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Numero do processo: 16175.000337/2005-78
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ADIANTAMENTO DO PAGAMENTO.
O contribuinte promoveu o adiantamento do pagamento - por meio de recolhimento de DARF em relação uma parte dos fatos geradores, por meio de DCOMP em relação a um dos fatos geradores e, em relação ao demais, pelo confronto entre créditos e débitos de IPI, nos quais houve saldo credor - caracterizando-se o lançamento por homologação na forma do art. 150 do CTN.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte realizado todos os procedimentos que lhe exige o artigo 150 do CTN, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no seu parágrafo 4º, retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador.
Embargos acolhidos sem efeitos modificativos.
Numero da decisão: 3403-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade no acórdão embargado e explicitar em quais períodos de apuração houve pagamento antecipado e em quais períodos houve confronte entre débitos e crédito do IPI sem restar saldo a pagar.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento a Dra. Lorena de Morais Campos. OAB/DF 35.694.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ADIANTAMENTO DO PAGAMENTO. O contribuinte promoveu o adiantamento do pagamento - por meio de recolhimento de DARF em relação uma parte dos fatos geradores, por meio de DCOMP em relação a um dos fatos geradores e, em relação ao demais, pelo confronto entre créditos e débitos de IPI, nos quais houve saldo credor - caracterizando-se o lançamento por homologação na forma do art. 150 do CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte realizado todos os procedimentos que lhe exige o artigo 150 do CTN, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no seu parágrafo 4º, retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ADIANTAMENTO DO PAGAMENTO. O contribuinte promoveu o adiantamento do pagamento por meio de recolhimento de DARF em relação uma parte dos fatos geradores, por meio de DCOMP em relação a um dos fatos geradores e, em relação ao demais, pelo confronto entre créditos e débitos de IPI, nos quais houve saldo credor caracterizandose o lançamento por homologação na forma do art. 150 do CTN. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte realizado todos os procedimentos que lhe exige o artigo 150 do CTN, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no seu parágrafo 4º, retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador. Embargos acolhidos sem efeitos modificativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração do contribuinte, sem efeito modificativo, para sanar a obscuridade no acórdão embargado e explicitar em quais períodos de apuração houve pagamento antecipado e em quais períodos houve confronte entre débitos e crédito do IPI sem restar saldo a pagar. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 17 5. 00 03 37 /2 00 5- 78 Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. Esteve presente ao julgamento a Dra. Lorena de Morais Campos. OAB/DF 35.694. Relatório Este Conselho, por meio do Acórdão nº 340200.264, de 17 de setembro de 2009 (fls. 1107/1115), deu provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação a parte dos fatos geradores que foram objeto da autuação. O entendimento do acórdão foi resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2000 a 03/12/2000 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72 somente ensejam a nulidade do auto de infração as inconsistências que redundem em prejuízo à defesa do contribuinte. NORMAS PROCESSUAIS. MATÉRIA NÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE. Não tendo a empresa oposto argumento contra a parte da decisão que afirmou a concomitância entre a instância judicial e a administrativa, com a conseqüente renuncia à discussão nesta última, devese considerar a matéria não recorrida e definitivo o entendimento esposado. NORMAS GERAIS. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo o contribuinte realizado todos os procedimentos que lhe exige o artigo 150 do CTN, a fluência do prazo de cinco anos, na forma definida no seu parágrafo 4º, retira da Fazenda Pública a possibilidade de constituir crédito tributário em relação àquele fato gerador. Recurso provido em parte. Em 14/12/2009 a PFN foi intimada do acórdão e, em 01/01/2010, interpôs recurso especial (fls. 1118/1133), alegando que, enquanto “o acórdão recorrido entendeu que a compensação efetuada pelo contribuinte autorizaria a contagem do prazo decadencial pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, os acórdãos paradigmas defendem que referida regra deve ser aplicada apenas no caso de pagamento antecipado do tributo.” (fl.1124). Em 12/01/2010 os autos foram encaminhados para exame de admissibilidade do recurso especial (fl. 1152 eprocesso). Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16175.000337/200578 Acórdão n.º 3403002.383 S3C4T3 Fl. 1.241 3 Em 26/02/2010 o contribuinte apresentou petição de desistência parcial e renúncia parcial (fls. 1153/1154) para o efeito de inclusão, desta parte do débito que indica, no benefício fiscal previsto na Lei nº 11.941/2009. Em 02/08/2010, por meio do Despacho nº 34001048 (fls. 1170/1171), houve a admissão do recurso interposto pela Procuradoria. Em razão do pedido de desistência do contribuinte ter efeito parcial, o processo foi encaminhado à repartição de origem, em 24/11/2010, para apartar dos autos a matéria que continuou em litígio (fl. 1155). Em 14/07/2011, o contribuinte apresentou petição (fls. 1185/1187) argumentando que a repartição de origem não o intimou do acórdão, do recurso especial e nem do despacho que realizou o exame de admissibilidade. Alega que se deu por intimado em 11/07/2011 quando tirou cópia integral do processo, conforme cópia da certidão que junta (fl.1193). Na mesma data o contribuinte apresentou petição de embargos de declaração (fls. 1194/1201), alegando que o acórdão incorreu em omissão quanto à existência de pagamentos de IPI no período autuado, comprovados nos DARFs e DCTFs que apresentou (fls. 921/958). O contribuinte afirma ter sido prejudicado “pelo fato de o recurso especial da Fazenda Nacional ter sido interposto partindo justamente da (falsa) premissa de que não teria havido pagamento antecipado no caso concreto e, principalmente, por ter sido essa (incorreta) premissa utilizada no exame de admissibilidade para dar seguimento do recurso especial da PGFN, quando, em realidade os DARFs juntados às fls. 920/957 comprovam exatamente o contrario, ou seja, a existência de pagamentos antecipados de IPI no período autuado e a compensação informada em DCTF (fl.940).” (fl. 1199). Em 25/07/2001, o contribuinte apresentou petição de contrarrazões ao recurso do Procurador (fls. 1208/) alegando, preliminarmente, os mesmos argumentos que apresentou nos embargos e, também, a intempestividade do recurso especial da Fazenda Nacional. Afirma ainda, que com a pendência de julgamento dos embargos, está absolutamente prejudicada a análise do recurso especial. Argumenta, também, que os acórdãos apresentados como paradigmas no recurso da Fazenda, não prestam para comprovar a divergência, pois tratam de situações fáticas diversas da discutida nos presentes autos. Acredita ser inadequado o recurso especial por conter erro de premissa e não ser cabível o reexame da matéria de prova. Quanto ao mérito, insiste na aplicação do art. 150, §4º do CTN no que se refere à decadência. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti O contribuinte, em seus embargos, argüi a existência de omissão do acórdão quanto ao fato de que o lançamento por homologação se configurou, neste caso concreto, pelo adiantamento do pagamento por meio de recolhimento via DARF. Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Isto porque, embora o acórdão embargado lhe tenha sido favorável, reconhecendo que se estaria diante de lançamento por homologação, assim o fez sob a alegação de que o adiantamento do pagamento também seria caracterizado pelo confronto entre créditos e débitos na apuração pelo IPI. Assim consta do voto condutor do acórdão: E afirmo, sem sombra de dúvida, que todos os atos exigidos do contribuinte pelo art. 150 foram por ele cumpridos porque o pagamento, ato que aperfeiçoa todos os demais, relativos à apuração, foi sim por ele realizado. Isso resulta claro das disposições negritadas no parágrafo único do art. 124. Isto é, pagamento, para efeito de aplicação das disposições do art. 150 do CTN, não se confunde, no caso do IPI, com recolhimento em Darf. Ele alcança a compensação dos débitos do imposto com os créditos do mesmo imposto apurados pelo estabelecimento, e ate mesmo com direitos creditórios de outros tributos apurados na forma prevista no art. 74 da Lei 9.430. Por isso mesmo, ao meu ver, não tem suporte legal a alegação da DRJ de que o prazo se conta na forma do art. 173 do CTN porque ausentes recolhimentos em Darf. Nos estritos termos da legislação de regência, eles só são exigidos quando o contribuinte apura saldos devedores ou constata imposto devido não sujeito a apuração por períodos (art. 124, incisos I e II). E essa disposição legal encontrase revestida de toda lógica, pois o contrario seria tornar letra morta a disposição do art. 150. Ou seja, cumprindo estritamente o que dispõe a Lei, o contribuinte apura que nada tem a recolher, mas por não ter recolhido o que não devia recolher, fica sujeito a um prazo maior de decadência... Notese que semelhantes disposições deveriam constar nos demais tributos que são exigidos mediante lançamento por homologação (muito embora suas legislações não expressem, sequer isso, explicitamente). No IPI, portanto, não há duvida de que não basta a alegação de que o contribuinte nada recolheu do tributo para transferir o termo inicial de contagem do prazo decadencial para o art. 173. Essa exigência somente se aplica se o contribuinte apurar saldo devedor ou tiver imposto a recolher não sujeito a apuração por períodos. Com essas considerações, entendo que os créditos tributários relativos a fatos geradores ocorridos entre 1º de janeiro de 2000 e 02 de dezembro de 2000 já se encontravam extintos pela homologação tácita prevista no art. 150 do CTN quando o lançamento ora guerreado foi cientificado ao contribuinte. Tem razão o contribuinte, no entanto, quando acusa em seus embargos que houve o adiantamento por meio de recolhimentos via DARF. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16175.000337/200578 Acórdão n.º 3403002.383 S3C4T3 Fl. 1.242 5 Os DARFs juntados às fls. 920/957 demonstram que houve recolhimento em relação a todos os decêndios de jan/2000, fev/2000 e mar/2000, aos 2º e 3º decêndios de abril/2000, todos os decêndios de maio/2005, 1º e 2º decêndio de junho/2000, todos os decêndios de julho/2000, primeiro decêndio de agosto/2000, todos os decêndios de setembro/2000, 2º e 3º decêndios de outubro/2000, todos os decêndios de novembro/2000 e dezembro/2000. O 3º decêndio de junho/2000 foi pago por meio de compensação, conforme demonstrado pela DCOMP de fl. 940. Diante de tais dados concretos, é de rigor reconhecer que em relação aos fatos geradores acima listados, em relação aos quais se demonstrou o adiantamento por meio de DARF e compensação, o lançamento por homologação se configurou em razão do adiantamento por recolhimento propriamente dito. Assim, o entendimento do v. acórdão embargado de que o confronto entre créditos e débitos, que ocorre na apuração do IPI, caracteriza adiantamento do pagamento, também configurando o lançamento por homologação, apenas se aplica em relação aos demais períodos, em que não houve adiantamento por DARF ou DCOMP. Entendo, por isso, que merece reparo o v. acórdão embargado em relação à sua motivação, devendo ser sanada a omissão quanto ao detalhamento dos fatos, pois houve, sim, o adiantamento de valores por meio de recolhimentos propriamente ditos, para a caracterização do lançamento por homologação. Voto, pois, pelo acolhimento dos embargos de declaração para reconhecer que, em relação a todos os decêndios de jan/2000, fev/2000 e mar/2000, aos 2º e 3º decêndios de abril/2000, todos os decêndios de maio/2005, 1º e 2º decêndio de junho/2000, todos os decêndios de julho/2000, primeiro decêndio de agosto/2000, todos os decêndios de setembro/2000, 2º e 3º decêndios de outubro/2000, todos os decêndios de novembro/2000 e dezembro/2000 houve a configuração do lançamento por homologação em razão de ter havido o adiantamento do pagamento do tributo por meio de DARF. É como voto. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 29/07/2013 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 30/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000794/2007-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição Previdenciária
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/01/2007
CONTRIBUIÇÕES DESCONTADAS DOS EMPREGADOS E NÃO
RECOLHIDAS. OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA
CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO
ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS
IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS
PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL
FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE.
LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA
DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO.
LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
MULTA DE MORA
A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias,
descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a
remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição
previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos
empregados e não recolhidas.
A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário,
deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito
de fazê-lo
em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do
Decreto nº 70.235/72.
O lançamento encontra-se
revestido de todas as formalidades exigidas por lei,
dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre
outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de
relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o
pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada.
A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de
Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público
irá instaurar o procedimento criminal.
É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a
infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao
exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação
profissional de contador.
A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o
cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo
terceiro salário (gratificação natalina).
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se
refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos
termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-002.514
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a
aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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OBRIGAÇÃO DA EMPRESA. PROVAS. PERÍCIA CONTÁBIL. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NOS TERMOS DO ART. 16, INC. IV DO DECRETO Nº 70.235/72. DOCUMENTOS IMPRESCINDÍVEIS NA NFLD. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. POSSIBILIDADE. LAVRATURA DE DOCUMENTO FISCAL FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. LEGITIMIDADE. ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. CÁLCULO EM SEPARADO SOBRE O DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. LEGITIMIDADE. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. MULTA DE MORA A empresa é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias, descontadas dos empregados segurados, em época própria. Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária, inclusive em relação à contribuições arrecadas dos empregados e não recolhidas. A apresentação de provas, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo nas hipóteses do art. 16, inc. IV do Decreto nº 70.235/72. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. A partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina). O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em manter a aplicação da multa. Vencido o Conselheiro Mauro José Silva, que votou pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Fl. 2DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 2 3 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa PRODUSA INDUSTRIAL LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente ao período 01/2003 a 01/2007. 2. Narra o relatório fiscal que a recorrente teria, em tese, deixado de repassar à Previdência Social as contribuições descontadas de pagamentos efetuados a empregados segurados. “1. Este relatório é integrante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus empregados. 1.1 A situação acima descrita, em tese, configura o ilícito previsto no Decreto Lei n 2.848/40 Código Penal, art. 168A, parágrafo 1º, inciso I, cm redação da Lei nº 9.98/2000 (apropriação indébita previdenciária), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. (...) 3. Os fatos geradores das contribuições apuradas no lançamento de débito ocorreram com o pagamento das remunerações a segurados empregados, sendo os descontos verificados pela fiscalização através das folhas de pagamento e da Guias de Recolhimento do FGTS e informações à Previdência Social – GFIP.” 3. Diante da autuação, a recorrente apresentou impugnação tempestiva e a ementa do julgamento de primeira instância restou posta nos termos que ora transcrevo: “SEGURADO EMPREGADO – Sobre a remuneração paga, creditada ou devida ao empregado incide contribuição previdenciária. A empresa está obrigada a arrecadar e recolher essa contribuição, descontandoa da respectiva remuneração. FORMALIDADES LEGAIS – A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) encontrase revestida das formalidades legais, tendo disso lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. REPRESENTAÇÃO FICAL PARA FINS PENAIS – É dever legal do auditorfiscal, sob pena de incorre em contravenção penal comunicar ao Ministério Público a ocorrência do ilícito que configura, em tese, crime contra a Seguridade Social, para que este promova ou não a Ação Penal. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ARRECADAS DOS SEGURADOS EMPREGADOS E DECLARADAS EM GFIP – as informações constantes da GFIP – Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições previdenciárias, inclusive em relação à contribuições arrecadadas dos empregados e não recolhidas em época própria. NOTIFICAÇÃO LAVRADA FORA DO ESTABELECIMENTO DA EMPRESA – é legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 7 do Primeiro Conselho de Contribuintes). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL – Definidas em Lei, ou em ato legislativo com força de Lei, as atribuições do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, e inexistindo quaisquer determinações acerca da formação específica e/ou registro em Conselho Regional para fins de regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos, formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sua competência funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUEMNTOS – A apresentação de provas, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação ocorrendo a preclusão do direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. PERÍCIA CONTÁBIL – Indeferese o pedido de perícia para comprovar mesma matéria que já foi objeto de auditoria pela Fiscalização da RFB. ACRÉSCIMOS LEGAIS – São devidos os juros e a multa moratória sobre as contribuições arrecadadas em atraso. TAXA SELIC – Sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS que estejam em atraso incidem juros equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC de caráter irrelevável (art. 34 da Lei nº 8.212/91) DÉCIMO TERCEIRO – O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCOSNTITUCIONALIDADE DE LEI NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A lei, cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surte os seus efeitos enquanto estiver vigente e deve obrigatoriamente ser cumprida pela autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado, não cabendo apreciar questões de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade de legislação em vigor. Lançamento procedente.” 4. Buscando a reforma do acórdão de primeira instância o contribuinte apresentou recurso voluntário aduzindo em síntese: a) que o crime de apropriação indébita previdenciária é um crime material e não meramente formal assim, é incabível e ilegal a representação fiscal para fins penais enquanto o procedimento administrativo tributário não for encerrado; b) preliminarmente, a nulidade do lançamento pois alega que não foram juntados aos autos os TIADS mencionados no relatório fiscal, documentos que entende imprescindíveis para comprovar a veracidade das alegações do fisco, sendo assim, considera que o princípio da ampla defesa foi prejudicado; c) que deve ser declarada a perda de eficácia do auto de infração, pois o auditorfiscal que o lavrou é incompetente. Tendo em vista que ele não é diplomado como bacharel em ciências contábeis tampouco está registrado como contador no Conselho Regional de Contabilidade – CRC; d) aduz que o auto de infração não tem eficácia pois foi lavrado fora do estabelecimento da autuada; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 3 5 e) nulidade do lançamento, requerendo perícia contábil dos livros e documentos examinados pelo auditor fiscal por profissional devidamente habilitado com a possibilidade de indicação de assistente técnico; f) argumenta que, como a gratificação natalina integra o salário, não deveria as contribuições previdenciárias incidentes sobre tal parcela do salário serem calculadas mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas previstas para os saláriosdecontribuição. g) que a multa de mora aplicada pelo fisco (24%) é exorbitante, sendo assim busca que sejam consideradas, analogicamente, regras do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor para diminuir o percentual da penalidade ou excluíla. h) que os juros e a multa de mora incidem apenas sobre o valor da obrigação descumprida (valor das contribuições) e a partir da inscrição da dívida, ademais o montante da penalidade deve ser limitada a 20%; i) considera inadmissível a correção monetária incidente sobre a multa e os juros, pois entende cabível somente o cálculo sobre o débito original levantado; 5. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados à apreciação deste Conselho. É o relatório. Voto DA ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DAS PRELIMINARES Do pedido de perícia 2. O requerimento de perícia nos autos deve ser feita no momento da impugnação. Para que sejam afastados indícios de função meramente protelatória do pedido é necessário que o contribuinte cumpra os requisitos que estão expressos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. “Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005). § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993).” (grifei) 3. Cumpre mencionar que um dos argumentos do contribuinte para pedir nova perícia, fundase no fato do auditor fiscal que procedeu à lavratura do auto de infração, não ter habilitação no Conselho Regional de Contabilidade. Acontece que como foi exposto em tópico específico, esse argumento não prospera, por consequência, os motivos para uma nova perícia nos documentos analisados pelo fisco não subsistem. 4. Dessa forma, entendo que razão não assiste ao contribuinte, quanto ao pedido de perícia, tendo em vista os motivos supra aduzidos e por ter constatado que não foram cumpridos os requisitos expressos no inciso IV do Decreto 7.235/72. Da improcedência da nulidade por falta de documentos 5. Preliminarmente aduz o contribuinte que não foram juntados aos autos os TIADS mencionadas no relatório fiscal, tampouco foi devidamente emitido o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. 6. Entretanto o lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAF e TEAF, dentre outros, havendo sido o sujeito passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa à notificada. 7. Compulsando os autos depreendese que existem TIADS juntados aos autos que solicitam ao contribuinte a apresentação de documentos tais como, livro diário, livro razão, plano de contas, comprovantes de recolhimento, folhas de pagamento de todos os segurados dentre outros, ff. 37 e 38. 8. No tocante ao MPF, ao contrário do que sustenta a recorrente este foi devidamente emitido pelo auditor fiscal, bem como lhe foi dado ciência ao contribuinte, conforme f. 33. 9. Dessa forma, rejeito a preliminar suscitada pelo contribuinte, pois não merece prosperar o argumento da recorrente, tendo em vista que os documentos suscitados pela recorrente como indispensáveis para o exercício do contraditório e da ampla defesa constam nos autos da NFLD. Do cabimento da representação fiscal para fins penais 10. Ainda em sede de preliminar, a recorrente pugna pela nulidade da representação fiscal nº 10932.000805/200771, pois entende que não é cabível o encaminhamento da Representação Fiscal para fins penais, tendo em vista que “o prévio esgotamento da via administrativa constitui condição de procedibilidade para a ação penal, sem Fl. 6DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 4 7 o que não se vislumbra justa causa para a expedição de representação fiscal para fins penais, bem como instauração de inquérito policial e, principalmente, ação penal, já que o suposto crédito fiscal ainda pende de lançamento definitivo, impedindo a configuração do delito” f. 175. 11. Sustenta a recorrente que o crime de apropriação indébita tributária é um crime material, sendo assim exige para sua consumação a ocorrência de resultado naturalístico, consistente em dano para a Previdência que somente ficaria caracterizado, com o fim do processo administrativo. 12. No entanto não há como dar razão ao contribuinte tendo em vista que os atos administrativos são, por natureza, estritamente vinculados ao cumprimento da lei, e por essa razão não se pode ignorar o fato de que o auditorfiscal ao lavrar a notificação fiscal com fins penais estava cumprindo obrigação prevista no art. 116 da Lei nº 8.112/90, que rege a atuação do funcionário público federal. “Art. 116 – são deveres do servidor: (...) VI – levar ao conhecimento da autoridade superior as irregularidades de que tiver conhecimento em razão do cargo.” 13. Assim se o agente público não informasse à autoridade competente sobre o que teve conhecimento durante a auditoria, poderia incorrer em omissão de comunicação de crime como previsto no art. 66 do DecretoLei nº 3.688 de 01 de outubro de 1941 (Lei de Contravenções Penais) “Omissão de Comunicação de Crime Art. 66 – deixar de comunicar a autoridade competente: I – crime de ação penal pública, de que teve conhecimento no exercício da função pública, desde que a ação penal não dependa de representação.” 14. Destaquese que esse conselho já exarou entendimento compatível com a inafastabilidade da obrigação do auditorfiscal em lavrar o relatório de representação com fins penais. “APROPRIAÇAO INDÉBITA. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ATIVIDADE VINCULADA. RECOLHIMENTO. EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. O recolhimento dos valores descontados dos segurados não implica na extinção da punibilidade do contribuinte. A atividade fiscal, por ser vinculada, obriga a lavratura do Relatório de Representação Fiscal para Fins Penais, através do qual o Ministério Público irá instaurar o procedimento criminal. Os recolhimentos existentes no curso do processo administrativo deverão ser aproveitados pela autoridade administrativa, não extinguindo a punibilidade do contribuinte, matéria afeta ao Poder Judiciário. Recurso Voluntário Provido.” (grifei) (Processo nº 35403.00534/200410, recurso nº 142.532, acórdão nº 20500.473, Data: 08 de abril de 2008, Relatora: Liege Lacroix Thomasi) Fl. 7DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 “CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL PRAZO DECADENCIAL. A teor da Súmula Vinculante n.° 08, o prazo para constituição ;de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI , OU ATO NORMATIVO. autoridade administrativa é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo vigente. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. COMPETÊNCIA PARA DECISÃO SOBRE PROCEDÊNCIA. Não é competência dos órgãos de julgamento administrativo decidir sobre procedência de Representação Fiscal para Fins Penais. ARROLAMENTO DE BENS. REQUISITO PARA ADMISSÃO DE RECURSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECLARAÇÃO DE INCONST1TUCIONALIDADE. A exigência do arrolamento de bens no valor de trinta por cento da exigência fiscal como condição de admissibilidade do recurso em processo administrativo fiscal foi declarada inconstitucional pelo STF em sede de controle concentrado. Recurso Voluntário Provido em Parte. (...) malgrado o auditor fiscal tenha mencionado no relatório a suposta ocorrência de ilícito penal pela omissão de fatos geradores de contribuição social em GFIP, esta matéria é estranha ao lançamento tributário, portanto, à lide que ora se julga não cabendo a este órgão de julgamento administrativo enveredar por esta seara. Cabe ao Ministério Público, órgão que detém a titularidade privativa da ação penal publica, posicionarse sobre a procedência ou não da Representação encaminhada pelo agente tributário.”(grifei) (Processo: 17460.000859/200789, Recurso nº 159.136, Acórdão 296 00.105, Data: 10 de fevereiro de 2009, Relator: Elias Sampaio Freire) 15. Dessa forma, entendo que não prospera o argumento da recorrente, pois tratase de mero encaminhamento de documento às autoridades competentes para averiguarem os fatos trazidos pelo auditorfiscal. Da eficácia do auto de infração lavrado fora do estabelecimento do contribuinte 16. Não encontra guarida o argumento do contribuinte de que a lavratura do auto de infração deveria ter sido feito no estabelecimento da empresa, sob pena de ineficácia e invalidade da peça básica do processo administrativo fiscal (f. 176), pois entendo que tal fato não invalida o ato administrativo. 17. No que tange à alegação da empresa, insta mencionar que este Conselho, atualmente, possui entendimento pacificado no sentido de que é legítima a lavratura do auto de infração ainda que seja realizado fora do estabelecimento do contribuinte (Súmula nº 6 do CARF). 18. Assim, cumpre destacar julgado recente que evidencia como vem decidindo o Conselho ao enfrentar o tema. “AUTO DE INFRAÇÃO Constitui infração deixar de inscrever segurado empregado. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL. DESNECESSIDADE DE Fl. 8DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 5 9 HABILITAÇÃO PROFISSIONAL COMO CONTADOR. É competente para verificação da escrituração contábil o AuditorFiscal regulamente inscrito no cargo, independente de habilitação profissional como contador. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. O local da verificação da falta expresso no art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 não deve ser interpretado como no estabelecimento físico do contribuinte, estando mais precisamente ligado ao conceito de domicílio tributário do contribuinte, ou seja a circunscrição da Delegacia da Receita Federal competente para fiscalizálo. É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.Súmula n.º 6 do CARF. Recurso Voluntário Negado. (Processo nº 15196.000006/200799, Recurso nº 260.205, Acórdão nº 230200.883 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, 15 de março de 2011, Relatora: Liege Lacroix Thomasi, 15 de março de 2011)” (grifei) Da validade do auto de infração lavrado por agente fiscal não habilitado como contador 19. Em sua defesa o recorrente alega que o auto de infração não tem eficácia, tendo em vista o fato dele ter sido lavrado por auditor fiscal, não habilitado no Conselho Regional de Contabilidade como contador. 20. Acrescenta que “a habilitação no CRC como contador é requisito pleno e essencial para a validade do procedimento administrativofiscal fundado em exame de escrita ou revisão contábil falada. Faltando a habilitação legal, o agente estará exercendo ilegalmente tarefa privativa de profissão regulamentada por federal”. 21. A jurisprudência atual do Carf não referenda os argumentos trazidos pelo contribuinte. O órgão tem já tem entendimento sumulado a respeito da legitimidade da conduta do auditor: “Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.” 22. Superada essa questão, passamos a demonstrar que a Lei 10.593/2002, a qual regulamenta as atribuições do Auditor Fiscal, não prevê como requisito específico para o exercício do cargo, formação acadêmica de contador, tampouco registro em órgão da categoria (CRC). “Lei nº 10.593, de 6 de Dezembro de 2002 Art. 2º Os cargos de Auditor Fiscal da Receita Federal, de Técnico da Receita Federal, de Auditor Fiscal da Previdência Social e de Auditor Fiscal do Trabalho são agrupados em classes, A, B e Especial, compreendendo, a primeira, cinco padrões, e, as duas últimas, quatro padrões, na forma dos Anexos I e II. (grifei) Art. 3º O ingresso nos cargos das Carreiras disciplinadas nesta Lei farseá no primeiro padrão da classe inicial da respectiva tabela de vencimentos, mediante concurso público de provas ou de provas e títulos, exigindose curso superior em nível de graduação concluído Fl. 9DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 ou habilitação legal equivalente. (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) §1º O concurso referido no caput poderá ser realizado por áreas de especialização. (...) Art. 8º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Previdência Social, relativamente às contribuições administradas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS: I em caráter privativo: a) executar auditoria e fiscalização, objetivando o cumprimento da legislação da Previdência Social relativa às contribuições administradas pelo INSS, lançar e constituir os correspondentes créditos apurados; b) efetuar a lavratura de Auto de Infração quando constatar a ocorrência do descumprimento de obrigação legal e de Auto de Apreensão e Guarda de documentos, materiais, livros e assemelhados, para verificação da existência de fraude e irregularidades; c) examinar a contabilidade das empresas e dos contribuintes em geral, não se lhes aplicando o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial; d) julgar os processos administrativos de impugnação apresentados contra a constituição de crédito previdenciário; (...).” (grifei) 23. Destaco que já houveram, nesse Conselho, vários julgamentos sobre a questão levantada pela recorrente e todos reconhecem a competência do Auditor Fiscal, para lavratura de auto de infração independentemente de título de contador. Transcrevo, a seguir, ementa e trecho de julgamento recente do CARF que corroboram tal afirmativa. “ANÁLISE DA CONTABILIDADE. COMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL, INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES APURADOS NOS DOCUMENTOS DA EMPRESA. REPRODUÇÃO INTEGRAL NO RELATÓRIO FISCAL. DESNECESSIDADE. É despicienda a integral reprodução, no Relatório Fiscal, dos fatos geradores apurados diretamente nas folhas de pagamento, GFIP e escrita fiscal da empresa, eis que a responsabilidade pela sua elaboração e conteúdo é do próprio sujeito Fl. 10DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 6 11 passivo, tendo este, já, o pleno conhecimento de toda a matéria tributável ali presente. MULTA DE MORA. NFLD. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa moratória decorrente do recolhimento em atraso de contribuições previdenciárias. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. Da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. (...) A julgar pelo entendimento do Recorrente, o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federa do Brasil, além de ter formação acadêmica em contabilidade, teria concomitantemente que ter habilitação em Direito, pois interpreta e aplica leis, decretos, regulamentos, etc.; Formação em engenharia, pois analisa obras de construção civil, aplica o método CUB em aferição indireta, etc.; Formação em Tecnologia da Informação, pois opera com computadores, identifica, extrai e analisa dados essenciais armazenados em arquivos e mídias digitais; Formação em comércio exterior, dada às suas atribuições de controle aduaneiro e classificação de mercadorias; Formação em matemática, pois a realização de cálculos, equacionamentos e resolução de problemas aritméticos fazem para do seu cotidiano; Formação em letras, eis que a redação de relatórios, a solução de consultas e a lavra de decisões de natureza tributária constituemse prerrogativas do seu cargo; Formação em psicologia, para entender o animus de certas razões recursais, dentre outras. Por esses e tantos outros motivos, não assiste razão ao Recorrente quanto a sua alegação de ilegitimidade do Auditor Fiscal.” (grifei) (Processo nº 17546.000827/200733, Recurso nº 258.362, Acórdão nº 230201.099 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Relator: Arlindo da Costa e Silva). 24. Além disso, cumpre ressaltar que o decisum recorrido encontrase devidamente fundamentado e motivado, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal, notadamente o art. 50, da Lei n.º 9.784/99 e art. 38, do Decreto 7.574/2011. Assim, não há que se falar em anulação do acórdão vergastado. DO MÉRITO Fl. 11DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 DO CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO 25. Não há o que se discutir quanto a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina), uma vez que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu a incidência de contribuições previdenciárias sobre a referida rubrica, ainda que recolhidas e não repassadas à Previdência. 26. O Pretório Excelso, inclusive, reconheceu o tema como Repercussão Geral no Recurso Extraordinário nº 593.068.8 – Santa Catarina. Como o entendimento foi pacificado na Corte, editouse Súmula para não dar margem a qualquer controvérsia. “Súmula 688. É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário.” 27. No que tange a forma de cálculo da contribuição previdenciária sobre o décimoterceiro a Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil, nº 971, de 13 de novembro de 2009 e o parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612/92, assim determinam: “Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009 Art. 95. A contribuição social previdenciária dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, incidente sobre o décimo terceiro salário, é calculada em separado da remuneração do mês, conforme disposto no § 2º do art. 7º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, mediante a aplicação da alíquota de 8% (oito por cento), 9% (nove por cento) ou 11% (onze por cento), de acordo com a faixa salarial constante da tabela publicada periodicamente pelo MPS, observados os limites mínimo e máximo do saláriodecontribuição e o disposto no art. 63 e no inciso I do § 2º e no § 4º do art. 78. Decreto nº 612 de 1992 Art. 37. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 6º A gratificação natalina décimoterceiro salário integra o saláriodecontribuição, sendo devida a contribuição quando do pagamento ou crédito da última parcela, ou na rescisão do contrato de trabalho. § 7º A contribuição de que trata o § 6º incidirá sobre o valor bruto da gratificação, sem compensação dos adiantamentos pagos, mediante aplicação, em separado, da tabela de que trata o art. 22 e observadas as normas estabelecidas pelo INSS.” (grifei) 28. O recorrente aduz que a contribuição previdenciária incidente sobre a gratificação natalina, calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas para os saláriosdecontribuição é ilegal. Para corroborar sua alegação a empresa baseiase em julgados do Superior Tribunal de Justiça, nos quais o Tribunal entendia ser ilegal o referido cálculo. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 7 13 “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 105, INCISO III, ALÍNEA “A”, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA (13º SALÁRIO) – ARTIGO 28, § 7º DA LEI N. 8.212/91. FORMA DE CÁLCULO DETERMINADA PELO DECRETO 612/92. ILEGALIDADE. PODER REGULAMENTAR. LIMITES. REPETIÇÃO. ARTIGO 39, § 40, DA LEI 9.25095. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCIDÊNCIA DE CORREÇÃO MONETÁRIA DESDE O RECOLHIMENTO DEVIDO. Se a Lei 8.212/91 contém previsão diversa para cálculo da contribuição social incidente sobre o 13º salário, não poderia o Decreto n. 612/92, sob pena de ultrapassar as divisas do poder regulamentar, determinar a incidência em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina, mediante a aplicação das alíquotas previstas na tabela a que se refere o artigo 22 do mencionado decreto. “Como ato administrativo, o decreto está sempre em situação inferior à da lei e, por isso mesmo, não a pode contrariar. O decreto geral tem, entretanto, a mesma normatividade da lei, desde que não ultrapasse a alçada regulamentar de que dispõe o executivo” (Hely Lopes Meirelles, in “Direito Administrativo Brasileiro”. São Paulo: Malheiros Editores, 2001, 26º edição, p. 171)”. (grifei) (STJ – 2ª Turma Resp 333248, processo nº 200100880357/PR, DJ 31/03/2003, p. 194, Ministro Franciulli Neto). 29. No entanto, após pesquisa jurisprudencial no Superior Tribunal de Justiça, verificouse que houve uma mudança de entendimento do tribunal a respeito do assunto. Existem diversos julgados da Corte que já reconhecem a legitimidade do “cálculo em separado” sobre o décimo terceiro salário. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. GRATIFICAÇÃO NATALINA. EXTENSÃO DE DECRETO REGULAMENTADOR. LEI Nº 8.212/91. DECRETO N 612/92. LEI Nº 8.620/93. 1. O regulamento não pode estender a incidência ou forma de cálculo de contribuição sobre parcela de que não cogitou a lei. Deve restringirse ao fim precípuo de facilitar a aplicação e execução da lei que regulamenta. 2. No período anterior à Lei n 8.620/93, o Decreto n 612/92 (art. 37, § 7º), ao regulamentar o art. 28, § 7º, da Lei nº 8.212/91, extrapolou sua competência ao determinar que a contribuição incidente sobre a gratificação natalina deva ser calculada mediante aplicação, em separado, da tabela de alíquotas prevista para os saláriosde contribuição. Precedentes. 3. Entretanto, com o advento da Lei nº 8.620/93, a tributação em separado da gratificação natalina galgou status legal, nos termos do art. 7º, § 2º, desse diploma normativo. 4. Recursos especiais improvidos.” (grifei) Fl. 13DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 (REsp 415604/PR; Relator Ministro Castro Meira, Data do Julgamento: 05/10/2004; Data da Publicação: DJ 16.11.2004, p. 227) 30. Insta mencionar ainda, julgamento do Ministro Teori Albino Zavascki em 2007, que descreve exatamente a mudança de entendimento do STJ. “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. CÁLCULO EM SEPARADO. 1. Segundo entendimento do STJ, era indevido, no período da vigência da Lei 8.212/91, o cálculo em separado da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina em relação ao salário do mês de dezembro. Todavia, a Lei nº 8.620/93 estabeleceu expressamente essa forma de cálculo em separado, que, portanto, passou a ser legítima a partir da sua vigência. 2. Embargos de divergência a que se nega provimento”. (grifei) (STJ – Primeira Seção, EResp 442781 PR 2006/01951203, Julgamento: 13/11/2007, DJ 10/11/2007, p. 278, Ministro Teori Albino Zavascki) 31. Nesse sentido, a Turma Recursal do Juizado Especial Federal Cível da Seção Judiciária do Estado da Bahia editou a Súmula nº 09, na qual estabelece que “a partir do início da vigência da Lei n. 8.620, de 05.01.1993, é válido o cálculo em separado da contribuição previdenciária incidente sobre o décimo terceiro salário (gratificação natalina)”. 32. Como se pode observar o entendimento de vários Tribunais é de que a aplicação do parágrafo 7º do artigo 37 do Decreto nº 612 é perfeitamente válida, até mesmo porque a sua aplicação evita a exclusão de uma das fontes de custeio para o benefício da gratificação natalina dos aposentados e pensionistas. Tendo em vista que, de fato, a Previdência, no mês de dezembro, lhes paga, o provento do mês e mais a gratificação natalina, justificando, deste modo, a incidência sobre o décimo terceiro em separado dos contribuintes. 33. Além disso, acredito ter sido esse o meio encontrado pelo legislador para preservar o equilíbrio econômico e financeiro do sistema da seguridade social, bem como manter a isonomia dos contribuintes segurados. 34. Observese que somente o cálculo em separado viabiliza que, aqueles segurados que contribuem pelo teto do saláriodecontribuição acabem contribuindo, também, com o seu 13º salário. A forma preconizada pela recorrente implica em “isenção” de incidência da contribuição para estes e acarreta violação do princípio da isonomia entre os empregados que contribuem com o mínimo e os que o fazem pelo teto. 35. Passamos a expor o que foi dito de forma matemática para que fique claro. A seguir a tabela de contribuição dos segurados empregado, empregado doméstico e trabalhador avulso, para pagamento de remuneração a partir de 1º de Janeiro de 2012, atualizada pela Portaria nº 02, de 06 de janeiro de 2012. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 8 15 36. Vejamos que considerando o atual teto do saláriodecontribuição, o segurado empregado que ganha R$ 3.916,20 reais mensais contribui com uma alíquota de 11% para a Previdência Social, ou seja, R$ 430,78 (quatrocentos e trinta reais e setenta e oito centavos). No mês de dezembro o mesmo segurado, contribui com R$ 430,78 referente ao seu salário e mais a mesma quantia referente ao seu décimoterceiro salário, totalizando R$861,56 (oitocentos e sessenta e um reais e cinquenta e seis centavos), nisto se resume o cálculo em separado. 37. Considerando o argumento da recorrente, os valores do salário mensal e da gratificação natalina seriam somados e sobre o total, incidiriam a porcentagem da contribuição. No caso do segurado que contribui pelo teto, esse não recolheria à Previdência R$ 861,56 e sim, somente R$ 430,78 (invariáveis 11% do teto). 38. Já no caso de um trabalhador que contribui com o saláriode contribuição de um salário mínimo, atualmente R$ 622,00 (seiscentos e vinte e dois reais), sobre o qual incide a alíquota de 8%. No mês de dezembro ele contribui com R$49,76 (quarenta e nove reais e setenta e seis centavos) referente à remuneração mensal, mais a mesma quantia referente ao décimo terceiro, totalizando R$ 99,52 (noventa e nove reais e cinquenta e dois centavos). 39. Ocorre que no caso do trabalhador que contribui com o mínimo, adotada a tese da recorrente, este não pagará contribuição com um valor menor, como ocorre no caso do trabalhador que contribui com o teto, pelo contrário, pagará um valor maior do que se os valores (remuneração e décimoterceiro) fossem calculados separadamente. 40. Se adotados os argumentos da recorrente, o trabalhador de baixa renda, remunerado com apenas um saláriomínimo, contribuiria com R$ 111,96 (cento e onze reais e noventa e seis centavos), já que sobre a soma dos valores incide a alíquota de 9%, ou seja, R$12,44 (doze reais e quarenta centavos) a mais no mês de dezembro, ao passo que o contribuinte que ganha o teto do salário de contribuição não arcará com os valores referentes ao 13º salário. 41. Dessa forma, a tese do recorrente não prospera pois entendo que o cálculo em separado é a única forma de fazer incidir contribuição previdenciária na gratificação natalina dos segurados que recolhem pelo teto, ou seja, a forma encontrada pelo legislador para não restar violado o principio da isonomia entre os contribuintes. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 42. Por fim, entendo que a utilização da taxa SELIC não é indevida no caso em análise. À época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente autorizada pelo art. 34 da Lei 8.212/91. Fl. 15DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 43. A matéria, inclusive, já foi sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, verbis: “Súmula CARF Nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” 44. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na súmula nº 04 deste Conselho. 45. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: “1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2º, I, e 8º, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional nº 33, de 2001, inseriu a alínea “i” no inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar “fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço”. Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por Fl. 16DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10932.000794/200729 Acórdão n.º 2301002.514 S2C3T1 Fl. 9 17 cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (g.n.) (grifei) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177) 46. E quanto às alegações de multa confiscatória, devese concluir que não possuem fundamento, pois o valor da multa não corresponde ao valor da contribuição. Tal constatação pode ser alcançada pela leitura da discriminação dos valores realizadas pelo agente fiscal no auto de infração. Assim, tendo atendido à determinação legal e não sendo equivalente à totalidade do débito, não há que se falar em caráter confiscatório da multa. DA MULTA APLICADA 47. Ressaltase que, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. 48. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” 48. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” (grifei) 49. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. 50. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) vem se sedimentando no sentido de que os juros de mora constituem matéria de ordem pública, de forma que sua aplicação, alteração de cálculo, ou modificação do termo inicial – de ofício – não configuram reformatio in pejus (reforma para piorar a situação de quem recorre), nem dependem de pedido das partes. (AgRg no Ag 1.114.664RJ, DJe 15/12/2010. EDcl nos EDcl Fl. 17DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 no REsp 998.935DF, Rel. Min. Vasco Della Giustina, Desembargador convocado do TJRS, julgado em 22/2/2011). 51. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. CONCLUSÃO 52. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para aplicar a multa prevista no art. 35 da Lei n.º 8.212/91 combinado com o art. 61, §2 º da Lei nº 9.430/96, se essa for mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 10/07/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 16004.720504/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2010 a 30/04/2011
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA. RENÚNCIA DA FASE ADMINISTRATIVA. Nos termos da Súmula CARF n° 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.. Assim, não há que discutir a incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as verbas objeto de fiscalização.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. IMPOSSIBILIDADE. Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. No caso em questão, o contribuinte, ao ajuizar Mandado de Segurança para reconhecimento de inexistência de relação jurídica referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de algumas verbas específicas, o fez por entender que o recolhimento de contribuições sobre as mesmas era indevido. Neste sentido é a Súmula CARF n° 25. Sendo assim, não havendo comprovação de fraude, dolo ou simulação, aplicável ao caso a multa comum aos lançamentos de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-003.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a caracterização de falsidade da declaração e, conseqüentemente, o recálculo das multas aplicadas totalizando 75%, correspondente à multa de ofício.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE ICEM PREFEITURA MUNICIPAL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2010 a 30/04/2011 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA. RENÚNCIA DA FASE ADMINISTRATIVA. Nos termos da Súmula CARF n° 01, “importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.”. Assim, não há que discutir a incidência ou não de contribuições previdenciárias sobre as verbas objeto de fiscalização. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. MULTA ISOLADA DE 150%. IMPOSSIBILIDADE. Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. No caso em questão, o contribuinte, ao ajuizar Mandado de Segurança para reconhecimento de inexistência de relação jurídica referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de algumas verbas específicas, o fez por entender que o recolhimento de contribuições sobre as mesmas era indevido. Neste sentido é a Súmula CARF n° 25. Sendo assim, não havendo comprovação de fraude, dolo ou simulação, aplicável ao caso a multa comum aos lançamentos de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 05 04 /2 01 1- 19 Fl. 3651DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja afastada a caracterização de falsidade da declaração e, conseqüentemente, o recálculo das multas aplicadas totalizando 75%, correspondente à multa de ofício. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Ausente justificadamente o conselheiro Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 3652DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16004.720504/201119 Acórdão n.º 2402003.407 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de auto de infração DEBCAD n° 50.010.0599 lavrado em decorrência de glosas de compensações indevidamente levadas a efeito pela empresa e da multa isolada decorrente de falsidade na declaração, importando o feito em crédito tributário na monta de R$ 2.398.493,34 (Dois milhões, trezentos e noventa e oito mil, quatrocentos e noventa e três reais e trinta e quatro centavos). Nos termos do relatório fiscal de fls. 200/206, o Recorrente fora intimada, através do Termo de Início de Procedimento Fiscal a esclarecer o motivo das compensações efetuadas em GFIP das competências de 09/2010 a 04/2011. Na tentativa de esclarecer o quanto questionado, verificouse a existência de Mandado de Segurança de n° 000202593.2011.4.03.6106, em que o Recorrente figura como Impetrante, requerendo a declaração de inexistência de relação jurídica entre o Município e a União referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de horas extras, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado, férias indenizadas, férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença, auxílio acidente, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, o Recorrente, à época da fiscalização, não detinha de sentença transitada em julgado a seu favor, tampouco estava amparado por liminar que autorizasse as compensações realizadas, motivo pelo qual fora lavrado o auto de infração sob análise. Intimada da autuação, o Recorrente, às fls. 212/216, protocolou impugnação tempestiva, alegando, em síntese: a) Suspensão da exigibilidade da contribuição patronal; b) Direito a compensação administrativa sem anuência do Judiciário ou da RFB; c) Natureza indenizatória/compensatória das verbas mencionadas; d) Inaplicabilidade da multa isolada de 150%. Ao final, requereu a desconstituição, a anulação e o cancelamento dos créditos tributários e a suspensão da exigibilidade da contribuição previdenciária patronal em conjunto com a homologação das compensações efetuadas por terem sido realizadas de acordo com a jurisprudência. Remetida a impugnação à DRJ/RPO, foi proferido acórdão (fls. 1924/1945) julgando improcedente a defesa e rebatendo cada um dos fundamentos do Recorrente. Fl. 3653DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Inconformado, o Recorrente interpôs recurso voluntário (Fls. 1949/1954) reiterando os termos da Impugnação. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 3654DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16004.720504/201119 Acórdão n.º 2402003.407 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Preliminarmente O recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre eles o da tempestividade, razão pela qual dele conheço. No Mérito Tratase de autuação decorrente de compensação indevida realizada pelo Recorrente, descontando da base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos aos empregados segurados a título de horas extras, terço constitucional de férias, aviso prévio indenizado, férias indenizadas, férias em pecúnia, salário educação, auxílio creche, auxílio doença, auxílio acidente, abono assiduidade, abono único anual, vale transporte, adicional de periculosidade, adicional de insalubridade e adicional noturno. Conforme demonstrado em relatório fiscal e ratificado pelo próprio Recorrente, o afastamento de contribuições previdenciárias sobre tais verbas é matéria em discussão nos autos do Mandado de Segurança n° 000202593.2011.4.03.6106, em trâmite perante a Justiça Federal/SP. O CARF, através da Súmula n° 01, pacificou entendimento no sentido de que: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” O caso sob análise enquadrase perfeitamente na hipótese prevista pela Súmula/CARF acima transcrita, razão pela qual não cabe a esta Turma a apreciação do mérito do recurso voluntário, qual seja, a incidência ou não de contribuição previdenciária sobre as verbas já mencionadas. Sobre o assunto, ainda, é a jurisprudência deste Conselho: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/1997 a 31/10/1997 AÇÃO JUDICIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IDENTIDADE DE OBJETOS E DISCUSSÕES. RENÚNCIA CONFIGURADA. SÚMULA CARF. N. 01. No caso da Fl. 3655DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 existência de processo judicial no qual a discussão ali travada e os pedidos seja idênticos ao constante nos autos do processo administrativo, sobre eles operase a renúncia à esfera administrativa, em homenagem a decisão final a ser proferida pelo Poder Judiciário. (...) (CARF, Acórdão n° 2402002.705, Proc. 15901.000467/2008 39, Relator Igor Araujo Soares) Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/07/2007, 15/07/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. AÇÃO JUDICIAL E ADMINISTRATIVA CONCOMITANTES. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 01. A propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa em desistência do processo na esfera administrativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. (CARF, Acórdão n° 3803003.650, Proc. 17220.000384/2010 59, Relator Jorge Victor Rodrigues) Da Multa aplicada Conforme se verifica do Relatório Fiscal de fls. 200/206, a fiscalização, ao mensurar a multa aplicável ao caso por compensação indevida, decidiu pela aplicação de multa de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre o valor da compensação, nos termos do § 10 do art. 89, da Lei n° 8.212/91 c/c o art. 46 da IN RFB n° 900. De acordo com a autoridade fiscal, ao compensar créditos inexistentes, inserindo informações falsas e/ou inexatas nas GFIPs do período fiscalizado, o Recorrente agiu de forma fraudulenta, conforme descrito pelo art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Do mesmo modo entendeu a DRJ. Discordo de tal entendimento. Para que se configure fraude na compensação indevida, é necessário que reste demonstrado pela fiscalização a intenção do contribuinte em se beneficiar das informações equivocadas dolosamente. No caso em questão, o contribuinte, ao ajuizar Mandado de Segurança para reconhecimento de inexistência de relação jurídica referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de algumas verbas específicas, o fez por entender que o recolhimento de contribuições sobre as mesmas era indevido. Assim, apesar de as declarações em GFIP do Recorrente não estarem de acordo com o quanto efetivamente devido (em razão da ausência de decisão judicial transitada em julgado que assim reconhecesse), não há prova de que as compensações tenham sido feitas com dolo/fraude. Fl. 3656DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16004.720504/201119 Acórdão n.º 2402003.407 S2C4T2 Fl. 5 7 No mesmo sentido é o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por intermédio da Súmula n° 25: “Súmula CARF n° 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos , por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64” Ainda o CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/03/2004 MULTA ISOLADA DE 150% SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A aplicação da multa de 150% prevista no art. 44 da Lei n° 9.430/96, somente poderá ser exigida se restar devidamente caracterizado o dolo especifico do contribuinte, evidenciando a intenção da fraude.” (CARF, PAF n° 14041.000268/200835, Acórdão n° 1201 000.724, Relator João Carlos de Lima Junior) “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2009 a 31/12/2009 MULTA ISOLADA DE 150% SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. A aplicação da multa de 150% prevista no art. 89, § 10o da Lei 8.212/91c/c o inciso I, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, somente poderá ser exigida se restar devidamente caracterizado o dolo especifico do contribuinte, evidenciando a intenção da fraude. Recurso Voluntário Provido.” (CARF, PAF n° 13116.002457/201083, Acórdão n° 2803 001.496, Terceira Turma Especial/Segunda Seção de Julgamento, Relator Helton Carlos Praia de Lima, Sessão 17/04/2012) Sendo assim, não havendo comprovação de fraude, dolo ou simulação, aplicável ao caso a multa comum aos lançamentos de ofício, nos termos do art. 44, I, da Lei n° 9.430/96: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, são aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...)” Fl. 3657DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Da Representação Fiscal para Fins Penais No que diz respeito à Representação Fiscal para Fins Penais, não há o que decidir, uma vez que fora da competência do CARF o seu julgamento. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso para, na parte conhecida, dar provimento parcial para desconsiderar a existência de fraude e conseqüente redução da multa aplicada para 75% (setenta e cinco por cento). É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 3658DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 14367.000284/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72.
Consideram-se não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.
Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT.
Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT.
ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado.
MULTA DE MORA.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Ivacir Julio de Souza Redator Designado
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não constitui cerceamento de defesa, quando a parte não teve nenhum documento impedido de ser juntado após a impugnação. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA EM PECÚNIA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. Incide a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia não estando inscrita no PAT. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o alegado. MULTA DE MORA. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para determinar ao recálculo da multa de mora, de acordo com o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 36 7. 00 02 84 /2 00 8- 55 Fl. 193DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 2 disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o relator na questão da exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, e o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ivacir Julio de Souza. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Ivacir Julio de Souza – Redator Designado Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro e Ewan Teles Aguiar. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 2403001.504 S2C4T3 Fl. 63 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP (DEBCAD n. 37.196.2080), emitido em 30/09/2008, cuja notificação ocorreu em 03/10/2008 (fl. 01), lavrado em face da INCAN – INDÚSTRIA E CONSTRUÇÃO DA AMAZÔNIA, no valor de R$ 34.033,98 (trinta e quatro mil, trinta e três reais e noventa e oito centavos), referente as contribuições devidas à Seguridade Social, em relação às seguintes rubricas: “Segurados” e “Contrib indiv”. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 28/34, o crédito em tela tem como fato gerador o pagamento de remuneração pela Recorrente aos seus empregados e contribuintes individuais. Constituise nos seguintes levantamentos não declarados em GFIP: Para o estabelecimento com CNPJ n. 01.474.425/000103, foram lavrados os seguintes levantamentos: CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG; CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS; CTP – CONTAB REMUN PREST SERV; CTS – CONTAB REMUN SOCIOS. Para a obra matrícula CEI n. 38.840.00414/77, foram lavrados os seguintes levantamentos: 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN. A Fiscalição compreendeu as competências entre 01/2004 a 12/2004. Conforme registro de fl. 68, o processo foi apensado ao Proc. n. 14367.000283/200819. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 71/82, acompanhada de cópias do Contrato Social/Alterações; Cartão do CNPJ e dos documentos de identificação do representante legal da Recorrente, nas fls. 83/158, com os seguintes argumentos, após resumir a autuação, em suma: CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG: A Recorrente sustenta que estava inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador – PAT, desde 2001, assim como demonstrado no anexo, razão pela qual deve ser anulado o lançamento. CTS – CONTAB REMUN SÓCIOS: A Recorrente alega que a conta contábil “C/C Sócios”, cujo significado é “conta corrente dos sócios”, na verdade é uma conta de antecipação de lucros, razão pela qual não incide contribuição previdenciária, nos termos do art. 28, § 1o, “j” da Lei n. 8.212/91. Discorre acerca de equívocos formais na sua contabilidade, para concluir que em relação ao quantum, a contabilidade está correta, fato reconhecido, inclusive, nos Autos de Infrações DEBCAD ns. 37.196.2064, 37.196.2072 e 37.196.2080. Fl. 195DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 4 Alega, outrossim, que as remunerações dos sócios estão lançadas na conta contábil “Prolabore”. Nesse diapasão, a Fiscalização optou pela verdade formal, em face da verdade material. Por fim, alega que o saldo final no exercício da 2004 era de R$ 155.953,07, conforme “Quadro 2 – Valores lançados na conta C/C Sócios” e transferidos como custo para apuração do resultado do exercício do relatório fiscal e o lucro real apurado na “Ficha 09 – Demonstração do Lucro Real”, que foi de R$ 208.688,55, demonstrandose a verdadeira natureza dos lançamentos, pois, explicitaria a existência de lucros a serem distribuídos. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS: Em relação a este levantamento, a Recorrente impugna a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.7.02.052, que se trata de antecipação de salário a ser abatido no fechamento da folha de salários, sendo que a fiscalização, em face do saldo da conta ter sido transferido para a conta de apuração do resultado, tornoua fato gerador da contribuição previdenciária, o que caracterizaria bis in idem, tendo em vista que seus valores estão inclusos na conta própria para registros de salários, sendo assim, nulos de pleno direito os créditos fiscais apurados com base em seus valores. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (PA), por meio da 5a Turma da DRJ/BEL, prolatou o Acórdão n° 0115.702, de fls. 162/169, mantendo procedente o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 DÉBITO REGULARMENTE LAVRADO. ATENDIMENTO DAS FORMALIDADES LEGAIS. Crédito previdenciário constituído dentro das técnicas fiscais e atendendo à legislação vigente é plenamente regular, em conformidade com o art. 10 do Decreto 70.235/1972, c/c o art. 142 do CTN. DAS PROVAS. Efetuado o lançamento, o momento oportuno para apresentação das provas documentais é com a impugnação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” DO RECURSO Inconformada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 170/179, com os seguintes argumentos, em síntese: A Recorrente contesta o Acórdão ao argumento de que teve cerceado o seu direito da ampla defesa e do contraditório, em face do não atendimento ao princípio da verdade material. Traz os incisos LIV e LV do art. 5o da Constituição Federal. Traz doutrinas e jurisprudência para embasar o alegado. É o relatório. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 2403001.504 S2C4T3 Fl. 64 5 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 171 e 173, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE CNPJ N. 01.474.425/000103: CTP – CONTAB REMUN PREST SERV; MATRÍCULA CEI N. 38.840.00414/77: 2RC – RESCISÕES DIF VERBAS REMUN Ressaltese que não houve impugnações específicas no que tange à multa aplicada em decorrência das discriminações acima. Diante disso, presumemse aceitas as imputações constantes no Auto de Infração objeto da lide, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA POR NÃO ATENDIMENTO AO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL A Recorrente entende que teve cerceado o seu direito à ampla defesa. Apesar de dispender grandes esforços para conceituar o princípio da verdade material, não trouxe fatos, direito ou provas concretas para invalidar o Acórdão da DRJ. Como exemplo do vazio das alegações da Recorrente temos o último parágrafo da fl. 178, onde impugna o Acórdão da DRJ, que vedou a juntada de novos documentos. Ocorre que, como a Recorrente não trouxe nenhum documento após a Impugnação, logo, não teve nenhum documento indeferido de fato. Por essas razões, não há como prosperar o pleito da Recorrente em cerceamento do direito de defesa. DO MÉRITO CTA – CONTAB UTILID ALIMENT EMPREG A Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento em pecúnia fornecido aos empregados, sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76. Apesar de alegar estar inscrita no PAT, a Recorrente não comprovou o alegado. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 6 A DRJ, no seu r. acórdão, julgou como procedente o lançamento no que se refere a essa autuação, por entender que a inscrição no PAT é condição essencial para que tais verbas possam ser excluídas do conceito de remuneração. É pacífica a jurisprudência do Colendo STJ, no sentido de que o fornecimento do alimento in natura, mesmo sem a inscrição no PAT, não deve integrar a base de cálculo da Contribuição Previdenciária, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. PAGAMENTO IN NATURA. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. INSCRIÇÃO NO PAT. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. Caso em que se discute a incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas recebidas a título de auxílio alimentação in natura, quando a empresa não está inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, DJ 8/11/2004; REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/9/2010; AgRg no REsp 1.119.787/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 29/6/2010. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 5.810/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 10/06/2011) (grifo nosso) Da análise do recente acórdão, verificase que o Tribunal Superior aplicou a Súmula 83 do STJ, verbis: NÃO SE CONHECE DO RECURSO ESPECIAL PELA DIVERGÊNCIA, QUANDO A ORIENTAÇÃO DO TRIBUNAL SE FIRMOU NO MESMO SENTIDO DA DECISÃO RECORRIDA. Em outras palavras, por ser matéria pacífica, o STJ nem conhece Recursos em sentido contrário. Nesse diapasão, em 20 de dezembro de 2011, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional editou o Ato Declaratório n. 03/2011 autorizando “a dispensa de apresentação de contestação de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante:“nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária.” Fl. 198DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 2403001.504 S2C4T3 Fl. 65 7 Ademais, a Jurisprudência também pacificou entendimento no sentido de que não incide contribuição previdenciária em relação ao valetransporte pago em pecúnia. Sendo, inclusive, matéria prevista na Súmula n. 60 de 08 de dezembro de 2011 da Advocacia Geral da União, verbis: Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba Nesse diapasão, levandose em consideração o porte da Recorrente, temse que os valores pagos a título de alimentação foram razoáveis, assim como se constata na planilha constante na fl. 45 elaborada pela Fiscalização. Razão pela qual, no que tange se refere ao alimento pago em pecúnia, deve o Recurso Voluntário deve ser julgado procedente. CTS – CONTAB REMUN SÓCIOS Segundo a Fiscalização, a Recorrente pagou aos sócios da empresa remunerações, constantes na conta “C/C Sócios” – cód. 1.2.1.03.006, pelas razões abaixo: “(...) tratase de conta do ativo, registrando valores repassados a sócios, conforme lançamentos a débito. No final do período (31/12/2004), a empresa encerrou a conta efetuando dois lançamento (crédito): um de R$ 179.224,02 e outro de R$ 9.030,00. Contudo, verificouse que a contrapartida de tais lançamentos não envolveu a conta ‘Caixa’ nem conta relativa a bancos. Na verdade, a contrapartida ocorreu com lançamentos a débito na conta do ativo ‘Rateio’ – cód. 1.8.1.02.059. Na mesma data (31/12/2004), o saldo final da conta ‘Rateio’, no valor de R$ 1.365.529,28 (já inclusos os valores oriundos da conta ‘C/C Sócios’), foi transferido – como custo operacional – para a conta ‘Apuração do Resultado’ – cód. 5.1.1.01.001. Desta forma, verificase que os valores repassados aos sócios não foram devolvidos à empresa e sim absorvidos como custo por esta, configurando pagamento de remuneração a tais beneficiários nas datas dos repasses registrados a débito na conta ‘C/C Sócios’;” Em sede de Impugnação, a Recorrente reconhece a deficiência formal na sua contabilidade, contudo, alega que se trata de distribuição antecipada de lucros, razão pela qual, não incide contribuição previdenciária, nos termos da alínea “j”, § 1o do art. 28, da Lei n. 8.212/91. De fato, não incide contribuição previdenciária em relação à distribuição nos lucros ou resultados da empresa, não nos termos do § 1o da citada Lei, mas nos termos do § 9o, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 199DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 8 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Fiscalização expôs as suas razões de fato que a fizeram chegar à conclusão de que os valores se referiram a remuneração, inclusive colacionando os anexos constantes nas fls. 46/47. Por outro lado, a Recorrente não comprovou o alegado, ou seja, nem mesmo a existência de lucros a serem distribuídos de forma antecipada. Logo, diante da ausência de provas mínimas para comprovar o alegado, no que se refere a essa rubrica, deve o lançamento ser mantido. CTE – CONTAB REMUN EMPREGADOS A Fiscalização verificou a existência das seguintes contas: “Salário (custos)” – cód. 1.8.1.02.007; “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; “Diarista” – cód. 1.8.1.02.058. Com base na movimentação das contas, concluiu que se tratam de remunerações de segurados empregados. Em sede de Impugnação, a Recorrente apenas justifica a conta “Adiantamento de Salário” – cód. 1.8.1.02.052; para, mais uma vez alegar que a sua contabilidade padece de vícios formais e a Fiscalização deveria buscar a verdade material, assim como a inclusão dessa conta na base de cálculo da contribuição previdenciária caracterizaria um bis in idem. A Recorrente, por sua vez, não comprovou o bis in idem, por esse motivo, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 200DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 2403001.504 S2C4T3 Fl. 66 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação, assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 201DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 10 Voto Vencedor Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Redator Designado Designado para redigir o voto vencedor, exponho as razões de divergir: Sem estar inscrita no PAT, nos termos da Lei n. 6.321/76, a Recorrente foi autuada por não incluir na base de cálculo da contribuição previdenciária os valores referentes ao alimento pago em pecúnia aos empregados Destacando que não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece alimentação em pecúnia em valores razoáveis, mesmo que não esteja inscrita no PAT, o I. Relator entendeu de conceder provimento à Recorrente para determinar a exclusão da base de cálculo da contribuição previdenciária os valores pagos a título de alimentação. Exposto o entendimento supra, ouso divergir com suporte consolidado em vasta jurisprudência no âmbito deste Conselho bem como também nos julgados do Tribunal Superior do Trabalho e Superior Tribunal de Justiça em que observa que I. Ministros das referidas Cortes têm avalizado a divergência que ora patrocino: Segundo Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária ,Acórdão nº 20600317 do Processo 35410000223200712 , 12/12/2007 : “ (...) PREVIDENCIÁRIO SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO INSCRIÇÃO NO PAT AUSÊNCIA BASE DE INCIDÊNCIA. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de ajuda alimentação fornecidos sem a competente inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea "c" do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Recurso Voluntário Negado. ” ( grifos de minha autoria) Tribunal Superior do Trabalho. 3ª Turma Acórdão do processo Nº RR 16240037.2008.5.15.0066, 16/02/2011: “ RECURSO DE REVISTA. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO FORNECIDO POR TERCEIRO. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO. NÃO APLICAÇÃO DA EXCEÇÃO PREVISTA NA OJ 133 DA SBDI1/TST. O auxílio alimentação fornecido em razão do contrato de trabalho, ainda que por terceira pessoa, no caso a FAEPA, sem notícia de inscrição do real empregador no PAT, tem natureza salarial, nos termos da Súmula 241/TST. Quanto à OJ 133 da SBDI1/TST, dada a sua natureza excepcional, deve ser interpretada restritivamente. Logo, exclui a natureza salarial do auxílio alimentação apenas se o empregador estiver inscrito no PAT, o que não é a Fl. 202DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA Processo nº 14367.000284/200855 Acórdão n.º 2403001.504 S2C4T3 Fl. 67 11 hipótese dos autos. Precedentes. Recurso de revista conhecido e provido. ” ( grifos de minha autoria) Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma , AgRg no Ag 730362 / PR , 15/08/2006 Relator(a) DENISE ARRUDA: “ Ementa AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM DINHEIRO. CARÁTER REMUNERATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. ACORDOS TRABALHISTAS. INSCRIÇÃO NO PAT – PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. IRRELEVÂNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 7º, XXVI, DA CONSTITUIÇÃO. 1. Não incorre em omissão, contradição ou obscuridade o acórdão que, mesmo sem se ter pronunciado sobre todos os temas trazidos pelas partes, manifestouse de maneira precisa e concisa sobre aqueles relevantes e aptos à formação da convicção do órgão julgador, resolvendo de modo integral o litígio. 2. As parcelas referentes ao auxílioalimentação pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, integram a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. O fato de a referida verba ter sido adimplida de uma só vez, quando da celebração de acordo trabalhista, não lhe retira o caráter remuneratório. 4. A alegação de suposta violação de dispositivos constitucionais extrapola a competência atribuída a este Superior Tribunal de Justiça, a teor do disposto no art. 105, III, da Constituição Federal. 5. Agravo regimental desprovido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto da Sra. Ministra Fl. 203DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA 12 Relatora. Os Srs. Ministros Francisco Falcão, Luiz Fux e Teori Albino Zavascki votaram com a Sra. Ministra Relatora. Ausente, ocasionalmente, o Sr. Ministro José Delgado.” CONCLUSÃO Face ao exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso. É como voto. Ivacir Júlio de Souza. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 14/02 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 06/06/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI, Assinado digitalmente em 19/12/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA
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Numero do processo: 12448.735237/2011-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
FALTA DE CITAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO DO CÓDIGO CNAE E DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não estando em discussão o enquadramento da empresa para fins de aplicação da alíquota para o RAT, não há o que se falar em cerceamento ao direito de defesa do sujeito, em razão da falta de menção ao código CNAE e a atividade preponderante do sujeito passivo na decisão recorrida.
INTIMAÇÃO NA PESSOA DOS ADVOGADOS. FALTA DE AMPARO LEGAL.
O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Por não apresentar caráter de salário, o fornecimento de vagas de garagem próximas ao estabelecimento do empregador não está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias.
AUXÍLIO CRECHE. FORNECIMENTO PARA EMPREGADOS COM CRIANÇAS ACIMA DE SEIS ANOS DE IDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS.
O pagamento de reembolso de despesas com creche para crianças com mais de seis anos de idade sujeita-se a incidência de contribuições, por desatender a norma que exclui este benefício do salário-de-contribuição.
Numero da decisão: 2401-002.995
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa da decisão recorrida; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os levantamentos AG1 e AG2.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FALTA DE CITAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO DO CÓDIGO CNAE E DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não estando em discussão o enquadramento da empresa para fins de aplicação da alíquota para o RAT, não há o que se falar em cerceamento ao direito de defesa do sujeito, em razão da falta de menção ao código CNAE e a atividade preponderante do sujeito passivo na decisão recorrida. INTIMAÇÃO NA PESSOA DOS ADVOGADOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Por não apresentar caráter de salário, o fornecimento de vagas de garagem próximas ao estabelecimento do empregador não está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. AUXÍLIO CRECHE. FORNECIMENTO PARA EMPREGADOS COM CRIANÇAS ACIMA DE SEIS ANOS DE IDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O pagamento de reembolso de despesas com creche para crianças com mais de seis anos de idade sujeita-se a incidência de contribuições, por desatender a norma que exclui este benefício do salário-de-contribuição.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2330; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 356 1 355 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.735237/201104 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.995 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIAÇÃO BENEFICENTE DOS PROFESSORES PÚBLICOS ATIVOS E INATIVOS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 ASSOCIAÇÃO DE PROFISSIONAIS. ENQUADRAMENTO NO CÓDIGO FPAS PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELOS ASSOCIADOS. Para enquadramento no Código FPAS devese verificar a atividade desenvolvida pelos profissionais integrantes de associação e não a atividade desta. No caso sob comento, sendo os profissionais de ensino vinculados ao exIAPC, deve a sua associação ser enquadrada no código FPAS 566. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. FORNECIMENTO DE VAGAS DE GARAGEM PRÓXIMO AO ESTABELECIMENTO DO EMPREGADOR. CARÁTER NÃO SALARIAL. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Por não apresentar caráter de salário, o fornecimento de vagas de garagem próximas ao estabelecimento do empregador não está sujeito à incidência de contribuições previdenciárias. AUXÍLIO CRECHE. FORNECIMENTO PARA EMPREGADOS COM CRIANÇAS ACIMA DE SEIS ANOS DE IDADE. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. O pagamento de reembolso de despesas com creche para crianças com mais de seis anos de idade sujeitase a incidência de contribuições, por desatender a norma que exclui este benefício do saláriodecontribuição. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 73 52 37 /2 01 1- 04 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 FALTA DE CITAÇÃO NO ACÓRDÃO RECORRIDO DO CÓDIGO CNAE E DA ATIVIDADE PREPONDERANTE DO SUJEITO PASSIVO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não estando em discussão o enquadramento da empresa para fins de aplicação da alíquota para o RAT, não há o que se falar em cerceamento ao direito de defesa do sujeito, em razão da falta de menção ao código CNAE e a atividade preponderante do sujeito passivo na decisão recorrida. INTIMAÇÃO NA PESSOA DOS ADVOGADOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa da decisão recorrida; e II) no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir os levantamentos AG1 e AG2. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12448.735237/201104 Acórdão n.º 2401002.995 S2C4T1 Fl. 357 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 45.912 de lavra da 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que deu provimento parcial a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI n.º 37.321.0124 (contribuições patronais para a Seguridade Social) e AI n.º 37.321.0132 (contribuições para outras entidades ou fundos). De acordo com o relatório fiscal, 35/52, as bases de cálculo, não declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, foram obtidas de dados coletados da folhas de pagamento, escrita contábil e outras declarações prestadas pela empresa auditada. Informase que foi lançada diferença de contribuição decorrente de erro no enquadramento da empresa no FPAS, que havia sido lançado no código “523” (alíquota de 2,7%), quando deveria ter sido informado no código “566” (alíquota de 4,5%). Foram lançadas ainda contribuições relativas ao pagamento de salário indireto, correspondentes as seguintes parcelas: a) auxílio creche concedido a beneficiários acima de 6 anos de idade, em contrariedade ao item “s” do § 9º da Lei 8.212/91; b) alimentação, em desacordo com o disposto no item “c” do § 9º da Lei 8.212/91 (sem estar inscrita no PAT);e c) vagas de garagem privativas colocadas à disposição dos dirigentes ou funcionários no exercício de função representativa. A DRJ deu provimento parcial à defesa para excluir da apuração fiscal os valores concernentes ao fornecimento de alimentação in natura (ver folhas 320/335). O sujeito passivo interpôs recurso voluntário alegando, em apertada síntese, que: a) o art. 4.º, inciso VII, do DecretoLei n.º 627/1938 não trata de qualquer obrigação das entidades profissionais congêneres, mas sim dos “empregados de estabelecimentos de ensino, educandários e asilos”, o que não é o caso da recorrente, posto que seus filiados não são seus empregados, tampouco, a entidade pode ser enquadrada como estabelecimento de ensino, educandário ou asilo; b) a Autoridade Fiscal equivocase ao enquadrar a recorrente no código FPAS 566 e não no código 523, conforme legislação transcrita na peça defensória e reproduzida no recurso; c) comprova a sua adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT desde 2008, conforme declaração prestada mediante a Relação Anual de Informações Sociais – RAIS, anobase 2008; Fl. 358DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 d) o direito à utilização das vagas de garagem é da Associação e não dos usuários, sendo improcedente a tributação sobre essa rubrica, haja vista não se tratar de remuneração; e) somente foram verificados três casos de ocupação da creche por crianças maiores de seis anos de idade, não se admitindo que esse fato venha a caracterizar desrespeito à legislação; f) o relator do processo no julgamento de primeira instância sequer identificou o Código CNAE e a atividade preponderante da recorrente, prejudicando o direito de defesa da recorrente. Ao final, pede o cancelamento das lavraturas e que as intimações sejam feitas na pessoa do seu advogado. É o relatório. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12448.735237/201104 Acórdão n.º 2401002.995 S2C4T1 Fl. 358 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Código FPAS Inicialmente cabenos determinar com esteio nos autos qual a atividade desenvolvida pela autuada. Nos termos do art. 1.º do Estatuto da Entidade: “Art. 1.º. A APPAI – Associação Beneficente dos Professores Públicos Ativos e Inativos do Estado do Rio de Janeiro é pessoa jurídica de Direito Privado, sem fins lucrativos, representativa de classe, tendo sido criada em 05 de julho de 1986, por iniciativa de professores públicos, com o fito de salvaguardar os interesses imediatos e mediatos das categorias profissionais ligadas à área de educação, bem como de assistir ao servidor público, estando disciplinada pelo presente Estatuto, como norma fundamental, pelo Regimento Interno e pelas demais instruções que forem baixadas por quem de direito, em estrita consonância com a legislação correlata vigente.” O texto estatutário não deixa dúvidas de que se trata de associação profissional vinculada aos profissionais de ensino que atuam na educação pública no Estado do Rio de Janeiro. Podemos passar agora a ponderar acerca do correto enquadramento da autuada no Código FPAS, o qual serve para definir para quais entidades e fundos (terceiros) o sujeito passivo está obrigado a contribuir. Nos termos do anexo II da Instrução Normativa IN – SRP n.º 03/2005, alterado pela IN RFB n.º 836/2008, o Código FPAS das entidades sindicais ou associativas leva em conta a atividade desenvolvida pelos membros da entidade. Se a atividade é vinculada ao extinto Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários – IAPC o enquadramento se dá no Código FPAS 566, ao revés se a atividade não tem vinculação com o exIAPC o Código FPAS correto é 523. A vinculação ao IAPC era determinada pelo DecretoLei n.º 627/1938, que em seu art. 4.º tratava dos associados obrigatórios ao Instituto: Art. 4º São associados obrigatórios do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Comerciários: Fl. 360DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 os empregados que, sob qualquer forma de remuneração, prestem serviços aos estabelecimentos comerciais em geral, bem como: (...) VII. os dos estabelecimentos de ensino, educandários e asilos; (...) Verificase que as atividades desenvolvidas pelos associados da recorrente, prestação de serviços a estabelecimentos de ensino, os tornaria obrigatoriamente abarcados pelo IAPC, donde se conclui que o enquadramento efetuado pelo fisco no Código FPAS 566 está em consonância com a legislação, não cabendo alteração do que ficou decidido na primeira instância. Enganase a recorrente ao afirmar que o FPAS seria determinado pela atividade da entidade, posto que a legislação é clara ao indicar que o enquadramento das entidades sindicais e profissionais decorre da atividade desenvolvida pelos filiados ou associados. Alimentação O fisco lançou as contribuições sobre a rubrica denominada alimentação, fundamentandose no fato da empresa não possuir inscrição no PAT. A empresa assevera que detém inscrição no Programa desde 2008, fato que se comprova mediante a RAIS. Não devemos dar razão à autuada. Intimada a exibir o comprovante de adesão ao PAT, a empresa alegou não possuir o documento solicitado para o ano de 2008. Todavia, na impugnação apresentou a RAIS com a declaração de que era optante pelo Programa do Ministério do Trabalho. Entendemos que a RAIS não é documento hábil a comprovar a inscrição no PAT, parecendonos que a declaração de opção na RAIS representa uma inverdade, posto que a adesão não restou comprovada pelo documento próprio. Andou bem a DRJ, quando exclui da base de cálculo da rubrica alimentação os valores referentes à alimentação fornecida in natura. Este entendimento está em perfeita consonância com o posicionamento da própria Administração Tributária, exarada no Ato Declaratório n.º 03, de 20/12/2011, da Procuradoria da Fazenda Nacional, o qual se baseou no Parecer PGFN CRJ n.º 2.117/2011. Eis o disposto no referido Ato Declaratório: ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 361DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12448.735237/201104 Acórdão n.º 2401002.995 S2C4T1 Fl. 359 7 “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Todavia, os valores repassados mediante o ticket alimentação denominado “Visa Vale” devem ser mantidos na base de cálculo dos lançamentos, uma vez que não houve a comprovação de adesão ao PAT. Vagas de garagem Foram incluídas nos levantamentos AG1 e AG2 as despesas da empresa com garagem disponibilizada a alguns membros da Associação. As referidas quantias foram consideradas remuneração pelo fisco, em razão da empresa haver informado que as vagas de garagens seriam destinadas apenas aos dirigentes e funcionários no “exercício da função representativa”. Entendeu a auditoria que as vagas eram disponibilizadas apenas a alguns segurados, o que representaria um ganho indireto. A tributação recaiu sobre o valor do aluguel das garagens. A empresa rebateu esse argumento, argumentando que as garagens eram um direito da entidade e não de seus representantes, os quais utilizavam as vagas no exercício da representação da Associação, jamais podendo assumir esse benefício a natureza remuneratória. Parecenos que nesse ponto o fisco foi além do que prevê a regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias. Vale a pena reproduzir o texto do “caput” do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, que define a base de cálculo para os tributos sob enfoque. Vejamos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) A par da determinação legal acima, para que uma verba seja considerada saláriodecontribuição há de ser paga ou creditada para retribuir o trabalho. Nesse sentido, deve ser feita uma diferenciação dos benefícios instituídos pelo empregador visando à contraprestação pelo serviço prestado pelos empregados daqueles que são fornecidos para que o trabalhador não tenha que desfalcar o seu patrimônio para cumprir o seu contrato laboral. As vagas de garagem, ao nosso sentir, enquadramse nessa segunda categoria. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 A tese recursal apresentase mais plausível. O mero fato do benefício ser concedido a parte do quadro funcional, não altera sua natureza jurídica, como quer fazer crer o fisco. Podemos citar como exemplo o fornecimento de transporte com motorista, para que funcionários mais graduados se desloquem de casa para o trabalho, muito comum nas relações de trabalho, não transmuda esse benefício em remuneração, embora nem todos os segurados tenham essa regalia. Vemos que a motivação adotada pelo fisco para considerar as despesas com vaga de garagem como salário indireto, fundada na ausência de disponibilização a todos os empregados da recorrente, parecenos carente de substância jurídica. Devese então afastar do lançamento as contribuições decorrentes dos levantamentos AG1 e AG2. Auxílio creche Conforme demonstrado no relatório fiscal, foram tomados como saláriode contribuição os valores pagos pela empresa a título de auxílio creche aos segurados Viviane Gonçalves Baijão, Anderson de Oliveira Falcão e Lisângela Paula da Costa. A verba foi tomada como salário indireto em razão da falta de cumprimento da disposição contida na alínea “s” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Apontou o fisco fornecimento do benefício para crianças maiores de seis anos de idade. De fato, as certidões de nascimento colacionadas confirmam as afirmações da auditoria. Por outro lado, não deve ser acatada a argumentação da empresa de que não haveria intenção da empresa em fraudar a lei, mas uma ação de caráter beneficente. Na seara do direito tributário não tem relevância para configuração do fato gerador a motivação do sujeito passivo para prática da situação prevista na lei como suficiente para fazer nascer a obrigação tributária. Vejamos o que diz o Código Tributário Nacional: Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Fl. 363DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 12448.735237/201104 Acórdão n.º 2401002.995 S2C4T1 Fl. 360 9 II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Assim, descumprida a norma que exclui o auxílio creche do campo de incidência das contribuições sociais, é legítima a tributação sobre a referida verba. Do cerceamento ao direito de defesa por falta de referência na decisão a quo do CNAE e da atividade preponderante Quando o relator do processo na primeira instância tratou da alíquota RAT, ele o fez nos seguintes termos: “DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO – GILRAT 38. A contribuição em comento está prevista no art. 22 II da Lei 8.212/91 e no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Já a Relação de Atividades Preponderantes e correspondentes Graus de Risco, para fins de enquadramento da empresa, encontrase no anexo V do RPS. 39. Mais uma vez, a impugnante irresignase não contra a exação, mas contra o próprio ordenamento legal vigente, ao reclamar que tratandose de associação profissional que, sumariamente, administra papéis e arquivos digitais, seus funcionários estariam muito distantes de qualquer fato ou ato considerado, tecnicamente, fator ou circunstância de risco. 40. Além disso, não foi questionado, no presente procedimento administrativo, o autoenquadramento da empresa, que, aliás, recai na alíquota mínima, sendo que o lançamento a título de GILRAT incide sobre valores não recolhidos, e pela mesma alíquota.” Verificase que não haveria necessidade de constar no voto condutor do acórdão da DRJ a especificação do código CNAE e da atividade preponderante, posto que a empresa não estava questionando o enquadramento da empresa para fins de aplicação da alíquota RAT. Como bem afirmouse naquele voto, a alíquota lançada pelo fisco, no patamar de 1%, corresponde a mesma utilizada pela empresa na sua declaração de GFIP, portanto inexistiu litígio quanto ao enquadramento efetuado pelo sujeito passivo. Fica afastada, portanto, a suposta ocorrência de cerceamento ao direito de defesa da recorrente por omissão do órgão de primeira instância em listar o código CNAE e a atividade preponderante da empresa. Intimação dos advogados Com relação ao requerimento para que seja dada ciência aos patronos da empresa acerca do julgamento presente processo, deve ser indeferido. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 O pedido de intimação prévia dos representantes da recorrente para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), que regulamenta o julgamento em segunda instância e na instância especial do contencioso administrativo fiscal federal, na forma do art. 37 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Entretanto, garantese à parte a publicação da Pauta de Julgamento no DOU com antecedência de 10 dias e na página da internet do CARF, na forma do art. 55, parágrafo único, do Anexo II, do RICARF, devendo ela acompanhar tais publicações, podendo, então, na sessão respectiva, efetuar a sustentação oral, pessoalmente ou por intermédio de patrono. Porém, repisese, não há previsão para prévia intimação nominal aos patronos das partes, informandolhes a data da sessão de julgamento do recurso voluntário. Conclusão Voto por afastar a preliminar de cerceamento ao direito de defesa da decisão recorrida e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para excluir os levantamentos AG1 e AG2. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 365DF CARF MF Impresso em 17/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 13896.001970/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jun 06 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU.
Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA.
A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA.
O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal.
CONTRIBUIÇÃO AO INCRA
Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-002.962
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos Vales-Transporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência-trabalho e vice-versa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26-A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude - contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social - e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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PREV VALE TRANSPORTE EM PECÚNIA ALIMENTAÇÃO SEM PAT PLR DIFERENÇAS DE DISSÍDIO Recorrente GP TECCALL SERVIÇOS DE TELEMARKETING LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. DESOBEDIÊNCIA DO ART. 4º DA LEI 7.418/85. PRECEDENTE DO STF QUE DISPENSA A AQUISIÇÃO DOS VALES. SÚMULA AGU. Conforme dispõe o art. 4º da Lei 7.418/85, a concessão do benefício do vale transporte implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residênciatrabalho e viceversa. Porém, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), no RE 478.410, transitado em julgado em 02/03/2012, decidiu por unanimidade que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a esse título afronta a Constituição em sua totalidade normativa. Havendo autorização para afastamento da norma legal por inconstitucionalidade no art. 26A do Decreto 70.235/72 e considerando a existência de Súmula 60 da Advocacia Geral da União (AGU), concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que o benefício não pode ser incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária apenas por ter sido pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA PELO EMPREGADOR. INCIDÊNCIA E ISENÇÃO COM REQUISITOS NO INTERESSE DA SAÚDE DO TRABALHADOR. ACATAMENTO DE PARECER DA PGFN EM HOMENAGEM AO PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA. A alimentação fornecida pelo empregador tem natureza salarial e está no campo da incidência da contribuição previdenciária, mas goza de isenção segundo o requisito legal. O requisito de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) atende à proporcionalidade, pois objetiva proteger a saúde do trabalhador e não representa óbice excessivamente gravoso para a empresa. Sem obediência a tal requisito legal não haveria como reconhecer o direito à isenção. Porém, considerando a existência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 19 70 /2 01 0- 17 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 83 2 Parecer PGFN 2.117/2011 associado aos efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, concluímos, em homenagem ao princípio da eficiência e para evitar a edição de ato administrativo sem finalidade, que não pode prevalecer a inclusão do benefício na base de cálculo da contribuição apenas motivada pela inexistência de inscrição no PAT. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. IMUNIDADE QUANTO À INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA REMUNERAÇÃO. FINALIDADES DA LEI REGULADORA. O benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de Participação nos Lucros ou Resultados tem natureza de imunidade quanto à incidência da contribuição previdenciária sobre a remuneração. A lei reguladora da imunidade tem como finalidades contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Sem o preenchimento dos requisitos legais, não há como reconhecer o benefício fiscal. CONTRIBUIÇÃO AO INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN, considerando cada ato ou fato pretérito punido no lançamento. No tocante à multa mora, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em retirar o agravamento da multa, nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento ao recurso nas questões do vale transporte e do auxílio alimentação, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso na questão da Participação dos Lucros e Resultados, nos termos do voto do Relator; d) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Fl. 87DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 84 3 Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 85 4 Relatório Registramos que serão julgados nesta sessão de julgamento o Auto de Infração de exigência de obrigação principal – AIOP (13896.001968/201048; DEBCAD nº 37.288.5942) e os juntados por apensação os processos nº 13896.001969/201092 (DEBCAD nº 37.288.5950), nº 13896.001970/201017 (DEBCAD nº 37.288.5969) e nº 13896.001977/201039 (DEBCAD nº 37.276.3154), este último por descumprimento de obrigação acessória – AIOA. O lançamento nº 37.288.5969, lavrado em 23/08/2010, constituiu crédito tributário relativo de contribuições sociais devidas a terceiros, incidentes sobre as remunerações pagas a estes conforme os levantamentos que serão a seguir relacionados, no período de 01/2006 a 06/2007, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 137.773,54, fls. 01. Conforme consta do Acórdão a quo, o lançamento é composto pelos seguintes levantamentos: PR1 Participação de Resultados (SC Salário de Contribuição) referente aos valores pagos aos segurados empregados a título de participação nos lucros e resultados, período de 01/2006 a 05/2006; FP e FP1 Folha de Pagamento (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos em folha aos segurados empregados, período de 01/2006 a 06/2007; DD1 Diferença de Dissídio (SC Salário de Contribuição) referente a uma diferença paga aos segurados empregados, no período de 01/2006 a 05/2006; VT e VT1 Vale Transporte (SC Salário de Contribuição) referente a valores pagos aos segurados empregados como vale transporte, período de 01/2006 a 06/2007; VR e VR1 Vale Alimentação (SC Salário de Contribuição) referente ao fornecimento de alimentação sem o PAT, período de 01/2006 a 06/2007; O desdobramento dos lançamentos referentes aos fatos geradores em dois diferentes lançamentos (FP/FP1, VT/VT1 e VR/VR1), deveuse à diferença na aplicação da multa. Os valores correspondentes aos levantamentos FP,VT e VR, são aqueles em que prevaleceu o valor da multa aplicada conforme a legislação anterior a dezembro de 2008. Os valores correspondentes aos levantamentos FP1, VT1 e VR1, são aqueles em que foi aplicada a multa conforme a legislação atual, embora os fatos geradores tenham ocorrido em competências anteriores a dezembro de 2008. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 86 5 A fiscalização motivou o lançamento de acordo com os levantamentos da seguinte maneira: PR1 – não havia regulamentação do pagamento da participação nos resultados conforme exige a lei; DD1 – diferenças de dissídio; VT e VT1 vale transporte pago em pecúnia; VR e VR1 – Vale refeição foi pago sem inscrição no PAT; Após tomar ciência pessoal da autuação em 07/08/2010, fls. 01(processo original), a recorrente apresentou impugnação, fls. 252/258, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Campinas, no Acórdão de fls. 362/376, julgou a impugnação improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 05/10/2011, fls. 391. O recurso voluntário, apresentado em 04/11/2011, fls. 453/460, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Inicia insistindo que fez a opção pelo SIMPLES. Teria feito vários recolhimentos por tal sistemática e só posteriormente teria tido seu pedido indeferido. Se o fisco aceitou os pagamentos, estes são válidos e a opção deve ser respeitada, nada havendo, conseqüentemente, de equivocado em suas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP). Entende indevida a inclusão dos pagamentos a título de vale transporte na base de cálculo, uma vez presente a natureza indenizatória da verba. A inscrição no PAT seria irrelevante para a isenção dos valores pagos a título de auxílio alimentação. Defende a aplicação imediata do art. 7º inciso XI da Constituição Federal (CF). Prossegue sustentando a ilegalidade da contribuição destinada ao INCRA. As contribuições ao SENAC/SESC e SEBRAE seriam indevidas, tendo em vista que fez a opção pelo SIMPLES. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 87 6 Voto Conselheiro Mauro José Silva Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. A recorrente alega que fez a opção do SIMPLES por meio dos pagamentos mensais que realizou. Porém, a fiscalização apurou que esta nunca fez a opção nos moldes previstos na legislação. A pretensão da recorrente de um enquadramento automático não encontra respaldo nas leis que regem a sistemática do SIMPLES. Os arts. 8º a 13º da Lei 9.317/96 (aplicável ao caso) prescrevem as condições de opção e de exclusão no SIMPLES, afastando a possibilidade de enquadramento por meio de pagamentos como quer a recorrente. Passamos a enfrentar os argumentos da recorrente em relação aos fatos geradores constantes do lançamento. Vale transporte. Requisitos para a isenção. Possibilidade de pagamento em pecúnia. O transporte concedido pelo empregador ao empregado em deslocamento para o trabalho era considerado salárioutilidade até a alteração da CLT em 06/2001 pela Lei 10.243/2001. A partir desse diploma normativo, tal utilidade deixou de ser considerada salário, mas não perdeu sua condição de utilidade fornecida pela empregador, o que ainda a deixa no campo da incidência da contribuição previdenciária, conforme a segunda parte do inciso I, do art. 28 da Lei 8.212/91. No entanto, o empregador poderá desfrutar da isenção prevista na alínea “f”, §9º do art. 28, desde que o vale transporte obedeça a legislação própria. Foi a Lei 7.418/85 que instituiu o vale transporte e que disciplina as condições para sua concessão. A imensa maioria da jurisprudência e da doutrina tem concluído que nesta lei existe a exigência de que o empregador faça o desconto de 6% do salário base do empregado como requisito para desfrute da isenção. Com a devida vênia, não conseguimos assim concluir. Vejamos o texto de alguns dispositivos da lei: Art. 2º O ValeTransporte, concedido nas condições e limites definidos, nesta Lei, no que se refere à contribuição do empregador: (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) a) não tem natureza salarial, nem se incorpora à remuneração para quaisquer efeitos; (...) Fl. 91DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 88 7 Art. 4º A concessão do benefício ora instituído implica a aquisição pelo empregador dos ValesTransporte necessários aos deslocamentos do trabalhador no percurso residência trabalho e viceversa, no serviço de transporte que melhor se adequar. (Artigo renumerado pela Lei 7.619, de 30.9.1987) (Vide Medida Provisória nº 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 280, de 2006) Parágrafo único O empregador participará dos gastos de deslocamento do trabalhador com a ajuda de custo equivalente à parcela que exceder a 6% (seis por cento) de seu salário básico. No art. 2º acima transcrito vemos que a parte custeada pelo empregador não tem natureza salarial, ao passo que no art. 4º temos a determinação de que o empregador custeará aquilo que exceder 6% do salário básico do empregado. Em outras palavras, o empregado deve suportar o custo do vale transporte com seu próprio salário até o limite de 6%. Não interpretamos existir no art. 4º uma condição expressa para o desfrute da isenção, mas uma delimitação daquilo que será custeado pelo empregado e daquilo que será custeado pelo empregador. Se o empregador resolve, por vontade própria ou por força de acordo coletivo, nada descontar do empregado, equivale a ter concedido uma nova parcela salarial ao empregado, mas não na totalidade do valor pago a título de vale transporte, mas somente até 6% do salário base, pois é esta parte que o empregado deve suportar. A parcela que exceder 6% ainda continuará custeada pelo empregador. Com relação ao requisitos para a isenção, vislumbramos estarem estes nos arts. 1º e 4º da Lei 7.418/85: · utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa; · utilização através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal e/ou interestadual com características semelhantes aos urbanos, geridos diretamente ou mediante concessão ou permissão de linhas regulares e com tarifas fixadas pela autoridade competente, excluídos os serviços seletivos e os especiais; · não serem pagos em dinheiros, uma vez que o art. 4º fala em aquisição de Vales Transporte, o que afasta a possibilidade de o valor respectivo ser entregue em moeda ao trabalhador. Esse último requisito conflito com o que decidiu o STF no RE 478.410, in verbis: RE 478410 / SP SÃO PAULO EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER Fl. 92DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 89 8 NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. A referida decisão do STF transitou em julgado em 02/03/2012. Ademais, existe a Súmula AGU 60, in verbis: Ementa: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba". Logo, a insistência na tese da incidência no caso de pagamento em pecúnia do benefício, atentaria contra o princípio da eficiência e da moralidade administrativa, bem como resultaria na emissão de ato administrativo sem finalidade, portanto nulo, pois o próprio órgão encarregado da defesa da União no Poder Judiciário já admitiu a tese não incidência. Diante disso, concluímos que os valores entregues em pecúnia ao empregado ma título de vale transporte não podem, por esse motivo, integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Alinhamento com Parecer PGFN. Princípio da eficiência. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 90 9 Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 91 10 A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 92 11 CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A posição acima registrada diz respeito ao mérito da discussão sem considerar os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002 e o princípio da eficiência. A respeito da incidência da contribuição previdenciária sobre o seguro em vida em grupo temos que considerar o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Diante da existência do Parecer PGFN aprovado pelo Ministro da Fazenda, ocorrerão os efeitos do art. 19 da Lei 10.522/2002, in verbis: Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 93 12 I matérias de que trata o art. 18; II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 1o Nas matérias de que trata este artigo, o Procurador da Fazenda Nacional que atuar no feito deverá, expressamente, reconhecer a procedência do pedido, quando citado para apresentar resposta, hipótese em que não haverá condenação em honorários, ou manifestar o seu desinteresse em recorrer, quando intimado da decisão judicial. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 2o A sentença, ocorrendo a hipótese do § 1o, não se subordinará ao duplo grau de jurisdição obrigatório. § 3o Encontrandose o processo no Tribunal, poderá o relator da remessa negarlhe seguimento, desde que, intimado o Procurador da Fazenda Nacional, haja manifestação de desinteresse. § 4o A Secretaria da Receita Federal não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que trata o inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) § 5o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) Do dispositivo acima transcrito, extraímos a conclusão de que a Secretaria da Receita Federal do Brasil irá rever de ofício o lançamento que tratar de matérias objeto de parecer da PGFN aprovado pelo Ministro. Ou seja, ainda que o CARF decida pela manutenção do lançamento nesse aspecto, o crédito tributário não prevalecerá para inscrição em dívida ativa. Se insistirmos em expressar nossa posição de mérito em Acórdão do Colegiado, tal ato administrativo restará desprovido de finalidade e em dissonância com o princípio da eficiência. Portanto, mesmo não concordando com as conclusões do referido Parecer PGFN, adotaremo las para evitarmos a emissão de um ato administrativo (Acórdão) sem finalidade e em homenagem ao princípio da eficiência. Assim, votamos por excluir da base de cálculo os valores do auxílio alimentação pago in natura. Participação nos resultados. Requisitos. Inicio a análise do litígio sobre a participação nos resultados posicionando me sobre a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a esse título. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 94 13 Definir a natureza jurídica do benefício fiscal será crucial para adotarmos a metodologia jurídica de interpretação, pois , como sabemos, para a isenção o CTN exige uma interpretação literal, ou seja, veda uma interpretação analógica ou extensiva, preferindo a interpretação restritiva dentro do sentido possível das palavras. Ainda que isso não represente uma exclusividade do método literal ou gramatical na interpretação da isenção – tarefa hermenêutica impossível diante da pluralidade de sentidos do conteúdo de algumas normas isencionais , a interpretação da isenção deve buscar o sentido mais restritivo da norma. Por outro lado, para a imunidade o processo interpretativo é livre para percorrer todos os métodos – literal, histórico, sistemático e teleológico. É nesse sentido a lição de Amílcar de Araújo Falcão (FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato Gerador da obrigação tributária. São Paulo: Revista dos tribunais, 1977, p. 120 121): “A distinção [entre não incidência, imunidade e isenção], além da importância que possui sob o ponto de vista doutrinário ou teórico, tem conseqüências práticas importantes, no que se refere à interpretação. É que, sendo a isenção uma exceção à regra de que, havendo incidência, deve ser exigido o tributo, a interpretação dos preceitos que estabeleçam isenção deve ser estrita, restritiva. Inversamente, a interpretação, quer nos casos de incidência, quer nos de nãoincidência, que, portanto, nos de imunidade, é ampla, no sentido de que todos os métodos, inclusive o sistemático, o teleológico etc., são admitidos”. Adotamos, para a interpretação das imunidades, a sistematização de suas características e limites fornecida por Ricardo Lobo Torres (TORRES, Ricardo Lobo. Tratado de direito constitucional financeiro e tributário, v. III; os direitos humanos e a tributação: imunidades e isonomia. Rio de Janeiro: Renovar, 1999, p. 97): “Nessa perspectiva podemos dizer que a interpretação das imunidades fiscais: a) adota o pluralismo metodológico, com o equilíbrio entre os métodos literal, histórico, lógico e sistemático, todos eles iluminados pela dimensão teleológica[das finalidades]; b) modera os resultados da interpretação, admitindo assim a interpretação extensiva que a restritiva, tanto a objetiva quanto a subjetiva, todas em equilíbrio e a depender do texto a ser interpretado; c) apóiase no pluralismo teórico, com o princípio respectivo da nãoidentificação com ideologias triviais; d) recusa, da mesma forma que a interpretação das isenções, a analogia, que implica a extensão da imunidade a direitos nãofundamentais; e) busca o pluralismo dos valores, com o equilíbrio entre liberdade, justiça e segurança jurídica”. Tendo tomado tais lições, passemos à busca da natureza jurídica do benefício fiscal concedido os pagamentos a título de PLR. Encontramos duas posições a respeito da natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR: os que o consideram uma imunidade e os que o consideram uma isenção. Haveria imunidade na medida em que o art. 7º, inciso XI da CF desvincula a PLR da remuneração, o que equivaleria a afastar a natureza de remuneração e, em Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 95 14 conseqüência, afastar a possível incidência prevista no art. 195, inciso I, alínea “a” e inciso II. Dessa forma, estaria configurada uma supressão da competência constitucional impositiva atendendo ao conceito clássico de imunidade. Na jurisprudência, encontramos o anterior presidente desta Câmara, Júlio César Vieira Gomes que, em declaração de voto no Acórdão 20500.563, asseverou: “Outra importante constatação é que a participação nos lucros e resultados goza de imunidade tributária. Não é caso de isenção, como a maioria das rubricas excluídas da incidência de contribuições previdenciárias por força do artigo 28, 9º' da Lei 8.212 de 24/07/91. Isto porque cuidou a própria Constituição Federal de desvincular o beneficio da remuneração dos trabalhadores(...)” Entre doutrinadores, Kyoshi Harada e Sydnei Sanches assumiram a natureza jurídica de imunidade no texto a seguir: “O legislador constituinte, objetivando incentivar as empresas a repartirem seus lucros ou resultados com os seus empregados, promovendo a ‘socialização dos lucros’ como meio de alcançar o justo equilíbrio entre o capital e o trabalho, prescreveu no inciso XI do art. 7º da Carta Política, que a PLR fica desvinculada da remuneração. Em outras palavras, retirou do campo do exercício da competência impositiva prevista no art. 195, I, a da CF tudo o que for pago pela empresa a título de participação nos lucros, ou resultados. (...)A PLR, uma vez imunizada pela Constituição, jamais poderia integrar a base de cálculo da contribuição previdenciária, sem gravíssima ofensa ao texto constitucional.” (HARADA, Kiyoshi; SANCHES, Sydney. Participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa: incidência de contribuições previdenciárias. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 962, 20 fev. 2006. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/16671>. Acesso em: 13 jan. 2011) A princípio, não entendemos que houve a total supressão da competência constitucional impositiva, pois não podemos deixar de considerar que a competência constitucional impositiva da União para a contribuição previdenciária inclui não só o que está inserto no art. 195, mas também o que está previsto no §11º do art. 201 (ganhos habituais a qualquer título). Nesse sentido o Ministro Marco Aurélio anotou em seu voto no RE 398.284: “não vejo cláusula a abolir a incidência de tributos, cláusula a limitar a regra específica do artigo 201,§11º, da Constituição Federal”. Portanto, houve supressão constitucional apenas da competência da União instituir contribuição previdenciária sobre a PLR na forma de remuneração, mas não na forma de ganho habitual. Ocorre que, a despeito de possuir competência constitucional para criar contribuição previdenciária sobre ganhos habituais a qualquer título, a União somente o fez em relação aos ganhos habituais sob a forma de utilidades, conforme consta da segunda parte do inciso I do art. 22(contribuição da empresa sobre pagamentos a empregados) e da segunda parte do inciso I do art. 28 (definição de salário decontribuição). Logo, a PLR só estará no campo de incidência da contribuição previdenciária se tomar a forma de remuneração. E isso só poderá ocorrer se houver desobediência à lei reguladora da imunidade. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 96 15 Curioso notar que a natureza jurídica de imunidade que o benefício fiscal concedido ao pagamento de PLR alcança colocanos diante da ausência de uma norma reguladora constitucionalmente válida, pois, como limitação constitucional ao poder de tributar, a imunidade, em obediência ao art. 146, inciso II da Constituição Federal, só pode ser regulada por lei complementar, status que a Lei 10.101/200 não possui. Se confirmada pelo STF a tese de que o inciso XI do art. 7º é norma de eficácia limitada, teríamos, em conseqüência, que considerar todos os pagamentos de PLR como desamparados de imunidade. Mas a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, o que nos obriga a acatar a Lei 11.101/200 como norma reguladora da imunidade. Não ignoramos que o STJ já se manifestou no sentido de considerar como isenção o benefício fiscal concedido aos valores pagos a título de PLR, conforme ementas que transcrevemos: RE 865.489 – Relator Ministro Luis Fux PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. CARACTERIZAÇÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 07/STJ. PROCESSO CIVIL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. SÚMULA 07/STJ. 1. A isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica a que refere a Lei n.º 8.212/91. RE 856.160 – Relatora Ministra Eliana Calmon PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA À LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. (...) 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a título de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação específica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. Com o respeito devido aos Ministros do STJ que assumiram tal posição, reiteramos que nossa conclusão é a de que existe imunidade para os pagamentos a título de PLR na forma de remuneração. Estabelecida a natureza jurídica do benefício fiscal concedido aos pagamentos a título de PLR no tocante às contribuições previdenciárias como imunidade, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 97 16 passemos a investigação de quais finalidades devem ser atendidas pela norma reguladora exigida no texto constitucional. Iniciamos a investigação sobre as finalidades da norma reguladora da imunidade com a lição de Luís Eduardo Schoueri. Para o autor, não existem tributos que tenham uma função estritamente fiscal (arrecadatória) sem que possuam qualquer efeito indutor a atuar no Domínio Econômico. (SCHOUERI, Luís Eduardo. Normas tributárias indutoras e intervenção econômica. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 16). Porém, prossegue afirmando que há normas que possuem o caráter indutor em destaque. Assim, as normas indutoras são normas por meio das quais “o legislador vincula a determinado comportamento um conseqüente, que poderá consistir em vantagem (estímulo) ou agravamento da natureza tributária”.( op.cit., p. 30). Em outras palavras, uma norma indutora é o que a doutrina clássica chamaria de norma extrafiscal stricto sensu. Parecenos que a norma do art. 7º, inciso XI da Constituição, bem como as normas que criaram requisitos para a fruição da imunidade possuem nítido caráter indutor de comportamento. Ao desvincular da remuneração o pagamento de PLR, conforme requisitos a serem estabelecidos pela lei, quis o legislador constituinte, de um lado, conforme interpretação do Ministro Marco Aurélio no RE 398.284, proteger o trabalhador de fraude que poderia ser perpetrada pelos empregadores que poderiam compensar o direito constitucional com o salário do trabalhador. Nas palavras do Ministro: “É uma cláusula pedagógica para evitar o drible pelos empregadores, a compensação, o esvaziamento do direito constitucional” A fraude que pode estar relacionada à PLR não está relacionada apenas à compensação do salário com o direito de índole constitucional. A solidariedade no financiamento da seguridade social, prevista no caput do art. 195 da CF, pode ser violada na medida em que for revestida de PLR parcela verdadeiramente salarial, na tentativa de evasão da contribuição previdenciária. Esse é outro aspecto da fraude que a regulamentação tenta evitar e que já foi assinalado pelo antigo presidente desta Câmara, Júlio César Viera Gomes, em trecho da Declaração de Voto no Acórdão 20500.563 ao afirmar que: “é possível que esse importante direito trabalhista [a participação nos lucros e resultados] seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o . Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo , das contribuições previdenciárias”. Por outro lado, o próprio direito em si à participação nos lucros pretende, em sintonia com um dos fundamentos de nosso Estado Democrático de Direito – o valor social do trabalho e da livre iniciativa (art. 1º, inciso IV da CF) , incrementar os meios para o atingimento de, pelo menos, dois dos objetivos da Republica: construir uma sociedade livre, justa e solidária e garantir o desenvolvimento nacional( art. 3º, incisos I e II da CF). Nesse sentido, alguns Ministros do STF viram no dispositivo um “avanço no sentido do capitalismo Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 98 17 social”(Ministro Ricardo Lewandowiski, RE 398.284) que contribuiria para a “humanização do capitalismo”(Ministro Carlos Britto, RE 398.284) na medida em que tenta “implantar uma nova cultura, uma nova mentalidade, a mentalidade do compartilhamento do progresso da empresa com seus atores sociais, com os seus protagonistas” (Ministro Carlos Britto, RE 398.284). Como se vê, os Ministros do STF capturaram as duas preocupações que devem nos nortear na interpretação dos reflexos tributários da norma que estatui os requisitos exigidos pelo Texto Magno: evitar a fraude e levar as relações entre capital e trabalho a um patamar mais harmônico. Assim agindo, o intérprete estará garantindo que a finalidade indutora ou o caráter extrafiscal stricto sensu da norma regulamentadora da imunidade seja atingido. Portanto, no transcorrer do processo hermenêutico não perderemos de vista que os requisitos da lei reguladora da imunidade devem contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Passamos a analisar algumas questões específicas que interessam no presente caso. Data da assinatura dos acordos Questão recorrente nas discussões sobre a incidência da contribuição previdenciária sobre pagamentos a título de PLR é aquela que versa sobre a data de assinatura dos acordos. Em suma, o que se questiona é se deve existir alguma relação entre três datas: (i) data da assinatura do acordo coletivo ou data da assinatura do acordo entre as partes; (ii) data do fim do período a que se referem os lucros ou resultados; e (iii) data do recebimento, pelo empregado dos pagamentos de PLR. Para tal análise tomamos o conteúdo do art. 2º da Lei 10.101/200, in verbis: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 99 18 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Faremos a interpretação de tal dispositivo considerando as finalidades dos requisitos para fruição da imunidade, conforme anteriormente esclarecemos: contribuir para o combate à fraude contra os trabalhadores ou contra a solidariedade no financiamento da seguridade social e para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Inicialmente, extraímos do dispositivo legal que é necessário que haja uma negociação entre empresa e empregados. Tal requisito está em harmonia, principalmente, com o objetivo de contribuir para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Certamente, a norma se refere a uma negociação concluída e não a uma negociação em curso, o que nos coloca diante de um primeiro requisito temporal: a negociação entre empresa e empregados deve estar concluída antes do pagamento da PLR. Justificamos tal posição com a constatação de que, antes de assinado, antes de se tornar um ato jurídico perfeito, a proposta da empresa pode ser retirada ou alterada, bem como o pleito dos trabalhadores pode ser alterado. Em adição, devemos considerar que, em tese, a demora na conclusão de uma negociação em andamento pode servir para ganhar tempo para que os lucros ou resultados a serem pactuados sejam estabelecidos em patamares já sabidamente atingidos, de forma a garantir que uma verba salarial possa ser revestida de PLR sem que os trabalhadores tenham motivos para obstaculizar o acordo. É uma porta aberta para a fraude. Como somente com a assinatura do termo de acordo entre as partes ou do acordo coletivo é que teremos a formalização do término da negociação e estaremos diante de um ato jurídico perfeito apto a exarar efeitos jurídicos, concluímos que o termo de acordo entre as partes ou o acordo coletivo deve estar assinado antes do pagamento da PLR. Além de assinado, o instrumento de acordo deve estar arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Tal exigência, constante do §2º pretende dar transparência ao instrumento de acordo e permitir que sejam evitadas fraudes com a lavratura pósdatada de um acordo entre as partes. Restanos desvendar se a data de encerramento do período a que se referem os lucros ou resultados deve se considerada. Tomando o conteúdo do inciso II do §1º do dispositivo acima transcrito, poderíamos concluir que há a exigência de uma pactuação prévia dos programas de metas, resultados e prazos. Mas não podemos deixar de considerar que os incisos do §1º não são taxativos, o que poderia nos levar a concluir que a necessidade de pactuação prévia não é extensível, por exemplo, aos casos enquadrados no inciso I. Esse argumento isolado, portanto, é frágil. Tomamos outro caminho. É certo que o dispositivo do art. 2º da Lei 10.101/200 exige regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. Tratase de exigência que está em harmonia tanto com a finalidade de combater a fraude quanto com a finalidade de contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Se não houver a estipulação das regras quanto Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 100 19 ao atingimento dos lucros ou resultados antes do término do período a que se referem, não haverá meios para evitarmos as fraudes. Ou seja, não haverá meios para evitarmos que, diante de um lucro ou resultado já conhecido, sejam revestidos de pagamento de PLR determinados valores entregues aos empregados e que a eles já seriam ou serão devidos pela contraprestação dos serviços. Conhecidos os lucros ou resultados, seria possível instituir objetivos para os empregados que, de antemão, a empresa saberia que seriam atingidos. Diante da certeza do pagamento, o empregado, ou mesmo seus representantes, aceitaria assinar um acordo que, na sua visão, só estaria mudando a nomenclatura da verba devida por seu trabalho. A impossibilidade de haver certeza de que o acordado seja cumprido é uma determinação legal que extraímos do trecho da lei que determina que existam”mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado”. Se deve haver aferição do que foi acordado é porque não deve o lucro ou resultado estar totalmente configurado no momento da assinatura do instrumento de acordo. Portanto, harmonizando o texto da norma com suas finalidades, concluímos que o instrumento do acordo deve estar assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados. Tendo concluído que o instrumento de acordo deve ser assinado e arquivado na entidade sindical antes do término do período a que se refiram os lucros ou resultados, podemos indagar se cumpriria a exigência da norma se, por exemplo, a assinatura e arquivamento ocorresse um dia antes do encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Evidentemente que não, pois estaríamos em situação em tudo similar à assinatura posterior. Os lucros e resultados já estariam, com um alto grau de previsibilidade, consolidados. É preciso que entre a data de assinatura e arquivamento dos acordos e a data de término do período a que se refiram os lucros ou resultados haja um intervalo temporal que tanto permita ao empregado direcionar seus melhores esforços para alcançar o que foi acordado como afaste a possibilidade de ser uma alternativa para a empresa fraudar a solidariedade no financiamento da seguridade social. Como a lei – ou qualquer norma infralegal não esclarece qual seria o prazo necessário entre tais datas, mas a finalidade da norma exige que o intérprete adote uma posição, utilizaremos como data limite para a assinatura e arquivamento dos instrumentos de acordo o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. É certo que encontramos respeitosas posições mais conservadoras em relação à data de assinatura dos acordos. A Conselheira Ana Maria Bandeira concluiu que os Acordos devem estar assinados antes do início do período a que se refiram os lucros ou resultados, tendo se manifestado no voto condutor do Acórdão 240100.276 nos seguintes termos “Entendo que para fazer valer o que dispõe o § 1º do art. 2º da Lei n° 10/101/2000 que determina a existência de regras claras e objetivas, mecanismos de aferição etc, é imprescindível que tais questões sejam decididas a priori, ou seja, antes do início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com seus empregados. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 101 20 Os acordos firmados pela recorrente foram todos posteriores ao início do exercício para o qual deveria ser aferida a participação dos empregados na obtenção do lucro ou resultado.” No mesmo sentido temos o Acórdão 240100.545 cuja redatora designada foi a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. A despeito dos méritos dos argumentos acima, entendemos que os limites que adotamos passam pelo teste da razoabilidade, pois asseguram que após os três primeiros meses do ano – normalmente um período difícil para que as partes se reúnam os interessados tenham três meses para iniciar e avançar nas negociações e três meses adicionais para sua total conclusão. Além de razoáveis, os limites adotados atendem à finalidade de que haja tempo hábil para negociações de modo contribuir para a melhoria da qualidade das relações entre capital e trabalho. Exigir a assinatura do acordo antes de iniciado o período atenderia apenas a uma das finalidades da norma regulamentadora – combater a fraude , mas acabaria por criar um significativo obstáculo para a concessão da PLR, o que impediria que o acesso dos trabalhadores a uma direito social previsto no art. 7º, inciso XI da Constituição Federal. Em resumo, concluímos que os instrumentos de acordo (entre as partes ou coletivo) que versem sobre pagamentos de PLR a empregados devem estar assinados e arquivados na entidade sindical até o último dia do semestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Caso a empresa comprove que as negociações estavam em curso e que os empregados tinham amplo conhecimento de sua proposta quanto aos lucros ou resultados a serem atingidos, consideraremos como prazo limite para a assinatura e arquivamento do instrumento de acordo o último dia do trimestre anterior ao encerramento do período a que se refiram os lucros ou resultados. Regras claras e objetivas A Lei 10.101/2000 determinou que a PLR seja objeto de negociação entre empresas e empregados, seja por meio de comissão escolhida entre as partes ou por acordo coletivo, devendo o instrumento de acordo conter regras claras e objetivas. De plano, portanto, podemos afastar possibilidade de as regras para o recebimento da PLR serem estabelecidas unilateralmente. Todo o contorno das regras deve ser objeto de negociação entre as partes. É uma exigência legal que contribui para a melhoria das relações entre capital e trabalho. Mas o que seriam regras claras e objetivas? Entre os sentidos possíveis para a expressão “regras claras”, segundo o dicionário Michaelis, temos: regras fáceis de entender, evidentes, explícitas, inequívocas, manifestas. Regras objetivas, segundo a mesma fonte, seriam regras que se referem ao mundo exterior; regras que existem fora do espírito e independentemente do conhecimento que dele possua o sujeito pensante; ou regras que não se relacionam com os sentimentos pessoais do sujeito pensante. Em síntese, regras claras e objetivas são regras inequívocas, fáceis de Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 102 21 entender pelo empregado e que se referem ao mundo dos objetos, não podendo estar relacionadas com sentimentos pessoais. Como já vimos, as regras impostas pela Lei 10.101/2000 tem como objetivo tanto evitar a fraude que pode ser cometida pelo empregador ao pagar salário sob o manto de parcela de PLR como melhorar a s relações entre capital e trabalho. Nessa toada, não podemos deixar de considerar que a fixação da PLR por meio de regras subjetivas pode ensejar o assédio moral e todo o tipo de discriminação no ambiente do trabalho, o que não contribui para a melhoria da relação entre capital e trabalho e, sobretudo, atenta contra a dignidade da pessoa humana (art. 1º, inciso III da CF). Com relação a esse aspecto, no julgamento do Recurso 144.015, o Conselheiro Júlio Cesar Vieira Gomes, assim se manifestou: “Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros.” (o negrito é nosso) Além de serem claras e objetivas, as regras devem estar presentes no Acordo e devem ter sido estipuladas conforme negociação entre as partes, conforme podemos extrair dos arts. 1º e 2º da Lei 10.101/200. Nesse sentido o voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira, no Acórdão 230200.256 “As regras claras e objetivas quanto ao direito substantivo referemse à possibilidade de os trabalhadores conhecerem previamente, no corpo do próprio instrumento de negociação, quanto irão receber a depender do lucro auferido ou do resultado obtido pelo empregador se os objetivos forem cumpridos. “ Questiono se, a despeito de a Lei exigir regras claras e objetivas, deveremos aceitar o conteúdo de acordo coletivo que, nitidamente, convencionou uma avaliação individual baseada em critérios subjetivos. A autonomia privada pode prevalecer ainda que ultrapasse os limites estabelecidos pela Lei? O caso não suscita a aplicação do art 123 do CTN? Vejamos o comando da norma complementar in verbis: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 103 22 modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Com efeito, já assentamos que a lei tributária estabelece que a empresa que paga parcela a título de PLR que foi regida por regras subjetivas não pode beneficiarse da imunidade da contribuição previdenciária respectiva. Se a parte paga com base em critérios subjetivos não for atingida pela tributação, por conta do conteúdo de acordo coletivo, estaremos diante de uma situação na qual uma convenção entre particulares alterou a definição do sujeito passivo da obrigação tributária – a empresa , configurando ofensa frontal ao estabelecido no art. 123 do CTN. Nesse sentido, em sua manifestação no RE 398.2842 que discutiu o aspecto temporal da PLR(possibilidade de cobrança da contribuição sobre tais verbas antes da MP 794), o Ministro Marco Aurélio expressou sua compreensão de que “no campo da tributação, não há espaço para a autonomia da vontade”. Parecenos que o posicionamento do ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão 920200.503, quanto à possibilidade de as partes poderem definir soberanamente as regras a que se submeterão para tornar devido o pagamento da PLR, não diz respeito àqueles casos nos quais as regras convencionadas estão em afronta à lei, mas, ao contrário, diz respeito àquela situação na qual as regras estão em consonância com a lei, mas são questionadas pela fiscalização. Alguns trechos do voto daquele julgado evidenciam a posição do mencionado relator: Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas. (..) Destarte, face ao exposto e considerando as cláusulas do acordo coletivo acima transcritas, neste ponto, não tenho como divergir dos fundamentos adotados pelo relator do voto condutor do acórdão recorrido, ao concluir que foram atendidas as exigências de que dos instrumentos decorrentes da negociação entre empregador e empregados constem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo,... Além de representar ofensa ao art. 123 do CTN, o conteúdo de Acordo Coletivo que viola a lei não pode prevalecer com força normativa, pois, mesmo no âmbito da Justiça do Trabalho, o TST já reconheceu que o conteúdo do Acordo não pode derrogar norma cogente que protege ou beneficia o trabalhador, conforme consta do OJ 31 da SDC daquele Tribunal: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 104 23 OJ 31 SEÇÃO DE DISSÍDIOS COLETIVOS Nº31 ESTABILIDADE DO ACIDENTADO. ACORDO HOMOLOGADO. PREVALÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO DO ART. 118 DA LEI Nº 8.213/91 (inserida em 19.08.1998) Não é possível a prevalência de acordo sobre legislação vigente, quando ele é menos benéfico do que a própria lei, porquanto o caráter imperativo dessa última restringe o campo de atuação da vontade das partes. Assim considerado, nossa conclusão é de que o Acordo deve conter as regras claras e objetivas, ou seja, regras inequívocas, fáceis de entender pelo empregado e que se refiram ao mundo dos objetos. Ou seja, as regras estipuladas no Acordo não podem conter critérios subjetivos para a concessão da PLR de modo a contrariar o que determina a Lei, conclusão que está em consonância com a jurisprudência da Justiça do Trabalho e respeita os preceitos do art. 123 do CTN. Pagamento mínimo sem que a meta seja atingida Ainda que o Acordo traga regras claras e objetivas, entre estas poderá existir a determinação de um pagamento mínimo no caso de as metas não serem atingidas? Entendemos que a resposta a esse questionamento só pode ser negativa, pois é uma exigência da finalidade de combate à fraude que a norma reguladora da imunidade assume. O pagamento mínimo permite que uma verba remuneratória seja substituída pelo pagamento de PLR, dada a certeza de seu recebimento. É uma ofensa direta ao conteúdo do caput do art. 3º da Lei 10.101/2000 no trecho em que prescreve que a PLR “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado”. Nesse sentido, o Conselheiro Elias Sampaio Freire já destacou que os valores de PLR só são liberados se os objetivos e metas forem atendidos. Vejamos o trecho do voto do Conselheiro no Acórdão CSRF 920200.503: “Existe sim, a obrigação de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.” Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 105 24 Logo, ainda que constante do Acordo, valores pagos a título de PLR em situações nas quais as metas de lucros ou resultados não forem atingidas, não possuem a natureza pretendida, o que lhes impõe a natureza de remuneração e sua inclusão na base de cálculo da contribuição previdenciária. A par das digressões jurídicas genéricas já apresentadas, passamos a analisar o caso concreto. A recorrente não apontou os elementos probantes que poderiam demonstrar o preenchimento dos requisitos tendo se limitado a defender a aplicação imediata do art. 7º, inciso XI da CF. No entanto, tal argumento foi afastado pelo STF, conforme podemos constatar da Ementa do RE 386.636: “(...) Conforme se infere dos votos proferidos no Mandado de Injunção 102PE, Plenário, DJ de 25.10.2002, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, somente com a superveniência da Medida Provisória n. 794, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito dos trabalhadores no lucro das empresas. Dessa maneira, embora o inciso XI do artigo 7º da Constituição assegurasse o direito dos empregados à participação nos lucros da empresa e previsse que essa parcela participação nos lucros é algo desvinculado da remuneração, o exercício desse direito não prescindia de lei disciplinadora que definisse o modo e os limites de sua participação, bem assim a natureza jurídica dessa benesse, quer para fins tributários, quer para fins de incidência de contribuição previdenciária...." Assim, a aplicação da imunidade o art. 7º, inciso XI da Constituição Federal depende do atendimento da lei regulamentadora. Sem o preenchimento dos requisitos legais correta a atuação da fiscalização ao incluir tais pagamentos na base de cálculo da contribuição. Da contribuição ao INCRA Quanto às empresas urbanas terem que recolher contribuição destinada ao INCRA, não há óbice normativo para tal exação. Não se olvida que a contribuição destinada ao INCRA tenha natureza distinta das contribuições sociais da Seguridade Social. As competências do INCRA são atribuídas pela sua lei de criação e o Estatuto da Terra: “DECRETOLEI Nº 1.110, DE 9 DE JULHO DE 1970. Regulamento Cria o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), extingue o Instituto Brasileiro de Reforma Agrária, o Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário e o Grupo Executivo da Reforma Agrária e dá outras providências. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 106 25 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item I, da Constituição, DECRETA: Art. 1º É criado o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), entidade autárquica, vinculada ao Ministério da Agricultura, com sede na Capital da República. Art. 2º Passam ao INCRA todos os direitos, competência, atribuições e responsabilidades do Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), do Instituto Nacional de Desenvolvimento Agrário (INDA) e do Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA), que ficam extintos a partir da posse do Presidente do novo Instituto. LEI Nº 4.504, DE 30 DE NOVEMBRO DE 1964. Dispõe sobre o Estatuto da Terra, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Art. 37. São órgãos específicos para a execução da Reforma Agrária: (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) I O Grupo Executivo da Reforma Agrária (GERA); (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) II O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária (IBRA), diretamente, ou através de suas Delegacias Regionais; (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) III as Comissões Agrárias. (Redação dada pela Decreto Lei nº 582, de 1969) Art. 43. O Instituto Brasileiro de Reforma Agrária promoverá a realização de estudos para o zoneamento do país em regiões homogêneas do ponto de vista sócioeconômico e das características da estrutura agrária, visando a definir: I as regiões críticas que estão exigindo reforma agrária com progressiva eliminação dos minifúndios e dos latifúndios; II as regiões em estágio mais avançado de desenvolvimento social e econômico, em que não ocorram tenções nas estruturas demográficas e agrárias; III as regiões já economicamente ocupadas em que predomine economia de subsistência e cujos lavradores e pecuaristas careçam de assistência adequada; IV as regiões ainda em fase de ocupação econômica, carentes de programa de desbravamento, povoamento e colonização de áreas pioneiras. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 107 26 Art. 74. É criado, para atender às atividades atribuídas por esta Lei ao Ministério da Agricultura, o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário (INDA), entidade autárquica vinculada ao mesmo Ministério, com personalidade jurídica e autonomia financeira, de acordo com o prescrito nos dispositivos seguintes: I o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário tem por finalidade promover o desenvolvimento rural nos setores da colonização, da extensão rural e do cooperativismo; II o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário terá os recursos e o patrimônio definidos na presente Lei; III o Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário será dirigido por um Presidente e um Conselho Diretor, composto de três membros, de nomeação do Presidente da República, mediante indicação do Ministro da Agricultura; IV Presidente do Instituto Nacional do Desenvolvimento Agrário integrará a Comissão de Planejamento da Política Agrícola; ...” Vale enfatizar, porque importante, que a contribuição ao INCRA não alcança exclusivamente a produção rural, conforme sua lei de instituição, que relaciona atividades industriais que podem ser desenvolvidas tanto no meio rural como nas regiões urbanas: “DECRETOLEI Nº 1.146, DE 31 DE DEZEMBRO DE 1970. Consolida os dispositivos sobre as contribuições criadas pela Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955 e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso da atribuição que lhe confere o artigo 55, item II, da Constituição, DECRETA: Art. 1º As contribuições criadas pela Lei nº 2.613, de 23 de setembro 1955, mantidas nos termos deste DecretoLei, são devidas de acordo com o artigo 6º do DecretoLei nº 582, de 15 de maio de 1969, e com o artigo 2º do DecretoLei nº 1.110, de 9 julho de 1970: I Ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA: 1 as contribuições de que tratam os artigos 2º e 5º deste DecretoLei; 2 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o art. 3º deste Decretolei. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 108 27 II Ao Fundo de Assistência do Trabalhador Rural FUNRURAL, 50% (cinqüenta por cento) da receita resultante da contribuição de que trata o artigo 3º deste Decretolei. Art 2º A contribuição instituída no " caput " do artigo 6º da Lei número 2.613, de 23 de setembro de 1955, é reduzida para 2,5% (dois e meio por cento), a partir de 1º de janeiro de 1971, sendo devida sobre a soma da folha mensal dos salários de contribuição previdenciária dos seus empregados pelas pessoas naturais e jurídicas, inclusive cooperativa, que exerçam as atividades abaixo enumeradas: I Indústria de canadeaçúcar; II Indústria de laticínios; III Indústria de beneficiamento de chá e de mate; IV Indústria da uva; V Indústria de extração e beneficiamento de fibras vegetais e de descaroçamento de algodão; VI Indústria de beneficiamento de cereais; VII Indústria de beneficiamento de café; VIII Indústria de extração de madeira para serraria, de resina, lenha e carvão vegetal; IX Matadouros ou abatedouros de animais de quaisquer espécies e charqueadas. “ Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que também se consolidou no Supremo Tribunal Federal: “PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PARA O FUNRURAL E INCRA EMPRESA URBANA LEGALIDADE ORIENTAÇÃO DESTA PRIMEIRA SEÇÃO, SEGUINDO A JURISPRUDÊNCIA DO STF RECURSO NÃO ADMITIDO SÚMULA 168/STJ AGRAVO REGIMENTAL AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DOS FUNDAMENTOS DA DECISÃO AGRAVADA MERA REPETIÇÃO DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA RECURSO NÃO CONHECIDO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. 1. Nos termos da orientação desta Primeira Seção e do Supremo Tribunal Federal, é legítimo o recolhimento da contribuição social para o FUNRURAL e INCRA pelas empresas urbanas. Considerando que o acórdão embargado corroborou esse entendimento, correta é a aplicação da Súmula 168 desta Corte Superior. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 109 28 2. Não tendo a agravante rebatido especificamente os fundamentos da decisão recorrida, limitandose a reproduzir as razões oferecidas nos embargos de divergência, é inviável o conhecimento do recurso. 3. Tratandose de agravo interno manifestamente infundado, impõese a condenação da agravante ao pagamento de multa de 10% (dez por cento) sobre o valor corrigido da causa, nos termos do art. 557, § 2º, do Código de Processo Civil. 4. Agravo interno não conhecido, com aplicação de multa. (AgRg nos EREsp 530802/GO. Primeira Seção. Relatora Ministra DENISE ARRUDA. Julgamento 13/04/2005. DJ 09/05/2005, p. 291) (sem grifos no original).” A seu turno, destaquese ementa no Agravo Regimental do Recurso Extraordinário de n ° 211.190, publicado no Diário da Justiça em 29 de novembro de 2002: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DESTINADA A FINANCIAR O FUNRURAL. VIOLAÇÃO DO PRECEITO INSCRITO NO ARTIGO 195 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. ALEGAÇÃO INSUBSISTENTE. A norma do artigo 195, caput, da Constituição Federal, preceitua que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, sem expender qualquer consideração acerca da exigibilidade de empresa urbana da contribuição social destinada a financiar o FUNRURAL. Precedentes. Agravo regimental não provido.” Desta forma, não vislumbro reparos na decisão recorrida neste ponto. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 110 29 Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 111 30 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 112 31 Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 113 32 · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 114 33 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 115 34 Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que: · A penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, deve ser mantida, mas limitada a 20%; · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte. É de ser observado que a fiscalização considerou duas infrações na apuração das multas aplicáveis: atraso e GFIP não apresentada ou apresentada em desacordo com a legislação. No entanto, conforme acima explanado, cada uma das infrações deve ter sua penalidade analisada quanto à retroatividade benéfica: · A penalidade aplicável à infração relativa ao atraso, a multa de mora, deve ser mantida em todas as competências, mas limitada a 20%; · A penalidade aplicável à infração relativa à GFIP, nas competências em que estiver presente no lançamento, deve ser comparada com a penalidade do art. 32A da Lei 8.212/91, prevalecendo a que for mais favorável ao contribuinte. No caso em tela, consta do processo 13896.001977/201039, fls. 09, o Anexo V que demonstra a forma como a fiscalização aplicou a multa menos severa ao contribuinte. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13896.001970/201017 Acórdão n.º 2301002.962 S2C3T1 Fl. 116 35 Como tratamos de contribuições de terceiros, somente foi aplicada a multa de mora que deve ser limitada a 20%. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) excluir do lançamento os levantamentos VT, VT1, VR e VR1; (b) limitar a multa de mora a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13884.909528/2009-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS.
A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada.
Processo Anulado
Aguardando Nova Decisão
Numero da decisão: 3403-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A apresentação espontânea DCTF retificadora antes da edição do despacho decisório, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, devendo por tanto ser nele considerada. Processo Anulado Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em anular o processo ab initio, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Raquel Motta Brandão Minatel e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 95 28 /2 00 9- 36 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 PARKER HANNIFIN INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. transmitiu a Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DComp nº 23711.42632.140705.1.3.041833, visando à extinção de débito de Cofins com crédito oriundo de indébito por pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 14.735,75. O Despacho Decisório Eletrônico – DDE nº 848685479, emitido pela autoridade competente para examinar o pleito repetitório, indeferiuo e não homologou a compensação porque o pagamento indigitado pelo declarante foi localizado, mas estava integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DComp. Sobreveio reclamação, por meio da qual o interessado, alegou, em síntese, a ocorrência de erro na DCTF vigente à época da transmissão do PER/DComp, o que o levou a ratificar o Dacon. Esclarece que também procedeu à retificação da DCTF em 04/06/2009, antes da ciência do despacho decisório atacado, o que não foi levado em conta no DDE. A 7ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente. O Acórdão nº 05038.270, de 21 de junho de 2012, fls. 92 a 96, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). PROVA. O contribuinte tem o ônus de provar o direito creditório alegado sob pena de indeferimento da compensação realizada. A DCTF retificadora transmitida antes do proferimento do despacho decisório dentro de um contexto em que outras compensações já haviam sido indeferidas não é documento eficaz para cancelar a decisão da DRF. A declaração em Dacon não é meio idôneo de demonstração do direito creditório se estiver em contradição com a DCTF ativa na data da apresentação da Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da DRJ/CPS7ª Turma. O arrazoado de fls. 104 a 115, após resumo dos fatos relacionados com a lide, repete a explicação sobre a origem do crédito oposto na compensação ora sub judice, e, em sede de preliminar, argui a nulidade da decisão recorrida por transgressão do princípio da verdade material, sobre o qual disserta. Entende que, em nome do princípio, a autoridade julgadora de primeira instância estava constrangida a conhecer e valorar as informações contidas nas declarações retificadora, transmitidas antes do Despacho Decisório. No mérito, lembra que a DCTF retificadora possui o mesmo valor probante da DCTF original e as informações nela constantes, que porventura tenham alterado informações originalmente prestadas, devem necessariamente ser analisadas para fins da determinação dos débitos e créditos dos contribuintes. Refere o § 1º do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008. Apresenta planilha com o demonstrativo dos valores para o período abrangido pelo Despacho. Alternativamente, requer a conversão do julgamento em diligência para detalhada análise e a consequente confirmação da composição dos valores efetivamente devidos a título de Contribuição Social. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909528/200936 Acórdão n.º 3403002.225 S3C4T3 Fl. 193 3 Conclui, requerendo “...sob o enfoque da verdade material, requer seja reconhecida a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, tendo em vista que as dd. autoridades julgadoras concluíram pela não homologação da Declaração de Compensação apresentada pela Recorrente sem ter analisado qualquer documento relativo a composição da base de cálculo e apuração da contribuição em tela. Alternativa e sucessivamente, a Recorrente requer que o julgamento do presente caso seja convertido em diligência para que seja comprovado o direito creditório da.” O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 104 a 115 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/RJ27ª Turma nº 05038.270, de 21 de junho de 2012. A decisão recorrida dá conta de que a DCTF retificadora foi transmitida em 04/06/2009, antes da ciência do DDE nº 848685479, em 16/10/2009. Nada obstante, manteve o indeferimento do pedido de restituição e a não homologação da compensação, considerando que, embora houvesse efetuado a retificação da DCTF antes da prolação do Despacho Decisório, à época da transmissão da DComp o pagamento estaria todos alocado na quitação de débitos confessados e que seria necessário apresentar prova do recolhimento indevido. Permitome recapitular que, anteriormente à atual sistemática, a DCTF retificadora somente se prestava a reduzir o montante do tributo declarado, sujeitandose a um procedimento administrativo de análise do mérito da retificação, de forma que o valor inicialmente declarado somente seria alterado para o menor se houvesse prova antecipada do erro. Todavia, desde as alterações introduzidas pela Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001, art. 18, a DCTF retificadora, quando admitida, tem os mesmos efeitos da original (art. 9º, I, da Instrução Normativa RFB no 1.110, 24 de dezembro de 2010).tem a mesma natureza da declaração original. A esse propósito, vejase o que já decidiu a 2ª Turma do STJ, no REsp 044027/SC TRIBUTÁRIO DÉBITO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE – DCTF RETIFICADORA ART. 18 DA MP N. 2.18949/2001 PRESCRIÇÃO TERMO INICIAL. 1 A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, tem a mesma natureza da declaração Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 originariamente apresentada e interrompe o prazo prescricional para a cobrança do crédito tributário, no que retificado. 2 Nos casos de tributo lançado por homologação, a declaração do débito através de Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) por parte do contribuinte constitui o crédito tributário, sendo dispensável a instauração de procedimento administrativo e respectiva notificação prévia. 3 Desta forma, se o débito declarado já pode ser exigido a partir do vencimento da obrigação, ou da apresentação da declaração (o que for posterior), nesse momento fixase o termo a quo (inicial) do prazo prescricional. 4 Recurso especial nãoprovido. Decisão: Vistos, relatados e discutidos estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Eliana Calmon, Castro Meira, Humberto Martins e Herman Benjamin votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro Castro Meira. De acordo com a IN citada acima, vigente atualmente, não se admitem retificações de DCTF tendentes reduzir tributo previamente confessado cobrança já tenha sido enviada à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ou que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Evidentemente, não se trata disso no caso sub judice. Ademais, a retificação da DCTF em questão operouse ao abrigado da espontaneidade, porquanto efetuada antes de qualquer procedimento do Fisco. Nessas circunstâncias, a DCTF retificadora apresentada alterou eficazmente a situação jurídica anterior e inverteu o ônus da prova de que inexistiria pagamento a maior. Contudo, os efeitos da retificação da DCTF foram solenemente desconsiderados tanto no despacho decisório quanto pelo acórdão de primeira instância. A nova realidade estampada na DCTF retificadora tem de ser devidamente avaliada pela Autoridade Fiscal, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que eventualmente poderá ser denegada a repetição e não homologada a compensação. À vista do exposto, voto por dar provimento ao recurso, para anular o processo ab ovo, determinando à Autoridade Fiscal competente que reexamine o pleito objeto do presente processo, considerando a DCTF que estiver vigendo por ocasião da edição do novo despacho decisório. Sala das Sessões, em 22 de maio de 2013 Alexandre Kern Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 13884.909528/200936 Acórdão n.º 3403002.225 S3C4T3 Fl. 194 5 Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/05/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10196.000634/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/2001
PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES.
Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Será indeferido o requerimento de perícia técnica ou de juntada de novas provas quando não se mostrar útil para a solução da lide.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório.
DÉBITO LAVRADO UNICAMENTE CONTRA A EMPRESA INFRATORA. RELATÓRIO DE SUCESSÃO. CARÁTER INFORMATIVO.
Tendo o AI sido lavrado unicamente contra a empresa infratora, tem o relatório de sucessão caráter meramente informativo para futura execução fiscal, que poderá ser direcionada contra a suposta sucessora.
Numero da decisão: 2401-003.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) não reconhecer a decadência da multa lançada; e III) no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja afastado o agravamento da penalidade. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/2001 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Será indeferido o requerimento de perícia técnica ou de juntada de novas provas quando não se mostrar útil para a solução da lide. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. DÉBITO LAVRADO UNICAMENTE CONTRA A EMPRESA INFRATORA. RELATÓRIO DE SUCESSÃO. CARÁTER INFORMATIVO. Tendo o AI sido lavrado unicamente contra a empresa infratora, tem o relatório de sucessão caráter meramente informativo para futura execução fiscal, que poderá ser direcionada contra a suposta sucessora.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) não reconhecer a decadência da multa lançada; e III) no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja afastado o agravamento da penalidade. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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DESATENDIMENTO À SOLICITAÇÃO DO FISCO PARA APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO. Deixar de atender a solicitação fiscal para apresentar documentos relacionados às contribuições previdenciárias caracteriza infração à legislação por descumprimento de obrigação acessória. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. AGRAVAMENTO DA PENALIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE HOUVE A CONDUTA TENDENTE A DIFICULTAR O TRABALHO DA AUDITORIA. Para aplicação da agravante prevista no inciso IV do art. 290 do RPS não basta que o fisco relate a ocorrência da não apresentação dos documentos, sendo necessária a comprovação de conduta que ponha outros obstáculos ao trabalho do fisco. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. Incidem juros sobre a multa de ofício, a serem aplicados após a constituição do crédito. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de penalidades previstas em lei vigente, sob a justificativa de que têm caráter confiscatório. DÉBITO LAVRADO UNICAMENTE CONTRA A EMPRESA INFRATORA. RELATÓRIO DE SUCESSÃO. CARÁTER INFORMATIVO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 19 6. 00 06 34 /2 01 1- 37 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Tendo o AI sido lavrado unicamente contra a empresa infratora, tem o relatório de sucessão caráter meramente informativo para futura execução fiscal, que poderá ser direcionada contra a suposta sucessora. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/12/2004 INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO SUJEITO PASSIVO. PRORROGAÇÃO DO PRAZO DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. Não tendo o sujeito passivo demonstrado defeito na cientificação da lavratura ou prejuízo ao seu direito de defesa, deve ser indeferido pedido para prorrogação do prazo de impugnação. PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DOS AGENTES RESPONSÁVEIS PELA LAVRATURA. FALTA DE ASSINATURA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é causa de nulidade o fato de um dos integrantes da junta fiscal ter deixado de assinar a folha de rosto do AI, quando todos os auditores responsáveis pela lavratura foram identificados e assinaram as demais peças que compõem o processo. REQUERIMENTO PARA JUNTADA DE NOVAS PROVAS. PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE PARA SOLUÇÃO DA LIDE. INDEFERIMENTO. Será indeferido o requerimento de perícia técnica ou de juntada de novas provas quando não se mostrar útil para a solução da lide. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1994 a 30/09/2001 PREVIDENCIÁRIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. INFRAÇÃO. APURAÇÃO DE PERÍODO DECADENTE E NÃO DECADENTE. PENALIDADE FIXA NÃO VINCULADA AO NÚMERO DE INFRAÇÕES. Para as autuações em que não há alteração do valor da penalidade em função do número de infrações verificadas, o fato de haver ocorrências em períodos alcançados pela decadência não torna o lançamento improcedente, desde que haja infração detectada em período em que o fisco ainda poderia aplicar a multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 494 3 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) afastar as preliminares suscitadas; II) não reconhecer a decadência da multa lançada; e III) no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja afastado o agravamento da penalidade. Ausente momentaneamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação – DN n.º 08.401.4/0258/2005 de lavra da Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Federal Previdenciária em Goiânia (GO), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 35.799.9460. De acordo com o relatório fiscal da infração, fls. 06/07, a multa foi aplicada em razão da conduta da empresa de não apresentar os documentos/livros solicitados mediante Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, datado de 08/09/2004. Esse fato levou à apuração das contribuições por arbitramento. O relatório fiscal da aplicação da multa, fls. 08/09, revela que a penalidade foi imposta em duas vezes o valor mínimo, posto que a empresa incorreu na agravante de dificultar o trabalho da fiscalização, uma vez que comprovadamente possuindo escrituração contábil registrada no órgão competente, deixou de apresentar os livros Diário de 01 a 06. Na data da lavratura, a empresa autuada se encontrava com as atividades encerradas (desde 15/01/2002), todavia, o fisco mediante extenso arrazoado, fls. 10 e segs., concluiu que esta fora sucedida de fato pela empresa Abelha Rainha Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. Segundo a auditoria, várias foram as evidências que levaram à conclusão acerca da sucessão empresarial, tais como: a) existência de sócios de fachada na empresa Abelha Rainha, até a entrada na sociedade dos sócios Jeová de Souza Pimentel e Gildamar Vilela dos Santos Pimentel, que também integravam o quadro social da autuada; b) o imóvel onde funciona a empresa Abelha Rainha foi adquirido com aval do Laboratório Zangão (empresa autuada); c) o nome de fantasia da empresa Laboratório Zangão é “Abelha Rainha”; d) vários documentos comprovam que desde de sua constituição a empresa Abelha Rainha era de fato gerida pelo Sr. Jeová de Souza Pimentel (sócio do Laboratório Zangão); e) o salário dos empregados da empresa Laboratório Zangão foram pagos mediante a utilização de conta bancária pertencente a empresa Abelha Rainha, para a qual os empregados da autuada foram depois transferidos. Concluindo pela existência de fraude foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP. A autuada apresentou impugnação de fls. 396 e segs., na qual, em aperta síntese alegou que: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 495 5 a) teve seu direito de defesa prejudicado, em razão da impossibilidade de examinar os documentos acostados ao processo, os quais em 12/01/2005 (cinco dias antes do vencimento do prazo de defesa) ainda não haviam sido autuados; b) os fiscais responsáveis pela auditoria não assinaram o AI, fato que caracteriza vício formal, que conduz à nulidade da lavratura; c) parte do período auditado foi alcançado pela decadência; d) é ilegal a aplicação da taxa de juros Selic sobre a multa imposta; e) a multa é inconstitucional por possuir caráter confiscatório; d) jamais teve intenção de dificultar o trabalho do fisco, tendo informado às autoridades fiscais a impossibilidade de apresentação dos documentos constantes no TIAD, devido ao encerramento de suas atividades; e) o relatório de sucessão de empresas também ofendeu o seu direito de defesa, posto que calcado em teses e suposições de cunho pessoal, as quais não podem ser consideradas no processo administrativo; f) a sucessão pretendida pelo fisco não se enquadra nas hipóteses previstas nos arts. 132 e 133 do CTN; g) as provas obtidas pelo fisco para comprovar a sucessão são ilícitas, posto que decorrentes de quebra de sigilo fiscal e bancário da empresa e de seus sócios sem autorização judicial, conforme entendimento apresentados nas decisões transcritas; h) não é válida a pretendida desconsideração da personalidade jurídica da empresa e, posto que carente de provas e de autorização judicial; g) quanto à percepção do seguro desemprego por exempregados da autuada, nada de irregular se pode detectar, posto que não houve trabalho remunerado no período de recebimento do benefício e é comum que empresas contratem profissionais com experiência no seu ramo de atividade; h) o nome de fantasia “Abelha Rainha” poderia ser utilizado por qualquer outra empresa, posto que não houve seu registro no Instituto Nacional da Propriedade Industrial – INPI; i) o fisco, ao apresentar em enfadonho arrazoado temas que não têm pertinência com a autuação, demonstrou intenção de tumultuar o processo e prejudicar a defesa do sujeito passivo; j) os valores apresentados nas demonstrações contábeis de fls. 8/9 do relatório complementar nada comprovam acerca da capacidade econômica dos sócios, posto que relativos à pessoa jurídica; k) os argumentos de que havia pagamentos de empregados da autuada mediante conta bancária da empresa Abelha Rainha não estão lastreados em provas consistentes, posto que os extratos colacionados não indicam a instituição bancária, nem traz a identificação dos beneficiários dos depósitos; Fl. 497DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 m) quanto à alegação relativa ao imóvel onde funciona a empresa Abelha Rainha, esqueceuse o fisco de mencionar que este fora inicialmente alugado antes da sua aquisição; n) o sócio Jeová de Souza Pimentel ingressou na empresa Abelha Rainha mediante regular aquisição de cotas. Essa pessoa assinou os livros contábeis, posto que estes foram registrados após o seu ingresso na sociedade e também por ter sido convidado para administrar a Abelha Rainha logo após o encerramento da empresa Laboratório Zangão. Ao final pediu: a) restituição do prazo de defesa para poder examinar os documentos juntados tardiamente pelo fisco; b) declaração de nulidade da lavratura, posto que contaminado por diversos vícios; c) a relevação da penalidade aplicada; e d) a autorização para juntada de documentos no transcurso do processo administrativo fiscal. O órgão de primeira instância da Secretaria da Receita Previdenciárias, exarou decisão de fls. 432 e segs., declarando procedente a autuação. Foi denegado o pedido de reabertura do prazo de defesa, alegandose falta de previsão legal. Também se afastou a afirmação de juntada tardia de documentos aos autos, ressaltandose que a empresa teve plena ciência dos documentos que integram o AI em 31/12/2004 e que poderia ter consultados os autos, que já estavam suficientemente instruídos desde 06/01/2005. Afirmase ainda que o AI foi assinado pelos três fiscais responsáveis pela auditoria, mas que tal providência não seria obrigatória, posto que o individualmente o auditor fiscal possui competência para efetuar o lançamento. Foi afastada a tese de inconstitucionalidade da multa e dos juros SELIC, tendose em conta a atividade vinculada da administração pública que deve se ater às previsões normativas vigentes. Argumentouse que a empresa incorreu em infração, posto que deixou de apresentar documentos anteriores e posteriores ao encerramento de suas atividades, além de que restou comprovado que houve sonegação de livros contábeis registrados na Junta Comercial, o que comprova a agravante de criar obstáculos ao trabalho do fisco. Afastouse a decadência do direito do fisco de aplicar a multa, além de que foi ressaltado que os demonstrativos, ao contrário de dificultar a defesa, propiciaram o bom entendimento das razões que levaram o fisco a concluir pela sucessão de empresarial. No mais, concluise que as alegações e provas apresentados pelo fisco foram consistentes para comprovar a conduta fraudulenta de constituição da empresa Abelha Rainha para suceder de fato a autuada. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 496 7 Chamase atenção para o fato de que a questão da sucessão somente será relevante na fase de cobrança judicial do crédito, quando a execução poderá ser direcionada para a sucessora de fato e seus sócios. Afirmase que inexistiu ofensa ao art. 199 do CTN, posto que as informações utilizadas pelo fisco foram obtidas licitamente mediante a requisição a órgãos pertencentes à Administração Pública Federal, inexistindo necessidade de convênio. Asseverase ainda que na espécie não ocorreu desconsideração da personalidade jurídica das empresas, posto que os sócios Jeová Pimentel e sua esposa Gildamar Vilela são aqueles que constam do contrato social na data da autuação. Ao final, foi indeferido o pedido para juntada de novos documentos. Inconformada, a empresa autuada interpôs recurso voluntário, fls. 447 e segs, na qual pede a reforma da decisão da DRP, em razão dos mesmos fundamentos apresentados na defesa. É o relatório. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Delimitação da lide Conforme relatado, a contenda sob enfoque envolve no seu mérito duas questões principais. A primeira diz respeito à ocorrência da infração, consistente na conduta da empresa de não apresentar documentos requeridos pela fiscalização. A segunda, referese ao relatório fiscal complementar, centrado na demonstração de que a autuada foi sucedida pela empresa Abelha Rainha Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda. Há ainda questões que merecem ser tratadas de início, como é o caso do pedido de dilação do prazo de defesa, da preliminar de nulidade do lançamento e da decadência. Do pedido para reabertura do prazo de defesa O sujeito passivo foi cientificado do lançamento por via postal em 31/12/2004, quando o prazo para apresentação de defesa era regulado pelo § 1. do art. 293 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, verbis: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. §1º Recebido o autodeinfração, o infrator terá o prazo de quinze dias, a contar da ciência, para apresentar defesa. Assim o prazo para impugnar a lavratura encerrouse em 16/01/2005. Alega a empresa que o fisco juntou documentos que não eram do seu conhecimento e que estes, até o dia 12/01/2005 ainda não constavam dos autos. Descabe tal alegação. É que dos termos da defesa, verificase que o sujeito passivo, tendo sido cientificado do lançamento em 31/12/2004, compreendeu inteiramente as acusações formuladas pelo fisco e defendeuse amplamente de cada uma delas, não se verificando o alegado prejuízo. Fl. 500DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 497 9 Quanto à autuação dos documentos que acompanharam o AI, percebese que há um despacho de seguimento do processo datado de 06/01/2004, deixando claro que antes dessa data todos os elementos de prova que o fisco carreou já haviam sido autuados. De se concluir que o pedido de dilação do prazo de defesa não deve ser acatado até por que não havia, como não há hoje em dia, permissivo legal para prorrogação do prazo para impugnação. Falta de assinatura dos auditores responsáveis pela lavratura Analisandose a folha de rosto do AI, fl. 03, percebese a identificação dos três auditores responsáveis pela lavratura, todavia, por lapso a Auditora Ana Maria de Amorim (mat. 0888134) deixou de apor a sua assinatura. Todavia, no relatório da infração, fl. 09, consta a assinatura dos três fiscais, assim também ocorrendo no relatório aditivo, fl. 43 e no Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fl. 51. Assim, impensável se anular a lavratura por mero deslize de um dos auditores em assinar a folha de rosto do AI, quando se percebe que todos os integrantes da junta fiscal foram identificados e assinaram as demais peças que compõe o processo. Afastase essa preliminar de nulidade. Decadência É cediço que após a edição da Súmula Vinculante n.º 08, de 12/06/2008 (DJ 20/06/2008), o prazo de que dispõe o fisco para a constituição do crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias passou a ser regido, com efeito retroativo, pelas disposições do Código Tributário Nacional – CTN, posto que o art. 45 da Lei n.º 8.219/1991 foi declarado inconstitucional. Esse posicionamento da Corte Maior traz impacto não só em relação às exigência fiscais decorrentes do inadimplemento da obrigação principal, mas interfere também nos lançamentos das multas por desobediência a deveres instrumentais vinculados à fiscalização das contribuições. Diante disso, fixouse a interpretação de que, uma vez ocorrida a infração, teria o fisco o prazo de cinco anos para efetuar o lançamento da multa correspondente. Assim, havendo o descumprimento da obrigação legal, o prazo de que o fisco disporia para constituir o crédito relativo à penalidade seria o prazo geral de decadência, fixado no art. 173, I, do CTN, in verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Fl. 501DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Não há nessa situação o que se cogitar de aplicação do art. 150, § 4.º, uma vez que esse é dirigido apenas ao lançamento por homologação e o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória é um típico caso de lançamento de ofício. Vejo que a preliminar de decadência não se sustenta. Como bem demonstrado pela auditoria, a documentação sonegada diz respeito a vasto período que vai de 01/1994 a 09/2001, tendo o autuado tomado ciência do AI em 31/12/2004. Assim, embora haja na infração documentos cujas competências foram alcançadas pela decadência, verificase que houve a sonegação de papéis relativos a períodos para os quais não havia transcorrido o lustro decadencial. Tendose em conta que a multa para esse tipo de infração é aplicada em valor fixo, não dependendo do número de ocorrências verificadas, uma só infração constatada em período não decadente já justifica a aplicação da penalidade. Portanto, descabe a alegação de que a decadência excluiria parte da multa. A infração Para afastar a ocorrência da infração, a recorrente alegou que, quando da ação fiscal, já houvera encerrado suas atividades e, assim não possuía mais a documentação solicitada. Conforme a legislação vigente na época da lavratura a empresa teria a obrigação de guardar os seus documentos e exibir ao fisco por um prazo de dez anos conforme o § 11 do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991, in verbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Mesmo que se considere o prazo decadencial de dez anos, os documentos relativos aos exercícios de 1999 a 2001 teriam que ser apresentados em razão da obrigação legal, prevista no § 2. do art. 33 da Lei n.º 8.212/1991: Art. 33 (...) § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (...) Portanto, não deve ser acatada a alegação da empresa de que o encerramento das atividades a eximiria de apresentar a documentação requerida pelo fisco. Observese ainda que o encerramento das atividades da autuada na Fazenda Estadual ocorreu somente em Fl. 502DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 498 11 15/01/2002, portanto, em período posterior ao da documentação requerida (01/1994 a 09/2001). Procedente então a lavratura, posto que a ocorrência da infração é evidente. Do agravamento da penalidade Para justificar o agravamento da penalidade o fisco relatou que a empresa possuía livros contábeis registrados na Junta Comercial em 27/05/1998, mas deixou de apresentálos ao fisco, fato que comprovaria a intenção de obstar o trabalho do fisco. A justificativa legal apresentada para impor a multa em dobro foi o inciso IV do art. 290 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, assim redigido: Art.290. Constituem circunstâncias agravantes da infração, das quais dependerá a gradação da multa, ter o infrator: Itentado subornar servidor dos órgãos competentes; II agido com dolo, fraude ou máfé; III desacatado, no ato da ação fiscal, o agente da fiscalização; IV obstado a ação da fiscalização; ou V incorrido em reincidência. Entendemos que esse agravamento deve ser afastado por dois motivos. Primeiro, os livros citados são de período abarcado pela decadência, portanto, não poderiam ter sido solicitados pelo fisco. Depois, a recusa em apresentar os elementos é punida com a pena base prevista na alínea “j” do inciso II do art. 283 do RPS. Para haver a configuração de agravante o fisco deve demonstrar que o sujeito passivo foi além da mera recusa e praticou conduta mais grave. Para que se configure a conduta de obstar o trabalho do fisco seria necessário que a auditoria fosse mais além que simplesmente mencionar a recusa em apresentar os livros contábeis, mas teria que demonstrar a existência de ação deliberada da empresa na tentativa de dificultar o trabalho do fisco, tais como impedir a entrada dos auditores em seus estabelecimentos, não disponibilizar recinto adequado para verificação dos documentos, não indicar preposto para atender aos agentes fiscais, etc. Esse plus na comportamento da empresa não restou demonstrado, limitando se o fisco a mencionar a sonegação dos elementos requeridos pelo fisco. Devese então ser afastada a agravante, reduzindose o valor da multa a pena prevista na alínea “j” do inciso II do art. 283 do RPS. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 Juros sobre multa de ofício A incidência de juros de mora sobre a multa de lançamento de ofício encontra fundamento legal nos art. 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. É que no lançamento de ofício o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa. Portanto, sobre a multa por lançamento de ofício há a incidência de juros SELIC. Esse posicionamento é adotado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que entendeu pela aplicabilidade da Taxa de Juros SELIC sobre as multas de ofícios decorrentes de Autos de Infração, correção essa que passa a incidir a partir da lavratura desses. É o que se pode ver do acórdão assim ementado: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Precedente da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806. Recurso especial negado. (Processo n.º 16327.002244/9933, Relator Conselheiro Elias Freire, Sessão 16/02/2012) Assim, curvamonos à jurisprudência predominante nesse Tribunal Administrativo para afastar a tese recursal de que não pode incidir juros sobre a multa de ofício imposta nos lançamentos guerreados. Multa – caráter confiscatório Arguiu a recorrente a inconstitucionalidade da multa aplicada, em face do seu caráter confiscatório. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à agressão da medida ao patrimônio do sujeito passivo, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei ponderar quanto a sua justeza, restandolhe apenas aplicar a multa no quantum previsto pela legislação. Cumprindo essa determinação a autoridade fiscal, diante da ocorrência da infração fato incontestável aplicou a multa no patamar fixado na legislação, conforme muito bem demonstrado no relatório fiscal da aplicação da multa, fl. 09, em que são expressos o fundamento legal e os critérios utilizados para a gradação da penalidade aplicada. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 499 13 Além do mais, salvo casos excepcionais, é vedado a órgão administrativo declarar inconstitucionalidade de norma vigente e eficaz. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. A sucessão de empresas Observarse que o fisco, embora tenha juntado relatório conclusivo acerca da sucessão da empresa autuada pela Abelha Rainha Indústria e Comércio de Cosméticos Ltda, não incluiu a suposta sucessora no polo passivo da lavratura. Também não trilhou pela caracterização de grupo econômico de fato formado pelas empresas em questão. Prova é que sequer a empresa Abelha Rainha foi cientificada do lançamento. Tal fato, levanos a concluir que o relatório aditivo, o qual trata da sucessão, foi elaborado apenas no intuito de subsidiar futura execução fiscal, quando a suposta sucessora objeto de redirecionamento da ação executiva. Vejase o que falou o julgador monocrático sobre o tema: “6.8.3 concretamente, verificase que as conclusões sobre incorporação e sucessão envolvendo as duas empresas deverão ter efeito prático na execução dos débitos lavrados contra a Abelha Rainha, mas não nos constituídos contra a Impugnante, em que pese as considerações dos itens precedentes justificarem plenamente sua abordagem no Relatório Complementar desse AI;” Assim é de se notar que o relatório complementar teve caráter apenas informativo não causando qualquer ônus a suposta sucedida, como inclusão da sua responsabilidade pelo débito nos bancos de dados do fisco. Essa é uma situação análoga ao conhecido Relatório de Representantes Legais, suja função é prestar subsídio à Procuradoria da Fazenda para redirecionar futura execução fiscal contra os sócios/administradores, caso se verifiquem os pressupostos legais. Verificase, portanto, que a questão da sucessão de empresas não faz parte da discussão sobre o lançamento em si, posto que a empresa supostamente sucessora da autuada não foi chamada a esse processo, tanto que sequer se insurgiu contra o AI. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 505DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Assim, possíveis falhas detectadas no relatório de sucessão não teriam o condão de interferir no lançamento guerreado. Os efeitos de possíveis máculas nesse relatório iriam refletir somente na fase de execução fiscal, caso a Fazenda pretenda exigir as contribuições da empresa Abelha Rainha. Todavia, por apego a argumentação, vamos tratar em breves linhas acerca dos fatos narrados no relatório complementar e as alegações apresentadas no recurso para afastá las. Todos os fatos narrados, os quais foram lastreados em farto conjunto probatório estão a indicar que, em tese, a empresa Abelha Rainha foi constituída na intenção de absorver o fundo de comércio pertencente a autuada, inclusive com a utilização do seu nome de fantasia. Não detectamos os vícios apontados na documentação acostada ao relatório complementar, a qual foi obtida licitamente nas ações fiscais desencadeadas nas duas empresas, bem como em informações coletadas junto a Junta Comercial, à então Secretaria da Receita Federal e a Justiça do Trabalho. Outras questões trazidas pelo fisco reforçam a tese de que efetivamente ocorreu a sucessão de empresas como é o caso do pagamento de salários dos empregados da autuada mediante conta corrente da Abelha Rainha; a existência de reclamatória trabalhista em que resta demonstrada a ligação entre as empresas em tela; a gestão de ambas as empresas pelo Sr. Jeová de Souza Pimentel; a transferência dos empregados da autuada para sua suposta sucessora após o período de recebimento do seguro desemprego, dentre outras. Assim, em tese, vislumbrase a ocorrência de sucessão empresarial, a qual, conforme já afirmamos não interfere na constituição do crédito, podendo vir a ser suscitada quando da cobrança judicial do AI em discussão. Pedido de novas provas Quanto ao cerceamento do direito de defesa ocasionado pelo indeferimento do órgão a quo do pedido de produção de novas provas, principalmente a realização de perícia, entendemos que não deva ser acatado. No processo administrativo fiscal vigora o princípio do livre convencimento motivado. Segundo o qual a autoridade julgadora tem liberdade para adotar a tese que ache mais adequada a solução da contenda, desde o que o faça com a devida motivação. Nesse sentido, somente à autoridade que preside o processo é dado determinar a realização de perícias e diligências caso ache necessário. Não está o julgador obrigado a deferir pedidos de dilação probatória se os elementos constantes nos autos já lhe dão o convencimento suficiente para emissão da decisão. Assim, sendo a prova dirigida a autoridade julgadora, é essa que tem a prerrogativa de determinar ou não a sua produção. Tenho que concordar com a decisão original, quando se afirma que o relato do fisco e os documentos colacionados permitem concluir pela ocorrência da infração. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10196.000634/201137 Acórdão n.º 2401003.068 S2C4T1 Fl. 500 15 Conclusão Voto por afastar as preliminares suscitadas, por não reconhecer a decadência da multa lançada e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para que seja afastado o agravamento da penalidade. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 07/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/07 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10980.008571/2007-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2003 , 2004
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - INOCORRÊNCIA - Não
provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - OMISSÃO
DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - Desde 1° de janeiro de
1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nestas operações.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA - SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS - INAPLICABILIDADE - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a
qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006).
Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2201-000.359
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Pedro Paulo Pereira Barbosa
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10980.008571/2007-34 Recurso n° 164.927 Voluntário Acórdão n" 2201-00.359 — 2" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ CAMPOS DE ANDRADE FILHO Recorrida 4a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 , 2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO - INOCORRÊNCIA - Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto n°. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vicio relevante e insanável, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento dele decorrente. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PRESUNÇÃO LEGAL - Desde 1° de janeiro de 1997, caracterizam-se omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária, cujo titular, regularmente intimado, não comprove, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nestas operações. LANÇAMENTO DE OFÍCIO - MULTA QUALIFICADA - SIMPLES OMISSÃO DE RENDIMENTOS - INAPLICABILIDADE - A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula 1° CC n° 14, publicada no DOU em 26, 27 e 28/06/2006). Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR PARCIAL provimento para desqualificar a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. 5;1 Processo n° 10980.008571/2007-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 2 ‘Ilb • 14 7?O ES GIACOMELLI NUNE'' DA SILVA - Presidente Letit/vc iAil» if.3:iiNtv,k...—. . , P DRO PA .: LO? PEREIRA A ã OSA — Relator FORMALIZADO EM: 2 7 NT 7009 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Manoel Coelho Arruda Júnior (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Farah, Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente convocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). 2 1 Processo n° 10980.008571/2007-34 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 3 Relatório JOSÉ CAMPOS DE ANDRADE FILHO interpôs recurso voluntário contra acórdão da 4a TURMA/DRJ-CURITIBA/PR que julgou procedente lançamento formalizado por meio do auto de infração de fls. 250/261. Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF, no valor de R$ 108.600,50, acrescido de multa de oficio de 150% (qualificada) e de juros de mora, totalizando um crédito tributário lançado de R$ 329.678,85. A infração que ensejou o lançamento e que está detalhadamente descrita no Termo de Verificação Fiscal de fls. 250/255 foi a omissão de rendimentos, caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, nos anos de 2002 e 2003. O Contribuinte impugnou o lançamento, arguindo, preliminarmente, a nulidade do lançamento por afronta aos princípios da legalidade e da ampla defesa. Afirma que a autuação teve origem em solicitação judicial quando suas obrigações perante o Fisco já estavam sanada, ferindo com isso os princípios referidos. Quanto ao mérito, diz que comprovou a origem da sua movimentação financeira nos termos dos cálculos de fls. 256/257, onde demonstra a disponibilidade de recursos que dariam lastro a essa movimentação. Pede o reconhecimento das origens e o cancelamento da autuação. A 4' TURMA/DRJ-CURITIBA/PR julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a argüição de nulidade, esclareceu que a determinação judicial a que o Contribuinte se refere era para que o Fisco levantasse a existência de eventual débito, sem que tenha sido expedida ordem específica para o lançamento; que, portanto, deixou a critério da autoridade fiscal o procedimento a ser adotado; logo, não identifica nenhuma irregularidade no procedimento. Ressaltou ainda não vislumbrar nenhum outro vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento, rejeitando, pois, a preliminar. Quanto ao mérito, após ressaltar a regularidade do lançamento com base em depósitos bancários sem comprovação de origem, que tem suporte legal no art. 42 da lei n° 9.430, de 1996, a decisão de primeira instância analisou a alegação da defesa, concluindo que o Contribuinte não comprovou a origem dos depósitos. Sobre os chamados passivos bancários, diz que se trata de meros valores negativos nas contas, sem nenhuma vinculação com os depósitos. Quanto aos empréstimos, anota que estes já foram considerados nos demonstrativos elaborados pela Fiscalização; sobre a venda de uma rádio, destaca que o Contribuinte não vincula a receita da operação aos depósitos e, sobre as pretendidas exclusões referente aos valores declarados, diz não ser possível acatar o pedido, pela ausência de liame entre as fontes e os depósitos. Processo n° 10980.008571/2007-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 4 Finalmente, quanto à multa qualificada, considerou estar caracterizado o evidente intuito de fraude pela discrepância entre o valor dos rendimentos declarados e o montante apurado dos depósitos, interpretando como sinal de uma vontade consciente de sonegar o imposto devido. O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 08/10/2007 (fls. 333) e, em 07/11/2007, interpôs o recurso de fls. 334/335 por meio do qual limita-se a reiterar os fundamentos já expendidos na impugnação. É o relatório. 41(;11, Processo n° 10980.008571/2007-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 5 Voto Conselheiro PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação O Contribuinte argúi a nulidade do lançamento sob o fundamento de que a ação fiscal se baseou em solicitação judicial quando sua situação já estava regularizada. Embora não esteja clara a irregularidade apontada pelo Recorrente, por falta de elementos, é certo dizer que nele não é possível identificar nenhum vício que pudesse ensejar a nulidade do lançamento. O procedimento fiscal e a autuação foram realizados por servidor competente, observaram-se as formalidades previstas no Decreto n° 70.235, de 1996, não se cogita de cerceamento de direito de defesa, mormente porque se trata de procedimentos que integram a fase dita inquisitorial em que não há contraditório. Enfim, não vislumbro vicio que possa ensejar a nulidade do lançamento, razão pela qual rejeito a preliminar de nulidade. Quanto ao mérito, a Contribuinte se limita a apresentar cálculos que demonstrariam que dispunha de recursos para dar suporte aos depósitos bancários, como, por exemplo, a disponibilidade de dinheiro em caixa de período anterior, a alienação de bem, etc. Porém, no caso de lançamento com base em presunção de omissão de rendimentos a partir de depósitos bancários, o que deve ser comprovada é a origem dos depósitos bancários, de forma individualizada, e não a disponibilidade de recursos. É preciso indicar de onde vieram os recursos utilizados para cada depósitos, quem os depositou, com que propósito, etc., enfim, qual a origem do depósito. Sem essa demonstração, resta caracterizada, por presunção, a omissão de rendimentos. Note-se que a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários tem previsão em disposição expressa de lei a qual prevê como conseqüência para a verificação de depósitos bancários cuja origem, regularmente intimado, o Contribuinte não logre comprovar como documentos hábeis e idôneos, a de se presumir tratar-se de rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, autorizando o Fisco a exigir o imposto correspondente. Trata-se do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o qual para melhor clareza, transcrevo a seguir, já com as alterações e acréscimos introduzidos pela Lei n°9.481, de 1997 e 10.637, de 2002: Art. 42.Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. d1(.• Processo n° 10980.008571/2007-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 6 §1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3" Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos semo analisados individualizadamente, observado que nao serao considerados: 1 - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; 11 -no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). §4° Tratando-se de pessoa fisica, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento nzantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Como se vê, é a própria lei que considera como rendimentos omitidos os depósitos bancários de origem não comprovada, instituindo, assim, uma presunção, no caso, relativa, que é um instrumento ao qual o Direito lança mão para alcançar certos tipos de situações que sem ele lhe escapariam. Como ensina Alfredo Augusto Becker (Becker, A. Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. 3' Ed. — São Paulo: Lejus, 2002, p.508): As presunções ou são resultado do raciocínio ou são estabelecidas pela lei, a qual raciocina pelo homem, donde classificam-se em presunções simples; ou comuns, ou de homem (praesumptiones hominis) e presunções legais, ou de direito (praesumptiones júris). Estas, por sua vez, se subdividem em absolutas, condicionais e mistas. As absolutas júris et de jure) não admitem prova em contrário; as condicionais ou relativas Gúris bitu), admitem prova em contrário; as mistas, ou , Processo n° 10980.008571/2007-34 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.359 Fl. 7 intermédias, não admitem contra a verdade por elas estabelecido senão certos meios de prova, referidos e previsto na própria lei. E o próprio Alfredo A. Becker, na mesma obra, define a presunção como sendo "o resultado do processo lógico mediante o qual do fato conhecido cuja existência é certa se infere o fato desconhecido cuja existência é provável" e mais adiante averba: "A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseando-se no fato conhecido cuja existência é certa, impõe a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos". Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantttm, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Como, no caso, a Contribuinte não logrou fazer tal prova, paira incólume a presunção de omissão de rendimentos. Sobre a multa de oficio, registre-se, inicialmente, que sua aplicação decorre i de disposição expressa de lei, sem margem para juízo subjetivo das autoridades lançadora e julgadora sobre sua oportunidade ou mesmo sobre a repercussão econômica de sua aplicação. Assim, no caso de omissão de rendimentos, o imposto deve ser exigido com multa de oficio, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Cabe examinar, todavia, no caso de qualificação da penalidade, se estão presentes os requisitos para a exasperação da multa. E, neste ponto, penso que assiste razão ao Recorrente. A simples discrepância entre a movimentação financeira e os rendimentos declarados não constitui evidente intuito de fraude a justificar a medida agravadora. Esta posição, inclusive, já foi consolidada em súmula deste Conselho, a saber: Súmula 1"CC n" 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da lnulta de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Portanto, sem a demonstração cabal do evidente intuito de fraude, é de se afastar a qualificação da multa de oficio. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de REJEITAR a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio. (----)S a das Sess - em 30 lho de 2009 P O \11 kAÁ-fi)2A• i(ovvviL0 PA O PEREI BA OSA - Relator 7 , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Processo n°: 10980.008571/2007-34 Recurso n°: 164.927 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3' do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2201 -00.359. Brasília/DF, 77 OUT 2009 MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Presidente em exercício Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006318/2005-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
Litígio Instaurado a Partir de Manifestação de Inconformidade. Limites
O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da declaração de compensação apresentada, não abrindo espaço para analisar a procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da apresentação da declaração.
Retificação de PER/Dcomp
A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data-limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação.
Pedido de Perícia. Condições
Não será deferida a perícia quando revelada a prescindibilidade desse exame suplementar.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Litígio Instaurado a Partir de Manifestação de Inconformidade. Limites O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade presta-se exclusivamente a discutir a não homologação da declaração de compensação apresentada, não abrindo espaço para analisar a procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da apresentação da declaração. Retificação de PER/Dcomp A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como data-limite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação. Pedido de Perícia. Condições Não será deferida a perícia quando revelada a prescindibilidade desse exame suplementar. Recurso Voluntário Negado
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LIMITES O litígio instaurado a partir da apresentação de manifestação de inconformidade prestase exclusivamente a discutir a não homologação da declaração de compensação apresentada, não abrindo espaço para analisar a procedência de créditos diversos dos alegados por ocasião da apresentação da declaração. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMP A declaração de compensação só pode ser retificada em razão de erro material e tem como datalimite a expedição do despacho decisório que decide acerca da homologação ou não da compensação. PEDIDO DE PERÍCIA. CONDIÇÕES Não será deferida a perícia quando revelada a prescindibilidade desse exame suplementar. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 63 18 /2 00 5- 07 Fl. 3359DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.360 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: Tratase no presente processo de declaração de compensação (Dcomp) envolvendo crédito relativo à Cofins, incidência não cumulativa, apurado no mês de agosto/2005 sobre custos, encargos e despesas vinculados às receitas de exportação. A autoridade fiscal, com base no Parecer Conclusivo nº 033/2010 (fls. 454 a 464), exarou o despacho decisório de fl. 471, decidindo reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 144.214,44 e, conseqüentemente, homologar parcialmente a compensação declarada, até o limite do crédito reconhecido. No Parecer Conclusivo consta consignado, resumidamente, que: a) A interessada informou na DCOMP crédito apurado no mês de agosto/2005, indicando valor em montante absurdamente divergente daquele informado no DACON. Foi então solicitada a realização de diligência fiscal a fim de apurar a base de cálculo dos créditos a compensar; b) Em resposta à intimação de fls. 51/64, a interessada apresentou planilhas de fls. 51/54 e prestou esclarecimentos em fls. 48/50. Mais uma vez intimada, apresentou a petição de fls. 78/79 e documentos de fls. 80/445. Cópia integral dos documentos apresentados foi anexada ao processo 16682.720112/201079, que trata de compensação de crédito relativo ao mês de julho/2005; c) a interessada auferiu receitas de exportação decorrentes dos contratos firmados para construção das plataformas de petróleo denominadas P51 e P52. Não obstante as exportações terem ocorrido somente nos meses de setembro/2007 e novembro/2008, na modalidade de exportação com saída ficta do território nacional, prevista na Instrução Normativa SRF 369/2003, parte das receitas de exportação foi reconhecida por estimativa no respectivo mês de apuração dos créditos (agosto/2005) conforme folhas dos Livros Razão e Diário às fls. 230/231 e 235/237 e informação da interessada às fls. 49, nos termos do estabelecido no art. 407 do RIR/99 e art. 7º da Lei 10.833/2003; d) O percentual de apropriação dos custos/despesas às receitas de exportação, a ser utilizado na apuração dos créditos alcança o valor de 98,04%, para o mês de agosto/2005, conforme demonstrado em fl. 460; Fl. 3360DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.361 3 e) A interessada informou que os insumos nacionais e importados para a construção das plataformas são admitidos no Regime de Entreposto Aduaneiro, conforme IN 513/2005 ou IN 241/2002. Tal regime permite que a pessoa jurídica por ele beneficiada adquira, via importação ou no mercado nacional, materiais, partes, peças e componentes com suspensão do pagamento ou da exigibilidade, entre outros tributos, da COFINS; f) É de se concluir que a interessada não faz jus à apuração de créditos sobre os valores de tais aquisições, uma vez que, conforme determinação expressa do inciso II do parágrafo 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003 não gera direito ao crédito a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição; g) A interessada apresentou a planilha de fl. 57 onde informa a data de emissão das notas fiscais de aquisição de serviços, número, CNPJ do prestador e valor do custo. Intimada a apresentar as notas fiscais, juntou aos autos demonstrativo/extrato, ao que parece da lavra das empresas prestadoras dos serviços, escritos na língua inglesa e expressos em moeda estrangeira. Todavia, tais documentos não se revestem dos requisitos necessários para servir de comprovante da aquisição dos serviços; h) Os serviços adquiridos da empresa BRASFELS S/A, de qualquer forma não poderia servir de base de cálculo do crédito, pois se tratam de receitas não sujeitas ao pagamento da COFINS (isentas, com suspensão ou alíquota zero), conforme por ela mesma declarado em seu DACON e, conforme expressamente determina o parágrafo 2°, inciso II, do art. 3o da Lei 10.833/2003, as aquisições de serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição não geram direito a crédito; i) Verificouse a existência de quatro Notas Fiscais Fatura relativas a aquisições de serviços de Engenharia Consultiva efetuadas no mês de agosto/2005 (Notas Fiscais de nºs 6166, 6167, 6168 e 6169), com data de emissão em 26/08/2005. Na planilha de fls. 62 a interessada relacionou os valores de tais serviços como componentes da base de cálculo de crédito relativo a outubro/2005, este analisado nos autos do processo 10768.007599/200515. Todavia, estas Notas Fiscais se referem a serviços cuja aquisição se deu no mês de agosto/2005, portanto, somente podem ser utilizadas como base de cálculo do crédito relativo ao próprio mês de aquisição dos serviços. Dessa forma, restou comprovado somente o montante de R$1.935.494,11 a título de aquisições de serviços no mês de agosto/2005. Aplicado o percentual apurado no rateio proporcional, é de se concluir que o crédito da COFINS NÃO CUMULATIVA Exportação relativamente a esse mês é no valor de R$144.214,44. Cientificada do Parecer Conclusivo e do despacho decisório em 30/08/2010 (fls. 477), a contribuinte apresentou a Manifestação Fl. 3361DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.362 4 de Inconformidade em 29/09/2010 (fls. 478 a 482), alegando, em síntese, que: a) Com base dos fundamentos e observações contidos nos pareceres conclusivos da Demac/RJO/Diort n°033/2010 035/2010 037/2010 e 039/2010, a Requerente considerou a exclusão na base de calculo do direito creditório da COFINS, as aquisições de serviços dos fornecedores identificados sob o CNPJ n° 03.669.503/000142 e CNPJ n° 03.669.750/000182 e considerou um levantamento e uma apuração complementar do direito creditório relativo as aquisições de serviços utilizados como insumo, conforme determina a Lei 10.833/2003; b) A Requerente promoveu um levantamento das aquisições de serviços utilizados como insumo, nos termos da Lei 10.833/2003 e uma apuração complementar do direito creditório da COFINS, na qual agora consta que o direito creditório se reveste do efetivo valor passível de compensação, conforme demonstra a relação, em anexo; c) conforme a definição do Regime de Incidência Não Cumulativa, observase que o crédito não aproveitado em determinado mês pode ser utilizado nos meses subseqüentes conforme §4° art.3° da Lei 10.833/2003. Com isso, a Requerente demonstra um saldo de direito creditório acumulado que sustenta o valor dos débitos compensados na DCOMP n° 10768.006318/200507; d) Vigora no âmbito do processo administrativo fiscal o princípio da verdade material ou real, de maneira que o mero erro no preenchimento de uma obrigação acessória não pode ser considerado impedimento ao direito de compensação; e) O procedimento administrativo tendente a verificar a exatidão dos créditos do contribuinte não se compara à simples presunção dos fatos, pois assim estaria flagrantemente violando o direito do particular à ampla defesa e ao contraditório; f) Requer seja considerada procedente a manifestação de inconformidade, para que seja reconhecida a homologação total da declaração de compensação, no valor de R$ 4.253.472,01 e a homologação do saldo acumulado do direito creditório da COFINS, bem como sejam sustados quaisquer atos tendentes à inscrição em Dívida Ativa até ulterior decisão definitiva em contrário. Requer, ainda, o deferimento para apresentação de nova declaração das obrigações acessórias (PERD/COMP/DACON/DCTF) conforme levantamento acima exposto. Ponderando as razões aduzidas pela recorrente, juntamente com o consignado no voto condutor, decidiu o órgão a quo pelo indeferimento do pedido de compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 Fl. 3362DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.363 5 COMPENSAÇÃO. DECORRÊNCIA DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. A homologação de compensação declarada está condicionada ao prévio exame pela autoridade fiscal competente, da liquidez e certeza do crédito reclamado, não sendo cabível a retificação, após a ciência da decisão administrativa, que vise a substituição do crédito a compensar. COMPENSAÇÃO. COMPETÊNCIA. Não compete à DRJ analisar originariamente pedido de restituição/ressarcimento e compensação, exceto nos casos de inconformidade do contribuinte quanto à decisão da autoridade competente, quando instaurado o litígio no prazo legal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Após tomar ciência da decisão de 1ª instância, comparece a interessada mais uma vez ao processo para, em sede de recurso voluntário, essencialmente, reiterar as alegações manejadas por ocasião da instauração da fase litigiosa e acrescentar que: 1. Inobstante a sua operação em regime de entreposto aduaneiro, teria realizado operações com destaque da Cofins, da Contribuição para o PIS e do IPI. Não indica quais seriam as operações; 2. Promovera um levantamento das aquisições de serviços utilizados como insumos nos meses de janeiro a agosto de 2005. Identificara, outrossim, crédito acumulado da Cofins no final de dezembro de 2004. Registra que o crédito não aproveitado em um mês poderia ser utilizado nos meses subsequentes e que os valores apurados dariam suporte à compensação declarada no presente processo. 3 Está disposta a juntar os elementos que dariam suporte ao direito creditório pleiteado, que deixou de juntar em razão do volume de documentos. Invoca os princípios da verdade material e da ampla instrução probatória e defende o direito de apresentar novos documentos antes da conclusão do processo. Cita doutrina e jurisprudência. Pleiteia a realização de diligência no intuito de confirmar o seu direito creditório e o reconhecimento do direito à apresentação de novas declarações (PER/Dcomp/Dacon/DCTF). Posteriormente, formaliza pedido de juntada de documentos, apresenta demonstrativos e cópias de notas fiscais de aquisição de mercadorias e serviços e reitera pedido de diligência formulado por ocasião da apresentação do recurso voluntário. É o Relatório. Fl. 3363DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.364 6 Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Tomo conhecimento do presente recurso, que foi tempestivamente apresentado e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção Antes de iniciar a análise do recurso propriamente dito, é importante destacar que inobstante a recorrente faça referência a mais de uma competência, na declaração de compensação que inaugura o presente processo, pleiteiase créditos relativos a despesas incorridas no mês de agosto de 2005. Em relação a tais créditos, penso que pouco há a acrescentar ao despacho decisório e à decisão recorrida. De fato, não foi acostado elemento que demonstrasse a aquisição de outras mercadorias ou serviços no mês de agosto de 2005. As notas fiscais acostadas dizem respeito a período diverso. Por outro lado, inobstante a recorrente tenha alegado que algumas aquisições de insumos não ocorreram no regime de entreposto aduaneiro, não foi trazido ao processo qualquer elemento que demonstrasse essa alegação. Aliás, como já foi antecipado, não foi sequer esclarecido quais seriam as operações gravadas das contribuições. De se acrescentar, nessa esteira, que este Relator não identificou, dentre as notas acostadas, ainda que relativas a período diverso do que aqui se debate, nenhuma remessa de mercadoria que não dissesse respeito ao regime de entreposto aduaneiro. O que permanece sob litígio, portanto, é a possibilidade de se admitir a retificação da declaração de compensação apresentada ou a apresentação de nova declaração, em que se declare a extinção dos débitos tributários já confessados, a partir de novos créditos, relativos a períodos diversos, pleiteados pela recorrente por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN1, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 20022. Tal declaração contém desde os créditos que a recorrente alega deter para com o Fisco até as obrigações tributárias que pretende ver extintas. Ao Fisco compete homologar ou não a declaração apresentada. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 2 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 3364DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.365 7 Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da Dcomp, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, com a devida vênia, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de nãohomologação da Declaração de Compensação de fls. 01/08 e tal ato, como já adiantado, não merece reparo. Outrossim, não se pode perder de vista que o Legislador, por meio do parágrafo 14 do já mencionado art. 74. da Lei nº 9.430, de 19964, delegou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a tarefa de disciplinar o procedimento de compensação e, com base nessa delegação, foram editados os artigos 56 a 58 da IN SRF nº 460, de 2004, vigente à época da formalização dos pedidos, que dispunham: Art. 56.O Pedido de Restituição, o Pedido de Ressarcimento e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, no que se refere à Declaração de Compensação, que seja observado o disposto nos arts. 57 e 58.(grifei) Art. 57.A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 58. Art. 58.A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Ora, como já relatado, o pedido de inclusão de novos créditos não tinha como fundamento inexatidão material e somente foi formalizado após o despacho decisório. Finalmente, ainda em razão de entender que não existe a possibilidade de se alterar o objeto do litígio para incluir novos créditos, com base no disposto no art. 18 do 3 § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação 4 § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. Fl. 3365DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10768.006318/200507 Acórdão n.º 3102001.718 S3C1T2 Fl. 3.366 8 Decreto nº 70.235, de 19725, em razão da sua completa prescindibilidade, indefiro o pedido de diligência formulado pela recorrente. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 30 de janeiro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro 5 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 3366DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 6/06/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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