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Numero do processo: 10872.720001/2015-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012
REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS (REFRI). FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS PARA ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE.
1. O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial do contribuinte optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI).
2. Por falta de previsão legal, as saídas de produtos acabados do estabelecimento industrial para os estabelecimentos comerciais, ainda que do mesmo contribuinte, não podem ser feitas com suspensão do imposto.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DEMONSTRADA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE.
Indefere-se o pedido de perícia que, apesar de formalizar nos termos da legislação específica, seja prescindível para a deslinde do litígio.
Numero da decisão: 3302-004.701
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Walker Araújo e José Renato P. de Deus, que davam provimento parcial para realização de imputação dos pagamentos realizados pelos estabelecimentos comerciais aos valores devidos pelo estabelecimento industrial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento - Redator designado
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012 REGIME ESPECIAL DE TRIBUTAÇÃO DE BEBIDAS FRIAS (REFRI). FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS PARA ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial do contribuinte optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI). 2. Por falta de previsão legal, as saídas de produtos acabados do estabelecimento industrial para os estabelecimentos comerciais, ainda que do mesmo contribuinte, não podem ser feitas com suspensão do imposto. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012 REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DEMONSTRADA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. Indefere-se o pedido de perícia que, apesar de formalizar nos termos da legislação específica, seja prescindível para a deslinde do litígio.
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FALTA DE LANÇAMENTO DO IPI. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO NO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS PARA ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. O IPI incidirá uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial do contribuinte optante do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI). 2. Por falta de previsão legal, as saídas de produtos acabados do estabelecimento industrial para os estabelecimentos comerciais, ainda que do mesmo contribuinte, não podem ser feitas com suspensão do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012 REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DEMONSTRADA PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. POSSIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia que, apesar de formalizar nos termos da legislação específica, seja prescindível para a deslinde do litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Sarah Maria L. de A. Paes de Souza, Walker Araújo e José Renato P. de Deus, que davam provimento parcial para realização AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 2. 72 00 01 /2 01 5- 53 Fl. 223299DF CARF MF 2 de imputação dos pagamentos realizados pelos estabelecimentos comerciais aos valores devidos pelo estabelecimento industrial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Redator designado Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de auto de infração para lançamento do imposto sobre produtos industrializados IPI no período de apuração de janeiro de 2010 a janeiro de 2012. A partir do Termo de Verificação Fiscal, fls. 549 e seguintes, extraemse as infrações imputadas à contribuinte: 2. DA INFRAÇÃO 2.1. SAÍDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS SEM LANÇAMENTO DO IPI – UTILIZAÇÃO INDEVIDA DE SUSPENSÃO 2.1.1. No curso da ação verificouse que o contribuinte foi, ao tempo sob análise (2010, 2011 e 2012), optante pelo Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias – REFRI, previsto nos artigos 58A e 58J a 58T da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com data de opção em 29/12/2008 e início de vigência da opção em 01/01/2009, conforme consulta realizada no sítio da Receita Federal do Brasil na internet (https://www.receita.fazenda.gov.br/Aplicacoes/SSL/ATBHE/Refr i.App/ConsultaPublica/consultaOptantes.aspx). 2.1.2. Verificouse ainda que o estabelecimento deu saída de itens abarcados pelo REFRI sem efetuar destaque de IPI. Tais saídas se deram utilizando os Códigos Fiscais de Operação – CFOP 5151 e 6151 – Transferência de Produção do estabelecimento, com suspensão do IPI. (....) 2.1.14.Com efeito, a falta de lançamento do IPI em saídas tributadas de bebidas frias, caracteriza a infração objeto do art. 80 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pelo art. 13 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, justificando a imposição da multa de ofício de 75% sobre Fl. 223300DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 3 3 o IPI não lançado. Tabela anexa a este TVI explicita os cálculos do IPI não destacado, listando todas as NFE envolvidas. A contribuinte apresentou impugnação, fls. 3411 e seguintes, onde alegou em síntese que: 1. Que há legitimidade da adoção do regime de suspensão nas transferências de bebidas entre estabelecimentos e que está em compatibilidade com o modelo de tributação monofásica a que se sujeita a contribuinte. Explica que a Lei nº 10.833, de 2003, ao incluir os artigos 58A a 58 U, conferiu novos contornos à tributação federal de bebidas. Em matéria de IPI, as referidas normas estruturaram um regime geral de tributação concentrada no fabricante, segundo o modelo ad valorem, em que o importador ou industrial apura e recolhe o imposto (art. 58F da Lei n. 10.833/2003): (i) na qualidade de contribuinte, relativamente ao desembaraço ou às suas saídas, com base no valor da operação (IPI próprio); e (ii) na qualidade de responsável (substituição tributária), relativamente à parcela do imposto devida pelo estabelecimento destinatário, com base no valor da operação ajustado em 40% (IPI substituição); Paralelamente ao regime geral ad valorem, os arts. 58J e seguintes da Lei nº 10.833, de 2003, facultaram às pessoas jurídicas que importam ou industrializam bebidas a opção por um regime especial de tributação ad rem, ao qual se sujeita a Impugnante, em que "a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valorbase, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência " (art. 58J, caput). Alega que o equívoco da Fiscalização reside justamente no fato de que o critério de compatibilidade veiculado pelo Decreto n. 6.707/2008, longe de redundar no afastamento da suspensão no caso em anexo, confirma a lisura do procedimento que ela adotou. Afirma que somente a partir da Lei nº 13.097, de 2015, que unificou o regime de tributação concentrada das bebidas, deixou de ser possível a utilização da técnica de suspensão do IPI, e que a suspensão encontrase compatível com o modelo de tributação monofásico. 2. Alega que há necessidade de cancelamento da autuação em face do efetivo recolhimento do IPI na saída das mercadorias, sendo, que, no máximo, o que ocorreria é uma postergação no seu pagamento. Ela afirma que a partir dos documentos exemplificativos, em anexo, observa se que, inequivocamente, que as mercadorias revendidas pelos estabelecimentos adquirentes dos produtos fabricados pela unidade autuada não ensejaram a apropriação de créditos por ocasião das entradas e, posteriormente, saíram com débito do IPI, devendo ser feita perícia técnica/diligência para examinar toda a documentação existente e que comprova o alegado Sobreveio o acórdão da DRJ/Ribeirão Preto, fls. 223173 e seguintes, julgando a demanda improcedente e cuja ementa é colacionada abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 223301DF CARF MF 4 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012 FALTA DE LANÇAMENTO. BEBIDAS NÃO ALCOÓLICAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO ESPECIAL. INCIDÊNCIA ÚNICA DO IMPOSTO. TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS PARA ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO DA SUSPENSÃO DO IMPOSTO. No regime de tributação especial previsto para as bebidas não alcoólicas, as saídas de produtos acabados têm incidência única do imposto na origem, sem a possibilidade de utilização da suspensão do imposto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2012 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de perícia que, apesar da presença dos requisitos essenciais, seja prescindível para a composição da lide. A contribuinte, irresignada, apresentou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 06 de junho de 2016, fls. 223189, e o recurso foi protocolado em 24 de junho de 2016, fls. 223210. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Regime especial de tributação de bebidas frias REFRI e regime de suspensão na transferência de bebidas entre estabelecimentos A controvérsia central dos autos reside na possibilidade ou não da utilização do regime da suspensão na transferência de bebidas entre estabelecimentos, que adotou, por sua vez, o Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI. A Recorrente, em sua peça recursal, afirma que tal possibilidade é viável; diferentemente do que alega a fiscalização que a autuou justamente por entender pela incompatibilidade dos regimes. É fato incontroverso que a Recorrente é optante pelo Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias – REFRI, previsto nos artigos 58A e 58J a 58T da Lei nº Fl. 223302DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 4 5 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com data de opção em 29/12/2008 e início de vigência da opção em 01/01/2009. Do Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI, importante transcrever a legislação: Lei nº 10.833/2003 Art. 58A. A Contribuição para o PIS/Pasep, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, a Contribuição para o PIS/PasepImportação, a Cofins Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI devidos pelos importadores e pelas pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos classificados nos códigos 21.06.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do código 22.02.90.00, e 22.03, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – Tipi, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, serão exigidos na forma dos arts. 58B a 58U desta Lei e nos demais dispositivos pertinentes da legislação em vigor. (...) Art. 58J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (...) Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e II – sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial. Parágrafo único. Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no parágrafo único do art. 58A desta Lei. A Recorrente argumenta no sentido de que o Decreto nº 6.707, de 2008, aplicável tanto ao regime geral, quanto ao especial de tributação de bebidas, repete as disposições legais e dispõe que "Art. 42. As demais disposições da legislação relativa à Contribuição para o PIS/PASEP, à COFINS, à Contribuição para o PIS/PASEPImportação, à COFINSImportação e ao IPI aplicamse aos regimes previstos neste Decreto, naquilo que não forem contrárias ", afirmando que as normas especiais não podem ser contrárias ao que determina a Constituição Federal e, tenta assim, mais uma vez, compatibilizar o regime Fl. 223303DF CARF MF 6 especial em questão com o regime de suspensão entre estabelecimentos. Ademais, justifica que o regime de suspensão não descaracteriza o sistema monofásico. Infirma também que somente a partir da Lei nº 13.097, de 2015, é que a suspensão foi proibida, que antes era permitido. O mesmo dispositivo, qual seja, o art. 42, do Decreto nº 6.707, de 2008, é utilizado como fundamento pela fiscalização para embasar a impossibilidade da utilização da suspensão. Quanto à suspensão, vale transcrever o que prevê o regulamento do IPI: Decreto nº 4.544, de 2002 Art. 42. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um para outro estabelecimento, industrial ou equiparado a industrial, da mesma firma; (grifos não constam no original) Decreto nº 7.212, de 2010 Art. 43. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma firma; (grifos não constam no original) Deflagrase, assim, se existe antinomia ou não entre o disposto no artigo 58 N, da Lei nº 10.833/2003: "Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e" o artigo 43, X, do Decreto nº 7.212, de 2010: "Art. 43. Poderão sair com suspensão do imposto: (...) X os produtos remetidos, para industrialização ou comércio, de um estabelecimento industrial ou equiparado a industrial para outro da mesma firma;" (antigo artigo 42, do Decreto nº 4.544, de 2002). Há dois termos fundamentais nas leis transcritas: "incidirá uma única vez" e " suspensão (...) produtos remetidos (...) da mesma firma". Diante dos termos, questionase: o "incidirá uma única vez" necessariamente afasta o termo " suspensão (...) produtos remetidos (...) da mesma firma"? O Decreto nº 7.212, de 2010, RIPI, ainda prevê outras possibilidades de suspensão: Decreto nº 7.212, de 2010 Art. 45. Sairão com suspensão do imposto os produtos sujeitos ao regime geral de tributação de que trata o art. 222: I do estabelecimento industrial, quando destinados aos estabelecimentos comerciais equiparados a industrial de que tratam os incisos XI, XII e XIII do art. 9o (Lei no 10.833, de 2003, Fl. 223304DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 5 7 art. 58H, caput e § 3º, Lei no 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no 11.827, de 2008, art. 1o); II do estabelecimento comercial equiparado a industrial, na forma do inciso XIII do art. 9º, quando destinados aos estabelecimentos equiparados a industrial de que tratam os incisos XI e XII daquel artigo (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58H, caput e §§ 1º e 3º, Lei nº 11.727, de 2008, art. 32, e Lei nº 11.827, de 2008, art. 1º); e III do estabelecimento importador, quando destinados aos estabelecimentos equiparados a industrial de que tratam os incisos XIV e XV do art. 9o (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58H, caput e § 3º, Lei nº 11.727, de 2008, art. 32, e Lei nº 11.827, de 2008, art. 1º). Parágrafo único. A suspensão de que trata este artigo não se aplica ao imposto devido pelos estabelecimentos industrial, encomendante ou importador no caso do § 2o do art. 25 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58H, e Lei nº 11.827, de 2008, art. 1º). (...) Art. 222. Os produtos classificados nos Códigos e Posições 2106.90.10 Ex 02, 22.01, 22.02, exceto os Ex 01 e Ex 02 do Código 2202.90.00, e 22.03, da TIPI, sujeitamse ao imposto conforme o regime geral de tributação previsto no Decreto no 6.707, de 23 de dezembro de 2008, em conformidade com a legislação de regência, na hipótese em que a pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos não optar pelo regime especial de que trata o art. 223 (Lei no 10.833, de 2003, art. 58 A, e Lei no 11.727, de 2008, art. 32). Parágrafo único. O disposto no caput, em relação às Posições 22.01 e 22.02 da TIPI, alcança, exclusivamente, água e refrigerantes, refrescos, cerveja sem álcool, repositores hidroeletrolíticos e compostos líquidos prontos para o consumo que contenham como ingrediente principal inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58V, e Lei nº 11.945, de 2009, art. 18). Art. 223. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos referidos no art. 222 poderá optar por regime especial de tributação e apurar o imposto em função do valorbase que será expresso em reais por litro, definido a partir do preço de referência, nas condições estabelecidas no Decreto nº 6.707, de 2008, em conformidade com a legislação de regência (Lei nº 10.833, de 2003, arts. 58A, 58J e 58O, Lei nº 11.727, de 2008, art. 32, e Lei no 11.945, de 2009, art. 17). § 1o A opção pelo regime especial de que trata o caput: I alcança todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrange todos os produtos por ela fabricados ou importados (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58J, § 1o, e Lei nº 11.727, de 2008, art. 32); e Fl. 223305DF CARF MF 8 II será exercida pelo encomendante, quando a industrialização se der por encomenda (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58J, § 3o, e Lei nº 11.727, de 2008, art. 32). § 2o O imposto apurado na forma do caput incidirá: I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no § 3o (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58N, inciso I, e Lei nº 11.727, de 2008, art. 32); e II sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58N, inciso II, e Lei nº 11.727, de 2008, art. 32). § 3o Quando a industrialização se der por encomenda, o imposto apurado na forma do caput será devido na saída do estabelecimento que industrializar os produtos, observado o disposto no inciso VIII do art. 27 (Lei nº 10.833, de 2003, art. 58 N, parágrafo único, e Lei nº 11.727, de 2008, art. 32). A suspensão prevista no artigo 43, do Decreto nº 7.212, de 2010 é diferente daquela prevista no artigo 45 do mesmo texto legal. Para melhor esclarecer se há antinomia ou não entre o REFRI e a suspensão aplicada ao regime geral, adotase como fundamento o acórdão nº 3403003.602, Relator Rosaldo Trevisan: Dos referidos dispositivos, percebese que há regimes (geral art. 222 e especial art. 223) aplicáveis na industrialização e comercialização de determinadas bebidas, ambos sujeitos às condições definidas no Decreto nº 6.707/2008. Ou seja, o RIPI/2010 apenas inseriu dispositivos indicadores da existência dos regimes (e da suspensão correspondente ao regime geral), remetendo a disciplina detalhada ao Decreto nº 6.707/2008 (aquele que indicava, no art. 42, que seriam aplicáveis as normas gerais do imposto, no que não forem contrárias). No caso concreto, indubitavelmente estáse tratando do regime especial (art. 223) que constitui uma alternativa ao regime geral (para o qual está prevista a suspensão art. 222). Assim, desde já, clara a impossibilidade de aplicação dos dispositivos do art. 45 do RIPI ao caso concreto. A impossibilidade de aplicação simultânea de disposições de ambos os regimes (geral e especial) resta evidente logo ao início do Decreto no 6.707/2008: “Art. 2º. Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos listados no art. 1º ficam sujeitos ao regime geral ou ao regime especial previstos neste Decreto (Lei no 10.833, de 2003, art. 58A;Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008, art. 42, inciso IV, alínea “a”). Art. 3º Os importadores e as pessoas jurídicas que procedam à industrialização dos produtos de que trata o art. 1o que não fizerem a opção pelo regime especial nos termos do art. 28 estarão sujeitos ao regime geral de tributação (...)” (grifo nosso) Fl. 223306DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 6 9 A própria empresa parece não ter adotado a suspensão do art. 45 (em que pese tenha mencionado em sua defesa os dispositivos legais correspondentes arts. 58E e 58H da Lei nº 10.833/2003), pois a modalidade não prejudicaria o direito ao crédito, nos termos do art. 58H, § 2º da Lei no 10.833/2003 (o que se informa não ter ocorrido no caso concreto). A suspensão utilizada (devida ou indevidamente) pelo estabelecimento autuado, recordese, é a do art. 43, X do RIPI/2010 (equivalente ao art. 42, X do RIPI/2002). E a opção pelo regime especial (REFRI) não é do estabelecimento, mas da empresa, valendo para todos os seus estabelecimentos, como expressamente dispõe o art. 58J da Lei no 10.833/2003, que traz importantes esclarecimentos: “Art. 58J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008). § 1º A opção pelo regime especial de que trata este artigo aplicase conjuntamente às contribuições e ao imposto referidos no caput deste artigo, alcançando todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrangendo todos os produtos por ela fabricados ou importados. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) § 2º O disposto neste artigo alcança a venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial de produtos por ele produzidos. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) § 3º Quando a industrialização se der por encomenda, o direito à opção de que trata o caput deste artigo será exercido pelo encomendante. (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008)” (grifo nosso) Pelo texto do artigo, vêse que o legislador contempla apenas a venda direta (venda a consumidor final pelo estabelecimento industrial) e a industrialização por encomenda, não cogitando a hipótese de que o produto fosse enviado a outro estabelecimento da empresa (equiparado a industrial), de onde seria vendido ao consumidor final ou a varejistas. Poderseia imaginar que foi uma omissão do legislador (que poderia ser suprida pelo art. 43, X do RIPI), ou até que o legislador empregou de forma alargada a expressão “estabelecimento industrial” (abarcando o equiparado), mas analisando os demais artigos do regime geral e do regime especial (REFRI), reforçase a tese de que a redação é intencional. Vejase que no regime especial sequer existe a figura do “equiparado”, como destaca o texto do art. 10 do Decreto nº 6.707/2008: Fl. 223307DF CARF MF 10 “Art. 10. Para efeitos do regime geral, equiparase a industrial o estabelecimento (Lei no 10.833, de 2003, art. 58E): I comercial atacadista dos produtos a que se refere o art. 1º; II varejista que adquirir os produtos de que trata o art. 1º, diretamente do importador.” (grifo nosso) E na base legal utilizada pelo fisco para a negativa, na autuação (art. 58N da Lei nº 10.833/2003), há expressa menção ao equiparado no inciso II (situação diversa), deixando claro que o legislador distinguia os termos na redação: “Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: (Incluído pela Lei n11.727, de 23 de junho de 2008): I uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e (Incluído pela Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008) II sobre os produtos de procedência estrangeira no desembaraço aduaneiro e na saída do estabelecimento importador equiparado a industrial. (...)” (grifo nosso) Ao que tudo indica, o REFRI é um regime especial de tributação que ofereceu atrativos sob o ponto de vista do quantum a pagar, e da centralização da incidência, com a desvantagem de ser restrito a vendas efetuadas pelo estabelecimento industrial (não se aplicando vendas pelo equiparado). E isso se conclui da redação dos artigos 58J a 58T Lei nº 10.833/2003, que, apesar de pouco primorosa, não pode ser afastada por este julgador administrativo. Comuniquese, a título ilustrativo, que a partir de maio de 2015, estarão revogados todos esses artigos, assim como os demais que figuram do art. 58A a ao art. 58V da Lei nº 10.833/2003 (conforme disposição do art. 169, III, “b” da Lei no 13.097/2015). Assim, no contexto aqui exposto, entendese que assiste razão ao fisco quando afirma que a disposição do art. 43, X é incompatível com a disciplina restritiva do art. 58N da Lei nº 10.833/2003, devendo o IPI ser recolhido na saída do estabelecimento industrial. Portanto, há impossibilidade na aplicação da suspensão, prevista no artigo 43, do Decreto nº 7.212, de 2010, ao Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI, pois a referida suspensão é aplicada ao regime geral. Quanto à alegação de que deveria ser aplicável o artigo 112, do Código Tributário Nacional, afastase, uma vez que não se trata de ilicitude o caso em análise. 2.2. Do tributo recolhido pelos estabelecimentos comerciais Fl. 223308DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 7 11 A Recorrente alega que seria necessário o cancelamento da exigência fiscal, na medida em que o IPI supostamente devido, na realidade, foi objeto de recolhimento por parte dos estabelecimentos (comerciais) aos quais foram transferidas as mercadorias. O Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias REFRI é aplicável a todos os estabelecimentos da empresa, conforme o seguinte dispositivo: Lei nº 10.833, de 2003 Art. 58J. A pessoa jurídica que industrializa ou importa os produtos de que trata o art. 58A desta Lei poderá optar por regime especial de tributação, no qual a Contribuição para o PIS/Pasep, a Cofins e o IPI serão apurados em função do valor base, que será expresso em reais ou em reais por litro, discriminado por tipo de produto e por marca comercial e definido a partir do preço de referência. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeito) (Regulamento) (Revogado pela Lei nº 13.097, de 2015) (Vigência) § 1o A opção pelo regime especial de que trata este artigo aplicase conjuntamente às contribuições e ao imposto referidos no caput deste artigo, alcançando todos os estabelecimentos da pessoa jurídica optante e abrangendo todos os produtos por ela fabricados ou importados. (grifos nossos) No caso em análise, comprovase, pela documentação acostada aos autos, que houve pagamento do tributo por parte dos estabelecimentos comerciais. Ainda que vigore o princípio da autonomia dos estabelecimentos, a própria legislação que rege o regime especial diz que, a partir da Lei nº 10.833/2003, que: "Art. 58N. No regime especial, o IPI incidirá: I – uma única vez sobre os produtos nacionais na saída do estabelecimento industrial, observado o disposto no parágrafo único; e", trazendo a conclusão de que há uma mitigação do próprio princípio em questão. Mais um vez socorrese da fundamentação do acórdão nº 3403003.602, Relator Rosaldo Trevisan: Contudo, é preciso analisar a informação prestada pela recorrente de que os estabelecimentos da AMBEV S.A. que receberam os produtos transferidos pelo estabelecimento autuado efetivamente recolheram o IPI, nos moldes estabelecidos na legislação que rege o REFRI (inclusive com exemplos e documentos juntados, e evidências de que tanto a fiscalização quanto a DRJ observaram a sistemática de recolhimento, mas a entenderam irrelevante ao deslinde do presente processo). Então, não se pode simplesmente tratar a operação como mera falta de recolhimento, na linha seguida pelo fisco. Se o REFRI é aplicável a todos os estabelecimentos da empresa, e se comprova que um estabelecimento da empresa efetuou o recolhimento, ainda que se respeite a autonomia dos Fl. 223309DF CARF MF 12 estabelecimentos, qualquer pagamento por outro estabelecimento se torna indevido. E aí assiste razão ao argumento de existência de dupla cobrança, pelo fisco. Deveria a fiscalização ter prosseguido nas verificações (ainda que fosse para checar se efetivamente os recolhimentos efetuados pelos demais estabelecimentos respeitaram integralmente a forma de cálculo prevista para o REFRI). Retornandose ao art. 58N da Lei no 10.833/2003, percebe se facilmente que o IPI incide uma única vez. Não se pode então ignorar recolhimentos efetuados pela empresa (ainda que por outros estabelecimentos) com a nítida e declarada intenção de saldar o débito decorrente da incidência de que trata o art. 58N, ainda mais quando o art. 58J da mesma lei afirma textualmente que a opção pelo REFRI se estende a todos os estabelecimentos e a todos os produtos. Não faz sentido, assim, que um dos estabelecimentos recolha o IPI e o outro igualmente o recolha, sobre a mesma base, em relação aos mesmos produtos. Afinal de contas, a incidência deve ser, nos termos da lei, única. Entendese, pelo exposto, que os valores recolhidos em relação aos produtos a que se refere a autuação (a serem apurados efetivamente pelo fisco) devem ser abatidos do montante lançado. Assim, os valores recolhidos devem ser abatidos daquilo que foi lançado. Se houve recolhimento integral, mas a destempo, aplicase tão somente os acréscimos moratórios. Caso não tenha havido recolhimento integral, aplicase além dos juros de mora, a multa de ofício. Diante da imputação de pagamento, tornase desnecessária a realização de perícia. 3. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso voluntário e, no mérito, concedo provimento parcial a fim de reconhecer o pagamento efetuado pelos estabelecimentos comerciais, devendo ser realizada a imputação de pagamento, a fim de evitar a dupla incidência do tributo. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Voto Vencedor Fl. 223310DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 8 13 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Da leitura do bem elabora relatório, percebese com nitidez que, no essencial, o litígio envolve duas controvérsias relevantes: a) a primeira se era legítimo a saída com suspensão do IPI do estabelecimento industrial para estabelecimento comercial da recorrente das bebidas submetida ao denominado Regime Especial de Tributação de Bebidas Frias (REFRI) e se o regime de suspensão era compatível com regime de tributação monofásica do REFRI; b) a segunda se era cabível o lançamento dos valores devidos na saída do estabelecimento e supostamente recolhidos pelos estabelecimentos comerciais (centros de distribuição e filiais), para os quais foram transferidas as mercadorias Em relação ao primeiro dissenso, de forma brilhante, com respaldo no bem fundamentado voto condutor do acórdão nº 3403003.602, da lavra do i. relator Rosaldo Trevisan, concluiu a nobre Relatora que havia antinomia entre o REFRI e regime de suspensão, o que leva a inexorável conclusão de que a saída do estabelecimento industrial das bebidas submetidas ao referido especial fora feita de forma ilegítima. No que concerne a esse ponto, este Redator está de pleno acordo com a nobre a Relatora, que interpretou e aplicou com correção a legislação tributária pertinente. Quanto a segunda controvérsia, este Redator pede vênia para dissentir da i. Relatora, pelas razões a seguir aduzidas. Inicialmente, cabe consignar a evidente contradição entre a conclusão de que era ilegítima adoção do regime de suspensão e ao, mesmo tempo, admitir que os recolhimentos feitos pelos estabelecimentos comerciais, sem amparo legal, fossem considerados postergação de pagamento do IPI devido pelo estabelecimento industrial autuado e abatidos dos valores lançados no auto de infração em apreço. Não se pode olvidar que a finalidade do regime especial em comento era concentrar a tributação no estabelecimento industrial e, dessa forma, facilitar a fiscalização e o controle do recolhimento do imposto devido pelo referido estabelecimento. Em contrapartida, como meio de incentivar a adesão do contribuinte ao referido regime especial, o legislador reduziu, de forma significativa, a carga tributária do IPI fixado para o regime geral de tributação das bebidas frias, estabelecido nos arts. 58A a 58.T da Lei 10.833/2003. Em outras palavras, em troca da concentração e simplificação do controle da tributação a Administração Tributário abriu mão de parcela do valor do imposto devido. Daí a evidente incompatibilidade e ilegalidade de utilização do regime de suspensão do IPI para as saídas das bebidas frias ao abrigo do citado regime especial, conforme concluiu, acertadamente, a nobre Relatora. Com efeito, se o regime de suspensão do IPI aplicavase somente aos contribuintes do regime geral de tributação de bebidas frias, nos termos do art. 58A do referido diploma legal, a opção pelo REFRI, inequivocamente, implicava a perda do direito ao regime de suspensão do imposto nas saídas do estabelecimento industrial para os estabelecimentos comerciais. Assim, ao admitir que a recorrente pudesse usufruir dos benefícios do regime geral (suspensão do imposto) e do regime especial (tributação reduzida), além da evidente afronta ao disposto no art. 58N da Lei 10.833/2003, a recorrente usufruiu, ilegitimamente, dos dois benefícios fiscais (redução e suspensão) e, em contrapartida, transferiu ônus duplicado Fl. 223311DF CARF MF 14 para Administração tributária, sob a forma de recolhimento a menor do imposto e aumento dos gastos na alocação de mão de obra fiscal destinada ao controle e fiscalização da correta apuração do imposto. Assim, admitir que a recorrente usufrua dos benefícios do regime geral e do regime especial, além das implicações de favorecimento ao contribuinte que agiu de forma ilícita em detrimento daquele que cumpriu as normas do regime especial (diante da clara repercussão na fixação de preços e na concorrência), a Administração Tributária e o erário também foi indevidamente prejudicado, por uma opção ilícita da recorrente, deliberada e planejada com o claro propósito de reduzir o pagamento do IPI devido e ao mesmo tempo adiar o seu recolhimento aos cofres públicos. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que a autuação deveria ser cancelada, porque a opção pelo regime especial alcançava todos os estabelecimentos da recorrente. Essa alagação não representa a verdade, haja vista que, a leitura combinada do § 1º do art. 58J com a do art. 58N, I, leva a inexorável conclusão que a opção pelo regime especial, inequivocamente, aplicase apenas aos estabelecimentos industriais da recorrente, jamais incluiriam os estabelecimentos comerciais da recorrente. A apresentação de única opção pelo contribuinte, tratase de medida de natureza prática e racionalizadora, com vista a evitar que o contribuinte fosse obrigado a apresentar tantos pedidos de opção quantos fossem os números de estabelecimentos industriais fabricantes dos referidos tipos de bebidas. E os efeitos jurídicos da referida opção, induvidosamente, não têm o condão revogar ou alterar os efeitos de preceitos legais vigentes, que, expressamente, determinava a concentração do recolhimento do imposto, exclusivamente, no estabelecimento industrial. Admitir o contrário, ou seja, que os estabelecimentos comerciais também poderiam usufrui dos benefícios do regime especial, obviamente, consistiria em interpretação contra legem, o que é expressamente vedado ao julgador administrativo pelo art. 26A do Decreto 70.235/1972. A recorrente ainda alegou que o descumprimento do regime especial em comento implicava solidariedade dos estabelecimentos envolvidos (art. 124 do CTN), de sorte que o “o pagamento feito por um dos obrigados aproveita dos demais” (art. 125, I, do CTN). Como reforço a esse argumento, a recorrente apresentou o entendimento do STJ esposado no julgamento do REsp 1.355.812/RS, sob o regime dos recursos repetitivos, cujo enunciado da ementa segue integralmente transcrito: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. DÍVIDAS TRIBUTÁRIAS DA MATRIZ. PENHORA, PELO SISTEMA BACENJUD, DE VALORES DEPOSITADOS EM NOME DAS FILIAIS. POSSIBILIDADE. ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL COMO OBJETO DE DIREITOS E NÃO COMO SUJEITO DE DIREITOS. CNPJ PRÓPRIO DAS FILIAIS. IRRELEVÂNCIA NO QUE DIZ RESPEITO À UNIDADE PATRIMONIAL DA DEVEDORA. 1. No âmbito do direito privado, cujos princípios gerais, à luz do art. 109 do CTN, são informadores para a definição dos institutos de direito tributário, a filial é uma espécie de estabelecimento empresarial, fazendo parte do acervo patrimonial de uma única pessoa jurídica, partilhando dos mesmos sócios, contrato social e firma ou denominação da matriz. Nessa condição, consiste, conforme doutrina majoritária, Fl. 223312DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 9 15 em uma universalidade de fato, não ostentando personalidade jurídica própria, não sendo sujeito de direitos, tampouco uma pessoa distinta da sociedade empresária. Cuidase de um instrumento de que se utiliza o empresário ou sócio para exercer suas atividades. 2. A discriminação do patrimônio da empresa, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social por suas dívidas, à luz de regra de direito processual prevista no art. 591 do Código de Processo Civil, segundo a qual "o devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei". 3. O princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos, cujo conteúdo normativo preceitua que estes devem ser considerados, na forma da legislação específica de cada tributo, unidades autônomas e independentes nas relações jurídico tributárias travadas com a Administração Fiscal, é um instituto de direito material, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista em um regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. 4. A obrigação de que cada estabelecimento se inscreva com número próprio no CNPJ tem especial relevância para a atividade fiscalizatória da administração tributária, não afastando a unidade patrimonial da empresa, cabendo ressaltar que a inscrição da filial no CNPJ é derivada do CNPJ da matriz. 5. Nessa toada, limitar a satisfação do crédito público, notadamente do crédito tributário, a somente o patrimônio do estabelecimento que participou da situação caracterizada como fato gerador é adotar interpretação absurda e odiosa. Absurda porque não se concilia, por exemplo, com a cobrança dos créditos em uma situação de falência, onde todos os bens da pessoa jurídica (todos os estabelecimentos) são arrecadados para pagamento de todos os credores, ou com a possibilidade de responsabilidade contratual subsidiária dos sócios pelas obrigações da sociedade como um todo (v.g. arts. 1.023, 1.024, 1.039, 1.045, 1.052, 1.088 do CC/2002), ou com a administração de todos os estabelecimentos da sociedade pelos mesmos órgãos de deliberação, direção, gerência e fiscalização. Odiosa porque, por princípio, o credor privado não pode ter mais privilégios que o credor público, salvo exceções legalmente expressas e justificáveis. 6. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08. (REsp 1355812/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2013, DJe 31/05/2013) grifos do original. Fl. 223313DF CARF MF 16 Sem razão a recorrente que, claramente, confunde o princípio da unidade patrimonial da pessoa jurídica, de índole processual, com o princípio da autonomia dos estabelecimentos, de natureza tributária. Com efeito, o princípio da unidade patrimonial de direito processual civil, que dispõe sobre a responsabilidade patrimonial, encontrase positivado no art. 789 do novo Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), que determina que: “O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei”. Segundo o referido princípio, a discriminação do patrimônio da sociedade empresária, mediante a criação de filiais, não afasta a unidade patrimonial da pessoa jurídica, que, na condição de devedora, deve responder com todo o ativo do patrimônio social (bens e dirieitos) por suas dívidas (o passivo). Nessa seara, a distinção entre as duas espécies de estabelecimento (matriz e filial) não implica em maiores desdobramentos no que diz respeito à unidade patrimonial da sociedade empresária. Logo, a matriz ou a filial, na condição de espécie de estabelecimento, é tratada como um bem, um instrumento, uma universalidade de fato que integra o patrimônio da sociedade empresária e não como uma sociedade empresária distinta. No mesmo sentido, veja a lição de Fábio Ulhoa Coelho: Ao se afirmar que o estabelecimento empresarial não é sujeito de direito, o que se pretende afastar é a noção de personalização desse complexo de bens, presente em algumas proposições da segunda metade do século XIX, principalmente na Alemanha, que procuravam criar um conceito legal capaz de justificar a relativa autonomia entre a empresa e o empresário. Falo aqui da tese da empresa em si (Unternehmen an sich), cujos precursores são Endemann e Wilhem. Procurouse, na oportunidade, explorar a noção do estabelecimento como uma pessoa jurídica. A tentativa de personalização do estabelecimento, contudo, não logrou êxito, inclusive no direito brasileiro, em que se mostra totalmente incompatível com as normas vigentes. Considerar o estabelecimento empresarial uma pessoa jurídica é errado, segundo o disposto na legislação brasileira. Sujeito de direito é a sociedade empresária, que, reunindo os bens necessários ou úteis ao desenvolvimento da empresa, organiza um complexo de características dinâmicas próprias. A ela, e não ao estabelecimento empresarial, imputamse as obrigações e asseguramse os direitos relacionados com a empresa (Curso de Direito Comercial. 10ª ed., v. 1, p. 99) grifos não originais. De outra parte, o princípio tributário da autonomia dos estabelecimentos preceitua que cada estabelecimento, seja matriz ou filial, deve ser considerado, na forma da legislação específica de cada tributo, unidade autônoma e independente no relacionamento jurídicotributário com a Administração Tributária. Esse princípio está presente na legislação de vários tributos. A título de exemplo, especificamente em relação ao IPI, o referido princípio encontrase instituído no art. 51, parágrafo único, do CTN, e no art. 384 do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), segundo o qual: “cada estabelecimento, seja matriz, sucursal, filial, agência, depósito ou qualquer outro, manterá o seu próprio documentário, vedada, sob qualquer pretexto, a sua centralização, ainda que no estabelecimento matriz.” Com base no exposto, verificase uma nítida diferença entre o princípio da autonomia dos estabelecimentos e princípio da unidade patrimonial. O primeiro é um instituto de direito material tributário, que disciplina o aspecto subjetivo do nascimento da obrigação tributária de cada tributo, ao passo que o princípio da unidade patrimonial é um instituto de Fl. 223314DF CARF MF Processo nº 10872.720001/201553 Acórdão n.º 3302004.701 S3C3T2 Fl. 10 17 direito processual, que dispõe sobre a responsabilidade patrimonial dos devedores. Da mesma forma, o entendimento esposado no excerto extraído voto condutor do referido julgado do STJ, que segue transcrito: Com efeito, o princípio em comento é um instituto de direito material tributário, ligado à questão do nascimento da obrigação tributária de cada imposto especificamente considerado e não tem relação com a responsabilidade patrimonial dos devedores prevista no regramento de direito processual, ou com os limites da responsabilidade dos bens da empresa e dos sócios definidos no direito empresarial. (grifos do original). No caso, como os argumentos apresentados pela recorrente cingese a definição de solidariedade tributária e não ao aspecto subjetivo atinente ao surgimento da obrigação tributária, definido pelo princípio do autonomia dos estabelecimentos, tal alegação somente tem relevância na fase processual de cobrança do crédito tributário, para fim de definição de responsabilidade patrimonial. Assim, resta demonstrado que, na fase de apuração da certeza e liquidez do crédito tributário, em razão do princípio da autonomia do estabelecimento, a apuração e lançamento do valor do IPI devido e não confessado/pago foi corretamente feito por estabelecimento, em cumprimento ao que expressamente determina o art. 384 do RIPI/2010. Essa constatação ainda se revela suficiente para afastar a alegação da recorrente de que a autuação era nula por lhe faltar os requisitos da liquidez e certeza, ou de que o lançamento deveria limitarse apenas a cobrança dos juros e multa isolada, conforme estabelecido no art. 43 da Lei 9.430/1996. Pelas razões anteriormente apresentadas, também não procede a alegação de que houve desacerto na decisão do órgão julgador de primeiro grau que indeferiu o pedido de realização de perícia para verificação e apuração do pagamento do imposto pelos estabelecimentos comerciais, por ser totalmente prescindível para o deslinde da presente controvérsia. Essa decisão está em perfeita consonância com o motivo da autuação e com entendimento do órgão julgador de primeiro grau, no sentido de que o lançamento restringirse ia ao valor do imposto devido pelo estabelecimento industrial fiscalizado. E se não há controvérsia sobre a apuração dos valores do IPI lançados, induvidosamente, o referido pedido de perícia reiterado no recurso em apreço revelase prescindível, logo mantémse o indeferimento, com base no art. 18 do Decreto 70.235/1972. Com base nos mesmos fundamentos dos julgadores de primeira instância, este Relator também entende que, se houve lançamento do IPI nas notas fiscais de venda pelos estabelecimentos comerciais e pagamento indevido do imposto, a recorrente pode exercer o seu direito de repetir ou compensar o suposto indébito de cada estabelecimento, nos termos dos arts. 165 e 170 do CTN, dos arts. 73 e 74 da Lei 9.430/1996 e da Instrução Normativa RFB 1.717/2017. O que não é cabível, por previsão legal, é a Por todo o exposto, com a devida vênia da nobre Relatora, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) Fl. 223315DF CARF MF 18 José Fernandes do Nascimento Fl. 223316DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.945008/2013-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011
DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO.
Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total.
INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL.
Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado.
Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-003.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PEDIDO DE RESSARCIMENTO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SUPERAÇÃO DO FUNDAMENTO JURÍDICO PARA ANÁLISE DE MÉRITO. NECESSIDADE DE REANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO AO REEXAME DO DESPACHO DECISÓRIO. Superado o fundamento jurídico que inviabilizava a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação antes de decisão em processo administrativo, devem os autos retornar à unidade de origem para que se proceda o reexame do despacho decisório, com a verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, concedendose ao sujeito passivo direito a novo e regular contencioso administrativo, em caso de não homologação total. INTIMAÇÃO EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELEITO. DEFINIÇÃO LEGAL. Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o domicílio tributário eleito a que se refere o art. 23, II, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235/1972, é o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado. Impossibilidade de nulidade da ciência regular realizada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235/72. Inteligência da Súmula CARF nº 9: "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 50 08 /2 01 3- 15 Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que se reexamine o despacho decisório com a análise de mérito do pedido. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado) e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório SARAIVA S/A LIVREIROS EDITORES transmitiu Pedido de Ressarcimento da contribuição não cumulativa (Cofins/PIS), vinculado a Declarações de Compensação. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Ressarcimento e considerando não declaradas as compensações a ele vinculadas sob o fundamento de que o valor a ressarcir se encontrava sujeito a desdobramentos de ação judicial intentada pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Recurso Administrativo, contestando a decisão de se considerarem não declaradas as compensações, e Manifestação de Inconformidade, esta para protestar contra o indeferimento do Pedido de Ressarcimento, tendo sido ambos os recursos recebidos como Manifestação de Inconformidade por força de liminar em mandado de segurança. Em sua defesa, o contribuinte alegou que somente apurava créditos no mercado interno vinculados a receitas não tributadas, por se tratar a sua atividade de venda de livros sujeita à alíquota zero, e que o objeto da ação judicial por ele impetrada se referia à base de cálculo do débito e não à origem do crédito. Arguiu o contribuinte que a autoridade tributária violara frontalmente o princípio da legalidade ao considerar não declaradas as compensações, em franco desacordo com o art. 74, § 12, da Lei n° 9.430/1996 e o art. 97 do CTN, uma vez que o crédito pleiteado não decorria de decisão de judicial, mas de artigo expresso de lei. Argumentou, ainda, que, ao considerar não declaradas as compensações, a autoridade administrativa excluíra a possibilidade de defesa por manifestação de inconformidade, levando à cobrança dos débitos compensados antes de finda a discussão administrativa acerca do pedido de ressarcimento, o que implicava cerceamento do direito de defesa, uma vez que, de acordo com o art. 151, II, do CTN, o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário. Aludiu, ainda, que não se sustentava a justificativa da autoridade administrativa fundada no art. 32, §§ 3° e 4°, da IN RFB n° 1.300/2012, pois instrução Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 4 3 normativa não podia inovar, prevendo hipótese de compensação não declarada inexistente no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, em flagrante violação ao princípio da legalidade. Nos termos do Acórdão nº 16066.612, foram julgados improcedentes a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Administrativo apresentados, tendo sido afastada a preliminar de nulidade do despacho decisório e confirmado o teor do despacho decisório, em razão da vedação ao ressarcimento de crédito passível de alteração por decisão judicial. Em seu recurso voluntário, o Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a impossibilidade do resultado da ação judicial influenciar o valor do crédito decorrente das vendas internas sujeitas à alíquota zero, uma vez que estas não entram na apuração da base de cálculo da Contribuição. Informa o Recorrente que a Ação Declaratória havia transitado em julgado, confirmando que seu resultado não implicava qualquer influência no pedido de compensação ou descumprimento ao disposto no art. 170A do CTN, configurandose, portanto, indevidas as decisões administrativas precedentes. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.041, de 26/07/2017, proferido no julgamento do processo nº 10880.945004/201337, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.041): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Antes de prosseguir urge ressaltar os eventos nas esferas administrativa e judicial que interessam à lide: a. A Unidade de origem (Derat/SP) não analisou o mérito do pedido de ressarcimento e da compensação declarada, sob o fundamento da existência de ação judicial em curso cujo resultado influenciaria a base de cálculo do crédito pleiteado. A DRJ manteve integralmente o despacho decisório. b. Nos autos não constam elementos que permitam aferir a higidez do crédito pleiteado quanto à sua origem, qualidade e grandeza. c. As Ações Declaratórias transitaram em julgado, em 25/04/2014 (para o Cofins) e 24/06/2014 (para o PIS), no âmbito do STJ, em decorrência do pedido de desistência de Recurso Especial interposto Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 5 4 pela empresa, em data anterior à da sessão de julgamento na DRJ (12/03/2015). As situações enumeradas exigem o enfrentamento das seguintes questões: 1. Há concomitância entre os processos administrativo e judicial? 2. Na hipótese de se afastar a concomitância, resta passível a alteração dos valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial? 3. O trânsito em julgado da ação judicial faz restabelecer a análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação? Não se suscitou nos autos a concomitância pela autoridade fiscal, tampouco em sede de julgamento na DRJ. A recorrente nada menciona em suas peças, embora defende argumentos quanto à inexistência de qualquer influência de resultado da ação judicial sobre os créditos pleiteados administrativamente. Compulsando os autos as partes não juntaram as peças processuais, em especial petição inicial, sentença e acórdãos. Há tão somente extrato de consulta processual no TRF/3ª Região e Certidão do STJ. Pesquisa realizada na página da internet do TRF/3ª Região extraise do relatório e ementa da Apelação Cível nº 1182842 ACSP, na Ação Declaratória nº 2004.61.00.0067824 o que segue: RELATÓRIO Tratase de apelação em ação declaratória em que busca assegurar o direito para não se submeter à majoração da base de cálculo da COFINS sobre a totalidade de receitas, prevista na MP 135/03, convertida na Lei 10833/03, pois violou norma constitucional expressa no art. 195, I “b” da CF e violação ao art. 110 do CTN e na forma do art. 151, II do CTN, pretende efetuar depósitos judiciais. A ação foi ajuizada em 11/03/04. O valor da causa é de R$ 30.000,00. O MM. Juiz “a quo” julgou improcedente, considerando que não houve ofensa à Constituição a alteração da base de cálculo da COFINS, sendo que pode ser utilizada medida provisória e que o texto constitucional também não exigia Lei Complementar e que não há ofensa ao art. 246 da Constituição Federal e portanto, não há nenhum vício formal na Lei 10833/03. Determinou que após o trânsito em julgado da sentença, convertam se em renda da União Federal os depósitos efetuados durante a tramitação do processo. EMENTA TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÓRIA. COFINS. LEI 10833/2003. NÃOCUMULATIVIDADE. LEGITIMIDADE DA TRIBUTAÇÃO. ALTERAÇÕES. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS NÃO VIOLADOS. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO FORMAL POR DESCUMPRIMENTO DO ARTIGO 246 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 6 5 I A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) foi instituída pela Lei Complementar nº 70, de 31 de dezembro de 1991, com fundamento na Constituição Federal, em seu artigo 195, inciso I e tem como objetivo o custeio das atividades da área de saúde, previdência e assistência social, conforme dispunham seus artigos 1º e 2º. II Com o advento da lei 10.833, de 29 de Dezembro de 2003, e atualmente pela Lei 10.865, de 30 de abril de 2004, a contribuição à COFINS passou a ser nãocumulativa. Esse princípio, em relação às contribuições, foi reforçado pela Emenda Constitucional n° 42/03. III A Constituição Federal, após as Emendas Constitucionais n°s 20, 33 e 42, consignou claramente o campo de incidência das contribuições, inclusive com a possibilidade de serem instituídas alíquotas e/ou bases de cálculos distintas, para determinados segmentos. Portanto, autorizou tratamentos não isonômicos, diante de um discrímen a ser ditado por lei, consagrando em benefício, nesta última emenda, a nãocumulatividade para as contribuições. IV A nãocumulatividade é mera técnica de tributação que não se confunde com a sistemática de cálculo do tributo, porquanto, depois de efetuadas as compensações devidas (débito/crédito) pelo contribuinte terseá a base de cálculo, para a apuração do quantum devido. Consignese, por fim, que, para as hipóteses de IPI e ICMS, o legislador constituinte deixou traçados, fixando os limites objetivos de sua ocorrência, os critérios para que se implementasse a não cumulatividade, dadas as características desses tributos, enquanto para a COFINS a lei é que deve se incumbir dessa tarefa. V Não se configurou a afronta ao disposto no artigo 246 da Constituição Federal, pois não houve regulamentação de artigo, nem inovação, criandose nova figura tributária, haja vista que a previsão expressa da contribuição à COFINS no corpo do Texto Constitucional, por si só autoriza eventuais alterações nos critérios de suas exigências, feitas por lei ordinária, não havendo óbices que suas iniciativas se dêem por meio de Medida Provisória, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal. VI– Apelação da autora improvida. Quanto ao PIS, Apelação Cível nº 000253690.2003.4.03.6100/SP ACSP, na Ação Declaratória nº 2003.61.00.0025369/SP, relatório e ementa se assemelham à ação que versa sobre a Cofins: RELATÓRIO Tratase de ação de procedimento ordinário em que Saraiva S/A Livreiros Editores pretende: a) a declaração de inexistência de relação jurídica no tocante ao recolhimento da contribuição ao PIS, sobre a totalidade de receitas, nos termos da Lei nº 10.637/02; b) assegurar o direito de recolher a referida contribuição sobre o faturamento (receita bruta de venda de mercadorias, mercadorias e serviços ou prestação de serviços). A sentença julgou improcedente o pedido, condenando a autora ao pagamento das custas processuais e dos honorários advocatícios, fixados em R$ 2.000,00 (dois mil reais). Em apelação, a autora reiterou o pedido formulado na petição inicial. Com contrarrazões, os autos foram remetidos a este e. Tribunal. EMENTA Fl. 285DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 7 6 TRIBUTÁRIO PIS LEI Nº 10.637/02 CONSTITUCIONALIDADE. 1. As contribuições sociais encontramse regidas pelos princípios da solidariedade e universalidade, previstos nos arts. 194, I, II, V, e 195 da Constituição Federal e impõe o reconhecimento de que o seu financiamento deve darse por todas as empresas. 2. As contribuições de seguridade social, previstas nos incisos I, II e III do caput do art. 195 da Constituição Federal, não necessitam, para instituição ou modificação, de lei complementar, bastando para tanto ato normativo com força de lei ordinária. 3. Viabilidade da utilização de medida provisória para instituir tributos e contribuições sociais, bem assim a possibilidade de reedição para prorrogar os efeitos da anterior ou anteriores. 4. A lei pode autorizar exclusões de determinados valores para fins de apuração da base de cálculo do tributo, e, da mesma forma, vedar deduções para a mesma finalidade, levando em conta o momento político e a política fiscal adotada. 5. A alteração do conceito de faturamento, bem como a majoração da alíquota do PIS prevista na MP 66/02, não implicou na regulamentação do disposto no art. 195, inciso I, da CF, com redação dada pela EC 20/98, razão pela qual não constituíram violação à regra do artigo 246 da CF. 6. Não há falarse em violação ao princípio da anterioridade nonagesimal, porquanto expressamente previsto na MP nº 66/02 o prazo de noventa dias para a produção de seus efeitos. 7. Apelação improvida. Os excertos transcritos permitem constatar que os objetos das ações que versaram sobre o PIS e a Cofins foram delimitados pela "majoração da base de cálculo da Contribuição sobre a totalidade das receitas". Cumpre também apontar que a recorrente não logrou êxito na ação declaratória na decisão de primeiro grau e na apelação, em sede de Tribunal Federal. No processo administrativo a recorrente pleiteou ressarcimento do saldo credor remanescente do desconto de débitos da Contribuição ao final do trimestre. Suscita que o crédito referese exclusivamente às vendas de livros no mercado interno, que por força do inciso II do art. 28, da Lei nº 10.865/2004, tem incidência à alíquota é zero. Evidenciase, portanto, que as ações judicial e administrativa têm objeto distintos, o que afasta a concomitância. Ademais, o entendimento doutrinário é no sentido de que se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir, o que não se tem presente no caso dos autos, bastando para a conclusão a existência de pedidos distintos. Destarte, entendo inexistente a concomitância. Pois bem; afastada a concomitância, mister verificar se de algum modo é passível de alteração os valores dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 8 7 As partes divergem quanto ao entendimento, o que demanda analisar seus argumentos. O despacho decisório está assentado no fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento é resultado direto do tipo de receita a que estiver vinculado, no caso à receita não tributada no mercado interno. Vejase alguns excertos da decisão: 10. Ademais, referida instrução normativa e as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 dispõem que os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e para a Cofins passíveis de ressarcimento e/ou compensação, são aqueles remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração. 11. Assim, o crédito passível de ressarcimento depende das receitas auferidas que servirão de base de cálculo para realização do referido cotejamento entre créditos e débitos, mais ainda, as receitas auferidas são necessárias para definir a proporção de créditos vinculados a Receita Tributada no Mercado Interno, Receita Não Tributada no Mercado interno e/ou Receita de Exportação. 12. Não é demais lembrar que somente o saldo de crédito vinculado a Receita Não Tributada no Mercado interno (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16, inciso II da Lei nº 11.116/2005) ou Receita de Exportação (art. 5º, §§2º e 3º da Lei nº 10.637/2002; art 6º, §§2º e 3º da Lei nº 10.833/2003) são passíveis de ressarcimento. 13. Logo, a apuração dos créditos e, em especial, sua parcela ressarcível é resultado não apenas da composição de várias despesas/custos, mas, também, da receita a que estiverem vinculadas. 14. Diante do exposto, existindo discussão judicial sobre assuntos que poderão alterar o valor a ser ressarcido, deve ser indeferido o Pedido de Ressarcimento eletrônico (...) O julgamento na DRJ trilhou no mesmo entendimento, decidindo ao final pela improcedência da manifestação de inconformidade. Alguns excertos: 30. Assinalese inicialmente que, de acordo com o art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, em vigor à época da transmissão do pedido de ressarcimento, os créditos não utilizados acumulados ao final de cada trimestre poderiam ser objeto de pedido de ressarcimento, cabendo ao sujeito passivo efetuálo “pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação”. O grifo é meu. 31. No caso em estudo, verificase que o valor pleiteado no pedido de ressarcimento está em perfeita conformidade com essa regra (...) 32. Como se pode observar, o valor solicitado (...) corresponde ao saldo remanescente dos créditos apurados nos meses de (...), já descontada parte dos débitos de Cofins relativos a esse período. 33. Donde se conclui, sem contestação possível, que o valor do débito afeta o do crédito. Isso porque o crédito suscetível de ressarcimento é apenas o saldo remanescente do desconto de parte dos débitos apurados no trimestre. É por isso que a IN RFB n° 900/2008, no trecho já citado, se refere expressamente ao saldo credor remanescente “líquido das utilizações por desconto ou compensação”. 34. Tratase, portanto, da própria lógica do regime não cumulativo da Cofins, convindo deixar claro que em nada a afeta a circunstância de a Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 9 8 empresa apurar ou não apenas créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. 35. Assim, dada a natureza da matéria discutida na ação declaratória citada, então ainda em andamento, é evidente que sua decisão final poderia alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. A recorrente, de sua parte, sustenta que os créditos objeto do pedido de ressarcimento são resultantes da venda de livros no mercado interno, operação sobre a qual a Contribuição incide à alíquota zero, e, portanto, não integram sua base de cálculo, de modo que não guardam nenhuma relação com a discussão judicial. Excertos de suas peças: Inicialmente necessário destacar que a Requerente somente apura seus créditos com base na receita não tributada no mercado interno (Alíquota Zero Cofins), motivo pelo qual patente o equívoco da autoridade fiscal no tocante à classificação do crédito requerido pela contribuinte com suposta proporção na apuração das receitas x créditos. (...) Assim sendo, a manutenção integral do crédito relacionado à receita da venda de livros, a qual é tributada no mercado interno a alíquota zero do PiS e da Cofins é um direito da empresa ora manifestante amparado totalmente na legislação vigente. Diante deste quadro, é patente o equivoco levado a cabo pela autoridade fiscal no tocante a classificação do tipo de crédito utilizado pela contribuinte em seu pedido de ressarcimento e por consequência em sua declaração de compensação considerada indevidamente como não declarada. Entendo que o crédito pleiteado é passível de alteração pela base de cálculo do PIS e Cofins, ou em outras palavras, a dimensão da receita pode afetar o valor do crédito. O valor do saldo credor da Contribuição para o PIS ou Cofins nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c art. 16 da Lei nº 11.116/200 e art. 28, caput e § 2°, II, da IN RFB n° 900/2008, atual inciso II, art. 27, da IN RFB 1.300/2012, somente pode ser ressarcido ou compensado, no encerramento do trimestrecalendário, após a dedução do débito da própria contribuição. Os dispositivos legais: Lei 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Lei nº 11.116/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 10 9 II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. IN RFB nº 900/2008 Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0% (zero) ou nãoincidência. (...) Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 27 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. (...) II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. IN RFB nº 1.300/2012: Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas Contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente depois do encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...) II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência; (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1557, de 31 de março de 2015) Da interpretação dos dispositivos resulta que o procedimento passa primeiro pela etapa de deduzir o saldo credor do débito apurado da Contribuição no período, o que implica afirmar que se o valor do débito estiver sob discussão judicial, em especial em relação à dimensão/extensão de sua base de cálculo, é lógico deduzir que o valor saldo credor apurado estará passível de alteração em razão do resultado da ação judicial. Relevante destacar que a alegação da recorrente de que a totalidade de seu crédito é decorrente de vendas de livros, cuja alíquota do PIS e da Cofins é zero, o que significa tratarse, exclusivamente, de receita não tributada no mercado interno, o que a faz concluir pela total desvinculação entre as bases de cálculo deste crédito e do débito que se discutia judicialmente, não se encontra comprovado nos autos. Inexistem documentos (notas fiscais e registro contábeis) que apontam a natureza do crédito a ponto de atestar a veracidade da Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 11 10 alegação. Importa anotar também que a autoridade fiscal encarregada do despacho decisório não analisou seu mérito. Assim, encontro razões para afirmar a alterabilidade dos créditos pleiteados em razão do resultado da ação judicial, ainda que afastada anteriormente a concomitância. Por fim, a análise do trânsito em julgado da ação judicial. É inconteste o resultado da Ação Declaratória em que se buscava provimento para afastar o alargamento da base de cálculo da Contribuição, qual seja, não houve êxito por parte do contribuinte. O trânsito em julgado ocorreu em 25/04/2014, portanto, antes do julgamento da manifestação de inconformidade e do recurso administrativo na Delegacia de Julgamento que, contudo, manteve a decisão no despacho da Derat/SP sob o argumento que à época do pedido de ressarcimento e declaração de compensação a Ação não gozava de tal efeito. Cabe então enfrentar a seguinte matéria: acaso afastados os fundamentos da Derat e DRJ para negar o pedido de ressarcimento e considerar não declarada a DCOMP, sustentamse os argumentos da recorrente? Repisase que não houve enfrentamento do mérito do PER/DCOMP; também, não constam dos autos conjunto probatório da certeza dos créditos alegados. O direito ao ressarcimento e à compensação encontramse disciplinados nas legislações a seguir: CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (grifei) 41. Ora, no caso vertente, como ficou visto, havia uma ação declaratória em andamento cuja decisão final poderia, indiscutivelmente, vir a alterar o valor dos débitos de Cofins apurados no trimestre em exame e, conseqüentemente, o saldo de crédito passível de ressarcimento. Tal saldo, portanto, precisamente pela falta de trânsito em julgado, carecia dos requisitos de liquidez e certeza exigidos pelo art. 170 do CTN. 42. Assim, não há dúvida de que se trata de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, expressão genérica que abrange qualquer crédito cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial. 43. De modo que, ao considerar não declaradas as compensações vinculadas ao direito creditório objeto do pedido de ressarcimento, a Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 12 11 autoridade tributária apenas se ateve à letra da lei, mais precisamente ao disposto no art. 74, § 12, da lei n° 9.430/96, acima transcrito. Entendo que a vedação ao pedido de ressarcimento de que trata os §§ 3º e 4º do art. 32 da IN RFB nº 1.300/2012, cuja vigência é posterior à data do protocolo do PER/DCOMP, fundamento legal do despacho decisório já não se sustentava no julgamento da manifestação de inconformidade à vista da decisão transitado em julgado da ação declaratória. Essa vedação ao ressarcimento deve ser interpretada à luz da mesma vedação à compensação, que se encontra em disposição de Lei art. 170A do CTN que ao meu sentir diz tãosó que enquanto houver pendência de ação judicial discutindo tributo, não se concederá ou se analisará a compensação acerca de aproveitamento de crédito desse mesmo tributo. Mutatis mutandis, ocorrido o trânsito em julgado da ação que se discuti o tributo, para o qual se pleiteia o aproveitamento de crédito, permitida estará a compensação. O mesmo se aplica ao ressarcimento. A autoridade julgadora a quo fundamentou a manutenção do despacho decisório para considerar não declarada a compensação na alínea "d", inciso II, do § 12, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 ) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004 ) Inconteste que o fundamento para tal decisão encontravase superado por ocasião do acórdão da DRJ. Outra deveria ser a decisão recorrida. De outra banda, a recorrente não colacionou documentos que apontam para a natureza dos créditos que alega tratarse de venda de livros no mercado interno, à alíquota zero do PIS e da COFINS. Assim, conquanto o trânsito em julgado implica a análise do mérito o encontro de contas entre débitos e, no caso, o saldo credor apurado nos termos da legislação processo não se encontra maduro para decisão por este Conselho. Por derradeiro, a recorrente pede que "visando a facilitar o controle das intimações dos atos processuais, doravante, requer que as intimações sejam publicadas EXCLUSIVAMENTE em nome de Júlio Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 13 12 César Goulart Lanes, inscrito na OAB/SP n.° 285.224, devidamente constituído nos autos, sob pena de nulidade." Impende registrar que o disposto no art. 23 do Decreto no 70.235/1972, que regula o processo de determinação e exigência de crédito tributário estabelece: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005)” Para fins de intimação em processo administrativo fiscal, o “domicílio tributário eleito” a que se refere o art. 23, II do Decreto no 70.235/1972, não é aquele no qual o contribuinte pede, em um dado processo, para ser cientificado (por exemplo, no escritório de um advogado), mas, como esclarece o § 4º do mesmo artigo, “o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais , à administração tributária”, e “o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado”. De ressaltar que a intimação realizada nos termos acima é legítima e encontrase pacificada com a Súmula CARF nº 9, cujo enunciado dispõe ser "válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Conclusão O atual estágio do processo indica a possibilidade de existência de um direito creditório não analisado pela unidade de origem da DRF, fundada tãosó na alterabilidade do valor do crédito pleiteado em razão de ação judicial, não concomitante ao presente processo, que se encontra definitivamente julgada. Destarte, por não restar nenhum óbice à análise do direito creditório pleiteado, não efetuado no âmbito do despacho decisório, entendo por determinar o retorno do presente processo à unidade de jurisdição administrativa da recorrente para que se proceda análise do mérito do pedido de ressarcimento e da declaração de compensação, mediante a apresentação pelo contribuinte dos documentos pertinentes. Após seja dado ciência para que o interessado exerça, se assim o quiser, o contraditório. Portanto, VOTO para DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10880.945008/201315 Acórdão n.º 3201003.045 S3C2T1 Fl. 14 13 unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade da recorrente. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que REEXAMINE O DESPACHO DECISÓRIO, com a análise de mérito do pedido, a verificação dos documentos acostados e outros que julgar necessários, mediante regular intimação ao contribuinte, instaurandose novo contencioso administrativo, na hipótese de inconformidade do Recorrente. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.901839/2009-38
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/10/2002 Ementa: IRPJ. CSLL. EVENTUAL EXCESSO DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ e CSLL, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual configurado, como saldo negativo, em consonância com o artigo 6º da Lei nº 9.430/96. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. Descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo.
Numero da decisão: 1802-001.179
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que os presentes autos sejam devolvidos à DRF de origem – Manaus/AM, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/10/2002 Ementa: IRPJ. CSLL. EVENTUAL EXCESSO DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ e CSLL, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual configurado, como saldo negativo, em consonância com o artigo 6º da Lei nº 9.430/96. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. Descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo.
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CSLL. EVENTUAL EXCESSO DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ e CSLL, poderá ser restituído ou compensado como pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual configurado, como saldo negativo, em consonância com o artigo 6º da Lei nº 9.430/96. ESTIMATIVA MENSAL. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Observada a legislação tributária e em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. INDÉBITO DE ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. BALANCETE DE SUSPENSÃO/REDUÇÃO. Descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, deve ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que os presentes autos sejam devolvidos à DRF de origem – Manaus/AM, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901839/200938 Acórdão n.º 1802001.179 S1TE02 Fl. 2 3 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.39) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 17.02.2005, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido (efetuado através do DARF descrito na fl. 03),no valor original de R$ 170,87. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 06),indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, em virtude do DARF apontado haver sido integralmente utilizado na quitação de débito da empresa. 3. Cientificada em 02.04.2009 (fl. 10) a interessada apresentou, tempestivamente, em 27.04.2009, manifestação de inconformidade (fl. 11/12) na qual alega: “1. A Manifestante é empresa devidamente estabelecida na Zona Franca de Manaus, gozando dos incentivos exercendo atividades no Pólo Industrial de Manaus desde 1985. 2. Dentre as atividades que exerce, destacase a industrialização e comércio de componentes de metal, alumínio e magnésio injetados sob pressão para motocicletas, motores, veículos, para indústria eletroeletrônica e para outros segmentos industriais, bem como de moldes, matrizes, dispositivos e equipamentos para ensaios. 3. Dentro deste contexto, a Manifestante é industria produtora de bens intermediários (partes e peças para motocicletas), fabricadas, em boa parte, mediante a utilização de matériaprima adquirida de outras unidades da federação, sobretudo do Estado de São Paulo. 4. Após o processo produtivo, a Manifestante comercializa as partes e peças para motocicletas com as empresas produtoras de motocicletas, também estabelecidas na Zona Franca de Manaus. 5. Nos anos de 2001 e 2002 foi feito recolhimento a maior do que o calculado na Declaração de ajuste, ficando assim a empresa com imposto a pagar negativo ou seja; Imposto a Restituir na DIPJ de 2002 Anocalendário 2001 e de 2003 Anocalendário 2002 conforme pags. 13 e 18 da DIPJ (COPIA EM ANEXO, juntamente com os recibos de entrega e mais as PER/DCOMPs e as cópias dos Darfs de pagamentos ). Logo o valor recolhido foi maior que o devido. E assim podendo ser utilizado para a compensação, restando, à Manifestante, a opção de formular a PER/DCOMP de compensação do valor pago a maior que lhe é de direito Fl. 63DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Belém/PA) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida mediante o venerando Acórdão nº 0121.954, de 06 de junho de 2011 (fls.38/44), cientificado ao interessado em 08/07/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 COMPENSAÇÃO. Incabível compensar débitos informados em declaração de compensação com valores referentes a créditos diversos daquele indicado no documento, os quais simplesmente não integram o seu conteúdo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 08/08/2011, alegando, essencialmente, o seguinte: que, é possível que esteja acontecendo um desencontro entre as informações cedidas pela Recorrente e a forma pela qual a Secretaria da Receita Federal está interpretando tais informações. Isso porque, em nenhum momento falouse em "saldo negativo de tributo", mas em tributo a pagar negativo, o que significa, conforme frisado na manifestação apresentada oportunamente, que o objeto da PER/DCOMP foi a compensação dos valores apurados mensalmente por estimativa que, ao final do exercício, no período do fechamento, concluiuse que havia sido recolhido indevidamente, a maior, conforme regulado no Decreto 3.000/99 e Lei 9.430/96, art. 2o.; que, ao elaborar o pedido de compensação em análise, a Recorrente utilizouse de parte do valor pago em novembro de 2002, referente ao período de outubro/2002, a título de IRPJ calculado em base estimada, já que ao apurar o resultado definitivamente em 31 de dezembro de 2002, havia comprovadamente um crédito, decorrente de pagamentos a maior, realizados ao longo de todo o ano, passível de utilização. A recorrente alega que a decisão recorrida sofre de um vício formal, pois diz que a Recorrente inovou em sua defesa, o que, como pode se comprovar, não ocorreu. A recorrente sustenta que, durante todo o tempo sempre afirmou, que se tratava de crédito decorrente de imposto a pagar negativo, e não de compensação de prejuízo fiscal. E que, de outra forma nem se pode entender, já que conforme a DIPJ 2003/2002, para aquele exercício, não havia registro de prejuízos fiscais compensáveis. Aduz que o julgamento é superficial, pois, cumpria à Secretaria da Receita Federal, mediante procedimento administrativo próprio, lançar mão de outros expedientes para averiguar a validade da restituição/compensação efetuada, já que dispõe de todos os meios para tanto. Conclui que, a determinação de diligências na empresa, por exemplo, teria solucionado o caso de plano. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901839/200938 Acórdão n.º 1802001.179 S1TE02 Fl. 3 5 A recorrente afirma que, é equivocada a decisão da Delegacia de Julgamento ao se ater apenas às informações contidas no PERD/COMP original da Recorrente para averiguar a validade do crédito compensado e que, poderia ter solicitado outras informações da Recorrente. Reitera que o crédito da ora Recorrente SEMPRE EXISTIU, resta devidamente comprovado e pode assim ser conferido pelo Fisco, com base em toda as Declarações já apresentadas e em toda a documentação disponível. Para demonstrar a existência e suficiência do crédito para extinguir os débitos compensados, a Recorrente demonstra no item 27do recurso, o seguinte: Saldo a Pagar de IRPJ (31/12/2002) 66.215,24 IRPJ mensal pago por estimativa 181.811,81 Valor recolhido a Maior 115.596,57 Saldo a Pagar de CSLL (31/12/2002) 41.206,92 CSLL mensal paga sobre a base de cálculo estimada 107.803,88 Valor recolhido a maior 66.596,96 A recorrente conclui que, a não homologação da compensação não merece prosperar em hipótese alguma, eis que comprovada a existência do crédito, e configurado o seu direito de promover a compensação valendose de qualquer dos DARF's referentes ao pagamento de Lucro Real Mensal pago por estimativa até o limite do valor pago a maior, já que, conforme o quadro acima, em 31/12/2002 constatouse a existência de efetivo crédito. E que, ao encaminhar, originalmente, o PER/DCOMP em questão, todos os valores informados pela Recorrente já eram absolutamente condizentes com a realidade, ou seja, àquela altura, já detinha todos os créditos pleiteados. A interessada argúi que, não bastasse a regularidade da compensação, que deve ser plenamente homologada, nunca houve mora ou infração da Recorrente, motivo pelo qual a cobrança de multa e juros é igualmente descabida. Finalmente, requer seja deferido o crédito e homologadas as compensações, e, sendo necessário, requer sejam os autos baixados em diligência para conferência da verdade material. É o relatório. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 25307.12901.170205.1.3.048777 (fls. 01/05), transmitido em 17.02.2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ – Estimativa – código 2362 (Período de Apuração: 30/04/2004 e Vencimento: 31/05/2004, no valor original de R$ 198,64 sem juros selic e sem multa de mora, com suposto crédito decorrente de IRPJ Estimativa (código 2362), Data de Arrecadação: 29/11/2002, DARF: R$ 170,87 (valor original), Período de Apuração: 30/10/2002 e Vencimento: 29/11/2002. O Per/Dcomp foi analisado por processo eletrônico, com a emissão do Despacho Decisório de fl. 06, que não homologou a compensação por ter sido o crédito apontado no Per/Dcomp, utilizado para quitação de débito do contribuinte, a titulo de estimativa ( código 2362: Período de Apuração: 31/10/2002), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O fundamento para a não homologação da PERDCOMP consubstanciada no despacho decisório (fl.06) é que o valor do pagamento realizado pela Contribuinte foi utilizado para quitação do débito, por suposto, confessado em DCTF ( cód 2484 – Estimativa Período de Apuração: 31/08/2002), não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Sendo assim, não havia pagamento indevido ou a maior no referido período. A recorrente alega que ao elaborar o pedido de compensação em análise, transmitido em 17.02.2005, a Recorrente utilizouse de parte do valor pago em novembro de 2002, referente ao período de outubro/2002, a título de IRPJ calculado em base estimada, já que ao apurar o resultado definitivamente em 31 de dezembro de 2002, havia comprovadamente um crédito, decorrente de pagamentos a maior, realizados ao longo de todo o ano, passível de utilização. Os argumentos do contribuinte não são de todo incompatíveis com o sistema jurídico, no que diz respeito às antecipações pagas por estimativa e o saldo do IRPJ a pagar ou a restituir na Declaração de Ajuste Anual. Observada a legislação tributária, e, em deferência ao conteúdo substantivo, é possível a caracterização de pagamento indevido relativo a débitos de estimativa de IRPJ ou CSLL, autonomamente compensável a partir da data do pagamento, desde que o contribuinte não o utilize na dedução do IRPJ ou CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo do período, e, comprovado pagamento a maior ou indevido mediante Balancete de Suspensão/Redução. O eventual excesso nos recolhimentos por estimativa, após 31 de dezembro do ano calendário, momento do fato gerador do IRPJ e CSLL, poderá ser restituído ou compensado Fl. 66DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10283.901839/200938 Acórdão n.º 1802001.179 S1TE02 Fl. 4 7 como pagamento a maior apurado decorrente do ajuste anual configurado, como saldo negativo, em consonância com o artigo 6º da Lei nº 9.430/96. A recorrente alega que, o crédito existe porque ao realizar o ajuste do ano calendário em 31/12/2002 é de rigor a restituição do IRPJ pago a maior ao longo do ano à título de antecipações mensais. É de ver, que o contribuinte vincula seu pleito ao saldo negativo do IRPJ em 31/12/2002. Assim, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da não apresentação de Balancete de Suspensão/Redução, pode ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que presentes as seguintes condições: (i) o requerente não utilizou o alegado pagamento indevido de estimativa no ajuste anual do imposto ou contribuição; (ii) o sujeito passivo declarou saldo negativo. Cabe verificar, portanto, se o pagamento efetuado do IRPJ à titulo de estimativa mensal, relativo ao período de apuração: 31/10/2002, vencimento: 30/11/2002, Data de Arrecadação: 29/11/2002, DARF: R$ 170,87, foi utilizado na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Diante do exposto, e, para que não se alegue supressão de instância, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL para que os presentes autos sejam devolvidos à DRF de origem – Manaus/AM, para analisar o crédito tributário à luz da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, de sorte a evidenciar o saldo negativo do IRPJ de 2002, se for o caso, e, por conseqüência homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte nos presentes autos. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 25/04/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/ 04/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 15563.000014/2007-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PEDIDO DE PERÍCIA. INOBSERVÂNCIA DE PRECEITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO.
Nos termos da norma de regência, a impugnação deve mencionar as perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expondo os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado pelo impugnante.
Considerar-se-á não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos em lei.
CORREÇÃO DO VALOR DA AQUISIÇÃO PELA DESVALORIZAÇÃO MONETÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Carece de suporte legal o pedido para que o valor do imóvel objeto de alienação seja corrigido pela desvalorização monetária incorrida entre sua data de aquisição e de venda.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO.
O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel.
Numero da decisão: 2402-005.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO
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INOBSERVÂNCIA DE PRECEITOS LEGAIS. INDEFERIMENTO. Nos termos da norma de regência, a impugnação deve mencionar as perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expondo os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito indicado pelo impugnante. Considerarseá não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos em lei. CORREÇÃO DO VALOR DA AQUISIÇÃO PELA DESVALORIZAÇÃO MONETÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Carece de suporte legal o pedido para que o valor do imóvel objeto de alienação seja corrigido pela desvalorização monetária incorrida entre sua data de aquisição e de venda. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. GANHO DE CAPITAL. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE A FAZENDA PÚBLICA EFETUAR O LANÇAMENTO. O fato gerador do ganho de capital é a data de alienação do imóvel. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar o crédito tributário, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e benfeitorias realizadas no imóvel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 00 14 /2 00 7- 18 Fl. 104DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 15563.000014/200718 Acórdão n.º 2402005.948 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 88/96) interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II – DRJ/RJ2 (fl 74/78), que julgou improcedente procedente impugnação (56/65) apresentada em face de Auto de Infração relativo a Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (48/50). O lançamento foi motivado por omissão de ganho de capital decorrente da alienação de imóvel e resultou em crédito tributário no valor de R$ 18.805,50, que inclui: imposto, R$ 7.500,00; multa proporcional, R$ 5.625,00; e juros de mora, calculados até 29/12/2006, R$ 5.680,50. O contribuinte contestou a autuação por meio da impugnação de fls. 2/4, conforme alegações sintetizadas pela DRJ/RJ2, nos seguintes termos: 5. Regularmente cientificado, em 2 de fevereiro 2007, consoante AR acostado às fls. 46, o interessado apresentou impugnação (fls. 50/59), recepcionada na unidade local da SRFB em 2 de março de 2007, por intermédio de seu procurador, mandato às fls. 60. Seguem sumariadas as teses defensivas: a) alega ter descartado os documentos referentes à reforma do imóvel, em decorrência do "enorme" lapso temporal, cerca de 6 anos, entre a realização das obras e a solicitação de esclarecimentos que lhe fora dirigida pelo fisco; b) alega ter diligenciado junto à empresa fornecedora dos materiais de construção. Não obstante, a loja lhe informara não mais possuir os arquivos referentes às vendas efetuadas em nome do impugnante, posto que os documentos pertinentes teriam sido descartados após o prazo de 5 (cinco) anos; c) alega que o Imposto de Renda sujeitase ao prazo decadencial de 5 anos, contados da ocorrência do fato gerador, pertinente aos tributos lançados por homologação, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN. Em conseqüência, alega que o prazo para que a fazenda pública solicitasse esclarecimentos sobre informações prestadas pelo contribuinte em sua DIRPF referente ao ano de 2000, teria expirado; d) aduz que as declarações entregues nunca teriam sido contestadas, já tendo se esgotado o prazo para tanto, o que configuraria as suas veracidades e correções, por homologação tácita. Alega que o entendimento diverso violaria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, vez que o contribuinte encontra se impossibilitado de produzir a prova documental das benfeitorias efetuadas no imóvel. e) alega que a necessidade de guarda de documentos referentes a benfeitorias dos imóveis, por prazo indeterminado, violaria, ainda, o princípio da segurança jurídica. f) ao final, requer o reconhecimento da improcedência do lançamento impugnado, ressalvando, caso a autoridade julgadora entenda insuficiente a documentação existente, que seja deferido todos os demais meios de prova em direito admitidos, em especial, documental suplementar e pericial. Fl. 106DF CARF MF 4 A DRJ/RJ2 considerou o lançamento procedente, conforme se depreende da ementa da decisão recorrida: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF AnoCalendário: 2002 GANHO DE CAPITAL. CUSTO. Cabe ao contribuinte comprovar com documentação hábil e idônea os dispêndios incorridos para que o valor possa ser considerado custo de aquisição Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu recurso voluntário o sujeito passivo alega, em síntese, que: a) nos idos de 2002, procedeu à alienação de imóvel de sua propriedade, localizado na Rua Leopoldo Miguez, 86, apartamento 702 por R$ 220.000,00; b) o imóvel fora adquirido pelo valor originário de R$ 170.000,00, e na sua declaração de bens e direitos, na DIRPF 2001, foi consignado por R$ 270.000,00, em virtude de obras de reforma a que havia procedido, em virtude do lastimável estado em que se encontrava o mesmo; c) o acréscimo, de R$ 100.000,00, foi, assim, incorporado ao custo de aquisição do imóvel, o qual na realidade veio a ser alienado por preço muito baixo, em virtude da premente necessidade de o recorrente dispor de numerário para atender a intervenção cirúrgica de gravidade e consequente tratamento, ou seja, a venda foi procedida por preço reduzido, menor que o de mercado; d) fora intimado a apresentar documentação original relativamente à reforma a que procedeu, com demonstração dos gastos efetivados, o que, lastimavelmente, a Fazenda fez a destempo; e) procurou por todos os meios, buscar os documentos que comprovariam a realização das obras e o respectivo dispêndio, trazendo declarações do mestre de obras e do principal fornecedor dos materiais de construção empregados, assim como declaração subscrita pelo síndico do Edifício Galathea, à época em que as obras teriam ocorrido, atestando que efetivamente foram realizadas as benfeitorias declaradas; f) a autoridade fiscal entendeu não ter sido hábil a defesa então apresentada, afirmando ter o recorrente deixado de comprovar, mediante documentação idônea e hábil, os custos incorridos com a reforma; g) as notas fiscais e recibos pertinentes à reforma do imóvel foram guardados pelo período legal de cinco anos, pelo recorrente. A exigência de comprovação da realização das obras e a solicitação de documentos excederam este prazo, certo que não haveria nenhuma exigência legal para que tais documentos fossem guardados por período superior ao legal; h) apesar da intempestividade da exigência, procedeu a diligências junto à fornecedora dos materiais de construção, sem sucesso, pois os documentos pertinentes teriam sido descartados após o prazo de cinco anos, o que foi esclarecido à autoridade fiscal; i) nos termos do art. 150, § 4º do CTN, teria expirado o prazo para que a autoridade fiscal solicitasse esclarecimentos sobre informações prestadas pelo contribuinte em sua DIRPF referente ao anobase 2000; Fl. 107DF CARF MF Processo nº 15563.000014/200718 Acórdão n.º 2402005.948 S2C4T2 Fl. 4 5 j) após os cinco anos legais, haveria que se admitir, por homologação tácita, a veracidade de suas informações, até mesmo tendo em conta a idoneidade que há de se presumir da conduta de qualquer pessoa de bem; k) o procedimento fiscal, de fato, viola frontalmente os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, tendo em vista a impossibilidade de produzir prova documental de benfeitorias, por já haver transcorrido o prazo para a mantença de registros contábeis em poder da empresa que fornecera o material de construção, e descartados os comprovantes em seu poder; l) o entendimento fiscal consubstanciado no julgado administrativo de que a guarda de documentos referentes a benfeitorias de imóveis hão que ser feitos por prazo indefinido é errôneo e contraria o princípio da segurança jurídica, eis que não tem lastro legal; m) não se volta contra o texto legal decreto 3000/99, que dispõe ser o custo dos bens ou direitos, adquiridos a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, o valor de aquisição, nos termos da lei 8.383/91, art. 96, § 4º e Lei 8.981/95, art. 22, I , na forma do seu artigo 128; n) contudo, há que se considerar que haverá que integrar o custo de aquisição de imóveis, conforme o § 7°, I do mesmo Decreto, os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pinturas, reparos em azulejos, encanamentos, o que é repetido na IN SRF n° 84 de 2001, em seu artigo 17, I, alínea “a”; o) os documentos relativos às benfeitorias remanesceram à disposição para quaisquer esclarecimentos solicitados, até o final de 2006, afigurandose evidente que, em tendo o crédito tributário ocorrido em 02 de fevereiro de 2007, só mesmo acidentalmente ainda estaria lançados na contabilidade de uma empresa de grande porte, como a Amoedo, de um empreiteiro autônomo, ou mesmo do recorrente, considerandose o grande afluxo de documentos e papéis com que se lida quotidianamente; p) alínea b, do inciso III, do art. 146 da Constituição, defere à lei complementar a atribuição de estabelecer normas gerais, em matéria de legislação tributária, especialmente, sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributárias. A disciplina da prescrição encontrase insculpida nos artigos 156, V, e 174 do CTN, concernente às modalidades de extinção do crédito tributário. q) o tratamento juridicamente conferido à prescrição, em âmbito tributário, equivale ao da caducidade do mesmo modo como ocorre na esfera penal (artigo 107, IV, do Código Penal) , motivo por que diverge, radicalmente, daquele destinado ao mesmo instituto jurídico, no plano civil. Neste, a prescrição liberatória está relacionada ao exclusivo interesse das partes, e apenas submete a eficácia da pretensão condenatória a uma condição resolutiva, a saber, a oferta da exceção, pelo interessado. Eis por que não pode o juiz reconhecêla de ofício, no âmbito civil; r) na seara tributária a prescrição é matéria de direito público e objeto de disciplina jurídica peculiar, com fundamento na autonomia do Direito Tributário, garantida pelo Código Tributário Nacional (arts. 109,110,118 e 126); Fl. 108DF CARF MF 6 s) recorre ao inciso V do art. 156 e ao art. 173 do CTN para afirmar que, assim como o lançamento (que reconhece a ocorrência do fato imponível) faz nascer a obrigação tributária, é possível afirmar, também, que outro fato imponível o decurso do tempo, in albis quer a título de decadência, quer a título de prescrição a faz desaparecer. Faz referência a doutrina e jurisprudência que, no seu entendimento, ampararia sua tese. Apresenta outras considerações acerca da prescrição e da decadência no âmbito tributário; t) questiona a decisão de primeira instância administrativa por ter indeferido o pedido de perícia técnica para a avaliação do valor das obras realizadas e a correção do valor da aquisição, pela desvalorização monetária. Requer, por fim, seja revisto o acórdão, para se julgar procedente a impugnação tempestivamente formulada, desconstituindose o crédito tributário. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 15563.000014/200718 Acórdão n.º 2402005.948 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Pedido de Perícia Com relação ao pedido de perícia, de conformidade com o inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, a impugnação deverá mencionar “as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito”. Examinandose a peça impugnatória, vêse o recorrente não obedeceu aos ditames estabelecidos em lei quanto ao requerimento de perícia, limitandose a prenunciar que, caso os julgadores da instância a quo “entendam insuficientes a documentação existente, que lhe seja deferido todos os demais meios de prova em direito admitidos, em especial, documental suplementar e pericial”. Observese que i) não foram expostos os motivos que pudessem justificar o requerimento de perícia; ii) não foram formulados os quesitos referentes aos exames desejados; iii) tampouco foram indicados, no referido pedido, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito designado para levar a efeito o exame solicitado pelo sujeito passivo. Não se olvide que o § 1º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 é taxativo no sentido de que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16”, ou seja, não há como se conhecer do pedido de perícia quando esse é formulado ignorandose por completo os requisitos estabelecidos na norma. Por outro lado, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972: “A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis”. Assim, tendo em vista que a autuação foi motivada pela não apresentação de documentos que pudessem evidenciar as benfeitorias que o sujeito passivo afirma ter realizado no imóvel cujo ganho de capital decorrente da alienação serviu de base para o lançamento e considerando que a impugnação foi voltada para a desnecessidade de guarda desses documentos em virtude de propalada prescrição/decadência, mostrase prescindível a realização de perícia. Desse modo, não merece reparos o posicionamento consignado no acórdão recorrido, segundo o qual: 15. Com efeito, a legislação autoriza a realização de diligências ou perícias, seja a requerimento do impugnante, seja por iniciativa da autoridade julgadora. Em qualquer caso, cabe à Fl. 110DF CARF MF 8 autoridade julgadora efetuar o juízo acerca da necessidade desses procedimentos, indeferindo, pois, os que entender dispensáveis ou impraticáveis. No caso vertente, a matéria impugnada versa sobre a omissão do contribuinte em apresentar prova documental idônea e apta a comprovar despesas incorridas com reforma de imóvel. Considerandose que a diligência não se presta a suprir a omissão do contribuinte em apresentar a prova documental no momento oportuno, considerando ainda que o próprio contribuinte alega a impossibilidade de obtenção dos documentos em referência, com fundamento ainda no art. 28, in fine, do Decreto n° 70.235, de 1972, indeferese o pedido de realização de diligência ou perícia. (Grifos do Orginal) Afastase, pois, essa preliminar, eis que não houve por evidenciado o cerceamento de direito de defesa propugnado peça recursal. Correção do Valor da Aquisição pela Desvalorização Monetária Quanto à solicitação para que o valor do imóvel fosse corrigido pela “desvalorização monetária”, impossível atender a solicitação do reclamante, em vista da ausência de previsão legal nesse sentido no exercício a que se refere o lançamento. Prescrição/Decadência Aduz o recorrente que fora intimado a destempo pela Fazenda Nacional para apresentar a documentação relativamente à reforma que procedeu, pois, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, teria se expirado o prazo para que a autoridade fiscal solicitasse esclarecimentos sobre informações prestadas pelo contribuinte em sua DIRPF referente ao anobase 2000, havendo que se admitir, por homologação tácita, a veracidade das informações prestadas em referida declaração, tendo em vista o decurso do prazo de cinco anos. Segundo infere, teria se operado a prescrição e a decadência o que tornaria ilegítima a incidência tributária. Primeiramente, verificase necessário fazer a distinção entre os institutos da decadência e da prescrição sob a ótica do Direito Tributário, tendo em vista os argumentos contidos no recurso voluntário, os quais acabam por tratar tais institutos de forma ambígua e imprecisa. Preceitua o Código Tributário Nacional, em seu art. 174, que: Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Da leitura do dispositivo acima transcrito, verificase que a prescrição diz respeito ao prazo de cinco anos deferido à Fazenda Pública para, após a constituição definitiva do crédito tributário (que pressupõe, além do lançamento, a conclusão da análise dos recursos interpostos pelo sujeito passivo), promover a cobrança do tributo lançado. De se notar que, não obstante os argumentos suscitados no recurso voluntário, aqui não há que se falar em prescrição, pois, embora se esteja a tratar de crédito tributário cujo lançamento já foi efetuado, o auto de infração ainda encontrase em discussão na via administrativa, restando, nos termos do art. 174 do CTN, impossibilitada a extinção do Fl. 111DF CARF MF Processo nº 15563.000014/200718 Acórdão n.º 2402005.948 S2C4T2 Fl. 6 9 crédito tributário pela via prescricional em virtude de ainda não haver sequer sua definitiva constituição. No que se refere à decadência, com relação aos tributos sujeitos a lançamento por homologação, dispõe o § 4º e o caput do art. 150 Código Tributário: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O inciso I do art. 173 do CTN, por seu turno, estabelece: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...] Asseverese que a norma tributária, ao tratar da decadência, estipula prazo para seu transcurso relacionadoo com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que, no caso que ora se analisa, iniciase com a alienação do bem imóvel e a respectiva apuração do ganho de capital. Referidos dispositivos não têm relação com a obrigatoriedade de guarda de documentos com vistas a comprovação de benfeitorias agregadas ao custo de imóveis. Assim, não vejo como conferir razão ao sujeito passivo quanto aos argumentos relacionados à pretensa prescrição ou decadência para a apresentação de documentos aptos a atestar o valor das benfeitorias adicionado ao custo do imóvel. Referidos instituto, relacionados no inciso V do art. 156 do CTN como hipóteses de extinção do crédito tributário, não têm pertinência com a obrigação de o contribuinte manter documentos sob sua guarda para atestar o incremento no valor de imóveis para fins de redução do ganho de capital decorrente de sua alienação. A respeito da composição do custo de imóveis para efeito de definição do ganho de capital decorrente de sua alienação, o inciso I do § 7º do art. 128 do Decreto nº 3.000/1999 estabelece: Art.128. O custo dos bens ou direitos adquiridos, a partir de 1º de janeiro de 1992 até 31 de dezembro de 1995, será o valor de Fl. 112DF CARF MF 10 aquisição (Lei nº 8.383, de 1991, art. 96, § 4º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 22, inciso I). [...] § 7º Podem integrar o custo de aquisição de imóveis, desde que comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na declaração de bens: I os dispêndios com a construção, ampliação, reforma e pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos; [...] Nesse mesmo sentido são as alíneas “a” e “b” do art. 17 da Instrução Normativa SRF nº 84/2001: Art. 17. Podem integrar o custo de aquisição, quando comprovados com documentação hábil e idônea e discriminados na Declaração de Ajuste Anual, no caso de: I bens imóveis: a) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos municipais competentes, e com pequenas obras, tais como pintura, reparos em azulejos, encanamentos, pisos, paredes; b) os dispêndios com a demolição de prédio construído no terreno, desde que seja condição para se efetivar a alienação; Por óbvio, para que os dispêndios com construção, reforma ou ampliação venham a integrar o custo do imóvel esses, nos termos do dispositivo regulamentar e da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, precisam, além de constar da Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, ser efetivamente comprovados. No caso concreto, não restam dúvidas de que o imóvel alienado foi adquirido por R$ 170.000,00 e vendido por R$ 220.000,00, o que motivou a apuração de ganho de capital equivalente a R$ 50.000,00. Outro fato impassível de contestação é que, embora tenha sido intimado para tal, o recorrente não logrou comprovar com documentos hábeis e idôneos as benfeitorias realizadas na edificação, apresentando para esse fim tãosomente declarações do mestre de obras, do pretenso fornecedor dos materiais de construção empregados na reforma e do síndico do edifício onde encontrase situado o imóvel. Referidas questões, além de terem sido demonstradas na autuação fiscal, foram admitidas pelo próprio contribuinte em sua peça recursal. Especificamente sobre notas fiscais e recibos de prestação de serviços, que comprovariam a realização de reforma no exato valor de R$ 100.000,00, o recorrente afirma textualmente que não dispõe de tais documentos. Senão vejamos: 10. As notas fiscais e recibos pertinentes à reforma do imóvel foram guardados pelo período legal de cinco anos, pelo recorrente. A exigência de comprovação da realização das obras e a solicitação de documentos excederam este prazo, certo que não haveria s.m.j., nenhuma exigência legal para que tais documentos fossem guardados por período superior ao legal. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15563.000014/200718 Acórdão n.º 2402005.948 S2C4T2 Fl. 7 11 [...] 16. Estes documentos foram mantidos por todo o exercício de 2001, vale dizer, de 1º de janeiro de 2001, e remanesceram à disposição para quaisquer esclarecimentos solicitados, até o final de 2006, isto é 31 de dezembro de 2006. [...] Pelo que se infere do recurso voluntário, instado a comprovar as benfeitorias efetuadas no imóvel, alegou o contribuinte que já havia descartado os documentos em virtude do prazo prescricional/decadencial para sua guarda. Contudo, conforme se demonstrou acima, os dispositivos suscitados pelo recorrente não tratam de prescrição ou decadência pertinentes à guarda de documentos. Estão, sim, relacionados a prazos para que a Fazenda possa efetuar o constituição ou cobrança do crédito tributário. Com relação aos documentos, esses devem ser conservados em poder do sujeito passivo até que se opere a decadência para o lançamento. Nesse sentido, a Solução de Consulta nº 17, de 13 de fevereiro de 2006, apresenta fundamentos que considero esclarecedores: Solução de Consulta nº 17, de 13 de fevereiro de 2006 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF GUARDA DE DOCUMENTOS GANHO DE CAPITAL. A guarda de documentos que tenham repercussão tributária deve ser mantida enquanto não se efetivar a caducidade do direito de a Fazenda Pública efetivar o lançamento. O fato gerador do imposto sobre o ganho de capital é a alienação do imóvel, somente começando o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado, assim considerado o primeiro dia do ano seguinte ao da entrega da DIRF em que se informa a alienação. Enquanto não decaído o direito de a Fazenda lançar, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e de alienação do imóvel, não se confundindo esse prazo com aquele da DIRPF na qual se informou a aquisição, alteração ou alienação do imóvel. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 149, parágrafo único; Art. 150, §§ 1° e 4°; Art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN; Art. 128, § 7°, inciso I, e § 9° do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999, RIR e IN SRF n° 84, de 11/10/2001. Notese que entendimento semelhante ao consubstanciado na Solução de Consulta nº 17/2006 é o que tem prosperado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme se pode extrair dos trechos das decisões que abaixo se reproduz: Acórdão nº 2201002.315 Pelo que se vê, os documentos que tenham repercussão tributária devem ser mantidos enquanto não se efetivar a caducidade do direito de a Fazenda Pública lançar o crédito tributário. E no caso do ganho de capital, o fato gerador é a data de alienação do imóvel. Assim, enquanto não decaído o Fl. 114DF CARF MF 12 direito da Fazenda constituir o lançamento, o alienante é obrigado a manter os documentos comprobatórios do custo de aquisição e de alienação do imóvel vendido inclusive das benfeitorias realizadas. [...] Acórdão nº 10246.142 INVESTIMENTOS EM BENFEITORIAS – DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA – DECADÊNCIA – A comprovação de investimentos em bem patrimonial não está sujeita ao prazo qüinqüenal de decadência, devendo ser apresentada sempre que sua existência deva ser comprovada. Asseverese que não se está aqui afirmando que, para o cálculo do ganho de capital, os valores despendidos com construção, ampliação ou reforma não podem integrar o custo do imóvel, mas que, para que isso ocorra, o contribuinte precisa comprovar esse fato com a apresentação de documentos hábeis e idôneos, os quais devem ser conservados até que se efetive a caducidade do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento o crédito tributário. Por outro lado, tendo em vista que não restou demonstrado qualquer mácula no procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal, carece de fundamento as asserções de que o auto de infração representaria violação a princípios como o do contraditório, da ampla defesa ou da segurança jurídica. Por fim, em vista da falta de comprovação do valor das benfeitorias realizadas, correto o procedimento fiscal que considerou a diferença entre custo de aquisição e venda do imóvel como ganho de capital omitido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000244/2006-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2004 a 11/01/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. CONTRADIÇÃO DEMONSTRADA.
Acolhem-se os embargos de declaração apresentados pelo embargante, visto que restou comprovado o alegado vício de contradição entre o conteúdo da ementa e o voto do acórdão embargado
Numero da decisão: 3302-004.746
Decisão: Embargos Acolhidos
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente]
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2004 a 11/01/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACOLHIDOS. CONTRADIÇÃO DEMONSTRADA. Acolhemse os embargos de declaração apresentados pelo embargante, visto que restou comprovado o alegado vício de contradição entre o conteúdo da ementa e o voto do acórdão embargado Embargos Acolhidos Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em acolher os embargos de declaração para rerratificar o acórdão embargado, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 02 44 /2 00 6- 98 Fl. 830DF CARF MF 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração opostos pela Recorrente com o objetivo de sanar suposta contradição entre o conteúdo da ementa e o voto do acórdão condutor do acórdão embargado. O Acórdão nº 210200.080 de 06 de maio de 2009, por maioria de votos, decidiu dar provimento ao recurso voluntário interposto perante este E. Conselho, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: SUSPENSÃO DE PROCESSO — DEPENDÊNCIA DO MÉRITO —IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO ISOLADO. Em prol da segurança jurídica, do principio da razoabilidade, do artigo 265 do Código de Processo Civil — CPC não é possível julgar compensação cujo mérito está vinculada a processo judicial ainda pendente de julgamento. In casu, é preciso, ainda, obedecerse a decisão proferida nos autos da Ação Cautelar n° 8915/RS. Com base nas razões aduzidas no despacho de fls. 826/828, com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF 259/2009 (RICARF/2009), Presidente da 2ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF admitiu os embargos de declaração opostos pelo sujeito passivo. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade Uma vez cumpridos os requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento dos presentes embargos de declaração, para análise do alegado vício de contradição. Assiste razão à Embargante como se demonstra pelos excertos da ementa e voto condutor a seguir transcritos: Ementa. SUSPENSÃO DE PROCESSO — DEPENDÊNCIA DO MÉRITO —IMPOSSIBILIDADE DE JULGAMENTO ISOLADO. Em prol da segurança jurídica, do principio da razoabilidade, do artigo 265 do Código de Processo Civil — CPC não é possível julgar compensação cujo mérito está vinculada a processo judicial ainda pendente de julgamento. In casu, é preciso, ainda, obedecerse a decisão proferida nos autos da Ação Cautelar n° 8915/RS. Excertos do voto: Conforme informado nos termos do relatório, os dois autos de infração remanescentes referemse à aplicação de multa Fl. 831DF CARF MF Processo nº 13005.000244/200698 Acórdão n.º 3302004.746 S3C3T2 Fl. 215 3 isolada de 75% em vista do procedimento de compensação realizado pela Recorrente ter sido considerado como indevido (não homologado e não declarado). As razões para a aplicação da multa são: (1) o crédito não é passível de compensação, posto que não decorre de tributo ou contribuição — Lei 10.637/02, art. 49 e (ii) decorre de decisão não definitiva, ainda em discussão judicial e suspensa por decisão proferida em Medida Cautelar. (...) Esclarece a fiscalização, em seu Relatório Fiscal, que a multa é devida porque a Recorrente atuou contrariamente à lei. Diz que o crédito prêmio de IPI não tributo, é crédito financeiro, e este fato inviabiliza o procedimento de compensação que somente se aplica a tributos.(grifos do original). (...) Desta forma, entendo que o procedimento de compensação da Recorrente, por estar pautado em decisão de mérito definitiva e pelo fato de a ação rescisória não ter obtido sequer uma decisão favorável, não pode ser entendido como provisório, como fez a decisão de primeira instância administrativa que não homologou as compensações ou sequer conheceu dos pedidos apresentados, considerandoos como não declaradas." O procedimento da Recorrente, portanto, quando realizado, estava amparado em decisão judicial transitada em julgado. A aplicação de multa de 75% pela execução desta sentença, sob a alegação de ausência de fundamento e contradição legal é expulsar do ordenamento jurídico o principio da razoabilidade. E punir o contribuinte cauteloso que para obter seu direito apresenta ação judicial, que utiliza o crédito anos após o trânsito em julgado da decisão (mesmo com decisões negativas proferidas na ação rescisória), que deixa de compensar quando informado da ordem de suspensão proferida. Não houve afronta e lei. Não houve inadimplência. Não há qualquer possibilidade de interpretarse má.fé no comportamento da Recorrente. A aplicação da multa de 75%, neste caso, além de abusiva, atenta contra a própria sociedade, vez que afronta a segurança jurídica de todos os contribuintes, razão pela qual entendo pelo seu cancelamento.(grifei). Em breve síntese, trata o presente processo de lançamento de multa isolada, pela compensação nãohomologada com créditoprêmio de IPI, reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, mas que teve suspenso seu efeito, por despacho do Ministro Franciulli Netto, do STJ. Assim, pelos excertos acima constatase que assiste razão à embargante, visto que a ementa não reflete as razões decisórias do voto condutor, tratando de matéria estranha ao julgado. Fl. 832DF CARF MF 4 Nesse sentido, a ementa do acórdão embargado, passa a ter a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 30/06/2004 a 11/01/2005 CRÉDITOPRÊMIO DE IPI. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DE MÉRITO DEFINITIVA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA. SUSPENSÃO DOS EFEITOS DA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS DA AÇÃO RESCISÓRIA. ALCANCE. COMPENSAÇÕES FUTURAS. MULTA ISOLADA. DESCABIMENTO. Comprovado que o procedimento de compensação da Recorrente, respaldou se em decisão de mérito definitiva, não tendo a ação rescisória obtido sequer uma decisão favorável, não pode ser entendido como provisória. A compensação de débitos do sujeito passivo com créditoprêmio de IPI, reconhecido em ação judicial transitada em julgado, não se sujeita à multa do art. 18 da Lei n° 10.833, de 2004, visto que a liminar concedida para determinar a suspensão dos efeitos da decisão proferida nos autos da Ação Rescisória, até o final do Recurso Especial n° 687903, somente alcança a compensação futura dos valores decorrentes de créditoprêmio de IPI. Assim, por todo o exposto, voto pelo acolhimento dos embargos de declaração opostos pelo embargante, para rerratificar e integrar o acórdão embargado cuja ementa acima transcrita substitui integralmente a anterior. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Fl. 833DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720373/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995.
INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA.
A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE.
Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995.
Numero da decisão: 1402-002.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 1.099.807,51 (R$ 356.134,90 + R$ 128.208,56 + R$ 23.963,73 + R$ 485.741,80 + R$ 105.758,52). Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar também a exigência da multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. A partir das alterações no art. 44, da Lei nº 9.430/96, trazidas pela MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, em função de expressa previsão legal deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado apurado no ajuste final do período de apuração e independentemente da imputação da multa de ofício exigida em conjunto com o tributo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO DE TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. IMPOSSIBILIDADE. Os tributos e contribuições que estejam com exigibilidade suspensa, conforme definido no art.. 151 do CTN, constituem provisões e não despesas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 03 73 /2 01 3- 81 Fl. 1878DF CARF MF 2 incorridas, estando vedada sua dedução para apuração da base de cálculo da CSLL, conforme regra do art. 13, inciso I, da Lei 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base tributável do IRPJ e da CSLL o montante de R$ 1.099.807,51 (R$ 356.134,90 + R$ 128.208,56 + R$ 23.963,73 + R$ 485.741,80 + R$ 105.758,52). Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por dar provimento em maior extensão para cancelar também a exigência da multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.879 3 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes ao anocalendário de 2008 no montante de R$ 5.802.616,85; incluindo multa de ofício no percentual de 75%, juros de mora e multa isolada sobre estimativas do tributo não recolhidas. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo teria deduzido como despesa provisões referentes a tributos com exigibilidade suspensa e respectivos juros, sem fazer a devida adição à base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A Fiscalização reconstituiu a base de cálculo dos tributos com cobrança das diferenças resultantes, o que implicou também na insuficiência de estimativas gerando exigência da multa de ofício isolada. Em impugnação a interessada suscita, em preliminar, a nulidade do feito por vício de fundamentação da autuação eis que os valores glosados não teriam natureza de provisões mas sim de despesas o que implicaria no enquadramento sob a égide do art. 41, da Lei nº 8.981/95 e não do art. 13, da Lei nº 9.249/95, assumido pela Fiscalização. Suscita a inexistência de previsão legal para adição, na base de cálculo da CSLL, de despesas consideradas indedutíveis pela legislação do IRPJ. Defende que a suposta indedutibilidade das despesas sob exame não atingiria os juros de mora pois na literalidade da Lei nº 8.981/95, que teria revogado tacitamente os art. 7º e 8º da Lei nº 8.541/92, a restrição da dedução de tributos com exigibilidade suspensa abrange exclusivamente “tributos e contribuições”. Questiona especificamente a glosa dos valores de R$ 356.134,90, R$ 8.208,56; R$ 23.763,73; R$ 485.741,80 e R$ 105.758,52; que não teriam sido por ele excluídos do resultado. Contesta a cobrança da multa isolada e dos juros de mora sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP prolatou o Acórdão 1447.048 considerando a impugnação parcialmente procedente especificamente no que se refere ao valor de R$ 765.923,00. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 1880DF CARF MF 4 CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. COMPETÊNCIA DO ÓRGÃO ADMINISTRATIVO DE JULGAMENTO. O julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. MULTA ISOLADA. FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. O não recolhimento ou o recolhimento a menor de estimativas mensais sujeita a pessoa jurídica optante pela sistemática do lucro real anual, à multa de ofício isolada estabelecida no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, ainda que encerrado o anocalendário. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais, concomitantemente com a multa de ofício relativa aos lançamentos havidos, pois distintas são as hipóteses de incidência legalmente previstas ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. A restrição à dedutibilidade das despesas de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa alcança o Lucro Real, base imponível do IRPJ, em função das normas de apuração e de pagamento vigentes, como também porque tais despesas, caracterizandose como provisões, tiveram sua dedutibilidade expressamente vedada, tanto para o IRPJ como para a CSLL, pelo artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95. Despesas incorridas e provisões têm, por definição conceitual, natureza e significados diferentes. Enquanto aquelas levam em conta o preceito de “valor incorrido”, ou seja, aquilo que é perfeito, acabado, definitivo, incondicional, independentemente de ter sido pago ou recebido, as provisões são prováveis despesas futuras que poderão vir a se concretizar ou não, dependendo de eventos posteriores e condicionais e cujo traço principal é a sua natureza contingencial e reversível. Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.880 5 Tributos com exigibilidade suspensa são, conceitualmente, “provisões”, e enquanto nestas condições (sub judice) estiverem, só quando a lide for resolvida e restar desfavorável à autuada é que a provisão se reverterá em despesa e neste momento receberá tal tratamento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. JUROS DE MORA. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEDUTIBILIDADE. CONDIÇÕES. A restrição à dedutibilidade das despesas de tributos e contribuições com exigibilidade suspensa alcança também a base de cálculo da CSLL, não somente porque aplicamse àquela contribuição as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, como também porque tais despesas, caracterizandose como provisões, tiveram sua dedutibilidade expressamente vedada, tanto para o IRPJ como para a CSLL, pelo artigo 13, I, da Lei nº 9.249/95. Despesas incorridas e provisões têm, por definição conceitual, natureza e significados diferentes. Enquanto aquelas levam em conta o preceito de “valor incorrido”, ou seja, aquilo que é perfeito, acabado, definitivo, incondicional, independentemente de ter sido pago ou recebido, as provisões são prováveis despesas futuras que poderão vir a se concretizar ou não, dependendo de eventos posteriores e condicionais e cujo traço principal é a sua natureza contingencial e reversível. Tributos com exigibilidade suspensa são, conceitualmente, “provisões”, e enquanto nestas condições (sub judice) estiverem, só quando a lide for resolvida e restar desfavorável à autuada é que a provisão se reverterá em despesa e neste momento receberá tal tratamento. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora. JUROS DE MORA. Fl. 1882DF CARF MF 6 O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Devidamente cientificado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ratificando as razões expedidas na peça impugnatória e acrescentando o inconformismo com a incidência da multa de ofício que seria inaplicável na sucessora como é o caso. Em primeira apreciação, o julgamento foi convertido em diligência para que autoridade lançadora examinasse a escrituração do sujeito passivo e, a partir das considerações da decisão recorrida e dos argumentos de defesa, confirmasse ou não a acusação fiscal de dedução indevida dos valores de R$ 356.134,90, R$ 8.208,56; R$ 23.763,73; R$ 485.741,80 e R$ 105.758,52 referentes à desmutualização das bolsas de valores. Cumprida a solicitação, retornaram os autos para julgamento. É o relatório. Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.881 7 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto O recurso é tempestivo e foi interposto por signatário devidamente legitimado, motivo pelo qual dele conheço. A matéria suscitada como preliminar referente a erro na apuração da exigência constituise na verdade em questão de mérito e será apreciada em momento posterior deste voto. No que se refere à supostas irregularidades no exercício das atribuições das DRJs, a defesa tece confusas argumentações invocando a violação de dispositivos legais que na verdade são direcionados à autoridade lançadora para culminar afirmando, em outras palavras, ser impossível à autoridade julgadora dar provimento parcial a uma peça de defesa quando apenas parte da base de cálculo está equivocada. Nesse caso, no entender da recorrente toda a autuação deveria ser cancelada. Um despropósito absurdo, desprovido de qualquer razoabilidade ou enbasamento. No mérito, por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos ou contribuições cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo tanto do IRPJ como da CSLL, por traduzirse em nítido caráter de provisão. Assim, a dedutibilidade de tais rubricas somente ocorrerá por ocasião de decisão final da justiça, desfavorável à pessoa jurídica. Sendo assim, CAI POR TERRA QUALQUER ARGUMENTO DE DEFESA QUE TENHA COMO PREMISSA ENTENDER TAIS VALORES COMO DESPESAS, o que aplica inclusive à arguição em preliminar de vício de fundamentação. Em julgado recente neste colegiado o Acórdão 1402001.215, de relatoria do Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar bem reforça esse entendimento. Nos termos do voto condutor a possibilidade de o exigência tributária ser considerada improcedente por decisão judicial definitiva, no futuro, tornaa incerta. Poderá ela não ser mais cobrada, já não o podendo no presente em razão da suspensão de sua exigibilidade. Prossegue o voto argumentando que na existência dessa possibilidade, não se pode dizer que tais despesas, que podem, no futuro ser declaradas inexistentes pelo judiciário, sejam incorridas. Para serem incorridas, haveriam que constituir fato certo e determinado. Nesse sentido, conclui o voto, se podem ser declaradas como inexistentes, no futuro, não há como considerálas certas, determinadas e incorridas. E o artigo 13, inciso I, da Lei n° 9.249/95, é expresso no sentido de obstar a dedução de provisões, inclusive na base de cálculo da CSLL. A jurisprudência desta Corte, inclusive na CSRF, consolidase nesse sentido: PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Fl. 1884DF CARF MF 8 Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão (Lei 9.249/1995, art. 13, I). (Acórdão 9101002.762, sessão de 05/04/2017) PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS. TRIBUTOS COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA Por configurar uma situação de solução indefinida, que poderá resultar em efeitos futuros favoráveis ou desfavoráveis à pessoa jurídica, os tributos discutidos judicialmente, cuja exigibilidade estiver suspensa nos termos do art. 151 do Código Tributário Nacional, são indedutíveis para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por traduzirse em nítido caráter de provisão.(Acórdão 9101 002.406, sessão de 16/08/2016). CSLL. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. O artigo 41, parágrafo único, c/c o art. 57, da Lei n° 8.981, de 1 995, proíbem dedução de tributos com a exigibilidade suspensa n as hipóteses dos incisos II a IV do art. 151, do CTN. (Acórdão 9101001.850, sessão de 11/12/2013) Do exposto, voto por negar provimento ao recurso no que se refere à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Nesse aspecto, não há diferença de tratamento em relação aos juros pois os valores correspondentes têm a mesma natureza do principal a que se referem. Daí porque são improcedentes as arguições do sujeito passivo quanto à revogação de dispositivos legais. Quantos aos valores glosados pela autoridade fiscal e que, segundo a recorrente, não teriam sido deduzidos como despesas e por conseguinte não afetaram o resultado, o Relatório de Diligência deu razão à defesa. Assim devem ser excluídos da base tributável do IRPJ e da CSLL os valores de R$ 356.134,90, R$ 8.208,56; R$ 23.763,73; R$ 485.741,80 e R$ 105.758,52. Registrese o total despropósito de requererse a anulação integral da exigência, inclusive na parte que o colegiado entender como correta, em função de equívoco parcial. Em relação à multa aplicada na sucessora, registrese que tal questão não foi suscitada na peça impugnatória estando portanto preclusa. Ainda que assim não o fosse, O STJ já dirimiu de forma definitiva a questão: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÃO. SUCESSÃO DE EMPRESAS. [...] 1. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, que, por representarem dívida de valor, acompanham Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.882 9 o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. (Precedentes: REsp 1085071/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/05/2009, DJe 08/06/2009; REsp 959.389/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/05/2009, DJe 21/05/2009; AgRg no REsp 1056302/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/04/2009, DJe 13/05/2009; REsp 3.097/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/10/1990, DJ 19/11/1990) 2. "(...) A hipótese de sucessão empresarial (fusão, cisão, incorporação), assim como nos casos de aquisição de fundo de comércio ou estabelecimento comercial e, principalmente, nas configurações de sucessão por transformação do tipo societário (sociedade anônima transformandose em sociedade por cotas de responsabilidade limitada, v.g.), em verdade, não encarta sucessão real, mas apenas legal. O sujeito passivo é a pessoa jurídica que continua total ou parcialmente a existir juridicamente sob outra "roupagem institucional". Portanto, a multa fiscal não se transfere, simplesmente continua a integrar o passivo da empresa que é: a) fusionada; b) incorporada; c) dividida pela cisão; d) adquirida; e) transformada. (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in Curso de Direito Tributário Brasileiro, Ed. Forense, 9ª ed., p. 701) [...] 9. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Resp 923.012/MG, 1ª Seção, Relator Ministro Luiz Fux, sessão de 09 de junho de 2010) Em relação à multa isolada, o pagamento do imposto por estimativa foi instituído pela Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Essa Lei estabeleceu período de apuração trimestral para o IRPJ, com a opção anual sendo que, nesse último caso, existe a obrigatoriedade de recolher o tributo mensalmente, determinado sobre uma base de cálculo estimada mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei nº 9.249/95. Entendeu o legislador que, feita a opção pelo recolhimento por estimativa, a ausência ou insuficiência desses pagamentos constituiria em sanção passível de punição via multa de ofício calculada sobre o montante não recolhido e aplicada isoladamente, nos termos do inciso IV, do § 1º , do art. 44 da Lei nº 9.430/96, em sua redação original. A questão de fato é polêmica. Neste Colegiado, alguns entendem que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso bastaria a cobrança de eventual imposto apurado no ajuste acompanhado, aí sim, da respectiva multa. Esse posicionamento praticamente nega eficácia ao dispositivo legal supra mencionado, pois limitaria sua aplicabilidade a procedimentos de fiscalização efetuados durante o período sob exame. Além do mais, ignora a literalidade do texto legal que determina a aplicação da multa ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ajuste, ou seja, a Lei Fl. 1886DF CARF MF 10 determina claramente que a multa pode ser imputada após o encerramento do período e mesmo sem tributo apurado no ajuste A principal e respeitável linha argumentativa daqueles que defendem essa tese parte do próprio texto legal. Na redação original temse: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (....) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (....) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; (......) (grifo acrescido) Com base na redação do caput essa corrente defende que, mesmo na forma isolada, a multa incidiria sobre a totalidade ou diferença de tributo. Com a ressalva de que o valor pago a título de estimativa não tem a natureza de tributo, a lógica do pagamento de estimativas seria antecipar para os meses do anocalendário o recolhimento do tributo que, de outra forma, seria devido apenas ao final do exercício. Sob essa ótica, a tese defende que o tributo apurado no ajuste e a estimativa paga ao longo do período devem estar intrinsecamente relacionados de forma a que a provisão para pagamento do tributo deve coincidir com o montante pago de estimativa ao final do exercício. Assim, concluem que só há que se falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido. A princípio, alinheime nessa posição e com ela votei em alguns julgados. Hoje, após cuidadosa reflexão penso que essa tese está equivocada porque, apesar de sua construção lógica ser irrefutável, mistura situações distintas. O texto original da lei estabelece que a multa isolada seria calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. Entendeuse assim que o legislador estabeleceu uma norma de imposição tributária quando na verdade o não recolhimento das estimativas impõe a aplicação de uma regra sancionatória. Aquela avaliação não mais se justifica a partir da nova redação do dispositivo em comento, estabelecida pela MP nº MP 351, de 22/01/2007; convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, onde fica clara a distinção: Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.883 11 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (.......) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (......) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (.....) (grifo acrescido) Inexiste assim a estreita correlação entre o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano. Registrese que essa nova redação não impõe nova penalidade ou faz qualquer ampliação da base de cálculo da multa, Simplesmente torna mais clara a intenção do legislador. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): (........) Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. Fl. 1888DF CARF MF 12 No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. A inexistência de correlação entre o tributo e a estimativa fezme refletir também sobre a questão da concomitância, ou seja, a aplicação da multa de ofício exigida junto com o tributo e a multa sobre as estimativas. Manifesteime em outra ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 16327.720373/201381 Acórdão n.º 1402002.728 S1C4T2 Fl. 1.884 13 necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Sob essa ótica, a Fiscalização simplesmente aplicou a norma ao caso concreto, no exercício do poderdever legal, motivo pelo qual votaria por manter a imputação da multa isolada em sua integralidade. Importa ressaltar que a Súmula CARF nº 101 NÃO SE APLICA A FATOS GERADORES POSTERIORES À MP Nº 351/2007, eis que as decisões que serviram de base à edição da Súmula não levaram em consideração a mudança legislativa. Sendo assim, deve ser mantida integralmente a multa isolada aplicada a partir de janeiro de 2007. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado pela interessada para reforçar a defesa contém entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a 2 Idem, Idem Fl. 1890DF CARF MF 14 multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 1891DF CARF MF
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Numero do processo: 13204.000028/00-67
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI- ENERGIA ELÉTRICA.
Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matérias-primas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classifica-se como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido.
Numero da decisão: 9303-005.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator e suplente convocado), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator e suplente convocado), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ALBRÁS ALUMÍNIO BRASILEIRO S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI ENERGIA ELÉTRICA. Para fim de crédito presumido do IPI, a energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas e indispensável à obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal, pode ser incluí da na base de cálculo do crédito presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza (relator e suplente convocado), que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Érika Costa Camargos Autran. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 20 4. 00 00 28 /0 0- 67 Fl. 1468DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procurador contra o Acórdão nº 3402001.591, de 24/01/2012, proferido pela 2ª Turma da 4ª Câmara da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 FABRICAÇÃO DO ALUMÍNIO. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. Nos termos do Parecer Normativo CST n° 65/79, incluemse entre os insumos para fins de crédito do IPI os produtos não compreendidos entre os bens do ativo permanente que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos, desgastados ou alterados no processo de industrialização, em função de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre aquele. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. SUMULA CARF CONSOLIDADA N° 19. Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. ENERGIA ELÉTRICA UTILIZADA NA ELETRÓLISE. A energia elétrica consumida diretamente na fabricação do produto exportado, com incidência direta nas matériasprimas para obtenção do produto final, embora não se integrando a este, classificase como produto intermediário, e como tal pode ser incluída na base de cálculo do crédito presumido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inclusão, no cálculo do crédito presumido, dos valores de energia elétrica gastos no processo de eletrólise. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 20179.790. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 13204.000028/0067 Acórdão n.º 9303005.165 CSRFT3 Fl. 1.469 3 O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 1454/1457. Cientificada, a contribuinte não apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial deve ser conhecido. Consoante se demonstrou no seu exame, o recurso comprovou o dissídio jurisprudencial, uma vez que, enquanto o acórdão recorrido entendeu que os gastos de energia elétrica deveriam compor a base de cálculo do crédito presumido de IPI estabelecido na Lei nº 9.363, de 1996, porque se enquadrariam, no entendimento adotado, como matériaprima na produção de alumínio (seria utilizada na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio – alumina), o acórdão paradigma concluiu justamente o contrário, em processo administrativo em que a mesma contribuinte consta como interessada. A divergência, portanto, é manifesta. E deve ser dirimida em favor da Recorrente. Para demonstrar, passamos a reproduzir os seguintes parágrafos do acórdão recorrido: Sobre a energia elétrica e combustíveis, cumpre lembrar a Súmula Consolidada n° 19, divulgada por meio da Portaria n° 52, de 21 de dezembro de 2010, deste CARF, cujo teor transcrevese: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Ocorre que, no caso em exame, a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas que integram o produto final, na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), como restou comprovado nos autos do processo n° 13204000013/9631, cujo recurso voluntário n° 125.088 foi julgado na Terceira Câmara do extinto Segundo Fl. 1470DF CARF MF 4 Conselho de Contribuintes, em 16 de março de 2005, ocasião em que, como conselheira daquela Câmara, acompanhei o voto do relator, Leonardo de Andrade Couto, do qual reproduzo o trecho a seguir: (...) A produção industrial do alumínio tem como característica fundamental o processo de redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido em um banho composto fundamentalmente de criolita, sintetizado na seguinte equação: [2Al203 (dissolvido) 3C (sólido)] + energia elétrica = 4A1 (líquido) + 3 CO2 Em outras palavras, a redução consiste na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), apartandoo pela quebra, do oxigênio contido na referida molécula, obtendo o alumínio e gás. A função da energia elétrica consiste em fornecer calor à reação química. Percebese que a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas componentes do produto final e desempenha função essencial na obtenção deste, ainda que não o integre. Assim, devese reconhecer que nas situações em que a obtenção do produto dáse por meio de reações químicas derivadas da eletrólise, a energia elétrica funciona como um produto intermediário e, como tal, deve compor a base de cálculo do crédito presumido. Salientese que tal entendimento não se aplica à energia elétrica utilizada como força motriz (ativação e movimentação de máquinas e equipamentos de qualquer natureza) ou na produção de luminosidade. Entendo que nesses casos não haveria o direito ao crédito presumido. (...) Ora, não obstante tenha citado a Súmula nº CARF nº 19, a relatora findou por adotar entendimento a ela flagrantemente contrário, uma vez que concordou incluir, na base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de energia elétrica, considerando as particularidades que envolvem a produção de alumínio. Esse fato já seria suficiente para dar provimento ao recurso. Nós vamos além. Para os casos como o ora em exame, nos quais os gastos com energia elétrica e combustíveis são substanciais, o legislador previu, na Lei nº 10.276, de 2001 – mas de forma alternativa à Lei nº 9.363, de 1996 –, que a base de cálculo do crédito presumido de IPI seja o somatório da aquisição de insumos (matériasprimas, a produtos intermediários e materiais de embalagem), dos gastos com energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo, e do valor da prestação de serviços decorrente de Fl. 1471DF CARF MF Processo nº 13204.000028/0067 Acórdão n.º 9303005.165 CSRFT3 Fl. 1.470 5 industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. Portanto, ou bem se calcula o crédito presumido com base numa lei, ou se o faz com base na outra. O que não se pode conceber é criar uma terceira lei, fruto da combinação de ambas. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, doulhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Voto Vencedor Conselheira Érika Costa Camargos Autran Redatora designada Com todo o respeito ao excelente voto do Conselheiro Relator, mas penso diferente a respeito da matéria em discussão. Inicialmente cumpre esclarecer que o CARF em vários julgados adota uma concepção restritiva do objetivo visado pelo legislador ao criar tal crédito presumido, e firmou o entendimento no sentido de que energia elétrica e combustíveis não se enquadravam no conceito legal de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem previsto na legislação do IPI e, por conseguinte, não poderiam ser utilizados como custo para fins de apuração do crédito presumido do IPI. Diante disso, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula Carf n.º 19 com a seguinte redação: “Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário.” Fl. 1472DF CARF MF 6 É importante advertir que os precedentes que lastreiam a mencionada súmula somente analisaram casos e consideraram o regime jurídico vigente até a Lei 9.363/1996, portanto, anterior à edição da Lei 10.276/2001. No caso do presente autos, o colegiado entendeu que há possibilidade de inclusão das despesas relativas energia elétrica, por ser um insumo imprescindível à industrialização do produto do Contribuinte. Pois, a energia elétrica utilizada incide diretamente sobre as matériasprimas que integram o produto final, quando da separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina). Aqui, a produção industrial do alumínio tem como característica fundamental o processo de redução eletrolítica do óxido de alumínio dissolvido em um banho composto fundamentalmente de criolita, sintetizado na seguinte equação: [2Al203 (dissolvido) 3C (sólido)] + energia elétrica = 4A1 (líquido) + 3 CO2 Ou seja, a redução consiste na separação do alumínio da molécula de dióxido de alumínio (alumina), apartandoo pela quebra, do oxigênio contido na referida molécula, obtendo o alumínio e gás. A função da energia elétrica consiste em fornecer calor à reação química. Percebese que no caso da produção do Contribuinte, a energia elétrica incide diretamente sobre as matériasprimas componentes do produto final e desempenha função essencial na obtenção deste, ainda que não o integre. Assim, a obtenção do produto da Contribuinte dáse por meio de reações químicas derivadas da eletrólise, e a energia elétrica funciona como um produto intermediário e, como tal, deve compor a base de cálculo do crédito presumido. Vale ressaltar, que o objetivo da Lei n.º 9.363/1996, inicialmente foi desonerar o produto brasileiro para enfrentar a concorrência do mercado internacional, senão vejamos: Fl. 1473DF CARF MF Processo nº 13204.000028/0067 Acórdão n.º 9303005.165 CSRFT3 Fl. 1.471 7 Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. A partir da criação desse regime, todavia, os direitos dos exportadores foram sendo mitigados por meio de um conceito restritivo de insumo e muitos contribuintes passaram a questionar tal interpretação, pleiteando a inclusão da energia elétrica e dos combustíveis na base de cálculo do crédito. No caso do Contribuinte, pela própria lógica de produção industrial por ele feita, conforme demostrado acima, efetivamente não se pode negar que a energia elétrica, gasta ou aplicada, se agregam ao produto ou são imprescindíveis para que este seja produzido e cujo consumo nesta fase não se pode dele afastar. Diante do exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda, mantendo a decisão Recorrida. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10494.000642/2006-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 26/08/2002 a 08/09/2005
VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103
O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103).
Recurso de ofício não conhecido.
Numero da decisão: 3402-004.211
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 26/08/2002 a 08/09/2005 VALOR DE ALÇADA PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO DE OFÍCIO - SÚMULA CARF 103 O Ministro da Fazendo, consoante os termos do art. 1º da Portaria MF 63, de 09/02/2017, estabeleceu que só haverá recurso de ofício de Turma julgadora de DRJ quando a decisão exonerar o sujeito passivo de pagamento de tributo e encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00. Sendo inferior o valor exonerado, não se conhece do recurso de ofício, uma vez que a aferição do valor de alçada se dá na data do julgamento do mesmo (Súmula CARF 103). Recurso de ofício não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente em exercício e relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
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score : 1.0
Numero do processo: 19647.000747/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS
As mercadorias descritas como Ventiladores (Respiradores) GE, modelos CENTIVA 5 e ENGSTROM CARESTATION, classificam-se no código NCM 9019.20.90.
MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM
Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CTN NA REVISÃO ADUANEIRA.
A revisão aduaneira é procedimento expressamente previsto na legislação pertinente e não vulnera o art. 146 do CTN.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado).
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS As mercadorias descritas como Ventiladores (Respiradores) GE, modelos CENTIVA 5 e ENGSTROM CARESTATION, classificam-se no código NCM 9019.20.90. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.158-35/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CTN NA REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira é procedimento expressamente previsto na legislação pertinente e não vulnera o art. 146 do CTN. Recurso Voluntário Negado
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1512; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 188 1 187 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.000747/200937 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201003.015 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2017 Matéria CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS Recorrente SCIENTIFIC COM. E IMP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS As mercadorias descritas como Ventiladores (Respiradores) GE, modelos CENTIVA 5 e ENGSTROM CARESTATION, classificamse no código NCM 9019.20.90. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA NA NCM Mantida a reclassificação fiscal, é cabível a multa de 1% sobre o valor aduaneiro decorrente da incorreção na classificação fiscal adotada pelo contribuinte na DI, nos termos do art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com arts. 69 e 81 da Lei 10.833/2003. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INTELIGÊNCIA DO ART. 146 DO CTN NA REVISÃO ADUANEIRA. A revisão aduaneira é procedimento expressamente previsto na legislação pertinente e não vulnera o art. 146 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 07 47 /2 00 9- 37 Fl. 188DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Relatório Tratase de lançamento de IPI por reclassificação fiscal de mercadorias. O autuante entendeu que as mercadorias descritas como “Ventiladores (Respiradores) GE, modelos CENTIVA 5 e ENGSTROM CARESTATION”, utilizados na área médica, importadas, teriam classificação correta no código NCM 9019.20.90, alíquota de IPI 8%, enquanto o contribuinte indicou nas DI´s o código NCM 9019.20.10, alíquota 2%. Por decorrência, foi lançada também a multa regulamentar por classificação incorreta, e o PisImportação e CofinsImportação. As contribuições na importação foram lançadas por entender o autuante que o IPI na importação compõe suas bases de cálculo. Cientificado, o sujeito passivo interpõe impugnação, na qual sustenta a correção da classificação adotada; sustenta também que a descrição da mercadoria estava correta, devendose afastar a multa regulamentar e a multa de ofício, nos termos do ADN Cosit 10/97 e ADN Cosit 12/97; defende que não cabe a alteração de critério jurídico, cf. art. 146 do CTN e jurisprudência colacionada. A DRJ/Recife/PE dicidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Reproduzo a ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 Classificação de Mercadorias na NCM/TEC e NBM/TIPI. As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Regras Gerais Complementares são o suporte legal para a classificação de mercadorias na Nomenclatura Comum do Mercosul/Tarifa Externa Comum e na Nomenclatura Brasileira de Mercadorias/Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados. Ventiladores (Respiradores) para terapia respiratória, com seus acessórios, marca GE, modelos “Centiva 5” e “Engstron Carestation”, classificamse no código 9019.20.90 da NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes à época da ocorrência dos fatos geradores, ao amparo da RGIs nº 1 e 6 e RGC nº 1, combinada esta regra Fl. 189DF CARF MF Processo nº 19647.000747/200937 Acórdão n.º 3201003.015 S3C2T1 Fl. 189 3 do Mercosul com RGI nº 1 (Nota 3 do Capítulo 90 e Nota 4 da Seção XVI). Classificação incorreta na NCM. Multa de 1% sobre o valor aduaneiro dos bens. Às mercadorias classificadas incorretamente na NCM cabe a aplicação de multa, no percentual de 1%, sobre a diferença do valor aduaneiro, nos termos da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, combinada com a Lei nº 10.833, de 2003. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 Recolhimento a menor. Desclassificação de mercadoria. Multa de ofício de 75% Constatado o recolhimento a menor do IPI incidente sobre as mercadorias importadas classificadas incorretamente, e reclassificadas para o código 9019.20.90 da NBM/TIPI, cabe o lançamento da diferença desse imposto, por conta da majoração de sua alíquota de 2% para 8%, nos termos do Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002). Aplicase a multa de ofício de 75% sobre a diferença do IPI que deixou de ser recolhida, em virtude da reclassificação dos bens na NBM/TIPI, nos termos da Lei nº. 4.502, de 1964, com a redação da Lei nº 11.488, de 2007. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 Recolhimento a menor. Multa de ofício de 75%. Em razão da diferença da reconstituição da base de cálculo dessa Contribuição é devido o recolhimento da sua diferença, nos termos da Lei nº 10.865, de 2004 c/c Decreto nº 4.543, de 2002. Aplicase a multa de ofício de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da reclassificação da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei nº 9.430, de 1996). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 Insuficiência de recolhimento da Cofins. Multa de ofício de 75% Em razão da reclassificação da mercadoria importada e alteração da alíquota do IPI, foi reconstituída a base de cálculo dessa Contribuição e é devido o recolhimento da sua diferença, Fl. 190DF CARF MF 4 nos termos da Lei nº 10.865, de 2004, c/c Decreto nº 4.543, de 2002. Aplicase a multa de ofício de 75% sobre a diferença da Contribuição que deixou de ser recolhido, em razão da reclassificação da mercadoria na NCM/TEC e NBM/TIPI vigentes (Lei nº 9.430, de 1996). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/07/2007, 19/02/2008, 20/08/2008 Alteração critérios jurídicos. Revisão Aduaneira. Não se considera alteração nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa, no exercício do lançamento, para os efeitos do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN), o reexame da classificação fiscal utilizada pelo importador, e a decorrente reclassificação dos produtos importados em código da NCM/TEC diverso daquele informado nas declarações. A recorrente então interpõe o Recurso Voluntário, no qual reforça os argumentos da impugnação. explicita o funcionamento do Sistema Harmonizado e das Regras Gerais de Interpretação; afirma que os ventiladores em questão têm óbvia função de oxigenação; que a evolução tecnológica ampliou as capacidades desses equipamentos, sem descaracterizar sua função principal; entende que a posição residual adotada pelo Fisco, 9019.20.90 – Outros, não abrangeria os aparelhos que tenham função de oxigenoterapia; que as Nesh admitem que os aparelhos de oxigenoterapia podem apresentar funções de administração de aerossol; sustenta que sua interpretação atende melhor a RGI 6 e a RGC 1. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O Recurso é tempestivo, e não havendo óbices, tomo conhecimento dele. Classificação Fiscal da Mercadoria O litígio fundamental é quanto à classificação da mercadoria descrita como Ventiladores (Respiradores) GE, modelos CENTIVA 5 e ENGSTROM CARESTATION”, utilizados na área médica. Copiamos os códigos NCM confrontados: Fl. 191DF CARF MF Processo nº 19647.000747/200937 Acórdão n.º 3201003.015 S3C2T1 Fl. 190 5 O contribuinte os classificou no código 9019.20.10, como aparelhos de oxigenoterapia. O autuante entendeu pelo código 9019.20.90 – Outros aparelhos de terapia respiratória. O fundamento do aututante foi que, conforme os folders dos fabricantes, os aparelhos têm outras funções, além de oxigenoterapia. Reproduzimos sua argumentação: Os Itens 9019.10, 9019.20, 9019.30 e 9019.40 correspondem, respectivamente, aos aparelhos específicos para Oxigenoterapia, Aerossolterapia, Respiratórios de Reanimação e Respiradores Automáticos. Por não se limitar a nenhuma das supracitadas terapias na realidade englobando todas , por tratarse de equipamentos muito mais completos, resta o enquadramento na NCM 9019.20.90 Outros (Aparelhos), tomandose as informações seguintes como subsidio à presente tese: a) Dados extraídos do Catalogo, do Manual de Utilização e de "folders" de apresentação do equipamento, a fls. 059 a 087 texto integral no CD anexo , que apresentam e destacam as suas características diferenciais — "Apenas um ventilador? Como se Picasso fosse apenas um pintor" (livre tradução do enunciado do texto a fls. 064) — como medição de volume e pressão dos pulmões, traquéia e de trocas de gases, além de oferecer parâmetros de monitoramento avançado do metabolismo, através de módulos plug and play (utilização imediata sem necessidade de interface); e b) Comparações entre as definições das Notas Explicativas da Posição 90.19, a fls. 088 a 091, e ilustrações e conceitos de oxigenoterapia e aerossolterapia, a fls. 092 a 095, e as informações dos manuais de utilização dos aparelhos, que demonstram o quanto estes seriam subutilizados se empregados tãosomente nos tratamentos citados. A decisão recorrida incrementa a análise afirmando que os aparelhos em questão não são de oxigenoterapia (fl. 117): As funções dos ventiladores importados para terapia respiratória, objeto dos AI sob exame, não possuem a função de oxigenoterapia, ou seja, terapia à base de oxigênio. Não fazem os tratamentos e terapias descritos na literatura apresentada. Os respiradores analisados têm, basicamente, as seguintes funções, de acordo com as suas especificações técnicas: modo ventilatório intermitente e sincronizado, pressão assistida das Fl. 192DF CARF MF 6 vias aéreas (medições traqueais, de pressão e do volume do pulmão), monitor interno e destacável e a função de nebulizador. De fato, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado Nesh distinguem os ventiladores respiradores e aparelhos de oxigenoterapia: “90.19 (...) I APARELHOS DE MECANOTERAPIA (...) II – APARELHOS DE MASSAGEM (...) III – APARELHOS DE PSICOTÉCNICA (...) IV – APARELHOS DE OZOTERAPIA (...) V. APARELHOS DE OXIGENOTERAPIA, APARELHOS RESPIRATÓRIOS DE REANIMAÇÃO E OUTROS APARELHOS DE TERAPIA RESPIRATÓRIA Tratase de aparelhos para respiração artificial, utilizados, conforme o caso, para tratamento de afogados, eletrocutados, vítimas de intoxicação aguda (por óxido de carbono, especialmente), recémnascidos deficientes, pacientes com síncopes pósoperatórias, com poliomielite, com crises agudas de asma, deficiência da capacidade torácica, etc. Entre estes aparelhos, podem citarse: A) Os aparelhos destinados a substituir os processos manuais de respiração artificial: aparelhos mecânicos que atuam por compressão torácica ou por balanceamento do paciente fixado sobre uma prancha oscilante, aparelhos de insuflação de ar, etc. B) Os aparelhos de oxigenoterapia propriamente ditos que atuam, quer por inalação do oxigênio ou de uma mistura de oxigênio e anidrido carbônico, com auxílio de máscaras, quer distribuindo oxigênio num recinto respiratório constituído por uma espécie de tenda de plástico transparente adaptada ao leito do paciente e que tem por função manter uma respiração artificial. C) Os aparelhos denominados “pulmões de aço” e semelhantes.(...) Os aparelhos do presente processo, que são ventiladores, são do tipo “A” acima, de insuflação de ar, e não de oxigenoterapia, tipo “B”, conforme descrito. Desse modo, é inócua a asserção da recorrente, no Recurso Voluntário, de que (fl. 178): “ Apesar de todo embasamento científico do douto voto acima descrito, a querela se resume, a saber, se os ventiladores apontados possuem ou não a função de oxigenoterapia, ou seja, terapia à base de oxigênio. Nesse sentido, devemos ter como base que todos os processos e métodos essenciais de ventilação mecânica, devem ser capazes de prover, com o menor dano e custo possível, a melhor ventilação e oxigenação capazes de suprir a demanda do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 19647.000747/200937 Acórdão n.º 3201003.015 S3C2T1 Fl. 191 7 paciente. Logo, apontar categoricamente que os ventiladores em questão não possuem função de oxigenoterapia é negar o óbvio, é negar que os ventiladores não participam do processo respiratório” Ora, tratase de um sofisma. Não se diverge que a ventilação, como apoio à respiração, não contenha oxigênio. O que se afirma, e nunca negado pela recorrente, é que distinguemse, como aparelhos distintos, os de ventilação e os de oxigenoterapia. Portanto, convirjo com o Fisco, quando aponta que os aparelhos em questão não são de oxigenoterapia, tratandose de outros tipos de aparelhos de terapia respiratória, classificáveis no código NCM 9019.20.90. Impossibilidade de revisão aduaneira Alega a recorrente que o art. 146 do CTN contém regra limitadora à ação do Fisco, vedando a alteração de critério jurídico. Primeiramente, consigno que não houve qualquer comprovação, por parte da recorrente, de qualquer outra decisão ou despacho aduaneiro que tenha acatado a classificação fiscal por ela adotada. Nesse sentido, a acusação é vazia. De qualquer modo, a revisão aduaneira é expressamente prevista no Regulamento Aduaneiro, art. 638: Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2oA revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Como tal, e conforme art. 62 do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, e também art. 26A do PAF, as turmas do Carf não podem afastar a aplicação de dispositivos de Lei ou Decreto. Fl. 194DF CARF MF 8 A observância, tanto do art. 1461 do CTN quanto do art. Art. 54 do DL 37/662, impondose a validade de ambos, implica que o despacho aduaneiro não se conforma como homologação da DI, independentemente do canal. Essa interpretação sistemática que importa em acatar a ambos os dispositivos, em interpretação sistemática, converge com a realidade prática, na medida em que a necessária rapidez dos procedimentos aduaneiros, interesse de todos, exige um despacho sem o aprofundamento completo. Uma fiscalização completa e aprofundada somente pode ser feita no âmbito da revisão, nos casos de interesse da autoridade aduaneira, no prazo decadencial de 5 anos. Algo semelhante acontece com os tributos internos, quando informados e declarados em diversos instrumentos (DCTF, Dacon, DIPJ, SPED, etc), que são processados, acatados, e alguns erros podem ser apontados de imediato, por conferência automática eletrônica. Mas isso não impede que sejam objeto de fiscalização posterior, para apuração de erros, inexatidões ou fraudes não detectadas a priori, respeitado o prazo decadencial. De resto, o art. 149 do CTN veicula, facilmente, diversos incisos que abragem a revisão aduaneira, tais como I, II, III, IV e V. Multa por erro de classificação fiscal A multa por erro de classificação fiscal encontra previsão expressa no art. 84, I, da MP 2.15835/2001, combinado com art. 69 da Lei 10.833/2003. Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; Restando evidenciado o erro de classificação fiscal, impõese a aplicação da multa. A penalidade é objetiva, prescindido de dolo. O ADN 10/97, argüido pela recorrente, não têm aplicação ao caso. Tal ADN foi revogado pela ADI 13/2002: Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim a indicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. 1 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 2 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 195DF CARF MF Processo nº 19647.000747/200937 Acórdão n.º 3201003.015 S3C2T1 Fl. 192 9 Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. O ADI 13/2002, ao contrário do que pretende a recorrente, não afasta a multa regulamentar por classificação incorreta, prevista no art. 84, I, da MP 2.15835/2001, ainda que a descrição da mercadoria seja correta. Trata este ADI de situações em que o erro de classificação fiscal não importa em qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, tais como a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional”. Em todos esses casos, haverá um procedimento de análise do pedido do contribuinte, sem qualquer prévia falta de pagamento de imposto. Tais circunstâncias são substancialmente diferentes da multa em foco, não se aplicando ao caso. Também o ADN 12/97 não é aplicável, posto que, expressamente, trata apenas da multa por falta de guia de importação: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 [multa por falta de guia de importação] do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Portanto, não acato as razões da recorrente. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 196DF CARF MF 10 Fl. 197DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.721745/2009-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES.
A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada.
Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal.
Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo.
O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento.
Numero da decisão: 9202-005.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE - ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL - DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10183.721745/200913 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202005.587 – 2ª Turma Sessão de 28 de junho de 2017 Matéria ITR Recorrente CARLOS VIAN Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE ADA EXIBIDO ATÉ O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. RESERVA LEGAL DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL ADA, PARA ISENÇÃO DA ÁREA NO CALCULO DO IMPOSTO DEVIDO. HIPÓTESE EM QUE NÃO HOUVE APRESENTAÇÃO DE NEHUM DESTES. A falta de ADA tempestivo não consiste em elemento capaz de obstar o direito ao reconhecimento de área de utilização limitada. Para afastar a glosa de Área de Preservação Permanente, é preciso que o ADA seja anterior ao início do procedimento fiscal. Enquanto que para Área de Reserva Legal, esta exigência pode ser suprida pela averbação da área de reserva à margem da matricula do registro de imóveis, desde que ocorrida, tempestivamente, antes do fato gerador do tributo. O Contribuinte, no entanto, não logrou êxito em juntar aos autos nenhum documento capaz de obstar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Heitor de Souza Lima Júnior e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 45 /2 00 9- 13 Fl. 265DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 220101.504, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 857.622,30, calculados até 27/11/2009, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT. De acordo com o Auto de Infração, a fiscalização apurou dedução indevida de 839,0 ha de área de preservação permanente, dedução indevida de 6.714,4 ha de área de reserva legal e subavaliação do Valor da Terra Nua – VTN. O Contribuinte apesentou impugnação às fl. 51/73. A DRJ de Campo Grande julgou integralmente procedente o lançamento, fls. 97/109. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 117/143, requerendo, em síntese, que fosse considerado o laudo técnico anexado para comprovar a existência das áreas preservadas, bem como a avaliação técnica do imóvel, homologando assim o valor do imposto suplementar apurado e efetivamente recolhido para a devida quitação do imposto em tela. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 200/207, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO REGISTRO DE IMÓVEIS. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 9202005.587 CSRFT2 Fl. 10 3 A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel quando devidamente averbada junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente. ITR. DO VALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO MANTIDA Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT (NBR 14.6533), demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Às fls. 215/221, o Contribuinte interpôs Recurso Especial por divergência em relação às seguintes matérias: glosa da APP – Área de Preservação Permanente e glosa da ARL – Área de Reserva Legal. Às fls. 233/238, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso especial apenas em relação à glosa da APP – Área de Preservação Permanente e à glosa da ARL – Área de Reserva Legal, tendo em vista que o Recorrente não cumpriu com os requisitos formais regimentalmente estipulados em relação às demais matérias. Às fls. 239/240, em sede de Reexame de Admissibilidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais manteve integralmente o despacho do Presidente da Câmara que DEU SEGUIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial do Contribuinte. Às fls. 249/262, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, alegando, em síntese, a imprescindibilidade da apresentação tempestiva do ADA junto ao IBAMA, sob pena de não reconhecimento pela SRF das áreas de preservação permanente ou de utilização limitada. Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2004, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/08), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 857.622,30, calculados até 27/11/2009, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Terezinha”, localizado no município de Porto dos Gaúchos MT. Fl. 267DF CARF MF 4 O Acórdão recorrido negou provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante à glosa da APP – Área de Preservação Permanente e à glosa da ARL – Área de Reserva Legal. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10183.721745/200913 Acórdão n.º 9202005.587 CSRFT2 Fl. 11 5 submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da existência de ADA tempestivo para reconhecimento da Área como de Preservação Permanente e de Reserva Legal. O acórdão recorrido apontou a falta de documentos comprobatórios acerca da existência da área de reserva limitada. Tanto para ARL quanto para APP, bem como salientou a necessidade de que sejam cumpridas algumas exigências nesta comprovação. De modo que, a alegação simplista do Contribuinte de que estas áreas existem pelo simples fato de existirem não prosperou. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Quanto a Área de Reserva Legal a meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da ARL seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a Área de Preservação Permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, discutese o Exercício 2004, observo que o contribuinte não apresentou ADA, as matrículas do imóvel não possuem averbação de nenhuma das áreas pleiteadas. Não foi anexado Laudo elaborado por profissional habilitado. E considerando a inexistência de qualquer tipo de prova hábil a comprovar a existência delas foi corretamente glosada a integralidade da área equivocadamente deduzida pelo Contribuinte, quais sejam 839,3 ha a título de APP e 6714,0 ha, a título de ARL, devendo tais áreas serem desconsideradas como de Reserva Limitada e tributadas conforme determina a legislação. Mantido, portanto, o lançamento. Fl. 269DF CARF MF 6 Cumpre registrar que a maioria do colegiado vota pelas conclusões em razão do entendimento um pouco mais restritivo, qual seja: (a) Para ARL o ADA precisa ser apresentado ao IBAMA até a data do fato gerador, e sua ausência pode ser suprida por averbação nas mesmas condições. (b) Para APP o ADA pode ser posterior ao exercício fiscal mas deve obrigatoriamente ser anterior ao inicio da ação fiscal. Contudo, no caso dos presentes autos esta diferença não altera o resultado do julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 270DF CARF MF
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