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Numero do processo: 11020.904366/2013-61
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 23/09/2011
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negou-se provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 23/09/2011 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade negouse provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 43 66 /2 01 3- 61 Fl. 130DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório A autoridade administrativa, por meio de despacho decisório, havendo analisado a regularidade do direito creditório informado em declaração de compensação transmitida pela contribuinte, como fito de compensar créditos de IPI com débitos do mesmo tributo apurados, verificou que os créditos alegados como resultantes de pagamento a maior ou indevido, foram integralmente utilizados para a quitação de outros débitos, não restando saldo credor para a compensação dos débitos declarados. Assim deixou de homologálos. Manifestando o seu inconformismo aduziu sucintamente que a fiscalização deveria intimar a contribuinte para que prestasse informações acerca da origem de seu crédito, bem como o seu fundamento de validade, todavia a intimação não ocorreu, outrossim procedeuse a despacho decisório, desprovido da necessária fundamentação que deve conter o ato administrativo, notadamente relacionado à motivação, finalidade e moralidade, conforme disposto no art. 37, CF/88, mencionando doutrina nesse sentido. Alegou que ocorreu desvio de finalidade na prolação do despacho ora combatido, pois não se presta a dar início ao contraditório administrativo; que a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada pela contribuinte, prevista no § 5º, art. 74, da Lei nº 9.430/96; porquanto deu azo à interrupção do prazo de decadência do direito fazendário é apenas consequência do ato decisório, jamais podendo ser seu objeto; do exposto resultou em prejuízo ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. Concluiu, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado por ausência de fundamentação para a não homologação, por desvio de finalidade, por prejudicar o exercício ao contraditório e à ampla defesa, e deve ser anulado. Quanto ao mérito, evocou o princípio da verdade material como norteador do processo administrativo, que a busca dessa verdade pela autoridade fiscal lhe permite amealhar fatos e a produção de provas, trazendoas aos autos, quando sejam capazes de influenciar na decisão, cabendo o ônus da prova ao fisco, bem assim possibilitado à contribuinte a colação de provas e de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação, eis que o direito creditório pode ser comprovado a qualquer tempo. Protestou ainda pela inaplicabilidade de multa de ofício, em face do princípio constitucional do não confisco, e dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade e, mais, pela inaplicabilidade da Taxa Selic como juros moratórios, em razão da limitação de juros pelo CTN, para requerer a nulidade do despacho decisório em comento e o cancelamento de qualquer cobrança que advenha desse despacho. Conclusos foram os autos para apreciação da 2ª Turma da DRJ/RPO, que por meio do Acórdão nº 1447.841, de 17/12/13, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório alegado pela contribuinte. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904366/201361 Acórdão n.º 3803006.422 S3TE03 Fl. 6 3 O voto condutor desse acórdão afastou as nulidades suscitadas, sob o fundamento de que o despacho decisório encontrase devidamente fundamentado, portanto regularmente válido; que a homologação de compensação declarada requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional, o que efetivamente não ocorreu, eis que não demonstrado e não comprovada a regularidade dos créditos alegados; que os acréscimos moratórios deuse de acordo com a legislação cabível e, finalmente, que a vedação ao confisco é dirigida ao legislador, cabendo a autoridade administrativa apenas aplicalas nos moldes da legislação que a instituiu. Acerca do momento de apresentação de provas mencionou o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72 e quanto ao ônus da prova citou o art. 333, como referências adotadas a título de fundamentação no julgado. No que pertine à aplicação da Taxa Selic como juros moratórios em face de dívidas tributárias, a motivação deuse de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96. Cientificada da decisão prolatada no Acórdão nº 1447.841, em 17/01/14, consoante atesta o AR (fl.), irresignada com o teor do decidido, contra o mesmo interpôs recurso voluntário em 11/02/14, conforme consta de carimbo da repartição preparadora, aduzindo os mesmos argumentos expendidos na exordial, de forma minudente, para requerer o provimento do recurso, para a homologação das compensações declaradas e reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Conheço do recurso que é tempestivo e preenche os demais pressupostos à sua admissibilidade. O cerne da questão devolvida para apreciação por este colegiado reside na comprovação da existência ou do direito creditório alegado pela contribuinte, por conseguinte de sua homologação. A recorrente assinalou, preliminarmente, que o despacho decisório está maculado de vício de nulidade por ausência de fundamentação para a não homologação. Destarte a não homologação se deu por comprovação, devido à busca da verdade material pela autoridade administrativa, da inexistência de crédito o bastante para satisfação da compensação declarada pela própria contribuinte. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Justamente em razão da busca da verdade material relativamente à comprovação da alegação formulada pela contribuinte, a autoridade administrativa, utilizandose dos sistemas de consulta do órgão fiscalizador ao qual a contribuinte é jurisdicionada, comprovou a inexistência de saldo credor para a compensação declarada, portanto em face desse procedimento administrativo não cabe se alegar desvio de finalidade. Tampouco cabe à alegação de óbice ao exercício do contraditório e à ampla defesa, eis que as alegações formuladas pela recorrente acerca da existência do direito creditório não lograram êxito, pois inexistente a comprovação material dos aludidos créditos. Rejeitadas, pois, as alegações da contribuinte como ensejadoras de nulidade, eis que inexistentes. Com isto examino às demais questões. A compensação é uma medida extintiva dos débitos tributários, com previsão no art. 156, II, do CTN, utilizada para ajuste de contas entre os créditos do contribuinte e os débitos em prol da União. A compensação relacionase a um direito subjetivo e unilateral do sujeito passivo. Assim sendo a transmissão da DComp pressupõe a existência de direito creditório o bastante para à satisfação dos débitos anteriormente declarados à Receita Federal do Brasil pela própria contribuinte. Portanto cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado, para fim de obtenção da homologação pretendida para a compensação declarada. De outra parte cabe à autoridade administrativa a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação e posterior homologação do direito creditório. Assim, baseado nas informações prestadas pela contribuinte ao Fisco a título de adimplemento de seu dever jurídico, veio a fiscalização a constatar a insuficiência de saldo credor para satisfação da compensação declarada. Por sua vez a recorrente não fez colação aos autos de nenhum documento contábil ou fiscal hábil e idôneo capas de confrontar às alegações formuladas no despacho decisório. Há que se concluir em relação a este aspecto, com fulcro no art. 333 do CPC, que não assiste razão à recorrente. Outra questão suscitada pela recorrente foi o momento adequado para apresentação de provas. Em relação a este tema o art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, com as devidas alterações, dispõe que os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Por fim temse a questão da aplicação da taxa Selic, como fator de atualização incidente sobre os tributos devidos e não pagos no vencimento, cuja alegação de confisco foi arguida pela recorrente. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11020.904366/201361 Acórdão n.º 3803006.422 S3TE03 Fl. 7 5 Neste sentido a decisão recorrida reportou às disposições prescritas de acordo com a Lei 9.065/95, c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/96, portanto encontrase escorreita, não merecendo reparo. Ante todo o exposto NEGO provimento ao recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10935.906324/2012-16
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 18/11/2011
Recurso Voluntário não conhecido
A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 1802-003.290
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim- Presidente.
(assinado digitalmente)
Cláudio Augusto Gonçalves Pereira- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 18/11/2011 Recurso Voluntário não conhecido A manifestação de inconformidade apresentada fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o presente recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma), Francisco José Barroso Rios, Waldir Navarro Bezerra, Sólon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 24 /2 01 2- 16 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3a Turma da DRJ/CTA, a qual, por unanimidade de votos julgou pelo não acolhimento da manifestação de inconformidade apresentada. Em ato contínuo, o despacho decisório pela DRF de Cascavel/PR, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do PER/DCOMP, devido à inexistência de crédito pleiteado, já que o pagamento de PIS/PASEP, do período acima indicado, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte o mesmo fato gerador, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 18/11/2011 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PERD/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE NORMAS VIGENTES JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecimento. Em sede de impugnação e de recurso, o contribuinte apresenta os mesmos argumentos, que, em síntese, se referem à inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da COFINS, sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, já que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998 não pode ser alargado ao ponto de abranger o conceito de ingresso. É o relatório. Voto Admissibilidade do Recurso. Tendo em vista que a matéria posta para análise – inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, não está afeta à competência desse Fl. 54DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA Processo nº 10935.906324/201216 Acórdão n.º 1802003.290 S1TE02 Fl. 12 3 colegiado, já que não é permitido aos Conselheiros do CARF se pronunciarem sobre os aspectos constitucionais de lei tributária. É de rigor a aplicação da Súmula CARF nº 02 que determina: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Precedentes: Acórdão nº 10194876, de 25/02/2005 Acórdão nº 10321568, de 18/03/2004 Acórdão nº 10514586, de 11/08/2004 Acórdão nº 10806035, de 14/03/2000 Acórdão nº 10246146, de 15/10/2003 Acórdão nº 20309298, de 05/11/2003 Acórdão nº 201 77691, de 16/06/2004 Acórdão nº 20215674, de 06/07/2004 Acórdão nº 20178180, de 27/01/2005 Acórdão nº 20400115, de 17/05/2005. Portanto, pelas razões por mim aqui expostas, NÃO CONHEÇO do recurso ora interposto (assinado digitalmente) Cláudio Augusto Gonçalves Pereira Relator Fl. 55DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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Numero do processo: 16682.720715/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões posto que entendiam que a diligência deveria ser realizada sem o encaminhamento do processo ao CECLAM
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (Vice-Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Os conselheiros Alexandre Gomes e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam o relator pelas conclusões posto que entendiam que a diligência deveria ser realizada sem o encaminhamento do processo ao CECLAM (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. RELATÓRIO Trata o presente de Auto de Infração para constituição de crédito tributário de IPI, relativo aos períodos de janeiro a dezembro de 2006, cientificado em 29/08/2011 às recorrentes a IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A., CNPJ 33.337.122/014187, na condição de contribuinte, e CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, na condição de responsável solidária. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 71 5/ 20 11 -5 1 Fl. 8872DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.873 2 O procedimento fiscal resultou no Termo de Verificação Fiscal de fls. 8.198 a 8.253, parte integrante do Auto de Infração, cientificado em 29/08/2011, do qual constam, resumidamente, as seguintes informações e imputações: 1. O procedimento fiscal teve como escopo inicial a verificação dos créditos de IPI, referentes a pedidos de ressarcimento e declarações de compensações relativos ao quarto trimestre de 2005 e aos quatro trimestres de 2006, transmitidos pela IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A, CNPJ 33.337.122/000127, doravante denominada IPP; 2. Identificouse a CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, doravante denominada CBLL, como responsável solidária com fulcro nos artigos 124, inciso II do CTN e art. 5º do Decretolei nº 1.598, de 1977, em razão de a IPP ter transferido os ativos decorrentes de operações com lubrificantes para a CBLL, operação considerada como cisão parcial; 3. Não houve decadência do direito de lançar, em razão de não ter havido recolhimentos antecipados a serem homologados, devendo ser aplicada a regra do art. 173, inciso I do CTN, conforme jurisprudência do STJ e do CARF; 4. Reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX SS, resultando na infração de falta de imposto não lançado, conforme tabela do item 76, do código 2710.19.32 para 3403.11.90; 5. Reclassificação fiscal do produto TALCOR OGP IV, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 79, do código 2710.19.32 para 3403.11.90; 6. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 94, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 7. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX HEAVY, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 97, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 8. Reclassificação fiscal do produto SUGARTEX EXTRA HEAVY, resultando na infração de falta de imposto lançado, conforme tabela do item 102, do código 2710.19.32 para 2715.00.00; 9. A consolidação das reclassificações fiscais resultou na apuração final de IPI não lançado, conforme tabela do item 103; 10. Que o mandado de segurança impetrado com o objetivo de afastar o ADI SRF nº 5, de 2006, pelo SINDICOM, órgão de classe do qual é associada, não gera efeitos no período sobe exame (2006), mas apenas a partir de 21/10/2009, fls. 8.227; 11. Glosa dos créditos sobre matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados em produtos NT, conforme tabela do item 116; 12. Glosa de créditos relativos a compras no exterior para comercialização, CFOP 3.102, conforme item 162; Fl. 8873DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.874 3 13. Glosa de créditos relativos a documentos fiscais não localizados, conforme item 164; 14. Glosa de créditos tomados em operações de consignação industrial, por falta de prova do direito creditório, conforme tabela do item 172; 15. Glosa parcial de créditos extemporâneos relativos a operações realizadas entre janeiro de 2001 a setembro de 2002, pelo fato de a recorrente ter estornado parte dos créditos em março de 2006, por falta de apresentação do Livro de Apuração do IPI relativo ao anocalendário de 2002 e por falta de apresentação de documentos fiscais, conforme itens 176 a 183 do TVF; 16. A partir das infrações apuradas, a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal, resultando na tabela do item 192 e nos demonstrativos de fls 8.275 a 8.279. Lavrouse, portanto, Termo de Sujeição Passiva em CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, com ciência em 29/08/2011, em razão de que os fatos analisados neste processo terem ocorrido anteriormente ao evento de cisão. Em impugnação, a recorrente contribuinte alegou em síntese: 1. Pagamento parcial do Auto de Infração, referente à infração de reclassificação fiscal dos produtos SUGARTEX SS e TALCOR OGP IV; 2. Decadência do lançamento relativo ao período de outubro ao primeiro decêndio de dezembro de 2005, por aplicação do artigo150, §4º do CTN e não do artigo 173, inciso I do referido diploma; 3. Direito ao creditamento do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados, em razão de sua condição de industrial, do princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal, e ainda com fundamento na aplicação do artigo 11 da Lei nº 9.779, de 1999 e da IN SRF nº 33, de 1999; aduziu, ainda, que o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 2006, não é interpretativo e representa mudança de critério jurídico e não pode ser aplicado retroativamente; 4. A correta classificação fiscal dos produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY é no código 2710.19.32 e não no código 2715.00.00; 5. Impossibilidade de cobrança de multas sobre o mesmo fato gerador, ou seja, a cobrança cumulativa de multa pela falta de recolhimento do tributo e a multa por falta de destaque do imposto na nota fiscal. Por sua vez, a responsável solidária apresentou impugnação alegando: 1. A sua exclusão como sujeito passivo responsável, pelo fato de que a reorganização societária não ter sido cisão parcial, mas apenas transferência de ativos e passivos da antiga CBL, atual IPP, à impugnante – CBLL para integralização de capital e que, posteriormente, a CBL se retirou da sociedade, transferindo a totalidade de suas quotas à sócia remanescente; Fl. 8874DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.875 4 2. A decadência do período de janeiro a julho de 2006, pela aplicação do prazo previsto no art. 150, §4º do CTN, independentemente da existência ou não de pagamentos; 3. Os demais fundamentos já suscitados pela recorrente contribuinte. A Quarta Turma da DRJ em Salvador proferiu o Acórdão nº 1533.938, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. Nos lançamentos por homologação, havendo ausência de pagamento, o prazo de decadência é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A pessoa jurídica que absorver parcela do patrimônio da sociedade cindida responderá solidariamente pelas obrigações contraídas até a data da cisão, em relação ao crédito tributário. IPI. CRÉDITO. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT. O princípio da não cumulatividade aplicase apenas aos produtos incluídos no campo de incidência do IPI, inexistindo direito ao crédito do imposto nas aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como não tributado NT. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os produtos denominados comercialmente de “Sugartex”, “Sugartex Heavy” e “Sugartex Extra Heavy”, constituídos essencialmente de Cimento Alfáltico de Petróleo (CAP) e Óleo Básico Mineral, uma mistura betuminosa à base de asfalto, classificase no código NCM 2715.00.00. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ambos sujeitos passivos apresentaram recursos voluntários tempestivos, reprisando as alegações já aduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos voluntários atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. A autuação foi lavrada em face de dois sujeitos passivos, a IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A., CNPJ 33.337.122/014187, doravante denominada IPP, na Fl. 8875DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.876 5 condição de contribuinte, e CHEVRON BRASIL LUBRIFICANTES LTDA, CNPJ 05.524.572/001084, doravante denominada CBLL, na condição de responsável solidária. Os recursos interpostos suscitaram basicamente as mesmas razões, diferenciandose apenas pela preliminar de erro na identificação de sujeito passivo argüida pela CBLL. DA CLASSIFICAÇÃO FISCAL DOS PRODUTOS SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY E SUGARTEX EXTRA HEAVY No TVF, consta que a recorrente apresentou, de forma genérica, a seguinte formulação para este produto: SUGARTEX INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 53,00 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 39,00 Aditivo 8,00 Total 100,00 SUGARTEX HEAVY INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 56,50 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 35,50 Aditivo 8,00 Total 100,00 SUGARTEX EXTRA HEAVY INSUMO % PESO Óleo Petróleo/CAP (cimento asfáltico de petróleo) 61,00 Óleo Básico Mineral Derivado de Petróleo 30,50 Aditivo 8,50 Total 100,00 Fl. 8876DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.877 6 A autoridade fiscal conclui que o produto é constituído essencialmente de cimento asfáltico de petróleo e óleo básico mineral, ou seja, uma mistura betuminosa à base de asfalto. Afirma, ainda, que o produto em referência é derivado da adição de substâncias diversas ao cimento asfáltico de petróleo. Afirma que o cimento asfáltico é um líquido viscoso, semisólido ou sólido, à temperatura ambiente, que apresenta comportamento termoplástico, tornandose líquido se aquecido e retornando ao estado original após o resfriamento, classificandose no código 2713.2000. Aplicando a RGI11, na RGI6 e na RGC1, a autoridade fiscal classificou o produto no código 2715.00.00, em razão do texto da subposição de segundo nível contemplar as misturas betuminosas à base de asfalto: 2715.00.00 MISTURAS BETUMINOSAS À BASE DE ASFALTO OU DE BETUME NATURAIS, DE BETUME DE PETRÓLEO, DE ALCATRÃO MINERAL OU DE BREU DE ALCATRÃO MINERAL (POR EXEMPLO: MÁSTIQUES BETUMINOSOS E "CUTBACKS") Por sua vez, as recorrentes alegam que a autoridade fiscal levou em consideração apenas a composição química e não o tipo de aplicação dos produtos. Os produtos em questão são distintos das misturas betuminosas que possuem aplicações distintas. Alegam que os produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY fazem parte de uma série de óleos lubrificantes de alta viscosidade e adesividade, formulados com derivados minerais, recomendados para lubrificação de mancais e engrenagens de moendas de usinas de açúcar. As recorrentes defendem a classificação no código 2710.19.32, pela aplicação da RGI – 3a ou 3b. Entendem que a classificação destes produtos misturados pode ser tanto no código 2715.00.00 (pela análise de formulação) ou no código 2710.19.32 (pela análise de aplicação). Assim, sendo possível duas classificações, deveria ser adotada a posição 2710.19.32, por aplicação da RGI 3a, por se referir a óleos lubrificantes e, portanto, ser mais específica. Caso assim não entendesse, ainda a classificação deveria ocorrer na posição 270.19.32 pela aplicação da RGI – 3b, pela característica essencial, ou seja, ser lubrificante. 27.10 ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS, EXCETO ÓLEOS BRUTOS; PREPARAÇÕES NÃO ESPECIFICADAS NEM COMPREENDIDAS EM OUTRAS POSIÇÕES, CONTENDO, COMO CONSTITUINTES BÁSICOS, 70% OU MAIS, EM PESO, DE ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS; DESPERDÍCIOS DE ÓLEOS 2710.1 Óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (exceto óleos brutos) e preparações não especificadas nem compreendidas em outras posições, contendo, como constituintes básicos, 70% ou mais, em peso, de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto os desperdícios 2710.19 Outros 2710.19.3 Óleos lubrificantes 2710.19.32 Com aditivos 1 1 Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes Fl. 8877DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.878 7 Apresenta resoluções da ANP (nº 16, 17 e 18, de 2009) que se referem a óleos lubrificantes, dentre eles, os destinados à fabricação de óleos lubrificantes à base de asfalto. A classificação de mercadorias é efetuada a partir das regras gerais de interpretação do Sistema Harmonizado, das regras gerais complementares relativas à classificação em âmbito regional (Mercosul) e ainda da regra geral complementar da TIPI, conforme artigos 15 a 17 do Decreto n 4.544, de 2002, vigente à época dos fatos: DA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS Art. 15. Os produtos estão distribuídos na TIPI por Seções, Capítulos, subcapítulos, posições, subposições, itens e subitens (Lei nº 4.502, de 1964, art. 10). Art. 16. Farseá a classificação de conformidade com as Regras Gerais para Interpretação (RGI), Regras Gerais Complementares (RGC) e Notas Complementares (NC), todas da Nomenclatura Comum do MERCOSUL (NCM), integrantes do seu texto (Decretolei nº 1.154, de 1º de março de 1971, art. 3º). Art. 17. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH), do Conselho de Cooperação Aduaneira na versão lusobrasileira, efetuada pelo Grupo Binacional Brasil/Portugal, e suas alterações aprovadas pela Secretaria da Receita Federal, constituem elementos subsidiários de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem assim das Notas de Seção, Capítulo, posições e de subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado (Decretolei nº 1.154, de 1971, art. 3º). A primeira regra dispõe que a classificação é determinada pelos textos das posições e pelas notas de Seção e Capítulo e, caso não sejam contrárias aos textos destas posições e notas, pelas regras seguintes (Regras 2, 3, 4, 5 e 6). Na análise dos textos das posições e das notas de Seção e Capítulo, bem como das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias (NESH), constatase que a subsunção do produto à posição correta demanda conhecimentos técnicos específicos e aprofundamento dos conceitos e conhecimento do processo produtivo. Transcrevese o teor das notas para melhor esclarecimento: Não há notas de seção. A Nota 2 do Capítulo 27 dispõe: 2. A expressão óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, empregada no texto da posição 27.10, aplicase não só aos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos, mas também aos óleos análogos, bem como aos constituídos principalmente por misturas de hidrocarbonetos não saturados nos quais os constituintes não aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes aromáticos, seja qual for o processo de obtenção. Por sua vez, as Considerações Gerais da NESH sobre as notas do Capítulo 27 assim dispõem: Este Capítulo compreende, de um modo geral, os carvões e outros combustíveis minerais naturais, os óleos de petróleo e de minerais betuminosos e ainda os produtos resultantes da destilação dessas Fl. 8878DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.879 8 matérias e os produtos semelhantes obtidos por qualquer outro processo. Posição 27.09 Esta posição abrange os óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos (xistos, calcários, areias, etc.), isto é, os produtos naturais, qualquer que seja a sua composição, que provenham quer de jazigos petrolíferos (normais ou de condensação), quer da destilação pirogenada dos minerais betuminosos. Estes óleos brutos assim obtidos podem ter sofrido as seguintes operações: 1)Decantação. 2)Dessalga. 3)Desidratação. 4)Estabilização para regularização da pressão do vapor. 5)Eliminação de frações muito leves que se destinam a ser injetadas no jazigo, para melhorar a drenagem e manter a pressão. 6)Adição de hidrocarbonetos anteriormente recuperados por métodos físicos no decurso dos tratamentos acima mencionados (com exclusão de qualquer outra adição de hidrocarbonetos). 7)Qualquer outra operação de importância mínima que não modifique o caráter essencial do produto. ... Posição 27.10 I. PRODUTOS PRIMÁRIOS A primeira parte da presente posição abrange os produtos que tenham sofrido tratamentos diferentes dos mencionados na Nota Explicativa da posição 27.09. Esta posição compreende: A)Os óleos de petróleo ou de minerais betuminosos de que se eliminaram, por destilação primária mais ou menos prolongada (topping), certas frações leves, bem como os óleos leves, médios e pesados, provenientes da destilação em frações mais ou menos largas ou da refinação dos óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos. Estes óleos mais ou menos líquidos ou semisólidos, conforme o caso, são essencialmente constituídos por hidrocarbonetos não aromáticos, tais como os parafínicos, ciclânicos (naftênicos). Entre os óleos resultantes de destilação fracionada, citamse: 1)O éteres e as gasolinas de petróleo. 2)O white spirit. 3)O petróleo para iluminação (querosene). 4)Os gasóleos (óleos diesel). 5)Os óleos combustíveis (fueloils). 6)O spindle oil e os óleos de lubrificação. Fl. 8879DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.880 9 Os óleos brancos denominados “vaselina” ou “parafina”. Todos estes óleos permanecem aqui compreendidos seja qual for o processo de depuração a que tenham sido submetidos (pela ação de soluções básicas ou ácidas, pela ação de solventes seletivos, pelo processo de cloreto de zinco ou pelos processos das terras absorventes, por redestilação, etc.), contanto que não sejam transformados em produtos de composição química definida, isolados no estado puro ou comercialmente puro, do Capítulo 29. B)Os óleos, análogos aos precedentes, nos quais os constituintes não aromáticos predominem, em peso, em relação aos constituintes aromáticos, e que se obtêm por destilação da hulha a baixa temperatura, por hidrogenação ou por qualquer outro processo (craqueamento (cracking), refinação catalítica (reforming), etc.). Incluemse especialmente neste grupo as misturas de alquilenos, denominadas tripropileno, tetrapropileno, diisobutileno e triisobutileno, etc. Consistem em misturas de hidrocarbonetos acíclicos não saturados (especialmente octilenos, nonilenos, seus homólogos e seus isômeros) com hidrocarbonetos acíclicos saturados. ... C)Os óleos referidos nos parágrafos A) e B) anteriores, melhorados pela adição de pequeníssimas quantidades de diversas substâncias, bem como as preparações constituídas por misturas que contenham, em peso, 70% ou mais de óleos dos parágrafos A) ou B) e nas quais estes óleos constituam o elemento de base; tais preparações só se encontram aqui compreendidas quando não estiverem incluídas em outras posições mais específicas da Nomenclatura. A esta categoria de produtos pertencem, entre outros: 1)As gasolinas adicionadas de pequenas quantidades de produtos antidetonantes (tetraetilo de chumbo e dibromoetano, principalmente) e de antioxidantes (parabutilaminofenol, por exemplo). 2)Os lubrificantes constituídos pela mistura de óleos de lubrificação com quantidades muito variáveis de outros produtos (produtos para melhorar a sua untuosidade, tais como os óleos ou gorduras vegetais, antioxidantes, antiferruginosos, antiespumas, tais como os silicones, etc.). Estes lubrificantes compreendem os óleos compostos, os óleos para trabalhos pesados, os óleos grafitados (grafita em suspensão nos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos), os lubrificantes para cilindros, os óleos para lubrificação de fibras têxteis, bem como os lubrificantes consistentes (graxas) constituídos por óleos de lubrificação e sabão de cálcio, de alumínio, de lítio, etc. (estes últimos numa proporção da ordem, por exemplo, de 10 a 15%). Notas da posição 2715 As misturas betuminosas, compreendidas nesta posição, são, entre outras, as seguintes: 1)Os cutbacks, que são misturas geralmente constituídas, pelo menos, por 60% de betumes com um solvente e que se empregam para revestimento de estradas. Fl. 8880DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.881 10 2)As emulsões ou suspensões estáveis em água, de asfalto, de betumes, de breu ou de alcatrões, dos tipos utilizados principalmente para revestimento de estradas. 3)Os mástiques de asfaltos e outros mástiques betuminosos, bem como as misturas betuminosas semelhantes obtidas por incorporação de matérias minerais, tais como a areia ou o amianto. Estes produtos empregamse, conforme os casos, para calafetagem, como produtos para moldação, etc. ... São também excluídos desta posição: ... f)As preparações lubrificantes da posição 34.03 Já as notas do Capítulo 34 e da posição 3403 assim dispõem: Notas explicativas do Capítulo 34 4.A expressão óleos de petróleo ou de minerais betuminosos usada no texto da posição 34.03 referese aos produtos definidos na Nota 2 do Capítulo 27. ... Notas explicativas da posição 3403 Com exclusão dos produtos contendo, em peso, enquanto constituintes de base, 70% ou mais de óleos de petróleo ou de minerais betuminosos (ver posição 27.10), a presente posição compreende, entre outros, as misturas preparadas dos seguintes tipos: A)As preparações lubrificantes para reduzir a fricção entre as partes ou peças móveis de máquinas, veículos, veículos aéreos ou outros dispositivos, aparelhos ou instrumentos. Em geral, estes lubrificantes são misturas de óleos ou gorduras animais, vegetais ou minerais ou têm por base estes produtos, e, freqüentemente, contêm aditivos, tais como grafita, bissulfeto de molibdênio, talco, negros de carbono, sabões calcários ou metálicos, breu (pez), produtos antiferrugem ou antioxidantes. Todavia, a presente posição também compreende as preparações lubrificantes sintéticas à base, por exemplo, de sebaçato de dioctila ou de dinonila, de ésteres fosfóricos, de policlorobifenilas, de poli(oxietileno) (polietileno glicol) ou de poli(oxipropileno) (polipropileno glicol). Os lubrificantes sintéticos, em particular os que tenham por base silicone, e as preparações denominadas jet lube oils (ou synthetic ester lubes), são próprias para utilização em condições específicas (lubrificantes ignífugos, lubrificantes para rolamentos de instrumentos de precisão, para motores de reação (propulsão a jato), etc). Dada a profusão de termos técnicos e a falta de laudos técnicos, bem como a ausência da descrição dos processos produtivos, fazse necessária a conversão em diligência à repartição de origem para realização de perícia técnica a ser realizada pelo Instituto Nacional de Tecnologia – Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A autoridade preparadora cientificará servidor, que servirá como perito assistente pela Fazenda Nacional, e a recorrente, para apresentarem quesitos adicionais aos Fl. 8881DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.882 11 formulados nesta resolução e indicar a nomeação de peritos assistentes, no prazo de 5 (cinco) dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação, conforme artigo 24 e parágrafo único da Lei 9.784, de 1999. Os quesitos abaixo formulados, juntamente com os adicionais formulados pelas partes, deverão ser encaminhados ao Instituto Nacional de Tecnologia para realização da perícia: 1. Todos os quesitos se referem aos produtos SUGARTEX, SUGARTEX HEAVY e SUGARTEX EXTRA HEAVY. 2. Qual a composição química dos produtos? Qual a composição em peso dos produtos que compõem os produtos? Há constituintes aromáticos? 2. Podese afirmar que os produtos são constituídos principalmente por misturas de hidrocarbonetos não saturados nos quais os constituintes não aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes aromáticos, seja qual for o processo de obtenção? Obs: constituinte aromático deve ser interpretada como englobando as moléculas inteiras constituídas por uma parte aromática, qualquer que seja o número e o comprimento das cadeias laterais, e não somente as partes aromáticas dessas moléculas. 3. Os produtos foram obtidos por eliminação de frações leves destilação primária mais ou menos prolongada (topping) de óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos? 4. Os produtos podem ser classificados como óleos leves, médios ou pesados obtidos por destilação em frações mais ou menos largas ou da refinação dos óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos? 5. Os produtos são essencialmente constituídos por hidrocarbonetos não aromáticos, tais como os parafínicos, ciclânicos (naftênicos)? 6. Os produtos consistem em uma mistura de hidrocarbonetos acíclicos não saturados (especialmente octilenos, nonilenos, seus homólogos e seus isômeros) com hidrocarbonetos acíclicos saturados? 7. Os produtos contêm contém aditivos tais como grafita, bissulfeto de molibdênio, talco, negros de carbono, sabões calcários ou metálicos, breu (pez), produtos antiferrugem ou antioxidantes? 8. Os produtos são à base, por exemplo, de sebaçato de dioctila ou de dinonila, de ésteres fosfóricos, de policlorobifenilas, de poli(oxietileno) (polietileno glicol) ou de poli(oxipropileno) (polipropileno glicol)? Além dos quesitos formulados acima, deve ser intimada a recorrente a apresentar: 1. Explanação do processo detalhado de fabricação dos produtos, identificando as etapas e os processos químicos que ocorrem em cada etapa; 2. Inserir uma imagem do produto em embalagem de venda e do conteúdo; Fl. 8882DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 16682.720715/201151 Resolução nº 3302000.426 S3C3T2 Fl. 8.883 12 Após a realização de perícia, encaminhar os resultados ao Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam), criado pela Portaria RFB nº 1.092, de 2014, para que emita seu parecer a respeito da classificação do produto, bem como indique se existe algum Ditame de Classificação no âmbito do Mercosul ou mesmo no âmbito dos pareceres de classificação do Comitê do Sistema Harmonizado da Organização Mundial das Aduanas (OMA). Após concluídas as etapas acima, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 8883DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 28/08 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 37172.000644/2006-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001
CERCEAMENTO DE DEFESA. ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade da decisão a quo.
Decisão de Primeira Instância Anulada.
Numero da decisão: 2301-004.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/2001 CERCEAMENTO DE DEFESA. ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade da decisão a quo. Decisão de Primeira Instância Anulada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva - Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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ÚLTIMA MANIFESTAÇÃO RELEVANTE ANTES DA EMISSÃO DE DECISÃO DAQUELE QUE ACUSA. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Ao contribuinte deve ser assegurado o direito à última manifestação sobre questões relevantes na lide antes da emissão da decisão de primeira instância. Ausente tal manifestação, deve ser declarada a nulidade da decisão a quo. Decisão de Primeira Instância Anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 17 2. 00 06 44 /2 00 6- 30 Fl. 1256DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37172.000644/200630 Acórdão n.º 2301004.076 S2C3T1 Fl. 1.257 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente a informação fiscal que propôs o cancelamento da isenção da entidade. O processo teve início com a Informação Fiscal de fls. 01/26 na qual a autoridade fiscal propôs o cancelamento da isenção da interessada por entender terem sido descumpridos vários inciso do art. 55 da Lei 8.212/91. Após tomar ciência postal da informação fiscal em 14/01/2005, fls. 608, a recorrente apresentou impugnação, fls. 613/641, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Diante das alegações da então defendente e dos documentos apresentados, foi solicitada a manifestação da autoridade fiscal. Em fls. 802/810, a autoridade fiscal apresentou suas considerações sobre a defesa e os documentos apresentados. De tal manifestação a recorrente não foi intimada a apresentar aditamento de sua defesa. Na DecisãoNotificação de fls. 812/820, a DRP/Belo Horizonte concluiu pela procedência integral da informação fiscal, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 08/02/2006, fls. 823. O recurso voluntário, apresentado em 10/03/2006, fls. 825/851, apresentou argumentos que deixamos de relatar em virtude de termos detectado cerceamento de defesa que induz à nulidade da decisão a quo, conforme será explicitado a seguir. Após a distribuição neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o processo foi encaminhado para fossem cumpridas as determinações do art. 45 do Decreto 7.237/2010, fls. 1057. Foi juntado aos autos o relatório da diligência fiscal realizada, fls. 1243/1251, concluindo que em 2006 e 2007 a entidade cumpriu os requisito legais para desfrutar da isenção/imunidade. É o relatório. Fl. 1257DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37172.000644/200630 Acórdão n.º 2301004.076 S2C3T1 Fl. 1.258 3 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Observamos que a decisão de primeira instância foi emitida após manifestação fiscal de fls. 802/810, sem que a recorrente tivesse sido intimada a aditar sua defesa/impugnação. O conteúdo daquela manifestação não se limitou a repetir argumentos já constantes dos autos, mas rebateu argumentos da defendente e trouxe outras informações relevantes. Como a garantia do contraditório corolário da garantia maior tão cara a um Estado Democrático de Direito que é o devido processo legal exige que a última manifestação sobre questão de relevo no julgamento seja feita pela parte defendente, acaba por surgir uma nulidade processual grave, com fundamento no art. 59, inciso II do Decreto 70.235/72. Acatamos, de ofício, tal nulidade em razão de considerarmos tratarse de questão de ordem pública. Por oportuno, esclarecemos que após a edição da Lei 12.101/2009 não se tornou dispensável o julgamento de ato cancelatório, pois o diploma legal assim não determinou e podem existir lançamentos concluídos antes da edição daquela lei que aguardam a conclusão do processo que trata do ato cancelatório. O envio à fiscalização determinado pelo art. 45 do Decreto 7.237/2010, já realizado no curso desse processo, tem por objetivo garantir que os respectivos lançamentos serão feitos antes que ocorra a decadência, o que já foi assegurado. Acrescentamos que as conclusões contidas no relatório de diligência fiscal de fls. 1243/1251, relacionadas aos anos de 2006 e 2007, não seriam capazes de permitir uma decisão de mérito favorável à recorrente no presente caso, tendo em conta que aqui as acusações referemse a fatos ocorridos nos anos de 1998 a 2001. Mesmo tendo cumprido os requisitos legais em 2006 e 2007, isso não garante que os cumpriu em relação a 1998 a 2001. Assim, fica afastada a aplicação do art.59, §3º do Decreto 70.235/72. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER o Recurso Voluntário e ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA e todos os atos subsequentes, em razão de ter ocorrido cerceamento de defesa. A entidade deve ser intimada a manifestarse no prazo de trinta dias sobre o resultado da diligência de fls. 802/810 para que, após isso, nova decisão de primeira instância seja emitida. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 1258DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 37172.000644/200630 Acórdão n.º 2301004.076 S2C3T1 Fl. 1.259 4 Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002716/2008-35
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2004
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
PROVA DE CORREÇÃO PARCIAL DE FALTA. PROPORCIONALIDADE.
Havendo prova de correção parcial da falta no prazo da impugnação, quando assim permitido pela natureza da obrigação acessória, deve ser incorrer na relevação parcial de multa, em razão dos princípios da proporcionalidade e interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 291 do R.P.S. c/c 112 do CTN).
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, deve-se aplicar a norma mais benígna ao contribuinte.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATRIBUIÇÕES.
Cabe à autoridade fiscal apenas averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998).
Recurso Voluntário Provido em Parte - Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2803-003.452
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) A multa seja relevada, na forma do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, vigente à época da impugnação, na proporcionalidade da correção realizada aos autos no prazo de impugnação; b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedando-se comparações conjuntas com o art. 35-A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. PROVA DE CORREÇÃO PARCIAL DE FALTA. PROPORCIONALIDADE. Havendo prova de correção parcial da falta no prazo da impugnação, quando assim permitido pela natureza da obrigação acessória, deve ser incorrer na relevação parcial de multa, em razão dos princípios da proporcionalidade e interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 291 do R.P.S. c/c 112 do CTN). RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. LEI N º 11.941/09. REDUÇÃO DA MULTA. As multas referentes a declarações em GFIP foram alteradas pela lei nº 11.941/09 o que, em tese, beneficia o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212/91. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, devese aplicar a norma mais benígna ao contribuinte. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATRIBUIÇÕES. Cabe à autoridade fiscal apenas averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 27 16 /2 00 8- 35 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 476 2 Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) A multa seja relevada, na forma do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, vigente à época da impugnação, na proporcionalidade da correção realizada aos autos no prazo de impugnação; b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose comparações conjuntas com o art. 35A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 477 3 Relatório O presente Recurso Voluntário (fls. ) foi interposto contra decisão da DRJ(fls. do processo digital), que manteve o crédito tributário oriunda da aplicação de multa por descumprimento do disposto no art. 32, IV, § 3o, da Lei n. 8.2121991, por ter deixado de informar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 01/01/2004 a 31/12/2004, em GFIP. Assim, o recurso veio à presente turma especial para seu julgamento, em que apresentou os seguintes argumentos: nulidade do auto de infração por falta de devida fundamentação clara, que corrigiu integralmente a falta, que a notificação não condiz com fatos geradores previstos em lei, bem como duplicidade de lançamento, não ocorrência de dolo, fraude ou simulação para causar a lavratura de representação fiscal para fins penais, e aplicação retroativa do disposto na Medida Provisória n. 4492009. Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 478 4 Voto Conselheiro Gustavo Vettorato I O recurso foi apresentado tempestivamente, conforme supra relatado, atendido os pressupostos de admissibilidade, assim deve o mesmo ser conhecido. II – Primeiramente, devese atentar que há confusão por parte da recorrente do que tratase de lançamento do crédito com base em obrigação principal e de obrigação acessória, mas não traz nenhum elemento que comprove ou indique a não ocorrência dos fatos geradores previstos na regramatriz tributária da obrigação acessória. Em que pese a alegação de pagamento das contribuições de forma correta, mesmo assim está correto o Auto de Infração e a decisão recorrida quanto a necessidade de manutenção, mesmo que parcial do lançamento. A obrigação de informar em GFIP todas as informações referentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. Ou seja, o pagamento das contribuições previdenciárias, não exime da informação correta dos fatos geradores, e da necessidade de sua correção. Observase que houve retificação das GFIP´s, conforme apontado pela decisão recorrida (art. 439441), mas não foi integral, deixando de retificar alguns campos de informação. Segundo a interpretação da decisão a quo, não teria a contribuinte cumprido o requisito do art. 291, §1º, do RPS, vigente à época do lançamento, por não ter corrigido integralmente no falta no prazo da impugnação. Entretanto, em razão à proporcionalidade e a natureza da infração, em que a pena é vinculada diretamente ao valor não declarado (§5º, do art. 32, da Lei n. 8212/1991) devese observar que houve parcial retificação das informações. Observase que o texto do art. 291,§1º, do RPS, não especifica se a correção deve ser integral, presumise que sua aplicação por necessidade de interpretação mais benéfica ao contribuinte (art. 112, do CTN), quando cabível, deve ser aplicada também à correção parcial. Logo, devese relevar a multa aplicada na proporcionalidade da correção realizada aos autos no prazo de impugnação. III – Todavia, ao contrário do colocado pela decisão recorrida e fundamentação do recurso voluntário, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 479 5 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação Fl. 479DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 480 6 esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benígna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. IV Quanto a questão trazida pelo Recorrente da representação penal, ressaltase que descabe à fiscalização fazer julgamento da ocorrência de crime ou não, averiguar, em tese, se há possibilidade de ocorrência de fatos tipificados como crimes pela legislação penal, e informar a autoridade competente, por meio da Representação Fiscal para Fins Penais. A avaliação da ocorrência do tipo penal in concreto é de competência do Ministério Público Federal e, depois, do Poder Judiciário, caso o crédito tributário de contribuições previdenciárias tenha sido mantido (art. 83, da Lei n. 9430/1998). V Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, no sentido de reformar a decisão a quo e o lançamento para que: a) A multa seja relevada, na forma do art. 291, do Regulamento da Previdência Social, vigente à época da impugnação, na proporcionalidade da correção realizada aos autos no prazo de impugnação; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.002716/200835 Acórdão n.º 2803003.452 S2TE03 Fl. 481 7 b) A aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, vedandose comparações conjuntas com o art. 35A da Lei 8.212/1991, nas redações da MP n. 449/2008 e Lei n. 11.941/2009. É como voto. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato – Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 11/09/2014 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000550/2010-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2006, 31/12/2009
AUTO-DE-INFRAÇÃO N° 37.238.357-2
CONSOLIDADO EM 29/06/2010
INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI.
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, não tem competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei.
Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62.
DO LANÇAMENTO E DO RELATÓRIO
Relatório amplo, genérico e extenso, nada mais é que determinação legal seguida pela Fiscalização aos procedimentos determinados por lei. E isto não configura cerceamento de defesa e tão pouco, lesão ao contraditório.
AUXÍLIO DOENÇA
Auxílio Doença, nos quinze primeiros dias é de responsabilidade do empregador de pagar a remuneração mensal do segurado/contribuinte (art. 59, §3° da Lei 8.213/1991, na redação dada pela Lei 9.876/1999), bem como a incidência de contribuição previdenciária, em que pese não haver legislação específica, mas em sendo obrigado a pagar o principal que é a remuneração do empregado, deve honrar com as contribuições.
DOS CARGOS ELETIVOS
A Instrução Normativa n° 15 da Secretaria da Receita Previdenciária de 12 de setembro de 2006, estabelece que os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandatos eletivos, referentes a fatos geradores até o dia 18/09/2004, e devidamente recolhidos, devem ser devolvidos ou compensados pelo ente federativo, mas dentro de procedimentos administrativos, que, no caso não foi respeitado pelo contribuinte.
DO FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DE MUNICÍPIOS
Termo assinado de parcelamento, com base na Medida Provisória 2.187/2001, onde constava expressamente a autorização ao INSS para que efetuasse a retenção diretamente no Fundo de Participação dos Municípios, dos valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes, não exime à Prefeitura o recolhimento daquelas contribuições.
Isto porque os parágrafos 10 e 12 incluídos ao art. 38 da Lei 8.212/1991 pela MP 2.187-13/2001, que a retenção decorre de inadimplemento de débitos vencidos ou de prestações de parcelamento.
Assim, por óbvio que se os lançamentos não estavam constituídos à época dos fatos geradores, não podem ser descontados pela Previdência.
JUROS / MULTA E TAXA SELIC
Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.840
Decisão: Acordam os membros da 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 2 Seção em: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da multa, para aplicar o determinado no Art. 32-A, quando o cálculo com a multa aplicada resultar em benefício ao contribuinte, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros: a) Mauro e Wilson, que deram provimento parcial ao recurso para quando for aplicada a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32-A da Lei 8.212/91; b) Bernadete e Marcelo, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Redator
Participaram ainda da seção, Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, não tem competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. DO LANÇAMENTO E DO RELATÓRIO Relatório amplo, genérico e extenso, nada mais é que determinação legal seguida pela Fiscalização aos procedimentos determinados por lei. E isto não configura cerceamento de defesa e tão pouco, lesão ao contraditório. AUXÍLIO DOENÇA Auxílio Doença, nos quinze primeiros dias é de responsabilidade do empregador de pagar a remuneração mensal do segurado/contribuinte (art. 59, §3° da Lei 8.213/1991, na redação dada pela Lei 9.876/1999), bem como a incidência de contribuição previdenciária, em que pese não haver legislação específica, mas em sendo obrigado a pagar o principal que é a remuneração do empregado, deve honrar com as contribuições. DOS CARGOS ELETIVOS A Instrução Normativa n° 15 da Secretaria da Receita Previdenciária de 12 de setembro de 2006, estabelece que os valores das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandatos eletivos, referentes a fatos geradores até o dia 18/09/2004, e devidamente recolhidos, devem ser devolvidos ou compensados pelo ente federativo, mas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 05 50 /2 01 0- 19 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 dentro de procedimentos administrativos, que, no caso não foi respeitado pelo contribuinte. DO FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DE MUNICÍPIOS Termo assinado de parcelamento, com base na Medida Provisória 2.187/2001, onde constava expressamente a autorização ao INSS para que efetuasse a retenção diretamente no Fundo de Participação dos Municípios, dos valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes, não exime à Prefeitura o recolhimento daquelas contribuições. Isto porque os parágrafos 10 e 12 incluídos ao art. 38 da Lei 8.212/1991 pela MP 2.18713/2001, que a retenção decorre de inadimplemento de débitos vencidos ou de prestações de parcelamento. Assim, por óbvio que se os lançamentos não estavam constituídos à época dos fatos geradores, não podem ser descontados pela Previdência. JUROS / MULTA E TAXA SELIC Em relação à aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória previdenciária, o CTN impõe a retroatividade da lei mais benéfica em matéria de penalidade tributária, assim a correção da falta no curso do processo administrativo fiscal impõe a concessão do benefício de relevação parcial da multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros da 1 Turma Ordinária da 3 Câmara da 2 Seção em: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da multa, para aplicar o determinado no Art. 32A, quando o cálculo com a multa aplicada resultar em benefício ao contribuinte, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros: a) Mauro e Wilson, que deram provimento parcial ao recurso para quando for aplicada a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91; b) Bernadete e Marcelo, que negavam provimento ao recurso nesta questão; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Redator Participaram ainda da seção, Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antonio de Souza Corrêa e Damião Cordeiro Moraes. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 408 3 Relatório Tratase de Auto de Infração (AI) materializado pelo nº 37.238.3564, consolidado em 29/06/2010, para o período 1/2006 a 12/2009, no valor de R$1.046.986,75 (Hum milhão, quarenta e seis mil, novecentos e oitenta e seis reais e setenta e cinco centavos), constando, por motivação do lançamento no Relatório Fiscal de folhas 55/58, o seguinte: “... 3. DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. 3.1 No presente Autos foram lançadas as diferenças de contribuições Previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social não declaradas em GFIP: 1) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas e ou creditadas a contribuintes individuais; Correspondentes à parte devida pelos segurados. O contribuinte intimado a apresentar informações sobre os segurados que recebiam remunerações de mais de uma fonte pagadora não apresentou nenhum esclarecimento neste sentido, dessa forma, a alíquota aplicada foi de 11% sobre o valor das remunerações de cada segurado respeitado o limite máximo permitido. 2) Incidentes sobre os valores das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados eletivos, efetivos, contratados e comissionados da Prefeitura Municipal, correspondentes: à parte devida pelos segurados, conforme o constante nos resumos das folhas de pagamento menos os valores declarados em GFIP. 3.2 Seguem em anexo, em meio digital, as planilhas contendo as remunerações dos segurados, as contribuições e outros dados que deram suporte à formalização do Auto de Infração acima: a) folha X GFIP: b) Contribuintes Individuais: c) Contribuintes Individuais consolidado; d) Fretistas; e) Fretistas consolidado. 3.3 Segue tampem em anexo cópias dos resumos das folhas de pagamento.” Além disso, é informado também que foi efetuada a comparação de multa mais benéfica entre a definida na legislação vigente à época e a decorrente da edição da Medida Provisória 449/2008, nos termos preconizados pelo art. 106, II, "c" do Código Tributário Nacional (CTN). Irresignada com a autuação, o Recorrente apresentou sua Impugnação (fls. 332/371) tempestiva, onde alega, em síntese, o que segue: Alega que o Relatório Fiscal é pouco claro, que carece de fundamentação e é muito generalizado; Aduz que os relatórios dos fundamentos legais dificulta sua defesa por trazer uma citação extensa de legislação; Fl. 427DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Reclama que o tempo para a apresentação de impugnação dos 6 (seis) autos lavrados é muito exíguo violando seu direito ao contraditório e ampla defesa; Reclama da aplicação da Selic como juros moratórios, sob o argumento de ausência de previsão legal que a institua para fins tributários em desobediência à Constituição Federal; Alega que a jurisprudência do STJ pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença nos 15 primeiros dias de afastamento não tem caráter remuneratório, não sendo base de cálculo de contribuições sociais previdenciárias; Sustenta que a Instrução Normativa 15/2006 estabeleceu que as contribuições incidentes sobre remuneração de exercentes de mandatos eletivos deviam ser devolvidos ou compensados, mas a auditoria fiscal não considerou tais recolhimentos nos seus lançamentos; Informa que com base na Medida Provisória 2.187/2001, o município recolhe suas contribuições previdenciárias por retenção na sua parcela do fundo de participação dos municípios. Entende que se os valores devidos não foram "não foram mensurados de maneira correta pelo FISCO, em tempo hábil, não pode, agora em levantamento posterior, após detectar diferenças a serern recolhidas, penalizar o sujeito passivo com multas e juros por uma incumbência que não lhe cabia"; Alega que há vários "equívocos e irregularidades" no lançamento. Informa que diversos levantamentos referemse a contratos com empresas, confundidas com contribuintes individuais. Alega também que se informa no Sistema de Informações Municipais (SIM), utilizado nos lançamentos, valores de pagamentos em sua totalidade, sem discriminação dos materiais e mão de obra e que a auditoria deveria "garimpar os reais valores nos recibos e contratos existentes nos arquivos da edilidade"; Pede, ao final, a insubsistência do lançamento por falta de fundamentação; a impossibilidade de incidência de contribuição sobre contratos com empresas; a exclusão da Selic e sua substituição pela taxa de 1% ao mês; a compensação dos valores recolhidos sobre a remuneração de exercentes de mandatos eletivos; a compensação dos valores recolhidos incidentes sobre os 15 primeiros dias de auxílio doença; a produção de demais provas possíveis, juntada de documentos novos e perícia para verificação da exatidão dos cálculos. No entanto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, por meio do Acórdão n° 0934.907, proferido pela 5ª Turma da DRJ/JFA (fls. 377/385) julgou a impugnação improcedente, conforme ementário abaixo: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008, 01/02/2006 a 30/08/2008, 01/03/2007 a 31/12/2009, 01/12/2006 a 31/07/2008, 01/11/2007 a 31/12/2009. RELATÓRIO FISCAL. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. SELIC. AUXÍLIODOENÇA. AFASTAMENTO ANTERIOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. MANDATO ELETIVO. COMPENSAÇÃO REQUISITOS. FPM. RETENÇÃO. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. PESSOA JURÍDICA. PROVA. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 409 5 O Relatório Fiscal que descreve o fato gerador, ainda que em termos genéricos, apresentando em planilha todos os segurados, notas de empenho, e valores em que estriba o lançamento cumpre sua Finalidade e não cerceia a defesa do sujeito passivo. A fundamentação legal descrita em relatório próprio e concernente ao fato gerador objeto do lançamento, ainda que extensa, cumpre sua finalidade de informar a disposição legal infringida e não cerceia a defesa do sujeito passivo. O prazo para impugnação é de 30 dias, independendo do número de autos de infração lavrados na ação fiscal. É legal a determinação de juros moratórios calculados como taxa Selic. Não incide contribuição social sobre benefícios previdenciários, salvo o saláriomaternidade, mas não há previsão legal para exclusão dos primeiros quinze dias de afastamento por incapacidade, antes do auxílio doença, da base de cálculo da contribuição social previdenciária. A compensação decorrente de recolhimento de contribuições indevidas a exercentes de cargos eletivos exige, a teor da Instrução Normativa SRP 15/2006, o cumprimento de requisitos próprios. A retenção em Fundo de Participação de Municípios de contribuições devidas dependia de sua constituição, mediante declaração, confissão ou lançamento. A mera arguição de existência de pessoa jurídica em rol de pessoas físicas, todas identificadas por seus cpf, sem a devida prova, não ilide a consideração de contribuintes individuais. O momento preclusivo para apresentação de provas documentais é a impugnação. Pedido de perícia sem os requisitos considerase como não formulada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido.” Inconformada com a aludida decisão, o Recorrente interpôs, Recurso (fls. 390/400) corroborando todos os argumentos expostos em sede de impugnação. Eis o relato dos fatos Voto Vencido Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame do mérito. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 INCOSTITUCIONALIDADE DE LEI. Esta Corte administrativa, como todas as demais, inclusive judicial, exceto o Supremo Tribunal Federal, não têm competência para distribuir, analisar e julgar processos e ou matérias que tratam de inconstitucionalidade de lei. Devese ater o Recorrente ao entendimento anotado no Parecer CJ 771/97 que: “O guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. De forma que, ainda que seja uma vírgula mal distribuída num parágrafo da lei anatematizada pelo Recorrente, o caminho a postular inconstitucionalidade e perquirir direitos é o Pretório Excelsior, e não esta via. Mais ainda, há de destacar que a atividade administrativa encontrase com vinculo ao que determina a lei, como dito por muitos, ‘as ações do gestor público é escravizada pela lei’. Neste sentido, peço vênia para juntar escólio do perleúdo jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “O tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” E, de mais a mais, observase que o o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, veda aos Conselheiros de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Para finalizar, trago à baila que o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tal matéria, por meio do Enunciado 02/2007, ‘in verbis’: Enunciado nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 410 7 Portanto, neste quesito, pelas fortes razões acima, não merece nenhuma reforma o lançamento guerreado. DO LANÇAMENTO E DO RELATÓRIO Diz que há impossibilidade de apresentar defesa porque o relatório é amplo, genérico e extenso, mas que não assiste razão, uma vez que o Auditor Fiscal obedeceu os procedimentos determinados por lei. Sendo funcionário público o Fiscal está atrelado à determinação legal, conforme ocorreu e por isto mesmo não há imperfeição no AI, ainda que extenso, amplo e até mesmo genérico, conforme diz a Recorrente. Então, neste quesito, sem razão a Recorrente. DO DIREITO DE DEFESA Diz que o Fiscalizador levou meses para sanar sua voracidade em aplicar multa, expendendo vários documentos, consultando vários pagamentos e que o FISCO lhe dá somente 30 dias para se defender, o que estaria lhe ofendendo o direito de ampla defesa. Mais uma vez sem razão a Recorrente porque os prazos estão estipulados por legislação específica, ‘ex vi’ art. 15 do Decreto,70.235/1972. Se descontente com a lei que procure o caminho correto para combatêla no colegiado próprio, que não é esta Casa. Assim, também não assiste razão a Recorrente neste quesito. AUXÍLIO DOENÇA A Recorrente alega que não deve pagar contribuição previdenciária nos casos de pagamento de auxílio doença nos 15 primeiros dias, que é de sua responsabilidade. Mais uma vez enganase a Recorrente, pois é de lei a determinação que incube a empresa pagar ao segurado afastado por auxílio doença ou acidente, nos quinze primeiros dias. O art. 59, §3° da Lei 8.213/1991, na redação dada pela Lei 9.876/1999, determina à empresa pagar ao segurado empregado seu salário integral durante os primeiros 15 dias de afastamento por incapacidade, no caso em que devido, posteriormente, o auxílio doença. Todavia, não há previsão legal de que não deva pagar a contribuição previdenciária, sendo, portanto, devida. Então, também não merece razão a Recorrente no quesito. DOS CARGOS ELETIVOS Diz que a Instrução Normativa n° 15 da Secretaria da Receita Previdenciária de 12 de setembro de 2006, estabelece que os valores das contribuições previdenciárias Fl. 431DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 incidentes sobre a remuneração dos exercentes de mandatos eletivos, referentes a fatos geradores até o dia 18/09/2004, e devidamente recolhidos, devem ser devolvidos ou compensados pelo ente federativo. E por isto, com base na IN acima, acha lógico que o próprio FISCO ao iniciar a ação fiscal providenciasse esta compensação, em casos de encontrar crédito, ao invés de autuar. Quanto ao pedido de compensação do crédito tributário com contribuições indevidamente recolhidas por exercentes de mandato eletivo, há que se considerar que para tal pleito, nos termos da Instrução Normativa SRP 15/2006, os requisitos para tanto são os seguintes: Art. 6º E facultado ao ente federativo, observado o disposto no art. 3°, compensar valores pagos à Previdência Social com base no dispositivo referido no art. 1o, observadas as seguintes condições: I a compensação devera ser precedida de retificação das GFIP, para excluir destas todos os exercentes de mandato eletivo informados, bem como a remuneração proporcional ao período de Io a 18 na competência setembro de 2004 relativa aos referidos exercentes; II deverá ser realizada com contribuições previdenciárias declaradas em GFIP; III o ente federativo deverá estar em situação regular, considerando todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio, em relação as contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212. de 1991. e das contribuições instituídas a titulo de substituição; (Nova redação dada peta IN RFB N" 909, DE 14. IV o ente federativo deverá estar em dia com parcelas relativas a acordos de parcelamento de contribuições objeto dos lançamentos de que trata o inciso III, considerados todos os seus órgãos e obras de construção civil executadas com pessoal próprio; V somente é permitida a compensação de valores que não tenham sido alcançados pela prescrição; VI a compensação somente poderá ser realizada em recolhimento de importância correspondente a períodos subseqüentes àqueles a que se referem os valores pagos com base na alínea "h" do inciso I do art. ¡2 da Lei 8.212, de 1991, acrescentada pelo § I o do art. 13 da Lei n° 9.506, de 1997; e VII (Revogado pela IN RFB N° 909. DE 14/01/2009 § 1° O ente federativo poderá efetuar a compensação dos valores descontados do exercente de mandato eletivo e efetivamente recolhidos, desde que: I seja precedida de declaração do exercenle de mandato eletivo de que está ciente que esse período não será computado no seu Fl. 432DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 411 9 tempo de contribuição para efeito da concessão de benefícios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, conforme modelo constante do Anexo I desta Instrução Normativa; e II possa comprovar o ressarcimento de tais valores ou possua uma procuração por instrumento particular, com firma reconhecida em cartório, ou por instrumento público, outorgada pelo exercente de mandato eletivo, autorizandoo a efetuar a compensação, conforme modelo constante do Anexo II desta Instrução Normativa. § 2" Caso seja constatado, em procedimento fiscal, a inobservância ao disposto no § 1 °, os valores compensados serão glosados. § 3o Os documentos referidos no § I a deverão ser mantidos sob a guarda do ente federativo para exibição à fiscalização da SRP, quando solicitados. § 4" E obrigatória a retificação da GFIP, por parte do dirigente do ente federativo, independentemente de efetivação da compensação. § 5o O descumprimento do disposto no § 4o sujeitará o infrator à multa prevista no § 6° do art. 32 da Lei 8.212, de 1991. e configura crime, conforme previsto no inciso III do § 3a do art. 297 do Código Penal Brasileiro. Ora, da legislação acima se vê que a compensação perquirida pela Recorrente tem procedimento específico determinado por lei, com suas núncias próprias e não na forma de escambo, como pretende a Recorrente.. Mais uma vez, não lhe assiste razão o quesito requerido. DO FUNDO DE PARTICIPAÇÃO DE MUNICÍPIOS Diz a Recorrente que em 2001 assinou termo de parcelamento, com base na Medida Provisória 2.187/2001, onde constava expressamente a autorização ao INSS para que efetuasse a retenção diretamente no Fundo de Participação dos Municípios, dos valores correspondentes às suas obrigações previdenciárias correntes, não cabendo à edilidade, o recolhimento daquelas contribuições. Diz que o dever de dizer os valores a serem recolhidos é do INSS e não da Recorrente. Entretanto, de uma simples leitura dos parágrafos 10 e 12 incluídos ao art. 38 da Lei 8.212/1991 pela MP 2.18713/2001, que a retenção decorre de inadimplemento de débitos vencidos ou de prestações de parcelamento. Assim, por óbvio que os presentes lançamentos não poderiam ter sido descontados, do referido fundo posto que não estavam constituídos à época dos fatos geradores. Para que isso ocorresse, o sujeito passivo deveria ter efetuado corretamente a GFIP ou confessasse espontaneamente os débitos através de LDC. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Desta forma, mais um quesito sem razão a Recorrente. JUROS, MULTA E TAXA SELIC Quanto a desejada exclusão dos juros e multa, e da dita ilegalidade na aplicação da taxa SELIC, não assiste razão a Recorrente, porque a fiscalização não inventou as suas aplicações. Ao contrário, é determinação da legislação previdenciária. Nesse sentido, o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 dispõe que a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso, verbis: “Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (..)” Também, mister se diga que não caráter de confisco a exigência da multa moratória, já que a legislação prevê no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991 o caso de não recolhimento em tempo certo. Em não sendo recolhido no tempo adequado, o contribuinte ‘atrasado’ tem que honrar com a sua desídia ou outra razão qualquer, que não importa ao fisco. Mas, o certo é que, tal exigência serve para não permitir a agressão ao principio da isonomia, tão bem defendida pela Carta Cidadã, uma fez que o contribuinte que não recolher no prazo fixado, não pode ter o mesmo tratamento daquele outro que cumpri regularmente as suas obrigações fiscais. Quanta as ditas aplicações ilegais dos juros, urge verificar que a sua utilização está disciplinada no artigo 34, da Lei n.º 8.212/91: “Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei)” Em 18 de setembro de 2007 o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou a SÚMULA Nº 3, com o seguinte teor, que põe uma pá de cal na argumentação defensiva, ‘ex vi’: “SÚMULA Nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” E, também é correta a aplicação da taxa SELIC como juros de mora, com base na inteligência do artigo 34, da Lei nº 8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 412 11 De atualização monetária, urge dizer que há extinção para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, conforme a Lei n.º 8.981/95. Sendo assim, não há dúvida que, em caso de inadimplência com o fisco, o sujeito passivo é devedor do principal com os acréscimos legais na forma da legislação hodierna, Lei 9.430/96, artigo 61, se mais benéfica ao contribuinte. ‘Ex vi’ artigo em tela: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Diante de todo o exposto, quanto aplicação de multa, tenho que o artigo que mais beneficia o contribuinte deverá ser aplicada, e, no caso em tela, por tratarse de obrigação principal e acessória, aplicar a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91 CONCLUSÃO Diante do exposto, tenho que o presente Recurso Voluntário acode as exigências processuais, e por isto dele conheço, para no mérito darlhe parcial provimento somente quanto a aplicação da multa que deve ser a mais benéfica, ou seja, a multa, até 11/2008, de 75%, por manter a multa mais benéfica quando comparada à penalidade prevista nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91 com aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91, e, no resto mantenho a decisão ‘a quo’. É como voto. Sala das Sessões, 17 de maio de 2012. (assinado digitlamente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator Fl. 435DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Que pese o brilhantismo do voto do Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa, no tocante à multa a ser aplicada, ouso dele discordar nos termos que a seguir passo a expor. Ora, no que se refere à multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória – apresentação de GFIPs com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias – entendo que o lançamento deve ser reformado. Isso porque a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 436DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 413 13 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Fl. 437DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 414 15 Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 439DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Porém, nos Fl. 440DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10315.000550/201019 Acórdão n.º 2301002.840 S2C3T1 Fl. 415 17 casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. CONCLUSÃO Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL reduzindo a multa aplicada conforme determina o artigo 32 A, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 441DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 01/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10725.002937/2008-63
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO
Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidos pelo Recorrente.
Pedido de Diligência Indeferido
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalim - Presidente.
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação, mediante documentação hábil e idônea, dos valores deduzidos a título de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica na manutenção das despesas glosadas. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidos pelo Recorrente. Pedido de Diligência Indeferido Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar o pedido de diligência e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalim Presidente. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 29 37 /2 00 8- 63 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10725.002937/200863 Acórdão n.º 2801003.715 S2TE01 Fl. 218 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Marcelo Vasconcelos Almeida, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 12a Turma da DRJ/RJ1. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: 0 presente processo trata de exigência constante de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2007, Anocalendário 2006, na qual se apurou crédito tributário no valor de R$ 3.998,00. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 09), foi glosado o valor de R$ 14.538,20, pelos motivos descritos a seguir: 2.1. Falta de identificação do beneficiário do serviço e do endereço do prestador: R$ 5.000,00, R$ 4.000,00, R$ 240,00 e R$ 120,00, referentes aos seguintes profissionais, respectivamente: José Lopes Gomes, Robson Fonseca Menezes Moraes, José Eduardo Áreas Gomes de Azevedo e Paulo Roberto Romano Ribeiro; • 2.2. Falta de identificação do beneficiário do serviço: R$ 120,00, correspondente ao recibo emitido por Maria Antonieta Afonso Pereira; 2.3. Falta de comprovação das despesas: R$ 1.443,17, referente a pagamento efetuado ao Ministério da Saúde e R$ 3.615,03, correspondente a pagamentos à Sul América Companhia de Seguro Saúde. 3. Cientificado do lançamento em 30/09/2008 (fls. 44), ingressou o contribuinte, em 28/10/2008, com sua impugnação (fls. 01/04), alegando, em síntese, que apresenta nesse momento os documentos comprobatórios das despesas médicas glosadas pela fiscalização, com o fim de que seja declarada a improcedência do lançamento. 4. Em 03/06/2009,a contribuinte protocolou o documento de fls. 48/53, que se trata de impugnação a este processo e ao de n° 10725.002158/200868, reiterando os argumentos já apresentados para este processo e juntando também os mesmos documentos já apresentados. 5. A competência para julgamento do presente processo foi prorrogada pela Portaria RFB/SUTRI n° 3.077/2011, de 04/07/2011 (DOU 05/07/2011). Fl. 218DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10725.002937/200863 Acórdão n.º 2801003.715 S2TE01 Fl. 219 3 A contribuinte impetrou Embargos de Declaração (fls.166/170,visando Preliminarmente, a uma, cabe o dever de ), a fim de aclarar a decisão aqui recorrida e anteriormente embargada, para Vossa apreciação quando do julgamento por esse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme Acórdão de( fls.156/160numeração digital), assim ementado a seguir: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São passíveis de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda as despesas médicas devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea e que atenda aos requisitos legais, devendo ser mantida a glosa das despesas não comprovadas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em (fl.164numeração digital ), o contribuinte apresentou recurso em 26.10.2011, às (fls.186/195numeração digital). Em sua defesa aduziu que é beneficiária dos serviços prestados e responsável pelos pagamentos das despesas médicas e juntou decisão favorável em outro processo de n.10725.002158/200868, ao final pede o mesmo entendimento. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. PRELIMINAR DE DILIGÊNCIA Descabe ao fisco produzir provas em favor do contribuinte, devendo, portanto, ser indeferido o pedido de diligência que tem por finalidade obter provas que deveriam e poderiam ter sido produzidos pelo Recorrente. Pedido de Diligência Indeferido A controvérsia cingese a glosa de despesa médica : por falta: de identificação do(s) beneficiário(s) dos serviços prestados e de informação dos endereços dos profissionais e quanto ao plano de saúde da Sul América de Seguros s.a e Ministério da Saúde não comprovou o efetivo pagamento, discriminados a seguir: José Lopes Gomes R$ 5.000,00 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10725.002937/200863 Acórdão n.º 2801003.715 S2TE01 Fl. 220 4 Robson Fonseca Menezes Moraes R$ 4.000,00 José Eduardo Áreas Gomes de Azevedo R$ 240,00 Paulo Roberto Romano Ribeiro R$ 120,00 Maria Antonieta Afonso Pereira R$ 120,00 Sul América Seguros s.a R$ 3.615,03 Ministério da Saúde R$ 1.443,17 Total R$ 14.538,20 Os recibos de despesas médicas dos profissionais destacados as (fls.30/39), não constam o nome do beneficiário destes serviços, o que significa dizer que tais recibos não estão revestidos das formalidades legais necessárias a dedução das respectivas despesas na declaração de ajuste anual. Com relação a dedução das despesas glosadas do Ministério da Saúde(fl.41) a contribuinte apesar de alertado pela Autoridade Fiscal não apresentou os comprovantes de pagamentos nem a identificação dos beneficiários. Quanto a Sul América Seguros s.a(fl.43) a Contribuinte não trouxe aos autos comprovantes de pagamentos que identifique o beneficiário desta despesas. A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base da de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, o art. 80 do RIR, in verbis: “ Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias ( Lei n. 9.250, art. 8o, inciso II, alínea “a” ). # 1o O disposto neste artigo ( lei n. 9.250, de 1995. 8º § 2o ). I – Aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidade que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF, ou no Cadastro Nacional Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de Fl. 220DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10725.002937/200863 Acórdão n.º 2801003.715 S2TE01 Fl. 221 5 documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; g.n. Art. 73 – Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, ( DecretoLei n. 5.844, de 1943, art. 11 § 3o. No caso vertente, a contribuinte foi intimado apresentar os recibos com o nome do beneficiário dos serviços prestados pelos profissionais das despesas médicas, mas não o fez, entendo que a glosa das referidas despesas deve ser mantida por falta de comprovação. Ante o exposto, voto por rejeitar o pedido de diligência e, no mérito negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente José Valdemir da Silva . Fl. 221DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 19/09/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
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Numero do processo: 16682.903302/2011-19
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
Restituição Do Indébito Tributário. Prova. Ônus.
O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp - Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indefere-se o pedido e não homologa-se a compensação pretendida entre crédito e débito tributários.
Compensação. Retenção De Tributo. Comprovação.
A efetiva retenção do tributo deve ser comprovada de forma inequívoca pela contribuinte que requer o cômputo deste valor no direito creditório consubstanciado em saldo negativo, bem como o oferecimento da receita correlata à tributação, mediante a exibição de informes de rendimentos, ou extratos bancários, e contabilidade completa que deve estar coerente com os valores informados em DCTF e DIPJ.
Compensação. Receitas. IRRF.
Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80).
Numero da decisão: 1801-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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PROVA. ÔNUS. O ônus da prova do crédito tributário pleiteado na Per/Dcomp Pedido de Restituição é da contribuinte (artigo 333, I, do CPC). Não sendo produzida nos autos, indeferese o pedido e não homologase a compensação pretendida entre crédito e débito tributários. COMPENSAÇÃO. RETENÇÃO DE TRIBUTO. COMPROVAÇÃO. A efetiva retenção do tributo deve ser comprovada de forma inequívoca pela contribuinte que requer o cômputo deste valor no direito creditório consubstanciado em saldo negativo, bem como o oferecimento da receita correlata à tributação, mediante a exibição de informes de rendimentos, ou extratos bancários, e contabilidade completa que deve estar coerente com os valores informados em DCTF e DIPJ. COMPENSAÇÃO. RECEITAS. IRRF. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 33 02 /2 01 1- 19 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Leonardo Mendonça Marques, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 12051.340/12 exarado pela Décima Quinta Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ, efls. 196 a 212, que julgou procedente em parte o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como decidiu homologar em parte as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados no Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) retificador de fls. 07 a 12 e 13 a 16. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] Em 01/11/2011, após análise em procedimentos informatizados, foi emitido Despacho Decisório DEMAC/Rio de Janeiro, número de rastreamento 009830787, fls. 17, resultando em HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO DECLARADA na PER/DCOMP 19489.82324.190407.1.3.026984 uma vez que o crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo. Consta ainda do Despacho Decisório: • Valor Original do saldo negativo informado no PER/COMP com demonstrativo do crédito: R$ 1.325.738,80. Valor na DIPJ: R$ 1.325.738,80 • Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 1.456.293,55; • IRPJ devido: R$ 130.554,75 • Valor do Saldo Negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. • Valor do Saldo negativo disponível: R$ 1.206.619,80. Consta dos autos Relatório PER/DCOMP, Despacho Decisório Análise do Crédito, fls. 18/19, que demonstra as parcelas do crédito que foram confirmadas e as que foram parcialmente ou não foram confirmadas. Parcelas confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor Confirmado Fl. 273DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.903302/201119 Acórdão n.º 1801002.138 S1TE01 Fl. 3 3 02.709.449/000159 1708 22.154,64 33.000.167/000101 6190 1.228.778,81 42.498.659/000160 1708 24.798,32 42.540.211/000167 6190 24.463,09 TOTAL 1.300.194,86 Parcelas confirmadas parcialmente ou não confirmadas CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor Não Confirmado Justificativa 00.394.544/027032 1708 1.007,14 0,00 1.007,14 Ret fonte não comprovada 02.578.421/000120 6190 20.823,31 7.330,79 13.492,52 Ret fonte não comprovada 02.709.449/000230 1708 38.457,36 0,00 38.457,36 Ret fonte não comprovada 02.754.200/000165 6190 7.435,21 0,00 7.435,21 Ret fonte não comprovada 29.339.298/000140 6190 38.344,55 0,00 38.344,55 Ret fonte não comprovada 33.000.167/010840 6190 13.769,39 0,00 13.769,39 Ret fonte não comprovada 42.521.088/000137 6190 36.261,73 29.648,90 6.612,83 Ret fonte não comprovada TOTAL 156.098,69 36.979,69 119.119,00 [...] Inconformada, a interessada, que tomou conhecimento do Despacho Decisório em 22/11/2011, fls. 23, apresentou manifestação de inconformidade, em 22/12/2011, fls. 24/31, na qual, em síntese alega: O Fiscal confirmou apenas o valor de R$ 1.337.174,55, relativo ao saldo negativo e após a devida quitação do IRPJ daquele trimestre transportou apenas o Saldo Negativo disponível de R$ 1.206.619,80, e assim não supriu a exigibilidade da COFINS não cumulativo Lei 10.833/2003, código 5856 e o IRRF do código 0561, que totalizaram R$ 1.284.746,34, remanescendo assim o valor principal a pagar, de R$ 120.310,21. Porém, o Fiscal não considerou as retenções dos tomadores dos serviços em sua totalidade, sobretudo, quando estes são os relacionados no art 1° da IN 480/04 Com base no princípio do contraditório e ampla defesa, o Impugnante pretende demonstrar que o Despacho Decisório está eivado de vícios, devendo ser decretada sua improcedência e/ou nulidade, conforme as questões de direito a seguir. O contribuinte é prestador de serviços tendo em sua carteira de clientes, o percentual de 87%, com tomadores de serviços, cujas pessoas jurídicas são públicas, razão pela qual suas retenções tornaramse muito significativas após a aplicabilidade da Lei 10833/03, e IN 480/04, em especial mirando as competências a partir de fevereiro de 2004, inclusive. Após a obrigação das retenções pelos tomadores de serviços, a Receita Federal do Brasil, através da IN 480/04 normatizou em seu anexo I, o percentual de IRPJ de acordo com a presunção e atividades executadas em seus contratos de serviços, independente da forma de tributação executada pelo contribuinte, e este a ser somado a nova exigência de 4,65%, sendo: PIS, COFINS e CSLL. Ante as retenções nos universos dos percentuais finais do IRPJ sobre o faturamento, independentes da forma de tributação demandarão compensações e neste caso concreto, significativas, visto que o contribuinte é tributado pelo Lucro Real, e tal imposto somente foi conhecido após o Lucro líquido ajustado do período. Ademais, as notas fiscais de serviços que subsidiarão a inconformidade sustentada ficam custodiadas nas dependências do contribuinte e que maiores esclarecimentos Fl. 274DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 poderiam ter sido solicitados por aquele Fiscal, sem quaisquer embaraços, assim como os informes de rendimentos no Ano calendário de 2007 de alguns tomadores, que corroboram com as retenções das notas fiscais emitidas. Em síntese, findo o 1° Trimestre de 2007 apurados pelo Lucro Real, constatouse a exigibilidade de IRPJ (doc 06), ocasião em que o contribuinte apontou na DIPJ os créditos retidos na fonte por seus tomadores órgãos públicos que superam de sobejo tal exigibilidade a ponto de que tais créditos fossem direcionados para o PER/DCOMP, a fim de quitar tributos de IRRF, PIS e COFINS, conforme detalhamento que apresenta. Não se pode admitir a fixação por arbitramento quando estão disponíveis todas as informações e documentos para fiscalização. Ressaltase ainda que a IN 480/04 estabelece que para fins de retenção, demandada da Lei 10833/03, as notas fiscais emitidas deveriam ter em seu corpo a menção da obrigação da retenção tornandoos fieis depositários daqueles tributos, exigência comprovadamente executada pelo Contribuinte. Ainda nesta esteira, a IN SRF 517/05, autorizou a compensação de tributos dos códigos de receita 6147, 6190, orientação esta devidamente praticada por este contribuinte, haja vista as similitudes nas naturezas de tais retenções, conforme retidos nos informes de rendimentos anexo. O Fiscal, ao afirmar que somente confirmou retenções na fonte na ordem de 1.337.174,55, mirou a equivocada afirmativa única e exclusivamente nas retenções executadas de pequena parte dos tomadores de serviços, conforme Relatório das Parcelas de crédito do Imposto de renda retida na Fonte. Ao considerar apenas tais créditos, fragouse os vícios cometidos pelo Auditor, já que as notas fiscais recebidas pelo contribuinte figuram dedutibilidade.e tributos, tornando os tomadores fiéis depositários, alguns destes, por amostragem, nos enviaram os informes anuais do ano calendário de 2007, conforme anexo. Todavia somente alguns tomadores, PETROBRÁS S/A, INPI, ELETROBRÁS e TRANSPETRO estão sendo objetos de confirmação por aquele Auditor. É de comum sabença que as empresas de terceirização de mãodeobra (prestadores de serviços) foram obrigadas, após a Lei 10833/03, a destacar nas Notas fiscais os percentuais de imposto de renda, PIS, COFINS e CSLL, obrigando, por conseguinte, os tomadores de serviços a reterem na fonte todos estes tributos e contribuições a partir de fevereiro de 2004, tornandoos coresponsáveis pelo recolhimento ao fisco. Surpreendentemente, no Despacho Decisório o Fiscal não levou em consideração estes valores, muito significativos, ainda que sem as notas fiscais em mãos no ato de despacho, não poderia aquele fiscal se furtar de verificar as retenções através dos informes de rendimento dos tomadores, o que, por si só, já induz a realização de novos cálculos o que resultará na improcedência e/ou nulidade do débito apontado. Ainda por remoto não provimento aos fartos argumentos expostos, ainda assim tal Despacho Decisório fora alcançado pela decadência, conforme entendimento do STF, súmula vinculante 4, estacionando entendimento em consonância com o art 173 do CTN, quando "o direito de a fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele até quando o lançamento poderia ter sido efetuado à luz do artigo 150", ou seja no caso concreto extinguise em 31/12/2012. Novamente invocando o princípio da ampla defesa, pretende o contribuinte seja dada oportunidade na fase instrutória, para que novos cálculos sejam realizados neste processo administrativo para que os valores retidos sejam considerados e levados a efeito. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.903302/201119 Acórdão n.º 1801002.138 S1TE01 Fl. 4 5 Requer seja acolhida a impugnação e decidida a improcedência do débito, ou ainda, ante aos vícios cometidos, seja decretada a nulidade do débito, afastando o arbitramento, e que sejam levados em consideração os impostos retidos na fonte. Protesta pela produção de provas documentais e periciais se necessário for. [...] Voto [...] Da inexistência de homologação tácita A Interessada alega que "o despacho decisório fora alcançado pela decadência, conforme entendimento do STF, súmula vinculante 4, estacionando entendimento em consonância com o art. 173 do CTN, quando o direito de a fazenda constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele até quando o lançamento poderia ter sido efetuado à luz do artigo 150, ou seja no caso concreto extinguise em 31/12/2012". Só que tal entendimento não se aplica ao presente caso, liquidação de débitos por compensação, hipótese prevista no artigo 74 da Lei 9430/99, que estabelece: [...] Logo, cabe a esta autoridade administrativa se pronunciar a respeito de homologação tácita e não de decadência, visto que o §6° do artigo acima transcrito, incluído pela Lei n° 10.833, de 2003, estabelece que "A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados". Assim, o PER/DCOMP 19489.82324.190407.1.3.026984, que originou o Despacho Decisório e foi apresentado à Secretaria da Receita Federal do Brasil em 19/04/2007 poderia ser apreciada pela Autoridade Administrativa até 19/04/12, sendo que o Despacho Decisório que a homologou parcialmente foi entregue à Impugnante em 22/11/2011, conforme AR de fls. 23. [...] O artigo 74 da Lei 9430/96, já transcrito, estabelece no §1°, que foi incluído pela Lei n° 10.637, de 2002, que "a compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Com base nas parcelas que compõem o crédito que a interessada informou na DCOMP 11087.91632.070809.1.7.025106, fls. 7/12, DCOMP na qual a interessada indicou o crédito que desejava utilizar nas compensações pleiteadas, é que foi feita a análise do crédito, análise esta que ora reproduzo: [...] Assim, constatase que as parcelas do crédito pleiteado que foram analisadas corresponde as que foram indicadas na DCOMP mencionada, fls. 09/10. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Acerca de nulidade, o artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, estabelece: [...] No presente caso, não se vislumbra qualquer óbice que determine a precariedade do ato realizado pelo Fisco, uma vez que o Despacho Decisório foi prolatado por autoridade administrativa competente, respeitando os devidos procedimentos previstos na legislação para a matéria sob análise. O motivo do reconhecimento parcial do crédito pleiteado foi devidamente fundamentado e consta das "informações complementares do crédito" que foram disponibilizadas na página da Internet da Receita Federal e encontrase nos autos às fls. 18/19. Por outro lado, constatase que os motivos da não homologação foram perfeitamente identificados pela autoridade competente. A argumentação desenvolvida na Manifestação de Inconformidade permite concluir que os motivos da denegação foram compreendidos, tanto que contestados. Logo não é possível acatar a tese de nulidade e/ou improcedência do Despacho Decisório suscitada pela interessada. [...] O motivo de não ter sido reconhecida a totalidade do direito creditório pleiteado pela interessada, como já dito na análise das preliminares, é que parcelas do mesmo não foram confirmadas e/ou foram confirmadas parcialmente, ou seja, valores que foram declarados no PER/DCOMP como retenções não foram confirmados nos Sistemas da Receita Federal. Logo, a lide da Manifestação de Inconformidade restringese aos valores que não foram confirmados pela autoridade de primeira instância e encontramse demonstrados na "Análise das parcelas de Crédito", fls. 09/10, reproduzida abaixo. CNPJ da Fonte Pagadora Código de Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado Valor NAO Confirmado 02.709.449/000159 1708 22.154,64 22.154,64 0,0 33.000.167/000101 6190 1.228.778,81 1.228.778,81 0,0 42.498.659/000160 1708 24.798,32 24.798,32 0,0 42.540.211/000167 6190 24.463,09 24.463,09 0,0 00.394.544/027032 1708 1.007,14 0,00 1.007,14 02.578.421/000120 6190 20.823,31 7.330,79 13.492,52 02.709.449/00230 1708 38.457,36 0,00 38.457,36 02.754.200/000165 6190 7.435,21 0,00 7.435,21 29.339.298/000140 6190 38.344,55 0,00 38.344,55 33.000.167/010840 6190 13.769,39 0,00 13.769,39 42.521.088/000137 6190 36.261,73 29.648,90 6.612,83 TOTAL 1.456.293,55 1.337.174,55 119.119,00 É ônus do beneficiário do rendimento comprovar os montantes de tributos efetivamente retidos pelas fontes pagadoras, quando do pagamento pelos serviços prestados, para que possa deduzilos quando da apuração do resultado do exercício, a teor do que dispõem os artigos 815 e 943 do RIR/1999, conforme segue: [...] No final da Manifestação de inconformidade a interessada relaciona documentos que estaria juntado a mesma, sendo que destes, somente o intitulado como doc 5, "cópias dos informes de rendimentos dos tomadores" podem ser usados como prova a seu favor, nos termos da legislação citada acima. Deste modo, passo a analisar tais documentos: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.903302/201119 Acórdão n.º 1801002.138 S1TE01 Fl. 5 7 A impugnante, no entanto, apresenta apenas "informe de rendimentos de fls. 66, de Petróleo Brasileiro S/A CNPJ 33.000.167/00101, código de retenção 6190, documento este que não é capaz de promover alteração, visto que o valor IR Fonte requerido no PER/DECOMP para este CNPJ já foi confirmado na ocasião da lavratura do Despacho Decisório. Os demonstrativos de fls. 67/82, por terem sido elaborados pela própria interessada, sem estarem acompanhados dos informes de rendimentos ou mesmo outros documentos que poderiam comprovar as retenções utilizadas para compor o crédito pleiteado no PER/DECOMP, também não fazem prova a favor da mesma. Face o exposto, REJEITO as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade e MANTENHO O DESPACHO DECISÓRIO que HOMOLOGOU PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO DECLARADA na PER/DCOMP 9489.82324.190407.1.3.026984. [...] Voto Vencedor [...] Com relação à fonte pagadora PETROBRAS TRANSPORTE S.A. TRANSPETRO, o Despacho Decisório emitido pela DEMAC/RJO confirmou o valor de IRFonte de R$ 22.154,64, relativo à matriz (CNPJ 02.709.449/000159), mas deixou de confirmar a parcela de R$ 38.457,36, relativa à filial 0002 (CNPJ 02.709.449/000230). Considerando que a Dirf das pessoas jurídicas de direito privado, referente ao ano de 2007, era apresentada no CNPJ da matriz (cfr. art. 1°, inciso I, da Instrução Normativa SRF 784/2007), e levando em conta que a matriz da TRANSPETRO apresentou uma Dirf retificadora com IRFonte de R$ 60.006,13 para o primeiro trimestre de 2007 (fl. 188), penso que caberia reconhecer, em favor da Interessada, um crédito adicional de R$ 37.851,49 (= R$ 60.006,13 R$ 22.154,64). Já no que diz respeito à fonte pagadora PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. PETROBRAS, o Despacho Decisório emitido pela DEMAC/RJO confirmou o IR Fonte de R$ 1.228.778,81 relativo à matriz (CNPJ 33.000.167/000101), mas deixou de confirmar a parcela de R$ 13.769,39, relativa à filial 0108 (CNPJ 33.000.167/010840). Considerando que a Dirf retificadora apresentada pela PETROBRAS indica um IRFonte de R$ 1.297.450,64 para o primeiro trimestre de 2007 — cifra correspondente à aplicação do percentual de 4,8% sobre o total dos rendimentos pagos no referido trimestre, que foi de R$ 27.030.221,75 (fl. 191) —, penso que caberia reconhecer, em favor da Interessada, a diferença de R$ 13.769,39, que corresponde ao limite da controvérsia instaurada. Não havendo outros valores de IRFonte que possam ser considerados de ofício, nem quaisquer outros comprovantes que tenham sido apresentados pelo contribuinte, DOU PROVIMENTO PARCIAL à manifestação de inconformidade, para RECONHECER um crédito adicional de R$ 51.620,88, HOMOLOGANDO, assim, as compensações declaradas na DCOMP de n° 19489.82324.190407.1.3.02 6984, até o limite do referido crédito.” Fl. 278DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 219 a 230, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese, que faz jus ao total do direito creditório pleiteado, consubstanciado nos tributos retidos pelas fontes pagadoras discriminadas nos Per/Dcomp objetos do presente litígio administrativo.Apresenta relação de fontes pagadoras extraídas do sistema DIRF às e fls. 233 a 236. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 08/07/13, efls. 215; Recurso – 06/08/13, efls. 218 Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Em princípio, devese salientar que o litígio centralizase na análise do IRRF relativo ao 1º semestre do anocalendário de 2007, que reflete no Saldo Negativo de IRPJ apurado neste mesmo período e é o crédito objeto dos Per/Dcomp ora sob análise. Assim foi informado e definido o valor total das parcelas de IRRF que compõem o referido Saldo Negativo de IRPJ para o 1º Trimestre de 2007, consoante documentos acostados aos autos: efls Documento Vlr. IRRF – 1º Trim R$ 111 DIPJ/08 1.456.293,55 60 Per/Dcomps (Despacho) 1.456.293,55 60 Despacho Decisório 1.337.174,55 212 Acórdão – DRJ RJ/1 (R$ 51.620,88) 1.388.795,43 Há, pois, uma diferença entre o valor pleiteado pela recorrente e aquele reconhecido nos autos de IRRF no valor de R$ 67.498,12. Este é o valor a ser debatido neste julgamento, não cabendo a este órgão julgador extrapolar os contornos da lide, declarese de pronto. A recorrente, em suma, argúi veemente que faz jus aos tributos retidos de fontes pagadoras, pessoas jurídicas públicas e privadas, conforme dispõem as normas tributárias, inclusive no que respeita aos percentuais retidos. Entende que, uma vez declaradas as receitas auferidas e emitidas as Notas Fiscais, a retenção de tributos operase por decorrência da operação em si, o que lhe dispensa de apresentar maiores provas. Argumenta, ainda, que a autoridade a quo agiu sumariamente ao não convalidar determinados valores informados no Per/Dcomp atribuindo à inércia, atrasos e falhas das fontes pagadores ao procederem a entrega das DIRF a que estão obrigadas. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.903302/201119 Acórdão n.º 1801002.138 S1TE01 Fl. 6 9 Todavia, não é assim que se operam as compensações tributárias. A apresentação dos Per/Dcomp sujeitase à conferência dos valores informados e para isto a autoridade fiscal lança mão dos registros em seus sistemas. Informadas, à contribuinte, as inconsistências, compete a esta comprovar os valores informados, de forma analítica e específica, a fim de contraditar os demonstrativos elaborados de forma também analítica. Deixo de retranscrever as referidas consistências, por CNPJ e nome de fonte pagadora, por já constarem as tabelas demonstrativas tanto no Despacho Decisório quanto no Acórdão recorrido. No presente caso, a recorrente restringiuse a apresentar a relação de fontes pagadoras que lhe indicaram como beneficiária dos pagamentos recebidos durante todo o ano calendário de 2007, em DIRF – às efls 67 (com a Manifestação de Inconformidade), documento repetido às efls. 233 a 237, instruindo o Recurso Voluntário. Em nenhum momento aborda as fontes pagadoras de forma individualizada e discrimina, por trimestre (precipuamente quanto ao 1º trimestre de 2007), os rendimentos tributáveis auferidos e o respectivo imposto de renda retido na fonte, comprovando o oferecimento de tais receitas à tributação, bem como a escrituração correspondente dos IRRF. Entende que uma vez os valores declarados pelas fontes pagadoras ao fisco, as retenções sofridas devem lhe ser concedidas, mas, embora alegue que ofereceu todas as receitas à tributação, não comprova tal fato. Aliás o que se observa dos documentos acostados aos autos é que a recorrente informou na DIPJ/08 os seguintes valores a título de receitas provenientes de prestação de serviços (códs. 1708 , 6190, 6147) – efls. 103 a 106: Receita de Prestação de Serviços – Ficha 6A, linha 05 1º Trimestre 38.688.435,20 2º Trimestre 46.200.667,37 3º Trimestre 48.903.568,07 4º Trimestre 50.771.680,31 Total 2007 184.564.350,95 E nas pesquisas de DIRF acostadas pela própria recorrente, como documento suficiente para comprovar as retenções sofridas, e compostas de receitas, precipuamente, dos códigos 1708, 6190 e 6147, o valor informado como auferido no anocalendário de 2007 é da ordem de R$ 213.644.580,70 (efls. 67). Vale dizer, há uma discrepância de R$ 29.080.229,75 (R$ 184.564.350,95 R$ 213.644.580,70) entre o valor informado pelas fontes pagadoras e aquele informado pela recorrente em DIPJ, a título de receitas auferidas pela prestação de serviços, o que pressupõe que a recorrente não faz jus a todo o valor que requer, Fl. 280DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES 10 genericamente, a título de imposto de renda retido sobre as receitas auferidas e oferecidas à tributação. Por esta razão, é que a recorrente não pode requerer de forma genérica a retenção de valores cuja correlação com receitas não comprova haverem sido oferecidas à tributação. Daí, também, o demonstrativo do Despacho Decisório ser analítico ao esclarecer exatamente quais fontes pagadoras não tiveram as retenções de tributos confirmadas, nos valores informados pela recorrente. Ainda que tenha a recorrente incorrido em erros ao preencher os Per/Dcomp e não lhe tenha sido mais permitido retificálos, para ajuste de valores de IRRF inicialmente informados, poderia ter demonstrado nas defesas administrativas analiticamente, com referência ao trimestre objeto do litígio, os valores oferecidos à tributação e efetivamente retidos pelas fontes pagadoras a título de imposto de renda. A apresentação de prova genérica e abrangente tornase meramente alusiva no presente caso e não socorre à recorrente. Já é assente neste tribunal que o ônus probatório da existência do crédito tributário no caso de pedido de repetição do indébito é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/72, que disciplina o processo administrativo fiscal – (PAF): Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. E é matéria sumulada neste órgão: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. No mais, adoto as razões de decidir da turma julgadora de primeira instância por não confrontadas pontualmente pela recorrente. Por todo o exposto, voto, em preliminar, em afastar a nulidade suscitada pela recorrente, em indeferir o pedido de realização de diligências, e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos deste voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 281DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 16682.903302/201119 Acórdão n.º 1801002.138 S1TE01 Fl. 7 11 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/10/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10945.001320/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003
CRÉDITO-PRESUMIDO. PRODUTOS NT.
Os produtos classificados na TIPI como não tributados (NT), ainda que beneficiados e exportados, não-geram crédito presumido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal, Ausente temporariamente Bernardo Motta Moreira.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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PRESUMIDO Recorrente AB COMÉRCIO DE INSUMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITOPRESUMIDO. PRODUTOS NT. Os produtos classificados na TIPI como não tributados (NT), ainda que beneficiados e exportados, nãogeram crédito presumido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Votaram pelas conclusões os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martinez Lopez. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Possas, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso e Andrada Márcio Canuto Natal, Ausente temporariamente Bernardo Motta Moreira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto (SP) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 13 20 /2 00 8- 36 Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI apurado para o 2º trimestre de 2003. A DRF em Foz do Iguaçu (PR) indeferiu o pedido sob o fundamento de que a recorrente não faz jus ao crédito pleiteado pelo fato de apenas beneficiar e exportar produtos não tributados (NT) e, ainda, por emitir notas fiscais com destino à exportação com o CFOP de produtos de revenda ou venda no mercado interno ou ainda por adquirir mercadorias de pessoas físicas, conforme Informação Fiscal/Despacho Decisório às fls. 290/326. Intimada do despacho decisório, inconformada, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “a) Na lei inexiste previsão que diga que o beneficio é concedido ao produto classificado numa ou noutra posição da TIPI; ou que o produto deve ser tributado ou não tributado pelo IPI, PIS/PASEP ou COFINS; se trata ou não de contribuinte do IPI, se trata de produto industrializado, ou ainda, de as aquisições de pessoas físicas ou de cooperativas não ensejam direito ao crédito; b) Instruções Normativas são normas complementares das Leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar texto das normas que complementam. As leis são claras e em nenhuma delas há qualquer artigo que estabeleça qualquer condição em relação à origem dos insumos aplicados às mercadorias exportadas e tampouco em relação à incidência ou não de IPI; e) A empresa satisfaz os requisitos necessários definidos na Lei n° 9.363/96 e nº 10.276/01, ou seja, é produtora e exportadora de mercadorias nacionais; d) Os créditos que vierem a ser identificados e ressarcidos deverão ser corrigidos, mediante a aplicação da taxa SELIC, a partir do mês subseqüente a cada período de apuração do crédito; e) Para corroborar com a posição da empresa, apresenta diversos acórdãos do Conselho de Contribuintes acerca da matéria em discussão, além de vasta doutrina e julgados que cita. Por fim, protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pela juntada ulterior de novos documentos, ou se necessário for, sejam baixados os autos em diligência.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme acórdão nº 1425.697, datado de 12/08/2009, às fls. 384/395, sob as seguintes ementas: “CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. PRODUTO NT. A exportação de produtos NT não gera direito ao crédito presumido do IPI instituído para ressarcimento do PIS/Pasep e da Cofins. Não se consideram produtores, para efeitos fiscais, os estabelecimentos que confeccionam mercadorias constantes da TIPI com a notação NT. CRÉDITO PRESUMIDO. VENDAS PARA EMPRESAS COMERCIAIS EXPORTADORAS. Não geram direito ao crédito presumido, as vendas para empresas comerciais exportadoras quando não restar Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10945.001320/200836 Acórdão n.º 3301002.115 S3C3T1 Fl. 455 3 comprovada a saída dos produtos com o fim específico de exportação nos termos da legislação do IPI, CRÉDITO PRESUMIDO. EMPRESA PRODUTORA EXPORTADORA. A simples revenda para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, sem sofrer qualquer processo de industrialização, não está contemplada no incentivo fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE MATÉRIASPRIMAS DE PESSOAS FÍSICAS, COOPERATIVAS E EMPRESAS COMERCIAIS. O valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas, cooperativas e afins, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido do IPI. Também não integra a base de cálculo, o valor dos produtos adquiridos de terceiros e que não tenham sido submetidos a qualquer processo de industrialização pelo exportador. CRÉDITO PRESUMIDO. JUROS PELA TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes á taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPI. ILEGALIDADE DE ATOS NORMATIVOS. A autoridade administrativa é incompetente para se manifestar acerca de suscitada ilegalidade de atos normativos regularmente editados. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Sob pena de preclusão temporal, o momento processual para o oferecimento da impugnação, ou da manifestação de inconformidade, é o marco para apresentação de provas e alegações com o condão de modificar, impedir ou extinguir a pretensão fiscal, consideradas as exceções previstas no estatuto processual tributário. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários á adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos constitutivo do direito que pleiteia.” Intimada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 398/440), requerendo a sua reforma a fim de que seja deferido o ressarcimento pleiteado, Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 inclusive, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, desde o primeiro mês subseqüente ao da apuração do crédito reclamado, alegando, em síntese, que: a) faz jus ao crédito presumido, nos termos da Lei nº 10.276, de 10/09/2001; b) ilegalidade das restrições do benefício, vedando sua extensão aos produtos NT; c) ilegalidade das INs SRF que excluíram os produtos classificados nos códigos fiscais de operações (CFOP) de vendas de mercadorias; d) ilegitimidade da exclusão dos insumos adquiridos de pessoas físicas; e, d) o ressarcimento a ser deferido deverá ser corrigido pela Selic, em face do decurso temporal entre o pedido e seu deferimento, nos termos da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art. 39, § 4º. Para fundamentar seu recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: “i) o crédito presumido de IPI – histórico legal necessário; ii) ilegalidade da restrição às mercadorias com saída NT – não tributadas e conceito de receita de exportação; iii) a qualidade da empresa exportadora e vendas para comercial exportadora; iv) a ilegítima restrição aos créditos pela utilização de CFOP de venda de mercadorias; v) a ilegítima exclusão de insumos adquiridos de pessoa física da base de cálculo do crédito presumido referente à exportação de mercadoria nacional; vi) a correção dos créditos pela Selic; vii) os óbices temporais e administrativos”, concluindo, ao final, que faz jus ao ressarcimento pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, dele conheço. Em que pese o extenso arrazoado expendido pela recorrente, em seu recurso voluntário, as questões opostas nesta fase recursal se restringem ao direito ou não da recorrente ao crédito presumido do IPI decorrente de exportação de produtos não industrializados adquiridos de terceiros e exportados diretamente e/ ou adquiridos e beneficiados por ela e exportados. i) crédito presumido sobre matériasprima, insumos e produtos intermediários utilizados em produtos NT e exportados. O benefício fiscal denominado “crédito presumido do IPI”, a título de ressarcimento do PIS e da Cofins incidentes nas aquisições de matériasprima. insumos e produtos intermediários utilizados na industrialização de produtos exportados foi inicialmente instituído pela Lei nº 9.363, de 13/12/1996 e, posteriormente, por meio da Lei nº 10.276, de 10/09/2001, foi criado o regime alternativo, adotado pela recorrente, estendendo esse benefício a uma gama maior de insumos utilizados na industrialização, assim dispondo: “Art. 1º Alternativamente ao disposto na Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica produtora e exportadora de mercadorias nacionais para o exterior poderá determinar o valor do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), como ressarcimento relativo às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) e para a Seguridade Social (COFINS), de conformidade com o disposto em regulamento. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10945.001320/200836 Acórdão n.º 3301002.115 S3C3T1 Fl. 456 5 § 1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matériasprimas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; II correspondentes ao valor da prestação de serviços decorrente de industrialização por encomenda, na hipótese em que o encomendante seja o contribuinte do IPI, na forma da legislação deste imposto. [...]. § 4º A opção pela alternativa constante deste artigo será exercida de conformidade com normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal e abrangerá, obrigatoriamente: [...]; II todo o anocalendário, quando exercida nos anos subseqüentes. [...].” Posteriormente, foi editada a IN SRF nº 69, de 06/08/2001, que regulamentou a aplicação desse dispositivo, assim dispondo: “Art. 5º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o art. 1º a empresa produtora e exportadora de produtos industrializados nacionais. §1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I a produto industrializado sujeito a alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. §2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, na industrialização de produtos exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins.” Ora, segundo os dispositivos legais citados e transcritos acima, o crédito presumido do IPI contempla apenas e tão somente os produtos industrializados nacionais exportados para o exterior diretamente pelo próprio produtor exportador e/ ou via empresa comercial exportadora. Produtos nãotributados (NT) pelo IPI, nos termos da legislação desse imposto, não se classificam como produtos industrializados. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Aliás, a própria recorrente reconheceu que os produtos beneficiados por ela e os adquiridos de terceiros, já beneficiados, soja, milho e trigo, todos “in natura”, exportados por ela, estão classificados na TIPI como NT, ou seja, não tributados pelo IPI, estando, portanto, excluídos do campo da incidência desse imposto e também excluídos do conceito de produtos industrializados. Dessa forma, não há que se falar em ressarcimento do crédito presumido do IPI decorrente da exportação de tais produtos. A análise e julgamento das razões de mérito expendidas contra o reconhecimento do crédito presumido do IPI sobre custos dos produtos adquiridos de terceiros e exportados, sem que tivessem sido industrializados pelo próprio exportador, e de pessoas físicas ficaram prejudicados porque todos os produtos exportados, objetos do pedido de ressarcimento em discussão, estão classificados na TIPI como NT e, portanto, conforme demonstrado anteriormente não geram créditos do IPI independentemente de terem sido beneficiados ou não pelo exportador e de quem foram adquiridas. A título de esclarecimento, em relação aos produtos adquiridos de terceiros e exportados, sem que tenham sofrido qualquer tipo de industrialização pelo exportador, seus custos não geram créditos do IPI. Segundo as normas citadas e transcritas anteriormente somente o produtor (industrial) exportador faz jus ao crédito presumido do IPI. Já em relação às aquisições de pessoas físicas, entendo que a lei somente beneficia aquisições oneradas pelo PIS e Cofins na etapa imediatamente anterior. Ressarcimento implica recuperação de custos/despesas. Se as aquisições foram desoneradas do PIS e da Cofins, não houve custos com o pagamento destas contribuições e, portanto, não há como se ressarcir do que não foi pago. No entanto, por força da o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que determina a aplicação de decisões do Superior Tribunal de Justiça, decididas sob o regime do art. 543C da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (CPC), e a decisão deste Tribunal no REsp 993.164, deve ser reconhecido o direito de apurar crédito presumido sobre as aquisições de insumos de pessoas físicas, desde que aplicados na industrialização de produtos que não estejam classificados na TIPI como NT, ou seja, de produtos tributados ainda que à alíquota zero. No presente caso, esse entendimento não beneficia a recorrente porque, conforme demonstrado e reconhecido por ela própria, todos os produtos exportados por ela estavam classificados na TIP como NT. Quanto aos juros compensatórios, caso a recorrente tivesse direito ao ressarcimento de qualquer valor, o que não é caso, também por força do disposto no art. 62A do RICARF e da decisão do STJ naquele mesmo recurso especial, aqueles seriam devidos a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10945.001320/200836 Acórdão n.º 3301002.115 S3C3T1 Fl. 457 7 Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 05 /12/2013 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 08/05/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16643.000051/2009-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPJ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. Ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN, efetuado pela contribuinte (conforme consignado pela fiscalização e comprovado nos autos), ao registro de contratos de mútuo, de modo a se aplicar o disposto no § 4º do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, admitindo-se como dedutíveis os juros determinados com base na taxa registrada, exonerando-se a exigência respectiva.
VARIAÇÕES MONETÁRIAS. Reconhecida a improcedência dos lançamentos relativos às variações monetárias (cambiais) pela própria Fiscalização, em diligência, após a apresentação de outros documentos e esclarecimentos pela Contribuinte, impõe-se a rejeição do recurso de ofício.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1102-001.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou o relator pelas conclusões
(assinado digitalmente)
João Otavio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. Ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN, efetuado pela contribuinte (conforme consignado pela fiscalização e comprovado nos autos), ao registro de contratos de mútuo, de modo a se aplicar o disposto no § 4º do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, admitindo-se como dedutíveis os juros determinados com base na taxa registrada, exonerando-se a exigência respectiva. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. Reconhecida a improcedência dos lançamentos relativos às variações monetárias (cambiais) pela própria Fiscalização, em diligência, após a apresentação de outros documentos e esclarecimentos pela Contribuinte, impõe-se a rejeição do recurso de ofício. Recurso de ofício negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPJ. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. JUROS. Ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN, efetuado pela contribuinte (conforme consignado pela fiscalização e comprovado nos autos), ao registro de contratos de mútuo, de modo a se aplicar o disposto no § 4º do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”, exonerandose a exigência respectiva. VARIAÇÕES MONETÁRIAS. Reconhecida a improcedência dos lançamentos relativos às variações monetárias (cambiais) pela própria Fiscalização, em diligência, após a apresentação de outros documentos e esclarecimentos pela Contribuinte, impõese a rejeição do recurso de ofício. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. O conselheiro Ricardo Marozzi Gregório acompanhou o relator pelas conclusões (assinado digitalmente) João Otavio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 51 /2 00 9- 52 Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Limhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra acórdão proferido pela Quinta Turma da Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo (DRJ/SP1) assim ementado, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DESPESA DE JUROS ENTRE COLIGADAS. REGISTRO NO BACEN. Ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN (efetuado pela contribuinte) ao registro de contratos de mútuo, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”, exonerandose a exigência correspondente à glosa das despesas de juros. VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E PASSIVAS. ERRO NA APURAÇÃO. Constatados vícios insanáveis na autuação relativa a variações cambiais ativas e passivas, confirmados em diligência, exonerase a exigência correspondente. MULTA QUALIFICADA. INEXISTÊNCIA DO INTUITO FRAUDULENTO. Não estando perfeitamente caracterizado nos autos o “evidente intuito de fraude”, incabível o agravamento da multa de ofício. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: “DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 626/631, em fiscalização empreendida junto à contribuinte acima identificada, constatouse o seguinte, em relação aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006: DOS FATOS Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 4 3 A contribuinte foi intimada a informar, entre outras coisas, sobre os contratos de mútuo e suas respectivas planilhas de cálculo, além das participações empresariais no exterior, relativos aos anoscalendário de 2004 a 2006. Em atendimento à solicitação, a empresa apresentou (1) documentação informando que a PepsiCola (Bermuda) Limited, sediada em Bermudas, é detentora de 99,99% de suas quotas, controlando, portanto, a empresa fiscalizada; (2) os documentos referentes à captação de recursos através da emissão de Fixed Rates Notes (FRN), no exterior; e (3) cópia dos seus atos constitutivos e dos seus balanços relativos aos anoscalendário de 2004 a 2006. DA ANÁLISE DOS FATOS E DO DIREITO APLICÁVEL A contribuinte emitiu, como forma de captar recursos financeiros, em 1993, 1994, 1995 e 1997, Fixed Rates Notes (FRN), em 4 lotes, nos montantes de US$ 30.000.000, US$ 13.000.000, US$ 70.000.000 e US$ 50.000.000, respectivamente, operações essas registradas no BACEN, conforme documentos anexos (fls. 322/324, 298/302, 369/376 e 343/347). Conforme informação da contribuinte, a PepsiCola (Bermuda) Limited foi detentora de tais FRNs, desde novembro de 2002, sendo que inicialmente a empresa Capital Services Associates – CSA, empresa do grupo, foi a detentora das FRNs. A contribuinte remeteu juros para sua controladora no exterior, conforme contratos de câmbio às fls. 256/324. Entretanto, a intenção da contribuinte era a transferência de recursos para sua controladora no exterior, mediante o pagamento de juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão das FRNs). A emissão de FRNs tem por objetivo captar novos recursos para a empresa; mas isso não teria ocorrido, uma vez que a detentora das FRNs é sua própria controladora. Fica claro o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento de juros. E, ainda por cima, com uma taxa muito superior à que se praticaria com uma operação de mútuo comum. Dessa forma, fica perfeitamente caracterizada a operação não como lançamento de FRNs, e sim como mútuo entre a contribuinte e sua controladora PepsiCola (Bermuda) Limited, domiciliada no exterior. As transferências de recursos para o exterior, sob a forma de pagamento de juros da contribuinte para a sua controladora PepsiCola (Bermuda) Limited considerada empresa vinculada, nos termos do artigo 23, inciso II, da Lei nº 9.430/96 e do artigo 2º da IN SRF nº 38/97, estão disciplinadas na legislação de preços de transferência, conforme artigo 22 da mesma Lei nº 9.430/96 (as remessas para o exterior enquadramse nesse artigo por não haverem sido objeto de registro no BACEN). O artigo 22, e § 3º, da Lei nº 9.430/96 fixou um limite de despesa financeira que a empresa domiciliada no Brasil pode reconhecer nas operações de mútuo com a pessoa vinculada. O limite máximo é a taxa Libor para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de 6 meses, acrescida de 3% anuais a título de spread. A fiscalização constatou que nos contratos de mútuo estabelecidos entre a contribuinte e sua controladora PepsiCola (Bermuda) Limited a taxa de juros Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 5 4 reconhecida pela contribuinte com despesa nos anoscalendário de 2004 a 2006 foi maior o supracitado limite (Anexos I a IV, fls. 632/657, sintetizados à fl. 658). Destaquese que a legislação de preços de transferência de juros também é aplicada na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme dispõe o artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Outra matéria a ser observada diz respeito às variações monetárias, disciplinadas pelos artigos 375, e § único, e 378 do RIR/99. Analisando os lançamentos contábeis referentes à variação cambial, a fiscalização verificou que, com relação aos empréstimos referentes aos contratos de mútuo entre a contribuinte e sua controladora PepsiCola (Bermuda) Limited, a contribuinte reconheceu como receita um valor menor de variação cambial ativa (Anexo II) e como despesa um valor maior de variação cambial passiva (Anexos I, III e IV). Os cálculos da taxa de juros (Libor + 3% aa) e da variação cambial encontramse em anexo (Anexos I a IV, fls. 632/657, sintetizados à fl. 658), e as diferenças encontradas devem ser glosadas/adicionadas e objeto de lançamento tributário. DO ASPECTO TEMPORAL Nos termos do artigo 143 do CTN, ‘Salvo disposição de lei em contrário, quando o valor tributário esteja expresso em moeda estrangeira, no lançamento farseá sua conversão em moeda nacional ao câmbio do dia da ocorrência do fato gerador da obrigação’. DA BASE DE CÁLCULO TRIBUTÁVEL A base de cálculo tributável, a título de IRPJ e CSLL, é composta pelas despesas de juros e variação cambial passiva lançadas a maior (anoscalendário de 2004 a 2006), que devem ser glosadas, e pela variação cambial ativa não computada como receita pela contribuinte (no anocalendário de 2004), que deve ser adicionada, conforme a seguir demonstrado (valores dos juros e das variações cambiais em reais): Tabela 1 (fl. 658) Os valores acima foram extraídos dos Anexos I a IV, relativos aos contratos de US$ 30.000.000,00 (fl. 638), US$ 13.000.000,00 (fl. 635), US$ 70.000.000,00 (fls. 653/657) e US$ 50.000.000,00 (fls. 642, 645 e 649). Tabela 2 (fl. 630) Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 6 5 DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA Como a empresa controladora PepsiCola (Bermuda) Limited adquiriu as FRNs, sabendo que foram emitidas pela contribuinte, sendo enviados recursos para o exterior e apropriadas despesas de juros e variação cambial passiva bem maiores que as permitidas pela legislação, a contribuinte está sujeita à multa no percentual de 150%, previsto no artigo 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430/96 (com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007). O conceito de fraude está definido no artigo 72 da Lei nº 4.502/64. O intuito fraudulento tornase evidente quando se verifica que a controladora da contribuinte poderia ter enviado recursos financeiros, através de um aumento de capital ou até mesmo de um contrato de mútuo, com encargo financeiro bem menor do que os valores lançados pela contribuinte, o que ocasionou a redução indevida do resultado do exercício. A intenção fraudulenta da contribuinte também está caracterizada na omissão de receita proveniente da variação cambial ativa lançada a menor. Diante do exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%. DOS LANÇAMENTOS Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006: Obs. Houve compensação de prejuízos fiscais (IRPJ) e base de cálculo negativa (CSLL) do período e de períodos anteriores. Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 7 6 DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos lançamentos em 09/12/2009 (fls. 609 e 621), a contribuinte, por meio de sua advogada, regularmente constituída, apresentou, em 08/01/2010, a impugnação de fls. 673/697, alegando, em síntese, o seguinte: O lançamento ora impugnado é inteiramente improcedente, eis que os lançamentos de títulos no exterior, efetuados pela impugnante, foram operações legítimas, plenamente válidas, e que observaram todo o arcabouço legal previsto na legislação em vigor, não podendo lhe ser negados seus efeitos tributa´rios, conforme pretendido pela fiscalização. E, ainda que a tese defendida pela fiscalização pudesse ser justificadamente acatada, o certo é que os valores lançados nem mesmo poderiam ser aceitos, em face das incoerências e inúmeros erros materiais cometidos quando da apuração dos tributos considerados devidos. É o que se passa a demonstrar. AS OPERAÇÕES EFETIVAMENTE REALIZADAS PELA IMPUGNANTE E O EQUIVOCADO ENTENDIMENTO DA FISCALIZAÇÃO Com efeito, a impugnante fez 4 lançamentos de FRNs no exterior, conforme relacionado às fls. 679/681, a seguir sintetizado: • 1ª emissão (US$ 30.000.000,00). Lançamento quitado em 2004, nas datas relacionadas à fl. 680. Vide doc. 2; • 2ª emissão (US$ 13.000.000,00). Lançamento quitado em 2004, nas datas relacionadas à fl. 680. Vide doc. 3; • 3ª emissão (US$ 70.000.000,00). Lançamento quitado em 30/01/2006, com a conversão do principal em investimento. Vide doc. 4; • 4ª emissão (US$ 50.000.000,00). Vencimento prorrogado para 11/04/2007. Vide doc. 5. Os 4 certificados de registro emitidos pelo BACEN quanto a essas operações comprovam que as operações realizadas pela impugnante atenderam a todos os requisitos para a sua validade, conforme estabelecido pela regulamentação do BACEN. Nos termos das Circulares 2.134 e 2.384 (em vigor à época da realização desses lançamentos – doc. 6), um dos aspectos submetidos ao crivo do BACEN era justamente a taxa de juros pactuada pelas partes para a contratação desses empréstimos. Somente aquelas taxas de juros compatíveis com o mercado internacional eram aprovadas pelo BACEN. Do exame dessa regulamentação do BACEN verificase que não existia nenhum óbice à contratação dessas operações com pessoas ligadas, como no caso da impugnante. Da mesma forma, as tratar de operações de empréstimo entre pessoas ligadas, a legislação tributária somente estabeleceu critérios para a dedutibilidade da despesa financeira decorrente das mesmas, não vedando a sua realização. Vêse, portanto, que: Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 8 7 • a impugnante pretendeu captar capital de giro no exterior e o fez através do lançamento de títulos, elegendo a modalidade de contratação que lhe pareceu mais conveniente (já que a CF/88 lhe assegura essa liberdade) e atendeu, para tanto, a legislação aplicável à época; • as condições das operações (entre elas, as taxas de juros) foram previamente submetidas à análise do BACEN, que as aprovou e concedeu os certificados de registro correspondentes (posteriormente substituídos pelo Registro Eletrônico – RDEIED); • cada um desses lançamentos teve seu curso normal, tendo sido 3 deles quitados (2 através de pagamento e 1 através da conversão em investimento), permanecendo em aberto apenas a última operação, que teve seu vencimento inicial prorrogado. Não se identifica aqui nenhum fato ou indício que pudesse justificar a desconsideração da natureza dessas operações – ainda mais sob a gravíssima alegação de fraude, para passar a tratalas como contratos de mútuo. Alega a fiscalização que: 1) as operações teriam por objetivo captar recursos novos para a empresa; mas isso não teria ocorrido, uma vez que a detentora das FRNs é sua própria controladora; e 2) as taxas de juros seriam muito superior às praticadas em operações de mútuo comum. A fiscalização não explica o que seriam ‘recursos novos’. Talvez se possa inferir que sejam aqueles captados junto a terceiros. Ocorre que a legislação de regência não vedava que as FRNs fossem adquiridas por partes relacionadas. Assim, cai por terra o primeiro argumento da fiscalização. Quanto ao segundo argumento, nenhuma evidência foi apresentada pela fiscalização. Na realidade, caso a impugnante tivesse pretendido captar recursos através de um contrato de mútuo comum, a operação deveria ter sido igualmente submetida ao BACEN para aprovação prévia, nos termos do Comunicado do Departamento de Capitais Estrangeiros (FIRCE) nº 10 e da Resolução nº 125, ambos de 1969 (doc. 7), operação essa que passaria igualmente pelo exame da taxa de juros acordada pelas partes. E, como a análise das taxas de juros pelo BACEN tem como objetivo verificar se as mesmas são taxas de mercado, é lícito afirmar que as taxas seriam as mesmas, caso a impugnante tivesse optado por celebrar um contrato de mútuo, e não emitir FRNs no exterior. Os atos emanados do BACEN (atos administrativos, com presunção de veracidade, que a) são válidos até que a Administração ou o Poder Judiciário declarem sua nulidade; e b) invertem o ônus da prova) atestam que as operações efetuadas pela impugnante têm, de fato, a natureza de empréstimo com lançamento de títulos no exterior, conforme consignado no campo 4 de cada certificado de registro emitido por aquela autarquia federal. Conseqüentemente, não estava a fiscalização autorizada a desconstituir os atos praticados, com base em presunções. Para informar a validade desses certificados de registro, provas contundentes deveriam ter sido apresentadas pela fiscalização. Nenhuma das afirmações feitas pela fiscalização (sem base em provas) foi capaz de demonstrar a existência de qualquer vício nos atos praticados pela impugnante, Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 9 8 sobretudo porque a legislação não vedava a prática desses atos, os quais espelharam a real intenção das partes e se revestiram de todas as formalidades legais. A liberdade de contratação que tem o contribuinte tem sido prestigiada pelo Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) do Ministério da Fazenda. De acordo com o entendimento já consolidado, sempre que o ato refletir a vontade das partes e observar os requisitos legais quanto à sua forma, não poderá ser desconsiderado. Vide, às fls. 685/689, excertos de decisões nesse sentido. Assim é que o limite legal para a dedutibilidade de juros em contratos externos, correspondente à taxa Libor, acrescida de 3% aa, não será aplicável no caso em tela, porque as justificativas apresentadas pela fiscalização não são suficientes para que a operação seja desconsiderada. Logo, as taxas de juros aprovadas pelo BACEN, em cada caso, deverão permanecer. Aliás, o comando do artigo 22 da Lei nº 9.430/96 é extremamente claro: o limite legal somente será aplicável quando o contrato de empréstimo não tiver sido registrado no BACEN. Nos casos em que existir o registro junto ao BACEN, a taxa por ele aprovada deverá ser considerada como o limite de dedutibilidade de encargos. Isso porque, nessas hipóteses, cabe ao BACEN examinar se as taxas pactuadas são compatíveis com a prática do mercado. Cumpre aqui ressaltar que a fiscalização também se equivocou ao manifestar o entendimento de que cada uma das remessas de juros deveria ter sido aprovada pelo BACEN. Nos termos da legislação de regência da matéria, as remessas de juros ao exterior não deveriam ser aprovadas, individualmente, pelo BACEN, no momento de cada remessa. Para proceder às remessas, bastava que a empresa emitente tivesse, previamente à emissão das FRNs, registrado as operações, o que foi realizado pela impugnante, e, inclusive, corroborado pela fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (item 2.1). Mas, ainda que as operações de lançamento de títulos no exterior fossem desconsideradas, para passarem a ser tratadas como ‘mútuos comuns’, a fiscalização não poderia simplesmente desconsiderar o fato de que o BACEN aprovou e registrou as taxas dejuros adotadas. Os registros existem e a aprovação das taxas de juros pelo BACEN indica que as mesmas eram taxas de mercado e que devem ser respeitadas pelo Fisco como limite de dedutibilidade dos encargos, em cada caso. Em suma, os juros registrados pela impugnante (e a variação cambial passiva deles decorrentes) são totalmente dedutíveis, seja porque (1) as operações de empréstimo com lançamento de FRNs no exterior não podem ser desconsideradas pela fiscalização; seja porque (2) as taxas de juros adotadas são objeto de contrato registrado no BACEN. OS FLAGRANTES ERROS COMETIDOS PELA FISCALIZAÇÃO NA QUANTIFICAÇÃO DOS TRIBUTOS SUPOSTAMENTE DEVIDOS PELA IMPUGNANTE Ainda que se admita que assiste razão à fiscalização e que a impugnante deveria ter observado o limite de dedutibilidade previsto no caput do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, certo é que foram cometidos alguns equívocos importantes quanto à apuração dos valores supostamente tributáveis, a saber: Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 10 9 1º equívoco Comparandose as planilhas elaboradas pela fiscalização com os Razões da Conta Variação Cambial Passiva (doc. 8, fls. 868/999), verificase que diversos lançamentos credores (ou seja, receitas financeiras) foram considerados pela fiscalização como devedores (ou despesas financeiras). Para facilitar a comparação entre as planilhas da fiscalização e os Razões, os lançamentos de receitas que foram tomados como despesas estão destacados em amarelo. Somandose os lançamentos de variações cambiais ativas que foram incluídas na planilha da fiscalização, na coluna dos lançamentos efetuados pela impugnante, como se fossem variações cambiais passivas (para fins de comparação com o valor das variações cambiais passivas considerados corretos pela fiscalização), apuramse os seguintes valores: Notese que, no anocalendário de 2004, a alegada variação cambial ativa de R$ 3.035.803,45 (que serviu de indício para a desconsideração das operações realizadas e para a conclusão de que a impugnante teria agido com evidente intuito de fraudar o Fisco), na realidade, é uma variação monetária passiva, como se demonstrará em tópico mais adiante. 2º equívoco A fiscalização não considerou que os juros dedutíveis por ela calculados também deveriam gerar variação cambial passiva. Por isso, na sua coluna variação cambial contemplou apenas a variação cambial do principal. Assim, ao comparar a variação cambial registrada pela impugnante (relativa ao principal e aos juros incorridos) com aquela por ela mesma calculada, obteve valor que inclui a variação cambial referente aos juros, que deveria ser considerada dedutível. Esse equívoco está espelhado nas planilhas elaboradas pela impugnante para cada lançamento de FRNs no exterior (doc. 9, fls. 1000/1029). Para apurar a variação cambial passiva considerada indedutível, a fiscalização adotou o critério de comparar a variação cambial registrada pela impugnante (inclusive cometendo o erro apontado no primeiro tópico), relativa tanto ao principal das operações de lançamento de FRNs quanto aos juros, com aquela calculada pela fiscalização (que incluiu apenas a variação cambial relacionada com o principal, tendo olvidado de incluir a variação cambial relacionada com os juros por ela considerados como devidos). Esse procedimento acaba por determinar que toda a variação cambial relacionada com os ‘juros dedutíveis’, como calculados pela fiscalização, seja considerada como não dedutível, em evidente conflito com a tese defendida pelo Fisco. Ora, se a fiscalização defende que apenas parte dos juros seja considerada dedutível, não poderá negar que a variação cambial passiva decorrente desses juros seja também dedutível. Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 11 10 A impugnante apresenta, a seguir, um resumo da variação cambial passiva relativa aos ‘juros dedutíveis’ (doc. 9), que deveria ter sido considerada igualmente dedutível pela fiscalização, em cada anocalendário autuado, caso esta tivesse sido coerente: 3º equívoco Para fins de cômputo da variação cambial supostamente indedutível, a fiscalização não levou em consideração as amortizações do principal efetuadas pela impugnante (comprovadas nos jogos de documentos pertinentes a cada lançamento de títulos no exterior), o que a levou, inclusive, a apurar a suposta variação cambial ativa não reconhecida pela impugnante no anocalendário de 2004. Conquanto esse equívoco possa representar uma vantagem para a impugnante (uma vez que a fiscalização teria calculado variação cambial passiva ‘em excesso’), acabou por gerar, combinado com os demais equívocos, a apuração de uma falsa variação cambial ativa em 2004, que serviu de base para a desconsideração das operações de lançamento de FRNs no exterior e para a acusação de fraude. As planilhas apresentadas (doc. 9) fazem essa inequívoca demonstração. 4º equívoco A fiscalização, apesar de ter citado como fundamentação legal da autuação o artigo 30 da MP nº 1.85810/99, não atentou para o fato de que a impugnante, em 2004 e 2005, elegera o regime de caixa para o reconhecimento dos efeitos tributários das variações cambiais passivas (doc. 10, fls. 1030/) e considerou tais efeitos nos anoscalendário em que registrados contabilmente, independentemente do momento do efetivo pagamento dos juros e do principal. No entanto, em decorrência dessa opção, os efeitos tributários dessas variações cambiais somente foram apropriados pela impugnante nos anoscalendário em que amortizados os principais dessas operações e os seus respectivos juros, o que não foi respeitado pela fiscalização. NÃO HOUVE FRAUDE, LOGO A MULTA AGRAVADA É INDEVIDA Uma vez comprovado que (1) a impugnante, ao emitir as FRNs em questão, cumpriu todos os comandos e requisitos legais em vigor, e (2) a suposta variação cambial ativa reconhecida a menor não passou de um erro de cálculo da fiscalização, é necessário concluir pela evidente inexistência de fraude, ainda que se entenda que os tributos em questão são de fato devidos pela impugnante, certo é que é totalmente descabida a multa qualificada de 150%, aplicada pela fiscalização. Isso porque está consolidada a jurisprudência administrativa (fls. 694/696) no sentido de que a aplicação da multa qualificada somente pode ocorrer quando houver prova inequívoca e objetiva, por parte da fiscalização, de que estava presente o intuito fraudulento das partes envolvidas, não sendo possível que a mesma seja aplicada apenas com base em presunção de fraude. Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 12 11 No entanto, a fiscalização não apresentou qualquer elemento objetivo que pudesse comprovar a fraude suscitada. A presunção de fraude foi realizada com base em elementos exclusivamente subjetivos aventados pela fiscalização, o que não pode ser admitido, pois o lançamento de multa qualificada exige que a autoridade fiscalizadora previamente comprove a presença do intuito de fraude na conduta do contribuinte. Assim sendo, é imperiosa a desqualificação da multa de 150% aplicada pela fiscalização. DO PEDIDO Diante do exposto, requer a impugnante que seja julgado improcedente o Auto de Infração. Caso não se entenda dessa forma, requer que seja revisto o valor do lançamento efetuado, ajustandose os equívocos cometidos pela fiscalização, e que seja desqualificada a multa aplicada, em face da não existência do intuito de fraude. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Considerando que a contribuinte trouxe aos autos alegações e documentos que ainda não haviam sido apreciados pela fiscalização, o presente processo foi encaminhado por esta Delegacia de Julgamento à DEAIN/SÃO PAULO (fls. 1035/1040), para que o Auditor Fiscal autuante confrontasse essas alegações e documentos com os assentamentos contábeis e fiscais da empresa. Solicitouse, em especial, as seguintes providências do Auditor Fiscal autuante. Da despesa de juros Esclarecer porque entendeu que as operações em tela não estariam enquadradas no § 4º do referido artigo 22, considerando as alegações da impugnante e que constam dos autos os registros das FRNs no BACEN (fls. 322/324, 298/302, 369/376 e 343/347) e os contratos de câmbio (fls. 256/324). Das variações cambiais Analisar os docs. 8, 9 e 10 e manifestarse acerca dos eventuais equívocos apontados pela impugnante, ou seja: (1) a fiscalização considerou diversas receitas financeiras contabilizadas pela contribuinte como despesas financeiras (doc. 8); (2) a fiscalização não considerou que os juros dedutíveis por ela calculados também deveriam gerar variação cambial passiva (doc. 9); (3) a fiscalização não levou em consideração as amortizações do principal efetuadas pela impugnante (doc. 9); e (4) a fiscalização não atentou para o fato de que a impugnante, em 2004 e 2005, elegera o regime de caixa para o reconhecimento dos efeitos tributários das variações cambiais passivas (doc. 10) e considerou tais efeitos nos anoscalendário em que registrados contabilmente. Dos demonstrativos Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 13 12 Juntar aos autos os demonstrativos (Anexos I a IV, fls. 632/657, sintetizados à fl. 658) em meio magnético. Se for o caso, refazêlos, juntando aos autos, além das planilhas impressas, os arquivos em meio magnético. Da conclusão Elaborar RELATÓRIO CONCLUSIVO acerca dos itens supracitados, refazendo, se for o caso, o cálculo da matéria tributável. DO RELATÓRIO DA AUTORIDADE FISCAL Em atendimento ao solicitado por esta Delegacia de Julgamento, o Auditor Fiscal autuante elaborou o relatório de fls. 1041/1044, expondo, em síntese, o seguinte: DA DESPESA DE JUROS A contribuinte emitiu, como forma de captar recursos financeiros, em 1993, 1994, 1995 e 1997, Fixed Rate Notes (FRN) em quatro lotes, nos montantes, respectivamente, de US$ 30.000.000, US$ 13.000.000, US$ 70.000.000 e US$ 50.000.000, operações essas registradas no Banco Central conforme documentos anexos (fls. 219/223, 244/246, 265/269 e 291/298). A contribuinte remeteu juros para sua controladora no exterior, conforme pode se observar nos contratos de câmbio nºs 04/002705, 04/040166, 04/048135, 04/060623, 04/011706, 04/013806, 04/022809, 04/029990, 04/035581, 04/036314 e 04/040231 (fls. 178/246). Conforme fl. 399, a contribuinte informou o ‘holder’ original das FRN’s como sendo: ‘A Capital Service Associates – CSA: US$ 13 MM, US$ 70 MM e US$ 50 MM O FRN de US$30 MM originalmente era PEI N.V. e subsequentemente transferido à Capital Services Associetes – CSA’. Informou também que (fl. 398): ‘Confirmamos que a CSA tinha vinculação com o Grupo Pepsi; As FRNs foram transferidas pela CSA para a PepsiCola Bermuda Ltd. respectivamente em Novembro de 2002’. Conforme podese observar nas declarações, a intenção inicial da contribuinte já era a transferência de recursos para uma empresa no exterior, vinculada ao Grupo PepsiCola, e, a partir de novembro de 2002 (conforme declaração da empresa, fl. 397), para sua controladora no exterior, mediante o pagamento de juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão das FRN). Afinal, que outro motivo poderia haver, uma vez que a emissão das FRNs tem por objetivo captar novos recursos para a empresa fiscalizada. Como essa captação poderia acontecer, uma vez que a detentora inicial das FRNs foi a empresa CSA, do Grupo PepsiCola e posteriormente a sua própria controladora (novembro/2002)? Fica claro, o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento de juros. E ainda por cima, com uma taxa muito superior a que se praticaria com uma operação de mútuo comum. Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 14 13 Tendo em vista as informações acima, fica perfeitamente caracterizada a operação não como lançamento de FRN e sim como mútuo entre a contribuinte e a empresa controladora PepsiCola (Bermuda) Limited, domiciliada no exterior. As empresas Capital Services Associetes – CSA e PepsiCola Bermuda Ltd. enquadramse no conceito de pessoa vinculada, estabelecido no artigo 23, inciso III, da Lei nº 9.430/96. As transferências de recursos para o exterior, sob forma de pagamento de juros da contribuinte e a empresa controladora PepsiCola (Bermuda) Limited estão disciplinadas na legislação de Preço de Transferências Internacionais de Juros, conforme artigo 22 da Lei nº 9.430/96. As remessas de recursos para exterior, representadas pelos pagamentos de juros da contribuinte para sua controladora no exterior, não foram objetos de registro no Banco Central do Brasil, enquadrandose, portanto, no disposto no artigo 22, caput, §§ 1º, 2º e 3º da Lei nº 9.430/96. Os Certificados de Registro nºs 241/37287 (fl. 219), B41/00363 (fl. 244), 241/35685 (fl. 265) e B41/00615 (fl. 295) tem como característica da operação: ‘NATUREZA: empréstimo em moeda corrente, mediante emissão de ‘Fixed Rate Notes’ no mercado externo, em regime de ‘private placement’ – Comunicado Firce... OBJETIVO: Capital de Giro’ Fica claro o objetivo de, por um lado, conseguir enviar para o exterior o maior valor possível mediante uma taxa de juros muito maior do que aquela permitida pela legislação de Preço de Transferências Internacionais de Juros, e, por outro lado, a conseqüente redução do resultado tributável da empresa fiscalizada. Isso sem falar do IRRF que deixou de ser recolhido em função da modalidade de capitação de recursos adotada. Consta nas observações de cada um dos Certificados de Registro acima mencionados que ‘o presente certificado foi emitido com base nas declarações e nos documentos apresentados pelo credor e pelo devedor, podendo o Banco Central do Brasil apurar a veracidade dessas informações, na forma do artigo 62 do Decreto nr. 55762, de 17.02.65. A cobrança ou o pagamento, a qualquer titulo, em moeda nacional ou estrangeira, de ônus ou encargos que não estejam expressamente aprovados pelo Banco Central do Brasil ou, ainda, a falsidade das declarações ou dos documentos tornarão sem efeito, automaticamente, este certificado’(negritos da fiscalização). Consta também nas observações dos Certificados que ‘o Banco Central do Brasil não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a previa autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas das nele consignadas’ (negritos da fiscalização). A contribuinte emitiu, como forma de captar recursos financeiros externos, Fixed Rate Notes (FRN), operações essas registradas no Banco Central, em regime de ‘private placement’, que significa colocação privada dos títulos no mercado externo. Entretanto, desde a emissão das FRNs, os seus portadores no exterior eram empresas com as quais a fiscalizada mantinha vinculação, nos termos do artigo 23 Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 15 14 da Lei nº 9.430/96. Ora, se as empresas que adquiriram as FRNs são vinculadas, a natureza e o objetivo da operação ficam desvirtuados, pois o lançamento dos papéis visava a obtenção de capital de giro. Qual é a possibilidade de conseguir ‘dinheiro novo’ através das próprias vinculadas? Portanto, as declarações constantes dos certificados e os documentos apresentados não correspondem com a realidade dos fatos, tornando automaticamente sem efeitos, os Certificados de Registros, provenientes da emissão das FRNs (negritos da fiscalização). Cabe salientar que, mesmo que os ‘holders’ originais não fossem empresas vinculadas ao Grupo Econômico PepsiCola, a partir de novembro de 2002, momento em que a totalidade das FRNs foram transferidas para sua controladora PepsiCola (Bermuda) Ltd., modificando as condições nos Certificados de Registro, a empresa fiscalizada deveria ter solicitado a prévia autorização do Banco Central do Brasil, para a competente mudança da emissão das FRNs para contratos de mútuos, entre a empresa fiscalizada e sua controladora no exterior (negritos da fiscalização). Caberia a seguinte indagação para a empresa fiscalizada: Porque ela não registrou os contratos de câmbios no Banco Central como contratos de mútuos, uma vez que o titular inicial das Fixed Rates Notes foi a empresa vinculada ao Grupo Econômico PepsiCola – Capital Service Associete? O artigo 22, § 3º, da Lei nº 9.430/96 fixou um limite de despesa financeira que a empresa fiscalizada, domiciliada no Brasil, deve reconhecer nas operações de mútuo com a pessoa vinculada. O limite máximo fixado é a taxa Libor para os depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de 3% ao ano, a título de spread. A fiscalização verificou que, nos contratos de mútuos estabelecidos entre a contribuinte e a empresa PepsiCola (Bermuda) Limited, a taxa de juros reconhecida pela contribuinte como despesa no anocalendário de 2004 a 2006 foi maior que o limite supracitado. A legislação de preço de transferência internacional de juros também é aplicada na apuração da base de cálculo da CSLL, conforme dispõe o artigo 28, da Lei nº 9.430/96. DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS Da análise do documento nº 8 (fls. 684/816) apresentado na defesa da impugnante, a fiscalização chegou à conclusão que os lançamentos das Variações Cambiais Ativa e Passiva foram indevidos. Dessa forma, desnecessária a analise das demais indagações da contribuinte, sintetizadas dos itens 2 a 4 da solicitação desta diligência (fl. 856). DA CONCLUSÃO Após a análise dos documentos juntados na defesa da contribuinte, concluise que a base de cálculo tributável é composta pelas despesas de juros, lançados maiores do que o devido pela empresa e cujas glosas serão mantidas, na determinação do lucro real e na base de cálculo da CSLL, nos anoscalendário de 2004 a 2006, conforme tabela abaixo (valores em reais): Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 16 15 Os demonstrativos (Anexo I a IV, de fls. 471/496), que constituem parte integrante do Auto de Infração (fls. 440/464) deverão ser considerados válidos apenas referentes aos valores das despesas glosadas de juros. Os demonstrativos acima mencionados serão devidamente juntados ao processo, em meio magnético, conforme solicitado pelo relator da solicitação desta diligência. O demonstrativo sintetizado de fls. 497 fica substituído pela tabela abaixo (valores em reais): Obs: A referência a fls. do processo no relatório de diligência da autoridade fiscal (fls. 1041/1044) é relativa ao processo formalizado originalmente em papel, antes da digitalização e inserção no eprocesso. DA MANIFESTAÇÃO DA CONTRIBUINTE Intimada a se manifestar sobre o resultado da diligência, a contribuinte o fez às fls. 1054/1068, alegando, em síntese, o seguinte: DA REDUÇÃO DO LANÇAMENTO IMPUGNADO Muito embora tenha insistido na infundada tese de que as operações contratadas pela impugnante não seriam lançamentos de título no exterior aspecto que será devidamente analisado no próximo tópico desta manifestação o fato é que a fiscalização acatou todos os argumentos da impugnante quanto à improcedência (1) das glosas das variações cambiais passivas registradas contabilmente e (2) da adição, ao lucro líquido do anocalendário 2004, de determinadas variações cambiais ativas. Conseqüentemente, o lançamento originário foi revisto de ofício e foi mantido exclusivamente no tocante às despesas de juros que teriam excedido o limite de dedutibilidade que a fiscalização considera deveria ter sido observado pela impugnante, ou seja, aquele fixado pelo artigo 22, § 3º, da Lei n° 9.430/96. Assim sendo, a impugnante passa a abordar a argumentação repisada pela fiscalização em sua recente manifestação, para fundamentar a glosa da despesa de juros, que, na verdade, é de todo indevida. DA NATUREZA DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA IMPUGNANTE A fiscalização insiste em desqualificar a natureza das operações realizadas pela impugnante, para tratalas como mútuos entre pessoas ligadas, com o objetivo de atrair a aplicação do artigo 22, § 3º, da Lei n° 9.430/96. Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 17 16 Para esse efeito, a fiscalização não hesita em afrontar a regulamentação baixada pelo Banco Central do Brasil (BACEN), nem em desconsiderar a própria chancela de aprovação conferida por este último às referidas operações, sob o pretexto de que a impugnante teria efetuado declarações falsas àquela autarquia, se socorrendo, ademais, de definição nada científica do conceito de ‘capital de giro’. Em suma: a fiscalização se nega a acatar que, de fato, a impugnante fez quatro emissões de títulos (FRNs) no exterior, operações essas sujeitas ao crivo do BACEN, cujas condições foram inteiramente observadas, e, que, por isso mesmo, os efeitos regulares de tais operações devem prevalecer. Todos os elementos que embasaram a equivocada conclusão da fiscalização – sintetizados à fl. 1056 ou carecem de embasamento regulamentar ou não foram devidamente comprovados ou, ainda, derivam de conceitos imprecisos adotados pela fiscalização. Em primeiro lugar, é importante mais uma vez ressaltar que, de acordo com a regulamentação do BACEN, a emissão de títulos no exterior é uma operação de crédito externo (financiamento), regulamentação essa que não veda que os títulos assim emitidos sejam adquiridos por partes relacionadas. Aliás, não custa esclarecer que a obtenção de crédito conjugada com a emissão de títulos tem o objetivo de trazer para a operação de crédito externo uma maior flexibilidade, na medida em que torna muito mais simples a ‘circulação’ do próprio crédito (como se deu nesse caso, em que os títulos mudaram de titularidade duas vezes, como foi ressaltado pela fiscalização). Para que não restem dúvidas a esse respeito, a impugnante reproduz, às fls. 1057/1058, parte da Circular BACEN n° 2.134/92, aplicável aos lançamentos de FRNs efetuados pela impugnante. As condições da operação, que não podem ser alteradas sem o prévio consentimento do BACEN, são aquelas listadas exaustivamente no Anexo à referida Circular (que nada mais é do que a minuta da correspondência a ser enviada ao BACEN pela pessoa jurídica interessada em fazer a emissão de títulos no exterior), reproduzido às fls. 1058/1060. Da reprodução do texto regulamentar do BACEN tornase extreme de dúvidas que não é condição da operação a identificação do detentor do título a ser emitido no exterior, seja antes da emissão ou após a sua realização, nem tampouco é exigido pela regulamentação que as alterações de titularidade sejam previamente autorizadas pelo BACEN, ou, ainda, comunicadas ao BACEN, como pretendido pela fiscalização (o texto regulamentar trata de comunicação, e não de autorização prévia, notese). Na verdade, a única condição exigida pelo BACEN (além dos aspectos financeiros e do cronograma da operação) diz respeito à identificação do agente emissor (que é equiparado ao credor, pela regulamentação, conforme ressaltado no texto reproduzido), porque esse agente é quem tem a incumbência de receber os recursos no exterior, para utilizálos no pagamento aos respectivos detentores do título. E o agente da operação jamais foi alterado no que respeita às operações de emissões de FRNs objeto da autuação impugnada. De toda sorte, para eliminar qualquer questionamento a esse respeito, da regulamentação do BACEN também se infere que a circunstância de o detentor do título no exterior ser ou não uma parte relacionada à empresa brasileira emissora não exerce qualquer influência na natureza da operação realizada, na medida em que Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 18 17 essa regulamentação não contém nenhuma vedação nesse sentido. Vale dizer, o fato de a detentora dos FRNs nos exterior ser ou não uma pessoa ligada à empresa emissora desses títulos é irrelevante para a determinação da natureza da operação. Por outro lado, quanto à finalidade da operação, qual seja, obtenção de capital de giro, basta examinar o conceito técnico dessa expressão para se verificar a dimensão da imprecisão dessa absurda idéia da fiscalização de que capital de giro equivale a ‘novos recursos’ ou ‘dinheiro novo’. Com efeito, capital de giro não corresponde nem a ‘novos recursos’ ou ‘dinheiro novo’, nem está ligado à premissa de sua obtenção junto a partes não relacionadas, como defendido pela fiscalização. O capital de giro de uma empresa corresponde aos recursos disponíveis para a condução de seus negócios, independentemente de sua origem. Em outras palavras, demonstrase que os elementos que embasaram a equivocada e açodada conclusão da fiscalização não têm fundamentação na legislação aplicável, que não impôs assim como ainda não impõe as imaginárias restrições por ela argüidas quanto ao lançamento de títulos no exterior. Um outro aspecto a abordar é aquele relativo aos patamares das taxas de juros incidentes na operação. Defende a fiscalização que as taxas de juros relativas a operações de emissão de títulos no exterior seriam, no período autuado, imensamente superiores àquelas que seriam aplicadas caso se estivesse diante de ‘simples mútuos’. Não se pode avaliar se tal afirmativa é precisa, posto que a fiscalização não trouxe elementos objetivos para esse processo que pudessem formar tal convencimento. E afirmações desprovidas de elementos que comprovem sua veracidade não merecem ser consideradas, sobretudo no caso em exame, em que as taxas de juros em todas as operações realizadas pela impugnante foram avaliadas e aprovadas pelo BACEN, que é a autoridade competente e capaz de avaliar se as taxas são compatíveis com aquelas praticadas correntemente no mercado internacional. Daí a própria legislação tributária acatar a dedutibilidade integral das taxas de juros aprovadas pelo BACEN, já que são taxas estabelecidas a valor de mercado, que sempre devem prevalecer, a teor do disposto no artigo 22 da Lei n° 9.430/96. Não custa registrar que as taxas de juros aprovadas pelo BACEN cujos patamares alarmaram a fiscalização, que deve têlas comparado com as taxas de juros atualmente praticadas eram absolutamente usuais àquela época e se justificavam em um cenário econômico internacional de sucessivas crises, o que motivou o Governo Brasileiro a adotar políticas que atraíssem capitais estrangeiros (‘moeda forte’) de longo prazo, tal como se verificou nos lançamentos efetuados pela impugnante, cujos prazos foram de 10 anos. E, no caso concreto, é inafastável a circunstância de que tais taxas foram aprovadas e estão refletidas nos respectivos contratos registrados no BACEN, cuja legitimidade jamais foi por este questionada. Tais contratos são plenamente válidos e eficazes e os argumentos apresentados pela fiscalização não são minimamente suficientes para invalidar seus regulares efeitos, devendo por isso mesmo prevalecer a dedutibilidade das taxas de juros neles apontadas. Cabe agora abordar a questão da necessidade de se registrarem no BACEN as remessas dos juros para o exterior. Mais uma vez, não assiste razão à fiscalização. De fato, consoante a regulamentação do BACEN então em vigor, o próprio certificado de registro correspondia à autorização para a realização das Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 19 18 correspondentes remessas, dispensandose um novo exame por parte da referida autarquia a cada realização de remessa ao exterior. Daí cada certificado de registro conter a advertência de que ‘o Banco Central do Brasil não reconhece qualquer cláusula contratual ou aditivo que contrarie ou modifique as condições (características) constantes do presente certificado, sendo necessária a prévia autorização deste órgão para a efetivação de quaisquer remessas para o exterior não previstas neste documento ou em condições diversas nele consignadas’. Ora, não consta que a impugnante tenha efetuado qualquer remessa para o exterior, ao amparo desses certificados de registro, sem que não se tenham observado os limites neles fixados. Muito pelo contrário, todas as condições foram fielmente atendidas. Por fim, há que se responder as indagações formuladas pela fiscalização na manifestação ora comentada. A primeira delas é a seguinte: ‘Conforme podemos observar nas declarações, a intenção do contribuinte já era a de transferência de recursos para uma empresa no exterior, vinculada ao Grupo PepsiCola, e a partir de novembro de 2002 (conforme declaração da empresa de fls. 397) para sua controladora no exterior, mediante o pagamento de juros, o que produz os mesmos efeitos de um contrato de mútuo, apesar de revestido de outra forma (emissão de FRN). Afinal, que outro motivo poderia haver, uma vez que a emissão das FRN tem por objetivo captar novos recursos para a empresa fiscalizada? Como essa captação poderia acontecer, uma vez que a detentora inicial das FRN foi a empresa CSA, do Grupo PepsiCola e posteriormente a sua própria controladora (11/2002)? Fica claro o intuito de reduzir o resultado mediante o pagamento de juros. E ainda por cima, com uma taxa muito superior a que se praticaria com uma operação de mútuo comum’. É, no mínimo, irrazoável e superficial essa afirmação de que o intuito da impugnante, ao captar recursos através do lançamento de FRNs no exterior seria o de reduzir seu resultado. Basta conferir o prazo dessas operações de crédito (que é o mesmo, 10 anos, em todos os casos), para verificar que os valores ingressados se destinaram ao capital de giro (na sua acepção correta, é relevante ressaltar) da impugnante, ou seja, à realização de suas operações e negócios. Ademais, já se viu que (1) a regulamentação do BACEN não veda que partes relacionadas adquiram títulos lançados no exterior por empresas brasileiras e (2) a fiscalização não carreou aos autos prova de que as taxas de juros pactuadas em contratos de mútuo seriam inferiores àquelas relativas a lançamentos de títulos no exterior. Nesse sentido, também é oportuno ressaltar que, à época da realização dos três primeiros lançamentos de FRNs no exterior (1993, 1994 e 1995), nem mesmo estava em vigor a Lei n° 9.430/96, o que leva à conclusão de que não se poderia cogitar de uma eventual (mas não confirmada ou comprovada) distinção de taxas de juros entre lançamentos de títulos e contratos de mútuo como fator determinante para a eleição do lançamento de FRNs no exterior como forma de captação de capital de giro. Ou seja, não houve aí nenhuma motivação tributária nesse sentido. E o fato de os respectivos contratos terem sido registrados junto ao BACEN é o quanto basta para que os valores dos juros registrados pela impugnante sejam integralmente dedutíveis. Em outras palavras, foram legítimas e legais as operações de lançamento de FRNs no exterior para a captação de capital de giro pela impugnante, o que determina a dedutibilidade dos juros registrados pela mesma. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 20 19 A segunda indagação é a seguinte: ‘Por que a empresa PepsiCo do Brasil Ltda. não registrou os contratos de câmbio no Banco Central como contratos de mútuo, uma vez que o titular inicial das Fixed Rate Notes foi a empresa vinculada ao Grupo Econômico PepsiCola Capital Service Associated?’ Essa indagação merece de antemão um reparo: contratos de câmbio não são registráveis no BACEN. A fiscalização deve ter pretendido se referir aos contratos relacionados com os lançamento de títulos no exterior, motivo pelo qual será considerada essa premissa para a apresentação da resposta da impugnante. A natureza dos contratos não foi indicada como mútuo porque de mútuo não se tratavam e porque o fato de ser a Capital Service Associated uma pessoa ligada à impugnante é desinfluente para a determinação da natureza desses contratos, como demonstrado anteriormente. O que sempre pretendeu a impugnante realizar foi a emissão de títulos no exterior, para a captação de recursos, como de fato foi efetuado, tendo sido observadas todas as condições impostas pela legislação para tal finalidade. Em face de todo o exposto, fica inequivocamente comprovado não apenas que a impugnante observou a legislação em vigor à época para realizar o lançamento das FRNs no exterior, como também que não foi realizada nenhuma declaração falsa para a obtenção dos respectivos certificados de registro. Aliás, é de se ressaltar igualmente que, tanto são regulares os certificados em questão que, até o presente momento, sua legitimidade ou legalidade jamais foram questionadas pelo BACEN, única entidade que poderia fazêlo, nos termos da Lei. E, se a autarquia competente para argüir a nulidade desses certificados de registro não o fez, não cabe à fiscalização tributária fazêlo, razão pela qual esses certificados de registro de capital estrangeiro concedidos pelo BACEN à impugnante devem produzir seus regulares efeitos, inclusive aqueles de natureza tributária, tornandose inquestionável a plena e integral dedutibilidade dos juros contabilizados pela impugnante, ao seu amparo. A impugnante se reporta ainda às demais razões apresentadas em sua impugnação, para demonstrar a improcedência da autuação impugnada, igualmente àquelas que evidenciam a indevida aplicação da multa agravada de 150%, porque as operações realizadas não foram fraudes ou simulações.” O acórdão recorrido julgou procedente a impugnação, pois (i) embora a operação financeira com FRNs realizada pela Contribuinte possa ser equiparada a um contrato de mútuo celebrado com empresa vinculada, as taxas de juros praticadas nos FRNs foram registradas e aprovadas pelo Banco Central do Brasil, razão pela qual não há como se exigir a observância do limite de juros imposto pela legislação de preços de transferência, conforme art. 22, § 4o da Lei n. 9.430/96. A equiparação da operação com FRNs ao mútuo impõe equiparar o registro dessas FRNs ao registro do contrato de mútuo no BACEN, na forma da legislação dos preços de transferência; e (ii) a improcedência dos lançamentos relativos a variações monetárias (cambiais) foi reconhecida pela própria Fiscalização, em relatório de diligência de fls. 1043 e seguintes. Afastouse, ainda, a qualificação da penalidade de ofício , sob alegação de inexistência de sonegação ou fraude pela Contribuinte. É o relatório. Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 21 20 Voto Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. (i) Glosa de Juros relativos aos FRNs Alega a Fiscalização que, em virtude dos FRNs terem sido adquiridos por empresas ligadas à Contribuinte, deveriam ter sido aplicados os limites de dedutibilidade de juros previstos no art. 22 da Lei nº 9.430/96, em sua redação vigente à época dos fatos. Aduz ainda que os FRNs emitidos pela Contribuinte, na essência, eram mútuos com empresas ligadas, sendo que o registro no Banco Central não poderia ser acatado ante a ausência de registro dos contratos de câmbio ou de contratos de mútuo perante o BACEN, considerados os pagamentos realizados e a transferência do domínio das FRNs à controladora da Contribuinte em novembro de 2002. O acórdão recorrido, por sua vez, entendeu que, nada obstante os FRNs devessem ser equiparados no caso a empréstimos entre pessoas ligadas, aplicarseia o disposto no art. 22, § 4o da Lei n. 9.430/96, pois, se a Fiscalização desconsiderou a natureza dos FRN, atribuindolhes as características de um contrato de mútuo, deveria também acolher o registro no BACEN das FRNs como se registros de contratos de mútuo fossem, o que dispensaria a observância das regras de preço de transferência. No caso, o BACEN verificou e registrou os contratos dos FRN, validando as taxas de juros praticadas, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. Cingese a controversa, pois, à aplicação ou não das regras de preços de transferência no pagamento de juros, prevista na antiga redação do art. 22 da Lei nº 9.430/96, do seguinte teor: “Art. 22. Os juros pagos ou creditados a pessoa vinculada, quando decorrentes de contrato não registrado no Banco Central do Brasil, somente serão dedutíveis para fins de determinação do lucro real até o montante que não exceda ao valor calculado com base na taxa Libor, para depósitos em dólares dos Estados Unidos da América pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizados em função do período a que se referirem os juros.” Com razão o acórdão recorrido. A par do relevante fato de que 3 (três) das 4 (quatro) FRNs foram emitidas em data anterior à própria Lei n. 9.430/96, o que já colocaria em dúvida razoável a aplicação da regra de preços de transferência em relação a parte significativa da controvérsia, digase que é correto o entendimento do acórdão no sentido de equiparar “integralmente” as operações financeiras com FRNs realizadas pela Contribuinte a contratos de mútuo com empresas ligadas, inclusive na parte relativa ao registro do contrato respectivo perante o BACEN. Todas as operações com FRNs foram registradas pela Contribuinte perante o BACEN, conforme reconhecido pela própria Fiscalização. Notese, por relevante, que o citado art. 22 da Lei nº Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 22 21 9.430/96 determinava claramente que a regra ali contida era válida somente para “contrato não registrado no Banco Central”, o que não ocorre no caso. Por sua correção, adotase aqui trecho do acórdão recorrido como fundamento desse voto, verbis: “Ocorre que, ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN, efetuado pela contribuinte (conforme consignado pela fiscalização e comprovado nos autos), ao registro de contratos de mútuo, de modo a se aplicar o disposto no § 4º do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”. O registro das FRNs pode ser observado nas seguintes folhas do processo: Emissão Valor (US$) Fls. 1993 30.000.000,00 322/324 1994 13.000.000,00 298/302 1995 70.000.000,00 369/376 1997 50.000.000,00 343/347 Em sua impugnação, a contribuinte traz argumentos tão fortes a justificar a existência de registro no BACEN equivalente ao exigido pela legislação dos preços de transferência, dos quais compartilho, que peço licença para transcrever as passagens mais significativas: “E, nos termos das Circulares 2.134 e 2.384 (em vigor à época da realização desses lançamentos no exterior ora anexadas como jogo de documentos n° 6), um dos aspectos submetidos ao crivo do BACEN era justamente a taxa de juros pactuada pelas partes para a contratação desses empréstimos. Somente aquelas taxas de juros compatíveis com o mercado internacional eram aprovadas pelo BACEN. (...) Vêse, portanto, que (....) as condições das operações (entre elas, as taxas de juros) foram previamente submetidas à análise do BACEN, que as aprovou e concedeu os certificados de registro correspondentes (posteriormente substituídos pelo Registro Eletrônico – RDEIED) (...) (...) Na realidade, caso a impugnante tivesse pretendido captar recursos através de um contrato de mútuo comum, a operação deveria ter sido igualmente submetida ao BACEN para aprovação prévia, nos termos do Comunicado do Departamento de Capitais Estrangeiros (FIRCE) nº 10 e da Resolução nº 125, ambos de 1969 (doc. nº 7), operação essa que passaria igualmente pelo exame da taxa de juros acordada pelas partes. E, como a análise das taxas de juros pelo BACEN tem como objetivo verificar se as mesmas são taxas de mercado, é lícito Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 23 22 afirmar que as taxas seriam as mesmas, caso a Impugnante tivesse optado por celebrar um contrato de mútuo, e não emitir FRNs no exterior. (...) Cumpre aqui ressaltar, que a Fiscalização também se equivocou ao manifestar o entendimento de que cada uma das remessas de juros deveria ter sido aprovada pelo BACEN. Na verdade, nos termos da legislação de regência da matéria, as remessas de juros ao exterior não deviam ser aprovadas, individualmente, pelo BACEN, no momento de cada remessa. Para proceder às remessas, bastava que a empresa emitente tivesse, previamente à emissão das FRNs, registrado as operações, o que foi efetivamente realizado pela Impugnante, e, inclusive corroborado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (item 2.1). Mas, ainda que as operações de lançamento de títulos no exterior fossem desconsideradas, para passarem a ser tratadas como "mútuos comuns", a Fiscalização não poderia simplesmente desconsiderar o fato de que o BACEN aprovou e registrou as taxas de juros adotadas. Os registros existem e a aprovação das taxas de juros pelo BACEN indica que as mesmas eram taxas de mercado e que devem ser respeitadas pelo Fisco como o limite de dedutibilidade dos encargos em cada caso. (...)”. Em sua manifestação acerca da diligência, a contribuinte acrescenta que: “Cabe agora abordar a questão da necessidade de se registrarem no Banco Central do Brasil as remessas dos juros para o exterior. Mais uma vez, não assiste razão à fiscalização. De fato, consoante a regulamentação do Banco Central então em vigor, o próprio certificado de registro correspondia à autorização para a realização das correspondentes remessas, dispensandose um novo exame por parte da referida autarquia a cada realização de remessa ao exterior. (...) Em face de todo o exposto, fica inequivocamente comprovado não apenas que a Impugnante observou a legislação em vigor à época para realizar o lançamento das FRNs no exterior, como também que não foi realizada nenhuma declaração falsa para a obtenção dos respectivos certificados de registro. Aliás, é de se ressaltar igualmente que, tanto são regulares os certificados em questão que, até o presente momento, sua legitimidade ou legalidade jamais foram questionadas pelo Banco Central do Brasil, única entidade que poderia fazêlo, nos termos da Lei”. Assim, reiterando que ao se equiparar os lançamentos de FRNs com mútuos entre coligadas, há também que se equiparar o registro das FRNs no BACEN Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME Processo nº 16643.000051/200952 Acórdão n.º 1102001.019 S1C1T2 Fl. 24 23 (efetuado pela contribuinte) ao registro de contratos de mútuo (de modo a se aplicar o disposto no § 4º do artigo 22 da Lei nº 9.430/96, admitindose como dedutíveis “os juros determinados com base na taxa registrada”), e, dessa forma, excluir da autuação os seguintes valores, relativos à glosa das despesas de juros, a seguir relacionados: (...)” (ii) Variações Cambiais A improcedência dos lançamentos relativos às variações monetárias (cambiais) foi reconhecida pela própria Fiscalização, em diligência, após a apresentação de outros documentos e esclarecimentos pela Contribuinte. Vejase, nesse sentido, trecho de citado relatório às fls. 1043 dos autos: “Da análise dos documento nº 8 (fls. 684 a 816) apresentados na defesa da impugnante, a fiscalização chegou a conclusão que os lançamentos das Variações Cambiais Ativa e Passiva foram indevidas. (sic)” O acórdão também não merece reforma nessa parte. (iii) Multa qualificada Em vista da insubsistência integral do lançamento, deixase de apreciar a questão da qualificação da multa de ofício aplicada. (iv) Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso de ofício para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 06 /09/2014 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/09/2014 por JOAO OTAVIO OPPER MANN THOME
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