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Numero do processo: 13884.900670/2008-37
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
COMPENSAÇÃO - DCOMP - ERRO MATERIAL - SALDO NEGATIVO DE IRPJ
Evidenciado que houve erro material na indicação do crédito postulado, o que implica identificar o crédito efetivamente pretendido, impõe-se apreciar o crédito desenganadamente destinado à compensação, mercê da impossibilidade de transmissão de Dcomp retificadora. Formalismo moderado ou verdade material: adequação do Direito instrumental infralegal à disciplina legal do Direito material, à vista do caso concreto. Retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (crédito depurado do erro).
Numero da decisão: 1103-001.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para apreciação do mérito considerando o crédito pleiteado como saldo credor anual de IRPJ do ano-calendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 COMPENSAÇÃO DCOMP ERRO MATERIAL SALDO NEGATIVO DE IRPJ Evidenciado que houve erro material na indicação do crédito postulado, o que implica identificar o crédito efetivamente pretendido, impõese apreciar o crédito desenganadamente destinado à compensação, mercê da impossibilidade de transmissão de Dcomp retificadora. Formalismo moderado ou verdade material: adequação do Direito instrumental infralegal à disciplina legal do Direito material, à vista do caso concreto. Retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (crédito depurado do erro). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso, para apreciação do mérito considerando o crédito pleiteado como saldo credor anual de IRPJ do anocalendário de 1998, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 06 70 /2 00 8- 37 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 456 2 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de pedido de declaração de compensação (Dcomp) nº 20053.69538.301203.1.7.040235 apresentado pela recorrente no montante de principal de débito de R$ 715.488,69, referente à compensação de pagamento indevido ou a maior do ano base de 1998. De acordo com o Despacho Decisório de fls. 31 do eprocesso, o limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado na declaração de compensação é: R$ 2.138.908,07. A partir das características do DARF discriminado na Dcomp acima identificada, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na Dcomp. Diante disso, não homologou a compensação declarada e colacionou uma tabela discriminativa com o valor devedor consolidado correspondente aos débitos indevidamente compensados, conforme segue (fl. 31 do eprocesso): MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 2 a 10 (eprocesso), em que aduz, em síntese, o que segue. Preliminarmente, alegou a conexão do processo administrativo em tela com os processos administrativos 13884900.017/200878 e 13884900.692/200805, pois apresenta as mesmas partes e objetos (referentes às Dcomps 23084.99938.191203.1.3.04679 e 4091.05274.301203.1.3.040144, respectivamente). Afirmou que quando do preenchimento da declaração de compensação, a recorrente informou equivocadamente que o crédito era oriundo de pagamento indevido ou a maior (vinculado ao pagamento efetuado através de DARF no valor de R$ 3.370.915,02), quando o correto seria informar que o crédito referiase a saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998. Neste diapasão, portanto, considerou correta a não homologação pelas autoridades fiscais. Disse que o equívoco cometido não é suficiente para obstar a compensação desejada. A recorrente, após apurar saldo negativo de imposto de renda no anocalendário de 1998, efetuou compensações nos termos da legislação vigente (art. 26 da Instrução Normativa 600/2005). Alegou que, conforme demonstra na ficha 13 da DIPJ do exercício de 1999, foi declarado saldo credor no valor de R$ 4.697.917,94, conforme planilha apresentada à fl. 4 (eprocesso): Fl. 456DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 457 3 Disse, ainda, que a base de cálculo do Imposto de Renda está demonstrada na ficha 10, e a estimativa devida em meses anteriores, no montante de R$ 10.139.710,98, recolhida até o mês de novembro de 1998 e composta por (fl. 4 do eprocesso): Não obstante, procurou evidenciar que os débitos de IRPJ foram recolhidos por DARF dentro do prazo legal nos seguintes períodos (fl. 5 do eprocesso): Informou que o saldo negativo de IRPJ do período de 1998 demonstrado na ficha 13 da DIPJ/1999 foi parcialmente utilizado, conforme demonstrado à fl. 5 (eprocesso): Fl. 457DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 458 4 Portanto, após as compensações efetuadas, alegou que restou um montante de R$ 1.135.790,14 que não foi identificado pela autoridade, uma vez que ao elaborar a Dcomp, informou equivocadamente que a origem do crédito era decorrente de pagamento indevido ou a maior, quando o correto seria informar como origem do saldo negativo de IRPJ de 1998. Informou, ainda, que do valor remanescente de R$ 1.135.790,14, uma parte foi utilizada para compensação de débitos no ano de 2003, por meio da declaração de compensação 20053.69538.301203.1.7.040235, procurando evidenciar, assim, que o crédito em questão existe, é legítimo e é passível de utilização pela recorrente, sendo suficiente a apresentação de uma retificação da informação da origem do saldo credor na Dcomp apresentada. Tendo em vista a impossibilidade de retificação da Dcomp após a emissão do Despacho Decisório, a recorrente requer a retificação da declaração de compensação 20053.69538.301203.1.7.040235 com o objetivo de eliminar o equívoco cometido. Com isso, afirmou a recorrente, haverá o cancelamento da cobrança indevida do débito no valor principal de R$ 715.468,69, tendo em vista a existência do crédito do contribuinte. Por fim, requereu o julgamento do processo em conexão aos processos administrativos 13884900.017/200878 e 13884900.692/200805, bem como, a autorização para retificar a declaração de compensação em tela e a consequente homologação da compensação efetuada bem como o cancelamento da cobrança indevida do débito. DA DECISÃO DA DRJ Em 9/8/2012, acordaram os membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Campinas, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, conforme o entendimento que se segue. Primeiramente, afirmou que a empresa emitiu declaração de compensação em 30/12/2003 com o alegado erro e não providenciou sua retificação, conforme a IN SRF 460/2004 e a IN SRF 600/2005, esta última, vigente quando da ciência do despacho decisório recorrido. Afirmou que, conforme as citadas Instruções normativas, a manifestação de inconformidade não é instrumento hábil para a retificação de declaração de compensação, a qual, nas hipóteses em que admitida, deverá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação de documento retificar gerado a partir do Programa Per/Dcomp, antes da emissão do despacho decisório. Além disso, não compete às Delegacias de Julgamento o procedimento de admissibilidade da retificação. Não obstante, nos termos do art. 233, inciso IV, da Portaria MF Fl. 458DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 459 5 203/2012 (Regimento da RFB), compete às DRJ, depois de instaurado o litígio, julgar manifestação de inconformidade do sujeito passivo contra apreciações das autoridades competentes relativas à restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e à redução de alíquotas de tributos e contribuições. Enfatizou também que a apresentação de Dcomp não se trata de mero pedido, mas sim, de veículo por meio do qual se formaliza a compensação e consequente extinção do crédito tributário. Ademais, em análise da declaração de compensação, não se verificou qualquer erro material no seu preenchimento no sentido de se confirmar a alegação da contribuinte. Quanto à alegação de que o indébito apontado na Dcomp de R$ 1.135.790,14 (e não original) corresponderia ao valor remanescente do saldo negativo de IRPJ, informou que tal afirmação veio desacompanhada da devida comprovação escritural das alegadas compensações. Em vista da falta de comprovação, consignou que não há qualquer indício que permita supor a ocorrência do equívoco apontado pela recorrente. Nesse diapasão, a pretensão da interessada configura inovação, tratando de novo pedido, está sujeito à apreciação da autoridade administrativa da jurisdição do domicílio fiscal da recorrente. No mérito, a recorrente retificou a DIPJ/1999 e a DCTF do 4º trimestre de 1998, sem observar, contudo, o correto preenchimento. Além disso, a recorrente não apresentou as demonstrações financeiras e nem a escrituração contábil e fiscal em comprovação do erro de preenchimento das declarações de modo a justificar os novos valores declarados, o que é imprescindível diante das reiteradas alterações procedidas não só na base de cálculo do imposto, mas também nos créditos a ele vinculados. Por fim, registrou que é do contribuinte o ônus de demonstrar o indébito tributário, conforme art. 170 do CTN, o que não se concretizou, motivo pelo qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não conhecendo o pedido de retificação, bem como, não reconhecendo o direito creditório e não homologando a compensação. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, recurso voluntário de fls. 245 a 266 (eprocesso), reiterando o alegado em sede de manifestação de inconformidade e o que a seguir se sintetiza. Primeiramente, alegou que os erros cometidos na declaração de compensação foram pequenas impropriedades de natureza formal, afirmando que cumpre à autoridade administrativa buscar a verdade material. Quanto a isso, colacionou jurisprudência. Adiante, apresentou os lançamentos registrados no Razão contábil da conta 107519120, os quais, em tese, afastariam quaisquer dúvidas que se pudesse alimentar acerca do alegado (fl. 259, eprocesso): Fl. 459DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 460 6 Não obstante, procurou evidenciar que a recorrente não providenciou a retificação da declaração de compensação tendo em vista que não se deu conta de imediato dos equívocos que cometera. Da mesma forma, disse que a sistemática adotada pela administração é incompatível com a realidade da vida ao não aceitar retificações após o avento do Despacho Decisório, posto que, somente após a manifestação da administração é que o contribuinte toma conhecimento de qualquer lapso cometido no preenchimento do documento. Além disso, procurou consignar que, da mesma forma que não há previsão expressa que estabeleça que a DRJ tome conhecimento e determine sejam sanadas eventuais impropriedades de natureza formal, não existe previsão que a vede. Ademais, alegou que a fiscalização não pode aterse somente aos campos da declaração de compensação e os dados do DARF para encontrar as impropriedades formais. Disse também, que na própria declaração há evidências de que se trata de compensação de saldo negativo. Outrossim, afirmou que não apresentou até a manifestação de inconformidade os seus registros contábeis e demais documentos porque isso não havia sido objeto de questionamento ou de solicitação até a decisão da DRJ, motivo pelo qual juntou apenas em sede de recurso voluntário. Juntada de contas do Razão, de Dcomps, de informes de rendimentos e de retenção, além de informes acostados com a manifestação de inconformismo. Fl. 460DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 461 7 Por fim, acerca dos acréscimos, alegou a recorrente ser inaceitável a exigência de multa e juros de mora relativamente a valores cuja compensação deve ser deferida. É o relatório. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 462 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 244 e 245 do eprocesso). Dele, pois, conheço. A indicação de fls. neste voto é a do eprocesso (salvo anotação de numeração manual). Como se viu do relatório, a recorrente alegar tratarse de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, mas que, por erro material, informouse como origem do crédito pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998. Que se cuida de erro na indicação de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998 ao invés de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 não resulta dúvida. Seja porque, de fato, não há pagamento a maior de estimativa daquele mês, seja porque o valor informado como pagamento a maior corresponde ao valor remanescente de saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/99 (R$ 1.135.790,14), após compensações “diretas” feitas pela recorrente, e a compensação por Dcomp, como se indicará abaixo. Sinteticamente, essas as razões para a afirmação feita no parágrafo precedente; razões que passarei a desdobrar analiticamente com a devida análise fática. Há 3 Dcomps conexas nas quais se utilizam o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 1998, com o mesmo erro cometido, ao se informar como crédito o pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998: a Dcomp 20053.69538.301203.1.7.040235, objeto deste feito (fls. 117 a 121), e do despacho decisório de fl. 31; a Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479 (fls. 444 a 448), objeto do processo administrativo 13884.900017/200878, distribuído e sorteado a este relator; a Dcomp 40941.05174.301203.1.3.040144 (fls. 412 a 417), objeto do processo administrativo 13884.900692/200805. Segundo a linha 26 da ficha 13 da DIPJ/99 (fl. 301), o saldo negativo de IRPJ apurado e informado é de R$ 4.697.917.94, composto da seguinte forma: Fl. 462DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 463 9 Esse saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998 foi utilizado por compensação “direta” na escrituração contábil e declarada nas DCTFs, nos termos do art. 66 da Lei 8.383/91 c/c o art. 74 da Lei 9.430/96 em sua redação original (IN SRF 21/97), conforme segue: a) R$ 1.993.839,57 compensados em abril/99; b) R$ 108.020,74 compensados em maio/99; c) R$ 1.083,72 compensados em julho/99; d) R$ 124.554,30 compensados em abril/01; e) R$ 331.513,54 compensados em janeiro/01. Tais compensações “diretas” feitas pela recorrente, conforme declaradas nas DCTFs são confirmadas pelo acórdão de origem. Este acentuou que a compensação feita em maio/99 se deu com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, e que a compensação efetuada em julho/99 se deu com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999, conforme consulta ao sistema da RFB e quadro sintético exposto no voto. Compulsando os autos, localizei a compensação do IRPJ por estimativa de abril de 1999 com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, declarada na DCTF do 2º trimestre de 1999 (fl.s 173 e 174). Não consta nos autos, porém a DCTF do 3º trimestre de 1999 com a compensação de R$ 1.083,72 com pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999. O saldo remanescente, após as compensações “diretas” feitas pela recorrente, conforme descrito acima, é de R$ 2.138.906,07 [R$ 4.697.917.94 – (R$ 1.993.839,57 + R$ 108.020,74 + R$ 1.083,72 + R$ 124.554,30 + R$ 331.513,54)]. Um aspecto sobre o qual pontuo é o seguinte. Pouco importa para o desate deste feito, terse compensado, a título de crédito de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1998, o débito de IRPJ por estimativa de abril/99. É que efetivamente esse valor (R$ 108.020,74) reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998. Cuidase de evidente erro, pois a compensação foi com crédito de saldo Fl. 463DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 464 10 negativo de IRPJ de 1998. E o que importa neste feito: tal valor reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998 utilizável na Dcomp em dissídio. O mesmo se diga quanto à compensação a título de pagamento a maior de estimativa de novembro de 1999. O valor de R$ 1.083,72 reduziu o saldo negativo de IRPJ de 1998 utilizável na Dcomp em discussão. Retomo agora o que antecipei no início deste voto. Como havia dito, há Dcomps conexas nas quais se utilizam o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. O montante do crédito de saldo negativo de IRPJ de 1998 usado nessas 3 Dcomps perfaz R$ 1.986.104,11 – menor em R$ 152.801,96 ao saldo remanescente de R$ 2.138.906,07 após as compensações “diretas” declaradas nas DCTFs pela recorrente. Eis os valores (de original) utilizados em cada uma das Dcomps: na Dcomp 20053.69538.301203.1.7.040235 são utilizados R$ 369.293,22 (fls. 118 e 121), objeto deste feito e do despacho decisório de fl. 31; na Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479, são utilizados R$ 1.003.115,93 (fls. 445 e 448), objeto do processo administrativo 13884.900017/200878, distribuído e sorteado a este relator; na Dcomp 40941.05174.301203.1.3.040144 são utilizados R$ 613.694,96 (fls. 414 e 417), objeto do processo administrativo 13884.900692/200805. A Dcomp 23084.99938.191203.1.3.046479 foi apresentada em 19/12/03 com indicação de crédito original de R$ 2.138.906,07, e com uso de valor original de R$ 1.003.115,93. A Dcomp em dissídio foi entregue em 30/12/03, com indicação de valor original de R$ 1.135.790,14 (= R$ 2.138.906,07 R$ 1.003.115,93), e com uso de R$ 369.293,22. Da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, vêse que R$ 10.139.710,98 são valores de estimativas de IRPJ, R$ 331.513,50 são de IRRF deduzidas no ajuste anual, R$ 211.154,36 são deduções de PAT, e R$ 650.729,30 são deduções de exigibilidade suspensa. Tudo conforme a ficha 13 da DIPJ/99 cuja síntese fora transcrita alhures. A maior parte do saldo negativo de IRPJ postulado é formada pelas estimativas de IRPJ, cuja composição se deu da seguinte forma: a) R$ 7.337.807,12 por pagamento mediante DARFs – somatória de pagamentos de IR dos meses de janeiro a dezembro da ficha 12 da DIPJ/99; b) R$ 477.254,75 por compensação – ficha 12 de junho da DIPJ/99; c) R$ 2.324.649,11 por dedução de IRRF – somatória de deduções nos meses de julho e novembro da ficha 12 da DIPJ/99. Quanto à compensação de R$ 477.254,75 para adimplemento da estimativa de junho de 1998, vejo que houve erro no preenchimento da ficha 12. R$ 3.210,05 foram informados na linha de compensações, mas R$ 474.044,74 foram informados na linha de IRRF Fl. 464DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 465 11 (fl. 297). De toda forma, confirmo que ambas quantias versam sobre compensação feita para adimplemento da estimativa de junho de 1998, como alegado pela recorrente. Vejo que na fl. 307 há o pedido para compensação de R$ 474.044,74 de débito de estimativa de IRPJ de junho de 1998, e que na fl. 334 há o pedido para compensação de R$ 3.210,05 também de débito de estimativa de IRPJ de junho de 1998. Essas compensações são objeto do processo administrativo nº 13884.001968/9884 (R$ 474.044,74), e do processo administrativo nº 13884.002268/9806 (R$ 3.210,05), como informado pela recorrente. Em consulta ao comprot, ambos os processos se encontram em curso, não tendo sido apreciados ainda por Turma julgadora de DRJ. Quanto aos pagamentos de estimativa de IRPJ por DARFs, no total de R$ 7.337.807,12, conforme a ficha 12 da DIPJ/99, constato que houve tais pagamentos, conforme cópias de DARF de fls. 36 a 40 (e repetidas nas fls. 302 a 306). São estimativas de janeiro a agosto e novembro de 1998. Ainda, do exame da ficha 12 da DIPJ/99, vejo que houve pagamento indevido de R$ 507.248,30 (por DARF) para a estimativa de agosto de 1998 – fl. 298. Sucede que nesse mês fora apurado um saldo a pagar de IR negativo, com base em balanço de suspensão ou redução. Esse valor de R$ 507.248,30 foi informado como compensação na estimativa de novembro de 1998 na ficha 12 – fl. 300. Apesar de tal valor ter sido informado como compensação na estimativa de novembro de 1998, não há interferência na valoração de saldo negativo. Isso porque nesse mês fora apurado IR a pagar de R$ 3.364.920,35 e houve pagamento por DARF de R$ 3.370.915,20. E na dedução das estimativas, no ajuste anual, o valor de R$ 507.248,30 não foi utilizado duas vezes: o total informado corresponde aos R$ 10.139.710,98, objeto de análise – os quais correspondem à maior parte da composição do saldo negativo de IRPJ de 1998. Também, para a estimativa de dezembro de 1998, na ficha 12 foi indicado como IR devido nos meses anteriores (objeto de dedução) o montante de R$ 10.139.710,98, que não é o valor efetivo de tal IR acumulado. Igualmente tal informação não interfere na valoração de saldo negativo, pois, a bem ver, a estimativa de dezembro de 1998 é espelho do IR do ajuste anual na ficha 13. Confirmase, pois, aquele erro material que acusei no início deste voto. Diante desse erro material, simples é a solução, ao se considerar que a compensação declarada como sendo de crédito de pagamento a maior de estimativa de IRPJ de novembro de 1998 é compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ de 1998. Para que não se objete que mesmo erro material dessa espécie não tem lugar sem a retificação de Dcomp, a qual é interditada pela então IN SRF 460/04, repetida na IN SRF 600/05, como na IN RFB 900/08, reproduzo excertos do voto condutor que proferi no Acórdão nº 110300.612, da sessão de 17/1/12. Em suma, a restrição infralegal deve ser analisada cum grano salis e à vista de cada caso concreto. A mesma conclusão que deduzi naquele acórdão, quanto à impossibilidade de tal restrição literal, vale para o presente feito: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 466 12 Nos termos do art. 57 da Instrução Normativa (IN) SRF 600/05, a retificação da DCOMP só é possível antes de haver decisão administrativa a respeito, ainda que essa não seja definitiva. E, conforme os arts. 58 e 59, da IN SRF 600/05, a retificação só é possível na hipótese de inexatidões materiais, sendo vedada para inclusão de novo débito ou aumento de débito compensado. Eis a dicção desses dispositivos: Art. 57. O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 58 e 59. Art. 58. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 59. Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Parágrafo único. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à SRF nova Declaração de Compensação. Referidos ditames permanecem na legislação infralegal atual – arts. 77 a 79, da Instrução Normativa RFB 900/08. Questão que se põe é a seguinte. Tais restrições postas na IN, e que não constam na lei (art. 74 da Lei 9.430/96) são legais? E o § 14 do art. 74 da Lei 9.430/96, ao estabelecer que a Receita Federal “disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto a critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, ressarcimento e de compensação”, teria dado carta branca ao legislador infralegal, ou haveria limites que seriam os da própria lei, i.e., a complementação seria somente de caráter procedimental? Em termos abstratos, reputo correta a interpretação dada na Solução de Consulta Interna nº 19/11 (item 12) da Cosit, ao dizer que, em matéria de compensação tributária, o § 14 do art. 74 da Lei 9.430/96 estabeleceu somente função complementar à Receita Federal, de natureza procedimental. Entendo que, em princípio, mas sujeito à análise das particularidades do caso concreto, as restrições postas nos arts. 57 a 59, da IN SRF 600/05 não desbordam os limites legais. Quer dizer, entendo que, em tese, mas a depender da apreciação do caso in concreto, a vedação à retificação de DCOMP já Fl. 466DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 467 13 analisada, ainda que não definitivamente (i.e., sob contencioso administrativo), bem como para inclusão de novo débito ou para aumento de débito, não desborda os limites legais. Bem se sabe que não se julga em tese. Importa, por conseguinte, verificar se no caso sob exame a limitação da IN se mostra legal, ou, ainda, se tal limitação é aplicável ao caso sub judice, em interpretação conforme a lei. Como se vê do despacho decisório e reiterado pelo acórdão de origem, o crédito apurado e declarado para o período de 2003 foi integralmente reconhecido pela DRF/Belo Horizonte. O valor do saldo negativo de IRPJ em 31/12/03 foi de R$ 376.382,47, e tal valor havia sido integralmente utilizado para compensações – foram apreciadas as DCOMP’s com uso desse saldo negativo apresentadas até 15/07/04. A DCOMP retificadora alegada no presente recurso fora entregue em 18/10/06, mesma data da ciência da decisão da Turma da DRJ. Nela consta como crédito original o saldo negativo no valor de R$ 376.382,47 (fl. 427) – tal como já havia sido reconhecido integralmente pela DRF/Belo Horizonte. Nesta DCOMP retificadora figura somente o débito em dissídio de R$ 261.182,48, de COFINS, vencível em 15/01/04 (fls. 427, 429 e 430). Por que razão a recorrente apresentara DCOMP retificadora ao invés de entregar nova DCOMP incluindo o débito em questão, já que o crédito, tal como informado na retificadora, já havia sido integralmente reconhecido pela DRF/Belo Horizonte? Provavelmente, porque uma nova DCOMP com a inclusão do débito em dissídio seria considerada não declarada. Vejase o que prevê o art. 26, § 3º, IV, da IN SRF 600/05: Art. 26.(...) § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º. Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I – o débito apurado no momento do registro da DI; II – o débito que já tenha sido encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União; III – o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela SRF; Fl. 467DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 468 14 IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; E, conforme o art. 31, § 1º, I, da IN SRF 600/05, essa hipótese é considerada como compensação não declarada1. Notese: a IN SRF 600/05 (art. 26, § 3º, IV) veda a DCOMP para compensação de débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada. Ora, como a recorrente poderia reparar o erro material mediante apresentação de nova DCOMP incluindo o débito em dissídio, se este débito foi objeto de compensação não homologada (ao ter sido objetivado à compensação com saldo negativo de IRPJ de 2002, ao invés de sêlo com o saldo negativo de IRPJ de 2003)? [...] E, por outro lado, a retificação de DCOMP para inclusão de novo débito é igualmente vedada, ao teor do art. 59 da IN SRF 600/05. Como então a recorrente pode proceder à compensação do débito com crédito inclusive já reconhecido pelo próprio órgão de origem? Ao teor do art. 57 da IN SRF 600/05 não é possível! Igualmente se diga em face do art. 59 combinado com os arts. 26, § 3º, IV e 31, da IN SRF 600/05! O mesmo se dá atualmente em relação à IN RFB 900/08 (arts. 34, § 3º, V, 39, 77 e 79)2. 1 Art. 31. A autoridade competente da SRF considerará não formulado o pedido de restituição ou de ressarcimento e não declarada a compensação quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 4º do art. 77, não tenha utilizado o Programa PER/DCOMP para formular pedido de restituição ou de ressarcimento ou para declarar compensação. § 1º. Também será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: I previstas no § 3º do art. 26; 2 Art. 34. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) V o débito que já tenha sido objeto de compensação nãohomologada ou considerada não declarada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. (...) Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. (....) Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. § 1º. Na hipótese prevista no caput, o sujeito passivo que desejar compensar o novo débito ou a diferença de débito deverá apresentar à RFB nova Declaração de Compensação. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 469 15 Noutras palavras, a IN SRF 600/05 (e assim também a atual IN RFB 900/08), no caso concreto, interdita a compensação, que constitui direito material acolhido pela lei ordinária – art. 74 da Lei 9.430/96. Isso, a menos que se dê interpretação extremamente restritiva ao art. 26, § 3º, I, da IN SRF 600/05, para se compreender que tal vedação só alcança “débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada” com o mesmo crédito objetivado na compensação anterior. [...] Como não parece ser essa a interpretação prevalecente ao art. 26, § 3º, I, da IN SRF 600/05 (atual art. 34, § 3º, I, da IN RFB 900/08), meu entendimento é o de que, in casu, a vedação dos art. 57 e 59, da IN SRF 600/05 desborda os limites legais. O contrário é a supressão por norma infralegal de direito conferido pela norma legal, o que é inadmissível. Dito de outra forma, a interpretação dos arts. 57 e 59, da IN SRF 600/05 conforme a lei impõe a admissão, no caso em exame, da retificação da DCOMP relativa ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003. (destaques do original) Pois bem. O órgão de origem não analisou o mérito do crédito como saldo negativo de IRPJ de 1998. O acórdão a quo também não enfrenta propriamente o mérito do crédito enquanto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. § 2º. Para verificação de inclusão de novo débito ou aumento do valor do débito compensado, as informações da Declaração de Compensação retificadora serão comparadas com as informações prestadas na Declaração de Compensação original. § 3º. As restrições previstas no caput não se aplicam nas hipóteses em que a Declaração de Compensação retificadora for apresentada à RFB: I no mesmo dia da apresentação da Declaração de Compensação original; ou II até a data de vencimento do débito informado na declaração retificadora, desde que o período de apuração do débito esteja encerrado na data de apresentação da declaração original. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13884.900670/200837 Acórdão n.º 1103001.158 S1C1T3 Fl. 470 16 Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o crédito postulado como de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998, com retorno dos autos ao órgão de origem para exame do mérito (saldo negativo). É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 04/12/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 05/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10410.009242/2008-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. PROCEDÊNCIA.
Comprovado nos autos que a receita submetida à tributação por parte do contribuinte é inferior a efetivamente auferida (e recebida) no período sob exame, há de se manter as exigências correspondentes aos valores omitidos. Ausente tal comprovação, o lançamento tributário revela-se insubsistente.
OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. LEGISLAÇÃO ANTERIOR.
Tratando-se de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, no presente caso, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99).
Numero da decisão: 1301-001.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PROCEDÊNCIA. Comprovado nos autos que a receita submetida à tributação por parte do contribuinte é inferior a efetivamente auferida (e recebida) no período sob exame, há de se manter as exigências correspondentes aos valores omitidos. Ausente tal comprovação, o lançamento tributário revelase insubsistente. OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. LEGISLAÇÃO ANTERIOR. Tratandose de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, nos termos da legislação vigente à época da ocorrência dos fatos, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, no presente caso, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 92 42 /2 00 8- 56 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 456 2 Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 457 3 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. Em sede de impugnação, a contribuinte argumentou (fls. 346/351): que não teria omitido receita; que todos os seus recebimentos teriam sido registrados e estariam lastreados em documentos hábeis e idôneos; que a autuação teria se socorrido de presunção legal, efetuando uma descrição "sucinta e vaga" da infração, além do que não teria levado em conta, na apuração dos valores omitidos, as "diferenças registradas a maior na contabilidade"; que os acréscimos às parcelas das vendas a prazo não poderiam ser considerados como "lucro", para efeito de tributação. A contribuinte solicitou, ainda, a realização de diligências. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, Pernambuco, apreciando as razões trazidas por meio da impugnação interposta, decidiu, por meio do acórdão nº 1128.899, de 11 de fevereiro de 2010, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITA. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no respectivo períodobase. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. RECEITAS FINANCEIRAS. LUCRO PRESUMIDO. No regime de lucro presumido, as receitas financeiras devem ser adicionadas à base de cálculo para efeito de incidência do imposto e do adicional. A partir do ano de 2006, com a entrada em vigor da Lei n° 11.196, de 2005, as referidas receitas passaram a compor a base para aplicação do índice de presunção das pessoas jurídicas que exploram atividades imobiliárias. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. A decisão prolatada no lançamento matriz estendese aos lançamentos decorrentes, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 458 4 Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 411/416), do qual extraio os seguintes fragmentos: [...] 6. Conforme se vê dos registros contábeis da Impugnante (docs. anexos), os valores nele contabilizados são sempre maiores que os levantados pela fiscalização, com exceção do valor do mês de maio, onde o AuditorFiscal aponta para um recebimento de R$ 308.034,99, sem especificar a origem ou natureza desses recebimentos, quando em verdade, a receita deste mês foi de R$ 240.466,67, como a seguir especificado: ... 7. Pelo quadro acima exposto, há de ser ver logo a imparcialidade do Auditor Fiscal em apontar na Impugnante a presumida omissão de receita indevidamente nos meses de fevereiro e junho, e encontrar uma diferença inexistente no mês de maio, desconsiderando as diferenças registradas a maior na contabilidade nos demais 11 meses do exercício de referência. Por isso, em último caso, se houvesse omissão de receita na contabilidade da Impugnante, esse valor seria de R$ 24.014,53 e não de R$ 81.941,65 como indicado pelo AuditorFiscal em seu Auto de Infração. 8. Mas no mérito, nenhuma omissão de receita foi praticada pela Impugnante, mesmo porque todos os recebimentos efetuados por ela estão registrados em sua contabilidade, lastreados em documentos hábeis e que foram colocados à disposição do AuditorFiscal, durante o longo período da fiscalização por ela exercida (mais de 1 ano). E pelo que se vê do sucinto relatório constante do Termo de Encerramento, nele não se identifica a forma pela qual o Auditor "encontrou" as tais omissões de receitas. 9. No exercício de referência a Impugnante obteve uma receita operacional de R$ 3.180.162,94, objeto do recebimento de prestações centenas de promitentes compradores de 6 (seis) edifícios residenciais por ela construídos, além de revenda de vários apartamentos e casas usadas recebidas em permuta ou em dação de pagamento de sinal. Por isso há de se indagar, onde estão as pretensas diferenças encontradas pelo AuditorFiscal, e por ele imputadas como "omissão de receitas" ?! 10. E contra fatos não há argumentos. De forma contrária ao que aponta o AuditorFiscal em seu relatório, a Impugnante comprova através de seus anexos registros contábeis (Livro Razão) os valores efetivamente recebidos conforme se vê na relação constante do item 06 acima. 11. E pelo que se depreende da leitura atenta do relatório anexo ao auto de infração, a fiscalização, sem se deter em qualquer aspecto de ordem contábil ou racional, desprezando todos os indicadores postos à sua disposição quer de forma cômoda, levar ao extremo alguma possível omissão de receita, descrita de forma sucinta e vaga, que não foi comprovada por qualquer procedimento que se pudesse a mesma se configurar. ... 15.Assim, por tudo quando já exposto, nenhuma razão assiste ao Agente Fiscal em ver prosperar sua peça intimatória da exação fiscal. Para que pudesse esta se revestir de condições legalizadoras, deveria esta no mínimo, demonstrar em qual contrato ou prestação de promitente comprador de imóvel novo ou usado se deu a pretensa infração. Fl. 922DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 459 5 ... 18. No segundo ponto discriminado pelo AuditorFiscal em seu Auto de Infração, versando sobre a hipótese de ter a Impugnante considerado como receita aquilo que ele considera como lucro, mais uma vez se constata o equívoco cometido. 19. É que de fato, a Impugnante ao promover a venda a prazo de suas unidades imobiliárias, acresce mês a mês, a atualização monetária pósfixada medida pelo INCC Índice Nacional da Construção Civil, da Fundação Getulio Vargas. Mas essa atualização monetária pósfixada, tratase de ingresso de simples reposição de perda inflacionária, não podendo em hipótese alguma ser considerada como "lucro" como pretende o AuditorFiscal em seu Auto de Infração. 20. Tanto é correto esse entendimento, que o Governo Federal, embora tardiamente, a partir do anocalendário de 2005, editou Medida Provisória convertida posteriormente na Lei n° 11.196, dando nova redação ao § 4º do art. 15 da Lei n° 9.249/95, assim estabeleceu: ... 21. Ao teor do enunciado da lei acima referenciado, pacificado ficou o entendimento de que a atualização monetária, por índices oficiais, das prestações decorrentes de vendas de imóveis, são simples reposições de perdas inflacionárias e por isso mesmo se agregam às receitas operacionais das empresas imobiliárias, equivalendo afirmar que nos contribuintes optantes pelo lucro presumido, sobre essas atualizações aplicase o percentual de 8% para se encontrar a base de cálculo do IRPJ e de 12% para se fixar a base de cálculo da CSLL e não de 100% como equivocadamente pretende o AuditorFiscal em sua peça intimatória. 22. Assim colocada a questão e, em síntese, considerando a inobservância pelo AuditorFiscal da legislação aplicável na lavratura de seu Auto de Infração, há que ser o mesmo tornado nulo ou insubsistente, tornandose sem efeito o imposto e as contribuições nele exigidas, bem assim a multa e os encargos de mora pretendidos, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão do agente do fisco e dessa forma merece reforma o Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, ao considerar como procedente em parte a impugnação apresentada. É o Relatório. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 460 6 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Cuidam os autos de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, relativas ao anocalendário de 2003, formalizadas com base na imputação de omissão de receitas. As infrações imputadas à contribuinte encontramse assim descritas, conforme auto de infração de fls. 316/322. 001 OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93 Omissão de receitas da atividade em função do não oferecimento de valores provenientes de parcelas recebidas da alienação de unidades imobiliárias, assim como oferecimento a menor da receita decorrente da atualização monetária de todas as parcelas recebidas, conforme demonstrativos anexos. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2003 R$ 6.440,06 75,00 30/06/2003 R$ 67.568,02 75,00 30/06/2003 R$ 7.933,57 75,00 ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 528 do RIR/99. 002 OUTRAS RECEITAS Valor referente a Receitas de Atualização Monetária das parcelas recebidas a título de alienação de unidades imobiliárias, uma vez que o contribuinte as considerou como se fossem bases de cálculo do Lucro e não como Lucro já sujeito à tributação. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/03/2003 R$ 5.133,08 75,00 31/03/2003 R$ 2.945,31 75,00 31/03/2003 R$ 5.172,64 75,00 30/06/2003 R$ 5.903,00 75,00 Fl. 924DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 461 7 30/06/2003 R$ 5.414,62 75,00 30/06/2003 R$ 5.092,94 75,00 30/09/2003 R$ 9.495,98 75,00 30/09/2003 R$ 5.063,01 75,00 30/09/2003 R$ 6.357,52 75,00 30/12/2003 R$ 10.072,90 75,00 30/12/2003 R$ 4.852,47 75,00 30/12/2003 R$ 13.774,92 75,00 Apreciando a impugnação interposta pela autuada, a Turma Julgadora de primeiro grau decidiu pela procedência parcial dos lançamentos tributários, eis que, a partir do argumento de que, tratandose de lucro presumido, para fins de IRPJ e CSLL a receita a ser considerada deve ser a do trimestre, concluiu que na apuração da omissão de receita por parte da Fiscalização tal aspecto não foi observado, motivo pelo qual promoveu ajustes na matéria tributável indicada nas peças de autuação (IRPJ e CSLL). Aprecio, pois, os argumentos trazidos pela fiscalizada em sede de recurso voluntário. OMISSÃO DE RECEITAS Alega a Recorrente que a omissão apontada pela Fiscalização não ocorreu. Afirma que os valores contabilizados por ela são sempre maiores que os apurados pela autoridade fiscal, “com exceção do valor de maio de 2003, onde o AuditorFiscal aponta um recebimento de R$ 308.034,99, sem especificar a origem ou natureza desses recebimentos, quando em verdade, a receita deste mês foi de R$ 240.466,67...” Primeiramente, esclareço que, como já visto, considerados os trimestres em que restou constatado que a receita submetida à tributação por parte da contribuinte revelouse inferior à apurada pela Fiscalização (primeiro e segundo trimestres), as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL foram revisadas em primeira instância, de modo que em cada um desses períodos (trimestres) foi apurada a receita efetiva, representada pela soma algébrica dos valores correspondentes aos meses que integram os citados períodos, isto é, os valores maiores que os apurados pela Fiscalização serviram para reduzir as insuficiências detectadas por meio da ação fiscal. Assim, em conformidade com a denominada TABELA DE EXONERAÇÃO constante da decisão de primeira instância, os montantes tributáveis passaram a ser os seguintes: PERÍODO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO MANTIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA 1º TRIMESTRE/2003 6.440,06 0,00 2º TRIMESTRE/2003 75.501,59 64.411,64 Correto, a meu ver, o procedimento adotado pela Turma Julgadora de primeiro grau, eis que, tratandose de IRPJ e CSLL cuja a tributação tem por base o lucro presumido, que foi o regime de opção da Recorrente (DIPJ, fls. 247), a receita a ser Fl. 925DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 462 8 considerada é a referente ao trimestre. Correta também a decisão ao não considerar o resultado algébrico na determinação da base de cálculo do PIS e da COFINS, vez que, sendo mensal a apuração, não existe amparo legal para excluir em determinado período eventual receita a maior computada em período diverso. No caso, efetivamente comprovada por meio de documentos hábeis e idôneos o recolhimento indevido de contribuição e adotados os procedimentos da legislação que regem a matéria, a contribuinte poderia promover a compensação tributária em períodos subseqüentes. Destaco que a Recorrente, em virtude de, em essência, repisar argumentos trazidos por ocasião da interposição da peça impugnatória, não contradita os procedimentos adotados pela autoridade julgadora de primeira instância. Rejeito, também em âmbito preliminar, os argumentos da Recorrente de que a autoridade fiscal não especificou a origem ou natureza dos recebimentos e de que não se identifica no “sucinto relatório constante do Termo de Encerramento” a forma pela qual foram apuradas as omissões de receita. Isto porque identifico informação no citado Termo de Encerramento no sentido de que os valores recebidos foram determinados com base em planilhas e contratos apresentados pela própria contribuinte. Não obstante o registro acerca da reiteração de argumentos esposados na impugnação, no recurso voluntário a contribuinte traz quadro demonstrativo e anexa documentos, antes não apresentados, com o intuito de comprovar a alegação de que, excetuado o mês de maio, os valores contabilizados foram sempre maiores dos que os apurados pela Fiscalização. Analisando o quadro de fls. 413, constato que, para os períodos para os quais a Fiscalização apontou ter ocorrido omissão de receitas, a Recorrente consignou os seguintes montantes: FEVEREIRO/2006: 145.243,69 MAIO/2006: 240.466,97 JUNHO/2006: 113.490,81 Os totais acima encontramse detalhados nos demonstrativos de fls. 433, 434 e 435. Relativamente aos meses de fevereiro e junho de 2003, releva destacar que a planilha de fls. 314, elaborada pela Fiscalização, consigna os mesmos valores totais, isto é, incluída a atualização monetária, que a Recorrente indica no quadro de fls. 413, quais sejam, R$ 145.243,69 e R$ 113.490,81 para fevereiro e junho, respectivamente. A omissão, entretanto, foi considerada em relação ao valor líquido, ou seja, excluída a atualização monetária (R$ 141.683,75 para fevereiro, e R$ 103.490,81 para junho). Portanto, no que tange aos meses de fevereiro e junho de 2003, nenhuma discussão cabe acerca dos valores dos recebimentos considerados pela autoridade fiscal. A questão a ser enfrentada diz respeito ao fundamento da omissão, e, quanto a esse aspecto, ela se justifica pelo fato de a contribuinte declarar para os referidos meses os montantes de R$ Fl. 926DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 463 9 135.243, 69 e R$ 103.490,81, ao invés de R$ 145.243,69 e R$ 113.490,81 (vide DIPJ, fls. 247/281) Correta, pois, a meu ver, a imputação de omissão de receitas, relativamente aos meses de fevereiro e junho de 2003. Quanto ao mês de maio, em relação ao qual foi imputada à Recorrente omissão no valor de R$ 67.568,02, resultado da diferença entre os recebimentos levantados pela Fiscalização (R$ 308.034,99) e o que foi escriturado/declarado pela contribuinte (R$ 240.466,97), não encontro nos autos elementos capazes de servir de suporte para o cômputo do valor de R$ 308.034,99 a título de recebimentos, eis que tanto as folhas do Razão aportadas ao processo pela autoridade autuante, especialmente as de fls. 305/311, como as trazidas pela Recorrente por meio da peça recursal, indicam que os citados recebimentos situamse próximo ao montante de R$ 240.466,971, valor que foi considerado na declaração apresentada ao Fisco. OUTRAS RECEITAS Admite a Recorrente que, relativamente às vendas a prazo, a atualização monetária prevista contratualmente não foi considerada, para fins de determinação do LUCRO PRESUMIDO, como “outras receitas”, mas, sim, como integrante do “preço” e, portanto, submetida ao coeficiente de determinação do citado lucro. Sustenta a procedência do procedimento por ela adotado com base no fato de ter sido editada, em 2005, a Lei nº 11.196, que expressamente determina que o coeficiente de determinação do lucro presumido deve também ser aplicado às receitas financeiras decorrentes da comercialização de imóveis das pessoas jurídicas que explorem atividade imobiliária em geral. Penso de forma diversa. Com efeito, observadas as disposições contidas no art. 144 do Código Tributário Nacional, em especial a que esclarece que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, resta indubitável que os acréscimos às prestações, no caso de operação imobiliária, tinham, à época da ocorrência dos fatos que aqui se encontram sob apreciação, tratamento tributário distinto do dispensado ao preço pago pelo imóvel no regime de tributação com base no lucro presumido. Na mesma linha do entendimento esposado pela autoridade de primeiro grau, e em consonância com a interpretação feita por meio do Parecer Normativo CST nº 63, de 1975, tratandose de alienação de imóveis em que os respectivos contratos têm previsão de duas transações distintas, isto é, uma operação de compra e venda, por preço determinado; e outra de financiamento do referido preço, os acréscimos relativos a esse financiamento não integram o preço da transação, razão pela qual não podem ser submetidos ao coeficiente de presunção na determinação das exações devidas, mas, sim, às regras contidas no art. 521 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (RIR/99), verbis: Art. 521. Os ganhos de capital, os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, as demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo art. 519, serão acrescidos à base de cálculo de que trata este Subtítulo, para efeito de incidência do imposto e do adicional, observado o 1 Embora tenham sido identificadas algumas diferenças, diante da enexpressividade dos valores, é bem possível que isso tenha ocorrido em razão da má qualidade das cópias digitalizadas anexadas ao processo. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10410.009242/200856 Acórdão n.º 1301001.741 S1C3T1 Fl. 464 10 disposto nos arts. 239 e 240 e no § 3º do art. 243, quando for o caso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 25, inciso II). [...] GRIFO NOSSO Ao contrário do que entende a Recorrente, penso que a edição da Lei nº 11.196, de 2005, que, objetivando trazer incentivos aos empreendimentos imobiliários no país, modificou o tratamento aqui referenciado, conforme art. 34 abaixo transcrito, fortalece o posicionamento ora esposado, eis que, consoante as disposições contidas no art. 132 do diploma em referência, o preconizado pelo art. 34 da citada lei só produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 2006, restando indubitável, assim, a ausência de natureza interpretativa da norma introduzida no cenário jurídicotributário, o que inviabiliza a sua aplicação com efeitos retroativos. Art. 34. Os arts. 15 e 20 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 15. ........................................................................................ ........................................................................................ § 4o O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para a revenda, quando decorrente da comercialização de imóveis e for apurada por meio de índices ou coeficientes previstos em contrato." Diante de todo o exposto, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para: a) excluir o IRPJ e a CSLL incidentes sobre a omissão de receita mantida em primeira instância, eis que, considerado o somatório algébrico das diferenças de receitas auferidas/recebidas nos meses de abril (R$ 11.359,95), maio (R$ 0,00) e junho (R$ 7.933,57) não resulta em valor positivo; e b) excluir o PIS e a COFINS incidentes sobre a matéria tributável do mês de maio de 2003 (R$ 67.568,02). “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 928DF CARF MF Impresso em 30/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/0 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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Numero do processo: 10830.725869/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Mar 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA.
CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeita-se à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição.
Numero da decisão: 1101-001.261
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso.
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MULTA. CRÉDITOS DE TERCEIROS E DE NATUREZA NÃO TRIBUTÁRIA. NÃO DECLARAÇÃO E FRAUDE. Sujeitase à multa isolada, em sua forma qualificada, quem declara compensação com crédito que, além de não ter natureza tributária e ter sido cedido por terceiros, é informado como originário de processo administrativo, mas decorre de operações notoriamente conhecidas como meio para postergar a cobrança de créditos tributários ou ensejar sua prescrição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Benedicto Celso Benício Júnior (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 58 69 /2 01 2- 93 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 3 2 Relatório ITAMBÉM INDÚSTRIA DE PRODUTOS ABRASIVOS LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 26/09/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 1.976.610,83. A exigência decorre da aplicação da multa de 150% sobre o valor de débitos compensados indicados em Declarações de Compensação DCOMP apresentadas com fraude, consoante exposto na conclusão do Termo de Verificação Fiscal à fl. 21: A fiscalizada protocolou as DCOMP em comento a partir de 29/04/2011, submetendose, pois, à legislação acima citada. O malfadado crédito, utilizado nos procedimentos compensatórios, adveio única e exclusivamente do processo administrativo nº 10168.001414/200277, que, conforme exaustivamente comprovado, não traz direito creditório algum reconhecido em seus autos, apesar do que tentou fazer crer o sujeito passivo além de referirse a litígio de caráter cível em que não figuram como partes nem a União, nem o contribuinte em tela. Ademais, salientase a expedição das Notas PGFN/CRJ/Nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, aduzindo que o processo nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude. Por todos esses motivos, as respectivas DComps foram consideradas não declaradas, com base no art. 74, §12, II, “a” e “e” da Lei nº 9.430/96, e art. 34, §3º, I, “a” e “e”, da IN/RFB nº 900/08, sujeitando o contribuinte em foco ao lançamento de ofício da multa isolada prevista no art. 39, §6º, da IN/RFB nº 900/08, como exposto alhures. As DCOMP foram analisadas nos autos do processo administrativo nº 10166.002850/201174 e restaram nãodeclaradas porque comprovada a inexistência dos créditos postulados, além de, mesmo se existentes, desprovidos de caráter tributário (não administradas pela RFB) e pertencentes a terceiros (adquiridos de terceiros). As declarações foram apresentadas em papel, consignandose no campo destinado à origem e valor do crédito utilizado a seguinte referência: PROCESSO ADMINISTRATIVO JUNTO À SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL SOB O NRO: 10168.001414/200277. A contribuinte juntou às declarações pedido de compensação/quitação de título executivo judicial "precatório" asseverando ser legítimo possuidor de Crédito Tributário, constituído por meio de Cessão Pública de Crédito junto ao Tabelionato do 2º Ofício de Notas, protesto, Registro de Pessoas Jurídicas, Títulos e Documentos de Alexânia GO, 1º Translado, Livro 90 E, folhas 182 a 183, do Direito Creditório nº. 10168.001414/200277, transitado em julgado, Prazo da Rescisória vencido e já Homologado junto a RFB (Receita Federal do Brasil) através do Protocolo de número 00.21.1008.88, cujas Escrituras originais seguem anexado à presente inicial. Referida escritura pública tem por objeto direitos de crédito oriundos do processo que tramitaram na 1ª Vara de Fazenda Pública de CuritibaPR, e apelações Cíveis nºs 28.635 e 35.521, transitado em julgado pelo Supremo Tribunal Federal por Carta de Sentença, bem como da certidão expedida pelo Superior Tribunal de Justiça referente ao Recurso Especial nº 37.056/PR (registro nº 93/00203169), transitado em julgado em sessão de 18 de junho de 1998. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 4 3 No despacho decisório de nãodeclaração das DCOMP, a autoridade fiscal afirmou tratarse da já desgastada e combalida tese de direitos oriundos da gleba Apertados, cujo descabimento já foi, inclusive, motivo de matéria jornalística, publicada no jornal Valor Econômico em 17/01/2005, bem como no Jornal Diário do Nordeste (Paranavaí/PR), em 15/12/2005. Complementou que: De fato, trata tal ação de litígio iniciado no século XIX, em que são partes pessoas físicas e o Estado do Paraná, em torno de direitos sobre a gleba rural então conhecida como “Fazenda Apertados”. Pelo que se conclui da leitura da Escritura Pública de fls. 31 e 32, direitos ao pretenso crédito sofreram transferências com o passar do tempo, tendo a interessada adquirido supostos direitos que montam em R$ 1.000,000 de FINANCE BUSINESS & SERVICES LTDA, CNPJ: 09.452.149/000186. Ora, do estudo do objeto da ação judicial representativa do crédito posto em compensação, concluise, indubitavelmente, acerca de seu caráter cível, pois cuida de direito indenizatório. Considerando que o crédito não tinha natureza tributária e foi objeto de transferência por parte de terceiros, a não declaração restou fundamentada no art. 74, §12, inciso II, alíneas "a" e "e", da Lei nº 9.430/96. A autoridade fiscal também entendeu presente fraude, porque: No caso vertente, o epigrafado contribuinte escriturou em suas DComp o processo administrativo nº 10168.001414/200277 como originário do indébito compensado. Conforme fls. 280/88, por meio das quais trazemse à baila as Notas PGFN/CRJ/nº 145/2009 e PGFN/CRJ/Nº 552/2012, o processo creditório em questão – nº 10168.001414/200277 é alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Corrobora com tal assertiva o fato de o contribuinte, ao ser inquirido acerca do indébito compensado, ato contínuo ter apresentado pedido de desistência das DComp apresentadas. Está claro o dolo, pois o sujeito passivo incluiu em documentação fiscal informações que sabia inverídicas com a cristalina intenção de burlar o fisco, abstendose de pagar débitos tributários. E conclusão outra não pode prosperar, vez que não se pode conceber erro quando fatos, que em verdade nunca ocorreram, são descritos tão pormenorizadamente como tentou fazer o interessado. Nessa toada, vale consignar que o sujeito passivo chegou ao ponto de afirmar, em sua petição – “IBreve Resenha dos Fatos” que se tratava de crédito já homologado pela RFB, reconhecido definitivamente nos autos do processo nº 10168.001414/200277! Como comprovado nos autos, tal fato nunca ocorreu. Impugnando a exigência, a contribuinte afirmou violado seu direito à ampla defesa e ao contraditório, por não poder exercer seu direito de recurso contra o despacho decisório de nãodeclaração das DOCMP, bem como por inexistir no Auto de Infração, mas apenas no Termo de Verificação Fiscal, menção ao fundamento legal que justifica o percentual da multa aplicada. Argumentou que a desistência da habilitação do crédito anularia qualquer ato dele consequente, e discordou dos fundamentos apresentados para rejeitar sua desistência, dado que procurou substituir o crédito utilizado por outro, formalizando novas compensações objeto do processo administrativo nº 10166.002455/201272, também consideradas não declaradas, com aplicação de nova penalidade, objeto do processo administrativo nº 10830.724988/201229, em evidente bis in idem. Justificou a desistência da utilização do crédito aqui referido, e defendeu a inaplicabilidade da multa, sem que seja aferida sua culpabilidade, além de seu evidente caráter confiscatório. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 5 4 A Turma Julgadora rejeitou estes argumentos em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE.CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. CANCELAMENTO PER/COMP. A desistência do PER/DCOMP pode ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento e antes da intimação para apresentação de documentos comprobatórios. CRÉDITO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Na hipótese de crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, a DCOMP será recepcionada pela RFB somente depois de prévia habilitação do crédito pela unidade da RFB com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 11/03/2014 (fl. 555/556), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 04/04/2014 (fls. 558/578), no qual reprisa os argumentos apresentados na impugnação. Assevera que além lavratura deste auto de infração aplicando multa em razão da não consideração da compensação, o valor do débito compensado já deverá ser inscrito em dívida ativa e objeto de cobrança judicial, sem que tenha sido permitido à Impugnante a chance de se manifestar contra as razões que fundamentaram tal decisão, nos termos do Decreto 70.235/72. Argumenta que o entendimento da Fazenda Nacional contra a possibilidade de recurso contra a nãodeclaração da compensação, e a ausência da devida fundamentação legal quanto ao percentual decorrente da penalidade aplicada configuram violação ao Decreto nº 70.235/72 e ao princípio da legalidade. Transcreve excertos da decisão recorrida e se opõe ao que ali consignado, na medida em que os arts. 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72 exigem a indicação do fundamento legal no auto de infração. Acrescenta que: Dizer que o fato do presente auto de infração possuir fundamentação e fatos semelhantes ao que teria o auto de infração que deveria ser lavrado, mas não o foi sob o fundamento do art. 74, da Lei nº 9.430/96, chega a ser escarnio ao fato de vivermos num Estado de Direito. Fl. 584DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 6 5 O fato do parágrafo 13º desta Lei estabelecer que as regras aplicadas a compensação não homologada, presentes nos §§2º e 5º a 11º do referido artigo, não se aplica às hipóteses previstas no §12 deste artigo, relativas a compensação não declarada, não implica em entender que não há possibilidade de recurso contra tal decisão. O direito a ampla defesa e ao contraditório, constitucionalmente consagrado, não permite a interpretação de que foi negado o direito ao recurso contra decisão que considerar como não declarada uma compensação, mas tão somente que os procedimentos para exercício de tais direitos que não serão aqueles previstos para as compensações não homologadas. Complementa que a competência para legislar sobre compensação não autoriza disposições sobre direitos constitucionalmente consagrados, e que há omissão na norma que deve ser preenchida nos termos do art. 108 do CTN. Entende que o débito objeto da compensação não declarada tem que ser lançado em Auto de Infração competente, para a partir de sua negativa ser aplicada a multa objeto desta autuação, porque lhe é acessória, sob pena de ser impedido o exercício de seu direito à ampla defesa e ao contraditório, restando eivados de nulidade os atos daí consequentes. Cita o art. 5º, inciso LV da Constituição Federal, lições de Sacha Calmon Navarro Coêlho, e discorda da aplicação do art. 59 da Lei nº 9.784/99 em detrimento aos arts. 14, 15 e seguintes do Decreto nº 70.235/72, vez que resta assegurada a ampla defesa da contribuinte e não há efeito suspensivo. Conclui que o lançamento é nulo porque lavrado com preterição do direito de defesa da contribuinte, nos termos do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Invoca os arts. 37, caput e 150, inciso I, ambos da Constituição Federal; art. 97, inciso I e art. 142, parágrafo único, ambos do CTN; e art. 2º da Lei nº 9.784/99 para afirmar que todo ato administrativo deve possuir uma fundamentação correta, cuja omissão ou equívoco impede o direito de defesa do autuado. Diz que no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? E conclui que a nulidade do lançamento não pode ser afastada frente a uma violação clara e objetiva, que deve ser observada pelo administrador, nos termos do art. 4 do CTN, uma vez que a lei não permite discricionariedade e não excetua sua aplicação em caso de apresentação de defesa por parte do contribuinte. Passando ao mérito, reportase à habilitação prevista no art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, asseverando que sua observância era necessária, na medida em que o crédito utilizado em compensação tinha por origem decisão judicial transitada em julgado. Por sua vez, a habilitação prévia competia à PGFN, uma vez que o processo originário do crédito lá tramita, de modo que a burocracia e a comunicação interna existentes nos órgãos administrativos do Ministério da Fazenda não podem ser utilizados como desculpas nem argumentos para impedir o contribuinte de exercer o seu direito. Acrescenta que sua manifestação expressa e inequívoca pela desistência da compensação deve ser considerada como ato de boafé, e não resultar em ato punitivo ou meramente arrecadador. Conclui que o cancelamento da habilitação do crédito decorrente das petições protocoladas no dia 16/05/2012 colocou fim em qualquer procedimento compensatório que o utilizou para extinguir créditos tributários perante a RFB, e entende que este ato enseja o afastamento da multa por falsidade na declaração. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 7 6 Reportase a excerto da decisão recorrida que não transcreve e ressalta que sem a devida habilitação prévia, nos termos da lei, é nula a compensação efetuada, por falta de atendimento a este requisito legal, não podendo sequer ser recepcionada. Assim, se a compensação é nula na origem, não pode ser considerada existente para ser julgada declarada ou nãodeclarada e, por conseguinte, ensejar a penalidade aqui questionada. Na sequência, por mero exercício do princípio da eventualidade, dada a desistência do crédito utilizado em compensação, opõese à imputação de fraude ou de falsidade defendendo que o crédito utilizado é de natureza financeira, objeto de pedido de conversão em renda, pois foi dinheiro emprestado a União e tem que ser pago em dinheiro e neste caso a compensação é amplamente admitida, conforme doutrina que cita. Aliás, neste sentido, em se tratando de pagamento, e não de compensação, haveria erro na fundamentação jurídica da nãodeclaração. Diz ser indiferente a questão constitucional suscitada e utilizada como fundamento para afastar o mérito do pedido, porque o importante, e que não foi objeto de análise por parte do julgamento de primeira instância, é que a norma utilizada como embasamento para não declarar a compensação e, por conseguinte, a aplicação da multa objeto da presente autuação (art. 74, da Lei nº 9.430/96), versa sobre compensação tributária, não possuindo incidência no presente caso, uma vez que se trata de PAGAMENTO! Observa que o pagamento e a compensação são tratados em dispositivos diferentes no CTN, e que a doutrina admite a quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país. Cita o art. 6º da Lei nº 10.179/2001 e o art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, defendendo a aplicabilidade imediata deste, como já reconhecido pelo Poder Judiciário. Acrescenta referências à Lei nº 10.072/2000, acerca de refinanciamento da Dívida Pública Mobiliária Federal, para argumentar que o pagamento de tributos utilizandose os títulos, não teria assim a União qualquer prejuízo, bem como se refere ao art. 1º, inciso III da Lei nº 9.665/98, que concederia ao Poder Executivo a competência necessária para receber o título da Dívida Externa em pagamento. Menciona, ainda, despacho do Ministro da Fazenda, publicado no Diário Oficial do dia 1º de abril de 2002, exarado nos autos do processo nº 10168.005347/8788, deferindo pedido análogo, dirigindo o processo à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para as providências complementares, conforme cópia anexa, e finaliza consignando que: Assim, no presente caso, o que se tem é que a lei atribui à Fazenda Nacional a competência para receber os títulos da dívida externa como pagamento, bem como a instrumentalização desta utilização. Ocorre que, dentro do Ministério, tal competência foi repartida entre o Tesouro Nacional ou a Procuradoria da Fazenda Nacional, no caso de reconhecimento do título, e a Receita Federal, para a sua efetiva utilização em pagamento. Com relação ao crédito utilizado, há o pedido de reconhecimento e conversão, dirigida ao Ministro da Fazenda, conforme requerimento protocolado em anexo, o qual não foi analisado; bem como possui o pedido de utilização do mesmo, dirigido à Receita Federal, que indevidamente indeferiu o pedido, já objeto de recurso. Acrescenta que no processo administrativo nº 10168.001414/200277 o detentor do crédito requereu a conversão do débito da Fazenda Pública Federal em Títulos Públicos Federais, para fins de cessão e quitação de tributos federais, nos termos do inc. II, do art. 1º c/c arts. 2º e 6º, todos da Lei 10.179/01. Fl. 586DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 8 7 Defende que a vedação contida no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 alcança apenas créditos de terceiros de natureza tributária, diversamente do que consignado no despacho decisório de nãodeclaração da compensação, sob pena de violação dos arts. 108 e 111 do CTN, porque não cabe interpretação literal para legislação tributária sobre compensação, enquanto meio de extinção do crédito tributário, nos termos do art. 151 do CTN. Menciona violação ao art. 110 do CTN e conclui que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação, e ausência de qualquer indeferimento no processo administrativo nº 10168.001414/200277, sendo que a decisão de substituir o crédito utilizado decorreu de cautela, ante aos indícios de fraude e a possibilidade de que tais indícios promovessem um despacho desfavorável no referido processo. Observa que os julgadores de 1ª instância reconhecem que toda a fundamentação do voto está baseada na aplicação de 75% de multa e não de 150%, evidenciandose o erro na decisão recorrida que reformou a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, nos termos da fundamentação apresentada. Cita doutrina acerca da necessidade de se auferir a culpabilidade do contribuinte (sic) para imputação da multa de mora, dada sua natureza penal, afirma correta a redução da multa aplicada, e reafirma que se é verdade que não existe crédito reconhecido, é igualmente verdadeiro que não crédito negado, vez que o processo administrativo nº 10168.001414/200277 ainda estava em andamento, e se ali houvesse fraude, ou se constatada a inexistência do crédito, já teria sido julgado pelo indeferimento do pedido e arquivado. A ausência desta decisão dá causa a que terceiros de boafé sejam vítimas na aquisição e uso de um suposto crédito fraudulento, contribuinte pela suposta falsidade na declaração. Acrescenta que não foi intimada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012 citadas no lançamento, e que a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota, iniciandose a substituição do crédito supostamente inidôneo. Por tais razões, pede a improcedência do lançamento quanto à imputação da multa e da conclusão de falsidade na declaração. Discorre sobre o caráter confiscatório da multa, citando doutrina e arguindo danos às atividades empresariais caso exigida sua quitação, defendendo a possibilidade de o julgador reduzir a multa excessiva e reportandose a manifestação do Superior Tribunal de Justiça neste sentido. Diz que a manutenção da exigência resultará na violação do inciso IV do art. 150 da Constituição Federal, do inciso I do art. 156 do CTN e do art. 312 da Instrução Normativa INSS/DC nº 070/2002, e afirma seu direito à aplicação de atenuante à penalidade, com sua consequente desconsideração. Pede, assim, a declaração de nulidade do lançamento ou, então, a declaração de inexistência da pretensa relação jurídica obrigacional. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 9 8 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Preliminarmente esclareçase que o litígio nestes autos circunscrevese à penalidade imputada à recorrente em razão de compensação indevida declarada nos autos do processo administrativo nº 10166.002851/2011474 entre 29/04/2011 e 08/06/2012. Não se discute, aqui, os créditos tributários que retomaram sua exigibilidade em razão da não declaração da compensação, as referências a exigências correlatas e a pretensão de aplicação de atenuante à penalidade, prevista na legislação previdenciária, que regeria parte dos débitos compensados. E isto porque a penalidade aqui exigida não decorre do descumprimento da obrigação tributária principal, mas sim do uso indevido da Declaração de Compensação DCOMP como meio extintivo do crédito tributário. A falta de recolhimento dos débitos compensados sujeitase a multa de mora se eles estiverem declarados, ou à multa de ofício prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, se a falta de recolhimento for cumulada com falta de declaração. Todavia, na compensação indevida por meio de DCOMP há também uma outra infração a ser punida com multa isolada, independentemente das providências adotadas para satisfação da obrigação tributária principal. Esta distinção fica evidente, desde a edição da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, que determina duas providências em face da inadmissibilidade das compensações veiculadas em DCOMP: Art. 17. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 74. ................................................................................. [...]. § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. [...] Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 588DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 10 9 § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. [...] Nestes termos, a autoridade competente, quando rejeita uma DCOMP, deve promover: a cobrança dos débitos indevidamente compensados e o lançamento de ofício de multa isolada se, além da inadmissibilidade da compensação, restar configurado, dentre outras hipóteses, que o crédito utilizado não era passível de compensação por expressa disposição legal, ou se ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A cobrança dos débitos indevidamente compensados, quando declarados, faz se com os acréscimos cabíveis em caso de procedimento espontâneo: multa de mora e juros de mora, como previsto no art. 61 da Lei nº 9.430/96. E tal cobrança, com multa de mora, não é incompatível com a aplicação de multa isolada, pois esta não representa exigência, em separado, do acréscimo que seria aplicável ao débito, em lançamento de ofício, se ele não estivesse declarado. Tratase, sim, de penalidade específica, e decorrente do uso indevido da DCOMP como meio de extinção do crédito tributário, nas hipóteses ali mencionadas. De fato, não é possível cogitar que um mesmo débito sofra a aplicação de multa de ofício e de multa de mora em razão de falta de recolhimento; elas são excludentes. Na exigência de débitos declarados há, tão só, acréscimos moratórios, inclusive de multa de mora, como, aliás, já pacificado no Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INEXISTÊNCIA. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. Negase provimento ao agravo regimental, em face das razões que sustentam a decisão recorrida, sendo certo que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, não há configuração de denúncia espontânea quando o contribuinte declara e recolhe com atraso o seu débito perante a Administração Pública. Precedentes. (AGRG no RESP 463.050/RS, Rel. Min. Francisco Falcão) PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. SÚMULA 168/STJ. [...] 2. Deveras, pacificouse a jurisprudência da Primeira Seção no sentido de "não admitir o benefício da denúncia espontânea no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ 05.09.2005) (Embargos de Divergência em RESP Nº 511.340 – MG, Rel. Min. Luiz Fux) Fl. 589DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 11 10 Todavia, o legislador pode identificar, no procedimento que conduz à falta de recolhimento do tributo declarado, infração que mereça penalidade específica, e isolada, na medida em que o principal já está constituído e sujeito à cobrança com acréscimos moratórios. Neste caso, a multa isolada por compensação indevida, prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, embora associada à falta de recolhimento do débito compensado, decorre do abuso de forma na apresentação de DCOMP, em hipóteses frontalmente contrárias à lei que autorizou sua utilização. E isto porque a DCOMP não é mera obrigação acessória, mas sim integra a essência da compensação, que somente se efetiva por meio dela (art. 74, § 1o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002), formalizando a extinção do crédito tributário, e não apenas sua constituição (art. 74, § 2o da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002). Aliás, a evidenciar a distinção entre as hipóteses de aplicação da multa de ofício em acréscimo ao principal e da multa isolada, destaquese ser possível, até mesmo, a coexistência das duas penalidades em razão de uma mesma compensação que resulte indevida. De fato, a multa isolada por compensação indevida, nas hipóteses de nãodeclaração criadas com a Lei nº 11.051/2004 (mediante inclusão do § 12 no art. 74 da Lei nº 9.430/96), pode conviver com o lançamento de ofício dos débitos compensados, dado que a DCOMP, nestes casos, deixa de ter o caráter de confissão de dívida (§ 13, incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Lei nº 11.051/2004), e o valor compensado pode não ter sido confessado em outra declaração. Em tais condições fica evidente que duas condutas estão sendo punidas: a falta de declaração e recolhimento do tributo (da qual decorre o lançamento de ofício do principal e da multa de ofício acessória) e o uso abusivo e/ou fraudulento da DCOMP como meio extintivo do crédito tributário (do qual decorre o lançamento de ofício da multa isolada). Vejase que é admissível, inclusive, a aplicação da multa de ofício isolada sobre valor representativo de multa de mora, nos casos em que a compensação, mediante DCOMP, se faça com débito em atraso, dado que a multa por compensação indevida tem por base de cálculo o total do débito compensado. Aliás, a multa de ofício isolada pode incidir, até mesmo, sobre multa de ofício acessória de principal devido, nos casos em que tributo lançado de ofício for objeto de compensação, e reste caracterizado o abuso de forma ou a fraude na apresentação da DCOMP. A multa isolada pune o uso indevido da DCOMP, quando presentes as circunstâncias gravosas previstas em lei, e é proporcional aos efeitos da conduta praticada, qual seja, o valor dos débitos que o sujeito passivo pretendeu extinguir. Neste sentido, inclusive, já se firmou o entendimento administrativo de que a multa isolada de que trata o art. 18 da Lei nº 10.833, de 2003, deve ser considerada uma nova penalidade, e pode ter como base de cálculo tributos de diferentes espécies, multas e juros, na medida em que é aplicável sobre o valor total do débito indevidamente compensado. Logo, a exigência da multa isolada por compensação indevida é compatível com a exigência de multa (moratória ou de ofício) sobre os débitos indevidamente compensados. Fl. 590DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 12 11 Passando ao mérito da multa isolada aqui aplicada, a autoridade lançadora justifica a exigência no fato de a compensação ter sido considerada não declarada e porque comprovada fraude na declaração apresentada. A não declaração da compensação resultou da classificação do crédito como de terceiros e de viés cível, e a fraude restou evidenciada pela referência ao processo administrativo nº 10168.001414/200277, alvo de diversas denúncias de fraude, vez que nunca existiu crédito algum ali reconhecido. Como antes mencionado, a multa por compensação indevida é uma penalidade nova, criada pela Medida Provisória nº 135/2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput originalmente previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida em razão de o crédito ser de natureza não tributária ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Na seqüência, o §2o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, sendo que para as hipóteses de evidente intuito de fraude a referida lei assim dispunha: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: [...] II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Já com a Lei nº 11.051/2004, a estipulação da penalidade passou a estar assim redigida: Fl. 591DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 13 12 Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão da nãohomologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento imposto às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de terceiros ou de natureza não tributária: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Naqueles termos, a multa isolada para a hipótese de nãodeclaração de compensação com crédito de terceiros ou de natureza não tributária (art. 18, § 4o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “c” da Lei nº 9.430/96) passou a ser a mesma aplicável aos casos de nãohomologação com evidente intuito de fraude (art. 18, caput da Lei nº 10.833/2003). Para além disso, a inovação legislativa operou efeitos significativos no campo da exigibilidade dos débitos compensados, a qual, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de não declaração, e não mais de nãohomologação. Mais à frente, a Lei nº 11.196/2005 deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ Fl. 592DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 14 13 ............................................................................................................. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) [...] Referida alteração esclareceu que a multa isolada por compensação não declarada somente se sujeitaria a multa qualificada se caracterizado o evidente intuito de fraude, e adotou outra forma de redação: ao invés de tomar por empréstimo os percentuais aplicáveis à penalidade prevista para os casos de nãohomologação de compensação com evidente intuito de fraude, prevista no § 2o do art. 18, trouxe a indicação, no próprio inciso II do § 4o do percentual aplicável. Além disso, no inciso I do §4º, passou a cogitar de casos de nãodeclaração de compensação sujeitos a multa sem qualificação. As infrações em tela foram cometidas de 29/04/2011 a 08/06/2012, quando o art. 18 da Lei nº 10.833/2003 já sofrera outra alteração, decorrente da nova redação dada pela Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. O art. 18 da Lei nº 10.833/2003, então, passou a ter a seguinte redação, vigente até hoje: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3o Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. § 4o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de Fl. 593DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 15 14 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1o, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 5o Aplicase o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2o e 4o deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Não há dúvida, portanto, que a não declaração da compensação, fundamentada nas hipóteses do inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é motivo suficiente para a aplicação da multa isolada minimamente no percentual de 75%. Somente o cancelamento da DCOMP, promovido espontaneamente pelo sujeito passivo antes de qualquer intimação fiscal, poderia impedir a aplicação da penalidade, pois em regra este procedimento desfaz a extinção do débito compensado e permite sua cobrança por parte do Fisco, caso ele esteja, por outro meio, declarado. Outras condutas do sujeito passivo, ainda que tendentes à extinção definitiva dos débitos irregularmente compensados, não produzem o mesmo efeito, pois enquanto a DCOMP estiver ativa, os débitos estarão extintos por compensação, e a segunda extinção do mesmo débito poderia, a qualquer momento, ser arguida como indevida, inclusive com pedido de repetição dos valores eventualmente pagos. No presente caso, consta dos autos que a contribuinte teria apresentado as petições de fls. 310/330 em 28/06/2012, requerendo a renúncia ao direito e a consequente desistência e cancelamento do pedido de compensação, mas isto depois de ser intimada, em 18/06/2012, a prestar esclarecimentos a cerca das compensações em tela (fls. 306/309). Em sua defesa, há menção, também, a desistência de habilitação no processo administrativo nº 10168.001414/200277, mas sem juntada do documento correspondente. De toda sorte, o fato é que não há qualquer prova do cancelamento das DCOMP que deflagraram as multas aqui aplicadas, sendo certo que a legislação vigente à época estipulava, para o cancelamento, a observância da mesma forma adotada na declaração da compensação. Neste sentido a Instrução Normativa RFB nº 900/2008: Art. 82. A desistência do pedido de restituição, do pedido de ressarcimento, do pedido de reembolso ou da compensação poderá ser requerida pelo sujeito passivo mediante a apresentação à RFB do pedido de cancelamento gerado a partir do programa PER/DCOMP ou, na hipótese de utilização de formulário em meio papel, mediante a apresentação de requerimento à RFB, o qual somente será deferido caso o pedido de restituição, o pedido de ressarcimento, o pedido de reembolso ou a compensação se encontre pendente de decisão administrativa à data da apresentação do pedido de cancelamento ou do requerimento. Parágrafo único. O pedido de cancelamento da Declaração de Compensação será indeferido quando formalizado após intimação para apresentação de documentos comprobatórios da compensação. Registrese também não ter lugar, aqui, a discussão acerca da ilegalidade da cobrança dos débitos compensados sem prévia discussão administrativa da compensação considerada não declarada, ou da necessidade de prévio lançamento de ofício dos débitos compensados. Como antes demonstrado, o presente litígio circunscrevese à aplicação de multa isolada por compensação indevida, e a contribuinte deve dirigir aqueles questionamentos contra os atos de cobrança ou de inadmissibilidade de manifestação de inconformidade contra a rejeição da compensação declarada. A multa aqui aplicada decorre do abuso de forma/fraude na declaração da compensação, e não se confunde com as penalidades devidas ou outras consequências administrativas da falta de recolhimento/declaração dos débitos compensados. Fl. 594DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 16 15 A recorrente também afirma a nulidade do lançamento porque, no presente caso, foi aplicada uma multa de 75%. Diz que não há no Enquadramento Legal do referido auto de infração, norma que justifique a aplicação deste percentual... Por que não 20%, 50%, etc...? Contudo, o auto de infração não só faz referência ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e às suas alterações até a Lei nº 11.488/2007, como também no Termo de Verificação Fiscal estão apontados os fatos que justificam o percentual adotado e a referência à consolidação legislativa exposta na Instrução Normativa RFB nº 900/2008, destacando o excerto abaixo negrejado: Art. 39. A autoridade competente da RFB considerará não declarada a compensação nas hipóteses previstas no § 3º do art. 34. § 1º Também será considerada não declarada a compensação ou não formulado o pedido de restituição, de ressarcimento ou reembolso quando o sujeito passivo, em inobservância ao disposto nos §§ 2º a 5º do art. 98, não tenha utilizado o programa PER/DCOMP para declarar a compensação ou formular o pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso. § 2º Nos casos previstos no caput e no § 1º, a declaração ou o pedido será analisado em caráter definitivo pela autoridade administrativa. § 2º Às hipóteses a que se refere o caput e o § 1º não se aplica o disposto nos §§ 2º e 4º do art. 34 e nos arts. 37 e 66, sem prejuízo da aplicação do art. 56 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1224, de 23 de dezembro de 2011) § 3º A compensação considerada não declarada implicará a constituição dos créditos tributários que ainda não tenham sido lançados de oficio nem confessados ou a cobrança dos débitos já lançados de ofício ou confessados. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) I não extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento; e II é instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 4º Nas hipóteses a que se refere o § 1º não se aplica o disposto no inciso V do § 3º do art. 34. § 5º Verificada a situação a que se refere o caput em relação à parte dos débitos informados na Declaração de Compensação, somente a esses será dado o tratamento previsto neste artigo. § 6º Será exigida multa isolada sobre o valor total do débito cuja compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso I do § 3º do art. 34, aplicandose o percentual de: I 75% (setenta e cinco por cento); ou II 150% (cento e cinqüenta por cento), quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. § 7º As multas a que se referem os incisos I e II do § 6º passarão a ser de 112,5% (cento e doze inteiros e cinco décimos por cento) e 225% (duzentos e vinte e cinco por cento), respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos ou arquivos magnéticos. § 8º O lançamento de ofício da multa isolada de que tratam os §§ 6º e 7º será efetuado por AFRFB da unidade da RFB que considerou não declarada a compensação. Fl. 595DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 17 16 Por sua vez, o art. 34, §3º, inciso I da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 reportase às hipóteses que, na forma do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, autorizam a não declaração de compensações: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. [...] § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: I o crédito que: a) seja de terceiros; b) se refira a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 5 de março de 1969; c) se refira a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e) não se refira a tributos administrados pela RFB; ou f) tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 1 tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 2 tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 3 tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) 4 seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 973, de 27 de novembro de 2009) [...] Assim, a acusação fiscal validamente fundamenta a penalidade na apresentação de DCOMP considerada não declarada por veicular crédito de terceiros e de natureza não tributária, e justifica o percentual aplicado de 150% em razão da fraude evidenciada pela origem do crédito compensado. A multa assim fundamentada encontra amparo no art. 18 da Lei nº 10.833/2003 e nos atos normativos expedidos pela Receita Federal, de forma que inexiste qualquer deficiência a macular o lançamento. Em sua defesa, a recorrente também procura negar efeitos à compensação declarada, ante a inexistência de prévia habilitação de crédito exigida pelo art. 71 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Ocorre que as DCOMP foram, mesmo assim, apresentadas em papel, e ainda que a partir do ato de não declaração deixem de produzir qualquer efeito em relação aos débitos compensados, a conduta contrária à lei foi praticada, e as demais Fl. 596DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 18 17 disposições legais que procuram impedir sua prática não podem ser invocadas para anular a penalidade prevista, justamente, para os casos de infração à lei. Aliás, a alegação assim produzida pela defesa somente evidencia a inquestionável intenção do sujeito passivo de contornar os controles administrativos e criar a aparência de compensação de um crédito objeto de outro processo administrativo existente, submetido à apreciação administrativa. A autuada também faz referências à demora da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em se manifestar sobre o pleito a ela dirigido no processo administrativo nº 10168.001414/200277, e pede que seja considerado como ato de boafé a desistência manifestada naqueles autos. Ora, não bastasse a contribuinte ter apresentado DCOMP em papel fazendo referência a um crédito demonstrado em processo administrativo, com o qual alcançou a extinção imediata dos débitos compensados, pretende, agora, que outra petição encartada àquele mesmo processo administrativo, desacompanhada do cancelamento das correspondentes DCOMP, associada à demora da Fazenda Nacional em apreciálo, se preste como evidência da boafé de quem não poderia ter outro objetivo senão contar com os efeitos da extinção dos débitos compensados enquanto a análise do processo administrativo nº 10168.001414/200277 não se verificava. Os demais argumentos deduzidos pela defesa contra a imputação de fraude também em nada lhe socorrem. De fato, ao defender que o crédito utilizado teria natureza financeira e corresponderia a pagamento, e não a compensação, a contribuinte apenas agrega outras justificativas para a total inadmissibilidade das DCOMP. Em verdade, todas as referências feitas pela recorrente acerca da natureza do crédito utilizado somente conduzem à conclusão de que o direito supostamente a ela cedido poderia, no máximo, autorizar a pretensão de uma dação em pagamento, correspondente à quitação de tributos por meio de títulos públicos ou outro bem que não a moeda em curso legal no país, inclusive com base no art. 6º da Lei nº 10.179/2001, no art. 78, §2º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e nas Leis nº 9.665/98 e 10.072/2000. A recorrente ainda vislumbra na lei a possibilidade de compensação de créditos de terceiros que não tenham natureza tributária, invocando as disposições do Código Tributário Nacional acerca da interpretação das leis tributárias. Olvidase, porém, da amplitude das vedações expressas no inciso II do §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que alcançam créditos de terceiros de qualquer natureza, e créditos de natureza não tributária de qualquer titularidade, em razão da própria dicção do caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em compatibilidade com o art. 170 do CTN. Argumenta, também, que em momento algum tentou levianamente utilizar crédito para compensação, mas sim entendia haver o direito ao crédito e sua liquidez, além da viabilidade jurídica do pedido e da compensação. Todavia, como demonstrado na acusação fiscal, não se pode cogitar de boafé frente à utilização de créditos que há anos são noticiados na imprensa como destituídos de qualquer validade para fins de compensação tributária, criados por uma verdadeira indústria de direitos creditórios, com vistas a postergar a cobrança, ou até alcançar a prescrição de débitos, mediante formalização de compensações indevidas. Não é crível que diante deste cenário amplamente divulgado pela imprensa, a contribuinte somente tenha suspeitado da fraude em maio/2012, quando teria apresentado petição de desistência junto ao processo administrativo nº 10168.001414/200277. Quanto à alegação de que a autoridade julgadora de 1ª instância teria reformado a multa aplicada na lavratura do auto de infração de 150% para 75%, não é o que Fl. 597DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 19 18 se constata às fls. 533/553, em argumentação na qual é declarada improcedente a impugnação e, especificamente em relação à qualificação da penalidade, consignase que: 38.1 Em síntese, todos os procedimentos adotados pelo contribuinte ao longo do tempo indica seu total conhecimento das irregularidades cometidas, afastando qualquer hipótese da boafé alegada; ao contrário, o comportamento do contribuinte demonstra a sua clara intenção de eximirse do pagamento do tributo. 39. Por outro lado, os dispositivos legais utilizados pelo fisco quando do lançamento, além de vedar a utilização de precatórios na extinção de débitos tributários pela compensação e a utilização de crédito de terceiros, vai mais além, prevê – expressamente – a aplicação de multa isolada quando intentada. Vejamos: [...] 40. Como se vê, a compensação tributária prevista no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 é uma faculdade do contribuinte no recebimento de seus créditos para com a União com mais celeridade. Contudo, assim como prescreve o art. 170 do CTN, a compensação tributária somente pode ocorrer nas condições e sob garantias estipuladas em lei; exatamente neste sentido, o legislador criou a multa isolada para coibir a compensação indiscriminada, desprovida de amparo legal, unicamente para suprimir ou retardar o pagamento do tributo. 41. No presente caso, o contribuinte – ciente da ilegalidade de seu ato – apresenta DCOMP onde indica como origem de crédito processo protocolizado por terceiros, que nada tem haver com restituição/ressarcimento: nas declarações apresentadas pelo contribuinte não há indicação da origem do crédito – títulos da dívida publica e de terceiros. O ato praticado tem a nítida intenção de impedir ou retardar o pagamento do tributo devido, mediante apresentação de informações falsas. 41.1 Cabe lembrar que, na hipótese de utilização de crédito reconhecido judicialmente, a primeira providência a ser tomada pelo sujeito passivo é o “pedido de habilitação do crédito”. Mesmo ciente deste procedimento, o sujeito passivo esquivouse de apresentálo à RFB, indicando a sua clara intenção de ludibriar o fisco. Por todo o exposto, o fato de inexistir decisão indeferindo o crédito apontado no processo administrativo nº 10168.001414/200277 é irrelevante para reduzir a penalidade aplicada. Como bem exposto na acusação fiscal, era de conhecimento público a imprestabilidade dos créditos referidos pela contribuinte, e para ocultar sua utilização a recorrente valeuse da apresentação de DCOMP fazendo referência a outro processo administrativo, no qual inexistia qualquer direito reconhecido. Irrelevante, assim, se a contribuinte não foi cientificada das Notas PGFN/CRJ nº 145/2009 e 552/2012, ou se a desistência da habilitação foi apresentada logo depois da segunda nota. A contemporaneidade da desistência com o referido ato não exclui o descompasso de sua conduta com fato que já era notório muitos anos antes. Ademais, para manifestar sua boafé a contribuinte deveria ter requerido o cancelamento das DCOMP antes de ser intimada pela autoridade fiscal, o que não se verificou. Quanto ao caráter confiscatório da multa, importa apenas reiterar que a lei estipula o percentual aplicado, e nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. Fl. 598DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10830.725869/201293 Acórdão n.º 1101001.261 S1C1T1 Fl. 20 19 Assim, por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 599DF CARF MF Impresso em 20/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727515/2011-82
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICAS DAS QUESTÕES DE MÉRITO. NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO.
Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentá-las sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estar-se-ia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Sem Crédito em Litígio:
Numero da decisão: 2803-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento.
(assinatura digital)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente
(assinatura digital)
Ricardo Magaldi Messetti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
Nome do relator: RICARDO MAGALDI MESSETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICAS DAS QUESTÕES DE MÉRITO. NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO. Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentá-las sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estar-se-ia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Sem Crédito em Litígio:
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira
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NÃO ENFRENTAMENTO PELA INSTÂNCIA A QUO. NULIDADE DA DECISÃO. Apresentado a contribuinte impugnação específica sobre as questões de mérito da autuação, deve a DRJ enfrentálas sob pena de nulidade da decisão, não podendo o CARF adentrar o mérito, pois assim agindo estarseia propagando verdadeiro julgamento com supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte Sem Crédito em Litígio: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinatura digital) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (assinatura digital) Ricardo Magaldi Messetti Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 75 15 /2 01 1- 82 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Ricardo Magaldi Messetti, Amilcar Barca Teixeira Junior, Oseas Coimbra Junior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira Fl. 338DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 338 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa Via Park Comercial de Alimentos LTDA, em face de acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), que restou assim ementado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração, quando presentes todos os requisitos necessários à sua lavratura e a exata compreensão da exação por parte do contribuinte, que dispôs de todos os elementos indispensáveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” De acordo com o Relatório fiscal, tratase de Auto de Infração de lançamento de contribuições sociais previdenciárias,lavrado em face do sujeito passivo em epígrafe e responsáveis solidários integrantes do grupo econômico, para o período compreendido entre 01/01/2008 a 31/12/2008, Debcad nº 37.344.1770.Segue descrição dos fatos apresentada pela fiscalização: “O presente Auto de Infração referese a lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa, na condição de sujeito passivo sub rogado no cumprimento das obrigações previdenciárias principais do produtor rural contribuinte, nas operações de aquisição de produto rural de produtores rurais pessoas físicas, calculadas pelas alíquotas de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da produção; 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho.” Após devidamente intimado do lançamento em 31/10/2011 o contribuinte apresentou impugnação tempestiva às fls. 235/254, aduzindo, em apertado escorço: a) a nulidade da autuação por ter apresentado o auditor relatório dos fatos genéricos, ficando a cargo da descriminação dos fatos geradores apenas a Planilha de Lançamento, em que todas as situações foram lançadas numa planilha comum, sem distinção, o que impossibilita destacar o que realmente foi aplicado; b) que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; c) que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; Fl. 339DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 4 d) que cumpre rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza não acolheu as razões apresentadas na impugnação da contribuinte, mantendo na íntegra o lançamento efetudo, sob o fundamento de que não há impugnação específica quanto ao mérito do lançamento tributário (fls. 257/262). Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 295/300), alegando, de forma frívola, em síntese: a) Preliminarmente alega que os lançamentos se revestem de ilegalidades que acarretam sua nulidade diz que no auto de infração foram tecidas maiores considerações acerca do “grupo econômico”, relatandose genericamente os fatos que impuseram a aplicação das penalidades, sem diferenciar as situações de cada caso. Aduz que a fiscalização fez pequena síntese do que considera irregularidade e, em seguida fez o seu relatório de lançamento colocando todas as situações na mesma situação. b) Afirma que cumpre rigorosamente com seus compromissos e não deixa de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus trabalhadores, sendo que, em determinados casos, e excepcionalmente por algum lapso, pode ter deixado de declarar tais importâncias em GFIP. Diz que a não declaração ocorreu por falha e não por dolo e que o valor devido foi pago diz que nesses casos como não haveria que se falar em débito principal, a multa, que é acessória, deveria deixar de existir c) Alega que no que tange ao dissídio e as férias retroativas houve um engano do auditor fiscal, já que a CCT, em sua cláusula primeira, prevê o aumento apenas em 1/11/2008. Conclui que, portanto, inexistiu retroatividade. d) Assevera que, na remota hipótese de não serem acatadas as teses alinhavadas, devese levar em consideração o disposto na Lei nº 11.941/2009 quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias, devendo ser revisto os autos de infração. Ao final, Requer a declaração de nulidade dos autos de infração e das multas a elas aplicadas. reformando o acórdão impugnando. Sem contrarrazões da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este conselho. É o relatório. Fl. 340DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 339 5 Voto Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Conselheiro Ricardo Magaldi Messetti Da Admissibilidade O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual passo a apreciálo. Da Existência de Nulidade Analisando o acórdão proferido pela DRJ, observase que o único fundamento de mérito utilizado pelos julgadores foi de que não fora apresentado impugnação especifica quanto ao mérito do lançamento, não enfrentando, por consectário, qualquer questão de mérito apresentada pela recorrente em sua impugnação. “Não há impugnação específica quanto ao mérito do lançamento tributário, nem se vislumbrou qualquer irregularidade que ensejasse a sua revisão de ofício, razão pela qual mantémse hígido o crédito tributário lançado.” Contudo, a contradição existente no julgado é de clareza hialina, visto que no próprio relatório apresentado pelo julgador a quo consta que a recorrente apresentou impugnaçãoo específica sobre as questões de mérito do lançamento efetuado pela fiscalização, senão vejase: Do Mérito Alimentação sem PAT Assevera que a empresa está inscrita no PAT desde 2003, fato que por si só já torna ilegal o entendimento esposado pelo agente fiscal. Todavia, o fato pura e simples de a empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como integrante do saláriodecontribuição. O Superior Tribunal de Justiça em recente decisão firmou posicionamento nosentido de que a concessão do valealimentação in natura não é saláriodecontribuição, independentemente de inscrição no PAT. Se, contundo, os valores forem pagos em pecúnia,passam a integrar o saláriodecontribuição. Do valetransporte Em relação ao valetransporte pago em pecúnia, assevera que tal benefício foi regularmente previsto na Convenção Coletiva de Trabalho da categoria. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA 6 Outrossim, já é pacífico no Supremo Tribunal Federal que valetransporte, mesmo quando pago em dinheiro, não sofre a incidência da contribuição previdenciária. Da folha de pagamento, premiação, dissídio retroativo, adicional de férias não declarada em GFIP Cumpre rigorosamente com seus compromissos, não deixando de efetuar o pagamento de nenhuma verba a seus funcionários, sendo que, em determinados casos e por algum lapso, deixou de declarar tais pagamentos em GFIP, como assinalado pelo Auditor Fiscal. Assim, a não declaração em GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém, foi pago o que era devido. Nesses casos, em que não existe o dolo e o pagamento foi realizado, não há o débito principal, portanto, a multa, que é acessória, deve deixar de existir. No que tange ao dissídio e férias retroativos, há um engano do AuditorFiscal, já que a Convenção Coletiva firmada ressalva em sua cláusula primeira a previsão de aumento apenas em 1o de novembro de 2008, portanto, não havendo que falar em retroatividade. Na remota hipótese de não serem acatadas as teses expostas acima, deve ser levado em consideração o dispositivo contido na Lei no 11.941/2009, que determina a aplicação do dispositivo mais benéfico ao contribuinte quanto à aplicação da multa pela não declaração em GFIP e não recolhimento das contribuições previdenciárias. Por fim, requer a declaração de nulidade dos Autos de Infração em epígrafe, e, por conseguinte, das multas aplicadas. É o relatório. Ademais, na impugnação apresentada pela recorrente às fls. 235/254, constata que houve impugnação específica em face de todos os pontos apresentados pela fiscalização em sua autuação, tanto que aduz que o fato puro simples da empresa não estar inscrita no PAT não é suficiente para considerar a alimentação como sendo integrante do salário de contribuição; que o pagamento do vale em transporte em pecúnia não desvirtua sua finalidade, não podendo assim ser considerada verba previdenciária; que cumpre rigorosamente com seus compromissos, sendo que a não declaração excepcionalmente na GFIP ocorreu por falha e não por dolo, porém o que era devido foi pago, etc. Ressalto, no entanto, mesmo estando este Conselheiro apto a proferir o julgamento, até porque há matéria já Súmulada por esse Conselho Administrativo, que eventual julgamento de mérito por parte desta Colenda Turma Especial configuraria verdadeira supressão de instância, o que não é admitido em Processo Administrativo Fiscal. Assim sendo, entendo que os presentes autos devam retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), para que esta enfrente as questões de mérito da autução, devidamente impugnada pela recorrente. Conclusão Fl. 342DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA Processo nº 10166.727515/201182 Acórdão n.º 2803003.802 S2TE03 Fl. 340 7 Isto posto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para anular o acórdão da DRJ, uma vez que não enfrentou as questões meritórias apresentadas na impugnação, devendo os autos retornar à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) para novo julgamento. (assinado digitalmente) Ricardo Magaldi Messetti Relator Fl. 343DF CARF MF Impresso em 19/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por RICARDO MAGALDI MESSETTI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LI MA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.906119/2012-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 14/07/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.773
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/07/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.906119/201211 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.773 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de dezembro de 2014 Matéria DCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente TRANSPORTADORA RODO IMPORT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 14/07/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 61 19 /2 01 2- 11 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Demes Brito e Cássio Schappo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF trinta e três processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de cofins ou contribuição para o PIS/Pasep, e o ônus da prova deste direito. Em alguns processos, foi indeferida totalmente a declaração de compensação de débitos da contribuinte com o crédito pleiteado, por falta de comprovação da liquidez e certeza de todo o crédito, em outros, foi homologada parcialmente a declaração de compensação, porque foi comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito pleiteado. Esta diferença não exige mudanças nos acórdãos dos julgamentos, pois o que está sob julgamento é justamente o crédito não reconhecido e a parte não homologada das declarações de compensação. O crédito reconhecido e a parte homologada não estão em discussão. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de contribuição social e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 4 3 Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório, em expediente que foi recebido como manifestação de inconformidade: “Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 10/08/2012, alegando que a Receita Federal mantém os controles de apropriação e pagamento dos impostos federais, assim como uma conta corrente de cada contribuinte, na qual podem ser visualizados os pagamentos efetuados de forma correta, os pagamentos a maior e os pagamentos a menor. Assevera que o despacho decisório não pode progredir, porque a RFB cobra o mesmo valor pago pelo contribuinte, quando, na verdade, foi preenchido um PER/DCOMP que demonstra de forma clara que aquele pagamento foi efetuado a maior e dele se extraí os valores devidos a título de impostos. Apresenta um demonstrativo da composição do PER/DCOMP nº 27613.24430.280909.1.3.047698, identificando o valor devido de COFINS, o valor da guia de recolhimento, o saldo do pagamento a maior e as compensações efetuadas. Alega ainda que houve a retificação da DIPJ do anobase de 2005, na qual a receita foi apropriada de forma errada e, por isto, originou também a retificação de todos os cálculos dos impostos federais. Ressalta que havendo necessidade de retificação do PER/DCOMP, solicita autorização para o ajuste, porém, o valor original disponível desde a data especificada, corrigido monetariamente, possibilitou a compensação declarada. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo HorizonteDRJ/BHE que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “Assunto: ... Data do fato gerador: ... DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado.” No recurso voluntário a recorrente alega o seguinte: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 5 4 i) O ICMS que faz parte do valor total de conhecimentos de transporte não compõe o valor tributado pela cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. ii) Juntou cópia da DIPJ 2006/2005, retificada, que demonstra que estas contribuições foram reduzidas em seus valores anteriormente apresentados. iii) No próprio PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. iv) Não apresentou retificação da DCTF e do DACON, primeiro, por problemas com o contador; depois, porque teria ocorrido prescrição para a retificação. v) Calculou a cofins e a contribuição para o PIS/Pasep sobre um valor que incluía o ICMS e, após, corrigiu o faturamento, excluindo este imposto da base de cálculo, logo, tem direito ao crédito pleiteado. É o relatório. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Certeza e liquidez do crédito pleiteado. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de contribuição social. Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório. Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/BHE, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 7 6 A recorrente afirma que juntou cópia da DIPJ 2006/2005 retificada, a qual demonstraria redução dos valores das contribuições anteriormente apresentados, e apresenta justificativas para não ter retificado a DCTF e o DACON. Não encontrei nos autos nenhuma DIPJ, original ou retificada. Logo, inócua a alegação. Quanto à falta de retificação da DCTF e do DACON, esta não é determinante para o julgamento, uma vez que o CARF tem reconhecido o direito ao crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, independentemente de retificação da DCTF e do DACON, desde que o direito seja comprovado por documentos e livros fiscais e contábeis hábeis. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. De qualquer modo, o importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito pleiteado. Há menção de que seria decorrente da inclusão do ICMS integrante de conhecimento de transporte na base de cálculo da cofins e da contribuição para o PIS/Pasep, porém, não é tecido nenhum argumento sobre esta matéria. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Declaração de compensação errada e competência do CARF No recurso, ao contrário da manifestação de inconformidade, nada foi dito sobre erro na Declaração de Compensação ou sobre a necessidade de sua retificação. Apenas se afirmou que, no PER/DCOMP apresentado, verificase que houve pagamento a maior. Porém, tendo em vista que possível erro na DCOMP é questão que permeia os autos e que a decisão da DRJ tratou desta matéria; que a Administração deve atender aos princípios da legalidade, da moralidade, do interesse público e da eficiência; e que o princípio da verdade material é especialmente levado em consideração nos julgamentos neste Conselho; teço algumas considerações que me levam a concluir pela manutenção da decisão recorrida na íntegra. O processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal é regido pelo Decreto nº 70.235, de 6/3/1972. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 8 7 O rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplica, em princípio, aos processos administrativos de pedidos de compensação, pois não são processos de determinação e exigência de créditos tributários, tampouco de consulta sobre aplicação da legislação tributária federal.. Porém, por força do art. 74, §§ 9º e 10, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, não homologada a compensação, o sujeito passivo poderá apresentar manifestação de inconformidade contra a decisão administrativa de não homologação e recurso contra decisão que julgue improcedente a manifestação de inconformidade. Ambos, manifestação de inconformidade e recurso, seguirão o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235, de 1972, conforme parágrafo 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais_CARF, que, conforme art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009, é competente para julgar, em segunda instância, processos que seguem o rito deste decreto, possui competência para julgar recursos contra decisões da DRJ que julgaram improcedentes manifestações de inconformidade contra não homologação de declarações de compensação. Quanto à retificação de declarações de compensação, a situação é diferente. Cito o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 9 8 § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União A exigência do pagamento destes débitos não deve ser submetida a julgamento administrativo; e, ainda que a declaração de compensação contenha erro, não cabe nesta instância sua correção, o que deve realizarse pela entrega de declaração retificadora, tal como estabelecido nos arts. 6º a 8º das Instruções Normativas SRF nº 360. de 24/02/2003, e nº 376, de 23/12/2003; nos arts. 55 a 58 da IN SRF nº 460, de 18/10/2004, e IN SRF nº 600, de 28/12/2005; nos arts. 76 a 79 da IN SRF nº 900, de 30/12/2008; e nos arts. 88 a 90 da IN RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Conforme assentado no acórdão recorrido, a retificação de declaração de compensação deveria ser requerida por meio de documento retificador gerado a partir do programa PER/DCOMP. Não há nos autos nenhum documento retificador gerado nesta condição. Assim, não pode o CARF determinar a homologação da DCOMP tal como formalizada, ainda que errada, pois esta extingue o crédito tributário, sob condição resolutória, e constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.906119/201211 Acórdão n.º 3801004.773 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 18/02/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10650.000808/2005-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
TRIBUTÁRIO. COFINS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEI INTERPRETATIVA.
0 art. 29 da lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3º da LC 70/91 e 5º da Lei nº 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse corno passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de calculo e as alíquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...)
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.570
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D 'Amorim.
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 TRIBUTÁRIO. COFINS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEI INTERPRETATIVA. 0 art. 29 da lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3º da LC 70/91 e 5º da Lei nº 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse corno passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de calculo e as alíquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-08-26T12:20:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 7; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-08-26T12:20:07Z; Last-Modified: 2011-08-26T12:20:07Z; dcterms:modified: 2011-08-26T12:20:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:168127af-f288-4674-a0b1-81215b13116a; Last-Save-Date: 2011-08-26T12:20:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-08-26T12:20:07Z; meta:save-date: 2011-08-26T12:20:07Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-08-26T12:20:07Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-08-26T12:20:07Z; created: 2011-08-26T12:20:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2011-08-26T12:20:07Z; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-08-26T12:20:07Z | Conteúdo => JUDITH QL C/6) L MARCONDES ARMANDO)- Presidente S3-C2T1 Fl 518 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10650.000808/2005-17 Recurso n" 272847 Voluntário Acórdão n" 3201 -00.570 — 2" Camara / 11 Turma Ordinária Sessão de 27 de outubro de 2010 Matéria COFINS - SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA Recorrente DISTRIBUIDORA DE CIGARROS RODEIO UBERABA-MG Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 TRIBUTÁRIO. COF1NS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA. LEI INTERPRETATIVA. 0 art. 29 da lei 10.865/04faz remissão aos artigos .rda LC 70/91 e 5 0 da Lei nO 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse corno passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Manteve a base de calculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.(...) RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos conselheiros Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Heleno Trajano D 'Amorim. LUCIANO LOPE E. MEIDA MO S - Relator. Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2T1 AcOrd5o ri " 3201-00570 Fl 519 FORMALIZADO EM: 25/11/10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith Amaral Marcondes Atmando (presidente da turma), Luciano Lopes de Almeida Moraes (vice- presidente), Mércia Helena Trajano D'Amotim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Daniel Matiz Gudino. 2 Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2T1 Fl. 520 Ac6R1110 n°3201-00370 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Contra o interessado foi lavrado auto de infração relativo a falta de recolhimento de COFINS, no valor total de R$ 321.298,6597 (fls. 04 a 08); A empresa apresenta impugnação (fls, 198 e seguintes), na qual alega que a substituição tributária para cigarros, no tocante ao PIS/Pasep e a COF1NS, sempre abrangeu os atacadistas, visto que sua exclusão era regulamentada por meio de decreto, o que se configura como inconstitucionalidade. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora/MG julgou procedente o lançamento realizado, conforme Decisão DRJ/JFA de n° 24/09/2008, de 24/09/2008, fls. 221/223: Assunto- Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofias Exercício: 2000, 2001, 200.2, 2003, 2004 SUBSTITUIÇÃO TRIBUTA RIA A substituição tributária Cnl relação ao comerciante atacadista de cigarro só entrou em vigor em maio de .2004. Lançamento Procedente. As fls. 226/v é intimado o contribuinte,que apresenta recurso voluntário de fls. 230/239, sendo encaminhados os autos são encaminhados para julgamento. o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Trata-se de auto de infração visando a exigência de PIS e COF1NS em face da inexistência da figura da substituição tributária na época dos fatos geradores ocorridos. 3 Processo 0' 10650 00080812005-17 S3-C211 AcOrdtio n " 3201-00.570 Fl 521 A recorrente, a seu turno, alega que à época já vigia a substituição tributária para as empresas comerciantes atacadistas de cigarro, motivo pelo qual não pode ser exigida sua cobrança. A celeuma juridica reside na análise do art. art. 29 de Lei 10.865104, que preceitua o seguinte: Art. 29. As disposições do art 3 ° da Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5° da Lei n" 9.715, de 25 c/c novembro de 1998, e do art 53 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcança», também o comerciante atacadista, A decisão recorrida entende que a substituição somente surgiu após a edição da referida lei, enquanto o contribuinte entende que esta se deu corn caráter meramente informativo/interpretativo, motivo pelo qual sempre vigeu Entendo que a recorrente possui razão em seu pleito . Primeiramente, porque o art. 29 da Lei 10.865/04, não instituiu nova modalidade de substituição tributária, pois lhe faltam todos os requisitos para determinação de como ela seria realizada. Em segundo lugar, porque esta norma é meramente informativa/interpretava de urna situação, qual seja, ela esclarece — expressamente - que a substituição tributária prevista no art 3° da Lei Complementar n° 70 alcança também o comerciante atacadista. A expressão "alcançam também o comerciante atacadista" não está instituindo nova forma de substituição tributária, mas sim aclarando que a jci existente sempre incluiu a figw a do comerciante atacadista de cigarros. Assim, tratando-se de norma expressamente interpretativa, deve sim retroagir, forte no art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1 em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, exchiida a aplicação de penalidade ã infração dos dispositivos inteipretados.(,..) (grifo nosso) Vemos que é permitido ao legislador, uma vez instaurada a divergência sobre a aplicacao de determinada legislacao, editar urna lei nova com o objetivo de esclarecer o sentido e o alcance da lei anterior, aplicando-se o entendimento consagrado na lei nova para a solução dos casos ocorridos desde o inicio da vigência da lei interpretada. Para que seja considerada lei interpretativa, basta que não estabeleça regra jurídica nova, limitando a atribuir urn sentido mais claro a dispositivo de lei anterior, como é o presente caso. Esta situação, inclusive, já foi acolhida por nossa jurisprudência, corno vemos no julgamento abaixo: 4 Processo n" 10650.000808/2005-17 S3-C2T1 Acórd5o n 3201-00.570 Fl 5 77 TRIBUTÁRIO,. COF1 NS. EMPRESA ATACADISTA COMERCIANTE DE CIGARROS SUBSTITUIÇÃO TRIBUTARIA,. LEI INTERPRETATIVA. O art. 29 da lei 10.865/04faz remissão aos artigos .3° da LC 70/91 e da Lei n° 9.715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que especificasse como passaria a ser recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Não o fez! Manteve a base de cálculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista.( ,.) (TRF 4a R - 2a T - AC n° 2003.71..11.002833-2/RS Des. Fed. Leandro Paulsen - DJU 29/U/2006). No voto, o Ilustre Relator bem resume a questão : A questão do pagamento de COFINS relativamente à produção e venda de cigarros foi disciplinada pelo art. 3" da Lei Complementar n"70/71 da seguinte forma: "Ail, 3 0 A base de cálculo da contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos comerciantes varejistas, será obtida multiplicando-se o prep de venda do produto no varejo por cento e dezoito por cento". o art. .5" da Lei n" 9.715/98 assim dispôs. . "Art. So A contribuição mensal devida pelos fabricantes de cigarros, na condição de contribuintes e de substitutos dos conterciantes vai ejistas, será calculada sobre o prep fixado para venda do produto no varejo, multiplicado por um virgula trinta e oito." A Lei n" 11.196/2005 aumentou o percentual para apuração da base de cálculo e o percentual da aliquota para 119% e 1,98%, respectivamente Vê-se que o legislador cuidou, em disposição ánica, do recolhimento pelo fabricante enquanto cmitribuinte e enquanto substituto tributário, abarcando, inclusive, expressamente, a receita dos comerciantes vai ejistas Dai a tese da Autora no sentido de que a intenção do legislador foi alcançar toda a cadeia económica, não havendo razão para excluir-se de tal substituição o comerciante atacadista, ainda que não expressamente referido 5 Processo n" 10650 000808/2005-17 S3-C2 Ti Acórdão n " 3201-00.570 Fl 523 O Fisco entende que a determinação, tanto da LC n" 70/91 quanto da Lei n" 9 715198, deve ser interpretada literalmente, dizendo respeito à contribuição do fabricante de cigarros, para satisfazei- a parte por ele devida como contribuinte, e contribuição do varejista. Diante dessa orientação, o comerciante atacadista estaria obrigado ao pagamento da COFINS pela regra get-al, posta nos arts. 1" e 2" da LC n" 70/91 e dos arts. 2" e 3" da Lei n" 9.718/98, o que teria restado esclarecido pelo Decreto n" 4.524/2002, ao dispor, no art. 4", parágrafo único, que "A substituição prevista neste artigo não alcança o comerciante atacadista de cigarros, que esta obrigado ao pagamento das contribuições incidentes sobre a sua receita de comercialização deste produto" Tenho que assume absoluta relevância, no caso, termos em consideração o art. 29 da Lei 10.865/04, que assim dispõe: Art. 29. As disposições do art, .3" da Lei Complemental- n" 70, de 30 de dezembro de 1991, do art. 5' da Lei n°9,715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei n" 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista, Note-se que o artigo de lei transcrito dispõe no sentido de que as disposições relativas a substituição tributária "alcançam também o comerciante varejista", contrariamente ao que dispunha o Dec. 4.524/02 que, procurando dar interpreta cão inequívoca aos dispositivos legais dizia que "lido alcança o comerciante atacadista de cigarros" Eletivamente, o art, 29 da Lei 10.865/04 faz remissão aos artigos 3" da LC 70/91 e 5" da Lei n°9,715/98 e esclarece o alcance dos mesmos. Não criou nova substituição tributária, o que dependeria de dispositivo que e.specificasse como passaria a ser. recolhido o tributo pelo fabricante ou, ao menos, de dispositivo que elevasse os valores da substituição já existente para que passasse a ser recolhida em tal regime também a contribuição devida por outro contribuinte. Não o fez! Manteve a base de cálculo e as aliquota tal como estabelecidas anteriormente, apenas esclarecendo que tal sistemática de tributação abrangia a contribuição devida pelo atacadista Cuida-se, assim, de tzarina expressamente interpretativa, à qual se deve dar aplicaçãotetroativa, nos termos do art. 106, inciso do CTN, sendo certo que 'Expressamente interpretativa', todavia, não quer dizer que o novo diploma empregue essas palavras sacramentais, apresentando-se como tal na ementa ou no contexto. Basta que, reportando-se aos dispositivos interpretados, lhes defina o sentido e aclare as dúvidas " (Aliontar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro, 11 ed., Forense, 1999, p, 670, atualizado por Misabel Abreu Machado Derzi) Vejamos o art. 106, I, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 6 Process° rt" 10650.000808/2005-17 S3-C2TI Acóraio ri "3201-00.570 Fl 524 I - em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, exchtida a aplicação de penalidade infração dos dispositivos interpretados; Assim, deve ser julgado procedelite o pedido, para reconhecer, na vigência dos arts. 3" da LC 70/91 e 5' da Lei 9.715/98, a inexigibilidade da COFINS das atacadistas no que diz respeito à venda de cigarros, por estarem abrangidos pela substituição tributária em tais dispositivos previstas, conforme interpretação constante do art. 39 da Lei 10.865/04, sendo ilegal o parágrafo único do art. 4" do Decreto 11 04. 524/2002 Por fim, devemos lembrar que a própria PGFN possui este entendimento, de que lei interpretativa deve sim ser retroativa, corno bem podemos observar em recente caso quando da edição da LC n.° 118/05, que assim dispunha: Art. 3" Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 2.5 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a langamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,sç lo do art. 150 da referida Lei. Para a PGFN, esta lei deveria ser aplicada de imediato, por ser de caráter interpretativo, afastando-se assim o entendimento do então vigente que determinava o prazo prescricional de repetição de indébito decenal. Assim, adotando o mesmo posicionamento que a PGFN, deve ser dado provimento ao recurso do contribuinte, já que a lei em debate, sendo interpretativa, retroage. Ante o exposto, voto po dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. LUCIANO LOPES MEIDA MORAES 7
score : 1.0
Numero do processo: 19647.010267/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 03 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Mar 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001, 2002
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 - SC, sujeito ao regime do art. 543-C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN.
Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN).
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
MULTA DE OFÍCIO - CONFISCO - Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos
TAXA SELIC - A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2202-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JÚNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Relator
Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JÚNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez - Presidente Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt.
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PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTAR N105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. CONDIÇÃO PARA DEFINIÇÃO DO TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. A teor do acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial no 973.733 SC, sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4o, do CTN). DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física é tributo sujeito ao lançamento por homologação e, portanto, nos casos de rendimentos submetidos a tributação no ajuste anual, o direito da Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador, que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde tenha havido pagamento antecipado do tributo e não seja constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 02 67 /2 00 6- 31 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção relativa de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos TAXA SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros PEDRO ANAN JÚNIOR (Relator), RAFAEL PANDOLFO e FÁBIO BRUN GOLDSCHMIDTD, que acolhem a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA: Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência para o ano calendário 2000. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, negar provimento. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente – Redator Designado (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Relator Participaram Do Presente Julgamento Os Conselheiros: Antônio Lopo Martinez, Márcio De Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior, Marco Aurélio De Oliveira Barbosa, Fábio Brun Goldschmidt. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 265 3 Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado o Auto de Infração (fls. 04/10, inclusive demonstrativos), mediante o qual foi apurado Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (suplementar) no valor de R$ 187.600,79, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora calculados até 31/10/2006, relativamente aos exercícios de 2001 e 2002, anos calendário de 2000 e 2001, respectivamente. Cabe registrar que os DEMONSTRATIVOS DE APURAÇÃO (fl5.08/09) e o DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA (fls.10), o TERMO DE ENCERRAMENTO (fls.11), o RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL (fls.12/16), bem como todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos mencionados no Auto de Infração dele fazem parte integrante como se nele transcritos estivessem. O crédito tributário alcançou o montante de R$ 495.513,75. De acordo com a "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fls.05/07), que compõe o Auto de Infração, foram detectadas as infrações adiante especificadas. Omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada e/ou FAPI, em 31/07/2000 e 31/01/2001, conforme Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf (fls. 28/30). Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anoscalendário de 2000 e 2001. Segundo a AuditoraFiscal autuante, esta infração caracterizouse "(...) por valores creditados em contas de depósito ou , de investimento mantidas em instituições financeiras, em relação aos 'quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme, anexo às fls. 12/16." No RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE AÇÃO FISCAL, a AuditoraFiscal autuante relata os fatos seguintes. Após análise dos extratos bancários e levantamento dos depósitos, enviou ao contribuinte sob fiscalização, em 30/03/2006, o Termo de Intimação (fis.395/396), em que solicitou documentação hábil e idônea relativa à origem dos recursos depositados nas contas bancárias relacionadas, explicando que no demonstrativo elaborado já haviam sido excluídos os lançamentos relativos a cheques devolvidos, juros, correção monetária, estorno de CPMF e retiradas da conta "Poupmax". Esclareceu, ainda, ao contribuinte, naquele documento, que os valores que não fossem comprovados caracterizariam omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício para exigência dos tributos. Em resposta, o contribuinte encaminhou, em abril de 2006, demonstrativo das parcelas recebidas em decorrência de operação de venda de ações da pessoa jurídica COLETIVOS SANTINENSE, com as quais tentou justificar parte dos créditos nas contas do Banco Mercantil de São_Paulo e do Banco Santander. Entretanto tal alienação efetuada ao pai do contribuinte foi parcelada e em valor hem inferior (R$ 185.000,00) ao informado na DIRPF 2001 (R$ 500.937,48). Ademais, não há coincidência de valores, pois o contribuinte soma vários depósitos e acrescenta que o complemento foi recebido em dinheiro. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Em 02/05/2006, 11/06/2006 e 01/11/2006, foram enviadas novas intimações ao contribuinte, em que se solicita a apresentação de documentos hábeis e idôneos com vistas à comprovação da origem dos recursos depositados nas contas bancárias e, até então, não justificados, consoante demonstrativos anexados. Em face de não terem sido atendidas, a autuante elaborou o QUADRO RESUMO COM A TOTALIZAÇÃO MENSAL DOS DEPÓSITOS (fls.17/19) e encerrou a ação fiscal. Nas D1RPF relativas aos anoscalendário 2000 e 2001, os rendimentos tributáveis declarados foram R$ 10.800,00, tendo o contribuinte, ainda, deixado de incluir em ambos os anos calendário os resgates do Fundo de Aposentadoria Individual FAPI do Banco Bradesco, sobre os quais houve retenção na fonte do imposto de renda. O contribuinte não efetuou, ele próprio, pagamentos de impostos. Em conclusão, detectouse omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada nos totais de R$ 452.859,33 e R$ 241.244,94, nos anoscalendário 2000 e 2001, respectivamente. E, também, omissão de rendimentos relativos a resgates do FAPI nas importâncias de R$ 9.817,83 e R$ 920,96, com retenções na fonte de R$ 2.339,00 e R$ 3,14, respectivamente, nos mesmos anoscalendário. Regularmente cientificado do lançamento em 24/11/2006 (fls.545), o contribuinte autuado apresentou, em 26/12/2006, por intermédio de seu procurador (instrumento de mandato às fis.566), impugnação (fls.547/565), apenas acompanhada de cópias de seu documento de identificação e do Auto de Infração (fls.567/572), alegando, em síntese, o que adiante se relata. Argüi preliminar de decadência, relativamente aos períodos de apuração anteriores a dezembro de 2001, sob o fundamento de o pagamento do imposto de renda ser mensal e, também, com base no disposto no § 40 do art. 150 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), uma vez que a lavratura do Auto de Infração ocorreu em 16/11/2006. Transcreve acórdãos do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, que entende seremlhe favoráveis. Alega a inconstitucionalidade do art. 6° da Lei complementar n° 105 e do Decreto n° 3.724, ambos de 10 de janeiro de 2001, que cuidam da quebra do sigilo bancário pela autoridade fiscal, bem como do inciso II do § 1° e do § 2° do art. 198 do CTN, acrescentados pela Lei Complementar n° 104, também de 10 'de janeiro de 2001. Reproduz doutrina e acórdão do Supremo Tribrmal Federal STF.: Recláma não haver, na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, inençãô ao relatório circunstanciado, imprescindível à expedição da Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira RMF, por expor a motivação dessa requisição. Assim,. teúdo a autuante ignorado a necessidade desse relatório, não agiu nos estritos termos do Decretô 'n° 3.724, de 2001, eivando de manifesta ilegalidade o procedimento administrativo e, em conseqüência, o lançamento. Alega ter demonstrado a origem dos depósitos mediante a venda das ações da pessoa jurídica COLETIVOS SANTINENSE e reclama não ter a fiscalização levado em conta as transferências realizadas automaticamente, quando necessário, pelos bancos, de contas de poupança para contas correntes. E acrescenta : "Demonstrase assim, extremamente necessária a realização de perícia contábil para que se apure os reais valores que transitaram na conta corrente do Defendente, onde restará claro que não houve qualquer omissão de receita, o que desde já se requer." Argúi o caráter confiscatório da multa de oficio exigida, o que é expressamente repudiado pela Constituição Federal, no art. 5°, inciso XXII, c/c o inciso IV do art. 150. Discorre longamente acerca de princípios e normas jurídicas, considerando violado o princípio da capacidade contributiva pela multa de ofício. E transcreve doutrina e acórdão do STF em feito em que se discutia a instituição de uma multa de 300%, que entende serem favoráveis à sua tese. Levanta, ainda, a impossibilidade e a inconstitucionalidade da cobrança de juros de mora calculados pela SELIC. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 266 5 Ao final, pelas razões que expôs, requer seja decretada a improcedência e a nulidade doclançamento, "(...) levado a efeito de modo manifestamente ilegal, embasado exclusivamente em informações relativas a depósitos bancários obtidos através da quebra de sigilo constitucionalmente assegurado, com apoio na aplicação retroativa da LC 105/2001 e com base nas informações da CPMF, atinente a período em que a utilização dessas informações era vedada expressamente pela lei." Requer, ainda, que, caso seja mantido o lançamento, sejam aplicados juros no percentual de 1% ao mês, consoante previsto no CTN. A Delegacia de Receita Federal de Julgamento de Recife, DRJ/REC ao analisar a impugnação, decidiu por unanimidade de votos e manter o lançamento através do acórdão DRJ/REC 1125.055 de 12 de janeiro de 2009, consubstanciado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos consubstanciadores do lançamento revestidos de suas formalidades essenciais e, não tendo restado comprovada a ocorrência de preterição do direito de defesa nem de qualquer outra hipótese expressamente prevista na legislação, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. ' Tendoa ciência do Auto de Infração para exigência do IRPF ocorrido em 24/11/2006, acolhese a argüição de decadência no que concerne ao imposto de renda do anocalendário 2000, rejeitandoa relativamente ao anocalendário 2001. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei TIL' 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com_base_em_ depósitos _bancários _de_ origem,.não comprovada pelo sujeito passivo. LANÇAMENTO BASEADO EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INFORMAÇÕES OBTIDAS CONFORME O DECRETO N° 3..7242, DE 20011. RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 O fato de não se encontrar entre as peças processuais o relatório circunstanciado que deu base à expedição da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) não implica em cerceamento ao direito de defesa do impugnante nem determina a ilegalidade da prova. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. Como nos casos de presunção legal o ônus da prova é do contribuinte, cabelhe comprovar a origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. SIGILO BANCÁRIO. EXAME DE EXTRATOS DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. É lícito ao fisco, mormente após a edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos, poupança e aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos normativos regularmente editados. •MULTA DE OFICIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O princípio do nãoconfisco, constitucionalmente expresso, referese aos tributos e não às sanções, além de dirigirse ao legislador e não à Administração Tributária. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA COM BASE NA VARIAÇÃO DA TAXA SELIC. É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de juros de mora que deverão ser exigidosjuntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões judiciais, mesmo que proferidas por tribunais superiores, só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 267 7 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, posto que inexiste lei que lhes atribua eficácia normativa, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE PERÍCIA. Deve ser indeferido o pedido de perícia que não contiver os requisitos estabelecidos pelo inciso IV do art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e quando dos autos do processo constarem os elementos necessários à formação da livre convicção do julgador. Devidamente cientificado dessa decisão, o contribuinte apresente tempestivamente recurso voluntário onde reitera os argumentos da impugnação. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 Voto Vencido Conselheiro Pedro Anan Junior O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Antes de adentrarmos ao mérito devemos analisar as preliminares suscitadas pelo Recorrente. Gostaria de destacar que o recorrente não recorreu da parte do lançamento referente a atividade rural. Nulidade Violação Sigilo Bancário A primeira preliminar a ser analisada diz respeito ao nulidade parcial do lançamento tendo em vista que a autoridade fiscalizadora, teria fundamentado o auto no artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, onde teria ocorrido omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Por sua vez o Recorrente alega que tais informações só poderiam ser obtidas através de decisão judicial, desta forma teria ocorrido quebra no seu sigilo bancário de forma inadequada. O crédito tributário debatido no presente recurso tem como fundamento o art. 42, da Lei nº 9.430/95. Para chegar à comprovação da materialidade do tributo — depósitos bancários sem origem identificada — o Fisco utilizouse de Requisição de Informações de Informação Financeira — RMF (fls. 47, 50, 52, 54, 56, 58, 60, 62, 64, 68 e 70 do eprocesso), instrumento administrativo que teria como objetivo dar eficácia ao disposto na Lei Complementar nº 105/01, na Lei nº 9.311/96 e no Decreto nº 3.724/01. Ocorre que o PLENO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, decidiu dar INTERPRETAÇÃO CONFORME A CONSTITUIÇÃO a esses atos normativos, de modo a considerar imprescindível a requisição ao Poder Judiciário de permissão para violar o sigilo de dados do contribuinte. O julgamento recebeu a seguinte ementa: SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na Fl. 684DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 268 9 relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. (RE 389808, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, DJe086 DIVULG 09052011 PUBLIC 10052011 EMENT VOL0251801 PP00218 RTJ VOL00220 PP00540) A supracitada decisão teve como objetivo tanto conciliar a necessidade do Fisco de ter acesso a dados sigilosos para conseguir atingir seu desiderato, quanto preservar o sigilo de dados dos contribuintes e a inafastabilidade da jurisdição em matérias sensíveis à violação de direitos, garantias explicitadas nos incisos XII e XXXV, do art. 5º, da CF: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XII é inviolável o sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal; XXXV a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito; O Supremo Tribunal Federal, portanto, ao enfrentar o tema ora apreciado, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, nem mesmo a inconstitucionalidade sem redução de texto. Simplesmente, analisando o ordenamento tributário brasileiro, adotou interpretação conforme a Constituição, fixando aos enunciados infraconstitucionais analisados um conteúdo deôntico compatível com a Carta Maior. Transcrevese, abaixo, trecho extraído do voto do Relator (acompanhado pela maioria dos demais Ministros), que explicita a técnica de julgamento aplicada: Assentando que preceitos legais atinentes ao sigilo de dados bancários hão de merecer, sempre e sempre, interpretação, por mais que se potencialize o objetivo, harmônica com a Carta da República, provejo o recurso interposto para conceder a segurança. Defiro a ordem para afastar a possibilidade de a Receita Federal ter acesso direto aos dados bancários do recorrente. COM ISSO, CONFIRO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA – LEI Nº 9.311/96, LEI COMPLEMENTAR Nº 105/01 E DECRETO Nº 3.724/01 — INTERPRETAÇÃO CONFORME À CARTA FEDERAL, TENDO COMO CONFLITANTE COM ESTA A QUE IMPLIQUE AFASTAMENTO DO SIGILO BANCÁRIO DO CIDADÃO, DA PESSOA NATURAL OU DA JURÍDICA, SEM ORDEM EMANADA DO JUDICIÁRIO. (Destaque nosso, STF. RE 389.808/PR. Rel. Min. Marco Aurélio. Julg. em 15/12/10). Fl. 685DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 A respeito do tema, deve ser repisado o conteúdo da cláusula de reserva de plenário, inserida no art. 97 do Texto Constitucional, abaixo transcrita: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. A decisão proferida no âmbito do Recurso Extraordinário 389.808, embora tenha sido por maioria simples (5X4), foi dotada de quorum insuficiente à declaração de inconstitucionalidade de qualquer dispositivo, que é de seis votos (maioria absoluta), conforme preceito constitucional acima reproduzido. Isso prova, matematicamente, que o desfecho do tema conferido pelo STF não implicou no reconhecimento de inconstitucionalidade dos enunciados infraconstitucionais analisados. Na realidade, conforme expresso no julgamento, o precedente referido realizou interpretação conforme a Constituição, técnica que, embora atue no mesmo plano significativo de declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, dela se diferencia por não afastar significados, mas compelir a aplicação de uma interpretação específica, que torna o dispositivo analisado compatível com a Constituição. A sutileza é relevante. Basta verificar que, na interpretação conforme a Constituição, não se declara a inconstitucionalidade de qualquer enunciado ou significado a ele atribuído. A interpretação conforme a Constituição, portanto, não se confunde com a declaração de inconstitucionalidade sem redução de texto, como bem aponta o Professor e Ministro Gilmar Ferreira Mendes: Ainda que não se possa negar semelhança dessas categorias e a proximidade do resultado prático da sua utilização, é certo que, enquanto na interpretação conforme à Constituição se tem, dogmaticamente, a declaração de que uma lei é constitucional com a interpretação que lhe é conferida pelo órgão judicial, constatase, na declaração de nulidade sem redução de texto, a expressa exclusão, por inconstitucionalidade, de determinadas hipóteses de aplicação (Anwendungsfalle) do programa normativo sem que se produza alteração expressa do texto legal (MENDES, Gilmar Ferreira, Jurisdição constitucional: o controle abstrato de normas no Brasil e na Alemanha. 5 ed. – São Paulo: 2005, pp. 354355). Desse modo, concluise que: a) não existe dispositivo regimental que impeça o julgamento do tema pelo CARF, a partir da revogação realizada pela Portaria nº 545/13; b) o STF, ao enfrentar o tema em sede de jurisdição difusa, não declarou a inconstitucionalidade de qualquer enunciado, aplicando a interpretação conforme a Constituição (que dispensou, inclusive, a cláusula de reserva de Plenário exigida pelo art. 97 da CF/88); c) não incide o óbice inserido no art. 26 – A do Decreto 70.235/72, pois o deslinde do feito dispensa qualquer reconhecimento de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, conforme desfecho conferido ao tema pelo STF, ao analisar o RE nº 389.808. Pelo mesmo motivo, não se cogita de aplicação da Súmula nº 2 do CARF e do art. 62 – A do Regimento Interno do CARF; Fl. 686DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 269 11 d) segundo a interpretação conforme a Constituição realizada pelo STF (RE nº 389.808), a requisição de informações financeiras é valida e seus dispositivos normativos, contidos na Lei Complementar nº 105/01, Lei 9.311/96 e Decreto 3724/01 vigentes, desde que ocorra a prévia autorização do Poder Judiciário. Reforçando uma diretiva óbvia e inerente ao devido processo legal, o art. 30, da Lei nº 9.784/99, determina que são inadmissíveis, no processo administrativo, as provas obtidas por meios ilícitos. O dispositivo busca retirar os incentivos para que os agentes públicos desviemse dos procedimentos regulares, através da inutilização de seu trabalho quando realizado de forma que contrarie o direito. A ilicitude da prova, no caso, é corolário lógico da incompatibilidade da sua obtenção com os ditames fixados pelo STF, em interpretação conforme a Constituição. A constituição válida do crédito tributário exige prova da materialidade revelada através de procedimento válido perante o ordenamento jurídico pátrio. Malgrado essa hipótese, não há obrigação tributária pela ausência de prova que, validamente, ratifique o conceito de fato previsto na hipótese normativa tributária. Ressalto a importância do tema em questão, dentro de um estado democrático de direito. A regra positivada em nosso ordenamento tem origem na doutrina e jurisprudência americanas (exclusionary rules, caso Elkins v. United States), que consolidaram o entendimento segundo o qual o Estado, enquanto defensor dos direitos fundamentais, terá como Pírrica toda vitória obtida com base na violação desses Direitos, pois, com o pretexto de vencer uma batalha contra um ilícito isolado, leva à bancarrota o próprio Estado Democrático de Direito que almeja proteger1. Ocorre que não só as provas obtidas ilicitamente são vedadas, como também aquelas que delas se derivam. A doutrina do “fruit of the poisonous tree”, ou simplesmente “fruit doctrine” – “fruto da árvore envenenada”, aplicada primeiramente na jurisprudência americana (caso Silverthine Lumber Co. v. United States), estabelece que as provas obtidas por meios ilícitos contaminam aquelas delas decorrentes. Assim, tanto as conclusões decorrentes dos dados bancários obtidos através da quebra ilegal do sigilo, quanto os outros elementos probatórios que deles originamse, são fruto da prova que restou contaminada pela ausência de requisição prévia ao poder judiciário para quebra do sigilo bancário. Como visto, a finalidade do art. 30, da Lei nº 9.784/99 é coibir os abusos estatais através da inutilização dos efeitos dos atos ilícitos cometidos por seus agentes. Dessa forma, qualquer prova que tenha sido produzida à margem do critério definido pelo STF revelase estéril ao nascimento válido da obrigação tributária. Na hipótese, somente foi possível a constituição do crédito tributário com base no art. 42 da Lei nº 9.430/95, através das provas obtidas junto às instituições financeiras por meio de quebra de sigilo bancário sem prévia autorização judicial ou do titular da conta bancária. Ou seja, se a fiscalização não houvesse expedido a RMF, não teria concluído pela omissão de rendimentos, e não teria lavrado o auto de infração sob esse argumento. 1 COSTA ANDRADE, Manuel da. Sobre as proibições de prova em processo penal. Coimbra: Coimbra Editora, 1992. p. 73. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 Sendo assim, entendo que as seguintes infrações devem ser excluídas, pois carecem de materialidade obtida no seio de um devido processo legal (conforme entendimento adotado pelo STF): Diante do exposto acolho a preliminar de nulidade parcial suscitada pelo Recorrente. Decadência parcial anocalendário 2000 Inicialmente, há que se fazer algumas considerações acerca do prazo decadência a ser aplicado aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Com a devida vênia daqueles que pensam diferente, encontra pacificado neste Conselho o entendimento, ao qual me filio, de que o Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, aquele em que a lei determina que o sujeito passivo, interpretando a legislação aplicável, apure o montante tributável e efetue o recolhimento do imposto devido, sem prévio exame da autoridade administrativa, conforme definição contida no caput do art. 150 do Código Tributário Nacional – CTN, tendo sua decadência regrada, em princípio, pelo § 4o deste mesmo artigo (cinco anos contados da data do fato gerador), independentemente de haver ou não pagamento do tributo. O referido dispositivo legal exclui do seu escopo expressamente apenas os casos em que for constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicandose, nessa hipótese, a regra geral prevista no art. 173 do CTN, inciso I (cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Entretanto, com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62A, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. {1} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. No que diz respeito ao prazo decadencial para constituição do crédito tributário, assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial no 973.733 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 270 13 – SC, de 12/08/2009, de relatoria do Ministro Luiz Fux, submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução no 8/08 do STJ: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 689DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Depreendese, assim, que nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado do tributo ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo não ocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, o prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I, do CTN, considerandose que “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Posteriormente, acolhendo os embargos de declaração oposto pela Fazenda Nacional no Agravo Regimental no Recurso Especial no 674.497/PR (2004/01099782), julgado em 09/02/2010, a Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, assim se manifestou: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1o a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1o 1.1995, expirandose em 1o 1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O relator, Ministro Mauro Campbell Marques, esclarece no voto condutor que: Fl. 690DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 271 15 Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). [...] Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Concluise, assim, que a aplicação do prazo decadencial previsto art. 150, §4o, do CTN passou a ter uma condição adicional, qual seja, a existência de pagamento antecipado de tributo. Inexistindo pagamento antecipado, deslocase o prazo decadencial para o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” (art. 173, inciso I), restando claro que, nos casos de fatos geradores ocorridos no dia 31 de dezembro de cada ano, o lançamento só poderá ser efetuado no ano seguinte. Retornando ao caso em concreto, tratase de lançamento referente ao ano calendário 2000, em que foi apurada omissão caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, infrações sujeitas ao imposto apurado na declaração de ajuste anual, cujo fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada ano. Para o anocalendário 2000, o prazo decadencial começou a fluir em 31.12.2000, de modo que o lançamento poderia ter sido formalizado até 31.12.2005 (cinco anos da data do fato gerador). Assim, visto que o presente Auto de Infração foi cientificado pessoalmente ao contribuinte em 11/2006, e há comprovação de pagamento havia decaído o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Diante do exposto, voto por acolher a preliminar de decadência suscitada pelo recorrente no que se refere ao anocalendário de 2000. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 Mérito OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – PRESUNÇÃO. Parte do auto de infração elaborado pela autoridade lançadora teve como base o artigo 42, caput e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 1996: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Nos termos da referida norma legal presumese omissão de rendimentos sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. No presente caso foi comprovado através de documentação e provas que a Contribuinte é titular das contas bancária, sendo que o lançamento foi efetuado a partir da presunção relativa de omissão de rendimentos calcada em depósitos bancários de origem não demonstrada, nos termos artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Não houve demonstração por parte da Contribuinte através de provas hábeis, a origem dos valores depositados na sua conta bancária, sendo que o mesmo foi intimado para demonstrar que os valores depositados em sua conta bancária não representam rendimentos omitidos. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 272 17 Desta forma verificase que os depósitos bancários que formaram a base de cálculo do auto de infração são valores que foram movimentados e não foram oferecidos a tributação, não havendo nenhuma evidência de que alguma dessas importâncias foram declaradas pela Contribuinte ou têm natureza isenta, uma vez que a Contribuinte nada trouxe para esclarecer e comprovar a origem dos referidos depósitos. Podemos concluir que o Contribuinte não conseguiu demonstrar que não houve omissão de rendimentos, pois não apresentou nenhum documento ou prova que comprovariam que os depósitos efetuados em sua conta bancária possuíam origem isenta ou já submetida à tributação. Simplesmente alega que os valores objeto do auto de infração não são de sua titularidade. Desta forma, é devida a presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada. MULTA DE OFÍCIO – CONFISCO Em se tratando de lançamento de ofício, é legítima a cobrança da multa correspondente, por falta de pagamento do imposto, sendo inaplicável o conceito de confisco que é dirigido a tributos Incabível se falar em confisco no âmbito das multas pecuniárias. O princípio constitucional do nãoconfisco se aplica, apenas, aos tributos. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC No que diz respeito ao argumento da indevida aplicação da SELIC como juros de mora, entendo que o mesmo não procede, uma vez que o artigo 13, da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 prevê a sua aplicação sobre os tributos em atraso: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 Desta forma, como a cobrança em auto de infração dos juros de mora (calculados pela Taxa SELIC) decorre da aplicação de dispositivos legais vigentes e eficazes na época de sua lavratura. Em decorrência dos princípios da legalidade e da indisponibilidade, os referidos dispositivos legais são de aplicação compulsória pelos agentes públicos, até a sua retirada do mundo jurídico, mediante revogação ou resolução do Senado Federal que declare sua inconstitucionalidade Além do mais tendo em vista a Súmula n° 04 do CARF, a aplicação da SELIC é devida aos débitos administrados pela Receita Federal do Brasil: Súmula 4º A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Desta forma, não procede o argumento apresentado pelo contribuinte no que diz respeito a essa matéria. Diante do exposto acolho a preliminar de decadência relativa ao ano calendário de 2000 e no mérito nego provimento ao recurso apresentado pelo Recorrente. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 694DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 273 19 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Redator designado Este voto direcionase exclusivamente a preliminar de prova ilícita por quebra do sigilo bancário, ponto na qual divirjo do Conselheiro Relator. Inobstante o bem fundamentado voto do Relator, entendo que ao apreciar a questão da licitude da prova estamos essencialmente enfrentando uma questão preliminar. O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às Fl. 695DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, Fl. 696DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19647.010267/200631 Acórdão n.º 2202002.910 S2C2T2 Fl. 274 21 devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude da prova por quebra do sigilo bancário. (Assinado Digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Redator Designado Fl. 697DF CARF MF Impresso em 13/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2014 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/12/2014 po r PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/01/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10882.720953/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2000 a 30/09/2003
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito-passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3201-001.861
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 DO CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeitopassivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. JOEL MIYAZAKI Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Winderley Morais Pereira, Daniel Mariz Gudino, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 09 53 /2 00 9- 18 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 320 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. Em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados os Autos de Infração de fls. 0211 e 1222, nos quais são cobradas, respectivamente, a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativamente ao período acima indicado, para exigência dos créditos tributários a seguir detalhados (valores em reais): COFINS PIS Contribuição 396.640,78 86.112,79 Juros de Mora 246.216,72 53.454,93 Multa 0,00 0,00 Total 642.857,50 139.567,72 2. A autoridade fiscal expõe na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, parte integrante dos mencionados autos de infrações, os elementos do procedimento fiscal que justificaram os lançamentos acima: "001 PIS (FATURAMENTO) INCIDÉNCIA NÃO CUMULATIVA FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS 001 COFINS INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA FALTA/INSUFICIÉNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS" 3. Ainda das mencionada descrições, a autoridade fiscal consignou o detalhamento da ação fiscal levada a efeito, a seguir sintetizada: 3.1. que fora emitido o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) para a fiscalizada, com o objetivo de verificar a correspondência entre valores das contribuições do PIS e da Cofins declarados e os valores apurados na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, sendo expedidas as intimações de praxe para solicitação de livros e informações; 3.2.no. curso da ação fiscal, a empresa foi cientificada, em 24/09/2008, da constatação de apresentação de declaração de compensações entregues após o início da fiscalização; 3.3. em atendimento à intimação expedida em 08/01/2009, a empresa apresentou certidão acerca do processo judicial 2008.61.00.0142566, que tramita na 19 8 Vara da Justiça Federal em São Paulo (SP); 3.4. a autoridade fiscal consignou que em 23/11/2004 a empresa impetrou mandado de segurança (2004.84.00.0099784) com pedido de liminar, na 3ª Vara da Seção Judiciária da Justiça Fl. 320DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 321 3 Federal do Rio Grande do Norte, sob número 2004.84.00.0099784, com o objetivo de não ser compelido ao recolhimento do PIS e da Cofins sobre a receita composta pelos salários e encargos sociais pagos pelas empresas tomadoras do serviço aos empregados; 3.5. a segurança requerida foi denegada em 30/06/2005, tendo sido interposta apelação (AMS 92496RN) a qual teve provimento favorável pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região; 3.6. contra o mencionado acórdão, a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que não foram providos, e na seqüência foi interposto recurso especial (RESP 996524) e extraordinário e que, até o encerramento da ação fiscal, o processo judicial se encontrava concluso ao: ministro relator no Superior Tribunal de Justiça. 3.7. a autoridade fiscal apontou que a contribuinte não depositou, nem declarou nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) os valores do PIS e da Cofins incidentes sobre parcela da receita discutida judicialmente; 3.8. justificou ainda o auditorfiscal que, embora haja sentença favorável em sede de apelação do mandado de segurança, no sentido de que "os valores que as empresas tomadoras de serviço repassam às empresas de trabalho temporário para pagamento dos salários dos trabalhadores e dos respectivos encargos sociais não constituem receita destas empresas, não integrando a base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS e que pende de decisão o recurso especial interposto, foram os lançamentos efetuados, com exigibilidade suspensa e sem multa de oficio, em observância do disposto no art. 63 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. Cientificada das exigências em 25/11/2009 (fls. 03 e 13), a empresa autuada apresentou sua impugnação (fls. 235252) em 23/12/2009, por meio de seus procuradores (instrumento às fls. 253259) com os seguintes argumentos, em síntese: 4.1. informa que foi autuada pela Receita Federal tendo em vista o implemento de decisão judicial proferida pelo TRF5 nos autos do processo 2004.84.00.0099784, cujo provimento se deu para o fim de afastar o recolhimento do PIS e da Cofins sobre as despesas reembolsadas por terceiros e para garantir o direito à compensação das parcelas pagas indevidamente a título de PIS e Cofins com quaisquer tributos arrecadados pela Receita Federal; 4.2. afirma que o lançamento efetuado destinase a prevenir a decadência do crédito tributário, cuja exigibilidade está suspensa, mas que a autoridade fiscal laborou em grave erro, ao retirar da impugnante o direito à apuração da real quantia a ser recolhida a título de tributo e, o que é mais grave, olvidou por completo o teor da decisão por ela enfrentada; Fl. 321DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 322 4 4.3. discorre sobre a base de cálculo das contribuições do PIS e da Cofins, para apontar que exerce atividade de prestação de serviço de agenciamento e recrutamento de mão de obra de caráter temporário, não se caracterizando como prestadora de serviço de natureza comum, eis que regulada pela Lei n° 6.019, de 1974; 4.4. examina e tece comentários sobre as relações jurídicas entre empresa de trabalho temporário, trabalhador temporário e empresa tomadora de serviço, para concluir que a comissão recebida pela empresa agenciadora de mão de obra da empresa tomadora de serviço caracterizase como entrada e não receita bruta, uma vez que tais conceitos jurídicos são diversos, explicando ainda que entrada constitui gênero e receita bruta é espécie, o que conduz ao entendimento de que as entradas seriam valores que, embora transitando pela contabilidade da empresa, não integra seu patrimônio, ao passo que a receita corresponde ao beneficio efetivamente resultante do exercício da atividade profissional; 4.5. alega que os salários pagos à mãodeobra recrutada e os respectivos encargos sociais traduzem tão somente ressarcimentos feitos ao prestador de serviços de despesas havidas ao exclusivo interesse dos tomadores, não integram as bases de cálculos porque não se constituem receitas; 4.6. cita doutrina de Geraldo Ataliba e decisões judiciais e administrativas para amparar suas assertivas; 4.7. referindose à compensação, apesar de a exigibilidade do crédito lançado estar sob condição suspensiva do trânsito em julgado de decisão judicial, afirma que não permanecendo a decisão tornase indevida qualquer outra exação que incida sobre a parcela vertida em beneficio da impugnante decorrente_ da decisão ora questionada, ou seja, caso a decisão não permaneça assevera que é indevido o pagamento de qualquer outro tributo que incida sobre a parcela litigiosa; 4.8. afirma que a autoridade fiscal deixa certo, fora de qualquer dúvida, que o montante questionado jamais poderia ser objeto de qualquer outra exação, simplesmente orque não denota capacidade contributiva da impugnante; 4.9. ressalta que a autoridade fiscal poderia ter efetuado, desde então, o encontro de contas entre a parcela litigiosa dada à tributação (valor cobrado) e o valor pago pela impugnante a título de imposto de renda sobre a parcela litigiosa, em obediência aos princípios constitucionais da moralidade e da legalidade que obrigam a Administração a restituir, de ofício, tudo o que tenha recebido a título de tributo e que não lhe era devido; 4.10. ao final requer: (i) o julgamento pelas nulidades dos autos de infração; (ii) seja declarada a compensação do indébito acima demonstrado, de forma que apenas a diferença resultante do encontro de créditos seja efetivamente devida pela Fl. 322DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 323 5 impugnante; e (iii) provar o alegado por todos os meios de prova admitidos em direito, em especial a juntada de eventuais novos documentos que se fizerem necessários. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE, que decidiu, por unanimidade de votos, pelo não conhecimento da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/12/2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2004 a 31112/2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo. Relativamente ao encontro de contas pleiteado pela impugnante, a autoridade julgadora esclareceu que não há como acolhêlo, por se tratar de matéria estranha a tratada neste processo. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, argüiu cerceamento ao seu direito de defesa, afirmando que a decisão recorrida deveria ingressar no mérito, mesmo este estando em discussão junto ao Poder Judiciário. Requer a nulidade da decisão recorrida. Por fim, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Fl. 323DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 324 6 O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida, decorrente de cerceamento ao seu direito de defesa. A decisão recorrida não conheceu da peça impugnatória por esta abranger matéria submetida a apreciação do Poder Judiciário, bem como por conter pleito não passível de apreciação pelo órgão julgador. Em análise aos autos, mostrase correta a decisão recorrida. É incontroverso que a impugnação apresenta questões que já se encontram em discussão na Justiça Federal, que apresentam o mesmo objeto da lide submetida ao Poder Judiciário. A identidade entre as demandas administrativa e judicial pode ensejar no proferimento de decisões divergentes sobre o mesmo objeto. O nosso sistema constitucional, contudo, adota um modelo de jurisdição no qual as decisões judiciais são soberanas, de forma que a coisa julgada proferida no âmbito do Poder Judiciário não pode ser modificada por decisão em processo administrativo. Visando a evitar que uma decisão administrativa se sobreponha a uma decisão judicial, a Lei nº 6.830/80, em seu artigo 38, parágrafo único, determinou que “A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”. Desta forma, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária, o mesmo renuncia ao poder de recorrer na instância administrativa. Observase, todavia, que o impedimento de recorrer na via administrativa restringese à matéria em discussão na ação judicial, mantendo o contribuinte o direito de recorrer em relação à matéria diferenciada. Tal entendimento já se encontra sumulado neste Conselho: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. A recorrente, contudo, em sua peça impugnatória, deixou de apresentar novos argumentos, requerendo apenas a compensação de um eventual débito com créditos referentes a outros tributos, que seriam decorrentes de uma decisão judicial definitiva contrária a seus interesses. Em relação a este pleito, contudo, conforme devidamente explicitado na decisão recorrida, o mesmo não é passível de julgamento administrativo neste processo, tendo Fl. 324DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO Processo nº 10882.720953/200918 Acórdão n.º 3201001.861 S3C2T1 Fl. 325 7 em vista não compor a lide. A recorrente, caso tenha interesse neste procedimento, deve obedecer ao rito processual previsto para a compensação de tributos. Posta assim a questão, entendo que a decisão recorrida foi correta ao não conhecer da impugnação apresentada pelo sujeito passivo. No tocante as demais alegações postas pela recorrente em seu Recurso Voluntário, pelas mesmas razões já expostas, tendo em vista tratarem de matéria já submetida ao Poder Judiciário, este Colegiado não pode apreciálos, na linha da Súmula Carf nº 01. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 325DF CARF MF Impresso em 04/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/02/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por CARLOS ALBERTO NASCIM ENTO E SILVA PINTO
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Numero do processo: 10580.009355/99-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Apr 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999
COMPENSAÇÃO. Indeferimento do pedido de diligência. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
1.0 = *:*
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Voluntário Acórdão nº 3301002.516 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria Crédito Prêmio de IPI Recorrente Engepack Embalagens Ltda Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999 COMPENSAÇÃO. Indeferimento do pedido de diligência. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Mônica Elisa de Lima, Luiz Augusto do Couto Chagas (relator), Sidney Eduardo Stahl, Andrada Márcio Canuto Natal, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 93 55 /9 9- 84 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 407 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador BA: Para fundamentar o pleito, o contribuinte apresentou cópia do Livro de Apuração do IPI (fls.03/05), relativo ao 2° decêndio do mês de abril de 1999, e do Livro Registro de Entradas (fl.02), mês de março de 1999. Mediante Parecer n° 101/2000 de fls.17/18, o Chefe da Tributação da Delegacia da Receita Federal em Salvador indeferiu em parte o pedido de ressarcimento com base no relatório da fiscalização que, após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, constatou a inexistência de saldo credor no valor solicitado, propondo o indeferimento da compensação no valor de R$13.410,03, concedendo entretanto o direito ao contribuinte de estornar o valor do crédito lançado no LRAIPI (fl.04) no montante de R$468,49. Inconformado, as fls.19/31, o contribuinte contesta o Parecer n° 101/2000, alegando sua improcedência, em razão dos erros neste cometidos, ignorando a transferência de legítimos créditos. Argumenta que o requerimento fundamentavase no artigo 2° da Instrução Normativa SRF n° 21, de 10 de março de 1997, sendolhe permitida a compensação de seus débitos a titulo da contribuição para o PIS com créditos relativos a créditoprêmio de IPI transferidos por empresa interdependente, a Pronor Petroquímica S/A. Informa que as referidas compensações foram inclusive devidamente informadas através de DCTF. Requer, preliminarmente a realização de diligencia para que seja comprovado o seu direito. Alega que a Pronor Petroquímica S/A, amparada pela legislação vigente no período compreendido entre outubro de 1988 e outubro de 1990, fez jus a beneficio fiscal denominado de creditopremio de IPI, ao proceder A exportação de produtos manufaturados nacionais, permitindolhe, em conseqüência, a manutenção e transferência dos créditos que escriturou no Livro de Apuração do IPI. Esclarece que o crédito fiscal em questão é um beneficio fiscal instituído pelo Decretolei n° 491, de 5 de março de 1969, regulamentado pelo art.3°, inciso II do Decreto n° 64.833, de 17 de julho de 1969, alterado pelo Decreto n° 67.031, de 10 de agosto de 1970, e Decreto n° 64.044, de 12 de janeiro de 1971, finalmente modificado pelo Decretolei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, amparado por medida judicial, com decisão favorável, pelo Mandado de Segurança registrado sob o n° 96.63328, em trâmite na 4a turma do TRF da 1ª Região. Discute o fato de ser a transferência do creditopremio de IPI para empresa interdependente um procedimento previsto no Decretolei n° 491, de 1969, no Decreto n° 64.833, de 1969, § 2°, inciso II, na Portaria GB Nº 14, de 14 de janeiro de 1970, e Pareceres Normativos CST nos 63/1970, 88/1970, 397/1970, 474/1970 e 75/1975, e que não cabe a afirmação de que o contribuinte não possui saldo credor, contida no citado Parecer SESIT. Por fim, analisa que tem direito a compensação prevista em lei, cuja abrangência é determinada pelo art. 2° da Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, pela edição da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 66, com alterações Fl. 407DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 408 3 introduzidas pela Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e pela Lei n° 9.250, de 26 de dezembro. de 1995. Prossegue afirmando que a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em seus artigos 73 e 74, regulamentados pelo Decreto n° 2.138, de 29 de janeiro de 1997, expressamente admite a compensação de créditos tributários com débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições, mesmo que não sejam da mesma espécie e nem tenham a mesma destinação constitucional, sendo este o entendimento reiterado pela Instrução Normativa SRF n° 73, de 15 de setembro de 1997. Para reforçar seus argumentos, a interessada menciona e transcreve trechos de decisões sobre o assunto, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho de Contribuintes, para concluir que à época das exportações efetivadas pela Pronor Proquimica S/A a legislação citada estava em vigor, haja vista a inconstitucionalidade dos artigos 1° e 5° do Decreto n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e inciso I do art. 3° do Decretolei n° 1.894, de 1981. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador BA julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 21/04/1999 a 30/04/1999 Ementa: COMPENSAÇÃO. É premissa básica para que seja efetivada a compensação de crédito tributário a existência de crédito liquido e certo, do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para discutir ou declarar a inconstitucionalidade de lei. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA O contribuinte apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando que legislação mencionada, relativa ao créditopremio de IPI encontravase ainda em vigor durante o período das exportações praticadas (out/88 a out/90) pelas empresas interdependentes Pronor Petroquímica S/A. e Nitrocarbono S/A., haja vista a inconstitucionalidade dos art. 1° e 5° do DecretoLei 1.724/79, bem assim a do inciso I do art. 3° do DecretoLei 1.894/81, que autorizaram o Ministro da Fazenda a suspender, aumentar, reduzir ou extinguir o crédito prêmio IPI, por invadir esfera reservada exclusivamente a lei. Requer, inicialmente, que seja determinada a realização da diligência fiscal solicitada, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Após a diligência, a Recorrente requer a reforma da decisão que indeferiu o Pedido de Compensação, homologando a compensação de créditos seus, transferidos através de Notas Fiscais e registro no Livro de Apuração do IPI, das empresas PRONOR PETROQUIMICA S/A Fl. 408DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 409 4 e NITROCARBONO S/A, provenientes do créditoprêmio IPI, com débitos seus a titulo da contribuição para o PIS e COFINS. É o relatório. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 410 5 Voto Preliminarmente o contribuinte requer a realização de diligência para que sejam verificados os procedimentos contábeis que podem ser comprovados através do Livro de Registro de Apuração do IPI, bem como das notas fiscais relativas à transferência do crédito prêmio e sua compensação. Verificase que a empresa não teve o seu direito de defesa cerceado, pois o processo seguiu os tramites legais quanto aos pedidos de ressarcimento e compensação. A fiscalização, na ação fiscal levada a efeito na sede da empresa, após a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, verificou que a empresa não tinha créditos suficientes para realizar a compensação solicitada. Por outro lado, a manifestação de inconformidade do interessado demonstra o amplo conhecimento dos fatos apresentados, não sendo necessária a diligencia ao seu estabelecimento para verificar a origem dos créditos, tendo em vista que a informação foi prestada pelo próprio contribuinte. Desse modo, considerase protelatório e desnecessário o pedido de diligência solicitado, ao tempo em que afasto a preliminar de cerceamento do direito de defesa. Em seguimento, verificase que o contribuinte não informou a origem do crédito solicitado no seu pedido e nem tampouco anexou aos autos os documentos comprobatórios do seu direito. Algumas questões foram apresentadas somente na manifestação de inconformidade do despacho decisório. Deste modo, não cabe ao interessado, nesta fase processual, alegar a improcedência do despacho decisório, em razão de supostos erros cometidos, pois o desconhecimento quanto à origem dos créditos foi decorrente da insuficiência de informações contidas no pedido e da falta de esclarecimento pelo próprio contribuinte durante a ação fiscal. Em casos de crédito por transferência, cabe ao estabelecimento que recebe o crédito escriturálo no livro de Registro de Apuração do IPI, a titulo de "Outros Créditos", fazendo constar a origem da transferência, a indicação do n° do CNPJ da empresa e o número da nota fiscal que o documenta. O contribuinte esclarece, na fase impugnat6ria, que o crédito solicitado tem fulcro no art. 10 do Decretolei n° 491, de 1969, e também no art. 1°, incisos I e II, do Decreto lei n° 1.894, de 1981, isto é, o créditopremio de IPI. Verificase que o recorrente alega, embora não tenha apresentado nenhuma comprovação, que fazia jus ao crédito solicitado, decorrente da transferência do crédito prêmio, cuja empresa titular do programa BEFIEX é a Pronor Petroquímica S/A. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10580.009355/9984 Acórdão n.º 3301002.516 S3C3T1 Fl. 411 6 A interessada não logrou provar seu direito ao incentivo financeiro objeto do pleito, nem tampouco sua legitimidade, uma vez que está apoiada em argumentações e premissas incorretas, sem comprovação documental. Também, restou demonstrada a extinção de tais incentivos em época anterior ao período compreendido pelas alegadas exportações, consoante atos legais e normativos mencionados. Não bastassem todas estas argumentações, configurase ainda mais descabida a pretensão da interessada, pois quer efetuar a compensação de débitos da Fazenda Nacional com créditos que são ilíquidos e incertos, posto que os mencionados créditos tam sua apuração subordinada à futura obtenção do êxito em ação judicial proposta contra a Fazenda Nacional, por empresa estranha ao processo. Deste modo, verificase que o impugnante solicita a compensação sem a certeza e liquidez do crédito que alega possuir, não havendo nos autos prova de que houve sentença transitada em julgado que autorizasse à Pronor Petroquimica S/A a transferir supostos créditos, para que se desse a hipotética extinção do crédito tributário que pleiteou. Sendo assim, tendo em vista que o interessado não trouxe aos autos provas reconhecendolhe o direito creditório, voto pelo não provimento do recurso voluntário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS Fl. 411DF CARF MF Impresso em 06/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 10 /02/2015 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 09/03/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720639/2009-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11).
DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA.
O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA.
A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA).
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA.
Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 2201-002.626
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
Nome do relator: FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA. O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA. Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia.
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO SE APLICA. MATÉRIA SUMULADA. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal (Súmula CARF nº 11). DIREITO DO TITULAR À PROPRIEDADE. RESPONSABILIDADE . ENQUANTO NÃO TRANSFERIDA. O proprietário responde pela incidência do imposto sobre o imóvel declarado enquanto não transferida a propriedade. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AUSÊNCIA DE ADA GLOSA. A área de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, se fez necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental (ADA). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. POSTERIOR AO FATO GERADOR. GLOSA. Cabe a exclusão da base de cálculo do ITR das áreas de utilização limitada/reserva legal somente quando averbadas à margem da matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 06 39 /2 00 9- 90 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 2 (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Vinicius Magni Verçoza (Suplente convocado), Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado), Francisco Marconi de Oliveira, Eduardo Tadeu Farah e Nathália Correia Pompeu (Suplente convocada). Ausentes, justificadamente, os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández, Gustavo Lian Haddad e Nathália Mesquita Ceia. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Neste processo foi expedida a Notificação de Lançamento por falta de recolhimento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, exercício 2004 (fl. 5), relativo ao imóvel rural Terra Preta e Serrinha, NIRF 4.411.5539, localizado no município de Prainha (PA). A autuação se refere à glosa das áreas de preservação permanente (2.556,0 ha) e de reserva legal (20.448,0 ha), além do arbitramento do Valor da Terra Nua, que passou de R$ 90.000,00 (R$ 3,52/ha) para R$ 472.348,80 (R$ 18,48/ha), apurandose o imposto de R$ 92.669,76, com multa de ofício de 75%, sobre os quais incidem juros de mora. A contribuinte apresentou a impugnação, cujos argumentos de defesa foram assim relatados no acórdão recorrido (fls. 77 a 84): de início, discorre sobre o procedimento fiscal, do qual discorda, pela glosa das áreas ambientais declaradas, destinadas à preservação do meio ambiente; a isenção do ITR, para essas áreas de preservação permanente e de reserva legal, independe de prévia comprovação, sendo o ADA desnecessário; ainda assim, 80% da área do imóvel está devidamente averbada como reserva legal, em obediência à legislação ambiental; o valor arbitrado não condiz com a realidade do imóvel, conforme laudo técnico, elaborado por profissional habilitado e trazido aos autos, comprovando também as áreas de reserva legal e preservação permanente; transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do STJ e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, para referendar seus argumentos. Ao final, demonstradas a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer seja considerada procedente na totalidade sua impugnação, com o cancelamento do débito fiscal reclamado. Os membros da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), por unanimidade de votos, consideraram o lançamento procedente. Cientificada em 13 de fevereiro de 2013 (fl. 90), a contribuinte interpôs o recurso voluntário no dia 12 de março de 2013 (fls. 91 a 103), no qual alega: a) prescrição intercorrente; b) desnecessidade do ADA para fins de comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente c) bloqueio da matrícula da propriedade em 14 de junho de 2006 e cancelamento em 08 de setembro de 2010. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 4 Voto Conselheiro Francisco Marconi de Oliveira O recurso voluntário é tempestivo e, atendidas as demais formalidades, dele tomo conhecimento. Prescrição intercorrente Quanto à prescrição intercorrente, basta dizer que essa polêmica foi encerrada neste Conselho com a edição da Súmula CARF nº 11, que assim dispõe: “Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal”. Não há possibilidade de a turma divergir do enunciado da súmula editada, pois, nos termos do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno deste Colegiado, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, “As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF.” Cancelamento da matrícula do imóvel A contribuinte argui que não pode ser atribuído o fato gerador do imposto, uma vez que a matrícula do imóvel fora bloqueada em 14 de junho de 2006 e cancelada em 08 de setembro de 2010. Nos autos foram juntadas as seguintes certidões, emitidas a pedido verbal da parte interessada: a) Do Cartório Único de Ofício de Prainha (PA), de 2 de outubro de 2009, do, certificando que o imóvel rural denominado de "Terra Preta e Serrinha", registrado sob o n° 19, às fls. 19 do Livro 02A, matrícula 069, fls. 66 do Livro ata n° 02, anteriormente utilizado como livro de registro de imóveis, transportado para o Livro n° 02A, teve o bloqueio da matrícula determinado pela Corregedoria de Justiça do Estado em 31 de janeiro de 2006, por força da Portaria nº 44/2006, desta Comarca, de 14 de julho de 2006 (fl. 37); e b) Do Cartório de Registro de Imóveis da Comarca de Monte Alegre (PA), de 19 de junho de 2001, certificando que o Mandado Judicial de 23 de abril de 1981, assinado pelo Juiz Federal Dr. Anselmo de Figueiredo Santiago, retifica o Mandado de 5 de maio de 1972, cuja área desapropriada em favor do INCRA seria de 36.000 hectares e não de 87.120 hectares. Os documentos acostados não certificam se a propriedade foi integralmente desapropriada antes do fato gerador, ou se a área declarada é remanescente da desapropriação, já que os quantitativos são divergentes. Na DITR a área declarada da propriedade é de 25.560,0 hectares, enquanto na desapropriação ratificada em 1972 a área era de 36.000,0 hectares. De qualquer forma, apesar de contestar, a contribuinte não juntou aos autos novas provas que confirmasse a afirmação de que a área declarada não estava em seu poder em 2005, ano em que apresentou a declaração de ITR. E, neste caso, entendese que a propriedade, pelo menos em 2005, pertence à contribuinte e deve ser submetida à tributação. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 4 5 Mesmo que o bloqueio ocorrido em 31 de janeiro de 2006, por determinação da Corregedoria de Justiça do Estado do Pará, seja por motivos de desapropriação, e que posteriormente tenha havido de fato o cancelamento da matrícula do imóvel, de acordo com o § 1°, do art. 1º, da Lei n° 9.393/96, o ITR incide sobre o imóvel declarado de interesse social para fins de reforma agrária enquanto não transferida a propriedade, exceto se houver imissão prévia na posse. Assim, como sequer há nos autos as razões do bloqueio feito em 2006, ocorrido posteriormente ao fato gerador, está correta a apuração do imposto sobre a propriedade em nome da proprietária, em relação ao exercício 2004. Áreas de preservação permanente e reserva legal O contribuinte contesta a exigência do ADA para as áreas de preservação permanente e reserva legal. Não questionou no recurso voluntário a avaliação do VTN. Quando se trata de isenção, é de responsabilidade do interessado a prova para sua concessão, conforme determina a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifos nossos) [...]. Nos tributos cujo lançamento se efetiva por homologação, que é o caso do Imposto Territorial Rural, a responsabilidade pela prestação das informações sobre a matéria de fato é do sujeito passivo. Para o ITR essa obrigatoriedade está disciplinada nos artigos 8º e 10 da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Nos termos do § 1º e 7º, artigo acima transcrito, com redação estabelecida pela Lei n.º 11.428, de 22 de dezembro de 2006, é possível a exclusão das áreas de preservação permanente e de interesse ecológico, conforme se observa a seguir: Art. 10. [...]. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 6 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei no 12.651, de 25 de maio de 2012; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Vide art. 25 da Lei nº 12.844, de 2013) b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei nº 12.651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifos nossos). Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Ao contrário, impõe ao beneficiário do ônus da prova. Especificamente em relação às áreas de preservação permanente, temse que a partir da vigência da Lei nº 10.165, de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 1981, é exigida a apresentação do ADA para fins de redução do imposto a pagar: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (grifos nossos). Assim, resta claro que a partir do exercício 2001 a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de Preservação Permanente. Compulsando os autos, observase que não foi juntado o ADA para as áreas glosadas, fato confirmado pelo contribuinte ao argumentar a desnecessidade do ato para a comprovação das áreas de reserva legal e de preservação permanente, implicando descumprimento dos requisitos necessários para a concessão da isenção. Por esse motivo, o lançamento, nesse item, deve prosperar nos termos em que foi consubstanciado no Auto de Infração. Em relação às áreas de reserva legal, temse a exigência da averbação à margem da matrícula do imóvel, que foi inserida no § 8°, do artigo 16 da Lei n° 4.771, de 1965 – o Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO Processo nº 10215.720639/200990 Acórdão n.º 2201002.626 S2C2T1 Fl. 5 7 chamado Código Florestal –, pelo artigo 1º da Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, in verbis: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: [...] § 8º A área de reserva local deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A averbação da Reserva Legal no registro de imóveis, nos termos da Lei de Registros Públicos (Lei n.º 6.015/1973, art. 167, inciso II, n.º 22), deve ser prévia, como decidido pela Primeira Sessão do STJ no EREsp n.º 1.027.051 (rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 21/10/2013). Nos termos do voto do relator, “a inércia do proprietário em não registrar a reserva legal de sua propriedade rural constitui irregularidade e, como tal, não pode ensejar a aludida isenção fiscal, sob pena de premiar contribuinte infrator da legislação ambiental.” A recorrente anexou uma Certidão de Averbação do Cartório Franco de Registro de Imóveis, de Prainha (PA), informando que, a pedido verbal da interessada, foi feita em 7 de abril de 2004 na “Matricula nº 069/2000, às fls. 66, do livro n° 3A, [...] a averbação da reserva legal equivalente a 80% (oitenta por cento) da área do imóvel em cumprimento à legislação ambiental vigente”. Entretanto, como a certidão do Cartório registra a averbação em 7 de abril de 2004, data posterior ao fato gerador do imposto, ocorrido em 1º de janeiro de 2004, também deve ser mantida a exigência fiscal em relação à glosa das áreas de reserva legal. Isto posto, voto em rejeitar as preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (ASSINADO DIGITALMENTE) FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA – Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO 8 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 1 3/01/2015 por FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2015 por MARIA HELENA CO TTA CARDOZO
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