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Numero do processo: 10565.000119/2008-14
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/09/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO.
Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo.
Numero da decisão: 9303-007.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/09/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo.
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MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (relator) e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 5. 00 01 19 /2 00 8- 14 Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 10565.000119/200814 Acórdão n.º 9303007.827 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial do Procurador (fls. 345/350), admitido pelo despacho de fls. 999/1001. Insurgese contra o Acórdão 3202000.618 (fls. 955/962), de 29/01/2013, o qual foi assim ementado na parte objeto do recurso: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 20/01/2004, 20/09/2004 ... MULTA POR EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. TIPICIDADE. Não constitui embaraço a ação da fiscalização o fato do contribuinte não concordar com o teor da cobrança efetivada pela fiscalização. O contribuinte tem direito ao devido processo legal, ao contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (artigo 5º, inciso LV, CF/88), podendo insurgirse contra as imposições do Fisco nos termos da lei que regula o processo administrativo tributário federal (PAF Decreto nº 70.235/72). Recurso Voluntário provido em parte. Em suma, o especial, nos termos do aresto paradigma 3102000.507, entende que o contribuinte não atendeu a intimação fiscal sem qualquer justificativa plausível, por isso cabendo a imposição da penalidade a que se refere o art. 107, IV, c, do DL 37/66, ao contrário do recorrido, que, a seu ver, "admite o descumprimento de intimações fiscais, sem aplicação de multa, por entender inexistente embaraço à fiscalização". Acresce a teor do disposto no artigo 519 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543/02) e artigos 10, 46 e 51 da Instrução Normativa SRF nº 28/94, o despacho de exportação tratase de procedimento que se inicia com o registro da Declaração de Exportação e se finda apenas com a averbação da operação no Siscomex. A averbação consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da carga. Antes dessa providência, a mercadoria não se considera exportada, para fins fiscais e de controle cambial. E conclui, pedindo o provimento do recurso para reformar o recorrido: Logo, pelo fato de a conduta omissiva da interessada representar indiscutível obstáculo à ação da fiscalização, entendemos como tipificada a hipótese prevista pela norma sancionatória. Cientificado, o contribuinte não ofertou contrarrazões É o relatório. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 10565.000119/200814 Acórdão n.º 9303007.827 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso nos termos em que foi processado. Emerge do relatado que a matéria devolvida ao nosso conhecimento restringese à multa de R$ 5.000,00, pela não apresentação de resposta no prazo estipulado à intimação EQDEI nº 311/2004 (fl. 46), de 11/08/2004, com arrimo no art. 107, inciso IV, alínea "c", do DL 37/66, com redação dada pelo art. 7º da Lei 10.833/2003. Consta da Descrição dos Fatos do Auto de Infração (fls. 10/11) que a interessada por meio do processo n° 10831.012829/200387, solicitou e obteve, com base na IN SRF 40/99, a qual dispõe sobre o despacho aduaneiro de bens de caráter cultural, o regime aduaneiro especial de Admissão Temporária para os bens descritos e desembaraçados em 14/11/2003 sob a Declaração Simplificada de Importação — DSI n° 00260/03 (fl. 18 obra áudiovisual a ser apresentada em festival de cinema). O regime foi concedido pelo prazo de 02 (dois) meses, com vencimento em 19/01/2004, de acordo com o Termo de Responsabilidade n° 618/03. São requisitos de extinção do regime de admissão temporária, nos termos do art. 319 do RA (Decreto n° 4.543/02): "Art. 319. Na vigência do regime, deverá ser adotada, com relação aos bens, uma das seguintes providências, para liberação da garantia e baixa do termo de responsabilidade: I reexportação; ... § 9º A adoção das providências para extinção da aplicação do regime será requerida pelo interessado ao titular da unidade que jurisdiciona o local onde se encontrem os bens, mediante a apresentação destes, dentro do prazo de vigência do regime. A alegação de que os bens foram reexportados através de remessa expressa, conforme documentos juntados pela interessada, isto é, sem o registro de declaração de exportação, é fato que, além de não comprovar a efetiva saída dos bens, visto que tal procedimento ocorre ao largo de qualquer controle ou conferência por parte da fiscalização, não possui qualquer previsão ou amparo legal. Além disso, tratandose o caso concreto de admissão temporária de bens de caráter cultural, existe expressa previsão na IN SRF 285/03 de que tal reexportação deve ser efetuada através do registro de declaração simplificada de exportação — DSE: Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 10565.000119/200814 Acórdão n.º 9303007.827 CSRFT3 Fl. 5 4 "Art. 24. O despacho aduaneiro de admissão temporária de bens de caráter cultural de que trata a Instrução Normativa SRF nº 40/99, de 9 de abril de 1999, poderá ser processado com registro antecipado da declaração, com base em DSI, sendo a reexportação efetuada por meio de DSE, conforme os arts. 42 e 31 da Instrução Normativa SRF nº 155/99." Logo, para todos os efeitos legais, os bens admitidos em regime de admissão temporária cuja regular reexportação ou qualquer outro meio de extinção do regime não tenha sido comprovado, presumese permanecerem em território nacional. A multa pelo não atendimento à intimação está prevista no Decreto Lei nº 37/1966, art. 107, inciso IV, alínea "c" do Decreto Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n2 10.833/2003, que dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; O teor da intimação, datada de 11/08/2004, tem a seguinte dicção (fl. 46): O contribuinte tomou ciência da mesma em 18/11/2004 (AR fl. 47) e respondeu em 25/10/2004 que já teria enviado a mercadoria. Porém, se tal foi feito, foi ao arrepio da legislação, pois como antes transcrito deveria ter feito mediante requerimento à Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 10565.000119/200814 Acórdão n.º 9303007.827 CSRFT3 Fl. 6 5 autoridade aduaneira, o que não ocorreu. Intimada a recolher os tributos dentro do prazo de trinta dia, restou silente. Portanto, o não atendimento à intimação no período aprazado subsumese ao tipo penal inserto no art. 107, IV, c, do DL 37/66. Dessarte, correta a penalidade aplicada. CONCLUSÃO Em face do exposto, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento, desta forma revigorando o lançamento em sua totalidade. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 10565.000119/200814 Acórdão n.º 9303007.827 CSRFT3 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões a respeito do presente processo. A multa em discussão no recurso especial fazendário é a prevista no art. 107, inc. IV, alínea "c" do DecretoLei nº 37/66, abaixo transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Ocorre, que concordo com a decisão recorrida, pois a intimação EQDEI nº 311/2004, trascrita acima no voto do relator, não exige qualquer resposta do intimado. Observe que ela intima o contribuinte para efetuar dois procedimentos: 1) efetuar o pagamento do crédito tributário no prazo de 30 dias, e 2) comprovar o recolhimento da multa prevista no inc. I do art. 72 da Lei nº 10.833/2003. Por óbvio que o contribuinte tem o direito de discordar dos recolhimentos compulsórios exigidos na intimação. Em não concordando, não tem como ele apresentar os documentos de arrecadação solicitados. Além do mais, não consta na intimação de que o contribuinte deveria respondêla no caso de discordância com o recolhimentos nela apontados. Acrescentese que o contribuinte já havia informado em 26/01/2004, fl. 39, que, no seu entender, já havia cumprido a obrigação tributária ao ter efetuado a devolução das mercadorias ao exterior. Por economia processual, adoto também os fundamentos do acórdão recorrido ao tratar desse assunto, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1014DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000400/2009-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
MULTA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Divergência quanto à multa aplicável em razão da retroatividade benigna não configura vício material do lançamento, que poderá ser ajustado para a correta aplicação da multa pela autoridade julgadora.
Numero da decisão: 9202-007.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Divergência quanto à multa aplicável em razão da retroatividade benigna não configura vício material do lançamento, que poderá ser ajustado para a correta aplicação da multa pela autoridade julgadora.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1540; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12268.000400/200918 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.525 – 2ª Turma Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria Nulidade Multa Retroatividade Benigna. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INFORMANET EDITORA DE PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS LTDA. EPP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 MULTA. FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. RETROATIVIDADE BENIGNA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Divergência quanto à multa aplicável em razão da retroatividade benigna não configura vício material do lançamento, que poderá ser ajustado para a correta aplicação da multa pela autoridade julgadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 04 00 /2 00 9- 18 Fl. 413DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interpostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 230102.252, proferido na Sessão de 23 de agosto de 2011, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PERÍCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A perícia requerida é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a argüição de nulidade do lançamento de ofício quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Quando presentes a completa descrição dos fatos e o enquadramento legal, mesmo que sucintos, de modo a atender integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. FUNDAMENTAÇÃO FÁTICA. ERRO. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. Se a fiscalização equivocase ao juntar a fundamentação fática da multa aplicada no tocante à aplicação da multa mais benéfica, temos caracterizada nulidade por vício material nessa parte do lançamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, I) por voto de qualidade: a) em anular o lançamento, somente no que tange à multa, devido à existência de vício na sua aplicação, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Adriano Gonzáles Silvério e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em considerar o vício como existente em todo o lançamento; II) Por maioria de votos: a) em conceituar o vício existente no lançamento da multa como material, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em considerar o vício como formal; Fl. 414DF CARF MF Processo nº 12268.000400/200918 Acórdão n.º 9202007.525 CSRFT2 Fl. 3 3 III) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Natureza do vício de nulidade, se formal ou material. Em exame preliminar de admissibilidade, o Presidente da Terceira Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 405 a 407. Em suas razões recursais, a Fazenda Nacional ressalta a diferença entre o fato que levou ao lançamento (motivo) e a descrição desse fato pelo agente do Fisco (motivação) Invocando a doutrina de Celso Antonio Bandeira de Melo, sustenta que a motivação integra a formalização do ato, requisito formalístico dele. Aduz que, em se verificando vício quanto à motivação estáse diante de vício formal, passível de convalidação ou repetição, sem o defeito original; que no caso concreto, o vício apontado pelo acórdão recorrido seria a indicação de tabela comparativa de multas referidas na autuação e que não pertenceria a este processo; defende que tal vício poderia ser facilmente sanado com a substituição das tabelas em questão; que, portanto, o vício é meramente formal. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 05/05/2017 (AR, efls. 410), a contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria devolvida ao Colegiado é a natureza do vício que ensejou o lançamento, se formal ou material. Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, o lançamento seria nulo em razão de erro quanto à definição do valor da multa aplicada, conforme o seguinte trecho: No tocante às penalidades que se relacionam com a GFIP, o novo regime das infrações relativas às contribuições previdenciárias prevê que separemos duas situações: quando houver diferença de tributo e quando não houver tal diferença. Nas competências em que houver tal diferença, ou seja, quando no mesmo procedimento de ofício houver lançamento de penalidade por infração relativa à GFIP e lançamento da própria contribuição em relação ao mesmo período, devemos nos basear no art. 35A. Assim, comparamos a multa de 75% Fl. 415DF CARF MF 4 prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96 com a soma das multas dos §§4º, 5º e 7º do art. 32 da Lei 8.212/91. A penalidade mais benéfica ao contribuinte é aquela que deve prevalecer. Nas competências em que não houver tal diferença, ou seja, quando a multa for fundamentada no § 6º do art. 32 da Lei 8.212/91, a comparação há de ser feita com o art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a multa mais benéfica. A despeito de tais considerações, verificamos que a tabela comparativa das multas de fls. 101 não diz respeito ao presente processo. Tal fato causa erro na fundamentação fática da multa a ensejar a nulidade dessa parte do lançamento por vício material que impede a ampla defesa do contribuinte. Segundo o Relatório Fiscal foi aplicada a multa de 75%, prevista no inciso I, do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o seguinte trecho do relatório. Foi aplicada, por competência, aos valores lançados no auto de infração (Al) de que trata este relatório fiscal, a multa de oficio no valor de 75%, prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, conforme previsão contida no artigo 35A da Lei 11.941/2009. Tal penalidade resultou mais benéfica ao contribuinte do que aquelas previstas na legislação anterior à Lei 11.941/09, conforme a demonstração contida na planilha 2, anexa ao AI, objeto deste relatório fiscal. Atendida, portanto, a previsão legal de aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte contida na alínea "c" do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional (CTN). Como se vê a afirmação no voto condutor do julgado de que a planilha de fls. 101 não diz respeito ao processo é gratuita e baseada na conclusão de que a multa devida é diferente daquela aplicada na autuação. Ora, conforme jurisprudência consolidada neste CARF, consubstanciada na Súmula CARF nº 119, após a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, no caso de lançamento de por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória aplicase cumulativamente as duas multas, devendo essa soma ser considerada para fins de verificação da possibilidade de retroatividade benigna. Ora, a multa aplicada resultou menor do que a multa devida e, ainda, que não tenha sido aplicado a penalidade, conforme previsto na nova legislação, o fato não configura vício a ensejar a nulidade do lançamento. Primeiramente, porque não há prejuízo para o contribuinte, mas, ao contrário, este acabou beneficiandose da aplicação de uma penalidade menor. O fato de haver eventualmente erro na imputação da multa devida, embora possa configurar defeito do ato administrativo do lançamento, tal vício não enseja, necessariamente, a nulidade do lançamento, cuja declaração teria efeito ex tunc, tornando o lançamento o equivalente a uma ato inexistente, um nada jurídico. Mas se trata apenas de um defeito, em relação a apenas um dos aspectos do lançamento, o que não justifica a total eliminação do ato do mundo jurídico. Para casos como esses a legislação e a doutrina estabelecem a possibilidade de o lançamento ser revisto, se for o caso, em decorrência de impugnação do sujeito passivo, com fundamento no art. 145, I, do CTN. Confirase: Fl. 416DF CARF MF Processo nº 12268.000400/200918 Acórdão n.º 9202007.525 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. É o que ocorre ordinariamente nos processos administrativos submetidos à apreciação das turmas do CARF. O que justifica e impugnação, e o provimento total ou parcial das impugnações e dos recursos, é a existência de alguma inconformidade do lançamento com as normas que orientam sua formação, isto é, de algum vício no lançamento: base de cálculo maior que a devida, alíquota indevida, exigência de imposto sobre rendimento isento, etc. Não se trata de nulidade, mas de anulabilidade, de casos de alteração do lançamento à luz do contraditório. No presente caso, o alegado vício consistiu em suposto erro na imputação da multa. Não é caso de nulidade, mas de adequação da exigência com a correta aplicação da multa, se for o caso, o que pode ser feito pela autoridade julgadora. Considerandose, entretanto, que a multa aplicada resultou menor do que a devida, descabe a revisão do lançamento in pejus. Mas, ainda que se considerasse a nulidade do lançamento – o que se admite apenas para argumentar – este seria formal, pois não há vício quanto à caracterização dos fatos e à definição da infração cometida, mas apenas quanto à definição legal da penalidade aplicável, o que pode ser alterado sem reexame dos fatos. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 417DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720166/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.548
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira ). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em sede de Manifestação de Inconformidade, o qual está consignado nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 16 6/ 20 12 -0 4 Fl. 18810DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.811 2 "Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, PER nº 33814.76771.141111.11092884, no montante de R$ 59.019.705,98 referente a créditos de COFINS não cumulativo Exportação, apurados no terceiro trimestre de 2011, vinculados à Receita de Exportação. Apensado ao presente processo encontrase o processo de nº 16682.682721185/201169 que deferiu o adiantamento de 50% do ressarcimento, conforme previsto na Portaria MF de nº 348 de 16/06/2010. A DEMAC por meio do Parecer 097/2013 e despacho decisório (fls. 18.045/18.067) deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento, reconhecendo o crédito no valor de R$ 53.431.285,36. A ciência ocorreu em 18/04/2013 (18.068). Segundo o Parecer (fls. 18.045/18.066) a possibilidade de apuração de créditos de PIS e COFINS deverá ser analisada caso a caso, considerandose a essencialidade do bem na produção e/ou venda e na geração de receita da empresa. Cita o voto da Conselheira Nanci Gama, que concluiu que serão dedutíveis todos os dispêndios “relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pelas contribuições do PIS e da COFINS”, bastando verificar “se o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS e COFINS não cumulativos”. Foram efetuadas glosas nos itens a seguir: 1. Serviços utilizados como insumos Foram glosados as seguintes Notas: Notas fiscais de serviços de frete e transporte; análise técnica; transferência de máquinas; serviços de despachante; serviços genéricos de manutenção; serviços de consultoria; serviço de almoxarifado; serviço “diário e semanal”; abastecimento; comboio; serviços portuários; terraplanagem de porto; drenagem; dragagem; uso de sistema de transmissão entre outros, por não possuírem inerência com a produção de placas de aço (anexo 12). 2. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos de PJ Foram glosados: aluguéis de containeres; equipamentos de rádio e telecomunicações; caminhões pipa; tendas; logística; galpões; embarcações; terraplanagem e transportes; sistemas de segurança, entre outros. As glosas podem ser observadas no Anexo 14. 3. Bens do Ativo Imobilizado Com base no Anexo 17, que é a composição de todo o Ativo Imobilizado que reflete as bases de cálculo das DACON, verificamos que alguns itens não podem ter seu creditamento aceito posto que não possuem inerência direta com a produção de chapas que é o assunto aqui tratado. Os itens glosados de plano são, entre outros, referentes a construção de prédio alheio à produção (RH); píer; pontes; ruas; esgotos; avenidas; iluminação; ar Fl. 18811DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.812 3 condicionado; equipamento náutico e drenagem, entre outros (Anexo 18). 4. Outras Operações com direito a crédito As glosas referemse a serviços de oceanografia; urbanização e paisagismo; telefonia; terraplanagem; apoio técnico; alambrados e portas; serviços de medição; fornecimentos de guindastes; pavimentação; instalação de ar condicionado; movimentação interna de cargas, balizamento; sinalização náutica e manutenção de áreas verdes, entre outros. As glosas estão no Anexo 23. Cientificada em 18/04/2013 (fls. 18.068) a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 18.073/18.225 em 20/05/2013 alegando em síntese: Os pedidos de Ressarcimento do 2º trimestre de 2011 incluíram créditos do período de setembro/2010 a março/2011. Alega que registrou suas operações de PIS e COFINS detalhando os respectivos créditos do período de setembro/2010 a março/2011 na EFD de abril/2011 e, como consequência lógica no PER/DCOMP referente ao 2º trimestre de 2011. Alega que seguiu a orientação da própria receita nas perguntas 54 e 55 nas perguntas e respostas da EFD e que se trata de mero aspecto formal. Em 10/08/2012 efetuou requerimento esclarecendo o procedimento adotado, bem como pleiteando a retificação, por meio do desmembramento dos dois PER do 2º trimestre de 2011. Cita legislação que entende ser a base legal para tal pedido. O art. 7º da IN RFB Nº 1.060/2010 permite a retificação quanto a aspectos formais. O art. 3º da Portaria MF 348/2010 estabelece a necessidade da fiscalização aterse à análise da certeza e liquidez dos créditos pleiteados nos Pedidos Especiais de Ressarcimento, definindo sua validade, ou seja, determina que a autoridade analise os aspectos materiais do crédito tributário pleiteado, que nada mais são do que os dados objetivos do fato gerador. Com base na argumentação acima, o Delegado poderia autorizar a retificação dos Pedidos de Ressarcimento de modo a desmembrálos em outros Pedidos do 3º trimestre de 2010, do 4º trimestre de 2010, e do 1º trimestre de 2011, sem qualquer alteração do valor total solicitado pela impugnante. O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boafé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cabe ao fisco analisar os processos observando os princípios da finalidade, da razoabilidade, da proporcionalidade, como também, a adequação entre os meios e fins adotados e a interpretação da norma da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se Fl. 18812DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.813 4 dirige, sob pena de violação aos artigos art. 2º, caput e parágrafo único, incisos I, VI, IX e XIII e art. 69 da Lei nº 9.784/99. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. A legislação não define insumo para fins de creditamento das contribuições. Na definição de insumos se enquadraria tudo aquilo que está relacionado com a produção de bens e serviços. O objetivo da não cumulatividade é evitar a incidência em cascata de tributos e este somente será alcançado se os créditos abrangerem as despesas necessárias à consecução das atividades do contribuinte. Cita os acórdãos nº 930301.035 e 320200266 do CARF com entendimento de que em relação ao creditamento da não cumulatividade o legislador considera insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. A fiscalização equivocouse ao partir da premissa de que a contribuinte somente teria atividade de produção de chapas de aço. Especificamente quanto às glosas efetuadas a interessada afirma que: a) Glosa relativa a serviços utilizados como insumos (anexo 12) A contribuinte reconhece que os seguintes serviços não atendem aos requisitos para gerar crédito: fornecimento de mãodeobra; operação de almoxarifado; diário e semanal, pintura, reforma controle de acesso, transferência/movimentação de máquinas, terraplanagem, pavimentação concreto, frete interestadual, abastecimento, comboio, consultoria e assessoria, drenagem execução e finalização. Quanto às glosas a seguir, a interessada efetuou as seguintes alegações: Glosa da análise técnica esta se relaciona com a produção de semiacabados de aço. A interessada descreve a necessidade dos itens glosados por fornecedor. Glosa de soldador tratase de manutenção da coqueria. Glosa de dragagem o serviço tem o objetivo de proporcionar o desassoreamento do leito marinho para a manutenção da profundidade do porto por onde é recebida grande parte da matériaprima da contribuinte. Glosa de serviços portuários este insumo está ligado à questão ambiental, no que tange à logística de transporte de resíduos e esgoto do porto, bem como análise da água. Glosa de serviços pagos à Stahlog Soluções tratase de serviço que contempla o planejamento e as operações de descarga de graneis sólidos importados por via marítima, principalmente carvão, e o carregamento para navio das placas de aço destinadas à exportação. Fl. 18813DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.814 5 Glosa de manutenção são imprescindíveis à atividade da contribuinte. Glosa de frete decorrem do fornecimento de matériasprimas para a produção de aço. Glosa de serviço especializado de corte/montagem de chapas, este é parte da produção. Glosa de escória sintética, tratase de serviço de transporte de escória para o distribuidor. Glosa de gerenciamento e transporte de escória, tratase de operação dos equipamentos que granulam e tratam a escória do altoforno para envio à Votorantim. Glosa de Contrato de Uso do Sistema de transmissão tratase de tarifa para custeio do sistema de transmissão da rede elétrica, necessário na aquisição e venda de energia elétrica e não repassado ao consumidor. A administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica são atividades da contribuinte, presente em seu objeto social. b) Glosa relativa a despesas de alugueis de máquinas e de equipamentos de pessoa jurídica (anexo 14) A contribuinte reconhece que o aluguel de container, não atende aos requisitos para configuração como insumo por pertencer ao setor administrativo. Quanto às glosas a seguir, a interessada efetuou as seguintes alegações: Glosa de locação de máquina/equipamento – máquinas e equipamentos são alugados diariamente, para a realização de diversos serviços. A fiscalização não esclarece a razão da glosa. Glosa de locação de tenda – objetiva evitar a exposição da matéria prima a intempéries. Glosa de locação de caminhão – podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Glosa de leasing de computador – destinamse a realização de tarefas produtivas. Glosa de locação de meio de transporte – os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) e na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. Fl. 18814DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.815 6 Glosa de locação de caminhão pipa os caminhões podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos e a via do KIROW (carro das panelas do gusa) Glosa de locação de caminhão vácuo os caminhões são utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. São essenciais para a remoção de fluidos que se acumulam na tubulação e diretamente ligados à atividade da contribuinte. Glosa de locação de caminhão Hidrojet – tratase de aluguel de caminhões utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. c) Glosa relativa a Bens do Ativo Imobilizado (anexo 18) A Planta do RH é o local em que ocorre o processo físico da lenta liberação de gases quando presos, de materiais congelados, absorventes ou adsorventes. Em relação aos demais itens glosados, o conceito de insumo abrange o bem ou serviço ter sido utilizado ainda que de forma indireta na atividade de fabricação do produto. d) Glosa relativa a Outras Operações com Direito a Crédito (anexo 23) A interessada reconhece que os serviços de instalação e montagem, serviços de construção civil, serviços de consultoria/inspeção, manutenção, instalações/reformas e supervisão, montagem e mecânica, não atendem aos requisitos para gerar crédito. Quanto às glosas a seguir, a interessada efetuou as seguintes alegações: Glosa de manutenção de máquinas e equipamentos visam evitar a interrupção da produção. Glosa de manutenção preventiva das bolas de sinalização do porto que indicam a zona de manobra – grande parte da matériaprima chegam pelo porto, e também, a produção é escoada pelo porto. Glosa de massa rubinit vk 3 e de argamassa refratária – tratase de insumo refratário, material capaz de suportar altas temperaturas sem deformar. Encerra a manifestação tratando do princípio da verdade material e requerendo o apensamento dos 4 processos administrativos que originaram os despachos decisórios, e a suspensão do crédito tributário. Verificando não se acharem ainda reunidos todos os elementos necessários para formação da convicção acerca da matéria descrita nos autos, a fim de dirimir a controvérsia e preservar o contraditório e a ampla defesa, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução nº 12.000.277 (fls. 18.377/18.384) para que, com base na Fl. 18815DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.816 7 escrituração contábil/fiscal e documentação comprobatória, a unidade de origem prestasse as informações e documentação lá citadas. Em resposta a fiscalização elaborou termo de diligência (fls.18.656/18.671) nos seguintes termos: 1. Atividade exercida pela interessada Verificar se a interessada exerce, de fato, atividade de administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e se auferiu receitas desta atividade; Informar se a interessada também utiliza a energia adquirida/produzida em sua atividade; Com base na resposta da interessada, fica claro que ela, efetivamente, possui uma usina termoelétrica e se vale de toda a sua produção energética a fim de conseguir a sua meta que é a produção de chapas de aço. Em fato, quando se trata do ramo de siderurgia, via de regra, há que se ter no parque industrial, a presença de dispositivos de geração de energia própria e autônoma. Sem essa geração energética independente, a produção se torna praticamente impossível de ser alcançada a preços competitivos no mercado (nacional e/ou internacional). 2. Serviços utilizados como insumos a) Quanto aos itens soldador e manutenção Informar se os itens acima estão relacionados à manutenção da coqueria e das máquinas diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços de energia elétrica (se for o caso). Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “O item de soldador está relacionado ao processo de soldagem de arco elétrico, sobre a qual se faz o acréscimo ou não de um metal de adição. No que se refere à manutenção, a mesma está relacionada à coqueria, máquinas e tubulações diretamente utilizadas no processo produtivo. Os serviços de manutenção prestados pela Bosch são utilizados para consertos e instalações e troca de peças de reposição em máquinas, enquanto que os prestados pela Mec In Service servem para manutenção mecânica e eletromagnética, essenciais para geração de energia elétrica.” b) Quanto aos itens fretes, escoria sintética para o distribuidor, gerenciamento e transporte de escoria A interessada informa que os itens acima são relativos a frete. Esclarecer se os itens glosados referemse a transporte interno, à frete na operação de venda, suportado pela empresa vendedora ou a frete pago na aquisição de matéria prima, suportado pelo comprador. Caso se refira à última hipótese, informar se o frete integrou o valor do custo de aquisição para fins de apuração do crédito de não cumulatividade. Caso, os itens glosados não se enquadrem em nenhuma das hipóteses citadas, esclarecer sua aplicação; Fl. 18816DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.817 8 Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “Os fretes que resultaram em tomada de crédito são os pagos, quando decorrentes exclusivamente para a aquisição de matériaprima. A escória sintética para o distribuidor é uma cobertura refratária aplicada no distribuidor para que o mesmo aguente a carga metálica de aço fundido sem danos, bem como para manter a temperatura e qualidade do aço neste ponto final do processo. O distribuidor é parte do maquinário de lingotamento contínuo, que transforma o aço líquido em uma placa de aço, produto final da TKCSA. O gerenciamento e transporte de escória é o serviço de adequação da escória que sai do altoforno para o uso por parte da Votorantim, possibilitando a venda desta escória. Exclusivamente nos fretes pagos na aquisição da matériaprima, o frete integra o valor de custo de aquisição para fins de apuração do crédito de não cumulatividade.” c) Quanto ao item Contrato de Uso do Sistema de Transmissão Anexar cópia do Contrato de Uso do Sistema de Trasmissão; Caso tais despesas estejam relacionadas tanto à prestação de serviço de energia quanto ao uso da energia pela interessada, discriminar e quantificar as parcelas respectivas; Esclarecimentos transcritos da documentação apresentada “Os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão e Termos Aditivos, bem como planilha de despesas relacionadas tanto à prestação de serviço de energia quanto ao uso da energia pela interessada, se encontram discriminadas e com quantificação das parcelas respectivas, com os encargos devidos, conforme abaixo: Os contratos CUST 011/2010 e CUST 038/2010 referemse à exportação de energia para a rede, cujos valores pagos encontramse na tabela a seguir. Os contratos CUST 016/2011 e CUST RC 010/2011 referemse ao atendimento à carga da TKCSA pela rede, cujos valores pagos encontramse na tabela a seguir.” Caso a interessada comercialize energia, discriminar e quantificar Fl. 18817DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.818 9 mensalmente as parcelas, que compõem os encargos devidos tais como: a. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO pela prestação dos SERVIÇOS DE TRANSMISSÃO, mediante controle e supervisão do ONS, especificados nos CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE TRANSMISSÃO CPST; b. Pagamento ao ONS pelos serviços por ele prestados, c. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO por eventuais ultrapassagens do MONTANTE DE USO contratado; Os valores referemse à ultrapassagem de demanda para suprimento à carga da TKCSA pela rede no ano de 2011. Não houve ultrapassagem de demanda para exportação de energia para a rede:” Fl. 18818DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.819 10 d. Pagamento às CONCESSIONÁRIAS DE TRANSMISSÃO por eventuais SOBRECARGAS em suas instalações e equipamentos. “Não foram verificadas sobrecargas nos equipamentos associados à conexão da TKCSA com a rede.” e. Pagamento por eventuais reduções onerosas dos MONTANTES DE USO contratados. “Não houve pagamento por reduções onerosas no montante de uso contratado no período.” f. Recolhimento à CONCESSIONÁRIA DE TRANSMISSÃO à qual está conectada das quotas de rateio da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis –CCC e da Conta de Desenvolvimento Energético – CDE e das quotas de custeio do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica –PROINFA. “Os pagamentos com encargos setoriais foram efetuados em 2011 e estão discriminados na tabela abaixo. O pagamento das quotas da CCC, CDE e PROINFA é realizado para a Eletrobrás Furnas (concessionária acessada pela rede).” g. Pagamento da parcela de ineficiência por sobrecontratação, esta apurada mensalmente e paga anualmente. O pagamento desta parcela não se aplica aos contratos da TKCSA. Conclusão desta fiscalização: Cópias dos contratos foram apresentadas e juntadas ao presente processo, entretanto, os comprovantes dos pagamentos efetuados, que constam das diversas planilhas, simplesmente não foram apresentados pela interessada. 3. Despesas de Aluguéis de Máquinas e Equipamentos de PJ Considerando que a legislação permite a apuração de crédito de aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa Fl. 18819DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.820 11 jurídica, utilizados nas atividades da empresa esclarecer a razão da glosa dos itens relacionados no ANEXO 14, discriminando por fornecedor o serviço prestado e o fundamento da glosa. A fiscalização informa que: As glosas ocorreram em função das notas terem descrições superficiais e não tinham correlação e/ou necessidade direta com a atividade da empresa (produção de chapas de aço para exportação). No intuito de esclarecer mais a situação, a fiscalização elaborou uma planilha de amostragem composta das notas fiscais de maiores valores de cada um dos trinta fornecedores de equipamentos e máquinas de locação. A fiscalizada apresentou cópias de todas as notas da supracitada amostragem. Tais cópias também foram anexadas ao presente processo. Da análise das referidas cópias de notas podemos constatar que inúmeras delas referemse a aluguel de veículos e tal creditação não é permitida. Elaboramos um quadro discriminando, por trimestre, as notas a terem as suas glosas mantidas e o juntamos ao presente processo. Ali verificamos que no segundo trimestre de 2011, esta fiscalização propõe que sejam mantidos R$ 3.106.113,79 em glosas e, no terceiro trimestre de 2011, sejam mantidas R$ 3.342.743,00. Nos dois trimestres, o somatório de glosas que propomos a manutenção é o de R$ 6.448.856,79. Juntamos ainda um outro quadro que discrimina, por empresa locadora, as glosas às quais propomos a sua manutenção. Nessa toada, propomos que, revertendo as glosas anteriormente praticadas, sejam consideradas as locações praticadas pela interessada, no montante de R$ 1.679.159,54. Conforme notas fiscais solicitadas, tratamse efetivamente de máquinas e equipamentos (previsão legal). Juntamos ainda um quadro que, a juízo desta fiscalização, resume as notas fiscais passíveis de creditação. Ali verificamos os montantes de R$ 1.188.463,25 e de R$ 490.696,29 que correspondem, respectivamente, ao segundo e ao terceiro trimestres de 2011. A situação se resume no seguinte: 4. Bens do Ativo Imobilizado Considerando que a lei permite a apuração de crédito calculado em relação a edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, esclarecer a razão da glosa dos itens relacionados no anexo 18 e informar se os itens estão relacionados à atividade da empresa, independentemente de estar vinculado à produção. Fl. 18820DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.821 12 Listar os itens edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros separadamente dos itens máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. A fiscalização esclarece que os itens glosados podem estar relacionados à empresa, entretanto, não se acham vinculados à sua atividade (produção de chapas de aço) Apresenta lista às fls. 18.654/18.655. 5. Outras Operações com direito a crédito Em relação ao item Manutenção de máquinas e equipamentos Informar se o item acima está relacionado à manutenção das máquinas e equipamentos diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços; O contribuinte informou em relação ao item manutenção de máquinas e equipamentos deste tópico, que insta esclarecer que os mesmos estão relacionados com o processo produtivo, conforme explicações detalhadamente expostas na manifestação de inconformidade. Informar se os itens massa rubunit VK 3 e de argamassa refratária foram diretamente utilizadas no processo produtivo ou na prestação de serviços. Por fim, convém informar que o insumo de refratário foi utilizado diretamente no alto forno, ou seja, no processo produtivo da TKCSA. A interessada foi cientificada do resultado de diligência para, se quiser, aditar a defesa e apresentou o aditamento (fls. 18.651/18.684), alegando em síntese: A DRJ deve analisar o indeferimento parcial dos créditos sob dois aspectos: Aspecto Formal e Aspecto Material. Quanto ao aspecto formal, a manifestante incluiu no PER do 2 º trimestre de 2011, dos créditos apurados no período de setembro/2010 a março/2011, foi legal vez que a transmissão da EFD ocorreu somente em abril/2011. Antes do indeferimento parcial, a manifestante ingressou com pedido de desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011. Não foi analisado o pedido de desmembramento protocolado na DEMAC em 10/08/2012 esclarecendo a legalidade do procedimento e pleiteando retificação por meio do desmembramento do PER do 2º trimestre de 2011 que incluiu créditos do período de setembro/2010 a março/2011. A administração pública deve observar os princípios previstos no art. 2º §único, incisos I, VI, IX, XIII e art. 69 da Lei nº 9.784/99. O art. 7º, caput da IN 1060/2020 que regulamentou a Portaria MF 348/2010 que a dispõe que a retificação do PER é possível após análise da admissibilidade da retificação pela autoridade competente. Fl. 18821DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.822 13 A intenção da Portaria MF n.º 348/2010 é direcionar a fiscalização para o aspecto material dos Pedidos Especiais de Ressarcimento, estabelecendo como parâmetro para eventual indeferimento do pedido, apenas a irregularidade quanto aos créditos solicitados. Por aplicação do princípio da verdade material é saber se os créditos existem ou não, analisando os aspectos materiais. Apenas se detectada eventual irregularidade apenas em seu aspecto material é que caberá a adoção dos dispositivos previstos no §2º, incisos I e II do art. 3º da Portaria MF nº 348/2010, que visam restringir o pagamento do restante dos valores pleiteados. O indeferimento do PER não observou o próprio exercício regular do direito e a boafé do contribuinte e a segurança das normas jurídicas. Cita o art. 112 do CTN e o acórdão do CARF no processo 11516.000636/200823 que entendeu pela possibilidade de reconhecimento do crédito extemporâneo. Em relação ao aspecto material, notase que após a diligência, o fiscal concorda com diversas premissas equivocadas em seu relatório inicial. Tanto o exercício da atividade de administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica quanto à utilização da energia adquirida foram verificados e comprovados pelo Auditor Fiscal, nos termos descritos na página 5 do Relatório de Diligência. No que concerne ao item 2c contrariamente à afirmação da fiscalização contida na página 8 do relatório de diligência no sentido de ter deixado de apresentar os comprovantes de pagamentos efetuados reitera a manifestante que cumpriu a risca os termos previstos no Termo de Intimação 2, e prestou todas as informações solicitadas. O Auditor Fiscal confirma que os itens massa rubunit VK3 e de argamassa refratária foram diretamente utilizados no processo produtivo. Em relação ao item aluguel de máquinas e equipamentos, a Solução de Consulta citada trata de não creditamento de veículos por pessoa jurídica que possui atividade de comercialização de eletrônicos. Os caminhões da Costa Verde, por exemplo, possuem diversas funções. Podem ser utilizados para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos ou a via do Kirow (carro das panelas do gusa). Alguns são inclusive utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica. No que tange aos bens do ativo imobilizado glosados, a interessada esclarece o item planta do RH e alega que todas as glosas são despesas necessárias às atividades da manifestante, ainda que não estejam diretamente ligadas à produção de aço. Fl. 18822DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.823 14 Em relação às outras operações com direito ao creditamento, insta ressaltar que o auditor ignorou tal ponto, razão pela qual reiteramos as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório." A Manifestação de Inconformidade foi julgada procedente em parte e a decisão apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 INSUMOS. CRÉDITO. CONCEITO. NÃOCUMULATIVIDADE. Na definição de insumos utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda somente serão incluídos quaisquer serviços e bens que sofram alterações, tais como: consumo; desgaste; dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o serviço que está sendo prestado e no bem ou produto que está sendo fabricado. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da não cumulatividade. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. PROCESSO PRODUTIVO. CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Somente são considerados como insumo, gerando direito a crédito, observados os demais requisitos normativos e legais, os serviços de manutenção realizados em máquinas e equipamentos utilizados diretamente no processo produtivo, assim entendida, a atividade de prestação de serviço e de produção ou fabricação de bens destinados à venda. TRANSPORTE INTERNO. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Não gera crédito de não cumulatividade o transporte interno de insumos ou equipamentos da produção, por não se configurar como insumo na produção. ENERGIA ELÉTRICA. TUST. CREDITO. IMPOSSIBILIDADE A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as produtoras independentes de energia não geram crédito de energia elétrica porque não insumos aplicados na produção de energia. ENERGIA ELÉTRICA. TUST. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A tarifa paga pela utilização do sistema de transmissão para as autoprodutoras de energia geram crédito de energia elétrica em relação à energia consumida porque compõe o seu custo. Fl. 18823DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.824 15 ALUGUEL DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO E VEÍCULOS. Os aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na atividade da empresa geram crédito de nãocumulatividade, não havendo restrição a que o aluguel se refira a bens utilizados no processo produtivo. Não há previsão legal para cálculo do crédito em relação ao aluguel de veículos por não se incluírem no conceito de máquinas e equipamentos. LEASING. DIREITO A CRÉDITO Gera direito a crédito de não cumulatividade o valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS. Geram direito a crédito a despesa de depreciação ou amortização de edificações e benfeitorias em imóveis próprios e de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, inclusive abrangendo os bens da área administrativa e comercial. APROPRIAÇÃO ACELERADA DE CRÉDITOS. As pessoas jurídicas poderão optar pelo desconto, no prazo de 24 (vinte e quatro) meses, dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam na hipótese de edificações incorporadas ao ativo imobilizado, adquiridas ou construídas para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. MÁQUINAS EQUIPAMENTOS IMOBILIZADO Pode ser apurado crédito em relação à amortização e depreciação de maquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: (i) Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER n.º 33814.76771.141111.1.1.092884), no montante de R$ 59.019.705,98, referente a créditos de COFINS não cumulativo – Exportação, apurados no 3º Trimestre de 2011, vinculados à Receita de Exportação, fundado no Procedimento Especial de Ressarcimento, instituído pelo Ministério da Fazenda, através da Portaria MF n.º 348, de 16 de junho de 2010 (alterada pela Portaria MF n.º 260, de 24 de maio de 2011 e pela Portaria MF n.º 131, de 20 de abril de 2012), regulamentada pela Instrução Normativa RFB n.º 1.060, de 03 de agosto de 2010; (ii) Após verificação da procedência da totalidade do crédito solicitado, a Delegacia de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro – DEMAC/RJ, através de Despacho Decisório, consubstanciado no Parecer n.º 097/2013, deferiu parcialmente o PER, reconhecendo créditos de COFINS no valor de R$ 53.431.285,36, tendo o valor pago antecipadamente, compensado de ofício e a diferença com exigibilidade suspensa, devido à Manifestação de Inconformidade apresentada; (iii) destacou que apesar de ter sido reconhecido e deferido o ressarcimento do crédito de COFINS no valor de R$ 53.431.285,36, a parte glosada/indeferida no valor de R$ 5.588.420,62 dos créditos analisados de R$ 59.019.705,98 conteve diversos equívocos com Fl. 18824DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.825 16 premissas errôneas analisadas pelo auditor fiscal, razão pela qual a DRJ converteu o julgamento em Diligência Fiscal, ora concluída pelo auditor fiscal; (iv) a 16ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ – DRJ/RJO, inicialmente, converteu o julgamento em diligência à DEMAC/RJO, para verificação de alguns tópicos: (i) a atividade exercida pela Recorrente; (ii) os serviços utilizados como insumos; (iii) as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos; (iv) os bens do ativo imobilizado; (v) outras operações com direito a crédito. (v) a fiscalização da DEMAC/RJ, elaborou Termo de Diligência, concordando em grande parte com os esclarecimentos prestados pela Recorrente, inclusive, retificando glosas inicialmente feitas; (vi) traz o conceito de insumo para fins da não cumulatividade das contribuições e o critério da essencialidade; (vii) O direito ao crédito em relação aos insumos é permitido com um conceito amplo; (viii) deve ser utilizado o critério da essencialidade, mediante o qual se avalia se determinado bem ou serviço se enquadraria ou não no conceito de insumo, bem como a legislação do Imposto de Renda (arts. 290 2 299 do RIPI); (ix) o Conselho Administrativo de Recursos tem proferido diversos acórdãos no sentido de superar a interpretação restritiva do Fisco; (x) o objeto social da Recorrente compreende: a) operação de uma usina integrada de aço para produção, comercialização e transformação de produtos de ferro e aço, bem como a produção, transformação, comercialização e a prestação de serviços relativa a todos os produtos e/ou insumos secundários, inclusive, resíduos, relativos à operação da referida usina, incluindo a importação e exportação de todos os produtos, dos produtos secundários, dos insumos, dos resíduos e dos bens de capital relativos à operação da referida usina; b) a administração, operação e exploração de um complexo comercial de operações portuárias, podendo, se assim desejar e quando necessário, operar como empresa brasileira de navegação, na realização de serviços de navegação de apoio portuário e executando serviços de dragagem; c) a administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica; d) a constituição de subsidiárias, bem como a participação em qualquer outra sociedade, companhia, consórcio ou entidade no Brasil ou no exterior para a consecução do objeto social da Companhia; e) o desenvolvimento, dentro do território brasileiro ou no exterior, de qualquer outra atividade direta ou indiretamente relacionada à consecução do objeto social da Companhia. Fl. 18825DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.826 17 (xi) desde a Manifestação de Inconformidade, já reconheceu que, diante das milhares de notas fiscais apresentadas à DEMAC,os seguintes serviços, de fato, não atendem aos requisitos nos termos acima estabelecidos e foram, por equívoco, incluídos erroneamente no PER, quais sejam: fornecimento de mãodeobra; operação de almoxarifado; diário e semanal; pintura; reforma controle de acesso; transferência/movimentação de máquinas; terraplanagem; pavimentação concreto; frete interestadual; abastecimento; comboio; consultoria e assessoria; drenagem execução e finalização; (xii) a glosa referente à Análise Técnica, mantida pela DRJ, se encontra assim resumida: (xiii) a DRJ, na fundamentação do acórdão, sequer entrou no detalhamento de cada um dos serviços prestados referente à este item, não analisando, ainda, o principal que é a relação com a atividade (produção de semiacabados de aço), essencial ao processo produtivo da Recorrente; (xiv) no que tange especificamente à RIP Serviços Siderúrgicos Ltda., a subtração deste insumo implicaria na impossibilidade da produção. Isto porque, tal empresa detém o knowhow de uma vasta gama de processos da planta, envolvidos na produção do aço; (xv) a Tribolab Comércio de Aparelhos Científicos Ltda., tratase de insumo empregado para determinar a severidade, modo e tipos de desgaste em máquinas, por meio da identificação da morfologia, acabamento superficial, coloração, natureza e tamanho das partículas encontradas em amostras de óleos ou graxas lubrificantes, de qualquer viscosidade, consistência e opacidade e que tal insumo se mostra essencial para o aumento da vida útil do equipamento, redução dos custos pelo aditamento controlado de paradas programadas, aumento de segurança e maior disponibilidade operacional, sendo sua subtração prejudicial ao exercício das suas atividades; Fl. 18826DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.827 18 (xvi) a Test Oil do Brasil Ltda., por sua vez é uma empresa especializada em manutenção preditiva, por análise de fluidos, visando o pleno exercício das atividades da Recorrente, em consecução de seu objeto social, no que tange à identificação de desgaste e contaminação das máquinas e equipamentos da planta, inerentes à produção de aço; (xvii) a Oceanotecnica Pesquisas e Operações Submarinas Ltda. responde pela manutenção das boias de sinalização do porto, que indicam a zona de manobra. Importante lembrar que o porto é por onde chega grande parte da matériaprima, bem como por onde é escoada grande parte da produção. Tais boias são necessárias para operar o porto. A supressão deste insumo inviabiliza a utilização do porto, importando, por via de consequência, na prejudicialidade direta da atividade da Recorrente; (xviii) com relação aos demais insumos (EcoSteel Gestão de Águas Industrial Ltda., Oceanotecnica Pesquisas e Operações Submarinas Ltda. e Haztec Tecnologia, Planejamento Ambiental S/A e Emissão Zero – Comércio e Instalação de Filtros Ltda.), insta explicitar que são essenciais para o tratamento e gerenciamento de resíduos decorrente dos processos produtivos; (xix) a subtração destes insumos implicaria na perda de eficiência, posto que alguns materiais são tratados e voltam a ser utilizados, novamente, bem como no descumprimento da legislação ambiental, o que poderia inclusive gerar a incidência de pesadas multas pelos órgãos de controle da administração pública; (xx) lista outros insumos: (xxi) com relação ao serviço prestado pela Haztec Tecnologia e Planejamento Ambiental S/A, conforme anteriormente já explanado, tratase de insumo diretamente ligado à questão ambiental, especificamente, neste caso, no que tange à logística de transporte de resíduos e esgoto do porto, bem como análise da água. e que sua supressão implicaria no descumprimento da legislação ambiental, o que poderia inclusive gerar a incidência de pesadas multas pelos órgãos de controle da administração pública; (xxii) Quanto à Stahllog Soluções Logísticas Ltda., tratase de serviço que contempla o planejamento e as operações de descarga de granéis sólidos importados por via marítima, principalmente carvão, e o carregamento para navio das placas de aço destinadas a exportação, sendo que a supressão deste insumo impactaria diretamente na sua atividade como um todo; (xxiii) Prossegue: Fl. 18827DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.828 19 (xxiv) o CUST – Contrato de Uso do Sistema de Transmissão é a tarifa para custeio do sistema de transmissão da rede elétrica, necessário na aquisição e venda de energia elétrica e não repassado ao consumidor; (xxv) a administração, operação e exploração de uma usina termoelétrica, bem como a geração, transmissão, distribuição, comercialização de energia elétrica são suas atividades, presentes em seu objeto social, sendo tal despes um insumo, uma vez que é impossível realizar qualquer transação com energia elétrica sem incorrer em CUST; (xxvi) prestou todos os esclarecimentos sobre o CUST, anexando, inclusive, contratos de demanda de energia elétrica, entregues à fiscalização da DEMAC, foi mantida a glosa por entender que não foram apresentados os comprovantes de pagamento do TUST, que nunca foram solicitados pela DEMAC à Recorrente, mas tão somente os esclarecimentos e os contratos, razão pela qual tal glosa deve ser imediatamente afastada; (xxvii) em relação a glosa de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos de pessoa jurídica, desde a Manifestação de Inconformidade, reconheceu que, diante das milhares de notas fiscais apresentadas à DEMAC, as despesas de aluguéis de containeres, para o setor administrativo, por equívoco, foram incluídos erroneamente no PER; (xxviii) no que tange às glosas indevidas, de modo a facilitar a sua identificação e a sua ilegalidade, optou pela divisão em grupos, com a respectiva explicação das razões pelas quais tais créditos devem ser recompostos, a saber: Fl. 18828DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.829 20 (xxix) o aluguel de caminhões da Costa Verde Diesel Ltda., os mesmos possuem diversas funções, utilizados também para umidificar pilhas de insumos ou resíduos para evitar particulado dos mesmos, bem como molhar as vias de veículos ou a via do Kirow (carro das panelas do gusa). Alguns são inclusive utilizados na limpeza de dutos de gás quente que alimenta a termoelétrica, demonstrando, assim, sua essencialidade ao seu processo produtivo, especialmente para a remoção de fluidos que se acumulam na tubulação e diretamente ligados à atividade fim; (xxx) as glosas dos créditos advindos das notas fiscais de Danielli Transportes e da Luquip Terraplanagem não merecem ser mantidas, visto que ambos se referem à Locação de Máquinas cujas funções estão diretamente ligadas ao processo produtivo, o primeiro para fornecer matériaprima e o segundo preparar a via de acesso que alimenta a termoelétrica ligados, portanto, à atividade fim; (xxxi) a subtração destes insumos importam em perda de qualidade do processo produtivo, prejudicandoo diretamente. No caso da limpeza de dutos, a supressão implicaria na impossibilidade de funcionamento da termoelétrica, caso ausente esta manutenção; (xxxii) no que tange aos bens do ativo imobilizado (com base no valor de aquisição ou de construção), a Planta do RH se trata de uma planta de degaseificação de aciaria, inerente à produção de aço e à geração de energia elétrica; (xxxiii) tratase de local em que ocorre o processo físico da lenta liberação de gases quando presos, de materiais congelados, absorventes ou adsorventes, não havendo como afastar sua essencialidade, relação com o objeto social da Contribuinte, bem como o fato de que sua supressão impossibilitaria a produção de aço e a produção de energia elétrica; (xxxiv) com relação aos demais bens do ativo imobilizado glosados, vale ressaltar que a fiscalização não observou o alargamento do conceito de insumo extensamente discorrido e todas as glosas são despesas necessárias às atividades da empresa; Fl. 18829DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.830 21 (xxxv) em que pese a DRJ ter cancelado as glosas referentes a Planta do RH, do Pier, do Painel de Distribuição, da Estação de Descar, do Prédio Social, Prédio Sala, Prédio Vestiário e Prédio Portaria, manteve a glosa referente aos bens da área administrativa e da atividade comercial, que são essenciais à prestação dos serviços; (xxxvi) novamente diz, que desde a Manifestação de Inconformidade, já reconheceu que, diante das milhares de notas fiscais apresentadas à DEMAC, os seguintes serviços, de fato, não atendem aos requisitos nos termos acima estabelecidos e foram, por equívoco, incluídos erroneamente no PER, quais sejam: serviços de instalação e montagem; serviços de construção civil; serviços de consultoria/inspeção; manutenção; instalações/reformas e supervisão, montagem e mecânica; (xxxvii) no que tange às glosas indevidas, de modo a facilitar a sua identificação e demonstrar a sua ilegalidade, optou pela divisão em grupos: (xxxviii) no que tange à manutenção de máquinas e equipamentos, devese sempre ressaltar que são incontáveis as máquinas, em toda a planta, que recebem manutenção, visando a ininterrupção da produção e que conforme se verifica das notas fiscais apresentadas à DEMAC, tais manutenções estão diretamente ligadas às atividades da empresa; (xxxix) Outros insumos: (xl) a Oceanotecnica Pesquisas e Operações Submarinas Ltda. responde pela manutenção das boias de sinalização do porto, que indicam a zona de manobra, sendo o porto o local por onde chega grande parte da matériaprima, bem como por onde é escoada grande parte da produção. Tais boias são necessárias para operar o porto e sua supressão inviabiliza a utilização do porto, importando, por via de consequência, na prejudicialidade direta da atividade. Fl. 18830DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.831 22 É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator Como visto, o processo versa sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições sobre o PIS e a COFINS. A matéria é corriqueira nesta Turma de Julgamento, sendo que os julgamentos no CARF tem sido no sentido de aplicar o conceito de insumos em relação ao processo produtivo do contribuinte, adotando uma posição intermediária entre aquela considerada pela Receita Federal, com base na IN SRF 247/02 e IN SRF 404/04 e aquela defendida por muitos contribuintes em que todas as despesas e aquisições realizadas estariam incluídas no conceito de insumo. Ainda, este Colegiado tem aplicado recentemente o contido no julgamento proferido no RESP nº 1.221.170/PR. Em razão destes posicionamentos, surgem situações distintas nos processos, sendo que a Fiscalização ao auditar os contribuintes, utilizava as regras constantes das instruções normativas da Receita Federal, não se atinha ao exame detalhado da situação das aquisições e despesas incorridas no processo produtivo, utilizando critérios que ao sentir da Fiscalização são suficientes para afastar tais despesas do conceito de insumo, procedendo assim, as glosas aos créditos informados pelo contribuinte. Conforme dito anteriormente, as turmas do CARF vem entendendo que para a definição das despesas com aquisição de bens e serviços que possam ser consideradas insumos para aproveitamento de créditos é necessária uma definição clara de quais produtos e serviços estão sendo pleiteados, além de identificar em qual momento e fase da processo produtivo eles estão vinculados. Assim, em muitos casos, tanto os relatórios e trabalhos de auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federal, quanto os documentos e argumentos apresentados pelos contribuintes em seus recursos, não são suficientes para a definição de quais despesas estariam incluídas no conceito de insumo a serem consideradas possíveis de gerar créditos no cálculo das contribuições do PIS e da COFINS não cumulativos. Neste sentido, perfilho o entendimento de que no caso concreto, os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão se a glosa dos insumos/serviços efetivada pela Fiscalização deve ser mantida, ou se deve ser reformada para considerar o direito de crédito pleiteado pela Recorrente. São reiterados os julgados que definem pela conversão do feito em diligência em casos como o presente, cito exemplificativamente, as Resoluções de nº 3202000.109, 3202000.222, 3402001.461, 3402000.481 e 3201000.481. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com exatidão, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Fl. 18831DF CARF MF Processo nº 16682.720166/201204 Resolução nº 3201001.548 S3C2T1 Fl. 18.832 23 Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência a fim de que unidade preparadora: (i) Intime a Recorrente para no prazo de 60 (sessenta) dias prorrogável uma vez por igual período, apresente Laudo Técnico descritivo do processo produtivo da empresa, subscrito por profissional habilitado e com anotação de responsabilidade técnica do órgão regulador profissional, com a indicação individualizada dos insumos e serviços utilizados (apenas os insumos e serviços objeto do litígio e constantes do Recurso Voluntário) dentro de cada fase de produção, com a completa identificação dos insumos e serviços e sua descrição funcional dentro do processo produtivo; (ii) Intime a Recorrente para apresentar os comprovantes de pagamento do TUST, cujos valores pretende o creditamento; (iii) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e permanecem em litígio na fase recursal, indicando os motivos para tal indeferimento, dando conhecimento à Recorrente para que se manifeste, bem como, analise a documentação, caso apresentada em relação ao TUST; e (iv) Após, deverá ser dado ciência do relatório elaborado à Recorrente, para que, em querendo, manifestese no prazo de 30 (trinta) dias. Concluídas tais etapas, os autos deverão retornar a este Conselho para seu regular prosseguimento. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 18832DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13826.000879/2010-16
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2008
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 49.
O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Aplicação da Súmula Carf nº 49.
Numero da decisão: 1001-001.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente)
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 49. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Aplicação da Súmula Carf nº 49.
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MARTINS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU DEMONSTRATIVO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF 49. O cumprimento de obrigação acessória apresentação de Declaração ou Demonstrativo fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN. Aplicação da Súmula Carf nº 49. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 08 79 /2 01 0- 16 Fl. 119DF CARF MF Processo nº 13826.000879/201016 Acórdão n.º 1001001.091 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 109 a 117) interposto contra o Acórdão nº 1439.652, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (fls. 100 a 103), que, por unanimidade, julgou improcedente a Impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 FALTA OU ATRASO NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constatado que a entrega da DASN deuse após o prazo estipulado na legislação tributária, tornase exigível a multa nela prevista. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE É competência atribuída ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, em caráter privativo, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da DASN é uma obrigação acessória a ser cumprida por todos aqueles que se encontrem dentro das condições de obrigatoriedade, independe da iniciativa do sujeito ativo para seu implemento." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Trata o presente processo de lançamento da multa por atraso na entrega da Declaração Anual do Simples Nacional – DASN, no valor de R$ 11.834,68, relativa ao ano calendário 2008, apresentada em 12/07/2010, quando o prazo final para a entrega, fixado na legislação tributária, expirou em 20/05/2009. O lançamento teve fulcro na Lei Complementar (LC) nº 123, de 2006, art. 25, 38, I, §§ 1º, 2º, I e 3º; com a redação dada pelo art. 3º da LC nº 128, de 2008; Resolução CGSN nº 10, de 2007, arts. 4º, § 1º, e 14, § 5º. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13826.000879/201016 Acórdão n.º 1001001.091 S1C0T1 Fl. 4 3 Notificada do lançamento mediante a notificação de fl. 39, a contribuinte ingressou com a impugnação de fls. 3/31, na qual refuta a multa aplicada solicitando o cancelamento da notificação do lançamento da multa, em suma, sob as seguintes alegações: · A multa aplicada é confiscatória. O inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88) que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios utilizar tributo com efeito de confisco, aplicase também à penalidade pecuniária. A incidência da multa no percentual elevado é um injusta transferência patrimonial para o Estado, seja pelo excesso, seja pela inexistência de fundamento jurídico. Da forma aplicada, fere os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. · A multa não pode ultrapassar 50% do valor do imposto ou taxa, e se não houver prova cabal de sonegação fiscal, nota fria, subfaturamento ou outro ilícito fiscal, acima disso, assume caráter confiscatório. · Por força da Lei nº 8.383, de 1991, art. 59, a multa não pode ultrapassar 20%: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos a multa de mora de vinte por cento e a juros de mora e um por cento ao mês calendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente, que também deve ser considerada inconstitucional em face do princípio da razoabilidade das leis. · A legislação tributária não foi interpretada de acordo com a norma contida no art. 112 do CTN, que dá ao contribuinte a interpretação mais favorável. · O estabelecimento de multas fiscais não pode induzir à violação ao princípio do não confisco, nem serem utilizadas como expediente de ou técnica de arrecadação, como verdadeiro tributo disfarçado. · Os abusos na aplicação das multas, sobretudo quando moratórias, como a destes autos, têm sido clamorosos, sobretudo ao ponderar que o art. 920 do Código Civil limita as cláusulas penais ao valor da obrigação principal. · Não podemos esquecer ainda, da existência da denúncia espontânea onde há o beneficio para o contribuinte que informou seus rendimentos tributáveis antes de qualquer procedimento fiscal. Então, observandose o art. 138 do CTN, com tal benesse, podemos dizer que no caso em tela, o contribuinte compensou seus débitos, não sendo mais sequer devedor, ou seja, numa posição ainda melhor do que um contribuinte que faz a denúncia espontânea perante a SRF. No entanto, para nossa surpresa, a contribuinte está sofrendo uma imputação equivalente ao de um sonegador!!!" Inconformada com a decisão de primeiro grau que indeferiu a sua Impugnação, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise apresentando uma preliminar de cerceamento de defesa e, em mérito, tornando a defender o seu direito ao benefício da denúncia espontânea do art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 13826.000879/201016 Acórdão n.º 1001001.091 S1C0T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A Recorrente inicia o seu Recurso aduzindo uma preliminar de cerceamento de defesa. Em que pese a vasta explanação acerca dos princípios que regem a administração pública, a alegação principal bem se resumiu no seguinte parágrafo que transcrevo: De plano, não assiste razão à Recorrente. Notese que as alegações aduzidas tratamse apenas de termos genéricos. Não foi apontada nenhuma situação concreta em que a autoridade fiscal tenha agido fora da legalidade e/ou prejudicado o direito de defesa da Contribuinte. Outrossim, ainda que a Contribuinte entenda ter argumentos e comprovações que mereceriam analise mais detida pela autoridade fiscal, teve a oportunidade de juntálos nestes autos desde a Impugnação. Desta forma, não há qualquer elemento nos autos que indique qualquer irregularidade cometida pela fiscalização, tampouco qualquer elemento de que à Recorrente não foi oportunizado a apresentação de toda a matéria de defesa que entendeu conveniente apresentar. Portanto, REJEITO a preliminar suscitada, e passo ao mérito. Conforme mencionado o único argumento esposado pela Recorrente nesta fase recursal se trata do seu pretenso direito ao benefício da denúncia espontânea, insculpido no art. 138 do CTN. Pois bem, tal matéria já se encontra sumulada no seguinte enunciado: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, o texto da Súmula CARF nº 49, de observância obrigatória por este julgador, dispensa qualquer outra ponderação acerca da matéria. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13826.000879/201016 Acórdão n.º 1001001.091 S1C0T1 Fl. 6 5 Desta forma, VOTO no sentido de REJEITAR a Preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.675383/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 10/01/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO.
O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.256
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 10/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 10/01/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO LÍQUIDO E CERTO. O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 53 83 /2 00 9- 14 Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10880.675383/200914 Acórdão n.º 3302006.256 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da Declaração de Compensação, relativa a alegado crédito da contribuição (PIS/Cofins), em razão da inexistência do crédito declarado. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte juntou documentos e alegou que o crédito pleiteado não havia sido considerado em razão da declaração errônea de débitos efetuada em DCTF não retificada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1630.458, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o crédito sob o argumento de inexistência de documentos que justificassem a alteração dos valores originalmente registrados em DCTF. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade e arguindo que recolhera tributo a maior e que a mera ausência de DCTF retificadora não teria o condão de eclipsar todas as demais provas trazidas aos autos. Afirmou que o crédito da contribuição decorria de pagamento a maior relativo a receitas de licenciamento de programas de computador importados (regime não cumulativo) e às demais receitas de serviços de informática (regime cumulativo). Argumentou, ainda, que, considerando o recolhimento da contribuição somente no regime não cumulativo, apurara crédito relativo à diferença entre o valor recolhido e o valor devido, utilizandose parcela desse crédito para compensar débito de sua titularidade (com a devida inclusão de juros e multa de mora). O Recorrente trouxe ainda aos autos as notas fiscais acompanhadas de relatório vinculandoas aos serviços prestados. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10880.675383/200914 Acórdão n.º 3302006.256 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.249, de 28/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.675384/200951, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.249): 1. DA ADMISSIBILIDADE O presente Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva (efls. 62), revestese dos demais requisitos legais, razão pela qual dele conheço. 2. DO MÉRITO RECURSAL A Recorrente insurgese contra o ato (Despacho Decisório efls. 02, de 23.10.2009) que não homologou a compensação declarada. Em sua Manifestação de Inconformidade de uma folha (efls. 13) e acompanhado apenas do contrato social da empresa e da DCTF, a Contribuinte se limitou a afirmar que: Do Mérito A empresa solicita que o PER/DCOMP n°. 32391.03401.230207.1.3.049499 de 23/02/2007 seja homologado. Senhor julgador, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados nesta Manifestação de Inconformidade: a) A empresa possui crédito de Pagamento indevido ou a maior b) Os débitos foram compensados corretamente c) Alterar o lançamento na DCTF Dezembro/2005 do valor incorreto de R$ 1.237.221,85 para o valor correto devido de R$ 1.117.672,58, no código 5856 referente a Cofins na pagina 22. III Documentos Anexados Estão anexados a esta Manifestação de Inconformidade os seguintes documentos: (DCTF DEZEMBRO/2005; DARF no valor de R$ 1.237.221,85, Despacho Decisório n°8498606506 de 23/10/2009, CNPJ, Contrato Social e Documentos do representante legal). A Recorrente não trouxe à Manifestação de Inconformidade qualquer outro documento que pudesse minimamente demonstrar o seu direito ou mesmo a mera plausibilidade de sua alegação, sua verossimilhança, também chamada fumaça de direito. Assim, ao prolatar o Acórdão 1630.679, a DRJ admitiu que "... não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF." Entendeu a DRJ que "... o prazo para apresentação de provas documentais visando esclarecer o eventual equivoco cometido no Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10880.675383/200914 Acórdão n.º 3302006.256 S3C3T2 Fl. 5 4 preenchimento de DCTF finda na data da apresentação da Manifestação de Inconformidade, precluindo o direito do Contribuinte fazêlo em outra oportunidade. (...) Nessas circunstâncias, não comprovado o erro cometido no preenchimento da DCTF, com documentação hábil, idônea e suficiente, a alteração dos valores declarados anteriormente não pode ser acatada, pelo que se mantém procedente a não homologação da compensação requerida." Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que o momento para a apresentação da documentação demonstrativa do seu direito a crédito é o da apresentação da Manifestação de Inconformidade. CRÉDITO. FALTA DE COMPROVAÇÃO O direito creditório consistente em pagamentos indevidos somente pode ser reconhecido, se o contribuinte comprova sua liquidez e certeza, por meio da apresentação de guias e demonstrativos das bases de cálculo, devidamente suportados pelos livros contábeis. (Acórdão n. 3301004.857 prolatado no bojo do processo 15582.000109/201009, publicado no dia 25.07.2018, Rel. Marcelo Costa Marques D. Oliveira.) A retificação das DCTF e DCOMP após a emissão do Despacho Decisório, por si só, não é suficiente para a demonstração do direito creditório invocado. É ônus do interessado demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito, apresentando os documentos e elementos de sua contabilidade que demonstram referido direito. Se é verdade que o princípio da verdade material norteia o processo administrativo fiscal, também é certo que existem outros princípios em colisão como a duração razoável do processo, a certeza da aplicação do direito e a eficiência da administração pública que, cotejados em conjunto pelo rito do processo administrativo fiscal, estabelecem momentos e prazos para a prática dos atos, sob pena da perpetuação do processo administro pois, a todo momento cada uma das partes poderia reiniciar o procedimento desde o início. Por este motivo, voto no sentido de negar provimento ao presente Recurso Voluntário. Ressaltese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 187DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.723011/2015-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011
REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE.
Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação.
BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO.
Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
Numero da decisão: 3401-005.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em votação efetuada em novembro de 2018, em afastar as preliminares de nulidade, e, por maioria de votos, em votação efetuada em janeiro de 2019, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que davam provimento parcial ao recurso, por carência probatória a cargo do fisco, apenas em relação aos contratos para os quais a imputação fiscal é fundada unicamente na existência de contratos celebrados com empresas vinculadas, e no fato de serem simultâneos, fazerem menções recíprocas, com responsabilidade civil (e co-seguro) solidária, e terem rescisão vinculada. Os Conselheiros Rodolfo Tsuboi e Mara Cristina Sifuentes acompanharam o relator pelas conclusões, acordando especificamente em relação à falta de fundamentação em relação à base de cálculo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lázaro Antônio Souza Soares - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente).
Nome do relator: LAZARO ANTONIO SOUZA SOARES
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 REPETRO. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro.
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BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. POSSIBILIDADE. Não há qualquer ilegalidade ou artificialidade no simples fato da empresa habilitada ao REPETRO contratar, separadamente, o afretamento de plataforma e a prestação do serviço de exploração de petróleo. Se existe planejamento tributário abusivo, este deve ser plenamente demonstrado na autuação. BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. PLANEJAMENTO ABUSIVO. BASE DE CÁLCULO. Caso comprovada a ocorrência de um planejamento tributário abusivo, a base de cálculo do lançamento não pode exceder ao valor comprovadamente desviado, de forma simulada, de um contrato para o outro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em votação efetuada em novembro de 2018, em afastar as preliminares de nulidade, e, por maioria de votos, em votação efetuada em janeiro de 2019, em dar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Rosaldo Trevisan e Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, que davam provimento parcial ao recurso, por carência probatória a cargo do fisco, apenas em relação aos contratos para os quais a imputação fiscal é fundada unicamente na existência de contratos celebrados com empresas vinculadas, e no fato de serem simultâneos, fazerem menções recíprocas, com responsabilidade civil (e coseguro) solidária, e terem rescisão vinculada. Os Conselheiros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 30 11 /2 01 5- 64 Fl. 36578DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.579 2 Rodolfo Tsuboi e Mara Cristina Sifuentes acompanharam o relator pelas conclusões, acordando especificamente em relação à falta de fundamentação em relação à base de cálculo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente). Relatório 1. Trata o presente caso de ação fiscal desenvolvida junto ao contribuinte PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, com início em 27/02/2014, para verificação do cumprimentos das suas obrigações referentes à CIDE CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO REMESSAS AO EXTERIOR, relativas ao período de apuração compreendido entre 01/2011 e 12/2011. 2. Como resultado do procedimento fiscal, foi lavrado Auto de Infração para a CIDE, com crédito tributário no valor total de R$ 2.694.008.999,67, com juros de mora calculados até dezembro de 2015. O AuditorFiscal da Receita Federal responsável elaborou Termo de Verificação Fiscal (TVF), às fls. 35.995 à 36.128, que integra o referido Auto de Infração. 3. Neste TVF, a Autoridade Tributária informa que o procedimento de fiscalização teve por escopo inicial apurar a possível incidência de Imposto de Renda na Fonte, CIDE e o PIS e a COFINS – Importação sobre pagamentos em favor de empresas estrangeiras, a título de afretamento de plataformas, navios e sondas para pesquisa/exploração de petróleo e gás (doravante chamadas “unidades”). 4. Informa, igualmente, que já possuía a relação de pagamentos efetuados ao exterior a título de afretamento, fornecida pelo contribuinte em atendimento à intimação fiscal feita no curso do MPF – Diligência nº 07.1.85.00.2013.002591. 5. A análise desta relação de pagamentos demonstrou que foram efetuados 3477 pagamentos de afretamento, que perfaziam um total de R$ 12,775 bilhões. Para fins de análise documental, o AuditorFiscal informa que restringiu o escopo a 124 equipamentos que totalizavam R$10,489 bilhões, ou seja, 82% do total pago no período. 6. Em seguida, o AuditorFiscal descreve no TVF como se deram as infrações à legislação tributária: tratase de contratações em que as prestações de serviços de sondagem, perfuração ou exploração de poços, bem como contratações de outros serviços técnicos ligados Fl. 36579DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.580 3 ao setor de petróleo, foram artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRAS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico, as quais atuam em conjunto, de forma interdependente, com responsabilidade solidária; os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação (unidade) fornecida pelo grupo próprio econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRAS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, sem retenção do imposto de renda na fonte, sem o recolhimento da CIDE e sem o PIS/COFINS Importação, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços, paga no Brasil, e tributada na fonte; em que pese a repartição formal em dois contratos, não há afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. A unidade de perfuração/sondagem/exploração “pertence” à própria empresa contratada para prestar os serviços de perfuração/sondagem/exploração, ou à sua controladora estrangeira – seja a título de propriedade, seja por detenção do direito de exploração comercial da unidade; as Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. A contratante PETROBRAS está perfeitamente ciente da vinculação entre as contratadas e de sua atuação conjunta no desempenho dos contratos, pois a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário; as contratações descritas no TVF obedecem a verdadeiro modelo de contratação adotado pela PETROBRAS, minuciosamente delineado nos Convites, em seus procedimentos licitatórios, ou mesmo em negociação direta, sem licitação. Esta conclusão se impõe pela evidente semelhança entre as situações descritas no TVF e as constatadas em procedimentos fiscais anteriores, relatados no item 3 do TVF. 7. A Autoridade Fiscal descreveu as contratações de afretamento separadamente, identificandoas pelo nome da unidade. Cópias integrais dos contratos foram anexadas ao processo administrativo. Foram ressaltados os pontos comuns aos diversos contratos, relevantes para caracterização da infração, bem como eventuais particularidades que, em seu entendimento, confirmariam, em cada caso, o que pretendia demonstrar: que os valores pagos às empresas estrangeiras, a título de afretamento, corresponderiam, de fato, a remuneração pela prestação de serviços. 8. Em seguida, apresentou a base legal para a autuação, nos seguintes termos: 6.1 Tributação de IRRF e CIDE (...) Essa redução de alíquota foi compensada pela cobrança da CIDE, instituída pela Lei nº 10.168, de 2000, que, em sua redação atual, dispõe: Fl. 36580DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.581 4 “Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) ... § 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) (...) Neste ponto, cumpre verificar se os pagamentos em tela se enquadram na descrição do fato gerador da CIDE, de modo que haja a incidência desta contribuição e a redução da alíquota do IRRF, ou se, pelo contrário, sujeitamse exclusivamente à incidência do imposto, com sua alíquota original. A contribuição em questão está regulamentada pelo Decreto nº 4.195, de 11 de abril de 2002, de onde se extrai: “Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2º da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; Fl. 36581DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.582 5 IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes.” O conceito de serviço técnico e assistência técnica pode ser extraído da Instrução Normativa SRF nº 252, de 3 de dezembro de 2002, que dispõe sobre a incidência do imposto de renda na fonte sobre rendimentos pagos, creditados, empregados, entregues ou remetidos para pessoas jurídicas domiciliados no exterior: “Art. 17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhantes sujeitamse à incidência do imposto na fonte à alíquota de quinze por cento. § 1º Para fins do disposto no caput: (...) II considerase: a) serviço técnico o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e ofícios; b) assistência técnica a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao País e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetiva utilização do processo ou fórmula cedido. (...) Por todo o exposto, fica claro que os serviços contratados pela Petrobrás, perante os beneficiários selecionados, correspondem à definição de “serviços técnicos”. Por esta razão, sujeitamse à incidência do IRRF à alíquota de 15% (quinze por cento) e da CIDE à alíquota de 10% (dez por cento), com exceção apenas dos beneficiários sediados em países com tributação favorecida, sujeitos ao IRRF à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). Esta alíquota diferenciada decorre do art. 8º da Lei no 9.779/99: (...) 7. Da Apuração do Crédito Tributário Lançado de Ofício Com base em todo o exposto, concluímos pelo lançamento de ofício do IRRF, da CIDE, do PIS e da Cofins Importação, incidentes sobre pagamentos efetuados pela contribuinte a empresas estrangeiras, a título de afretamento, no ano de 2011. Os tributos lançados de ofício foram calculados sobre os pagamentos selecionados pela fiscalização, com as características descritas na inferência fiscal, ou seja, em que o suposto afretamento é parte integrante e indissociável dos Fl. 36582DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.583 6 serviços prestados pelo grupo econômico contratado pela PETROBRAS – vide Planilha “Beneficiários de Pagamentos ao Exterior à Título de Afretamento”, anexo a este Termo. (...) Identificamos, desta forma, os pagamentos efetuados sem a devida retenção do IRRF, da CIDE, do PIS e da COFINS. Estes pagamentos foram totalizados por mês. Em seguida, aplicamos a alíquota correspondente a cada caso. (...) A CIDE tem sua alíquota de 10%, O PIS com alíquota de 1,65% e a COFINS de 7,6%, conforme determina a legislação supracitada. 9. O Interessado apresentou Impugnação, nos seguintes termos: Como será visto a seguir, não pode prosperar a presente autuação fiscal, pelos seguintes pontos, que serão melhor minudenciados em itens próprios: a) Nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, tendo em vista a ausência de fundamentação legal a respaldar a desconsideração do contrato de afretamento como tal, e sua classificação como contrato de prestação de serviços, já que não houve qualquer reconhecimento por parte da fiscalização de dolo, fraude ou simulação por parte da contribuinte; b) Conhecimento prévio da modelagem contratual usada pela Impugnante e validação de tal procedimento pela RFB quando da autorização de inclusão dos bens afretados no REPETRO; c) Legislação do REPETRO respalda a pratica de bipartição de contratos em serviço e afretamento, adotada pela Impugnante, inclusive sendo essa modelagem necessária para adesão ao Regime; d) Art. 106 da Lei 13.043/2014 que introduziu os §§ 2º a 8º ao art. 1º da Lei 9.481/97, reconhecendo prática de mercado atinente a bipartição dos contratos em serviços e afretamento, demonstrando ser absolutamente correta tal conduta, reforçando a falta de cabimento da conduta adotada pela fiscalização de desconsiderar o contrato de afretamento como tal; e) Violação aos arts. 109 e 110 do CTN; f) Não incidência da CIDE em razão da inexistência de transferência de tecnologia; g) Ilegitimidade da cobrança em duplicidade para financiar a mesma atividade, haja vista a contribuição para o FNDCT via parcela dos royalties; h) Ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE; Fl. 36583DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.584 7 i) Impossibilidade de se tributar os valores pagos a países signatários de tratados para evitar a dupla tributação; j) Indevida cobrança de juros sobre a multa de ofício. (...) 5 DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO De acordo com o exposto no Termo de Verificação Fiscal, que acompanha o Auto de Infração ora combatido, a fiscalização desconsidera a bipartição contratual, por reputar artificial, e, de forma simplória, reduz todas as operações e contratações envolvidas em uma mera importação de serviços, a ensejar a cobrança simultânea de IRRF, CIDE e PIS/COFINS, contudo, para assim agir, deveria ter se pautado na comprovação de ter a contribuinte agido com dolo, fraude ou simulação, pois só essas causas autorizam ao auditor fiscal a desconsiderar negócios praticados e dar efeitos fiscais devidos ao ato efetivamente pretendido e, com as referidas práticas ilícitas, escondido da fiscalização, nos termos do fixado no art. 149, VII, CTN. (...) Não resta dúvida de que a ampla defesa e o contraditório, num cenário como o dos presentes autos, quedamse absolutamente feridos, já que está a contribuinte a se defender de uma desconsideração de sua modelagem contratual sem base legal, onde claro fica, no próprio relato da fiscalização, que não houve qualquer dolo, fraude ou simulação, e que foi fixada uma premissa de que a única operação praticada foi a contratação de prestação de serviços da empresa estrangeira, sem indicar o fiscal o porquê desse entendimento, já que, no passado, ao autuar as empresas prestadoras de serviço no Brasil, entendeu que o serviço foi todo prestado no Brasil. Ou seja, adota a fiscalização duas posturas claras e distintas quanto ao mesmo fato: 1 ao autuar a tomadora dos serviços (caso da Autuada), vai considerar tudo uma operação de importação de serviços, desconsiderando o fato de que com a empresa estrangeira o que se celebrou foi contrato de afretamento e que com a empresa nacional foi celebrado o contrato de prestação de serviços; 2 ao autuar a prestadora de serviços no Brasil, considera que o serviço foi prestado por empresa nacional. Então, se afigura bem incoerente a postura da fiscalização e difícil a defesa por parte da impugnante. Primeiro, assumindo que tudo era prestação de serviço, como considerar a operação em questão uma importação de serviços, se em momento algum a fiscalização questionou que o serviço foi efetivamente prestado no Brasil por uma empresa nacional? Segundo, se o serviço todo foi prestado no Brasil por uma empresa nacional, qual o sentido de cobrar IRRF, CIDE importação e PIS e COFINS importação? Fl. 36584DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.585 8 Terceiro, se a empresa prestadora de serviços nacional foi desconsiderada, já que tudo ocorre por conta da empresa estrangeira, como justificar os atos por ela praticados e os serviços prestados em território nacional? (...) Dessa feita, é consectario lógico do relato acima exposto a completa nulidade do auto de infração combatido, por violação aos arts. 10, inciso III e 59, inciso II do DecretoLei n.° 70.2335/72, já que não expõe a base legal para a desconsideração da modelagem contratual adotada pela fiscalizada, bem como não fundamenta porque considera como a efetiva operação realizada pelas partes a importação de serviços, e não a realização efetiva dos serviços em território nacional, até porque, em momento algum questionou que os serviços contratados seriam efetivamente praticados no Brasil por uma razão lógica: é aqui que se encontram os blocos de petróleo a serem explorados. 6 DO MÉRITO 6.1 DO CONHECIMENTO E DA REGULAÇÃO DOS CONTRATOS COLIGADOS PELA PRÓPRIA RFB REPETRO A vinculação de contratos, sem perda da individualidade de cada um, é realidade perfeitamente reconhecida e regulada pela própria Receita Federal do Brasil, tanto que a revogada Instrução Normativa RFB n° 844, de 09.05.2008, ao regular a aplicação do regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás (REPETRO), a previu em seu artigo 5º, parágrafo 3º, da seguinte maneira: "§ 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica prevista no inciso II do par. 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com a prestação de serviços;" Confira outras referências à vinculação de contratos na Instrução Normativa RFB n° 844, de 09.05.2008, presentes até sua revogação pela IN RFB n° 1.415, de 04.12.2012: (...) Cumpre destacar ainda que, para a efetiva fruição do REPETRO, a legislação impõe a prévia habilitação da empresa, bem como a análise pela RFB do pedido de concessão do regime, sendo certo que nestas duas oportunidades é realizada a análise dos contratos firmados (afretamento e prestação de serviços). Dessa forma, não só a legislação determina que os contratos tenham execução simultânea como a própria RFB faz a análise Fl. 36585DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.586 9 minuciosa das respectivas minutas antes de conceder o regime aos interessados. Então, como pode agora a fiscalização, em casos em que não houve fraude, dolo ou simulação, desconsiderar a bipartição contratual (que chamou de artificial), quando ela própria no REPETRO estimula, para não dizer que exige, esse tipo de modelagem contratual? (...) 6.2 INEXISTÊNCIA DE ARTIFICIALIDADE NA VINCULAÇÃO DE CONTRATOS (...) Neste contexto, importante ressaltar a alteração promovida pelo art. 106 da Lei 13.043/2014 que introduziu os §§ 2º a 8º ao art. 1º da Lei 9.481/97, passando, assim, a vigorar a seguinte redação: "Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de containeres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) § 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS); II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda); e III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (...) § 6º A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no g 2° sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o Fl. 36586DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.587 10 arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430. de 27 de dezembro de 1996. § 7º Para efeitos do disposto no § 2º, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. § 8º O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2º." As disposições contidas no art 106 da Lei 13.043/2014, apesar de posteriores aos fatos geradores objeto da autuação, são de extrema importância para solução desta lide, uma vez que expressam, de forma explícita e positivada no ordenamento jurídico, a plena legalidade dos contratos coligados de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea. Ora, não se trata aqui de aplicação retroativa da norma, mas sim do reconhecimento legal da própria essência dos negócios jurídicos realizados pela Impugnante, antes praxe costumeira (art. 100, parágrafo único CTN). (...) Com efeito, a Lei 13.043/2014 não "criou" a hipótese de contratação de afretamento e prestação de serviços com execução simultânea firmada com empresas vinculadas entre si. O que ela fez, na verdade, foi apenas estabelecer parâmetros de aplicação da alíquota zero de IRRF nestas situações, reconhecendo a prática do mercado que, digase, já se encontrava expressamente normatizada desde 2008 por meio da legislação do REPETRO, editada pela própria Receita Federal do Brasil. Ou seja, diante do reconhecimento da forma de contratação segregada (afretamento e prestação de serviços) praticada pelas empresas do setor de óleo e gás, a Lei n° 13.043/2014 tão somente fixou os percentuais máximos para a fruição da alíquota zero do IRRF. Com efeito, a interpretação diversa no sentido de que a contratação segregada somente seria válida após a edição da Lei 13.043/2014 levaria a absurda conclusão de que até 31.12.2014 todas as contratações realizadas neste formato seriam uma simulação dos contribuintes, devendo, portanto, ser tributadas como um importação de serviços, ao passo que, após 01.01.2015, os contratos firmados nestes mesmos moldes passariam a gozar de plena legalidade, com o correlato reconhecimento fiscal do afretamento. (...) Fl. 36587DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.588 11 Deve se observar ainda que os contratos de afretamento, cuja utilização é bastante antiga, tendo como partes o Fretador que oferece a embarcação e o Afretador que a recebe, podem ser de várias modalidades, sendo as mais conhecidas as seguintes: a) afretamento a casco nu; b) afretamento por tempo e c) afretamento por viagem. Na presente autuação, os contratos de afretamento se inserem na modalidade afretamento por tempo. (...) Essa modalidade de afretamento só veio a ser legalmente contemplada quando do advento da Lei 9.432/97 que em seu artigo 2º dispõe: "Art. 2º Para as efeitos desta lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual a afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual a afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; (...) 6.4 DA NÃO INCIDÊNCIA DA CIDE EM RAZÃO DA INEXISTÊNCIA DE TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA Após todo o exposto, mesmo que se admita, para fins meramente argumentativos, que a contratação firmada revelaria, em verdade, uma importação de serviços, não seria cabível a cobrança de CIDE no caso em tela, já que os supostos serviços prestados à Impugnante não envolvem qualquer transferência de tecnologia. A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, ora exigida, foi criada pela Lei n° 10.168/2000, e tinha por destinação "financiar o Programa de Estímulo à interação UniversidadeEmpresa para o Apoio à Inovação". Conforme seu art. 1º, o objetivo dessa Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico é "estimular o desenvolvimento tecnológico brasileiro". O art. 2º do referido diploma legal, ao instituir a contribuição em comento, trouxe o fato gerador, base de cálculo, alíquota, sujeito passivo e o prazo de pagamento da CIDE, nos seguintes termos: (...) A leitura do caput e o § 1º do art. 2º com a redação original da lei, deixa claro que a CIDE somente gravaria a prestação de Fl. 36588DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.589 12 serviços que envolvesse, de alguma forma, transferência de tecnologia do exterior para o Brasil. Todavia, com a alteração promovida no § 2º pela lei n° 10.332/2001, busca, de forma equivocada, a fiscalização estender o âmbito de incidência da norma para fazer a CIDE incidir sobre a remuneração de qualquer serviço técnico proveniente do exterior, independente do fato de haver ou não efetiva transferência de tecnologia. Considera a fiscalização como serviços técnicos aptos a ensejar a cobrança da CIDE no caso concreto, os seguintes: perfuração, avaliação e completação de poços de petróleo, bem como de produção, processamento, estocagem e transferência de óleo e gás, em relação aos quais os prestadores entregam à Impugnante o resultado do serviço. De sua redação fica claro a inexistência de qualquer transferência de tecnologia no caso em tela, e por consequência, como a cobrança da CIDE é indevida. (...) 6.5 DA CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES: ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE PARA FINANCIAR A MESMA ATIVIDADE Ademais, ainda que se venha a entender pela incidência da CIDE sobre quaisquer serviços técnicos, o que se admite meramente para fins argumentativos, a Impugnante não poderia vir a ser cobrada na prática, pois já contribui de forma específica para o programa de amparo à pesquisa científica e ao desenvolvimento tecnológico também administrado pelo FNDCT. (...) 6.6 DA INTRIBUTABILIDADE DOS VALORES PAGOS A PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO Sustenta a fiscalização que os valores pagos pela Impugnante em razão dos contratos de afretamento firmados teriam na realidade a natureza de remuneração pela prestação de serviços técnicos, sem transferência de tecnologia. Mesmo que se admita que a tese da fiscalização está correta, que a bipartição é artificial e que tudo é um contrato de prestação de serviços, o que só se admite por amor ao debate, em face de todos os argumentos já apresentados, seja em sede de preliminar, seja no mérito, a presente autuação também não poderia se manter já que diversos dos pagamentos realizados foram feitos a empresas residentes em países com os quais o Brasil firmou Tratados Internacionais para evitar a dupla tributação. (...) 6.7 ILEGALIDADE DA INCLUSÃO DO IRRF NA BASE DE CÁLCULO DA CIDE Fl. 36589DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.590 13 Ainda que superadas as demais as questões apresentadas pela Impugnante na presente defesa administrativa, será demonstrado que o aspecto material da hipótese de incidência da "CIDE", previsto no artigo 2º, parágrafo segundo, da Lei n° 10.168/00, não comporta a inclusão do "IRRF" na base de cálculo desta contribuição, assim como inexiste qualquer dispositivo legal que disponha sobre a inclusão desse montante na sua base de cálculo, de modo que os valores constantes do Auto de Infração contestado devem ser revistos. (...) 6.8 A NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Além de tudo o que já foi exposto, e por mero amor ao debate (tendo em vista que restou mais que comprovado ao longo da presente impugnação que o Auto de Infração em comento merece ser cancelado), calha ressaltar não ser cabível o cômputo e a cobrança de juros de mora sobre a multa de 75% (multa de ofício), em razão da ausência de respaldo legal para assim agir. 10. A DRJ/CTA decidiu, por unanimidade de votos, não acolher a preliminar de nulidade suscitada e julgar procedente o lançamento, mantendo a exigência da CIDE. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas na legislação do processo administrativo em geral e do processo administrativo fiscal e não havendo ocorrido nenhuma das hipóteses lá previstas, não há que se falar em nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 BIPARTIÇÃO DOS CONTRATOS DE "AFRETAMENTO" DE PLATAFORMA E DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE EXPLORAÇÃO DE PETRÓLEO. REALIDADE MATERIAL. NATUREZA DO PAGAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. Na existência de dois contratos: um de afretamento de embarcação marítima e outro de prestação de serviços de exploração de petróleo; para fins tributários, é necessário verificar qual a natureza dos pagamentos, tendo em vista a realidade fática, e não a formalidade dos contratos, uma vez que o fornecimento dos equipamentos é parte integrante e indissociável aos serviços contratados. Fl. 36590DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.591 14 SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES INCIDÊNCIA DA CIDE. A partir de 1º de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, não havendo, nesses casos, para a caracterização da hipótese de incidência da contribuição, qualquer vinculação com transferência de tecnologia. PAÍSES SIGNATÁRIOS DE TRATADOS INTERNACIONAIS PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DA CIDE. Os pagamentos são enquadrados conforme o Acordo ou Convenção Internacional para evitar a dupla tributação entre os países signatários, e como a matéria neles tratada compreende especificamente o Imposto sobre a Renda e Capital, não se aplicam à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. CIDE. CONTRIBUIÇÃO PARA O FNDCT VIA PARCELA DOS ROYALTIES. BIS IN IDEM. INAPLICABILIDADE. A contribuição para o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, mediante parcela dos royalties pagos, não afasta a cobrança da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de contratos de prestação de serviços técnicos e de assistência técnica; não ocorrendo “bis in idem”, pois os pagamentos possuem naturezas jurídicas distintas. CIDE. BASE DE CÁLCULO. ASSUNÇÃO DO ÔNUS DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF). O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE), independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. 11. No voto, encontrase a fundamentação para a decisão proferida pela DRJ/CTA, nos seguintes termos: Continuando, já que afastada a questão de afretamento para apoio marítimo, cumpre determinar qual seria a natureza dos pagamentos à empresa estrangeira, referente aos contratos de afretamento das plataformas, para fins de demonstrar que houve, de fato, uma bipartição dos contratos para evitar a tributação da CIDE. Para deslinde desta questão, vale lembrar mais uma vez da publicação de Ives Gandra Martins, no qual diz que o afretamento implica um contrato mais complexo, composto por todas as operações necessárias para a sua finalidade. No caso de afretamento a que se refere o trabalho do tributarista, as operações eram específicas de apoio marítimo. Mas, no caso de Fl. 36591DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.592 15 contrato de afretamento de plataforma, as operações necessárias para o cumprimento de sua finalidade seriam a própria prestação de serviços, a saber: pesquisa, perfuração, cimentação, perfilagem, estimulação, todas relacionadas com o objeto contratado com a empresa brasileira. O próprio tributarista entende que o contrato de afretamento pressupõe prestação de serviços, de forma que o objeto afretado atinja sua finalidade. (...) Os motivos que levam a essa remuneração de acordo com a produção residem, como já dito, na própria natureza do contrato. Tratase de afretamento de plataforma, cuja contratação só se justifica em função de sua operacionalidade, ou seja, a prestação dos serviços. Outro indício que o contrato de afretamento de plataforma inclui a prestação dos serviços está na cláusula do item 3.8 – Substituição e Reparos (desse mesmo contrato), de que a contratada empresa estrangeira, assume a responsabilidade financeira para manter e substituir ou reparar qualquer equipamento com defeito e para fornecer peças de reposição necessárias e/ou consumíveis. (...) Essa cláusula firma mais ainda a convicção de que os contratos se fundem em um só, com o principal objetivo: prestação de serviços. De acordo com esta cláusula, está acordado que o custo do desgaste da unidade, grande parte decorrente da prestação do serviço de perfuração/exploração do gás e petróleo, firmado com a empresa brasileira, é por conta e risco da empresa estrangeira. Ora, como justificar que a empresa estrangeira arca com os custos que decorrem da prestação de serviços contratados com a empresa brasileira, senão que ambas (empresa estrangeira e brasileira) atuam como se fossem uma única empresa para atingir um único objeto: a perfuração/exploração de gás e petróleo. (...) Quanto aos percentuais, também não é razoável afirmar que o custo do afretamento da plataforma mais a gestão náutica seria superior ao custo da gestão comercial – prestação de serviços de perfuração/exploração de gás e petróleo, a ponto de justificar pagar 10% apenas para as empresas brasileiras. Está mais do que comprovado que o serviço a ser prestado envolve uma gama de operações complexas, com equipamentos envolvendo tecnologia específica para exploração em alto mar, com profundidade de até 7.000 metros. Essa tecnologia envolve não só equipamentos de valor elevado, incluindo sua manutenção, como também pessoal especializado para prestar os serviços contratados. (...) Fl. 36592DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.593 16 Por fim, sobre a alteração da Lei nº 9.481, de 1997, promovido pela Lei nº 13.043, de 2015, entendese que a mesma continua a não admitir a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços em tela. A referida modificação apenas estipula um teto para a parcela relativa ao contrato de afretamento. Outrossim, ainda que se tenha outro entendimento, considerando que a referida alteração entrou em vigor a partir de 01/01/2015, esse dispositivo não tem nenhuma influência sobre o que foi apurado no presente processo. 12. O contribuinte, irresignado com esta decisão, apresentou Recurso Voluntário. Preliminarmente, nesta nova peça, persiste na tese da nulidade da autuação, sob, basicamente, os mesmos argumentos já aduzidos na Impugnação. 13. Quanto ao mérito, reproduz, basicamente, os mesmos argumentos já expostos na Impugnação para contestar a decisão da DRJ. Desta feita, no entanto, apresenta trechos de jurisprudência do CARF, a fim de sustentar sua tese sobre a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços. 14. A ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, alegando, inicialmente, a inexistência de nulidade no lançamento fiscal, considerando que a autuação está devidamente fundamentada, ao contrário do que afirma o contribuinte. 15. Quanto ao mérito, apresenta farta jurisprudência sobre os contratos de prestação de serviços firmados pela Petrobrás. Destaca o Acórdão CARF nº 3403002.702, Sessão de 29/01/2014, cuja conclusão foi que “a bipartição dos serviços de produção e prospecção marítima de petróleo em contratos de aluguel de unidades de operação (...) e de prestação de serviços propriamente dita é artificial e não retrata a realidade material das suas execuções”. 16. Cita também os Acórdãos CARF nº 2202003.063 (Sessão de 09/12/2015) e 3302003.095 (Sessão de 15/03/2016), ambos no mesmo sentido. 17. Cita, igualmente, decisão judicial exarada em 15/01/2015, na qual o Juiz Federal no TRF da 2ª Região indefere o pedido liminar da agravante, Maré Alta do Brasil Navegação Ltda, prestadora de serviços da Petrobrás, nos seguintes termos: Indefiro a liminar pleiteada, à míngua de fumaça do bom direito, pelas razões que passo a aduzir. A decisão agravada deve ser mantida tendo em vista que não há razões que apontem para eventual caráter teratológico ou de grave erro de perspectiva na avaliação da matéria de fato que norteou o juízo recorrido. (...) Vejase que a construção contratual utilizada pela recorrente, somente encontrou amparo na legislação tributária no final do Fl. 36593DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.594 17 ano de 2014, induzindo à conclusão segundo a qual os negócios jurídicos não guardavam consonância com a legislação de regência, devendo, desse modo, prevalecer a conclusão da maioria, vazada no julgamento pelo CARF. Destaco que a nova legislação não pode ser aplicada retroativamente por não se tratar de lei mais benéfica, lex mitior, mas legislação que inaugura novo regime jurídico, com caráter prospectivo. 18. A Procuradoria, após algumas considerações gerais sobre o procedimento fiscal, prossegue rebatendo os argumentos da Recorrente, nos seguintes termos: Porém, em que pese a repartição formal dos contratos, na verdade, não existe afretamento autônomo. A única contratação existente é de pesquisa e exploração de petróleo e gás, sendo o fornecimento da unidade apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. As contratadas – a estrangeira e a brasileira – pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do know how da prestação de serviços. Sendo assim, desempenharam de forma conjunta e solidária as atividades formalmente contratadas de forma segregada. Logo, os valores pagos às empresas estrangeiras a título de afretamento correspondem, de fato, à remuneração pela prestação de serviços técnicos e assim devem ser tributados. (...) Contudo, a fiscalização não discute a possibilidade de, em tese, existir contratos coligados, com dependência recíproca. O que ficou demonstrado, por meio de provas, é que, na realidade, não existiu essa forma de contratação, mas sim uma única prestação de serviços realizada pelo grupo econômico, formalmente repartida em dois contratos para reduzir a carga tributária. O fornecimento da plataforma é apenas meio para alcançar a verdadeira atividade pretendida pela Petrobrás. Nesse caso, não se trata de invadir a liberdade negocial, mas sim definir a verdadeira natureza dos pagamentos realizados para a empresa no exterior, no intuito de imputar os efeitos tributários previstos em lei. (...) No passo, ainda que formalmente a recorrente tenha repartido a prestação de serviço em dois contratos distintos, as provas trazidas pela fiscalização mostram uma realidade diferente. O fornecimento da plataforma não se revelou uma contratação autônoma, ao contrário, ela apenas ocorreu como meio e instrumento necessário para a atividade de exploração de petróleo e gás, tanto que os contratos alegadamente autônomos se confundiam em diversas cláusulas. (...) Fl. 36594DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.595 18 Dessarte, revelase adequado o procedimento do fiscal, que conferiu o correto tratamento tributário aos pagamentos realizados à empresa estrangeira. Permitir que a recorrente segregue artificialmente a contratação e atribua ao suposto afretamento 90% dos pagamentos, deixando de recolher IRFonte e CIDE, significa subterfúgio injustificado à tributação devida, que não pode ser permitida por esta Turma. 19. É o relatório. Voto Conselheiro Lázaro Antônio Souza Soares, Relator 20. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, por isso dele tomo conhecimento. 21. Tendo sido admitido o presente Recurso, passo à análise dos seus fundamentos. I DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO 22. O recorrente alega violação aos artigos 10, inciso III e 59, inciso II, do DecretoLei n° 70.235/72, já que não se expõe a base legal para a desconsideração da modelagem contratual adotada. Afirma a ocorrência de bis in idem, ausência de demonstração de dolo, fraude ou simulação, adoção de posturas contraditórias e ausência de clara e inequívoca fundamentação das razões que levaram o responsável pela fiscalização a tachar de artificial a bipartição contratual. 23. O art. 10, inciso III, se refere à necessária descrição do fato, enquanto o art. 59, inciso II, se refere à preterição do direito de defesa. Analisando o Termo de Verificação Fiscal (TVF) que integra os Autos de Infração, verifico que houve uma minuciosa descrição dos fatos pela Autoridade Tributária, identificando, em cada um dos contratos objeto de autuação, as cláusulas que caracterizariam, em seu entendimento, a artificialidade da bipartição contratual. Apresentou, igualmente, um histórico de autuações similares, bem como vasta jurisprudência sobre casos semelhantes. 24. Da mesma forma, o Recorrente teve acesso a todas as provas produzidas e demais documentos que compõem o presente processo administrativo fiscal. Foi oportunizado momento processual para apresentação de sua defesa, de forma ampla, inaugurando o contraditório. E pela leitura da peça impugnatória, observase que compreendeu perfeitamente todas as acusações que lhe estavam sendo imputadas, como já observado pela instância de piso. 25. Nesse contexto, não vejo qualquer razão para que seja declarada a nulidade das autuações. Os fatos trazidos pelo Recorrente nesta preliminar, em verdade, Fl. 36595DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.596 19 retratam seu inconformismo com as autuações, sendo, portanto, matéria de mérito, e não causas ensejadoras de nulidade. 26. Voto pela improcedência desta preliminar. II DA ALEGAÇÃO DE REGULARIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO 27. A partir da análise do Termo de Verificação Fiscal, em cotejo com a Impugnação apresentada, observase que o cerne da autuação resumese à questão da chamada "bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços e de afretamento". O Recorrente entendeu perfeitamente esta acusação, focando seu recurso na busca por descaracterizar a alegação de artificialidade. 28. Inicialmente, cabe analisar a legislação de regência. 29. O Repetro é o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e gás natural (IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). O regime foi instituído pelo Decreto nº 3.161, de 02/09/1999 (revogado) que teve por base a Lei nº 9.430, de 1996 (art. 79, § único) e atualmente é regulamentado pelo Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro), por força do previsto no artigo 93 do Decretolei nº 37, de 1966. Lei nº 9.430/96 Art. 79. Os bens admitidos temporariamente no País, para utilização econômica, ficam sujeitos ao pagamento dos impostos incidentes na importação proporcionalmente ao tempo de sua permanência em território nacional, nos termos e condições estabelecidos em regulamento. Parágrafo único. O Poder Executivo poderá excepcionar, em caráter temporário, a aplicação do disposto neste artigo em relação a determinados bens. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) Decreto nº 3.161, de 1999 Art. 1º Fica instituído, nos termos deste Decreto, o regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, conforme definidas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. § 1º Os bens de que trata este artigo são os constantes de relação estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. [...] Art. 5º A Secretaria da Receita Federal expedirá as normas necessárias ao disciplinamento do REPETRO. Fl. 36596DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.597 20 30. Com base nesse art. 5º do Decreto nº 3.161/99, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 112, de 1999: Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, instituído pelo Decreto nº 3.161, de 2 de setembro de 1999, será aplicado de conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. [...] Art. 6º O regime aduaneiro de admissão temporária aplicase aos bens referidos no caput e no § 1º do art. 2º importados para utilização exclusiva nas atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, por pessoa jurídica que tenha firmado contrato de concessão ou que possua autorização do órgão competente para exercer essas atividades no País, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997. [...] § 2º O regime aduaneiro de que trata este artigo poderá ter como beneficiária pessoa jurídica sediada no País que tenha sido subcontratada pela concessionária para executar as atividades de pesquisa ou produção de petróleo ou gás natural. 31. A IN SRF nº 112/99 foi revogada pela IN SRF nº 27, de 2000, a qual, por sua vez, foi revogada pela IN SRF nº 87/2000. De qualquer forma, mantevese a máxima de que beneficiária do REPETRO era a pessoa jurídica que estivesse à frente da execução das atividades de pesquisa ou produção de petróleo e gás natural, fosse ela a própria concessionária, a pessoa jurídica contratada pela concessionária ou as subcontratadas para exercer essas atividades, conforme se verifica no seu art. 5º: Instrução Normativa SRF nº 87, de 2000 Art. 5º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997; e II que mantenha controle contábil informatizado, inclusive da situação e movimentação do estoque de bens sujeitos ao Repetro, que possibilite o acompanhamento da aplicação do regime, bem assim da utilização dos bens na atividade para a qual foram importados, mediante utilização de sistema próprio. § 1º O disposto neste artigo aplicase, também, a pessoa jurídica contratada, pela concessionária ou autorizada, para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem assim às subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o parágrafo anterior, contratada pela concessionária ou autorizada, não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa Fl. 36597DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.598 21 com sede no País por ela autorizada a promover a importação de bens. 32. Poucos meses depois, outra IN foi expedida para disciplinar o REPETRO. Tratase da Instrução Normativa SRF nº 4, de 2001, que revogou a IN SRF nº 87, de 2000. No entanto, a nova IN simplesmente manteve a mesma redação da IN anterior. A revogação se explica pela prática que a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) possuía à época, de anualmente reeditar suas instruções normativas. 33. Vale destacar que, em 2002, o Decreto instituidor do REPETRO foi revogado pelo então novo Regulamento Aduaneiro, que passou a ser o fundamento para as instruções normativas da RFB sobre o tema, sem trazer inovação no que se refere ao tema da presente análise. 34. A IN SRF nº 04/2001, vigorou até 2008, ano em que foi editada a Instrução Normativa RFB nº 844, da qual destaco os seguintes comandos normativos em sua redação original: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. 35. Como se observa, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, em sua redação original, não alterou a IN anterior na parte relativa aos beneficiários do regime. Também não havia qualquer referência a contrato de afretamento de embarcações, embora houvesse várias menções a contratos de aluguel de bens estrangeiros. 36. Apenas com a alteração promovida pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009, a Instrução Normativa RFB nº 844/2008, passou a se referir expressamente aos contratos de afretamento. Notese que, com essa alteração, a RFB expressamente admitiu que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços pudesse providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tivessem execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941/2009: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 36598DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.599 22 § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) 37. Com esse § 3º incluído no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 941/2009, a própria RFB admitiu que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 38. Cabe destacar que, neste mesmo ano de 2009, foi publicado o Decreto nº 6.759, de 05/02/2009, com o novo Regulamento Aduaneiro, contendo redação semelhante ao Regulamento de 2002, na parte relativa ao REPETRO. 39. Em 2010, o regramento foi novamente alterado, desta vez pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13/09/2010, e pela Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30/11/2010. Como resultado dessas alterações, a IN RFB nº 844/2008 assumiu a redação que se encontrava vigente à época de ocorrência dos fatos geradores alcançados pelo lançamento fiscal ora combatido. 40. Vale destacar que a alteração promovida pela IN RFB nº 1070/2010 no art. 5º da IN RFB nº 844/2008, reproduz com exatidão o art. 461A do Regulamento Aduaneiro, introduzido apenas três dias antes pelo Decreto nº 7.296, de 10/09/2010. 41. Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844/2008, pela IN RFB nº 1070/2010, a grande inovação foi a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da Fl. 36599DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.600 23 exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) 42. A nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento. Com isso, podese afirmar que a RFB admite que a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Com a diferença que agora essa pessoa jurídica poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, sendo parte ou não deste contrato. 43. A IN RFB nº 844/2008 foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 04/12/2013, atualmente em vigor. 44. A Autoridade Tributária responsável pelo procedimento fiscal, entretanto, teve entendimento diverso. Observese a fundamentação contida no TVF, tópico 5, "Das Infrações": Conforme antecipamos, tratase de contratações (...) artificialmente bipartidas em dois contratos: um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado a contratante PETROBRÁS e, de outro, empresas pertencentes a um mesmo grupo econômico (...). Os serviços são prestados no Brasil, mediante a utilização de plataforma ou de embarcação fornecida pelo próprio grupo Fl. 36600DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.601 24 econômico que presta os ditos serviços. A maior parte do preço pago pela PETROBRÁS é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, (...) enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços (...). É de se notar que, no contexto concreto destas contratações, em que pese a repartição formal em dois contratos, não há que se falar em afretamento autônomo. Nos casos examinados, o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Entender o contrário seria admitir, por exemplo, que uma empresa contratada para a retirada de entulho de uma obra cobrasse um valor pela retirada e outro pelo uso do seu caminhão de entulho. (...) As Contratadas são empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, que assumem direitos e obrigações recíprocos, com responsabilidade solidária, dividindo receitas e custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante (...). 45. A partir da análise da legislação e das provas coletadas, verifico que as conclusões da Autoridade Tributária mostramse equivocadas. A alegação de artificialidade (simulação ou planejamento tributário abusivo) na bipartição dos contratos não restou comprovada no procedimento fiscal. Além disso, esta possibilidade de bipartição contratual está expressamente prevista na legislação do Repetro, sendo justamente o modelo construído pelo legislador para possibilitar que as empresas se utilizem deste regime aduaneiro especial. O art. 5º, §§ 3º e 8º, c/c o art. 17, § 9º, todos da IN RFB nº 844/2008 (e alterações), determinam o seguinte: Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). (...) § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) (...) § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) (...) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), Fl. 36601DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.602 25 de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF no 285, de 2003. (...) § 9º Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) 46. Interpretando os dispositivos normativos que regem a matéria, a Secretaria da Receita Federal publicou, em sua página institucional na internet, o "Manual do Repetro / RepetroSped", com último acesso em 15/09/2018 no endereço eletrônico http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/repetro. 47. No tópico "4 Contratos" deste Manual, consta o seguinte: 4.1 INTRODUÇÃO (...) 4.1.4 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS O Contrato de Prestação de Serviços, no caso do Repetro, é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e que estabelece os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País. Nota: É possível também que empresa estrangeira seja contratada pela operadora para a prestação de serviços, mas, neste caso, como a legislação brasileira não permite que aquela preste os serviços diretamente no País (vide o tópico 2.6.4 Prestação de Serviços ou Produção de Bens no País por Sociedade Empresário Estrangeira em Beneficiários do Repetro), uma empresa designada deverá fazer parte do contrato com a finalidade de importar o bem e prestar os serviços contratados (Regulamento Aduaneiro, art. 461A, § 4º; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º c/c art. 4º, § único, inc. II, alínea c). Fl. 36602DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.603 26 A prestação de serviços no Repetro deve estar ligada às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Regulamento Aduaneiro, art. 458; IN RFB nº 1.415, de 2013, art. 1º). (...) 4.1.5 CONTRATO DE AFRETAMENTO Ao Contrato de Afretamento por Tempo, no caso do Repetro, se aplicam as mesmas disposições previstas no tópico 4.1.4 acima. (...) 4.1.6 CONTRATO TRIPARTITE O Contrato Tripartite, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de três partes: 1) Proprietário do bem (ou armador, no caso de embarcação): é a empresa estrangeira contratada para ceder o bem temporariamente; 2) Contratante: é a operadora, pessoa jurídica sediada no País, detentora de concessão, de autorização ou de cessão, ou a contratada sob o regime de partilha de produção, para o exercício, no País, das atividades de que trata o artigo 1º da IN RFB nº 1.415, de 2013. É o tomador de serviços (contratante); e 3) Designada: é a pessoa jurídica, sediada no País, contratada para promover a importação dos bens e prestar os serviços contratados. É possível a ocorrência de variações na composição das partes. Assim, pode ocorrer, por exemplo, a existência de um consórcio de operadoras (no lugar de uma operadora) ou de um consórcio de prestadores de serviços (no lugar de um único prestador de serviços). Além disso, o contrato tripartite pode ser instrumentalizado por um único contrato ou por dois contratos, neste último caso ele será denominado contrato de execução simultânea. 4.1.7 CONTRATO DE EXECUÇÃO SIMULTÂNEA O Contrato de Execução Simultânea, no caso do Repetro, é uma forma de composição contratual que se caracteriza pela existência de dois contratos distintos, que devem ser executados simultaneamente: 1) Contrato de Importação (arrendamento operacional, afretamento, locação ou empréstimo); e 2) Contrato de Prestação de Serviços. Fl. 36603DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.604 27 Esse tipo de contrato é mais usual nos casos de importação de embarcações ou plataformas para execução das atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Deste modo, podemos ter as seguintes combinações contratuais: (...) 4) contrato de prestação de serviços c/c contrato de afretamento de embarcação ou plataforma (este último é uma modalidade do contrato de importação). Nota: não confundir "contrato de prestação de serviços c/c contrato de locação de bens" com "contrato de prestação de serviços com locação de bens". No primeiro caso, temos uma combinação de dois contratos: o contrato de prestação de serviços com o contrato de importação, os quais serão executados de maneira simultânea, tão logo o bem seja importado. Mas, no segundo caso, temos um único contrato para utilização interna no País, mas que não se enquadra no Repetro por não atender aos preceitos legais, conforme tópico Disposições sobre Contratos. 48. Vejamos o que dispõe o citado tópico "4.2 Disposições sobre Contratos": 4.2.5 CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS COM LOCAÇÃO DE BENS O Contrato de Prestação de Serviços é o instrumento decorrente do acordo firmado entre o importador brasileiro (beneficiário do regime/prestador do serviço) e o tomador de serviços (operadora contratante) e define os direitos e obrigações das partes no tocante à prestação de serviços no País . Para outras informações sobre contratos de prestação de serviços, vide o tópico "4.1.4 Contrato de Prestação de Serviços" em Contratos – Introdução. Por outro lado, o contrato de prestação de serviços com locação de bens é uma construção contratual extravagante, que se caracteriza por uma dissimulação da ocorrência do fato gerador. Portanto, será objeto de indeferimento o pedido do sujeito passivo que tenha como suporte fático tal avença. Abaixo, desenvolvese o arrazoado conducente à dissimulação. (...) Nota: é possível ainda que o prestador de serviços queira dissimular também o nome do instituto de locação, adotando outros vocábulos análogos, tais como: arrendado, disponibilizado, posto à disposição, cedido, cessão de uso, etc. Porém, isso não altera, de forma alguma, o caráter dissimulatório dessa construção contratual extravagante, aplicandose o disposto no presente tópico. (...) Fl. 36604DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.605 28 Concluindo, o contrato de prestação de serviços com locação é: 1) ilícito, uma vez que fere as regras estabelecidas no direito positivo pátrio ao distorcer o instituto da locação com a finalidade de se obter a redução da base de cálculo do tributo devido (Código Tributário Nacional, art. 116, parágrafo único; Código Civil, art. 104, inciso II); 2) impossível, porque um locador não pode prestar serviços sem estar na posse da coisa, pois em um contrato de locação deve haver a efetiva transferência de posse da coisa do locador para o locatário (Código Civil, art. 565 c/c art. 566, inciso I) e o locatário é quem deve fazer uso da coisa e não o locador (Código Civil, art. 569, inciso I). Logo, a prestação de serviços com locação de bens é algo impossível, pois como poderia o locador ceder a posse da coisa e ao mesmo tempo prestar o serviço com esse mesma coisa? Destarte, ainda que as partes assinassem um contrato (ou cláusula) de "retorno de posse", isso descaracterizaria completamente o instituto da locação, não passando de uma simulação, pois o locatário não mais teria a posse da coisa ao devolvêla ao locador (Código Civil, art. 104, inciso II). (...) Destarte, será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção: 1) "2. Prestação de serviços com aluguel de bens"; 2) "8. Prestação de serviços com locação de bens"; 3) "8. Prestação de serviços com disponibilização de bens"; 4) "8. Prestação de serviços com cessão de bens"; 5) "8. Prestação de serviços com cessão de uso de bens"; ou 6) Qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. 49. Como se depreende da legislação colacionada, bem como da interpretação do tema pela própria RFB, órgão ao qual foi delegada a função de disciplinar a matéria, a "bipartição contratual", como denomina a Autoridade Fiscal o modelo de contratação da Recorrente, ou o "Contrato Tripartite", também um "Contrato de Execução Simultânea", na denominação dada pela RFB, não só pode ser utilizada, como deve ser utilizada. 50. Isso porque a RFB orienta os contratantes, no tópico 4.2.5, acima colacionado, no sentido de que será objeto de indeferimento do pedido de aplicação do regime quando, no Resumo de Contrato apresentado, houver sido assinalada, no item 4.2, a opção que trate de prestação de serviços cumulada com aluguel, locação de bens ou qualquer outro nomen iuris que distorça o instituto da prestação de serviços. Fl. 36605DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.606 29 51. Outro elemento de interpretação que deve ser destacado é a finalidade da norma instituidora do Repetro. A Lei nº 9.478, de 06/08/1997, a chamada Nova Lei do Petróleo, possibilitou a abertura do mercado exploratório, e outras empresas além da Petrobrás conquistaram o direito de lavra. A lei tributária modificou a aplicação do Regime de Admissão Temporária e limitou a suspensão dos tributos de comércio exterior para importação de bens às atividades de pesquisa e lavra de petróleo e gás. Neste mesmo ano foi criada a Agência Nacional do Petróleo e Biocombustíveis (ANP). 52. Com a Lei nº 9.478/97, foi permitida a participação das empresas privadas estrangeiras e outras empresas nacionais na área de pesquisa e exploração de petróleo. A Lei nº 9.430/96, através do art. 79, parágrafo único, trouxe a permissão legal para o chefe do Poder Executivo conceder à importação de bens considerados de interesse da economia nacional, tais como os bens destinados à atividade de pesquisa e lavra de petróleo e gás de forma temporária, suspensão tributária total. 53. Em 02/09/1999 foi publicado o Decreto 3.161/99, que instituiu o Repetro, como resultado da necessidade do Estado brasileiro de facilitar, através da desoneração tributária, a importação de bens que pudessem ser utilizados na exploração e produção do petróleo. O país buscava a sua autosuficiência na produção de petróleo (alcançada no dia 26/05/2006, com a produção de 1,87 milhão de barris diários, contra um consumo diário estimado de 1,83 milhão de barris diários), mas para tanto precisava viabilizar a utilização de bens de altíssimo valor e tecnologia, como as plataformas de petróleo. 54. Tais bens, fabricados no exterior e importados, ou fabricados no Brasil e objeto de exportação ficta, precisavam sofrer uma desoneração tributária que tornasse viável economicamente o investimento de empresas estrangeiras e nacionais, notadamente a Petrobrás, no setor petrolífero, tendo em vista a grande concorrência entre países na busca por investimentos neste setor. 55. Ao tempo dos fatos, já estava vigente o Decreto nº 6.759, de 2009 (Regulamento Aduaneiro 2009), que previa o seguinte tratamento para estes bens: DO REGIME ADUANEIRO ESPECIAL DE EXPORTAÇÃO E DE IMPORTAÇÃO DE BENS DESTINADOS ÀS ATIVIDADES DE PESQUISA E DE LAVRA DAS JAZIDAS DE PETRÓLEO E DE GÁS NATURAL REPETRO Art. 458. O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural REPETRO, previstas na Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, é o que permite, conforme o caso, a aplicação dos seguintes tratamentos aduaneiros: I exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro e posterior aplicação do regime de admissão temporária, no caso de bens a que se referem os §§ 1º e 2º, de fabricação nacional, vendido a pessoa sediada no exterior; II exportação, sem que tenha ocorrido sua saída do território aduaneiro, de partes e peças de reposição destinadas aos bens referidos nos §§ 1º e 2º, já admitidos no regime aduaneiro especial de admissão temporária; e Fl. 36606DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.607 30 III importação, sob o regime de drawback, na modalidade de suspensão, de matériasprimas, produtos semielaborados ou acabados e de partes ou peças, utilizados na fabricação dos bens referidos nos §§ 1º e 2º, e posterior comprovação do adimplemento das obrigações decorrentes da aplicação desse regime mediante a exportação referida nos incisos I ou II. § 1º Os bens de que trata o caput são os constantes de relação elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 2º O regime poderá ser aplicado, ainda, às máquinas e aos equipamentos sobressalentes, às ferramentas e aos aparelhos e a outras partes e peças destinados a garantir a operacionalidade dos bens referidos no § 1º. § 3º Quando se tratar de bem referido nos §§ 1º e 2º, procedente do exterior, será aplicado, também, o regime de admissão temporária. 56. A IN SRF nº 844/2008 e alterações, por sua vez, detalhava o tratamento aduaneiro positivado no Decreto nº 6.759/2009: Art. 25 O regime de admissão temporária extinguese com a adoção de uma das seguintes providências, pelo beneficiário, que deverá ser requerida dentro do prazo fixado para a permanência do bem no País: I reexportação, inclusive no caso de bem referido no inciso I do art. 3º; II entrega à Fazenda Nacional, livre de quaisquer despesas, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlo; III destruição, às expensas do interessado; IV transferência para outro regime aduaneiro especial; ou V despacho para consumo. (...) § 5º A reexportação requerida fora do prazo estabelecido somente será autorizada após o pagamento da multa prevista no inciso I do art.72 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 6º Nas hipóteses de extinção referidas nos incisos II a IV do caput, não será exigido o pagamento dos tributos suspensos pela aplicação do regime, sem prejuízo da exigência da multa referida no § 5º, caso a providência tenha sido requerida após expirado o prazo de vigência do regime e antes de iniciada a exigência do crédito constituído no TR. (...) Art. 26. Tratandose de embarcação ou plataforma, após formalizada a reexportação, enquanto autorizada a permanecer no mar territorial brasileiro pelo órgão competente da Marinha Fl. 36607DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.608 31 do Brasil, será considerada automaticamente em admissão temporária, nos termos do art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 285, de 2003, dispensada sua saída do território aduaneiro. 57. Portanto, buscava o legislador a desoneração tributária do setor petrolífero, com a suspensão total dos impostos incidentes na importação, quando da admissão temporária, e sua dispensa integral quando da extinção do regime, se atendidas todas as condições deste. 58. A Autoridade Tributária, no entanto, desconsiderou completamente a finalidade do regime, afirmando que a bipartição dos contratos era artificial, consistindo em mera repartição formal dos contratos, não havendo que se falar em afretamento autônomo, pois o fornecimento da unidade seria parte integrante e instrumental dos serviços contratados. 59. No entanto, todo o modelo construído pela legislador visa a promover a desoneração tributária através da separação das operações de afretamento e de prestação de serviços, permitindo a dispensa total dos tributos incidentes sobre aquela, havendo a incidência apenas sobre esta. O AuditorFiscal, apesar da legislação ser bastante cristalina sobre o tema, afirma que o fornecimento da unidade não pode estar dissociado da prestação de serviços. 60. A partir desse raciocínio, lavrou auto de infração exigindo a CIDE incidente na importação sobre o valor total do contrato de afretamento, quando o objetivo do Repetro é justamente dispensar esta incidência de uma parte da operação, aquela parcela referente ao afretamento, garantindo para isso a plena legalidade da bipartição contratual e inclusive determinando que ambos os contratos estejam vinculados e tenham execução simultânea. 61. Nesse sentido, as seguintes decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF: a) Acórdão nº 3301004.592 – Terceira Seção de Julgamento 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Em análise à defesa referente à acusação de que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços seria, por si só, indevida, entendo que assiste razão à Impugnante. Em outras palavras, entendo que a contratação segregada do afretamento em relação à prestação de serviços encontra amparo na legislação tributária do País, inclusive à época dos fatos abrangidos pelo lançamento. Conforme restou claro, a Autoridade Fiscal entendeu que a segregação dos contratos é indevida haja vista que “o fornecimento da unidade é parte integrante e indissociável dos serviços contratados”, de modo que “tratase de uma só contratação, cujo fundamento econômico é o serviço de produção de petróleo de petróleo e gás natural”. (...) Voltando à questão da legalidade do arranjo contratual utilizado, da mesma forma que a Impugnante, entendo que a própria Receita Federal, mesmo antes de 2011, já considerava Fl. 36608DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.609 32 legítima a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois nas suas Instruções Normativas expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas, conforme passo a demonstrar. (...) E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Essa é a razão de minha discordância em relação ao mais importante fundamento do lançamento, qual seja, a premissa de que, no contexto sob exame, haveria uma indissociabilidade absoluta entre o fornecimento da unidade flutuante e a prestação de serviços realizada por meio dela, o que tornaria a contratação segregada indevida por natureza. Ainda segundo a Autoridade Fiscal, a contratação segregada somente teria sido admitida após a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014 (Termo de Verificação, item IV). Neste ponto, há que se concordar com a Contribuinte quando, no item 4.7 de sua Impugnação, afirma que a Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, ao alterar o art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, inovou apenas no sentido de estabelecer um limite objetivo para uma prática que já era admitida anteriormente, na hipótese de serem vinculadas as contrapartes dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, com execução simultânea e celebrados com uma mesma pessoa jurídica, normalmente a concessionária da exploração de petróleo: (...) Portanto, com a devida vênia, no meu modo de ver o melhor entendimento para o tema aqui analisado é o seguinte: o arranjo contratual utilizado pela Impugnante não encontrou amparo na legislação tributária apenas com a alteração promovida pela Lei nº 13.043, de 2014. Na verdade, esse arranjo já era expressamente admitido pela própria Receita Federal pelo menos desde de alteração promovida pela IN RFB nº 941, de 2009. Ademais, é exatamente esse o entendimento da Coordenação Geral de Tributação da RFB (Cosit), expresso na Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, e expedido antes Fl. 36609DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.610 33 mesmo da publicação da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014. b) Acórdão nº 1402002.726 – Primeira Seção de Julgamento 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 15/08/2017: Inicialmente, temse que não há vedação legislativa para que o contribuinte reparta sua operação em afretamento e prestação de serviços. Muito pelo contrário, o art. 1 da Lei n. 9.481/1997, com redação dada pela Lei n. 13.043/2014, incluiu expressamente embarcações utilizadas na exploração e produção de petróleo no rol de hipóteses em que a alíquota restou reduzida a zero. A própria COSIT em já mais de uma ocasião manifestouse pela possibilidade de as empresas de óleo e gás adotarem a referida estrutura negocial com repartição entre prestação de serviços e afretamento, é o que se lê no próprio acórdão da DRJ: (...) A partir disso temse que a mera bipartição de contratos, não conduz necessariamente à consideração de tratarse de operação simulada. c) Acórdão nº 2401005.149 – Segunda Seção de Julgamento 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 05/12/2017: Dessa forma, o fato de haver necessidade de serem executados simultaneamente contratos de afretamento e de prestação de serviços (fls. 15.257/15.335), de nenhum modo traz indicativo de inexistência ou artificialidade de negócio jurídico, mas tão somente da existência de contratos coligados de modo a garantir a segurança e eficácia dos objetos negociais sem os desnaturar como contratos distintos. (...) A caracterização de contrato de afretamento como sendo de prestação de serviços técnicos, por presunção, sem trazer motivação sólida e prova robusta e adequada da acusação, de modo a afastar a autonomia dos contratos e a liberdade na gestão dos negócios da empresa, não pode prevalecer. O lançamento foi efetuado tomando como base a totalidade dos valores remetidos ao exterior a título de afretamento das embarcações como se não existissem referidos contratos e sem comprovação de ausência de propósito negocial. Sendo assim, estarseia afirmando que foram cedidas plataformas sem pagamento de qualquer valor, ou que os serviços poderiam ser realizados sem a plataforma. Fl. 36610DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.611 34 Não verifico base fática e legal para se considerar 100% (cem por cento) do valor do afretamento como prestação de serviços técnicos. O fato dos contratos terem sido pactuados com empresas do mesmo grupo não autorizaria essa presunção. Da mesma forma, a existência de cláusulas contratuais estabelecendo a vinculação dos contratos de afretamento e de prestação de serviços não transformaria todos os valores pagos em prestação de serviços técnicos remetidos ao exterior. Tendo em vista que a constituição do crédito tributário é atividade administrativa plenamente vinculada, não pode a fiscalização lançar mão de presunções, sem autorização em lei, para a cobrança de tributo. A complexidade do negócio jurídico envolvido demandaria da autoridade Fiscal uma análise mais aprofundada da ocorrência do fato gerador para se chegar à conclusão de que os valores remetidos ao exterior decorreram da prestação de serviços e não do pagamento dos afretamentos. A vinculação na execução simultânea de contratos de afretamento e de prestação de serviços é perfeitamente legítima e não autoriza a desconsideração dos contratos pactuados da forma como efetivada no lançamento. No caso em apreço constatase que a presunção lançada pela fiscalização para descaracterizar os contratos de afretamento não encontra respaldo na Lei nº 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, que trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico, conforme se destaca: (...) Conforme se vê do diploma legal, no caso de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos, a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga, podendo referido percentual ser elevado em até 10 % (dez por cento). Referida lei apenas corroborou situação já existente em face de negócios jurídicos firmados em que envolviam a prospecção e exploração de petróleo em águas profundas no mar, por envolver afretamento de plataforma de custos elevadíssimos, equipadas com tecnologia específica para a tal exploração e que prepondera significativamente sobre o valor do serviço, tanto que o próprio legislador considerou as proporções percentuais razoáveis. Desse modo, se o próprio legislador trata da execução simultânea do contrato de afretamento de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural por pessoas jurídicas vinculadas entre si, inclusive estabelecendo o limite da Fl. 36611DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.612 35 parcela relativa ao afretamento, que poderá chegar a 95% (§ 8º, do art. 1º da Lei nº 9.481/97), verificase que a presunção configurada na acusação fiscal ressai totalmente insubsistente. A uma, porque não se pode motivar o lançamento por presunção não estabelecida em lei; a duas, porque não há ilegitimidade na contratação de afretamento na forma como pactuada; a três, porque dentro do conjunto dos contratos, independente se foi feito de forma conjunta ou separada, deveria o fiscal ter excluído da base de incidência o que efetivamente não configura a prestação de serviços. Não há motivação razoável para a interpretação a que chegou a fiscalização. Nesse diapasão, a Coordenação Geral de Tributação (COSIT) publicou a Solução de Consulta nº 225, de 19 de agosto de 2014, antes mesmo das alterações introduzidas na Lei nº 9.481/97, pela Lei nº 13.043/2014, em que respalda o procedimento adotado pela Recorrente no que tange a liberdade das empresas na forma de montar os seus negócios e de contratação, em especial para a exploração de petróleo. 62. Apesar de restar claro, a meu ver, que a utilização do regime aduaneiro Repetro para fins de suspensão dos tributos incidentes na admissão temporária das plataformas de exploração de petróleo pressupõe que a contratação destas esteja prevista em contrato distinto daquele referente à prestação de serviços, devese ter em conta que a artificialidade da "bipartição" ainda assim poderia realmente ocorrer, mas, neste caso, teria o AuditorFiscal que demonstrar que não ocorreu o afretamento, ou que a empresa estrangeira não existia, ou demonstrar a falta de capacidade operacional de alguma das empresas contratadas, ou divergência entre a real vontade das partes e o negócio por elas declarado, ou que havia manipulação dos contratos com a finalidade de distribuir custos e receitas de forma a diminuir, fraudulentamente, a incidência dos tributos. 63. Apesar do TVF conter uma extensa análise das cláusulas contratuais, não vislumbro a identificação de qualquer destas situações, ou de outras que pudessem comprovar a artificialidade alegada. Vejamos, a seguir, os fatos que foram destacados pela Autoridade Fiscal, a partir das cláusulas contratuais, como indícios da simulação. 64. Em relação ao fato de que as empresas contratadas pela Petrobrás pertencem a um mesmo grupo econômico, tal situação deve ser levado em conta apenas para uma análise mais cuidadosa dessa operação mas, por si só, isoladamente, não tem o condão de indicar uma simulação nessas contratações. Devese levar em conta que o § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844/2008 deixa claro que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também pode ser parte no contrato de afretamento, ou seja, a concessionária da exploração de petróleo possa celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos: um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. 65. Se tal combinação é admitida expressamente, não se pode imaginar que o fato das empresas contratantes pertencerem a um mesmo grupo econômico seja impeditivo para a separação dos contratos, já que poderia até mesmo haver apenas uma empresa sendo parte em ambos os contratos. 66. Ademais, a Lei nº 13.043, de 2014, ao alterar a Lei nº 9.481/97, para tratar da execução simultânea dos contratos de afretamento e de prestação de serviços, admitiu Fl. 36612DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.613 36 expressamente a possibilidade de que estes contratos sejam celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si. Os limites percentuais lá estabelecidos, inclusive, só são aplicáveis justamente quando existir tal vinculação. 67. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Mas, o mais importante aqui é observar que uma das combinações possíveis que se pode extrair da nova redação dada ao § 2º do art. 5º da IN RFB nº 844, de 2008, é a hipótese em que a prestadora de serviço contratada pela concessionária também é parte no contrato de afretamento. Ou seja, podese afirmar que a Receita Federal, com amparo direto no Regulamento Aduaneiro, continuou admitindo que a concessionária da exploração de petróleo pudesse celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. Por fim, há que se registrar que a IN RFB nº 844, de 2008, foi revogada pela Instrução Normativa RFB nº 1.415, de 4 de dezembro de 2013, atualmente em vigor. Com base na análise acima empreendida, podese concluir que a Receita Federal, mesmo antes de 2011, já admitia a possibilidade de a concessionária da exploração de petróleo celebrar, com uma mesma pessoa jurídica, dois contratos distintos, um para o afretamento e outro para a prestação de serviços. E se é autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não haveria razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. 68. Quanto a estas empresas, pertencentes ou não ao mesmo grupo econômico, assumirem direitos e obrigações recíprocos, entendo que tal situação se mostra perfeitamente compatível com um modelo de contratação no qual os contratos, por exigência legal, devem possuir execução simultânea. Afinal, o inadimplemento de uma poderá acarretar a inviabilidade material de cumprimento contratual pela outra. Sem os serviços, de nada serve a plataforma; sem a plataforma, não há como ser executado o serviço. 69. Aliás, esta é uma característica geral dos contratos: estabelecer direitos e obrigações recíprocos; entendo que andou mal o Fisco ao não detalhar quais seriam estes direitos e obrigações recíprocos que tornariam artificial a bipartição contratual efetivada. 70. Quanto à responsabilidade solidária, também me parece uma consequencia natural da interdependência e complementariedade existente entre os contratos e Fl. 36613DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.614 37 o tipo de atividades. Tanto o afretador quanto o prestador de serviços estão sujeitos à ocorrência de acidentes de trabalho que possa vitimar um funcionário de alguma das contratadas; ou de algum acidente ambiental. Em tais casos, pode ser muito difícil identificar o responsável, ou mesmo ambos podem ser responsáveis. Pode decorrer de uma falha da plataforma ou de sua má utilização pelos prestadores de serviço. 71. Pelas mesmas razões, nada vejo de irregular no fato dos contratos de afretamento declararemse vinculados a contratos de prestação de serviços, e que ambos sejam assinados na mesma data, visto que a legislação determina exatamente isso: os contratos devem estar vinculados e ter sua execução simultânea, conforme IN RFB nº 844/2008, art. 5º § 3º, c/c art. 17, § 9º, inciso I. Daí porque as prorrogações de prazo do afretamento, por meio de aditivos, são espelhadas por iguais prorrogações do contrato de serviços, por meio de aditivos assinados nas mesmas datas. 72. Na mesma linha, o fato de alguns contratos de afretamento estipularem que a medição do afretamento se dará por meio de Boletins de Medição assinados por ambas as partes, à semelhança do que ocorre com os contratos de serviços, também não indica uma simulação contratual ou um abuso de formas. É natural que o período de medição do afretamento seja o mesmo adotado para a medição dos serviços: do primeiro ao último dia do mês de competência. 73. As plataformas possuem uma capacidade operacional, a qual vai influenciar no preço do contrato. Logicamente, existem plataformas com diferentes níveis tecnológicos e capacidade de produção. Da mesma forma, existem prestadores de serviço mais eficientes que outros, com maior expertise e que conseguem, com uma mesma plataforma, alcançar diferentes níveis de produtividade. 74. Me parece natural uma operação de exploração de petróleo em que o afretante deseje estipular o pagamento dos contratos com base na produção, ou seja, no desempenho da plataforma e da equipe contratada para operála. Logo, entendo que estipular o pagamento de ambos os contratos com base em Boletins de Medição seja, inclusive, a forma mais eficaz de garantir o retorno do contratante pelo valor desembolsado para a empreitada global. 75. Sobre a rescisão do contrato de serviços ser base para a rescisão do contrato de afretamento, tratase de consequencia natural da vinculação entre os contratos e a necessidade de sua execução simultânea, tendo em vista que a prestação de serviços não pode se dar sem a plataforma fretada, ao mesmo tempo que a plataforma de nada serve sem a prestação do serviço de perfuração. 76. Nesse sentido, a seguinte decisão da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no Acórdão nº 3301004.592 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 17/04/2018: Em sua extensa e bastante didática defesa, a Contribuinte esclareceu a natureza diversa e o objeto próprio de cada um dos contratos – de afretamento e de prestação de serviços de operação e manutenção (O&M) –, que justificam a celebração de contratos coligados (e não um único contrato de prestação de serviços abrangendo a disponibilização da unidade flutuante). Depois, demonstrou que há razões para que a contratação seja Fl. 36614DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.615 38 realizada com empresas vinculadas entre si, e também que é natural que haja cláusulas contratuais recíprocas entre contratos coligados. 77. Pelo mesmo fato das empresas pertencerem a um mesmo grupo e de terem, assim, vantagens pela sinergia existente; e por conta da exigência imposta pela legislação de execução simultânea dos contratos, também entendo perfeitamente normal que as empresas fretadoras figurem como coseguradas em seguros de responsabilidade civil firmados pelas prestadoras de serviços e, da mesma forma, que estas, nos contratos de afretamento, assinem, como solidariamente responsáveis com as Contratadas (Fretadoras). O AuditorFiscal não se aprofundou sobre o porquê deste fato implicar uma simulação ou artificialidade das contratações. 78. No tocante às cláusulas dos contratos de afretamento dizerem que a responsabilidade, operação, movimentação e administração da unidade ficarão sob controle e comando exclusivo das Fretadoras ou seus prepostos, também não vejo qualquer irregularidade, pois tais operações não se confundem com a prestação dos serviços de perfuração, objeto do segundo contrato. Além disso, estão expressamente previstas na definição de afretamento por tempo, contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado, diferenciandose do afretamento a casco nú, contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação, conforme art. 2º, incisos I e II, da Lei nº 9.432, de1997: Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens; 79. Em relação aos contratos de afretamento trazerem a relação de pessoal especializado a ser fornecido pela Contratada (Fretadora), em que estão listados cargos supostamente ligados à prestação de serviços de operação da unidade, tais como Superintendente de Perfuração, Sondador, Assistente de Sondador, etc, também não identifico elementos para comprovar que os valores pagos a título de afretamento se referem, na verdade, a prestação de serviços, apesar de, aparentemente, haver uma irregularidade nesta cláusula. 80. Esta constatação feita pelo AuditorFiscal poderia indicar a utilização dos contratos para manipular a distribuição de custos e receitas de forma a diminuir de forma fraudulenta a incidência de tributos. No entanto, pela descrição do fato, o que ocorreu foi uma alocação de custos na empresa Fretadora estrangeira, que seria a beneficiária do Repetro com a suspensão e posterior dispensa do pagamento dos tributos. Fl. 36615DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.616 39 81. O usual, neste tipo de prática de sonegação fiscal, é justamente o contrário; alocar custos na empresa nacional, para diminuir seu lucro e consequentemente o IRPJ e a CSLL a pagar; e deslocar receitas pra empresa beneficiada pelo regime, para diminuir a incidência de tributos sobre o lucro e também sobre o faturamento. 82. O entendimento poderia ser, talvez, de que a assunção de custos pela Fretadora indicaria que, por consequencia, receitas da prestação de serviços também estariam sendo deslocadas para a Fretadora. Ou de que a existência destes custos no contrato de afretamento indicaria que esta seria uma única operação prestação de serviços, e não um afretamento autônomo. Não me parece que esse ponto tenha sido suficientemente esclarecido pelo autuante. 83. De qualquer sorte, o AuditorFiscal não se aprofundou em sua análise. Seria necessário avaliar qual o valor dos custos com o fornecimento desse pessoal em relação aos custos totais do contrato e também da empresa prestadora de serviços, para identificar a sua relevância. Além disso, como o contrato é de "afretamento por tempo", o Fretador está obrigado contratualmente a fornecer a tripulação para operar a plataforma, digase de passagem, uma "plataforma de exploração de petróleo". 84. Logo, seria necessário também indicar quais as atividades deste pessoal, pois apesar da denominação dos cargos levar a crer que estariam relacionadas com o objeto do segundo contrato, de prestação de serviços, há a possibilidade de que estivessem envolvidos em atividades próprias de uma tripulação de plataforma de petróleo. Tal exame precisaria ser feito à luz dos objetos dos contratos, verificando qual a delimitação de cada um deles. 85. A Autoridade Fiscal afirma também que a maior parte do preço pago pela Petrobrás é atribuída ao afretamento da unidade e destinada ao exterior, enquanto parcela muito inferior é atribuída aos serviços. Que as contratadas dividiam as receitas e os custos segundo a sua conveniência, ou segundo a conveniência da contratante. No entanto, limitase a uma afirmação isolada, em um único parágrafo do TVF, sem informar qual seria esta proporção, muito menos apresentando qualquer informação adicional que pudesse indicar a existência de uma manipulação de receitas entre os contratos. 86. A DRJRJO, porém, utilizandose de argumentos de outras autuações fiscais, que não esta, entendeu equivocadamente que havia sido determinado a proporção entre as receitas dos contratos, como se depreende do seguinte excerto: Dos Contratos Coligados e os Arts. 109 e 110 do CTN A autoridade fiscal afirmou que a impugnante havia contratado serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços de petróleo e outros serviços ligados ao setor. Tal contratação, entretanto, teria sido “artificialmente bipartida em dois (sic) contratos”: um de afretamento e outro de serviços; que os contratos de afretamento envolvem grandes valores, em torno de 90% da soma dos dois contratos firmados, enquanto os contratos com as empresas sediadas no Brasil prevêem pagamentos da ordem de 10%; que as contratadas – a estrangeira e a brasileira pertencem a um mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do knowhow da prestação de serviços de pesquisas e exploração de petróleo/gás. Fl. 36616DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.617 40 Desta forma, desempenharam de forma conjunta e solidária, atividades formalmente contratadas de forma segregada, mas que tinham um único objetivo, prestação de serviços necessários para a autuada. Considerando a realidade fática apontada, a Fiscalização concluiu que se tratava de um único contrato de prestação de serviços, não podendo atribuir os pagamentos, feitos à empresa estrangeira, a simples afretamento. Afirma que o serviço prestado absorve o afretamento, já que o primeiro é a atividade fim e o segundo é atividademeio. 87. Ora, a afirmação de que a proporção dos pagamentos foi de 90% para o contrato de afretamento e 10% para o de serviços, bem como a tese de que o serviço prestado absorve o afretamento, constam, no Termo de Verificação Fiscal, no tópico "3. Da Legislação Pertinente à Alíquota Zero de IRRF no Afretamento de Embarcações Procedimentos Fiscais Anteriores Jurisprudência Administrativa", e se referem a outras ações fiscais. No presente processo, entretanto, a Autoridade Tributária não lança mão da tese da atividade meio; e aborda a questão da proporção dos pagamentos de forma bastante superficial. 88. De qualquer sorte, mesmo que esta fosse a proporção da divisão de receitas entre os contratos no presente caso, ainda assim entendo que não haveria qualquer abusividade a ensejar a qualificação de artificial para o arranjo contratual realizado pelo Recorrente, ou a demonstrar, isoladamente, a existência de uma simulação. Isso porque tal divisão se mostra perfeitamente compatível com o custo dos contratos. 89. Plataformas de exploração de petróleo envolvem altíssima tecnologia e seu custo é muito elevado. Para se ter uma idéia, a plataforma P57, construída no Brasil, custou, segundo reportagem do jornal O Globo, acessado pela internet através do link https://oglobo.globo.com/economia/construcaodeplataformanobrasiljatemcustomenor quenoexterior2942610, cerca de US$ 1,2 bilhão de dólares. Os contratos de prestação de serviços envolvem, em geral, apenas custo de mãodeobra relacionado diretamente à exploração de petróleo e equipamentos de menor valor, como computadores, laboratório, etc. Os contratos de afretamento da Petrobrás são "por tempo", logo ainda envolvem a tripulação que deixará a plataforma "armada", bem como toda a parte de manutenção desta, incluindo pessoal especializado e materiais de reparo e manutenção. Logo, tratase de situação peculiar, na qual entendo razoável a desproporção entre as remunerações dos contratos. 90. Deve ser destacado também que a própria legislação estabeleceu parâmetros de avaliação do que seria uma proporção razoável entre esses contratos, conforme se depreende do art. 1º da Lei nº 9.481/97, com redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017: Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de Fl. 36617DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.618 41 instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 2º Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 6º A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) § 7º Para efeitos do disposto nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, a pessoa jurídica fretadora, arrendadora ou locadora de embarcação marítima sediada no exterior será considerada vinculada à pessoa jurídica prestadora do serviço, quando: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (...) § 8º Ato do Ministro de Estado da Fazenda poderá elevar em até dez pontos percentuais os limites de que tratam os §§ 2º, 9º e 11 deste artigo, com base em estudos econômicos. § 9º A partir de 1º de janeiro de 2018, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte, na Fl. 36618DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.619 42 hipótese prevista no § 2º deste artigo, fica limitada aos seguintes percentuais: (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) I 70% (setenta por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) II 65% (sessenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) III 50% (cinquenta por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.586, de 2017) 91. Os percentuais fixados nesta legislação foram obtidos a partir de médias internacionais na prática desta formatação contratual, como indicado na Exposição de Motivos nº 00100/2017 MF, da MP nº 795/2017, posteriormente convertida na Lei nº 13.586, de 2017: 2. A Medida Provisória tem por objetivo aprimorar a legislação tributária aplicada às empresas do setor de petróleo estabelecendo regras claras de tributação, dando segurança jurídica às empresas e à Administração Tributária e incentivando os investimentos na indústria petrolífera no Brasil. (...) 4. O art. 2º deste Projeto altera os §§ 2º a 8º e acrescenta os §§ 9º a 12 ao art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, que tratam da incidência do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF nas remessas ao exterior a título de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas. 4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. 4.2. Entretanto, os percentuais atualmente estabelecidos apresentam um desequilíbrio econômico e não estão compatíveis com os percentuais adotados por outros países. Nesse sentido, o § 9º ajusta os percentuais a fim de manter a segurança jurídica. 4.3. As alterações promovidas nos §§ 2º a 6º e no § 8º têm como objetivo adequar a redação às alterações mencionadas anteriormente e esclarecer acerca da incidência de IRRF à alíquota de vinte e cinco por cento sobre a totalidade da remessa destinada a país com tributação favorecida ou a beneficiário de regime fiscal privilegiado. Fl. 36619DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.620 43 4.4. A alteração promovida no § 7º tem como objetivo ajustar a definição de empresa vinculada a pessoa jurídica prestadora do serviço. O conceito anterior não alcançava situações importantes de vinculação, tal como a hipótese de controle societário ou administrativo comum. 4.5. O § 11 estabelece o percentual máximo atribuído ao contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados às atividades de transporte, movimentação, transferência, armazenamento e regaseificação de gás natural liquefeito para fins de aplicação da redução a zero de IRRF prevista no inciso I do caput, visando a evitar o abuso na utilização do referido benefício e a transferência de lucros para o exterior. 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2º e 9º não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINSImportação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e as condições do contrato de afretamento ou aluguel. 5. O art. 3º deste Projeto possibilita que, para os fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, as empresas possam adotar os percentuais máximos previstos no § 2º do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, mediante recolhimento em janeiro de 2018 da diferença de IRRF, acrescida de juros de mora, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, condicionada à desistência expressa e irrevogável das ações administrativas e judiciais. Isso porque, antes do estabelecimento dos percentuais expressamente em lei, havia grande divergência de entendimento entre o Fisco e os contribuintes, o que gerava litígios administrativos e judiciais. (...) 7. O art. 5º institui regime especial de importação com suspensão do pagamento dos tributos federais em relação a bens cuja permanência no País seja definitiva e que estejam destinados às atividades de exploração, desenvolvimento e produção de petróleo, de gás natural e de outros hidrocarbonetos fluidos. Tal regime desonera estas atividades do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação. 8. O art. 6º desonera os tributos federais na importação e na aquisição no mercado interno de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem para serem utilizados integralmente no processo produtivo de produto final destinado Fl. 36620DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.621 44 às atividades de trata o caput do art. 5º. De igual sorte, os fabricantesintermediários que industrializem produtos a serem diretamente fornecidos as empresas de que trata o art. 6º poderão importar ou adquirir bens no mercado interno com desoneração dos tributos federais. 92. Como se depreende da leitura da EM, os percentuais foram estabelecidos de forma a refletir o que é praticado internacionalmente, em média. Inicialmente, para plataformas de petróleo (inciso I, embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga), foi estabelecido que o percentual do afretamento, sobre o valor global dos dois contratos, poderia alcançar até 95%, sendo 85% de imediato e mais 10% mediante Ato do Ministro de Estado da Fazenda. Mesmo com a redução destes percentuais a partir de 01/01/2018, ainda poderia ser estabelecida uma proporção com até 80% do valor total dos contratos unicamente para o contrato de afretamento, o que não é tão distante dos percentual de 90% calculado em fiscalizações anteriores. 93. Isso significa que este argumento da Fiscalização não pode servir de base para indicar uma "artificialidade da bipartição contratual". A proporção indicada nos procedimentos fiscais anteriores não tem nada de absurdo, ou de flagrantemente simulado, com o objetivo de repartir as receitas entre os contratos de forma a fraudar o Fisco. Com efeito, verificase que os custos das operações justifica a desproporção entre os contratos, nada havendo de ilegal ou simulado, não tendo a Fiscalização logrado êxito em provar o contrário. 94. Vejase que em outros procedimentos fiscais o Fisco conseguiu demonstrar que a empresa que executava os serviços operava com prejuízos, enquanto a fretadora tinha alta lucratividade; porém, em seguida, a fretadora estrangeira repassava valores para o prestador dos serviços, a título de "ressarcimentos de despesas", fato que denotava alta probabilidade de triangulação de contratos com objetivo de simulação. Naqueles casos, este CARF acordou pela manutenção da autuação. 95. Em resumo, o meu entendimento é que, para demonstrar que houve uma simulação, um conluio entre os contratantes, ou um planejamento tributário abusivo, de forma a tornar "artificial" a bipartição contratual, teria o AuditorFiscal que demonstrar que parte do valor global da empreitada, que deveria corresponder a pagamento pela prestação de serviços, foi pago através do contrato de afretamento, com o objetivo de evitar fraudulentamente a incidência de tributos. 96. Poderia valerse de laudo técnico sobre quantidade de pessoal necessário para a empreitada, tendo em vista que a prestação de serviços tem como custo, basicamente, despesas com mão de obra. Teria ainda a opção de realizar essa apuração indo pessoalmente à plataforma (em operação em alto mar) e verificar in loco as operações e os funcionários responsáveis por cada tarefa, acompanhado de profissionais de ambos os contratantes. 97. Entretanto, em todo o TVF, não se verifica a existência de provas deste deslocamento de receitas entre os contratos, muito menos da sua quantificação. Apesar de listar uma grande quantidade de cláusulas sob suspeição, o objetivo da Autoridade Fiscal é, nitidamente, tentar comprovar sua tese de que o contrato de serviços absorve o de afretamento, que não existiria de forma autônoma. Nenhuma destas cláusulas se presta a demonstrar que valores do contrato de serviços estaria sendo pago através do contrato de afretamento. Fl. 36621DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.622 45 98. Apesar de mencionar, de forma superficial, que a receita entre os contratos seria repartida da forma como desejassem as empresas, com o objetivo de diminuir a incidência de tributos, não se aprofundou na tentativa de sua comprovação, muito menos de sua quantificação. 99. Tendo o nome de funcionários e suas atividades desenvolvidas, e os salários respectivos (principal custo, que é mão de obra), acrescidos de demais verbas incidentes sobre a folha de salários, poderia levantar os demais custos (administrativos, seguros, equipamentos) e, acrescentando a margem de lucro, apurar um valor razoável para a prestação de serviços e comparálo com o valor fixado no contato. 100. Assim, haveria uma base de comparação com o valor estipulado em contrato e, caso fosse apurado que este valor havia sido subfaturado, a diferença poderia ser lançada através de Auto de Infração. Neste ponto, inclusive, reside mais um equívoco grave da autuação. 101. Com efeito, mesmo que superada a questão da legalidade da bipartição contratual, bem como a questão da carência de provas sobre a artificialidade ou o planejamento tributário abusivo, ainda assim o Auto de Infração não poderia prosperar, pois a Autoridade Fiscal, ao realizar o lançamento, decidiu por incluir todo o valor do afretamento na base de cálculo, como se este não tivesse sequer existido. 102. Na verdade, tal decisão mostrase coerente com a linha de autuação, segundo a qual não há afretamento autônomo, sendo a bipartição contratual uma artificialidade e, portanto, todo o valor da empreitada seria, unicamente, prestação de serviços. O afretamento seria apenas uma atividade meio, um custo necessário para a execução do serviço. Por esse raciocínio deveria existir apenas um contrato, o que justificaria o lançamento ter por base de cálculo todo o valor do projeto. 103. Obviamente tal tese não deve prevalecer, pois já demonstrada a legalidade da arquitetura contratual adotada. Além do mais, usar todo o valor do afretamento como base de cálculo para o lançamento significa concluir que o incentivo do Repetro não poderia ser utilizado pelo recorrente, sem qualquer base jurídica. O incentivo existe, o recorrente a se habilitou a utilizálo conforme as regras da Receita Federal, e se algum abuso de formas existiu, deveria ter sido devidamente quantificado, e não simplesmente adotar a solução mais fácil, qual seja, autuar todo o valor. 104. Por fim, vale destacar que, em recente julgamento, datado de 23/10/2018, relativo ao processo n° 004018575.2015.4.01.3400, o juízo da 14ª Vara da Justiça Federal de Brasília proferiu decisão favorável ao Recorrente em caso praticamente idêntico, nos seguintes termos: Na espécie, a discussão envolve prática muito comum na estrutura contratual adotada por empresas do setor de petróleo e de gás, na qual há a celebração de duas avenças distintas pela petroleira nacional, quais sejam: uma de afretamento, com a empresa proprietária do bem e domiciliada no exterior; outra de prestação de serviços para operação do objeto afretado, firmado com empresa brasileira prestadora de serviços, mormente integrante do mesmo grupo econômico da sociedade estrangeira proprietária do bem. Fl. 36622DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.623 46 O ponto fulcral da presente demanda é saber se o valor pago a título de afretamento seria, em verdade, remuneração simulada de prestação de serviços, o que justificaria a incidência da CIDE na forma assim sustentada pela União: (...) A Petrobrás aduz que a fiscalização considerou erroneamente que o afretamento é parte integrante e inseparável dos serviços prestados. A RFB entendeu, ainda, que plataformas não são embarcações. (...) Entrementes, quanto à alegação da bipartição artificial de contratos, sobreleva sinalar que o próprio CARF, recentemente, nos autos do processo administrativo n. 16682.721161/201291, em sessão realizada no dia 05/12/2017, por unanimidade, reconheceu a possibilidade de execução simultânea de contratos, aduzindo que a Lei n. 9.481/97, com as alterações estabelecidas pela Lei n. 13.043/2014, trouxe em seu bojo a bipartição de contratos como consequência natural do negócio jurídico. Como a análise fiscal era pertinente a fatos geradores do IRRF, atinente ao anocalendário de 2008, é notório que a própria Administração Fazendária, por meio de seu órgão julgador e colegiado, tenha admitido que tal norma apenas reconheceu uma situação de fato em benefício do contribuinte. Ainda nesta assentada, fixou o entendimento de que “as plataformas (fixas e flutuantes) devem ser consideradas como embarcações”. (...) Com efeito, a Lei n. 13.043/2014, acrescentando parágrafos ao artigo 1º da Lei n. 9.481/1997, assim estabeleceu: (...) Ao assim dispor, a legislação prevê a possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e prestação de serviços, com pessoas jurídicas vinculadas entre si, estabelecendo, para fins de alíquota do imposto de renda na fonte, os percentuais máximos da parcela relativa ao afretamento ou aluguel. A título elucidativo, ressalto que a recente alteração dos supracitados incisos pela Lei n. 13.586/2017 colocou uma pá de cal sobre a discussão quanto à possibilidade de execução simultânea dos contratos de afretamento e prestação de serviços, o que veio a ser corroborado pela Instrução Normativa n. 1.778, de 19/12/20173, por meio da qual a Receita Federal do Brasil esclarece os procedimentos a serem adotados pelos contribuintes nesses casos, especialmente no que se refere à fruição da alíquota zero do IRRF em operações de afretamento e aluguel de Fl. 36623DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.624 47 embarcações para atividades de exploração e produção de petróleo e gás. Pelo que consta do Termo de Verificação Fiscal, quanto aos fatos geradores ocorridos no ano de 2008, “na operação, atribuise valor bastante expressivo ao contrato de afretamento (90% da soma dos dois contratos), cujos pagamentos foram destinados ao exterior, sem retenção de serviços, e pago à contratada nacional, com retenção de imposto. Valor menor (10% do total) foi atribuído à prestação de serviços, e pago à contratada nacional com retenção de imposto” (fl. 65verso). A Solução de Consulta Cosit 225/2014, formulada quando da contratação da construção e afretamento de embarcações de última geração para utilização por pessoa jurídica domiciliada no exterior e seus parceiros na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas, conclui que, “respeitados os aspectos acima citados nesta solução de consulta, o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de navios sonda está enquadrado no inciso I do art. 1º da Lei n. 9.841/97, estando sujeito à alíquota zero do IRRF” (fls. 197/200). Posteriormente, a Solução de Consulta Cosit n. 12/2015, formulada por pessoa jurídica no exterior, concluiu que “o pagamento, crédito, emprego ou remessa da contraprestação do contrato de afretamento de plataforma semissubmerssível está sujeito à alíquota zero do IRRF. A parcela relativa ao contrato de afretamento estará limitada a 80% do valor global do contrato, quando houver execução simultânea de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si (fl. 202). Sendo assim, em que pese a legislação citada (Lei nº 13.043/2014) ser posterior aos fatos geradores e versar sobre tributo diverso (IR) daquele discutido nos autos (CIDE), ela é, não se pode negar, o reconhecimento expresso pela lei da autonomia do contrato de afretamento diante do contrato de prestação de serviço, o que, por conseguinte, demonstra o excesso na lavratura do Auto de Infração em espeque, que tomou por base o valor total dos contratos, sem indicação da quantia considerada abusiva no contrato de afretamento. Esclareço que não se trata de retroatividade de norma interpretativa, mas apenas de paradigma legislativo que reconhece uma situação fática há tempos existente como prática comercial. Nem o contribuinte está certo em superfaturar o contrato de afretamento nem a RFB está com a razão em considerar o valor total dos contratos, como negócio jurídico único, para o fim de proceder ao lançamento e, nessa esteira, fixar multa pela suposta sonegação. Aliás, o Auto é, inclusive, contrário ao novel entendimento do próprio CARF na análise da existência do contrato de Fl. 36624DF CARF MF Processo nº 16682.723011/201564 Acórdão n.º 3401005.806 S3C4T1 Fl. 36.625 48 afretamento em conjunto com o de prestação de serviços no setor petroleiro, realidade legislativa inconteste, conforme já explicitado. (...) Por essas razões, ante o excesso verificado, a anulação do auto de infração é medida que se impõe. Pelo exposto, confirmo a decisão que antecipou os efeitos da tutela e acolho o pedido autoral para anular o Auto de Infração que deu origem ao processo administrativo fiscal n. 16682.721162/201235, cancelando qualquer cobrança a ele pertinente, facultando à ré a lavratura de novo lançamento, nos termos do art. 148 do CTN, conforme explicitado na fundamentação (art. 487, I, do CPC). 105. Quanto às demais questões suscitadas pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário, tendo em vista tudo quanto já exposto neste voto, entendo que restou prejudicada a sua análise, por desnecessária para o alcance de seus objetivos recursais. 106. Assim, voto por conhecer e dar integral provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Lázaro Antônio Souza Soares Relator Fl. 36625DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722899/2013-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO.
O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado.
Numero da decisão: 3401-005.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Redator Ad Hoc.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. LIMITE. CRÉDITO DISPONÍVEL INVOCADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, respeitado o limite do crédito disponível invocado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Redator Ad Hoc. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 28 99 /2 01 3- 90 Fl. 146DF CARF MF 2 Relatório Versam os autos sobre PER/DCOMP de COFINS, anocalendário 2010, com Despacho Decisório Eletrônico DDE que, diante da inexistência de crédito, não homologou a compensação declarada, pois de acordo com o DARF descrito no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A empresa presentou Manifestação de Inconformidade na qual defendeu que as diferenças apontadas nos DDE referemse a não retificação das DCTF dos períodos analisados, razão pela qual retificou as Declarações, apresentando diferenças e créditos para cada período. Disse também que apresentou DACON retificadores muito antes das DCTF retificadoras, os quais poderiam ter sido confrontados oportunamente. Sobreveio decisão da DRJ/BHE, a qual, por unanimidade de votos de votos julgou procedente a manifestação de inconformidade, para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido, nos termos da ementa abaixo transcrita: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO COMPROVADO. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios. A Contribuinte tomou ciência da referida decisão por meio AR, em 11/06/2013, vindo a interpor recurso voluntário em 11/07/2013, basicamente defendendo que possui suficiência de créditos não só para satisfazer os eventuais débitos existentes como também para compensálos com os débitos indicados no PER/DCOMP. Posteriormente, houve despacho para que houvesse explicação do porquê da mudança de numeração do processo, sobrevindo Despacho de Encaminhamento com o seguinte teor: Em atendimento ao Despacho de Devolução emitido pela Terceira Câmara da 3ª Seção do CARF, informamos que foi criado novo número de processo para prosseguimento do pleito do contribuinte em razão de o Acórdão da DRJ/BHE ter julgado a Manifestação de Inconformidade Procedente, o que ocasionou o encerramento do processo no SIEFPROCESSO. Porém , o crédito reconhecido pela DRJ não foi suficiente para quitar os débitos informados na DCOMP e o contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando que "os pagamentos existentes eram suficientes para liquidar o débito apurado". Por não ser possível informar o questionamento no SIEF, foi criado o presente processo, vinculado no SIEF ao processo de crédito original. Retornese ao CARF para prosseguimento. Por fim, com o mesmo objeto e partes, pulverizados entre PIS e COFINS, alterandose apenas o anocalendário e número do PER/DCOMP, noticiese que há 18 (dezoito) processos, todos apreciados nesta sessão de julgamento, incluído o presente: (1) 10680.722899/201390, (2) 10680.722898/201345, (3) 10680.722900/201386, (4) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10680.722899/201390 Acórdão n.º 3401005.439 S3C4T1 Fl. 147 3 10680.722901/201321, (5) 10680.722902/201375, (6) 10680.722908/201342, (7) 10680.722907/201306, (8) 10680.722896/201356, (9) 10680.722905/201317, (10) 10680.722904/201364, (11) 10680.722897/201309, (12) 10680.722892/201378, (13) 10680.722893/201312, (14) 10680.722894/201367, (15) 10680.722903/201310, (16) 10680.722895/201310, (17) 10680.722906/201353 e (18) 10680.722949/201339. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido é de lavra do Conselheiro André Henrique Lemos, relator original do processo, que, conforme Portaria CARF no 143, de 30/11/2018, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros. Na versão inicial, o relator propunha a conversão em diligência, mas, após os debates no colegiado, adotou posicionamento pela negativa de provimento, como aclarado adiante. O recurso voluntário interposto é tempestivo, logo, dele tomo conhecimento. Viuse que a DRJ/BHE, à unanimidade de votos, julgou procedente a manifestação de inconformidade para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação até o limite do crédito reconhecido e que a Contribuinte recorreu quanto à parte do crédito que diz existir, mas que a Administração entende inexistente, como sintetizado na parte final do acórdão da DRJ/BHE: As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: Fl. 148DF CARF MF 4 Em face do exposto, voto por julgar PROCEDENTE a manifestação de inconformidade apresentada para: • reconhecer como pagamento indevido ou a maior a importância de R$ 62.379,95; • homologar a compensação em litígio até o limite do crédito reconhecido, observadas as normas legais estabelecidas. A DRF de origem, para fins de operacionalização nos sistemas da RFB, deverá atentar para a existência de DComp relacionadas à utilização do crédito acima apurado. Pelo que se percebe da tabela, antes da ciência do despacho decisório, DCTF e DACON indicavam débitos distintos. Com a retificação da DCTF, depois da ciência do despacho decisório, ambas passaram a indicar débito de R$ 10.384,89, com pagamento, em DARF de R$ 277.708,34, resultando em crédito de R$ 267.323,45, limitado pelo pçleiteado, de R$ 62.379,95, insuficiente para homologar integralmente as compensações. A empresa alega, em recurso voluntário, que os pagamentos efetuados para a competência foram de R$ 687.124,35. Ocorre que a compensação demandada pela empresa invoca o pagamento de R$ 62.379,95 (entendido como disponível pela DRJ), não cabendo a análise, neste processo administrativo, de crédito distinto do solicitado pela postulante da compensação. Tal análise, ainda que em procedimento próprio, distinto, obedecidos os prazos para a demanda, acarretaria nova apuração, e comprovação da certeza e da liquidez necessárias à compensação, a cargo do postulante. O sujeito passivo que apurar crédito do qual tenha direito à restituição ou a ressarcimento poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, desde que respeitado o limite do crédito disponível invocado. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10680.722899/201390 Acórdão n.º 3401005.439 S3C4T1 Fl. 148 5 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.909843/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
PIS. BASE DE CÁLCULO.
No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social.
Numero da decisão: 3201-004.435
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Recorrente BANCO BRADESCO BBI S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS. BASE DE CÁLCULO. No regime cumulativo, a base de cálculo do PIS e da Cofins é o faturamento do contribuinte, entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade: a) indeferir a realização de diligência suscitada pela conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que foi acompanhada dos conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior; b) rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, vencida a conselheira Tatiana Josefovicz Belisario, que entendeu que se deveria afastar a incidência das receitas não operacionais, conforme definição do Plano de Contas Cosif, e os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que lhe deram provimento parcial em maior extensão, para também excluir da base de cálculo as receitas decorrentes da aplicação de recursos próprios. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 98 43 /2 01 1- 91 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 3 2 Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de PIS, com lastro em pagamento efetuado indevidamente ou a maior que o devido, segundo informado no PER/Dcomp. A Deinf São Paulo indeferiu o pedido por meio de despacho decisório eletrônico, já que o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que antes do pleito ser indeferido deveria ter sido intimado a prestar esclarecimentos, pois o Pedido de Restituição seria referente à parcela do alargamento da base de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, implementada pela Lei nº 9.718/98 e julgada inconstitucional pelo STF. Afirmou que o STF já teria declarado a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins nos Recursos Extraordinários nº 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840. Defendeu que o conceito de faturamento não seria alterado em função do objeto social da empresa e que o STF teria reconhecido que o PIS e a Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento, entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias e de serviços. Argumentou que não haveria qualquer identidade entre tal conceito de faturamento e sua atividade principal. Ressaltou que qualquer empresa auferiria receitas financeiras em função do fluxo de caixa. Afirmou que a questão estaria sendo apreciada pelo STF, nos autos do Recurso Extraordinário nº 609.096 e que por tal motivo, o presente processo também deveria ser sobrestado, conforme os arts. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alternativamente, caso as receitas financeiras de instituições financeiras fossem entendidas como receita de prestação de serviços, pleiteou o deferimento parcial do pleito, argumentando que as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios ou de terceiros não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da Cofins, quando não houvesse intermediação financeira. O interessado alegou que além de auferir receitas decorrentes da prestação de serviços bancários, praticaria operações de interesse próprio, como aplicação de seu capital de giro e do capital de terceiros, remuneração de depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. Tais operações não estariam incluídas no conceito de faturamento e não integrariam a base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 4 3 Concluiu requerendo a procedência da manifestação de inconformidade e a reforma do despacho decisório, com o conseqüente deferimento do Pedido de Restituição. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 14063.162, de 30/09/2016, assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/11/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência das contribuições ao PIS e Cofins sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais típicas. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os juros sobre o capital próprio auferidos pela sociedade empresarial decorrentes da participação no patrimônio liquido de outras sociedades constituem receita de natureza financeira, própria da entidade, distinguindose do interesse do seus sócios. DEPÓSITO COMPULSÓRIO. RECEITA OPERACIONAL. O depósito compulsório rentável é uma fonte permanente de receita da instituição financeira e, como tal, é tratase de receita operacional, tanto quanto as operações de crédito, não fazendo sentido isentar a instituição financeira do ganho obtido com a remuneração destes depósitos que, ademais, envolve recursos de clientes depositados no banco. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado foi totalmente utilizado em momento anterior para quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada a restituição por ausência de saldo. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 5 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a figura do sobrestamento de processo administrativo. O princípio da oficialidade obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário por meio do qual repete as mesmas alegações de defesa já declinadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.423, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16327.909418/201101, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.423): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou e teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, apurada em maio de 2000, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Em sua primeira peça de defesa, alega que devia ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos a respeito do crédito a ser restituído (cita atos normativos da RFB e a Lei nº 9.784, de 1999), e que a não retificação de DCTF não fulmina o seu direito. Com efeito, sabese que a só falta de retificação da DCTF, notadamente quando feita após a prolação do Despacho Decisório, não obsta o reconhecimento crédito, desde que venha acompanhada de informações e/ou documentos necessários à comprovação do valor reclamado. Não há, todavia, a necessidade da intimação prévia, quando a repartição fiscal já detém as informações necessárias à apreciação do pedido. Aplicável aqui, por analogia, a Súmula CARF nº 46, segundo a qual "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 6 5 constituição do crédito tributário". (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). A matéria sobre se as receitas das instituições financeiras – as originadas da realização de sua atividade principal – se enquadram no conceito de receitas financeiras (não de faturamento), é objeto do Recurso Extraordinário – RE n.º 609.096/RS (ainda não decido), no qual o Supremo Tribunal Federal STF reconheceu a existência de repercussão geral. Todavia, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, de 1998), pacificou o entendimento de que o faturamento de fato correspondia apenas à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Mas alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), identificou o conceito de faturamento com o de receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...] Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 7 6 § 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da Constitucional, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Acresçase o fato de que o próprio Supremo já consolidou o entendimento de que, às instituições financeiras, aplicase o Código de Defesa do Consumidor, pois considerou constitucional o § 2º do art. 3º do CDC (“Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”), deixando claro que a atividade bancária se enquadra no conceito amplo de prestação de serviços, entre os quais se inclui a intermediação financeira (ADI n.º 2591, DJ de 29/9/2006). Mesmo que se entenda que o conceito vale apenas para a proteção que o Estado deve conferir ao consumidor – de ordinário hipossuficiente nas relações de consumo –, a verdade é que isso demonstra que a interpretação que se pretende conferir ao termo “faturamento”, em ordem a excluir, desse conceito, as receitas auferidas pelas instituições financeiras em face da intermediação financeira que realizam, não é compatível com o entendimento que a própria Suprema Corte já entremostrou quando apreciou assuntos correlatos. Como último argumento em reforço à tese aqui exposta, ainda há o fato de que o legislador, ao instituir a Cofins apurada no regime cumulativo, excluiu o seu pagamento sobre o faturamento das entidades elencadas no § 1º do art. 23 da Lei n.º 8.212, de 1991, o que demonstra que se o conceito desta expressão de riqueza fosse o pretendido pela Recorrente, absolutamente desnecessário seria todo o parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n.º 70, de 1991, uma vez que não se exclui algo que incluído não estava. Vejamos: Art. 1° Sem prejuízo da cobrança das contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep), fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, destinadas exclusivamente às despesas com atividadesfins das áreas de saúde, previdência e assistência social. (...) Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 8 7 Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. (g.n.) Esse entendimento – o de que o conceito de faturamento corresponde, na verdade, à receita operacional da pessoa jurídica – também vem sendo reproduzindo noutros tribunais do Poder Judiciário: TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º,§ 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (TRF1, DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO, AC n.º 200638000070234, eDJF1 DATA:06/09/2013 ).(g.n.). PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. ALTERAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI N. 9.718/98. RECURSO PROVIDO I O Supremo Tribunal Federal, concluindo o julgamento do RE 346.084 (rel. Min. Ilmar Galvão, DJU 9.11.2005), em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei n.º 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, declarou, por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. II A Corte Constitucional entendeu que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento prevista no art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. III Em que pese ter sido declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as instituições financeiras e as demais equiparadas a elas, devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei 9.718/98 sobre o faturamento da empresa, incluindose todas as receitas financeiras apuradas. IV Apelação e remessa providas. (TRF2, Desembargadora Federal LANA REGUEIRA, AMS n.º 200651010226515, EDJF2R Data: 12/07/2013). (g.n.). Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 9 8 TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL HOMOLOGADO. INCIDÊNCIA DE PIS, COFINS E IOF. EMPRESAS DE FOMENTO MERCANTIL. FACTORING. DIREITOS CREDITÓRIOS. 1. Cabível a homologação de pedido de desistência parcial da presente ação (fls. 370/371), relativamente ao ponto de incidência de PIS e COFINS,formulado pela Empresa ECX CARD ADMINISTRADORA E PROCESSADORA DE CARTÕES, em razão de exigência da desistência das ações judiciais e à renúncia do direito sobre o qual estas se fundam como condição para a adesão a programa de parcelamento. A empresa em comento, filiada ao sindicato impetrante, figura como substituída na presente ação mandamental, o que lhe confere legitimidade para deduzir referido pedido. 2. "Não há nenhum dispositivo na Constituição da República que atribua ao IOF natureza extrafiscal, não bastando para tal desiderato a exclusão deste tributo do campo de incidência dos princípios da legalidade e da anterioridade. Deve ser reforçado, ainda, que não há tributo com feição exclusivamente extrafiscal, como quer fazer crer a impetrante, podendo a exação ser utilizada como meio de obtenção de receita. Por outro lado, mister que se espanque qualquer alegação de inconstitucionalidade do artigo 13 da Lei nº 9.799/99, que submeteu as operações de crédito referentes a mútuos de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física à incidência do IOF, de acordo com as normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos feitas pelas instituições financeiras, não obstante a finalidade de tal norma seja fiscal. O STF, na ADIMC 1763/DF, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento 20/08/1998, Tribunal Pleno,DJ 26/09/2003, decidiu que: "IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada." (grifo nosso)" (AMS 200001000252943, Relator JUIZ FEDERAL RAFAEL PAULO SOARES PINTO, DJ DATA:30/11/2007 PAGINA:187). 3. O c. STJ, no julgamento do REsp 776705/RJ, enfrentando a mesma matéria de fundo da presente ação mandamental, na qual se questiona a higidez do disposto no Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, que determinam que a base de cálculo da COFINS, devida pelas empresas de fomento comercial (factoring), é o valor do faturamento mensal, compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços, computandose como receita o valor da diferença entre o valor de aquisição e o valor de face do título ou direito adquirido, entendeu que " A Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, ainda que sob a égide da definição de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91, incide sobre a soma das receitas oriundas do exercício da atividade empresarial de factoring, o que abrange a receita bruta advinda da prestação cumulativa e contínua de "serviços" de aquisição de direitos creditórios resultantes das vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços. A Lei 9.249/95 (que revogou, entre outros, o artigo 28, da Lei 8.981/95), ao tratar da apuração da base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas, definiu a atividade de factoring como a prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (artigo 15, § 1º,III, "d"). Deveras, a empresa de fomento mercantil ou de factoring realiza atividade comercial mista atípica, Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 10 9 que compreende o oferecimento de uma plêiade de serviços, nos quais se insere a aquisição de direitos creditórios, auferindo vantagens financeiras resultantes das operações realizadas, não se revelando coerente a dissociação das aludidas atividades empresariais para efeito de determinação da receita bruta tributável. Conseqüentemente, os Itens I, alínea "c", e II, do Ato Declaratório (Normativo) COSIT 31/97, coadunamse com a concepção de faturamento mensal/receita bruta dada pela Lei Complementar 70/91 (o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, definição que se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98)." (AgRg na DESIS no REsp 776705 / RJ, Relator Ministro LUIZ FUX, Data da Publicação/Fonte DJe 05/10/2010). 4. Referido entendimento consagrado no âmbito do STJ ao apreciar a alegação quanto à COFINS, também se aplica ao PIS, pela similitude entre as duas contribuições sociais. 5. Remessa oficial e apelação providas. (TRF1, JUIZ FEDERAL NÁIBER PONTES DE ALMEIDA, eDJF1 DATA:08/05/2013). (g.n.) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COFINS. LC 70/91. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI Nº 9.718/98. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE VERBAS OPERACIONAIS. NÃO VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS NORMAS. ADVENTO DA LEI Nº 10./833/03. PRESCRIÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1 O excelso Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do RE nº 566.621/RS, de relatoria da Ministra Ellen Gracie, de 04.08.11, publicado em 11.10.11, declarou a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº 118/2005, e fixou o entendimento de que é válida a aplicação do prazo prescricional quinquenal para as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da referida lei, ou seja, a partir de 09/06/2005. Vejamos o diz a ementa do referido julgamento: 2 O art. 195, § 4º, CR, ao determinar obediência ao artigo 154, I, o faz tãosomente em relação a “outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social”; não no tocante às contribuições que ela própria, Constituição, prevê. Desse modo, referese, por óbvio ao comando do art. 154, I, CR, porém, somente é aplicável às hipóteses “novas” de contribuições, isto é, que não estão previstas no texto constitucional vigente, tal como ocorre com a COFINS, que se encontra, de forma prévia e expressa, prevista pelo Supremo Texto Legal. 3 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento do contribuinte (no caso, a instituição financeira), entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, originária da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social. As receitas financeiras de natureza nãooperacional estão fora do faturamento das empresas comerciais ou prestadoras de serviços, não podendo, por isso, serem tributadas pelas contribuições em comento. 4 Com a posterior promulgação das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, posterior à EC 20/98, pôsse fim às divergências sobre a base de cálculo do PIS e COFINS, alargadas pela Lei nº 9.718/98, positivando no ordenamento jurídico brasileiro o entendimento de que essa base de cálculo deve corresponder à receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme disposto no art. 1º, §1º daquele diploma legal. Não obstante, no caso em tela essa conclusão não se aplica, em princípio, dado que, segundo expressas disposições das leis em comento, as empresas financeiras encontramse excluídas de sua sistemática, estando submetidas às disposições da Lei nº 9.718/98. 5 Quanto à compensação, insta mencionar que poderá ser realizada, com correção unicamente pelo índice de correção da taxa SELIC, com os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, pela exegese do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação alterada pela Lei nº 10.637/02, haja vista ter sido ajuizada a demanda após o advento deste diploma legal, ressaltandose, Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 11 10 todavia, que caberá à administração fiscalizar a existência de recolhimento referente à COFINS incidente sobre as receitas ditas nãooperacionais. 6 Remessa necessária e recurso de apelação parcialmente providos. (TRF2, Desembargador Federal LUIZ ANTONIO SOARES, APELRE 200951010106419, EDJF2R Data:11/09/2012) (g.n.) TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS. LEI 9.718/98. CONCEITO DE "RENDA BRUTA OPERACIONAL". INSUFICIÊNCIA DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA. MISSÃO INTEGRATIVA DO PODER JUDICIÁRIO. INOVAÇÕES DO MERCADO FINANCEIRO MUNDIAL. NOVAS PERSPECTIVAS DE NEGÓCIOS. APLICAÇÕESFINANCEIRAS QUE SE AFIGURAM NOVAS OPÇÕES COMERCIAIS DOS BANCOS E SIMILARES. INSERÇÃO EM SUA ATIVIDADEFIM. RECEITAS FINANCEIRAS. INCLUSÃO NA RENDA BRUTA OPERACIONAL. 1. Controvérsia sobre o conceito de faturamento para o recolhimento do PISe da COFINS pelas instituições financeiras e entidades equiparadas. 2. A legislação pátria não contribui satisfatoriamente para esclarecer se as receitas financeiras integram ou não a receita bruta operacional dasinstituições financeiras e entidades equiparadas. 3. O que se percebe é que nenhum diploma legal esclarece perfeitamente o alcance da receita bruta operacional das instituições financeiras, pois servem quase exclusivamente à definição de faturamento das empresas que têm como objeto social o oferecimento de bens ou serviços convencionais, como se depreende do art. 44 da Lei 4.506/64, do art. 12 do Decretolei 1.598/77 e do art. 44 do Decreto 1.041/94 (RIR). 4. O mesmo ocorre com as Leis 9.701/98 e 9.718/98, as quais, em momento algum, excluem as receitas financeiras do faturamento ou receita operacional dos bancos e similares. 5. A missão de resolver esta controvérsia fica entregue ao Poder Judiciário, com o indispensável suporte da doutrina. 6. As instituições financeiras, por exigência do mercado, estão se despregando do modelo clássico de captação e intermediação de crédito pelos bancos comerciais e estão abrindo frente a novas operações, como os títulos interbancários, a securitização, o mercado de derivativos etc, que por vezes se apresentam mais lucrativas do que as tradicionais operações de intermediação entre depositantes e tomadores de empréstimos. 7. Há que se mencionar, ainda, as operações de aquisição pelasinstituições financeiras de títulos da dívida pública, remunerados no Brasil por atraentes juros, dentre os maiores do mundo, como parte da política monetária, acentuadamente a partir do advento do Plano Real, em 1994. 8. Para as instituições financeiras, aplicar seus recursos em títulos públicos, no mercado de derivativos e em outras formas de investimento passou a ser parte de uma estratégia comercial, como forma de adaptação ao mercado financeiro mundial. 9. Enquanto para as empresas comuns as aplicações financeiras são uma garantia contra a desvalorização da moeda ou forma de angariar recursos adicionais, para as instituições financeiras elas consistem numa opção mercadológica de obter maiores lucros com os recursos disponíveis. 10. Estando inseridas na atividadefim dos bancos, não há como ignorar que as receitas financeiras também integram o seu faturamento e, nesta condição, devem ser incluídas na base de cálculo do PIS. 11. Não se vislumbra inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 na parte em que cuida da matéria referente ao faturamento ou receita bruta das instituições financeiras e entidades equiparadas. 12. Cumpre observar que, nos termos da fundamentação acima, não se aplica às instituições financeiras o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, pois é válido apenas para as empresas que operam com bens ou serviços, de modo que não pode subsistir a douta sentença. 13. Não conheço do agravo retido, nego provimento à apelação da impetrante e dou provimento à apelação da União e à remessa oficial, para denegar a segurança. (TRF3, JUIZ CONVOCADO RUBENS CALIXTO, AMS n.º 00350202220074036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:14/02/2014). (g.n.). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16327.909843/201191 Acórdão n.º 3201004.435 S3C2T1 Fl. 12 11 No caso em exame, a Recorrente é um banco – uma instituição financeira cujo objeto social é a prática de operações ativas, passivas e acessórias inerentes às respectivas carteiras autorizadas (comercial, de investimento, de crédito, financiamento e investimento, e crédito imobiliário), inclusive câmbio de administração de valores mobiliários, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor (Estatuto às fls. 17 e ss.). Assim, todas as receitas originárias da atividade típica da empresa, em consonância com o seu objeto social, compõem a base de cálculo do PIS, não importando se derivem da aplicação de recursos próprios (como aplicação de seu capital de giro) ou de terceiros. Nesse contexto, não podem ser excluídas das bases de cálculo do PIS/Cofins, de forma a viabilizar a restituição pretendida, as receitas a que se refere a Recorrente, o que inclui os juros sobre o capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido em outras sociedades e a remuneração dos depósitos compulsórios, porquanto auferidas no exercício de suas atividades empresariais. Por fim, ainda há de se registrar que, por tudo que dissemos anteriormente, e conforme consignado na Solução de Consulta Cosit nº 84, de 08/06/2016, a alteração promovida no art. 12 do Decretolei nº 1.598, de 1977, pela Medida Provisória MP nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014, apenas veio para expressar o entendimento, já pacificado, acerca da abrangência das receitas decorrentes da atividade empresarial. De conseguinte, não há como admitilo válido apenas a partir do início da vigência da referida MP. Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto apresentada no acórdão do processo paradigma por manifestar entendimento que restou vencido, não se aplicando, portanto, na solução do litígio do presente processo. Todavia, sua íntegra consta do Acórdão 3201004.423 (processo 16327.909418/201101). Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 11610.003899/2007-35
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3003-000.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Relatório
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem tome as providências delineadas nos termos do voto do relator. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 03 89 9/ 20 07 -3 5 Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto para afastar auto de infração atinente à COFINS. O lançamento decorreu de auditoria interna realizada em DCTF, na qual foi constatado pagamento a menor de multa, atinente aos períodos de apuração de 07/2003, 09/2003 e 12/2003. O auto de infração foi lavrado, então, para a constituição do crédito tributário relativo à multa de mora, perfazendo o valor total de R$ 1.223,01, conforme quadro abaixo: Em sua impugnação, a recorrente alegou, em síntese, que, ao seu caso, poderia ser aplicado: 1) o instituto da denúncia espontânea ou, de forma subsidiária, 2) a redução de multa de mora e de ofício em 100%, prevista no art. 1º, §3º da Lei nº. 11.491/2009, a qual trouxe a possibilidade de pagamento e parcelamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008. A 9ª Turma da DRJ São Paulo I proferiu decisão, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003, 01/09/2003 a 30/09/2003, 01/12/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A Multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão em casos de denúncia espontânea. REDUÇÃO DE 100% DA MULTA DE MORA PARA PAGAMENTO JÁ EFETUADO A DESTEMPO, SEM INCLUSÃO DA MULTA DE MORA INAPLICÁVEL. A Lei 11.941/09, em seu artigo 1°, § 3°, inciso I, possibilita a redução de 100% da multa de mora sobre débito pendente para pagamento à vista. A mesma Lei não contempla redução da multa de mora para débito já pago a destempo, sem inclusão da multa de mora. Impugnação Improcedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reafirma os argumentos da impugnação, sustentando, em síntese, que: (i) seu caso configura denúncia espontânea, a qual imporia o afastamento da multa de mora; (ii) a multa de mora pode também ser afastada pela aplicação do art. 1º, §3º da Lei nº. 11.491/2009 e artigo 106, II, c, do CTN. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. O presente processo trata, como visto, de autuação fiscal, em auditoria interna de DCTF, na qual foi constatado pagamento a menor de multa moratória, quando do recolhimento extemporâneo da COFINS dos períodos de apuração 07/2003, 09/2003 e 12/2003. Em breves linhas, o litígio se resume às seguintes questões: 1) é possível a aplicação do instituto da denúncia espontânea ao caso concreto? Tal aplicação afastaria a multa de mora? 2) aplicase, ao caso concreto, os benefícios previstos no art. 1º, §3º da Lei nº. 11.491/2009, de modo a se afastar a multa moratória? Inicio com a análise da segunda questão. No tocante à aplicação dos benefícios previstos no art. 1º, §3º da Lei nº. 11.491/2009, o Recurso Voluntário traz os seguintes argumentos: 29. Fato é que, no caso em comento e conforme se depreende da análise da documentação acostada aos autos, o débito perquerido pela I. Autoridade Administrativa através da autuação por ora recorrida, se subsumiria à prescrição da lei acima mencionada, de tal forma que, caso a Recorrente não tivesse efetuado denúncia espontânea, quitando integralmente O débito, faria jus à redução de 100% (cem por cento da multa), de forma que deixaria de pagála. 30. Ou seja, se a Impugnante não tivesse realizado o pagamento do tributo, espontaneamente, demonstrando a mais lídima boafé e se, por Conta disso, tivesse sofrido , autuação, ou mesmo após .esta, não tivesse realizado o pagamento sendo o débito inscrito em dívida ativa, após a Lei 11.941/09, faria jus ao não recolhimento da multa ora exigida pela Administração, caso desejasse pagar à vista, hipótese que encerra um verdadeiro absurdo! 31. Destarte, imperiosa a subsunção da autuação suportada pela Recorrente à regra prescrita no parágrafo 3° do artigo 10 da Lei 11.941/09, de forma a retr6agir no tempo, liberandoa do pagamento da multa de mora exigida. Nestes termos, pois, rogase a aplicação subsidiária do artigo 106, II, c, do Código Tributário Nacional e, em consequência, a aplicação do desconto de 100% (cem por cento); conferido pelo dispositivo legal já mencionado. Sobre tal matéria, a decisão recorrida assim se pronunciou: 6. No tocante à alegação da Manifestação Complementar em 18/01/2010 (fls. 5357): "A Lei 11.991/2009 trouxe possibilidade de pagamento e parcelamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, cuja exigibilidade esteja ou não suspensa, e ainda, inscritas ou Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 5 4 não em divida ativa" e "Subsidiariamente, requer seja reconhecida ... a aplicação do artigo 106, II, c do CTN e, em consequência, a aplicação do desconto de 100%, conferido pela Lei 11.991/09, em seu artigo 10, § 30, cancelandose, da mesma forma, o auto de infração impugnado". 6.1. Ocorre que § 3° e o seu inciso I, da Lei n° 11.941/09 assim determina: § 3º. Observado o disposto no art. 32 desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: 1— pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (negritamos e grifamos) 6.2. Assim, a legislação acima trata de estimular o pagamento de débito vencido e ainda pendente, com redução de 100% de multa de mora. Não está se referindo ao débito já pago com atraso e sem a inclusão da multa de mora. Portanto, tratase de situações distintas, não comportando revisão da multa de mora dos débitos já pagos a destempo. Consequentemente, não há que se falar em aplicação da lei mais benéfica nos termos do art. 106, II, "c" do CTN para cancelar o auto de infração. Entendo que o colegiado a quo julgou acertadamente. Da simples leitura do § 3° e o seu inciso I, Lei n° 11.941/09, depreendese que a redução das multas ali previstas se aplica aos tributos ainda não pagos ou parcelados. É a interpretação possível que pode ser feita da referida norma diante da flexão verbal empregada na expressão "os débitos poderão ser pagos ou parcelados..." e dos próprios objetivos visados pela lei. Com efeito, o referido veículo normativo disciplina situações de pagamento e parcelamento de tributos ainda não pagos, visando, entre outras coisas, estimular o pagamento de débitos vencidos e ainda não pagos, por meio da relevação ou redução de diferentes tipos de multas. No caso concreto, estamos diante de tributo já pago e sem a inclusão de multa de mora. Tal situação não configura, portanto, a hipótese prevista no § 3° e o seu inciso I, da Lei n° 11.941/09, não se aplicando, portanto, a referida norma: o caso concreto versa sobre débito pago, enquanto a citada lei trata de diversos benefícios aplicáveis ao pagamento ou parcelamento de débitos em aberto, exatamente para estimular o acerto dos débitos, reduzir litígios administrativos e judiciais, etc. Sublinhese, ademais, que o gozo dos benefícios previstos na Lei n° 11.941/09 estava sujeito aos procedimentos, prazos e limites estabelecidos pela legislação então aplicável, não tendo sido demonstrado nos autos a satisfação das condições daquele regime pela recorrente. Se, eventualmente, seu caso se enquadrasse nas hipóteses de redução de multa previstas pela Lei n° 11.941/09, deveria ter realizado, em época própria, os procedimentos Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 6 5 pertinentes, sujeitandose a todo o regramento do arcabouço legislativo que regulou as remissões e reduções tributárias da referida lei. Quanto ao art. 106, II, "c" do CTN, há que se lembrar que a aplicação de uma lei ulterior mais benéfica pressupõe que esta lei regule a mesma situação regulada pela lei anterior. No caso dos autos, não se pode cogitar de "retroação de lei mais benéfica", uma vez a norma que prevê a multa de mora, aplicável ao caso de pagamento extemporâneo vide art. 61 da Lei nº. 9.430/96, tem como pressuposto situação distinta daquela norma inscrita no § 3° e o seu inciso I, da Lei n° 11.941/09: a primeira norma tem como hipótese de incidência o pagamento extemporâneo de tributo, cuja ocorrência faz nascer a obrigação de pagamento da multa moratória.; por sua vez, a segunda norma tem, como pressuposto, o pagamento de débitos segundo o regramento próprio do regime instaurado pela Lei n° 11.941/09, cuja ocorrência leva à redução a zero da multa de mora. Ademais, a retroação de que trata o art. 106, II, "c" do CTN, pressupõe que a lei anterior tenha saído de vigência, sendo substituída por lei mais benéfica. Isso não se verifica no caso em análise. A norma que impõe a multa de mora por pagamento extemporâneo continua válida e vigente, possuindo, como assinalado, espectro de incidência diverso daquele da norma § 3° e o seu inciso I, da Lei n° 11.941/09. Desse modo, no tocante ao argumento de aplicação subsidiária do § 3° e do seu inciso I, a Lei n° 11.941/09 e do art. 106, II, "c" do CTN, não assiste razão à recorrente. No tocante à aplicação da denúncia espontânea ao caso dos autos, importa trazer, antes de tudo, alguns contornos traçados pela jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) nos últimos anos e que culminou na edição da Súmula nº. 360/STJ e na decisão do REsp nº. 962.379/RS, julgado sob o regime dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do antigo CPC. Inicialmente, para fins de maior clareza, transcrevo a Súmula nº. 360/STJ e a ementa do REsp nº. 962.379/RS: SÚMULA nº. 360 do STJ O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. REsp nº. 962.379/RS TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo". É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS –GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 7 6 2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543 C do CPC e da Resolução STJ 08/08. Da leitura da Súmula nº. 360/STJ, depreendese que a denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Numa primeira leitura da súmula, poderseia indagar se a denúncia espontânea estaria totalmente afastada no caso dos tributos por homologação. A resposta parece simples, uma vez que a própria súmula afirma que a inaplicabilidade do instituto da denúncia espontânea alcança os tributos por homologação regularmente declarados, de onde se deduz, prima facie, que os tributos sujeitos a lançamento por homologação que não foram declarados não estariam abrangidos pela súmula. Todavia, a leitura da súmula não deixa claro se é relevante saber, para a aplicação da denúncia espontânea, se a declaração do tributo deve ser antes ou depois do pagamento: faria alguma diferença ser antes ou depois? Tal questão pode ser visualizada com mais clareza na leitura da ementa do REsp nº. 962.379/RS. Ali, a relação temporal entre a declaração do tributo por homologação e seu pagamento parece mostrarse fundamental na delimitação dos contornos de aplicação do instituto da denúncia espontânea. Ao final do item 1 da ementa, está consignado: "se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido". Depreendese, do excerto, que se o tributo foi declarado e constituído antes de seu recolhimento extemporâneo, não se aplica a denúncia espontânea. No entanto, ainda fica em aberto a questão de saber se, a contrario sensu, no caso de pagamento anterior à declaração e constituição do tributo por homologação, poderia ser aplicada a denúncia espontânea. A questão é resolvida com absoluta nitidez pela leitura do voto condutor do REsp nº. 962.379/RS. Em seu voto, o Min. Teori Zavascki traça os seguintes delineamentos para a aplicação da denúncia espontânea: REsp nº. 962.379/RS EXCERTO DO VOTO DO RELATOR (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimemente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 8 7 uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. Nesse sentido, o seguinte precedente: "PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 545 DO CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. PAGAMENTO INTEGRAL DO DÉBITO FORA DO PRAZO. IRRF. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DIFERENÇA NÃO CONSTANTE DA DCTF. POSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. 1. É cediço na Corte que 'Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento.' (REsp n.º 624.772/DF, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 31/05/2004) 2. A inaplicabilidade do art. 138 do CTN aos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação fundase no fato de não ser juridicamente admissível que o contribuinte se socorra do benefício da denúncia espontânea para afastar a imposição de multa pelo atraso no pagamento de tributos por ele próprio declarados. Precedentes: REsp n.º 402.706/SP, Primeira Turma, Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 15/12/2003; AgRg no REsp n.º 463.050/RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 04/03/2002; e EDcl no AgRg no REsp n.º 302.928/SP, Primeira Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 04/03/2002. 3. Não obstante, configura denúncia espontânea, exoneradora da imposição de multa moratória, o ato do contribuinte de efetuar o pagamento integral ao Fisco do débito principal, corrigido monetariamente e acompanhado de juros moratórios, antes de iniciado qualquer procedimento fiscal com o intuito de apurar, lançar ou cobrar o referido montante, tanto mais quando este débito resulta de diferença de IRRF, tributo sujeito a lançamento por homologação, que não fez parte de sua correspondente Declaração de Contribuições e Tributos Federais. 4. In casu, o contribuinte reconhece a existência de erro em sua DCTF e recolhe a diferença devida antes de qualquer providência do Fisco que, em verdade, só toma ciência da existência do crédito quando da realização do pagamento pelo devedor. 5. Ademais, a inteligência da norma inserta no art. 138 do CTN é justamente incentivar ações como a da empresa ora agravada que, verificando a existência de erro em sua DCTF e o conseqüente autolançamento de tributos aquém do realmente devido, antecipase a Fazenda, reconhece sua dívida, e procede o recolhimento do montante devido, corrigido e acrescido de juros moratórios." (AgRg no Ag 600.847/PR, 1ª Turma, Min. Luiz Fux, DJ de 05/09/2005". (...)"Dos excertos acima reproduzidos, resta evidente que a denúncia espontânea se aplica aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento extemporâneo se deu antes da declaração e constituição do crédito tributário respectivo: O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 9 8 declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. O raciocínio sedimentado no REsp nº. 962.379/RS está presente em outras importantes decisões do STJ, entre as quais, vale mencionar, aquela consignada no REsp nº. 1.14902/SP, submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, cuja ementa segue transcrita: EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a Fl. 187DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 10 9 denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vêse, portanto, que a aplicação da jurisprudência consubstanciada nas Súmula nº. 360/STJ, no REsp nº. 962.379/RS e REsp nº. 1.14902/SP, pressupõe a importante identificação da relação de temporalidade entre constituição do crédito tributário e seu pagamento intempestivo. Tal relação tem sido sublinhada nos diversos precedentes que culminaram na referida súmula e nos recursos especiais julgados sob o rito do art. 543C do antigo CPC. Diante dessas considerações, fica evidente que perquirir se a denúncia espontânea se aplica ao caso concreto passa pela apuração de quando ocorreram os pagamentos extemporâneos de COFINS e quando ocorreu a declaração dos respectivos débitos: (i) se a declaração é ulterior ao recolhimento, aplicase a denúncia espontânea; (ii) se o recolhimento é posterior à declaração, está afastada a denúncia espontânea. A análise do REsp nº. 962.379/RS e do REsp nº. 1.14902/SP também esclarece outra questão: quais os efeitos da denúncia espontânea com relação à multa de mora? Da leitura do excerto do REsp nº. 962.379/RS, acima transcrito, concluise que uma das consequências da denúncia espontânea é precisamente a exclusão da multa de mora: Não resta caracterizada a denúncia espontânea, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento. Por sua vez, a ementa do REsp nº. 1.14902/SP deixa transparente a necessária exclusão da multa de mora quando presente a denúncia espontânea: 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 11 10 Tais contornos de aplicação do instituto da denúncia espontânea também foram assimilados pela jurisprudência do CARF. Nesse sentido, vejase, por exemplo, o Acórdão nº. 9303002.626, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Relator Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo excerto a seguir, extraído do voto do relator, resume a matéria tratada até aqui: Por força do art. 62A do RICARF, devem ser reproduzidas nos julgamentos administrativos realizados por este Conselho as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso repetitivo. Se o contribuinte fizer a declaração e pagar o tributo com atraso, não há que se falar em denúncia espontânea. Porém se o contribuinte não tiver declarado o tributo, ou tiver declarado a menor e o fizer ou retificar a declaração posteriormente e, antes ou concomitantemente, proceder o pagamento, estará configurada a denúncia espontânea, não podendo haver a aplicação da multa de mora. Pois bem. Depois de tratar dos contornos da denúncia espontânea traçados nos últimos anos pela jurisprudência do STJ, passo à análise do caso concreto. Compulsando o demonstrativo de pagamentos à fl. 80 e os documentos de arrecadação (DARF) às fls. 90 a 96, constatase que o recolhimento da COFINS, atinente aos períodos de apuração de 07/2003, 09/2003 e 12/2003, se deu em 29/07/2004. Por sua vez, analisando o Auto de Infração à fl. 76, verificase referência à DCTF retificadora, transmitida em 08/11/2004. Não há, nos autos, cópias das DCTFs transmitidas pela recorrente. Sem tais declarações, não há como afirmar se, à época do recolhimento da COFINS, em 29/07/2004, havia ou não declaração válida, preexistente ao recolhimento, concernente à COFINS dos períodos de apuração de 07/2003, 09/2003 e 12/2003. Saber a relação temporal entre recolhimento e declaração do tributo é de fundamental importância, com visto, uma vez que, segundo a intelecção do REsp nº. 962.379/RS cuja aplicação é obrigatória por parte do CARF, conforme art. 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF , aplicase a denúncia espontânea aos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação quando seu pagamento for anterior à sua declaração e constituição. Sendo assim, diante da ausência de documentação que comprove a relação de temporalidade entre recolhimento e declaração/constituição dos débitos, fundamental para sabermos se ao caso concreto pode se aplicar a denúncia espontânea, voto por converter o presente julgamento em diligência, a fim de que a Unidade de Origem tome as seguintes providências: 1. Juntar, ao presente processo, cópias integrais das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), originais e retificadoras, dos períodos concernentes ao segundo semestre de 2003, além de outras informações e documentos que julgar necessários. 2. Informar quando se deu a declaração, por qualquer meio, da COFINS dos períodos de apuração 07/2003, 09/2003 e 12/2003, apresentando, ao final, parecer conclusivo sobre eventual ocorrência de constituição dos referidos Fl. 189DF CARF MF Processo nº 11610.003899/200735 Resolução nº 3003000.011 S3C0T3 Fl. 12 11 débitos de COFINS antes de seu recolhimento em 29/07/2004, trazendo, aos autos, documentos que suportem suas conclusões. 3. Dar ciência à recorrente desta Resolução e, ao final, do resultado desta diligência, abrindolhe o prazo previsto no Parágrafo Único do art. 35 do Decreto nº. 7.574/11. Fl. 190DF CARF MF
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Numero do processo: 18336.000261/00-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do Fato Gerador: 26/08/1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO RETIFICADORA. DIVERGÊNCIAS NO CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. IRREGULARIDADE SANÁVEL RECONHECIDA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO CONEXO JÁ JULGADO.
Não resta controvérsia que a operação de importação sob análise desse contencioso já fora objeto de julgamento definitivo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Torna-se imperiosa a aplicação de suas conclusões exaradas, já com trânsito em julgado administrativo, de modo que inexistindo irregularidade na respectiva Declaração de Importação, tampouco permanece subsistente as razões para o indeferimento do pedido de ressarcimento.
Numero da decisão: 3401-005.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II DATA DO FATO GERADOR: 26/08/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO RETIFICADORA. DIVERGÊNCIAS NO CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. IRREGULARIDADE SANÁVEL RECONHECIDA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO CONEXO JÁ JULGADO. Não resta controvérsia que a operação de importação sob análise desse contencioso já fora objeto de julgamento definitivo pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Tornase imperiosa a aplicação de suas conclusões exaradas, já com trânsito em julgado administrativo, de modo que inexistindo irregularidade na respectiva Declaração de Importação, tampouco permanece subsistente as razões para o indeferimento do pedido de ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 33 6. 00 02 61 /0 0- 40 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 210 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls 46 e seguintes) contra decisão da DRJ que considerou improcedentes as razões da Recorrente em Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório (fls 34) que inadmitiu o ressarcimento de Imposto de Importação. Do Pedido de Ressarcimento e do Despacho Decisório A contribuinte requereu ressarcimento de Imposto de Importação, por supostamente ter sido declarado a maior, no montante de R$ 333.070,89. Na análise do referido pedido, a D. Fiscalização encaminhou o pedido para verificação do montante pago e desencadeou processo de revisão aduaneira, conforme relatado no despacho: Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 211 3 Portanto, baseado naquele processo de revisão aduaneira, não só o crédito pleiteado foi indeferido como também houve uma nova cobrança autônoma do imposto que teria sido pago a menor por ocasião de divergências de informação no Certificado de Origem, sob o número 18336.000160/200201, cujo montante já fora abatido do valor que a contribuinte desejara restituição. Da Manifestação de Inconformidade A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que meros erros formais no Certificado de Origem não poderiam ensejar perda do benefício de redução tarifária. Vejamos: Da Decisão de 1ª Instância Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 212 4 Sobreveio o Acórdão 2717 (fls 88 e seguintes), exarado pela 2ª Turma, da DRJ/Fortaleza, em 27.03.2003através do qual foi mantido os termos do despacho decisório nos seguintes termos: A decisão, em razão da conexão com o Processo 18336.000160/200201, aproveitou integralmente o Acórdão proferido pela DRJ, confirmando os termos do despacho decisório no sentido de que o erro no Certificado de Origem leva a uma infração de caráter objetivo, conforme o DecretoLei 37/1966, artigo 94, e o artigo 136, do Código Tributário Nacional. Do Recurso Voluntário Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls 48 e seguintes) que veio a repetir os argumentos apresentados na impugnação. Da Resolução 30301.002 O Recurso Voluntário foi distribuído à Terceira Câmara, do antigo Terceiro Conselho dos Contribuintes, onde foi julgamente inicialmente em 26.01.2005. Naquela ocasião, o julgamento foi convertido em diligência (fls. 146/147) nos seguintes termos: Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 213 5 Em resposta, a Alfândega de São Luis prestou a seguinte informação: Da Resolução 30301.370 Os autos retornaram para o extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, onde foi novamente objeto de debate em 16.10.2007. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 214 6 Naquela oportunidade, mais uma vez o processo foi convertido em diligência (fls 156 e seguintes) para que o julgamento fosse sobrestado até o fim do julgamento do Recurso de divergência referente ao Processo 18336.000160/200201, cujo objeto é idêntico ao presente, e que aguardava julgamento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do Julgamento do Processo 18336.000160/200201 pela CSRF Em 08.12.2008, a Terceira Turma, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, prolatou o Acórdão nº 03006.239, relatado pelo Conselheiro Rodrigo da Costa Possas vindo a dar provimento ao recurso do contribuinte, e com isso, cancelar o lançamento de ofício daqueles autos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO II CERTIFICADO DE ORIGEM. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. RESOLUÇÃO ALADI nº 232. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhada das respectivas faturas, bem assim das faturas do país interveniente, supre as informações que deveriam constar no Certificado de Origem, como previsto no art. 9° do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso Especial do Contribuinte Provido Com o trânsito em julgado administrativo daqueles autos, a cópia dessa decisão foi anexada ao presente processo; após, foi encaminhado ao CARF para sorteio, em que fui designado como relator. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Preliminar O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade constantes na legislação; de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 215 7 Conforme se depreende da leitura do relatório, o presente processo possui identidade com o processo administrativo 18336.000160/200201, que veio a ser julgado definitivamente pela CSRF. Dessa forma, adoto as mesmas conclusões daquela decisão, que considerou como comprovadas as informações constantes na Declaração de Importação, e como tal, tornamse insubsistentes as razões para o indeferimento do pedido de ressarcimento. Pelo exposto, conheço do Recurso, e doulhe provimento. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 215DF CARF MF Processo nº 18336.000261/0040 Acórdão n.º 3401005.696 S3C4T1 Fl. 216 8 Fl. 216DF CARF MF
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