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Numero do processo: 11080.725358/2011-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
Tratando-se de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária.
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO.
Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga, passíveis de serem enquadrados como custos de produção.
Recurso voluntário parcialmente provido
Numero da decisão: 3402-003.064
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto à reversão da glosa relativa ao material de expediente. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; (ii) por maioria de votos, deu-se provimento para reverter as glosas discriminadas na planilha II do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, quanto material de expediente e EDI, veículos locados, vigias e seguranças, despesas viagens com cargas, serviço de escolta, aluguel de automóveis, monitoramento via satélite, rede interna van, telefones dos motoristas, condomínio, taxas rodoviárias, indenizações, manutenção e desenvolvimento de software, bens não imobilizados, aluguel de software, serviços de rastreamento, peças e acessórios e despachos aduaneiros. O Conselheiro Jorge Freire ressaltou, ainda, que no seu entender deveria ter sido dado conhecimento à Procuradoria da Fazenda Nacional do Parecer Jurídico juntado aos autos. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter a glosa sobre vale pedágio (pedágio de terceiros) e despesas diversas. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao material de expediente, EDI, vigias e seguranças, despesas de viagens com cargas, escolta, monitoramento via satélite, rede interna van, telefone de motoristas, condomínio e taxas rodoviárias, manutenção e desenvolvimento de software, aluguel de software e rastreamento. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula quanto a veículos locados, despesas de depreciação, indenização por falta de mercadoria, despesas viagens com cargas, indenização por avaria, aluguel de automóveis, rede interna van, taxa rodoviária e indenizações. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento em maior extensão para reverter a glosa sobre gastos com telefonia fixa. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas sobre vale pedágio (terceiros) e quanto à telefonia fixa. Em face na nova redação do art. 42, § 2º do RICARF, introduzida pela Portaria MF nº 151, de 03/05/2016, o colegiado reviu a declaração de impedimento da Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, entendendo que ela poderia participar do julgamento, uma vez que prestara serviços ao contribuinte há mais de cinco anos. Sustentou pela recorrente o Dr. Paulo Vasconcellos Chaves, OAB/RS 8.656.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do imposto sobre produtos industrializalizados (IPI) e mais restrito do que aquele da legislação do imposto sobre a renda (IRPJ), abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. TRANSPORTE DE CARGA. DIREITO AO CRÉDITO. Estão aptos a gerarem créditos das contribuições os bens e serviços aplicados na atividade de transporte de carga, passíveis de serem enquadrados como custos de produção. Recurso voluntário parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: (i) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à reversão da glosa relativa ao material de expediente. Vencidos os Conselheiros Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Designado o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra; (ii) por maioria de votos, deuse provimento para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 53 58 /2 01 1- 83 Fl. 1625DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 reverter as glosas discriminadas na planilha II do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Jorge Freire, quanto material de expediente e EDI, veículos locados, vigias e seguranças, despesas viagens com cargas, serviço de escolta, aluguel de automóveis, monitoramento via satélite, rede interna van, telefones dos motoristas, condomínio, taxas rodoviárias, indenizações, manutenção e desenvolvimento de software, bens não imobilizados, aluguel de software, serviços de rastreamento, peças e acessórios e despachos aduaneiros. O Conselheiro Jorge Freire ressaltou, ainda, que no seu entender deveria ter sido dado conhecimento à Procuradoria da Fazenda Nacional do Parecer Jurídico juntado aos autos. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que deu provimento em maior extensão para reverter a glosa sobre vale pedágio (pedágio de terceiros) e despesas diversas. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro Bezerra quanto ao material de expediente, EDI, vigias e seguranças, despesas de viagens com cargas, escolta, monitoramento via satélite, rede interna van, telefone de motoristas, condomínio e taxas rodoviárias, manutenção e desenvolvimento de software, aluguel de software e rastreamento. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula quanto a veículos locados, despesas de depreciação, indenização por falta de mercadoria, despesas viagens com cargas, indenização por avaria, aluguel de automóveis, rede interna van, taxa rodoviária e indenizações. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro que deu provimento em maior extensão para reverter a glosa sobre gastos com telefonia fixa. Vencido o Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto, que deu provimento em maior extensão para reverter as glosas sobre vale pedágio (terceiros) e quanto à telefonia fixa. Em face na nova redação do art. 42, § 2º do RICARF, introduzida pela Portaria MF nº 151, de 03/05/2016, o colegiado reviu a declaração de impedimento da Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, entendendo que ela poderia participar do julgamento, uma vez que prestara serviços ao contribuinte há mais de cinco anos. Sustentou pela recorrente o Dr. Paulo Vasconcellos Chaves, OAB/RS 8.656. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Porto Alegre/RS, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança de Contribuição ao PIS e de COFINS não cumulativas, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 148 – 159 e 160 – 171, respectivamente). Tal autuação versa, em apertada síntese, sobre apropriação indevida de créditos das citadas Contribuições, por não se enquadrarem no Fl. 1626DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 112 3 conceito de insumo, no importe de R$ 3.473.412,52 (PIS) e R$ 15.998.748,79 (COFINS), incluídos principal, juros de mora e multa no percentual de 75%. Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: A constatação das irregularidades fiscais e do lançamento decorreu da análise do balancete e da DACON do período de junho a dezembro de 2006, na qual foi constatada a falta de tributação sobre valores de receitas e de utilização indevida de valores para gerar créditos das contribuições, já que não se enquadram dentro do conceito de insumo ou que não poderiam ser utilizados como tal a partir de certa data, contido nas legislações do PIS e da COFINS nãocumulativos, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls.154/156, no caso do PIS não cumulativo, e de fls.166/168, no caso da COFINS nãocumulativa. Irresignada, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade parcial [sic], de fls.180 a 249. Nesta, começa fazendo um histórico da empresa, apresentando seus objetivos e o seu desenvolvimento desde sua criação, bem como um histórico resumido do presente processo, que culminou com o lançamento fiscal em apreciação. Ato contínuo apresenta um argumento de ordem econômica. Este seria fundamentado na constatação de que o valor pago pela contribuinte, acrescido do valor exigido pelos Autos de Infração, considerando a sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS, viria a configurar uma exigência de 4,73% da receita de serviços, superior à sistemática cumulativa do PIS e da COFINS, que somariam o percentual de 3,65% da receita da contribuinte. Tal fato contraria as exposições de motivos que alicerçaram a instituição do PIS e da COFINS nãocumulativos, que visava corrigir distorções na tributação e manter a carga tributária destas contribuições estável. Por isso, a interessada alega que isto prova, além dos outros motivos, de maneira lógica, que há excesso no lançamento efetuado. Posteriormente, concorda com a tributação das receitas diversas e de parte da glosa sobre as despesas das sucursais no exterior (fundamentalmente na conta despesas diversas, bem como nas contas de despesas e custos em que figurou o pagamento a tais sucursais), além de outras contas em que havia, predominantemente, pagamentos a pessoas físicas, cujo critérios para aceitação e demonstrativo contendo os valores aceitos se encontram nas fls.463 e 464. Após, passa a contestar os elementos que não concorda e que vieram a gerar estes lançamentos em apreço. Fl. 1627DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Começa argumentando erro de apreciação pela Autoridade Fiscal ao fazer os lançamentos dos meses de setembro e dezembro de 2006, pois teria considerado valores que já foram descontados pela contribuinte no momento da apuração dos créditos de insumos de PIS e COFINS nãocumulativos, acarretando cobrança indevida. No mês de setembro de 2006 a Autoridade Fiscal conclui pela base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos considerando a quantia de R$ 17.802.694,39 (fl.123) como créditos aceitos e de R$ 15.702.171,82 como créditos não aceitos (fls.136/138), totalizando um total de créditos de R$ 33.504.866,21, enquanto que na DACON, feita pela contribuinte, totalizava a quantia de R$ 29.853.679,58 de créditos de insumos pleiteados, gerando uma diferença de R$ 3.651.186,63. Nesta diferença de R$ 3.651.186,63 estaria incluído o valor das contas de despesas administrativas não aceitas, compostas pelas rubricas 42121.01 a 42124.02 (fl.64), cujo valor somado seria de R$ 2.539.042,19, menos o valor destas rubricas (42121.01 a 42124.02) considerado pela contribuinte na DACON, na quantia de R$ 142.547,04 (fl.116), cujo resultado é o valor de R$ 2.396.495,15. Este último valor é composto basicamente pela rubrica contábil 42122.08 (despesas diversas), cujo valor neste mês de setembro de 2006 é de R$ 2.057.088,80 e diz respeito a despesas com sucursais no exterior. Por conseguinte, como a importância de R$ 2.057.088,80 já não havia sido computada pela contribuinte no momento da apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, não foram apurados créditos de insumos sobre este valor, demonstrado ser uma parte da diferença entre o apurado na DACON pela contribuinte e os valores encontrados pela Autoridade Fiscal (somatório dos créditos de insumos aceitos e não aceitos). Logo, segundo a contribuinte, sobre o valor de R$ 2.057.088,80 não pode incidir tributação das contribuições, decorrente da glosa de créditos, pois já não havia sido considerado como crédito pela contribuinte no momento da apuração das base de cálculo destas. Idêntico raciocínio faz a contribuinte no mês de dezembro de 2006. Neste mês, a Autoridade Fiscal conclui pela base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos considerando a quantia de R$ 19.926.296,60 (fl.126) como créditos aceitos e de R$ 18.132.239,15 como créditos não aceitos (fls.145/147), totalizando um total de créditos de R$ 38.058.535,75, enquanto que na DACON, feita pela contribuinte, totalizava a quantia de R$ 35.224.365,28 de créditos de insumos pleiteados, gerando uma diferença de R$ 2.834.170,47. Nesta diferença de R$ 2.834.170,47 estaria incluído indevidamente valores das contas custos gerais e das contas veículos, conforme explanado abaixo: a) No valor das contas custos gerais não aceitas, compostas pelas rubricas 42112.01 a 42125.01, (fls.106/107), cuja soma seria de R$ 10.608.094,87, menos o valor destas rubricas (42112.01 a 42125.01) considerado pela contribuinte na DACON, na quantia de R$ 9.260.295,61 (fl.119), teria como Fl. 1628DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 113 5 resultado o valor de R$ 1.347.799,26. Este último valor é composto pela rubrica contábil 41123.07 (despesas diversas), cujo valor neste mês de dezembro de 2006 é de R$ 1.498.842,71 e diz respeito a despesas com sucursais no exterior. Como a contribuinte somente aproveitou a quantia de R$ 151.043,45 (R$ 1.498.842,71 – R$ 1.347.799,26), a importância de R$ 1.347.799,26 já não havia sido computada pela contribuinte no momento da apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, não sendo apurados créditos de insumos sobre este valor, demonstrado ser uma parte da diferença entre o apurado na DACON pela contribuinte e os valores encontrados pela Autoridade Fiscal (somatório dos créditos de insumos aceitos e não aceitos). Logo, segundo a contribuinte, sobre o valor de R$ 1.347.799,26 não pode incidir tributação das contribuições, decorrente da glosa de créditos, pois já não havia sido considerado como crédito pela contribuinte no momento da apuração das base de cálculo destas. b) No valor das contas custos veículos não aceitas, compostas pelas rubricas 41131.01 a 41135.03 (fl.107), cuja soma seria de R$ 21.969.452,19, menos o valor destas rubricas (41131.01 a 41135.0) considerado pela contribuinte na DACON, na quantia de R$ 20.325.075,60 (fl.119), teria como resultado o valor de R$ 1.644.375,59. Este último valor é composto pela rubrica contábil 42122.08 (despesas diversas), cujo valor neste mês de dezembro de 2006 é de R$ 1.709.173,72 e diz respeito a despesas com sucursais no exterior. Como a contribuinte somente aproveitou a quantia de R$ 64.797,13 (R$ 1.709.173,72 – R$ 1.644.376,59), a importância de R$ 1.644.376,59 já não havia sido computada pela contribuinte no momento da apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativos, não sendo apurados créditos de insumos sobre este valor, demonstrado ser uma parte da diferença entre o apurado na DACON pela contribuinte e os valores encontrados pela Autoridade Fiscal (somatório dos créditos de insumos aceitos e não aceitos). Logo, segundo a contribuinte, sobre o valor de R$ 1.644.376,59 não pode incidir tributação das contribuições, decorrente da glosa de créditos, pois já não havia sido considerado como crédito pela contribuinte no momento da apuração das base de cálculo destas. Continuando sua defesa, apresenta defesa contestando a legislação que fundamentou as glosas realizadas pela Autoridade Fiscal e que resultaram nos lançamentos em litígio. (...) Abordando a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, alega que a obtenção da receita deve ser considerada em relação a todos os elementos que são relevantes a esta obtenção. No caso de prestação de serviços de transporte de cargas no território nacional, como é o caso da contribuinte, todos os custos e despesas relacionados à obtenção da receita devem ser considerados, conforme definidos pelos arts.290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda. Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Argumenta que a sistemática de apuração da não cumulatividade do PIS e da COFINS é diferente da sistemática da apuração do IPI e do ICMS, conforme doutrina, não podendo o conceito de insumo utilizado para geração de créditos das contribuições para os contribuintes ser equiparado aos dos impostos citados, pois tem conceitos e princípios diferentes. Ou seja, insumo seria o conjunto de todos os fatores produtivos empregados para produzir o produto final. Por isso, não concorda com as glosas efetuadas pela Autoridade Fiscal, fazendo a descrição de cada conta de custo ou despesa, com a justificativa de sua realização, conforme resumo abaixo citado (...) Portanto, solicita a retificação de erros de apreciação nos lançamentos dos meses de setembro e dezembro de 2006, acarretando cobrança indevida, bem como a aceitação dos valores glosados pela Autoridade Fiscal, de modo a cancelar os Autos de Infração de PIS e COFINS nãocumulativos. Em julgamento datado de 07 de abril de 2014, a DRJ Porto Alegre/RS negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1035.684), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA CONCESSÃO SEGUNDO PREVISÃO E REGULAMENTAÇÃO. Os créditos da contribuição não cumulativa devem ser concedidos e negados nos termos da previsão legal e regulamentação normativa sobre o assunto. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE INAPRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA COMPETÊNCIA DO PODER JUDICIÁRIO. A argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade não pode ser apreciada na esfera administrativa porque é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 114 7 A motivação da DRJ de Porto Alegre/RS para manter a cobrança baseouse no conceito de insumo constantes nas Instruções Normativas n. 247/2002 e 404/2004. Alguns valores foram mantidos por falta de prova do Contribuinte ao direito ao crédito. Outrossim, a DRJ entendeu que o Contribuinte se equivoca na apreciação da forma de cálculo utilizada pela Fiscalização (meses de setembro a dezembro de 2006), sendo todos corretos. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 1391 e seguintes), argumentando em síntese que: i) Tratase de empresa do ramo de transporte rodoviário de cargas (prestação de serviço); ii) Houve concordância parcial com o lançamento, com o respectivo recolhimento (fls 1398) iii) Contudo, com relação às glosas, a Recorrente discorda do trabalho fiscal, trazendo a questão para análise deste Conselho, repisando os dois argumentos preliminares e, em seguida, o de mérito, apresentados em sua peça de impugnação, acima descritos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Recorrente tomou ciência do Acórdão da DRJ em 07/12/2011, conforme AR de fls 1475, apresentando Recurso Voluntário em 16/12/2011. Assim, o recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Em seu recurso voluntário, a Recorrente traz ao julgamento do CARF dois pontos preliminares, seguidos da questão central de mérito, como relatado acima. Dessarte, passo à análise desses três argumentos, na mesma ordem e forma que apresentados pela Recorrente. 1. PRELIMINARES 1. DO ESPÍRITO DAS LEIS INSTITUIDORAS DO REGIME NÃO CUMULATIVO DAS CONTRIBUIÇÕES Neste ponto, a Recorrente coloca a seguinte questão: a impossibilidade de apropriação devida de créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS e da COFINS afronta o espírito das leis fundadoras dessa forma de apuração e recolhimento das exações, uma vez que as tornaria mais gravosas do que as mesmas contribuições recolhidas sob o sistema cumulativo. Ocorre que, como restará colocado no tópico abaixo sobre o mérito do caso, afasto a premissa fazendária de aplicação das Instruções Normativas n. 247/2002 e 404/2004 para fins Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 de análise do direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Destarte, deixo de analisar esta questão preliminar, em razão do mérito favorecer o contribuinte, como restará demonstrado a seguir. 2. LAPSO NAS AUTUAÇÕES FISCAIS Nesta questão preliminar, a Recorrente levanta problema com relação a glosa de rubrica “despesas diversas”. Isto porque: i) o Fiscal teria desconsiderado a DACON (auditou o contribuinte a partir da escrita fiscal), fazendo seu próprio levantamento; ii) no cotejo de créditos, excluiu os insumos não aceitos do valor total dos créditos informados na Dacon; iii) com isso acarretou em distorções. Ao final de sua explanação, conclui que a Fiscalização incorreu em erro ao efetuar os lançamentos dos meses de setembro e dezembro de 2006, pois teria considerado valores que já foram descontados pelo contribuinte no momento da apuração dos créditos de insumos de PIS e COFINS nãocumulativos, acarretando assim em cobrança indevida, tudo como detidamente colocado no relato acima. Todavia, não merece reparos a decisão da DRJ sobre este ponto. Não existem as alegadas distorções. Efetivamente, como bem demonstrado pelo acórdão recorrido, com relação ao mês de setembro de 2006, a Autoridade lançadora “não diminuiu do valor de R$ 33.504.866,21 (insumos aceitos e não aceitos no balancete) a quantia de R$ 17.802.694,34 (insumos aceitos), que geraria um valor tributável, devido a glosa, de R$ 15.702.171,87 , no qual estaria o valor pleiteado como já não considerado pela contribuinte na apuração da base de cálculo dos créditos, na quantia de R$ 2.057.088,80, mas sim diminuiu do valor contido na DACON, informada pela contribuinte, na quantia de R$ 29.853.679,58, gerando um valor tributável, devido a glosa, de R$ 12.050.985,19, no qual constam os valores de créditos de insumos indevidamente considerados pela contribuinte.” É exatamente o que consta em fls 123. O mesmo se diga com relação ao mês de dezembro de 2006, em que a Autoridade lançadora “não diminuiu do valor de R$ 38.058.535,75 (insumos aceitos e não aceito no balancete) a quantia de R$ 19.926.296,00 (insumos aceitos), que geraria um valor tributável, devido a glosa, de R$ 18.132.239,75, no qual estaria o valor pleiteado como já não considerado pela contribuinte na apuração da base de cálculo dos créditos, nas quantias de R$ 1.347.799,26 (contas custos gerais) e de R$ 1.644.376,59 (contas custos veículos), mas sim diminuiu do valor contido na DACON, informada pela contribuinte, na quantia de R$ 35.224.365,28, gerando um valor tributável, devido a glosa, de R$ 15.298.068,68, no qual constam os valores de créditos de insumos indevidamente considerados pela contribuinte.” Vide fls 126. Enfim, não possuem sustentação as alegações do contribuinte. Dessa forma, rejeito a preliminar. 2. MÉRITO A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 115 9 Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) De qualquer sorte, vale repisar e evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469).1 Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo) , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226).2 Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.3 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). 4 Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto 1 AC nº 20312.469, Processo n.º 137.818, rel. Odassi Guerzoni Filho, sessão de 17 de outubro de 2007. 2 AC nº 320200.22, Processo nº 11020.001952/200622, rel. Gilberto de Castro Moreira Junior, sessão de 08 de dezembro de 2010. 3 AC nº 9303002.801, Processo nº 13052.000441/200307, rel. Rodrigo da Costa Pôssas , sessão de 23 de janeiro de 2014. 4 AC nº 3302002.674, Processo nº 13971.720063/200814, rel. Fabíola Cassiano Keramidas, sessão de 19 de agosto de 2014. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 sobre a Renda RIR/995 (Acórdão 3402002.881),6 para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. Para essa análise, contudo, cumpre salientar que o presente processo é originário de auto de infração, e não de pedido de reconhecimento de crédito para compensação pelo contribuinte. Tal fato é importantíssimo para o deslinde da controvérsia, à medida que é justamente a iniciativa do processo administrativo que determina o ônus da prova (artigo 373 da Lei n. 13.105/2015, o “Novo Código de Processo Civil”).7 Com efeito, este Colegiado, no próprio Acórdão 3402002.881 citado linhas atrás, adotou este parâmetro para a solução de caso onde também se julgava auto de infração em que a Fiscalização glosou créditos tomados pelo contribuinte, por utilizar como fundamento as Instruções Normativas n. n. 247/2002 e 404/2004, vale dizer, o conceito de insumo de IPI. Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao sub judice: 5 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Custo de Produção Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo Quebras e Perdas Art. 291. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; II das quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas: a) por laudo ou certificado de autoridade sanitária ou de segurança, que especifique e identifique as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência; b) por certificado de autoridade competente, nos casos de incêndios, inundações ou outros eventos semelhantes; c) mediante laudo de autoridade fiscal chamada a certificar a destruição de bens obsoletos, invendáveis ou danificados, quando não houver valor residual apurável. 6 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2007 NULIDADES. A existência de motivação clara e explícita do ato administrativo, que rende ensejo à interposição de defesa robusta, não rende ensejo à decretação de nulidade. ÔNUS DA PROVA. Tratandose de processo de iniciativa da Administração Tributária, cabe ao fisco o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária. REGIME NÃO CUMULATIVO. CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS. INSUMO. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. (...). Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 116 11 “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. (...) É com isso que lidaremos no julgamento deste processo: afastado o significado de "insumo" adotado pelo fisco, o trabalho deste colegiado ao analisar as planilhas de glosa em espécie se resumirá em confrontar o item glosado com os dados técnicos trazidos pela defesa para determinarmos se o item está apto ou não a gerar o crédito. A autuação só será mantida em relação aos itens que comprovadamente não atendam aos requisitos legais para gerarem o crédito. Destaco igualmente que a defesa efetuou acurado trabalho de separação dos itens de bens e serviços glosados, atrelandoos as respectivas contas contábeis e valores. Ao mesmo tempo, apresentou uma descrição, item a item, do porquê entender que tais bens e serviços enquadramse como insumos para fins de aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. Trouxe aos autos, ainda, relatório de auditoria (fls 446 a 1296), com 78 anexos, dentre os quais encontramse notas fiscais, comprovantes de pagamento de pedágio, contratos com clientes, contratos em que a Recorrente aparece como tomadora de serviços, etc, tudo no objeto de demonstrar a essencialidade dos gastos em apreço para a geração de receita. Traçadas essas premissas, destaco o objeto social da Recorrente, retirado dos atos constitutivos vigentes à época da autuação fiscal, constantes dos autos: Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Passo então a aferição dos itens glosados pela Fiscalização, cotejandoos com o objeto social da Recorrente, e, portanto, aos serviços que presta e lhe geram receita, para aferir quais se amoldam ao conceito de insumo (custo de produção) para fins de tomada de crédito na sistemática não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Para tanto, proponho as duas tabelas abaixo destacadas – feitas a partir da tabela fornecida pela Recorrente em fls 450 e seguintes , como forma a melhor sintetizar a enormidade de itens ora sob análise. Na Tabela I – MANUTENÇÃO DA GLOSA, destaco os itens que não caracterizam custos de produção, vale dizer, despesas gerais da companhia desvinculadas da consecução direta de seus objetos sociais. Enquanto isso, na Tabela II – CANCELAMENTO DA GLOSA, descrevo os itens que se amoldam ao conceito de custo de produção, necessários diretamente para que a empresa incorra na materialidade das Contribuições Sociais, qual seja, a obtenção de receitas, descritos nos artigos 289 a 291 do RIR/99. Antes, contudo, cabem as seguintes observações com relação a cinco itens, também tratados em separado pela decisão recorrida, haja vista que possuem particularidades além do conceito de insumo em si, quais sejam: i) “veículos locados – coleta e entrega” (rubrica 41133.15); ii) créditos presumidos PF (pessoa física) “rubrica contábil 41132.01; iii) despesas depreciação”, rubrica contábil 41123.06, 42122.07 e 42222.08, iv) “despesas diversas”, rubrica contábil 41123.0, e v) conta “pedágios terceiros”, rubrica contábil 41133.07 e 42221.03. Com relação à glosa da conta “veículos locados – coleta e entrega” (rubrica 41133.15) ressalto que a Recorrente constitui uma empresa de transporte de cargas, sendo assim de todo evidente que os custos com locação de veículos para coleta e entrega de produtos, em períodos de pico de demanda como esclarece7 e comprova o contribuinte (Anexo 1, de fls. 468 a 484) – devem conferir o direito ao crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, por se tratar de custo de produção, indispensável para a atividade da empresa. Ademais, diferentemente do que colocou o acórdão da DRJ, por se tratar de auto de infração cabia ao Fisco comprovar a impropriedade de tais créditos, sendo seu o ônus da prova, como 7 Destaco o seguinte trecho da decisão da DRJ sobre tais esclarecimentos: "Começando com a conta “Veículos locados – coleta e entrega “, rubrica contábil 41133.15, constatamos que a contribuinte alega que houve erro na descrição da conta, pois seriam despesas com empresas subcontratadas (carreteiros) e seriam para realizar serviços de coleta e entrega urbanas, intra ou intermunicipais, de cargas fracionadas, não havendo locação individual, sendo que a Autoridade Fiscal aceitou como insumo os valores da conta “frete e carretos Pessoa Jurídica – Viagens”, que se referem a cargas completas de longo percurso." Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 117 13 destacado alhures. Por essa razão, entendo que as razões e provas apresentadas pelo contribuinte são suficientes para resguardar seu direito ao crédito da conta “veículos locados – coleta e entrega” (rubrica 41133.15). Já quanto à conta “créditos presumidos PF (pessoa física) rubrica contábil 41132.01, cumpre lembrar o que dispõe os §§19 e 20 do artigo 3º das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002: § 19. A empresa de serviço de transporte rodoviário de carga que subcontratar serviço de transporte de carga prestado por: I – pessoa física, transportador autônomo, poderá descontar, da Cofins devida em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor dos pagamentos efetuados por esses serviços; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) § 20. Relativamente aos créditos referidos no §19 deste artigo, seu montante será determinado mediante aplicação, sobre o valor dos mencionados pagamentos, de alíquota correspondente a 75% (setenta e cinco por cento) daquela constante do art. 2o desta Lei. (grifei) Portanto, a legislação confere o crédito presumido de 75% dos valores pagos a pessoas físicas, em se tratando de empresas transportadoras que contratam tais serviços. Ocorre que a Fiscalização tomou o cuidado de, no momento do cálculo do crédito tributário, garantir o aproveitamento deste créditos. Vejase, por exemplo, o cálculo apresentado em fls 120, relativo ao mês de junho de 2006, de onde destaco o seguinte trecho: Assim, a cobrança efetuada pela Fiscalização, que executou seu trabalho com base nos balancetes contábeis do contribuinte, está correta não merecendo ser cancelada a glosa de créditos presumidos PF (pessoa física) rubrica contábil 41132.01 da Tabela II, uma vez que corresponde justamente aos 25% dos pagamentos que não geram crédito presumido, segundo a dicção do artigo 3º, §§19 e 20 das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002. Sobre as despesas depreciação”, rubrica contábil 41123.06, 42122.07 e 42222.08, voltase à discussão do conceito de insumo para fins de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS. O artigo art. 290, III, do RIR/99 que coloca que as despesas de depreciação serão consideradas como custo de produção se estiverem vinculadas a bem aplicado na produção. A seu turno, o artigo 3º, §1º, inciso III da Lei 10.833/2003, com a redação dada pela Lei n. 11.196/2006, também passou a prever o creditamento sobre a depreciação de bens. Pois bem, aqui, mais uma vez o acórdão a quo entendeu que o Contribuinte não se desincumbiu do ônus da prova “para podermos averiguar a data correta da aquisição dos bens e poder afirmar se houve a glosa somente sobre a depreciação dos bens adquiridos antes de maio de 2004 ou depois desta data” (fls 1380). Ora, seguindo o raciocínio aqui adotado, de que se trata de autuação fiscal em que o Autoridade lançadora deve se desincumbir do ônus da prova no momento da lavratura do auto, a solução deve ser totalmente oposta: tendo o contribuinte direito ao crédito decorrente Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 das despesas de depreciação, caberia à Fiscalização ter demonstrado qualquer problema com relação a estes créditos, para sustentar a glosa. Contudo, não há nos autos de infração originários do presente Processo qualquer tentativa da Fiscalização em efetuar tal prova, razão pela qual entendo que devem ser canceladas as glosas de créditos sobre despesas depreciação”, rubrica contábil 41123.06, 42122.07 e 42222.08. Sobre as “despesas diversas”, rubrica contábil 41123.07, irretocável a decisão da DRJ, ao asseverar que: (...) como a Autoridade Fiscal não descontou do total dos insumos apurados nos balancetes (insumos aceitos e não aceitos), o valor dos créditos de insumos aceitos, mas sim diminuiu do valor informado pela contribuinte na DACON, já estão incluídos todos os valores, seja qual for, que a contribuinte não tinha considerado como geradores de créditos de insumos no momento da apuração destes, de modo a não existir nenhuma cobrança indevida, aplicandose tal raciocínio a conta despesas diversas dos meses de setembro e dezembro de 2006. Assim, uma vez que as despesas diversas, por estarem adstritas à situação acima especificada e, paralelamente, não se enquadrarem aos “custos de produção”, como a própria Recorrente reconhece (são despesas com sucursais no exterior fls 1409), deve ser mantida a glosa dos créditos nelas embasados. Finalmente, sobre a conta “pedágios terceiros”, rubrica contábil 41133.07 e 42221.03, a própria Recorrente esclarece que se trata de valores pagos a título do conhecido “Valepedágio”. Pois bem. Dispõe o artigo 2º da Lei nº 10.209/01, que o valor do valepedágio não será considerado receita operacional ou rendimento tributável e não constituirá base de cálculo das contribuições sociais. Por sua vez, os artigos. 3º, §2º, inciso II, das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03 estabelecem que não darão direito a crédito a aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento da Contribuição ao PIS e da COFINS: Por conseguinte, as despesas com valepedágio não são aptas a gerar crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, devendo ser mantida a glosa realizada pela autoridade fiscal. Nesse sentido, destaco o Acórdão CARF n. 3401002.857. Saliento ainda que foi julgado processo da mesma empresa pelo CARF, sobre a glosa de créditos discutidos nesses autos. Tratase do Processo n. 11080.733400/201130, Acórdão n. 3301001.788, ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. Não provada violação das disposições contidas nas normas reguladoras do processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. DECISÃO RECORRIDA. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. O restabelecimento dos valores dos créditos glosados somente sobre os custos comprovados documentalmente e a manutenção das glosas sobre os não comprovados não configura cerceamento do direito de defesa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1638DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 118 15 Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 INSUMOS. CUSTOS. CRÉDITOS. DEDUÇÃO. Os custos pagos a pessoas jurídicas, incorridos com pedágios de veículos próprios e de terceiros, seguros de cargas (aéreos, rodoviários, contra roubos), com emplacamento de veículos de transportes de cargas, com alugueis de veículos de transporte de cargas, com serviços de escolta, com armazenagem e estadia de veículos e de cargas transportadas, despesas de viagens com cargas, telefones/motoristas, despesas com vigias e segurança, com serviços de monitoramento via satélite e rastreamento, excluídos os custos de aquisições de aparelhos, e com aluguel de softwares constituem insumos da prestação de serviços de transportes e geram créditos dedutíveis da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. CUSTOS. SUBCONTRATAÇÃO DE TRANSPORTE DE CARGA. PESSOAS JURÍDICAS. Os custos incorridos com a contratação de serviços de transporte de cargas, com pessoas jurídicas, escriturados e comprovados, mediante notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de PIS não cumulativo, dedutíveis da contribuição apurada mensalmente. CUSTOS. SUBCONTRATAÇÃO DE TRANSPORTE DE CARGA. PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica transportadora de cargas que subcontratar serviços de transporte de cargas com pessoas físicas poderá apurar créditos de PIS sobre os pagamentos efetuados por tais serviços, à alíquota de 1,2375 %, passíveis de dedução da contribuição devida mensalmente. DESPESAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. As despesas incorridas com serviços de EDI, teleconsultas, telefones, exceto telefones com motoristas, aluguéis diversos, manutenção de prédios e equipamentos, com viagens não identificadas e com seguros de veículos não utilizados no transporte de carga e seus emplacamentos não constituem insumos da prestação de serviços de transporte de cargas e não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITOS. DEDUÇÃO. Os custos pagos a pessoas jurídicas, incorridos com pedágios de veículos próprios e de terceiros, seguros de cargas (aéreos, rodoviários, contra roubos), com emplacamento de veículos de transportes de cargas, com alugueis de veículos de transporte de cargas, com serviços de escolta, com armazenagem e estadia de veículos e de cargas transportadas, despesas de viagens com cargas, telefones/motoristas, despesas com vigias e segurança, com serviços de monitoramento via satélite e rastreamento, excluídos os Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 custos de aquisições de aparelhos, e com aluguel de softwares constituem insumos da prestação de serviços de transportes e geram créditos dedutíveis da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. CUSTOS. SUBCONTRATAÇÃO DE TRANSPORTE DE CARGA. Os custos incorridos com a contratação de serviços de transporte de cargas, com pessoas jurídicas, escriturados e comprovados mediante notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos de Cofins não cumulativa, dedutíveis da contribuição apurada mensalmente. CUSTOS. SUBCONTRATAÇÃO DE TRANSPORTE DE CARGA. PESSOAS FÍSICAS. A pessoa jurídica transportadora de cargas que subcontratar serviços de transporte de cargas com pessoas físicas poderá apurar créditos de Cofins não cumulativa sobre os pagamentos efetuados por tais serviços, à alíquota de 5,70 %, passíveis de dedução da contribuição devida mensalmente. DESPESAS. CRÉDITOS. VEDAÇÃO. As despesas incorridas com serviços de EDI, teleconsultas, telefones, exceto telefones com motoristas, aluguéis diversos, manutenção de prédios e equipamentos, com viagens não identificadas e com seguros de veículos não utilizados no transporte de carga e seus emplacamentos não constituem insumos da prestação de serviços de transporte de cargas e não geram créditos dedutíveis da contribuição apurada mensalmente sobre o faturamento. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 30/06/2011 MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. Dito isto, colaciono abaixo as tabelas de manutenção e cancelamento da glosa, lembrando que a avaliação dos itens se dá de acordo com o enquadramento ou não nos artigos 289 a 291 do RIR/99, a respeito do conceito de “custo de produção”. Tabela I – MANUTENÇÃO DA GLOSA Conta Rubrica Contábil Total acumulado (R$) Justificativa para insumo Créditos presumidos pessoa física 41132.01 4.657.606,12 Essa conta registra os serviços pagos a pessoas físicas (carreteiros autônomos). Para apurar o crédito como determina o art. 3o, II, §§ 19 e 20, da Lei n° 10.833, a empresa REINCLUIU sempre os 25% correspondentes a essa conta na BASE TRIBUTÁVEL. Isso está evidenciado nas folhas 113 a 119 dos autos do processo administrativo fiscal n° 11080.725358/201183 Despesas diversas 42122.08 2.056.866,50 As explicações referentes a esta rubrica se encontram no item V do relatório dos trabalhos de auditoria. Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 119 17 Devedores incobráveis 41123.18 1.783.400,66 Essa conta registra a perda sobre créditos com contas a receber oriunda das atividades operacionais da empresa. Opera o mesmo efeito dos estornos, porque foram esgotadas as possibilidades de cobrança. Assim, as perdas no recebimento de créditos seguem o tratamento disciplinado pela legislação do imposto de renda (art. 340 do R.I.R./1999). Despesas diversas 41133.01 1.644.376,59 idem Despesas diversas 41123.07 1.347.799,26 idem Telefones embratel 41142.09 1.056.523,61 A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Há clientes que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom lida.; contrato com PROCERGS, idem. Anúncios e publicidade 42222.02 955.925,18 Para manutenção da marca e atendimento às metas de crescimento, as empresas se valem de publicidade, necessariamente através de assessoramento de marketing e utilização da mídia nos padrões tecnicamente recomendáveis, observando os diversos veículos publicitários disponíveis. Honorários PJ 42144.05 805.663,86 0 crescimento da companhia exige conhecimento especializado nas áreas jurídica, administrativa, mercadológica, de imagem, e outras., acarretando a necessária contratação de serviços de outras empresas. Consultoria e auditoria 42144.02 750.737,93 0 desenvolvimento das atividades empresariais requer o aconselhamento nas áreas fiscal, de recursos humanos, treinamento de seu pessoal em diversos níveis, para estar no mercado, especialmente em face das notória complexidades da legislação do País inclusive a legislação da qual se trata nesta peça impugnatória: a orientação sobre a adoção dos critérios para a consideração do crédito sobre os insumos, da forma como foi adotada, resultou aprovada por auditorias reconhecidas internacionalmente como a PriceWaterhouseCoopers e a KPMG. Assessoria e suporte 42144.01 639.817,24 A sofisticação dos sistemas de informática e redes de comunicação exigem assessorias cada vez mais especializadas, validações de arquivos magnéticos, updates rights, etc, conforme notas de Dell, Oracle e Countasse anexas Honorários PJ 41144.04 625.910,49 idem Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 Despesas de Viagem 42122.11 472.231,65 A atividade da empresa ao longo do território nacional obriga seus executivos e profissionais a constantes viagens, para reuniões com clientes, treinamentos e cursos. Despesas de viagem 41123.14 462.570,81 idem Pedágio Terceiros 41133.07 372.627,07 Registro de pagamento de pedágios, ao longo do território nacional, como despesa sem a qual não pode a empresa operar, porque seus veículos tanto os próprios como os de empresas contratadas trafegam, necessariamente, em rodovias pedagiadas. Vale notar que, nas subcontratações, a empresa era fornecer ao SUBCONTRATADO O Vale Pedágio, na forma da Lei 10.209, de 23/03/2001. Agua e esgoto 41146.01 339.581,16 Os dispêndios com essa rubrica constituem notório encargo da empresa sem o que, aliás, não seria possível manter seus estabelecimentos nem proceder à lavagem de seus caminhões. Teleconsultas 41142.05 304.448,39 Dentro do programa de gerenciamento de riscos, a empresa contrata serviços de consultas via telecomunicações, tanto para SERASA (análise de crédito) quanto, especialmente, para monitoramento dos serviços, tal como exemplificado em anexo. A empresa contratada, Multisat Sistemas de Gerenciamento de Riscos Ltda, presta serviços de gerenciamento de riscos e monitoramento de cargas (rastreamento via satélite), projetados para empresas do segmento de transporte atuantes no mercado Nacional. A razão de ser dessa despesa é a necessidade de minimização dos prejuízos decorrentes de sinistros rodoviários. Contrato de Prestação de Serviços de Carga que exemplifica essa exigência é o firmado com Intendis do Brasil Farmecêutica Ltda., cláusula 6a, §§ 2° e 3o (Anexo 050), entre outros. Correios e malotes 41146.02 289.908,48 A empresa com filiais no Brasil inteiro necessita remeter frequentemente documentos entre filiais e clientes, através do eficaz sistema de malotes da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Grande parte dos documentos segundo a praxe adotada era enviada a bordo dos próprios caminhões, porém para os locais mais distantes ou nos casos mais urgentes, era utilizado o envio através da EBCT. Telefones OI/telemar 41142.11 190.604,00 A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Não se conhece empresa alguma, aliás, sem telefones: têm de ser localizadas e utilizam esse meio, entre outros, para se comunicar com e ser contactada pelos clientes. Há clientes, como já referido, que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. (Anexo 016). Serviços de limpeza 41145.04 174.637,38 Tendo em vista o tipo de cargas transportadas pela empresa, era necessário dispor de serviços de limpeza de Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 120 19 resíduos industriais. Além disso, alguns clientes exigiam expressamente serviços de limpeza. Exemplo: Contrato de Prestação de Serviços com TIM Celular S/A, cláusula 3.1, letra "c" (a empresa cedia espaço à TIM em seus estabelecimentos). Isso ocorria com vários outros clientes. O ramo farmacêutico inclusive exige padrões superiores de limpeza, definindo até mesmo os tipos de produtos a serem utilizados na limpeza, chegando a exigir a adoção de armadilhas para insetos e roedores. Telefones Oi/Br Telecom 41142.07 153.086,22 A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Não se conhece empresa alguma, aliás, sem telefones: têm de ser localizadas e utilizam esse meio, entre outros, para se comunicar com e ser contactada pelos clientes. Há clientes, como já referido, que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. (Anexo 016). Despesas de viagem 42222.12 143.630,41 idem Telefones Telefonica/Intelig 41142.10 133.884,29 A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Não se conhece empresa alguma, aliás, sem telefones: têm de ser localizadas e utilizam esse meio, entre outros, para se comunicar com e ser contactada pelos clientes. Há clientes, como já referido, que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. (Anexo 016). Material de limpeza 41122.04 110.754,70 Essa conta registra material utilizado na limpeza dos móveis, veículos e prédios utilizados nas atividades da empresa. Observase que, para lavagem de seus caminhões, a empresa mantém, entre outros materiais, bombas de pressão d'água. Anúncios e publicidade 42122.17 96.908,49 Como dito antes, para manutenção da marca e atendimento às metas de crescimento,1 as empresas se valem de publicidade, necessariamente através de assessoramento de marketing e utilização da mídia nos padrões tecnicamente recomendáveis, inclusive através de patrocínios diversos Telefones Embratel 42143.08 93.323,30 A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Há clientes que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. Despesas com cartório e judiciais 41123.16 77.552,50 Para procurações e outros atos decorrentes do exercício de sua atividade, a empresa necessita pagar despesas com tabelionatos e cartórios. Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 Internet 41142.01 72.053,49 Como já referido no Anexo 017, mas não apenas para a eficiente manutenção da rede de franqueados, como também e especialmente para comunicações com clientes, a empresa se obrigou à estruturação de sofisticados sistemas de processamento de dados através da manutenção de redes de internet de longadistância (Anexo 2). WAN Wide Area Network é a rede de comunicação de dados que cobre uma área geográfica extensa, oferecendo transmissão de dados providas por operadoras, como empresas de telefonia. As tecnologias WAN geralmente funcionam nas três primeiras camadas do modelo OSI: física, enlace e rede. Esse tipo de sistema é exigido por clientes, como, p.ex., no contrato com Renault do Brasil Com. Part. Ltda. (cláusula 6a Anexo 007), com Robert Bosch Ltda. (cláusula "1.2" Anexo15), com Global Village Telecom Ltda (cláusulas 4a, letra "i" Anexo 16), no Contrato Intendis do Brasil Farmecêutlca Ltda., cláusula 6a, §§ 2o e 3o (Anexo 050), entre outros. Entidades de classe 4145.02 50.069,79 Por força de suas atividades, a empresa contribui para entidades de classe, como o SETCERGS Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Rio Grande do Sul, e outras, além de contribuições sindicais. Entidades de classe 4145.02 48.132,02 idem Telefones celulares 41142.06 47.891,74 Como disse no Anexo 016, A empresa precisa manter eficientes sistemas de comunicação para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional. Há clientes que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. Seguro total filial 4142.04 45.910,00 Os seguros da empresa eram feitos através da empresa APISUL, tanto para o prédio da matriz (sede) como para as filiais (depósitos) e a FROTA. Fotocópias 41123.17 44.220,62 Igualmente, para o exercício de suas atividades, a empresa necessita, entre diversos serviços, os de fotocópias tarjadas, CDRom para páginas gravadas, etc. Prov. Créditos liquidação duvidosa 42222.14 41.485,21 Essa conta registra a perda sobre créditos com contas a receber oriunda das atividades operacionais da empresa. Opera o mesmo efeito dos estornos, porque foram esgotadas as possibilidades de cobrança. Assim, as perdas no recebimento de créditos seguem o tratamento disciplinado pela legislação do imposto de renda (art. 340 do R.I.R./1999) Anúncios e publicidade 41123.01 40.790,03 idem Correios e malotes 42146.02 40.067,72 idem Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 121 21 Serviços de limpeza 42145.04 38.751,19 idem Assessoria e suporte 41144.01 27.399,50 A sofisticação dos sistemas de informática e redes de comunicação exigem assessorias cada vez mais especializadas, validações de arquivos magnéticos, updates r/gWs, etc, conforme notas de Dell, Oracle e Countasse anexas. Material de expediente 42.221.02 25.860,31 Com vistas à organização de sua estrutura para a prestação de serviços, a empresa necessita de materiais de expediente diversos. Aluguel de software 41141.03 24.001,92 Como já referido, para atingir suas finalidades, a empresa necessita contar com softwares de propriedade de terceiros. Exemplos: licenciamento obtido por locação junto à EBCT, Sistemas de Controle Patrimonial SISPRO, e Telsinc, entre outros Agua e esgoto 42146.01 23.565,27 Idem Despesas com cartório e judiciais 42122.18 22.558,38 Idem Material de limpeza 42121,03 20.994,79 Idem Telefones celulares 42143.05 20.272,66 Idem Consultoria e auditoria 41144.02 20.102,14 Idem Honorário PJ 42244.05 19.856,79 Idem Aluguel de software 42241.03 15.077,51 Idem Telefone OI/Br Telecom 42143.06 13.577,72 Idem Fotocópias 42122.19 13.213,68 Idem Consultoria e auditoria 42244.02 9.460,70 Idem Correios e malotes 42246.02 9.381,09 Idem Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 Telefones celulares 42242.05 9.337,75 Idem Teleconsultas 42143.04 8.683.41 Idem Internet 42143.01 7.915,39 Idem Conservação e manutenção de equip, de TI 41143.05 7.187,73 Idem Contribuição sindical PJ 41123.04 6.346,98 Para executar suas atividades de embarque e desembarque de cargas, a empresa necessita pagar contribuições sindicais diversas multas delas obrigatórias por lei. Despesas com convenção 42122.09 2.791,50 Tendo em vista o expressivo quadro de funcionários e prestadores de serviços, superior a 6.000 colaboradores diretos e indiretos, periodicamente a empresa realizava encontros de Gerências (ENGE), para a finalidade de atualizar o pessoal no sentido de maximizar e qualificar os serviços. Livros e revistas 42122.13 2.145,35 A empresa necessita de informações para estar atualizada permanentemente no mercado em que opera. Despesas com convenção 41123.08 2.123,00 Idem Jornais, livros e revistas 41123.10 2.053.49 Idem Fotocópias 42222.21 1.674,88 Idem Entidades de classe 42245.02 1.442,00 Idem Despesas com cartórios e judiciais 42222.20 525,00 Idem Jornais, livros e revistas 42222.16 424,00 Idem Despesas com convenção 42222.10 297,00 Idem Pedágio terceiros 42132.05 24,56 Idem Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 122 23 Material de limpeza 42221.03 20,77 Idem Tabela II – CANCELAMENTO DA GLOSA Conta Rubrica Contábil Total acumulado (R$) Justificativa para insumo Veículos locados – Coleta e Entrega 41133.15 22.066.808,53 Essa conta está com nomenclatura não apropriada: registra DESPESAS COM PAGAMENTO DE EMPRESAS SUBCONTRATADAS (CARRETEIROS), os quais eram contratados, sempre que julgado necessário, para realizar os serviços de coletas e entregas URBANAS, INTRAMUNICIPAIS OU INTERMUNICIPAIS (transporte de CARGAS FRACIONADAS). Tal contratação ocorria com freqüência maior no período de pico de movimento, como nos meses de festas como Natal e dias comemorativos (p.ex., dia dos país, etc), quando a frota própria não tinha capacidade suficiente para atender a demanda de pequeno curso. Não há nessa conta nenhum caso de locação isolada de "veículos", daí ser inapropriada a nomenclatura. Esclarecese que há outra conta contábil com o nome "Fretes e Carretos Pessoa Jurídica Viagens", registrando os lançamentos específicos de VIAGENS DE LONGO CURSO, CARGA COMPLETA. A fiscalização aceitou como geradoras de crédito as despesas com "coleta e entrega aérea", "fretes e carretos pessoa jurídica viagens" (efe. fls. 120 a 126). A existência de duas contas para serviços idênticos (de CARRETEIROS), só diferenciados em razão do percurso, foi para, a juízo dos administradores da Impugnante, proporcionar a melhor aferição gerencial da eficiência de cada um desses serviços (urbanos, intra ou intermunicipais versus os interestaduais). Tal separação de contas em coleta/entrega urbana e transferências de longo percurso tinha também o intuito gerencial de separar os custos por etapas e melhor administrálos. Participação nos fretes 41125.01 20.046.962,97 Esta conta registra as despesas com o pagamento da 'participação nos fretes': aí está o 'nome' da REMUNERAÇÃO DEVIDA AOS FRANQUEADOS, reconhecida como 'comissão' ou 'participação nos fretes'. Ocorre que, ao invés de utilizar apenas os mecanismos de 'aberturas de filiais' ou de 'agências', ou, ainda, de utilizar 'carreteiros', a empresa optou, no seu programa de expansão e cobertura nacional de pontos estratégicos para melhor servir aos clientes, por essa forma de organização (concessão de FRANQUIAS), objetivando a prestação de seus serviços. Isso está mais claro nos contratos com franqueados, efe. alguns em anexo, para exemplificar o funcionamento dessa Fl. 1647DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 24 operação, e o 'Manual da Empresa Franqueada', igualmente neste apenso 002. Por esses documentos é demonstrada a funcionalidade e a importância dessa "franquia" como um modo de subcontratação de serviços de transporte de cargas. Sob o ponto de vista operacional, a maioria dos custos no processo de coleta e entrega nas regiões atendidas pelas empresas franqueadas eram suportados por elas que, em contrapartida, recebiam a remuneração por este serviço prestado (mediante 'participação nos fretes). Registrese que as despesas de transferência de longa distância (entre municípios) eram suportadas pela empresa Defendente. Pedágio frota própria 8 41133.08 5.006.142,26 Registro de pagamento de pedágios, ao longo do território nacional, como despesa sem a qual não pode a empresa operar, porque trafega, necessariamente, em rodovias pedagiadas. Despesa Depreciação 41123.08 3.754.475,04 As despesas de depreciação estão registradas, para fins de PIS/COFINS, efe. planilha anexa, com o respectivo crédito computado após 2004. Seguro de roubos 41124.03 3.542.182,63 Os Contratos de Transportes exigiam a necessidade de contratação de seguro, vide cláusula 4.6 do Contrato com Calçados Azaléia S.A. e cláusula 9 do Contrato com Arthur Lundgren Tecidos S/A Casas Pernambucanas e cláusula 3a do Contrato com ítaca Laboratórios Ltda. Seguro de cargas rodoviárias 41124.02 3.412.127,87 Os Contratos de Transporte previam a obrigação de contratação de seguro de cargas rodoviárias, conforme demonstram a cláusula 8a, parágrafo único do Contrato com a Renault do Brasil Comércio e Participações Ltda., a cláusula 3.14 do contrato firmado com a Danisco Brasil Ltda., a Cláusula Terceira, Parágrafo Segundo, do Contrato com a CEMIG Distribuição S/A Indenização por falta de mercadoria 41121.05 2.810.935,21 A empresa assume, contratualmente, a obrigação de indenizar o cliente por perda ou avaria das mercadorias transportadas. Os recibos anexos exemplificam isso, bem como a cláusula 4a, "e", do Contrato de Prestação de Serviços com Global Village Telecom Ltda., a cláusula "4.6.1" do Contrato firmado com Calçados Azaléia S/A e a cláusula "7.3" do contrato com Arthur Lundgren S/A Casas Pernambucanas (v. Anexo 006) Despesa depreciação 42122.07 2.326.619,38 As despesas de depreciação estão registradas, para fins de PIS/COFINS, efe. planilha anexa, com o respectivo crédito computado após 2004. Vigias e seguranças 41145.05 1.799.018,92 Em diversos serviços a empresa era obrigada a fornecer ao cliente o conforto de vigilância patrimonial, sendo então necessária sua contratação. Exemplificam no a 8 Lembrese que o pedágio integra a receita operacional de empresas de transporte (Acórdão 3301002.394). Ademais, o artigo 289, §3º do RIR/99 dispõe que só não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal, o que não é o caso do pedágio. Deve ser reconhecido, portanto, o direito ao respectivo crédito (Acórdão nº 3301002.167 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 123 25 cláusula "4.6" do Contrato de Prestação de Serviços de Transporte com Café Damasco S/A e a cláusula "3.20" e "3.21 "do contrato de prestação de serviços contratados com Danisco Brasil Ltda. (Anexo 007). Despesas viagens c/ cargas 41133.02 1.672.554,03 Despesas por estadia, lavanderia, alimentação, etc. a estabelecimentos diversos, em postos de paradas nas viagens com transportes de cargas Material de expediente 41123.07 1.341.303,50 Aquisição de formulários / conhecimentos de transporte, quadros de avisos, etc. Serviço de Escolta 41133.10 1.188.810,67 Em alguns serviços de transporte o cliente exige que a empresa preste escolta, inclusive armada. Desse modo, se a transportadora não se aparelhasse ou obtivesse os meios para tanto, o serviço de transporte não seria prestado. Exemplificamno os recibos anexos, e também as cautelas de cláusulas como "3.19", "3.21" do contrato com Danisco Brasil Ltda. (Anexo 007). Indenização por avaria 41121.04 1.145.186,20 A empresa assume, contratualmente, a obrigação de indenizar o cliente por avarias de mercadorias transportadas. Os recibos anexos exemplificam isso, bem como a cláusula "7.3" do Contrato de Prestação de Serviços de Transporte com Arthur Lundgren S/A Casas Pernambucanas, a cláusula "4.7" do Contrato com Café Damasco S/A. Aluguel de automóveis 41141.04 1.108.527,49 Com base nos testes efetuados, os Srs. Auditores identificaram o registro de locações de empilhadeiras nessa conta, conforme exemplificam os documentos anexos. A nomenclatura da conta, pois, não espelha da melhor maneira a natureza dos veículos locados. Monitoramento via satélite 41142.02 1.083.105,84 Na maioria dos serviços de transporte o cliente exige o monitoramento via satélite, com equipamentos de comunicação que permitam informar a localização e o percurso do veículo transportador. A empresa transportadora disponibilizava esse serviço para o inteiro conforto do cliente e também por garantir, para si, uma redução significativa dos custos com furtos e roubos: certamente o valor gasto com o monitoramento era inferior ao que teria de ser suportado com a indenização (responsabilidade expressa nos contratos) pelos roubos ou furtos. Por isto era adotado Exemplo: 21cláusula "1.2" do contrato de prestação de serviços de22 transporte com Robert Bosch lida., e Contrato . Intendis do Brasil Farmacêutica lida., cláusula 6a, §§ 2o e 3º (Anexo 050), entre outros. Rede interna wan 41142.03 989.056,82 Para eficiente manutenção da rede de franqueados, a empresa se obrigou à estruturação de sofisticados sistemas de processamento de dados através da manutenção de redes de internet de longa distância (Anexo 2). WAN Wide Area Network é a rede de Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 26 comunicação de dados que cobre uma área geográfica extensa, oferecendo transmissão de dados providas por operadoras, como empresas de telefonia. As tecnologias WAN geralmente funcionam nas três primeiras camadas do modelo OSI: física, Telefone motoristas 41133.14 922.535,84 A empresa, por razões de eficiência e segurança, precisa manter eficientes sistemas de comunicação com sua frota, para se habilitar à prestação de serviços ao longo do território nacional nos padrões de excelência conquistados. Há clientes que inserem tal necessidade em contratos. Exemplo: cláusulas 4a, letra "j", e 7a, de Global Village Telecom Ltda. Observase, Adicionalmente que a empresa Expresso Mercúrio S/A desenvolveu um sofisticado software chamado de VOL (veículo on line), o qual permitia ao motorista, através de um simples comando no celular (que possuía esse software) informar ao cliente que a sua mercadoria havia sido entregue ao destinatário final com um delay de apenas 3 minutos no máximo. Este software, por sinal, foi copiado e adotado pela empresa TNT em todas suas operações mundiais em mais de 120 países. Seguro de cargas aéreas 41124.01 672.989,80 A empresa opera com transportes rodoviários e também aéreos, obrigandose, por determinação legal e também de clientes, a contratar seguro. Exemplo: recibo anexo e cláusula T, parágrafo único, "b", do contrato firmado com Dr. Reddys Farmacêutica do Brasil Ltda. Seguro de veículos 41133.09 471.769,02 A frota de veículos da empresa, com cerca de MIL CAMINHÕES e outros veículos para coletas urbanas, exige permanente manutenção de contratos de seguros. As contratações de seguros eram concentradas na empresa APISUL, segundo expediente anexo. Condomínio 9 41141.06 341.549,54 A empresa, por suas filiais ao longo do território do País, possui estabelecimentos sujeitos ao pagamento de despesas condominiais. Taxas rodoviárias 41133.16 324.444,85 Essa conta acolhia registro de pagamento de taxas rodoviárias diversas, inclusive IPVA da frota e rateios respectivos pelos estabelecimentos matriz e filiais / depósitos da empresa. Conservação e manutenção 42142.01 234.696,21 Utilizando bens móveis, imóveis e equipamentos ao longo do território do País, a empresa necessita fazer sua manutenção periódica Indenizações 10 41121.08 227.360,54 Na prestação de serviços, a empresa está sujeita a diversos percalços, inclusive fora e além de sua previsão, acarretando eventuais avarias e atrasos na entrega. Ocorrendo esses casos, é necessária a indenização, inclusive para manter o bom conceito da companhia no mercado em que opera. 9 Lembrese que dentre as atividades do objeto social da empresa está servir de “armazémgeral”. 10 Art. 291 do RIR/99. Integrará também o custo o valor: I das quebras e perdas razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e manuseio; Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 124 27 Serviços de EDI 41142.04 202.824,09 A sofisticação dos sistemas acarreta progressivas necessidades. É o caso da EDI Eletronic Data Interchange ou Intercâmbio Eletrônico de Dados, ferramenta que substitui os documentos impressos por documentos eletrônicos, significando uma expressiva redução de custos na empresa e preservação da natureza. Seguro de Cargas rodoviário 42124.02 190.448,78 Os Contratos de Transporte previam a obrigação de contratação de seguro de cargas rodoviárias, conforme demonstram a cláusula 8a, parágrafo único do Contrato com a Renault do Brasil Comércio e Participações Ltda., a cláusula 3.14 do contrato firmado com a Danisco Brasil Ltda., a Cláusula Terceira, Parágrafo Segundo, do Contrato com a CEMIG Distribuição S/A Manutenção e desenvolvimento de Software 42144.03 147.171,36 A empresa opera na área de transportes nacionais e precisa acompanhar e divulgar inclusive aos clientes o andamento de suas encomendas. Isso seria impossível sem o correto funcionamento e desenvolvimento periódicos de seus softwares. Prova do afirmado está no Contrato de Prestação de Serviços de Transporte de Cargas com Intendis do Brasil Farmecêutica Ltda., cláusula 6a, §§ 2o e 3o (Anexo 050), entre outros Material de expediente 42121.02 127.583.80 idem Rede interna wan 42143.02 111.463,33 idem Bens não imobilizados11 41123.02 96.446,77 Valores relativos a itens com valores inferiores ao critério fiscal ou com duração menor que um ano que foram registrados diretamente no resultado. Entre os diversos itens para o aparelhamento da frota, a empresa disponibiliza a seus motoristas rádios comunicadores e telefones celulares. A esse respeito, Observa se que a empresa Expresso Mercúrio S/A desenvolveu um sofisticado software chamado de VOL (veículo on line), o qual permitia ao motorista, através de um simples comando no celular (que possuía esse software) informar ao cliente que a sua mercadoria havia sido entregue ao destinatário final com um delay de apenas 3 minutos no máximo. Este software, por sinal, foi copiado e adotado pela empresa TNT em todas as suas operações mundiais em mais de 120 países. 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS OU PEÇAS APLICADOS OU CONSUMIDOS NA MANUTENÇÃO DE MOLDES. CRÉDITOS. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, as despesas com aquisição de materiais ou peças aplicados ou consumidos na manutenção de moldes utilizados na produção ou na fabricação de bens ou de produtos destinados à venda geram créditos, desde que tais materiais ou peças não acrescentem vida útil superior a um ano aos referidos moldes, atendidos os demais requisitos da legislação de regência. NÃO CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS APLICADOS OU CONSUMIDOS NA MANUTENÇÃO DE MOLDES. CRÉDITOS. No regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, as despesas com aquisição de serviços aplicados ou consumidos na manutenção de moldes utilizados na produção ou na fabricação de bens ou de produtos destinados à venda geram créditos, desde que tais serviços não acrescentem Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 28 Armazenagem e estadia 41141.05 80.563,32 A empresa utiliza serviços de armazenagem e estadia, necessariamente, para seus caminhões com mercadorias neles transportadas, especialmente em paradas de viagens e naquelas situações em que os destinatários de clientes, por algum motivo, se recusavam a receber a mercadoria (alegando, por exemplo, que a mercadoria era diferente da que fora adquirida e encomendada), e, enquanto o remetente e o destinatário discutiam o assunto, a mercadoria (muitas vezes em mais de um caminhão com o mesmo tipo de mercadoria para o mesmo cliente) precisava ser armazenada em locais apropriados e alugados especificamente para isto. Aluguel de software 42141.03 79.930,15 Para atingir suas finalidades, a empresa necessita contar com softwares de propriedade de terceiros. Exemplos: licenciamento obtido por locação junto à EBCT e Sistemas de Controle Patrimonial SISPRO, entre outros. Serviços de rastreamento 41133.11 38.564,76 Para monitorar os transportes de cargas e encomendas, a empresa necessitava de serviços de controle e rastreamento. Alguns clientes exigem isso, inclusive nos contratos. Exemplo: Contrato de Prestação de Serviços de Transporte para DANISCO Brasil Ltda., cláusula 3.23, e Contrato Intendis do Brasil Farmecêutica Ltda., cláusula 6a, §§ 2o e 3o, entre outros. Emplacamento 41133.03 35.237,77 Esta conta acolhe as despesas com emplacamentos de veículos da frota da empresa. Despesas com estacionamento 41123.05 29.826,95 A empresa utiliza serviços de armazenagem e estadia, 71necessariamente, para seus caminhões com m7ercadorias neles transportadas, especialmente em par2adas de viagens. Veículos locados 42232.08 23.861,05 Valores dispendidos com aluguéis de veículos utilizados nas atividades da empresa. Eventualmente, a empresa lança mão de veículos de terceiros, a fim de complementar demanda de clientes. Veículos locados 42132.08 18.637,63 idem Serviços de EDI 42143.03 16.420,18 Idem Aluguel de veículos 42122.01 14.873,37 idem Peças e acessórios 42233.01 11.532,50 Esta conta registra a compra de peças e acessórios para os veiculos de sua frota. Acrescentase que a empresa vida útil superior a um ano aos referidos moldes, atendidos os demais requisitos da legislação de regência. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º; Lei nº 10.865, de 2004, arts. 15 e 53; RIR, art. 346; IN SRF nº 247, de 2002, arts. 66 e 67. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS (Solução de Divergência nº 15/13 CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação COSIT Data da Decisão 07/08/2013 Data de Publicação 16/08/2013). Grifei. Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 125 29 conta inclusive com uma sofisticada oficina para a reforma e manutenção dos seus veículos Despesa de depreciação 42222.08 10.034,28 As despesas de depreciação estão registradas, para fins de PIS/COFINS, efe. planilha anexa. Despachos aduaneiros12 41121.02 7.100,00 idem Bens não imobilizados 42222.04 3.801,43 Valores relativos a itens com valores inferiores ao critério fiscal ou com duração menor que um ano que foram registrados diretamente no resultado. Entre os diversos itens para o aparelhamento da frota, a empresa disponibiliza a seus motoristas rádios comunicadores e telefones celulares. A esse respeito, Observase que a empresa Expresso Mercúrio S/A desenvolveu um sofisticado software chamado de VOL (veículo on line), o qual permitia ao motorista, através de um simples comando no celular (que possuía esse software) informar ao cliente que a sua mercadoria havia sido entregue ao destinatário final com um delay de apenas 3 minutos no máximo. Este software, por sinal, foi copiado e adotado pela empresa TNT em todas as suas operações mundiais em mais de 120 países Aluguel de veículos 42222.01 2.300,93 Valores dispendidos com aluguéis de veículos utilizados nas atividades da empresa. Já foi referido, antes, que a nomenclatura da conta não espelha a natureza dos veículos locados: a conta acolhe diversos registros de locação de empilhadeiras, conforme exemplificam os documentos anexos. Taxas rodoviárias 42232.09 1.306,34 idem Despesas com estacionamento 42122.06 1.288,75 idem Utensílios e ferramentas 42133.02 1.112,29 0 manuseio de materiais no embarque e desembarque de determinadas cargas exige o uso de ferramentas e luvas especiais. Seguros de veículos 42232.06 332,76 Os veiculos da empresa trafegam devidamente segurados. Os seguros são contratados através da empresa APISUL, de modo centralizado. 12 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 30 Material de conservação 42121.01 299,60 Para manter seus estabelecimentos e veículos em perfeita condição de uso para o fim a que se destinam, é ecessário utilizar produtos e equipamentos específicos. Conservação e manutenção 42243.01 270,61 idem Taxas rodoviárias 42132.09 153,66 idem 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente recurso voluntário, para cancelar a glosa de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS, referidos na Tabela II, destacada acima. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Voto Vencedor Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Com toda a consideração, discordo da conclusão da Ilustre Conselheira Relatora, tendo em vista que deve ser mantido a glosa de créditos sobre as aquisições de Material de Expediente relacionados nas contas do quadro abaixo (extraído do voto): Conta Rubrica Contábil Total acumulado (R$) Justificativa para insumo Material de expediente 41123.07 1.341.303,50 Aquisição de formulários, conhecimentos de transporte, quadros de avisos, etc. Material de expediente 42121.02 127.583.80 idem O direito ao crédito de PIS e COFINS sobre os “insumos” das empresas prestadoras de serviços e das fabricantes de produtos destinados à venda está previsto nas Leis Federais nºs 10.637/02 e 10.833/03: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11080.725358/201183 Acórdão n.º 3402003.064 S3C4T2 Fl. 126 31 bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi;” Consta dos autos que a empresa Recorrente desenvolve o ramo de prestação de serviços de transporte rodoviário de cargas e encomendas. Entendo que na conta contábil "material de expediente", deve estar escriturado todo o material consumido na rotina de trabalho da empresa. Além dos citados pela empresa no quadro acima, configurase como materiais de expediente, por exemplo: agenda, almofada para carimbos, apontador de lápis, bandeja para papéis, bloco para rascunho, bobina papel para calculadoras, borracha, caderno, caneta, envelope, extrator de grampos, fita adesiva, grampeador, grampos, impressos, formulário em geral, etc. Verificase que em seu recurso voluntário às fl. 1.443, a Recorrente aduz o seguinte sobre suas contas contábeis: "(...) As contas contábeis acima se repetem quanto à nomenclatura , e ostentam códigos diversos, porque eram abertas, nos registros da empresa, em três áreas diferentes, para fins de controle gerencial: operacional, administrativa e comercial. Todas, contudo, direcionadas a registrar os custos e despesas com as atividades operacionais da Sociedade. Acrescentase que estes dispêndios são direcionados, todos eles, a bem aparelhar os serviços de transportes de carga da companhia aqui Recorrente, com a excelência pretendida, e, com isso, obter a maior receita possível" Como se vê, nesta conta de material de expediente, entendo que deve estar incluído todo o material utilizado no diaadia da área administrativa da empresa e não se pode considerar como insumo as despesas normais ou gerais, que não se aplicam (de forma direta) na execução dos serviços realizados pela Recorrente. Como muito bem abordado pelo voto condutor, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita. Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99, para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Desta forma, adotandose o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. No caso, os bens aqui tratados (material de expediente), não foram adquiridos para serem utilizados na execução da prestação do serviço de transporte, ou seja, a prestação do serviço não é dependente dessas aquisições (essencialidade ao processo produtivo atividade fim de transporte). O direito ao crédito deve ser visto do ponto de vista finalístico. Aquilo que é adquirido para auferir receita ou, em outras palavras, em razão da venda de serviços. O insumo representa um meio para atingir o fim, que é a receita. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 32 Neste contexto, concluise que as despesas pagas a pessoas jurídicas, incorridos com material de expediente (como os exemplificados pela empresa e discriminadas nas notas fiscais anexadas às fls. 823/827 e 1.072/1.073 formulários, quadro, placas, etc), não são aplicados na atividade de prestação de serviços de transportes e, portanto, não podem constituir insumos da prestação de serviços de transportes e sim enquadradas como despesas gerais/administrativas da empresa (atividade meio), e que portanto, não podem gerar créditos dedutíveis da contribuição. Desta forma, no caso em discussão, divergindo da Relatora, entendo que essas despesas não podem gerar o crédito pretendido, por não serem insumos, e por lhe faltar previsão na legislação, pois o artigo 3º, da Lei nº 10.637/2002, e artigo 3º da Lei n.º 10.833/2003, com a redação dos artigos alterada pela Lei n.º 10.865/2004, não prevêem o direito a crédito para despesas administrativas. Posto isto, proponho ao Colegiado negar provimento ao recurso voluntário às aquisições de material de expediente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 3 1/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16682.720793/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2008
IPI.CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. LEGITIMIDADE
Houvesse indicio consistente de que a EC nº 3/93 não teria sido considerada no teor do acórdão proferido em reexame necessário pelo TRF2, deveria a Procuradoria da Fazenda Nacional ter agido para reverter a sentença, o que não ocorreu, tendo a ação transitada em julgado como bem jurídico a ser respeitado pelo Fisco.
RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011.
O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte. Condicionantes não satisfeitas, mantém-se incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada.
RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO.
Numero da decisão: 3402-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto ficou vencido quanto à preliminar de não admissibilidade do recurso de ofício e apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM
Presidente
VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
Relatora
Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. LEGITIMIDADE Houvesse indicio consistente de que a EC nº 3/93 não teria sido considerada no teor do acórdão proferido em reexame necessário pelo TRF2, deveria a Procuradoria da Fazenda Nacional ter agido para reverter a sentença, o que não ocorreu, tendo a ação transitada em julgado como bem jurídico a ser respeitado pelo Fisco. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte. Condicionantes não satisfeitas, mantémse incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO PROVIMENTO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara/ 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento do recurso de ofício. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto ficou vencido quanto à preliminar de não admissibilidade do recurso de ofício e apresentou declaração de voto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 07 93 /2 01 2- 37 Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 2 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente VALDETE APARECIDA MARINHEIRO Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório O presente processo está muito bem relatado em Relatório de fls. 03 a 16 dos autos emanados da decisão DRJ/JFA, por meio do voto do relator Carlos Romero Cezar do Amaral nos seguintes termos: “A impugnação é tempestiva, dela, portanto tomo conhecimento. Pode se deduzir a questão posta em julgamento a partir dos seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal: “Foram constatados em procedimento de análise do RAIPI no período de outubro de 2007 a setembro de 2008, lançamentos de IPI efetuados pelo contribuinte a título de OUTROS CRÉDITOS, referentes à aquisição de produtos de seu fornecedor RECOFARMA IND DO AMAZONAS LTDA., localizado na Zona Franca de Manaus. (...) De acordo com o RAIPI, o contribuinte creditouse, como se devido fosse, do IPI incidente sobre as aquisições de matérias primas isentas (concentrado – código 2106.90 da TIPI) utilizadas na industrialização dos seus produtos (código 2202.10 da TIPI), adquiridos da empresa RECOFARMA, situada na Zona Franca de Manaus. Os valores escriturados pelo contribuinte no RAIPI a título de OUTROS CRÉDITOS foram calculados à alíquota de 27% sobre o valor total das notas fiscais emitidas (...) Em resposta à intimação, o contribuinte informa que possui ordem judicial definitiva proferida nos autos do Mandado de Segurança nº91.00287245, transitada em julgado em 13.03.2000, que garante o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumo isento, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes, adquirido de estabelecimento na Zona Franca de Manaus. Cabe salientar que a empresa Rio de Janeiro Refrescos justifica sua pretensão à compensação tributária arrimando se na existência de crédito de IPI, fundado em decisão judicial transitada em julgado, nos autos do mandado de segurança impetrado em 1991, que lhe reconhece o direito de creditar se, quando da aquisição de insumo isento proveniente da Zona Franca de Manaus. Tal decisão judicial filia se à tese de que a não cumulatividade, conforme deduzida do texto constitucional, autoriza o creditamento de IPI a fabricante de produto tributado na Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 3 3 entrada de insumo isento utilizado no processo produtivo, exegese discordante daquela que hoje prevalece na Corte Suprema, na linha dos Recursos Extraordinários nº 460.785, 562.980, 353.657, 370.682 e 566.819. (...) Em estudos realizados por esta Especializada com o intuito de verificar o alcance da medida judicial apresentada pelo contribuinte, culminaram na preparação do Parecer Demac/RJO nº1/2012, ..., onde se conclui que a fiscalizada não faz jus ao creditamento de IPI na aquisição de insumos isentos adquiridos na Zona Franca de Manaus. ” Localizada está a razão de ser do lançamento. A contribuinte adquiriu insumo (concentrado – TIPI 2106.90) em operação abrangida pela isenção objetiva atinente à saída de produtos da ZFM. Malgrado a falta de destaque do IPI na nota fiscal (operação isenta), a Rio de Janeiro Refrescos creditou se do imposto que seria devido caso a saída tributada fosse. A trilha de cálculo seguida foi a aplicação da alíquota ad valorem de 27% sobre o total consignado na nota fiscal, alíquota esta prevista para o já citado código TIPI 2106.90. Valeu se a contribuinte, para assim proceder, da tutela jurídica obtida no MS 91.00287245, com trânsito em julgado ocorrido em 13 de março de 2000. A DEMAC/RJO, debruçando se sobre o arcabouço jurídico que culminou com o aproveitamento escritural de créditos não incidentes nas notas de compra da RECOFARMA, houve por bem exarar o Parecer Demac/RJO nº1/2012, que afastou a legitimidade do creditamento realizado pela Impugnante sob a seguinte premissa: “... concluise que a impetrante não faz jus ao creditamento de IPI na aquisição de insumo isento, como quer fazer crer, para tanto escorada na sentença judicial transitada em julgado, nos autos de mandado de segurança impetrado em 1991, porque o artigo 150, §6º da Constituição da República, introduzido pela EC nº 3/1993, obstou os efeitos da norma individual resultante da sentença, a partir dos fatos geradores ocorridos desde o dia 18 de março de 1993, dia da publicação da referida emenda. ” Fatos colocados, vamos a uma linha do tempo como primeiro mecanismo de análise. O evento impeditivo da fruição do crédito presumido em questão seria a entrada em vigor da EC nº 3/93, que tomou lugar em 18 de março de 1993; Já o trânsito em julgado do MS 91.00287245 ocorreu em 13 de março de 2000. Tomado o tempo como parâmetro, estaríamos, em realidade, diante de um provimento natimorto: o bem jurídico obtido pela contribuinte não teria qualquer validade, nem tampouco qualquer efeito prático, pois teria nascido em desrespeito a uma norma material que obstaculizava seu surgimento.Dito de outra forma, teria a contribuinte, ao mesmo tempo, conquistado, pelo trânsito em julgado, o direito de se creditar do IPI incidente nas operações de Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 4 saídas de mercadorias da ZFM com isenção do citado imposto e, ato contínuo, perdido o direito conquistado pela constatação da presença de fato impeditivo da tutela auferida (EC nº 3/93). A tese contida no parecer da Demac/RJO seria então no sentido de que eventos anteriores à coisa julgada poderiam ser considerados como pontos de suporte jurídico para que esta, a coisa julgada, fosse afastada como elemento legitimador de direitos nela conquistados. Vejamos a dicção do art.462 do Código de Processo Civil: Art.462Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento da lide, caberá ao juiz tomalo em consideração de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a sentença. (Nosso sublinhado) A entrada em vigor da EC nº3/1993, que passou a exigir a edição de lei para gozo de créditos escriturais presumidos, mostrase como fator extintivo do direito pleiteado pela Defendente a ser levado em conta pelo magistrado, de acordo com o citado art.462 do CPC, nas decisões supervenientes proferidas no processo. A esse respeito, seguem duas manifestações do STJ (AgRg no Ag 960.212/RS e AgRg no Ag 1330124/SP, julgados respectivamente em 27/03/2008 e 17/05/2012): PROCESSUAL CIVIL. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO.OFENSA AO ART.462 DO CPC. QUESTÃO RELATIVA À OCORRÊNCIA DE FATO SUPERVENIENTE NÃO ABORDADA PELA CORTE DE ORIGEM. RETORNO DOS AUTOS. NECESSIDADE. 1.O fato constitutivo, modificativo ou extintivo de direito, superveniente à propositura da ação deve ser levado em consideração, de ofício ou a requerimento das partes, pelo julgador, uma vez que a lide deve ser composta como ela se apresenta no momento da entrega da prestação jurisdicional. 2.Opostos os cabíveis embargos de declaração visando provocar a manifestação do Tribunal Estadual, mantendose esse silente sobre a questão, e tendo o especial trazido a indicação precisa da matéria não examinada, o reconhecimento da existência de omissão no acórdão recorrido e o envio dos autos à Corte de origem é medida que se impõe. ADMINISTRATIVO.PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXCOMBATENTE. APLICAÇÃO DO ART.462 DO CPC. JULGAMENTO EXTRA PETITA. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1.Conquanto a parte autora houvesse ajuizado em 7/8/85 a ação ordinária em que pleiteava o recebimento da pensão especial de excombatente prevista na Lei 4.242/63, o Tribunal de origem reformou a sentença de improcedência para, com base no art.462 do CPC, assegurar à autora o direito à pensão especial de Segundo Tenente, prevista no art.53, II, do ADCT. 2.Nas instâncias ordinárias cabe ao magistrado, no momento de proferir a sentença, tomar em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, a superveniência de lei nova (jus superveniens), nos termos do art.462, do CPC. Nestes casos, não há que se cogitar de julgamento extra petita. Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 4 5 A jurisprudência é mansa no sentido de que o magistrado deve considerar, inclusive de ofício, as circunstâncias supervenientes com que se deparar no transcurso do processo. Omissão constatada, devem os autos retornar ao magistrado que, ao decidir, ignorou alterações de fato e/ou de direito que influiriam no perfil do rompimento demandado na ação. Ou seja, é nula a sentença na qual a prestação jurisdicional tenha sido forjada sem tomar em conta elementos surgidos a posteriori com potencial de interferência na decisão final. Dessa forma, invocar ilegitimidade da coisa julgada com fulcro em ato legal interveniente surgido antes do provimento final é, sem dúvida, trabalhar com a hipótese de omissão cometida no julgamento da lide. Ocorre que, se omissão houve, deveria a Fazenda Pública ter agido por meio da apresentação de todos os remédios recursais cabíveis. Mas não o fez. Segundo informações obtidas nos autos, a Fazenda não só não apresentou embargos, como também deixou escoar o prazo para apresentar apelação contra a sentença de primeiro grau (apelação intempestiva segundo se lê na decisão do TRF2 que decidiu em sede reexame necessário – art.475, inciso II, do CPC). Igualmente não há notícia de qualquer ação rescisória. O citado reexame necessário, origem da coisa julgada material obtida no MS 91.00287245, refletiu nada mais do que o estado de fato e de direito existente no momento do julgamento da demanda, como exige o art.462 do CPC. Se dúvidas houvesse a respeito, tivesse agido a Fazenda; E ela não o fez. Interessante notar que, ao se analisar a parte dispositiva do acórdão do TRF2, concluise pela improbabilidade de o tribunal ter simplesmente negligenciado, em sua formação de convicção, a existência da EC nº3/93. Vejamos: “Vale destacar, ainda, que não havendo na Constituição Federal de 1988, nenhuma restrição expressa ao direito pleiteado, dispositivos e normas infraconstitucionais, como o RIPI/82, não podem prosperar, vez que não legitimados pelos preceitos constitucionais vigentes. Assim, é de se confirmar a sentença do Juízo singular. Pelo exposto, nego provimento à remessa necessária. ” Ora, o tribunal sublinhou a inexistência na Constituição Federal de 1988 de restrição ao direito pleiteado, o que significa dizer que o juízo de mérito foi, muito provavelmente, forjado a partir da análise de todo o texto constitucional em vigor à época da prolação do acórdão. Não seria razoável inferir que o TRF2, para realizar o reexame necessário, eliminou do foco de análise justamente a EC Nº3/93, inserida está num arcabouço de mais de trinta emendas. A meu sentir, o TRF2, fiel ao comando contido no art.462 do CPC, analisou a pertinência da prestação jurisdicional solicitada à luz das normas em vigência no momento da decisão judicial, não se cogitando, por claramente Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 6 inverossímil, a hipótese de erro in judicando por desprezo a suposto fato extintivo preexistente. E repisese: se houvesse indício claro de erro de tal natureza, deveria a Procuradoria da Fazenda Nacional ter agido para reverter a sentença, o que, como já foi dito, não ocorreu. Não houve rescisória, nem impugnação por erro material, nem mesmo por sentença inconstitucional (art.475L, §1º, e art.471, §único do CPC). A meu sentir, a análise da Demac, salvo melhor juízo, peca também por negligência ao disposto no art.474 do CPC cuja dicção é a seguinte: “Art.474Passada em julgado a sentença de mérito, reputarseão deduzidas e repelidas todas as alegações e defesas, que a parte poderia opor assim ao acolhimento como à rejeição do pedido. ” O artigo trata do chamado efeito preclusivo da coisa julgada, bem comentado por Fredie Didier (Curso de Direito Processual Civil, vol.2, pág.426/427, Ed.Podivm): “Segundo o art.474 do CPC, transitada em julgado a decisão definitiva da causa, todas as alegações e defesas que poderiam ter sido formuladas para o acolhimento ou rejeição do pedido reputamse argüidas e repelidas; Tornamse irrelevantes todos os argumentos e provas que as partes tinham a alegar ou produzir em favor da sua tese. Com a formação da coisa julgada, preclui a possibilidade de rediscussão de todos os argumentos – “alegações e defesas”, na dicção legal – que poderiam ter sido suscitados, mas não foram. A coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível). Eis o efeito preclusivo da coisa julgada, chamado por algum “julgamento implícito”. Qualquer mudança que porventura se busque fazer na decisão transita em julgado, em regra somente por rescisória será permitida. Perceba, inclusive, que as matérias de defesa na execução (art.475L e art.741, ressalvados os respectivos incisos I, que permitem a querela nullitatis), dizem respeito apenas a fatos posteriores ao trânsito em julgado da decisão. ” Penso que a hermenêutica do artigo 474 do CPC faz ruir de vez a possibilidade de incidência de um novo olhar sobre a sentença transitada em julgado a partir da entrada em vigor da EC nº3/93. Como bem frisou Didier, “a coisa julgada torna preclusa a possibilidade de discutir o deduzido e torna irrelevante suscitar o que poderia ter sido deduzido (o dedutível) ”. A bem dizer, a emenda constitucional em questão seria o dedutível que deixou de ser deduzido pela União no transcurso da ação, especialmente a partir da prolação do acórdão vinculado ao reexame necessário. Embargos, agravos e outros remédios poderiam ter sido apresentados com o fito de voltar a atenção do magistrado para a pretensa nova realidade jurídica trazida a lume pela EC nº3/93. Como isso não ocorreu, operouse o “julgamento implícito”; e isso é irrefutável. Em sequência, detenhamonos sobre uma característica interessante das relações jurídicas de natureza tributária: o seu perfil continuativo. Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 5 7 A esse respeito, vejamos os ensinamentos de Fredie Didier em Curso de Direito Processual Civil, 4ª ed., volume 2, pág.432/433: “Normalmente não são admitidas as chamadas “sentenças futuras”, aquelas que regram situações ainda não consumadas (futuras). Isso porque, diante de uma situação ainda não concretizada, faltaria interesse processual da parte para desencadear a prestação jurisdicional. Excepcionamse, contudo, aquelas sentenças que recaiam sobre situações futuras que estejam vinculadas a situações presentes. É o caso das sentenças que disciplinam relações jurídicas continuativas que têm por objeto obrigações homogêneas de trato sucessivo – também chamada por alguns, ..., de sentenças determinativas ou dispositivas. Nada mais são que sentenças que versam sobre relação jurídica que se projeta no tempo, que não é instantânea, normalmente envolvendo prestações periódicas – como aquelas decorrentes de relações família, de alimentos, relações tributárias e previdenciárias, locatícias etc. O art.471 do CPC cuida do assunto: “Art.471.Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; Caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença. ” O dispositivo supracitado autorizaria, ecoa certa doutrina, o reexame de decisão sobre relação jurídica continuativa, em caso de modificação superveniente de fato ou de direito, mediante simples ação de revisão. Portanto, tais decisões não se tornariam imutáveis e indiscutíveis pela coisa julgada material. A possibilidade de modificação a qualquer tempo de tais sentenças não se poderia compatibilizar com a idéia da imutabilidade ínsita no conceito de coisa julgada. Tratase, entretanto, de concepção equivocada. Tais sentenças, como todas as outras, são aptas a produzir coisa julgada material. Expliquese. Modificando –se os fatos que dão ensejo à relação jurídica continuativa (e o próprio direito), ..., temse a possibilidade de propositura de uma nova ação, com elementos distintos (nova causa de pedir/ novo pedido), que é a chamada ação de revisão. A coisa julgada não pode impedir a rediscussão do tema por fatos supervenientes ao trânsito em julgado.... Ao depararse com a ação de revisão, o juiz estará julgando uma demanda diferente, pautada em nova causa de pedir (composta de fatos jurídicos novos) e um novo pedido. Com isso, gerará uma nova decisão e uma nova coisa julgada, sobre esta nova situação, que não desrespeitará, em nada, a coisa julgada formada para a situação anterior. Sentença sobre relação jurídica continuativa faz, sim, coisa julgada material. Para a relação jurídica continuativa, identificada por aqueles quadros fático em jurídico, há uma decisão transitada em julgado, indiscutível. ” A lição do ilustre processualista é exaustiva. Mesmo nas relações jurídicas de trato continuado há, sim, de se falar em coisa julgada. Ou seja, a decisão fundada em fatos conhecidos à época de sua prolação deve ser respeitada e constitui bem jurídico em favor da parte que obteve êxito na demanda. Isso quer dizer que a tutela definitiva obtida pela Rio de Janeiro Refrescos, em que pese tratarse de trato continuado, fez coisa julgada em seu favor, cabendo ação de revisão apenas quando esta – a ação de revisão se baseie Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 8 em alterações observadas no panorama fático jurídico que serviu de supedâneo para a decisão anterior com trânsito em julgado. Não houve ação de revisão, e mesmo que tivesse havido, os efeitos, se porventura favoráveis à Fazenda Pública, só incidiriam sobre os novos fatos deduzidos na nova ação. Não há de se falar jamais em efeito ex tunc; O efeito do novo provimento é sempre ex nunc. Até aqui, não há qualquer elemento jurídico, ou mesmo fático, que conspire em favor da tese esposada pelo autor dos lançamentos consignados no auto de infração. Vejamos agora o que diz o Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, balizador jurídico das ações do Fisco em face de provimentos com trânsito em julgado. O item 98 do citado parecer assim dispõe: “Num segundo momento, as considerações de ordem práticas são voltadas àquele Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil que, eventualmente, em suas atividades fiscalizatórias, verificar que determinada pessoa física ou jurídica não está recolhendo determinado tributo sob a justificativa de que tal conduta se encontra respaldada em coisa julgada tributária, na qual se reconheceu, por exemplo, a inexistência da correspondente relação jurídica tributária de trato sucessivo face à inconstitucionalidade da respectiva lei de incidência. Nessa tese, caso constate que tal lei já foi reconhecida como constitucional por precedente objetivo e definitivo da Suprema Corte (ver parágrafo 51 deste Parecer), o Auditor Fiscal deverá adotar as seguintes providências: (nosso grifo e sublinhado) 1a — iniciar os procedimentos administrativos tendentes a constituir o crédito tributário relativo aos fatos geradores praticados pelo contribuinte autor após o advento do precedente do STF, ou após publicação deste Parecer, conforme o caso. 2a — dar ciência de tal fato à unidade da Procuradoria da Fazenda Nacional do domicílio fiscal do contribuinte autor, de modo a possibilitar que a PGFN analise o cabimento, no caso, de ação rescisória a fim de desconstituir a anterior coisa julgada tributária, o que, conforme isto, viabilizaria a cobrança do tributo que deixou de ser pago no passado, durante o período em que a decisão tributária transitada em julgado ainda produzia efeitos, observados, sempre, os parâmetros fixados no Parecer PGFN/CRJ n. 2740/2008.” O citado parágrafo 51 diz: “Assim, as razões expostas ao longo deste tópico indicam que, por serem objetivas e definitivas, possuem força para, com o seu advento, impactar ou alterar o sistema jurídico vigente, os seguintes precedentes do STF: (i) todos os formados em controle concentrado de constitucionalidade, independentemente da época em que prolatados; (ii) quando posteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham resultado de julgamento realizado nos moldes do art. 543B do CPC; (iii) quando anteriores a 3 de maio de 2007, aqueles formados em sede de controle difuso de constitucionalidade, seguidos, ou não, de Resolução Senatorial, desde que, nesse último caso, tenham sido oriundos do Plenário do STF e sejam confirmados em julgados posteriores da Suprema Corte. ” 1 De acordo com o Parecer, os parâmetros para que se legitime a ação do Fisco que, ao realizar o lançamento, desconsiderou decisão judicial transitada Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 6 9 em julgado, estão bastante claros: o auditor pode afastar a coisa julgada obtida pelo contribuinte desde que identifique a existência de precedente definitivo e objetivo do STF em controle concentrado ou difuso, sendo que, para a última hipótese, deve o recurso ter sido julgado nos moldes do art.543B do CPC. No caso em exame, trouxe o fiscal ao processo os precedentes RE 353.657, RE 370.682, RE 460.785, 562.980 e RE 566.819. Desafortunadamente, nenhum deles ultrapassa a trava da identidade matéria, traduzida no parecer como objetividade. Vejamos: RE 353.657 e RE 370.682 tratam da possibilidade de creditamento do IPI na aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados (NT), sem qualquer enfrentamento da questão referente aos insumos isentos oriundos da ZFM. RE 460.785 e 562.980 tratam da possibilidade de aplicação retroativa da Lei nº 9.779, que a manutenção do crédito do IPI incidente sobre insumos utilizados na produção de produto isento ou tributado com alíquota zero. RE 566.819 trata da possibilidade de creditamento do IPI na aquisição de insumos isentos (isenção objetiva), sem considerar a origem dos insumos adquiridos, o que afasta a identidade de matéria exigida no parecer. Quanto à definitividade, mesmo presente esta em quatro dos cinco Recursos Extraordinários, seus efeitos só se fariam sentir a partir da obtenção do provimento final, alcançada sempre entre 2010 e 2012, o que afastaria a aplicabilidade de qualquer um em se tratando, como se trata no caso posto em julgamento, de fatos geradores ocorridos em 2007 e 2008, seguindose aí a trilha da exegese que se extrai do Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011: “Face aos princípios da segurança jurídica, da não surpresa e da proteção à confiança, bem como por força do art. 146 do CTN, nas hipóteses em que o advento do precedente objetivo e definitivo do STF e a conseqüente cessação da eficácia da decisão tributária transitada em julgado sejam pretéritos ao presente Parecer, a publicação deste configura o marco inicial a partir do qual o Fisco retoma o direito de cobrar o tributo em relação aos fatos geradores praticados pelo contribuinte autor. ” Quer dizer, além de os julgados invocados no lançamento não revestirem a condição de lide proposta em controle concentrado, nem em controle difuso com reconhecimento de repercussão geral (exceção feita somente ao RE 562.980, que trata da Lei 9.779/99), seus objetos não dizem respeito à controvérsia acerca do creditamento na compra de insumos oriundos da ZFM albergados pela isenção de origem e, além disso, sua definitividade não abrangeria os fatos geradores identificados no auto de infração. Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 10 Vale dizer que o único recurso especial com status de repercussão geral reconhecida e que trata da manutenção do crédito escritural nas compras com isenção feitas junto a fornecedores localizados na ZFM é o RE 592.891: RE 592.891 RG/SP – SÃO PAULO REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. Ellen Gracie Julgamento: 21/10/2010 Ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOSIPI. NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO AO CREDITAMENTO NA ENTRADA DE INSUMOS PROVENIENTES DA ZONA FRANCA DE MANAUS. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Ocorre que o citado RE sequer foi julgado, o que impede, por óbvio, sua utilização como parâmetro para glosa de créditos escriturais advindos de compras realizadas na ZFM. Sumariando minha convicção, tenho por certo que a tutela obtida pela Recorrente, transitada em julgado em 13 de março de 2000, deve ser respeitada, tendo em vista a inação da Procuradoria da Fazenda Nacional e a ineficácia, para o caso em tela e à luz do disposto no Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011, dos precedentes judiciais insertos nos Res 353.657, 370.682, 460.785, 562.980 e 566.819. Em sendo assim, VOTO pela IMPROCEDÊNCIA dos autos de infração de fls.1034 a 1048 e 1052 a 1059. ” A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 0946.056 de fls. 2 traz a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2008 IPI. CRÉDITO BÁSICO. INSUMOS ADQUIRIDOS DA ZONA FRANCA DE MANAUS COM ISENÇÃO. MANUTENÇÃO DO CRÉDITO. SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO. LEGITIMIDADE Houvesse indicio consistente de que a EC nº 3/93 não teria sido considerada no teor do acórdão proferido em reexame necessário pelo TRF2, deveria a Procuradoria da Fazenda Nacional ter agido para reverter a sentença, o que não ocorreu, tendo a ação transitada em julgado como bem jurídico a ser respeitado pelo Fisco. RELAÇÃO JURÍDICA DE TRATO CONTINUADO. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE FATO OU DE DIREITO. PARECER PGFN/CRJ/nº 492/2011. O Parecer PGFN/CRJ/nº 492/2011 exige, além do controle concentrado ou da repercussão geral, a definitividade e a objetividade das decisões do STF tomadas como parâmetro para a perda de efeito vinculante dos provimentos com trânsito em julgado porventura obtidos pelo contribuinte. Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 7 11 Condicionantes não satisfeitas, mantémse incólume a legitimidade dos atos praticados em sintonia com a tutela conquistada. Impugnação Procedente Crédito Tributário exonerado. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro, O presente Recurso de Oficio foi submetido à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. Conforme o relatado o presente processo originouse da lavratura de Autos de Infração contra a contribuinte acima epigrafada, para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários no montante total de R$ 119.852.903,56 e 48.591.254,23, conforme termo de verificação fiscal de fls, 995 a 1032 O procedimento fiscal levado a cabo junto ao estabelecimento industrial foi respaldado pelo MF nº 71.1.85.002011.006662, instaurado em decorrência de Inferência Fiscal nº 35/2011, elaborada pela Divisão de Programação da Delegacia (Demac/RJO/Dipac) que determinou a verificação da apuração dos créditos do IPI, relativos ao 4º trimestre de 2007 e 1º e 3º trimestre de 2008, com utilização para compensação de débitos através de PERDCOMP –Ressarcimento de IPI, baseada na indicação de abertura de ação fiscal definida pelo Sistema de Crédito – SCC da ação fiscal. A decisão de fls. 2 a 16 é impecável e deve ser mantida, assim, como poderá ser lida em sessão se necessário. Na realidade, a questão versada nos autos, foi muito debatida nas sessões dessa 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção em fevereiro e março de 2016, das quais participei, inclusive com um outro processo do mesmo contribuinte, que mereceu brilhante sustentação oral por parte do patrono do contribuinte Assim, como nos presentes autos, a decisão recorrida aborda a questão de uma forma absolutamente pertinente aos autos é que entendo que não mereça reparos. Isto Posto, nego provimento ao Recurso de Ofício para mantêla em sua totalidade. É como voto. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 12 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Versa o presente processo sobre Auto de Infração decorrente da tomada de créditos de IPI de saídas isentas da Zona Franca de Manaus, conforme de resto bem descrito no relatório que compõe este Acórdão. Na impugnação, o contribuinte informa que possui ordem judicial definitiva proferida nos autos do Mandado de Segurança Individual nº 91.00287245, transitada em julgado em 13.03.2000, que garante o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumo isento, utilizado na industrialização dos seus refrigerantes, adquirido de estabelecimento na Zona Franca de Manaus. Em reconhecendo este Colegiado a existência de coisa julgada individual, sequer há que ser admitido o Recurso de Ofício, pela presença de pressuposto processual negativo, que impede o exame de mérito no processo. Conforme lição histórica de Oskar Von Bülow: "os pressupostos processuais são os requisitos para a admissibilidade (die erfordenisse für die zulässigkeit), as condições prévias para a formação definitiva de tôda (sic) relação processual (die vorbedingungen für zustandekommen des ganzen prozessverhältiness), a condição de existência da relação processual, os requisitos para a válida formação definitiva da relação processual." (Teoria das exceções e dos pressupostos processuais. Tradução e notas de Ricardo Rodrigues Gama. Campinas: LZN, 2003. P.10) A propositura de uma ação, ou a apresentação de uma impugnação, estabelece dois planos de relações: o direito material e o direito processual. O primeiro é discutido no processo, e o segundo é o continente em que se coloca a discussão sobre aquele. Sobre isso, frisa Von Bülow que a relação jurídica processual tem três aspectos específicos: os sujeitos, o objeto, e os pressupostos processuais, que evidenciam a autonomia da relação jurídica processual em relação ao direito material. Para Teresa Arruda Alvim Wambier, os pressupostos processuais são elementos cuja presença é imprescindível para a existência e para a validade da relação processual e, de outra parte, cuja inexistência é imperativa para que a relação processual exista validamente, nos casos dos pressupostos processuais negativos (WAMBIER, Teresa Arruda Alvim. Nulidades da sentença. São Paulo: RT, 1990, p. 22.). Dela não discrepa Chiovenda, ao afirmar que os pressupostos processuais são as condições para obtenção de um pronunciamento qualquer, favorável ou desfavorável, sobre a demanda (CHIOVENDA, Giuseppe. Instituciones de derecho procesal civil. Tradução de E. Gómez Orbaneja. 2.ed. vol. 2. Madri: Revista do Derecho Privado, 1948, pp. 110111). Os pressupostos processuais negativos são aqueles elementos deverão estar ausentes para que o processo possa receber um pronunciamento de mérito é dizer, a presença de qualquer desses pressupostos negativos implica, no âmbito judicial, na sentença não resolutiva do mérito, que faz coisa jurídica apenas formal. Essa é a prescrição do Código de Processo Civil, em seu art.485, V: Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...) V reconhecer a existência de perempção, de litispendência ou de coisa julgada; O Código de Processo Civil reconhece como pressupostos processuais negativos as figuras da perempção, litispendência e a coisa julgada, nesse caso devendo ser entendida a coisa julgada material, que resolveu o mérito, na linha do art.337, §4º, art.502 e 503 da Lei 13.105/2015 (NCPC): Art.337. (...) §4o Há coisa julgada quando se repete ação que já foi decidida por decisão transitada em julgado. Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Art. 503. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 16682.720793/201237 Acórdão n.º 3402002.995 S3C4T2 Fl. 8 13 No âmbito do procedimento administrativo tributário não há a figura da sentença, mas isso não implica que esses pressupostos não tenham guarida neste âmbito. Pelo contrário, verificase que são tratados como requisitos de admissibilidade de recursos e reclamações no âmbito administrativo, a exemplo da Súmula CARF nº01, que determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Ora, e qual seria o tratamento do CARF para os casos de ausência de pressuposto processual negativo? Corroborando a ilação que fizemos acima, e em breve consulta à jurisprudência desse órgão, através do sítio virtual do Conselho, verificase cerca de 161 (cento e sessenta e um) acórdãos nos quais a existência de litispendência (tratada como concomitância no âmbito administrativo) impede o conhecimento dos recursos voluntários. Vejase que não há óbice à aplicação da mesma sistemática aos Recursos de Ofício, vez que o Decreto 70.235 não discrimina duas espécies de recurso, mas apenas prescrevendo que nos casos do inc. I e II do art.34 desse diploma, o recurso será feito oficiosamente (art.34, caput), e será interposto mediante declaração na própria decisão (art.34, §1º). Não é de se causar espécie a presença de controle de requisitos de admissibilidade nos recursos de ofício, vez que eles estão sujeitos a um requisito adicional, qual seja o limite de alçada, que condiciona o seu conhecimento por este colegiado. Por outro lado, corrobora esse entendimento a verificação de que o Decreto 70.235, quando quis dar um tratamento específico a um dos pressupostos processuais negativos, seu trouxe regra expressa, como de resto se depreende do tratamento dado à perempção, em seu art.35, verbis " o recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.". Contrário sensu, é de se entender que na presença dos demais pressupostos processuais negativos o processo não deve ser julgado, ergo não deverá ser conhecido pelo colegiado. Devese frisar aqui, também, que o expediente não viola de qualquer forma o direito de defesa de mérito do contribuinte, na tentativa de convalidar a decisão da DRJ no âmbito do CARF, haja vista que, havendo interesse da Fazenda, ela deve apresentar Recurso Especial para que a questão da admissibilidade seja discutida na CSRF e, em caso de reversão do entendimento naquela instância superior, deverá o processo retorna a esta turma para manifestação sobre o mérito do caso. Portanto, voto no sentido de NÃO CONHECER O RECURSO DE OFÍCIO, em razão do reconhecimento da existência de coisa julgada sobre a questão discutida, o que configura pressuposto processual negativo que inviabiliza a apreciação do mérito por este colegiado. Em sendo vencido quanto a ausência de condições de admissibilidade, acompanho a relatora no julgamento de mérito. Fl. 1362DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM 14 Fl. 1363DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23 /05/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM
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Numero do processo: 12448.731861/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO RETIFICADA ANTES DO LANÇAMENTO OFÍCIO. EXCLUSÃO DO IMPOSTO PAGO.
A declaração retificadora substitui a retificada para todos os efeitos tributários, todavia, por ser causa extintiva do crédito tributário, o pagamento efetuado antes do lançamento de ofício, deve ser considerado para retificação do imposto devido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para abater do IRPF devido a quantia recolhida em DARF, sendo procedente o lançamento da diferença, acrescida de juros e multa de ofício. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE Recorrente SERGIO RONALDO SAHIONE FADEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO RETIFICADA ANTES DO LANÇAMENTO OFÍCIO. EXCLUSÃO DO IMPOSTO PAGO. A declaração retificadora substitui a retificada para todos os efeitos tributários, todavia, por ser causa extintiva do crédito tributário, o pagamento efetuado antes do lançamento de ofício, deve ser considerado para retificação do imposto devido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 18 61 /2 01 2- 13 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para abater do IRPF devido a quantia recolhida em DARF, sendo procedente o lançamento da diferença, acrescida de juros e multa de ofício. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que negava provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Marcelo Malagoli da Silva, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.731861/201213 Acórdão n.º 2402005.301 S2C4T2 Fl. 91 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir a Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) que integra o presente processo. Os principais aspectos envolvidos no PAF até a decisão recorrida podem ser visualizados no relatório da decisão de primeira instância: "Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a notificação de lançamento do anocalendário de 2007 (fls. 06 e 09), tendo sido apurada omissão de rendimentos recebidos da CEF no valor de R$ 86.436,01 com IRRF de R$ 2.593,09 decorrentes de ação da Justiça Federal. O crédito tributário lançado e o enquadramento legal constam no lançamento. Por meio da impugnação de fl. 02, o contribuinte contesta o lançamento, alegando, em síntese, que retificou a declaração para acerto dos bens e direitos e por erro de digitação apagou os dados da fonte pagadora CEF. Contudo, não teria havido prejuízo ao imposto já recolhido na declaração anterior. Assim, pede o cancelamento do lançamento." A DRJ manteve o lançamento na íntegra. O voto condutor do acórdão recorrido menciona que a declaração de ajuste anual retificadora substitui a original e demais retificadoras anteriormente enviadas, sendo procedente o lançamento de ofício. Fundamenta esse entendimento no art. 54 da Instrução Normativa IN SRF n.° 15/2001. E conclui: "Portanto, se na última DAA retificadora o contribuinte deixou de oferecer à tributação o rendimento tributável de R$ 86.436,01 auferido da CEF, agiu corretamente a fiscalização ao considerá lo de ofício, gerando um imposto suplementar que deve ser cobrado com multa de ofício e juros de mora. No que concerne ao alegado recolhimento do imposto em face da declaração anteriormente apresentada, o contribuinte deverá pedir a compensação com o imposto apurado na presente notificação de lançamento. Então, fica mantida a omissão de rendimentos com a devida multa de ofício e os juros de mora." Cientificado da decisão em 26/08/2014, fl. 65, o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso em 16/09/2014, fls. 68/83, no qual, após mencionar os fatos processuais relevantes, em síntese, apresentou as alegações abaixo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Nas três primeiras declarações retificadoras, os rendimento de que trata o lançamento foram informados e o imposto recolhido em duas parcelas, nos dias 30/06/2009 e 30/12/2009. Requer a revisão do lançamento e desbloqueio do sistema para que possa enviar nova retificadora e sanear a omissão, posto restar comprovado que não houve máfé, mas tãosomente erro material quando da elaboração e envio da quarta declaração retificadora, como se pode visualizar pelos documentos colacionados. Foram juntadas cópias das declarações de ajuste anual do anocalendário de 2007 original e das sete retificadoras, além de cópias das guias de recolhimento do IRPF. Ao final, pede o cancelamento da notificação. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.731861/201213 Acórdão n.º 2402005.301 S2C4T2 Fl. 92 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Conforme relatado, o recurso voluntário foi interposto no prazo legal. Assim, por terem sido atendidos os demais requisitos normativos, deve ser conhecido o recurso. Retificação da declaração Essa matéria foi enfrentada recentemente por essa Turma, que após proveitoso debate decidiu por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Na ocasião aderi ao voto divergente, o qual acabou por prevalecer, resultando do Acórdão n.° 2402005.138 (09/03/2016). Eis a ementa do acórdão sob consideração: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2012 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PAGAMENTO FEITO COM BASE NA DECLARAÇÃO ORIGINAL. APROVEITAMENTO EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO POSTERIOR. A declaração retificadora substitui a retificada, sendo que o pagamento efetuado nos termos da declaração original adquire o caráter de pagamento indevido, o qual pode ser compensado com eventual lançamento de ofício posterior referente ao mesmo anocalendário. Recurso Voluntário Negado." Peço vênias aos colegas que pensam de modo diverso, mas resolvi refletir melhor sobre a questão e confesso que hoje aliome ao entendimento que foi minoritário no julgamento acima mencionado. Mesmo sabendo que a declaração retificadora substitui integralmente as informações retificadas, nos termos do art. 18 da Medida Provisória n.º 2.15849, de 23 de agosto 2001, não há como deixar de considerar recolhimentos referentes ao tributo objeto da notificação fiscal e que foram efetuados antes do lançamento. É que, nos termos do inciso I do art. 156 do Código Tributário Nacional, o pagamento extingue o crédito tributário e mesmo se reconhecendo que o sujeito passivo incorreu em descumprimento de obrigação acessória ao declarar informações incorretas na retificadora, não se pode perder de vista o caráter extintivo do crédito tributário que carrega o pagamento. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Esse entendimento encontra ressonância na jurisprudência deste Conselho, de onde transcrevo a ementa de duas decisões: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Súmula CARF n° 68: A Lei n° 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. DIRPF RETIFICAÇÃO EFEITOS A Declaração retificadora, independentemente de prévia autorização por parte da Autoridade Administrativa e nas hipóteses em que admitida, substitui a originalmente apresentada para todos os efeitos, inclusive para fins de revisão. Sendo assim, qualquer procedimento de revisão e conseqüente lançamento deve tomar por base a última declaração retificadora regularmente apresentada. IMPOSTO DEVIDO. PAGAMENTO. ESPONTANEIDADE. O pagamento do imposto devido, acrescido dos juros de mora, realizado antes do início do procedimento fiscal e no exato valor apurado pela fiscalização, quando é evidente sua relação com a infração objeto da notificação de lançamento, configura denúncia espontânea, afastando a imposição da multa de ofício. Recurso Voluntário Provido em Parte." Acórdão n.° 2801003.130 – 1ª Turma Especial, de 18/06/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO. PAGAMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Comprovado nos autos que houve o pagamento integral do IRPF apurado na Declaração de Ajuste Anual original, posteriormente retificada para pleitear restituição, que o lançamento ao se basear na retificadora desconsiderou o pagamento anterior e que o valor principal cobrado é da mesma monta do que já foi pago antes do lançamento devese cancelar o lançamento. JUROS E MULTA. COBRANÇA DE ACESSÓRIOS. Juros e multa cobrado sobre o valor principal por terem a natureza de acessórios seguem o principal devendo ser igualmente cancelados. Recurso voluntário provido." Acórdão n.° 280201.824 – 2ª Turma Especial, de 15/08/2012 Há todavia uma peculiaridade na situação sob análise, o valor originário do tributo apurado na Notificação de Lançamento (fls. 06/09) foi R$ 20.124,18; ao passo que os Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 12448.731861/201213 Acórdão n.º 2402005.301 S2C4T2 Fl. 93 7 valores recolhidos antes do lançamento nos DARF de fls 82/83 totalizam sem os acréscimos o valor de R$ 19.077,77. Assim, devese abater do IRPF devido a quantia recolhida em DARF, sendo procedente o lançamento da diferença, acrescida de juros e multa de ofício. Conclusão Voto por dar provimento parcial ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/05 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722693/2014-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NÃO RECONHECIDA. MULTA QUALIFICADA AFASTADA.
A comprovação da rentabilidade futura (fundamento econômico do pagamento do ágio) é requisito primordial que permite a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. A ausência destas premissa descaracteriza o direito a amortização do ágio. Quando da comprovação da rentabilidade futura, identificou-se que a mesma restou insubsistente e/ou extemporânea.
PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. INSUBSISTENTE. MULTA QUALIFICADA AFASTADA.
Figura inapropriado aplicar multa qualificada, posto que o planejamento fiscal perpretado não restou abusivo. Adequado, portanto, afastá-la. Cabível apenas multa de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-002.244
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa à 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO NÃO RECONHECIDA. MULTA QUALIFICADA AFASTADA. A comprovação da rentabilidade futura (fundamento econômico do pagamento do ágio) é requisito primordial que permite a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. A ausência destas premissa descaracteriza o direito a amortização do ágio. Quando da comprovação da rentabilidade futura, identificou-se que a mesma restou insubsistente e/ou extemporânea. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. INSUBSISTENTE. MULTA QUALIFICADA AFASTADA. Figura inapropriado aplicar multa qualificada, posto que o planejamento fiscal perpretado não restou abusivo. Adequado, portanto, afastá-la. Cabível apenas multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito.
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MULTA QUALIFICADA AFASTADA. A comprovação da rentabilidade futura (fundamento econômico do pagamento do ágio) é requisito primordial que permite a amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão. A ausência destas premissa descaracteriza o direito a amortização do ágio. Quando da comprovação da rentabilidade futura, identificouse que a mesma restou insubsistente e/ou extemporânea. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. INSUBSISTENTE. MULTA QUALIFICADA AFASTADA. Figura inapropriado aplicar multa qualificada, posto que o planejamento fiscal perpretado não restou abusivo. Adequado, portanto, afastála. Cabível apenas multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual da multa à 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 26 93 /2 01 4- 59 Fl. 3031DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.031 3 Relatório Tratamse de autos de infração de IRPJ e da CSLL, lavrados pela DRF Bauru/SP em 06/11/2014, contra a contribuinte em epígrafe, em decorrência do procedimento de fiscalização autorizado pelo MPF n° 0810300.2013.01055, relativos a fatos geradores ocorridos durante os anoscalendário 2009, 2010, 2011 e 2012, que resultaram na constatação de AMORTIZAÇÃO VALORES NÃO AMORTIZÁVEIS e COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL. Conforme DEMONSTRATIVO CONSOLIDADO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO DO PROCESSO, foram apuradas infrações cujos créditos tributários autuados perfazem o montante de R$ 62.905.468,88, no qual encontrase incluída a multa de ofício de 150% e de 75%, além dos juros de mora calculados até novembro de 2014. Do auto de infração lavrado em relação ao IRPJ apurado, constam as seguintes infrações: 0002 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento nos demonstrativos de apuração e no relatório fiscal anexo. Fato Gerador Valor Apurado (RS) Multa (%) 31/12/2010 8.353.840,86 75,00 31/12/2011 1.502.443,14 75,00 Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2010 e 31/12/2011 art. 3o da Lei n° 9.249/95. Arts. 247 e 250, inciso III, 251, 509 e 510 do RIR/99 Em seu Termo de Verificação Fiscal, a autoridade fiscal fez consignar o que adiante parcialmente reproduzido. RELATÓRIO FISCAL 1.1Em meados de 2012 a empresa AB BRASIL mudou sua matriz para a Filial sediada na cidade de Pederneiras e, na condição de grande Contribuinte, passou a ser acompanhada pela Delegacia da Receita Federal em Bauru. 1.2 A Equipe de Acompanhamento de Grandes Contribuintes da DRF Bauru, após estudos das aquisições de participações societárias realizadas pela empresa AB Brasil, se deparou, com a existência de amortização de ágio no valor de R$ 14.760.000,00 (quatorze milhões setecentos e sessenta mil reais) que foram utilizados para redução do lucro operacional desde o ano calendário 2003. Em visita realizada à sede da empresa já em Pederneiras SP, foram arrecadados os contratos e demais documentos que embasaram as aquisições de participações societárias da empresa AB Brasil, melhor detalhada no anexo denominado "DOC09 Ágio AB Brasil". 1.3 A partir do janeiro de 2009 a empresa passou a apropriar também o ágio relativo à aquisição da empresa SÓHOVOS, melhor detalhado no arquivo digital "DOC10 ÁGIO SÓHOVOS" onde foram digitalizados os documentos fornecidos pela empresa relativos à aquisição de participação societária em questão, a seguir temos a planilha com o resumo das amortizações realizadas pela empresa até o ano de 2012. 2 Fundamentos do Ágio 2.1 (...) 2.2 O § 29 do artigo 20 do DL1.598/77 é explícito ao prever que o ágio verificado na aquisição de uma participação societária pode possuir três fundamentos distintos, cada qual submetido a requisitos específicos de demonstração e a efeitos tributários diferentes, conforme destaques acima. 2.3 Fazse necessário distinguir "o preço de aquisição " e o "valor do patrimônio líquido". Para que se realize uma transação comercial, qualquer que seja ela, é necessário que se defina um valor ou preço a ser pago pelo bem a ser negociado, que pode ser maior ou menor que o valor registrado na contabilidade. É esta diferença que é denominada como ágio ou deságio conforme o caso, podendo ser dedutível ou indedutível. Quando se referir à participação societária deverá ser submetida aos critérios constantes das alíneas "a", "b" e "c"do § 2° do DL 1598/77 para que se defina o valor do ágio e sua dedutibilidade. 2.4 Deste comando depreendemos que o ágio nas aquisições de participações societárias, quando existir, é parte da diferença a maior existente entre o preço estabelecido para a transação e o valor histórico do patrimônio líquido adquirido, desta diferença entre valor de transação e valor histórico devem ser subtraídos os valores dos bens do ativo, os intangíveis, marcas, patentes, fundo de comércio e outros bens a preço de mercado, cujos valores devem ser demonstrados através de laudos técnicos., atendidos os incisos "a" e "c" do § 2o do artigo 20 do DL1.598/77 restará o valor a ser apropriado no inciso "b", caso seja apurado saldo positivo a apropriar, devidamente demonstrado. Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.032 5 2.5 As regras prescritas no DL 1598/77 determinam que o adquirente mantenha em boa guarda os documentos (laudos) que embasem e quantifiquem os valores a serem apropriados e amortizados a título de ágio por expectativa de rentabilidade futura. 2.7 Nos documentos apresentados pela empresa não constam laudos que demonstrem tal condição, os laudos existentes são baseados em valores históricos (valor contábil) e, não demonstram a alocação do ágio considerando o preço de mercado dos bens existentes ao tempo da operação de compra e venda da participação societária. Procedendo desta forma a empresa não demonstrou o fundamento econômico do respectivo ágio nos termos do artigo 20 do DL 88ui1598/77 que é pré requisito legal, que, se aplicado, determina o valor dedutível a ser amortizado como ágio que não se confunde com a simples diferença entre o valor da aquisição e aquele valor histórico registrado na contabilidade. 2.8 Os fundamentos descritos neste item aplicamse às duas aquisições realizadas pela empresa que, por sua vez, aplicou a mesma metodologia em ambos os casos. As divergências entre a metodologia apresentada pelo contribuinte e aquela prescrita na norma já são suficientes para a GLOSA do valor do ágio amortizado ao longo dos últimos anos, visto que não houve apuração do valor correto e nem foi utilizada a metodologia prescrita na norma legal. A situação descrita acima já é suficiente para caracterizar como indevida a amortização do ágio que considere apenas o valor contábil do patrimônio líquido da adquirida. 2.9 Comentamos a seguir outros aspectos das aquisições que comprometem a amortização das diferenças apropriadas pela empresa a título de ágio. 2.10 Destacamos os históricos das aquisições realizadas pela empresa nos tópicos "3 HISTÓRICO ÁGIO EBFF" e "4 HISTÓRICO ÁGIO SÓHOVOS". 3HISTÓRICO ÁGIO EBFF 3.1 A empresa AB Brasil, apropriou os valores acima e declarou tratarse de ágio fundamentado na "expectativa de rentabilidade futura" com sua origem na aquisição em razão de "compra" de participação societária celebrada entre as empresas EBF Empresa Brasileira de Fermentos Ltda (adquirida) e a empresa E49 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (adquirente), cuja controladora à época da aquisição eram as empresas: Mauri Brasil Comércio e Importação Ltda, CNPJ: 71.948.699/000164 (99,9%) e a Burns Philp Food Overseas Holdings Limited (0,01%), representada pelo procurador Sr. Eduardo Carvalho Tess Filho, CPF: 034.789.57869, conforme contrato social às fls 10 e 11 do anexo "ÁGIO EBFF". Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 (...) 3.6 AGIO EBFF Ação Fiscal 3.6.1 Em 20/11/2013 foi encaminhado à empresa o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, onde foram solicitados alguns documentos e principalmente que a empresa se posicionasse quanto aos procedimentos adotados. 3.6.2 Em resposta constante do DOC 11, às folhas 2 e 3 do anexo "Respostas à Intimação", datado de 29/11/2013, que se encontra anexa ao presente processo, o representante da empresa manifestou seu entendimento de forma clara, conforme abaixo: " Por fim cabe esclarecer que as aquisições de participações societárias da EBFF Empresa Brasileira de Fermentos Ltda ("EBFF") e da SOHOVOS INDUSTRIAL LTDA("SÓHOVOS") foram feitas com base no valor do patrimônio líquido das empresas adquiridas, somadas a "mais valia" (ágio) fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, Ou seja, em ambas as operações o fundamento econômico do ágio foi a rentabilidade futura da adquirida (hipótese da alínea "b"do §2° do DL 1598/77) e não o valor de mercado do seu ativo, motivo pelo qual era desnecessário laudo de avaliação do patrimônio adquirido a preço de mercado." Fl. 3036DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.033 7 3.6.3 Na implementação da aquisição de participação societária da EBFF a adquirente fez uso de uma terceira empresa criada pelos "consultores" Eduardo Duarte, CPF 024.974.41715 e Simone Bürck Silva CPF 843.420.307 já qualificados no contrato da empresa E49 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 04.876.764/000104 cujo extrato juntamos abaixo, com início de atividades em 22/01/2002, capital social no valor de R$1000,00 (um mil reais). 3.6.4 Ressaltamos que a empresa E49 é e sempre foi uma empresa de "prateleira" de "gaveta", nunca foi Operacional, seus socios fundadores são, na realidade, especializados na abertura e venda de documentos de empresas que supostamente estariam em situação regular e em atividade. Este tipo de empresa serve a todo tipo de finalidade e salvo exceção, sempre visando levar a efeito algum tipo de planejamento tributário escuso, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal etc, como exemplo anexamos abaixo reportagem acerca da Operação Satiagraha onde são citados os nomes de Eduardo Duarte e Simone Burck Silva como responsáveis pela abertura de empresa investigada naquela operação e utilizada para lavagem de dinheiro. 3.6.5A princípio não há restrições para a abertura de empresas, no entanto a sua utilização, nestas condições, deve ser analisada com reservas. Conforme declarações atribuídas à Sra. Simone Burck Silva constatamos que a principal mercadoria de sua atividade de consultoria é a comercialização deste tipo de empresa ou seria melhor chamar de " documentação" . 3.6.6 Procedemos pesquisa para confirmar esta situação e eis que surgiram nada menos que 138 (cento e trinta e oito) CNPJs ( Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) onde os consultores aparecem como sócios fundadores das ditas "entidades", conforme relacionados na planilha denominada "DOC13 CNPJ EMPRESAS" as quais serão objeto de análise de interesse fiscal. Motivação 3.6.7 Sabemos que cada caso é um caso, mas a simples utilização deste tipo de empresa já é suficiente para colocar sob suspeita a operação, perguntase: Qual a verdadeira motivação que está por trás da utilização de empresa desta natureza, porque uma empresa multinacional procede desta forma? Quais as vantagens almejadas e oferecidas neste tipo de planejamento tributário? 3.6.8 Encontramos nossa justificativa justamente na questão do aproveitamento do ÁGIO, aí encontrase a "VANTAGEM" almejada pela empresa, que compensa tanto esforço, vamos entender porquê e como isso ocorreu quando compreendemos o conteúdo do inciso III do artigo 386 do RIR 99 que diz que o ágio só será passível de amortização na pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. (...) 3.7 Das Intimações (...) 3.7.6 Destaque para o segunda parte do item 2 onde o sujeito passivo declara que: "O referido documento foi firmado entre EMPRESAS SEDIADAS NO EXTERIOR..." estas empresas são as controladoras das respectivas Fl. 3037DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 empresas no Brasil logo, os fatos ocorridos no Brasil são desdobramentos desta operação de compra e venda de quotas realizada no exterior, vejamos: 3.7.7 Em 14 de março de 2014 a empresa complementa as informações solicitadas na intimação apresentando a cópia do documento denominado "Stock and Asset Purchase Agreement" juntamente com a cópia autenticada da tradução juramentada conforme documentos DOC3A, DOC3B E DOC3C anexos, antes de comentar os destaques do documento, destacamos novamente a declaração da empresa AB Brasil na resposta complementar: 3.7.8 Novamente o próprio sujeito passivo afirma tratarse de uma negociação entre empresas estrangeiras e pede confidencialidade nas informações apresentadas. 3.7.9 Logo a seguir destacamos do respectivo contrato a Relação dos Anexos, para demonstrar o alcance e o detalhamento dos Ativos negociados e que tais Ativos são aqueles que deveriam ser considerados, quantificados e avaliados na determinação do AGIO OU DESAGIO da operação, caso isso fosse do interesse do sujeito passivo. 3.7.10 Destacamos também que os anexos fazem referência a outros ativos que encontramse fora do Brasil e fizeram parte da mesma negociação, destaque para itens como, MARCA, PROPRIEDADE INTELECTUAL, IMÓVEIS e outros (DOC03C fls 5/42) (...) 3.8 DO LOCAL DO NEGÓCIO 3.8.1 Parece uma situação normal como deve ser toda operação de compra e venda, com apenas um senão, ELA FOI REALIZADA FORA DO BRASIL, entre uma companhia americana e outra australiana, O COMPRADOR E O VENDEDOR não são brasileiros, conforme DOC03C fls. 5/42 e pode ser confirmada nos considerandos do contrato abaixo reproduzido. (...) 3.8.3 Do contrato acima, de pronto, verificamos que o fato jurídico não está ou melhor não acorreu no território nacional brasileiro, ele ocorre no exterior entre entes/empresas no exterior e se existe um AGIO a ser amortizado isto deveria ocorrer no país da empresa investidora, no presente caso, tal amortização deveria ser pleiteada na AUSTRALIA e nunca no Brasil. 3.8.4 Diante da impossibilidade material ou seja o fato jurídico tributário não ocorreu no Brasil logo seus efeitos não repercutem no Brasil, se fez necessário buscar uma solução para ajustar este aspecto espacial do fato gerador, aí encontramos o motivo que faltava para justificar a iniciativa da empresa que, utilizando de um "VEICULO JURÍDICO" visando transferir para o território brasileiro, aquele fato ocorrido fora dele, eis que entra em ação o PLANEJAMENTO TRIBUTARIO. 3.8.5 Em 03 de setembro de 2002, os mesmos adquirentes das quotas no exterior adquirem as quotas de capital da empresa E49(empresa de prateleira), dando início a uma seqüência de transferências de quotas societárias e incorporações no Brasil, com o ÚNICO objetivo de entronizar o suposto ágio ocorrido no exterior e dele tirar proveito através das amortizações mensais REDUZINDO INDEVIDAMENTE o IMPOSTO DE Fl. 3038DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.034 9 RENDA PESSOA JURÍDICA (IRPJ) e a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) devidos pela sucessora e com isso, em tese, perpetrando uma FRAUDE. (...) 3.12 • Considerações Finais sobre o AGIO EBFF 3.12.1 Diante destes fatos verificase que a empresa no Brasil, não participou da aquisição, ela apenas faz parte de um desdobramento da operação ocorrida no exterior. Mesmo assim vamos comentar a metodologia utilizada pela subsidiária brasileira, se não bastasse a impossibilidade material para a apropriação do ágio, a empresa optou por considerar como ágio, a simples diferença entre preço de aquisição e valor contábil (histórico) dos ativos adquiridos, portanto não procedeu a avaliação dos bens corpóreos (letra "a"), incorpóreos (letra "c"), que deveriam ser subtraídas do valor pago a maior e, após este encontro de valores, surgiria o montante a ser amortizado e apropriado como ágio ou deságio na aquisição de participações societárias com fundamento na rentabilidade futura. Neste momento é necessário ressaltar que o contribuinte não é livre para escolher quais as alíneas do parágrafo segundo do artigo 20 do DL 1598/77 melhor se aplicam a sua situação, ele DEVE aplicar os critérios preceituados na norma jurídica e dela colher o resultado a ser considerado como ágio ou deságio. 3.12.2 A empresa deixou de cumprir, por sua conta e risco, o requisito legal prescrito no artigo 20 e 21 do DL 1598/77, em plena vigência. Se aplicadas estas regras, o contribuinte deveria elaborar laudo técnico específico, quando da aquisição de quotas societárias, visando quantificar e apropriar o ágio ou deságio resultante da aquisição, segundo os fundamentos econômicos, contidos nas letras "a", "b" e "c" do parágrafo 2o. do artigo 20, do decreto vide NR1. 3.12.3 Além da questão da apropriação incorreta e ou indevida dos valores já amortizados como ágio (período de 2003 a 2007), ressaltamos que a empresa utilizouse de planejamento tributário abusivo, fez uso de empresa "veículo", estranha às atividades ordinárias da empresa, como o próprio nome já indica "E49". Tratase de um aparato jurídico que serviu de "ponte" para transferir para o Brasil o suposto ágio, consubstanciado na operação de aquisição de participação societária e de outros ativos, realizada por empresas controladoras sediadas fora do Brasil, sendo a vendedora americana e a compradora australiana este suposto ágio, caso exista, deveria ser amortizado no país de origem da investidora e não no Brasil. A empresa veículo (E49), foi originalmente criada em nome de advogados, sem qualquer vinculo operacional, servindo apenas aos interesses tributários, sem qualquer conexão com a realidade empresarial, sem corpo, uma empresa de "direito" mas não de "fato", esta condição pode ser facilmente constatada nos contratos de constituição de tais "entidades" conforme anexo Agio EBFF páginas 10 a 39 e comentário no início deste relatório. 3.12.4 Enfim, além da impossibilidade de amortização do ágio na subsidiária no Brasil, a empresa não avaliou os ativos adquiridos como determina a norma, nem todo o valor de R$180.000.000,00 (cento e oitenta milhões de reais) poderia ser apropriado como ágio, cabe à empresa demonstrar. Se não demonstrar não pode amortizar. Em tese e em uma operação regular, onde fosse possível a apropriação do ágio, o "valor" do Fl. 3039DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 patrimônio já é de conhecimento das partes envolvidas, estando ou não contabilizado e deve ser quantificado para fins de se identificar e apropriar a parcela relativa ao ágio, o vendedor sabe o que "vendeu" o adquirente sabe o que "comprou", o ágio a ser apropriado é aquela parcela que supera o valor real do patrimônio negociado e normalmente será uma parcela do preço pago e não 6 (seis) vezes o valor histórico do patrimônio líquido, algo em torno de 85 % (oitenta e cinco por cento) do preço declarado como pago pela participação societária, isso se fosse possível reconhecer o ágio desta operação como verdadeiro e ocorrido dentro do território brasileiro. 3.12.5 Diante dos fatos acima relatados procedemos a GLOSA dos valores apropriados indevidamente pelo sujeito passivo conforme planilhas no início deste relatório e demonstrativos do lançamento fiscal constantes do respectivo auto de infração. 3.13 DO AGRAVAMENTO DA MULTA DO AGIO EBFF 3.13.1 Desta forma não há dúvida que a operação de aquisição de participação societária e outros ativos ocorreu exterior, o sujeito passivo utilizando de meios estranhos aos negócios societários transferiu os efeitos da negociação no exterior para o Brasil através de empresa de prateleira, sem qualquer operacionalidade, a já conhecida E49, no momento que realizou esta ação, em tese, estruturou uma fraude que foi consumada quando das amortizações realizadas no período de 2003 a 2012, por essa razão procedemos o agravamento da multa aplicável neste lançamento de 75%(setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento) conforme enquadramento legal constante do auto de infração. 4 HISTÓRICO DO AGIO SÓHOVOS 4.1 A empresa AB Brasil, da mesma forma como no ágio da EBFF, apropriou os valores e declarou tratarse de ágio por "expectativa de rentabilidade futura" com sua origem na aquisição em razão de "compra" de participação societária celebrada entre as empresas SÓHOVOS INDUSTRIAL LTDA (adquirida) e a empresa ED70 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (adquirente), cujos controladores à época da aquisição eram a empresa: AB BRASIL INDUSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA CNPJ: 71.948.699/000164 (99,9%) e O Sr. Paulo Serrado Stoffel, CPF:487.658.99768 (0,01%), sendo que o Sr. Paulo assinou o contrato na condição de sócio e de administrador da empresa AB Brasil, conforme fls. 24/478 do arquivo denominado "DOC10 AGIO SÓHOVOS". Fl. 3040DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.035 11 (...) 4.5 DO AGIO SÓHOVOS 4.5.1 Em 20/11/2013 foi encaminhado à empresa o TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO, onde foram solicitados alguns documentos e principalmente que a empresa se posicionasse quanto ao procedimentos adotados. 4.5.2 Em resposta constante do DOC 11, às folhas 2 e 3 do anexo "Respostas à Intimação", datado de 29/11/2013, que se encontra anexo ao presente processo, o representante da empresa manifestou seu entendimento de forma clara, conforme abaixo: Fl. 3041DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 " Por fim cabe esclarecer que as aquisições de participações societárias da EBFF Empresa Brasileira de Fermentos Ltda ("EBFF") e da SOHOVOS INDUSTRIAL LTDA ("SÓHOVOS") foram feitas com base no valor do patrimônio líquido das empresas adquiridas, somadas a "mais valia" (ágio) fundamentado na expectativa de rentabilidade futura, Ou seja, em ambas as operações o fundamento econômico do ágio foi a rentabilidade futura da adquirida (hipótese da alínea "b" do §2° do DL 1598/77) e não o valor de mercado do seu ativo, motivo pelo qual era desnecessário laudo de avaliação do patrimônio adquirido a preço de mercado." 4.5.3 Na implementação da aquisição de participação societária da SÓHOVOS a adquirente também fez uso de uma terceira empresa criada pelos "consultores" Eduardo Duarte, CPF 024.974.41715 e Simone Bürck Silva CPF 843.420.307 já qualificados no contrato da empresa ED 70 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 05221.532/0001 72 cujo extrato juntamos abaixo, com início de atividades em 05/08/2002, capital social no valor de R$1000,00 (um mil reais). 4.5.4 Ressaltamos que a empresa ED 70, tal qual a E49, é e sempre foi uma empresa de "prateleira" de "gaveta", nunca foi Operacional, seus sócios fundadores são na realidade os mesmos consultores especializados na abertura e venda de documentos de empresas que supostamente estariam em situação regular e em atividade, conforme já comentado no item "3.6.4" acima, porém destacamos mais uma vez a INICIATIVA DO SUJEITO PASSIVO em utilizarse novamente de uma estrutura jurídica (ED 70), para criar artificialmente as condições necessárias para a entronização do ágio que supostamente foi gerado na aquisição de participação societária, conforme "DOC15 EXTRATO JUCESP ED70.PDF". 4.5.5 Tratase de uma REPETIÇÃO da mesma metodologia utilizada na aquisição anterior (EBFF), aqui a empresa AB BRASIL adquiriu a empresa de prateleira ED 70 de seus fundadores, os mesmos da empresa E49, Sra. Simone Burck Silva e o Sr. Eduardo Duarte, já qualificados e identificados como consultores especializados na comercialização deste tipo de empresa, no passo seguinte, a empresa ED70 adquiriu as pessoas jurídicas (ITAVUVU E DENOZ)controladoras das empresas operacionais SÓHOVOS e OVAL, dando início àuma seqüência de incorporações e reorganizações societárias. 4.5.6 Lembramos que foram identificados nada menos que 138 (cento e trinta e oito) CNPJs ( Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica) onde os consultores aparecem como sócios fundadores das ditas "entidades1", conforme relacionados na planilha denominada "DOC13 CNPJ EMPRESAS" e já pontuados anteriormente, os consultores se especializaram em criar empresas e o sujeito passivo está se especializando em utilizálas. 4.6 Motivação 4.6.1 Conforme já comentado na operação "AGIO EBFF" item "3" e seguintes, temos aqui a mesma motivação, ressalvando que neste caso a operação ocorreu no território nacional, havendo apenas a interposição, não menos gravosa, da pessoa jurídica ED 70, com a nítida intenção de aproveitamento do ágio. 4.6.2 Conforme já comentado o verdadeiro interesse para a interposição de uma empresa de "prateleira" esta justamente na amortização do ágio, ou seja, o ágio só será passível de amortização na pessoa jurídica que absorver Fl. 3042DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.036 13 patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. 4.6.3 Desta forma para tornar a amortização possível é necessário que ocorra a incorporação, fusão ou cisão de empresa que tenha adquirido outra, se a aquisição fosse feita diretamente pela empresa AB Brasil não seria possível amortizar o suposto ágio gerado na transação, sendo assim a empresa AB Brasil, vislumbra a tentadora vantagem, que compensa tanto esforço, logo, se as condições não existem será necessário criálas artificialmente, fezse uso da empresa denominada ED70, empresa criada por terceiros, sem qualquer operacionalidade ou finalidade empresarial, existe apenas para servir a propósitos tributários e neste caso de EVASÃO TRIBUTARIA. 4.7 DAS INTIMAÇÕES 4.7.1 Dentre os documentos apresentados pela empresa chama atenção o ATA DE REUNIÃO DE SÓCIAS REALIZADA EM 25 DE NOVEMBRO DE 2005. pg 26/478 do documento "AGIO SÓHOVOS" onde foi materializada a decisão de AQUISIÇÃO das empresas (i) Itavuvu Empreendimentos e Participações Ltda, (ii) Denoz Administração e Participações Ltda;(iii) SÓHOVOS Industrial Ltda e (iv) Oval Alimentos Desidratados Ltda na forma de "Contrato de Compra e Venda de Quotas'. (...) 4.7.2 A deliberação acima faz referência ao item "j" do parágrafo único do artigo 9o. do contrato social registrado em 23 de novembro de 2005 que transferiu as quotas de capital da empresa ED 70 Empreendimentos e Participações Ltda para a empresa AB Brasil e seus administradores. Este ato também serviu para consolidar as cláusulas do contrato. Observamos que transcorreramse apenas QUATRO DIAS da assinatura e DOIS DIAS do registro na JUCESP do respectivo contrato de alteração societária, este interstício de tempo tão curto, nos diz que a aquisição já estava consolidada e tratase apenas de uma formalidade necessária para permitir a amortização do suposto ágio a ser gerado na aquisição da participação societária que denominamos "AGIO SÓHOVOS". Não deixa dúvida sobre a finalidade e principal característica de EMPRESA VEÍCULO, criada apenas para à persecução de planejamento tributário com objetivos evasivos. 4.7.3 Uma vez que a empresa ED 70 é uma empresa não operacional a mesma necessita receber recursos financeiros para levar a cabo a estratégia do grupo adquirente, temos então a deliberação de número 2 na qual foi aprovada a contratação de empréstimo a ser realizado junto à "Associeted British Foods pie" empresa do mesmo grupo econômico sediada em Londres na forma de Loan Agreement conforme recorte do respectivo contrato já anexado acima. 4.7.4 Em 10/08/2014 a empresa foi intimada e forneceu em 08 de setembro de 2014 cópia do contrato de empréstimo denominado LOAN AGREEMENT firmado entre a empresa ED70 e a ASSOCIATED BRITISH FOODS pie, datado de 25 de novembro de 2005 (DOC14 TIF 18AGO2014 Fl. 3043DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 14 RESP08SET2014 pag 23 a 28) onde ficou acordado um mútuo no valor de até £ 19.000.000,00 (dezenove milhões de libras esterlinas). 4.7.5 Após a análise do respectivo contrato complementamos a cronologia já descrita no item 4.7.2, onde em 21 de novembro a empresa AB Brasil adquire a empresa ED70 , em 23 de novembro registra o contrato na Jucesp em 25 de novembro firma o contrato de mútuo com a sua coirmã Associated British Foods pie, com sede em Londres, em 01 de dezembro de 2005 assina o contrato de compra e venda da participação na SÓHOVOS e suas controladoras. Com esta cronologia fica claro que a aquisição não foi feita com recursos nacionais e que a empresa AB Brasil já controlava a empresa ED70, temos aqui uma aquisição mediante empréstimo de longo prazo tomado de coligada/controladora no exterior firmado com empresa veículo utilizada apenas para fins tributários, cuja incorporação ocorre no início do ano de 2006 e se presta à apropriação do suposto ágio que teria sido gerado na operação de aquisição sob o fundamento da rentabilidade futura. Digo "suposto ágio" pois, no nosso entendimento, o mesmo não foi demonstrado conforme prescreve a legislação de regência, situação que por si só já é suficiente para impedir a amortização. 4.7.6 Em 02 de outubro de 2014 intimamos a empresa a AB BRASIL a apresentar os comprovantes do efetivo recebimento do mútuo (contrato de câmbio, extrato de conta corrente bancária se for o caso), os comprovantes de quitação das parcelas do mesmo (juros e principal) e o razão da conta contábil que controla o respectivo empréstimo. Solicitamos também cópia dos cheques emitidos para pagamento da aquisição das quotas de participação societária conforme descritos no contrato de compra e venda. (item 12 subitens i a iii) 4.7.7 DA RESPOSTA Em 27/10/2014 a empresa apresentou as informações e esclarecimentos solicitados juntando os respectivos documentos conforme arquivo digital denominado "DOC19 RESPTIF04OUT2014.PDF", através destes documentos restou comprovado que os valores transitaram pelas contas da, efêmera, empresa ED70. Foram apresentados, cópias de TEDs, de cheques, extratos de conta corrente, contratos de câmbio e livro diário, em nome da empresa ED70 tais documentos corroboram a tomada do empréstimo e os pagamentos realizados, mas também confirmam que a empresa foi utilizada EXCLUSIVAMENTE para esta finalidade, ou seja, todos estas ações poderiam ser realizadas diretamente pela empresa AB BRASIL, mas se assim o fizesse não poderia amortizar o suposto ágio, cujos valores e fundamentos econômicos, temos a convicção, de que não foram devidamente apurados e demonstrados. Destaque para a velocidade das ações implementadas por parte dos adquirentes para que os valores tramitassem pela empresa ED70 este fato faz prova da aquisição e também prova a intenção dos adquirentes de criar artificialmente as condições para a amortização do suposto ágio. Procedemos portanto a GLOSA DOS VALORES amortizados indevidamente pelo sujeito passivo conforme consta nas planilha no início deste relatório com reflexos no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e na Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido resultando no respectivo auto de infração. 4.8 DO AGRAVAMENTO DA MULTA 4.8.1 Desta forma não há dúvida que a operação de aquisição de participação societária e outros ativos ocorreu e o sujeito passivo utilizando de meios estranhos aos negócios societários modificou deliberadamente os efeitos tributários da negociação em questão, INTERPONDO a entidade "ED70", entidade de prateleira, sem qualquer operacionalidade, para estruturar, em Fl. 3044DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.037 15 tese, uma nova fraude que foi consumada quando das amortizações realizadas no período de 2009 a 2012, por essa razão procedemos o agravamento da multa aplicável neste lançamento de 75%(setenta e cinco por cento) para 150% (cento e cinqüenta por cento) conforme enquadramento legal constante do auto de infração. 4.8.2 "Aproveitase, legitimamente, do instituto da elisão fiscal o contribuinte que se vale de uma determinada norma jurídica que lhe seja mais benéfica, sem infringir nenhum dispositivo legal. Por outro lado, comete evasão fiscal sujeitandose ao ressarcimento dos tributos sonegados e às penalidades cabíveis, o contribuinte que, por trás do comportamento aparentemente normal, oculta a intenção deliberada de fraudar a lei." 3 Em decorrência da glosa das amortizações do ágio foram geradas alterações nas bases de cálculo do anocalendário 2009, resultando em compensação indevida de prejuízo fiscal nos anoscalendário 2010 e 2011. Informa a fiscalização ter elaborado representação fiscal para fins penais por entender que as ações perpetradas configurariam crime tributário previsto nos artigos 1°, inciso I e 2°, inciso I da lei n° 8.137 de 27 de dezembro de 1990 artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/1964. Dada ciência dos Autos de Infração em 12/11/2014, irresignada, a contribuinte apresentou, em 12/12/2014, impugnação, subscrita por seus advogados, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. Após breve resumo da autuação levada a efeito, defende a impugnante que a fiscalização teria partido de premissas equivocadas, ensejando as indevidas lavraturas de autos de infração. Efetuando breve análise da formação de ágio e sua fundamentação, alega a contribuinte que a fiscalização errou ao referirse à impossibilidade de o valor do ágio ter sido apurado com base em um único fundamento econômico, a rentabilidade futura, sem que tenham sido perquiridos os demais fundamentos contidos nas alíneas "a" e "c" do parágrafo 2° do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77. Afirma que teria observado a legislação ao avaliar o patrimônio líquido da sociedade adquirida através de laudo de avaliação emitido quando adquiriu ambas as empresas EBFF e Sóhovos e, inclusive, a fiscalização teria reconhecido a existência de tais demonstrações do ágio, devidamente arquivadas, apesar de entender não serem elas hábeis a comprovar o fundamento econômico da expectativa de rentabilidade futura. Esclarece que a avaliação dos bens do ativo a valor de mercado somente é requisito obrigatório quando o ágio tiver por fundamento a mais valia, trazendo julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que, entende, corroborariam seu entendimento. Expõe que não havia no ordenamento jurídico, vigente a época da operação de aquisição pela Defendente das empresas EBFF Empresas Brasileira de Fermentos Fleischmann e da empresa SÓHOVOS Industrial Ltda, disposição normativa que determinasse a avaliação dos bens do ativo "a valor de mercado" quando o fundamento econômico do ágio fosse o da expectativa de rentabilidade futura, sendo exigido tãosomente que o contribuinte (i) demonstre o porquê do sobrepreço pago, seja com base na elaboração de fluxo de caixa Fl. 3045DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 16 descontado, nos balancetes levantados ou em qualquer outra demonstração e (ii) que apresente a alocação do ágio no prazo mínimo de 5 anos. Entende que a fiscalização teria se pautado tãosó na inexistência de suposta avaliação dos ativos a valor de mercado para lavrar os autos, uma vez que os laudos por ela apresentados trariam de forma clara a previsão de rentabilidade futura, sendo confirmados posteriormente através do laudo elaborado pela empresa Prime Yield Avaliação Patrimonial. Ressalta que, ainda que se entendesse que o valor dos ativos devesse ser considerado para o destaque do ágio, consta do laudo que embasou a aquisição da EBF terem seus ativos sido reavaliados em 1998. Argumenta que, caso a fiscalização entendesse que parte do ágio teria outra justificativa que não a rentabilidade futura, caberia a ela comprovar suas alegações. Entretanto, teria a fiscalização se limitado a afirmações sem quaisquer fundamentos e provas, maculando o lançamento efetuado de nulidade. Defende que todos os passos das operações efetuadas tinham como objetivo a integração das atividades das empresas plenamente operacionais, alegando que a legislação vigente à época não estabelecia nenhuma forma, critério, elementos de prova ou de qualquer outra natureza específicos que pudessem limitar ou determinar quais os tipos de documentos específicos teriam que fazer parte do dossiê de aquisição dos ativos. Analisando o conceito de empresa veículo, contesta a impugnante o enquadramento das empresas E49 e ED70 como tal, dizendo, ainda, que o ágio amortizado não decorreu da incorporação das duas empresas, não sendo viável defender a interposição com fins fiscais apenas. Alega que em outras palavras, estas empresas não tiveram o condão de amparar o lançamento e o aproveitamento do ágio pela recorrente. Passa a expor o histórico das operações. Em primeiro lugar, trata do ágio gerado quando da aquisição da Empresa Brasileira de Fermentos Ltda. (EBF), cuja denominação social fora alterada posteriormente para Empresa Brasileira de Fermentos Fleischmann Ltda (EBFF). Apresenta os organogramas abaixo: Fl. 3046DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.038 17 Informa que os ativos adquiridos, pelo valor de R$ 219.095.528,41, pela operação de cisão da empresa Kraft Foods, possuíam valor patrimonial de R$ 38.541.048,27, gerando ágio de R$ 180.554.480,14, cujo fundamento, segundo estudos de rentabilidade produzidos à época seria a expectativa de rentabilidade futura. Os pagamentos teriam sido realizados pela Mauri Brasil (AB Brasil, ora impugnante) e pela E49. Em 31/01/2003, a EBFF (denominação, à época, da EBF) incorporou a E49, sendo então, em 31/12/2003, incorporada pela Mauri Brasil (AB Brasil). Após o breve histórico, defende a impugnante que não fora a incorporação da E49 pela EBFF, em 31/01/2003, que gerara a possibilidade de amortização do ágio em litígio, Fl. 3047DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 18 mas apenas a incorporação ocorrida em 31/12/2003, da EBFF pela então Mauri Brasil, atual AB Brasil. De qualquer forma, defende a contribuinte que a empresa E49 teria adquirido a EBFF por razões estritamente de negócio. Explica que à época a Recorrente denominavase Mauri Brasil Indústria, Comércio e Importação Ltda e era responsável pela produção e comercialização de fermento biológico, além de misturas para bolo, pães, gorduras vegetais etc. A empresa EBF também trabalhava neste ramo, apesar de pertencente a grupo distinto, o Grupo Philips Morris Companies. Esclarece que a aquisição da EBF pela E49 fora apenas uma etapa das operações relacionadas à compra do mercado do grupo Philips Morris pelo Grupo Burns Philp (ao qual pertence a Recorrente) em âmbito mundial. Entretanto, temendo que o CADE pudesse indeferir a operação, fora interposta a empresa E49. Reproduzse: Contudo, como a aquisição da EBFF a ora Defendente traria como consequência a detenção por ela de quase 2/3 do mercado de fermento brasileiro, era temerário que a compra da EBFF ocorresse diretamente pela ora Defendente uma vez que a operação poderia ser indeferida pelo CADE sob eventual fundamento da existência de prejuízo concorrencial às demais empresas de fermento. A este propósito, cumpre asseverar que a operação de aquisição da EBFF deveria ser obrigatoriamente submetida ao crivo e análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica CADE para verificação da existência de prejuízos concorrenciais, no prazo de 15 dias úteis subsequentes ao fechamento do negócio. Nestes termos, com o intuito de, primeiramente, obter a aprovação da operação junto ao CADE, da aquisição da EBFF pela Defendente em razão do tamanho da parcela do mercado de fermentos, decidiuse que a melhor estratégia negocial para aquele momento seria utilizar uma "terceira empresa"para a realização da compra da EBFF. Em outras palavras, como a aquisição da EBFF diretamente pela Defendente poderia causar empecilhos legais junto ao CADE, a compra foi efetivada por uma outra empresa, no caso a E49. Com efeito, a empresa E49 foi utilizada, na realidade, com o objetivo precípuo de possibilitar a aprovação da operação de aquisição da EBFF pela Defendente junto ao CADE e, consequentemente, o cumprimento dos seus objetivos junto ao mercado pretendido pelo Grupo Burns Philp na América Latina à época. O que deflagra sua utilização com base em um propósito negocial e válido que sequer foi contestado pela fiscalização tributária. Em seguida, aduz que todas as ações tinham por fim razões estritamente técnicas, e não a economia fiscal defendida pela fiscalização. Fl. 3048DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.039 19 Passa, então, a tratar do ágio registrado em conseqüência da aquisição da empresa Sóhovos. Inicia esclarecendo que no caso em análise, distintamente do ocorrido com a empresa EBF, a amortização do ágio ora questionado teve sua origem em incorporação da AB Brasil Indústria e Comércio de Alimentos Ltda. pela AB Foods Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. (que inicialmente possuía a razão social SÓHOVOS Industrial Ltda.) ocorrida em 31 de dezembro de 2008. Na verdade, a distinção estaria no fato de a recorrente ter sido incorporada pela Sóhovos industrial ao final da operação societária, e não o contrário. Passa a descrever os passos realizados para a formação e dedutibilidade do ágio nos seguintes termos: As operações tiveram início com a aquisição da ED70 pela AB Brasil, em 21/11/2005. Em 01/12/2005 a ED 70 adquiriu as empresas do Grupo SOHOVOS, através de sessão de quotas, pelo valor de R$ 44.766.330,00. Fl. 3049DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 20 No dia seguinte (02/12/2005), a empresa ED70 fora incorporada pela SÓHOVOS, resultando em nova estrutura industrial: Relata que no dia 10/11/2006, a empresa SÓHOVOS altera sua razão social para AB Foods Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. E, em 31/12/2008 a AB Foods Industrial e Comercial de Alimentos Ltda (antiga SÓHOVOS) incorpora a AB Brasil, momento em que a empresa passou a amortizar o ágio registrado quando da compra do Grupo Sóhovos. Na mesma data, a empresa modifica sua razão social para AB Brasil Indústria e Comércio de Alimentos (ora recorrente). Fl. 3050DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.040 21 AB BRASIL Prossegue afirmando que, ainda que se entenda que a dedutibilidade do ágio se deu através de incorporação de empresa veículo, a glosa seria indevida, porque a amortização somente iniciouse quando da incorporação da AB Foods pela impugnante. Retornando à análise da incorporação da empresa EBFF, busca a contribuinte afastar as alegação da autoridade fiscal de que as operação teriam ocorrido fora do Brasil. Defende que quem efetivou a compra fora a empresa Mauri Brasil Indústria, Comércio e Importação Ltda. Alega que a Kraft Foods International Inc, detentora do Grupo Nabisco, do qual constava a empresa EBF (que posteriormente passou a chamarse EBFF), decidiu por desfazerse do negócio relativo à fabricação de fermento etc em todos os países, inclusive o Brasil, cabendo as suas subsidiárias realizarem as vendas. O acordo realizado entre as empresas Kraft Foods International e o Grupo australiano, Burns Philp fora firmado fora do território nacional, mas a aquisição em análise deu se entre as subsidiárias brasileiras, no Brasil, nos moldes em que ocorreu nos demais países onde presentes subsidiárias dos Grupos, restando patente inexistir intuito meramente fiscal em sua realização. Aponta que o contrato firmado pelas controladoras internacionais previa apenas a idealização das operações, utilizandose dos termos "fazer com que as empresas transfiram e entreguem", cabendo às subsidiárias, portanto, efetivar o negócio. Acrescenta que a empresa Mauri Brasil (à época) é uma empresa brasileira (integrante do Grupo australiano Burns Philp à época) que produz e comercializa principalmente fermento biológico e já se encontrava sediada em território brasileiro desde a data de sua constituição ocorrida em 11.08.1993, como atesta sua Ficha Cadastral arquivada na Junta Comercial do Estado de São Paulo. Fl. 3051DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 22 Argumenta que toda a operação fora efetuada em observância às normas brasileiras, além do pagamento ter sido realizado no Brasil. Destaca que os empréstimos tomados para pagamento pela aquisição da EBF ainda estão sendo pagos. Inclusive, não teriam sido questionados pela fiscalização. Pondera que deve ser levada em conta a substância do negócio jurídico, e não sua forma, apresentando decisões do CARF que corroborariam seu entendimento. Em relação à Compensação de Prejuízo Fiscal, questionada pela autoridade fiscal, alega que, restando comprovada a dedutibilidade da amortização do ágio ora em litígio, conseqüentemente, indevida seria a autuação também nesta parte. No que se refere à multa qualificada, defende inexistir intuito de ocultar a ocorrência do fato gerador dos tributos em suas ações, sendo que, sequer teria a fiscalização logrado comprovar a ocorrência do ato fraudulento. Na verdade, não teria a fiscalização questionado sobre se houve ou não a operação societária, o efetivo pagamento do ágio, o desdobramento do custo de aquisição pela investida, a expectativa de rentabilidade futura que deu causa ao sobrepreço e por fim o laudo ou qualquer outro documento em que o contribuinte evidencie a real expectativa de rentabilidade futura, a justificar o valor pago. Não tendo sido demonstrado evidente intuito de fraude, não seria cabível a qualificação da multa em questão. Entende que, sendo cada um de seus atos lícito, inviável configurar fraude. Questiona, por fim, a incidência de juros de mora sobre a multas de ofício. A impugnação da recorrente foi, por maioria de votos, julgada totalmente improcedente, cuja ementa segue: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), não havendo que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 OPERAÇÕES DE REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. CRIAÇÃO DE ÁGIO AMORTIZÁVEL. SIMULAÇÃO. GLOSA DAS EXCLUSÕES INDEVIDAS DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. As operações de reorganização societária, para serem legítimas, devem possuir Fl. 3052DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.041 23 causa negocial real, inalterável ao arbítrio de quem o pratica, e decorrer de atos efetivamente existentes, e não serem artificiais e apenas formalmente registrados nos contratos sociais e na escrituração contábil. Desse modo, há simulação quando os atos negociais são realizados com finalidade não correspondente exatamente a sua causa legítima. Confirmada a simulação dos atos negociais que possibilitaram o aparecimento do ágio amortizável, é cabível a glosa das exclusões da base de cálculo do IRPJ e da CSLL decorrentes da amortização do ágio. OPERAÇÕES SEM PROPÓSITO NEGOCIAL. Nas operações estruturadas em seqüência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. ÁGIO. FUNDAMENTO ECONÔMICO. PROVA. DEDUTIBILIDADE. No lançamento contábil do ágio deve estar indicado o fundamento econômico, e quando este for o valor de rentabilidade futura da investida, deve estar baseado em demonstração a ser arquivada como comprovante da escrituração. Na ausência de apresentação da prova hábil do fundamento econômico, in casu, da demonstração de rentabilidade futura das investidas, considerase não comprovado o ágio contabilizado na aquisição dos investimentos, configurandose irregular as decorrentes despesas de amortização. MULTA QUALIFICADA. Não há como afastar a imputação fiscal de sonegação e simulação e a conseqüente aplicação da multa qualificada se descritas pela Fiscalização circunstâncias que demonstram a ocorrência de reestruturação societária para criar, formalmente, por meio da constituição e posterior incorporação de "empresa veículo", uma situação que se enquadrasse na exceção legal que possibilita deduzir despesas de amortização de ágio, advinda com a Lei 9.532/97, o que justifica, além da glosa das correspondentes deduções, a multa no percentual de 150%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012 CSLL. BASE DE CÁLCULO. NORMAS DE APURAÇÃO. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. LANÇAMENTO REFLEXOS. CSLL. A decisão relativa ao auto de infração do IRPJ deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração da CSLL, uma vez que ambos os lançamentos, do IRPJ e da CSLL, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Fl. 3053DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 24 Da referida decisão sobreveio recurso voluntário que, além dos argumentos já apresentados em sede de impugnação, destacou que a fiscalização tributária concluiu que o ágio apurado nestas duas operações societárias, decorrentes das aquisições das empresas EBFF e SOHOVOS não poderia ter sido amortizado pela ora Recorrente porque: I) A empresa optou por considerar como ágio, a simples diferença entre preço de aquisição e valor contábil (histórico) dos ativos adquiridos, portanto não procedeu a avaliação dos bens corpóreos (letra “a”), incorpóreos (letra “c”), que deveriam ser subtraídas do valor pago a maior e, após este encontro de valores, surgiria o montante a ser amortizado e apropriado como ágio ou deságio na aquisição de participações societárias com fundamento na rentabilidade futura. (item 3.12.1 do Relatório Fiscal) II a Recorrente teria criado artificialmente as condições legais que autorizam a amortização do ágio, mediante a utilização de empresas veículos – as quais não possuíam qualquer operacionalidade ou finalidade empresarial, servindo apenas aos interesses tributários (item 3.12.3 do Relatório Fiscal) e III quanto à operação da EBFF, o ágio apurado apenas poderia ser aproveitado pela empresa controladora Burns, Philp & Company realizada no exterior e não no Brasil (itens 3.8.3 e 3.8.4 do Relatório Fiscal)." Segundo alegação da Recorrente, a DRJ manteve o AIIM, inovando, contudo, nos fundamentos da autuação, na medida em que assevera que i) a Recorrente não teria apresentado à fiscalização a documentação que comprova a rentabilidade futura e, ainda, ii) que o fluxo de caixa descontado é inservível para a demonstração do fundamento econômico do ágio por rentabilidade futura. É o relatório. Fl. 3054DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.042 25 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei O recurso do contribuinte é tempestivo e sua representação é regular, motivo pelo qual dele conheço. Consoante relatado, o cerne da presente autuação encontrase no entendimento exposto pela fiscalização de que o contribuinte utilizouse de empresas veículo para a geração de ágios cujas fundamentações informadas (expectativa de rentabilidade futura) não têm respaldo em documentação hábil. Nesse sentido, fazse essencial para o deslinde do caso a investigação das operações realizadas nas reorganizações societárias da Recorrente, se mostrando pertinente expor cronologicamente os principais fatos e operações envolvidos separadamente. Quais sejam: a formação do ágio ocorrida quando da aquisição da EBF pela E49, e em seguida, à formação do ágio pela aquisição da SÓHOVOS pela ED70. EMPRESA BRASILEIRA DE FERMENTOS LTDA (EBF) Conforme se extrai dos anexos apresentados pela fiscalização, em consonância com as informações fornecidas pela contribuinte, em 03 de setembro de 2002, a empresa E49, de capital social de R$ 1.000,00 (mil reais), até então pertencente aos consultores Eduardo Duarte e Simone Burck Silva ambos titulares de outras 138 (centro e trinta e oito) "empresas", teve suas quotas cedidas a Mauri Brasil e Burns Philp Foods Overseas. Em 14 de outubro de 2002 fora firmado Contrato de Compra de Ações e Ativos entre as empresas KRAFT FOODS INTERNATIONAL, INC., KRAFT FOODS HOLDINGS, INC. e BURNS, PHILP & COMPANY LIMITED relativo à aquisição de 99,99% do capital social da Empresa Brasileira de Fermentos Ltda (EBF) pela E49, negócio efetivado no Brasil em 31 de outubro de 2002. A empresa E49 adquiriu quotas representativas de 99,99% do capital social da empresa Empresa Brasileira de Fermentos Ltda (EBF), no valor total de R$ 222.288.173,63, dos quais R$ 88.865.337,07 foram pagos pela empresa adquirente (E49) no ato da aquisição, após assumir empréstimo com a controladora (Recorrente, AB), sendo o restante da dívida, de R$ 133.760.052,84, assumido também pela AB através de ato de assunção de dívida. Ato contínuo, fora aumentado o capital social da empresa E49 por meio de lançamento a débito do passivo da empresa relativo à dívida frente à empresa KRAFT FOODS BRASIL S.A., vendedora das quotas da EBF, em contrapartida a crédito de integralização de capital social pela empresa AB, ao assumir a dívida escriturada. Nesse ponto, relevante destacar que a integralidade da operação fora assumida pela controladora Mauri Brasil (AB), até porque, até então, a empresa E49 possuía capital social e ativo de apenas R$1.000,00. Fl. 3055DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 26 Na ocasião da aquisição da EBF pela E49 fora registrado ágio no valor de R$ 183.757.124,36, pautado em Laudo de Avaliação Contábil realizado em 31 de outubro de 2002, de onde extraiuse o valor contábil da EBF à data, no montante de R$ 38.531.049,27. Tal laudo, entretanto, nada menciona acerca da expectativa futura de rentabilidade, restringindose a demonstrar o valor contábil da empresa conforme à época escriturado. Em seguida, no dia 31 de janeiro de 2003, a EBF incorporou a E49, passando as empresas Mauri Brasil e Burns Philp Foods Overseas a figurarem como suas únicas acionistas. Em 31 de dezembro de 2003, a empresa BURNS PHILP BRASIL (nova denominação da empresa MAURI BRASIL) incorpora a EBF e passa a amortizar o ágio registrado no investimento relativo à aquisição da EBF. SÓHOVOS Consoante histórico apresentado nos autos, em 05/08/2002, Eduardo Duarte e Simone Bürck Silva (os mesmos criadores da empresa E49) registraram a empresa ED 70 EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, sob o capital social de R$ 1.000,00. Em 21/11/2005, a empresa ED70 fora adquirida pela AB BRASIL, através da cessão de quotas pelos antigos sócios, conforme alteração e consolidação de contrato social, apresentada pela contribuinte. No dia 25/11/2005, fora realizada reunião de Sócios para autorizar a empresa ED 70 a proceder à aquisição das empresas do grupo SOHOVOS, sendo o pagamento realizados através de empréstimo junto à Associated British Foods plc, na forma de "Loan Agreement". A compra e venda das empresas do Grupo SÓHOVOS (Itavuvu, Denoz, SÓHOVOS e Oval) efetivouse em 01 de dezembro de 2005, pelo valor total de R$ 44.766.330,00. O registro do ágio ocorreu no montante de R$ 27.351.382,47, referente à aquisição das empresas Itavuvu e Denoz, holdings controladoras das empresas Sóhovos e Oval. Ato contínuo, em 02 de dezembro de 2005, a empresa Sóhovos incorpora as empresas Itavuvu, Oval e Denoz, incorporando, por fim, sua controladora, a empresa ED70. Em 10/11/2006, a empresa Sóhovos efetua alteração de sua razão social para AB Foods Industrial e Comercial de Alimentos Ltda. Em 31/12/2008, a AB Foods (antiga SÓHOVOS) incorpora a AB Brasil. Da mesma forma que ocorreu quanto ao ágio gerado na aquisição da empresa EBF, em relação ao presente não houve apresentação de demonstrativo de expectativa de rentabilidade futura. Todos os laudos trazidos aos autos se referem tãosó ao Fl. 3056DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.043 27 valor contábil dos bens das empresas do grupo Sóhovos quando da incorporação pela empresa Sóhovos, no dia 02 de dezembro de 2005. Negócios efetivados no Território Nacional Alegou a fiscalização que as operações incorreram entre grupos estrangeiros KRAFT FOODS INTERNATIONAL, INC. e BURNS, PHILP & COMPANY LIMITED, e portanto teriam de fato ocorrido no exterior. A relatora na DRJ a meu ver assertivamente destacou que é frágil o entendimento exposto pela fiscalização quanto às operações terem se dado no exterior, sendo utilizada empresa veículo para gerar o ágio dedutível dentro do território brasileiro. Diante das operações incorridas, verificase que a real adquirente da EBF, ainda que sem o intuito de incorporação, fora a empresa Mauri Brasil, atual AB Brasil (impugnante), tendo sido ela a responsável pelo pagamento e demais tratativas concernentes à aquisição. O simples fato de existir acordo denominado "Stock and Asset Purchase Agreement", onde os grupos se comprometem a realizar a compra e venda por intermédio de controladas em diversos países do mundo, não estabelece o local da operação. No que se refere à empresa ED 70, sequer existe tal acordo. Pautouse a fiscalização em contrato de empréstimo efetuado com a controladora em Londres para defender a ocorrência externa ao território brasileiro. Entretanto, percebese, seja pelas operações realizadas, seja pelo destino dos ativos adquiridos, que o intuito era a aquisição do Grupo pela impugnante, empresa brasileira plenamente operante. Apesar de superado este ponto, tal conclusão de alguma forma reflete no argumento de planejamento tributário abusivo, que será visto a seguir. Assim, mesmo que realizadas plenamente em território nacional, duas questões até aqui continuam sem resposta: a constatação da ausência de aferição da rentabilidade futura nos laudos apresentados e os indícios da falta de propósito negocial nas operações realizadas por meio de empresas veículo. "Empresas Veículo" A fiscalização afastou toda a formalidade para tentar atingir a realidade que estaria nos bastidores, dandolhes as conseqüências tributárias que lhe pareciam adequadas, uma vez que demonstrada a artificial engenharia societária sem propósitos econômicos, visou tão somente criar uma aparência de reorganização de forma a construir o arranjo formal que permitiria aproveitar o benefício fiscal de dedutibilidade do ágio pretendido, uma vez que a própria constituição do ágio já se encontrava viciada, não sendo sujeita à convalidação. Quando iniciado o julgamento deste Recurso Voluntário, inicialmente pautado para a Reunião de Maio de 2016, nesta mesma Turma Julgadora, o Conselheiro Fernando Brasil pediu vistas dos autos. Nesta ocasião, declarei minha intenção de voto no sentido de dar provimento ao Recurso do contribuinte, em virtude da alegada inovação nas razões de julgar da DRJ. Os pedidos de vistas (ocorridos por duas sessões seguidas) e as sustentações orais tanto da Fazenda Nacional como do Contribuinte foram providenciais, tanto Fl. 3057DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 28 para a questão da inovação de motivos, alegada em Recurso, como para esclarecer a questão da utilização indevida das empresas veículo. Pois bem. Notei que a existência ou não das empresas chamadas "veículo" não faz diferença prática neste caso pois, no final, a empresa operacional que detinha o ágio foi efetivamente incorporada pela real adquirente. A recorrente se limita a destacar que a utilização da empresa veículo (E49) teria se dado devido à necessidade de aprovação da operação pelo CADE, por envolver 50% dos negócios de fermentos no Brasil, mas tal argumento já foi muito bem rebatido pela Ilma. Relatora, ao mostrar que o processo foi instaurado no CADE em nome da controladora, e não em nome da E49. Todavia, tem relevância e faz diferença na análise dos efeitos do negócio o argumento da defesa de que a amortização do ágio objeto dos presentes lançamentos não teriam sido efetivadas por conta da incorporação das empresasveículo (E 49 e ED 70), mas das incorporações entre a investidora (AB Brasil) e as investidas (EBF e SOHOVOS), ocorridas em 31/12/2003 e 31/12/2008. De notar que as interpostas pessoas jurídicas (E49 e ED 70), foram reconhecidamente utilizadas pela AB Brasil, em 31/10/2002 e 01/12/2005, respectivamente, para adquirir as participações societárias na EBF e no Grupo Sohovos, e a forma pela qual se deram os pagamentos vinculados às operações de compra e venda ratificam a mera interposição, na medida em que, como as adquirentes não detinham capacidade econômicofinanceira, a totalidade dos recursos utilizados teriam vindo do patrimônio da AB Brasil. Observou um dos julgadores na DRJ, em sua declaração de voto, que apesar de o pagamento da aquisição das participações societárias ter sido feito, de fato, pela real investidora (AB Brasil), o ágio porventura decorrente das operações permaneceram registrados nos patrimônios da E49 e ED 70, caracterizadas como "empresasveículo". Na seqüência, as investidas (EBF e SOHOVOS) incorporaram as interpostas investidoras (E49 e ED 70) e, em 31/12/2003, a real investidora (AB Brasil) incorporou a EBF, e em 31/12/2008, foi incorporada pela SOHOVOS. Ainda que não se vislumbre propósito negocial para a interposição da E49 e da ED 70, o fato é que, o benefício tributário pretendido de antecipação da amortização do ágio pago na aquisição da EBF e da SOHOVOS, somente poderia servir fundamento para a glosa da despesa: (i) contabilizada pela própria EBF, até 31/12/2003, data da incorporação desta última pela real investidora (AB Brasil); e (ii) contabilizada pela SOHOVOS, até 31/12/2008, data em que a SOHOVOS incorporou a real investidora (AB Brasil). Todavia, os fatos geradores ora em discussão dizem respeito aos anoscalendário 2009 a 2012. Após a incorporação, as pessoas jurídicas com as quais o ágio se relaciona (investidora e investida) tornamse uma única realidade, sendo uma delas extinta, passando diretamente para o patrimônio da incorporadora os ativos, lucros e intangíveis, que teriam motivado o pagamento do ágio. Na verdade, com a incorporação, desaparecem o investimento e o ágio. A incorporadora recebe os ativos e passivos da incorporada e deve conferir tratamento diverso, conforme seu fundamento, ao valor que antes fora ágio. No caso do ágio fundamentado no valor de mercado dos bens da investida, uma vez que os ativos ou direitos sejam contabilizados na incorporadora, passarão a sujeitarse Fl. 3058DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.044 29 às regras de depreciação/amortização, sendo dedutíveis na medida do período em que contribuírem para os resultados da empresa. Da mesma forma, no caso de o ágio ter sido pago com fundamento em fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas, como a mera incorporação não implica desaparecimento de tais direitos, devem continuar intactos no patrimônio da incorporadora, por isso o valor antes contabilizado como ágio deve ser registrado, a partir da incorporação, em contrapartida à conta de ativo permanente, não sujeita à amortização Por fim, quanto ao valor antes contabilizado como ágio por expectativa de rentabilidade futura da investida, com a incorporação, desaparece o ágio, mas surge um valor no ativo diferido (após a Lei n° 11.638, de 2007, no ativo intangível) a ser amortizado no período pelo qual se pagou por esses lucros futuros. No caso em que a real investidora (AB Brasil) transfere seus recursos às empresas veículo (E49 e ED 70), para que estas, em seu lugar, procedam à aquisição dos investimentos (EBF e SOHOVOS), e posteriormente seja incorporada pela investida, o requisito legal foi atendido apenas formalmente, mas não substancialmente, na medida em que subsistem separadamente a real investidora (AB Brasil) e as investidas (EBF e SOHOVOS), e por conseqüência, os investimentos não são extintos no patrimônio da investidora. Ademais, se a racionalidade da norma de dedutibilidade da amortização do ágio (arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997) impõe a absorção patrimonial entre a investidora e a investida, para que o ágio seja deduzido dos lucros esperados (fundamento econômico de seu pagamento), aparentemente, mesmo com a interposição da empresa veículo, o requisito teria sido atendido, porque a amortização do ágio se fez justamente contra os lucros apurados pelas investidas EBF e SOHOVOS. Entretanto, justamente por conta da subsistência da real investidora (AB Brasil), após as 1a incorporações (31/01/2003 e 02/12/2005) das empresasveículo (E49 e ED 70) pelas investidas (EBF e SOHOVOS), como os investimentos na EBF e na SOHOVOS não foram extintos, mas remanesceram no patrimônio da real investidora, as despesas de amortização do ágio pelas próprias investidas (EBF e SOHOVOS) não configuram despesas próprias, mas de terceiro (AB Brasil), por isso indedutíveis. A interposição de pessoa jurídica, para a aquisição do investimento, não tem o condão de alterar a situação fática de quem é a real investidora, e que suportou o ônus da operação. No entanto, nos presentes autos, como aliás bem destacado na Declaração de Voto constante do Acórdão da DRJ, essa situação não persistiu porque, em 31/12/2003 e 31/12/2008, ocorreram as 2a incorporações a implementar a condição legal para dedutibilidade da amortização do ágio de "absorção de patrimônio" entre a real investidora (AB Brasil) e as investidas (EBF e SOHOVOS), respectivamente. Como as glosas de amortização do ágio em discussão abrangem os anos calendário 2009 a 2012, períodos posteriores às incorporações da investida (EBF) pela real investidora (AB Brasil), fato ocorrido em 31/12/2003, e da AB Brasil pela outra investida (SOHOVOS), em 31/12/2008, ou seja, posteriores aos momentos em que ocorreram as confusões patrimoniais entre a investidora e as investidas, e em que os investimentos geradores dos sobrepreços teriam deixado definitivamente de existir, a interposição de empresas veículo não serve de fundamento para a manutenção da exigência. Fl. 3059DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 30 Entretanto, haja vista que as despesas de amortização objeto de lançamento se referem a períodos posteriores às operações de incorporação entre a real investidora (AB Brasil) e investidas (EBF e SOHOVOS), e conseqüentemente posteriores à extinção dos investimentos, não há fundamento fático para a caracterização de planejamento tributário abusivo, por conta da interposição de empresaveículo para aquisição do investimento. Assim, insubsiste a afirmação da fiscalização quanto a este argumento. Comprovação da origem do ágio rentabilidade futura Nos termos da legislação de regência (arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997), para a regular amortização de ágio pago na aquisição de investimentos, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, quatro premissas revelamse essenciais: (i) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (ii) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (iii) a comprovação do fundamento econômico do pagamento do ágio, como sendo a rentabilidade futura do investimento; e (iv) a extinção do investimento, mediante operações de incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida. No caso sob apreço, ainda que não se tenha instaurado controvérsia sobre o fato de o ágio ter sido pago, em operações entre partes não relacionadas e ter ocorrido a extinção do investimento, por confusão patrimonial, mediante operações de incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida, tais condições não são suficientes para validade da amortização fiscal do ágio, impondose a demonstração da rentabilidade futura do investimento, como sendo fundamento econômico do ágio, O Recorrente insiste em afirmar que primeiro a fiscalização autuou o contribuinte pois o laudo técnico elaborado, baseado apenas na rentabilidade futura, não considerou o preço de mercado dos bens existentes ao tempo das operações societárias e, por conseguinte, não teria sido observada a metodologia definida em lei – que, supostamente, exige o atendimento em conjunto do quanto descrito nas alíneas “a”, “b” e “c” do § 2º do artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77. Depois afirma que a DRJ "inovou" ao decidir com base nos argumentos de que: i) a Recorrente não teria apresentado à fiscalização a documentação que comprova a rentabilidade futura e, ainda, ii) que o fluxo de caixa descontado é inservível para a demonstração do fundamento econômico do ágio por rentabilidade futura. Examinando detidamente as razões da fiscalização e os fundamentos da decisão de primeira instância, entendo que a confusão está no uso da expressão "falta de laudo". Uma coisa é não existir fisicamente um documento denominado laudo ou similar... outra coisa é que os documentos apresentados nos autos pelo contribuinte laudos, similares, planilhas, demonstrativos, estudos ou como se queira chamar desde que atendam requisitos mínimos, tais como serem lavrados por terceiros, habilitados profissionalmente para emitir o documento etc, o que não é o caso dos autos. Neste sentido, acórdão CARF 1103.001.170 (04.02.2015 Brafer Construções Metálicas S/A). Fl. 3060DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.045 31 Além disso, vejase que em dezembro de 2013 foi emitido laudo mencionado nos autos para suportar a rentabilidade futura envolvida na questão da EBF (fls. 2225), possivelmente produzido durante o período de fiscalização. Contudo, tal documento pretende sustentar um ágio formado em 2002, 11 anos após o evento. É no mínimo questionável um laudo de "rentabilidade futura" feito olhando para o passado (!!) O laudo deve ser anterior à data de aquisição do investimento. É bem verdade ser preciso examinar sempre o caso concreto, mas não se pode aceitar que, o contribuinte autuado com base (também) na ausência de comprovação da rentabilidade futura, elabore laudo no curso da fiscalização para pretender suprir falta ocorrida há uma década antes. Este é o entendimento, aliás, sustentado em outras decisões deste Conselho, consubstanciadas nos acórdãos 101.000.120 (18.06.2009 Empresa Paulista de Televisão S/A), 1101.000.912 (09.07.2013 Kraft Foods Brasil S/A), 1301.001.637 (07.05.2014 Volvo do Brasil Veículos Ltda.), dentre outros. Este foi o fato que mais chamou a atenção do fisco, porém, não o único indicativo da falta de comprovação do ágio. O recorrente, objetivamente, não indica elementos ou documentos que demonstrem a tal rentabilidade futura. Intimado para apresentálo limitouse a afirmar que: Por fim, cabe esclarecer que as aquisições de participações societárias da EBFF Empresa Brasileira de Fermentos Ltda. ("EBFF") e da SÓHOVOS INDUSTRIAL LTDA. ("SÓHOVOS"] foram feitas com base no valor do patrimônio líquido das empresas adquiridas somado a "mais valia" (ágio) fundamentada na expectativa de rentabilidade futura. Ou seja, em ambas operações, o fundamento econômico do ágio foi a rentabilidade futura da adquirida (hipótese da alínea "b" do §2º do art. 20 do Decreto 1598/77) e não o valor de mercado do seu ativo, motivo pelo qual era desnecessário laudo de avaliação do patrimônio adquirido a preço de mercado. Ademais, registrou a fiscalização em seu Relatório que: 2.6 As regras prescritas no DL 1598/77 determinam que o adquirente mantenha em boa guarda os documentos (laudos) que embasem e quantifiquem os valores a serem apropriados e amortizados a título de ágio por expectativa de rentabilidade futura. Registrou também, expressamente, no curso da fiscalização, a necessidade de apresentar laudo que demonstrasse a rentabilidade futura. Senão vejase (fls. 1245): Item 4 Relatórios e pareceres de auditores independentes. (...) No atendimento do item 4, deverão ser apresentados os laudos periciais que avaliaram o patrimônio adquirido, nas aquisições de participação societária da Empresa Brasileira de Fermentos Fleischmann EBFF (2002/2003] e SOHOVOS Industrial Ltda. Fl. 3061DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 32 (2005), a preço de mercado, cumprindo os requisitos e a metodologia para desdobrar o custo de aquisição conforme disposto no art. 20 do decreto 1598/77, parágrafo segundo, letras "a", "b" e "c", que são requisitos necessários para determinar os valores a serem apropriados como ERF Expectativa de Rentabilidade Futura que serão amortizados como Ágio gerado nas aquisições das participações societárias sob análise. A Intimada entrega, nesse ato, cópia do relatório de auditores independentes relativos ao período de 01.01.2008 a 31.12.2008 (doe. 03]. Conforme afirmado no curso do procedimento fiscal, o contribuinte limitouse a apresentar o laudo de avaliação dos ativos adquiridos em relação à empresa EBF, de onde é possível extrair, tãosó, os valores contábeis dos bens objeto da transação, fazendo referência, inclusive, à reavaliação ocorrida cerca de 4 anos antes naquela empresa e ainda o conjunto de planilhas produzidas internamente contendo os estudos internos que foram a base do laudo produzido 11 anos depois. Estes Estudos Internos encontramse às fls. 2746 e segs.. Não é demais repetir que tais estudos internos não são equiparáveis à laudos, especialmente por faltar neles requisito inerente a laudos técnicos, ou seja: serem emitidos por terceiros independentes. Também de acordo com os relatórios de fiscalização, em relação à aquisição do grupo SÓHOVOS, sequer uma planilha foi apresentada. Assim sendo entendo pela a manutenção da incidência, por não estar comprovada a formação do ágio (rentabilidade futura) do investimento que deu fundamento econômico aos valores fiscalmente amortizados. Multa Qualificada Existem dois temas, porém, que não concordo, em relação à decisão da DRJ. Ambos defluem numa só conseqüência: a qualificação da multa e a representação fiscal para fins penais. Não é competência deste órgão tratar deste último. Mas a qualificação da multa, a meu ver, só seria cabível se subsistisse a acusação de que houve planejamento fiscal abusivo. A multa qualificada deve ser afastada, não apenas porque não configurado os fundamentos fáticos que a sustentaram, mas também porque a interposição de pessoa ou a utilização de empresaveículo, neste caso concreto, é insuficiente para comprometer a regularidade da operação se observados os requisitos essenciais de dedutibilidade da amortização do ágio pago na aquisição de investimentos, repitase: (i) a realização das operações originais entre partes não ligadas; (ii) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; (iii) a comprovação do fundamento econômico do pagamento do ágio, como sendo a rentabilidade futura do investimento; e (iv) a extinção do investimento, mediante operações de incorporação, fusão ou cisão entre investidora e investida. Analisando o caso, entendo não restar caracterizado o dolo que justifique a qualificação da penalidade, posto que faltou apenas um dos requisitos formais para a amortização regular do ágio, qual seja, a comprovação documental da rentabilidade futura. Fl. 3062DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.046 33 Reforça este entendimento o fato de a própria DRJ reconhecer que a operação não ocorreu no exterior, o que também foi interpretado como planejamento tributário abusivo. Juros sobre Multa de Ofício A respeito do tema, curvome ao entendimento mais recente, consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou Fl. 3063DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 34 responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, , compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Art.950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). Fl. 3064DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10825.722693/201459 Acórdão n.º 1402002.244 S1C4T2 Fl. 3.047 35 §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINICIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula Carf n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃOOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tãosomente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no Fl. 3065DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 36 vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. Por esta razão, afasto a alegação da recorrente de que não haveria incidência de juros sobre a multa de ofício, ressaltando que tal fato não decorre da autuação, mas decorrerá do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração, no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o computo de juros sobre a multa. Por todo o exposto, dou provimento parcial do Recurso Voluntário, apenas para afastar a multa qualificada de 150%, reduzindoa ao patamar de 75%. É o voto. Fl. 3066DF CARF MF Impresso em 25/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 22/07/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 24/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16095.720112/2014-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2012
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
Cabe ao Fisco a comprovação da ocorrência das condições ensejadoras da desconsideração da personalidade jurídica do empregador.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2201-003.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz.
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COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. Cabe ao Fisco a comprovação da ocorrência das condições ensejadoras da desconsideração da personalidade jurídica do empregador. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Henrique de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Carlos César Quadros Pierre e Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 12 /2 01 4- 12 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 430 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 6ª Turma da DRJ/FOR(Fls. 228), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Tratase de Auto de Infração por descumprimento de obrigações principais, consoante esmiuçado: AI DEBCAD 51.052.3544, importando R$ 5.738.313,29, motivado pelo lançamento das contribuições relativas à parte da empresa sobre pagamentos a segurados empregados (rubrica 12, alq. 20%), contribuintes individuais (rubrica 14, alq. 20%) e devidas a título de GILRAT (rubrica 13), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, competências 01/2010 a 12/2012; AI DEBCAD 51.052.3552, importando R$ 1.359.888,62, incidindo a parte devida por outras entidades e fundos (rubrica 15, alíquota 5,8%), com lastro em fundamentação legal contida no respectivo relatório FLD, competências 01/2010 a 12/2012; O relatório fiscal aduz que (fls. 83/89): O contribuinte providenciou a alteração de endereço da matriz junto á Receita Federal e JUCESP, e apresentou alteração contratual, indicando o endereço da R. Antonio Lervolino, n° 312, Vila Augusta,Guarulhos/SP. Em visita ao novo endereço constante no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica CNPJ, com o objetivo de dar continuidade à ação fiscal contida no mandado acima, na Rua Antonio Lervolino, pela entrega pessoal do Termo de Intimação n° 003, a empresa não foi encontrada, conforme relatado no Termo de Constatação datado de 12/11/2013, em anexo. [...] paralelamente iniciamos a diligência fiscal de MPF. n,° 08.1.11.0020130011.11, na empresa SOLEFER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ESTAMPOS E MOLDES LTDA, CNPJ 06.885.217/000102, situada à R. Eunice nº 283, Galpão 02, Ponte Grande, Guarulhos/SP. Procedemos então diligência ao outro estabelecimento da empresa em epígrafe, inscrita sob o CNPJ 60.980.240/000202, em plena atividade produtiva e administrativa, na Rua Eunice, n°283, Ponte Grande Guarulhos/SP. As instalações das empresas JOALMI e SOLEFER foram visitadas, verificandose setores administrativos e produtivos na JOALMI e setores de projetos e fabricação de moldes na SOLEFER, acompanhadas em todas as áreas pelo sócio da JOALMI, Marcelo Murano e pelo procurador da empresa que recebeu o Termo de Intimação Fiscal n 0 003, nesta ocasião. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 431 3 1.8 Como relatado no Termo de Constatação Fiscal anexo aos autos, verificamos que as atividades das empresas JOALMI e SOLEFER davamse no estabelecimento sito à rua Eunice, e que neste local, onde ambas funcionavam, observouse íntima interrelação entre elas, dois galpões instalados em um pátio comum, separados apenas por uma passarela, com mesma portaria, quadros de avisos comuns entre outros elementos que estão descritos no referido Termo. 1.9 Apesar de todas as evidências, a empresa insistiu em informar à Receita Federal do Brasil endereços da matriz fictícios (Rua Indiaporã, 340, do qual mudouse em 2008 e Av. Antonio Lervolino nº 312), obrigando a fiscalização a elaborar Representação Fiscal a fim de regularizar o efetivo local da sede da empresa (galpão contíguo à empresa SOLEFER) 1.10 As atividades fins das duas empresas são complementares, sendo que a SOLEFER produz moldes para a empresa JOALMI fabricar as peças automotivas. Tal fato não seria digno de nota, não fossem outras evidências que demonstram a correlação das empresas, que de fato, parecem uma só, a partir do ano de 2008. [...] Alguns aspectos relevantes quanto à primeira sócia da SOLEFER: constituindo a empresa, Bianca leio Leme (CPF 322.797.99855), à época com 19 anos e declarandose "estudante", no contrato social, com apenas 1% das cotas e "administrando" conjuntamente a sociedade com CARLA MURANO, situação que permaneceu até 16/01/2008. Em junho de 2008, obtém seu primeiro vínculo como empregada, na categoria CBO 04131 (auxiliares de contabilidade), percebendo o salário de R$ 944,23. A partir de 12/09/2008 o capital social da SOLEFER (4 a Alteração contratual) passou do sócio Michele Murano para Michele Murano Júnior (CPF 256.770.66826), que, infringindo cláusula do contrato social, permaneceu como sócio unipessoal da empresa por mais de 700 dias, quando então foi guindado à condição de sócio o exfuncionário Rogério Rodrigues, com apenas 1% das cotas do capital. Destacamos a 5a. Alteração Contratual e Consolidação do Contrato Social, registrada na JUCESP sob nº. 3.963/111, no Capítulo III, que trata da administração da sociedade consta que ela é exclusiva do sócio Michele Murano Júnior, e que somente a ele cabe "as assinaturas em cheques, documentos de conta bancária e outros documentos análogos da sociedade". [...] Verifiquei o Livro Caixa da SOLEFER e intimei à apresentação do detalhamento das contas de "Duplicatas a Pagar" e "Serviços Prestados (esta última somente para 03/2011, onde figurara valor significativo. 3.2 No Livro Caixa, inexistem pagamentos de energia elétrica e água, apenas contas telefônicas e aluguel (do qual foi exibido contrato com a "PRO EMPRESA", também do mesmo grupo familiar). Fl. 431DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 432 4 3.3 Como resultado do detalhamento das "Duplicatas a Receber" foi apresentada uma planilha demonstrando que 100% dos recebimentos em 2010 (valor R$ 2.283.498,62) foram da JOALMI, em 2011, do total no ano (valor dos recebimentos R$ 1.664.525,23), excetuandose apenas os valores de R$ 213.430,00 (mês de março lançado no Caixa como "Prestação de Serviço) mais R$ 47.837,00 (mês de julho "Prestação de Serviço") de Magnetti Marelli Cofap Cia Fabr (02.865.246 00171.9) e R$ 22.099,25 recebidos em novembro de Lear do Brasil Ind e Com de Intern Automo. Ltda. (CNPJ01.998.585/000143), todos os recebimentos foram da JOALMI (o que representa 83% da receita anual). [...] Através do sistema de pesquisa de Notas Fiscais Eletrônicas, foi verificado no período de 01/2010 a 12/2012 o faturamento da SOLEFER de R$ 8.960.354,59 emitidas para JOALMI (86,39% do faturamento) e R$ 1.411.389,13 faturados para outros clientes (13,61%), onde a LEAR DO BR concentrase entre 12/2011 a 03/2012 e a MAGNETTI em 03/2011, 03/2012 e 07/2012. 3.6. Tais pesquisas evidenciam absoluta preponderância de vendas dos produtos da SOLEFER para a JOALMI e totalidade para vários períodos. [...] Ao pesquisar o histórico laborativo do atual sócio Rogério Rodrigues, da SOLEFER, verificamos, a existência de outra empresa também interrelacionada e com o mesmo endereço constante do Contrato Social da sede da JOALMI (Rua Indiaporã, 560), tratase da SOLESTAMP INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PEÇAS E ACESSÓRIOS LTDA, CNPJ 07.090.428/000111, com o objeto social de fabricação de peças e acessórios para o sistema motor de veículos automotores. A simples leitura da Ficha Cadastral da JUCESP, nos mostra os mesmos sócios que já figuraram ou figuram na JOALMI e SOLEFER, se revezam durante a existência desta empresa, que teve sua atividade encerrada em 12/2008. 4.2. Na visita efetuada na SOLEFER, verificamos que não existem empregados administrativos, para compras, fiscal, recursos humanos, somente desenhistas projetistas coordenados por Rogério Rodrigues, conforme Termo de Constatação anexo. A empresa SOLESTAMP teve empregados até fevereiro de 2008, (a partir de março de 2008, não existe GFIP) quando metade do quadro de funcionários migraram para a empresa SOLEFER, que na ocasião já estava com endereço na rua Eunice, 223, Galpão 02. A SOLESTAMP foi optante do SIMPLES de 01/07/2007 até 03/12/2008, quando foi excluída do sistema por ato administrativo da Receita Federal do Brasil (coincidente com sua extinção). O cruzamento dessa série de pesquisas nos mostrou que as empresas citadas JOALMI, SOLEFER, SOLESTAMP pertencem Fl. 432DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 433 5 ao mesmo grupo familiar e que se alternam em relação à participação societária. As empresas se identificam ou complementam em relação às atividades fim. Os endereços se confundem, assim como a mão de obra empregada. No final de 2007 e início de 2008, há a mudança dos estabelecimentos, de tal forma que as instalações da Rua Eunice passam a abrigar as atividades das empresas SOLEFER e JOALMI, que se complementam. Particularmente ao contido no MPF em epígrafe, constatamos: EM RELAÇÃO AO ESPAÇO FÍSICO: JOALMI e SOLEFER, a situação descrita no Termo de Constatação de 12/11/2013, que culminou com a propositura da Representação Fiscal para Alteração Cadastral ex officio, que alterou a sede da empresa JOALMI para a R. Eunice, 283 em 24/06/2014, já que a empresa insistiu em adotar outros endereços para a matriz; EM RELAÇÃO AO QUADRO SOCIETÁRIO: Como já exaustivamente descrito, se alternam e se confundem entre si; QUANTO ÀS RELAÇÕES COMERCIAIS: Igualmente se identificam e complementam; QUANTO À MÃO DE OBRA: Migraram da extinta empresa SOLESTAMP para a SOLEFER inclusive o empregado que viria a ser um dos atuais sócios da SOLEFER. CONCLUSÃO O rol de evidências relatado mostra que a empresa SOLEFER, na verdade é um departamento de projetos e moldes da empresa JOALMI, e passou a ter esse papel ao longo do ano de 2008, quando houve uma reestruturação das empresas do grupo, permanecendo assim durante todo o período fiscalizado! Tal se dá em razão da utilização da opção de tributação pelo regime do SIMPLES NACIONAL pela SOLEFER, usufruindo assim dos benefícios do regime quanto à parte patronal e para outras entidades em relação à sua massa salarial, para os empregados e contribuintes individuais. Os empregados transferidos continuaram a exercer suas funções normalmente, inclusive Rogério Rodrigues, que coordena o setor de projetos, continuam no mesmo ambiente de trabalho, mesmos equipamentos e sobretudo, sob subordinação dos mesmos administradores a família Murano. Diante do exposto, fica evidente a intenção da empresa, através dos seus administradores, de sonegar as contribuições previdenciárias e de terceiros utilizandose da prática de transferir seus empregados para empresas do SIMPLES, que declaram estes empregados na GFIP e informa que é optante pelo SIMPLES NACIONAL. Desta maneira, a empresa fiscalizada deixa de recolher as contribuições patronais e de terceiros de parte dos seus funcionários. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 434 6 Caracterizouse, com este procedimento da empresa, reiteradamente, a sonegação das Contribuições Previdenciárias e fraude, à luz da Lei 4.502/64, em seu art. 71, inciso I e art. 72 e como conseqüência, ao lançamento de ofício será aplicada multa qualificada, nos termos do Art. 44, inciso I e §1°da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488.de 2007, ou seja,150%. foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais; Com fundamento no artigo 135 da Lei n° 5.172 de 25/10/1966, consideramos os sócios administradores das duas empresas sob ação fiscal, Srs. Michele Murano CPF 049.745.81872, Marcelo Murano CPF 154.410.53801 e Michele Murano Júnior – CPF 256.770.66826 SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEIS pelo presente débito, pelas razões expostas nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, que acostamos ao processo. Com base no que acima foi descrito, procedemos a lavratura dos competentes autos de infração, apurandose como base de cálculo, a massa salarial dos segurados empregados e dos contribuintes individuais declaradas nas GFIP's da SOLEFER, mas que apenas realmente abriga parte da folha de pagamento da empresa JOALMI. Da Impugnação Inconformada com a autuação, cientificada em 16.09.2014, a empresa apresentou impugnação em 15.10.2014, (fls. 114/137) alegando em síntese: a confusão do polo passivo motivou o comparecimento da outra empresa aos autos, conforme documento anexo; o agente fiscalizador atropelou a ampla defesa sem o devido processo legal e feriu regras nacionais e internacionais de livre comércio; a fiscalização não trouxe provas, apenas insinuações e suposições; a empresa inicialmente estava estabelecida à Rua Indiaporã, 340, Cumbica, Guarulhos/SP onde lá esteve por volta de 18 anos. Depois constituiu uma filial no condomínio empresarial sito à Rua Eunice, n° 283, galpão 01, Ponte Grande, Guarulhos SP e permanecendo no seu endereço de origem o escritório administrativo para cuidar não apenas das questões de licenciamentos, certificações e afins como também das relações comerciais e vendas. Sob a promessa da construção de escritório comercial pelo locador sito à Rua Antonio Iervolino, 312 e estando neste interstício de tempo sob fiscalização, eis que, a mesma obrigou a empresa a abandonar aquele endereço para estabelecerse à Rua Siqueira Campos, 94 Sala 19 Cep 07110110, Jardim São Paulo, em GuarulhosSP. Vejase inclusos não apenas a Fl. 434DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 435 7 formalização, como também a materialização dos fatos ora declarados nos inclusos documentos de alteração contratual, bem como, fotografias e estando a disposição para qualquer tipo de inspeção. Demais, a Lei e a Constituição conferem à pessoa jurídica e não ao fisco, ao Estado, eleger o local de sua sede; logo, ilegítimo e ilegal, além de inconstitucional, o ato que de ofício alterou a sede da empresa. [...] o relatório fiscal "termo de constatação" informa que "perguntados aos lavadores de carros acerca da empresa Joalmi, alegaram desconhecimento do assunto". Ora, primeiramente não consta que lavadores de carros (com o respeito que merecem) devam mesmo ter conhecimento de uma empresa e depois, uma fiscalização de alto nível, como a federal, deveria ao menos nomear as testemunhas e pedir seus documentos. Esta falta inviabiliza a defesa e fere o direito constitucional à mesma da autuada. Se houvessem falado com o responsável legal pelo imóvel, conforme está no contrato de locação que foi entregue à fiscalização, ficaria claro que é ali mesmo que a empresa sediaria sua empresa. Aliás, que insano ato praticaria alguém de apresentar contrato de locação estando sob fiscalização? Aqui vemos que é "supor" demais! [...] a fiscalização, com o fim de incriminar a Requerente, elaborou auto de constatação unilateral no qual informa que supostamente existiria outro galpão contíguo a empresa Solefer onde seria a sede da empresa e este tal galpão simplesmente não existe. Não há nenhum galpão contíguo à empresa Solefer, pois, em um galpão está estabelecida a referida e em outro o estabelecimento filial e produtivo da Requerente, repitase e esclareçase então, que se trata de um condomínio empresarial. Se nós vamos chamar de "galpão contíguo" os galpões de um condomínio empresarial, então todos os condomínios da espécie estão fadados a serem incluídos em "conluio". As atividades da empresa Solefer, diferem e estão anos luz distantes das atividades da empresa Joalmi. A primeira produz moldes e estampos, é essencialmente técnica e sua mão de obra é qualificada e de alto nível, totalmente diferente da empresa Joalmi que produz peças de estamparia para o setor automotivo, cuja mão de obra é unicamente operacional e qualitativa. [...] a empresa Joalmi, em 25 anos de existência, nunca teve incluída em sua atividade a fabricação de estampos e moldes. Vide contratos sociais anexados. [...] os funcionários de uma empresa e outra não fariam os trabalhos uns dos outros por absoluta falta de conhecimento das atividades de cada empresa. Ainda sobre esta questão podemos salientar que, a empresa Joalmi não possui nenhum molde ou estampo, estes são exclusivamente propriedade de seus clientes e Fl. 435DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 436 8 ficam na requerente por meio de contratos de comodato. Assim sendo, não é verdadeira a afirmação que a Joalmi adquire toda a produção da Solefer tão somente o fazendo formalmente para assegurar ao cliente as certificações de qualidade (ISO TS 19949, ISO 14000). Em verdade, quem adquire os moldes são os clientes da Joalmi por meio desta, com o único intuito de aprovar as certificações mencionadas e nada mais. Logo não há qualquer vínculo técnico, administrativo ou funcional entre Solefer e Joalmi. [...] se o próprio relatório está informando que visitaram o departamento de projetos e depois o de produção, onde havia funcionários trabalhando em máquinas de eletroerosão, como é que depois concluem que Solefer é apenas um departamento de projetos? Não foram feitas nenhuma relação de quais funcionários estariam faltando, nem dos quais estariam lá, nem do paradeiro dos tais que não estariam. Nem mesmo deram ao trabalho de quantificar o que quer dizer "nitidamente menor". Nenhum funcionário foi questionado sobre quem seria seu empregador e nem mesmo foram arrolados como testemunhas, diante de tão grave quadro que o termo se propõe, de imputar crime de conluio a quem trabalha honestamente. Finalmente, o referido termo informa que havia no estabelecimento algumas "plaquinhas" nas quais teria o nome Joalmi e outras estando as mesmas dentro da Solefer. As referidas plaquinhas tratase de exigência normativa de qualidade tanto ISSO9000 (certificação Solefer) quanto de ISO TS 16949 (certificação Joalmi) e são ferramentas que proporcionam ao cliente transparência e organização do serviço prestado. Comuns em empresas certificadas. Além de demonstrarem total desconhecimento do que seja célula industrial, não questionaram o fato no momento da visita, nem o anotaram em forma de prova. Um simples passeio por todas as empresas da cadeia produtiva e lá encontrarão placas e mais placas de várias empresas que a compõe, umas em relação às outras. Este fato, além de não significar nada, não coloca empresas em "conluio" e nem mesmo longinquamente, estabelece que os funcionários perto da placa pertencem, tenham vínculo ou trabalhem para aquela que está nela anotada. Vale ressaltar que segundo a "dedução insinuosa" da fiscalização, então todos os cinqüenta funcionários estariam, há vários anos sem nada reclamar, dentro do tal "conluio". nada impede que parentes tenham empresas diferentes ou mesmo com atividades complementares, sem que isso implique em conluio, empresas coligadas ou controladas; Não há restrição para enquadramento e fruição de benefícios do estatuto da pequena e microempresa quanto a grau de parentesco. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 437 9 não havia impedimento para a empresa Solefer pertencer ao Simples Nacional; em 2014, a LC 147 estabeleceu três requisitos cumulativos para desqualificar beneficiários do Simples Nacional, quais sejam, relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade; Para simples debate e supondo qualquer e longínqua sombra de razão ao agente fiscalizador, facilmente verificamos que a empresa Solefer em suas atividades não se enquadra em nenhum destes requisitos. Dizemos apenas para efeito de debate, porque, se a lei só agora em 2014 regulamentou o que é proibido, então é porque tudo o que mais antes ocorreu é permitido, logo não há que se falar em interdependência entre as empresas Joalmi e Solefer tão somente antes da Lei como também depois dela. Demais, a retroatividade da Lei beneficia o réu, a lei não pode retroagir seus efeitos. o vínculo familiar não imputa pessoalidade; a fiscalização não demonstrou haver subordinação de uma empresa à outra; idem para habitualidade, pois uma produz estampos e moldes e a outra, peças de estamparia para o setor automotivo; o fato de uma empresa vender grande parte de sua produção para outra não implica em conluio, pois “centenas e centenas” de empresas têm essa prática usual no setor produtivo; a Joalmi tem contratos com clientes, de exclusividade de fornecimento e isso não faz de seus clientes controladores e nem da Joalmi uma controlada. E de modo algum subordina uma a outra. Não há um só documento nos autos, nenhuma prova material, nenhuma intimação, nada, absolutamente nada, que vincule Marcelo a qualquer ato comercial, jurídico ou de qualquer outra instância na empresa Solefer e viceversa. Não há nenhum documento ou prova material de que Marcelo de alguma forma administre ou faça parte da gestão da empresa Solefer, até porque, não faz parte mesmo. Quanto ao quesito 02 do Relatório do auto de Infração em que supõe o órgão arrecadador por meio do seu agente, estarem vinculadas as empresas em razão da evolução histórica do quadro societário. Cabe ressaltar desde logo, que todos os fatos ali mencionados naqueles instrumentos se referem a situações ocorridas não só anteriormente ao período fiscalizado, bem como, a período prescrito e com mais de 5 anos. Com efeito, a última alteração contratual da Solefer onde consta o desligamento de Michele Murano e Marcelo Murano data de 12/09/2008 e todas as demais são anteriores a esta data. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 438 10 O sócio, Michele Murano Júnior, é proprietário da empresa Solefer, portanto, há mais de 5 anos, período em que nenhuma outra alteração contratual o desligou do quadro das atividades da empresa. Também, o referido nunca participou da administração Joalmi. O período fiscalizado (2010/2012) está incluso neste em que há exclusiva gestão do sócio Michele Murano Júnior com a coparticipação do admitido em 10/11/2010 Rogério Rodrigues. Caso por alguma razão espúria e dominados por uma vontade criminosa estivessem dispostos a agir como sonegadores, não teriam registrado em contratos sociais aquilo que a legislação trabalhista os obriga a fazer. Ressaltese que contrariamente ao descrito pelo agente fiscal que "a partir de 2008", os próprios documentos mencionados pelo mesmo são de "antes de" e não "a partir de". [...] o fato de Bianca Lelo Leme ter participado da sociedade não significa de modo algum que estivesse praticando qualquer tipo de crime nem ela nem o sócio remanescente. Finalmente, o que Bianca Lelo Leme fez com sua existência após ter se desligado da empresa não tem absolutamente nada a ver com o caso telado. Mais uma insinuosa afirmação a de que teria sido empregada em tal lugar depois disso. Pura "teoria" da conspiração. Se o agente fiscal ao invés de buscar crime onde há labor, tivesse se dado ao trabalho de verificar com mais profundidade, teria visto, por exemplo, que o Sr. Rogério pode não participar no momento de maiores fatias no lucro, mas enquanto ele recebe um prólabore de R$ 10,2 mil reais o Sr. Michele Júnior recebe R$ 4,4 mil reais, menos que a metade, de modo que, tudo a seu tempo, certamente no futuro o Sr. Rogério terá o devido reconhecimento meritocrático também na sua cota social. Se a empresa está dentro de um condomínio empresarial, não é só dela, mas, comum a muitos condomínios, em que o pagamento de alguns itens de consumo sejam compartilhados. É o caso da Solefer que paga seu consumo de energia e de água dentro do aluguel mencionado pelo próprio agente, no sistema de condomínio. [...] Também o agente fiscal contestou o fato da empresa não possuir muitos funcionários administrativos, mas deixou de ver, por exemplo, que, como milhões de outras empresas no Brasil, a Solefer paga contador externo para essas atividades. Aliás, o próprio livro caixa mencionado e que subsidiou as estapafúrdias conclusões está assinado pelo contador externo e foi por ele produzido. O fato de Rogério Rodrigues ter sido empregado da Solestamp e depois sócio da Solefer não configura nem um ato suspeito ou ilegal e muito menos subsidia a intentona fiscal, aliás, é pratica comum no mercado, onde um tem o capital e o outro a mão de Fl. 438DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 439 11 obra e "know how" da atividade, ou seja, nada mais comum que um entrar com o capital e outro com o trabalho em razão do reconhecimento de sua capacidade e o interesse de sociedade nessa união. Quanto a funcionários administrativos para compras ou para vendas, a empresa realmente não tem necessidade, porque sendo produtora de moldes e estampos técnicos as compras são eventuais assim como as vendas. Por exemplo, pode durar entre projeto e entrega, de 3 meses (mínimo) até um ano e meio ou mais para entregar um molde. A Solestamp era uma empresa que até 2008 pode funcionar em outro local (Cumbica) diverso do que é hoje a Solefer (Ponte Grande) e que se tornou inviável por não atender as normas técnicas exigidas pelos adquirentes de moldes e estampos. O fato de metade de seus funcionários terem migrado para a Solefer que na oportunidade já estava na Rua Eunice, Ponte Grande, por si mesmo atesta a idoneidade do ato, pois, de modo contrário, a totalidade dos funcionários poderia em primeiro momento configurar algum tipo de ato suspeito. Demais, o próprio agente fiscalizador apresenta prova contra si mesmo, eis que os funcionários aludidos foram transferidos de Solestamp para Solefer e nunca para autuada Joalmi. Tal medida se deveu a necessidade de garantir a essa parcela de empregados os direitos trabalhistas que haviam adquirido na empresa anterior. Garantiu que esses funcionários não tivessem qualquer tipo de prejuízo. Atitude diferente da adotada, geraria uma ocorrência trabalhista denominada juridicamente de sucessão, essa sim ilegal, que daria a falsa impressão de que a empresa teria sido "desativada" e que uma "nova empresa" teria surgido com os mesmos funcionários, maquinários, clientes e atividade fim, com eventual finalidade de fraudar direitos trabalhistas, ou seja, tratamos aqui de medida preventiva para manutenção da lei trabalhista vigente. Os endereços "se confundem assim como a mão de obra empregada". nenhuma dessas informações são verdadeiras. Solestamp esteve estabelecida na Rua Aroeiras no bairro de Cumbica/Guarulhos e foi extinta em 2008 e Solefer está estabelecida na Rua Eunice no bairro da Ponte Grande/Guarulhos, a quilômetros de distância daquela. Não há confusão de endereços! Joalmi e Solefer são empresas totalmente distintas, tanto nas atividades quanto na tecnologia e atividades fim. A atividade da empresa Joalmi, desde a sua constituição em 1989 (mais de 20 anos) sempre foi de fabricação de peças para veículos automotores, nunca de moldes e estampos. Vejamse as Fl. 439DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 440 12 fichas cadastrais da Junta Comercial e contrato social e alterações contratuais anexadas ao processo pelo próprio fisco! Segundo o mesmo relatório (4.5 do Auto de Infração) no final de 2007 e inicio de 2008 há mudanças de estabelecimentos de tal forma que as instalações da Rua Eunice passam a abrigar as atividades da Solefer e Joalmi. O que deixou capciosamente de mencionar é que esse novo local é um condomínio industrial onde existem diversos galpões, situação comum pelo Brasil e mundo afora. Nada de errado nisso e ressaltese: tudo fora do período fiscalizado e há mais de cinco anos. Ainda para exaurir a insubsistente argumentação fiscal, cabe ressaltar que, o ato unilateral e arbitrário do fisco denominado "termo de constatação" e que subsidia em grande parte tais argumentos, afirma que a empresa "insistiu em adotar outros endereços para a matriz". A empresa Joalmi não "insistiu em adotar outro endereço", é que simplesmente ela tem outro endereço. É necessidade por razões comerciais amplamente explicadas para o fisco durante a fiscalização e acima, na presente peça defensória. [...] no termo de constatação informa que primeiro esteve no departamento de projetos da Solefer e depois no departamento de produção onde havia máquinas de eletroerosão, etc. Se ela própria está dizendo que Solefer é uma empresa completa, com departamento de projetos e de produção, não se sabe por onde tirou esta conclusão de que Solefer é departamento da Joalmi. Contraditória ao extremo. [...] (item 5.2)"que os funcionários transferidos continuaram a exercer suas funções normalmente, inclusive Rogério Rodrigues, sob subordinação dos mesmos administradores", o que é uma argumentação mentirosa, posto que vai contra o que consta o contrato social e contra os fatos, quais sejam, a subordinação ocorre em relação a Michele Murano Júnior e Rogério Rodrigues (sócios da Solefer) e não em relação a Marcelo Murano e Michele Murano (sócios da Joalmi). Outra mentira está explicita na própria argumentação porque Rogério não pertence a família Murano, aliás, profissional competente, que merece o posto que ocupa, ganha de acordo com sua função na sociedade e, obviamente continuou exercendo suas funções normalmente posto que é sócio interessado no negócio, mesmo sem ser da "família Murano". c) de modo algum ficou evidente a intenção da empresa de supostamente sonegar contribuições previdenciárias utilizando se da prática de transferir seus empregados para empresa optante do SIMPLES NACIONAL. Em nenhum momento, por documento algum e também pelos fatos se verifica que Joalmi tenha transferido funcionários para Solefer. Esta argumentação conspira contra si mesma porque logo ali atrás o próprio agente fiscal relata que os funcionários foram transferidos de uma empresa do Simples para outra empresa do Simples e que nunca em momento algum transitaram pelos quadros funcionais da Fl. 440DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 441 13 empresa JOALMI. Demais essa transferência como exaustivamente dito ocorreu em 2008, portanto, há mais de cinco anos e bem anteriores ao período fiscalizado. não foram considerados os valores já recolhidos pela sistemática do Simples Nacional; a Solefer está em dias com o pagamento dos impostos da sistemática do Simples Nacional; a multa deve incidir sobre a diferença de contribuição e não sobre a totalidade destas, conforma art. 44, I, da Lei nº 9.430/96; a qualificação da multa é indevida pois não foi provada infração alguma, conforme dispões art. 68, da Lei nº 4.502/68; não há prova de sonegação, como quer o fisco, tornando insubsistente a qualificação da multa; quem tem relação com o fato gerador (art. 121 do CTN) é a Solefer, não a autuada, o que torna inválida a autuação por equívoco no polo passivo; o agente fiscal não é competente para imputação de crime, nem a ocorrência de conluio, extrapolando seus limites legais; o tributo cobrado tem efeitos confiscatórios; nem todo o patrimônio da Solefer pagaria a dívida e Joalmi teria suas atividades inviabilizadas; Traz doutrina e jurisprudência abonadora de suas teses. Requer produção de provas admitidas em direito; cancelamento dos autos. Em 15.10.14, a empresa apresentou requerimento preliminar (Fls. 146/147) nos seguintes termos: requer “absoluto sigilo” no processo fiscal, nos moldes de segredo de justiça, considerando danos irreparáveis e de difícil reparação que a autuação possa vir a causar à empresa; há interesse publico e social no sigilo, face ao número de empregos a serem preservados. Inconformados com a autuação, cientificados em 16.09.2014, os sócios Marcelo Murano, Michele Murano Júnior e Michele Murano apresentaram idêntica impugnação em 15.10.2014, (fls. 150/152, 170/172 e 191/193) alegando em síntese: aos sócios não foi oportunizada defesa em momento algum do processo; o art. 1.193 do Código Civil – CC, disciplina que o exame da escrituração, pelas autoridades, deve darse nos termos estritos das leis especiais; Fl. 441DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 442 14 a sujeição passiva solidária do sócio pressupõe prévia inadimplência da pessoa jurídica a qual pertença; a LC 123 não impede que a Solefer possa usufruir do regime diferenciado de tributação; não houve prova de que os empregados da Solefer fossem vinculados à Joalmi; o fisco não poderia ter incluído o sócio por disposição do art. 50 do CC, pois apenas o juiz pode fazêlo; anexa trabalho do consultor jurídico Dr. Heleno Taveira Torres; Requer retirada do sócio da exação. Passo adiante, a 6ª Turma da DRJ/FOR entendeu por bem julgar a impugnação improcedente, em decisão que restou assim ementada: AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÕES PRINCIPAIS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS. Constituem fatos geradores de obrigações tributárias as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, consoante art. 20 da Lei 8.212/91, cuja responsabilidade de desconto e recolhimento aos cofres da Previdência Social é da empresa contratante, na forma do art. 30, inciso I, alínea “a” da Lei 8.212/91. SITUAÇÃO FÁTICA DIFERENTE DA FORMAL. ENQUADRAMENTO NA HIPÓTESE LEGAL. Se o Auditor Fiscal comprova que duas empresas formalmente distintas constituem, na verdade, um só empreendimento, deve enquadrar essa situação fática na hipótese legal de incidência do tributo, o qual é regido pelo princípio da verdade material. Cientificada em 06/05/2015 (Fls. 228), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/05/2015 (fls. 290 a 304), argumentando em síntese: (...) Com efeito, não existe nenhum "conjunto probatório fático"; somente insinuações e suposições desconexas. Nenhuma das alegações do fisco veio acompanhada de provas materiais, apenas trafegou no terreno do místico e do fantástico, de modo que nos permite afirmar com toda convicção de que o único "fato" presente nos autos é a insistência na mentira. O próprio voto "vencedor" começa por dizer "que os indícios verificados pela auditoria, isoladamente, não comprovariam a situação suscitada". Indício nunca foi prova. Depois, contradiz a si mesma "a meu ver", afirma: "o conjunto probatório, contudo, é suficiente para fundamentar a autuação". Não relaciona que Fl. 442DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 443 15 "conjunto de provas" seria este a que se refere, logo, baseouse em um conjunto se indícios e não probatório. (...) A decisão relata que "as empresas ocupam o mesmo espaço físico", que "a defesa não veio acompanhada de provas necessárias" e que não havia "delimitação clara e precisa das duas empresas" e ao que "parece", "somente as duas empresas se situam no local, não constando evidências que há outras empresas no mesmo endereço". Não se apercebeu que nestas considerações está o absurdo. (...) No Anexo I, desta peça recursal, apresentamos fotos do local as quais demonstram que os galpões deste condomínio industrial são separados por ruas, tal e qual fossem vias públicas, com faixas de segurança e não "passarelas" que existe somente na imaginação do fisco. Assim sendo, as empresas estão não somente fisicamente separadas como também jurídica e operacionalmente. Quanto à comprovação de que havia um condomínio, como foi anteriormente citado, este pode existir de fato e de direito. É um condomínio quando duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, compartilham uma mesma coisa em proveito geral. Não é preciso comprovar, neste caso. O próprio fisco é quem está dizendo que as empresas compartilham a segurança, o transito e mais algumas coisas em comum. Ele, o fisco, é quem afirma que é um condomínio. Por outro lado, para satisfazer finalmente a este absurdo argumento, vejase o Anexo II deste recurso onde se encontram os contratos de locação de ambas as empresas envolvidas nestes autos, firmados em 2009 e registrados em cartório em 2010, ainda em vigor e anos antes, portanto, do início da fiscalização, que foi em 2013. (...) Não existe nos autos e nem na vida real da empresa esta "constatação". É mera suposição de quem não fez o trabalho bem feito, conforme se verá adiante. Antes, porém, um pequeno adendo. Não é verdade que o compartilhamento de despesas não seja uma situação corriqueira. É mais comum do que "parece". Milhares de empresas compartilham despesas de todo o gênero que se possa imaginar. (...) Fl. 443DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 444 16 Para saber o que cada uma consome, a tarefa é bastante simples: cada qual tem seus medidores próprios, embora a conta de energia seja única. A auditoria fiscal limitouse a verificar o "livro caixa" e daí simplesmente tirou suas conclusões estapafúrdias. Se pedisse em algum momento uma explicação, teria, mas, não o fez. Daí, falar que "constatou" é exagero. Vejase no Anexo III desta contestação, as fotos dos medidores que sempre estiveram lá à disposição para serem conferidos. E não é só isso. Ambas as empresas têm controle informatizado de gerenciamento de custos de energia (vide tabela no Anexo IV) que não só diferencia os custos de produção de cada uma das empresas (galpões), como também cada um de seus departamentos e mais, rateados por sistema de custos informatizado, a cada um dos itens produzidos. “Livro caixa" é controle de recebimentos e pagamentos. Não é controle de consumo de energia. Esta é paga sob a forma de condomínio, já que a cabine primária é também um "condomínio de uso de energia". Assim sendo, não havendo nada de errado e nem algo que pareça o que não é, vai por terra mais uma escora dos espúrios argumentos do agente arrecadador. (...) Uma (Solefer) produz moldes e estampos; outra (Joalmi) produz peças estampadas para a cadeia produtiva de autopeças. Os moldes são adquiridos da Solefer pelos clientes Joalmi, por conta e ordem destes. Tal procedimento, como já explanado, visa garantir a certificação das peças a serem produzidas e isto é uma exigência das montadoras de veículos e das leis do consumidor. Os funcionários de uma (Solefer) jamais teriam como produzir em outra (Joalmi), pois são atividades diametralmente distintas, a primeira é essencialmente técnica e a outra, produtiva. A requerente não possui moldes e estampos, todos, sem exceção, são de propriedade dos clientes. Vejase no Anexo V, alguns dos contratos de comodato de, como exemplo. (...) A pensar como o fisco, então todas as empresas pertencentes à cadeia produtiva de montadoras de veículos são uma só empresa. Absurdo! No mais, a relatoria "vencedora" embarcou na fantasiosa idéia de tal modo me até já criou uma nova personagem, um procurador. Não há nos autos e nem fora dele, nenhum "procurador da empresa", tendo esta novidade aparecido do nada no relatório "vencedor". Aliás, deste misterioso personagem não encontraremos jamais o instrumento de Fl. 444DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 445 17 procuração que lhe ter sido outorgado, mesmo porque se existe, somente existe no campo metafísico, em alguma parte de um desconhecido multiverso. A auditoria fiscal esteve na empresa por uma única vez e durante no máximo 20 minutos. Daí, porque foi atendida na Joalmi, pelo Sr. Marcelo Murano, a mesma concluiu indevidamente o que bem quis, sem o menor respaldo comprobatório. (...) Não é suficiente alegar, é preciso materializar, comprovar por matéria o que se diz por fatos. Não se pode acusar no campo transcendental. A auditoria fiscal não comprovou absolutamente nada, não materializou suas alegações, limitandose tão somente a supor o que bem quis. Poderia inquirir testemunhas, obter depoimentos, juntar documentos, fotografar, intimar e tantas outras formas de transpor do imaterial ao material. Não fez nada disso. (...) Se a presença dos mesmos sócios em várias empresas não caracteriza organização única, então não caracteriza, pois uma coisa não pode ser e ao mesmo tempo não ser. Ou é ou não é. Acrescentese, para evitar vacância, que a fiscalização não demonstrou nada, limitouse a colecionar contratos sociais e tão somente isso; nenhuma demonstração de que sócios tais ingerem umas nas outras empresas. Com efeito, não há ingerências, o que, aliás, não faz parte de nenhum "conjunto probatório". Não há nada, absolutamente nada, que demonstre o tal do "gerenciamento único". Por derradeiro, neste tópico, salientese que este argumento não tem nada com o foco central da celeuma. O ponto crucial é responder a pergunta de quem são os empregados da Solefer e ainda, se ela, Solefer, sonegou tributos, qual a razão de imputar esta tributação à outra empresa. (...) 9 A Solefer tem sim, estrutura administrativa própria. Para reforçar seus argumentos insubsistentes, a "relatoria vencedora" ora combatida, alega que "foi verificado que a Solefer não tem estrutura administrativa para compras, nem recursos humanos, tendo como empregados apenas desenhistas projetistas". Tratase de mais uma mentira. Primeiramente, esta "verificação" certamente não ocorreu; como dissemos anteriormente, uma visita de vinte minutos efetuada pela fiscalização concluiu o que quis, sem o menor fundamento. Tivesse ao menos analisado o registro de empregados ou os cadastros fiscais da própria RFB e se quisesse, até com os próprios funcionários, teria constatado o despautério desta afirmação. No Anexo VI desta contestação, verifiquese a Fl. 445DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 446 18 listagem de funcionários que estavam na empresa no período fiscalizado. (...) Resumindo, o registro de empregados, a folha de pagamento, as Gfip (informações funcionais na RFB), os salários pagos e tudo mais quanto aqui provado e demonstrado, atestam sem a menor dúvida que o fisco fez apenas uma análise superficial, sem nada comprovar, tirando conclusões espúrias e fantasiosas com o fim de atingir seus objetivos de exigir tributos; pior, exercer uma tentativa de aniquilação de empresas, pois já foi explicado e demonstrado que nem todo patrimônio de uma ou o faturamento de 20 anos de outra é suficiente para pagar esta monstruosidade de impostos e multas. A Solefer tem gerenciamento próprio, seu quadro de funcionários atesta sua capacidade administrativa e sua atividade independe da Joalmi. Não há nenhuma "organizacão criminosa disposta em conluio"; são simplesmente pessoas que trabalham honestamente e pagam em dia seus impostos. (...) Também, poderia ter verificado que o sócio Michele Murano Júnior é o constituidor desta extinta empresa desde o início, em 15/10/2004, que se desligou dela em 27/02/2008, retornando meses após, em 05/06/2008, para depois extinguila em 31/05/2008, distrato social registrado em 03/12/2008. (vide ficha de breve relato da Junta Comercial no Anexo VII). Já a Solefer, foi constituída em 07/05/2004 e teve seu contrato social registrado em 19/07/2004, portanto, ambas as empresas funcionaram conjuntamente durante quatro anos, uma com a atividade de comércio e outra a de indústria, ou seja, não existe esta história inventada de que Solestamp foi extinta para abrir Solefer com o intuito de sonegar impostos. Por derradeiro, vejase mais outro absurdo, que de acordo com o relatado na decisão e segundo o qual "cujos empregados foram transferidos para a Solefer logo após aquela ser excluída do Simples, o que evidencia a intenção de não pagar tributos devidos". Esta afirmação é típica de quem quer fundamentar sua casa na areia, que não se cuidou de verificar nada. (...) Conforme a consulta no sistema do Simples da RFB (anexada ), verificamos que a Solestamp foi extinta em 31/05/2008 (conforme distrato social), tendo a situação resolvida perante a RFB em 03/12/2008, data em que do Simples foi "excluída, por ato administrativo praticado pela Receita Federal" . Observese bem que se trata de um ato administrativo comum a todas as empresas do Simples que comunicam a baixa de suas atividades, independentemente de qualquer outra situação. É apenas um ato administrativo, nada mais! A empresa Solestamp não foi extinta Fl. 446DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 447 19 por nenhum motivo que ensejasse seu desenquadramento do simples, até mesmo porque, encerrou as atividades muito antes disso! Nenhum conluio existe aqui, nenhuma "evidência" de que isto fosse para não pagar tributos. As duas empresas, Solestamp e Solefer coexistiram durante anos, uma não fechou para abrir outra, sendo esta "evidência comprovada" tão somente elucubrações da auditoria fiscal e agora da relatora do voto vencedor. (...) Em outro caso, ainda mais grave, a alteração da legislação tributária incidente sobre a Folha de Pagamento (Desoneração da Folha) foi efetuada em agosto de 2011, por intermédio da Medida Provisória 540, de 02 de agosto de 2011, convertida na Lei n° 12.546, de 14 de dezembro de 2011, e ampliada por alterações posteriores (Lei n° 12.715/2012, Lei n° 12.794/2013 e Lei n° 12.844/2013). Esta medida consiste na substituição da base de incidência da contribuição previdenciária patronal sobre a folha de pagamentos, prevista nos incisos I e III do art. 22 da Lei n° 8.212/1991, por uma incidência sobre a receita bruta. A implementação da incidência sobre a receita bruta se deu, em termos práticos, por meio da criação de um novo tributo, a Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), que consiste na aplicação de uma alíquota ad valorem, 1% ou 2%, a depender da atividade, do setor econômico (CNAE) e do produto fabricado (NCM), sobre a receita bruta mensal. Acontece que a empresa Joalmi justamente está enquadrada. neste sistema desde agosto de 2011 (portanto, dentro do período fiscalizado) e paga as contribuições previdenciárias, desde então, sobre o faturamento e não sobre a folha. Pois bem, ainda que aqueles funcionários de Solefer, por uma longínqua hipótese, fossem "somados" aos da empresa Joalmi, o resultado da contribuição cobrada seria o mesmo que sem eles, e conseqüentemente, já paga. Está a auditoria fiscal incluindo nos seus arranjos medonhos, a cobrança daquilo que nem mesmo assim é devido, pois não cuidou de verificar qual era a forma de pagamento das contribuições então em vigor para a empresa Joalmi. (...) É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 448 20 Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Após analise do conjunto probatório apresentado pelo Recorrente, chego à conclusão que a razão está com o Relator do voto vencido da DRJ. Deste modo, adoto como razão de decidir o voto vencido apresentado pelo Ilustre Relator. Mérito Da aferição indireta das remunerações Questão crucial é verificar se há prova nos autos de que as empresas Joalmi e Solefer seriam uma só, com corpo de empregados desta prestando serviços àquela. Para justificar a aferição, a fiscalização, em síntese, elegeu alguns indícios, que, sob seu ponto de vista, seriam suficientes para reenquadrar os funcionários da Solefer como sendo da impugnante, a saber: ESPAÇO FÍSICO: afirma a Autoridade Fiscal que a impugnante usufrui do mesmo espaço físico da outra empresa, separadas apenas por uma passarela e alterou, de ofício, a sede da defendente da Av. Antonio Iervolino, 312, Guarulhos, para a Rua Eunice, 283, galpão 2, ambos em Guarulhos/SP, pois, em diligência física no local, a empresa não foi encontrada. Em sua defesa, a Joalmi aduz que ambas as empresas situamse em um condomínio industrial, fato este que justificaria a ausência de contas de água e luz por parte da primeira e que não há impedimento legal para que isso ocorra. Conquanto não apresente contrato ou documento que demonstre a existência jurídica de tal condomínio industrial, e a divisão de custos descrevendo o que caberia a cada uma das empresas lá instaladas, não, há, de fato, impedimento legal à constituição desses acordos, tratandose de questão da conveniência negocial entre as empresas. A Joalmi nega a existência de um galpão contíguo à Solefer, onde, de acordo com a fiscalização, aquela lá funcionaria de fato, muito embora o endereço da filial da Joalmi seja Rua Enice, 283, Galpão 01, e a da Solefer, na Rua Enice, 283, galpão 2, o que leva à conclusão que, pelo menos formalmente, há sim dois galpões. Conquanto sem resposta para o imbróglio, entendo que, mesmo se admitindo haver tal galpão, tal fato não é suficiente para justificar o feito fiscal no sentido de desconsiderar a existência jurídica da empresa Solefer, a ponto de acomodar seus empregados como se o fossem da impugnante. QUADRO SOCIETÁRIO: a presença de mesmos sócios em ambas as empresas não é suficiente para descaracterizar a existência jurídica de uma delas para fins tributários. Não há impedimento jurídico para que uma mesma família possa participar do capital societário de várias empresas. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 449 21 Tal realidade poderia ser indício de grupo econômico, porém, não justifica a desconsideração da empresa Solefer para fins tributários. RELAÇÕES COMERCIAIS: o fato de uma empresa depender econômico financeiro de outra não implica em burla fiscal no sentido de se proclamar que a Solefer é, tão somente, um departamento de projetos da Joalmi. A própria fiscalização reconheceu, em visita à Solefer, que há um departamento de produção, com funcionários trabalhando em máquinas de eletroerosão, o que indica que as atividades desta empresa não são apenas de projetos para a Joalmi. O fato de a fiscalização ter encontrado menos funcionários que o declarado em GFIP não autoriza o entendimento de que a Solefer não existe autonomamente, pois caberia ao Fisco investigar o que teria ocorrido com os demais funcionários para que ocorressem suas faltas. MÃO DE OBRA: a constatação de que houve migração da extinta empresa Solestamp para a Solefer, inclusive a do empregado que se tornou diretor desta, não implica em caracterização de segurados empregados, para fins previdenciários, destes em relação à Joalmi. Aqui reside o ponto nodal a ser investigado: se os pressupostos da relação de empregado estariam presentes, quais sejam, pessoalidade, onerosidade, subordinação e habitualidade. Não colacionou a fiscalização prova robusta no sentido de demonstrar que os empregados da Solefer, eram, em verdade, subordinados à Joalmi, o que faz implodir a tese de relação tributárioprevidenciária entre tais empregados da Solefer e a empresa Joalmi. Pareceme que também não há provas de que os empregados da Solefer respondessem ais ordens laborais da outra empresa, enfraquecendo, sobremaneira, a existência de subordinação, uma das condições necessárias para a demonstração da condição de segurado empregado. Ademais, entendo que o caso representa um exemplo de aferição indireta das remunerações da empresa Joalmi, pois esta teria sonegado as informações referentes à existência de folha de pagamento complementar povoada pelos empregados da empresa Solefer. Em sendo assim, a Fazenda deixou de colacionar a fundamentação legal da aferição indireta, qual seja, art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91. Também verifico que a fiscalização deixou de apontar que fez uso do art. 116 § único, do CTN, pois, em verdade, houve desconsideração dos negócios jurídicos da empresa Solefer com o fim de dissimular a ocorrência do fato gerador previdenciário. Dessa forma, maculada aferição indireta e o crédito em litígio, por nulidade material do lançamento. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 16095.720112/201412 Acórdão n.º 2201003.208 S2C2T1 Fl. 450 22 Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Fl. 450DF CARF MF Impresso em 18/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 14/ 07/2016 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10907.000678/2004-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/01/2004
IMPORTAÇÃO. EMBARQUE DE MERCADORIA ANTERIOR A LICENÇA DE IMPORTAÇÃO.
Configura-se a penalidade do artigo 169, inciso III, alínea 'b' pelo embarque da mercadoria antes do deferimento da licença de importação.
Numero da decisão: 3201-002.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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EMBARQUE DE MERCADORIA ANTERIOR A LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Configurase a penalidade do artigo 169, inciso III, alínea 'b' pelo embarque da mercadoria antes do deferimento da licença de importação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo Relatório Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 06 78 /2 00 4- 74 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10907.000678/200474 Acórdão n.º 3201002.166 S3C2T1 Fl. 224 2 Tratase de auto de infração de aplicação de multa por deferimento de licença de importação após o embarque de mercadoria. Alega a fiscalização que as mercadorias das DIs n° 04/0076008 2, 04/00760295 e 04/00769373 (adições 44, 45 e 46) foram embarcadas do exterior anteriormente à obtenção do licenciamento de importação (LI), conforme alertas do Siscomex. Intimada a contribuinte (fls. 01), ingressou a mesma tempestivamente com a impugnação de fls. 79104. Seguem as alegações da impugnante. Alega ofensa ao princípio da cientificação por não haver sido cientificada acerca do procedimento fiscalizatório que resultou na autuação. Alega ofensa ao princípio da legalidade objetiva pois a empresa obteve a licença de importação (LI) anteriormente ao embarque das mercadorias que somente foram anuídas após aquele em decorrência da paralisação da categoria, que digase aqui não era prevista pela empresa e não pode a mesma ser afetada e penalizada pela greve do IBAMA. Os AuditoresFiscais não se preocuparam em averiguar que as licenças foram obtidas anteriormente ao embarque das mercadorias e estas somente foram anuídas posteriormente em virtude de greve do IBAMA (força maior). Feriuse também o princípio da verdade material. Por ferir tais princípios a autuação é nula. As mercadorias importadas (baterias para motos) tiveram as licenças de importação emitidas anteriormente à importação (06/10/2003), mas estas foram anuídas pelo IBAMA, posteriormente (28/11/2003), em virtude de greve dos servidores do órgão. Apresenta às folhas 8586 e 99 dados (datas e valores) referentes às DIs do presente caso. A anuência posterior do IBAMA ratificou a emissão, retroagindo os seus efeitos à data de emissão, o que torna lícito e correto o procedimento adotado, que não pode ser penalizada em razão de greve do IBAMA. Alega o artigo 323 do Código Civil que prescreve que o devedor não responde pelos prejuízos causados por caso fortuito ou força maior. A forma maior (greve do IBAMA) não pode prejudicar a empresa. Devem ser aplicados os artigos 110 e 112 do CTN. A lei não descreve que o procedimento adotado pela empresa se enquadra nos artigos 2 e 77 das Leis 6.562/78 e 10.833/2003 respectivamente, o que afasta o enquadramento legal. Alega ofensa ao princípio da razoabilidade tributária. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10907.000678/200474 Acórdão n.º 3201002.166 S3C2T1 Fl. 225 3 Informa a existência de medida liminar no Processo Judicial n° 2004.04.01.0034759/PR, na qual autorizou a liberação das mercadorias retidas, sendo que tal decisão possui força de coisa julgada e não pode ser contrariado por decisão administrativa Por cautela impugna o cálculo efetuado pelos Auditores Fiscais da Receita Federal. Às folhas 106 foi o processo devolvido para regularização da impugnação. As folhas 112v foi o processo devolvido a esta DRJ. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/01/2004 OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Configurase a penalidade do artigo 169, inciso III, alínea 'b' pelo embarque da mercadoria antes do deferimento da licença de importação. Inconformada com a decisão, apresentou a Recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento deste CARF, em sessão datada de 26/03/2009, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, para solicitar esclarecimentos do IBAMA acerca do alegado estado de greve dos funcionários deste órgão. Em resposta, a responsável pela área de recursos humanos do IBAMAPR informou que houve, de fato, paralisação/greve por parte dos servidores do órgão no período de 06/11/2003 a 24/11/2003 e referente ao ano de 2004 no período de 29/09/2004 a 27/10/2004. A recorrente, intimada do resultado da diligência, não se manifestou no prazo concedido pela RFB. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10907.000678/200474 Acórdão n.º 3201002.166 S3C2T1 Fl. 226 4 Tratase o presente processo de auto de infração lavrado em face da contribuinte supracitada, devido a constatação de que a mesma procedeu com o embarque de mercadorias importadas em data anterior à qual a licença de importação foi concedida. A citada infração encontrase prevista no 169, inciso III, alínea b, do Decreto lei n° 37/1966, com a redação dada pela Lei n° 6.562/1978: Art.169 Constituem infrações administrativas ao controle das importações: (Artigo com redação dada pela Lei n° 6.562, de 18/09/1978) [...] III descumprir outros requisitos de controle da importação, constantes ou não de Guia de Importação ou de documento equivalente: b) embarque da mercadoria antes de emitida a Guia de Importação ou documento equivalente: Pena: multa de 30% (trinta por cento) do valor da mercadoria. A recorrente não contesta a ocorrência da infração, arguindo apenas que a infração foi motivada pelo atraso na análise de seu pedido por parte do Ibama, e este atraso decorreu da greve dos servidores do órgão. Em diligência ao órgão responsável pela análise da Licença de Importação, o mesmo se pronunciou confirmando o estado de greve da categoria no período de 06/11/2003 a 24/11/2003 e referente ao ano de 2004 no período de 29/09/2004 a 27/10/2004. Constatase que as Licenças de Importação objeto da infração foram registradas em 06/10/2003, tendo o anuência do Ibama ocorrido apenas em 28/11/2003. Já as mercadorias foram embarcadas em 17/10/2003 (LI 03/11903840), 21/10/2003 (LI 03/11903042) e 11/11/2003 (LI 03/11903506). Pois bem, em sendo estes os fatos que envolvem a lide, entendo que, em que pese confirmado o estado de greve dos servidores do Ibama, em sendo a mercadoria importada sujeita a licenciamento não automático, o importador tem o dever de aguardar a anuência dos órgãos de controle para somente após proceder com o embarque das mercadorias. Como devidamente esclarecido na decisão recorrida, o licenciamento corresponde a autorização de determinadas autoridades administrativas e fiscais nacionais para operação de importação de mercadorias. O licenciamento pode ser automático, e a licença de importação concedida automaticamente pela Secex, ou não automático, hipótese em que a licença de importação somente está perfeita após a anuência de todos os órgãos intervenientes. No caso das mercadorias importadas pela recorrente – baterias para moto legislação exige a anuência do Ibama tendo em vista a periculosidade de tal mercadoria para o meio ambiente, notadamente a intoxicação da água. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10907.000678/200474 Acórdão n.º 3201002.166 S3C2T1 Fl. 227 5 Assim, a operação de mercadoria somente está licenciada (autorizada) após a anuência do órgão responsável pela proteção ambiental na esfera federal: o Ibama. O fato de os servidores deste órgão estarem em greve em nada altera a necessidade da importação ser previamente autorizada. As greves, por certo, provocam dificuldades aos operadores do comércio exterior; tal fato, todavia, não concede aos contribuintes o direito de ultrapassarem as barreiras legais e procederem com a importação de mercadorias sem a prévia anuência dos órgãos responsáveis, quando esta é exigida. Assim sendo, tendo em vista a recorrente ter efetuado o embarque das mercadorias importadas antes da emissão da licença de importação, mostrase correta a exigência fiscal. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 19515.721720/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
TRIBUTOS REFLEXOS. REUNIÃO. PIS/COFINS. CIDE. IMPOSSIBILIDADE
Nos termos do novo Regimento Interno do CARF, a Primeira Seção não é competente para julgar CIDE. Em relação a PIS e COFINS, apenas podem ser julgados na Primeira Seção se formalizados em um mesmo processo que o IRPJ. Incabível a reunião, por ausência de competência.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos do art. 124, I, e do art. 135, III, ambos do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato infracional à lei ou ao contrato social, acompanhado de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato.
Numero da decisão: 1201-001.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários interpostos pela contribuinte Univen Refinaria de Petróleo Ltda. e pelo Sr. João Deguirmendjian, posto que não apresentaram impugnação ao lançamento. Acordam, também por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários interpostos pelos Srs. Alexandre Malavazzi, William Sidi e pela pessoa jurídica Quasar Administração e Participação Ltda., apenas para afastar-lhes a responsabilidade tributária. Também por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Ester Marques. Fez sustentação oral, por parte do responsável tributário (Sr. William Sidi), o Dr. Guilherme Macedo Soares, OAB 35.220/DF.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO - Relator.
EDITADO EM: 02/06/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo Cuba Netto
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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REUNIÃO. PIS/COFINS. CIDE. IMPOSSIBILIDADE Nos termos do novo Regimento Interno do CARF, a Primeira Seção não é competente para julgar CIDE. Em relação a PIS e COFINS, apenas podem ser julgados na Primeira Seção se formalizados em um mesmo processo que o IRPJ. Incabível a reunião, por ausência de competência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do art. 124, I, e do art. 135, III, ambos do CTN, a sujeição passiva solidária exige indicação de ato infracional à lei ou ao contrato social, acompanhado de provas idôneas que vinculem a atuação pessoal do sujeito responsabilizado ao referido ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários interpostos pela contribuinte Univen Refinaria de Petróleo Ltda. e pelo Sr. João Deguirmendjian, posto que não apresentaram impugnação ao lançamento. Acordam, também por unanimidade de votos, em dar provimento aos recursos voluntários AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 17 20 /2 01 3- 63 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 interpostos pelos Srs. Alexandre Malavazzi, William Sidi e pela pessoa jurídica Quasar Administração e Participação Ltda., apenas para afastarlhes a responsabilidade tributária. Também por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso de ofício. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Ester Marques. Fez sustentação oral, por parte do responsável tributário (Sr. William Sidi), o Dr. Guilherme Macedo Soares, OAB 35.220/DF. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO Relator. EDITADO EM: 02/06/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Opperman Thomé, Luiz Fabiano Alves Penteado, Roberto Caparroz de Almeida, João Carlos de Figueiredo Neto e Marcelo Cuba Netto Relatório Em apertada síntese, iniciada a fiscalização, a autoridade fiscalizadora lavrou Termo de Embaraço e, uma vez que a Contribuinte não apresentou resposta, glosou o total de R$ 204.829.084,15, lançados na DIPJ 2010 – anocalendário 2009 –, como “Outras Despesas na Ficha 09A”, e ainda responsabilizou solidariamente os sócios da empresa autuada ao tempo do fato gerador. Parte dos responsáveis solidários apresentou impugnação. Submetido o caso a julgamento, a DRJ manteve o lançamento e a sujeição passiva solidária, afastando apenas a multa agravada em relação aos impugnantes, o que fez com que fosse formalizado recurso de ofício. Intimados, a Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram recurso voluntário. Tendo contextualizado o processo, partese para o relatório pormenorizado dos autos. Em suma, o processo administrativo sob análise decorreu de Mandado de Procedimento Fiscal, no qual se buscou fiscalizar o anocalendário de 2009. Ainda, conforme o Fl. 822DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 798 3 Termo de Início de Fiscalização (fls. 63/67), de 09/08/2012, a Contribuinte foi intimada a apresentar diversos documentos contábeis. Apresentada petição de prorrogação do prazo, a autoridade fiscalizadora negou tal pedido, sob o fundamento de que tal petição não estava acompanhada de prova de legitimidade dos signatários e estava direcionada a outro MPF. Como consequência, voltouse a intimar a Contribuinte em 05/09/2012 (fl. 72/74) e em 03/10/2012 (fls. 75/81), mas não foram obtidas respostas. Em 05/12/2012 a autoridade fiscalizadora lavrou Termo de Constatação (fls. 82/84) e Termo de Embaraço à Fiscalização (fls. 85/86), conforme art. 919, caput e parágrafo único, do RIR/99 e art. 33, I, da Lei nº 9.430/96. Após diversas outras intimações, a autoridade fazendária, em 06/08/2013, lavrou Termo de Verificação Fiscal (fls. 126/132), cujos principais pontos resumimos abaixo: DOS FATOS A autoridade fiscal descreveu o procedimento de fiscalização, informando que após o envio do Termo de Início de Fiscalização, recebeu uma petição em nome da Contribuinte pleiteando prorrogação de prazo. Contudo, haja vista a falta de assinatura por pessoa com poderes/procuração e a indicação de MPF diverso do presente, desconsideroua. Após diversas intimações, realizou pesquisas junto ao cadastro CNPJ da RFB e na JUCESP e compareceu ao endereço da Contribuinte cadastrado na RFB em 04/12/2012, onde foi informado que a empresa havia se mudado para o endereço da filial de Itupeva/SP, e que o antigo escritório estava vazio. Assim, “Em 05/12/2012, tendo em vista o não atendimento pelo contribuinte das supracitadas intimações desta Fiscalização, e, tendo em vista o esgotamento dos prazos neles contidos, restou caracterizado o EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, previsto no art. 919 e parágrafo único do Decreto n. 3.000, em 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), e inciso I do art. 33, da Lei n. 9.430/1996, lavrandose o Termo de Embaraço à Fiscalização n. 005, de 05/12/2012” – fl. 128. Explicou que passou a intimar a empresa no endereço novo, no endereço do sócio responsável, Sr. JOÃO DEGUIRMENDJIAN, bem como através de Edital, determinando inclusive a alteração do seu endereço juntos aos órgãos competentes. Entretanto, “Face o transcurso do prazo sem que o contribuinte tenha promovido as alterações cadastrais requisitadas através do supracitado Termo de Constatação e Intimação Fiscal n. 006, foi elaborada Representação Fiscal para Alteração Cadastral, na forma do eprocesso n. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 19515720.406/201363, submetida, por intermédio das chefias superiores, ao Sr. Delegado da DEFIS/SPO, para encaminhamento à DERAT/SPO;” – fl. 129. Ainda ressaltou que os Termos de Intimações subsequentes foram enviados não só para a empresa e o sócio responsável JOÃO DEGUIRMENDJIAN, como também para o sócio responsável, Sr. ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI. Enfim, explicando que a Contribuinte declarou na DIPJ (ficha 09A, linha 69) ter deduzido o total de R$ 204.829.084,15 a título de outras exclusões, e citando o art. 250 do RIR/99, concluiu que, “a análise da exclusão demanda a exibição de livros e documentos fiscais comprobatórios, requisito não satisfeito pelo contribuinte no curso deste procedimento fiscal, a despeito de ter sido intimado a fazêlo através do Termo de Início de Fiscalização, do Termo de Reintimação Fiscal n. 002 e do Termo de Reintimação Fiscal n. 003, lavrados, respectivamente em 09/08/2012, 05/09/2012 e 03/10/2012, razão pela qual entendemos ser cabível a glosa integral do montante excluído do lucro líquido.” – fl. 130. Nesse contexto, foi lavrado na mesma data (06/08/2013) Termo de Sujeição Passiva (fls. 146/156) em desfavor de JOÃO DEGUIRMENDJIAN, CPF nº 529.470.25849; ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, CPF nº 132.367.87864; e WILLIAM SIDI, CPF nº 040.767.77808. Neste, além de reafirmar os termos do TVF, explicou que, “A despeito da composição societária supra descrita aparentemente evidenciar que, à época dos fatos (ano calendário de 2009), João Deguirmendjian, CPF 529.470.25849 e Alexandre Argoud Malavazzi, CPF 132.367.87864, formalmente não exerciam funções de administração na empresa fiscalizada, mas, tão somente nas empresas Vibrapar e Quasar – essas últimas meras quotistas da Univen, a evolução da composição societária da Univen, a seguir descrita e igualmente apurada a partir das alterações estatutárias registradas na JUCESP, demonstra cabalmente que desde 15/09/1997 até 03/05/2012, tanto João Deguirmendjian como Alexandre Argoud Malavazzi foram os gestores de fato da empresa, sendo que até os dias de hoje João Deguirmendjian ainda o é, e que as citadas empresas Vibrapar e Quasar representam tão somente pessoas jurídicas interpostas, precisamente com o fim de acobertar os gestores de fato, deles afastando eventuais responsabilidades.” – fl. 150. (...) “Da cronologia de eventos demonstrada no item 14 supra, resta caracterizada a existência do interesse comum de que trata o art. 124, I do CTN, dado que, em face da vinculação gerencial e da coincidência de sócios e administradores, as empresas relacionadas têm apenas aparência de unidades autônomas, quando, na verdade, são sócias de fato de sociedade formalmente constituída, porquanto configuram um grupo econômico de fato. Fl. 824DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 799 5 Relevante assinalar que o interesse comum ora assinalado é revelado pelo interesse jurídico, que diz respeito à realização conjunta da situação que constitui o fato gerador.” – fl. 152. Citou, ainda, os arts. 135, especialmente o inciso III, do CTN e 210, especialmente inciso VI, do RIR/99, os quais tratam da responsabilização solidária de diretores, gerentes ou representantes de PJ quando houver atos praticados com excesso de poderes, infração a lei, contrato social ou estatutos. Para fundamentar a configuração deste artigo, passou a transcrever decisão proferida nos autos do Agravo de Instrumento nº 0147113 41.2012.8.26.0000, que concedeu a liminar na Cautelar Inominada, por entender que estaria ocorrendo a dilapidação do patrimônio da UNIVEN, e reportagem publicada em jornal, segundo a qual a Contribuinte estaria sendo acusada de crimes contra a ordem tributária por falta de recolhimento de ICMS. Concluiu assim: “Ficam os sujeitos passivos solidários ora identificados CIENTIFICADOS da exigência tributária de que tratam os AUTOS DE INFRAÇÃO e respectivos Termos de Verificação Fiscal lavrados relativamente aos tributos IRPJ, CSLL, PIS/Pasep, COFINS e CIDE Combustíveis, do anocalendário de 2009, cujas cópias, juntamente com o presente Termo de Sujeição Passiva Solidária são entregues neste ato, autuações essas integrantes dos processos administrativos fiscais (digitais) n. 19515 721.720/201363 (IRPJ e CSLL), 19515.721.721/201316 (PIS/Pasep e COFINS) e 19515 721.722/201352 (CIDE Combustíveis).” – fl. 156. Na mesma data, 06/08/2013, foram lavrados autos de infração referentes ao IRPJ (fls. 138/143) e à CSL (fls. 133/137), relativos ao anocalendário de 2009, cujos valores se encontram devidamente especificados na tabela abaixo: Auto de Infração (fls. 133/143) Principal Multa Total IRPJ R$ 51.207.271,04 R$ 57.608.179,92 R$ 108.815.450,96 CSL R$ 18.434.617,57 R$ 20.738.944,77 R$ 39.173.562,34 TOTAL R$ 147.989.013,30 O Auto de Infração referente ao IRPJ descreveu assim a infração (fl. 139): 001 – EXCLUSÕES/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL Fl. 825DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 EXCLUSÕES INDEVIDAS Valor excluído indevidamente do Lucro Líquido do período, na determinação do Lucro Real, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2009 204.829.084,15 112,50 Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: art. 3º da Lei nº 9.249/95. Arts. 247 e 250 do RIR/99 O auto de infração referente à CSL indicou a mesma infração, com a legislação específica. A Contribuinte autuada (UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA.) foi cientificada do Termo de Verificação Fiscal, dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 12/08/2013 (fl. 157). O Sr. João Deguirmendjian foi cientificado do Termo de Verificação Fiscal, dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 13/08/2013 (fl. 159). O Sr. Alexandre Argoud Malavazzi foi cientificado do Termo de Verificação Fiscal, dos Autos de Infração e do Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 12/08/2013 (fl. 161). A Contribuinte autuada (UNIVEN) e os responsáveis solidários (Srs. João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e Willian Sidi) foram intimados também através do Edital DIFISI nº 31/2013 (fls. 175/176), que foi afixado em 06/08/2013, para tomar ciência do TVF, dos autos de infração e do Termo de Sujeição Passiva Solidária. Considerou se dada ciência em 21/08/2013. Em 19/08/2013, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 163/174) em desfavor das empresas VIBRAPAR PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ nº 04.211.528/000160 e QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 04.208.316/000124. Este termo basicamente reitera os mesmos fundamentos daquele relatado acima, em que se impôs a sujeição passiva às pessoas físicas. A Contribuinte autuada (UNIVEN REFINARIA DE PETRÓLEO LTDA.) foi cientificada do novo Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 23/08/2013 (fl. 177). Fl. 826DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 800 7 O Sr. Alexandre Argoud Malavazzi foi cientificado do novo Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 23/08/2013 (fl. 179). O Sr. João Deguirmendjian foi cientificado do novo Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 22/08/2013 (fl. 181). A empresa VIBRAPAR foi cientificada do novo Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 22/08/2013 (fl. 183). A empresa QUASAR foi cientificada do novo Termo de Sujeição Passiva através de correspondência com AR em 20/08/2013 (fl. 185). A Contribuinte autuada (UNIVEN) e os responsáveis solidários – Srs. João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi, bem como as empresas VIBRAPAR e QUASAR – foram também intimados através do EDITAL DIFISI nº 35/2013 (fls. 187/188), que foi afixado em 20/08/2013, para tomar ciência do TVF, dos autos de infração e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Considerouse dada ciência em 04/09/2013. Por fim, o Sr. William Sidi foi cientificado do TVF, dos autos de infração e dos Termos de Sujeição Passiva Solidária através de correspondência com AR em 04/09/2013 (fls. 189/192). O responsável solidário Sr. Alexandre Argoud Malavazzi apresentou impugnação (fls. 195/203 e docs. anexos fls. 204/278) em 10/09/2013, requerendo, em suma, que fosse reconhecida: · A inexistência de hipótese de responsabilidade solidária do impugnante; · A insubsistência dos valores autuados; e · A inadequação do agravamento da multa em relação ao responsável solidário. A responsável solidária QUASAR ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA. apresentou impugnação (fls. 279/290 e docs. anexos fls. 291/348) em 23/09/2013, requerendo, em suma, as mesmas coisas, ainda que tenha apresentado alguns argumentos diferentemente. O responsável solidário Sr. William Sidi apresentou impugnação (fls. 349/367 e docs. anexos fls. 368/479) em 02/10/2013, requerendo, em suma: · Necessidade de arbitrar o lucro da Univen; · Inadequação da sujeição passiva solidária; e Fl. 827DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 8 · Inadequação do agravamento da multa em relação à impugnante. A 1ª Turma da DRJ/CTA, por sua vez, em 14/01/2014 (fl. 485), proferiu por unanimidade o acórdão nº 0645.144 (fls. 485/508), onde: i) julgou a impugnação improcedente; ii) manteve o crédito lançado; iii) manteve a atribuição de responsabilidade solidária aos administradores João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e às Controladoras Vibrapar Participações Ltda. e Quasar Administrações e Participações Ltda.; iv) afastou o agravamento da multa de ofício para os responsáveis solidários William Sidi, Alexandre Argoud Malavazzi e para a controladora Quasar Administrações e Participações Ltda.; e v) recorreu de ofício a este e.CARF pelo afastamento da multa agravada em relação aos responsáveis indicados. De qualquer sorte, o acórdão recorrido foi assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2009 LALUR. EXCLUSÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Considerando que somente pode ser excluído do lucro líquido, na apuração do lucro real, o ajuste extracontábil cuja dedução seja expressamente autorizada pela legislação tributária, procede a glosa do valor excluído a título de Outras Exclusões porquanto a contribuinte deixou de apresentar esclarecimentos a respeito da composição do valor e da natureza do ajuste, tanto no curso da ação fiscal como na fase impugnatória, e as impugnações apresentadas por parte dos responsáveis solidários não trazem qualquer informação acerca do valor glosado. SOLICITAÇÃO PARA ARBITRAMENTO DO LUCRO. DESCABIMENTO. O arbitramento do lucro é medida extrema que só deve ser utilizada como último recurso, quando verificado que a escrituração mantida pela contribuinte não merece fé e está em desacordo com a forma estabelecida pelas leis comerciais e fiscais, além de ausência absoluta de outro elemento que tenha condições de aproximarse do efetivo lucro líquido do período, sendo imprescindível que o sujeito passivo tenha sido previamente intimado, de forma clara e objetiva, em prazo Fl. 828DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 801 9 razoável para seu atendimento, a providenciar o saneamento das falhas e inconsistências que justificam a desclassificação da escrita comercial; não pode tal forma de tributação ser utilizada como instrumento de defesa do sujeito passivo para elidir ou reduzir a diferença de imposto apurada com base na sua escrituração comercial, porquanto a autoridade fiscal, após exame da escrituração contábil digital obtida junto ao Sistema Público de Escrituração DigitalSPED, já havia feito prevalecer a tributação com base no lucro real anual. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM COM A SITUAÇÃO QUE CONSTITUIU O FATO GERADOR DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ATOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI, CONTRATO SOCIAL OU ESTATUTOS. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, assim como as detentoras de poder de administração pelas obrigações tributárias da pessoa jurídica resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2009 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Correto o agravamento da multa de ofício quando restar caracterizada a recusa e/ou resistência por parte da contribuinte no atendimento às intimações fiscais para prestação de esclarecimentos e apresentação de livros e documentos societários, comerciais e fiscais; afastase o agravamento da multa de ofício para os responsáveis solidários que não eram mais administradores por ocasião do início do procedimento fiscal. DECORRÊNCIA. CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, e dada à relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento à CSLL.” – fls. 485/486. As razões que lastrearam tal decisão podem ser assim resumidas: DA EXCLUSÃO INDEVIDA DE R$ 204.829.084,15 DA BASE DE CÁLCULO “Dessa forma, como a interessada não apresentou impugnação e as contestações apresentadas pelos responsáveis solidários nada esclarecem acerca da composição Fl. 829DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 10 do valor excluído e da natureza do ajuste extracontábil, voto por manter a exigência correspondente.” – fl. 494. DA DESNECESSIDADE DO ARBITRAMENTO DO LUCRO A autoridade julgadora explicou que o arbitramento é medida expressa e que exige diversos requisitos, como a constatação de que a escrituração não merece fé ou está em desacordo com a legislação, impossibilidade de apurar o lucro real e prévia e específica intimação com prazo razoável para sanear as falhas e inconsistências apuradas. Também, fundamentou na impossibilidade de utilizar o arbitramento do lucro como meio de defesa dos contribuintes para elidir ou reduzir a tributação imposta. Ao final, afirmou que não acatava o pleito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA “(...) da análise dos autos chegase à conclusão de que procedem as atribuições de responsabilidade solidária aos administradores João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi e às empresas controladas Vibrapar Participações Ltda. e Quasar Administrações e Participações Ltda.” – fl. 498. (...) “Logo, o artigo 124, I, do CTN é aplicável ao caso em face de João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi terem interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, pois, na condição de administradores da interessada, ao comandarem as atividades operacionais exploradas pela Univen, autorizaram a exclusão indevida do valor de R$ 204.829.084,15 na apuração do resultado tributável em 31/12/2009. De igual forma é aplicável ao caso o artigo 135, III, do CTN porquanto a exclusão de valores cuja dedutibilidade não foi comprovada caracteriza infração às disposições do Regulamento do Imposto de Renda, haja vista somente poderem ser excluídos do lucro líquido, na apuração do lucro real, os valores cuja dedução seja expressamente autorizada pela legislação tributária, conforme dispõe o artigo 250 do RIR de 1999” – fls. 502/503. (...) “Assim, é inegável que a Vibrapar e a Quasar também tinha interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, pois foram os seus representantes que autorizaram, em nome destas controladoras, a utilização de artifício para redução da carga tributária da interessada, mediante exclusão indevida de R$ 204.829.084,15 na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009.” – fl. 505. Fl. 830DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 802 11 DA MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA Afastou a multa agravada em relação aos Srs. William Sidi e Alexandre Argoud Malavazzi, bem como da empresa Quasar, posto que já não compunham a administração da Contribuinte autuada à época dos fatos. A decisão de primeira instância foi disponibilizada no sistema eCAC em 23/04/2014, sendo que foi dada ciência a Contribuinte por decurso de prazo em 08/05/2014 (fl. 544). O Sr. Alexandre Argoud Malavazzi foi intimado por via postal, com AR, em 02/05/2014 (fl. 548). Nesse caminho, apresentou Recurso Voluntário (fls. 551/564 e docs. anexos fls. 565/597) em 29/05/2014, argumentando: · Que foi inadequada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 135 do CTN, haja vista inexistirem provas de prática de ato com excesso de poder ou infração a lei ou contrato social; · Que foi equivocada a interpretação extensiva do art. 124, I, do CTN, a qual levaria à conclusão de que todo e qualquer sócio de qualquer sociedade seria corresponsável pelos tributos devidos; · Que, diferentemente do que fundamentou a DRJ, não foi apurada qualquer fraude; meramente que a fiscalização não obteve acesso à documentação da Contribuinte; · Que a glosa representou 23% do faturamento bruto da empresa, o que elevaria o lucro declarado de 32% para 55% no anocalendário; · Que se houve “tolerância” com a ação do contador, foi permitir que este deixasse de compensar os prejuízos acumulados, o que significou aumento da tributação, e não o inverso; · Que a autoridade lançadora não levou em consideração os prejuízos fiscais acumulados na apuração da base de cálculo, devendo o lançamento ser reduzindo em, pelo menos, 60%; e · Por fim, que o lançamento não pode prevalecer uma vez que o AFRFB simplesmente desconsiderou um dos valores da DIPJ, sem qualquer fundamentação e sem analisar o restante da declaração. Nesse sentido, o Fl. 831DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 12 AFRFB não teria efetuado seu trabalho em conformidade com o art. 142 do CTN. A empresa Quasar foi intimada por via postal, com AR, em 29/04/2014 (fl. 545). Nesse caminho, apresentou Recurso Voluntário (fls. 600/612 e docs. anexos fls. 613/645) em 29/05/2014, quase idêntico àquele do Sr. Alexandre Argoud Malavazzi. O Sr. João Deguirmendjian foi intimado por via postal, com AR, em 28/04/2014 (fl. 546). Nesse caminho, apresentou Recurso Voluntário (fls. 648/661 e docs. anexos fls. 662/663) em 02/06/2014, argumentando: · Que a decisão recorrida é nula por falta de fundamentação, especialmente no que toca ao arbitramento; · Que era devido arbitrar o lucro, seja porque o SPED não era suficiente para validar a escrituração fiscal, sem confronto com dados ou documentos que suportassem as informações digitais, seja porque evita “a arbitrariedade do Fisco no sentido de glosar isoladamente despesas e deduções, majorando o lucro real tributável sem os limites percentuais que o artigo 530 do RIR/99 manda observar” – fl. 652; · Que não praticou atos de fraude à lei. Nesse caminho, por não ser especialista na área contábilfiscal, não sabe preencher as declarações, mas que julgou que os tributos arrecadados da empresa eram condizentes com a sua operação; · Que não constituiu fraudulentamente empresas, não ocultou sua participação na empresa autuada – diretamente ou como representante de pessoa jurídica controladora – e que não ocultou patrimônio ou dificultou ao Fisco o conhecimento de qualquer fato; · Que informou o endereço novo da empresa autuada ao fisco antes de o AFRFB ir ao endereço antigo, conforme documento de fl. 92; · Que não há razão para extrapolar a responsabilidade tributária aos sócios com base em “interesse comum”; também, que não foram preenchidos os requisitos do art. 50 do CC/02 e do art. 135 do CTN para responsabilizar o recorrente; e · Que não realizou qualquer conduta que embaraçasse a fiscalização, razão pela qual também deveria ser excluído o agravamento da multa em relação ao recorrente. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 803 13 A Contribuinte autuada (UNIVEN) apresentou Recurso Voluntário (fls. 664/679 e docs. anexos fls. 680/698) em 02/06/2014, argumentando: · Que deveria ter sido aplicado o arbitramento do lucro, posto que não seria possível glosar uma única linha da DIPJ, que não era possível sanear a escrituração fiscal da empresa para manter a tributação pelo lucro real eque não tinha acesso a toda a documentação fiscal da Contribuinte, impedindo assim a análise da escrituração e do restante da DIPJ; · Que, ainda tratando do arbitramento, a escrituração digital (SPED) não era suficiente para a manutenção do lucro real; · Que, devido à alteração nos responsáveis pela escrituração fiscal, nem mesmo os atuais responsáveis pela empresa podem atestar a veracidade da escrituração no período fiscalizado, vendoo com bastante reservas. Indica como exemplo a existência, na DIPJ, de prejuízos operacionais, do auferimento de receitas financeiras de mais de um bilhão de reais e da indicação de apenas os insumos como custo de produção, sem computar o custo do pessoal aplicado na produção; e · Que seria incabível o agravamento da multa de ofício, posto que a própria autuação se baseia no silêncio da Contribuinte frente às intimações. O Sr. William Sidi foi intimado por via postal, com AR, em 15/05/2014 (fl. 549). Nesse caminho, apresentou Recurso Voluntário (fls. 741/761 e docs. anexos fls. 762/789) em 16/05/2014, argumentando: · Que a administração da UNIVEN era integralmente realizada pelos sócios Srs. João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi, conforme constatado pela própria autoridade lançadora; · Que o Termo de Sujeição passiva não tem uma linha sequer indicando ofensa à lei ou a contrato social praticada pelo Recorrente, o que demonstra a inaplicabilidade do artigo 135 do CTN ao caso; Fl. 833DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 14 · Que a decisão recorrida não justificou a sujeição passiva solidária do recorrente, tanto que não foi imposta a multa qualificada do art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96 c/c arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64; · Que o STJ já decidiu em sede de recurso repetitivo no sentido de que o mero não recolhimento de tributos não materializa infração à lei a que alude o art. 135 do CTN – REsp nº 1.101.728/SP; · Que também não se pode fundamentar a responsabilização dos sócios, em relação ao tributo da empresa, com base no art. 124, I, do CTN, posto que essas pessoas têm interesses convergentes, mas não comuns; · Que era caso de arbitramento, uma vez que a fiscalização não dispunha de quaisquer registros fiscais/contábeis dignos de fé para proceder ao cálculo do lucro real; e · Que deve ser reunido o presente processo com aqueles de nº 19515.721721/201316 (PIS/COFINS) e nº 19515.721722/201352 (CIDE Combustíveis). A empresa Vibrapar foi intimada por via postal, com AR, em 29/04/2014 (fl. 547). Não consta nos autos recurso voluntário em seu nome. É o breve relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Em primeiro lugar, necessário anotar que, em que pesem as afirmações expostas nos seus recursos voluntários, o Sr. JOÃO DEGUIRMENDJIAN e a Contribuinte autuada (UNIVEN) não apresentaram impugnação. Essa constatação decorre da inexistência dessas peças nos autos, onde constam apenas impugnações protocoladas pelos sujeitos passivos solidários Sr. ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI (fls. 195/203), Sr. WILLIAM SIDI (fls. 349/367) e QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. (fls. 279/290). Igualmente do relatório da DRJ, onde constam apenas as impugnações desses três responsáveis solidários. Por fim, de trecho do voto proferido em primeira instância: “... como a interessada não apresentou impugnação e as contestações apresentadas pelos responsáveis solidários ...” – fl. 494. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 804 15 Como consequência, não tendo sido impugnado o Auto de Infração pela Contribuinte e pelo sujeito passivo solidário Sr. JOÃO DEGUIRMENDJIAN, não cabe, agora, a interposição de recurso voluntário contra o acórdão proferido pela DRJ, em face da ocorrência de preclusão. Nesse sentido, foi o entendimento manifestado no acórdão nº 2401003.973, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do e. CARF, proferido em 10/12/2015, cuja ementa segue em parte abaixo: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. CONTRIBUINTE. RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. AUTUADO REVEL. RECURSO VOLUNTÁRIO. NÃO CONHECIMENTO. Na hipótese de pluralidade de sujeitos passivos, todos os autuados como responsáveis tributários podem apresentar impugnação e recursos sobre a exigência do crédito tributário e/ou o respectivo vínculo de responsabilidade. Entretanto, deixa se de conhecer do recurso voluntário interposto pelo autuado revel, que deixou de impugnar quando cientificado do auto de infração. Nesse mesmo sentido, foi ainda o entendimento manifestado no acórdão nº 3403003.578, da antiga 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do e. CARF, proferido em 25/02/2015, in verbis: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 07/05/2007 a 02/10/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. EFICÁCIA. Restando improfícua a tentativa de notificação por via postal, é eficaz a notificação por edital, que ocorre no décimo quinto dia a partir da publicação do edital. RECURSO VOLUNTÁRIO. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. PRECLUSÃO. Regularmente notificado da autuação por edital e abstendose o responsável solidário de apresentar impugnação, ocorrem a revelia e a preclusão do direito de manejar o recurso voluntário. Recurso voluntário não conhecido. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 16 Ante os motivos expostos acima, nos termos do artigo 473 do CPC, não conheço do Recurso Voluntário interposto pela Contribuinte e pelo sujeito passivo solidário Sr. JOÃO DEGUIRMENDJIAN. Com relação aos Recursos Voluntários dos Srs. ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI (fls. 195/203), WILLIAM SIDI (fls. 349/367) e da empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. (fls. 279/290), fazemse presentes os pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, senão vejamos. Nos termos do art. 2º, incisos I e II, do Anexo II ao Regimento Interno do CARF1, é competência desta 1ª Seção julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da legislação de Contribuição Social sobre o Lucro (CSL). Tendo em vista a quantidade de recursos voluntários, apresentamos as seguintes tabelas visando consolidar e facilitar a identificação da legitimidade e da tempestividade das respectivas peças recursais: Análise de Legitimidade Parte Assinou o Recurso Fls. Assinou a Procuração Fls. Poderes Para Assinar a Procuração Fls. Quasar Rafaela de Assis 601 e 612 Alexandre Malavazzi 292 Sim 299/300 Alexandre Rafaela de Assis 552 e 564 Alexandre Malavazzi 205 Sim (própria parte) * William Camila Altero e Gustavo Pellegrino 761 William Sidi 764 Sim (própria parte) * Análise de Prazo Para Interposição de Recurso Voluntário Parte Intimação DRJ Fls. Prazo Final Recurso Voluntário Fls. Quasar 29/04/2014 (terçafeira) 545 29/05/2014 (quintafeira) 29/05/2015 (quintafeira) 600 Alexandre 02/05/2014 (sextafeira) 548 03/06/2014 (terçafeira) 29/05/2014 (quintafeira) 551 Willian 15/05/2014 (quinta feira) 549 14/06/2014 (sábado) 16/06/2014 (segundafeira) 16/06/2014 (segunda feira) 741 Conhecemos também do Recurso de Ofício, haja vista que a decisão de primeira instância exonerou o agravamento da multa de ofício em relação aos responsáveis solidários Alexandre Argoud Malavazzi, William Sidi e Quasar Administrações e Participações Ltda. (fl. 486), o que significa um decréscimo dos débitos destes responsáveis solidários superior ao limite de alçada estabelecido pela Portaria MF nº 3, de 2008. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 805 17 Desse modo, recebo os Recursos Voluntários interpostos pelos Srs. ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e pela empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. e o Recurso de Ofício. II. DOS PONTOS CONTROVERTIDOS Ultrapassado o juízo de admissibilidade, os pontos controvertidos são: PRELIMINARES 1. É possível reunir o presente processo com os referentes ao PIS/COFINS e à CIDECombustíveis? (William Sidi) MÉRITO 2. Foi correta a sujeição passiva solidária? Há diferenciação em relação a algum sócio? 3. É possível afastar a multa agravada em relação aos responsáveis solidários? III. PRELIMINARES: 1. DA POSSIBILIDADE DE REUNIR OS PROCESSOS O responsável solidário Sr. William Sidi pleiteia a reunião do presente processo com aqueles de nº 19515.721721/201316 (PIS/COFINS) e nº 19515.721722/201352 (CIDECombustíveis), posto serem derivados da mesma fiscalização. Tal pleito não pode prevalecer. O novo Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015), no art. 6º do seu Anexo II, discorre sobre a vinculação de processos, estabelecendo as hipóteses de reunião dos processos. O caso ora sob litígio versa, claramente, sobre tributos reflexos (art. 6º, §1º, III), onde o IRPJ é o tributo principal. Conforme o §2º desse art. 6º, é possível a reunião dos processos, observada a competência das Seções. Nos termos do art. 2º, IV, desse mesmo anexo, esta Primeira Seção é competente para julgar processos de PIS e de Cofins quando formalizados em um mesmo Processo Administrativo Fiscal, o que não foi o caso. Quando formalizados em processos 1Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); Fl. 837DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 18 distintos, é da competência da Terceira Seção, conforme art. 4º, I, do mesmo diploma. Já os processos que tratam de CIDE são de competência exclusiva da Terceira Seção, nos termos do art. 4º, VIII, do mesmo diploma. Assim, não sendo todos os processos da competência da Primeira Seção, não é possível reunilos. Contudo, observando o intuito desse e.CARF de observar no julgamento dos processos decorrentes e reflexos a conclusão alcançada no julgamento do processo principal (art. 6º, §§4º e 5º), entendemos ser aconselhável o envio desse acórdão para os indigitados processos que versam sobre tributação reflexa. IV. MÉRITO 2. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A responsabilização solidária dos recorrentes foi efetivada através dos Termos de Sujeição Passiva de 06/08/2013 (fls. 146/156) e de 19/08/2013 (fls. 163/174). Nestes termos, muito próximos em redação, a autoridade lançadora explicou o procedimento de fiscalização e das intimações. Passou, então, a descrever a composição societária da empresa, focando nas alterações ocorridas desde 1997 até 2012, i.e., 15 anos de sua existência. Nesse caminho, tomando como lastro o art. 124, inciso I e o art. 135, ambos do CTN, bem como o art. 210 do RIR/99, passou a transcrever notícia de jornal, bem como acórdão judicial entre a Contribuinte e outra pessoa jurídica de direito privado, nas quais indicava a atuação fraudulenta da empresa. A DRJ admitiu a responsabilização, sob o fundamento de que não há dúvidas quanto à administração da Contribuinte (UNIVEN), à época dos fatos, pelos Srs. João Deguirmendjian, Alexandre Argoud Malavazzi e William Sidi. Além disso, uma vez que as três pessoas físicas, que atuavam como administradores de fato da interessada, autorizaram a exclusão indevida do lucro real, restou configurada a hipótese do art. 124, I, do CTN. Também, afirmou que a exclusão não comprovada configura infração ao RIR/99, logo restaram preenchidos os requisitos para a responsabilização solidária pelo art. 135, III, do CTN. Os recorrentes, por sua vez, defendem que a responsabilização foi inadequada posto que a autoridade fiscalizadora não fundamentou e nem provou a configuração de ato de infração à lei ou contrato social, nem a administração com excesso de poderes, hipóteses do art. 135 do CTN. Tampouco haveria interesse comum na causa, nos termos do art. 124, I, do CTN. Pois bem. II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); Fl. 838DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 806 19 Estabelecem os arts. 124 e 135 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Nestes termos, é responsável solidária a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador (art. 124, I). A noção de “interesse comum”, entretanto, não pode ser observada de maneira absolutamente abrangente, incluindose qualquer pessoa que possa vir a auferir benefícios da situação. Exemplo claro de responsabilidade solidária por interesse comum é o do sócio de fato, que administra a empresa através de “laranja”. Diversos são os precedentes deste e. CARF nesse sentido. A título exemplificativo, colacionase o acórdão CARF nº 1301 001.525, de 08/05/2014: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. Configurado o interesse comum nas situações que constituem o fato gerador dos tributos, pela prova de existência de identificação entre o responsável solidário e a contribuinte, resta caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124, I, c/c art. 135, III, ambos do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERPOSTA PESSOA. Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas ("laranjas") que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem Fl. 839DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 20 operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I, do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. Comprovada a interposição de pessoas, o lançamento deve ser efetuado no real possuidor dos valores a serem tributados.” Assim, não se pode abranger o conceito de sorte a abarcar qualquer pessoa. Ad exemplum, o sócio que não participe da administração da empresa, que não tenha nenhuma relação de administração, etc., visto que ele pode até ter interesse econômico na ocorrência de fatos geradores (e.g., apuração de lucro), mas isso não permite a sua responsabilização solidária. Em suma, é necessária estrita vinculação da pessoa ao ato que gerou a tributação. Precedentes do CARF: Acórdão CARF nº 1302001.605, de 27/11/2014: “SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. É inaplicável a responsabilização tributária de terceira pessoa, com fundamento no art. 124, do Código Tributário Nacional, se não ficou demonstrado sua vinculação com o fato gerador da obrigação tributária. ” Acórdão CARF nº 1402001.763, de 31/07/2014: “SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, são solidariamente obrigadas às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, entendidas como aquelas que atuam de forma direta, realizam individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. ” Em relação à responsabilização solidária dos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas (art. 135, III), é necessária a clara e comprovada prática de atos com excesso de poderes ou de infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto. Não basta a indicação do artigo e a suposição de ato infracional: é necessário individualizar a atuação, lastreandose sempre em provas. Precedentes do CARF: Fl. 840DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 807 21 Acórdão CARF nº 1101001.239, de 04/02/2015: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PESSOAS FÍSICAS. A autoridade fiscal jamais apontou qualquer ato em afronta à lei ou aos estatutos das companhias em causa que tenha sido praticado pelas pessoas físicas em análise, o que não autoriza a responsabilidade solidária prevista no art. 135, inc. III, do CTN. ” Não é incomum a responsabilização de pessoas físicas (ou jurídicas) pela cumulação dos artigos 124 e 135 do CTN. A utilização de interposta pessoa (“laranja”) é clara infração à lei, bem como – uma vez demonstrada a ocorrência fática – impõe o registro do interesse comum no fato gerador. Assim, precedentes do CARF: Acórdão CARF nº 1102001.330, de 25/03/2015: “SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIO DE FATO. Comprovado nos autos que terceiro era o verdadeiro proprietário e administrador da empresa, resta configurado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, e correta é a sua responsabilização solidária nos termos do art. 124, inciso I, do CTN. ATOS DOLOSOS PRATICADOS COM EXCESSO DE PODERES OU INFRAÇÃO DE LEI. MULTA QUALIFICADA. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, respondendo solidariamente com o contribuinte pelo crédito tributário lançado.” Tendo expostas as premissas, voltamos ao caso concreto. Nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, consta a acusação de utilização de interpostas pessoas na administração da empresa autuada. Isso porque, explica, os Sócios João Deguirmendjian e Alexandre Argoud Malavazzi, que antes apareciam diretamente na composição societária da UNIVEN, foram substituídos por duas empresas, das quais faziam parte (VIBRAPAR e QUASAR, respectivamente), mas que, apesar dessa substituição, continuavam atuando diretamente na Contribuinte como representantes das respectivas empresas. Não se observa nenhuma ilegalidade, infração ou mesmo estranheza nessa composição. Uma vez que a empresa autuada crescia, se tornava robusta tanto em capital Fl. 841DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO 22 social, quanto em faturamento, é natural que os sócios constituam empresas patrimoniais, facilitando assim a capitação de recursos ou a sucessão de seu patrimônio, por exemplo. Observamos, ademais, que jamais esconderam, ocultaram ou, de qualquer forma, dificultaram o conhecimento público de que continuavam compondo o capital social (através de empresas controladoras) e a administração da empresa Contribuinte. Notese que, como indicou um dos recorrentes, os Contratos Sociais atribuem a gestão da empresa aos Srs. Alexandre Argoud Malavazzi, João Deguirmendjian e William Sidi, mesmo após a substituição dos dois primeiros pela empresa Vibrapar (fl. 421). Portanto, não existe essa infração. Com relação à suposta existência de fraude, a transcrição de notícia jornalística e de decisão judicial proferida com partes distintas não se constitui em prova; no máximo, serve como indício. Nesse caminho, isoladamente, não tem o condão de responsabilizar os diretores da Contribuinte nos termos do art. 135, III do CTN e do art. 210, VI do RIR/99. Por fim, também não pode prevalecer o fundamento exposto pela autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as pessoas físicas têm interesse comum no fato gerador (art. 124, I), o que também caracterizaria infração à lei, mais especificamente ao art. 250 do RIR/99. O fato de que administravam a empresa não significa que as pessoas físicas expressamente determinaram a exclusão de valor indevido do lucro líquido, ou mesmo que tinham conhecimento desse fato. Mais provável que tenha se tratado de mero erro, uma vez que a Contribuinte tinha prejuízos fiscais de anos anteriores (como já apontado acima), os quais não foram lançados na DIPJ 2010, conforme constatase das linhas 74 a 78 da Ficha 09A (fl. 37). Nesse caminho, a noção de que qualquer erro na escrituração contábil possa gerar responsabilização dos diretores é abranger em excesso o comando normativo e retirar, da fiscalização, o ônus de provar a ocorrência da infração à lei, i.e., da atuação dolosa da pessoa física no sentido de fraudar ou sonegar tributos. Por essas razões, afasto a responsabilização solidária deALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e da empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA., por absoluta falta de comprovação da ocorrência de atuação com excesso de poderes ou de infração à lei ou ao contrato social, bem como por inexistência de situação que configure interesse comum na ocorrência de fato gerador. Em decorrência desta decisão, tornase desnecessária a apreciação dos demais itens de mérito, bem como do Recurso de Ofício, o qual restou prejudicado. Fl. 842DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 19515.721720/201363 Acórdão n.º 1201001.432 S1C2T1 Fl. 808 23 V. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer dos recursos voluntários interpostos pela Contribuinte e pelo Sr. João Deguirmendjian, posto que não apresentaram impugnação.Em relação aos recursos voluntários dos sujeitos passivos solidários, negar provimento ao pedido de reunião de processos, mas afastar a responsabilidade solidária que recaia sobre ALEXANDRE ARGOUD MALAVAZZI, WILLIAM SIDI e a empresa QUASAR ADMINISTRAÇÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA. No concernente ao Recurso de Ofício, fica prejudicado. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 843DF CARF MF Impresso em 10/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 02/06/2016 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15374.918376/2009-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS
Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3201-002.210
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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COMPENSAÇÃO. REQUISITOS Os créditos líquidos e certos são passíveis de restituição/compensação, nos termos do que dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisario e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 83 76 /2 00 9- 48 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 A interessada apresentou pedido de restituição, cumulado com compensação, da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS apurada em novembro de 2001 (PERD/COMP nº 25030.67420.210704.1.3.048062). Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase de lide administrativa, instaurada por meio da manifestação de inconformidade proposta pelo contribuinte (fls. 1017) contra o despacho decisório que indeferiu compensação pleiteada (fl. 08). Há nos autos pedido de restituição de créditos da contribuição ao Programa de Integração Social PIS somando o valor de R$ 1.788,62, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos de IRRF PERDCOMP n° 25030.67420.210704.1.3.048062. Instruem o processo a declaração de suposto pagamento indevido de fl. 03, referente ao período de 11/2001, os pedidos de compensação de fls. 0206, certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (fls. 3335), recibo de entrega da DIPJ 2002, espelhos do SIEF contendo pedido de restituição (fls. 3637). A DERAT da DRF/RJ, por meio do despacho decisório de fl. 08, indeferiu a solicitação do contribuinte em razão de que "foram localizados um ou mais pagamentos", mas "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados". Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou a impugnação às fls. 10 17, requerendo a esta DRJ a reforma da decisão proferida pela DRF, para que seja autorizada a restituição do PIS, cumulada com a compensação de débitos de IRRF, alegando, em resumo, o seguinte: O débito a que alude o despacho decisório é o próprio PIS, equivocadamente declarado em DCTF como devido, erro esse decorrente do fato de a requerente fazer jus à imunidade e à isenção ao PIS, nos termos do art. 195, § 7o da Constituição Federal e do art. 55 da Lei 8.212/91. A contribuição para o PIS é uma contribuição social para a seguridade social, na medida em que a finalidade que lhe é atribuída pelo art. 239 da Constituição se situa no âmbito da seguridade social, que, segundo o art. 194, compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade destinados a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Segundo o art. 239 e §§, o PIS se destina a financiar o programa do segurodesemprego e o abono anual de um salário mínimo devido aos empregados que percebam remuneração mensal de até dois salários mínimos, um dos objetivos da previdência e assistência social. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15374.918376/200948 Acórdão n.º 3201002.210 S3C2T1 Fl. 121 3 Quanto ao segurodesemprego, isto se revela de forma evidente, na medida em que o artigo 201, III prevê como sendo um dos objetivos da previdência social a proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário. No que se refere ao abono anual de um salário mínimo, apesar de o artigo 203 não mencionálo expressamente, a relação de inclusão se evidencia pelo fato de tratarse de benefício de caráter marcadamente assistencial. O STF tem afirmado a natureza jurídica de contribuição social para a seguridade social do PIS. Em precedente transcrito, este tribunal reconheceu que se trata de contribuição social para a seguridade social, se lhe aplicando, pois, a anterioridade mitigada prevista no art. 195, § 6o da Constituição, aplicável apenas às contribuições cuja finalidade é financiar a seguridade social. Nos termos do art. 195, § 7o, "são isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei". Referido dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei n° 8.212/91. A requerente é uma sociedade civil sem fins lucrativos, registrada como entidade de assistência social no Conselho Nacional de Assistência Social, sendo, no período em referência, portadora do antigo certificado de entidade de fins filantrópicos. Ainda como prova de que preenche os quesitos legais e faz jus à imunidade tributária, a requerente apresenta os recibos da DIPJ relativos aos exercícios em questão, onde consta que é imune ao imposto sobre a renda e dispensada do recolhimento das contribuições sociais para a seguridade social. No período em questão, o contribuinte não teve sua condição de imune questionado pela RFB, que não instaurou para este fim o procedimento de suspensão de imunidade, nos termos do art. 32 da Lei 9.430/96. Pede, por fim, que seja julgada procedente a manifestação de inconformidade. É o relatório. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RJ2 n.º 1332.160, de 11/11/2010 (fls. 54 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Sujeitamse normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas decorrentes da prestação de serviços de ensino, conforme descrito na hipótese de incidência tributária. IMUNIDADE. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. O usufruto do benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social só pode efetivarse mediante o atendimento cumulativo das condições expressamente previstas em lei. PROVA ADMINISTRATIVA. O ônus da prova de que o contribuinte atende a benefício pleiteado, cumprindo os requisitos dispostos em lei regulamentar, devem ser trazidos junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 69 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente alega que é imune ao PIS e que a imunidade só pode ser afastada havendo ato declaratório suspensivo (art. 32, § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996). Requer, ao final, que as intimações sejam endereçadas ao endereço do seu advogado. Por meio da Resolução nº 3201000.455, de 27/11/2013, esta Turma de julgamento baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora: a) informasse se, à época do recolhimento indevido, a Recorrente era entidade imune perante a RFB e INSS e, neste caso, quando foi publicado o ato no DOU; b) informasse se houve a publicação de algum ato cancelando a isenção e, neste caso, quando foi publicado; e c) informasse se o valor recolhido de PIS e pretendido de utilização é todo o montante pago de PIS ou apenas a diferença entre o calculado sobre a folha e o faturamento. Na mesma diligência, a Recorrente deveria ser intimada a juntar aos autos o comprovante de reconhecimento de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente pleiteou a restituição de crédito de PIS apurada em novembro de 2001, no valor de R$ 1.788,62, combinado com pedido de compensação de débitos vincendos de IRRF. Alega que, embora faça jus à imunidade estatuída no art. 195, § 7º, da Constituição Federal e no art. 55 da Lei 8.212/91, declarou a contribuição em DCTF como se devida fosse. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 15374.918376/200948 Acórdão n.º 3201002.210 S3C2T1 Fl. 122 5 O pedido foi indeferido pela autoridade competente, decisão que, impugnada, restou mantida pela instância a quo, ao fundamento de que a certidão emitida pelo conselho Nacional de Assistência Social que fora acostada aos autos pela Recorrente já se encontrava vencida na data do protocolo do pedido de restituição/compensação. Acresceu a DRJ que também não se comprovou não terem sido distribuídas quaisquer parcelas de seu patrimônio a qualquer título, bem como que tenha sido aplicado integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais da Recorrente. O entendimento que levou a DRJ a manter o indeferimento do pleito foi, portanto, a falta de provas do direito alegado, o que este Colegiado Administrativo tentou suprir, quando determinou à unidade preparadora que informasse se, à época do suposto recolhimento indevido, a Recorrente era entidade imune perante a RFB e o INSS. No despacho de fls. 110/111, a unidade preparadora confirmou que, à época do recolhimento indevido, a Recorrente era entidade imune ao PIS, bem como que o ato administrativo que cancelou a imunidade foi publicado em 23/05/2005. Como o crédito reclamado é exatamente o mesmo pleiteado no processo administrativo nº 15374.918375/200901 (PERD/COMP nº 31843.55787.210704.1.3.045104; mesmo crédito e mesmo débito), e neste, por essa mesma razão, não se o concedeu, vamos fazêlo aqui. Por fim, cumpre registrar que o pedido de que as intimações sejam enviadas ao endereço do patrono da Recorrente não pode ser deferido, pois o Decreto nº 70.235, de 1972, diploma legal que rege o Processo Administrativo Federal, apenas prevê o seu envio para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Ante o exposto, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 3/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 15504.014813/2010-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006, 2007
NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA.
Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n. 70.235/72.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO.
A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo, aplica-se o mesmo entendimento à CSLL, pela natural relação de causa e efeito.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4.502/64.
MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA.
Ainda que o contribuinte não tenha apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, deve-se afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou, de forma direta, a definição da base de cálculo dos tributos lançados, notadamente quando houve arbitramento do lucro e não se encontra, nos autos, intimação específica para prestar esclarecimentos.
Numero da decisão: 1201-001.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para afastar o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a de 225% para 150%.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006, 2007 NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto n. 70.235/72. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. DECADÊNCIA. DOLO COMPROVADO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação em que o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, extinguese no prazo de 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. CABIMENTO. A não apresentação, pela interessada, dos livros previstos pela legislação ou de qualquer outro documento para o qual tenha sido devidamente intimada, exige a adoção dos procedimentos previstos no artigo 530 do Decreto n. 3000/99, que trata das hipóteses de arbitramento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 48 13 /2 01 0- 63 Fl. 6512DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratandose de tributação reflexa de irregularidade descrita e analisada no lançamento do IRPJ, constante do mesmo processo, aplicase o mesmo entendimento à CSLL, pela natural relação de causa e efeito. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e os dirigentes que comprovadamente atuaram, com infração à lei, na administração da sociedade. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei n. 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. Ainda que o contribuinte não tenha apresentado os documentos solicitados pela fiscalização, devese afastar a multa agravada quando constatado que tal circunstância não obstaculizou, de forma direta, a definição da base de cálculo dos tributos lançados, notadamente quando houve arbitramento do lucro e não se encontra, nos autos, intimação específica para prestar esclarecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários apenas para afastar o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé e Ronaldo Apelbaum. Fl. 6513DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e reflexos, acrescidos de multas qualificada e agravada, relativos aos anoscalendário de 2005 a 2007 e lavrados contra a empresa em epígrafe, como desdobramento da chamada "Operação Castelhana", autorizada pela Justiça Federal. Como os fatos e a matéria jurídica foram bem relatados nas decisões anteriores peço vênia para reproduzilos a seguir: O Termo de Verificação Fiscal, de fls. 61 a 83, indica os motivos do lançamento, inclusive com multa agravada, resumidamente: 1 INTRODUÇÃO A empresa KSC ALIMENTOS DO BRASIL LTDA tinha originalmente a denominação de ALIBRA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA e KALIBRA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, com o mesmo CNPJ, sendo que no período fiscalizado e nos documentos apreendidos o nome mais comum era ALIBRA que daqui em diante será tratada. que a presente fiscalização teve como origem os documentos apreendidos durante a denominada "Operação Castelhana" e dos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500; que a autuada faz parte do Grupo Pink, liderado pela empresa Pink Alimentos do Brasil Ltda; a autuada apresentou DIPJ nos anoscalendário de 2005 a 2007, com apuração de tributos e contribuições pelo regime do Lucro Real Trimestral; não declarou nenhum débito em DCTF e não efetuou qualquer recolhimento nos anoscalendário de 2005 e 2006; em 2007, recolheu e declarou em DCTF valores ínfimos de PIS/PASEP e COFINS, não condizentes com um faturamento de vinte milhões de reais. 2. DA CONSTITUIÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA que a empresa foi criada com o intuito de ser uma subsidiária oculta da sua controladora, Pink Alimentos do Brasil Ltda. ou simplesmente Grupo Pink; que a empresa foi constituída em 11/08/2003, tendo como sócio minoritário e administrador o Sr. José Luiz de Souza e como sócio majoritário a Chypreos Corp. Financial & Trading S.A, com sede no Uruguai, representada pelo Sr. Evandro Garcia; Fl. 6514DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 5 4 que o Sr. Evandro Garcia é advogado do escritório Juvenil Alves e aparece como representante de diversas offshores (contratos sociais de fls. 114 a 147), conforme denúncia apresentada nos autos do processo judicial n° 2008.38.00.038500 (Anexo VI, fls. 48). que a Chypreos subscreveu 955.000 quotas no valor de R$ 955.000,00, sem, contudo, promover a integralização; que em julho de 2005 a Chypreos se retira da sociedade deixando suas quotas em tesouraria (fls. 131 e 149); que a empresa permaneceu no período de 15/07/2005 a 23/02/2006 com apenas um sócio, Sr. José Juiz de Souza; que em 22/02/2006, o Sr. Ricardo (funcionário da PINK) recebeu uma correspondência do Banco Nossa Caixa, em nome da Alibra, relacionando a documentação necessária para abertura de conta. A ficha cadastral foi preenchida e datada no mesmo dia pelo Sr. José Luiz. as funcionárias do Banco Nossa Caixa exigiram a apresentação de cadastro assinado pelo Sr. Evandro da Chypreos Corp. Fin, além de contrato traduzido por tradutor juramentado e procuração do Sr. Evandro para assinar pela empresa; que, "Não por coincidência", em 23 de fevereiro de 2006 o quadro social da fiscalizada foi alterado, com a transferência das 45.000 quotas do Sr. José Luiz de Souza para a Sra. Maria Helena Oliveira Silva, pelo valor de R$ 45.000,00, pagos em moeda corrente, e as 955.000 quotas que se encontravam em tesouraria foram subscritas e integralizadas, também em moeda corrente, pelo valor de R$ 955.000,00, pela Sra. Graciele Oliveira Silva. que a Sra. Graciele Oliveira Silva não possuía capacidade econômica suficiente para tal operação, que as suas declarações de imposto de renda de 2001 a 2007 não indicaram quaisquer bens ou tal valor; que na ficha cadastral junto ao Banco Nossa Caixa foi apresentada uma conta de água da sua residência com faturamento pelo valor mínimo; que o seu endereço fica em um bairro tipicamente operário e distante; não consta tal movimentação bancária em seu nome nas Declarações de CPMF; que a Sra. Maria Helena também não possuía capacidade econômica para figurar como sócia em tal empreendimento, pois em sua única declaração de 2007 declarou que possuía R$ 35.000,00 em espécie em 2005 na tentativa de justificar os R$ 45.000,00 pagos em 2006; que se verificou que no CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais seu grau de instrução é de 1° grau completo e os últimos dois empregos de carteira assinada foi contratada como faxineira; Fl. 6515DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 6 5 que "Desta forma, percebese que tal aquisição da empresa pelas Senhoras Maria Helena e Graciele foi simulada, incluindo se no quadro societário os chamados laranjas". que em 10 de fevereiro de 2009 a Sra. Graciele Oliveira Silva vendeu suas quotas para o Sr. Ricardo, funcionário da Pink Alimentos do Brasil Ltda., por R$ 4.584.000,00. Fls. 233 e 245. que a Sra. Graciele Oliveira Silva permaneceu no mesmo modesto domicílio de bairro operário, Vila Universal em Betim. que o Sr. Ricardo também não revela capacidade financeira para suportar operação de tamanho vulto; que sempre foi funcionário da Pink Alimentos, da área financeira, responsável pela movimentação financeira da fiscalizada mediante procurações apresentadas aos bancos "antes e depois das pretensas alterações com indícios de simulação de 23/02/2006 e 10/02/2009." que no documento Termo de Titularidade de Certificado Digital, para que se pudesse movimentar a conta corrente da Alibra junto ao Banco Nossa Caixa, o endereço apresentado pelo Sr. Ricardo é o da Pink: Rua Ursula Paulino, 1321, Bairro Betânia, em Belo Horizonte. que isto é mais uma prova que o Sr. Ricardo era funcionário da PINK e a movimentação bancária da ALIBRA era feita no estabelecimento da PINK. que o Sr. Ricardo informou em suas declarações de imposto de renda ser funcionário da Pink com o cargo de Auxiliar Administrativo, e, junto à Previdência Social está cadastrado como Supervisor de Tesouraria, Vendedor em comércio atacadista e, finalmente, promovido a Gerente em 19/04/2007. que, "Diferentemente, já na gênese, foi criada uma empresa operada totalmente nas dependências da PINK, sedo do Grupo, pelo seu setor administrativo (esta vinculação administrativa com a PINK será detalhada oportunamente no tópico sobre responsabilização solidária)." que os verdadeiros donos, que são os donos do Grupo PINK, criaram a empresa em nome de terceiros, e a movimentava por meio de empregados da empresachefe do grupo, mantendo toda a administração por meio de procurações. 3. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. e de seus SÓCIOS DE FATO. que "Como citado anteriormente, a ALIBRA (KSC) era uma empresa controlada e gerida dentro da PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., CNPJ 17.238.718/000202, por meio de seus funcionários e por ordem de seus diretores de fato": PAULO VICTOR CARDOSO, ADALBERTO CARDOSO E MARCELO PEREIRA CARDOSO, conforme "Relatório Reservado" de Fl. 6516DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 7 6 maio de 2006. (ver fls. 251 e 257; Termo 48: docs. 1496, 1499, 1501 e 1612 a 1615). o endereço da fiscalizada é um depósito onde eventualmente são descarregados produtos, incompatível com o volume de entradas e saídas de mercadorias cujas notas fiscais indicam (ver cópias de Notas Fiscais nos ANEXOS IV E V); a fiscalizada possuía apenas uma funcionária, Sra. Rosemeire Rosemberg de Souza Moura, exfuncionária da Invicta Com. e Distribuição de Gêneros Alimentícios, pertencente ao Grupo Pink, e na própria Pink Alimentos do Brasil Ltda, irmã de Rosane Rozemberg de Souza que também já trabalhou na INVICTA e na empresa Progresso Alimentos do Brasil Ltda., ambas pertencentes ao Grupo PINK, "o que demonstra que o empregador comum é o Grupo"; os documentos pertencentes à fiscalizada, utilizados nesta fiscalização, foram apreendidos, durante a denominada Operação Castelhana, na sede da Pink Alimentos do Brasil Ltda., tais como procurações, contratos sociais, carimbos, documentos contábeis, registro de empregados, notas promissórias, notas fiscais, inclusive em branco, documentos referentes a participação em licitações, declaração de responsabilidade técnica junto ao Conselho Regional de Química, cheques e documentos bancários, alguns assinados por Ricardo Luiz Martins, procurador da Alibra e empregado da Pink. que no local da apreensão foram encontradas procurações outorgadas pela ALIBRA ALIMENTOS para Ricardo Luiz Martins, Jorge Manuel Gaspar Henriques, Cecília de Jesus Isidoro e Lindalva Andrade da Silva, bem como cópias de documentos pessoais (RG e CPF) de Edvaldo Antônio Gomes e Eduardo Silveira da Cruz, procuradores da Alibra, todos empregados da PINK, além de procuração outorgada a Fabiana Cardoso Lee, que é membro da família Cardoso; que dos documentos referentes a licitações das quais a ALIBRA participou, existe um bilhete manuscrito dirigido a ADALBERTO (Cardoso, sócio de fato da PINK, docs. 341). que nas licitações atuaram como procuradores da ALIBRA os Srs. Edvaldo Antônio Gomes e Eduardo Silveira da Cruz, empregados da PINK; contrato assinado por Antônio Marcial Abud Ferreira, como representante legal da ALIBRA registra que o Sr. Antônio Marcial também é representante da PINK. Declaração de Responsabilidade a ser prestada pela ALIBRA do Sr. Alexandre Resende Melo, também empregado da PINK. diversos pedidos da PINK e da Alibra referentes a diversas licitações; expediente do advogado Bernardo Junqueira Flausino para Paulo Victor Cardoso solicitando assinatura e rubrica do representante legal da ALIBRA (no caso José Luiz de Souza), Fl. 6517DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 8 7 bem como de uma testemunha (no caso foi a contadora Romilda Maria Ferreira Araújo); fax datado de 24/02/2006, encaminhado por Paulo Victor Cardoso, com timbre da ALIBRA, para Bernardo Junqueira Flausino (advogado do escritório de Juvenil Alves) referente ao acordo de coexistência assinado entre ALIBRA INGREDIENTES LTDA e ALIBRA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. relatórios denominados "CONTAS A PAGAR SIMPLES" da empresa PINK ALIMENTOS, nos quais se encontram relacionados diversos pagamentos da ALIBRA. "Esses documentos nos mostram, também, a ligação dos sócios de fato da PINK (Paulo Victor Cardoso e Adalberto Cardoso) com ela" (fls. 311; Termo 48: docs. 1435, 1470, 1472, 1473, 1488, 1494). Relatório Reservado de maio de 2006, no qual constam como membros do Conselho de Administração da PINK: PAULO VICTOR CARDOSO, ADALBERTO CARDOSO E MARCELO PEREIRA CARDOSO). Neste relatório consta, ainda, que as empresas ALIBRA, Progresso, Invicta e Alnutri pertencem ao Grupo PINK (fls. 251 a 257). Termo 48: docs. 1496, 1499, 1501 e 1612 a 1615). relação de representantes e telefones úteis de administradores e principais empregados da PINK (fls. 317; Termo 46: docs. 1140); emails entre empregados da PINK a respeito da emissão de nota cobertura da PINK para a ALIBRA (fls. 323); Pedido n° 427226 emitido pela PINK e notas fiscais correspondentes emitidas pela ALIBRA (fls. 338; Termo 46: docs. 21, 22, 25 e 28). diversos pedidos da ALIBRA , emitidos por Joelma e Lindalva, ambas empregadas da PINK, sendo a última também procuradora da ALIBRA. diversos emails de empregados da PINK referentes a participação em licitações, cauções de cheques vendas etc, da ALIBRA; diversos pedidos da ALIBRA e da PINK, com alguns romaneios de carregamento (fls. 396; Termo 46; docs 155 a 208). 4. DO ARBITRAMENTO DO LUCRO que a fiscalização tentou por duas vezes dar ciência pessoalmente do Termo de Início de Fiscalização, mas não havia qualquer pessoa no endereço indicado no cadastro junto à SRF; que a intimação encaminhada via correio em 17 de setembro de 2009 ficou aguardando retirada na agência dos correios, após três tentativas de entrega pelo carteiro; que em 20 de outubro de 2009 houve o recebimento do Termo de Início. Fl. 6518DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 9 8 não atendida a intimação inicial, emitiuse o Termo de ReIntimação Fiscal em 13 de novembro de 2009, postado em 16/11/2009. novamente a correspondência ficou aguardando a retirada na agência dos correios, por força do fracasso das tentativas do carteiro. a intimação foi devolvida à SRF posto que não procurada na agência dos correios. por consequência, foram publicados os Editais n° 080/2009, 11/2010, 25/2010 e 41/2010. por total falta de manifestação da fiscalizada, e consequente falta de apresentação dos documentos comprobatórios da escrituração, procedeuse ao arbitramento do lucro. 5. DA RECEITA BRUTA CONHECIDA 5.1. Anocalendário de 2005 Valores constantes da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Anexo VI, Fls. 183, corroborados pela Demonstração de Resultado de Exercício de fls. 148 a 150. 5.2 Ano de 2006 e 2007 Valores constantes da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica. Anexo VI, Fls. 183, compatíveis com a movimentação financeira informada pelos bancos segundo DCPMF. 5.3 Outras Receitas Acrescidos à base de cálculo do IRPJ os valores constantes das DIPJ relativos a Outras Receitas Operacionais. 6. DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO E REFLEXO Apresenta tabelas demonstrando os valores utilizados para o lançamento. (Fls 79 a 82 do Termo de Verificação Fiscal). 7. DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA E MAJORADA Considerando comprovada a simulação de eventos societários com compras e vendas fictícias de participações e a utilização de interpostas pessoas, aplicase a multa majorada. 8. DA INTIMAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS Cópias do Termo de Verificação Fiscal e dos autos de infração correlatos e demonstrativos são encaminhados aos indicados no item 3 do Termo de Verificação Fiscal, considerados Responsáveis Solidários. Fl. 6519DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 10 9 São trazidos aos autos pela fiscalização os documentos de fls. 84 a 457, Volume I e II bem como os Anexos I a VII. Os Termos de Sujeição Passiva Solidária encontramse às fls. 460 a 467. II DA IMPUGNAÇÃO São apresentadas quatro impugnações, exatamente do mesmo teor, com alteração sequencial nas impugnações das pessoas físicas, pela inserção de um tópico (Da ilegitimidade passiva do impugnante...). Argumentam: TEMPESTIVIDADE Que a impugnação é tempestiva. II DOS FATOS E FUNDAMENTOS 1 DO BREVE RELATO DOS FATOS Os impugnantes afirmam que os auditores incluíramnos como responsáveis, por mera presunção, sem motivação de ordem fáticojurídica que dê suporte. 2. DAS PRELIMINARES 2.1 DOS PRINCÍPIOS NORTEADORES DO PROCESSO ADMINISTRATIVO DO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL (CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA) DA FALTA DE INTIMAÇÃO DA IMPUGNANTE DO CERCEAMENTO DE DEFESA DA NULIDADE ABSOLUTA Os impugnantes tecem comentários, citam opiniões e decisões administrativas para sedimentar os enunciados deste tópico, finalizando com o pedido para que se determine a nulidade do referido Termo de Constatação Fiscal. 2.2 DA INADMISSIBILIDADE DE PROVAS ILÍCITAS DA NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Transcrevendo trechos da decisão constante do processo 2007.38.00.0322087, concluem que a fiscalização não poderia ter utilizado "qualquer prova realizada em contencioso do qual não tenha participado o contribuinte, pois isto fere claramente os princípios de devido processo legal e da ampla defesa." Afirmam ainda que "Qualquer tipo de prova decorrente do processo judicial citado anteriormente utilizada por empréstimo neste trabalho fiscal, sem qualquer comprovação da autorização judicial para tanto, em face da empresa autuada e da Impugnante, fica totalmente impugnado e sem valor legal...". 3. DA PREJUDICIAL DE MÉRITO 3.1 DA DECADÊNCIA DO ARTIGO 150, § 4o DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Fl. 6520DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 11 10 Propugna pela decadência do lançamento referente a abril/julho de 2005. 4. DAS QUESTÕES DE MÉRITO 4.1 DO DEVER DE PROVA DO FISCO NO QUE TANGE AOS FATOS QUE CULMINARAM NO LANÇAMENTO Afirmam que a fiscalização não cuidou de buscar a verdade material dos fatos, furtandose em cumprir o dever de prova das premissas que fundamentariam a exigência fiscal ora impugnada, concluindo: "Diante disso, (i) como nos autos não pode ser comprovado inequivocamente a pretendida omissão de receitas indicadas pela fiscalização, (ii) deixando esta última de fazer a busca pela verdade material dos fatos e cumprir o dever objetivo de prova e investigação das premissas fáticas que dariam ensejo à autuação, (iii) sendo a presunção realizada pelo Fisco insuficiente para conferir ao crédito tributário a certeza e a liquidez necessárias, deve a presente Impugnação ser provida para cancelar o Auto de Infração ora combatido." 4.2 AUTUAÇÃO EM AFRONTA AO DEVER DE PROVA CONSIDERAÇÃO DE INDÍCIOS E PRESUNÇÕES AFRONTA A CAPACIDADE CONTRIBUTIVA DA EMPRESA AUTUADA. Citando posições doutrinárias, os impugnantes apresentam argumentos de tópicos anteriores de ausência da demonstração da ocorrência do fato gerador, para, em síntese, argumentar que a fiscalização desconsiderou a capacidade econômica do fiscalizada, concluindo que: "Portanto, considerando que no caso em comento houve tributação desvinculada da limitação imposta pelo principio da capacidade contributiva eis que ausente qualquer prova cabal construída pela Fiscalização que sustente a ocorrência do fato gerador, a autuação também merece ser cancelada por inconstitucionalidade da exigência fiscal atacada". 4.3 DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO DO LUCRO NO PRESENTE CASO DO CONHECIMENTO PELO FISCO DA RECEITA CONTÁBIL DA EMPRESA AUTUADA. Os impugnantes registram algumas determinações legais sobre o arbitramento do lucro, tais como, tratarse de uma faculdade do fisco nos casos em que a pessoa jurídica não mantém escrituração contábil, deixa de atender as condições do artigo 530 do Decreto 3.000/99, etc, para concluir: "Em sendo assim, no presente caso, tendo em vista que o fisco detinha todas as informações contábeis da empresa autuada, bem como indício do possível controle pela empresa ora Impugnante, o que se admite por amor ao debate, o lançamento por arbitramento deve considerado nulo, o que desde já se requer." Fl. 6521DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 12 11 4.4 DA MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA 150% E 225% Argumentam que não existem provas do intuito de dolo ou fraude e, por consequência, a multa qualificada não encontra respaldo legal. III DO PEDIDO E SUAS ESPECIFICAÇÕES Resumindo os tópicos anteriores, acrescentam para que se utilize como juros de mora a taxa de 1% ao mês, produção de provas e juntada de outros documentos. O item acrescentado nas impugnações das pessoas físicas, sob o tópico 2 DAS PRELIMINARES, é o que se segue: 2.1 DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DO IMPUGNANTE DA IMPOSSIBILIDADE DE COOBRIGAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO IMPUGNANTE Argumentam que os impugnantes nunca figuraram no contrato social da empresa autuada, bem como no período fiscalizado não faziam parte do quadro societário da empresa Pink Alimentos. Argumentam ainda que não existe nos autos qualquer documento que confira aos impugnantes poderes para agir em nome da empresa autuada e também não exerciam qualquer ato na Pink Alimentos. Argumentam ainda que em nenhum momento o fisco requereu ou realizou a desconsideração da personalidade jurídica da empresa autuada, para que, desta forma, fosse alcançado o patrimônio particular de seus sócios ou administradores para satisfação de seu crédito. Em 27 de setembro de 2010, a Sra. GABRIELLY ANDRADE SILVEIRA, advogada inscrita na OAB/MG 125.686, mediante procuração que fora outorgada em conjunto com os Senhores ALEANDRO PINTO DA SILVA JUNIOR, advogado inscrito na OAB/MG103.253, e CARLOS EDUARDO LEONARDO DE SIQUEIRA, advogado inscrito na OAB/MG 79.823, pelo Sr. Paulo Victor Cardoso, recebe cópia do processo sob análise. (fls. 483 e 485). Os interessados tomaram ciência dos autos de infração, nas seguintes datas: PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., em 26/08/2010, AR de fls. 472; ADALBERTO CARDOSO, em 26/08/2010, AR de fls. 472; PAULO VICTOR CARDOSO, em 25/08/2010. AR de fls. 468; MARCELO PEREIRA CARDOSO, em 26/08/2010. AR de fls. 468; KSC ALIMENTOS DO BRASIL LTDA Edital de 06/08/2010, fls. 469. Fl. 6522DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 13 12 As impugnações foram apresentadas nas seguintes datas: PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., em 24/09/2010, fls. 491/530 e documentos de fls. 531/534, Volume III, mediante procuração outorgada por Pink Alimentos do Brasil Ltda. à Sra. GABRIELLY ANDRADE SILVEIRA, advogada inscrita na OAB/MG125.686, fls. 532. ADALBERTO CARDOSO, em 24/09/2010, fls. 535/588 e documentos de fls. 589/732, Volume III, mediante procuração outorgada ao Sr. ALEANDRO PINTO DA SILVA JUNIOR, advogado inscrito na OAB/MG 103.253; PAULO VICTOR CARDOSO, em 24/09/2010, fls. 735/788 e documentos de fls.789/932, Volume IV, mediante procuração outorgada ao Sr. ALEANDRO PINTO DA SILVA JUNIOR, advogado inscrito na OAB/MG103.253; MARCELO PEREIRA CARDOSO, em 27/09/2010, fls. 933/987 e documentos de fls. 988/992, Volume IV e fls. 994/1310, Volume V, mediante procuração outorgada ao Sr. ALEANDRO PINTO DA SILVA JUNIOR, advogado inscrito na OAB/MG 103.253. A empresa KSC ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. (autuada) não se manifestou a respeito das autuações. Na sequência foi emitido o Acórdão nº 0229.955 da DRJ/Belo Horizonte, de fls. 1312 a 1326, julgando improcedentes as impugnações, com o seguinte ementário: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. No desempenho das atividades de verificação da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias principais e acessórias pelo contribuinte, e de formalização dos créditos tributários daí decorrentes, os agentes fiscais têm uma atuação estritamente vinculada à Lei. Verificada a ocorrência de infração à legislação tributária, por dever de oficio, esses agentes públicos devem proceder à formalização da exigência dos tributos, acréscimos legais e penalidades aplicáveis. SOCIEDADE DE FATO. São admissíveis, sem dependência da apresentação de instrumento (escritura), as ações que terceiros possam intentar contra a sociedade em comum ou contra qualquer dos sócios em particular. A existência da sociedade, quando por parte dos sócios se não apresenta instrumento, pode provarse por todos os gêneros de prova admitidos e até por presunções fundadas em fatos de que existe ou existiu a sociedade. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. São solidariamente obrigadas as pessoas que possuem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Fl. 6523DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 14 13 DECADÊNCIA. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA AGRAVADA. FALTA DE ATENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. É cabível o agravamento da multa de ofício na falta de atendimento pelo contribuinte às intimações para prestar esclarecimentos no prazo ali estipulado. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando se constata a conduta com o evidente intuito de fugir ao cumprimento legal. JUROS SELIC SOBRE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. APLICAÇÃO SÚMULA ADMINISTRATIVA N° 03. Nos termos de Súmula aprovada em sessão plenária datada de 18 de setembro de 2007, "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2005, 2006, 2007 PRELIMINAR DE NULIDADE. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCIPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Desde que não ofenda a legalidade, é livre a autoridade fiscal para empreender sua fiscalização segundo a técnica que julgue mais adequada. Eventual insatisfação quanto aos resultados da fiscalização somente encontra foro, no âmbito administrativo, após a instauração válida do contencioso fiscal. DO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Não há que se falar de nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis e não se vislumbra nos autos que o sujeito passivo tenha sido tolhido no direito que a lei lhe confere para se defender. PROVA ILÍCITA. Fl. 6524DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 15 14 Improcedente alegação de utilização de prova ilícita quando o acesso aos documentos foi devidamente autorizado pelo poder judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DÉBITO NÃO DECLARADO EM DCTF. Os valores informados na DIPJ e não declarados em DCTF não constituem confissão de dívida, devendo, no caso de diferença apurada em procedimento de auditoria, ser lançados por meio de procedimento de oficio. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O arbitramento do lucro decorre de expressa previsão legal, consoante a qual a autoridade tributária, impossibilitada de aferir a exatidão do lucro real declarado em virtude da não apresentação total ou parcial de livros e documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada, está legitimada a adotálo como meio de apuração da base de cálculo do IRPJ e tributos decorrentes. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS, COFINS, CSLL e INSS. MESMOS PRESSUPOSTOS FÁTICOS. IRPJ. Sendo decorrentes dos mesmos pressupostos fáticos que motivaram o lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, aplicamse aos demais tributos os mesmos fundamentos que serviram de base para a decisão do IRPJ. Inconformados com a decisão proferida, os responsáveis tributários PINK Alimentos do Brasil Ltda., Adalberto Cardoso, Paulo Victor Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso apresentaram seus recursos voluntários (documentos de fls. 6.167 e seguintes), repisando praticamente as mesmas alegações trazidas nas peças impugnatórias. A autuada, KSC ALIMENTOS DO BRASIL LTDA. não apresentou recurso voluntário. Em 10 de outubro de 2013, a 2a Turma desta Câmara resolveu converter o julgamento em diligência, para que fossem dirimidas dúvidas e adotadas providências para o saneamento processual, notadamente quanto à intimação da interessada. A Resolução exarada por aquela Turma assim se manifestou: Dessa forma, concluise que, antes de levar a julgamento os recursos voluntários interpostos, ocorra o saneamento das falhas processuais, devendo o processo retornar ao órgão de origem, Fl. 6525DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 16 15 em diligência, para que sejam tomadas as seguintes providências: a) informar se a autuada, KSC Alimentos do Brasil Ltda., tomou ciência da decisão proferida no Acórdão nº 0229.955 da DRJ/Belo Horizonte, indicando as folhas do processo em que ocorreu; b) em caso negativo, providenciar a regular ciência do referido acórdão; c) informar qual dos dois recursos voluntários apresentados pelo responsável tributário Marcelo Pereira Cardoso é válido, posto que o primeiro foi recebido pela unidade de origem em 16/11/2011 e outro recebido em 18/11/2011, fls. 6213 e 6167; d) informar se o recurso voluntário apresentado pelo responsável tributário, PINK Alimentos do Brasil Ltda., é regular e tempestivo; e) emitir despacho a respeito da regularidade e tempestividade dos recursos apresentados (do sujeito passivo e de todos os responsáveis tributários); f) após, retorno a este CARF, para julgamento; O relatório de diligência (fls. 6.485 e seguintes), ao atender às determinações deste Conselho, assim se pronunciou: a) Informar se a autuada, KSC Alimentos do Brasil Ltda., tomou ciência da decisão proferida no Acórdão nº 0229.955 da DRJ/Belo Horizonte, indicando as folhas do processo em que ocorreu: Não identificamos nos autos do processo a ciência do sujeito passivo em questão. b) Em caso negativo, providenciar a regular ciência do referido acórdão: O contribuinte foi cientificado diretamente por edital eletrônico, conforme fl. 6.470, visto que esta empresa já foi declarada INAPTA através do Ato Declaratório Executivo DRF/BHE nº 0187, de 14 de agosto de 2013, à fl. 6.467. Transcorrido o prazo regulamentar de trinta dias para apresentação de recurso voluntário o interessado não se manifestou. c) Informar qual dos dois recursos voluntários apresentados pelo responsável tributário Marcelo Pereira Cardoso é válido, posto que o primeiro foi recebido pela unidade de origem em 16/11/2011 e outro recebido em 18/11/2011, fls. 6.213 e 6.167: De fato, o responsável solidário Marcelo Pereira Cardoso apresentou dois recursos voluntários. Como ele foi cientificado do acórdão da DRJ em 19/10/2011, ambos os recursos estão Fl. 6526DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 17 16 tempestivos. Compete agora aos órgãos de julgamento definir como será tratada esta questão. d) Informar se o recurso voluntário apresentado pelo responsável tributário, PINK Alimentos do Brasil Ltda., é regular e tempestivo: Apesar de não constar nos autos a ciência da decisão de primeira instância pela empresa PINK Alimentos do Brasil Ltda., entendo, s.m.j., que o recurso por ela apresentado deva ser considerado regular e tempestivo, visto que o próprio interessado informou em seu recurso que se considerava cientificado do inteiro teor da decisão da DRJ/BHE/MG através da ciência dos demais coobrigados. Portanto, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo visto que ele mesmo reconhece que já teve acesso a todas as informações que seriam necessárias para a formalização de sua defesa. Especificamente quanto à tempestividade, como não existem nos autos a comprovação da data exata em que o contribuinte foi notificado, seguindo o princípio da razoabilidade que rege a administração pública me parece que o mais prudente neste caso seria considerar a data da apresentação do recurso voluntário como a data da ciência do contribuinte. e) Emitir despacho a respeito da regularidade e tempestividade dos recursos apresentados (do sujeito passivo e de todos os responsáveis tributários): Sujeito passivo: KSC Alimentos do Brasil Ltda. Ciência por edital em: 14/11/2013 Não apresentou recurso voluntário Responsável solidário: PINK Alimentos do Brasil Ltda. Ciência através dos demais responsáveis solidários. Recurso voluntário tempestivo apresentado em 18/11/2011 Responsável solidário: Marcelo Pereira Cardoso Ciência por AR em: 19/10/2011 Apresentou dois recursos voluntários tempestivos em 16/11/2011 e 18/11/2011 Responsável solidário: Adalberto Cardoso Ciência por AR em: 13/10/2011 Recurso voluntário intempestivo apresentado em 16/11/2011 Responsável solidário: Paulo Victor Cardoso Ciência por AR em: 17/10/2011 Recurso voluntário tempestivo apresentado em 16/11/2011 Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Fl. 6527DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 18 17 Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os recursos apresentados tempestivamente atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. De plano, ressalto que o Recurso apresentado pelo responsável solidário Sr. Adalberto Cardoso foi considerado intempestivo, conforme relatório de diligência de fls. 6.485 e seguintes e, portanto, não será conhecido, sem prejuízo de que os argumentos comuns em seu favor, porventura constantes das demais peças recursais, sejam normalmente apreciados. Também merece destaque o fato de que a Contribuinte, embora intimada da decisão de piso, não apresentou recurso, de sorte que serão analisados apenas os argumentos formulados pelos responsáveis solidários: PINK Alimentos do Brasil Ltda., Marcelo Pereira Cardoso e Paulo Victor Cardoso. Em razão dos vários argumentos apresentados faremos a análise tópica dos pontos controvertidos. Preliminares a) Nulidade por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa Aduz a responsável solidária Pink Alimentos que o procedimento é nulo, pois a fiscalização não lhe deu oportunidade de exercer o contraditório a ampla defesa durante os procedimentos de auditoria, o que restaria demonstrado pelo fato de não ter sido intimada antes da lavratura das autuações. Diante da alegação de nulidade, cumpre notar que não se verifica nesses autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto nº 70.235/72, de 6 de março de 1972: Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Sendo os atos e termos lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e com a garantia ao mais absoluto direito de defesa não há de se falar em nulidade dos autos de infração. Ademais, prescreve o citado Decreto que: Fl. 6528DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 19 18 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A leitura do dispositivo deixa claro que apenas a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, de sorte que antes disso não há litígio ou possibilidade de cerceamento do direito de defesa. No caso dos autos, os solidários tiveram a oportunidade legal de apresentar, tanto na impugnação como em sede de recurso, suas respectivas defesas, circunstância que foi, inclusive, objeto de diligência. Como os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos na peça vestibular e permitiram aos recorrentes o exercício irrestrito do direito de defesa, não se vislumbra, na hipótese, qualquer nulidade, posto que os interessados demonstraram ter plena compreensão e entendimento das infrações apontadas. Ademais, o direito ao contraditório e à ampla defesa foi, inclusive, objeto de diligência, e embora tenha a autoridade se pronunciado pela dúvida quanto à tempestividade do recurso da solidária Pink Alimentos, opinou pela sua aceitação, posição ratificada por este relator, circunstância que evidencia o zelo das autoridades pelos princípios mencionados. Curiosamente, a única pessoa que não se manifestou nos autos foi a própria contribuinte, embora tivesse um faturamento da ordem de vinte milhões de reais, como bem destacado pela autoridade fiscal. Não se observa, por iguais razões, qualquer nulidade por cerceamento de defesa objeto de alegação nos recursos voluntários tempestivos das pessoas físicas. Rejeitase, portanto, as preliminares suscitadas em todas as peças. b) Nulidade por utilização de provas ilícitas Entende a responsável solidária Pink Alimentos que as provas e documentos utilizados pelas autoridades fiscais são ilícitas, porque obtidas a partir de processo judicial em que a Recorrente não é citada. Isso conduziria, em seu entendimento, à nulidade das autuações, posto que não lhe foi dada oportunidade de contraditório nos procedimentos de fiscalização. Sobre a questão do contraditório já nos manifestamos no tópico anterior. Em relação à utilização das provas obtidas na chamada "Operação Castelhana", convém destacar que a atividade fiscalizadora da Receita Federal foi expressamente determinada por decisão judicial e as provas foram obtidas junto ao Ministério Público Federal, como atestam os carimbos presentes nos documentos trazidos aos autos. Fl. 6529DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 20 19 Sobre o inusitado argumento de não ter sido "mencionada" no processo e na decisão judicial da 4a Vara Federal de Belo Horizonte, especializada em crimes relativos à lavagem de dinheiro, impende ressaltar que a mencionada decisão, reproduzida pela interessada, consigna que (formatação original, com grifos deste relator): DELIMITAÇÃO DA LIDE. A CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO E A RACIONALIZAÇÃO DOS TRABALHOS JUSTIFICAM A DELIMITAÇÃO DA LIDE E O DESMEMBRAMENTO DO FEITO PROPOSTA PELO MINISTÉRIO PUBLICO FEDERAL. QUANTO AOS "CLIENTES" DOS INDICIADOS. DESSE MODO, DETERMINO A EXPEDIÇÃO DE REQUISIÇÃO À POLICIA FEDERAL PARA QUE INSTAURE INQUÉRITOS POLICIAIS, NO PRAZO DE 30 DIAS, DESTINADOS A INVESTIGAR A CONDUTA DOS RESPONSÁVEIS PELOS GRUPOS EMPRESARIAIS KANECHOM, PINK, MORETTO, PIPAF, JM, SAMONEY E KICALDO. A PARTIR DAS CÓPIAS DESCRITAS NO ITEM 6 DA COTA MINISTERIAL LOCALIZADA AS FLS. 33 72/33 73 (17o VOLUME)" EXTENSÃO DA QUEBRA DE SIGILO À RECEITA FEDERAL (...) ADEMAIS, SÓ PODEM SER APROVEITADOS PELA AUTORIDADE FISCAL AQUELES DADOS PERTINENTES A ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA, ISTO É, PERTINENTES À FISCALIZAÇÃO PARA EFEITO DE CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO, SENDO CERTO QUE, POR DEVER DE OFÍCIO, A AUTORIDADE ADMINISTRATIVA ESTÁ OBRIGADA A PRESERVAR O SIGILO DOS DADOS A QUE TENHA ACESSO. CONFIGURANDO INFRAÇÃO PENAL A EVENTUAL DIVULGAÇÃO QUE VENHA A SER FEITA. DESSE MODO, DETERMINO A INTIMAÇÃO DO SUPERINTENDENTE DA RECEITA FEDERAL EM MINAS GERAIS, A FIM QUE DESIGNE EQUIPE PARA ANALISAR OS AUTOS RELATIVOS ÀS QUEBRAS DE SIGILO TELEFÔNICO. BANCÁRIO. INFORMÁTICO E TELEMÁTICO, BEM OS MALOTES DERIVADOS DAS APREENSÕES REALIZADAS NESTES AUTOS E ACAUTELADOS NESTA SECRETARIA, A FIM DE SUBSIDIAR EVENTUAL INSTAURAÇÃO DE AÇÕES FISCAIS OU AINDA INSTRUIR AÇÕES JÁ INSTAURADAS. AUTORIZO, DESDE JÁ, A CARGA DOS MALOTES PELA RECEITA FEDERAL PELO PRAZO DE 60 DIAS, QUANDO ENTÃO DEVERÃO SER DEVOLVIDOS À SECRETARIA, COM TERMO NOS AUTOS. A transcrição acima fulmina qualquer pretensão da Recorrente, pois o juízo determinou a instauração do procedimento fiscal, com intimação expressa ao Superintendente da Receita Federal e ordem para que fosse constituída equipe específica. Nesse contexto, as provas obtidas não são apenas legais, mas essenciais à apuração dos fatos. Vivemos tempos estranhos, em que investigados questionam ordens judiciais e se valem de argumentos retóricos para desqualificar fatos amplamente comprovados. No caso dos autos, sabese que a Operação Castelhana apurou fraudes superiores a um bilhão de reais, como relatado pelas autoridades. Fl. 6530DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 21 20 Ademais, vale lembrar que na extensa denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal fazse menção expressa às atividades do "Grupo Pink" (fls. 5.330/5.331): O Grupo PINK, dirigido por PAULO Victor Cardoso, compõese de 3 empresas principais: a "Pink Alimentos do Brasil Ltda.", a "Progresso Alimentos Importação c Exportação Ltda." e a "Mega Alimentos do Brasil". A "Pink Alimentos" inaugurou seu processo de pseudodissoluçâo em dezembro de 2002, quando seu controle foi alienado para a "Cysson Corp. Financial & Trading S/A" e a "Wilens International S.A.", SAFI representadas no Brasil por EVANDRO, havendo sido entregue ao "laranja" MARCOS sua suposta representação e administração. No curso da Operação, comprovouse que tanto a integralização de capital pelos novos sócios quanto a alienação das cotas pelos sócios retirantes foram operações fictícias, continuando o Grupo PINK sob as rédeas da família Cardoso e a gestão de PAULO. As operações em questão foram conduzidas por CLAUDIO e CARLOS, advogados dos escritórios de Belo Horizonte. Destaquese, por fim, que independente de ordem judicial, as autoridades fiscais têm a prerrogativa legal e constitucional de analisar livros, documentos e informações das pessoas jurídicas, sendo de rigor a apuração de eventuais infrações cometidas. Na hipótese dos autos, a fiscalização demonstrou que a Contribuinte (KSC) atuava dentro das instalações da Pink e era administrada pelos seus titulares, embora fossem utilizados, formalmente, nomes de terceiros sem qualquer capacidade econômica ou gerencial. Afastase, portanto, a preliminar suscitada. c) Da decadência, pela aplicação do artigo 150, §4o, do CTN Entende a responsável solidária Pink Alimentos que teria ocorrido a decadência em prejuízo do Fisco, por força da "homologação tácita do crédito tributário apurado até julho de 2005". A tese não pode prosperar, pois os lançamentos foram efetuados em agosto de 2010, sem o transcurso do prazo decadencial. Ademais, como as autuações foram objeto de multa qualificada, o dies a quo deve ser considerado nos termos do artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, a seguir transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Também não socorre a interessada o argumento de que teria apresentado DCTF para os quatro trimestres de 2005. Como já observado pela decisão da DRJ, não há, nos autos, qualquer documento que comprove a entrega de DCTF para esses períodos, devendose, portanto, ratificar a constatação da autoridade fiscal (fls. 61): Fl. 6531DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 22 21 Nos anoscalendário de 2005 e 2006 não efetuou recolhimento de nenhum tributo ou contribuição federal, bem como não declarou nenhum débito em DCTF. Em 2007, recolheu e declarou em DCTF valores ínfimos de PIS/PASEP e COFINS, não condizentes com um faturamento de vinte milhões no ano de 2007. Tais valores serão considerados na apuração final. (grifamos) Concluise, pois, pelo afastamento de todas as preliminares suscitadas pela interessada Pink Alimentos. Quanto ao mérito, entende a responsável solidária que a fiscalização teria o dever de provar os fatos alegados e que não poderia se basear em meras presunções, sendo necessária a busca da chamada verdade material. Ao contrário do alegado, a situação é bastante diversa, pois a "verdade material" clamada pela interessada foi efetivamente perquirida e aponta a ocorrência das infrações autuadas. Restou demonstrado nos autos todo o estratagema para a ocultação da atividade do contribuinte, dos fatos econômicos por ele praticados e, até, da sua própria existência. As provas são robustas e não deixam margem para dúvidas. É sintomático que a KSC Alimentos não tenha, em momento algum, se manifestado nos autos. A autoridade fiscal evidenciou, no Termo de Verificação de fls. 63 e seguintes, todo o percurso jurídico de blindagem tributária levado a cabo pelos infratores, com a criação de uma empresa cujo único propósito era o de impedir o conhecimento, pelo Estado, das atividades econômicas passíveis de tributação. Demonstrouse que a composição societária e as diversas alterações contratuais foram formalmente imputadas a pessoas sem qualquer capacidade econômica ou gerencial, apenas com o fito de acobertar os reais interessados nas operações. A título de conclusão, assim se manifestou a fiscalização: Constatase, pois, que a ALIBRA era na verdade uma subsidiária integral da PINK, constituída para encobrir operações do Grupo PINK no intuito de sonegação. A utilização de sócios "laranja" não foi com o objetivo de eventual fraude a execução, que normalmente ocorre posteriormente ao fato gerador. Diferentemente, já na gênesis, foi criada uma empresa operada totalmente nas dependências da PINK, sede do Grupo, pelo seu setor administrativo (esta vinculação administrativa com a PINK será detalhada oportunamente no tópico sobre responsabilização solidária). Tal simulação de eventos societários está nitidamente relacionada com os fatos geradores que lhes são Fl. 6532DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 23 22 contemporâneos, justificando qualificação da multa de ofício a ser aplicada. O fato é que os verdadeiros donos, que são os donos do Grupo PINK, criaram a empresa em nome de terceiros, e a movimentava por meio de empregados da empresachefe do grupo, mantendo toda a administração por meio de procurações. Tal procedimento é conhecido como utilização de interposta pessoa ou vulgarmente: "uso de laranja". É inequívoco que as operações objetivavam afastar as obrigações tributárias dos reais beneficiários e, nesse contexto, não há de se falar em presunção. Como já mencionado, nem a empresa nem seus responsáveis se dignaram a apresentar qualquer documento ou, ao menos, responder às intimações. Permaneceram, sempre, à sombra dos fatos que agora buscam combater. A fiscalização só obteve provas e informações a partir da decisão judicial. E o conjunto probatório obtido indica, claramente, a prática de vultosa atividade comercial, inclusive em conjunto com a Pink Alimentos, como a participação em licitações e a emissão de notas fiscais. Todos os documentos estão acostados aos autos e contradizem as alegações da interessada. Ora, se era tão importante a participação dos responsáveis solidários nos procedimentos de fiscalização, porque simplesmente não se manifestaram, posto que a contribuinte "funcionava" dentro das instalações da Pink e operava por meio dos mesmos empregados? Certamente não faltaram oportunidades, ao longo de todo este processo, para que assim procedessem, embora tenham optado, em todos os momentos, pela absoluta omissão, sob o argumento de que não foram intimados durante a fiscalização. Pois bem, ao integrarem o processo e apresentarem defesa, na qualidade de responsáveis solidários, por qual motivo mantiveram a mesma postura? Ou seja, se tinham a intenção de participar da fiscalização e produzir provas em seu favor, por que não o fizeram nos autos? Constatase que os ora recorrentes apresentam páginas e páginas de argumentos jurídicos, evocam princípios constitucionais da maior relevância, inclusive as sagradas garantias do contraditório e da ampla defesa, mas, curiosamente, delas não fazem uso para trazer um documento sequer aos autos. Entendo que o tempo e o esforço dedicados seriam mais bem empregados se buscassem apresentar ao julgador qualquer informação capaz de subsidiar suas alegações. Todavia, nada disso foi feito. Novamente me deparo com a inusitada situação em que se acredita que as palavras, ainda que bem concatenadas, tenham, por si só, o poder de se transmutar em provas concretas. A interessada Pink Alimentos entende, ainda, que não seria possível o arbitramento do lucro, pois a fiscalização conhecia a contabilidade da contribuinte. Fl. 6533DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 24 23 A fiscalização informa, expressamente, que apesar de ter intimado a empresa a apresentar os registros contábeis, esta simplesmente não se manifestou ou entregou qualquer documento. Em verdade, parecenos evidente que a empresa fez o possível para não ser encontrada, embora possuísse, para os anoscalendário autuados, relevante atividade comercial. Nesse cenário é fato que a fiscalização teve acesso a documentos parciais, oriundos do processo judicial. Contudo, é evidente que esses documentos são insuficientes para se estabelecer, de forma adequada, a exata atividade econômica da empresa, bem como não se prestam a substituir ou reproduzir a escrituração contábil a que estava obrigada. Na hipótese, tornase de rigor a aplicação do artigo 530, III, do Decreto n. 3.000/99: Art.530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; Não aproveita à Recorrente o argumento de que havia apresentado DIPJ, o que afastaria a possibilidade de arbitramento, até porque, como se sabe, tal declaração não produz o efeito de confissão de dívida, o que só ocorreria se fossem entregues as DCTF dos períodos, fato que, como já demonstrado, carece de comprovação. Somese a isso o não recolhimento de qualquer tributo, salvo valores ínfimos a título de PIS e COFINS, e se faz imperioso concluir que não havia alternativa senão o arbitramento do lucro, que foi realizado com base na receita bruta conhecida dos períodos, conforme atestam as planilhas de fls. 80/81, que integram o Termo de Verificação Fiscal. No que tange à responsabilidade solidária das pessoas físicas, analisaremos os argumentos de defesa trazidos pelos Srs. Paulo Victor Cardoso e Marcelo Pereira Cardoso, posto que em relação ao Sr. Adalberto Cardoso o recurso foi apresentado intempestivamente. Ressaltese, ainda, que o Sr. Marcelo Pereira Cardoso apresentou dois recursos voluntários, de forma que será considerado o mais recente, até porque absolutamente igual ao das demais pessoas físicas autuadas. Tal circunstância em nada prejudica os a análise da defesa. A tese de defesa se baseia fundamentalmente no argumento de que não há provas da responsabilidade solidária, com base no fato de que as pessoas imputadas nunca foram sócias da contribuinte e, ao tempo dos fatos autuados, também não compunham o quadro societário da empresa Pink Alimentos. Ocorre que a dissolução do quadro societário, entendida pelos recorrentes como normal e regular, foi justamente o ponto de partida do esquema de blindagem tributária, com a transferência da sociedade para terceiros, denominados "laranjas" pelas autoridades Fl. 6534DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 25 24 investigadoras, como se pode depreender da denúncia oferecida pelo MPF e novamente transcrita: O Grupo PINK, dirigido por PAULO Victor Cardoso, compõese de 3 empresas principais: a "Pink Alimentos do Brasil Ltda.", a "Progresso Alimentos Importação c Exportação Ltda." e a "Mega Alimentos do Brasil". A "Pink Alimentos" inaugurou seu processo de pseudodissolução em dezembro de 2002, quando seu controle foi alienado para a "Cysson Corp. Financial & Trading S/A" e a "Wilens International S.A.", SAFI representadas no Brasil por EVANDRO, havendo sido entregue ao "laranja" MARCOS sua suposta representação e administração. No curso da Operação, comprovouse que tanto a integralização de capital pelos novos sócios quanto a alienação das cotas pelos sócios retirantes foram operações fictícias, continuando o Grupo PINK sob as rédeas da família Cardoso e a gestão de PAULO. As operações em questão foram conduzidas por CLAUDIO e CARLOS, advogados dos escritórios de Belo Horizonte. Portanto, cai por terra o argumento de que os sócios não mais participavam da sociedade ao tempo dos fatos tributados, até porque essa foi a sua intenção, desde o início. Por óbvio que não se pode, apenas baseado nessa situação, imputar responsabilidade às pessoas físicas. Nesse sentido, a fiscalização elaborou extenso e minucioso relatório, no qual destaca todos os documentos e provas que conseguiu colacionar ao longo dos trabalhos: A empresa oficialmente possuía apenas uma funcionária: Rosemeire Rosemberg de Souza Moura, a qual já trabalhou na empresa INVICTA COM. E DISTRIBUIÇÃO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA. a partir de 01/08/2000 (pertencente ao Grupo PINK), e na própria PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA a partir de 22/04/2003, conforme confirma o Cadastro Nacional de Informações Sociais CNIS anexo (fls.249). Além disso, ela é irmã de Rosane Rozemberg de Souza que também já trabalhou na INVICTA e na empresa PROGRESSO ALIMENTOS DO BRASIL LTDA, ambas pertencentes ao Grupo PINK, o que demonstra que o empregador comum é o Grupo. (...) Portanto, a constatação de que vasta documentação contábil e financeira da ALIBRA (KSC) estavam na posse do Grupo PINK é a primeira e mais robusta prova da ligação entre as empresas, pois tal documentação probatória do vínculo entre as empresas foi obtida justamente na sede da PINK ALIMENTOS DO BRASIL LTDA., CNPJ 17.238.718/000202, à Rua Úrsula Paulino, n° 1.321, bairro Betânia, em Belo Horizonte MG. Notese que os documentos da contribuinte (procurações, carimbos, notas fiscais, contratos sociais, cheques em branco mas já assinados , entre outros) foram apreendidos na sede da responsável solidária Pink Alimentos. A relação completa, com Fl. 6535DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 26 25 referências às páginas dos autos, pode ser encontrada no Termo de Verificação Fiscal, fls. 71 e seguintes. Acerca dos documentos apreendidos a fiscalização concluiu que: O que se procura provar com os documentos apreendidos é a estrita relação da ALIBRA (KSC) com a PINK, sendo a primeira uma subsidiária integral da segunda, ou seja, os verdadeiros sócios da ALIBRA (KSC) eram os verdadeiros sócios da PINK. A prova desta relação pode ser obtida por qualquer meio, sendo que as provas acima discriminadas se mostram bastante robustas. No atual Código Civil Brasileiro a matéria está disciplinada no artigo 987: Art. 987. Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros somente por escrito podem provar a existência da sociedade, mas os terceiros podem provála de qualquer modo. (grifo acrescido). Em meio aos diversos documentos apreendidos alguns demonstram a participação direta dos responsáveis solidários individuais nas operações da Pink Alimentos e, por decorrência, da contribuinte: Expediente do advogado Bernardo Junqueira Flausino para Paulo Victor Cardoso (diretor de fato da PINK), datado de 17/02/2005 (a data correta deve ser 17/02/2006), através da qual solicita a assinatura e a rubrica do representante legal da ALIBRA (no caso José Luiz de Souza), bem como de uma testemunha (no caso foi a contadora Romilda Maria Ferreira Araújo) no documento anexo ("Prorrogação de Acordo de Coexistência, datado de 31/01/2006). No texto o advogado explica que depois do dia 28/02/2006 não poderá ser utilizada a expressão "ALIBRA" em notas fiscais, anúncios, etc. Solicita, ainda, FAX com alteração contratual alterando a razão social da ALIBRA. A alteração em referência é a 2a, datada de 23/02/2006 vide alteração acima (Fls. 301, Termo 46, docs. 1354 a 1358); FAX datado de 24/02/2006, encaminhado por PAULO VICTOR CARDOSO (sócio de fato da PINK), com formulário com timbre da ALIBRA, para Bernardo Junqueira Flausino (advogado do escritório de Juvenil Alves Ferreira e Advogados Associados S/C e responsável pela maioria das ações envolvendo a PINK ALIMENTOS e membros da família Cardoso), referente ao acordo de coexistência assinado entre ALIBRA INGREDIENTES LTDA e ALIBRA ALIMENTOS DO BRASIL LTDA (Fls. 306, Termo 46, docs. 1380, 1381, 1359 e 1360); Folha para encaminhamento de FAX, referente ao protocolo de entrada de alteração contratual contendo alteração da razão social da ALIBRA (Fls. 310, Termo 46, docs. 1353) Fl. 6536DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 27 26 COMENTÁRIO: enquanto a operacionalidade da ALIBRA (KSC) era feita pelos funcionários, as decisões eram a cargo da diretoria da PINK. Relatórios denominados "CONTAS A PAGAR SIMPLES" da empresa PINK ALIMENTOS, nos quais se encontram relacionados diversos pagamentos da ALIBRA, inclusive ICMS, conta de telefone, internet, aluguel e conta de água. Esses documentos nos mostram, também, a ligação dos sócios de fato da PINK (Paulo Victor Cardoso e Adalberto Cardoso) com ela (Fls. 311: Termo 48: docs. 1435, 1470, 1472, 1473, 1488, 1494); Relatório Reservado de maio de 2006, no qual constam como membros do Conselho de Administração da PINK: PAULO VICTOR CARDOSO, ADALBERTO CARDOSO E MARCELO PEREIRA CARDOSO, apesar dos mesmos terem se retirado da sociedade (sic) através da 40a alteração contratual de setembro de 2003. Neste relatório consta, ainda, que as empresas ALIBRA, Progresso, Invicta e Alnutri pertencem ao Grupo PINK (Fls. 251 a 257, Termo 48, docs. 1496, 1499, 1501 e 1612 a 1615); Relação de representantes e telefones úteis de administradores e principais empregados da PINK, inclusive membros da família Cardoso: Adalberto, Fabiana, Paulo Victor e Rodrigo. Outro documento provando a ligação dos sócios de fato da PINK (Paulo Victor Cardoso e Adalberto Cardoso) com a mesma (Fls. 317, Termo 46: docs. 1140). Assim, o conjunto probatório, o entendimento das autoridades e a análise dos fatos nos levam a concluir que as pessoas indicadas como responsáveis solidárias efetivamente atuavam nas empresas e eram os seus reais sócios e principais interessados. Em relação à qualificação da multa, lastreada no artigo 44 da Lei n. 9.430/96, correto o entendimento da autoridade fiscal, que assim justificou a medida: Como descrito no item 2. "DA CONSTITUIÇÃO IRREGULAR DA PESSOA JURÍDICA", constatouse a simulação de eventos societários com compras e vendas fictícias de participações e com a utilização de interposta pessoa ou vulgarmente: "uso de laranja", as quais estão nitidamente relacionadas com os fatos geradores. Com isto, os verdadeiros sócios tentam impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário, em especial sua garantia, correspondendo, igualmente, em evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, inciso I, e 73, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, justificando a qualificação da multa em 150%. Restou amplamente comprovado o evidente intuito de fraude, bem assim o dolo específico das pessoas envolvidas, com o claro e inequívoco objetivo de sonegar tributos, sendo aplicável à espécie o percentual qualificado de 150%. Fl. 6537DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 15504.014813/201063 Acórdão n.º 1201001.437 S1C2T1 Fl. 28 27 Contudo, no que se refere ao agravamento da multa, esta Turma tem decidido que a simples intimação para apresentar documentos não preenche as exigências legais, previstas no artigo 44 da Lei n. 9.430/96. Com efeito, embora a contribuinte tenha sido intimada e depois reintimada por edital mantendose silente em todos os casos, como visto entendo que não restou demonstrada a hipótese prevista em lei, que carece de intimação específica, na qual constem os esclarecimentos que a autoridade busca obter e a demonstração de que a negativa do interessado constituiu embaraço à fiscalização. Como a autuação se deu, corretamente, por arbitramento, creio que deve ser afastado o agravamento da infração, mantendose a qualificação decorrente do evidente intuito de fraude. Nesse sentido a Súmula n. 96 deste Conselho: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Ante o exposto CONHEÇO dos Recursos tempestivos e, no mérito, voto por DARLHES parcial provimento, para afastar o agravamento das multas, reduzindoas para o percentual de 150%. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 6538DF CARF MF Impresso em 20/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 11020.907884/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS.
O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento ou valores compensados.
MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR.
Constatando-se que o despacho decisório não analisou matéria em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõe-se o retorno dos autos à Unidade local a fim de que profira despacho decisório complementar sobre o tema.
Numero da decisão: 1402-001.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente da Dcomps relacionadas no bojo do voto condutor que tenham sido homologadas, retomando-se o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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VALORES COMPENSADOS. O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento ou valores compensados. MATÉRIA NÃO ANALISADA PELO DESPACHO DECISÓRIO. INDEFERIMENTO LIMINAR DO DIREITO CREDITÓRIO. SUPERAÇÃO DA TESE PELO CARF. NECESSIDADE DE DECISÃO COMPLEMENTAR. Constatandose que o despacho decisório não analisou matéria em razão do indeferimento liminar do direito pleiteado, superado tal entendimento pelo CARF, impõese o retorno dos autos à Unidade local a fim de que profira despacho decisório complementar sobre o tema. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente da Dcomps relacionadas no bojo do voto condutor que tenham sido homologadas, retomandose o rito processual a partir daí. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 78 84 /2 01 2- 55 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907884/201255 Acórdão n.º 1402001.994 S1C4T2 Fl. 489 2 (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907884/201255 Acórdão n.º 1402001.994 S1C4T2 Fl. 490 3 Relatório Marcopolo S.A. Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Campo Grande/MS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “A contribuinte acima qualificada apresentou o Pedido de Restituição nº 10677.64143.150710.1.2.028936, relativamente ao crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do período de apuração 4º trimestre de 2009, no valor original de R$ 6.531.120,98. Houve Declarações de Compensação que utilizavam o crédito pleiteado nesse pedido. O direito creditório não foi reconhecido e as compensações não foram homologadas. Pelo despacho decisório de fl. 59 o pedido de restituição foi indeferido uma vez não haver saldo negativo disponível, em face de na DIPJ correspondente ao período de apuração ter sido apurado imposto a pagar. A ciência quanto ao referido despacho decisório ocorreu em 16 de julho de 2012, conforme AR à fl. 60. Em 14 de agosto de 2012 foi protocolado o documento de fls. 2 a 7, no qual, após relato resumido dos fatos, é aduzido que: a) para o 4º trimestre de 2009, apurou e recolheu, em 29 de janeiro de 2010, o valor de R$ 8.192.465,90 (doc 6); b) quando da entrega da DIPJ/2010 (anocalendário 2009), o valor apurado de IRPJ devido para o 4º trimestre de 2009 foi de R$ 1.661.344,92; c) houve equívoco quanto ao pedido apresentado, que deveria ser relativo a “pagamento indevido ou a maior” e não a “saldo negativo”; d) não havia como retificar a DIPJ, porque correta, e nem o PER uma vez que não é possível alterar a origem do crédito depois de enviado o pedido; e) o crédito é existente, embora o equívoco perpetrado no PER; f) no processo administrativo prevalece a verdade material sobre a verdade formal. Ao final, é requerido o reconhecimento total do direito creditório pleiteado e a consequente homologação das Dcomps.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 04 34.432 (fls. 6567) de 10/12/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907884/201255 Acórdão n.º 1402001.994 S1C4T2 Fl. 491 4 RESTITUIÇÃO. VALORES COMPENSADOS. O valor restituível no caso de pagamento a maior que o devido é aquele proveniente de pagamento e não de valores compensados.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/12/2013 (A.R. de fl. 90) a interessada interpôs recurso voluntário em 28/01/2013 (fls. 92120) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907884/201255 Acórdão n.º 1402001.994 S1C4T2 Fl. 492 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Alega a recorrente que apurou o valor de R$ 8.192.465,90 em 29 de janeiro de 2010, quitandoo por meio de DCOMP (cópia trazida na manifestação de inconformidade às fls. 21/29 – doc 6). De fato, constatase do “doc 6”, anexo à manifestação de inconformidade, que o montante de R$ 8.192.465,90 decorre de várias compensações em que foi indicado como débito o IRPJ e, como crédito, valores de Cofins não cumulativa (fls. 21 a 24), saldo negativo de CSLL (fl. 25), Ressarcimento de IPI (fls 26 e 27) e PIS/Pasep não cumulativo (fls. 28 e 29). A decisão recorrida considerou improcedente a manifestação de inconformidade sob a alegação de que não havia pagamento de IRPJ, já que a extinção do crédito tributário (IRPJ) se dera por compensação e não por pagamento. Vejase o trecho da decisão recorrida. Dessa forma, não houve pagamento de IRPJ no valor de R$ 8.192.465,90. Se as Dcomps respectivas foram todas homologadas, a extinção do crédito tributário (IRPJ) deuse por compensação e não por pagamento. E a restituição de “pagamento indevido ou a maior que o devido” só pode ser efetuada se tiver havido efetivo pagamento. No caso de extinção do crédito tributário por compensação, se isso deuse de forma incorreta em face de apuração de valor a maior do débito, a correção há que ser efetuada, mas não é cabível o pedido de restituição. O procedimento deve ser o de retificação da DCTF em que o débito a maior foi informado, em consonância com a DIPJ, o que liberaria os valores excedentes dos créditos compensados, esses sim passíveis de restituição ou compensação, observada a legislação específica. Dessa forma, não podem prosperar as alegações veiculadas. Com efeito, esta Turma tem entendimento assente no sentido de reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação. E isso porque compensação e pagamento, embora não possuam a mesma natureza jurídica, a teor do art. 156 do CTN são modalidades de extinção do crédito tributário e, consequentemente, produzem os mesmos efeitos quanto ao reconhecimento de direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior, seja por pagamento ou por compensação. Vejase a jurisprudência deste Conselho, nesse particular. DCOMP. PAGAMENTO. EQUIVALÊNCIA. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 11020.907884/201255 Acórdão n.º 1402001.994 S1C4T2 Fl. 493 6 A compensação pressupõe um pagamento anterior, ocorrido a maior ou indevidamente. A DCOMP é apenas a afetação desse pagamento, surtindo o mesmo efeito e merecendo equivalência. (Acórdão nº 1803002.091, de 11/03/2014). Reconhecido o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação, há que se analisar, para o caso em apreço, sua certeza e liquidez. Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à compensação/restituição de débitos extintos a maior por compensação e determinar o encaminhamento dos autos à Unidade Local para que seja prolatado despacho decisório complementar, sem anulação do anteriormente proferido, com apreciação do mérito do pedido levando em consideração eventual crédito decorrente da Dcomp referenciada acima, retomandose o rito processual a partir daí. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/04/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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