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Numero do processo: 16327.902404/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
DCOMP. SALDO NEGATIVO. ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO.
Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de CSLL composto por valores retidos na fonte advindos de pagamentos efetuados por órgãos públicos a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte.
Numero da decisão: 1402-002.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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SALDO NEGATIVO. ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Somente se reconhece o direito creditório pleiteado relativo a saldo negativo de CSLL composto por valores retidos na fonte advindos de pagamentos efetuados por órgãos públicos a pessoas jurídicas, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, quando suportado por provas consistentes, a receita pertinente tenha sido oferecida à tributação e haja os necessários informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, não bastando meras alegações ou documentos produzidos pelo próprio contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 24 04 /2 01 0- 77 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 299 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 300 3 Relatório O litígio remonta ao Despacho Decisório (DD) da DEINF/SP, nº de Rastreamento 863122413, de 19/05/2010 que reconheceu direito creditório de R$ 103.015,88, de um total pleiteado de R$ 218.7454,21, remanescendo em litígio R$ 115.729,33, conforme reprodução abaixo (fls. 40): Irresignado, o contribuinte interpôs manifestação de inconformidade perante a Turma Julgadora de 1º Piso (fls. 3/5) requerendo o deferimento integral do direito creditório remanescente não reconhecido pelo DD (R$ 115.729,33) Em 30 de janeiro de 2014, a 10ª Turma da DRJ/SP1 prolatou decisão na qual negou provimento à MI (Acórdão fls. 238/241)1. O valor indeferido, que representa o litígio aqui trazido, compõese de retenções não confirmadas, estando assim resumido: 1 A numeração referida, quando não houver indicação em contrário, será sempre a digital. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 301 4 Fragmentos da decisão contestada mostram as razões de decidir da Turma a quo (fls. 240/241): “Conforme relatado, a autoridade administrativa concluiu que o saldo negativo de CSLL reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação, o contribuinte alega basicamente não ter localizado os Informes de Rendimentos que respaldariam o procedimento da empresa. De acordo com a Análise de Crédito feita no Despacho Decisório (fls.6470), verificase que as justificativas apresentadas para a não confirmação ou confirmação parcial da Contribuição Social Retida na Fonte, foram, em sua maioria a: “Retenção na fonte não comprovada”, conforme quadro denominado “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não confirmadas” (fl.65). Para estes casos, de fato, fazse necessária a apresentação dos comprovantes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, uma vez que o sistema Dirf não confirmou as retenções informadas pelo contribuinte. Embora o manifestante tenha alegado que faria a apresentação posterior destes informes de rendimentos, nada foi apresentado. Contudo, observase também, a existência de outras justificativas para a não confirmação ou confirmação parcial das retenções (fl.65): Fl. 301DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 302 5 Ressaltese que a análise do Despacho Decisório é resultado da diligência fiscal, MPF 08.1.66.002009005050, que examinou as compensações do contribuinte, incluindo o presente PER/DCOMP 22134.27001.190808.1.3.035909, na Informação Fiscal de fls. 7379. Verificase que, para as retenções no código de receita 6188, de imposto retido na fonte por órgãos públicos (art. 34 da Lei 10.833/2003), cujos valores foram confirmados parcialmente, conforme acima demonstrado, a autoridade fiscal diligenciante esclareceu a glosa nos seguintes termos: para a receita de código 6188 (serviços prestados a órgão público, art. 34 da Lei nº 10.833/2003), a IN SRF nº 23/2001 dispõe a aplicação de uma retenção total de 7,05% para este tipo de pagamento, sendo 1,0% relativos ao CSRF. Desta forma, o CSRF é calculada por proporcionalidade a partir da retenção total em DIRF (retenção total x 1,0 / 7,05); Já em relação à justificativa B: “Retenção comprovada em Dirf”, constatase a seguinte observação na Informação Fiscal: para a receita de código 5952 (retenção CSLL, COFINS e PIS/PASEP sobre pagamentos de PJ a PJ de direito privado), o art. 31 da Lei n° 10.833/2003 dispõe a aplicação de uma retenção total de 4,65% para este tipo de pagamento, sendo 1,0% relativo à CSRF. Desta forma, a CSRF é calculada por proporcionalidade a partir da retenção total em DIRF (retenção total x 1,0 /4,65); Portanto, concluise que, para estes casos, não há que se falar em apresentação de Informes de Rendimentos para respaldar o procedimento da empresa, como alega o contribuinte, uma vez que o motivo da glosa não foi este. Registrese que a análise detalhada do crédito do presente PER/DCOMP foi realizada na diligência fiscal e a documentação completa, inclusive a apresentação de Informes de Rendimentos já examinados, encontramse às fls. 73235 dos autos. Em face do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade”. O Acórdão guerreado encontrase assim ementado: Fl. 302DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 303 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007 DCOMP. SALDO NEGATIVO. CSRF. O saldo negativo de CSLL composto pela dedução da contribuição social retida na fonte (CSRF) deverá estar devidamente comprovado com os informes de retenção fornecidos pelas fontes pagadoras, mormente nos casos em que os sistemas da RFB não registram a retenção. A dedução da CSRF retida por órgãos públicos deve ser calculada proporcionalmente à sua retenção, assim como, a dedução relativa à retenção sobre pagamentos efetuados por pessoa jurídica a outra pessoa jurídica de direito privado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Novamente inconformada, a interessado, na qualidade de recorrente, acostou recurso voluntário (fls. 250/260) no qual reafirma basicamente todos os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade e acrescenta outros que entende pertinentes. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 304 7 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 02/05/2014 – fls. 248 – protocolização do RV em 21/05/2014 – fls. 250), a representação do recorrente está corretamente formalizada (fls. 261/263) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. A matéria é de cunho essencialmente probatório, impondo verificar se o recorrente conseguiu afastar as ressalvas que a decisão recorrida fez em relação aos itens tidos como incomprovados. Antes da análise individual de cada item não reconhecido é preciso pontuar que a retenção na fonte da CSLL para fins de composição do chamado “saldo negativo” exige sua sustentação em documentação probante regular, o oferecimento dos rendimentos à tributação (art. 837, do RIR/1999; art. 2º, § 4º, III, da Lei nº 9.430/1996)2 e que os valores pleiteados encontremse informados em comprovante específico emitido pela fonte pagadora, conforme expressa determinação do RIR/1999, artigos 942 e 943 (abaixo transcritos), em tudo aplicável à CSLL, por força das disposições contidas no art. 57 da Lei nº 8.891, de 1995, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 2º, e Lei n º 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafo único. O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de 2 Art. 837. No cálculo do imposto devido, para fins de compensação, restituição ou cobrança de diferença do tributo, será abatida do total apurado a importância que houver sido descontada nas fontes, correspondente a imposto retido, como antecipação, sobre rendimentos incluídos na declaração (DecretoLei nº 94, de 30 de dezembro de 1966, art. 9º). Art. 2o (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 305 8 janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei n º 8.981, de 1995, art. 86). Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei n º 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1 º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei n º 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Ainda em relação à matéria em litígio, cabe reproduzir, no que importa, as IN relacionadas ao tema, principiando pela nº 390, de 30/01/2204, que dispõe sobre as deduções da CSLL relativas à apuração anual: Art. 30. No balanço de 31 de dezembro do anocalendário, relativo ao ajuste anual, a pessoa jurídica poderá deduzir da CSLL devida, para fins de cálculo da CSLL a pagar, os seguintes valores: (...) IV da CSLL retida por órgão público, autarquia, fundações da administração pública federal, sociedade de economia mista, empresa pública e demais entidades em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto, e que dela recebam recursos do Tesouro Nacional e estejam obrigadas a registrar sua execução orçamentária e financeira na modalidade total no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal – SIAFI. E a Instrução Normativa SRF nº 480/2004, vigente à época dos fatos, que estabelecia: Art. 2º A retenção será efetuada aplicandose, sobre o valor a ser pago, o percentual constante da coluna 06 da Tabela de Retenção (Anexo I), que corresponde à soma das alíquotas das contribuições devidas e da alíquota do imposto de renda, determinada mediante a aplicação de quinze por cento sobre a base de cálculo estabelecida no art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, conforme a natureza do bem fornecido ou do serviço prestado. (...) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 306 9 § 3º O valor da CSLL, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento) sobre o montante a ser pago. Art. 7º Os valores retidos na forma desta Instrução Normativa poderão ser deduzidos, pelo contribuinte, do valor do imposto e contribuições de mesma espécie devidos, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser deduzido, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor do documento fiscal, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (Anexo I). Art. 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. § 1º Como forma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou a entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia do Darf, desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. E, finalmente, a IN (SRF) nº 119, de 28/12/2000 (também vigente à época dos fatos), art. 2º, prescrevendo as informações que deveriam estar contidas no informe de rendimentos: Art. 2º A fonte pagadora deverá fornecer, à pessoa jurídica beneficiária, comprovante de retenção do imposto de renda que indique: I o nome empresarial e o número de inscrição completo (com 14 dígitos) no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ) da fonte pagadora e do beneficiário; II o mês da ocorrência do fato gerador e os valores em reais, inclusive centavos, do rendimento bruto e do imposto de renda retido; III o código utilizado no DARF (com 4 dígitos) e a descrição do rendimento. Neste contexto, ainda que outras provas, inclusive a escrituração regular do requerente possam ter cunho probante subsidiário, é inegável a existência de norma cogente (artigos 942/943, do RIR/1999, com seus respectivos fundamentos legais expressos no final de cada um deles) que vincula os julgadores e que dela não podem se afastar sob pena de prevaricar e invadir seara que não lhes compete, negando vigência a dispositivo plenamente válido. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 307 10 Feitas estas ponderações, volto ao caso concreto, reproduzindo, para melhor fixação, os valores em litígio: A decisão recorrida confirmou o DD, assentando não haver comprovação das retenções ou se estar diante de valores utilizados superiores aos retidos. O recorrente reagiu afirmando haver juntado comprovação das retenções, seja mediante informes de rendimentos emitidos pelas próprias fontes pagadoras, seja mediante outros documentos acostados. Passo à análise das alegações do recorrente. Item 1 Conforme “Informação Fiscal de Diligência” de 23/02/2010 (fls. 73/79) e resumo inserido na planilha do “Anexo 7” (fls. 234/235), só teria sido confirmado em DIRF – o montante de R$ 322.033,69 (retenções efetuadas por órgãos públicos pelo pagamento de serviços à alíquota de 7,05%), chegandose, a partir daí, mediante a equação (retenção total X 1,0 / 7,05), ao importe relativo à CSLL retida, no caso, R$ 45.678,54. Todavia, o recorrente acostou comprovantes (informes de rendimentos) que mostram, além do valor já reconhecido de R$ 322.033,69 (fls. 134), mais dois informes de rendimentos (fls. 135 – R$ 62.507,31 e fls. 136 – R$ 9.673,39), valores que, submetidos à fórmula antes estampada, apontariam exatamente para o importe glosado. R$ 72.180,70 x 1,0 / 7,05 = R$ 10.238,39 Neste pensar, a comprovação se consumaria. Porém, a compulsação dos informes de rendimentos citados mostra que o beneficiário neles presentes tem o CNPJ nº Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 308 11 61.472.676/000172 enquanto o demandante possui o CNPJ nº 90.400.888/000142, sendo provável estarse diante de uma incorporação, mas tal comunicação e comprovação não constam dos autos, impondo o não reconhecimento do direito pleiteado. Item 7 O discorrido atrás aplicase, integralmente, a este item, destacandose que os documentos estão encartados às fls . 165/167. Itens 4/5/8/9 e 10 O recorrente limitouse a alegar não ter conseguido juntar os informes de rendimentos necessários, mas que apresentava outras provas que deveriam ser levadas em consideração. Vejase (RV – fls. 259): Como já visto neste voto, ainda que documentos internos da empresa, sua escrituração, planilhas de sua lavra ou ainda documentos de terceiros possam dar subsídios ao rol probatório, não suprem sem substituem os informes de rendimentos exigidos pela legislação, especialmente por conta do art. 943, § 2º, RIR/1999: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 309 12 Art. 943. (...) § 2 º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1 º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8 º(Lei n º 7.450, de 1985, art. 55). Neste cenário, não há como fugir à argumentação da decisão recorrida quando assentou (fls. 240) que, “embora o manifestante tenha alegado que faria a apresentação posterior destes informes de rendimentos, nada foi apresentado”. Itens 2/3 e 6 Finalmente, aprecio o quanto aduzido em relação a tais itens: Aqui, em tudo se aplica o quanto já dito sobre o aproveitamento de créditos relativos a incorporadas. Ainda que possível tal aproveitamento consoante a análise concreta de cada caso , certo é que os documentos (informes de rendimentos) juntados pelo recorrente (fls.264/265/266) mostram como beneficiário o CNPJ nº 61.472.676/000172, que não é o da demandante. Nestas condições, assim como nas relativas aos itens 1 e 7, caberia ao recorrente ter trazido aos autos tal informação e comprovação documental, inclusive para aferir a regularidade do crédito e a sua não utilização pela incorporada em outro processo Por todo o exposto, mantenho a decisão recorrida e NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Brasília (DF), em 27 de julho de 2017. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.902404/201077 Acórdão n.º 1402002.705 S1C4T2 Fl. 310 13 Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001550/2007-28
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximir-se da exigência da multa moratória.
Numero da decisão: 1801-000.698
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Ana de Barros Fernandes
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MULTA DE MORA. INTERPRETAÇÃO STJ. RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. Nos casos em que o contribuinte recolhe o tributo, em atraso, mas antes de qualquer procedimento de ofício ou mesmo de apresentar/retificar a DCTF, a Corte Superior entende que pode se beneficiar do instituto da denúncia espontânea com o fim de eximirse da exigência da multa moratória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe apresentou a impugnação, fls. 01 a 10, ao lançamento tributário consubstanciado no Auto de Infração de fls. 46 e ss (procedimento de malha revisão Fl. 129DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 DCTF) lavrado para a exigência de multas de mora incidentes sobre tributos recolhidos em atraso, no caso IRPJ relativas aos meses de janeiro, junho e outubro de 2004. A interessada, preliminarmente, concorda com a exigência tributária relativa ao mês de outubro de 2004, já havendo recolhido a importância exigida no Auto de Infração no que concerne a este período – fls. 54. Todavia, argumenta que, com relação aos demais meses de 2004, recolheu os valores devidos em atraso, porém acompanhados dos juros moratórios e antes de qualquer procedimento fiscal ou da retificação das DCTF. Invoca o instituto da denúncia espontânea consagrado no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esclarece que, in verbis: i) efetuou o recolhimento do débito acrescido apenas de juros de mora, conforme comprova DARF anexo (Doc. 04); (ii) apresentou petição formalizando a denúncia espontânea (Doc. 05) e, por fim, (iii) retificou sua Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF"), na qual informou os valores efetivamente devidos e recolhidos a titulo de IRPJ. A Décima Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo (I) exarou o Acórdão nº 1624.808/10, fls. 65 e ss, mantendo o lançamento tributário da multa de mora. Assim restou ementado o aresto: FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A alegação de que o instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) excluiria a exigência da multa de mora no pagamento espontâneo de tributo em atraso não possui base, quer no CTN, quer na legislação ordinária. Tempestivamente, a recorrente interpôs o Recurso de fls. 76 e ss, reprisando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes, Relatora Conheço do recurso interposto, por tempestivo. A matéria ora discutida já foi objeto de decisão do Superior Tribunal de Justiça – STJ, na forma de recurso especial representativo de controvérsia, ao qual está adstrito o julgamento por este órgão colegiado, nos termos do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (Portaria MF nº 256/09 e alterações). Também tem sido objeto de julgamento por esta turma, pelo que extraio, por oportuno, trecho do voto da conselheira Carmen Ferreira Saraiva (Acórdão nº 180100.551): Fl. 130DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001550/200728 Acórdão n.º 180100.698 S1TE01 Fl. 127 3 “Em relação à matéria, cabe mencionar a jurisprudência do STJ proferida em recurso especial representativo da controvérsia, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/20101 RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO : SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO : UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 1 https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=20090134142 4&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF Fl. 131DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Documento: 10649420 EMENTA / ACORDÃO Site certificado DJe: 24/06/2010 Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Inferese que a denúncia espontânea afasta a aplicação da multa de mora no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação recolhido fora do prazo de vencimento, desde que este pagamento seja efetuado antes da declaração prévia pelo sujeito passivo e de qualquer procedimento de ofício. Este instituto também resta configurado no caso de o sujeito passivo, após efetuar a confissão parcial do débito tributário acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa, noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.” (grifos não pertencem ao original) No caso em concreto verifico que o tributo em pauta é o IRPJ relativo aos meses de janeiro e junho do anocalendário de 2004. Verifico, ainda, que o Auto de Infração eletrônico consignou a data entrega das DCTF, trimestrais, retificadoras, como efetuadas em 05/09/05 (fls. 46) e os DARF de recolhimentos dos referidos tributos acusam a data de 29/07/05 (fls. 55 e 56). O Auto de Infração foi emitido a posteriori em 14/03/2007. Forçoso, pois, reconhecer que se enquadra perfeitamente, segundo entendimento da Corte Superior, nos casos de exoneração da multa moratória, albergada pela denúncia espontânea, por prêmio à confissão e pagamento antecipados à qualquer procedimento de ofício, efetuados pelo contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 13811.001550/200728 Acórdão n.º 180100.698 S1TE01 Fl. 128 5 Saliento que com relação à exigência relativa ao mês de outubro de 2004 não há litígio instaurado, havendo a recorrente concordado com a exigência fiscal. A autoridade que controla o crédito tributário deverá observar o DARF de fls. 54. Voto em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Relatora Fl. 133DF CARF MF Emitido em 05/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/10/2 011 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10711.004148/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Sep 11 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Avila. Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Versa o presente processo sobre o Auto de Infração lavrado (fls. 01/15) para a exigência do crédito tributário relativo às diferenças do Imposto de Importação e do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Importação, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, além da multa do controle administrativo (30%) por ausência de Licença de Importação e da multa regulamentar de 1% por classificação incorreta, em virtude da reclassificação tarifária das mercadorias descritas na Declaração de Importação (DI) n°04/11693969, registrada em 17/11/2004, como: "ZENOLIDE", classificada na Tarifa Externa Comum (TEC) no código 2926.90.99 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 11 .0 04 14 8/ 20 07 -3 5 Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 3 2 (Adição 03); "ALLYL AMIL GLICOLATE", classificada na TEC no código 2918.90.99 (Adição 09); "DYHIDRO MYRCEBNOL 26 DIMETIL7 OCTENO20L (DYHIDRO MYRCENOL), LÍQUIDO", classificada na TEC no código 2905.22.30 (Adição 10); e "CONIFERAN (ACETATO DE OTERCAMIL CICLOHEXANILA) LÍQUIDO", classificada na TEC no código 2915.39.99 (Adição 17). Em relação às Adições 03 e 09, houve o lançamento somente da multa regulamentar (1%) por ter o contribuinte classificado incorretamente a mercadoria importada. Ocorre que foram retiradas amostras dos produtos e, conforme os Laudos de Análises n° 0683/04, 0684/04, 0685/04 e 0690/04 do Labor, às fls. 17/20, resultou na seguinte identificação e reclassificação: Adição 03: produto químico orgânico Zenolide, que constitui uma dilactona, classificada no código 2932.29.90 da TEC; Adição 09: produto químico orgânico Amilglicolato de alila (mistura de isômeros) que constitui derivado de (éter e éster) de ácido carboxílico de função álcool mas sem outra função oxigenada, classificada na TEC no código 2918.19.90; Adição 10 e 17: Mistura de substâncias odoríferas, do tipo utilizado na indústria de perfumaria, classificada na TEC no código 3302.90.19; Regularmente cientificada por via postal (AR à fl. 85) a interessada apresentou impugnação tempestiva, às fls. 86/100,na qual, em síntese; Concorda com o lançamento efetuado pela fiscalização relativamente ao produto constante da Adição 10 (DIHYDRO MYRCENOL). Alega que o ZENOLIDE tratase de um éster cíclico do etileno com ácido dodecanodióico, resultado da esterificação de duas moléculas distintas, enquanto as lactonas da posição 2932, segundo as Notas Explicativas, são compostos que podem ser considerados como ésteres internos de ácidos carboxílicos, de função álcool ou fenol, que se forma por eliminação de água. Argumenta que referida definição oficial em relação às origens de lactonas, como necessariamente derivadas de ácidos carboxílicos com função oxigenada suplementar, tipo álcool ou fenólica, torna indiscutível a diferença existente entre essas substâncias e o produto que foi importado Zenolide. Argumenta que o Laboratório de Análises utilizou menos conhecimento e recursos analíticos do que seriam necessários para definir corretamente a estrutura e a origem do produto importado, optando por definilo por semelhança com outro produto químico, no caso uma lactona. Relativamente ao produto descrito como ALLYL AMYL GLICOLATE, alega que este produto é o ESTER 2PROPENÍLICO DO ÁCIDO 3 METILBUTOXI GLICOLICO um composto orgânico que contém as funções de éster e éter, cuja descrição encontrase perfeitamente retratada no texto da posição 2918, onde se encontram os "ÁCIDOS CARBOXÍLICOS CONTENDO FUNÇÕES OXIGENADAS SUPLEMENTARES E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PERÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS". Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 4 3 No mesmo plano, alega existir nota explicativa segundo a qual os "ácidos contendo funções oxigenadas suplementares são compostos que contém na sua molécula, além da função ácido, uma ou várias das funções oxigenadas referidas nos subcapítulos antecedentes (funções álcool, éter, fenol, acetal, aldeído, cetona, etc)", pelo que entende ser correta a classificação tarifária adotada na declaração de importação, uma vez que o produto importado tratase de um ácido carboxílico que contém uma função oxigenada complementar de éter. Aduz que a classificação adotada na DI é usada há mais de edz anos, sem ressalvas, em todos os países do mundo, além do que a subposição 2918.1 indicada pelo Fisco apresenta descrição excludente do conjunto de funções químicas do composto importado, ao referirse a ácidos carboxílicos de função álcool, ma sem outra função oxigenada, seus anidridos, halogênicos, peróxidos e seus derivados. Argumenta também que, pelo que se pode observar das notas explicativas relativas à definição das funções oxigenadas suplementares, cada uma das funções é considerada como função química distinta, razão pela qual a função álcool é diferente da função éter. Assim, a descrição da subposição 2918.1, ao especificar que devem ser ali posicionado os ácidos carboxílicos de função álcool(mas sem outra função oxigenada), exclui inegavelmente os éteres, os quais constituem uma outra função química. Acrescenta que os álcoois são abrangidos pelas posições 2905 a 2908, enquanto os éteres são abrangidos na posição 2909. Alega ter escolhido a subposição residual 2918.90, tendo em vista que o Alil Amil Glicolato importado não pode ser classificado nas subposições específicas, em atenção ao texto das notas explicativas referentes à subposição residual "OUTROS ÁCIDOS CARBOXÍLICOS CONTENDO FUNÇÕES OXIGENADAS SUPLEMENTARES, SEUS ÉSTERES, SAIS E OUTROS DERIVADOS" e que descrevem o ácido anísico (CH3.O.C6H4.COOH) como produto classificável dentre os outros ácidos carboxílicos, o qual tem a mesma função do produto importado em questão, isto é, ambos são éteres, sendo que a única diferença existente entre eles é o tipo de cadeia carbônica à qual estão ligados, pois, enquanto o ALIL AMIL GLICOLATO é um éter de cadeia alifática, o ácido anísico é um éter ligado a uma cadeia aromática. No que concerne ao produto descrito como CONIFERAN, evoca a definição contida nas NESH e as abordagens contidas no Ofício CRQIII/GP0128/94 do Conselho Regional de Química, acerca dos produtos de constituição química definida, para alegar que o produto importado é puro e que os componentes encontrados pelas análises do LABOR são originados da própria reação de obtenção do CONIFERAN que nunca poderiam ser retirados,já que uma purificação nesse nível seria inviável em termos econômicos, sendo, portanto, correta a classificação tarifária adotada na declaração de importação. Alega ser indevida a multa proporcional a 75% aplicada sobre a suposta diferença de valores não recolhidos, pois, ainda que se considere ter sido o produto classificado erroneamente pelo importador, este o descreveu corretamente e a aplicação da penalidade Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 5 4 é indissociável da apreciação subjetiva da conduta do contribuinte. Aduz que deve ser considerado o disposto no inciso II do artigo 112 do CTN, o disposto no Ato Declaratório Normativo COSIT n° 12, de 1997, e,bem assim, a exegese que transcreve de vários julgados do Superior Tribunal de Justiça, concernentes à multa por declaração inexata e falta de guia de importação. Pelo exposto, requer seja expedida a guia de recolhimento do crédito tributário decorrente da importação do produto denominado DIHYDRO MYRCEBNOL e, quanto aos demais produtos,que os lançamentos sejam declarados improcedentes, além de, alternativamente, a produção de prova pericial, para a qual indica o perito e formula os quesitos (fls. 101 a 105). Junta documentos de fls. 106/212. Cumpre salientar que o presente processo foi anteriormente distribuído ao relator Jorge Frederico Cardoso de Menezes, o qual o submeteu a julgamento na Sessão de 02/04/2009, sendo o feito convertido em diligência ao Laboratório de Análises Labor para que esclarecesse as questões propostas na Resolução n° 008/2009 (fls. 219/220). O Labor informa que, em virtude de ter interrompido suas atividades laboratoriais motivada pelo término do Contrato ALF/RJO n° 3/2001 em 31/07/2006, encontrase impossibilitado de dar andamento às diligências determinadas pelos órgãos de julgamento já que não dispõe de equipe técnica própria (fl. 223)." A decisão recorrida apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data da fato gerador: 17/11/2004 LAUDO PERICIAL. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada, pela impugnante, a improcedência desses laudos ou pareceres. RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. É cabível a penalidade administrativa quando o produto não estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, independentemente se o licenciamento é automático ou não. MULTA DE 1% DO VALOR ADUANEIRO. Cabível a multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória 2.15835/2001 se o importador não logrou classificar corretamente a mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 6 5 MULTA DE OFÍCIO. Cabível a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, pela falta de pagamento dos impostos na data prevista na forma da legislação de regência. Impugnação Improcedente" O recurso voluntário parcial foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, tese de que (i) que classificou corretamente o produto "Allyl Amyl Glycolate", o qual pode possuir a grafia de "Alil Amil Glicolato"; (ii) que tal produto é um composto orgânico que contém as funções de "ETER" e "ESTER", o que resulta na classificação do produto na NCM 2918.90.99 e não na NCM 2918.19.90 como pretende o fisco; (iii) apresenta a fórmula molecular do "Allyl Amyl Glycolate" no intuito de comprovar que o produto não possui a função "álcool"; (iv) que classificou corretamente o produto "Coniferan"; que o "Coniferan" é um produto de constituição química definida e não uma mistura de substâncias odoríferas; (v) cita o conceito de "composição química definida" constante na NESH Nota Explicativa sobre o Sistema Harmonizado; (vi) menciona peculiaridades apontadas pelo Conselho Regional de Química sobre "composição química definida"; (vii) que o "Coniferan" é um produto puro, sendo certo que os outros componentes encontrados pelas análises do LABOR são produtos originados da própria reação de obtenção do produto; (viii) que é equivocada a classificação pretendida pela fiscalização na NCM 3302.90.19, sendo a correta a NCM 2915.39.99; (ix) que é indevida a multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada com fundamento no art. 44, inc. I da Lei 9.430/96; (x) pede a realização de perícia para que seja dirimida a dúvida existente sobre a correta classificação dos produtos, sob pena de cerceamento do direito de defesa. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja declarada a nulidade do julgamento por cerceamento de defesa e, no mérito, julgado improcedente o lançamento fiscal. É o relatório. Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Cingese o presente recurso sobre se a classificação adotada pela recorrente para os produtos denominados "Allyl Amyl Glycolato" e "Coniferan" são, respectivamente, um composto orgânico que possui as funções de "ESTER" e "ETER" e um composto de composição química definida. Prefacialmente, entendo que há necessidade da produção de nova prova técnico pericial, como requerido pela recorrente ao final de sua peça recursal. Deve ser salientado que a Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis havia deliberado pela conversão do processo em diligência para que o LABOR Laboratório de Análises apresentasse esclarecimentos sobre o produto constante do laudo de análise colacionado à fl. 18, autos. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 7 6 Em referida deliberação consta que: "A SEGUNDA TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO EM FLORIANÓPOLIS DECIDE, por maioria de votos (vencido o Julgador Gustavo Lima Santos Souza), CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, de molde a que a autoridade preparadora providencie para que o Laboratório de Análises Labor apresente esclarecimentos por meio de Informação Técnica acerca da identificação do produto constante do laudo de análise colacionado à fl. 18 do presente processo." Ainda, na aludida decisão (Resolução DRJ/FNS 008/2009) foram apresentados 9 (nove) quesitos a serem respondidos pela perícia técnica, conforme a seguir ementado: "1) as funções éter e éster são funções oxigenadas? 2) qual o significado da expressão "funções oxigenadas suplementares"? 3) as funções éter e éster são funções oxigenadas suplementares? 4) dizer que uma determinada substância constitui "derivado (éter e éster) de ácido carboxílico de função álcool" implica identificar também outras funções oxigenadas na fórmula estrutural deste derivado de Acido carboxílico de função álcool (no caso as funções éter e éster)? Porque? 5) qual é o significado da expressão "derivado (éter e éster) de ácido carboxílico de função álcool mas sem outra função oxigenada"? 6) dizer que uma determinada substância constitui um "derivado (éter e éster) de Acido carboxílico de função álcool mas sem outra função oxigenada" implica o mesmo que dizer que as funções fenol, aldeido ou cetona, éter e éster não estão presentes na substância? 7) o ácido anísico pode ser definido como um ácido carboxílico contendo funções oxigenadas suplementares? em caso afirmativo, porque e quais são as funções oxigenadas suplementares presentes no ácido anísico? 8) o produto químico orgânico Amilglicolato de aula, identificado no mencionado laudo de análise, apresenta as mesmas funções oxigenadas suplementares ou alguma outra semelhança com o ácido anísico? porque? 9) adicione demais esclarecimentos que entender serem necessários." Constatase, portanto, que o próprio órgão julgador de 1ª instância entendeu como imprescindível a realização de perícia para que o processo fosse julgado de forma correta. Ocorre que, a perícia técnica designada não foi realizada em razão do término do contrato ALF/RJO 3/2001, conforme manifestação do chefe do LABOR: Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 8 7 Inexplicavelmente, o processo foi julgado sem a realização dos trabalhos técnicos necessários para que a decisão fosse prolatada de forma correta e, em especial, não fosse cerceado o direito de defesa e contraditório da recorrente. Luiz Guilherme Marinoni disserta que o contraditório assegura o direito à produção da prova, pois “de nada adianta a participação sem a possibilidade do uso dos meios necessários à demonstração das alegações. O direito à prova, destarte, é resultado da necessidade de se garantir à parte a adequada participação no processo.” (MARINONI, Luiz Guilherme. Novas linhas do processo civil: o acesso à justiça e os institutos fundamentais do direito processual. São Paulo, RT, 1993, p. 167.) E tem alcance mais amplo. Impõe que as provas produzidas e requeridas pelos interessados, em sede de processo administrativo, sejam devidamente apreciadas de maneira a influenciar o convencimento da instância julgadora, como disserta Calmon de Passos, eis que “O contraditório, como garantia do devido processo legal, por seu turno, não se cumpre com a mera citação do réu, mas reclama complementarse a ciência do interessado com o direito, reconhecido aos litigantes, de participação para provar e de alegação para esclarecer e convencer.” (PASSOS, J.J. Calmom de. O devido processo legal e o duplo grau de jurisdição. Revista da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, São Paulo, n. 17, dez., 1980, p. 127.) Transportando estes enunciados à realidade processual, mostrase absolutamente intolerável um julgamento, quando a própria Delegacia já havia decidido pela produção da prova, com a desconstituição de um direito devidamente concedido no trâmite processual, sem que a parte recorrente tenha agido maliciosamente ou de máfé. Assim, em razão de a decisão ter sido proferida em dissonância com o contido no caderno processual, já que a própria Delegacia de Julgamento havia decidido pela realização da prova técnica, entendo que é nula a decisão recorrida, aliado ao fato de se estar ofendendo o direito ao contraditório e a ampla defesa. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que encaminhe o processo ao LABANA para que sejam respondidos os quesitos encartados na Resolução DRJ/FNS 008/2009, a seguir indicados: Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10711.004148/200735 Resolução nº 3201001.021 S3C2T1 Fl. 9 8 "1) as funções éter e éster são funções oxigenadas? 2) qual o significado da expressão "funções oxigenadas suplementares"? 3) as funções éter e éster são funções oxigenadas suplementares? 4) dizer que uma determinada substância constitui "derivado (éter e éster) de ácido carboxílico de função álcool" implica identificar também outras funções oxigenadas na fórmula estrutural deste derivado de Acido carboxílico de função álcool (no caso as funções éter e éster)? Porque? 5) qual é o significado da expressão "derivado (éter e éster) de ácido carboxílico de função álcool mas sem outra função oxigenada"? 6) dizer que uma determinada substância constitui um "derivado (éter e éster) de Acido carboxílico de função álcool mas sem outra função oxigenada" implica o mesmo que dizer que as funções fenol, aldeido ou cetona, éter e éster não estão presentes na substância? 7) o ácido anísico pode ser definido como um ácido carboxílico contendo funções oxigenadas suplementares? em caso afirmativo, porque e quais são as funções oxigenadas suplementares presentes no ácido anísico? 8) o produto químico orgânico Amilglicolato de aula, identificado no mencionado laudo de análise, apresenta as mesmas funções oxigenadas suplementares ou alguma outra semelhança com o ácido anísico? porque? 9) adicione demais esclarecimentos que entender serem necessários." Isto posto, deve ser oportunizado à recorrente o conhecimento das respostas exaradas aos quesitos periciais anteriormente indicados, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, para que se manifeste nos autos, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11831.000444/00-52
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Exercício: 1997
PER/DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IRPJ.
A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período IRRF incidente sobre as receitas computadas na sua determinação.
COMPROVAÇÃO.
As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria.
Numero da decisão: 1801-000.446
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: Carmen Ferreira Saraiva
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período IRRF incidente sobre as receitas computadas na sua determinação. COMPROVAÇÃO. As meras alegações da Recorrente desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Relatora EDITADO EM: Composição do Colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 2 Relatório A Recorrente formalizou Pedido de Restituição em 15/03/2000, fl. 01, utilizando-se do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) do ano-calendário de 1996 no valor original de R$54.047,52 em cotejo com o Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiro, fl. 02. O processo foi instruído com a Declaração de Rendimentos de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIRPJ) do ano- calendário de 1996, fls. 18/42 e com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 66/67. Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 78/86, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido no valor de R$47.605,55 ao argumento de que ficou comprovada a existência de direito creditório líquido e certo passível de restituição decorrente do saldo negativo de IRPJ correspondete do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF). Cientificada em 18/04/2007, fl. 86-verso, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 15/05/2007, fls. 95/97, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Suscita que “a apropriação contábil das receitas de aplicações financeiras ocorre pelo regime de competência e a tributação na fonte ocorre pelo regime de caixa (apenas no vencimento ou cessão do título) nos termos do artigo 732 do RIR/99.” Conclui 8 — Diante do acima exposto, é a presente para requerer seja dado provimento ao presente recurso, deferindo o complemento do pedido de restituição no valor de R$ 6.441,97 (R$ 54.047,52 — R$ 47.605,55) e o restabelecimento do valor lançado na DIPJ/1998, ano-calendário de 1997, Linhas 18 e 26, Ficha 08, no montante originalmente declarado de R$ 167.399,51. Termos em que Pede deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº - 16-14.555, de 23/08/2008, fls. 115/118: “ Solicitação Indeferida”. Restou esclarecido ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1996 RESTITUIÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRPJ. LIQUIDEZ E CERTEZA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS TRIBUTÁVEIS. IRRF. DIREITO À DEDUÇÃO. O IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto e a estimativa efetivamente recolhida durante o ano-calendário são dedutíveis do IRPJ devido. Todavia não tendo havido comprovação de que a totalidade dos rendimentos Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11831.000444/00-52 Acórdão n.º 1801-00.446 S1-TE01 Fl. 342 3 relativos às aplicações financeiras foram oferecidos à tributação, nega-se a solicitação da manifestante. Notificada em 23/10/2008, fl. 122-verso, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19/11/2008, fls. 124/138, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que, pelo regime de competência, apropria mensalmente os rendimentos decorrentes de aplicação financeira adicionando estes valores ao resultado do exercício, independentemente de sua efetiva realização. No momento do resgate destas aplicações financeiras necessariamente incide IRRF pelo regime de caixa. Suscita que o valor da receita financeira de R$25.767,89 (R$2.470.349,37 – R$2.444.581,48) foi oferecida à tributação no ano-calendário de 1995. Procura evidenciar sua tese de defesa com quadros demonstrativos. Indica a legislação que rege a matéria, princípios que alega foram violados ainda entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, é.a presente para requerer o recebimento e, total provimento do presente recurso voluntário reformando-se a decisão proferida pela DRJ, para fins de reconhecer o direito creditório referente ao saldo negativo de IRPJ de 1996 no montante de R$54.047,52, e por conseqüência, homologar s compensações formalizadas extinguindo-se os respectivos créditos tributários. É o Relatório. Voto Conselheira Relatora, Carmen Ferreira Saraiva O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente, em sua defesa, alega que o valor da receita financeira de R$25.767,89 foi oferecida à tributação no ano-calendário de 1995, e por esta razão tem direito ao reconhecimento do IRRF de R$6.441,98 correspondente ao resgate ocorrido no ano- calendário de 1996. Suscita que, por força normativa, apropriou os rendimentos decorrentes de aplicação financeira pelo regime de competência e a incidência do IRRF foi efetuada no resgate pelo regime de caixa. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, determina: Art. 34. Para efeito de pagamento, a pessoa jurídica poderá deduzir, do imposto apurado no mês, o imposto de renda pago ou retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 4 cálculo correspondente (arts. 28 ou 29), bem como os incentivos de dedução do imposto, relativos ao Programa de Alimentação do Trabalhador, Vale-Transporte, Doações aos Fundos da Criança e do Adolescente, Atividades Culturais ou Artísticas e Atividade Audiovisual, observados os limites e prazos previstos na legislação vigente. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) [...] Art. 65. O rendimento produzido por aplicação financeira de renda fixa, auferido por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, a partir de 1º de janeiro de 1995, sujeita-se à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 1º A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos ou valores mobiliários (IOF), de que trata a Lei nº 8.894, de 21 de junho de 1994, e o valor da aplicação financeira. § 2º Para fins de incidência do Imposto de Renda na fonte, a alienação compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a liquidação, resgate, cessão ou repactuação do título ou aplicação. § 3º Os rendimentos periódicos produzidos por título ou aplicação, bem como qualquer remuneração adicional aos rendimentos prefixados, serão submetidos à incidência do Imposto de Renda na fonte por ocasião de sua percepção. [...] Art. 73. O rendimento auferido no resgate de quota de fundo de ações, de commodities, de investimento no exterior, clube de investimento e outros fundos da espécie, por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeita-se à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de dez por cento. § 1º A base de cálculo do imposto é constituída pela diferença positiva entre o valor de resgate, líquido de IOF, e o valor de aquisição da quota. [...] Art. 76. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) I - deduzido do apurado no encerramento do período ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real; [...] Fl. 4DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11831.000444/00-52 Acórdão n.º 1801-00.446 S1-TE01 Fl. 343 5 § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos produzidos a partir de 1º de janeiro de 1995 integrarão o lucro real. Por seu turno, a Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, prevê: Art. 11. Os rendimentos produzidos por aplicação financeira de renda fixa, auferidos por qualquer beneficiário, inclusive pessoa jurídica isenta, sujeitam-se à incidência do imposto de renda à alíquota de quinze por cento. § 1º Os rendimentos de que trata este artigo serão apropriados pro rata tempore até 31 de dezembro de 1995 e tributados, no que se refere à parcela relativa a 1995, nos termos da legislação então vigente. O Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR, de 1999, determina: Art.929. As pessoas físicas ou jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da Secretaria da Receita Federal, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano-calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte (Decreto-Lei nº 1.968, de 1982, art. 11, e Decreto-Lei nº 2.065, de 1983, art. 10). [...] Art.942. As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). O IRPJ deve ser apurado conforme os critérios previstos na legislação tributária (Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1996 e na Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Cabe esclarecer que na verificação do saldo negativo de IRPJ deve haver o exame da sua liquidez e certeza, para fins de reconhecimento do direito creditório e conseqüente homologação da compensação dos débitos. A pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real pode deduzir do IRPJ devido no encerramento do período o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre as receitas computadas na sua determinação (art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, art. 2º e art. 51 da Lei 9.430, de 1996 e art. 10 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997), desde que comprovado com documentos hábeis e idôneos). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 6 Cabe mencionar a jurisprudência administrativa sobre a questão (fonte: http://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarJurisprudencia/listaJurisprudencia.jsf, acesso em 27/12/2010): Nº Recurso 150452 Número do Processo 13601.000242/2003-27 Órgão Julgador Primeira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte COMAU DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 28/03/2007 Relator(a) Sandra Maria Faroni Nº Acórdão 101-96043 Tributo / Matéria IRPJ - restituição e compensação Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa RESTITUIÇÃO - SALDO NEGATIVO APURADO NA DIPJ- EXCLUSÃO DE VALOR CORRESPONDENTE A IRRF SOBRE APLICAÇÕES FINANCEIRAS - AUSÊNCIA DE COMPROVANTE DA RETENÇÃO- Evidenciado que o valor reduzido do direito creditório por falta de comprovante da retenção não integrou o valor do imposto deduzido na declaração, não prospera a exclusão. Recurso provido. [...] Nº Recurso 137487 Número do Processo 13819.000811/99-13 Órgão Julgador Terceira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte EQUIGRAF EQUIPAMENTOS EM FIBERGLASS LTDA Tipo do Recurso - Recurso Voluntário - Negado Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 13/11/2008 Relator(a) Leonardo de Andrade Couto Nº Acórdão 103-23629 Tributo / Matéria IRPJ - restituição e compensação Decisão Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 Ementa: SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO. Se o imposto retido na fonte sobre aplicações financeiras foi utilizado na apuração do saldo negativo de imposto de renda trimestral objeto do pedido de restituição, o deferimento do pleito fica condicionado à comprovação de que as receitas correspondentes àquela retenção na fonte estão devidamente apropriadas no trimestre. No presente caso, a legislação permite a dedução dos valores de IRRF referentes aos códigos de arrecadação nºs: - 3426 - aplicações financeiras em renda fixa sujeitando-se à incidência à alíquota de 10% (dez por cento) em 1995 e 15% (quinze por cento) em 1996 (art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995); - 5600 – fundo de investimento financeiro de aplicação em quotas sujeitando- se à incidência à alíquota de 10% (dez por cento) em 1995 e 15% (quinze por cento) em 1996 (art. 73, art. 76 e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995). Fl. 6DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES Processo nº 11831.000444/00-52 Acórdão n.º 1801-00.446 S1-TE01 Fl. 344 7 Conforme as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras (art. 11 do Decreto- lei nº 1.068, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do Decreto-lei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983) no ano-calendário de 1996, fls. 66/67, tem-se: Código de Arrecadação Rendimento Bruto – R$ IRRF – R$ 3426 1.815.911,49 258.723,09 5600 654.437,88 91.953,36 Total 2.470.349,37 350.676,45 De acordo com a DIRPJ entregue pela Recorrente do ano-calendário de 1996, fls. 18/42, tem-se: Outras Receitas Financeiras – R$ IRRF – R$ 2.444.581,48 350.676,45 No Despacho Decisório, fls. 78/86, o lucro real foi ajustado com a adição do valor de R$25.767,89 (R$2.470.349,37 – R$2.444.581,48) a título de receita financeira que não foi oferecida à tributação, por se tratar de diferença entre o valor informado em DIRF pelas fontes pagadoras e o valor constante na DIRPJ entregue pela Recorrente. Deste ajuste foi apurado o IRPJ a maior no valor de R$6.441,98 (R$315.026,41 – R$308.584,43), que se refere à diferença entre o valor apurado na DIRPJ e o valor determinado de ofício. Assim, remanesce a parcela litigiosa no valor de R$6.441,98 (R$54.047,53 – R$47.605,55) de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 1996 correspondente à diferença entre o valor pleiteado e o evidenciado no procedimento fiscal. As provas constantes nos autos foram exaustivamente analisadas pelas autoridades fiscais. Partindo do pressuposto legal de que a defesa deve comprovar todas as suas alegações na oportunidade própria (art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1996), a Recorrente não juntou novas provas aos autos mediante documentos hábeis e idôneos que demonstrem sua afirmativa de que o valor da receita financeira de R$25.767,89 foi oferecida à tributação no ano-calendário de 1995, e por esta razão tem direito ao reconhecimento do IRPJ negativo referente ao IRRF de R$6.441,98 correspondente ao resgate ocorrido no ano-calendário de 1996. Pelo exame da DIRPJ do ano-calendário de 1995, fls. 151/168, do Livro Razão, fls. 169/225 e 280/321, do Livro Diário, fls. 226/239 e 329/339, dos Informes de Rendimentos, fls. 240/241 e 322/328, bem como dos Demonstrativos, fls. 242/255, não se pode inferir desde logo a consistência da sua afirmação. As suas meras alegações desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade mediante a análise de todos os documentos que embasaram a escrituração não são suficientes para ilidir a motivação fiscal do exame da matéria, tendo em vista que as provas já constantes nos autos constituem um conjunto probatório robusto de que o procedimento de ofício está correto. Logo, não lhe cabe razão. No que se refere à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados na peça recursal, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso (art. 100 do Código Tributário Nacional). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES 8 Em relação aos princípios constitucionais que a Recorrente entende que supostamente foram violados, cabe transcrever o enunciado da Súmula CARF n 2, que é de adoção obrigatória (art. 72 do Anexo II da Portaria MF n 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF), e que assim determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, este argumento não pode prosperar. Em face do exposto voto, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 8DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Assinado digitalmente em 26/01/2011 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNAN DES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900291/2009-65
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte.
Numero da decisão: 9101-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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DE SERV. LTDA. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte acompanhados de documentação de suporte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Solicitaram apresentar declaração de voto os conselheiros Cristiane Silva Costa e José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 90 02 91 /2 00 9- 65 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 9101002.768 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase, na origem, de despacho de não homologação de compensação efetuada pelo contribuinte em epígrafe. Nos termos do despacho decisório, o pagamento do tributo considerado indevido ou maior foi totalmente utilizado para a quitação de débito do sujeito passivo, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Melhor explicando, em virtude da não retificação da DCTF relativa ao débito pago, não foi identificado valor pago a maior pelo Contribuinte, pois o DARF foi integralmente utilizado para quitação do débito declarado. Inconformado o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, dentre outros argumentos, que efetuou a retificação da DIPJ do período previamente, de modo que o pagamento a maior foi devidamente informado à Receita Federal. A Manifestação de Inconformidade foi julgada totalmente improcedente, sob o fundamento de que é condição necessária para que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a anterior. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF. No julgamento do Recurso a Turma a quo a ele deu provimento. Cientificada da decisão a Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência. A Autoridade competente pela análise de admissibilidade do Recurso, a ele deu seguimento. Regularmente intimado, o Contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9101002.766, de 06/04/2017, proferido no julgamento do processo 10245.900267/200926, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9101002.766): Não obstante a didática e clara exposição do voto do i. Relator, apresento divergência quanto ao mérito. Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 9101002.768 CSRFT1 Fl. 4 3 O caso trata de compensação pleiteada pela Contribuinte, em razão de pretenso pagamento a maior de tributo. O despacho eletrônico que apreciou o pedido de reconhecimento de direito creditório atestou que o pagamento do tributo efetuado estava integralmente vinculado a débito do mesmo tributo confessado em DCTF. Ou seja, o pagamento no valor "X" estava confessado na DCTF no qual constava o mesmo valor "X". Nesse sentido, entendeuse que não haveria crédito disponível para a compensação. Discutese se, em razão de retificação de declaração, alterando para menor ("X 1") o valor do tributo apurado, tal fato seria suficiente para demonstrar a ocorrência de pagamento a maior. São os fatos. Passo ao exame. Não obstante o envio de declaração retificadora, alterando o valor do tributo para um valor a menor, o que se mostra relevante é que tal alteração implica em uma revisão no valor do tributo confessado em DCTF. Ocorre que a DCTF tem efeito de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei n.º 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da SRF e RFB que dispõem sobre a DCTF). Os débitos informados podem ser objeto de cobrança administrativa e, caso não liquidados, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU). Nesse contexto, eventual retificação dos valores antes nela informados, procedida pelo interessado ou de ofício devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte e de documentação apta a lastrear os registros contábeis. Ou seja, a mera apresentação de informações prestadas em DIPJ, por si só, não se mostra suficiente para comprovar a efetiva ocorrência de erro no preenchimento do valor do tributo confessado em DCTF. Ademais, cumpre esclarecer que no processo de reconhecimento de direito creditório o ônus da prova é da parte que alega ser detentora do crédito, qual seja, a Contribuinte. Assim, eventual retificação de declaração com efeito de confissão de dívida que tenha repercussão no crédito pleiteado deve estar acompanhada de documentação probatória, que inclusive poderia ter sido apresentada no decorrer da fase contenciosa, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 c/c os §§ 9º, 10 e 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Nesse contexto, não tendo a defesa apresentada pelo sujeito passivo trazido conjunto probatório apto a lastrear a retificação da DCTF, necessário para deixar o julgador convicto de que efetivamente ocorreu o erro de preenchimento na declaração, devese reformar a decisão recorrida. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10245.900291/200965 Acórdão n.º 9101002.768 CSRFT1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Declaração de Voto Conselheira Cristiane Silva Costa Não tendo sido apresentada no prazo regimental1, considerase não formulada a declaração de voto. Declaração de Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza Não tendo sido apresentada no prazo regimental2, considerase não formulada a declaração de voto. 1 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.932198/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE.
Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira.
PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantém-se a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.484
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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COFINS. COMPENSAÇÃO. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente P.G.SCHMIDT & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. TRIBUTAÇÃO DA RECEITA FINANCEIRA. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez declarado inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, por decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), em regime de repercussão geral, o valor da receita financeira não integra a base de cálculo da contribuição, por não integrar o faturamento da pessoa jurídica não financeira. PAGAMENTO INDEVIDO. NÃO COMPROVADO O RECEBIMENTO DE RECEITA FINANCEIRA. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de reconhecimento o direito creditório se não provado, com documento hábil e idôneo, o recebimento da receita financeira sobre a qual foi apurada a parcela do PIS e da Cofins alegada como indevida. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. HOMOLOGAÇÃO DO PROCEDIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Se não comprovadas a certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório mantémse a não homologação da compensação declarada por ausência de crédito. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 21 98 /2 00 9- 04 Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10980.932198/200904 Acórdão n.º 3302004.484 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Charles Pereira Nunes, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Tratase de compensação, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp) em que a contribuinte informou a utilização de indébito de Cofins cumulativa (código 2172), para adimplir débitos de tributos diversos. Foi emitido despacho decisório de não homologação da compensação, seja em razão de o Darf discriminado na DComp encontrarse totalmente utilizado para quitação de débito da contribuinte, não restando saldo de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na citada DComp ou não ter sido localizado nos sistemas da Receita Federal. Em sede de manifestação de inconformidade, a recorrente alegou que o crédito utilizado era decorrente da ampliação da base cálculo, determinada pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998, que fora declarada inconstitucional pelo STF no julgamento do RE 357.950; que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996; que apresentou demonstrativo da origem do crédito e afirmou que estava amparada pelo art. 170 do CTN; citou e transcreveu jurisprudência administrativa e judicial; ressaltou o contido no art. 165 do CTN; insistiu no direito à restituição; e, ao final, pediu a homologação da compensação. Sobreveio a decisão de primeira instância em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantida a não homologação da compensação declarada, com base nos fundamentos expressos no Acórdão 06036.855. A contribuinte foi cientificada da referida decisão e apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário constante nos autos, em que reafirmou as razões de defesa aduzidas na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.481, de Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10980.932198/200904 Acórdão n.º 3302004.484 S3C3T2 Fl. 4 3 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.924260/200986, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.481): "O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da não homologação da compensação declarada, por inexistência do direito creditório informado. De fato, noticia o Despacho Decisório de fls. 2/4, que, embora localizado nos sistema da RFB, o Darf informado pela recorrente na Declaração de Compensação (DComp) de fls. 5/8, o pagamento nele discriminado fora integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação em apreço. Por meio da manifestação de inconformidade de fls. 9/14, a recorrente alegou que a parcela do pagamento utilizado na compensação correspondia a parcela do pagamento da Cofins do mês de fevereiro de 2001, calculada sobre o valor das receitas financeiras recebidas no mês, incluído indevidamente na base de cálculo da contribuição, em razão da decisão do STF que declarara inconstitucional o art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. A questão jurídica, atinente ao ilegal alargamento da base de cálculo, já se encontra superada no âmbito deste Conselho desde o trânsito em julgado da decisão plenária do STF, proferida no âmbito do julgamento da questão de ordem suscitada no RE nº 585.235/RG, realizado sob o regime de repercussão geral, estabelecido no art. 543B do CPC, cujo enunciado da ementa restou a assim redigido, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, DJe227 28/11/2008) – Grifos não originais. Com o trânsito de julgado da referida decisão, em cumprimento ao disposto no art. 62, § 2º, da Portaria MF 343/2015, que aprovou Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), os fundamentos do referido julgado são de adoção obrigatória por todos membros deste Conselho, logo, aqui adotase o teor da respectiva decisão, para afastar o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, previsto no art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/1998. Entretanto, embora reconhecido como indevido o alargamento da base de cálculo das referidas contribuições, o que, induvidosamente, inclui as receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência, a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.932198/200904 Acórdão n.º 3302004.484 S3C3T2 Fl. 5 4 recorrente não dignou trazer aos autos prova de que de que auferira o valor da receita financeira alegado. De fato, na fase de manifestação de inconformidade, a recorrente não apresentou nenhum elemento probatório que confirmasse o recebimento das referidas receitas financeiras e tampouco que tenha incluído o correspondente valor na base de cálculo da contribuição recolhida no mês. Somente com a apresentação da peça recursal em apreço, a recorrente trouxe à colação dos autos o demonstrativo de fls. 44/45, em que discriminado os valores das receitas financeiras, auferidas nos meses de fevereiro de 2001 a dezembro de 2003, bem como os supostos valores originais e atualizados da Cofins indevida, apurados nos citados meses. E com vista à comprovação do valor da receita financeira auferida no mencionado mês, em vez de apresentar cópia das folhas do livro contábil obrigatório (o livro diário), devidamente autenticado no Registro Público de Empresas Mercantis, acompanhado das cópias dos extratos bancários das correspondentes operações financeiras, conforme exige os arts. 1.179 a 1811 da Lei 10.406/2002 (Código Civil de 2002), a recorrente limitouse a apresentar uma folha com os valores de suposta Demonstração de Resultado do mês de fevereiro. A copia do suposto documento não foi extraída do livro Diário e tampouco assinado por profissional da área contábil legalmente habilitado e pelo representante da recorrente, conforme exige o art. 1.184 do Código Civil de 2002, a seguir transcrito: Art. 1.184. No Diário serão lançadas, com individuação, clareza e caracterização do documento respectivo, dia a dia, por escrita direta ou reprodução, todas as operações relativas ao exercício da empresa. § 1º Admitese a escrituração resumida do Diário, com totais que não excedam o período de trinta dias, relativamente a contas cujas operações sejam numerosas ou realizadas fora da sede do estabelecimento, desde que utilizados livros auxiliares regularmente autenticados, para registro individualizado, e conservados os documentos que permitam a sua perfeita verificação. § 2º Serão lançados no Diário o balanço patrimonial e o de resultado econômico, devendo ambos ser assinados por técnico 1 "Art. 1.179. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. § 1º Salvo o disposto no art. 1.180, o número e a espécie de livros ficam a critério dos interessados. § 2º É dispensado das exigências deste artigo o pequeno empresário a que se refere o art. 970. Art. 1.180. Além dos demais livros exigidos por lei, é indispensável o Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de escrituração mecanizada ou eletrônica. Parágrafo único. A adoção de fichas não dispensa o uso de livro apropriado para o lançamento do balanço patrimonial e do de resultado econômico. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios." Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.932198/200904 Acórdão n.º 3302004.484 S3C3T2 Fl. 6 5 em Ciências Contábeis legalmente habilitado e pelo empresário ou sociedade empresária. (grifos não originais) Assim, como se trata de documento sem autenticidade, sequer assinado por representante legal da recorrente e profissional habilitado, induvidosamente, ele não serve como meio de prova do recebimento dos valores das referidas receitas financeiras discriminados pela recorrente no citado demonstrativo. Além disso, o citado documento não foi apresentado com a manifestação de inconformidade, conforme exige o art. 15 do Decreto 70.235/1972. Assim, ainda que revestisse de meio de prova adequada, o que se admite apenas para argumentar, por força da preclusão determinada no art. 16, § 4º, do citado Decreto, o referido documento não poderia ser admitido como elemento de prova na atual fase processual. Enfim, cabe ainda consignar que, no processo de compensação, a parte autora é o contribuinte que realizou o procedimento compensatório, portanto, nos termos do art. 373, I, da Lei 13.105/2015 (Código Processo Civil), que, na ausência de norma específica, aplicase subsidiariamente ao processo administrativo fiscal (art. 152 do CPC), o ônus de provar a certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação em apreço era da incumbência da recorrente. No entanto, nas duas oportunidades em que compareceu aos autos, ela omitiu se de apresentar prova adequada que demonstrasse a existência do direito creditório informado. No mesmo sentido, o art. 36 da Lei 9.784/1999, que dispõe sobre o processo administrativo federal, atribui ao autor do feito ou do pedido o ônus da prova constitutiva do seu direito. Logo, uma vez demonstrado que o ônus da prova da existência do crédito compensado era da recorrente, porém, como ela não se incumbiu dessa função deve arcar com as consequências decorrentes da sua omissão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente e a Recorrente não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, decorrentes de pagamentos a maior de PIS/Pasep e Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 "Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente." Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.724000/2015-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Data do fato gerador: 19/10/2009
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 9202-005.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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Recorrente BRUNO LACOMBE MIRAGLIA Interessado PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Data do fato gerador: 19/10/2009 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional, e sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 40 00 /2 01 5- 51 Fl. 2072DF CARF MF 2 Trata o presente processo de auto de infração AI de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, às efls. 1358 a 1366, cientificado ao contribuinte em 13/12/2011 (efls. 1400). O procedimento fiscal em apreço, originariamente, estava formado no processo nº 10980.726419/201113. Após admissão do recurso especial de divergência do contribuinte, a partir de 17/11/2015, passou a tramitar sob o presente número, conforme informação da equipe de cobrança da DRF em Curitiba, à efl. 02. O lançamento visou à constituição de créditos em face de: (i) omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, com fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; (ii) omissão de valores recebidos de terceiros e de créditos cedidos por pessoas físicas e jurídicas, com fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008; e (iii) glosa de rendimentos declarados como isentos por distribuição de lucros, reclassificados para rendimentos tributáveis com fato gerador em 31/12/2008. Tais infrações se encontram detalhadas no termo de encerramento de ação fiscal às efls. 1436 a 1391. O crédito lançado atingiu o montante de R$ 41.439.997,82, já calculado com multa de ofício e juros de mora até 30/11/2011. O auto de infração foi impugnado, às efls. 1404 a 1443, em 12/01/2012. Havendo o encaminhamento da impugnação à DRJ/CTA, essa Delegacia solicitou diligência (efl. 1699) à DRF em Curitiba a fim de que fossem juntados alguns demonstrativos e mais uma planilha que deveriam acompanhar o processo e nele não se encontravam, com a devida comprovação de que o contribuinte os haveria igualmente recebido. Atendendo a solicitação, a DRF de origem entregou relatório de diligência (efls. 1714 a 1716), apresentando os documentos e informou que o contribuinte deles tivera ciência oportunamente. Esse relatório foi cientificado ao contribuinte que sobre ele se manifestou, às efls. 1724 a 1728. A 5ª Turma da DRJ/CTA, no acórdão nº 0638.412, prolatado em 12/11/2012, às efls. 1731 a 1763, considerou procedente em parte a impugnação, afastando alguns valores de depósitos bancários que considerou nela comprovados, mantendo, também em parte, o crédito tributário exigido. Inconformado, em 21/12/2012, o contribuinte, interpôs recurso voluntário RV, às efls. 1769 a 1818, cujo resumo dos argumentos abaixo expostos se extrai do relatório do acórdão do recurso voluntário que a seguir se abordará: Preliminarmente da nulidade do auto de infração pela violação do princípio do contraditório e da ampla defesa; Ocorre que a autoridade recorrida não demonstrou, muito menos comprovou a existência de créditos, tendo se limitados a afirmar que tal cessão não foi objeto de fiscalização e que o Recorrente poderia se defender na impugnação; Que a autoridade simplesmente constituiu o crédito tributário sem nenhum embasamento legal e documental; Que a autoridade fiscal fiscalizou a pessoa jurídica da Tibagi Engenharia e Construções Ltda e apurando supostas irregularidades fiscais naquela empresa, imputou as infrações a pessoa física do recorrente; Do crédito cedido pela Tibagi Engenharia Construção e Mineração Ltda, no valor de R$. 22.360.722,06, que teria Fl. 2073DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.441 3 origem em contratos mútuos firmados com a Tibagi Desenvolvimento e Participações Ltda. Não tendo transferidos os seus créditos de forma gratuita tal como entende a fiscalização; Do crédito cedido pela Sra. Lineia Maria Steinthaler no valor de R$.240.753,21. Situação na qual embora o recorrente tenha passado a ser credor da Sra Linéia este passou a ser devedor da TE no exato momento, em decorrência do contrato de mútuo; Do crédito cedido pela Tibagi Engenharia Construção e Mineração Ltda no valor de R$ 12 milhões, que teria origem em contrato de mútuo; Da distribuição do lucros no valor de R$ 23.597.100,00, que a autoridade fiscal pretendeu afastar a natureza de rendimentos isentos recebidos pelo recorrente, alegando que os mesmos tratam de lucros e dividendos, pois, supostamente, a TD não teria apurado lucros a distribuir em 2008; No entendimento da fiscalização, devido a um suposto equivoco contábil cometido pela TD, relativo as escrituração da operação de cessão de credito de R$ 45 milhões para a TE em 2006, uma vez que o valor da cessão deveria ter sido baixado para contas de resultados, e não permanecido no ativo realizável a longo prazo. Partindo desse fato a autoridade reapurou simplificadamente o lucro e prejuízos acumulados; Indica que os referidos pagamentos que não foram entendidos como distribuição de lucros, deveriam ser tratados como pagamentos sem causa tributados exclusivamente na fonte; (...) No que se refere aos outros rendimentos lançados no auto de infração, os mesmo não foram questionados ao recorrente no processo de fiscalização, entretanto os recorrente apresentou para o mesmo toda a documentação que respalda o lançamento. (...) Dos valores lançados como depósitos de origem não comprovada, aponta que não pode utilizar como prova extratos bancários obtidos sem autorização judicial; Como resultado da fiscalização, a qual teve por base exatamente a mesma situação fática e jurídica tratada nos presente auto, a Receita Federal do Brasil concluiu pela existência e validade dos contratos de mútuo – nem poderia ser diferente em face da TE para a exigência do IOF. Entretanto ao apreciar as operações de mútuo realizadas pela TE, a RFB já conclui pela sua existência. Questiona que em um momento considera e em outro não considera; Da impossibilidade de autuação baseada em depósitos bancários. Alega a autoridade fiscal que os contratos de mútuo seriam irregulares, pois ao TE não teria informados os números dos Fl. 2074DF CARF MF 4 contratos de mútuo nos registros contábeis, muito embora os contratos estivessem devidamente numerados; Da inexistência de dolo, fraude ou simulação que justifique a qualificação da multa; Da não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. (Destaques do original.) O recurso voluntário foi apreciado, em 13/05/2014, pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 2202002.650, às e fls. 1881 a 1913, que tem a seguinte ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS E/OU FÍSICAS DESCARACTERIZAÇÃO DE CONTRATOS DE MÚTUOS Incluise como rendimentos tributáveis, proveniente do trabalho sem vínculo empregatício, os valores recebidos de pessoas jurídicas e/ou pessoas físicas, não declarados espontaneamente pelo contribuinte, e detectados de ofício pela autoridade lançadora cuja origem não for justificada, através da apresentação de documentação hábil e idônea, se tratarem de rendimentos já tributados, isentos, ou não tributáveis. Assim, são tributáveis como rendimentos auferidos os valores recebidos de pessoa jurídica cuja natureza de mútuo foi descaracteriza pela falta de comprovação, através da apresentação de documentação hábil e idônea. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Fl. 2075DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.442 5 LUCROS DISTRIBUÍDOS. DISTRIBUIÇÃO EXCEDENTE AO LUCRO PRESUMIDO.ISENÇÃO.CONDIÇÕES. Somente pode ser distribuído, com isenção do imposto de renda, valor maior que o lucro presumido do período quando se comprovar que o lucro contábil excedeu o presumido, mediante levantamento dos demonstrativos contábeis com observância da legislaçãocomercial. MULTA QUALIFICADA DEPÓSITOS BANCÁRIOS A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. (Súmula CARF nº 14). Recurso voluntário provido em parte O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo, Fábio Brun Goldschmidt e Pedro Anan Junior que acolhiam a preliminar. QUANTO A PRELIMINAR DE NULIDADE: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. NO MÉRITO QUANTO AO ITEM 1 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da omissão apurada o valor de R$ 378.718,59 e R$ 785.747,73, relativos aos anos calendários 2007 e 2008, respectivamente, bem como desqualificar a multa de ofício, reduzindoa do percentual de 150% para 75%. Vencido o Conselheiro Márcio de Lacerda Martins que provia em menor extensão, mantendo a qualificação da multa de ofício. QUANTO AO ITEM 2 DO AUTO DE INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam nesta parte. QUANTO AO ITEM 3 DO AUTO DO INFRAÇÃO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam parcialmente o recurso para excluir das omissões apuradas o valor de R$ 22.600.772,06 e R$ 12.000.000,00, relativos aos anos calendários 2006 e 2008, respectivamente. QUANTO AO JUROS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Junior, Rafael Pandolfo e Fábio Brun Goldschmidt que proviam nesta parte.Fez sustentação oral pelo contribuinte o Dr. Frederico Min Stern, OAB/PA 394.404. Embargos do contribuinte Intimado do acórdão e dos débitos dele resultante (Intimação nº 635/2014, às efls. 1922 a 1924, em 15/07/2014 (efl. 1925), o contribuinte apresentou, em 21/07/2014, os embargos de declaração de efls. 1927 a 1932, rejeitados conforme o despacho em embargos Fl. 2076DF CARF MF 6 do Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, às efls. 1939 a 1942, datado de 05/02/2015. Recurso especial do contribuinte Por meio da Intimação nº 205/2015 (efl. 1950), o contribuinte foi cientificado do despacho que não admitiu os embargos, em 13/03/2015 (efl. 1955), e interpôs recurso especial de divergência, às efls. 1959 a 1990, no qual, em suma, pretende demonstrar divergência quanto a cinco matérias: i) nulidade do acórdão recorrido em face de omissões na apreciação de fundamentos do contribuinte em seu recurso voluntário, baseado em acórdãos paradigmas de nº 2202002.875, nº 2301004.244, nº 2402004.494 e nº 1301001.386, apresentados nessa ordem; ii) não admissão, pelo recorrido, da nulidade do auto de infração com violação dos princípios do contraditório e ampla defesa, por não estar claramente apresentada ao contribuinte o demonstrativo das receitas omitidas, com base no paradigma nº 1302001.531; iii) nulidade do auto de infração por erro na eleição do sujeito passivo, pois a inexistência de lucros a serem distribuídos resultaria em pagamento sem causa a ser tributado exclusivamente na fonte, utilizando o paradigma nº 9202002.987; iv) nulidade do lançamento com base em depósitos bancários, sem a devida autorização judicial, por utilização de prova ilícita, com base nos acórdão divergente nº 0105.763; e v) incidência de juros de mora sobre as multas de ofício, que, em situação semelhante, não foi admitida pelos acórdãos paradigmas nº 910100.722 e nº 9202002.600. Por fim, pleiteia a admissão de seu recurso especial de divergência para que se declare a nulidade do recorrido, determinandose novo julgamento ou alternativamente para que seja o acórdão recorrido reformado para que se conheça das nulidades do auto de infração no tocante aos itens i), ii) e iii), acima citados e, caso nada disso seja acatado, que se afaste a a incidência dos juros moratórios conforme disposto na divergência v). O recurso especial interposto pela contribuinte foi apreciado pela Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, por meio do despacho de efls. 2045 a 2056, em 31/07/2015. Nele foi dado seguimento ao recurso para que seja rediscutida apenas a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, item v). O item i) não foi aceito, pois o primeiro paradigma informado foi prolatado pelo mesmo colegiado do recorrido e o segundo não demonstrava ser sobre situação fática semelhante e dizer respeito à reavaliação de provas; os demais não foram considerados pelas limitações regimentais (§ 7º, do art. 67, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e §§ 4º e 5º, do Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009). No item ii) também se encontrou situação fática diversa, pois o recorrido contém todos os elementos suficientes para sua defesa Fl. 2077DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.443 7 Também, em relação ao item iii), não se estabeleceu divergência, porque a eleição do sujeito passivo tinha base fática distinta entre paradigma e recorrido, neste a ausência de lucros a serem distribuídos implicou a tributação junto à pessoa física que declarou tais recebimentos como isentos, naquele, houve extinção da empresa incorporada previamente ao lançamento. Uma vez mais, para o item iv) não ficou demonstrada a divergência, pois no recorrido houve intimação para o contribuinte apresentar as suas movimentações financeiras enquanto no paradigma tal intimação foi diretamente às instituições financeiras, sem observar todos os requisitos normativos para tal. Por fim, foi constada a divergência para o item v), levando ao conhecimento do recurso nessa matéria. Houve reexame do despacho de admissibilidade do recurso especial de divergência pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, na mesma data, às efls. 2057 e 2058, com a manutenção das conclusões daquele despacho. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional teve ciência do recurso especial da contribuinte e do despacho de admissibilidade do recurso especial, em 20/11/2015 (efl. 2062), apresentando contrarrazões em 04/12/2015, às efls. 2063 a 2070. Argumenta, em síntese, que o crédito tributário não pago no vencimento está sujeito a juros de mora, à luz do art. 161 da Lei nº 5.172/1966 CTN. Além disso, também com base no mesmo Código, a inobservância da obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária e o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Esses dispositivos de lei complementar, inclusive à luz de interpretações judiciais e doutrinárias, levariam ao entendimento de que há correta aplicação de juros de mora sobre as penalidades de ofício. Encerra, pedindo pela denegação de provimento ao recurso especial interposto para manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conhecido o Recurso, passo a seu mérito, relativamente à matéria para a qual lhe foi dado seguimento (ou seja, sobre juros de mora incidentes sobre a multa de ofício). Quanto ao art. 61, § 3º. da Lei nº 9.430, de 1996, utilizado pela autoridade lançadora para fins de caracterização da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, Fl. 2078DF CARF MF 8 entendo assistir razão à Fazenda quanto à interpretação do mesmo abranger, à luz do caput do mesmo, não só o valor dos tributos em si, mas também a multa de ofício, visto que: (a) decorre, sim, a referida multa de ofício dos referidos tributos ou contribuições quando lançados pela autoridade tributária e, ainda, (b) a multa de ofício integra, ainda, a obrigação tributária principal, com fulcro no art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional, bem como o conceito de crédito tributário, cabível assim a incidência de juros de mora sobre seu valor, com fulcro no art. 161 do CTN. Acerca desta última consideração, entendo decorrer tal abrangência da multa de ofício no conceito de crédito tributário diretamente do disposto nos arts. 142 e 161 do CTN, na forma brilhantemente disposta no voto de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira no âmbito do Acórdão 9202002.600, o qual adoto aqui como razões de decidir, in verbis: “(...) Quanto ao mérito, em nosso entender o Código Tributário Nacional (CTN) define a questão. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ... Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em Lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Pela leitura das determinações legais acima chegamos à conclusão que a multa de ofício – apesar de não possuir natureza tributária – integra o crédito tributário, pois este é composto pelo tributo somado aos acréscimos legais, incluindo o valor da multa,como fica claro no Art. 142 do CTN, que inclui, no término da sua redação, a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento e manter o acórdão recorrido. (Assinado digitalmente) Fl. 2079DF CARF MF Processo nº 10980.724000/201551 Acórdão n.º 9202005.629 CSRFT2 Fl. 1.444 9 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 2080DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001350/2008-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2006 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - OBRIGAÇÃO PRINCIPAL - PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS - INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 - DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.255
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001350/200814 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 240102.255 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria SALÁRIO INDIRETO Recorrente PORTO SEGURO COMPANHIA DE SEGUROS GERAIS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL PARTICIPAÇÕES ESTATUTÁRIAS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que dava provimento. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 191DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 2 Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 2 3 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.121.2103, tem por objeto as contribuições patronais decorrentes de pagamentos a segurados que prestaram serviços na condição de membros da Administração (Diretoria e Conselho de Administração) a título de participações nos lucros, porém Estatutárias, aos administradores, segurados contribuintes individuais nas competências 04/2004, 04/2005 e 04/2006. Conforme descrito no relatório fiscal, fl. 20 a 28, na auditoria fiscal realizada, foi constatado o pagamento de remuneração aos diretores não empregados a titulo de "participação nos lucros" nos termos do art. 152, § 1 0, da Lei n° 6.404/76. Descreve de forma detalhada, o auditor, todos os fundamentos jurídicos relacionandoos com a situação fática encontrada na empresa. Vejamos trechos do relatório: Segundo ele , com base no dispositivo acima (art. 28, III da Lei 8212/91, seria um pressuposto falso afirmar que existe uma lei especifica regulamentando a participação nos lucros ou resultados para cada categoria de segurado, excluindo ambas as categorias da contribuição previdenciária , ou seja:Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a diretores estatutários, aplicase a Lei n° 6.404/76; Quando a participação nos lucros ou resultados é paga a empregados, aplicase a Lei n° 10.101/00. Destaca que a lei especifica que trata da participação nos lucros ou resultados da empresa, que prevê a isenção previdenciária, é apenas a Lei n° 10.101/00. Essa norma legal teve a sua origem na MP 794, de 29/12/94, e sucessivas reedições, regulamentando a CF (art. 7°, inciso XI), a Lei n° 8.212/91 (art. 28, § 9 0, alínea j) e o Decreto n° 3.048/99 (art.214, § 9°, inciso X). A MP n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101/00, desvinculou da remuneração, não integrando o salário de contribuição, a participação nos lucros ou resultados recebida somente pelos segurados empregados. Sendo assim, sobre a participação paga a diretores não empregados (segurado contribuinte individual) incide contribuição previdenciária. A Lei n° 6.404/76, em seu art. 152, § 1°, apenas estabelece os parâmetros para que a empresa, facultativamente, efetue o pagamento da referida verba aos administradores. A seguir explicitaremos esse posicionamento. Pela leitura dos direitos dos trabalhadores que estão listados no art. 7°, notamos que os mesmos pertencem somente aos segurados empregados, pois o segurado contribuinte individual, por exemplo, não possui os direitos dos incisos citados acima. Logo, o constituinte, ao utilizar o termo "trabalhadores", no caput do art. 7°, referiuse A espécie empregado. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 4 O art. 218, § 4°, ratifica esse entendimento, especialmente em relação A participação nos lucros ou resultados, deixando claro que o constituinte, no art. 7°, ao falar em trabalhador, referiuse a espécie empregado: "Art.218 § 40 A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao Pais, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho." Ainda segundo a autoridade fiscal esses dispositivos (art. 28, § 9°, j da Lei 8212/91 e 214, § 9° Decreto 3048/99), reproduzem a previsão constitucional de que a participação nos lucros ou resultados da empresa é desvinculada de caráter remuneratório, desde que paga na forma da lei especifica que vier a regulamentála. E mais, o disposto no Decreto ratifica o entendimento do constituinte de que os direitos sociais previstos no art. 7° destinamse aos trabalhadores empregados. Através do art. 145, notamos que a Lei 6.404/76 trata os conselheiros e os diretores como administradores: "Art.145 As normas relativas a requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade dos administradores aplicamse a conselheiros e diretores." De acordo com o art.146, os administradores poderão ser acionistas ou não: "Art.146 Poderão ser eleitos para membros dos órgãos de administração pessoas naturais, devendo os membros do conselho de administração ser acionistas e os diretores residentes no Pais, acionistas ou não. (Redação dada pela Lei 10.194/01)". O art. 152 da lei 6404 apenas faculta a Companhia que estabelecer em seu estatuto dividendo obrigatório de no mínimo 25% do lucro liquido e o atribuir aos acionistas pagar participação nos lucros aos administradores, desde que observado o limite. Não desvincula da remuneração tal verba e não cita que sobre ela não haverá incidência de contribuição previdenciária, pois não é o diploma legal que regulamentou a CF/88 e a Lei n° 8.212/91. Utilizandose dessa faculdade a empresa pagou participação nos lucros diretores não empregados, denominados administradores pela Lei das S/A. Não se pode confundir participação nos lucros com dividendos, tendo em vista que os administradores da S/A podem ser acionistas ou não. Sendo acionista, além dos dividendos que todo empresário tem direito, poderá receber participação nos lucros em função do seu desempenho na gestão da companhia. Os dividendos ou distribuição de lucros é a remuneração do capital investido na empresa pelo sócio, não sendo necessária a execução de qualquer trabalho para auferilo. Logo, não há o que se falar em contribuição previdenciária incidente sobre dividendos. Já a participação nos lucros é paga em retribuição aos serviços prestados. Sendo assim, ao contrário dos dividendos, a participação nos lucros é considerada base de cálculo pelos motivos expostos acima. Pela leitura do art. 152, § 2°, da Lei n° 6.404/76, não resta dúvida que essas verbas possuem naturezas distintas. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 3 5 Dessa forma, o pagamento de participação nos lucros somente estará desvinculado da remuneração e, consequentemente, fora do campo de incidência da contribuição previdenciária, quando pago de acordo com os termos e requisitos da MP n° 794/94 convertida na Lei n° 10.101/2000. Conclui que a participação nos lucros paga aos diretores não empregados integra o salário de contribuição, ficando, pois, sujeita A incidência de contribuição previdenciária. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/09/2008, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 22/09/2008. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 70 a 88. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 124 a 136 . ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2006 Documento: AI n° 37.121.2103, de 22/09/2008 Ementa: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DIRETOR NÃOEMPREGADO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo no decorrer do mês. PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS: Integra a remuneração a parcela recebida a titulo de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada em desacordo com lei especifica. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. A isenção está condicionada ao fato de a origem dos valores pagos ser o lucro ou resultado da empresa, de a participação estar desvinculada da remuneração e ser efetivada de acordo com lei especifica. MATÉRIA INCONTROVERSA. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Art. 17 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. Lançamento Procedente Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 141 a 158 , contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, senão vejamos: Fl. 195DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 6 1. A exigência do crédito tributário formalizado na presente autuação carece de amparo legal, além de ofender o artigo 7°, inciso XI, da Constituição Federal. 2. Estando desvinculados da remuneração os valores destinados aos empregados sob a rubrica de PLR, inegavelmente, não possuem natureza salarial, não sofrendo a incidência de nenhum encargo, notadamente o de compor a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. A norma constitucional ao utilizar a expressão "trabalhadores" é genérica, não fazendo qualquer distinção quanto aos trabalhadores não empregados, tampouco estando adstrita aos empregados. 4. Ao utilizar referida restrição, distinguindo os trabalhadores entre empregados e não empregados, a D. Autoridade Fiscal acaba por contrariar o entendimento da própria Administração Pública, o qual toma por base uma interpretação ampliativa dos conceitos de empregado e empregador. 5. A própria jurisprudência possui entendimento de que a expressão "empregadores" deve ser utilizada em uma acepção mais ampla, inclusive o Egrégio Superior Tribunal de Justiça. 6. Se para o termo empregador a Administração Pública apregoa que o mesmo deve abranger toda e qualquer empresa, por trabalhador devese, utilizando o mesmo raciocínio, compreender não só aquelas pessoas que tem vinculo empregatício, mas toda e qualquer vinculada à empresa, como é o caso dos diretores estatutários. 7. Diante do comando auto aplicável da norma vertida do artigo 7°, inciso XI, do texto constitucional, mesmo que não houvesse a edição da Medida Provisória n° 794/94, convertida na Lei n° 10.101, de 19 de dezembro de 2000, os pagamentos efetuados pela empresa a titulo de PLR estariam .desvinculados da remuneração, razão pela qual sequer sofreriam a incidência de contribuição previdenciária. Inexiste suporte constitucional para a presente Notificação. Equivocouse a fiscalização, eis que restou amplamente comprovada a inexistência da aludida diferenciação, sendo certo que a PLR não se inclui no conceito de remuneração quando paga a diretores estatutários, haja vista a ausência de expressa previsão legal para tanto. 8. Ao implementar requisito inexistente na legislação, qual seja conferir imunidade, no que tange a incidência de contribuição previdenciária sobre a Participação nos Lucros, somente aos empregados, fere o principio da legalidade, posto que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vinculo empregatício). 9. Em suma, as quantias derivadas da participação nos lucros, percebidas pelos diretores estatutários da Recorrente, não integram o salário, haja vista a expressa dicção constitucional que as desvinculam da remuneração (artigo 7 0, inciso XI, da Constituição Federal), razão pela qual se afigura manifestamente ilegítima e despida de validade a pretensão da D. Autoridade Fiscal de exigir a contribuição previdenciária a cargo do empregador. 10. Ao pretender incidir contribuição previdenciária sobre verbas legalmente excluídas de tal incidência, a fiscalização está conferindo a este fato uma interpretação econômica que se afigura como procedimento rechaçado pelo ordenamento pátrio, razão pela qual não pode prosperar a presente autuação. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 4 7 11. Requer o recorrente o conhecimento do recurso, para que a ela seja dado provimento, com a consequente desconstituição dos respectivos créditos tributários, tendo em vista não se tratar de pagamento com natureza salarial. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 8 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 184. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: DO MÉRITO No mérito, o argumento principal trazido pelo recorrente é de que os pagamentos a titulo de participações estatutárias, por sua natureza não contraprestativa encontrame excluídos do conceito de remuneração, além de constarem expressamente previstos no § 9° do art. 28 da Lei 8.212/91, que retira do campo de incidência previdenciária as verbas lá elencadas, entre elas a participação paga de acordo com a legislação especifica, no caso, a Lei 10.101/2000, cujas determinações foram todas atendidas nos termos do art. 7 da CF/88. Outro ponto trazido pelo recorrente é que as participações estatutárias não constituem fato gerador de contribuição previdenciária seja pelo cumprimento da lei 6.404/1976, seja pelo disposto na lei 10.101/2000. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Como o lançamento envolve contribuições sobre os pagamentos feitos a contribuintes individuais fazse conveniente apreciar primeiramente o conceito de salário de contribuição em relação a estes segurados. Para os trabalhadores contribuintes individuais, o art. 28, III da referida lei, assim dispõe: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o §5º; Quanto a contribuição patronal às contribuições da empresa sobre a remuneração dos contribuintes individuais é regulada pelo art. 22, III da Lei n ° 8.212/1991, com redação conferida pela Lei n ° 9.876/1999, nestas palavras: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (Inciso Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 5 9 acrescentado pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99 vigência a partir de 02/03/2000 conforme art. 8º da Lei nº 9.876/99). De acordo com o previsto no § 4º do art. 201 do Regulamento da Previdência Social na redação conferida pelo Decreto n ° 4.032/2001: Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (Redação alterada pelo Decreto nº 3.265/99) A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 10 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 6 11 e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Assim, ao não cumprir os dispositivos legais quanto a concessão do benefício, assumiu o recorrente o ônus de ter os valores da remuneração destinada ao trabalhador integrando o conceito de salário de contribuição, já que pago em desacordo com as respectivas leis. Ao contrário do afirmado pela recorrente, a verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. Como destacado de forma minuciosa pelo auditor fiscal, a Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A participação nos Lucros e Resultados PLR somente foi regulamentada após a Constituição Federal de 1988, donde devese observar os ditames legais, para que dito pagamento seja excluído do conceito de salário de contribuição. Diversamente do argumento trazido pelo recorrente quanto ao pagamento de acordo com a lei 6.404, a verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 12 pelos diretores. Destaco que no relatório fiscal, tomou o auditor o cuidado de fazer um paralelo entre toda a legislação que engloba a matéria, destacando quando deve ser aplicado os dispositivos legais que excluem a verba PLR do conceito do salário de contribuição. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho o que pelo natureza também poderia excluir o valor do conceito de salário de contribuição. Entendo que a autoridade julgadora bem enfrentou a questão, quando esclareceu que o pagamentos realizados aconteceram em relação a prestação de serviços, denominada, “participação estatutária”, ou seja, diferente a participação recebida em função do capital investido nos moldes da Lei 6.404/76. Notese que nenhum argumento novo foi trazido pelo recorrente após as considerações apresentadas pela Decisão de 1 instância, tendo reproduzido os mesmos argumentos da impugnação. Senão vejamos, trecho da Decisão:, Ante todo o exposto, considerando que o diretor não empregado, para a Previdência Social, enquadrase na categoria de Contribuinte Individual, são devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações a ele pagas a qualquer titulo, no caso, a titulo de Participação nos Lucros ou Resultados, não podendo prevalecer o entendimento da defesa de que inexiste suporte constitucional para o presente AI ou que a legislação utiliza a expressão trabalhadores sem fazer qualquer distinção entre eles (com ou sem vinculo empregatício).Os comandos constitucional (art. 201, § 11) e legal (art. 28, I da Lei n ° 8.212/1991) dispõe claramente que os ganhos sob a forma de utilidades é que somente integrarão o saláriodecontribuição caso sejam pagos de forma habitual. A presente verba não foi paga em utilidade, mas sim em pecúnia, portanto independe de ter sido de forma habitual ou eventual para que esta verba integre a remuneração do segurado. Segundo ensina Fabio Ulhoa Coelho o conceito de "administradores", em uma sociedade anônima, "abrange os membros de dois órgãos da estrutura societária: a diretoria e o conselho de administração, os quais, cm decorrência, são definidos como órgãos da administração" (Curso de direito comercial, volume 2 — 5. ed. rev, e atual. de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA Sao Paulo: Saraiva, 2002. p. 236). A participação dos administradores/diretores de uma companhia no seu lucro, prevista na Lei n° 6.404/1976, não se confunde com a participação nos lucros ou resultados da empresa prevista na Lei n° 10.101/2000 e no artigo 70, inciso XI, da Constituição Federal. Além de ser disciplinada em outro diploma legal, a participação prevista no § 1°, do artigo 152 da Lei n° 6.404/1976, é restrita aos administradores das sociedades anônimas, enquanto que a participação prevista na Lei no 10.101/2000 e no artigo 70, inciso XI, da Constituição Federal, é devida pelas empresas a todos os seus empregados. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 7 13 A empresa em sua impugnação não procedeu prova contraria ao fato constatado pela fiscalização de que os valores apurados em folha de pagamento na conta 211150001 Part Nos Lucros a Pagar e na DIPJ informada pelo Contribuinte tratamse na realidade de remuneração creditada a contribuintes individuais, nos termos do dispositivo legal supracitado. Assim, ainda que os lucros sejam distribuídos aos administradores (diretores não empregados) dentro dos limites e • previsões legais e estatutárias da empresa, incide contribuições previdenciárias sobre estas verbas, por ausência legal de hipótese de exclusão e em conformidade com as exigências do artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91. Não se trata, portanto de remuneração proveniente do Capital, pois esta se configura como distribuição de lucros, ou dividendos c ocorre posteriormente a apuração do lucro liquido, sendo distribuído proporcionalmente à participação de cada acionista. Para a distribuição de lucro decorrente do Capital da sociedade, não ha que se falar em incidência de contribuição previdenciária, não sendo, entretanto, o caso em discussão. Desta forma, foi correto o procedimento da fiscalização em reconhecer os pagamentos efetuados a titulo de participação de resultados como fato gerador de contribuição previdenciária, pois estes foram feitos cm retribuição pelo trabalho prestado pelos contribuintes individuais (diretores não empregados), cujos valores foram inclusos em folha de pagamento da empresa. Outro ponto trazido pelo recorrente é de que o lançamento afronta o art. 7, XI da CF/88, na medida que a constituição afastou a natureza salarial da PLR, sendo que o conceito abarca a nomenclatura “trabalhadores” e não apenas empregados. Porém ao contrário do que afirma a recorrente, primeiramente no meu entender a Participação nos Lucros e Resultados PLR é norma constitucional de eficácia limitada. Com efeito, o item 02, do Parecer CJ/MPAS n º 547, de 03 de maio de 1996, , aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, bem esclarece dita questão, conforme descrito: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) O Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo o seguinte teor, verbis: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 14 SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 8 15 perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Ou seja, normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo constituinte. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do saláriode contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. Essa regulamentação somente ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, reeditada sucessivas vezes e convertida na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que veio regular o assunto em tela. Conforme previsto na alínea “j” do § 9o do art. 28 da Lei n º 8.212, a única hipótese para que a participação nos lucros e resultados não sofra incidência de contribuição previdenciária é que seja paga de acordo com a lei específica. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e desse modo, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre isenção, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I, nestas palavras: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Dessa forma, não há de se afastar a natureza salarial da PLR por si só, devendo ser observada as condições de seu pagamento, para que só então seja possível excluir ditos valores do conceito de remuneração e por consequência da base de cálculo de contribuições previdenciárias. APLICAÇÃO DA LEI 10.101/2000 NO PAGAMENTO A CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 16 Vale de pronto afastar também, os argumentos do recorrente que que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, na alínea “j”, § 9º, do art. 28, dispõe, nestas palavras: Art. 28 § 9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE Processo nº 16327.001350/200814 Acórdão n.º 240102.255 S2C4T1 Fl. 9 17 § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias”. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, as verbas salariais. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. O empregado tem que obter parcela de seu rendimento associado ao resultado da empresa como um todo e não apenas à execução de sua atividade laboral, pois este último terá, obviamente, natureza salarial. Não serve também como argumento o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE 18 trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/04/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente e m 22/03/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por ELIAS SAM PAIO FREIRE
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Numero do processo: 10850.000565/89-07
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 1992
Numero da decisão: 202-01.289
Decisão: RESOLVEM os membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Numero do processo: 10715.001878/2005-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 08/05/2002 a 07/10/2002
II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL
Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornam-se exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação.
MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL
O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita.
ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA.
Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
Numero da decisão: 3201-003.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 08/05/2002 a 07/10/2002 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornam-se exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de declaração inexata, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Winderley Morais Pereira - Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila
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IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL Havendo a reclassificação fiscal com alteração para maior da alíquota do tributo, tornamse exigíveis a diferença de imposto com os acréscimos legais previstos na legislação. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. ERRO DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA DE UM POR CENTO SOBRE O VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Comprovada a classificação incorreta, resta configurada hipótese que autoriza a aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 18 78 /2 00 5- 82 Fl. 520DF CARF MF 2 Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri e Renato Vieira de Avila Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para exigência de crédito tributário no valor de R$ 6.519,05 referente a imposto de importação, imposto sobre produtos industrializados, multas de ofício, multas por classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul, multas por faturas comerciais em desacordo com as exigências regulamentares e juros de mora. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada submeteu a despacho de importação diversas mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação respectivas. Analisadas amostras das mercadorias importadas foram expedidos laudos, pelo Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda, cujas conclusões determinaram a reclassificação fiscal das mercadorias e, nos casos específicos, o lançamento das diferenças de impostos e multas de ofício, bem como multa pela classificação incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul. Também foram lançadas duas multas por fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares, e juros de mora. Na Declaração de Importação n° 02/04748601, registrada em 28/05/2002, a mercadoria foi descrita como "fir balsam abs" e classificada no código NCM 3301.29.90. O Laudo de Análise n°20.169/02 concluiu que a mercadoria "Tratase de Fir Balsamo". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 1301.90.00 e lançou as diferenças de imposto de importação, bem como multa de ofício sobre ele incidente e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Na Declaração de Importação n° 02/04261036, adição 002, registrada em 14/05/2002, a mercadoria foi descrita como "Dihydro Myrcenol Rect" Tec. Name: 2,6Dimethyl7Octen2 olPO4500146858/02" e classificada no código NCM 2905.22.30. O Laudo de Análise n° 20.151/02 concluiu que "Tratase de mistura de substâncias odoríferas, do tipo utilizado para indústria de perfumaria". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 3302.90.19 e lançou as diferenças de imposto de importação e sobre produtos industrializados, bem como multas de ofício sobre eles incidentes Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 3 3 e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Na Declaração de Importação n° 02/08919982, adição 001, registrada em 07/10/2002, a mercadoria foi descrita como "7907 Pseudo Linalyl Acetate PÓ 4500198440 Lote #SM/2041090. Technical Name: Myrcenylacetates (Mixture)" e classificada no código NCM 2915.39.99. O Laudo de Análise n° 20.282/02 concluiu que "Tratase de mistura de substâncias odoríferas, do tipo utilizado para indústria de perfumaria". A fiscalização reclassificou a mercadoria para o código NCM 3302.90.19 e lançou as diferenças de imposto de importação e sobre produtos industrializados, bem como multas de ofício sobre eles incidentes e multa por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Nas Declarações de Importação n° 02/05235543, n° 02/06839060 e n° 02/07391801 as mercadorias por elas amparadas, foram reclassificadas para códigos NCM diferentes dos declarados, embasados nos resultados de análises laboratoriais. Assim, foram lançadas as respectivas multas por mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. As Declarações de Importação n° 02/04261036 e n° 02/08919982 foram instruídas com faturas comerciais que estavam em desacordo com as exigências estabelecidas no artigo 425 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85. Assim, foram lançadas as multas respectivas, previstas no inciso V do artigo 106 do Decretolei n° 37/66. Regularmente cientificada das exigências, por via postal (AR fls. 102) a interessada apresentou a impugnação tempestiva de folhas 106 a 119, com os documentos de folhas 120 a 151 anexados. Inicialmente a impugnante informa que realizou o pagamento referente às exigências relacionadas às Declarações de Importação n° 02/05235543, n° 02/06839060 e n° 02/0739180 1, bem como das multas enquadradas no inciso V do artigo 106 do Decretolei n° 37/66. Esses pagamentos foram confirmados pela unidade preparadora (v. fls. 159). Com relação à Declaração de Importação n° 02/04748601, a impugnante informa que importou o produto denominado "Fir Balsam abs." e o classificou no código NCM 3301.29.90 equivalente a "outros óleos essenciais" e a fiscalização o reclassificou para o código NCM 1301.90.00. Discorda da reclassificação fiscal alegando que o produto se trata de um óleo essencial de bálsamo, enquadrável no Capítulo 3301, conforme descrição deste capítulo, não podendo ser classificado no Capítulo 13 conforme exclusão expressa das notas explicativas deste último. Fl. 522DF CARF MF 4 Com relação aos produtos importados ao amparo das Declarações de Importação n° 02/04261036 e n° 02/08919982, descritos respectivamente como "Dihydro Myrcenol Rect" e "Pseudo Linalyl Acetate" informa que a controvérsia consiste em determinar se os produtos são classificados como uma mistura odorífera, enquadrável no Capítulo 33 da TEC, como sustentado pelo Labor ou como um composto de constituição química definida, enquadrável no Capítulo 29, defendida pela impugnante. Traça considerações sobre o conceito de "composto de constituição química definida", referido no Capítulo 29 da TIPI/TAB. Defende que o produto "Dihydro Myrcenol Rect" se classifica no código 2905.22.30, específico para o produto "Diidromircenol 26dimetil7octen2ol", cujo "processo de obtenção pode gerar uma série de isômeros, provenientes do mesmo material de partida. A purificação total do material resultante é inviável em termos econômicos. Logo, as impurezas restantes na composição do produto que nada mais são que isômeros resultantes da reação são de difícil ou quase eliminação, aceitos nos termos das normas de classificação, de sorte que não servem, de forma alguma, para descaracterizar o produto do Capítulo 29." Alega que o produto "Pseudo Linalyl Acetate" "é resultante de um processo de reação de Myrceno (uma mistura terpênica) com Ácido Acético, utilizandose como catalisador ácido, em temperatura controlada. O produto bruto é fracionado por destilação à vácuo, resultando em uma concentração do seu componente principal, Acetato de Myrcenila, sendo o restante composto de acetatos e isômeros diversos, não separados durante a destilação por impossibilidade técnica industrial." Defende que o produto é um composto de constituição química definida, Acetato de Myrcenila, pois as outras susbtâncias são impurezas, no sentido técnico da palavra. Contesta a exigência da multa de 75% sobre os impostos, alegando que não há diferença de impostos devidos. E ainda que houvesse, a multa é descabida porque não praticou nenhuma das irregularidades descritas nos dispositivos enquadrados, tanto em relação ao II quanto ao IPI. A própria administração entende que a multa não é devida quando houver simples classificação errônea da mercadoria, nos termos do Ato Declaratório NOrmativo Cosit n° 10/97. Defende como indevida multa prevista no inciso I do artigo 84 da Medida Provisória n° 2.5835/2001, pelas razões antes expostas. Requer a realização de perícia técnica e, para tanto, indica seu assistente técnico e apresenta quesitos a serem respondidos. Atendendo à solicitação da impugnante foi determinada diligência para análise de contraprovas de amostras e complementação dos laudos de análise. Da diligência resultaram os Parecer Técnico 015/2010 referente à mercadoria "Dihidromircenol" (fls. 180 a 182) e o Parecer Técnico 016/2010 Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 4 5 referente á mercadoria "Pseudo Linalyl Acetate" (fls. 183 a 185), ambos do Laboratório de Análises Falcão Bauer. Cientificada do resultado da diligência, a impugnante apresentou o aditivo à impugnação inicial, de folhas 198 a 210, na qual reitera as alegações apresentadas inicialmente e contesta os pareceres técnicos alegando que carecem de fundamentação. Discorda das respostas apresentadas aos quesitos, defendendo que "soa absurdo" o fato de o analista apresentar conclusões sobre os produtos se declara não conhecer o processo de produção e não sabe quais os componentes normais do material. Defende que não se poderia concluir que o produto é uma mistura se não se sabe se oproduto resultante foi deliberadamente adicionado ou se decorreria de seu processo de fabricação (sendo nesse caso isômeros e/ou impurezas). Requer, caso restem dúvidas sobre os produtos, a realização de eventual laudo adicional pelo Laboratório de Química da UFRJ. Requer seja declarado insubsistente o auto de infração, como inicialmente pleiteado." A decisão recorrida apresenta o seguinte excerto: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 08/05/2002 a 07/10/2002 EMENTA DISPENSADA. Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n° 1.364 de 10/11/2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário mantido em Parte" Foi dado parcial provimento à impugnação, para afastar a exigência fiscal referente ao produto "Fir Balsam", com a exoneração do crédito tributário no valor de R$ 2.026,82 referente à Declaração de Importação n° 02/04748601. O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, as mesmas alegações produzidas em primeira instância, com a defesa da tese de que (i) os laudos elaborados e os pareceres técnicos apresentados não apresentam qualquer tipo de fundamentação que corrobore o entendimento adotado pelo Fisco para a classificação dos produtos em questão; (ii) que classificou corretamente os produtos uma vez que não se tratam de misturas de substâncias odoríferas; (iii) que os produtos importados (Dihydro Myrcenol Rect e Pseudo Linalyl Acetate) são um composto de composição química definida, classificados no Capítulo 29 da TIPI (Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados) / TAB (Tarifa Aduaneira do Brasil); (iv) que a pretensão do Fisco é o enquadramento de tais produtos no Capítulo 33 da TIPI/TAN com alíquotas de II e de IPI muito maiores; (v) que o composto de composição química definida está previsto na NESH Nota Explicativa sobre o Sistema Harmonizado; (vi) tece considerações individualizadas sobre os produtos importados, no intuito de demonstrar que a classificação adotada está correta e (vii) que são indevidas as Fl. 524DF CARF MF 6 multas de 75% (setenta e cinco por cento) aplicada com fundamento no art. 44, inc. I da Lei 9.430/96 e de 1% da Medida Provisória n°2.158/2001. Pugna a recorrente ao final, o provimento do recurso voluntário interposto para que seja julgado improcedente o lançamento fiscal, na parte mantida e, alternativamente, caso se entenda como errônea a classificação fiscal adotada sejam afastadas as multas aplicadas. Requer, ainda, caso se entenda necessário seja produzido novo laudo a ser confeccionado pelo laboratório de química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Cingese o presente recurso sobre se a classificação adotada pela recorrente para as mercadorias denominadas Dihydro Myrcenol Rect e Pseudo Linalyl Acetate são um composto de composição química definida, classificados no Capítulo 29 da TIPI (Tabela do Imposto sobre Produtos Industrializados) / TAB (Tarifa Aduaneira do Brasil). Prefacialmente, entendo que não há necessidade da produção de nova prova técnicopericial, como requerido pela recorrente ao final de sua peça recursal. Os elementos probatórios trazidos aos autos são suficientes para se dirimir a questão em sede recursal, não sendo este conselho obrigado a converter o julgamento em diligência. Neste sentido trago decisão proferida por este colegiado, de relatoria do Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima: " Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 02/09/1999 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Polissacarídeos (excipiente), destinado à fabricação de ração animal, classificase na posição NCM 2309.90.90. CERCEAMENTO DE DEFESA Sendo suficientes as provas apresentadas aos autos, o conselho não tem a obrigação de converter o julgamento em diligência.Recurso Voluntário Negado" (Processo 10907.001603/200419; Acórdão 3201002.164; Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima; Sessão de 17/05/2016) Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 5 7 Muito embora a recorrente alegue que a classificação por si adotada na importação dos produtos "Dihydro myrcenol Rect" e "Pseudo Linalyl Acetate" está correta, não trouxe aos autos nenhum elemento técnico que ateste a correção de seu procedimento. Existem laudos técnicos colacionados ao processo antes da prolação da decisão recorrida que confirmam que as classificações adotadas pela recorrente estão equivocadas. Os pareceres técnicos n°'s 015/2010 e 016/2010 elaborados pelo Laboratório de Análises Falcão Bauer concluem que os produtos "dyhidro myrcenol" e "pseudo linalyl acetate" não podem ser considerados como compostos orgânicos de constituição química definida contendo impurezas decorrentes do processo de fabricação. Não logrou êxito a recorrente em comprovar suas alegações de modo a opor tecnicamente que os produtos "dyhidro myrcenol" e "pseudo linalyl acetate" são compostos orgânicos de constituição química definida. Tem aplicação o disposto no art. 30 do Decreto 70.235/72, assim redigido: "Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres." Acrescentese, ainda, que no processo 10711.004148/200735 envolvendo a recorrente, esta reconheceu como correta a classificação do produto "DYHIDRO MYRCENOL", como enquadrável na posição 3302.90.19, conforme excerto a seguir transcrito e extraído da peça de impugnação anexada ao processo referido: "Com relação ao produto constante na Adição 10, acima descrito, cumpre à Impugnante informar ao Fisco que concorda com o seu lançamento e, portanto, promoverá o imediato pagamento dos valores neles consubstanciados a fim de extinguir definitivamente os créditos tributários deles provenientes, nos termos do artigo 156, inciso I, do Código Tributário Nacional." O tópico da impugnação referida está assim ementado: "III DO PRODUTO DIHYDRO MYRCEBNOL 26 DIMETIL7 OCTENO2OL EQUÍVOCO DA IMPUGNANTE QUANTO A SUA CLASSIFICAÇÃO Importante frisar, que no processo ora em análise, a recorrente em sua impugnação anota que o produto "dyhidro myrcenol rect" é o 2,6dimetil7octenol ou diidromircenol (2,6dimetil7octenol). Muito embora, existam diversas grafias para o produto, entendo que é o mesmo tratado em ambos os processos, sendo que no processo de número 10711.004148/2007 35, a recorrente reconheceu que cometeu equívoco na classificação, curvandose ao entendimento fazendário. Fl. 526DF CARF MF 8 Assim, diante dos elementos encartados nos autos entendo que a classificação adotada pela Receita Federal para o produtos, com aplicação das Regras Gerais de Interpretação (RGI) e Regra Geral Complementar (RGC) do Sistema Harmonizado está correta. Diante do exposto, não há outra solução a ser dada ao processo que não seja a manutenção da decisão de primeira instância em relação a exigência fiscal consignada em relação a diferença do II e do IPI recolhidos a menor. No que tange as multas aplicadas (i) de ofício no percentual de 75% e (ii) de incorreta classificação fiscal de 1% entendo que em decorrência do equívoco cometido pela recorrente devem ser mantidas em sua integralidade. Neste sentido é a jurisprudência deste colegiado: "Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 13/06/2000, 27/09/2000, 28/09/2000, 18/10/2000, 08/11/2000, 28/11/2000, 13/12/2000, 11/01/2001, 20/03/2001, 13/06/2001 II. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL O produto denominado switch classificase no código 8471.80.19 da Nomenclatura Comum do Mercosul. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ADUANEIRA. A insuficiência de recolhimento, decorrente de classificação errônea de mercadoria, enseja o lançamento da diferença do imposto que deixou de ser recolhida, acrescida de juros de mora e multa de 75%. Para os fatos geradores ocorridos após 27/08/2001, aplicase ainda a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria.Recurso voluntário negado." (Processo 10508.000118/200412; Acórdão 3202001.400; Relator Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 12/11/2014) "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de Apuração: 16/06/2003 a 11/08/2004 RECLASSIFICAÇÃO FISCAL. Comprovado o equívoco na classificação fiscal da mercadoria, é exigível o Imposto de Importação, juntamente com os acréscimos legais cabíveis. Idem para o PIS/COFINS Importação. CERTIFICADO DE ORIGEM. São desqualificados os certificados de origem obtidos com indicação de errônea classificação fiscal, cuja alteração (da classificação) implique concomitantemente em modificação do requisito de origem. MULTA. INFRAÇÃO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa por falta e Licença de Importação nas importações, em que as mercadorias não estejam corretamente descritas, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10715.001878/200582 Acórdão n.º 3201003.062 S3C2T1 Fl. 6 9 pleiteado. MULTA DE OFÍCIO. 75%. APLICABILIDADE. O erro na indicação da classificação fiscal se subsume à conduta descrita no art.44, I, da Lei 9.430 de 1996, na medida em que representa prestação de “declaração inexata”, máxime quando a descrição empregada na declaração de importação seria capaz de provocar erro por parte do agente do Fisco. Por outro lado, o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 13, de 2002, que revogou expressamente o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 10, de 1997, deixou de excluir a incidência de multa de ofício em razão de erro de classificação, ainda que, a mercadoria estivesse correta e suficientemente descrita. MULTA. CLASSIFICAÇÃO INCORRETA. A classificação incorreta de mercadoria é penalizada com multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no artigo 84, inciso I, da MP 2.158 35/2001. Recurso voluntário negado." (Processo 11444.000314/200875; Acórdão 3202000.518; Conselheiro GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR; Sessão de 27/06/2012) Destaco, ainda, que em outro processo envolvendo a recorrente, este órgão colegiado, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário interposto, mantendo as multas aplicadas, conforme ementa adiante transcrita: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/12/2004 PROVA PERICIAL, INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CARACTERIZADO. NULIDADE DA DECISÃO. INAPLICÁVEL. A decisão acerca da necessidade da realização de prova pericial depende do livre convencimento da autoridade julgadora. No caso, os integrantes do órgão julgador de primeiro grau entenderam que era prescindível a produção da referida prova, uma vez que existiam nos autos elementos probatórios suficientes para o julgamento da controvérsia. ASSUNTO: CLASSIFICAVA0 DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 08/12/2004 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). ENQUADRAMENTO TARIFÁRIO. PRODUTOS DENOMINADOS ZENOLIDE E PECONIA. O produto denominado "Zenolide", que constitui uma dilactona, classificase no código NCM 2932.29.90, 0 produto denominado "Peconia" tratase de uma mistura de substancias odoríferas para indústria de perfumaria, classificado no código. NCM 3302.90.19. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/12/2004 Fl. 528DF CARF MF 10 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO (LI). PRODUTO SUJEITO A CONTROLE ADMINISTRATIVO. LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. APLICABILIDADE. Pata a configuração da infração administrativa ao controle das importações, por falta de Licença de Importação (LI), é condição necessária que o produto esteja sujeito a licenciamento, automático ou não. No presente caso, os produtos reclassificados para o código NCM 330190.19 estavam sujeitos ao licenciamento não automático, que não foi providenciado, restando configurada, por conseguinte, a infração administrativa ao controle das importações, por falta de LI. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA INCORRETA. APLICABILIDADE. Por se tratar de responsabilidade de natureza objetiva, a infração caracterizada pelo enquadramento tarifário incorreto do produto na NCM, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor aduaneiro da mercadoria, independente da existência de dolo ou máfé do importador. MULTA DE OFICIO. DECLARAÇÃO INEXATA. ERRÔNEA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. APLICABILIDADE, A descrição inexata do produto na Declaração de Importação (DI), acarretando ou não a incorreta classificação fiscal do produto na NCM, subsumese à hipótese da infração por declaração inexata descrita no inciso I do art, 44 da Lei n° 9.430, de 1996, independente da existência de dolo ou máfé do importador. Recurso Voluntário Negado." (Processo 10711.04110/200762; Acórdão 310200.806; Conselheiro JOSÉ FERNANDES DO NASCIMENTO; Sessão de 28/10/2010) Diante do exposto, conheço o recurso voluntário interposto e negolhe provimento pelas razões antes expendidas. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 529DF CARF MF
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