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Numero do processo: 13766.720334/2014-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA LEGAL. ALCANCE DA NORMA ISENTIVA.
A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, dos portadores e cegueira, não faz ressalva quanto ao tipo ou características da cegueira, o que implica no reconhecimento do direito ao gozo da isenção pleiteada.
Numero da decisão: 2201-003.854
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 25/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. CEGUEIRA LEGAL. ALCANCE DA NORMA ISENTIVA. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, dos portadores e cegueira, não faz ressalva quanto ao tipo ou características da cegueira, o que implica no reconhecimento do direito ao gozo da isenção pleiteada.
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CEGUEIRA LEGAL. ALCANCE DA NORMA ISENTIVA. A lei que concede a isenção do IRPF sobre os proventos de aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, dos portadores e cegueira, não faz ressalva quanto ao tipo ou características da cegueira, o que implica no reconhecimento do direito ao gozo da isenção pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 25/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 6. 72 03 34 /2 01 4- 05 Fl. 73DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2010, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 120.389,51, resultando em imposto suplementar de R$ 468,61. De acordo com o relatório fiscal, a contribuinte pretendia a isenção destes rendimentos de aposentadoria por ser portadora de “cegueira legal”, moléstia que não estaria incluída na lei de isenção. A impugnante reafirma o seu direito à isenção dos rendimentos e apresenta laudo médico do Instituto de Previdência do Estado do Espírito Santo atestando que é portadora de “cegueira legal” e que a moléstia estaria enquadrada no art. 1º da Lei nº 11.052/2004. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PERDA PARCIAL DA VISÃO. Em obediência ao princípio da interpretação literal das normas isentivas, o conceito de cegueira, usado sem outras qualificações na lei de isenção, não pode ser estendido para incluir a mera redução da acuidade visual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, dentro do lapso temporal legal, no qual o contribuinte sustentou, em síntese, que para a isenção do imposto de renda é necessário que o contribuinte seja aposentado, possua cegueira (binocular ou monocular) e que tal patologia seja atestada por laudo médico emitido pelo serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, não poderia o fisco fazer restringir o direito da recorrente fazendo restrição entre os tipos de cegueira, já que a lei não faz distinção. É o relatório. Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13766.720334/201405 Acórdão n.º 2201003.854 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. Conforme consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, o presente lançamento tem como objeto a omissão de rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave. Entendeu a fiscalização que a "cegueira legal" não se inclui entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por moléstia grave. O acórdão recorrido manteve o lançamento, consoante o argumento abaixo transcrito: Como se observa, a patologia “cegueira” está inserida sem qualquer qualificação que inclua graus de perda de acuidade visual inferiores à perda total da visão, própria do conceito de cegueira, que é em si mesmo a mera negação do conceito de visão. Mas a doença atestada no laudo apresentado pela impugnante é “cegueira legal”, o que significa exatamente que não se trata aqui de cegueira, como a define a ciência médica, em sentido próprio, mas sim com a define a lei, dentro de parâmetros e contextos específicos. Acerca da isenção por moléstia grave, cabe mencionar o Enunciado de Súmula CARF n.º 63: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Assim, são duas as condições necessárias para o gozo da isenção: a) recebimento de rendimentos de aposentadoria, pensão, reforma ou reserva remunerada e b) existência de moléstia grave prevista em lei e comprovada por laudo médico oficial. Com relação ao primeiro requisito mencionado, não houve controvérsia. Mas, com relação ao segundo requisito, a discussão referese à inclusão ou não da "cegueira legal" entre as moléstias enumeradas na lei de isenção por moléstia grave. O art. 6º, inciso XIV, da Lei 7.713/88, faz referência à cegueira da seguinte forma: Fl. 75DF CARF MF 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) (Vide Lei nº 13.105, de 2015) (Vigência) Como se pode perceber, a cegueira consta do rol das moléstias graves, sem qualquer ressalva ou restrição. Portanto, se o legislador não fez essa distinção, não caberia ao intérprete fazêlo, de sorte que o portador de cegueira legal, com base em conclusão da medicina especializada, deve beneficiarse da isenção. Além disso, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 111, dispõe claramente sobre a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Desse modo, com a análise literal da lei, verificase que não há ressalvas quanto ao tipo ou características da cegueira, o que demonstra o alcance da norma a todos os casos da moléstia, seja em maior ou menor grau, seja monocular ou não. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar lhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.002006/2001-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE E CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
"A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26)
Numero da decisão: 2202-004.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. "A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Súmula CARF nº 26) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 20 06 /2 00 1- 38 Fl. 446DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de lançamento efetuado em razão de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, intimado, não comprovou por documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nas movimentações financeiras ocorridas no anocalendário de 1998, no montante de R$ 1.259.159,10. O fundamento legal utilizado foi a presunção instituída pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996. No Termo de Verificação Fiscal foram consignadas as seguintes observações: A partir do cruzamento de informações fornecidas pelas instituições bancárias relativas às movimentações financeiras sujeitas à incidência da CPMF, foram selecionados contribuintes com movimentações financeiras incompatíveis com os valores declarados ou omissos da entrega, que foi o caso do contribuinte em epígrafe; O contribuinte movimentou somente a conta corrente nº 0243.480803, cujo extrato foi fornecido diretamente pelo contribuinte. Quanto à origem dos depósitos, alegou o contribuinte que os mesmos eram provenientes de sua atividade de comerciante autônomo de veículos usados, atividade que regularizou somente em 24/01/2000, com a abertura da empresa Laranjeiras Comércio e Locação de Veículos Ltda. Após a análise dos valores constantes dos extratos, foram depurados os valores de créditos tributários passíveis de tributação que servirão como base de cálculo para a constituição do crédito tributário, que perfaz um total de depósitos no anocalendário de 1998 de R$ 2.167.180,00 O contribuinte apresentou Impugnação de fls. 62/82 na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) nulidade do lançamento por ter partido de informações sigilosas de movimentação de conta bancária e por confundir os conceitos de rendimentos tributáveis e movimentação financeira; b) a Constituição Federal veda qualquer possibilidade de quebra de sigilo bancário, inclusive aquelas disciplinadas na Lei Complementar nº 105/2001 e regulamentada pelo Decreto nº 3.724/2001; Fl. 447DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 447 3 c) a jurisprudência do Conselho de Contribuintes já decidiu que os depósitos bancários, por si só, não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica; d) o lançamento do crédito com base em depósitos bancários só é admissível quando ficar provado o nexo causal entre os depósitos e o fato que represente omissão de rendimentos e que, não há nos autos qualquer prova que demonstre que a utilização dos valores depositados se refira a renda que se pretende tributar; e) que a origem dos depósitos bancários, que apenas circulavam em sua conta corrente, advém da prática de intermediação de compra e venda de automóveis da Diretoria da Volkswagen, pratica que realizava , tendo em vista sua qualidade de ex funcionário da referida empresa. f) os valores de depósitos possuem o correspondente cheque dado como pagamento dos veículos comercializados, tendo como prova disso que, os referidos cheques foram emitidos em favor da Volkswagen. g) os valores recebidos pelo impugnante nunca ultrapassaram mais do que R$ 50,00 a R$ 150, por operação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 270 eprocesso): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 1998 PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 E DA LEI Nº 10.174/2001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de rendimentos, sujeitos ao lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 448DF CARF MF 4 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA DE OFÍCIO E TAXA SELIC. A imposição de multa de ofício e da taxa SELIC decorre de expressa disposição legal, não podendo a autoridade lançadora deixa de aplicála. Intimado da referida decisão (AR fls. 290) o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 296/316, no qual reitera as alegações suscitadas quando da Impugnação. Acrescenta que os valores levados à cabo pela exigência fiscal são muito superiores a sua capacidade financeira configurando nítido confisco. É relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) ALEGAÇÕES DE OFENSA AO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA IRRETROATIVIDADE E DO CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. O Recorrente alega em seu recurso que o lançamento ofende o princípio constitucional da irretroatividade e que a multa aplicada possui caráter confiscatório. Tais alegações não podem ser conhecidas. Isso porque, ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais CARF não é dada a possibilidade de se manifestar sobre matéria de índole constitucional. Tal impossibilidade encontrase, inclusive, sumulada, conforme se verifica pela Súmula CARF nº 2 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 2) PRELIMINAR IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01 OFENSA AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário só poderia ser feita mediante prévia autorização judicial, sendo, portanto, inconstitucional a autorização contida na Lei Complementar nº 105/2001. Alega também a impossibilidade de se aplicar a autorização nela contida aos fatos geradores pretéritos como ocorreria no caso dos autos em que o lançamento referese ao anocalendário de 1998. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. Fl. 449DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 448 5 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade Fl. 450DF CARF MF 6 contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 3) MÉRITO 3.1) AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). Fl. 451DF CARF MF Processo nº 13819.002006/200138 Acórdão n.º 2202004.090 S2C2T2 Fl. 449 7 §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Ademais, a legitimidade da inversão do ônus da prova e a desnecessidade de comprovação do consumo da renda é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3.2) DA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Alega o Recorrente para demonstrar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente, que intermediava veículos da diretoria da Volkswagen, na qual seria antigo funcionário e que as cópias dos cheques emitidos para a Volkswagen, comprovariam o pagamento relativo aos mencionados veículos. Para tanto junta planilhas que trazem um comparativo mensal dos valores lançados pela fiscalização, conforme extratos bancários e os débitos constantes em sua contacorrente. Todavia, conforme ressaltou a decisão recorrida: Entretanto, nenhum dos documentos apresentados é hábil a comprovar a necessária relação entre os veículos vendidos (documento de transferência dos mesmos, notas fiscais, etc) e os depósitos, que, segundo o contribuinte, seriam provenientes da venda dos veículos (relação das pessoas que adquiriram tais veículos, contrato de aquisição, formas de pagamento, etc). A mera alegação do contribuinte, não embasada em documentos que demonstrassem inequivocamente que, efetivamente, houve a intermediação na venda dos veículos, por parte do impugnante, não faz prova a seu favor. As cópias dos cheques comprovam somente que houve pagamentos por parte do contribuinte à Volkswagen, não sendo possível estabelecer uma relação direta nem co os depósitos que figuraram em sua conta corrente, nem tampouco com a suposta venda de veículos. Fl. 452DF CARF MF 8 Destarte, não comprovada a origem dos recursos, tem a Autoridade Fiscal o poder/dever de autuar a omissão do valor dos depósitos bancários recebidos. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tão somente, a inquestionável observância do diploma legal aplicável ao caso em espécie. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. 4) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 453DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723472/2010-94
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário:2006
NULIDADE DO LANÇAMENTO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) INOCORRÊNCIA
O MPF é mero instrumento de controle administrativo, e, portanto, não subtrai ou limita a competência legal do Auditor Fiscal para o exercício de suas funções, que está definida em Lei, em sentido estrito. Além disso, no caso sob exame, nem mesmo ocorreram as alegadas irregularidades relativas à sua espécie e à sua prorrogação.
OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO
Como a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade, restou caracterizada a intenção da Contribuinte de impedir que a Autoridade Fazendária tomasse
conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional.
Não compromete a qualificação da multa o fato de a base de cálculo ter sido apurada a partir de extratos bancários, uma vez que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata de recursos relativos a receitas auferidas junto a clientes, conforme indicam
os próprios históricos constantes daquele livro.
Numero da decisão: 1802-001.003
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que reduzia a multa de 150% para 75%.
Nome do relator: José de Oliveira Ferraz Corrêa
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 NULIDADE DO LANÇAMENTO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) INOCORRÊNCIA O MPF é mero instrumento de controle administrativo, e, portanto, não subtrai ou limita a competência legal do Auditor Fiscal para o exercício de suas funções, que está definida em Lei, em sentido estrito. Além disso, no caso sob exame, nem mesmo ocorreram as alegadas irregularidades relativas à sua espécie e à sua prorrogação. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO Como a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade, restou caracterizada a intenção da Contribuinte de impedir que a Autoridade Fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, pelo que deve ser mantida a qualificadora. Afastada a possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Não compromete a qualificação da multa o fato de a base de cálculo ter sido apurada a partir de extratos bancários, uma vez que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata Fl. 1648DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.649 2 de recursos relativos a receitas auferidas junto a clientes, conforme indicam os próprios históricos constantes daquele livro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada, e no mérito, por maioria, NEGAR provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Marciel Eder Costa, que reduzia a multa de 150% para 75%. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 1649DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.650 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para Seguridade Social INSS, conforme os autos de infração de fls. 3 a 73, lavrados de acordo com o regime de tributação simplificada – SIMPLES, nos valores de R$ 63.070,68, R$ 46.436,56, R$ 66.381,21, R$ 196.035,23 e R$ 557.886,10, respectivamente, incluindose nestes montantes a multa qualificada de 150% e os juros moratórios. O lançamento abrangeu os meses do anocalendário de 2006. Foram imputadas à Contribuinte duas infrações: omissão de receitas e insuficiência de recolhimento gerada pela mudança nos coeficientes para apuração do Simples, após a adição das receitas omitidas. Em conseqüência de ser mantida a autuação por omissão de receitas, a DRJ Salvador/BA também manteve a exclusão do Simples, com efeitos a partir de 01/01/2007, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 (fls. 103). Por muito bem descrever os fatos, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1525.126, fls. 1.615 a 1.621: A descrição do procedimento de ofício que resultou na presente autuação se encontra no Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 100/102, assim resumido: Em 15/12/2009, a contribuinte foi cientificada do Termo de Início de Procedimento Fiscal, intimandoa a apresentar os elementos necessários à fiscalização. Em 25/01/2010, a fiscalizada fez a entrega dos seguintes elementos: a) CNPJ; b) Livro Registro de Entradas n° 01; c) Livro Registro de Saídas n° 01; d) Livro de Apuração do ICMS n° 01; e) Informou na correspondência que protocola a entrega dos documentos que posteriormente entregaria os demais documentos. Em 12/02/2010, a fiscalizada foi cientificada do Termo de Reintimação Fiscal, solicitandolhe que apresentasse os demais elementos até então não apresentados e requeridos no Termo de Início de Procedimento Fiscal. Em 24/02/2010, a fiscalizada entregou os seguintes elementos relativos ao AC/2006: a) Livro Caixa escriturado; b) Extratos da conta corrente 7151X, ag. 27987, mantida pela fiscalizada no Banco do Brasil S/A; c) Extratos da conta corrente 00006408, ag. 3679, mantida no Banco Bradesco S/A e d) instrumento de procuração outorgando poderes específicos para atuação junto Fl. 1650DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.651 4 ao Procedimento Fiscal n° 05.1.01.002009016029 a Jaime Vilanova Abdalla CPF n° 132.941.99520 e Daniele do Carmo Abdalla, CPF n° 780.992.50591. Com base nos elementos entregues pela fiscalizada verificouse que nem todos os ingressos financeiros escriturados no livro caixa estavam devidamente identificados, ou seja, faltava no histórico “lançado no caixa” a origem do ingresso. Em virtude do fato retrocitado e visando dirimir quaisquer dúvidas acerca da origem dos ingressos escriturados no livro Caixa, foi emitido Termo de Intimação Fiscal, com ciência pessoal em 15/03/2010, para solicitar a comprovação da origem dos valores escriturados no dito livro caixa e creditados/depositados nas contas correntes mantidas pela fiscalizada no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A. Ultrapassado o prazo de 20 (vinte) dias estipulado no Termo de Intimação Fiscal para a fiscalizada comprovar/justificar a origem dos recursos escriturados no livro caixa, nada foi apresentado ou justificado. Em virtude da falta de resposta e conseqüentemente de comprovação dos valores ingressados no livro caixa, creditados/depositados no Banco do Brasil e Bradesco, em contas correntes de titularidade da fiscalizada, e considerando que a forma de tributação adotada pela fiscalizada foi o SIMPLES, através do regime de caixa, foram considerados todos os ingressos financeiros relacionados no Termo de Intimação Fiscal emitido para fins de apuração e lavratura do auto de infração do SIMPLES. Consta no TVF que após apuração e levantamento de todos os ingressos no livro caixa, representados por créditos/depósitos em conta corrente do Banco do Brasil e Bradesco, foram expurgados destes os valores de estornos, devoluções de cheques depositados, bem como outros valores que por seu histórico não se configuram receita. Isto posto, foi lavrado auto de infração do SIMPLES no montante de R$ 929.809,79 (novecentos e vinte e nove mil oitocentos e nove reais e setenta e nove centavos). A multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), aplicada sobre os valores lançados como diferença de base de cálculo de receitas no auto de infração do SIMPLES, se justifica em face do disposto no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96 c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/64, uma vez ser incontestável que o contribuinte embora tenha auferido receitas operacionais no AC/2006, para eximirse da tributação a ela imposta pela legislação fiscal, deixou de declarar e recolher os tributos devidos sobre grande parte das suas receitas operacionais na atividade de comércio atacadista de medicamentos e drogas de uso humano. Devido ao resultado da ação fiscal houve lavratura de Representação para Fins Penais e Exclusão do Simples, evento Fl. 1651DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.652 5 este que se concretizou através do Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 7, de 2010 (fl. 102). Em 19/04/2010, a autuada foi cientificada (ver fl. 05). Em 19/05/2010, a autuada interpôs impugnação, às fls. 493/512, alegando, em síntese, que: (i) Faz provar pelas notas fiscais anexas (DOC. 01) e planilhas inerentes aos lançamentos ocorridos nos meses de janeiro a março (DOC. 02), que estes valores sejam apurados para, no mérito, terem seus respectivos valores conferidos e abatidos da exigência fiscal in lide. (ii) Ocorre que a defendente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, motivo pelo qual este deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento. (iii) Não houve, como afirmado na descrição dos fatos e enquadramento legal, nenhuma diferença na base de cálculo, havendo sim um equívoco e uma desestruturação contábil da empresa, fato este que já está sendo sanado e vem a ser provado mediante apresentação das notas ficais e planilhas anexas (DOC. 01 e 02) que comprovam a inexatidão dos valores levantados na lavratura do auto de infração por esta Douta Receita. (iv) Destarte, não se exime a autuada do seu erro em não ter prestado tais informações anteriormente, bem como em não poder comprovar todos os lançamentos ocorridos no ano em questão por terem sido, muitos deles, advindos de descontos antecipados de títulos de crédito, meio encontrado pela autuada para poder sobreviver no mercado de trabalho e assim sanar suas pendências financeiras, evitando com isso maiores prejuízos. (v) O fato é que a autuada vem, através de um esforço incomensurável, tentar deslindar e sanar esse conflito. Infelizmente, devido ao ínfimo prazo concedido para a apresentação desta impugnação, não houve tempo hábil para levantar todas as notas fiscais do AC/2006, sendo só possível realizar o levantamento dos meses de janeiro a março. Conforme planilha anexa (Doc. 02), verificarseá as notas fiscais elencadas com seus respectivos valores e numerações. Se existisse alguma possibilidade de uma dilação de prazo para apresentação de defesa complementar acerca dos meses faltosos, poderia assim a autuada levantálos. (vi) É sabido que a realidade econômica brasileira vem, gradativamente, impossibilitando, devido aos altos e pesados impostos imputados, um crescimento empresarial no país. Os valores apurados no AI são incontestavelmente exorbitantes e abusivos, vez que a defendente faz provar a sua inexatidão, já que os dados que desencadearam a fiscalização, bem como a lavratura do auto, estão pautados justamente no demonstrativo Fl. 1652DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.653 6 de valores apurados através dos extratos bancários e do livro caixa da empresa. (vii) Em vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para, se possível, dilatar o prazo apenas para a entrega da complementação da defesa inerente aos meses faltosos, bem como cancelar os débitos fiscais reclamados, devidamente comprovados com notas fiscais, e realizar um novo levantamento apenas sobre os lançamentos que não foram comprovados. Como mencionado, a DRJ Salvador/BA manteve tanto o lançamento para a exigência dos tributos englobados no regime de tributação simplificada Simples, relativamente ao anocalendário de 2006, como também manteve a exclusão do Simples a partir de 01/01/2007, porque as receitas omitidas em 2006 fizeram com que a empresa ultrapassasse o limite de receitas permitido para a opção pela tributação simplificada. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/01/2011, a Contribuinte apresentou em 11/02/2011 o recurso voluntário de fls. 1.628 a 1.631, com os argumentos descritos abaixo. PRELIMINARMENTE: reitera o pedido de que os valores levantados e recolhidos do ano base 2006, consoante faz prova notas fiscais e planilhas colacionadas, sejam apurados para, supervenientemente, no mérito, terem seus respectivos valores constatados e abatidos dos levantamentos efetuados que foram desencadeadores do montante nos autos mencionados; destaca que o Mandado de Procedimento Fiscal, com prazo de 60 (sessenta dias), já que com a exclusiva finalidade de diligência, não teve sua prorrogação deferida, tampouco requerida, o que invalida o procedimento e suas conseqüências; alega que pela simples leitura da prorrogação deferida em abril/2010, constatase que o prazo que se iniciou em dezembro/2009 teve seu término em fevereiro/2010, tramitando sem a devida prorrogação no lapso temporal compreendido entre fevereiro/2010 e abril/2010, motivo pelo qual devem ser acolhidas as razões da defendente e anulados os autos lavrados, já que viciados como demonstrado acima. NO MÉRITO, argumenta que: optou pelo sagrado direito à ampla defesa, como preconizado pelo Pacto fundamental do País, posto que discorda da ação fiscal instaurada; na verdade, é da Constituição Pátria, a garantia dos cidadãos que, além do exercício ao sagrado direito de defesa, tanto na fase administrativa como na judicial, não podem ser submetidos a investidas ilegais; a defendente não vulnerou os dispositivos legais inseridos no auto de infração, motivo pelo qual este deve ser anulado desde seu nascedouro em face da sua impropriedade como lançamento; Fl. 1653DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.654 7 não ocorreu, consoante o afirmado na descrição dos fatos e enquadramento legal, nenhuma diferença na base de cálculo para recolhimento, sendo imputado a empresa a responsabilidade tributária de recolhimento de valores decorrentes de pagamentos de cheque especial e seus respectivos créditos; com o confronto entre os extratos bancários colacionados ao processo administrativo e as notas fiscais apresentadas, apesar de por motivos de força maior não serem apresentadas em sua totalidade, encontramse comprovadas as vendas realizadas e os respectivos e devidos recolhimentos; a maioria dos movimentos financeiros destacados pelo Fisco, que se destacam nos extratos bancários, é decorrente da cobertura do cheque especial acima mencionado, havendo o crédito em conta por parte do banco, através do crédito em cheque especial, e o correspondente pagamento com a mesma quantia, na tentativa de garantir a saúde financeira da empresa, já que o limite era coberto em datas específicas pelo próprio banco; o equívoco e a desestruturação contábil da empresa informados em sede de impugnação retratam a realidade econômica/estrutural brasileira, que por vezes a falta de informação, ainda que assistido por profissional técnico da área, faz com que declarações ou informações sejam retratadas de forma equivocada, como se apresenta o caso, já que a defendente, por não informar as entradas para cobertura de limite e respectivas saídas para pagamento dos mesmos, fez parecer sua realidade financeira totalmente diferente do que realmente é; destarte, não se exime a autuada do seu erro em não ter prestado tais informações anteriormente, bem como em não poder comprovar todos os lançamentos ocorridos no ano em questão por terem sido, muitos deles, advindos de cobertura e pagamento do cheque especial, assim como em alguns casos antecipação de títulos de crédito; a autuada defende que se encontra viciado o procedimento que resultou na lavratura dos autos de infração, primeiro porque não houve a devida prorrogação do MPF, como determinado em lei, segundo, por entender que os valores levantados e considerados para efeito de lançamento são exorbitantes e abusivos, uma vez que desconsiderados os recolhimentos realizados e a movimentação declarada, havendo uma abusividade no valor cobrado; a realidade econômica brasileira vem, gradativamente, impossibilitando, devido aos altos e pesados impostos imputados, um crescimento empresarial no país. Os valores apurados no A.I. são incontestavelmente exorbitantes e abusivos, vez que a defendente faz provar a sua inexatidão, já que os dados que desencadearam a fiscalização, bem como a lavratura do auto, estão pautados justamente no demonstrativo de valores apurados através dos extratos bancários e do livrocaixa da empresa; é indevida a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) aos valores encontrados, uma vez que não teve a defendente o interesse em lesar o erário, tampouco fraudar o sistema, mas sim em pequeno percentual do valor auferido pela Receita foi a defendente induzida a erro quando da demonstração e informação das origens dos valores constantes em sua movimentação bancária, já que entende ser abusivos os valores em sua maioria, já que desconsiderados os valores recolhidos, declarados e resultantes de cobertura e pagamento de cheque especial; Fl. 1654DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.655 8 ainda que verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada e justificada, presumese a ocorrência de omissão de rendimentos tributáveis. Afastandose, entretanto, a aplicação da multa agravada em razão de não estar presente o evidente intuito de fraude previsto no parágrafo segundo do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Isso porque o conceito de evidente intuito de fraude não se presume e escapa à simples omissão de rendimentos quando ausente conduta material bastante para sua caracterização, sendo injustificada a imposta multa agravada; no caso de lançamento tributário fulcrado em depósitos bancários, apesar da presunção legal que confere ao Fisco o poder de lançar o imposto de renda, o 1º Conselho já decidiu que para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio, o que não ocorreu no presente caso. Este é o Relatório. Fl. 1655DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.656 9 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a matéria em litígio diz respeito a lançamento para a exigência de tributos abrangidos pelo regime de tributação simplificada – Simples, no período de janeiro a dezembro de 2006. A autuação está fundamentada em omissão de receita, apurada em razão da falta de comprovação de origem dos valores creditados/depositados nas contas bancárias da Contribuinte, ingressos estes que estavam registrados no Livro Caixa, mas nem todos com histórico que permitisse a identificação de sua origem. Pela alteração nas faixas de receita bruta acumulada e, conseqüentemente, nos percentuais para a apuração do Simples, a omissão de receita repercutiu em uma outra infração insuficiência de recolhimento sobre a receita declarada, que também foi objeto de lançamento. Além disso, as receitas omitidas em 2006 fizeram com que a Contribuinte ultrapassasse o limite de receitas permitido para a opção pela tributação simplificada, o que resultou em sua exclusão do Simples, a partir de 01/01/2007, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 (fls. 103). PRELIMINAR. Quanto aos alegados problemas relacionados ao MPF, no que diz respeito à sua espécie e à sua prorrogação, cabe mencionar que o antigo Conselho de Contribuintes já pacificou entendimento no sentido de que a natureza do MPF é a de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972, conforme ementas transcritas abaixo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PORTARIA SRF Nº 1.265/99. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE. O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades, tampouco deslocar a data do inicio do procedimento fiscal no âmbito do processo administrativo. A Portaria SRF nº 1.265/99 estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sendo o Mandado de Procedimento Fiscal MPF um instrumento de controle administrativo da atividade fiscal. (Acórdão 1024791, de 21/09/2006) Fl. 1656DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.657 10 PIS. MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento meramente administrativo. Eventual irregularidade em relação ao mesmo não contamina o lançamento que tenha obedecido às regras do Processo Administrativo Fiscal. (Acórdão 20177550, de 17/03/2004) Ementa: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL.A despeito da correta emissão dos Mandados de Procedimento Fiscal MPF, este se constitui de mero controle administrativo, visando, sobretudo, proporcionar segurança ao contribuinte, não tendo o condão de tornar nulo lançamento corretamente efetuado, sob pena de contrariar o Código Tributário Nacional e o Decreto nº 70.235/72, o que não se permite a uma Portaria. (Acórdão 201 79542, de 24/08/2006) PAF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL A competência para execução de fiscalização, delegada através de Mandado de Procedimento Fiscal, não desconhece o princípio da competência vinculada do servidor administrativo e da indisponibilidade dos bens públicos. O MPF é mero instrumento de controle administrativo da fiscalização, na medida em que a competência que o auditor fiscal tem para realizar o trabalho de lançamento decorre da Lei. Ademais, continuação de trabalho fiscal com prorrogação feita, tempestivamente, por meio eletrônico, é válida nos termos das Portarias do Ministério da Fazenda de n° 1265/1999 e 3007/2001. (Acórdão 10808696, de 25/01/2006) Realmente, a competência dos Auditores Fiscais está definida em Lei, em sentido estrito, e as repercussões de irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Não obstante essas considerações, vêse que todo o procedimento fiscal foi conduzido ao amparo de MPF válido. A Portaria RFB nº 11.371/2007, em seu art. 4º, estabelece que o MPF será emitido exclusivamente em forma eletrônica, e que a ciência do MPF pelo sujeito passivo dar seá por intermédio da Internet, no endereço eletrônico “www.receita.fazenda.gov.br”, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal. A mesma Portaria, em seu art. 9º, determina que também serão procedidas mediante registro eletrônico as alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração. Nesse passo, cabe destacar que o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 105/106) indicava o código de acesso para a confirmação e acompanhamento do MPF no sítio eletrônico da Receita Federal (código: 18099957). E depois de iniciada a Fiscalização, cada termo de intimação recebido representava evidentemente uma comunicação da continuidade do procedimento e, por Fl. 1657DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.658 11 conseqüência, a prorrogação do prazo final para a sua conclusão, circunstância essa que poderia ser consultada e confirmada a qualquer momento pela Contribuinte no sítio eletrônico da Receita Federal, com o código de acesso acima mencionado. Essa consulta no endereço eletrônico da Receita Federal retorna as seguintes informações: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO Nº 05.1.01.002009016029 (...) PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES: SIMPLES NACIONAL PERÍODOS: 01/2006 a 12/2006 (...) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ALTERADO EM 06/04/2010 NATUREZA DA ALTERAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL: FISCALIZAÇÃO TRIBUTOS/CONTRIBUIÇÕES INCLUÍDOS : SIMPLES PERÍODOS : 01/2006 a 12/2006 (...) DEMONSTRATIVO DE PRORROGAÇÕES VALIDADE DE PRORROGAÇÃO DOS MPFs MPF prorrogado até: 08 de Junho de 2010. (grifos acrescidos) A fiscalização foi encerrada em 19/04/2010. Vêse, portanto, que não houve qualquer problema quanto à validade do MPF, eis que sua prorrogação foi além da data da conclusão da auditoria fiscal, da mesma forma que não há problema quanto à espécie do MPF, porque se trata de MPFFiscalização, e não de MPFDiligência, como alegou a Recorrente. Deste modo, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, cabe registrar que durante a auditoria foi constatado que nem todos os ingressos financeiros escriturados no Livro Caixa estavam devidamente identificados. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal TVF, faltava no histórico “lançado no caixa” a origem do ingresso. Diante disso, foi emitido o Termo de Intimação Fiscal datado de 15/03/2010, com ciência pessoal nesta mesma data, solicitandose a comprovação da origem dos valores escriturados no Livro Caixa e creditados/depositados nas contas correntes mantidas pela Fl. 1658DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.659 12 fiscalizada no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A, conforme relação anexa ao referido termo (fls. 115 a 137), sob pena de estes ingressos ensejarem lançamento a título de omissão de receitas, nos termos do art. 849 do RIR/1999, que é uma reprodução do art. 42 da Lei 9.430/1996. A Contribuinte não comprovou a origem dos recursos, o que motivou o lançamento, como previsto na intimação fiscal. De acordo com o TVF, após apuração e levantamento de todos os ingressos no Livro Caixa, representados por créditos/depósitos em conta corrente do Banco do Brasil e Bradesco, foram expurgados destes os valores de estornos, devoluções de cheques depositados, bem como outros valores que por seu histórico não configuravam receita. Na apuração dos valores a tributar, também foram excluídas as receitas constantes da Declaração Simplificada – PJSI apresentada pela Contribuinte, o que resultou nas seguintes diferenças, conforme demonstrativo de fls. 75, que serviram de base para a autuação: PA Receitas conforme Receitas tributadas Total de Receita Caixa e Extratos no SIMPLES omitida a tributar jan/06 262.715,81 32.976,11 229.739,70 fev/06 247.175,72 33.403,70 213.772,02 mar/06 180.673,79 35.101,48 145.572,31 abr/06 284.502,74 40.949,07 243.553,67 mai/06 296.053,18 42.023,15 254.030,03 jun/06 235.697,78 35.905,19 199.792,59 jul/06 402.538,05 38.125,90 364.412,15 ago/06 320.085,17 37.190,00 282.895,17 set/06 254.044,50 32.135,00 221.909,50 out/06 219.072,27 33.192,00 185.880,27 nov/06 311.700,93 34.152,00 277.548,93 dez/06 218.172,21 33.900,00 184.272,21 Total 3.232.432,15 429.053,60 2.803.378,55 É importante destacar que a Contribuinte registrou estes ingressos no Livro Caixa, embora em alguns casos com histórico insuficiente para indicar a origem dos recursos, mas uma análise deste livro (às fls. 196 a 304) evidencia que as entradas vindas de “clientes” (portanto, receitas) já superam em muito os valores declarados pela Contribuinte à Receita Federal, por meio de sua PJSI. Não há outros valores a serem excluídos do lançamento, ao contrário do que alega a Recorrente. No caso, toda a receita anteriormente declara já foi excluída do auto de infração. Além disso, a Recorrente não trouxe nenhum elemento para demonstrar que a Fiscalização deixou de excluir algum valor de estorno, devolução de cheque depositado, ou qualquer outro ingresso, seja em Bancos, seja no Livro Caixa, que não configurasse receita. Fl. 1659DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.660 13 Ela apenas juntou uma grande quantidade de notas fiscais, acompanhadas de boletos, duplicatas e relatórios bancários, mas estes documentos não são suficientes para demonstrar que houve qualquer cômputo indevido ou em duplicidade na apuração da Receita Bruta. Quanto a estes documentos, a Delegacia de Julgamento fez as seguintes observações: (...) Na sua impugnação a interessada alega que os valores referentes ao primeiro trimestre do AC/2006 estariam comprovados pelas notas fiscais anexas (Doc. 01) e planilhas inerentes aos lançamentos ocorridos nos meses de janeiro a março (Doc. 02). Diz ainda que muitos depósitos se referem a descontos antecipados de títulos de crédito, meio encontrado pela autuada para poder sobreviver no mercado de trabalho e assim sanar suas pendências financeiras, evitando com isso maiores prejuízos. Agora, examinando as notas fiscais anexadas pela impugnante como sendo de vendas de medicamentos, atreladas às respectivas duplicatas, relativas aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2006, às fls. 1433/1580, verificase que muitas delas coincidem com aquelas relacionadas no anexo ao termo de intimação em que foi requerida a comprovação dos créditos que serviram de base aos lançamentos (fls. 115/137). E dá para concluir que os seus valores devem ser de fato tributados, pois constituem receita bruta da PJ do Simples, tais como, por exemplo, os valores de R$ 2.500,00, recebido em 31/03/2006 (duplicata/fatura às fls. 1558/1559), e o de R$ 480,70 recebido em 29/03/2006 (boleto/fatura às fls. 1541/1542), que figuram na relação da autuante. O mesmo ocorre com outras notas fiscais anexadas pela impugnante, a exemplo do valor de R$ 519,90, da Nota Fiscal Fatura à fl. 409, recebido em 01/12/2006, e ao valor de cobrança de R$ 3.734,97 lançado a crédito pelo BB em 05/12/2006 (fl. 425), também relacionadas pela autuante para comprovação de origem. Não é demais lembrar que a parcela da receita bruta escriturada no Livro Caixa e declarada na DSPJSimples do AC/2006 foi devidamente excluída dos lançamentos, conforme se observa nos demonstrativos às fls. 75/99, integrantes dos autos de infração. Então as notas fiscais atreladas aos valores elencados pela autuante, que a contribuinte alega serem de vendas constitui receita do Simples Federal, sendo correta a sua tributação por tal sistemática. Portanto, a despeito da alegação da impugnante de inexatidão e de falta de motivação para lavratura dos autos de infração, não Fl. 1660DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.661 14 vejo qualquer evidência de anormalidade que pudesse motivar a revisão dos mesmos, razão pela qual devem prosperar. Registrese, por fim, que a comprovação da origem de depósitos bancários só afasta a tributação se ficar comprovado que os valores já foram tributados, são nãotributáveis ou tributáveis exclusivamente na fonte. Não há dúvida de que os valores constantes das notas fiscais são relativos a vendas e que, portanto, configuram receitas a serem tributadas. Sua exclusão poderia ocorrer na medida em que a Contribuinte vinculasse os ingressos bancários às notas fiscais, de modo a demonstrar que valores recebidos, por exemplo, com descontos de duplicatas, haviam sido oferecidos à tributação em outro momento, em razão do regime de caixa. Nesse caso, a tributação realmente não poderia recair sobre uma determinada nota fiscal e novamente sobre o recebimento a ela relativo, uma vez que isto implicaria em duplicidade. Mas o valor total dos ingressos (R$ 3.232.432,15) é muito superior às receitas declaradas (R$ 429.053,60), o que inviabiliza o argumento apresentado pela Recorrente. Além disso, como já mencionado, a autuação não está baseada apenas nos ingressos bancários, eis que estes ingressos também foram registrados no Livro Caixa (embora alguns apresentem histórico insuficiente para identificação da origem), e não faria qualquer sentido a Contribuinte escriturar no livro duas vezes um mesmo ingresso ou uma mesma receita. Com efeito, a divergência de datas e valores poderia ocorrer entre extrato bancário e Livro Caixa, mas não intrinsecamente no próprio Livro. A Contribuinte também alega que a maioria das entradas autuadas pelo Fisco está relacionada à cobertura de seu cheque especial, correspondendo a crédito em conta por parte do banco, quantias que a Contribuinte tinha que repor em sua conta bancária, nos mesmos valores cedidos pelo banco, mas isto não condiz com os históricos dos extratos bancários, e nem mesmo com os históricos de seu Livro Caixa, que indicam para a grande maioria das entradas as seguintes informações: “Vlr recebido cheque”, “Vlr cheque compensado”, “Vlr depósito em cheque clientes”, “Vlr depósito clientes”, “Vlr depositado clientes”, “Vlr cobrança clientes”, “Vlr transferência clientes”, “Vlr depósito on line clientes”, “Vlr transferência on line clientes”, dentre outros. Nesse caso, para confirmar suas alegações, caberia à Contribuinte comprovar que estas entradas teriam origem nos próprios recursos da empresa, conforme declarados à Receita Federal, o que não seria uma tarefa fácil, pois as receitas declaradas no montante de R$ 429.053,60 não seriam suficientes para justificar entradas no montante de R$ 3.232.432,15. Os argumentos da Contribuinte realmente não afastam a omissão de receitas, que já estaria caracterizada até mesmo pelos registros do Livro Caixa. Fl. 1661DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.662 15 Quanto à qualificação da multa, considero importante afirmar inicialmente que o Dolo, como elemento subjetivo do tipo tributáriopenal qualificado, pode também estar presente nas condutas omissivas, e não apenas naquelas onde se constata uma falsidade materializada documentalmente. Como elemento subjetivo do tipo, o Dolo é a consciência e a vontade de o agente realizar a conduta que está descrita em cada um dos tipos legais. E como vontade e consciência, jamais estará colado ao próprio fato que está sendo taxado como infração ou delito, ao contrário, o Dolo é sempre revelado no contexto geral dos fatos, ou seja, nos elementos que circundam o ocorrido. Não fosse assim, não haveria a previsão dos crimes omissivos impróprios no Direito Penal, que traz o dolo como regra. Em razão disso, no âmbito das relações jurídicotributárias, resta cada vez mais superado o tabu quanto à possibilidade de visualização do dolo nas condutas omissivas, ou seja, naquelas em que o contribuinte se omite na prática de algum ato, buscando eximirse do recolhimento de tributos, por exemplo, quando, de forma contumaz, deixa de declarar as suas receitas. Realmente, não é correta a idéia de que, para a qualificação da multa, deve haver necessariamente uma prova material do dolo, até porque, dada a sua natureza, como consciência e vontade, isto nem sempre é possível. O que se prova materialmente são fatos, por meio do chamado corpo de delito. E é justamente por isso que o dolo pode estar na omissão, ou seja, em uma não ação. Os próprios tipos legais para a qualificação da multa, nos termos da Lei 4.502/1964, não deixam qualquer dúvida a esse respeito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. (grifos acrescidos) No caso em questão, observase que a Contribuinte reiteradamente, ao longo de todo o ano de 2006, apurou o Simples a partir de uma receita muitas vezes menor do que a efetivamente auferida, e, posteriormente, também omitiu estas receitas do Fisco, quando as declarou em valores muito inferiores à realidade. Fl. 1662DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.723472/201094 Acórdão n.º 180201.003 S1TE02 Fl. 1.663 16 Diante destes fatos, das observações anteriores sobre o mérito da autuação, e considerando ainda os argumentos trazidos pela Recorrente, não vejo nenhuma possibilidade de ocorrência de erro não intencional. Quanto ao problema de o lançamento basearse em presunção legal, cuja base de cálculo foi obtida a partir de extratos bancários, é importante registrar que os valores autuados também estão refletidos no Livro Caixa, não havendo dúvidas de que se trata de recursos relativos a receitas auferidas junto aos clientes, conforme indicam os próprios históricos constantes daquele livro, como já mencionado anteriormente. Portanto, considero plenamente configurada a hipótese da qualificadora. Quanto ao ato de exclusão do Simples (ADE DRF/SDR/SEFIS nº 07/2010 fls. 103), cabe registrar que não houve por parte da Contribuinte nenhuma manifestação expressa no recurso voluntário. Cabe observar também que na manifestação de inconformidade de fls. 401 a 403, dirigida à Delegacia de Julgamento, a Contribuinte não apresentou nenhuma questão diferente das já tratadas tanto na decisão de primeira instância, quanto no presente voto. Ela apenas nega que tenha ultrapassado o limite legal de receita bruta no anocalendário de 2006. Nestes termos, a exclusão do Simples configura mera decorrência da infração relativa à omissão de receitas. Assim, uma vez mantida a omissão, e verificando que a Contribuinte realmente ultrapassou, em 2006, o limite de receita permitido para os optantes do regime simplificado, concluo que a decisão de primeira instância também não merece qualquer reparo.em relação a esse aspecto. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 1663DF CARF MF Impresso em 03/11/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 24/10/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 02/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13820.001015/2002-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 201-00.794
Decisão: RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do
recurso em diligencia.
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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I)F G/\RFMl' MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CÂMARA Processo n° 13820.001015/2002-53 Recurso nO 136.883 Voluntário Assunto Solicitação de Diligência Resolução n° 201-00.794 Data 07 de novembro de 2008 Recorrente SCORPIOS DA AMAZÔNIA LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto - SP • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. r'1,660 CC02/COI F1s,329 • RESOLVEM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. b1-.~o.... l tvUDaJt 0.1~Of)' •JbsEfà MARIA COELHO MÀRQU1S~- I Presidente ~,. O U~!~. ~~RAMIDAS' Relatora Participaram, ainda, da presente resolução, os Conselheiros, Walber José da Silva, Maurício Taveira e Silva, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Ivan Allegretti (Suplente) e Gileno Gurjão Barreto. ~3erv)nsu!t;-;1do no c~':dereç() ConwH". il página de auten1icação no deste docurncnto, DF GARF MF Processo n.o 13820.001015/2002-53 Resolução n.o 201-00.794 Relatório FI. 662 CC02/COI Fls. 330 • Trata-se de pedido de ressarcimento de IPI com base nos termos do art. 5!?da Lei n!?9.826/99, referente ao período de apuração do 2!?trimestre do ano de 2000. Parte dos produtos produzidos teriam sido remetidos à Zona Franca de Manaus e o restante destinados à fabricação de motocicletas. Por serem saídas com suspensão do IPI, a recorrente teria direito a manter o creditamento e, conseqüentemente, ao ressarcimento de valores e compensação com tributos federais. Intimada a apresentar documentos que comprovassem o crédito pleiteado, a recorrente não se manifestou, tendo sido indeferido seu pedido de ressarcimento (fls. 49/50, vol. I). Inconformada, a recorrente apresentou suas razões de inconformidade (fls. 53/62), oportunidade em que anexou o que seriam os documentos comprobatórios da existência do crédito, como notas fiscais de entrada e saída (amostragem), cópia da DIPl e DCTFs, do livro de Registro de Apuração do IPI e do livro Diário, onde se registraram os créditos. Alegou a existência do crédito e a desnecessidade de apresentar os documentos requerídos pela autoridade administrativa. Foi apensado aos autos deste Processo o de n!?13820.000398/2000-91, em que a recorrente havia pleiteado os mesmos créditos, sem obter êxito, em razão da ausência dos documentos necessários, a despeito das intimações recebidas. Logo, extinguiu-se o processo sem o que a recorrente define como "julgamento do mérito", posto que sequer foi apresentada manifestação de inconformidade contra o indeferimento do direito ao crédito. Após a análise dos documentos, a Segunda Turma da DRJ em Ribeirão Preto - SP proferiu o Acórdão nQ 11.772, em 29/03/06, fls. 271/278, por meio do qual manteve a negativa do Despacho Decisório, sob os seguintes fundamentos: (i) a autoridade administrativa pode e deve solicitar a apresentação de documentos que comprovem a existência de créditos pleiteados pelos contribuintes e, pelas regras que regem o processo administrativo, é a recorrente quem deve comprovar a existência de seu direito; (ii) a recorrente apenas teria instruído o pedido de ressarcimento com uma planilha genérica, com os totais mensais do crédito pleiteado e cópia do livro de Apuração do IPI; (iii) não teria constado do processo: a relação dos produtos fabricados pela empresa; a indicação de qual teria sido enviado à ZFM; a menção à classificação fiscal dos produtos fabricados; as notas fiscais de compra (insumos) ou as informações sobre o insumo utilizado na industrialização; (iv) não teria havido comprovação do envio dos produtos à ZFM; ~ ~ i?ocun:€I~O de 397 pàgi;)d(~l c~.n~;Tl~~Odigit~lrn8nl;. ~ode ".e' consultado, no ,e~1c:{:r_8ç?,~1:1ps:j!ca,:.re?eitaJazendEl,f1ov.brieCACjpublico/login.as~x 1;010COdl"O de locai:zaç,.,o EP1 f ,,,ui, . ,4192.1"192. ,.,ol,suli.e d r,agl:l3 Of, 3dlE:l ,tc.;lçao ,1" "nal deSLe oocumenlo. DF GAH.F MF Processon,O 13820.00101512002.53 Resoluçio n.O 201-00.794 r:I,664 CC02lCOI Fls. 331 (v) os documentos apresentados posteriormente ao indeferimento do pedido de ressarcimento não podem ser analisados pela Delegacia na fase de julgamento, em razão de ser de competência da DRF; e (vi) sem mencionar que o simples não atendimento à Fiscalização já seria razão suficiente para o indeferimento do pleito. Indignada, a recorrente opôs recurso voluntário (fls. 282/303, vol. 11),por meio do qual reiterou suas razões de inconformidade e acrescentou as alegações de que teria apresentado toda a documentação necessária à comprovação de seu direito, a qual sequer foi analisada pela Delegacia de Julgamento; discorreu, ainda, acerca da possibilidade de serem aceitos documentos quando da apresentação de manifestação de inconformidade, inclusive se a autoridade administrativa não compareceu à sede da empresa para verificação dos documentos in locu. Rechaçou, ainda, o fato de a decisão ter se fundamentado na ausência de provas produzidas no Processo de n!! 13820.000398/2000-91, por se tratarem de procedimentos autônomos, sendo certo que o direito ao crédito estaria comprovado nestes autos. É o Relatório . • Documento de ::iS? páoinai,,) confirmado digi!ai'nente, Pode ser consultado no endereco httPs:!icav,receílaJazenda.gov,br!eCAC!!Jubliço!login.a~x pelo codl\jo de !oGaliza~ção'c'P', 7.0317, 14192.FI92, Consulte a página de au!enl'cação' no fnôl deste documento, . DF CARF MF Processo n.o 13820.001015/2002.53 Resolução n.o 201-00.794 Voto Conselheira FABlOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora FJ,666 CC02/COI Fls. 332 ~ • Conforme relatado, a recorrente utiliza-se deste procedimento administrativo para requerer o ressarcimento de valores a título de IPI. Realmente, não apresentou as provas necessárias quando intimada para tanto, todavia, juntou-as no momento da impugnação (no caso da manifestação de inconformidade). A questão é que os documentos trazidos à colação não foram analisados pela autoridade administrativa, seja ela julgadora (DRJ) ou fiscalizadora (DRF), o que inviabilizou que a contribuinte comprovasse seu direito. Concordo que o fato de a recorrente não ter atendido a nenhuma das intimações recebidas em que se requeria a apresentação dos documentos não conta pontos a seu favor e, inclusive, pode levar à conclusão de má-fé da empresa ou da inexistência dos créditos. Entretanto, ao trazer documentos ainda na fase da defesa administrativa de primeira instância, a recorrente elide esta presunção e as provas não podem ser simplesmente ignoradas (antecedentes jurisprudenciais: Recursos n~s 143.572, 121.225, 105.166 e 146.102). Dos documentos apresentados, verifico a plausibilidade do pedido, bem como da existência de algum crédito em favor da recorrente. Efetivamente, as notas fiscais de saída (fls. 230/266) comprovam a saída de mercadorias para a Zona Franca de Manaus ou a ocorrência da suspensão do imposto em virtude da incidência do art. 5~da Lei n~9.826/99. Não digo que tais notas são suficientes para a concessão do crédito, mas trazem a esta Julgadora a dúvida sobre a existência do suporte contábil e, assim, também, conseqüentemente, o direito ao ressarcimento. Em vista deste fato e da ausência de diligência in [oeu para verificação dos documentos, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que o agente administrativo: (i) analise os documentos apresentados junto ao recurso de manifestação de inconformidade para concluir se são suficientes para justificar o crédito pleiteado; (ii) não sendo suficientes: (a) intime a recorrente para apresentar documentação do suporte hábil no prazo de 30 (trinta) dias; (b) analise tais documentos; (c) elabore parecer conclusivo acerca da existência ou não de créditos; e (d) intime novamente a recorrente para manifestação acerca do parecer, em 30 (trinta) dias; e (iii) sendo suficientes para a concessão do crédito, a autoridade administrativa deverá: (a) elaborar parecer conclusivo; e (b) intimar a recorrente para manifestação acerca do parecer, em 30 (trinta) dias. É como voto. 00000001 00000002 00000003 00000004
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Numero do processo: 19515.005284/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA.
A promessa de compra e venda de imóvel consubstancia-se em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2.
A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96.
Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4.
Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-005.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA. A promessa de compra e venda de imóvel consubstancia-se em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplica-se a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ART. 42 DA LEI 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PROMESSA COMPRA E VENDA IMÓVEIS. ALIENAÇÃO. GANHO DE CAPITAL. RESCISÃO DO CONTRATO. IRRELEVÂNCIA. A promessa de compra e venda de imóvel consubstanciase em forma de alienação, sendo que eventual rescisão do contrato não interfere na apuração do ganho de capital referente às parcelas já percebidas em decorrência da avença. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. CONFISCO. SÚMULA CARF Nº 2. A imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização tributária, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Quando o questionamento da multa se atém a matéria de índole constitucional, aplicase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 4. Não havendo sido adimplida a obrigação tributária no prazo previsto na legislação, incidem juros de mora à taxa Selic, conforme enuncia a Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 52 84 /2 00 8- 14 Fl. 344DF CARF MF 2 devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Fernanda Melo Leal. Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 602 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC, que julgou procedente Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativo aos anoscalendário 2003 e 2004, face à apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, e de omissão de ganhos de capital na alienação de imóvel denominado Fazenda Nova Esperança, situado no Município de Juína, MT (Termo de Verificação Fiscal às fls. 143 e ss). Não obstante impugnada (fls. 171 e ss), a exigência foi mantida pela decisão de primeira instância, a qual apenas recalculoua considerando a redução sobre os ganhos de capital prevista no art. 18 da Lei nº 7.713/88 (fls. 275/290). O recurso voluntário foi interposto em 22/4/2014 (fls. 313/315), sendo então aduzido que: celebrou em 24/3/2003 contrato particular de promessa de compra e venda do imóvel em questão com Nilvo Folle, constando o recorrente como vendedor, havendo aquele no entanto pago somente R$ 1.108.000,00 de um preço total de R$ 1.700.000,00, não havendo ainda assumido as obrigações vinculadas ao imóvel e derivadas do contrato perante o Banco do Brasil; o negócio deverá ser rescindido em razão do inadimplemento, cabendo ao impugnante devolver a importância recebida superior a R$ 340.000,00, correspondente a 20% do valor pactuado, nos termos da cláusula 44 do referido contrato, não havendo, dadas essas razões, falar em lucro imobiliário; houve resilição do negócio jurídico e notificação ao comprador, então a alienação não foi finalizada, tendo sido incorreto o enquadramento realizado pela fiscalização; os valores em sua conta bancária se tratam de reembolso de despesas proveniente de viagens a trabalho, estandose a impor penalidade severa sem ao menos avaliar a origem dos depósitos; Contesta ainda a multa de ofício que reputa confiscatória, pugnando pelo sua aplicação no patamar de 20%, bem como a taxa de juros SELIC. Pede, ao final, o cancelamento do débito fiscal. São juntados em 6/5/2014 documentos, extratos do Banco do Brasil no qual constam débitos de encargos contratuais. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No que diz respeito à infração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos de origem não comprovada, mister frisar que ela foi apurada tendo como base legal o art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo que desde o início da vigência desse preceito a existência de depósitos bancários sem comprovação da origem, após a regular intimação do sujeito passivo, passou a constituir hipótese legal de omissão de rendimentos e ou/receita. Portanto, cabe ao Fisco demonstrar a existência de depósitos bancários de origem não comprovada para que se presuma, até prova em contrário, a cargo do contribuinte, a ocorrência de omissão de rendimentos. Tratase de presunção legal relativa, bastando assim que a autoridade lançadora comprove o fato definido em lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, para que fique evidenciada a referida omissão. Nesse contexto, a alegação genérica de que os depósitos correspondem a reembolso de despesas da atividade profissional do contribuinte, sem quaisquer documentos a lhe embasar, não preenche as condições legais para ser considerada como apta a justificar os depósitos em tela. E salientese, apesar de não haver previsão legal para que a justificação da origem se dê com coincidência de datas e valores, o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 exige que a comprovação demandada aconteça de maneira individualizada. Destarte, intimado e reintimado o recorrente a comprovar a origem dos recursos depositados/creditados devidamente discriminados pela fiscalização conforme termos de fls. 27/28, de fls. 32 e de fls. 83 e não se desincumbindo desse ônus probatório que lhe foi legalmente transferido, ficou caracterizada a omissão de rendimentos. Vale referir, ainda, que os valores relativos à alienação do imóvel, bem como ao resgate de aplicações financeiras e situações similares, foram excluídos pela autoridade fiscal dos créditos sujeitos à justificação (fl. 148 e ss). Quanto ao ganho de capital, temse como inconteste que o recorrente firmou contrato de promessa de compra e venda da Fazenda Nova Esperança, pelo preço de R$ 1.700.000,00, havendo recebido do comprador, ao longo dos anoscalendário 2003 e 2004, R$ 1.108.000,00 em virtude de tal avença. Exsurge de plano, então, a incidência do imposto sobre a renda face à aquisição de disponibilidade econômica revelada, forte no art. 43 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 603 5 I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1oA incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (...) Com visto, optou o legislador ordinário por considerar, de maneira expressa, a promessa de compra e venda como forma de alienação, para fins de mensurar eventual ganho de capital auferido em operação que envolva contrato dessa espécie. Reza o art. 3º da Lei nº 7.713/88: Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei.(Vide Lei 8.023, de 12.4.90) § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. (...) (grifei) Por sua vez, os art. 116 do CTN assim dispõe: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; Fl. 348DF CARF MF 6 II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. (...) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. E, como bem apontado pela decisão guerreada, a cláusula que prevê a rescisão do contrato por falta de pagamento do preço ajustado configura modalidade de ato jurídico sob condição resolutória nos termos do inciso II do art. 117 supra, ou seja, modalidade em que a eficácia do negócio jurídico não fica pendente da ocorrência do evento futuro. Ela apenas extingue o direito já constituído anteriormente pelo instrumento de promessa de compra e venda, em virtude da ocorrência de evento futuro previsto no contrato (falta de pagamento do preço ajustado, no caso). Irrelevante, assim, haver previsão contratual acerca de rescisão do negócio jurídico, ou mesmo a efetiva ocorrência desse acontecimento, pois já perfectibilizado o fato gerador do imposto de renda nos termos da legislação encimada, impondose o recolhimento do tributo devido sobre as parcelas recebidas, ainda que estas não o sejam na totalidade prevista no instrumento contratual. As eventuais agruras que afligem o contribuinte, tais como cobranças bancárias, e que seriam decorrentes do inadimplemento contratual por parte do comprador, em nada interferem, deve ser dito, na cogência das normas tributárias examinadas. Verificado serem corretas as constatações da fiscalização, e não sendo apontadas falhas no cômputo do ganho de capital apurado considerandose a alienação do imóvel à vista, mas o imposto devido quando do recebimento das parcelas não há reparos a fazer na autuação, também sob esse prisma. No mesmo sentido, citese, a título ilustrativo, o Acórdão do CARF de nº 280101.642, j. 8/6/2011. Por sua vez, a imputação da multa de 75% advém da constituição do crédito tributário via procedimento conduzido de ofício pela fiscalização, visto que o contribuinte não cumpriu suas obrigações tributárias, e está prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Sua aplicação, portanto, é mera decorrência da legislação, e coerente com a constatação da autoridade fiscal no particular, ou seja, não haver sido pago o tributo devido. E, no tocante às alegações de caráter confiscatório dessa multa, e consequente prevalência do percentual de 20%, não devem elas prosperar, por ingressarem na trilha da suposta inconstitucionalidade de seu suporte legal, o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o que atrai a incidência no caso do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e da Súmula CARF nº 2, esta por força do art. 72 do RICARF: Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.005284/200814 Acórdão n.º 2402005.933 S2C4T2 Fl. 604 7 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Como remate, registrese que a incidência de juros de mora, face ao inadimplemento do tributo no prazo de regência, dáse por força de expressa previsão legal contida nos arts. 13 da Lei nº 9.065/95, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, sendo irrelevante qualquer conjetura acerca do aspecto volitivo da conduta do contribuinte para sua aplicação. Não bastasse, a matéria já foi sumulada pelo CARF, valendo trazer à colação o enunciado em referência: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto no sentido negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 350DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.001544/2005-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-000.679
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Comprovado nos autos, por prova direta obtida na escrituração mantida, a omissão de receitas e a insuficiência de recolhimento, procedente a exigência fiscal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 307DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Edgar Silva Vidal e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o presente processo de autos de infração à legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, que exigem da empresa acima qualificada o crédito tributário no montante total de R$ 367.229,11, aí incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora calculados até a data da lavratura (fls. 187/200). De acordo com o relato constante da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do auto de infração, foram apuradas, em procedimento fiscal as seguintes irregularidades: 1) Falta de escrituração nos Livros Diário e Razão, de valores de receitas de prestação de serviços escriturados no Livro Registro de Serviços, relativamente aos terceiro e quarto trimestres do anocalendário 2001; 2) Imposto de Renda Pessoa Jurídica devido, recolhido e/ou declarado a menor em DCTF, referente ao segundo trimestre do ano calendário de 2001, conforme Demonstração de Resultado do Exercício e LALUR; 3) Imposto de Renda e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido não recolhidos e nem declarados em DCTF, referentes ao quarto trimestre do anocalendário 2001, apurados em Demonstração do Resultado do Exercício e LALUR. Cientificada das exigências em 22/06/2005, apresentou a contribuinte impugnação tempestiva, na qual alega, em suas palavras, que: 1) “a exigência tributária na forma constituída não poderia subsistir, considerando, principalmente, a sua fundamentação equivocada pois, conforme demonstrativo de apuração da receita bruta anexo 01 o autuante tomou como fonte os valores escriturados no Livro de Registro de Prestação de Serviços, confrontandoos com os constantes da DRE/DCTF, considerando a diferença encontrada como omissão de receita ou de recolhimento, residindo aí o equivoco;” 2) “por imposição do fisco municipal as notas fiscais de serviço emitidas são escrituradas em rigorosa ordem cronológica de emissão e respectiva seqüência numérica. Dessa forma, independentemente do regime contábil de lançamento, estão escrituradas no Livro de Registro de Prestação de Serviços;” 3) “enquanto a apuração do resultado e a DCTF consideram o regime de caixa ficam excluídos os valores faturados a prazo, classificados na rubrica “contas a receber”; desse modo, os valores descritos no auto de infração, item 001 – Omissão de Fl. 308DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10320.001544/200542 Acórdão n.º 180100.679 S1TE01 Fl. 302 3 Receitas Receitas não contabilizadas, fato gerador 30/09/2001, no valor de R$ 5.413,00, 0. corresponde ao somatório das notas fiscais no.s 503 e 506, emitidas em setembro/2001, referentes a serviços a prazo, contabilizadas como receitas antecipadas/contas a receber, que se direciona para exercício futuro;” 4) “a outra parcela indicada no auto de infração, com a tipificação já mencionada, no valor de R$ 366.374,68, fato gerador 31/12/2001, na realidade o valor correto seria R$ 329.382,74, de igual modo se constitui o somatório das notas fiscais n ºs 546, 547, 560 e 564, emitidas em dezembro/2001, para recebimento no exercício futuro;” 5) “quanto aos valores que constituem o item 02 Resultados Operacionais não declarados: o primeiro, de R$ 158.920,00, fato gerador 30/06/2001, na realidade o imposto devido foi declarado, apenas deixou de ser calculado o adicional, cujo valor originário é R$ 9.892,00, estando o seu pagamento sendo providenciado;” 6) “o segundo valor desse mesmo item, de R$ 77.850,00, fato gerador 31/12/2001, havia sido declarado e o recolhimento respectivo ocorreu em 22/06/2005, conforme DARF anexo, usando a faculdade estabelecida no art. 19, da Lei n° 3.470/58, não sendo cabível a sua exigência nos autos de IRPJ;” 7) “no que se refere ao auto de infração da CSLL, no valor de R$ 94.904,84, a impugnante alega que por se tratar de lançamento reflexo do auto de infração do IRPJ, a que se reportou nos parágrafos precedentes, aplica os mesmos argumentos de defesa utilizados para o lançamento formalizado pelo auto de infração do IRPJ, por se tratar das mesmas infrações, dos mesmos fatos geradores, dos mesmos valores tributáveis ou contribuições, dos mesmos equívocos cometidos pelo autuante e por conseguinte das mesmas insubsistências. DARF's respectivos anexos.” A 4a. Turma da DRJ em Fortaleza/CE proferiu o Acórdão 0813.592 e julgou as exigências procedentes (fls. 279/286). Aquela autoridade rejeitou, por falta de prova, as alegações de que as receitas consideradas omitidas nos terceiro e quarto trimestres de 2001 teriam sido reconhecidas em período posterior, assim como afastou qualquer alegação de postergação de pagamento de imposto, apoiandose em jurisprudência administrativa. Quanto à exigência relativa ao segundo trimestre de 2001 esclareceu que somente foi lançado o adicional que deixou de ser recolhido, no valor de R$ 9.892,00, o que fora admitido pela própria impugnante que, no entanto, não comprovou o pagamento da referida parcela como afirmou na peça de defesa. No que respeita à infração capitulada como resultados operacionais não declarados relativa ao 4o. trimestre de 2001 observou que o pagamento em 22/06/2005, conforme DARF à fl. 273, foi efetuado após a ciência do lançamento, razão pela qual não poderia ser aplicado o benefício do pagamento espontâneo, com o cálculo de multa de mora sobre o principal, quando a penalidade aplicável seria a multa de ofício, e também porque referido valor havia sequer sido previamente declarado. Assim, após demonstrar os cálculos do valor devido com acréscimo da multa de ofício e a sua redução em 50% pelo pagamento dentro do prazo da impugnação, manteve a exigência do valor de R$ 4.087,62, a título de IRPJ e R$ 2.452,45 a título de CSLL, relativamente a essa infração. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Notificada da decisão, em 30/07/2008, como demonstra a cópia do AR à fl. 292, a interessada apresentou, em 29/08/2008, o recurso voluntário de fls. 293 a 295, no qual reproduz as alegações de defesa deduzidas na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Em procedimento de auditoria fiscal o agente apurou, por prova direta, omissão no reconhecimento de receitas de prestação de serviços nos terceiro e quarto trimestres de 2001. A prova encontrase nos documentos angariados pela fiscalização e se referem à Demonstração do Resultado do Exercício (fls. 12/23), Lalur (fls. 24/28) e o Livro Registro de Prestação de Serviços e respectivas notas fiscais (fls. 29/186). Nele foram corretamente escriturados os valores recebidos pela empresa por serviços prestados nos referidos trimestres. Entretanto, por ocasião da apuração e pagamento do IRPJ e da CSLL devidos nesses períodos, os valores de R$ 5.413,00 (3o. trimestre), e R$ 366.374,68 (4o. trimestre) deixaram de ser computados no cálculo dos referidos tributos. A recorrente alega que escritura o Livro Registro de Prestação de Serviços pelo regime de competência enquanto que os seus resultados e a declaração dos valores em DCTF se dá pelo regime de caixa. Nesse sentido os valores de R$ 5.413,00 e R$ 366.374,68, para efeito de cálculo dos tributos devidos, teriam sido reconhecidos em períodos posteriores. Tal procedimento, entretanto, não tem qualquer amparo na legislação. A escrituração, a apuração dos resultados e o respectivo pagamento do IRPJ e da CSLL pelas pessoas jurídicas se dá pelo regime de competência. Assim está disposta toda a legislação. Ainda que fosse o caso de inobservância de regime de escrituração com possível postergação de pagamento de tributo, ainda assim o lançamento deveria ser efetuado, nos termos do que dispõe o artigo 273 do RIR/99: Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. Fl. 310DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10320.001544/200542 Acórdão n.º 180100.679 S1TE01 Fl. 303 5 Contudo, o procedimento invocado também não pode ser qualificado como postergação pois a recorrente não fez prova de ter incluído os referidos valores de receitas de prestação de serviços na apuração e cálculo do IRPJ e da CSLL em períodos posteriores. Assim os montantes respectivos devem ser tratados como omissão de receitas, pura e simplesmente, comprovadamente apurada por prova direta, na escrituração. Quanto aos demais argumentos da defesa nada há mais a acrescentar em relação ao que já foi consignado pela autoridade julgadora de 1a. instância. Ou seja, quanto ao resultado operacional não declarado, objeto do item 2 do auto de infração, referente ao 2o. trimestre/2001, somente foi calculado e exigido o adicional, de R$ 9.892,00 sobre a parcela de R$ 158.920,00; e quanto ao recolhimento efetuado após a ciência dos lançamentos e no prazo da impugnação, no que respeita à infração capitulada como resultados operacionais não declarados relativa ao 4o. trimestre de 2001, devem ser mantidas conforme decidido em 1a. instância. Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 311DF CARF MF Emitido em 04/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/10/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/ 2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 04/10/2011 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19740.720097/2009-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006
JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO.
O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões.
Numero da decisão: 3201-003.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente.
TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente. TATIANA JOSEFOVICZ BELISÁRIO Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 352 e seguintes) apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1234.044, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 00 97 /2 00 9- 81 Fl. 401DF CARF MF 2 Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (SP) (fls. 328 e seguintes), que assim relatou o feito: Tratase do Auto de Infração de fls. 84/118, lavrado pela Delegacia de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro em 08/06/2009, com ciência da Interessada nesta mesma data (fl. 885), no qual se exige CPMF, para fatos geradores que teriam ocorrido no período de 07/07/2004 a 31/12/2006, no valor total de R$ 61.991,26, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, com fulcro no que dispõem os arts. 2º, 4º, 5º, 6º e 7º da Lei nº 9.311/96 e art. 1º da Lei nº 9.539/97, o art. 84 das Disposições Constitucionais Transitórias acrescentado pelo art. 3º da Emenda Constitucional nº 37/2002 e o art. 3º da Emenda Constitucional nº 42/03. 2. No Termo de Verificação Fiscal – CPMF de fls. 14/19, que é parte integrante do Auto de Infração, os fatos foram assim descritos pelo Autuante, em síntese: Descrição dos Fatos que, em 25/03/2009, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 004, onde foi solicitado que a Interessada justificasse o não recolhimento da CPMF – código de receita 5884 – Instituição Financeira como contribuinte, decorrente de movimentação financeira para pagamento das suas despesas operacionais, bem como informasse sobre a existência de ação judicial proposta contra a cobrança da CPMF; que, em resposta de 01/04/2009, a Interessada justificou o não recolhimento com base no art. 8º, inciso IV, da Lei nº 9.311/96, bem como alegou que a movimentação financeira para pagamento de despesas operacionais, como salários, etc., seria tributada a alíquota zero, por força do disposto no inciso XIII do art. 8º da Lei nº 9.311/96; Legislação Tributária Aplicável Referente à Incidência da CPMF na Hipótese de Instituição Financeira como Contribuinte que, conforme dispõe o § único do art. 1º da Lei nº 9.311/96, a hipótese de incidência da CPMF é a movimentação ou transmissão de valores de créditos e direitos de natureza financeira, assim compreendida qualquer operação liquidada ou lançamento realizado pelas entidades referidas no art. 2º, que representem circulação escritural ou física de moeda, e de que resulte ou não transferência de titularidade dos mesmos valores, créditos e direitos; que, em atendimento às hipóteses de incidência da CPMF, o art. 2º da Lei nº 9.311/96 enumera as operações que estão sujeitas à incidência da CPMF: I – o lançamento a débito por instituição financeira, em contas correntes de depósito (...); II – o lançamento a crédito, por instituição financeira, em contas correntes que apresentem saldo negativo, (...); Fl. 402DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 402 3 III – a liquidação ou pagamento, por instituição financeira, de quaisquer créditos, direitos ou valores, por conta e ordem de terceiros, (...) IV – o lançamento, e qualquer outra forma de movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira, não relacionados nos incisos anteriores, efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira comercial e caixas econômicas; V – a liquidação de operações contratadas nos (...); VI – qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características (...); que o art. 3º da Lei nº 9.311/96 e alterações subseqüentes definem as hipóteses de não incidência da referida contribuição; que o art. 4º da referida Lei elenca os contribuintes: I – os titulares das contas referidas nos incisos I e II do art. 2º, ainda que movimentadas por terceiros; II – o beneficiário referido no inciso III do art. 2º; III – as instituições financeiras referidas no inciso IV do art. 2º; IV – (...); V – (...); que o art. 6º, também da referida Lei, descreve a base de cálculo: I – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 2º, o valor do lançamento e de qualquer outra forma de movimentação ou transmissão; II – (...); III – (...); IV – (...). Parágrafo único. O lançamento, movimentação ou transmissão de que trata o inciso IV do art. 2º serão apurados com base nos registros contábeis das institições ali referidas. que o art. 8º da Lei nº 9.311/96 define as hipótese de alíquota zero; que o inciso IV do art. 8º da Lei nº 9.311/96, apresentado na resposta da Interessada como base legal para o nãopagamento da CPMF, determina alíquota zero nos lançamentos efetuados pelos bancos comerciais, bancos múltiplos com carteira Fl. 403DF CARF MF 4 comercial e caixas econômicas, relativos às operações a que se refre o art. 3º da Portaria MF nº 244/04; que, com relação ao inciso XIII do art. 8º da Lei nº 9.311/96, também relacionado na resposta da Interessada, esta hipótese de alíquota zero foi introduzida pela MP nº 340, de 29 de dezembro de 2006, convertida na Lei nº 11.482, de 31 de maio de 2007, portanto produzindo efeitos em data posterior ao período fiscalizado; que destaca, também, a IN SRF nº 450, de 21 de dezembro de 2004, alterada pela IN SRF nº 610, de 17 de janeiro de 2006, que disciplina a cobrança e o recolhimento da CPMF; que, em resumo, a CPMF é devida pela Interessada na condição de contribuinte, com base, principalmente, no seguinte enquadramento legal: Hipótese de incidência (fato gerador) – Inciso IV do art. 2º da Lei nº 9.311/96; Na condição de contribuinte – Inciso III do art. 4º da Lei nº 9.311/96; Base de cálculo – Inciso I e parágrafo único do art. 6º da Lei nº 9.311/96. que enfatiza que as operações realizadas pela Interessada e sujeitas à alíquota zero (art. 8º da Lei nº 9.311/96 e art. 3º da Portaria MF nº 244/04) foram totalmente excluídas da apuração da base de cálculo da CPMF no período fiscalizado; Do Lançamento que, com base nos registros contábeis da Interessada no período de 01/07/2004 a 31/12/2006, procedeu a um levantamento das movimentações de valores de natureza financeira utilizados para pagamento de despesas operacionais, incluindo os tributos ou contribuições na qualidade de contribuinte no período fiscalizado, de forma a apurar a base de cálculo da CPMF; que tais movimentações foram obtidas das contas contábeis de nº 1.1.1.10.00.001 – Caixa, 1.1.3.10.00.001 – Banco Central – Reservas Livres em Espécie e 4.9.9.05.00.001 – Cheque Administrativo do período de 01/07/2004 a 31/12/2004, assinalandose que essas contas regitram todos os pagamentos feitos pela Interessada; que os pagamentos realizados pela Interessada utilizando a conta caixa são provenientes de recursos transferidos da conta 1.1.3.10.00.001 Banco Central – Reservas Livres em Espécie, conforme composição preparada pelo Autuante com base nos arquivos contábeis eletrônicos da Interessada e anexada ao presente processo, devendose destacar que a Folha de Pagamentos dos Funcionários é paga através de recursos classificados na conta caixa; que, assim, preparou um demonstrativo diário consolidando todas as operações sujeitas à tributação da CPMF na forma da Fl. 404DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 403 5 legislação tributária, e, a seguir, somou a movimentação de acordo com os diversos períodos de apuração e procedeu a sua inserção no Auto de Infração aplicando a alíquota de 0,38% em vigor no período de 01/07/2004 a 31/12/2006. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 30/06/2009, a Impugnação de fls. 290/302, com anexos de fls. 303/322, na qual requer a Improcedência do Auto de Infração, tendo em vista que a CPMF não se encontra mais em vigor e sua legislação contraria diversas disposições constitucionais, não podendo a Impugnante ser obrigada ao seu recolhimento e se sujeitar a uma multa extorsiva, que não tem razão de ser. 4. É o Relatório. Após exame da Impugnação apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2006 JULGAMENTO ADMINISTRATIVO DE CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. O julgamento administrativo fiscal é a atividade onde se examina a correção ou não dos atos praticados pelos agentes do fisco, sem discutir a legalidade ou constitucionalidade dos dispositivos legais que deram suporte àqueles atos, uma vez que é da competência do Poder Judiciário tratar destas questões. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário aduzindo, em sede de preliminar, cerceamento do direito de defesa, passando, a partir daí, a repisar (copiar) os mesmos argumentos despendidos em sede de impugnação. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Na hipótese dos autos, notase que o Recorrente limitouse, em sede de Recurso Voluntário, a reiterar os termos da impugnação apresentada, transcrevendo, na íntegra, o seu teor. Fl. 405DF CARF MF 6 Dispõe o § 3º do art 57 do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Com efeito, entendo que a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, analisou adequadamente o feito, aplicandolhe o melhor direito à espécie, razão pela qual, com fulcro no dispositivo transcrito, confirmo a adoção da decisão recorrida, que passo a transcrever: Voto 5. A Impugnação é tempestiva, vez que apresentada em 30/06/2009 (fl. 290), após ciência do Auto de Infração em 08/06/2009 (fl. 885), e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores. Assim sendo, dela conheço. 6. Desde logo, é preciso deixar claro que a Impugnante se limita exclusivamente a dizer que não teria cometido qualquer infração porque a legislação que ampara o Auto de Infração não está mais em vigor, e, além do mais, ainda que estivesse, tampouco seria aplicável por ser flagrantemente inconstitucional. 7. Em que pese não ser objeto de apreciação na esfera administrativa a questão de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, estando afeto ao Poder Judiciário tal apreciação, mister se faz tecer algumas considerações sobre a questão. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 404 7 8. Cumpre enfatizar que o princípio geral norteador do Processo Administrativo Tributário, a Legalidade Objetiva (cuja origem vem do primado universal do Direito – Princípio da Legalidade, consagrado pela Constituição Federal, artigo 5º, inciso II), tem por finalidade realçar o caráter objetivo e portanto impessoal do atuar do agente administrativo (como decorrência do princípio da impessoalidade) e em contraste com o caráter subjetivo pessoal – da esfera jurídica do particular, ampara e fundamenta, em última análise, a aplicação na esfera administrativa do princípio da imparcialidade. 9. O princípio da legalidade objetiva deve governar, sob pena de invalidade, toda atividade procedimental e processual tributária que irá se desenvolver em estrita vinculação com a lei e para a finalidade de preservar a aplicação do sistema jurídico tributário. 10. Alegalidade objetiva é o corolário do princípio da autotutelavinculada da administração tributária, o que significa dizer que embora o Estado tenha prerrogativa de promover todas as providências necessárias para a formalização de sua relação de crédito em face do contribuinte, somente pode fazêlo com adstrição à norma jurídica que disciplina e instrumentaliza sua atuação – JAMES MARINS, Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial) Ed. Dialética, 2001, página 172/173. 11. Neste contexto, o afastamento da aplicação de uma lei, sob o argumento de que se violaria o direito constitucional somente poderia ser realizada na esfera administrativa, no caso de já ter havido sobre o assunto declaração por parte do Supremo Tribunal Federal como será demonstrado a seguir. 12. As autoridades administrativas carecem de competência para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de atos legais e infralegais, legitimamente inseridos no ordenamento jurídico nacional. 13. Cabe ao Poder Judiciário o exame destas questões, sendo que convém destacar que, o inciso XXXV do art.5º da Constituição Federal estabelece que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de direito. 14. As matérias questionadas pela Interessada são reservadas à apreciação do Poder Judiciário, exorbitando, portanto, à competência legal deste Órgão Colegiado de Julgamento de Processos Administrativos Fiscais, órgão administrativo, aliás, integrante da estrutura hierárquica do Poder Executivo, ao qual não cabe analisar da validade ou razoabilidade daquelas normas, mas, apenas, zelar pela sua aplicação nos processos fiscais sob sua apreciação. Fl. 407DF CARF MF 8 15. As Turmas de Julgamento têm a sua competência restrita ao exame dos atos praticados pelos agentes da Administração Tributária Federal, para verificar se estão em consonância com a lei e os atos administrativos emanados de autoridades hierarquicamente superiores. As suas atribuições limitamse pelo ordenamento jurídico vigente e manifestamse por meio do julgamento, em primeira instância, dos processos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. 16. Nesse sentido, a autoridade administrativa vêse obrigada a obedecer a legislação em vigor, observandose o estabelecido no Art. 1º, do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, ressalvandose os casos de existência de decisão definitiva em processo judicial em que a Interessada seja parte, o qual prevê que: “As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação de texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos os procedimentos estabelecidos neste Decreto”. 17. Não há manifestação do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade quanto às matérias constantes no presente processo, nem decisão judicial definitiva, juntada aos autos, que beneficie a Interessada, sendo que o procedimento fiscal atendeu integralmente às disposições expressas da legislação vigente à época. 18. Concluise que o Controle da Constitucionalidade das Leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário, centrado em última instância revisional no Supremo Tribunal Federal, determinando o art. 52, em seu inciso X, da Constituição Federal que compete privativamente ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal". 19. Feitas estas considerações, passo a analisar cada uma das alegações da Interessada. 20. Quanto à alegação de que a legislação que ampara o Auto de Infração não está mais em vigor, a própria Interessada, em sua defesa, afirma que a legislação que garantia a cobrança da CPMF deixou de vigorar a partir de 01 de janeiro de 2008, não tendo, portanto, qualquer sentido a sua pretensão de que por este motivo ela não pudesse ser aplicada no período em foco, de 01/07/2004 a 31/12/2006. Ora, se ela deixou de vigorar a partir de 01/01/2008, é porque antes ela estava em vigor. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação absurda. 21. Quanto à alegação de que a legislação que ampara o Auto de Infração seria flagrantemente inconstitucional, pelo quê também não poderia ser exigida a CPMF em foco, devo consignar que, como já visto, não cabe discutir, em âmbito administrativo, se a referida legislação é ou não constitucional. Não há, no caso, nenhuma decisão do Poder Judiciário que impedisse a Autoridade Fiscal de efetuar o lançamento em foco, Fl. 408DF CARF MF Processo nº 19740.720097/200981 Acórdão n.º 3201003.100 S3C2T1 Fl. 405 9 o qual, aliás, ela estava obrigada a fazer por força do que dispõe o parágrafo único do artigo 142 do CTN, que estabelece que a atividade administrativa de lançamento é vinculada à lei e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação. 22. Alega a Interessada que é extorsiva a aplicação da multa de 75% sobre o valor do tributo não pago. Ora, aqui também a Autoridade nada mais fez do que aplicar a legislação de regência vigente à época dos fatos geradores, artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, o que, repitase, era sua obrigação, por força do que estabelece o parágrafo único do art. 142 do CTN, sob pena de responsabilidade funcional. Assim sendo, voto pelo afastamento desta alegação. 23. Em face do exposto, voto pelo Não Provimento da Impugnação, para que seja mantido integralmente o lançamento da CPMF, no valor de R$ 61.991,26, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora até a data do efetivo pagamento. 24. É o meu voto. Acrescentase, por fim, quanto ao singelo argumento de ocorrência de cerceamento do direito de defesa constante do Recurso Voluntário, vêse que este não se sustenta e tratase de reiteração do próprio mérito, uma vez que se trata de requerimento de novo julgamento para que questões constitucionais sejam analisadas pela instância de origem. Assim, com fundamento nas próprias razões já despendidas pela DRJ, e com suporte na Súmula CARF nº 2 ("O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."), mantêmse integralmente a decisão recorrida. Desse modo, consoante razões transcritas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO, mantendo integralmente a decisão de primeira instância. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 409DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.900673/2012-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/02/2006
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.988
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDOS EM CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de matéria submetida ao Poder Judiciário. Súmula Carf nº 1. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 06 73 /2 01 2- 83 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório BAHIA SERVIÇOS DE SAÚDE S/A transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição (Cofins/PIS). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante alegou que efetuara o pagamento em valor maior que o devido e que retificara a DCTF, tendo sido observados todos os trâmites administrativos próprios à compensação, não havendo motivo para a negativa do seu pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora e Dacon retificador. Nos termos do Acórdão nº 14052.333, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que, por ser a DCTF instrumento de confissão de dívida, qualquer alegação de erro no seu preenchimento devia vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas. Destacou, ainda, que apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de decisão judicial em mandado de segurança assegurando lhe o direito à não incidência da contribuição para o PIS e da Cofins sobre medicamentos, cuja tributação se dá na forma prevista na Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores. Junta cópias de decisões judiciais. Em resumo, solicita: 1. “que se determine à autoridade impetrada e seus prepostos que se abstenham de exigir o recolhimento da contribuição para o PIS e COFINS sobre a receita proveniente da utilização de medicamentos que já sofreram tal tributação, na forma prevista pela Lei 10.147/00, com as alterações realizadas pela Lei 10.548/02 e posteriores.”; 2. que seja provido o Recurso Voluntário; 3. que se declare o direito dos substituídos à compensação de todos os valores indevidamente recolhidos a título de PIS e COFINS sobre a receita de medicamentos que já sofreram tal tributação, nos termos da Lei 10.147/00”; 4. que se cumpra a decisão e sentença judicial. É o relatório. Voto Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 4 3 Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.987, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 10580.900671/201294, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.987): Juízo de Conhecimento A questão da incidência com alíquota zero ou não incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos está submetida ao Poder Judiciário, ensejando a aplicação da Súmula Carf nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Acrescento que a recorrente não trouxe prova de estar representada na demanda judicial, impetrada por “Confederação Nacional de Saúde, Hospitais e Estabelecimento e Serviços”. De qualquer modo, a solução da presente lide independe desse processo judicial, pois aqui não controverte quanto à incidência ou não de Pis e Cofins sobre medicamentos. A controvérsia que se instalou no presente processo é quanto à prova do pagamento indevido do Darf em foco. Ora, não há, nos autos, quaisquer elementos de prova que vinculem esse pagamento à questão discutida na Justiça. Sem esses elementos, a questão a ser tratada aqui somente se refere à possibilidade de se deferir compensação com base em DCTF e Dacon retificadora. Tal questão se tratará no mérito. Desse modo, rejeito os pedidos 1, 3, e 4, por impertinentes à presente lide. Mérito O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo seria necessária prova de sua inexatidão. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 5 4 e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/991, art. 373, I2 do CPC). Ressaltese que a DCTF e a Dacon que foram apresentadas na Manifestação de Inconformidade foram retificadas depois da cientificação do Despacho Decisório. Ora, a retificação após ciência de procedimento fiscal não é abrangida pelo espontaneidade, cf. art. 138, § único3 do CTN. Não há, também, qualquer prova de que esse pretendido crédito se vincule à questão judicial discutida no Mandado de Segurança 2009.34.00.0314472, conforme já mencionado. Sem os elementos de prova do direito da recorrente, atento aos requisitos de certeza e liquidez do crédito, de acordo com art. 1704 do CTN, se mostra impossível desconstituir o que formalmente foi constituído, por meio da DCTF original. Pelo exposto, voto por não conhecer da matéria de fato quanto à incidência de Pis e Cofins sobre medicamentos, e por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço da matéria de fato quanto à incidência de PIS e Cofins sobre medicamentos, e nego provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 3 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 4 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10580.900673/201283 Acórdão n.º 3201002.988 S3C2T1 Fl. 6 5 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 380DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.906957/2011-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.927
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Florianópolis/SC que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí a não homologação da compensação declarada. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 06 95 7/ 20 11 -8 5 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Florianópolis/SC, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de retificação tempestiva da DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo a integral homologação da compensação declarada, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10183.906957/201185 Resolução nº 3201000.927 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 118DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912076/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.790
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 20 76 /2 01 2- 11 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.817, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10830.912076/201211 Acórdão n.º 3301003.790 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 217DF CARF MF
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