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Numero do processo: 10283.720490/2006-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000
DECADÊNCIA
Os tributos cuja constituição do crédito foi atribuída legalmente ao sujeito passivo (lançamento por homologação), sujeitam-se ao prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, havendo seu deslocamento para o artigo 173, I, desse código na hipótese de dolo, fraude ou simulação ou quando o sujeito não dá acesso ao fisco, mormente pelo pagamento, aplicando-se o precedente do STJ.
Numero da decisão: 2401-005.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negar provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000 DECADÊNCIA Os tributos cuja constituição do crédito foi atribuída legalmente ao sujeito passivo (lançamento por homologação), sujeitam-se ao prazo decadencial previsto no artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, havendo seu deslocamento para o artigo 173, I, desse código na hipótese de dolo, fraude ou simulação ou quando o sujeito não dá acesso ao fisco, mormente pelo pagamento, aplicando-se o precedente do STJ.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 90 /2 00 6- 92 Fl. 334DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e negar provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10283.720490/200692 Acórdão n.º 2401005.108 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado em 26/12/2006, o Auto de Infração de fls. 5/22, relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada, referente ao anocalendário de 2000, que apurou o crédito tributário no montante de R$ 5.284.037,38 (cinco milhões duzentos e oitenta e quatro mil, trinta e sete reais e trinta e oito centavos), sendo R$ 1.473,475,45 de imposto, R$ 1.600.348,79 de juros de mora (calculados até 30/11/2006) e R$ 2.210.213,14 de multa proporcional. De acordo com a descrição dos fatos (fls. 7/16), o lançamento decorre do fato de terem sido encontrados pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Cientificada do lançamento em 27/12/2006 (fl. 6), a Interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 251/308), alegando, em síntese: (i) Que foram violados os princípios da segurança jurídica e da legalidade tributária, e que ocorreu decadência segundo o disposto no artigo 150, §4° do CTN; (ii) Que seria dever dos agentes fiscais autuar oportunamente as empresas por qualquer ausência ou insuficiência de depósito, uma vez que a autoridade responsável pela administração do tributo discutido na demanda figura como parte, tendo, assim, ciência de todos os atos praticados no feito, notadamente com relação à efetivação dos depósitos; (iii) Que não constituído o crédito tributário no prazo de 5 anos para se evitar a decadência, não há que se cogitar a cobrança, menos ainda o pagamento, que darseá com a conversão em renda, devendose, diante da ocorrência da decadência do direito da constituição do suposto crédito tributário por pane da Fazenda Pública, ser deferido o levantamento integral dos valores depositados em favor do contribuinte. (iv) Que a Receita Federal teve acesso aos dados bancários da impugnante, protegidos por sigilo constitucional, sem autorização judicial: a Lei Complementar 105/2001 é inconstitucional; (v) Que a legislação inconstitucional que autorizou a Receita Federal a acessar os dados bancários da impugnante não pode retroagir para atingir situações anteriores; (vi) Que a impugnante não pode exercer na plenitude a sua defesa porque não teve acesso aos documentos fiscais em tempo suficiente e em condições satisfatórias para contradizer as argumentações produzidas pela Receita Federal, restando patente a violação dos princípios jurídicos constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; Fl. 336DF CARF MF 4 (vii) Que inexiste compras de mercadorias superavaliadas no regime diferenciado de tributação pois o controle nas operações de compra fica concentrado nas mãos da montadora. O regime monofásico de incidência do PIS e COFINS, referente a MP 2.189 49/2001, consiste em cobrar do fabricante ou importador o PIS e a COFINS incidentes em todas as fases da cadeia de produção, distribuição e comercialização, mediante aplicação de alíquotas especiais, maiores que as normais; (viii) Que o acréscimo patrimonial decorrente da devolução do ICMS, inicialmente é uma receita que não deve ser tributada pois ela nada mais faz do que reconstituir a situação patrimonial do sujeito passivo que foi desfalcada pelo erro ou pelo ato ilegal ou inconstitucional e só deve ser contabilizada e tributada, como no presente caso em debate quando já não existirem mais óbices materiais e formais para que a impugnante possa dispor dos valores pagos a maior ou indevidamente, o que pode ocorrer somente após o trânsito em julgado da ação especifica, ajuizada pelo contribuinte ou ao final do processo de execução de sentença, se for o caso; (ix) Que a simples existência de uma suposta omissão de receitas não faz prova da fraude alegada pela fiscalização, sendo necessário provar o dolo específico da sonegação, da fraude e do conluio, que o diferencia da mera falta de pagamento do tributo ou da simples omissão de rendimentos na declaração; (x) Que não se provou a fraude alegada pela fiscalização e por esta razão não se pode admitir a aplicação da multa agravada, devendo esta ser de 75% e não de 150%; (xi) Que a falta de registro na contabilidade de valores constantes nos extratos bancários, pertencentes à empresa fiscalizada e movimentada por esta, não caracteriza evidente intuito de fraude. Ao final, requer seja declarado nulo o Auto de Infração e todos os seus reflexos em face da decadência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA) lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 019.877 da 1ª Turma da DRJ/BEL, às fls. 312/316, julgando IMPROCEDENTE o lançamento, excluindo o crédito tributário exigido. Recordese: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 DECADÊNCIA. DOLO. IRRF. Desnecessária a configuração da existência do dolo, quando comprovada a ocorrência da decadência pelo art. 173 do CTN. Lançamento Improcedente” Recorreu de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo em vista que o valor total do crédito tributário exonerado. É o relatório. Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10283.720490/200692 Acórdão n.º 2401005.108 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa – Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso de Ofício preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO. 2. Do Recurso de Ofício Da análise dos autos, verificase que a decisão recorrida excluiu os valores incluídos no presente lançamento, uma vez que considerou que os referidos lançamentos encontravamse decadentes na data em que a autuada foi cientificada (30/11/2012). Para tanto, a Turma julgadora primeva concluiu que, “o último fato gerador ocorrido no anocalendário de 2000, que é o de 21/12/2000. Como o lançamento só poderia ser realizado a partir de 22/12/2000, deslocase o início do prazo decadencial para 01/01/2001 e o seu ténnino para 01/01/2006. Tendo sido dada a ciência do lançamento em 27/12/2006, decaído está o lançamento de IRRF aqui consignado.” Considerando o acima exposto, e por tudo o que dos autos consta, não vislumbro reparo a fazer na parte da decisão a quo. O IRRF se trata de tributo sujeito a lançamento por homologação e, portanto, ao prazo quinquenal de decadência do artigo 150, parágrafo 4º, do Código Tributário Nacional, deslocado para o artigo 173, I, do mesmo diploma legal, somente na hipótese de dolo, fraude ou simulação. Acrescento que, no dia 12 de agosto de 2009, o Superior Tribunal de Justiça julgou o Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), com acórdão submetido ao regime do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil (CPC/1973) e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o Fl. 338DF CARF MF 6 mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 973.733/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, , julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, sempre que o contribuinte efetuar o pagamento antecipado, o prazo decadencial se encerra depois de transcorrido 5 (cinco) anos do fato gerador, conforme regra do Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10283.720490/200692 Acórdão n.º 2401005.108 S2C4T1 Fl. 5 7 artigo 150, § 4º, do CTN. Na ausência de pagamento antecipado ou nas hipóteses de dolo, fraude ou simulação, o lustro decadencial para se constituir o crédito tributário é contado do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos moldes do artigo 173, I, do CTN. Por ter sido sob a sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, a decisão do Colendo Superior Tribunal de Justiça acima deve ser observada por este CARF, nos termos do artigo 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, as conclusões do colegiado de primeira instância nesse ponto devem ser confirmadas em grau de revisão recursal. Acolho os próprios fundamentos da decisão de piso como razões de decidir. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso de Ofício, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 340DF CARF MF
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Numero do processo: 12269.003961/2008-70
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.151
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa:APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 39 61 /2 00 8- 70 Fl. 786DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Júnior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 3ª Turma Especial da 2ª Seção, no dia 02/02/2015. Em sessão plenária de 04 de novembro de 2014, foi julgado o Recurso Voluntário de folhas 187 a 202, proferindose a decisão consubstanciada no Acórdão n° 2803 003.772 (fls 750 a 756), assim ementado : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2003, 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO. DEMONSTRAÇÃO COMPLETA DOS MOTIVOS JURÍDICOS E APURAÇÃO. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, quando o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo, pois houve a oportunização de defesa e contraditório pleno à parte, não havendo motivo para nulidade. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Recurso Especial da Fazenda é contra a multa, em face da retroatividade benigna, tomando como paradigma os seguintes acórdãos nº 920202.086 e Acórdão n° 206 01.782 pugnando que: “ seja adotada a tese esposada do acórdão paradigma, devendo se verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica, se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, § 5º, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP 449/2008.” Na origem, o processo se referese aos Autos de Infração DEBCAD n.º 37.122.5680, relativos às contribuições devidas pelos segurados contribuintes individuais (autônomos e transportadores rodoviários autônomos) Intimada do acórdão, do recurso especial da Fazenda, e do seu despacho de admissibilidade em 03/10/2016, a contribuinte quedouse silente. Fl. 787DF CARF MF Processo nº 12269.003961/200870 Acórdão n.º 9202006.151 CSRFT2 Fl. 787 3 É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O recurso é tempestivo, atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. Em litígio aplicação da retroatividade benigna no cálculo de multas de Contribuições Sociais Previdenciárias: A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. Fl. 788DF CARF MF 4 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem Fl. 789DF CARF MF Processo nº 12269.003961/200870 Acórdão n.º 9202006.151 CSRFT2 Fl. 788 5 correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 790DF CARF MF 6 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou Fl. 791DF CARF MF Processo nº 12269.003961/200870 Acórdão n.º 9202006.151 CSRFT2 Fl. 789 7 · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Fl. 792DF CARF MF 8 Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 793DF CARF MF Processo nº 12269.003961/200870 Acórdão n.º 9202006.151 CSRFT2 Fl. 790 9 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Conclusão Pelo exposto, conheço do recurso especial da Fazenda Nacional e, no mérito, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 794DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.902735/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.753
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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Recorrente DICAVE GARTNER DISTRIBUIDORA CATARINENSE DE VEÍCULOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 2009, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803002.661, de 21/03/2012, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que foi assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 90 27 35 /2 00 9- 46 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10909.902735/200946 Acórdão n.º 9303005.753 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. FALTA DE PROVA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. O início do procedimento fiscal retira a espontaneidade do contribuinte em relação aos atos jurídicos anteriores. Desta feita, a retificação da DCTF em momento posterior ao despacho decisório não possui o condão, por si só, de produzir efeitos retroativos em relação à compensação anteriormente declarada. Sendo a DCTF confissão de dívida, correto está a decisão que não homologou a compensação por insuficiência de crédito em razão do contribuinte não ter produzido provas suficientes à desconstituição do crédito tributário pretendido. Recurso Voluntário Negado. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o entendimento com relação aos efeitos da DCTF retificadora entregue após despacho decisório de não homologação de declaração de compensação, ou seja, se este documento apresentado após proferido o despacho é hábil ou não para que se promova a revisão do direito creditório. Alega divergência em relação ao decidido no Acórdão nº 10517.303. O recurso foi admitido mediante despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a PFN apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.741, de 19/09/2017, proferido no julgamento do processo 10909.902621/200904, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto ao conhecimento do recurso. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme resultado constante da ata da sessão deste julgamento. Desta forma, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.741): Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10909.902735/200946 Acórdão n.º 9303005.753 CSRFT3 Fl. 4 3 "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela contribuinte não deve ser conhecido. No caso tratado nos acórdãos recorrido e paradigma, as DCTF retificadoras foram apresentadas após a ciência do despacho decisório que indeferiu o PER/DCOMP. Afirma a Recorrente que, a despeito da similitude dos fatos, os Colegiados respectivos adotaram soluções diversas: enquanto nos presentes autos, a falta de apresentação de documentação comprobatória do indébito levou ao desprovimento do recurso voluntário, no paradigma entendeuse pela conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade local apurasse se o débito declarado na DCTF retificadora correspondia ao efetivamente devido, "intimandose a contribuinte para se manifestar acerca do relatório da diligência." Todavia, intimada do relatório da diligência que concluiu que o débito declarado na DCTF retificadora não correspondia ao valor devido, a contribuinte não se manifestara. O Colegiado prolator do acórdão paradigma, sem fazer qualquer referência expressa à diligência, propôs o provimento parcial do recurso voluntário, com base nos seguintes e exclusivos fundamentos: Na DCTF originariamente apresentada, a recorrente declarou débito de IRPJ relativo ao 1º Trimestre de 1999 no valor de R$ 1.007,14, enquanto que na DCTF retificadora o débito declarado é de R$ 463,09, o que resultaria em um recolhimento a maior de IRPJ da ordem de R$ 544,05, a quanto equivale o direito creditório em questão. A receita bruta da recorrente no mês de março de 1999, a partir do qual foi excluída do SIMPLES, foi de R$ 16.543,74 relativos à prestação de serviços e de R$ 5.503,54 relativos à venda de mercadorias. Na apuração da base de cálculo do IRPJ declarado na DCTF retificadora, a recorrente aplicou sobre a receita proveniente da prestação de serviços o percentual de 16%, do qual não poderia fazer uso, dado que somente aplicável às pessoas jurídicas prestadoras de serviços cuja receita bruta anual seja de até R$ 120.000,00 e a recorrente, no anocalendário de 1999, auferiu receitas desta atividade que ascenderam a R$ 184.595,78. Aplicados os percentuais de 32% sobre a receita de serviços e de 8% sobre a receita de vendas, a base de cálculo do IRPJ é de RS 5.734,28 e o IRPJ devido corresponde a R$ 860,14, o que reduz o direito creditório a R$ 147,00. Diante disso, dou provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório da recorrente no valor de RS 147,00, com os devidos acréscimos legais, correspondente ao pagamento efetuado a maior a titulo de IRPJ e homologada a compensação desse crédito com débitos de sua responsabilidade, passíveis de compensação, relacionados no "Demonstrativo dos Débitos Indicados para Compensação", até o montante em que se compensem. Portanto, foi possível verificar, na diligência (é o que supomos!), que, ao menos em parte, cabia restituir à contribuinte uma parcela do que houvera pago, em face de um erro de aplicação dos percentuais do lucro presumido. Observese que o entendimento a ser cotejado com o recorrido, e com este supostamente divergente, é aquele que se extrai do voto condutor do acórdão paradigma, parte integrante do acórdão em que se encontram os fundamentos da decisão colegiada. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10909.902735/200946 Acórdão n.º 9303005.753 CSRFT3 Fl. 5 4 A nosso juízo, o acórdão paradigma não traduz efetivamente uma interpretação divergente daquela adotada no recorrido, a ponto de permitir o conhecimento do recurso especial. Em nenhum momento, firmouse o entendimento, como comprova a transcrição literal do voto do relator, de que, ainda que nada se traga de provas documentais nos recursos interpostos, os autos sempre devem ser enviados à unidade de origem para diligenciar junto ao contribuinte. Se o Colegiado prolator do acórdão paradigma resolveu, em assentada anterior, determinar a diligência, fêlo em vistas das razões recursais e das informações que se encontravam colacionadas aos autos, a partir das quais concluiu a necessidade de sua realização. Isso, contudo, não firma uma tese jurídica, uma interpretação divergente da legislação tributária, a ponto de permitir o seu cotejo com outras que, aparentemente, lhe sejam confrontantes. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do recurso especial. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000414/00-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. GRELHAS DE PLÁSTICO E PORTA GRELHAS.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e Parecer Coana 1/00, as grelhas de plástico e as porta grelhas classificam-se na posição TIPI 3917.40.90.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DUTOS TELEFÔNICOS.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e considerando que os dutos telefônicos referenciados são tubos rígidos, os dutos telefônicos devem ser classificados na posição TIPI 3917.23.00.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. JOELHOS, JUNÇÕES E ACOPLAMENTOS DA LINHA AQUAPLUV.
Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os joelhos, as junções e os acoplamentos da linha Aquapluv, apresentados isoladamente, classificam-se na posição TIPI código 3917.40.10.
Numero da decisão: 9303-006.009
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. GRELHAS DE PLÁSTICO E PORTA GRELHAS. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e Parecer Coana 1/00, as grelhas de plástico e as porta grelhas classificam-se na posição TIPI 3917.40.90. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DUTOS TELEFÔNICOS. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e considerando que os dutos telefônicos referenciados são tubos rígidos, os dutos telefônicos devem ser classificados na posição TIPI 3917.23.00. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. JOELHOS, JUNÇÕES E ACOPLAMENTOS DA LINHA AQUAPLUV. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os joelhos, as junções e os acoplamentos da linha Aquapluv, apresentados isoladamente, classificam-se na posição TIPI código 3917.40.10.
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GRELHAS DE PLÁSTICO E PORTA GRELHAS. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e Parecer Coana 1/00, as grelhas de plástico e as porta grelhas classificamse na posição TIPI 3917.40.90. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DUTOS TELEFÔNICOS. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e considerando que os dutos telefônicos referenciados são tubos rígidos, os dutos telefônicos devem ser classificados na posição TIPI 3917.23.00. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. JOELHOS, JUNÇÕES E ACOPLAMENTOS DA LINHA AQUAPLUV. Com fundamento nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado, os joelhos, as junções e os acoplamentos da linha Aquapluv, apresentados isoladamente, classificamse na posição TIPI código 3917.40.10. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 04 14 /0 0- 93 Fl. 741DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Jorge Olmiro Lock Freire. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 30334.572, da 3ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de cerceamento do direito de defesa e de impossibilidade de utilização da taxa Selic como juros de mora e dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar as exigências relativas às classificações de grelhas de plástico e artigos semelhantes, dutos telefônicos, braçadeiras e joelhos, acoplamentos e outros acessórios da linha Aquapluv. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/1999 Ementa: PAF. Não há que se falar em nulidade da decisão de primeira instância pelo único motivo de ter sido rejeitado pedido de perícia. JUROS. É legítima a aplicação da taxa SELIC como juros de mora a partir de 01/01/1995. CLASSIFICAÇAO FISCAL. Grelhas de plástico e porta grelhas Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10920.000414/0093 Acórdão n.º 9303006.009 CSRFT3 Fl. 733 3 classificamse no código 3917.40.90 da TIPI/96. Eletrodutos flexíveis classificamse no código 3917.32.90 da TIPI/96. Dutos telefônicos classificamse no código 3917.23.00 da TIPI196. Braçadeiras de plástico classificamse no código 3925.90.00 da TIPI196. Joelhos, junções e acoplamentos da linha Aquapluv, apresentados isoladamente, classificavamse no código 3917.40.10 da TIPI196. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO COM COBERTURA DE CRÉDITO. A mera falta de lançamento do imposto, nas notas fiscais respectivas, constitui infração sujeita à aplicação da multa de lançamento de oficio, independentemente da existência ou não de imposto a recolher. Recurso Voluntário Provido em Parte” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, requerendo o conhecimento e o provimento do recurso para reformar a decisão recorrida, mantendose o lançamento efetuado. Traz que outras turmas demonstraram divergência de posições em relação à classificação fiscal das Grelhas de Plásticos e Porta Grelhas, Dutos Telefônicos e Joelhos, Junções e Acoplamentos da Linha Aquapluv. Aduz, em síntese, que a classificação fiscal efetuada pela fiscalização e mantida pela decisão de 1ª instância foi consubstanciada em pareceres da SRF ou de suas unidades descentralizadas, que constituem normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos e que, por conseguinte, encontramse revestidos de legalidade a produzir a eficácia necessária quanto aos seus atos e os seus efeitos. Em Despacho às fls. 611 a 613, foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Insatisfeito também, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial na parte que manteve a decisão de 1ª instância da classificação fiscal glosada, relativamente ao produto "eletroduto", insurgindo, entre outros, que: Fl. 743DF CARF MF 4 · Tais produtos são fabricados com PVC rígido e sua semimobilidade é decorrente de um processo especial de fabricação, não se caracteriza como um produto flexível, como as mangueiras de polietileno, por exemplo; · Do lançamento de multa isolada e autônoma, relativamente a presunção de aproveitamento de saldo credor indevido registrado na conta gráfica do IPI pela recorrente, em Dez/98, a hipótese tipificadora de aplicação da multa no dispositivo legal mencionado é a falta de lançamento do imposto. Sendo assim, se tal hipótese não é verdadeira, como já se reconheceu, índice idêntico de exclusão teria que ser aplicado como fator de redução da multa isolada, pois já se reconheceu que esse montante de diferença do imposto exigido não é devido. Contrarrazões ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional foram apresentadas pelo sujeito passivo, que expôs, entre outros, que: · A decisão proferida foi por unanimidade de votos razão pela qual é inadmissível o presente Recurso Especial, por flagrante violação ao preceito constituído pelo art. 7º, inciso I, do Regimento Interno; · Quanto à classificação fiscal referentes as grelhas de plástico e porta grelhas, que, conforme Parecer Coana 1/00, a caixa sifonada com grelha classificase no código 3917.40.90; · No que tange à classificação de dutos telefônicos, por serem tubos rígidos, devem ser classificados no código 3917.23.00; · Em relação aos joelhos, junções e acoplamentos da linha Aquapluv: ü As fotos das mercadorias demonstram que elas não são as conexões de plástico próprias para ligar perfis de plástico em forma de “u”; ü Ligam o beiral a tubos e, conforme consta da Nota 8 do Capítulo 39, na acepção da posição 3917 o termo tubos aplica se a artigos ocos, aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos; ü Os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis. Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10920.000414/0093 Acórdão n.º 9303006.009 CSRFT3 Fl. 734 5 Em Despacho às fls. 660 a 662, foi negado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo. Não se conformando com o Despacho que negou a admissibilidade ao recurso especial, o sujeito passivo apresentou Agravo. Em Despacho de encaminhamento, foi exposto que nos registros do CARF consta o recebimento de desistência de recurso referente ao processo de interesse do sujeito passivo. O sujeito passivo, assim, manifestou que, conforme petição protocolada na Delegacia da Receita Federal em Joinville em 22.12.09, e valendose dos benefícios estabelecidos pela Lei 11.941/09, quitou parte do débito que é objeto do processo e, por decorrência desistiu parcialmente do recurso administrativo pendente no CARF. Em Despacho às fls. 705 a 708, o agravo foi rejeitado e, assim, mantevese a negativa do seguimento ao recurso especial do sujeito passivo. O sujeito passivo, em ofício à fls. 712, manifesta que, relativamente ao processo nº 10920.000414/0093, não há qualquer negociação de parcelamento – razão pela qual a informação de tal procedimento não procede, e deve ser excluída. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Contrarrazões devem ser consideradas, vez que tempestivas. Fl. 745DF CARF MF 6 Ventiladas tais considerações, passo a discorrer sobre o cerne da lide – as classificações Fiscais dos seguintes produtos: · Grelhas de plástico e artigos semelhantes; · Dutos telefônicos; · Joelhos, acoplamentos e outros acessórios da linha Aquapluv. Para clarificar, vale lembrar que a classificação fiscal é feita por meio do código NCM Nomenclatura Comum do Mercosul, e que tem por base o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (SH) adotado no País por meio do Decreto 97.409, de 1988, o qual promulgou à Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias. Para sua composição, O Brasil, a Argentina, o Paraguai e o Uruguai adotam, desde janeiro de 1995, a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que tem por base o Sistema Harmonizado (SH). Assim, dos oito dígitos que compõem a NCM, os seis primeiros são formados pelo Sistema Harmonizado, enquanto o sétimo e oitavo dígitos correspondem a desdobramentos específicos atribuídos no âmbito do MERCOSUL. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, ou simplesmente Sistema Harmonizado (SH), é um método internacional de classificação de mercadorias, baseado em uma estrutura de códigos e respectivas descrições. Este Sistema foi criado para promover o desenvolvimento do comércio internacional, assim como aprimorar a coleta, a comparação e a análise das estatísticas, particularmente as do comércio exterior. Além disso, o SH facilita as negociações comerciais internacionais, a elaboração das tarifas de fretes e das estatísticas relativas aos diferentes meios de transporte de mercadorias e de outras informações utilizadas pelos diversos intervenientes no comércio internacional. A composição dos códigos do SH, formado por seis dígitos, permite que sejam atendidas as especificidades dos produtos, tais como origem, matéria constitutiva e aplicação, em um ordenamento numérico lógico, crescente e de acordo com o nível de sofisticação das mercadorias. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10920.000414/0093 Acórdão n.º 9303006.009 CSRFT3 Fl. 735 7 Desta forma, a classificação de mercadorias no Mercosul é realizada com base em seis Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado (6 RGI/SH) e na Regra Geral Complementar (RGC —1). Regras previstas na Resolução Camex 42, de 2001 e também na Instrução Normativa SRF 99, de 2001 – sendo a classificação de um produto determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, e pelas demais regras de classificação (Regra Geral 1 de Interpretação do Sistema Harmonizado — RGI 1). A classificação nas subposições de uma mesma posição é determinada pelos textos dessas subposições e das Notas de Subposição correspondentes (RGI 6). Essas mesmas regras aplicamse para o enquadramento de um produto nos itens e subitens de uma subposição (Regra Geral Complementar n° 1 — RGC 1). Clarificada a composição dos códigos, quanto à classificação do produto, importante discorrer sobre cada produto ora em discussão. Quanto às Grelhas de plástico e artigos semelhantes, expresso minha concordância com o voto do acórdão recorrido – o que, peço vênia, para transcrever: “b)grelhas de plástico e artigos semelhantes: classificação adotada pela contribuinte: 3917.40.90, relativa a acessórios de tubos classificação atribuída pela fiscalização: 39.26.90.90, para outras obras de plástico, com base no Parecer Simples CST n° 276, DOU de 02/06/1991. A DRJ alega que a classificação defendida para a grelha pela autuada, como acessório de tubos, não pode ser aceita, visto que se trata de produto com função própria, que já foi classificada no referido código em consulta respondida pelo órgão oficial competente. Reza o Parecer COANA n° 1, de 11/01/2000, que a caixa sifonada com grelha (ou ralo sifonado) classificase, com base na RGI 1 (texto da posição 3917) e 6 (texto da subposição 3917.40), conjugadas com a RGC1 (texto do código 3917.40.90), todas da TIPI, aprovada pelo Decreto n° 2.092/96, no código 3917.40.90. Fl. 747DF CARF MF 8 Ora, tal código referese aos acessórios para tubos de plástico. É lógico que, se a caixa sifonada com grelha é um acessório para tubo, as tampas próprias para tais caixas (as grelhas) e os portagrelhas também o são. Assim, entendo que, com base no mesmo Parecer COANA n° 1/2000, deve ser mantida a classificação adotada pela recorrente. Dou provimento ao recurso voluntário quanto a este item.” Ora, conforme o Parecer Coana 1/00, a caixa sifonada com grelha classifica se no código 3917.40.90. Isso com base na RG1 e 6 conjugadas com a RGC1 da TIPI –a provada pelo Decreto 2.092/96. Cabe trazer que se enquadram nesse código os acessórios para tubos de plásticos. Sendo assim, se a caixa sifonada com grelha é um acessório para tubo, as tampas próprias para tais caixas e as portas grelhas também seriam. Em vista do exposto, voto por negar provimento, nessa parte, ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Relativamente aos Dutos telefônicos, depreendendose da análise dos autos, adoto as razões de decidir do acórdão recorrido: “classificação adotada pela contribuinte: 3917.23.00, relativa a tubos rígidos de cloreto de vinila classificação atribuída pela fiscalização: 3917.32.90, para outros tubos, com base no Parecer Simples CST (DCM) n° 1.363/91 (DOU de 14/01/1992). A DRJ repete a argumentação do item anterior, afirmando que os pareceres adotados pela defesa (PNCST n° 14, de 08/03/1978 e PNCST n° 967/71), além de serem impertinentes, são mais antigos do que os que embasaram a autuação. A empresa, em seu recurso, aduz que a classificação adotada pela fiscalização padece dos seguintes erros conceituais: o produto é aplicado em construções em geral e é um tubo flexível. Alega que ele não é utilizado em construção civil, mas em infraestrutura básica (telefonia) e que é rígido. Aliás, empresa já vinha alegando que os tubos seriam rígidos, mas a DRJ não enfrentou tal argumento. Neste caso entendo que a autuação deve ser reformada. Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10920.000414/0093 Acórdão n.º 9303006.009 CSRFT3 Fl. 736 9 Com efeito, com base na tabela de fl. 409 (constante do Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal) e na foto de fl. 18, resta claro que os dutos telefônicos em tela são tubos rígidos. O nome do produto já diz claramente: DT01Duto telefônico liso de PVC rígido ponta e bolsa. Assim, os referidos produtos devem ser classificados da forma como o fez a recorrente, no código 3917.23.00, relativo a tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila. Quanto ao Parecer CST n° 1.363/91, referese a dutos que têm como matéria constitutiva sucatas de garrafas de plástico ou qualquer tipo de plástico usado e, portanto, não se aplica ao caso. Dou provimento ao recurso voluntário quanto a este item.” Com efeito, os dutos telefônicos referenciados são tubos rígidos, que indica "DT01Duto Telefônico Liso de PVC Rígido Ponta e Bolsa.". O que, por conseguinte, deve ser classificado no código 3917.23.00, relativo a tubos rígidos de polímeros de cloreto de vinila. Cabe esclarecer ainda que o Parecer CST n° 1.363/91, que serviu como fundamento no Acórdão tido como divergente e indicado no Recurso Especial, é relativo a dutos que tem como matéria constitutiva sucatas de garrafas de plástico ou qualquer tipo de plástico usado, sendo, portanto, inaplicável ao produto que é objeto desses autos. Em vista de todo o exposto, nessa parte, nego provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. E, no que tange aos Joelhos, acoplamentos e outros acessórios da linha Aquapluv, manifesto minha concordância com o voto irretocável do acórdão recorrido: “classificação adotada pela contribuinte: 3917.40.10, relativa a acessórios para tubos classificação atribuída pela fiscalização: 3925.90.00, relativa a outros artefatos para apetrechamento de construções, de plásticos, não especificados nem compreendidos em outras posições, com base no disposto Fl. 749DF CARF MF 10 na Nota do Capítulo 39 n° 11, alínea "c" A DRJ afirma que a linha de produtos destinase basicamente à coleta e escoamento de água originada de precipitações pluviométricas, por meio de calhas e de seus acessórios. Afirma que a Nota Explicativa n° 11 conduz para a classificação do conjunto calha e acessórios, quando apresentados juntos, na posição 3925. Entretanto, como os produtos foram comercializados separadamente, o Parecer COSIT DINOM n° 598, de 08/11/1996, seria categórico ao classificar as conexões de plástico, próprias para ligar perfis de plástico em forma de "u", quando apresentadas à comercialização isoladamente, no código 3926.90.9900. A empresa aduz que o referido Parecer concluiu, na verdade, pela classificação por ela adotada. As fotos das mercadorias (joelhos, junções e acoplamentos Aquapluv beiral) demonstram que elas não são as conexões de plástico próprias para ligar perfis de plástico em forma de "u", como apontado pela decisão recorrida. Elas ligam o beiral a tubos e, conforme consta da Nota 8 do Capítulo 39, na acepção da posição 3917 o termo tubos aplicase a artigos ocos, aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos. Esclarece ainda a Nota que, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular . (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis. Assim, concluo que o Parecer se aplica ao caso em tela quando fala em ligações entre perfil (calha) e tubo, caso em que a classificação se dá no código 3917.40.10. Isto porque, embora os artefatos em tela sejam acessórios para calhas, se comercializados isoladamente podem também ser considerados acessórios para tubos, mais especificamente conexões. Então deve ser considerado que a Nota 11 do Capítulo 39 tem a seguinte dicção: "11. A posição 3925 aplicase exclusivamente aos seguintes artefatos, desde que não se incluam nas posições precedentes do subcapítulo II: (...) c) calhas e seus acessórios; (...)" (grifei) Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10920.000414/0093 Acórdão n.º 9303006.009 CSRFT3 Fl. 737 11 Como a mercadoria se encaixa na posição 3917, precedente, não pode ser classificada na posição 3925. Vale ainda lembrar que, pelos mesmos motivos já expostos anteriormente, como a autoridade recorrida admitiu que a classificação se daria em um terceiro código, deveria ter considerado o lançamento improcedente. Dou provimento ao recurso voluntário quanto a este item.” Recordase que as fotos dos produtos joelhos, junções e acoplamentos Aquapluvbeiral comprovam que não são conexões de plástico próprias para ligar perfis de plástico em forma de "u". Ligam o beiral a tubos e, conforme Nota 8 do Capítulo 39, na acepção da posição 3917, vêse que os produtos tubos aplicase a artigos ocos, aos invólucros tubulares para enchidos e a outros tubos chatos. Esclarece ainda a Nota que, com exclusão destes últimos, os tubos que apresentem uma seção transversal interna diferente da redonda, oval, retangular (o comprimento não excedendo a 1,5 vezes a largura) ou em forma poligonal regular, não se consideram como tubos, mas sim como perfis. Sendo assim, resta claro que o produto se encaixa na posição 39.17. Em vista de todo o exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 751DF CARF MF
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Numero do processo: 12897.000857/2009-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE.
Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação.
OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO OCORRÊNCIA. RECEITAS E DESPESAS PRÉ-OPERACIONAIS.
Confirmada que a base de cálculo apresentada limita-se às receitas e despesas pré-operacionais, de se excluir o lançamento. Aplicação da Solução de Divergência - Cosit, 32/2008
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE SUPERIOR AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROVERTIDO.
O depósito judicial em pecúnia cujo valor corresponde ao montante integral do crédito tributário controvertido suspende a exigibilidade deste.
Constatada a existência de depósitos judiciais em excesso (assim entendido o montante de depósitos judiciais que ultrapassar o valor necessário para suspender a exigibilidade do crédito tributário controvertido), o levantamento do referido excesso antes do final da lide, a pedido do depositante, depende de autorização do Juízo competente.
Havendo montante excedente depositado, poderá este ser utilizado para suspensão de outro crédito até o seu valor desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial.
Numero da decisão: 1301-002.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja reduzido o crédito tributário de IRPJ ao montante de R$ 10.384.977,60 e o de CSLL ao valor de R$ 4.478.285,49, cancelando-se a multa de ofício e os juros de mora exigidos.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. NÃO OCORRÊNCIA. RECEITAS E DESPESAS PRÉOPERACIONAIS. Confirmada que a base de cálculo apresentada limitase às receitas e despesas préoperacionais, de se excluir o lançamento. Aplicação da Solução de Divergência Cosit, 32/2008 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE SUPERIOR AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROVERTIDO. O depósito judicial em pecúnia cujo valor corresponde ao montante integral do crédito tributário controvertido suspende a exigibilidade deste. Constatada a existência de depósitos judiciais em excesso (assim entendido o montante de depósitos judiciais que ultrapassar o valor necessário para suspender a exigibilidade do crédito tributário controvertido), o levantamento do referido excesso antes do final da lide, a pedido do depositante, depende de autorização do Juízo competente. Havendo montante excedente depositado, poderá este ser utilizado para suspensão de outro crédito até o seu valor desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 08 57 /2 00 9- 16 Fl. 633DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 634 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que seja reduzido o crédito tributário de IRPJ ao montante de R$ 10.384.977,60 e o de CSLL ao valor de R$ 4.478.285,49, cancelandose a multa de ofício e os juros de mora exigidos. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 635 3 Relatório LLX MINASRIO LOGÍSTICA COMERCIAL EXPORTADORA S/A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 1a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJ1 (fls. 316 e ss), que, por voto de qualidade, julgou improcedente a impugnação, mantendose o crédito tributário, com juros de mora de multa de ofício de 75%, no valor total de R$35.577.138,67. Do Lançamento Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 32/38), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram a omissão de receitas financeiras, sujeiras ao IRPJ e CSLL e não incluídas nas guias de depósito judicial, já que havia impetrado Mandado de Segurança para assegurar o direito de escriturar suas receitas financeiras auferidas em fase préoperacional em conta de ativo diferido, com o intuito de diferir a tributação. Como os depósitos foram feitos em valores menores, não atenderiam ao disposto no art. 151, II, do CTN, foi então efetuado o lançamento por omissão de receitas financeiras não informadas/declaradas na DIPJ e na DCTF e não recolhidas, com base artigos 247, 248, 251 e parágrafo único, 288 e 373, todos do RIR/99. Como descrito no Termo de Verificação, fls.36: “Em 29/01/2008, o contribuinte impetrou Mandado de Segurança no Tribunal Regional Federal 2ª Região, através do processo judicial n° 2008.51.01.0115568, que está sendo controlado administrativamente através do processo n° 15374.000221/200872. No referido Mandado de Segurança, a empresa pede que lhe seja concedida a segurança definitiva para lhe assegurar o direito de escriturar suas receitas financeiras auferidas em fase préoperacional, em conta de ativo diferido, com o efeito de diferir a incidência e a conseqüente tributação do Imposto de Renda — IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, conforme a seguir transcrito da fl. 18 do processo 15374.000221/200872, cópia anexa: Processo administrativo n° 15374.000221/200872 — fls. 18 Folha 18: “III) O PEDIDO ............ "Isto Posto, com fundamento na Lei 1.533/51 e demais disposições aplicáveis, requerem as Impetrantes que, processado o presente "writ" com a requisição das informações da autoridade impetrada e ouvido o d. representante do Ministério Público Federal, sejalhes concedida a segurança definitiva para o fim de serlhes assegurado o direito de que suas receitas financeiras, auferidas em fase pré operacional, durante o ano de 2007, sejam escrituradas segundo o regime de competência em conta do ativo diferido, com a contabilização de eventual saldo Fl. 635DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 636 4 credor em conta de resultados de exercícios futuros a serem realizados à medida em que se iniciem as operações das empresas, com os conseqüentes efeitos fiscais decorrentes desta específica forma de contabilização.” (.....) As receitas são originárias de aplicações financeiras/hedge auferidas no ano calendário 2007, com recursos originários de integralização do capital social em moeda corrente, com a finalidade de proteção cambial, conforme a seguir transcrito das fls. 03 e 04 do processo administrativo acima referido, cópias anexas, referentes à inicial do Mandado de Segurança: Processo administrativo n° 15374.000221/200872 — fls. 03 e 04 (cópias anexas) Folha 03: (....... ) "Durante o ano de 2007, promoveram o aumento de seu capital social que foi integralizado em moeda corrente nacional mediante conversão de moeda ..." (cont.) Folha 04: Continuação Fl. 03 "... estrangeira (US$) em reais (R$). Em face disto, e porque tiveram que dispor da proteção cambial do capital investido – as Impetrantes buscaram resguardar o seu investimento aplicando os recursos disponíveis no mercado financeiro, enquanto não iniciadas as suas atividades operacionais (doc.02)." (grifo nosso) O referido processo judicial encontrase em fase de conclusão de recurso de apelação na Terceira Turma Especializada do Egrégio Tribunal Federal da 2a. Região, tendo em vista decisão denegatória do Exmo. Sr. Juiz Alberto Nogueira Junior da 10ª Vara/RJ, datada de 09/04/2008, tudo em conformidade com a Certidão de Objeto e Pé datada de 11/11/2009, cópias anexas. Os depósitos judiciais efetivados pelo contribuinte não atendem ao disposto no inciso II do Art. 151 do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172 de 25 de outubro de 1966, tendo em vista que o montante dos depósitos é inferior ao do crédito tributário objeto deste Termo. Em face do explanado, esta fiscalização procede ao lançamento do crédito tributário integral por omissão de receitas financeiras não declaradas e não recolhidas, nos moldes dos Arts. 247, 248, 251 § único, 288 e 373 todos do RIR/99 — Decreto n° 3.000/1999.” Da Impugnação Fl. 636DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 637 5 Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 155/188, que aduziu os seguintes argumentos: Em sede de preliminar, argúi a nulidade do auto de infração: A) porque foram lavrados em desconformidade à sua própria fundamentação legal, uma vez que foi simplesmente calculado o valor do IRPJ e da CSLL sobre o total da suposta omissão de receita, sem recompor a base de cálculo do IRPJ e da CSLL no período, como se esperava ser. Não foi deduzida nenhuma das despesas incorridas, as quais seriam, exemplificativamente: despesas com tributos como CPMF e IOF, folha de pagamentos, despesas com auditoria, etc, todas devidamente registradas em sua contabilidade. Transcreve julgados desse colegiado nesse sentido: Acórdão 10321.729, DOU 03/11/2004 "IRPJ. DIFERENÇA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DEVEDORA DE IPC/BTNF. EXCLUSÃO INTEGRAL. OFENSA AO PRINCÍPIO DO DIFERIMENTO PARA OUTROS PERÍODOS MENSAIS. EXIGÊNCIA FISCAL PLENA DO MONTANTE ADICIONADO AO RESULTADO. IMPROCEDÊNCIA. NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL DO PERÍODO SUBMISSO AO PERCENTUAL DE REALIZAÇÃO DEFINIDO EM LEI. Para efeito de determinação do lucro real, as exclusões do lucro líquido, em anoscalendário subseqüentes àquele em que deveria ter sido procedido o ajuste, não poderão produzir efeito diverso do que seria obtido, se realizadas na data prevista, inclusive no caso da parcela dedutível em cada anocalendário, correspondente ao saldo devedor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (art. 424 do RIR/94,). Recurso provido. Por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, DAR provimento ao recurso." Acórdão 10709.141, DOU 31/01/2008 "OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO NÃO COMPROVADO. Presume omissão de receitas a manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. APURAÇÃO DE MATÉRIA TRIBUTÁVEL. RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL. No lançamento de ofício realizado em razão de infrações à legislação do IRPJ, deve ser recomposto o lucro real do períodobase, levando em conta o prejuízo fiscal apresentado na declaração de rendimentos. O mesmo ocorre em relação à base de cálculo negativa da CSLL. SALDOS DE PREJUÍZOS FISCAIS. COMPENSAÇÃO COM MATÉRIA TRIBUTÁVEL APURADA. CABIMENTO. Os saldos de prejuízos fiscais ainda pendentes, por não terem sido aproveitados em períodos posteriores, devem ser compensados com o lucro real apurado no anocalendário em que foi apurada matéria tributável, limitada a redução do lucro real ao percentual de 30%. O mesmo ocorre em relação à CSLL. Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de oficio, e, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário, para reduzir o valor tributável do IRPJ e CSLL a importância de R$..." Fl. 637DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 638 6 Acórdão 10806.780, DOU 27/03/2002 "IRPJ e PIS/REPIQUE Ano: 1995 IRPJ/ EXCLUSÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL A inexatidão quanto a escrituração de depósitos judiciais convertidos em renda da União em 1994, relativos a tributos cuja exigibilidade estava suspensa, autoriza o lançamento de oficio, quando comprovado que o registro "a posteriori" gerou redução de pagamento de tributo. No entanto, na recomposição do lucro real e havendo saldo maior de prejuízos ainda não aproveitados, deve se admitir sua compensação para absorver a matéria tributária apurada. Recurso parcialmente provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para considerar os efeitos da recomposição da base de cálculo da compensação de prejuízos fiscais, em face da limitação legal." B) por absoluta falta de motivação e cerceamento ao direito de defesa da contribuinte uma vez que, nos Autos de Infração, foram consideradas somente as receitas auferidas e foi concluído que houve depósito judicial menor. Todavia, a contribuinte foi intimada a apresentar a memória de cálculo do valor depositado, as quais foram entregues e ignoradas pela autoridade lançadora porque não computou as deduções, despesas e custos incorridos na fase préoperacional, e não explicou porque não o fez. Assim sendo, está sim diante de nulidade nos termos do artigo 59,II, do Decreto n° 70.235/72. A contribuinte esclarece que ainda que venha a ser proferida decisão final desfavorável nos autos do Mandado de Segurança n° 2008.51.01.0115568 não poderá jamais ser exigido o crédito tributário lançado, por razões outras que não são objeto de discussão naquele processo judicial, a saber: i) consoante orientação da própria COSIT, em solução de divergência, mesmo que as receitas financeiras auferidas na fase préoperacional tivessem que ser oferecidas à tributação no ano em que incorridas, a tributação estaria limitada ao "excesso remanescente" após a dedução do "total das despesas préoperacionais registradas”, a saber: "SOLUÇÃO DE CONSULTA N°44 de 01 de Fevereiro de 2008 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: No caso de empresa em fase de préoperação, o saldo líquido das receitas e despesas financeiras, quando derivadas de ativos utilizados ou mantidos para emprego no empreendimento em andamento, deve ser registrado no ativo diferido. Esse valor, se credor, deverá ser diminuído do total das despesas pré operacionais incorridas no período de apuração e, eventual excesso de saldo credor deverá compor o lucro líquido do exercício em questão. Na existência de saldo negativo de IRPJ, decorrente da retenção na fonte desse tributo sobre as receitas financeiras absorvidas pelas despesas préoperacionais; esse valor poderá ser objeto de restituição ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela RFB.” A contribuinte apresenta, em sua impugnação – fls 168 – os montantes que deveriam ser considerados pela autoridade lançadora, os quais também estão descritos nos Memoriais apresentados na sessão de julgamento. Além do que, trouxe relatório da KPMG que revisou a apuração dos cálculos e atestando os valores e a recompondo a metodologia de cálculo. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 639 7 C) Mesmo que seja decidido que não se deve deduzir as despesas préoperacionais, a contribuinte atenta para a impossibilidade de exigência de multa e juros quando o procedimento está conforme o entendimento da administração, segundo o artigo 100 do CTN – Código Tributário Nacional. TRF da 4ª Região. E) não concordando com o argumentado na letra D acima, aduz a impossibilidade de se exigir o pagamento dos valores depositados judicialmente com acréscimo de juros de mora e multa de oficio, com base no artigo 150, II, do CTN, ou seja, não poderiam ser exigidos multa de oficio e juros de mora sobre os depósitos judiciais, mas apenas sobre a diferença depositada a menor, se for o caso. Diz que é o entendimento firmado por 12 votos a 2 pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais ao julgar o Recurso Especial n° 202131.351, bem como das 1ª e 5ª Câmaras do 1° Conselho de Contribuintes (Acórdãos nº 10196.008, n° 10196601 e n° 10516.472), e das 1ª e 2ª Câmaras do 2° Conselho (Acórdãos nº 20178.718 e nº 20216.397). Salienta que estava depositado em juízo o montante total devido, e que, assim, não é possível exigir a totalidade do crédito, especialmente acrescido de multa no importe de 75% e juros moratórios. F) Se não conforme com os argumentos acima, não se poderia exigir multa de ofício e juros, mas apenas a diferença do valor que se considerou como não depositado judicialmente. G) em nenhuma hipótese deverá ser exigido juros de mora sobre o valor lançado a título de multa de ofício, por falta de previsão legal. A contribuinte reforça que os depósitos judiciais foram feitos sob a égide da Lei n° 9.703/98, cujo artigo 1°, § 2° determina que "os depósitos serão repassados pela Caixa Econômica Federal para a Conta Única do Tesouro Nacional, independentemente de qualquer formalidade", de modo que a Impugnante estaria sendo compelida a recolher aos cofres públicos em duplicidade o valor depositado. A 1ª Turma da DRJ/RJ1, em 08 de abril de 2010, prolatou Acórdão n. 1229 685, e julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com a legislação. OMISSÃO DE RECEITAS FINANCEIRAS. AÇÃO JUDICIAL CONCOMITANTE. A propositura de ação judicial importa renúncia às instâncias administrativas. BASE DE CÁLCULO. Mantémse a base de cálculo autuada, se não provada a ocorrência de erro na sua apuração. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula. Fl. 639DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 640 8 DEPÓSITO JUDICIAL. MULTA DE OFICIO. É cabível exigência de multa de oficio na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, se não demonstrada a ocorrência de suspensão da exigibilidade na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. Na conversão dos depósitos em renda, estes são considerados como pagamentos à vista na data em que efetuados, excluindose, então, os juros de mora sobre eles incidentes (se realizados dentro dos respectivos prazos de recolhimento). MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de oficio integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência dos juros de mora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 278/324, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Da preliminar de nulidade do Auto de Infração fundado em lançamento mal elaborado; Da preliminar de nulidade do Auto de Infração por cerceamento ao direito de defesa e vício de motivação; Quanto ao mérito: Do depósito judicial a maior, e não a menor: necessidade de exclusão das despesas préoperacionais; Da impossibilidade de exigência de multa e juros quando o procedimento está conforme o entendimento da administração; Da impossibilidade de se exigir o pagamento dos montantes já depositados, ainda mais acrescidos de multa de ofício e juros de mora; Do depósito integral não cabimento da multa de ofício e dos juros de mora; Da suspensão da exigibilidade do crédito até o montante depositado; Da ilegalidade da exigência dos juros sobre a multa; Posteriormente, às fls. 441/456, por meio da Resolução 1202000.116, ocorreu a conversão do julgamento em diligência, para que a recorrente apresentasse a documentação necessária para que a autoridade fiscal de origem verificasse: Fl. 640DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 641 9 a) que os valores constantes da planilha “Cálculo de IRPJ e CSLL depositados nos autos do MS nº 2008.51.01.0115568”, fls 168 dos autos, representam o cômputo do total das receitas préoperacionais menos as despesas préoperacionais correspondentes como alega a recorrente; b) após a verificação anterior, para que vincule os montantes de IRPJ e CSLL com os depósitos judiciais efetuados, demonstrando se houve depósito a menor ou não; e, dê ciência do relatório final da diligência para que a recorrente possa fazer suas considerações em 30 dias após a ciência. Assim, juntouse às fls. 603/605, Relatório Fiscal após a diligência realizada, em que o fiscal informou que o valor depositado pelo recorrente corresponde à diferença entre as receitas préoperacionais e as despesas préoperacionais, contabilizadas, ressalvando que algumas contas de despesas não seriam necessárias à operação da empresa, nos termos do art. 299 do RIR/99. Intimado, o Recorrente apresentou suas considerações, às fls. 608/616, onde reitera o já apresentado no seu Recurso, bem como de que aquilo que foi efetivamente depositado já seria o suficiente, não cabendo as alegações feitas pela autoridade no sentido de que algumas despesas não seriam dedutíveis. Recebi os autos por sorteio em 27/07/2017. É o relatório. Fl. 641DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 642 10 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi autuada, em 03/12/2009, no IRPJ e CSLL, no ano calendário de 2007, em razão da omissão de receitas na DIPJ/2008, que não foram informadas na DCTF, exigindose o crédito tributário total de R$35.577.138,67, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. RECURSO VOLUNTÁRIO A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/RJ1 e intimada ao recolhimento dos débitos de IRPJ e reflexo em 17/09/2010 (sextafeira) (AR de fl. 326), e apresentou em 19/10/2010, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 278/324. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivos, deles conheço. 1) Preliminares: Da Nulidade do Auto de infração fundado em lançamento mal elaborado e por cerceamento ao direito de defesa e vício de motivação Alega o contribuinte que o Auto de Infração seria nulo, já que sem as características de liquidez e certeza do crédito, pois não ocorreu a recomposição de sua contabilidade e apuração do lucro real, já que tomou simplesmente os valores das receitas financeiras supostamente omitidas e sobre elas incidiu o IRPJ e a CSLL. Ademais, alega, ainda, o recorrente que houve o cerceamento de sua defesa, já que apresentou todos os livros, e memória de cálculo do valor depositado e ainda assim, tais documentos foram ignorados pela fiscalização, o que gerou o lançamento, no seu entendeu totalmente imotivado. No caso em tela, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 642DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 643 11 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para seu embasamento, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, deixo de conhecer das preliminares argüidas. 2) Do mérito O contribuinte havia impetrado Mandado de Segurança no TRF 2ª Região 2008.51.01.0115568, a fim de que lhe fosse assegurado o direito de escriturar suas receitas financeiras auferidas em fase préoperacional em conta do ativo diferido e, conseqüentemente, diferisse a incidência e a tributação do IRPJ e CSLL. De tal forma que esses tributos foram depositados judicialmente, nos termos do art. 151, II, do CTN. Portanto, aqui não há discussão quanto a este mérito, judicialmente em debate. A divergência, neste caso, cingese ao cálculo do valor que foi discutido judicialmente e que deveria ter sido depositado, relacionado às receitas financeiras, conforme menciona o TVF, de aplicações financeiras e ganhos na liquidação de "hedge". No entender da fiscalização, como o depósito realizado estava a menor, não atenderiam ao disposto no art. 151, II do CTN, e desconsideroua, procedendo ao lançamento da totalidade do crédito tributário. Segundo o lançamento, a tributação alcançou as receitas financeiras, porém as despesas financeiras daquele mesmo ano não foram deduzidas, daí a diferença. Trouxe o Recorrente a Solução de Consulta 44/2008, já nesse sentido. Bem como a Solução de Divergência 32/2008, da COSIT, que assenta: Solução De Divergência COSIT Nº 32, de 21 de Julho de 2008 DOU 05.08.2008 Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real devem registrar no ativo diferido o saldo líquido negativo entre receitas e despesas financeiras, quando provenientes de recursos classificáveis no referido subgrupo. Sendo positiva, tal diferença diminuirá o total das despesas pré operacionais registradas. O eventual excesso remanescente deverá compor o lucro líquido do exercício. Fl. 643DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 644 12 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Código Tributário Nacional (CTN), arts. 43 e 44, Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, arts. 177, 179, V e 181, Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, arts. 4º e 36, II, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de1996, arts. 6o, II, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. Regulamento do Imposto de Renda (RIR), arts. 218, 247, 274 e 325, Instrução Normativa (IN) SRF nº 54, de 05 de abril de 1988, e nº 79, de 1º de agosto de 2000. OTHONIEL LUCAS DE SOUSA JÚNIOR CoordenadorGeral Substituto E dessa forma, o recorrente realizou seus cálculos e procedeu nos depósitos judiciais, conforme abaixo: Fl. 644DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 645 13 A decisão recorrida resolveu manter por voto de qualidade o lançamento e consequentemente a tributação das receitas sem a dedução das despesas financeiras. Em razão da afirmação dessa decisão de que o recorrente não fez prova da ocorrência de erro na apuração da base de cálculo, ela juntou o trabalho elaborado pela KPMG, que validou o balanço de 2007. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 646 14 Dessa forma, o Colegiado converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal analisasse tal cálculo para dizer se os valores representavam o cômputo total das receitas préoperacionais menos as despesas préoperacionais e posteriormente, vinculasse os montantes de IRPJ e CSLL com os depósitos judiciais efetuados, para aferir se houve depósito a menor ou não. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 538 e ss, Ora, restou demonstrada através da diligência realizada de que o cálculo apresentado corresponde efetivamente a todas as receitas e despesas préoperacionais. O Relatório, no entanto, foi além, indicando que poderiam haver despesas não necessárias. Logicamente, tal menção, neste lançamento e nesta diligência não são passíveis de alterar o que foi verificado, ou seja, caso a autoridade fiscalizadora entendesse que havia despesas não dedutíveis, deveria proceder no seu lançamento. Ademais, informou que os depósitos realizados não contemplavam multa de ofício e juros. Ora da análise das guias depositadas, fls. 55/56, verifico que foram realizadas no vencimento, 30/01/2008, referente ao ano de 2007, portanto, de fato não havia a necessidade de se realizar o depósito com multa de mora e/ou juros. Pelo cálculo apresentado, verificase que o devido de IRPJ foi de R$10.384.977,60 e de CSLL R$4.478.285,49, e os valores depositados foram de R$12.059.995,68 e R$4.342.640,90, respectivamente. Ou seja, verificase que o valor de IRPJ Fl. 646DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 647 15 foi depositado a maior e o de CSLL a menor. Mas na totalidade, ainda um valor a maior de R$1.539.373,49. Nesse ponto, trouxe o Recorrente a Solução de Consulta Interna 27/2005, que reconhece a possibilidade de utilização de depósitos realizados a maior pelo contribuinte para suspensão da exigibilidade, desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DEPÓSITO JUDICIAL EM MONTANTE SUPERIOR AO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONTROVERTIDO. O depósito judicial em pecúnia cujo valor corresponde ao montante integral do crédito tributário controvertido suspende a exigibilidade deste. Constatada a existência de depósitos judiciais em excesso (assim entendido o montante de depósitos judiciais que ultrapassar o valor necessário para suspender a exigibilidade do crédito tributário controvertido), o levantamento do referido excesso antes do final da lide, a pedido do depositante, depende de autorização do Juízo competente. Havendo montante excedente depositado, poderá este ser utilizado para suspensão de outro crédito até o seu valor desde que referente ao mesmo depositante e à mesma ação judicial. Os excessos de depósitos judiciais não podem ser compensados com tributos devidos pelo sujeito passivo. Dispositivos Legais: CTN, arts. 108, 111, I, e 151, II; CPC, art. 369: Lei no 9.703/1998, art. 1º; Lei nº 9.289/1996, art. 11, § 2º. Verifico ser totalmente aplicável esta solução de consulta para o caso em tela, já que o valor depositado de IRPJ foi em excesso e tal excesso supre plenamente a diferença de CSLL. Assim, estando os valores plenamente depositados, de se manter o lançamentos até o valor de IRPJ de R$10.384.977,60 e de CSLL de R$4.478.285,49, reconhecendo a suspensão da exigibilidade já que os depósitos judiciais foram suficientes, exonerandose a multa e os juros. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, por rejeitar as preliminares de nulidade do lançamento e quanto ao mérito DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO, cancelandose a multa e os juros aplicados. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 647DF CARF MF Processo nº 12897.000857/200916 Acórdão n.º 1301002.666 S1C3T1 Fl. 648 16 Fl. 648DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.724016/2013-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.164
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1542; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 56 1 55 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18470.724016/201363 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.164 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2017 Matéria Simples Nacional Recorrente CENTRO EDUCACIONAL CARROSSEL DAS NEVES LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de pedido de inclusão no Simples Nacional, no ano calendário 2013, indeferido tendo em vista a existência de débitos previdenciários e não previdenciários com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não estava suspensa, nos termos da Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V e conforme Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 21/23). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 40 16 /2 01 3- 63 Fl. 56DF CARF MF 2 A decisão de primeira instância (efls. 39/47) julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Cientificada da decisão de primeira instância em 14/10/2014 (AR efls. 49) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em de 11/11/2014 (efls. 52), em que apela para os princípios constitucionais da capacidade contributiva, da isonomia e do tratamento privilegiado das micro empresas para pedir a reversão da decisão de primeira instância. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recorrente somente apela à alegação de eventual excesso inconstitucional do legislador ordinário ao fixar, na Lei Complementar nº 123, de 14/12/2006, art. 17, inciso V, a impossibilidade de Opção pelo Simples Nacional de empresas com débito com a Fazenda nacional, cabe destacar que é tarefa exclusiva reservada ao Poder Judiciário a verificação da compatibilidade da norma jurídica com os preceitos constitucionais. Estes argumentos são inoponíveis na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Relator Fl. 57DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.723399/2013-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL
A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
Numero da decisão: 1001-000.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) José Roberto Adelino da Silva. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) José Roberto Adelino da Silva. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) José Roberto Adelino da Silva. Votou pelas conclusões o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de solicitação de enquadramento no Simples Nacional com data retroativa (fl. 02) de empresa em início de atividade. Por bem reproduzir o pleito reproduzo o relatório do acórdão recorrido (efls. 74/77): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 33 99 /2 01 3- 12 Fl. 110DF CARF MF 2 A contribuinte acima qualificada solicitou em 12/06/2013 o enquadramento no Simples Nacional com data retroativa (fls. 02). Alegou, em síntese, que apesar de seu ato constitutivo ter sido registrado em 07/12/2012 até a presente data não realizou nenhuma atividade comercial ou financeira. Informou que a inscrição do CNPJ, através do DBE, foi homologada em 22/05/2013 e a inscrição do ISSQN junto ao município de Campinas/SP foi homologada em 10/06/2013. Esclareceu que a opção para as empresas que ainda não iniciaram suas atividades somente é feita após as devidas inscrições no Estado e no Município de origem. Dessa forma, fez a opção pela internet, a qual foi negada sob a fundamentação de que só poderia optar a partir de 01/01/2014. Por fim, requereu sua inclusão no Simples Nacional. Juntou documentos de fls. 03 e seguintes. A DRF/CPS/SP/SEORT, por meio do Despacho Decisório nº 330/2014, de 11/06/2014 (fls. 2122), concluiu pelo indeferimento do pedido de inclusão retroativa ao regime do Simples Nacional, vez que não consta nenhum pedido de inclusão no Simples Nacional pela internet, ficando prejudicada a alegação de negativa do sistema, bem como iniciou suas atividades em 25/07/2012. Cientificada em 03/07/2014 (fls. 69), apresentou manifestação de inconformidade em 14/07/2014 (fls. 2526), reiterando os argumentos apresentados anteriormente. Juntou cópias de documentos de fls. 29 e seguintes. É o relatório. Após tomar ciência do contido do Indeferimento a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade. A decisão de primeira instância (efls. 74/77) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que o contrato constitutivo (fls. 06/11) foi datado em 25/07/2012 e registrado na Junta Comercial em 07/12/2012, mas somente em 12/06/2013 a empresa tentou optar pelo Simples Nacional com data retroativa, o que contraria o §3º do art. 16 da Lei Complementar nº 123/2006: No caso vertente, não constou no sistema Simples Nacional nenhum pedido pela internet feito anteriormente pela contribuinte (fls. 18), conforme salientou a autoridade preparadora (fls. 21). Ademais, verificase que seu contrato constitutivo (fls. 0611), datado de 25/07/2012, foi registrado na Junta Comercial em 07/12/2012 (v. fls. 11) e somente em 12/06/2013 tentou optar pelo Simples Nacional (v. Histórico das tentativas às fls. 18), ou seja, vários meses depois, ultrapassando o prazo de 180 dias constante da legislação transcrita acima. Por último, verificase que a impugnante obteve a sua opção ao Simples Nacional a partir de 01/01/2014 (fls. 20). Cientificada da decisão de primeira instância através de intimação em 23/01/2015 (efl. 107) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 12/02/2015 (e fl. 106), em que aduz, em resumo, que não havia como apresentar opção ao Simples pela Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.723399/201312 Acórdão n.º 1001000.230 S1C0T1 Fl. 111 3 internet (p/ o ano calendário 2013), tendose em vista que seu CNPJ só foi homologado de fato em 22/05/2013) e que cumpriu o disposto no art. 7°, parag 3°, I, da Resolução CGSN n. 4: Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. Tratase de indeferimento de pedido de inclusão no Simples Nacional retroativa à data de início de atividade, pedido indeferido através pelo DRF/CPS/SP/SEORT, por meio do Despacho Decisório nº 330/2014, de 11/06/2014 (efls. 21/22), e pela decisão recorrida, pelo motivo da empresa possuir CNPJ emitido com mais de 180 dias. O § 5º do art. 6º da Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) de n° 94, de 29 de novembro de 2011 permite a inclusão retroativa da empresa em início de atividade no Simples Nacional: Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput). § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) (...) § 5º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º) I a ME ou EPP, após efetuar a inscrição no CNPJ, bem como obter a sua inscrição municipal e, caso exigível, a estadual, terá Fl. 112DF CARF MF 4 o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (...) § 7º A ME ou EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 3º). (n/g) Mas o § 7° do mesmo artigo impõe um limite de 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ para aquela opção retroaja ao início das atividades. Ou seja, passados os 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ resta a empresa optar ao Simples Nacional segundo a regra geral, inscrita no caput do art. 6° e § 1º já citados. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) O contrato constitutivo (efls. 06/11) foi datado em 25/07/2012 e registrado na Junta Comercial em 07/12/2012 (efl. 11), mas somente em 12/06/2013 a empresa tentou optar pelo Simples Nacional com data retroativa, o que contraria a legislação citada. Desta forma, ultrapassado o prazo regulamentar restava ao contribuinte optar pelo Simples Nacional a partir do ano posterior (2014). Observo que não houve opção pelo Simples Nacional para viger a partir de 01/01/2013, razão pela qual não se justifica o pleito do contribuinte aposto no recurso voluntário. Tal opção também não é prevista na Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN) de n° 94, de 29 de novembro de 2011, editada segundo o prescrito no § 7º do art. 2º da LC 123/2006, razão pela qual não há respaldo legal para o seu deferimento. art. 2º (...) § 7º Ao Comitê de que trata o inciso III do caput deste artigo compete, na forma da lei, regulamentar a inscrição, cadastro, abertura, alvará, arquivamento, licenças, permissão, autorização, registros e demais itens relativos à abertura, legalização e funcionamento de empresários e de pessoas jurídicas de qualquer porte, atividade econômica ou composição societária. Desta forma, voto por conhecer e indeferir o recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.723399/201312 Acórdão n.º 1001000.230 S1C0T1 Fl. 112 5 Fl. 114DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001987/2010-43
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.981
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 19 87 /2 01 0- 43 Fl. 474DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de auto de infração, DEBCAD: 37.184.0252, lavrado contra o contribuinte identificado acima, consolidado em 10/06/2010, referente à contribuição devida pela empresa incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços que lhe foram prestados por cooperados, por intermédio da Unimed Campinas – Cooperativa de Trabalho Médico, no período de 01/2005 a 07/2009, no valor de R$ 191.932,64 (Cento e noventa e um mil, novecentos e trinta e dois reais e sessenta e quatro centavos). De acordo com Relatório Fiscal (fls. 21/24), serviram de base para o levantamento as notas fiscais de prestação de serviços e as GFIP’s. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP julgado a impugnação procedente em parte, mantendo em parte o crédito tributário. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/04/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2402002.641 (fls. 366/391), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN reconhecendo assim a decadência de parte do período lançado e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para recálculo da multa relativa ao período até 11/2008, nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/07/2009 SOBRESTAMENTO DA MATÉRIA. Por força do artigo 62A, §§1° e 2° do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, a matéria objeto de recurso extraordinário ao STF e por ele Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10865.001987/201043 Acórdão n.º 9202005.981 CSRFT2 Fl. 3 3 sobrestada também deverá observar a mesma tramitação no CARF até que julgada definitivamente. O sobrestamento não prejudica a regular tramitação do processo em relação às demais questões e matérias nele em discussão, mesmo porque após a decisão definitiva do STF não restará aos conselheiros do CARF outra decisão que não seja a reprodução do julgamento pela nossa Corte Maior. Assim, o Processo Administrativo Fiscal se tornará definitivo em relação à matéria sobrestada. SERVIÇOS PRESTADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A partir de 03/2000, é devida por parte da empresa tomadora (contratante) a contribuição de 15% (quinze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. MULTA DE MORA. Aplicase aos processos de lançamento fiscal dos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449 e declarados em GFIP o artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN para que as multas de mora sejam adequadas às regras do artigo 61 da Lei nº 9.430/96. No caso da falta de declaração, a multa aplicável é a prevista no artigo 35 da Lei nº 8.212, de 24/07/91, nos percentuais vigentes à época de ocorrência dos fatos geradores. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar dispositivo de lei vigente sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido em Parte O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 14/06/2012 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 16/07/2012, Recurso Especial (fls. 393/406). Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação ao cálculo da multa mais benéfica ao contribuinte retroatividade benigna. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2400612 (fls. 444/448), da 4ª Câmara, de 24/09/2012. O recorrente, em suas alegações, requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei ny 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Fl. 476DF CARF MF 4 Cientificado do Acórdão nº 2402002.641, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 28/05/2014, o contribuinte apresentou, em 12/06/2014, portanto, tempestivamente, suas contrarrazões (fls. 455/468). Em suas contrarrazões. alega que a antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, antes da MP 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, dispunha mais de dez hipóteses de incidência de multa, escalonadas, dependendo do momento do pagamento e da fase de cobrança, com ou sem processo administrativo, com o débito inscrito ou não em dívida ativa; ou seja, quanto mais percorrido o suposto iter debendi, maior o percentual da multa de mora pelo descumprimento da obrigação principal. Diz que, à época dos fatos geradores, a Lei que produzia efeitos era justamente essa, cuja multa de mora variava de 8% a 120%, mas que, por força da mencionada MP 449/08, para as contribuições previdenciárias, agora aplicase a Lei nº 9.430/96 a qual determina que a multa de mora será de 0,33% ao dia, até o limite máximo de 20% da obrigação principal. Argumenta que não há que se falar em multa de ofício, uma vez que, na época, não havia previsão legal para tanto; para os débitos previdenciários, existia somente a incidência de multa por atraso do pagamento – tanto que seu valor aumentava proporcionalmente ao lapso temporal. Conclui que, se fosse aplicada a lei vigente na data do fato jurídico tributário, a multa de mora seria de pelo menos 50% (alínea “d” do inciso II do artigo 35 da Lei nº 8.212/91); contudo, com a regra da retroatividade benigna, com fulcro no artigo 106, II, “c” do CTN, a multa moratória limitada a 20% sobre o principal prevista na Lei nº 9.430/96 deverá retroagir para limitar a sanção imposta à época da ocorrência do fato jurídico tributário, como bem determinou a Turma julgadora do acórdão recorrido, esteira da jurisprudência pacificada no CARF. Por fim, requer que, de acordo com o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, seja aplicado ao caso o entendimento proferido pelo STF no RE 595.838, de 23/04/2014, que declarou a inconstitucionalidade do artigo 22, IV, da Lei nº 8.212/91 – dispositivo legal que ampara a autuação do presente processo. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10865.001987/201043 Acórdão n.º 9202005.981 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 444. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Primeiramente, convém lembrar que o recurso especial ora sob análise é de autoria da Fazenda Nacional, o que impede a este colegiado, sejam apreciadas questões de mérito trazidas pelo sujeito passivo em sede de contrarrazões que ultrapassem a matéria objeto do recurso. Quanto ao questionamento sobre a multa aplicada, a qual deseja o recorrente ver reformado o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 32A, da Lei ny 8.212/91, entendo que razão assiste ao recorrente. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, Fl. 478DF CARF MF 6 conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10865.001987/201043 Acórdão n.º 9202005.981 CSRFT2 Fl. 5 7 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 480DF CARF MF 8 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10865.001987/201043 Acórdão n.º 9202005.981 CSRFT2 Fl. 6 9 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo Fl. 482DF CARF MF 10 ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 483DF CARF MF Processo nº 10865.001987/201043 Acórdão n.º 9202005.981 CSRFT2 Fl. 7 11 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, assim como já realizado no próprio lançamento fiscal, fls. 72 e seguintes. Por fim, apenas para esclarecimento à Unidade Preparadora, o lançamento em questão referese a contribuição de 15% pela contratação de cooperativas de trabalho, o que foi alvo de declaração de inconstitucionalidade por parte do Supremo Tribunal Federal STF analisando o recurso extraordinário (re) 595838, com repercussão geral reconhecida. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 484DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.003931/2005-40
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. INDÍCIOS DE INCONSISTÊNCIA DOS COMPROVANTES.
Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas pela autoridade fiscal. Sustentação de indícios consistentes que indicam a falta de idoneidade do documento.
DESPESA COM HONORÁRIO ADVOCATÍCIO
Os honorários advocatícios devem ser considerados no cálculo para apuração do imposto, no caso de ações judiciais, quando comprovado o pagamento ao profissional.
Numero da decisão: 2001-000.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa da despesa médica e, considerar no recálculo do imposto sobre a renda o valor dos honorários pagos.
(Assinado digitalmente)
JORGE HENRIQUE BACKES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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INDÍCIOS DE INCONSISTÊNCIA DOS COMPROVANTES. Glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas pela autoridade fiscal. Sustentação de indícios consistentes que indicam a falta de idoneidade do documento. DESPESA COM HONORÁRIO ADVOCATÍCIO Os honorários advocatícios devem ser considerados no cálculo para apuração do imposto, no caso de ações judiciais, quando comprovado o pagamento ao profissional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para manter a glosa da despesa médica e, considerar no recálculo do imposto sobre a renda o valor dos honorários pagos. (Assinado digitalmente) JORGE HENRIQUE BACKES Presidente. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 39 31 /2 00 5- 40 Fl. 47DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional retifica o imposto de renda a restituir, declarado pela Contribuinte, relativo ao anocalendário de 2002, pela glosa da restituição pleiteada no valor de R$ 6.558,64, para exigirse o crédito tributário correspondente a R$ 529,85, a título de imposto de renda suplementar e acréscimos legais. O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento de maior relevo e fulcro da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que a Recorrente deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos, de forma supletiva aos recibos apresentados, através de outros documentos, porque aqueles acostados não estariam a representar a efetiva realização dos pagamentos efetuados aos profissionais prestadores dos serviços. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere ao entendimento de que aos recibos não é conferido valor probante absoluto, necessitando para tal a complementação de provas, com a apresentação de documentação adicional a ser providenciada pela Recorrente, como segue: (...) Segundo a Descrição dos Fatos de fls. 04, o Auto de Infração originouse da falta de comprovação do efetivo desembolso de R$ 31.000,00, informados pela contribuinte como dedução de despesas médicas efetuadas com o profissional Marcos Antonio Mulinari. A contribuinte apresentou impugnação tempestiva (fls. 0102), na qual não contesta a glosa das despesas médicas, mas solicita que sejam excluídos da base de cálculo do imposto os honorários advocatícios relativos à reclamatória trabalhista RT 17759/1999, movida contra o HSBC Seguros Brasil S/A, conforme recibo anexado às fls. 07. Assim, a contribuinte entende que tem direito à restituição de R$ 1.616,87. A contribuinte solicita que os rendimentos recebidos do HSBC Seguros Brasil S/A (CNPJ 03.618.615/000174) sejam alterados, a fim de que se contemple a dedução dos gastos efetuados com honorários advocatícios, haja vista tratarse de valores recebidos em decorrência da Reclamatória Trabalhista n°17759/1999. Para comprovar sua alegação, a contribuinte apresentou o recibo de fls. 07, o qual comprova o pagamento de R$ 5.250,00, a título de honorários, ao advogado José Paulo Granero Pereira. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10980.003931/200540 Acórdão n.º 2001000.189 S2C0T1 Fl. 48 3 Para acatamento da alegação da contribuinte, seria necessária a apresentação de prova contundente da ocorrência de erro de fato, pois se trata de pretensão que implica alteração do valor dos rendimentos que ela mesma informou em sua Declaração de Ajuste Anual. No entanto, o documento de fls 07 é uma simples cópia do recibo emitido pelo advogado. Por se tratar de cópia não autenticada, tal documento tem escasso valor probatório. Além disso, mesmo que se tratasse de documento original, o conteúdo do recibo, por si só, não permitiria a diminuição dos rendimentos declarados pela contribuinte como recebidos do HSBC, pois não foram apresentados documentos que comprovem o total dos valores recebidos em razão da referida reclamatória trabalhista. Sem a comprovação do valor total da ação judicial, não há como verificar se o valor declarado pela contribuinte já havia contemplado (ou não) a diminuição dos valores gastos com honorários advocatícios. (...) Por fim, deve ser mantida a desconsideração da dedução de R$ 31.000,00 de despesas médicas, pois a contribuinte não comprovou a realização desse pagamento. Destaquese que a contribuinte nem sequer contesta esse aspecto da autuação. Ante o exposto, voto por considerar procedente o lançamento, mantendo integralmente o crédito tributário. Assim, conclui o acórdão vergastado que retifica o imposto de renda a restituir, declarado pela Contribuinte, relativo ao anocalendário de 2002, pela glosa da restituição pleiteada no valor de R$ 6.558,64, para exigirse o crédito tributário correspondente a R$ 529,85, a título de imposto de renda suplementar e acréscimos legais. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) Fl. 49DF CARF MF 4 Com as devidas alterações na Declaração de Ajuste Anual do ano de 2003 ano base 2002, fica esclarecido que não há imposto a recolher conforme o auto de infração n’. 922/6.000.149 datado em 06 de Dezembro de 2004, mas sim um imposto a restituir conforme demonstrativo acima. A vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhida o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, e, que se faça a devida justiça quanto ao direito de retificação e assegurando a devida restituição. Pois a recorrente já pago antecipadamente o imposto devido referente aos seus ganhos do ano de 2002, sendo descontado na fonte. É o relatório. Voto Conselheiro José Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O presente processo é do ano de 2005, e trata de lançamento lavrado sobre o ajuste anual do exercício de 2003, anocalendário de 2002, caso que requer decisão sem mais delongas, até porque há requerimento de prioridade no julgamento em razão do que dispõe o art. 71 da Lei nº 10.741, de 01 de janeiro de 2003 – Estatuto do Idoso. DESPESAS MÉDICAS O texto base para análise e esclarecimento da lide está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.003931/200540 Acórdão n.º 2001000.189 S2C0T1 Fl. 49 5 e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagadorrecebedor do valor da prestação de serviço. Porém cabe aqui o rigor na exigência para a apresentação de comprovação suplementar sobre a Contribuinte possuidora ou não da documentação originária do pagamento nas condições em que a lei estabelece, especialmente porque o volume da despesa médica da Recorrente é de R$ 31.000,00, mediante recibo assinado pelo profissional Marcos António Mulinari. De pronto se vislumbra a insustentabilidade do recebo, que em comparação com os rendimentos tributáveis da Contribuinte evidencia um gigantesco despropósito na apresentação de tal despesa como dedutível de seus parcos recursos levados a tributação. O rendimento tributável ordinário da Recorrente, para o anobase de 2002, é de R$ 19.548,00, valor consideravelmente inferior ao volume de despesas médicas impossivelmente dispendido de R$ 31.000,00. Neste ano, como acontecimento eventual, a Contribuinte logrou receber uma indenização trabalhista de R$ 32.443,81, que lhe fez Fl. 51DF CARF MF 6 tributada em maior volume que anteriormente, razão da suposta tentativa de desincumbirse da obrigação tributária de forma não recomendada. Há sempre a necessidade de se pressupor a idoneidade na comprovação da prova apresentada em obediência ao que dispõe a legislação. Mas, neste caso, salta aos olhos o despropósito na apresentação deste volume de despesa dedutível, fora de qualquer padrão aceitável de justificativa, com fortes indícios de inidoneidade dos recibos apresentados pela Recorrente. A própria Recorrente em sua impugnação, já no início do processo, refaz os cálculos de sua declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda e não coloca como dedutível o valor exagerado de despesas médicas, fazendo incluir em substituição, como efeito modificador, a despesa com honorários advocatícios da ação trabalhista que logrou êxito no período do exame fiscal. Assim, acato a glosa do valor de R$ 31.000,00, objeto do lançamento. DESPESA COM HONORÁRIO ADVOCATÍCIO A recorrente pede em seu recurso que seja considerada a despesa com honorários advocatícios o que já havia feito no início do presente processo em sua impugnação, não incorrendo, portanto, em novação na lide. Ressaltese que a relatora do acórdão contestado trata da questão, alegando que deixa de considerar o pedido em razão das seguintes alegações: A contribuinte solicita que os rendimentos recebidos do HSBC Seguros Brasil S/A (CNPJ 03.618.615/000174) sejam alterados, a fim de que se contemple a dedução dos gastos efetuados com honorários advocatícios, haja vista tratarse de valores recebidos em decorrência da Reclamatória Trabalhista n°17759/1999. Para comprovar sua alegação, a contribuinte apresentou o recibo de fls. 07, o qual comprova o pagamento de R$ 5.250,00, a título de honorários, ao advogado José Paulo Granero Pereira. Para acatamento da alegação da contribuinte, seria necessária a apresentação de prova contundente da ocorrência de erro de fato, pois se trata de pretensão que implica alteração do valor dos rendimentos que ela mesma informou em sua Declaração de Ajuste Anual. No entanto, o documento de fls 07 é uma simples cópia do recibo emitido pelo advogado. Por se tratar de cópia não autenticada, tal documento tem escasso valor probatório. Além disso, mesmo que se tratasse de documento original, o conteúdo do recibo, por si só, não permitiria a diminuição dos rendimentos declarados pela contribuinte como recebidos do HSBC, pois não foram apresentados documentos que comprovem o total dos valores recebidos em razão da referida reclamatória trabalhista. Sem a comprovação do valor total da ação judicial, não há como verificar se o valor declarado pela contribuinte já havia contemplado (ou não) a diminuição dos valores gastos com honorários advocatícios. A Recorrente juntou ao processo, além do recibo dos honorários, o documento que comprova a origem da ação trabalhista, contendo inclusive o destaque do Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.003931/200540 Acórdão n.º 2001000.189 S2C0T1 Fl. 50 7 IRRF correspondente ao pagamento da indenização, mediante acordo judicial, junto ao HSBC Seguros Brasil S/A, fato que justifica sua consideração no cálculo para apuração do valor final da apuração do imposto sobre a renda da Contribuinte. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, para manter a glosa da despesa médica no valor de R$ 31.000,00, e de outra parte, considerar no recalculo do imposto sobre a renda o valor dos honorários de R$ 5.250,00. (Assinado digitalmente) JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO Fl. 53DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.904036/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1201-000.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Jose Carlos de Assis Guimarães e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de DCOMP apresentada pelo DIMARI INDUSTRIAL DE COMPONENTES PARA CALÇADOS LTDA., CNPJ 89.420.372/000126, para fins de formalizar a compensação de determinado crédito oriundo de pagamento a maior com determinado débito de sua responsabilidade. Por meio de Despacho Decisório, o direito creditório não foi reconhecido, sob a alegação de insuficiência de crédito. Mais precisamente, aduz a autoridade fiscal competente que o DARF vinculado ao pretenso pagamento a maior já teria sido utilizado para quitar débito informado pelo próprio contribuinte em DCTF, não restando saldo disponível. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que o crédito, na verdade, diz respeito a Saldo Negativo, e não pagamento a maior propriamente dito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 65 .9 04 03 6/ 20 08 -9 1 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11065.904036/200891 Resolução nº 1201000.318 S1C2T1 Fl. 3 2 A DRJ não conheceu o pleito do contribuinte, sob duas premissas: (i) de que o processo administrativo fiscal não se prestaria a retificar DCTF; e (ii) de que a contribuinte não teria atacado os fundamentos do despacho decisório, que foi emitido com base em DCTF válida, eficaz e espontaneamente apresentada. A empresa, então, apresentou recurso voluntário, por meio do qual esclarece que houve erro de fato no preenchimento da DCOMP, e não da DCTF, sendo a negativa de análise do direito creditório fato que viola os princípios da eficiência, razoabilidade, proporcionalidade, verdade material e o artigo 112 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201 000.294, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 11065.902152/200876, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.294): O recurso voluntário atende os pressupostos formais e materiais, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. Na DCOMP ora em análise, o contribuinte indicou como origem do crédito um pagamento a maior feito a título de estimativa. Como, porém, a DCTF indica a existência de débito no mesmo montante, o despacho eletrônico não acusou a existência de crédito. Por ocasião da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, o contribuinte esclarece que, na verdade, o crédito diz respeito ao Saldo Negativo apurado no ano, e não a estimativa, assumindo que teria se equivocado no preenchimento da origem exata do crédito. E para justificar esse alegado erro, a contribuinte anexa a sua DIPJ, que realmente indica a apuração de Saldo Negativo no ano, assim como uma planilha que resume as compensações efetuadas com tal saldo. Já a decisão de primeira instância não analisou o mérito da questão, tendo indeferido o pleito por razões de incompetência. Nesse contexto, entendo que o mero erro de fato não é suficiente para não homologar a compensação, em razão dos princípios da legalidade e verdade material, sendo necessária a apreciação do mérito propriamente dito. Do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que, diante das informações e documentos trazidos pela Recorrente na Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11065.904036/200891 Resolução nº 1201000.318 S1C2T1 Fl. 4 3 defesa e recurso, seja verificado o mérito da existência, suficiência e disponibilidade do crédito de Saldo Negativo alegado. Após a conclusão desta diligência, deve ser cientificada a contribuinte acerca do Relatório Conclusivo, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e, em seguida, retornem os autos para julgamento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Fl. 106DF CARF MF
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