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Numero do processo: 13312.720033/2007-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PÓS-LARVA E RAÇÃO. MATÉRIAS-PRIMAS UTILIZADAS NA CARCINICULTURA. FASE ANTERIOR À INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
Os valores relativos às matérias-primas (pós-larva e ração) empregadas na fase carcinícola, que antecede a fase de industrialização do camarão, devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, tendo em vista que a Lei nº 9.363/1996 determina que sejam utilizados os conceitos de produção e de matéria-prima da legislação do IPI.
Numero da decisão: 3002-000.395
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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CRÉDITO PRESUMIDO. Recorrente BIOTEK MARINE COMERCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. PÓSLARVA E RAÇÃO. MATÉRIAS PRIMAS UTILIZADAS NA CARCINICULTURA. FASE ANTERIOR À INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os valores relativos às matériasprimas (póslarva e ração) empregadas na fase carcinícola, que antecede a fase de industrialização do camarão, devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, tendo em vista que a Lei nº 9.363/1996 determina que sejam utilizados os conceitos de produção e de matériaprima da legislação do IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI relativo ao 3º trimestre de 2002, no valor de R$ 43.688,29, cumulado com declaração de compensação de débitos de IRPJ (fls. 3 a 13). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 31 2. 72 00 33 /2 00 7- 82 Fl. 285DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 286 2 A Delegacia da Receita Federal em Sobral abriu procedimento fiscal para apuração do crédito disponível (fls. 18 e 19), que resultou no indeferimento do pedido de ressarcimento e, consequentemente, na não homologação da compensação, por entender que a criação de camarão não constitui operação de industrialização, mas atividade agrícola anterior à fase de industrialização, razão pela qual não é possível o creditamento em relação aos insumos adquiridos para a atividade primária de cultura (póslarvas e ração) – Termo de Verificação Fiscal (fls. 170 a 172) e Despacho Decisório (fls. 173 a 176). Foi ainda consignado no Termo de Verificação Fiscal que o contribuinte não preencheu o Demonstrativo do Crédito Presumido na DCTF e não apresentou o Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI), apesar das diversas intimações para fazêlo. A recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 187 a 206), na qual defendeu que: segundo a definição do CTN, considerase industrializado o produto que tenha sido aperfeiçoado para consumo; realiza a operação de industrialização sobre sua matériaprima, o “póslarva”; que vende tanto o camarão apenas coletado, para beneficiamento (lavagem, classificação, embalagem e congelamento) por outra empresa, como o camarão por ele mesmo beneficiado; que a atividade que exerce não se encontra entre as exclusões do conceito de industrialização previstas no art. 5º do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002); e que a TIPI inclui os camarões nas posições 0306.13, 0306.23.00 e 1605.20.00. Ainda, requereu que o crédito fosse corrigido pela taxa Selic. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém proferiu o Acórdão nº 0112.995 (fls. 241 a 246), por meio do qual decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade por entender que a criação de camarão não se enquadra no conceito de industrialização previsto nos arts. 3º e 4º do RIPI/2002, descabendo o creditamento em relação à póslarva e à ração, e salientando que tal entendimento é corroborado pela legislação do Imposto de Renda, pela qual a criação de animais é considerada atividade rural, vide o art. 2º da Lei nº 8.023/1990. Ademais, apontouse que a empresa não apresentou o RAIPI – o registro do crédito presumido no RAIPI tem natureza constitutiva, não apenas declaratória – e não preencheu o demonstrativo de crédito presumido na DCTF ou no DCP, condições para o requerimento do ressarcimento de IPI estabelecidas pelas Instruções Normativas SRF nº 419/2004 e nº 210/2002, respectivamente. Por fim, a correção pela Selic foi negada com base no entendimento de que o art. 39 da Lei nº 9.250/1995 não atinge o ressarcimento, mas tão somente a compensação ou a restituição, que são institutos diversos. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Período de apuração: 01/07/2002 A 30/09/2002 CRIAÇÃO DE CAMARÃO. A criação de camarão não pode ser considerada como atividade de industrialização. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 287 3 CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO. Remanescendo saldo credor, é permitida a utilização de conformidade com as normas sobre ressarcimento em espécie e compensação previstas pelo Fisco, a partir do primeiro dia subsequente ao trimestrecalendário em que o crédito presumido tenha sido escriturado no Livro Registro de Apuração do IPI. RESSARCIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Os créditos presumidos de IPI somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, de demonstrativo referente à fruição do benefício. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002 JUROS SELIC. Descabe a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI. Solicitação Indeferida. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 01/02/2010, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 283, e protocolizou seu Recurso Voluntário em 18/02/2010, conforme despacho à fl. 284. No Recurso Voluntário (fls. 253 e 274), a recorrente repisa os mesmos argumentos da Manifestação de Inconformidade: que suas atividades estão contidas no conceito de industrialização – o processamento do camarão é um aperfeiçoamento para o seu consumo; que a empresa comercializa o camarão in natura, que envolve a criação e engorda, bem como o camarão beneficiado, que envolve a sua limpeza e acondicionamento; e, em relação à taxa Selic, traz jurisprudência do Carf, em julgados ocorridos entre os anos de 1999 e 2003, nos quais decidiuse pela aplicação da atualização monetária por entender que o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, para o qual há previsão legal de correção. No que diz respeito à ausência de apresentação do demonstrativo de crédito presumido e do RAIPI, o contribuinte não se pronunciou. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A decisão a ser tomada por este Colegiado, na visão da recorrente, diz respeito, em essência, à definição sobre suas atividades consistirem ou não nas operações de Fl. 287DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 288 4 industrialização de que trata o Regulamento do IPI, de modo a permitirlhe o ressarcimento do imposto. Todavia, creio ser necessário delimitar mais precisamente este litígio para que não nos afastemos do cerne da questão. De acordo com a documentação acostada aos autos, em particular as Declarações do contribuinte (fls. 45 a 56) e o Termo de Verificação Fiscal (fls. 170 e 171), dos 7 diferentes tipos de insumos utilizados normalmente em seu processo produtivo, foi solicitado ressarcimento apenas em relação à póslarva – que é o camarão adquirido de laboratórios para a fase seguinte, de crescimento e engorda em berçários e viveiros até o ponto de consumo – e em relação à ração fornecida como alimento a essas póslarvas de camarão. Tal condição foi verificada pela Fiscalização e consignada no Termo de Verificação Fiscal da seguinte maneira: O Estabelecimento ora fiscalizado cria camarões em viveiros, que têm como classificação fiscal o código NCM 0306.1391, tributados a alíquota zero. Os principais insumos são póslarvas e ração. Ao adquirir as póslarvas, as mesmas são acondicionadas em tanques berçários e posteriormente levadas para viveiros de engorda até atingirem um tamanho comercial. A ração é o alimento fornecido 2 vezes por dia no período de engorda, vide declaração datada de 05/11/2007 em que consta o emprego e a finalidade de cada insumo utilizado (fl.43). Na declaração acima citada constam outros insumos e no item 7 "Uréia agrícola utilizado para promover um choque térmico, matando o camarão por ocasião da "despesca", que consiste na retirada do produto do viveiro para ser enviado ao processamento final, que é lavagem, classificação, embalagem e congelamento". Diante do exposto concluímos que os insumos utilizados, relacionados até o item 6, foram para criação e engorda do camarão (atividade primaria) e que os camarões serão enviados a outro local para a etapa que consideramos de industrialização ou seja lavagem, classificação, embalagem e congelamento. (grifado) Disso resulta que, independentemente de o processo produtivo da recorrente conter uma fase de criação e outra de industrialização, nestes autos analisase tão somente a possibilidade de creditamento em relação a 2 insumos utilizados na fase carcinícola, ou seja, na fase que antecede a fase de industrialização. A recorrente pretende apurar o crédito presumido do IPI previsto na Lei nº 9.363/1996, que assim dispõe sobre a matéria: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos Fl. 288DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 289 5 intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Os artigos acima, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplicase às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502/1964 e no Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que para fins do IPI o estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); Fl. 289DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 290 6 III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. Extraise igualmente dessa legislação a delimitação do campo de incidência do IPI: RIPI/2002 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). Art. 3º Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida neste Regulamento como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária. (grifado) Da leitura dos textos acima, concluise por necessário o atendimento simultâneo a duas condições: tratarse de atividade contida na definição de operação de industrialização prevista no Regulamento do IPI e que dessa operação resulte um produto com alíquota, ainda que zero, relacionado na Tabela do IPI (TIPI), excluídos aqueles a que corresponde a notação “NT” (nãotributado). Assim, está dentro do campo de incidência do IPI a combinação atividade/produto que esteja na interseção dessas duas condições. É certo, como afirma a recorrente, que o seu produto final, camarão, consta da TIPI e com uma alíquota, ainda que zero, estando atendida uma das condições. Contudo, é inquestionável que a criação de animais não se enquadra no conceito de industrialização, restando desatendida a outra condição. De se ressaltar que não há divergência nestes autos quanto ao entendimento do contribuinte de que exerce algumas atividades de industrialização, que são a lavagem, classificação, embalagem e congelamento do camarão. Entretanto, o pedido de ressarcimento Fl. 290DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 291 7 formulado não se refere aos insumos utilizados na fase de industrialização, mas na fase anterior, da carcinicultura. A criação de camarões, assim como a cultura de frutas ou legumes, não é atividade de industrialização, embora o produto delas resultante possa ser utilizado como matériaprima em uma operação de beneficiamento ou transformação, sujeita ao imposto, mas a atividade, em si, de alimentar, fazer crescer e engordar um camarão não é, definitivamente, industrialização. Nesse sentido, já tivemos diversas decisões no Carf, seja nas turmas ordinárias, seja na Câmara Superior de Recursos Fiscais, a ver os acórdãos seguintes, transcritos apenas na parte de interesse para este processo: Acórdão nº 3402002.536, do conselheiro Antônio Carlos Atulim: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2004 CRÉDITO PRESUMIDO. REGIME ALTERNATIVO. INCUBAÇÃO E CRIAÇÃO DE FRANGOS PARA ABATE. As atividades de incubação de ovos e de criação de frangos para abate são processos biológicos que não se subsumem ao conceito de industrialização. O valor dos custos com insumos empregados nessa fase do processo produtivo devem ser excluídos do cálculo do crédito presumido de IPI. Acórdão nº 3402003.848, do conselheiro Diego Ribeiro: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS. ATIVIDADE AGRÍCOLA. O valor das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem, combustíveis e lubrificantes empregados na fase agrícola do processo produtivo (cultivo da canadeaçúcar) devem ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido. Acórdão nº 9303006.665, do conselheiro Demes Brito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. INDUSTRIALIZAÇÃO DE CAMARÃO. PRODUTOS NÃO UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. PÓSLARVA E RAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 292 8 A Lei n° 9.363, de 1996, remeteu o conceito de matériaprima, insumos, materiais intermediários e de embalagem utilizados no processo produtivo, para efeito do créditopresumido de IPI, na base de cálculo do PIS e da Cofins para se apurar o crédito, somente se incluem na base de cálculo do beneficio as aquisições de produtos que se integrem ao produto final (matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem), e/ ou não os integrem, mas se desgastem em menos de um ano em decorrência de uma ação física sofrida por contato com o bem em elaboração ou que sirvam ao acondicionamento do produto. No presente caso, a própria Contribuinte informa que os insumos " póslarva e ração" são manejados na fase de produção agrícola, numa etapa anterior a qualquer industrialização. (grifado) Resta então verificar a segunda razão de decidir adotada pela DRJ, qual seja, que o contribuinte não atendeu a certas obrigações acessórias, fundamentais a ponto de determinar o seu direito a requerer o ressarcimento. Transcrevese o trecho pertinente do voto: 12. Vêse que a Administração estipulou que primeiro se escritura o crédito em um dado trimestre. Em seguida, podese pedir ressarcimento e declarar compensação a partir do primeiro dia após o referido trimestre. Com isso, a regra normativa determinou uma natureza constitutiva para a escrituração no livro de apuração do IPI, e não declaratória. 13. Inferese, como derivação direta da legislação tributária acima transcrita, o óbvio: que o direito ao ressarcimento do crédito em questão, previsto em abstrato na lei, vinculase a que o titular da pretensão tenha mantido e mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor dos créditos pleiteados, fato que não ocorre neste processo em análise. 14. Quanto à não apresentação do demonstrativo, o art. 14, § 4° da Instrução Normativa SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002, com redação dada pela Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, vigente na época da transmissão do pedido de ressarcimento, esclarecia: § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. (grifado) Fl. 292DF CARF MF Processo nº 13312.720033/200782 Acórdão n.º 3002000.395 S3C0T2 Fl. 293 9 A despeito de a recorrente citar essa matéria em seu Recurso Voluntário (fl. 261), dando a entender que iria desenvolvêla posteriormente, não o fez, motivo pelo o qual convertese em matéria não recorrida. Consequência inevitável é que, ainda que déssemos razão ao contribuinte quanto primeiro tópico (possibilidade de creditamento de insumo utilizado na fase carcinícola), tendo o segundo permanecido incólume, a decisão da DRJ deve ser mantida em sua integralidade. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.723774/2010-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO DE OBRA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, ou na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário.
NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO
Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa.
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO.
O documento de constituição do crédito previdenciário emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passou a denominar-se Auto de Infração, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, para descumprimento de obrigação principal e acessória.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DA PROVA PERICIAL.
A perícia destina-se a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitando-se a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente.
Considera-se não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS.
A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados.
INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO.
Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 2202-004.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2009 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA DA MÃO DE OBRA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, ou na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil é obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra, cabendo ao interessado o ônus da prova em contrário. NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Não há que se falar em nulidade quando a exigência fiscal sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. AUTO DE INFRAÇÃO. O documento de constituição do crédito previdenciário emitido pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil passou a denominarse “Auto de Infração”, conforme artigo 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, para descumprimento de obrigação principal e acessória. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DA PROVA PERICIAL. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 74 /2 01 0- 50 Fl. 1350DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.351 2 Considerase não formulado o pedido de realização de perícia, quando não apresentados os quesitos referentes aos exames desejados pela contribuinte, nem indicados o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. DO PEDIDO DE PRODUÇÃO DE PROVAS. A solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem revelamse insuficientes para comprovar os fatos alegados. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por expressa determinação legal, as intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10980.723774/201050, em face do acórdão nº 0242.732, julgado pela 6ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), na sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Fl. 1351DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.352 3 “Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra o contribuinte acima identificado, no montante de R$252.716,85, consolidado em 22/09/2010, relativo à contribuição dos segurados empregados, devida à Previdência Social, e que de acordo com o Relatório do Auto de Infração 37.293.8698, às fls.71 a 96, teve como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos empregados, na execução da obra de construção civil, matrícula CEI nº 5013189256/75, apuradas por aferição indireta. O contribuinte teve ciência do lançamento em 23/09/2010, apresentou impugnação em 21/10/2010, peça processual juntada, às fls.427 a 509 e demais documentos, fls.510 a 1253. Em sua defesa, demonstra ser a mesma tempestiva, faz um relato dos fatos, transcrevem decisões judiciais/administrativas, e aduz, em apertada síntese, o que segue: O Aviso para Regularização de Obra – ARO e também o Relatório Fiscal do Auto de Infração não informa: o índice de atualização dos salários; o percentual das notas fiscais de concreto usinado considerado como mão de obra; as GFIPs não apresentadas; tipo e padrão de obra. Ato contínuo, a Auditora não esclarece o que há de estranho no montante de mãodeobra efetivamente efetuada, a ponto de tomar a decisão de optar pelo arbitramento do pretenso débito lançado. Resta omisso no Relatório, quais os serviços prestados pelas empresas que não elaboraram GFIP específicas e que tipo de serviço foram prestados, bem como se não se enquadram nas exceções dispensadas conforme IN/SRP nº 03/2005, IN/SRF nº 971/2009. Estas, no entender da empresa recorrente, são informações essenciais que deveriam constar no relatório fiscal do presente auto de infração a possibilitar a defesa plena da empresa ora recorrente, que, culminado com o erro de capitulação acima transcrito, leva a inarredável conclusão de nulidade plena do presente lançamento. A fiscalização não esclarece se a empresa prestadora destacou e se a empresa contratante reteve e recolheu em nome da prestadora o montante equivalente a 11% do valor bruto da nota fiscal de serviço. O Auditor Fiscal fez referência, unicamente, se a prestadora declarou ou não eventual remuneração paga aos trabalhadores que prestaram serviço na obra matrícula CEI nº 50.131.89256/75. A fiscalização deverá, sob pena de cercear direitos, relacionar todas as notas fiscais relativas aos serviços prestados por empreiteira, destacando o valor bruto, data de emissão, o destaque a que se refere o artigo 31, da Lei 8.212/91, se a Fl. 1352DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.353 4 retenção foi efetuada e se o valor retido o que deveria ter sido retido foi recolhido em nome do tomador. Deverá ainda ser relacionado, de forma clara e precisa, mês a mês GPS a GPS, os valores recolhidos de contribuição social de terceiros na matrícula CEI nº 50.131.89256/75.A fiscalização também não esclarece sobre as GFIP substituídas e exportadas e não exportadas. Isto no entendimento da empresa recorrente caracteriza cerceamento de defesa, a inquinar o procedimento fiscal. A fiscalização não esclarece as razões que o levaram a lançar débito por aferição e não sobre os valores brutos das notas fiscais de serviço, o que caracteriza falta de cumprimento de atribuições da função de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Portanto, o fato da fiscalização da RFB ter optado por arbitrar a base de cálculo mesmo dispondo de elementos caracterizadores de fatos gerador das contribuições sociais previstas nos incisos “a” e “c” do parágrafo único do artigo 11, da Lei 8.212/91, caracteriza descumprimento de responsabilidade funcional. O fato da fiscalização da RFB ter optado por arbitrar a base de cálculo mesmo dispondo de elementos caracterizadores de fatos gerador de contribuição social faz com que o Auto de Infração nº 37.293.8698 seja nulo por erro insanável. O Auto de Infração nº 37.293.8698 é nulo e eventuais falta ou diferença de recolhimento de contribuições sociais deverá ser apurado na forma da lei. Ao alegar que houve a pretensa omissão, e, por sua vez, não relacionar a quem, ou aos quais empregados ao seu serviço, teria omitido o recolhimento total ou parcial de tal verba previdenciária, adentra a fiscalização no âmbito da suposição, ao qual não possui força probante suficiente a ensejar convalidação do presente lançamento fiscal. Que o presente Auto de Infração é calcado em indícios e presunções, e também por tal, deve ser considerado nulo, não podendo gerar quaisquer efeitos. Minimamente, é de se determinar a baixa dos autos em diligência, para que o auditor fundamente as pretensões que deduz, analisando e trazendo os elementos descritos pela empresa ora recorrente em sede preliminar, com a feitura de relatório fiscal complementar, e a conseqüente abertura de prazo para a recorrente formular sua manifestação complementar. Com base no artigo 11 do Decreto nº 70.235/72, diz que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil não possui competência legal para emitir e assinar o presente Auto de Infração, documento esse que deveria ser assinado pelo Chefe do Órgão. Fl. 1353DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.354 5 Nos termos exatos dados pela redação do Decreto 70.235/72 a Notificação de Lançamento “será expedida pelo órgão que administra o tributo” e conterá obrigatoriamente a assinatura do chefe do órgão”. Agindo em contrário do que está determinado na legislação específica, como de fato agiu, o servidor ocupante do cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não tem a competência legal para emitir e assinar o referido documento, qual seja, o Auto de Infração de obrigações principais – AIOP, portanto, este, é nulo de pleno direito. Transcreve parte do relatório fiscal, e aduz que o procedimento fiscal foi executado na proprietária e dona da obra, e que a construção foi executada integralmente por empreiteiras e subempreiteiras. Transcreve parte do relatório fiscal, e aduz que sobre a constatação de que “também não há nas GFIP´s específicas da obra, mão de obra própria, alocada nas competências para a execução dos serviços contratados” a fiscalização não esclarece se o exame dos registros de empregados (livro ou fichas de registro, CAGED, RAIS e folhas de pagamento) constatou que a empresa contratou e remunerou segurado do Regime Geral de Previdência Social para participarem da execução da obra CEI nº 50.131.89256/75. Uma vez comprovado, segundo as próprias palavras da fiscalização, que a proprietária da obra terceirizou toda a construção e que não contratou pessoalmente trabalhadores encarregados da execução da construção, não cometeu a infração apontada relativa aos registros contábeis. Por esta razão o procedimento fiscal, arbitrando a base de cálculo do débito lançado por meio do Auto de Infração nº 37.293.8698, foi arbitrário e ilegal. De acordo com ma Lei 8212/91, artigo 32, a empresa, assim entendida aquela que contrata assalaria e comanda o segurado, é obrigada a apresentar, mensalmente, a GFIP com todos os fatos geradores de contribuição social previstas em seu artigo 11, parágrafo único, alíneas “a” e “c”. A Lei não institui a obrigação acessória tributária, e até mesmo não poderia, pois de acordo com a Constituição Federal, artigo 146, inciso III, é matéria de Lei Complementar, de no caso da empresa contratante exigir, manter e apresentar a fiscalização as GFIP relativas a serviços contratados de prestador na forma do artigo 31 de referida Lei. Esta “obrigação” só foi constituída em Regulamento, conforme consta dos artigos 219, 220 e 225, do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. O Regulamento não poderia ter instituído obrigação tributária, mesmo que acessória e tão pouco seria motivo para a aplicação de penalidade, pecuniária ou não, na falta de cumprimento. Fl. 1354DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.355 6 De acordo com o Relatório Fiscal, o arbitramento da mão de obra foi decidido em razão da empresa dona da obra deixar de apresentar à fiscalização documento de obrigação de terceiro. O procedimento fiscal destinado à obtenção da remuneração supostamente utilizada na construção da obra foi irregular e não possui sustentação legal, pois o motivo alegado, não apresentação da GFIP, não encontra respaldo na Lei nº 8.212/91, Decreto nº 3.048/99 e IN/RFB nº 971/2009. A fórmula adotada pela fiscalização previdenciária para descrever a forma de como procedeu ao arbitramento, que serviu de base de cálculo do pretenso débito lançado no presente auto de infração, é confusa e incompreensível, impedindo que a empresa requerente compreendesse, claramente, a origem do débito lançado, resultando, em cerceamento de defesa, impondo a anulação do presente lançamento. Basta vistas ao Relatório Fiscal – REFISC, anexo ao Auto de Infração em comento, para restar claro, que a fiscalização não discriminou de forma clara e precisa os fatos geradores, incompreensíveis suas aplicações sobre a forma de aferição da remuneração, supostamente, devida, e principalmente, como foram aproveitados os recolhimentos e, como obteve a diferença lançada por meio do Auto de Infração, justificando a sua nulidade. De acordo com a Lei nº 8.212/91 e o Decreto nº 3.048/99, não se vislumbra a obrigatoriedade de que, na lista de contas que integra a contabilidade da empresa, seja feita uma conta exclusiva para cada parcela integrante da remuneração dos segurados, bastando que os históricos dos lançamentos permitam a correta identificação dos mesmos. No mesmo sentido, verificase que a determinação para que a empresa registre as obras de construção civil, em contas individualizadas e segregadas por estabelecimento, consta tão somente do inciso II, do parágrafo 13º, do art. 225, do RPS. Ocorre que referido dispositivo legal ultrapassou os limites de sua competência ao legislar sobre matéria de contabilidade, representando numa clara invasão da competência atribuída ao Conselho Federal de Contabilidade, órgão realmente, legítimo para dispor acerca de matéria contábil. Diante disso o mínimo que se espera da Fiscalização, sob pena de infringir os princípios basilares do direito, tais como o contraditório e ampla defesa, bem como o princípio da legalidade, mencionado alhures, é que esta demonstre de forma inequívoca e não como consta no relatório fiscal: a) que as condições apresentadas pela empresa justificam a aplicação dos dispositivos legais apontados; b) os dispositivos legais que fundamentam a aferição ou o arbitramento e,; c) a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Fl. 1355DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.356 7 Sobre a necessidade da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil comprovar que o lançamento de débito por aferição deve se fundamentar em dispositivos legais, transcreve parte de Pareceres da Consultoria Jurídica, aprovados pelo Ministério da Previdência Social, com caráter vinculante. A legislação tributária, consubstanciada no Código Tributário Nacional – CTN, bem como a Legislação Previdenciária, na forma da Lei 8.212/91, RPS, Decreto 3.048/99, e demais Instruções Normativas expedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social – INSS sobre os procedimentos de arrecadação, autorizam a “aferição indireta” tão somente, nos seguintes casos, não cumulativos: 1º) a empresa se recusar, sonegar ou apresentar de forma deficiente, informações, livros ou documentos relacionados às contribuições sociais (Lei 8212/91 art. 33, §3º, RPS art.233); 2º) comprovada a falta de prova regular e formalizada do montante dos salários pagos na execução da obra de construção civil, art. 33, §4, RPS, art.234); 3º) se após exame da escrituração contábil e de qualquer documento da empresa ficar comprovado que a contabilidade não registrou o movimento real da remuneração (lei 8212/91, art. 33,§6º, RPS art.235); 4º) prévia desonestidade do sujeito passivo nas informações prestadas, abalandose a crença nos dados por ele oferecidos, erro ou omissão na escrita que impossibilite sua consideração, tornandoa imprestável; 5º) avaliação contraditória administrativa ou judicial de preços, bens, serviços ou atos jurídicos em processo regular (devido processo legal); 6º) utilização pela Administração, de qualquer meios probatórios, desde que, razoáveis e assentados em presunções tecnicamente aceitáveis (preços estimados segundo o valor médio alcançado no mercado local daquele ramos industrial ou comercial – pauta de valores (ou índice de produção pautado em valores utilizados), em período anterior, no desempenho habitual da empresacontribuinte que sofre o arbitramento, etc). Não nos parece ser este o caso em tela, impondo a anulação do presente Auto de Infração, pois não foi verificada a ocorrência de qualquer um dos pressupostos autorizadores da utilização do critério de aferição indireta, como efetuado pelo agente fiscal, eis que não houve recusa ou sonegação dos documentos solicitados; houve prova do efetivo pagamento de salários nas obras; a contabilidade demonstra a real movimentação da remuneração; as informações passadas aos auditores fiscais estão corretas; inexiste avaliação contraditória dos preços praticados; a fiscalização dispunha de meios eficientes e seguros para averiguação das contribuições, eventualmente, incidentes. Assim, e olhos postos aos arestos Jurisprudenciais, mencionados, bem como em toda a legislação de regência sobre o tema, conclui que: 1) a contabilidade regular não é aquela que se mostre absolutamente isenta de qualquer equívoco; 2) eventuais irregularidades, devidamente identificadas, antes de fazer com que se entenda que não merece fé a contabilidade, Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.357 8 leva ao entendimento, se diminutos e pontuais, como no caso, de que ela seja regular, ainda que não perfeita; 3) entendimento diverso significa autorização permanente para os arbitramentos, sem critério e sem fundamento, pois não há contabilidade que não possua alguma falha. Importa é saber a dimensão disso e então avaliar se retira a fé dos respectivos lançamentos ou não; 4) o arbitramento é, como se vê, modalidade excepcional de constituição do crédito tributário, só se justificando quando inviável a apuração efetiva da base de cálculo; 5) tal permissão, contudo, não autoriza a transformar a faculdade em liberdade absoluta que desobrigue o fisco de investigar a documentação da empresa; 6) não basta a simples dificuldade ou maior onerosidade do exercício do poder de investigação, em decorrência de problemas na escrituração fiscal da empresa, para que se possa, desde logo, recorrer à prova indiciária; 7) é necessário que haja real impossibilidade de exame dos tributos devidos, seja porque a escrita é inexistente, seja porque ela é substancialmente irregular. Razões estas e, clarividente resta que o arbitramento pela Fiscalização da RFB foi irregular e ilegal e, assim, deve o Auto de Infração em comento ser considerado nulo e, em conseqüência, improcede o débito lançado. A comprovar todo o alegado, em anexo acostase a contabilidade da empresa que reflete a mais cristalina regularidade. Faz uma análise dos dados da nova construção civil em cotejo com a obra auditada pela Fiscalização, e conclui que resta clarividente que a empresa ora recorrente não precisa ter sua contabilidade desconsiderada, pois mais uma vez baseiase a Fiscalização em presunções e indícios a inquinar a validade do presente procedimento fiscal. Discorre sobre a iliquidez, da incerteza e da inexigibilidade, e diz que como sustentado, a Autarquia Previdenciária possui em face da empresa ora recorrente, Auto de Infração – AI ilíquido, inexigível e incerto sendo carecedora de seus pressupostos de constituição, devendo ser considerado nulo de pleno direito. Requer: a) seja julgada a presente impugnação com a declaração de nulidade do Auto de Infração – DEBCAD 37.293.8698; b) seja dado baixa nas respectivas anotações constantes em nome da empresa requerente, liberandoa do pagamento de qualquer valor, ou qualquer pagamento decorrente da lavratura do Auto de Infração, ora impugnado, por representar quantia realmente indevida decorrente de lavratura totalmente equivocada; c) na eventualidade do presente procedimento administrativo não ser extinto e baixado de plano, requer a baixa dos autos em diligência, para que seja discriminada de forma clara e precisa, todos os questionamentos ventilados por meio dos presentes articulados, sob pena de nulidade, com a conseqüente abertura de prazo para a empresa requerente formular sua manifestação complementar; d) sejam enviadas todas as intimações e notificações aos procuradores da Recorrente, com escritório profissional na Avenida Senador Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.358 9 Souza Naves nº 1788, Bairro Alto da Rua XV, CEP 80050040 em Curitiba – Paraná. Este processo está sendo analisado pela Delegacia de Julgamento de Belo Horizonte, por determinação da Portaria Sutri n º 3.237/2011, do Subsecretário de Tributação e Contencioso da Secretaria da Receita Federal do Brasil.” A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação, mantendo, assim o crédito tributário lançado, na integralidade. A contribuinte, inconformada com o resultado do julgamento, apresentou recurso voluntário, às fls. 1272/1342, reiterando as alegações expostas em impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 1. Preliminares 1.1 Pedido de perícia, diligências e de produção de provas. A perícia e as diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, com as alterações da Lei n° 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. A perícia destinase a subsidiar o julgador para formar sua convicção, limitandose a elucidar questões sobre provas e elementos incluídos nos autos, não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação pertinente. Além disso, não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV, o que resulta na desconsideração do pedido eventualmente feito, conforme art. 16, § 1º do Decreto 70.235/72. Portanto, improcedente tal pedido. Por sua vez, a solicitação para produção de provas não encontra amparo legal, uma vez que, de modo diverso, o art. 16, inciso II do Decreto 70.235/72, com redação dada pelo art. 1º da Lei 8.748/93, determina que a impugnação deve mencionar as provas que o interessado possuir, de modo que o onus probandi seja suportado por aquele que alega. Portanto, improcedente tal pedido. Descabe, portanto, a inversão do ônus da prova suscitada pelo contribuinte. Deste modo, rejeito as referidas preliminares suscitadas pelo contribuinte. 1.2 Cerceamento de defesa. De início, cabe referir que a perícia ou diligência não constitui direito subjetivo do autuado, cabendo ao julgador recusála se entendêla desnecessária, o que não Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.359 10 caracterizará cerceamento do direito de defesa. Sobre a perícia transcrevo a seguinte ementa de julgado do então Conselho de Contribuintes, consoante já transcrito no acórdão da DRJ de origem: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inocorrência da hipótese. Não deferido o pedido de perícia quando o contribuinte invoca produção de provas que eram de seu conhecimento e podiam ser por ele comodamente trazidas aos autos, transferindo seu ônus processual à autoridade julgadora.” (Acórdão n.º 20209.728, do Conselho de Contribuintes, DOU de 07/07/98) Com relação às alegações de nulidade do Auto de Infração, há que se esclarecer que os pressupostos legais para a validade do Auto de Infração são determinados pelo artigo 10, do Decreto nº 70.235, de 1972. O mesmo Decreto nº 70.235 dispõe sobre a nulidade no processo administrativo nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Auto de Infração inserese na categoria prevista no acima transcrito inciso I, do art. 59, do Decreto 70235/72 (atos e termos), sendo nulo, portanto, quando lavrado por pessoa incompetente. Havendo irregularidades, incorreções ou omissões diferentes das previstas no artigo 59 do Decreto nº. 70.235, essas não implicarão em nulidade e poderão ser sanadas se o sujeito passivo restar prejudicado, como determina o artigo 60 do mesmo Decreto: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. A autuação em exame foi lavrada por Auditor Fiscal em pleno exercício de suas funções, competente, pois, para tal, e contém os requisitos indispensáveis para a sua validade, mencionados no artigo 10 do Decreto n.º 70.235, apresentando, portanto, os elementos imprescindíveis para o pleno exercício do direito da ampla defesa pelo contribuinte. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração quando a exigência fiscal, como ocorre no presente caso, sustentase em processo instruído com as peças indispensáveis, contendo o lançamento descrição dos fatos suficiente para o conhecimento da infração cometida e não se vislumbrando nos autos a ocorrência de preterição do direito de defesa. 2. Mérito 2.1 Da Aferição Indireta das Bases de Cálculo Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.360 11 No tocante aos argumentos aduzidos em relação à indevida desconsideração da contabilidade da empresa, às disposições específicas concernentes à aferição, do custo da obra auditada, ao Seguro de Acidente do Trabalho e à aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, também não podem ser acolhidos, vejamos. A apuração da mãodeobra empregada na execução da obra matrícula CEI 50131.89256/75, por aferição indireta, ocorreu devido ao fato da escrituração contábil apresentada à auditoria fiscal estar deficiente e em desconformidade com a legislação, conforme restou demonstrado nos autos. Os motivos que levaram a auditoria fiscal da RFB a apurar por aferição indireta a base de cálculo das contribuições lançadas, foram a apresentação de contabilidade de forma deficiente e em desacordo com a legislação, e a insuficiência da mão de obra declarada em GFIP para a realização de todos os serviços referente á obra em questão, e não por ter a contribuinte deixado de apresentar à fiscalização documentos de obrigação de terceiros. O fato gerador das contribuições lançadas, a forma de aferição da remuneração e da apuração da base de cálculo, estão claramente demonstradas nos itens 7 a 11 e subitens do Relatório Fiscal. As bases de cálculos dos créditos lançados no Auto de Infração, foram as diferenças apuradas entre as remunerações aferidas indiretamente e a somatória das remunerações declaradas em GFIP válidas específicas da obra (constantes nos sistemas da RFB até a data de lavratura do AI) e as contidas nas notas fiscais de concreto e argamassa usinados (atualizadas), conforme descrito no item 11 do Relatório Fiscal. Logo, concluise que os recolhimentos de contribuições efetuados sobre os valores declarados em GFIP já foram considerados na apuração da base de cálculo apurada. Sendo assim, configurada a não apresentação de documentos, a fiscalização lançou mão da aferição indireta da base de cálculo das contribuições lançadas, procedimento que, dadas as circunstâncias, se afigura claramente viável com fulcro no parágrafo 3º do artigo 33, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, in verbis: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Salientese, assim, quanto à alegação de que a autoridade lançadora não analisou os documentos fiscais em sua totalidade, presumindo que não houve o recolhimento previdenciário, que em não sendo apresentados todos os documentos solicitados, não há como a autoridade lançadora examinálos. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.361 12 Ademais disso, o lançamento fiscal encontrase substanciado nos contratos de empreitada apresentados, nos termos informados pela autoridade lançadora nos itens 3 e 4 do Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 22/24: 3.DO OBJETO DO LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 3.1 O objeto do presente lançamento são as contribuições previdenciárias devidas e destinadas à Seguridade Social incidentes sobre um percentual aplicado sobre os contratos de empreitada apresentados nas seguintes alíquotas: a) parte patronal: 20%, b) seguro de acidentes do trabalho SAT: 3%. 4. DOS FATOS GERADORES DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 4.1 Constituem fatos geradores do crédito tributário ora lançado, os valores contratuais, tendo sido aplicado 40% sobre a mãodeobra contratual na construção predial e 20% sobre a mãodeobra contratual no serviço de drenagem conforme artigo 600, I e 605, IV da IN MPS/SRP nº 03 de 14/07/2005. A aferição foi feita por motivo da falta de apresentação dos elementos necessários aos lançamentos normais o que foi objeto do Auto de Infração Debcad n237.215.2023. Registrese, também, que a contribuinte, a seu turno, não se desincumbiu do ônus, que lhe cabia, de fazer prova acerca daquilo que alega. Mais especificamente, não indicou nem demonstrou, de forma precisa, os documentos que, apresentados, deixaram de ser examinados pela autoridade lançadora. Da mesma forma que a lei prevê a aferição das contribuições devidas em face da ausência dos documentos solicitados pela fiscalização, também concede à autuada o ônus da prova em contrário. No caso em apreço, a empresa não apresenta na peça impugnatória qualquer início de prova no sentido de que as contribuições lançadas não seriam devidas, nem tampouco de que os valores aferidos pela fiscalização estão incorretos. Assim, não sendo provado o fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte, com fundamento no artigo 373 do CPC/2015 e artigo 36 da Lei n° 9.784/99, devese manter sem reparos o acórdão recorrido. Ocorre que temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, do contribuinte ora recorrente. Portanto, deve ser negado o recurso quanto a este ponto. 2.2 Alegações de inconstitucionalidade. Nos termos da Súmula CARF nº 02, o CARF não possui competência para analisar e decidir sobre matéria constitucional, conforme súmula vigente, de utilização obrigatória, conforme Regimento Interno deste Conselho. Por tais razões, as alegações de inconstitucionalidade não podem ser apreciadas por este Conselho. 2.3 Intimação. Endereçamento. Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10980.723774/201050 Acórdão n.º 2202004.694 S2C2T2 Fl. 1.362 13 Consoante referido já no acórdão da DRJ, a teor do § 4º, do art. 23 do Decreto nº 70.235/72, com as alterações da Lei nº 11.196, de 2005, para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Assim sendo, por falta de previsão legal, improcedente o pedido da contribuinte para que sejam enviadas todas as intimações e notificações para o escritório profissional dos procuradores da recorrente, indicado na impugnação, pois este não é o domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo junto à administração tributária. Conclusão. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 1362DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.720084/2011-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Verificado que o recurso voluntário foi interposto no 31º dia após a intimação do Acórdão da DRJ (a recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011, fl. 1635, via Postal. Interpôs o recurso em 04/08/2011, fl. 1636), cumpre não conhecer o recurso (art. 33, Dec. nº 70.235/72).
Numero da decisão: 1302-003.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Verificado que o recurso voluntário foi interposto no 31º dia após a intimação do Acórdão da DRJ (a recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011, fl. 1635, via Postal. Interpôs o recurso em 04/08/2011, fl. 1636), cumpre não conhecer o recurso (art. 33, Dec. nº 70.235/72).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO Recorrente ITAMAR COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTERPOSIÇÃO APÓS O PRAZO LEGAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO Verificado que o recurso voluntário foi interposto no 31º dia após a intimação do Acórdão da DRJ (a recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011, fl. 1635, via Postal. Interpôs o recurso em 04/08/2011, fl. 1636), cumpre não conhecer o recurso (art. 33, Dec. nº 70.235/72). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por ser intempestivo, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 00 84 /2 01 1- 23 Fl. 1740DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 03042.948 de 9 de maio de 2011, da 2ª Turma da DRJ de Brasília DF que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação da recorrente, conforme a seguir exposto. Verificase que, a autuação referese ao período de 01/02/2007 a 31/03/2010. A Recorrente explora suas atividades, por intermédio de três filiais, em Samambaia, Santa Maria e Recanto da Emas, todas no Distrito Federal. Apresentou DIPJ zeradas, em 2007 (lucro presumido) e 2008 (lucro real). Apresentou DCTF, somente em 01/2009, 02/2009, 04/2009, 05/2009, 08/2009 e 03/2010. Débito algum foi informado nessas declarações. A recorrente não informou em suas declarações tributo algum, a pagar. No entanto, movimentou, a débito de suas contas bancárias, R$ 10.416.274,80 no anobase 2007, R$ 255.327.205,98 no anobase 2008 e R$ 131.699.557,68 no anobase 2009, conforme informação extraída das bases de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, fundamentada nas declarações DCPMF (ano 2007) e DIMOF (anos 2008 c 2009) fornecidas pelas instituições financeiras. Não apresentou todos os extratos bancários requisitados, mesmo sendo intimada e reintimada. Formalizouse Requisição de Movimentação Financeira (RMF) art. 33. Lei nº 9.430/96; inc. VII do art. 3º do Dec. nº 3.724/2001. De posse dos extratos, a Fiscalização intimou a Recorrente a comprovar a origem dos depósitos e créditos verificados em conta. Respondeu que, "todos os valores são importâncias creditadas em conta corrente bancária decorrente das vendas com cartões de crédito/débito, depósitos de cheques recebidos de clientes e antecipação de valores de cartões de crédito/débito, todos decorrentes das atividades de venda de mercadorias no varejo que a empresa fiscalizada exerce em conformidade com seus objetivos sociais." Em 31/08/2010, emitiuse o Termo de Intimação Fiscal n° 07, reiterando os Livros Diário e Razão e os respectivos arquivos magnéticos da contabilidade. Nesta mesma intimação, foi também requerido que a recorrente fornecesse os seus Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais para o período de fevereiro/2007 a março/2010, conforme modelo apresentado no curso de outro procedimento fiscal. Em 27/09/2010, a recorrente apresentou as Demonstrações Financeiras de Vendas Mensais do período de Março/2007 a Março/2010 e requereu dilação de prazo de 30 (trinta) dias para apresentar os arquivos magnéticos referente a seus registros contábeis e os Livros Diário e Razão do período de 07/2007 a 03/2010. Considerando a data de início da fiscalização, quando a recorrente foi intimada a apresentar estes elementos, decorreram mais de 6 (seis) meses de prazo e foram emitidos 7 (sete) Termos de Intimação Fiscal solicitando os referidos elementos, motivo pelo qual a dilação de prazo não foi concedida. No entanto, pelo fato de que a fiscalização ainda estivesse em curso, a fiscalização recebeu documentos da recorrente em duas oportunidades posteriores: Fl. 1741DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 4 3 a) em 05/10/2010, a recorrente juntou cópias impressas dos Livros Eletrônicos de Apuração do ICMS referentes ao período fiscalizado; b) em 30/11/2010, a recorrente apresentou arquivos magnéticos referentes às Notas Fiscais emitidas no ano base de 2007, apesar de informar no relatório de entrega que tratavamse dos arquivos contábeis. Durante o curso da fiscalização, as informações contábeis apresentadas pela recorrente limitaramse aos Livros Diário (papel) e Razão (meio magnético), ambos referentes ao primeiro Semestre de 2007. Da Sujeição Passiva Tributária Concluiuse que, a empresa Itatico Comércio de Alimentos Ltda. possui interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal; nesse caso, as receitas auferidas pela venda de mercadorias realizadas pela Itamar Comercial de Alimentos Ltda. Nesse sentido, atribuise Responsabilidade Passiva Solidária à empresa Itatico Comércio de Alimentos Ltda., CNPJ 37.136.959/000169, referente ao total do crédito tributário apurado no Auto de Infração, lavrandose Termo de Sujeição Passiva Solidária, assinado pelo representante legal da empresa, Sr. Abelardo de Lima Ferreira, CPF 789.577.88620, também representante legal da Recorrente, Itamar Comercial de Alimentos Ltda. Irregularidades (Infrações Apuradas) Lucro Presumido Receitas da Atividade Conforme consta na DIPJ 2008, a empresa optou pelo lucro presumido durante o anobase 2007. No entanto, somente apresentou o Livro Diário e Razão do primeiro semestre de 2007. Dessa forma, como não houve a tributação das receitas de vendas de mercadorias escrituradas no primeiro semestre de 2007, houve o lançamento de créditos tributários referentes às receitas da atividade lançadas na conta n. 4.1.1.01.000018 (venda de mercadorias), conforme valores abaixo retirados do livro Razão da empresa. A Itamar Comercial de Alimentos Ltda. começou suas atividades em Março de 2007. Data Descrição da Conta Valor (R$) Março/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 2.169.762,78 Abril/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.454.759,83 Maio/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.431.818,53 Junho/07 Venda de Mercadorias (4.1.1.01.000018) 3.582.992,74 Aplicouse sobre a receita bruta a alíquota de 8% para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ, conforme dispõe o art. 518 do Decreto n° 3.000/99 (RIR). Fl. 1742DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 5 4 Lucro Arbitrado Receita Operacional Revenda de Mercadorias Registrouse que, a Recorrente está obrigada a efetuar a escrituração do Livro Caixa ou dos Livros Diário e Razão, respectivamente, obedecendo aos critérios próprios de cada um dos dois regimes (Lucro Presumido ou Lucro Real). Tanto por intermédio do Termo de Início de Fiscalização quanto dos outros que a ele se seguiram, a empresa foi intimada a apresentar os seus livros contábeis e fiscais (Diário, Razão e Lalur) relativos ao período de fevereiro/2007 a março/2010. Computado o tempo passado desde da ciência do Termo de Início de Fiscalização, verificase que o sujeito passivo dispôs de mais de dez meses para providenciar a apresentação de todos os livros solicitados. Até o encerramento da fiscalização, contudo, só foram apresentados os livros referentes ao primeiro semestre de 2007, conforme já relatado anteriormente. Pelo fato de não ter apresentado à autoridade tributária os livros e documentos de sua escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, a Recorrente se sujeitou ao arbitramento do lucro, conforme preceitua o inciso III do artigo 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Dessa maneira, para se apurar a base de cálculo do imposto no período de Julho/2007 a março/2010, foi efetuado o arbitramento do lucro com base na receita bruta conhecida, ou seja, no valor do faturamento líquido mensal especificado nos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, os quais foram disponibilizados pela própria Recorrente. O percentual aplicado sobre a receita bruta para se determinar o lucro arbitrado foi o de 9,6%, de acordo com os artigos 15 e 16 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, visto que o objeto social da empresa, constante de seus atos constitutivos, é o de "Comércio Varejista de Mercadorias em Geral, com predominância de gêneros alimentícios (Supermercado) CNAE 47.11302". Das Multas de Ofício Sobre os tributos lançados de ofício aplicouse multa qualificada de 150%, com base no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, por ter se concluído que teria havido sonegação, como definido no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, tendo em vista a conduta reiterada da contribuinte em omitir, em suas DIPJs relativas aos anosbase 2007 e 2008, as receitas auferidas durante esse período. Também deixou de apresentar diversas DCTFs, sendo que naquelas apresentadas não houve a declaração de nenhum débito. Considerouse que os representantes da Recorrente tiveram por objetivo, entre outros, impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do falo gerador da obrigação tributária principal, sua natureza e circunstâncias materiais (auferimento de receitas). Do Acórdão Recorrido Fl. 1743DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 6 5 À vista do Termo de Verificação Fiscal e da Impugnação apresentada pela Recorrente, a DRJ manteve os valores autuados (IRPJ: R$21.045.690,03; CSLL: R$9.630.836,81; PIS: R$5.814.556,19; COFINS: R$26.836.415,84) e consignou o acórdão recorrido, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Mantémse a empresa citada como responsável solidária no pólo passivo da obrigação tributária quando resta comprovada a existência de interesse comum de que trata o art. 124 do CTN, decorrente do liame inequívoco presente nas atividades desempenhadas pelas empresas envolvidas, em virtude de atuação complementar e existência de vinculação gerencial. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. COMPETÊNCIA. Reputase válido o auto de infração quando constatada a inexistência de norma legal dispondo sobre a necessidade de autorização superior para o arbitramento do lucro. AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIOS. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Reputase válido o auto de infração que contém todos os requisitos formais exigidos pela legislação processual, os quais incluem a completa descrição dos fatos, de modo a permitir que o sujeito passivo, na impugnação, exerça o direito ao contraditório e à ampla defesa. PRODUÇÃO DE PROVAS. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de produção de provas adicionais quando estas são desnecessárias à solução do litígio e a solicitação é apresentada em desacordo com o disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72, que dispõe sobre a preclusão do direito de apresentar novas provas após a impugnação. RFFP. ENCAMINHAMENTO AO MP. Processo de representação fiscal para fins penais somente é encaminhado ao Ministério Público depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de ilegalidade ou inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a taxa de juros Selic sobre os valores de tributos devidos e não pagos no vencimento, em conformidade com a legislação vigente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O lucro da pessoa jurídica deve ser arbitrado quando a recorrente, regularmente intimado, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e Fl. 1744DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 7 6 documentos em conformidade com as normas de escrituração comercial e fiscal, sendo válida a utilização das informações constantes dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais para obtenção dos valores da receita bruta conhecida. MULTA QUALIFICADA. CONFISCO. CAPACIDADE CONTRIBUTIVA. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não detêm competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade contra diplomas legais regularmente editados, devendo a autoridade administrativa aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. MULTA QUALIFICADA. DOLO. A prática reiterada de apresentar ao fisco federal declarações inverídicas, que ocultam o efetivo valor da obrigação tributária principal, constitui fato que evidencia sonegação e implica qualificação da multa de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 PIS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo da contribuição, apurada no regime da cumulatividade, é obtida a partir dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, fornecidos pelo própria recorrente. INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à contribuição para o PIS quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010 COFINS. BASE DE CÁLCULO. Reputase válido o lançamento quando a base de cálculo da contribuição, apurada no regime da cumulatividade, é obtida a partir dos Demonstrativos Financeiros de Vendas Mensais, fornecidos pelo própria recorrente. Fl. 1745DF CARF MF Processo nº 10166.720084/201123 Acórdão n.º 1302003.011 S1C3T2 Fl. 8 7 INCONSTITUCIONALIDADE. ART. 3°, §1° DA LEI N° 9.718/98. Reputase correto o lançamento relativo à Cofins quando inexiste qualquer vínculo entre os feitos fiscais e a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo de tal contribuição. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, por resultarem dos mesmos elementos de prova e se referirem à mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011 (fl. 1635), via Postal. Caberia recurso voluntário, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (art. 33, Dec. 70.235/72). Todavia, a recorrente interpôs o recurso somente em 04/08/2011 (fl. 1636), no 31º dia após a intimação. Portanto, intempestivo. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Na forma acima relatada, a recorrente foi intimada do Acórdão recorrido, em 04/07/2011 (fl. 1635), via Postal. Caberia recurso voluntário, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão (art. 33, Dec. 70.235/72). Todavia, a recorrente interpôs o recurso somente em 04/08/2011 (fl. 1636), no 31º dia após a intimação. Portanto, intempestivo. Assim, voto para que o recurso voluntário não seja conhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1746DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.900431/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: COMPENSAÇÃO EXISTÊNCIA
DO CRÉDITO – Embora a contribuinte
não tenha corrigido erro de DIPJ, ficou comprovado o pagamento de CSLL no ano-calendário de 2003 em montante superior ao devido. Dada a liquidez e certeza dessa parcela de crédito, merece ser reconhecida.
Numero da decisão: 1302-000.779
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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Dada a liquidez e certeza dessa parcela de crédito, merece ser reconhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante. “documento assinado digitalmente” MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. “documento assinado digitalmente” LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA Relatora. Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Marcos Rodrigues de Mello(presidente), Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Wilson Fernandes Guimarães, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Daniel Salgueiro da Silva, ausente momentaneamente justificadamente Eduardo de Andrade. Relatório Fl. 134DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.15260.PHW9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Em 20082004, a empresa compensou crédito de CSLL paga a maior, fato gerador 31122003, no montante de R$ 7.682,33. O débito compensado referese a COFINS devida em 092003 no montante principal de R$ 6.364,32 e no montante total de R$ 8.424,44, após acréscimo de juros e multa. A Receita Federal indeferiu o pedido da empresa alegando que inexistia tal crédito de CSLL. Em sua defesa, a empresa informou que no anocalendário de 2003 apurou e pagou estimativas de R$ 12.494,80, menos o valor devido de CSLL de no ano equivalente a R$ 4.812,47, passou a ter o crédito de R$ 7.682,33. Atualizou esse valor até a data da compensação (agosto de 2004) e compensou. Encaminhou a empresa sua DIPJ e planilha de apuração da atualização monetária de seus créditos bem como DARF comprovando os pagamentos da CSLL. Alegou que a Receita jamais discutiu o quanto consta de sua DIPJ. Em sua decisão a autoridade julgadora entendeu que a contribuinte não registrou o saldo negativo que possuía na DIPJ do anocalendário de 2003, às fls. 108112. Foi intimada a confirmar ou retificar a DIPJ e não o fez no prazo da intimação. Por isso, teve seu direito a crédito glosado. Posteriormente, em sua manifestação de inconformidade, às fls. 39, teria corrigido a DIPJ e apresentado o referido saldo negativo, mas a autoridade não acatou tal documento como válido. Intimada a recorrente pediu ao Conselho que acolha sua defesa, informando que, em 2003, a empresa apurou estimativas pagas e saldo negativo de CSLL, comprovado neste processo. A declaração de fls. 39 confere com o protocolo 4103624831, datado de 30/06/2004, às 16:00 horas, e apresenta o saldo negativo pleiteado de CSLL. Nesses termos, a contribuinte pediu deferimento de seu recurso. Às folhas 103 consta o seguinte detalhamento de intimação para corrigir a DIPJ. Às folhas 94 e seguintes constam cópias dos DARF de CSLL do anocalendário de 2003 apontando crédito de CSLL consoante o valor informado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal acima. Mês R$ 1 10,00 2 197,34 3 1.251,06 Fl. 135DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.15260.PHW9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10980.900431/200809 Acórdão n.º 1302000.779 S1C3T2 Fl. 127 3 4 1.654,77 5 1.514,67 6 949,31 7 866,87 8 2.246,60 9 10,00 10 10,00 11 10,00 12 10,00 Total 8.730,62 É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. A contribuinte pediu a compensação de crédito de CSLL a maior em 2003, que inicialmente constou de sua DIPJ original (fls. 34). Depois por qualquer razão a contribuinte alterou a DIPJ e esse valor de crédito deixou de constar. Por outro lado, a despeito da opinião da autoridade fiscal e DRJ, entendo que a mera omissão na retificação desse registro não acarreta a perda do direito de crédito à CSLL que de fato foi paga a maior no anocalendário de 2003. De qualquer maneira, restou comprovado neste processo o saldo de R$ 8.730,62 pago a título de CSLL estimativas no anocalendário de 2003 (fls. 94 e seguintes). Esse montante, deduzido da CSLL devida no mesmo ano de R$ 4.687,43 (fls. 34), resulta no saldo de CSLL a compensar de R$ 4.043,19, database 31122003, em detrimento do montante cuja compensação foi pleiteada pela contribuinte de R$ 7.682,33. O ônus da prova do direito de crédito cabe à contribuinte e deve ser feito conjuntamente com a manifestação de inconformidade. O Conselho tem privilegiado a verdade material e aceitado comprovação ao longo do processo. Por outro lado, neste processo, não há qualquer evidência que corrobore a liquidez e certeza da diferença entre R$ 7.682,33 pedidos pela contribuinte e R$ 4.043,19 ora comprovados. Nessa medida, não concedo o direito ao crédito dessa diferença. Por essa razão, dou parcial provimento à contribuinte para reconhecer o direito de crédito no valor de R$ 4.043,19 (quatro mil, quarenta e três reais e dezenove centavos). É como voto. “documento assinado digitalmente” Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira Relatora Fl. 136DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.15260.PHW9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Fl. 137DF CARF MF Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1018.15260.PHW9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 24/11/2011 12:00:58. Documento autenticado digitalmente por LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 24/11/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCOS RODRIGUES DE MELLO em 29/11/2011 e LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA em 24/11/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1018.15260.PHW9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2C2E62695511B9FBE1EFDCE6CD978DF675FF49CB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10980.900431/2008-09. 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Numero do processo: 10120.728205/2016-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO QUANTO À INOVAÇÃO DA CAUSA DE PEDIR. PRECLUSÃO.
É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo fiscal federal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.
Rejeita-se pedido genérico de diligência, quando voltado a suprir ônus de produção de prova que é da parte.
Numero da decisão: 2202-004.814
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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PRECLUSÃO. É vedado à parte inovar no pedido ou na causa de pedir em sede de julgamento de segundo grau, salvo nas circunstâncias excepcionais referidas nas normas que regem o processo administrativo fiscal federal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Rejeitase pedido genérico de diligência, quando voltado a suprir ônus de produção de prova que é da parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 82 05 /2 01 6- 16 Fl. 336DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronnie Soares Anderson, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio e José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG) DRJ/BHE, que julgou procedente lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo ao exercício 2012 (fls. 68/79), face à apuração de omissão de rendimentos, caracterizados por depósitos de origem não comprovada. A instância de piso assim resumiu, às fls. 245/246, os termos da autuação e da impugnação: Foi apurada omissão de rendimentos tributáveis caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada no valor total de R$ 927.063,26 (novecentos e vinte sete mil, sessenta e três reais e vinte e seis centavos), conforme abaixo consolidados: Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (°/0) 31/01/2011 10.000,00 75,00 28/02/2011 9.000,00 75,00 31/03/2011 283.325,62 75,00 30/04/2011 23.000,00 75,00 31/05/2011 133.000.00 75,00 30/06/2011 56.450,00 75,00 31/07/2011 46.841.75 75,00 31/08/2011 10.000,00 75,00 30/09/2011 35.445,89 75,00 31/10/2011 21.000,00 75,00 30/11/2011 10.000,00 75.00 31/12/2011 289.000,00 75,00 Os depósitos sem comprovação foram identificados e numerados individualmente no Quadro 1, às fls. 78/79, sendo reproduzidos abaixo os valores que compuseram o auto de infração: Número DATA HISTÓRICO VALOR 002 14/01/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 003 08/02/2011 DEPOSITO EM DINHEIRO 9.000.00 004 04/03/2011 DESBLOQUEIO DE DEPOSITO 29.070,00 Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10120.728205/201616 Acórdão n.º 2202004.814 S2C2T2 Fl. 337 3 005 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 54.895,00 006 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 55.472,00 007 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 47.000,00 008 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 47.000,00 009 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 13.000,00 010 22/03/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 1.500.00 013 30/03/2011 CHEQUE DESCONTADO 35.388,62 014 04/04/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 015 11/04/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 3.000,00 016 19/04/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 018 09/05/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 35.000,00 019 09/05/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 9.000,00 020 09/05/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 35.000,00 021 09/05/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 40.000,00 022 18/05/2011 DEPOSITO EM DINHEIRO 3.000,00 023 18/05/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 11.000.00 024 15/06/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 52.950,00 025 15/06/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 3.500,00 028 13/07/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 030 21/07/2011 CHEQUE DESCONTADO 36.841,75 033 22/08/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 038 29/09/2011 CHEQUE DESCONTADO 35.445,89 039 20/10/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 21.000,00 044 18/11/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 10.000,00 045 09/12/2011 Depósito Cheque BB Liquidado 289.000,00 Cientificada do lançamento em 05/12/2016 (fl. 80/81), a contribuinte apresentou em 02/01/2017 (fl. 87), por meio de procurador (instrumento de fl. 22), impugnação de fls. 88/109 acompanhada dos documentos comprobatórios. Alega em síntese com relação a cada um dos depósitos o que se segue: Depósito 2: tratase de saque do cheque 852257 do esposo com depósito parcial do valor. Depósito 3: empréstimo de agiota. Fl. 338DF CARF MF 4 Depósito 4: depósito de outro banco da própria titular que seria comprovado por cópia de email anexa. Depósito 5, 6 e 7: origem da conta do esposo conforme documentos de fls 125/126. Depósito 8: origem no saque do cheque 852551 do esposo BB, Ag 05557, cta 2080X. Depósitos 9 e 10: origens no saque do cheque 852549 do esposo BB, Ag 05557, cta 2080X. Depósito 13: desconto de cheque de terceiros. Depósito 14: empréstimo de agiota. Depósito 15: origem de saque de cheque 852641 do esposo BB, Ag 05557, cta 2080X. Depósito 16: origem de saque de cheque 852662 do esposo BB, Ag 05557, cta 2080X. Depósito 18: origem de saque de cheque 85678 do esposo BB, Ag 05557, cta 2080X. Depósitos 19, 20 e 21: origem da conta do esposo conforme documentos de fls. 160/161. Depósito 22: valor depositado em dinheiro, origem alegada da conta do genro, Fernando Eber. Depósito 23: origem de saque de cheque nº 850355, de Fernando Eber, Cota 131393, ag 0557, BB. Depósitos 24 e 25: empréstimos de agiota. Depósito 28: de saque de cheque 850447 da filha, Lucia Helena, CPF: 464.394.80197 – cta 10.3489, ag 0557, BB. Depósito 30: desconto de cheque de terceiros. Depósito 33: empréstimo de agiota. Depósito 38: desconto de cheque de terceiros. Depósito 39: saque de cheque 850114, da neta Jackeline, CPF: 025.780.781 06, conta 152579, ag 0557, BB. Depósito 44:origem de saque de cheque do esposo depositado em conta da impugnante conforme documento de fl. 198. Depósito 45: empréstimo de agiota. A exigência foi parcialmente mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 244/251), o qual exonerou os depósitos identificados com os nos 5, 6, 7, 19, 20, 21 e 44. Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 06/07/2017 (fls. 259/324), reiterando, em linhas gerais, os argumentos da impugnação, e aduzindo, ainda: Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10120.728205/201616 Acórdão n.º 2202004.814 S2C2T2 Fl. 338 5 a nulidade da autuação, por preterição de direito de defesa em violação aos arts. 12, inciso II c/c o art. 11, inciso II do "Dec Lei nº 7.574/2011" [sic], bem como ao art. 59, inciso II, do "Dec Lei 70235/72" [sic]; que deve ser "observada a disposição da Lei 8023/90, com relação à atividade desenvolvida pela contribuinte e sua tributação"; caber a aplicação no caso das Súmulas CARF nº 25, 32 e 61; ser possível fazer encontro de contas entre a conta examinada e a de titularidade conjunta da autuada e seu cônjuge, de nº 2080 X; que deve ser realizada diligência com vistas a confirmar a situação relativa aos agiotas. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, porém, deve ser conhecido apenas parcialmente. De plano, deve ser destacado que a peça recursal foi escrita com evidente atecnia, em dimensão tal que dificulta o discernimento das razões de irresignação. Sem embargo, o cotejo entre a impugnação (fls. 88/109) e o recurso voluntário (fls. 259/288) revela que a contribuinte não formulou, naquela primeira oportunidade, qualquer alusão à nulidade em virtude de pretensa violação aos arts. 11, inciso II c/c o art. 11, inciso II do Decreto nº 7.574/11, bem como ao art. 59, inciso II, do "Dec Lei 70235/72" [sic]. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Nesse sentido, vide os Acórdãos de nos 2402005.971 (j. 12/09/2017), 3802 004.118 (j. 25/02/2015), 1802001.150 (j. 15/03/2012), 3401002.142 (j. 26/02/2013), 3201 001794 (j. 15/10/2014), 2202003.577 (j. 21/09/2016), e 1803000.777 (j. 27/01/2011). Cumpre, destarte, não conhecer da alegação de nulidade, pois de acordo com a sistemática processual vigente, é vedado ao recorrente inovar no pedido e nas razões recursais, haja vista ter ocorrido preclusão consumativa. Quanto à questão de fundo, cabe referir que a contribuinte traz, no intróito de seu recurso, explicações genéricas sobre sua situação, a saber, sinteticamente, que ela e seu Fl. 340DF CARF MF 6 esposo realizavam atividade rural, e passavam por dificuldades financeiras devido a alto endividamento, o que lhes levou a se socorrerem de agiotas e a se utilizarem de contas bancárias de todos os membros da família para lidar com o problema, situação que estaria refletida na movimentação bancária sob foco. Necessário, contudo, lembrar que a autuação teve como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Desde o início da vigência desse preceito, a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Com efeito, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada essa omissão. A lei tem como pressuposto lógico o fato de que o titular de uma corrente bancária tem, ou deve ter, conhecimento das movimentações dos recursos que por ela transitam, por ser de seu precípuo interesse econômico. Nesse contexto, intimado dado contribuinte a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados, devidamente discriminados pela fiscalização, e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, fica caracterizada a omissão de rendimentos. A análise da movimentação financeira deve ser individualizada por operação, oportunizandose ao contribuinte a identificação, caso a caso, da natureza e origem dos respectivos valores, por meio de documentação hábil e idônea, procedimento que foi escorreitamente realizado pela fiscalização no caso em tela. Na espécie, intimada a contribuinte a comprovar a origem dos depósitos da conta de sua exclusiva titularidade nº 14.7699, na agência nº 05576 do Banco do Brasil, conforme termos de fls. 19 e ss, e não apresentando resposta, foi efetuado o correspondente lançamento de ofício. Em sede de impugnação, conforme mais acima relatado, a autuada trouxe uma série de alegações relativas a cada um dos depósitos, devidamente apreciadas pela DRJ/BHE, o que levou à exclusão de determinados lançamentos da base de cálculo da autuação. Registrese que no recurso ora examinado não houve acréscimo algum aos argumentos levantados àquela ocasião com relação a cada um dos lançamentos individualizados, e não se divergindo da análise da instância recorrida, adotamse as razões do julgado de primeiro grau nesse aspecto, passando elas, com a devida vênia, a integrar a presente fundamentação (fl. 250): Os demais depósitos atribuídos ao esposo não foram acompanhados de comprovação dos efetivos depósitos. A documentação apresentada não relaciona de forma taxativa os cheques mencionados com os valores creditados em conta da impugnante. Especificamente sobre o depósito de nº 16, esclareçase que o comprovante de depósito de fl. 156 não identifica o autor do depósito e não se refere à conta 2080X como descrito na impugnação. Com relação ao depósito 4 alega que se trata de depósito de cheque de sua própria titularidade, mas não apresenta prova inequívoca da alegação, como cópia do cheque. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10120.728205/201616 Acórdão n.º 2202004.814 S2C2T2 Fl. 339 7 Todas as explicações dadas, respaldadas por documentos hábeis, foram consideradas para fins de apuração do montante a tributar. Entretanto, no tocante aos valores lançados, a interessada, não logrou comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem dos demais valores apontados pela fiscalização. Os alegados empréstimos tomados com agiotas (depósitos 3, 14, 24, 25 33 e 45) carecem de elementos probatórios, posto que nenhum contrato ou elemento similar foi apresentado. Acerca dos cheques descontados (depósitos 13, 30 e 38), supostamente obtidos por favores de terceiros, não há prova de tais alegações. Também os valores em tese transferidos entre parentes, filha, genro e neta (depósitos 22, 23, 28 e 39), não possuem nenhuma justificativa econômica ou fundamento jurídico a afastar a tributação. Não consta na declaração de imposto de renda nenhum empréstimo ou doação e nenhum contrato neste sentido foi apresentado. As informações prestadas em relação aos terceiros provam a declaração dos fatos aqui invocados, mas não os fatos em si, pois a presunção da veracidade, como estatui o art. 219 do Código Civil Brasileiro, operase em relação às pessoas envolvidas, mas não alcança terceiros. Noutro giro, convém atentar que foi possível identificar constar na impugnação (fl. 89) a seguinte menção à questão da Lei nº 8.023/90, que trata da tributação do resultado da atividade rural: "Atividade da Contribuinte: Produtora rural (pecuarista e extrativista vegetal), única atividade da mesma, desde sua entrada na atividade econômica, bem como de seu esposo Lourival (CPF nº 011.585.62187), assim, caso algum valor seja do entendimento dessa DRJ como base tributária, que seja observada a disposição da Lei 8023/90". Em que pese não tenha havido enfrentamento específico desse ponto pela DRJ, não se vislumbra daí mácula que afete tal decisão, pois toda a argumentação a respeito do tema então vertida, e repisada em sede de recurso voluntário, está contida no trecho supra reproduzido. Não há como prosperar tal intento, pois, conforme já mencionado, a conta corrente investigada é de titularidade exclusiva da recorrente, não havendo vestígio sequer de prova de que algum dos créditos lançados, e sujeitos à comprovação, tenham origem em rendimentos decorrente da atividade rural, da qual ela alegadamente tomava parte. Por outra via, a recorrente pugna seja realizado "encontro de contas" entre as movimentações da conta conjunta de nº 2080X, que mantinha com o cônjuge Lourival, e sua conta individual nº 147699, de sua titularidade e objeto do procedimento fiscal questionado. Ainda que se trate de renovação de pretensas justificativas já trazidas para determinados lançamentos já analisados individualmente, é de ser salientado que a decisão guerreada já reconheceu, nos casos em que foi possível estabelecer um liame concreto, a origem dos depósitos e expurgouos da relação de créditos de origem não comprovada. Por oportuno, reproduzase o trecho relevante do acórdão (fl. 249): Os depósitos realizados pelo esposo, desde que devidamente comprovados devem ser reduzidos do cômputo. A um por se tratar de entidade familiar, a outra pelo fato de os contribuintes apresentarem declaração em conjunto. Todavia, não Fl. 342DF CARF MF 8 basta a simples menção da numeração de cheques, sem a comprovação de que os mesmos tenham sido compensados na conta da contribuinte ou ao menos que parte dos recursos dali oriundos tenham efetivamente sido depositados na conta desta. Neste sentido, os documentos de fls. 125/126 fazem prova dos depósitos de nº 5, 6 e 7, respectivamente nos valores de R$ 54.895,00, R$ 55.472,00 e R$ 47.000,00. Por sua vez os documentos de fls. 160/161 fazem prova dos depósitos de nº 19, 20 e 21 respectivamente nos valores de R$ 9.000,00, R$ 35.000,00 e R$ 40.000,00. O documento de fl. 198 comprova o depósito de nº 44, no valor de R$ 10.000,00. Sendo a conta de nº 2080X conjunta do esposo com a contribuinte, destaquese que todas estas transferências ocorreram entre contas de mesma titularidade, portanto, não devem ser considerados estes valores. (...) Cabe explicar, de qualquer modo, que tal encontro de contas só pode ser feito, ao contrário do que parece pretender o arrazoado recursal, caso haja correspondência senão total, ao menos aproximada entre as movimentações das contas envolvidas. Ou seja, a saída de valor de uma conta tem de estar vinculada à entrada dessa mesma quantia em outra conta, na mesma data, ou ainda, de acordo com a defasagem temporal inerente ao processamento da informação bancária. Entretanto, o pleito ventilado não guarda relação, em absoluto, com situação do gênero. Requer a contribuinte que certos créditos constantes na conta em foco sejam tidos por justificados face a movimentações distintas, tanto em data como em valor, realizadas na conta conjunta mantida com o cônjuge ver nesse sentido, as postulações vertidas nesse sentido no corpo da conclusão do recurso, à fl. 287 o que não é possível admitirse. Já o intento de aplicar ao caso concreto às Súmulas CARF nos 25, 32 e 61 é de todo descabido, revelando a precariedade das razões recursais. A Súmula CARF nº 251 trata de qualificação da multa de ofício, enquanto que no caso em apreço não foi imputado tal gravame, conforme se atesta da leitura do Demonstrativo de Apuração que integra o auto de infração (fl.70). A Súmula CARF nº 32 tem a seguinte redação: "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". Sua aplicação requer provas hábeis e idôneas de que o titular de fato da movimentação é outrem, o que não se verifica no particular. Não há evidências palpáveis que os depósitos sujeitos à comprovação, tirante os já acatados na primeira instância, tenham sido realizados ou mesmo tenham origem nos rendimentos do cônjuge, apenas conjeturas e narrativas que, dotadas de maior ou menor grau de verossimilhança, estão desacompanhadas de documentação apta a lhes dar respaldo. Destarte, é de se refutar a aplicação desse enunciado sumular na espécie. Por seu turno, o pedido de consideração da Súmula CARF nº 612 parte do pressuposto de que os depósitos bancários iguais inferiores a R$ 12.000,00 não superam total de R$ 80.000,00, o que só aconteceria se as razões contidas no recurso voluntário fossem providas ao menos em parte, o que não ocorre. Prejudicado, assim, tal pleito. 1 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 70, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 2 Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10120.728205/201616 Acórdão n.º 2202004.814 S2C2T2 Fl. 340 9 Enfim, quanto ao pedido de diligência visando confirmar suas justificativas relativas aos cogitados agiotas, convém lembrar que a produção de provas com vistas a infirmar a autuação é ônus do contribuinte, cabendolhe sustentar a defesa de seu direito com documentação hábil a fundamentar suas razões. As diligências previstas nos arts. 16, inciso IV, e 18 do Decreto nº 70.235/72 não se prestam para a busca de novos elementos de prova em face de alegações genéricas do contribuinte, tanto mais em momento processual já adiantado do contencioso fiscal. Ante o exposto, voto por conhecer em parte do recurso, para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.662133/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL E PROCESSO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa.
Numero da decisão: 1201-002.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura, pelo contribuinte, de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal, implica renúncia à discussão da matéria na via administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 66 21 33 /2 01 2- 10 Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.662133/201210 Acórdão n.º 1201002.528 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Pedido de Restituição eletrônico PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte a fim de compensar pretenso saldo credor de CSLL referente ao 1º trimestre/2007. Por meio do despacho decisório de fls., o pedido foi indeferido, sob a alegação de que o DARF informado como origem do crédito já teria sido integralmente utilizado para quitar outro débito declarado. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade. Alega, em síntese: (i) que o crédito é legítimo, uma vez que, por exercer atividade consistente na prestação de serviço hospitalar, faria jus ao direito de aplicação do percentual de presunção do lucro de 12% para CSLL, e não de 32%, como equivocadamente considerou nas suas apurações; e (ii) que retificou as declarações (DIPJ e DCTF), ainda que em momento posterior ao despacho decisório. A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por entender que o contribuinte não faria jus ao enquadramento do percentual de presunção de 12%. Cientificada da decisão de piso, a empresa interpôs recurso voluntário por meio do qual reitera as razões de defesa, bem como alega que possui decisão judicial que reconheceu o direito de aplicar o percentual de 12%, e não 32%. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.662133/201210 Acórdão n.º 1201002.528 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.511, de 21/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.662116/2012 74, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.511): Conforme visto no tópico do relatório, o presente litígio diz respeito ao enquadramento ou não do objeto social da Recorrente no conceito de serviços hospitalares. Assim, caso seja verificado que a empresa presta serviço hospitalar, cabível o reconhecimento do direito creditório. Caso contrário, ou seja, uma vez verificado que a atividade desenvolvida é outra, correto o indeferimento do pedido de restituição. Nesse contexto, e por mais esforços que a autoridade fiscal responsável pelo lançamento e a decisão da DRJ tenham empreendido no sentido de afastar o enquadramento da atividade da empresa enquanto serviço hospitalar, o fato é que a Recorrente ajuizou ação judicial que tem por objeto justamente o reconhecimento do direito de se valer do referido percentual de 8% às suas atividades. De fato, o contribuinte possui sentença que deu provimento à ação judicial por ele ajuizada e, inclusive, já transitou em julgado o reconhecimento do direito de se valer do percentual de 8% para fins de lucro presumido. Abaixo copio o quadro do movimento do processo disponibilizado eletronicamente e transcrevo o resumo da demanda, respectivamente: PROCESSO 002259987.2013.4.03.6100 MOVIMENTAÇÃO PROCESSUAL Todas as Movimentações Seq Data Descrição 40 23/01/2015 ARQUIVAMENTO DOS AUTOS Receb.Guia: 542/2014 (7a. Vara) Pac.: 610007000412 39 05/12/2014 BAIXA DEFINITIVA ARQUIVO conf. Guia n.542/2014 (7a. Vara) Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.662133/201210 Acórdão n.º 1201002.528 S1C2T1 Fl. 5 4 38 28/11/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: DESPACHO DE FLS. 91 37 30/10/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE DESPACHO/DECISAO ,PAG. 39/41 36 08/10/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE DESPACHO/DECISAO 35 08/10/2014 RECEBIMENTO DO JUIZ C/ DESPACHO/DECISAO 34 06/10/2014 AUTOS COM (CONCLUSAO) JUIZ PARA DESPACHO/DECISAO 33 06/10/2014 TRANSITO EM JULGADO Data do Último Prazo: 23/09/2014 Complemento Livre: PARA PARTES 32 27/08/2014 RECEBIMENTO DA FAZENDA NACIONAL 31 27/08/2014 RECEBIMENTO NA SECRETARIA 30 18/08/2014 REMESSA EXTERNA PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL VISTA 29 12/08/2014 DECURSO DE PRAZO Nome da Parte: AUTORA Complemento Livre: 28 16/07/2014 DISPONIBILIZACAO D. ELETRONICO DE SENTENCA ,PAG. 35/55 27 02/07/2014 REMESSA PARA PUBLICACAO DE SENTENCA Tratase de ação ordinária, com pedido de tutela antecipada, em que postula a autora a inexigibilidade do percentual de presunção de 32% na aplicação do Imposto de Renda sobre a Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido pelo regime de apuração do lucro presumido às atividades hospitalares, reconhecendose como corretos os percentuais de 8% e 12%, respectivamente.Alega que, por se tratar de pessoa jurídica prestadora de serviços médicos de pronto socorro junto ao Hospital São Luiz Unidade Itaim, atendendo em média 7.600 pacientes por mês, tem direito ao recolhimento dos tributos pelas alíquotas menores asseguradas aos prestadores de serviços hospitalares.Sustenta que a Receita Federal vinha reconhecendo às clínicas médicas o enquadramento tributário na qualidade de prestadores de serviços hospitalares, entendimento que foi alterado após a edição do Ato Declaratório Interpretativo 19/2007 e da Instrução Normativa RFB n 791/2007, com as alterações da IN n 1234/2012, que restringiram a possibilidade de enquadramento da grande maioria das clínicas na tributação presumida da renda sob os percentuais minorados.Entende que a Receita Federal não poderia criar um novo conceito de serviços hospitalares dissociado do Direito Privado, o que determina sejam afastados os atos impugnados. Como se nota, a discussão que foi travada no processo judicial direito à aplicação do percentual de 8% para fins de IRPJ no lucro presumido tem o mesmo objeto do que se postula no recurso voluntário ora interposto. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10880.662133/201210 Acórdão n.º 1201002.528 S1C2T1 Fl. 6 5 Nesses casos, cabível a aplicação da Súmula CARF nº 1, que assim dispõe: importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em razão, então, da concomitância apontada, NÃO CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 226DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.957836/2009-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 57 83 6/ 20 09 -1 0 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.957836/200910 Resolução nº 3201001.403 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição e que a Administração tributária tinha o dever de retificar de ofício a DCTF em face do princípio da verdade material. A Delegacia de Julgamento (DRJ) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade por falta de comprovação do direito creditório pleiteado. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a declaração de nulidade da decisão de primeira instância ou sua reforma, bem como a realização de diligência, arguindo cerceamento do direito de defesa, por falta de demonstração por parte do julgador a quo do motivo para declarar a insuficiência dos documentos acostados aos autos (DARF, DIPJ, Balancete e DCTFs), e inobservância do princípio da verdade material. No mérito, requereu o Recorrente, com base nos documentos acostados aos autos, a reforma do despacho decisório em face do recolhimento indevido, justificandose que, por um lapso, não procedera à retificação tempestiva da DCTF. Junto ao recurso, o Recorrente apresentou cópia de parte do Razão Contábil. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.393, de 29/08/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.913528/200982, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.393): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.957836/200910 Resolução nº 3201001.403 S3C2T1 Fl. 4 3 A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Cerceamento do Direito de Defesa e da Inobservância do Princípio da Verdade Material Afastase a preliminar de cerceamento do direito de defesa. A recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A recorrente teve assegurado, inclusive, o direito de juntar documentos, razão contábil, no presente recurso de segunda instância. Nesse sentido, observese jurisprudência do CARF. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3301003.976 do Processo 15586.001130/200788 Data 30/08/2017 CERCEAMENTO DE DEFESA. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. NULIDADE Não há nulidade quando se constata em todas as fases processuais o exercício do direito ao contraditório e de ampla defesa, não caracterizando o cerceamento de defesa. Em referência a argumentos fundados nos princípios constitucionais, aplicase a Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Cabe ainda indeferir o pedido de diligência genérico, sem comprovação de sua necessidade e da impossibilidade da produção da prova pelo contribuinte. Preliminares indeferidas. Mérito A fundamentação do despacho decisório denegatório seria a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. A DCTF originária representou uma confissão de dívida. Assim, quando da manifestação de inconformidade, a documentação apresentada em primeira instância, DARF de pagamento, DIPJ, Balancete e DCTF´s foram considerada insuficientes. Citase trechos do relatório da DRJ: Ressaltese que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, 6. O documento apresentado pelo contribuinte para prestar à autoridade fazendária as informações relativas aos valores devidos dos tributos e contribuições federais, e os respectivos valores de créditos vinculados (pagamento, parcelamento, compensação, etc.), constituindose cm confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, na forma do disposto pelo § 1 0, do art. 5° do Decreto lei n° 2.124, de 8 de março de 1984. (efl. 92) (...) Deste modo, a DIPJ não se configura como documento suficiente a comprovação de erro nas informações prestadas em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, para fins de homologação da compensação efetivada pelo contribuinte. (efl. 92) No mérito, o cerne da lide consiste em verificar se a documentação contábil e/ou fiscal apresentada após o despacho decisório seria prova suficiente para a compensação. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.957836/200910 Resolução nº 3201001.403 S3C2T1 Fl. 5 4 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 3002000.234 do Processo 10880.674831/200954 Data 13/06/2018 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. PROVA INSUFICIENTE QUANDO DESACOMPANHADA DE DOCUMENTAÇÃO PROBATÓRIA. A retificação da DCTF após despacho decisório que nega a homologação da compensação não impede o reconhecimento do direito ao crédito desde que acompanhada de documentação contábil e/ou fiscal que comprove o erro cometido no preenchimento da declaração original. Em sendo apresentada isoladamente, não constitui prova suficiente. A retificação da DCTF, depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original. Tal entendimento está fundamentado no § 1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Existe jurisprudência do CARF sobre o assunto. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Na retificação, a DCTF sofreu alteração para menor, cabendo a interessada comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que compete a mesma trazer aos autos. Agora, em segunda instância, a recorrente junta aos autos o razão contábil provisão COFINS a recolher em 31/07/2004, onde demonstra de janeiro a dezembro de 2004 a provisão de recolhimento da COFINS. De fato, verificase que o valor a recolher, relativo a COFINS, em julho de 2004, seria de R$29.775,70 e não de R$42.341,83 (doc. 09 do recurso efls. 182/183). A escrituração do razão contábil em conjunto com o balancete são documentos contábeis/fiscais oficiais que fazem prova de verdade. Os documentos deixam claro a existência de saldo creditório e são suficientes para garantir o direito. A recorrente também alega que efetuou a retificação na DCTF original. Demonstrada a composição da base de cálculo da contribuição por meio de documentos contábeis/fiscais resta demonstrado o valor devido do tributo e, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.957836/200910 Resolução nº 3201001.403 S3C2T1 Fl. 6 5 consequentemente, o indébito decorrente do recolhimento em valor maior que o devido. Finalmente, cabe repetir que o artigo 151, III do Código Tributário Nacional determina que as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo suspendem a exigibilidade do crédito. Somente com o encerramento da fase administrativa é que se pode, se for o caso, inscrever o crédito cm dívida ativa, efetuar a cobrança judicial e incluir o contribuinte no Cadastro Informativo de Débitos não quitados de Órgãos e Entidades Federais — CADIN. Em vista da apresentação de documentos adicionais, dentro do princípio da verdade material, que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em diligência, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, o razão contábil. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifeste sobre a prova carreada aos autos em sede de recurso voluntário, a saber, o Razão Contábil. Após, deve o Recorrente ser instado a se manifestar, se assim o desejar, com o retorno do processo ao CARF para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.949434/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.
No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE.
O valor do ressarcimento limita-se ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não configura vício de nulidade da decisão de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos em que a autoridade julgadora, fundamentadamente, demonstra que a produção da prova pericial e realização da diligência eram desnecessárias e prescindíveis para o deslinde da controvérsia. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, em que formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório, o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 94 34 /2 00 8- 61 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 3 2 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DE IPI. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DE PERÍODO SUBSEQUENTE. O valor do ressarcimento limitase ao menor saldo credor apurado entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior ao da protocolização do pedido. Sendo o saldo credor do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos de trimestres subsequentes, o menor saldo credor é nulo e inexiste, portanto, direito creditório a ser reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata o presente processo de análise de PER/DCOMP apresentado pela interessada, através da qual requer o ressarcimento de crédito de IPI. A autoridade administrativa prolatou Despacho Decisório eletrônico, por meio do qual indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado no PER/DCOMP, com a seguinte fundamentação: Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. O sujeito passivo apresentou Manifestação de Inconformidade, requerendo a reforma da decisão, pelas seguintes razões, em síntese: · Preliminarmente, a nulidade do despacho decisório por ter sido emitido por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e não pela autoridade competente prevista no art. 43 da IN SRF no 600/2005; · nulidade do despacho decisório pela falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 4 3 · nulidade do despacho decisório pela inexistência de motivação demonstrando as razões do indeferimento do pedido, resultando em cerceamento do direito de defesa. · No mérito, alega possuir o direito ao ressarcimento; · requer a correção do ressarcimento pela SELIC; · requer a realização de perícia e diligência, informando que não juntou os documentos comprobatórios do direito creditório por serem em grande quantidade. Por meio do acórdão nº 14035.086,a DRJ em Ribeirão Preto não acolheu as razões de defesa da manifestante, e manteve o Despacho Decisório da DERAT/SP. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando as alegações de sua manifestação de inconformidade, em síntese: (i) preliminarmente, a nulidade da decisão recorrida pelo indeferimento do pedido de perícia e diligência e pela falta de apreciação de relevante questão; (ii) incompetência do AFRFB; (iii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; (iv) inexistência de motivação; (v) cerceamento do direito de defesa. No mérito, alega (vi) o seu direito ao ressarcimento; e (vii) a correção pela SELIC. Requer (viii) a realização de diligência e perícia. Requer o acolhimento e provimento do recurso, para reconhecimento do direito creditório pleiteado; subsidiariamente, requer o cancelamento do Despacho Decisório e a emissão de nova decisão; cancelamento do Acórdão recorrido por ter negado seu direito à realização de perícia e diligência; e reconhecimento da incidência da Taxa SELIC sobre o valor dos créditos do IPI pleiteados, bem como a homologação das compensações realizadas até o montante do crédito cujo ressarcimento for reconhecido administrativamente. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.440 de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.933860/200963, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.440): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Em sede de preliminar a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do Despacho Decisório. Preliminar de nulidade da decisão recorrida A recorrente alega nulidade do acórdão recorrido por cerceamento do direito de defesa, baseada em dois argumentos: (i) indeferimento dos pedidos de perícia e diligência formulados; e (ii) não apreciação de parte dos argumentos de defesa. Referente ao primeiro argumento, a recorrente alegou que a negativa de seu pedido de perícia e diligência formulado na impugnação cerceou seu direito de defesa, especialmente pela quantidade de documentos envolvidos que inviabilizou a anexação dos mesmos nos autos. Alega que tais documentos dariam suporte documental para o reconhecimento de seu direito creditório. A turma julgadora a quo entendeu que não se encontrava presente as condições para o deferimento dos pedidos de diligência e produção pericial formulados, com fundamento nos artigos 18 e 28 do Decreto 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar será também julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93) Perfeitamente fundamentada a decisão, não há que se considerar qualquer nulidade na decisão. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 6 5 O julgador a quo entendeu que seria desnecessária a perícia solicitada pela impugnante, por entendêla dispensável para o deslinde do julgamento. Recordese que a realização de perícia somente se justifica se a análise do acervo probatório exige conhecimento técnico especializado. E essa condição, inequivocamente, não se vislumbra no caso em tela, uma vez que as provas necessárias à comprovação do direito creditório pleiteado cingemse a documentos fiscais e contábeis, cuja análise prescinde do parecer de especialista. Quanto ao segundo argumento, de nulidade da decisão pela falta de apreciação de questões levantadas na Manifestação de Inconformidade (item II.1.1 A Incompetência do AFRFB e item II.1.3 A Inexistente Motivação), também não assiste razão à recorrente. Consta expressamente do voto condutor do acórdão recorrido, no subtítulo “preliminares” a expressa manifestação da turma julgadora sobre a autoridade competente para a assinatura do Despacho Decisório e sobre a motivação para a glosa do crédito, conforme constatase pela simples leitura dos seguintes excertos da decisão: “A manifestante requer a nulidade do despacho decisório que indeferiu totalmente o pedido, alegando cerceamento do direito de defesa, pois não haveria a motivação para a glosa dos créditos. Improcedente a alegação da contribuinte, pois não houve ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária. [...] Também não procede a alegação de que o Despacho Decisório é nulo porque não foi assinado por autoridade competente. Como se verifica à fl. 40, o Despacho foi assinado pelo titular da DERAT/São Paulo. O que confundiu a manifestante é que os cargos de Delegado são ocupados por auditores da Receita Federal. Assim, além de auditor, o signatário do Despacho é também o titular da DERAT.” Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade da decisão recorrida. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A recorrente alega nulidade do Despacho Decisório com base em dois argumentos: (i) incompetência do AFRFB; (ii) falta da intimação para a recorrente se manifestar sobre o fim da instrução; e (iii) inexistência de motivação e cerceamento do direito de defesa. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 7 6 Quanto ao primeiro argumento, de incompetência do AFRFB, a recorrente demonstra seu total desconhecimento da estrutura funcional da Secretaria da Receita Federal do Brasil, visto que a autoridade administrativa titular da unidade (DERAT/SP) é um AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, e, por isso, consta tal cargo no Despacho Decisório emitido pela unidade. Ou seja, o documento foi assinado pela autoridade competente (Delegado da DERAT), cujo cargo era AFRFB. A recorrente alega também a nulidade pela falta de intimação para sua manifestação sobre o fim da instrução, fato que teria descumprida uma formalidade essencial prevista no artigo 44 da Lei n° 9.784/99, verbis: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente, visto que a norma específica que rege o Processo Administrativo Fiscal é o Decreto 70.235/72, aplicandose apenas subsidiariamente as regras da Lei n° 9.784/99. No caso em questão, inexiste tal determinação no PAF, que dispõe sobre a intimação em seu artigo 23, e sobre o prazo para a impugnação em seu artigo 15. Quanto à alegação de nulidade do Despacho Decisório pela inexistência de motivação, a decisão a quo já destacou sua total improcedência, e nenhuma outra razão foi trazida à lide. Expressamente o Despacho Decisório informa o fundamento da negativa do direito creditório pleiteado: “Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP”. Também foi trazido aos autos pela autoridade fiscal o "Demonstrativo da apuração após o período do ressarcimento", detalhando como ocorreu a utilização do saldo credor do trimestre no abatimento de débitos em períodos subsequentes. Dessa forma, nenhum vício de motivação ou mesmo qualquer cerceamento de direito de defesa pode ser imputado ao Despacho Decisório, que trouxe as informações necessárias para o pleno conhecimento das razões do fisco no indeferimento do pleito. Portanto, rejeitase as preliminares de nulidade do Despacho Decisório. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 8 7 Mérito No mérito, a recorrente alega seu direito ao ressarcimento do crédito do IPI pleiteado no Pedido de Ressarcimento e a devida correção pela SELIC. Entretanto, não apresenta nenhuma prova de seu direito. Conforme já exposto, a glosa ocorreu pela constatação de utilização integral saldo credor passível de ressarcimento entre o encerramento do trimestre e o período de apuração anterior à data de transmissão da PER/DCOMP, conforme demonstrativo de apuração emitido juntamente com o Despacho Decisório. Transcrevo excerto do voto condutor do acórdão recorrido, que traz a apreciação do julgador acerca da questão, fundamentos que adoto no presente voto: “A verificação eletrônica da legitimidade do valor pleiteado pelo contribuinte consiste no cálculo do saldo credor de IPI passível de ressarcimento apurado ao fim do trimestre calendário a que se refere o pedido. Outra verificação consiste em analisar se esse saldo se mantem na escrita até o período imediatamente anterior ao da transmissão do PER/DCOMP. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor existente no final do trimestre, glosase a diferença encontrada. O fundamento para tal procedimento está baseado no sistema de apuração e utilização dos créditos do imposto, em conformidade com o artigo 195, do RIPI/2002: Art. 195. Os créditos do imposto escriturados pelos estabelecimentos industriais, ou equiparados a industrial, serão utilizados mediante dedução do imposto devido pelas saídas de produtos dos mesmos estabelecimentos (Constituição, art. 153, §3º, inciso II, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 49). §1º. Quando, do confronto dos débitos e créditos, num período de apuração do imposto, resultar saldo credor, será este transferido para o período seguinte, observado o disposto no §2º. (Lei n°5.172, de 1996, art. 49, parágrafo único, e Lei n°9779, de 1999, art. 11). §2º. O saldo credor de que trata o §1º, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 9 8 MP, PI e ME, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero ou imunes, que o contribuinte não puder deduzir do imposto devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 207 a 209, observadas as normas expedidas pela SRF (Lei n2 9.779, de 1999, art. 11). Certo é que o saldo credor de IPI apurado em um determinado trimestre e utilizado para abatimento de débitos de trimestres posteriores exaurese e, por conseguinte, não pode ser ressarcido. Caso contrário, a contribuinte deveria recolher aqueles débitos que foram compensados com referidos créditos. Conforme se verifica no "DEMONSTRATIVO DA APURAÇÃO APÓS O PERÍODO DO RESSARCIMENTO" (fls. 09/10), a totalidade do saldo credor existente no final do trimestre em referência, e que foi objeto do presente PER/DCOMP, foi consumido no abatimento de débitos e não poderia ser incluído no pedido de ressarcimento, estando corretos a glosa e o indeferimento realizados pela delegacia de origem.” Não foi trazido aos autos nenhum elemento que poderia modificar a decisão, que permanece válida em todos os seus fundamentos. Quanto ao direito à correção dos créditos pela SELIC, nada há que ser decidido pela inexistência de qualquer direito creditório passível de ser ressarcido e corrigido. Dessa forma, rejeitase as alegações da recorrente, também no mérito. Por fim, rejeitase também os pedidos de perícia e diligência apresentados na peça recursal, cujas razões foram as mesmas suscitadas na fase processual anterior e já rechaçada pela DRJ, sob o fundamento que seria desnecessária e dispensável para o deslinde do julgamento. Destacase o disposto no artigo 29 do PAF, que dispõe que as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias. Entretanto, destacase que a recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.949434/200861 Acórdão n.º 3402005.447 S3C4T2 Fl. 10 9 determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Não procede qualquer alegação que poderia justificar a total ausência de provas por parte daquele que requer o direito, mesmo aquela que aponta a quantidade de documentos envolvidos que inviabilizaria sua anexação aos autos. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Portanto, indeferese os pedidos de diligência e perícia, rejeitase os pedidos de cancelamento do Despacho Decisório e do acórdão recorrido, pelas razões acima expostas Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721593/2016-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
EMENTA:
A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO
PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identifica-se como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deu-se com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratar-se a fase de fiscalização meramente inquisitória.
TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova.
PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, torna-se prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993.
INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indefere-se pedido para ciência em domicílio diverso.
MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 1402-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto Presidente
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves.
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 EMENTA: A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identifica-se como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deu-se com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratar-se a fase de fiscalização meramente inquisitória. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplica-se aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, torna-se prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indefere-se pedido para ciência em domicílio diverso. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 EMENTA: A falta de escrituração da movimentação bancária enseja a exclusão do Simples Nacional, com produção de efeitos a partir do próprio mês em que incorrida a infração. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS. ARBITRAMENTO PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identificase como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. ARBITRAMENTO. APLICABILIDADE. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. ARBITRAMENTO. CONTRADITÓRIO. O arbitramento do lucro deuse com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratarse a fase de fiscalização meramente inquisitória. TRIBUTAÇÕES REFLEXAS. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 15 93 /2 01 6- 54 Fl. 2421DF CARF MF 2 PEDIDO DE PERÍCIA. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, tornase prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. INTIMAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indeferese pedido para ciência em domicílio diverso. MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. As condutas não se amoldam à figura prevista no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64, o que não ensejam a aplicação da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I e §1º, da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75%. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto – Presidente (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente, justificadamente, Conselheiro Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por BERNADETE ORSI & CIA LTDA – ME. no qual se insurge em face de decisão da DRJ de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que considerou IMPROCEDENTE a Manifestação de Inconformidade contra o ato de exclusão do Simples Nacional e IMPROCEDENTE a Impugnação contra os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Ante ao minucioso relatório da DRJ adotoo em sua integralidade complementandoo ao final no que necessário: Fl. 2422DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.785 3 O presente processo administrativo fiscal trata de Manifestação de Inconformidade contra a exclusão de ofício da epigrafada do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte Simples Nacional, bem como de Impugnação ao Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), decorrente da exclusão. 2 Tendo em vista que os fatos objetos da exclusão do Simples Nacional são os mesmos da autuação nos Autos de Infração e as razões expendidas na Manifestação de Inconformidade e na Impugnação coincidem em muitos tópicos, passarei a expor as alegações constantes de ambas. 3 A contribuinte foi excluída do Simples Nacional (Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006) por meio do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 116, de 29 de julho de 2016 (fls. 437), emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, com efeitos a partir de 01/01/2010, pelas infrações abaixo transcritas do seu art.1°, incisos I e II: (...) I. Prática reiterada de infração (art. 29, V da Lei Complementar n° 123/2006); II. Falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária (art. 29, VIII da Lei Complementar n° 123/2006). (...) 4 – Em decorrência da constatação das infrações que resultaram na exclusão, o AuditorFiscal procedeu à constituição do crédito tributário do período de 1°/10/2010 a 31/12/2012 mediante Autos de Infração formalizados pelos processos administrativos fiscais n°. 10983.721.593/201654 (período de 10/2010 a 12/2012), 10983.721.939/201614 (período de 10/2010 a 06/2012) e 10983.721.940/201649 (período de 07 a 12/2012). 5 O presente processo (10983.721.593/201654) versa sobre a exclusão do Simples Nacional e sobre o lançamento do crédito tributário recalculado pelo lucro arbitrado sobre as receitas declaradas pelo Simples, conforme valores abaixo do crédito tributário na data da lavratura dos Autos de Infração, já incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%: IRPJ R$ 62.487,24 (fls.901) CSLL R$ 40.932,07 (fls. 944) PIS R$22.605,84 (fls. 924) Fl. 2423DF CARF MF 4 COFINS R$ 111.615,29 (fls. 935) 6 Na representação fiscal (fls.430/433) que redundou no indigitado ato excludente, bem como no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls.863/881) relativo aos Autos de Infração, o AuditorFiscal responsável pelo procedimento ponderava, em essência, como motivação para a exclusão do Simples Nacional e a autuação, a falta de escrituração de operações financeiras realizadas pela contribuinte mediante a utilização de contas bancárias em nome da empresa Pedra Brasil, CNPJ 85.382.760/000163, nos períodos de 2010, 2011 e 2012. 7 – Assim, atribuiu à mesma a cotitularidade das contas bancária em conjunto com a Pedra Brasil e o Auto Posto Batistense, CNPJ 06.151.584/000182. Em síntese, assim relata o agente fiscal (excertos da Representação Fiscal e do TVF) (...) Em procedimento fiscal de diligência, verificouse que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA utilizou, de forma contumaz, no período 20102012, contas bancárias de outra empresa denominada PEDRA BRASIL MINERACAO LTDA – ME, CNPJ 85.382.760/0001 63, para o trânsito de valores e realização de negócios em seu próprio nome e interesse, sendo considerada cotitular das citadas contas bancárias. (...) Tal movimentação financeira não foi escriturada, tampouco, como confirma a empresa, as alegadas operações de empréstimo a outra empresa considerada cotitular das contas bancárias, o AUTO POSTO BATISTENSE, CNPJ 06.151.584/000182. Nesse sentido, a empresa infringiu também o mandamento do art. 26 da Lei Complementar nº 123/2006, especificamente no seu § 2º: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] § 2º As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livrocaixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. (...) Por outro lado, a Lei Complementar também especifica, em seu art. 34, que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional. (...) Fl. 2424DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.786 5 7 – Ato contínuo à exclusão, o AuditorFiscal procedeu ao lançamento com base no lucro arbitrado, pois a contribunte, segundo o mesmo, não apresentou os requisitos legais para tributação pelo lucro presumido ou real. 8 – Especificamente sobre a constatação da cotitularidade das contas bancárias entre a fiscalizada e as empresas Pedra Brasil, e Auto Posto Batistense, assim expôs o AuditorFiscal tanto na Representação Fiscal quanto no Termo de Verificação Fiscal (excertos): 2 DA COTITULARIDADE DE FATO DE CONTAS BANCÁRIAS DE TERCEIROS 15. Anteriormente à abertura deste procedimento de fiscalização, a empresa foi diligenciada em 07/0 6 e 15/06/2016 , por meio dos Termos de Intimação Fiscal 2016¬ 001363/ 1 e 2016001363/2 , respectivamente, a respeito de depósitos bancários realizados em favor da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) e de sua participação nos depósitos efetuados pela empresa CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL nas mesmas contas bancárias. 16. Após pedido de prorrogação, apresentou respostas em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, alegando em suma: • Que devido às dificuldades financeiras do AUTOPOSTO BATISTENSE, foram utilizadas contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), em vista da disponibilidade de crédito. • Que os créditos efetuados pela CREDIVELEIRO, a mando da empresa BERNADETE ORSI LTDA, nas contas da EDSON ORSI ME, referiamse ao pagamento de empréstimos que esta realizou ao AUTOPOSTO BATISTENSE. • Que tais valores provieram de empréstimos de pessoas físicas (cheques) que foram descontados na CREDIVELEIRO e posteriormente devolvidos às pessoas. • Nesse sentido, apresentou documentos consistindo em cópias de cheques de terceiros e borderôs da CREDIVELEIRO, além de depósitos realizados nas contas dos credores, supostamente a título de devolução dos valores. • Que as operações de empréstimo não foram contabilizadas na empresa. 17. Com relação às transações efetuadas junto à CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, constatouse, em diligência junto a essa empresa, que o comando para os depósitos em conta da PEDRA BRASIL (então EDSON ORSI ME) , por parte da empresa BERNADETE ORSI & CIA LTDA, partiu de Ana Claudia Orsi, sócia administradora do AUTO POSTO BATISTENSE, como mostram cópias de email junto à documentação. Fl. 2425DF CARF MF 6 18. A constatação do uso das contas da PEDRA BRASIL, pelas quais a BERNADETE ORSI LTDA fez transitar valores de seu interesse, foi ainda corroborada por diversos elementos adicionais contantes das informações bancárias da PEDRA BRASIL, dos quais a fiscalização retirou amostragem, constando do arquivo não paginável denominado "Documentos Comprobatórios": • Listagem de TED da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para cerâmica BERNADETE ORSI &. CIA LTDA • Cheques nominais da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) destinados ao AUTOPOSTO BATISTENSE, à cerâmica BERNARDETE ORSI e a Edson Orsi, assinados pelo mesmo, que também é sócio administrador da empresa. BERNARDETE ORSI & CIA LTDA contendo inclusive carimbo desta. • Pagamentos realizados para compra de imóvel junto à MEIA PRAIA empreendimentos, em nome de Maria Bernadete Orsi, sócia administradora da empresa BERNARDETE ORSI LTDA. • Endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à BERNADETE ORSI LTDA. • Cheques emitidos em favor de AGRICOPEL DERIVADOS DE PETRÓLEO, vinculados à duplicatas emitidas por BERNARDETE ORSI & CIA LTDA. Vários cheques assinados por Edson Orsi, em favor de fornecedores cuja carcterística se prestam a atender o rmao industrial e particularmente o cerâmico, todos com carimbo da Cerâmica BERNADETE ORSI: FERREIRA TINTAS, FUNDIÇÃO MECÂNICA, METALÚRGICA NANDI (equipamentos para cerâmica), INDUSTRIA SANTA APOLONIA(máquinas para indústria cerâmica), TECNOMAC MECANICA, TECNOCEL, MKRAFT. Pagamentos a empregados, como por exemplo Lucili Stank de Barros.. 19. Portanto, ficou evidente que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA usou das contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para realizar negócios em seu próprio nome e interesse (inclusive de familiares sócios), seja captando, enviando e recebendo recursos de interesse do AUTO POSTO BATISTENSE, mas também para pagamento de fornecedores, sócios e empregados, utilizandose de cheques da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), assinados por Edson Orsi. 20. A propósito, podese comentar a respeito do grau de parentesco entre os sócios administradores das empresas em foco, aspecto facilitador das operações realizadas: O sócio administrador da PEDRA BRASIL e da BERNADETE ORSI E CIA LTDA, Edson Orsi é casado com Maria Bernadete Orsi, sócia administradora desta última empresa. Com relação ao AUTO POSTO BATISTENSE, sua sócia administradora Ana Claudia Orsi Arndt é filha dos citados Fl. 2426DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.787 7 21. Assim, há elementos suficientes que indicam a interposição da PEDRA BRASIL pela BERNADETE ORSI & CIA LTDA e o uso comum, ou seja, a cotitularidade de fato das contas bancárias no período 20102012 : •Banco do Brasil, Agência 5385, Conta 851779 . •ITAU, Agência 7433, Conta 50965 . •Coop. Cred. Nova Trento, Agência 3242, Conta 103896 . (...) 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM 24 . A Lei Complementar n° 123/2006 , em seu art. 34, especifica que aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes do SIMPLES NACIONAL todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídas no sistema. 25 . Nesse sentido, o art. 42 da Lei 9.430/9 6 caracteriza como omissão de receita, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos associados a essas operações. 26 . Tais valores de receitas omitidas são considerados auferidos ou recebidos no mês do crédito efetuado pela instituição financeira, sendo então objeto de verificação fiscal em relação à base de cálculo declarada dos tributos, e submetidos às normas de tributação específicas previstas na legislação de regência. 27 . Considerando a cotitularidade de fato já configurada, cabe trazer o conteúdo dos §§ 5° e 6° do art. 42 da Lei 9430/96 , que explicitam: § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) 28 . Conforme os Termos de Intimação Fiscal 2016001363/ 1 e 2016 001363/2 , assim como o Termo de Início da Fiscalização, a Fl. 2427DF CARF MF 8 BERNADETE ORSI LTDA teve a oportunidade de comprovar a origem dos créditos bancários das contas da PEDRA BRASIL, das quais foi considerada cotitular. 29 . Informouse também à empresa da não consideração, pela fiscalização, de transferências entre contas de mesma titularidade e valores que não constituíram receitas, bem como lhe foi possibilitada a identificação e comprovação de outras eventuais operações da mesma espécie. 30 . Nas transferências de mesma titularidade, a fiscalização buscou identificar e excluir, desde a similitude de históricos, datas e valores, depósitos bancários provenientes da própria BERNADETE ORSI LTDA e do AUTO POSTO BATISTENSE, dada sua cotitularidade. 31 . Com relação às cópias de borderôs da CREDIVELEIRO, cheques de terceiros e de depósitos realizados nas contas dos emprestadores, enviados em resposta à diligência, aparentemente destinados à devolução dos citados empréstimos, o Termo de Início comunicou à empresa que não foram apresentados documentos que comprovassem tal relação, como contratos ou equivalentes. 32 . A resposta da empresa ao Temo de Início teve como base um relatório emitido em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, buscando esclarecer as deficiências apontadas e e u as as ocorrências de depósitos bancários elencadas pela fiscalização. 33 . O relatório apresentado em resposta ao Termo de Início, em conjunto pelas duas empresas, apresenta diversas tabelas, e em suma reconhece o uso das contas bancárias da PEDRA BRASIL, solicita a retirada de transferências de mesma titularidade não detectadas pela fiscalização, assim como de valores depositados em tais contas, provenientes da CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, sob a alegação de que seriam empréstimos, porém não formalizados. 34 . Em uma segunda resposta subsequente, novamente em conjunto, houve a argumentação (em relação ao AUTO POSTO) de que "[...] a diferença entre os valores que faturou e a sua disponibilidade de caixa perfazem exatamente o montante que circulou pelas contas bancárias da PEDRA BRASIL." Repete ainda a solicitação de reconhecimento como empréstimos e requer que depósitos em dinheiro sejam considerados como efetuados pelo próprio AUTO POSTO. 35 . Devese enfatizar que o relacionamento da BERNADETE ORSI LTDA com as contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI) não se limitou ao encaminhamento ao AUTO POSTO BATISTENSE, de valores oriundos de descontos de cheques junto à CREDIVELEIRO. Como se viu no item precedente (da cotitularidade), a fiscalizada utilizou as contas também para receber valores e pagar despesas diversas, notadamente de fornecedores e inclusive de seus sócios. 36 . Em vista das alegações e documentos do relatório conjunto enviado à fiscalização, foram tomadas as seguintes providências: • Os TED emitidos pela BERNADETE ORSI LTDA destinados às contas da PEDRA BBRASIL (EDSON ORSI ME tabela Fl. 2428DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.788 9 "BERNADETE ORSI E CIA CONTA HSBC PARA PEDRA"), devidamente comprovados, face à cotitularidade das contas, foram excluídos da listagem de depósitos bancários. • O valor de 150 mil, relativo a TED recebido como "DEVOLUÇÃO DE VALORES EMPESTADOS PARA COMPRA DE APARTAMENTO", foi excluído pela fiscalização, após confirmação em diligência junto ao depositante. 37 . Por outro lado, a operação informada pela empresa como "Cheques reapresentados" não teve a devida comprovação, assim como a simples identificação de transferências de Maria Bernadete Orsi, Edson Orsi (sócios da BERNADETE ORSI LTDA), Argeu Neto e Ana Claudia (sócios do AUTOPOSTO) mesmo considerando declaração firmada pelos mesmos, não tem o condão de comprovar a origem e motivação de tais depósitos. 38 . Já com relação aos TED/DOC recebidos da CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL (VELEIRO COBRANCAS LTDA CNPJ 07.818.807/000185) , sob o histórico "CRED MERCANT" (TABELA CREDIVELEIRO do relatório resposta TIPF), estes foram analisados à luz da documentação enviada em resposta aos Termos de Intimação Fiscal 2016001363/ 1 e 2016001363/ 2 (diligência) e assim como os enviados no procedimento fiscal junto ao AUTO POSTO BATISTENSE: Cópias adicionais de borderôs, cheques e depósitos relacionados a operações de descontos de cheques junto à CREDIVELEIRO. Termos de Declaração de Maria Bernadete Trainotti Orsi e Edson Orsi, versando sobre sua relação de parentesco com os sócios do AUTO POSTO BATISTENSE e que emprestaram valores à empresa, sem juros, por meio de transferências bancárias. Termos de Declaração assinados por Priscila de Almeida, Grasiela B. Bosio, Fabio Ricardo Teixeira Arndt, Fernanda B. Paulista, Lucili S. de Barros, Luiz Claudio Paulista, Sheila Benvenutti do Nascimento, Jader Elesio Vargas, Valci Goreti Benvenutti do Nascimento, Vera Lucia Benvenutti Eccel, Albertina Souza do Nascimento e José Souza. a) Todas as declarações são idênticas no sentido de que alegam ter emprestado à empresa AUTO POSTO BATISTENSE, por meio de cheques prédatados descontados em empresas de fomento mercantil, sendo os valores devolvidos sem juros antes do vencimento dos cheques. 39 . Por um lado, verificandose os livros contábeis e fiscais entregues pela empresa, confirmouse a não existência de provas de que a movimentação financeira da BERNADETE ORSI LTDA com a PEDRA BRASIL tenha sido escriturada, sequer no âmbito das alegadas operações de empréstimos. Fl. 2429DF CARF MF 10 40 . Assim, considerando que não houve a escrituração das operações de empréstimo em comento, a comprovação documental deve apresentar substancial concordância dos seguintes elementos: • datas e valores, • apresentação de cópias dos cheques depositados (descontados), borderôs, declarações firmadas pelas pessoas físicas emitentes dos cheques e, as • a co rovação oc e tal a evol ção dos valores ara as es as pessoas, constituindose assim na comprovação dos alegados mpréstimos. 41. Novamente frisase que somente estar identificada a origem como sendo de operações de desconto de cheques junto à CREDIVELEIRO não é condição suficiente para comprovar os alegados empréstimos, pois que tais descontos também poderiam ter utilizados cheques originados de outras atividades, inclusive mercantis. 42. Da análise efetuada, estes foram os créditos bancários : excluídos, os quais satisfizeram os quesitos do critério mencionado (...) 43 . Dessa forma, tendo a análise dos créditos bancários da PEDRA BRASIL (à época EDSON ORSI ME/AREIA BRASIL) perpassado as informações bancárias da empresa, as respostas dos diligenciados e dos cotitulares de fato das contas bancárias (AUTO POSTO BATISTENSE e BERNADETE ORSI E CIA LTDA), a fiscalização consolidou a relação de depósitos bancários para os quais não houve a devida comprovação da origem, conforme o anexo ao presente TERMO. 44 . Como bem frisado à fiscalizada, a não comprovação da origem de tais recursos implica na caracterização de omissão de receitas, considerada no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 45 . Por outro lado, obedecendo a legislação, os valores mensais apurados de depósitos não comprovados foram divididos igualmente entre o titular e os cotitulares das contas bancárias, conforme mostra o item 5.2 deste Termo, que trata da apuração dos tributos devidos em dois períodos distintos: 201 0 a junho de 201 2 e julho a dezembro de 2012, em vista da alteração da composição societária da empresa. (...) 48 . Ocorre que, mormente a exclusão do SIMPLES NACIONAL, em consonância com o que determina o art. 32 da LC 123/06 , permita à empresa excluída optar pelo recolhimento dos tributos na forma do lucro presumido, esta sujeitase ainda, a partir do período de início da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Fl. 2430DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.789 11 49 . Conforme se depreende do teor do citado Termo, foi oportunizado à empresa realizar a opção mencionada, porém informandolhe das obrigações em relação aos livros e documentos contábeis e fiscais. Também lhe foi expressamente avisado que tanto a falta de opção de regime de apuração quanto a falta de cumprimento das obrigações acessórias implicaria na adoção da sistemática do Lucro Arbitrado. 50 . Como se vê, não estão presentes na resposta da empresa os elementos obrigatórios em relação à escrituração pelo lucro presumido, em especial o registro de sua total movimentação financeirobancária, acompanhada da necessária documentação suporte. 5 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS DEVIDOS ARBITRAMENTO DO LUCRO 51 . A autoridade tributária poderá arbitrar o lucro da pessoa jurídica, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda (RIR 99) , em seu art. 530, no presente caso atendose ao inciso II: Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n° 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n° 9.430, de 1996, art.1° [...] II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou [...] 52 . De fato, como já comentado anteriormente, a escrituração da fiscalizada não está apta a identificar sua verdadeira movimentação financeirobancária, haja vista ter se utilizado de contas bancárias de terceiros, vale dizer, mantidas à margem de sua contabilidade. 53 . Ficou assim configurada, de forma cabal, a situação prescrita no inciso II do art. 53 0 do RIR, cabendo então à fiscalização a aplicação da sistemática do arbitramento do lucro, nos termos da legislação. 54 . Conforme os art. 532 e 536 do RIR/99, a base de cálculo (o lucro arbitrado) será o montante determinado pela soma do valor resultante da aplicação de percentuais variáveis, conforme o tipo de atividade operacional exercida pela pessoa jurídica, sobre a receita bruta auferida nos respectivos trimestres e, eventuais ganhos de capital, rendimentos e ganhos líquidos decorrentes de receitas não abrangidas por sua atividade. Fl. 2431DF CARF MF 12 55 . Para fins de apuração do Imposto de Renda, o lucro arbitrado dos trimestres dos anoscalendário de 201 0 a 201 2 foi obtido com a aplicação, sobre a totalidade das receitas, declarada e omitida, do percentual de 9,6%, tendo em conta a atividade da empresa, para a qual a legislação determina a presunção de lucro de 8% mais o acréscimo de vinte por cento do arbitramento. 56 . Com relação à CSLL, a base de cálculo trimestral é obtida mediante a aplicação do percentual de 12% sobre o total das receitas. 57 . Na apuração pelo lucro arbitrado, PIS e COFINS passam a ser calculados na modalidade de incidência cumulativa. A base de cálculo é o total das receitas da pessoa jurídica, sem deduções em relação a custos, despesas e encargos. Nesse regime, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS são, respectivamente, de 0,65% e de 3%. 5.1 PROCESSO N° 10983.721593/201601 RECEITA BRUTA CONHECIDA 20102012 58 . Considerando a apuração pela modalidade do lucro arbitrado, a identificação da Receita Bruta Conhecida, nos termos do art. 532 do RIR 99, foi obtida a partir das receitas declaradas ao SIMPLES NACIONAL, nas DASN dos anoscalendário 201 0 e 201 1 e nas PGDAS do ano de 2012. 59 . Sendo assim, efetuouse o cálculo dos tributos devidos, observandose que, obedecendo ao §10 do art. 21 da LC 123/06 , foi realizada a dedução dos valores pagos no SIMPLES NACIONAL, proporcionalmente a cada tributo, conforme a tabela a seguir: (...) 60 . Desse modo, conforme os demonstrativos dos Autos de Infração dos quais faz presente Termo, foram geradas as seguintes infrações: • IRPJ RECEITA BRUTA NA VENDA DE PRODUTOS DE FABRICAÇÃO PRÓPRI • FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS • INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP 61 . Com relação à multa de ofício, foi aplicado o percentual de 75%, conforme o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 , com redação dada pelo art. 14 da Lei 11.488/2007 . 5.2 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA 5.2.1 PROCESSO n° 10983.721939/201614, outubro/2010 a junho/2012 Fl. 2432DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.790 13 62 . De acordo com o exposto no título 3 deste Termo, apurouse os valores mensais de depósitos bancários não comprovados atribuídos à fiscalizada, co siderados como omissão de receitas, sendo que estão abaixo representados aqueles do período de outubro djunho de 2012 . (....) 63. Tais receitas consideradas omitidas vão computar a base de cálculo para a apuraçãor trimestral do IRPJ e da CSLL, com base no lucro arbitrado. 64 . No mesmo sentido, os valores de receitas omitidas também foram considerados como base de cálculo do PIS e da COFINS, pois a apuração dessas contribuições é decorrente dos mesmos fatos motivadores da exigência do IRPJ e da CSLL, que no caso da apuração pelo lucro arbitrado, são calculadas na modalidade de incidência cumulativa. 65 . Desse modo, os valores de impostos e das contribuições apurados estão sendo lançados de ofício, conforme os demonstrativos de apuração e autos de infração específicos, sob as seguintes infrações: (...) 74 – Numa análise objetiva dos fatos aqui apurados frente aos dispositivos legais em comento, verificase que a omissão de receitas detectada pela fiscalização se insere nas definições de sonegação e fraude. (...) 76 . Tal trama foi evidentemente ocultada, afastandose completamente de qualquer alegação de mero erro ou engano, e principalmente apostando na hipótese de uma suposta inércia do Fisco, o que de fato resultou no retardamento do conhecimento da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias realmente devidas. 77 . Também existem sinais evidentes de conluio entre pessoas da mesma família. Houve a caracterização de pessoas, sócios, mandatários, diretores, que mandaram fazer, executaram ou tiveram conhecimento de atos ligados aos ilícitos. (...) 9 A fiscalizada foi cientificada do ADE de exclusão em 05/08/2016 (fls.444) e dos Autos de Infração em 28/09/2016 (fls.970), tendo apresentado manifestação de inconformidade contra a exclusão em 06/09/2016 e impugnação contra os lançamentos em 31/10/2016, com os argumentos que resumimos a seguir em seus principais aspectos. 10 Preliminarmente, requer a decadência da operacionalização da exclusão do Simples Nacional de 2010 a julho/2011, sob o argumento Fl. 2433DF CARF MF 14 de tratarse da hipótese de lançamento por homologação, a qual já teria ocorrido por força do disposto no art. 150 do CTN, “in verbis”, (...) Nesse sentido, tendo a Manifestante encaminhado todas as guias e realizado todos os pagamentos nos moldes do que dispõe a legislação do simples nacional12, operacionalizando o lançamento por homologação e, portanto, o início da contagem da decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário a partir do fato gerador. Assim não pode o fisco determinar que os efeitos da exclusão do Simples Nacional darseão a partir de janeiro de 2010 porquanto decaído o direito de constituir o crédito tributário^^ j (...) 11 Requer ainda preliminarmente a nulidade do ato de exclusão pela ausência de relatório fiscal que aponte os fatos que motivaram a exclusão do Simples Nacional e cerceamento de defesa, conforme suas palavras: (...). V. DA AUSÊNCIA DE RELATÓRIO FISCAL QUE APONTE OS FATOS QUE MOTIVARAM A EXCLUSÃO DA MANIFESTANTE DO SIMPLES NACIONAL AUSÊNCIA DE DESCRIÇÃO DO FATO: VIOLAÇÃO AO ART. 10 , III DO DECRETO N° 70.235/73 NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO CERCEAMENTO DE DEFESA: (...) Ora, como se vê, o Termo de Intimação Fiscal não pode ser utilizado como fundamento à exclusão da Manifestante do Simples Nacional, porquanto serve apenas para solicitação de documentos por parte do Fisco. Ademais, quando do recebimento de tal intimação, a Manifestante encaminhou devidamente todos os documentos solicitados, tanto é que, até o momento não houve qualquer autuação fiscal. (...) O conhecimento prévio, de forma pormenorizada, das supostqas irregularidades e provas que fundamentaram a exclusão da Manifestante do SIMPLES é requisito indispensável para que se promova à ampla defesa no processo administrativo. Afinal, não havendo meios para constatação da suposta condição irregular da empresa, resta rejudicada a análise da legalidade do referido ato. (...) Inclusive, a ausência da descrição pormenorizada dos fatos que ensejaram a exclusão da Manifestante do SIMPLES é causa de nulidade do Auto de Infração, porquanto descumprido um de seus Fl. 2434DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.791 15 pressupostos essenciais, elencados no art. 10 do Decreto 70.235/72, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato: Segundo genericamente descrito na decisão de exclusão e, no ato de exclusão da Manifestante do regime do Simples Nacional, esta decorreu da verificação de suposta prática reiterada de infração e falta de escrituração da movimentação bancária durante o período de 2010 a 2012, com base no art. 29, V e VIII, da LC n° 123/2006: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional darseá quando: (...) V tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto nesta Lei Complementar; VI a empresa for declarada inapta, na forma dos arts. 81 e 82 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores; VII comercializar mercadorias objeto de contrabando ou descaminho; VIII houver falta de escrituração do livrocaixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; Além de não ter elencado os documentos que compõem e fundamentam o processo administrativo de exclusão e as provas que demonstram a ocorrência das situações previstas nos incisos V e VIII do art. 29 da LC 123/2006,a Fiscalização igualmente não especificou quais condutas configuraram o enquadramento da Manifestante na hipótese do inciso V (...) Quanto ao que consta na decisão de exclusão da Manifestante do Simples Nacional, verificase que esta não confere subsídios suficientes para que a Manifestante promova sua defesa de forma irrestrita, porquanto a fiscalização descreve fatos genéricos, sem, no entanto, justificalos. (...) Fl. 2435DF CARF MF 16 Por esta razão, requerse a nulidade do presente ato, eis que desacompanhado das fundamentações fáticas e jurídicas que ensejaram à exclusão I da Manifestante do Simples, impedindo de produzir sua ampla defesa ante os fatos infracionais que lhe foram imputados. (...) 12 Quanto ao mérito propriamente dito, argumenta a contribunte a insubsistência e/ou ausência das provas apontadas, a absoluta falta de justificativas das infrações apontadas, connforme excertos abaixo mais representativos extraídos da peça contestatória: (...) VI. DOS FATOS CONSTANTES NO PRESENTE PROCESSO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL: (...) Inexistindo qualquer elemento robusto de prova que demonstre a prática das infrações que deram ensejo à exclusão do SIMPLES, deixa a motivação do presente Auto de Infração ao exclusivo juízo pessoal da equipe fiscal, baseada em meras insinuações, em total desrespeito ao art. 11626, parágrafo único do CTN, o que não pode ser aceito, pois, por certo, as presunções pessoais ainda não encontram eco no direito tributário, cuja viga mestre ainda é o princípio da legalidade, previsto nos arts. 97, III e V27, e 11228, ambos do CTN. (...) Com efeito, a imputação de qualquer infração e a cominação da respectiva multa deve ser fundamentada em provas válidas que comprovem, sem sombra de dúvida, o cometimento do ilícito, sem a qual, não há que se falar em aplicação de penalidade. (...) Tendo em vista que o Agente Fiscal se desincumbiu do ônus da prova que lhe competida, conforme requer o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional31, nulo é o ato em decorrência do cerceamento do direito de defesa. (...) Desta forma resta evidente o cerceamento ao direito à ampla defesa e ao contraditório da Manifestante decorrente da ausência de provas válidas que comprovem, sem sombra de dúvida, o cometimento do ilícito que deu causa ao presente ato. A respeito do princípio acima assinalado, Paulo de Barros Carvalho também assevera: O postulado do devido processo legal, que anima a composição de litígios promovida pelo Judiciário, e que garante ampla liberdade às partes para exibir o teor de juridicidade e o fundamento de justiça das pretensões articuladas em Juízo, se aplica com assomos de princípio Fl. 2436DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.792 17 capital também aos procedimentos administrativos e, entre eles, os que ferem matéria tributária. Devido processo legal é instrumento básico para preservar direitos e assegurar garantías, tomando derradeira do Poder Público, em problemas de cunho administrativo E com estribo nessa orientação que não se concebe, nos dias atuais, alguém ser apenado sem que lhe seja dado oferecer as razões que justifiquem ou expliquem seu comportamento. E princípio que mereceu referência aberta em nossa Carta Constitucional, consoante se vê do, in verbir. Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.". Portanto, diante da ausência de provas dos fatos que ensejaram a exclusão da Manifestante do Simples Nacional, o que é indispensável à legalidade do ato, deve ser declarada a nulidade do ato que excluiu a Manifestante do Simples Nacional em decorrência do cerceamento de defesa. ^ 13 A contribuinte questiona por seu turno a titularidade das contas bancárias que o AuditorFiscal lhe imputa, nos termos abaixo representativos de sua pugna: (...) VII . DOS DEPÓSITOS REALIZADOS NA CONTA DA PEDRA BRASIL PELA CREDIVELEIRO, ORIUNDOS DE CHEQUES DESCONTADOS PELA MANIFESTANTE, A PEDIDO DESTA: Caso não se entenda pela nulidade do presente ato, o que não se acredita, importante realizar melhor análise dos argumentos trazidos pelo i. Fiscal, a fim de demonstrar a insubsistências destes. Como dito, em suas razões, o i. Fiscal afirma que a Manifestante deixou de escriturar o livro caixa, bem como, houve omissão de receita, levandose em conta as movimentações bancárias realizadas nas contas da Pedra Brasil, da qual a Manifestante seria cotitular. Nesse sentido, o Mandado de Procedimento Fiscal afirma que a Manifestante teria enviado recursos para o Auto Posto Batistense por meio das contas bancárias da Pedra Brasil. Aqui cabe esclarecer porque houve depósito de valores para o Auto Posto Batistense. No período de 2010 à 2012, a empresa Auto Posto Batistense Ltda., passava por diversas dificuldades financeiras, com atraso sistemático de suas contas, inclusive tributos. Também tinha diversas restrições de crédito o que tornava a atividade impraticável. Em virtude da Pedra Brasil, à época Edson Orsi empresa individual, possuir conta com crédito em cheque especial no . valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), seu filho (sócio do Auto Posto), solicitou permissão para utilização daquele crédito, com a finalidade de manter a sua atividade, principalmente a compra de combustível junto à distribuidora de tais produtos. Fl. 2437DF CARF MF 18 Dessa forma, o Auto Posto Batistense se utilizou do montante de crédito do referido cheque especial e passou a realizar aportes financeiros na referida conta, com a finalidade de cobrir o saldo devedor. Ocorre que, não foi possível realizar a devolução em definitivo das importâncias utilizadas do crédito e cobrir o saldo devedor a cada disponibilidade de recursos. Assim, até o momento temse a seguinte situação: Auto Posto Batistense, por conta de dificuldades financeiras, utilizase de cheque especial da Pedra Brasil, no entanto, possui dificuldade em pagar tais valores. / A fim de quitar tais valores, o Auto Posto pretendia utilizarse do "desconto mercantil" dos cheques que recebia de pessoa física junto a Crediveleiro^ No entanto, o Auto Posto não possuía cadastro com esta instituição financeira mas tão somente a Manifestante. Assim, os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Manifestante mas, repisase, não com crédito desta. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Manifestante solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Tal alegação é comprovada conforme o expresso reconhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à mtimação da Fiscalização. Com a devida vénia, não pode o agente fiscal escolher o que acata e aquilo que não acata, pois os fatos devem ser avaliados de foram imparcial. VIII. DO ENVIO DE RECURSOS PARA O AUTO POSTO BATISTENSE POR MEIO DE CONTA BANCÁRIA DA PEDRA RASIL: Como dito, a fiscalização aduz de forma genérica as razões que levaram esta a pressupor que a Manifestante é cotitular de contas bancárias da Pedra Brasil. Ainda, não indica e, tampouco individualiza os documentos que corroboram com as suas alegações, constando do processo inúmeros documentos ^discriminados e incapazes de serem vinculados as alegações do I. Fiscal. Nesse sentido, quanto à suposta alegação de que teria a Manifestante se utilizado das contas da Pedra Brasil para enviar recursos ao Auto Posto, tal alegação se mostra totalmente infundada. Como dito no item acima, ante a situação financeira do Auto Posto, e a disponibilidade da Pedra Brasil de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) em cheque especial, foi que a Pedra Brasil disponibilizou valores ao Auto Posto a título de empréstimo. Portanto, o envio de recursos da conta da Pedra Brasil ao Auto Posto, diferente do que afirma o i. Fiscal, não foi realizada pela Manifestante, mas sim pela própria Pedra Brasil como forma de empréstimo de recursos ao Auto Posto. Repisase, esta alegação é comprovada conforme o expresso* econhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à intimação da Fiscalização. Com a devida Fl. 2438DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.793 19 vénia, não pode o agente fiscal escolher o que acata e aquilo que não acata, pois os fatos devem ser avaliados de foram mparcial. IX. DA ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO DE DESPESAS COM CHEQUES DA PEDRA BRASIL: Ainda, entre as razões do i. Fiscal que balizam as indicações da cotitularidade das contas bancárias da Pedra Brasil, há a indicação de que foram realizados pagamentos de despesas da Manifestante com cheques da Pedra Brasil, endo que estes cheques teriam no verso o carimbo da Manifestante. Como já exarado, as alegações trazidas pelo Fisco para determinar a cotitularidade das contas bancárias não tem indicação das razões que levaram este a chegarem a tal conclusão, tampouco há a determinação da documentação analisada para tal assertiva. Dentre os inúmeros documentos que constam do processo de exclusão, estes chamados "documentos não pagináveis", estão diversos cheques emitidos pela empresa Edson Orsi ME, hoje Pedra Brasil. Verificase, inicialmente, que dos 416 cheques acostados à vasta documentação constate dos autos, apenas 09 (nove)34 foram emitidos à Manifestante. Destes, 05 cheques são do período de janeiro de 2010 a julho de 2011, portanto, ante a decadência, não podem ser utilizados como suporte de qualquer alegação por parte da fiscalização. Ainda, a mera emissão de cheques por parte da Pedra Brasil em nome da Manifestante não comprova a cotitularidade das contas bancárias. Ainda, dos demais cheques acostados na documentação que/ compõe o processo, inúmeros são endereçados a pessoas físicas ou jurídicas, com carimbos de terceiros. Vejamos a análise, por amostragem, de um destes cheques35 SICOOB Empresarial Número: 000740 Valor: R$ 1.075,00 Portador: Lotérica Cor da Sorte Carimbo no verso do cheque: Supermercado Gabriel Ltda. Assim, questionase, qual a indicação de que este cheque foi emitido pela Pedra Brasil para pagamento de despesas da Manifestante? Como se denota, tais cheques foram emitidos pela própria Pedra Brasil para pagamento de despesas dela própria, não havendo qualquer indicação de que tais cheques teriam ido emitidos para pagamento de despesas da Manifestante. Ademais, os poucos cheques que de fato possuem no verso o carimbo da Manifestante, não são suficientes para comprovar que foram Fl. 2439DF CARF MF 20 emitidos em favor desta, tampouco, comprovam a alegação de cotitularidade da conta. Assim, questionase o que leva o Fisco a concluir que o carimbo existente no verso do cheque em nome da Manifestante comprova que este esteja sendo utilizado para pagamento de despesas desta. X. DOS PEDIDOS: Ante o exposto, requerse seja julgada integralmente procedente a presente Manifestação de Inconformidade, determinandose o cancelamento do Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 116, de 29 de julho de 2016, que excluiu a Manifestante do SIMPLES; (...) a.1) tendo escoado o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para que a Fazenda Pública efetuasse o lançamento, nos termos do artigo 150, § 4º do CTN, seja declarada a decadência do direito da Fazenda de lançar, declarandose, ainda, a extinção de qualquer crédito tributário anterior à 28/09/2011, de acordo com o art. 156, V, do Código Tributário Nacional; b.1) seja declara a nulidade do lançamento em face do ilegal arbitramento da base de cálculo realizado, sobretudo porque demonstrase desnecessário e inadequado, na medida em que a escrituração do contribuinte não revela indíciosde fraudes e/ou vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária ou determinar o lucro real, de modo que não demonstrase possível a utilização do regime excepcional de arbitramento quando se dispõe de outro meio de apuração para se chegar ao valor do tributo, nos termos do disposto no artigo 148 do CTN e artigo 530, inciso II do CTN; b) no mérito seja JULGADO TOTALMENTE MPROCEDENTE O LANÇAMENTO ORA QUESTIONADO; c) o reconhecimento da autenticidade dos documentos acostados com a presente defesa, nos termos do Art. 356, IV do CPC23; d) protestase pelo direito, nos termos do art. 16, §§4º, 5º e 6º do Decreto n. 70.235/7224, de anexar posteriormente aos autos documentos que confirmem as alegações ora expedidas, ou refutem elementos levantados no curso do processo em seu desabono; e) por fim, vem requerer seja deferida a realização de perícia contábil, com fundamento nos artigos 16, inciso IV e 18 do Decreto nº 70.235/70, na medida em que restaram preenchidos os requisitos previstos na legislação, quais seja, exposição dos motivos que a justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; Outrossim, requerse que todas as intimações/publicações atinentes ao presente jpfocesso sejam realizadas em nome do advogado Luiz Fernando Sachet, O/tÈ/SC 18.429, sob pena de nulidade. Fl. 2440DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.794 21 O acórdão proferido pela DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 Exclusão. Falta de escrituração da movimentação financeira. Operações financeiras mantidas à margem da escrituração configura hipótese de exclusão do Simples Nacional, porquanto não possibilita a identificação da real movimentação financeira, inclusive bancária. Exclusão. Prática Reiterada de Infração. Configura prática reiterada de infração a falta de escrituração da movimentação financeira por mais de um período de apuração, no caso, desde o período de outubro de 2010. Manifestação de Inconformidade Improcedente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 Prazo de Decadência. Dolo, Fraude. O concurso de duas ou mais pessoas jurídicas na movimentação de fato de valores em contas bancárias nas quais apenas uma identificase como titular das referidas contas, e ainda mais não declaradas ao Fisco, configura a ocorrência de dolo e fraude, porquanto ínsito é o animus operandi para tal fim. Neste caso, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Arbitramento. Aplicabilidade. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ deve ser determinado com base no lucro arbitrado quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Arbitramento. Contraditório. O arbitramento do lucro deuse com base na Receita Bruta conhecida, nos moldes do art. 532 do RIR/99, disponibilizada pelo contribuinte em suas declarações entregues à RFB; ou recursos transitados em contas correntes de seu conhecimento, portanto, não há o que se falar em contraditório do arbitramento de bens, valores e direitos, mormente tratarse a fase de fiscalização meramente inquisitória. Tributações Reflexas. Aplicase aos lançamentos reflexos de PIS, COFINS e CSLL o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ), naquilo que for cabível, uma vez que todos os lançamentos estão assentados nos mesmos elementos de prova. Pedido de Perícia. Constando dos autos todos os elementos necessários ao julgamento, tornase prescindível a perícia requerida. Indeferido o pedido com fulcro no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972 e alterações da Lei nº 8.748/1993. Intimação do Sujeito Passivo. O sujeito passivo deve ser intimado em seu domicílio tributário por força do art. 23, inc.II, do Decreto n° 70.235/72 (PAF). Indeferese pedido para ciência em domicílio diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário em que sustenta inicialmente a nulidade do ato de exclusão do Simples Nacional por força do art. 10 do Decreto n. 70.235/72, por ausência de relatório fiscal que aponte os fatos que motivaram a exclusão da recorrente do simples nacional, bem como a ausência de provas e documentos que sustentem a pretensão fazendária. Afirma ainda que a disponibilização dos documentos quando do acesso da Recorrente à íntegra do processo de exclusão do Simples Nacional não foi individualizada, tampouco, houve a indicação dos documentos que são basilares da suposição do fisco. Fl. 2441DF CARF MF 22 Afirma ainda que em momento algum a Fiscalização deixa clara quais foram as circunstâncias em que incorreu a Recorrente para tal constatação, na medida em que não faz qualquer alusão à complementação dos incisos I ou II do §9º do art. 29 da LC nº 123/2006. A conduta da autoridade julgadora, que simplesmente ignorou as garantias do devido processo legal9, também viola o princípio do contraditório e o direito à ampla defesa10 da Recorrente, na medida em que impede o conhecimento das provas e razões de fato e de direito que fundamentaram a decisão que a excluiu do Simples. Afirma ainda que apesar de a Fiscalização afirmar, e utilizar como fundamento de exclusão da exclusão no regime simplificado a suposta falta de escrituração de valores que esta supôs serem seus por conta da suposta cotitularidade das contas bancárias da Pedra Brasil, a Recorrente por meio das suas respostas as intimações, bem como, com a documentação acostada à Manifestação de Inconformidade apresentada, demonstrou que em verdade tais valores não eram seus, razão pela qual não houve a escrituração destes. No mérito explica que: No período de 2010 à 2012, a empresa Auto Posto Batistense Ltda., passava por diversas dificuldades financeiras, com atraso sistemático de suas contas, inclusive tributos. Também tinha diversas restrições de crédito o que tornava a atividade impraticável. Em virtude da Pedra Brasil, à época Edson Orsi empresa individual, possuir conta com crédito em cheque especial no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), sua filha (sócia do Auto Posto), solicitou permissão para utilização daquele crédito, com a finalidade de manter a sua atividade, principalmente a compra de combustível junto à distribuidora de tais produtos. Dessa forma, o Auto Posto Batistense se utilizou do montante de crédito do referido cheque especial e passou a realizar aportes financeiros na referida conta, com a finalidade de cobrir o saldo devedor. Ocorre que, não foi possível realizar a devolução em definitivo das importâncias utilizadas do crédito e cobrir o saldo devedor a cada disponibilidade de recursos. Assim, até o momento temse a seguinte situação: Auto Posto Batistense, por conta de dificuldades financeiras, utilizase de cheque especial da Pedra Brasil, no entanto, possui dificuldade em pagar tais valores. A fim de quitar tais valores, o Auto Posto pretendia utilizarse do “desconto mercantil” dos cheques que recebia de pessoa física junto a Crediveleiro. No entanto, o Auto Posto não possuía cadastro com esta instituição financeira mas tão somente a Recorrente. Assim, os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Recorrente mas, repisase, não com crédito desta, por essa razão não houve a escrituração contábil destes valores. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Recorrente solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Tal alegação é comprovada conforme o expresso reconhecimento do contribuinte Auto Posto Batistense em sua resposta à intimação da Fiscalização. Afirma ainda que dos 416 cheques acostados à vasta documentação constate dos autos, apenas 09 (nove) foram emitidos à Recorrente. Ainda, a mera emissão de cheques por parte da Pedra Brasil em nome da Recorrente não comprova a cotitularidade das contas bancárias. Ainda, dos demais cheques acostados na documentação que compõe o processo, inúmeros são endereçados a pessoas físicas ou jurídicas, com carimbos de terceiros. É o relatório. Fl. 2442DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.795 23 Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira relator 1. DA ADMISSIBILIDADE: O recurso foi tempestivamente interposto e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, portanto, merecer conhecimento. 2. PRELIMINAR: 2.1. EVENTUAL NULIDADE DA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL (ADE n. 116/2016): A Recorrente alega que a decisão que determinou a exclusão da empresa do Simples Nacional não descreveu adequadamente os fatos que a motivaram levando ao cerceamento de defesa e, consequentemente, sua nulidade. A mesma argumentação já havia sido apontada na impugnação e afastada na DRJ. Ocorre que, conforme consta do Termo de Verificação Fiscal e, posteriormente, transcritos no relatório da DRJ e neste relatório, foram devidamente apresentadas as circunstâncias que deram azo ao entendimento de que haveria cotitularidade de contas bancárias, omissão de receitas e consequente exclusão do regime do Simples Nacional. Transcrevo: 15. Anteriormente à abertura deste procedimento de fiscalização, a empresa foi diligenciada em 07/0 6 e 15/06/2016 , por meio dos Termos de Intimação Fiscal 2016¬ 001363/ 1 e 2016001363/2 , respectivamente, a respeito de depósitos bancários realizados em favor da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) e de sua participação nos depósitos efetuados pela empresa CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL nas mesmas contas bancárias. 16. Após pedido de prorrogação, apresentou respostas em conjunto com o AUTO POSTO BATISTENSE, alegando em suma: • Que devido às dificuldades financeiras do AUTOPOSTO BATISTENSE, foram utilizadas contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), em vista da disponibilidade de crédito. • Que os créditos efetuados pela CREDIVELEIRO, a mando da empresa BERNADETE ORSI LTDA, nas contas da EDSON ORSI ME, referiamse ao pagamento de empréstimos que esta realizou ao AUTOPOSTO BATISTENSE. • Que tais valores provieram de empréstimos de pessoas físicas (cheques) que foram descontados na CREDIVELEIRO e posteriormente devolvidos às pessoas. Fl. 2443DF CARF MF 24 • Nesse sentido, apresentou documentos consistindo em cópias de cheques de terceiros e borderôs da CREDIVELEIRO, além de depósitos realizados nas contas dos credores, supostamente a título de devolução dos valores. • Que as operações de empréstimo não foram contabilizadas na empresa. 17. Com relação às transações efetuadas junto à CREDIVELEIRO FOMENTO MERCANTIL, constatouse, em diligência junto a essa empresa, que o comando para os depósitos em conta da PEDRA BRASIL (então EDSON ORSI ME) , por parte da empresa BERNADETE ORSI & CIA LTDA, partiu de Ana Claudia Orsi, sóciaadministradora do AUTO POSTO BATISTENSE, como mostram cópias de email junto à documentação. 18. A constatação do uso das contas da PEDRA BRASIL, pelas quais a BERNADETE ORSI LTDA fez transitar valores de seu interesse, foi ainda corroborada por diversos elementos adicionais contantes das informações bancárias da PEDRA BRASIL, dos quais a fiscalização retirou amostragem, constando do arquivo não paginável denominado "Documentos Comprobatórios": • Listagem de TED da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para cerâmica BERNADETE ORSI &. CIA LTDA • Cheques nominais da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) destinados ao AUTOPOSTO BATISTENSE, à cerâmica BERNARDETE ORSI e a Edson Orsi, assinados pelo mesmo, que também é sócioadministrador da empresa. BERNARDETE ORSI & CIA LTDA contendo inclusive carimbo desta. • Pagamentos realizados para compra de imóvel junto à MEIA PRAIA empreendimentos, em nome de Maria Bernadete Orsi, sóciaadministradora da empresa BERNARDETE ORSI LTDA. • Endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à BERNADETE ORSI LTDA. • Cheques emitidos em favor de AGRICOPEL DERIVADOS DE PETRÓLEO, vinculados à duplicatas emitidas por BERNARDETE ORSI & CIA LTDA. Vários cheques assinados por Edson Orsi, em favor de fornecedores cuja carcterística se prestam a atender o rmao industrial e particularmente o cerâmico, todos com carimbo da Cerâmica BERNADETE ORSI: FERREIRA TINTAS, FUNDIÇÃO MECÂNICA, METALÚRGICA NANDI (equipamentos para cerâmica), INDUSTRIA SANTA APOLONIA(máquinas para indústria cerâmica), TECNOMAC MECANICA, TECNOCEL, MKRAFT. Pagamentos a empregados, como por exemplo Lucili Stank de Barros.. 19. Portanto, ficou evidente que a empresa BERNARDETE ORSI & CIA LTDA usou das contas bancárias da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME) para realizar negócios em seu próprio nome e interesse (inclusive de familiares sócios), seja captando, enviando e recebendo recursos de interesse do AUTO POSTO BATISTENSE, mas também para pagamento de fornecedores, sócios e empregados, utilizandose de cheques da PEDRA BRASIL (EDSON ORSI ME), assinados por Edson Orsi. 20. A propósito, podese comentar a respeito do grau de parentesco entre os sócios administradores das empresas em foco, aspecto facilitador das operações realizadas: O sócio administrador da PEDRA BRASIL e da BERNADETE ORSI E CIA LTDA, Edson Orsi é casado com Maria Bernadete Orsi, sócia administradora desta última empresa. Com relação ao AUTO POSTO BATISTENSE, sua sócia administradora Ana Claudia Orsi Arndt é filha dos citados 21. Assim, há elementos suficientes que indicam a interposição da PEDRA BRASIL pela BERNADETE ORSI & CIA LTDA e o uso comum, ou seja, a cotitularidade de fato das contas bancárias no período 20102012 : •Banco do Brasil, Agência 5385, Conta 851779 . •ITAU, Agência 7433, Conta 50965 . •Coop. Cred. Nova Trento, Agência 3242, Conta 103896 . (...) Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.796 25 Tais fatos foram comprovados por documentos juntados aos autos. A Recorrente, de sua parte, além de alegar a nulidade da autuação, não juntou qualquer prova que corroborasse suas afirmações. Entendo, assim, que o ato de exclusão seguiu os parâmetros da legalidade, não sofrendo dos vícios apontados pela Recorrente. 2.2 DA DECADÊNCIA: Ainda em sede preliminar sustenta a recorrente a ocorrência da perda do direito de lançar pelo fisco ante a ocorrência do fenômeno da decadência vez que quando realizada a autuação já transcorridos 5 anos da data da ocorrência do fato gerador. Não merece prosperar a suposta alegação de decadência, em face do disposto no art. 150, § 4º , do CTN, temse como descabida. Não seria aplicável a regra decadência prevista no § 4º, do art. 150, do CTN, haja vista o lançamento consubstanciado no auto de infração ter imputado que a recorrente atuou com flagrante dolo ao servirse de contas bancárias de interpostas pessoas, causa excludente da aplicação do citado dispositivo legal, e da conseqüente incidência da regra estabelecida pelo caput do art 173, do CTN. À luz do art. 173, I, não há que se falar de decadência, quando o lançamento deuse dentro do prazo legal. 3. MÉRITO: No mérito, a Recorrente afirma que apenas serviu como meio ( “emprestou sua conta bancária”) para que a Auto Posto Batistense, empresa sem cadastro junto à Crediveleiro, realizasse “desconto mercantil” dos cheques que recebia de pessoa física junto a esta instituição financeira. Nessa linha, sustentam que os descontos mercantis junto à Crediveleiro foram realizados em nome da Recorrente mas, repisase, não com crédito desta, por essa razão não houve a escrituração contábil destes valores. Como os descontos eram realizados para o pagamento do empréstimo do Auto Posto com a Pedra Brasil é que a Recorrente solicitou que os valores fossem depositados diretamente nas contas da Pedra Brasil. Além disso, sustenta que não há provas de que os cheques emitidos pela Pedra Brasil foram utilizados para pagamento de contas da Recorrente. Nesse ponto, peço venia aos colegas Conselheiros para transcrever trecho da decisão da DRJ quando afirma que: Fl. 2445DF CARF MF 26 ...apenas a justificativa da impugnante, de premência financeira do Auto Posto Batistense, para essas operações à margem de sua escrituração contábil/fiscal, não tem o condão de modificar o caráter infracional da falta de registro dessas transações. Os Termos de declaração acostados aos autos (fls.849/862), onde várias pessoas físicas, emitentes dos cheques descontados, entre as quais, a própria sócia da fiscalizada, Maria Bernadete Trainotti Orsi, e da Pedra Brasil, Edson Orsi, onde se afirma tratarse de empréstimos, sem cobrança de juros, sem contratos registrados à época, sem comprovações de pagamentos, e sequer lastros de qualquer tipo de garantia, apenas reforçam, se já não fosse uma exigência legal, da absoluta necessidade da escrituração desses fatos econômicos/financeiras para fins de futura comprovação. Somese a isso, ainda, o fato de referidas operações fazerem parte do cotidiano operacional da fiscalizada, pois, conforme a justificativa alegada, a situação do suposto socorro financeiro à Auto Posto Batistense transcorreu de 2010 a 2012. Ainda mais, a fiscalizada não esclareceu os fortes indícios suplementares levantados pelo Agente Fiscal, entre os quais, endereço e contato de email na ficha cadastral da conta da EDSON ORSI ME mantida no ITAÚ, pertencentes à autuada, o pagamento da sua funcionária, Lucili Tank de Barros, de duplicatas do fornecedor Agricopel Derivados de Petróleo, de cheques nominais da Pedra Brasil (Edson Orsi ME) destinados a ela, assinados por Edson Orsi, seu sócio também, bem como os valores recebidos via ted(transferência eletrônica). O conjunto das operações denota claramente uma confusão econômicofinanceira na administração das três empresas envolvidas, pelo fato dos sócios constituírem um núcleo familiar. A corroborar isso, está o fato de compra de imóvel para a pessoa física de Maria Bernadete Orsi, sócia administradora da fiscalizada, com pagamento pela conta bancária da Pedra Brasil. Diante dos fatos apontados, em especial a falta da escrituração envolvendo essas transações financeiras e os parcos esclarecimentos prestados sem lastros em documentos hábeis e idôneos, há que se concluir pela cotitularidade de fato dessas contas entre a fiscaliizada, a Auto Posto Batistense e a Pedra Brasil, do que decorre a procedência da exclusão da empresa do Simples Nacional, nos termos do ADE DRF/FNS n° 116, de , de 29 de julho de 2016. Ainda em sede do Recurso Voluntário sustenta a recorrente a ilegitimidade do ao arbitramento do lucro empreendido pela autoridade fiscal. Oportuno observar que o lançamento foi realizado sob o amparo do prescrito na LC 123 que prevê expressamente tal prerrogativa nos termos de seu art. 34 cuja transcrição se faz por oportuna: "Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional." O art.42 da Lei n.9430/1996 por sua vez prescreve a omissão de receitas por movimentação bancária de origem não comprovada estabelecendo uma presunção e, portanto, Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.797 27 uma inversão do ônus da prova que a recorrente não se desincumbiu ao longo do procedimento fiscal. Os lançamentos relativos ao período de 01/10/2010 a 31/12/2012 tiveram sustentáculo na movimentação bancária da autuada que apresentou substanciais valores lançados a crédito das contas por ela mantidas em diversas instituições financeiras e para os quais, devidamente intimada a comprovar suas origens, na forma prevista na legislação vigente não logrou êxito. Durante o procedimento fiscalizatório a fiscalizada teve sucessivas oportunidades para que justificasse os créditos ocorridos em suas contas bancárias, ou seja, as origens de tais recursos, não logrando êxito em sua comprovação. Oportuna se faz a transcrição da doutrina de Maria Rita Ferragut (in Presunções no Direito Tributário, Dialética, São Paulo, 2001) a lecionar que uma prova indireta condutora da mesma ‘probabilidade fática’ da prova direta, in verbis: “Assim, tem a Administração Pública o deverpoder de investigar livremente a verdade material diante do caso concreto, analisando todos os elementos necessários à formação de sua convicção acerca da existência e conteúdo do fato jurídico, já que é uma constatação a prática de atos simulatórios por parte do contribuinte, visando diminuir ou anular o encargo fiscal. E essa liberdade pressupõe o direito de considerar fatos conhecidos não expressamente previstos como indiciários de outros fatos, cujos eventos são desconhecidos de forma direta. A presunção homini de forma alguma significa que a tributação ocorrerá em mera verossimilhança, probabilidade ou verdade material aproximada. Pelo contrário, veiculará conclusão provável do ponto de vista fático, mas certa do jurídico. Por isso, resta uma vez mais observar que também a prova direta levanos à certeza jurídica e à probabilidade fática, já que não relata com certeza absoluta o evento, inatingível. Detém, apenas, maior probabilidade do fato corresponder à realidade sensível.” A mesma autora no artigo ‘Evasão Fiscal: o parágrafo único do artigo 116 do CTN e os limites de sua aplicação’ (in Revista Dialética de Direito Tributário n.º 67, Dialética, São Paulo) assim esclarece: “As presunções assumem vital importância quando se trata de produzir provas indiretas acerca de atos praticados mediante Fl. 2447DF CARF MF 28 dolo, fraude, simulação, dissimulação e máfé geral, tendo em vista que, nessas circunstâncias, o sujeito pratica o ilícito de forma a dificultar em demasia a produção de provas diretas. Os indícios, por essa razão, convertemse em elementos fundamentais para a identificação de fatos propositadamente ocultados para se evitar a incidência normativa”. A prova indiciária é pacificamente admitida como já decidido pelo CARF: Primeira Turma/Quarta Câmara/Primeira Seção de Julgamento Data da Sessão 25/01/2011 Relator(a) ANTONIO BEZERRA NETO Nº Acórdão 1401000.405 ASSUNTO: PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo admitido em Direito, quando a sua formação está apoiada em uma concatenação lógica de fatos, que se constituem em indícios precisos, “econômicos” e convergentes Nessas circunstâncias cumpre ao fisco tão somente provar o indício, como, de fato, foi feito. A relação de causalidade, entre ele e a infração imputada, é estabelecida pela própria lei, o que torna lícita a inversão do ônus da prova e a conseqüente exigência atribuída ao contribuinte de demonstrar que tais valores não são provenientes de receitas omitidas restando por evidente nos autos a prática de movimentação bancária a margem da escrituração servindose, inclusive, de contas bancárias de interpostas sociedades empresárias com quadro societário de membros de uma mesma família; o que permite caracterizar, inclusive, grupo econômico conforme mais recente jurisprudência. 4. CONCLUSÃO: Assim, não assiste razão a Recorrente ao que voto por manter incólume o ADE n.116/2016 e o lançamento realizado por arbitramento com redução multa de ofício ao percentual de 75%. Ante exposto julgo por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. É como voto. Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10983.721593/201654 Acórdão n.º 1402002.895 S1C4T2 Fl. 3.798 29 Fl. 2449DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.912042/2011-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.779
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13839.912032/2011-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Semíramis de Oliveira Duro, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior RELATÓRIO Trata o presente processo administrativo de pedido de restituição realizado através de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. A unidade de origem proferiu despacho decisório indeferindo o crédito pleiteado, sob o fundamento de que o pagamento da guia DARF do período foi identificado, no entanto, integralmente utilizado para quitação dos débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 39 .9 12 04 2/ 20 11 -4 5 Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 3 2 Intimada da decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade para instaurar o contencioso administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/1972, juntando documentos para subsidiar a existência de seu crédito. Em síntese, a contribuinte afirmou: O recolhimento a maior no período de apuração decorre de uma revisão de seus lançamentos, onde identificou um crédito de tributo em virtude da inclusão de receitas financeiras na base de cálculo das contribuições PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, antes da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF. Em razão da consolidação do entendimento do STF pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo, afirma que a Administração Pública tem o dever de devolver o que restou recolhido indevidamente, em obediência aos princípios garantidos na Constituição Federal (art. 37). Transcreveu o art. 1º do Decreto nº 2346/1997, e sustentou que cabe aos órgãos administrativos aplicar o entendimento firmado pelo STF, no exercício de sua competência de apreciar a constitucionalidade das leis. Requer a aplicação do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o qual dispõe expressamente sobre a obrigação de seus julgadores afastarem a aplicação de lei julgada inconstitucional em decisão definitiva proferida pelo Plenário do STF. Quanto ao crédito, argumentou que no mês de apuração em foco, considerando a original vigência da Lei nº 9.718, de 1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo, conforme comprova a sua DIPJ do período, anexada aos autos. Apresenta relatórios contábeis detalhando o crédito pleiteado, afirmando que decorre exclusivamente das receitas financeiras. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório, julgando improcedente a manifestação de inconformidade. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: A declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no controle difuso somente obriga a Administração Tributária em relação aos autores das ações em que foram prolatadas e não em relação aos demais contribuintes, mesmo nos casos, como o do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, em que a inconstitucionalidade foi reconhecida pela Suprema Corte inclusive sob o rito do art. 543B, do CPC (RE nº 585.235), que trata da repercussão geral de recursos com fundamento em idêntica controvérsia. Não foi expedido o ato da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, e, além disto, as decisões proferidas pelo STF sobre a questão não têm efeitos erga omnes. O Despacho Decisório em exame não homologou a compensação pretendida, mediante a justificativa de inexistência de saldo disponível em favor do contribuinte, uma vez Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 4 3 que o recolhimento da contribuição, ora examinado, está integralmente vinculado a débitos do contribuinte. Quando da interposição da manifestação de inconformidade, o contribuinte tem o dever de apresentar as provas em torno da pertinência da restituição, total ou parcial, do pagamento espontaneamente efetuado. A DIPJ e o demonstrativo de cálculo da composição da referida receita, denominado "Referência Contábil", elaborado pelo próprio contribuinte, não é meio legítimo, por si só e independentemente dos necessários elementos comprobatórios, para justificar o direito à restituição. Inconformada da r. decisão, a contribuinte apresentou, no prazo, seu Recurso Voluntário que ora se analisa, repisando os argumentos trazidos em sua manifestação de inconformidade, acrescentando: A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em março de 2010 a Portaria nº 294/2010, autorizando os Procuradores da Fazenda Nacional a não apresentar contestação e não interpor recursos, bem como desistir dos já interpostos, para os casos em que se discute o alargamento da base de cálculo perpretada pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista a decisão do Plenário do STF, no julgamento do RE nº 585.235, julgado sob o rito da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC, que reconheceu a inconstitucionalidade do dispositivo. Ainda, para demonstrar a liquidez do crédito, junta aos autos balancetes contábeis para complementar os demonstrativos contábeis (memória de cálculo) e a DIPJ trazidos com a manifestação de inconformidade. Invocando a verdade material, requer a realização de diligência para verificação das receitas financeiras auferidas no período de apuração em referência para fins de constatar o crédito pleiteado pela Recorrente. É a síntese do necessário VOTO Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.768, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 13839.912032/201118, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.768): "O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição. Realizada a suma adrede, passase a analisar as questões levantadas, especialmente sobre i) a decisão de indeferimento fundamentada no valor Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 5 4 informado em DCTF com a correspondente quitação do montante declarado, não havendo crédito a compensar; ii) a análise do crédito decorrente de receitas financeiras a partir das provas juntadas aos autos; iii) a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF; I) Do indeferimento do pedido de restituição diante da inexistência de retificação da DCTF Neste ponto, é relevante a análise da decisão que indeferiu o pedido de restituição, sob a fundamentação de que foi efetuada uma declaração por DCTF e a DARF discriminada no PER/DCOMP foi inteiramente utilizada para quitar o débito do contribuinte, não restando crédito para a restituição, verbis: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. O significado que se extrai deste despacho decisório é que a Recorrente apresentou o PER/DCOMP, mas não realizou a retificação da DCTF do período correspondente, qual seja, 12/2000. Desta feita, o montante pago foi utilizado para cobrir integralmente um débito declarado, não havendo excesso resultante do pagamento indevido. Ressaltese, no entanto, que a retificação da DCTF, por si só, não se presta para solidificar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte, sendo indispensável a apresentação de prova, tais como demonstrativos contábeis, para aferição do crédito. Neste sentido, já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste E. CARF, no julgamento do processo 10909.900175/200812, manifestando o entendimento no acórdão nº 9303005.520 (sessão de 15/08/2017), no sentido de que, mesmo no caso de uma a retificação posterior ao Despacho Decisório, não há impedimento para o deferimento do pedido quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, comparecendo nos autos com qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que cometera no preenchimento da DCTF (escrita contábil e fiscal): Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Este entendimento vem sendo adotado em sede de Recurso Voluntário pelo E. CARF, conforme se destaca das ementas abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/11/2003 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 6 5 O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF que contenha erro material. A DCTF (retificadora ou original) não faz prova de liquidez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. (Número do Processo 10283.902681/200913. Relator WALBER JOSE DA SILVA. Data da Sessão 21/05/2013. Nº Acórdão 3302002.104) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2001 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente, diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585.235 QORG. (Número do Processo 10280.905792/201126. Relatora SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA. Data da Sessão 27/07/2017. Nº Acórdão 3302004.623) (grifo não consta do original) Esta colenda 1ª TO da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF tem manifestado entendimento no mesmo sentido, segundo a qual, em razão da verdade material, a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo contribuinte pode ser demonstrada por outros elementos de prova, independentemente da retificação da DCTF, conforme é possível constatar pelo recente acórdão relatado pela ilustre conselheira Semíramis de Oliveira Duro: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. (...) Recurso Voluntário provido. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 7 6 (Número do Processo 11060.900738/201311. Relatora SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO.Data da Sessão 17/04/2018. Nº Acórdão 3301 004.545) Desta feita, o que é necessário verificar é a existência de comprovação pela Recorrente, nos autos, trazendo elementos de prova capaz de trazer liquidez e certeza de seu crédito. Análise a ser realizada a seguir. II) Da liquidez e certeza do crédito Neste ponto, a Recorrente argumentou que no mês de apuração em foco (12/2000), considerando a original vigência da Lei nº 9.718/1998, apurou a contribuição com a inclusão de receitas financeiras à base de cálculo. Para demonstrar o montante de crédito a que tem direito, juntou aos autos a sua DIPJ do exercício 2001 (fls. 68201), onde se constata em fls. 90, na ficha 19A, correspondente ao cálculo da contribuição ao PIS, a informação presente no tem 02 o montante de R$ 1.665.065,93 a título de receitas de variações cambiais, que corresponde exatamente ao montante de R$ 10.822,93 se aplicada a alíquota de 0,65% sobre esta base de cálculo. Também juntou em fls. 67 um demonstrativo contábil referente ao mês de dezembro/2000, onde consta este mesmo montante discriminado como "receitas financeiras líquidas". A r. decisão proferida pela d. DRJ afirmou que tais documentos são meramente informativos, não sendo capazes de informar a origem e veracidade do crédito. No entanto, a DIPJ, por ser uma obrigação acessória exigida pela legislação, constitui sim importante elemento de prova, com forte indício de veracidade das informações ali constantes. Em que pese a d. DRJ não ter aceitado a DIPJ como prova suficiente para dar liquidez e certeza ao crédito pleiteado pela Recorrente, é de se observar que as informações constantes nesta mesma DIPJ foram, na época, utilizadas para formar a base de cálculo da contribuição ao PIS e calcular o montante de imposto devido para ser informado na DCTF. Depreendese de fls. 90 (DIPJ) a informação contida no item 15, informandose o montante total das receitas auferidas no período, somandose o faturamento com as receitas financeiras, correspondendo à base de cálculo da contribuição. Sobre este montante total de R$ 83.720,52, incluindose as receitas financiras, foi declarado em DCTF e pago o montante de PIS respectivo via guia DARF (fls. 56). Assim, estas informações prestaram para subsidiar a declaração acerca do montante de tributo devido, mas, segundo a DRF, não se prestam a informar o montante de tributo recolhido a maior. Não faz sentido. As informações presentes na DIPJ, é verdade, possui caráter meramente informativo, assim como qualquer outra prova. A declaração prestada neste documento revela uma presunção de que os valores nela prestados corresponderiam ao fato gerador materializado. A Recorrente apresentou, com seu Recurso Ordinário, balancetes do exercício do ano 2000 para trazer mais elementos de prova a fim de subsidiar a liquidez e certeza do crédito pleiteado (fls. 265277). No entanto, o valor informado a título de receitas financeiras na DIPJ (fls. 90) é maior do que o valor informado no balancete de dezembro/2000 (fls. 274). Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 8 7 Na DIPJ resta informado um total de R$ 1.665.065,93 a título de receita financeira, o que representa o valor de R$ 10.822,93 de PIS, valor este pleiteado no PER/DCOMP. Por sua vez, tanto no demonstrativo de cálculo apresentado nas razões do Recurso Voluntário (fls. 218219), quanto nos balancetes referidos, a Recorrente afirma que o valor das receitas financeiras auferidas é de R$ 1.572.443,97, cujo montante de contribuição ao PIS representa R$ 10.220,89. Em outros termos, o montante de crédito decorrente do pagamento de PIS a maior sobre suas receitas financeiras demonstrado no recurso voluntário é um pouco inferior ao crédito pleiteado no PER/DCOMP. Não restam dúvidas, portanto, da existência de recolhimento de PIS sobre receitas financeiras no período em análise. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, acolho os balancetes juntados com o Recurso Voluntário para fins de complementação do acervo probatório. III) Da declaração de inconstitucionalidade proferida pelo STF no RE nº 585.235 sob o rito da repercussão geral, art. 543B do STF Quanto ao ponto sobre a incidência da contribuição ao PIS sobre receitas financeiras, auferidas por entidade que não desenvolva atividade financeira. Sobre este assunto, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou, inclusive em sede de repercussão geral, acerca da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998, por pretender alargar o conceito de faturamento, estabelecendo as receitas totais da pessoa jurídica como base de cálculo das contribuição para o PIS e COFINS. Tratase do RE nº 585.235 e desde 2010 a PGFN já se manisfestou formalmente, por meio da Portaria PGFN 294/2010, no sentido de dispensar os procuradores da fazenda nacional a contestar ou recorrer nesta matéria. E esta conduta já é adotada mesmo antes da decisão da d. DRJ proferida nestes autos, inobstante a afirmação lá contida no sentido de que não existia ato oficial da PGFN. Item 1, Anexo I, Portaria PGFN nª 294/2010 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). (...) DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: o PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidencia do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Nestes termos, é de rigor a aplicação do art. 62, § 1º, I e II, "b" e "c" do anexo II do RICARF, no sentido de que os membros das turmas de julgamento do CARF estão autorizados afastar a aplicação lei sob fundamento de inconstitucionalidade nos casos em que este entendimento já foi manifestado por decisão definitiva em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal ou decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado em Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 9 8 repercussão geral nos termos dos arts. 543B do CPC/193, ou mesmo no caso de existência de Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Preenchese as três hipóteses do Regimento Interno do CARF (RICARF) este caso de alargamento da base cálculo das contribuições PIS/COFINS intentada pelo disposto no art. 3º, § 1º da Lei 9.718/1998. Neste sentido: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2000 a 30/11/2002, 01/07/2003 a 31/07/2004, 01/09/2004 a 30/09/2004 Ementa: NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE RECEITAS NÃO OPERACIONAIS E VARIAÇÃO CAMBIAL ATIVA. REGIME CUMULATIVO DO PIS. CONCEITO DE FATURAMENTO PARA INCIDÊNCIA NA BASE DE CÁLCULO. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Por força do Art. 62A, Anexo II, do regimento interno deste Conselho, é obrigatória a aplicação do entendimento do STF sobre o conceito de faturamento ("faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços" vejam julgamentos dos Recursos Extraordinários 346.084, DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio, 357.950, 358.273 e 390.840 todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio). Sendo "receitas" não operacionais e variações cambiais ativas, e, portanto, não se tratando de "faturamento" vinculado às receitas oriundas das prestações de bens e serviços, não há como incidir o PIS. (Número do Processo 13502.000463/200585. Nº Acórdão 3201 003.681. Data da Sessão 22/05/2018) Resta, portanto, consolidado o entendimento acerca da não incidência de PIS sobre receitas financeiras, quando não constituírem receita operacional da empresa, no contexto da aplicação da Lei 9.718/1998. Como o período de apuração em que se discute o pagamento indevido é 12/2000, em tal momento aplicavase para a Recorrente o regime de tributação previsto na Lei 9.718/1998. Entretanto, apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF e em virtude do princípio da verdade material, como os balancetes foram juntados com o recurso voluntário e, ainda, os valores demonstrados nestas provas são inferiores aos valores pleiteados no PER/DCOMP e informados na DIPJ, tendo em vista, ainda, sua possibilidade de influência no julgamento da causa, submeto estes documentos para apreciação da Recorrida, em diligência para confirmação dos créditos, para posterior retorno para julgamento. Isto posto, uma vez comprovada a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição ao PIS no período em referência, e uma vez comprovada a liquidez e certeza do crédito a restituir declarado pelo contribuinte, será de rigor reconhecer o direito à restituição pleiteado pelo contribuinte. No entanto, a liquidez e certeza do crédito ainda não está clara, diante da divergência entre os valores informados no PER/DCOMP e DIPJ e os valores Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13839.912042/201145 Resolução nº 3301000.779 S3C3T1 Fl. 10 9 informados nos balancetes a título de receitas financeiras auferiras. Por isso, é necessária a conversão do feito em diligência pra fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontandoos com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para fins de: 1. verificação dos balancetes juntados com o recurso voluntário, confrontando os com os valores demonstrados e pleiteados no PER/DCOMP e DIPJ; 2. elaboração de relatório discriminando as receitas financeiras do período; 3. a identificação do montante de PIS/COFINS indevidamente recolhido, se houver receitas financeiras no período; 4. Em seguida, dêse vista ao contribuinte, para manifestação sobre o resultado da diligência em 30 dias. 5. posterior retorno para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 332DF CARF MF
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