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Numero do processo: 10830.005536/2004-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO
Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004
IMUNIDADE. REQUISITOS. LEI COMPLEMENTAR. ART. 14 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. FUNDAÇÃO HOSPITALAR E INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO.
Tem direito ao benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social se atendidos os requisitos postos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.622, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-005.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 IMUNIDADE. REQUISITOS. LEI COMPLEMENTAR. ART. 14 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. FUNDAÇÃO HOSPITALAR E INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Tem direito ao benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social se atendidos os requisitos postos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.622, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido
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PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO Conforme a Súmula CARF 91, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 09 de junho de 2005 o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 IMUNIDADE. REQUISITOS. LEI COMPLEMENTAR. ART. 14 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. FUNDAÇÃO HOSPITALAR E INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. Tem direito ao benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social se atendidos os requisitos postos pelo art. 14 do Código Tributário Nacional, de acordo com o entendimento do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº 566.622, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 55 36 /2 00 4- 34 Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 518 2 (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 280 a 315) interposto pelo Contribuinte, em 19 de março de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1445.912 (fls. 262 a 274), de 11 de outubro de 2013, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) – DRJ/RPO – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 199 a 230) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente, de Pedido de Restituição de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à fl. 02, protocolizado em 30/09/2004, apresentado por meio de formulário, correspondente a pagamentos efetuados, referentes aos períodos de apuração setembro/1994 a julho/2004, no valor de R$ 1.361.131,50, com alegação de que referidos pagamentos foram efetuados indevidamente, por se tratar de entidade imune, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea “c”, da Constituição Federal CF, combinado com o artigo 14, do Código Tributário Nacional CTN. Referido pedido foi indeferido, pela Delegacia da Receita Federal, em Limeira, em face da decadência, ou seja, por se extinguir o direito de pleitear a restituição, após o decurso de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento, nos termos do art. 165, inciso I, combinado com o art. 168, da Lei no 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, e ainda, que não há isenção na legislação do PIS prevista para esse fato gerador, conforme Despacho Decisório, datado de 20/07/2019 (sic), doc. de fls. 192 a 193. Constam do presente processo os documentos abaixo discriminados, juntados pelo interessado, que tratam sobre personalidade jurídica da Fundação: I. Estatuto da Fundação e respectiva averbação, doc. de fls. 33 a 49; II. Certificado de inscrição no Conselho Municipal de Assistência Social, datado de 15/04/2004, com validade até 15/04/2005, doc. de fls. 51; III. Certidão SJDC no 149/2004, da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, Declaração de Utilidade Pública, referente ao exercício de 2003, doc. de fl. 52; Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 519 3 IV. Certidão do Departamento de Justiça da Coordenação de Justiça, Títulos e Qualificação, do Ministério da Justiça, Declaração de Utilidade Pública, referente ao exercício de 2003, datada de 22/03/2004, com validade até 30/04/2005, doc. de fl. 53; V. Declaração da Contadora Sara Lazzarini, informando que o interessado não distribui e nunca distribuiu qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado, conforme determinação legal expressa no artigo 14, inciso I, do CTN, datada de 05/08/2004, doc. de fl. 54; VI. Declaração assinada por representante do interessado, informando que aplica integralmente, no País, os seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais, datada de 05/08/2004, doc. de fl. 55; VII. Termos de Abertura e Encerramento do Livro Diário no 102, datados de 31/12/203, doc. de fls. 57 a 58. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 10/09/2009, doc. de fls. 199 a 230, composta por vários tópicos, que em síntese, alega: 1 – Dos Fatos. Que tomou conhecimento do indeferimento de seu pedido de restituição, com crédito oriundo de valores recolhidos indevidamente a título da contribuição para o PIS, e sintetiza a ementa do Despacho Decisório, proferido pela Delegacia da Receita Federal, em Limeira, e não se conforma com seu conteúdo, uma vez que está imune ao recolhimento das contribuições do PIS, transcrevendo parcialmente, a decisão proferida; Que não pleiteou o reconhecimento do direito à isenção, mas sim fundamentou o seu pedido no reconhecimento ao seu direito constitucional à imunidade quanto ao recolhimento das contribuições ao PIS prevista no § 7º, do artigo 195 da CF/88, uma vez que esta contribuição é uma das espécies destinadas ao custeio da Seguridade Social, e o interessado é entidade beneficente de assistência social, sem fins lucrativos, nos termos do artigo 14 do CTN; Que houve erro do julgador “a quo” ao analisar o pedido de restituição do interessado, uma vez que fundamentou o seu pedido de reconhecimento do seu direito constitucional à imunidade, em relação à contribuição ao PIS. 2 – Do Direito. Inicialmente descreve sobre as definições de Instituições Beneficentes de Assistência Social, bem como sobre imunidade tributária, nos termos do sistema tributário constitucional; Também discorre que a Contribuição Social para o PIS está abrangida pela imunidade, e que a arrecadação do PIS é destinada, conforme regramento constitucional, à consecução de objetivos colimados pela Seguridade Social, e que a linha de entendimento do Supremo Tribunal Federal, ficou pacificado que todas as contribuições sociais têm natureza tributária, e em assim sendo, a imunidade tributária concedida às instituições de Assistência Social, abrange todas as Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 520 4 contribuições sociais, dentre elas, aquela referente ao Programa de Integração Social – PIS, em seguida reproduz texto de parecer publicado no Boletim Adcoas – Doutrina nº 06 de junho/98, por Ives Gandra da Silva Martins; Conclui que a natureza tributária das contribuições sociais, dentre elas o PIS, estão abrangidas pela imunidade esculpida no artigo 195, § 7º da Constituição Federal; Que o DecretoLei nº 2.445/88, foi editado com o pretexto de alterar dispositivos da Lei Complementar nº 7/70, e o referido Decretolei, já foi julgado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal; Posteriormente a Medida Provisória nº 1.212, de 28 de novembro de 1995, determinou a apuração mensal de contribuição para o PIS, para as entidades sem fins lucrativos e ainda em seu artigo 8º, definiu a base de cálculo de um por cento sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei nº 9.715/98 repetiu a redação da Medida Provisória no 1.212/95; Por sua vez, a Medida Provisória nº 2.15833, de 28.06.2001, insistiu em exigir das sociedades filantrópicas sem fins lucrativos, o recolhimento da contribuição ao PIS, no entanto meras Leis Ordinárias ou Medidas Provisórias, não tem o condão de criar obstáculos, sob pena de flagrante ofensa ao texto constitucional; Conclui que o interessado não pode concordar com os dispositivos legais anteriormente citados, uma vez que são somente as condições previstas no artigo 14, do CTN, que as entidades beneficentes de assistência social devem obedecer, sob pena de ofensa aos artigos 195, § 7º combinado com o artigo 146, inciso II, ambos da Constituição Federal; Relata ainda, sobre a Decisão, Liminar proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, na ADIN 20285/DF, em 11/11/1999, suspendendo a eficácia do inciso III, do artigo 55, da Lei nº 8.212/91, sob o entendimento de que entidade beneficente, para fins constitucionais, é conceito abrangente, e não somente das prestadoras de assistência social, mas também das entidades beneficentes de saúde e educação; Ressalta, que o Supremo Tribunal Federal já havia firmado entendimento no sentido de que a isenção prevista na Constituição Federal é imunidade, e mesmo entendimento tem o juízo da 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas, em mandado de segurança; Quanto ao direito de o contribuinte pleitear à restituição dos tributos pagos a maior, nos últimos 10 anos, por ser lançamento por homologação, e em não havendo qualquer ato da autoridade fiscal homologatória do lançamento, razão por que a prescrição do direito de pleitear à restituição, só correrá após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais 5 (cinco) anos, contados da homologação do lançamento, denominada “tese dos cinco mais cinco”, para definição do termo inicial do prazo decadencial; Que seus créditos deverão ser restituídos com a incidência de juros com base na variação da Taxa Selic, a partir de 01/01/1996, nos termos do artigo 39 da Lei nº 9.250/95. 3 – Do Pedido. Diante do exposto, requer seja recebida sua defesa, conhecida, e a ela dado provimento, reformando o Despacho Decisório, e sobre o mencionado valor, incida Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 521 5 juros com base na variação da taxa Selic até a data da restituição, e ainda, que as futuras notificações e intimações sejam efetuadas com nome do seu advogado, Dr. João Carlos de Lima Junior, OAB/SP 142.452, com escritório à Rua Paulo Lobo, 33, Campinas/SP, CEP 13.025210. Tendo em vista a decisão supracitada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário visando reformar o referido Acórdão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1445.912 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil RFB, expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões judiciais, proferidas em processos dos quais não participe o interessado, ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1994 a 31/07/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o direito de restituição de pagamento do PIS é de 5 anos contados da data do pagamento da contribuição conforme interpretação dada pelo artigo 165, I, combinado do artigo 168, I, do CTN. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 522 6 Sujeitamse normalmente à incidência da PIS/PASEP as receitas decorrentes da prestação de serviços hospitalares e de ensino, conforme descrito na hipótese de incidência tributária. IMUNIDADE. FUNDAÇÃO HOSPITALAR E INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. O usufruto do benefício da imunidade das contribuições para a seguridade social só se efetiva mediante o atendimento cumulativo das condições expressamente previstas em lei. PROVA ADMINISTRATIVA. O ônus da prova de que o contribuinte atende a benefício pleiteado, cumprindo os requisitos dispostos em lei regulamentar, devem ser trazidos junto com a manifestação de inconformidade, sob pena de preclusão. RESTITUIÇÃO. JUROS DE MORA. De acordo com o parágrafo 4º, do artigo 39, da Lei nº 9.259/95, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa SELIC, calculados a partir de 1º de janeiro de 1.996 até o mês anterior ao da compensação ou restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Entendeu a autoridade administrativa fiscal, bem com a DRJ, que parte do Pedido de Restituição foi atingida pela decadência, 5 anos contados da data do pagamento da contribuição, e que não tem direito a restituição da parte não decaída pelo fato de não atender os requisitos legais para a fruição da imunidade tributária. O Contribuinte requer preliminarmente o sobrestamento do presente feito visto que a matéria está em julgamento no STF, em sede de repercussão geral. Diante da decisão do STF em relação a matéria (RE 566.622), considero superada a preliminar. Quanto ao mérito, o Contribuinte trata, por primeiro, da não ocorrência da “prescrição” do seu direito, nos lançamentos por homologação, de pleitear a restituição dos tributos pagos a maior nos últimos 10 anos. Com a devida vênia ao entendimento da DRJ, assiste razão ao Contribuinte neste ponto. O STF reconheceu a aplicação da tese dos 5+5 anos (5 anos a partir da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais 5 anos contados da homologação do lançamento) para a restituição de tributos pagos indevidamente em relação aos pleitos efetuados até 09/06/2005. O Pedido de Restituição foi formulado em 30/09/2004, portanto anterior a 09/06/2005, em relação ao PIS recolhido indevidamente, no entender do Contribuinte, no período de 09/1994 a 07/2004. Portanto, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte para afastar a decadência de seu direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente, sem prejuízo da análise do mérito que será feita a seguir sobre se recolheu ou não de forma indevida a contribuição. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 523 7 Por segundo, o Contribuinte sustenta que por gozar da imunidade tributária tem o direito ao Pedido de Restituição. Cito trecho do voto proferido na decisão da DRJ que assim consignou o entendimento acerca da imunidade: Analisando a controvérsia do direito creditório, verificase que a discussão está centrada em duas situações: A primeira, em face da decadência, ou seja, por se extinguir o direito de pleitear a restituição após o decurso de 5 (cinco) anos, contados da data do pagamento, nos termos do art. 165, inciso I, combinado com o art. 168 da Lei no 5.172, de 1966, Código Tributário Nacional – CTN, para os recolhimentos efetuados até 30/09/1999, tendo em vista à data do protocolo de seu Pedido de Restituição, que se deu em 30/09/2004. A segunda sobre a alegação de imunidade, nos termos do artigo 195, §7º, da Constituição Federal de 1998, para os recolhimentos efetuados no período de 08/09/1994 a 13/08/2004. (...) Relativamente às alegações para aplicação da imunidade às contribuições para o PIS, nos termos do 195, § 7º, da Constituição Federal CF, por ser sociedade beneficente de assistência social, não podemos apenas exigir o atendimento dos requisitos previstos no artigo 14 do CTN, como pretende o interessado, pelos motivos abaixo discriminados. A base de exigência do PIS/PASEP está portanto, no art. 239 da Constituição, que estabeleceu que a arrecadação dessas contribuições passaria a financiar o seguro desemprego e o abono para os empregados que percebam até dois salários mínimos mensais. Nos termos do art. 195, § 7º, da CF “são isentas da contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Referido dispositivo é regulamentado pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91. Notase, assim, a natureza jurídica desse tributo como de contribuição parafiscal, especificamente de contribuição social para a seguridade social (no âmbito da previdência). “Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) I cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) II proteção à maternidade, especialmente à gestante; (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) III proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 524 8 IV saláriofamília e auxílioreclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) V pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o disposto no § 2o. (Redação dada pela Emenda Constitucional no 20, de 1998) ”(grifos nossos) A tributação das pessoas jurídicas, com exceção das instituições financeiras (§ 1o do art. 22 da Lei n° 8.212/91 e EC no 17 e Lei 9.701/98) estão reguladas pela Lei Ordinária no 9.715/98, art. 8o, Medida Provisória no 2.135/01, art. 1o, e Lei Ordinária 9.718/98, art. 8o. A alíquota é de 0,65%, salvo refinarias e distribuidoras de combustíveis e aquelas que tem sua base de cálculo aplicável sobre a folha de salários, cuja alíquota é de 1% (Medida Provisória no 2.15835/2001, art. 13). Essas são as regras gerais de incidência que se aplicam a todas as pessoas jurídicas, salvo as que detêm imunidade ou isenção. É antiga a concessão de isenção de contribuições sociais a entidades filantrópicas. A constituição de 1988 manteve tratamento favorecido a tais entidades, limitandoo, contudo, a entidades de assistência social. Na redação da antiga Consolidação das Leis de Previdência Social, Decreto 89.312/84, art. 130, a isenção estendiase a toda e qualquer entidade que fosse considerada de utilidade pública, cujos diretores não percebessem remuneração. A partir da lei do custeio da seguridade social (Lei no 8.212/91), o entendimento doutrinário e jurisprudencial estendeu o benefício à entidades de assistência social que tivessem atividade no âmbito da educação ou da saúde. Senão vejamos: “Art. 55.Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou Municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 525 9 § 1o Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2o A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção”. O art. 195, § 7º da Constituição, no entanto, traz hipótese de não incidência qualificada de contribuições para a seguridade social: “Art. 195 § 7º. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” Como é sabido, o uso da expressão “isentas” constitui atecnia, fato entretanto, não reprovável, uma vez que se espera do texto constitucional que atinja o maior número de intérpretes, não os reduzindo aos especialistas. Por todos, cito Paulo de Barros Carvalho, em Curso de Direito Tributário, 14a edição, p. 175: “Com a ressalva do tropeço redacional, em que o legislador empregou isenção por imunidade, vêse que há impedimento expresso para a exigência de contribuição social das entidades beneficentes referidas no dispositivo”. Para o gozo da imunidade das contribuições sociais prevista no § 7o, do art. 195 da Constituição Federal, todavia fazse necessário atender às exigências estabelecidas em lei segundo expresso comando constitucional. Senão vejamos: “Art. 195 § 7o. São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.”(grifos nossos) Ou seja, por expresso comando constitucional, cumpre atender à regulamentação estabelecida em lei, para usufruir do benefício da imunidade. À época dos fatos geradores dos alegados créditos, no entanto, era o art. 55 da Lei no 8.212/91, com redação dada pela Lei no 9.732, de 11 de dezembro de 1998, que exercia o papel de norma regulamentar do texto constitucional. A redação do dispositivo aplicável com a nova lei ficou como se segue: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 526 10 IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando anualmente ao Conselho Nacional da Seguridade Social relatório circunstanciado de suas atividades. (...) § 3o Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar.” Ocorre que a Confederação Nacional de Saúde, Hospitais, Estabelecimentos de Ensino e Serviços, ajuizou em julho de 1999, no STF, a ADI 2.028 contra a Lei 9.732/98, que restringiu o conceito de entidade beneficente de assistência social. A lei questionada pela entidade citada exige para a isenção das contribuições sociais, que elas dêem atendimento gratuito à pessoas carentes e permitam a ocupação de pelo menos 60% de seus leitos para pacientes do SUS. Nessa ação, foi concedida liminar, em 14.07.1999, para suspender os efeitos da lei, sob o fundamento de que as entidades envolvidas sofreriam danos irreparáveis, mesmo para as pessoas carentes. Segundo o acórdão publicado pelo Plenário do STF, o art. 195, § 7o da Constituição, ao remeter à lei o estabelecimento das exigências legais para a concessão da imunidade, referiuse à lei complementar, visto tratarse de limitação ao poder de tributar. Portanto, de acordo com a decisão do STF citada, em sede de ADI, é preciso, para gozar o benefício da imunidade em apreço, atender aos quesitos dispostos no art. 14 do Código Tributário Nacional CTN. “Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9o é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela Lcp no 104, de 10.1.2001) II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1o Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1o do artigo 9o, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2o Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9o são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos.” As condições enumeradas na legislação de regência, ao caso concreto, são assim, cumulativas. A entidade deve atender a todas, simultaneamente. Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 527 11 Compulsandose os autos, verificase que o interessado não possui certidão emitida pelo Conselho Nacional de Assistência Social, pois trouxe apenas Certidões de Declaração de Utilidade Pública, referente ao exercício de 2003, emitidas pelo Departamento de Justiça da Coordenação de Justiça, Títulos e Qualificação do Ministério da Justiça, pela Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo e pelo Conselho Municipal de Assistência Social, doc. de fls. 51 a 53. O Estatuto da Fundação trazido aos autos, indica que “o patrimônio, os recursos, as rendas e o eventual resultado operacional da Fundação serão aplicados integralmente, no território nacional, na manutenção e desenvolvimento dos objetivos institucionais definidos neste Estatuto”. Não há, contudo, nenhuma prova de que, apesar de constar no Estatuto, isto tenha sido verificado de fato. Constatase com efeito, que o interessado deixou de trazer elementos essenciais para a comprovação dos atributos que a qualificam como sujeita ao benefício da imunidade pleiteada, nos termos da legislação transcrita. E a oportunidade para a comprovação de tais atributos, nos termos da legislação processual administrativa tributária (Decreto no 70.235/72) é exatamente o momento da apresentação da manifestação de inconformidade (com os mesmos efeitos da impugnação), segundo o disposto nos artigos 15 e 16. O presente auto administrativo, trata de processo de restituição de suposto crédito do interessado. Para tanto, a Administração, no caso a RFB, não pode furtarse a examinar os requisitos de admissibilidade à imunidade. Desta feita, não houve prática de qualquer equívoco por parte da Receita Federal, quanto ao indeferimento do pleito no presente processo. Por último, quanto ao mérito não, há o que retificar ou reformar na apuração elaborada pela Delegacia da Receita Federal, em Limeira, relativamente aos valores recolhidos pelo interessado, a título do PIS, valores esses pleiteados no presente processo, pois todos os recolhimentos efetuados, a título da Contribuição para PIS no período pleiteado, são perfeitamente exigíveis, válidos e devidos em observância às disposições legais vigentes contidas na Lei Complementar no 7/1970, e Medida Provisória no 1.212/1995, e suas reedições, convertida pela Lei no 9.715/1998, não tendo havido vacância de lei no período e portanto, recolhimento indevido. Percebese que o entendimento da DRJ é no sentido de que o atendimento dos requisitos previstos no art. 14 do CTN são insuficientes para o gozo da imunidade tributária por parte do Contribuinte. Em seu recurso, o Contribuinte explicita que por ser uma sociedade de assistência social sem fins lucrativos, destinada ao tratamento de doenças psiquiátricas, neurológicas, síndrome neuropsiquiátricas, dependência química e distúrbios do comportamento e que tem por finalidade promover o ensino de pós graduação, estudos e pesquisas no campo da psiquiatria, tem direito a imunidade de acordo com o disposto no §7º do art. 195 da Constituição Federal e no art. 14 do Código Tributário Nacional. Frente ao entendimento da DRJ de que o Contribuinte deixou de trazer elementos essenciais para a comprovação do benefício da imunidade pleiteada, inclusive no que tange ao disposto no art. 14 do CTN, o Contribuinte, com base no princípio da verdade material, junta aos autos os Balanços Patrimoniais Anuais de 1994 a 2004 (Doc. 04), para demonstrar contabilmente que os resultados anuais permanecem contabilizados no patrimônio Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 528 12 líquido da Fundação durante todo o período referente ao pedido de crédito (sem distribuição aos sócios ou investidos em fins que não os sociais da Fundação); o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS (Doc. 05). Em relação ao ponto central do presente processo, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.622/RS, julgado pela sistemática da repercussão geral, decidiu que os requisitos para o gozo da imunidade são os previstos no Código Tributário Nacional em seu art. 14, afastando as exigências do art. 55 da Lei nº 8.212/91. Assim ficou consignado: IMUNIDADE – DISCIPLINA – LEI COMPLEMENTAR. Ante a Constituição Federal, que a todos indistintamente submete, a regência de imunidade fazse mediante lei complementar. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em prover o recurso extraordinário, nos termos do voto do relator e por maioria, em sessão presidida pela Ministra Cármen Lúcia, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Brasília, 23 de fevereiro de 2017. Diante desta decisão do STF cabe referência ao que dispõe o o art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016). Neste sentido, com o entendimento trazido pelo STF no julgamento do RE nº 566.622/RS, me filio a posição de que os requisitos para o gozo da imunidade do art. 55 da Lei nº 8.212/91 não são necessários e que o Contribuinte, com os documentos acostados aos autos, comprova os requisitos exigidos no art. 14 do CTN, inclusive os previstos na Lei nº 8.212/91. Voto, portanto, em dar provimento ao recurso do Contribuinte neste ponto. Conclusão De acordo com os autos do processo e a legislação vigente, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10830.005536/200434 Acórdão n.º 3301005.667 S3C3T1 Fl. 529 13 Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13639.000380/2006-21
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2002-000.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal da autuante junte aos autos recibos, exames e declarações apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que rejeitou a diligência proposta.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal da autuante junte aos autos recibos, exames e declarações apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal. Vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que rejeitou a diligência proposta. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 39 .0 00 38 0/ 20 06 -2 1 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13639.000380/200621 Resolução nº 2002000.069 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls. 69/74) contra decisão de primeira instância (fls. 53/60), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Tratase de Auto de Infração acostado às fls. 04/09 dos autos, contendo a exigência de recolhimento do montante de R$ 16.207,28 sendo R$ 7.012,50 de imposto de renda pessoa física suplementar, R$ 5.259,37 de multa de ofício (passível de redução) e R$3.935,41 de juros de mora (calculados até 08/2006). Motivou o citado lançamento, conforme descrito às fls. 05 dos autos, a constatação de deduções indevidas a título de despesas médicas, no valor total de R$25.500,00, em face da inexistência de comprovação da efetiva prestação do serviço, bem como dos dispêndios dos valores utilizados no pagamento dos profissionais indicados no campo 7 "Pagamentos e Doações Efetuadas" da Declaração de Ajuste Anual DAA do exercício de 2003, anocalendário 2002 (fls. 25)a seguir relacionados: ROGÉRIO LOPES TOSTES (dentista); no montante de R$8.000,00. MOUZART GOULART DE PAULA (dentista); no montante de R$12.000,00. JANAINA TITONELLI FERREIRA (fisioterapeuta) no montante de R$3.000,00. WILLIANA QUEIROZ )(AIA (psicóloga) no montante de R$1.000,00. KARINA QUEIROZ MAGALHÃES (psicóloga), no montante de R$1.500,00. Cientificado do lançamento em 25/10/2006 (fls. 19), o contribuinte protocolou em 20/11/2006 a impugnação de fls. 01/02 contestando o lançamento em sua inteireza, onde, em resumo, alega: a) Que por receber em espécie os valores provenientes do seu vínculo empregatício com a Prefeitura de Vieiras/MG não os depositava em conta bancária e os utilizava para pagamento de suas despesas habituais. b) Que não sendo tais valores suficientes, sacava numerários mediante cheques e cartão. c) que os cheques corresponderam à relação indicada na peça impugnatória, sem, contudo terem sido as microfilmagens acostadas aos autos, porque não chegaram dentro do prazo de defesa. d) que durante o procedimento fiscal apresentou documentos comprobatórios da prestação de serviço, laudos, radiografias, indicação do número de consultas e a identificação dos usuários e do prestador de serviço. e) que a exigência de serem os pagamentos feitos por cheques não encontra respaldo na lei, portanto fere os princípios Fl. 94DF CARF MF Processo nº 13639.000380/200621 Resolução nº 2002000.069 S2C0T2 Fl. 4 3 constitucionais contemplados no art. 50 incisos II e LV da Constituição Federal. Por fim, argumenta ser impossível negar as despesas apenas pelo fato de não haver comprovação de pagamento em cheque sendo suficiente à apresentação dos recibos. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado, não basta a disponibilidade dos recibos é necessário comprovar a efetividade do serviço, bem como a vinculação do pagamento realizado, sobretudo quanto tais aspectos foram objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujos serviços e o efetivo dispêndio do contribuinte não foram comprovados. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 25/06/2009 (fl. 63); Recurso Voluntário protocolado em 24/07/2009 (fl. 69), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFR, que foi solicitado ao contribuinte apresentar recibos originais. Foi aceito o recibo de R$ 219,00 emitido pelo Hospital São Paulo. Do resultado da análise dos demais recibos, foi enviado uma segunda notificação, intimando o contribuinte para que: a) comprovasse através de documentação bancária os pagamentos efetuados aos profissionais; b) comprovasse a efetiva prestação dos serviços, a identificação dos usuários e demais dados justificativos não constantes nos respectivos recibos. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13639.000380/200621 Resolução nº 2002000.069 S2C0T2 Fl. 5 4 Os documentos, recibos, declarações e exames juntados pelo contribuinte durante o curso da ação fiscal não foram juntados aos autos. Assim, entende este relator, que o processo não está apto para ser julgado. Para melhor análise e instrução do caso, necessário se faz converter os autos em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade fiscal da DRF – Juiz de Fora, traga para os autos, todos os documentos, recibos, declarações e exames juntados pelo contribuinte durante o curso da ação fiscal. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e proponho converter os autos em diligência. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 96DF CARF MF
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Numero do processo: 16561.720129/2016-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afasta-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância.
GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO
A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva.
REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA.
O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO.
Inexistindo comprovação do interesse comum no fato gerador, mormente quando os adquirentes estão no lado oposto da relação contratual da compra e venda, não cabe a imputação da responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO.
São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária.
TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA.
Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situa-se no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO.
Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL.
Aplica-se às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
Numero da decisão: 1302-003.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte principal, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelas pessoas ligadas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que também davam provimento quanto à decadência, à exigência principal, multa qualificada e a multa isolada, e ainda, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca quanto à incidência de juros sobre a multa; e, ainda, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 124, inc. I do CTN e, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 135, III do CTN, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Lúcia Miceli - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afasta-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Inexistindo comprovação do interesse comum no fato gerador, mormente quando os adquirentes estão no lado oposto da relação contratual da compra e venda, não cabe a imputação da responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS -ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO. São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sócios-administradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária. TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA. Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situa-se no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO. Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplica-se às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando o lançamento observa todos os requisitos previstos no artigo 142 do CTN e no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorrendo inovação nos fundamentos do lançamento, bem como foi garantido o direito a ampla defesa e ao contraditório, afastase a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. GANHO DE CAPITAL. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. REDUÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. SIMULAÇÃO SUBJETIVA. INOPONÍVEL AO FISCO A transferência das participações societárias detidas pela pessoa jurídica aos seus sócios, por meio de reorganização societária consistindo em cisões do patrimônio, com o objetivo de reduzir a tributação sobre o ganho de capital decorrente das vendas daquelas participações por pessoas físicas, com aplicação da alíquota de 15% ao invés de 34%, constitui planejamento tributário inoponível ao Fisco, por meio da simulação subjetiva. REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E ATIVOS AOS SÓCIOS E ACIONISTAS. INEXISTÊNCIA DE NORMA INDUTORA. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 não é um dispositivo legal que autoriza o contribuinte alterar a realidade fática do negócio, por meio de redução de capital e transferência de ativos e bens, tão somente para permitir a tributação do ganho de capital na pessoa física do sócio, e não na pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 29 /2 01 6- 98 Fl. 6919DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.920 2 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE COMUM. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Inexistindo comprovação do interesse comum no fato gerador, mormente quando os adquirentes estão no lado oposto da relação contratual da compra e venda, não cabe a imputação da responsabilidade tributária nos termos do art. 124, I, do CTN. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DE SÓCIOS ADMINISTRADORES. PRÁTICA DAS INFRAÇÕES. ARTIGO 135 DO CTN. MANUTENÇÃO NO POLO PASSIVO. São responsáveis pelos créditos tributários lançados, com base no art. 135, III, do CTN, os sóciosadministradores que comprovadamente atuaram na prática das infrações tributárias apuradas, visando a redução da carga tributária. TRIBUTOS PAGOS INCIDENTES SOBRE DE GANHO DE CAPITAL PESSOAS LIGADAS. DEDUÇÃO NA APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL PESSOA JURÍDICA. Valores pagos a título de imposto de renda incidentes sobre o ganho de capital da venda das participações, seja da pessoa física sócio ou das retenções na fonte quando o adquirente situase no exterior, devem ser considerados na apuração do ganho de capital do imposto de renda pessoa jurídica lançado de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO SUBJETIVA.CABIMENTO. Cabe a qualificação da multa de ofício quando demonstrado a ocorrência da simulação subjetiva, já que o real propósito da reorganização societária foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica para seus sócios, para redução da carga tributária. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar se lei vigente afronta a constituição por supostamente representar confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF nº 108 Fl. 6920DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.921 3 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase às exigências reflexas o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em face da íntima relação de causa e efeito entre ambos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte principal, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelas pessoas ligadas, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias, que também davam provimento quanto à decadência, à exigência principal, multa qualificada e a multa isolada, e ainda, vencido o conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca quanto à incidência de juros sobre a multa; e, ainda, por unanimidade de votos em dar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 124, inc. I do CTN e, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no art. 135, III do CTN, vencidos os conselheiros Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator), Gustavo Guimarães Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. O conselheiro Gustavo Guimarães Fonseca solicitou a apresentação de declaração de voto. Designada como redatora do voto vencedor a conselheira Maria Lucia Miceli. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (documento assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Maria Lúcia Miceli Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Fl. 6921DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.922 4 Para a devida síntese do processo, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido, complementandoo ao final: “1. Tratase auto de infração a trazer exigências de IRPJ e CSLL (incluídos principal, juros de mora calculados até 12/2016 e multa de oficio proporcional qualificada), bem que de multa de oficio isolada, tudo alcançando o importe de R$ 1.471.472.949,61 e respeitante a fatos geradores insertos no anocalendário de 2011. Demais disso, também se cuidou de atribuição de responsabilidade tributária solidária (fls. 3134/3169). Na espécie, acusavase a falta de contabilização de ganho de capital apurado em alienação de investimentos (com base física em imóveis), assim avaliados pela equivalência patrimonial, e também a ausência de pagamento das exações acima sobre base de cálculo estimada em função de receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão/redução. Foram trazidos à condição de responsáveis tributários solidários ao Contribuinte: o Sr. Carlos Javier Betancourt, o Sr. Angel David Ariaz, Rec Log 411 S.A., Rec Log 331 Empreendimentos Imobiliários S.A., e LPP I Empreendimentos e Participações S.A. Para mais detido entendimento, reproduzamse alguns excertos da fundamentação colacionada pela Fiscalização (fls. 3082/3126; destaques do original): I. CONSIDERAÇÕES INICIAIS 1. A presente ação fiscal foi executada ao amparo do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização (TDPF F) n°08.1.85.002016 000233, fls. 12 e 13, tendo como objeto a verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no AC 2010 e 2011. 2. Em virtude das diversas pessoas físicas e jurídicas envolvidas na negociação entre a BRACOR INVESTIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA — CNPJ 07.735.515/000189) e os adquirentes das BRCs, as mesmas foram devidamente identificadas no Anexo 1 deste Termo e serão citadas apenas pela sua abreviatura [ Vide fl. 3133 dos autos sob n° 16561.720129/201698, onde consta o Termo de Anexação de Arquiteo NãoPaginável, em que se noticia a anexação do arquivo zipado ANEXO I, II E III do TVF BRACOR.zip. Para acessar os ditos anexos e a explicação já serve para casos semelhantes basta clicar com o botão esquerdo do mouse sobre a figura constante do índice do eprocesso, a partir do que será feito o download de três arquivos no formato de planilhas BrOffice]. 3. Em 02/06/11, a Bracor alterou seu tipo jurídico de sociedade anônima para sociedade empresária limitada. Em consequência, neste procedimento sempre será mencionado acionistas para eventos ocorridos até 01/06/11 e quotistas após esta data. 4. A Bracor foi selecionada para ser fiscalizada com base nos procedimentos de seleção interna que se originou após análise do ágio informado pela empresa LPP I em valor expressivo no AC 2013. A LLP I é uma das empresas que adquiriram do grupo Prosperitas, as participações societárias que haviam sido adquiridas da Bracor nos AC 2010 e 2011. 5. Com base em dados cadastrais, no cruzamento de dados dos sistemas informatizados da Receita Federal e em notícias divulgadas na mídia chegou Fl. 6922DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.923 5 se à conclusão que o negócio realizado na venda dos referidos imóveis importou numa quantia aproximada de 2 bilhões de reais, não declarada ao Fisco em sua totalidade e de forma correta. Consequentemente não houve o devido recolhimento de Imposto de Renda e CSLL sobre o efetivo ganho de capital. 6. Desta forma, após a conclusão do procedimento fiscal que importou em diligências nas diversas empresas adquirentes, objeto de sucessivas reorganizações societárias; aos dirigentes dos adquirentes e da alienante; e intimações à fiscalizada, identificouse a Bracor como real alienante dos imóveis, devida e regularmente abrigados em participações societárias (BRCs — Anexo II), portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. II. DOS FATOS 7. O procedimento fiscal teve início em 22/04/2016, fls. 747 (na visão hierárquica do eprocesso é o 5 º documento), quando a Bracor foi cientificada da instauração do referido procedimento por meio do Termo de Início de Fiscalização, fls. 744 a 746 (na visão hierárquica do eprocesso é o 4° documento). 8. Após a prorrogação do prazo para atendimento ao Termo de Início de Fiscalização em 10 dias, em 27/05/2016, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Outras 04 intimações foram realizadas no curso do procedimento fiscal, atendidas tempestivamente pelo contribuinte, as quais serão reportadas na descrição dos fatos, quando necessário. Não existe o termo de intimação n° 02, por equívoco cometido na numeração dos termos. 9. O atendimento ao Termo de Início de Fiscalização da Bracor foi efetivado por meio do Dossiê n" 10010.020.540/01526, reproduzidos às folhas 1235 a 1275 deste processo. Por não ser optante do domicílio eletrônico, verificouse uma certa dificuldade da Bracor na inserção dos arquivos no referido edossiê, o que dificultou bastante a manipulação dos dados por esta fiscalização. Desta forma, a Bracor foi autorizada a responder às intimações subsequentes utilizando o SVA — Sistema Validador de Arquivos. 10. Os elementos de prova utilizados neste procedimento fiscal foram fornecidos peta Bracor mediante intimações e nas diligencias executadas nos contribuintes LPP I, sucessora das adquirentes do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.00 201600010 1, fls. 1378 a 1706; Sr. Carlos Betancourt, Diretor Presidente da Bracor e adquirente da BRC XXXIII, TDPFD 08.1.85.002016000896, fls. 2977 a 2988; CREDIT SUISSE, administradora de fundos adquirentes de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000829, fls. 2257 a 2903; BRC VII, adquirida pela REC LOG 21 e sua incorporadora a posteriori, TDPFD 08. 1.85.00201600078 0, fls. 1708 a 2093; REC LOG 331, adquirente de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000799, fls. 2096 a 2189; REC LOG 411, adquirente de BRCs, TDPFD 08.1.85.002016000802, fls. 2191 a 2256; BANCO ITALT, acionista da Bracor, pessoa jurídica domiciliada no Brasil, TDPFD 08.1.85.002016001345, fls. 2906 a 2976; Sr. Jorge Carlos Nutiez, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001310; Sr. Luciano Lewandowski, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001329 e Sr. Máximo Pinheiro Lima Netto, Diretor sem designação do Grupo Prosperitas, TDPFD 08.1.85.002016001337, fls. 2989 a 3000. Fl. 6923DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.924 6 11. Nos anoscalendário 2006 e 2007, a Bracor adquiriu ou constituiu empresas para abrigar diversos imóveis, com participação societária de 99,99% Tais empresas foram denominadas com a sigla BRC seguida de um numeral romano, de I a XXXV Essas empresas e os imóveis a elas pertencentes estão devidamente discriminados no anexo II deste termo. Sobre a constituição das BRCs não emitiremos quaisquer julgamentos pois todos os atos e fatos ocorridos à época já estão abrangidos pela decadência, não sendo o escopo desse procedimento fiscal. 12. No anocalendário 2010, a Bracor resolveu se desfazer da quase totalidade desses imóveis abrigados nas participações societárias, nas quais detinha 99,99% das quotas. Para tanto procedeu a uma reorganização societária que lhe permitiu uma economia tributária indevida. 13. Nos anoscalendário 2010 e 2011, a Bracor promoveu 04 cisões de seu patrimônio datadas de 12/08/10, 30/09/10, 18/01/11 e 03/06/11 (a BRC "mi I, contemplada nesta cisão, só foi alienada em janeiro/2012, não sendo objeto deste procedimento fiscal) que lhe permitiu a transferência de sua participação nas BRCs para seus acionistas/quotistas. Fato subsequente, efetivou a alienação das BRCs para o Grupo Prosperitas, a Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt. 14. Os contratos de compra e venda foram firmados entre a Bracor e o Grupo Prosperitas em 23/12/10 e 18/01/11; entre a Bracor e a CREDIT SUISSE nos dias 28/12/10, 30/03/11 e 06/07/11 (02). Além destes contratos, a Bracor também alienou a BRC XXXIII para o Sr. Carlos Javier Betancourt (seu presidente à época) em 12/05/11 e a BRC XXI para a Tulipa Brazil em 01/06/11. 15. Iniciamos analisando as cisões promovidas pela Bracor nos anos calendário 2010 e 2011, que são o marco inicial do planejamento tributário abusivo executado pela Bracor. II.a DA REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA 1° CISÃO 12/08/10 16. Em 11/08/10, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: Fl. 6924DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.925 7 17. A relação de acionistas foi extraída do Livro de Registro e Ações, reproduzidos pela Bracor em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 05, fl. 3005. 18. Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 12/08/10, fls. 937 a 1050, foi aprovada a cisão parcial da Bracor com incorporação da parcela cindida do seu patrimônio líquido pela BRC I, BRC II BRC VI, BRC IX, BRC XV, BRC XVIII ALEGRIA e BRC XXVIII PRAIA GRANDE. 19. A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pela Bracor nas BRCs no total de R$ 75.867.823,00. 20. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 21. Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participação direta. A Bracor retirase formalmente do quadro acionário das BRCs informados no item 18 deste termo. 22.Não há distribuição de quotas para os acionistas Itaú e Srs. Carlos, Camilla e Brad, pois possuíam somente uma ação da Bracor. 23.A ata da AGE de 12/08/10, fls. 937 a 1050, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, foi assinada somente pelos Srs. Carlos e Angel, presidente e secretário da assembleia, que eram Presidente e diretor financeiro da Bracor, respectivamente. Fl. 6925DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.926 8 24. As BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: 2° CISÃO 30/09/10 25. Em 29/09/10, após a 1° cisão de patrimônio realizada em 12/08/10 e antes da cisão ocorrida em 30/09/10, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: Fl. 6926DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.927 9 26.Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 30/09/10, fls. 1051 a 1085, foi aprovada a cisão parcial da Bracor com incorporação da parcela cindida do seu patrimônio líquido pelas BRC III, BRC IV, BRC V, BRC VIII, BRC XI, BRC MI e BRC XIX. 27.A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pelo contribuinte nas BRCs no total de R$ 158.862.936,00. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 28.Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham do capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participação direta. A Bracor retirase formalmente do quadro acionário das BRCs informadas no item 26 deste termo. 29. Não há distribuição de quotas para os acionistas Itau e Srs. Brad e Camilla, pois possuíam somente uma ação da Bracor. 30.Da mesma forma que na ata da AGE de 12/08/10, a ata da AGE de 30/09/10, fls. 1051 a 1085, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, foi assinada somente pelo Sr. Carlos e pelo Sr. Angel, presidente e secretário da assembleia, que eram Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, respectivamente. Fl. 6927DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.928 10 31. As BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: 3ª CISÃO — 18/01/11 32. Após a cisão realizada em 30/09/10 e a dissolução da DELLE HOLDING (explicitada no tópico II.c deste termo) e antes da 3a cisão de patrimônio Fl. 6928DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.929 11 realizada em 18/01/11, a Bracor possuía os seguintes acionistas e respectivas participações: 33. Na assembleia geral extraordinária da Bracor realizada em 18/01/11, fls. 1086 a 1198, foi aprovada nova cisão parcial da Bracor com incorporação da parcela cindida do seu patrimônio líquido pelas BRC VII, BRC X, BRC XIV, BRC BRC XX, BRC XXII, BRC XXIJÇ BRC XXV, BRC XXVII, BRC XXX Dutra, BRC XXXI e BRC 34. A cisão parcial acarretou a redução do capital social da Bracor em montante correspondente ao patrimônio líquido relativo às participações societárias detidas pela Bracor nas BRCs no total de R$ 236.707.404,00. 35. As parcelas cindidas do patrimônio da BRA COR corresponderam ao investimento desta em cada uma das BRCs e foram por elas absorvidas. Portanto, a incorporação das parcelas cindidas não acarretou aumento de capital nas BRCs. 36. Os acionistas da Bracor receberam, em substituição às ações que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e passam a ter participações direta. A Bracor retira se formalmente do quadro de quotista das BRCs. 37. A ata da AGE de 18/01/11, fls. 1086 a 1198, ao contrário da Ata de 12/08/10 e 30/09/10, está devidamente assinada por todos os acionistas da Bracor, Fl. 6929DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.930 12 sendo que o Sr. Carlos Betancourt assinou como procurador pela Equity, Candango, Gonçalo e KHL. 38. As BRCs que receberam cisão da Bracor foram alienadas conforme discriminado no quadro a seguir: II. b CONSIDERAÇÕES SOBRE AS CISÕES: 39. Inicialmente é importante observar que a maioria dos acionistas/quotistas tinham participação na Bracor desde o anocalendário 2007, com exceção da Candango que adquiriu ações em 03/2010. Os diretores Angel, Colin, Thiago e Camilla (esta já possuía uma ação desde 2007), tornaramse acionistas após serem contemplados num programa de stock option em 27/12/2010, operação que será Fl. 6930DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.931 13 abordada adiante, sem se aprofundar nos seus aspectos tributários, apenas para contextualizar o empréstimo feito pela Bracor. 40.As justificativas apresentadas nos Protocolos de Justificação, nas respostas da Bracor e de seu Presidente, Sr. Carlos Betancourt, conforme serão relatadas adiante, foram similares, porém não foram suficientes para comprovar o caráter extratributário das cisões. 41.Na análise das cisões, podese constatar que o modus operandi foi o mesmo em todos os procedimentos. Houve redução do capital social do contribuinte por meio de cisão parcial. As parcelas cindidas do patrimônio da Bracor corresponderam ao investimento desta nas BRCs e foram por elas absorvidas, sem nenhum aumento de capital nas BRCs.Como pagamento, os acionistas/ quotistas da Bracor receberam, em substituição as ações/ quotas que detinham no capital social da Bracor, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta forma, os acionistas/ quotistas deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta. 42. Por meio do Termo de Início de Fiscalização, item 5, fls. 744 a 747, a Bracor foi intimada a informar o motivo da cisão de seu Patrimônio para diversas empresas nos AC 2010 e 2011. Assim se pronunciou: “ii) Em relação ao Item 5 do Termo, cumpre esclarecer que a primeira cisão da Bracor, realizada no mês de agosto do AC 2010, foi deliberada pelos acionistas da companhia como parte de uma reestruturação societária que objetivava a segregação de ativos imobiliários com determinadas características comuns, como o tipo de ocupação, para a criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de mercado, não chegou a ser concretizado. As cisões subsequentes realizadas no AC 2010 e AC 2011 visaram à segregação dos empreendimentos imobiliárias que já estivessem completos, de forma que os acionistas pudessem, de forma individual e independente, tomar a decisão sobre a alienação ou não de respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros." 43. Para efeito de comparação, destacase a seguir algumas justificativas constantes em todos os protocolos de instrumento e justificação que fundamentaram as cisões promovidas pela Bracor: ".... Além disso, a cisão conforme proposta mostrouse vantajosa, pois permitirá, além da segregação das atividades, a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades, facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua liquidação e à eventual alienação dessas Sociedades, no futuro, no todo ou em parte." Cláusula 1.2 do Protocolo datado de 12/08/10." (Grifo nosso). "... a administração da Bracor entende que a cisão, conforme proposta, garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos imobiliários a serem segregados, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no todo ou em Fl. 6931DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.932 14 parte, conforme julgarem conveniente." (Grifo nosso). Cláusula 1.2 dos Protocolos datados de 30/09/11 e 18/01/11. No Protocolo datado de 03/06/11 a redação só é alterada modificando Sociedades por BRC XXIII. 44. A resposta da Bracor simplesmente reproduz as justificativas do Protocolo. Podese concluir que a previsão de "eventual alienação" das BRCs ali expressa nada mais é do que a existência de uma negociação já em curso com o Grupo Prosperitas. 45. Com relação aos contratos firmados com a Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, apesar de ocorrerem num lapso temporal um pouco maior entre cisão e a alienação, diante da sequência dos atos promovidos pela Bracor, resta evidente que as alienações já eram previstas. 46. A Bracor foi intimada a informar a data em que se iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas, por meio de Termo de Intimação Fiscal 05, item 5, fls. 1284 a 1289. Assim se pronunciou: "(i). No que diz respeito ao item 5 do Termo, informamos que tomamos conhecimento das negociações com a Prospéritas no mês de novembro de 2010 e que o primeiro documento formalizado entre as partes foi a carta de intenções datada de 22 de novembro de 2010. Ainda, informamos que as tratativas anteriores à carta de intenções foram realizadas pelos sócios da Bracor de modo verbal e não temos conhecimentos que tenham sido documentadas”. 47. Percebese que apesar de a "empresa" Bracor tomar conhecimento somente em novembro de 2010, os seus "sócios", na realidade diretores/acionistas, já estavam em negociação com os adquirentes, como é usual em negócios complexos como os realizados entre a Bracor e o Grupo Prosperitas. 48. Para maiores esclarecimentos, o Sr. Carlos Betancourt, presidente da Bracor à época da ocorrência dos fatos, foi intimado a informar a data do início das negociações entre o contribuinte e o Grupo Prosperitas. 49. Em resposta ao Termo de Diligencia Fiscal 02, fls. 2977 a 2988, assim posicionouse o Sr. Carlos: Item 4: as negociações com o grupo Properitas foram iniciadas diretamente por alguns dos acionistas da Bracor e informadas à administração da companhia em novembro de 2010. Importante esclarecer que a primeira cisão da Bracor, realizada no mês de agosto do AC 2010, foi deliberada pelos acionistas como parte de uma reestruturação societária que objetivava a segregação de ativos imobiliários para a criação de um fundo imobiliário, o qual, por motivos de mercado, não chegou a ser concretizado. Ainda, as demais cisões da Bracor realizadas no AC 2010 e AC 2011 visaram à segregação dos empreendimentos imobiliários que já estivessem completos, de forma que os acionistas pudessem, de forma individual e Fl. 6932DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.933 15 independente, tomar a decisão sobre a alienação ou não de respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros. 50. De forma semelhante à resposta da fiscalizada, apenas informa que as negociações foram iniciadas diretamente por alguns acionistas da Bracor e informadas à administração da companhia em novembro de 2010. Além disso, o Sr Carlos também não cita o nome dos acionistas que iniciaram essas negociações. 51. Sem obter sucesso nem com a Bracor nem com seu Presidente à época dos fatos, foram intimados os diretores sem designação do Grupo Prosperitas, Srs. Luciano, Jorge e Maximo para prestar diversos esclarecimentos, entre eles o início das negociações, conforme Termos de Diligência, fls. 2989 a 3000. De forma sucinta, assim se posicionaram os 3 diretores em resposta conjunta, opção dada por esta fiscalização: Item 2: As negociações começaram em novembro de 2010. Em 22 de novembro de 2010, a Prosperitas Investimentos S.A. ("Prosperitas"), hoje com atual denominação HSI Hemisfério Sul Investimentos S.A., assinou uma carta de intenções demonstrando potencial interesse na compra de diversas Spe's geridas pela Bracor Investimentos Imobiliários S.A. ("Brocar"). A Carta de intenções segue em CD. 52.Causounos surpresa a rapidez das negociações. Em apenas 22 dias, dois grandes grupos com diversos acionistas fecharam um acordo para a aquisição de diversos imóveis, abrigados em 19 empresas. Nenhuma documentação foi apresentada para confirmar tal assertiva, além da carta de intenções, que a fiscalização já possuía. 53.Considerando a informação da vendedora e dos adquirentes, de que o início das negociações ocorreu no início de novembro, constatouse que 2 cisões da Bracor ocorreram após esta data (18/01/11 e 03/06/11) e 2 cisões, alguns dias antes (12/08/10 e 30/09/10. Só nos restou concluir que foram promovidas exclusivamente para o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas, que eram beneficiados com alíquotas menores de IRPJ e CSLL sobre o ganho de capital, situação esta que será melhor detalhada adiante. 54. A Bracor foi intimada por meio do Termo de Intimação Fiscal 06 a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, acionista e presidente da Bracor, fls. 937 a 1050 deste processo 57 da Ata anexada) e fls. 1086 a 1198 deste processo 96 da Ata anexada). Portanto, a pessoa física que negociou com o Grupo Prosperitas e a Credit Suisse. 55. Outra justificativa apresentada de que as cisões ocorreram em função da necessidade de segregação de ativos imobiliários com determinadas características comuns, na verdade, é infundada, uma vez que não era essencial para que ocorresse a reorganização societária da Bracor por meio de cisões. Estes imóveis Fl. 6933DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.934 16 já estavam devidamente alocados em empresas criadas/adquiridas para este fim pela Bracor nos anoscalendário 2006 e 2007, ficha cadastral JUCESP, fl. 3001, e Anexo II deste termo. 56. A BRACOR informa ainda que a 1ª cisão, ocorrida em 12/08/10, visava à criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de mercado, não chegou a ser concretizado. Da mesma forma, nada impediria a criação do fundo com os imóveis detidos pelas BRCs, pois a única alteração foi a participação societária nas BRCs dos acionistas da BRACOR que passou a ser direta, em substituição à participação indireta que possuíam até a data das referidas cisões. 57. Com referência à justificativa de que os seus acionistas teriam maior poder de decisão sobre a alienação ou não das respectivas participações para um fundo imobiliário e/ou terceiros, é totalmente invalidada nos contratos de compra e venda firmados com o Grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, onde esses mesmos acionistas constituem a BRACOR como sua procuradora com plenos poderes de decisão conforme cláusulas 2.2 dos Contratos e anexos 2.3, fls. 307 a 309, 366 a 433, 621 a 622, 784 a 816, 929 a 939. A justificativa para a outorga da procuração foi o elevado número de vendedores constantes no contrato, ou seja, os acionistas da Bracor. Há uma total divergência entre a justificativa para a cisão e a outorga de procuração. O poder de decisão continua com a Bracor, o que ratifica o caráter ficcional das cisões. 58. Como exemplo reproduzimos a seguir as cláusulas 2.3 e 2.4 do Contrato de Compra e Venda firmado em 23/12/10. Esclareçase que cláusulas idênticas são reproduzidas nos demais contratos citados neste Termo. 2.3. Ao celebrar o presente Contrato, cada um dos Vendedores, por meio deste, constitui e indica a Bracor ("Procuradora dos Vendedores") como sua bastante procuradora com relação ao cumprimento do presente Contrato e à execução das operações contempladas neste Contrato, com o poder e a autoridade para atuar, em nome e por conta dos Vendedores, nos limites dos poderes elencados no Anexo 2.3, que incluem poderes para receber citações e notificações em nome dos Vendedores, especialmente, mas não limitado, àquelas previstas no Capítulo IX deste Contrato. 2.3.1 Os poderes previstos na Cláusula 2.3 acima são outorgados em vista do e para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior. Qualquer obrigação dos Compradores de consultar, notificar, aconselhar ou de outra forma comunicarse com os Vendedores será uma obrigação de consultar, notificar, aconselhar ou de outra forma comunicarse com a Procuradora dos Vendedores. 2.3.2 Os poderes referidos no Anexo 2.3 são outorgados à Procuradora dos Vendedores em caráter irrevogável e Fl. 6934DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.935 17 irretratável em consonância com o disposto no Art 684 do Código Civil Brasileiro. 2.4. Cada um dos Vendedores concorda que os Compradores poderão confiar nas instruções, decisões e ações da Procuradora dos Vendedores com relação às matérias em que a ação da Procuradora dos Vendedores seja autorizada nos termos deste Contrato. 59. Reforçando, ao mesmo tempo que as cisões visaram maior autonomia de decisões, os "vendedores" e acionistas da Bracor lhe conferem total poder de ação, conforme constatase nas cláusulas reproduzidas acima, com a anuência dos compradores. 60. Aliás, não só anuência como foi uma exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme informação do acionista Itaú BBA em resposta ao Termo de Diligência 01, fl.2952 a 2954, o qual reproduzimos a seguir: "Com relação à procuração de que trota o Contrato de Compra e Venda das ações das I3RCS, esclarecemos que a referida procuração foi outorgada por exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda, conforme cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda e descrito abaixo:" (Grifo nosso). 61.Em resposta ao Termo de Diligência 01, fls. 2998 a 3000, os diretores do Grupo Prosperitas assim se reportaram à participação da Bracor nas negociações: Item 3: Toda a negociação foi feita entre a Prosperitas e a Bracor, considerando que a Bracor se apresentou como a gestora das empresas a serem negociadas. Os contratos foram assinados com os acionistas das respectivas empresas adquiridas. 62.Concluise que os adquirentes negociaram e adquiriram da Bracor os imóveis abrigados em participações societárias. Frisese que a Bracor se apresenta como gestora das empresas e procuradora, ao mesmo tempo em que informa aos adquirentes a reorganização societária em curso por ela promovida. Desta forma, os adquirentes assinam os contratos com os acionistas da Bracor. 63.Interessante frisar que a alienação da BRC XXI para a TULIPA LLC, em 01/06/11 (Contrato de Compra e Venda, fls. 755 a 783) foi realizada diretamente pela Bracor, na qualidade de sócia majoritária da BRC XXI De forma inédita, os representantes da Bracor que assinaram o referido contrato foram Camilla Frussa e Rafael Teixeira, diretores sem designação. Totalmente diferente do modus operandi das alienações das BRCs para o Grupo Prosperitas, que foram precedidas de cisões do patrimônio da Bracor e consequente transferência da participação nas BRCs para seus acionistas como vendedores formais nos contratos. Fl. 6935DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.936 18 64. Diante de procedimentos tão diversos ao se desfazer de suas participações num mesmo anocalendário, a Bracor foi intimada a esclarecer, por meio de Termo de Intimação 06, qual o motivo para ter promovido cisões de seu patrimônio, o que permitiu a seus acionistas terem participação direta nas BRCs e figurassem como vendedores nos contratos firmados com o Grupo Prosperitas, fato que não ocorreu com a BRC XX ou, que tinha adquirente diverso, TULIPA LLC. Inclusive, o ganho de capital foi devidamente calculado e contabilizado na conta contábil 331300, conforme demonstrado pela Bracor em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal 05, fl. 1293. 65. A Bracor foi intimada a esclarecer o motivo da diferença no modus operandi na venda da BRC 20CI e as demais BRCs, que foram precedidas de cisão. Assim se manifestou, fls. 1297 a 1298: (i) No que diz respeito ao item 1 do Termo, informamos que a alienação do imóvel detido pela BRC XXI Empreendimentos Imobiliários Ltda. à Tulipa Brazil LLC ocorreu de forma distinta das demais alienações, pois o imóvel era um terreno e, durante o ano de 2010 e meses iniciais do ano de 2011, os sócios ainda debatiam se a Bracor deveria ou não desenvolver referido terreno quando surgiu um potencial comprador e os sócios unanimemente optaram pela venda. 66. Na alienação da BRC XXXIII para o Sr. Carlos Betancourt também foi negociado um terreno, matrícula 85487, fls. 2987, e foi precedida por uma cisão. Ao que tudo indica, o único motivo para a realização da alienação de forma regular é que tratavase de um adquirente diverso do Grupo Prosperitas, Credit Suisse e do Sr. Carlos Betancourt. II. c DA DISSOLUÇÃO DA DELLE HOLDING S/A 67. Á Delle Holding era acionista da Bracor desde 17/12/07, detendo a participação de 16,84%. Na Assembleia Geral Extraordinária realizada em 23/12/10, os acionistas da DELLE aprovaram a sua dissolução. O Sr. Carlos Bettancourt foi nomeado liquidante. 68. Em virtude de sua dissolução os ativos remanescentes foram distribuídos a seus acionistas Carlos, Gonçalo e ITAU BBA. As 52.441.461 ações ordinárias da Bracor foram distribuídas na proporção de sua participação. 69. O Itaú BBA recebeu 34.358.824 (11,03%); Sr. Carlos Betancourt recebeu 7.002.594 (2,25%) e Sr. Gonçalo recebeu 11.080.043 (3,56%). 70. Além das ações da Bracor, os acionistas da DELLE receberam quotas das BRCs que a DELLE havia recebido como pagamento nas cisões realizadas em 12/08/10 e 30/09/10. 71. Este fato permitiu aos exacionistas da DELLE tornaremse os quotistas de direito das BRCs e figurassem como vendedores nos Contratos de Compra e Venda datados de 23/12/10, 28/12/10, 18/01/11, 30/03/11, 12/05/11 e 06/07/11 (02). Fl. 6936DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.937 19 72. O Sr. Carlos Bettancourt foi intimado, na qualidade de liquidante, a informar o motivo para a dissolução da Delle Holding dias antes da reorganização societária promovida pela Bracor em 18/01/11 e simultânea venda ao Grupo Prosperitas de algumas BRCs. 73. Em resposta ao Termo de Diligência Fiscal 02, fl. 2988, o Sr. Carlos assim se manifestou: Item 3: a Assembleia Geral Extraordinária que deliberou sobre a dissolução da Delle Holdings S.A. ("AGE") foi realizada em 23 de dezembro de 2010 e registrada na Junta Comercial do Estado de São Paulo somente em 31 de janeiro de 2011, conforme comprova cópia da referida ata que segue anexa à presente. Embora o registro da ata de AGE da Delle Holdings S.A. tenha sido efetivado dias antes da reorganização societária da Bracor, a dissolução da referida empresa foi deliberada em 23/12/2010 e já vinha sendo negociada entre seus acionistas desde meados de 2010, tendo em vista a reestruturação da Bracor para criação de fundo de investimento imobiliário, o que não se verificou, conforme mencionado abaixo. 74.Ou seja, a dissolução da DELLE também teve como objetivo a transferência das participações para seus acionistas, pessoas físicas, com exceção do Banco Itaú. Após leitura da Ata de Dissolução da DELLE, verificamos que os acionistas da DELLE também receberam quotas das BRCs, que haviam recebido cisão da Bracor em 12/08/10 e 30/09/10. II.d DA OPÇÃO DE COMPRA PELOS DIRETORES E MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRACÃO 75.Verificase que durante as negociações para venda de seus ativos, os diretores e membros do Conselho de Administração, CARLOS, CAMILLA, ANGEL, THIAGO e COL1N tornaramse acionistas da Bracor. Posteriormente, constaram como vendedores nos contratos de compra e venda das BRCs. 76.Na reunião do Conselho de Administração realizada em 27/10/10, às 10 h, fl. 3003, a Bracor foi autorizada a conceder empréstimos aos seus diretores e membros do Conselho de Administração CARLOS, ANGEL, COLIN, THIAGO e CAMILLA, para que pudessem comprar ações da própria empresa. O Boletim de Subscrição de Ações, fl. 3006, nos informa a quantidade de ações subscritas por cada diretor/conselheiro. 77.Na reunião do Conselho de Administração realizada no mesmo dia, 27/10/10, às 12 h, foi aprovado o aumento do capital social no valor de R$ 33.035.437,67, fl. 3002. Este aumento de capital ocorreu em virtude do exercício de opções de compra por seus diretores e conselheiros. Conforme determinado na Reunião, as ações adquiridas deveriam ser integralizadas até 17/01/11, véspera da 3ª cisão efetuada pela Bracor e alienação de diversas BRCs, mencionadas no item 8 deste termo. Fl. 6937DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.938 20 78. É importante frisar que os contratos de empréstimos entre a Bracor e seus diretores,que permitiram a aquisição das ações, foram celebrados em 14/01/11, somente 04 dias antes da 3ª cisão promovida pela BRACOR, fl. 3006. 79.Como os acionistas da Bracor foram desqualificados neste procedimento fiscal como vendedores de fato do negócio realizado, e não sendo objeto desse procedimento, não foi feita uma análise aprofundada sobre os termos do stock options realizados pelos dirigentes da Bracor e o empréstimo concedido. II.e DA ALIENAÇÃO DAS BRCs 80.Nos anoscalendário 2010 e 2011, a Bracor se desfez da maioria das participações societárias que mantinha nas BRCs, num total de 27, conforme demonstrado na tabela seguinte: Fl. 6938DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.939 21 81. Em todos os contratos, com exceção da BRC , a Bracor aparece como procuradora dos vendedores, que eram seus acionistas e que passaram a ser quotistas das BRCs após cisão promovida pela Bracor. Neste procedimento a Bracor foi reconhecida como a real alienante de todas essas participações. III. DA INFRACÃO 82.Após a análise dos elementos colhidos durante o procedimento fiscal instaurado e devidamente explicitado anteriormente, chegase à conclusão de que a transferência das participações societárias detidas pela Bracor para seus Fl. 6939DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.940 22 acionistas, após cisão do seu patrimônio, faz parte de um planejamento tributário abusivo que almejava, como único objetivo, reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária indevida na ordem de 19%. Esta economia tributária se dá pela aplicação da alíquota de 15% pela qual é tributado o ganho de capital auferido por pessoa física (IRPF) e por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior exceto em paraísos fiscais, (IRRF), em detrimento das alíquotas de IRPJ e da CSLL a que estão sujeitas as pessoas jurídicas e que totalizam 34% 83.A conduta da fiscalizada, juntamente com seus acionistas/diretores, foi a de criar uma pseudosituação que desenquadrasse a Bracor como acionista/quotista das diversas BRCs, buscando desta forma evitar a subsunção dos fatos à norma, objetivando frustrar a tributação do IRPJ e da CSLL. 84.É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado. 85.Resumidamente, assim se procedeu a ação: • A Bracor era quotista (99,99%) das BRCs desde 2006/2007 (anexo II deste Temo). • Os acionistas da Bracor na data da alienação das BRCs eram os mesmos desde 2007, de forma direta ou indireta, fl. 3005. • Nos anos 2010 e 2011, a Bracor promove 4 cisões de seu patrimônio, nos dias 12/08/10, 30/09/10 e 18/01/11 e 03/06/11, com versão das parcelas do patrimônio cindido às BRCs, conforme detalhado anteriormente. • Em virtude da redução de capital da Bracor decorrente das cisões promovidas, seus acionistas receberam quotas emitidas pelas BRCs em substituição às ações que detinham da Bracor. • Desta forma, os acionistas da Bracor (até então sócia majoritária das BRCs) deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta nas BRCs, como quotistas. • Os acionistas da Bracor são pessoas físicas, com cargos de diretoria na Bracor e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com exceção do Banco Itaú. • Ou seja, num breve lapso de tempo a Bracor reduz seu capital social e, em decorrência, transfere sua participação Fl. 6940DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.941 23 acionária nas BRCs para seus acionistas e ato subsequente, essas BRCs são alienadas. • Desta forma, a Bracor deixa de recolher os tributos sobre ganho de capital na ordem de 34%, substituindoa por uma alíquota de 15%, pela qual são tributadas as pessoas físicas e as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. • Além do deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas com tributação favorecida, houve também a redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra. IV. DA APURA CÃO DO GANHO DE CAPITAL 86. A Bracor apurou seu resultado tributável nos AC 2010 e 2011 pela sistemática do lucro real anual, com cálculo mensal por estimativa. Desta forma, a determinação do ganho de capital auferido pela fiscalizada na alienação das participações nas BRCs baseouse nos art. 418 e 426 do Decreto 3.000/99, o Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Tais dispositivos assim disciplinam: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º. Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º. O saldo das cotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes li'(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e Decreto Lei nº 1.730, de 1979, art. 1, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 6941DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.942 24 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. 87. O ganho de capital a ser computado para fins do lucro real (e, por reflexo, para fins de CSLL) deve ser obtido na forma do já citado art. 418 do RIR. Para assim calculálo, o ganho deve ser apurado de acordo com o regime de competência, já que o lucro real nada mais é do que o lucro líquido, determinado com observância dos preceitos da lei comercial, ajustado por adições, exclusões ou compensações autorizadas pelo RIR (art. 247 cic art. 248 do RIR). Pelo regime de competência, o ganho de capital compete ao período em que a transação ocorre, independentemente do seu efetivo recebimento. O ganho auferido nas alienações deverá ser reconhecido e tributado no ano calendário em que foram alienados as BRCs conforme contrato de compra e venda. 88. O art. 421 do RIR/99, a seguir transcrito, prevê a possibilidade de diferimento da tributação do ganho de capital nas vendas de bens do ativo permanente. No entanto, esse diferimento não pode ser aplicado ao presente caso, pois deveria ter sido adotado no momento oportuno pela fiscalizada, que não o fez; aliás, a Bracor não apenas deixou de optar pelo diferimento da tributação, mas agiu fraudulentamente no sentido de se evadir do ganho de capital. "421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela do preço recebida em cada período de apuração" (DecretoLei ng 1.598, de 1977, art 31, § 2º). Grifo nosso. 89. O artigo 178, § 1°, da Lei 6.404/76 foi alterado pelo art. 37 da Lei 11.941/09, que suprimiu a denominação "Ativo Permanente", que passou a integrar os subgrupos Investimentos, Imobilizado e Intangíveis, todos inseridos, juntamente com o Realizável a Longo Prazo, no grupo Ativo NãoCirculante. 90. Nos contratos de compra e venda foram informados como preço de compra valores que deveriam ser pagos em espécie, mediante transferência bancária. 91. Da análise mais apurada dos contratos verificamos que a maioria deles possuía cláusulas que previam a quitação de dívidas. Por representar um dispêndio dos adquirentes e uma receita da alienante, deveriam compor o preço de compra. As dívidas foram quitadas com recursos dos adquirentes conforme demonstrados nos comprovantes apresentados pelos diligenciados, adquirentes e sucessores destes, fls. 3007. Ressaltamos que alguns adquirentes informaram que as dívidas assumidas se encontram em aberto. Independente de sua não quitação, as dívidas foram assumidas pelos adquirentes conforme estipulado nos contratos. Fl. 6942DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.943 25 92. Os adquirentes foram indagados qual o motivo de desconsiderarem a assunção das dívidas no preço de compra e consequente cálculo do imposto de renda retido na fonte dos supostos vendedores domiciliados no exterior. 93. Os diretores do grupo Prosperitas assim se pronunciaram sobre o cálculo do imposto de renda retido na fonte, conforme Termo de Diligência 01, fls. 2998 a 3000, abaixo reproduzido: Resposta: "Item 4: O cálculo do ganho de capital foi realizado conforme o preço fixado em cada um dos contratos de compra e venda assinados em comparação com os valores de investimentos registrados no Banco Central no caso dos vendedores domiciliados no exterior. As dívidas foram quitadas posteriormente pela reestruturação do financiamento de cada uma das empresas adquiridas. De fato, nos termos, dentre outros, dos artigos 481 e 482 do Código Civil definição do preço, como demais condições contratuais validamente ajustadas, observam o princípio da autonomia da vontade, pelo qual as partes têm liberdade para contratar e ajustar as condições aplicáveis ao contrato. No caso específico dos termos de diligência, foi exatamente o que ocorreu. As partes definiram um preço e sobre esse preço, válido e contratualmente ajustado, foi apurado o ganho de capital." 94. Realmente as partes são livres para dispor como bem entenderem nas suas relações particulares. O que não é aceitável é que tais decisões sejam lesivas aos interesses da Fazenda Pública, conforme podemos constatar neste procedimento e que ocorreu em todos os contratos de compra e venda assinados pela Bracor nos anos calendário 2010 e 2011. 95. Os diretores do grupo Prosperitas foram enfáticos em dizer que as dívidas foram quitadas posteriormente pela reestruturação do financiamento de cada uma das empresas adquiridas, ou seja, realmente houve a assunção das dívidas e consequente quitação, permitindo à Bracor que não mais figurasse como fiadora destas operações. Apesar de ser um dispêndio dos adquirentes, os mesmos não reconheceram a assunção e quitação de dívidas na composição do preço de compra para cálculo do IRRF devido pelos "vendedores contratuais" domiciliados no exterior. 96.De fato, as partes foram bastantes cuidadosas no sentido de que o preço de compra não contivesse expressamente as dívidas assumidas pelos compradores na sua composição. Vejamos, com exemplo, os incisos do Contrato firmado em 23/12/10, fls. 244 a 273, no que se referem ao preço de compra e dívidas assumidas: 3.1. O preço a ser pago pelos Compradores aos Vendedores, na Data do Fechamento, em contraprestação à venda e transferência das Quotas de cada Sociedade, será o equivalente a (o "Preço de Compra"): Fl. 6943DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.944 26 (i) R$ 10.554.969,00 (dez milhões, quinhentos e cinquenta e quatro novecentos e sessenta e nove reais), pela totalidade das quotas de emissão da BRC III (...)" 97.A obrigação de liquidar as dividas só está informada no anexo 5.1.3, fl. 310, reproduzidos sinteticamente abaixo: 5.1.3 Os Vendedores obtiveram a expressa anuência de todos os credores, companhias securitizadoras e demais instituições ou pessoas jurídicas titulares das operações de crédito elou financiamento realizadas e descritas no Anexo 5.1.3 deste Contrato, de modo a permitira transferência das Quotas sem qualquer Ônus para os Compradores, ou ainda qualquer penalidade decorrente da pertinente operação de crédito e/ou financiamento..." 98.Dispõem de forma semelhante, os incisos 3.1 e 5.1.3 do Contrato de Compra e Venda firmado em 28/12/10, fls. 313 a 354. 99.A Credit Suisse, administradora dos fundos que adquiriram as BRC 1, BRC BRC VI, BRC XV, BRC XVIII e BRC XXVIII, foi intimada a se pronunciar sobre a não inclusão da assunção de dívidas no preço de compra informado nos contratos. Assim se manifestou ,fls. 2895 a 2896: Resposta: Os contratos já apresentados a V.Sa. deixam claro, em suas cláusulas 2.1, que referidos instrumentos foram utilizados para negociar quotas de sociedades. Os preços efetivamente pagos para adquirir essas quotas estão previstos nas cláusulas 3.1 dos contratos, sendo que esses valores foram utilizados nas apurações dos ganhos de capital auferidos pelos vendedores. Adicionalmente, as cláusulas 14.1 (15.1. nos casos das sociedades BRC i e BRC ii) dos mesmos instrumentos fazem referências às quitações de dívidas contraídas pelas sociedades e que deveriam ser quitadas para que as garantias fidejussórias prestadas pela Bracor fossem liberadas. 100.Ou seja, as dividas foram liquidadas, o que permitiu a liberação das garantias fidejussórias prestadas pela Bracor mas não representou um ganho para a Bracor na opinião da Credit Suisse. É importante frisar que os recursos para a quitação das referidas dívidas foram obtidos por meio de subscrição de quotas de cada fundo. 101.Da mesma forma, a empresa LPP I, na qualidade de sucessora da empresa REC LOG 111 (transformada da BRC XXII e incorporadora da MONISH); REC LOG 114 (transformada de BRC VIII e incorporadora da LOKESH); REC LOG 551 (transformada de BRC XXV e incorporadora de REC LOG 51), sucessora das adquirentes e a BRC VII (incorporadora da adquirente REC LOG 2), foram intimadas, a se pronunciarem sobre a não inclusão da assunção de dívidas no preço de compra informado nos contratos, assim se manifestaram: Fl. 6944DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.945 27 102.A empresa REC LOG 411, fls. 2249 a 2250, assim se manifestou: "Item 4 do Termo: Os recursos utilizados para as quitações das dívidas mencionadas no item 3 foram obtidos pelas Compradoras que figuram no Contrato de Compra e Venda referido em tal item." 103.A empresa REC LOG 331 e a LPP 1, fls. 1698 e 2189, por possuir o mesmo procurador assim se manifestaram: "Esclarecemos que, por não sermos parte do referido Contrato de Compra e Venda, não conhecemos os fundamentos econômicos e as razões comercias que levaram as partes deste a ajustar o preço de tal forma. Destacamos que todos os documentos e informações de que dispúnhamos para esclarecer as questões suscitadas nos Termos de Diligência Fiscal anteriormente enviados foram disponibilizadas" 104.Verificamos que nenhum dos adquirentes reconheceu a assunção de dívidas como componente do preço de compra. Apesar disto, não há dúvidas de que o saldo devedor das dívidas assumidas pelas compradoras compôs o preço de compra das empresas e, portanto, deverão ser utilizados na apuração do ganho de capital. 105.Por meio de intimações à Bracor e aos diligenciados, obtivemos os valores das dívidas quitadas e que proporcionaram a liberação da garantia fidejussória prestada pela Bracor em favor das BRCs, fls. 3007, o que demonstra que a beneficiária final destas quitações e também das dívidas não quitadas foi a Bracor. 106.Contatase que além do deslocamento do polo passivo decorrente das reorganizações societárias propostas pela Bracor, houve também uma brutal redução no preço de compra/venda, com o aval das compradoras, que inclusive calcularam o IRRF dos vendedores contratuais em valores inferiores ao que seria devido. Como os acionistas da Bracor foram desconsiderados como alienantes das BRCs não há que se proceder em complementação do imposto de renda retido na fonte pelos adquirentes. 107.Apesar das negativas que as dívidas assumidas pelas adquirentes não compuseram o preço de compra, o fato é, como demonstram os comprovantes dos recursos utilizados para a quitação de algumas dívidas, fl .3007, os adquirentes utilizaram recursos próprios para a quitação dessas dívidas, liberando a Bracor das fianças concedidas. Também é fato, que os valores obtidos pelas BRCs quando da contratação dos Certificados de Recebíveis Imobiliários e outros empréstimos foram indiretamente aproveitados pela BRA COR, como sócia majoritária das BRCs (99,99% das quotas). 108.Desta forma, identificamos como o real preço de venda/compra pare cálculo do ganho de capital obtido pela Bracor os valores dos preços de compra e as dívidas assumidas pelas adquirentes informados nos contratos firmados em 23/12/10, 28/12/10, 18/01/11, 30/03/11, 12/05/11 e 06/07/11. Apesar da informação de que algumas dividas ainda não foram liquidadas, a Bracor não fez a opção pelo regime de caixa no momento apropriado conforme relatado nos itens 87 e 88 deste termo. Fl. 6945DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.946 28 Para apuração do ganho de capital utilizamos o regime de competência como determina a Lei. 109.O valor contábil das BRCs são os valores constantes nos Balanços de Fechamento, anexo aos Contratos ou apresentados pela Bracor mediante intimação. Por conseguinte, apurouse o ganho de capital a seguir discriminado: 110.Diante de todo o exposto, lavrase os Autos de Infração anexos, do qual esse Termo é parte integrante e inseparável, cujos montantes incluem os juros e multa, conforme demonstrado nos Autos de Infração, dos quais este Termo de Verificação Fiscal é parte integrante. Fl. 6946DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.947 29 V. DOS RECOLHIMENTOS REALIZADOS PELAS PESSOAS LIGADAS 111. Deduzse das disposições contratuais constantes dos Contratos de Compra e Venda firmados nos AC 2010 e 2011, fls. 244 a 936, que os acionistas da Bracor, do ponto de vista estritamente formal, alienaram para o grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, as cotas das BRCs, obtidas em decorrência da cisão do patrimônio promovida pela Bracor (vide tabela item 81 deste Termo). 112. Em face dessa "alienação", cada uma dessas pessoas ligadas (pessoas físicas ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior) identificadas como vendedores contratuais apurou seu respectivo ganho de capital na DIRPF do ano calendário de 2010 e 2011 ou teve retido o IRRF (Imposto Retido na Fonte), conforme detalhado no Anexo III deste Termo. 115. Em razão da natureza jurídica diversa do tributo recolhido e daqueles que deveriam ter sido apurados e recolhidos, bem como da distinção existente entre os seus regimes jurídicos, o montante recolhido não pode ser empregado por esta fiscalização para reduzir o crédito tributário lançado a título de IRPJ e CSLL. 116. O art. 74, da Lei 9430/96, dispõe que, cumpridos os preceitos legais, o sujeito passivo que apurar créditos relativos a tributos administrados pela RFB, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. Fica evidente, portanto, que não há previsão legal para a compensação de débitos próprios com créditos de terceiros. Cabe aqui salientar que, na atual sistemática da compensação tributária voluntária (realizada por meio da chamada "Declaração de Compensação — Dcomp'), o artigo 74, § 12, II, "a", da Lei te 9.430/96, estabelece que, na hipótese em que o crédito seja de terceiros, a compensação não é sequer considerada declarada. 117. Concluise que apesar de a evasão econômica ter sido de aproximadamente 19%, a evasão jurídica corresponde à totalidade dos tributos devidos (IRPJ e CSLL) pela pessoa jurídica que não os recolheu correta e tempestivamente, totalizando 34%. Os tributos devem ser lançados integralmente em razão da sua natureza jurídica diversa em relação aos recolhidos a título de IRPF e IRRF. VI. OUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFICIO 118. Em face dos lançamentos de oficio do IRPJ e da CSLL decorrentes do ganho de capital já devidamente caracterizado nos itens precedentes, cumpre o exame da multa de oficio incidente sobre os créditos tributários ora constituídos. 119. A Lei n° 9.430/96 (com redação dada pela Lei n° 11.488/07) constitui o diploma legal que dispõe acerca das multas aplicáveis nos casos de lançamento de oficio. Na situação em comento, há que se destacar a previsão contida no seu artigo 44, inciso I, combinado com o § 10, a seguir transcritos: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes muitas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei ng 11.488, de 2007) Fl. 6947DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.948 30 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Lei nº 9.430/96 com redação dada pela Lei ng 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) 120.O art. 72 da Lei n° 4.502/64, mencionados no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430/96, acima transcrito, assim define fraude: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (Lei nº 4.502/64) (Grifas nossos). 121.O procedimento adotado pela fiscalizada está compreendido nas hipóteses previstas na norma acima. O contribuinte Bracor agiu de maneira dolosa, ao praticar atos societários com objetivo de modificar as características essenciais do fato gerador, excluindose do polo passivo da obrigação tributária e atribuindo a terceiros a obrigação de recolher os tributos devidos sobre o ganho de capital obtido, com alíquotas indevidamente favorecidas, em detrimento do erário. 122.Diante das informações reunidas no curso deste procedimento fiscal, já detalhadamente expostas, resta inafastável concluir pela subsunção dos fatos caracterizadores da infração ora apontada à norma que veicula a exasperação da multa de oficio aplicável sobre créditos tributários objeto de lançamento de oficio. A fraude está materializada no uso desvirtuado e abusivo do instituto jurídico da redução de capital com animus de auferir economia tributária indevida. 123. A operação engendrada pela fiscalizada é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita por meio de reorganização societária efetivada com o desvirtuamento total de institutos do direito privado. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. 124. A Bracor, ao cindir seu patrimônio, sem qualquer motivação extratributária, e consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador nascido com a alienação que ela, Bracor, em essência, fez. A conduta dolosa da Bracor é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa das participações da Fl. 6948DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.949 31 Bracor nas BRCs participações da BRCs para seus acionistas, impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das participações das BRCs. 125. A conduta do contribuinte enquadrase, também, no Inciso Ido artigo 2°, da Lei n° 8.137/90, que será abordada no Processo de Representação Fiscal para Fins Penais. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo; 126. O patamar de 150% é destinado a apenar as condutas ilícitas intencionalmente praticadas pelos sujeitos passivos tributários. Essa sanção deve ser aplicada em razão do elemento subjetivo da prática delitiva — do querer praticála —, aspecto volitivo do ilícito, exaustiva e inequivocamente caracterizado pelos fatos descritos ao longo do presente termo. VII MULTA ISOLADA 127. Conforme podemos observar nas DIPJs referentes aos AC 2010 e 2011, fls. 14 a 231, a Bracor apurou seu resultado tributável pela sistemática do lucro real anual, com cálculo do imposto de renda e da CSLL devidos mensalmente por estimativa. 128. Em razão da omissão da receita referente ao ganho de capital obtido nas alienações das sociedades BRCs, a Bracor deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas, conforme determina o art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei n° 11.488/2007, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 89 da Lei n 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 25? desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Fl. 6949DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.950 32 129. Vale esclarecer que com a edição da Medida Provisória n° 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF n° 105, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1Q, inciso IV da Lei ne 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. 130. A Súmula 105 foi aprovada pela 1ª Turma do CSRF na sessão de 08/12/2014, ao analisar os acórdãos 9101001.261, de 22/11/2011 (IRPJ AC 2001); 9101001.203, de 17/10/2011(7RR ÁC 2000 e 2001); 9101001.238, de 21/11/2011 (IRPJ AC 2001); 9101001.307, de 24/04/2012 (IRPJ AC 1998); 1402001.217, de 04/10/2012 (IRPJ AC 2003); 110200.748, de 09/05/2012 (IRPJ AC 2000/2001); 1803 001.263, de 10/04/2012 (IRPJ AC 2002). 131. Devese observar que os acórdãos paradigmas da Súmula 105 referemse a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei n° 11.488/2007, apesar de ter sido aprovada no anocalendário 2014. Portanto, a referida súmula deve inibir os lançamentos da muita isolada cujos fatos geradores ocorreram até 15/07/2007. Após esta data, conforme determina a referida Lei, a multa de oficio por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurada no ajuste anual e a multa isolada por falta de recolhimento de estimativa devem ser aplicadas concomitantemente aos casos concretos. 132. Em recentes decisões do CARF, a seguir descritas, foram proferidas sentenças favoráveis à Fazenda Nacional, ao reconhecer a legalidade da cobrança cumulativa das referidas multas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2008 MULTA ISOLADA. LEI Ng 11.488, DE 2007. BASE DE CÁLCULO. O artigo 44 da Lei ng 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei ng 11.488, de 2007, preceitua que a multa isolada deve ser calculada sobre o valor do pagamento mensal apurado sob base estimada ao longo do ano, materialidade que não se confunde com a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição. Ementa Acórdão 9101 002.251, de 01/03/2016 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano calendário: 2008, 2009, 2010, 2011. MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE Fl. 6950DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.951 33 DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/200/, convertida na Lei 11.488/200/ a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita á incidência da multa de oficio. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Acórdão 1402002.119, de 01/03/2016. 133. É importante ainda destacar que na análise do fato gerador das referidas multas, os critérios material e temporal para sua aplicação são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. Não há concorrência entre as mesmas. 134. As bases de cálculo das estimativas do IRPJ e da CSLL devidas, foram determinadas por meio da inclusão do ganho de capital nas receitas informadas pelo contribuinte em suas DIRIS apresentadas nos meses de dezembro/2010, janeiro/2011, março/2011, maio/2011, junho/2011 e julho/2011 conforme demonstrado no anexo IV deste termo. VIII. IDENTIFICAÇÃO DOS RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIOS 135. Neste procedimento, a BRACOR é identificada como a real beneficiária do ganho de capital apurado na alienação das BRCs discriminadas no item 111 deste termo e, portanto, sujeito passivo da obrigação tributária. 136. Nos termos do artigo 121 da Lei n° 5. 172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional C7N), é sujeito passivo da obrigação tributária: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniário. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. 137. Os acionistas/quotistas da BRACOR receberam, em substituição às ações/quotas que detinham no capital social do contribuinte, novas quotas emitidas pelas BRCs. Desta farma, os acionistas deixam de ter participação indireta nas BRCs e Fl. 6951DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.952 34 passaram a ter participação direta. Esta artimanha permitiu que figurassem nos contratos de compra e venda como vendedores das BRCs, apenas sob aspecto formal. 138. A intenção dolosa de não recolher os tributos exigidos por lei é obtida por meio de decisões dos dirigentes da pessoa jurídica responsáveis por dar efetividade às operações de reorganização societária que a princípio seriam lícitas, mas que se revelaram contrárias à legislação tributária ao proporcionar o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária, sem nenhuma motivação extratributária. 139. Da análise de toda documentação colhida no curso deste procedimento fiscal, constatamos a participação direta e eficaz dos Srs. Carlos Javier Betancourt e Angel David Árias, respectivamente Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, nos AC 2010 e 2011, no planejamento tributário abusivo efetuado pela fiscalizada. 140. Todos os contratos, alterações contratuais e demais documentos foram assinados pelos mesmos como representantes da BRACOR ou das BRCs, fls. 232 a 273, 313 a 354, 476 a 516, 626 a 671, 755 a 783, 827 a 871, 885 a 928. Ficou evidente que esses 2 dirigentes e também acionistas da fiscalizada tiveram participação efetiva nas decisões para a reorganização societária da Bracor e posterior alienação das BRCs pelos seus acionistas, como vendedores contratuais. Tais atos visaram, exclusivamente, a redução da incidência tributária. 141. Além de responsáveis pela administração, como acionistas/quotistas também obtiveram vantagem econômica no negócio. 142. Os demais acionistas/quotistas da BRACOR também obtiveram vantagem econômica, porém não foram obtidos elementos de prova que demonstrassem seu poder de decisão sobre o negócio realizado. Alguns destes acionistas também eram diretores da Bracor, mas não localizamos documentos que fossem firmados pelos mesmos. Ao contrário, o contrato de compra e venda da BRC XXI, que foi alienada pela BRACOR no anocalendário 2011 sem nenhum indicio de irregularidade, foi assinado pelos diretores sem designação Camilla Osborn e Rafael Teixeira. 143. A BRACOR foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 06, a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, (fls. 937 a 1050 deste processo [fl. 57 da Ata anexada] e fls. 1086 a 1198 deste processo [fl. 96 da Ata anexada]). Ou seja, era ele o responsável pelas negociações das BRCs. 144. Importante frisar que o Sr. Carlos Betancourt, além de Presidente da Bracor e procurador da Equity, também era procurador dos acionistas Candango, KLH, Gonçalo, Colin (procurações anexadas às referidas atas, fls. 937 a 1234), o que lhe dava ainda maior poder de atuação. 145. Todos os Protocolos e Instrumentos de Justificação de Cisão Parcial da BRA COR foram assinados pelo Sr. Angel Ariaz como representante da Bracor e das BRCs, fls. 937 a 1234. Fl. 6952DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.953 35 146. Atualmente, o Sr. Angel Ariaz é diretor da BRC VIL Respondeu ao TDPFD 08.1.85.00 2016000780 na qualidade de adquirente das BRC recipientes de cisão da BRACOR. 147. Importante frisar que os 02 dirigentes deliberaram em assembleia pela cisão do patrimônio da BRACOR e consequente redução de seu capital. Inclusive as atas das AGE realizadas em 12/08/10 e 30/09/10, fls. 937 a 1085, que decidiram pelas primeiras cisões foram assinadas somente pelos Srs. Carlos Bettancourt e Angel Ariaz, como presidente e secretário da mesa da Assembleia. Apesar de constar que todos os acionistas assinaram as referidas atas, não obtivemos estas atas com todas as assinaturas, mesmo intimando a BRACOR para apresentálas, fls. 1299 a 1373. As atas das cisões realizadas em 18/01/11 e 03/06/11 encontramse anexadas às folhas 1086 a 1234. 148. O Sr. Carlos Betancourt também foi responsável pela dissolução da DELLE Holding que era acionista da BRACOR deste 17/12/07, como liquidante. Esta dissolução ocorrida em 23/12/10 permitiu ao Sr. Carlos, Gonçalo e Itaii BBA figurassem como acionista da Bracor e quotista das BRCs, fls 149. É fato que as cisões ocorreram no momento em que os acionistas da BRACOR decidiram pela alienação das BRCs, que existiam desde 2006/2007 e foram criadas/adquiridas exclusivamente para abrigar diversos imóveis. 150. Sendo assim, e de acordo com a previsão legal contida no inc. III, no art. 135, da Lei n° 5.172/66 (CIM, constatase a SUJEIÇÃO PASSIVA POR RESPONSABILIDADE PESSOAL dos sócios com poderes de administração SR. CARLOS JAVIER BETANCOURT e SR. ANGEL DAVID ARIAZ, pelos valores lançados em nome da empresa Bracor, relativos ao período fiscalizado de 01/01/1 0 a 31/12/1, por infração de lei (arts. 72 e 73 da Lei n'4.502/64): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. 151. Vale frisar que nos termos do § 2º, artigo 2º, da Portaria RFB nº 2.284/10 não é necessária a emissão de Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de Fiscalização para os responsáveis, razão pela qual a ação fiscal firmouse apenas no TDPFF 08.1.85.002016000233, que possui como interessada a Bracor. 152. Entretanto, foi emitido o TDPFD 08.1.85.002016000896 em nome de Sr. Carlos Betancourt, inicialmente na qualidade de comprador da BRC XXXIII. Posteriormente foi intimado a prestar esclarecimentos por ser liquidante da DELLE HOLDING S/A e também presidente da Bracor, à época da ocorrência dos fatos. Fl. 6953DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.954 36 IX DO PRAZO DECADENCIAL 153. Inicialmente, este procedimento fiscal visava apurar a regularidade fiscal no ganho de capital obtido pela Bracor no AC 2011. Durante os procedimentos, verificouse que alguns contratos foram firmados no AC 2010, portanto o TDPFF foi ampliado para abranger também o AC 2010. 154. O §4° do art. 150 do CTN, assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 155. A Bracor, em virtude do planejamento tributário abusivo, não fez a apuração e o recolhimento dos tributos devidos sobre o ganho de capital obtido na alienação das BRCs. Conforme se depreende do art. 150 citado, para que o contribuinte se enquadre na hipótese ali elencada, deve "antecipar o pagamento". Como não o fez, não lhe cabe esta regra decadencial. 156. Conforme determina o citado artigo, uma segunda hipótese para o desenquadramento dessa hipótese de decadência é a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em ambos os casos, o limite temporal para a constituição do Crédito Tributário passa a ser de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inc. I do art. 173 do CT1V, ou seja, os lançamentos cujos fatos geradores ocorreram no AC 2010 deste procedimento têm por limite de prazo decadencial a data de 31/12/2016. "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" X. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FORMALIZADO 157. Em face das constatações discorridas, foram lavrados os pertinentes autos de infração do IRPJ e da CSLL formalizados sob o Processo n° 16.561.720227/201625. 158. Ademais, em função do disposto na Portaria RFB n° 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB n°3.182, de 29 de julho de 2011, Fl. 6954DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.955 37 será formalizada correspondente representação fiscal para fins penais, Processo n°16561720.231/201693. XI. DO ENCERRAMENTO DA ACÃO FISCAL 159. Nesta data, encerramos o procedimento fiscal instaurado em face do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 08.1.85.00 2076000233. 160. Cópia desse Termo e dos autos de infração em mídia digital serão enviadas, por via postal com Aviso de Recebimento (AR) para ciência e demais providências, respectivamente, ao autuado e aos responsáveis tributários. 161. É facultada aos sujeitos passivos (ao autuado e aos responsáveis solidários) a apresentação de impugnação contra as exigências fiscais, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência das autuações, nos termos dos artigos 5°, 15, 16 e 17 do Decreto n° 70.235/72 e alterações posteriores. Em conformidade com o art. 3°, parágrafo único, da Portaria RFB n° 2.284.de 29/11/10, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. 162. E, para constar e surtir efeitos legais, na qualidade de autoridade tributária responsável pela constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, lavro e assino o presente termo, que é parte integrante e inseparável dos autos de infração. “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase aos casos de extinção de pessoas jurídicas de direito privado, quando a exploração da respectiva atividade seja continuada por qualquer sócio remanescente, ou seu espólio, sob a mesma ou outra razão social, ou sob firma individual. Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato: I integralmente, se o alienante cessar a exploração do comércio, indústria ou atividade; II subsidiariamente com o alienante, se este prosseguir na exploração ou iniciar dentro de seis meses a contar da data da alienação, nova atividade no mesmo ou em outro ramo de comércio, indústria ou profissão.” Fl. 6955DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.956 38 163. Do ponto de vista da jurisprudência, já houve acolhimento pelo CARF da responsabilidade do art. 124, I do CTN em casos semelhantes a este. Por exemplo, no Acórdão 1302001.330, que invoca a participação ativa para caracterização do interesse comum: 164. Acórdão nº 1302001.330 (29 Turma Ordinária da 39 Câmara da 19 Seção do CARF, ementa reproduzida integralmente no recurso), com destaques da Recorrente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007, 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM. Correta a imputação de responsabilidade tributária solidária, com fulcro no art. 124, I, do CTN, ao restar demonstrado nos autos o interesse comum na situação que constitui o fato gerador, consubstanciado na participação ativa e direta nos atos simulados que conduziram à alienação da participação societária e no interesse econômico e jurídico direto, com o benefício financeiro da supressão do ganho de capital na alienação de ativos dos quais era titular. 165. E também no Acórdão 1402001.764, entendendo como interesse comum a atuação de forma direta na situação que constitua o fato gerador: Acórdão nº 1402001.764 (29 Turma Ordinária da 49 Câmara da 19 Seção do CARF, ementa reproduzida integralmente no recurso), com destaques da Recorrente: RECURSO VOLUNTÁRIO DO COOBRIGADO. SOLIDARIEDADE. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. HIPÓTESES DE IMPUTAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Atribuise a responsabilidade solidária a terceira pessoa quando comprovado o nexo existente entre os fatos geradores e a pessoa a quem se imputa a solidariedade passiva, nos termos do art. 124, inciso I do Código Tributário Nacional. Assim, são solidariamente obrigadas às pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, entendidas como aquelas que atuam de forma direta, realizam individual ou conjuntamente com outras pessoas atos que resultam na situação que faz surgir o fato gerador, ou que, em comum com outras, esteja em relação ativa com o ato, fato ou negócio que dá origem à tributação. Fl. 6956DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.957 39 166. Importante salientar que esses dois Acórdãos foram utilizados como paradigmas para a admissibilidade de Recurso Especial interposto pela PGFN (recorrente) à CSRF, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal 16561.720163/201310, sendo aceitos pelo relator do pedido nos seguintes termos: “...Verificase que versaram, recorrido e paradigmas, sobre a imputação da responsabilidade solidária com fundamento no art. 124, I, do CTN. ... Por sua vez, nos paradigmas, chegouse à conclusão de que a participação ativa da empresa na operação que visava a reduzir artificialmente o montante dos tributos devidos configura o interesse comum a que alude o art. 124, I, do CTN. Assim, da contraposição dos fundamentos expressos nas ementas e nos votos condutores do acórdão recorrido e dos paradigmas, evidenciase que a Recorrente logrou êxito ao demonstrar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, devendo o recurso ter seguimento quanto a este primeiro ponto.” 167. A seguir relatamos os fatos sobre os quais se baseou a decisão de responsabilizar os dirigentes das empresas adquirentes. Vários fatores demonstram com absoluta clareza, a participação do Grupo Prosperitas neste planejamento tributário abusivo: • Aceitação das cláusulas contratuais que identificavam indevidamente os acionistas da BRACOR como os vendedores das participações societárias (Contrato de Compra e Venda datados de 23/12/10 e 18/01/11, fls 244 a 625); • Pagamento a pessoas diversas da BRACOR, com quem firmou os contratos e pactuou os valores e condições das alienações; com isso aceitou o risco da manobra tributária utilizada pela BRACOR para redução indevida dos tributos incidentes sobre a operação; • Exigência para que a BRACOR fosse constituída procuradora dos vendedores contratuais com amplos poderes (Cláusula 2.3 dos contratos, fls 307 a 309; fls. 621 a 622, e correspondência do Banco Itaú, fls 2927); • Utilização de preço de compra com somente o valor pago em espécie, não considerando o pagamento das dívidas das empresas adquiridas para cálculo do imposto retido na fonte das pessoas jurídicas domiciliados no exterior; • Total consciência que a BRACOR realizou reorganização societária simultaneamente às negociações, sem nenhum propósito negocial, conforme informado na Carta de Intenções firmada em 22/11/10, fls 232 a 234; Fl. 6957DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.958 40 • Montagem de um esquema de criação de empresas (muitas delas efêmeras) que tinham como objetivo a pulverização das operações, que dificultou a detecção do dolo na operação. Desta forma, a imediata detecção pelo fisco do negócio expressivo realizado foi adiada e quase abrangida pela decadência. • Para melhor ilustrar como se deu a criação das empresas, montamos os seguintes organogramas que ilustram o esquema montado pelo Grupo Prosperitas para aquisição das BRC: 167. Após as aquisições, as empresas recémcriadas são incorporadas conforme quadro a seguir: Fl. 6958DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.959 41 166. Após as incorporações assim ficou o organograma do Prosperitas III: 167. Pelo exposto, identificamos como responsável solidário por sucessão: Fl. 6959DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.960 42 IX. DO PRAZO DECADENCIAL 168. Inicialmente, este procedimento fiscal visava apurar a regularidade fiscal no ganho de capital obtido pela Bracor no AC 2011. Durante os procedimentos, verificouse que alguns contratos foram firmados no AC 2010, portanto o TDPFF foi ampliado para abranger também o AC 2010. 169. O §4° do art. 150 do CTN, assim dispõe: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 170. A Bracor, em virtude do planejamento tributário abusivo, não fez a apuração e o recolhimento dos tributos devidos sobre o ganho de capital obtido na alienação das BRCs. Conforme se depreende do art. 150 citado, para que o contribuinte se enquadre na hipótese ali elencada, deve “antecipar o pagamento”. Como não o fez, não lhe cabe esta regra decadencial. 171. Conforme determina o citado artigo, uma segunda hipótese para o desenquadramento dessa hipótese de decadência é a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em ambos os casos, o limite temporal para a constituição do 2. Contribuinte e imputados responsáveis tributários solidários tomaram ciência do todo e se insurgiram conforme datas expostas no Quadro 01 a seguir (fls. 4126/4127): Crédito Tributário passa a ser de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inc. I do art. 173 do CTN, ou seja, os lançamentos cujos fatos geradores ocorreram no AC 2010 deste procedimento têm por limite de prazo decadencial a data de 31/12/2016. “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” X. DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FORMALIZADO Fl. 6960DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.961 43 Em face das constatações discorridas, foram lavrados os pertinentes autos de infração do IRPJ e da CSLL formalizados sob o Processo nº 16.561.720228/201670. 172. Ademais, em função do disposto na Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, alterada pela Portaria RFB nº 3.182, de 29 de julho de 2011, será formalizada correspondente representação fiscal para fins penais, Processo nº 16561720.230/201649. XI. DO ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL 173. Nesta data, encerramos o procedimento fiscal instaurado em face do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização nº 08.1.85.00 2016000233. 174. Cópia desse Termo e dos autos de infração em mídia digital serão enviadas, por via postal com Aviso de Recebimento (AR) para ciência e demais providências, respectivamente, ao autuado e aos responsáveis tributários. 175. É facultada aos sujeitos passivos (ao autuado e aos responsáveis solidários) a apresentação de impugnação contra as exigências fiscais, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência das autuações, nos termos dos artigos 5º, 15, 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Em conformidade com o art. 3º, parágrafo único, da Portaria RFB nº 2.284.de 29/11/10, o prazo para impugnação é contado, para cada sujeito passivo, a partir da data em que tiver sido cientificado do lançamento. 176. E, para constar e surtir efeitos legais, na qualidade de autoridade tributária responsável pela constituição do crédito tributário, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional, lavro e assino o presente termo, que é parte integrante e inseparável dos autos de infração. [...] 2. Contribuinte e imputados responsáveis tributários solidários tomaram ciência do todo e se insurgiram conforme datas expostas no Quadro 01 a seguir (fls. 4126/4127): 3. Pondera o Contribuinte: Fl. 6961DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.962 44 3.1. Autuação não teria fundamento. Nenhum dispositivo legal teria sido infringido. Tudo se basearia na assunção d'um suposto planejamento tributário abusivo. A Fiscalização não teria qualificado os negócios entabulados por simulados. Apenas por ensaio mental, poderseia cogitar de infringência ao art. 116, parágrafo único, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, porém e desde de logo um tal caminho resultaria em sucesso nenhum, certa a ausência de Lei Ordinária a regulamentar o ato em que a autoridade administrativa viesse a desconsiderar os negócios jurídicos em testilha. 3.2. Ao contrário do afirmado pela Fiscalização, todos os acionistas/quotistas assinaram o livro de atas das Assembleias Gerais em que decididas as cisões, bem que os respectivos livros de presença em tais reuniões assembleares. 3.3. Partira dos acionistas/quotistas no Contribuinte o que revelaria quem, de fato e na sequência, seriam os vendedores de participações societárias nas BRCs a manifestação de vontade atinente às cisões. Para isso, teriam eles vindo a solicitar ao Contribuinte que iniciasse procedimentos (contratação de serviços de consultoria) tendentes à criação d'um Fundo de Investimento Imobiliário. Referido Fundo, realmente, ganhara vida, com coordenador, administrador, assessoria legal, demandas de exigências por parte da Comissão de Valores Imobiliários CVM, e, até, a publicação de oferta pública de quotas, não obstante a desistência subsequente do pedido de registro de tal oferta. Outro dado que revelaria a fonte original do comando de venda das ditas participações societárias poderia ser encontrado na troca de emails entre Equity Bracor Investments (Grupo Equity International), um dos acionistas/quotistas no Contribuinte, e ele próprio (na pessoa do Sr. Carlos Javier Betancourt). Ali são solicitadas informações sobre os investimentos então titulados pelo Contribuinte, isso com vistas à prospecção de outros eventuais e potenciais investidores. 3.4. Na "Carta de Intenção" citada pela Fiscalização, além de seu caráter não vinculativo e em momento algum desqualificada no seu teor, nela já constaria que a venda das participações acionárias nas BRCs se daria por obra e arte dos acionistas/quotistas, tendo o Contribuinte mero papel de representação daquele exato interesse. 3.5. Outro ponto que faria revelar que a intenção de venda partira de seus acionistas/quotistas e não dele, Contribuinte, seria a circunstância de os primeiros vincularemse ao setor de private equity, cujo vetor de atuação seria a obtenção de ganho (via retirada do investimento) no curto e médio prazo. 3.6. Estaria fora do alcance do Fisco e o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), bem que doutrina já viriam de produzir e defender entendimento nesse sentido decidir sobre que caminhos negociais haveriam de ser tomados pelo Contribuinte e seus acionistas/quotistas, precisamente no que toca à livre escolha que se teria na espécie, isto é, entre tributar o ganho de capital na pessoa jurídica ou na pessoa fisica dos sócios. Ainda nessa linha, alegase que o Fisco não poderia ditar qualquer ingerência na vida negocial dos particulares, mormente e no caso específico, ao derredor da fixação do preço de alienação das debatidas participações societárias nas BRCs. Fl. 6962DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.963 45 3.7. Seria reconhecido pela própria Fiscalização que não fora o Contribuinte o beneficiário dos pagamentos em troca das participações acionárias nas BRCs, mas senão seus acionistas/quotistas. 3.8. Como resultado da dissolução da Delle Holding S.A., não só pessoas fisicas teriam recebido participações societárias nas BRCs antes detidas pela sociedade dissolvida. Foi o caso de Itaú BBA S.A. Nesse sentir, não valeria o raciocínio da Fiscalização tendente a se firmar por alguma economia tributária na percepção de ganho de capital com a venda de referidas participações, certo que a pessoa jurídica Itaú BBA S.A. não disputaria de alíquota mais benéfica, quais pessoas naturais ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. 3.9. Nada acresceria na conclusão da Fiscalização a circunstância de o Contribuinte vender sua participação societária na BRC XXI diretamente para Tulipa LLC (Delaware EUA). No particular, considera que a explicação então fornecida nem fora tomada em conta no procedimento de fiscalização. O mesmo sobre as ponderações que se fizera acerca de operações de stock options por meio das quais o Sr. Angel David Ariaz, o Sr. Colin Butterfield, o Sr. Thiago Augusto Cordeiro e a Sra. Camilla Osborn Gomes Nogueira Frussa tornaramse sócios no Contribuinte (a Sra. Camilla aumentou sua participação na oportunidade), via empréstimo conferido por esse último. 3.10. Haveria de se abater sobre a exigência o imposto de renda já pago pelos acionistas/quotistas no Contribuinte (na posição de vendedores de participações societárias nas BRCs): as pessoas fisicas, na suas respectivas DIRPF; as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, pelo tanto de imposto de renda incidente na fonte e assim retido pelos compradores de referidas participações. Demais disso, seria também de rigor o aproveitamento de saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL então apurados pelo Contribuinte no curso de 2011. 3.11. Não haveria fundamento para qualificação de multa de oficio então imputaria. Isso sem dizer de seu caráter confiscatório, visto ultrapassar o monte principal devido. 3.12. Em caso de empate de votação, que seja reconhecida a presença de dúvida suficiente a determinar o cancelamento da autuação, forte no art. 112 do CTN. 3.13. Inviabilidade de cobrança de multa isolada: certo que já encerrado o anocalendário pertinente no momento da formalização da exigência; e mais ainda de forma cumulativa com a multa de oficio proporcional. 3.14 Afastamento da incidência de juros sobre a multa de oficio proporcional 4. Pondera o Sr. Carlos Javier Betancourt: 4.1. Ratifica as objeções expostas na peça impugnatória colacionada pelo Contribuinte. Fl. 6963DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.964 46 4.2. Não caberia a imputação de responsabilidade ao espaço do art. 135 do CTN, pois não se demonstrara ofensa alguma a dispositivo legal que fosse, atuação com excesso de poder, e/ou infração de contrato social ou estatuto, e muito menos haveria no corpo dos autos qualquer indicativo de conduta dolosa, o que, de consequência, já afastaria a qualificação da multa de oficio. No particular, explica que sua participação como Presidente de Mesa em Assembleias Gerais Extraordinárias, Diretor Presidente do Contribuinte, de sua atuação como procurador d'alguns acionistas/quotistas no Contribuinte, e como liquidante de Delle Holding S.A., não passam de atos de gestão de interesses de terceiros, a dizer que não estaria à testa das decisões ali tomadas. Nesse passo, repisa pontos da argumentação do Contribuinte, mormente sobre dizer: que todos os acionistas/quotistas assinaram o livro de atas das Assembleias Gerais em que decididas as cisões, bem que os respectivos livros de presença em tais reuniões assembleares; que no papel de procurador não lhe permitiria fazer valer a própria vontade; que partira dos acionistas/quotistas, em conjunto, e não exclusivamente dele em particular, o comando de alienação das participações societárias nas BRCs. Lembra, outrossim, a sua posição como acionista/quotista minoritário no Contribuinte. 4.3.Haveria de se abater sobre a exigência o imposto de renda por ele já pago, conforme anotado em DIRPF. 4.4. Não teria lugar a qualificação de multa de oficio então imputada, pois não se teria demonstrado a existência d'um agir doloso seu que tivesse animado quer alguma fraude, quer algum conluio. Isso sem dizer de seu caráter confiscatório, visto ultrapassar o monte principal devido. Ainda nesse tópico, a própria multa haveria de ser afastada de sua responsabilidade, visto que essa só nasceria a partir do inadimplemento d'uma relação jurídicotributária própria e não de terceiro (o Contribuinte, na espécie). 4.5. Em caso de empate de votação, que seja reconhecida a presença de dúvida suficiente a determinar o cancelamento da autuação, forte no art. 112 do CTN. 5. O Sr. Angel David Ariaz, nos limites dos atos a ele atribuídos pela Fiscalização, registra equivalente insurgência à colacionada pelo Sr. Carlos Javier Betancourt. 6. Rec Log 411 S.A., Rec Log 331 Empreendimentos Imobiliários S.A., e LPP I Empreendimentos e Participações S.A. trazem equivalente base argumentativa. Ponderase: 6.1. Da legitimidade para se insurgir contra a autuação em si considerada. 6.2. Da ausência de fundamentação da autuação, visto não se ter, nela, a individuação da conduta que, imputada ao Interessado, lhe renderia a condição de responsável solidário ao fundamento legal ventilado pela Fiscalização. 6.3. Da falta de proporção sobre o tanto imputado à sua carga de responsabilidade. Melhor, se os adquirentes das participações societárias nas BRCs assim se assenhorearam de distintas BRCs, e se, na sequência, distintas pessoas jurídicas incorporaram diferentes adquirentes de participações societárias nas BRCs (ora levados à Fl. 6964DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.965 47 condição de responsáveis tributários), então não caberia a atribuição de responsabilidade solidária pelo todo do crédito tributário assinalado no auto de infração e a todos quantos agentes incorporadores dos adquirentes de participações societárias nas BRCs. Mais até, se os Interessados nem mesmo participaram das operações de cisões, bem que das originais e consequentes aquisições de participações societárias nas BRCs, não caberia qualquer espécie e quantum a título de imputação de responsabilidade. Na mesma linha ainda, visto que os adquirentes das participações societárias nas BRCs não deteriam capacidade administrativa, gerencial ou econômica para capitanear a operação em referência, quando muito caberia imputar responsabilidade tributária ao Fundo/Administrador que as detinha (as BRCs). No ponto, reforçam os Interessados que não guardariam relação direta com o fato gerador da exigência tributária, a afastar, portanto, a incidência do art. 124, inciso I, do CTN. A propósito, não seria possível confundir interesse comum, como prestigiado no normativo em pauta, com o mero interesse comum existente em qualquer negócio jurídico. Nesse sentido, a Fiscalização teria deixado de demonstrar o qualificado interesse comum pressuposto no art. 124, inciso I, do CTN. Também, não se detivera a Fiscalização em demonstrar a existência de fraude/conluio/dolo, isso desde as originárias aquisições de participações societárias nas BRCs. Para efeito de responsabilização, seria fora de propósito indicar o art. 133 do CTN para o caso corrente. 6.4. Exigências afetas ao anocalendário de 2010 estariam ao abrigo do curso da decadência. 6.5. O Fisco não poderia ditar qualquer ingerência na vida negocial dos particulares, mormente e no caso específico, ao derredor da fixação do preço de alienação das debatidas participações societárias nas BRCs. Particularmente, tal redução de preço espelharia o equity value das mencionadas participações. 6.6. Não se demonstrara a presença de elemento de fraude, dolo ou simulação no rearranjo societário promovido pelo Contribuinte. Com isso, não haveria fundamentação para a qualificação de multa de ofício proporcional. E, mesmo que mantidas, os imputados responsáveis tributários por isso não poderiam responder. 6.7. Inviabilidade de cobrança de multa isolada de forma cumulativa com a multa de ofício proporcional. 6.8. Afastamento da incidência de juros sobre a multa de ofício proporcional..” Analisadas as razões de impugnação do contribuinte e responsáveis solidários, a 1ª Turma da DRJ/SPO decidiu pela improcedência dos pedidos de cancelamento da autuação e dos termos de sujeição passiva solidária, como denota a ementa do Acórdão n.º 1678.077 abaixo: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011 Fl. 6965DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.966 48 FALSO. DEMONSTRAÇÃO. RELATO E CONTRARELATO. A demonstração do falso (de ideação ou formal) é obra de construção argumentativa a contrapor relato e contrarelato. Primeiro, vaise ao substrato documental tendente, sob a alegação do Contribuinte, a demonstrar o negócio jurídico de seu interesse. Depois, de posse disso, nele ou contra ele (documento com o qual se alega a prova d'um negócio jurídico), vaise à busca de contrarelatos, que estão insertos ou no texto do próprio documental apresentado pelo Contribuinte (a revelar, como isso, alguma contradição relevante), ou que vêm (ditos contrarelatos) de outros documentos saídos das mãos de terceiros desinteressados, como é o expediente que, no ofício desta Casa, melhor atende pelo nome de circularização, isto é, a inspeção conduzida com o propósito de confirmar perante terceiros desinteressados o tanto relatado no documental fornecido pelo Contribuinte, terceiros esses que, d'alguma forma, foram intervenientes no negócio sob crivo. É imperiosa a construção de discurso e sua necessária articulação com elementos documentais que cuide de demonstrar, sob os moldes antes referidos, o porquê de serem viciados na ideação ou na forma os textoscontrato colacionados pelo Contribuinte para, depois disso e apenas depois disso, imputarlhes (aos textoscontrato) o falso. É o caso presente. O relato conducente à assertiva de os sócios serem os vendedores de participações societárias é falso, é simulado. Assim está e se fez para dissimular a venda de referidas participações a partir do Contribuinte. Quadra a hipótese nos termos da simulação subjetiva, assim prevista no art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO À LEI. Rende ensejo à tipificação de infração à Lei a conduta simulada do sócioadministrador de pessoa jurídica que colabora na construção do aparente (sócios como vendedores de participações societárias) por sobre o real (Contribuinte como vendedor de participações societárias). Daí resulta a atribuição da posição de garante do crédito tributário aos sócios administradores que assim atuam. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. SUCESSÃO EMPRESARIAL VIA INCORPORAÇÃO. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato Fl. 6966DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.967 49 gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. O interesse comum de que se cogita é qualificado. Não se trata do interesse negocial que aproxima partes contratantes. No caso, para além disso, o ajuste de preço na venda de participações societárias, no passo em que artificialmente reduzido para nele não se computar o monte de dívidas vinculadas ao patrimônio subjacente aos títulos negociados, trouxe para o mesmo lado vendedores e compradores. Os primeiros pagariam menos tributo à conta de ganho de capital (desde que, como pretendido, imputada a venda de participações societárias à obra e graça de acionistas/quotistas pessoas físicas ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior) e os segundos desembolsariam, pelo menos imediatamente, menos recursos na aquisição (das ditas participações societárias). Na sequência, sobrevindo incorporação dos compradores, sobressai a atribuição de responsabilidade tributária solidária com base no art. 132 do CTN. DECADÊNCIA. FRAUDE. CÔMPUTO. No caso de falso, o cômputo do lustro decadencial obedece a regra do art. 173, inciso I, do CTN. VOTO DE QUALIDADE. PRIMEIRA INSTÂNCIA. Não cabe o expediente do voto de qualidade em sede de primeira instância de julgamento administrativo com o efeito pretendido de, em caso de empate, sempre e toda vez, resolverse a questão a benefício do Contribuinte. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. REGRAMENTO DE FLUÊNCIA. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE. FATOS IMPONÍVEIS DISTINTOS. É cabível aplicação de multa isolada decorrente de falta de pagamento de estimativas mensais de imposto concomitantemente com multa proporcional incidente sobre aquele devido e não pago ao final do período de apuração anual, haja vista cuidarem de reprimendas a comportamentos distintos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 PREJUÍZO OPERACIONAL DO PERÍODO EM CURSO. INFRAÇÃO. ABATIMENTO. Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.968 50 O monte infracional deve ser diminuído do prejuízo operacional experimentado no período de apuração em que identificada referida infração. Exaurido o proveito (no caso, nos autos sob nº 16561.720129/201698), não cabe mais reconhecêlo em outras autuações (no caso, autos sob nº 16561.720228/201670, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011 BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL OPERACIONAL DO PERÍODO EM CURSO. INFRAÇÃO. ABATIMENTO. O monte infracional deve ser diminuído da base de cálculo negativa da CSLL operacional experimentada no período de apuração em que identificada referida infração. Exaurido o proveito (no caso, nos autos sob nº 16561.720129/201698), não cabe mais reconhecêlo em outras autuações (no caso, autos sob nº 16561.720228/201670, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão acima, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário para submeter o caso à apreciação deste Conselho, reiterando as alegações expostas em 1ª instância, bem como insurgindose especificamente quanto ao Acórdão recorrido, em síntese, quanto aos seguintes pontos: Preliminarmente: 1. A Turma Julgadora alterou indevidamente o fundamento do TVF. Enquanto o Relatório fiscal fundamentava a lavratura em “planejamento tributário abusivo”, a DRJ aponta como fundamento da autuação a “prática de simulação subjetiva”, prevista no art. 167 do Código Civil; 1.1. Enquanto a Fiscalização alegava que a existência de infração/vício estaria na entrega das participações das BRC’s da Recorrente para os seus acionistas (cisões), a Delegacia de Julgamento alegou que a infração estaria no contrato de compra e venda; 2. O Acórdão recorrido seria nulo, em conformidade com o art. 489, §1º, do CPC/2015, pois não teria enfrentado os seguintes argumentos capazes de infirmar as conclusões adotadas: Fl. 6968DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.969 51 2.1. A existência de diversos argumentos e documentos que comprovaram a existência de efetivo propósito negocial nas reorganizações societárias, como: a) a busca pela segregação de ativos e a colocação destes em um fundo de investimentos, argumento que foi acompanhado de robusta documentação comprobatória (pareceres, instrumentos contratuais, prospecto, comunicado ao mercado, ofício da Comissão de Valores Mobiliários "CVM' , etc.) vide fls. 32 a 35 da Impugnação. b) a intenção dos acionistas de investir na Recorrente para aproveitar a sua expertise no nicho de incorporação imobiliária e, anos depois, obter, para si, a liquidez de tais investimentos, o que se comprova pela ausência de reinvestimento na Recorrente – vide fls. 40 e 41 da Impugnação; c) a mitigação de eventual risco de conflitos de interesses (conforme disposto nos artigos 115 e 156 da Lei nº 6.404/76 "Lei das S/A'), bem como a conferência de maior governança corporativa na condução dos negócios vide fl. 41 da Impugnação. 2.2. A reorganização societária questionada configura uma opção legal e é admitida por este E. Conselho em diversos julgados vide fls. 44 a 51 da Impugnação; 2.3. O fato gerador no presente caso é auferir o ganho/ter o efetivo acréscimo patrimonial e a Recorrente nunca recebeu os valores decorrentes da alienação das BRC’s – vide fls. 51 a 53 da Impugnação; 2.4. O Fisco não pode adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares – vide fls. 53 a 58 da Impugnação; 2.5. A intenção de se alienar as BRCs era dos acionistas da Recorrente, o que se comprovou por meio de mensagens eletrônicas enviadas por eles fls. 63 a 68 da Impugnação; 2.6. A alienação da BRC XXI pela Recorrente ocorreu por esta se encontrar em uma situação particular, devidamente esclarecido desde a fiscalização que originou esta lide fls. 70 e 71 da Impugnação; Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.970 52 2.7. A multa qualificada no percentual de 150% não poderia ser aplicada, uma vez que a Recorrente prestou todas as informações requeridas pela Autoridade Fiscal, registrou todos os seus atos nos órgãos competentes, deulhes a devida publicidade e não auferiu qualquer benefício econômico fls. 82 a 90 da Impugnação. 3. Também com base no disposto no art. 489, §1º, CPC/2015, a decisão seria nula por não ter analisado devidamente os precedentes judiciais e administrativos trazidos à colação pela Recorrente. No mérito: 4. A DRJ equivocouse ao alegar, nas fls. 49/50 da decisão recorrida, que os investidores deveriam investir em um Fundo de Investimentos em Participações e não diretamente na “empresa alvo” pois: (i) não cabe à Administração Pública adentrar à liberdade individual dos contribuintes; (ii) a Turma Julgadora não evidenciou quais seriam os benefícios auferidos pela Recorrente; (iii) e, em conjunto com isso, porque tendo a Recorrente cumprido seu papel na qualidade de executora dos empreendimentos imobiliários referentes às BRC’s, não haveria mais qualquer motivo para que os investidores continuassem atrelados a ela para dar seguimento aos seus objetivos individuais. 4.1. Somese a isso, o fato de que a intenção dos acionistas era obter liquidez para eles próprios e não para a Recorrente, haja vista que aqueles não reinvestiram nesta o lucro auferido com a venda das BRC’s; 4.2. Ademais, foi relevado o fato de que a reorganização societária realizada pela Recorrente conferiu maior governança corporativa na condução dos negócios. 5. Aduz que as procurações outorgadas a Recorrente objetivavam conferir mais agilidade e fluidez nas negociações com os pretensos adquirentes das BRC’s; ademais, esta teria sido uma requisição da própria adquirente (grupo Prosperitas), e não dela (Recorrente). 6. Contrapõe a afirmação da DRJ de que a responsabilidade pelos passivos presentes nas BRC’s passaria para os compradores, pois, conforme a própria resposta do Itaú BBA reproduzida no Acórdão recorrido, os “eventuais passivos” seriam aqueles que “viessem a ser identificados após a compra e venda”; ou seja, o Fl. 6970DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.971 53 comprador não queria se resguardar dos passivos que já conhecia, mas apenas daqueles que pudessem surgir inesperadamente. 7. A existência de cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade nos Contratos de Compra e Venda jamais poderia representar indício de que a atuação da Recorrente como procuradora dos vendedores das BRC’s estaria “bem além d’um mero instrumento de mandato”, como alegou a DRJ no acórdão combatido, pelos seguintes motivos: 7.1. A previsão de irrevogabilidade e irretratabilidade não era uma autorização ilimitada à Recorrente para que ela pudesse agir como bem entendesse; a procuração não retirou todo o poder de gerência/decisório dos vendedores, mas apenas permitiu à Recorrente adotar os atos necessários para executar aquilo que as partes já haviam decidido (compra e venda das BRC’s); 7.2. A cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade da outorga dos poderes para a Recorrente objetivava, diante da quantidade de vendedores e o fato de parte deles ser domiciliada no exterior, dar segurança ao comprador de que os atos do negócio seriam concentrados em uma única figura, evitando que o negócio emperrasse ou se tornasse moroso pela existência de diversos interlocutores; 7.3. A cláusula 2.3.2 dos contratos de compra e venda (reproduzidos nas fls. 44 e 46 da decisão atacada) encontra fundamento legal na expressa previsão do art. 684 do Código Civil; 7.4. A existência de cláusula que proibia, pelo prazo de 1 ano, o comprador (Grupo Prosperitas) de contratar empregados da Recorrente se tratou de uma mera disposição negociada entre partes independentes, não podendo o seu teor alterar a conclusão de que os verdadeiros alienantes das BRC’s e beneficiários do ganho de capital ora debatido foram os antigos acionistas da Recorrente e que esta última atuou apenas como procuradora no referido negócio, como aparentemente parece sugerir a DRJ na fl. 46 do acórdão recorrido. 8. A Recorrente não tem ingerência sobre as decisões tomadas na Delle Holding, não podendo a DRJ fundamentar a manutenção das autuações em atos de terceiros. Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.972 54 9. Não observaram a Autoridade Fiscal e a DRJ que as dívidas em questão não foram parte do preço da operação, na realidade, estas foram abatidas do valor da empresa (também chamado "enterprise value'), chegandose ao preço final efetivamente pago (denominado de "equity value'), dado que a intenção das partes era efetivamente a compra e venda das participações societárias nas BRCs. 9.1. Também vale notar que a "anuência de todos os credores, companhias securitizadoras e demais instituições ou pessoas jurídicas titulares das operações de crédito e/ou financiamento" nada mais é do que um "de acordo" dos detentores de créditos das empresas para a alteração de seu controle societário. Isto é, só significa que estes terceiros não se opuseram à operação. Assim, não há como se admitir a alegação da Fiscalização e da DRJ no sentido de que o comprador das BRCs assumiu a quitação das suas dívidas, na medida em que tais valores foram descontados do preço pago pelo Grupo Prosperitas e, por conseguinte, não beneficiaram em nada a Recorrente. 9.2. Alega ser absurdo o raciocínio que o adquirente (Grupo Prosperitas) teria abdicado de considerar parte do valor que pagou pelas BRC’s no preço final ajustado pois, caso houvesse uma redução artificial no preço – o que se alega a título de argumento o resultado seria uma redução no ganho de capital, cuja tributação compete exclusivamente ao vendedor, não gerando qualquer efeito para o comprador, e uma redução no custo daquela participação, o que fará com que o comprador, em eventual alienação deste investimento, tenha um ganho de capital maior e, consequentemente, recolha mais tributo. 10. Sustenta a inexistência de simulação alegando não ter havido divergência entre a intenção e a vontade declarada. Pontua que admitir que grandes investidores estrangeiros e nacionais, como o Itaú BBA e a Equity International seriam testas de ferro da Recorrente não teria qualquer cabimento. Ademais, afirma que o benefício econômico da alienação das BRC’s nunca foi internalizado pela Recorrente, o que seria essencial para a configuração de simulação relativa subjetiva. Os Responsáveis Solidários Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, endossaram os argumentos sustentados no Recurso Voluntário da Contribuinte, além de reforçar os argumentos por eles aduzidos em primeira instância administrativa. Fl. 6972DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.973 55 Os Responsáveis Solidários Rec Log 411 S.A., Rec Log 331 Empreendimentos Imobiliários S.A., e LPP I Empreendimentos e Participações S.A. trazem os mesmos argumentos aduzidos na impugnação. As Contrarrazões ao Recurso Voluntário ofertadas pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, contrapõem os argumentos da Contribuinte e Responsáveis Solidários aduzindo, em síntese, o seguinte: Preliminarmente: a) Validade da autuação: a autuação detalha a infração, e apura que os fatos apurados se enquadram no conceito de simulação subjetiva. Não há como aceitar uma interpretação de que teria havido mudança de critério jurídico adotado pela Turma Julgadora apenas com base na quantidade de vezes que a palavra “simulação” foi utilizada no lançamento e na decisão recorrida. b) Validade da decisão recorrida: b.1) Não houve distorção do lançamento pela decisão recorrida, mas sim pela Recorrente. Quanto à quantidade de vezes que cada ato cita determinada palavra, argumento levantado pelos recorrentes para demonstrar a suposta inovação proporcionada pela DRJ, como já aventado, esse parâmetro jamais poderia ser utilizado como método de interpretação de um conteúdo. b.2) O julgador não é obrigado a abordar todos os aspectos levantados pelas partes, mas sim fundamentar de maneira suficiente o seu posicionamento. Assim, a legitimidade de uma decisão não decorre da abrangência de sua fundamentação, mas sim de sua suficiência. Colacionou precedentes do CARF posteriores à entrada em vigência do CPC/2015. b.3) Não houve deficiência de fundamentação ainda, pois as razões da decisão recorrida destacam: a exclusiva finalidade fiscal das operações praticadas (ou seja, a falta de propósito negocial), a possibilidade de terem sido feitas pelo real alienante, e não pelas interpostas pessoas, a autonomia meramente formal que foi dada aos acionistas, que a participação do Itaú BBA não afasta a participação dos demais acionistas, que segundo os próprios adquirentes, a negociação foi estabelecida com a BRACOR e não com os seus acionistas, e a dissolução da Delle também com exclusiva finalidade fiscal. Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.974 56 No mérito, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ratificou as razões do acórdão recorrido e, ao final, requereu a negativa de provimento in totum ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. Em seguida, conforme Despacho de efls. 4763 a 4768, tendo em vista a disposição constante no art. 6, § 1º, I, cumulado com os §§ 2º e 3º deste mesmo artigo do Anexo II do atual RICARF, os processos de nºs 16561.720227/201625, 16561.720226/201681, 16561.720228/201670 e 16561.720129/201698 foram redistribuídos por prevenção e conexão, para julgamento em conjunto. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. O Contribuinte e Responsáveis Solidários, interpuseram Recurso Voluntário tempestivamente. Logo, por preenchidos os requisitos de admissibilidade, conheço dos presentes recursos. I – Esclarecimentos Quanto aos Fatos Apurados O procedimento fiscal em pauta deflagrou a formalização de quatro autuações, assim tratadas nos autos sob nº 16561.720129/201698, 16561.720228/2016 70, 16561.720227/201625 e 16561.720226/201681. Todos cuidam de ganho de capital na alienação de participações societárias nas nomeadas BRCs (a seguir citadas), em que se aportaram cisões parciais do Contribuinte em epígrafe. Tudo trata da atribuição do excogitado ganho para esse último (dissimulado vendedor) e não para os seus sócios (simulados vendedores). Nos autos sob nº 16561.720129/201698, cuidase do ganho de capital experimentado em face dos seguintes adquirentes das referidas participações societárias: Monish Empreendimentos e Participações S.A., Lokesh Empreendimentos e Participações S.A., Rec Log 21, S.A., Rec Log 31 S.A., Rec Log 41 S.A. Rec Log 51 S.A.; nos autos sob nº 16561.720228/201670, BRC VII; nos autos sob nº 16561.720227/201625, o Sr. Carlos Juan Betancourt; nos autos sob nº 16561.720226/201681, Credit Suisse, na qualidade de administradora de fundos. De ora em diante e a menos que se diga o contrário, seguirseá na linha adotada pela Fiscalização no que tange à referência de elementos de prova, a Fl. 6974DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.975 57 dizer, tomarseá a paginação documentária guardada nos autos sob nº 16561.720129/201698. II – Das Preliminares A Recorrente sustenta a nulidade da autuação pela ausência de fundamento jurídico para a constituição do crédito tributário objeto do processo, alegando que não existe o apontamento de qualquer dispositivo infringido pela Recorrente, nem mesmo dentre os dispositivos legais citados nos autos de infração de IRPJ e da CSLL. Mais à frente em seu recurso, a Recorrente pontua que a única norma que eventualmente poderia ter sido aventada pela Sra. Agente Fiscal para a desconsideração do negócio jurídico seria o parágrafo único do artigo 116 do CTN. (...) Todavia, cabe observar que os procedimentos necessários para a aplicação dessa norma dependem da elaboração de lei ordinária, a qual, até o presente momento, não foi editada”. Em contraponto, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, afirma ter a autuação detalhado a infração, e apurado que os fatos apurados se enquadram no conceito de simulação subjetiva, e, por via de consequência, o relatório fiscal teria capitulado corretamente os fatos apurados. Como se pode detrair da narrativa das argumentações acima elencadas, a discussão quanto à hipótese de nulidade aventada neste tópico, necessariamente, passa pela verificação da ocorrência, ou não, da prática de simulação subjetiva pela autuada. Sendo assim, entendo que o julgamento da preliminar de nulidade do auto de infração por ausência de fundamento jurídico suscitada neste tópico deve ser procedido em conjunto com a análise do mérito da presente demanda. O mesmo raciocínio se aplica quanto à hipótese de decadência, tendo em vista que o regime jurídico utilizado para a definição do termo inicial para contagem do prazo decadencial passa pela análise da ocorrência de simulação no presente caso. O mesmo raciocínio se aplica quanto à hipótese de decadência, tendo em vista que o regime jurídico utilizado para a definição do termo inicial para contagem do prazo decadencial passa pela análise da ocorrência de simulação no presente caso. Adiante, a Recorrente sustenta a nulidade da decisão recorrida ao afirmar que a Turma Julgadora embasou a sua decisão de manter os lançamentos em razão de suposta infração/vício nos contratos de compra e venda examinados nestes autos, alterando, desta forma, o "fundamento" da Sra. Auditora Fiscal que alegava a existência de infração/vício em momento diverso (isto é, nas cisões da Recorrente). Nesse sentido, elabora uma tabela ilustrando que “diferentemente da Sra. Agente Fiscal, a DRJ não traz em seu voto qualquer menção ao termo "planejamento tributário abusivo" (ou similar), mas menciona trinta e sete vezes o termo "simulação" (ou similar) e sete vezes o art. 167 do Código Civil”. Fl. 6975DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.976 58 No entanto, não merece provimento a referida alegação posto que a autuação deixou bem claro decorrer da falta de apuração de ganho de capital pela BRACOR decorrente da alienação de suas participações societárias em empresas onde eram desenvolvidos projetos imobiliários, ausência de tributação esta que foi consequência de atos simulados. Assiste razão à Procuradoria quando afirma que não há como aceitar uma interpretação com base na quantidade de vezes que uma palavra é utilizada. Embora o termo “simulação” tenha sido amplamente mais utilizado na decisão recorrida do que no lançamento, este deixa claro que a infração se deu porque, em seu entender, os contratos de compra e venda das BRC’s foram simulados, tendo em vista que o real alienante foi a BRACOR. A Recorrente utiliza, também, como fundamento a ensejar a nulidade da decisão recorrida, o artigo 489, do CPC/2015, alegando, para tanto, que a decisão seria nula porque não se pronunciou sobre todos os argumentos suscitados no processo e que seriam capazes “em tese” de alterar a conclusão adotada pelo julgador, assim como não houve manifestação sobre os precedentes citados. Entretanto, também neste ponto, não merecem provimento as alegações da Recorrente. Em primeiro lugar porque, como bem pontuado pela Procuradoria, a necessidade de suficiência de fundamentação não deve ser confundida com a abrangência de todos os pontos que envolvem a controvérsia, de modo que o julgador não está obrigado a abordar todos os aspectos levantados pelas partes; mas tem a obrigação de justificar a sua decisão apenas com os fundamentos que entende serem suficientes para, de acordo com a sua convicção, pôr termo à lide. Nesse sentido segue precedente do STJ: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. OMISSÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. VÍCIO NÃO CONFIGURADO. ART. 489, § 1º, DO CPC/2015. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. NÃO OCORRÊNCIA. SERVIDOR PÚBLICO. REAJUSTE SALARIAL. PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃOREMUNERATÓRIA. REVISÃO DO JULGADO. IMPOSSIBILIDADE. CONTROVÉRSIA DECIDIDA PELA CORTE DE ORIGEM COM BASE NA LEI LOCAL E NAS PROVAS DOS AUTOS. INCIDÊNCIA DAS SÚMULAS 280 DO STF E 7 DO STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. ANÁLISE PREJUDICADA. 1. Não há falar em omissão existente no acórdão quando o Tribunal local julga integralmente a lide, apenas não adotando a tese defendida pelos recorrentes. Não se pode confundir julgamento desfavorável ao interesse da parte com negativa ou ausência de prestação jurisdicional. 2. Afastase a tese de fundamentação deficiente do aresto combatido (art. 489, § 1º, III, IV e VI, do CPC/2015), pois esta Corte Superior possui precedente de que, "se os fundamentos do acórdão recorrido não se mostram Fl. 6976DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.977 59 suficientes ou corretos na opinião do recorrente, não quer dizer que eles não existam. Não se pode confundir ausência de motivação com fundamentação contrária aos interesses da parte, como ocorreu na espécie. Violação do art. 489, § 1º, do CPC/2015 não configurada" (AgInt no REsp 1.584.831/CE, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 14/6/2016, DJe 21/6/2016). (...) (AgInt no REsp 1649443 / RO; Relator(a) Ministro OG FERNANDES ; Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/09/2017 Data da Publicação/Fonte DJe 29/09/2017) Igual raciocínio se aplica à alegada ausência de manifestação quanto aos precedentes colacionados, isto é, assim como os argumentos escolhidos pelo contribuinte não necessitam ser, um a um, rebatidos; os precedentes colacionados que tratam de casos com peculiaridades e sujeitos diferentes, não vinculam os julgadores deste processo. Em conclusão, temse que o acórdão recorrido, ratificando o entendimento exposto no relatório fiscal, partiu da premissa de que houve simulação no presente caso, desconsiderando os contratos de compra e venda firmados entre os acionistas da BRACOR e o Grupo Prospéritas, e procedeu ao enquadramento dos fatos em conformidade com tal premissa. Portanto, não se verifica a ocorrência de qualquer hipótese de nulidade no acórdão recorrido. III – Do Mérito Podese extrair do relatório acima que a contribuinte fora autuada por ter deixado de oferecer à tributação o ganho de capital auferido na alienação de participações societárias. A Fiscalização apurou que, mediante a prática de simulação, houve o deslocamento meramente artificial do polo passivo da obrigação tributária da pessoa jurídica para os seus acionistas. Também foi constatada a indevida redução do preço pago. Em face da participação efetiva nos atos praticados e nas decisões da pessoa jurídica, dois acionistas da autuada foram autuados como responsáveis solidários. A dinâmica da infração foi sintetizada no trecho do Relatório Fiscal a seguir transcrito (fls. 2796/2836): “86. Resumidamente, assim se procedeu a ação: • A Bracor era quotista (99,99%) das BRCs desde 2006/2007 (anexo II deste Termo). • Os acionistas da Bracor na data da alienação das BRCs eram os mesmos desde 2007, de forma direta ou indireta, fl. 3005. Fl. 6977DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.978 60 • Nos anos 2010 e 2011, a Bracor promove 4 cisões de seu patrimônio, nos dias 12/08/10, 30/09/10 e 18/01/11 e 03/06/11, com versão das parcelas do patrimônio cindido às BRCs, conforme detalhado anteriormente. • Em virtude da redução de capital da Bracor decorrente das cisões promovidas, seus acionistas receberam quotas emitidas pelas BRCs em substituição às ações que detinham da Bracor. • Desta forma, os acionistas da Bracor (até então sócia majoritária das BRCs) deixaram de ter participação indireta nas BRCs e passaram a ter participação direta nas BRCs, como quotistas. • Os acionistas da Bracor são pessoas físicas, com cargos de diretoria na Bracor e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, com exceção do Banco Itaú. • Ou seja, num breve lapso de tempo a Bracor reduz seu capital social e, em decorrência, transfere sua participação acionária nas BRCs para seus acionistas e ato subsequente, essas BRCs são alienadas. • Desta forma, a Bracor deixa de recolher os tributos sobre ganho de capital na ordem de 34%, substituindoa por uma alíquota de 15%, pela qual são tributadas as pessoas físicas e as pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. • Além do deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas com tributação favorecida, houve também a redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra”. A Fiscalização entendeu que o fato de os exacionistas da Bracor figurarem formalmente como vendedores das BRC’s e, por via de consequência, serem eles os beneficiados com ganho de capital, ao invés da contribuinte; teria sido fruto de uma simulação, conforme se pode constatar dos trechos do Relatório Fiscal a seguir (fls. 3227/3228): “85. É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado. (...) 122. A operação engendrada pela fiscalizada é legal apenas no seu aspecto formal, mas ilícita na medida em que objetivou unicamente reduzir a carga tributária a que estava sujeita por meio de reorganização societária efetivada com o desvirtuamento total de institutos do direito privado. Pelo exposto, fica patente a Fl. 6978DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.979 61 caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. 123. A Bracor, ao cindir seu patrimônio, sem qualquer motivação extratributária, e consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, agiu dolosamente para impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador nascido com a alienação que ela, Bracor, em essência, fez. A conduta dolosa da Bracor é patente, pois ela quis, por meio de uma transferência artificiosa das participações da Bracor nas BRCs para seus acionistas, impedir a ocorrência do fato gerador da obrigação principal originada pela alienação das participações das BRCs.” Destarte, tendo havido os contratos de COMPRA E VENDA de participações societárias então detidas pelos acionistas/quotistas nas BRCs (vendedores) para pessoas jurídicas debaixo do Grupo Prospéritas (comprador) por simulados, a Fiscalização desconsiderou estes contratos no que se refere àqueles que constavam como vendedores, reorientando este polo contratual para nele colocar quem entendeu ter sido o real vendedor, ou seja, a Contribuinte. Disso seguindose neste, a apuração de ganho de capital. A DRJ, ao ratificar as conclusões da Fiscalização, sustenta a existência de simulação relativa no caso em espeque, discriminando que o ato simulado foi a compra e venda de participação societária por parte de acionistas/quotistas; de outro bordo, dissimulado teria sido a compra e venda de participação por parte do Contribuinte, pois este seria o ato desejado desde o início. A Turma Julgadora “a quo”, partindo do acervo reunido pela Fiscalização, deu maior enfoque para as procurações nas quais os exacionistas da contribuinte conferiam amplos poderes para esta na negociação do contrato de compra e venda. Constam no voto do Acórdão recorrido várias perguntas que objetivam deixar claro a descrença do colegiado quanto à verdadeira intenção dos envolvidos na venda das BRCs ao Grupo Prospéritas. Vejamos alguns trechos do Acórdão recorrido (fls. 48/52 do Acórdão n.º 1678.077 DRJ/SPO): “18. O caso é de simulação relativa e, assim o sendo, como consequência mínima disso, surgiu para a Fiscalização o dever de apontar o que simulado e o que dissimulado. Ela o fez. Simulada foi a compra e venda de participação societária por parte de acionistas/quotistas; esse o relato, para usar o termo prestigiado na citação acima ao Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Itamar Gaino. Por outro lado, dissimulada foi a compra e venda de participação societária por parte do Contribuinte. 19. E, agora ao cerne de tudo, de onde precisamente retirou a Fiscalização o contrarelato (também para prestigiar a linha de raciocínio do Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, Itamar Gaino, acima citado) que está a desmentir o relato? Segue: Fl. 6979DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.980 62 19.1. Tomese a cisão datada de 30/09/2010 (fls. 1051/1085; vide parágrafo 8.3 desse Voto). Se à essa altura os acionistas/quotistas no Contribuinte já eram titulares diretos das posições societárias nas BRCs que vieram de ser negociadas (venda de tais posições para pessoas jurídicas do Grupo Prospéritas) em 23/12/2010 (fls. 237/273), então por que ele, Contribuinte, surge como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas? O natural não seria o Grupo Prospéritas entabular negociações (em 23/12/2010) com os proprietários (desde 30/09/2010) das participações sob interesse? Vejase a cláusula 2.3 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253), bem que trechos d'um seu anexo (fls. 307/309): (...) 19.2. Por que os poderes então conferidos ao Contribuinte foram marcadas pelos signos da irrevogabilidade e irretratabilidade? Vejase a cláusula 2.3.2 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253): 2.3.2. Os poderes referidos no Anexo 2.3 são outorgados à Procuradora dos Vendedores em caráter irrevogável e irretratável em consonância com o disposto no Art. 684 do Código Civil Brasileiro. 19.3. Poderseia dizer que a explicação desse expediente encontrase expresso na cláusula 2.3.1 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 253): 2.3.1. Os poderes previsto na Cláusula 2.3 acima são outorgados em vista do e para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior. [...]. 19.4. Mas, se assim é ou fosse, temse aí uma contradição. É que o protocolo de justificação da cisão operada a 30/09/2010 refere a uma particular vantagem na dita cisão (fl. 1061): Além disso, a administração da Bracor entende que a cisão, conforme proposta, garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no todo ou em parte, conforme julgarem conveniente. 19.5. Mas como teriam os acionistas/quotistas no Contribuinte liberdade de decisão quanto ao destino de suas participações nas BRCs (eventual alienação incluída) se na execução do instrumento feito para concretizar a venda de tais participações para o Grupo Prospéritas não tinham eles, acionistas/quotistas, gerência alguma, vistos os poderes entregues ao Contribuinte, encastelado que ficou como procurador comum de todos eles, de Fl. 6980DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.981 63 modo irrevogável e irretratável? Com os poderes antes especificados e assim qualificados, estáse bem além d'um mero instrumento de mandato. Eis um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de que seriam os acionistas/quotistas a disputarem a posição de vendedores). 19.6. O mesmo se diga (ou se pergunte, como acima feito) sobre a cisão datada de 18/01/2011 (fls. 1086/1198; vide parágrafo 11.4 desse Voto). Se à essa altura os acionistas/quotistas no Contribuinte já eram titulares diretos das posições societárias nas BRCs que vieram de ser negociadas (venda de tais posições para pessoas jurídicas do Grupo Prospéritas) também e no exato dia de 18/01/2011 (fls. 476/516), então porque ele, Contribuinte, surge como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas? O natural não seria o Grupo Prospéritas entabular negociações (em 18/01/2011) com os proprietários (alçados a essa condição nessa mesma data) das participações sob interesse? Vejase a cláusula 2.3 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias (fl. 488), bem que trechos d'um anexo (fls. 621/622): (...) 19.12. O Itaú BBA S.A. aparece como vendedor de suas participações nas BRCs nos dois contratos antes citados (23/12/2010 e 18/01/2011; fls. 237/273, 476/516). Bem, a valer o propósito das cisões havidas em 30/09/2010 e 18/01/2010, isto é, de conferir autonomia de negociação aos acionistas/quotistas, por que é que a referida instituição financeira aceitaria a intermediação do Contribuinte (na figura de procurador com amplos, irrevogáveis e irretratáveis poderes)? Responde Itaú BBA S.A. (fls. 2952/2954) que tal se dera por "exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda [...]". Mas, pergunta se, quais "eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores" se a venda de suas participações nas BRCs foram livres de quaisquer ônus, isto é, líquidas de dívidas tituladas pelas pessoas jurídicas BRCs? Por outra, quando da operação de venda e compra das mencionadas participações nas BRCs, já ficou estabelecido que a responsabilidade pelos passivos ali presentes (nascidos e registrados contra as pessoas jurídicas BRCs) passaria – e efetivamente passou para os compradores12,13. Eis mais um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de que seriam os acionistas/quotistas a disputar a posição de vendedores). Destaquese também, a seguinte passagem da decisão recorrida em que a Turma Julgadora destaca a possibilidade de que o próprio contribuinte fizesse a venda das participações societárias nas BRC’s diretamente ao Grupo Prospéritas, ao utilizar o exemplo em que o contribuinte vendeu a participação que detinha na BRC XXI – Empreendimentos Imobiliários Ltda. com Tulipa LLC (Delaware – EUA) em 01/06/2011 (fls. 54 Acórdão n.º 1678.077 DRJ/SPO): “19.17. Não havia obstáculo negocial à possibilidade de o próprio Contribuinte vender suas participações societárias nas BRCs ao Grupo Prospéritas, Fl. 6981DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.982 64 isso ao invés de dar curso a cisões de parcelas de seu patrimônio correspondentes a tais participações e, por decorrência de redução do capital social, promover a troca de participações de seus acionistas/quotistas em seu capital por participação deles no capital das BRCs. Isso tanto é verdade que o Contribuinte fechou contrato de venda de sua participação societária na BRC XXI Empreendimentos Imobiliários Ltda. com Tulipa LLC (Delaware EUA) em 01/06/2011 (fls. 755/783). É um contrarelato (é o Contribuinte que está na posição de vendedor) ao relato ofertado (no sentido de justificar a necessidade negocial de se colocar os acionistas/quotistas na posição de vendedores).” Por fim, não se pode deixar de mencionar a conclusão a que chegou a PGFN, quanto à simulação apurada nestes autos (fls. 6834/6894): “Em vista do que fora apresentado, fica clara a simulação apurada pelo lançamento. Embora as partes envolvidas tenham declarado a venda das BRC’s pelos acionistas da BRACOR, na realidade tal alienação foi realizada pela própria BRACOR. Como visto, todos os requisitos de um alienante foram observados pela BRACOR, com exceção, por óbvio, do recebimento do preço, que é justamente o núcleo do planejamento orquestrado. A BRACOR foi a responsável: pelo desenvolvimento dos empreendimentos detidos pelas SPE’s; pela negociação das sociedades; pela concretização da venda; pelos direitos e obrigações decorrentes da venda. Outrossim, de acordo com o contrato social da BRACOR, a venda das SPE’s por essa sociedade era a atividade esperada, pois correspondia à conclusão de sua atividade. Contudo, em face da realização de reduções de capital completamente ilegais e a celebração de uma procuração que na realidade procurava neutralizar os efeitos de tais reduções, as partes defendem que seja oposta contra o Fisco tal situação inquestionalmente irreal. Portanto, a simulação é evidente. A divergência entre as vontades real e declarada é inequívoca. E, por último, a exclusiva finalidade fiscal é incontestável. Com efeito, por meio da declaração de reduções de capital que nunca existiram na realidade, as partes procuraram atrair de maneira artificial a incidência do artigo 22 da Lei nº 9.249/1995 e assim deslocar o polo passivo do ganho de capital a ser tributado para pessoas submetidas a alíquota menor. Contudo, não tendo havido verdadeiras devoluções de capital, não há que se falar na aplicação do referido dispositivo. No presente caso não houve devolução de capital, mas sim deslocamento de resultado. Dessa forma, como apurado pelo lançamento, houve simulação subjetiva pois as partes alteraram apenas aparentemente a alienante das BRC’s. E, para tanto, declararam a realização de reduções de capital inexistentes, fizeram com que os acionistas assinassem os contratos de compra e venda como se vendedores fossem, e firmaram procurações que visavam a anular os efeitos indesejáveis causados pela transferência formal da propriedade das BRC’s. Em termos concretos, vêse que o resultado obtido pelas partes é igual à venda das BRC’s pela BRACOR com a transferência do resultado para os Fl. 6982DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.983 65 seus acionistas. Nesse diapasão, vale destacar que a alegação dos autuados de que não houve planejamento em face da ausência do retorno dos recursos a BRACOR não é passível de afastar a conclusão de que houve simulação. Como dito, basta ver que os recursos foram enviados aos acionistas. Assim, o interesse econômico das partes não era reduzir a tributação do ganho exclusivamente pela BRACOR, o que ocorreria caso os recursos tivessem retornado à sociedade. O interesse era comum entre as partes, onde os acionistas da BRACOR, no lugar de promover a venda das BRC’s pela sociedade e posteriormente auferir o resultado das alienações por meio de dividendos, por exemplo (claro, se houvesse lucros acumulados ou reserva de lucros para tanto) “optaram” por declarar uma redução de capital inexistente e assim vender diretamente os empreendimentos e tributar o ganho por uma alíquota reduzida.” Passo à análise da autuação. Como visto, em nenhum momento a Fiscalização comprova – ou a DRJ e a PGFN conseguem sustentar – que a Bracor de fato se evadiu da tributação de 19% [resultante da diferença da alíquota do imposto de renda aplicável às pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil (34%), e a alíquota do mesmo gravame aplicada ao ganho de capital das pessoas físicas e pessoas jurídicas domiciliadas no exterior – exceto paraísos fiscais (15%)] sobre o ganho de capital auferido. Isto porque, não houve a comprovação de que os acionistas tivessem reinvestido na Contribuinte, o lucro auferido com a venda das BRC’s. Ora, se o propósito das operações de cisão era evadirse de tributação, simulando uma situação em que a alienação era procedida pelos acionistas (que se submeteriam a uma alíquota menor), por óbvio que a simulação só estaria completa se os valores fossem reinvestidos na Recorrente. Esta é a lógica do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital, que tem em seu critério material o verbo “auferir”, acompanhado do complemento “ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza”. Vejamos o disposto no art. 117, do RIR/99. Vejamos: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza.” (grifos) O próprio TVF reconhece que foram os acionistas da Recorrente que receberam os valores das vendas das BRC’s. Senão, vejamos: "112. Deduzse das disposições contratuais constantes dos Contratos de Compra e Venda firmados nos AC 2010 e 2011, fls. 244 a 936, que os acionistas da Bracor, do ponto de vista estritamente formal, alienaram para o grupo Prosperitas, Credit Suisse e o Sr. Carlos Betancourt, as cotas das BRCs, obtidas em decorrência da cisão do patrimônio promovida pela Bracor (vide tabela item 81 deste Termo). Fl. 6983DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.984 66 113. Em face dessa 'alienação', cada uma dessas pessoas ligadas (pessoas físicas ou pessoas jurídicas domiciliadas no exterior) identificadas como vendedores contratuais apurou seu respectivo ganho de capital na DIRPF do anocalendário de 2010 e 2011 ou teve retido o IRRF (Imposto Retido na Fonte), conforme detalhado no Anexo III deste Termo." (grifos nossos) Logo, como atestado pela própria Fiscalização, foram os acionistas (“vendedores contratuais”) portanto, aqueles que praticaram o fato gerador do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital previsto na hipótese do art. 117, RIR/99. Se pudéssemos cogitar a existência de algum benefício pretendido na simulação dos contratos de compra e venda das BRC’s, este benefício teria sido aquele, porventura obtido pelos acionistas (“vendedores contratuais”), caso a tributação do ganho de capital na pessoa física fosse mais benéfica, do que se o resultado fosse tributado a título de distribuição de dividendos da sociedade. No entanto, mesmo no caso descrito acima, o polo passivo da obrigação tributária constituída deveria ser composto pelos acionistas, e não pelo contribuinte aqui autuado. Na simulação relativa, segundo Silvio Rodrigues (Direito Civil: parte geral. 41. Ed., v. 1) há dois negócios jurídicos “um, simulado, ostensivo, aparente, que não representa o íntimo querer das partes; e outro, dissimulado, oculto, que justamente constitui a relação jurídica verdadeira”. É também denominada dissimulação. Nas palavras de Maria Rita Ferragut (As Provas e o Direito Tributário: teoria e prática como instrumento para a construção da verdade jurídica. São Paulo: Saraiva, 2016): “(...)dissimular é disfarçar, fingir, ocultar, encobrir. Disfarça se uma realidade jurídica (ato ou negócio formalmente realizado), ocultandose outra que é a efetivamente praticada (ato ou negócio dissimulado, para os fins de diminuir, ou até mesmo eliminar, a carga tributária.” (g. n.) Ora, se o contribuinte tencionava evadirse de oneração tributária através da prática de um ilícito, a Fiscalização deveria ter comprovado que os lucros obtidos pelos acionistas, e já tributados na pessoa física sob uma alíquota menor, tivessem retornado ao patrimônio do contribuinte. Apenas se isto fosse comprovado, é que poderíamos perquirir quanto à hipótese da ocorrência, ou não, de simulação. Isto porque, a este ponto a Fiscalização teria demonstrado que o contribuinte teria tido uma economia de 19% (34% 15%) na tributação do IR sobre ganho de capital. Contudo, o Relatório Fiscal apenas desqualifica um contrato de compra e venda para, a partir de presunção, imputar um suposto benefício ilícito. Entretanto, a mencionada imputação é vaga pois desacompanhada da devida comprovação de que o contribuinte tenha, efetivamente, fruído do benefício decorrente da simulação. Fl. 6984DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.985 67 Repisase, a Fiscalização deveria comprovar que o contribuinte se beneficiou, de fato, de menor carga tributária através de atos simulados. Diversamente, neste caso podese afirmar que não houve a diminuição da carga tributária, justamente porque não houve prática do fato gerador pela Recorrente. Houve sim, a prática do fato gerador (auferir ganho de capital) pelos acionistas, os quais foram tributados nas estritas conformidades da lei. Logo, a inexistência de prática do fato gerador, cumulado com a falta de provas a demonstrar que a Recorrente tenha efetivamente se beneficiado, financeira ou economicamente, de um suposto negócio simulado, por si só, já seria motivo suficiente para cancelar os autos de infração em tela, sem a análise da ocorrência da hipótese de simulação. Não obstante isso, cabem algumas considerações quanto aos contra argumentos utilizados pela fiscalização para caracterizar a simulação tanto no procedimento, quanto no processo administrativo tributário, pois entendo que os indícios reunidos não são aptos à comprovação da simulação imputada. Como primeiro ponto, registro não caberem ponderações quanto à ausência, ou presença, de motivação extratributária para as cisões, e a consequente transferência das participações nas BRCs para seus acionistas, pois a fiscalização não tem a prerrogativa de ditar ou desconsiderar a forma como os contribuintes se organizam para praticar o fato gerador; ressalvado, por óbvio, a comprovação da prática de fraude ou simulação. Nesse sentido inclusive, este Conselho já considerou legítimo o direito de o contribuinte organizar seus negócios de forma mais eficiente. Vejamos: “CONTRATOS DE LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. ART. 565, CÓDIGO CIVIL. PROPÓSITO NEGOCIAL. ANÁLISE. DESCABIMENTO. Os contratos de locação de veículos automóveis não podem ser desconsiderados quando atendidos os requisitos previstos no art. 565, do Código Civil, ou seja, a cessão de coisa a outrem; por tempo determinado ou não; coisa não fungível e mediante certa retribuição. Afastase a possibilidade de desconsideração do contrato com base na alegada inexistência de propósito negocial, por inexistir de disposição legal a determinar, identificar, ou apontar o que deva ser tido por “propósito negocial”; do mesmo modo, não cabe à autoridade fiscal a discricionariedade de apontar em quais operações existe e em quais não existe proposta negocial. (Acórdão nº 1302003.159, Sessão de 16 de outubro de 2018.) ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA. INOCORRÊNCIA. OPERAÇÃO Fl. 6985DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.986 68 COMPLEXA E DE LONGA DURAÇÃO. INVESTIMENTO ESTRANGEIRO. CONTEÚDO ECONÔMICO E OBJETIVOS EMPRESARIAIS CLAROS. AUSÊNCIA DE ILÍCITOS OU ABUSOS. O simples emprego de companhias holdings em estrutura de aquisição de investimento, ainda que com a finalidade de viabilizar e promover a compra de participações societárias, denominadas empresas veículo, não basta para justificar a glosa do ágio verificado em tais operações. A alocação de recursos e investimentos em empresa controlada não operacional, principalmente quando procedida por grupos estrangeiros que almejam participar do mercado brasileiro, é manobra não só lícita, como também justificável e costumeira, dentro da dinâmica de um mercado globalizado. Deve ser verificada, de forma concreta e objetiva, a presença dos requisitos econômicos, financeiros e contábeis da formação do ágio, à luz das previsões dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para o seu devido aproveitamento como despesa dedutível, independentemente das formas e modelos negociais adotados, desde que lícitos. A reorganização empresarial, procedida nos termos dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mesmo envolvendo incorporação de empresas veículo e a chamada incorporação reversa, desde que não tenha como resultado o aparecimento de novo ágio, não constitui economia de tributos por meio ilícito ou abuso. A desconsideração de atos e negócios jurídicos do contribuinte é medida extrema e excepcional. Cabe ao Fisco a demonstração específica, devidamente comprovada, de que determinada vantagem fiscal foi obtida através da prática de atos ilícitos ou simulados, dentro dos moldes dos institutos de Direito Civil e de Direito Comercial brasileiros. Acusações de simulação e fraude não podem se valer apenas da rotulação das formas jurídicas adotadas pelo contribuinte como manifestamente defeituosas ou viciadas, independentemente de seu efetivo conteúdo e dos efeitos realmente verificados. (Acórdão n.º 1402002.740, Sessão de 19 de setembro de 2017) “PIS. REGIME MONOFÁSICO. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS. ART. 116, P.U. DO CTN. UNIDADE ECONÔMICA. ART. 126, III, DO CTN. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 6986DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.987 69 Não se configura simulação absoluta se a pessoa jurídica criada para exercer a atividade de revendedor atacadista efetivamente existe e exerce tal atividade, praticando atos válidos e eficazes que evidenciam a intenção negocial de atuar na fase de revenda dos produtos. A alteração na estrutura de um grupo econômico, separando em duas pessoas jurídicas diferentes as diferentes atividades de industrialização e de distribuição, não configura conduta abusiva nem a dissimulação prevista no art. 116, p.u. do CTN, nem autoriza o tratamento conjunto das duas empresas como se fosse uma só, a pretexto de configuração de unidade econômica, não se aplicando ao caso o art. 126, III, do CTN. (Acórdão nº3403002.519, 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária. Sessão de 22 deoutubro de 2013.) Outrossim, temse que a operação de redução de capital da Bracor não é prova de ilicitude, na medida em que atende às previsões existentes na legislação, e, no limite, somente poderia ser desconsiderada com base em conceitos ainda não amparados na legislação tributária vigente (abuso de direito ou abuso de forma), conforme já explanado. A jurisprudência do CARF, em sua maioria, tem referendado operações semelhantes de redução de capital com devolução de participação em controladas aos acionistas pessoas físicas e posterior alienação de tal participação, conforme demonstram os seguintes julgados: "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. PROCEDIMENTO LÍCITO. É vedado à autoridade administrativa alterar o regime de tributação adotado para, desconsiderandoo, tributar o ganho de capital na pessoa jurídica que promoveu a devolução de capital aos acionistas, alegando que a carga tributária aplicável seria mais elevada. A própria lei autoriza ao contribuinte optar pela tributação na pessoa física, sujeita a carga tributária inferior, conforme dispõe os artigos 22 e 23, da Lei nº 9.249/1995. Tratase de norma indutora de comportamento. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO ABUSIVO. INOCORRÊNCIA. São legítimos os atos praticados pelo contribuinte quando estes são lícitos e sua exteriorização revela coerência com os institutos de direito privado adotados e sua dinâmica operacional/negocial. Não há dúvidas de que as operações em análise observaram as disposições do artigo 22, da Lei nº 9.249/95 e, para superação questões operacionais e de imagem da Neogama (governança e transparência corporativa), a redução de capital veio como alternativa legítima e eficiente." Fl. 6987DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.988 70 (Acórdão nº 1201002.584 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 21 de setembro de 2018, Redatora designada Conselheira Gisele Barra Bossa) "REDUÇÃO DE CAPITAL. ENTREGA DE BENS E DIREITOS DO ATIVO AOS SÓCIOS E ACIONISTAS PELO VALOR CONTÁBIL. SITUAÇÃO AUTORIZADA PELO ARTIGO 22 DA LEI Nº 9.249 DE 1995. PROCEDIMENTO LÍCITO. AUSÊNCIA DE FRAUDE OU SIMULAÇÃO A redução do capital social deve ser de competência exclusiva da Assembleia Geral, desde que não haja prejuízos a credores, e não seja hipótese de fraude ou simulação. Assim, apenas os acionistas, que assumem o risco do negócio, possuem legitimidade para definir o montante necessário para continuar as atividades de sua empresa." (Acórdão nº 1301003.023 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 16 de maio de 2018, Relatora Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto) "VENDA DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA RECEBIDA PELOS SÓCIOS APÓS OPERAÇÃO DE REDUÇÃO DE CAPITAL. AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO. PLANEJAMENTO LEGÍTIMO. Restando comprovado que a negociação da participação societária foi de fato e de direito realizada pelas pessoas físicas (ausência de simulação), bem como que a redução de capital com entrega de participação aos sócios produziu as consequências jurídicas normalmente esperadas para este tipo de operação (negócio dotado de "causa"), não há base para que o fisco desconsidere os efeitos tributários a pretexto de tributar os atos segundo o que, no seu entender, seria o seu desfecho previsível." (Acórdão nº 1401002.347 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, da 1ª Seção de Julgamento do CARF, sessão de 10 de abril de 2018, Relatora Conselheira Lívia de Carli Germano) De forma semelhante, entendo que as procurações outorgadas à Contribuinte não são indícios aptos à comprovação de uma simulação nos contratos de compra e venda que originaram o ganho de capital. De um lado, o próprio TVF já havia consignado, conforme resposta do Banco Itaú BBA, que a outorga de procurações para que a Contribuinte tivesse amplos poderes de negociação foi uma solicitação/exigência do Grupo Prospéritas (comprador) e não da Recorrente (suposta vendedora). Vejamos: "61. Aliás, não só anuência como foi uma exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme informação do Fl. 6988DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.989 71 acionista Itaú BBA em resposta ao Termo de Diligência 01, fl. 295 2 a 2954, o qual reproduzimos a seguir: 'Com relação à procuração de que trata o Contrato de Compra e Venda das ações das BRCs, esclarecemos que a referida procuração foi outorgada por exigência dos Compradores, a fim de evitar a necessidade de comunicação com vários vendedores em caso de surgimento de reclamações relativas a eventuais passivos de responsabilidade dos vendedores que viessem a ser identificados após a compra e venda, conforme cláusula 2.3 do Contrato de Compra e Venda e descrito abaixo:" (Fl. 15 do TVF g.n.) No mesmo sentido, a cláusula de irrevogabilidade e irretratabilidade não seria apta a infirmar a validade dos negócios, pois esta teria sido constituída para o propósito de implementar as operações contempladas no presente Contrato, tendo em vista a quantidade de Vendedores e o fato de parte deles serem domiciliados no exterior, conforme consta na cláusula 2.3.1 do pertinente contrato de venda e compra de posições societárias. As duas exigências descritas acima são, a meu ver, razoáveis, pois buscam prevenir o comprador das dificuldades que o negócio com vários interlocutores – das mais variadas formas, e situados nos lugares longínquos – pudesse representar. Ademais, cumpre registrar que a Fiscalização não conseguiu trazer provas capazes de desqualificar a veracidade das informações colhidas em seu próprio trabalho fiscal. Em resumo: as presunções e suposições quanto ao motivo porque o Contribuinte tenha surgido como procurador comum de todos aqueles acionistas/quotistas, no meu entendimento, não são suficientes para contrapor o fato de que a simulação não restou comprovada, em razão da ausência de comprovação do reinvestimento ou internalização dos ganhos/lucros obtidos com a alienação das BRC’s ao patrimônio do contribuinte. Desse modo, restam esvaziadas as demais discussões quanto a (i) redução indevida da base de cálculo ao desconsiderar a quitação das dívidas das BRCs como parte do preço de compra; (ii) multas; (iii) juros sobre multas e (iv) responsabilidade solidária. IV – Conclusão Conforme o exposto, rejeito as preliminares suscitadas, para no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, cancelado a presente autuação e os Termos de Sujeição Passiva Solidária, decorrentes dos Autos de Infração ora entelados. Fl. 6989DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.990 72 É como voto. Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator Voto Vencedor Maria Lúcia Miceli Redatora Designada O presente lançamento decorre de planejamento tributário, no qual a autoridade fiscal concluiu que a transferência das participações societárias detidas pela autuada denominada neste voto por BRACOR, para seus acionistas, após cisão de seu patrimônio, teve a intenção de reduzir a tributação sobre o ganho de capital, significando uma economia tributária com a redução do percentual de 34% (tributação da pessoa jurídica) para 15% (tributação da pessoa física). A multa de ofício foi qualificada para 150%, e houve a responsabilização dos sócios pessoas físicas, com base no artigo 135, inciso III do CTN. Também foi imputada a responsabilidade solidária dos adquirentes das participações, com fundamento no artigo 124, inciso I do CTN. Além disso, também foram lavradas multas isoladas pela falta de pagamento das estimativas devidas, tratandose de tributação pelo lucro real, apuração anual. O nobre relator, como de praxe, em seu voto brilhantemente articulado e fundamentado, afastou as preliminares de nulidade, e deu provimento ao recurso voluntário para cancelar na totalidade o lançamento, assim como os Termos de Sujeição Passiva Solidária. Entretanto, ouso divergir do entendimento do relator, por entender que houve planejamento tributário, cabendo a qualificação da multa de ofício para 150%, mas devendo o crédito tributário lançado ser compensado com os recolhimentos a título de ganho de capital efetuado pelos vendedores (os sócios) incidentes sobre estas operações. Também entendo ser procedente o lançamento das multas isoladas pela falta de recolhimento das estimativas, já que não existe concomitância, assim a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Com relação aos solidários, entendo que deva ser mantida a imputação da responsabilidade solidária aos sócios, com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN. Mas concordo com o nobre relator quanto ao cancelamento da responsabilidade solidária das pessoas jurídicas que adquiriram as participações, cujo fundamento seria o artigo 124, inciso I do CTN. Como alegado na defesa, os adquirentes estão no lado oposto da relação contratual de compra e venda. Logo, não há como afirmar que há interesse em comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária que surge em função do ganho de capital, cujo imposto é cobrado do vendedor. Nestes termos, afasto a imputação da responsabilidade tributária com base no citado dispositivo. Passo, então, a expor os fundamentos de minha divergência. Fl. 6990DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.991 73 A seguir, de uma forma bem resumida, a BRACOR entende como pontos essenciais que seriam suficientes para infirmar a presente autuação: 1) A existência de propósito negocial nas reorganizações societárias, como: a) busca pela segregação de ativos e a colocação destes em um fundo de investimentos b) a intenção dos acionistas de investir na BRACOR para aproveitar a sua expertise no nicho de incorporação imobiliária e, anos depois, obter, para si, a liquidez de tais investimentos, o que se comprova pela ausência de reinvestimentos na BRACOR. c) a mitigação de eventual risco de conflitos de interesses bem como a conferência de maior governança corporativa na condução dos negócios. 2) a reorganização societária questionada configura uma opção legal e é admitida por este CARF em diversos julgados. 3) o fato gerador no presente caso é auferir o ganho/ter o efetivo acréscimo patrimonial e a BRACOR nunca recebeu os valores decorrentes das alienações das BRCs. 4) não pode ocorrer ingerência do Fisco sobre os negócios particulares. 5) a intenção de se alienar era dos acionistas da BRACOR. 6) a alienação da BRC XXI pela BRACOR ocorreu por esta se encontrar em situação particular. 7) a multa qualificada no percentual de 150% não poderia ser aplicada, uma vez que a BRACOR prestou todas as informações requeridas pela autoridade fiscal, registrou todos os seus atos nos órgãos competentes, deulhes a devida publicidade e não auferiu qualquer benefício econômico. Pois bem. A BRACOR relata que tem como objeto social a identificação, aquisição, desenvolvimento, manutenção, administração e/ou alienação de unidades imobiliárias industriais, comerciais ou de escritórios. Esclarece que passou a organizar seus empreendimentos em Sociedades de Propósito Específico (SPE), tendo como particularidade o fato de que possuem como propósito específico o desenvolvimento de um único empreendimento imobiliário previamente definido. Usando este modelo, o aporte de recursos do investidor se dá por meio de subscrição e integralização das cotas sociais ou ações da SPE, a depender do tipo societário, tornandose sócio do empreendimento. Nestes termos, a responsabilidade do investidor é limitada na proporção do capital social, ocorre a segregação de riscos inerentes a cada obra, além de possibilitar diferentes tipos de financiamentos conforme o caso. Portanto, a organização societária adotada pela BRACOR para o exercício de sua atividade econômica, com a criação de diversos empreendimentos vinculados às SPE denominadas de BRC I a BRC XXXV, foi assim demonstrada no recurso voluntário: Fl. 6991DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.992 74 Conclui afirmando que a criação das BRC pela BRACOR ocorreu à luz de todo o regramento jurídico que rege a atividade de incorporação imobiliária, possibilitando uma melhor capacidade de gestão dos empreendimentos no que se refere à segregação de riscos e aumento da diversidade de financiamentos, bem como oferecendo uma maior transparência e segurança aos investidores e compradores que se relacionavam com a BRACOR. Neste ponto, a BRACOR registra em sua defesa que não houve por parte da fiscalização e da DRJ qualquer questionamento quanto à sua estruturação dos negócios, com a criação das diversas BRCs. E sequer poderia. Como a própria BRACOR afirma, o Fisco não pode ingerir na forma em que o contribuinte estrutura e promove os seus negócios. Se optou por segregar seus empreendimentos em diversas SPEs, não pode a Administração interferir com qualquer ato em sua organização, determinando que adote outro modelo de negócios. De fato, própria BRACOR inicia sua defesa explicando que a legislação instituiu uma sistemática de proteção patrimonial denominada de "patrimônio de afetação", previsto no artigo 31 A da Lei nº 4.591/64, com redação dada pela Lei nº 10.931/2004, que possui, inclusive, regime próprio de tributação, semelhante ao SIMPLES, permitindo recolhimento único que abrange IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Entretanto, a BRACOR, por intermédio de seus sócios, preferiu utilizar as SPEs por entender que teria vantagens gerenciais e financeiras. Ora, se por um lado o Fisco não pode interferir na gerência dos negócios do contribuinte, de outra parte, me questiono se é possível o contribuinte intervir na sua estrutura negocial somente para reduzir os tributos. Este é o ponto central dos autos, que perpassa necessariamente pela análise da reorganização societária que ocorreu a partir de 12/08/2010. É necessário ressaltar que a escolha do modelo societário define a forma de tributação quando da venda dos empreendimentos imobiliários. De acordo com o modelo adotado, a BRACOR é sócia majoritária, detentora de 99,9% das ações de cada BRC. Assim, no curso normal do exercício de seus negócios, quando da alienação da participação da BRC, e considerando que a BRACOR optou pelo lucro real anual, com cálculo mensal de Fl. 6992DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.993 75 estimativas, caberia a tributação do ganho de capital auferido, nos termos do artigo 418 e 426 do RIR/99, com a incidência da alíquota de 34 %. Este seria o desfecho esperado quando da realização de seu negócio, frisando que o objeto social da BRACOR é a identificação, aquisição, desenvolvimento, manutenção, administração e/ou alienação de unidades imobiliárias industriais, comerciais ou de escritórios. E é com base nessa premissa que concluo não ter cabimento o argumento de defesa da BRACOR de que seria válida uma reorganização societária com a finalidade de transferir os ganhos de capital da pessoa jurídica para a pessoa física com a redução da tributação tendo por fundamento legal o artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Diferente do que alega a BRACOR, este dispositivo legal não é uma disposição autorizativa que permite ao contribuinte escolher qual a forma que irá tributar seu ganho de capital quando da venda de algum ativo. O artigo 22 da Lei nº 9.249/95 tão somente disciplina a tributação de ganho de capital e a avaliação de bens entregues a sócio ou acionista como devolução de capital societário. Considerando o contexto histórico, este dispositivo veio pacificar o tratamento tributário acerca da dissolução de sociedade com devolução de capital em bens e direitos ao titular, sócio ou acionista, reduzindo as vias de planejamento fiscal e integrando a tributação das pessoas físicas e jurídicas. Neste contexto, é temeroso afirmar que este dispositivo seria uma autorização de opção legal, entre realizar ganho de capital na pessoa jurídica ou na pessoa física, permitindo diversos planejamentos tributários como se constata nos caso destes autos. Em nenhum momento o artigo 22 da Lei nº 9.249/95 autoriza a devolução de um bem, que sempre pertenceu a pessoa jurídica, para que ele seja alienado pela pessoa física do sócio. Como dito antes, primeiro se define o modelo de negócio que certamente afetará o fato gerador, determinando quem é sujeito passivo da obrigação tributária, a base de cálculo e a legislação a ser aplicada. No caso concreto, foi escolha da BRACOR o modelo já descrito neste voto, sendo ela o sujeito passivo da obrigação tributária que surge com a venda das BRCs, uma vez que possui a participação de 99,9 % das mesmas. Jamais o artigo 22 da Lei nº 9.249/95 se prestará para justificar qualquer reorganização societária para tão somente permitir que a tributação do ganho de capital seja transferido da pessoa jurídica para a pessoa física do sócio. Tanto que, como bem frisou o auditor fiscal no Termo de Verificação Fiscal, houve a alienação da BRC XXI para a TULIPA LLC, em 01/06/2011, diretamente pela BRACOR, na qualidade de sócia majoritária. Ou seja, o fato gerador ocorreu dentro do modelo de negócio escolhido, tendo como sujeito passivo da obrigação tributária a BRACOR, na qualidade de alienante da maior parte das ações, devendo ser aplicado o disposto nos já citados artigos 418 e 426 do RIR/99. E, de fato, restou consignado no TVF, item 63, que o ganho de capital obtido com esta venda foi devidamente calculado e contabilizado na conta contábil 331300. A BRACOR vem justificar no recurso que a alienação da BRC XXI para a Tulipa LLC teria envolvido uma situação particular esclarecida durante a ação fiscal, assim como na impugnação. Afirma que o lançamento estaria pautado no total inconformismo do fisco e da DRJ pela forma que ocorreu a reestruturação societária e a venda das demais BRC. De fato, a BRACOR esclareceu qual foi o motivo para a venda da BRC XXI. E poderia ter sido qualquer outro motivo, não importa qual. O que foi destacado no TVF é que, de todas as BRC, no total de trinta e cinco, apenas uma venda se deu na forma que seria a esperada no curso normal de seu negócio, considerando a estrutura organizacional adotada. Fl. 6993DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.994 76 As demais vendas ocorreram através de seus sócios, procedimento que só foi possível por causa das várias cisões do patrimônio da BRACOR, reduzindo seu capital com a entrega das participações das BRC aos seus sócios. E, então, a pergunta: a reorganização societária era necessária, ou foi mero artifício para permitir a tributação do ganho de capital pela regra do artigo 22 da Lei nº 9.249/95, na pessoas física dos sócios, com aplicação da alíquota de 15%, ao invés da tributação na BRACOR, pessoa jurídica, cuja alíquota totaliza 34 % ? De acordo com a defesa, houve propósito negocial nas vendas das BRC realizadas pelos acionistas da BRACOR, e as reduções de capital foram legítimas e válidas, não tendo sido realizadas de maneira simulada e com a exclusiva finalidade de reduzir a alíquota a ser aplicável ao ganho de capital. Para dirimir a questão, me valho do irreparável trabalho do auditor fiscal, que fez um exame pormenorizado de cada cisão ocorrida, afastando todas as justificativas apresentadas, concluindo que a reorganização societária não era necessária. Da mesma forma, nas contrarrazões apresentadas, a Procuradoria da Fazenda Nacional faz uma análise completa acerca das reduções do capital e entrega da participação das BRC aos sócios, concluindo que estas operações que não encontram respaldo na legislação societária (artigo 173 da Lei nº 6.404/76) e na doutrina, pois há limitação, em função do Princípio da Imutabilidade, uma vez que capital social deve garantir tantos os interesses dos acionistas como dos credores da sociedade. Assim, a partir do citado Princípio, o capital social somente pode ser reduzido nos casos de absorção de prejuízos e de capital excessivo, e jamais de acordo com o livre interesse dos sócios, sob pena de prejudicar os interesses dos credores da sociedade. Além disso, concordou com todos os pontos levantados pelo auditor fiscal, também afastando as justificativas apresentadas para a reorganização societária que ocorreu com a cisões. De forma resumido, elaborei tabela onde destaco as justificativas utilizadas para cada cisão, e faço meus comentários logo a seguir: Data da Cisão Protocolo e Instrumento de Justificação de Cisão Parcial 12/08/2010 Redução do capital em R$ 75.867.823,00 => os sócios e a BRACOR entenderam ser conveniente a segregação dos empreendimentos imobiliários de escritório e de varejo dos empreendimentos imobiliários industriais e de logística, => a cisão conforme proposta mostrouse vantajosa, pois permitirá, além da segregação das atividades, a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades, facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, no futuro, no todo ou em parte 30/09/2010 Redução do capital em R$ 158.862.936,00 => que as Sociedades são proprietárias de imóveis, nos quais foram desenvolvidos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, os quais se encontram concluídos na presente data. => que a Bracor como sociedade holding, também detém participações societárias em outras sociedades, detentoras de imóveis nos quais se encontram em desenvolvimento empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, que demandam maior intervenção da Bracor, seja na supervisão da Fl. 6994DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.995 77 construção de tais empreendimentos, seja no aporte dos recursos necessários para o término das obras. => a cisão (...) se justifica uma vez que certos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística cuja construção encontrase concluída e cujos respectivos instrumentos de financiamento permitam o prépagamento ou, ainda, cujos desenvolvimentos já tenham atingido um ponto de equilíbrio ou de consolidação (e que, portanto, requerem menor intervenção da Bracor nos mesmos) devem ser segregados dos demais empreendimentos imobiliários que ainda encontramse em fase de construção, com financiamentos que inviabilizam o prépagamento ou, ainda, em fase da maturação e desenvolvimento (...) pois fará com que a Bracor administre de maneira mais eficiente tais empreendimentos imobiliários ainda em desenvolvimento, concentrando maiores esforços sobre eles. => a cisão (...) garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, 18/01/2011 Redução do capital em R$ 236.707.404,00 => a cisão (...) é a forma mais adequada para atingir o objetivo de segregar os empreendimentos imobiliários em desenvolvimento ou desenvolvidos pelas Sociedades dos demais empreendimentos em que a Bracor detém participação. => garantirá maior flexibilidade em relação aos empreendimentos a serem segregados, permitindo a participação direta dos acionistas da Bracor nas Sociedades e facilitando a tomada de decisão de cada um em relação à sua participação e à eventual alienação dessas Sociedades, É possível perceber que em todos os Protocolos possuem duas justificativas mais importantes: a) a cisão permitiria a segregação dos empreendimentos, permitindo uma maior administração da BRACOR. Ora, mas não foi exatamente esta justificativa para adoção do modelo estrutural, consignado no início do recurso voluntário, no qual a recorrente explica porque cada empreendimento estava vinculado a uma Sociedade Propósito Específico? Como pode agora querer justificar uma cisão com o objetivo de atingir uma situação que já existia desde o início, anosbase de 2006 e 2007 ? Todos os empreendimentos já estavam segregados para que, nas palavras da própria BRACOR, permitisse uma melhor capacidade de gestão: Nesse cenário, exatamente de acordo com a "nova" legislação, a Recorrente constituiu, nos anos de 2006 e 2007, diversas SPEs denominadas "BRC", com essa sigla seguida do numeral I a XXXV, cujo Fl. 6995DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.996 78 objetivo era segregar diversos empreendimentos imobiliários que estavam sob a sua condução. Como se pode perceber, a criação das BRCs pela Recorrente ocorreu à luz de todo o regramento jurídico que rege a atividade de incorporação imobiliária no Brasil, possibilitando uma melhor capacidade de gestão dos empreendimentos no que se refere à segregação de riscos e aumento da diversidade de financiamentos, bem como oferecendo uma maior transparência e segurança aos investidores e compradores que se relacionavam com a Recorrente. Como bem apontou a PFN nas contrarrazões, em que pese a utilização da palavra "segregar", o que os acionistas promoveram foram a retirada desses empreendimentos da BRACOR (recorrente), pois indiscutivelmente eles foram extirpados do patrimônio da sociedade. Contudo, "segregar" não pode ser confundido com "retirar". Ora, as BRC foram desenvolvidas com recursos e esforços da BRACOR ao longo dos anos de 2006/2007 com o objetivo de auferir lucro. Entretanto, quando é chegada a ora da concretização do seu objetivo social a venda do empreendimento imobiliário concluído (ou em vias de) este fato é um dos motivos para que ocorra a cisão. Esta constatação fica ainda mais patente na segunda cisão, como exposto a seguir. No protocolo da segunda cisão consta que, considerando que "as Sociedades são proprietárias de imóveis, nos quais foram desenvolvidos empreendimentos imobiliários de natureza industrial e de logística, os quais se encontram concluídos na presente data", e que as demais sociedades (BRC) "demandam maior intervenção da Bracor, seja na supervisão da construção de tais empreendimentos, seja no aporte dos recursos necessários para o término das obras", estes fatos seriam a justificativa para a cisão com a redução do capital. Ora, mas não é exatamente este o negócio da BRACOR, e na estrutura organizacional adotada ? Ainda justificando a reorganização societária, a defesa esclarece que o principal objetivo dos acionistas, ligados ao setor de "private equity", seria o investimento na BRACOR, aproveitando sua expertise na incorporação imobiliária, por meio das BRCs. Após essa etapa, o foco dos investidores seria agregar liquidez ao seu investimento inicial e sair do negócio. Ou seja, após a Bracor cumprir seu papel na qualidade de executora dos empreendimentos imobiliários referentes às BRCs, não haveria mais qualquer motivo para que os investidores continuassem atrelados a ela para dar seguimento aos seus objetivos individuais. Reafirma que a intenção dos acionistas seria obter liquidez para eles próprios e não para a Bracor, tanto que não houve o reinvestimento do lucro obtido com a venda das BRCs na holding. Mais uma vez ratifico minha posição. Não se trata de ingerência do FISCO como afirma a BRACOR. De fato, a legislação brasileira não proíbe que os contribuintes estruturem suas operações na forma que lhes for mais conveniente sob o ponto de vista fiscal. Entretanto, uma vez feita a opção, e tendo ciência das conseqüências tributárias, não tem cabimento alterar as características de um negócio para tão somente para obter vantagens fiscais. Repito: ao estruturar o negócio utilizando Sociedades de Propósito Específico, devese arcar com todas as conseqüências legais, inclusive a tributária, não podendo apenas se valer das vantagens com relação a governança corporativa e segregação dos Fl. 6996DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.997 79 riscos. Uma vez terminado o empreendimento imobiliário, é lógico que o passo seguinte é a sua venda, que deverá ter como alienante a Bracor, detentora de 99,9% das ações, com incidência de IRPJ e CSLL. Quanto ao interesse dos acionistas, em querer agregar liquidez ao seu investimento inicial e sair do negócio, com a venda do empreendimento, esta é a conduta mais do que esperada, principalmente no mercado imobiliário. Entretanto, estes objetivos seriam atingidos com a venda das BRCs pela Bracor, sendo desnecessária a operação de cisão e transferência das SPEs para os acionistas. Tanto que, como visto, a BRACOR foi a verdadeira protagonista da venda, ponto que será explorado mais adiante. E quanto à inexistência do reinvestimento do lucro obtido na BRACOR, como argumento de defesa, também não é fato capaz de invalidar o lançamento. Como foi dito, tratamse de acionistas ligados ao setor de "private equity", cujo principal objetivo é agregar valor ao seu investimento. Melhor ainda se este valor agregado vem com uma carga tributária menor, como se apresentou no presente caso. Apenas para finalizar esta questão, transcrevo parte da defesa na qual a BRACOR esclarece os motivos que levaram à reorganização societária: Diante da constatação de que a sua forma de organização societária como controladora de diversas SPEs já não atendia os seus objetivos empresariais, bem como de que os empreendimentos correspondentes a cada uma das BRCs sociedades com propósitos específicos já estavam finalizados, a Recorrente decidiu cindir parcialmente o seu patrimônio com o objetivo de segregar tais ativos de sua operação. Como dito, é de causar estranheza esta justificativa. A "contestada" organização societária traz o benefício de exatamente segregar os ativos de sua operação. E quanto ao fato de que alguns empreendimentos já estariam finalizados, é de longe um motivo para cisão. É como se uma fábrica de carros fizesse reorganização societária a medida que os carros ficassem prontos, sob a justificativa de facilitar o gerenciamento da produção. Ora, o empreendimento finalizado é justamente o produto a ser negociado, sendo de clareza incontestável que a titular para a venda é a BRACOR. A BRACOR também alega que, durante a fiscalização, teria justificado a cisão de agosto/2010 (primeira cisão) para ocorresse a segregação dos ativos imobiliários com determinadas características comuns como o tipo de ocupação, para criação de um fundo imobiliário, o qual, por questões de mercado não chegou a ser concretizado. Ora, mais uma vez não há justificativa para segregar o que já está segregado. Seja para criar um fundo imobiliário, seja para qualquer outro objetivo, esta alegação não é capaz de justificar a cisão de agosto/2010. Inclusive, a facilidade de obter investimentos específicos, como seria este fundo, já era justificativa para adoção do modelo societário, com sociedades de propósito específico. Portanto, esta suposta justificativa não tem o condão de infirmar as conclusões do auditor fiscal. Ademais, como consignou o auditor fiscal no TVF, demonstra a existência de uma negociação em curso com o Grupo Prosperitas. b) a facilitação da tomada de decisão de cada sócio em relação à sua participação e à eventual alienação dessas BRC. Fl. 6997DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.998 80 Em sua defesa, a BRACOR alega o objetivo das cisões foi permitir aos acionistas que tivessem a liberdade de decidir o que fazer com a sua parte no investimento nas BRCs. Esclarece ainda que, tomada essa decisão de que as BRCs seriam alienadas ao Grupo Prosperitas, passaram os antigos acionistas da BRACOR, juntamente com os adquirentes, a ter um segundo objetivo, a consumação/execução/implementação do negócio jurídico, para o qual a BRACOR foi chamada para facilitar. Diante da existência de diversos acionistas, a outorga das procurações se mostrou uma medida que conferiu agilidade e fluidez. Ora, esta justificativa é totalmente inócua, pois, na prática, os sócios deram procuração a BRACOR dando amplos e irrestritos poderes para promover e se responsabilizar pela venda, podendo agir de acordo com o seu critério e, inclusive, renunciar ou modificar conteúdo do contrato de compra e venda. Não se trata de agir dentro de limites estabelecidos na procuração, como se alega na defesa, pois os limites não foram estabelecidos. Assim, a pretensa liberdade de decisão por parte dos acionistas inexiste. E, apenas para concluir, transcrevo parte das contrarrazões da PFN acerca deste item, com as quais concordo e adoto no meu voto: De acordo com as referidas cláusulas, além de concretizar a compra e venda conforme os seus próprios critérios, a BRACOR também assumiu a responsabilidade por todos os direitos e deveres após a concretização do negócio. Pela procuração cabe a BRACOR cobrar os adquirentes por eventual inadimplência, assim como responder perante os adquirentes por eventuais reclamações. Ou seja, de acordo com a formalidade que os autuados propõem como verdadeira, a BRACOR nada vendeu, contudo assumiu todos os direitos e obrigações tal como tivesse vendido. Em outras palavras, além de ter cedido gratuitamente algo que desenvolveu com seus recursos e esforços, a BRACOR promoveu a venda, assumiu os riscos da operação, mas nada recebeu! E quanto à necessidade de procurações para conferir agilidade e fluidez nas negociações, ora, essa era exatamente a vantagem que se pretendia com a estrutura inicial da sociedade, tendo a BRACOR como sócio majoritária das BRCs. Ou seja, depois da reorganização societária, ao fim e ao cabo, a BRACOR atuou nas vendas das BRCs nos exatos termos que atuaria se nada tivesse sido alterado. A grande diferença é a vantagem fiscal obtida, com a redução das alíquotas. A BRACOR ainda alega que a outorga da procuração ocorreu por exigência dos compradores do Grupo Prosperitas, conforme atestaria a resposta do Itaú BBA (um dos vendedores). Por outro lado, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal, aos serem indagados acerca das negociações, os três diretores do Grupo Prosperitas informaram que a BRACOR se apresentou como gestora, tornando frágil as alegações da defesa, senão vejamos: Toda a negociação foi feita entre a Properitas e a Bracor, considerando que a Bracor se apresentou como a gestora das empresas a serem negociadas. Os contratos foram assinados com os acionistas das respectivas empresas adquiridas. (grifei) Outra questão levantada seria que a intenção de venda partiu de um grupo investidor internacional que figurava como acionista da BRACOR, totalmente autônomo e independente, a Equity International, que negociava diretamente com o Grupo Prosperitas. Fl. 6998DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 6.999 81 Acerca desta questão, o auditor fiscal pontuou que o Sr. Carlos Betancourt era o procurador da Equity International, portanto, a pessoa física que negociou com o Grupo Prosperitas. Ocorre que este fato não impede que a vendas das BRCs seja feita pela BRACOR. Não havia qualquer impedimento legal. O fato de um acionista buscar compradores para os empreendimentos imobiliários não implica em cisão e redução do capital. Como dito antes, uma vez adotado um modelo de negócio, nele devem ser pautadas as operações de venda, ainda que tenha sido um acionista em particular que tenha encontrado um potencial comprador. A BRACOR ainda alega que houve entendimento equivocado a respeito da dissolução da sociedade Delle Holding S.A. No entendimento do auditor fiscal, esta operação também teve como objetivo a transferência das participações das BRCs para os seus acionistas, pessoas físicas. Segundo a BRACOR, seria uma alegação vazia, já que o acionista Itaú BBA possuía maior participação na Delle Holding S.A, mas não pode se beneficiar de uma alíquota reduzida na tributação do ganho de capital. Antes, devese esclarecer que, em razão da dissolução da Delle Holding S.A., houve a distribuição das ações ordinárias da BRACOR, e na proporção da participação de cada acionista. Mas, além das ações da BRACOR, os acionistas da DELLE receberam quotas das BRCs que a DELLE havia recebido como pagamento das cisões realizadas em 12/08/2010 e 30/09/2010. É necessário perceber que, se não tivesse ocorrido a dissolução em 23/12/2010, diante do esquema engendrado pela BRACOR, a DELLE Holding S.A., que possuía uma participação na BRACOR de 16,48%, seria uma das alienantes das BRCs que receberia em razão das cisões, e não se beneficiaria da alíquota reduzida, por se tratar de pessoa jurídica. Com a dissolução da DELLE Holding S.A., ainda que o Itaú BBA também não pudesse se beneficiar com a redução da tributação, esta limitação se restringiu a sua participação na BRACOR, e por conseguinte também nas ações da BRCs que o citado acionista recebeu. Do comparativo dos percentuais de participação na BRACOR, o Itaú BBA passou a ter 10,58% das ações, percentual menor que a DELLE Holding possuía. Mas o Sr. Carlos Bentecourt passou a deter 4,55%, e o Sr. Gonçalo, 3,41%. Vejam os quadros com a participação acionária após a 1ª cisão, e depois da 2ª cisão, com a dissolução da DELLE: Fl. 6999DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.000 82 Continuando em sua defesa, a BRACOR alega que não teria ocorrido uma economia fiscal, pois o Itaú BBA era o acionista com maior participação. Ocorre que a maior participação era na DELLE Holding S.A. A questão é quais os efeitos produzidos na participação da BRACOR. Conforme exposto acima, houve a redução da participação de uma pessoa jurídica (Itaú BBA) de 16,84 % para 10,58%, e um aumento da participação das pessoas físicas, o que proporciona economia fiscal com a suposta venda das BRCs pelos sócios. Outro ponto a ser analisado é quanto à alegada ingerência do Fisco sobre os preços pagos pelas BRCs. O auditor fiscal incluiu no preço pago as dívidas assumidas pelos compradores, majorando a base de cálculo do ganho de capital. Já a defesa alega que as dívidas não foram parte do preço da operação, mas foram abatidas do valor da empresa, também chamado "enterprise value", chegandose ao preço final efetivamente pago, denominado "equity value". Esclarece que esta forma de precificação na alienação de participação em uma sociedade é bastante comum, apresentando trechos de site especializado no assunto. Em que pese afirmar que o enterprise value e equity value seriam uma forma usual de precificação, não restou comprovado nos autos que ela teria sido utilizada. Ademais, os trechos do artigo transcrito apresenta método de avaliação de uma empresa, em que seja utilizado uma abordagem do ponto de vista do mercado. Da leitura do artigo, e dos demais encontrados em outros sites também especializados, verifico que esta metodologia se presta para comparabilidade entre empresas. Também é possível encontrar as seguintes definições para "enterprise value": O que é Enterprise Value (Valor Intrínseco)? O Enterprise Value (Valor Intrínseco) é um indicador que leva em conta a cotação das ações de uma empresa (valor de mercado), juntamente com seus ativos (caixa e patrimônio) e passivos (dívidas), para definir quando a companhia realmente vale. Fl. 7000DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.001 83 Também conhecido como valor do empreendimento, podese dizer que o Entreprise Value mostra quanto custaria para comprar a companhia e todos os seus ativos, descontado o caixa e saldando suas dívidas.(grifei) Fonte: Suno Research em https://www.sunoresearch.com.br/artigos/enterprisevalue valorintrinseco/ O quanto custaria para comprar a companhia Enterprise Value significa o preço a ser pago. Já o "equity value" seria o valor final da empresa, calculado utilizando o Fluxo de Caixa Descontado, método de avaliação financeira. Mas o importante notar que esses métodos consideram, como custo para compra de uma empresa, as dívidas que devem ser quitadas. Ou seja, indiscutivelmente estes valores fazem parte do preço. Outro argumento da BRACOR seria que a quitação das dívidas não lhe teria trazido qualquer benefício. Para rebater esta alegação, reproduzido as contrarrazões da PFN, cujos fundamentos eu concordo, e tomo como razão de decidir: Mais uma vez a conclusão fiscal se mostra correta. Isso porque, diferente do que propõe os recorrentes, não se está diante de uma compra e venda de participação societária onde o preço pactuado levou em consideração as dívidas dessa participação. No caso em apreço, os compradores assumiram dívidas da alienante, o que, ao contrário do que dizem os recorrentes, proporcionou indiscutível aumento patrimonial da BRACOR em face da venda. Por certo, de acordo com o lançamento, foi apurado que, além dos pagamentos em troca das BRC’s, o Grupo Prosperitas assumiu a obrigação de pagar dívidas assumidas pela BRACOR em operações de créditos que envolviam as ações das BRC’s. Tais operações de créditos propiciaram a BRACOR recursos financeiros que foram utilizados pela própria BRACOR no desenvolvimento dos empreendimentos imobiliários detidos pelas BRC’s. Assim, as ações das BRC’s foram utilizadas pela BRACOR como garantias dos recursos obtidos, as quais deveriam ser liberadas quando da venda das BRC’s. Portanto, ao assumir as dívidas da BRACOR em razão dos recursos obtidos para financiamento dos seus empreendimentos imobiliários, por certo que o Grupo Prosperitas proporcionou a BRACOR inegável aumento patrimonial. Permitiu que a BRACOR cancelasse a obrigação de saldar tais “empréstimos”. Dessa forma, tendo em vista que a assunção das dívidas da BRACOR pelo Grupo Prosperitas teve como causa direta a venda das BRC’s, por certo que tais valores devem compor o preço de venda desses empreendimentos. Como já dito, sendo as dívidas da BRACOR, é inegável o seu benefício. Caso as dívidas fossem exclusivas das BRC’s e não afetassem em nada a BRACOR, não haveria benefício direto a sociedade alienante. Fl. 7001DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.002 84 Por todo acima exposto, não há reparos a ser feito na base de cálculo da autuação, sendo correta a inclusão das dívidas no preço das BRCs. A BRACOR ainda aborda a questão acerca da concessão de um plano de stock options, afirmando que não invalidaria a terceira cisão. Alega que, da leitura do TVF, não restou claro qual seria o efeito pretendido pela auditora fiscal. Como a própria BRACOR pontua no recurso, o auditor fiscal asseverou que não seria feito uma análise mais aprofundada sobre os termos do stock options, já que os acionistas da BRACOR foram desqualificados como vendedores das BRCs. No entanto, diferente do que alega a BRACOR, restou claro no TVF que a concessão de um plano de stock options teve como objetivo tornar os membros do Conselho de Administração, Carlos, Camilla, Angel, Thiago e Colin, acionistas da BRACOR, para então figurarem como vendedores nos contratos de compra e venda das BRCs. Foi realizada reunião deste Conselho de Administração, na qual se aprovou aumento de capital de R$ 33.035.437,67, e que deveria ser integralizados até 17/01/2011, véspera da 3ª cisão. Mais uma vez reproduzo o comparativo das participações societárias antes da 3ª cisão, no qual se percebe o aumento do percentual de pessoas físicas, potencializando a vantagem fiscal na venda das BRCs, com a tributação do ganho de capital a alíquota de 15%: De todo acima exposto, é irreparável a conclusão do auditor fiscal, corroborada pelas contrarrazões da PFN, que se trata de simulação subjetiva, pois, da análise de todos passos engendrados com as cisões, o real propósito desta "reorganização societária" foi transferir o sujeito passivo da obrigação tributária de pagar os tributos devidos sobre o ganho de capital na venda dos empreendimentos imobiliários da pessoa jurídica (BRACOR) para os seus sócios, por ser mais vantajoso, significando um economia tributária no que reduz o percentual de 34% para 15%. Com relação à simulação subjetiva, Marco Aurélio Grecco (Planejamento Tributário, São Paulo: Dialética, 2011, p. 276), assim esclarece: Nas simulações subjetivas estão abrangidas as hipóteses que envolvem a participação de pessoas, físicas ou jurídicas, em que se aparenta atribuir direitos a uma quando isto não é o que realmente acontece, ou em que se utiliza uma delas como Fl. 7002DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.003 85 interposta pessoa ou canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou o verdadeiro negócio celebrado. Faz parte da simulação que, no negócio aparente, todos os atos estejam formalmente dentro do previsto na legislação. Acerca deste ponto, BRACOR contesta a afirmação do auditor fiscal de que as atas das AGE de 12/08/2010 e 30/10/2010, apesar de constar a aprovação e assinatura de todos os acionistas, teriam sido assinadas somente pelos Srs. Carlos e Angel, que eram o Presidente e Diretor Financeiro da BRACOR. Informa que as citadas ATAS devidamente assinadas por todos os acionistas foram apresentadas com a impugnação. Às fls. 3304 a 3313 constam as cópias das ATAS, na qual se verifica que foi assinada por todos os acionistas. Entretanto, estas ATAS não foram apresentadas na Junta Comercial de São Paulo, órgão que confere publicidade e oficialidade a estes documentos. A autoridade fiscal obteve, junto a JUCESP, as ATAS que foram devidamente registradas, e nestes documentos constam apenas as assinaturas dos Srs. Carlos e Angel, conforme se pode verificar às fls. 937/1085. Ainda acerca do tópico de quem seria o real alienante, retorno à questão da segregação do negócio para sua potencial venda a fundo de investimentos. Na tentativa de justificar a primeira cisão de agosto/2010, a BRACOR alega que a intenção de venda das BRCs seria dos acionistas, o que se comprovaria por meio de mensagens eletrônicas enviadas por eles, além da contratação de parecer jurídico, cujo escopo era tratar da "segregação do negócio relativo à imóveis não industriais e de logística, para potencial venda do referido negócio para um fundo de investimento brasileiro." A leitura do citado parecer jurídico é muito elucidativa, e ratifica as conclusões do auditor fiscal. Ele foi elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, fls. 3321/3338, do qual destaco os seguintes trechos: Dentre as referidas SPEs, 26 são empresas que detêm ativos imobiliários, sendo que 19 são proprietárias de imóveis industriais e de logística e as 7 remanescentes são proprietárias de imóveis de escritórios e de varejo (BRC I, BRC II, BRC VI, BRC IX, BRC XV, BRC XVIII, BRC XXVIII, conjuntamente denominadas "Empresasalvo"). (...) Atualmente, a Bracor pretende segregar sua participação acionária nas Empresasalvo com o objetivo de alienar, total ou parcialmente, tais empresas para um fundo de investimento detido por novos investidores ("Fundo"). Para tanto, estudase a alternativa de realizar uma cisão da Bracor em relação às ações ou quotas detidas nas Empresasalvo, com versão da parcela cindida para as próprias empresas, de tal forma que os Acionistas passem a deter participação direta nas Empresas alvo. Segundo fomos informados, a Bracor possui um saldo de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores, os quais poderão ser aproveitados para a compensação de lucros futuros, Fl. 7003DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.004 86 incluindo eventual ganho de capital na alienação de investimentos. Não obstante, a transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi definida pela Bracor como a alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal, para a alienação das Empresasalvo, após estudos realizados pela empresa. É válido lembrar que, por força da legislação fiscal em vigor, parte do saldo de prejuízos fiscais acumulados da Bracor será extinto em função da realização da cisão acima mencionada. Não é preciso fazer maior ilações ... Primeiro, que o termo segregar foi utilizado como a ação de destacar do patrimônio da BRACOR os empreendimentos que pretendia alienar. E restou claro que todos estavam cientes que venda poderia, e deveria, ocorrer tendo como alienante a BRACOR. A "reorganização societária", efetuado por meio da cisão para segregar as Empresasalvo para a venda, teve como único objetivo ser mais eficiente sob o ponto de vista fiscal. Ou seja, claramente, o escopo fático jurídico foi alterado por meio da reorganização societária, com o único objetivo de aplicar o artigo 22 da Lei nº 9.249/95. Repitase que este dispositivo jamais autorizou que fossem realizadas alterações na realidade fática para ele fosse aplicado. Para esta conselheira, após a leitura deste parecer técnico, do qual todos tiveram conhecimento, e ironicamente foi trazido como prova de defesa, faz cair por terra toda defesa. Está claro que não existe nenhum outro propósito negocial a não ser a redução da tributação do ganho de capital. Todas os outros objetivos dos acionistas apontados na defesa, tais como maior autonomia e necessidade de segregação dos negócios, não justificam a reorganização societária como já fartamente demonstrado. E, em que pese este parecer tratar da primeira cisão, o procedimento nas demais foi o mesmo. Sempre teve o objetivo de obter vantagens fiscais, sendo que a BRACOR tinha o conhecimento de que ela deveria ser a alienante das BRCs, mas preferiu utilizar da simulação subjetiva para alterar a legislação a ser aplicada na determinação dos tributos devidos no ganho de capital. Por fim, cumpre registrar que a jurisprudência trazida do CARF não é vinculante. Importa registrar que as hipóteses de observância obrigatória estão descritas no art. 45, VI e art. 62 da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). A lei, por sua vez, é de observância e aplicação vinculante por força do caput do art. 62 do mesmo regimento. Ainda na tentativa de demonstrar que os reais vendedores seriam os acionistas, a BRACOR menciona a Carta de Intenção, assinada em 22/11/2010, na qual demonstraria que ela teria representado o interesse dos seus acionistas, e não os seus interesses próprios. Destacou que o objetivo da Carta seria "resumir os termos de uma potencial venda, por parte dos acionistas (os "Acionistas Vendedores"), da Bracor". Continua esclarecendo que, tendo em vista a grande quantidade de acionistas, especialmente situados fora do Brasil, uma alternativa de conferir maior praticidade e agilidade nas negociações contratuais foi a outorga de procurações à BRACOR para que tais acionistas pudessem ser representados. Afirma que as negociações com o Grupo Prosperitas só teriam se iniciado em novembro de 2010. Mais uma vez as alegações da BRACOR não são capazes de infirmar o lançamento. Considerando o já citado Parecer, datado de 02/08/2010, a BRACOR já tinha definido a forma de negociação da venda das BRCs, com a participação direta dos acionistas nas SPE, já que esta configuração se apresentou como "alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal". A Carta de Intenção, de 22/11/2010, fazendo referência aos acionistas como vendedores, faz parte da objetivo de promover o deslocamento do polo passivo da obrigação tributária da Bracor para seus acionistas, conforme afirmou a autoridade fiscal, com a qual eu concordo. Fl. 7004DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.005 87 A BRACOR ainda tenta argumentar que o fato de a Carta de Intenções não ter caráter vinculante, podendo a negociação não se concretizar com o Grupo Prosperitas, as últimas cisões parciais, realizadas em 18/01/2011 e 03/06/2011 (esta última não faz parte da autuação) se justificariam para conferir maior poder de decisão aos sócios quanto ao destino das BRCs. Como já dito antes, esta alegação não se sustenta diante da procuração outorgando amplos e irrestritos poderes a BRACOR na venda das BRCs, o que torna a vontade dos acionistas sem qualquer efeito prático. Retornando à questão da base de cálculo do lançamento, uma vez que fiz referência ao Parecer elaborado pela pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, fls. 3321/3338, consta, neste documento, que o preço de venda das quotas seria definido a partir de um valor inicial fixo e de uma parcela variável. Acerca da parcela fixa, no Parecer restou consignado, no último parágrafo da página 14, que: Ainda sobre o risco associado à cessão do direito à parcela variável, fomos informados de que a definição do preço de venda das Empresasalvo (parcela fixa) levará em consideração (i) o valor de mercado dos imóveis detidos pelas Empresasalvo, com base em laudo de avaliação elaborada para este fim, e (ii) as dívidas detidas por tais empresas junto a terceiros. Mais uma vez o raciocínio do auditor fiscal se mostra perfeito, ratificado pelo Parecer jurídico trazido aos autos pela BRACOR. Portanto, correta a inclusão das dívidas das BRCs no preço pago. Do aproveitamento do Imposto de Renda já recolhido pelas pessoas ligadas. Em sua defesa, a BRACOR requer que os pagamentos a título de imposto de renda retido na fonte, recolhidos pelas pessoas que atuaram como vendedoras das BRCs, sejam aproveitados para compensar o crédito tributário lançado. De fato, os recolhimentos, tanto do sócios pessoas físicas (imposto de renda incidente sobre o ganho de capital declarado em suas DIRPF), quanto as retenções do imposto de renda na fonte quando a adquirente situavase no exterior, incidiram sobre as mesmas operações da venda das BRCs, cujo ganho de capital está sendo tributado no presente lançamento, mas tendo como sujeito passivo a própria BRACOR. Mas não se pode esquecer que o principal objetivo da atividade de fiscalização é que sejam constituídos os créditos tributários incidentes sobre estas operações de venda, e que sejam de fato recolhidos aos cofres públicos. Ora, ainda que o recolhimento tenha sido efetuado por sujeito passivo diverso, já houve ingresso de tributos relativos a estas operações. Não seria sequer justo, tendo em vista o prazo concedido ao Fisco para revisar a apuração do imposto devido, impor àqueles que recolheram indevidamente que peçam a compensação nos termos do artigo 74 da Lei nº 9.430/96. É quase certo que já tenha ocorrido o decadência do direito à restituição do indébito, como já ocorreu no presente caso. Neste sentido, transcrevo trecho do voto do Acórdão nº 1103001.016, da lavra do ilustre Conselheiro André Mendes de Moura, citado no recurso voluntário: Fl. 7005DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.006 88 Entendo que, neste caso, os valores pagos a título de imposto de renda pessoa física devem ser considerados, na apuração do crédito tributário em debate. Ainda que por um caminho tortuoso, parcela do crédito tributário constituído por meio de lançamento de ofício de IR13.3 foi paga, e por isso deve ser levada em conta. Por outro lado, o crédito tributário referente à CSLL permanece intacto Pelo exposto, voto por dar provimento quanto a esta matéria, para que os pagamentos efetuados pelas pessoas ligadas sejam utilizados para compensar o lançamento de IRPJ. Da multa de ofício qualificada. Por todo o acima exposto, restou comprovada a simulação subjetiva, sendo correta a aplicação a multa de ofício qualificada, nos termos do artigo 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. O dolo nesta conduta restou ainda mais demonstrado quando, considerando Parecer datado em 02/08/2010, antes das cisões, a BRACOR solicita opinião acerca da operação que pretendia realizar, partindo da premissa que a venda através de seus sócios seria mais eficiente do ponto de vista fiscal. Mas não é só. No próprio Parecer elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, há o item II.3 Aspectos legais relacionados à realização de planejamento tributário e análise do caso concreto, o qual aborda a possibilidade de as autoridades fiscais questionarem toda a operação. Destaco alguns trechos: Conforme mencionado nos fatos e premissas acima, a realização da operação na forma descrita no presente memorando irá possibilitar que os Acionistas alienem suas participações nas Empresasalvo com um impacto tributário menor do que aquele que seria aplicável caso a alienação fosse realizada de forma direta, por meio da própria Bracor. Neste sentido, para o exame dos aspectos fiscais da operação, é pertinente avaliar a existência de um risco atrelado à possibilidade de desconsideração das estruturas por parte das autoridades fiscais, considerando os dispositivos legais presentes no ordenamento jurídico brasileiro e o atual cenário jurisprudencial. (...) Quanto à simulação, o Código Civil não define seu conceito, mas discorre sobre os negócios jurídicos que demonstrariam sua ocorrência, quais sejam aqueles que (i) aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente conferem ou transmitem; (....). Não obstante, a partir de tal dispositivo, a doutrina e jurisprudência costumam definir a simulação como um vício de Fl. 7006DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.007 89 vontade, consistente no descompasso entre o que foi declarado e a real intenção das partes. (...) Em suma, as autoridades julgadoras da esfera administrativa parecem estar concentrando a análise dos negócios jurídicos não apenas na perspectiva da legalidade, mas também de sua legitimidade, aferida a partir da existência de substância econômica para sua realização, a qual seria necessária para que os negócios sejam considerados válidos. Assim, a jurisprudência do Conselho de Contribuintes evidencia casos de desconsideração de transações implementadas pelos contribuintes quando entendido que tal implementação em razões ligadas exclusivamente à economia de tributos. (...) A propósito, a própria operação ora comentada, em que a Bracor pretende alienar parte de seus investimentos, já revela a importância de haver uma segregação dos empreendimentos imobiliários em sociedades específicas. (...) (...) É necessário ressaltar, porém, que, tendo em vista o cenário jurisprudencial, não é possível afastar o risco de que a operação venha a ser questionada no futuro. As autoridades fiscais poderiam alegar que a operação de cisão e transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi realizada com o propósito de reduzir a carga tributária na alienação dessas empresas e, com isso, questionar sua validade. Caso tal hipótese venha se materializar, nossa opinião é de que eventual autuação seria direcionada exclusivamente a Bracor, sob a alegação de que o propósito real seria a venda das SPEs pela Bracor e não pelos Acionistas. A BRACOR, juntamente com seus acionistas, tinham total conhecimento das conseqüências das operações, deixando claro, ainda, que intenção da reorganização societária seria apenas para reduzir a carga tributária. O risco foi assumido. A simulação subjetiva foi perpetrada. Ninguém foi pego de surpresa frente aos questionamentos do Fisco. O Parecer jurídico alertou que a validade desta operação poderia ser questionada, como de fato o foi. A BRACOR ainda se manifesta quanto à manutenção da multa qualificada de ofício no caso de voto de qualidade, fato que não ocorreu no presente julgamento, cujo resultado foi por maioria de votos. Logo, deixo de analisar esta questão por ser desnecessário. Quanto à alegação de que a multa qualificada de ofício representaria confisco, me reporto à Súmula CARF nº 2, no sentido que este colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei, ainda em vigor até a presente data. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 7007DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.008 90 Da decadência do lançamento Uma vez definida a aplicação da multa de ofício qualificada, também restou afastada a alegação de decadência para o anocalendário de 2010, já que a contagem do prazo para o lançamento deve ser feito nos termos do artigo 173, inciso I do CTN. Nestes termos, o prazo se inicia em 01/01/2012, e finda em 31/12/2016. Como a ciência ocorreu em 13/12/2016, o direito ao lançamento não estava decaído. Da impossibilidade de cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa A BRACOR também contesta a cobrança da multa isolada em razão da falta de recolhimento do IRPJ e CSLL por estimativa, seja porque ela só tem cabimento durante o exercício, seja porque seria concomitante com a multa de oficio. Entendo que não assiste razão à BRACOR, ressaltando que as multas isoladas foram aplicadas para os anoscalendário de 2010 e 2011, ou seja, após as alterações da MP nº 351/2007. A multa de ofício qualificada, cujo fundamento legal é o já citado artigo 44, inciso I, combinado com §1º, da Lei nº 9.430/96, penaliza o contribuinte que omite rendimentos. Já a multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, alínea "b", visa penalizar o contribuinte que não cumpre a sistemática de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL. A seguir, os citados dispositivos legais: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) A alteração legislativa promovida pela Medida Provisória nº 351, de 2007, no art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, deixa clara a possibilidade de aplicação de duas penalidades em caso de lançamento de ofício frente a sujeito passivo optante pela apuração anual do lucro tributável. A redação alterada é direta e impositiva ao firmar que "serão aplicadas as seguintes multas". A lei ainda estabelece a exigência isolada da multa sobre o valor do pagamento Fl. 7008DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.009 91 mensal ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa no anocalendário correspondente. Além disso, a alegação de que o lançamento da multa isolada não poderia ocorrer após o encerramento do exercício não encontra respaldo na citada legislação. O dispositivo dispositivo legal que fundamenta a multa isolada é claro e não possui qualquer condicionante. É claro que o lançamento de multa isolada só tem aplicação após o encerramento do período, e ainda tenha sido apurado prejuízo fiscal (IRPJ) ou base negativa (CSLL). Do contrário, se for constatado, durante o anocalendário, falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa, o lançamento deverá constituir o crédito tributário em sua totalidade principal, multa de ofício e juros de mora, para cobrança da estimativa devida. Da ilegalidade da cobrança de Juros sobre a Multa de Ofício. A BRACOR ainda contesta a cobrança de juros sobre a multo de oficio. Ocorre que esta matéria já se encontra sumulada pelo CARF, devendo esta conselheira observála: Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Logo, na determinação do crédito tributário devido, os juros de mora deverão incidir sobre a multa de ofício, e calculados tendo por base a taxa SELIC. RECURSO VOLUNTÁRIO DOS SÓCIOS Passo a julgar os recursos voluntários das pessoas físicas responsáveis solidárias, Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, cuja responsabilidade foi imputada com base no artigo 135, inciso III do CTN. Cumpre registrar que as defesas trazem as mesmas alegações, e serão analisadas em conjunto. Preliminares Em preliminar, alega nulidade da decisão recorrida, pois a autoridade julgadora ignorou os argumentos trazidos no que se refere "Análise das Condutas Praticadas pelo Impugnante", se limitando a reiterar as ilações do TVF, bem como apresentou alegações que sequer foram questionadas pelos recorrentes solidários. Fl. 7009DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.010 92 Não assiste razão ao Sr. Carlos e Sr. Angel, pois a DRJ, diante das alegações de que teriam apenas atuado no exercício regular dos cargos de direção e gerência, não acatou a defesa entendendo que "Não vinga o discurso de serem eles meros representantes". Houve, portanto, manifestação por parte da autoridade julgadora a quo acerca das alegações apresentadas na impugnação. Quanto a apresentar novas alegações, o que se percebe é o julgador desenvolveu seu raciocínio dentro da legislação tributária, trazendo algumas matérias que, ainda que não combatidos na defesa, estão presentes por força de lei. O fato de consignar no voto todos os aspectos tributários que julga importante registrar não torna nulo o acórdão. Faz parte do seu raciocínio jurídico. Os recorrentes solidários ainda alegam que a decisão recorrida inovou na fundamentação para a manutenção da responsabilidade solidária ao apresentar um novo dispositivo legal que não foi trazido na autuação. Não houve inovação na fundamentação. Da leitura do voto, o julgador a quo conclui que houve a simulação, tipo infracional definido no artigo 167, §1º, inciso I do Código Civil, que assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; No Termo de Verificação Fiscal, item 82, que o lançamento decorre da constatação de que se trata de simulação subjetiva, assim consignado: 82. É um caso típico de simulação subjetiva, que envolve a participação de pessoas físicas ou jurídicas, pelo qual se aparenta atribuir direitos a uma determinada pessoa quando a realidade dos fatos se revela totalmente diversa, ou em que se utiliza uma delas ou algumas delas como canal de trânsito de determinados bens ou valores para mascarar o verdadeiro titular ou verdadeiro negócio celebrado Ou seja, ainda que não mencionado o dispositivo legal, está patente a constatação do tipo infracional definido no artigo 167, §1º, inciso I do Código Civil. Por sua vez, a DRJ tratou da fundamentação da responsabilidade solidária dos sócios administradores nos seguintes termos: Mesmo que se lhe reconheça autonomia e independência de personalidade jurídica (da pessoa jurídica), ela não faz o que faz por si, mas senão por arte e graça de seus sócios administradores. Pois bem, visto o arranjo simulatório antes alinhavado que perfez o tipo infracional definido no art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil, agora impende identificar quais dentre os sóciosadministradores no Contribuinte deram vida ao dito arranjo. Fl. 7010DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.011 93 Isso feito, reificase sobres esses precisos sócios administradores a hipótese do art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN, certo que, a toda força, realizam eles atos em infração de Lei (art. 167, §1º, inciso I, do Código Civil, assim combinado com os arts. 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964): Da leitura do trecho acima, constatase que não houve inovação da fundamentação, e sim a ratificação, uma vez que verificouse que os atos praticados pelos recorrentes solidários subsumemse ao previsto no artigo 135, inciso III do CTN (atos praticados com infração de lei), já que por meio deles a simulação foi levada a efeito. Logo, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida suscitada pelos recorrentes solidários. Do mérito Lançamento Quanto ao lançamento, os recorrentes solidários reiteram as razões expostas pela Bracor Investimentos Imobiliários LTDA no seu recurso voluntário, já devidamente analisadas. Passo, então, a análise das demais questões trazidas quanto ao mérito. Do mérito Imputação da responsabilidade solidária com base no artigo 135, inciso III do CTN Passo a julgar o mérito quanto à imputação da responsabilidade solidária do Sr. Carlos e Sr. Angel. Resumidamente, os recorrentes solidários alegam que: 1. Não houve demonstração de atos personalíssimos que foram praticados pelos recorrentes solidários com dolo, elemento indispensável para aplicação do artigo 135 do CTN. 2. Toda a conduta dos recorrentes solidários ocorreu no exercício de suas funções perante a empresa BRACOR ou em nome de seus acionistas. 3. A atuação do recorrente Carlos como procurador não altera o fato de que os reais alienantes das BRCs foram os acionistas. 4. Não ocorreu fraude, simulação ou conluio. As alegações dos recorrentes solidários não se sustentam considerando todo o suporte fático contido nos autos. Como já dito antes, a simulação tem como característica a existência de um ato isolado ser formalmente legal, mas que mascara o real negócio que se pretende atingir. Logo, a alegação de que os recorrentes solidários agiram dentro dos limites do exercício de suas funções é mais do que esperado. Faz parte da simulação. São vários atos que Fl. 7011DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.012 94 individualmente estão revestidos de legalidade, mas que no total se percebe qual foi a real intenção. E, no presente caso, só com a atuação do Sr. Carlos e do Sr. Angel que todos esses atos puderam ser praticados. No TVF restou consignado o poder de decisão destas pessoas físicas nas pessoas jurídicas envolvidas, assim como a sua efetiva participação nas operações que foram consideradas simuladas. A seguir reproduzo os mesmos trechos trazidos nas contrarrazões da PFN, e suas conclusões, que adoto no meu voto: 131. Da análise de toda documentação colhida no curso deste procedimento fiscal, constatamos a participação direta e eficaz dos Srs. Carlos Javier Betancourt e Angel David Ariaz, respectivamente Presidente e Diretor Financeiro da Bracor, nos AC 2010 e 2011, no planejamento tributário abusivo efetuado pela fiscalizada. 132. Todos os contratos, alterações contratuais e demais documentos foram assinados pelos mesmos como representantes da BRACOR ou das BRCs, fls. 232 a 273, 313 a 354, 476 a 516, 626 a 671, 755 a 783, 827 a 871, 885 a 928. Ficou evidente que esses 2 dirigentes e também acionistas da fiscalizada tiveram participação efetiva nas decisões para a reorganização societária da Bracor e posterior alienação das BRCs pelos seus acionistas, como vendedores contratuais. Tais atos visaram, exclusivamente, a redução da incidência tributária. omissis 135. A BRACOR foi intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal 06, a informar o nome dos acionistas/diretores que iniciaram as negociações com o Grupo Prosperitas. Em resposta, fls. 1297 a 1298, informou que as negociações foram iniciadas pelo acionista Equity Bracor Investments. Importante frisar que o procurador da Equity no Brasil era o Sr. Carlos Bettancourt, (fls. 937 a 1050 deste processo [fl. 57 da Ata anexada] e fls. 1086 a 1198 deste processo [fl. 96 da Ata anexada]). Ou seja, era ele o responsável pelas negociações das BRCs. 136. Importante frisar que o Sr. Carlos Betancourt, além de Presidente da Bracor e procurador da Equity, também era procurador dos acionistas Candango, KLH, Gonçalo, Colin (procurações anexadas às referidas atas, fls. 937 a 1234), o que lhe dava ainda maior poder de atuação. 137. Todos os Protocolos e Instrumentos de Justificação de Cisão Parcial da BRACOR foram assinados pelo Sr. Angel Ariaz como representante da Bracor e das BRCs, fls. 937 a 1234. omissis 139. Importante frisar que os 02 dirigentes deliberaram em assembleia pela cisão do patrimônio da BRACOR e consequente redução de seu capital. Inclusive as atas das AGE realizadas em 12/08/10 e 30/09/10, fls. 937 a 1085, que decidiram pelas Fl. 7012DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.013 95 primeiras cisões foram assinadas somente pelos Srs. Carlos Bettancourt e Angel Ariaz, como presidente e secretário da mesa da Assembleia. Apesar de constar que todos os acionistas assinaram as referidas atas, não obtivemos estas atas com todas as assinaturas, mesmo intimando a BRACOR para apresentálas, fls. 1299 a 1373. As atas das cisões realizadas em 18/01/11 e 03/06/11 encontramse anexadas às folhas 1086 a 1234. 140. O Sr. Carlos Betancourt também foi responsável pela dissolução da DELLE Holding que era acionista da BRACOR deste 17/12/07, como liquidante. Esta dissolução ocorrida em 23/12/10 permitiu ao Sr. Carlos, Gonçalo e Itaú BBA figurassem como acionista da Bracor e quotista das BRCs, fls. (grifo nosso) Vêse, portanto, que sem a participação efetiva dos dois acionistas enquanto representantes das pessoas jurídicas envolvidas, mormente da BRACOR, das BRC’s e de alguns acionistas, a simulação autuada não teria ocorrido. Logo, tendo esses acionistas “forçado” as pessoas jurídicas que representavam a agirem em infração à lei, também atuaram com excesso de poderes, razão pela qual é plenamente devida a sua responsabilização nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN. Não há reparo a ser feito nas conclusões do auditor fiscal, ratificado pela decisão recorrida e pelas contrarrazões da PFN. Para reforçar que não pode haver outra conclusão, me reporto novamente ao Parecer elaborado pelo escritório Machado, Meyer, Sendacs e Opice, em 02/08/2010, no qual consta que "a transferência das Empresasalvo para os Acionistas foi definida pela Bracor como a alternativa mais eficiente, do ponto de vista fiscal, para a alienação das Empresas alvo, após estudos realizados pela empresa.". Ou seja, partiu daqueles que estavam na função direção a decisão de transferir as Empresasalvo, leiase BRCs, para os acionistas, tão somente por se apresentar como uma alternativa mais eficiente do ponto de vista fiscal. Por todo acima exposto, nego provimento aos recursos voluntários dos Sr. Carlos e Sr. Angel quanto a esta matéria, mantendo a imputação da responsabilidade solidária com base no artigo 135, inciso III do CTN. Do Princípio da Pessoalidade da Pena Os recorrentes alegam que o Princípio da Pessoalidade da Pena deve ser aplicado no presente caso, em respeito ao artigo 5º, inciso XLV da CF/88. Alega que a multa qualificada deve ser afastada, vez que o condenado, no caso, tratase de pessoa jurídica. Se equivocam os recorrentes em querer aplicas na esfera tributária princípio que deve ser observado no Direito Penal. No presente caso, o que se deve observar é o Código Tributário Nacional que expressamente determina que, nos termos do artigo 135, inciso III CTN, os sócios serão responsáveis pelo crédito tributário correspondente a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato Fl. 7013DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.014 96 social ou estatutos: Esclareço que crédito tributário inclui principal, multa e juros, sem qualquer previsão de exceção. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por: 1) afastar as preliminares de nulidade da autuação e do acórdão recorrido, bem como a decadência do direito para o lançamento; 2) no mérito: 2.1) dar provimento parcial, para reconhecer o direito à compensação do imposto de renda pago pelos sócios pessoas físicas, e do imposto de renda retido na fonte no caso dos adquirentes situados no exterior, desde que decorrentes das operações das vendas das BRCs, bem como manter a multa de ofício qualificada, a cobrança das multas isoladas pelo falta de recolhimento do IRPJ e CSLL a título de estimativa, e a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. 2.2) negar provimento ao recurso voluntário dos sócios Sr. Carlos Javier Betancourt e Sr. Angel David Ariaz, quanto à imputação da responsabilidade solidária com fundamento no artigo 135, inciso III do CTN. 2.3) dar provimento ao recurso voluntário dos responsáveis solidários arrolados com base no artigo 124, inciso I do CTN, excluindoos do polo passivo. É como voto. (assinatura digital) Maria Lucia Miceli Redatora Designada Declaração de Voto Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca Valhome desta declaração apenas e tão somente para esclarecer minha posição quanto ao afastamento da exigência de juros sobre multa e, assim, resguardar minha pretensão de permanecer no cargo de Conselheiro, cujo munus assumi, honrada e orgulhosamente. Isto porque, destaquese, não dei provimento ao Recurso Voluntário por entender correta a tese jurídica do contribuinte neste ponto, valendo frisar que não desconheço Fl. 7014DF CARF MF Processo nº 16561.720129/201698 Acórdão n.º 1302003.289 S1C3T2 Fl. 7.015 97 o teor da Súmula/CARF de nº 108 e nem tampouco as consequências regimentalmente previstas quanto ao seu afastamento. Sempre me manifestei pelo cabimento do cômputo do juros sobre a multa de ofício, mesmo antes da edição da predita Súmula. As razões de minha decisão, neste caso, cingem à coerência entre o que acordei quanto ao mérito e as decorrências de semelhante posicionamento... é que, se dei provimento ao Recurso Voluntário no mérito, lógico, e consentâneo, seria acordarse pelo afastamento da própria multa de ofício! Se não há crédito (melhor dizendo, se entendo inexistir infração à legislação tributária mormente por entender não ter ocorrido na espécie simulação a justificar a desconsideração dos negócios pactuados), não há multa; se não há multa, não há juros sobre ela incidíveis. Por esta razão, e tão somente em razão dela, votei por afastar a cominação dos encargos moratórios sobre a penalidade imposta. O problema é que este Colegiado vem adotando entendimento majoritário, digase, a meu sentir, e com a devida e maxima venia, equivocado, de que, superado o mérito, mesmo os Conselheiros que proveram o apelo quanto ao seu objeto principal, estariam instados a se pronunciar sobre os pedidos sucessivos (cuja análise restaria prejudicada acaso providas as razões de insurgência do contribuinte). Semelhante posição, contudo, revela, e insisto aqui na vênia pedida, revelaria uma inegável incongruência, e até contradição, entre o que decidi e o que estou sendo compelido a analisar. Não me é dado afastar a existência do próprio crédito tributário e, contrario sensu, manter a exigência quanto a parte que lhe é acessória (multa e juros). Vale a minha persistência: em tese, sempre achei cabível a exigência de juros sobre a multa de ofício, mesmo antes da edição da prefalada Súmula 108. Afasto, neste feito, tal cobrança apenas por coerência lógicosistêmica com o que decidi em relação ao próprio crédito tributário. Por tais razões que, quanto aos juros sobre multa, dou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca Fl. 7015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000459/2009-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007
SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA.
Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007
SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA.
Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-007.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade.
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NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da nãocumulatividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 04 59 /2 00 9- 41 Fl. 728DF CARF MF Processo nº 13502.000459/200941 Acórdão n.º 9303007.735 CSRFT3 Fl. 729 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 563 a 586), contra o Acórdão 3403003.420, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 422 a 433), sob a seguinte ementa (o mesmo foi consignado para a Contribuição para o PIS/Pasep): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/01/2006 a 31/12/2007 COFINS. SUBVENÇÕES. BENEFÍCIOS ESTADUAIS – ICMS. RECEITAS. CLASSIFICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. Na sistemática da não cumulatividade, regida pela Lei nº 10.833/2003, a COFINS incide sobre “o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica” (operacionais ou não operacionais), “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, sendo irrelevante a classificação das receitas provenientes de subvenções estaduais (“para custeio ou operação”, ou para “investimento”). Ao Recurso Especial foi negado seguimento, em Exame (fls. 638 a 643) e Reexame (fls. 644 e 645) de Admissibilidade, mas o contribuinte obteve decisão, em Mandado de Segurança (fls. 679 a 684), determinando “o seu processamento e julgamento regulares perante a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF”. A PGFN não apresentou Contrarrazões. É o Relatório. Voto Fl. 729DF CARF MF Processo nº 13502.000459/200941 Acórdão n.º 9303007.735 CSRFT3 Fl. 730 3 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Em respeito a decisão judicial proferida em sede de Mandado de Segurança, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão restringese à incidência ou não da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime da nãocumulatividade, sobre subvenções estaduais do ICMS – sendo que os períodos de apuração são anteriores à adoção da chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, que se deu com a entrada em vigor, a partir de 1º de janeiro de 2008, da Lei nº 11.638/2007, a qual promoveu profundas alterações na Lei das S/A (nº 6.404/76). No curso da Fiscalização, a autuada foi intimada (fls. 009) a “Informar se os valores correspondentes ao beneficio fiscal concedido pelo Governo do Estado da Bahia por meio da Resolução n° 120/2006 (DESENVOLVE) foram contabilizados como receita e oferecidos à tributação. Caso negativo, informar o motivo da não contabilização”. Em resposta (fls. 069 a 073), o contribuinte disse que “escriturou os valores correspondentes ao benefício fiscal concedido pelo Governo da Bahia na conta ‘Reservas de Capital Subvenções para Investimento’, no grupo Patrimônio Líquido”, sendo que “Tal procedimento foi adotado pela Intimada com observância do disposto no artigo 443 do ... RIR” e, assim, “tais valores não foram oferecidos à tributação”. Anexa as DIPJ/2007 e 2008 (Passivo às fls. 112 e 130) e planilha demonstrativa da Conta específica (n° 24050103), com base no Livro Razão, às fls. 081. Na descrição dos fatos do Auto de Infração (fls. 155, para a Cofins), está consignado o seguinte: “Nos termos do Parecer Normativo CST n° 112, de 1979, as subvenções para custeio e para investimento são contabilizadas a crédito de receitas, operacionais e não operacionais, respectivamente. De se observar, ainda, o regime de competência para o reconhecimento de tais receitas, ou seja, mensalmente à medida que for sendo usufruído o incentivo, mediante a dedução do ICMS a recolher. A legislação relativa à COFINS não faz qualquer distinção entre subvenção para custeio e subvenção para investimento. Aliás, nem sequer dispensa tratamento específico para as receitas compreendidas no conceito de subvenção, de sorte que tanto as subvenções para custeio quanto as subvenções para investimento foram trazidas para o campo de incidência da referida exação. Levando em conta que o artigo 1º da Lei n° 10.833, de 2003, estabelece que o fato gerador da contribuição devida à COFINS é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da classificação contábil adotada pelo contribuinte, o benefício fiscal em comento é considerado RECEITA, devendo integrar a base de cálculo da COFINS, visto tratarse de receita para a qual não há expressa previsão legal de exclusão ou isenção. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 13502.000459/200941 Acórdão n.º 9303007.735 CSRFT3 Fl. 731 4 Uma vez que os valores referentes ao incentivo fiscal, escriturados na conta n° 24050103 do Livro Razão INCENTIVO FISCAL DESENVOLVE, não foram oferecidos à tributação, a exigência será feita por meio de lançamento de ofício.” Vêse, então, que lançamento não se deu pelo fato de a Fiscalização ter considerado a subvenção como para custeio – e não para investimento, mas, de toda forma, com a edição da Lei Complementar nº 160/2017 – cujo art. 9º deu nova redação ao art. 30 da Lei n° 12.973, de 2014, incluindo os §§ 4º e 5º, isto perdeu a importância, pois todas passaram a ser consideradas para investimento, “com efeitos retroativos”: Art. 30. .................... § 4º Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5º O disposto no § 4o deste artigo aplicase inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Assim, considerando que os valores (apurados antes de 1º de janeiro de 2008) foram contabilizados como Reserva de Capital e não se discute a natureza da subvenção, eles efetivamente não comporiam a base de cálculo das contribuições. À vista do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000881/2007-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
O recolhimento do tributo anteriormente à sua confissão em DCTF retificadora configura denúncia espontânea para fins de exclusão da multa de mora. Aplicação de entendimento do STJ em julgamento de recursos repetitivos, conforme determina o art. 62, §2º, do RICARF.
Numero da decisão: 9101-003.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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RECOLHIMENTO DO TRIBUTO ANTES DA SUA CONFISSÃO EM DCTF. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. O recolhimento do tributo anteriormente à sua confissão em DCTF retificadora configura denúncia espontânea para fins de exclusão da multa de mora. Aplicação de entendimento do STJ em julgamento de recursos repetitivos, conforme determina o art. 62, §2º, do RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 08 81 /2 00 7- 22 Fl. 237DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 3 2 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à manutenção da exigência da multa de mora. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 120200.624, de 21/11/2011, por meio do qual a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, decidiu não reconhecer a ocorrência da denúncia espontânea e manter a multa de mora exigida nos presentes autos. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 RECOLHIMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O recolhimento extemporâneo de tributos deve ser efetuado acrescido da multa de mora Selic, quando constar de DCTF referente ao período de apuração sob análise, mesmo antes de início de procedimento fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outro processo, relativamente à matéria acima destacada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DOS FATOS. conforme exposto no Recurso Voluntário, a Recorrente recolheu em atraso, mas anteriormente ao início de qualquer procedimento fiscal, os valores relativos ao tributo, corrigidos e acrescidos dos juros moratórios aplicáveis, conforme se verifica nas guias anexas (DOC. 03 da Impugnação); nesse contexto, a Recorrente apresentou a sua DCTF ano calendário 2002 (DOC. 01 da Impugnação) em 30/03/2006, acompanhada dos respectivos DARF's, nos quais há registro do pagamento em data anterior, qual seja, 24/02/2006, registrese mais uma vez, antes de qualquer intimação do Fisco; a despeito de o recolhimento espontâneo e da posterior entrega da DCTF, caracterizandose, portanto, a denúncia espontânea sob os exatos termos do artigo 138 do CTN, a c. 2ª Câmara, atraindo a aplicabilidade do entendimento definitivo e vinculante do E. STJ a respeito da matéria, que, digase, converge com a situação fática da Recorrente, negou provimento ao recurso; assim, tendo o v. Acórdão recorrido conferido à Lei Tributária interpretação divergente da conferida por outras Câmaras desse E. Conselho Administrativo de Recursos Fl. 238DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 4 3 Fiscais, alternativa não restou à Recorrente senão a interposição desse Recurso Especial pelo qual se requer a reforma do julgado e, consequentemente, o reconhecimento da ocorrência da denúncia espontânea, na forma das razões abaixo expostas; DO DIREITO: DA NECESSIDADE DE CONHECIMENTO E PROVIMENTO DO PRESENTE RECURSO. conforme se verifica da leitura do voto (DOC. 02) proferido nos autos do REsp. 886.462, afetado à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, o "instituto da denúncia espontânea é aplicável aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, desde que o pagamento seja feito anteriormente à constituição do crédito e, claro, de qualquer procedimento fiscalizatório", verbis: [...]; nesse cenário, considerando que a declaração foi transmitida em 30/03/2006 e o pagamento do tributo ocorreu em 24/02/2006, tal como exaustivamente exposto nos autos, ao decidir pelo improvimento do recurso voluntário, a c. 2ª Câmara atribuiu à lei tributária (art. 138 do CTN) interpretação divergente da conferida pela 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, v. Acórdão nº 330101.267 (doc. 03), conforme cotejo analítico abaixo: Acórdão Paradigma nº 330101.267 PAGAMENTO ANTERIOR OU CONCOMITANTE À RETIFICAÇÃO DE DCTF. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURADA. MULTA DE MORA AFASTADA. ARTIGO 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. REPRODUÇÃO DE DECISÃO DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. [...] já existem decisões do C. STJ sobre a matéria, em sede de recurso repetitivo, a exemplo do RESP 149022, onde reconheceuse que a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. No caso, os DARF´s comprovando o recolhimento em abril de 2005, do principal, acompanhado dos juros de mora, encontramse à fl. 47 e seguintes. E os débitos foram cobrados a partir de DCTF´s retificadoras, apresentadas em maio de 2005 e maio de 2006 (auto de infração – fls. 16 e seguintes), posteriormente aos recolhimentos. conforme se verifica do acórdão paradigma, a c. 3ª Câmara reconheceu que a denúncia espontânea resta caracterizada quando o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito, retifica a declaração noticiando a existência de diferença e comprova que o pagamento ocorreu em dada anterior à retificação da declaração. Contudo, o v. acórdão recorrido, não obstante a vasta documentação comprobatória de que a Recorrente efetuou o pagamento do tributo em 24.02.2006, e transmitiu a declaração em 30.03.2006, equivocadamente, não reconheceu a ocorrência da denúncia espontânea; Fl. 239DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 5 4 diante do exposto, a Recorrente requer seja admitido e provido o presente Recurso Especial, para que, reformadose o v. Acórdão nº 120200.624, seja reconhecida a ocorrência da denúncia espontânea e, consequentemente, cancelada in totum a exigência fiscal. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 120000.163, de 17/05/2013, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: I Matérias objeto do recurso especial O dissídio jurisprudencial se manifesta quanto à discussão da possibilidade de se efetuar o recolhimento espontâneo extemporâneo de tributos sem o acréscimo da multa moratória. Ou seja, efetuar recolhimento de tributos em atraso declarados e recolhidos de forma espontânea, antes da apresentação de DCTF. [...] III Análise da admissibilidade do Recurso Especial [...] Importa salientar que se trata de Recurso Especial Divergência, e esta somente se caracteriza quando, em situações idênticas, de fato e de direito, são adotadas soluções diversas. Ademais, o ônus de demonstrar fundamentadamente a alegada divergência é do recorrente, conforme bem especifica o art. 67 e seus §§, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). É de se observar, ainda, que no caso dos autos a recorrente apresentou a sua DCTF – anocalendário de 2002, em 30/03/2006, acompanhada dos respectivos DARF’s nos quais há registro do pagamento em data anterior, qual seja, 24/02/2006, antes de qualquer intimação do Fisco Federal. Feitas estas considerações, passase à análise do acórdão paradigma, a ver se efetivamente retrataria situação idêntica àquela verificada no acórdão recorrido. Isso porque o Julgador é livre para formar sua convicção, e esta se encontra atrelada ao conjunto probatório constante de cada processo, mormente quando se trata de matéria de prova. Da análise da questão, verificase que do simples confronto entre os acórdãos recorrido e o paradigma apontado, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se trata da mesma matéria fática e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal, aplicado a um mesmo fato, que no caso em questão é a discussão da possibilidade de se efetuar o recolhimento espontâneo extemporâneo de tributos sem o acréscimo da multa moratória. Ou seja, efetuar recolhimento de tributos em atraso declarados e recolhidos de forma espontânea, antes da apresentação de DCTF. Assim, da mera leitura das ementas e dos acórdãos recorrido e paradigma apontado permite concluir que são acórdãos divergentes, pois tratam de matérias tributárias iguais, de fato e de direito, de forma diferente. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 6 5 Ou seja, tipificam tratamentos diferenciados, vez que, no acórdão recorrido entendeuse, que o recolhimento extemporâneo de tributos deve ser efetuado acrescido da multa de mora Selic, quando constar de DCTF referente ao período de apuração sob análise, mesmo antes de início de procedimento fiscal. Por sua vez, no paradigma apontado, ao contrário do que se concluiu no recorrido, considerouse que, de acordo com a decisão do STJ REsp 1149022, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá antes ou concomitantemente. Hipótese em que se afasta a incidência da multa moratória. IV Conclusão Assim sendo, com fundamento nos artigos 68 e 69, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial, interposto pela contribuinte, para que seja reapreciada a questão em discussão. Em 23/08/2013, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que admitiu o recurso especial da contribuinte, e o referido órgão não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. No caso, a divergência se dá em relação à não aplicação da regra de denúncia espontânea (CTN, art. 138), para fins de afastamento da multa de mora que foi exigida em razão de recolhimento extemporâneo de tributo. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já se manifestou a respeito disso, em julgamento de recursos repetitivos, consolidando o entendimento de que só se deve afastar a denúncia espontânea em casos semelhantes a esse quando o tributo pago a destempo já estava regularmente declarado à Receita Federal antes do pagamento. Vale observar a ementa do julgamento do Recurso Especial n˚ 1.149.022, processado conforme as regras do artigo 543C da Lei n˚ 5.869/1973 (antigo CPC): RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL. EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parcelamento, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). Fl. 242DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 8 7 3. É que “a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte” (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): “No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional.” 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (grifos acrescidos) Esse entendimento do STJ deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, conforme determina o § 2º do art. 62 do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62 [...] §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) No caso, conforme se constata pelo próprio Auto de Infração, e também pelas cópias das DCTF e dos DARF anexadas ao processo, as DCTF retificadoras onde constam os débitos de IRPJ foram apresentadas em 30/03/2006, e o pagamento desses mesmos débitos (com juros, e sem a multa de mora) ocorreu antes disso, em 24/02/2006. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 11543.000881/200722 Acórdão n.º 9101003.950 CSRFT1 Fl. 9 8 A contribuinte primeiro recolheu os débitos e, posteriormente, declarouos nas DCTF retificadoras. Portanto, deve ser aplicado o entendimento fixado pelo STJ na decisão acima transcrita, para fins de reconhecer a denúncia espontânea, e afastar a exigência da multa de mora. Desse modo, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 244DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902646/2016-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/09/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 25/09/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 46 /2 01 6- 20 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13851.902646/201620 Acórdão n.º 3402005.916 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.389. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13851.902646/201620 Acórdão n.º 3402005.916 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13851.902646/201620 Acórdão n.º 3402005.916 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.720243/2017-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: MAYSA DE SA PITTONDO DELIGNE
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Recorrente B2W COMPANHIA DIGITAL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado para a exigência de multa decorrente da conversão da pena de perdimento de mercadorias não localizadas, importadas mediante RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 00 74 .7 20 24 3/ 20 17 -1 2 Fl. 23838DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.839 2 ocultação do sujeito passivo, nos termos dos arts. 673, 675, inciso IV, 689 e §1° do Decreto n° 6.759/09 e arts. 73, §§ 1° e 2° e 77 da Lei n° 10.833/03. Segundo a fiscalização, foram realizadas importações por encomenda pela empresa ST IMPORTAÇÕES LTDA, CNPJ: 02.867.220/000142 (ST Importações, importadora ostenciva) sem a identificação, nas Declarações de Importação, do correto encomendante. Nas DIs, foram identificadas as empresas COMERCIAL DESTRO LTDA. CNPJ: 76.062.488/000739, e DESTRO BRASIL DISTRIBUIÇÃO LTDA. – CNPJ: 13.495.487/000172 (DESTRO), tão somente para acobertar a relação comercial existente entre a importadora ostenciva e as empresas B2W COMPANHIA DIGITAL (B2W) e as LOJAS AMERICANAS S.A. (Lojas Americanas), que seriam as reais encomendantes das mercadorias. No entender da fiscalização, as empresas Lojas Americanas e B2W eram as reais adquirentes das mercadorias importadas por meio de importação por encomenda pela ST Importação, sendo que teria partido delas o planejamento de interpor uma terceira empresa (DESTRO) como aparente encomendante das mercadorias com a finalidade exclusiva de ocultar sua participação nas operações de importação. Com isso, estaria caracterizado o ilícito de ocultação do sujeito passivo responsável pela operação, punível com a pena de perdimento das mercadorias, no qual respondem solidariamente os sujeitos passivos ocultos e o importador ostensivo (art. 23, V e §§ 1º e 2º do DecretoLei nº 1.455/1976, combinados com os arts. 675, II, e 689, XXII e § 6º do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 6.759/09). A autuação abrange as mercadorias destinadas à empresa B2W (admitida como real encomendante oculto) constantes de Declarações de Importação (DI) registradas pela ST Importações no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, nas quais a Destro Brasil é declarada como encomendante da importação. No presente Auto de Infração, respondem solidariamente as empresas B2W, Destro Brasil e ST Importações. Tratase de segunda etapa de um trabalho de auditoria, que, além do presente processo de perdimento, originou, dentre outros, o processo n.º 11762.720041/201777 (Destro Brasil, multa de cessão de nome), em julgamento nesta sessão. A primeira etapa da fiscalização atingiu as Declarações de Importação registradas no período de junho de 2011 a julho de 2012, objeto dos processos n.º 10074.720.245/201612 (B2W, pena de perdimento), 10074.720021/201692 (ST Importações, multa de cessão de nome), 10074.720647/201617 (Destro Brasil, multa de cessão de nome) e 10074.720227/201631 (Comercial Destro, multa de cessão de nome), igualmente postos em julgamento nessa sessão. Outros processos relacionados à primeira etapa da ação fiscal ainda estão pendentes de distribuição ou direcionamento a este Conselho. O relatório fiscal do Auto de Infração encontrase acostado às efls. 21.401/21.487, sendo que as 7 (sete) razões que respaldam a ação fiscal foram assim sintetizadas pela fiscalização: "1) A importadora direta (ST Importações) é controlada pelas Lojas Americanas e pela B2W, únicas sócias daquela empresa, e 100% dos administradores da ST Importações são comuns ao quadro de dirigentes de Lojas Americanas e B2W ou de empresas controladas por elas. Fl. 23839DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.840 3 2) Considerando os anos de 2012 e 2013, 99,71% do total de vendas da ST Importações foi destinado à empresa Destro Brasil, e todas as aquisições se deram a título de importação por encomenda desta. 3) A única fornecedora de mercadorias importadas às empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, no período de agosto de 2012 a dezembro de 2013, foi Destro Brasil. Tanto LOJAS AMERICANAS quanto B2W encontramse com sua habilitação para operar no comércio exterior SUSPENSA. 4) Absolutamente todas as mercadorias enviadas por ST Importações à Comercial Destro e à Destro Brasil, entre junho de 2011 e julho de 2012, foram repassadas às LOJAS AMERICANAS ou à B2W1. Entre agosto de 2012 e dezembro de 2013, de um total de R$ 349.557.462,38 de valor aduaneiro de mercadorias importadas por ST Importações, tendo Destro Brasil como encomendante declarada, somente o equivalente a R$ 64.735,20 (valor aduaneiro) não foi repassado às LOJAS AMERICANAS ou à B2W, ou seja, apenas 0,018%2. 5) Entre agosto e dezembro de 2012, das 948 declarações de importação registradas por ST Importações, somente 3 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. No ano de 2013, das 1700 declarações de importação registradas por ST Importações, apenas 9 não tiveram a empresa Destro Brasil como encomendante declarada. Logo, no período fiscalizado, somente 0,45% das DI registradas por ST Importações não tiveram Destro Brasil como encomendante declarada. 6) Em pesquisa por amostragem em Declarações de Importação registradas por ST Importações e em NFe de Entrada e de Saída emitidas por ST Importações e Destro Brasil, foram observadas algumas características típicas de operações comerciais onde ocorre a interposição de terceiros. Vejamos: 6.1 Dos prazos: O intervalo de tempo a separar a data do desembaraço da Declaração de Importação da data de emissão da NFe de Entrada das respectivas mercadorias nacionalizadas na ST Importações oscila entre 1 e 10 (dez) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Entrada das mercadorias nacionalizadas na ST Importações da data de emissão da NFe de Saída das mesmas para Destro Brasil é inferior a 3 (três) dias. O intervalo de tempo médio a separar a data de emissão da NFe de Saída das mercadorias nacionalizadas da ST Importações (que representa a data de entrada das mesmas na Destro Brasil) da data de emissão da NFe de Saída dessas mesmas mercadorias da Destro Brasil para B2W ou Lojas Americanas é em torno de 10 (dez) dias. As observações acima indicam uma destinação prévia da mercadoria já antes mesmo de sua entrada na ST Importações Ltda. 6.2 Da composição qualitativa e quantitativa das NFe emitidas: a) Em regra, há a emissão de somente uma NFe de Entrada pela ST Importações para toda a mercadoria desembaraçada por uma única Declaração de Importação. b) Já as NFe de Saída emitidas pela ST Importações para Destro Brasil não espelham as respectivas NFe de Entrada. Para a mercadoria nacionalizada por uma única Declaração de Importação, são emitidas várias NFe de Saídas. Considerase estranha a ação, pois todas as NFe de Saída apresentam o mesmo participante Destro Brasil. c) As NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil, indicam novos fracionamentos da mercadoria já previamente fracionada por ST Importações antes de seu repasse, quer seja para B2W, quer seja para Lojas Americanas. 1 Ver documentos 7.1, 7.2, 8.1 e 8.2 no índice 2 Ver documentos 8.3 e 8.4 no índice Fl. 23840DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.841 4 d) As múltiplas NFe de Saída emitidas pela Destro Brasil destinamse, via de regra, a filiais distintas de um mesmo participante, quer seja para filiais da B2W ou para filiais da LOJAS AMERICANAS. e) Observase uma perfeita segregação de origem da mercadoria nacionalizada. Toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é, ao final do processo, destinada a um único real adquirente. Mesmo com o fracionamento das mercadorias nacionalizadas por uma única Declaração de Importação em várias NF e de Saída distintas, não se observou destinação de parte das mercadorias nacionalizadas em uma mesma Declaração de Importação a reais adquirentes distintos; somente a filiais distintas de um mesmo real adquirente. As observações acima indicam a destinação prévia das mercadorias aos reais adquirentes antes mesmos do registro das Declarações de Importação; pois toda a mercadoria nacionalizada por uma Declaração de Importação é destinada a um único real adquirente. Indicam também o papel desempenhado por Destro Brasil na logística operacional do esquema, funcionando a mesma como um centro de fracionamento e distribuição das mercadorias. As observações das alíneas “d” e “e”, notadamente o restrito rol de clientes (somente 2), bem como a destinação total de uma Declaração de Importação para filiais de somente um cliente final indicam não haver em Destro Brasil uma etapa comercial de busca de clientes e venda, mas sim uma prédeterminação do destino final da mercadoria. 6.3 Do perfil das importações: ST Importações opera quase que exclusivamente para o esquema ora em análise. Entre 2012 e 2015, apenas 1,09% das Declarações de Importação registradas pela ST Importações, correspondente a 1,29% dos valores CIF movimentados, não foram destinadas às empresas do Grupo Destro e, posteriormente, às empresas do Grupo LASA. Ademais, a grande variedade de produtos nacionalizados (diversas NCM declaradas) demonstra ser improvável que as adquirentes das mercadorias (Comercial Destro e Destro Brasil) atuasse no mercado internacional num modelo de coleta de produtos e preços para posterior oferta dessas mercadorias à possíveis clientes no mercado interno. Tal diversidade de produtos comercializados coadunase com empresas que atuam no mercado num modelo de aquisição de produtos específicos previamente encomendados por clientes prédeterminados. 6.4 Dos lacres: Informação a corroborar a prévia destinação da mercadoria importada, antes mesmo da saída da mesma de ST Importações, é obtida da observação dos dados de transporte da mercadoria em território nacional constantes das NFe emitidas. Em várias NFe da amostra, verificouse que o número do lacre aposto à mercadorias constantes da NFe de Saída das mercadorias da ST Importações era o mesmo número do lacre aposto às mercadorias constantes das NFe de Saída de Destro Brasil com destino às empresas B2W e LOJAS AMERICANAS. Além de não haver alteração da embalagem utilizada no transporte da mercadoria pela manutenção dos lacres apostos em todas as etapas de transporte – nestas amostras, sequer ocorreu alteração do veículo de transporte utilizado – pois idênticas eram as placas dos veículos em cada uma das etapas do transporte. Logo, resta claro haver o envio direto da mercadoria de ST Importações às diversas filiais de LOJAS AMERICANAS e B2W; observandose a segregação da carga em NFe distintas já a partir de ST Importações, em função da filial que seria a destinatária final da mercadoria. 6.5 – Das Marcas: Análise da propriedade das marcas dos produtos importados pela ST Importações também denota que essas operações comerciais transcorriam sob determinação das empresas Lojas Americanas e B2W. Fl. 23841DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.842 5 Em consulta ao site do Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI ficou demonstrado que muitos produtos importados pela ST Importações possuem marcas cuja propriedade recai sobre Lojas Americanas ou B2W. Portanto, as empresas Comercial Destro e Destro Brasil não seriam as reais adquirentes dessas mercadorias, já que não poderiam comercializálas livremente em território nacional sem o consentimento dos detentores do direito, havendo aí notória predestinação desses produtos aos pontos de venda das empresas LOJAS AMERICANAS e B2W, os reais adquirentes. 7) Por fim, este esquema de importação através de empresas interpostas mostrase bastante lucrativo para Lojas Americanas e B2W, pois permite a elas fugir do IPI de saída das mercadorias e da observância ao valor tributável mínimo na apuração da base de cálculo deste imposto. Se Lojas Americanas ou B2W realizassem importações diretas, estariam sujeitas ao destaque do IPI quando da revenda das mercadorias importadas, pois ambas estariam equiparadas a estabelecimento industrial. Caso elas importassem por encomenda direta à ST Importações (equiparada a estabelecimento industrial), esta estaria sujeita, em suas saídas de mercadorias para Lojas Americanas e B2W, ao valor tributável mínimo, nos termos do inciso I, do artigo 195 do RIPI, em razão da interdependência entre as empresas (artigo 612 do RIPI). Essa simulação de compra de mercadorias através de empresas interpostas, visa gerar, de forma ilícita, imensa economia de impostos para o grupo econômico (Lojas Americanas, B2W e ST Importações) através da ocultação da verdadeira relação entre a importadora direta e a empresa varejista." (efls. 21.407/21.411 grifei) O esquema foi assim sintetizado pela fiscalização (efl. 21.425) Inconformadas, as empresas apresentaram Impugnações Administrativas, julgadas improcedentes pelo Acórdão 1680.676 da 17ª Turma da DRJ/SPO, ementado nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2017 DESCUMPRIMENTO DAS NORMAS RELATIVAS À IMPORTAÇÃO POR Fl. 23842DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.843 6 CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. Restando comprovada a interposição fraudulenta, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 23, do Decretolei 1.455/1976, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias ou com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, caso elas não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" (efl. 23.316) Intimada desta decisão em 10/11/2017 (efl. 23.365), a empresa B2W apresentou Recurso Voluntário em 12/12/2017 (efls. 23.488/23.523). A DESTRO foi intimada desta decisão em 13/11/2017 (efl. 23.369), apresentando Recurso Voluntário em 07/12/2017 (efls. 23.376/23.452). Por sua vez, a empresa ST Importações foi intimada da decisão em 13/11/2017 (efl. 23.370), apresentando Recurso Voluntário em 12/12/2017 (efls. 23.594/23.644). As alegações de defesa trazidas pelas empresas podem ser assim sintetizadas: (i) alegações preliminares: (i.1) quanto à nulidade da autuação: (i.1.1) ausência de procedimento especial de controle aduaneiro no período autuado de agosto/2012 a dezembro/2013 e o empréstimo de conclusões de procedimentos anteriores. Não basta o art.638 do Decreto nº 6.759/09 preveja a revisão aduaneira, é necessário a indicação de qual inciso do art.149 do CTN enquadrase o presente caso para a autorização da revisão de ofício; (i.1.2) a ausência de motivação, sendo que a autuação teria se baseado unicamente em presunções, sem obediência ao princípio da verdade material, desconsiderando elementos fáticos constatados, sem produzir provas necessárias a respaldar a conclusão fiscal e com a indevida desconsideração do negócio jurídico, sendo inaplicável o art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN); (i.1.3) a capitulação legal é imprecisa em relação aos responsáveis solidários, pois no Termo de Sujeição não descreve toda a fundamentação legal do AI; (i.1.4) a redação anterior do art. 689 do Regulamento Aduaneiro/2009, vigente à época dos fatos (art. 59 da Lei n º 10.637/02), não previa a aplicação da pena de perdimento para as mercadorias revendidas, apenas as não localizadas ou consumidas. Somente com a redação do Decreto nº 8.010/2013 que passou a ser possível a aplicação da pena de perdimento, em vigor a partir de 17/05/2013, não se aplicando a fatos geradores anteriores a sua vigência; (i.1.5) os recursos da DESTRO estão comprovados, o que impossibilitaria a aplicação do art. 23 do Decreto nº 1.455/76; (i.1.6) a iliquidez de parte da multa aplicada, vez que para 5% (cinco por cento) dos itens das Notas Fiscais de remessa de mercadorias da Destro para a B2W, não foi possível identificar a cadeia de operações e o vínculo com a ST Importações. Fl. 23843DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.844 7 (i.2) quanto à decisão da DRJ, por ter deixado de apreciar as provas acostadas aos autos pelas empresas autuadas; (ii) no mérito, a ausência da interposição fraudulenta no presente caso, enfrentando as razões trazidas pela fiscalização, sustentando que: (ii.1) a participação dos mesmos sócios nas empresas ST Importações e B2W não descaracteriza sua natureza de empresas autônomas (princípio da autonomia no Direito Privado), sendo que a B2W não interfere nas operações da ST Importações, a qual atua no mercado de forma independente. As empresas dos grupos econômicos são entidades empresariais distintas, sendo que a Destro Brasil não se confunde com a empresa Comercial Destro. As empresas possuem autonomia estrutural e independência sendo que as mercadorias importadas pela ST Importações são repassadas à Destro Brasil, as quais direcionam as mercadorias aos seus centros de distribuição, onde são armazenadas e revendidas; (ii.2) a capacidade operacional, econômica e financeira da DESTRO e o propósito negocial na sua contratação para a revenda das mercadorias à B2W e Lojas Americanas. O não fracionamento das mercadorias revendidas é necessário em razão da necessidade de rapidez na aquisição das mercadorias por parte da B2W. Nem todas as mercadorias importadas pela ST Importações adquiridas pela DESTRO foram remetidas para a B2W e as Lojas Americanas, somente o fato ocorreu parcialmente nos anoscalendário de 2011/2012; (ii.3) inexiste a identidade no lacre apontada pela fiscalização, pois houve a efetiva alteração dos mesmos na ocasião do transporte entre a empresa DESTRO para as empresas compradoras; (ii.4) a existência de margem real de lucro antes dos impostos, razoável pelo volume vendido nas operações; (ii.5) a ausência de provas, por parte do Fisco, da quebra da cadeia do IPI, sendo que muitos produtos sequer ensejavam o recolhimento do IPI não podendo haver a mencionada quebra da cadeia do imposto. A B2W não teria interesse na quebra da cadeia do IPI, pois a legislação não imputa a obrigação tributária ao estabelecimento varejista. A Fiscalização não comprovou o dano efetivo ao erário com o suposto recolhimento a menor do IPI; (iii) subsidiariamente, a cobrança da multa com base em mudança de interpretação dos fatos reiteradamente homologados (art. 100, CTN) é desproporcional ferindo preceitos constitucionais. Houve a preclusão lógica por ausência de motivação do ato, pois a autoridade fiscal permitiu o desembaraço aduaneiro e depois anulouo sem motivação adequada; e (iv) exclusão dos juros de mora sobre a multa, pois esta incide somente sobre tributo. Após a regularização processual da DESTRO BRASIL, a procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões aos recursos (efls. 23.740/23.824). Em abril/2018, a Fazenda Nacional solicitou o julgamento conjunto dos processos (efls. 23.829/23.830), Fl. 23844DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.845 8 sendo os processos que estavam no âmbito deste CARF a mim distribuídos para julgamento conjunto, na forma do despacho da efls. 23.833/23.834. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Maysa de Sá Pittondo Deligne Os Recursos Voluntários são tempestivos e merecem ser conhecidos. Contudo, o processo não se encontra suficientemente instruído para julgamento, razão pela qual proponho sua conversão em diligência nos termos a seguir. Como relatado, o trabalho fiscal buscou trazer elementos para evidenciar que os reais encomendantes das mercadorias importadas pela ST Importações eram as empresas integrantes do mesmo grupo econômico, B2W e Lojas Americanas, empresas que não são habilitadas no SISCOMEX para realizar importações por encomenda. Com isso, as operações de importação por encomenda entabuladas entre a ST Importações e a DESTRO (empresas Comercial Destro e Destro Brasil), e as correspondentes remessas das mercadorias importadas para a B2W e as Lojas Americanas seriam simuladas. Uma das provas elencadas pela fiscalização é um trabalho de conclusão de estágio apresentado, em 2009, por Everaldo José Felix, um antigo estagiário da ST Importações (efls. 12.213/13.311). O vínculo de estágio com a ST Importações entre janeiro e março/2008 pode ser efetivamente depreendido da relação de empregados apresentado pela empresa na fase de fiscalização (efl. 335). Naquele trabalho acadêmico, quando da apresentação dos resultados e a descrição da empresa, foi indicado que as empresas integrantes do grupo LASA (B2W e Lojas Americanas) seriam clientes da ST Importações, para quem as importações por ela realizadas seriam efetivamente direcionadas (efl. 13.273): Fl. 23845DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.846 9 Esse relato acadêmico, contudo, se apresentou apenas como um indício, buscando a fiscalização demonstrar que a simulação efetivamente ocorrereu nos anos de 2012 e 2013, objeto do presente processo. Para tanto, a fiscalização apontou a menção, desde o início do processo de importação até a venda à B2W/Lojas Americanas, a um único PO (Purchase Order). Esse mesmo número de PO é referenciado nas notas fiscais de entrada e saída emitidas pela ST Importações e das empresas do Grupo DESTRO, o que evidenciaria que as importações já seriam destinadas às empresas do grupo LASA. Vejamos um exemplo trazido pela fiscalização no relato fiscal (efl. 21.454): No "Anexo 3F 2012 DW x ST Entrada x ST Saída x Destro Saída" (efls. 18.036/19.072) e no "Anexo 3F 2013 DW x ST Entrada x ST Saída x Destro Saída" (efls. 19.073/20.649), a fiscalização busca evidenciar a identidade no número das POs (Ordens de Compra Purchase Orders) e nas quantidades comercializadas entre a ST Importações, Destro Brasil e as empresas do Grupo LASA (B2W e Lojas Americanas). Para melhor visualização, vejamos um trecho do primeiro anexo mencionado (efl. 18.036): Fl. 23846DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.847 10 Contudo, ainda que seja possível apontar em algumas circunstâncias uma identidade de quantidades importadas e revendidas para o Grupo LASA (por exemplo, na planilha acima, para POs 648212, 648312 e 648412), em outras, a revenda não é integral (como no caso do PO 648512, no qual foram importadas 396 unidades pela ST Importações, remetidas para a DESTRO, mas vendidas para as Lojas Americanas apenas 108 unidades). Com isso, seria possível denotar que a DESTRO permaneceria com mercadorias em estoque para comercializar, inclusive para outras empresas, fora do grupo LASA. Essa aparente formação de estoque na DESTRO ocorre em outros POs relacionados nestas planilhas, como, por exemplo, a PO 670212 no "Anexo 3F 2012"3 e a PO 502613 no "Anexo 3F 2013", esta última sem saída da DESTRO para as empresas do grupo LASA. Em sua defesa, a DESTRO evidencia a independência das operações, afirmando que todas as mercadorias adquiridas são destinadas ao seu estoque. Contudo, quaisquer das empresas deixam claro a que correspondem esses números de POs e a razão pela qual eles são indicados nas notas de venda da DESTRO para as empresas do grupo LASA (B2W e Lojas Americanas). Qual a razão comercial ou negocial para as notas fiscais emitidas pela DESTRO para as empresas do Grupo LASA indicarem os números dos POs identificados pela DESTRO nas encomendas para a ST Importações? Não constam dos autos cópias desses POs ou documentos do sistema de quaisquer das empresas que tragam informações acerca da origem desses POs. Assim, pelos documentos que constam dos autos, não está claro como é operacionalizada a emissão dos pedidos de compra (Purchase Orders POs) nas importações envolvidas na autuação, não sendo possível confirmar as circunstâncias em torno da transmissão desses pedidos (quem solicita, como são solicitados e a razão pela qual são identificadas nas notas fiscais). Nesse contexto, importante ainda que seja esclarecido, pelas empresas, a operação por elas traçadas. Primeiramente, destaquese que, apesar da menção da juntada à época da fiscalização (efl. 314), não constam dos presentes autos as cópias dos contratos de encomenda firmados pela ST Importação com as empresas Comercial Destro Ltda e Destro Brasil Distribuição Ltda. É relevante que esses contratos sejam acostados aos autos, juntamente com esclarecimento dos procedimentos adotados para que a DESTRO procedesse com os pedidos de compra para a ST Importações. Ademais, não constam informações ou documentos correspondentes à relação negocial firmada entre as empresas do Grupo DESTRO com as empresas do Grupo LASA. Para melhor visualização da relação comercial/negocial entre elas, seria relevante que fossem acostados os contratos firmados entre as empresas, com vigência à época dos fatos objeto do processo, esclarecendo, inclusive, como são operacionalizados os pedidos de compra entre as empresas do Grupo. Algumas dúvidas que são levantadas quanto às operações realizadas entre ST Importações, Grupo Destro e Grupo LASA: · Como são formalizados os pedidos de importação da DESTRO para a ST Importações? Esses pedidos possuem algum vínculo com pedidos de compra 3 Esse número de PO, inclusive, se repete por mais de uma vez na planilha fiscal, relacionadose a importações de Sacolas de Papel ocorridas em 05/10/12, conforme pedido de importação da DESTRO em 03/10/12 (efls. 18.039/18.041, 18.316, 18.406). Fl. 23847DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.848 11 formulados por outras empresas que tomam serviços das empresas do Grupo DESTRO? · Quais os procedimentos adotados para a remessa de mercadorias da DESTRO para as empresas do Grupo LASA? Como são formulados os pedidos de compra das empresas do Grupo LASA para a DESTRO? Cada filial realiza o pedido ou o pedido para compra das mercadorias é direcionado pela matriz? · Um pedido de compra formulado por uma empresa do Grupo LASA para a DESTRO pode originar um pedido de importação da DESTRO para a ST Importações? Esse levantamento é relevante para avaliar a afirmativa fiscal no sentido de que os POs são emitidos com destino prévio somente para as empresas do Grupo LASA e o contraargumento das empresas no sentido de que esses pedidos são emitidos pela DESTRO para a ST Importações de forma independente, em uma relação negocial apartada, sem relação com as demais empresas do Grupo LASA. Neste aspecto, igualmente não está clara a questão em torno da propriedade intelectual das mercadorias importadas pela ST Importações e remetidas para a DESTRO. No relatório fiscal, afirma a fiscalização que "muitos produtos importados pela ST Importações possuem marcas cuja propriedade recai sobre empresa comercial do grupo LASA." (efl. 21.471) Como exemplo, a fiscalização traz o exemplo da marca "Fun Kitchen" cuja propriedade da marca foi atribuída à B2W. Mas quais as restrições estabelecidas pela concessão da marca para o produto? Segundo consta da tela da fiscalização, a restrição seria quanto ao uso da expressão "Kitchen", constando da tela do INPI a expressão "sem direito ao uso exclusivo da expressão Kitchen" (efl. 21.473). Apenas as empresas da B2W podem comercializar produtos dessa marca? Há outros produtos importados pela ST Importação e comercializados para a DESTRO com restrição de comercialização por uso da marca destinado a empresa do Grupo LASA? Caso positivo, como a DESTRO segrega em seu estoque os produtos abrangidos pela restrição de comercialização? Todas as mercadorias importadas poderiam ser remetidas para outras empresas? Em outras palavras, a formação de estoque pela DESTRO com as mercadorias importadas pela ST Importações poderia ser comercializada pela DESTRO ou apenas pelas empresas do Grupo LASA? Há exigências/restrições estabelecidas pelo INPI para as mercadorias importadas pela ST Importações? Ademais, importante que seja esclarecido se nos anos autuados a ST Importações prestava serviço para outras empresas e qual a natureza desses serviços, juntando, se possível, os contratos de prestação de serviço. O anexo acima referenciado Anexo 3F 2012 (efls. 18.036/19.072), ainda levanta questionamento à fiscalização em torno das afirmações feitas quanto ao lacre e transporte das mercadorias. No relatório fiscal, afirma a fiscalização que "em várias NFe da amostra, verificouse que o número do lacre aposto à mercadorias constantes da NFe de Saída das mercadorias da ST Importações era o mesmo número do lacre aposto às mercadorias constantes das NFe de Saída de Destro Brasil com destino às empresas B2W e LOJAS AMERICANAS." (efls. 21.410). Contudo, pela planilha trazida, inclusive o trecho acima transcrito, possível atestar que havia efetiva troca de lacres e de veículos. Importante que a fiscalização esclareça o percentual das operações, em relação ao total levantado nessa ação Fl. 23848DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.849 12 fiscal, que não ocorreram a troca de lacres e de veículos, quantificando quantas seriam as "várias NFe" que não teriam a alteração do número de lacre. Por fim, cumpre salientar que, pelo relato fiscal, não está claro o objetivo da simulação identificado pela fiscalização. Com efeito, consta do relatório fiscal que esse objetivo seria decorrente da quebra da cadeia do IPI, vez que seria necessário observar o valor tributável mínimo: "Caso Lojas Americanas ou B2W importassem por encomenda direta à ST IMPORTAÇÕES (equiparada a estabelecimento industrial), esta estaria sujeita, em suas saídas de mercadorias para as empresas do Grupo, ao valor tributável mínimo, nos termos do inciso I, do artigo 195 do RIPI (já reproduzido), pois ST IMPORTAÇÕES e LASA/B2W seriam firmas interdependentes, nos termos do disposto no artigo 612 do RIPI. Ademais, como encomendantes declaradas, Lojas Americanas ou B2W não teriam como fugir da incidência do IPI quando dessem saída (vendessem) as mercadorias importadas no varejo. Desta forma, um dos principais objetivos desta simulação foi burlar a legislação do IPI, tentando parecer que Lojas Americanas e B2W não eram as reais encomendantes das mercadorias importadas e, portanto, não estariam sujeitas ao recolhimento deste tributo. Os produtos importados fazem um custoso vai e vem, saindo de Santa Catarina (Porto de Itajaí), vindo para o estabelecimento matriz da Destro Brasil em Jundiaí – São Paulo (antiga filial 009 de Comercial Destro), para depois serem distribuídos por todo o território nacional. Pela relação de interdependência existente entre as empresas, tal vai e vem tem por objetivo a não observância de valores tributáveis mínimos para fim de apuração do IPI, pois, por interpretação distorcida da legislação, alguns contribuintes entendem que o valor tributável mínimo não incide quando os estabelecimentos do remetente e do atacadista estão situados em municípios diferentes." (efl. 21.476) Contudo, sem adentrar aqui nas questões em torno do valor tributável mínimo4, afirmam as empresas que todas as operações foram tributadas pelo IPI e que houve, inclusive, margem de lucro nas operações, o que gerou um maior pagamento de tributos (PIS, COFINS, IRPJ e CSLL). Neste ponto, importante que a fiscalização esclareça: os valores nas remessas da ST para a DESTRO são idênticos aos das Declarações de Importação? E das remessas da DESTRO para a B2W e Lojas Americanas? Os valores das mercadorias denotam a existência de margem de lucro nas operações? Caso positivo, qual o percentual? 4 A posição desta turma, frisese, é diferente daquela indicada na autuação fiscal, que não traz qualquer consideração concreta em torno do VTM, inclusive o que se entende pelo conceito de praça o remetente ou a quantificação do valor que seria eventualmente devido em uma operação direta. Vide, a título de exemplo, o Acórdão 3402005.599, processo 16682.722760/201655, Sessão de 26/09/2018, relator Waldir Navarro Bezerra, Redator Designado Diego Diniz Ribeiro, que indica na ementa: "IPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO. CONCEITO DE "PRAÇA DO REMETENTE" E DE "MERCADO ATACADISTA". O fato da lei não promover a delimitação semântica de determinado signo na esfera jurídicotributária não redunda em negar a existência, para tal signo, de um conteúdo jurídico próprio, sob pena do princípio da legalidade em matéria tributária ser esvaziado de conteúdo. Assim, o preenchimento semântico de um signo jurídico em matéria tributária deve socorrerse da própria lei. Nesse sentido, os inúmeros dispositivos legais que empregam o termo "praça" o fazem no sentido de domicílio, i.e., limitandose ao recorte geográfico de um Município, nos termos do art. 70 do Código Civil. Logo, a regra antielisiva a ser aqui convocada é aquela prescrita no art. 196, parágrafo único, inciso II do RIPI/2010. Precedentes administrativos e judiciais neste sentido. Ademais, estender o conceito de praça ao de região metropolitana, além de não ter sustentação legal nem econômica, implicaria ainda em tornar a regra do art. 195, inciso I do RIPI/2010 um sem sentido jurídico, já que a tornaria redundante. IPI. (...)." Fl. 23849DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.850 13 Ainda quanto à questão da quebra da cadeia de IPI, importante que sejam respondidos aos quesitos veiculados pela empresa DESTRO em seu recurso: analisando a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro, na saída do estabelecimento importador e na saída do estabelecimento da DESTRO, é possível perceber regularidade dos pagamentos do IPI? Constatando a regularidade dos pagamentos, é correto dizer que não há lesão ao erário? Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/725, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (Inspetoria da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro IRF/RJO): (i) intime as Recorrentes para que tragam os esclarecimentos entendidos como pertinentes dentro da sua atuação na operação sob análise nesses autos, anexando aos autos e trazendo os seguintes esclarecimentos: (i.1) cópias por amostragem dos pedidos de compra da importação (Purchase Orders POs) que foram identificados pela fiscalização na autuação, trazendo as informações em torno da transmissão desses pedidos (quem solicita e como são solicitados). As empresas devem informar a razão comercial/negocial pela qual os números dos POs são identificados nas notas fiscais. (i.2) cópias dos contratos de encomenda firmados pela ST Importação com as empresas Comercial Destro Ltda e Destro Brasil Distribuição Ltda e informações em torno dos procedimentos adotados para que a DESTRO procedesse com os pedidos de compra para a ST Importações. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: como são formalizados os pedidos de importação das empresas do Grupo DESTRO para a ST Importações? Esses pedidos possuem algum vínculo com pedidos de compra formulados por outras empresas que tomam serviços das empresas do Grupo DESTRO? (i.3) cópias dos contratos firmados entre as empresas do Grupo DESTRO com as empresas do Grupo LASA vigentes à época dos fatos objeto do processo, com informações em torno dos procedimentos adotados para que as empresas do Grupo LASA procedessem com os pedidos de compra para as empresas do Grupo DESTRO. Responder, com respaldo em documentação por amostragem a ser anexada aos autos: quais os procedimentos adotados para a remessa de mercadorias das empresas do Grupo DESTRO para as empresas do Grupo LASA? Como são formulados os pedidos de compra das empresas do Grupo LASA para a DESTRO? Cada filial realiza o pedido ou o pedido para compra das mercadorias é direcionado pela matriz? Um pedido de compra formulado por uma empresa do Grupo LASA para uma empresa do Grupo DESTRO pode originar um pedido de importação do Grupo DESTRO para a ST Importações? (i.4) Em torno das licenças de marca: (i.4.1) especificamente quanto à marca "Fun Kitchen", cuja propriedade da marca foi atribuída à B2W, conforme exemplo trazido pela fiscalização: quais as restrições estabelecidas pela concessão da marca 5 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 23850DF CARF MF Processo nº 10074.720243/201712 Resolução nº 3402001.678 S3C4T2 Fl. 23.851 14 para o produto? Apenas as empresas da B2W podem comercializar produtos dessa marca? (i.4.2) Há produtos importados pela ST Importação e comercializados para a DESTRO com restrição de comercialização por uso da marca destinado a empresa do Grupo LASA? Caso positivo, como a DESTRO segrega em seu estoque os produtos abrangidos pela restrição de comercialização? Todas as mercadorias importadas poderiam ser remetidas para outras empresas? Em outras palavras, a formação de estoque pela DESTRO com as mercadorias importadas pela ST Importações poderia ser comercializada pela DESTRO ou apenas pelas empresas do Grupo LASA? Há exigências/restrições estabelecidas pelo INPI para as mercadorias importadas pela ST Importações? (i.5) Esclarecer, trazendo documentação por amostragem, se nos anos autuados a ST Importações prestava serviço para outras empresas além do Grupo DESTRO, identificando a natureza desses serviços. (ii) elaborar relatório fiscal enfrentando os documentos e informações apresentados pelas empresas em resposta ao item (i) acima com eventuais considerações adicionais consideradas pertinentes quanto ao trabalho fiscal, informando, ainda: (ii.1) o percentual das operações, em relação ao total levantado nessa ação fiscal, que não ocorreram a troca de lacres e de veículos, quantificando quantas seriam as "várias NFe" que não teriam a alteração do número de lacre (efls. 21.410). (ii.2) quanto ao objetivo da simulação e a quebra da cadeia de IPI, responder aos seguintes questionamentos: (ii.2.1) os valores nas remessas da ST para a DESTRO são idênticos aos das Declarações de Importação? E das remessas da DESTRO para a B2W e Lojas Americanas? Os valores das mercadorias denotam a existência de margem de lucro nas operações? Caso positivo, qual o percentual? (ii.2.2) Analisando a incidência do IPI no desembaraço aduaneiro, na saída do estabelecimento importador e na saída do estabelecimento da DESTRO, é possível perceber regularidade dos pagamentos do IPI? Constatando a regularidade dos pagamentos, é correto dizer que não há lesão ao erário? Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar as Recorrentes do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestarem no prazo de 30 (trinta) dias. É como proponho a presente Resolução. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne. Fl. 23851DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.902721/2016-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.579
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra-Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro BezerraPresidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RELATÓRIO Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade solicitando a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 02 72 1/ 20 16 -5 2 Fl. 255DF CARF MF Processo nº 13851.902721/201652 Resolução nº 3402001.579 S3C4T2 Fl. 3 2 Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, face a ausência de provas capazes de comprovar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. .VOTO Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido n Resolução 3402001.553 de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902626/201659, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.553): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Conforme se infere do Relatório, o caso trata de pedido de compensação de indeferido pela Autoridade Tributária porque a empresa não apresentou provas suficientes para demonstrar a existência do seu direito creditório. Na Impugnação, embora a empresa tenha trazido aos autos cópias da DCTF e DACON retificadores demonstrando que nenhum valor de COFINS era devida no período, a Autoridade Julgadora entendeu que para poder se aceitar o valor indicado na DCTF e no Dacon retificadores, o Contribuinte deveria provar a correção das informações retificadas com base em documentação hábil e idônea. Informa ainda que as provas adequadas a comprovar a correção da retificação efetuada devem ser feitas com base na escrituração contábil e fiscal da empresa. No Recurso Voluntário, a Recorrente informa que atua no comércio de produtos alimentícios em embalagens fechadas, comercializando massas preparadas para pizzas, não recheadas, denominadas “Crock Pizza" ou "Wrap Crock”. Ainda informa que tais produtos, classificados na posição NCM 1902, estão sujeitos a alíquota zero para a contribuição à COFINS, conforme determina o art., 1°, inciso XVIII, Lei n° 10.925, de 23 de julho de 2004. Além disso, juntou aos autos várias notas fiscais eletrônicas de venda das mercadorias citadas (fls.33 a 134). Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13851.902721/201652 Resolução nº 3402001.579 S3C4T2 Fl. 4 3 Como se sabe, no caso de processos de compensação, restituição ou ressarcimento, cabe ao Contribuinte provar o direito creditório que alega. Ele deve trazer aos autos os elementos probatórios correspondentes que demonstrem a liquidez e certeza do crédito. Isso é o que se conclui do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal Decreto nº 70.235/72 (PAF): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...]No entanto, apesar da legislação atribuir a recorrente a prova do seu direito, no caso ora analisado, constatase que o problema identificado nas notas fiscais de entrada da empresa pode ter se dado não por culpa sua, mas de um terceiro, no caso o seu fornecedor, que inclusive admitiu o equívoco cometido. Dessa forma, não seria justificável a empresa arcar com as consequências de um possível equívoco que não teve culpa. No presente caso, com a juntada das notas fiscais de vendas, há indícios fortes de que as receitas de vendas da empresa estão sujeitas à alíquota zero, entretanto as provas juntadas ainda não são suficientemente hábeis para se atestar que todas as receitas da empresa se sujeitam a esse benefício fiscal, necessitando, por isso, uma verificação adicional a fim de conferir se a empresa não possui outras receitas de natureza diferente daquelas constantes nas notas fiscais apresentadas. Assim, em homenagem ao princípio da busca da verdade material, converto o presente julgamento em diligência, de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13851.902721/201652 Resolução nº 3402001.579 S3C4T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o presente processo em diligência de acordo com os quesitos abaixo: a) juntar a escrituração contábil da empresa que demonstre o total das receitas auferidas no período analisado; b) informar se no período a empresa realizou outras vendas de produtos sujeitos à incidência da COFINS; c) elaborar planilha de apuração da COFINS devida no período; d) realizar qualquer outra verificação que julgar necessária para atingir os objetivos da diligência; e) intimar a Recorrente no prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento." (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 258DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.900250/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
O contribuinte assume o ônus da prova sobre a liquidez e a certeza do seu direito creditório, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal.
PROVAS DOCUMENTAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU RECURSO VOLUNTÁRIO.
O contribuinte comprovará seu direito de crédito através de documentos, anexados na sua Manifestação de Inconformidade ou, excepcionalmente, no Recurso Voluntário.
Numero da decisão: 1201-002.659
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10909.900247/2006-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente justificadamente o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10909.900247/2006-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente justificadamente o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. O contribuinte assume o ônus da prova sobre a liquidez e a certeza do seu direito creditório, mediante a demonstração do seu direito pela escrituração contábil e fiscal. PROVAS DOCUMENTAIS. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE OU RECURSO VOLUNTÁRIO. O contribuinte comprovará seu direito de crédito através de documentos, anexados na sua Manifestação de Inconformidade ou, excepcionalmente, no Recurso Voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10909.900247/200651, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente justificadamente o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 02 50 /2 00 6- 75 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando o acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que ratificou o despacho decisório, indeferindo o pedido de restituição de pagamento indevido ou a maior (DARF Simples: 6106). De acordo com referido despacho decisório, emitido em 01 de novembro de 2011, o crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, impossibilitando a restituição. Entretanto, o contribuinte afirma no seu Recurso Voluntário que existia crédito restituível, como indicado na PER/DCOMP, transmitida em 19 de setembro de 2003. O pagamento indevido ou a maior ocorreu no anocalendário de 2001, consoante o Simples Federal (código de receita: 6106), havendo a formalização da respectiva Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica (DASN). Esclarece o Recorrente que no mesmo período realizou pagamento dos tributos devidos pelo lucro presumido, sendo assim, possibilitando a restituição do valor quitado pelo regime simplificado. O acórdão recorrido expõe que não foi identificado qualquer pagamento, nem Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sobre a eventual opção pelo lucro presumido, inviabilizando a restituição pretendida, não havendo prova em contrário sobre o direito creditório. Por fim, o Recorrente argumenta que o pedido de restituição foi efetivado em 19 de setembro de 2003, enquanto a resposta da Administração Pública sobreveio apenas em novembro de 2011, contrariando o artigo 24 da Lei nº 11.457/2007 e a garantia constitucional da razoável duração do procedimento administrativo. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.656, de 20/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10909.900247/2006 51, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.656): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não anexou qualquer prova sobre seu direito creditório, incluindo o pagamento e sua opção pelo regime do lucro presumido, durante o anocalendário de 2001. O acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que não foi identificado qualquer pagamento, nem Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sobre a eventual opção pelo lucro presumido, assim sendo, prevalecendo a liquidação do tributo devido pelo regime simplificado, conforme a respectiva Declaração Anual Simplificada da Pessoa Jurídica (DASN). O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. O contribuinte não demonstrou o pagamento indevido ou a maior, mediante a idônea escrituração contábil e fiscal. A Lei nº 9.430/1996 regulamentou o procedimento de restituição e de compensação pelo sujeito passivo no seu artigo 74, exigindo a "declaração na qual constarão informações Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 5 4 relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados" (artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430/1996) e, por fim, ressalvando que a "compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação" (artigo 74, § 1º, da Lei nº 9.430/1996). Inexiste prazo específico para análise do pedido de restituição. Diferentemente, quanto à declaração de compensação, ocorrerá sua homologação expressa ou tácita, essa última quando a autoridade fiscal não se pronuncia sobre o requerimento do contribuinte, dentro do prazo de cinco anos (artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional e o artigo 74, parágrafo quinto, da Lei nº 9.430/1996). Como narrado, o despacho decisório, emitido em 01 de novembro de 2011, indeferiu o pedido eletrônico de restituição (PER/DCOMP), transmitido em 19 de setembro de 2003, concernente ao pagamento indevido ou a maior do ano calendário de 2001. Embora razoável a exposição do Recorrente, o pedido de restituição não é suscetível de homologação tácita, inexistindo previsão normativa para tal fim, ao contrário da declaração de compensação. Neste sentido, citase o acórdão nº 3301005.190, relatado pela i. conselheira, Semíramis de Oliveira Duro, distinguindo os dois procedimentos, restituição e compensação: Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos também diversos. Assim, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação. Como bem apontado pela DRJ, a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Não há como se acolher a pretensão da Recorrente, porquanto a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Observese que neste processo não Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 6 5 houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Entender de forma diversa implicaria em violação aos art. 5º, II e 37, caput, da Constituição e art. 97 do CTN. Em outro acórdão nº 1302002.977, o relator e i. conselheiro, Luiz Tadeu Matosinho Machado, especificamente, quanto ao processo administrativo fiscal, diverge sobre a observância do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias, fixado no artigo 24 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: NULIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO PROFERIDA APÓS O PRAZO DE 360 DIAS DA APRESENTAÇÃO DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. O art. 24 da Lei nº 11.457/2007, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo descumprimento do prazo para o proferimento de decisão administrativa, pela administração tributária, tampouco, estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. (...) Suscita a aplicação do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007, sustentando o entendimento de que tal norma fixa um prazo para a administração se pronunciar sobre sua impugnação, findo o qual, sem manifestação, decairia o direito da Fazenda Pública de confirmar o lançamento. O referido dispositivo da Lei nº 11.457/2007, assim dispõe: Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte. A referida regra, conquanto estabeleça um prazo para o proferimento de decisões administrativas, não fixou quaisquer sanções ou penalidades pelo seu descumprimento pela administração tributária, muito menos estabeleceu como consequência a "decadência" ou a preclusão de seu poder/dever de se manifestar nos processos administrativos fiscais instaurados. Verificase que o Poder Judiciário tem extraído alguns efeitos concretos da referida norma nos casos em que os pedidos de restituição/ressarcimento apresentados pelo sujeito passivo não tenham sido apreciados no prazo de 360 dias de seu protocolo, determinando a Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 7 6 aplicação de correção monetária sobre créditos escriturais do contribuinte a partir desta data. É o que se constata na jurisprudência do STJ, in verbis: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 8 7 "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 9 8 submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial Nº 1.138.206/RS Rel. Ministro Luiz Fux 09/08/2010) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APROVEITAMENTO OBSTACULIZADO PELO FISCO. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC/73, firmou entendimento no sentido de que o crédito presumido de IPI enseja correção monetária quando o gozo do creditamento é obstaculizado pelo fisco. 2. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a administração deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73; sendo que "a correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo" (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015). Precedentes: AgInt no Resp 1581330/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, Dje 21/8/2017; AgInt no REsp 1585275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (AgInt no AREsp 1194811 / RS Relator Ministro Sergio Kukina 20/02/2018) TRIBUTÁRIO. IPI. PIS/COFINS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TERMO INICIAL. 1. Nos termos do art. 24 da Lei nº 11.457/07, a Administração deve observar o prazo de 360 dias para decidir os pedidos de ressarcimento, conforme sedimentado no julgamento do Resp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73. 2. A correção monetária de ressarcimento dos créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo de ressarcimento. Precedentes: ERESP 1.461.607/SC, Primeira Seção, Rel. para o acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 22/2/2018, pendente de publicação; AgRg nos EREsp 1.490.081/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Seção, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015; AgInt no ARESP 1.194.811/RS. Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 2/4/2018; AgInt no ARESP 1.659.494/RS. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10909.900250/200675 Acórdão n.º 1201002.659 S1C2T1 Fl. 10 9 Primeira Turma. Rel. Min. Sérgio Kukina. DJe 27/3/2018; AgInt no REsp 1.581.33 0/SC, Rel. Ministro Gurgel de Faria, Primeira Turma, DJe 21/8/2017; AgInt no REsp 1.585.275/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 4/10/2016, DJe 14/10/2016. 3. Agravo interno provido para negar provimento ao recurso especial. (AgInt no REsp 1229108/SC Ministro Benedito Gonçalves 17/04/2018) Não há, pois, como extrair da norma em debate os efeitos postulados pela recorrente. Logo, imprescindível a prévia comprovação da liquidez e da certeza do direito creditório, visto que não é homologável, tacitamente, o pedido de restituição eletrônico, formalizado pelo contribuinte. O Recurso Voluntário não infirmou o acórdão recorrido, mediante prova em contrário, prevalecendo a conclusão de que não foi identificado qualquer pagamento indevido ou a maior, nem Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) sobre a eventual opção pelo lucro presumido. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19675.000575/2003-79
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/06/2000
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Numero da decisão: 3001-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/1998, ART. 3º, § 2º, INCISO III. STJ. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 5. 00 05 75 /2 00 3- 79 Fl. 484DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Auto de Infração Tratase de Auto de Infração de n. 0811000/00049/02, lavrado pela Delegacia da Receita Federal de Sorocaba/SP, na data de 21/10/2003, em face de Eucatex Quimica e Minereal Ltda., segundo o qual se verificou a insuficiência do recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social PIS no período de maio de 1999 a junho de 2000, novembro de 2000, janeiro a março de 2001 e julho de 2001, no valor de R$ 100.168,46 (cem mil cento e sessenta e oito reais e quarenta e seis centavos), sendo R$ 60.710,90 de contribuição e R$ 39.457,56 de juros de mora. A autuação tem a seguinte fundamentação legal: “Arts. 149, inciso V e 151, IV da Lei nº 5.172/66; arts. 1º e 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 07/70, art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar n° 17/73, Título 5, capitulo 1, seção 1, alínea "b", itens I e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF n° 142/82; Arts. 2°, inciso I, 3º, 8°, inciso I, e 9°, da Medida Provisória nº 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.715/98; Arts 2°, inciso I, 8º, inciso I e 9º da Lei nº 9.715/98; Arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98”. Os juros de mora foram calculados pela Taxa SELIC, tendo como fundamento o art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. A autuada foi intimada para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Impugnação Em sede de impugnação, a contribuinte aduziu a ilegitimidade do lançamento por violação ao art. 195, §4º da Constituição Federal pela suposta instituição de nova fonte de custeio da seguridade social pela Lei n. 9.718/98, a qual incluiu a totalidade das receitas auferidas como base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, alegou que a autuação também ofende os arts. 195, inciso I e 239 da Constituição Federal, ao incluir receitas não provenientes de venda de bens e serviços no conceito de faturamento. A impugnante também asseverou ter havido contrariedade ao art. 246 do ADCT, o qual denotaria inconstitucionalidade formal do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98 em decorrência da conversão em lei da Medida Provisória n. 1.724/98, bem como a não incidência de juros moratórios por conta da pendência da análise da impugnação administrativa, por força do art. 151, inciso III do CTN. Por fim, pugna pela inaplicabilidade da atualização do crédito tributário pela Taxa SELIC. DRJ/RJOII A impugnação foi julgada e recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19675.000575/200379 Acórdão n.º 3001000.723 S3C0T1 Fl. 485 3 Período de apuração: 01/05/1999 a 30/06/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/07/2001 a 31/07/2001. Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Os juros de mora, em lançamento com a exigibilidade suspensa são exigíveis, exceto na hipótese de depósito do montante integral. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. Lançamento Procedente O relatório, por bem retratar a realidade fática dos autos, merece ser transcrito. Trata o presente processo de lançamento com exigibilidade suspensa da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), referente a fatos geradores ocorridos entre maio de 1999 e julho de 2001. Procedimento fiscal de verificação de cumprimento de obrigações tributárias apurou insuficiências de recolhimentos da contribuição decorrentes de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados ou pagos, lançados no auto de infração de fls. 111/119. A descrição dos fatos encontrase no termo de constatação de fls.108/110. A empresa discordou da base de cálculo da contribuição estabelecida pela Lei n.° 9.718/ de 27/11/1998, art.3°, §1° que ampliou o conceito de faturamento, incluindo as receitas financeiras e impetrou mandado de segurança (Processo 1999.61.10.0015320), não qual obteve liminar para continuar a calcular o PIS pelo faturamento, assim considerado apenas as vendas no mercado interno conforme estabelecido na legislação anterior, Lei Complementar n° 07/1970. Em decorrência da liminar em mandado de segurança, o lançamento que trata da parcela do PIS não recolhida e questionada em juizo (diferença entre a base de cálculo do PIS estabelecida pela Lei n° 9.718/98 e a base de cálculo estabelecida anteriormente pela LC n° 07/1970), foi efetuado com exigibilidade suspensa, sem multa de oficio. Na DCTF, o contribuinte informou os valores apurados sobre a base reconhecida como correta e a diferença entre este cálculo e o total das receitas foi informada no campo destinado a valores subjudice. Cientificado em 28/10/2003, o contribuinte apresentou impugnação em 27/11/2003, fls. 121 a 135, na qual apresentou os seguintes argumentos: 1. O ato normativo sobre o qual se baseia a autuação encontrase em julgamento perante o STF, nos autos do Recurso Extraordinário n.° 346.084PR, que diz respeito à constitucionalidade do §1° do art. 3° da Lei n.° 9.718, de 27/11/1998. 2. A alteração legal veiculada pela Lei 9.718, de 1998, art. 3°, §1°, que ampliou o conceito de faturamento incluindo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica e não apenas a receita de venda de mercadorias e serviços, como antes previsto, na medida em que Fl. 486DF CARF MF 4 tributa realidade econômica e sujeitos passivos antes livres da incidência tributária consubstancia a instituição de nova fonte de custeio da seguridade social e nesta medida viola manifestamente os seguintes dispositivos constitucionais: a. 0 art. 195, §4° da Constituição Federal, norma que exige lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio da seguridade social. Citou acórdão do STF que rejeitou a inclusão de parlamentares como segurado obrigatório do regime geral de previdência social com o entendimento de que somente uma lei complementar poderia instituir nova fonte de custeio da seguridade social sobre o subsidio de agente politico; b. Os artigos 195, I e 239 da Constituição Federal, que limita a incidência do PIS ao faturamento da empresa, entendido este corno a receita bruta da venda de mercadorias e serviços definida no DecretoLei n.° 2.397/87. Citou votos de Ministros do Supremo Tribunal Federal nesse sentido. c. 0 art. 246 do ADCT (com redação à época das Emendas Constitucionais n.° 6 e 7, de 15 de agosto de 1995), segundo o qual "6 vedada a adoção de medida provisória na regulamentação de artigo da Constituição cuja redação tenha sido alterada por meio de emenda promulgada a partir de 1995". A norma impugnada foi originada da Medida Provisória n.° 1721/98 e, caso seja considerada válida no seu nascedouro, consubstancia a regulamentação da nova redação conferida ao art. 195, I da CF pela Emenda Constitucional n.° 20/98. 3. 0 efeito prático da suspensão da exigibilidade é protrair os efeitos do vencimento da obrigação tributária até que cesse a causa da suspensão, no caso em questão, até que seja proferida decisão definitiva acerca da impugnação apresentada. Os juros moratórios, como sabido, constituem uma conseqüência do retardamento de um dever obrigacional. Portanto, não há que se cogitar de mora no cumprimento de uma obrigação cujo prazo de vencimento resta adiado, ainda que provisoriamente. 4. A taxa Selic é imprestável para a atualização dos créditos tributários e considerada ilegal pelo Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual o auto deve ser cancelado. Citou Acórdão do RESP n.° 291.257/SC, publicado em 17/06/2002. 5. Por todo o exposto, solicitou o reconhecimento da integral ilegalidade do presente lançamento. A DRJ entendeu que não cabe à esfera administrativa a análise da constitucionalidade de normas jurídicas, mas tão somente o seu cumprimento enquanto estiverem válidas no sistema, tendo, por isso, deixado de analisar o pleito da impugnante que combate o art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98. Na análise do mérito, reputou correta a incidência de juros moratórios mesmo após a apresentação da impugnação administrativa, posto que somente o depósito do montante integral teria o condão de impedir a sua fluência entre a data do depósito até sua conversão em renda. Quanto à aplicação da Taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora, os julgadores administrativos referendaram seu uso, com base na Lei n. 9.065/95, conforme autorização do art. 161 §1º do CTN. Finalmente, tendo constatado equívoco em algumas linhas da planilha de lançamento, a DRJ determinou a transferência do crédito exigível no valor de R$ 53.246,63 para o processo n. 19675/000576/200313. Isso posto, considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário. Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19675.000575/200379 Acórdão n.º 3001000.723 S3C0T1 Fl. 486 5 Novo lançamento A DRF de Sorocaba informou no despacho de fl. 224 a impossibilidade de atualização do Sistema Profisc para atender ao acórdão da DRJ/RPO, tendo encaminhado o presente processo para o setor de fiscalização, que entendeu pelo cancelamento da autuação, lavrando novo auto de infração às fls. 233/235, em face do qual foi apresentada uma segunda impugnação de fls. 251/275. Em julgamento da segunda impugnação, a DRJ/RPO proferiu nova decisão, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/05/1999 a 31/07/2001 LANÇAMENTO NULO. É nula a autuação quando a razão do seu lançamento foi o cancelamento indevido de auto de infração anterior, devendo ser revigorado o lançamento original. Lançamento Nulo Os julgadores administrativos entenderam não ter havido motivação legal para o cancelamento do lançamento original, motivo pelo qual deve ser cancelada a segunda autuação, retomando os efeitos do acórdão de julgamento da primeira impugnação. Recurso Voluntário Após relatar brevemente os eventos fáticos transcorridos, a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação, quais sejam: Ilegitimidade do lançamento por ofensa ao art. 195, §4º da Constituição Federal A recorrente aduziu que o art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98 alterou o conceito de faturamento previsto nas Leis Complementares n. 07/70 e 70/91, incluindo indevidamente a totalidade das receitas auferias pela pessoa jurídica e não apenas a receita de venda de mercadorias e serviços, instituindo nova fonte de custeio da seguridade social, ofendendo a previsão do art. 195, §4º da Constituição Federal, segundo o qual tal inovação somente poderia ser realizada através de lei complementar. Ilegitimidade do lançamento por violação aos arts. 195, inciso I e 239 da Constituição Federal A contribuinte alega que o art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98 ingressou no sistema jurídico em 30/10/98, data da publicação da Medida Provisória n. 1.724/98, época em que colidia com os arts. 195, inciso I e 239 da Carta Magna, alargando indevidamente o conceito de faturamento. Ilegitimidade do lançamento por ofensa ao art. 246 do ADCT Fl. 488DF CARF MF 6 Argumenta a recorrente ser ilegítima a previsão do art. 3º, §2º da Lei n. 9.718/98 também por ter tratado de contribuição social incidente sobre a receita de pessoas jurídicas segundo competência tributária surgida apenas com a Emenda Constitucional n. 20/98, ofendendo o art. 246 do ADCT . Não incidência de juros moratórios enquanto pendente de julgamento a impugnação administrativa Igualmente, a recorrente manifestouse em discordância da incidência de juros de mora a partir da apresentação da impugnação administrativa, com base no art. 151, inciso III do CTN. Juros de mora – inaplicabilidade da Taxa SELIC Ainda, a recorrente alega a inaplicabilidade do Taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora, uma vez que colide com a determinação do art. 161, §1º do CTN, que estabelece o limite mensal de 1% aos juros moratórios na seara tributária. Também, insurgese em face do uso do índice de modo geral no direito tributário, devendose aplicar apenas nas relações econômicofinanceiras. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila, Relator Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada em face do Auto de Infração n. 0811000/00049/02. Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de impugnação em 23.02.2005, conforme o Termo de Vista em Processo de fl. 250, nos termos do inciso I do §2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 14.03.2005, conforme comprova o comprovante de protocolo da ARF/ITÚ, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19675.000575/200379 Acórdão n.º 3001000.723 S3C0T1 Fl. 487 7 Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Trata o presente processo de recurso voluntário apresentado em decorrência de decisão que julgou improcedente impugnação oferecida contra auto de infração que perfaz o montante de R$ 100.168,46, sendo R$ 60.710,90 de contribuição e R$ 39.457,56 de juros de mora, em função do não recolhimento de montantes relativos ao PIS de maio de 1999 a junho de 2000, novembro de 2000, janeiro a março de 2001 e julho de 2001. Questionase, nesse julgamento, a violação aos arts. 195 e 239 da Constituição Federal pelo alargamento do conceito de faturamento trazido pela Lei n. 9.718/98 e art. 246 do ADCT por inconstitucionalidade formal do mesmo diploma legal, além da incidência de juros moratórios após a apresentação da impugnação administrativa e da utilização da Taxa SELIC para atualização do crédito tributário. MÉRITO Alargamento indevido da Base de Cálculo Sobre o tema do alargamento da base de cálculo, ou seja, do conceito de Receita, este Tribunal Administrativo vem decidindo que devem ser excluídos os valores pagos a maior, ou seja, quando se inclui na base de cálculo, as ditas outras receitas. Assim tem se manifestado esse tribunal administrativo: Acórdão nº 3301003.967 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Fl. 490DF CARF MF 8 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/1999 a 31/05/2003 PIS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO OUTRAS RECEITAS. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Recurso voluntário provido. Conclusão Diante do exposto, conheço totalmente do recurso para darlhe provimento, no sentido de determinar a exclusão de outras receitas da base de cálculo, restringindo o conceito ao produto de sua prestação de atividades. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 491DF CARF MF
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