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Numero do processo: 16095.000162/2007-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004, 2005
MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
A aplicação da multa isolada de 75% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada por se tratar de créditos de terceiros e não administrados pela RFB, encontra-se expressamente prevista na legislação que rege a matéria.
Numero da decisão: 1402-003.979
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos o valor de R$ 85.189,96, reduzindo-os ao montante de R$ 719.085,98 (R$ 804.275,94 - R$ 85.189,96).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente),
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 MULTA ISOLADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 75% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada por se tratar de créditos de terceiros e não administrados pela RFB, encontra-se expressamente prevista na legislação que rege a matéria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos o valor de R$ 85.189,96, reduzindo- os ao montante de R$ 719.085,98 (R$ 804.275,94 - R$ 85.189,96). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 01 62 /2 00 7- 51 Fl. 235DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 5ª Turma da DRJ/CPS em sessão de 25 de agosto de 2010 (fls. 187/205) 1 , que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve os lançamentos perpetrados pelo Fisco, presentes nos AI abaixo reproduzidos (fls. 2/3 e 114/123): 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 236DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Referidos lançamentos derivam de compensação não homologada (crédito de terceiros), analisada e indeferida no Processo nº 16098.000044/2006-31, cujo DD foi acostado ao presente PA (fls. 98/108), abaixo reproduzido no que é pertinente ao deslinde do caso aqui tratado: Fl. 237DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Transcrevem-se, a seguir, excertos da manifestação da Autoridade Tributária que exarou o DD acima referido, naquilo que é pertinente a este Processo (destaques constam do original): “O Interessado apresentou, no período de 11 de novembro de 2004 a 24 de fevereiro de 2005, as DECLARAÇOES DE COMPENSAÇAO representadas no quadro abaixo: Essas DCOMPS foram baixadas para verificação manual da procedência dos créditos nelas arrolados. Todas as Declarações de Compensação aqui tratadas identificam o crédito como “Outros Créditos - Oriundos de Ação Judicial”, procedente de uma ação de Fl. 238DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 compensação “com tributos de espécie diferentes”, relativa ao processo judicial n° 200370000447770, que teria tramitado 2“ Vara Cível de Curitiba/PR, cujo trânsito em julgado teria se dado em 03 de fevereiro de 2003, conforme preenchimento dos PER/COMP(s) pelo contribuinte. O crédito é identificado como sendo de terceiros. Em 30 de março de 2006, o Interessado foi cientificado que as Declarações de Compensação foram baixadas para tratamento manual, e intimado a apresentar cópia da inicial, sentença e acórdão do processo judicial mencionado nas Declarações de Compensação, e documentação comprobatória da regular representação da empresa (fl.55). O contribuinte atendeu à Intimação às fls. 55 somente no dia 08 de junho de 2006, onde apresentou os seguintes documentos que passaram a fazer parte do processo: (...) Embora os declare como próprio, nas DCOMPS aqui tratadas, a titularidade original do crédito é de terceiros, que os pleiteiam judicialmente. Pela cópia da sentença (não transitada em julgado) referente ao Processo Judicial n° 2003700004477, trazida em atendimento ã intimação, pode-se verificar que quem são os titulares originais do discutido direito de crédito são Luiz Carlos Delorenzi, Patrick Correa Pereira, Tatiane Correa Pereira, Valdevino dos Santos, Jair Nogueira. É verdade que há uma petição pretendendo incluir o Interessado como assistente litisconsorcial, mas não há qualquer deferimento do Juiz do processo neste sentido. Tais créditos não podem ser admitidos em compensação, ou mesmo serem objeto de restituição ou ressarcimento pela Secretaria da Receita Federal, confomie art. 40 da IN SRF N°460/O4: (...) Assim, tendo o crédito sido apurado por terceiro, que não é quem detém O débito, há impedimento legal para que a compensação possa ser considerada declarada. CRÉDITO RECLAMADO EM AÇÃO NÃO TRANSITADA EM JULGADO NAO PODE SER UTILIZADO EM COMPENSÃÇÕES COM DÉBITOS RELATIVOS A TRIBUTOS FEDERAIS. De acordo com o artigo 74 da 9.430/1996, somente poderão ser utilizados em compensações com débitos relativos a tributos e contribuições federais, créditos apurados em processos judiciais com trânsito em julgado: (...) Tal dispositivo reflete mandamento do Código Tributário Nacional de igual sentido: (...) No dia 11 de novembro de 2004, a empresa Euratv A Multimída Ltda. alegando possuir créditos decorrentes de ação judicial transitada em julgado entrega a primeira das DCOMPs para compensar seus supostos créditos com débitos referentes às contribuições administradas pela SRF. Em todos os Per/Dcomps, a empresa em questão afirma que o processo que deu origem a tais créditos havia transitado em Fl. 239DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 julgado à data de 03 de fevereiro de 2003. Conforme documentos de fls. 104 a 110 constatou-se que para tal processo havia sido concedida tutela antecipada no dia 01 de abril de 2004. Apesar das Per/Dcomps terem sido transmitidas após a referida concessão, verifica-se que, à data da transmissão destas, não havia nenhuma decisão definitiva sobre a procedência de tais créditos. Além disso, foi também constatado que a empresa não participava e não participa como assistente litisconsorcial no processo, apesar de cópia do pedido de habilitação. (fl.l11 a 114). No dia 9 de agosto de 2005, o Juiz Federal Substituto da 2” Vara Cível de Curitiba julgou improcedente a Ação, decretando a extinção do feito.com julgamento de mérito. Já, no relato precedente a essa decisão, o Juiz noticiara a concessão de medida liminar em mandado de segurança contra a antecipação da tutela proferida por juiz incompetente. Recentemente, a decisão monocrática foi mantida pelo TRF da 4ª Região, conforme atesta o acórdão de fls. 141 a 147. E Tal evento é digno de destaque porque mostra que, mesmo que o Interessado figurasse no pólo ativo da Ação (o que não ocorre), impossível seria considerar declaradas as compensações objeto das DCOMPs. Em primeiro lugar, porque a tutela antecipada concedida foi superada pela liminar em mandado de segurança, pelo teor da sentença e pelo acórdão do TRF, esses dois últimos, inclusive, negando qualquer direito de crédito aos autores. Em segundo, porque a ação ainda não transitou em julgado. (...) CONCLUSAO Em face do acima exposto, com base nas considerações retro, proponho o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditórío com valor formalizado no total de R$ 4000.000,00 e que sejam consideradas NÃO DECLARADAS as compensações objeto das Declarações de Compensação tratadas neste processo. Ressalta-se que, nos temos do § 5° do art. 31 da IN SRF n° 600 de 28 de dezembro de 2005, em tese, caberia a aplicação de multa isolada. À consideração superior (...) De acordo. Com base no parecer supra do Serviço de Orientação e Análise Tributária - SEORT, que aprovo, com fundamento na competência deferida em lei, NAO RECONHEQO, seu direito creditório relativo a crédito enunciado nestes processos, e considero NAO DECLARADAS as compensações vinculadas a esse crédito, ora indeferido, conforme proposto nesta decisão que aprovo, por estar de acordo com a legislação aplicável. Que se encaminhe o presente processo para o SEORT desta DRF, para os procedimentos decorrentes da presente decisão, inclusive ciência ao Interessado, observando que, em decorrência do disposto no parágrafo 2°, do artigo 31, da Instrução Normativa SRF Nº 600/2005, não é cabível a apresentação do recurso previsto no artigo 48, da mesma Instrução. Fl. 240DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Determino, também, que seja comunicado à SAPAC/DRF-GUARULHOS o teor da presente decisão, instruído com a relação e cópia das DCOMPS onde constam os débitos objeto de compensações consideradas não declaradas, para que lá seja feita avaliação do cabimento de abertura de procedimento fiscal contra o Interessado, particularmente em decorrência da previsão da multa mencionada no §5°, do art. 31, da IN SRF n° 600/2005”. Resumindo, o valor não homologado importou em R$ 804.275,94, somatória dos PER/DCOMP abaixo reproduzidos (DD – fls. 99): Ainda com relação ao Processo nº 16098.000044/2006-31, que trata das compensações não homologadas, por se estar diante de suposto crédito de terceiros, o rito impugnatório não se submete ao PAF, devendo o interessado, caso não concorde com a decisão prolatada no DD, buscar amparo na Lei nº 9.784/1999. Tal informação, além de constar da legislação pertinente, foi expressamente ressaltada pela Autoridade Tributária que aprovou a decisão (“inclusive ciência ao Interessado, observando que, em decorrência do disposto no parágrafo 2°, do artigo 31, da Instrução Normativa SRF Nº 600/2005, não é cabível a apresentação do recurso previsto no artigo 48, da mesma Instrução”). Em face do decidido no Processo nº 16098.000044/2006-31, a Fiscalização da DRF/Guarulhos/SP lavrou os autos de infração de multa isolada aqui apreciados, sustentando a acusação justamente na não homologação das compensações especificadas no referido PA, conforme Termo de Constatação de Irregularidades – Compensação Indevida TCI – (fls. 93/97, trechos abaixo reproduzidos: “1. A presente ação fiscal decorreu do indeferimento dos pedidos de restituição e da não homologação de quatro declarações de compensação - PER/DCOMP's - relacionadas no Anexo I deste, conforme Despacho Decisório DRF/GUA/SEORT 691/06 integrante do processo 16098.000044/2006-31. Intimada a prestar esclarecimentos no prazo de 5 (cinco) dias úteis conforme intimação anexa (TI N° 1/529.06, fl. 02), enviada ao contribuinte, foi dada-ciência em 11/01/2007, conforme atesta o aviso de recebimento postal juntado ao presente. O contribuinte apresentou defesa, protocolando sua manifestação em 31/01/2007, e juntou a seguinte documentação: (...) 8. Assim, em conformidade com o DESPACHO DECISÓRIO 691/2006 prolatado pelo SEORT/DRF/GUA, que considerou não declaradas as compensações constantes do processo 16098.000044/2006-31, o contribuinte fica sujeito à aplicação de multa Fl. 241DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 isolada, prevista no § 5°, inciso I do art 31, da IN SRF n° 600/2005 e no Art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. 9. A apuração dos valores de multas isoladas encontra-se detalhada no Anexo I - DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS RELACIONADOS EM PER/DCOMP e no Anexo II - DEMONSTRATIVO DE APURAÇAO DAS MULTAS ISOLADAS, os quais são partes integrantes deste Termo, juntamente com o DESPACHO DECISORIO DRF/SEORT/GUA N° 691/2006. 10. Desta forma, o valor da Multa Isolada, no valor de RS 603.206,97, apurada na forma citada no Item anterior, será objeto de constituição de crédito tributário, mediante lavratura de Auto de Infração”. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação (fls. 127/129), na qual aduziu (todos os destaques são do original): “No DESPACHO DECISÓRIO/DRF/SEORT/GUARULHOS n° 691/2006, de 30.08.06, foi declarada não homologada, compensações requeridas através de DCOMP, que formaram o processo administrativo n° 16098.000044/2006-31 de 28/03/2006, este despacho continha varias incorreções, que não foram sanadas, e assim contendo tais vícios, foi encaminhado ao setor SAPAC/DRF - GUARULHOS, para que se apurasse o cabimento da multa de oficio, conforme ali se constata. No decorrer da apuração do cabimento da multa de oficio, fomos intimados em duas oportunidades, isto é, em 11.01.2007 e 13.03.2007. Nestas ocasiões, demonstramos exaustivamente os erros de fato cometidos neste procedimento, bem como argüimos a abusividade da “PENALIDADE” em processo de apuração. Todavia, em 21.06.2007, através de termo de constatação de irregularidades - compensação de irregularidades - compensação indevida - Processo n° 16095000162/2007-51, foi apurada e aplicada a multa isolada, no valor de RS 603.206,97 (Seiscentos e três mil, duzentos e seis Reais e vinte e sete centavos), que corresponde a 75% (Setenta e cinco por cento), sobre R$ 804.275,94 (Oitocentos e quatro mil, duzentos e setenta e cinco Reais e noventa e quatro centavos). Conforme já demonstramos em nossas impugnações, protocolizadas em 31.01.2007 e 30/03.2007, o valor correto do tributo a ser compensado seria RS 719.085,98. Desta forma, a multa isolada, se cabível, seria R$ 539.314,48. DO DIREITO É entendimento pacífico, que ao fisco somente é defeso cobrar o exato montante do tributo devido, bem como, é principio consagrado, que o acessório acompanha o principal (no caso: as multas); assim, toma-se ilegal e insubsistente cobrar multa sobre valor de tributo não devido, por outro lado, é importante salientar que a DCOMP considerada não declarada e ou homologada, não pode, por sí só, ser considerada confissão de dívida, nos termos dos. §§ 12, 13 e 6° do art. 74 da Lei 9430, de 1996, somente em conjunto com o DCTF é que preencherá os requisitos para ser considerada dívida, nos moldes do Decreto - Lei n° 2.124, de 13 de junho de 1994. Fl. 242DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 DO MÉRITO Consoante o Principio Constitucional da “ISONOMIA”, a Lei não pode conceder tratamento específico, vantajoso ou desvantajoso, em atenção a traços e circunstâncias peculiarizadoras de um fato, evento e ou categoria de indivíduos, assim faz-se necessário equacionar os Despachos Decisórios de todas as Instancias desta Secretaria da Receita Federal do Brasil por outro lado é impositiva a observância dos art. 142 a 149 do CTN, para que o fisco arrecade aquilo que a Lei estabelece. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta impugnação: a) Erro de fato; na apuração dos créditos b) Imposição de multa a maior c) Desconformidade de procedimentos (...) DO PEDIDO À vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência parcial; do lançamento, requer que seja acolhida a presente Impugnação”. Subindo os autos à apreciação da 3ª Turma da DRJ/CPS, prolatou-se decisão julgando improcedente a impugnação ofertada, mantendo-se os lançamentos. Fragmentos do voto condutor mostram a posição assumida pela Turmas Julgadora de 1ª Instância (Ac. DRJ – fls. 187/205): “Apesar de afirmar ser parcial a impugnação, a contribuinte não identifica, dentre os débitos lançados e discriminados no Demonstrativo de Apuração de fls. 109/111 que integra o Auto de Infração, quais os montantes impugnados e quais aqueles com os quais concorda. Isto porque, para identificar os alegados erros, reporta-se a impugnante a respostas a intimações apresentadas no curso do procedimento fiscal, constantes de fls. 05/11, 32/35 e 129/143, em que assevera que DARF recebidos para pagamento dos valores indevidamente compensados estariam incorretos, conforme resumido na tabela 1 a seguir: (...) Mas, como se vê da comparação das tabelas 1 e 2 acima, a impugnante indica apenas valores de DARF de cobrança em que estariam contemplados débitos informados incorretamente e os períodos em que teriam ocorrido os alegados erros, sendo que, de suas informações, sequer é possível identificar qual parcela de cada débito questionado, informado em DCOMP, seria objeto do Fl. 243DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 alegado erro de fato. Em conseqüência, inviável se torna identificar, no demonstrativo de apuração das multas isoladas (Anexo II do Auto de Infração, constante de fls. 109/ 111), quais as parcelas efetivamente questionadas. Por outro lado, ao apontar erro de fato na apuração dos créditos e conseqüente imposição de multa a maior, a impugnante inicia sua defesa com a assertiva de que 0 Despacho Decisório da DRF Guarulhos, de n° 691/2006 continha várias incorreções que não foram sanadas. Neste aspecto, impõe-se observar, no que tange à referência ao Despacho Decisório objeto do processo administrativo 16098.000044/2006-31, que, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 11.051/2004, os atos de não-declaração não são passíveis de discussão no âmbito das Delegacias de Julgamento e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Isto porque, o § 13 do referido dispositivo expressamente excepciona o cabimento de manifestação de inconformidade e recurso voluntário em tais circunstâncias: (...) Desta forma, inexistindo possibilidade de se discutir a matéria em questão no âmbito do contencioso administrativo especializado, restaria ao interessado dirigir seus questionamentos quanto à validade do ato de não-declaração das compensações diretamente à autoridade que o proferiu e àquela que lhe é' superior, nos termos do contencioso administrativo geral, regido pela Lei n° 9.784/99, a saber: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. §1º O recurso será dirigido à autoridade que proferiu a decisão, a qual, se não a reconsiderar no prazo de cinco dias, o encaminhará à autoridade superior. § 2º Salvo exigência legal, a interposição de recurso administrativo independe de caução. § 3º Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso (acrescido pela Lei 11° 11.417, de 19 de dezembro de 2006). (...) Fl. 244DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Art. 59. Salvo disposição legal especifica, é de dez dias o prazo para interposição de recurso administrativo, contado a partir da ciência ou divulgação oficial da decisão recorrida. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger-se por lei própria, aplicando-se-lhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Contudo, a impugnante nada menciona quanto à existência deste recurso hierárquico. De outro lado, consulta aos sistemas informatizados da RFB evidencia que o processo administrativo n° 16098.000044/2006-31, no qual foi proferido o ato de não- declaração, encontra-se na situação enviado à PFN em 10/10/2008 (pesquisa juntada às fls. 164). (...) Por outro lado, ainda que os questionamentos do contribuinte sejam apresentados sob alegação de ocorrência de erro de fato no preenchimento das DCOMP, cumpre observar que, além de não identificar, como visto acima, a parcela de cada débito em que teria ocorrido o alegado erro, também não trouxe prova documental alguma para comprovar suas alegações. A impugnação é instruída com cópias das respostas a intimações no curso do procedimento, sem qualquer comprovação das alegações ali contidas. Do mesmo modo, a fiscalização, ao referir-se às informações prestadas pelo contribuinte no curso do procedimento, relaciona em seu Termo de Verificação os documentos então apresentados e, entre eles, não se vislumbra documento algum neste sentido. Observe-se, ainda, que, ao referir-se às incorreções alegadas, expõe a contribuinte, na informação dada à fiscalização, que “a dinâmica do tempo modificou alguns eventos, cuja desconsideração por parte da nobre equipe que elaborou o Despacho Decisório em tela, o invalidou em sua exigência”. Ora, se os eventos que teriam suscitado a alteração dos valores dos débitos, por decorrerem, como alegado, da “dinâmica do tempo”, são posteriores a apresentação da declaração de compensação, não justificam eventual “erro de fato” no preenchimento da DCOMP e não constituem motivo suficiente para afastar a penalidade aqui exigida. Ademais, ainda que alegados eventos fossem anteriores à apresentação das DCOMP, necessária seria a prova documental (a exemplo de elementos da escrituração) de que se refeririam a Fl. 245DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 mesma parcela do débito incluída na DCOMP, o que, como já mencionado, não consta dos autos. Mesmo nessa circunstância, para invalidar os efeitos da DCOMP, deveria o interessado ter requerido seu cancelamento, enquanto dispunha de espontaneidade para tanto, na forma prevista pela Instrução Normativa SRF n° 460/2004, vigente no período em que transmitidas as DCOMP: (...) E, porque nada fez até ser questionada administrativamente acerca das declarações vinculadas a crédito supostamente oriundo de ação judicial transitada em julgado, dai subsistindo os atos praticados para extinção do crédito tributário, restou caracterizada, no procedimento fiscal em questão, a compensação indevida com crédito de terceiro e decorrente de ação judicial sem decisão transitada em julgado - infração sujeita à multa isolada. Assim, o argumento de ocorrência de erro de fato, a míngua de maiores esclarecimentos e das correspondentes provas documentais dos alegados erros, não é hábil a afastar parcela alguma do lançamento da multa de oficio. (...) No que tange à alegação de desconformidade de procedimentos, reprise-se que a exigência de multa isolada decorre de compensações indevidas efetuadas pelo contribuinte por meio de DCOMP consideradas não declaradas, conforme Despacho Decisório exarado no âmbito da DRF, e tem fundamento no art. 18 da Lei n° 10.833/2003, redigido na forma das Leis n° 11.051/2004 e 11.196/2005: (...) O fato que motiva a aplicação da penalidade, por sua vez, está assim tratado no art. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelas Leis n° 10.637/2002 e 11.051/2004: (...) Assim, a validade da exigência pressupõe a ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96,'com redação data pela Lei n° 11.051/2004. E, no presente caso, apontou o Despacho Decisório a compensação realizada com credito de terceiros e, ainda, reclamado em ação judicial não transitada em julgado - circunstâncias contra as quais nada opôs expressamente a contribuinte na impugnação ao lançamento, pois, como visto, ela Fl. 246DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 própria apontou como parcial a impugnação e centrou sua defesa em aspectos da quantificação da multa decorrente de erro de fato na apuração dos créditos, imposição de multa a maior e desconformidade de procedimentos. De todo modo, cabível consignar que o suposto direito creditório - além de ser decorrente de ação judicial que, conforme descrito na autuação, sequer continha decisão transitado em julgado, teve a antecipação de tutela superada por liminar em mandado de segurança, bem como pelo teor da sentença e pelo acórdão do TRF, estes dois últimos, inclusive, negando qualquer direito creditório aos autores -, ainda que viesse a ser judicialmente formado, não o seria em face da Impugnante. De fato, a ora Impugnante não figura na Ação Ordinária 2003.70.00.044777-0 nem como Autora nem como Assistente (pesquisas juntadas às fls. 165/177). Quanto à cessão de crédito refletida na cópia da Escritura de fls. 19, vê-se que o cedente ali indicado - Jair Nogueira - não é Autor da referida ação judicial, figurando apenas entre os Assistentes, e teria adquirido parte do crédito em discussão judicial também por cessão em 03/02/2003. Mas, de qualquer forma, a lavratura da escritura de cessão de crédito em favor da ora Impugnante, data de 07/07/2004, momento em que como se vê acima, estava expressamente vedada a compensação de créditos de terceiros. Por outro lado, cabível acrescentar, ainda, que o crédito discutido judicialmente e objeto das cessões de direitos referem-se a obrigação ao portador da Eletrobrás, não correspondendo, portanto, a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal, o que também é hipótese legal para que a compensação seja considerada não declarada. Assim, dúvidas não remanescem acerca da existência de motivação para que a compensação fosse considerada não declarada, fato que justifica a aplicação da multa isolada. (...) E como nenhuma das alegações da defesa se mostrou hábil a afastar parcela alguma do lançamento, impõe-se a sua manutenção”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004, 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ' ALEGAÇÃO DE ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE PROVA. Ausente prova de alegados erros de fato na informação ,dos débitos em DCOMP, injustificável a pretensão de reduzir a exigência de multa isolada. Fl. 247DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITO DE TERCEIROS E VINCULADO A PROCESSO JUDICIAL SEM DECISÃO TRANSITADA EM JULGADO. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Regular é a exigência de multa isolada em face de DCOMP consideradas não-declaradas, por veicularem crédito de terceiros e vinculado a processo judicial sem decisão transitada em julgado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada do R. decisum em 15/09/2010 (fls. 209), a recorrente acostou recurso voluntário (fls. 210/216), rebatendo o quanto firmado pela DRJ e, no mais, basicamente repisando o arguido na impugnação, inclusive eventual erro matemático no lançamento, conforme expresso no RV (fls. 214/215): Fl. 248DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Finaliza requerendo o provimento do pedido. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 249DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência do acórdão recorrido em 15/09/2010 – fls. 209 – protocolização do RV em 06/10/2010 – fls. 210), a contribuinte está representada por uma de suas sócias (fls. 147/158) e os demais pressupostos para sua admissibilidade foram atendidos, pelo que o recebo e dele conheço. Os lançamentos sustentam-se no artigo 18, da Lei nº 10833/2003 e a penalidade no artigo 74, da Lei nº 9.430/1996, referindo-se à multa isolada aplicada em decorrência de declaração de compensação não homologada (Processo nº 16098.000044/2006- 31) pelo não reconhecimento do direito creditório pleiteado (“crédito de terceiros”). O que aqui se analisa, portanto, é cenário de “causa” e “efeito”, ou “motivação” e “consequência”. Concretamente, a “causa” (compensação considerada não declarada) – Processo nº 16098.000044/2006-31 - remete à “consequência”, no caso, os lançamentos de ofício de multa isolada presentes neste processo. Relembrando, a recorrente transmitiu os PER/DCOMP nºs 11948.24820.111104.1.3.57-4513; 02532.21044.151204.1.3.57-3125; 40775.85022.140105.1.3.57-0231 e 42284.68750.240205.1.3.57-3973 visando compensar-se de débitos que possuía junto à Fazenda Pública com eventuais créditos de que disporia e que tinham as seguintes características: 1. eram fruto de ação judicial, à época da transmissão das DCOMP ainda não transitada em julgado Processo Judicial n° 2003700004477); 2. tinha como titulares originais do discutido direito de crédito Luiz Carlos Delorenzi, Patrick Correa Pereira, Tatiane Correa Pereira, Valdevino dos Santos e Jair Nogueira; 3. há petição nos referidos autos pretendendo incluir a recorrente como assistente litisconsorcial, mas não há qualquer deferimento do Juiz do processo neste sentido; 4. o crédito buscado judicialmente referir-se-ia a obrigações ao portador da Eletrobrás, não correspondendo, portanto, a tributos ou contribuições administrados pela Receita Federal; Fl. 250DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 5. em 09 de agosto de 2005, o Juiz Federal Substituto da 2ª Vara Cível de Curitiba julgou improcedente a Ação, decretando a extinção do feito.com julgamento de mérito; 6. a decisão monocrática foi mantida pelo TRF da 4ª Região, conforme cópias das peças judiciais (fls. 169/186). Resumindo, crédito de terceiros, não administrado pela Receita Federal e com decisão judicial adversa Diante deste cenário, as compensações transmitidas em 11/11/04, 15/12/2004, 14/01/2005 e 24/02/2005 (cf. DCOMP acima referidas) foram tidas como “não declaradas”, a teor do DD DRF/SEORT/GUA N.º 691/2006 (PA nº 16098.000044/2006-31), tema abrangido pela Lei nº 9.430/1996, artigo 74, com sua redação original e alterações vigentes à época das transmissões dos pedidos (artigo. 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelas Leis n° 10.637/2002 e 11.051/2004): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprias relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei n” 10.637, de 2002) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei n° 11. 051, de 2004) (...) II - em que o crédito: (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) a) seja de terceiros; (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) b) refira-se a “crédito-prêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto- Lei n° 491, de 5 de março de 1969; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) c) refira-se a titulo público; (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (Incluída pela Lei nº 11.051, de 2004) e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. (Incluída pela Lei n° 11.051, de 2004) Fl. 251DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 De se ver, a validade da exigência pressupõe a ocorrência de uma das hipóteses previstas no § 12 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelas leis supervenientes. No presente caso, como apontado pelo Despacho Decisório, a compensação buscada afrontou nada menos que quatro dispositivos (alíneas) do § 12, do artigo 74, da Lei nº 9.430/1996 (e alterações), a saber: i) “crédito” de terceiros (alínea “a”); ii) referente a titulo público (Eletrobrás – aliena “c”); iii) decorrente de decisão judicial não transitada em julgado (e desfavorável à contribuinte – alínea “d”); e iv) não se refere a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. Nesse hiato, bom lembrar, há Sumula deste Colegiado sobre o tema: Súmula CARF nº 24 Não compete à Secretaria da Receita Federal do Brasil promover a restituição de obrigações da Eletrobrás nem sua compensação com débitos tributários. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Portanto, surgida a “causa” (não homologação da compensação), a “consequência” foi inevitável, ou seja, a lavratura dos autos de infração para constituição, de ofício, do crédito tributário, tudo a teor do artigo 18, da Lei nº 10.833/2003, com redação à época dos lançamentos, da Lei nº 11.051/2004 e Lei nº 11.488/2007, mas sem alteração de seu conteúdo: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não-homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 4 o Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1 o , quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Como sabido, o percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 é de 75% conforme se depreende do texto legal: Fl. 252DF CARF MF http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2158-35.htm#art90 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art74%C2%A712ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art74%C2%A712ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art44i. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art44i. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art18 Fl. 19 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Desse modo, irretocável o trabalho fiscal que impingiu a exigência de multa isolada presente nos AI (fls. 2/3 e 114/123). Todavia, embora não questionado pela recorrente, como o processo administrativo-fiscal rege-se pela incessante busca da verdade material2, penso que merece análise a evolução legislativa que trata da matéria até o seu limite3, tudo conforme pensamento esposado por Demetrius Nichele Macei4, que incisivamente pontua: “na esfera administrativa (...), a segunda instância é tão atuante quanto a primeira, no que se refere à busca da verdade, admitindo provas e até em alguns casos a intervenção de terceiros na fase recursal para auxiliar na elucidação dos fatos”. Em outro dizer, desde sua edição, passando por diversas alterações, tanto a Lei nº 9430/1996 quanto a Lei nº 10.833/2003, tratando da imposição da penalidade aqui discutida, sofreram diversas alterações, não sendo poucos os que entendem, fruto da edição da Lei nº 12.249, de 2010, em conjunção com o artigo 106, II, do CTN, que a penalidade (pela retroatividade benigna) deveria ser reduzida ao percentual de 50%. Tanto o tema é ainda polêmico (ainda que parecesse estar pacificado) que a matéria foi submetida, em grau de Recurso Especial, à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF que, em recentíssima decisão (sessão de 05 de junho de 2019) prolatou decisão – por voto de qualidade – vencido o relator original - e com declaração de voto de Conselheiro da Fazenda que dava provimento parcial ao RE do contribuinte – no sentido de que, nos casos como o aqui tratado (coincidentemente, obrigações da Eletrobrás), não houve alteração legislativa nos dispositivos que tratam do tema, mantendo-se, pois, a multa em 75% da compensação não homologada. 2 Hely Lopes Mirelles: “O princípio da verdade material, também denominado de liberdade na prova, autoriza a Administração a valer-se de qualquer prova que a autoridade processante ou julgadora tenha conhecimento, desde que a faça trasladar para o processo. É a busca da verdade material em contraste com a verdade formal. Direito Administrativo Brasileiro, São Paulo, RT, 16ª edição, 1991, Pág. 581. 3 Lucia Valle Figueiredo: “A verdade material é princípio específico do processo administrativo, como também o é do processo penal (princípio inquisitivo). A busca da verdade material é oposta ao princípio dispositivo, peculiar ao processo civil.” Curso de Direito Administrativo, São Paulo, Malheiros, 2001, 5ª edição, Pág. 424. 4 A Verdade Material no Direito Tributário – Malheiros –SP – 03-2013 – pg. 165 - o Autor é Professor de Direito Tributário e Conselheiro junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF – 1ª Seção. Fl. 253DF CARF MF Fl. 20 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Ou seja, seria inaplicável a retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, do Códex. Para melhor entendimento, peço vênia para transcrever e adotar, neste aspecto, excertos do voto vencedor, tomado por qualidade no Acórdão nº 9101-004.225, da 1ª Turma da CSRF (sessão de 05/06/2019) relatoria da Conselheira Edeli Pereira Bessa: “O Conselheiro Relator restou vencido em seu entendimento de que a penalidade aqui exigida deveria ser cancelada. Decidiu a maioria qualificada do Colegiado que sua exigência encontra amparo legal. Como bem exposto no acórdão recorrido, trata-se aqui de multa isolada por compensação indevida, aplicada em razão de Declarações de Compensação - DCOMP apresentadas em 04/11/2004, veiculando créditos de natureza não tributária, vinculados a títulos ao portador emitidos pelas Centrais Elétricas Brasileiras S.A - Eletrobrás. As DCOMP foram não homologadas em 16/03/2005, seguindo-se o lançamento das penalidades com fundamento no art. 18, §2º da Lei nº 10.833/2003, mediante aplicação do percentual de 75% sobre o valor dos débitos compensados. Referido lançamento foi cientificado à contribuinte em 12/02/2007. A penalidade foi mantida no acórdão recorrido, sob os fundamentos abaixo extraídos do voto condutor da Conselheira Relatora Nara Cristina Takeda Taga: [...] Dando por encerrada a problemática atinente à inviabilidade de compensação de débitos tributários com créditos de obrigações ao portador emitidas pela Eletrobrás, passa-se a análise do cabimento da multa isolada. O art. 74 da Lei nº 9.430/96 não admite a compensação com créditos de natureza não tributária. Por meio de Auto de Infração a DRF aplicou multa isolada no percentual de 75%, conforme legislação em vigor ao tempo do ajuizamento da ação (§2°, art. 18 da Lei n° 10.833/03). Posteriormente, a 3ª Turma da DRJ em Florianópolis ratificou o embasamento legal e, como se vê, as alterações legislativas posteriores mantiveram a penalidade em referência: Art. 18, § 4º (redação dada pela Lei 11.196/05) “§ 4º: Será também exigida multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se os percentuais previstos: Fl. 254DF CARF MF Fl. 21 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 I – no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II – no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. “Art. 18, § 4º (com a redação dada pela Lei nº 11.488/07): “§ 4º. Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado no forma de seu § 1º, quando for o caso .” O percentual previsto no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 é de 75% conforme se depreende do texto legal: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; “Ante o exposto, cabível a multa isolada cominada, à época, no § 2º do art. 18 da Lei. 10.833/03. A recorrente, porém, argumenta que, como a nova redação dada pela Lei nº 11.488/2007 ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, a penalidade em questão somente seria aplicável às DCOMP apresentadas com comprovada falsidade, impondo-se a retroatividade benigna da nova legislação em razão de a conduta em tela não ser mais passível de multa. Ocorre que, apesar de à época da apresentação da DCOMP (4/11/2004), não existir previsão de sua não declaração por veicular crédito que se refira a título público, hipótese acrescida ao §12 do art. 74 da Lei nº 9.430/96 apenas com a edição da Lei nº 11.051/2004, a conduta de apresentar DCOMP veiculando crédito de natureza não tributária já se sujeitava a multa desde a redação original da Lei nº 10.833/2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, Fl. 255DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 limitar-se-á à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplica-se ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6º a 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não- homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Como se vê, o caput previa a aplicação de multa isolada se a compensação fosse indevida, dentre outras hipóteses, em razão de o crédito ser de natureza não tributária. Na seqüência, o §2 o definia que o cálculo da multa se faria nos mesmos percentuais previstos no art. 44 da Lei nº 9.430/96, qual seja, 75% nos casos em que não evidenciada uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. Já com a Lei nº 11.051/2004, o referido dispositivo passou a estar assim redigido: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão da não- homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ............................................................................................. § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ............................................................................................. § 4º A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não Fl. 256DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A alteração da redação se fez necessária em razão do novo procedimento que se impôs às compensações envolvendo, dentre outros, créditos de natureza não tributária, em especial aqueles referentes a títulos públicos: Art. 74................................................................................................ [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: [...] II - em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refira-se a "crédito-prêmio" instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei nº 491, de 5 de março de 1969; c) refira-se a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal - SRF. § 13. O disposto nos §§ 2º e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Todavia, vê-se que a multa isolada continuou prevista para a hipótese de não-declaração de compensação com crédito referente a título público (art. 18, § 4 o da Lei nº 10.833/2003 c/c art. 74, § 12, II, “c” da Lei nº 9.430/96). Ou seja, ao menos a vedação que aqui interessa – compensação com créditos de natureza não tributária porque referente a título público – subsistiu após a Lei nº 11.051/2004. A inovação legislativa operou-se no campo da exigibilidade dos débitos compensados, que, em razão da nova redação dada ao §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, c/c §11 do mesmo dispositivo, deixou de ser suspensa em face de eventual recurso contra a inadmissibilidade da compensação, agora veiculada em ato de não-declaração, e não mais de não- homologação. Fl. 257DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Assim, não se pode admitir que a multa isolada prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos casos de não-homologação da compensação com créditos de natureza não tributária (in casu crédito vinculado a título público), deixou de existir. O § 4 o do art. 18 reafirma o cabimento da penalidade do caput mesmo se a compensação sujeitar-se a ato de não-declaração, e sua interpretação em conjunto com o § 2 o do mesmo art. 18, em verdade, evidencia a majoração da penalidade, que passaria a ser a prevista no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (150%) para todos os casos de compensações sujeitas a não-declaração. A Lei nº 11.196/2005, porém, deu nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, nos seguintes termos: Art. 18. ........................................................................................ ...................................................................................................... § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se os percentuais previstos: I - no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; II - no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 5º Aplica-se o disposto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas no § 4º deste artigo." (NR) [...] Assim, a penalidade temporariamente majorada para 150%, aplicável a todas as compensações com créditos de natureza não tributária, foi reduzida a 75%, caso não evidenciada fraude. Irrelevante, assim, se a compensação em questão passou a sujeitar-se a não declaração. A penalidade por compensação indevida em razão da utilização de créditos de natureza não tributária era e permanece punida com a penalidade de 75%, caso não evidenciada fraude nesta conduta. Acrescente-se que com a edição da Lei nº 11.488/2007 foi dada nova redação ao art. 18 da Lei nº 10.833/2003, mas a penalidade dirigida à compensação com créditos de natureza não tributária sem evidência de fraude permaneceu expressa nos mesmos termos no art. 18, §4º da Lei nº 10.833/2003. Veja-se: Fl. 258DF CARF MF Fl. 25 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Art. 18. Os arts. 3 o e 18 da Lei n o 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: [...] “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n o 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-á à imposição de multa isolada em razão de não- homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. ................................................... § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. ................................................ § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicando-se o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1 o , quando for o caso. § 5 o Aplica-se o disposto no § 2 o do art. 44 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, às hipóteses previstas nos §§ 2 o e 4 o deste artigo.” (NR) Ainda, com a edição da Lei nº 12.249/2010, foi adicionado ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 o seguinte parágrafo: § 17. Aplica-se a multa prevista no § 15, também, sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Com a posterior revogação do referido §15, a redação do dispositivo foi ajustada pela Medida Provisória nº 656/2014, e depois pela Lei nº 13.097/2015, nos seguintes termos: § 17. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do débito objeto de declaração de compensação não homologada, salvo no caso de falsidade da declaração apresentada pela sujeito passivo. Fl. 259DF CARF MF Fl. 26 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Contudo, esta penalidade tem em conta compensações sujeitas a não- homologação, o que exclui, no contexto normativo então vigente, as compensações com créditos de natureza não tributária, como antes exposto. Para tal conduta permanece a multa isolada de 75% prevista no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, originalmente em seu §2º c/c o caput e, a partir da Lei nº 11.051/2004, em seu §4º, elevada temporariamente a 150%, mas atualmente restabelecida em 75% pela Lei nº 11.196/2005. Inaplicável, portanto, a pretendida retroatividade benigna, na forma do art. 106, II do CTN. Por tais razões, deve ser negado provimento ao recurso especial da contribuinte, e mantida a penalidade exigida. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Redatora designada”. Concluindo, embora reconheça a profundidade do raciocínio desenvolvido pelo Conselheiro André Mendes de Moura em sua declaração de voto no mesmo Acórdão (cujo fecho, pela pertinência e conhecimento de todos, reproduzo no rodapé 5 ), perfilo meu entendimento com a maioria qualificada que participou daquele julgamento na CSRF e, consequentemente, com o voto vencedor da Conselheira Edeli Pereira Bessa, aqui adotado em relação ao tema. 5 Dizer que, não obstante o envio de declaração com crédito de natureza não tributária durante a vigência da redação original da Lei nº 10.833, de 2003 (que qualificava o fato como compensação não homologada, e tinha consequência jurídica a multa isolada de 75%), a multa isolada de 75% continuou a persistir porque com a alteração da Lei nº 10.833, de 2003, o envio de declaração com crédito de natureza não tributária passou a ser qualificado como compensação não declarada, sendo que a compensação não declarada tem por consequência jurídica a imposição de multa isolada também de 75%, é fazer retroagir a qualificação da conduta e por consequência a penalidade. Não se pode retroagir a qualificação da conduta, para se buscar a consequência jurídica aplicável. A qualificação da conduta é imutável, o que se pode discutir é eventual subsunção da conduta qualificada à norma superveniente. E é precisamente o caso dos autos. A qualificação da conduta, compensação não homologada, a partir da edição do § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, passou a ter como consequência jurídica a imputação de multa isolada no percentual de 50%. Se inicialmente a conduta compensação não homologada tinha como consequência jurídica multa isolada de 75% (redação original da Lei nº 10.833, de 2003), na sequência passou período sem penalização, e com a edição do § 17, art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, restabeleceu-se a multa isolada para o percentual de 50%, Assim sendo, na época dos fatos, a penalidade cabível era imputação de multa isolada de 75%. No presente momento, a penalidade cabível é a imputação de multa isolada de 50%, que deve ser a aplicada, em razão da retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea "c", do CTN. São minhas breves considerações, para dar provimento parcial ao recurso especial no sentido de reduzir o percentual da multa isolada de 75% para 50%; André Mendes de Moura (assinado digitalmente) Fl. 260DF CARF MF Fl. 27 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Cabe, finalmente, verificar se procede o reclamo que a recorrente faz desde o início do litígio de que “apesar de nosso esforço em evidenciar o erro, a nobre equipe fiscal que auditou nossa conta corrente e as planilhas que serviram quer seja para cobrança do tributo, quer para base de calculo da multa isolada, nada conseguir apurar em nosso favor”, e que, “bastaria uma simples consulta ao demonstrativo de débito, transcrito as paginas 1 e 2 da carta de cobrança SEORT/GUA 993/2006 para que fossem imediatamente visualizadas as diferenças apontadas” (RV fls. 213/214) Para concluir que o valor das diferenças nas datas de transmissão das DCOMP somava R$ 85.189,96, de modo que a base de cálculo deveria ser R$ 719.085,98 e não R$ 804.275,94, como apontado pelo Fisco (Anexo II – fls. 113). Nesse entendimento, a multa isolada seria de R$ 539.314,49 (R$ 719.085,98 * 75%) e não, como constaram dos lançamentos, R$ 603.206,97 (R$ 804.275,94 * 75%), reproduzidos nos AI (R$ 519.711,34 + R$ 83.495,63). Segundo a decisão recorrida (fls. 196), a recorrente, “apesar de afirmar ser parcial a impugnação, a contribuinte não identifica, dentre os débitos lançados e discriminados no Demonstrativo de Apuração de fls. 109/111 que integra o Auto de Infração, quais os montantes impugnados e quais aqueles com os quais concorda”. De fato, não há demonstração detalhada dos valores suscitados pela recorrente, mas é inequívoco que a interessada – desde o início do litígio – vem se batendo contra a inserção do montante de R$ 85.189,96 (que, diga-se, discriminou em seu RV – fls. 214/215, e mais ainda, já constava da impugnação, tanto que a própria decisão a quo a ele se referiu, inclusive transcrevendo planilha elaborada pela contribuinte), de forma que, até pelo princípio da boa-fé e lealdade que se estabelece entre as partes em um processo – administrativo ou judicial -, diga-se relacionamento que consagra o princípio da cooperação que deve nortear não só os litigantes, mas também os operadores do direito e auxiliares da justiça que participam do processo6, vejo que o reclamo do sujeito passivo procede e dever ser provido nesta parte. Pelo exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir dos lançamentos o valor de R$ 85.189,96, reduzindo-os ao montante de R$ 719.085,98 (R$ 804.275,94 – R$ 85.189,96). É como voto. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 6 “Estado e sociedade apresentam-se profundamente empenhados em que o processo seja eficaz, reto, prestigiado e útil”. THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil. 32. ed. Rio de janeiro: Forense, 2000, 1 v. CPC de 2015: Art. 5º. Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé. Fl. 261DF CARF MF Fl. 28 do Acórdão n.º 1402-003.979 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16095.000162/2007-51 Fl. 262DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.903911/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.124
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, vencida a conselheira Larissa Nunes Girard que rejeitou a proposta de diligência.
(documento assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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(documento assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Declaração de Compensação – DCOMP enviada pela contribuinte, que restou não homologada pela DRF de origem pelo fato de que o pagamento indicado no Pedido de Restituição, indicado como origem dos créditos, fora localizado, mas que havia sido integralmente utilizado para quitação de débito anteriormente declarado pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Cientificada desse despacho, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando que a decisão expressa no despacho combatido seria simplória. Que o fundamento de ausência de crédito disponível para restituição não se sustentaria, “uma vez que a impugnante sequer é contribuinte da Cofins.” Alega a manifestante ser uma sociedade cooperativa e não praticar atos “não cooperados”. Alega, quanto à declaração de débito da Cofins em DCTF, ao qual o pagamento indicado como origem do crédito encontra-se alocado, que, como esperava resposta do Pedido de Restituição, não retificou a DCTF e que, ultrapassados os cinco anos da data de entrega da mesma, ficou impossibilitada de retificá-la." A decisão recorrida indeferiu a manifestação de inconformidade e apresenta a seguinte ementa, na parte de interesse: (...) RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 03 91 1/ 20 12 -1 3 Fl. 222DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.124 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903911/2012-13 COOPERATIVAS. COFINS. ISENÇÃO. REVOGAÇÃO. A isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999. A partir de novembro de 1999, tal isenção foi revogada expressamente pela MP nº 1.858-6 de 1999. A base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas, com as exclusões específicas contidas na MP n° 1.858-6, de 1999. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) a recorrente é uma cooperativa e que no acórdão proferido pela DRJ não foi consignada nenhuma objeção em relação a tal fato; (ii) a Constituição Federal prevê tratamento diferenciado às cooperativas; (iii) menciona o art. 3° da Lei n° 5764/71 que traz a definição de sociedade cooperativa; (iv) o art. 5° da Lei n° 5764/71 permite que as sociedades cooperativas tenham por objeto qualquer gênero de serviços, operação ou atividade; (v) o art. 4° da Lei n° 5764/71 elenca as características das sociedades cooperativas; (vi) não há incidência da COFINS sobre os atos cooperativos; (vii) a discussão travada nos autos não diz respeito a isenção da COFINS, mas a não incidência da aludida contribuição sobre os atos cooperativos; (viii) o 79 da Lei n° 5764/71 preceitua o que são atos cooperativos; (ix) no caso em apreço a recorrente exerce a coordenação de serviços de saúde, laboratoriais e de hospitais para seus cooperados; (x) todos os valores ingressados na cooperativa decorrem das contribuições dos cooperados; (xi) os valores ingressados na recorrente para a contratação de médicos, dentistas, psicólogos, serviços de laboratórios e de hospitais, estão diretamente ligados à sua atividade; (xii) os referidos ingressos servem para custear os atos praticados entre os cooperados e a cooperativa; (xiii) que o direito ao crédito decorre de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS; (xiv) os atos praticados pela recorrente, o são no propósito de assegurar a contratação de serviços médicos, odontológicos, laboratoriais e hospitalares, em preço inferior e com melhores condições, possuindo nítido caráter cooperativo; (xv) anexa com a peça recursal os Balancetes e parecer da empresa de auditoria SGC Auditores Independentes que comprovam que os valores dos ingressos se referem às contribuições dos cooperados (ato cooperativo); (xvi) pleiteia que tal documentação seja analisada pelo órgão de julgamento recursal; e Fl. 223DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.124 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903911/2012-13 (xvii) que os documentos trazidos com o recurso constituem prova cabal para demonstrar o erro no preenchimento da DCTF, uma vez que a COFINS lá lançada não deveria ter sido recolhida pela recorrente na medida em que seus atos cooperativos não são tributados pela COFINS. Pede, ao final, o provimento do Recurso Voluntário ou, alternativamente, a conversão do feito em diligência em respeito ao princípio da verdade material. O julgamento do processo foi convertido em diligência, nos termos da Resolução nº 3201-001.244, a seguir transcrita: "Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Em cumprimento a diligência, a Recorrente foi instada a apresentar a documentação pertinente para o cumprimento da diligência não tendo apresentado manifestação tempestiva. Face a inércia do contribuinte, a unidade de origem elaborou despacho de retorno dos autos ao CARF. Devidamente intimada do referido despacho, a Recorrente apresentou manifestação e documentos em que requer a apreciação da documentação acostada para o fim de que a decisão proferida pela DRJ seja integralmente reformada, com o consequente reconhecimento do direito creditório proveniente do recolhimento indevido de COFINS e homologada a compensação declarada. Em complemento de despacho de diligência, a autoridade fiscal consignou que "Após receber o Comunicado de fl. (...) que abria prazo de 30 dias para complemento de Informações sobre o Despacho de Diligência de fl.(...) o Contribuinte juntou as Informações de fls. (...).", sem contudo proceder a análise dos documentos. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3201- Fl. 224DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3201-002.124 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903911/2012-13 002.116, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 10830.903904/2012-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201-002.116): “Depreende-se do caderno processual, que não há oposição em relação ao fato de que a recorrente praticou atos cooperativos. Assim, o cerne da questão está em apreciar o direito de a recorrente ter afastada a tributação pela COFINS, dos atos cooperativos típicos por ela praticados, quais sejam, de operações entre a Cooperativa e seus associados, o que lhe conferiria o direito de ter retornado ao seu patrimônio o valor pago a maior a título de COFINS, o que viabilizaria a compensação pretendida. Entendo que os atos cooperativos são aqueles identificados no art. 79 da Lei n.º 5.764/1971, recepcionada pelo art. 146, III, 'c' da Constituição Federal com o status de lei complementar, nos seguintes termos: "Art. 79. Denominam-se atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria." O Estatuto Social da recorrente estabelece que: "Art. 2° A COOPERATIVA tem por objetivo, exercer, nos termos da Lei n° 9.656/98 e suas Resoluções, ou legislação que venha a substituir, a função exclusiva de Operadora de Planos de Assistência à Saúde através da modalidade de Medicina de Grupo. Art. 3° A COOPERATIVA condicionará a prestação de serviços aos Cooperados, à capacidade física e financeira de sua infra-estrutura." Denota-se, então, por seu Estatuto Social que a recorrente presta serviços única e exclusivamente aos seus cooperados, não prevendo a prestação de serviços a terceiros não-cooperados. Importante frisar que em nenhum momento a fiscalização trata que os valores tratados nos autos se referem à prestação de serviços para terceiros, aduzindo que a isenção da Cofins para as cooperativas, prevista no art. 6°, I, da LC n° 70, de 1991, vigorou até outubro de 1999, quando foi revogada pela MP nº 1.858-6 de 1999 e que a base de cálculo da Cofins devida pelas cooperativas passou a ser apurada como a das demais pessoas jurídicas. A matéria em apreço foi objeto de julgamento em sede de recurso repetitivo pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em acórdão que deve ser obrigatoriamente aplicado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, conforme estabelecido no art. 62, §1º, II, 'b' do RICARF. No Recurso Especial nº 1.164.716, que tratou dos denominados atos cooperativos típicos como aqueles envolvidos nos presentes autos, entre a cooperativa e seus associados (cooperados), cujo acórdão transitou em julgado em 22/06/2016, a Corte Superior firmou o seguinte entendimento: "TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543-C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria Fl. 225DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3201-002.124 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903911/2012-13 discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhe-se da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixando-se a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas." (REsp 1164716/MG, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 27/04/2016, DJe 04/05/2016) Mesmo a recorrente não tendo tempestivamente cumprido com a diligência determinada por este Colegiado, em razão de ter apresentado documentos, entendo como razoável as alegações produzidas em sua peça recursal, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em comprovar a existência dos créditos alegados. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boa-fé. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica novamente a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por Fl. 226DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3201-002.124 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10830.903911/2012-13 converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que seja intimada a recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar (i) os cálculos e (ii) outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente com o exame da documentação apresentada e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação colacionada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 227DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.002322/2004-78
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Aug 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2004
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação trata-se no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-009.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação trata-se no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 23 22 /2 00 4- 78 Fl. 1285DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.271 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11075.002322/2004-78 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3401-00.476, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: Para não tributar as bonificações no período da cumulatividade por se afastar o § 1º do art 3º da Lei nº 9.718/98 em face da declaração de inconstitucionalidade da referida lei; Para admitir os créditos sobre combustíveis e lubrificantes no período na não-cumulatividade, vencido Conselheiro Odassi Guerzoni Filho. O Colegiado a quo, assim, consignou a seguinte ementa: “APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO CARF. Conforme art. 62, Parágrafo Único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, este Conselho poderá afastar aplicação lei com base em inconstitucionalidade, se de igual modo o Pleno do STF tiver declarado. BASE DE CÁLCULO DA COFINS. § 1º, DO ART. 3º, DA LEI Nº 9.718/98. TERMO “FATURAMENTO”. O termo “faturamento” contido no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, deve ser entendido como as receitas oriundas da atividade principal da empresa. As receitas eventuais alcançadas pela empresa não compõem a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. DISTRIBUIDOR DE BEBIDAS. INCLUSÃO NO FATURAMENTO. A base de cálculo da Cofins e do PIS é o faturamento ou receita bruta, sem exclusão do valor do ICMS devido pelo distribuidor de bebidas, que no comércio dessa mercadoria não assume a condição de substituto legal do varejista, posição assumida apenas pelo fabricante, a quem é atribuído o dever de recolher o imposto estadual em substituição ao restante da cadeia de distribuição e comercialização. NÃO CUMULATIVIDADE. DISPÊNDIOS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. SERVIÇO DE ENTREGA EFETIVAMENTE PRESTADO. DIREITO A CRÉDITO. Fl. 1286DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.271 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11075.002322/2004-78 No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins, as distribuidoras de bebidas que efetivamente entregam essa mercadoria aos adquirentes, comerciantes varejistas, têm direito aos créditos sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes consumidos na entrega, independentemente da emissão de notas fiscais de serviço e da separação do preço do serviço na nota fiscal de venda da mercadoria. ” Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão na parte que deu provimento ao recurso voluntário para autorizar o cômputo na base de cálculo do PIS não cumulativo dos créditos referentes a aquisições de combustíveis e lubrificantes consumidos na entrega de mercadorias vendidas, alegando que houve alargamento indevido do conceito de insumos. Em Despacho às fls. 1066 a 1067, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: O recurso não deve ser conhecido; A decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos, citando soluções de consulta emitidas pela RFB. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Fl. 1287DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.271 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11075.002322/2004-78 Depreendendo-se da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecê-lo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Para melhor elucidar o meu direcionamento, importante recordar: O processo vertente traz: Um sujeito passivo que tem como objeto: “Comércio Atacadista e Varejista de Bebidas, Transporte Rodoviário de Cargas e Representações”; ou seja, tem como atividade a revenda de bebidas. O cerne da lide envolve a decisão dada pelo colegiado a quo de que “No regime da não cumulatividade do PIS e Cofins, as distribuidoras de bebidas que efetivamente entregam essa mercadoria aos adquirentes, comerciantes varejistas, têm direito aos créditos sobre os dispêndios com combustíveis e lubrificantes consumidos na entrega, independentemente da emissão de notas fiscais de serviço e da separação do preço do serviço na nota fiscal de venda da mercadoria. ” Foi considerado como insumo os combustíveis e lubrificantes consumidos na entrega, pois sua atividade era efetivamente de revenda de bebidas. O acórdão indicado como paradigma traz: Um sujeito passivo que é um frigorífico, e não revendedor de produtos; ou seja, atua na atividade de industrialização de carnes e na modalidade de abate de bovinos. Naquela ocasião, o que se estava discutindo seriam as despesas com fretes, e não despesas com combustíveis e lubrificantes; Tanto é assim, que no acórdão indicado como paradigma, o relator faz questão de transparecer que despesas de fretes são distintas de despesas com combustível; O que, peço licença para transcrever parte de seu voto: Fl. 1288DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-009.271 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11075.002322/2004-78 “No meu entendimento, as despesas com frete são distintas das despesas com combustível...[...]” No final, o relator considerou a IN 404 – ou seja, de que seriam insumos somente os itens consumidos na fabricação de determinado produto, concluindo que “as despesas realizadas com os referidos veículos de transporte não dão direito ao crédito da Cofins não cumulativa, pois não se enquadram na definição de insumo aplicado ou consumido na fabricação de produtos vendidos [...]”; A ementa consignada: “[...] DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins não cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica.” Sendo assim, vê-se que, se as atividades dos sujeitos passivos fossem as mesmas nos arestos recorrido e paradigma, seria possível que a solução fosse convergente, vez que para uma pessoa jurídica revendedora de bebidas, os combustíveis são efetivamente consumidos em sua atividade de revender – eis que para revender deve-se considerar os gastos consumidos até a finalização de sua atividade – nesse caso, entrega do produto aos varejistas. Em vista de todo o exposto, para que pudéssemos considerar os arestos como divergentes, considerando o teste de aderência, entendo que, nesse caso, as atividades dos sujeitos passivos deveriam ser similares. Quanto ao outro acórdão paradigma 3801-00.470 também não há similaridade de atividades com o presente caso. Nesse sentido, não conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 1289DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-009.271 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11075.002322/2004-78 É o meu voto. (documento assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1290DF CARF MF
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Numero do processo: 10469.901091/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO.
O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po-derá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri-butos e contribuições administrados por esse Órgão.
No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco.
À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional.
O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores.
A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência.
Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária.
Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, defere-se essa parte comprovada do crédito e homologa-se a compensação até o limite do crédito deferido.
Numero da decisão: 1301-004.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do ano-calendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: NELSO KICHEL
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. RESULTADO DA DILIGÊNCIA FISCAL. COMPROVAÇÃO, EM PARTE, DO CRÉDITO PLEITEADO. O contribuinte que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo atributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, passível de restituição ou de ressarcimento, po derá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tri butos e contribuições administrados por esse Órgão. No processo de compensação tributária, o contribuinte é autor do pedido de aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, na declaração de compensação informada./entregue ao Fisco. À luz do artigo 373, I, do CPC (Lei nº 13.105, de 2015), de aplicação subsidiária no processo administrativo tributário federal, compete ao autor do pedido de crédito o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito contra a Fazenda Nacional para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. O momento para a produção ou apresentação das provas está previsto nos arts. 15 e 16, §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. A compensação tributária apresentada, informada à Receita Federal do Brasil extingue o débito tributário na data da transmissão da DCOMP, sob condição resolutória, pois dependente de ulterior verificação, conforme legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 10 91 /2 01 0- 39 Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 559 2 Os requisitos de certeza e liquidez do crédito utilizado na DCOMP devem estar preenchidos ou atendidos, por conseguinte, na data de transmissão da declaração de compensação tributária. Restando demonstrado pela diligência fiscal a existência, em parte, do direito creditório pleiteado na DCOMP, deferese essa parte comprovada do crédito e homologase a compensação até o limite do crédito deferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único para todos os processos citados no bojo do voto condutor do Relator, e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcelo José Luz de Macedo (suplente convocado), Giovana Pereira de Paiva Leite, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado), Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 560 3 Relatório Tratase do Recurso Voluntário (efls. 47/56) em face do Acórdão da 4ª Turma da DRJ/Recife (efls. 37/39 e 41/43) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente ao não reconhecer o direito creditório pleiteado e ao não homologar a compensação tributária informada nos autos. Quantos aos fatos consta dos autos: que a contribuinte reclama direito creditório contra o fisco federal no valor de R$ 86.235,61 (valor original) decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), vencimento 30/03/2007, valor do pagamento DARF R$ 208.000,00, código de receita 2430, data de arrecadação 31/01/2007; que a contribuinte utilizou o referido crédito em compensações tributárias de débitos próprios de tributos federais em 14 (quatorze) processos (computado o presente processo), conforme relação de processos e DCOMP discriminados a seguir: PER/DCOMP DATA TRANS MISSÃO CRÉDITO UTILIZADO VALOR ORIGINAL (R$) DÉBITOS CONFESSADOS (R$) PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 6.094,89 (efls. 04/08) IPI P.A. 10/2007 R$ 6.497,91 IPI P.A. 11/2007 R$ 1.834,41 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 2.477,60 IRPJEstimativa PA 10/2002 R$ 3.387,13 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 6.829,63 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.987,79 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 6.349,00 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 2.258,33 Cofins Não Cumulativa PA 09/2004 R$ 3.087,36 10469.901088/201015 Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 3.819,03 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.221,00 10469.901089/201060 Retificador: 28122.36484.190710.1.7.046076 19/07/2010 4.933,87 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 10469.901090/201094 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 561 4 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 R$ 6.745,09 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 6.980,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 9.543,43 10469.901091/201039 DCOMP: efls. 04/07 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 2.160,78 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 2.954,00 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 802,55 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 1097,17 10469.901093/201028 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 17.908,19 Cofins Não Cumulativa PA 10/2004 R$ 24.482,28 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 115,58 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 158,01 10469.901096/201061 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 308,53 CSLL Estimativa PA 06/2003 R$ 421,79 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 4.038,23 Cofins Não Cumulativa PA 04/2004 R$ 5.520,67 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 PIS/PASEP PA 11/2003 R$ 4.861,73 10469.901849/201039 que, em 03/08/2010, a DRF/Natal indeferiu o direito creditório pleiteado, por inexistência de crédito disponível, e não homologou a compensação tributária (DCOMP objeto dos autos), conforme Despacho Decisório (efl. 02), cuja fundamentação transcrevo, in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 13.019,90. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 562 5 disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. CARACTERÍSTICAS DO DARF (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Ciente desse despacho decisório por via postal, em 11/08/2010 (efls. 03 e 29), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 08/09/2010 por via postal (efls. 08/11 e 14 e 31), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Da improcedência da cobrança dos débitos confessados na DCOMP pela existência do direito creditório: que, conforme já restou consignado no despacho decisório, pagou a título de saldo do IRPJ do anocalendário 2006 (PA 31/12/2006 ajuste anual), valor de R$ 208.000,00, data do recolhimento 31/01/2007; que, entretanto, o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13); que, portanto, há diferença paga a maior do IRPJ de R$ 86.235,61, e parte desse valor foi utilizada na DCOMP objeto dos presentes autos (PER/DCOMP nº 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificador); que, por fim, pediu o reconhecimento do crédito e a homologação da compensação. Na sessão de 22/03/2012, a 4ª Turma da DRJ/Recife julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, ao não reconhecer o crédito pleiteado (crédito inexistente, consumido, não disponível), conforme Acórdão (efls. 40/42), cuja ementa e dispositivo transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 563 6 VALORES INFORMADOS EM DCTF E/OU DIPJ. Sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório, tem se por pago valor idêntico ao confessado, de sorte que o valor desse mesmo tributo informado a menor em DIPJ não afasta o valor devido, confessado, muito menos quando o interessado não apresenta nem livros nem documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos à comprovação fundamentada de erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE, nos termos do relatório e voto do relator. (...) Obs: Consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do recolhimento em DARF de R$ 208.000,00 , código de receita 2430 ajuste anual 2006 (efls. 34/36). Ciente desse decisum em 10/04/2012, por via postal (efls. 48/49), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 30/04/2012 por via postal (efls. 50 e 61 e 51/60), reiterando as razões já apresentadas na primeira instância e acrescentou: que houve equívoco, erro de fato, da contribuinte ao confessar de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 564 7 que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A numeração de efls. citada, quanto às provas juntadas no recurso, é do processo nº 10469.901670/201081. Na sessão de 10/07/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial (efls. 62/72), cuja fundamentação do voto condutor transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe: o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) Obs: (i) Consta dos autos: a) cópia DIPJ 2007 (original), anocalendário 2006, lucro real anual, transmitida em 26/06/2007, entrega normal, Ficha 12 Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, saldo a pagar ajuste anual valor R$ 183.658,80 (efls. 73/166). b) que, entretanto, houve apresentação de retificadora: o saldo do débito a pagar desse PA (ajuste anual) foi de apenas R$ 121.764,39, conforme Ficha 12A DIPJ 2007, anocalendário 2006 (declaração retificadora), transmitida em 13/07/2010 , regime lucro real anual (efls. 12/13); Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 565 8 A Fiscalização da DRF/Natal realizou a Diligência Fiscal, cujo Relatório está acostado aos autos (efls. 565/568). A contribuinte foi intimada a manifestarse nos autos e juntou sua manifestação (efls. 569/577). Estando conclusos os autos, retornaram para julgamento. Obs: Em face da extinção da 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF, foi realizado sorteio dos 14 processos, porém para Relatores de Turmas diversas. Em face da conexão dos processos este Relator ficou prevento (reunião dos 14 processos para julgamento por esta Turma), conforme despacho aprovado pelo Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de julgamento do Carf. É o relatório. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 566 9 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Portanto, conheço do recurso. Conforme relatado, a recorrente informou que procedera pagamento do IRPJ, ajuste anual, anocalendário 2006 (PA 31/12/2006), valor de R$ 208.000,00, data de vencimento 31/03/2007, data de recolhimento/arrecadação 31/01/2007. Entretanto, frisou que o pagamento foi indevido ou a maior, no valor de R$ 86.235,61 (valor original), pois o saldo devedor do imposto ajuste anual foi de R$ 121.764,39. A contribuinte, então, utilizou o referido valor, que teria pago a maior ou indevidamente, em 14 (quatorze) DCOMP já discriminadas no relatório para compensação com débitos próprios de tributos/contribuições. As decisões anteriores nestes autos (despacho decisório da DRF/Natal e Acórdão da DRJ/Recife) não reconheceram o direito creditório pleiteado pela recorrente, pois o valor integral do pagamento encontravase alocado ao débito do imposto do respectivo Período de Apuração (PA), não restando, destarte, crédito disponível para ser utilizado nas 14 (quatorze) DCOMP citadas no relatório. Ainda consta da decisão recorrida: que, sendo o valor do tributo pago idêntico ao informado na última DCTF ativa e anterior ao Despacho Decisório (valor pago idêntico ao débito confessado), a DIPJ Retiticadora, por si só, onde consta que o valor do débito apurado é menor , não tem o condão de afastar o valor do débito confessado na DCTF, pois a interessada não juntou aos autos, quando da Impugnação, cópia da escrituração contábil (cópias dos livros Diário, Razão e Lalur,), nem juntou documentos, hábeis e idôneos de suporte dos registros contábeis, para comprovação do alegado erro de fato (Necessidade de comprovar o que teria implicado confissão de débito a maior na DCTF); que consta dos autos, realmente, cópia da DCTF Mensal Março 2007 na qual a contribuinte fez constar e confessou saldo de débito a pagar do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006 valor R$ 208.000,00 cujo valor coincide com o valor do Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 567 10 recolhimento em DARF de R$ 208.000,00, código de receita 2430 ajuste anual 2006, conforme já consignado no relatório. Nesta instância recursal, a recorrente argumentou: que houve equívoco, erro de fato, ao confessar saldo de débito a pagar ajuste anual 2006 de R$ 208.000,00; que o saldo apurado do débito do IRPJ ajuste anual anocalendário 2006 foi de R$ 121.764,39 e juntou documentos (efls. 427/1535): a) cópia do Livro Diário n° 81, com 426 folhas, arquivado na Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Norte, sob n° 07/0043124, de 19/11/2007, contendo as operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); b) cópia Livro Razão, com 683 folhas, contendo os registros das operações do 4º trimestre/2006 (outubro a dezembro/2006); que, por fim, pediu a realização de diligência fiscal, caso os Julgadores entendam ser necessária e imprescindível para comprovação cabal da existência do crédito pleiteado. Obs: A documentação cópia da escrituração contábil foi juntada apenas nos autos do Processo nº 10469.901670/201081. Logo, a numeração de efls., quanto às provas mencionadas, referese ao citado processo. Necessidade de instrução probatória complementar. Nesse sentido, na sessão de 10/04/2013, a então 2ª Turma Especial do CARF converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial (efls. 60/68), cuja fundamentação consta do voto condutor e que transcrevo, no que pertinente, in verbis: (...) Por tudo que foi exposto, a decisão do presente processo demanda uma instrução complementar. Para verificar se houve ou não o alegado pagamento a maior, é preciso averiguar qual é efetivamente o valor do saldo a pagar a título de IRPJ no ajuste anual de 2006. Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 568 11 Para tanto, é necessário que a Delegacia de origem, analisando a documentação contábil e fiscal da empresa, as informações constantes dos sistemas eletrônicos da própria Receita Federal (SINAL, DIRF, etc.), as DIPJ (original e retificadora), as DCTF, e ainda outros elementos que entender relevantes: 1) verifique e informe:o valor total do IRPJ devido no ano de 2006; o valor das retenções na fonte para este período; o valor das estimativas recolhidas para este período; o saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual; 2) apresente relatório circunstanciado esclarecendo se houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, e qual o seu valor; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar. (...) A unidade de origem da RFB, no caso, a DRF/Natal, após realizada a diligência fiscal (análise da cópia da escrituração contábil juntada pela recorrente por ocasião da apresentação do recurso voluntário e das informações constantes dos sistemas informatizados internos da RFB), produziu relatório de diligência fiscal (efls. 565/568) e os resultados e conclusões transcrevo, in verbis: (...) 2. A partir das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), original e retificadoras, relativas ao anocalendário de 2006, verificamos que os principais motivos da divergência entre elas, quanto ao montante de “IMPOSTO DE RENDA A PAGAR”, se deve aos itens “12.()Imp. de Renda Ret. na Fonte”, “14.()IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/2003)” e “16.()Imp. de Renda Mensal Pago por Estimativa” da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real – PJ em Geral”, conforme transcrito a seguir: Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 569 12 3. Em consulta às Declarações do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirfs) relativas ao anocalendário de 2006, em que consta a empresa IMPORTADORA COMERCIAL DE MADEIRAS LTDA como beneficiária, encontramos as seguintes retenções, que discriminam os valores relativos aos itens 12 e 14 da “Ficha 12 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real– PJ em Geral” da DIPJ: • item 12: Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 570 13 5. Ressalvado o exposto no item 2, cabe registrar que observamos compatibilidade da escrituração contábil e fiscal apresentada em anexo ao recurso voluntário (Livros Diário e Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 571 14 Razão relativos ao 4º trimestre do anocalendário de 2006), havendo harmonia entre sua Demonstração de Resultado do Exercício (DRE) e as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs) ativas, os valores recolhidos a título de estimativas mensais de IRPJ e a 2ª DIPJ retificadora. 6. Logo, os seguintes valores deveriam estar constando na “Ficha 12A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real PJ em Geral” da DIPJ: CONCLUSÃO 7. De todo o relatado acima, concluímos informando que: a) o valor total do IRPJ devido no ano de 2006 é R$ 1.730.360,52; o valor das retenções na fonte para este período totaliza R$ 34.289,79; o valor das estimativas recolhidas para este período totaliza R$ 1.520.860,36; e o Saldo de IRPJ a pagar no ajuste anual é R$ 150.809,88. b) houve pagamento a maior em relação ao saldo a pagar no ajuste anual, no montante original de R$ 57.190,12. 8. Por fim, nos termos da Resolução nº 1802000.187 – 2ª Turma Especial, da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, e das demais resoluções contidas nos processos ora analisados, cientifico o contribuinte deste Relatório de Diligência Fiscal, ressalvando lhe o direito de apresentar manifestação, no prazo de 30 (trinta) dias contados daciência deste relatório. (...) Intimada a contribuinte do resultado da diligência fiscal, apresentou suas razões (efls. 550/555) e documentos juntados aos autos do Processo nº 10469.901086/201026 (efls. 556/570 do citado processo), discordando do resultado do relatório de diligência quanto à diferença de crédito R$ 29.045,49 (valor não confirmado pela diligência fiscal). Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 572 15 Nessa parte, a recorrente assim se manifestou, in verbis: (...) (...) A irresignação da recorrente quanto ao resultado da diligência é atinente à diferença de valor de R$ 29.045,49 (IRRF não encontrado pela diligência fiscal). Como já dito, intimada do resultado da diligência para se manifestar nos autos, a contribuinte juntou documentos apenas nos autos do Processo nº 10469.901086/2010 26 (efls. 556/570 do citado processo), argumentando, in verbis: (...) Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 573 16 Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 574 17 (...) Não procede a irresignação da recorrente, em relação ao resultado do relatório de diligência fiscal: 1 Receitas Financeiras oferecidas à tributação. Consta da DIPJRetificadora Ficha 06A Demonstração do Resultado PJ em Geral, de 13/07/2010 (efls. 132/166) que a contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00: Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 575 18 (...) (...) O direito creditório apurado pela diligência fiscal de R$ 57.190,12 levou em conta receitas financeiras com DIRF no valor de R$ 356.532,39 = (R$ 149.233,83 + R$ 207.358,56) e IRRF R$ 34.289,79 = (R$ 22.159,96 + R$ 12.129,83), conforme demonstrativos já transcritos. Então, faltaria comprovar IRRF apenas acerca da diferença de receitas financeiras de R$ 16.363,61 = (receitas financeiras oferecidas à tributação R$ 372.896,00 R$ 356.532,39 receitas financeiras com DIRF). Obs: Esses dados trazidos pela recorrente, por último, de IRRF (crédito não deferido), revelam, em tese, que ela oferecera à tributação receitas financeiras a menor na declaração de ajuste anual na DIPJ 2007, anocalendário 2006 ( Fichas 06 e 54) e agora pretende crédito de IRRF acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação na DIPJ. Ora, cabe aproveitamento de crédito do IRRF acerca das receitas financeiras informadas na DIPJ e ainda desde que seja comprovado o IRRF, mediante DIRF, ou informe de rendimentos, Nota Fiscal e cópia da escrituração contábil. Portanto, como demonstrado, o IRRF já apurado pela diligência (resultado) está em consonância compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJ. 2 Ônus probatório do direito creditório alegado: No processo de compensação tributária, pedido de restituição/aproveitamento de crédito contra a Fazenda Nacional, é ônus do autor do pedido comprovar o fato constitutivo do direito creditório alegado, conforme art. 373, I, do Código de Processo Civil Lei 13.105, de 2015, de aplicação subsidiária do PAF, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) O momento da produção da prova é quando da apresentação da Impugnação, na primeira instância de julgamento (arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72). Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 576 19 A contribuinte juntou cópia da escrituração contábil (livro Diário e Razão), quando da apresentação do recurso voluntário, alegando erro de fato, ou seja: que, inicialmente, a contribuinte transmitiu declarações à RFB (DIPJ e DCTF) com saldo do imposto a pagar do anocalendário 2006 (ajuste anual) no valor de R$ 208.000,00. Efetuou o pagamento em DARF, no valor de R$ 208.000,00; que transmitiu, eletronicamente, DIPJ 2007, anocalendário 2006 e, anos depois, apresentou duas DIPJ retificadoras, sendo a última na própria data de apresentação da DCOMP (a contribuinte gerou o suposto crédito pela segunda retificação da DIPJ e na mesma data já apresentou DCOMP utilizando esse suposto crédito). Vale dizer, a última retificadora da DIPJ 2007, anocalendário 2006, a contribuinte transmitiu eletronicamente em 13/07/2010 (efls. 27/28) e, nessa mesma data, transmitiu o PER/DCOMP nº 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificador, utilizando o pretenso crédito (efls. 04/07). Como visto, quanto à escrituração contábil/fiscal, sob pretexto de ocorrência de erros de fato na apuração do imposto, a contribuinte apresentou várias versões de DIPJ e juntou escrituração contábil. Então, os autos do processo foram baixados à unidade de origem da RFB para análise da escrituração contábil juntada aos autos pela recorrente (cópia do livro Diário e Razão) em relação aos dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal. Logo, configura um despautério a recorrente alegar que a diligência fiscal não lhe oportunizou a produção de provas. Ora, a contribuinte juntou as provas que possuía por ocasião da apresentação do recurso voluntário e, por isso, os autos foram baixados em diligência para a unidade de origem da RFB analisar essas provas. E, ademais, a recorrente foi intimada do resultado da diligência, em observância do contraditório e da ampla defesa, tanto que apresentou sua manifestação e juntou outras provas. Exerceu e esta exercendo, plenamente, as garantias constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Ainda, frisese a diligência fiscal não se presta a substituir a parte na produção de provas. O ônus probatório do direito creditório alegado contra o Fisco, no caso, como já demonstrado, é da recorrente, parte autora do pedido de crédito contra a Fazenda Nacional. Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 577 20 2 IRRF: Dispõe o artigo 2º, § 4º, inciso III, da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pela pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, sobre a receita bruta definida pela art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, auferida mensalmente, deduzida das devoluções, vendas canceladas e dos descontos incondicionais concedidos, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 29 e nos arts. 30, 32, 34 e 35 da Lei no 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (...) § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; (...) No caso, a contribuinte, na sua manifestação após ciência do resultado da diligência fiscal: a) juntou cópias de demonstrativos de rendimentos financeiros Banco do Brasil (demonstrativos simplificados); porém, esses demonstrativos são diversos dos informes de rendimentos exigidos pela legislação do imposto de renda, pois sequer consta a informação do código de receita (os documentos juntados constam das efls. 556/563 autos do Processo nº 10469.901086/201026 Doc. 1). Mas, não é só isso!!! Consta da DIPJ Retificadora Ficha 54 Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (efls. 132/164): (...) Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 578 21 (...) O CNPJ (fonte pagadora): 00.000.000/086649. Porém, os CNPJ informados nos demonstrativos financeiros são diversos. Ainda não há DIRF. Logo, não se pode precisar que os rendimentos financeiros informados na DIPJ (Ficha 54) seriam esses que constam dos demonstrativos juntados aos autos pela recorrente, pois: a) não informam o código de receitas e, ainda, o CNPJ da fonte pagadora é diverso; b) ainda, há discrepância: Veja. O somatório do IRRF a que se referem esses demonstrativos (valores não comprovados), e mais o IRRF já apurado pela diligência fiscal, se fossem deferidos como pretende a recorrente, extrapolariam, em muito, os valores informados na DIPJ nas fichas 06 e 54. Inferese que haveria, em tese, receitas financeiras que não foram oferecidas à tributação pela recorrente, quando do ajuste anual. Inferese, também, que o resultado da diligência fiscal apurou, considerou crédito de IRRF (DIRF existentes) acerca de receitas financeiras não oferecidas à tributação pela recorrente. De modo que, no cômputo geral, o resultado da diligência fiscal quanto ao IRRF informado em DIRF está compatível com as receitas financeiras oferecidas à tributação pela recorrente na DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). Ou seja, a diligência fiscal apurou existência de IRRF(em DIRF) para a contribuinte sobre receitas financeiras de R$ 356.532,39. A contribuinte ofereceu à tributação receitas financeiras no valor de R$ 372.896,00 na DIPJ (Fichas 06 e 54). Logo, estaria faltando reconhecer IRRF acerca da diferença de receita financeira de R$ 16.363,61 oferecida à tributação na DIPJ = (R$ 372.896,00 R$ 356.532,39). Mas, como já analisado anteriormente os documentos juntados aos autos não comprovam IRRF pelo Banco do Brasil, pois não há DIRF e, além disso, os documentos juntados possuem CNPJ diverso da fonte pagadora (Ficha 06 e 54 da DIPJ) e ainda não informam o código de receita, a que título teria sido retido imposto. Portanto, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). b) venda de mercadorias Polícia Militar do Rio Grande do Norte: A contribuinte informou na DIPJRetificadora Ficha 54: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 579 22 (...) (...) Aqui, também, a recorrente não tem melhor sorte. Não há DIRF. A contribuinte, então, juntou cópia do Razão Analítico, informando escrituração de valores que no somatório implicariam no citado montante (efls. 564/566 doc. 2 autos do Processo nº 10469.901086/201026), mas não juntou cópia de notas fiscais de venda com canhoto de entrega de que a operação existiu. Logo, esse valor pleiteado não satisfaz os requisitos de certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. Ademais, como já dito, o IRRF apurado com DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas e objeto da DIPJRetificadora (Fichas 06 e 54). c) fundo de investimento Caixa Econômica Federal: A contribuinte informou na DIPJRetificadora, Ficha 54 (efls. 132/164)): (...) (...) Consta do relatório de diligência fiscal DIRF de apenas R$ 823,45. Valor acatado. A contribuinte, na manifestação após ciência do resultado da diligência, juntou cópia de pedido endereçado à CEF, solicitando, pleiteando, fornecimento dos Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 580 23 comprovantes de retenção na fonte por essa instituição financeira (efls. 567/56 doc.3 constante do Processo nº 10469.901086/201026), para fazer prova perante a RFB. Ora, inexistindo DIRF e inexistindo os informes de rendimentos, nem outros documentos, não há como deferir essa diferença de crédito pleiteado. Ademais, como já dito, o IRRF apurado em DIRF pela diligência fiscal está compatível com as receitas financeiras declaradas na DIPJRetificadora, como já demonstrado antes. Assim, não restou comprovada a liquidez e certeza do crédito pleiteado, nessa parte (art. 170 do CTN). Por fim, nesse sentido também são os precedentes deste CARF: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FO NTE IRRF Anocalendário: 1998 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. Não há possibilidade de restituição/compensação pura e simples do imposto de renda retido na fonte principalmente quando não há comprovação do direito líquido e certo. O imposto de Renda Retido na Fonte é passível de compensação desde que os respectivos rendimentos sejam oferecidos a tributação. (Acórdão nº 1402003.950 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 16/07/2019, Relatora Junia Roberta Gouveia Sampaio). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Anocalendário: 2004 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO. COMPOSIÇÃO NA APURAÇÃO DO FINAL DO PERÍODO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO. O imposto de renda retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no final do período. Portanto, o valor retido deve ser computado para dedução do imposto a pagar e, se apurado saldo a favor do contribuinte, poderá ser restituído ou compensado como crédito de saldo negativo de IRPJ, e não como pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei Nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. (Acórdão nº 1302003.796 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 18/07/2019, Luiz Tadeu Matosinho Machado – Presidente e Relator). Fl. 580DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 581 24 (...) Logo, conforme relatório de diligência fiscal, restou comprovado o direito creditório do IRPJ do anocalendário 2006, no montante de R$ 57.190,12 (valor original), único e comum a todos os processos abaixo e homologar as compensações objeto dos processos abaixo, até o limite desse crédito deferido: PER/DCOMP DATA TRANSMISSÃO PROCESSO Retificador: 34969.80386.130710.1.7.041989 Retificado: 15394.96347.240608.1.3.040094 01617.41354.250608.1.7.048237 13/07/2010 10469.901670/201081 Retificador: 32444.81129.140710.1.7.046427 Retificado: 36060.68621.090808.1.3.048396 14/07/2010 10469.901086/201026 Retificador: 06625.86272.140710.1.7.041800 Retificado: 33730.00134.251008.1.3.047859 14/07/2010 10469.901087/201071 Retificador: 42355.31828.140710.1.7.041924 Retificado: 23768.42284.251008.1.3.049644 14/07/2010 10469.901088/201015 Retificador: 36642.12372.190710.1.7.040680 Retificado: 18254.68135.271008.1.3.043870 19/07/2010 10469.901089/201060 Retificador: 28122.36484.190710.1.7.046076 Retificado: 34899.76565.271008.1.3.046117 19/07/2010 10469.901090/201094 Retificador: 28119.57837.190710.1.7.047036 Retificado: 20677.46828.271008.1.3.040376 19/07/2010 10469.901091/201039 Retificador: 40409.37928.130710.1.7.047621 Retificado: 37628.60315.271008.1.3.048490 13/07/2010 10469.901092/201083 Retificador: 29452.95824.140710.1.7.041808 Retificado: 15579.77286.271008.1.3.048280 14/07/2010 10469.901093/201028 Retificador: 01108.53920.140710.1.7.049897 Retificado: 28009.91072.291008.1.3.045653 14/07/2010 10469.901094/201072 Retificador: 14471.47759.140710.1.7.040940 Retificado: 20810.98239.280809.1.3.043269 14/07/2010 10469.901096/201061 Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10469.901091/201039 Acórdão n.º 1301004.053 S1C3T1 Fl. 582 25 Retificador: 41473.12320.140710.1.7.042860 Retificado: 28599.58532.280809.1.3.041050 14/07/2010 10469.901097/201014 Retificador: 34854.11206.190710.1.7.048597 Retificado: 01703.52550.271008.1.3.042970 19/07/2010 10469.901848/201094 Retificador: 04050.50317.140710.1.7.041110 Retificado: 01367.67545.021208.1.3.041606 14/07/2010 10469.901849/201039 Obs: (i) A unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Natal, deverá fazer a imputação do crédito, até o limite do valor deferido, levando em conta os débitos confessados nas DCOMP objeto dos processos listados no demonstrado acima; (ii) Quanto às compensações que não restar crédito (DCOMP não homologadas pela insuficiência/inexistência de crédito), a contribuinte deverá ser intimada para proceder o pagamento dos débitos confessados nas DCOMP (débitos em aberto). Por tudo que foi exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório, em valores originais, de R$ 57.190,12, a título de saldo do IRPJ ajuste anual do anocalendário 2006, em valor único, comum a todos os processos citados no demonstrativo acima e homologar as compensações, quanto aos débitos confessados nas DCOMP objeto dos referidos processos, até o limite desse crédito deferido. É como voto. (assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 582DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.907771/2012-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do Refis ou não.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-04T15:40:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-09-04T15:40:31Z; Last-Modified: 2019-09-04T15:40:47Z; dcterms:modified: 2019-09-04T15:40:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:88697fde-0b0e-4279-9ee5-a06a950260b5; Last-Save-Date: 2019-09-04T15:40:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-04T15:40:47Z; meta:save-date: 2019-09-04T15:40:47Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-04T15:40:47Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-09-04T15:40:31Z; created: 2019-09-04T15:40:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2019-09-04T15:40:31Z; pdf:charsPerPage: 2163; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-09-04T15:40:31Z | Conteúdo => 00 SS33--CC 22TT11 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 10920.907771/2012-43 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 3201-002.145 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 23 de julho de 2019 AAssssuunnttoo DILIGÊNCIA RReeccoorrrreennttee DUAS RODAS INDUSTRIAL LTDA IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência para que os autos retornem à unidade de origem, a fim de que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do Refis ou não. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Hélcio Lafetá Reis, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário de fls. 106 apresentado em face da decisão de primeira instância da DRJ/MG de fls. 97 que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade de fls. 49, restando o direito creditório reconhecido parcialmente nos moldes do Despacho Decisório de fls. 83. Como de costume nesta Turma de julgamento, segue a reprodução do mesmo relatório apresentado no Acórdão de primeira instância, para o fiel acompanhamento do trâmite e matéria constante nos autos: “DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 07 77 1/ 20 12 -4 3 Fl. 113DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3201-002.145 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.907771/2012-43 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório com número de rastreamento 40170215, emitido eletronicamente em 05/11/2012, referente ao PER/DCOMP nº 15015.50142.240210.1.3.04-4468. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor de R$68.299,00, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/09/2006. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do Darf discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da insuficiência de crédito, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade, com as seguintes alegações: · efetuou 2 recolhimentos referentes ao débito de COFINS apurado em 31/08/2006; · diferente do que consta no despacho decisório, o valor original do débito pago com o DARF utilizado no PER/DCOMP é igual a R$684.452,38 e, conseqüentemente, o crédito disponível tem valor de R$68.299,00; · os valores defendidos podem ser comprovados pelo DACON e pela DCTF.” Este Acórdão de primeira instância da DRJ/MG de fls. foi publicado com a seguinte Ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte” Os autos digitais foram distribuídos e pautados para julgamento conforme regimento interno deste Conselho. Relatado o caso. Voto. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresenta-se esta Resolução. Fl. 114DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3201-002.145 - 3ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10920.907771/2012-43 A primeira análise do crédito foi apresentada no Despacho Decisório Eletrônico de fls. 83, que reconheceu parcialmente os créditos em razão da insuficiência de crédito para a homologação integral da compensação. Em manifestação de inconformidade de fls. 49 o contribuinte explica a origem de seu crédito e sua argumentação foi parcialmente acatada em decisão de primeira instância, contudo, tal conclusão ocorreu de forma tangente aos fatos, de modo que os juros e multas que não deveriam ter sido recolhidos não foram considerados no cálculo dos créditos. Logo, não há preclusão, pois a verdade material dos autos foi construída ao longo da presente lide administrativa fiscal, como acontece costumeiramente nos casos que possuem origem em despacho decisório eletrônico. Em seu recurso de fls. 106 o contribuinte apresentou sua análise e após a decisão de primeira instância e solicitou que o crédito seja apreciado da seguinte forma: Em face do exposto, com fundamento na regra administrativa fiscal da busca da verdade material, vota-se para que os autos sejam convertido em diligência para que: - os autos retornem à unidade de origem para que a fiscalização avalie em quais moldes a legislação apontada permitiu a exclusão da multa de mora e redução dos juros de mora e cruze com os comprovantes do contribuinte e apresente relatório conclusivo apontando se os pagamentos realmente foram feitos à vista, se atendem à legislação, se podem ser considerados como créditos ou não e se o resíduo não reconhecido tem somente relação com a Lei do refis ou não. Após, abram vistas para que a recorrente se pronuncie. Concluída a diligência, retornem os autos ao CARF para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 115DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900911/2008-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
Numero da decisão: 9303-009.008
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso especial de divergência quando as situações fáticas a eles associadas não têm similitude, impossibilitando verificar se os colegiados teriam posicionamentos distintos ou convergentes frente a elas. No caso concreto, o período de apuração do tributo do acórdão recorrido era distinto daqueles dos paradigmas, e sobre os fatos geradores nestes arestos controvertidos recaia legislação distinta da que lá incidia. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata-se de pedido eletrônico de compensação por restituição de pagamento indevido ou a maior relativo a créditos originários de pagamento PIS. A DRF de origem emitiu despacho decisório eletrônico, no qual informava que o valor pago no DARF encontrava-se integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, por isso não homologou a referida compensação. O sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade, informando que é fabricante de tintas, vernizes, esmaltes e lacas, sendo parte de suas vendas destinadas para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 11 /2 00 8- 70 Fl. 257DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-009.008 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900911/2008-70 Zona Franca de Manaus - ZFM. A empresa, equivocadamente realizou pagamentos indevidos das contribuições no tocante a tais vendas, pois, com base no art. 4º do Decreto-lei nº 288/1967, elas equivalem à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro em termos de efeitos fiscais; por isso buscou a restituição e utilização desses créditos para compensação. A 3ª Turma da DRJ/CPS exarou o acórdão nº 05-29.771, no qual, por unanimidade, negou provimento à manifestação de inconformidade da contribuinte, basicamente, por não haver competência da autoridade administrativa para se manifestar sobre eventual inconstitucionalidade de lei e não haver previsão legal de desoneração, à época dos fatos geradores, das contribuições que se alega serem indevidas. Irresignada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, retomando os argumentos da impugnação e ainda que não foi intimada pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Adicionalmente, afirma que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, resultando no acórdão nº 3402-005.409, que lhe negou provimento. Recurso especial da contribuinte Cientificada do acórdão, a contribuinte interpôs recurso especial de divergência na qual afirma o dissídio em face dos acórdãos paradigmas nº 3401-002.249 e nº 9303-002.648, fundamentando que as contribuições apuradas e recolhidas pela recorrente sobre as receitas de vendas mercadorias para empresas localizadas na ZFM, para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro de 2000, constitui indébito tributário passível de restituição/compensação, em franca dissonância com o acórdão recorrido, o qual aduzia que as receitas das vendas de mercadorias destinadas à ZFM, no período de apuração em discussão, não eram isentas ou imunes de PIS e Cofins. O recurso teve seguimento, com base no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dei-lhe seguimento. A Fazenda Nacional foi cientificada desta decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 9303-008.998, de 17 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10882.900420/2009-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 258DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-009.008 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900911/2008-70 Transcreve-se como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303-008.998): “O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. Conhecimento Apesar de, na qualidade de presidente de câmara, ter admitido o recurso no despacho de e-fls. 223 a 234, nova análise, mais aprofundada, na qualidade de relator, me permitiu perceber que as situações fáticas dos acórdãos paradigmas não eram as mesmas do acórdão recorrido, para realização dos cotejamentos com a legislação aplicável. Ocorre que o acórdão nº 3401-002.249 era relativo a período de apuração de 01/11/2003 a 30/11/2003 e o acórdão nº 9303-002.648 abrange período de apuração de 01/01/2001 a 31/01/2001, ambos posteriores a novembro de 2000. Tomando apenas a ementa do acórdão nº 9303-002.648, à e-fl. 165, já se pode observar: ISENÇÃO. RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/12/2000 estavam sujeitas ao PIS, tornando-se isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. Na parte do voto deste acórdão, transcrita no recurso especial de divergência, às e-fls. 165 e 166, se tem a seguinte explanação: “O presente recurso trata do aspecto temporal da isenção concedida em relação às contribuições sociais – PIS e Cofins – apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente internalizadas naquela zona franca. A exigência dessa contribuição, naquele período, estava regulada pela Lei nº 9.718, de 1998, que assim dispunha (...). Posteriormente, o assunto foi tratado na edição da Medida Provisória (MP) nº 1.858-6, de 29 de junho de 1999, e reedições até a MP nº 2.0372-4, de 23 de novembro de 2000. O art. 14, caput e parágrafos, adiante transcritos, que redefiniram as regras de desoneração das referidas contribuições, assim dispõem: (...) Portanto, de conformidade com estes dispositivos legais, as receitas decorrentes de vendas efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, até a data de 21 de dezembro de 2000, não gozavam da isenção da Cofins. Assim, para as receitas auferidas até aquela data, a contribuição apurada e recolhida mensalmente pela recorrente era devida, não se constituindo em indébito tributário passível de restituição/compensação, conforme seu entendimento. No entanto, para os períodos de competência subsequentes, as receitas decorrentes de vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas naquela zona França e que efetivamente foram nela internadas passaram a gozar da isenção dessa contribuição, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADIN nº 2.348, impetrada pelo Governo do Estado do Amazonas. Fl. 259DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-009.008 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10882.900911/2008-70 O fato gerador da contribuição cuja restituição se controverte neste processo é do período de 01/08/2000 a 31/08/2000, portanto, não cabe a apreciação da divergência, haja vista que os paradigmas se referiam a períodos distintos ao do acórdão a quo, cuja legislação incidente para solução do litígio era também distinta. Havendo falha nesse teste de aderência entre os arestos paradigmas e o acórdão recorrido, não há divergência comprovada, e por isso voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso especial de divergência do sujeito passivo.” Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por não conhecer do recurso interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905425/2009-18
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1003-000.951
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. TRIBUTO DETERMINADO SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. SÚMULA VINCULANTE CARF Nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. É possível reconhecer da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp com base no conjunto probatório e informações constantes nos autos com a finalidade de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que a compensação dos débitos não foi homologada, pela suposta impossibilidade de caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva– Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 54 25 /2 00 9- 18 Fl. 180DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 Relatório Per/DComp e Despacho Decisório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 09587.98960.290808 1.3.04-4298, em 29.08.2008, fls. 07-12, utilizando-se do crédito relativo ao pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2362, determinado sobre a base de cálculo estimada relativo ao mês do dezembro do ano-calendário 2006 no valor de R$17.830,44 contido no DARF de R$157.630,98 recolhido em 31.01.2007 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Despacho Decisório Eletrônico, fls. 04-06, em que as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 17.830,44 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratar-se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. [...] Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Manifestação de Inconformidade e Decisão de Primeira Instância Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 4ª Turma/DRJ/REC/PE nº 11-36.954, de 10.05.2012, e-fls. 117-123: ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. DEDUÇÃO NO AJUSTE ANUAL. COMPENSAÇÃO. (IM)POSSIBILIDADE. A contribuinte não tem direito a compensar diferença mensal entre o valor pago a maior por estimativa em relação ao devido quando já levou para dedução no ajuste anual o total pago, conforme apuração anual constante de sua última DIPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Recurso Voluntário Fl. 181DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 Notificada em 26.06.2012, e-fls. 125, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 19.07.2012, e-fls. 127-176, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fundamentos de fato e de direito aduz que: 3. O motivo da notificação deveu-se à decisão de que "pagamento indevido ou a maior de IRPJ ou CSLL, a titulo de estimativa mensal, somente poderá compensar o valor pago ao final do período de apuração". 4. Verificando a procedência da decisão, resolveu a empresa adotar essa orientação, promovendo a retificação de suas declarações, entre as quais a DIPJ e os PER/DCOMPs, a saber: a) DIPJ do ano-calendário de 2007 (cópia anexada),com retificação do SALDO NEGATIVO DO IRPJ para R$ 674.171,96, e apuração de crédito compensável, de R$ 84.228,18; b) Transmissão de PER/DCOMP, em 18/07/2012, de nº 29289.80146.180712.1.7.02-6093, no qual foram compensados os débitos referenciados neste processo [...] Concernente ao pedido expõe que: 5. Ressalte-se que os valores do principal, de R$ 14.142,68 e R$ 10.221,39 e acréscimos legais foram objeto de cobrança [...]; 6. Dessarte, os débitos cobrados no presente processo foram liquidados, motivo pelo qual requeremos seja cancelada a cobrança respectiva. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora. Tempestividade O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Pagamento a Maior de Estimativa da Súmula Vinculante CARF nº 84 A Recorrente discorda do procedimento fiscal. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizá-lo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos Fl. 182DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170-A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do Decreto-Lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrar-se-ia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado detalhando os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental pré-constituída imprescindível à comprovação das matérias suscitada dada a concentração dos atos em momento oportuno. A apresentação da prova documental em momento processual posterior é possível desde que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O julgador orientando- se pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos ainda que apresentados em sede recursal com o escopo de confrontar a motivação constante nos atos administrativos em que foi afastada a possibilidade de homologação da compensação dos débitos, porque não foi comprovado o erro material (art. 170 do Código Tributário Nacional e art. 15, art. 16, art. 18 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório Fl. 183DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 pela legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal (art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995). Cabe esclarecer que a Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) desde a sua instituição a partir de 01.01.1999 tem caráter meramente informativo 1 . Somente a partir do ano-calendário de 2014, todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentar a Escrituração Contábil Fiscal (ECF) de forma centralizada pela matriz, que ficam dispensadas, em relação aos fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, da escrituração do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) em meio físico e da entrega da DIPJ. Assim, no ano-calendário objeto de análise os sistemas na RFB não eram supridos com os dados completos da escrituração contábil fiscal da Recorrente (Instrução Normativa RFB nº1.422, de 19 de dezembro de 2013). Ainda, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas devem apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) de forma centralizada pela matriz por via da internet comunicando a existência de débito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para sua exigência 2 . Além disso, por via de regra o Per/DComp somente pode ser retificado pela Recorrente caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, já que alterar dados depois do tempo próprio constitui inovação 3 . Apenas nas situações mediante comprovação do erro em que se funde de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. Por inexatidão material entendem-se os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente, o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. O conceito normativo de erro material no âmbito tributário abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos não resultantes de entendimento jurídico tais como um 1 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 127, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa RFB nº 1.028, de 30 de abril de 2010, Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, Instrução Normativa RFB nº 1.264, de 30 de março de 2012, Instrução Normativa RFB nº 1.344, de 9 de abril de 2013, Instrução Normativa RFB nº 1.463, de 24 de abril de 2014 e Súmula CARF nº 92. 2 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009, Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010 e Instrução Normativa RFB nº 1.599, de 11 de dezembro de 2015. 3 Fundamento legal: art. 56 da Instrução Normativa SRF nº 460, de 17 de outubro de 2004, art. 57 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de dezembro de 2012, a art. 107 da Instrução Normativa RFB nº 1.717, de 17 de julho de 2017 e § 14 do art. 74 da Lei n º 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 184DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido do sujeito passivo as informações declaradas a RFB no caso de verificada circunstância objetiva de inexatidão material e mediante a necessária comprovação do erro em que se funde (incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional e art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Sobre a possibilidade de revisão e retificação de ofício de débitos confessados, o Parecer Normativo Cosit nº 8, de 03 de setembro de 2014, orienta que a revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa da DRF de origem para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato em dados declarados em Per/DComp, DCTF, DIPJ, entre outros, observados os demais requisitos normativos. Ademais, salvo exceções legais, verifica-se que a não retificação da DCTF não impede que o direito creditório pleiteado no Per/DComp seja comprovado por outros meios, bem como não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o Per/DComp que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação de acordo com o Parecer Normativo Cosit nº 02, de 28 de agosto de 2015. Vale ressaltar que a retificação das informações declaradas por iniciativa da própria declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional). Por conseguinte, cabe a Recorrente a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao Erário para a instrução do processo a respeito dos fatos e dados contidos em documentos existentes em seus registros internos, caso em que deve prover, de ofício, a obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (art. 36 e art. 37 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999). Infere-se que os motivos de fato e de direito apostos no recurso voluntário, por si sós, não podem ser considerados suficientemente robustos a comprovar sobre os supostos erros de fato incorridos pela Recorrente, que precisa produzir um conjunto probatório com outros elementos extraídos dos assentos contábeis, que mantidos com observância das disposições legais fazem prova a seu favor dos fatos ali registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (art. 9º do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977). O pedido inicial da Recorrente referente ao reconhecimento do direito creditório pleiteado pode ser analisado, uma vez que se refere a fato ou direito superveniente, pois “é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa”, conforme a Súmula Vinculante CARF nº 84 editada nos termos do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 e Portaria ME nº 129, de 01 de abril de 2019. Assim, pagamento a maior de tributo determinado pela base de cálculo estimada pleiteado a título de direito creditório pode ser analisado. Os efeitos do acatamento da preliminar da possibilidade de deferimento da Per/DComp com base em pagamento indevido de estimativa, impõe, pois, o retorno dos autos a DRF de origem que inaugurou o litígio sob esse fundamento para que seja analisado o conjunto probatório produzido junto com o recurso voluntário referente ao mérito do pedido, ou seja, a Fl. 185DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-000.951 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10469.905425/2009-18 origem e a procedência do crédito pleiteado, em conformidade com a escrituração mantida com observância das disposições legais, desde que evidenciada por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais em cotejo com os registros internos da RFB. Cumpre registrar, inclusive, que, enquanto a Recorrente não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, deve ser possibilitada a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento, conforme o rito processual do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). Dispositivo Em assim sucedendo, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para aplicação da Súmula Vinculante CARF nº 84 e reconhecimento da possibilidade de formação de indébito, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito, com o consequente retorno dos autos a DRF de origem para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do direito creditório pleiteado no Per/DComp. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.010123/2008-85
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC.
O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil.
IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA.
Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD.
IRPF - MULTA DE OFÍCIO
Pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2002-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. IRPF - MULTA DE OFÍCIO Pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96.
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MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O artigo 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. PNUD. DEVER DE COERÊNCIA NA ATUAÇÃO ADMINISTRATIVA. Conforme decisão prolatada no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ confirmou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. IRPF - MULTA DE OFÍCIO Pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 01 01 23 /2 00 8- 85 Fl. 226DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 13 a 21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de organismos internacionais. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$10.101,47, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às e-fls. 02 a 05 dos autos, que conforme decisão da DRJ: O contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL, que foi indeferida, cujo resultado esta anexado a fl. 06. Posteriormente, em 23/07/2008, o lançamento foi impugnado, em petição de fls 01 763, acompanhada dos documentos de fls. 11, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: - que era consultor permanente de Organismo Internacional, com o qual firmou Contrato de Trabalho feito nos moldes estabelecidos no Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas; - que a Justiça do Trabalho reconheceu em sentença prolatada em 18/07/2008 a existência de vinculo empregatício entre o contribuinte e a Unesco no período compreendido entre 11/08/2000 a 31/12/2006, determinando que o Organismo fizesse a anotação na CTPS (processo n°00100-2008-021-10-00-8 — 21' Vara do Trabalho de Brasília); - que, dada a existência de vinculo empregaticio, deve ser reconhecida a isenção de Imposto de Renda sobre sua remuneração, ante a legislação internacional vigente, - que o direito A isenção é assegurado pelos Decretos ifs. 59.308,de 1966, 52.288, de 1963, 27.784, de 1950; - que o Conselho de Contribuintes e o Poder Judiciário vem pacificando entendimento acerca do tema no sentido de reconhecer a isenção de IRPF sobre rendimentos de servidores de Organismos Internacionais, conforme decisões transcritas e citadas; - que o Tratado Internacional deve ter prioridade de aplicação sobre a legislação interna; - que deve ser aplicado o parágrafo único do art. 100 do Código TributárioNacional — CTN face ao disposto nos Pareceres Normativos ifs. 717, de 1979 e 03, de 1996; - que, ante o exposto, pugna pela extinção do lançamento de oficio. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 16/04/2009, no acórdão 03-30.435, às e-fls. 102 a 118, julgou a impugnação improcedente. Fl. 227DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, às e-fls. 128 a 224 no qual alega, em síntese, que: Seus rendimentos estão sujeitos as normas e procedimentos estabelecidos por eles e que não correspondem àqueles vigentes no Brasil em condições e circunstâncias de trabalho; e, assim, são, também, por prerrogativas e privilégios previstos nas Convenções e Acordos firmados pelos Estados Membros; Prevalecem sobre a legislação pátria os tratados e as convenções internacionais dos quais o Brasil é signatário, e que o tratamento tributário dispensado pela legislação As Agências Especializadas da ONU aplica-se, também, A Organização das Nações Unidas; não houve Omissão de Rendimentos, já que os mesmos foram declarados como isentos e não tributáveis; Os atos internacionais sempre prevalecem sobre a legislação interna, mormente sobre contratos assinados e instruções normativas editadas pela SRF; O próprio Poder Judiciário vem pacificando seu entendimento acerca do tema, tanto que a titulo de exemplo, pode-se citar para não alongar em demasia o presente recurso, acórdão proveniente do Tribunal Regional Federal da 1a Região, por meio de sua 8a Turma, julgando a Apelação Cível n° 2001.34.0012648-5/DF, da relatoria do Desembargador Federal Carlos Fernando Mathias; a multa aplicada é desproporcional e confiscatória, e ilustra o assunto com decisão do TRF a Região, que reduziu a multa de oficio de 75%, aplicável aos débitos fiscais federais para 20% em favor de determinado contribuinte; É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 12/06/2009, e-fls. 126, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 10/07/2009, e-fls. 128, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (e-fls. 13 a 21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de rendimentos recebidos de organismos internacionais. Fl. 228DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 A DRJ manteve a autuação nos seguintes termos: Do exposto até aqui, podemos concluir que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos Internacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários, desde que atendidas certas condições, quais sejam: 1) devem ser funcionários do Organismo Internacional, in casu, enquadrar-se como funcionário da Unesco; 2) seus nomes sejam relacionados e informados a RFB por tais Organismos, como integrantes das categorias por elas especificadas. Não restam dúvidas, de acordo com as alegações e provas contidas nos autos, que o contribuinte não pertencia ao quadro efetivo da Unesco e, portanto, não era funcionário do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção. Assim, pode-se concluir que sua relação era apenas contratual, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional. Da omissão de rendimentos - isenção e natureza indenizatória da verba O Superior Tribunal de Justiça (STJ), quando do julgamento do REsp. nº 1.306.393/DF (relator Ministro Mauro Campbell Marques) submetido ao regime de recurso repetitivo, proferiu a seguinte decisão TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. 1. A Primeira Seção do STJ, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, firmou o posicionamento majoritário no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. 2. Considerando a função precípua do STJ de uniformização da interpretação da legislação federal infraconstitucional , e com a ressalva do meu entendimento pessoal, deve ser aplicada ao caso a orientação firmada pela Primeira Seção. 3. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n. 8/08”. (STJ, 1ª Seção, REsp 1306393/DF, rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 24/10/2012, DJe 07/11/2012) A Conselheira deste CARF, Luciana Matos Pereira Barbosa, relatora no acórdão 2401004.813 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 11/05/2017, destacou trecho importante do voto do Ministro relator: Fl. 229DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 (...) No entanto, na assentada do dia 8 de junho de 2011, ao julgar o REsp 1.159.379/DF, sob a relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Primeira Seção desta Corte, por maioria de quatro votos a três, firmou o entendimento no sentido de que são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Transcrevo trechos de relevo do voto do Min. Teori Zavascki, in verbis: (...) Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. (...) Desde a decisão do STJ este CARF vem decidindo a matéria, conforme excertos colacionados: IRPF. ISENÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1ª Seção, no REsp n.º 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Recurso Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatora Conselheira Alice Grecchi, Acórdão nº 2102003.265, Sessão de 11 de fevereiro de 2015). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA DECIDIDA PELO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 1.306.393/DF, julgado em 24/10/2012, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil. Fl. 230DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 RENDIMENTOS AUFERIDOS POR TÉCNICOS A SERVIÇO DAS NAÇÕES UNIDAS, CONTRATADOS NO BRASIL PARA ATUAR COMO CONSULTORES NO ÂMBITO DO PNUD/ONU. ISENÇÃO. Consoante entendimento consignado no Recurso Especial n.º 1.306.393/DF, eleito como representativo da controvérsia e julgado sob o rito do art. 543C do CPC, o STJ ratificou o entendimento firmado pela 1º Seção, no REsp nº 1.159.379/DF (Relator Ministro Teori Zavascki), no sentido de que “são isentos do imposto de renda os rendimentos do trabalho recebidos por técnicos a serviço das Nações Unidas, contratados no Brasil para atuar como consultores no âmbito do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento PNUD”. No referido julgamento, entendeu o relator que os "peritos" a que se refere o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica, promulgado pelo Decreto 59.308/66, estão ao abrigo da norma isentiva do imposto de renda. Conforme decidido pela Primeira Seção, o Acordo Básico de Assistência Técnica atribuiu os benefícios fiscais decorrentes da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto 27.784/50, não só aos funcionários da ONU em sentido estrito, mas também aos que a ela prestam serviços na condição de "peritos de assistência técnica", no que se refere a essas atividades específicas. Caso em que a hipótese dos autos (consultor independente) se subsume à situação tratada no recurso repetitivo. Recurso Voluntário Provido”. (CARF, 2ª Seção de Julgamento, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relator Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho, Acórdão nº 2102002.799, Sessão de 21 de janeiro de 2014) Feitos estes esclarecimentos, como a decisão do STJ se deu em sede de recurso repetitivo, aplica-se o §2º do artigo 62 do RICARF, cuja redação é: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julg amento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Da multa de ofício No lançamento por homologação o contribuinte tem o dever de apurar e pagar o tributo por sua conta, antecipando-se a autoridade administrativa. Atualmente, pelo Princípio da Praticidade, a maioria dos tributos, inclusive o imposto de renda, estão sujeitos ao lançamento por homologação e, caso o contribuinte não cumpra seu dever legal, caberá ao Fisco efetuar o lançamento tributário de oficio, cuja conseqüência é aplicação da multa de ofício de 75%, conforme artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Fl. 231DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2002-001.322 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.010123/2008-85 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Diante do exposto, conheço do Recurso para, no mérito dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 232DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.720213/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2005
Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela.
ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE.
O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido.
ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
Numero da decisão: 2102-001.390
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000.
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Recorrida 1ª Turma da DRJ em Brasília ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 Ementa:PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA A partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, e somente então é possível falar em ampla defesa ou cerceamento dela. ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SIPT. POSSIBILIDADE. O arbitramento do VTN é procedimento devidamente previsto em lei (art. 14 da Lei nº 9.393/96), e por isso devem ser utilizados os parâmetros legais lá mencionados, pelas autoridades fiscais, toda vez que o VTN declarado pelo contribuinte não for merecedor de fé. Cabe ao contribuinte a apresentação de laudo que refute os valores apurados por meio do SIPT, laudo este que deve preencher os requisitos legais mínimos para que possa ser acolhido. ITR. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. GLOSA. FALTA DE APRESENTAÇÃO DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL AO IBAMA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 2001, a apresentação do ADA ao Ibama é obrigatória para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de preservação permanente. Aplicação do art. 17O da Lei nº 6.938/81, com a redação dada pela Lei nº 10.165/2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relator EDITADO EM: 09/06/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Nubia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Carlos Andre Rodrigues Pereira Lima. Relatório Em face da contribuinte acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 01/06 para exigência do Imposto Territorial Rural (ITR) em razão da revisão da DITR entregue para o exercício de 2005, relativamente ao imóvel denominado “Fazenda Jogil”, localizada no Município de Carbonita MG. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, a autuação decorreu da glosa do VTN declarado para o imóvel, bem como das áreas declaradas como sendo de preservação permanente e de utilização limitada (reserva legal). Constam ainda esclarecimentos de que o contribuinte fora intimado a apresentar a documentação comprobatória dos valores declarados em sua DITR 2005, tendo solicitado prorrogação de prazo para o atendimento da fiscalização e quedadose inerte quanto à apresentação dos documentos solicitados, o que acabou por motivar o lançamento. Através deste lançamento, foram alteradas as áreas declaradas pela contribuinte da seguinte forma (cf. quadro de fls. 05): 2005 Declarado Considerado no lançamento VTN R$ 52.100,00 R$ 3.344.722,99 Área de Preservação Permanente 694,2 0,0 Área de Utilização Limitada 4.693,3 0,0 Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou a Impugnação de fls. 23/37, por meio da qual alegou, em preliminar, que teria havido o cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não teria sido intimada acerca do deferimento da prorrogação do prazo para cumprimento da intimação inicialmente recebida. Quanto ao mérito, alegou que: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13609.720213/200739 Acórdão n.º 210201.390 S2C1T2 Fl. 112 3 não poderia ter sido objeto de glosa a área declarada como de reserva legal, pois consta da certidão de matrícula do imóvel a averbação do Termo de Responsabilidade de Preservação de Florestas, expedido pelo Órgão Governamental IEF; o VTN tomado com base no SIPT não poderia prevalecer diante do laudo elaborado por um expert, nos termos da NBR; não fora questionado o VTN declarado para os anos de 2000 a 2002, o que demonstraria a coerência no valor declarado; e o IEF era o órgão responsável pela fiscalização da região e foi com base em dados emitidos por ele que suas DITR foram elaboradas. Discorreu sobre o direito de impugnar o lançamento, e pugnou pelo reconhecimento da sua nulidade. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Brasília decidiram pela integral manutenção do lançamento, afastando a preliminar argüida. Inconformada com tal decisão, a contribuinte interpôs o Recurso Voluntário de fls. 80/91, por meio do qual reitera os argumentos expostos em sede de impugnação, ressaltando ser desnecessária a apresentação do ADA quando foram trazidos aos autos outros documentos que comprovam a existência das áreas declaradas. Alegou ainda que desconhecia a obrigatoriedade de apresentação do ADA. Quanto ao VTN, alegou que o laudo trazido aos autos obedeceu às normas da ABNT, diversamente do que afirmado na decisão recorrida. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 08.08.2008, como atesta o AR de fls. 93. O Recurso Voluntário foi interposto em 09.09.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa A Recorrente suscita, em preliminar, a nulidade do lançamento em razão do cerceamento do seu direito de defesa, uma vez que não teria sido intimada do deferimento da prorrogação do prazo para apresentação dos documentos que lhe foram solicitados no início da ação fiscal. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Tal preliminar foi devidamente rechaçada pela decisão recorrida. Este entendimento deve ser mantido em sede de análise do Recurso Voluntário, pois não há que se falar em cerceamento do direito de defesa no caso em hipótese, já que foi dada à Recorrente a chance de apresentar os documentos que comprovariam os valores declarados em sua DITR (e que impediriam o lançamento do imposto), sendo certo que nenhum documento foi então apresentado. Na ocasião, ela se limitou a solicitar a prorrogação do prazo para atendimento à intimação, quedandose inerte em seguida – durante os quatro meses seguintes. Há que se ressaltar que não há previsão legal para a intimação do contribuinte acerca do “deferimento” do pedido de prorrogação efetuado, razão pela qual não haveria qualquer nulidade no lançamento. Aliás, no caso em exame, a Recorrente teve todas as chances de apresentar sua defesa (ou os documentos que entendesse necessários para tanto) ainda em sede de fiscalização. E, mais ainda, pôde se defender de forma ampla e plena a partir do momento de sua impugnação – ocasião em que, se fosse o caso, deveria ter apresentado todos os documentos e razões que implicassem no cancelamento do lançamento em questão. Diante do exposto, não merece acolhida esta preliminar. Do VTN arbitrado O primeiro item que foi objeto de glosa por meio do lançamento em exame foi o valor declarado pela Recorrente a título de VTN para o imóvel em exame. Com efeito, a Recorrente declarou um VTN total de R$ 52.100,00 (que correspondem a R$ 6,00 por hectare), enquanto que a fiscalização arbitrou – através do SIPT um VTN total de R$ 3.344.722,99 (R$ 385,43 por hectare). Quanto a esta parcela do lançamento, para justificar o arbitramento do VTN efetuado pela fiscalização, constam do lançamento os seguintes esclarecimentos: Na DITR 2005, o contribuinte declarou Valor de Terra Nua – VTN médio de R$ 6,00/ha. Conforme exposto acima, não foi apresentado Laudo de Avaliação para comprovação deste VTN. Para o exercício 2005, o MENOR VTN constante do SIPT Sistema de Preços de Terra é de R$ 350,00/ha para o município da CARBONITA – MG, portanto, muito superior ao valor declarado pelo contribuinte. Como se vê, foi em razão da falta de apresentação de provas quanto à correção do VTN declarado, que o mesmo foi alterado. Alega a Recorrente que não poderia prevalecer o arbitramento efetuado, pois os seus dados (do SIPT) teriam sido obtidos unilateralmente. Neste ponto, porém, não lhe assiste razão. Isto porque o arbitramento, no caso em tela, decorreu da falta de comprovação do valor declarado em sua DITR a título de VTN para o imóvel de sua propriedade. Em casos como este, existe previsão legal específica para que o arbitramento ocorra – tratase do art. 14 da Lei nº 9.393/96, que assim determina: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13609.720213/200739 Acórdão n.º 210201.390 S2C1T2 Fl. 113 5 Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. (grifamos) Tal sistema (SIPT), por seu turno, foi instituído pela Portaria SRF nº 447/2002, que assim dispôs: Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002 DOU de 3.4.2002 Aprova o Sistema de Preços de Terras O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL no uso da atribuição que lhe confere o art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997, resolve: Art. 1º Fica aprovado o Sistema de Preços de Terras (SIPT) em atendimento ao disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, que tem como objetivo fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural (ITR). Art. 2º O acesso ao SIPT darseá por intermédio da Rede Serpro, somente a usuário devidamente habilitado, que será feito mediante identificação, fornecimento de senha e especificação do nível de acesso autorizado, segundo as rotinas e modelos constantes na Portaria SRF nº 782, de 20 de junho de 1997. Parágrafo único. A definição e a classificação dos perfis de usuários, os critérios para a sua habilitação e as transações autorizadas para cada perfil, relativos ao controle de acesso lógico do SIPT, serão estabelecidos em ato da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis). Art. 3º A alimentação do SIPT com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do ITR, será efetuada pela Cofis e pelas Superintendências Regionais da Receita Federal. Art. 4º A CoordenaçãoGeral de Tecnologia e Segurança da Informação providenciará a implantação do SIPT até 15 de abril de 2002. Art. 5º Esta Portaria entra em vigor nesta data. EVERARDO MACIEL Foi assim que se deu a apuração do valor do VTN para fins de lançamento do ITR no caso que aqui se examina. Nos termos da legislação supra citada, vêse que a autoridade fiscal agiu corretamente, pois na falta de outro parâmetro para aferir o valor do imóvel da Recorrente – e entendendo que não mereciam fé os valores por ela declarados em DITR, utilizouse do referido SIPT. Este sistema (SIPT) foi criado justamente para balizar o arbitramento a ser efetuado em casos como o que ora se analisa. Desde que obedecidos os critérios mencionados na lei e na IN acima transcritas, abrese – com a Impugnação ao lançamento – a chance para o contribuinte se defender. Este é o início do processo por meio do qual serão rebatidos os critérios utilizados pela autoridade fiscal, de forma a comprovar (se for o caso) que o arbitramento estava equivocado, e que o valor declarado em DITR seria merecedor de fé. Por isso, não há que se falar em nulidade do lançamento ou em violação ao princípio da legalidade, ou da publicidade, ou mesmo da ampla defesa. O que pode, e deve ser analisado aqui, é se a Recorrente logrou ou não refutar o valor arbitrado pela fiscalização, comprovando que ele não merecia ser utilizado. Para refutar o VTN tomado no lançamento, a Recorrente se socorre do laudo de fls. 39/55. O referido laudo, para corroborar o valor do VTN declarado (de R$ 6,00 por hectare), discorre sobre o valor de terras situadas em áreas próximas à Fazenda Jogil (e que também são de propriedade da Recorrente), demonstrando o valor do VTN atribuído pelo INCRA entre os anos de 1984 e 1993 para as mesmas, os quais, trazidos para os dias de hoje, ficariam bem próximos dos R$ 6,00 declarados (cf. quadro de fls. 52). Em seguida, o laudo repete os valores dos VTN declarados pela própria Recorrente, em suas DITR dos exercícios de 2000 a 2002, os quais não foram questionados pelas autoridades fiscais, e que corroboram o VTN declarado para o exercício 2005. Outro parâmetro tomado pelo laudo como forma de chegar ao VTN do imóvel da Recorrente é através da variação do dólar americano. Na época da aquisição da propriedade pela Recorrente, o VTN seria variável entre US$ 1,00 e US$ 3,00. Não constam do laudo quaisquer outros parâmetros para apuração do VTN declarado pela Recorrente, ao argumento de que não fora possível obter quaisquer informações na região (cf. fls. 54 dos autos). Como se vê, o laudo que a Recorrente pretende utilizar como prova suficiente a refutar o valor arbitrado pela fiscalização a título de VTN para o imóvel de sua propriedade não traz qualquer parâmetro seguro e/ou técnico para demonstrar que o valor de R$ 6,00 por hectare estaria correto para o imóvel aqui em discussão. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13609.720213/200739 Acórdão n.º 210201.390 S2C1T2 Fl. 114 7 Por isso, o laudo realmente deixou de preencher os requisitos mínimos para que o valor nele constante a título de VTN possa ser aceito por esta Turma julgadora. De outra banda, a fiscalização tomou como base para o arbitramento em questão os valores constantes do SIPT, os quais são merecedores de fé e encontram previsão legal para serem utilizados. Assim, deve ser mantido este item do lançamento. Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal Estes dois itens do lançamento serão objeto de análise em conjunto, eis que o fundamento para o não acolhimento das áreas declaradas pela Recorrente a estes títulos, pela decisão recorrida foi um só: a falta de apresentação do ADA (reiterando aqui que o lançamento decorreu pura e simplesmente da falta de apresentação dos documentos que comprovassem a existência destas áreas). De fato, a decisão recorrida afirma que apesar da área de reserva legal constar de averbação à margem da matrícula do imóvel, e da área de preservação permanente constar da planta anexa ao laudo de avaliação apresentado, elas não poderiam ser acolhidas sem a apresentação do ADA, por força do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938/81. Em sua defesa, a Recorrente alega que a existência destas áreas está devidamente comprovada, e que desconhecia a obrigatoriedade de apresentação do ADA, para fins de apuração do ITR. A discussão, então, se resume aqui à necessidade, ou não, da prévia apresentação do “ADA” pelo contribuinte, a fim de que possa excluir da área tributável pelo ITR a parcela de sua propriedade relativa a área de preservação permanente e de reserva legal. A lei nº. 9.393/96, em seu art. 10, § 1º exclui da área a ser tributada pelo ITR as Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989. (...). A Instrução Normativa SRF nº 60/2002, por outro lado, assim dispôs: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 8 Art. 17. Para fins de apuração do ITR, as áreas de interesse ambiental, de preservação permanente ou de utilização limitada, serão reconhecidas mediante ato do Ibama ou órgão delegado por convênio, observado o seguinte: I as áreas de reserva legal e de servidão florestal, para fins de obtenção do ato declaratório do Ibama, deverão estar averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no registro de imóveis competente, conforme preceitua a Lei no 4.771, de 1965; II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR, para protocolizar requerimento do ato declaratório junto ao Ibama; III se o contribuinte não requerer, ou se o requerimento não for deferido pelo Ibama, a Secretaria da Receita Federal fará lançamento suplementar, recalculando o ITR devido. Tal norma foi sucessivamente alterada pela IN/SRF nº 256/02 e 861/08, que sempre estabeleceram a obrigatoriedade da apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para a exclusão das áreas de preservação permanente da tributação pelo ITR. Até então, a Lei nº 9.393/96 não previa tal exigência (de apresentação do ADA) E foi somente com a edição da Lei nº 10.165/2000, que o art. 17O da Lei nº 6.938/81 passou a vigorar com a seguinte redação: "Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria." (NR) "§ 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." (NR) "§ 2o O pagamento de que trata o caput deste artigo poderá ser efetivado em cota única ou em parcelas, nos mesmos moldes escolhidos pelo contribuinte para o pagamento do ITR, em documento próprio de arrecadação do Ibama." (NR) "§ 3o Para efeito de pagamento parcelado, nenhuma parcela poderá ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais)." (NR) "§ 4o O inadimplemento de qualquer parcela ensejará a cobrança de juros e multa nos termos dos incisos I e II do caput e §§ 1oA e 1o, todos do art. 17H desta Lei." (NR) "§ 5o Após a vistoria, realizada por amostragem, caso os dados constantes do ADA não coincidam com os efetivamente levantados pelos técnicos do Ibama, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13609.720213/200739 Acórdão n.º 210201.390 S2C1T2 Fl. 115 9 Secretaria da Receita Federal, para as providências cabíveis."(NR) A referida norma, como se vê, passou a determinar a obrigatoriedade de apresentação do ADA para fins de redução do valor devido a título de ITR, ou seja, para exclusão das áreas de reserva legal e utilização limitada. Desde então, esta obrigação consta inclusive do Decreto nº 4.382/02, que versa sobre a exigência do ITR, que assim dispõe: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...) No caso em exame, os fatos geradores objeto do lançamento ocorreram em 2005, quando a referida norma já estava em vigor, razão pela qual a apresentação do ADA seria uma condição para que a Recorrente pudesse se beneficiar da redução das áreas de preservação permanente e reserva legal da base de cálculo do ITR. Diante do exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 09 de junho de 2011 Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 9DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 10 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente e m 08/12/2011 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGE, Assinado digitalmente em 23/12/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 12585.000243/2011-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-006.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Muller Nonato Cavalcanti Silva (suplente convocado), Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o Acórdão da DRJ, que não reconheceu o direito creditório pleiteado, mantendo o indeferimento do ressarcimento. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, na qual alega a existência de créditos pelas aquisições de produtos (máquinas, veículos e autopeças) para revenda, sujeitos à alíquota zero, dentro do regime da incidência monofásica, com fundamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 02 43 /2 01 1- 64 Fl. 773DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-006.783 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000243/2011-64 no art. 16 da MP nº 206/2004, convalidado no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. Alega que a vedação ao aproveitamento de créditos foi tacitamente revogada com a superveniência da referida Lei nº 11.033, e que está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, mesmo com a tributação monofásica dos produtos adquiridos, sendo permitido o aproveitamento dos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº. 3402-006.782, de 21 de agosto de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000242/2011-10. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402-006.782): “A questão trazida a julgamento centra-se na possibilidade do ressarcimento e/ou da utilização por compensação de créditos oriundos da aquisição de veículos e autopeças para revenda, submetidos à incidência monofásica do PIS e da COFINS. A Recorrente alega que qualquer vedação à manutenção de créditos das contribuições estaria revogada em razão da superveniência do artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garantiria o direito ao creditamento sempre que as saídas estiverem submetidas à alíquota zero, sem exceções. Incialmente, passo a transcrição do dispositivo legal da Lei nº10.833/2003 que trata da possibilidade de creditamento em relação às aquisições de bens para revenda: Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) [...] § 2º. Não dará direito a crédito o valor: [...] II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou Fl. 774DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-006.783 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000243/2011-64 utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. O art. 3º, I, da Lei 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar do valor apurado na forma do art. 2º créditos calculados em relação a bens adquiridos para revenda, com as seguintes exceções: (a) em relação às mercadorias e produtos referidos no inciso III do § 3º do art. 1º, ou seja, mercadorias sujeitas à substituição tributária; e (b) nos §§ 1º e 1º-A do art. 2º, ou seja, na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica. O texto legal é expresso na impossibilidade de crédito na aquisição das mercadorias sujeitas à incidência monofásica, inclusive combustíveis adquiridos pela recorrente. A recorrente alega que o artigo 17 da Lei 11.033/2004, regulou a situação, permitindo a manutenção dos créditos vinculados às saídas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Transcrevo o referido dispositivo legal: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Entendo que tal dispositivo legal não trouxe nenhuma nova regra à apuração das contribuições, mas apenas esclareceu situações porventura controversas, conforme expressamente dispõe a exposição de motivos da MP 206/2004, que originou tal norma. Trata-se apenas da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados às operações com saídas não sujeitas ao pagamento da contribuição. Não se trata de permissão para creditamento de aquisições de produtos que não se sujeitaram ao pagamento das contribuições, ou em outras situações excepcionadas (como a monofasia e a substituição tributária), mas permitir a manutenção do crédito das contribuições que efetivamente foram pagas nas aquisições daqueles produtos que se sujeitarão a saídas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Ou seja, os créditos vinculados às vendas são mantidos, não criados. Trata-se daqueles créditos já previstos pela norma, com as exclusões impostas, não novas possibilidades de créditos. Não se trata de restringir o direito ao crédito das contribuições na não- cumulatividade, mas permiti-la apenas naquelas situações determinadas pelo legislador, sem qualquer ofensa ao princípio da não-cumulatividade. Destaca-se que o legislador, ao criar tal sistemática de apuração, já considerou as etapas da cadeia produtiva, as margens estimadas, e a vedação para o crédito nas aquisições. Permitir o creditamento nas situações sujeitas à sistemática monofásica é desvirtuar todo o sistema de apuração das contribuições, permitindo um ganho indevido por parte do sujeito passivo, afrontando a concorrência e outros setores econômicos que não teriam tal possibilidade. Fl. 775DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-006.783 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000243/2011-64 A melhor doutrina não diverge de tal entendimento. Assim leciona o professor André Mendes Moreira, com a clareza que lhe é peculiar: "Quando a não-cumulatividade do PIS/COFINS entrou a viger, os contribuintes sujeitos à monofasia (produtores e importadores) foram mantidos na sistemática cumulativa. Dessa forma, essa categoria e empresas não adquiriu o direito - concedido a todos os que foram sujeitos à não-cumulatividade - de descontar créditos sobre suas aquisições. Entretanto, quando o PIS e a COFINS incidentes na importação foram criados pela Lei nº 10.865/04, a carga tributária sobre todos os contribuintes sujeitos ao regime cumulativo foi majorada. Isso porque as contribuições devidas na importação só geram créditos se a pessoa jurídica estiver sujeita à apuração não-cumulativa do PIS/COFINS. Assim, para que o PIS/COFINS-importação fosse melhor absorvido pelos contribuintes monofásicos (sujeitos até então à cumulatividade), a Lei nº 10.865/04 revogou o dispositivo que excepcionava a monofasia do regime não- cumulativo. Essa medida resultou na subsunção dos contribuintes monofásicos às regras da não-cumulatividade, desde que apurassem o seu IRPJ pelo lucro real e não se enquadrassem em nenhuma das demais exceções ao novel regime previstas na legislação. Com essa modificação, as pessoas jurídicas obrigadas ao recolhimento monofásico do PIS/COFINS foram autorizadas a descontar não somente os créditos previstos no art. 3º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, mas também os relativos às contribuições pagas na importação. Por outro lado, os distribuidores, atacadistas e varejistas que adquirirem bens tributados no sistema monofásico - e que têm, portanto, as vendas desses produtos gravadas à alíquota zero do PIS/COFINS - foram proibidos de se creditar do PIS/COFINS monofásico recolhido na etapa anterior. Obviamente, se esses distribuidores, atacadistas ou varejistas auferirem receitas com a venda de produtos sujeitos à apuração regular (não- monofásica) do PIS/COFINS, poderão se creditar normalmente, bastando proporcionalizar suas despesas, consoante reconhece a própria RFB" (A Não- Cumulatividade dos Tributos, 2ª edição revista e ampliada, Editora Noeses, 2012, p. 453/455). Portanto, conclui-se que o inciso I do caput do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 permite creditamento em relação a bens adquiridos para revenda e veda creditamento em relação a: 1) mercadorias em relação às quais as contribuições tenham sido exigidas anteriormente em razão de substituição tributária (inciso III do §3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003); 2) produtos sujeitos anteriormente à cobrança concentrada ou monofásica das contribuições (§ 1º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. Esse entendimento já foi firmado por este colegiado em diversos julgados recentes: Fl. 776DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-006.783 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000243/2011-64 Acórdão nº 3402-006.469, de 24 de abril de 2019 CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE. REVENDA. VAREJISTA. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos produtos adquiridos para revenda, mas excetua textualmente o direito ao crédito da aquisição de combustíveis, os quais são tributados pela Contribuições pelo regime monofásico (artigo 3º, inciso I, alínea "b"). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99). Isto porque o frete é uma operação autônoma em relação à aquisição do combustível, paga à transportadora, na sistemática de incidência da não-cumulatividade. Sendo os regimes de incidência distintos, do produto (combustível) e do frete (transporte), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda [Destaca-se que os valores referentes ao frete pago pelo comprador do combustível para revenda não foi objeto de julgamento no presente caso] Acórdão nº 3402-006.573, de 25 de abril de 2019 PIS/COFINS. GÁS NATURAL. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Diversamente do que ocorre na sistemática da substituição tributária pra frente, no tributação monofásica não há previsão de restituição da quantia paga de tributo em etapa anterior da cadeia de circulação ou produção do produto. Na tributação monofásica, as contribuições são devidas sobre as receitas referentes à etapa em que houve a incidência com alíquota diferente de zero, independentemente de quaisquer outras etapas da mesma cadeia. Acórdão nº 3402-006.670, de 23 de maio de 2019 NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. CRÉDITOS. GLOSA. Por expressa determinação legal, é proibida apuração de créditos relativos à aquisição de produtos sujeitos à tributação monofásica destinados à revenda com alíquota zero. É permitida somente a manutenção dos créditos decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados às vendas com alíquota zero, quando devidamente comprovados. Acórdão 3402-005.600, de 26 de setembro de 2018 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA. PRODUTOS SUJEITOS À SISTEMÁTICA MONOFÁSICA. IMPOSSIBILIDADE. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. É como voto.” Fl. 777DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-006.783 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12585.000243/2011-64 Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 778DF CARF MF
score : 1.0
