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Numero do processo: 10875.002069/2005-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2000, 2001
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DCTF.
A entrega extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), do 4.º Trimestre de 2000 e dos respectivos trimestres do ano-calendário de 2001, isto é, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente.
FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Incumbe a quem alega fato impeditivo, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a sua ocorrência. Não sendo comprovada a adesão ao SIMPLES no 4.º Trimestre de 2000, tampouco no ano-calendário 2001, há que se manter a sanção pecuniária por ausência de entrega da DCTF dos respectivos períodos. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua efetiva situação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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DCTF. A entrega extemporânea da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), do 4.º Trimestre de 2000 e dos respectivos trimestres do ano calendário de 2001, isto é, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita a contribuinte à incidência da multa correspondente. FATO IMPEDITIVO. ÔNUS DA PROVA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Incumbe a quem alega fato impeditivo, na forma definida pela legislação, o ônus de provar a sua ocorrência. Não sendo comprovada a adesão ao SIMPLES no 4.º Trimestre de 2000, tampouco no anocalendário 2001, há que se manter a sanção pecuniária por ausência de entrega da DCTF dos respectivos períodos. No Processo Administrativo Fiscal, em sede de litígio, é dever do contribuinte demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a sua efetiva situação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 00 20 69 /2 00 5- 55 Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 143 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 110) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 88/92), datada de 10/04/2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0517.117, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (DRJ/CPS), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2000 (efl. 06) e do 1.º, 2.º, 3.º e 4.º Trimestres do Ano Calendário 2001 (efl. 32), acolhendo em parte a impugnação apresentada pela recorrente (efl. 04), tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS ANO CALENDÁRIO: 2000, 2001 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA DCTF. CUMPRIMENTO EXTEMPORÂNEO. PENALIDADE. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de DCTF fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator as penalidades legais. Lançamento Procedente em Parte. Os autos de infrações em espécie foram lavrados em 10/06/2005, na DRF Guarulhos, por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação de multa correspondente a (...). Em caso de inatividade [de débito e crédito tributário a declarar] no trimestre aplicase a multa mínima de RS 200,00. Fundamentação: Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 (CTN); art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2124/84 e art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002. Demonstrativo: Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 144 3 1.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 2.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2000, Multa Mínima R$200,00 1.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 2.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 3.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 4.º Trimestre/2001, Multa Mínima R$200,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento alegando a recorrente, em síntese, que era empresa do SIMPLES e, também, por não ter sido notificada de tal ocorrência. A decisão recorrida ponderou que, conforme "Consulta Situação Optantes pelo Simples" (efl. 92), a adesão se deu a partir de 01/01/2005, portanto, sob esse ótica, estaria a recorrente obrigada a apresentar as DCTF do anocalendário 2000 e anocalendário 2001. Entretanto, ponderou que as provas de efls. 72/78 dos autos, demonstravam inexistir movimento até outubro/2000 (1.º, 2.º e 3.º trimestres de 2000), havendo inatividade nesta época, a dispensar a apresentação da DCTF, mas, quanto ao anocalendário 2001 e 4.º trimestre de 2000, não verificou a mesma situação, especialmente porque se observa receita bruta em todos os meses do anocalendário de 2001, conforme PJSimples 2002 (efls. 80/86), pelo que exigiu a DCTF dos períodos por último referidos, julgando parcialmente procedente a autuação. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação, contraargumentou que estaria reivindicando, em paralelo, sua inclusão no SIMPLES, com data retroativa à sua constituição. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. Em primeira análise, este Relator resolveu baixar o processo em diligência, conforme Resolução n.º 1002000.008, desta 2.ª Turma Extraordinária (efls. 124/127), objetivando que a Unidade de Origem informase acerca da sistemática de tributação definitivamente pacificada, referente ao anocalendário 2000 e 2001, considerando que numa análise, sem outros elementos, o extrato colacionado nos autos (efl. 46) e as razões de decidir da DRJ (alicerçada no documento de efl. 70) possuíam sentidos diametralmente opostos, gerando dúvidas para a conclusão firme do feito acerca de ser, ou não, a contribuinte do Simples, nos anos calendários 2000 e 2001. Em Relatório de Diligência (efls. 133/134) a Unidade Preparadora prestou seus esclarecimentos, após consultar os sistemas informatizados da RFB, obtendo a informação definitiva quanto ao regime daqueles anos calendário, concluindo que "o sujeito passivo não era optante do Simples Federal nos anos calendários de 2000 e 2001". Cientificado do conteúdo do relatório de diligência (efl. 135), em 03/05/2018 (efl. 138), não consta dos autos que o contribuinte tenha apresentado contrarrazões, sendo os autos despachado para encaminhamento para esta relatoria em 06/06/2018 (efls. 139). Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 145 4 É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal (efls. 110/112), inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 20/06/2007, quartafeira, efl. 108, e protocolo em 18/07/2007, efl. 110, tudo conforme efl. 116), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao juízo de mérito do recurso voluntário no ponto em que foi sucumbente quanto a decisão da DRJ, não assiste razão a recorrente. É que não se desincumbiu do ônus probatório de demonstrar situação apta a dispensa de apresentação da DCTF no anocalendário 2001 e no 4.º trimestre de 2000. Mantémse, no entanto, a decisão da DRJ no ponto que afastou a obrigatoriedade no 1.º, 2.º e 3.º trimestres de 2000 por inatividade, inclusive por não ser objeto do recurso, inexistindo recurso de ofício neste ponto. Realmente, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, a contribuinte não prova, nem demonstra situação de dispensa de entrega da DCTF respectiva. Demais disto, não comprova adesão ao SIMPLES para o respectivo referido período, limitase a ponderar que estaria vindicando sua inclusão retroativa ao regime especial, não comprovando qualquer adesão para a época. Além disto, em Relatório de Diligência (efls. 133/134) a Unidade Preparadora prestou os seguintes esclarecimentos após consultas aos sistemas informatizados da RFB, acerca dos quais, apesar de intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões: Os pedidos de inclusão na sistemática do Simples Federal com data retroativa eram controlados através de processos administrativos. Em consulta aos processos formalizados pelo contribuinte em epígrafe, não localizamos processo que trate de tal assunto. O contribuinte consta como interessado apenas nos processos 10875.002069/2005 Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 146 5 55 e 10875.002070/200580, os quais são objeto da presente diligência; O documento juntado à folha 22 [efl. 46] é uma consulta às declarações entregues pelo contribuinte no período de 1999 a 2005, no qual pode ser observado que as declarações dos exercícios de 2000 e 2001 foram entregues pela sistemática do Simples, contudo, a entrega destas declarações não caracterizava a opção pela sistemática do Simples, a qual deveria ser formalizada através do Termo de Opção pelo Simples. O documento juntado à folha 34 [efl. 70] é uma consulta da situação dos optantes pelo Simples, efetuada em 04/04/2007, na qual consta a informação de que o interessado foi optante pela sistemática do Simples Federal a partir de 01/01/2005; e Em consulta ao cadastro CNPJ, constatamos que não há eventos referentes à inclusão na sistemática do Simples por decisão administrativa, registrados através do código 319, que indicariam a inclusão com data retroativa. Há registro apenas do código 301, utilizado para registrar a inclusão no Simples Federal por opção da empresa a partir de 01/01/2005, tal como registrado na consulta anexada à folha 34 [efl. 70]. Portanto, podemos concluir que o sujeito passivo não era optante do Simples Federal nos anos calendários de 2000 e 2001, restando propor que o contribuinte seja cientificado do inteiro teor do presente relatório a fim de que, se assim o desejar, apresente suas contrarrazões, e posteriormente o processo seja encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento do contencioso fiscal. Importa acrescentar que a ninguém é permitido deixar de cumprir as normas legais alegando que não as conhece, consoante se extrai do art. 3.º da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, constante do DecretoLei n.º 4.657, de 4 de setembro de 1942. Dito isto, importa anotar que a IN SRF 126 exigia a entrega quando houvesse movimento, prevendo a dispensa apenas quando não se verificasse qualquer movimento. Pois bem, como informado, consta da prova carreada aos autos que houve movimento na escrituração da recorrente para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do ano calendário 2000. Neste contexto, o fundamento de validade constante do auto de infração (Art. 113, § 3.º e 160 da Lei n.º 5.172, de 26/10/66 CTN; art. 2.º e 6.º da Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30/10/98 combinado com item I da Portaria MF n.º 118/84, art. 5.º do DL 2.124/84), para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, apresentase adequado e pertinente ao caso em comento. O controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, ora exercido por força da devolutividade recursal, aponta, em nossa análise, a correta aplicação do direito, não havendo reparos a serem efetivados, no que se refere ao anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Somese a isto, o enunciado do art. 7.º da Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 147 6 Medida Provisória n.º 16, de 27 de dezembro de 2001, convertido no art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002. Deveras, a Instrução Normativa SRF n.º 126, de 30 de outubro de 1998, com fundamento de validade no art. 34, § 5.º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, combinado com o art. 5.º, caput e § 3.º, do Decretolei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984, e com a Portaria MF n.º 118, de 28 de junho de 1984, trouxe o seguinte conjunto de enunciados: Art. 1.º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2.º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1.º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. (...) Art. 3.º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: (...) III as pessoas jurídicas inativas, assim consideradas as que não realizaram qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial, conforme disposto no art. 4.º da Instrução Normativa SRF n.º 28, de 05 de março de 1998; (...) Art. 6.º A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2.º, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa (...). (...) § 2.º As multas de que trata este artigo serão exigidas de ofício. Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as condutas intersubjetivas, via modal deôntico Obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Se é verdade que a administração tributária não pode cobrar mais do que lhe é efetivamente devido, também não pode cobrar menos do que lhe é ordenado exigir em atividade vinculada e obrigatória de lançamento. No caso em comento, observo a atuação Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 148 7 dentro dos padrões delineados pelo campo da legalidade, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese a necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 149 8 EMPRESA INATIVA. APRESENTAÇÃO DE DCTF. CONDIÇÃO DE DISPENSA NÃO ATENDIDA. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002000.006, 1002000.007, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.011, 1002000.012, 1002000.013 e 1002000.016 seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Neste ponto, ressalto que a recorrente não atendeu às condições para dispensa de apresentação de DCTF, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, pois manteve movimentação em sua escrita fiscal. Por conseguinte, não conseguiu se desincumbir do ônus probatório que lhe competia de demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da administração tributária de lhe exigir a entrega da declaração, a tempo e modo, sob pena de sanção, para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 150 9 ORTN, ao mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação tributária, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a não prestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denominase relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10875.002069/200555 Acórdão n.º 1002000.351 S1C0T2 Fl. 151 10 Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Por fim, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária, logo é possível ficar livre da sanção fiscal, caso siga o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Vale dizer, o contribuinte só eventualmente é onerado pela multa e isto se deve as suas escolhas, a sua governança tributária, considerando que não há punição sem culpa, decorrente de um agir ou de uma omissão quando estava obrigado ao exercício de uma conduta e não a executou. Por isso, no caso em apreço, o controle de legalidade se apresenta correto. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ, a qual manteve a exigência para o anocalendário 2001 e 4.º trimestre do anocalendário 2000, apenas afastando da exigência, por inatividade no período, o 1.º, 2.º e 3.º trimestre do ano calendário 2000. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é pelo conhecimento e desprovimento do recurso voluntário, mantendo o crédito tributário na forma delineada na decisão a quo que havia julgado parcialmente procedente o lançamento para afastar a exigência relativa ao 1.º, 2.º e 3.º trimestre do anocalendário 2000 e exigir a exação para o 4.º trimestre do ano calendário 2000 e para todos os trimestres (1.º, 2.º, 3.º e 4.º) do anocalendário 2001. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904311/2010-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 11 /2 01 0- 73 Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13884.904311/201073 Acórdão n.º 3302005.758 S3C3T2 Fl. 99 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao quarto trimestre de 2002. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida Fl. 99DF CARF MF Processo nº 13884.904311/201073 Acórdão n.º 3302005.758 S3C3T2 Fl. 100 3 anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 96 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 87 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 88 a 94) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900790/2008-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
Numero da decisão: 3401-005.182
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1277; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.900790/200874 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.182 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO PIS/PASEP Recorrente STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O direito a compensação demanda a comprovação do crédito pelo interessado. Alegações desprovidas de provas documentais resultam insuficientes para o deferimento do ato declarado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 07 90 /2 00 8- 74 Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 3 2 Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ/RPO, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos O Contribuinte buscou via PER/DCOMP nº 32326.23965.130504.1.3.04 9090 a compensação de débito de COFINS (cód.5856) do período de apuração 04/2004 com crédito de PIS/PASEP por recolhimento a maior que o devido, via DARF, do período de apuração 03/2003, arrecadado na data de 15/04/2003. Do Despacho Decisório A DRF LIMEIRA em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório com data de emissão 20/05/2008 (efls.9), pela não homologação da compensação pretendida, em face de inexistência de crédito disponível, pois o valor do DARF discriminado na PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Da Manifestação de Inconformidade Não satisfeito com a resposta, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, justificando que: “Em janeiro de 2.003 houve um equivoco e aconteceu que a empresa recolheu a maior os valores do pis no período de dezembro de 2002 a dezembro de 2.003 e alguns pelo código indevido também ( 8109 — antigo) mas a Receita nos orientou a fazer o Redarf se viesse alguma cobrança apenas, pois a empresa optou pelo cálculo através do regime não cumulativo sobre receita bruta auferida”; anexou cópia dos DARFs que refletem o valor do crédito indicado na PER/DCOMP e diante desses fatos, elaborou e juntou planilha a seguir transcrita, acreditando no direito que lhe é conferido, comprovado a inexistência de má fé e demonstrada a insubsistência do despacho decisório, requer o deferimento de seu pleito. STEEL LOOP INDUSTRIAL DO BRASIL LTOA Saldo em 01/12/2002 Estoque: 0,65% de RS 574.328,40.............................................................................................. RS 3.733, 1 Mês/Ano 12/2002 Vendas R$ 144.543,59 Compras RS Saldo RS 72.799,26 PIS a Recolher R$ PIS Recolhido a Recuperar RS 1.183,78 01/2003 R$ 75.284,22 RS 71.120,90 RS 4.163,32 RS 68,69 R$ 1.243,01 R$ 1.174,32 02/2003 R$ 194.327,31 RS 142.238.41 RS 52.088,90 RS 859,47 R$ 3.206,40 R$ 2.346,93 03/2003 R$ 269.805,40 R$ 140.434, 12 RS 129.371,28 RS 2.134,63 RS 4.451,78 R$ 2.317,15 04/2003 RS 247.127,33 RS 167.687,22 RS 79.440, 11 RS 1.310,76 RS 4 077,60 RS 2.766,84 05/2003 RS 183.193,65 RS 141.965,71 RS 41.227,94 RS 680,26 RS 3.022,69 R$ 2.342,43 06/2003 RS 184.542,46 RS 180.365,51 RS 4.176,95 RS 68,92 R$ 3.044,95 R$ 2.976.03 07/2003 RS 115.829,07 RS 68.235,22 RS 47.593,85 RS 785,30 R$ 1.911,18 RS 1.125,88 08/2003 RS 80.982,53 RS 28.786,83 RS 52.195, 70 RS 861,23 R$ 1.336,22 RS 474,99 09/2003 RS 81.003,70 RS 38.669,64 RS 42.334,06 RS 698,51 RS 1.336,56 R$ 638,05 10/2003 RS 141.451,95 R$ 85.044,44 RS 56.407,51 RS 930,73 RS 2.333,96 R$ 1.403,23 11/2003 R$ 126.813,12 RS 87.247,01 RS 39.566. 11 RS 652,84 RS 2.092,42 RS 1.439,58 12/2003 R$ 120.042,52 RS 82.274,05 RS 37.768,47 RS 623,18 RS 1.980,70 RS 1.357,52 Total: R$ 1.964.946,85 R$ 1.305.813,39 R$ 659. 133,46 R$ 10.875,71 R$ 32.422,44 R$ 21.546,73 Do Julgamento de Primeiro Grau Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 4 3 Encaminhado os autos à 1ª Turma da DRJ/RPO, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elabora: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/04/2003 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. A homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo demanda a comprovação da liquidez e certeza do crédito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2003 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário (efls. 45 a 48) contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido, limitandose a repisar os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, sem apresentar as provas pertinentes ao caso como bem observado pela autoridade julgadora de primeiro grau. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A questão que se discute teve início com a apresentação de PER/DCOMP declarando a compensação de débito de COFINS (cód. 5856) do período de apuração Abril/2004, com crédito por pagamento indevido ou a maior de PIS (vide efls.4): Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 5 4 Pela inexistência nos Sistemas da Receita Federal dos dados do DARF indicado, a autoridade fiscal responsável emitiu Termo de Intimação (efls.7) para que o contribuinte comparecesse à Unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição e apresentasse o(s) DARF(s) original(is) no prazo estipulado. Cientificado o contribuinte, da intimação, por “AR”, na data de 31/07/2006, não houve resposta, vindo, esse fato, ser esclarecido na manifestação de inconformidade com a juntada de cópia de dois DARFs (efls.15): P.A. Pagamento Código Valor R$ Multa Juros Total 1º 31/03/2003 15/04/2003 8109 1.753,73 ‐ ‐ 1.753,73 2º 31/03/2003 15/04/2003 6912 2.698,05 409,56 26,98 3.134,59 4.451,78 409,56 26,98 4.888,32 A Contribuinte alega com base na planilha acima reproduzida, que para o período de apuração 12/2002 a 12/2003, estaria sujeita ao recolhimento do PIS pelo regime não cumulativo na alíquota de 1,65% e por equívoco a empresa recolheu a respectiva contribuição, inclusive em alguns meses com o código 8109 (do regime cumulativo), sem levar em consideração, na apuração do valor devido, os créditos a que teria direito. Esse fato é que resultou no recolhimento indevido ou a maior, cuja diferença corresponde ao crédito que deu base à compensação realizada nas PER/DCOMP apresentadas. É de se destacar também, que o valor do PIS/PASEP apurado e declarado ao fisco é igual ao crédito vinculado, como pode ser observado pelas telas dos sistemas da Receita Federal do Brasil juntadas ao processo. O Auditor Fiscal da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que conduziu o voto do acórdão recorrido, fez constar que: “para atestar a liquidez e certeza do crédito alegado, como a espécie demanda, deveria a interessada ter apresentado documentos contábeis/fiscais para a comprovação da ocorrência do indébito em foco. Contudo, a peça de contestação prendese em informar sobre alegado erro de apuração do tributo declarado em face da legislação regente, não trazendo qualquer documentação comprobatória sobre a efetiva base de cálculo da referida contribuição e também do indébito utilizado na declaração de compensação”. Ainda, do voto do acórdão recorrido, se extrai que a DCTF apresentada ao fisco, constante dos Sistemas da Secretaria da Receita Federal corresponde exatamente ao montante dos valores principais recolhidos por meio de DARF e o DACON – Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, para o período de apuração 03/2003, também, reflete os mesmo valores declarados em DCTF. Portanto, foi oportunizado a contribuinte exercer o seu amplo poder de defesa, conforme direito prescrito na Lei do PAF, nº 9.430/1996 e nada foi feito na fase recursal, nenhum demonstrativo contábil/fiscal foi apresentado, como também, declarações Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10865.900790/200874 Acórdão n.º 3401005.182 S3C4T1 Fl. 6 5 retificadoras (DACON e DCTF) ou mesmo a DIPJ, que resultasse em meio de prova a dar convencimento a uma melhor análise passível de atender a compensação requerida. Reflete, nesse caso, completo desinteresse da Recorrente de agir em favor de sua causa, quando repete em seu recurso as alegações anteriormente produzidas, sem se dar ao trabalho ou se empenhar na produção de provas básicas a dar suporte ao crédito relacionado com a compensação pretendida. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 63DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000933/2008-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Não se aprecia argüição de inconstitucionalidade de lei, no âmbito administrativo. Súmula CARF nº 02.
PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO E AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO ALHEIA AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE
A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL
A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72.
EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. RECUSA EM PRESTAR INFORMAÇÕES BASEADA EM JUÍZO DE VALOR PESSOAL QUANTO AO PROCEDIMENTO FISCAL
O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária, sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o
arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PESSOAS
JURÍDICAS INTERPOSTAS, COM OBJETIVO DE SUPRIMIR RENDA TRIBUTÁVEL DO SUJEITO PASSIVO FISCALIZADO.
DESNECESSÁRIA CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO.
A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de pessoas jurídicas interpostas prescinde da configuração de grupo econômico, bastando a demonstração do nexo entre o depósito e o real beneficiário.
Numero da decisão: 1302-000.406
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: IRPJ - AF - lucro arbitrado
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não se aprecia argüição de inconstitucionalidade de lei, no âmbito administrativo. Súmula CARF nº 02. PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO E AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO ALHEIA AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99. CIÊNCIA POR VIA POSTAL A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. RECUSA EM PRESTAR INFORMAÇÕES BASEADA EM JUÍZO DE VALOR PESSOAL QUANTO AO PROCEDIMENTO FISCAL O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária, sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS, COM OBJETIVO DE SUPRIMIR RENDA TRIBUTÁVEL DO SUJEITO PASSIVO FISCALIZADO. DESNECESSÁRIA CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de pessoas jurídicas interpostas prescinde da configuração de grupo econômico, bastando a demonstração do nexo entre o depósito e o real beneficiário.
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Não se aprecia argüição de inconstitucionalidade de lei, no âmbito administrativo. Súmula CARF nº 02. PROCEDIMENTO FISCAL REALIZADO E AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO POR AUDITOR-FISCAL DE JURISDIÇÃO ALHEIA AO DOMICÍLIO DO CONTRIBUINTE A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99. CIÊNCIA POR VIA POSTAL A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. RECUSA EM PRESTAR INFORMAÇÕES BASEADA EM JUÍZO DE VALOR PESSOAL QUANTO AO PROCEDIMENTO FISCAL O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária, sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações Fl. 1DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 2 prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO JUSTIFICADA. PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS, COM OBJETIVO DE SUPRIMIR RENDA TRIBUTÁVEL DO SUJEITO PASSIVO FISCALIZADO. DESNECESSÁRIA CONFIGURAÇÃO DE GRUPO ECONÔMICO. A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de pessoas jurídicas interpostas prescinde da configuração de grupo econômico, bastando a demonstração do nexo entre o depósito e o real beneficiário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Daniel Salgueiro da Silva, Eduardo de Andrade e Guilherme Polastri Gomes da Silva. Relatório Por bem descrever os eventos ocorridos até o momento de seu relato, adoto o relatório produzido na DRJ. Questionam-se exigência de ofício do imposto de renda de pessoa jurídica, R$ 8.777.640,72, fls. 6.717; da CSLL, R$ 3.657.562,28, fls. 6774; do PIS, R$ 2.201.310,47, fls. 6740, e da COFINS, R$10.159.895,20, todos relativamente aos anos-calendário de 2003 a 2006, acrescidos de penalidade de ofício qualificada (150%) e juros moratórios SELIC; quanto ao IRPJ, a penalidade qualificada incide sobre o valor de R$ 8.223.199,77 e a multa de ofício (75%), incidente a diferença de IRPJ, R$ 544.440,95, apurada como a seguir demonstrado. 2.-Fundamentaram, materialmente, referidas exações depósitos bancários sem identificação de origem, efetuados em contas correntes das empresas WYZ, contribuinte, autuado, Comercial Cariacica de Alimentos Ltda. (CCA) e Empresa Industrial de Alimentos e EMPRAL - Empresa Fl. 2DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.437 3 Industrial de Alimentos Ltda., para os quais, intimadas, não comprovaram as origens dos créditos bancários em suas contas correntes. 2.1.-Em extenso e documentado Termo de Encerramento da Ação fiscal, de fls. 665/6716, concluiu a fiscalização tratarem-se as empresas, CCA e EMPRAL interpostas pessoas jurídicas da contribuinte autuada. 2.2.-Identificadas as contas bancárias das três empresas, fls. 6678/6679, as diferenças entre os depósitos bancários e os valores declarados como receitas pelas mesmas pessoas jurídicas foram consideradas omissão de receitas, conforme demonstrado às fls. 6687/6688. 2.3.-Esclarece a fiscalização que, por intermédio dessas contas foram realizados os pagamentos aos fornecedores da empresa autuada, liberação de crédito, liquidação de cobrança, operações de descontos e etc, assim como recebimentos de clientes, fls. 6768. 2.4-Embora a pessoa jurídica tenha optado pelo lucro real nos anos- calendário de 2003 a 2005 e pelo lucro presumido, no ano calendário de 2006, intimada e re-intimada, não apresentou quaisquer livros/documentos que respaldassem suas opções tributárias. 2.4.1.-Em conseqüência, a fiscalização arbitrou-lhe o lucro para aqueles anos calendário, considerando, como base de cálculo a receita omitida, antes reportada, fls. 6698/6701. 2.5.-Ainda em relação ao IRPJ, foram apuradas diferenças de tributo, R$ 554.440,95 (fls.6727/6728, 6730/6731 e 6733/6734), face à alteração da apuração de resultados - lucro arbitrado, promovida de ofício. Aplicada, sobre tais diferenças, a penalidade de ofício (75%). 2.6.-A receita omitida fundamentou, materialmente, a exigência reflexa da CSLL, fls. 6774/6789 e os lançamentos das contribuições relativas a COFINS, fls. 6757/6773, e ao PIS, fls. 6740/6756. 2.7.-Por fim, sobre o montante do lucro arbitrado, e dos valores da CSLL, do PIS e da COFINS, foi aplicada a penalidade de ofício qualificada (150%), aos fundamentos do artigo 71, I e II, ambos da Lei n° 4.502/64, dado o evidente intuito de fraude, utilização de interpostas pessoas, conforme resumo do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls.6703/6707. 2.8.-Finalmente, com fundamento nos arts. 121, II, 128, 129 e 135, todos do CTN, a fiscalização declarou responsáveis solidários os proprietários e administradores da WYZ, JOSÉ AUGUSTO SIMÃO, JORGE LUZI SIMÃO, EDMILSON FIRME SIMÃO JÚNIOR E JOEL SIMÃO, em vista dos fatos apurados/documentados, sintetizados às fls. 6711/6712, a saber: - verdadeiros responsáveis pelos negócios efetuados em nome das empresas CCA e EMPRAL; - utilizavam os valores depositados nas contas-correntes dessas empresas de fachada para aquisição de bovinos para suas propriedades; Fl. 3DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 4 - em nome de interpostas pessoas movimentaram vultosas quantias da ordem de R$ 337 milhões correspondentes a operações do Frigorífico GV/PALOMA, atual WYZ. 3.-Cientificados das exigências, contribuinte e responsáveis solidários, por A.Rs. recebidos em 12.07.2008, fls. 6830/6840, em 08.08.2008 o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 6.843/6.893 e documentos de fls. 6975/7059, para alegar, em síntese: 1 - da incompetência da DRF Vitória para processar a fiscalização, visto o domicílio da impugnante se situar em São Paulo, não se sabendo porque a Receita Federal da 8ª. Região delegou competência à RFB em Vitória/ES para os procedimentos objetos destes autos, fls. 6846; no caso, a mudança de domicílio fez parte de estratégia para alavancar as vendas da impugnante em São Paulo e no Paraná, conforme documentos de fls.6.975/7.000; 2.- da ilegalidade e inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário para fins tributários, fls. 6857/6869; 3- da inexistência de solidariedade entre a autuada e as empresas CCA e EMPRAL, ante supostos responsáveis, sócios da autuada, pelos negócios daquelas empresas, inexistindo vínculos entre essas empresas, fls. 6869/6876; 4.- os abates que ocorriam nas dependências da impugnante traduziam prestação de serviços a terceiros, conforme documentos de fls. 7018/7020 e de fls, 7022/7048; 5. da inexistência de motivação fática para o arbitramento da base de cálculo; os documentos exigidos à requerente se encontravam em poder da Secretaria Estadual de Fazenda, conforme documento de fls. 7057; 6.- da impossibilidade de responsabilização dos sócios da empresa com fundamento no artigo 135 do CTN; 7.- da necessidade de impessoalidade das investigações ante a atividade vinculada do lançamento, fls. 6892/6896; 8.- da impossibilidade da realização de fiscalização sem a devida abertura de Mandado de Procedimento fiscal, fls. 6896/ 6902; 9.- da impossibilidade de depósitos bancários constituírem fato jurídico tributário; 10.- da inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98, mediante ampliação da base de cálculo da incidência, para efeitos da COFINS, fls.6907/6911; 11.- idem, do PIS, fls. 6911/6913; 12.- da inconstitucionalidade declarada pelo STF da aplicação de multa com efeito de confisco, fls. 6913/6920; 13- da necessidade de constituição do crédito tributário para ocorrência da ação penal. Falta de justa causa, fls.6920/6921. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.438 5 4.- Outrossim, em 08.08.2008, os sócios declarados responsáveis solidários da pessoa jurídica, exceto Joel Simão, que se manifesta através de seu inventariante, acostaram aos autos impugnação conjunta de fls. 7060/7093, protocolada, ao mesmo tempo, na DRF Vitória-ES e no CAC/Paulista/São Paulo-SP, através da qual alegam, também em síntese: 1.- da morte de Joel Simão em 2003, razão da não movimentação bancária em 2004 e 2005, conforme atestado de óbito, (Nota: não anexado aos autos); 2.- da inexistência de mandado de procedimentos fiscal contra os sócios da pessoa jurídica; 3.- da ausência de referências concretas à participação de Jorge Luiz Simão na movimentação de haveres das empresas CCA e EMPRAL; 3.- da inconstitucionalidade da investigação fiscal fundada em quebra do sigilo bancário dos investigados; 4.- da ilegalidade na investigação da movimentação financeira sob julgamento; 5.- da invalidade dos testemunhos colhidos; 6.- da existência da CCA, de seu sócios e da real natureza das operações realizados por José Augusto e Edmilson. 5.-Em 11.08.2008, as empresas EMPRAL - Empresa Industrial de alimentos Ltda. e CCA Comercial de Alimentos Ltda. protocolaram distintas, porém, idênticas impugnações ao às mesmas exigências, através das quais alegam, em síntese: 1.- das supostas omissões de receitas; 2.- da relação comercial das impugnantes com a autuada; 3.- do arbitramento do lucro; 4.- da qualificação da penalidade; 5.- da responsabilidade tributária; 6.- da suposta interposição fraudulenta; 7.- da inaplicabilidade das normas presuntivas; 8.- da suposta configuração de grupo econômico; 9- da necessidade de prova documental; 10- da violação dos limites formais e materiais para utilização das informações bancárias. 6.-Por fim, em 08.10.2008, endereçado à DRF São Paulo/SP, os responsáveis solidários se insurgem contra o Parecer SECAT DRF/VIT n° Fl. 5DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 6 334/22008, representação fiscal para alteração, de ofício, do domicílio fiscal da empresa autuada, bem como de seus sócios, passando-o de São Paulo para o Espírito Santo. A 2ª Turma da DRJ/RJO-I, em sessão de julgamento, decidiu, por unanimidade, julgar procedentes os autos de infração, acrescidos da penalidade de ofício qualificada (150%), e juros moratórios SELLIC, com supedâneo nos seguintes fundamentos: Preliminarmente, - examinou a essência das impugnações acostadas pela CCA e EMPRAL, embora ineptas e inaptas, porque não intimadas; - incabível o questionamento de inconstitucionalidade/ilegalidade de dispositivo legal; - a base de cálculo das exigências foi ancorada na receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430/96), adotando como base o art. 224 do RIR/99, e, portanto, não se justifica a alegação de inconstitucionalidade da Lei nº 9718/98; - o art. 44, II, da Lei nº 9430/96 não foi declarado inconstitucional; - nenhum dos impugnantes contestou a existência de depósitos bancários sem comprovação de origem. As considerações foram de ordem jurídica quanto aos procedimentos fiscais; - os poderes de atuação dos auditores-fiscais inclui a realização de diligências, a tomada a termo de declarações e diligências junto a terceiros, que se caracterizam como provas legais; - o início do procedimento fiscal, ao excluir a espontaneidade do sujeito passivo, atinge os demais envolvidos nas infrações, independentemente de intimações. No mérito, - o art. 128 do CTN fundamenta a responsabilidade dos terceiros. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal evidencia serem os sócios, pessoas físicas, os verdadeiros resposáveis pelos negócios das empresas CCA e EMPRAL e WYZ (ex frigorífico GV Ltda), controlada por Cinco de Marco Participação e Negócios Ltda, de propriedade das pessoas físicas com responsabilidade solidária neste feito. Basta atentar que: a) a Sócia Joelita Gomes Ferreira é interposta pessoa na WYZ (fls. 6636/6637; 6500/6537); b) igualmente os sócios da CCA, fls. 6494/6510 e EMPRAL, fls. 6540, 6547/6550 e 6614/6618; c) os responsáveis solidários utilizavam valores depositados nas contas-correntes dessas empresas para aquisição de bovinos para suas propriedades, fls. 6526/6531; d) os proprietários da WYZ utilizaram as mesmas empresas unicamente para emitir notas fiscais de vendas dos produtos vendidos pela primeira, fls. 6513/6525; e) vultosos depósitos bancários efetuados em nome dessas empresas, sem receita declarada que os justificassem, movimentados por interpostas pessoas, fls. 6679/6687, 6656/6566, em benefício direto dos responsáveis solidários, fls. 6567/6612; f) nenhuma dessas documentadas constatações fiscais foi objeto de qualquer questionamento impugnatório. - o procedimento fiscal realizado por servidor competente e de jurisdição diversa do domicílio tributário do sujeito passivo é válido, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer (art. 9º, §§ 2º e 3º do Decreto Fl. 6DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.439 7 70.235/72). Além disso, a mudança de endereço para São Paulo foi demonstrada fraudulenta (fls.6646/6647). A ação fiscal iniciou-se em 09/07/2007 e a impugnante mudou o endereço em 21/08/2007, embora em 10/09/2007 a inscrição estadual, o CNPJ, as instalações industriais, administrativas e comerciais continuassem funcionando no endereço anterior. A DRF Bauru constatou existir no novo endereço social empresa distinta, com diferente ramo de atividade (fls. 6647). Não procede, também, a alegação de que a mudança se destinou a alavancar vendas em São Paulo e Paraná, pois os documentos anexados se referem ao ano-calendário de 2008 (a partir de junho), e os efeitos da mudança só teriam-se manifestado um ano após. Ressalte-se que a fiscalização obteve a devida autorização da Cofis para realizar o procedimento (fls. 6640/6641); - não há ilegalidade ou inconstitucionalidade na quebra do sigilo bancário, havendo previsão legal na Lei Complementar 105/01. Não foram quebrados os sigilos bancários dos responsáveis solidários, mas apenas das pessoas jurídicas; - Os documentos retidos pela Receita Estadual foram devolvidos ao contribuinte em 25/10/2007. Em 07/01/2008 foi pedida prorrogação do prazo para apresentação dos documentos, sendo concedido o prazo de 20 dias. Sucessivas reintimações não surtiram efeito. Além disso, os demais documentos e elementos solicitados (livros diário, razão, etc) não estavam em poder do fisco estadual, e também não foram apresentados. A alegação de abate sanitário de animais de terceiros não invalidam os fundamentos da autuação; - descabe alegação quanto à necessidade de MPF. O Termo de Início de Ação Fiscal foi encaminhado por via postal (fls. 6647); - depósitos bancários sem comprovação de origem presumem receita omitida (Lei 9430/96, art. 42); - a manipulação de pessoas, a distorção de fatos, o uso de subterfúgios no claro intuito de evadir-se do cumprimento de obrigação legal caracterizam hipótese de fraude, dolo ou simulação, autorizando a qualificação da multa; - no falecimento de um sócio, o inventariante responde pelos tributos devidos pelo espólio (art. 134, IV, CTN). No mais, não merecem acatamento as oposições à responsabilização; - a tributação, por reflexos, aplica-se à CSLL, não havendo elemento relevante; - comprovada a omissão de receita, impõe-se exigir também PIS e Cofins, autorizados pela presunção do art. 42 da Lei 9.430/96. Aplica-se, ainda, a mesma penalidade que gravou as exigências de IRPJ e CSLL, porque lastreadas nos mesmos fatos. Irresignado, o recorrente interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, alegando, em síntese, que: Preliminarmente, - os autos são nulos porque lavrados por autoridade incompetente, a saber, pela DRF Vitória, quando o domicílio do contribuinte é São Paulo; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 8 - a quebra de sigilo bancário é indevida, pois o contribuinte tinha o direito de não apresentar os documentos bancários. A autoridade caracterizou embaraço à fiscalização (art. 33 da Lei 9.430/96) fundado em exercício regular de direito de recusa. Quanto ao Mérito, - nunca houve controle de uma das sociedades responsabilizadas (a contribuinte YWZ, CCA e EMPRAL). Assim, não se caracteriza grupo econômico que os agentes supuseram existir. Os agentes fiscais se basearam em provas ilegais (depoimentos) e acuaram as testemunhas. Há violação aos princípios da razoabilidade e da legalidade; - Inexistiram motivos fáticos para o arbitramento do lucro. Os documentos requisitados existiam, mas estavam em poder do fisco estadual capixaba. O arbitramento não obedeceu aos requisitos do art. 148 do CTN; - a responsabilização dos sócios (art. 135, III, CTN) é indevida porque nunca foram intimados para se defender da responsabilidade, e nunca cometeram atos como excesso de poder ou falsificação documental; - a fiscalização foi iniciada sem Mandado de Procedimento Fiscal (violação ao art. 2º da Portaria SRF 4.066/2007 e art. 7º do Decreto 70.235/72), porque este foi enviado por AR. Além disso, a fiscalização decorreu de apurações anteriores na CCA e EMPRAL, daí o procedimento deveria ser realizado por MPF extensivo, havendo violação das normas internas da SRF; - as multas aplicadas são confiscatórias. Menciona a ADIN 551-1, julgada pelo STF, sobre penalidade pecuniária considerada confiscatória; - os agentes deveriam ter provado que os valores movimentados na conta da recorrente representam renda para que os pudessem tributar, preferindo utilizar presunções, caracterizando como matéria tributável a mera movimentação financeira. Não foi provada a utilização dos valores depositados como renda consumida, evidenciando sinais exteriores de riqueza; - os valores depositados não podem servir para constituição de crédito tributário relativo ao PIS e à Cofins, dada a inconstitucionalidade da Lei 9718/98; - o arrolamento de bens fere o art. 5º, LIV, da CF. José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Júnior, Espólio de Joel Simão, representado pelo inventariante, Edmilson Firme Simão Neto, que também interpuseram Recurso Voluntário, alegaram em síntese que: - a atribuição de responsabilidade aos recorrentes decorre de presunção da fiscalização que os considerou sócios e administradores reais da WYZ. Tal imputação não foi acompanhada das provas devidas que demonstrassem o dolo daqueles; - Joel Simões morreu em 2003, não podendo ser responsabilizado; - a fiscalização foi realizada sem Mandado de Procedimento Fiscal; - em nenhum momento do Termo de Encerramento de Ação Fiscal foi indicada a destinação direta de recursos das contas da CCA e EMPRAL para as pessoas físicas dos recorrentes Fl. 8DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.440 9 - Jorge Luiz Simão não foi mencionado nem uma única vez seja nos documentos, seja nos testemunhos, nem foi relacionado ao movimento financeiro das empresas CCA e EMPRAL; - a falta de MPF aberto para os recorrentes invalida os testemunhos utilizados para os responsabilizar. Além disso, os testemunhos são dirigidos. Afirma que haveria um acordo tácito entre os inquiridos e a fiscalização no sentido de autuar somente os recorrentes. Prova disso é que as pessoas apontadas como “laranjas” participaram da vida das empresas, autorizaram movimentações financeiras, assinaram cheques, enfim, realizaram diversos atos que os situam como participantes ativos em quaisquer fraudes eventualmente imputáveis à CCA e EMPRAL; - Edmilson e José Augusto são pecuaristas, e operam como intermediários de compra e venda de gado ou realizaram, para suas fazendas, compras de gado com cheques de terceiros, valendo frisar que tais fatos não os colocam como responsáveis pelas finanças da CCA e da EMPRAL, nem os faz figurar como responsáveis tributários pelos débitos delas; É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso de WYZ Comercial de Alimentos é tempestivo, e portanto, dele conheço. Conheço também o recurso de José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Júnior, Espólio de Joel Simão, representado pelo inventariante, Edmilson Firme Simão Neto, tempestivo, em homenagem ao art. 9º, II, da Lei nº 9784/99. Das Preliminares O recorrente se insurgiu contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei. Não lhe assiste razão neste ponto. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 10 Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurando-se da ubiqüidade constitucionalmente garantida ao Poder Judiciário pelo art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26-A da Lei nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A autoridade fiscal é competente para executar procedimento fiscal e lavrar auto de infração em contribuinte domiciliado fora de sua jurisdição, a teor do que dispõem os art. 9º, §2º do Decreto nº 70.235/72, e art. 1º da Lei nº 8748/93, reproduzido no art.904, §3º, do RIR/99. No caso em tela, ressalte-se, que nem mesmo internamente há prejuízos ao controle administrativo dos atos, porquanto foi obtido a devida autorização da Cofis para a realização do procedimento. A ciência dos atos praticados pode ser obtida por via postal, com aviso de recebimento, nos termos do art. 23, II, do Decreto nº 70.235/72. O dispositivo se aplica ao envio de Mandado de Procedimento Fiscal, haja vista que é por meio deste documento que se dá conhecimento ao sujeito passivo que uma ação fiscal regular em seu desfavor foi iniciada. O contribuinte tem o dever de prestar as informações requisitadas pela fiscalização, inclusive aquelas relativas à movimentação bancária (art. 33, I, da Lei nº 9430/96, c/c art. 7º da Lei nº 2.354/54, reproduzido no parágrafo único do art. 919 do RIR/99), sendo somente aceita a recusa acaso devidamente justificada à autoridade requisitante, demonstrando o contribuinte que, por motivos alheios à sua vontade, não logra fornecer os documentos ordenados. Qualquer dúvida quanto à validade do procedimento pode ser questionada junto à autoridade ou a seus superiores hierárquicos, porém o juízo de valor referente à validade do procedimento não autoriza o contribuinte a subrogar-se no direito de não apresentar os documentos ou informações requisitados. Ao deliberadamente desobedecer a ordem fiscal, incorre na hipótese de embaraço à fiscalização. Desta forma, deve ser rechaçada a alegação de que por entender irregular o procedimento o recorrente detinha o direito de não apresentar as provas requisitadas pela fiscalização relativas à movimentação bancária. Além disso, a fiscalização demonstrou ter enviado o Mandado de Procedimento Fiscal ao contribuinte por via postal. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.441 11 Desta forma, provada a ocorrência de embaraço, é de ser mantida a requisição de movimentação financeira às Instituições Financeiras, nos termos da Lei Complementar nº 105/01. Conforme bem observado no acórdão da DRJ (fls. 7274), O documento de fls. 7057 atesta que as pastas e livros em mãos da Secretaria de Estado da Fazenda se relacionavam a Notas Fiscais de entrada e de saída de mercadorias, livros de registros de entradas e de saídas, livro de apuração do ICMS e registro de inventário. Todos devolvidos ao contribuinte em 25.10.2007 Em 07.01.08 foi pedido prorrogação do prazo para apresentação dos documentos solicitados. Prorrogado o prazo por 20 dias, re- intimação nº 03-049/2007. Sucessivas re-intimações não surtiram qualquer efeito, fls. 6657/6659. No ponto, o termo de constatação de fls. 5116/5119, ao se manifestar acerca da prorrogação de prazo requerida evidencia não haver motivação à não apresentação dos demais documentos e elementos solicitados (Livros Diário, Razão, etc). Verifica-se, assim, que os alguns documentos nunca estiveram na posse da Fazenda Estadual (Livros, Diário, Razão, etc). Porém, também não foram oferecidos à fiscalização. Já aqueles que foram retidos pela Fazenda Estadual foram devolvidos no curso da ação fiscal, e mesmo sendo novamente requisitados, não restaram entregues à autoridade fiscal, autorizando o arbitramento do lucro com base nos depósitos bancários de origem não comprovada. O fundamento de validade do art. 47 da Lei 8.981/95 não reside no art. 148 do CTN, como entende o recorrente, não cabendo invocar as disposições e os procedimentos deste dispositivo para o caso vertente. Vale lembrar que o art. 148 rege os casos nos quais a autoridade arbitra valor ou preço de bem, direito, serviço ou ato jurídico, sempre que sejam omissos ou que não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. No caso vertente, a autoridade lançadora não arbitrou valor ou preço, adotando aqueles informados pelo próprio recorrente em sua declaração prestada às autoridades fiscais estaduais. Neste sentido, já decidiu a antiga 5ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, no julgamento do recurso 162.415, com voto condutor do Conselheiro Paulo Jacinto do Nascimento, seguido à unanimidade, que abaixo parcialmente transcrevo. ARBITRAMENTO DO LUCRO - OFENSA AO ART. 148 DO CTN - INEXISTÊNCIA - O arbitramento do lucro não ofende o art. 148 do CTN, porquanto este dispositivo não regra o arbitramento do lucro, mas sim o arbitramento do preço de bens, serviços ou atos jurídicos, base de cálculo do tributo, nos casos em que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações Fl. 11DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 12 prestadas ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado. Com relação a adoção de dados prestados em declaração firmada pelo próprio contribuinte, e sua incompatibilidade com o conceito de arbitramento prescrito no art. 148 do CTN, destaco o voto condutor do Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no julgamento do recurso nº 153.338, também julgado à unanimidade: VALOR DE BEM UTILIZADO EM DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL DESCOBERTO - FLUXO DE CAIXA - VALOR CONSTANTE EM DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITOS - DESNECESSIDADE DE ARBITRAMENTO - Quando o cálculo do tributo tome por consideração o valor de bens ou direitos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor, sempre que não mereçam fé as declarações, os esclarecimentos prestados ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo. Entretanto, não há que se falar em arbitramento, na forma do art. 148 do Código Tributário Nacional, quando o valor do bem, objeto da aplicação do recurso em fluxo de caixa, consta na declaração de bens e direitos do contribuinte. Assim, incabível ao caso a aplicação do art. 148, restam sem fundamento as alegações de cerceamento a ampla defesa decorrentes. Nos termos do art. 3º, I, da Portaria SRF 4066/2007, mencionada no recurso, verifica-se que o procedimento fiscal do qual pode resultar crédito tributário deve ser realizado com base em MPF-F, e não em MPF-Ex, este sim destinado a colheita de informações em terceiro contribuinte, para subsidiar ação fiscal em curso. A Adin 551, requerida pelo Governador do Rio de Janeiro tinha como objeto a discussão da constitucionalidade do art. 57, e seus §§ 2º e 3º do ADCT da Constituição do Estado do Rio de Janeiro, que estabeleciam multas mínimas de 200% e de 500% sobre, respectivamente, tributos estaduais não pagos, e tributos estaduais sonegados. Ressalte-se que a multa qualificada no percentual de 150% é destinada às infrações em que haja sonegação, fraude ou conluio, com caráter doloso, sendo bastante inferior ao percentual de 500% (para sonegação) declarado inconstitucional na constituição fluminense. Além disso, a decisão judicial cria norma sobre a questão sub judice, a qual não inclui as multas cobradas pela Administração Federal. A presunção feita no art. 42 da Lei nº 9430/96 estabelece que, não atacada a presunção, os depósitos em conta cuja origem não foi justificada constituem-se em receita omitida e não em renda. Somente após o arbitramento do lucro, nos termos do ar. 532 do RIR/99, com base em tal receita omitida, é que se chega ao lucro, o qual para ser objeto de tributação, independe de sua destinação posterior. Vale mencionar que, consoante fls.6677, foram excluídas as transferências entre contas de mesma titularidade, bem como os resgates de aplicações financeiras, Fl. 12DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 15586.000933/2008-04 Acórdão n.º 1302-00.406 S1-C3T2 Fl. 7.442 13 empréstimos tomados junto a instituições financeiras e os depósitos em cheque devolvidos identificados pela fiscalização. O STF, no julgamento do RE 346.084 decidiu pela inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9718/98, e não pela inconstitucionalidade integral da Lei. A tributação reflexa de contribuições ao PIS e à Cofins por omissão de receita não possui relação com o dispositivo revogado, vez que a questão ali discutida era conceitual e versava sobre a extensão do conceito de receita bruta. A questão ganha relevo quando da tributação de receitas regularmente escrituradas e declaradas, contidas no conceito de receita bruta declarado inconstitucional (ampliado) mas não contidos no conceito reduzido. No caso do arbitramento (art. 532, RIR/99) com base na receita bruta conhecida, baseada em depósitos bancários de origem não comprovada, as receitas arbitradas, por não ter o sujeito passivo infirmado a presunção e não ter indicado suas respectivas naturezas, são consideradas pela sua integralidade. A fiscalização logrou comprovar que os irmãos José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Junior, e Joel Simão são os verdadeiros responsáveis pelos negócios efetuados em nome das empresas de fachada CCA e EMPRAL. Segundo o relato da fiscalização, comprovou-se junto aos beneficiários dos cheques emitidos por CCA e EMPRAL que José Augusto Simão, Jorge Luiz Simão, Edmilson Firme Simão Junior, e Joel Simão utilizavam os valores depositados nas contas-correntes dessas empresas de fachada para aquisição de bovinos para suas propriedades. Comprovou-se que os proprietários de WYZ utilizaram CCA e EMPRAL unicamente para emitir notas fiscais da venda dos produtos vendidos por aquela para a prática de sonegação fiscal. Em resumo, apurou-se as seguintes condutas por parte da WYZ que caracterizam, em tese, crime contra a ordem tributária e ainda a figura da sonegação. Tal relato está fortemente documentado em extenso corpo probatório coligido pela fiscalização para comprovar suas alegações, contendo depoimentos de funcionários da empresa, representantes das instituições financeiras em que o grupo movimentava contas bancárias, um ex-contador, e uma das interpostas pessoas que decidiu contar à fiscalização tal condição. Demais disso, há inúmeras provas documentais juntadas, em abono dessa constatação. Ao agir oculta e indevidamente, manipulando várias pessoas jurídicas que serviram para confundir os órgãos fiscalizadores, praticar condutas delitivas (várias infrações à lei), conforme demonstrado, tais administradores devem ser pessoalmente responsabilizados pelos créditos tributários apurados, sendo acertada a responsabilização feita. A tributação sobre os depósitos bancários de origem não comprovada de CCA e EMPRAL, na pessoa jurídica do recorrente prescinde da configuração de grupo econômico, nos termos da legislação civil ou trabalhista, posto que esta arquitetura jurídica Fl. 13DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO 14 pressupõe a existência de várias empresas atuando sob controle comum, cada qual exercendo seu próprio objeto social. Não é o caso dos autos. Aqui se evidencia a interposição de pessoas jurídicas com o fito de suprimir a receita bruta, e conseqüentemente, o lucro da recorrente, e embora sob controle comum (conforme demonstrado pelas provas coligidas pela fiscalização), as interpostas pessoas não cooperam para o resultado comum do grupo, explorando seu objeto social próprio, no sentido ordinário da expressão. Afinal, de fato não existem. Sua existência, que é unicamente jurídica, e não tem correspondência no mundo fático, visa a efeitos meramente tributários, com finalidade de reduzir a base de cálculo da principal empresa, objeto da blindagem. Tal situação, como bem observou a fiscalização não caracteriza grupo econômico, mas fraude, em vista da qual foi lavrada, inclusive, representação fiscal para fins penais. Evidenciada a interposição, desnuda-se a realidade ocultada, constituída por somente uma pessoa jurídica, responsável pela totalidade dos depósitos bancários. Desta forma, nos termos do art. 42, §5º, da Lei nº 9430/96, é correta a imputação da totalidade dos depósitos à recorrente. Isto posto, voto para rejeitar as preliminares, e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, 11 de novembro de 2010. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade - Relator Fl. 14DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por LUIZ TREZZI NETO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2010 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/12/2010 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 30/12/2010 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 10480.729104/2013-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Havendo similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial.
CONTEMPORANEIDADE DO LAUDO. MATÉRIA NOVA.
Não é conhecido recurso especial quanto a ponto que não fundamenta o auto de infração, pois inviável a inovação dos critérios jurídicos do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
A subsunção aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, assim como aos arts. 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material ali previstos. Inexiste norma que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou, ainda, que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas.
Não há previsão legal, no contexto da mencionada legislação, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica, sendo indevida a amortização do ágio pelo sujeito passivo.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
A decisão prolatada no lançamento matriz estende-se ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010
FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO.
Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornou-se juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.618
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial (i) quanto à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento e acordam, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso (ii) quanto à contemporaneidade do laudo. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial (iii) quanto à multa isolada, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso e, no mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Havendo similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, é conhecido o recurso especial. CONTEMPORANEIDADE DO LAUDO. MATÉRIA NOVA. Não é conhecido recurso especial quanto a ponto que não fundamenta o auto de infração, pois inviável a inovação dos critérios jurídicos do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, assim como aos arts. 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material ali previstos. Inexiste norma que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou, ainda, que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto da mencionada legislação, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica, sendo indevida a amortização do ágio pelo sujeito passivo. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 91 04 /2 01 3- 21 Fl. 2819DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.820 2 FALTA DE PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Com o advento da Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, tornouse juridicamente indiscutível o cabimento da incidência da multa isolada pela falta de pagamento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, ainda que cumulativamente haja imposição da multa de ofício proporcional ao imposto e à contribuição devidos ao final do respectivo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial (i) quanto à amortização do ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, vencidos os conselheiros Luis Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto, Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento e acordam, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso (ii) quanto à contemporaneidade do laudo. Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial (iii) quanto à multa isolada, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso e, no mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Viviane Vidal Wagner. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 2820DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.821 3 Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL quanto aos anos de 2008 a 2010, com imposição de multa de 75% sobre o crédito tributário, relacionado a (i) falta de adição de despesas indedutíveis de descontos concedidos em operações de crédito; (ii) adições não computadas para a determinação do lucro real, da despesa indedutível de amortização de ágio (Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard); (iii) falta de adições de despesa indedutível (excesso de juros sobre o capital próprio). Ressaltese trecho do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal tratando da matéria ainda em discussão nestes autos (ágio transferido para a fiscalizada): 1.1. DOS FATOS IDENTIFICADOS (...) 20. Conforme será demonstrado, todos os ágios (Conabinu, Conabinu/Hipercard e Hipercard) têm suas origens diretamente ligadas com o processo de compra da Hipercard ACC. (...) 1.6. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO PARA A FISCALIZADA 91. Conforme exposto no tópico 1.4 – Da Apuração dos Ágios na Operação de Compra da HIPERCARD ACC , a transação de compra e venda da Hipercard ACC entre a Unicard e Unipart (compradores) e a BRPAR e Holla Beheer (vendendores) gerou um ágio de R$ 422.665 milhares, sendo R$ 195.748 milhares pagos pela Unicard e R$ 226.917 milhares pagos pela Unipart. (...) 94. Vemos uma grande discrepância entre os valores dos ágios apurados pela fiscalização e pela fiscalizada. A diferença entre o ágio na operação de aquisição da Hipercard ACC, apurado pelo Grupo Unibanco e por esta fiscalização, já foi detalhadamente explicitada no tópico 1.4 – Da Apuração dos Ágios na Operação de Compra da HIPERCARD ACC. 95. Conforme já exaustivamente exposto, a Conabinu não passou de mera empresa de passagem para a consecução do planejamento tributário abusivo engendrado pelo Grupo Unibanco. Por esta razão, os atos negociais nos quais a empresa veículo foi utilizada tornamse inoponíveis contra o fisco, devendo estes atos serem interpretados como se ausente estivesse a veículo. Assim sendo, passaremos a expor a transferência da participação societária da Hipercard ACC, detidas pela Unicard e Unipart, para o Hipercard BM desconsiderando a existência da Conabinu. 96. A Unicard e Unipart iniciaram a amortização dos seus ágios, em 2004 e 2005. Porém, o Grupo Unibanco decidiu que os ágios deveriam ser utilizados pela sua coligada Hipercard BM, e não Fl. 2821DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.822 4 pelas Unicard e Unipart. Para por em prática sua opção, executou os seguintes passos: • 30/06/2005 – Transferência da participação societária em Hipercard ACC, detidas pela Unicard (68,22%) e Unipart (31,78%), para a Hipercard BM (com a transferência da participação societária, entendeu a fiscalizada estar recebendo também a parcela do ágio que estava no ativo diferido da Unicard e Unipart). • 29/07/2005 – Incorporação da Hipercard ACC pelo Hipercard BM; • Amortização (indevida) do ágio (supostamente) recebido pelo Hipercard BM ; (..) 99. Segundo a fiscalizada, as transferências deramse mediante aumento de capital da Unicard e Unipart no Hipercard BM, sendo integralizado por conferência de capital. Ocorre que, deixou a empresa de levar em consideração a Ata Sumária da AGE 56 do Hipercard BM, de 11/09/2006, onde há uma re ratificação da AGE de 30/06/2005, alterando a forma da integralização do aumento de capital de conferência de capital para em moeda corrente nacional. 100. Ciente da impropriedade da “transferência do ágio” na forma adotada em 30/06/2005, a fiscalizada, através da AGE de 11/09/2006, tentou regularizar a situação promovendo a reratificação da AGE de 30/06/2005. Com este ato, a Hipercard BM “transformou” a integralização feita por Unicard e Unipart, com conferência de capital das quotas da Hipercard ACC, em uma integralização em Reais e concomitante compra e venda das quotas da Hipercard ACC. 101. Intimamos a empresa a apresentar os Instrumentos Particulares de Compra e Venda de Quotas celebrados entre o Hipercard BM e Unicard e entre o Hipercard BM e Unipart. Em 28/11/2012 foram apresentados os contratos solicitados através da CRTUAF 697/2012 (docs. 2 e 3). (...) 105. Se a Unicard e Unipart não tivessem retificado a forma de transferência de suas participações na Hipercard ACC, ou seja, se a forma fosse a de integralização no Hipercard BM por conferência de capital, estaríamos diante de uma operação que também não daria azo à geração de ágio e sua posterior amortização para fins fiscais, pelos seguintes motivos: 105.1. Operação realizada entre partes relacionadas (Hipercard BM, Unicard e Unipart), sem a necessária independência negocial do livre mercado; 105.2. Operação “não caixa”, ou seja, sem o sacrifício de ativos ou contra uma assunção de dívidas 106. E, mesmo que a Hipercard BM tivesse comprovado, contemporaneamente, a transação de compra das quotas da Fl. 2822DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.823 5 Hipercard ACC com os seus titulares, Unicard e Unipart, acompanhada de pagamento do preço estipulado para o negócio, ainda assim seria vedado o reconhecimento de uma eventual avaliação de uma maisvalia, pelos seguintes motivos: 106.1. Falta de um ambiente de livre mercado, de independência entre as três empresas; 106.2. Ausência de geração de riqueza nova para o grupo econômico, uma vez que se trataria de mera circulação de recursos; 106.3. Registro do custo da aquisição de quotas de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da integralizadora deveria ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedado o reconhecimento de ágio com base em rentabilidade futura nessa operação, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. 107. O que temos aqui é o fato de que a fiscalizada tenta transferir para si o ágio registrado na contabilidade do titular, sem atender aos requisitos do art. 386 do RIR/1999. Pois, como já foi exaustivamente demonstrado no presente relatório os ágios apurados na operação de compra e venda da Hipercard ACC só poderiam ser aproveitados pela Unicard e Unipart. 108. O reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época da compra e venda das participações na Hipercard ACC, o controle da fiscalizada era exercido pelas sócias vendedoras. (...) 112. Desta forma, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso previsto no art. 386, inc. III, do RIR/99 – art. 7º, inc. III, da Lei 9.532, de 1997, qual seja, em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. 113. Portanto, não sendo aplicável à fiscalizada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, esta fiscalização procederá à glosa das exclusões ao lucro líquido dos valores correspondentes a despesas que não atenderam os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no art. 299 do mencionado regulamento: (...) 114. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e, ainda, as despesas devem ser usuais ou normais Fl. 2823DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.824 6 no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, o que não é o caso objeto da presente discussão. 1.7. DA APLICABILIDADE DO ARTIGO 386 DO RIR/99 PARA O CASO DA DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO (...) 121. A prática adotada pela Unicard e Unipart, através da fiscalizada (Hipercard BM) e da empresa veículo (Conabinu), consistiu numa série de procedimentos, com o objetivo de “construir” uma situação contábil que permitisse o aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99; sem que as empresas (Unicard e Unipart) que efetivamente fizeram o investimento de aquisição do controle societário da Hipercard ACC absorvessem ou fossem absorvidas pela investida (Hipercard ACC). O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa, decidindo a Delegacia da Receita Federal de Recife pela manutenção do lançamento, conforme acórdão do qual se destaca ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCESSO JUDICIAL. MESMO OBJETO. PREVALÊNCIA DO PROCESSO JUDICIAL. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. DESISTÊNCIA DE EVENTUAL RECURSO INTERPOSTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de interposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INVESTIMENTO. ÁGIO. DEDUÇÃO. POSSIBILIDADE. Em regra, as contrapartidas da amortização do ágio de que trata o art. 385 do RIR, de 1999, não são dedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. A fruição do benefício previsto no inciso III do art. 386 do RIR, de 1999, só é possível quando há extinção do investimento adquirido com ágio, com fundamento econômico nos termos do inciso II do § 2º desse mesmo artigo, por meio de incorporação, fusão ou cisão. ÁGIO INTERNO. CUSTO. FUNDAMENTOS CONTÁBEIS. INCONSISTÊNCIA. O ágio somente é admitido pela teoria contábil quando surgido em transações envolvendo partes independentes, condição necessária à formação de um preço justo para os ativos Fl. 2824DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.825 7 envolvidos. Nos casos em que seu aparecimento acontece no bojo de transações entre entidades sob o mesmo controle, o ágio não tem consistência econômica ou contábil, configurando geração artificial de resultado cujo registro contábil é inadmissível. ABUSO DE DIREITO. ATO ILÍCITO. ESFERA TRIBUTÁRIA. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO. Caracterizado o abuso de direito, os efeitos do respectivo negócio jurídico não são oponíveis na esfera tributária. JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. DEDUTIBILIDADE. REGIME DE COMPETÊNCIA. A observância do regime de competência é condição sine qua non à dedutibilidade dos juros pagos ou creditados a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido. DESCONTOS. EMPRESTIMOS. DEDUÇÃO. LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. As despesas relativas a descontos concedidos em renegociação de empréstimos, por tratarse de ato de mera liberalidade, não são dedutíveis na apuração do lucro real. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MULTA ISOLADA. MULTA PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. É cabível a aplicação da multa exigida em face do não recolhimento das estimativas mensais concomitantemente com a multa proporcional referente ao IRPJ devido e não pago ao final do período, haja vista as respectivas hipóteses de incidência cuidarem de situações distintas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Uma vez que os juros incidentes sobre a multa de ofício não compõem a lide, dado que cabíveis apenas quando da cobrança do crédito tributário, não compete a esta instância julgadora manifestarse sobre o assunto. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Após a decisão da DRJ, o contribuinte apresentou desistência parcial quanto à amortização do ágio que excedeu o valor reconhecido pela autoridade fiscal como o real ágio pago na operação (fls. 2.339/.2340). Em recurso voluntário (fls. 2402), o contribuinte alega: (i) que a desistência parcial corresponderia à parcela do ágio decorrente da existência da Conabinu e, assim, a única Fl. 2825DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.826 8 divergência remanescente seria a respeito da “transferência do ágio para a fiscalizada Hipercard Banco Múltiplo S/;A”; (ii) a legitimidade da amortização do ágio; (iii) a possibilidade de transferência do ágio; (iv) a impossibilidade de aplicar normas do IRPJ para a CSLL; (v) improcedência de glosas das despesas de descontos concedidos em operações de crédito; (vi) improcedência de glosas das despesas com pagamento de JCP; (vii) insubsistência da cobrança concomitante de multa isolada sobre estimativas mensais e multa de ofício; (viii) o equívoco da autuação fiscal quando aponta insuficiência de CSLL paga e, finalmente, (ix) a não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais conhecer em parte do recurso voluntário e, nesta parte, darlhe parcial provimento, em acórdão cuja ementa se reproduz a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III Fl. 2826DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.827 9 JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 07/07/2017 (fls. 2667), que interpôs recurso especial em 01/08/2017 (fls.), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito do (i) Da dedutibilidade do ágio, constando como paradigmas os acórdãos 9101002.188 e 9101002.186. (ii) Da multa isolada sobre estimativas mensais, identificando como paradigmas os acórdãos 1202000.964 e 1302001.080 A então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir: i) Da legitimidade do aproveitamento fiscal da amortização do ágio Em relação a essa primeira matéria, foram indicados como paradigmas os Acórdão nº 9101002.188 e o de nº 9101002.186 (...) Da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores dos acórdãos, evidenciase que a recorrente logrou êxito ao demonstrar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial. Tanto o acórdão recorrido, quanto os acórdãos paradigmas, tratam do aproveitamento da amortização fiscal do ágio referenciado o mesmo arcabouço jurídico, porém com conclusões diversas para fatos relevantes assemelhados. A divergência não se localiza na existência do ágio, mas sim das condições para o seu aproveitamento fiscal. Nos acórdãos paradigmas se configura a seguinte tese: a dedução autorizada pelo artigo 386 do RIR/99 decorre da necessidade de haver encontro no mesmo patrimônio da participação societária adquirida com o ágio pago por essa participação. Em face dessa "confusão patrimonial" entre o investimento e o ágio pago pela sua aquisição pelo real investidor, somente nessa situação a legislação admite que o contribuinte considere perdido o seu capital investido com o ágio e, assim, deduza a despesa que ele teve quando da sua aquisição. Ou seja, por esse raciocínio lógico, não se admite a existência de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas (empresas veículos), nem muito menos a transferência do ágio, pois senão, segundo o teor desses votos, estarseia se ferindo os aspectos pessoal e material da regra matriz de incidência e, consequentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos Fl. 2827DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.828 10 artigos 385 e 386 do RIR/99, resultando na impossibilidade da amortização do ágio. De outro lado, no acórdão recorrido essa premissa jurídica da necessidade de "confusão patrimonial" entre a investida e o ágio pago pela sua aquisição pelo real investido é desconsiderada na medida em que não vislumbra qualquer irregularidade nessas operações societárias em que resta configurada a utilização lícita de interposição de pessoa jurídica (empresa veículo), independente de propósito negocial, nas operações de alienação de investimentos, para fins exclusivos de permitir a fruição do benefício fiscal da dedutibilidade da amortização do ágio pago pela incorporadora. Diante do exposto, OPINO por DAR SEGUIMENTO ao Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, admitindo a rediscussão da matéria quanto à legitimidade da amortização fiscal do ágio transferido. ii) Da legitimidade da multa isolada sobre as estimativas não pagas a partir de 2007 (concomitância) Em relação a essa segunda matéria, foram indicados como paradigmas os Acórdão nº 1202000.964 e de n° 1302001.080 (...) Examinandose os acórdãos paradigmas, verificase que os mesmos abraçam o entendimento de que é cabível o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e CSLL, mesmo que o lançamento ocorra após o encerramento do anocalendário de apuração e em concomitância com a multa de ofício aplicada sobre o imposto devido anualmente. De outra parte, o acórdão recorrido diverge da interpretação do acórdão trazido como paradigma, por considerar a multa indevida quando aplicada cumulada com a multa de ofício aplicada sobre o valor apurado ao final do exercício, ainda que para os anoscalendário a partir de 2007, depois das alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse divergentes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. (...) Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso III, do Anexo II do RICARF, e com base nas razões retroexpostas, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Em 04/10/2017 o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão do recurso voluntário, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 2768), apresentando contrarrazões ao recurso, em 17/10/2017 (fls. 2771), nas quais alega: Fl. 2828DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.829 11 (i) Inexistência de divergência na interpretação da lei tributária, pois o acórdão recorrido converge com os acórdãos paradigmas que entenderam ser necessária “a confusão patrimonial entre a investida e o real adquirente da participação societária”. A divergência existiria quanto à interpretação dos fatos; (ii) O acórdão recorrido teria admitido a necessidade de propósito negocial e, ainda, atestado a sua existência; (iii) Quanto à contemporaneidade do laudo, o contribuinte enfatiza que o acórdão da Turma a quo menciona que o tema não foi “aventado no TVF nem na decisão recorrida”, sendo inovação constante das contrarrazões ao recurso voluntário; (iv) A impossibilidade de restabelecer lançamento tributário com fundamento diverso de sua motivação. Nesse sentido, destaca que não houve alegação de falta de “confusão patrimonial” e que a única referência ao laudo de avaliação seria a menção à intimação do contribuinte para apresentálo. (v) No mérito, reitera as razões pelas quais entende legítima a dedutibilidade do ágio, requerendo a manutenção do acórdão recorrido; (vi) Questiona, ainda, a matéria introduzida em recurso especial (“confusão patrimonial”) (vii) Questiona, também, a alegação de intempestividade do laudo; (viii) Por fim, pede a manutenção do acórdão recorrido quanto à multa isolada. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido indicados 2 (dois) acórdãos paradigmas: 9101002.188 e o de nº 9101002.186. O contribuinte alega, em suas contrarrazões, que não haveria divergência na interpretação da lei tributária, pois o acórdão recorrido teria entendimento convergente com os acórdãos paradigmas que entenderam ser necessária “a confusão patrimonial entre a investida Fl. 2829DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.830 12 e o real adquirente da participação societária”. A divergência existiria quanto à interpretação dos fatos. O primeiro acórdão paradigma (9101002.188) tem o seguinte panorama fático: • 28/09/2005 as empresas ACHE LABORATÓRIOS FARMACÊUTICA S/A e MAGENTA PARTICIPAÇÕES S.A. constituem a empresa DELTA PARTICIPAÇÕES FARMACÊUTICAS S.A., com a subscrição e integralização do capital social no valor de R$ 100,00 (R$ 99,00 pela ACHE, e R$ 1,00 pela MAGENTA); • 17/10/2005 as empresas ACHE e MAGENTA adquirem a totalidade das quotas da empresa BIOSINTETICA (ora Recorrente) pelo valor de R$ 491.200.000,00. Em face dessa aquisição, a ACHE passa a deter o controle societário da BIOSINTETICA, enquanto a MAGENTA apenas 1 (uma) quota dessa empresa; • 30/11/2005 a ACHE subscreve e integraliza o aumento de capital da DELTA com a totalidade das quotas que detém da BIOSINTETICA pelo valor de R$ 491.200.000,00. Nessa operação a ACHE "cobra" da DELTA um ágio sobre as quotas da BIOSINTETICA no valor de R$ 437.552.361,10; • 31/03/2006 — a BIOSINTETICA incorpora a DELTA, absorve o ágio "pago" por essa empresa sobre suas próprias quotas, e passa a amortizálo para fins tributários; Portanto, o primeiro acórdão paradigma (9101002.188) trata da criação de empresa (Delta Participações Farmacêuticas) um mês antes da aquisição de participação societária pelas empresas ACHÉ e MAGENTA. Na sequência, a ACHE subscreve aumento de capital da DELTA com participação na BIOSINTÉTICA, com ágio. Finalmente, a Biosintética incorpora a DELTA. Diante deste quadro, decidiu esta Turma da CSRF no primeiro acórdão paradigma (9101002.188), conforme voto do Conselheiro Relator, Conselheiro Rafael Vidal de Araujo: Portanto, o §6° do art. 386 do RIR/99, sob o significado pessoal, se dirige investida que incorporar a investidora que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição da participação societária (tanto o valor do principal quanto o valor do ágio). Ou seja, quando ocorre a incorporação, pela investida, da investidora "original" ou investidora stricto sensu (no sentido de que a originalidade está indissociavelmente ligada a pessoa jurídica que paga o ágio e, por isso mesmo, tem confiança na rentabilidade futura, pois é quem assume o risco) é que se dá a subsunção do fato à norma e surge a prerrogativa de amortização do sobrepreço. (...) Da mesma forma que no aspecto pessoal, a confusão de patrimônios, principal item do aspecto material, para fins de Fl. 2830DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.831 13 enquadramento no §6° do art. 386 do RIR/99, consumase quando, na investida, o lucro futuro e o investimento original com expectativa desse lucro (aquele que foi sobreavaliado) passam a se comunicar diretamente (os riscos se fundem: o risco do investimento assim entendido os recursos aportados e o risco do empreendimento). O primeiro acórdão paradigma (9101002.188), portanto, trata da necessidade de confusão patrimonial entre investidora original e patrimônio adquirido, interpretando o artigo 386, §6º, do RIR/1999. Lembro que o caso dos autos é de transferência de investimento detido pelas pessoas jurídicas Unicard e Unipart à Hipercard BM, que posteriormente incorpora a Hipercard ACC (participação societária adquirida pela Unicard e Unipart). O auditor fiscal identifica as seguintes causas para a autuação fiscal: 106. E, mesmo que a Hipercard BM tivesse comprovado, contemporaneamente, a transação de compra das quotas da Hipercard ACC com os seus titulares, Unicard e Unipart, acompanhada de pagamento do preço estipulado para o negócio, ainda assim seria vedado o reconhecimento de uma eventual avaliação de uma maisvalia, pelos seguintes motivos: 106.1. Falta de um ambiente de livre mercado, de independência entre as três empresas; 106.2. Ausência de geração de riqueza nova para o grupo econômico, uma vez que se trataria de mera circulação de recursos; 106.3. Registro do custo da aquisição de quotas de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico da integralizadora deveria ser feito pelo valor do patrimônio líquido, sendo vedado o reconhecimento de ágio com base em rentabilidade futura nessa operação, por faltar, à luz da Teoria da Contabilidade, a necessária independência entre as partes envolvidas. 107. O que temos aqui é o fato de que a fiscalizada tenta transferir para si o ágio registrado na contabilidade do titular, sem atender aos requisitos do art. 386 do RIR/1999. Pois, como já foi exaustivamente demonstrado no presente relatório os ágios apurados na operação de compra e venda da Hipercard ACC só poderiam ser aproveitados pela Unicard e Unipart. (...) 112. Desta forma, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso previsto no art. 386, inc. III, do RIR/99 – art. 7º, inc. III, da Lei 9.532, de 1997, qual seja, em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. (...) Fl. 2831DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.832 14 III, §2° do RIR/1999, esta fiscalização procederá à glosa das exclusões ao lucro líquido dos valores correspondentes a despesas que não atenderam os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no art. 299 do mencionado regulamento: (...) 114. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa e, ainda, as despesas devem ser usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa, o que não é o caso objeto da presente discussão. 1.7. DA APLICABILIDADE DO ARTIGO 386 DO RIR/99 PARA O CASO DA DEDUTIBILIDADE DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO (...) 121. A prática adotada pela Unicard e Unipart, através da fiscalizada (Hipercard BM) e da empresa veículo (Conabinu), consistiu numa série de procedimentos, com o objetivo de “construir” uma situação contábil que permitisse o aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99; sem que as empresas (Unicard e Unipart) que efetivamente fizeram o investimento de aquisição do controle societário da Hipercard ACC absorvessem O auditor fiscal autuante questionou, assim, o ágio, porque (i) não haveria independência entre as empresas (Hipercard BM, Unicard e Unipart); (ii) o ágio só poderia ser amortizado pelas adquirentes (Unicard e Unipart); (iii) não seria necessária a despesa, na forma do artigo 299; (iv) teria sido “construída” uma situação contábil para aproveitamento do ágio previsto no artigo 386 pela Hipercard. Ao analisar os fatos dos autos, decidiu o acórdão recorrido, em trecho tratando do tema apontado pelo contribuinte: O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquela veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. (...) O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7º e 8º da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. (...) Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Fl. 2832DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.833 15 Com efeito, o acórdão recorrido interpreta que é necessária a confusão patrimonial entre a investidora e investida, tratando dos artigos 7º e 8º, da Lei nº .9532/97, matriz legal do artigo 386, do RIR/1999. A despeito disso, o acórdão recorrido interpreta a legislação de forma distinta para legitimar a transferência do ágio, como “consequência fática que tem como pressuposto uma autorização legal”. Ao assim proceder, o acórdão recorrido interpreta a legislação tributária de forma distinta da interpretação conferida pelo paradigma. Não se trata de pressuposto fático, mas avaliação jurídica dos artigos 7º e 8º, para concluir pela legitimidade da amortização do ágio, pois inexistiria vedação legal à transferência do investimento. Diante disso, entendo pelo conhecimento do recurso especial quanto ao primeiro paradigma. Ressalto que a qualificação jurídica dos fatos pelo acórdão recorrido não implica em convergência no entendimento com o acórdão paradigma. Os fatos dos autos são analisados à luz da descrição no lançamento tributário (e respectivo Termo de Verificação Fiscal). E acórdão paradigma e recorrido divergem sobre a identificação do que seja o “real adquirente”, identificação jurídica feita de forma distinta pelos acórdãos recorrido e paradigma e, assim, hábil à discussão da interpretação da lei tributária por esta Turma da CSRF. Por tais razões, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria já quanto ao primeiro paradigma. Pondero que o contribuinte questiona a análise de questões que, no seu entender, inovariam quanto aos critérios jurídicos do lançamento: (a) confusão patrimonial; (b) contemporaneidade do laudo. A confusão patrimonial será mencionada ao final do presente voto de mérito, sendo conhecida pois referida expressamente em razões do lançamento tributário. A despeito disso, entendo que o contribuinte tem razão quando pede não seja conhecida a alegação sobre a contemporaneidade do laudo que fundamenta a expectativa de rentabilidade futura. Com efeito, pleitea a Procuradoria em seu recurso especial: Diversamente, o colegiado a quo se manifestou no sentido da possibilidade da amortização do ágio pelo contribuinte, ainda que não tenha laudo contemporâneo, ainda que ausente o propósito negocial (incorporação reversa somente para fins de gozo de benefício fiscal), ainda não ocorrido a necessária e completa confusão patrimonial entre investida e o investidor original. A partir de todo o exposto, resta clara a divergência jurisprudencial. O acórdão paradigma considera que o ágio só pode ser deduzido por quem participou da operação original como investidor ou investido, e desde que haja a “confusão patrimonial” entre os participantes da operação que gerou o ágio. Por outro lado, o acórdão recorrido entende ser possível a amortização do ágio sem que houvesse laudo contemporâneo, ainda que ausente o propósito negocial (incorporação reversa somente para fins de gozo de benefício fiscal) e ausente a total confusão patrimonial entre a investida e o real adquirente da Fl. 2833DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.834 16 participação societária, o investidor original. (trechos reproduzidos do recurso especial) Ocorre que a contemporaneidade do laudo não consta dentre os fundamentos jurídicos do lançamento tributário, como explicita a decisão recorrida: Importante refutar aqui o ponto colocado nas Contrarrazões da Fazenda Nacional, relacionado ao momento da realização do laudo, considerandoo extemporâneo e imprestável porque elaborado em setembro de 2004, quando as operações foram realizadas em 01/03/2004, em que pese tal colocação não ter sido aventado no TVF nem na decisão recorrida. Em respeito ao artigo 146, do CTN – como bem identificado pelo contribuinte Recorrido é vedada a alteração do critério jurídico de lançamento, razão pela qual não conheço de tema explicitamente não tratado em lançamento tributário. Acrescento que o E. Superior Tribunal de Justiça, no recurso repetitivo n. 1.130.545, interpreta que é ilegítima a alteração de critério jurídico do lançamento: (...) 4. Destarte, a revisão do lançamento tributário, como consectário do poderdever de autotutela da Administração Tributária, somente pode ser exercido nas hipóteses do artigo 149, do CTN, observado o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. 5. Assim é que a revisão do lançamento tributário por erro de fato (artigo 149, inciso VIII, do CTN) reclama o desconhecimento de sua existência ou a impossibilidade de sua comprovação à época da constituição do crédito tributário. 6. Ao revés, nas hipóteses de erro de direito (equívoco na valoração jurídica dos fatos), o ato administrativo de lançamento tributário revelase imodificável, máxime em virtude do princípio da proteção à confiança, encartado no artigo 146, do CTN, segundo o qual "a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 7. Nesse segmento, é que a Súmula 227/TFR consolidou o entendimento de que "a mudança de critério jurídico adotado pelo Fisco não autoriza a revisão de lançamento". 8. A distinção entre o "erro de fato" (que autoriza a revisão do lançamento) e o "erro de direito" (hipótese que inviabiliza a revisão) é enfrentada pela doutrina, verbis: "Enquanto o 'erro de fato' é um problema intranormativo, um desajuste interno na estrutura do enunciado, o 'erro de direito' é vício de feição internormativa, um descompasso entre a norma geral e abstrata e a individual e concreta. Assim constitui 'erro de fato', por exemplo, a contingência de Fl. 2834DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.835 17 o evento ter ocorrido no território do Município 'X', mas estar consignado como tendo acontecido no Município 'Y' (erro de fato localizado no critério espacial), ou, ainda, quando a base de cálculo registrada para efeito do IPTU foi o valor do imóvel vizinho (erro de fato verificado no elemento quantitativo). 'Erro de direito', por sua vez, está configurado, exemplificativamente, quando a autoridade administrativa, em vez de exigir o ITR do proprietário do imóvel rural, entende que o sujeito passivo pode ser o arrendatário, ou quando, ao lavrar o lançamento relativo à contribuição social incidente sobre o lucro, mal interpreta a lei, elaborando seus cálculos com base no faturamento da empresa, ou, ainda, quando a base de cálculo de certo imposto é o valor da operação, acrescido do frete, mas o agente, ao lavrar o ato de lançamento, registra apenas o valor da operação, por assim entender a previsão legal. A distinção entre ambos é sutil, mas incisiva." (Paulo de Barros Carvalho, in "Direito Tributário Linguagem e Método", 2ª Ed., Ed. Noeses, São Paulo, 2008, págs. 445/446) "O erro de fato ou erro sobre o fato darseia no plano dos acontecimentos: dar por ocorrido o que não ocorreu. Valorar fato diverso daquele implicado na controvérsia ou no tema sob inspeção. O erro de direito seria, à sua vez, decorrente da escolha equivocada de um módulo normativo inservível ou não mais aplicável à regência da questão que estivesse sendo juridicamente considerada. Entre nós, os critérios jurídicos (art. 146, do CTN) reiteradamente aplicados pela Administração na feitura de lançamentos têm conteúdo de precedente obrigatório. Significa que tais critérios podem ser alterados em razão de decisão judicial ou administrativa, mas a aplicação dos novos critérios somente pode darse em relação aos fatos geradores posteriores à alteração." (Sacha Calmon Navarro Coêlho, in "Curso de Direito Tributário Brasileiro", 10ª Ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2009, pág. 708) "O comando dispõe sobre a apreciação de fato não conhecido ou não provado à época do lançamento anterior. Dizse que este lançamento teria sido perpetrado com erro de fato, ou seja, defeito que não depende de interpretação normativa para sua verificação. Frisese que não se trata de qualquer 'fato', mas aquele que não foi considerado por puro desconhecimento de sua existência. Não é, portanto, aquele fato, já de conhecimento do Fisco, em sua inteireza, e, por reputálo despido de relevância, tenhao deixado de lado, no momento do lançamento. Se o Fisco passa, em momento ulterior, a dar a um fato conhecido uma 'relevância jurídica', a qual não lhe havia dado, em momento pretérito, não será caso de apreciação de fato novo, mas de pura modificação do critério jurídico adotado no lançamento anterior, com fulcro no artigo 146, do CTN, (...). Neste art. 146, do CTN, prevêse um 'erro' de valoração jurídica do fato (o tal 'erro de direito'), que impõe a modificação quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua ocorrência. Não perca de Fl. 2835DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.836 18 vista, aliás, que inexiste previsão de erro de direito, entre as hipóteses do art. 149, como causa permissiva de revisão de lançamento anterior." (Eduardo Sabbag, in "Manual de Direito Tributário", 1ª ed., Ed. Saraiva, pág. 707) 9. In casu, restou assente na origem que: "Com relação a declaração de inexigibilidade da cobrança de IPTU progressivo relativo ao exercício de 1998, em decorrência de recadastramento, o bom direito conspira a favor dos contribuintes por duas fortes razões. Primeira, a dívida de IPTU do exercício de 1998 para com o fisco municipal se encontra quitada, subsumindose na moldura de ato jurídico perfeito e acabado, desde 13.10.1998, situação não desconstituída, até o momento, por nenhuma decisão judicial. Segunda, afigurase impossível a revisão do lançamento no ano de 2003, ao argumento de que o imóvel em 1998 teve os dados cadastrais alterados em função do Projeto de Recadastramento Predial, depois de quitada a obrigação tributária no vencimento e dentro do exercício de 1998, pelo contribuinte, por ofensa ao disposto nos artigos 145 e 149, do Código Tribunal Nacional. Considerando que a revisão do lançamento não se deu por erro de fato, mas, por erro de direito, visto que o recadastramento no imóvel foi posterior ao primeiro lançamento no ano de 1998, tendo baseado em dados corretos constantes do cadastro de imóveis do Município, estando o contribuinte notificado e tendo quitado, tempestivamente, o tributo, não se verifica justa causa para a pretensa cobrança de diferença referente a esse exercício." 10. Consectariamente, verificase que o lançamento original reportouse à área menor do imóvel objeto da tributação, por desconhecimento de sua real metragem, o que ensejou a posterior retificação dos dados cadastrais (e não o recadastramento do imóvel), hipótese que se enquadra no disposto no inciso VIII, do artigo 149, do Codex Tributário, razão pela qual se impõe a reforma do acórdão regional, ante a higidez da revisão do lançamento tributário. 10. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (Superior Tribunal de Justiça, Recurso Especial nº 1130545, DJe 22/02/2011). A fundamentação do acórdão recorrido, tratando do laudo, é apenas obter dictum, não podendo alterar os limites da lide delimitados estritamente pelo lançamento tributário. Diante disso, conheço o recurso especial da Procuradoria quanto ao ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart, delimitando sua devolutividade aos termos Fl. 2836DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.837 19 do lançamento tributário. Assim, não conheço do recurso especial quanto às alegações a respeito da contemporaneidade do laudo. Ressalto, por fim, que a Procuradoria não apresentou recurso especial quanto à exigência de CSLL com relação ao "ágio ecaptive", razão pela qual não há pronunciamento de mérito a esse respeito. Passo, assim, à análise do mérito deste recurso quanto ao tema conhecido (ágio transferido à Hipercard BM pela Unicard e Unipart) Dedutibilidade do ágio Em síntese, consta do Termo de Verificação Fiscal a glosa da despesa com amortização do ágio porque (i) não haveria independência entre as empresas (Hipercard BM, Unicard e Unipart); (ii) o ágio só poderia ser amortizado pelas adquirentes (Unicard e Unipart); (iii) não seria necessária a despesa, na forma do artigo 299; e porque (iv) teria sido “construída” uma situação contábil para aproveitamento do ágio previsto no artigo 386 pela Hipercard. O recurso especial da Procuradoria fundase, essencialmente, na impossibilidade de transferência de ágio, que – no entender do Recorrente – só poderia ser amortizado pelas adquirentes Unicard e Unipart: Na verdade, o que o grupo Unibanco tentou orquestrar foi a transformação do ágio por ele pago quando da aquisição das ações Unipart e Unicard em uma verdadeira “moeda de dedução”, a qual poderia ser transmitida internamente a quem quisesse. O grupo Unibanco tentou “autonomizar” o ágio. Sem maiores delongas, é evidente que esse não foi o intuito do legislador ao editar os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997. (trecho do recurso especial) Destaco, ainda, trecho do voto condutor do Relator do acórdão recorrido, elaborado pela Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto: Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 704/728). Esses ágios, posteriormente transferidos para a Recorrente, quando da incorporação das empresas Conabinu e Hipercard ACC, passaram a ser deduzido na base de cálculo do IRPJ. Da Ausência de Propósito Negocial – Uso de EmpresaVeículo (...) Quanto a utilização de empresasveículo, entendo, não há qualquer vedação, vez que irrefutável a aplicação do art. 2º, § 3º Fl. 2837DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.838 20 da Lei n. 6.404/76, base legal para a constituição de holdings com o objetivo único de beneficiarse de incentivos fiscais. No que tange à incorporação reversa, esta é totalmente possível no âmbito do direito societário e, ademais, é autorizado por lei que regula especificamente a amortização fiscal do ágio, qual seja, o art. 8º, “b” da Lei nº 9.532/97: “Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: (...) b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, que se consumou, como anteriormente demonstrado (pela redação do art. 7º da Lei nº 9532/97), e nesse contexto, se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. A mera transferência do ágio da investidora para a investida, por meio de veículo, ao final, quando incorporada aquela veículo, demonstra apenas uma conseqüência fática que tem como pressuposto uma autorização legal. Do Laudo de Avaliação Conforme colocado já acima, os mencionados ágios decorreram de expectativa de rentabilidade futura, de acordo com o laudo de avaliação de (doc. 07 do eproc), realizado pela empresa Credit Suisse First Boston, empresa terceira independente. Importante refutar aqui o ponto colocado nas Contrarrazões da Fazenda Nacional, relacionado ao momento da realização do laudo, considerandoo extemporâneo e imprestável porque elaborado em setembro de 2004, quando as operações foram realizadas em 01/03/2004, em que pese tal colocação não ter sido aventado no TVF nem na decisão recorrida. Verificase que o laudo de avaliação trata do período de 2004 a 2010, utilizase do método de fluxo de caixa descontado da Hipercard ACC, chegando à conclusão de que o valor da empresa varia de R$658 milhões a R$741 milhões no caso "standalone" e de R$883 milhões a R$976 milhões no caso "com sinergia". O valor pago foi de R$630 milhões. Assim, cabe ressaltar então, que quando da data das operações realizadas, bem como da incorporação, que frisese ocorreu em junho de 2005, após a data do laudo, não havia nenhuma disposição legal que determinasse alguma formalidade para a confecção dessa avaliação, da forma como hoje é exigida. (...) Assim, de se aceitar o laudo técnico de avaliação acostado aos autos, que a seu turno serviu de base para fundamentar economicamente o ágio. (...) Fl. 2838DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.839 21 Da Transferência do Investimento Em 30/06/2005, mais de um ano após a negociação da Hipercard ACC, a Unicard e a Unipart conferiram a Hipercard BM, ora Recorrente, a totalidade das cotas de sua titularidade o capital da Conabinu e Hipercard ACC, respectivamente. Isso pode ser facilmente verificado da análise dos documentos societários de fls. 1.532/1.409. Importante tópico levantado no Auto de Infração é a questão atinente à "transferência do ágio", já que a fiscalização entendeu que UNIPART e UNICARD foram as empresas que efetivamente tiveram o dispêndio do ágio, e o benefício existente, amortização fiscal do mesmo somente seria possível nessas empresas, não havendo possibilidade de suas transferências para a Recorrente Hipercard BM, já que ela nada adquiriu. O que a ora Recorrente adquiriu, de fato, foi um investimento com ágio e não a simples transferência de ágio. E tal fato, nos termos da lei, art. 7o e 8o da Lei 9.532/97, passa a ter a dedutibilidade das amortizações. O valor pago pela adquirente, pela Hipercard ACC, para a BRPAR, empresa independente, possui intrínseco tal benefício fiscal, o que corrobora o objetivo precípuo do legislador, viabilizando a aquisição de empresa brasileira, controlada por empresa no exterior. Ora, se os investimentos foram transferidos para a Recorrente, assim como os ágios respectivos, verificase a confusão patrimonial dos patrimônios das investidas pela investidora, passando o ágio a ser dedutível para fins fiscais. Importante ressaltar novamente que todas essas operações "Ágio Conabinu", "Ágio Hipercard" e "Ágio Conabinu/Hipercard" foram realizadas seguindo os parâmetros de mercado, em que se objetivou a aquisição da Hipercard ACC, operação realizada entre partes independentes, valor pago com ágio, que se basearam em laudos de avaliação realizada por empresa terceira, que calculou a rentabilidade futura pelo método de fluxo de caixa descontado (fls. 409/454). Adoto as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade do ágio tratado nos autos. Com efeito, é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. Desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 tinha a seguinte redação ao tempo dos fatos tratados nestes autos, regulando o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Fl. 2839DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.840 22 Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; Fl. 2840DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.841 23 II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio por meio de operações societárias devidamente registradas , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Em contrarrazões, o contribuinte sustenta que o acórdão recorrido teria admitido a necessidade de propósito negocial e, ainda, atestado a sua existência. De fato, consta do acórdão recorrido, em voto condutor: A fiscalização deve analisar a operação como um todo, do conjunto de etapas e operações da qual surgiu a composição societária final, e não se baseando em “fotografias estanques”. Portanto, em que pese a subjetividade do propósito negocial, na medida em que se mostra robusta a motivação e construção lógica contida nas reorganizações societárias e na amortização do ágio propriamente dita. A forma utilizada, conforme já mencionado, tem base na legislação, tornandose a amortização fiscal do ágio definitivamente passível de ser utilizada e assim ser benefício fiscal nos termos legais, os requisitos formais foram atendidos, assim como os materiais. A existência do propósito negocial, pelo próprio voto da relatora – em trecho acima colacionado – decorre da interpretação da lei tributária. A robusta motivação vislumbrada pelo Colegiado a quo decorre da legitimidade da forma utilizada, com base na legislação analisada. Assim, é legítima a reavaliação do tema por este Colegiado, caso conclua pelo conhecimento do recurso especial. O contribuinte ainda pede seja não conhecido a alegação da Procuradoria sobre a necessidade de confusão patrimonial. Consta do recurso especial: A partir de todo o exposto, resta clara a divergência jurisprudencial. O acórdão paradigma considera que o ágio só pode ser deduzido por quem participou da operação original como investidor ou investido, e desde que haja a “confusão patrimonial” entre os participantes da operação que gerou o ágio. Por outro lado, o acórdão recorrido entende ser possível a amortização do ágio sem que houvesse laudo contemporâneo, ainda que ausente o propósito negocial (incorporação reversa somente para fins de gozo de benefício fiscal) e ausente a total Fl. 2841DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.842 24 confusão patrimonial entre a investida e o real adquirente da participação societária, o investidor original. Do Termo de Encerramento de Ação Fiscal consta a referência ao artigo 386, como também à necessidade de incorporação, fusão ou cisão, pelas adquirentes (Unicard e Unipart). Nesse sentido destaco trechos a seguir: 107. O que temos aqui é o fato de que a fiscalizada tenta transferir para si o ágio registrado na contabilidade do titular, sem atender aos requisitos do art. 386 do RIR/1999. Pois, como já foi exaustivamente demonstrado no presente relatório os ágios apurados na operação de compra e venda da Hipercard ACC só poderiam ser aproveitados pela Unicard e Unipart. (...) 112. Desta forma, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso previsto no art. 386, inc. III, do RIR/99 – art. 7º, inc. III, da Lei 9.532, de 1997, qual seja, em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. 113. Portanto, não sendo aplicável à fiscalizada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, esta fiscalização procederá à glosa das exclusões ao lucro líquido dos valores correspondentes a despesas que não atenderam os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no art. 299 do mencionado regulamento Não obstante o lançamento não utilize a expressão “confusão patrimonial”, empregada no recurso especial, enfrenta a necessidade de incorporação ou fusão entre as adquirentes originais (Unicard e Unipart) e o investimento adquirido, o que pode ser vislumbrado como confusão patrimonial. Assim, entendo que o argumento da Procuradoria possa ser conhecido no presente momento processual, sem que tal providência configure modificação do critério jurídico do auto de infração. De toda sorte, a matéria é conhecida, mas não assegura o provimento ao recurso especial da Procuradoria. Afinal, o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, uma Fl. 2842DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.843 25 vez demonstrada a legítima origem do ágio (até mesmo reconhecida pelo auditor fiscal autuante), não há restrição pela sua transferência e, assim, a confusão patrimonial ser efetuada por terceira pessoa jurídica que tenha recebido o ágio juntamente com o investimento. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto ao ágio. Cumulação de Multa Isolada com a Multa de Ofício – 2008 A Procuradoria ainda recorre quanto à possibilidade de cobrança cumulada da multa isolada, calculada sobre estimativas mensais, com a multa de ofício. A impossibilidade de cobrança cumulada de multa de ofício calculada sobre o saldo do tributo ao pagar no final do ano calendário e da multa sobre estimativas mensais tem por principal fundamento a lógica empregada na sistemática de antecipação por estimativas. Isto porque as estimativas mensais não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A esse respeito, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a Fl. 2843DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.844 26 faculadde prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) Nesse contexto, seria legítima a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais se efetuado o lançamento antes do encerramento do anocalendário, o que não ocorreu no caso do presente processo administrativo. São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributoos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) Sobreleva considerar que o E. Superior Tribunal de Justiça entende indevida a multa isolada quando já imposta multa de ofício, exatamente como ocorrido nos presentes autos, aplicando o princípio da consunção. Destacase ementa de acórdão nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). Fl. 2844DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.845 27 EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (Superior Tribunal de Justiça, Resp 1.496.354, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 24.03.2015 grifamos) Na mesma linha, é o teor do Enunciado nº 105, da Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda: Súmula CARF nº 105 A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 §1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurada no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Como o Enunciado de Súmula explicita que está tratando de lançamentos efetuados sob a vigência do artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, entendo que não seja o caso de simples aplicação deste Enunciado ao caso dos autos, lançado com fundamento no mesmo artigo 44, mas com alteração posterior, isto é, pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007. De toda sorte, o racional que originou a Súmula CARF referida (consunção) deve implicar na mesma conclusão, isto é, na impossibilidade de exigência cumulada destas penalidades. Fl. 2845DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.846 28 É importante anotar que o artigo 44, da Lei nº 9.430/1996 sofreu pequena alteração pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, para dispor que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal. A exposição de Motivos da Medida Provisória nº 351/2007, que foi convertida na Lei nº 11.488 e alterou o artigo 44 a respeito da multa isolada, atesta que a única alteração veiculada por aquela norma foi quanto ao percentual da multa de ofício, verbis: A alteração do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa de mora. Portanto, após a alteração pela lei nº 11.488/2007, a norma de imposição da multa isolada permanece idêntica salvo quanto ao percentual aplicado, agora de 50%, quando anteriormente era de 75%. Exatamente por isso deveria ser afastada sua cobrança diante da evidente ilegalidade de cumulação de multa isolada sobre estimativas mensais com a multa de ofício. Assim, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria para afastar a exigência de multa isolada calculada sobre estimativas mensais. Conclusão Pelas razões expostas, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria, ressalvada a contemporaneidade do laudo que não compõe o lançamento tributário. No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo o acórdão recorrido. Como restei vencida, esclareço que não é necessária a baixa dos autos à Turma Ordinária pois todas as matérias alegadas em recurso voluntário foram analisadas pelo Colegiado a quo. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 2846DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.847 29 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner, Redatora designada A despeito dos bem formulados argumentos da i. Relatora, vislumbro solução jurídica distinta para as matérias em debate no mérito: impossibilidade de transferência do ágio e aplicação concomitante da multa isolada com a multa de ofício. Destaco, ainda, que o recurso especial fazendário foi conhecido pela Relatora original no que se refere ao primeiro paradigma (acórdão nº 9101002.188), mas ressalto, em caráter complementar, que o recurso também deve ser conhecido em relação ao segundo paradigma (acórdão nº 9101002.186), posto que as teses são fundamentalmente as mesmas. As duas decisões, inclusive, possuem ementas semelhantes, que bem demonstram a posição adotada naqueles julgados, como denota a ementa do acórdão nº 9101 002.186: TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. [....] LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O entendimento adotado para o lançamento matriz estenderseá ao lançamento reflexo, dada a íntima relação de causa e feito entre ambos. A tese de fundo das referidas decisões veda a amortização do ágio quando o pagamento é efetuado por uma investidora original e posteriormente transferido para uma empresa veículo, que vem a desaparecer por força de incorporação reversa ou "às avessas". Diante da similitude fática entre os casos e da efetiva ocorrência de interpretação divergente em relação à possibilidade de amortização do ágio, o recurso fazendário deve ser conhecido em relação aos dois paradigmas apresentados. Fl. 2847DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.848 30 Quanto ao mérito, a recorrente pede o restabelecimento da autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários e da multa isolada. Com base nos fundamentos da autuação e no atual estágio do processo concluise que remanescem em discussão os seguinte pontos: a) Impossibilidade de transferência do ágio e b) aplicação concomitante das multas isoladas, relativas a este ágio, com a multa de ofício. Para início da análise convém ressaltar o contexto do ágio e de sua possibilidade de amortização no Brasil. A matéria encontrase disciplinada nos arts. 7o e 8o da Lei nº. 9.532/97, que dispõem sobre o registro e a amortização do ágio gerado em investimentos avaliados pelo patrimônio líquido: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do §2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. Fl. 2848DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.849 31 § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Já a sistemática de apuração do ágio deve seguir o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. Fl. 2849DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.850 32 § 1° O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2° O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3° O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. À luz da legislação de regência, percebese que o ágio corresponde à diferença entre o custo de aquisição de um investimento e o seu valor patrimonial. Isso significa que a figura do ágio decorre do fato de uma das partes se comprometer a pagar à outra, pela aquisição do investimento, um valor superior àquele registrado no patrimônio líquido. A expressão “pagar” pode ser entendida em sentido amplo, contemplando diversas modalidades, desde que todas impliquem algum tipo de desembolso ou ônus para o adquirente. Assim, deve o intérprete atentar para as circunstâncias fáticas e jurídicas da operação, que incluem, entre outras, o propósito negocial, o efetivo pagamento ou desembolso pela aquisição, a sequência cronológica das operações, a adequada avaliação da rentabilidade futura e, sobretudo, a análise entre as posições inicial e final de cada interveniente. A questão posta nos autos diz respeito, portanto, à possibilidade de transferência do ágio para o contribuinte, numa operação, que, em síntese, pode assim ser apresentada: a) A Hipercard Administradora de Cartão de Crédito Ltda. (Hipercard ACC) tinha como sócias a empresa BR Participações e Empreendimentos S/A (BRPAR), que detinha 68,22% das ações, e a empresa holandesa Holla Beheer B. V. (Holla), que detinha 31,78% das ações. b) A BRPAR adquiriu 100% das cotas da empresa Conabinu Participações Ltda., aumentando o seu capital social mediante a integralização de recebíveis a serem pagos pela Hipercard ACC. c) As empresas do Grupo Unibanco, Unipart Participações Ltda. e Unicard Banco Múltiplo S/A, adquiriram as cotas da empresa Hipercard ACC e apuraram um ágio de R$ 200.287.697,19 e R$ 31.352.543,50, respectivamente. d) A Unicard e a Unipart conferiram ao Hipercard BM a totalidade das cotas do capital da Conabinu e na Hipercard Fl. 2850DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.851 33 ACC, respectivamente, transferindo o ágio registrado nas empresa Unicard e Unipart para a Hipercard BM. e) A Hipercard BM incorporou as empresas Conabinu e Hipercard ACC, o que ensejou a transferência do ágio da Unicard e Unipart para o contribuinte. Ricardo Mariz de Oliveira analisa os requisitos das normas relativas ao ágio, com destaque para as operações societárias, em sua obra “Fundamentos do Imposto de Renda”, merecendo transcrição o seguinte trecho (págs. 763 e segs.): A norma legal contida no artigo 7º e 8º foi promulgada com vistas a facilitar as privatizações levadas a cabo pelo Governo Federal, pois passou a permitir a dedução fiscal de certos ágios antes indedutíveis. Todavia a norma não se restringiu ao programa de privatização, tendo se estendido a toda e qualquer situação que se subsuma às suas hipóteses fáticas de incidência. (...) Uma primeira observação é no sentido de que os art. 7º e 8º não revogaram o disposto no art. 25 do Decretolei n. 1.598, que continua a vigir e a declarar indedutíveis as amortizações de quaisquer ágios, quaisquer que sejam seus fundamentos econômicos, assim como declara não tributáveis as amortizações de quaisquer deságios, enquanto o respectivo investimento permanecer no ativo permanente da pessoa jurídica adquirente do mesmo. Destarte, os efeitos fiscais dependem da realização das condições inseridas nos art. 7º e 8º da Lei nº 9.532, que são pressupostos para a dedução dos ágios, nos casos e circunstâncias em que admitida, assim como a tributação dos ágios. (...) Voltando ao primeiro e principal requisito para que a amortização seja dedutível , haver absorção de patrimônio por meio de incorporação, fusão ou cisão , devese ter presente que, a despeito da largueza de opções dadas pela Lei n. 9532 para a consecução do seu desiderato, tratase de condição a ser cumprida em sua substância, e não apenas formalmente, até tendo em vista a continuidade da vigência da norma de proibição de dedução da amortização se não houver um desses atos, prevista no art. 25 do Decretolei n. 1598. Com razão, a dedução fiscal da amortização é admitida a partir do momento em que “a pessoa jurídica [...] absorver patrimônio de outra”, segundo o “caput” do art. 7º, o que deve representar uma ocorrência efetiva. Outrossim, não se trata de absorção de patrimônio de qualquer pessoa jurídica, pois o mesmo dispositivo acrescenta que deve ser a pessoa jurídica “na qual detenha participação societária adquirida com ágio”. E, Fl. 2851DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.852 34 ademais, o dispositivo ainda restringe a forma de absorção, dizendo que ela deve ocorrer “em virtude de incorporação, fusão ou cisão”. Essa disposição legal evidencia acima de qualquer dúvida que a exigência é de reunião total (por incorporação ou fusão) ou parcial (por cisão) da pessoa jurídica investidora e da pessoa jurídica investida. O art. 8º, letra “b”, dá a alternativa de se inverter a ordem, ou seja, trata a absorção da investidora pela investida (a chamada “incorporação para baixo” ou “down stream merger”) do mesmo modo que a absorção da investida pela investidora (a “incorporação para cima” ou “up stream merger”), que está prevista no art. 7º. Seja como for, o relevante para a lei é a substância da reunião das duas (ou mais de duas pessoas jurídicas), por um dos atos jurídicos nos dois artigos. Esta exigência decorre não apenas da literalidade dos art. 7º e 8º, mas também, e principalmente, do espírito (a “mens legis” ou “ratio legis”) da norma por eles veiculada. Realmente, a racionalidade da norma está em que, por ter havido a reunião da pessoa jurídica a que se refira a expectativa da rentabilidade com a pessoa jurídica pagadora do ágio, este seja deduzido daqueles mesmos lucros esperados ou o mesmo se dê quando o ágio for referente ao valor de mercado dos bens do patrimônio da pessoa jurídica a que se refere a participação adquirida. O objetivo da norma legal é permitir que o ágio fundado em expectativa de rentabilidade, pago na aquisição de um negócio através da aquisição de participação societária na pessoa jurídica que explore esse negócio, seja lançado contra os lucros desse negócio, de modo a que os tributos devidos sobre tais lucros sejam calculados após a dedução da amortização do ágio. O espírito dessa norma é inequívoco, pois a lei permite a amortização do ágio quando ele tenha por fundamento econômico a expectativa de lucros futuros daquele negócio, o que bem justifica a consideração do ágio como dedutível na proporção da realização desses lucros, estabelecida na demonstração desse fundamento, e observado o limite máximo anual previsto na leis, embora, como dito, não haja absoluta e mandatória correlação entre as quotas de amortização de cada períodobase fiscal e o lucro nele apurado efetivamente (correlação de resto impossível de ser matematicamente determinada). Por isso mesmo, para que esse objetivo seja atingido, é necessário trazer o lucro para dentro da pessoa jurídica que tenha adquirido a participação societária com a expectativa de rentabilidade do mesmo (situação descrita no art. 7º) ou levar o ágio para dentro da pessoa jurídica produtora do lucro esperado Fl. 2852DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.853 35 (situação descrita no art. 8º), o que se faz por incorporação ou cisão de uma delas e absorção pela outra. Ou, ainda, o mesmo objetivo pode ser alcançado levandose o ágio e o lucro para dentro de uma nova pessoa jurídica, o que se faz por fusão das duas pessoas jurídicas. (...) Realmente, os art. 7º e 8º da Lei n. 9532 têm um objetivo – a concessão do benefício de uma dedução especial do ágio – um requisito para tanto, que é a absorção do patrimônio onde esteja o ágio, ou do patrimônio que vai gerar o lucro ao o ágio se refira. Isso inobstante, após a junção das pessoas jurídicas com os recursos financeiros relativos ao ágio participando do ativo da mesma pessoa jurídica (quando for o caso) poderem eles ser empregados para o pagamento de custo e despesas, o que não se confunde com a natureza do ágio mantido em ativo diferido e com a sua amortização, tanto quanto o capital social e os recursos derivados da sua integralização podem ser usados para pagar custos e despesas, mas não se transformam em custos e despesas. Portanto, essa norma de concessão do direito à dedução fiscal da amortização é uma norma excepcional, baseada em motivações extratributárias de (1)conveniência da política fiscal no sentido de favorecer as privatizações, à época da promulgação da Lei n. 9532, e também de (2) justiça econômica contida na amortização do ágio pago na aquisição do negócio, paulatinamente à geração dos lucros que tenham dado lastro a ele, eis que estes são sujeitos à tributação quando surgidos. Este último dado é que justifica a extensão da norma a quaisquer aquisições, mesmo às feitas fora do programa de privatizações que estava em andamento na data da Lei n. 9532. O segundo aspecto apresentase exatamente a partir do primeiro e da condição legal para a dedução fiscal da amortização (que é a absorção de patrimônio através da incorporação, fusão ou cisão), consistindo na exigência de que a amortização se processe contra os próprios lucros cuja expectativa tenha dado fundamento econômico ao ágio, exigência esta não expressa na lei, mas decorrente de um imperativo lógico que se pode dizer estar implícito na lei. Realmente, a exigência de incorporação, fusão ou cisão não é uma condição vazia de sentido, que possa ser cumprida apenas formalmente, como, por exemplo, deixar o ágio na investidora e incorporar a ela, por cisão parcial da cindida, uma atividade que não é a geradora de lucro cuja expectativa tenha gerado o lucro. (grifouse) Assim, o escopo implícito na lei, ao estabelecer a condição de realização de incorporação, fusão ou cisão, é unir o ágio e os lucros a que ele se refira numa mesma pessoa jurídica e, portanto, num mesmo lucro tributável. Isso representa o núcleo racional da exigência Fl. 2853DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.854 36 condicional para a dedução do ágio, que se manifesta mediante a absorção de um patrimônio pelo outro. Daí decorre uma análise que tem sido empreendida com frequência em julgados desta Câmara Superior, relativamente aos aspectos pessoal e material das operações que ensejaram o ágio, posto que os arts. 385 e 386 do RIR/99 (que refletem a dicção legal, já mencionada) se dirigem à investidora que vier a incorporar sua investida (ou por ela ser incorporada), para que, neste momento, surja a possibilidade de amortização da mais valia, paga em momento anterior por força de expectativa de rentabilidade futura da investida. E aqui surge a necessidade de que a investidora passível de aproveitamento do ágio seja a investidora original, ou seja, aquela que efetivamente desembolsou recursos, acreditou no investimento e assumiu os riscos do negócio. Sobre este ponto específico, convém reproduzir as pertinentes considerações formuladas pelo i. conselheiro André Mendes de Moura no acórdão nº 9101002.301: Percebese claramente, no caso, que o suporte fático delineado pela norma predica, de fato, que investidora e investida tenham que integrar uma mesma universalidade: A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio. A conclusão é ratificada analisandose a norma em debate sob a perspectiva da hipótese de incidência tributária delineada pela melhor doutrina de GERALDO ATALIBA (Hipótese de Incidência Tributária, 6ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2010, p. 51 e segs.). Esclarece o doutrinador que a hipótese de incidência se apresenta sob variados aspectos, cuja reunião lhe dá entidade. Ao se apreciar o aspecto pessoal, merecem relevo as palavras da doutrina, ao determinar que se trata da qualidade que determina os sujeitos da obrigação tributária. E a norma em análise se dirige à pessoa jurídica investidora originária, aquela que efetivamente acreditou na mais valia do investimento, fez os estudos de rentabilidade futura e desembolsou os recursos para a aquisição, e à pessoa jurídica investida. Ocorre que, em se tratando do ágio, as reorganizações societárias empreendidas apresentaram novas pessoas ao processo. Como exemplo, podemos citar situação no qual a pessoa jurídica A adquire com ágio participação societária da pessoa jurídica B. Em seguida, utilizase de uma outra pessoa jurídica, C, e integraliza o capital social dessa pessoa jurídica C com a participação societária que adquiriu da pessoa jurídica B. Resta consolidada situação no qual a pessoa jurídica A controla a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C controla a pessoa Fl. 2854DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.855 37 jurídica B. Em seguida, sucedese evento de transformação societária, no qual a pessoa jurídica B absorve patrimônio da pessoa jurídica C, ou vice versa. Ocorre que os sujeitos eleitos pela norma são precisamente a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) cuja participação societária foi adquirida com ágio. Para fins fiscais, não há nenhuma previsão para que o ágio contabilizado na pessoa jurídica A (investidora), em razão de reorganizações societárias empreendidas por grupo empresarial, possa ser considerado "transferido" para a pessoa jurídica C, e a pessoa jurídica C, ao absorver ou ser absorvida pela pessoa jurídica B, possa aproveitar o ágio cuja origem deuse pela aquisição da pessoa jurídica A da pessoa jurídica B. Da mesma maneira, encontramse situações no qual a pessoa jurídica A realiza aportes financeiros na pessoa jurídica C e, de plano, a pessoa jurídica C adquire participação societária da pessoa jurídica B com ágio. Em seguida, a pessoa jurídica C absorve patrimônio da pessoa jurídica B, ou vice versa, a passa a fazer a amortização do ágio. Mais uma vez, não é o que prevê o aspecto pessoal da hipótese de incidência da norma em questão. A pessoa jurídica que adquiriu o investimento, que acreditou na mais valia e que desembolsou os recursos para a aquisição foi, de fato, a pessoa jurídica A (investidora). No outro pólo da relação, a pessoa jurídica adquirida com ágio foi a pessoa jurídica B. Ou seja, o aspecto pessoal da hipótese de incidência, no caso, autoriza o aproveitamento do ágio a partir do momento em que a pessoa jurídica A (investidora) e a pessoa jurídica B (investida) passem a integrar a mesma universalidade. São as situações mais elementares. Contudo, há reorganizações envolvendo inúmeras empresas (pessoa jurídica D, E, F, G, H e assim por diante). Vale registrar que goza a pessoa jurídica de liberdade negocial, podendo dispor de suas operações buscando otimizar seu funcionamento, com desdobramentos econômicos, sociais e tributários. Contudo, não necessariamente todos os fatos são recepcionados pela norma tributária. A partir do momento em que, em razão das reorganizações societárias, passam a ser utilizadas novas pessoas jurídicas (C, D, E, F, G, e assim sucessivamente), pessoas jurídicas distintas da investidora originária (pessoa jurídica A) e da investida (pessoa jurídica B), e o evento de absorção não envolve mais a pessoa jurídica A e a pessoa jurídica B, mas sim pessoa jurídica distinta (como, por exemplo, pessoa jurídica F e pessoa jurídica B), a subsunção ao art. 386 do RIR/99 tornase impossível, vez que o fato imponível (suporte fático, situado no plano concreto) deixa de ser amoldar à hipótese de incidência da norma (plano abstrato), por incompatibilidade do aspecto pessoal. Fl. 2855DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.856 38 Em relação ao aspecto material, há que se consumar a confusão de patrimônio entre investidora e investida, a que faz alusão o caput do art. 386 do RIR (A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio...). Com a confusão patrimonial, aperfeiçoase o encontro de contas entre investidor e investida, e a amortização do ágio passa a ser autorizada, com repercussão direta na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Na realidade, o requisito expresso de que investidor e investida passam a compor o mesmo patrimônio, mediante evento de transformação societária, no qual a investidora absorve a investida, ou vice versa, encontra fundamento no fato de que, com a confusão de patrimônios, o lucro auferido pela investida passa a integrar a mesma universalidade da investidora. SCHOUERI, com muita clareza, discorre que, antes da absorção, investidor e investida são entidades autônomas. O lucro auferido pela investida (que foi a motivação para que a investidora adquirisse a investida com o sobrepreço), é tributado pela própria investida. E, por meio do MEP, eventual acréscimo no patrimônio líquido da investida seria refletido na investidora, sem, contudo, haver tributação na investidora. A lógica do sistema mostrase clara, na medida em que não caberia uma dupla tributação dos lucros auferidos pela investida. Por sua vez, a partir do momento em que se consuma a confusão patrimonial, os lucros auferidos pela então investida passam a integrar a mesma universalidade da investidora. Reside, precisamente nesse ponto, o permissivo para que o ágio, pago pela investidora exatamente em razão dos lucros a serem auferidos pela investida, possa ser aproveitado, vez que passam a se comunicar, diretamente, a despesa de amortização do ágio e as receitas auferidas pela investida. Ou seja, compartilhando o mesmo patrimônio investidora e investida, consolidase cenário no qual a mesma pessoa jurídica que adquiriu o investimento com mais valia (ágio) baseado na expectativa de rentabilidade futura, passa a ser tributada pelos lucros percebidos nesse investimento. Verificase, mais uma vez, que a norma em debate, ao predicar, expressamente, que para se consumar o aproveitamento da despesa de amortização do ágio, os sujeitos da relação jurídica seriam a pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, ou seja, investidor e investida, não o fez por acaso. Tratase precisamente do encontro de contas da investidora originária, que incorreu na despesa e adquiriu o investimento, e a investida, potencial geradora dos lucros que motivou o esforço incorrido. Prosseguindo a análise da hipótese de incidência da norma em questão, no que concerne ao aspecto temporal, cabe verificar o momento em que o contribuinte aproveitase da amortização do Fl. 2856DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.857 39 ágio, mediante ajustes na escrituração contábil e no LALUR, evento que provoca impacto direto na apuração da base de cálculo tributável. Considerandose o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo, aperfeiçoase o lançamento fiscal e o termo inicial para contagem do prazo decadencial. [...] Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. (grifouse) Como visto, a regra se aplica tanto na hipótese de incorporação da investida pela investidora como em sentido contrário, quando a investidora é incorporada pela sua investida (a chamada incorporação reversa ou às avessas). A exigência legal, nos dois casos, reside no fato de que a incorporação deve envolver a investidora original, ou seja, aquela que efetivamente acreditou na rentabilidade futura, pagou o sobrepreço e assumiu os correspondentes riscos. E é exatamente este o ponto atacado pela fiscalização e ressaltado pela Fazenda Nacional em contrarrazões: a presença do real investidor na operação, que deve se confundir com o investimento que adquiriu. A confusão patrimonial, como se sabe, é o principal requisito material previsto pelo art. 386 do RIR/99, pois a sua ocorrência permite a comunicação direta entre o investimento e o lucro esperado, assim como promove a fusão dos riscos envolvidos. Isso também se observa na incorporação às avessas, em que a empresa responsável por gerar a rentabilidade esperada no futuro passa a deter o ágio baseado em tal expectativa. Conquanto o contribuinte alegue, em sede de contrarrazões, que a autoridade fiscal não faz menção à confusão patrimonial como fundamento para a indedutibilidade do ágio (tese que, em seu entendimento, teria sido formulada pela Fazenda Nacional apenas no recurso especial), a leitura de trechos do Termo de Verificação nos leva a concluir de forma diversa: 107. O que temos aqui é o fato de que a fiscalizada tenta transferir para si o ágio registrado na contabilidade do titular, sem atender aos requisitos do art. 386 do RIR/1999. Pois, como já foi exaustivamente demonstrado no presente relatório os ágios apurados na operação de compra e venda da Hipercard ACC só poderiam ser aproveitados pela Unicard e Unipart. 108. O reconhecimento de um ágio gerado dentro de um mesmo grupo econômico não encontra respaldo na Contabilidade, ou seja, não é possível reconhecer, contabilmente, uma maisvalia de um investimento quando originado de uma transação entre partes relacionadas, tal como no presente caso, uma vez que à época da compra e venda das participações na Hipercard ACC, o controle da fiscalizada era exercido pelas sócias vendedoras. (...) 111. O Regulamento do Imposto de Renda, em regra, não prevê a possibilidade de deduzir da apuração do lucro real a Fl. 2857DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.858 40 amortização do ágio decorrente de avaliação de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido. Ao contrário, em seu art. 391 dispõe que as “contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo patrimônio líquido). 112. Desta forma, a possibilidade de deduzir o ágio na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL restringese ao caso previsto no art. 386, inc. III, do RIR/99 – art. 7º, inc. III, da Lei 9.532, de 1997, qual seja, em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, situação em que a amortização poderá ocorrer à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. 113. Portanto, não sendo aplicável à fiscalizada a especial norma de dedutibilidade de ágio prevista no artigo 386, inciso III, §2° do RIR/1999, esta fiscalização procederá à glosa das exclusões ao lucro líquido dos valores correspondentes a despesas que não atenderam os requisitos gerais de dedutibilidade previstos no art. 299 do mencionado regulamento: (...) 121. A prática adotada pela Unicard e Unipart, através da fiscalizada (Hipercard BM) e da empresa veículo (Conabinu), consistiu numa série de procedimentos, com o objetivo de “construir” uma situação contábil que permitisse o aproveitamento (indevido) do benefício fiscal de amortização do ágio previsto no art. 386 do RIR/99; sem que as empresas (Unicard e Unipart) que efetivamente fizeram o investimento de aquisição do controle societário da Hipercard ACC absorvessem ou fossem absorvidas pela investida (Hipercard ACC). (grifouse) A leitura dos trechos transcritos revela que a autoridade fiscal, ao não aceitar a possibilidade de transferência do ágio de Unicard e Unipart para o contribuinte (que seriam as únicas passíveis de aproveitálo), adota o racional da necessidade de confusão patrimonial entre as reais investidoras e a pessoas jurídica investida, de sorte que descabe qualquer tese de inovação ou acréscimo aos fundamentos da autuação. E, na exata medida em que esses dois aspectos (pessoal e material) não são observados, como no caso sob análise, por força da indevida transferência do ágio, tornase forçoso reconhecer o argumento de impossibilidade de dedução das despesas decorrentes, nos termos em que formulado pela fiscalização. Este tem sido o entendimento da CSRF, que exige a presença do investidor original na operação de incorporação e o encontro do investimento com o ágio no mesmo Fl. 2858DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.859 41 patrimônio, requisitos que não se amoldam à hipótese dos autos, como relatado pela autoridade fiscal: No caso sob análise: 1) a criação da Conabinu; 2) a utilização desta empresa na aquisição do controle acionário da Hipercard ACC; 3) a incorporação das empresas veículo e investida; e 4) a transferência do controle acionário para a fiscalizada (Hipercard BM) apenas fazem parte do enredo montado para, no final, tudo permanecer como antes, com a única diferença que, com este enredo, a fotografia claramente destaca o benefício fiscal planejado e intentado pelos adquirentes de fato (Unipart e Unicard), uma vez que, sem as etapas anteriormente descritas, ficariam impedidos de aproveitar, através de sua controlada (Hipercard BM), o ágio pago na aquisição da Hipercard ACC. (grifouse) Independentemente da validade jurídica formal dos atos praticados, a questão diz respeito, essencialmente, à oponibilidade das condutas em relação ao Fisco, notadamente quando o seu único objetivo é o de obter vantagens tributárias não previstas pela legislação. Cabe referir que, em relação ao ágio, a regra geral é de indedutibilidade e que para ser possível a amortização deste como despesa exigese a perfeita subsunção dos fatos às normas tributárias, como demonstrado. Por consequência, aplicase à CSLL o decidido quanto ao IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Nesse contexto, concluo pela impossibilidade de transferência do ágio para o contribuinte, nos moldes do que entendeu a fiscalização, devendo ser dado provimento ao recurso da PFN. Concomitância entre multa isolada e multa de ofício Este Colegiado tem decidido, a exemplo de outras turmas do CARF, no sentido de que a multa isolada, na anterior redação do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, deve ser afastada em observância ao princípio da consunção. Nesse sentido extraise a inteligência da Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Contudo, o papel precípuo do julgador é o de analisar o conjunto normativo vigente e aplicável ao tempo dos fatos. Fl. 2859DF CARF MF Processo nº 10480.729104/201321 Acórdão n.º 9101003.618 CSRFT1 Fl. 2.860 42 Assim, na hipótese dos autos, convém destacar que houve alteração no comando original do art. 44, oriunda da redação que lhe foi dada pela Lei nº 11.488, 15 de junho de 2007, fruto da conversão da Medida Provisória nº 351, de 2007. Penso que a alteração buscou afastar a dubiedade e a imprecisão do comando anterior, circunstâncias que levaram à elaboração da Súmula CARF nº 105, que conferiu, à luz do art. 112, I, do CTN, interpretação jurídica mais favorável ao contribuinte. Ocorre que a partir da nova redação inexiste dúvida, vale dizer, não se vislumbra mais qualquer impedimento jurídico para a aplicação concomitante das multas previstas nos incisos I e II, "b", do art. 44: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Como no caso dos autos as multas isoladas se referem à falta de pagamento de estimativas mensais posteriores à vigência da nova redação do art. 44, posto que relativas aos anoscalendário de 2008 a 2010, entendo como jurídica e obrigatória a aplicação concomitante das infrações nele previstas, vez que as multas são completamente distintas e autônomas. No caso das multas isoladas, devem ser mantidas apenas aquelas relativas às glosas de despesas com amortização do ágio, posto que as demais matérias originalmente autuadas já foram decididas e não mais se encontram sub judice. Ante o exposto, conheço do recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional e, no mérito, voto por DARLHE provimento. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2860DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720411/2011-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010
COFINS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS.
É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.625/2004.
DEVOLUÇÃO DE VENDAS. BENS NÃO TRIBUTADOS.
Somente podem originar crédito de devolução de vendas aqueles bens cuja receita de venda tenha sido tributada e tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3402-005.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos relativos aos fretes pagos na aquisição de insumos. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarou-se suspeito, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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CRÉDITOS RELATIVOS AO FRETE TRIBUTADO, PAGO PARA A AQUISIÇÃO DE INSUMOS. É possível o creditamento em relação ao frete pago e tributado para o transporte de insumos, independentemente do regime de tributação do bem transportado, não sendo aplicada a restrição na apuração do crédito do art. 8º da Lei n.º 10.625/2004. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. BENS NÃO TRIBUTADOS. Somente podem originar crédito de devolução de vendas aqueles bens cuja receita de venda tenha sido tributada e tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos créditos relativos aos fretes pagos na aquisição de insumos. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula que negava provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 11 /2 01 1- 31 Fl. 421DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). O Conselheiro Diego Diniz Ribeiro declarouse suspeito, sendo substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito de COFINS relacionado às receitas de exportação, apurado no 3º trimestre de 2010, ao qual foram vinculadas declarações de compensação. O crédito pleiteado foi parcialmente reconhecido por meio do despacho decisório das efls. 285/304, assim sintetizado: "COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA VINCULADA A RECEITA DE EXPORTAÇÃO. PERÍODO DE APURAÇÃO 3º TRIMESTRE DE 2010. O contribuinte que apurar crédito da COFINS na forma da Lei 10.833/03 e não puder utilizálo na dedução de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB e, na impossibilidade de utilizar esse crédito na forma acima citada, poderá solicitar, ao final do trimestrecalendário, o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável |à matéria, principalmente quanto aos créditos que somente podem ser utilizados para a dedução da contribuição devida e aos créditos passíveis de ressarcimento ou contribuição. DEVOLUÇÕES DE VENDAS. Impossibilidade da aplicação de rateio proporcional nesta rubrica. FRETES SOBRE COMPRAS. Consoante o art. 289, § 1º, do RIR/1999, os fretes sobre compras das mercadorias adquiridas integra o custo de aquisição desses bens. PEDIDO DE RESSARCIMENTO DEFERIDO PARCIALMENTE. DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGADAS ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO RECONHECIDO." (efl. 285) Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pelo Acórdão 1669.887 da 6ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. FRETE NA COMPRA DE BENS A natureza do crédito relativo ao frete pago segue a natureza do crédito proveniente da aquisição do bem transportado. CRÉDITO. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. Somente bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior podem originar crédito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" (efl. 355) Fl. 422DF CARF MF Processo nº 12585.720411/201131 Acórdão n.º 3402005.594 S3C4T2 Fl. 425 3 Intimada desta decisão em 03/11/2015 (efl. 366), foi apresentado Recurso Voluntário em 03/12/2015 (efls. 367/381) alegando, em síntese: (i) o direito da empresa ao reconhecimento do crédito integral das despesas de frete na aquisição de insumos, e não o cálculo proporcional feito pela fiscalização, por não estar abrangida na previsão legal do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. Evidencia que o frete contratado é um negócio jurídico autônomo sujeito à incidência do PIS e da COFINS diferentemente dos bens transportados. Com isso, o fato do valor do frete fazer parte do custo de aquisição da mercadoria não implica na aplicação das mesmas regras de apropriação de créditos dessa mercadoria; (ii) na devolução de vendas, inclusive do exterior, vez que essas devoluções afetam seu faturamento mensal. Após a juntada de decisão judicial para o julgamento do presente feito em 60 (sessenta) dias (efls. 397/402), o processo foi distribuído para minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne. O Recurso voluntário é tempestivo e cabe ser conhecido. Adentrase, a seguir, em cada um dos argumentos aventados na peça recursal. I . DAS DESPESAS DE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS Como relatado, entendeu a fiscalização que deveria ser autorizado o crédito sobre os fretes na aquisição de insumo, por integrarem o custo de produção. Contudo, uma vez que o valor do frete compõe o preço do insumo adquirido, sujeito ao crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, a mesma restrição de crédito deveria ser aplicado para o creditamento do frete. Nos termos do Despacho Decisório: "51. Constatamos que, além dos fretes sobre vendas o contribuinte creditouse sobre fretes sobre compras de insumos. 52. A Lei nº 10.637/2002, que instituiu o regime de apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, já estabelecia, por meio de seu art. 3º, os valores que poderiam integrar a base de cálculo do crédito passível de utilização pelo contribuinte da contribuição, dentre os quais o valor dos serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços. As disposições de tal artigo foram parcialmente modificadas pelo artigo 37 da Lei nº 10.865/2004, contudo, não houve qualquer modificação no que tange à parte que leva ao entendimento de que o legislador elegeu como base de cálculo, para a apuração do crédito, o valor dos serviços utilizados como insumo. 53. Com o advento da Lei no 10.833/2003, que instituiu o regime de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser admitido também o aproveitamento de crédito sobre os valores dos gastos efetuados com a armazenagem de mercadoria e frete na Fl. 423DF CARF MF 4 operação de venda, quando o ônus for suportado pela própria empresa vendedora, conforme estabelece o inciso IX do art. 3o desta lei. 54. O art. 15 da citada Lei no 10.833/2003, tratou de estender o comando previsto no inciso IX às pessoas jurídicas enquadradas no regime de incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 2004 (a teor do art. 93, I da mesma lei). 55. Frete sobre compras de insumos. Pois bem, inferese que a legislação permite o creditamento de valores relativos a despesas com serviços de frete, desde que tomados de pessoas jurídicas domiciliada no País, nas seguintes hipóteses: (1ª) no caso de se entender o serviço de frete como utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem destinados à venda (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833/2002) e (2ª) no caso de serviço de frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor (inciso IX do artigo 3º c/c com artigo 15 da Lei nº 10.833/2003). 56. Observese que há a hipótese de creditamento de custos com serviços de frete possível, além das hipóteses expressamente previstas na legislação acima colocadas. Esta se verifica quando o custo deste serviço, suportado pelo adquirente, é aplicado na aquisição de um bem utilizado como insumo ou de um bem para revenda, quando o valor do serviço de frete passa a integrar o valor de aquisição de tal bem. 57. Embora somente haja previsão expressa para o crédito relativo a “frete na operação de venda”, quando o ônus for suportado pelo vendedor, há que se observar que, na compra de bens, o frete, quando pago pelo adquirente, consoante a boa técnica contábil, integra o custo de aquisição desses bens, o que está consagrado no art. 289, § 1º, do RIR/1999 (“o custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte”). Assim, poderá o valor do frete compor a base de cálculo dos créditos a serem descontados do PIS e da Cofins nãocumulativos, uma vez que o frete integra o custo de aquisição das mercadorias. 58. Integrando os fretes sobre compras o custo de aquisição dos insumos, o crédito calculado deve ser dividido em dois tipos: insumos com direito a crédito integral e com direito a crédito presumido. Sobre os fretes de compras de insumos com direito a crédito presumido deve ser aplicada a alíquota reduzida do crédito presumido (0,5775% e 2,66%) e seus valores devem compor a base de cálculo dos insumos com direito a crédito presumido. Desta forma, excluímos esses valores da base de cálculo do crédito integral e os transportamos para a base do crédito presumido." (efls. 299/300 grifei) Diferentemente de outros casos já enfrentados por esta turma1, observase que a fiscalização reconheceu a possibilidade do crédito do frete na aquisição de insumos, com fulcro na previsão do art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003, por se enquadrar no conceito de insumo. Foi reconhecido, portanto, que seriam serviços utilizados como insumos, como considerado pela empresa, conforme indicado em sua DACON (agosto/2010, e fl. 21). 1 À título de exemplo: "PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS . CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3º, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, vêse que o legislador optou por um regime de não cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização.." (Processo 10675.002237/200488. Sessão 15/03/2016. Relator: Conselheiro Waldir Navarro Bezerra. Acórdão n.º 3402002.965 grifei) Fl. 424DF CARF MF Processo nº 12585.720411/201131 Acórdão n.º 3402005.594 S3C4T2 Fl. 426 5 Entretanto, especificamente para os fretes pagos para a aquisição de insumos sujeitos à apuração pela sistemática do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004, a fiscalização entendeu pela necessidade de se aplicar a alíquota reduzida, excluindo os valores da base de cálculo do crédito integral. Contudo, ao contrário do que pretende a fiscalização, o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado (frete) deve ser concedido de forma integral, na forma do art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, vez que esse serviço não consta da previsão do crédito presumido do art. 8º da Lei n.º 10.925/2004. O cálculo diferenciado do crédito previsto na referida lei se refere, APENAS, aos bens, aos produtos especificados no referido dispositivo legal provenientes de pessoas que se dedicam à atividade agropecuária, e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso do frete. Vejamos os termos do dispositivo legal na redação vigente à época dos fatos geradores objeto do pedido de ressarcimento: "Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, CALCULADO SOBRE O VALOR DOS BENS referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos." (grifei) Fl. 425DF CARF MF 6 A leitura do dispositivo denota que o referido crédito presumido é aplicado na aquisição de bens/produtos de pessoas físicas e jurídicas que se dedicam à atividade agropecuária, identificadas no caput e no §1º da Lei. O montante do crédito é calculado "sobre o valor dos bens" e não sobre o seu custo de aquisição, dentro do qual se incluiria o frete como mencionado pela fiscalização. Ora, no presente caso, a empresa arcou com serviços de frete, contratados de outras pessoas jurídicas, para a aquisição dos insumos, tratandose de um serviço utilizado como insumo em sua produção devendo, por conseguinte, serlhe garantido o crédito integral de COFINS com fulcro no art. 3º, II, da Lei n.º 10.833/2003, independentemente da proveniência desses insumos (pessoas que se dedicam à atividade agropecuária). Isso porque não se pode confundir as despesas incorridas com o frete (serviço utilizado como insumo) com o próprio bem que é transportado2. Como evidenciado pela fiscalização no Despacho Decisório, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de insumos, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de concessão do crédito integral em razão do bem transportado ser sujeito ao crédito presumido, restrição esta não trazida na Lei, como visto. Nesse sentido, afastada a premissa adotada pela fiscalização e sendo esta a única matéria aventada no Recurso Voluntário, deve ser dado provimento ao recurso para ser restabelecido o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos. II DAS DEVOLUÇÕES DE VENDAS A glosa dos créditos neste ponto decorre do fato das devoluções de vendas terem ocorrido quanto às exportações realizadas pela empresa, que são operações imunes ao PIS e a COFINS. A fiscalização se respaldou no dispositivo do art. 3º, VIII, das Leis n.º 10.833/2003 e 10.637/2002, como se depreende do trecho do Despacho Decisório: "64. A apropriação de créditos sobre devoluções de vendas somente ocorre quanto este tipo de operação é tributável, ou seja, quando as vendas são realizadas no mercado interno. Verificamos que o contribuinte distribuiu tais valores entre as colunas de rateio dos mercados interno e externo, incorretamente. 65. Para verificarmos a correção dos valores, somamos somente as devoluções de vendas tributadas no mercado interno, segregando dos arquivos magnéticos somente os CFOP 1201, 2201, 1202 e 2202 referentes às devoluções de vendas ensejadoras de apuração créditos. “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: 2 A necessidade de se segregar o valor do frete (serviço utilizado como insumo) do bem que é transportado é bem elucidada pelo I. Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto no julgamento do Acórdão n.º 3403001938 quanto às aquisições de insumos não tributados, no qual indica: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938. Maioria grifei) Fl. 426DF CARF MF Processo nº 12585.720411/201131 Acórdão n.º 3402005.594 S3C4T2 Fl. 427 7 VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei;” 66. Para que o contribuinte possa se creditar desta devolução, os seguintes requisitos devem ser atendidos: a) que seja uma devolução de venda; b) que a venda tenha integrado o faturamento do mês ou do mês anterior, tendo sido tributada conforme disposto na Lei respectiva contribuição. 67. Como decorrência, esse crédito deve ser tratado a parte já que deve existir uma relação direta entre a contribuição devida em razão da venda e a possibilidade de creditamento em mesmo montante e tipo de crédito no caso de eventual devolução desta venda. Não há, portanto, que se falar em rateio proporcional nesta rubrica. 68. As devoluções incorridas no período sob análise foram no montante de R$ 9.579.769,83." (efl. 301) Em sua defesa, a Recorrente insiste na validade do crédito pois os valores devolvidos do exterior afetam o seu faturamento. em suas palavras: "As devoluções de vendas deveriam ser apenas contas redutoras. A partir do momento em que o legislador facultou ao contribuinte o direito ao creditamento das devoluções de vendas, não há falar em distinção entre devoluções de vendas realizadas no mercado interno e no externo. Além disso, não é justo que haja o rateio quando da entrada das receitas e seja vedado o rateio quando das devoluções de vendas, que acabam por afetar, diretamente, o faturamento mensal da Recorrente." (efl. 380 grifei) Contudo, ao contrário do que aduz a Recorrente, o inciso VIII do art. 3º das Leis n.º 10.833/2003 e 10.637/2002, no qual se baseou a fiscalização, exige a tributação da receita da venda para que sua devolução seja admitida como crédito: "Art. 3º (...) VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei;" (grifei) Uma vez que as operações de exportação não são tributadas, não há que se falar em crédito quando do recebimento de bens em devolução do exterior. Há, portanto, ao contrário do que aduz a Recorrente, uma distinção entre as devoluções de vendas realizadas no mercado interno que são tributadas daquelas realizadas no mercado externo, cuja saída foi desonerada. Nesse sentido que não merece reparo a r. decisão recorrida neste ponto. III DISPOSITIVO Diante todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para ser restabelecido o crédito integral sobre os fretes pagos para a aquisição de insumos. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13056.000521/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2001
Perempção.
Não se conhece do recurso apresentado após prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de 1ª instância.
Numero da decisão: 1302-000.705
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, não conhecer do
recurso por perempção
Nome do relator: MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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score : 1.0
Numero do processo: 10580.724446/2015-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE - REPETIÇÃO DE INDÉBITO - PRAZO DECADENCIAL
O direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente é de 5 (cinco) anos a contar da data da extinção do crédito tributário.
Numero da decisão: 2002-000.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Manifestação de inconformidade AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 44 46 /2 01 5- 98 Fl. 83DF CARF MF 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade (efls. 03 a 21) apresentada pelo contribuinte sob alegação que em 27/04/2015 elaborou Declaração de Ajuste Anual (DAA) retificadora e não conseguiu transmitila, por erro do sistema da Receita Federal do Brasil (FRB), já que o prazo para apresentação seria até o dia 30/05/2015. Compareceu ao posto de atendimento da RFB em seu domicílio e foi orientado a realizar o pedido mediante procedimento administrativo. Requer a restituição das retenções mensais de IRPF ocorridas em 2009 sobre os rendimentos de proventos recebidos a título de aposentadoria do ano de 2009, já que portador de moléstia grave. Impugnação A manifestação de inconformidade foi negada pela RFB sob fundamento de decadência do pleito, de forma que o contribuinte apresentou impugnação, às efls. 31 a 50 dos autos, sob alegação de que faz jus a restituição dos valores. A impugnação foi apreciada na 1ª Turma da DRJ/CGE que, por unanimidade, em 18/12/2017, no acórdão 0444.695, às efls. 54 a 60, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, já falecido, representado pelo seu espólio, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 67 a 78, no qual alega, em resumo, que os valores retidos de Imposto de Renda devem ser restituídos, pois não decaíram. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 29/01/2018, efls. 80, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 02/02/2018, efls. 67, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Tratase o processo de manifestação de conformidade apresentada pelo contribuinte para fins de repetição de indébito dos valores arcados de Imposto de Renda retido na fonte do ano de 2009, vez que, conforme laudo de efls. 09, era possuidor de moléstia grave desde 2006, podendo valerse da isenção dos proventos, vez que atendidos os requisitos legais previstos na Lei nº 7.713/88. Não há qualquer questionamento por parte da Receita Federal quanto ao cumprimento dos requisitos legais pelo contribuinte, partindo da premissa de que o recorrente de fato cumpre os pressupostos elencados na legislação supra mencionada, sendo isento de Imposto de Renda desde o ano de 2006, conforme laudo oficial. A lide recai sobre a decadência ou não do direito do contribuinte de repetir o indébito do ano de 2009, vez que possuidor de moléstia grave desde 2006, portanto isento, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10580.724446/201598 Acórdão n.º 2002000.359 S2C0T2 Fl. 84 3 sendo que o laudo que constata a doença é de 13/11/14 e o pedido de restituição foi realizado em 26 de maio de 2015. À luz do Direito Tributário, o instrumento jurídico para instituição de tributos é a lei. É no texto legal, após o trâmite legislativo findandose com sua publicação, que está contida a hipótese de incidência do tributo, contendo o antecedente e o consequente da norma jurídica. É a descrição, em tese, do fato ensejador do tributo. Ocorrendo o fato no "mundo fenomênico", expressão cunhada pelo professor Sacha Calmon, ocorre o fato gerador do tributo e nasce a obrigação tributária de recolher dinheiro aos cofres públicos. Logo, a Fazenda Pública faz jus ao crédito tributário, enquanto sujeito ativo da obrigação tributária. Para que o crédito tributário seja constituído e consequentemente devido pelos administrados, há que se exarar uma norma individual e concreta para sua formalização, no caso o lançamento tributário. Desta forma, sem adentrar correntes doutrinárias específicas, o lançamento tributário é didaticamente dividido em três modalidades: lançamento de ofício, lançamento por homologação e lançamento por declaração. Conforme dispositivos do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Fl. 85DF CARF MF 4 VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipandose a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10580.724446/201598 Acórdão n.º 2002000.359 S2C0T2 Fl. 85 5 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não interessa ao presente processo, contudo, como fora mencionado acima, o lançamento por declaração é aquele em que a autoridade administrativa, frente a uma informação prestada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, exige o pagamento do tributo (por exemplo, o IPTU). No caso do Imposto de Renda, o lançamento é feito por homologação, seguindo o disposto no artigo 150 do CTN acima colacionado. Assim, nascida a obrigação tributária, a forma por excelência de extinção do crédito tributário é o seu pagamento, conforme artigo 156 do CTN, e nos casos dos tributos lançados por homologação e do pagamento antecipado, caso do imposto de renda retido na fonte, temos o inciso VII do mencionado artigo: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I – o pagamento; (...); VII – o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no art. 150 e seus §§ 1º e 4º; (...). No caso, o contribuinte de fato arcou com o tributo, extinguindo o crédito tributário. Contudo, pela regra isentiva que posteriormente incidiu (03/11/2014 data do laudo médico)entende o contribuinte que aqueles valores anteriormente pagos, do ano calendário foram indevidos. O pagamento indevido é assim disciplinado no CTN: Pagamento Indevido Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: Fl. 87DF CARF MF 6 I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (grifos nossos) II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição. Parágrafo único. A restituição vence juros não capitalizáveis, a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva que a determinar. Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3 da LCp nº 118, de 2005) (grifos nossos) II na hipótese do inciso III do artigo 165, da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória. Art. 169. Prescreve em dois anos a ação anulatória da decisão administrativa que denegar a restituição. Parágrafo único. O prazo de prescrição é interrompido pelo início da ação judicial, recomeçando o seu curso, por metade, a partir da data da intimação validamente feita ao representante judicial da Fazenda Pública interessada. Como destacado, o direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente é de 5 (cinco) anos a contar da data da extinção do crédito tributário, no caso em tela, no dia em que o contribuinte pagou o DARF da sua DAA do ano calendário de 2009. Como bem disse o contribuinte em sua defesa, a regra matriz de incidência do tributo difere da regra matriz de incidência da norma isentiva, que por sua vez, não é forma de extinção do crédito tributário, e, desta forma, não influi nos prazos decadenciais para fins de repetição de indébito tributário. Logo, a relevância da data de emissão do laudo é para sabermos a partir de quando o contribuinte goza da isenção de seus rendimentos. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10580.724446/201598 Acórdão n.º 2002000.359 S2C0T2 Fl. 86 7 Considerando que a DAA de 2009 deve ser apresentada e o tributo pago até 30/04/10, o contribuinte teria até no máximo 30/04/2015. Como o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 26/05/2015, resta decaído seu direito. Diante do exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.952207/2009-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado, vencidos os Cons. Lázaro Antonio de Souza Soares, Mara Cristina Sifuentes e Marcos Roberto da Silva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório 1. Cuida o presente processo de Pedido de Compensação referente a Pagamento Indevido ou a Maior de PIS, solicitado através do PER/DCOMP. 2. O Interessado foi cientificado, através de Despacho Decisório de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 52 20 7/ 20 09 -3 7 Fl. 411DF CARF MF Processo nº 15374.952207/200937 Resolução nº 3401001.452 S3C4T1 Fl. 3 2 3. O Interessado apresentou Manifestação de Inconformidade, onde afirma que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo. A nova sistemática havia sido adotada pois os contratos geradores da receita operacional da empresa foram firmados antes de outubro de 2003. Feita a opção pela "cumulatividade" a empresa apurou créditos, pois ao examinar sua documentação contábil e fiscal constatou recolhimentos efetuados a maior que o devido. 4. Alega que efetuou pagamento a maior, mas que deixou de fazer, em data oportuna, a devida retificação da DCTF, o que resultou na emissão do Despacho Decisório em discussão negando o crédito. Posteriormente, no entanto, efetuou a retificação dessa DCTF, alterando, entre outros, o valor devido. Esse procedimento originou um crédito solicitado, que corresponde ao pagamento efetuado a maior que a contribuição efetivamente devida. 5. Nenhuma demonstrativo/documentação contábil foi anexada à Manifestação de Inconformidade. 6. A DRJ/BHE, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, entendendo que a DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. 7. Em sua decisão, afirma que no presente caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Apenas informa que a origem do crédito foi a mudança no critério de apuração das contribuições para o PIS e Cofins do sistema Não Cumulativo para o Cumulativo, sem contudo apresentar nenhum documento contábil ou fiscal que comprove as suas afirmações. 8. Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, no qual esclarece ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. 9. Esclarece ainda que, muito embora seja obrigatoriamente contribuinte de PIS nãocumulativa, uma vez que recolhe o imposto de renda com base no lucro real, na ocasião da compensação todas as suas receitas, que eram decorrentes do contrato de concessão de transmissão de energia elétrica, eram tributadas no regime cumulativo previsto na Lei n° 9.718/98, por força do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003. 10. Informa que, muito embora o regime cumulativo fosse a regra aplicável à tributação das suas receitas, por um longo tempo (até novembro de 2005), dúvidas existiam acerca do que exatamente contemplaria a expressão "preço predeterminado", uma das condições estabelecida no citado artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, principalmente por conta do art. 2º da Instrução Normativa n° 468, de 08/11/2004, que regulamentava a questão. 11. Frente à insegurança jurídica estabelecida pela norma executiva RFB, a Recorrente se viu compelida a apurar e recolher o PIS nãocumulativo, calculada sobre suas receitas negociais, por um longo tempo (de 2004 até 2006). No entanto, após a edição da Lei n° 11.196/2005, foi instituído que, para efeitos do disposto nas alíneas b e c, do inciso XI, do art. Fl. 412DF CARF MF Processo nº 15374.952207/200937 Resolução nº 3401001.452 S3C4T1 Fl. 4 3 10, da Lei n° 10.833/2003, o mero reajuste de preços não descaracteriza a condição de predeterminação do preço. 12. Afirma que a RFB, em 06/07/2006, publicou a Instrução Normativa SRF n° 658/2006, a qual manteve o entendimento de "preço predeterminado", conforme a regra estabelecida no artigo 109, da Lei n° 11.196/2005. Tal ato normativo retroagiu os seus efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, conforme dispõe o seu inciso I, do artigo 7º. Vale dizer, para os contratos que atendem todas as condições insertas nas alineas "b" e "c", do inciso XI, do artigo 10, da Lei n° 10.833/2003, o regime de apuração de PIS seria o cumulativo. 13. Portanto, somente depois de restabelecida a segurança jurídica, assegurada pela Lei n° 11.196/2005 e pela Instrução Normativa SRF n° 658/2006, foi que a Recorrente recompôs a base imponível de PIS, calculada com base no regime cumulativo. 14. Apresentou documentação que alega confirmar seu pleito. 15. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.440, de 27 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 15374.948190/200913, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.440): "A questão de fato conforme relatado, tem repercussão na dupla forma de apuração, declaração e recolhimento das Contribuições Sociais PIS/PASEP e COFINS, para o período em referência. A regra geral para a Recorrente é a do regime não cumulativo, porém, possuía contratos sujeitos ao regime cumulativo por força da Lei 9.718/98 e art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Essa realidade demonstrada pela interessada com a juntada de contratos para os quais a incidência das contribuições se daria no regime cumulativo, não deixou dúvida para o fisco. Dessa forma, a revisão dos valores apurados e declarados fora do regime não apropriado, passou a ser imprescindível, devendo ser corrigido de acordo com o permissivo legal. E foi isso que a Contribuinte fez, retificou a DCTF e o DACON, anexandoos nos autos. O DACON Retificador fez constar em suas fichas de apuração das contribuições, que a totalidade de sua receita para o período de referência se submetia à incidência cumulativa, portanto, passou a ser “zero” o valor para o regime não cumulativo. Juntou, também, no processo, planilha demonstrando as diferenças apuradas das contribuições para o PIS e a COFINS, com impacto no mês de Fl. 413DF CARF MF Processo nº 15374.952207/200937 Resolução nº 3401001.452 S3C4T1 Fl. 5 4 dezembro de 2005, mês de referencia do crédito indicado no PER/DCOMP. Por outro lado, a decisão de piso firmou entendimento na ausência de provas, que o contribuinte não provou o erro em suas declarações, que só a mudança no critério de apuração das contribuições não seria suficiente, necessitaria da juntada de documentos contábeis e fiscais como prova de suas afirmações. Diante dessa posição externada pela DRJ a Recorrente juntou contratos e esclareceu ser sociedade concessionária de transmissão de energia elétrica e que, em 19 de dezembro de 2002, celebrou com a UNIÃO, por intermédio da ANEEL, o Contrato de Concessão n° 081/2002, por meio do qual se comprometeu na construção, operação e manutenção das instalações da Linha de Transmissão Uruguaiana/Santa Rosa, pelo prazo de 30 (trinta) anos. O direito a compensação como forma de extinção de crédito tributário tem amparo legal no art. 156, II do CTN e a IN 900/2008 da RFB, estabelece em seu art. 34 que: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. O ponto central da controversa fisco/contribuinte está no fato de ter sido transmitida DACON e DCTF Retificadora em data posterior ao de ciência do Despacho Decisório, o que teria acarretado a perda da espontaneidade. Dessa forma, só a apresentação de DCTF retificadora não seria mais suficiente para atestar a liquidez e certeza do crédito, necessitava o interessado trazer elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF originalmente transmitida. Entendo que a documentação carreada aos autos demonstra ser suficiente para comprovar o cometimento de erro na informação do valor devido de COFINS para o mês de dezembro/2005, saneado através da transmissão de declarações retificadoras do DACON e DCTF. Dessa forma, não cabe ao CARF suprir deficiência instrutória ainda que em sede de compensação. Assim estabelecem os artigos 10 e 11 da IN RFB nº 903/2008: Art. 10. Os valores informados na DCTF serão objeto de procedimento de auditoria interna. (...) Fl. 414DF CARF MF Processo nº 15374.952207/200937 Resolução nº 3401001.452 S3C4T1 Fl. 6 5 Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Não podem as autoridades administrativas omitirse de analisar a materialidade dos débitos e créditos em compensação, eis que do contrário comprometem a regularidade do processo administrativo de restituição e compensação de tributos, cuja implicação é a manifesta nulidade nos termos do art. 59, II do PAF (Decreto nº 70.325/1972). O fato relacionado a apresentação de DCTF retificadora em data posterior a emissão de Despacho Decisório, já tem entendimento assentado na jurisprudência deste Conselho. Citase, por exemplo, o julgado da 3ª Turma da CSRF no acórdão nº 9303005.396, de 25/07/2017, que analisando caso semelhante manteve decisão proferida no acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. De onde se extrai: “que a DCTF retificadora, nas hipóteses admitidas por lei, tem os mesmos efeitos da original, podendo ser admitida para comprovação da certeza e liquidez do crédito, ainda que transmitida após a prolação do despacho decisório”. Por outro lado “O crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nascem com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior”. A administração tributária nos dá orientação sobre o tema, através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 15374.952207/200937 Resolução nº 3401001.452 S3C4T1 Fl. 7 6 Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) A essência dos fatos superam, nesse caso, eventuais erros de conduta formal do contribuinte, devendo prevalecer o princípio da verdade material no processo administrativo, a busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal. Ante o exposto, voto em converter o julgamento em diligência para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade da RFB analise os documentos anexados ao processo, posteriormente ao início do contencioso, elaborando relatório conclusivo sobre a existência do crédito postulado. Seja cientificada a recorrente para que esta, se assim lhe convier, manifestese no prazo de 30 dias. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 416DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.900562/2009-09
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
A falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. No caso paradigma, a negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995 não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. O acórdão paradigma deixou muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/ compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas.
Numero da decisão: 9101-003.796
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. A falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. No caso paradigma, a negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995 não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. O acórdão paradigma deixou muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/ compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Ausente, momentaneamente, a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 05 62 /2 00 9- 09 Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto ao que se decidiu sobre direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de CSLL. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180201.121, de 01/02/2012, por meio do qual a 2a Turma Especial da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer direito creditório apurado a partir de recolhimento de estimativa mensal de CSLL, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO INDÉBITO FORMADO A PARTIR DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL As estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Mas isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal, e não o saldo negativo do período, que é maior que o valor da estimativa a ser restituída/compensada. Tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Considerando que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (anocalendário), que o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável, e que a Contribuinte apurou base negativa de CSLL no período, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado, eis que caracterizam a formação de saldo negativo, ainda que a Ficha 17 da DIPJ não tenha sido devidamente preenchida. O art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 4 3 maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que negava provimento ao recurso. A PGFN afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos a seguir: SÍNTESE DOS FATOS insurgese a União (Fazenda Nacional) contra acórdão da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF que deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação no limite do crédito tributário reconhecido; entendeu a Turma que mesmo tendo o contribuinte informado como crédito passível de compensação o valor pago a título de recolhimento de estimativas, a compensação deveria ser homologada se no final do exercício fosse apurado saldo negativo; DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Câmara a quo, e está representado em acórdão, cuja ementa está abaixo transcrita: Acórdão 10708.989: CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 5 4 pela leitura do acórdão paradigma concluise que após o término do ano calendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP. Afinal, o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição. Cabe ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de CSLL digase de passagem, o que não foi observado pelo contribuinte, pelo menos não tempestivamente; a 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por outro lado, entendeu que o pagamento a maior de estimativa de CSLL em fevereiro/2005 caracterizou indébito e, desse modo, poderia ser compensado por meio da apresentação da DCOMP transmitida em 17/05/2006; dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial diante da ementa anexa, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA A REFORMA DO R. ACÓRDÃO. como se sabe, a pessoa jurídica optante pela apuração anual do lucro real é obrigada a efetuar o pagamento do imposto mensalmente – as chamadas estimativas –, na forma definida pelos arts. 2º e 6º da Lei nº 9.430/96: [...]; o montante recolhido a título de estimativa consiste em um dos fatores que, aliado a uma série de outros elementos (e.g., o imposto retido na fonte e os incentivos fiscais de redução), repercute no cálculo da CSLL devida no encerramento do período de apuração. Podese dizer, nesse passo, que as estimativas são consideradas antecipações do tributo efetivamente devido em 31 de dezembro do anocalendário; dessa forma, é intuitivo que as estimativas pagas ao longo dos meses são absorvidas na apuração definitiva da contribuição, de maneira que, encerrado o períodobase, não há que se falar em estimativa a pagar ou a restituir, mas apenas no saldo negativo ou positivo de CSLL, como se infere a partir do art. 2º, § 4º, IV, c/c o art. 6º, § 1º, da Lei nº 9.430/96; por conseqüência, após a apuração anual da CSLL, não é dado ao Fisco exigir estimativas inadimplidas no curso do anobase. De fato, em decorrência da absorção no cálculo do saldo da contribuição, cabe ao agente fazendário efetuar o lançamento do tributo acaso devido; noutro giro, após o término do anocalendário, não é dado ao contribuinte pleitear a restituição de valores recolhidos a título de estimativa, tampouco indicar tais valores como créditos em DCOMP. Afinal, o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição. Cabe ao contribuinte, portanto, solicitar a restituição ou compensar eventual saldo negativo de CSLL – digase de passagem, o que não foi observado pelo recorrido, pelo menos não tempestivamente já que a DCTF retificadora não deve ser admitida; registrese, por oportuno, que esse é o entendimento adotado na jurisprudência do CARF, como exposto nos seguintes julgados: [...]; Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 6 5 essa peculiaridade, subjacente à sistemática de recolhimento por estimativa, foi explicitada no art. 10 da IN SRF nº 600/2005 (art. 10 da IN SRF nº 460/2004), in verbis: [...]; é importante frisar que a lei confere ao contribuinte que optar pelo pagamento do imposto por estimativa a faculdade de suspender, reduzir ou dispensar o pagamento do imposto mensal, promovendo verdadeira compensação, quando comprovar que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso. Esta é a inteligência do art. 35 da Lei 8.981/95, bem como do art. 230 do RIR/99; contudo, tal possibilidade exige, pelo menos, duas condições para que seja factível, quais sejam: 1) a elaboração de balanços ou balancetes que demonstrem o crédito; e 2) a utilização destes créditos dentro do mesmo anocalendário; os balancetes constituem exigência legal para que o contribuinte apenas se valha de créditos que efetiva e comprovadamente estejam certos quanto à sua existência e quantificação. Tratamse do instrumento em que estará materializado o crédito aventado com base no qual se pretende obter compensação; a utilização dos créditos no mesmo anocalendário, por seu turno, consiste em requisito que decorre da própria sistemática do recolhimento do imposto por estimativa. Isso porque, como já visto, as diferenças porventura existentes nas apurações mensais estimadas devem ser incorporadas ao cálculo da CSLL, passando a compor o saldo final, positivo ou negativo, do tributo; e, uma vez transposto o anocalendário sem o manejo dos aludidos créditos, perde o contribuinte o direito de compensar os créditos derivados do pagamento decorrente da base de cálculo estimada na forma do art. 35 da Lei 8.981, restandolhe apenas a possibilidade de promover compensação nos moldes previstos nos arts. 2.º e 6.º da Lei n.º 9.430/96. Esta é uma constatação que decorre diretamente dos termos das leis de regência; DO PEDIDO. em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que seja mantida a não homologação da compensação. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 1200 00.132, de 13/05/2013, deu seguimento ao recurso, fazendo a seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] I Matérias objeto do recurso especial O dissídio jurisprudencial se manifesta quanto à discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. [...] Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 7 6 III Análise da admissibilidade do Recurso Especial Seguem abaixo o acórdão apontado como sendo paradigma seguido de sua respectiva ementa: Acórdão nº 10708.989 CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. COMPENSAÇÃO DECLARADA E NÃO HOMOLOGADA. MULTA DE OFÍCIO. INEXIGÊNCIA. Com o advento do art. 18 da Lei 10.833 de 2003, não é cabível a aplicação de multa de ofício de 75% nos casos de compensação declarada pelo contribuinte. Em face do consagrado princípio da retroatividade benigna é cabível a aplicação de norma editada em momento posterior ao fato. [...] Do simples confronto da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão apontado como paradigma, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Assim, o mero cotejo entre as ementas e os votos (recorrido e paradigma) já é possível caracterizar a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados, vez que, no recorrido concluise, que o recolhimento a título de estimativas em montante maior que o devido após retificação na base de cálculo faz gerar indébito passível de repetição pela via da compensação. Por sua vez, o acórdão apontado como sendo paradigma conclui, que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a discussão sobre a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido. Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 8 7 Em 06/09/2013, a contribuinte foi cientificada do Acórdão nº 180201.121, do recurso especial da PGFN, e do despacho que deu seguimento a esse recurso, e ela não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Não há condições para se conhecer do recurso especial. De início é preciso esclarecer que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo (de uma parte do saldo negativo), e não direito creditório relativo ao pagamento de estimativa em si mesmo. Mas a PGFN, destacando o antigo art. 10 da IN SRF nº 600/2005, desenvolve uma série de argumentos nesse outro sentido, ou seja, de que o acórdão recorrido teria reconhecido crédito relativo a pagamento a maior ou indevido da própria estimativa. Há alguns trechos do recurso que evidenciam bem isso: "o eventual pagamento a maior de estimativa também é absorvido no cálculo da CSLL efetivamente devida e, por inerência, repercute na composição do saldo positivo ou negativo da contribuição"; "as diferenças porventura existentes nas apurações mensais estimadas devem ser incorporadas ao cálculo da CSLL"; e "uma vez transposto o anocalendário sem o manejo dos aludidos créditos, perde o contribuinte o direito de compensar os créditos derivados do pagamento decorrente da base de cálculo estimada". O despacho de exame de admissibilidade também seguiu essa linha: "DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela Fazenda Nacional, para que seja reapreciada a discussão sobre a possibilidade de interposição de pedido de restituição ou de compensação para haver de volta o valor do recolhimento a título de estimativas maior que o devido". Aliás, se fosse esse o tipo de situação examinada pelo acórdão recorrido, a situação estaria resolvida pela Súmula CARF nº 84, segundo a qual o "pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação". Mas como já tido nos parágrafos acima, não é esse o contexto do acórdão recorrido. No caso dos presentes autos, a contribuinte tinha apurado prejuízo em 2005, e o entendimento do acórdão recorrido foi no sentido de que, como as estimativas são antecipações, elas foram convertidas em saldo negativo passível de restituição/compensação. O acórdão recorrido, portanto, reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo, como evidencia a sua própria ementa, já transcrita anteriormente. Vale a pena transcrever o voto que orientou o acórdão recorrido: [...] Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 10 9 Conforme relatado, a Contribuinte questiona a não homologação de uma Declaração de Compensação enviada em 17/05/2006. O crédito informado na DCOMP corresponde a um recolhimento no valor original de R$ 22,26, a título de estimativa de CSLL do mês de fevereiro/2005, e o débito a ser compensado também corresponde a CSLL/estimativa, referente ao mês de dezembro de 2004. A estimativa de fevereiro/2005 foi paga em 24/04/2006, com acréscimos legais. O DARF de fls. 92, que embasa o reivindicado crédito, indica a seguinte composição de valores: [...] A decisão recorrida está fundamentada nos seguintes termos: (...) O não reconhecimento do direito creditório ocorreu porque o crédito, indicado na Dcomp, referese a pagamento a título de estimativa mensal da contribuição social sobre o lucro líquido e somente pode ser utilizada na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo da CSLL, no caso, do anocalendário de 2005. Aduz a contribuinte que os valores, pagos por estimativa, compõem o saldo negativo da CSLL, pois a empresa apurou base de cálculo negativa da CSLL no encerramento do anocalendário de 2005. Assim, os créditos indicados nas declarações de compensação, relativos a pagamentos indevidos ou a maiores a título de estimativa mensal, referemse especificamente ao saldo negativo desse ano. Da análise dos documentos extraídos dos sistemas informatizados da RFB, fls. 45 a 54, verificase que não consta na DIPJ/2006, apresentada pela contribuinte em 28/06/2006, mais especificamente na Ficha 17 “CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LÍQUIDO”, a apuração do saldo negativo para o anocalendário de 2005. Constatase ainda que a contribuinte promoveu o cancelamento, através de retificação da DCTF em 18/04/2006, de todos os valores declarados a título de estimativa mensal do referido ano. Sobre a situação fálica supra evidenciada, concluise que o direito creditório, indicado na Dcomp, referese, na verdade, ao pagamento relativo à estimativa devida mensalmente e não ao saldo negativo, conforme alegado, não havendo que se falar em erro de fato. E mais, a pretensão da requerente, aduzida na manifestação de inconformidade, no sentido de alterar a origem do crédito, de pagamento a maior de estimativa para saldo negativo, equivale a um pedido de retificação do crédito. Tal solicitação não é possível nessa fase processual. (...) Além disso, a análise de pedido de retificação da Dcomp é de competência da DRF de jurisdição do contribuinte. Nas lides que versam sobre declaração de compensação, a Delegacia de Julgamento Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 11 10 somente possui competência para apreciar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação das compensações declaradas, de acordo com disposições contidas no Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010. A empresa não apresentou pedido de retificação da DCOMP anteriormente à ciência (02/04/2009 fl. 43) do Despacho Decisório eletrônico de fl. 3, que não homologou a compensação, e, pelas razões expostas acima, não cabe aqui ser formulado, tampouco apreciado. Por todo o exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade e ratificar o Despacho Decisório de fl. 3. Realmente, as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo. Contudo, isso não implica dizer que o exame do direito creditório fica inviabilizado porque a Contribuinte indicou como crédito o recolhimento feito a título de estimativa mensal. Não é incomum a ocorrência de processos em que pedidos de restituição/compensação de IR/fonte e IRPJCSLL/estimativa são examinados na ótica de sua repercussão no resultado final do período, na medida em que contribuem para a caracterização de saldo negativo. Isto porque tanto as retenções na fonte quanto as estimativas representam antecipações do devido ao final do período. Na sistemática da apuração anual, caso haja tributo devido no encerramento do ano, as antecipações se convertem em pagamento definitivo. Por outro lado, se houver prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, ou ainda se as antecipações superarem o valor do tributo devido ao final do período, fica configurado o indébito, a ser restituído ou compensado, mas somente a partir do ajuste. No caso, a Contribuinte enviou a Declaração de Compensação após o encerramento do anocalendário. Também é importante destacar que os recolhimentos a título de estimativa são referentes, no seu conjunto, a um mesmo período (ano calendário), e que embora a Contribuinte tenha indicado como crédito a ser compensado nestes autos apenas a estimativa de fevereiro/2005, e não o saldo negativo total do ano, o pagamento reivindicado como indébito corresponde ao mesmo período anual (2005) e ao mesmo tributo (CSLL) do saldo negativo que seria restituível/compensável. A indicação do crédito como sendo uma das estimativas mensais (antecipação), e não o saldo negativo final, realmente, não pode ser obstáculo ao pleito da Contribuinte. O que importa é saber se houve ou não apuração de tributo devido no anocalendário de 2005, e qual a repercussão da estimativa em questão no ajuste final. Vêse, pela DIPJ acostada aos autos (fls. 140 a 163), que a Contribuinte apurou estimativas de CSLL com base na receita bruta até o Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 12 11 mês de abril/2005, e que a partir do mês de maio passou a apurar balancetes de suspensão, indicando bases negativas até o final do ano, com saldo negativo de CSLL a pagar em dezembro de 2005, no valor de R$ 9.323,69. O fato de a Contribuinte não ter deduzido na Ficha 17 da DIPJ (fls. 156) as estimativas recolhidas ao longo do ano com base na receita bruta, para fins de indicar nesta ficha o mesmo valor de R$ 9.323,69 a título de saldo negativo não pode prejudicar a restituição/compensação do indébito. Se ela apurou base negativa no período, e esta se encontra homologada, eis que não há nenhuma notícia de reversão do resultado por meio de auto de infração, as antecipações de pagamento configuram indébito a ser restituído ou compensado. Como já mencionado, a estimativa é um pagamento, ainda que antecipado, e no caso de ela se configurar como um pagamento indevido, que caracteriza a formação de saldo negativo, subsiste o direito à repetição, mesmo diante de um equívoco no preenchimento da DIPJ (não preenchimento adequado da Ficha 17). Com efeito, o art. 165 do CTN não condiciona o direito à restituição de indébito, fundado em pagamento indevido ou a maior, a requisitos dessa espécie. O que realmente interessa é a averiguação acerca da existência e da liquidez do alegado crédito do Sujeito Passivo contra a Fazenda Pública. Nesse mesmo passo, também não há maiores problemas em relação à retificação equivocada das DCTF, para zerar as estimativas mensais anteriormente declaradas/confessadas. Em relação a isso, é importante lembrar que as estimativas declaradas em DCTF e não recolhidas, nem mesmo são encaminhadas à execução fiscal, porque o art. 44 da Lei 9.430/1996 prevê um tratamento específico para o caso de falta de recolhimento de estimativa, que consiste na aplicação de multa isolada. Assim, o fato de não mais constar da DCTF o valor recolhido a título de estimativa, em razão da retificação desta declaração, não tem qualquer reflexo na formação/caracterização de saldo negativo a ser restituído/ compensado. A ausência de declaração em DCTF não suprime o efeito das antecipações que foram efetivamente recolhidas. No caso, a estimativa foi paga e a Contribuinte apurou base negativa no período, que se encontra homologada pelo decurso do tempo. Portanto, há o direito à repetição do que foi pago indevidamente, a título de antecipação. Tratandose de estimativa mensal efetivamente recolhida, o fato de o “débito” a título de estimativa não constar de DCTF é ainda mais irrelevante, eis que ao final do período em que se apurou base negativa, o pagamento antecipado (correspondente àquele débito) passa a configurar indébito a ser restituído/compensado. Finalmente, em relação ao caso sob exame, vale registrar que o recolhimento da estimativa de fevereiro/2005 se deu com acréscimos legais, Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 13 12 em razão de atraso, e que a Contribuinte, corretamente, reivindicou a repetição apenas da rubrica principal. Com o recolhimento da estimativa, ainda que em atraso, ela se desincumbe de seu dever de “antecipação”, e evita a aplicação da multa isolada prevista no art. 44 da Lei 9.430/1996. E em razão da apuração de base negativa, a rubrica principal se apresenta como saldo negativo a ser restituído/compensado. Os acréscimos legais, por sua vez, eram e continuam sendo devidos em razão do atraso no recolhimento da estimativa, não gerando direito à repetição, porque a Contribuinte é obrigada ao recolhimento das estimativas (salvo se houver balancete de suspensão), ainda que posteriormente estas venham ser restituídas sob a forma de saldo negativo. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso, para homologar a compensação, no limite do crédito tributário reconhecido. Vêse que o acórdão recorrido não reconheceu direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa, passível de restituição/compensação deste a data de seu recolhimento. Nos presentes autos, não houve nenhum erro no cálculo das estimativas. Como já mencionado, o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório na forma de saldo negativo. A parte inicial de sua ementa é bastante esclarecedora disso: "as estimativas mensais não podem ser objeto de restituição, e nem de compensação direta com outros tributos. O que se restitui ou compensa é sempre o saldo negativo". Como a contribuinte tinha apurado prejuízo em 2005, entendeuse que as estimativas recolhidas conforme a lei (sem erro de cálculo) configuravam saldo negativo. E o direito creditório reconhecido nestes autos (referente à estimativa de fevereiro/2005) representava uma parte desse saldo negativo. Não bastasse esse problema em relação à linha de argumentação da recorrente, que trata de situação diferente daquela examinada pelo acórdão recorrido, há outro aspecto que inviabiliza mais ainda o conhecimento do recurso especial. É que o caso paradigma, ao contrário do que defende a recorrente, apresenta na verdade uma linha de convergência com o acórdão recorrido, e não de divergência. Também é importante demonstrar os contornos do acórdão paradigma: Acórdão n°: 10708.989 RELATÓRIO A Recorrente foi autuada por insuficiente recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSSL) no anocalendário de 1997, sendo exigido pelo lançamento de ofício o pagamento de R$ 135.405,00, sendo R$ 109.128,44 relativo a parcela discutida em juízo (com depósito integral efetuado pela Recorrente), e R$ 26.276,56 relativo a compensações efetuadas diretamente pela Recorrente com recolhimentos por estimativa nos anos de 1995 e 1996. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 14 13 O lançamento foi impugnado (fls. 12) sob o argumento de ser inexigível o crédito ante sua extinção pela compensação e pelo depósito efetuado na ação judicial n°. 98.0001372. A impugnação foi parcialmente acolhida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR), nestes termos: "AÇÃO JUDICIAL. Em face do princípio constitucional de unidade de jurisdição, a existência de ação judicial, em nome da interessada, importa renúncia às instâncias administrativas quanto à mesma matéria, sendo de se aplicar o que for definitivamente decidido pelo Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO. O saldo negativo de CSLL apurado em período anterior pode ser compensado com os valores a recolher nos anoscalendário seguintes. Lançamento procedente em parte." A decisão proferida pela Delegacia de Julgamento pode ser assim sintetizada: (i) foi desconsiderada a compensação de R$ 12.161,74, referente a estimativas do anocalendário de 1995, posto que inexistente, nesse exercício, saldo negativo de CSLL; (ii) foi cancelada a exigência de R$ 14.114,82 ante a declaração de regularidade da compensação efetuada com saldo negativo de CSLL no ano de 1996; e (iii) tomou definitiva a exigência de R$ 109.128,44, porquanto objeto de ação judicial proposta pela Recorrente, o que importa em renúncia da impugnação administrativa, aguardandose a decisão judicial para se definir os reflexos quanto a multa de oficio e juros de mora. Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso de fls. 118122, impugnando exclusivamente a decisão no tópico referente à desconsideração da compensação de R$ 12.161,74. É o relatório. VOTO Conselheiro — HUGO CORREIA SOTERO, Relator. Recurso tempestivo. Presentes os requisitos necessários a seu conhecimento. A controvérsia se resume à possibilidade de compensação de recolhimentos por estimativa em exercícios nos quais não existia saldo negativo passível de compensação; em outras palavras, cumpre decidir se os recolhimentos por estimativa ensejam, por si só, direito de compensação ao contribuinte. Entendo que os recolhimentos por estimativa, por si só, não geram direito a compensação (direta) pelo contribuinte, posto que devem ser considerados na apuração da contribuição devida no final do exercício e, configurada a existência de bases negativas ou de recolhimento a maior de contribuição, pode o contribuinte pleitear restituição/compensação do saldo negativo. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 15 14 A consideração dos valores das estimativas recolhidas durante o exercício é apenas um dos elementos levados em consideração no procedimento de apuração. Assim, a definição do saldo passível de restituição/compensação pressupõe, necessariamente, o lançamento das estimativas (devidamente quantificadas) na declaração de ajuste do exercício, para que, tributados os ganhos e consideradas as retenções efetuadas, possa ser composto o resultado do exercício. Não tendo o contribuinte lançado as estimativas na declaração de ajuste que, ressaltese, apontou a existência de CSLL a recolher , não faz jus à restituição/compensação alegada. Ademais, cumpre destacar, que a Recorrente não faz prova nos autos de quaisquer valores passíveis de compensação, nem apresenta suas DIRPJ, elemento essencial para comprovar a existência de bases negativas. Por fim, tendo em vista que os valores ora exigidos são decorrentes de compensações informadas pela Recorrente em sua DCTF, não há como manter a multa de lançamento de ofício. Acerca do tema cumpre transcrever o disposto no art. 18 da Lei 10.833 de 2003. Vejamos: [...] Conforme é possível verificar, em caso de compensação declarada e não homologada o lançamento de oficio está limitado à aplicação da multa isolada. Desta forma, não há como prosperar no presente caso a manutenção da multa de 75%, visto que a Recorrente apresenta em sua DCTF a compensação efetuada. Outrossim, apenas para evitar questionamentos no tocante a aplicação da referida norma a fato pretérito a sua edição, entendo pela consagração do princípio da retroatividade benigna. Com estas considerações, conheço do recurso para darlhe parcial provimento ao recurso, excluindo, desta feita, a multa de 75%. É como voto Sala das Sessões — DF, em 25 de abril de 2007 HUGO CORREIA SOTERO No caso paradigma, vêse que tanto a decisão de primeira instância (DRJ) quanto a decisão de segunda instância administrativa (acórdão paradigma) seguiram exatamente o mesmo caminho do acórdão recorrido. Constatando que havia apuração de saldo negativo em 1996, a DRJ admitiu a compensação pleiteada pela contribuinte, mesmo tendo a contribuinte indicado como direito creditório o pagamento a título de estimativa. O direito creditório foi reconhecido na forma de saldo negativo. Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10650.900562/200909 Acórdão n.º 9101003.796 CSRFT1 Fl. 16 15 Não foi admitida a compensação com o crédito do ano de 1995, porque não havia saldo negativo para aquele período. E a decisão de segunda instância administrativa (acórdão paradigma), confirmou a decisão anterior, deixando muito claro que não estava reconhecendo a compensação com o crédito de 1995 porque a declaração de ajuste apontava a existência de CSLL a recolher (ou seja, tributo a pagar, saldo positivo) e porque a contribuinte não comprovou a existência de bases (de cálculo) negativas. A negativa em relação à compensação com a estimativa de 1995, tanto pela decisão da DRJ quanto pela decisão de segunda instância (acórdão paradigma) não se deu em razão de a contribuinte ter reivindicado crédito a título de pagamento de estimativa, mas sim porque não havia indicação da existência da formação de saldo negativo naquele ano, passível de restituição/compensação, como havia ocorrido em relação a 1996. Se fosse essa a situação, o paradigma também teria acatado a compensação relativa ao direito creditório de 1995. No caso dos presentes autos, a contribuinte havia apurado prejuízo (base de cálculo negativa) e isso era uma evidencia direta de que as estimativas recolhidas formavam saldo negativo passível de restituição/compensação. Foi por essa razão que o acórdão recorrido reconheceu o direito creditório, na forma de saldo negativo. O acórdão recorrido e o paradigma, portanto, seguiram exatamente a mesma linha de interpretação no julgamento da compensação. Não há divergência jurisprudencial, e sim convergência entre as decisões cotejadas. E a falta de caracterização de divergência inviabiliza o processamento do recurso especial. Desse modo, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 225DF CARF MF
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