Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,953)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,889)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,943)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,140)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,299)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,523)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10074.721381/2013-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II)
Data do fato gerador: 18/11/2010
ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. DESQUALIFICAÇÃO.
É pressuposto para usufruir o benefício fiscal da redução tarifária, referente à alíquota do imposto de importação, que o certificado de origem, apresentado à autoridade responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria importada, atenda a todas as prescrições impostas pelas normas que tratam do regime geral de origem da Aladi.
II. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM.
Efetuada desqualificação do Certificado de Origem da mercadoria importada, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora.
PRESCRIÇÃO COM ESCOPO NO ART. 174 DO CTN. INEXISTÊNCIA.
O prazo previsto no art. 174 do CTN, relativo a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário, tem por termo inicial a sua constituição definitiva, ou seja, a partir do momento em que não haja impedimentos para a Fazenda Pública efetuar a cobrança, o que no caso será apenas ao final do processo administrativo fiscal.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Numero da decisão: 3003-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) Data do fato gerador: 18/11/2010 ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. DESQUALIFICAÇÃO. É pressuposto para usufruir o benefício fiscal da redução tarifária, referente à alíquota do imposto de importação, que o certificado de origem, apresentado à autoridade responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria importada, atenda a todas as prescrições impostas pelas normas que tratam do regime geral de origem da Aladi. II. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. Efetuada desqualificação do Certificado de Origem da mercadoria importada, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. PRESCRIÇÃO COM ESCOPO NO ART. 174 DO CTN. INEXISTÊNCIA. O prazo previsto no art. 174 do CTN, relativo a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário, tem por termo inicial a sua constituição definitiva, ou seja, a partir do momento em que não haja impedimentos para a Fazenda Pública efetuar a cobrança, o que no caso será apenas ao final do processo administrativo fiscal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10074.721381/2013-87
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6851735
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3003-002.347
nome_arquivo_s : Decisao_10074721381201387.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 10074721381201387_6851735.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
id : 9898292
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:49 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271218429952
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-12T15:02:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-12T15:02:26Z; Last-Modified: 2023-05-12T15:02:26Z; dcterms:modified: 2023-05-12T15:02:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-12T15:02:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-12T15:02:26Z; meta:save-date: 2023-05-12T15:02:26Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-12T15:02:26Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-12T15:02:26Z; created: 2023-05-12T15:02:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2023-05-12T15:02:26Z; pdf:charsPerPage: 2138; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-12T15:02:26Z | Conteúdo => SS33--TTEE0033 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10074.721381/2013-87 RReeccuurrssoo Voluntário AAccóórrddããoo nnºº 3003-002.347 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 13 de abril de 2023 RReeccoorrrreennttee STEFANO OFFREDE GONZALEZ IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO (II) Data do fato gerador: 18/11/2010 ALADI. BENEFÍCIO FISCAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. VÍCIOS FORMAIS. DESQUALIFICAÇÃO. É pressuposto para usufruir o benefício fiscal da redução tarifária, referente à alíquota do imposto de importação, que o certificado de origem, apresentado à autoridade responsável pelo despacho aduaneiro da mercadoria importada, atenda a todas as prescrições impostas pelas normas que tratam do regime geral de origem da Aladi. II. DESQUALIFICAÇÃO DO CERTIFICADO DE ORIGEM. Efetuada desqualificação do Certificado de Origem da mercadoria importada, obriga o contribuinte ao pagamento da diferença dos tributos vinculados, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. PRESCRIÇÃO COM ESCOPO NO ART. 174 DO CTN. INEXISTÊNCIA. O prazo previsto no art. 174 do CTN, relativo a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário, tem por termo inicial a sua constituição definitiva, ou seja, a partir do momento em que não haja impedimentos para a Fazenda Pública efetuar a cobrança, o que no caso será apenas ao final do processo administrativo fiscal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 72 13 81 /2 01 3- 87 Fl. 226DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Lara Moura Franco Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 43.184,82, referentes à diferença entre o valor pago e o valor devido do Imposto de Importação, COFINS – importação e PIS/PASEP – importação, e respectivos juros e multas. Segundo os autos, importador registrou a DI n° 10/2053418-6, em 18/11/2010, para a importação de um veículo automotor, classificado na Tarifa Externa Comum no código 8703.23.10, utilizando redução de alíquota prevista no acordo tarifário no âmbito do Acordo de Complementação Econômica N° 55, que foi internalizado pelo Decreto nº 4.458, de 5 de novembro de 2002, e regula o comércio automotivo entre as partes. O Certificado de origem não foi mencionado como documento instrutivo da DI (fl. 91 e 92). Em, 22/03/13, amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal –MPF nº 07.1.54.00- 2013-00106-8, o importador foi intimado a apresentar alguns documentos instrutivos do despacho, inclusive o Certificado de Origem, caso houvesse (fl. 95). O Certificado de Origem apresentado (fl. 97), foi emitido em 20/10/2010 e assinado por: Maria Elena Gutierrez Lopez - Jefa de Servicios al Comercio Exterior. A fiscalização informa ter feito pesquisas no site da ALADI, no qual se constatou que a signatária do Certificado de Origem não está habilitada na Câmara Nacional de Comércio da Cidade do México. Tampouco se verificou histórico de sua habilitação (fl. 99). Em correspondência trocada com a Câmara Nacional de Comércio da Cidade do México foi informado os nomes das pessoas autorizada a emitir Certificados de Origem, não estando entre ele o nome de Maria Elena Gutierrez Lopez e ainda, foi feita a ressalva de que os certificados de origem expedidos por aquele organismo não são validos para solicitação de preferências tarifárias, conforme carta endereçada à Aduana do Brasil, cuja cópia foi anexada ao e-mail (fl. 104): Além disso, foi constatado que o Certificado de Origem incluiu um número de Fatura divergente da Fatura comercial que amparou a operação e que não constam nele as informações necessárias estabelecidas pelo Acordo de Complementação Econômica nº 55, celebrado entre MERCOSUL e México, que regula o comércio automotivo entre as partes e foi internalizado no ordenamento jurídico brasileiro pelo Decreto nº 4.458, de 5 de novembro de 2002, e cujo Regime de Origem encontra-se em seu Anexo II: ACE nº 55 - Anexo II Artigo 4°- 1. Para os efeitos deste Anexo: a) a base de classificação tarifária é a NALADI/SH; (...) Critérios de determinação de origem que deverão ser indicados no certificado Artigo 22 - Nos certificados de origem deverá indicar-se o artigo, parágrafo e letra, segundo o Fl. 227DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 caso, no qual se está dando cumprimento aos requisitos de origem estabelecidos neste Anexo, de acordo com o seguinte detalhe: (...) Por essas razões, o Certificado de Origem apresentado foi desqualificado, deixando de produzir efeitos fiscais e inapto para amparar a redução tarifária, que permitiu que a alíquota do Imposto de Importação fosse reduzida. Como valor do Imposto de Importação - II repercute sobre o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do PIS/PASEP - Importação e do Cofins- Importação, foi lavrado Auto de Infração para a cobrança da diferença desses tributos, além de juros e multa. Regularmente cientificado do lançamento em 28/05/2013, o autuado apresentou impugnação (fl. 129), na qual, em síntese alega: Que tem direito à isenção do Imposto de Importação sobre o bem importado uma vez que o Brasil é signatário do Acordo de Complementação Econômica n° 55, celebrado entre os governos do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e México, incorporado à legislação nacional pelo Decreto n° 4.458, de 5 de novembro de 2002. Entende que seguiu todos os caminhos determinados pela Lei em referência, descrevendo corretamente o bem importado e comprovando sua origem por meio da fatura e o certificado de origem apresentados. Afirma que são insubsistentes as alegações da fiscalização que concluiu haver inconsistências no Certificado de Origem. O Certificado de Origem foi expedido em 20.10.2010, pela CAMARA NACIONAL DE COMÉRCIO DA CIDADE DO MÉXICO, e foi assinado por MARIA ELENA GUTIERREZ LOPEZ, Chefe dos Serviços ao Comercio Exterior (fl. 97 - Anexo VI) Entende que a informação que a fiscalização extraiu do site da ALADI refere-se ao ano de 2013 (fl. 99-101), não servindo de prova para desqualificar o Certificado emitido em 2010. E que, o e-mail enviado pela Câmara Nacional de Comércio da cidade do México, datado de 12/04/2013, assinado por Cecília Hernández Calzadilla, em resposta à fiscalização deixou claro que, até abril de 2012, a Sra. Maria Elena Gutierrez Lopez integrava a Câmara Nacional de Comércio da Cidade do México, instituição oficial e habilitada pelo Governo do México. Ressalta que não existe qualquer verificação ou questionamento junto a Câmara do Comércio do México sobre a validade do documento, mas apenas e tão somente e-mail trocado entre as instituições sobre a pessoa que assina o Certificado de Origem, o que não serve para invalidar o documento e tributar o Contribuinte. Que a afirmação de que a Câmara Nacional de Comércio da Cidade do México não tem validade para solicitação de preferências tarifárias é confusa e contraditória, uma vez que, a própria Fazenda colacionou nos autos (fl. 99/101), informação obtida no site da ALADI, no qual consta o nome da Instituição como entidade habilitada a emitir certificados de origem, para que as mercadorias possam ser beneficiadas nos tratamentos preferenciais pactuados nos Acordos assinados ao amparo do Tratado de Montevidéu 1980. Fl. 228DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 Em relação ao número da Fatura, constante no Certificado de Origem de n° 123 (fl. 97), enquanto que aquela efetivamente entregue consta o n° 113 (fl. 106), percebe-se claramente, tratar-se de erro material passível de retificação, uma vez que é nítida a troca do número decimal 20 pelo 10. O mais importante é a identidade do veículo importado,ou seja, o número do chassi que é idêntico em todas as notas apresentadas. E que erros materiais, não são suficientes a invalidar o tratamento de preferência de isenção do Imposto de Importação e redução tarifária, ainda mais quando o documento original foi apresentado, verificando-se que todos os demais dados são compatíveis. Caso o entendimento dessa Secretaria da Receita Federal seja contrário ao acima exposto, o que não se espera, o princípio da boa-fé deve prevalecer no presente caso, Requer ainda que 1. Seja oficiada a Câmara Nacional de Comércio da Cidade do México, a fim de esclarecer: a) se Sra. Maria Elena Gutierrez Lopez, possuía habilitação para expedição do Certificado de Origem, em outubro de 2010, instruindo o oficio com a cópia do Certificado de Origem n° 5496 (fl. 97); b) esclarecimentos sobre a informação no site da ALADI de que a Câmara Nacional de Comércio da cidade do México tem habilitação para emitir Certificado de Origem no México, destinados a mercadorias que possam ser beneficiadas nos tratamentos preferenciais pactuados nos Acordos assinados ao amparo do Tratado de Montevidéu 1980. 2. No mérito, que seja admitida in totum a defesa do Impugnante, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a impugnação nos termos do Acórdão juntado aos autos, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, através de Recurso Voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, preliminar de prescrição e reafirma os argumentos principais trazidos na impugnação: É o Relatório. Fl. 229DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Como relatado, a recorrente, na qualidade de importador. mediante a Declaração de Importação (DI) n° 10/2053418-6, registrada em 18/11/2010, realizou a importação de veículo automotor, classificado na Tarifa Externa Comum no código 8703.23.10, utilizando redução de alíquota prevista no acordo tarifário no âmbito do Acordo de Complementação Econômica N° 55, que foi internalizado pelo Decreto nº 4.458, de 5 de novembro de 2002, e regula o comércio automotivo entre as partes. A fiscalização desqualificou o Certificado de Origem (fls. 97), por ausência de requisitos formais, sendo um número de Fatura divergente da Fatura comercial que amparou a operação e que não constam nele as informações necessárias estabelecidas pelo Acordo de Complementação Econômica nº 55, celebrado entre MERCOSUL e México. A autoridade fiscal procedeu à lavratura do presente auto de infração para a cobrança da diferença do Imposto de Importação – II, que repercute sobre o cálculo do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, do PIS/PASEP - Importação e do Cofins- Importação, além de juros e multa. Alega a recorrente em preliminar a ocorrência de prescrição para cobrança prevista no art. 156, inciso V e art. 174 do CTN. Entendo que não assiste razão à recorrente. Consiste a prescrição na perda da pretensão do direito, em virtude da inércia de seu titular no decorrer de certo período, ao passo que a decadência consiste na perda do próprio direito, em razão de não ter exercido no prazo legal. Nenhuma dessas hipóteses ocorreu no presente caso, pois a prescrição com estribo no art. 174 do CTN, só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário e o prazo decadencial do direito de lançar tributo só ocorre após o decurso do prazo de 5 anos do fato gerador, que foi observado na lavratura do presente auto de infração. O prazo previsto no art. 174 do CTN, relativo a prescrição da ação de cobrança do crédito tributário, tem por termo inicial a sua constituição definitiva, ou seja, a partir do momento em que não haja impedimentos para a Fazenda Pública efetuar a cobrança, o que no caso de lançamento de tributo em que foi apresentada tempestivamente impugnação será apenas ao final do processo administrativo fiscal. Quanto a alegação de boa fé da recorrente, esta é estranha à regra-matriz de incidência da multa pois a responsabilidade aduaneira-tributária é objetiva, não tendo de se comprovar culpa ou dolo ou a efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (CTN, art. 136). Vale lembrar ainda que, conforme o § 2º do art. 94, do Decreto-Lei 37/1966, a responsabilidade da ora recorrente por seu ato, verificada a conduta e o nexo causal, independia da sua intenção ou culpa e da extensão dos efeitos causados por ele: Fl. 230DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 Art.94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completa-los. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No que tange ao pedido de esclarecimentos da recorrente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que as diligências devem ser determinadas pela autoridade julgadora apenas quando entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, o que entendo não ser o caso face às provas carreadas aos autos. Quanto a contestação específica sobre a desqualificação do certificado de origem decorrente de erro material verificado pela fiscalização, sob o argumento de que o documento não preenchera os requisitos apresentados no art. 22, do anexo II do ACE nº 55 nem possuía o código do produto importado, a recorrente assim se manifestou: Ao observar o documento, no entanto, é possível verificar que houve um mero erro material quanto a grafia do número do certificado no qual houve uma troca do decimal 20 pelo 10, ou seja, na Fatura consta o nº 123 e na efetivamente entregue apresenta o nº 113. Esse equívoco é passível de retificação e, nesse mesmo sentido, o Certificado apresenta corretamente o número do chassi do carro importado em todas as notas juntadas. Além disso, é importante destacar que os demais documentos apresentados permitem verificar que os dados são compatíveis, havendo, portanto, apenas um possível erro de digitação. Cabe ressaltar que a parte requerente preencheu os demais requisitos exigidos para a importação do automóvel, estando a mesma em consonância com expedição de Certificado por autoridade competente, Maria Elena Lopez, a então chefe de Serviços do Comércio Exterior. Outro elemento que deve ser mencionado é o requerente tivera direito à isenção do Imposto de Importação sobre o bem, haja vista o Acordo de Complementação Econômica nº 55, a qual o Brasil é signatário. Tal legislação foi incorporada nas normas brasileiras pelo Decreto nº 4458 de 5 de novembro de 2002. Diante do exposto, o erro apresentado não configura nenhuma impossibilidade de identificação do carro importado, nem da aplicação do imposto de importação. Assim, o erro material relacionado a ausência dos requisitos supramencionados e de código não pode ensejar um auto de infração. O Decreto nº 4.458, de 5 de Novembro de 2002, que dispõe sobre a execução do Acordo de Complementação Econômica nº 55, traz os critérios de determinação de origem que deverão ser indicados no certificado, conforme determinado pelo artigo 22, do Anexo II do ACE nº 55: Artigo 22 - Nos certificados de origem deverá indicar-se o artigo, parágrafo e letra, segundo o caso, no qual se está dando cumprimento aos requisitos de origem estabelecidos neste Anexo, de acordo com o seguinte detalhe: Um bem obtido em sua totalidade ou produzido integralmente: Artigo5 o , parágrafo 1, letra "a". Fl. 231DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 Um bem produzido integralmente no território de uma Parte Signatária exclusivamente de materiais originários: Artigo5 o , parágrafo 1, letra "b". Um bem produzido utilizando materiais não originários que cumpra com uma mudança de classificação a nível de posição: Artigo5 o , parágrafo 1, letra "c". Um bem produzido utilizando materiais não originários que cumpra com conteúdo regional: Artigo5 o , parágrafo 1, letra "d". Para um bem classificado nas posições 40.09, 40.10 ou 40.11 da NALADI/SH quando em sua produção foram utilizados materiais não originários: Artigo5 o , parágrafo 1, letra "c". Para um bem classificado na posição 70.07 da NALADI/SH quando em sua produção foram utilizados materiais não originários: Artigo5 o , parágrafo 2. Para um bem classificado nas subposições 8482.10 a 8482.80 da NALADI/SH quando em sua produção foram utilizados materiais não originários: Artigo5 o , parágrafo 3. Para um bem classificado nas posições 84.07, 84.08, 87.06 ou 87.07 da NALADI/SH: Artigo6 o , parágrafo 2. Para um produto automotivo contido nas letras "a"a "c"do Artigo3 o do Acordo: Artigo6 o , parágrafo 2. Para um produto automotivo contido na letra "d"do Artigo3 o do Acordo: Artigo6 o , parágrafo 3. Para um produto automotivo novo, definido de conformidade com o Artigo6 o , parágrafo 7 do Acordo: Artigo6 o , parágrafo 5. Para um bem que seja um jogo ou sortimento: Artigo15. No Certificado de Origem, colacionado às fls. 97, não consta nenhuma informação nesse sentido, o que, a principio, indica o descumprimento de requisitos exigidos para a determinação da origem da mercadoria. Igualmente não consta do certificado de origem apresentado a classificação tarifária do bem no sistema NALADI/SH, conforme estabelecido no artigo 4º, do Anexo II, do ACE Nº 55: Artigo 4°.- 1. Para os efeitos deste Anexo: a) a base de classificação tarifária é a NALADI/SH; Tal informação é importante para se verificar o enquadramento da mercadoria no regime de preferência e fazer a correlação com a classificação fiscal do Mercosul NCM/SH, conforme consta na fatura comercial, às fls. 106 e a compatibilidade com a descrição da mercadoria nos documentos que acompanham o despacho e também se encontra prevista arts. 7º e 8º da Resolução 252, da ALADI, que traz as disposições em matéria de declaração e certificação de origem no âmbito desse acordo. Quanto as demais inconsistências apontadas, registro do número de fatura (Fatura nº 123) divergente do número daquela efetivamente entregue (Fatura nº 113), entendo que se trata de mero erro formal mas que não modifica a qualificação de origem do produto e quanto a signatária do certificado de origem apresentado (Maria Elena Gutierrez Lopez) não constar nas solicitações de informações ao órgão emitente ou consultas aos site da ALADI, efetuadas posteriormente na revisão aduaneira, que ela efetivamente não estava habilitada para assinar os Certificados de origem à época dos fatos, pelo contrário, da informação no email de fl.103 depreende-se que ela poderia ter tais poderes no passado. Fl. 232DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-002.347 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10074.721381/2013-87 No entanto, tendo em vista o descumprimento de requisitos exigidos no Anexo II do ACE nº 55, internalizado pelo Decreto nº 4.458, de 5 de Novembro de 2002, conforme concluiu a decisão recorrida, que a legislação tributária que dispõe sobre benefícios tributários deve ser interpretada de forma literal, entendo por manter o lançamento decorrente da desqualificação do certificado de origem da mercadoria importada, para cobrança dos tributos eventualmente não recolhidos em função do tratamento preferencial dele decorrente, bem como os demais acréscimos legais. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 233DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13830.721652/2018-98
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 1001-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202305
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13830.721652/2018-98
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849258
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 1001-000.667
nome_arquivo_s : Decisao_13830721652201898.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13830721652201898_6849258.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
id : 9894966
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:45 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271240450048
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T13:46:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T13:46:25Z; Last-Modified: 2023-05-15T13:46:25Z; dcterms:modified: 2023-05-15T13:46:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T13:46:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T13:46:25Z; meta:save-date: 2023-05-15T13:46:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T13:46:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T13:46:25Z; created: 2023-05-15T13:46:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2023-05-15T13:46:25Z; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T13:46:25Z | Conteúdo => 00 SS11--TTEE0011 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 13830.721652/2018-98 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 1001-000.667 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária SSeessssããoo ddee 10 de maio de 2023 AAssssuunnttoo SIMPLES NACIONAL RReeccoorrrreennttee ISAQUE MAXIMO SOARES BATERIAS EIRELI IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva (Presidente), José Roberto Adelino da Silva e Sidnei de Sousa Pereira Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 14-99.379, da 7ª Turma da DRJ/RPO, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (MI), apresentada pela ora recorrente, contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) de Exclusão do Simples Nacional, face à existência de débitos para com o INSS e/ou as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal. Em sua MI, a ora recorrente alegou ter parcelado os débitos e que não havia pago ou parcelado o Debcad nº 13981112-5, inscrito em dívida ativa da União, por estar sendo objeto de pedido de Revisão de Débito no processo administrativo nº 13830.720156/2018-17. Em seu voto, a DRJ alegou que: Diante do recebimento do ADE de exclusão, o contribuinte alegou que parcelou os débitos que estavam em cobrança na Receita Federal do Brasil, e, quanto ao Debcad nº 13981112-5, inscrito em dívida ativa da União, não pode pagá-lo ou parcelá-lo porque estava sendo objeto de pedido de Revisão de Débito no processo administrativo nº 13830.720156/2018-17. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 30 .7 21 65 2/ 20 18 -9 8 Fl. 113DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 1001-000.667 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.721652/2018-98 Consulta ao processo administrativo nº 13830.720156/2018-17, de revisão de débito inscrito em DAU, cuja cópia integral anexa-se às fls. 17 a 72, mostra que, na data de 09/05/2019, ainda remanescia saldo do débito previdenciário inscrito em dívida ativa, conforme informações de fls. 69 (fl. 46 e respectiva autenticação do processo original). Recebido o ADE de exclusão, em 27/09/2018, o contribuinte deveria ter regularizado os débitos que o motivaram no prazo de 30 dias contados de sua ciência, de modo a garantir sua permanência no Simples Nacional. A possibilidade de regularização é prevista no art. 31 §2° da LC 123, de 2016, ... Cientificada 21/09/2021(fl. 78), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 21/10/2021 (fl. 80). Em seu RV, a recorrente reafirma o que dito em sede de MI e que os Débitos do Simples Nacional que constam no Anexo Único, do ADE 3627192, foram parcelados em 19/10/2018, tempestivamente, conforme o recibo de adesão ao parcelamento do Simples Nacional (anexado), portanto, dentro do prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Ato Declaratório, (27/09/2018): Débitos Previdenciários (Divergência entre GFIP e GPS) que consta no Anexo Único do Ato Declaratório n° 3628007 de Exclusão do Simples Nacional: Estes débitos foram parcelados em 18/10/2018, tempestivamente, conforme recibo de adesão ao parcelamento Simplificado Previdenciário (em anexo), portanto dentro do prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Ato Declaratório que foi em 27/09/2018. Débitos Previdenciários (processos) Número do Debcad n° 139811125 e Débitos Inscritos na Procuradoria — Geral da Fazenda Nacional Debcad n° 139811125. Fl. 114DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 1001-000.667 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.721652/2018-98 Os débitos R$ 516,32 e R$ 764,70, foram objeto do Pedido de Revisão de Débitos Confessado em GFIP numero do Processo 13830.720156/2018-17, que teve seu pedido deferido na integra, em data de 10/09/2018, portanto antes da ciência do Ato Declaratório n° 3627192 de exclusão do Simples Nacional. Anexa a documentação pertinente e conclui requerendo a revisão da decisão. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. Inicialmente, temos que a Lei Complementar 123/2006 assim dispõe: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte: V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; O parágrafo 2º, ao artigo 31, do mesmo diploma legal, determina que: Art. 31. A exclusão das microempresas ou das empresas de pequeno porte do Simples Nacional produzirá efeitos: § 2º Na hipótese dos incisos V e XVI do caput do art. 17, será permitida a permanência da pessoa jurídica como optante pelo Simples Nacional mediante a comprovação da regularização do débito ou do cadastro fiscal no prazo de até 30 (trinta) dias contados a partir da ciência da comunicação da exclusão Fl. 115DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 1001-000.667 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 13830.721652/2018-98 A documentação anexada ao RV, fls. 81 a 100 e fls. 101 a 102, aparenta fazer prova em favor da recorrente. Assim, em respeito aos princípios da verdade material e do formalismo moderado, que norteiam o processo administrativo fiscal, entendo não haver óbice para a apresentação de provas em qualquer fase do processo, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal. Nesta linha, temos inúmeras decisões deste CARF e, especialmente, a decisão, da 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, no seguinte julgado: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia-se que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) Deste modo, são aceitas as provas apresentadas nesta isntância em respeito aos princípios da verdade material, da razoabilidade e do formalismo moderado. Consequentemente, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência à Unidade de Origem para que esta ateste a idoneidade da documentação anexada e confirme ter de fato havido a regularização dos débitos que constam no Anexo Único, do ADE 3627192, na forma descrita no relatório acima. Deverá ser elaborado um relatório conclusivo e que o contribuinte seja intimado, no prazo de 30 dias, a apresentar as considerações, adicionais que entender convenientes, conforme art. 35, § único, do Decreto nº 7.574/2011. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 116DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000980/2008-75
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO
ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE
DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO
MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora.
A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou
materializado nas alegações aduzidas na peça recursal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO
INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS
APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime.
Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher.
Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência
das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil.
No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência
tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados.
Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE
FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA
CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES
SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS.
IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11030.000980/2008-75
conteudo_id_s : 6851288
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.515
nome_arquivo_s : Decisao_11030000980200875.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11030000980200875_6851288.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9897832
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento.
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271253032960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 338 1 337 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000980/200875 Recurso nº 876.236 Voluntário Acórdão nº 380200.515 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria Ressarcimento COFINS Recorrente Comil Carrocerias e Ônibus Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 339 3 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Santa Maria (fls. 290/308), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que reconhecera apenas em parte pleito relacionado a direito creditório relativo à COFINS nãocumulativa de competência do 3o trimestre de 2007. Quanto à parte rejeitada do pleito, esta abrangeu os seguintes pontos: a) foram glosados os valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, posto que referidas despesas não teriam sido alcançadas pela COFINS; b) também foram glosados os créditos apurados no mercado interno decorrentes de vendas operadas com redução da base de cálculo. Com respeito à parcela do crédito reconhecida, a autoridade administrativa entendeu por restringir seu aproveitamento apenas para compensação com débitos da própria COFINS, restrição esta fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente aos créditos homologados, referida autoridade manifestouse no sentido de que a ampla compensação ou o ressarcimento só poderiam ser admitidos quanto às saídas destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 6o da Lei 10.833/03 – ou ainda, quanto aos créditos decorrentes das vendas para o mercado interno, se estas pudessem ser enquadradas em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Irresignada, a pleiteante apresentou manifestação de inconformidade onde ressaltou, em síntese: a) quanto à restrição para aproveitamento dos créditos homologados tão somente para compensação com débitos da própria COFINS, defende que Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 a venda das carrocerias ou ônibus no mercado interno se deu com redução da base de cálculo da contribuição, hipótese exonerativa que seria equivalente à figura da isenção parcial, amparada, pois, pelo disposto no artigo 17 da Lei no 11.033/04, c/c artigo 16 da Lei n° 11.116/05; b) que a legislação de regência asseguraria o direito à restituição de créditos da COFINS nas compras de insumos utilizados na industrialização de produtos ou mercadorias acumulados trimestralmente, notadamente em razão da impossibilidade de se valer de dedução ou compensação da própria contribuição social ou com quaisquer tributos administrados pela RFB face ao amontoamento de créditos provocados pela preponderância de saídas imunizadas (vendas para o mercado externo ou ZFM), ou ainda, pela própria saída com parcial incidência do tributo (caso das vendas realizadas no mercado interno); c) que, nos termos do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, o legislador ordinário teria vislumbrado impedir que os créditos ficassem inservíveis nos casos em que empresas, pela natureza particular de suas operações (exonerações totais ou parciais nas saídas), gerassem contínuo saldo credor da contribuição, o que, à mingua de débitos equivalentes, tornaria nulo o próprio direito de crédito concedido e inócua a sistemática da não cumulatividade engendrada no § 12 do art. 195 da CF; d) que o beneficio fiscal trazido pelo inciso II, § 2°, do art. 1°, da Lei n° 10.485, de 2002 – redução de base de cálculo – não teria o condão de interferir na forma ou modalidade de aproveitamento dos créditos resultantes desta exoneração parcial, porquanto tais créditos, mantidos na exata medida em que a saída tenha se dado com a redução da base imponível do tributo, seriam resultado de uma modalidade que ataca o aspecto quantitativo do fato gerador, de forma a dispensar parcialmente o pagamento do tributo, afeiçoandose, à vista disso, como regra isentiva; e) que, ainda que isenção não fosse, o art. 1°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.485, de 2002, determinaria a nãoincidência da norma tributária sobre uma parcela do fato econômico que enseja o pagamento do tributo (fato gerador), com a conseqüente possibilidade de aplicação do art. 16 da Lei n° 11.116/05 (recuperação total dos créditos descontados em operações anteriores por meio de ressarcimento); f) assevera que o § 6° do art. 150 da CF determina ser indispensável lei específica para fins de concessão dos direitos aos benefícios que enumera, nada exigindo ou ressalvando quanto à modalidade de aproveitamento dos créditos tributários: se por restituição ou compensação; g) que não faria sentido algum a concessão ao direito de ressarcimento (restituição) a quem pode o mais – aquele que é agraciado com a isenção ou nãoincidência total do pagamento da contribuição na saída do produto de seu estabelecimento – e tolher (prejudicar) a fruição deste mesmo direito (ou a ele análogo) a quem pode o menos – aquele que é beneficiado apenas com isenção ou nãoincidência parcial (redução de base de cálculo) do tributo na saída das mercadorias (produtos); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 340 5 h) que esta disparidade de critérios seria inadmissível, desequilibrando e colidindo com os princípios da isonomia e seus consectários, proporcionalidade e razoabilidade, todos da CF de 1988, vetores a orientar o Sistema Tributário Nacional, inclusive o aplicador da lei fiscal; i) que não mereceria ser acolhida a distinção feita, devendo ser corrigido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal e, por conseqüência, o Despacho Decisório, por serem substancialmente inválidos, improcedentes, ilegais e, também, inconstitucionais, devendo eles se adequarem à melhor interpretação das normas, visandose resguardar o ressarcimento dos créditos já reconhecidos e quantificados, resultantes das vendas de ônibus ou carrocerias operadas no mercado interno; j) que seu direito à compensação estaria amparado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002. Sobre a exclusão das despesas com fretes marítimos internacionais da base de cálculo da contribuição, aduz o seguinte: a) que o termo de verificação fiscal seria nulo por falta de fundamentação legal, face à inobservância aos incisos IV, art. 10, II, art. 59, ambos do Decreto n° 70.235/72, e I, art. 50 da Lei n° 9.784/99; b) que o art. 110 do CTN teria vedado qualquer alteração ou restrição infraconstitucional tendente a limitar a aplicabilidade da sistemática da não cumulatividade, a qual, à luz da Constituição Federal, permitiria a manutenção e o crédito do tributo sobre a totalidade dos produtos ou bens adquiridos, sem exceção; c) que, por força do art. 3° da Lei n° 10.637/02, a operação não poderia ser onerada pelo custo representado pelo quantum do bem, serviço ou mercadoria adquirida, como no caso da empresa, que apurou e escriturou os créditos da contribuição resultantes das despesas com fretes marítimos incorridas, indispensáveis à vazão de suas carrocerias e ônibus para clientes sediados no exterior; d) que a apuração dos créditos encontraria amparo expresso no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03, e que a despesa passível de creditamento teria como requisitos únicos os dispostos no inciso II do § 3° do art. 3° da referida Lei, tendo a empresa observado rigorosamente os pressupostos exigidos, sobretudo porque os créditos da COFINS seriam indiscutivelmente decorrentes de fretes marítimos adquiridos e pagos à pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; e) que não poderia haver dúvidas acerca da regularidade dos créditos calculados sobre os fretes marítimos, seja porque foram eles adquiridos de pessoas jurídicas constituídas e operantes no País, seja porque foram pagos (creditados) às mesmas, também em território nacional, resultando ser Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 forçoso reconhecer que estariam preenchidos todos os requisitos dos incisos I e II, § 3°, do art. 3° da Lei n° 10.833/03; f) que referido serviço não poderia se enquadrado como insumo, mormente porque ditos fretamentos não são aplicados, transformados fisicamente, ou mesmo consumidos no processo de industrialização desses bens; g) que qualquer outro juízo fiscal cujo intento seja o de elastecer o alcance da restrição contida na norma esbarraria no princípio da tipicidade cerrada (reserva legal) e nos rigores dos comandos prescritos pelos arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN. Quanto à correção dos créditos, defende que os mesmos deveriam ser atualizados, e isso com fulcro na proteção da empresa da corrosão inflacionária da moeda. Referida atualização deveria se dar com base na taxa SELIC, nos termos de jurisprudência do Conselho de Contribuintes e de doutrina nesse sentido. Em seu pedido final, se manifesta pela nulidade do despacho decisório atacado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, de cuja decisão a pleiteante fora cientificada em 24/02/2010 (fls. 310). Inconformada, a empresa, em 26/03/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 311/336, onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, aduzindo em acréscimo, notadamente, que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela ‘domiciliada’ no país!”. Diante do exposto, requer a reforma do acórdão vergastado para “JULGAR/DECLARAR:” a) o despacho decisório inválido ou improcedente; b) o direito à compensação dos créditos reconhecidos nos moldes prescritos pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores; c) o direito creditório calculado sobre as despesas com fretes marítimos e sua utilização para ressarcimento ou compensação; e, d) a atualização dos créditos pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 341 7 O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Ainda em sede de preliminar, existe uma questão de nulidade a qual, adianto, está afastada, mas cujas razões serão demonstradas quando do exame do mérito, dado o liame que existe entre os argumentos em prol da nulidade apresentados pela recorrente e as questões relativas aos fundamentos da lide analisadas. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve discussão acerca de pedido de ressarcimento de créditos da COFINS, de competência do terceiro trimestre de 2007, onde parte do direito creditório não foi reconhecido em decorrência da exclusão da base de cálculo dos valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, despesas estas não alcançadas pela COFINS e pelo PIS. Com respeito à parcela do crédito homologada pela autoridade administrativa, seu aproveitamento ficou restrito apenas à compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente à parcela do crédito homologada, segundo o raciocínio aplicado, a ampla compensação ou o ressarcimento só seriam admitidos se as saídas tivessem sido destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou se o caso pudesse ser enquadrado em hipótese de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. A primeira questão que necessita ser analisada diz respeito à existência ou não de direito a compensação com outros tributos federais, ou a ressarcimento, dos créditos da COFINS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo. Para tanto, convém sejam feitas breves considerações acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a grande similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são, em regra, de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de bases de cálculo e de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigo 2o de cada uma das leis em comento, dentre as quais a condição prescrita pelo inciso III do § 1o dos respectivos artigo 2o (incluídos pela Lei nº 10.865, de Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 2004), que determina a aplicação do disposto no artigo 1o da Lei 10.485, de 3/07/2002, para os produtos ali elencados (onde se enquadra a mercadoria industrializada pela reclamante), dispositivo este que estipula a alíquota de 2% para o PIS/Pasep a ser aplicada sobre uma base de cálculo reduzida em 48,1%, conforme se observa abaixo: Lei 10.485, de 3/07/2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: [...] II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Doravante, voltaremos a essa questão. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse caso, as leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 342 9 Feitas as observações de natureza mais geral sobre o regime da não cumulatividade das contribuições sociais, passemos para os pontos especificamente relacionados à lide. Do alegado direito a ressarcimento em espécie ou para compensação com outros tributos dos créditos da COFINS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição A primeira questão posta em exame requer seja examinado se existe direito à compensação com outros tributos, ou para ressarcimento em espécie, dos créditos da COFINS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição em tela. Não há questionamento quanto ao direito de creditamento (a não ser em relação aos outros problemas adiante analisados), já que tal direito está claramente amparado pelo artigo 3o da mencionada Lei 10.637/02 (bem como pelo artigo 3o da Lei 10.833/03, no caso da COFINS). Com respeito às receitas decorrentes da prestação de serviços para o exterior com ingresso de divisas ou à exportação de mercadorias (ou operação equivalente), o artigo 6o da Lei 10.833/03, ao estabelecer a nãoincidência da contribuição sobre aludidas receitas, autoriza, nessas hipóteses, a utilização dos créditos apurados na forma do artigo 3o, inclusive, por meio de compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela RFB ou ressarcimento em dinheiro, nos termos do referido dispositivo, abaixo reproduzido: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] (grifos nossos) Além disso, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal, abaixo transcrito: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Como se vê, o direito à utilização dos créditos do PIS e da COFINS para a compensação com débitos de outros tributos administrados pela RFB, assim como por meio de ressarcimento em dinheiro, é restrito para os casos em que aludidos créditos tiverem sido apurados na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/02, dentre outros, sobre custos, despesas e encargos necessários à fabricação de mercadorias exportadas ou à prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas (§§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 e §§ 1o a 3o do artigo 6o da Lei 10.833/03), bem como em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05 c/c artigo 17 da Lei 11.033/04). No entanto, o crédito da contribuição objeto da lide decorre da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos vendidos no mercado interno, condição que, conforme demonstrado, não encontra abrigo legal que garanta o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em dinheiro que a lei confere aos créditos apurados na fabricação de bens exportados. Resta examinar apenas se referidas alienações podem ser enquadradas como operações realizadas com isenção ou nãoincidência, como defende a empresa interessada. Neste comenos, também não há direito que ampare a tese aduzida pela recorrente, conforme fundamentos na sequência delineados. A isenção tributária, para os doutrinadores mais antigos (Rubens Gomes de Sousa, Amílcar de Araújo Falcão, Fábio Fanucchi, dentre outros), é a dispensa legal de pagamento de tributo devido. Segundo essa tese, na isenção ocorre o fato gerador, a incidência tributária e a materialização da obrigação tributária, que, no entanto, é dispensada pela lei isentiva. Não obstante as pesadas críticas contrárias a essa linha conceitual, não se pode negar Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 343 11 que tal ideia está em sintonia com o artigo 175, inciso I, do CTN, que coloca a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário. Souto Maior Borges, por sua vez, defende que [...] nãoincidência, imunidade e isenção apresentam como nota comum a circunstância de, em face delas, não surgir o vínculo jurídico denominado incidência [...]. E, sem a incidência do tributo, não surge a obrigação tributária. (grifei) (BORGES, Souto Maior. Teoria geral da isenção tributária. Malheiros: São Paulo. 3.ed. 2001. p.190) Até aqui, nenhum problema com a doutrina contemporânea. Mas a recorrente, fundada exatamente em lição de Souto Maior Borges, além de Ives Gandra Martins e em jurisprudência do STF (para o ICMS), aduz que a hipótese normativa na qual se enquadra diz respeito às chamadas isenções parciais, onde “[...] surge o fato gerador da tributação, constituindose, portanto, a obrigação tributária, embora o quantum do débito seja inferior ao que normalmente seria devido se não tivesse sido estabelecido preceito isentivo”. E assim, caracterizada a redução da base de cálculo como isenção, estaria a empresa amparada pelo direito de compensar os créditos da COFINS com débitos de outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, pelo direito ao ressarcimento em dinheiro, alicerçada que estaria pelo artigo 16 da Lei no 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei no 11.033/04. No entanto, não obstante a respeitável doutrina e jurisprudência em que a recorrente se alicerça, não há como se aceitar a tese da isenção parcial defendida pela mesma. Luciano Amaro leciona que a técnica da isenção “[...] consiste em estabelecer, em regra, a tributação do universo, e, por exceção, as espécies que ficarão fora da incidência, ou seja, continuarão não tributáveis. Essas espécies excepcionadas dizemse isentas” (Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 280) (grifei). Por sua vez, Paulo de Barros Carvalho explica a isenção tributária a partir da divisão das normas jurídicas em normas de comportamento e em normas de estrutura; nestas, inclui as regras de isenção, cuja forma de ação envolve o ataque a um ou mais dos critérios da norma, mutilandoos parcialmente. Ressalta o i. professor que a isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério do antecedente (p. ex., critério espacial) ou do consequente (p. ex., sujeito passivo) da norma jurídica tributária, impedindo o tributo de nascer (e aqui, entendase, de nascer na sua totalidade). Exatamente por isso é que não se pode confundir subtração do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente com a redução (parcial, portanto) da base de cálculo ou da alíquota do tributo. Nesse sentido, postula que a diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção – muito embora a doutrina a denomine de isenção parcial –, mas apenas providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. Nas palavras do próprio autor: Não confundamos subtração do campo de abrangência do critério da hipótese ou da conseqüência com mera redução da base de cálculo ou da alíquota, sem anulálas. A diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção, traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 do tributo que deve ser pago. O nome atribuído pelo direito positivo e pela doutrina é isenção parcial. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 6. ed. São Paulo: Saraiva. 1993. p. 333334) (grifei) Seguindo essa mesma linha, e criticando a tese das isenções parciais (na qual se embasa intensamente a defesa da reclamante, como ressaltado), Sacha Calmon Navarro Coêlho: [...] à luz da teoria da norma jurídica tributária, a denominação isenção parcial para o fenômeno da redução parcial do imposto a pagar, através das minorações diretas de bases de cálculo e de alíquotas, afigura se absolutamente incorreta e inaceitável. A isenção ou é total ou não é, porque a sua essentialia consiste em ser modo obstativo ao nascimento da obrigação. Isenção é o contrário de incidência. As reduções, ao invés, pressupõem a incidência e a existência do dever tributário instaurado com a realização do fato jurígeno previsto na hipótese de incidência da norma de tributação. As reduções são diminuições no quantum da obrigação, via base de cálculo rebaixada ou alíquota reduzida. (grifo nosso) (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 196) Portanto, seja admitindo a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário, seja aceitando a ideia de isenção como excludente da norma hipotética de incidência, no caso em exame – onde houve, tãosomente, uma redução da base de cálculo da COFINS (em 48,1%, imposta pelo artigo 1o, inciso II, da Lei 10.485/02) e a estipulação de uma alíquota, inclusive, mais elevada que a ordinariamente estabelecida (9,6% contra 7,6%) –, não há que se falar em isenção, já que todos os elementos necessários à constituição do crédito tributário – este, efetivamente existente – se fazem presentes. Aliás, e agora nos restringindo à tese da isenção como hipótese de dispensa legal de pagamento de tributo devido – na forma do CTN – a sustentabilidade lógica da proposição defendida pela reclamante necessitaria fossem alterados os fundamentos necessários à classificação da isenção como uma hipótese de exclusão do crédito tributário, estabelecida pelo artigo 175, I, do CTN, normativamente, portanto. Já a tese da isenção parcial requer, como condição sine qua non, seja afastada a incidência do tributo e o surgimento da obrigação tributária principal, criando o denominado fato gerador isento, previamente, pois, à materialização da obrigação tributária, posto que seria impraticável defender tal tese uma vez materializada, na sua totalidade, a obrigação tributária, que, neste caso, deveria subsistir apenas em parte. Enfim, a questão em exame representa exclusivamente o estabelecimento de base de cálculo e alíquota específicas visando reduzir a carga tributária de um particular seguimento da economia, o que, de forma alguma, se assemelha à isenção, posto que incompatível: a) com a tese mais tradicional – isenção como hipótese normativa de exclusão do crédito tributário (artigo 175, inciso I, do CTN); b) com a tese da isenção como excludente da norma hipotética de incidência – que exige seja a isenção conferida na sua totalidade. Aliás, a alteração da alíquota pode ocorrer não apenas para reduzir a carga tributária, mas também para aumentála (como não raro ocorre), o que põe por terra em definitivo a tese da isenção parcial. O caso em exame também não se enquadra como nãoinciência tributária, como, alternativamente, defende a reclamante. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 344 13 Redução de base de cálculo nada tem a ver com nãoincidência da norma tributária. A nãoincidência, como defende Sacha Coêlho, é um “nãoser”. Enquanto a isenção advém de norma positiva que estabelece condição onde a norma hipotética de incidência não tem alcance, na nãoincidência simplesmente não há norma, ou seja, o ato praticado é estranho ao campo da normatividade tributária. Exatamente por isso é que Geraldo Ataliba, de forma brilhante, comparava a nãoincidência ao nãocrime. Por seu turno, no caso presente, a própria redução da base de cálculo é suficiente para demonstrar de forma transparente a materialidade da hipótese de incidência, que, por alcançar a realidade fática, comprova não se enquadrar o fato no âmbito da não incidência tributária. Portanto, relativamente aos créditos da COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a vendas efetuadas para o mercado interno com redução da base de cálculo, diante do fato de referida redução não se enquadrar como hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, concluise que não há amparo legal que possibilite a utilização desses créditos para fins de compensação com outros tributos federais, ou ainda, para ressarcimento em dinheiro. Assim, em relação a referidos créditos, cabível apenas sua utilização para dedução da própria contribuição devida pela empresa interessada. Negase, pois, provimento ao recurso neste âmbito. Da inaplicabilidade, ao caso, do direito prescrito pela Lei no 9.430/96 Também não merece acolhida o argumento aduzido pela empresa recorrente concernente à alegada aplicabilidade ao caso do disposto no artigo 74 da Lei no 9.430/96. Com efeito, o caput do referido dispositivo, segundo redação dada pela Lei nº 10.637/02, garante o direito à compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, mas isso apenas em relação a créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme se observa do preceito acima referenciado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso) Como demonstrado, os créditos da reclamante não se enquadram como passíveis de restituição ou de ressarcimento, razão pela qual o artigo 74 da Lei no 9.430/96 não ampara o direito que a mesma alega fazer jus. Do alegado direito a creditamento da COFINS pela realização de despesas com fretamento Conforme já revelado, a legislação pertinente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Referidas leis, no entanto, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 (com as alterações implementadas pela Lei nº 10.865, de 2004), fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela, como, por exemplo, aquela objeto de seu inciso II, segundo o qual não dará direito a crédito o valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, interessante observar que a possibilidade de utilização dessas despesas para fins de apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS se encontra explicitada no inciso IX do artigo 3o da Lei no 10.833/03 (relativa à COFINS nãocumulativa), inciso este que, por força do disposto no artigo 15, inciso II, da referida Lei, é aplicável também para o PIS/Pasep não cumulativo. Para maior clareza reproduzo os preceitos legais em comento: Lei 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A motivação arguida pela autoridade recorrida para indeferir o direito ao creditamento sobre referidas despesas foi a nãoincidência da COFINS sobre os fretes marítimos internacionais prestados por empresas domiciliadas no exterior. Inicialmente, não se questiona que o ônus das operações com frete tenha sido integralmente suportado pela reclamante. O motivo para a glosa de tais despesas, como consignado no termo de verificação fiscal, foi a contratação de fretes com empresas domiciliadas no exterior. Com efeito, os incisos I e II do § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 restringem o direito ao crédito: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Ademais, prescreve o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (acima já referenciado): § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 345 15 Contraditanto não haver desobedecido a esses preceitos, a reclamante insiste que os créditos da COFINS em contenda advêm de fretes marítimos “adquiridos” e “pagos” a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Especificamente, assevera que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela "domiciliada" no país!”. No entanto, segundo o termo de verificação fiscal e decisão vergastada, o agenciamento dos serviços de fretamento foi intermediado por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais. Nesse diapasão, consta da decisão recorrida: Muito embora o ônus das operações de frete tenha sido suportado pela empresa (vendedora), se pode inferir pelos documentos constantes do processo (por exemplo às fls. 47/51, 118/119 e 129/132) que o fretamento dos bens que vendeu ao mercado externo foram operados por empresas cuja sede está no exterior, sendo que, conforme informado pela Fiscalização, o agenciamento daqueles serviços foram intermediados por despachantes aduaneiros que atuavam como representantes da contribuinte. Atentese que a empresa nada manifestou a este propósito em sua peça de descontentamento, sendo de ser salientado que daquilo que fundamentado pela Fiscalização, entendese que na verdade a contribuinte contratava, também, pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, fazendo o pagamento do serviço de transporte para elas. Nesse caso, é preciso ressaltar que tais agenciadores não prestam o serviço de transporte, não sendo eles os recebedores do pagamento por tais serviços. Na verdade os valores entregues para os agenciadores correspondem aos pagamentos dos transportadores, resultando que para atendimento da exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), necessário se faz que o transportador (o prestador do serviço de transporte internacional) seja domiciliado no País. (grifos nossos) Sobre a questão, importa destacar que a recorrente não acostou aos autos nenhuma prova capaz de demonstrar que as empresas nacionais que receberam pelos serviços de frete teriam efetivamente prestado tais serviços, não tendo agido tãosomente como agenciadoras dos fretes. Em relação ao inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, acima reproduzido, entendo que, de fato, as despesas com frete não se enquadram na vedação ali contida, já que estas não se enquadram como insumos. Não obstante, a glosa dos valores correspondentes aos fretes internacionais encontra guarida no inciso II do § 3o do artigo 3o da Lei 10.637/02, já que não foram pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, como demonstrado. Finalmente, e ainda em relação à glosa dos valores correspondentes a fretes, a reclamante alega nulidade do procedimento fiscal por falta de fundamentação legal. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 16 No procedimento fiscal vergastado, todavia, não se vislumbra a existência de qualquer vício capaz de fundamentar a nulidade do ato administrativo em questão. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste comenos, é importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Assim, não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. E prejuízo à defesa, de fato, não houve, o que se extrai da minuciosa e pontual defesa apresentada pela interessada. Aliás, tanto no termo de verificação fiscal quanto no despacho decisório da unidade de origem são referenciadas as normas que tratam do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, informação que, associada aos claros motivos para a glosa das despesas com frete, contraditados pela reclamante, demonstram a ausência de razões capazes de sustentar a nulidade do procedimento. Portanto, uma vez afastada a nulidade reclamada, e considerando que os fretes internacionais foram pagos a pessoa jurídica não domiciliada no país, legítima a glosa dos pagamentos em tela para fins de creditamento da COFINS. Da atualização dos créditos pela taxa SELIC Relativamente aos argumentos aduzidos pela reclamante concernente à incidência da taxa SELIC, importa destacar que existe vedação legal expressa à correção dos créditos da COFINS apurados no regime da nãocumulatividade pela referida taxa. Tal vedação, com efeito, está consignada no artigo 13 da Lei n° 10.833/03, que trata da COFINS não cumulativa, cujo preceito é também aplicável ao regime do PIS não cumulativo por força do inciso VI do artigo 15 da mesma lei. Referidos dispositivos encontramse abaixo transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, não há como acolher o pleito da interessada nesse sentido. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11030.000980/200875 Acórdão n.º 380200.515 S3TE02 Fl. 346 17 Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar a tese de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
score : 1.0
Numero do processo: 18192.000025/2007-43
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - AFERIÇÃO INDIRETA - NOTAS FISCAIS - DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE - BASE DE CÁLCULO - NOTAS FISCAIS -. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO.
Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão-de-obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão-de-obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta.
A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte.
A empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Não importa o número de infrações detectadas. Entendo que a prerrogativa da autoridade fiscal é, em não considerando confiáveis todas as informações proceder a aferição indireta. No caso, foi emitido lavrado, inclusive auto de infração por não ter conferido fé a contabilidade para apuração das bases de cálculo.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8 - “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
No presente caso o lançamento foi efetuado em 02/10/2006 (data da cientificação, dessa forma, em aplicando-se o § 4º do art. 150 e a súmula vinculante nº 8 do STF, encontram-se decaídas as contribuições até a competência 09/2001.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 206-01.430
Decisão: ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2001; II) em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa; e III) no mérito, em negar provimento ao
recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200810
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - AFERIÇÃO INDIRETA - NOTAS FISCAIS - DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE - BASE DE CÁLCULO - NOTAS FISCAIS -. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão-de-obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão-de-obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte. A empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Não importa o número de infrações detectadas. Entendo que a prerrogativa da autoridade fiscal é, em não considerando confiáveis todas as informações proceder a aferição indireta. No caso, foi emitido lavrado, inclusive auto de infração por não ter conferido fé a contabilidade para apuração das bases de cálculo. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de nº 8, senão vejamos: “Súmula Vinculante nº 8 - “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No presente caso o lançamento foi efetuado em 02/10/2006 (data da cientificação, dessa forma, em aplicando-se o § 4º do art. 150 e a súmula vinculante nº 8 do STF, encontram-se decaídas as contribuições até a competência 09/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Sexta Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 18192.000025/2007-43
anomes_publicacao_s : 200810
conteudo_id_s : 6851400
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 206-01.430
nome_arquivo_s : 20601430_145048_18192000025200743_015.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 18192000025200743_6851400.pdf
secao_s : Segundo Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2001; II) em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
id : 4839447
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:35 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271261421568
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-06T23:08:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-06T23:08:09Z; Last-Modified: 2009-08-06T23:08:10Z; dcterms:modified: 2009-08-06T23:08:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-06T23:08:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-06T23:08:10Z; meta:save-date: 2009-08-06T23:08:10Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-06T23:08:10Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-06T23:08:09Z; created: 2009-08-06T23:08:09Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-08-06T23:08:09Z; pdf:charsPerPage: 2014; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-06T23:08:09Z | Conteúdo => ME -SEGUNDOCONN^~ CONFERE CO.' etORInINAL ~ma. ' 1-9-a— CCO2/C06 fet,t4) Fls. 383 Maria de Fatimaara amalho Mat. Siape 73I483 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'Nt34:-.1»;,eir SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES = SEXTA CÂMARA Processo n° 18192.000025/2007-43 Recurso n° 145.048 Voluntário Matéria AFERIÇÃO INDIRETA - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL Acórdão n° 206-01.430 Sessão de 08 de outubro de 2008 Recorrente RIBEIRO ALVIM ENGENHARIA LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/07/2005 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO - OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL - ' AFERIÇÃO INDIRETA - NOTAS FISCAIS - DESCONSIDERAÇÃO DA CONTABILIDADE - BASE DE CÁLCULO - NOTAS FISCAIS -. CRITÉRIOS SÃO ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO PREVIDENCIÁRIO. Um dos fatos geradores de contribuições previdenciárias é a remuneração de mão-de-obra utilizada em obra de construção civil. Uma vez que o recorrente não possui prova dos valores despendidos com tal mão-de-obra, há que se utilizar o critério da aferição indireta. A criação do critério para aferição é prerrogativa do órgão previdenciário e não do contribuinte. A empresa deixou de apresentar contabilidade regular para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Não importa o número de infrações detectadas. Entendo que a prerrogativa da autoridade fiscal é, em não considerando confiáveis todas as informações proceder a aferição indireta. No caso, foi emitido lavrado, inclusive auto de infração por não ter conferido fé a contabilidade para apuração das bases de cálculo. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: "Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do C4-- a I CONFERE COAI- o ORIGINAL• &ma 0j- ic--9Processo n° 18192.000025/2007-43 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 rfiroe t leP Fls. 384 Alaria de núm. a rua • Casvalho Mat. Siape 731683 Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No presente caso o lançamento foi efetuado em 02/10/2006 (data da cientificação, dessa forma, em aplicando-se o § 4° do art. 150 e a súmula vinculante n° 8 do STF, encontram-se decaídas as contribuições até a competência 09/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos: I) em declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 09/2001; II) em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa; e III) no mérito, em negar provimento ao recurso. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ELA • • • • oNTEIRO E SILVA VIEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bernadete de Oliveira Barros, Cleusa Vieira de Souza, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 . — _ Processo n° 18191000025/2007-43 Ml'- SEGUNDO CONSE1 HO DE CONTRIBUINTES: CCO2JC06 Acórdão n.°206-01.430 CONvbk1 4 okitrunIN-+.1. Fls. 385 Brunia j t 3__ /79 1U &ti° Maria de F.41 c..4aial at Carvalho Relatório Mit Siaspe 751683 A presente NFLD, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social em virtude da utilização de mão-de-obra assalariada, na edificação de obra de construção civil de responsabilidade do notificado, fls. 119 a 121. No presente crédito foi utilizado o critério da aferição indireta face constatação de que a contabilidade da empresa não espelha a realidade econômico-financeira por omissão de registros dos seguintes documentos: retiradas de pró-labore, reclamatórias trabalhistas, contrato de prestação de serviços com o sub-empreiteiro José Elias Segundo. Não conformado com a notificação, foi apresentada defesa, fls. 207 a 224. A Decisão-Notificação confirmou a procedência, em sua totalidade, do lançamento, fls. 345 a 348. Não concordando com a decisão da autarquia previdenciária, foi interposto recurso, conforme fls. 352 a 374. Em síntese, o recorrente em seu recurso alega o seguinte: Preliminarmente, inexigivel o depósito de 30%; Insubsistência do critério de aferição indireta utilizado pelo fisco em face dos procedimentos de escrituração contábil adotados pelo recorrente; O recorrente está autorizado a apresentar sua escrituração contábil, de forma simplificada, sendo assim, não houve irregularidade; A mera não escrituração de apenas 5 reclamatórias e pró-labore não desqualifica a contabilidade da empresa. A atitude do fisco causa repulsa, visto que se apega à míseras reclamações para dar fundamento a aferição; A atitude do fisco se mostrou arbitrária, visto que representa menos de 1% do movimento da empresa. O arbitramento não tem caráter ordinário e só se justifica quando as informações prestadas pelo sujeito passivo demonstrem-se omissas e não-confiáveis, ou ocorre recusa em prestá-las; Encontram-se decadentes os fatos geradores até a competência setembro de 2001; Requerendo seja dado provimento ao presente recursos, de sorte que o lançamento seja cancelado. Não foram apresentadas contra-razões. manifestou. É o Relatório. tál 3 MF - SEGUNDO CONSEL HO DE COWFRIPUINTF. CONFERE CUM O OMINAL S Processo n° 18192.000025/2007-43 CCO2A:06 Acórdão n.°206-01.430 Brunis, LI H a Fls. 386 Maria de eneirà de l'arvia0 Mat Slot 751483 Voto Conselheira ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 380, tendo deixado de realizar depósito recursal face medida liminar. Pressupostos superados, passo ao exame das questões preliminares ao mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Em primeiro lugar cumpre-nos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa. Destaca-se como passos necessários a realização do procedimento: Autorização por meio da emissão do Mandato de Procedimento Fiscal — MPF- F e complementares, com a competente designação do auditor fiscal responsável pelo cumprimento do procedimento. Intimação para a apresentação dos documentos conforme Termos de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; Autuação dentro do prazo autorizado pelo referido mandato, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes, conforme demonstrado às fls. 01 a 121. Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD, apesar de ter ocorrido o lançamento em 29/09/2006, a cientificação ao sujeito passivo ocorreu em 02/10/2006. Importante, ainda, mencionar que o procedimento fiscal teve início em 11/04/2006, com a ciência do MPF, servindo este como medida preparatória para o lançamento. Nesse sentido, quanto a aplicação da decadência qüinqüenal, subsumo todo o meu entendimento quanto a legalidade do art. 45 da Lei 8212/91 (10 anos), outrora defendido à decisão do STF, proferida recentemente. Dessa forma, quanto a decadência de 5 anos, profiro meu entendimento. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n° 8, senão vejamos: 64 4 mE .ShijUNDO nNSELHO CON , s CONTE . . ..'01n4 O r^"ITNAL • Processo n° 18192.000025/2007-43 Brusila._j CCO2./C06 Acórdão n.° 206-01.430 ()'$' 49 Fls. 387 Maria de Faliu Fenehra C Mal. Siapc 751013 Súmula Vinculante n° 8 - "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". O texto constitucional em seu art. 103-A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vincu1andc4 obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicá-la de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: "Art. I03-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei." Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional — CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Cite-se o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1 a Seção no Recurso Especial de n° 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA - ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO-LEI N° 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATiCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO sç 3.° DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁ TICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCM. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. I. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento lixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decreto-lei n.° 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindo-se, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006: e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula jt , tO 5 • N1F -SEGUNDO cnNg. re cotmounms CONFEE E CO.' -'r.Tt4AL dP Processo n° 18192.000025/2007-43 Builua.J L 0-0 . CCO2A206 Acórdão n.° 206-01.430 As. 388 MariadeF 1. MIS& de Catvabo MM. Sice 751683 7/S7'J (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445I37/MG, publicado no 111 de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fálico-probatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/5 Ti). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.° 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQIV), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Inicio de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, sç 4°, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para afixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/S7'F).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1- do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra- se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de (k6 mj: - SEGUNDO n fre 1 1* CONTRI131 INT% CONFE 0 A.4 • 'Mv 11, Processo n° 18192.000025/2007-43 Brasília, ' (5 _2 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 arío Gattmoz. Fls. 389 p, fs. - Maria de F . s. Ferreira de Canallio Mat. Sina 751683 _ medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Sond a 3° Ed., Max Limonada págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, conta-se do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, 1, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponivel, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, 40, e 173, do CT1V, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de oficio) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CT1V), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4°, do artigo 150, do Coda Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidam-se simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de oficio" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3° Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigura-se como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operar-se-á ao mesmo (1?".7 MF .5~400 cotim r MC —911NAL '_Processo n° 18192.00002512007-43 CCO21C06 Acórdão n.° 206-01.430 tatt,D Fls. 3% Maria de Fm 'errara ae Carvalho Mai Siape 75168.3 . • — tempo a decadência do direito de lançar de oficio, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da vercação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial inicia-se da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Inicio da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deu-se em 2711.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contando-se o prazo da data da notcação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos bnponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido." (GRIFOS NOSSOS). Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante n° 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: "A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de oficio, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de oficio ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3' Ed., Max Limonad, págs. 163/210) 4b• .anox• rt' , t,ht • uN'i 411 cosr: . () -"14 t• Li Ca'Processo rr 18192.000025/2007-43 • limo ! . g CnsCO32/9C061 Acórdão n.° 206-01.430 int• Marli Cle fstunl enema ac L1ItVii1110 Mat Som 75148.3 O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4°, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: "Art.150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1 0 - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2° - Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifo nosso). Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. 14. • SEGUNDO CONSELHO »12. CONTRIBUIMES CONFERE COM O 1" inTNAL Processo e* 18192.000025/2007-43 BraIlia 1I 703 CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 Fls. 392 Magia de réu erre int de Carvalho Mat. Siape 751403 No caso, a aplicação do art. 150, § 4°, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, antecipar o pagamento de uma contribuição significa delimitar qual o seu fato gerador e em processo contíguo realizar o seu pagamento. Deve ser possível ao fisco, efetuar de forma, simples ou mesmo eletrônica a conferência do valor que se pretendia recolher e o efetivamente recolhido. Neste caso, a inércia do fisco em buscar valores já declarados, ou mesmo continuamente pagos pelo contribuinte é que lhe tira o direito de lançar créditos pela aplicação do prazo decadencial consubstanciado no art. 150, § 4°. Entendo que atribuir esse mesmo raciocínio a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias é no mínimo abrir ao contribuinte possibilidades de beneficiar-se pelo seu "desconhecimento ou mesmo interpretação tendenciosa" para sempre escusar-se ao pagamentos de contribuições que seriam devidas. De forma sintética, podemos separar duas situações: em primeiro, aquelas em não há por parte do contribuinte o reconhecimento dos valores pagos como salário de contribuição, é o caso, por exemplo, dos salários indiretos não reconhecidos (PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS, PRÊMIOS, ALIMENTAÇÃO EM DESACORDO COM O PAT, ABONOS, AJUDAS DE CUSTO, GRATIFICAÇÕES ETC). Nestes casos, incabível considerar que houve pagamento antecipado, simplesmente, porque caso não ocorresse a atuação do fisco, nunca haveria o referido recolhimento. Tal fato pode ainda ser ratificado, pela não informação, por parte do contribuinte do salário de contribuição em GFIP. Nesse caso, toda a máquina administrativa, em especial a fiscalização federal terá que ser movida para identificar a existência pontual de contribuições a serem recolhidas. Não é algo que se possa determinar pelo simples confronto eletrônico de declarações e guias de recolhimento. Dessa forma, em sendo desconsiderada a natureza tributária de determinada verba, como poder-se-ia considerar que houve antecipação de pagamento de contribuições. Entendo que só se antecipa, aquilo que se considera. Como considerar que houve antecipação de pagamento de algo que o contribuinte nunca pretendeu recolher. Antecipar significa: Fazer, dizer, sentir, fruir, fazer ocorrer, antes do tempo marcado, previsto ou oportuno; precipitar;.Chegar antes de; anteceder, ou seja, não basta dizer que houve recolhimento em relação a remuneração como um todo, mas sim, identificar sob qual base foi o pagamento realizado. A acepção do termo remuneração não pode ser, para fins de definição do salário de contribuição una, tanto o é, que a doutrina e jurisprudência trabalhistas não admitem o pagamento aglutinado das verbas trabalhista, o denominado salário complexivo ou complessivo. Considerar que os fatos geradores são únicos, e portanto, a remuneração deva ser considerada como algo global, e desconsiderar a complexidade das contribuições previdenciárias, bem como a natureza da relação laborai. Até poderíamos aceitar, tal conclusão, em uma análise simplória, acerca do faturamento das empresas e as contribuições que incidam sobre esta base de cálculo, mas o mesmo raciocínio não pode ser atribuído às contribuições previdenciárias, onde existe até mesmo, documento próprio para que o contribuinte indique mensalmente e por empregado o que é devido e realize o recolhimento das contribuições correspondente a estes fatos geradores. ál" lo MF - SEGUNDO CONSELHO DE COW1WBU!Ji CONFERE ti $4 ninnTNAL Processo n° 18192.000025/200743 Urna ti g CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 r oacc.b Fls. 393 Maria de F •• erreis de Carvalho MaSe7SLU3 — Assim, dever-se-á considerar que houve antecipação para aplicação do § 4° do art. 150 do CTN, quando ocorreu por parte do contribuinte o reconhecimento do valor devido e o seu parcial recolhimento, sendo em todos os demais casos de não reconhecimento da rubrica aplicável o art. 173 do referido diploma. O mesmo raciocínio pode ser estendido para os casos em que devida a obrigação de efetuar o recolhimento, omitiu-se o contribuinte, por considerar não ser do mesmo a obrigação de efetuar o recolhimento. Ocorre, por exemplo, nos casos em que está obrigado a reter 11% do valor da nota fiscal em se tratando de empreitada ou cessão de mão de obra. Nos casos em que se atribui responsabilidade solidária, ou mesmo nos casos de isenção, onde descumpridor das regras que o qualificariam como isento de contribuições patronais, não efetua qualquer recolhimento da contribuição patronal. Na verdade, entendo ser aplicável em regra o art. 173 do CTN, só passando para o § 40 do art. 150, nos casos em que se comprova o efetivo recolhimento, ou melhor, a antecipação de um recolhimento. Por fim, outro ponto que entendo pertinente, e que, embora não interfira diretamente na declaração de toda contagem de prazo decadencial, venha a ser relevante em determinados lançamentos, é considerar como marco inicial para determinação das contribuições que se encontram decaídas a data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Neste caso, considerando que no âmbito da Fiscalização previdenciária, com a extinção do TIAF, assumiu o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF status de conferir validade ao procedimento fiscal, ou seja, que o MPF é o instrumento que visa dar conhecimento ao sujeito passivo quanto aos atos da ação/auditoria fiscal em si, cuja ciência deverá ser dada por ocasião do início do procedimento fiscal, e que o mesmo se extingue com o registro no termo próprio que é o TEAF, lavrado quando do término da auditoria para cientificar do sujeito passivo do término do procedimento, será a ciência desse instrumento o marco a ser considerado para cálculo do prazo decadencial. Assim sendo, o MPF marca o início do procedimento fiscal de constituição do crédito tributário, bem como, por conseqüência, serve também de marco para determinação das contribuições que já não podem ser exigidas. Considerar-se-á a data da cientificação do MPF como marco inicial para contagem retroativa das contribuições que poderão ser englobadas no lançamento que se busca concretizar. Entendo que tal raciocínio, respaldado no teor do acórdão da l Sessão STJ, trazido a baila para respaldar este julgamento, que a data do MPF somente pode ser aplicável nos casos de contagem de prazo decadencial consubstanciado no art. 173 do CTN, onde o Parágrafo único é claro em prenunciar dita possibilidade. No presente caso o lançamento foi efetuado em 02/10/2006 (data da cientificação, dessa forma, em aplicando-se o § 4° do art. 150 e a súmula vinculante n° 8 do STF, encontram-se decaídas as contribuições até a competência 09/2001. i11 11 waswuNcorritePN,f-stunruirwArHents' Processo n° 1 8192.000025/200743 anallia,t) Olk ' / CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.430 1 , Fls. 394 4 Maria de F • • imita de awtt)12Dalho Mat. S • 751483 — Quanto à questão suscitada pela recorrente de que houve cerceamento de defesa, pois não foram apontados os fimdamentos para arbitramento dos valores, não lhe confiro razão. A empresa deixou de apresentar contabilidade regular, para os anos objeto do lançamento, à medida que foi desconsiderada a contabilidade e arbitrado o valor da base de cálculo da contribuição devida. Não importa o número de infrações detectadas. Entendo que a prerrogativa da autoridade fiscal é, em não considerando confiáveis todas as informações proceder a aferição indireta. No caso, foi emitido lavrado, inclusive auto de infração por não ter conferido fé a contabilidade para apuração das bases de cálculo. DO MÉRITO Argumentar que não está obrigado a realizar contabilidade regular face o tipo de constituição empresarial, não o abstem de efetuar os lançamentos corretos. Valendo-se da prerrogativa de efetuar os recolhimentos das contribuições previdenciárias sobre a folha de pagamento, a empresa deverá comprovar que realiza devidamente os registros, o que não ocorreu no caso. Os procedimentos a serem adotados para obras estão assim descritos nas instruções normativas: "25.7.FISCALIZAÇÃO DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL 25.7.1 .ANÁLISE DOS DOCUMENTOS CONTÁBEIS (IN SRP n° 03/2005, Art. 472) A obra ou serviço de construção civil de responsabilidade de pessoa jurídica deverá ser auditada com base na escrituração contábil e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Os lançamentos, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores. Os registros contábeis deverão ser efetuados em centro de custo específico para cada obra. Nas obras sujeitas à responsabilidade solidária, quando a contratante não comprovar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, a fiscalização exigirá as mesmas por solidariedade. A aceitação de documento de arrecadação e GF1P com remuneração inferior aos percentuais estabelecidos pelo fisco (item 25.7.2.1), fica condicionada à comprovação de que a contratada possui escrituração contábil no período de duração da obra, mediante cópia do balanço extraído do livro diário para o exercício encerrado e a declaração de que os valores encontram-se contabilizados, firmada pelo representante legal ou mandatário da empresa e pelo contador, para o exercício em curso. Havendo nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de contratada, sem prova da escrituração contábil, a contratante será responsabilizado pela diferença das contribuições apuradas na forma estabelecida pelo fisco atem 25.7.2.1). PMF • SEGUNDO CONSELHO L.*CONTRÉSUINIts1 CONFERE COM (..""UNAL Processo n° 18192.000025/2001-43 Br4 adia.5". CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 er1111• Fia 395 Maria de Fé • toeira de Carvalho Mat. Siam 751683 A remuneração paga ou creditada a segurado contribuinte individual por serviços prestados na execução de obra de construção civil, será desconsiderada como tal e considerada como remuneração a segurado empregado, se presentes os pressupostos inerentes a esta condição, devendo ser demonstrados pela fiscalização. (9. 25.7.2.AFERIÇÃO INDIRETA Na falta de escrituração contábil, mesmo quando a empresa estiver desobrigada da apresentação ou mesmo quando a contabilidade não espelhar a realidade econômico-financeira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro, a remuneração dos segurados utilizados para a execução da obra ou para a prestação dos serviços será obtida: I - mediante a aplicação dos percentuais previstos no item 25.7.2.1 sobre o valor da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços de empreitada ou de subempreitada; II - pelo cálculo do valor da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão em relação à obra de responsabilidade da empresa, nas edificações prediais; III - por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos incisos I e II. (-)." A fiscalização previdenciária constatou a omissão da recorrente, desse modo, descumprindo um dever jurídico, contabilização dos fatos que ocorrem na entidade, a recorrente passa a arcar com o ônus da prova em contrário. Desse modo, ao contrário do que afinna a recorrente, o relatório fiscal esclareceu os motivos de fato e legais que ensejaram a presente notificação fiscal. Não procede o argumento de que o fisco não juntou qualquer prova no sentido de contrapor a regular documentação apresentada pela impugnante, pois uma vez não apresentando a documentação e constando tal afirmação no relatório fiscal, a empresa é quem deveria provar a regular contabilização para o período. Não procede o argumento da recorrente de que o fiscal não tem competência para elaborar planilhas de custos de obras. A fiscalização previdenciária não elaborou planilha de custo, mas sim aferiu, de forma indireta, na forma dos ditames legais, a mão-de-obra utilizada na edificação da obra. A competência para realizar tal enquadramento advém de dispositivo legal, art. 33, § 4° da Lei n° 8.212/1991, nestas palavras: "Art. 33 — omissis (.). ePA 3 — — - SEGUNDO rn4Wf ,NO DE CONTNIM, 1 s th» CONTER E t. .9.4 1) e"r111,4 Processo n° 18192.000025/2007-43 9Ifl1liLjK_ . 1 'I CCO2/C06 Acórdão n.• 206-01.430 FLs. 396 maria de F arma de Carvalho Ma Siapc M43 § 4° Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão-de-obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co- responsável o ônus da prova em contrário." Nesse sentido é esclarecedor o posicionamento da 1' Turma do STJ no julgamento do Recurso Especial n° 384528, cujo Relator foi o Ministro José Delgado, publicado no DJ em 10/6/2002, cuja ementa transcrevo a seguir: "PREVIDENCIÁRIO E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IRREGULARIDADE DE DOCUMENTOS. AFERIÇÃO INDIRETA. POSSIBILIDADE. ART. 33, § 4°, DA LEI 8.212/91 REEXAME DE MATÉRIA PROBATÓRIA. ÓBICE DA SUM. 07/STI. CUSTO UNITÁRIO BÁSICO — CUB. UTILIZAÇÃO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 197, DO CIN. CERTIDÃO DE DIVIDA ATIVA - . CDA. SUBSTITUIÇÃO DO FATOR DE ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. ARTS. 202 E 203, DO CTN. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA I 3/STJ E ART. 255, DO RIS Ti. PRECEDENTES. 1. Comprovada a irregularidade na escrituração contábil da pessoa jurídica, sujeito passivo da obrigação tributária, pode a Fazenda Pública, nos termos expressos do art. 33, § 4°, da Lei 8212/91, valer-se da aferição indireta dos valores devidos, conforme evidenciado na hipótese. 1. A verificação de eventual equivoco na fiscalização dos documentos contábeis da empresa recorrente, o que, em tese, afastaria a utilização do lançamento por arbitramento, é mister que encontra óbice intransponível na Súmula 07/STJ. 3. A Lei 4.591, de 16/12/64, determinou que a Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT, estabelecesse, dentre outros, critérios e normas para o cálculo de custos unitários de construção, o que foi materializado por intermédio da NB 140, atual NBR 12.721/92, que define os padrões para a apuração do Custo Unitário Básico da Construção Civil — CUB. Esta unidade de medida é calculada mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil — SINDUSCON, não havendo neste ato ingerência do agente previdenciário fiscalizador e tampouco estabelecimento de base de cálculo diversa da legalmente prevista. 4. Improcede a alegado ofensa ao art. 97 (inc. 1 e IV) do CIN, porquanto a Autarquia Previdenciária, ao utilizar o Custo Unitário Básico-CUB, não instituiu base de cálculo por intermédio de Ordem de Serviço, mas tão-somente aplicou um método para apurá-la, procedimento que se evidencia inteiramente em sintonia com o § 4°, art. 33, da Lei 8.212/91. 5. Na esteira dos precedentes da Corte, a mera substituição do fator de atualização monetária — na hipótese, a TRD pelo INPC -, não induz à nulidade da Certidão de Divida Ativa — CDA, considerando que foi verificado no titulo todos os elementos exigidos pela Lei 6.830/80, havendo o devedor exercido regularmente o direito à ampla defesa. Ausente, dessarte, qualquer ofensa aos artigos 202 e 203, do CTN (REsp 331.343/MG, DJ 18.03.2002 e REsp I67.592/MG, DJ 17/08/1998, Relator Min. José Delgado) 6. A demonstração do dissenso pretoriano exige a similitude das situações fáticas julgadas, MF Sblic0121v)kri::11:.‘;:e1/-0 Pr 4. ocesso n°18192.000025/2007-43n° 18192.000025/2007-43 W- CCO2/C06 Acórdão n.° 206-01.430 kl? ,4.1/ Fls. 397 Maris de Fe ' ateus de Carndho Met 5' 7511413 sendo indispensável a realização do cotejo analítico entre as teses em confronto, não se prestando ao mister paradigmas originados no mesmo tribunal recorrido, requisitos que na espécie não foram atendidos. Presente, portanto, o óbice contido na Súmula I 3/STJ e artigo 255 do RISTI 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, na parte conhecida, nego provimento." Quanto ao argumento de que responsabilidade só pode cair sobre a executora dos serviços e que a recorrente elidiu sua responsabilidade ao efetuar a retenção, teço os seguintes comentários. Ao efetuar a retenção de 11% sobre as notas fiscais, a notificada elidiu sua responsabilidade em relação às sub-empreiteiras. Assim, caso haja uma fiscalização nas sub- empreiteiras, a notificada não poderá ser demandada para assumir responsabilidade em relação à mão-de-obra utilizada na sua obra. Acontece que no presente lançamento, a empresa fiscalizada foi a própria dona da obra, que não apresentou a documentação pertinente capaz de comprovar a regularização da obra de sua responsabilidade. No presente caso, a responsabilidade pela matricula da obra e posterior regularização é da notificada. Há que ser destacado que o presente levantamento fiscal não se refere à responsabilidade solidária. Quanto ao argumento de que a base de cálculo está estabelecida em Instrução Normativa, o que exprime a ilegalidade da cobrança, não assiste razão à recorrente. Uma vez que o presente caso se trata de aferição, o critério para apuração de mão-de-obra é aquele previsto pela autarquia previdenciária que utilizará meios indiretos normatizados em suas Instruções Normativas. Ao contrário do entendimento da recorrente, o que está definido em Instrução Normativa é o modo de se arbitrar a remuneração utilizada na obra de construção civil, a base de cálculo está definida em lei, no caso o art. 22, inciso Ida Lei n° 8.212/1991, que é o total da remuneração paga aos segurados utilizados na edificação da obra. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da DN. CONCLUSÃO: . Pelo exposto voto por CONHECER do recurso, para no mérito NEGAR-LHE PROVIMENTO É como voto. Sala das Sessões, em 08 de outubro de 2008 ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA 15
score : 1.0
Numero do processo: 10120.743439/2019-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE.
Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01.
A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal.
Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural.
Numero da decisão: 2301-010.299
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital- Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE. Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal. Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 10120.743439/2019-36
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849157
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2301-010.299
nome_arquivo_s : Decisao_10120743439201936.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : JOAO MAURICIO VITAL
nome_arquivo_pdf_s : 10120743439201936_6849157.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
id : 9893464
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:43 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271268761600
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-15T13:21:03Z; Last-Modified: 2023-05-15T13:21:03Z; dcterms:modified: 2023-05-15T13:21:03Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-15T13:21:03Z; meta:save-date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-15T13:21:03Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-15T13:21:03Z; created: 2023-05-15T13:21:03Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2023-05-15T13:21:03Z; pdf:charsPerPage: 1968; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-15T13:21:03Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10120.743439/2019-36 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-010.299 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de março de 2023 Recorrente OSVINO BASILIO SANDRI Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2014 a 30/11/2017 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL DE PRODUTOR PESSOA FÍSICA. LEGALIDADE. Com o trânsito em julgado do RE 718.874/RS, o STF pacificou a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre a comercialização da produção rural do produtor pessoa física, declarando a constitucionalidade do artigo 25, incisos I e II e inciso IV do art. 30, ambos da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. A contribuição do empregador rural pessoa física exigida a partir da Lei nº 10.256, de 2001, não foi afetada pela Resolução nº 15, de 2017, do Senado Federal. Havendo decisão judicial, em ação interposta pelo produtor rural pessoa física, impedindo o adquirente de realizar a retenção das contribuições previdenciárias(Rural e SAT/GILRAT), fica a cargo do empregador rural pessoa física a obrigação de recolher a própria contribuição previdenciária patronal com base na receita bruta proveniente da comercialização da sua produção rural. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 2301-010.295, de 07 de março de 2023, prolatado no julgamento do processo 10120.743436/2019-01, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 74 34 39 /2 01 9- 36 Fl. 145DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello, Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flavia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo, Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de crédito lançado em desfavor de OSVINO BASÍLIO SANDRI, referentes às contribuições sociais previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural da pessoa física. Segundo o relatório fiscal a Delegacia da Receita Federal em Goiânia iniciou, no final de 2018, a operação denominada “Funrural”, visando a regularização da contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas que ingressaram com medida judicial alegando a inconstitucionalidade da citada contribuição, em virtude do julgamento do RE nº 718.874/RS (trânsito em julgado em 21.09.2018) pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a constitucionalidade da contribuição do empregador rural pessoa física instituída pela Lei no 10.256, de 9 de julho de 2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Assim, o procedimento fiscal realizado na matrícula CEI de nº 80.004.03973/83, teve como objetivo verificar a regularização da contribuição previdenciária dos produtores rurais pessoas físicas que ingressaram com medida judicial, alegando a inconstitucionalidade da citada contribuição, correspondentes à contribuição do produtor rural pessoa física. O contribuinte foi informado da relação de Notas Fiscais de sua comercialização e intimado a prestar esclarecimentos sobre a existência de possíveis depósitos judiciais e vinculação das Inscrições Estaduais contidas nas NF com os CEI registrados na RFB, de forma a possibilitar o levantamento individualizado das contribuições devidas por CEI. Após, julgamento de improcedência da impugnação, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, aduzindo as mesmas razões de primeira instância, acrescentando o seguinte: i) Sustenta a inexigibilidade das contribuições apuradas por falta de alíquota e base de cálculo, sob o argumento de que a Resolução nº 15/2017 teria suspendido a execução dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, no caso, norma jurídica que dê amparo ao lançamento, o que resulta em sua nulidade. ii) Afirma que são inexigíveis as contribuições apuradas em relação às operações realizadas com cooperativas, na forma do art. 79 da Lei nº 5.764/71; iii) Alega que não são exigíveis as contribuições previdenciárias sobre exportações indiretas; Fl. 146DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário apresentados é tempestivo e também de competência dessa Turma. Assim, passo a analisá-los. DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA: BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA As contribuições sociais previdenciárias lançadas, referente ao período de 01/07/2014 a 30/09/2017, encontram fundamento de validade no art. 25, incisos I e II c/c o art. 30, incisos III e IV da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/01, editada já na vigência da Emenda Constitucional nº 20/98, conforme transcrição, in verbis: Lei 8.212/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea ‘a’ do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) I - 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). [vigente na época do fato gerador lançado]; II - 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei nº 11.933, de 2009). IV - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Fl. 147DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 A base de cálculo e alíquota estão descritas na norma vigente, e descritas na autuação. Portanto, sem razão o contribuinte ao alegar que não haveria alíquota ou base de cálculo devida. A decisão sobre a constitucionalidade do FUNRURAL se deu em sede de repercussão geral, pelo Recurso Extraordinário (RE) 718.874/RS, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, fixando a seguinte tese:: é constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção. Até porquê, o RE n° 363.852/MG e RE n° 596.177/RS não alcançam os fatos geradores ocorridos após o advento da Lei 10.256/2001, como é o caso dos autos, e a Resolução do Senador nº 15/2017, que teria suspendido a execução dos incisos I e II do art. 25 da Lei nº 8.212/91, no que à contribuição social do produtor rural pessoa física, não foi objeto dos citados processos do STF, e, portanto, não podem estar abarcada pela Resolução nº 15 do Senado. Portanto, sob esse prisma o contribuinte seria o responsável pela contribuição devida. Referente às contribuições devidas pelos atos cooperados, conforme transcrição da norma acima citada, e como bem citado pela decisão de piso, as contribuições apuradas em relação às operações realizadas com cooperativas, pois conforme antes transcrito( incisos III e IV do art. 30 da Lei nº 8.212/91), são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei 8.212/91, até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento, além do que ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei. Ademais, não há descrição dos atos praticados pela cooperativa que tem ligação direta ao contribuinte, o que impede a análise concreta dos fatos. Por outro lado, deixo de conhecer das alegações quanto a não incidência das contribuições quanto às exportações indiretas, e que podem ter sido realizadas por meio trading companies (company), uma vez que matéria não teria sido arguida em sede de primeira instância, e, portanto, não está devolvida ao colegiado para análise, estando preclusa a alegação, não podendo ser analisada sob pena de supressão de instância. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria preclusa, e na parte conhecida, NEGAR-LHE PROVIMENTO. Fl. 148DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-010.299 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10120.743439/2019-36 Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital- Presidente Redator Fl. 149DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720395/2005-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO.
RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA.
PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE
1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF.
REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE.
A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep,
estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C.
Supremo Tribunal Federal (STF).
Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-000.550
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao
recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C. Supremo Tribunal Federal (STF). Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10880.720395/2005-79
conteudo_id_s : 6852744
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 19 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.550
nome_arquivo_s : Decisao_10880720395200579.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10880720395200579_6852744.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 05 00:00:00 UTC 2011
id : 9899726
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:51 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271270858752
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-03-23T19:10:18Z; Last-Modified: 2020-03-23T19:10:18Z; dcterms:modified: 2020-03-23T19:10:18Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:ef634ec0-6290-40f8-9cb2-b7f1448cca84; Last-Save-Date: 2020-03-23T19:10:18Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-03-23T19:10:18Z; meta:save-date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-03-23T19:10:18Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-03-23T19:10:18Z; created: 2020-03-23T19:10:18Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2020-03-23T19:10:18Z; pdf:charsPerPage: 1922; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-03-23T19:10:18Z | Conteúdo => S3TE02 Fl. 185 1 184 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.720395/200579 Recurso nº 875.852 Voluntário Acórdão nº 380200.550 – 2ª Turma Especial Sessão de 05 de julho de 2011 Matéria PIS COMPENSAÇÃO Recorrente LEXMARK INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2001 a 30/06/2001 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS E DE VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. PERÍODO DE VIGÊNCIA DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718, DE 1998. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO STF. REPETIÇÃO DO INDÉBITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. A ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, estabelecida no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou o conceito de faturamento a todos os tipos de receitas auferidas pela pessoa jurídica, foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do C. Supremo Tribunal Federal (STF). Em decorrência dos efeitos da declaração da inconstitucionalidade da referida norma, são passíveis de restituição, inclusive mediante compensação, as parcelas indevidas da Contribuição para o PIS/Pasep calculadas sobre as receitas financeiras e de variação cambial ativa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Fl. 195DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 EDITADO EM: 19/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1622.920, de 23 de setembro de 2009 (fls. 146/150), proferido pelos membros da 9ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (DRJ/SP1), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 63/74, com base nos fundamentos resumidos no enunciado da ementa a seguir transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. Consolidase administrativamente o não reconhecimento como direito crédito da Contribuinte de importância não mais reivindicada pela recorrente. NULIDADE.INEXISTÊNCIA. É incabível de ser pronunciada a nulidade da decisão não proferida por autoridade incompetente, bem como não proferida com preterição do direito de defesa. LEI 9.718/98. O alargamento da base de cálculo do PIS determinada pela lei 9.718/98 alcança a generalidade das receitas do contribuinte. FISCALIZAÇÃO. Quando a autuação levada a efeito pela fiscalização foi da espécie que não se escora em auditoria dos valores que compuseram as apurações do sujeito passivo, não prestase a identificar a ocorrência de eventual direito creditório por pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente processo de “PER/DCOMP” relativo a – conforme apontado nesse documento – crédito da Contribuição para O PIS/PASEP. Pelo Despacho Decisório de fl. 61, a Autoridade a quo não homologou a Declaração de Compensação. O posicionamento da Delegacia de origem vai, em síntese, no sentido: de que “não se sustentam as versões retificadoras de DCTF que reduzem o valor a extinguir de débitos de PIS de junho de 2001, posto cristalinamente inconsistentes com o valor devido, consoante DIPJ2002” (fl. 58); e de que “Tal redução Fl. 196DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 186 3 inconsistente do débito de PIS de junho de 2001 declarado nas versões retificadoras da DCTF do 2º trimestre de 2001, apresentadas em 25/07/2003 e 06/06/2005, foi o que permitiu ao requerente apresentar o pagamento de Valor Principal de R$ 30.215,47, efetuado em referência a junho/2001, como origem do crédito que busca utilizar na DCOMP em exame para extinção dos débitos (...)” (fl. 58). Pela Manifestação de Inconformidade de fls. 63/74 a Interessada, em síntese, posicionase no sentido: de que “em procedimento de revisão interna dos procedimentos fiscais adotados pela sociedade, verificouse que a indevida inclusão na base de cálculo do PIS de valores a título de receitas financeiras e de variação cambial, havia implicado declaração e recolhimento de PIS a maior” (fl. 64); de que, “a despeito de a sociedade ter inicialmente apurado e recolhido R$ 195.181,39, verificouse que o valor efetivamente devido a título de PIS no período de junho de 2001 seria R$ 182.305,86 (...), o que daria à Defendente direito a pleitear a restituição de R$ 12.875,97” (fl. 64/65); de que a fiscalização federal lavrou o Auto de Infração constante do processo 19515.003194/200465, sendo apurado o “valor devido a título de PIS de R$ 184.643,87” (fl. 66); de que, “Assim, considerando o valor apurado pelas autoridades fiscais, a Defendente faz jus à restituição de R$ 10.537,52 (...) e não mais R$ 12.875,53, conforme internamente levantado pela Defendente” (fl. 66), tendo efetuado “o recolhimento da referida diferença, ou seja de R$ 2.338,01” (fl. 66); de que “mero equívoco formal na retificação de sua DIPJ não pode ser óbice para a restituição e compensação do crédito de R$ 10.537,52” (fl. 67), “sendo que as próprias autoridades fiscais poderiam verificar o exato valor considerado devido pela própria fiscalização (...)” (fl. 70); e de que “devese reconhecer, desde já, a nulidade do despacho decisório recorrido em vista da violação do princípio da verdade material e da desconsideração de prova necessária ao deslinde da questão” (fl. 72). Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 151v), em 05/11/2009. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 154/162, protocolado em 03/12/2009 (fl. 152), em que reapresentou os argumentos de defesa suscitados na manifestação de inconformidade. Em aditamento, em síntese, alegou que: a) discordava da alegação dd. Autoridades Julgadoras de primeiro grau de que a exclusão do valor da receita financeira e da variação cambial ativa da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep afrontava o disposto no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998, haja vista que o referido preceito legal fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive tendo sido definitivamente excluído do ordenamento jurídico, por intermédio da Lei nº 11.941, de 2009; b) por força da referida declaração de inconstitucionalidade do referido preceito legal, tornarase indiscutível que, durante o período da sua vigência, os valores das demais receitas, excluídas do conceito de Fl. 197DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 faturamento, não integravam a base de cálculo da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep; c) após a citada declaração de inconstitucionalidade, o extinto Conselho de Contribuintes passou a reconhecer a impossibilidade da exigência dos valores da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as demais receitas distintas do faturamento, auferidas durante o período de vigência do inquinado dispositivo legal; e d) era fato inconteste que a Contribuição para o PIS/Pasep devida no citado período fora determinada pela própria Fiscalização, mediante procedimento regular de auditoria que resultou no auto de infração encartado no processo nº 19515.003194/200465 (fls. 94/111), logo, o resultado decorrente desse trabalho não poderia ter sido desconsiderado pela r. decisão recorrida. No final, a Autuada requereu a reforma integral da decisão de primeira instância, para que fosse reconhecida a efetiva existência do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep pleiteado e homologada a compensação realizada. Em atenção ao despacho de fl. 184, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de abril de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Voto O presente Recurso foi apresentado por parte legítima e em tempo hábil, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto dos presentes autos: breve resumo dos fatos. Tratam os presentes autos da compensação de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001 com débitos da Cofins dos meses de março de 1999 e janeiro e março de 2000, e da Contribuição para o PIS/Pasep dos meses de janeiro e março de 2000, discriminados na Declaração de Compensação (DComp) eletrônica de fls. 01/07. Segundo a Recorrente, o valor do crédito inicialmente informado, no valor de R$ 12.875,97, representava parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep, calculado sobre as receitas financeira e de variação cambial ativa, incluídas no cômputo da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, em conformidade com o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que equiparou faturamento a todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica. De fato, aplicando o percentual de 0,65% (sessenta e cinco décimos por cento) sobre o valor das receitas de variações cambiais ativas do mês junho de 2001, no valor R$ 1.990.797,75, informado na DIPJ 2002 (fl. 48), obtémse o valor de R$ 12.940,18, que corresponde, aproximadamente, ao valor do crédito, originariamente, informado na citada DComp. Fl. 198DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 187 5 Acontece que, após a entrega a referida DComp, a Recorrente foi submetida a procedimento de Fiscalização, que culminou com a lavratura do auto de infração colacionado aos autos do processo nº 19515.003194/200465 (cópias de fls. 94/111). Em decorrência do referido procedimento de Fiscalização, a Autoridade Fiscal elaborou o Demonstrativo de fl. 106, onde informou que, no mês de junho de 2001, o débito da Contribuição para o PIS/Pasep da Recorrente era de R$ 184.643.87 (e não de R$ 182.305,86, como declarado pela Recorrente na DCTF retificadora), enquanto que o crédito apurado (o pagamento realizado) era de R$ 195.181,83, resultando no pagamento a maior da quantia de R$ 10.537,52. Tendo em conta que o novo valor do débito apurado pela Fiscalização, a Recorrente reconheceu que fazia jus, tãosomente, à restituição do valor de R$ 10.537,52 e não mais do valor de R$ 12.875,97, informado na citada DComp. Do objeto da presente controvérsia. Conforme delineado precedentemente, o cerne da presente controvérsia gira em torno da existência do crédito, no valor de R$ 10.537,52, decorrente do pagamento a maior que o devido da Contribuição para o PIS/Pasep do mês junho de 2001 (R$ 195.181,83 R$ 184.643,87). Com respaldo no Parecer de fls. 56/60, por meio do Despacho Decisório fl. 61, a Autoridade Fiscal competente da Unidade da Receita Federal de origem decidiu não homologar a compensação em tela, sob a alegação de inexistência do valor do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep informado, com base no argumento de que a Recorrente havia retificado o valor do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001 (de R$ 195.181,83 para R$ 182.305,86) apenas na DCTF (fls. 46/47), sem a correspondente correção na DIPJ 2002 (fl. 48). Por sua vez, por intermédio do Acórdão recorrido, manteve o Colegiado de primeiro grau a nãohomologação da compensação, também por inexistência do valor do crédito utilizado, porém, com base em outros fundamentos, a saber: a) a Fiscalização não havia reconhecido o valor do crédito compensado, mas apenas efetuado o cotejo entre os valores declarados e os valores escriturados/pagos; e b) a devolução do referido crédito afrontava a definição de base de cálculo instituída no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998. No presente Recurso, apresentou a Recorrente as seguintes contra argumentações: a) os valores determinados pela Fiscalização, mediante procedimento regular de auditoria, que resultou no auto de infração encartado no processo nº 19515.003194/200465 (fls. 94/111), confirmava o valor do crédito compensado; e b) a exclusão do valor da receita financeira e da variação cambial ativa da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep não afrontava o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, haja vista que o referido preceito legal fora declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), inclusive tendo sido definitivamente excluído do ordenamento jurídico, por intermédio da Lei nº 11.941, de 2009. No meu entendimento, a razão está com a Recorrente, conforme a seguir demonstrado. Da comprovação do valor crédito informado. Fl. 199DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 No que tange a comprovação do valor do crédito, com base no argumento de que não foram auditados os valores da Contribuição para o PIS/Pasep apurados pela Recorrente, entenderam os integrantes do Colegiado de Julgamento a quo que a Autoridade Fiscal responsável pela referida Fiscalização não havia reconhecido qualquer direito creditório por pagamento indevido ou a maior, passível de restituição ou compensação, nem tampouco corroborado qualquer registro contábil efetuado pelo sujeito passivo para efeito de apuração dos débitos da Contribuição para o PIS/Pasep, mas apenas efetuado o cotejo entre os valores declarados e os valores escriturados/pagos. Com a devida vênia, não procedem tais alegações. No que concerne ao reconhecimento do direito creditório, dois motivos infirmam o asseverado: a) a falta de competência da referida Autoridade Fiscal, para reconhecer o direito crédito em favor da Recorrente; e b) o fato de o mencionado procedimento fiscal não ter sido destinado à verificação do direito creditório em apreço. No que concerne ao procedimento de Fiscalização em referência, tendo sido feito o cotejo dos valores informados nas Declarações entregues à Receita Federal com os registrados na escrituração contábil e fiscal da Recorrente, obviamente, os valores consignados no Demonstrativo de fl. 106 foram apurados e, portanto, ratificados pela dita Autoridade Fiscal. Dessa forma, em face da presunção de veracidade, é indubitável que o referido Documento constitui prova inequívoca do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, no valor de R$ 184.643,87. Em decorrência, ante a inexistência de prova em contrário e tendo em conta que o pagamento realizado pela Recorrente foi de R$ 195.181,83, resta demonstrado que a Interessada realizou pagamento a maior que o devido, no valor de R$ 10.537,52 (R$ 195.181,83 R$ 184.643,87). Da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998. Conforme anteriormente exposto, o valor do referido indébito, corresponde a parcela do débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de junho de 2001, calculado sobre o valor da receita financeira de variação cambial ativa, com suporte no § 1º do art. 3º da Lei n.° 9.718, de 1998. Acontece que o referido preceito legal, por ter ampliado a definição da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, prevista na redação do artigo 195 da Constituição Federal de 1988 anterior à Emenda Constitucional nº 20, de 1998, foi declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária proferida pelo Colendo STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 346.084, que restou assim ementado: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Fl. 200DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.720395/200579 Acórdão n.º 380200.550 S3TE02 Fl. 188 7 Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 01092006 PP00019 EMENT VOL 0224506 PP01170) No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação preceito legal em razão de inconstitucionalidade. Entretanto, há ressalva expressa excluindo de tal proibição na hipótese de existir decisão definitiva plenária do STF, conforme disposto no inciso I do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (PAF), com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, que segue transcrito: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) No mesmo sentido, dispõe o inciso I do parágrafo único do art. 62 do Anexo II do vigente Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Dessa forma, diante da referida declaração de inconstitucionalidade, com supedâneo nos referidos comandos normativos, reconheço como indevida a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep sobre a receita financeira e de variação cambial ativa auferida pela Recorrente no mês de junho de 2001, para que seja restituído à Interessada, mediante compensação, a parcela do valor do crédito da Confins do mês do junho de 2001, no valor de R$ 10.537,52, decorrente do pagamento maior que o devido. Da conclusão. Fl. 201DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para reconhecer o direito da Interessada à restituição da importância de R$ 10.537,52, referente à parcela do valor do pagamento a maior da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de maio de 2011, e homologar as compensações declaradas na DComp de fls. 01/07, até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento. Fl. 202DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 8 página(s) confirmado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP23.0320.16113.2R6Z. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento juntado ao processo decorrente de ato do servidor habilitado e reconhecido via certificado digital. Corresponde à fé pública do servidor. Histórico de ações sobre o documento: Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 19/08/2011 e JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 19/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 23/03/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP23.0320.16113.2R6Z Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0CCE72E82FC896968D0FDE2F9CF5F721868B3D1A Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.720395/2005-79. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 13984.000403/2002-44
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS.
RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE
EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA
JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA.
A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3802-000.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso.
Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA. A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13984.000403/2002-44
conteudo_id_s : 6849583
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.488
nome_arquivo_s : Decisao_13984000403200244.pdf
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 13984000403200244_6849583.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
id : 9895505
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:46 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271285538816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 170 1 169 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13984.000403/200244 Recurso nº 873.896 Voluntário Acórdão nº 3802000.488 – 2ª Turma Especial Sessão de 01 de junho de 2011 Matéria IPI RESSARCIMENTO Recorrente MARELY MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. PIS/PASEP E COFINS. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. RECEITA BRUTA DE EXPORTAÇÃO. PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA PRODUTORA E EXPORTADORA. A receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento do PIS/PASEP e COFINS devem ser as relacionadas ao produto da venda para o exterior e nos mercados interno e externo, respectivamente, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Relator, que dava provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Regis Xavier Holanda. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda – Presidente e Redator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator EDITADO EM: 29/06/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 171 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1429.516, de 9 de junho de 2010 (fls. 155/156v), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PRODUTOS ADQUIRIDOS PARA REVENDA. Não se incluem no cálculo do crédito presumido, para fatos geradores ocorridos até 26/03/2003, a título de receita de exportação, os valores relativos aos produtos exportados adquiridos para revenda, devendo estes integrarem a receita bruta operacional nos termos da legislação do Imposto de Renda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem resumir os fatos registrados nos autos até a prolação da decisão de primeiro grau, transcrevo a seguir o Relatório encartado no Acórdão recorrido: Trata o presente de manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que incluiu na Receita Operacional Bruta, no cálculo do crédito presumido apurado no período em destaque, os produtos adquiridos de terceiros que não sofreram industrialização. Alega que, por não existir vedação legal, os produtos adquiridos de terceiros deveriam, ou compor a receita de exportação, inclusive por constarem como Receita Operacional Bruta, ou desta se excluírem, conforme legislação e julgados que cita. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 160), em 28/07/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 162/166, protocolado em 27/08/2010 (fl. 161), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na referida manifestação de inconformidade, ao final, requerendo o conhecimento e provimento do presente Recurso, para o efeito de reconhecer o direito da Recorrente ao ressarcimento da totalidade do crédito presumido de IPI pleiteado nos autos. Em atenção ao despacho de fl. 169, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao Fl. 3DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro Relator. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 172 5 Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso foi apresentado em tempo hábil por parte legítima, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, dele tomo conhecimento. Do objeto da presente controvérsia. Conforme bem delineado no relatório precedente, o cerne da presente controvérsia limitase à determinação do valor da receita operacional bruta, constante do divisor do quociente da fórmula do fator de cálculo incidente sobre a base de cálculo do crédito presumido do IPI, previsto no § 2º do art. 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, a seguir transcrito: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo. § 3o Na determinação do fator (F), indicado no Anexo, serão observadas as seguintes limitações: I o quociente será reduzido a cinco, quando resultar superior; II o valor dos custos previstos no § 1o será apropriado até o limite de oitenta por cento da receita bruta operacional. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 (...) A fórmula de cálculo apresentada no referido Anexo tem a seguinte composição, in verbis: F = 0,0365 x Rx , onde: (RtC) F é o fator; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção determinado na forma do § 1o do art. 1o; Rx é o quociente de que trata o inciso I do § 3o do art. 1o. (RtC) No cálculo do referido quociente, a Interessada não adicionou o valor da receita obtida na revenda para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros às receitas de exportação e operacional bruta. Em consequência, o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros não tiveram qualquer influência na apuração do valor do referido quociente. Por outro lado, com suporte no inciso I do art. 21 da Instrução Normativa SRF n° 69, de 2001, entendeu a Autoridade Fiscal da Unidade da Receita Federal de origem que o valor da receita decorrente da revenda para o exterior das mercadorias adquiridas de terceiros integrava o montante apenas da receita operacional bruta, uma vez que esta compreendia “o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia”. Esse entendimento encontrase consignado no Despacho Decisório fls. 106/114. Por sua vez, com suporte no mesmo entendimento da dita Autoridade Fiscal, os integrantes do Órgão julgador a quo mantiveram a inclusão do valor da referida receita no montante da receita operacional bruta. Segundo o citado Colegiado, o novo conceito de receita operacional bruta, instituído pelo inciso I do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, não teria efeito retroativo, uma vez que a dita Portaria não se tratava de ato administrativo interpretativo, mas de ato normativo complementar das leis tributárias (art. 100 do CTN), que regulamentava e detalhava as disposições da Lei nº 9.363, de 1997, portanto não se aplicava para fim de apuração do crédito presumido do IPI em apreço, pois essa novo dispositivo só entrara em vigor a partir de 26/03/2003. Por outro lado, no presente Recurso, defendeu a Recorrente a manutenção da exclusão do cômputo das receita de exportação e operacional bruta do valor da receita de exportação decorrentes da venda de produtos adquiridos de terceiros, baseada no argumento de que aplicava ao caso em tela as definições de receita operacional bruta e de receita de exportação, respectivamente, apresentados nos incisos I e II do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003, pois, embora vigente após os fatos objeto da presente contenda, por ser norma regulamentar da Lei nº 9.363, de 1997, a citada Portaria teria natureza meramente interpretativa e, por conseguinte, eficácia retroativa, nos termos do art. 106, I, do CTN. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 173 7 Dessarte, fica esclarecido que o cerne da presente controvérsia gira em torno do alcance das definições de receita de exportação e de receita operacional bruta, tendo como ponto fulcral a natureza jurídica específica das Portarias editadas pelo Ministro Fazenda, com respaldo no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1997, ou seja, se tais atos teriam natureza interpretativa ou normativa. Da natureza da jurídica dos atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. Em relação a questão da natureza jurídica específica dos atos normativos administrativos de índole tributária, não assiste razão nem aos integrantes da citada Turma de Julgamento nem tampouco a Recorrente. No meu entendimento, não existe ato normativo meramente interpretativo ou exclusivamente normativo de per si. Na verdade, por ter função de norma complementar, o que define a natureza jurídica específica dos referidos atos é o teor do diploma legal de hierarquia superior em função do qual eles são expedidos. Assim, com exceção das matérias de reserva absoluta de lei, previstas no art. 97 do CTN e no art. 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988, para alguns assuntos específicos a lei pode atribuir às autoridades administrativas a edição de determinados atos normativos, com a finalidade de complementálos, levando em conta critérios de racionalidade, economicidade e conveniência. Em suma, se o assunto é de reserva de lei ou se encontra completamente nela disciplinado, qualquer ato administrativo que venha a dispor sobre tal matéria, em decorrência do princípio da hierarquia das normas, terá função meramente interpretativa1 e eficácia retroativa ou ex tunc (art. 106, I, do CTN). Tais atos, obviamente, têm por finalidade padronizar os procedimentos que deverão ser executados pelas autoridades administrativas hierarquicamente inferiores, de modo que os atos legais sejam fielmente cumpridos de forma uniforme no âmbito de toda a Administração tributária. Por outro lado, se não é matéria de reserva de lei ou a própria lei atribui à autoridade administrativa a incumbência de complementála, é indubitável que o ato normativo administrativo expedido com base nessa prerrogativa terá força normativa e, no que concerne à matéria delegada e, desde que obedecido os parâmetros legais, eficácia imediata e prospectiva, ex nunc (art. 3º da Lei de Introdução do Código Civil). A título de exemplo, por pertinente, cabe mencionar o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, que atribuiu ao Ministro da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da dita Lei, especialmente, no que tange a definição de receita de exportação, conforme exposto texto a seguir transcrito: 1 A título de exemplo, pode ser citado o disposto no § 2º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 23, de 1997, que dispõe sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido em apreço, a seguir transcrito: “Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. (...) § 2 º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS”. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. (grifos não originais) Não resta qualquer dúvida que, nos termos comando normativo transcrito, a referida Lei atribuiu expressamente ao Ministro da Fazenda a competência para estabelecer a definição da receita de exportação, para fim de apuração do crédito presumido do IPI. Da receita de exportação de mercadorias adquiridas de terceiros: efeito na apuração do fator de cálculo do crédito presumido do IPI. Com base no exposto precedentemente, resta demonstrado que, para fim de apuração do crédito presumido do IPI, a definição de receita de exportação é aquela veiculada nas portarias do Ministro da Fazenda. Em consonância com o disposto no art. 6º da Lei nº 9.363, de 1996, no período de apuração dos créditos em apreço (1º trimestre 2002), estava em vigor a Portaria MF nº 38, de 1997, que apresentava, respectivamente, nos incisos I e II do § 15 do art. 3º, as seguintes definições para a receita operacional bruta e de exportação, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (...). (grifos não originais) Em seguida, no exercício da citada atribuição, foi editada a Portaria MF nº 64, de 2003, que revogou a anterior, alterando as definições de receita operacional bruta e de receita de exportação, conferindolhes, ao meu sentir, um tratamento mais coerente e consentâneo com o escopo do benefício fiscal em comento, conforme se observa nos incisos I e II do § 12 do art. 3º, a seguir transcritos: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 174 9 I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; (...) (grifos não originais) Comparando o teor dos dispositivos anteriormente transcritos, fica claro que as definições apresentadas na Portaria MF nº 64, de 2003, refletem com mais propriedade os objetivos colimados pelo incentivo fiscal em destaque, uma vez que, a receita das vendas para o exterior dos produtos adquiridos de terceiros passou a ser tratada com neutralidade, sem qualquer influência sobre o valor do quociente do fator de cálculo do crédito presumido em apreço, ou seja, não mais integrando a receita de exportação (dividendo) nem a receita operacional bruta (divisor). Além disso, o valor da receita operacional bruta, utilizada no cálculo do citado quociente, ficou depurado dos valores das outras receitas que não aquela decorrentes da atividade industrial, tais como as receitas de revenda de mercadorias (nacionais ou estrangeiras), da prestação de serviços etc. Por seu turno, é também oportuno ressaltar que a definição de receita operacional bruta, consignada na Portaria revogada, era a mesma utilizada na legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), daí a explicação de, posteriormente, tal definição ter se revelado inadequada para fins de apuração do valor do benefício fiscal em comento, distorcendo a apuração do benefício fiscal em apreço que tem por escopo incentivar a atividade industrial desenvolvida no País, mediante desoneração da carga tributária incorporada ao produto nacional destinado à exportação para o exterior. Da mesma forma, também se revelou inadequada a definição de receita de exportação veiculada no inciso II do § 15 do art. 3º da Portaria MF nº 38, de 1997, que compreende o produto da venda de mercadorias nacionais para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Logo, a contrario sensu, estava excluída do cômputo da mencionada receita apenas as receitas de venda para o exterior das mercadorias estrangeiras. Em suma, comparando as duas definições, chegase a conclusão de que o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros: a) integrava tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta, segundo as definições constantes dos incisos I e II do § 15 do art. 3º Portaria MF nº 38, de 1997; b) não integrava a receita de exportação nem a receita operacional bruta, na forma como as definem os incisos I e II do § 12 do art. 3º da Portaria MF nº 64, de 2003. Dessa forma, em relação ao caso em apreço, com devida vênia, entendo que houve equívoco tanto da parte da Autoridade Fiscal e da Turma de Julgamento, que Fl. 9DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 manifestaram entendimento no sentido de que a receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros integrava apenas a receita operacional bruta, quanto da Recorrente, que manifestou entendimento de que a dita receita não integrava nenhum dos dois tipos de receita. Com efeito, em relação ao cálculo do quociente empregado na apuração do valor do crédito presumido do 1º trimestre de 2002, objeto da presente controvérsia, em conformidade com o disposto nos incisos I e II do § 15 do art. 3º Portaria MF nº 38, de 1997, a receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros integravam tanto a receita exportação (dividendo) quanto a receita operacional bruta (divisor). Dessa forma, adicionando o valor da receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros (R$ 577.751,20) aos valores da receita de exportação e da receita operacional bruta do 1º trimestre de 2002, informados pela Interessada no Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) de fls. 33/38, temse os seguintes resultados para o fator de cálculo e o valor do saldo do crédito presumido do período: NOVO DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO PRESUMIDO DO 1º TRIMESTRE 2002 DESCRIÇÃO DAS OPERAÇÕES VALOR (R$) 1 Receita de exportação acumulada até março/2002 (DCP fl. 37) 901.223,00 2 (+) Receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros 577.751,20 3 (=) Total da receita de exportação acumulada até março/2002 (1+2) 1.478.974,20 4 Receita operacional bruta acumulada até março/2002 (DCP fl. 37) 914.403,54 5 (+) Receita de exportação dos produtos adquiridos de terceiros 577.751,20 6 (=) Total receita operacional bruta acumulada até março/2002 (4+5) 1.492.154,74 7 Base de cálculo crédito presumido acumulada até março/2002(DCPfl. 38) 428.636,04 8 Fator aplicável sobre a base de cálculo 0,050758 9(=) Crédito presumido acumulado de janeiro a março/2002 (7x8) 21.756,90 Com base nos ajustes apresentados no Demonstrativo precedente, verificase que o valor do crédito presumido a que tem direito a Interessada, relativo ao 1º trimestre de 2002, é de R$ 21.756,90. Em decorrência, como o valor pleiteado nos presentes autos foi de R$ 29.025,95, fica mantida a glosa do valor de R$ 7.269,05. Da conclusão. Diante do exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao presente Recurso, para reconhecer o direito da Interessada ao ressarcimento da quantia de R$ 21.756,90, referente ao crédito presumido do 1º trimestre de 2002, assim como homologar as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 10DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 175 11 Voto Vencedor Conselheiro Regis Xavier Holanda, Redator. Com a devida vênia do i. relator, a divergência inaugurada cingese à composição da receita bruta de exportação e da receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do crédito presumido de IPI como ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. Do crédito presumido do IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS A Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, que trata da instituição de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, assim dispôs sobre a matéria em comento: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Art. 2o A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. .................................................... Negritei. Portanto, a lei amparou somente aqueles insumos empregados na fabricação dos produtos exportados, tendo por objetivo desagraválos da incidência das contribuições para o PIS e para a Cofins, ficando evidente que os insumos que forem revendidos para o exterior ou para o mercado interno, no mesmo estado em que foram adquiridos, sem que o exportador tenha efetuado qualquer operação de industrialização, não entram no cálculo do benefício porque não estão agasalhados pela lei. Regulamentando o assunto, a Portaria MF nº 38/97 trouxe ainda as seguintes disposições pertinentes à determinação do valor do crédito presumido a que teria direito a empresa produtora e exportadora: Fl. 11DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá: I apurar o total, acumulado desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito, das matériasprimas, dos produtos intermediários e dos materiais de embalagem utilizados na produção; II apurar a relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, acumuladas desde o início do ano até o mês a que se referir o crédito; III aplicar a relação percentual, referida no inciso anterior, sobre o valor apurado de conformidade com o inciso I; IV multiplicar o valor apurado de conformidade com o inciso anterior por 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos por cento), cujo resultado corresponderá ao total do crédito presumido acumulado desde o início do ano até o mês da apuração; V diminuir, do valor apurado de conformidade com o inciso anterior, o resultado da soma dos seguintes valores de créditos presumidos, relativos ao ano calendário: a) utilizados para compensação com o IPI devido; b) ressarcidos; c) com pedidos de ressarcimento já entregues à Receita Federal. § 2º O crédito presumido, relativo ao mês, será o valor resultante da operação a que se refere o inciso V do parágrafo anterior. ....................................................................................... § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; Fl. 12DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 176 13 III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. ....................................................................................... Posteriormente, a Lei nº 10.276/01 trouxe opção alternativa de cálculo para determinação do crédito presumido do IPI mediante a aplicação de fator que também levou em consideração a receita de exportação e a receita operacional bruta: Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. § 2o O crédito presumido será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo referida no § 1o, do fator calculado pela fórmula constante do Anexo2. 2 F = 0,0365 x Rx , onde: (RtC) F é o fator; Rx é a receita de exportação; Rt é a receita operacional bruta; C é o custo de produção determinado na forma do § 1o do art. 1o; Rx é o quociente de que trata o inciso I do § 3o do art. 1o. (RtC) Fl. 13DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 .................................................... Negritei. Em seguida, as Portaria MF nº 64/2003 (revogadora da Portaria MF nº 38/97) e a Portaria MF nº 93/2004 (atualmente vigente), assim dispuseram respectivamente: Portaria MF nº 64/2003 Art. 3º ............................................ § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Negrito aposto. Portaria MF nº 93/2004 Art. 3º ............................... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente. Negritei. Pela análise da legislação, entendo que sendo o benefício fiscal destinado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais e relativo às aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem para utilização no processo produtivo de produto exportado, o coeficiente a ser utilizado na determinação desse benefício, para bem representálo, deve refletir uma relação entre o valor dos produtos industrializados pela pessoa jurídica que foram exportados e o valor total dos produtos industrializados que foram vendidos no mercado interno e externo. Fl. 14DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 177 15 Ora, se desejamos chegar a um indicativo do total de insumos que foram utilizados na produção de bens exportados, parece lógico que a relação percentual a ser aplicada ao total de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção deve ser obtida entre valores representativos de produtos industrializados pela empresa (exportação e total). Dito de outra maneira, se o que se deseja é dar um benefício à empresa que produz e exporta, nada mais lógico que o coeficiente reflita essa relação, trazendo um indicativo do quanto dos insumos adquiridos foram empregados em produtos exportados. Permitir o ingresso no cálculo do coeficiente, seja no valor da receita de exportação (numerador) ou no valor da receita operacional bruta (denominador), de outros valores como os advindos da revenda de produtos seria contaminar a fórmula com valores estranhos à relação exportação/produção. Imaginemos a situação hipotética em que o valor das exportações (todas caracterizadas por revenda de mercadorias) representem 95% ou mais da receita operacional bruta, tendo sido os insumos empregados em sua totalidade na industrialização de produtos para o mercado interno. A consideração desse valor de exportações (revenda de mercadorias) no cálculo do coeficiente nos conduziria a aplicar esse alto percentual ao valor dos insumos adquiridos para fins de ressarcimento sem que qualquer desses insumos tenham sido empregados na industrialização de produtos exportados. Noutro giro, trabalhemos agora com a situação inversa na qual o total dos insumos adquiridos foram empregados em produtos exportados porém a relação de receita de exportação e receita operacional bruta fosse de apenas 5% ou menos devido ao fato da receita operacional bruta ser em sua quase totalidade advinda de simples revenda de produtos ao mercado interno. A consideração desse valor de receita operacional bruta no cálculo do coeficiente nos conduziria a aplicar esse baixo percentual ao valor dos insumos adquiridos para fins de ressarcimento em situação em que a totalidade dos insumos foram empregados na industrialização de produtos exportados. Portanto, se o benefício é atrelado aos insumos utilizados por empresa produtora e exportadora, o índice a ser aplicado deve refletir a utilização desses insumos na produção de bens exportados em relação a sua utilização total. Nesse sentido, como as Portarias que se sucederam no trato do assunto sempre estavam atreladas ao comando do artigo 1º da Lei n° 9.363, de 13 de dezembro de 1996, entendo que, já que não houve alteração legal, estamos diante apenas de um aprimoramento redacional na explicitação dos conceitos de receita bruta de exportação e receita operacional bruta a serem considerados no cálculo da relação percentual ora tratada. Como exemplo que bem demonstra a ausência de inovação normativa e sim a busca pela correta definição dos conceitos a serem considerados no cálculo do coeficiente, sempre à luz do inalterado artigo 1º da Lei n° 9.363/96, o Ato Declaratório Normativo (ADN) Cosit nº 13, de 02/09/1998, ao tempo ainda da vigência da primeira Portaria (Portaria MF nº 38/97) já dispunha que “não integra a receita de exportação, para efeito de crédito presumido, o valor das vendas para o exterior, de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo produtor exportador, integrando, entretanto, a receita operacional bruta”. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 Registramos aqui apenas o equívoco – ao nosso ver – de não ter sido também reconhecida pelo referido ADN Cosit a devida exclusão dos produtos revendidos do total da receita operacional bruta. Com efeito, nesse ponto, as Portarias MF nºs 64/2003 e 93/2004, antes de inovarem a ordem jurídica, já que não houve alteração da base legal, objetivaram afastar outras linhas de interpretação – como a trazida pelo supracitado ADN Cosit para deixar claro que receita operacional bruta representa apenas a de produtos industrializados pela pessoa jurídica. Dessa forma, concluo por entender que a receita bruta de exportação e a receita operacional bruta a serem consideradas no cálculo do benefício devem ser as relacionadas ao produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica para o exterior e ao produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica nos mercados interno e externo respectivamente. Nesse sentido, em que pesem as divergências encontradas, há decisões do então 2º Conselho de Contribuintes: “...................................................................................... Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. ......................................................................................... A receita operacional bruta deve ser excluída da receita de produtos adquiridos de terceiros e revendidas no mercado interno, para efeito de apuração do crédito presumido de IPI” (2º CC1ª Câmara; Acórdão nº 201 79.877; Rel. Cons. José Antonio Francisco; decisão unânime em 08/12/2006) “........................................................................................ Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA DE EXPORTAÇÃO E RECEITA BRUTA OPERACIONAL. REVENDAS AO EXTERIOR A receita de produtos adquiridos de terceiros e exportados deve ser excluída da receita de exportação e da receita operacional bruta para efeito de apuração da proporção entre insumos empregados em produtos exportados e o total dos insumos adquiridos. (2º CC1ª Câmara; Acórdão nº 20180.320; Rel. Cons. José Antonio Francisco; decisão neste ponto unânime em 24/05/2007) “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. Lei nº 9.363/96. FORMAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDAS PARA O EXTERIOR DE Fl. 16DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 13984.000403/200244 Acórdão n.º 3802000.488 S3TE02 Fl. 178 17 MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS NO PAIS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO. O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais, e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim, não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o benefício, e, de outro lado, se se deseja que tal benefício leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados, nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas ao exterior. (2º CC3ª Câmara; Acórdão nº 20313177; decisão em 07/08/2008) Da conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário para que as receitas decorrentes da revenda de produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo produtor/exportador sejam também excluídas da receita bruta operacional na determinação do fator utilizado para o cálculo do crédito presumido do IPI. Sala das Sessões, em 01 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Fl. 17DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 Fl. 18DF CARF MF Emitido em 10/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, Assinado digitalmente em 07/07/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 29/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 11030.000970/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO
ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE
DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO
MATERIALIZADA.
O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora.
A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo.
Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E
ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO
INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS
APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE
CONTRIBUIÇÃO DEVIDA.
A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime.
Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher.
Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência
das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil.
No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência
tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados.
Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE
FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA
CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES
SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS.
IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL.
Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.511
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201106
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11030.000970/2008-30
conteudo_id_s : 6851148
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 18 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3802-000.511
nome_arquivo_s : Decisao_11030000970200830.pdf
nome_relator_s : FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
nome_arquivo_pdf_s : 11030000970200830_6851148.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9897828
ano_sessao_s : 2011
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de não-incidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PIS-Pasep e da COFINS não-cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão-somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃO-CUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento.
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271302316032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2154; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 169 1 168 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.000970/200830 Recurso nº 876.231 Voluntário Acórdão nº 380200.511 – 2ª Turma Especial Sessão de 02 de junho de 2011 Matéria Ressarcimento PIS/Pasep Recorrente Comil Carrocerias e Ônibus Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. GLOSA DE VALORES. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA INTERESSADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais indeferiu o pleito da interessada, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao administrado pela Constituição Federal, direito este cujo exercício restou materializado nas alegações aduzidas na peça recursal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. CRÉDITOS APURADOS EM RELAÇÃO A CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS A VENDAS PARA O MERCADO INTERNO. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS APENAS PARA A DEDUÇÃO DA CORRESPONDENTE CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. A legislação concernente ao regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, ressalvadas determinadas condições Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 em que aduzido direito não é permitido, nos termos das leis instituidoras do referido regime. Os créditos apurados dessa forma deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. Relativamente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação ou a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela, a lei autoriza sua utilização para a compensação com outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, mediante ressarcimento em espécie, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. No entanto, o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em espécie não existe em relação às vendas efetuadas para o mercado interno, mesmo diante do fato de o produto estar sujeito a redução da base de cálculo da contribuição, posto que aludida redução não caracteriza hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, condições estas que estão albergadas pelo direito referenciado, nos termos ressaltados. Assim, relativamente aos créditos do PISPasep e da COFINS não cumulativos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados às vendas para o mercado interno, tais créditos poderão ser utilizados, tão somente, para a dedução da correspondente contribuição devida. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO FUNDADO EM DESPESAS DE FRETES INTERNACIONAIS ONDE NÃO HOUVE A INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS é vedado o direito a creditamento decorrente da aquisição de serviços de fretamento não sujeitos ao pagamento da contribuição, cuja contratação foi meramente intermediada por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, operados por empresa com sede no exterior. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 REGIME DE APURAÇÃO NÃOCUMULATIVA DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC SOBRE OS CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Em função da vedação legal objeto do artigo 13 da Lei n° 10.833/03, c/c artigo 15, inciso VI, da mesma Lei, é inaplicável a correção monetária ou a incidência de juros sobre os créditos apurados no regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 170 3 (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Solon Sehn. Ausentes, momentaneamente, os Conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Tatiana Midori Migiyama. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Santa Maria (fls. 116/137), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra despacho decisório que reconhecera apenas em parte pleito relacionado a direito creditório relativo ao PIS nãocumulativo de competência do 4o trimestre de 2007. Quanto à parte rejeitada do pleito, esta abrangeu os seguintes pontos: a) foram glosados os valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, posto que referidas despesas não teriam sido alcançadas pelo PIS; b) também foram glosados os créditos apurados no mercado interno decorrentes de vendas operadas com redução da base de cálculo; c) houve glosa, ainda, de valores correspondentes a despesas com transporte de chassis de períodos anteriores ao trimestre em evidência, mas que haviam sido incluídos na base de cálculo do PIS cujo ressarcimento fora pleiteado. Com respeito à parcela do crédito reconhecida, a autoridade administrativa entendeu por restringir seu aproveitamento apenas para compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente aos créditos homologados, referida autoridade manifestouse no sentido de que a ampla compensação ou o ressarcimento só poderiam ser admitidos quanto às saídas destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou ainda, quanto aos créditos decorrentes das vendas para o mercado interno, se estas pudessem ser enquadradas em vendas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Irresignada, a pleiteante apresentou manifestação de inconformidade onde ressaltou, em síntese: a) quanto à restrição para aproveitamento dos créditos homologados tão somente para compensação com débitos do próprio PIS, defende que a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 venda das carrocerias ou ônibus no mercado interno se deu com redução da base de cálculo da contribuição, hipótese exonerativa que seria equivalente à figura da isenção parcial, amparada, pois, pelo disposto no artigo 17 da Lei no 11.033/04, c/c artigo 16 da Lei n° 11.116/05; b) que a legislação de regência asseguraria o direito à restituição de créditos do PIS nas compras de insumos utilizados na industrialização de produtos ou mercadorias acumulados trimestralmente, notadamente em razão da impossibilidade de se valer de dedução ou compensação da própria contribuição social ou com quaisquer tributos administrados pela RFB face ao amontoamento de créditos provocados pela preponderância de saídas imunizadas (vendas para o mercado externo ou ZFM), ou ainda, pela própria saída com parcial incidência do tributo (caso das vendas realizadas no mercado interno); c) que, nos termos do art. 16 da Lei n° 11.116, de 2005, o legislador ordinário teria vislumbrado impedir que os créditos ficassem inservíveis nos casos em que empresas, pela natureza particular de suas operações (exonerações totais ou parciais nas saídas), gerassem contínuo saldo credor da contribuição, o que, à mingua de débitos equivalentes, tornaria nulo o próprio direito de crédito concedido e inócua a sistemática da não cumulatividade engendrada no § 12 do art. 195 da CF; d) que o beneficio fiscal trazido pelo inciso II, § 2°, do art. 1°, da Lei n° 10.485, de 2002 – redução de base de cálculo – não teria o condão de interferir na forma ou modalidade de aproveitamento dos créditos resultantes desta exoneração parcial, porquanto tais créditos, mantidos na exata medida em que a saída tenha se dado com a redução da base imponível do tributo, seriam resultado de uma modalidade que ataca o aspecto quantitativo do fato gerador, de forma a dispensar parcialmente o pagamento do tributo, afeiçoandose, à vista disso, como regra isentiva; e) que, ainda que isenção não fosse, o art. 1°, § 2°, inciso II, da Lei n° 10.485, de 2002, determinaria a nãoincidência da norma tributária sobre uma parcela do fato econômico que enseja o pagamento do tributo (fato gerador), com a conseqüente possibilidade de aplicação do art. 16 da Lei n° 11.116/05 (recuperação total dos créditos descontados em operações anteriores por meio de ressarcimento); f) assevera que o § 6° do art. 150 da CF determina ser indispensável lei específica para fins de concessão dos direitos aos benefícios que enumera, nada exigindo ou ressalvando quanto à modalidade de aproveitamento dos créditos tributários: se por restituição ou compensação; g) que não faria sentido algum a concessão ao direito de ressarcimento (restituição) a quem pode o mais – aquele que é agraciado com a isenção ou nãoincidência total do pagamento da contribuição na saída do produto de seu estabelecimento – e tolher (prejudicar) a fruição deste mesmo direito (ou a ele análogo) a quem pode o menos – aquele que é beneficiado apenas com isenção ou nãoincidência parcial (redução de base de cálculo) do tributo na saída das mercadorias (produtos); Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 171 5 h) que esta disparidade de critérios seria inadmissível, desequilibrando e colidindo com os princípios da isonomia e seus consectários, proporcionalidade e razoabilidade, todos da CF de 1988, vetores a orientar o Sistema Tributário Nacional, inclusive o aplicador da lei fiscal; i) que não mereceria ser acolhida a distinção feita, devendo ser corrigido o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal e, por conseqüência, o Despacho Decisório, por serem substancialmente inválidos, improcedentes, ilegais e, também, inconstitucionais, devendo eles se adequarem à melhor interpretação das normas, visandose resguardar o ressarcimento dos créditos já reconhecidos e quantificados, resultantes das vendas de ônibus ou carrocerias operadas no mercado interno; j) que seu direito à compensação estaria amparado pelo art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da Lei n° 10.637, de 2002. Sobre a exclusão das despesas com fretes marítimos internacionais da base de cálculo da contribuição, aduz o seguinte: a) que o termo de verificação fiscal seria nulo por falta de fundamentação legal, face à inobservância aos incisos IV, art. 10, II, art. 59, ambos do Decreto n° 70.235/72, e I, art. 50 da Lei n° 9.784/99; b) que o art. 110 do CTN teria vedado qualquer alteração ou restrição infraconstitucional tendente a limitar a aplicabilidade da sistemática da não cumulatividade, a qual, à luz da Constituição Federal, permitiria a manutenção e o crédito do tributo sobre a totalidade dos produtos ou bens adquiridos, sem exceção; c) que, por força do art. 3° da Lei n° 10.637/02, a operação não poderia ser onerada pelo custo representado pelo quantum do bem, serviço ou mercadoria adquirida, como no caso da empresa, que apurou e escriturou os créditos da contribuição resultantes das despesas com fretes marítimos incorridas, indispensáveis à vazão de suas carrocerias e ônibus para clientes sediados no exterior; d) que a apuração dos créditos encontraria amparo expresso no inciso IX do art. 3° da Lei n° 10.833/03, e que a despesa passível de creditamento teria como requisitos únicos os dispostos no inciso II do § 3° do art. 3° da referida Lei, tendo a empresa observado rigorosamente os pressupostos exigidos, sobretudo porque os créditos do PIS seriam indiscutivelmente decorrentes de fretes marítimos adquiridos e pagos à pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil; e) que não poderia haver dúvidas acerca da regularidade dos créditos calculados sobre os fretes marítimos, seja porque foram eles adquiridos de pessoas jurídicas constituídas e operantes no País, seja porque foram pagos (creditados) às mesmas, também em território nacional, resultando ser Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 forçoso reconhecer que estariam preenchidos todos os requisitos dos incisos I e II, § 3°, do art. 3° da Lei n° 10.833/03; f) que referido serviço não poderia se enquadrado como insumo, mormente porque ditos fretamentos não são aplicados, transformados fisicamente, ou mesmo consumidos no processo de industrialização desses bens; g) que qualquer outro juízo fiscal cujo intento seja o de elastecer o alcance da restrição contida na norma esbarraria no princípio da tipicidade cerrada (reserva legal) e nos rigores dos comandos prescritos pelos arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN. Relativamente à apuração dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis, assevera que a Fiscalização não teria fundamentado a glosa dos valores em tela referente a períodos diversos do trimestre correspondente ao pedido de ressarcimento, razão pela qual propugna a nulidade do procedimento por cerceamento ao seu direito de defesa. Sobre a questão, a reclamante alega que a fiscalização, para a glosa dos valores, teria se limitado a sugerir que aludidos créditos deveriam ter sido incluídos nos correspondente meses de apuração, pois, caso contrário, ocorreria uma distorção no cálculo do crédito. Aduz, ainda, que a empresa estava amparada pelo direito à apuração, manutenção e ressarcimento ou compensação dos créditos, ainda que extemporâneos, cujas raízes estão fincadas na Constituição Federal como garantia do primado da nãocumulatividade das contribuições sociais (§ 12 do art. 195). Defende, também, que, em que pese a involuntária extemporaneidade dos pedidos formulados, inexistiria preceito legal capaz de impedir a empresa de exercer o direito compensatório ou restituitório dos créditos calculados sobre as despesas com serviços de transportes de chassis, e que a ocorrência de eventuais distorções nos cálculos dos créditos ou coeficientes utilizados pelo Fisco não poderia ser utilizada como motivação para o descumprimento do texto legal (arts. 97, 142 e 108 e §§ do CTN), não havendo que se falar em desajustes no trimestrecalendário sub judice que não se verificariam em eventuais procedimentos de retificação de DACONs e PER/DCOMPs atinentes aos períodos de apuração em que pagas as despesas com serviços de fretes. Ressalta, por fim, que os créditos em tela, embora não tivessem sido objeto de pedidos de ressarcimento nos trimestres de origem, estariam regularmente contabilizados e devidamente amparados por documentos fiscais probatórios dos dispêndios efetuados, de modo que, uma vez mantidos, se lhes aplicaria o preceito estabelecido nos §§ 4º dos arts. 3º das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, segundo o qual o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Quanto à correção dos créditos, defende que os mesmos deveriam ser atualizados, e isso com fulcro na proteção da empresa da corrosão inflacionária da moeda. Referida atualização deveria se dar com base na taxa SELIC, nos termos de jurisprudência do Conselho de Contribuintes e de doutrina nesse sentido. Em seu pedido final, se manifesta pela nulidade do despacho decisório atacado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, de cuja decisão a pleiteante fora cientificada em 24/02/2010 (fls. 139). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 172 7 Inconformada, a empresa, em 26/03/2010, apresentou o recurso voluntário de fls. 140/167, onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, aduzindo em acréscimo, notadamente, que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela ‘domiciliada’ no país!”. Diante do exposto, requer a reforma do acórdão vergastado para “JULGAR/DECLARAR:” a) o despacho decisório inválido ou improcedente; b) o direito à compensação dos créditos reconhecidos nos moldes prescritos pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores; c) o direito creditório calculado sobre as despesas com fretes marítimos e sua utilização para ressarcimento ou compensação; d) a “ressarcibilidade” ou “compensabilidade” dos créditos calculados sobre as despesas com transportes de chassis, tal qual informados na PER/DCOMP que deu origem ao PAF em lide, nos moldes dos arts. 3 das Leis 10.637/02 e 10.833/03, determinando a improcedência da glosa fiscal; e, e) a atualização dos créditos pela taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Ainda em sede de preliminar, existe uma questão de nulidade a qual, adianto, está afastada, mas cujas razões serão demonstradas quando do exame do mérito, dado o liame que existe entre os argumentos em prol da nulidade apresentados pela recorrente e as questões relativas aos fundamentos da lide analisadas. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve discussão acerca de pedido de ressarcimento de créditos do PIS, de competência do quarto trimestre de 2007, onde parte do direito creditório não foi reconhecido em decorrência da exclusão da base de cálculo dos valores correspondentes às despesas com fretes marítimos internacionais prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, despesas estas não alcançadas pela COFINS e pelo PIS. Com respeito à parcela do crédito homologada pela autoridade administrativa, seu aproveitamento ficou restrito apenas à compensação com débitos do próprio PIS, restrição esta Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 8 fundamentada em exegese do artigo 16 da Lei n° 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei n° 11.033/04 e § 6° do artigo 150 da Constituição Federal. Relativamente à parcela do crédito homologada, segundo o raciocínio aplicado, a ampla compensação ou o ressarcimento só seriam admitidos se as saídas tivessem sido destinadas para o mercado exterior – posto que a situação estaria amparada pelos §§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 – ou se o caso pudesse ser enquadrado em hipótese de venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência, nos termos do artigo 17 da Lei no 11.033/04, uma vez que o artigo 16 da Lei n° 11.116/05 garantia o mesmo direito. Finalmente, merecerá exame, também, a questão relacionada ao aduzido erro no cálculo dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis, bem como a pleiteada correção monetária pela taxa SELIC. A primeira questão que necessita ser analisada diz respeito à existência ou não de direito a compensação com outros tributos federais, ou a ressarcimento, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo. Para tanto, convém sejam feitas breves considerações acerca do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, dada a grande similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são, em regra, de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de bases de cálculo e de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigo 2o de cada uma das leis em comento, dentre as quais a condição prescrita pelo inciso III do § 1o dos respectivos artigo 2o (incluídos pela Lei nº 10.865, de 2004), que determina a aplicação do disposto no artigo 1o da Lei 10.485, de 3/07/2002, para os produtos ali elencados (onde se enquadra a mercadoria industrializada pela reclamante), dispositivo este que estipula a alíquota de 2% para o PIS/Pasep a ser aplicada sobre uma base de cálculo reduzida em 48,1%, conforme se observa abaixo: Lei 10.485, de 3/07/2002 Art. 1o As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Fl. 8DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 173 9 Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 1o O disposto no caput, relativamente aos produtos classificados no Capítulo 84 da TIPI, aplicase, exclusivamente, aos produtos autopropulsados. § 2o A base de cálculo das contribuições de que trata este artigo fica reduzida: [...] II em 48,1% (quarenta e oito inteiros e um décimo por cento), no caso de venda de produtos classificados nos seguintes códigos da TIPI: 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 8702.10.00 Ex 02, 8702.90.90 Ex 02, 8704.10.00, 87.05 e 8706.00.10 Ex 01 (somente os destinados aos produtos classificados nos Ex 02 dos códigos 8702.10.00 e 8702.90.90). A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Doravante, voltaremos a essa questão. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Nesse caso, as leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. Feitas as observações de natureza mais geral sobre o regime da não cumulatividade das contribuições sociais, passemos para os pontos especificamente relacionados à lide. Do alegado direito a ressarcimento em espécie ou para compensação com outros tributos dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da contribuição A primeira questão posta em exame requer seja examinado se existe direito à compensação com outros tributos, ou para ressarcimento em espécie, dos créditos do PIS decorrentes das vendas efetuadas no mercado interno com redução da base de cálculo da Fl. 9DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 10 contribuição em tela. Não há questionamento quanto ao direito de creditamento (a não ser em relação aos outros problemas adiante analisados), já que tal direito está claramente amparado pelo artigo 3o da mencionada Lei 10.637/02 (bem como pelo artigo 3o da Lei 10.833/03, no caso da COFINS). Com respeito às receitas decorrentes da prestação de serviços para o exterior com ingresso de divisas ou à exportação de mercadorias (ou operação equivalente), o artigo 5o da Lei 10.637/02, ao estabelecer a nãoincidência da contribuição sobre aludidas receitas, autoriza, nessas hipóteses, a utilização dos créditos apurados na forma do artigo 3o, inclusive, por meio de compensação com débitos próprios de outros tributos administrados pela RFB ou ressarcimento em dinheiro, nos termos do referido dispositivo, abaixo reproduzido: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. [...] (grifos nossos) Além disso, nos termos do artigo 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, o saldo credor da contribuição para o PIS/Pasep ou COFINS, apurado na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (além do saldo pela incidência das referidas contribuições sobre as importações) em virtude do disposto no artigo 17 da Lei no 11.033, de 21/12/2004 (vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela) poderá também ser aproveitado da mesma forma que a prevista no artigo 5o da Lei 10.637/02 e artigo 6o da Lei 10.833/03, ou seja, mediante compensação com débitos próprios de outros tributos federais, ou ainda, ressarcimento em dinheiro, nos termos estabelecidos pelo comentado preceito legal, abaixo transcrito: Lei nº 11.116, de 18/05/2005 Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em Fl. 10DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 174 11 virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. (grifo nosso) Como se vê, o direito à utilização dos créditos do PIS e da COFINS para a compensação com débitos de outros tributos administrados pela RFB, assim como por meio de ressarcimento em dinheiro, é restrito para os casos em que aludidos créditos tiverem sido apurados na forma do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/02, dentre outros, sobre custos, despesas e encargos necessários à fabricação de mercadorias exportadas ou à prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior cujo pagamento represente ingresso de divisas (§§ 1o e 2o do artigo 5o da Lei 10.637/02 e §§ 1o a 3o do artigo 6o da Lei 10.833/03), bem como em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições em tela (artigo 16 da Lei no 11.116/05 c/c artigo 17 da Lei 11.033/04). No entanto, o crédito da contribuição objeto da lide decorre da aquisição de insumos utilizados na industrialização de produtos vendidos no mercado interno, condição que, conforme demonstrado, não encontra abrigo legal que garanta o direito à ampla compensação ou ao ressarcimento em dinheiro que a lei confere aos créditos apurados na fabricação de bens exportados. Resta examinar apenas se referidas alienações podem ser enquadradas como operações realizadas com isenção ou nãoincidência, como defende a empresa interessada. Neste comenos, também não há direito que ampare a tese aduzida pela recorrente, conforme fundamentos na sequência delineados. A isenção tributária, para os doutrinadores mais antigos (Rubens Gomes de Sousa, Amílcar de Araújo Falcão, Fábio Fanucchi, dentre outros), é a dispensa legal de pagamento de tributo devido. Segundo essa tese, na isenção ocorre o fato gerador, a incidência tributária e a materialização da obrigação tributária, que, no entanto, é dispensada pela lei isentiva. Não obstante as pesadas críticas contrárias a essa linha conceitual, não se pode negar que tal ideia está em sintonia com o artigo 175, inciso I, do CTN, que coloca a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário. Souto Maior Borges, por sua vez, defende que [...] nãoincidência, imunidade e isenção apresentam como nota comum a circunstância de, em face delas, não surgir o vínculo jurídico denominado incidência [...]. E, sem a incidência do tributo, não surge a obrigação tributária. (grifei) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 12 (BORGES, Souto Maior. Teoria geral da isenção tributária. Malheiros: São Paulo. 3.ed. 2001. p.190) Até aqui, nenhum problema com a doutrina contemporânea. Mas a recorrente, fundada exatamente em lição de Souto Maior Borges, além de Ives Gandra Martins e em jurisprudência do STF (para o ICMS), aduz que a hipótese normativa na qual se enquadra diz respeito às chamadas isenções parciais, onde “[...] surge o fato gerador da tributação, constituindose, portanto, a obrigação tributária, embora o quantum do débito seja inferior ao que normalmente seria devido se não tivesse sido estabelecido preceito isentivo”. E assim, caracterizada a redução da base de cálculo como isenção, estaria a empresa amparada pelo direito de compensar os créditos do PIS com débitos de outros tributos administrados pela RFB, ou ainda, pelo direito ao ressarcimento em dinheiro, alicerçada que estaria pelo artigo 16 da Lei no 11.116/05, c/c artigo 17 da Lei no 11.033/04. No entanto, não obstante a respeitável doutrina e jurisprudência em que a recorrente se alicerça, não há como se aceitar a tese da isenção parcial defendida pela mesma. Luciano Amaro leciona que a técnica da isenção “[...] consiste em estabelecer, em regra, a tributação do universo, e, por exceção, as espécies que ficarão fora da incidência, ou seja, continuarão não tributáveis. Essas espécies excepcionadas dizemse isentas” (Direito Tributário Brasileiro. 15. ed. São Paulo: Saraiva. 2009. p. 280) (grifei). Por sua vez, Paulo de Barros Carvalho explica a isenção tributária a partir da divisão das normas jurídicas em normas de comportamento e em normas de estrutura; nestas, inclui as regras de isenção, cuja forma de ação envolve o ataque a um ou mais dos critérios da norma, mutilandoos parcialmente. Ressalta o i. professor que a isenção subtrai parcela do campo de abrangência do critério do antecedente (p. ex., critério espacial) ou do consequente (p. ex., sujeito passivo) da norma jurídica tributária, impedindo o tributo de nascer (e aqui, entendase, de nascer na sua totalidade). Exatamente por isso é que não se pode confundir subtração do campo de abrangência do critério do antecedente ou do consequente com a redução (parcial, portanto) da base de cálculo ou da alíquota do tributo. Nesse sentido, postula que a diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção – muito embora a doutrina a denomine de isenção parcial –, mas apenas providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. Nas palavras do próprio autor: Não confundamos subtração do campo de abrangência do critério da hipótese ou da conseqüência com mera redução da base de cálculo ou da alíquota, sem anulálas. A diminuição que se processa no critério quantitativo, mas que não conduz ao desaparecimento do objeto, não é isenção, traduzindo singela providência modificativa que reduz o quantum do tributo que deve ser pago. O nome atribuído pelo direito positivo e pela doutrina é isenção parcial. (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 6. ed. São Paulo: Saraiva. 1993. p. 333334) (grifei) Seguindo essa mesma linha, e criticando a tese das isenções parciais (na qual se embasa intensamente a defesa da reclamante, como ressaltado), Sacha Calmon Navarro Coêlho: [...] à luz da teoria da norma jurídica tributária, a denominação isenção parcial para o fenômeno da redução parcial do imposto a pagar, através das minorações diretas de bases de cálculo e de alíquotas, afigura se absolutamente incorreta e inaceitável. A isenção ou é total ou não é, Fl. 12DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 175 13 porque a sua essentialia consiste em ser modo obstativo ao nascimento da obrigação. Isenção é o contrário de incidência. As reduções, ao invés, pressupõem a incidência e a existência do dever tributário instaurado com a realização do fato jurígeno previsto na hipótese de incidência da norma de tributação. As reduções são diminuições no quantum da obrigação, via base de cálculo rebaixada ou alíquota reduzida. (grifo nosso) (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 9. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2008, p. 196) Portanto, seja admitindo a isenção como hipótese de exclusão do crédito tributário, seja aceitando a ideia de isenção como excludente da norma hipotética de incidência, no caso em exame – onde houve, tãosomente, uma redução da base de cálculo do PIS (em 48,1%, imposta pelo artigo 1o, inciso II, da Lei 10.485/02) e a estipulação de uma alíquota, inclusive, mais elevada que a ordinariamente estabelecida (2% contra 1,65%) –, não há que se falar em isenção, já que todos os elementos necessários à constituição do crédito tributário – este, efetivamente existente – se fazem presentes. Aliás, e agora nos restringindo à tese da isenção como hipótese de dispensa legal de pagamento de tributo devido – na forma do CTN – a sustentabilidade lógica da proposição defendida pela reclamante necessitaria fossem alterados os fundamentos necessários à classificação da isenção como uma hipótese de exclusão do crédito tributário, estabelecida pelo artigo 175, I, do CTN, normativamente, portanto. Já a tese da isenção parcial requer, como condição sine qua non, seja afastada a incidência do tributo e o surgimento da obrigação tributária principal, criando o denominado fato gerador isento, previamente, pois, à materialização da obrigação tributária, posto que seria impraticável defender tal tese uma vez materializada, na sua totalidade, a obrigação tributária, que, neste caso, deveria subsistir apenas em parte. Enfim, a questão em exame representa exclusivamente o estabelecimento de base de cálculo e alíquota específicas visando reduzir a carga tributária de um particular seguimento da economia, o que, de forma alguma, se assemelha à isenção, posto que incompatível: a) com a tese mais tradicional – isenção como hipótese normativa de exclusão do crédito tributário (artigo 175, inciso I, do CTN); b) com a tese da isenção como excludente da norma hipotética de incidência – que exige seja a isenção conferida na sua totalidade. Aliás, a alteração da alíquota pode ocorrer não apenas para reduzir a carga tributária, mas também para aumentála (como não raro ocorre), o que põe por terra em definitivo a tese da isenção parcial. O caso em exame também não se enquadra como nãoinciência tributária, como, alternativamente, defende a reclamante. Redução de base de cálculo nada tem a ver com nãoincidência da norma tributária. A nãoincidência, como defende Sacha Coêlho, é um “nãoser”. Enquanto a isenção advém de norma positiva que estabelece condição onde a norma hipotética de incidência não tem alcance, na nãoincidência simplesmente não há norma, ou seja, o ato praticado é estranho ao campo da normatividade tributária. Exatamente por isso é que Geraldo Ataliba, de forma brilhante, comparava a nãoincidência ao nãocrime. Por seu turno, no caso presente, a própria redução da base de cálculo é suficiente para demonstrar de forma transparente a materialidade da hipótese de incidência, Fl. 13DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 14 que, por alcançar a realidade fática, comprova não se enquadrar o fato no âmbito da não incidência tributária. Portanto, relativamente aos créditos do PIS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a vendas efetuadas para o mercado interno com redução da base de cálculo, diante do fato de referida redução não se enquadrar como hipótese de isenção ou de nãoincidência tributária, concluise que não há amparo legal que possibilite a utilização desses créditos para fins de compensação com outros tributos federais, ou ainda, para ressarcimento em dinheiro. Assim, em relação a referidos créditos, cabível apenas sua utilização para dedução da própria contribuição devida pela empresa interessada. Negase, pois, provimento ao recurso neste âmbito. Da inaplicabilidade, ao caso, do direito prescrito pela Lei no 9.430/96 Também não merece acolhida o argumento aduzido pela empresa recorrente concernente à alegada aplicabilidade ao caso do disposto no artigo 74 da Lei no 9.430/96. Com efeito, o caput do referido dispositivo, segundo redação dada pela Lei nº 10.637/02, garante o direito à compensação de créditos do contribuinte com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, mas isso apenas em relação a créditos passíveis de restituição ou de ressarcimento, conforme se observa do preceito acima referenciado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (grifo nosso) Como demonstrado, os créditos da reclamante não se enquadram como passíveis de restituição ou de ressarcimento, razão pela qual o artigo 74 da Lei no 9.430/96 não ampara o direito que a mesma alega fazer jus. Do alegado direito a creditamento do PIS pela realização de despesas com fretamento Conforme já revelado, a legislação pertinente ao regime da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Referidas leis, no entanto, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o (com as alterações implementadas pela Lei nº 10.865, de 2004), fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela, como, por exemplo, aquela objeto de seu inciso II, segundo o qual não dará direito a crédito o valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. Quanto às despesas com armazenagem e fretes, interessante observar que a possibilidade de utilização dessas despesas para fins de apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS e da COFINS se encontra explicitada no inciso IX do artigo 3o da Lei no 10.833/03 (relativa à COFINS nãocumulativa), inciso este que, por força do disposto no Fl. 14DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 176 15 artigo 15, inciso II, da referida Lei, é aplicável também para o PIS/Pasep não cumulativo. Para maior clareza reproduzo os preceitos legais em comento: Lei 10.833/03 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) A motivação arguida pela autoridade recorrida para indeferir o direito ao creditamento sobre referidas despesas foi a nãoincidência do PIS sobre os fretes marítimos internacionais prestados por empresas domiciliadas no exterior. Inicialmente, não se questiona que o ônus das operações com frete tenha sido integralmente suportado pela reclamante. O motivo para a glosa de tais despesas, como consignado no termo de verificação fiscal, foi a contratação de fretes com empresas domiciliadas no exterior. Com efeito, os incisos I e II do § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 restringem o direito ao crédito: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País. Ademais, prescreve o inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03 (acima já referenciado): § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Contraditanto não haver desobedecido a esses preceitos, a reclamante insiste que os créditos do PIS em contenda advêm de fretes marítimos “adquiridos” e “pagos” a pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil. Especificamente, assevera que os pagamentos relativos aos fretes teriam sido realizados a pessoas jurídicas/sucursais domiciliadas no país, embora com sede no exterior, mas que isso não obstaculizaria o creditamento em litígio, amparado que estaria pela lei n° 10.833/03, em cuja redação inexistiria “[...] menção à ‘sede’ da pessoa jurídica contratada para o fretamento, conquanto esteja ela "domiciliada" no país!”. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 16 No entanto, segundo o termo de verificação fiscal e decisão vergastada, o agenciamento dos serviços de fretamento foi intermediado por despachantes aduaneiros e pessoas jurídicas que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais. Nesse diapasão, consta da decisão recorrida: Muito embora o ônus das operações de frete tenha sido suportado pela empresa (vendedora), se pode inferir pelos documentos de fls. 42/47 que o fretamento dos bens que vendeu ao mercado externo foram operados por empresas cuja sede está no exterior, sendo que, conforme informado pela Fiscalização, o agenciamento daqueles serviços foram intermediados por despachantes aduaneiros que atuavam como representantes da contribuinte. Atentese que a empresa nada manifestou a este propósito em sua peça de descontentamento, sendo de ser salientado que daquilo que fundamentado pela Fiscalização, entendese que na verdade a contribuinte contratava, também, pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicavam à atividade de agenciamento de fretes internacionais, fazendo o pagamento do serviço de transporte para elas. Nesse caso, é preciso ressaltar que tais agenciadores não prestam o serviço de transporte, não sendo eles os recebedores do pagamento por tais serviços. Na verdade os valores entregues para os agenciadores correspondem aos pagamentos dos transportadores, resultando que para atendimento da exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País), necessário se faz que o transportador (o prestador do serviço de transporte internacional) seja domiciliado no País. (grifos nossos) Sobre a questão, importa destacar que a recorrente não acostou aos autos nenhuma prova capaz de demonstrar que as empresas nacionais que receberam pelos serviços de frete teriam efetivamente prestado tais serviços, não tendo agido tãosomente como agenciadoras dos fretes. Em relação ao inciso II do § 2o do artigo 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, acima reproduzido, entendo que, de fato, as despesas com frete não se enquadram na vedação ali contida, já que estas não se enquadram como insumos. Não obstante, a glosa dos valores correspondentes aos fretes internacionais encontra guarida no inciso II do § 3o do artigo 3o da Lei 10.637/02, já que não foram pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, como demonstrado. Finalmente, e ainda em relação à glosa dos valores correspondentes a fretes, a reclamante alega nulidade do procedimento fiscal por falta de fundamentação legal. No procedimento fiscal vergastado, todavia, não se vislumbra a existência de qualquer vício capaz de fundamentar a nulidade do ato administrativo em questão. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste comenos, é importante ressaltar que o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 11030.000970/200830 Acórdão n.º 380200.511 S3TE02 Fl. 177 17 Com efeito, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Assim, não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. E prejuízo à defesa, de fato, não houve, o que se extrai da minuciosa e pontual defesa apresentada pela interessada. Aliás, tanto no termo de verificação fiscal quanto no despacho decisório da unidade de origem são referenciadas as normas que tratam do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, informação que, associada aos claros motivos para a glosa das despesas com frete, contraditados pela reclamante, demonstram a ausência de razões capazes de sustentar a nulidade do procedimento. Portanto, uma vez afastada a nulidade reclamada, e considerando que os fretes internacionais foram pagos a pessoa jurídica não domiciliada no país, legítima a glosa dos pagamentos em tela para fins de creditamento do PIS. Do cálculo dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis Conforme relatado, vêse que, relativamente à apuração dos créditos sobre as despesas com transporte de chassis houve glosa parcial dos valores pleiteados, não tendo sido admitidos os valores calculados com base em despesas de períodos diversos do trimestre correspondente ao pedido de ressarcimento. A justificativa da fiscalização para a glosa foi baseada na distorção no cálculo do crédito decorrente da inclusão de bases de cálculo de períodos outros daquele objeto do pleito. A recorrente, por sua vez, propugna pela nulidade do procedimento por cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que a autoridade administrativa não teria fundamentado adequadamente a glosa em evidência. Aduz, ainda, que teria direito ao crédito como garantia do primado da nãocumulatividade das contribuições sociais (§ 12 do art. 195 da Constituição Federal) e em vista dos demais argumentos anteriormente relatados. Primeiramente, importa destacar que a fiscalização, em nenhum momento, se contrapôs ao direito de creditamento da empresa relativamente às despesas com transporte de chassis, mas sim à forma como a mesma resolveu operacionalizar seu pedido, incluindo no pleito correspondente ao quarto trimestre de 2007 despesas incorridas em momentos diferentes, com prejuízo para o necessário controle dos créditos decorrentes do regime da não cumulatividade das contribuições sociais. Com efeito, tais pedidos deverão obedecer a um mínimo de regramento, sem o qual tornarseia virtualmente impossível o controle do já complicado regime de não cumulatividade em tela, com prejuízos para o Erário. Por tal razão é que cada pedido deverá abordar um único trimestrecalendário, trimestre este (quarto trimestre de 2007) consignado no pleito (PER/DCOMP) da interessada. Inadmissível, pois, que a suplicante, ao apresentar pedido correspondente a um determinado trimestre, inclua no quantum pleiteado créditos decorrentes de períodos outros, os quais deveriam haver sido consignados nos trimestres de respectiva competência. Correta, pois, glosa dos créditos calculados com base em despesas de competência diversa daquela objeto do presente processo. Fl. 17DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 18 Quanto à alegada nulidade por cerceamento ao direito de defesa da suplicante, entendo que a mesma não restou caracterizada, e isso em vista do fundamentado recurso elaborado pela recorrente, o que demonstra a ausência do aduzido prejuízo, conforme razões já desenvolvidas sobre essa questão linhas acima. Da atualização dos créditos pela taxa SELIC Relativamente aos argumentos aduzidos pela reclamante concernente à incidência da taxa SELIC, importa destacar que existe vedação legal expressa à correção dos créditos do PIS apurados no regime da nãocumulatividade pela referida taxa. Tal vedação, com efeito, está consignada no artigo 13 da Lei n° 10.833/03, que trata da COFINS não cumulativa, cujo preceito é também aplicável ao regime do PIS não cumulativo por força do inciso VI do artigo 15 da mesma lei. Referidos dispositivos encontramse abaixo transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, não há como acolher o pleito da interessada nesse sentido. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar a tese de nulidade aduzida pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 02 de junho de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 18DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 01/07/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA, 13/06/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 13609.904042/2012-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3002-000.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil).
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mateus Soares de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
Nome do relator: MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202304
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 13609.904042/2012-66
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6847007
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon May 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3002-000.314
nome_arquivo_s : Decisao_13609904042201266.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : MATEUS SOARES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 13609904042201266_6847007.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2023
id : 9891085
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:41 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271350550528
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-10T14:27:56Z; Last-Modified: 2023-05-10T14:27:56Z; dcterms:modified: 2023-05-10T14:27:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-10T14:27:56Z; meta:save-date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-10T14:27:56Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-10T14:27:56Z; created: 2023-05-10T14:27:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2023-05-10T14:27:56Z; pdf:charsPerPage: 2034; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-10T14:27:56Z | Conteúdo => 0 S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13609.904042/2012-66 Recurso Voluntário Resolução nº 3002-000.314 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 12 de abril de 2023 Assunto COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA Recorrente DISTRIBUIDORAS DE BEBIDAS AMARAL Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para fins de averiguação acerca da existência dos créditos e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira- Presidente (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mateus Soares de Oliveira (Relator), Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente) e Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto as fls. 93-105 em face da r. decisão de fls. 83-89, pugnando-se por sua reforma, sustentando, em síntese que: - O despacho decisório de fls.04 que analisou o PER nº 41708.65421.091112.1.1.11-1472, às fls. 05/09 relativo a COFINS referente ao 2º trimestre de 2008 deve ser anulado por não considerar as declarações retificadoras ocorridas em 2012; - Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo recorrente, a decisão recorrida chamou atenção que o indeferimento do pleito se deveu, ao contrário do sustentado pelo contribuinte, à vedação, a época dos fatos, do desconto de créditos relativos a COFINS pagos nas operações de aquisição para revenda de bebidas, refrigerantes e água mineral, objeto social da Manifestante. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .9 04 04 2/ 20 12 -6 6 Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3002-000.314 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13609.904042/2012-66 1 Voto Conselheiro Mateus Soares de Oliveira, Relator. Chama-se atenção as fls. 101,102,104 do Recurso Voluntário, onde o recorrente destaca que os créditos não decorrem da venda de bebidas, mas, sim, de despesas de energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil. Esclarece ainda que tais informações estão reproduzidas nas Fichas 16A das DACON’s retificadoras apresentadas em 2012, as quais, supostamente, demonstrariam que NÃO foi apropriado qualquer crédito a título de “01. Bens para Revenda” como equivocadamente menciona o acórdão recorrido. De forma a esclarecer de vez a pretensão recursal, transcreve-se trecho do recurso voluntário as fls. 104: Deste modo, não há que se falar em qualquer creditamento de COFINS sobre bebidas adquiridas para revenda, posto que Recorrente com base na Solução de Consulta n.º 156 – SRRF06/Disit, apropriou-se exclusivamente do COFINS Não-Cumulativo – Mercado Interno sobre despesas com energia elétrica, alugueis de prédios e máquinas, e arrendamento mercantil, pelo que merece reforma o v. acórdão recorrido. 2 Do Dispositivo Considerando a informação na DACON identificando cada um dos ítens elencados em sede de Recurso Voluntário e que a decisão de primeiro grau não enfrentou esses argumentos, bem como os argumentos do Acórdão recorrido possui fundamentação diversa dos documentos e pleitos apresentados neste processo, converte-se este julgamento em diligencia para fins de averiguação acerca da existência e, em caso positivo, apuração do valor do crédito decorrente das despesas apontadas na DACON (energia elétrica, aluguel de prédios locados a pessoas jurídicas, aluguel de máquinas e equipamentos e arrendamento mercantil). (documento assinado digitalmente) Mateus Soares de Oliveira Fl. 153DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000958/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005
PROVA. RECEITA FINANCEIRA.
Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória.
PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO.
É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora.
Numero da decisão: 3401-011.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo.
(documento assinado digitalmente)
Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
Nome do relator: OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat May 20 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 202303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 PROVA. RECEITA FINANCEIRA. Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória. PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO. É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_processo_s : 19515.000958/2006-22
anomes_publicacao_s : 202305
conteudo_id_s : 6849250
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 16 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3401-011.520
nome_arquivo_s : Decisao_19515000958200622.PDF
ano_publicacao_s : 2023
nome_relator_s : OSWALDO GONCALVES DE CASTRO NETO
nome_arquivo_pdf_s : 19515000958200622_6849250.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Mar 21 00:00:00 UTC 2023
id : 9894783
ano_sessao_s : 2023
atualizado_anexos_dt : Sat May 20 09:03:45 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1766403271351599104
conteudo_txt : Metadados => date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-05-05T18:20:52Z; Last-Modified: 2023-05-05T18:20:52Z; dcterms:modified: 2023-05-05T18:20:52Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-05-05T18:20:52Z; meta:save-date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-05-05T18:20:52Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-05-05T18:20:52Z; created: 2023-05-05T18:20:52Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-05-05T18:20:52Z; pdf:charsPerPage: 1810; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-05-05T18:20:52Z | Conteúdo => S3-C 4T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.000958/2006-22 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-011.520 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2023 Recorrente CONSTRUCOES E COMERCIO CAMARGO CORREA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2005 PROVA. RECEITA FINANCEIRA. Em constatado que a fiscalização em procedimento apurou a base de cálculo da COFINS incidente sobre as receitas financeiras, posteriormente declaradas inconstitucionais pelo Judiciário, não há que se falar em insuficiência probatória. PAGAMENTO. DARF AUTENTICADO. É suficiente para demonstrar o pagamento do tributo devido o DARF devidamente autenticado com todas as características (período de apuração, tributo, valor, mora) do montante alegadamente em mora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata de recolhimento de valores a maior, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento para afastar o lançamento sobre as receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos, desde que disponíveis para utilização neste processo. (documento assinado digitalmente) Arnaldo Diefenthaeler Dornelles - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gustavo Garcia Dias dos Santos, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Winderley Morais Pereira, Fernanda Vieira Kotzias, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 58 /2 00 6- 22 Fl. 1296DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 Renan Gomes Rego, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Arnaldo Diefenthaeler Dornelles (Presidente). Relatório 1.1. Trata-se de lançamento de ofício de COFINS apurado entre outubro de 2002 e dezembro de 2005 por “diferenças verificadas entre os valores declarados e os valores escriturados apontadas no DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS VERIFICADAS - COFINS, parte integrante deste Termo”. 1.2. Narra o auto de infração que em alguns períodos a Recorrente pagou COFINS a título de ajustes de provisões (isto é, pagamento de COFINS em atraso, devida em meses anteriores) e diferiu, sem previsão legal, o pagamento da COFINS incidente sobre receitas financeiras. 1.3. Em Impugnação, a Recorrente destaca: 1.3.1. Ter recolhido antes do início do procedimento de fiscalização parte da COFINS devida em atraso, com incidência dos consectários da mora; 1.3.2. Os débitos referentes às receitas financeiras estão suspensos por decisão proferida no MS 1999.61.000196717; 1.3.3. Ter recolhido, após a lavratura do auto de infração, a diferença incontroversa. 1.4. Posteriormente, a Recorrente esclarece que os valores de março de 2004 e julho de 2005 foram recolhidos a maior, e, portanto, nestes meses e nos demais em que não houve pagamento, houve impugnação à autuação. 1.5. A DRJ São Paulo manteve íntegro o lançamento, porquanto: 1.5.1. Preclusos os meses em que não houve impugnação ou comprovação de pagamento e, nos meses em que houve pagamento parcial, preclusa a diferença a recolher; 1.5.2. Não é possível concluir – por ausência de provas - que os valores de COFINS autuados refiram-se a receitas financeiras e, consequentemente, encontrem-se acobertados pela decisão judicial; 1.5.3. “A contribuinte não apresentou registros contábeis, contratos, recibos, ou qualquer comprovante que subsidiasse a alegação de que os valores [devidos em março de 2004 e julho de 2005] teriam sido provisionados a maior”; 1.5.4. Não basta para comprovar a quitação dos débitos de COFINS a juntada de comprovantes de pagamento ou de compensação das diferenças apuradas pela Fl. 1297DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 fiscalização, a Recorrente deve demonstrar que toda a COFINS de cada um dos períodos de apuração foi quitada. 1.6. Intimada, a Recorrente busca guarida nesta Casa em peça que argumenta, em síntese: 1.6.1. A DRJ reconheceu os pagamentos posteriores à lavratura do auto de infração; 1.6.2. Se não havia certeza acerca da natureza das receitas autuadas (se financeiras ou não) deveria a DRJ ter baixado o processo em diligência para se verificar – o que requer com o Voluntário; 1.6.3. Trouxe aos autos documentos suficientes para demonstrar o recolhimento a posteriori da diferença entre os valores provisionados e os efetivamente devidos de COFINS; 1.6.4. Trouxe aos autos documentos suficientes para demonstrar o recolhimento a maior em maio de 2003, inclusive, aviso de cancelamento de débito com a seguinte mensagem “UT-413 Aviso de Débito 2346 CANCELADO em 07/2003 – PIS recolhido indevido”; 1.6.5. A planilha coligida aos autos pela Recorrente demonstra que cada um dos DARFs referem-se a pagamentos em atraso com a incidência dos consectários da mora; 1.6.5.1. “A própria Receita Federal por meio de seu sistema, tem condições de verificar os pagamentos e alocá-los para os períodos corretos”; 1.6.6. Todos os valores devidos foram recolhidos, logo não há ação ou omissão a atrair a incidência de multa; 1.6.7. Necessária a conversão do julgamento em diligência para reanálise do crédito lançado. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. No curso do procedimento de fiscalização a Recorrente foi intimada a deixar a disposição da fiscalização uma série interminável de documentos e informações, assim o fazendo. Após a análise dos documentos apresentados, a fiscalização lançou de ofício a diferença das contribuições por dois motivos: a) pagamento diferido, b) diferimento das RECEITAS FINANCEIRAS. Para demonstrar o montante de cada um dos valores glosados a fiscalização apresentou planilha nos seguintes termos: Fl. 1298DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.1.1. Desta forma, foi a própria fiscalização que apurou a base de cálculo da COFINS e do PIS sobre receitas financeiras com base na documentação apresentada pela Recorrente. Portanto, o fundamento da DRJ de inexistência de prova do montante das receitas financeiras não se sustenta (com a devida vênia, aproxima-se demasiadamente de venire contra factum proprio). 2.1.2. Pois bem. Noticia a Recorrente ter movido Mandado de Segurança (1999.61.000196717) justamente para a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições; mandamus que transitou em julgado com decisão favorável à Recorrente. 2.1.3. Somada a premissa 1 (a Receita Federal apurou e lançou PIS e COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente) com a premissa 2 (o Poder Judiciário afastou a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras da Recorrente) temos que o provimento do recurso neste ponto é imperioso ante a coisa julgada. 2.2. Raciocínio semelhante pode ser adotado para os RECOLHIMENTOS EXTEMPORÂNEOS. A fiscalização, primeiramente, apurou a base de cálculo das contribuições de acordo com o declarado pela Recorrente e o valor recolhido a este título, coligindo aos autos planilha de suas conclusões mês a mês: Fl. 1299DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.2.1. Concluído o procedimento fiscal, foi apurada diferença entre o valor a recolher declarado e o valor a recolher de acordo com a escrituração fiscal, lançando-se, mês a mês a diferença. 2.2.2. A Recorrente concorda que recolheu tributo a menor no respectivo período de apuração, porém informa que antes do início do procedimento fiscal recolheu a diferença aos cofres públicos. Para demonstrar o alegado a Recorrente traz aos autos a DCTF do período indicando uma e justamente os valores apurados pela fiscalização em cada um dos períodos de apuração com os recolhimentos via DARF datados, planilha indicando os débitos a recolher no período e o DARF extemporâneo devidamente autenticado: Fl. 1300DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-011.520 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000958/2006-22 2.2.3. Destaque-se que os DARFs extemporâneos não foram descritos nas DCTFs apresentadas pela Recorrente e, consequentemente, não foram considerados pela fiscalização a título de pagamento na planilha de apuração. Confirma o alegado a identidade numérica entre o valor descrito em DCTF a título de pagamento e o apurado pela fiscalização. Ora, se o valor de COFINS paga descrito em planilha pela fiscalização é idêntico ao valor de COFINS paga descrito pela Recorrente em DCTF, e se dentre os pagamentos descritos pela Recorrente em DCTF não se encontra o DARF pago de forma extemporânea, logo na planilha da fiscalização não está considerado o valor pago de forma extemporânea. 2.2.4. Destarte, o total das contribuições pagas pela Recorrente é igual à soma dos valores apurados pela fiscalização com os DARFs coligidos pela Recorrente. Em demonstrado o recolhimento das contribuições devidas no período que não foram consideradas pela fiscalização, de rigor o provimento do recurso para que estes pagamentos sejam abatidos do montante do lançamento de ofício. 2.3. Não há o que discutir acerca de VALORES RECOLHIDOS À MAIOR. Eventual saldo credor à Recorrente deve ser discutido em processo próprio que tenha este objeto. O que compete em lançamento de ofício é apenas e tão somente a exigência fiscal – exigência abordada nos tópicos anteriores. 2.4. Por fim, prejudicadas as teses sobre o afastamento da MULTA DE OFÍCIO e da conversão do julgamento em DILIGÊNCIA ante o provimento do Recurso. 3. Ante o exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço em parte do Recurso Voluntário (salvo recolhimento à maior) e na parte conhecida dou parcial provimento para afastar o lançamento sobre receitas financeiras e sobre os recolhimentos extemporâneos demonstrados por meio dos DARFs coligidos aos autos. (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 1301DF CARF MF Original
score : 1.0
