente, consiste no escopo da Lei n° 9.249, de 1995, e do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Portanto, se o art. 7° do tratado dispõe que os “lucros de empresa serão tributados apenas no país de residência”, a lei brasileira não contraria o art. 7° dos tratados. Ao contrário, no caso, o lucro de empresa residente no Brasil está sendo tributado no Brasil, o que implica dizer que o art. 7° está sendo observado e respeitado pela legislação pátria.” – fl. 1209. Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.317 17 DA INEXISTÊNCIA DE DUPLA TRIBUTAÇÃO O art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835/01 não acarretaria a dupla tributação, em virtude da possibilidade de compensação dos valores pagos no exterior com os valores devidos no Brasil, a título de IRPJ e CSL, conforme determina o art. 23 do Tratado entre Brasil e Holanda e o art. 26 da Lei n° 9.249/95. CLASSIFICAÇÃO DO ART. 74 DA MP 2.15835/01 COMO CFC “Apesar de pertinentes as críticas, é preciso enfatizar que essa foi a escolha feita pelo Brasil ao adotar o seu regime CFC. Implica dizer que o legislador pátrio optou por não seguir integralmente as orientações da OCDE, o que é perfeitamente normal e válido. Vale lembrar que os trabalhos, orientações, relatórios e modelos elaborados pela OCDE não têm força cogente sobre nenhum país nem mesmo para os seus membros. Portanto, o fato de o Brasil ter escolhido não incluir o método jurisdicional e o método transacional na legislação apenas indica uma opção de política fiscal. Contudo, isso não pode servir de fundamento para afirmar que não se pretendia instituir uma norma CFC por meio do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001. Nesse ponto, basta lembrar os elementos examinados acima gramatical, histórico e finalístico , para se concluir pela natureza CFC da norma inserida no referido art. 74” – fl. 1215. Ademais, “percebese, portanto, que a própria OCDE reconhece que o modelo das regras CFC varia consideravelmente entre os países, ou seja, não há um “padrão único” de legislação CFC. O traço comum desse tipo de regra, conforme registrado nos comentários, é a tributação dos residentes de um Estado Contratante em relação à renda proveniente de sua participação em empresas estrangeiras – característica esta presente no art. 74 da MP n° 2.15835/2001” – fl. 1222. CONSTITUCIONALIDADE A DRJ ressaltou que o STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 541.090 defendeu a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, quando o caso envolver controladas residentes fora de “paraíso fiscal”. DA APLICAÇÃO DO TRATADO À CSL Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.318 18 “No caso, tendo o Brasil instituído a CSLL, era preciso que comunicasse à Holanda acerca da existência do novo tributo. Considerando que a CSLL não consta no texto do Tratado BrasilHolanda, e nem foi posteriormente incluída por nenhum ato formal estabelecido entre os dois países Contratantes, forçoso reconhecer que a Convenção não se aplica ao referido tributo” – fl. 1232. DA MULTA ISOLADA “As multas de ofício e isolada não decorrem da mesma infração. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e não configuram bis in dem, como defendido pelo Contribuinte” – fl. 1234. Em 28/07/2015, os autos foram remetidos a este conselheiro (fl. 1244), o qual, fazendo o juízo de admissibilidade, verificou que “(...) não tendo a advogada Taisa Oliveira Maciel comprovado a ocupação do cargo de gerente jurídico da empresa e, portanto, poderes para substabelecer, conforme fora exigido pela procuração pública à fl. 1177, não restou comprovado o recebimento dos poderes pelos advogados que interpuseram o Recurso Voluntário” – fl. 1246 e, por conseguinte, intimou a Contribuinte para regularizar sua representação processual (fls. 1245/1246). Intimada em 15/10/2015 pelo Portal eCAC (fls. 1249/1252), em 20/10/2015 (fl. 1253), a Contribuinte apresentou petição (fls. 1254/1255 e docs. anexos fls. 1256/1297), comprovando que Taisa Oliveira Maciel ocupava o cargo de Gerente Jurídico da Petrobrás. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, fazemse presentes, senão vejamos. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.319 19 Nos termos do artigo 2º, inciso I e IV, do Anexo II ao Regimento Interno do CARF1, é da competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário interpostos em face de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e de CSL, quando reflexa do IRPJ, razão pela qual é patente a competência desta C. Turma para apreciação do presente caso. No que tange à legitimidade, este requisito também se faz presente, já que o Recurso Voluntário está assinado por advogados (fls. 1023 e 1065) devidamente constituídos nos autos, conforme substabelecimento (fl. 1181), cujo outorgante recebeu seus poderes por outro substabelecimento (fl. 1179), tendo, por sua vez, os poderes advindos desse último outorgante de outro substabelecimento (fl. 1178), cujos poderes advieram, por fim, de procuração pública (fl. 1176/1177). Vale notar que restou superado, conforme exposto no relatório, que Taisa Oliveira Maciel ocupava o cargo de Gerente Jurídico da Petrobrás (fls. 1256/1257) e, portanto, se tinha, ou não, poderes para substabelecer aos signatários do Recurso Voluntário. Por fim, quanto à tempestividade, a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/RJ1 em 10/07/2014 (fls. 966/1013) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 17/07/2014, uma quintafeira (fl. 1020), e o recurso foi interposto em 13/08/2014, uma quarta feira (fl. 1022), ou seja, dentro do prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/70, afinal o dies ad quem era 16/08/2014, que, por ser um sábado, seria prorrogado para 18/08/2014, uma segundafeira. Nesse caminho, recebo o Recurso Voluntário. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são: PRELIMINARES 1. O lançamento é nulo por falta de exposição clara do motivo da autuação? 1 Artigo 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.320 20 2. Houve inovação por parte da DRJ, ao tratar da constitucionalidade do art. 74 da MP n° 2.15835/2001 e do método de equivalência patrimonial? Qual seria a consequência dessa eventual inovação? DO MÉRITO 3. Há incompatibilidade entre o art. 74 da MP n° 2.15835/01 e: (i) o conceito de renda do artigo 43 do CTN; (ii) o artigo 7º do Tratado entre Brasil e Holanda; e (iii) o artigo 10 combinado com o artigo 23 do Tratado entre Brasil e Holanda? 4. O tratado é aplicável à CSL? DA MULTA 5. É possível cumular multa isolada com multa de ofício? 6. Pode ser cobrada multa isolada no presente caso, já que os lucros oriundos do exterior não são tributados como receita bruta auferida mensalmente? III. DA MOTIVAÇÃO UTILIZADA NA AUTUAÇÃO A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, sustentou que “Temse nítido que a motivação para respaldar a aplicação do art. 74 da MP 215835 ao caso em tela não se desenvolveu nos termos exigidos pelo art. 50, § 1º da Lei Federal n.° 9784/99, pois ela não foi apresentada de forma clara, mas sim confusa e contraditória, pois até agora não se sabe se o fiscal considera que o art. 74 da MP 215835 visa atingir o lucro no exterior da controlada por ser uma norma de transparência fiscal, ou se ele entende que essa norma só tributa o lucro da empresa brasileira relativo a sua controlada no exterior, o que por si só já é suficiente para fulminar o presente auto de infração por vicio de motivação, que macula de forma direta e imediata as garantias do contraditório e da ampla defesa” – fl. 1032. Para haver nulidade, por falta de motivação, a Fiscalização deveria não ter apresentado a norma que fundamentasse a lavratura do Auto de Infração ou deveria não ter feito a subsunção de forma objetiva e clara da norma ao presente caso. No presente caso, tendo a Autoridade Fiscal fundamentado a autuação no artigo 74 da Medida Provisória nº 2.14835/01 e informado que, segundo esse dispositivo, Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.321 21 deveria a Contribuinte ter adicionado o lucro auferido por sua controlada (PNBV) na Holanda, no valor de R$ 1.455.237.500,40, em relação ao anocalendário de 2009, na apuração do lucro real e o imposto pago no exterior, no montante de R$ 160.678,75, compensado com o IRPJ devido no Brasil, nos termos do art. 26 da Lei nº 9.249/95; e na base de cálculo da CSL, nos moldes do art. 21 da MP nº 2.15835, entendo que restou cumprido os dois requisitos expostos acima. Nesse sentido, é o entendimento da 4ª Turma da DRJ/RJ1, a qual acentuou que “A arguição de nulidade, decididamente, não procede. A motivação do lançamento foi exposta com absoluta clareza: — a Interessada deixou de adicionar ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, os resultados positivos auferidos no exterior através de controladas estrangeiras, contrariando, assim, o disposto no art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001.” – fl. 987. Assim, como o lançamento foi suficientemente motivado, estando indicado o fundamento jurídico e tendo sido feita a correta subsunção da norma ao presente caso, supero a nulidade arguida pela Contribuinte. IV. DA INOVAÇÃO ALEGADA PELA CONTRIBUINTE A Contribuinte arguiu, em seu Recurso Voluntário, que “em momento algum da Impugnação foi arguida a inconstitucionalidade do art. 74 da MP em comento” – fl. 1027 e, ainda, destacou que “O auto de infração não aborda em momento algum do Método de Equivalência Patrimonial (MEP). O Acórdão da DRJ, por sua vez, tenta inovar o Auto” – fl. 1027. Quanto ao primeiro argumento, concordo em partes com o que foi dito pela Contribuinte. Isso porque, analisando o Recurso Voluntário, verifico que não foi aberto um tópico sobre a inconstitucionalidade do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 e nem foi formulado qualquer pedido nesse sentido. Nada obstante, a Contribuinte afirmou, no decorrer do Recurso Voluntário, que mencionado artigo violaria o conceito constitucional de renda e o princípio da capacidade contributiva e, portanto, entendo que foi sustentado, ainda que de forma discreta, a sua inconstitucionalidade. Vejamos: “Se aplicado o art. 74 da MP 215835/01 a toda e qualquer controlada e coligada de empresa brasileira no exterior, procura, de forma errada, veicular o sistema de transparência Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.322 22 fiscal internacional, não observando parâmetros recomendáveis para a instauração desse sistema tais como os indicados acima, trazendo uma ficção jurídica para o fato gerador do imposto de renda, sem atentar para o comando previsto no art. 43 do CTN, já que procura conceituar como disponível renda que assim não se encontra, e em tal ponto altera o conceito de renda admitido por nossa ordem constitucional vigente (art. 153, III, CRFB), maculando o art. 110 do CTN; ademais, sua aplicação em termos gerais não observa o princípio da capacidade contributiva, postulado máximo do sistema tributário de qualquer Estado Democrático de Direito, que não pode ser posto de lado em nome da praticabilidade tributária” – fl. 1046. Quanto ao segundo argumento, entendo ser ele improcedente. Explico. A inovação ocorre quando se altera o fundamento jurídico utilizado pela Fiscalização para lavratura do Auto de Infração ou quando se altera o suporte que deu ensejo à subsunção dos fatos ocorridos no mundo fenomênico à norma. No presente caso, a 4ª Turma da DRJ/RJ1 não alterou o fundamento jurídico (artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01), nem alterou os fatos que deram ensejo a subsunção (não ter sido adicionado ao lucro da controladora situada no Brasil o lucro da controlada situada na Holanda). Na verdade, a 4ª Turma da DRJ/RJ1, refutando o argumento apresentado pela Contribuinte em sua Impugnação no sentido de que o disposto no artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 seria incompatível com o previsto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, apresentou o seguinte argumento: “Dizer que o lucro apurado pela coligada ou controlada estrangeira só pode ser considerado disponibilizado para a investidora brasileira quando for efetivamente distribuído significa reduzir o conceito de disponibilidade apenas à sua expressão financeira, o que é um enorme equívoco. 20. Não se perca de vista que os lucros considerados disponibilizados, por força do art. 74 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, são decorrentes de investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Conforme bem observa ALBERTO PINTO SOUZA JÚNIOR (“A disponibilidade de lucros oriundos do exterior”, in Revista Fórum de Direito Tributário – RFDT, ano I, n.2. Belo Horizonte: Fórum, 2003 p. 49), o que se está tributando, na verdade, não é o lucro auferido pela coligada ou controlada estrangeira, mas sim o resultado positivo da equivalência patrimonial, que tem natureza de renda e é lançado em conta de resultado, aumentando o lucro líquido. E nem se alegue que a disponibilidade econômica ainda não teria sido adquirida, por Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.323 23 ocasião do lançamento contábil. Tanto é certo que foi adquirida que pode ser objeto, inclusive, de distribuição aos sócios da investidora brasileira, sob a forma de dividendos” – fl. 991. Caso se entenda pela existência de inovação no caso, terseá que entender que os julgadores estão sempre limitados a fundamentar seu voto apenas com os argumentos contidos no lançamento, o que, além de ser um verdadeiro absurdo, viola o disposto no artigo 93, IX, da Constituição Federal e no artigo 131 do CPC. Ademais, diante do fato de o julgador poder livremente formar sua convicção quando da apreciação das provas, conforme determina o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, devese reconhecer a inexistência de inovação no presente caso e de que o argumento apresentado se configurou em simples fundamentação do voto. Assim, com bases nas conclusões acima, afasto o argumento de que a Contribuinte não teria sustentado a inconstitucionalidade do artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 e afasto o argumento de que teria havido inovação pela 4ª Turma da DRJ/RJ1, ao tratar do Método de Equivalência Patrimonial. V. DO CONCEITO DE RENDA PREVISTO NO ARTIGO 153 DA CF E DO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA Como visto no tópico anterior, a Contribuinte sustentou, ainda que de forma discreta, que o disposto no artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 seria incompatível com o conceito constitucional de renda (artigo 153, III, da Constituição Federal) e com o princípio da capacidade contributiva. Ao analisar a constitucionalidade do mencionado dispositivo, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, por meio da ADIn nº 2.158, com efeito erga omnes e vinculante a todos os órgãos do Poder Judiciário e da administração pública, por força do artigo 102, § 2º, da Constituição Federal, pacificou que: a) o art. 74 da MP 2.15835/01 não se aplica às empresas nacionais coligadas a pessoas jurídicas sediadas em países sem tributação favorecida, ou que não sejam “paraísos fiscais”; b) que o art. 74 da MP 2.15835/01 se aplica às empresas nacionais controladoras de pessoas jurídicas sediadas em países de tributação Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.324 24 favorecida, ou desprovidos de controles societários e fiscais adequados (“paraísos fiscais”, assim definidos em lei); e c) que o parágrafo único do art. 74 é inconstitucional. Com relação à hipótese trazida no presente caso, controlada situada em país de tributação normal, não há decisão do STF, com efeito erga omnes e vinculante. Todavia, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 541.090/SC1, manifestouse assim sobre a questão: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. LUCROS PROVENIENTES DE INVESTIMENTOS EM EMPRESAS COLIGADAS E CONTROLADAS SEDIADAS NO EXTERIOR. ART. 74 DA MEDIDA PROVISÓRIA 2.158 35/2001. 1. No julgamento da ADI 2.588/DF, o STF reconheceu, de modo definitivo, (a) que é legítima a aplicação do art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 relativamente a lucros auferidos por empresas controladas localizadas em países com tributação favorecida (= países considerados “paraísos fiscais”); e (b) que não é legítima a sua aplicação relativamente a lucros auferidos por empresas coligadas sediadas em países sem tributação favorecida (= não considerados “paraísos fiscais”). Quanto às demais situações (lucros auferidos por empresas controladas sediadas fora de paraísos fiscais e por empresas coligadas sediadas em paraísos fiscais), não tendo sido obtida maioria absoluta dos votos, o Tribunal considerou constitucional a norma questionada, sem, todavia, conferir eficácia erga omnes e efeitos vinculantes a essa deliberação. 2. Confirmase, no presente caso, a constitucionalidade da aplicação do caput do art. 74 da referida Medida Provisória relativamente a lucros auferidos por empresa controlada sediada em país que não tem tratamento fiscal favorecido. Todavia, por ofensa aos princípios constitucionais da anterioridade e da irretroatividade, afirmase a inconstitucionalidade do seu parágrafo único, que trata dos lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2002. 3. Recurso extraordinário provido, em parte. (RE 541090, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Relator(a) p/ Acórdão: Min. TEORI ZAVASCKI, Tribunal Pleno, julgado em 10/04/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe213 DIVULG 29102014 PUBLIC 30102014, grifamos) Portanto, embora a decisão acima não tenha efeito erga omnes e vinculante, o Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal entendeu, por sua maioria, naquele julgado, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.325 25 constitucional a incidência do art. 74 da MP 2.15835/01 no caso de controlada situada em país sem tributação favorecida. Ainda que assim não fosse, a aplicação do artigo 74 da MP 2.15835/01 ao caso decorre da própria presunção de constitucionalidade que goza toda Lei. Desse modo, com base na presunção de constitucionalidade que goza toda lei e no disposto na Súmula CARF nº 2, que veda juízo de constitucionalidade de lei por este Colegiado, defendo que o artigo 74 da MP 2.15835/01 aplicase à receita da Contribuinte relativa à participação nos lucros de sua controlada. VI. DO CONCEITO DE RENDA DISPOSTO NO ARTIGO 43 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL Dispõe o artigo 43 do CTN que: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) § 2º Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) À luz do referido dispositivo, a Contribuinte defendeu que “Se aplicado o art. 74 da MP 215835/01 a toda e qualquer controlada e coligada de empresa brasileira no exterior, procura, de forma errada, veicular o sistema de transparência fiscal internacional, não observando parâmetros recomendáveis para a instauração desse sistema tais como os indicados acima, trazendo uma ficção jurídica para o fato gerador do imposto de renda, sem atentar para o comando previsto no art. 43 do CTN, já que procura conceituar como disponível renda que assim não se encontra” – fl. 1046. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.326 26 É dizer, entendeu a Contribuinte que o artigo 74 da Medida Provisória nº 215835/01 instituiu uma ficção jurídica, para considerar como fato gerador do imposto de renda uma situação em que não há disponibilidade econômica ou jurídica, violando, assim, o previsto no artigo 43 do CTN, que informa que o imposto de renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Nada obstante, o entendimento da Contribuinte não pode prevalecer, pois houve, sim, disponibilidade econômica no presente caso, razão pela qual não há que se falar em violação ao disposto no artigo 43 do CTN. Explicase. Até 1995, vigorava, para as pessoas físicas, o regime da tributação em bases universais, nos termos do artigo 8º da Lei nº 7.713/88; e, para as pessoas jurídica, o regime da territorialidade, nos termos do artigo 63 da Lei nº 4.506/64. Em 26/12/1995, a Lei nº 9.249 institui, em seu artigo 25, o regime de tributação em bases universais também para as pessoas jurídicas, ou seja, tributavase tanto os rendimentos obtidos no país, quanto aqueles obtidos no exterior, confirase: Art. 25. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na determinação do lucro real das pessoas jurídicas correspondente ao balanço levantado em 31 de dezembro de cada ano. § 1º Os rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das pessoas jurídicas com observância do seguinte: I os rendimentos e ganhos de capital serão convertidos em Reais de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que forem contabilizados no Brasil; II caso a moeda em que for auferido o rendimento ou ganho de capital não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais; § 2º Os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, no exterior, de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I as filiais, sucursais e controladas deverão demonstrar a apuração dos lucros que auferirem em cada um de seus exercícios fiscais, segundo as normas da legislação brasileira; II os lucros a que se refere o inciso I serão adicionados ao lucro líquido da matriz ou controladora, na proporção de sua participação acionária, para apuração do lucro real; Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.327 27 III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido os lucros auferidos por filiais, sucursais ou controladas, até a data do balanço de encerramento; IV as demonstrações financeiras das filiais, sucursais e controladas que embasarem as demonstrações em Reais deverão ser mantidas no Brasil pelo prazo previsto no art. 173 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. § 3º Os lucros auferidos no exterior por coligadas de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil serão computados na apuração do lucro real com observância do seguinte: I os lucros realizados pela coligada serão adicionados ao lucro líquido, na proporção da participação da pessoa jurídica no capital da coligada; II os lucros a serem computados na apuração do lucro real são os apurados no balanço ou balanços levantados pela coligada no curso do períodobase da pessoa jurídica; III se a pessoa jurídica se extinguir no curso do exercício, deverá adicionar ao seu lucro líquido, para apuração do lucro real, sua participação nos lucros da coligada apurados por esta em balanços levantados até a data do balanço de encerramento da pessoa jurídica; IV a pessoa jurídica deverá conservar em seu poder cópia das demonstrações financeiras da coligada. § 4º Os lucros a que se referem os §§ 2º e 3º serão convertidos em Reais pela taxa de câmbio, para venda, do dia das demonstrações financeiras em que tenham sido apurados os lucros da filial, sucursal, controlada ou coligada. § 5º Os prejuízos e perdas decorrentes das operações referidas neste artigo não serão compensados com lucros auferidos no Brasil. § 6º Os resultados da avaliação dos investimentos no exterior, pelo método da equivalência patrimonial, continuarão a ter o tratamento previsto na legislação vigente, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º, 2º e 3º. Como a Lei nº 9.249/95 não era muito clara na definição do momento em que ocorria a disponibilidade do lucro, adveio a Medida Provisória nº 1.602/97, convertida na Lei nº 9.532/97, que estabeleceu que, em relação as empresas controladas e coligadas sediadas no exterior, seria aplicável o regime de caixa, enquanto que, em relação as filias e sucursais, seria aplicável o regime de competência, in verbis: Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.328 28 Art. 1º Os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas serão adicionados ao lucro líquido, para determinação do lucro real correspondente ao balanço levantado no dia 31 de dezembro do anocalendário em que tiverem sido disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, os lucros serão considerados disponibilizados para a empresa no Brasil: a) no caso de filial ou sucursal, na data do balanço no qual tiverem sido apurados; b) no caso de controlada ou coligada, na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior. c) na hipótese de contratação de operações de mútuo, se a mutuante, coligada ou controlada, possuir lucros ou reservas de lucros; (Incluída pela Lei nº 9.959, de 2000) d) na hipótese de adiantamento de recursos, efetuado pela coligada ou controlada, por conta de venda futura, cuja liquidação, pela remessa do bem ou serviço vendido, ocorra em prazo superior ao ciclo de produção do bem ou serviço. (Incluída pela Lei nº 9.959, de 2000) § 2º Para efeito do disposto na alínea "b" do parágrafo anterior, considerase: a) creditado o lucro, quando ocorrer a transferência do registro de seu valor para qualquer conta representativa de passivo exigível da controlada ou coligada domiciliada no exterior; b) pago o lucro, quando ocorrer: 1. o crédito do valor em conta bancária, em favor da controladora ou coligada no Brasil; 2. a entrega, a qualquer título, a representante da beneficiária; 3. a remessa, em favor da beneficiária, para o Brasil ou para qualquer outra praça; 4. o emprego do valor, em favor da beneficiária, em qualquer praça, inclusive no aumento de capital da controlada ou coligada, domiciliada no exterior. § 3º Não serão dedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido os juros, pagos ou creditados, incidentes sobre o valor equivalente aos lucros não disponibilizados por empresas: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) I coligadas ou controladas, domiciliadas no exterior, quando estas forem as beneficiárias do pagamento ou crédito; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.329 29 II controladas, domiciliadas no exterior, independente do beneficiário. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) § 4º Os créditos de imposto de renda de que trata o art. 26 da Lei nº 9.249, de 1995, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto de renda devido no Brasil se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo ano calendário subseqüente ao de sua apuração. § 5º Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerarseá vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999. § 6º Nas hipóteses das alíneas "c" e "d" do § 1o o valor considerado disponibilizado será o mutuado ou adiantado, limitado ao montante dos lucros e reservas de lucros passíveis de distribuição, proporcional à participação societária da empresa no País na data da disponibilização. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) § 7º Considerarseá disponibilizado o lucro: (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) a) na hipótese da alínea "c" do § 1º: (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. na data da contratação da operação, relativamente a lucros já apurados pela controlada ou coligada; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. na data da apuração do lucro, na coligada ou controlada, relativamente a operações de mútuo anteriormente contratadas; (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) b) na hipótese da alínea "d" do § 1o, em 31 de dezembro do ano calendário em que tenha sido encerrado o ciclo de produção sem que haja ocorrido a liquidação. (Incluído pela Lei nº 9.959, de 2000) Na sequência, adveio o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01, que estendeu, para as controladas e coligadas, o mesmo tratamento conferido anteriormente às filiais e sucursais no exterior, aplicandolhes o regime de competência, para efeito de definição do momento da disponibilização. Vejamos: Art. 74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.330 30 no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. Superado isso, vale notar que, enquanto que, no regime de caixa, exigese o registro de receitas e despesas quando efetivamente recebidas ou pagas; no regime de competência, exigese o registro de receitas e despesas incorridos no período, independentemente da sua efetiva realização em moeda. A diferença desses regimes é a forma como se dá a disponibilidade. No regime de competência, ocorre a disponibilidade econômica, em que há acréscimo patrimonial, sem o recebimento físico dos ganhos financeiros, ao passo que, no regime de caixa, ocorre a disponibilidade financeira, em que só há acréscimo patrimonial se houver efetivo ganho dos recursos monetários. Prova de que, em hipóteses como a presente (regime de competência), há, sim, disponibilidade econômica é o fato de que o aumento do valor da controlada situada no exterior repercute no valor das ações da controladora brasileira negociáveis em bolsa e o fato de o artigo 197 da Lei nº 6.404/76 permitir a distribuição de dividendos com base na receita advinda da equivalência patrimonial positiva. Nesse mesmo sentido, foi o voto proferido no Recurso Extraordinário nº 541.090/SC pelo Ministro Teori Zavascki, ao colacionar as ponderações do Ministro Nélson Jobim feitas no julgamento da ADI nº 2.588/DF, vejase: O art. 74 da MP 2158/01, na linha da alteração do CTN, manejou o conceito de DISPONIBILIDADE ECONÔMICA já trabalhado pela legislação comercial desde de 1976 (MEP) e pela tributária, em BASES TERRITORIAIS, desde de 1977. E, mais, o conceito de DISPONIBILIDADE ECONÔMICA é conhecido pelo CTN desde sua edição (Art. 43, caput). A agiu bem a LC 104/2001 com os parágrafos que acrescentou ao CTN. O momento da DISPONIBILIDADE da renda de pessoas jurídicas ESTRANGEIRAS não poderia – nunca – depender de fixação em legislação complementar. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.331 31 Tanto poderia ser apuração dos resultados (REGIME DE COMPETÊNCIA e DISPONIBILIDADE ECONÔMICA), como a sua distribuição (REGIME DE CAIXA e DISPONIBILIDADE FINANCEIRA). Tudo porque se está diante de um ambiente complexo do ponto de vista contábil e societário. Estáse diante de situações que são altamente mutáveis e dependentes de uma legislação comercial e contábil flexível. Ainda mesmo sentido, foi o voto do Ministro Gilmar Mendes, também manifestado nos autos do Recurso Extraordinário nº 541.090/SC: Em se tratando de investimento em empresas controladas e coligadas, situadas no exterior, a disponibilidade da renda em favor da investidora, na proporção de sua participação na investida, é de se reconhecer, independentemente da efetiva distribuição financeira de lucros, porque, na espécie, o acréscimo patrimonial da coligada ou controlada brasileira ocorre de modo imediato, independentemente dessa providência. Dois fatos corroboram esse argumento. O primeiro é que, desde o balanço da investida – controlada ou coligada –, já se opera o incremento de valor de mercado da empresa investidora. O segundo é a autorização, prevista no inciso I, do art. 197 da Lei das Sociedades Anônimas, modificado pela Lei 10.303, de 2001, de que o valor correspondente ao lucro das coligadas e controladas seja distribuído pela investidora, na proporção de sua participação, a seus sócios, antes mesmo da distribuição financeira dos lucros da investida. Assim, considerando que o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 determinou o regime de competência e, como consequência, sujeitou as empresas brasileiras à disponibilidade econômica, afasto o argumento da Contribuinte, pois não há que se falar em violação ao disposto no artigo 43 do Código Tributário Nacional. VII. DO ARTIGO 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN A Contribuinte aduziu, em seu Recurso Voluntário, que “(...) a autuação com base no artigo 74 da MP 215835, por ser fundamentada em ser a mesma uma cláusula antielisiva, não pode se manter, por não ser possível desconsiderar atos, fatos, pessoas jurídicas com base em elisão fiscal, sem que seja criado por lei um procedimento para tanto, nos termos do preconizado pelo parágrafo único do art. 116 do CTN, contrariado pelo presente auto” – fl. 1048. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.332 32 Sobre o tema, entendo que o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01, realmente, se trata de uma norma antielisiva, visto que visou combater a elisão fiscal, alterando o regime anterior que determinava que os lucros da controlada ou coligada situada no exterior seriam considerados disponibilizados para a empresa brasileira na data do pagamento ou do crédito em conta representativa de obrigação da empresa no exterior, para estabelecer, em seu lugar, que os lucros serão considerados disponibilizados na data do balanço no qual tiverem sido apurados. Concordando com esse entendimento, foi o voto do Ministro Teori Zavascki, proferido no Recurso Extraordinário nº 541.090/SC, confirase: “6. A norma de 1995 não deixava muito clara a definição do momento em que ocorria a disponibilidade do lucro – se pelo regime de caixa ou pelo regime de competência –, matéria que veio a ser disciplinada pela Instrução Normativa 38/1996. Todavia, logo em seguida sobreveio nova alteração legislativa, cujo registro é importante para o julgamento da presente causa: foi a Medida Provisória 1.602/1997, convertida na Lei 9.532/1997, definindo o momento em que deveria ser registrada a “disponibilidade” do lucro. Em relação a empresas controladas e coligadas sediadas no exterior, essa Lei manteve o regime de caixa (= disponibilidade financeira); e, em relação a filiais e sucursais, introduziu regime de competência (= disponibilidade econômica). Eis o que dispôs a Medida Provisória: (...) 7. A nova sistemática, todavia, ainda permitia movimentos de elisão fiscal, especialmente em relação a empresas coligadas ou controladas, conforme demonstrou, com precisão, o já referido voto do Ministro Nélson Jobim, na ADI 2.588/DF. Assim, visando a combater esse problema e dar tratamento sistemático semelhante entre filiais e sucursais e controladas e coligadas, outras normas foram editadas: a MP 1.924/1999 e, finalmente, a MP 2.15834, de 27.07.2001, cujo art. 74 (reproduzido na MP 2.15835/2001, ainda em vigor por força da EC 32/2001) é aqui questionado” A despeito de enquadrar o art. 74 da MP n 2.15835/01 como uma norma antielisiva e concordar com a premissa adotada pela Contribuinte, discordo do efeito que foi por ela atribuído a esta premissa, ou seja, a necessidade de observância do procedimento previsto no parágrafo único do artigo 116 do CTN. Explicase. O parágrafo único do artigo 116 do CTN assevera que: Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.333 33 A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Segundo esse dispositivo, a autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos que dissimulam a ocorrência do fato gerador ou que dissimulam os elementos constitutivos da obrigação tributária, contanto que sejam observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Como é de conhecimento geral, não existe nenhuma norma que regulamente o artigo 116, parágrafo único, do CTN. Nada obstante, isso não faz com que a autoridade administrativa não possa desconsiderar qualquer ato ou fato, mas que essa desconsideração deve estar validada numa norma específica sobre o assunto. É o que se verifica com o art. 74 da MP n 2.15835/01. Tal dispositivo se trata de norma específica e autoaplicável, a qual dispõe que, sendo auferido lucro pela controlada ou coligada no exterior, este será considerado disponibilizado para a empresa brasileira na data do balanço no qual tiver sido apurado. Assim, por ser o artigo 74 da Medida Provisória nº 2.15835/01 uma norma específica e autoaplicável, ele não precisa, para ser aplicado, aguardar a regulamentação por lei ordinária do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, de modo que não há que se falar em violação ao mencionado dispositivo. Ratificando esse entendimento, a 4ª Turma da DRJ/RJ1 acentuou que não haveria violação ao art. 116, parágrafo único, do CTN, pois “a Interessada comete um imperdoável erro conceitual, ignorando a diferença entre normas gerais antielisivas e normas antielisivas específicas” – fl. 996. Contudo, a Contribuinte defendeu, em seu Recurso Voluntário, que, ainda que se entendesse que o artigo 74 da MP 215835 fosse autoaplicável, descolada do comando veiculado pelo art. 116, parágrafo único, do CTN, a Fiscalização teria de comprovar que a PNBV era uma empresa de papel, sem qualquer capacidade operacional e que foi criada com o intuito de gerar apenas economia fiscal. No entanto, esse último posicionamento da Contribuinte também não tem como prosperar. Isso porque, se o artigo 74 da MP n 2.15835/01 é autoaplicável e não exige para sua aplicação o preenchimento de qualquer requisito, não há que se falar na exigência para a Fiscalização de comprovação da falta de propósito negocial. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.334 34 De igual modo, enquadrando o art. 74 da MP n 2.15835/01 como uma norma antielisiva específica, a DRJ destacou que, “diferentemente das normas gerais antielisivas (que exigem do Fisco a demonstração de ocorrência da elisão), as normas antielisivas específicas alcançam seu resultado com a simples materialização do fato descrito na hipótese normativa, sem que a autoridade administrativa precise provar, concretamente, a prática da elisão” – fls. 996/997. Ante o exposto, concluo pela inexistência de violação ao artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional e pela desnecessidade de comprovação da inexistência de propósito negocial. VIII. DO TRATADO ENTRE BRASIL E PAÍSES BAIXOS Antes de aprofundarmos este ponto controvertido, é importante tecer breve esclarecimento sobre regime fiscal privilegiado. Pois bem. A definição de regime fiscal privilegiado foi introduzida pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008, que entrou em vigor no dia 01 de janeiro de 2009: Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008. Art. 23. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 24A e 24B: “Art. 24A. Aplicamse às operações realizadas em regime fiscal privilegiado as disposições relativas a preços, custos e taxas de juros constantes dos arts. 18 a 22 desta Lei, nas transações entre pessoas físicas ou jurídicas residentes e domiciliadas no País com qualquer pessoa física ou jurídica, ainda que não vinculada, residente ou domiciliada no exterior. Parágrafo único. Para efeitos deste artigo, considerase regime fiscal privilegiado aquele que: I – não tribute a renda ou a tribute à alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento); II – conceda vantagem de natureza fiscal a pessoa física ou jurídica não residente: a) sem exigência de realização de atividade econômica substantiva no país ou dependência; b) condicionada ao não exercício de atividade econômica substantiva no país ou dependência; Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.335 35 III – não tribute, ou o faça em alíquota máxima inferior a 20% (vinte por cento), os rendimentos auferidos fora de seu território; IV – não permita o acesso a informações relativas à composição societária, titularidade de bens ou direitos ou às operações econômicas realizadas.” “Art. 24B. O Poder Executivo poderá reduzir ou restabelecer os percentuais de que tratam o caput do art. 24 e os incisos I e III do parágrafo único do art. 24A, ambos desta Lei. Parágrafo único. O uso da faculdade prevista no caput deste artigo poderá também ser aplicado, de forma excepcional e restrita, a países que componham blocos econômicos dos quais o País participe.” (...) Art. 41. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos em relação: (...) VI – aos arts. 22, 23, 29 e 31, a partir do primeiro dia do ano seguinte ao da publicação desta Lei. Em tese, as disposições dessa lei poderiam ser aplicadas ao caso concreto, já que, como dito, a autuação referese ao anocalendário de 2009, o que geraria o debate se a controlada da Contribuinte seria ou não uma Holding Company. Todavia, entendo que não é o caso, seja porque a regulamentação dessa lei só ocorreu em 04 de junho de 2010, por meio da Instrução Normativa da RFB nº 1037, seja porque os Baixes Baixos foram retirados dessa relação em 24 de junho de 2010, tendo retornado só em 18 de dezembro de 2015, através do Ato Declaratório Executivo da RFB nº 03/2015, que assim dispõe: Ato Declaratório Executivo RFB nº 3, de 18 de dezembro de 2015 (Publicado(a) no DOU de 21/12/2015, seção 1, pág. 60) Revoga o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 24 de junho de 2010, que concede efeito suspensivo da inclusão dos Países Baixos na relação de países detentores de regime fiscal privilegiado, prevista na Instrução Normativa RFB nº1.037, de 4 de junho de 2010. Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.336 36 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 280 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012, e tendo em vista o disposto no art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.045, de 23 de junho de 2010, declara: Art. 1º Fica revogado o Ato Declaratório Executivo RFB nº 10, de 24 de junho de 2010, tendo em vista a não comprovação, por parte do Governo do Reino dos Países Baixos, de teor e vigência da legislação tributária que justificasse a revisão do enquadramento desse país como detentor do regime fiscal privilegiado previsto no inciso IV do art. 2º da Instrução Normativa RFB nº 1.037, de 4 de junho de 2010. Art. 2º Este Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. JORGE ANTONIO DEHER RACHID Por fim, para não haver dúvida, o Sr. AFRF não imputou à Contribuinte a natureza de Holding Company. Por tais motivos, votarei considerando a Contribuinte empresa controlada situação em país com tributação normal e com o qual o Brasil possui tratado para evitar a dupla tributação. Pois bem. A Contribuinte, em seu Recurso Voluntário, aduziu que “O art. 74 busca tributar o lucro auferido pela pessoa jurídica controlada ou coligada estrangeira, que nos termos do item 1 do art. 7 do tratado em comento só pode ser tributado pelo país da residência da pessoa jurídica que aufere lucros” – fl. 1052. A despeito do entendimento manifestado pela Contribuinte, este conselheiro discorda dele, especialmente de sua premissa, pois o art. 74 da MP 215835/01 não estaria tributando o lucro auferido pela empresa controlada ou coligada estrangeira, uma vez que, conforme exposto no item VI deste voto, restou configurada a disponibilização econômica desse lucro para a empresa brasileira. Assim, estando disponível o lucro da empresa controlada ou coligada estrangeira para a empresa brasileira, não há mais que se falar na tributação do lucro, seja da empresa estrangeira, seja da empresa brasileira, que teria sido apurado pelo método de equivalência patrimonial, mas, sim, devese falar em dividendo. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.337 37 Por meio do acórdão nº 1102001.247, proferido pela antiga 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, este conselheiro, acompanhando o relator, o conselheiro João Otávio Opperman Thomé, já manifestou seu entendimento de que o art. 74 da MP 215835/01 veicularia uma hipótese de dividendo, confirase: No caso brasileiro, em que pese não tenha o legislador expressamente mencionado o vocábulo “dividendos”, utilizou expressamente, ao menos a partir da Lei nº 9.532, de 1997, a referência a “lucros disponibilizados” ou “considerados disponibilizados”. Em vista do exposto, entendo que a lei brasileira conceitua os rendimentos obtidos pela pessoa jurídica brasileira, por intermédio de suas controladas e coligadas que atuam no exterior, e os quais lhe são atribuídos na proporção da sua participação societária naquelas investidas, como dividendos. Desse modo, enquadrando o art. 74 da MP 215835/01 como um dividendo, afasto qualquer argumento no sentido que o referido dispositivo estaria violando o artigo 7º do Tratado entre Brasil e Países Baixos, que atribui competência exclusiva ao país estrangeiro para tributar o lucro da empresa estrangeira: ARTIGO 7 Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. 2. Ressalvado o disposto no parágrafo 3, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado, serão atribuídos, a esse estabelecimento permanente, em cada Estado Contratante, os lucros que obteria se fosse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades iguais ou similares, sob condições iguais ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa da qual é estabelecimento permanente. 3. Na determinação dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas incorridas para a Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.338 38 consecução dos seus objetivos, inclusive as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos disciplinados separadamente em outros artigos desta Convenção, o disposto em tais artigos não é prejudicado pelo que dispõe este Artigo. Como consequência, entendo também prejudicada qualquer discussão sobre se o art. 74 da MP 215835/01 veicularia uma norma de CFC e sobre quais seriam os efeitos atribuídos aos comentários da OCDE sobre o artigo 7º do Tratado entre Brasil e Países Baixos, os quais permitiriam afastar sua aplicação em caso de norma CFC. Nada obstante, adotando o entendimento de que o art. 74 da MP 215835/01 veicularia uma hipótese de dividendo, aplicável ao caso o disposto no artigo 10 do Tratado entre Brasil e Países Baixos, o qual estabelece e delimita a forma como se dará a tributação entre os países contratantes sobre os dividendos, confirase: ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e nos termos da lei desse Estado; mas, se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim incidente não poderá exceder 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos. 3. O termo "dividendos", empregado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações ou direitos de fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição. 4. Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em um Estado Contratante, realiza Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.339 39 negócios no outro Estado Contratante em que reside a sociedade que paga os dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente ali situado, e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso aplicase o disposto no Artigo 7. 5. Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Todavia, tal imposto não excederá 15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros. 6. Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 7. As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção. De acordo com mencionado dispositivo, o artigo 10 do Tratado entre Brasil e Países Baixos somente incide sobre os dividendos pagos. Ou seja, mencionado tratado não admite a tributação sobre os dividendos que não forem pagos. Nesse sentido, apreciando o mesmo tratado, foi o entendimento de Marcos Shigueo Takata, manifestado no Acórdão nº 1103001.122, o qual foi seguido pela antiga 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1º Seção do CARF: Todo o art. 10 do tratado em comentário cuida de dividendos pagos, ao delinear a competência tributária cumulativa do Estado contratante em que reside o sócio ou o acionista, com a do Estado contratante em que reside a sociedade que distribui (paga) os dividendos. Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.340 40 A despeito de o artigo 10 do Tratado entre Brasil e Países Baixos exigir o pagamento para que os dividendos possam ser tributados por ambos os países contratantes, no presente caso, não houve o pagamento. Isso ocorre porque o artigo 74 da MP 215835/01 veicula uma norma de tributação pelo regime da competência, sujeita a disponibilidade econômica, em que há acréscimo patrimonial, sem o recebimento físico dos ganhos financeiros. Por outro lado, se o art. 74 da MP 215835/01 veiculasse uma norma de tributação pelo regime de caixa, sujeita a disponibilidade financeira, apenas ocorreria o acréscimo patrimonial se houvesse o efetivo ganho dos recursos monetários. Assim, apesar de o art. 74 da MP 215835/01 ser constitucional e legal, por abarcar uma hipótese em que há disponibilidade (econômica), ele desrespeita o tratado, que exige para a tributação dos dividendos que a disponibilidade seja financeira. Como consequência, aplicando o disposto no artigo 98 do CTN e fazendo prevalecer o tratado sobre a legislação interna, concluo que não pode o Estado brasileiro tributar a Contribuinte na forma tratada pelo art. 74 da MP 215835/01. Afinal, a própria Receita Federal entende que “as disposições dos acordos para evitar a dupla tributação sobre a renda devem ser aplicadas em detrimentos daquelas fixadas pela legislação interna brasileira” mesmo quando o tratado é anterior à Lei nº 9.249, que estabeleceu a Tributação em Base Universal, em razão do critério da especialidade. Esse entendimento está expresso na Solução de Consulta Interna nº 18 – Cosit, de 13/08/2013, p. 6, § 24. Ademais, nem se diga que possa ser adotada interpretação diversa sobre o sentido do termo “pagos”, pois o artigo 3, § 2º, do Tratado Brasil e Países Baixos dispôs que a expressão que não esteja definida no Tratado deve ser interpretada segundo a legislação desse Estado, salvo se o contexto impor outra interpretação, in verbis: 2. Para a aplicação desta Convenção por um Estado Contratante, qualquer expressão que nela não esteja definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado, relativamente aos impostos aos quais se aplica a Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diversa. No presente caso, o contexto exige interpretação diversa. Nessa linha, Sandra Maria Faroni, por meio do Acórdão nº 10197.070, ainda que adotando premissa diversa (de Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.341 41 que o art. 74 da MP 215835/01 veicularia uma hipótese de lucro, vez que haveria mera disponibilização ficta de dividendos), entendeu que, quando da assinatura do Tratado (contexto), a legislação brasileira dispunha de modo diverso sobre os dividendos, então não poderia ser aplicada o art. 74 da MP 215835/01, sob pena de esvaziar a convenção mediante alteração posterior de definição. Vejamos: O Acordo diz que os dividendos pagos por uma sociedade residente de um Estado Contratante a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. Os Comentários ao artigo, no item 7 do n° 1, esclarecem que 'A expressão "pagos" reveste um sentido muito amplo, dado que o conceito de pagamento significa a execução da obrigação de colocar os fundos à disposição do accionista de acordo com os termos previstos por contrato ou na prática usual.' A conceituação acima quanto ao sentido de "pagos" permite submeter às regras do artigo 10 os lucros disponibilizados na forma da legislação anterior à MP 2.15835, mas delas exclui os lucros disponibilizados na forma da MP. Isto tendo em conta que o Artigo 3º da Convenção, que contém regra de interpretação autêntica, estabelece que "qualquer expressão que não se encontre de outro modo definida terá o significado que lhe é atribuído pela legislação desse Estado Contratante relativa aos impostos que são objeto da Convenção, a não ser que o contexto imponha interpretação diferente". E pelas normas da Lei n° 9.532/97, a tributação não decorria de uma ficção de disponibilização. Tratavase de lucros efetivamente disponibilizados ao acionista, tanto que foram creditados ou de alguma forma utilizados em seu favor, contendo a lei apenas uma presunção legal para definir o momento em que foram disponibilizados. Poderseia indagar se essa mesma regra do Artigo 3 não poderia servir para considerar como dividendos, para os fins da Convenção, a disponibilização ficta instituída com a MP nº 2.15835. Não me parece ser isso apropriado. No Comentário ao Número 2 do Artigo 3 está esclarecido que, quanto à questão de saber para que legislação é necessário remeter para determinar o significado dos termos não definidos na convenção, o Comitê de Assuntos Fiscais concluiu que deveria prevalecer a legislação vigente no momento da incidência. Porém, isso não se aplica se o contexto exigir interpretação diferente. E o contexto é constituído pela intenção das partes quando da assinatura da Convenção, e bem assim, pelo significado atribuído ao termo em questão na legislação do outro Estado contratante (numa referência implícita ao princípio da reciprocidade). Conclui o Comentário que "a redacção do número 2 permite estabelecer um equilíbrio satisfatório entre, por um lado, a necessidade de garantir a permanência dos compromissos assumidos por um Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.342 42 Estado por ocasião da assinatura da convenção (uma vez que um Estado não deveria ser autorizado a esvaziar uma convenção de parte da sua substância, alterando posteriormente, em sua legislação nacional, os termos "não definidos " na Convenção) e, por outro lado, as exigências de uma aplicação cômoda e prática da Convenção ao longo do tempo (convém evitar, de facto, a necessidade de remeter para noções desatualizadas)." É sabido que o significado do termo "dividendos" atribuído pela legislação brasileira sempre foi o de lucros disponibilizados. O verbete "Dividendos", no Vocabulário Jurídico, de De Plácido e Silva," registra que "...na terminologia do Direito Comercial e, mesmo no Direito Civil, é compreendido como a percentagem, ou o rendimento que cabe aos sócio ou acionistas de uma sociedade, proporcional ao capital, que possuem, na mesma sociedade. Representa, neste sentido a parte de lucros que compete ao sócio, segundo o valor de sua cota ou cotas no capital da sociedade, o qual, denominado de lucro líquido, desde que está apurado de todos os rebates e abatimentos contratuais, estatuários ou legais, é distribuído na conformidade do que, nos contratos ou estatutos, está prescrito. A distribuição de dividendos é, assim, matéria que se regula no próprio pacto societários, importando, entanto, no pressuposto de lucro efetivamente apurado. (...)”.(negritos acrescentados) Assim, não considero possível utilizar o n° 2 do Artigo 3 o da Convenção para atribuir aos lucros apurados em balanço, antes de qualquer dedução, o significado de dividendos. Até porque não me parece que pela legislação da Espanha o significado do termo dividendos alcance os lucros apurados em balanço antes de sua distribuição (em atenção ao princípio da reciprocidade). A ficção estabelecida pela MP implicaria esvaziamento da convenção mediante alteração posterior de "definição". Ante o exposto, como o artigo 10 do Tratado entre Brasil e Holanda apenas admite a tributação sobre os dividendos pagos e o art. 74 da MP 215835/01 tributa hipótese diversa (disponibilidade econômica), deve ser afastada a tributação in casu, em observância à regra contida no artigo 98 do Código Tributário Nacional. IX. DA APLICAÇÃO DA CSL A Contribuinte afirmou que “É de invocar quanto a este ponto os mesmos argumentos apresentados acerca da impossibilidade de se sujeitar ao IRPJ brasileiro os lucros auferidos pela empresa PNBV, controlada da Recorrente, domiciliada na Holanda, por força do artigo 7º, item 1 do tratado contra a dupla tributação celebrado entre Brasil e Holanda, para obstar, também a tributação dos mesmos pela CSLL” – fl. 1056. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.343 43 Sobre o tema, recentemente, entrou em vigor o artigo 11 da Lei nº 13.202/15, o qual acentuou que: Art. 11. Para efeito de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL. Parágrafo único. O disposto no caput alcança igualmente os acordos em forma simplificada firmados com base no disposto no art. 30 do DecretoLei no 5.844, de 23 de setembro de 1943. Mencionado dispositivo deixou consignado que, para efeitos de interpretação, os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Estado brasileiro para evitar dupla tributação da renda abrangem também a CSLL. Considerando ser uma lei meramente interpretativa, como destacado no próprio artigo 11, ao afirmar que “Para efeito de interpretação”, ela retroage, nos termos do artigo 106, I, do Código Tributário Nacional. Assim, aplicando o tratado entre Brasil e Países Baixos para a CSL, conforme determinado pelo artigo 11 da Lei nº 13.202/15, afasto também a tributação veiculada pelo art. 74 da MP 215835/01 para a CSL. X. CONCLUSÃO Por fim, voto no sentido de conhecer o recurso voluntário para, no mérito, julgálo procedente, cancelando integralmente a tributação do IRPJ e da CSL. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.344 44 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Em que pese o brilhantismo do voto do ilustre relator, entendeu o colegiado, por maioria de votos, pela manutenção do lançamento efetuado, ficando a meu cargo a redação do voto vencedor. Inicialmente, registro minha concordância com significativa parte do quanto foi exposto pelo i.relator, no que toca ao enquadramento do art. 74 da MP 215835/01 como um dispositivo legal que versa sobre a tributação de dividendos, na medida em que trata dos lucros "considerados disponibilizados". Aliás, neste sentido, inclusive, fez o relator menção à acórdão de minha lavra, no qual foi manifestado tal entendimento. Exatamente por este mesmo motivo (de que a tributação imposta, no âmbito da legislação brasileira de tributação em bases mundiais, incide sobre lucros considerados disponibilizados, i.e., dividendos, e não diretamente sobre o lucro da empresa estrangeira), cabe também registrar minha concordância com a parte do voto do relator em que entende que o art. 74 da MP 215835/01 não conflita e nem viola o quanto disposto no artigo 7º da Convenção BrasilPaíses Baixos, que atribui competência exclusiva ao país estrangeiro para tributar o lucro da empresa estrangeira. Assim, os artigos da Convenção que podem trazer alguma implicação para a análise de cada caso concreto são, na verdade, os artigos 10 e 23, sempre tendose em mente a chamada “Convenção Modelo” proposta pela OCDE, e os pertinentes “Comentários dos Artigos” daquela “Convenção Modelo”, consoante também expus no mencionado acórdão 1102001.247, tecendo diversas considerações a respeito deste tema, mas que, contudo, entendo desnecessário aqui reproduzir, mesmo porque o i. relator também considera que a solução do caso concreto passa pela análise dos referidos artigos. A discordância se dá, portanto, apenas em momento seguinte, quando o relator conclui que, uma vez que a Convenção BrasilPaíses Baixos admitiria apenas a tributação sobre dividendos pagos, o art. 74 da MP 215835/01, no caso, seria inaplicável, uma vez que este trata da tributação sobre dividendos ainda não efetivamente pagos. A respeito desta questão também me manifestei no âmbito do já mencionado acórdão 1102001.247, sendo de se ressaltar que, naquele caso, discutiase a Convenção Brasil Argentina, que possui uma cláusula específica estabelecendo a isenção dos dividendos pagos por uma sociedade argentina a uma sociedade residente do Brasil, em certas circunstâncias. Assim, enquanto a contribuinte defendia a aplicação desta regra de isenção sobre dividendos pagos prevista na Convenção, a Fazenda Nacional sustentava que a regra não seria aplicável pois a legislação interna brasileira não tratava de dividendos pagos. Ou seja, argumentos muito semelhantes aos aqui em discussão, apenas com a peculiaridade de se encontrarem as partes (Fazenda e contribuinte) em posições opostas, em face da cláusula de isenção, prevista naquela Convenção, sobre os dividendos. Transcrevo a seguir a minha posição ali externada: Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.345 45 "Reproduzse mais uma vez o dispositivo específico da Convenção Brasil Argentina: “2. Os dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10 por cento do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina de acordo com as disposições da presente Convenção, estarão isentos do imposto no Brasil.” O dispositivo expressamente se refere a dividendos pagos por uma sociedade residente da Argentina a uma sociedade residente do Brasil. Por este motivo, poderia alguém entender inaplicável o dispositivo em questão ao caso concreto, uma vez que não houve efetivo pagamento de dividendos. Penso diferente. Entendo que não se pode reduzir os dispositivos convencionais a simplesmente nada. Não me parece concebível que o Brasil celebre com país estrangeiro uma Convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda e que possa, por meio de legislação interna posterior à Convenção, criar uma situação em que a renda auferida por suas controladas e coligadas, situadas naquele outro país, não seja alcançada por nenhum dispositivo da Convenção, não se beneficiando nem do tratamento ali previsto para os lucros, nem do tratamento ali previsto para os dividendos. Além disto, como entender o fato de que os dividendos pudessem ser tributados antecipadamente, por força da legislação CFC brasileira, se, por ocasião de sua efetiva distribuição, estes não poderiam ser tributados pelo Brasil? Simplesmente não faz qualquer sentido. A outra conclusão não posso chegar de que simplesmente o Brasil abriu mão de seu direito de tributar tais rendimentos, quando restar configurada a situação prevista no parágrafo 2o do artigo 10." Assim, em face da peculiaridade da legislação CFC brasileira, que, no uso de sua competência impositiva, estabelece a tributação dos referidos dividendos de forma antecipada à sua efetiva distribuição, entendo que se há de aplicar, em cada caso concreto, eventual limitação à tributação desses dividendos que esteja prevista na Convenção, mesmo que não se trate efetivamente de dividendos pagos. Ocorre que, no caso concreto, inexiste na Convenção BrasilPaíses Baixos semelhante dispositivo prevendo a isenção de dividendos recebidos da Holanda por residente no Brasil. Ao contrário, o artigo 10, ao tratar dos dividendos, estabelece claramente a possibilidade de tributação destes tanto pelo Estado da fonte (onde a companhia que paga os dividendos é residente), quanto pelo Estado onde o beneficiário é residente, impondo limites a esta tributação tão somente no que diz respeito ao Estado da fonte (artigo 10.2). Ou seja, pelo artigo 10, não há qualquer limitação à tributação que possa ser imposta pelo Brasil aos dividendos provenientes da Holanda. Já o artigo 23 — que sempre deve ser analisado em conjunto com as disposições do artigo 10, uma vez que trata dos métodos específicos aplicáveis para se evitar a dupla tributação dos rendimentos — estabelece tão somente que, nesses casos (dividendos provenientes da Holanda, auferidos por residente no Brasil), o Brasil "permitirá, como dedução do imposto da renda dessa pessoa, um valor igual ao imposto de renda pago na Holanda", esclarecendo, contudo, que tal dedução "não será maior do que a parcela do imposto que seria Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.346 46 devido antes da inclusão do crédito correspondente aos rendimentos que podem ser tributados na Holanda" (artigo 23.5). Neste aspecto, portanto, a Convenção BrasilPaíses Baixos não impõe nenhuma limitação à tributação dos dividendos de que trata o presente caso, que já não esteja prevista na própria legislação interna brasileira. Ademais, se a Convenção BrasilPaíses Baixos tivesse aplicação apenas ao caso de dividendos efetivamente pagos, e sendo a hipótese tratada pela legislação interna brasileira completamente diversa (dividendos não pagos), conforme o entendimento manifestado pelo i.relator, entendo que seria contraditório, com a devida vênia e respeito ao seu posicionamento, invocar os dispositivos convencionais como forma de obstar a aplicação da legislação interna. Cumpre ainda assinalar que o quanto exposto no presente voto aplicase de igual modo com relação à CSLL. Independentemente do fato de a Lei nº 13.202/15, consoante consignou o relator, ter consignado que "os acordos e convenções internacionais celebrados pelo Governo da República Federativa do Brasil para evitar dupla tributação da renda abrangem a CSLL", o fato é que a Convenção BrasilPaíses Baixos, conforme dito, não contém nenhuma limitação adicional à tributação dos dividendos que já não esteja prevista na própria legislação interna brasileira. A incidência da CSLL, como se sabe, foi instituída pelo art. 21 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001, o qual determina a observância de todas as demais normas de tributação universal, e, em seu parágrafo único, dispõe que o imposto de renda pago no exterior, que exceder o valor compensável com o imposto de renda devido no Brasil, pode ser compensado com a CSLL devida em virtude da adição, à sua base de cálculo, dos lucros oriundos do exterior, até o limite acrescido em decorrência dessa adição. São estas as razões, em síntese, pelas quais o lançamento, no presente caso, encontrase correto. Ademais, não prosperando o voto do relator, que cancelava o lançamento efetuado, há que se analisar a questão da aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas. A multa isolada aplicada tem o seu fundamento legal no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, que possui a seguinte redação (grifos acrescidos): “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.347 47 a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...)” Cediço que a regra de apuração do IRPJ e da CSLL com base no lucro real, consoante o art. 1º da Lei nº 9.430, de 1996, é de períodos de apuração trimestrais. A apuração anual é uma alternativa oferecida pela Lei nº 9.430, de 1996, a qual, para o seu exercício, requer pagamentos mensais calculados sobre base de cálculo estimada, isto é, determinados mediante a aplicação de diferentes percentuais sobre a receita bruta auferida mensalmente, conforme a atividade econômica praticada. Exercida a opção por esta forma de apuração, com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou do início de atividade, a pessoa jurídica somente poderá suspender ou reduzir os recolhimentos devidos em cada mês se demonstrar, através de balanços e balancetes mensais, que o valor acumulado já recolhido excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. De se observar que a opção por esta forma de apuração, uma vez exercida, é de caráter irretratável para aquele ano calendário. Da leitura do dispositivo acima transcrito, sobressai que a exigência da multa isolada decorre exatamente da falta de recolhimento das estimativas a que se obriga a pessoa jurídica que, por vontade própria, opta pela apuração anual do imposto, e, ainda, que tal exigência não guarda nenhuma consonância com o quantum apurado ao final do ano calendário, caso contrário não faria sentido a parte final da alínea b do inciso II do caput (“...ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica”). Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.348 48 É preciso ficar claro que o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, posteriormente, se demonstrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas se revelarem, ao final do período de apuração, indevidas, é completamente irrelevante, e não pode servir de fundamento ao afastamento da incidência da norma legal no caso concreto. Aliás, pela própria natureza da sistemática, o normal é que os recolhimentos mensais se materializem a menor ou a maior que o devido, dando azo, respectivamente, ao saldo de imposto a pagar ou ao saldo de imposto a ser restituído ou compensado. A conclusão que se impõe, portanto, é que as estimativas mensais devidas constituem obrigação autônoma, pois surgem antes mesmo da ocorrência do fato gerador do tributo, que se dá apenas em 31 de dezembro. Tampouco se constata existir, no dispositivo legal que prevê a discutida penalidade, limitação temporal para o seu lançamento, no sentido de que sua aplicação só poderia ser feita no decorrer do ano em curso. Pelo contrário, a expressa previsão legal de que o lançamento seja feito mesmo quando apurado resultado fiscal negativo ao final do período de apuração claramente sinaliza para o fato de que a multa isolada pode ser lançada após o encerramento do respectivo ano calendário. Com relação à alegação de que estaria a pessoa jurídica sendo duplamente penalizada por uma única suposta infração, e que, portanto, não poderia haver concomitância da multa isolada com a multa de ofício, cumpre observar que, conforme restou acima exposto, as motivações que dão azo à aplicação de uma e de outra penalidade são completamente distintas, sendo também distintos os seus fundamentos legais (a multa isolada tem por base legal o art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, e a multa de ofício tem por base legal o art. 44, inciso I, e §§ 1o e 2o da Lei nº 9.430/96). Além disto, observo serem também distintas as suas bases de cálculo, pois, enquanto a base de cálculo da multa isolada é o valor das estimativas mensalmente devidas, e não recolhidas a tempo próprio, a base de cálculo da multa de oficio é o valor do tributo devido ao final do ano calendário e porventura não recolhido. As estimativas, ordinariamente, são calculadas com base na aplicação de percentuais sobre a receita bruta da pessoa jurídica. Já o IRPJ e a CSLL devidos ao final do ano são calculados com base no lucro líquido contábil ajustado pelas adições, exclusões e compensações prescritas na legislação. Assim, apenas em circunstâncias muito específicas haverá coincidência de valores entre a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo da multa de ofício. A circunstância de isto eventualmente vir a ocorrer, de qualquer sorte, não autoriza a conclusão de que estaria havendo dupla apenação por uma mesma infração, posto que a motivação e o fundamento legal que amparam cada uma das penalidades impostas permanecem sendo distintos. Ademais, ainda que se admitisse que, no caso, uma única infração estivesse sendo submetida a duas penalidades distintas, não se vislumbraria, neste fato, qualquer irregularidade ou motivo para cancelamento de uma delas, em prol da outra. Vale dizer, não possui aplicabilidade, no Direito Tributário, o denominado princípio da consunção, existente no Direito Penal, argumento este que também tem sido frequentemente invocado para justificar o cancelamento da multa isolada aplicada. Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.349 49 De fato, são inúmeros os casos na legislação tributária em que uma única infração pode gerar diversas penalidades. Cito apenas um exemplo, para ilustrar o ponto: a exposição à venda de cigarro estrangeiro sem selo de controle acarreta ao infrator a cobrança do imposto sobre produtos industrializados que deixou de ser pago, acrescido da multa de 150%, além da pena de perdimento da mercadoria, e de multa igual ao valor comercial da mercadoria. Neste caso, poderseia dizer que estão sendo impostas três penalidades sobre uma única infração. Vejamos como um caso destes é julgado pela 3a Seção do CARF: “CIGARROS NACIONAIS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO, ENCONTRADOS EM SITUAÇÃO IRREGULAR NO PAÍS. Nos termos do artigo 494 do Decreto n°4.544, de 26 de janeiro de 2002 — RIPI/2002, "será exigido do proprietário do produto encontrado na situação irregular descrita nos arts. 277 e 284, o imposto que deixou de ser pago, aplicandoselhe, independentemente de outras sanções cabíveis, a multa de cento e cinqüenta por cento de seu valor (Lei n° 4.502, de 1964, art. 80, e Lei n° 9.430, de 1996, art. 45, inciso II)." CIGARROS ESTRANGEIROS ENCONTRADOS SEM SELO DE CONTROLE A venda ou a exposição à venda de cigarros estrangeiros sem o selo de controle sujeita a mercadoria à pena de perdimento e o proprietário da mesma à penalidade prevista no art. 33 do Decretolei n° 1.593, de 1977, com a redação dada pelo art. 52 da Lei n° 10.637, de 29 de agosto de 2002, qual seja, multa igual ao valor comercial da mercadoria, não inferior a RS 1.000,00 (mil reais). NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE.” (Acórdão 30236.775, sessão de 13 de abril de 2005, relatora Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto) Rejeitase com isto os argumentos no sentido da impossibilidade de concomitância de multas sobre uma mesma infração (bis in idem) e/ou da aplicabilidade do princípio da consunção ao caso. Tampouco podem ser acatados em sede de julgamento administrativo, quando aventados, os argumentos acerca da abusividade ou confiscatoriedade da penalidade imposta, ou de afronta a outros princípios, como os da razoabilidade e proporcionalidade, pois cediço que o julgador administrativo é mero aplicador da lei ao caso concreto, e dela não se pode afastar, com base em suposta violação a princípios de ordem constitucional. Tal entendimento hoje encontrase estampado tanto na Súmula CARF nº 2, quanto no art. 62 do atual Regimento Interno do CARF, ambos de observação obrigatória no âmbito deste Colegiado. Com base no acima exposto, entendo legítimo o lançamento da multa isolada sobre as estimativas de IRPJ e CSLL que não tenham sido recolhidas a tempo próprio. Nada obstante todo o quanto acima exposto, não se pode deixar de mencionar que o CARF, em 08/12/2014, editou a Súmula 105, cujo teor é o seguinte: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.350 50 Nestes termos, sendo a súmula de observação obrigatória por parte dos conselheiros, haveria que se reconhecer a improcedência da exigência das multas isoladas que porventura tivessem sido lançadas com fundamento no dispositivo legal expressamente citado no verbete (art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430/1996). Ressalto, contudo, que o dispositivo legal ali citado foi expressamente revogado pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, a qual conferiu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A Lei nº 11.488/2007 não apenas reduziu o percentual da multa (de 75% para 50%) como também alterou a sua hipótese de incidência: a multa deixou de ser exigida sobre o “valor do tributo ou diferença de tributo” — expressão que em grande medida foi relevante (ao menos até antes da Lei nº 11.488/2007) para assentar a jurisprudência do CARF favorável à tese da concomitância — para passar a ser exigida sobre “o valor do pagamento mensal devido”. Ao analisarmos ainda os precedentes que deram origem à referida súmula, editada em dezembro de 2014, vemos que todos (7, ao total) são acórdãos que analisaram a aplicação da multa isolada em anos anteriores à edição da Lei nº 11.488/2007 (mais precisamente, são casos em que se analisou a aplicação da multa isolada sobre estimativas relativas a anos entre 1998 e 2003). Este fato, aliado à expressa menção, na súmula, ao dispositivo legal que então amparava, nos autos de infração lavrados, a exigência da multa isolada, e ao fato de que tal dispositivo encontrase hoje revogado, me conduzem à conclusão de que a Súmula CARF 105 não se presta a amparar a exoneração da exigência das multas isoladas lançadas após a citada alteração legislativa. Tendose em conta que a Lei nº 11.488/2007 foi fruto de conversão da Medida Provisória 351/2007, entendo, portanto, que permanecem hígidas as multas cujos fatos geradores ocorram a partir de 22 de janeiro de 2007, data da publicação da referida Medida Provisória. No caso concreto, portanto, sendo as multas isoladas relativas aos fatos geradores ocorridos no ano de 2009, não tem aplicação ao caso a referida súmula. Por fim, nem mesmo a particularidade de, no presente caso, tratarse de estimativa relativa ao mês de dezembro de 2009, cuja apuração fora feita pelo contribuinte com base em balancete de suspensão, pode servir de argumento suficiente para afastar a aplicação da multa isolada lançada. Consoante todo o quanto exposto, não se pode confundir a estimativa do mês de dezembro com o imposto sobre o lucro real anual apurado no mês de dezembro. São obrigações distintas, tanto que seus prazos de vencimento estabelecidos em lei são também distintos: enquanto a estimativa de dezembro deveria ter sido paga até 31/01/2010, o imposto sobre o lucro real anual de 2009, também apurado ao final de dezembro, deveria ter sido pago até 31/03/2010. Com relação às multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, portanto, igualmente encontrase correto o lançamento efetuado. Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.721507/201331 Acórdão n.º 1201001.382 S1C2T1 Fl. 1.351 51 Pelo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 01/ 04/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por JOAO OTAVIO OPPE RMANN THOME, Assinado digitalmente em 07/04/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 11516.721250/2014-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa - exige-se tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do Decreto-Lei 1.598/77.
Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos.
Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições.
Conquanto o art.38, 2º do Decreto-lei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS.
O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa - exige-se tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do Decreto-Lei 1.598/77.
Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos.
Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições.
Conquanto o art.38, 2º do Decreto-lei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento integral ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Relator Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 12 50 /2 01 4- 05 Fl. 555DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NATUREZA JURÍDICA DE SUBVENÇÃO DE INVESTIMENTO. ESCRITURAÇÃO EM CONTA DE RESULTADO. POSSIBILIDADE DA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. O PN CST nº112/78 extrapolou dos requisitos de caracterização de uma subvenção de investimentos previstos no Decreto 1.578/77, inovando no ordenamento quando deveria apenas explicitar. Não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Dessa forma, é inequívoca a subsunção dos créditos presumidos de ICMS, concedidos no contexto de guerra fiscal, ao conceito de subvenção de investimentos. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, em dar provimento integral ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula. Antônio Carlos Atulim Presidente. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Fl. 556DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 3 3 Tratase de Auto de Infração para cobrança de PIS e Cofins referentes ao período de 01/2011 a 12/2013, decorrente do não recolhimento das referidas contribuições sobre os valores recebidos a título de subvenções governamentais na forma de créditos presumidos de ICMS, em razão do PROGRAMA PRÓEMPREGO, da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina. As razões da autuação, constantes no TVF de fls. 79 a 95 são, em síntese, as seguintes: a) O interessado tem como objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de ventiladores, exaustores, motores elétricos, extrator de sucos, liquidificadores, aquecedores, fornos elétricos, dentre outros. b) O procedimento de fiscalização foi instaurado com vistas a verificar a regularidade do recolhimento do PIS e da COFINS, ampliado posteriormente com a inclusão do Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, incidentes sobre o total da Receita Bruta auferida nos anos calendário de 2011 a 2013. c) Este processo referese a não inclusão, na base de cálculo, da receita bruta do Crédito Presumido do ICMS oriundo do programa PRÓ EMPREGO, da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina. O Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido foram apurados no Processo Administrativo Fiscal n° 11516.722027/201477. d) O crédito do ICMS decorrente do PROGRAMA PRÓ EMPREGO consiste em um benefício fiscal através do qual contribuintes importadores recebiam do Estado de Santa Catarina um crédito do referido tributo no momento em que promoviam a saída das mercadorias importadas de seu estabelecimento, para comercialização, de modo a resultar em uma tributação equivalente a três por cento do valor da operação própria, condicionado a que efetuassem as operações de importação através de portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados situados no Estado de Santa Catarina, e outras obrigações acessórias. e) O referido benefício representa uma subvenção, nos termos dos parágrafos 2º e 3º do art. 12 da Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964. E conforme dispõe a Norma Brasileira de Contabilidade – NBC TG 07, em seu item 3, “subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade.” Em seu item 6, a referida norma dispõe ainda que “a subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc.” Fl. 557DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 f) Na ótica da ciência contábil, especificamente nos termos dos itens 12, 15 e 21 da NBC TG 07, amparada pelas normas internacionais de Contabilidade (IAS 20), as SUBVENÇÕES GOVERNAMENTAIS devem ser reconhecidas pelas sociedades empresárias como RECEITAS DA ENTIDADE, apropriadas ao longo do período em que forem usufruídas, e confrontadas com as despesas que pretende compensar. g) Sob a ótica do Direito tributário, as subvenções recebidas dos entes estatais devem ser tratadas como parte integrante da receita bruta operacional dos contribuintes, conforme determina o art. 44, caput e inciso IV, da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964. h) Pelo exposto, temse que o CRÉDITO DO ICMS objeto do PROGRAMA PRÓEMPREGO, benefício fiscal cuja natureza jurídica é a de subvenção corrente para custeio, deve, portanto, compor a receita bruta operacional da pessoa jurídica beneficiária, em relação à incidência das Contribuições para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS. i) Da análise da escrita contábil da pessoa jurídica, observou se que em nenhum momento as receitas decorrentes do crédito do ICMS, objeto do PROGRAMA PRÓEMPREGO, foram computadas na apuração da contribuição para o PIS e da COFINS, razão pela qual as receitas auferidas em razão desta subvenção foram acrescidas à base de cálculo das contribuições apurada pelo sujeito passivo, para efeito de cálculo dos referido tributos, nos termos do art. 1º da lei nº 10.637/2002 (PIS/PASEP) e do art. 1º da lei nº 10.833/2003 (COFINS). j) A partir da recomposição da base de cálculo acima, a autoridade fiscal constituiu o crédito tributário relativo ao PIS e à COFINS, acrescido de multa e juros de mora. O contribuinte apresentou impugnação de fls. 492506, suscitando, em síntese, que: a) Preliminarmente, a Lei nº 4.320/1964 estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, não se aplicando suas definições à iniciativa privada, muito menos à relação fisco/contribuinte, que tem legislação própria. b) A impugnante é beneficiária do PROGRAMA PRÓ EMPREGO, do Estado de Santa Catarina, onde, para fins de apuração exclusivamente do ICMS, lhe é concedido um crédito presumido do referido imposto, em substituição do método normal de apuração. c) A natureza do ICMS não se altera pelo fato dos créditos que o contribuinte tem direito de se apropriar serem ordinários ou presumidos. Entender o crédito presumido de Fl. 558DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 4 5 ICMS como receita tributável pelo PIS e pela COFINS é ilegal. d) O crédito de ICMS, seja ele ordinário ou presumido, não pode ser equiparado à receita ou faturamento, a servir de base de cálculo para as referidas contribuições. e) Cita o art. 195, inc. I, alínea “b”, da Constituição Federal (permissivo constitucional para criação de contribuições sociais sobre a receita ou o faturamento), Lei Complementar nº 70/1991 (institui a COFINS), Lei Complementar nº 07/1970 (institui o PIS), a Lei nº 9.718/1998 (estabelece que a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento), a Lei nº 10.637/2002 (dispõe sobre a nãocumulatividade do PIS) e a Lei nº 10.833/2003 (dispõe sobre a nãocumulatividade da COFINS). f) Inexiste fundamentos para a exigência do PIS e da COFINS sobre o valor do crédito presumido de ICMS, afrontandose o princípio da legalidade, eis que não há lei específica que preveja o fato gerador considerado pelo Auditor, tampouco normatização contábil que determine igualdade entre o crédito presumido de ICMS e faturamento ou receita, já que estes condizem com à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. g) Cita jurisprudência administrativa e judicial. A impugnação foi julgada improcedente, com base nos fundamentos da autuação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Estando a pessoa jurídica enquadrada no regime de apuração não cumulativa, o crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins, por ser considerado receita operacional decorrente da atividade por ela exercida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2013 BENEFÍCIO FISCAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO. Estando a pessoa jurídica enquadrada no regime de apuração não cumulativa, o crédito presumido do ICMS concedido pelos Estados e pelo Distrito Federal integra a base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à Cofins, por ser considerado receita operacional decorrente da atividade por ela exercida. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls.536551, reiterando as razões da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Tratase de questão já conhecida e debatida pela composição hodierna deste Colegiado, a exemplo do Acórdão 3402002.904. 1. Da inclusão das subvenções na base de cálculo das contribuições para PIS e Cofins. A discussão sobre a inclusão das subvenções na base de cálculo do PIS e da Cofins é dizer, a sua qualificação como receita tributável da pessoa jurídica deve partir de uma propedêutica, posto que necessária, abordagem de sua definição, bem como de suas espécies que atraem tratamentos tributários distintos. Uma definição usualmente evocada ao tratar do tema é aquela proposta por De Plácido e Silva, que afirma ser a subvenção um "auxílio ou ajuda pecuniária que se dá a alguém ou para alguma instituição, no sentido de nos proteger, ou para que se realizem ou cumpram os seus objetivos" (Vocábulo Jurídico, 2ªed. Rio de Janeiro: Forense, s.d., v.IV, p.1492). No mesmo sentido vai o Parecer Normativo CST n.112/78 (que, em rigor, aborda o tratamento tributário das subvenções no âmbito do Imposto de Renda), ao afirmar que "Juridicamente, a subvenção não tem o caráter nem de paga, nem de compensação. É mera contribuição pecuniária destinada ao auxílio ou em favor de uma pessoa, ou de uma instituição, para que se mantenha, ou para que execute os serviços ou obras pertinentes a seu objeto". Legalmente, a lei 4.320/64, que veicula normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle do orçamento dos entes federados conceituou as subvenções no seu art.12, §3º: Art.12. (...) § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a emprêsas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 5 7 Verificase que a lei se refere a subvenções de custeio. E especificamente sobre as subvenções econômicas haja vista que as sociais pouco importam ao caso, por estarem relacionadas a entidades cujas receitas estão tradicionalmente fora do campo da tributação a mesma lei traz em seu art.16 as suas finalidades específicas: II) Das Subvenções Econômicas Art. 18. A cobertura dos déficits de manutenção das emprêsas públicas, de natureza autárquica ou não, farseá mediante subvenções econômicas expressamente incluídas nas despesas correntes do orçamento da União, do Estado, do Município ou do Distrito Federal. Parágrafo único. Consideramse, igualmente, como subvenções econômicas: a) as dotações destinadas a cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Govêrno, de gêneros alimentícios ou outros materiais; b) as dotações destinadas ao pagamento de bonificações a produtores de determinados gêneros ou materiais. Portanto, tornase clara a técnica definitória adotada pela lei 4.320/64 para as subvenções de custeio: por um lado, definea conceitualmente, qualificandoa como uma transferência destinada a cobrir despesas e, conjuntamente, adota critérios finalísticos para essas valores transferidos, devendo serem usados para: i) cobrir déficits de manutenção (para empresas públicas); ii) cobrir a diferença entre os preços de mercado e os preços de revenda, pelo Governo, de diversos materiais; iii) para o pagamento de bonificações a produtores de certos gêneros ou materiais. No Direito Brasileiro, portanto, não basta que haja uma transferência de recursos do Estado para uma empresa para que estejamos diante de uma subvenção de custeio aquela versada definida na lei 4.320/64 sendo necessário não apenas a ajuda pecuniária, mas também as finalidades que a lei determina para tal auxílio. Mais do que isso, há também a necessidade de um interesse público que justifique a concessão de tal subvenção como de resto é exigência de qualquer atuação pública. O tratamento tributário das subvenções para custeio veio na Lei 4.506/64, em seu artigo 44, IV, que prescreve expressamente a inclusão desses valores na receita bruta operacional da empresa: "Art. 44. Integram a receita bruta operacional: (...) IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais." Sobre a adoção da expressão "subvenções correntes", explica Hercília Maria dos Santos Bauer, reproduzindo em parte o Parecer Normativo nº112/78, que: É possível que o legislador tenha utilizado esta locução porque a Lei n.4.320/64 (art.12) estabeleceu que as subvenções são espécies de "Transferências Correntes" (que, por sua vez, são indicadas no orçamento como "Despesas Correntes" da pessoa jurídica de direito público). Daí ter Fl. 561DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 criado o termo subvenções correntes. De todo modo, a Lei vinculou as "subvenções correntes" ao custeio (das atividades do beneficiário), o que nos indica que o legislador utiliza o termo "subvenções correntes" para referirse às subvenções de uma maneira geral, pois todas as subvenções são correntes na medida em que classificadas como uma despesa corrente, e também como uma transferência corrente pela legislação financeira, além de se destinarem, sempre, ao custeio de despesas das entidades beenficiadas.(BAUER, Hercília Maria. A não incidência do Pis e da Cofins sobre valores recebidos a título de subvenção para investimento. In PEIXOTO, Marcelo Magalhães; MOREIRA JÚNIOR, Gilberto de Castro (coord.). PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF, v.III. São Paulo: MP Editora, 2014. P.254) (grifo nosso) Essa tipologia das subvenções se torna mais problemática com a edição do Decretolei n.1.598/77, com a redação alterada pelo Decretolei 1.730/79, que prescreve em seu art.38, §2º: Art.38. (...) § 2º As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Esse decretolei traz uma outra espécie de subvenção, que pode ser concedida não apenas por transferências diretas, como também por incentivos fiscais como isenções ou reduções do tributo de modo geral, desde que concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos atribuindo um regime tributário específico a esta espécie, com a sua exclusão na determinação do lucro real, desde que atendidos os requisitos das alíneas a e b. Observese que novamente o legislador fez uso de uma técnica híbrida de definição, desta feita para a subvenção de investimento: ao lado do elemento conceitual da existência de uma doação ou vantagem econômica, de origem pública, para a empresa, e há novamente um elemento finalístico, relacionado com o objetivo de estimular a implantação ou expansão de empreendimento econômico. Também não deve causar espécie a utilização de diversas técnicas de incentivos fiscais para veicular subvenções de investimento. Independente da clareza da dicção legal, parece correta a observação de Ricardo Lobo Torres: As características principais das subvenções consistem na sua natureza de incentivo financeiro, na necessidade de sua previsão em orçamento e em lei e na discricionariedade de sua entrega pela Administração. No conceito de subvenção, que é indeterminado e multissignificativo, pode ser subsumir, pelas semelhanças que com ela guarda, o de restituiçãoincentivo, isto é, a devolução de tributo como mecanismo de estímulo fiscal. (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de Direito Constitucional Financeiro e Tributário, v.5. Rio de Janeiro: Renovar, 2008. P.463464) Fl. 562DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 6 9 Essa mesma percepção ampliativa do conceito de subvenções para abranger outras técnicas como restituição de tributos, créditos presumidos, isenções etc. é compartilhada pelas melhores doutrinas, a exemplo de Klaus Tipke (Steuerrecht. Colônia: Otto Schmidt, 1985, p.137), que denominaas de subvenções dissimuladas, encobertas, invisíveis ou indiretas (verschleierte, verdeckte, unsichtbare oder indirekte Subventionen), além dos americanos Stanley S. Surrey e Paul McDaniel (Tax Expenditures. Cambridge: Havard University Press, 1985. P.1), que denominam essa subvenção tributária de Tax Expenditures, incentivos sediados na receita, e não na despesa. Em síntese, a legislação tributária determina que as subvenções correntes de "custeio ou de operação" o uso de um aposto explicativo denota a intenção do legislador de restringir o gênero "subvenções correntes" às espécies "de custeio" e "de operação", que entendo terem sido adotadas como sinônimas, pela dicção do art.18 da lei 4.320/64 serão incluídas no lucro real, compondo receita bruta operacional, ao passo que as subvenções correntes de investimento serão excluídas do lucro real e creditadas como reserva de capital, na forma do art.38, §2º e alíneas do DecretoLei 1.598/77. A despeito dos elementos que compõem o desenho jurídico dessas duas espécies de subvenções, a Receita Federal exarou o Paracer Normativo CST nº112/78, versando sobre a apuração do lucro operacional das empresas e, neste mister, acrescentando novos contornos às tais subvenções. No item 2.11 há uma nova definição de subvenção de investimento: 2.11 Uma dos fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendose um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST Nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. Vejase que há aqui verdadeira inovação legal, escorada em dois pareceres normativos pretéritos, como se depreende da consolidação de conclusões desse parecer: I As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram o resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional; II SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO são as que apresentam as seguintes características: a) a intenção do subvencionador de destinálas para investimento; Fl. 563DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 b) a efetiva e específica aplicação da subvenção, pelo beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado; e c) o beneficiário da subvenção ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. III As ISENÇÕES ou REDUÇÕES de impostos só se classificam como subvenções para investimento, se presentes todas as características mencionadas no item anterior; IV As SUBVENÇÕES, PARA INVESTIMENTO, se registradas como reserva de capital não serão computadas na determinação do lucro real, desde que obedecidas as restrições para a utilização dessa reserva; Onde havia inicialmente apenas uma finalidade específica de estímulo qualificando a classe das subvenções foram incluídos diversos outros requisitos exigindo que os valores recebidos sejam destinados à aplicação em bens e direitos que comporão o ativo da empresa. Tratase, sem dúvida, de um elaborado parecer, mas que esbarra na inescapável legalidade, haja vista que não possui nenhum respaldo normativo formal os critérios elencados pela Receita Federal mais ainda, o DecretoLei 1.598/77 não fala em momento algum a respeito do modo como deverá ser aplicada a subvenção, muito menos restringindoa da forma como o PN CST nº112/78 fez. Percebeu bem a erronia do Parecer o ilustre Bulhões Pedreira, em trechos de singular obra que bem pontuam as falhas fatais do entendimento da Receita Federal: A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimentos ou doações para aumentar o capital de giro próprio. (...) O PNCST n.112/78 interpreta restritivamente a expressão subvenção para investimento, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira. (BULHÕES PEDREIRA, José Luiz. Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas, v.II. Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979. P.403 404.) (grifos nossos) Tenho comigo a convicção, de solar clareza de que o PN CST nº112/78 atua inauguralmente na ordem jurídica, acrescentando elementos caracterizadores das subvenções de investimento que não podem ser inferidos logicamente ou sistematicamente à partir do DecretoLei 1.598/77 e, assim, escanteando a legalidade que deve ser observada na configuração das espécies de subvenção. Dito isto, calha lembrar que os Pareceres Normativos não exercem qualquer tipo de força normativa formal sobre este Colegiado não está abrangido nas hipóteses de observância obrigatória do art.45, VI e art.62 da Portaria MF nº343/2015 (RICARF). A lei, ao contrário, é de observância e aplicação vinculante por força do caput do art.62 do mesmo regimento. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 7 11 Em suma, entendemos que não há exigência legal de aplicação dos recursos recebidos a título de subvenção de investimento na composição do ativo permanente da empresa exigese tão somente que a subvenção tenha sido concedida como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, na forma estipulada no art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77. Qualquer interpretação que discrepe disto parece ofender não apenas o art.62 do RICARF, mas também o art.111 do Código Tributário Nacional, haja vista que, ainda que o gasto tributário não seja necessariamente uma isenção, o seu regime jurídico deve ser próximo ao desta, pela similaridade de efeitos incluindo aí os dispositivos acerca de sua aplicação. Corroborando a exegese acima proposta, há diversos precedentes no âmbito do CARF e dos Tribunais Superiores, a exemplo do Acórdão 910100.566, julgado pela CSRF em 17/05/2010, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999, 2000, 2001 Ementa: SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. RESTITUIÇÃO DE ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CARACTERIZAÇÃO. CONTRAPARTIDA. NÃO VINCULAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS RECURSOS. A concessão de incentivos às empresas consideradas de fundamental interesse para o desenvolvimento do Estado do Amazonas, dentre eles a restituição total ou parcial do ICMS, notadamente quando presentes a i) intenção da pessoa jurídica de Direito Público em subvencionar determinado empreendimento e o ii) aumento do estoque de capital na pessoa jurídica subvencionada, mediante incorporação dos recursos no seu patrimônio, configura outorga de subvenção para investimentos. O conjunto de obrigações assumidas pela beneficiária, em contrapartida ao favor fiscal, não configura aplicação obrigatória dos recursos transferidos. Parece bem desenhado na jurisprudência do CARF (e.g. Acórdãos 1202 000.921, julgado em 07/01/2013, e 10709.492, julgado em 17/09/2008) o afastamento do requisito de vinculação da subvenção à aquisição de ativos. Uma vez esclarecidos os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, resta afastar algum argumento remanescente que pretenda incluílo no rol de receitas tributáveis pelo PIS e a Cofins. Para isto, peço vênia para citar o esclarecido voto do ilustre Conselheiro Marcos Shigueo Takata, no acórdão nº. 110300.555, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção: Como elucida o mestre Bulhões Pedreira (cf. seu Finanças e Demonstrações Financeiras da Companhia, Rio: Forense, 1989, pp. 242 a 245), a maioria dos fluxos financeiros é criada por atos de troca ou por atos de transferência. Nos atos de transferência, há um único fluxo financeiro, sem contrapartida de outro em sentido oposto, ou seja, aqueles causam curso de bens entre patrimônios num único sentido. Os atos de transferência podem gerar fluxos de renda e fluxos de capital (assim como os atos de troca podem geram ambos os fluxos). Vale dizer, as duas categorias de fluxos financeiros – transferências de renda e transferências de capital – podem ser geradas por atos de transferência. Esclarece Bulhões Pedreira: Fl. 565DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Transferência de capital é o fluxo financeiro criado por ato patrimonial de que resulta o deslocamento de capital do patrimônio de uma pessoa com o fim de acrescer ao estoque do capital de outra. O capital pode ser transferido com o fim de integrar o patrimônio líquido da outra pessoa (como nos casos de doação, subvenções para investimento, subscrição do capital social de sociedade), ou sem essa destinação (como nos casos de empréstimo e sua restituição, subscrição e pagamento de debêntures, ou pagamento de obrigação nascida de ato ilícito). A forma jurídica do negócio nem sempre é suficiente para classificar o fluxo financeiro como transferência de renda ou de capital. (...) depende da intenção de quem cria a transferência... (grifamos, op. cit., p. 247) E, como casos de transferência de renda, são descritas, entre outras, as doações ou subvenções para despesas ou custeio, os lucros distribuídos por pessoas jurídicas (op. cit., p. 245). Daí que o art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A. (de cujo anteprojeto de lei Bulhões Pedreira foi um de seus autores), antes da alteração promovida pela Lei 11.638/07, é claro ao determinar que as subvenções para investimento não são registráveis contabilmente como receita, mas como reservas de capital (no patrimônio líquido): Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º. Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) o prêmio recebido na emissão de debêntures; d) as doações e as subvenções para investimento. Na lógica e na inteligência da Lei de S.A., ao tratar do direito contábil, as subvenções para investimento e as doações não são registráveis como receita, mas como reservas de capital no patrimônio líquido, por representarem transferências de capital, e não transferências de renda (muito menos pagamento de renda). E o que determina se as transferências (fluxos financeiros num único sentido) são de renda ou de capital? A intenção do doador ou do subvencionador. Se a intenção ou propósito de quem transfere os recursos é para subvencionar empreendimentos, aumentando Fl. 566DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 8 13 o estoque de capital do subvencionado, estamos diante de transferência de capital, e, pois, de subvenção para investimento. No caso de doação, se a intenção ou propósito é de doação para investimento (inversão de capital), aumentando o estoque de capital do donatário, também estamos diante de transferência de capital – são as doações de capital. (...) Pois bem. E como se manifesta a intenção do subvencionador de investimentos? No caso do Poder Público, principalmente através de estímulos à consecução de empreendimentos, pelo mecanismo de incentivos fiscais. É do étimo de subvenção socorrer, ajudar (subventio, subveniere). Por isso, De Plácido e Silva, quando define subvenção, fala em auxílio, ajuda pecuniária a alguém. Quer dizer, se um incentivo fiscal é concedido sob a “condição” de instalação, expansão ou ampliação de empreendimentos, o custo econômico desse incentivo representa uma subvenção para investimento. A caracterização de subvenção para investimento não se dá pela vinculação dos recursos recebidos aos empreendimentos, no sentido de destinação dos recursos a esses investimentos. Isso se ocorrer, constitui elemento acidental: o cerne é o que descrevi acima para configuração de subvenção para investimento. Com a devida vênia, subvenção para investimento não depende da vinculação no sentido de destinação dos recursos, por três razões básicas. Primeiro porque, ordinariamente, o beneficiário primeiro aplica seus recursos, para a realização dos empreendimentos, para depois passar a receber a subvenção para investimento. Basta pensar naquele que resolveu instalar sua fábrica em determinado Estado, por conta da subvenção para investimento na forma de incentivos fiscais. É evidente que só receberá os recursos da subvenção, após ter aplicado seus recursos próprios (ainda que obtidos mediante financiamento). Mesmo nos casos de ampliação de empreendimentos já existentes em certo Estado, o que se dá, em geral, é a aplicação de recursos próprios, e depois o recebimento dos recursos de subvenção para investimento. Segundo porque o aumento de estoque de capital como evidência da intenção de subvencionar investimento não depende da destinação dos recursos aos empreendimentos. Depende (aumento de estoque de capital) certamente da intenção de se subvencionar investimento (empreendimento), geralmente expressa (a intenção) por meio de estímulos ao investimento quando a subvenção se dá através de incentivos fiscais. Noutras palavras, nem o art. 38, § 2º, do Decretolei 1.598/77 prevê referida destinação dos recursos, ao tratar de subvenção para investimento para fins de IRPJ sob regime de lucro real tampouco o direito contábil (art. 182, § 1º, “d”, da Lei de S.A.). Terceiro, que não deixa de ser um desdobramento das duas razões citadas, porque o dinheiro não “se carimba”, não é possível se “carimbálo”. Aliás, no caso de subvenção para investimento por meio de incentivos fiscais, em geral nem se recebe dinheiro, mas outro ativo. No mesmo sentido, vejase no Manual de Contabilidade da Fipecafi, de autoria dos eruditos contabilistas Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Rubens Gelbcke: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 No caso de subvenção para atender a despesas de custeio (cobertura de prejuízos, déficits), seu registro deve ser como receita do exercício. Então, tal receita deve ser registrada separada e destacadamente do resultado das operações normais. Em relação às empresas privadas, as subvenções para investimentos mais comuns, dentro da acepção legal ainda existente, são as na forma de devolução, isenção ou redução de impostos devidos pela empresa. (...) Tratandose de subvenções destinadas a investimentos (expansão empresarial), são creditadas diretamente nessa conta de Reserva de Capital – Doações e Subvenções para Investimentos – para a qual a empresa deve ter subcontas por natureza de subvenção recebida. (grifamos) Também prescrevendo a intributabilidade das subvenções de investimento pelas contribuições sociais e pelo IRPJ, temos o art.443 do RIR/99 (que reproduz o conteúdo do DecretoLei nº1.598/77) e a Lei 11.941/09, in verbis: Lei 11.941/09 Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Portanto, entendo que as subvenções de investimento, desde que registradas na conta de Reserva de Capital, atendendo ao art.38, 2º do DecretoLei 1.598/77, não se qualifica como receita, estando foram do âmbito de incidência das contribuições sociais em comento. Além dos argumentos acima esgrimidos, vejo como contrária à forma de Estado Federal a possibilidade de um ente federado tributar o incentivo fiscal subvencionador concedido por outro a despeito de possíveis implicações relacionadas à guerra fiscal entre os Estados. As limitações às interações federativas vão para muito além da configuração da imunidade recíproca não é a toa que a melhor doutrina tributária sustenta que essa imunidade existiria independente de manifestação constitucional expressa, mas tãosomente por implicação lógica da forma federativa de Estado. Fl. 568DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 9 15 Entendo que permitir à União tributar um crédito presumido de ICMS recebido por um contribuinte, como se receita fosse, implica em aceitar que um ente federado por interferir na política fiscaleconômica de outro entes, isto é, restringir a utilização de técnicas fiscais com finalidades indutoras. A União tributar onde o Estado isentou (ou concedeu algum benefício fiscal) é o mesmo que a União isentar (ou conceder benefício fiscal) onde o Estado tributou a chamada isenção heterônoma, vedada pelo sistema constitucional tributário, no art.151, III da CF. A aplicação dessa vedação à primeira hipótese me parece mister da coerência com que devem ser interpretadas as normas tributárias ubi eadem ratio ibi eadem dispositio. Elucidados extensivamente tanto a configuração jurídica das subvenções de investimento quanto a sua qualificação contábil e regime tributário, resta verificar se as subvenções percebidas pela Recorrente se adequam às ilações pretéritas. Poir bem, o Estado de Santa Catarina instituiu o Programa PRÓEMPREGO, através da Decreto nº105/2007, que estipula como condição para que o empreendimento goze de benefícios fiscais o atendimento de diversas condições (fls.141/143). O contribuinte teve seu deferimento de ingresso ao regime especial através da Resolução 99/2009 de fls. 141147. A referida resolução concedeu ao contribuinte, dentre outros, o benefício fiscal através do qual recebe um crédito de ICMS no momento em que promove a saída das mercadorias importadas de seu estabelecimento, para comercialização, de modo a resultar em uma tributação equivalente a 3% (três por cento) do valor da operação própria, desde que efetue as operações de importação através de portos, aeroportos e pontos de fronteira alfandegados situados no Estado de Santa Catarina, além de diversos investimentos e geração de empregos. O programa instituído tem finalidades extrafiscal clara e incontroversa de atrair investimentos para o Estado, viabilizando a instação de empreendimentos diversos em seu território. É o que depreende, por exemplo, da Resolução que deferiu o pedido de ingresso no regime, trazendo o rol dos investimentos que devem ser feitos (fl.142): Fl. 569DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 Ou seja, exige a implantação do empreendimento econômico tal qual exigido pelo caput do art.38 do DecretoLei 1598/77. Frisese que as cláusulas da Resolução acostada aos autos demonstram a consolidação dessa relação de reciprocidade entre a Recorrente e o Estado de Santa Catarina este concede a subvenção em contrapartida da implantação de empreendimento econômico por aquele o protocolo é literal nesta relação. É absolutamente clara a natureza de subvenção de investimento. Ora, é cediço e bem conhecido por todos o mecanismo da guerra fiscal, que se manifesta através da concessão de benefícios fiscais unilaterais no âmbito do ICMS os Estados não procuram, com seus incentivos, custear as empresas nos moldes do art.18, lei 4.320/64, mas sim atrair a implantação de estabelecimentos industriais e comerciais em seu território, aumentando sua arrecadação e gerando incremento de desenvolvimento regional. Esta intenção de atração de investimentos e implantação/expansão de empreendimentos econômicos através de benefícios fiscais unilaterais de ICMS é fato notório que sequer necessitaria de prova neste processo, por força do art.334, I do Código de Processo Civil. Subsidiariamente, ainda que não se reconheça a natureza de subvenção para investimentos, há que se convir que se trata de uma mera redução de custos da empresa na sua atividade, devolvendo parte do ICMS que deveria pagar na forma de crédito presumido, o que de resto afasta a incidência das contribuições em comento. Quanto à contabilização das subvenções, a própria autoridade fiscal reiteradas vezes reconhece que se trata de uma conta de resultado, mas nega a possibilidade de exclusão do valor da subvenção por negarlhe a natureza de subvenção de investimento com base no PN CST nº112/78. É dizer, nega aplicabilidade do art.21 da lei 11.941/09: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS. (Vide Medida Provisória nº 627, de 2013) (Vigência) (Vide Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I – o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; Uma vez verificado que a subvenção em questão é, sim, uma subvenção de investimento, tornase matemática a conclusão que a opção do Recorrente pela sua escrituração em uma conta de resultado lhe dá o direito de excluir esses valores da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Se o legislador ordinário vinculou a não tributação das subvenções de investimento pelo IRPJ e pela CSLL à manutenção de tais valores em conta de reserva de incentivos fiscais, o mesmo não foi estipulado para a exclusão desses valores das bases de cálculo das contribuições. Conquanto o art.38, 2º do Decretolei 1.598/77 traga os elementos caracterizadores da subvenção de investimento, da sua redação resta claro que as alíneas trazem Fl. 570DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 11516.721250/201405 Acórdão n.º 3402003.042 S3C4T2 Fl. 10 17 requisitos para o seu não cômputo na apuração do Lucro Real, nada dizendo acerca do PIS e da Cofins, estes regidos pelo art.21 da Lei 11.941/09. Em síntese, as subvenções de investimento instituídas no âmbito do PRÓ EMPREGO podem ser excluídas da base de cálculo das contribuições desde que escrituradas em conta de resultado, o que se deu no caso concreto. Diante do exposto, voto por dar PROVIMENTO INTEGRAL do Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Relator Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 571DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 13/0 5/2016 por CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO, Assinado digitalmente em 21/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13053.000042/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONTRAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Uma vez demonstrado o vício de contradição existente entre o enunciado da ementa e o dispositivo do acórdão recorrido, acolhe-se os embargos de declaração, para retificar o enunciado da ementa, conferindo-lhe redação em consonância com fundamento do voto condutor do julgado.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3302-003.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o enunciado da ementa do acórdão embargado, sendo reconhecido o direito à correção monetária a partir da data da ciência do despacho decisório correspondente.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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EXISTÊNCIA DE VÍCIO DE CONTRAÇÃO. ACOLHIMENTO. Uma vez demonstrado o vício de contradição existente entre o enunciado da ementa e o dispositivo do acórdão recorrido, acolhese os embargos de declaração, para retificar o enunciado da ementa, conferindolhe redação em consonância com fundamento do voto condutor do julgado. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, para retificar o enunciado da ementa do acórdão embargado, sendo reconhecido o direito à correção monetária a partir da data da ciência do despacho decisório correspondente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 42 /2 00 9- 13 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, com o objetivo suprir suposto vício contradição contido no acórdão nº 3102001.040, de 02 de junho de 2011 (fls. 135/156), em que, por unanimidade de votos, decidiram os membros da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta Seção, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, “para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceuse, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos”. Os fundamentos do referido julgado encontramse resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPEDIMENTO REGIMENTAL DO CARF. Nos termos da Súmula nº 2 do CARF, esta instância administrativa não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8º, §3º, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. EMPREGO Na vigência da Lei nº 10.925, de 2004, os créditos presumidos apurados na aquisição de insumos empregados na produção de alimentos só podem ser empregados para dedução das contribuições devidas. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, Fl. 191DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3302003.125 S3C3T2 Fl. 191 3 dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues, a ele tocando parte da quantidade produzida. Nesse caso, o valor do crédito a que faz jus a pessoa jurídica será proporcional à parcela da produção que efetivamente lhe couber. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, § 4º, da Lei n.9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Tempestivamente, em 23/1/2015, a recorrente apresentou os embargos de declaração de fls. 182/183, em que, em relação ao termo inicial de incidência da taxa Selic, alegou contradição entre o dispositivo do acórdão e o enunciado da sua ementa e do fundamento do voto condutor do julgado. Segundo a embargante, enquanto dispositivo fixara o termo inicial de incidência da taxa Selic a partir da data da ciência do despacho decisório, os dispositivo e fundamento fixaram a data de incidência da taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 187/189, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), o então presidente da 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, reconheceu a procedência do alegado vício de contradição e determinou que este Conselheiro colocasse os autos em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração. Conforme delineado no relatório precedente, em relação ao termo inicial de atualização do crédito presumido do IPI, com base na variação da taxa Selic, reconhecido no julgado embargado, a recorrente alegou a existência de contradição entre o dispositivo do acórdão e o enunciado da ementa do acórdão e do fundamento do voto condutor do julgado. Segundo a embargante, enquanto o dispositivo fixara o termo inicial da atualização pela taxa Selic a partir da data da ciência do despacho decisório, o enunciado da ementa e voto condutor do julgado fixaram a data da incidência da taxa Selic a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 4 Assiste razão à recorrente, conforme evidenciado nos excertos extraídos do referido julgado, que, para facilitar a compreensão, seguem transcritos: TRECHO EXTRAÍDO DO VOTO: Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência parcial dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, ora ampliados, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir do primeiro despacho que impôs as glosas ora rechaçadas, conforme orientação constante no REsp n º 1.035.847 – RS, julgada sob os efeitos do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. (grifos não originais) TRECHO EXTRAÍDO DO ENUNCIADO DA EMENTA: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir do protocolo deste. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. (grifos não originais) TRECHO EXTRAÍDO DO DISPOSITIVO DO ACÓRDÃO: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à apuração de créditos pela sistemática não cumulativa sobre os insumos aplicados pela recorrente em relação de parceria, na qual o bem produzido pela parceira retorna ao processo produtivo daquela, limitados ao valor do débito incorrido em cada período de apuração. Reconheceuse, outrossim, a correção dos créditos ora deferidos partir da data da ciência do despacho decisório. Os conselheiros Ricardo Rosa, Paulo Celani e Luis Marcelo Castro acompanharam o relator pelas conclusões, no que se refere à correção monetária dos créditos. (grifos não originais) Do simples cotejo dos textos em destaque, fica evidenciado a existência do vício de contradição suscitado pela recorrente. E diante dessa constatação, entende este Relator que deve prevalecer o dispositivo da decisão, porque, em consonância com o entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a descaracterização da natureza escritural do crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade ou de benefício fiscal somente se efetiva por meio de ato denegatório do referido crédito, proferido pela autoridade administrativa, dando origem a necessidade da atualização monetária, com base na variação da taxa Selic, sob pena de enriquecimento sem causa da União. Nesse sentido o entendimento esposado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, cujo enunciados da ementa seguem transcritos: Fl. 193DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3302003.125 S3C3T2 Fl. 192 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Grifos não originais No julgamento do REsp 1.115.099/SC, o referido entendimento foi reafirmado e, em aditamento, ficou esclarecido que "não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos da titularidade do contribuinte, conforme enunciados da ementa que seguem reproduzidos: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO ESCRITURAL PRESUMIDO. ART. 1º, DA LEI N. 9.363/96. CORREÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE DEMORA DO FISCO EM Fl. 194DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 6 LIBERAR TAIS CRÉDITOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM DISSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. PRECEDENTES DA PRIMEIRA E SEGUNDA TURMAS. 1. Cuidase de demanda em que a empresa, ora recorrida, objetiva a correção monetária de valores ressarcidos administrativamente a título de IPI (crédito presumido de IPI), de que trata o art. 4º da Lei 9.363/96. 2. O Tribunal de origem entendeu devida a correção monetária, por meio da taxa SELIC, dos valores de crédito presumido de IPI após decorridos cento e cinquenta dias da formulação do pedido de ressarcimento. Consignou que, embora a impetrante não requeira ordem para que haja análise do pedido administrativo, a incidência de atualização dos créditos está intimamente ligada aos limites de atuação da Fazenda. 3. A jurisprudência do STJ é no sentido de que, em se tratando de créditos escriturais de IPI, só há autorização para atualização monetária de seus valores quando há demora injustificada do Fisco para liberar o pedido de ressarcimento. Tema que já foi julgado pelo regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 4. No entanto, não se enquadra na hipótese excepcional a simples demora na apreciação do requerimento administrativo de restituição ou compensação de valores, sobretudo quando não há prova da existência de impedimento injustificado ao aproveitamento dos créditos titularizados pelo contribuinte. Precedente: REsp 985.327/SC, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, julgado em 4.3.2008. 5. Recurso Especial provido. (REsp 1115099/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/03/2010, DJe 26/03/2010) Grifos não originais Da mesma forma, tem se manifestado a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), conforme enunciado da ementa do julgado que segue transcrito: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO. CORREÇÃO MONETÁRIA. DEFINIÇÃO DO ÍNDICE, PERÍODO, MONTANTE. QUESTÕES INFRACONSTITUCIONAIS OU QUE DEPENDEM DE PROVA. CRÉDITO ESCRITURADO EXEDENTE. CORREÇÃO INDEVIDA. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA DO ESTADO EM RECONHECER CRÉDITOS EM FAVOR DO CONTRIBUINTE. SITUAÇÃO DIVERSA. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. EMBARGOS ACOLHIDOS PARCIALMENTE. I Discussão sobre definição do índice de correção monetária, período de incidência e fixação do valor devido. Questões infraconstitucionais ou que dependem da análise de provas. II Correção monetária. Créditos escriturais excedentes. Questão constitucional. Correção monetária indevida. Benefício fiscal que só pode ser concedido pelo Poder Legislativo. Inexistência de ofensa aos postulados da não cumulatividade e da isonomia. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 13053.000042/200913 Acórdão n.º 3302003.125 S3C3T2 Fl. 193 7 III Correção monetária. Créditos escriturais não utilizados no tempo devido por ilegítima resistência do Estado. Questão constitucional diversa do item anterior. Correção monetária devida durante o período de oposição do Estado. IV Entendimentos aplicáveis ao ICMS e ao IPI. V Embargos de declaração acolhidos parcialmente para, mantendo a parte dispositiva do acórdão, sanar os vícios alegados.(RE 411861 AgRED, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 01/06/2010, DJe116 DIVULG 24062010 PUBLIC 25062010 EMENT VOL0240704 PP00810 LEXSTF v. 32, n. 380, 2010, p. 192 196) Da leitura dos enunciados das ementas dos referidos julgados, fica evidenciado que o direito de atualizar o crédito escritural, incluindo o crédito presumido do IPI, com base na variação da taxa Selic, somente surge a partir da data da prolação do ato denegatório do direito do crédito escritural pleiteado pelo contribuinte, exarado pelo autoridade competente da Administração tributária. E como o julgamento do REsp nº 1.035.847/RS foi proferido sob o regime do recurso repetitivo, por força do art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 20 15, os integrantes deste Conselho estão obrigados replicar nos seus julgados o entendimento esposado no referido REsp. No caso, como primeiro da Administração tributária que indeferiu o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI, objeto presentes dos autos, foi o despacho decisório proferido pela autoridade julgadora da unidade da Receita Federal de origem, logo, somente a partir da data da ciência do referido despacho é que surge o direito da recorrente à atualização monetária do valor do crédito deferido no acórdão embargado. Com base nessas considerações, acolhese os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, para retificar o enunciado da ementa do acórdão embargado, que passará a ter a seguinte redação: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. Incide a correção monetária sobre os pedidos de ressarcimento, a partir da data da ciência do despacho decisório proferido pelo titula da unidade da Receita Federal de origem. Preservação do direito à propriedade e vedação ao enriquecimento sem causa. Inteligência do art. 108 do CTN. TAXA SELIC. Deverá ser observada a taxa SELIC, em analogia ao art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96. Precedentes da CSRF. Por todo o exposto, votase pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional, para retificar o enunciado da ementa, que passará a ter a redação acima explicitada, e ratificar dispositivo do acórdão embargado. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 196DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A 8 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 15 /04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROS A
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Numero do processo: 10715.006254/2010-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/05/2008, 22/05/2008
ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito.
Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/05/2008, 22/05/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010.
Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
HENRIQUE PINHEIRO TORRES - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/05/2008, 22/05/2008 ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL. COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação - após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicou-se a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescente-se, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 01/05/2008, 22/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte.
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COMPROVAÇÃO DA DIVERGÊNCIA. Os requisitos de admissibilidade do recurso especial exigem que se comprove a divergência jurisprudencial consubstanciada na similitude fática entre as situações discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, com decisões distintas; que tenham sido prolatadas na vigência da mesma legislação, que a matéria tenha sido prequestionada, que o recurso seja tempestivo e tenha sido apresentado por quem de direito. Justamente, o que ocorreu no caso sob exame, onde há similitude fática entre as situações discutidas no recorrido e no paradigma, a saber: exigência da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. As decisões foram proferidas na vigência da mesma legislação após as alterações introduzidas pela Lei 12.350, de 2010. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/05/2008, 22/05/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 62 54 /2 01 0- 19 Fl. 350DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 351 2 advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350/2010. Recurso Especial do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do recurso especial. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que não conheciam, e, no mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente HENRIQUE PINHEIRO TORRES Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3803006.279, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida e o sujeito passivo apresentou Contrarrazões. É o relatório, em síntese. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 352 3 Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.553, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.000019/201033 , paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.553): "O recurso é tempestivo e, como será demonstrado linhas abaixo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser conhecido. De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma nº 3802001.128, de 28/06/2012, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, são as mesmas, a saber: a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese, ainda, que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Mais uma vez, ressaltese que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Frisese que, tanto no paradigma quanto no recorrido, enfrentouse a aplicação da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras relativas ao descumprimento do Fl. 352DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 353 4 prazo estabelecido para prestar as informações, a que alude o dispositivo legal acima transcrito, sendo que, no paradigma, afastouse a possibilidade de aplicação da denúncia espontânea a esse tipo de infração. Para tanto, o Colegiado buscou arrimo no Código Tributário Nacional, desprezando, completamente, em seus fundamentos, a novel legislação. Já no acórdão recorrido, tanto o CTN quanto a nova redação do § 2º do art. 102 do Decreto Lei 37/1966 foram utilizados para arrazoar a decisão que aplicou a denúncia espontânea à infração aqui sob exame. Todavia, o fato de o paradigma não ter consignado, em seus fundamentos, a alteração do § 2º do DL 37/66, ocorrida em 2010, não impede a configuração do dissenso, pois não são os fundamentos adotados pelo colegiado que configuram a divergência. No caso, diante de uma mesma penalidade e de julgamentos com resultados opostos (do recorrido e do paradigma), ambos realizados na vigência dos mesmos dispositivos legais, entendo presentes os requisitos necessários à comprovação da divergência jurisprudencial. Atendidos, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 354 5 O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 354DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 355 6 e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 355DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 356 7 infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá Fl. 356DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 357 8 mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.006254/201019 Acórdão n.º 9303003.775 CSRFT3 Fl. 358 9 [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 358DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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