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Numero do processo: 10880.955966/2008-37
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 01/01/2000
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS.
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-003.055
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
assinado digitalmente
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS- Presidente.
assinado digitalmente
PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA - Redator ad hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA EFEITOS. A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. assinado digitalmente RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. assinado digitalmente PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA Redator ad hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 59 66 /2 00 8- 37 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 152 2 Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 13ª Turma da DRJ/SPO I, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade apresentada, tendo em vista que sua protocolização fora feita fora do prazo legal. Em ato contínuo, o processo de Declaração de Compensação fora realizado pelo contribuinte por meio eletrônico (PER/DCOMP nº 41393.22691.220904.1.3.04 4175), na data de 22/09/2004, no qual pretendia quitar os débitos declarados no referido documento, com créditos decorrentes de recolhimento indevido realizado, por meio de DARF, na data de 01/01/2000, no valor de R$ 594,49, no código de receita 8109, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 01/01/2000 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito, porque dela não se conhece. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à: (i) comprovação da existência do crédito para fins de compensação, (ii) existência do direito constitucional do direito de petição, (iii) não existência de natureza litigiosa no processo administrativo de compensação, e (iv) prevalência do princípio da verdade material no processo administrativo. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, redator ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 150, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume o Presidente Substituto da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF a formalizar o presente acórdão. Ressaltese que o relator original, por equívoco, juntou aos autos decisão relativa a outro processo, julgado na mesma sessão que o presente. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da decisão destes autos. Desta forma, adotase, em linhas gerais, o voto proferido no processo 10880.955968/200826 (fls. 143 a 145), com as adaptações necessárias à situação deste processo. Admissibilidade do Recurso. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 153 3 Admito o presente Recurso Voluntário em virtude do preenchimento dos requisitos regulares para o seu desenvolvimento positivo. O recorrente, inconformado com a decisão de primeira instância, interpôs o presente Recurso Ordinário para que este Órgão analisasse novamente suas pretensões. Porém, razão alguma assiste a ele, porquanto o processo administrativo está morto desde sua fase inaugural de apresentação da manifestação de inconformidade. Explico! Para minhas convicções como Julgador administrativo, o fato que determinou sua não admissão está centrado na ocorrência da preclusão temporal, quando da apresentação intempestiva da impugnação administrativa, alcunhada de manifestação de inconformidade. Vejase, a Lei nº 10.822/2003 incluiu o § 9º ao artigo 74 da Lei nº 9.430 de 27/12/1996 e, assim, facultou ao sujeito passivo, no prazo de 30 dias, o exercício do direito subjetivo de apresentar a manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação requerida. Além disso, o § 7º da referida legislação determinou também que, em casos de não homologação da compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contado da ciência do ato que não a homologou, ao pagamento dos débitos indevidamente compensados. Portanto, integrando as normas extraídas do instrumento legal de regência, o contribuinte deveria apresentar sua manifestação de inconformidade no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação do ato que não homologou seu pedido de compensação, caso quisesse discutir a decisão contrária aos seus interesses. De modo que, em termos de prova concreta existente nos autos, verificase que o contribuinte foi notificado do Despacho Decisório em 02/12/2008, e vindo somente a apresentar sua manifestação de inconformidade no dia 07/10/2009. Ou seja, quase um ano depois. Portanto, para fundamentar e noticiar os termos que me levaram a concluir pelo não conhecimento do presente recurso, trago aqui o que dispõe o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 15, de 12 de julho de 1996: “a impugnação intempestiva não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo caracterizada ou suscitada tempestividade, como preliminar”. Nesse sentido, tendo em vista o que dos autos consta e pelas razões por mim aqui expostas, CONHEÇO do recurso ora interposto e NEGOLHE PROVIMENTO, mantendo, assim, em sua integralidade, a decisão a quo que reconheceu a intempestividade da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte e, portanto, não foi instaurada a fase litigiosa do processo administrativo. Com base nesses fundamentos, o relator original negou provimento ao recurso voluntário, sendo acompanhado pelos demais integrantes do Colegiado. assinado digitalmente Paulo Roberto Duarte Moreira redator ad hoc Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.955966/200837 Acórdão n.º 3802003.055 S3TE02 Fl. 154 4 Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10650.001771/2005-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002,2003,2004
DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR EM 31/12.
Para a empresa que opta pelo regime de tributação do lucro real, em período anual, o fato gerador do imposto de renda, pessoa jurídica, por ser complexivo só se consuma em 31/12 de cada ano-calendário, quando finda o exercício financeiro, independentemente de haver ou não procedido aos
recolhimentos por estimativa. Realizado o lançamento tributário no prazo de cinco anos, a partir dessa data, afasta-se a decadência.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula
Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo
150, § 4º do CTN - Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra "b", da Carta Constitucional de 1988.
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO.
Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documento originado de representação fiscal, cujo interesse não é do contribuinte, mas do órgão estatal, a quem se destina, ainda mais quando o documento consta do processo administrativo fiscal e foi citado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte amplo acesso para consulta e se possibilitando que exerça a sua defesa de forma ampla.
NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO COMPUTADO NO LUCRO PARA CÁLCULO DO IRPJ AS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS LANÇADAS DE OFÍCIO.
Não há determinação legal que imponha ao procedimento fiscal do
lançamento tributário o cômputo das contribuições PIS e Cofins apuradas em decorrência da omissão constatada que enseja a exigência de IRPJ, para redução do lucro real. O lançamento fiscal foi realizado de acordo com as disposições do artigo 24 da Lei nº 9.430/96, não padecendo de qualquer vício. E essa redução é vedada em esfera recursal por força do artigo 41, § 1º,
da Lei nº 8.981/95, c/c o artigo 151, III, do CTN.
SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS NÃO COMPROVADA.
A instrução da impugnação com cópias de cheques sem a comprovação de que, de fato, ingressaram nas contas bancárias da empresa, e sem o contribuinte demonstrar satisfatoriamente a vinculação à suficiência de recursos do sócio originados em outra fonte, concomitantemente, não ilide a tributação erguida sobre os empréstimos de sócio cuja efetiva entrega
(transferências bancárias) e origem não foram comprovadas.
ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário.
NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Preclui na fase recursal a fundamentação não apresentada na fase
impugnatória.
JUROS. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE.
Aplica-se a Súmula nº 04 do Conselho de Contribuintes, recepcionada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf.
ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Exercício: 2001, 2002, 2003
MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. MATÉRIAS REFLEXAS. DECORRENTES DA AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS.
As matérias objetos dos processos em apenso decorrem das exigências de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas IRPJ e CSLL, devidas em razão da omissão de receitas que ensejou a exigência de IRPJ, e não foram contestadas especificamente, mas somente de forma reflexa. A exigência das penalidades seguem a sorte da exigência do principal, no caso,
devendo ser mantidas.
Recurso de Oficio Não Conhecido.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1801-000.101
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de oficio pelo valor do crédito tributário ser inferior ao limite de alçada. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS e Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PIS e da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; Pelo voto de qualidade, no mérito, NEGAR provimento
ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), que conhecem de oficio a matéria pertinente à exigência das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, IRPJ e CSLL, para declarar as suas insubsistências, pela concomitância com a multa de oficio regular exigida no lançamento do IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas - demais presunções legais
Nome do relator: ANA BARROS FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002,2003,2004 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR EM 31/12. Para a empresa que opta pelo regime de tributação do lucro real, em período anual, o fato gerador do imposto de renda, pessoa jurídica, por ser complexivo só se consuma em 31/12 de cada ano-calendário, quando finda o exercício financeiro, independentemente de haver ou não procedido aos recolhimentos por estimativa. Realizado o lançamento tributário no prazo de cinco anos, a partir dessa data, afasta-se a decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a Súmula Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, § 4º do CTN - Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso III, letra "b", da Carta Constitucional de 1988. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documento originado de representação fiscal, cujo interesse não é do contribuinte, mas do órgão estatal, a quem se destina, ainda mais quando o documento consta do processo administrativo fiscal e foi citado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte amplo acesso para consulta e se possibilitando que exerça a sua defesa de forma ampla. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO COMPUTADO NO LUCRO PARA CÁLCULO DO IRPJ AS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS LANÇADAS DE OFÍCIO. Não há determinação legal que imponha ao procedimento fiscal do lançamento tributário o cômputo das contribuições PIS e Cofins apuradas em decorrência da omissão constatada que enseja a exigência de IRPJ, para redução do lucro real. O lançamento fiscal foi realizado de acordo com as disposições do artigo 24 da Lei nº 9.430/96, não padecendo de qualquer vício. E essa redução é vedada em esfera recursal por força do artigo 41, § 1º, da Lei nº 8.981/95, c/c o artigo 151, III, do CTN. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS NÃO COMPROVADA. A instrução da impugnação com cópias de cheques sem a comprovação de que, de fato, ingressaram nas contas bancárias da empresa, e sem o contribuinte demonstrar satisfatoriamente a vinculação à suficiência de recursos do sócio originados em outra fonte, concomitantemente, não ilide a tributação erguida sobre os empréstimos de sócio cuja efetiva entrega (transferências bancárias) e origem não foram comprovadas. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui na fase recursal a fundamentação não apresentada na fase impugnatória. JUROS. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Aplica-se a Súmula nº 04 do Conselho de Contribuintes, recepcionada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. MATÉRIAS REFLEXAS. DECORRENTES DA AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS. As matérias objetos dos processos em apenso decorrem das exigências de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas IRPJ e CSLL, devidas em razão da omissão de receitas que ensejou a exigência de IRPJ, e não foram contestadas especificamente, mas somente de forma reflexa. A exigência das penalidades seguem a sorte da exigência do principal, no caso, devendo ser mantidas. Recurso de Oficio Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de oficio pelo valor do crédito tributário ser inferior ao limite de alçada. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS e Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PIS e da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; Pelo voto de qualidade, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), que conhecem de oficio a matéria pertinente à exigência das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, IRPJ e CSLL, para declarar as suas insubsistências, pela concomitância com a multa de oficio regular exigida no lançamento do IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
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Sessão de Matéria Recorrente Recorrida SI-TEOI. FLl MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO 10650.001771/2005-36 162.414 Voluntário 1801-00.101 - la Turma Especial 01 de outubro de 2009 IRPJ E OUTROS POLYVIN PLÁSTICOS E DERIVADOS LTDA. DRJ EM JUIZ DE FORA - MG -IA TURMA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JuiúDICA - IRPJ Ano-calendário: 1998,1999,2000,2001,2002,2003,2004 DECADÊNCIA. LUCRO REAL ANUAL. FATO GERADOR EM 31/12. Para a empresa que opta pelo regime de tributação do lucro real, em período anual, o fato gerador do imposto de renda, pessoa jurídica, por ser complexivo só se consuma em 31/12 de cada ano-calendário, quando finda o exerCÍcio financeiro, independentemente de haver ou não procedido aos recolhimentos por estimativa. Realizado o lançamento tributário no prazo de cinco anos, a partir dessa data, afasta-se a decadência. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O Supremo Tribunal Federal aprovou, em sessão plenária, a SúrilUla Vinculante n° 08, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, que estipulavam um prazo de dez anos para ocorrência da decadência e prescrição de crédito tributário originado em contribuições sociais. Vigora para as contribuições o prazo qüinqüenal previsto no artigo 150, S 40 do CTN - Lei n° 5.172/66, por força do disposto no artigo 146, inciso IIl, letra "b", da Carta Constitucional de 1988. NULIDADE DA AUTUAÇÃO. OFENSA À AMPLA DEFESA E AO . CONTRADITÓRIO. Não se caracteriza ofensa aos princípios do contraditório ou ampla defesa, nem macula o lançamento tributário, remissão a documento originado de representação fiscal, cujo interesse não é do contribuinte, mas do órgão estatal, a quem se destina, ainda mais quando o documento consta do processo administrativo fiscal e foi citado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração lavrado, tendo o contribuinte amplo acesso para consulta e se possibilitlmdo que exerça a sua defesa de forma ampla. ~ NULIDADE DA AUTUAÇÃO. NÃO COMPUTADO NO LUCRO PARA CÁLCULO DO IRPJ AS CONTRIBUIÇÕES PIS E COFINS LANÇADAS DE OFÍCIO. . Não há determinação legal que imponha ao procedimento fiscal do lançamento tributário o cômputo das contribuições PIS e Cofins apuradas em decorrência da omissão constatada que enseja a exigência de IRPJ, para redução do lucro real. O lançamento fiscal foi realizado de acordo com as disposições do artigo 24 da Lei nO 9.430/96, não padecendo de qualquer vício. E essa redução é vedada em esfera recursal por força do artigo 41, SI 0, da Lei nO8.981/95, c/c o artigo 151, III, do CTN. SUPRIMENTO DE CAIXA. OMISSÃO DE RECEITAS. EMPRÉSTIMOS DE SÓCIO. EFETIVIDADE DA ENTREGA E ORIGEM DE RECURSOS NÃO COMPROVADA. A instrução da impugnação com cópias de cheques sem a comprovação de que, de fato, ingressaram nas contas bancárias da empresa, e sem o contribuinte demonstrar satisfatoriamente a vinculação à suficiência de recursos do sócio originados em outra fonte, concomitantemente, não ilide a tributação erguida sobre os empréstimos de sócio cuja efetiva entrega (transferências bancárias) e origem não foram comprovadas. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. Nos casos de lançamento tributário por presunção legal, o ônus da prova inverte-se e passa ao contribuinte fiscalizado a responsabilidade por descaracterizar o ilícito tributário. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRE- CLUSÃO. Preclui na fase recursal a fundamentação não apresentada na fase impugnatória. \ JUROS. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. Aplica-se a Súmula nO04 do Conselho de Contribuintes, recepcionada pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Carf. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2001, 2002, 2003 MULTA ISOLADA. IRPJ. CSLL. MATÉRIAS REFLEXAS. DECORRENTES DA AUTUAÇÃO POR OMISSÃO DE RECEITAS. As matérias objetos dos processos em apenso decorrem das exigências de multa isolada pelo não recolhimento das estimativas IRPJ e CSLL, devidas em razão da omissão de receitas que ensejou a exigência de IRPJ, e não foram contestadas especificamente, mas somente de forma reflexa. A exigência das penalidades seguem a sorte da exigência do principal, no caso, deveilaà ser maniidas. Recurso de Oficio Não Conhecido. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 2 Processo nO 10650.001771/2005-36 . Acórdão n.o 1801-00.101 Sl-TE01 FI. 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos não conhecer do recurso de oficio pelo valor do crédito tributário ser inferior ao limite de alçada. Com relação ao recurso voluntário, por unanimidade de votos, dar provimento parcial para: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS e Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PIS e da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; Pelo voto de qualidade, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Cheryl Berno, Rogério Garcia Peres e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (Suplente Convocado), que conhecem de oficio a matéria pertinente à exigência das multas isoladas sobre as estimativas não recolhidas, IRPJ e CSLL, para declarar as suas insubsistências, pela concomitância com a multa de oficio regular exigida no lançamento do IRPJ e CSLL, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. .k }--h.,-f , r ANA DE BARROS FERNANDES - Presidente e Relatora EDITADO EM: 15 MAR 2010 Participaram da sessão de julgamento, João Bellini Júnior (Suplente Convocado), Cheryl Berno, Marcelo Cuba Netto (Suplente Convocado), Rogério Garcia Peres, Leonardo Henrique Magalhães deOliyeira (Suplente Convocado) e Ana de Barros Fernandes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni (Vice- Presidente) . Relatório A empresa foi fiscalizada e do exame da documentação e livros contábeis e fiscais pertinentes, a autoridade lançadora verificou duas ocorrências que caracterizam infrações às normas tributárias, por omissão de receitas: diversos pagamentos registrados na contabilidade foram realizados com recursos não contabilizados na empresa, apurado em relação aos anos-calendários de 1998 e 1999; diversos empréstimos de sócio - sr. Silvio de Castro Cunha Jr à empresa não comprovados, detectados nos anos-calendários de 2000,2001, 2002, 2003 e 2004. Os valores e datas das infrações verificadas constam dos demonstrativos de fls. 71 a 73 e 74, respectivamente, anexos ao Termo de Verificação Fiscal, parte integrante dos Autos de Infrações lavrados às fls. 07 a 65. o método utilizado pelo fiscal para verificar os pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade foi checar a autenticação mecânica no documento quitado e confrontar aos extratos bancários. Os cheques assinalados na contabilidade que supostamente teriam quitado os débitos foram emitidos em datas posteriores àquelas, tendo se verificado que os pagamentos efetivamente ocorreram, por cheques, mas com recursos da empresa que transitaram na conta de interposta pessoa, sr. Claudenir Ananias de Oliveira, mantida à margem da contabilidade. Importante destacar que o período fiscalizado abrangeu desde o ano- calendário de 1998 ao ano de 2004, sendo a empresa optante pelo regime de apuração do lucro real, anual, e a fiscalização deu ciência à contribuinte. dos Autos de Infrações lavrados em 27/12/2005. Não foi exigido IRPJ para os anos-calendários de 1998 e 1999, mas somente em relação às contribuições federais (CSLL, PIS e Cofins). A empresa foi intimada a apresentar a contabilidade em meio magnético e não o fez, bem como, durante o curso do procedimento fiscal, reteve os livros e documentos contábeis e fiscais relativos a 1998 e 1999 por entender estarem decaídos os períodos. Esta atitude levou à fiscalização, para os anos-calendários de 1998 e 1999, a cominar multa qualificada e agravada, com fulcro no artigo 44, inciso 11,da Lei n° 9.430, c/c o artigo 71, inciso I, da Lei nO4.502/64, e no artigo 44, S 2°, alínea 'b', da lei nO9.430/96, que trata da obrigatoriedade em apresentar a contabilidade em meio magnético para as empresas. A empresa impugnou o feito fiscal às fls. 941 a 979, rechaçando as conclusões que levaram à sua autuação, tecendo esclarecimentos quanto à divergência das datas de pagamentos e registros contábeis e apresentando documentação na intenção de comprovar a efetividade de transferência de recursos entre o sócio e a empresa (atualmente ex- sócio), a título de suprimento de caixa (Docs 06, 07 - fls. 1073 a 1265), entre outros tópicos. Formalizado em outros dois processos, a fiscalização autuou a contribuinte pela imposição de multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL calculadas sobre a exigência do tributo lançado ex officio. Às fls. 1272 a 1302, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora/MG exarou o Acórdão n° 09-13.844/06, cujos trechos a seguir extraio: l) Imposto de Renda Pessoa Jurídica 001- Omissão de Receita. Empréstimos de Sócios sem Comprovação de Origem e Efetiva Entrega - Fatos Geradores autuados -31/12/2000 a 31/12/2004 Preliminar de decadência A exigência fiscal se refere a fatos geradores ocorridos em 31/12/2000, 31/12/2001, 31/12/2002, 31/12/2003 e 31/12/2004 e foi formalizada por meio do auto de infração cientificado pessoaliríénte â iiiteressadaem 27 de dezembro de 2005. Nesse contexto, dispensável se tornaria a discussão acerca de qual o dispositivo aplicável à contagem do prazo decadencial no presente caso (art. 150, ~ r ou 173, I do CTN) pois, ainda que se admitisse o menor limite para a atuação do fisco (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador) o prazo decadencial se . estenderia até 31/12/2005, não atingindo o lançamento cientificado em 27 de dezembro de 2005. Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 {...} o registro de valores tidos como entregues à pessoa jurídica pelos sócios caracteriza suprimento de numerário, que' a empresa, quando devidamente intimada, deve fazer prova da efetiva entrada do dinheiro e de sua origem, pois sua não- comprovação, com base em documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, autoriza a tributação dos valores supridos como receitas omitidas da própria empresa. {...} Trata-se de presunção legal do tipo condicional ou relativa Ouris tantum) que, embora estabelecida em lei, não tem caráter absoluto, de verdade indiscutível, valendo enquanto prova em contrário do sujeito passivo não a desfizer. Essa presunção, na verdade, inverte o ônus da prova, deixando sob exclusiva responsabilidade da contribuinte autuada a produção de provas em contrário, no sentido de ilidir a acusação fiscal. Portanto, em se tratando de suprimentos de numerano, as provas a serem produzidas devem mostrar cumulativamente dois fatos basilares, quais sejam, a efetiva entrega e a origem dos respectivos recursos. Além disso, tais provas devem ser coincidentes em datas e valores com os dados lançados nos registros contábeis e lastreadas em documentos hábeis e idôneos. É imprescindível, assim, que as provas e argumentos carreados àos autos, no sentido de refutar o procedimento, se revistam de toda a força probante, capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o . lançamento. {. ..J A imposição dessas formalidades serve para que as transferências de recursos entre a sociedade e os sócios, legalmente admitidas, sejam devidamente comprovadas, de forma a evitar a dissimulação de operações ilícitas, no caso, a regularização de recursos escriturados mantidos à margem da tributação. {. ..J Esclareça-se que o Parecer Normativo CST n° 242/71 estabelece que a simples prova de capacidade financeira do supridor não basta para comprovação dos numerários entregues à pessoa jurídica e acresce ser necessária para tal a apresentação de documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias supridas. Nesse sentido é farta a jurisprudência administrativa, nela destacando-se o voto proferido pelo Conselheiro Sylvio Rodrigues no Acórdão n° 101- J SI-TEOl FI. 3 5 / 72.972 do Primeiro Conselho de Contribuintes, cujo exerto se transcreve abaixo,por se aplicarperfeitamente ao caso: {...} .Conforme salientado as condições estabelecidas na legislação, relativamente à infração capitulada, são cumulativas, ou seja: têm que restar comprovada a origem e a efetividade da entrega dos recursos utilizados como suprimento de numerários. {...} Nas planilhas são analisadas. as origens indicadas como "transitórias decorrentes de operações em que o ex-sócio recebia em dinheiro por venda de gado, e aquela especifica de cada cheque" A impugnante lembra que "muitas vezes o ex- sócio recebeu o cheque de terceiros e repassou à empresa como empréstimo. Outraforma de recursosfoi o depósito em dinheiro. O ex-sócio, utilizando-se da origem momentânea, recebia os recursos em espécie e depositava na conta da autuada. Não há disposição na legislação que vede essaprática ". Por certo, a forma de escriturar suas operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade, conforme o PN CST n° 347/70; todavia, cabe à pessoa jurídica provar, com documentos hábeis. e idôneos, os registros de sua contabilidade, mormente a empresa sujeita à tributação com base no lucro real, à vista das disposições contidas no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), especialmente os arts. 251 e 264 do referido diploma, que tratam do dever de escriturar do contribuinte e sobre a conservação da documentação que apoiou ou compôs sua escrituração, ou seja, referente a atos ou operações que modifiquem oupossam vir a modificar sua situaçãopatrimonial. E, especificamente quanto aos suprimentos de caixa, as disposições contidas no art. 282 do RIR/1999, já citado, não deixam dúvidas quanto à necessidade de li pessoa jurídica comprovar a efetividade da entrega e a origem dos recursos que ingressaram no caixa,fornecidos por seus sócios. Assim, para as operações em queforam comprovadas as origens dos recursos, bem como a efetividade das entregas, os respectivos valoresforam excluídos da tributação. {...} Como origens dos recursos foram aceitas diversas operações decorrentes de vendas de gado efetuadas pelo ex-sócio Sílvio de Castro Cunha Júnior, em datas coincidentes e/ou próximas (anteriores) aos suprimentos efetuados; já vendas de gado posteriores às datas dos suprimentos nãoforam aceitas. Tamb~m não foram suficientes para o necessário convencimento das origens, algumas vendas de gado efetuadas em datas anteriores aos suprimentos por estarem desacompanhados de prova de que a quantia recebida permaneceu na conta bancária do ex-sócio até a data do empréstimo àpessoa jurídica. 6 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n:o 1801-00.101 Quanto à efetividade da entrega, não foram aceitos como comprovados depósitos efetuados na conta da pessoa jurídica desacompanhados de cópias de cheques/extratos provando que a referida quantia saiu da conta do ex-sócio; situação inversa, qual seja, só apresentação de cópia de cheque do ex-sócio, desacompanhado do comprovante do depósito efetuado na conta da pessoa jurídica, também foi insuficiente à comprovação da entrega. {...} 11 - Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - COFINS (Auto de Infração de fls. 18/32). Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL (Auto de Infração de fls. 34/49). Programa de Integração Social- PIS (Auto de Infração de fls. 51/65). Preliminares: 1)Decadência As exigências fiscais são relativas a fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 31/12/2004 e foram formalizadas por meio dos autos de infração acima citados, cientificados pessoalmente à interessada em 27 de dezembro de 2005. {. ..J Nesse sentido, mutatis mutandis, também já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): "COFINS - DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins é de dez anos, contado a partir do 10 dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído." (Acórdão CSRF/02-01.66, sessão de 10/05/2004). Logo, não procede a preliminar de decadência suscitada. (. ..J 11) Cerceamento de Defesa A interessada alega o cerceamento de defesa tendo em vista que o termo de verificação fiscal faz menção a processo administrativo - MPF 10830.006735/2003-89 - em decorrência de fiscalização efetuada pela Delegacia de Campinas para justificar a omissão de receita, cujas cópias do MPF do referido processo não foram encontradas nos presentes autos. Conforme ensina James Marins, em Direito Processual Tributário Brasileiro, Editora Dialética, 2001, p. 252 "ocorrem no âmbito "administrativo-fiscal três momentos ontologicamente .distintos: 1. procedimento preparatório do ato de lançamento tributário; 2. ato de lançamento; e 3. processo de julgamento da lide fiscal". ) ó' SI-TEOl FI. 4 7 o procedimento preparatório do ato de lançamento, enquanto atividade administrativa vinculada, ex vi do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, é atividade meramente fiscalizatória, não envolvendo litígio entre o sujeito passivo e a Fazenda Pública. Daí porque nessa etapa não há que se falar em contraditório ou ampla defesa, pois não há, ainda, qualquer espécie de pretensão fiscal sendo exigida pela Fazenda Pública, mas tão-somente o exercício da faculdade da administração tributária em verificar o fiel cumprimento da legislação tributária por parte do sujeito passivo. {...} Saliente-se que, por estarem apensados os processos nOs10650.001772/2005- 81 e 10650.001773/2005-25, cujos objetos são as autuações por multa isolada na ausência das estimativas devidas a título de CSLL e IRPJ, respectivamente, no mesmo acórdão a turma julgadora apreciou as questões, restando assim decidido: 111)Multa Isolada -IRPJ (Auto de Infração fls. 07/12 do Volume I); Multa Isolada - CSLL (Auto de Infração fls. 07/15 do Volume 1) Tais autos de infração originalmente formalizados nos PAF números 10650.001773/2005-25 (IRPJ) e 10650.001772)2005- 81 (CSLL), foram apensados ao presente processo conforme os termos de juntadas de fls. 113 (IRPJ) e 132 (CSLL), nos termos da Portaria SRF n° 6129, de 02/12/2005. Preliminar de decadência No que se refere à decadência da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, não tem razão a defesa, na 'medida em que a multa isolada não se sujeita a lançamento por homologação, não sendo possível falar-se em pagamento antecipado em relação a procedimento exclusivamente de oficio. Deve ser observada a regra geral prevista no art. 173, L do CTN que prescreve: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-:-seapós 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ........................................................................................................... Em se tratando de multa isolada (IRPJ e CSLL) por falta de recolhimento das estimativas devidas no ano-calendário de 2000, o lançamento, para os fatos geradores ocorridos até 30/11/2000, já poderia ter sido efetuado no próprio ano- . calendário de 2000, iniciando-se a contagem do prazo decadencial em 01/01/2001, e termo final em 31 de'dezembro de 2005. Portanto, em 27/12/2005, data da ciência do lançamento, ainda não havia expirado o prazo decadencial, estando regularmente efetivado o lançamento, no que tange a esse período-base. cP . 8 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 Por outro lado, quanto às multas isoladas aplicadas no auto de infração da CSLL, por falta de recolhimento das estimátivas devidas nos anos-calendário de 1998 e 1999, o lançamento, para os fatos geradores ocorridos até 30 de novembro dos respectivos anos, já poderia ter sido efetuado nos próprios anos-calendário de 1998 e 1999, iniciando-se a contagem do prazo decadencial, respectivamente, em 01/01/1998 e 01/01/1999, porquanto já havia expirado o prazo decadencial quando efetivado o lançamento em 27/12/2005, para os fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 30/11/1999, Para o fato gerador relativo a 31/12/1999 não ocorreu o prazo decadencial tendo em vista que o lançamento só poderia ser efetuado no ano- calendário seguinte, iniciando-se a contagem do prazo decadencial em 01/01/2001, com termo final em 31/12/2005, portanto, esse período-base não foi atingido pela decadência. Cumpre frisar que apesar de haver sido autuado em processos separados, os lançamentos das multas isoladas do IRPJ e da CSLL são reflexos das exigências do IRPJ e da CSLL, objeto da apreciação neste acórdão. Nos termos da legislação em vigor, quando, na apuração dos fatos, for verificada a prática de infrações a dispositivos legais relativos a um imposto, que impliquem a exigência de outros impostos da mesma natureza ou de contribuições, e a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, as exigências relativas ao mesmo sujeito passivo serão objeto de um só processo, contendo todas as notificações de lançamento e auto de infração. Considere-se, ainda, que dada à identidade das razões de defesa apresentadas - à exceção da preliminar de decadência, já acima examinada -, não cabe inovação em relação à matéria já apreciada no presente Acórdão, devendo ser adotadas integralmente as razões de decidir acima esposadas. Em conseqüência, é procedente o lançamento da multa isolada - IRPJ, tendo em vista que as omissões de receitas apuradas nos anos-calendário objeto de fiscalização (2000 a 2002), demonstradas no anexo do auto de infração (fls. 108 a .111), foram integralmente mantidas no julgamento do lançamento principal. Já quanto à multa isolada - CSLL, deve ser afastada a exigência relativa aos fatos geradores ocorridos no intervalo de 31/01/1998 a 30/11/1999, emface do instituto decadencial. Para o fato gerador ocorrido em 31/12/1999, procede em parte o lançamento, tendo em vista que foi excluída da tributação" o valor de R$ 12.366,00. Para os demaisfatos geradores lançados, ocorridos nos anos-calendário de 2000, 2001 e 2002, foram mantidas integralmente as omissões de receitas apuradas, logo procede o lançamento da multa isolada. Ressalto, no entanto, que o art. 18 da Medida Provisória n° 303, de 29 de junho de 2006, deu nova redação ao art. 44 da LeiJr SI-TEOl FI. 5 9 9.430/1996, reduzindo o percentual da multa isolada de 75% \ para 50%, in verbis: "Art. 44. Nos casos' de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: , 1- de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de tributo, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; 1I- de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: b )na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Assim, por força do art. 18 da Medida Provisória nO303/2006, bem como da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, não pode subsistir a multa de oficio isolada do IRPJ e da CSLL aplicada no percentual de 75%, sendo cabível a penalidade no percentual de 50% (cinqüenta por cento). em síntese: em síntese: Das preliminares A empresa interpôs o Reéurso Voluntário de fls. 1321 a 1362, argumentando, A empresa interpôs o Recurso Voluntário de fls. 1321 a 1362, argumentando, 1. não foi interposto o recurso de oficio devido; 1.1. defende a decadência da exigência do IRPJ para o ano-calendário de 2000, tendo em vista tratar-se de tributo da modalidade do auto-lançamento, aplicando-se as regras do artigo 150, 94° do Código Tributário Nacional - CTN; acusa aincia de decadente os lançamentos das contribuições federais, adotado o prazo de dez anos 'para a constituição do referido crédito tributário, cujo preceito - artigo 45 da Lei nO 8.212/91 já foi reiteradamente declarado inconstitucional pelo Superior Tribunal de Justiça; 1.2. nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa tendo em vista que a autoridade lançadora faz menção a outro processo fiscal do qual teria colhido elementos para caracterizar a omissão de receitas impingida contra a si, mas não junta ao presente. processo qualquer prova da existência do referido processo ou as exibe à contribuinte para que dos documentos possa exercer a sua defesa; 1.3. o lançamento de IRPJ padece de nulidade porque não foram observadas as disposições do artigo 41 da Lei nO8.981/95, ou seja, computadas na base de cálculo tributável as contribuições sociais lançada de oficio sobre o mesmo período; Do Mérito J 10 Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 6 2. a recorrente comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos fornecidos pelo ex-sócio sr. Silivio, bem como o efetivo ingresso nas contas da empresa \ autuada; . 2.1. existem três tipos de origem no caso em exame: a) disponibilidade na declaração do ex- sócio; b) transitórias decorrentes de operações em que o ex-sócio recebia em dinheiro por venda do gado; c) vendas realizadas pelo ex-sócio mediante cheques recebidos de terceiros e repassados à empresa, por empréstimo; 2.2. os comprovantes de transferências de recursos e/ou os registros contábeis comprovam a efetividade das operações; 2.3. a juntada de cópias dos cheques nominais depositados em favor da pessoa jurídica, não consideradas, impõe a reforma do acórdão vergastado; 2.4. demonstrada a origem e a efetividade da entrega de recursos, a não coincidência de datas e valores não é suficiente para manter a autuação, tendo em vista que as empresas comumente têm um fundo fixo de caixa e que os cheques emitidos só são descontados posteriormente após as despesas terem sido efetivamente realizadas, supridas por esse fundo de caixa; 2.5. no acórdão vergastado fundamentou-se a não aceitação das provas trazidas pela recorrente porque alguns períodos não houve comprovação da origem dos recursos sendo insuficientes os valores representados pelas notas fiscais emitidas pelo ex-sócio; a soma das notas fiscais dentro de um mesmo período mostra recurso suficiente para os aportes; 3. as contribuições sociais reflexivas, por conseguinte, não podem ser exigidas; 4. .o arbitramento fiscal com fulcro no artigo 282 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 não pode prevalecer, uma vez a origem dos recursos e a efetiva entrega à empresa, pelo ex-sócio, estão fartamente comprovadas; 4.1. todos os ingressos foram contabilizados o que faz prova a favor do contribuinte, p~lo que o arbitramento não pode prosperar; 4.2. cita jurisprudência administrativa que corrobora o seu entendimento; 5.. a aplicação da taxa Selic para a cominação dos juros padece de ilegalidade; 6. no que concerne às autuações formalizadas nos processos apensos, apenas refere-se ao fato de que foram lavrados contra si os Autos de Infração de Multas Isoladas do IRPJ e da CSLL e que estes foram julgados em concomitância com os Autos de Infração de IRPJ, PIS, Cofins e CSLL, mas não se insurge especificamente contra a exação da penalidade imposta, contestando o lançamento dos tributos federais e os seus fundamentos. É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto J 11 Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES. Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em princípio, cabe esclarecer à recorrente que o valor exonerado no acórdão de primeira instância não obriga à interposição do recurso de oficio, nos termos do artigo 34 do Decreto n° 70.235/72 - PAF, c/c a Portaria MF nO375/01, então vigente, que fixou o valor de alçada pelo crédito tributário, composto por tributo e multa, em R$500.000,00 (atualmente vigora o valor fixado na Portaria MF nO03/08 de R$I.000.000,00). Nestas considerações iniciais importante também ressaltar a matéria tributável já mantida e exonerada pela decisão a quo, no intuito de delimitar a lide, a saber: IRPJ - anos-calendários de 2000 a 2004 : infração 001- omissão de receitas pelo suprimento de caixa com empréstimos de sócio sem comprovação de origem e/ou efetiva entrega: manteve integralmente, com multa de oficio de 75%; CSLL, PIS e Cofins - tributação reflexiva, no mesmo período (2000 a 2004) - mantido parcialmente, com redução da multa de oficio agravada, de 112,50% para 75%; CSLL, PIS e Cofins- tributação reflexiva nos anos-calendários de 1998 e 1999 - mantido parcialmente, com redução da multa de oficio qualificada e agravada, de 225,00% para 75%; MULTAS ISOLADAS IRPJ e CSLL - tributação reflexiva, mantida parcialmente, com a alteração da multa aplicada em 75% para 50%, por força do princípio da retroatividade benigna. A - Das Preliminares I) Da decadência do IRPJ exigido em relação ao ano-calendário de 2000 Em nada diverge o entendimento desse colegiado no que refere-se à tese defendida pela recorrente de que o IRPJ é tributo classificado na modalidade de lançamento por homologação (ou auto lançamento), a partir do ano-calendário de 1992, regido, pois, pelo artigo 150 do CTN, exceto quando configurada a ocorrência de fraude (stricto sensu), sonegação ou conluio. No presente caso, a autoridade autuante não cominou a multa qualificada para os anos-calendários objetos da exigência de IRPJ, pelo que não se desloca o prazo decadencial para o artigo 173 do CTN. Todavia, o regime de apuração escolhido pela empresa autuada, no ano em questão, 'foi o regime de tributação pela apuração do_lucro real, anual (DIPJ/Ol - fls. 644 a 685). Não foi trimestral quando os impostos são recolhidos, em definitivo, nestes períodos (trimestrais) e, aí sim, decairia o direito da Fazenda em exigi-los, a cada fim do trimestre, período de apuração. Na jurisprudência administrativa e judicial já está pacificado o entendimento de que os recolhimentos das estimativas mensais não são pagamentos dos tributos exigidos, mas mera antecipações destes, submetidos ao ajuste anual, quando encerra-se o período, em 31/12 de cada ano. É cediço que o fato gerador do IRPJ é de natureza complexivo, só se consumando no último dia do ano-calendário, quando finda o exercício financeiro. \ Processo n° 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 7 Desta forma, tendo tomado a devida e regular cIencia do lançamento tributário de IRPJ em 27/12/2005, sobre fato gerador ocorrido em 31/12/2000, não operou a decadência, pois a autuação ocorreu dentro do prazo qüinqüenal. Afasto, portanto, a preliminar de decadência suscitada pela recorrente no que tange ao IRPJ exigido ex officio. Para enriquecer esse voto, cito a ementa do Acórdão n° 103-22.026/05 do Primeiro Conselho de Contribuintes, que espelha o entendimento pacificado, reitero, deste órgão colegiado: DECADÊNCIA. LANÇAMENTO. PRAZO INICIAL DE CONTAGEM APURAÇÃO EM HIPÓTESE DE LUCRO REAL ANUAL. ESTIMATIVAS PAGAS NO CURSO DO PERÍODO BASE. A partir da vigência da Lei 8383/91, o dies a quo para a contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador. Quando a empresa opta pelo Lucro Real anual, a estimativa é mera antecipação e o fato gerador coincide com o último dia do ano-calendário. lI. Da decadência das contribuições sociais lI. a) Exigidas em relação aos anos-calendários de 1998 e 1999 No que respeita às exigências das contribuições SOCIaIS, cujo período ultrapassou o qüinqüênio estipulado no Código Tributário Nacional - CTN, foi editada a Súmula Vinculante nO08 pelo Supremo Tribunal Federal. A Corte Suprema em 12 de junho de 2008, declarou, por intermédio da referida SÚIl?-ulaVinculante, que: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto- lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. . Por este ato, encerrou discussão sobre qual o prazo decadencial a que se sujeitam as contribuições para a Seguridade Social, sendo aplicável, para este efeito, as disposições contidas na Lei nO5.172/66, Código Tributário Nacional - CTN, reconhecida com o status de Lei Complementar, conforme a Carta Magna exige para que se verse sobre normas gerais sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários (artigo 146, lII, b, da Constituição Federal). Por conseguinte, a contribuinte deve ser exonerada das exigências lançadas ex officio relativas às contribuições federais, CSLL, PIS e Cofins, correspondentes aos anos- calendários de 1998 e 1999, de pronto. lI. b) Exigidas em relação aos anos-calendários de 2000 a 2004 No ano-calendário de 2000: Com exceção à eXIgencia da CSLL, cuja apuração respeita o regime de tributação anual, coincidente com o.IRPJ, as exigências de PIS e d13 Cofins respeitam o critério mensal de apuração para o recolhimento das referidas contribuições. Portanto, por força da Súmula Vinculante retro mencionada que retirou a eficácia jurídica do dispositivo legal que estipulava o prazo decendial para ocorrência da decadência, as exigências do PIS e da Cofins relativas aos meses do ano de 2000, a saber, janeiro, março, abril, maio, junho, julho e setembro, devem ser canceladas. Repito, nada há, no que respeita a decadência suscitada pela recorrente, a reformular no referente à CSLL exigida, pois o fato gerador da obrigação' se consuma somente em 31/12/00, pelas mesmas razões expostas quanto ao IRPJ, no item I acima. IH.Nulidade da autuação por desconhecimento de documentos citados Não acolho a nulidade suscitada pela recorrente pelos motivos que passo a expor. A infração detectada pela autoridade lançadora ergueu-se sobre outros elementos determinantes, como a escrituração contábil de valores quitando despesas da empresa, sem a respectiva documentação comprobatória, ou seja, págamentos vinculados a cheques que somente foram sacados em datas posteriores às autenticaçõesmecânicas. o documento a que se referiu a autoridade lançadora, no caso cheque emitido por terceiro, caracterizado como interposta' pessoa da empresa na representação fiscal n° 10830.006735/2003-89, não foi, em primeiro lugar, fator determinante para caracterizar a infração tributária. o referido fato está entre outros diversos documentosjuntados ao processo às fls. 345 a 412. Em segundo lugar, a representação fiscal é processo de interesse do Estado, no caso a própria fiscalização, pois trata de comunicar um ilícito (tributário, administrativo ou penal) à autoridade superior hierárquica. Portanto, nada há de ofensa a qualquer princípio constitucional ou legal não se dar conhecimento à parte representada na correspondente Representação, pois apenas noticia fatos a quem de direito para a tomada das devidas providências - se é que serão tomadas. Às vezes, até requer-se o caráter sigiloso do trâmite da representação, principalmente a penal, para que as autoridades investigatórias possam melhor averiguar os fatos. A partir do momento em que algum dos elementos que serviram para subsidiar a Representação servirá de prova daquilo que foi representado e abrir-se o pertinente processo (administrativo ou judicial) contra o representado, aí sim deve-se começar a observar, rigorosamente, os princípios constitucionais processuais, precipuamente o do contraditório e do ampla defesa. E foi eX;ltámenteisso que ocorre no presente processo fiscal. Ao vincular a infração tributária ao fato de que uma das despesas da empresa foi efetivamente quitada com cheque de terceiro, o autor do lançamento fiscal juntou a prova às fls. 409 e 410, dando pleno conhecimento do fato, em si, à autuada e possibilitando que esta exerça todo o seu direito constitucional de contestá-lo, em sede do litígio, onde se aplica a proteção constitucional. Aliás, o que não faz. Sequer há nos autos uma palavra que justifique o porquê da despesa com tributos da empresa tenha sido quitada com cheque do sr. Claudenir Ananiasde Oliveira. 14 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 8 Ademais, interessante a alegação da recorrente de que não faz idéia sobre o que se passa, quando despesas suas são quitadas com cheques de terceiros, pessoas fisicas, e na contabilidade registra-se o pagamento com cheque próprio, compensado em data futura. Mas, ainda que, por hipótese, a autoridade lançadora não houvesse exibido a prova do indício que corroborou a constatação do ilícito (como fez), não veria qualquer nulidade neste aspecto por ser fato. conhecido da empresa, sem sombra de dúvidas. Mas toda essa digressão sobre a nulidade, ora afastada, perde o sentido finalísticoem vista da decadência declarada sobre os anos-calendários de 1998 e 1999, cuja infração detectada ora discutida era concernente a esses anos. IV. Nulidade do lançamento tributário por não ter sido descontada da base de cálculo do IRPJ as éontribuições lançadas ex officio no mesmo período Dispõe o artigo 344 e seu 96° do RIRJ99: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n28.981, de 1995, art. 41) {. ..J 9 62 A partir de J2 de janeiro de 1997, o valor da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real (Lei n29.316, de 1996, art. 12). Por conseguinte, a CSLL não pode estar nessa discussão, por expressa vedação legal. No que respeita às importâncias tributadas a título de PIS e Cofins, para os meses lançados nos anos-calendários de 2001, 2002, 2003 e 2004, constata-~e que a autoridade fiscal observou as disposições inseridas no artigo 24, S 2°, da Lei nO9.430/96: Art. 24. Verificada a omissão de receita. a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período-base a que corresponder a omissão. {...} 9 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social - COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público - PIS/PASEP. Observo que não houve, por parte do legislador, a determinação que se expurgasse do valor do tributo principal aqueles valores exigidos a título de Pis e Cofins, os quais decorrem da mesma base de cálculo, no caso, omissão de receitas detectada ex officio. 15 E, o artigo 41, S 1°, também da Lei nO8.981/95, reproduzido no S 1° do artigo 344 do RIR/99 é explícito quando estabelece que as exclusões dos tributos federais perInitidas em lei quando a matéria é objeto de lide não devam ser computadas: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei nE 8.981, de 1995, art. 41). ~ 1E O disposto neste artigo não se aplica aos tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa, nos termos dos incisos 11a IV do art. 151 da Lei nE 5.172, de 1966, haja ou não depósito judicial (Lei nE 8.981, de 1995, art. 41, ~ 1!!j. Apenas para recordar, o inciso 111do artigo 151 do CTN assim dispõe: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: {...} 111 - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Destarte, não vejo nulidade no procedimento de autuação quando a autoridade lançadora observou opreceitº legal correspondente aos valores detectados como omissão de recyitas, não lhe cabendo adotar procedimento diverso ou além do exposto na norma. Na verdade, a atividade do lançamento tributário é vinculada e obrigatória, nos termos do conhecido parágrafo único do artigo 142.do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. E não encontro previsão legal para, no ato do lançamento de oficio, a autoridade ter essa liberdade de excluir as parcelas de PIS e Cofins oriundas da omissão de receitas que ensej am. a tributação do IRPJ. Mas, tão pouco encontro justificativa para, em esfera recursal, determinar que sejam tais valores abatidos da base de cálculo com recálculo das exigências a título de IRPJ .. Mais, encontro é vedação expressa 16gal para "ajustar" a base de cálculo em esfera recursal por força do artigo 41, S 1°, da Lei nO8.981/~5, c/c o artigo 151, inciso lI, do CTN. Na esteira do raciocínio, as deduções com os tributos permitidos no RIR, no caso, PIS e Cofins, respeitado o regime de competência, no ajuste do lucro líquido, não são permitidas na apuração do IRPJ, ex officio, no caso, por caracterizada a omissão de receitas. Aprofundo ainda o exame da matéria, tentando fazer incursão na mens legis, para afastar a dúvida sobre possível lacuna, ressaltando que o tributo lançado de oficio (impostos e contribuiç~es) go~am da presunção de legitimidade, sem dúvida, todavia, essa presunção é juris tantum e súscetívelde tomar-se litigiosa. Somente discorrido o prazo para apresentar a impugnação é que a exigência está legitimada, quando não contestada. Desta forma, havendo o litígio - o que só vai se verificar em futuro (evento incerto) - e em se tratando de exigências intrinsecamente vinculadas, sendo que existe a real hipótese de ser alterado o lançamento somente em parte, resta vedada a dedução permitida em lei para os casos do contribuinte efetuar os cálculo de apuração do IRPJ espontaneamente. 16 Processo nO 10650.001771/2005"36 Acórdão n.o 1801"00.101 SI"TEOl Fl.9 Exemplificativamente, cito a hipótese das contribuições reflexas, do Pis e da Cofins, exigidas, de forma indevida, trimestralmente. As exigências serão ilididas, mas o tributo principal restará e dependendo do curso do processo e o tempo de julgamento não poderá ser agravado para excluir-se as deduções que tornaram-se então indevidas, por não haverem sido legitimadas. E o crédito tributário lançado de oficio, desde a sua constituição até o pagamento ou impugnação tem a sua exigibilidade suspensa, tanto que é possível ao contribuinte obter certidão positiva com efeito de negativa. Assim, também compreende-se melhor a intenção dos artigos 41, S10, da Lei nO8.981/95 c/c 24, S2° da Lei n° 9.430/96. Ademais, essa matéria não foi trazida na impugnação interposta pela contribuinte, sendo insuscetível de ser apreciada por este órgão colegiado de segunda instância, consoante dispõe o artigo 17 do Decreto nO70.235/72 - PAP. Enriqueço esse voto com a ementa do Acórdão nO CSRF / 01-03.351/01, prol~tado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: MATÉRIA PRECLUSA - O julgamento administrativo inicia-se com o exame do lançamento sobre o qual pode falar o julgador independentemente de argumentação por parte do sujeito passivo. Admitida a legalidade do ato, questões não provocadas a debate em primeira instância, quando se instaura a fase litigiosa do procedimento administrativo, com a apresentação da petição impugnativa inicial, constituem matérias preclusas das quais não pode o Conselho tomar conhecimento, por afrontar o princípio do duplo grau de jurisdição a que está submetido o Processo Administrativo Fiscal. O não enfrentamento da matéria na inicial implica em concordância tácita do contribuinte com a tributação do valor omitido, sendo "extra petita" a decisão que afasta a exigência. Recurso de oficioprovido. (grifos nãopertencem ao original) B-Do Mérito V) Dos empréstimos efetuados pelo ex- sócio Silvio Castro Cunha para a empresa autuada e do suprimento de caixa A discussão que se encerra no mérito centraliza-se nos empréstimos registrados na contabilidade da autuadafadvindos da pessoa do ex-sócio Silvio Castro Cunha Jr, não admitidos pela fiscalização em vista da ausência de provas da efetiva transferência de uma parte para a outra e da ausência de recursos, haja vista que a infração discriminada como pagamentos efetuados com recursos estranhos à empresa foi concernente apenas aos anos- calendários de 1998 e 1999. A planilha de fls. 74 deste processo demonstra analiticamente cada ingresso de numerário que ensejou a tributação erguida com fulcro no artigo 282 do RIR/99 _ registros contábeis às fls. 464 a 528: 17 .Suprimentos de Caixa Art. 282. Provada a omlssao de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrá-la com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 12, S 32, e Decreto-Lei n21.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 12, inciso lI). Primeiramente, cumpre esclarecer que o mero registro contábil não faz prova a favor da contribuinte, conforme argumenta a recorrente. Os registros contábeis fazem prova em prol aos contribuintes desde que possuam a documentação correlata para os corroborar. A contabilidade da empresa para se mostrar fidedigna deve espelhar exatamente as suas diversas operações negociais e financeiras, sob pena de ser auditada e confrontada com a verdade material dos fatos que não reflete. Pode -se dizer que é a alma da empresa. Desta forma, na presente questão, a recorrente deve provar que efetivamente os recursos que adentraram na empresa para arcar com suas despesas e custos tem origem diversa do que poderia ser o seu caixa-dois. Por isso a legislação tributária é rigorosa na identificação da origem dos recursos e sua efetiva transferência comprovada por documentos idôneos e fidedignos, como aqueles que registram as transferências bancárias, sob pena da presunção de omissão de receitas. No acórdão combatido foi analisado cada ingresso no caixa da empresa, objeto de autuação, em face aos documentos acostados aos autos, não sendo a grande maioria aceita pelas autoridades julgadoras, consoante planilhas de fls. 1296, 1297, 1298 e 1299, para os anos-calendários de 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004, respectivamente. Em seu recurso a empresa reafirma que a documentação é suficiente para demonstrar cabalmente que o ex-sócio possuía recursos suficientes (e de origem diversa) para suprir o caixa da empresa mediante empréstimos e que comprovou as transferências efetivas. Resta, então, analisar cada situação e avaliar ambos os lados em face à documentação colacionada aos autos. Temos, em síntese: ANO-CALENDÁRIO DE 2000 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 05/01/00 30.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela copIa do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 10/01/00 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do • do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 11/01/00 10.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que o apresenta notas fiscais de venda, dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 18 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl FI. 10 01/03/00 40.000,00 Comprovada a entrada, mas não Notas fiscais de venda do ex-sócio comprovada a origem de recursos 15/03/00 55.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela . docopIa .do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 03/04/00 25.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso . pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 06/04/00 20.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 18/05/00 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 29/05/00. 32.500,00 Cópia de cheque sem comprovação C6mprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 30/05/00 35.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 30/06/00 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 26/07/00 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do do efetivo depósito na empresa cheque nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 20/09/00 62.000,00 Cópia de cheques de terceiros sem --- comprovação de depósito na empresa, no valor total de R$90.000,00 20/09/00 28.000,00 Idem ao item acima. --- Total de aporte ....R$517.500,OO ANO-CALENDÁRIO DE 2001 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 10/01/01 50.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 12/01/01 15.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 11/06/01 41.659,55 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 10/10/01 47.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa eos recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio Total de aporte ....R$153.659,55 ANO-CALENDÁRIO DE 2002. 19 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 01/04/02 30.168,50 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa; ex-sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 11/04/02 25.000,00 Cópia de cheque em favor do próprio Comprovado ingresso pela cópia do cheque emitente, sr. Silvio, sem comprovação e os recursos por notas fiscais de venda do do efetivo depósito na empresa ex-sócio 15/04/02 30.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 28/04/02 37.409,87 Cópia de cheque emitido por terceiro Comprovado ingresso pela cópia do chêque em favor do sr. Silvio, sem recebido pelo ex-sócio e repassado direto à comprovação do depósito na empresa empresal recursos pelas vendas do ex-sócio Total de aporte ....R$122.578,OO ANO-CALENDÁRIO DE 2003 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 22/01/03 50.000,00 Não comprovado Origem comprovada pelas notas de vendas do ex-sócio 30/07/03 32.000,00 Cópia de cheque sem comprovàção Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa' nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 31/07/03 10.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 01/08/03 9.073,29 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 04/08/03 50.000,00 Depósito efetuado na conta da Depósito realizado em espécie, o ex-sócio empresa;. ex -sócio não comprova que apresenta notas fiscais de venda, o dinheiro saiu de sua conta comprovando recursos 05/08/03 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 18/08/03 40.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio 26/09/03 50.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas fiscais de venda do ex-sócio Total de aporte ....R$291.073,29 ANO-CALENDÁRIO DE 2004 Data Suprimento Valor-R$ Ac. Recorrido Recorrente 29/01/04 20.000,00 Cópia de cheque sem comprovação Comprovado ingresso pela cópia do cheque do efetivo depósito na empresa nominal à empresa e os recursos por notas ; fiscais de venda do ex-sócio 20 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl Fl.11 L _ Da análise dos documentos citados nos demonstrativos acima, juntados às fls. 1143 a 1193, e das cópias das declarações de rendimentos da pessoa fisica em tela, sr. Silvio de Castro Cunha Júnior, cumpre destacar algumas considerações relevantes. São pedaços que juntos formarão a convicção dos julgadores. As citadas Notas de Vendas referem-se a vendas de bois (gado) ou cana de açúcar sendo o sI. Silvio produtor rural. Todas as cópias de cheques não são documentos microfilmados pelos bancos; nem consta qualquer registro em seu bojo ou verso de haverem sido compensados. Certamente, a meu ver, essa ausência de cautela da recorrente em buscar provas que i1idam a presunção tributária de omissão de receitas contra si imposta, diminui em muito a força probatória de cheques copiados que sequer podem ter sido efetivamente compensados. São meros indícios de que foram emitidos pelo sI. Silvio, em favor da empresa POLYVIN, mas, de fato, conforme salientado pelo acórdão vergastado, nada traz a recorrente que comprove o ingresso de tais numerários efetivamente nas contas da empresa. E são documentos seus, aos quais as instituições bancárias não negariam o fornecimento das cópias microfilmadas, nem os extratos bancários pertinentes que demonstrem a efetiva entrada na conta corrente em valores e datas coincidentes. Por outro lado, quando apresenta comprovantes de depósitos efetivamente realizados na conta da empresa, não há identi!i~aç_ão nes!es ~a o!igem dos recursos, como advindos das contas do ex-sócio. Nem cópia de cheque emitido naquela data, nem identificação no próprio depósito, o que não descarta serem recursos vindos de contas bancárias da empresa à margem da escrituração, portanto, de igual forma, suprimentos de caixa sem origem comprovada, do caixa-dois da empresa. A exemplo, cite-se o depósito de fls. 1180, de 22/01/03, assinalado como ingressado na empresa R$50.000,00. Ora, o depósito é na verdade de R$100.000,00, "em cheque". Cadê esse cheque, ou cheques? E a Nota, às fls. 1179, com que a recorrente pretende comprovar o recurso foi emitida em 22 de abril de 2003, portanto meses após a emissão do tal cheque .. Outro exemplo em desfavor das alegações da recorrente é a cópia do cheque de fls. 1146, emitido como em 01/03/00 para a POLYVIN, acompanhado da cópia de um depósito de igual valor nesta data, na POLYVIN, ambos no valor de R$ 40.000,00. Todavia, neste mês o ex-sócio não tinha recursos financeiros, demonstrados pelas notas fiscais juntadas ao processo, que só foram emitidas a partir de abril de 2000. Nas DIRPF do ex-sócio também não encontro a segurança do respaldo das alegações trazidas. Para o mês de março, o contribuinte pessoa fisica informou haver recebido a título de receita agropecuária o valor de R$ 3.125,00. J 21 Aliás, no primeiro trimestre de 2000, informa que recebeu o valor total de R$ 207.445,00, mas teve despesas de custeio e investimentos no valor de R$ 70.525,82, o que resulta numa 'sobra' de R$ 136.919,18. Ocorre que, todavia, os aportes financeiros na empresa ditos como advindos da atividade rural do ex-sócio somam, para o primeiro trimestre o valor de R$ 185.000,00, ou seja, suplantam as receitas deduzidas das despesas, e isso sem computarmos mais qualquer gasto, de natureza pessoal e familiar, do sr. Silvio. Outro exemplo, os cheques de Bruno José Carvalho de 20 de setembro de 2003, nos valores de R$35.000,00 e R$55.000,00, pelo histórico da declaração de bens do sr. Silvio advieram da venda de um imóvel residencial, mas servem, parcialmente, de origem para "-aquisição de outro imóvel residep.cial, no mesmo mês de setembro, erroneamente declarado (ambas as colunas estão preenchidas, quando somente a respectiva ao ano de 2000 deveria estar). A variação patrimonial do contribuinte praticamente está a descoberto na declaração de imposto de renda (a verificar-se a dívida contraída para aquisição do novo imóvel residencial). Mas; independentemente das suposições acima, nota-se que os aportes financeiros na empresa para o ano-calendário de 2000 praticamente consumiram o resultado agrícola estampado na DIRPF respectiva, o que faz, somado aos fatores acima descritos, colocar em dúvida as argumentações da recorrente. Por fim, verifica-se que no histórico da declaração de bens do contribuinte, o saldo da dívida com a empresa diminuiu, inclusive, remontando a pequena quantia de R$ 41.106,51, quando vemos que remontou R$ 517.500,00 durante o ano-calendário. E na DIPJ correspondente não há menção de qualquer valor devido à sócio/acionista da empresa. Aliás, em nenhuma das DIPJ o Passivo acusa empréstimos de sócios à empresa. Na DIRPF/02 também verifica-se que, praticamente, o rendimento líquido auferido pelo contribuinte em termos anuais, foi da ordem de R$47.074,37. Esse valor deve ser considerado para as despesas pessoais e familiares também, como então pode essa pessoa fisica emprestar para a empresa POLYVIN mais de R$150.000,00? No final do ano, consta na DIRPF que restou somente o valor de R$ 1.055,30 de crédito da empresa para co~ a pessoa fisica. A DIRPF/03, então, não traz qualquer rendimento para seu titular. Nesse ano em praticamente todos os meses houve prejuízo na atividade rural, o que levou a um prejuízo anual e à necessidade do contribuinte solicitar empréstimos à Agroexport Ltda e à parente sua. Por conseguinte, não há recursos para empréstimos à POLYVIN, que suplantaram R$ 120.000,00. Assim, grosseiramente analisando, as DIRPF de Silvio de Castro Cunha Jr juntadas aos autos, mais fazem prova contra as alegações da recorrente do que a favor, à primeira vista, e para servirem de respaldos para corroborar o que alega deveriam ser minuciosamente analisadas, o vir subsidiadas de maiores esclarecimentos e documentação o que não cabe no presente feito. Passo a verificar, passo a passo, cada ingresso de recurso, assim como fez-se no acórdão proferido e ora debatido: 22 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 Sl-TE01 FI. 12 Data Suprimento Valor-R$ Voto 05/01/00 30.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 10/01/00 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 11/01/00 10.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; as Notas Fiscais foram emitidas a partir de abril de 2000. 01/03/00 40.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; as Notas Fiscais foram emitidas a partir de abril de 2000. 15/03/00 55.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a abril de 2000; sem recursos. 03/04/00 25.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a 17 de abril de 2000; sem recursos. 06/04/00 20.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não foram juntadas Notas Fiscais de Vendas de produção rural anteriores a 17 de abril de 2000; sem recursos. 18/05/00 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 29/05/00 32.500,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 30/05/00 35.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 30/06/00 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 26/07/00 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 20/09/00 62.000,00 Esse cheque não tem vinculação com a empresa, nem com a atividade rural do ex-sócio; provém de venda de imóvel, utilizado para a compra de outro, conforme DIRPF do ex-sócio. 20/09/00 28.000,00 Esse cheque não tem vinculação com a empresa, nem com a atividade rural do ex-sócio; provém de venda de imóvel, utilizado para a compra de outro, co~orme DIRPF do ex-sócio. 10/01/01 50.000,00 O depósito não traz identificação' do -depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada foi emitida em dezembro de 2000, nada vinculando o recurso ao depósito. 12/01/01 15.000,00 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada foi emitida em dezembro de 2000, nada vinculando o recurso ao depósito. 11/06/01 41.659,55 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 23 10/10/01 47.000,90 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 02/01/02 30.168,50 O depósito não traz identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Notas Fiscal apresentada foi emitida em fevereiro de 2002; sem recursos. 11/04/02 25.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 15/04/02 30.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 28/06/02 37.409,87 Cópia de cheque emitido pela Agroexport nominal para Silvio de Castro Cunha Júnior; comprovante de depósito efetuado na mesma data e no mesmo valor para POLYVIN. 22/01/03 50.000,00 O depósito é de R$100.000,00 e não traz a identificação do depositante; não foi comprovado que o recurso saiu do ex-sócio; a Nota Fiscal apresentada para comprovação de recurso foi emitida em abril de 2003. 30/07/03 32.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 31/07/03 10.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empre$a POL YVIN. 01/08/03 9.073,29 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 04/08/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN; depósito sem identificação. 05/08/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN. 18/08/03 40.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POL YVIN. 26/09/03 50.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. 29/01/04 20.000,00 A cópia do cheque não comprova o ingresso do numerário na empresa; não há comprovação de que os recursos advindos das vendas do ex-sócio foram aplicados na empresa POLYVIN. Por todo o exposto, mantenho o lançamento tributário nos moldes efetuados, com fulcro no artigo 282 do RIR/99, para a exigência de IRPJ, PIS e Cofins, realizado por suprimento de caixa cujas transferências e origens de recursos não restaram suficientemente comprovados como advindos das atividades rurais do ex-sócio sr. Silvio de Castro Cunha Júnior, para os anos-calendários de 2000 a 2004. C - MULTAS ISOLADAS - Estimativas IRPJ e CSLL (processos em apenso) Considerando que resta mantida a exigência de IRPJ e CSLL no período acima assinalado (2000 a 2004), também devem ser mantidas as autuações para exigência das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, IRPJ e CSLL, decorrentes da omissão de receita, negando-se provimento ao recurso interposto, por decorrência. D - JUROS À TAXA SELIC 24 Processo nO 10650.001771/2005-36 Acórdão n.o 1801-00.101 SI-TEOl Fl.13 Por derradeiro, no que respeita à cominação dos juros calculados à taxa Selic sobre os tributos federais exigidos, afasto da apreciação por ser matéria veiculada em norma tributária vigente, não declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário, a saber, artigo 61, S 3°, da Lei nO9.430/96. Invoco as súmulas editadas pelo Conselho de Contribuintes (recepcionadas pelo atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - Car£), extraídas de recorrentes julgados administrativos, nos quais conclui-se que à autoridade julgadora administrativa não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Súmula rcc n° 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ' Súmula r Cc. n° 4: A partir de ]O de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema. Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Nesse exato sentido preceituou a Medida Provisória nO449/08, transformada na Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009: Art. 23. O Decreto no 70.235, de 6 de março de ],972, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." CONCLUSÃO Voto em: i) afastar as preliminares de nulidades suscitadas; ii) acolher parcialmente a preliminar de decadência dos lançamentos tributários para exigência de contribuições sociais - CSLL, PIS é Cofins - relativas aos anos-calendários de 1998 e 1999, e, no caso, do PISe da Cofins, nos meses relativos ao ano-calendário de 2000; iii) para, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Resultado: recurso parcialmente provido. Determino que a Secretaria da 3a Câmara da Primeira Seção extraia duas cópias do Acórdão nO 09-13.844/06 (fls. 1272 a 1302), do AR de fls. 1320 e do Recurso Voluntário (fls. 1321 a 1362), bem como do presente acórdão e proceda à juntada destes documentos aos processos nOs 10650.001773/2005-25 e 10650.001772/2005-81 apensos, objetivando a sua devida instrução. ANA DE BARROS FERNANDES - Relatora 25 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025
score : 1.0
Numero do processo: 10480.007534/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO.
Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantê-lo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial.
Recurso Especial da Procuradoria negado.
Numero da decisão: 9303-004.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantê-lo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial. Recurso Especial da Procuradoria negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Relator Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 145 1 144 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10480.007534/200235 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.377 – 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2016 Matéria COFINS. NULIDADE Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado IRMÃOS CRUZ LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 MOTIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. INSUBSISTÊNCIA DO LANÇAMENTO. Inexistente o motivo de fato indicado para a autuação, o lançamento deve ser cancelado, não podendo o julgador administrativo mantêlo por outros fundamentos que não integraram a acusação inicial. Recurso Especial da Procuradoria negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 75 34 /2 00 2- 35 Fl. 145DF CARF MF 2 Participaram do Julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente em exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3401002.573, de 24/03/2014, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção deste CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO. MOTIVAÇÃO. PROVA DE SUA INOCORRÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Mostrase improcedente o lançamento que aponta infração inocorrente, conforme prova válida carreada aos autos durante o procedimento contencioso administrativo, não se mostrando adequada a discussão acerca de outros motivos que não aqueles textualmente elencados no instrumento de constituição do crédito tributário. Recurso voluntário provido. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscitou divergência em relação ao entendimento de que a motivação do auto de infração eletrônico foi a de que a ação judicial informada na DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (“Processo judicial de outro CNPJ”). Afirma que outras Turmas firmaram o entendimento de que, em caso semelhante, o fundamento do auto de infração é a falta de recolhimento do tributo e que, por conseguinte, não haveria de se falar em inovação do fundamento pelo órgão de primeira instância quando demonstrado o não cumprimento da exigência fiscal. Visando comprovar as divergências, apresentou, como paradigmas, os Acórdãos nº 20312.427 e 20310.933, cujas cópias de inteiro teor foram juntadas aos autos. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 163/164. Não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, tal como proposto no exame de admissibilidade, que o recurso especial deve ser conhecido. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10480.007534/200235 Acórdão n.º 9303004.377 CSRFT3 Fl. 146 3 Com efeito, malgrado se tenha indicado, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, que o lançamento decorreu da “FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL, DECLARAÇÃO INEXATA” (fl. 7), em seu Anexo I, intitulado “Demonstrativo dos Créditos Vinculados não Confirmados”, no qual detalhada a infração, está registrado que o processo judicial informado em DCTF, como origem da compensação, pertenceria a outro CNPJ (Proc jud de outro CNPJ). Em síntese: a falta de recolhimento originouse na impossibilidade da compensação informada na DCTF, porque a contribuinte não integraria o polo ativo da ação judicial indicada. No acórdão primeiro acórdão paradigma, o de nº 20310.933, não há identidade de fatos, a ensejar a viabilidade do recurso especial. Enquanto na decisão recorrida a ação judicial pertencia a outro contribuinte, neste a compensação foi efetivada antes do trânsito em julgado. Confirase o seguinte parágrafo do voto condutor do acórdão: A par dos autos, verificase que o contribuinte vinculou na DCTF do 4° trimestre de 1997, relativamente ao período de apuração 11/97, valor de compensação efetuada com base em ação judicial, antes do seu trânsito em julgado. Assim, reduziu o saldo a pagar no montante do valor compensado. No segundo paradigma, porém (o acórdão de nº 20312.427, que consubstanciou lançamento também decorrente de auditoria interna de DCTF), o processo judicial informado que ampararia as compensações não restou comprovado (no Anexo I do auto de infração, constou a expressão “Proc jud não comprovad”). Neste julgamento, entendeuse, conforme consta do voto vencedor, que a inexistência do processo judicial não seria verdadeiramente o pressuposto fático do lançamento, mas a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF: "A nobre relatora não vê configurada a concomitância por considerar que, nesta seara administrativa, em face do enquadramento legal e da situação fática descrita no auto de infração, discutese tãosomente a existência ou não do processo judicial, no qual a recorrente seja parte e lhe garanta (ou não) o direito de proceder a compensação vinculada em DCTF, cuja origem é o indébito do PIS pago indevidamente. Para ela, a exigência tributária, no que fundada na inexistência do processo judicial informado como origem dos créditos vinculados aos débitos declarados nas DCTF, deve ser cancelada porque demonstrado o contrário: existe sim, a ação judicial referida. Entendo diferente porque o pressuposto fático do lançamento é, no fundo, a inexistência dos créditos alegados com base na ação judicial informada na DCTF, e não simplesmente a inexistência do processo judicial referido. Embora admitindo que a descrição constante do auto de infração é lacônica e podia ser aperfeiçoada, ressalto que não houve qualquer prejuízo à defesa do contribuinte, que desde o primeiro momento demonstrou compreender por inteiro a autuação. Tanto assim que na impugnação o contribuinte já informa que os créditos têm origem em pagamentos a maior do próprio PIS, e que o seu Fl. 147DF CARF MF 4 direito foi reconhecido judicialmente nos autos do processo nº 96.0017913.” A nosso juízo, nada obstante a diferença de notações (Proc jud de outro CNPJ e Proc jud não comprovad), o fato de um processo judicial não ser comprovado e do outro referirse a outro contribuinte não inviabiliza a admissibilidade do recurso especial, porque, afinal, em ambos os casos, o contribuinte não integraria, ao menos conforme indicado em anexo aos autos de infração, o polo ativo de qualquer demanda judicial, a autorizar a compensação informada em DCTF. Considerando, pois, que, não obstante a semelhança entre os casos, os entendimentos foram divergentes (embora o desfecho tenha sido o mesmo), é de se conhecer do recurso especial. Entretanto, a ele deve negarse provimento. É que o motivo de fato em que se funda o auto de infração não é só a falta de recolhimento, tal como consta do campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” e sustenta o Recorrente. Tratase, evidentemente, de apenas uma expressão de inequívoco caráter generalizante, que, por isso mesmo, deve ser complementada pelos fatos descritos no próprio campo ou em anexos (p. ex., em Termo de Verificação Fiscal), nos quais se pormenoriza a infração constatada – o porquê do não recolhimento. Se assim não fosse, bastaria que o julgador administrativo, ao verificar que tais fatos pormenorizados não ocorreram no caso sob sua relatoria, encontrasse outras justificativas para o não recolhimento, o que, obviamente, além de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, constituiria inovação não permita em lei. Aqui, como já antecipamos, a fiscalização sustenta que a contribuinte não poderia ter compensado os valores que compensou em DCTF, porque não comporia o polo ativo da ação judicial. Evidentemente, se esse fato é improcedente (o estabelecimento matriz e a filial figuravam na ação judicial informada), o motivo declinado para fundamentar o lançamento deixou de existir, de modo que este não pode, por outro motivo, subsistir, se não integrou, na origem, o fundamento do auto de infração. Ante o exposto, conheço do recurso especial e, no mérito, negolhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10167.001378/2007-66
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2402-000.114
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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Assunto Solicitação de Diligência Recorrente CIC - CENTRO DE INTEGRAÇÃO CULTURAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. MARCELO OLIVEIRA Presidente - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Rogério de Lellis Pinto. 2 Trata-se de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Previdenciária (DRP), Brasília / DF, fls. 088 a 092, que julgou procedente a autuação motivada por descumprimento de obrigação tributária legal acessória, fl. 001. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 004 a 006, a autuação refere-se a recorrente ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação, no período de 04/2000 a 07/2006. Ainda segundo o Fisco, os fatos geradores que a recorrente deixou de informar referem-se à remuneração paga, devida ou creditada, aos segurados e aos contribuintes individuais prestadores de serviços eventuais (autônomos), nessa categoria incluído o pró labore dos sócios da empresa. A recorrente apresentou folhas de pagamento referente aos segurados acima citados para o período de 01/2000 a 07/2006, cujos valores das remunerações foram confrontados com os declarados em GFIP. Desse confronto, constatou-se que a remuneração e/ou desconto dos segurados empregados e contribuintes individuais não foram declarados ou foram declarados a menor nas GFIP's. Foi elaborada planilha para demonstrar essas falhas. Os motivos que ensejaram a autuação estão descritos no RF e nos demais anexos da autuação. Em 26/09/2006 foi dada ciência à recorrente da autuação, fls. 001. Contra a autuação, a recorrente apresentou impugnação, fls. 062 a 071, acompanhada de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. A multa aplicada, no presente caso, não deve persistir, pois o que houve foi um mero lapso do contribuinte, haja vista que, a despeito de não ter informado a existência de alguns vínculos laborativos nas GFIP's, fez o recolhimento das contribuições referentes a referidos vínculos de forma correta nas GPS's (guias de recolhimento); 2. A recorrente é optante pelo regime tributário SIMPLES desde o início de suas atividades, nunca tendo sido dele excluída ou comunicado que dele não fazia parte, portanto equivocada a presente NFLD (lançamento); 3. Colaciona, às fls. 66/69, artigos da Lei n°. 9.317/96, que instituiu o SIMPLES para corroborar seu entendimento e mostrar o equívoco da fiscalização; 4. Sustenta que mesmo que a empresa tivesse sido excluída do regime, o que não é o caso, tal decisão somente produziria efeito ex nunc, ou seja, efeitos posteriores ao ato de exclusão, tudo isto em homenagem ao princípio da irretroatividade dos atos que venham a causar malefícios aos contribuintes de boa fé; Processo nº 10167.001378/2007-66 Resolução n.º 2402-000.114 S2-C4T2 Fl. 155 3 5. Requer, ante o exposto, a nulidade da presente notificação, por ser o contribuinte regularmente inscrito no SIMPLES desde a sua constituição, nunca tendo sido excluído do mesmo. A Delegacia analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 097 a 0112, acompanhado de anexos, onde reitera os argumentos apresentados em sua defesa. Antes do envio do recurso a este colegiado, a Delegacia comandou diligência, a fim de sanar dúvida existente, fls. 0118 e 0119. A Delegacia respondeu ao questionamento, fls. 0122, informando que a recorrente é optante pelo Sistema SIMPLES de tributação, desde 10/11/1999 e “em consulta ao sistema GFIP/WEB consta registro de entrega de GFIP após a autuação”. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 0136. A Segunda Turma, da Quarta Câmara, da Segunda Seção, analisou a autuação e decidiu converter o julgamento em diligência, a fim de, em síntese, ser dada ciência à recorrente da diligência efetuada. A recorrente foi devidamente intimada do resultado da diligência e não apresentou manifestação, fls. 0153. É o Relatório. 4 Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DA PRELIMINAR Pela análise do processo e das alegações da recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão. Assim, o lançamento e a decisão encontram-se revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados por autoridade competente, sem preterição ao direito de defesa e de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. Por todo o exposto, passo ao exame do mérito. DO MÉRITO Quanto ao mérito, há questões a serem analisadas e esclarecidas. No resultado da diligência efetuada o Fisco informa, em síntese: 1. Que há GFIP entregue após a autuação; 2. Que a empresa era optante pelo SIMPLES na época da lavratura da infração; e 3. As informações podem levar a retificação do débito, que terá que ser procedida na fase recursal. Como essas informações podem gerar vários efeitos para o crédito lançado (relevação, retificação do valor da multa, etc) e o Processo Administrativo Fiscal deve ser norteado pela busca da verdade material e pelo respeito ao contraditório e à ampla defesa, decido converter o julgamento em diligência, a fim de que o Fisco elabore Parecer Conclusivo sobre a necessidade de relevação, retificação ou manutenção da autuação. Após a elaboração do Parecer citado, o Fisco deve dar ciência desta decisão e do Parecer à recorrente e possibilitar, caso a recorrente deseje, apresentação de novos argumentos, em prazo de trinta dias após sua ciência. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pela conversão do julgamento em diligência, nos termos do voto. Marcelo Oliveira
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720451/2014-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE.
O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade.
LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO.
A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos.
Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração.
TITULARIDADE DOS LANÇAMENTOS
O sujeito passivo não conseguiu demonstrar que os recursos que transitaram pela conta bancária fiscalizada, a qual foi aberta em nome de terceiros, pertenciam à pessoa jurídica da qual era sócio.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-005.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. TITULARIDADE DOS LANÇAMENTOS O sujeito passivo não conseguiu demonstrar que os recursos que transitaram pela conta bancária fiscalizada, a qual foi aberta em nome de terceiros, pertenciam à pessoa jurídica da qual era sócio. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS Recorrente LUDIO RODRIGO CARDOSO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 OBTENÇÃO DE DADOS BANCÁRIOS DE SUJEITO PASSIVO SOB PROCEDIMENTO FISCAL. CONSTITUCIONALIDADE. O Supremo Tribunal Federal fixou o entendimento de que a obtenção pelo fisco de dados de contribuintes submetidos a procedimento fiscal não representa inconstitucionalidade. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DOCUMENTAÇÃO NECESSÁRIA PARA AFASTAR A INFRAÇÃO. A constatação de depósitos bancários cuja origem reste não comprovada pelo sujeito passivo autoriza o fisco a aplicar o comando constante do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, pelo qual se presume ocorrida a infração de omissão de rendimentos. Tal presunção somente pode ser afastada mediante a apresentação de documentação hábil que se refira individualmente a cada depósito tido como de origem não comprovada, sendo que a indicação genérica da suposta fonte dos créditos não deve ser acatada para afastar a infração. TITULARIDADE DOS LANÇAMENTOS O sujeito passivo não conseguiu demonstrar que os recursos que transitaram pela conta bancária fiscalizada, a qual foi aberta em nome de terceiros, pertenciam à pessoa jurídica da qual era sócio. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 04 51 /2 01 4- 31 Fl. 682DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiro: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felícia Rothschild, Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.720451/201431 Acórdão n.º 2402005.524 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração que integra o presente processo. Passo a transcrever a narrativa do relatório do acórdão de primeira instância, o qual reflete com perfeição os fatos processuais ocorridos até a apresentação da defesa: "Conforme a Descrição dos Fatos, o lançamento é resultado da apuração de omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados na conta bancária do contribuinte em relação aos quais, após a devida intimação, não houve a comprovação da origem dos recursos. A autoridade fiscalizadora relatou que a ação foi aberta em nome de Adail Gonçalo da Silva e que o autuado era procurador (administrador) da conta corrente 13.6778, Banco do Brasil aberta em nome do Sr. Adail. Verificouse então, conforme amplamente esclarecido no Relatório Fiscal, que o Sr. Adail não possuía capacidade econômica pra justificar o montante movimentado em sua conta. Assim, foi aberta ação fiscal em nome do Sr. Lúdio e este foi intimado à comprovar as origens dos recursos depositados na conta bancária de sua responsabilidade. Após a intimação, o autuado não demonstrou com documentação hábil e idônea as origens dos depósitos e, em conseqüência, foi efetuado o presente lançamento fiscal. Consta ainda no Termo Fiscal que a multa aplicada foi de 150% tendo em vista que o autuado, Sr.Lúdio, era o real beneficiário da movimentação efetuada na conta bancária nº 13.6778 do Banco do Brasil, aberta em nome de interposta pessoa Sr.Adail Gonçalo da Silva. Intimado, o contribuinte apresentou impugnação alegando em síntese que: A quebra do sigilo bancário efetuada é inconstitucional pois somente poderia ser efetuada após decisão judicial. Conclui então que houve prova obtida por meio ilícito e, em conseqüência, o lançamento deve ser anulado. Cita, então, jurisprudências sobre o tema. Alega que a movimentação financeira não é de sua titularidade e não tem origem em sua atividade personalíssima. Como foi informado ao agente fiscal, esclarece que os depósitos, em sua totalidade, são créditos de pagamentos de boletos bancários que tem origem em operações de compra e venda mercantil que não foram realizadas pelo autuado. Aduz que, na realidade, os valores resultam da atividade comercial da sociedade da qual o autuado faz parte como sócio administrador Lagosmeat Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda – ME, CNPJ 04.461.545/000156. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Esclarece que se tratam de operações lícitas de compra e venda de produtos alimentícios e de limpeza, fraldas, etc, para as quais houve a emissão dos boletos de cobrança que geraram os créditos apurados pela fiscalização. Conclui então que à pessoa física do autuado não pode ser imputada a presente autuação porque os depósitos tem origem nas operações comerciais da citada empresa. Para demonstrar sua tese, anexa documentos que, segundo a defesa, comprovam que os recursos depositados na conta do Sr. Adail eram da empresa Lagosmeat. Também acosta, a título de exemplo, cheques da referida conta bancária em nome de supostos fornecedores da Lagosmeat. Entende que a Lagosmeat deve assumir a responsabilidade tributária sobre os tributos em tela assumindo os valores em seu faturamento de 2009. Esclarece que a Lagosmeat, através de Declaração Retificadora da Declaração Anual do Simples Nacional DASN ofereceu esses valores à tributação e aderiu ao parcelamento do Simples Nacional. Por fim, requer a nulidade da autuação tendo em vista a utilização de provas obtidas indevidamente e, alternativamente, pede a improcedência da autuação porque a movimentação bancária é da Lagosmeat, que já assumiu tais receitas em suas Declarações do Simples." A DRJ afastou o argumento da obtenção de provas ilícitas ao argumento de que o acesso direto das autoridades fiscais encontra amparo legal no art. 6.º da Lei Complementar n.º 105/2001. Afirmase ainda que o lançamento efetuado com base em depósitos bancários cuja origem não é comprovada pelo contribuinte está em plena consonância com o ordenamento jurídico atual, além de estar respaldado pelas jurisprudências administrativa e judicial. Quanto à alegação de que a movimentação bancária pode ser justificada com operações de compra e venda realizadas pela empresa da qual o autuado é sócio, o órgão de primeira instância não a acatou, sob o fundamento de que os alegados negócios não foram suficientemente comprovados. Vale a pena transcrever excerto do voto condutor do acórdão recorrido: "O contribuinte apresenta como provas (anexo I) uma tabela com valores liquidados em janeiro de 2009 que totalizam R$ 67.502,83, os correspondentes comprovantes de pagamento de títulos (Unibanco e Banco do Brasil) e, no anexo II, traz cheques do Banco do Brasil, conta 13.6778, emitidos para outras pessoas físicas e jurídicas (alguns nomes ilegíveis). Analisando a documentação apresentada verificase que o contribuinte não comprovou que as operações por ele alegadas tenham sido devidamente registradas na contabilidade da empresa. Com efeito, para se considerar que os fatos alegados pelo contribuinte estão devidamente registrados na contabilidade da empresa, seria necessário no caso que ele apresentasse, para cada operação, a prova do lançamento contábil ou, ao menos, as notas fiscais que indiquem a natureza das operações que geraram os comprovantes de pagamentos Fl. 685DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.720451/201431 Acórdão n.º 2402005.524 S2C4T2 Fl. 4 5 acostados (para cada valor depositado). Contudo, o contribuinte não exibiu a escrita contábil da pessoa jurídica e nem ao menos acostou as Notas Fiscais das supostas operações, embora isso fosse tarefa simples para ele, que era sócio administrador da Lagosmeat. Ademais, o valor verificado na autuação, para janeiro de 2009, foi de R$ 860.592,54 e não apenas R$67.502,83, como constante na tabela da impugnação (anexo I). Assim, mesmo que se acatasse a tese do autuado, o que não é o caso, ainda assim somente estariam justificados R$ 67.502,83 para janeiro de 2009. Restariam R$ 793.089,71 em depósitos em janeiro e todos os demais valores de fevereiro a dezembro sem qualquer comprovação de origem. De outra banda, os cheques acostados em nada socorrem o autuado. Isso porque tratamse de pagamentos a terceiros que, da mesma forma que os comprovantes de pagamentos apresentados, carecem de documentação que indiquem a natureza das operações, no caso as Notas Fiscais das supostas aquisições de materiais para revenda. Vale lembrar ainda que o que o contribuinte precisa provar no caso, como já explicado, é a origem dos depósitos e não as saídas de valores da conta bancária. Ressaltese ainda que não há nenhuma explicação na impugnação para o fato de o autuado ter se utilizado, confessadamente, da conta de pessoa interposta para receber valores da pessoa jurídica que comandava como sócio administrador. Ao que parece, o autuado buscou dolosamente evadirse de qualquer tributação e, ao ser descoberto, tenta agora desviar a cobrança para a pessoa jurídica. Em suma, entendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar que créditos/depósitos foram feitos na conta bancária em tela como pagamentos de títulos da pessoa jurídica da qual era sócio. Portanto, deve ser mantida a presunção de omissão de rendimentos, nos termos do disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96. Em conseqüência, não havendo comprovação idônea de que parte dos valores apurados se tratam de receita de vendas que compõe o faturamento da pessoa jurídica, resta imprestável ao caso a análise da suposta retificação da declaração do Simples supostamente retificada pela Lagosmeat." Cientificado da decisão em 23/07/2015, fl. 213, o sujeito passivo apresentou recurso em 24/08/2015 (segundafeira), fls. 216/238, onde apresentou as mesmas alegações trazidas na defesa, todavia, fez a juntada de novos documentos de fls. 239/677. É o relatório. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que foi apresentado tempestivamente e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Irregularidade no procedimentos fiscal Não devo concordar com o sujeito passivo quando aponta irregularidade no procedimento fiscal, motivada por ilicitude nas provas consistentes em extratos bancários obtidos pelo fisco da instituição financeira. Vejamos. A celuma acerca da inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário estava contida no Tema de Repercussão Geral nº 225, da Corte Constitucional. Ocorre que a matéria já foi decidida no bojo do RE nº 601.314, no qual se definiu que: “Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”; ...” Em suma, o STF já se pronunciou em sede de Repercussão Geral (no RE nº 601.314) sobre a constitucionalidade da referida norma. Nesse sentido é obrigatória a aplicação deste entendimento pelos membros do CARF, a contrário senso do que determina o inciso I do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo do II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015 e alterações posteriores, assim redigido: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; (...)" Diante dessas considerações, não é possível dar provimento ao pleito do contribuinte no sentido de anular o auto de infração em razão de suposta ilegalidade na utilização de seus dados bancários pelo fisco. Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.720451/201431 Acórdão n.º 2402005.524 S2C4T2 Fl. 5 7 Depósitos bancários de origem não comprovada presunção de omissão de rendimentos É cediço que a partir de 01/01/1997 a disciplina da tributação dos depósitos bancários passou a ser dada pelo art. 42 da Lei n.º 9.430/1996 (alterado pela Lei n.º 9.481/1997), que traz a seguinte redação: "Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. §5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. §6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Observase que o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram por instituições financeiras em nome do contribuinte, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Na hipótese ventilada no caput do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o encargo probatório decorrente da presunção legal em debate revertese em desfavor do contribuinte, que necessita demonstrar com documentos hábeis e idôneos a origem jurídica dos rendimentos transitados pela sua conta bancária para se por a salvo da tributação do Imposto de Renda. Tratase assim de uma presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Todavia, a presunção legal somente é afastada quando são carreados elementos probatórios que permitam a identificação da fonte do crédito, o seu valor e a data além, principalmente, da demonstração inequívoca da causa pela qual os créditos foram efetuados na conta corrente. Cada crédito em conta corrente deve ter íntima relação com a fonte dos recursos que se deseja comprovar, com coincidências de data e valor, não se acatando comprovações que indiquem determinado documento para justificar a existência de vários depósitos. É de se ver que o ônus desta prova recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando, para tal mister a simples apresentação de negativa geral ou afirmações genéricas acerca da origem dos recursos. Há estrita necessidade de que as provas refiramse a documentação hábil e idônea que possua vinculação inequívoca com os depósitos/créditos bancários. Observese que o procedimento adotado pelo fisco está em perfeita consonância com a legislação citada, posto que uma vez não tendo sido suficientemente comprovadas as origens dos depósitos, a identificação da infração com suas consequências jurídicas de apuração do imposto com aplicação dos acréscimos de juros e multa é medida obrigatória, que está dentro do campo do poderdever das autoridades tributárias. Importante citar que a jurisprudência colacionada não tem o condão de alterar o que ficou decidido pela DRJ, uma vez que nenhum dos precedentes possui caráter vinculante frente à Administração Tributária. Como o lançamento está em total consonância com as normas de regência, em especial o art. 42 da Lei n.º 9.430/1996, acima transcrito, qualquer argumento que se contraponha a presunção legal de que os depósitos bancários não comprovados representam renda tributável, colocase em posição de confronto com texto literal de lei vigente e eficaz, o que não é admitido no processo administrativo fiscal, a quem não cabe apreciar as desconformidades da legislação ordinária frente à Constituição Federal, nos termos da Súmula n.º 02, a qual dispõe não ser esse Tribunal competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei. Passemos então a verificar se os argumentos lançados pelo contribuinte para comprovar a origem dos depósitos merecem ser acatados. Titularidade dos depósitos bancários Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15540.720451/201431 Acórdão n.º 2402005.524 S2C4T2 Fl. 6 9 Insiste o recorrente que toda a movimentação financeira ocorrida na conta de ADAIL junto ao Banco do Brasil no período fiscalizado é de exclusiva titularidade da empresa da qual o autuado era sócio majoritário. Afirma que o Anexo I da defesa comprova que todos os valores creditados na referida conta o foram por conta de cobranças bancárias. Tenta demonstrar que o Anexo II expressa os boletos bancários emitidos para pagamento das operações de compra e venda realizados pela pessoa jurídica com sua clientela, de forma que é possível cruzar as informações diárias ali contidas com os dados do Anexo I. Sustenta que assim resta demonstrada que a responsável por algum tributo por ventura devido é a empresa LAGOSMEAT, que reconheceu o faturamento em questão, oferecendoo à tributação mediante retificação de sua Declaração Anual do Simples Nacional DASN. Apreciando a documentação apresentada em sede de recurso, não consigo vislumbrar que possa ser considerada hábil para afastar o lançamento. Observese que são documentos não apresentados anteriormente, mas que em busca da verdade material optamos por apreciálos, tendo em vista que poderiam interferir de maneira decisiva no destino da lide. Juntase relatórios emitidos pelo Banco do Brasil, referentes à conta corrente pertencente a ADAIL GONÇALO DA SILVA, indicando uma série de títulos bancários, cujo recebimento teria dado ensejo aos créditos apontados pelo fisco como de origem não comprovada. Tais valores coincidem com as quantias lançadas nos extratos bancários a título de cobrança, os quais foram objetos de questionamento pelo fisco. Todavia, estes dados não vinculam tais recebimentos a transações comerciais realizadas pela empresa LAGOSMEAT, posto que não há indicação de números das notas fiscais correspondentes ou dos lançamentos contábeis vinculados às vendas. Apenas a indicação dos valores sem a vinculação a uma operação mercantil realizadas pela pessoa jurídica, a meu ver, não serve para comprovar a origem dos recursos. A juntada de relatórios de recebimentos da empresa LAGOSMEAT também não faz referência a notas fiscais ou a registros contábeis, além de que não se observa a correspondência entre os valores apontados pelo fisco como omissão de rendimentos e as quantias indicadas no relatórios de títulos recebidos. Tomemos por exemplo o dia 02/01/2009. Ali foi apontada uma omissão de rendimento de R$ 41.878,18, conforme o Termo de Intimação Fiscal, fl. 27. Esse valor foi obtido do extrato da conta corrente em questão e coincide com os relatórios emitidos pela instituição bancária. Todavia, apreciando o relatório da empresa LAGOSMEAT, observase que o total de títulos baixados assumiu naquela data a cifra de R$ 109.312,58 (fls. 457/458). Essa mesma divergência se observa em relação ao último dia do ano calendário de 2009. O fisco apontou uma omissão de R$ 1.268,14, ao passo que o relatório de títulos baixados naquele 31/12, mostra um total de R$ 2.538,33. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Assim diante da impossibilidade de vincular os depósitos de origem não comprovada à empresa indicada pelo recorrente, encaminho para que no mérito o recurso seja desprovido. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 05/10 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 16561.720180/2012-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA.
A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3401-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROBSON JOSÉ BAYERL - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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SUBFATURAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A acusação de subfaturamento nas operações comerciais não pode ser presumida, devendo ser efetivamente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios ou do fato de haver interdependência entre comprador e vendedor para descaracterizar o valor da fatura comercial. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROBSON JOSÉ BAYERL Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rodolfo Tsuboi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 80 /2 01 2- 76 Fl. 3979DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre Auto(s) de Infração(ões), lavrado(s) em 13/12/2012 (fls1. 2922/2930 e 2933/2953) e cientificado(s) pessoalmente em 20/12/2012 (fls. 2923 e 2934), para exigência das contribuições para o PIS e COFINS nãocumulativas e acréscimos legais, no valor consolidado original de R$ 720.204.731,39, com base na legislação de regência, referente às insuficiências de recolhimentos, resultantes da prática de preços de venda junto à controladora: NATURA COSMÉTICOS S/A, por valores, alegados pela acusação fiscal, inoponíveis ao Fisco, no período de janeiro a dezembro de 2008, conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL. Do TERMO DE VERIFICAÇÃO DE INFRAÇÃO FISCAL, às fls. 2867/2920, nos termos em que foi resumido e relatado, no relatório da decisão recorrida, às fls. 3820/3821, adotado como relatório da presente decisão e parcialmente transcrito, a seguir "Para embasar a autuação, a fiscalização elaborou o Termo de Verificação de Infração Fiscal, de fls. 2867/2920. Nele, descreveu a atividade da contribuinte, indústria de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos, sua forma de atuação, a evolução da organização societária do grupo econômico a que pertence, discorreu longamente sobre condições de mercado, lucratividade, tratou da evolução do recolhimento de IPI da empresa, do regime monofásico das contribuições para tal atividade, da evolução do recolhimento da Cofins. Em síntese, concluiu que a contribuinte praticou planejamento tributário abusivo, pelas seguintes constatações: a) a reestruturação do grupo econômico, em 1994, passando a contar com duas empresas independentes, uma industrial e outra comercial, apenas um ano após a unificação dos departamentos de industrialização e comercialização em uma só empresa, teria tido motivação exclusivamente tributária, para reduzir o recolhimento de tributos (fls. 2878/2879); b) a contribuinte vende seus produtos exclusivamente para a empresa comercial do grupo; c) em relação a esses produtos, a empresa comercial do mesmo grupo os vende por valores cuja diferença chega a superar os 500%, o que indica subfaturamento na operação entre a empresa industrial e a comercial (fl. 2891); d) a contribuinte vende seus produtos exclusivamente para a empresa comercial do grupo (fl. 2897); e) existe uma grande diferença de lucratividade entre a industrial (de 9,85% a 13,02%) e a comercial (de 58,36% a 61,10%) nos anos de 2006 a 2008 (fl. 2893). Comparando, pesquisa com 193 empresas manufatureiras de diversos ramos da indústria tiveram margem bruta, dos anos de 2000 a 2003, de 31,63% (fl. 2894); f) se não houvesse a separação em empresas industrial e comercial, o conjunto das duas poderia produzir um lucro líquido, em 2008, superior ao produzido pelas empresas separadamente na ordem de R$ 290 milhões, comprovando a falta de lógica empresarial na referida separação. Tal fato só se justifica pela economia advinda do planejamento tributário abusivo do IPI, PIS e Cofins, que somados atingem, em 2008, valor aproximado de R$ 630 milhões (fls.2895/2897). 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201276 Acórdão n.º 3401003.266 S3C4T1 Fl. 3.891 3 Prosseguiu a fiscalização com longo arrazoado tratando de “concorrência e competitividade” (fls. 2899/2904) e de “planejamento tributário contaminado pelo abuso de direito” (fls. 2904/2917), mencionando vasta doutrina, para concluir que a “Contribuinte em questão, driblou, contornando o espírito da lei tributária tanto no IPI, quanto na COFINS e no PIS.” Considerando os preços praticados pela industrial em suas vendas para a comercial “abusivos e inoponíveis ao Fisco”, tomouse os preços de venda praticados pela empresa comercial com os ajustes descritos à fl. 2918, calculandose as contribuições devidas e exigindose a diferença entre esses valores e os confessados em DCTF, conforme quadros de fls. 2918/2919. O enquadramento legal encontrase a fls. 2924/2925, 2930, 2935/2936 e 2941. Cientificada pessoalmente do(s) Auto(s) de Infração(ões), em 20/12/2012 (fls. 2923 e 2934), NATURA LTDA, apresentou impugnação, em 18/01/2013 (fls. 2959/3111), na qual alega, na síntese do relatório da decisão recorrida, parcialmente transcrita, a seguir: 1. Tratase de autos de infração lavrados para constituir créditos tributários a título de PIS e de COFINS relativamente aos fatos geradores do anocalendário de 2008, ao argumento de que os preços praticados nas vendas de produtos sujeitos ao regime de tributação concentrada (monofásicos) pela "Indústria" para a "Distribuidora" (pessoas jurídicas interdependentes) não seriam "oponíveis" ao Fisco. 2. Ocorre que, no termo de verificação fiscal, a autoridade administrativa não indicou qualquer dispositivo da legislação infraconstitucional que teria sido infringido ou, então, não teria sido observado e, também, não houve acusação fiscal de dolo, fraude ou simulação. 3. Além disso, não existe no ordenamento jurídico brasileiro norma antielisiva geral ou específica que autorizaria a desconsideração dos preços efetivamente praticados nas vendas de produtos monofásicos pela "Indústria" para a "Distribuidora", destacandose, ainda, como bem sabe a fiscalização, a ausência da necessária regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar n° 104/2001. 4. Por outro lado, a legislação do IPI (Lei n° 7.798/1989 e Regulamentos, tal como o Decreto n° 4.544/2002, vigente à época dos fatos) pressupõe, permite e disciplina os efeitos tributários na hipótese de segregação das atividades industrial e comercial em pessoas jurídicas independentes e do mesmo grupo empresarial, estabelecendo regras de "interdependência" e de "valor tributável mínimo". 5. Já para o PIS e a COFINS, tal disciplina não existe; mais do que isso, quando propostas pelo Poder Executivo, mediante a veiculação de Medidas Provisórias (219/2004 e 497/2010), foram ao final recusadas, seja por veto do próprio Presidente da República, seja por rejeição do Parlamento. 6. Por sua vez, a segregação das atividades industrial e comercial é a estrutura adotada pelo grupo "Natura" desde 1974, e não 1994, como afirmado de modo até mesmo temerário pela autoridade administrativa no termo de verificação fiscal, e historicamente considerada a mais eficaz e adequada para a consecução das suas atividades empresariais. 7. O que "sobrou", então, como "argumento" para a autoridade administrativa "justificar" a lavratura dos autos de infração de PIS e de COFINS? Sugerir que a Impugnante teria violado princípios constitucionais (isonomia, capacidade contributiva, solidariedade social, concorrência justa etc), tentando construir um cenário nebuloso de suposto "planejamento tributário abusivo" que visaria a Fl. 3981DF CARF MF 4 reduzir o recolhimento do IPI, e que pretenderia, também para o futuro, estender esses efeitos para o PIS e a COFINS que ainda viriam a ser cobrados em um regime de tributação concentrada (monofásico). 8. Na verdade, as ilações da fiscalização carregadas de insinuações, imputações dissociadas da realidade, e que chegam até mesmo a ingressar de modo absolutamente impertinente em aspectos concorrenciais , enveredaram por searas totalmente desconexas ao que realmente deu ensejo à lavratura do auto de infração de IPI, certamente para construir um pretexto na tentativa de conferir algum tipo de justificativa para a autuação relativa ao PIS e à COFINS. 9. O resultado do esforço intelectivo e, reconheçase, até criativo da autoridade administrativa foi a concepção de um "auto de infração constitucional". 10. Ao fim e ao cabo, procurando "pegar o gancho" em uma acusação fiscal relativa ao IPI para lá de insubsistente pois também pautada em premissas dissonantes da realidade, que contrariam pronunciamentos administrativos, inclusive e notadamente de Órgãos de Julgamento, e mesmo os léxicos quanto ao conceito de "praça do remetente" as autoridades fiscais, em peripécias hermenêuticas, acharamse investidas de competência para, ao mesmo tempo, fazer o papel de legislador positivo e negativo, atuando como intérprete e aplicador da Constituição Federal. 11. Entretanto, como um agente fiscal não integra o Órgão que detém o monopólio da jurisdição e tampouco possui competência para a interpretação e aplicação da Constituição Federal diretamente ao contribuinte no caso, a Impugnante a pretensão de fundamentar a exigência de crédito tributário em princípios constitucionais não resiste e deve ser rechaçada com veemência, inclusive, pelas autoridades administrativas de julgamento. É isso que se pode esperar, no mínimo, do Estado que se quer de Direito. 12. Não bastasse toda a fertilidade da "tese" desenvolvida pela autoridade administrativa, quando tentou implementar um "método" de apuração das supostas diferenças de PIS e de COFINS que não teriam sido recolhidas, levouse adiante trabalho fiscal desprovido de qualquer lógica e que utilizou "critérios" absolutamente irrazoáveis, falhos e que ignoraram a realidade das operações da Impugnante, evidenciando uma total precariedade e fragilidade, que macula de plano os autos de infração, por patente violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. 13. Ademais, cotejandose as margens de lucro da Impugnante com as de outras indústrias do mesmo setor produtivo (itens de perfumaria, higiene pessoal e toucador), que é o critério usualmente adotado em análises econômicas, verificase que não há qualquer anormalidade na política de preços praticada, ressaltandose que, em muitos casos, as margens ou muito próximas ou até mesmo inferiores as que são praticadas pela Impugnante, como, aliás, atestado e bem demonstrado no Parecer Econômico da Consultoria "LCA" (doc. 08). 14. E, ainda, as questões concorrenciais e a descabida invocação do princípio da neutralidade tributária não são pertinentes no caso concreto e, portanto, merecem ser desconsideradas, e, não bastasse, no mérito, estão profundamente equivocadas, o que será abordado em tópico específico. Passou a discorrer detalhadamente sobre cada tópico, para demonstrar a veracidade e correção de suas informações, transcrevendo farta doutrina e jurisprudência, para concluir: 424. Diante do exposto, concluise que: (I) os autos de infração não possuem fundamento jurídico e, também, não possuem motivação legal e específica, razão pela qual deve essa C. Turma Julgadora declarálos nulos (materialmente); Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201276 Acórdão n.º 3401003.266 S3C4T1 Fl. 3.892 5 (II) a ausência de acusação fiscal de dolo, fraude ou simulação confirmou a impossibilidade de desconsideração dos preços efetivamente praticados nas vendas dos produtos monofásicos pela "Indústria" para a "Distribuidora"; (III) a ausência de norma antielisiva geral ou específica, inclusive pela ausência de regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do Código Tributário Nacional, também impede a desconsideração dos preços efetivamente praticados nas vendas dos produtos monofásicos pela "Indústria" para a "Distribuidora"; (IV) a legislação do IPI (Lei n° 7.798/1989 e Regulamentos, tal como o Decreto n° 4.544/2002, vigente à época dos fatos) pressupõe, permite e disciplina os efeitos tributários em relação à segregação das atividades industrial e comercial em pessoas jurídicas interdependentes, de modo que a referida estrutura empresarial também não pode ser desconsiderada para o PIS e a COFINS; (V) não houve "subfaturamento"; (VI) o procedimento adotado pela fiscalização não tem fundamento legal (e, nessa medida, é ilegal), é contraditório com o próprio histórico da legislação ordinária do PIS e da COFINS e, principalmente, com a decisão do legislador de não instituir (em Lei) regime tributário específico para o PIS e a COFINS, aplicável nas vendas de produtos monofásicos entre pessoas jurídicas interdependentes; (VII) a segregação das atividades industrial e comercial, e os preços efetivamente praticados nas vendas dos produtos monofásicos pela "Indústria" para a "Distribuidora" não violam a legislação ordinária do PIS e da COFINS, e, portanto, não foi praticado qualquer ilícito a justificar a lavratura dos autos de infração; (VIII) na identificação da suposta matéria tributável, a fiscalização não observou o critério jurídico específico para apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo, previsto nas Leis n°s 10.147/2000, 10.637/2002 e 10.833/2003, desprezou créditos legítimos do PIS e da COFINS nãocumulativos e incorreu em diversos erros no critério de cálculo adotado, comprometendo a certeza e a liquidez do crédito tributário e, com isso, violando o artigo 142 do Código Tributário Nacional; (IX) ainda que a segregação das atividades, em 08/1994, pudesse ser considerada "planejamento tributário" para o PIS e a COFINS, certo é que todos os atos praticados são lícitos, como, aliás, reconhecido pela própria fiscalização, possuem motivos (extratributários) predominantes que subsidiaram a decisão empresarial e não esbarraram em qualquer norma antielisiva (observância da estrita legalidade em matéria tributária); (X) não houve abuso de direito, pois a segregação das atividades industrial e comercial em pessoas jurídicas independentes sempre foi a estrutura empresarial historicamente mantida pela "Natura" (desde 1974) e, em 08/1994, não havia qualquer possibilidade (fática, jurídica e lógica) de realização de suposto "planejamento tributário" visando a reduzir artificialmente as bases de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista que, por força do regime de tributação vigente à época (e também nos seis anos posteriores), as receitas da "Indústria" e as receitas da "Distribuidora" eram tributadas, inclusive, com a aplicação das mesmas alíquotas; (XI) não pode ser admitida a indevida ingerência da fiscalização nos atos de gestão empresarial; (XII) as questões concorrenciais levantadas pela fiscalização merecem ser completamente desconsideradas. Além de não pertinentes à esfera tributária, em seu mérito estão profundamente equivocadas; Fl. 3983DF CARF MF 6 (XIII) a estrutura adotada pela Impugnante não se mostra acintosa à concorrência, sendo impertinente a invocação de uma suposta "neutralidade fiscal" em favor do Fisco; e (XIV) em qualquer hipótese, os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada. 425. Assim, é a presente para requerer o acolhimento da impugnação para, no mérito, reconhecer a manifesta insubsistência do lançamento, com o cancelamento integral dos autos de infração. A decisão de primeira instância, proferida em 13/06/2013 (fls. 3819/3827) é pela procedência da impugnação, exonerando integralmente o crédito tributário. Acorda a DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. EMPRESAS INTERDEPENDENTES. A legislação da Cofins não contempla tratamento diferenciado às transações com mercadorias sujeitas à tributação monofásica simplesmente por serem praticadas entre empresas interdependentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. EMPRESAS INTERDEPENDENTES. A legislação da Contribuição para o PIS/Pasep não contempla tratamento diferenciado às transações com mercadorias sujeitas à tributação monofásica simplesmente por serem praticadas entre empresas interdependentes. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. Não se vislumbra a prática de planejamento abusivo ou ilícito quando o grupo econômico segrega as atividades industrial e comercial em empresas distintas, ainda que tendo a finalidade de economia de tributos. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Por força de recurso necessário, nos termos do art. 34, do PAF Decreto nº 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/97, e art. 1º, da Portaria MF nº 03/2008 2, o presente processo foi submetido à apreciação do CARF. Em cumprimento ao Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, encaminhouse os autos à PGFN para análise, via Despacho de Encaminhamento, de 23/09/2013 (fl. 3832). 2 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201276 Acórdão n.º 3401003.266 S3C4T1 Fl. 3.893 7 A Fazenda Nacional apresentou razões ao recurso de oficio, em 21/10/2013 (fls. 3833/3843), respeitados o prazo de 30 (trinta) dias e o direito de ser ouvido, em defesa dos interesses de quem representa, previstos, respectivamente, nos § 2º, do art. 48, e art. 58, dos antigo RICARF/09 e novo RICARF/15, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, asseguradas as garantias inerentes à ampla defesa e ao contraditório. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Cuidase de recurso de ofício, onde o valor desonerado supera o de alçada, atendendo os requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. Como visto do relatório, tratase de Auto(s) de Infração(ões), lavrado(s) para a constituição de crédito tributário da Contribuição para o PIS e da COFINS nãocumulativas, relativos ao período de 01/2008 a 12/2008, referentes às insuficiências de recolhimentos, resultantes da prática de preços de venda junto à controladora: NATURA COSMÉTICOS S/A, segundo a acusação fiscal, por valores inoponíveis ao Fisco. Tratando de recurso de ofício, cumpre revisar as razões e fundamentos jurídicos, sintetizados na decisão recorrida, como suficientes ao cancelamento da exação fiscal: "Em síntese, a fiscalização não logrou comprovar planejamento tributário abusivo, subfaturamento, ilícito tributário, utilizouse de base de cálculo não prevista em lei, produzindo o que a impugnante chamou, acertadamente, de “auto de infração constitucional”." Vejamos então as questões trazidas pela acusação fiscal, impugnante e decisão recorrida sobre: (i) comprovação de planejamento tributário abusivo, subfaturamento e ilícito tributário; e (ii) utilização de base de cálculo não prevista em lei. Tema recorrente, onde algumas pessoas jurídicas que produzem ou fabricam produtos sujeitos à incidência concentrada da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS vendem sua produção para comerciais atacadistas, controladas ou coligadas, com preços subfaturados, erodindo a base de cálculo das contribuições, nos termos das exposições de motivos sobre o artigo 22, da MP nº 497, de 27 de julho de 2010, afirmando, ainda, que o dispositivo proposto, ao equiparar as pessoas jurídicas comerciais atacadistas aos produtores, elimina a possibilidade desse planejamento elisivo. Art. 22. Equiparase a produtor ou fabricante, para efeitos da incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, a pessoa jurídica comercial atacadista que adquirir, de pessoa jurídica com a qual mantenha relação de interdependência, produtos por esta produzidos, fabricados ou importados e que estejam relacionados no § 1o e § 1ºA do art. 2º da Lei no 10.833, de 2003 Fl. 3985DF CARF MF 8 §1oNa determinação do valor da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta da pessoa jurídica comercial atacadista de que trata o caput, aplicamse, respectivamente, as alíquotas previstas nos§§ 1oe1ºA do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, conforme o caso. §2o A pessoa jurídica comercial atacadista de que trata este artigo, sujeita à apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e dos arts. 2º e 3º da Lei nº 10.833, de 2003, poderá descontar créditos relativos à aquisição dos produtos sujeitos à incidência das contribuições na forma deste artigo, não se lhes aplicando, em relação a esses produtos, o disposto na alínea “b” do inciso I do art. 3o das referidas leis. §3o O crédito de que trata o § 2o deste artigo será calculado mediante a aplicação das alíquotas de que trata o § 1o sobre o custo de aquisição. §4o A pessoa jurídica comercial atacadista que se enquadrar nas disposições deste artigo poderá descontar crédito presumido sobre o valor dos produtos relacionados nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003,que possuírem em estoque no primeiro dia do quarto mês subseqüente ao da publicação desta Medida Provisória. §5o O crédito presumido de que trata o § 4o deste artigo será calculado mediante a aplicação das alíquotas de que trata o § 1o sobre o valor dos produtos em estoque. §6o A pessoa jurídica comercial atacadista não terá o direito à opção de que tratam o § 4o do art. 5o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, o art. 58J da Lei nº 10.833, de 2003, o art. 23 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, e o art. 4o da Lei no 11.116, de 18 de maio de 2005. §7o O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de a pessoa jurídica produtora, fabricante ou importadora ser optante, conforme o caso, por regime especial relacionado no § 6o. §8o O disposto neste artigo aplicase somente à receita bruta auferida pela pessoa jurídica comercial atacadista com a venda dos produtos de que trata o caput, quando adquiridos de pessoa jurídica com a qual mantenha relação de interdependência. §9o Para os efeitos deste artigo, na verificação da existência de interdependência entre duas pessoas jurídicas, aplicarseão as disposições do art. 42 da Lei no4.502, de 30 de novembro de 1964. As novas regras aplicáveis à sistemática monofásica de incidência de PIS/PASEP e COFINS, inicialmente, produziriam efeitos a partir de novembro de 2010, postergado para março de 2011, pelo art. 2º, da MP n° 510, de 28 de outubro de 2010, que alterou o art. 31, da MP nº 497, de 27 de julho de 2010. Porém, com a conversão na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, o artigo 22, da MP nº 497/2010, foi excluído, antes mesmo de produzir efeitos, sob o argumento da perda de urgência, uma vez que foi postergado o prazo de início de vigência. O insucesso da medida específica para produtos sujeitos à incidência concentrada, aponta pra outras medidas de regramento desta questão, v.g., à regulamentação da cláusula geral antielisiva, do parágrafo único, do artigo 116, do CTN, no que diz respeito à definição de operações de (dis)simulação, elisão e evasão fiscal, para que se adotem limites aos planejamentos tributários abusivos. Na ausência dessas regulamentações, partiu a Fiscalização por outro caminho: demonstrar a existência de planejamento tributário abusivo, caracterizado como ilícito tributário evasivo, resultante do subfaturamento na venda entre empresas interdependentes, independente da caracterização da dissimulação do artigo 116, do CTN. Subfaturamento, diferença à menor entre o preço cobrado na fatura e o que foi ajustado. O Contribuinte insere em documentos fiscais preços abaixo do valor real faturado. O Fisco questiona quando ocorre a prática de preços diferenciados ou por comparação de preços, apontando indícios por meio de histórico de transações e cotações no mercado. Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201276 Acórdão n.º 3401003.266 S3C4T1 Fl. 3.894 9 ADUANEIRO. INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA. Equipamento faturado por valor inferior ao do outro, da mesma marca, do mesmo fabricante e com as mesmas especificações, importado anteriormente. Caracterizado o subfaturamento. Provido o recurso da Fazenda Nacional. (Acórdão CSRF/0303.066, de 19/10/99 Processo nº 10845.000681/9241) [grifei] VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO. A ocorrência de subfaturamento do valor da transação nas operações de importação não pode ser presumida, baseado apenas em listas sugestivas de preços, ou no fato de haver vinculação entre comprador e vendedor. Há de estar inequivocamente comprovado, por meios e elementos hábeis, e obedecendo o rito previsto nas normas de regência. Negado provimento ao recurso. (Acórdão CSRF/0303.056, de 18/10/99 Processo nº 10831.000027/9373) [grifei] Dos exemplos da jurisprudência administrativa, notase que o tema subfaturamento encontra tratamento próprio, quanto à legislação tributária federal, nas relações de comércio exterior, cuja definição legal, à época dos fatos, encontravase no inciso I, do artigo 633, do Decreto nº 4.543, de 26/12/2002 Regulamento Aduaneiro de 2002 RA/2002: Art. 633. Aplicamse, na ocorrência das hipóteses abaixo tipificadas, por constituírem infrações administrativas ao controle das importações, as seguintes multas (Decretolei no37, de 1966, art. 169 e § 6o, com a redação dada pela Lei no 6.562, de 18 de setembro de 1978, art. 2o): I de cem por cento sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado (MP no 2.15835, de 2001, art. 88, parágrafo único); (grifei) A legislação do IPI, vigente à época dos fatos, Decreto n° 4.544/2002 RIPI/2002, nas relações de comércio interno, trata do assunto de outra forma, reservando à hipótese de segregação das atividades industrial e comercial em pessoas jurídicas independentes e do mesmo grupo empresarial (interdependentes), disciplina própria aos efeitos tributários, estabelecendo regras de interdependência e de valor tributável mínimo. Já para o PIS/PASEP e a COFINS, no caso de produtos sujeitos à incidência concentrada, tentouse disciplina semelhante (ao invés de valor tributável mínimo, previase a tributação do interdependente na cadeia comercial, deixando a concentração de ser monofásica) na hipótese de segregação das atividades industrial e comercial em pessoas jurídicas interdependentes, porém, sem sucesso às Medidas Provisórias nº 219/2004 e 497/2010. Admitidose desnecessário disciplina e rito próprio de valoração comercial de produto subfaturado, específico para o PIS/PASEP e a COFINS, caberia ao fisco provar a prática de preços diferenciados, para em seguida arbitrar os valores das referidas operações subfaturadas, nos termos do artigo 148, do CTN: Art. 148. Quando o cálculo do tributo tenha por base, ou tome em consideração, o valor ou o preço de bens, direitos, serviços ou atos jurídicos, a autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará aquele valor ou preço, sempre que sejam omissos ou não mereçam fé as declarações ou os esclarecimentos prestados, ou os documentos expedidos pelo sujeito passivo ou pelo terceiro legalmente obrigado, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (grifei) Fl. 3987DF CARF MF 10 Como provas sobre os fatos que relata, a Fiscalização apresentou, quanto ao planejamento tributário abusivo, simples indícios e alegações sobre: suposta intenção da reestruturação societária feita pela autuada, segregando a empresa em industrial e comercial, exclusivamente, para reduzir o recolhimento de tributos IPI, PIS e COFINS; vendas exclusivas à empresa comercial interdependente e cujo preço de revenda chega 500% superior, indicando subfaturamento na operação comercial entre interdependentes; diferenças de lucratividade entre as empresas interdependentes e com outras do setor, afirmando comprovada a falta de lógica empresarial na segregação das atividades, a qual só se justificaria pela economia advinda do planejamento tributário abusivo. No que diz respeito ao PIS/PASEP e à COFINS, cuja instituição do regime monofásico de concentração de alíquotas (Lei nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000) é posterior ao processo de reestruturação societária da contribuinte (seja em 1974 e/ou 1994), a tese levantada de planejamento tributário abusivo, na segregação das atividades industrial e comercial, reduzindo artificialmente as bases de cálculo, além de meramente indiciária, não é aplicável, salvo admitirmos uma lógica improvável de previsão do futuro, diversos anos antes. Descartada a vinculação do processo de reestruturação societária com o planejamento tributário abusivo, ainda, restaria verificar se, diante da estrutura já formatada, antes mesmo da instituição do regime monofásico de concentração de alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS, estaríamos diante de um abuso de forma, na utilização dessa estrutura segregada das atividades industrial e comercial, reduzindo artificialmente as bases de cálculo dos tributos, por meio de subfaturamento das vendas da empresa industrial para a comercial interdependente Quanto ao subfaturamento, importante notar que não se trata do conceito clássico: diferença à menor entre o preço cobrado na fatura e o que foi ajustado. Tratandose de empresas interdependentes, o preço já é ajustado à menor, visando reduzir artificialmente as bases de cálculo dos tributos. Também aqui, os mesmos simples indícios sobre: vendas exclusivas à empresa comercial interdependente e cujo preço de revenda chega mais de 500% superior, média de mais de 300% superior (fls. 2890/2892), indicando subfaturamento na operação inicial entre as interdependentes; além de diferenças de margens brutas e lucratividades entre as empresas interdependentes e com outras do setor (fls. 2892/2895), resultantes do subfaturamento na venda da industrial e altas margens nas vendas da comercial. Não foi feita qualquer verificação, individualizada por produtos, da prática de preços diferenciados ou por comparação de preços, ao menos, apontando indícios mais robustos, por meio de histórico de transações e cotações nos mercados, ou ainda, demonstrando a proximidade entre o preço de venda e o custo de produção. Nesse ponto, no mesmo sentido da decisão recorrida, entendo que os dados trazidos pela acusação fiscal, em que pese representarem indícios de que tenha ocorrido 'algum' subfaturamento, não são suficientes para comprovar a ocorrência do fato e sua subsunção como ilícito tributário de insuficiências de recolhimentos, resultantes da prática de preços de venda subfaturados junto à controladora: NATURA COSMÉTICOS S/A. Quanto à utilização de base de cálculo não prevista em lei, entendo, em sentido contrário ao da decisão recorrida, ter a Fiscalização agido dentro dos parâmetros expressamente previstos no artigo 148, do CTN, quanto á possibilidade de arbitramento, porém, ainda que admitido desnecessário disciplina e rito próprio de valoração comercial de produto subfaturado, como frisado, no presente caso, estaríamos diante de ausência de provas. Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 16561.720180/201276 Acórdão n.º 3401003.266 S3C4T1 Fl. 3.895 11 Desta forma, tendo em vista a ausência de elementos probatórios capazes de demonstrar a ocorrência de subfaturamento ou qualquer outro ilícito tributário relacionado a planejamento tributário abusivo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 3989DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.722745/2013-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IMPOSTO DE RENDA. PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS.
No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.
ISENÇÃO TRIBUTÁRIA O beneficiário da não-incidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. No presente caso, após a aplicação do critério de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente, considerando-se o valor mensal e de forma individual pela Unidade de Origem, é que será possível verificar se esses alcançam, ou não, a faixa tributável.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar-lhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levando-se em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento Os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES. TABELA PROGRESSIVA. ALÍQUOTA. RE Nº 614.406/RS. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 614. 406/RS, conduzido sob o regime de recursos repetitivos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, sem declarar a inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei nº 7.713/88, reconheceu que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente adotado pelo supracitado artigo 12, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA O beneficiário da nãoincidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. No presente caso, após a aplicação do critério de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente, considerandose o valor mensal e de forma individual pela Unidade de Origem, é que será possível verificar se esses alcançam, ou não, a faixa tributável. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 27 45 /2 01 3- 37 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, darlhe provimento parcial, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Vencido o conselheiro Carlos Alexandre Tortato que dava provimento para exonerar o crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini– Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento Os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arraes Egypto, Maria Cleci Coti Martins e Rayd Santana Ferreira. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722745/201337 Acórdão n.º 2401004.476 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeiro grau que negou provimento à impugnação apresentada pelo contribuinte. Em 01/03/2011, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício de 2010, AnoCalendário 2009, na qual foi constatada a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial federal, no valor de R$ 117.278,87 (cento e dezessete mil, duzentos e setenta oito reais e oitenta sete centavos), recebidos pelo titular, referente a proventos de aposentadoria pagos em razão de Ação Judicial proposta contra o INSS (processo nº 2003.61.86.0020036). Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação alegando que tais valores referemse a rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) provenientes de aposentadoria, devendo ser tributados de acordo com a alíquota vigente à época que deveria ter recebidos os valores, in verbis: “No bojo da referida ação foi concedida aposentadoria ao contribuinte, bem como condenado o INSS ao pagamento dos proventos em atraso, desde a data da concessão (novembro/1994) até a propositura da ação (agosto/2003). (...) Desta forma, não há que se falar em incidência do Imposto de Renda, já que, considerandose os valores mensais e individualmente, estes não alcançam respectiva faixa tributável. (...) Ou seja, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo antes das alterações efetuadas pelo art. 44 da Lei nº 12.350/2010, o art.12 da Lei nº 7.713/88 não determinava a forma de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre os “rendimentos recebidos acumuladamente”, mas tão somente o momento em que este deveria ser calculado e, eventualmente, recolhido. (...) Inicialmente, cabe destacar que o valor pago pelo impugnante a título de honorários advocatícios não pode compor a base de calculo do Imposto de Renda. Conforme anexos comprovantes, no mesmo momento em que levantou os valores oriundos da Ação Judicial, o Impugnante já destinou a parte que competia a seu advogado – R$ 23.455,77. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 4 . Por fim, requer o afastamento do pagamento da multa em virtude do pagamento do Imposto. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) manteve o crédito tributário, com a seguinte consideração: Voto vencido: Em decorrência de ação judicial movida contra o INSS, foi concedida aposentadoria ao contribuinte, tendo o INSS sido condenado ao pagamento dos proventos em atraso, desde a data da concessão (novembro/1994) até a propositura da ação (agosto/2003). Ou seja, o montante de R$ 117.278,87 referese a rendimentos recebidos acumuladamente correspondentes a um período de 106 meses. Desta forma, não há que se falar em incidência do imposto de renda, já que, considerandose os valores mensal e individualmente, estes não alcançam a faixa tributável. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, conforme julgado transcrito às fls. 6/8. Aliás, como esse julgado foi proferido nos moldes do art. 543C do CPC (em sede de Recurso Repetitivo), seus termos devem ser aplicados na esfera administrativa, a teor do art. 62ª do Regimento Interno do CARF. (...) Portanto, o lançamento ora impugnado merece ser anulado. Caso não se entenda assim, merece ser reformado o lançamento, já que eivado de erros em suas apurações. Voto vencedor: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL FEDERAL. Os rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2009, em decorrência de ação judicial federal, são tributados na fonte no mês de seu recebimento, sujeitandose ao ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AÇÃO JUDICIAL TRABALHISTA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Devemse excluir dos rendimentos tributáveis pelo imposto de renda as despesas com ação judicial suportadas pelo contribuinte, inclusive de advogados, necessárias ao seu recebimento. IMPOSTO PAGO NA DECLARAÇÃO RETIFICADA. MULTA DE OFÍCIO. Comprovado o pagamento espontâneo do imposto apurado na declaração retificada, na qual haviam sido incluídos os rendimentos considerados pela fiscalização como omitidos por terem sido excluídos na declaração retificadora, devese cancelar a multa de ofício aplicada.” É importante também observar que a nova sistemática de tributação dos rendimentos dessa natureza, relativos a anos calendário anteriores ao do recebimento, pagos acumuladamente, que passou a ser muito mais favorável ao Fl. 201DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722745/201337 Acórdão n.º 2401004.476 S2C4T1 Fl. 4 5 contribuinte, por prever a tributação exclusiva na fonte e o ajuste dos valores da tabela mensal, mediante a multiplicação destes pelo número de meses a que se refiram os rendimentos, somente foi introduzida em nosso ordenamento jurídico em 28/07/2010, com a publicação da Medida Provisória n° 497, de 27/07/2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20/12/2010 (DOU de 21/12/2010), que acrescentou o art. 12ª à Lei n° 7.713/1988. O § 7° do art. 12ª dispõe, ainda, que esses rendimentos, quando, recebidos entre 1°de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória n° 497/2010, poderão ser tributados na forma desse artigo, devendo ser informados na declaração de ajuste anual referente ao ano calendário de 2010. Como se vê, não há nenhuma previsão de aplicação dessa nova sistemática aos rendimentos recebidos antes de 1° de janeiro de 2010. (...) Desta forma, e não estando presente no caso nenhuma das hipóteses previstas no art. 106 do mesmo CTN para a retroatividade da lei, não há a possibilidade, em relação aos rendimentos acumulados recebidos no ano calendário 2009, de aplicação da nova sistemática introduzida pela Medida Provisória n° 497/2010. (...) Dos honorários advocatícios e da base de cálculo do imposto Os documentos de fl. 64 demonstram que, dos R$ 117.278,87 devidos ao impugnante em razão da ação judicial movida contra o INSS, foram retidos R$ 3.518,37 de IRRF. O valor líquido depositado na conta do impugnante foi de R$ 90.304,73, e a diferença, de R$ 23.455,77, foi depositada em favor de Eris Cristina Camargo de Andrada, advogada que o representou no processo, conforme consta, por exemplo, às fls. 27/29. Assim, nos termos do art. 12 da Lei n° 7.713/1988, devem se excluir dos rendimentos tributáveis do impugnante, tal qual pleiteia a defesa, as despesas com honorários advocatícios. Por conseguinte, o valor que deveria ter sido oferecido à tributação é igual a R$ 93.823,10 (= R$ 117.278,87 – R$ 23.455,77). Fl. 202DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 6 Observo que não merece guarida a pretensão da defesa de também excluir dos rendimentos tributáveis o valor retido a título de IRRF (R$ 3.518,37). Isso porque, nos termos do art. 3° da Lei n° 7.713/1988, o imposto incide sobre o rendimento bruto (admitidas as deduções previstas em lei), e não sobre o rendimento líquido. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. É claro que, nos termos do art. 12, V, da Lei nº 9.250/1995, o contribuinte tem o direito de compensar na declaração de ajuste anual o imposto de renda retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, direito esse que já foi reconhecido na notificação de lançamento (...) Constatase, assim, que o contribuinte havia, num primeiro momento, incluído como tributáveis e sujeitos ao ajuste anual os rendimentos da ação judicial, tendo procedido espontaneamente ao pagamento do imposto apurado em decorrência da inclusão desses rendimentos, não tendo havido a restituição ou a compensação desses pagamentos. Entendo, por isso, que ele tem razão de insurgirse contra a cobrança da multa de ofício, que deve ser cancelada. Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reafirmou todas as alegações da impugnação, alegando que tais valores referemse a rendimentos recebidos acumuladamente (RRA) provenientes de aposentadoria, devendo ser tributados de acordo com a alíquota vigente à época que deveria ter recebidos os valores. Confirase: “No bojo da referida ação foi concedida aposentadoria ao contribuinte, bem como condenado o INSS ao pagamento dos proventos em atraso, desde a data da concessão (novembro/1994) até a propositura da ação (agosto/2003). (...) Desta forma, não há que se falar em incidência do Imposto de Renda, já que, considerandose os valores mensais e individualmente, estes não alcançam respectiva faixa tributável. (...) Ou seja, de acordo com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, mesmo antes das alterações efetuadas pelo art. 44 da Lei nº 12.350/2010, o art.12 da Lei nº 7.713/88 não determinava a forma de cálculo do Imposto de Renda incidente sobre os “rendimentos recebidos acumuladamente”, mas tão somente o momento em que este deveria ser calculado e, eventualmente, recolhido. (...) Fl. 203DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722745/201337 Acórdão n.º 2401004.476 S2C4T1 Fl. 5 7 Menciona que a matéria já foi objeto do Recurso Repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça (nos termos do art. 543C), a saber: (transcreve o acórdão) (...) Por tais razões, requer a esse C. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a reforma do acórdão de fls. Para anular o lançamento que deu origem ao presente processo em sua totalidade e, consequência, seja determinada a restituição do IRPF pago indevidamente, conforme indicado na respectiva DIRPF 2009/2010. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 8 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 10/04/2013, conforme AR às fls. 88, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 03/05/2013, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Cuidase o presente lançamento de omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 117.278,87 (cento e dezessete mil, duzentos e setenta oito reais e oitenta sete centavos), recebidos pelo titular, referente a proventos de aposentadoria pagos em razão de Ação Judicial proposta contra o INSS (processo nº 2003.61.86.0020036). 2.1. DOS RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Nesse tocante, o artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 impõe aos conselheiros, no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A reprodução de decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista nos artigos 1.036 a 1.041 do Novo Código de Processo Civil. Sobre o tema, o Plenário do Supremo Tribunal Federal decidiu pela improcedência do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, interposto pela União, no qual sobrou reconhecido que o critério de cálculo dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente – RRA adotado pelo artigo 12 da Lei nº 7.713/88, representa transgressão aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva do Contribuinte, conduzindo a uma majoração da alíquota do Imposto de Renda. Ficou sedimento o entendimento de que o imposto de renda, mesmo que incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, deve ser apurado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nos meses a que se referiam cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada. Confirase: “IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos.” (STF, RE 614.406 RS) Fl. 205DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722745/201337 Acórdão n.º 2401004.476 S2C4T1 Fl. 6 9 Nesse interregno, como o julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS foi realizado conforme a Sistemática dos Recursos Repetitivos atrai a incidência do disposto no §2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF. Recordese: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Por outro giro, o Código Tributário Nacional em seu artigo 149 prevê a prerrogativa do Fisco de rever o lançamento. Assim, como a época do Lançamento em questão não existia o Julgamento Plenário do RE nº 614.406/RS, deve o fisco rever o lançamento de maneira que possa aplicar no cálculo do tributo devido o critério adotado pelo Supremo. Confirase: “ Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: Fl. 206DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI 10 I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública.” Por todo o exposto, em atenção ao disposto no artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF e ao artigo 149, VIII, do Código Tributário Nacional, voto no sentido de, nesse específico particular, dar provimento ao Recurso Voluntário, para que o cálculo do tributo devido relativo aos rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente pelo Contribuinte seja realizado levandose em consideração as tabelas e alíquotas vigentes nas competências correspondentes a cada uma das parcelas integrantes do pagamento recebido de forma acumulada pelo Recorrente. Nesse sentido entendimentos proferidos por esse egrégio Conselho Administrativo: “IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. (Acordão nº 2202003.193, Processo nº 11080.731461/201324, rel. Conselheiro Martin da Silva Gesto, j. em 17/02/2016).” Fl. 207DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI Processo nº 10830.722745/201337 Acórdão n.º 2401004.476 S2C4T1 Fl. 7 11 2.2 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA Ao beneficiário da nãoincidência tributária recai o ônus de demonstrar e comprovar o cumprimento cumulativo de todos os requisitos legais para a fruição da isenção pretendida, sob pena de manutenção da regra geral, isto é, a tributação. No presente caso, após a aplicação do critério de cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente considerandose o valor mensal e de forma individual pela Unidade de Origem, na forma acima deferida, é que será possível verificar se esses alcançam, ou não, a faixa tributável. Razão pela qual nego provimento ao pedido, sem prejuízo para que o contribuinte, após o cumprimento do presente julgado, renove seu pedido de isenção. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 1 2/09/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 13/09/2016 por MIRIAM DENISE X AVIER LAZARINI
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Numero do processo: 10580.721281/2009-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL
Sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação.
Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente.
Numero da decisão: 9202-004.139
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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DIFERENÇAS DE URV. MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL Sujeitamse à incidência do Imposto de Renda, conforme o regime de competência, as verbas recebidas acumuladamente pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, denominadas "diferenças de URV", inclusive os juros remuneratórios sobre elas incidentes, por absoluta falta de previsão legal para que sejam excluídas da tributação. Recurso Especial do Contribuinte conhecido e provido parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência, vencidos os conselheiros Gerson Macedo Guerra, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Maria Teresa Martínez López, que lhe deram provimento integral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 81 /2 00 9- 54 Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente e Relator EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10580.720843/200942. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.124): Tratase de Auto de infração lavrado contra o contribuinte em epígrafe para cobrança de IRPF sobre rendimentos auferidos do Ministério Público da Bahia, a título de valores indenizatórios de URV. Tais rendimentos decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor (URV) em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Complementar nº 20/2003, do Estado da Bahia. Importante destacar, ainda que referida Lei dispôs serem de natureza indenizatória as verbas em questão. No entendimento da autoridade fiscal, as diferenças recebidas pelo contribuinte têm natureza salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, portanto, são tributáveis pelo IRPF, sendo irrelevante a denominação dada pela Lei do Estado da Bahia. Para a apuração do imposto devido foi considerado os valores das diferenças salariais, incluindo atualização e juros. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, que fora julgada procedente em parte, para excluir da base de cálculo do imposto valores recebidos a título de URV sobre férias indenizadas e 13º salário. Ato seguinte, tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde, por unanimidade de votos, foi dado provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721281/200954 Acórdão n.º 9202004.139 CSRFT2 Fl. 416 3 Inconformado com essa decisão o contribuinte, tempestivamente, apresentou Recurso Especial de divergência, alegando, em resumo: a) Os rendimentos previstos na Lei Complementar 20/2003 tem a mesma natureza daqueles mencionados pela Lei Federal nº 10.477/2002, que trata do pagamento de diferenças de URV a membros do Ministério Público Federal; b) É nítida a natureza remuneratória das diferenças de URV, na medida em que representam ressarcimento pelo erro de cálculo da remuneração; c) É aplicável ao caso a mesma interpretação dada pelo STF através da Resolução 245/2002, que reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV pagas aos membros da magistratura federal; d) Quebra da isonomia quando se dispensa tratamento tributário diverso em relação às diferenças de URV pagas aos membros da magistratura Federal e aos membros do MPF em relação aos membros do Ministério Público Estadual; e) Vicio material na formação da base de cálculo do IRPF, na medida em que não foi observado o regime de competência em relação aos rendimentos recebidos acumuladamente; f) Não incidência do IRPF sobre juros moratórios Na análise de admissibilidade, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial interposto pelo Contribuinte para que fosse reapreciada a questão da não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e para que fosse rediscutida a não incidência de Imposto de Renda sobre rendimentos correspondentes a juros de mora. Regularmente intimada o a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.124, de 21/06/2016, proferido no julgamento do processo 10580.720843/200942, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e visa rediscutir as seguintes matérias: não incidência do Imposto de Renda sobre diferenças de URV, que teriam natureza indenizatória e, caso assim não se entenda, não incidência de Imposto de Renda sobre a rubrica correspondente a juros de mora. A matéria não é nova neste Colegiado. Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescido de multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, tendo em vista a reclassificação, como tributáveis, de rendimentos declarados como isentos, recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em trinta e seis parcelas, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08/09/2003, editada em virtude do objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nºs 613 e 614. As verbas ora analisadas constituem diferenças salariais verificadas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real, portanto tais valores referemse a salários (vencimentos) não recebidos ao longo dos anos. Nesse passo, o objetivo da ação judicial e/ou da lei do estado da Bahia foi simplesmente pagar à Contribuinte aquilo que antes deixou de ser pago, que nada mais é que salário, portanto de natureza tributável. Assim, o recebimento da verba ora tratada configura acréscimo patrimonial e, consequentemente, sujeitase à incidência do Imposto de Renda, consoante dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721281/200954 Acórdão n.º 9202004.139 CSRFT2 Fl. 417 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. O dispositivo legal acima não deixa dúvidas acerca da abrangência da tributação do Imposto de Renda, abarcando qualquer evento que se traduza em aumento patrimonial, independentemente da denominação que seja dada ao ganho. Seguindo esta linha, a Lei nº 7.713, de 1988, assim dispõe: Art. 1º Os rendimentos e ganhos de capital percebidos a partir de 1º de janeiro de 1989, por pessoas físicas residentes ou domiciliados no Brasil, serão tributados pelo imposto de renda na forma da legislação vigente, com as modificações introduzidas por esta Lei. Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. (...) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. (...) § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...)” (grifei) Quanto à alegação de violação ao princípio da isonomia, a Contribuinte traz à baila o fato de que o Supremo Tribunal Federal, em sessão administrativa, atribuiu natureza indenizatória ao Abono Variável concedido aos membros da Magistratura da União pela Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN nº 529, de 2003, manifestou entendimento no sentido de que a verba em tela não estaria sujeita à tributação. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Entretanto, a Resolução nº 245, do STF, bem como o Parecer da PGFN, se referem especificamente ao abono concedido aos Magistrados da União pela Lei nº 10.474, de 2002; e o que se discute no presente processo é se tal entendimento deve ser aplicado à verba recebida pelos membros da Ministério Público do Estado da Bahia. Primeiramente, verificase que a posição do Supremo Tribunal Federal – STF sobre a natureza do Abono Variável atribuído aos Magistrados da União foi definida em sessão administrativa e expedida por meio de Resolução, e não em sessão de julgamento daquela Corte e, assim, não se trata de uma decisão judicial, cujos efeitos são bem distintos dos de uma resolução administrativa. Destarte, obviamente que a Resolução do STF nunca vinculou a Administração Tributária da União. Com o advento do Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro da Fazenda, portanto com força vinculante em relação aos Órgãos da Administração Tributária, concluiuse que o Abono Variável de que trata o art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002, teria natureza indenizatória. Entretanto, dito parecer é claro quanto aos limites desse entendimento, conforme será demonstrado na seqüência. O parecer destaca que o Superior Tribunal de Justiça – STJ consolidou entendimento no sentido de que abonos recebidos em substituição a aumentos salariais sofrem a incidência do Imposto de Renda. Após, faz a ressalva de que, segundo entendimento dessa mesma Corte, nos casos de abono concedido como reparação pela supressão ou perda de direito, ele tem natureza indenizatória. Ainda segundo o parecer da PGFN, seria este o entendimento do STF, manifestado por meio da Resolução nº 245, de 2002, relativamente ao abono variável e provisório previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Assim, claro está que o Parecer da PGFN somente reconheceu a natureza indenizatória do Abono Variável, previsto nas Leis nºs 9.655, de 1998, e 10.474, de 2002, acolhendo entendimento do STF, no sentido de que tal verba destinarseia a reparar direito. Destarte, a Resolução nº 245, do STF, não possui efeitos de decisão judicial, e o Parecer PGFN/Nº 529, de 2003, apenas reconhece a natureza indenizatória do abono concedido aos Magistrados da União, acatando interpretação do STF quanto à natureza reparatória, especificamente para esse abono. Portanto, ambos os atos alcançam apenas o abono previsto no art. 6º da Lei nº 9.655, de 1998, com a alteração estabelecida no art. 2º da Lei nº 10.474, de 2002. Ademais, a Resolução nº 245, do STF, excluiu do abono a verba referente à diferença de URV, o que evidencia que esta não tem natureza indenizatória, mas sim de recomposição salarial. Confirase a manifestação Superior Tribunal de Justiça, por meio de voto da Ministra Eliana Calmon, reconhecendo a falta e identidade entre o abono salarial tratado na Resolução e as diferenças de URV: Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721281/200954 Acórdão n.º 9202004.139 CSRFT2 Fl. 418 7 “Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)” (STJ, Recurso Especial n.º 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010) E também o Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão no Recurso Extraordinário n.º 471.115: “Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução no. 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, temse que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)” (STF, Recurso Extraordinário n.º 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010) Assim, não há como estenderse o alcance dos atos legais acima referidos para verbas distintas, concedidas para outro grupo de servidores, por meio de ato específico, diverso daqueles referidos na Resolução do STF e no Parecer da PGFN. Com efeito, a norma que concede isenção deve ser interpretada sempre literalmente, conforme inciso II, do art. 111, do CTN. Ademais, o mesmo código veda o emprego da analogia ou de interpretações extensivas para alcançar sujeitos passivos em situação supostamente semelhante, o que implicaria concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o § 6º, do art. 150, da Constituição Federal, e o art. 176, do CTN. Destarte, a verba em exame deve ser efetivamente tributada. Quanto à alegada inexigibilidade de Imposto de Renda incidente sobre a verba recebida pela contribuinte a título de juros de mora, a decisão do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C, do CPC, é no sentido de que estaria restrita aos casos de pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V, do art. 6º, da Lei nº 7.713, de 1988. Confirase: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543 C DO CPC. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que 'não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla.' Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que 'os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei'. 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido.(AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Assim, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir também sobre os juros de mora. Ressaltese que as verbas ora analisadas já foram objeto de julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, oportunidade em que se deu provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por meio do Acórdão nº 9202003.585, de 03/03/2015, assim ementado: Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10580.721281/200954 Acórdão n.º 9202004.139 CSRFT2 Fl. 419 9 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. VALORES INDENIZATÓRIOS DE URV, CLASSIFICADOS A PARTIR DE INFORMAÇÕES PRESTADAS PELA FONTE PAGADORA. INCIDÊNCIA. Incide o IRPF sobre os valores indenizatórios de URV, em virtude de sua natureza remuneratória. Precedentes do STF e do STJ. Recurso especial provido." A decisão foi assim registrada: "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda, determinando o retorno dos autos à turma a quo, para analisar as demais questões trazidas no recurso voluntário do contribuinte. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou por negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Marcio Pinto Teixeira, OAB/BA nº 23.911, patrono da recorrida. Defendeu a Fazenda Nacional a Procuradora Dra. Patrícia de Amorim Gomes Macedo." Assentada a natureza tributável dos rendimentos objeto da autuação, resta esclarecer que o tributo devido deve ser calculado de acordo com as tabelas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. Saliente se que a questão já foi decidida pelo STF, no RE 614.406/RS, com trânsito em julgado em 11/12/2014, e repercussão geral previamente reconhecida, em 20/10/2010, na sistemática do art. 543B, do Código de Processo Civil. Destarte, os Conselheiros do CARF devem reproduzir o entendimento do citado julgado, prolatado pelo STF em 23/10/2014, conforme determina o art. 62, § 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Nesse passo, a decisão vinculante é no sentido de aplicarse o regime de competência, vedada a aplicação do regime de caixa. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento parcial, para que o cálculo do Imposto de Renda seja efetuado com base no regime de competência. Em face do acima exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial do Contribuinte para, no mérito, darlhe provimento parcial, para determinar o cálculo do tributo sobre a verba recebida, inclusive juros, de acordo com o regime de competência. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 26/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/08/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/08/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11330.001120/2007-93
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 01/02/2003
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 11 20 /2 00 7- 93 Fl. 387DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11330.001120/200793 Acórdão n.º 9202004.689 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 396DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933512/2008-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 35 12 /2 00 8- 13 Fl. 533DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.882, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 534DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 537DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 538DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.933512/200813 Acórdão n.º 9303003.989 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 540DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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