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Numero do processo: 13808.002527/2001-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO.
Constatada após diligência a comprovação de todos os valores glosados a título de custos dos serviços vendidos, exonera-se a exigência.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica-se à tributação dele decorrente.
Numero da decisão: 1402-001.972
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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COMPROVAÇÃO. Constatada após diligência a comprovação de todos os valores glosados a título de custos dos serviços vendidos, exonerase a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação dele decorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 25 27 /2 00 1- 14 Fl. 3571DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13808.002527/200114 Acórdão n.º 1402001.972 S1C4T2 Fl. 3.572 2 Relatório A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/ DRJ SPO01 recorre de ofício a este Conselho contra decisão sua, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls. 42/43, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, relativa ao anocalendário de 1997, foi verificado o seguinte: A contribuinte foi regularmente intimada, em 23/04/2001 (fl. 39) e 14/05/2001 (fl. 41), a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, organizada de forma cronológica, todos os valores lançados em sua contabilidade a título de custos dos serviços vendidos, relativos ao anocalendário de 1997, e que compõem a Ficha 04 –Custos dos bens e serviços vendidos, de sua DIRPJ/98 (fl. 07), abaixo relacionados (valores em reais): Remuneração de dirigentes de prod. dos serviços 113.400,00 Custo do pessoal aplicado na prod. dos serviços 766.097,64 Encargos sociais 260.904,37 Alimentação do trabalhador 20.402,63 Transporte de empregados 8.877,00 Encargos de depreciação e amortização 202.555,35 Arrendamento mercantil 173.460,26 Outros custos 670.558,13 CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS 2.216.255,38 Não logrando fazêlo, a fiscalização efetuou a glosa dos referidos custos. Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao anocalendário de 1997: Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) Auto de Infração fls. 44/47 Fundamento legal artigos 195, inciso I, 197, e § único, 231, 232, inciso I, 234 e 247, do RIR/94 Crédito Tributário 530.063,84 Imposto (em reais) 397.547,87 Multa proporcional (75%) 354.400,68 Juros de mora (cálculo até 30/04/2001) 1.282.012,39 TOTAL Contribuição Social sobre o Lucro (CSLL) Auto de Infração fls. 48/51 Fundamento legal artigo 2º, e §§, da Lei nº 7.689/88; artigo 19 da Lei nº 9.249/95; artigo 1º da Lei nº 9.316/96; e artigo 28 da Lei nº 9.430/96 Crédito Tributário 177.300,43 Contribuição (em reais) 132.975,32 Multa proporcional (75%) 118.543,06 Juros de mora (cálculo até 30/04/2001) Fl. 3572DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13808.002527/200114 Acórdão n.º 1402001.972 S1C4T2 Fl. 3.573 3 428.818,81 TOTAL Crédito Tributário Total (em reais) Consolidado até 1.282.012,39 IRPJ 30/04/2001 428.818,81 CSLL 1.710.831,20 TOTAL DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 29/05/2001 (fls. 46 e 50), a contribuinte, por meio de seu representante, apresentou, em 27/06/2001, a impugnação de fls. 54/56, alegando, em síntese: No Termo de Intimação de 23/04/2001, o Auditor Fiscal ficou de agendar o dia da apresentação da documentação. O mesmo se deu com relação ao Termo de Intimação de 14/05/2001, sendo que, como faltavam alguns dias para o término do prazo para a fiscalização, o Auditor Fiscal informou que não teria mais tempo de averiguar os documentos, e pediu que fosse preparada uma planilha com as contas que compõem o item “Custos dos bens e serviços vendidos”, e a relação dos fornecedores, e a contribuinte assim o fez. A contribuinte considera injusta a autuação, pois não deixou de cumprir qualquer solicitação do Auditor Fiscal. Junta aos autos fichas de razão contábil de nºs 01 a 282, com as documentações originais para exame e comprovação dos valores da planilha e da relação de fornecedores apresentada (fls. 81/2298), e requer o cancelamento do Auto de Infração. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Visando a comprovar os custos glosados pela fiscalização, a contribuinte juntou aos autos, por ocasião da impugnação, um grande volume de documentos, os quais não haviam sido apresentados durante a ação fiscal. Considerando que cabe aos Auditores Fiscais lotados nos órgãos de fiscalização a apreciação inicial da documentação do contribuinte, confrontandoa com os assentamentos contábeis e fiscais da empresa, e a fim de se evitar a supressão de uma fase do procedimento de fiscalização, os autos do presente processo foram encaminhados à DIPAC/DEFIC/SÃO PAULO, para que o Auditor Fiscal autuante se manifestasse acerca dos documentos juntados aos autos (fls. 2302 a 2304). Efetuada a diligência solicitada, a fiscalização se manifesta, através do Relatório Final de Diligência de fl. 2315, nos seguintes termos. A fiscalização procedeu ao exame da documentação contábil / fiscal acostada aos autos (fls. 82 a 2298), elaborando a planilha de fl. 2316, concluindo que a contribuinte logrou comprovar os valores lançados e declarados em sua DIRPJ/98, a título de custos dos serviços vendidos no anocalendário de 1997 (total de R$ 2.216.255,38). Fl. 3573DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13808.002527/200114 Acórdão n.º 1402001.972 S1C4T2 Fl. 3.574 4 Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência (fl. 2317), a contribuinte se absteve de fazêlo (fl. 2318).” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 16 17.572 (fls. 3.5603.563, folhas do eprocesso) de 24/06/2008, por unanimidade de votos, considerou improcedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1997 GLOSA DE CUSTOS. COMPROVAÇÃO. Constatada após diligência a comprovação de todos os valores glosados a título de custos dos serviços vendidos, exonerase a exigência. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se à tributação dele decorrente.” Contra a aludida decisão, por ter sido exonerado crédito tributário acima do limite de alçada, a DRJ/SPO01 recorreu de ofício a este Conselho. Não houve recurso voluntário. É o relatório. Fl. 3574DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13808.002527/200114 Acórdão n.º 1402001.972 S1C4T2 Fl. 3.575 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Por bem expressar a análise dos autos, adoto os fundamentos da decisão recorrida como razão de decidir neste voto, na forma a seguir transcrita. "... Passemos, então, à análise do caso em tela, destacando que, pela íntima relação de causa e efeito entre a autuação do IRPJ e da CSLL, e por dependerem dos mesmos elementos de prova, a presente decisão se estende a ambos os tributos. Conforme relatado, foram glosados, por falta de comprovação durante a ação fiscal, os seguintes valores lançados a título de custos dos serviços vendidos (valores em reais): Remuneração de dirigentes de prod. dos serviços 113.400,00 Custo do pessoal aplicado na prod. dos serviços 766.097,64 Encargos sociais 260.904,37 Alimentação do trabalhador 20.402,63 Transporte de empregados 8.877,00 Encargos de depreciação e amortização 202.555,35 Arrendamento mercantil 173.460,26 Outros custos 670.558,13 CUSTO DOS SERVIÇOS VENDIDOS 2.216.255,38 Em face do grande volume de documentos juntados aos autos pela contribuinte na impugnação, o presente processo foram (sic) encaminhados à DIPAC/DEFIC/SÃO PAULO, para que o Auditor Fiscal autuante se manifestasse acerca dos referidos documentos. Efetuada a diligência solicitada, a fiscalização concluiu que a contribuinte logrou comprovar todos os valores lançados e declarados em sua DIRPJ/98, a título de custos dos serviços vendidos no anocalendário de 1997 (total de R$ 2.216.255,38), conforme planilha de fl. 2316. Resta, portanto, comprovada a improcedência total da autuação. Diante do exposto, voto no sentido de se considerar IMPROCEDENTES os lançamentos, conforme a seguir demonstrado (valores em reais): Como se constata, tratase de matéria de prova cujo conjunto probatório foi analisado pelo próprio Fisco, em resposta à diligência determinada pela DRJ/SPO01. No relatório Final de Diligência, fls. 3.553 (numeração do eprocesso), assim concluiu o AuditorFiscal diligenciante: Fl. 3575DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 13808.002527/200114 Acórdão n.º 1402001.972 S1C4T2 Fl. 3.576 6 4. Esta auditoria fiscal procedeu ao exame da documentação contábil fiscal acostada ao processo administrativo fiscal n.°13808.002527/200114, as fls. 82 a 2.298, e elaborou planilha anexa a este relatório final de diligência; 5. Da analise da documentação acostada ao presente processo administrativo fiscal pela diligenciada, concluímos que o contribuinte logrou comprovar os valores lançados e declarados em sua DIPJ/98, a titulo de custos dos serviços vendidos no ano calendário 1997; A planilha anexa ao relatório de diligência consta do processo à fl. 3.554 (numeração do eprocesso). Nela está organizada e referenciada todo o conjunto de provas apresentado pela então impugnante, que, no fim das contas, leva à comprovação de todos os valores lançados e declarados em sua DIRPJ/98, a título de custos dos serviços vendidos no anocalendário de 1997 (total de R$ 2.216.255,38). Restando, portanto, comprovada a improcedência da autuação. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício apresentado. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 3576DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10783.902106/2006-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa.
A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno.
RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose.
Embora a madeira seja matéria-prima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE.
No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.828
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543-C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose. Embora a madeira seja matéria-prima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIA-PRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em parte.
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INTERPRETAÇÃO DA DECISÃO PROFERIDA NO RESP 1.075.508/SC. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. O aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. A decisão proferida no Resp 1.075.508/SC, submetido à sistemática de que trata o artigo 543C do CPC, acolhe a tese do contato físico e do desgaste direto em contraposição ao desgaste indireto, a qual deve ser acolhida nos julgamentos do CARF em conformidade com o seu Regimento Interno. RESSARCIMENTO DE IPI. CULTIVO DE ÁRVORES. MADEIRA INSUMO. PRODUÇÃO DE CELULOSE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo na industrialização para fins de creditamento do IPI não abrange os insumos utilizados no cultivo de árvores para produção de madeira, a qual será posteriormente utilizada para a obtenção da celulose. Embora a madeira seja matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização, mas de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose para fins de creditamento do IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. MATÉRIAPRIMA. AQUISIÇÃO DE PESSOAS FÍSICAS E AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 21 06 /2 00 6- 37 Fl. 473DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 2 NÃO CONTRIBUINTES. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 494/STJ. RICARF. POSSIBILIDADE. No âmbito da Lei nº 9.363/96 é possível apurar crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Cofins nas aquisições de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas não contribuintes dessa contribuições. Inteligência do recurso repetitivo do STJ (Recurso Especial nº 993.164/MG) aplicado ao caso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Trata o processo de pedido de ressarcimento, no período de apuração do 1º trimestre de 2003, relativamente a créditos básicos e a crédito presumido de IPI, no valor de R$ 4.954.474,92, objeto das declarações de compensação PER/Dcomp´s nºs 39981.34803.300703.l.3.0l0532, de 30/07/2003; 18563.575l4.l00406.l.3.0l3743, de 10/04/2006; e 40260.90094.300l04.l.3.0l0757, de 30/01/2004. Conforme consta no Parecer Sefis, no desenvolvimento dos trabalhos iniciados em 12/03/2008, constatouse inadequação no entendimento do contribuinte quanto à conceituação de matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME) em confronto com a legislação em vigor. Além disso, o contribuinte utilizou no cálculo do crédito presumido valores não admitidos, tais como, aquisições de pessoas físicas, cooperativas, serviço de transporte e de produtos importados diretamente. Assim, a fiscalização procedeu à glosa de valores escriturados a título de créditos básicos e de crédito presumido. As glosas foram assim resumidas no Relatório Fiscal: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 474 3 a) Produtos utilizados na área florestal, tais como herbicidas, fertilizantes, fungicida, monofosfato de amônia, ácido indolil butirico, nitrato de potássio, vermiculita, isca formicida, etc. Tais insumos não podem ser considerados no cálculo do crédito presumido tendo em vista tratarse de atividade extrativista primária e não de operação industrial de produção de celulose a que se dedica a empresa; b) Produtos utilizados como partes e peças de máquinas e equipamentos, tais como parafusos, porcas, selos mecânicos, arruelas, molas, prendedores, cabo de selagem, etc. Como visto acima, os produtos que se enquadram como parte e peças de máquinas e equipamentos não podem ser caracterizados como MP, PI e ME. Alguns como molas e amortecedores, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto, contrariando duas premissas do parecer normativo. Já os parafusos, porcas e arruelas, mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofre desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contanto, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto; c) Produtos utilizados no picador de casca, tais como Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saída, Lâmina arrastadora, Placa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial específica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo co crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção. d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc . A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou controle do seu PH, caso contrário pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e amnento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com processo produtivo da celulose em si; e) Produtos utilizados como combustíveis para caldeira e fornos, tais como Cavacos_APM, Calcário Calcítico, Óleo Combustível Tipo 2 A, Gás Natural, Hidrogênio. Utilização vedada, por se tratar de fonte de energia térmica para o sistema; f) Produtos utilizados no laboratório, tais como Tisulfato de Só , Nitrogênio Ultra Puro 99,99%, etc. Os produtos utilizados nas Fl. 475DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 4 análises químicas e físicas feitas depois do produto acabado, com intuito de análise de suas propriedades, não fazem parte do processo produtivo da empresa, não se enquadrando assim como MP, PI e ME; g) Produtos que não entram em contato direto com a produção, tais como Rolos, Roletes, Braço Peneira Cavaco, etc. Como visto no parecer normativo, somente podem ser considerados produtos intermediários os produtos que se desgastam devido à ação direta na produção, o que não ocorre no presente caso; h) Produtos com vida útil maior que um ano, tais como Conector Flangeado, Grelha Cilíndrica, etc. As produtos que possuem vida útil maior que um ano devem ser imobilizados, não podendo ser considerados produtos intermediários na produção; i) Material de consumo e manutenção, tais como Óleo de Corrente de Moto Serra, Calcário Calcítico, etc. Estes produtos têm como função simplesmente a manutenção de maquinas e equipamentos, como lubrificação, limpeza, etc, não se enquadrando no conceito de MP, PI e ME; j) Produtos Importados, tais como Antraquinosa, Pino de Cisalhamento, etc. O art. 1° da Lei n° 9.363/96 determina que somente serão utilizados no cálculo do crédito presumido os valores correspondentes as aquisições no mercado interno de MP, PI e ME; k) Aquisição de serviço, tais como frete de madeira própria e de fomento. No presente caso, a única coisa que se está adquirindo é o serviço de frete, pois o produto já pertence ao contribuinte, e serviço não pode ser considerado MP, PI e ME; l) Aquisições de Pessoa Física e Cooperativas, tais como no caso da Madeira. A utilização de aquisições de não contribuinte de PIS e COFINS é vedada. A contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, conforme consta no Relatório da decisão recorrida: ...a Impugnante optou pelo Processo de Produção Integrado, que consiste no ciclo de produção que se inicia com a seleção de material genético de eucalipto de alta produtividade, o plantio das melhores espécies, a colheita, o transporte da madeira, picagem da madeira, o cozimento, o branqueamento, a secagem, a embalagem até terminar com o transporte dos produtos finais. A seguir a interessada passa a discorrer sobre a “natureza de insumos dos bens excluídos pela .fiscalização do creditamento. de IPI. ”, argumentando que: ... mesmo aqueles produtos que não integram o novo produto, mas sejam consumidos no processo de produção, podem ser creditados. Dessa forma, resta claro que todos os recursos utilizados na produção do produto ƒinal, isto é, os insumos em geral, são passíveis de creditamento de IPI. Neste contexto, fazse absolutamente necessária a fixação do correto conceito de insumo, posto que dele é que surgem as Fl. 476DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 475 5 conclusões sobre a necessidade de reforma do despacho decisório. Entendese por insumo toda e qualquer matéria prima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Para concluir sobre o conceito de insumo, a reclamante traz uma definição do termo de autoria de Maria Helena Diniz e outra retirada do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea Academia de Ciências de Lisboa que, segundo seu entendimento vem a corroborar suas assertivas. Prosseguindo no mesmo tópico, a empresa apresenta três listagens às fls. 306/608 onde enumerou os produtos que “sofrem desgaste direto em face do contato com o produto", os produtos “utilizados no cozimento” e os relacionados ao “cultivo de florestas de eucaliptos" apontando a utilização de cada um deles. Neste ponto a manifestante argumenta que a fiscalização utilizouse dos mesmos argumentos para negar o seu direito tanto aos créditos básicos quanto ao crédito presumido. Passa então a separar os seus argumentos referentes a cada hipótese de creditamento: crédito básico e crédito presumido. No tocante ao crédito básico seu único argumento pode ser resumido no seguinte trecho: “...a própria jurisprudência superior acima acostada não restringe o creditamento ás hipóteses isoladas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, e sim o concebe de forma mais abrangente através do conceito de insumo O seu argumento, no que se refere ao crédito presumido, não difere em nada do exposto acima. A única diferença é que a sua argumentação passa a se apoiar em soluções de consulta que expressam entendimento sobre a conceituação de “insumo” relativamente à legislação que trata do PIS e da COFINS não cumulativos. O trecho abaixo deixa bem claro o entendimento que a manifestante quer ver aplicado ao caso: as Soluções de Consulta acima dispostas não nos remetem à outra conclusão senão a de que insumo corresponde a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que integram ao produto. ” Encerrada a sua argumentação sobre o que entende deva ser considerado insumo, passa a discorrer sobre os tipos de bens e produtos que utiliza em seu processo produtivo, apresentando argumentos na intenção de demonstrar que estes se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Neste ponto tem a intenção de demonstrar que mesmo que não seja aceito que o conceito de insumo a ser aplicado no crédito presumido seja o acima exposto, ainda assim teria direito à inclusão dos produtos no cálculo pois, como dito, Fl. 477DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 6 os mesmos se enquadrariam no conceito de matériaprima e material intermediário. Tais bens, como já mencionado anteriormente, foram separados em três listagens (fls. 306/608) que enumera os produtos que “sofrem desgaste direto em face do contato com o produto ", os produtos “utilizados no cozimento ” e os relacionados ao “cultivo de florestas de eucaliptos ” apontando a utilização de cada um deles. Passou então a discorrer sobre cada um dos títulos relacionados nas três listagens mencionadas, alegando em resumo que: ... a produção da celulose como um todo começa com o plantio de árvores, passando pelo seu cultivo, corte, separação da madeira aproveitável, corte e picagem desta, cozimento da madeira picada, depuração e branqueamento, e secagem para, por fim, obterse a celulose. Igualmente incontestável, é que para a obtenção do produto final, o processo tenha que passar por subproduções dentro da própria empresa que vai desde o plantio das árvores, passando pelo procedimento de corte, de picagem de madeira, de cozimento desta, dentre outras. ... a cadeia produtiva se compõe do (sub) processo de plantio, cujo produto alvo é a madeira advinda da árvore; do (sub) processo de corte e picagem, cujo produto alvo é a madeira picada; do (sub) processo de cozimento cuja intenção é adquirir o extrato, etc. . ... sem a utilização do prendedor, não seria possível manter a serra em posição vertical a fim de que essa cortasse as toras em tamanho ideal para o seu cozimento. Ao mesmo tempo, sem o parafuso Pallmann, que fixa as facas do picador de cascas, as facas não teriam suporte para executar sua função, a de cortar a madeira para o cozimento para posterior transformação nas placas de celulose. ... é correto afirmar que os elementos utilizados para 'produzir' madeira, produzir' madeira picada, 'produzir' o extrato que gerará o produto final, ou qualquer outro produto feito pela Requerente e indispensável à produção da celulose, são matérias primas utilizadas na produção da mesma. ... os produtos que são consumidos em face do desgaste direto, os denominados subprodutos, como por exemplo, a travessa da peneira, que apóia a peneira de cascas que tem contato com a árvore, a porca sextavada e todos aqueles relacionados na tabela acima são insumos da celulose, e como tal geram direito ao creditamento em questão . Vejamse as funções de alguns dos insumos erroneamente excluídos do creditamento: a) Parafuso Pallmann: A referida peça segura a faca que realiza o corte da madeira é necessário que o referido parafuso fique em contato direto com a madeira a cada corte realizado. Assim, da Fl. 478DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 476 7 mesma maneira que a faca sofre o desgaste corte a corte, o mesmo ocorre com o parafuso... b) Travessa de Peneira para picador de cascas: As travessas dão suporte às peneiras que são essenciais para padronizar o tamanho das cascas consumidas; c)Corrente: tem por função arrastar resíduos na mesa de cargas e acaba por se desgastar em face do contato com peso da madeira. Destes exemplos, podese delinear porque a Requerente deve ser ressarcida pela compra dos referidos materiais face ao desgaste daqueles em decorrência do contato direto com o produto... Convém ainda ressaltar que os referidos bens excluídos sofrem desgaste periódico. Ademais, tais bens também não são integrantes do ativo fixo, que em caso de danos, são evidentemente reparados, ao passo que os bens em análise, excluídos erroneamente do creditamento do IPI, perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto, evidenciando ainda mais o desgaste dos mesmos. ... insta esclarecer que o cozimento consiste em submeter os cavacos (madeira picada) a uma ação química do licor branco forte (soda cáustica mais sulfeto de sódio) e do vapor d'água no digestor a fim de dissociar a lignina existente entre a fibra e a madeira. As fibras liberadas são, na realidade, a celulose industrial. O digestor é um vaso de pressão, com altura aproximada de 57 metros, onde os cavacos e licor branco forte são introduzidos continuamente pela parte superior. Após a lavagem, a celulose é retirada do digestor, sendo em seguida submetida a outra operação de lavagem dos difusores, para então ser depurada. A depuração consiste em submeter a celulose industrial à ação de peneiramento... Após essa operação, a celulose, é submetida a um processo de branqueamento, que consiste em tratála com peróxido de hidrogênio, dióxido de cloro, oxigênio e soda cáustica em cinco estágios diferentes, c seus respectivos filtros lavadores. ... justamente para o funcionamento das referidas caldeiras é que se faz necessário o uso de elementos químicos para o tratamento da água das caldeiras, bem como o uso de combustíveis. ... para realizar o cozimento, é essencial a utilização da água tratada quimicamente e de combustíveis. ... é impossível que o processo produtivo da celulose se dê sem a presença dos combustíveis... Fl. 479DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 8 ... o processo produtivo da celulose, tem em sua fase inicial o cultivo e corte de arvores que serão utilizadas para produção da celulose. _ o processo começa com o plantio de sementes em estufas, passando pelo o crescimento das arvores, culminando com o corte destas. ... a função dos adubos e fertilizantes...são matérias primas necessárias para o cultivo de árvores... ... os demais produtos, como herbicidas, iscas para formigas, vermiculitas e outros, tem por função proteger o crescimento das árvores... Convém ressaltar que todos este produtos são consumidos durante o cultivo das árvores. Demonstrado que o cultivo de arvores é parte do processo produtivo da celulose, as matérias primas e os produtos intermediários utilizados neste processo também geram créditos de IPI. Relativamente às exclusões das aquisições de pessoas físicas e de não contribuintes do Pis/Pasep e da Cofins, a reclamante alegou não ser este “o entendimento já pacificado do Egrégio Superior Tribunal de Justiça", colacionando a jurisprudência que entendeu corroborar suas razões defesa. Ao longo de toda sua manifestação, a requerente reproduz fragmentos de jurisprudências administrativa e judicial, assim como alguma doutrina, que considera ampararem o seu entendimento. A requerente solicita a reforma do despacho decisório, “para que não sejam excluídos do creditamento do IPI os valores referentes a todos os produtos e serviços cuja compensação não foi homologada, vez que, como cabalmente demonstrado, também são insumos de sua produção.”. Finalmente, a requerente “pugna pela realização de diligência para confirmar a utilização de todos ao insumos excluídas do creditamento em epígrafe ao longo do processo produtivo”. Mediante o Acórdão nº 0927.147, de 17 de novembro de 2009, a 3ª Turma da DRJ/Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI n° 9.363, de 1996. 1. A conceituação de insumos (MP, PI e ME) são as constantes da legislação do IPI e não a definição semântica do termo. 2. Não integram a base de cálculo do crédito presumido sob a forma de insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência: as partes e Fl. 480DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 477 9 peças de máquinas e equipamentos, inclusive as partes e peças do picador de casca, pois, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto; os produtos com vida útil maior que um ano, por pertencerem ao ativo permanente; os combustíveis para caldeiras e fornos, uma vez que não se revestem da condição de matériaprima ou produto intermediário; os insumos utilizados no cultivo das florestas, atividade primária que antecedente ao processo de industrialização da celulose; os produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da água da caldeira, os produtos utilizados no laboratório para controle de qualidade dos produtos acabados, bem como o material de consumo e manutenção; os produtos importados, por expressa disposição legal; bem como as aquisições de pessoas físicas e de não contribuintes que não sofreram a incidência do PIS e da Cofins. 1NSUMOS. DIREITO AO CRÉDITO. 1. A conceituação de insumos (MP, PI e ME) são as constantes da legislação do IPI e não a definição semântica do termo. 2. Não dão direito ao crédito do imposto os insumos utilizados no processo produtivo, uma vez que não revestem a condição de matériaprima ou produto intermediário, nos termos da legislação de regência: as partes e peças de máquinas e equipamentos, inclusive as partes e peças do picador de casca, pois, além de serem partes e peças de máquinas e equipamentos, não entram em contato direto com o produto; os produtos com vida útil maior que um ano, por pertencerem ao ativo permanente; os combustíveis para caldeiras e fornos, uma vez que não se revestem da condição de matériaprima ou produto intermediário. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 LEGALIDADE. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA 1. Não cabe apreciar questões relativas a ofensa a princípios constitucionais, tais como da legalidade, competindo, no âmbito administrativo, tão somente aplicar o direito tributário positivado. 2. A jurisprudência administrativa e judicial colacionadas não possuem legalmente eficácia normativa, não se constituindo em normas gerais de direito tributário. 3. A doutrina trazida ao processo não é texto normativo, não ensejando, pois, subordinação administrativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DECRETO n° 70.235, de 1972. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 10 Indeferemse os pedidos de diligência quando presentes nos autos e na legislação elementos capazes de formar a convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 09/12/2009, tendo apresentado Recurso Voluntário, em 08/01/2010, mediante o qual traz as mesmas alegações da manifestação de inconformidade, resumidas acima, divididas nos seguintes tópicos: a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos e) Das aquisições de pessoas físicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins f) Do pedido de diligência É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Conforme esclarecido pela autoridade julgadora de primeira instância, são definitivas, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, por não terem sido contestadas, as glosas da base de cálculo do crédito presumido de IPI das aquisições de produtos importados. Passase à análise do recurso voluntário, segundo os tópicos que nele constam. a) Da natureza de insumos dos bens excluídos pela fiscalização do creditamento de IPI: Alega a recorrente que, em conformidade com as Soluções de Consulta nºs 176/2007 e 7/2008, insumo corresponderia a tudo aquilo que contribui para o processo produtivo de determinado produto e não somente aquelas MP, PI e ME que se integram ao produto. No entanto, as Soluções de Consulta citadas, não tratam de IPI, mas das contribuições não cumulativas do PIS e da Cofins, para as quais o conceito de insumo é bastante diverso, baseado em outra legislação. O conceito de insumo para fins de creditamento do IPI sobre os produtos adquiridos está definido em leis, regulamento e normas complementares, não havendo qualquer lesão ao art. 110 do CTN, vez que a Constituição Federal não utilizou o conceito de insumo Fl. 482DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 478 11 para definir ou limitar competências, mas apenas determinou, no art. 153, §3°, ao legislador ordinário que observasse a técnica da não cumulatividade do IPI. Nesse contexto é que dispõe o art. 164, I do RIPI/2002, vigente à época dos fatos geradores (1º trimestre/2003), que os estabelecimentos industriais e os que lhe são equiparados podem creditarse do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de fabricação, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente. Também os Pareceres Normativos CST nº 65/79 e nº 181/74, parcialmente transcritos abaixo, que são atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas, nos termos do art. 100, I do CTN, auxiliam na determinação do sentido e alcance das normas legais e do regulamento acerca de quais insumos ensejam aproveitamento de créditos do IPI: [Parecer Normativo CST nº 65/79] 1 Em estudo o inciso I do artigo 66 do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto nº 83.263, de 9 de março de 1979 (RIPI/79). 2 O artigo 25 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, com a redação que lhe foi dada pela alteração 8ª do artigo 2º do Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, repetida “ipsis verbis” pelo artigo 1º do Decretolei nº 1.136, de 7 de setembro de 1970, dispõe: ‘Art. 25 A importância a recolher será o montante do imposto relativo aos produtos saídos do estabelecimento, em cada mês, diminuindo do montante do imposto relativo aos produtos nele entrados no mesmo período, obedecidas as especificações e normas que o regulamento estabelecer’. Como se vê, tratase de norma não autoaplicável, de vez que ficou atribuído ao regulamento especificar os produtos entrados que geram o direito à subtração do montante de IPI a recolher. 3 Diante disto, ressaltese serem ‘ex nunc’ os efeitos decorrentes da entrada em vigência do inciso I do artigo 66 do RIPI/79, ou seja, usando da atribuição que lhe foi conferida em lei, o novo Regulamento estabeleceu as normas e especificações que a partir daquela data passaram a reger a matéria, não se tratando, como há quem entenda, de disposição interpretativa e, por via de conseqüência, retroativa, somente sendo, portanto, aplicável a norma em análise, a seguir transcrita, aos fatos ocorridos a partir da vigência do RIPI/79: ‘Art. 66 Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502/64 arts. 25 a 30 e Decretolei nº 3.466, art. 2º, alt. 8ª): I do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo Fl. 483DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 12 se, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente.’ 4 Notese que o dispositivo está subdividido em duas partes, a primeira referindose às matériasprimas, aos produtos intermediários e ao material de embalagem; a segunda relacionada às matérias primas e aos produtos intermediários que, embora não se integrando ao novo produto, sejam consumidos no processo de industrialização. 4.1 Observese, ainda, que enquanto na primeira parte da norma ‘matériasprimas’ e ‘produtos intermediários’ são empregados ‘stricto sensu’, a segunda usa tais expressões em seu sentido lato: quaisquer bens que, embora não se integrando ao produto em fabricação se consumam na operação de industrialização. 4.2 Assim, somente geram direito ao crédito os produtos que se integrem ao novo produto fabricado e os que, embora não se integrando, sejam consumidos no processo de fabricação, ficando definitivamente excluídos aqueles que não se integrem nem sejam consumidos na operação de industrialização. 5 No que diz respeito à primeira parte da norma, que se refere a matériasprimas e produtos intermediários ‘stricto sensu’, ou seja, bem dos quais, através de quaisquer das operações de industrialização enumeradas no Regulamento, resulta diretamente um novo produto, tais como, exemplificadamente, a madeira com relação a um móvel ou o papel com referência a um livro, nada há que se comentar de vez que o direito ao crédito, diferentemente do que ocorre com os referidos na segunda parte, além de não se vincular a qualquer requisito, não sofreu alteração com relação aos dispositivos constantes dos regulamentos anteriores. 6 Todavia, relativamente aos produtos referidos na segunda parte, matériasprimas e produtos intermediários entendidos em sentido amplo, ou seja, aqueles que embora não sofram as referidas operações são nelas utilizados, se consumindo em virtude do contato físico com o produto em fabricação, tais como lixas, lâminas de serra e catalisadores, além da ressalva de não gerarem o direito se compreendidos no ativo permanente, exige se uma série de considerações. 6.1 Há quem entenda, tendo em vista tal ressalva (não gerarem direito ao crédito os produtos compreendidos entre os bens do ativo permanente), que automaticamente gerariam o direito ao crédito os produtos não inseridos naquele grupo de contas, ou seja, que a norma em questão teria adotado como critério distintivo, para efeito de admitir ou não o crédito, o tratamento contábil emprestado ao bem. 6.2 Entretanto, uma simples exegese lógica do dispositivo já demonstra a improcedência do argumento, uma vez que, consoante regra fundamental de lógica formal, de uma premissa negativa (os produtos ativados permanentemente não geram o direito) somente concluise por uma negativa, não podendo, Fl. 484DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 479 13 portanto, em função de tal premissa, ser afirmativa a conclusão, ou seja, no caso, a de que os bens não ativados permanentemente geram o direito de crédito. (...) 10 Resumese, portanto, o problema na determinação do que se deve entender como produtos ‘que embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, no processo de industrialização’, para efeito de reconhecimento ou não do direito ao crédito. 10.1 Como o texto fala em ‘incluindose entre as matérias primas e os produtos intermediários’, é evidente que tais bens hão de guardar semelhança com as matériasprimas e os produtos intermediários ‘stricto sensu’, semelhança esta que reside no fato de exercerem na operação de industrialização função análoga a destes, ou seja, se consumirem em decorrência de um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto de fabricação, ou por este diretamente sofrida. 10.2 A expressão ‘consumidos’ sobretudo levandose em conta que as restrições ‘imediata e integralmente’, constantes do dispositivo correspondente do Regulamento anterior, foram omitidas, há de ser entendida em sentido amplo, abrangendo, exemplificativamente, o desgaste, o desbaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do insumo sobre o produto em fabricação, ou deste sobre o insumo. 11 Em resumo, geram o direito ao crédito, alem dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou viceversa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente. (grifos desta Relatora) [Parecer Normativo nº 181/1974] (...) 13 Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados às instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâmina de serra, mandris, brocas, tijolos Fl. 485DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 14 refratários usados em fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na manutenção de máquinas e equipamentos etc.” (grifos da Relatora) Assim, em consonância aos dispositivos e atos normativos acima mencionados, o aproveitamento do crédito de IPI relativo aos insumos que não integram o produto pressupõe o consumo, ou seja, o desgaste de forma imediata (direta) e integral do produto intermediário durante o processo de industrialização e que o produto não esteja compreendido no ativo permanente da empresa. De forma que não há como acolher a pretensão da recorrente de ter reconhecido o direito ao crédito do IPI sobre tudo aquilo que contribui para o processo produtivo. Neste mesmo sentido decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo (REsp nº 1.075.508), cujos termos vincula este Colegiado consoante regra contida no art. 62, §2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O RECURSO ESPECIAL Nº 1.075.508 SC (2008/01532905), representativo de controvérsias, nos termos do artigo 543C do CPC, traz a seguinte ementa: EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel.Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose ‘aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente’. 3. In casu, consoante assente na instância ordinária, cuidase de estabelecimento industrial que adquire produtos ‘que não são Fl. 486DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 480 15 consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final’, razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nesta esteira, em julgamento anterior deste Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3302002.475, da 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária desta Terceira Seção de Julgamento, cuja ementa segue abaixo, foi adotado o entendimento do referido Recurso Especial: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. O cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DESGASTE INDIRETO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO DE IPI. RECURSO REPETITIVO STJ. Os produtos intermediários que geram direito de crédito de IPI, nos termos do REsp nº 1.075.508, julgado em sede de recurso repetitivo, são aqueles que são consumidos ou sofrem desgaste de forma imediata e integral no processo produtivo, sendo incabível quanto aos valores do IPI pagos quando da aquisição de máquinas, equipamentos, suas partes e peças, combustível empregado em máquinas e equipamentos, bem como quando da aquisição de produtos cujo desgaste se dê apenas de forma indireta. Recurso Voluntário Negado. b) Dos bens que sofrem desgaste direto em face do contato com o produto: Insurgese a recorrente neste tópico em face das glosas relativas a produtos que sofreriam desgaste em contato direto com a madeira nos processos anteriores à obtenção da celulose, nos subprocessos de plantio, corte e picagem e no cozimento para adquirir o extrato. Conforme consta na planilha dos itens glosados, os motivos determinantes para todas as glosas foram os seguintes: 1 Florestal, 2 Partes e peças de máquinas e equipamentos, 3 Picador de cascas, 4 Tratamento de água para caldeira (desmineralização), Fl. 487DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 16 5 Combustível, 6 Laboratório, 7 Não entra em contato direto com o produto, 8 Vida útil maior que um ano, 9 Material de consumo/manutenção, 10 Importados, 11 Aquisição de Serviço, e 12 Aquisição Pessoa Física/Cooperativa/Permuta. Assim, não foi somente a ausência de contato direto com o produto em fabricação que foi o fato determinante para as glosas, havendo itens que, embora tenham esse contato direto, não dariam o direito ao creditamento em face de outro motivo. Desta forma, a alegação genérica da recorrente de que haveria contato direto com a madeira em fabricação não é elemento suficiente para reforma das glosas relativas aos subprocessos anteriores à obtenção da celulose, havendo que se verificar a situação que motivou cada glosa especificamente contestada. Vejamos os itens contestados em caráter específico: i) Prendedor: não consta no Demonstrativo de Produtos Glosados a glosa de qualquer tipo de prendedor. Apenas no Demonstrativo de Produtos Aceitos constam alguns prendedores (itens 2630 e 30280). ii) Parafuso Pallmann: todo os parafusos que constam no Demonstrativo foram glosados por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, não havendo nenhuma referência específica a "Parafuso Pallmann". De todo modo, a fiscalização assim motivou as glosas de parafusos, porcas e arruelas: "mesmo quando entram em contato com o produto e possam sofrer desgaste devido a este contato, a função deles não é se desgastar a partir deste contato, mas simplesmente a montagem do equipamento, e assim, este desgaste deve ser considerado como originário de sua utilização normal e não por ação direta sobre o produto, que seria o caso de uma lixa, por exemplo, cuja a função é se desgastar pelo contato direto com o produto". Na hipótese do referido "Parafuso Pallmann" ter sido glosado como um dos "Produtos utilizados no picador de casca", a glosa fundamentouse no fato de que, se o combustível não é considerado no crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os bens utilizados na sua linha de produção. Assim, considerando que os referidos entendimentos estão de acordo com o posicionamento do presente Voto, exposto no item "a)" acima, inclusive sob respaldo de recurso repetitivo, de que o desgaste apenas indireto, da utilização normal do bem, não gera direito ao creditamento; a glosa deve ser mantida. iii) Porca Sextavada: Consta no Demonstrativo que as porcas sextavadas foram também glosadas por se tratar de partes e peças de máquinas e equipamentos, valendo as mesmas considerações efetuadas acima para os parafusos. iv) Travessa da peneira: este item foi glosado por fazer parte do "Picador de Cascas", tendo em vista que se tratam de produtos utilizados na linha de produção das cascas de madeira, que serão depois utilizadas como combustíveis na fábrica de celulose, sendo que nem o combustível é considerado no cálculo do crédito presumido: c) Produtos utilizados no picador de casca, tais como, Corrente Estampada, Faca do Picador de Casca, Contra faca, Pente, Peneiras, Correias, Lamina Desgaste Saida, Lâmina arrastadora, Placa de Cobertura da Faca, Segmento Dentado, etc. As cascas da madeira são utilizadas como combustível Fl. 488DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 481 17 complementar na fábrica de celulose. Estes itens são utilizados em linha industrial específica que destina estas cascas de madeira para a produção de energia. Como combustível não é considerado no cálculo co crédito presumido, não podem, tampouco, serem considerados os insumos utilizados na sua linha de produção; Quanto aos combustíveis e à energia elétrica não pairam dúvidas de que não integram a base de cálculo do crédito presumido no âmbito da Lei nº 9.363/96, vez que não são consumidos em contato direto com o produto, nos termos da matéria sumulada pelo Carf (Súmula CARF nº 19), com maior razão ainda, não cabe o creditamento dos bens utilizados na linha de produção das cascas de madeira que serão, posteriormente, utilizadas como combustível na produção da celulose. v) Corrente: No Demonstrativo de Glosas, consta apenas a "corrente estampada", que foi glosada por ter vida útil superior a um ano, sendo, portanto, ativável, e não dando direito ao creditamento. No caso, a recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento modificativo quanto a esse aspecto, razão pela qual deve a glosa ser mantida. vi) Conectores Flangeados e Grelhas Cilíndricas: também esses itens foram glosados por serem ativáveis, do que a recorrente nem discorda, mas insiste que perdem suas funções em decorrência do contato físico com o produto, razão pela qual requer o creditamento. No entanto, conforme disposto no art. 164, I do Regulamento do IPI/2002, não há possibilidade de creditamento de itens compreendidos no ativo permanente, o que foi, inclusive, referendado em sede de recurso repetitivo. Assim, não merece reforma os itens contestados neste tópico, tendo em vista que não são considerados como matériaprima ou material intermediário que atendam aos seguintes requisitos: devem ser consumidos (também o desbaste, o dano e a perda de propriedades fisicas ou químicas) em decorrência de uma ação direta com o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida, nos termos do item 11.1 do PN 65, de 1979; não podem ser partes nem peças de máquinas, conforme explicitamente observado no item 13 do PN CST n° 181/1974, e não podem estar compreendidos no ativo permanente. Pelos argumentos expostos, as partes e peças de máquinas e equipamentos em geral, e também as partes e peças pertencentes a linha do picador de casca, não se enquadram na situação descrita na legislação, posto que, são partes e peças de máquinas e ainda que algumas não sejam classificáveis no ativo permanente, possuem desgaste natural pelo uso e não pelo contato com o produto industrializado. c) Dos produtos utilizados no cozimento da celulose: Informa a recorrente que o processo produtivo da celulose não se dá sem o funcionamento das caldeiras, sendo que, para realizar o cozimento da madeira picada, fase essencial da produção da celulose, é essencial a utilização da água tratada quimicamente e de combustíveis. Alega que também o desgaste químico do bem daria o direito ao crédito, Fl. 489DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 18 sendo incontestável a participação de produtos como o Tisulfato de Sódio e o Nitrogênio Ultra Pura no processo produtivo da celulose. Com relação aos combustíveis valem as mesmas considerações expostas acima, não sendo cabível o seu creditamento, pois não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Com relação aos produtos químicos utilizados em laboratório, tais como o Tisulfato de Sódio e Nitrogênio Ultra Pura, eles foram objeto de glosa porque são utilizados nas análises químicas e físicas feitas depois do produto acabado, de forma que não se enquadram no conceito de matériaprima ou produto intermediário, no que nada há a reparar. O direito ao crédito de IPI se dá em relação a matériasprimas e produtos intermediários que passam a compor o produto final, garantindose, também, ao industrial, o direito de se creditar do imposto relativo a insumos que, sem compor a mercadoria final, sejam consumidos em decorrência de contato físico direto com o produto em fabricação durante o processo produtivo e não se classifiquem contabilmente no ativo permanente. Com relação aos produtos químicos utilizados para tratamento da água da caldeira, a fiscalização assim motivou as glosas: d) Produtos utilizados para tratamento (desmineralização) da Agua da caldeira, tais como Triact 1800 Nalco, Resina anionica forte, Resina anionica fraca, etc . A água utilizada na caldeira deve ser tratada quimicamente para retirada de alguns minerais (desmineralização) ou controle do seu PH, caso contrário pode haver incrustação ou corrosão dos canos da caldeira. Como se observa, o objetivo deste procedimento é meramente de manutenção e aumento de eficiência de um equipamento, não guardando qualquer relação com processo produtivo da celulose em si; Os referidos produtos químicos não poderiam ser objeto de creditamento em face do consumo, como quer a recorrente, vez que não há contato direto desses com a celulose em fabricação, mas apenas com a água da caldeira. Nesse sentido já foi decidido em outro processo da própria recorrente, conforme trecho abaixo do Voto Vencedor do Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, no Acórdão nº 3302002.643– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, acerca de produtos utilizados para tratamento da água da caldeira: (...) Concluise que a decisão no Resp 1.075.508/SC prestigiou o contato direto em contraposição ao desgaste indireto, acolhendo a tese do Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Aliado a isto, mencionase a Súmula CARF nº 19, que embora refirase a crédito presumido, incluiu em seu enunciado o contato direto como fundamento, prestigiando o Parecer Normativo CST nº 65, de 1979. Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o Fl. 490DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 482 19 produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Assim, resta verificar se houve o contato direto. Pela descrição contida no Informação Fiscal, fls. 163 a 164, constatase que estes produtos não acompanham a água que vai para a produção do licor, assim não entrando em contato direto com a celulose: (...) Concluise, portanto, que os produtos utilizados são para tratar a água das caldeiras, e não a água que vai para a produção de licor, portanto não entrando em contato direto com a celulose e, consequentemente, não gerando direito ao creditamento do IPI. (...) De forma que devem ser mantidas as glosas contestadas no presente tópico. d) Dos insumos utilizados no cultivo de florestas de eucaliptos: Alega a recorrente que o cultivo de árvores é parte do processo produtivo da celulose, logo as matériasprimas e os produtos intermediários utilizados neste processo também gerariam créditos de IPI, razão pela qual entende indevidas as exclusões dos herbicidas, dos fertilizantes/adubos, do monofosfato de amônia, da isca formicida e etc. No entanto, embora a madeira seja efetivamente matériaprima na produção da celulose, o cultivo das árvores, mesmo que exercido pela própria contribuinte, não é operação de industrialização e sim uma atividade de agricultura, cujo produto resultante é a madeira, não podendo os produtos empregados nessa etapa, serem considerados como insumos no processo industrial da celulose. O processo que envolve o cultivo de árvores não se enquadra no conceito de industrialização estabelecido pelo art. 4º do RIPI/2002. Nesse sentido, não ensejam direito a crédito os insumos da parte agrícola, conforme já decidido no Acórdão nº 3102000.887, da 1ª Câmara/2ª Turma Ordinária, assim ementado: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/01/2002 RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS DE IPI. PRODUÇÃO DE CANADEAÇÚCAR E DERIVADOS. O conceito de insumo para industrialização, não é largo o bastante para abranger os insumos utilizados no cultivo de cana deaçúcar. Ocorre que o cultivo da canadeaçúcar é processo de produção típico da agricultura, e não da atividade industrial. Recurso voluntário conhecido, mas desprovido. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA 20 Crédito tributário negado. e) Das aquisições de pessoas físicas e não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins: Quanto à possibilidade de incluir na apuração de crédito presumido, previsto na Lei nº 9.363/96, as aquisições de insumos de pessoas físicas, o tema foi objeto de recurso repetitivo do STJ, que consolidou jurisprudência em prol do pleito dos contribuintes, como se verifica da ementa abaixo: A Primeira Seção do STJ, ao julgar o Recurso Especial n.º 993.164/MG, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 17.12.10, submetido à sistemática do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008, decidiu que o crédito presumido de IPI, criado pela Lei 9.363/96, abrange as aquisições de insumos realizadas a pessoas físicas, não contribuintes do PIS/PASEP e da COFINS. (REsp 1241856/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/04/2013, DJe 09/04/2013) Esta orientação foi consolidada na Súmula 494/STJ, de seguinte teor: O benefício fiscal do ressarcimento do crédito presumido do IPI relativo às exportações incide mesmo quando as matérias primas ou os insumos sejam adquiridos de pessoa física ou jurídica não contribuinte do PIS/PASEP. Consta no Relatório Fiscal deste processo que foram procedidas glosas pela fiscalização nesses casos, conforme abaixo: Desse modo, efetuamos a glosa dos valores de consumo relacionados ao item "Madeira Adquirida de Produtores Rurais PF", por se tratar de aquisição de insumos de pessoa física, além das aquisições efetuadas da Associação Indígena Tupiniquim e Guarani, CNPJ 02.551.517/000102. por se tratar de urna associação que está isenta das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, no item "Madeira Adquirida de Produtores Rurais PJ. Assim, com base no art. 62, §2° do RICARF, cabe reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. f) Do pedido de diligência: Por fim requereu a recorrente a conversão do julgamento em diligência para uma análise mais criteriosa dos insumos glosados, entretanto, não restou do julgamento nenhum esclarecimento que necessitasse de ser efetuado pela diligência, razão pela qual é de ser indeferido o seu pedido. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10783.902106/200637 Acórdão n.º 3402002.828 S3C4T2 Fl. 483 21 Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer os créditos decorrentes das aquisições de insumos de pessoas físicas de pessoas físicas e associações não sujeitas às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, com a consequente homologação das compensações nessa medida. É como voto. (assinatura digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 493DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Numero do processo: 10830.917830/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98.
A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, b, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998.
PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO
Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3402-002.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP).
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2001, 2002, 2003, 2004 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º, DA LEI Nº 9.718/98, QUE AMPLIAVA O CONCEITO DE FATURAMENTO. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE FATURAMENTO ESTABELECIDO PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL PREVIAMENTE À PUBLICAÇÃO DA EC Nº 20/98. A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Inadmissível o conceito ampliado de faturamento contido no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, uma vez que referido dispositivo foi declarado inconstitucional pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). Diante disso, não poderão integrar a base de cálculo da contribuição as receitas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. PER/DCOMP. DIREITO MATERIAL DEMONSTRADO Realidade em que o sujeito passivo, embora abrigado, em tese, pela inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, demonstrou nos autos o alegado recolhimento (parcial) indevido, requisito indispensável ao gozo do direito à restituição previsto no inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional. A comprovação, mesmo que parcial, do indébito, não impede que seja reconhecido parcialmente o direito à restituição pleiteada. Recurso Voluntário Provido em parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 78 30 /2 01 1- 10 Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Maurício Bellucci, OAB nº 161.891 (SP). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 0947.697, da 2a Turma da DRJ em Juiz de Fora MG (fls. 61/67 do processo eletrônico), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da não homologação de compensação declarada em PER/DCOMP nº 27963.36774.100406.1.2.045573, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior a título de COFINS. A decisão de primeira instância não reconheceu o direito creditório sob os argumentos sintetizados na Ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917830/201110 Acórdão n.º 3402002.744 S3C4T2 Fl. 2.984 3 A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ciência da decisão que indeferiu o pedido da Recorrente ocorreu em 24/01/2014 (fl. 70). Inconformada, a mesma apresentou, em 29/01/2014, o Recurso Voluntário (fls. 72/92), onde se insurge contra o indeferimento de seu pleito, considerando em síntese os seguintes argumentos: a) do recolhimento a maior: alega que o direito ao montante que compõem o crédito pleiteado se referem à inclusão indevida, na base de cálculo da contribuição (§ 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), de receitas estranhas ao conceito de faturamento, o que implicou pagamento indevido ou maior; que o STF efetivamente declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98; b) que tal entendimento deveria ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno deste Conselho (Portaria MF nº 256/09); c) da prescindibilidade da retificação da DCTF: em que pese não ter procedido à retificação da DCTF do período em que se pretende a restituição de contribuição paga a maior, a Recorrente, apresenta demonstrativo, documentação contábil e fiscal, valendo se do princípio da verdade material, no intuito de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito; d) acosta aos autos, demonstrativo denominado “Planilha de Apuração do PIS e da COFINS”, cópia do “Razão Contábil do Período” e cópia do “Comprovante de Arrecadação (DARF)”. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o Acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, requer seja determinado o retorno do autos a DRF de origem para que, em instancia inicial, procedase a análise de toda documentação apresentada, pugna pela juntada posterior de documentos e requer a possibilidade de conversão do julgamento em diligência. Na sequencia processual neste CARF, durante a sessão de julgamento de 27/05/2014, a 2ª Turma Especial/3ª Seção, através da Resolução nº 382000.170 (fls. 144/146),), decidiu que, no caso, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Entendeuse, então, que o julgamento deveria ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Satisfeito essa solicitação pela Delegacia da Receita Federal da origem, e intimados todas as partes, os autos retornaram a este CARF, para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Da admissibilidade Por conter matéria de competência deste Colegiado e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Do direito Conforme já afirmado, quando do exame dos autos que concluiuse pela Resolução nº 382000.170 (fls. 144/146), a questão legal já ficou definida. Vejase texto extraído da Resolução (grifamos): "(...) Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998". Desta forma, não é legítima a exigência da contribuição sobre receitas outras que não as originadas da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, devendo ser excluídos da base de cálculo os montantes decorrentes das rubricas não compreendidas no conceito de faturamento previsto no art. 195, I, “b”, na redação originária da Constituição Federal de 1988, previamente à publicação da Emenda Constitucional nº 20, de 1998. Logo, é indevida, em tese, a exigência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras auferidas pela Recorrente, que tem como atividade principal a “Fabricação de artigos de metal para uso doméstico e pessoal”, código 25.93400, conforme consta na sua ficha cadastral junto ao CNPJ, que está em sintonia com o artigo 3º de seu Estatuto Social, registrado na Junta Comercial do Estado de São Paulo sob nº 122.965/115 (cópia acostada aos autos). Do mérito Uma vez superada a matéria do direito, o recurso voluntário apresenta ainda como escopo fundamental para o deslinde da discussão, a questão atinente a comprovação da existência do direito creditório feita pela Recorrente. Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917830/201110 Acórdão n.º 3402002.744 S3C4T2 Fl. 2.985 5 A Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN), ao tratar do instituto da compensação tributária, trouxe as seguintes disposições: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (destaquei). Assim, compete ao contribuinte o ônus da formação da prova do alegado direito creditório, a fim de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação. No presente caso, é fato que nos pedidos de compensação, a falta de apresentação de DCTF retificadora pelo contribuinte pode até ser sanada, mas desde que comprovado de plano o erro, ou, em outras palavras, o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, consoante inteligência do artigo 9º, §§ 2º, 3º e 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010, os dados declarados em DCTF podem até ser excepcionalmente retificados pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem de maneira inequívoca e pormenorizada a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte. Nesse diapasão, ressaltando os argumentos da Recorrente em seu recurso e na busca da verdade material, o processo foi, por decisão da extinta 2ª Turma Especial, convertido em Diligência para análise e informações da Delegacia da RFB de origem. Vejase texto abaixo reproduzido (grifouse): "(...) Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Em prosseguimento, após os exames dos documentos que se encontra acostados aos autos e das intimações efetuadas, assim o Fisco se pronunciou, conforme consta da Informação Fiscal (resultado da solicitação Diligência) às fls. 2.928/2.929 (grifo nosso): "(...) Portanto, tendo em vista o prosseguimento do julgamento do documento de número 27963.36774.100406.1.2.045573, tratado pelo processo epigrafado, o qual requer R$ 34.467,18 referente a crédito de COFINS relativo ao período de apuração 12/2001, ao compararmos a base de cálculo declarada em DIPJ, no valor de R$ 5812208,89, com a calculada com base nos balancetes, no valor de R$ 4.681.723,76, concluise que Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 integrou a base de cálculo o montante de R$ 8.46.225,71 a título das receitas que se pretende excluir. Por conseguinte, temse que as receitas as quais alega inclusão indevida para o cálculo da COFINS totalizam R$ 846.225,71. Assim, a parcela de COFINS relativa a essas receitas somam R$ 25.386,77. Em sua manifestação (fls. 2.934/2.937), a Recorrente registra a sua concordância com o trabalho elaborado pela Diligência fiscal. Vejase reprodução do trecho destacado à fl. 2.936: "(...) A Recorrente registra a sua concordância como trabalho fiscal". Neste contexto, é importante destacar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Isto posto e com fundamentado no resultado da Diligência, penso que a realidade em exame se subsume ao direito de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, que possibilita a restituição de tributo recolhido (parcialmente) indevidamente, uma vez que foi demonstrado nos autos o alegado recolhimento indevido (parte), não obstante a legitimidade da tese relacionada à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao presente recurso voluntário, reconhecendo o valor de R$ 25.386,77, referente a parcela de crédito da COFINS, para este processo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10830.917830/201110 Acórdão n.º 3402002.744 S3C4T2 Fl. 2.986 7 Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 16/12/20 15 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10865.000956/89-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 1990
Ementa: IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - NULIDADE.
Nula é a decisão de primeiro grau embasada na
falta de comprovação de origem de recursos supridos pelos,sócios, quando não prequestionada em data anterior, pelo Fisco, tal origem objeto de sua fundamentação.
Numero da decisão: 103-10.437
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a reabertura do prazo de impugnação; em razão do duplo grau de jurisdição, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Dícler de Assunção
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ACORDA° N.• 103-10,437 Recurso n e 96.971 - IRPJ - EXS: DE 1985, 1987 e 1989 Recorrente ROSSI & ROSSI LTDA. Recorrld DRF EM LIMEIRA - SP IRPJ - OMISSÃO DE RECEITA - NULIDADE. Nula é a decisão de primeiro grau embasada na falta de comprovação de origem de recursos su pridos pelos,sócios, quando não prequestiona- da em data anterior, pelo Fisco, tal origem ob jeto de sua fundamentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de re- curso interposto por ROSSI & ROW LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conse- lho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em determinar a reaber tura do prazo de impugnação; em razão do duplo grau de jurisdição, nos termos do voto do relator. Sala das S-ssiies (DF), em 18 de junho de 1990 D1CLER DE JSSUNÇA0 NA PRESID CIA NOS TER- MOS DO PARÁGRAFO ONICO DO ART. 59 do REGIMENTO / 1 INTERNO. k. 401 • LU: A J .: E-do L A CEIRA RELATOR / VISTO EM 4-n1TO HO AND . BRAGA PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE t23 MD 1990 NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros; 1 AYRES DE OLIVEIRA, IARGIO RIBEIRO, BRAZ JANUÁRIO PINTO e CARLOS EMA NUEL DOS SANTOS PAIVA (Suplente). Ausentes por motivo justificado os Conselheiros FRANCISCO XAVIER DA SILVA GUIMARÃES e ANTONIO iflSSOS COSTA DE OLIVEIRA 1 - - SERVIÇO ~CO FEDERAL Processo n9 10865/000.956/89-36 Recurso n9 96.971 Acórdão n9 103-10.437 Recorrente: ROSSI & ROSSI LTDA. , RELATÓRIO ROSSI & ROSSI LTDA., com sede na Rua Capitão Flami- nio n9 528 no município de Limeira, SP, inscrita no CGC sob n9.... 46.884.599/0001-74, inconformada com a decisão monocrática que in- deferiu sua impugnação recorre a este Colegiado. A matéria remanescente corresponde a su primentos de caixa sem comprovação do efetivo ingresso, por empréstimos tomados aos sécios nos exercícios de 1985, 1987e 1989, com infração aos artigos 180, 181, 645, 676, 678, 704 e 728, II, do RIR/80. Tempestivamente impugnando ás fls. 25/29, o sujeito passivo, em resumo, alega o que segue: - invoca que os suprimentos de caixa feitos pelos só cios somente poderiam ser tributados como omissão de receita quan- do o Fisco provasse, primeiramente, que realmente houve a omissão , de receita, decorrendo, no processo, uma inversão de ordem; - em continuidade, transcreve alguns Acórdãos do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, argumentando o comando do art. 181 do RIR/80, ao contrário do efeito desejado, _volta-se contra a própria ação fiscal tornando-a nula por falta de provas da omissão de receitas. Através da decisão singular de fls. 35/38, foi manti_ da a exigência sob o fundamento que a autuada não conseguiu fazer prova que elidiu a presunção da omissão de receitas detectada na escrituração da empresa, quanto aos lançamentos de suprimento de caixa, não logrando comprovar a origem e o ingresso desses valores no patrimônio da empresa. 41 No apelo de fls. 42/50 a Recorrente reiterou razões W. SERVIÇO PUBL/C0 FEDERAL Processo n9 10865/000.956/89-36 2. Acórdão n9 103-10.437 já apresentadas, aduzindo que a prova da omissão da receita cabe exclusivamente ao Fisco, só cabendo o lançamento suplementar do im posto de renda após essa prova, segundo manda o artigo 12 do Decre to-lei 1.598/77, ressaltando que o fisco não comprovou nenhuma omissão de receita suscetível de tributação. Ainda alude que o Au- to de Infração não menciona, nem de leve, a falta de origem do nu- merário entregue pelos sócios, sendo que tal acusação, aceita pela decisão de primeira instância, é extra auto, portanto, nula. É o relatório. VOTO_ Conselheiro LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, Relator: Recurso tempestivo, dele conheco. Observa-se da intimação fiscal de fls. 02 que a Re- corrente somente foi intimada a comprovar o efetivo ingresso no Caixa dos valores relacionados, no entanto, ao fundamentar a deci- são a autoridade julgadora singular invocou a não comprovação da origem e do ingresso desses valores no patrimônio da empresa. Da apreciação dos autos verifica-se que a ação fisca lizadora não perquiriu efetivamente sobre a origem dos recursos su-. pridos pelos sócios ã Recorrente, expressando-se de uma forma pou- co clara quanto ã efetiva entrega, solicitando aue comprovasse o "ingresso no patrimônio". A falta de prequestionamento sobre a origem dos re cursos em questão, impossibilita a autoridade monocrática adotar como razões de decidir a não comprovação da aludida origem, tornan do injurídica a decisão proferida utilizando tal fundamentação co- mo se observa no caso presente, por acarretar a supressão do duplo grau de jurisdição. Pelo exposto, voto Dor declarar nula a decisão de primeira instância. (1M w Brasília-O •, em 18 de junho de 1990 /00(• LUIZ BERTO CAV , MACEIRA RELATOR Page 1 _0032400.PDF Page 1 _0032500.PDF Page 1 _0032700.PDF Page 1 _0032800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13888.002984/2005-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
Ementa:
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COFINS-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003.
Os recolhimentos de Cofins-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-002.948
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COFINS-IMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. Os recolhimentos de Cofins-Importação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideram-se específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2023; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.002984/200590 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.948 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria Cofins Recorrente CATERPILLAR BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005 Ementa: CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. COFINSIMPORTAÇÃO RECOLHIDA VINCULADA A MERCADORIAS DESTINADAS AO MERCADO INTERNO OU UTILIZADAS EM PRODUTO DESTINADO AO MERCADO INTERNO. CRÉDITOS DE IMPORTAÇÃO VINCULADOS AO MERCADO INTERNO. INAPLICABILIDADE DOS MÉTODOS DE APROPRIAÇÃO DE CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS COMUNS PREVISTOS NOS §§7º, 8º E 9º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833/2003. Os recolhimentos de CofinsImportação vinculados a mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, destinado ao mercado interno, consideramse específicos a estas receitas, não se lhes aplicando os métodos de apropriação previstos nos §§7º, 8º e 9º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, por não configurarem custos, despesas ou encargos comuns a receitas de venda no mercado interno e receitas de exportação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 29 84 /2 00 5- 90 Fl. 345DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativo ao mês de setembro de 2005. A fiscalização efetuou glosa de créditos de importação de CofinsImportação recolhido de produtos amparados pelo Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Autotmotiva (Recof Automotivo), em razão de que os recolhimentos ocorreram devido à destinação dos produtos ao mercado interno (nacionalização, ou seja, o produto importado foi revendido no mercado interno ou utilizado como insumo em outro produto vendido no mercado interno). Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 2. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof, de acordo com o art. 17 da Lei nº 11.033/2004; 3. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 4. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon.A recorrente apresenta manifestação adicional, reforçando os argumentos quanto à regularidade do rateio efetuado, mencionado no item 3 acima. A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.929, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2005 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 4 3 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação cOmprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto n° 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal:' Art. 94, § 5 0, da Lei n°9.430, de 1996. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2005 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Base legal: Art. 289 do RIR/99. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. VENDAS NO MERCADO INTERNO. APROPRIAÇÃO DIRETA DOS CUSTOS, DESPESAS E/OU ENCARGOS. Os custos, despesas e encargos vinculados a receitas de vendas no mercado interno devem ser apropriadas diretamente na base de cálculo para apuração dos créditos. Incabível a aplicação do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que se aplica na apuração do percentual referente às receitas sujeitas ao regime de cumulatividade e ao regime de nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. Preliminarmente, a nulidade da decisão por não enfrentamento dos pontos fundamentais dos argumentos de defesa; Fl. 347DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 5 4 2. O erro contido na decisão recorrida quanto à inexistência de base legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos, encargos e despesas comuns às receitas de venda no mercado interno e às receitas de exportação; 3. A possibilidade de se aplicar o método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e de exportação, para segregar os insumos comuns adquiridos sob o regime do Recof; 4. A possibilidade de manutenção dos créditos das contribuições para o PIS e Cofins, em operações desoneradas sob o regime de Recof; 5. Que antes da edição da Lei nº 12.058/2009, não havia disposição legal determinando a segregação dos créditos em função da natureza, origem e vinculação desses ao tipo de receita auferida; 6. A exclusão da multa de ofício e dos juros de mora, por ter a recorrente seguido as instruções de preenchimento do Dacon. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Preliminarmente, a recorrente aduziu nulidade por não ter a decisão recorrida enfrentado todos os argumentos deduzidos na impugnação. A reclassificação da natureza dos créditos de CofinsImportação efetuada pela autoridade fiscal foi fundamentada na assunção de que tais créditos são específicos e vinculados às receitas de venda no mercado interno e não às receitas de exportação, conforme Termo de Informação Fiscal, efl. 149, e Despacho Decisório, efl. 169. A DRJ decidiu pela manutenção da reclassificação dos créditos, com fundamento de que os relativos ao CofinsImportação paga deveriam ser vinculados exclusivamente às receitas no mercado interno, não integrando, pois a base para o rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. Fundamentou, ainda, na inexistência de previsão legal para a aplicação do método de rateio proporcional a receitas de venda no mercado interno e externo e no perfeito controle do custo dos insumos apropriáveis à exportação e ao mercado interno, não prosperando a alegação de impossibilidade de segregação dos custos antes das vendas. A decisão recorrida utiliza como fundamento a própria razão da glosa empreendida pela autoridade fiscal, ou seja, de que os valores pagos de CofinsImportação são custos específicos do mercado interno e que não existe previsão legal para aplicação do método de rateio para segregar os custos entre receitas de venda no mercado interno e de exportação. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 6 5 Esta argumentação, por si só, afasta as alegações da recorrente quanto à aplicação do método de rateio previsto no §8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, e os demais argumentos deduzidos pela recorrente. Ademais, não há necessidade de o julgador rebater um a um os argumentos deduzidos, bastando que a decisão seja suficientemente fundamentada, em observância do princípio do livre convencimento motivado. Neste sentido, citase o Acórdão nº 3202001.369, proferido pela Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:1987, 1990 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não havendo omissão, contradição ou obscuridade no acórdão proferido, devem ser rejeitados os embargos opostos. Os embargos de declaração não se prestam a mera manifestação de inconformismo com a decisão prolatada ou à rediscussão dos fundamentos do julgado, uma vez que não se trata do remédio processual adequado para reexame da lide. O livre convencimento do julgador permite que a decisão proferida seja fundamentada com base no argumento que entender cabível, não sendo necessário que se responda a todas as alegações das partes, quando já se tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão, nem se é obrigado a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder um a um todos os seus argumentos. Este entendimento é pacífico no Superior Tribunal de Justiça, como se observa nos seguintes julgados: Resp nº 879.944MG (2006/01814150): [...] 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso Especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Resp nº 885.454DF (2006/01923977) 1. Não há que se falar em ofensa do art. 535 do CPC se o Tribunal de segundo grau resolveu a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar Fl. 349DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 7 6 a decisão nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados. [...] EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.489.482 RS (2014/02694068): PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO DOS DISPOSITIVOS DE LEI INVOCADOS. SÚMULA 211/STJ. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DAS HIPÓTESES PREVISTAS DO ART. 535 DO CPC. PRETENSÃO DE REEXAME E ADOÇÃO DE TESE DISTINTA. 1. Não são cabíveis os embargos de declaração cujo objetivo é ver reexaminada e decidida a controvérsia de acordo com tese distinta. 2. Não há falar em obscuridade e ausência de fundamentação no afastamento da alegada violação do art. 535 do CPC pela Corte de origem, pois, conforme explicitamente consignado no acórdão embargado, nos termos de jurisprudência do STJ, o magistrado não é obrigado a responder todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem é obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados, como ocorreu no caso em apreço. Quanto à observância do Dacon e exclusão das multas e juros de mora, verificase que a decisão atacada expressamente abordou tais questões, apenas concluindo de forma divergente da recorrente: “No caso presente, à vista das informações contidas no DACON sobre pagamento de PIS/COFINSIMPORTAÇÃO, entendeu a fiscalização que as mercadorias importadas, incorporadas ou não aos produtos vendidos no mercado interno, sobre as quais foram calculados e pagos os tributos, deveriam ter seu custo vinculado exclusivamente às receitas do mercado interno e, ao contrário do alegado pelo interessado, que não deveriam integrar o cálculo do rateio proporcional previsto no § 8°, do art. 3°, da Lei n° 10.833, de 2003, que dispõe: [...] Também não prosperam as alegações de ilegalidade, uma vez que não foi criado novo método de apuração dos créditos das contribuições, e o pedido de exclusão da multa e juros incidentes sobre os eventuais débitos decorrentes das glosas, porque não houve qualquer indução ao erro, e sim, interpretação equivocada da legislação.” Rejeitamse, portanto, as alegações de nulidade da decisão recorrida. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 8 7 Rateio para os créditos de importação vinculados às receitas de exportação, decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação, quando da nacionalização dos insumos importados ao amparo do Recof. Esclareçase, inicialmente, que as normas relativas à suspensão do pagamento do imposto de importação ou do IPI vinculado à importação, relativas aos regimes aduaneiros especiais, aplicamse também às contribuições para CofinsImportação, nos termos do artigo 14 da Lei nº 10.865/2004. O regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado estava disposto no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/2002) e foi normatizado pela IN SRF nº 417/20041, vigente à época dos fatos, nos seguintes termos: Decreto nº 4.543/2002: CAPÍTULO VII DO ENTREPOSTO INDUSTRIAL SOB CONTROLE INFORMATIZADO Seção I Do Conceito Art. 372. O regime de entreposto industrial sob controle aduaneiro informatizado (Recof) é o que permite a empresa importar, com ou sem cobertura cambial, e com suspensão do pagamento de tributos, sob controle aduaneiro informatizado, mercadorias que, depois de submetidas a operação de industrialização, sejam destinadas a exportação (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 1º Parte da mercadoria admitida no regime, no estado em que foi importada ou depois de submetida a processo de industrialização, poderá ser despachada para consumo (Decretolei nº 37, de 1966, art. 89). § 2º A mercadoria, no estado em que foi importada, poderá ter ainda uma das seguintes destinações: I exportação; II reexportação; ou III destruição. Seção II Da Autorização para Operar no Regime Art. 373. A autorização para operar no regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, e poderá ser cancelada ou suspensa a qualquer tempo, nos casos de descumprimento das condições estabelecidas, ou de infringência de disposições legais 1 Revogada pela IN RFB nº 757/2007 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 9 8 ou regulamentares, sem prejuízo da aplicação de penalidades específicas (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 1º). Art. 374. Poderão habilitarse a operar no regime as empresas que atendam aos termos, limites e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, em ato normativo, do qual constarão (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90): I as mercadorias que poderão ser admitidas no regime; II as operações de industrialização autorizadas; III o percentual de tolerância, para efeito de exclusão da responsabilidade tributária do beneficiário, no caso de perda inevitável no processo produtivo; IV o percentual mínimo da produção destinada ao mercado externo; V o percentual máximo de mercadorias importadas destinadas ao mercado interno no estado em que foram importadas; e VI o valor mínimo de exportações anuais. [...] Seção III Do Prazo e da Aplicação do Regime Art. 375. O prazo de suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação será de até um ano, prorrogável por período não superior a um ano. [...] Art. 376. A normatização da aplicação do regime é de competência da Secretaria da Receita Federal, que disporá quanto aos controles a serem exercidos (Decretolei nº 37, de 1966, art. 90, § 3º). Seção IV Da Exigência de Tributos Art. 377. Findo o prazo fixado para a permanência da mercadoria no regime, serão exigidos, em relação ao estoque, os tributos suspensos, com os acréscimos legais cabíveis (Decreto lei nº 37, de 1966, art. 90, § 2º). Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa o cumprimento das exigências legais e regulamentares para a permanência definitiva da mercadoria no País. Art. 378. Os resíduos decorrentes do processo produtivo poderão ser: Fl. 352DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 10 9 I destruídos, sem exigência de tributos, caso não se prestem à utilização econômica; ou II despachados para consumo, com o pagamento de tributos, tendo como base de cálculo o valor que lhes for atribuído em laudo técnico específico, e com a alíquota fixada para a mercadoria correspondente. Art. 379. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá a forma e o momento para o cálculo e para o pagamento dos tributos. IN SRF nº 417/2004: Art. 1º A concessão e a aplicação do Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado (Recof) serão efetuadas de acordo com o disposto nesta Instrução Normativa. DISPOSIÇÕES GERAIS Art. 2º O regime permite importar ou adquirir no mercado interno, com suspensão da exigibilidade de tributos, mercadorias a serem submetidas a operações de industrialização de produtos destinados a exportação [...] Art. 22. A admissão no regime de mercadoria importada terá por base declaração de importação específica formulada pelo importador no Siscomex. [...] Art. 31. A aplicação do regime se extingue com a adoção, pelo beneficiário, de uma das seguintes providências: I exportação: a) de produto no qual a mercadoria, nacional ou estrangeira, admitida no regime tenha sido incorporada; b) da mercadoria no estado em que foi importada; c) da mercadoria nacional no estado em que foi admitida; ou d) de produto ao qual a mercadoria estrangeira admitida no regime, sem cobertura cambial, tenha sido incorporada; II reexportação da mercadoria estrangeira admitida no regime sem cobertura cambial; III transferência de mercadoria para outro beneficiário, a qualquer título; IV despacho para consumo: a) das mercadorias estrangeiras admitidas no regime e incorporadas a produto acabado; ou Fl. 353DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 11 10 b) da mercadoria no estado em que foi importada; V destruição, às expensas do interessado e sob controle aduaneiro; ou VI retorno ao mercado interno de mercadoria nacional, no estado em que foi admitida no regime, ou após incorporação a produto acabado, obedecido ao disposto na legislação específica [...] Art. 36. Os resíduos do processo produtivo poderão ser exportados ou despachados para consumo, mediante o recolhimento dos tributos devidos na importação, ou destruídos. § 1º Os resíduos para os quais a beneficiária não tenha controle de suspensão de tributos na forma do ato a que se refere o art. 52, despachados para consumo, terão os seus tributos devidos calculados com base na mercadoria geradora de resíduo que tenha, na importação, o maior somatório de tributos com exigibilidade suspensa, por quilograma, consideradas as últimas importações registradas. § 2º O beneficiário deverá separar fisicamente os resíduos para os quais tenha controle na forma do ato a que se refere o art. 52 dos demais resíduos. [...] Art. 37. No caso de destinação para o mercado interno, o recolhimento dos tributos com exigibilidade suspensa, correspondentes às mercadorias importadas, alienadas no mesmo estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, ou aplicadas em serviço de recondicionamento, manutenção ou reparo, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro de DI na unidade da SRF que jurisdicione o estabelecimento importador. § 1º O IPI com exigibilidade suspensa, relativo às aquisições no mercado interno, será apurado e recolhido na forma da legislação de regência. § 2º A declaração a que se refere o caput será desembaraçada automaticamente pelo Siscomex. [...] Art. 38. Findo o prazo estabelecido para a vigência do regime, os tributos com exigibilidade suspensa, incidentes na importação, correspondentes ao estoque, deverão ser recolhidos com o acréscimo de juros e multa de mora, calculados a partir da data do registro da admissão das mercadorias no regime. § 1º Na hipótese deste artigo, para efeito de cálculo dos tributos devidos, as mercadorias constantes do estoque serão relacionadas às declarações de admissão no regime ou às Fl. 354DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 12 11 correspondentes Notas Fiscais de aquisição no mercado interno, inclusive de transferência entre beneficiários, com base no critério contábil PEPS. § 2º O pagamento dos tributos e respectivos acréscimos legais, quando espontâneo, não dispensa o registro da DI e o cumprimento das demais exigências regulamentares para a permanência definitiva das mercadorias no País. CONTROLE DO REGIME Art. 45. O controle aduaneiro de entrada, permanência e saída de mercadorias no regime, inclusive em decorrência de substituição do beneficiário ou de movimentação com base em Ambra, será efetuado com base no sistema informatizado a que se refere o inciso III do art. 5 o , 2 integrado aos respectivos controles corporativos e fiscais da empresa interessada. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento de outras obrigações acessórias previstas na legislação fiscal. Art. 46. O sistema informatizado a que se refere o art. 45 estará sujeito a auditoria, nos termos da Instrução Normativa SRF n o 239, de 6 de novembro de 2002. [...] Art. 47. O sistema informatizado do beneficiário habilitado deverá contemplar ainda: I o registro de dados sobre as importações autorizadas no regime realizadas por fornecedores, até a entrada no seu estabelecimento; II o registro de dados de importações em outros regimes aduaneiros especiais e de aquisição no mercado interno de partes e peças utilizadas na fabricação de produto ou aplicadas na prestação de serviços industriais; III o controle do valor dos tributos com exigibilidade suspensa, relacionada às entradas ou transferências de regime de mercadorias importadas, referenciados aos seus documentos de origem, bem assim das formas de extinção das correspondentes obrigações tributárias; e IV a demonstração de cálculo dos tributos relativos aos componentes de produtos transferidos para outros beneficiários, vendidos no mercado interno ou exportados. 2 Art. 5 o Para a habilitação de que trata o art. 4 o , a empresa deverá: [...] III dispor de sistema informatizado de controle de entrada, permanência e saída de mercadorias, de registro e apuração de créditos tributários devidos, extintos ou com exigibilidade suspensa, integrado aos sistemas corporativos da empresa no País, com livre e permanente acesso da SRF; e Fl. 355DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 13 12 Art. 48. O controle de extinção dos créditos com exigibilidade suspensa em decorrência da aplicação de outros regimes aduaneiros especiais também observará o critério PEPS, em harmonia com as entradas e saídas de mercadorias. § 1 o O sistema de controle informatizado deverá registrar os inventários de partes e peças existentes em estoque ou na linha de produção antes do início das operações no regime. § 2 o O disposto no § 1 o , para o caso de mercadorias admitidas em regime aduaneiro especial, requer, ainda, a vinculação dos estoques existentes aos respectivos documentos de entrada. § 3 o A exportação de produto, a reexportação de mercadoria admitida no regime ou a prestação de serviço a cliente sediado no exterior, utilizando mercadorias admitidas no regime de que trata esta Instrução Normativa e em outros regimes suspensivos, enseja a baixa simultânea dos correspondentes tributos com exigibilidade suspensa. A recorrente foi autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo) pelo Ato Declaratório Executivo SRF nº 8/2004, parcialmente, transcrito abaixo: Art. 1º Fica a empresa Caterpillar Brasil Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 61.064.911/0000177, situada na Rodovia Luiz de Queiroz, Km 157, s/nº, Distrito Unileste Piracicaba/SP, autorizada a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo). Art. 2º A autorização referida no art. 1º somente permite a admissão, no Recof Automotivo, de mercadorias estrangeiras destinadas às operações de industrialização dos produtos relacionados no Anexo I à Instrução Normativa SRF nº 254, de 11 de dezembro de 2002. [...] Art. 5º A admissão de mercadoria no Recof Automotivo darseá com ou sem cobertura cambial e terá por base declaração de importação específica, formulada pela autorizada no Sistema Integrado de Comércio Exterior Siscomex, na forma estabelecida na Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002. Art. 6º O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação na DRF/Piracicaba. Art. 7º A autorizada fica obrigada a disponibilizar os relatórios previstos no ADE Conjunto COANA/COTEC nº 1, de 14 de novembro de 2001 , de conformidade com o disposto no art. 49 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 14 13 do ADE Conjunto COANA/COTEC nº 2, de 26 de setembro de 2003 . Parágrafo único. O disposto neste artigo: I não dispensa a autorizada de apresentar relatório de apuração anual, que demonstre o cumprimento dos compromissos de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 254, de 2002; e II não exclui a realização de outros procedimentos fiscais pertinentes. [...] Art. 10. Este ato entra em vigor na data de sua publicação. Verificase que o art. 6º do referido ato determinava o recolhimento dos tributos suspensos correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, mediante o registro da corresponde Declaração de Importação. Já seu art. 7º determinava a disponibilização de relatórios previstos no Ato Declaratório Executivo Conjunto COANA/COTEC nº 1/2001, revogado pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003, o qual especificou os requisitos técnicos para o sistema informatizado de controle aduaneiro. O ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 especificou em seu item 3.7, os requisitos para o controle de suspensão dos tributos incidentes na importação, cujo teor transcrevese: 3.7 Suspensão de Tributos Art. 27 . O controle de suspensão do II e do IPI vinculado à importação e do IPI relativo à aquisição de mercadoria nacional deverá ser feito de modo integrado ao controle de entrada e saída de mercadoria, e abrangerá os valores dos tributos e as quantidades de mercadorias em estoque e terá por base os documentos fiscais e aduaneiros pertinentes, e a RTM3 quando for o caso. § 1º Cada tributo objeto do controle de que trata este artigo terá quatro contas "Calculado", "Suspenso", "Devido" e "Extinto" que serão registradas segundo o método contábil de partidas dobradas. § 2º As contas de tributo "Suspenso" serão desdobradas em nível de part number4 e cada um terá também uma 3 Relação de Transferência de Mercadoria O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle 4 Art. 12. O controle de estoque de mercadoria admitida no regime de entreposto aduaneiro para fins de aplicação nas operações previstas nos incisos II e III do art. 5º da IN SRF nº 241, de 6 novembro de 2002, bem assim o de componente adquirido no mercado nacional para o mesmo fim, será feito de forma integrada ao correspondente controle exercido pelo estabelecimento industrial instalado no recinto alfandegado de uso público, que receba a mercadoria para industrialização. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 15 14 correspondente conta de quantidade para registrar entrada e saída crédito e débito de mercadoria objeto do controle de suspensão. § 3º O controle de suspensão de que trata este artigo deverá ser estendido para registrar outros tributos ou contribuições administrados pela SRF que vierem a incidir sobre as operações e, a critério do beneficiário do regime, poderá ser utilizado também para controlar o Imposto sobre Circulação de Mercadoria e Serviços (ICMS) e o Adicional de Frete de Renovação da Marinha Mercante (AFRMM). [...] Art. 28. Os lançamentos nas contas referidas no artigo anterior deverão ser escriturados em ordem cronológica e obedecerão as seguintes regras: I pela importação de mercadoria com suspensão de tributos, aquisição de mercadoria nacional de outro beneficiário do Recof que contenha mercadorias admitidas nesse regime, ou pela aquisição de mercadoria nacional com IPI suspenso, será feito: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) crédito na correspondente conta de quantidade; II quando do despacho para consumo de mercadoria importada admitida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou venda para o mercado doméstico de mercadoria nacional recebida com suspensão, inclusive de seu resíduo, ou do registro de saída relativamente à constatação de falta de mercadoria importada admitida no regime, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade. III pela venda de mercadoria nacional admitida no regime de entreposto aduaneiro com suspensão de IPI, em retorno para o mercado interno, será feito: a) débito na conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; e b) débito na correspondente conta de quantidade; § 1º O registro da transferência de mercadoria entre ambos, correspondente à entrada ou saída em seus estoques, terá por base a emissão informatizada da pertinente RTM e deverá apresentar contrapartida simultânea em ambos sistemas de controle. § 2º A RTM terá numeração seqüencial única para o recinto, com sete dígitos mais um dígito verificador, correspondendo os dois primeiros ao ano da transferência e outros cinco à seqüência numérica sem repetição e terá como sede de registro e arquivo o sistema informatizado do recinto alfandegado de uso público. § 3º Cada mercadoria, identificada pelo seu part number, será indexada na RTM a um número seqüencial de item, iniciando sempre pelo numeral "0001". Fl. 358DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 16 15 IV quando da exportação de mercadoria no mesmo estado em que importada, inclusive de seu resíduo, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; V pela exportação de mercadoria produzida pelo estabelecimento com componente(s) importado(s) e ou nacional(is), ou pela venda ou transferência definitiva de mercadoria para outro beneficiário do regime, será feito: a) crédito na conta "Extinto" e débito na(s) conta(s) "Suspenso" do(s) pertinente(s) part number do(s) componente(s) importado(s) e ou nacional(is); b) débito na(s) correspondente(s) conta(s) de quantidade; VI pela baixa relativa à perda de mercadoria até o limite admitido na habilitação: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; b) débito na correspondente conta de quantidade; VII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime sem cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Extinto" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; VIII pela baixa relacionada à destruição de mercadoria admitida no regime com cobertura cambial, ou de seu resíduo: a) crédito na conta "Devido" e débito na conta "Suspenso" do pertinente part number; e b) débito na correspondente conta de quantidade; IX pela destinação ao mercado interno, em caráter definitivo, de mercadoria obtida pela desmontagem de outra mercadoria importada admitida no regime: a) débito na conta "Calculado" e crédito na conta "Devido" da pertinente NCM ou part number referido ao respectivo registro de desmontagem; e b) débito na correspondente conta de quantidade. X quando do pagamento da obrigação tributária, débito na conta "Devido"e crédito na conta "Extinto"; XI pela expiração do prazo de suspensão: Fl. 359DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 17 16 a) débito na correspondente conta "Suspenso" do pertinente part number e crédito na conta "Devido"; b) débito na correspondente conta de quantidade, ao qual deverá corresponder um crédito nos estoques de mercadoria nacionalizada. § 1º O registro de débito/crédito referido nos incisos do caput, além das informações de valor e ou quantidade, deverá conter: [...] § 3º O débito na conta "Suspenso" de qualquer part number, bem assim na respectiva conta de quantidade, obedecerá ainda às regras: I será registrado apenas na data do correspondente embarque na hipótese de exportação, do registro da DI para consumo na hipótese de nacionalização de produto estrangeiro, ou da efetiva saída do estabelecimento em se tratando de destinação ao mercado interno de produto nacional; II o débito de tributo suspenso corresponderá à proporção da quantidade debitada, pela apropriação do respectivo saldo em cada DA/adição/item na hipótese de produto importado, ou de cada nota fiscal/item em se tratando de produto nacional, com obediência ao critério contábil PEPS; III para a mercadoria aplicada em produto industrializado pelo estabelecimento industrial situado em recinto alfandegado, o débito será feito mediante apropriação das quantidades de produto importado relacionadas nas RTM de transferência do estabelecimento industrial para o recinto alfandegado de uso público; e IV as RTM referidas no inciso anterior serão apropriadas pelo critério PEPS por ocasião das exportações ou de colocação no mercado nacional, mantida a correspondência com o produto industrializado exportado. [...] Dispõe ainda o item 3.9, artigos 30 e 31: 3.9 Controles Contábeis e Corporativos Art. 30. O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos controles contábeis, por meio dos registros de compras de mercadorias nacionais ou importadas, bem assim por meio do registro das vendas para o mercado interno ou exportações de produtos acabados. [...] Fl. 360DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 18 17 Art. 31 . O sistema de controle informatizado do estabelecimento industrial ou prestador de serviços, beneficiário de regime aduaneiro suspensivo de que trata este ADE, deverá se integrar aos demais sistemas corporativos, especialmente os que controlem almoxarifados e produção. Depreendese que todo o controle da suspensão dos tributos pressupõe a segregação dos tributos suspensos que passam para a condição de “devidos” dos tributos suspensos que passam para a condição de “extintos”. É esta segregação exigida pelo ADE Conjunto Coana/Cotec nº 2/2003 que possibilita a aplicação do artigo 6º5 do ADE SRF nº 8/2004, acima mencionado, em conformidade com as disposições da IN SRF 417/2004. No sentido de se determinar a vinculação dos recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação, a fiscalização lavrou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal nº 05, com o seguinte teor: “Considerando que o sujeito passivo está autorizado a operar o regime aduaneiro especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado para a Indústria Automotiva (Recof Automotivo), podendo importar insumos com os tributos suspensos, sendo devidos os recolhimentos em caso de destinação ao mercado interno, deverá, em relação aos valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação — PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação — Cofins Paga" dos DACON e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4° trimestre de 2004 até o 4° trimestre de 2005, atender o seguinte: 1) Sendo estes valores integralmente referentes às contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização, ou seja, destinação ao mercado interno de insumos, ou de produtos industrializados aos quais estes insumos sejam incorporados, adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, apenas informar o fato; 2) Sendo os valores compostos das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins pagas em função da nacionalização de insumos adquiridos dentro do regime do Recof, originalmente com suspensão de tributos, e de contribuições pagas em função de aquisição de insumos fora do citado regime, com incidência de tributos, apresentar arquivos Excel de PIS/Pasep e Cofins pagos na Importação, distintos para cada situação a seguir, sujeito á comprovação posterior: a) de insumos adquiridos sob o regime do Recof e nacionalizados; b) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado interno; c) de insumos adquiridos fora do regime e destinados exclusivamente ao mercado externo; d) de insumos adquiridos fora do regime, comuns ás receitas dos mercados externo e interno.” 5 O recolhimento dos tributos suspensos, correspondentes às mercadorias importadas e destinadas ao mercado interno, no estado ou incorporadas ao produto resultante do processo de industrialização, deverá ser efetivado até o quinto dia útil do mês subseqüente ao da destinação, mediante o registro da declaração de importação Fl. 361DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 19 18 Em resposta, a recorrente informou: “A Intimada informa que os valores declarados nos campos "Créditos a Descontar na Importação PIS/Pasep Pago" e "Créditos a Descontar na Importação Cofins Paga" dos DACONs e dos Demonstrativos de Cálculo dos Créditos do período 4o . Trimestre de 2004 até o 4o trimestre de 2005, referem se às Contribuições para o PIS/Pasep e COFINS pagas (vide Anexos I e II), em decorrência de nacionalização de: a) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Entreposto Industrial sob Controle Informatizado RECOF, empregadas em produtos cujo destino final foi o mercado doméstico. b) Regime Comum de Importação referente a mercadorias importadas e empregadas na produção de geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico. c) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para geradores, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. d) Regime Comum de Importação referente a peças de reposição para máquinas, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas. e) Mercadorias importadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Depósito Especial DE, mais especificamente peças de reposição, cujo destino final foi o mercado doméstico, no mesmo estado em que foram importadas.” Constatase que a recorrente confirmou que os recolhimentos de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação referiamse à destinação das mercadorias importadas ao mercado interno e não às exportações. De todo o exposto, concluise que não procedem as alegações da recorrente quanto à aplicação do método do rateio previsto no §8º, uma vez que o recolhimento de Cofins Importação pressupõe a vinculação à destinação ao mercado interno, conforme normatizado pelo Recof. A própria sistemática do Recof, diversamente do que defende a recorrente, determina a segregação das mercadorias importadas e dos tributos suspensos respectivos, estabelecendo requisitos técnicos e formais para implantação de sistema informatizado, visando o controle dos tributos suspensos e da destinação de cada mercadoria. Destarte, os tributos suspensos relativos às mercadorias reexportadas ou utilizadas na fabricação de produto exportado se tornam extintos, implicando, por conseguinte, a inexistência de pagamento de CofinsImportação, incidindo, consequentemente, a vedação quanto à possibilidade de creditamento relativo à importação das mercadorias vinculadas às exportações, uma vez que o comando do artigo 15, §1º determina a efetividade de pagamento das contribuições para que as hipóteses de creditamento previstas nos incisos do caput possam gerar créditos, conforme transcrevese abaixo: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o Fl. 362DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 20 19 das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento) [...] § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. Por outro lado, discordase da recorrente quanto à alegação de que o art. 176 da Lei nº 11.033/2004 propiciaria a manutenção de créditos em operações desoneradas no âmbito do Recof. É que tal artigo não estabelece novas hipóteses de creditamento, mas apenas permite que se mantenham os créditos apuráveis segundo os dispositivos legais regentes da matéria, como os artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003, bem como o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004. O artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 elucida o entendimento: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. Assim, não obstante o art. 17 permitir o creditamento em relação a saídas desoneradas, é necessário que os pressupostos previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/2004 sejam observados, especialmente o §1º que condiciona o creditamento à existência de PIS/Pasep Importação e CofinsImportação efetivamente pagas. Entretanto, o Recof estipula que os tributos suspensos relativos às mercadorias destinadas ao exterior são extintos, baixados no dizer do §3º do artigo 48 da IN SRF nº 417/2004, ou seja, não há qualquer recolhimento de PIS/PasepImportação ou CofinsImportação vinculados às receitas de exportação. Dito de 6 Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 13888.002984/200590 Acórdão n.º 3302002.948 S3C3T2 Fl. 21 20 outro modo, se todas as mercadorias importadas no âmbito do Recof fossem destinadas ao mercado externo, implicando a baixa dos tributos suspensos, não haveria qualquer crédito a ser aproveitado. Desta forma, agiu a fiscalização com acerto, quando efetuou a glosa por entender que a contribuição paga vinculavase às mercadorias importadas revendidas no mercado interno ou utilizadas em produto vendido no mercado interno Por fim, quanto à exclusão de multas e juros de mora, por observância das normas de preenchimento do Dacon, verificase, de fato, que a recorrente não observou a premissa das instruções de preenchimento, qual seja, a existência de custos, despesas e encargos comuns às receitas de exportação e às de venda no mercado interno, sobre os quais aplicarseia um dos métodos de vinculação previstos no §8º do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 (rateio proporcional ou apropriação direta, à sua escolha). No caso aqui tratado, os créditos decorrentes dos recolhimentos de CofinsImportação no âmbito do Recof não são comuns às duas receitas, mas apenas às de venda no mercado interno. Assim, não se trata da aplicação do parágrafo único do artigo 100 do CTN. Pontuese, ainda, que as alegações quanto ao artigo 35 da Lei nº 12.058/2009 em nada influenciam a decisão, pois tal artigo trata de segregação dos créditos da não cumulatividade e não da segregação realizada no âmbito do Recof, a qual fundamentou a vinculação específica entre os créditos de importação decorrentes dos recolhimentos de PIS/Pasep e CofinsImportação e as receitas de venda no mercado interno. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 364DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 05/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 16682.900885/2010-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
Ementa:
IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP.
Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.04-6040, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 1201-001.325
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 Ementa: IRPJ. SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.04-6040, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte.
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SALDO NEGATIVO DISPONÍVEL. PER/DCOMP. Verificado o saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, relativo ao ano calendário de 2006, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.046040, tratado no presente processo, respeitado o limite do crédito reconhecido e o saldo disponível ainda não utilizado pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Ester Marques Lins de Sousa, João Carlos de Figueiredo Neto, Luis Fabiano Alves Penteado e Roberto Caparroz de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 85 /2 01 0- 37 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto parte do Relatório da decisão recorrida que transcrevo a seguir: I) Do PER/DCOMP Versa o presente processo sobre manifestação de inconformidade interposta contra Despacho Decisório (Eletrônico) proferido pela Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que não homologou a compensação efetivada por meio do PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.046040, de débito de estimativa de CSLL (cód. 2469),relativo ao período de apuração fevereiro/2007, no valor de R$ 6.957,75, com o crédito de R$ 6.957,75, oriundo de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), referente ao período de apuração 31/12/2006, no valor total de R$ 23.192,53. II) Do Despacho Decisório 2. O Despacho Decisório de fls. 07/10 (nº de rastreamento 880540423), emitido em 06/09/2010, apresenta a seguinte fundamentação, decisão e enquadramento legal: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 6.957,75. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. ... III) Da manifestação de inconformidade 3. Inconformada com a decisão, da qual tomou ciência em 21/09/2010 (AR, fls.11), interpôs a interessada a manifestação de inconformidade de fls. 13/21, instruída com os documentos de fls. 22/50, alegando, em síntese, que: 3.1. os valores compensados devem ser homologados parcialmente, em face de erro formal cometido no preenchimento da DIPJ/2007, ano calendário 2006, que ocasionou informação incorreta do crédito pleiteado; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 4 3 3.2. a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade dos débitos, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.833/2003; 3.3. o crédito utilizado no PER/DCOMP não homologado advém de retenções provenientes de órgão público, pagamentos de estimativas mensais e estimativas compensadas com saldos de períodos anteriores, conforme consta na Ficha 12B da DIPJ/2007; 3.4. ocorre que, os valores apontados, os quais podem ser comprovados através dos documentos que instruem sua manifestação, não foram informados na DIPJ, mas foram posteriormente utilizados no pedido de compensação como imposto indevido, quando o correto seria como saldo negativo; 3.5. após o recebimento do Despacho Decisório, retificou a Ficha 12B da DIPJ/2007, assim como o PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936, como forma de corroborar o acima exposto, constituindo assim um saldo negativo de R$ 103.179,76, o qual faz jus; 3.6. reconhece que, considerar o crédito como imposto indevido e não como saldo negativo, gera uma diferença a ser recolhida aos cofres públicos, no entanto, o valor não deve corresponder à totalidade exigida no Despacho Decisório, mas somente à multa e aos juros atualizados; 3.7. assim, considerou o crédito como pagamento indevido ou a maior quando da transmissão do PER/DCOMP nº 27872.20428.280307.1.3.043112 em 28/03/2007, no total de R$ 7.226,97 (principal: R$ 5.877,97; multa: R$ 1.175,60; juros: R$ 173,40), porém o correto seria considerar o valor principal atualizado pela taxa SELIC de janeiro/2007 até março/2007, totalizando R$ 6.051,37, restando uma diferença a ser recolhida de R$ 1.175,60; 3.8. o erro no preenchimento da DIPJ e do PER/DCOMP não exclui o direito à utilização do saldo mencionado, uma vez que se tratam de erros formais, sendo dever da Administração Pública a busca pela verdade material, ou seja, tais como se apresentam na realidade, sendo certo que, para tanto, devem ser considerados todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria aqui tratada; 3.9. desse modo, a simples ocorrência de erro formal não macula a existência do crédito pleiteado, conforme já reiterado inúmeras vezes pelas DRJ (Acórdãos nº 1518706/ 2009 e nº 0620283/ 2008) e pelo CARF (Acórdão nº 10417249/ 1999) acerca da situação fática de erro de preenchimento de meio eletrônico, ao concluírem, em suma, que a verdade material deve prevalecer sobre a formal; 3.10. o equívoco jamais pode culminar na desconsideração do crédito oriundo do saldo negativo apurado no ano calendário de 2006, não havendo qualquer mácula na efetiva existência do Fl. 208DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 5 4 crédito a ser compensado, tendo em vista que, em hipótese alguma a forma pode se sobrepor à essência; 3.11. é nítida a existência do crédito a que tem direito e que agora é compelida a devolver aos cofres públicos; 3.12. se a manifestação de inconformidade não for acolhida estará a Receita Federal obtendo vantagem patrimonial sem justa causa, o que constitui enriquecimento ilícito, instituto esse fortemente repudiado tanto pelos Tribunais Administrativos como pelos Tribunais Superiores do Judiciário; 3.13. diante do exposto, demonstrada a improcedência parcial do indeferimento do pleito, requer a homologação parcial da compensação efetuada, devendo ser considerada a diferença recolhida em DARF anexo. ... A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/RJ1/RJ) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1242.021, de 31 de outubro de 2011, cientificado ao interessado em 29/06/2012 – 6a feira (Aviso de Recebimento, AR). A decisão recorrida possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/09/2010 LUCRO REAL ANUAL. PER/DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA UTILIZADO NA COMPOSIÇÃO DO SALDO NEGATIVO AINDA PENDENTE DE ANÁLISE OU ALTERAÇÃO.CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme o despacho de encaminhamento, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 18/01/2013. A Recorrente insurgese contra o acórdão recorrido por haver concluído que, em decorrência da pendência de análise dos PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.02 0768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, bem como da possibilidade de modificação dos PER/DCOMPs enviados e da apresentação de novos pedidos de compensação que se utilizem Fl. 209DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 6 5 do mesmo saldo negativo, o direito creditório ora pleiteado não seria liquido e certo. Nestes termos, não homologara a compensação declarada. A Recorrente diz que o entendimento é equivocado, pelo que o acórdão recorrido, deve ser integralmente reformado. Alega que: não cabe prejuízo ao julgamento, por depender o presente processo da análise de outras compensações, pois, afronta o principio da eficiência, em razão da não homologação do pedido de compensação por ausência de julgamentos de processos vinculados ao mesmo crédito. a autoridade Fiscal limitouse a afirmar que o crédito pleiteado por meio da PER/DCOMP formalizada nos presentes autos não apresentavam liquidez e certeza, sem ao menos possuir consistente fundamentação e provas, atendo se somente a fatos advindos de hipotéticas alterações nas compensações envolvendo o mesmo crédito. de acordo com o principio da verdade material,deve o julgador analisar se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e em caso de manifestação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade,independente do alegado e provado. no âmbito do processo administrativo, além da Verdade Real, impera o Principio da Oficialidade, o qual impõe à Autoridade Fiscal o dever de impulsionar o feito, efetuando diligências, solicitando documentos, com o fito de concluir o processo administrativo em fiel consonância com a verdade real e com a realidade dos fatos. o acórdão proferido nos presentes autos deve ser prontamente reformado, devolvendose os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano base encerrado em 31/12/2006. Protesta a Recorrente pela exposição de razões adicionais às aqui expendidas, bem como pela sustentação oral de suas razões quando do julgamento do Recurso Voluntário por essa Turma julgadora. A extinta 2ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento, com o intuito de esclarecer os fatos, mediante a Resolução nº 1802000.319, de 11/09/2013, decidiu pela conversão do julgamento em diligência para a Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes – Demac/RJO informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° Fl. 210DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 7 6 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos e informar se os PER/DCOMPs n° 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existem decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. A Demac/RJO elaborou Despacho conclusivo para a análise, cientificado ao sujeito passivo em 22/11/2014, que se manifestou em 08/12/2013. Os autos foram devolvidos ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. Para facilitar o entendimento da lide transcrevo o voto condutor da Resolução nº 1802000. 319, de 11/09/2013, mencionada no relatório acima, no sentido de elucidar os fatos: Conforme relatado, o crédito de R$ 6.957,75, aventado nos presentes autos, referese a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, realizado por meio de DARF (cód. 2319), no valor total de R$ 23.192,53, referente ao período de apuração de 31/12/2006. declarado no PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.046040 (fls.02/06). Os fatos e fundamentos para o indeferimento do pleito, em sede de primeira instância, estão bem explicados no voto condutor do acórdão recorrido do qual se extraem os seguintes excertos: ... 7. Em consulta ao Sistema IRPJ, verifico que a interessada apresentou três DIPJ no ano calendário de 2006: a original (nº 1220872), em 29/06/2007, uma retificadora/cancelada (nº 1514415), em 25/08/2008, e outra retificadora/ativa (nº 1570152), em 21/10/2010, após a ciência do Despacho Decisório em 21/09/2010. Em todas três, são idênticos os valores das estimativas mensais informados na Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), os quais totalizam R$ 9.617.173,50 (fls.53/64), como demonstrado a seguir: ... Fl. 211DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 8 7 8. A interessada afirma, que após o recebimento do Despacho Decisório procedeu à retificação da Ficha 12B da DIPJ/2007, passando a fazer jus ao saldo negativo de R$ 103.179,76. 9. O Sistema IRPJ confirma (fls. 64/66), que o motivo do acréscimo do saldo negativo está no preenchimento da Ficha12B (“Cálculo do IR sobre o Lucro Real”), eis que, enquanto nas duas primeiras DIPJ a parcela dedutível do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” apresenta o valor de R$ 9.617.173,50, na DIPJ retificadora/ativa consta R$ 9.652.441,32. Consequentemente, o saldo negativo de R$ 67.911,94 das duas primeiras restou acrescido para R$ 103.179,76 na última DIPJ, como sintetizado a seguir: ... 10. Alega a interessada que, por essa razão, também efetuou a retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.02 1936 após a ciência do Despacho Decisório. De fato, no PER/DCOMP retificador de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls.34/46) declara a compensação de débito de IRPJ utilizando o crédito de R$ 67.850,66, proveniente do saldo negativo retificado de R$ 103.179,76. Após a compensação, o saldo do crédito original soma o montante de R$ 35.329,10. 11. Em pesquisa ao Sistema SIEFWeb (fls. 107), constato que a interessada também transmitiu, na mesma data, outro PER/DCOMP, de nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 67/70), no qual se utiliza de parcela do referido crédito remanescente de R$ 35.329,10, para compensar débito de IRPJ, apurando, após a compensação, o saldo de crédito de R$ 35.267,82. 12. Assim, há necessidade de se averiguar se o excesso recolhido a título de estimativa de IRPJ integra o saldo negativo de R$ 103.179,76 pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e se esse excesso foi utilizado para compensação de algum débito. ... 16. Com base nos dados informados na DIPJ/2007 retificadora/ativa, nas DCTF do ano calendário de 2006 e nos recolhimentos de estimativa efetuados constantes do Sistema SIEFWeb, elaborei o seguinte demonstrativo: ... 17. De sua análise, fica evidente que a interessada cometeu, de fato, um erro material no preenchimento das duas primeiras DIPJ/2007, ao deixar de informar na Ficha 12B das respectivas declarações o efetivo valor do “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa” – R$ 9.652.441,32 – e, consequentemente, do saldo negativo – R$ 103.179,78 após todos os recolhimentos de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 9 8 estimativa de IRPJ efetuados. Por essa razão, procedeu à entrega da terceira e última DIPJ/2007, ainda que após o recebimento do Despacho Decisório. 18. Vêse, assim, que todas as estimativas de IRPJ recolhidas a maior, no período de julho a dezembro/2006, totalizando o valor original de R$ 35.267,84, compõem efetivamente o saldo negativo de R$ 103.179,78, pleiteado no PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 19. A conduta da interessada de promover a retificação da DIPJ/2007 após a ciência do Despacho Decisório, bem demonstra o seu intuito de pleitear como crédito oriundo de saldo negativo, tanto os complementos de estimativa efetivamente recolhidos como os valores recolhidos a maior. Prova está na retificação do PER/DCOMP nº 33829.68784.230207.1.3.021936 pelo de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e, ainda, na transmissão do PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122, para declarar compensação de débitos com crédito oriundo do saldo negativo de R$ 103.179,78, no qual se incluem os valores pagos em excesso. Desse modo, a presente análise deve se ater ao mencionado saldo negativo retificado. 20. Sobre a matéria, o artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispõe que os créditos contra a Fazenda Pública devem ser líquidos e certos: ... 21. No caso concreto, o crédito pleiteado não apresenta, todavia, os requisitos de liquidez e certeza exigidos no referido diploma legal, pelos motivos que passo a expor. 22. Os PER/DCOMP de nº 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122, por meio dos quais a interessada utiliza como crédito, para efeito de compensação, parte do saldo negativo de R$ 103.179,78, ainda se encontram pendentes de análise conclusiva, de acordo com as informações extraídas do Sistema SIEFWeb (fls. 104 e 106). Em decorrência, o exame desse saldo credor não se consumou até a presente data, podendo ele ser confirmado ou não pela autoridade administrativa de jurisdição da interessada, do mesmo modo que o saldo remanescente de R$ 35.267,82 indicado no PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. 23. Vale ressaltar, que descabe nesta instância administrativa o exame do referido saldo negativo, eis que, se assim ocorresse, estarseia incorrendo em supressão de instância, com evidente prejuízo para a interessada no que concerne à sua defesa. 24. Outro fator que contribui para aumentar a incerteza quanto ao valor do crédito é o fato de o saldo negativo se referir ao ano calendário de 2006. Nessas condições, uma vez ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, tem a interessada a possibilidade de, no Fl. 213DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 10 9 prazo decadencial de 5 (cinco) anos, ou seja, até 31/12/2011, alterar pedidos feitos em PER/DCOMP anteriores ou mesmo apresentar novos pedidos, com a finalidade de compensar débitos com crédito proveniente desse saldo negativo, de vez que os excessos recolhidos de julho a dezembro/2006 se encontram disponíveis. 25. À vista do exposto, voto no sentido de não acolher as razões da manifestação de inconformidade interposta, motivo pelo qual não reconheço o direito creditório pleiteado no PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.046040 e não homologo a compensação nele declarada, do débito de CSLL, PA fevereiro/2007. Como se vê, a conclusão da DRJ é que: Comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, compõe o saldo negativo apurado ao término do ano calendário e que esse saldo credor, pleiteado em dois outros PER/DCOMP, se encontra pendente de análise pela autoridade administrativa competente, não se reconhece o direito creditório e não se homologa a compensação declarada, por ausência de liquidez e certeza do crédito pleiteado (art.170 do CTN). A Recorrente não se insurge quanto ao entendimento expendido pela DRJ no sentido de que o valor pleiteado no PER/DCOMP sob análise decorre de excesso de estimativa que compõe o saldo credor do IRPJ, declarado na DIPJ/2007, objeto de compensação em dois outros PER/DCOMP. A pretensão da Recorrente em sede recursal é que, os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 em que se analisa o saldo credor do IRPJ de 2006, não sejam óbice para a deliberação do pleito de que tratam os presentes autos. A Recorrente pede que sejam devolvidos os autos aos órgãos fiscalizatórios competentes para analisar o direito creditório da Requerente, bem como a regularidade das declarações de compensação transmitidas à Secretaria da Receita Federal do Brasil, de modo a verificar o verdadeiro e correto valor do Saldo Negativo da Requerente no ano calendário de 2006 e, por conseguinte, do montante do crédito efetivamente disponível para utilização nas compensações formalizadas no presente processo administrativo, bem como em eventuais outros processos. Finalmente requer seja dado provimento ao recurso voluntário, para que sejam homologadas as compensações requeridas, tendo em vista a existência de crédito a favor da Recorrente decorrente da apuração de saldo negativo de IRPJ em 31/12/2006. Caso não seja este o entendimento desse colegiado, requer a baixa dos autos para os órgãos fiscalizatórios da Secretaria da Receita Federal do Brasil para que procedam a análise do crédito objeto Fl. 214DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 11 10 dos presentes autos, em conjunto com os demais processos e PER/DCOMP que envolvam o aproveitamento do saldo negativo de IRPJ do ano base encerrado em 31/12/2006. Resta comprovado que o crédito pleiteado no PER/DCOMP objeto destes autos, oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ, relativo ao período de julho/2006, compõe o saldo negativo de R$ 103.179,78, apurado ao término do ano calendário de 2006, utilizado para compensação de débitos. Com efeito, descaracterizado o indébito do pagamento de estimativa, em virtude da afirmação acima, pode, em tese, ser atendido, em parte, o pedido formulado, na forma de saldo negativo, desde que reconhecido e informados os débitos compensados, via PER/DCOMP. Diante do exposto, voto no sentido de que os presentes autos sejam encaminhados à Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, que expediu o despacho decisório, para diligenciar e informar, se da análise dos PER/DCOMPs n° 16859.80336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.02 6122, e outros, restou reconhecido o saldo credor de IRPJ do ano calendário de 2006, no montante de R$ 103.179,78 e, qual a sua utilização para fins de compensação de débitos, para que se possa homologar ou não a compensação declarada pelo contribuinte e extinção dos débitos de que tratam os presentes autos. Finalmente informar se os PER/DCOMPs n° 16859.8 0336.211010.1.7.020768 e 34109.77151.211010.1.7.026122 constam de processo administrativo fiscal em tramitação e se existe decisões administrativas em relação a tais PER/DCOMPs. Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência ao Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, devem os autos retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. ... A Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ após verificar a situação dos mencionados PER/DCOMP, conforme constam do sistema SIEF Web, proferiu despacho com a seguinte informação: (...) PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122 (fls. 168). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 35.329,10. O débito no valor de R$ 65,50, código de receita 231901, data do fim do PA 30/06/2007 e vencimento em 31/07/2007 foi extinto. O Fl. 215DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16682.900885/201037 Acórdão n.º 1201001.325 S1C2T1 Fl. 12 11 PER/DCOMP com informação do crédito é o de nº 33829.68784.230207.1.3.021936. PER/DCOMP nº 30693.88902.170707.1.3.028798 (fls. 169). Este PER/DCOMP foi cancelado pela retificadora 34109.77151.211010.1.7.026122. ... PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768 (fls. 174). A compensação pleiteada neste PER/DCOMP foi totalmente homologada. O crédito é de saldo negativo de IRPJ do exercício 2007 e seu valor transmitido é de R$ 103.179,76. O débito no valor de R$ 69.261,95, código de receita 231901, data do fim do PA 31/01/2007 e vencimento em 28/02/2007 foi extinto. ... Depreendese da informação acima que houve o reconhecimento total de saldo negativo do IRPJ relativo ao ano calendário de 2006 no valor de R$ 103.179,76, do qual foi utilizado parte à compensação homologada do débito de R$ 69.261,95 mediante o PER/DCOMP nº 16859.80336.211010.1.7.020768, e outra parte à compensação homologada do débito de R$ 65,50 mediante o PER/DCOMP nº 34109.77151.211010.1.7.026122. Desse modo, verificado o mencionado saldo negativo no valor de R$ 103.179,76, inexiste óbice para que a pessoa jurídica possa utilizar o valor remanescente do referido saldo negativo para outro pedido de compensação, no caso o PER/DCOMP nº 33340.72146.280307.1.3.046040, respeitado o limite do crédito reconhecido e o valor ainda não utilizado pelo contribuinte. Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório no valor total de R$ 103.179,76, devendo a DCOMP objeto do presente processo ser homologada até o limite do crédito reconhecido, observadas, todavia, as demais compensações já realizadas com o mesmo crédito. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/ 02/2016 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 15374.901310/2008-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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Seção: Segunda Seção de Julgamento
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CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Para utilização em compensação de tributos é necessário que os créditos alegados gozem de liquidez e certeza, cabendo ao sujeito passivo a sua prova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO, que deu provimento. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Composição do Colegiado: participaram da sessão de julgamento os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA (Presidente), JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO, PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO, EDUARDO DE OLIVEIRA, JOSÉ ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARTIN DA SILVA GESTO, WILSON ANTÔNIO DE SOUZA CORRÊA (Suplente convocado) e MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 01 31 0/ 20 08 -3 8 Fl. 581DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 582 ___________ Relatório O presente processo é relativo a pedido de compensação substanciado na Per/DComp de fls. 02 a 06, pela qual a contribuinte FUNDAÇÃO PETROBRAS DE SEGURIDADE SOCIAL pretende utilizar parte do alegado crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), no valor de R$ 2.446,42, para compensar débito posterior do mesmo tributo no valor de R$ 2.504,64, ambos referentes ao anocalendário 2004. Conforme Despacho Decisório (fl. 07), a compensação declarada não foi homologada, uma vez que o pagamento informado teria sido integralmente utilizado para quitação de outro débito, não restando crédito disponível para a compensação realizada. Cientificada da decisão em 05/05/2008 (fl. 09), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 04/06/2008 (fls. 10 e 11), alegando, em síntese, que a compensação fora efetuada sem que tivesse realizada a devida retificação da DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do 1° trimestre de 2004, relativamente ao crédito original da PERDCOMP, mas a retificação foi feita para regularização da questão. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Fazse mister que os créditos empregados em compensação de tributos gozem de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi cientificado da decisão em 1º/06/2010, por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) à fl. 85, tendo interposto recurso voluntário em 1º/07/2010 (fls. 98 a 110), o qual alega, em síntese: O despacho decisório não levou em conta a DCTF retificadora, ao afirmar que o pagamento indicado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado na quitação de débitos; embora a DCTF original informasse sobre a extinção do débito no valor integral dos DARF's recolhidos, que somam R$ 9.801.949,78, na DCTF retificadora o valor do débito referente a 3ª semana de fevereiro de 2004 é na verdade de R$ 9.799.503,36, o que resulta em um crédito remanescente de R$ 2.446,42, conforme cópias anexas da DCTF retificadora e de registros contábeis. É o relatório. Fl. 582DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15374.901310/200838 Resolução nº 2202003.200 S2C2T2 Fl. 583 3 Voto O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. A Recorrente alega que o despacho decisório, ao afirmar que o pagamento indicado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado na quitação de débitos, não levou em conta a DCTF retificadora. Sustenta que embora a DCTF original contivesse a informação quanto à extinção do débito no valor integral dos DARF's recolhidos, que somam R$ 9.801.949,78, na DCTF retificadora o valor do débito referente a 3ª semana de fevereiro de 2004 é na verdade de R$ 9.799.503,36, resultando em um crédito remanescente de R$ 2.446,42, ora pleiteado. Visando à comprovação de suas alegações, a Recorrente apresentou cópias da DCTF retificadora e de registros contábeis (fls. 163 e seguintes). No entanto, mediante cotejo entre as informações apresentadas, não foi possível concluir que os valores que constam da declaração retificadora tenham suporte nos registros contábeis exibidos. Para que os créditos sejam utilizados na compensação de tributos, é imperativo que eles sejam líquidos e certos, o que não ocorre no presente caso, pois a Recorrente não logrou comprovar a existência dos créditos alegados, embora tenha apresentado diversos registros contábeis. É que, mediante confrontação entre as DCTFs retificadoras e tais registros, não foi factível determinar que as informações retificadas estejam corretas e de acordo com a contabilidade. É dever do Fisco proceder a análise do crédito, porém o contribuinte, que reclama o pagamento indevido, tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. A alegação da existência do crédito desacompanhada de elementos robustos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Dessa forma, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Relator Fl. 583DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/02/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.720131/2013-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.
A intimação aconteceu em julho de 2011, enquanto que o Auto de Infração refere-se ao ano-calendário 2008. Considerando o prazo decadencial de cinco anos, não há que se cogitar ocorrência de decadência.
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO ACERCA DA DILIGÊNCIA.
Não existe nulidade, pois, apesar de não ter havido intimação da Recorrente durante a diligência, houve intimação logo após a sua conclusão. A Recorrente teve a oportunidade de se manifestar e apresentar documentos, mas se limitou a alegar nulidade. A DRJ, órgão que determinou a diligência, entendeu que ela cumpriu o seu objetivo e que foi dada a oportunidade de defesa à Recorrente. Nulidade afastada.
IRPJ e CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS.
A Recorrente não comprovou que cometeu erros para mais (que lhe prejudicavam) e para menos (que lhe beneficiariam) quando da transposição dos valores das notas fiscais para o Livro Razão. Não havendo comprovação de que, na verdade, registrou mais receitas do que deveria, não há como afastar a infração a ela imputada.
IRPJ e CSLL. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS.
Não tendo havido comprovação das despesas com subcontratação de transporte de cargas, a glosa deve ser mantida.
MULTA DE OFÍCIO de 75%. CONFISCATORIEDADE.
Conforme jurisprudência do STF, a multa apenas é confiscatória quando o seu valor supera o valor do crédito tributário, motivo pelo qual a multa de 75% sobre o principal deve ser mantida.
Numero da decisão: 1401-001.500
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário.
Documento assinado digitalmente.
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Marcos de Aguiar Villas-Bôas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos Villas-Bôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini.
Nome do relator: MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS
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Despesas não comprovadas. Recorrente Braspress Transportes Urgentes Ltda. Recorrida Faenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. A intimação aconteceu em julho de 2011, enquanto que o Auto de Infração referese ao anocalendário 2008. Considerando o prazo decadencial de cinco anos, não há que se cogitar ocorrência de decadência. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO ACERCA DA DILIGÊNCIA. Não existe nulidade, pois, apesar de não ter havido intimação da Recorrente durante a diligência, houve intimação logo após a sua conclusão. A Recorrente teve a oportunidade de se manifestar e apresentar documentos, mas se limitou a alegar nulidade. A DRJ, órgão que determinou a diligência, entendeu que ela cumpriu o seu objetivo e que foi dada a oportunidade de defesa à Recorrente. Nulidade afastada. IRPJ e CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. A Recorrente não comprovou que cometeu erros para mais (que lhe prejudicavam) e para menos (que lhe beneficiariam) quando da transposição dos valores das notas fiscais para o Livro Razão. Não havendo comprovação de que, na verdade, registrou mais receitas do que deveria, não há como afastar a infração a ela imputada. IRPJ e CSLL. CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS. DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Não tendo havido comprovação das despesas com subcontratação de transporte de cargas, a glosa deve ser mantida. MULTA DE OFÍCIO de 75%. CONFISCATORIEDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 01 31 /2 01 3- 68 Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 2 Conforme jurisprudência do STF, a multa apenas é confiscatória quando o seu valor supera o valor do crédito tributário, motivo pelo qual a multa de 75% sobre o principal deve ser mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário. Documento assinado digitalmente. Antonio Bezerra Neto Presidente. Documento assinado digitalmente. Marcos de Aguiar VillasBôas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (presidente da turma), Guilherme Mendes, Ricardo Marozzi, Marcos VillasBôas (relator), Fernando Mattos e Aurora Tomazini. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por Braspress Transportes Urgentes Ltda. contra o Acórdão 1049.927 da DRJ de Porto Alegre, que julgou improcedente Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 15 3 a Impugnação da contribuinte, ora Recorrente, e, portanto, procedente o Auto de Infração lavrado contra ela. Originariamente, tratase de Auto de Infração por meio do qual se exige o crédito tributário no valor de R$ 109.230.109,94 em decorrência de glosa de despesas relativas a subcontratação de transporte de carga, que geraram um novo cálculo do IRPJ e da CSLL devidos pela Recorrente, além de omissão de receitas por diferenças entre os valores das notas fiscais e do Livro Razão. Aproveito aqui o relatório do Acórdão da DRJ por tratar detalhadamente das fases iniciais do processo administrativo: "Trata o processo de autos de infração de IRPJ (fls. 1725/1745) e de CSLL (fls. 1746/1763), exigindo um crédito tributário total de R$ 109.230.109,94. Foram lançadas, também, as contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, consolidadas no processo nº 19515.720133/201357. Tais exigências não estão contempladas no presente processo. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal – IRPJ e Reflexo, folhas 1626 a 1631, a partir dos arquivos de notas fiscais digitais da pessoa jurídica, apresentados em CD e validados no sistema SVA pelo contribuinte em 17/09/2012, foram identificadas diferenças entre os totais das notas fiscais e os totais contábeis registrados na conta do Razão nº 41102, no anocalendário de 2008: R$ 15.334,65, no primeiro trimestre; R$ 2.362.627,31, no terceiro trimestre, e R$ 3.699.676,66, no quarto trimestre. Também foram glosadas despesas não comprovadas no mesmo período, sendo R$ 8.491.846,40, no primeiro trimestre; R$ 37.002.908,70, no segundo trimestre; R$ 48.032.183,85, no terceiro trimestre, e R$ 58.169.306,65, no quarto trimestre, apuradas a partir de arquivos digitais de notas fiscais de terceiros e de notas fiscais digitalizadas, relativas à subcontratação de transportes de cargas, validados no sistema SVA pelo contribuinte em 17/09/2012, conforme recibo de entrega. O contribuinte apresentou a impugnação de folhas 1781 a 1807, afirmando que tem como objeto social a prestação de serviços de transporte rodoviário de carga e encomendas, por conta própria ou de terceiros, de âmbito intermunicipal ou interestadual, inclusive de acordo com a Portaria 344/98 para transporte de medicamentos, cosméticos e correlatos, perfumes, produtos de higiene, drogas, insumos farmacêuticos, saneante domissanitário, embalagens, alimentos e substâncias sujeitas a controle especial, servindo o cliente, retirando a carga ou recebendo em suas instalações, conforme o caso, e entregando ao destinatário. Alega cerceamento do direito de defesa. Entretanto, todos os seus argumentos relacionamse aos lançamentos da Cofins e do PIS/Pasep. Da mesma forma, tece argumentos quanto à precariedade da autuação fiscal, relativas às glosas de créditos para a Cofins e PIS/Pasep, a realização de pagamentos nos meses de outubro e novembro e sobre os conceitos de insumos em razão da glosa dos créditos relativos aos valores de pedágios, estacionamento e gerenciamento de riscos. Fl. 2171DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 4 Em relação ao IRPJ e CSLL, alega que as diferenças apontadas como omissão de receitas, no total de R$ 6.077.638,62, decorrem de falha na autuação, vez que, ardilosamente, a fiscalização lançou na planilha os valores relativos à diferença entre as notas fiscais e razão, somente quando o resultado foi positivo, deixando de colocar os valores nos demais meses, quando o valor escriturado no razão foi maior que o apurado pelas notas fiscais. Conforme demonstrativo constante às folhas 3 do termo de constatação fiscal, o total apurado pela fiscalização com base nas notas fiscais foi de R$ 320.402.648,78, enquanto o valor escriturado, conforme o razão, foi de R$ 335.127.695,13. Em razão desse fato, questiona: como pode ser autuado por omissão de receitas se o valor escriturado pela empresa no ano calendário de 2008 é superior ao valor apurado pelo fisco em R$ 14.725.046,35? Esclarece que a divergência no registro das receitas se deve a falhas de integração entre sistemas e, em algumas vezes, por falha humana, principalmente por ser uma empresa que possui dezenas de filiais espalhadas por todo o País, o que faz com que as divergências sejam corrigidas posteriormente. Em relação à glosa de custos, despesas operacionais e encargos, por falta de comprovação, no montante de R$ 151.696.245,60, alega ser totalmente improcedente, pois a fiscalização em nenhum momento lhe abriu a oportunidade de comprovar tais despesas, que jamais foram questionadas, ou foi intimado a prestar quaisquer esclarecimentos. Alega que da leitura do item 2.3 do termo de verificação fiscal glosa de despesas não comprovadas – resta claro que a fiscalização somente considerou as despesas relativas a subcontratação de transporte de cargas, separando as empresas optantes e não optantes pelo Simples, desconsiderando todas as demais despesas operacionais, custos e encargos da empresa. Alega ser evidente que as despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ não se limitam a subcontratação de transporte de cargas. Todavia, a fiscalização, de forma totalmente arbitrária, apurou a diferença entre as despesas lançadas pela empresa, deduziu somente as despesas relativas à subcontratação de transporte de cargas e considerou todos os demais valores em despesas não comprovadas, num procedimento que não encontra correspondência com os princípios da moralidade e eficiência que norteiam a Administração Pública. Alega que dentre as notas fiscais relativas à subcontratação de transporte a fiscalização efetuou glosas relacionadas em três planilhas: (1) – Mad Mestre Glosas Transportes de Carga – NF. As notas fiscais relacionadas nessa planilha, ou se referem a subcontratação de fretes ou são insumos e não apresentam qualquer irregularidade que justifique as glosas, pois todas as empresas ali relacionadas possuem situação cadastral regular (docs. 20/31 – fls. 1916/1937); (2) – Mad Mestre Transporte de Carga – Glosas Não Apresentação e (3) – Mad Mestre Glosas de Transporte de Carga PF. A fiscalização glosou todas as notas fiscais dos fornecedores SR Logística de Transporte Ltda. e Transpacífico Transportes Ltda., no valor de R$ 113.837,86, e os serviços prestados por pessoas físicas, no valor de R$ 481.114,72 (dos. 18/19 – fls. 1902/1915), sem qualquer Fl. 2172DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 16 5 justificativa e sem solicitar qualquer documento, sendo que a empresa possui todos os documentos relativos a essas despesas. Alega que não há como ser mantida a autuação, uma vez que a fiscalização deixou evidente que não computou todos os custos, despesas operacionais e encargos da empresa para fins de apuração das bases de cálculos do IRPJ e CSLL. Alega ser imprescindível a realização de diligência de modo a melhor elucidar os fatos narrados na autuação fiscal, lhe oferecendo oportunidade de apresentar todos os documentos necessários para a cabal comprovação da legitimidade dos valores apurados em sua escrita fiscal. Alega que a multa imposta é excessiva, devendo ser desconstituída ou, no mínimo, reduzida, tendo em vista o seu caráter confiscatório. Por fim, requer que seja reconhecida a nulidade do auto de infração ou, alternativamente, a realização de diligência a fim de que os fatos expostos sejam melhor analisados, bem como para que o fisco apresente os demonstrativos que não lhe foram entregues. Requer, ainda, que as intimações sejam encaminhadas ao endereço do patrono de sua defesa. O processo foi remetido em diligência (fls. 2016/2017) para que o autuante (1) identificasse individualmente quais os lançamentos contábeis foram glosados por falta de comprovação e o motivo pelo qual foi considerado não comprovado (p. ex. falta de apresentação do documento, falta de discriminação do serviço prestado na nota fiscal, falta de comprovação do pagamento, etc.); (2) intimasse o contribuinte para apresentar os comprovantes das referidas despesas; (3) se manifestasse conclusivamente sobre os eventuais comprovantes apresentados pelo contribuinte, mantendo ou não os valores lançados, e (4) cientificasse o contribuinte do resultado da diligência, reabrindo o prazo de trinta dias para que ele pudesse se manifestar a respeito, caso fosse do seu interesse. Retornaram os autos com o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 2023/2025) no qual a autuante tece as seguintes considerações: 1 – As glosas se referem única e exclusivamente a despesas relativas à subcontratação de serviços de transporte de cargas durante o anocalendário de 2008, referente ao valor total de R$ 164.082.535,10 escriturado no Razão (demonstrativo de fls. 1724 do item 2.3 do termo de constatação). Diferentemente do que alega o contribuinte, foram mantidas todas as demais despesas operacionais, custos e encargos da empresa, nada foi desconsiderado. O demonstrativo do item 2.3 do termo de constatação teve seus valores extraídos do arquivo contábil digital (item 2.1 a), que gerou as planilhas mensais do Razão com contrapartidas de folhas 1141 a 1607, conta 4.01.01.02 – Despesas com Distribuição e Transferência de Cargas, nas quais constam individualizados os lançamentos contábeis das despesas denominadas Fretes e Carretos Distribuição, no total de R$ 106.193.900,53, e Fretes e Carretos Transferência, no total de R$ 57.895.320,20. 2 – O demonstrativo do item 2.3 é um batimento entre o que foi declarado no Razão e a DIPJ coluna (D), no total de R$ Fl. 2173DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 6 164.082.535,10, com os totais de valores mensais das notas fiscais extraídas dos arquivos digitais fiscais SVA do CD de subcontratação de transporte de carga (fls. 135), como também das notas fiscais digitalizadas (comprovantes de fls 136/1118), ambos apresentados pelo contribuinte, no total de R$ 12.386.289,50. Ressalta que o total apresentado pelo contribuinte seja em relação ao somatório das notas fiscais extraídas dos arquivos digitais, como também das notas fiscais digitalizadas (A) + (B) = (C) é de R$ 12.386.289,50, nada além desse montante. Portanto, a glosa ((D) – (C)), no total de R$ 151.696.245,60, referese à diferença entre o valor total declarado (D) e o valor de R$ 12.386.289,50 (C) relativo às notas fiscais apresentadas. 3 – O termo de constatação fiscal e os autos de infração foram enviados ao contribuinte juntamente com um CD contendo os arquivos MAD Mestre Transporte de Carga Crédito Básico e MAD Mestre Transporte de Carga Crédito Presumido Simples, arquivos de notas fiscais. Eles têm este nome por se tratarem de arquivos também utilizados nos lançamentos do PIS e Cofins. O recibo do SVA dos arquivos que compõem CD encontrase à folha 1632, sendo que se trata do mesmo conteúdo e nº de identificação geral SVA dos arquivos de folhas 1633 a 1698, que o julgador afirma não terem sido anexadas aos autos (planilhas com as notas fiscais aceitas pela fiscalização, referente à subcontratação de transportes de carga – Simples, no total de R$ 8.986.004,00, e planilhas com notas fiscais aceitas de subcontratação de transporte de carga outras pessoas jurídicas, exceto Simples, no total de R$ 3.400.285,34). 4 – Concluindo, a autuante afirma que os lançamentos glosados não podem ser identificados individualmente pelo fato de o contribuinte não ter apresentado em resposta à inúmeras intimações, efetuadas durante um ano e meio de fiscalização, as notas fiscais nem planilhas extraídas dos arquivos fiscais. Afirma que, em razão do tempo em que foi efetuada a fiscalização, o contribuinte teve tempo suficiente para apresentar os documentos em atendimento às intimações. Por fim, afirma que os valores lançados estão corretos. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifesta se às folhas 2032 a 2037, alegando que a agente fiscal relata o que a Turma de Julgamento lhe exigiu e responde por conta própria aos quesitos, segundo sua própria opinião, o que é impossível de ser aceito, pois não houve diligência. O que se nota é qua a agente fiscal respondeu ao seu bel prazer, segundo sua convicção, ferindo e desrespeitando a determinação do setor de julgamento e em prejuízo frontal ao contribuinte, maculando o trabalho fiscal e capaz de ver anulada a peça fiscal pelos seus próprios atos. Alega que, lendo o relatório de diligência fiscal recebido, se viu obrigado a pedir vistas dos autos. Assim, depois de receber a cópia do processo, que localizou a ordem de diligência, tendo oportunidade de constatar que algo de estranho ocorria no processo, porque a Turma de Julgamento queria aclarar a autuação fiscal que diz sobre planilhas e créditos, cujo assunto é estranho ao processo. Alega que nas respostas dadas aos quesitos pela auditora ficou óbvio o cerceamento de direito ao contribuinte, contrariando o bom senso, a lei e a verdade. Ao contrário do que afirma a Fl. 2174DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 17 7 auditora, atendeu as intimações, conforme faz prova os protocolos anexos e outros documentos entregues sem esse cuidado. Alega que o termo recebido da auditora para tomar ciência das respostas e conclusões dela própria é imprestável para o direito de ampla defesa, pois houve total desrespeito à diligência requerida, na medida que o relator entendeu haver necessidade de diligência por inúmeras razões e inclusive com questões de ausência de planilhas e créditos, cujo assunto é estranho ao processo. Dessa forma, requer que seja reconhecida a nulidade do auto de infração, por ter conduta estranha e temerária em seu processamento. Anexou como prova de suas alegações cópias de recibos de entrega de arquivos digitais à fiscalização (fls. 2038/2046) e cópia do acórdão nº 3301001.788, e correspondentes votos, da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, relativamente à pessoa jurídica com atividade análoga, que admite como geradoras de créditos as despesas glosadas pela autuante (fls. 2047/2060). A DRJ de Porto Alegre analisou a Impugnação e lhe julgou improcedente, lavrando Acórdão ementado da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 IRPJ/CSLL. DILIGÊNCIA A realização de diligência é ato discricionário do julgador, que a determinará ou a indeferirá segundo o seu entendimento a respeito da prescindibilidade das informações para o julgamento, e destinase a esclarecer dúvidas surgidas em face da impugnação do sujeito passivo. Não se presta a produzir provas que o impugnante deveria ter apresentado na impugnação. Quando solicitada pelo impugnante, deve ser elaborada com os motivos que a justifique e com a formulação de quesitos referentes aos exames que ele deseja sejam efetuados. IRPJ/CSLL. DILIGÊNCIA. ORDEM DE INTIMAÇÃO. A falta de intimação no procedimento de diligência para que o contribuinte apresente os comprovantes dos lançamentos contábeis fica suprida com o conhecimento do inteiro teor do despacho correspondente. IRPJ/CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS. DIFERENÇAS ENTRE O VALOR CONTABILIZADO E O VALOR DECORRENTE DA SOMA DAS NOTAS FISCAIS. Cabe ao sujeito passivo comprovar que a receita não contabilizada em determinado mês o foi em mês subsequente. IRPJ/CSLL. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. Os valores contabilizados a título de custos, despesas ou encargos devem estar lastreados em documentos fiscais, os quais devem ser apresentados à fiscalização quando solicitados ou na impugnação, para afastar a exigência fiscal. Fl. 2175DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 8 IRPJ/CSLL MULTA DE OFÍCIO. A vedação constitucional de utilização de tributo com efeito confiscatório é dirigida ao legislador, que deve observar tal princípio na elaboração da lei. Uma vez editada a norma legal, ao agente do fisco cabe, apenas, a sua aplicação. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Inconformada com o entendimento do referido Acórdão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual trouxe os seguintes argumentos: a) Não teria havido diligência, pois a Recorrente não foi intimada durante a fase de resposta aos quesitos. Segundo ela, a Agente Fiscal respondeu por conta própria os quesitos. I Das atividades desenvolvidas pela Recorrente b) Explica que presta serviços de transportes e tem o dever de contratar seguro, que é um insumo seu. II Do cerceamento de defesa c) A Recorrente diz ter atendido tudo o que foi solicitado pela fiscalização, mas que não lhe foi fornecida nenhuma informação durante o procedimento, para que pudesse colaborar mais ou realizar as devidas correções em relação a erros cometidos. d) Alega que a fiscalização mencionou despesas não comprovadas sem especificar os valores, sem discriminálas e sem comproválas. e) Alega que o "Setor de Julgamento" determinou que houvesse sua intimação durante a diligência, de forma que houve cerceamento de defesa, conforme inciso LV, do art. 5º, da CF/88. A intimação era, segundo ela, imprescindível, pois o procedimento busca a verdade material. f) Alega que a falta de esclarecimentos e não entrega de demonstrativos ocasionou a nulidade da autuação fiscal. III IRPJ e CSLL Omissão de receitas g) Alega que a Agente Fiscal "ardilosamente" lançou diferenças na planilha, baseada em comparações entre notas fiscais e Livro Razão, apenas quando encontrou saldo positivo. h) Alega que o valor escriturado no Razão é superior aos valores somados das notas fiscais e questiona como houve, então, omissão de receitas. IV IRPJ e CSLL Custos, Despesas Operacionais e Encargos Despesas não comprovadas i) Não se pode falar em despesas não comprovadas se não foi aberta possibilidade para que a Recorrente comprovasse suas despesas. j) Afirma restar claro que a autuação fiscal apenas considerou despesas com subcontratação de transporte de carga, mas não considerou as demais despesas. Segundo ela, está claro que as despesas não se limitam a essa subcontratação. Fl. 2176DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 18 9 k) Cita precedente do CARF que trata de créditos de Cofins. l) Afirma, por fim, que a DRJ está errada quando diz que a Recorrente não apresentou a documentação quando da Impugnação e da diligência, pois ela solicitou a diligência exatamente para que pudesse fazer isso, mas não foi intimada durante ela. V Decadência m) Com base no art. 150, §4º, do CTN, alega decadência do mês de janeiro de 2008. VI Do caráter confiscatório da multa imposta n) Alega que a multa de ofício aplicada é punitiva e tem efeito confiscatório. o) Cita precedente do STF que trata de multa aplicada sobre o valor da operação, e não do tributo exigido. Por fim, a Recorrente pede o provimento do Recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos de Aguiar VillasBôas Relator Fl. 2177DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 10 O Recurso Voluntário é tempestivo. Preliminar de decadência A Recorrente alega decadência sem demonstrar porque ela teria acontecido. Não cita a data de intimação, nem traz qualquer outra explicação. A intimação aconteceu em julho de 2011, enquanto que o anocalendário fiscalizado foi 2008, de forma que não faz sentido a alegação da Recorrente e deve ser afastado o pedido de decadência. Preliminar de nulidade por cerceamento de defesa A Recorrente alegou cerceamento de defesa, pois não lhe foram fornecidas informações durante a fiscalização e porque ela não teria sido intimada durante a diligência, na fase de resposta aos quesitos. Não assiste razão à Recorrente, pois, conforme entendimento da DRJ, a intimação acerca da diligência realizada aconteceu normalmente ao seu fim. A Recorrente poderia ter apresentado documentação no momento da Impugnação ou da intimação da diligência, mas não o fez. Ela poderia, também, ter requerido a apresentação de novos questionamentos à fiscalização, porém se limitou a pedir a nulidade da diligência. Conforme a Agente Fiscal informa na sua resposta à diligência e é possível constatar a partir dos documentos do procedimento de fiscalização, a Recorrente recebeu inúmeras intimações que não foram respondidas. Segundo a Agente Fiscal afirma especificamente sobre a glosa de despesas com subcontratação de transporte: "Cabe esclarecer e ressaltar que o montante total apresentado pelo contribuinte seja em relação ao somatório das notas fiscais extraídas dos arquivos fiscais digitais como também das notas fiscais digitalizadas (A) + (B) = (C) é de R$ 12.286.289,50, nada além desse montante. Para tanto esta fiscalização intimou, de forma objetiva e reiterada a empresa desde 14.06.2011 até o encerramento em 01.2013, conforme detalhado no presente processo." Deste modo, a Recorrente teve um ano e meio durante o procedimento de fiscalização e todo este processo administrativo fiscal para comprovar as despesas com subcontratação, mas não o fez. Os valores utilizados pela Agente Fiscal foram obtidos na contabilidade da Recorrente e foram abatidos os valores relativos às notas fiscais por ela apresentadas, ou seja, as despesas comprovadas. De acordo com a DRJ: Fl. 2178DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 19 11 "Esses aspectos estão expostos de forma clara nos itens 2.2 e 2.3 do Termo de Constatação Fiscal. A questão que ficou dúbia, objeto da diligência, foi se a glosa das despesas de subcontratação de transporte de cargas referiase a notas fiscais escrituradas pelo contribuinte (por presumirse que os lançamentos contábeis estivessem lastreados em documentos fiscais) e que haviam sido apresentadas à fiscalização, daí o pedido para que a autuante identificasse individualmente quais os lançamentos contábeis haviam sido glosados por falta de comprovação e o motivo pelo qual foi considerado não comprovado. Esse ponto foi devidamente esclarecido: a glosa deveuse ao fato de o contribuinte não ter apresentado as notas fiscais relativas às despesas escrituradas" (fl. 7 do Acórdão). A DRJ, que havia determinado a diligência, entendeu que a intimação ao final do procedimento supriu a intimação durante ele, de modo que o próprio "Setor de Julgamento", como coloca a Recorrente, decidiu que não houve nulidade. Não faltaram informações e ciência à Recorrente. Faltou a ela comprovar que, de fato, subcontratou transporte de cargas, no anocalendário de 2008, naqueles valores que registrou em sua contabilidade e que aproveitou na dedução do IRPJ e da CSLL, conforme entendeu a DRJ: "Em relação à determinação para que o contribuinte fosse intimado para apresentar os comprovantes das referidas despesas, mesmo que não tenha havido uma intimação específica a respeito, ao tomar conhecimento do inteiro teor do despacho de diligência ficou suprida essa intimação. Sendo o motivo da autuação a falta de apresentação dos documentos fiscais, resta evidente que se esperava que o contribuinte apresentasse esses documentos" (fl. 7 do Acórdão). Concluise que a Recorrente teve inúmeras oportunidades de comprovar que incorreu em despesas de subcontratação de transporte de cargas, mas não o fez, pois estava muito claro que lhe caberia fazer isso, sobretudo após ser intimada a respeito da diligência. Afasto, portanto, o pedido de nulidade. IRPJ e CSLL omissão de receitas A Agente Fiscal identificou diferenças entre o valor somatório das notas fiscais e o Livro Razão (conta 41102), uma vez que, nos meses de março, agosto, setembro e novembro de 2008, a Recorrente registrou valores a menor no Livro Razão. Verificados erros na contabilidade do contribuinte, cabe à Agente Fiscal intimála para demonstrar o ocorrido e, eventualmente, comprovar que não houve pagamento a menor de tributos (obrigação principal), mas apenas erro no cumprimento da obrigação acessória. A Recorrente não trouxe provas durante a fiscalização, nem durante este processo administrativo fiscal. Fl. 2179DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 12 A Recorrente se resumiu a alegar que a fiscalização errou ao lhe atribuir omissão de receitas quando os valores calculados a partir do Livro Razão pela própria Agente Fiscal superam os valores somados das notas fiscais. Novamente, não assiste razão à Recorrente. Se ela alega que cometeu erros que lhe prejudicam e outros que lhe beneficiam, precisava ter comprovado que isso aconteceu. O contribuinte não consegue afastar infrações com alegações genéricas. Elas precisam ser devidamente comprovadas. A DRJ andou bem ao manter a infração com base nos seguintes argumentos: "O contribuinte alega que a fiscalização agiu ardilosamente, pois lançou somente as diferenças positivas, desconsiderando que o total escriturado pela empresa foi superior em R$ 14.725.046,35 aos valores por ela apurados. Está correta a fiscalização. Observemse os seguintes dispositivos do RIR/99, abaixo transcritos: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo Único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). O dever de escriturar é do sujeito passivo. A obrigação da fiscalização é identificar as infrações à legislação tributária incorridas pelos contribuintes. Assim, nos casos de diferenças a menor na escrituração contábil e nos valores oferecidos à tributação identificados em procedimento de fiscalização, cabe ao contribuinte comprovar a alegação de que o valor escriturado a menor em determinado período de apuração foi escriturado em período de apuração subseqüente. No caso dos autos, o contribuinte não demonstrou que as receitas que deixaram de ser escrituradas nos meses apontados pela fiscalização foram escrituradas em períodos de apuração posteriores. Da mesma forma, não demonstrou ter incorrido em erro nos períodos em que a receita contabilizada foi superior à soma das notas fiscais". Deve ser, portanto, mantido o entendimento da DRJ e julgado procedente o Auto de Infração quanto a este item. IRPJ e CSLL Custos, Despesas Operacionais e Encargos Despesas não comprovadas Fl. 2180DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS Processo nº 19515.720131/201368 Acórdão n.º 1401001.500 S1C4T1 Fl. 20 13 Este ponto referese ao já analisado tema da glosa de despesas com subcontratação de transporte de cargas. Valem as considerações realizadas anteriormente. Somese ao exposto que, especialmente após a diligência, ficou bastante claro o procedimento engendrado pela fiscalização, que considerou contas da contabilidade da Recorrente para realizar a glosa referente a esses transportes subcontratados. A Recorrente nunca trouxe um argumento concreto a respeito da glosa, sempre tentando imputar nulidade ao procedimento ou lançar argumentos genéricos como a impossibilidade de compreender a cobrança e a suposta existência de outras despesas dentro daqueles valores. A Recorrente cita, então, um precedente do CARF que trata de créditos de COFINS, não aplicável ao caso aqui em discussão. Por fim, afirma que apresentou toda a documentação cabível e pediu a diligência para que pudesse apresentar mais provas que fossem necessárias, não o tendo feito pelo fato de não ter sido intimada durante a diligência. Valem as considerações anteriores. A Recorrente foi intimada após a conclusão da diligência. Ela não apresentou os documentos comprobatórios das despesas ou quaisquer outros que pudessem lhe servir no presente processo. Deve ser mantida a infração. Do caráter confiscatório da multa imposta A Recorrente alega confiscatoriedade da multa de ofício de 75%, que é amplamente aplicada e aceita pela jurisprudência do CARF e dos tribunais superiores brasileiros. A Recorrente cita entendimento do STF a respeito de um caso em que a multa havia sido aplicada sobre o valor da operação, que é bastante diferente da aplicação de multa de ofício de 75% sobre o valor dos tributos devidos. Por sinal, o próprio STF tem consolidado entendimento no sentido de que a multa pode ser aplicada até o montante do principal, ou seja, ela pode ser de até 100% do valor do tributo exigido, conforme acórdão recente do próprio STF: "TRIBUTÁRIO – MULTA – VALOR SUPERIOR AO DO TRIBUTO – CONFISCO – ARTIGO 150, INCISO IV, DA CARTA DA REPÚBLICA. Surge inconstitucional multa cujo valor é superior ao do tributo devido. Precedentes: Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 551/RJ – Pleno, relator ministro Ilmar Galvão – e Recurso Extraordinário nº 582.461/SP – Pleno, relator ministro Gilmar Mendes, Repercussão Geral" (Ag. Reg. no Recurso Extraordinário 833.106 Goiás, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 25/11/2014). Fl. 2181DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS 14 Sendo assim, deve ser mantida a multa de ofício de 75%. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos de Aguiar VillasBôas Fl. 2182DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS BOAS, Assinado digitalmente em 15 /02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARCOS DE AGUIAR VILLAS B OAS
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Numero do processo: 19515.005437/2008-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO.
Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32.
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
ÔNUS DA PROVA.
Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
Numero da decisão: 2301-004.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Súmula CARF 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. ÔNUS DA PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso. JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2015-12-18T18:36:31Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-12-18T18:36:31Z; Last-Modified: 2015-12-18T18:36:31Z; dcterms:modified: 2015-12-18T18:36:31Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:7f88ee5e-63fe-4b3f-9d6b-e68e6ecad0fb; Last-Save-Date: 2015-12-18T18:36:31Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-12-18T18:36:31Z; meta:save-date: 2015-12-18T18:36:31Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-12-18T18:36:31Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-12-18T18:36:31Z; created: 2015-12-18T18:36:31Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2015-12-18T18:36:31Z; pdf:charsPerPage: 2112; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-12-18T18:36:31Z | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 446 1 445 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005437/200823 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.394 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Depósito Bancário De Origem Não Comprovada Recorrente LI JIANYI Recorrida União (Fazenda Nacional) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003, 2004, 2005 INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO QUE AMPARA O LANÇAMENTO. Súmula CARF 2 “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TRIBUTAÇÃO. SÚMULA CARF 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicável a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo e dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. TITULARIDADE DOS DEPÓSITOS. SÚMULA CARF 32. A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. ÔNUS DA PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 54 37 /2 00 8- 23 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1733.089, exarado pela 8ª Turma da DRJ em São Paulo II (fls. 413 a 419 – numeração dos autos eletrônicos). O auto de infração (fls. 345 a 353), é referente imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes aos anoscalendário 2003 a 2005, por intermédio do qual lhe exigido crédito tributário de R$1.446.694,02, dos quais R$645.235,56 correspondem a imposto, R$483.926,65 à multa proporcional e R$317.531,81 a juros de mora, calculados até 30/09/2008. O termo de verificação fiscal (fls. 338 a 344) descreve que o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a fiscalização efetuado relação de cada depósito/crédito individualizado e encaminhado juntamente com a intimação (fls. 08 a 35). Da documentação analisada durante o desenvolvimento da ação fiscal em confronto com os créditos/depósitos ocorridos nas contas bancárias identificadas restaram não comprovados os créditos/depósitos constantes da "Relação de Créditos/Depósitos não Comprovados" (fls. 284 a 334), totalizando R$2.380.479,92 (dois milhões, trezentos e oitenta mil quatrocentos e setenta e nove reais e noventa e dois centavos). Na coluna "omissão apurada" da citada planilha foram transcritos 50% dos créditos/depósitos não comprovados ocorridos nas contascorrentes e poupanças nas quais há cotitularidade. A omissão de rendimentos caracterizada por depósitos/créditos não comprovados, por anocalendário é a que segue: ANOCALENDÁRIO OMISSÃO (RS) VALOR DECLARADO NA DIRPF (R$) 2003 888.573,85 20.029,08 2004 1.122.900,41 16.440.42 2005 369.005,66 18.053,75 TOTAL 2.380.479.92 54.523,25 Foi efetuado recálculo da Declaração de Ajuste Anual dos anoscalendário citados, conforme Demonstrativos de Apuração, fls. 350 a 352, concluindo que os valores apurados de imposto são: ANOCALENDÁRIO IMPOSTO APURADO 2003 241.704,81 2004 305.588,37 2005 97.942,38 Fl. 447DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.005437/200823 Acórdão n.º 2301004.394 S2C3T1 Fl. 447 3 TOTAL 645.235,56 Lavrouse o auto de infração com fundamento nos artigos 841, 845 e 926 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000, de 1999 (RIR 99). O Auto de Infração foi lavrado em 08/10/2008 e cientificado ao contribuinte em 15/10/2008. Em 13/11/2008, o contribuinte apresentou a impugnação (fls. 357 a 369). Posteriormente, em 03/04/2009, nova impugnação foi apresentada (fls. 397 a 409). Na impugnação apresentada em 08/10/2008 foi alegado, em síntese, que: (a) o fato gerador é a ocorrência fatídica da hipótese de incidência legalmente prevista; a hipótese de incidência tem alguns elementos e aspectos indispensáveis, sendo que na ausência de um deles deixa de ocorrer à concretização do tributo; não houve o aperfeiçoamento da hipótese de incidência em virtude da ausência do preenchimento do critério material, que no caso do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos; não pode prevalecer a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários se o fisco não lograr em consubstanciar os sinais externos de riqueza, outro fator que não se constata nos autos em debate; (b) os depósitos bancários, embora possam refletir indícios de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, não podendo ser considerados como "aplicações" no fluxo de "entradas" e "saídas", para apuração de variação patrimonial, cabendo à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os depósitos representam efetivamente ganhos percebidos pelo contribuinte; (c) inconcebível a aplicação de qualquer multa capitulada no referenciado auto de infração, eis que inexistindo a obrigação principal, inexiste, a sanção por ausência de recolhimento. A impugnação apresentada em 03/04/2009 não foi conhecida pela DRJ, por ser intempestiva. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Com a edição da Lei n.° 9.430/96, a partir de 01/01/1997 passaram a ser caracterizados como omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE Fl. 448DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 A multa de ofício prevista na legislação de regência é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício. A ciência dessa decisão ocorreu em 03/12/2009 (aviso de recebimento EBCT, fl. 424). Em 18/12/2009, foi apresentado recurso voluntário (fls. 427 a 440), afirmandose, em síntese, que: (a) a presunção não pode ser tomada como fato imponível do imposto sobre a renda, que tem suas bases no art. 43 e 114 do CTN; (b) na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositadas, em suas contas pessoais, por terceiros, valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações NãoGovernamentais, que não são receitas tributáveis; (c) houve quebra ilegal e inconstitucional de seu sigilo bancário; (d) o enquadramento legal e a capitulação legal da infração estão equivocados, uma vez que o fisco não demonstrou omissão de receita passível de tributação; ser aplicável, por analogia, a determinação dos §§ 1º e 2º, do artigo 9º, do Decretolei 1.598/77, os quais dispõem que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definido em preceitos legais, e que cabe à autoridade administrativa a prova da inveracidade dos fatos ali registrados; (e) foi ampliada a base de cálculo do imposto de renda, ferindo o art. 110 do CTN; nem se cogite de que a ação fiscal se baseou na Lei 105 e decreto 3724/01, que indicam hipóteses em que as informações sigilosas podem ser fornecidas ao fisco. Na verdade, nenhuma autoridade administrativa tem o poder de invadir a intimidade e os dados bancários do cidadão, devendo, inclusive, ser responsabilizado por tal atitude; e (f) ser a multa confiscatória. O pedido consiste na anulação do auto de infração. O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 445). É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SIGILO BANCÁRIO – LEI COMPLEMENTAR 105, DE 2001 E DECRETO 3724, DE 2001 É alegada a quebra ilegal e inconstitucional de seu sigilo bancário, e que nenhuma autoridade administrativa tem o poder de invadir a intimidade e os dados bancários Fl. 449DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.005437/200823 Acórdão n.º 2301004.394 S2C3T1 Fl. 448 5 do cidadão, devendo, inclusive, ser responsabilizada por tal atitude, mesmo com a edição da Lei Complementar 105, de 2001 e do Decreto 3724, de 2001, que indicam hipóteses em que as informações sigilosas podem ser fornecidas ao fisco. Não assiste razão ao contribuinte. No case em apreço, as informações bancárias foram fornecidos pelo próprio contribuinte, atendendo a regulares intimações fiscais, como descrito no termo de verificação fiscal das fls. 371 a 376. Assim, não há falar em quebra de sigilo bancário. Porém, mesmo que assim não fosse, não há qualquer ilegalidade, nulidade ou irregularidade na requisição e obtenção de documentos bancários pela Receita Federal do Brasil junto às instituições financeiras, pois, para tanto há suporte jurídico na Lei Complementar 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto 3.724, de 2001, e na Lei 10.174, de 2001. No que tange à alegação de inconstitucionalidade de tais normas, cumpre esclarecer que tanto o Decreto 70.235, de 1972, em seu artigo 26A, quanto a própria jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), plasmada em sua Súmula 02, são claros ao impedirem o controle repressivo de constitucionalidade por parte deste do CARF (com a ressalva das exceções a seguir descritas): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Decreto 70.235, de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) DA OMISSÃO DE RECEITAS EM FACE DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA É alegado que a presunção não pode ser tomada como fato imponível do imposto sobre a renda, que tem suas bases no art. 43 e 114 do CTN; que o recorrente, na condição de integrante comunitário familiar residente no Brasil, teve depositadas, nas contas pessoais, valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, inclusive sob amparo de Organizações NãoGovernamentais, que não são receitas tributáveis; que o enquadramento legal e a capitulação legal da infração estão equivocados, uma vez que o fisco não demonstrou omissão de receita passível de tributação; que foi ampliada a base de cálculo do imposto de renda, ferindo o art. 110 do CTN. Não assiste razão ao contribuinte. A tributação em exame tem como base legal o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.005437/200823 Acórdão n.º 2301004.394 S2C3T1 Fl. 449 7 § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Pelo citado dispositivo legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento presumem omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. É o que ocorre no presente caso. A partir da vigência do artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento – que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo Poder Judiciário (Súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei 2.471, de 1988 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto sobre a renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) – para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. No âmbito do contencioso administrativo fiscal, foi editada a Súmula CARF 26, a fim de consolidar tal entendimento: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A intimação para a comprovação dos recursos encontrase às fls. 08 a 35. Os depósitos que foram justificados, integrantes da tabela do item 10 do termo de verificação fiscal (fl. 372), não compuseram a base tributável do lançamento. O contribuinte alega que foram depositados em suas contas correntes valores destinados a prover a sobrevivência de várias pessoas, os quais não são receitas tributáveis. Ocorre que a jurisprudência deste CARF já assentou que a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF nº 32). Fl. 452DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirma, segundo o disposto na referida Súmula CARF 32, no art. 42 da Lei 9.430, de 1996 e, ainda no art. 36 da Lei 9.784, de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal): Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei 5.869, de 1973 (Código de Processo Civil): Art. 333. O ônus da prova incumbe: (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada. (Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) Sendo assim, não tendo sido elidida a presunção constante no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, deve ser mantido o lançamento, a exceção do depósito mencionado. DA PROIBIÇÃO CONSTITUCIONAL AO CONFISCO E A MULTA DE OFÍCIO DE 75% É asseverado que a imposição da multa de ofício de 75% fere a Constituição Federal, a qual proíbe o confisco. Por primeiro, temos que a multa aplicada possui base legal, no inciso I do art. 44 da Lei 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Um vez que restou provado que o tributo não foi recolhido, é devida a multa aplicada, que é a esse vinculada. A aplicação de tal multa é obrigatória, pois a autoridade administrativa é vinculada aos termos da lei, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 142). Fl. 453DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 19515.005437/200823 Acórdão n.º 2301004.394 S2C3T1 Fl. 450 9 Ademais, o CARF não é competente para exercer o controle repressivo de constitucionalidade, conforme Súmula Carf 02, a seguir transcrita, de modo que neste voto não será apreciada a alegação do recorrente de ofensa ao princípio constitucional de nãoconfisco. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Voto, portanto, por não conhecer das questões acerca das inconstitucionalidades de lei, e no mérito, por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Relator João Bellini Júnior Relator Fl. 454DF CARF MF Impresso em 05/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 11030.720606/2010-12
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 06 /2 01 0- 12 Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 165), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Pis nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010 (AR fls. 30). Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise (fls. 02 e 57), pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720606/201012 Acórdão n.º 3802002.293 S3TE02 Fl. 166 3 o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 134 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 164), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2007. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 92 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 134 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720606/201012 Acórdão n.º 3802002.293 S3TE02 Fl. 167 5 Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720606/201012 Acórdão n.º 3802002.293 S3TE02 Fl. 168 7 eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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