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Numero do processo: 15165.721573/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012
REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE EMBALAGENS. DESTINAÇÃO DA MERCADORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS E MULTAS. POSSIBILIDADE.
O Regime Aduaneiro Especial de Importação de embalagens referidas na alínea "b" do inciso II do caput do art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituído pelo art. 52 da Lei no 11.196, de 22 de novembro de 2005, está condicionado à comprovação do efetivo emprego das mercadorias na finalidade para a qual foram importadas. A não comprovação dessa condição dá ensejo a exigência da diferença da Contribuição, calculada com base no sistema normal de tributação, e na imposição das multas cabíveis.
Recurso de Ofício Provido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3102-002.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora, que negava provimento. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator
(assinatura digital)
Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Redatora ad hoc
EDITADO EM: 17/11/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: MIRIAN DE FATIMA LAVOCAT DE QUEIROZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE EMBALAGENS. DESTINAÇÃO DA MERCADORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS E MULTAS. POSSIBILIDADE. O Regime Aduaneiro Especial de Importação de embalagens referidas na alínea "b" do inciso II do caput do art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituído pelo art. 52 da Lei no 11.196, de 22 de novembro de 2005, está condicionado à comprovação do efetivo emprego das mercadorias na finalidade para a qual foram importadas. A não comprovação dessa condição dá ensejo a exigência da diferença da Contribuição, calculada com base no sistema normal de tributação, e na imposição das multas cabíveis. Recurso de Ofício Provido Crédito Tributário Mantido
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE EMBALAGENS. DESTINAÇÃO DA MERCADORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIA DA DEFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES E MULTAS. POSSIBILIDADE. O Regime Aduaneiro Especial de Importação de embalagens referidas na alínea "b" do inciso II do caput do art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituído pelo art. 52 da Lei no 11.196, de 22 de novembro de 2005, está condicionado à comprovação do efetivo emprego das mercadorias na finalidade para a qual foram importadas. A não comprovação dessa condição dá ensejo a exigência da diferença da Contribuição, calculada com base no sistema normal de tributação, e na imposição das multas cabíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. IMPORTAÇÃO DE EMBALAGENS. DESTINAÇÃO DA MERCADORIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. EXIGÊNCIA DE TRIBUTOS E MULTAS. POSSIBILIDADE. O Regime Aduaneiro Especial de Importação de embalagens referidas na alínea "b" do inciso II do caput do art. 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, instituído pelo art. 52 da Lei no 11.196, de 22 de novembro de 2005, está condicionado à comprovação do efetivo emprego das mercadorias na finalidade para a qual foram importadas. A não comprovação dessa condição dá ensejo a exigência da diferença da Contribuição, calculada com base no sistema normal de tributação, e na imposição das multas cabíveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 15 73 /2 01 3- 98 Fl. 993DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR 2 Recurso de Ofício Provido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencida a Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Relatora, que negava provimento. Redigirá o voto vencedor o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Redator (assinatura digital) Maria do Socorro Ferreira Aguiar Redatora ad hoc EDITADO EM: 17/11/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Luiz Feistauer de Oliveira, Andréa Medrado Darzé, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Ricardo Vieira de Carvalho Fernandes e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Adoto, por fielmente retratar a realidade dos autos, o relatório utilizado pela D. Delegacia de origem no julgamento da Impugnação, ocasião em que o lançamento foi cancelado em sua integralidade: “Trata o processo de autos de infração lavrados em desfavor da empresa Reale Comércio de Produtos Plásticos Ltda e Plastpeva Indústria e Comércio de Embalagens Ltda (responsável solidária) constituindo crédito tributário relativo a multa por ausência de Licença de Importação e diferenças apuradas de PIS e Cofins, multa de ofício e juros de mora, decorrente de desenquadramento do sujeito passivo do Regime Especial instituído pelo art. 58J da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, como segue: . As empresas autuadas interpuseram impugnação conjunta e alegaram, em preliminar, a existência de consulta fiscal prévia, o que impediria o lançamento. De acordo com a peça Fl. 994DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Processo nº 15165.721573/201398 Acórdão n.º 3102002.407 S3C1T2 Fl. 3 3 impugnatória, “(...) depois de escoado os prazos do Mandado de Procedimento Fiscal e antes mesmo da ciência do auto de infração, foi apresentada consulta prévia, momento este em que houve a recuperação da espontaneidade com relação a todos os fatos narrados os quais são idênticos aos fundamentos fáticos em que se baseia este AIIM” (fl. 781). Ainda em preliminar, pleiteiam a nulidade do auto de infração por entenderem que deveria haver um procedimento específico para revogar a habilitação da Reale no regime especial. No mérito, entendem que, uma vez habilitada no regime poderia utilizar a tributação diferenciada e que não teria como controlar a destinação da mercadoria revendida. Alegam, também, ofensa aos princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade, proporcionalidade, da isonomia e requerem seja reconhecida a inconstitucionalidade da diferenciação de alíquota e sistemática de apuração dos tributos, além de solicitarem seja excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e Cofins. Por fim, pretendem ver afastada a solidariedade atribuída a Plastpeva. É o Relatório.” Ao julgar a Impugnação, apresentada em conjunto pelas devedoras principal e solidária, a Delegacia de Florianópolis proferiu o acórdão nº 0734.525, no qual decidiu por cancelar, em sua integralidade, os lançamentos de PIS, COFINS e também a Multa por falta de LI, exonerando o crédito tributário em sua integralidade. O acórdão restou ementado nos seguintes termos: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012 PROVAS. INTERPOSIÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. MULTA. Caracterizada a prática de interposição fraudulenta por ocultação do real importador ou por ausência de comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos empregados, a penalidade cabível à hipótese é a pena de perdimento ou imposição de multa equivalente ao valor aduaneiro da operação de importação. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/06/2011 a 14/08/2012 LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. MULTA. INCIDÊNCIA. A incidência da multa por ausência de Licença de Importação somente se consubstancia caso reste comprovado que a mercadoria objeto do despacho de importação exige tal formalidade. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado” Fl. 995DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR 4 Assim, em razão do disposto no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF nº 003, de 3 de janeiro de 2008, os autos foram remetidos a este E. CARF para julgamento do Recurso de Ofício, razão pela qual o feito se encontra na pauta de julgamentos dessa C. Turma. É o relatório. Passo a votar. Voto Vencido Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Redatora ad hoc Por intermédio do Despacho de fl. 992, nos termos do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, incumbiume Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção redigir o presente acórdão. Ressaltese que a relatora original disponibilizou à secretaria da Primeira Câmara o relatório acima transcrito, bem como o voto vencido que será aqui igualmente reproduzido. Contudo, em virtude de sua renúncia ao mandato, não foi possível concluir a formalização da citada decisão. Dessa forma, adoto o voto entregue pela relatora original, Conselheira Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, vazado nos seguintes termos: Conforme visto, a controvérsia travada nos autos diz respeito à possibilidade de fruição, pela devedora principal, Reale Comércio de Produtos Plásticos Ltda., da alíquota benéfica do PISCOFINS/Importação, em razão da mencionada empresa ser habilitada, à época da Fiscalização, no Regime Aduaneiro Especial de Importação de préformas classificadas no Ex 01 da NCM 3923.30.00 (estabelecido pela Lei nº 11.196/2005 e disciplinado pela IN 604/2006). Por ser habilitada no referido regime, a mencionada empresa importou, sob alíquota benéfica das citadas contribuições, “garrafas pet” destinadas ao mercado interno. Ocorre que a empresa descumpriu as condições para que o regime surtisse seus efeitos previstos na legislação de regência, conforme muito bem demonstra o Termo de Verificação Fiscal (fl. 716): O Regime Aduaneiro Especial de Importação, sob a égide do qual o sujeito passivo importou suas embalagens, é um regime de tributação beneficiada das contribuições para o PIS/Pasep Importação e CofinsImportação incidentes sobre embalagens tipo préformas, classificadas no código 3923.30.00 Ex 01. Entretanto, ficou demonstrado que essas importações se deram em desconformidade com as regras de tributação desse regime, que se resume no seguinte: I. O sujeito passivo deveria ser o real adquirente das mercadorias, mas ficou demonstrado que as importações se deram por encomenda, o que, por não ter sido informado no Siscomex, equipara as operações a “importações por conta e ordem”. Como descumpriu a primeira condição do regime especial, o sujeito passivo não pode dele usufruir. II. O sujeito passivo deveria comprovar que as mercadorias não se destinaram ao envasamento de água, refrigerantes e cerveja. Como se viu, o sujeito passivo não comprovou essa destinação, Fl. 996DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Processo nº 15165.721573/201398 Acórdão n.º 3102002.407 S3C1T2 Fl. 4 5 quando teve todo o tempo da ação fiscal para fazêlo. Portanto, a destinação a ser considerada para fins tributários deve ser o envasamento de água, refrigerantes e cerveja, o que implica a cobrança de PISimportação e COFINSimportação pela alíquota específica e multa por falta de Licença de Importação. III. O sujeito passivo não comprovou a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos empregados nas operações de importação, o que equipara suas importações a importações por conta e ordem. Isso implica, novamente, não ser considerado o real adquirente das mercadorias e a solidariedade passiva do encomendante / adquirente. Como se viu acima, o sujeito passivo incorreu em três faltas ao Regime Aduaneiro Especial de Importação, que impedem a utilização da forma de tributação beneficiada para as pré formas importadas. Cabe ressaltar que cada uma das faltas, individualmente, já seria suficiente para esse impedimento. Como as préformas eram destinadas ao envasamento de água, refrigerantes ou cerveja foram utilizadas alíquota específica em sua importação, como determina a legislação. Entretanto, constatase que as alíquotas que foram utilizadas são as alíquotas reduzidas previstas no Decreto 7455/2011, art. 8º, que não podem ser utilizadas pelo sujeito passivo porque este não é pessoa jurídica industrial ou importadora de bebidas, enquadrada no regime especial. Antes de concluir o que foi exposto acima, o Termo de Verificação Fiscal afirmou: Conforme o exposto, todas as importações acima se deram sob o regime de encomenda, mas não foram registradas como tal, o que as torna equiparadas a importações por conta e ordem, por força do § 2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/06. Essa equiparação tem dois efeitos principais para o caso em pauta: 1) o sujeito passivo não é mais considerado o real adquirente das mercadorias, o que o impede de usufruir da tributação beneficiada do Regime Especial; 2) a empresa encomendante tornase responsável solidária pelos tributos devidos na importação e eventuais penalidades relativas a esses tributos aplicáveis à operação. Como se viu na legislação referente às importações por encomenda, nelas é necessário que tanto a empresa encomendante quanto a empresa importadora sejam habilitadas para operar no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). Nas importações em pauta, não havia como a Plastpeva habilitarse, já que é uma empresa que não preenche os requisitos para tal, como: apresentar DCTF e DIPJ, etc., como se verá adiante. Outra condição para que a importação seja considerada por encomenda, prevista no § 3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/06, é Fl. 997DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR 6 que a operação seja realizada integralmente com recursos do importador contratado, pois, do contrário, seria considerada uma operação de importação por conta e ordem. Intimado, o sujeito passivo não fez nenhuma prova da origem dos recursos utilizados e seus livros não permitem essa verificação, devido à escrituração deficiente. Portanto, percebese que a premissa para que o Regime Especial, a que estava submetida a devedora principal, fosse descaracterizado, foi o fato de as importações, ditas por encomenda, não terem preenchido os requisitos para serem consideradas como tais. Adiante, ao final do Termo de Verificação, a Fiscalização conclui pelo lançamento do tributo equivalente à diferença entre a alíquota diferenciada e a alíquota que seria devida caso a empresa não fosse beneficiária do Regime Especial. Assim concluiu a Fiscalização (TVF, fl. 718): As importações listadas no item 2.1 deste termo terão os valores de suas contribuições para o PIS/PasepImportação e a Cofins Importação calculados segundo as alíquotas específicas constantes do Decreto 5.062/2004 e da IN 604/2006, com multa por falta de Licença na Importação. Lavrouse Auto de Infração para lançamento das parcelas pagas a menor da Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes na importação destes produtos, juntamente com os acréscimos legais devidos, bem como multa por falta de LI, conforme demonstrativos anexos ao Auto de Infração (PAF nº 15165.721573/201398). O Auto de Infração lavrado tem como responsável solidária a empresa Plastpeva Industria e Comercio de Embalagens Ltda., pelo que está sendo lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, que faz parte deste Auto de Infração. Todos os dados utilizados para apuração do crédito tributário, constantes dos demonstrativos, foram extraídos do sistema Siscomex. Eis, no ponto, o equívoco da Fiscalização. Tendo sido descaracterizada a importação por encomenda, a devedora principal passou a ser considerada interposta pessoa, razão pela qual a penalidade a ser aplicada não deveria ter sido o lançamento do diferencial do tributo e sim, a pena de perdimento ou a multa a ela equivalente. Irretocável a decisão de origem nesse ponto, ao afirmar: “Ora, se existe a certeza da interposição por ocultação do real importador ou por ausência de comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência de recursos, não há que se cogitar em lançamento de diferenças tributárias como procedido no presente auto de infração. Restando caracterizado o dano ao Erário, a hipótese é de aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas, ou lançamento de multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da operação. Ademais, caso seja esse o entendimento, a situação se encaminharia para duas providências: Fl. 998DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Processo nº 15165.721573/201398 Acórdão n.º 3102002.407 S3C1T2 Fl. 5 7 1. representação ao Delegado da DRF Curitiba para análise de eventual cancelamento da habilitação no regime aduaneiro e definição das alíquotas das contribuições; 2. independentemente do item anterior, imediata lavratura de auto de infração com proposta de aplicação da pena de perdimento.” Reputo correto o entendimento da Delegacia de origem quanto ao ponto, razão pela qual mantenho a decisão por seus próprios fundamentos. No que diz respeito à multa por falta de LI, adoto igualmente o fundamento atacado pelo recurso de ofício, ao afirmar que “Compulsando os autos, vejo que a fiscalização intimou a Reale a comprovar a destinação das préformas. Ante a não comprovação, efetuou levantamento das notas fiscais da Plastpeva e, a partir de suas conclusões, simplesmente extrapolou por presunção que toda a mercadoria era destinada a produtos alimentícios e deveria ter sido importada ao amparo de licenças de importação. Verificou quais DI estavam amparadas por tal documento e lançou a multa pela ausência do mesmo em relação às demais. Não encontro na legislação amparo legal para a presunção adotada e vislumbro outras formas de se tentar conseguir tal informação quando da ausência de manifestação da Reale, como por exemplo a realização de diligência junto a Plastpeva, apontada como responsável solidária, para obtenção da informação pretendida. Portanto, voto pela nulidade do lançamento das contribuições PIS e Cofins e pela improcedência da multa por ausência de licença de importação.” Com base nesses fundamentos a relatora original negou provimento ao recurso de ofício, sendo vencida por maioria Colegiado, e esse é o voto que me coube redigir. Sala de Sessões, 19 de março de 2015. Maria do Socorro Ferreira Aguiar Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Redator Embora a instância a quo tenha julgado o mérito da lide favoravelmente às Recorrentes, já em sede de preliminar considerou que o auto de infração era passível de nulidade, pelas razões que a seguir reproduzo. Previamente a qualquer lançamento, fazse necessário seja instaurado o devido processo com base no inciso II do art. 3º retrocitado. Caso seja comprovado que a empresa não satisfaz ou não satisfazia os requisitos para habilitação, será publicado no Diário Oficial um Ato Declaratório Executivo (ADE), com prazo de recurso de 10 (dez) dias à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil que circunscreve a Delegacia (DRF) da qual emanará o ADE. Após o prazo recursal, caso confirmado o cancelamento da habilitação, o processo será encaminhado à jurisdição de origem para ciência do interessado e demais providências cabíveis, momento em que poderão ser apuradas as eventuais diferenças tributárias lançadas nesse AI ou até outra penalidade relacionada à interposição fraudulenta alegada. Fl. 999DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR 8 Não pode, pois, este colegiado administrativo sobrepor as competências do titular da DRF Curitiba ou do Superintendente da 9ª Região Fiscal na análise do preenchimento dos requisitos para habilitação no regime em análise. No mérito, o i. Julgador de piso, após transcrever os fundamentos do auto de infração, afirma: Ora, se existe a certeza da interposição por ocultação do real importador ou por ausência de comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência de recursos, não há que se cogitar em lançamento de diferenças tributárias como procedido no presente auto de infração. Restando caracterizado o dano ao Erário, a hipótese é de aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas, ou lançamento de multa equivalente a 100% do valor aduaneiro da operação. Ademais, caso seja esse o entendimento, a situação se encaminharia para duas providências: 1. representação ao Delegado da DRF Curitiba para análise de eventual cancelamento da habilitação no regime aduaneiro e definição das alíquotas das contribuições; 2. independentemente do item anterior, imediata lavratura de auto de infração com proposta de aplicação da pena de perdimento. Portanto, no tocante ao lançamento das diferenças tributárias, voto pela nulidade do auto de infração. (...) Compulsando os autos, vejo que a fiscalização intimou a Reale a comprovar a destinação das préformas. Ante a não comprovação, efetuou levantamento das notas fiscais da Plastpeva e, a partir de suas conclusões, simplesmente extrapolou por presunção que toda a mercadoria era destinada a produtos alimentícios e deveria ter sido importada ao amparo de licenças de importação. Verificou quais DI estavam amparadas por tal documento e lançou a multa pela ausência do mesmo em relação às demais. Não encontro na legislação amparo legal para a presunção adotada e vislumbro outras formas de se tentar conseguir tal informação quando da ausência de manifestação da Reale, como por exemplo a realização de diligência junto a Plastpeva, apontada como responsável solidária, para obtenção da informação pretendida. Pedindo vênia, apresento a seguir meus pontos de divergência para cada uma das premissas adotadas pela decisão recorrida, e que foram acolhidas in totum pela i. Relatora do Processo. No que se refere à preliminar de nulidade arguída, motivada pela inobservância do rito prescrito para a imposição da exigência que aqui se discute, que, no entender da i. Relatora do Processo e do i. Julgador de piso, exigiria a prévia decisão em processo instaurado com base no inciso II do art. 3º da Instrução Normativa IN 604/2006, para averiguação do preenchimento das condições e requisitos da habilitação da pessoa jurídica, o fato é que o texto normativo em comento não estabelece nenhuma precedência. Em lugar disso, apenas regulamenta o processo de cancelamento da habilitação em procedimento de ofício, se não vejamos. Art. 3º O cancelamento da habilitação ocorrerá: I a pedido; ou Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Processo nº 15165.721573/201398 Acórdão n.º 3102002.407 S3C1T2 Fl. 6 9 II de ofício, na hipótese em que o beneficiário não satisfazia ou deixou de satisfazer, ou não cumpria ou deixou de cumprir os requisitos para habilitação ao regime. § 1º Na hipótese do inciso I, a solicitação deverá ser formalizada na DRF ou Derat com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da pessoa jurídica. § 2º O cancelamento da habilitação será formalizado por meio de ADE publicado no Diário Oficial da União, emitido pelo Delegado da DRF ou da Derat. § 3º Na hipótese de cancelamento da habilitação de que trata o inciso II, caberá, no prazo de 10 (dez) dias, contado da data da ciência ao interessado, a apresentação de recurso em instância única, com efeito suspensivo, à SRRF. § 4º O recurso de que trata o § 3º deve ser protocolizado junto à DRF ou à Derat com jurisdição sobre o estabelecimento matriz da pessoa jurídica que, após anexálo ao processo que lhe deu origem e preceder ao devido saneamento, o encaminhará à respectiva SRRF. § 5º Proferida a decisão do recurso de que trata o § 3º , o processo será encaminhado à DRF ou à Derat de origem para as providências cabíveis e ciência ao interessado. § 6º A pessoa jurídica cuja habilitação for cancelada nos termos do inciso II somente poderá solicitar nova habilitação após decorridos 2 (dois) anos contados da data de publicação do ADE de cancelamento. Me parece irretocável o entendimento de que não há nada no artigo supratranscrito e um toda a Instrução Normativa nº 604/2006 que exija a conclusão prévia do processo de cancelamento da habilitação como requisito para constituição de eventuais diferenças de tributos/contribuições devidos. Muito pelo contrário, nos artigos que seguem há, inclusive, disciplina própria para exigência de diferenças apuradas, em situação na qual se admite a manutenção da habilitação da empresa. Observese. Art. 5º A pessoa jurídica comercial importadora, habilitada ao regime, caso desconheça a destinação das embalagens na data de registro da declaração de importação, recolherá a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a Cofins Importação por estimativa, tendo por base os percentuais de vendas das embalagens importadas no último trimestrecalendário. (...) § 4º Se, durante o anocalendário, em função da estimativa, por 2 (dois) períodos de apuração consecutivos ou 3 (três) alternados, ocorrer recolhimento a menor da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação superior a 20% (vinte por cento) do valor devido, a pessoa jurídica comercial importadora será excluída do regime. A contrário senso do que acima se lê, admitese a possibilidade de que haja recolhimento a menor das Contribuições e, mesmo assim, a empresa seja mantida no Regime. Ou seja, tratamse de dois procedimentos de ofício autônomos. Um destinado ao cancelamento da concessão do Regime como um todo, o outro à exigência de diferença de Contribuições devidas, não tendo, nenhum dos dois, precedência sobre o outro. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR 10 Destaco que, curiosamente, o próprio Relator do processo em primeira instância, ao contestar, no mérito, o procedimento de exigência da diferença de tributos, enumera as ações que, no seu entendimento deveriam ter sido adotadas, admitindo que a lavratura do auto de infração deveria ocorrer independentemente do processo de cassação da habilitação no Regime1. E por que razão isso só seria válido para o caso de lançamento de multa pela conversão da pena de perdimento? Talvez por tratarse de uma conduta que não guarda nenhuma relação com o Regime em si, passível de ser apenada independentemente da permanência da pessoa jurídica no Regime. Inobstante as razões não declinada no Voto, segundo entendo, também a exigência de tributos independe da decisão que venha a ser tomada no processo de habilitação. Passo ao mérito. Considerouse incabível a exigência de diferença de tributos/contribuições e multa de ofício a ela associada, porque, comprovada a interposição com ocultação do real importador, caberia apenas o lançamento da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Mais uma vez peço vênia para divergir. Tal como poderia acontecer em qualquer outro processo de interposição fraudulenta, a aplicação da multa específica de conversão da pena de perdimento não elide a exigência de diferença de tributos/contribuições e multas em decorrência de circunstâncias específicas, como, no caso, a não destinação dos produtos à finalidade que lhes garantia condição mais benéfica. Ainda mais, neste, não houve sequer aplicação da multa de conversão da pena de perdimento, razão pela qual muito menos motivos há para se afaste as que foram aplicadas em face da infração identificada pela Fiscalização Federal, qual seja, repitase: não destinação das embalagens às finalidades para as quais foram importadas com tratamento tributário vantajoso. E também não me parece que a Fiscalização tenha extrapolado "por presunção que toda a mercadoria era destinada a produtos alimentícios e deveria ter sido importada ao amparo de licenças de importação". Ora, a condição excepcional deve ser provada por quem a alega. Tratase de um preceito que vem desde o Código Tributário Nacional, que, ao tratar de isenção, uma exceção à regra geral de tributação, assim prescreve. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Por outro lado, como se sabe, a comprovação do fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito é ônus de quem alega. A Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1 Como antes transcrito, consta do voto. "1. representação ao Delegado da DRF Curitiba para análise de eventual cancelamento da habilitação no regime aduaneiro e definição das alíquotas das contribuições; 2. independentemente do item anterior, imediata lavratura de auto de infração com proposta de aplicação da pena de perdimento". Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Processo nº 15165.721573/201398 Acórdão n.º 3102002.407 S3C1T2 Fl. 7 11 1973, Código do Processo Civil, fixa nestes termos a responsabilidade pela instrução probatória. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A relação jurídica entre sujeito passivo e o Estado; no entanto, não se amolda tão bem a essa máxima, pelo menos não para o efeito que, por vezes, parece que se lhe pretende atribuir. No campo do direito tributário, é do próprio administrado o dever registrar e guardar consigo os documentos e demais efeitos que testemunham a ocorrência dos eventos que se pretende provar. A guarda não constitui obrigação do Erário e não integra a natureza das relações fiscocontribuinte. De fato, nem mesmo se pode falar em constituição formal do fato constitutivo do direito. A comprovação do fato jurídico tributário, por isso, depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação contábil e fiscal o obriga a produzir e manter ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade fazendária. Ainda mais, não nos esqueçamos de que, aqui, discutese o reconhecimento de um direito do contribuinte, por ele pleiteado, e não uma pretensão da Administração Federal. Consta dos autos, fato que foi reconhecido por todos, que a Fiscalização Federal intimou o contribuinte a comprovar que havia destinado as mercadorias às finalidades nas para as quais teriam sido importadas. O contribuinte, contudo, não logrou êxito em fazêlo, razão pela qual foi, corretamente a meu ver, enquadrado na regra geral, com exigência da diferença dos gravames e multa por falta de licença de importação. Nas demais questões suscitadas no autos, adoto, como se meus fossem, os fundamentos da decisão de primeira instância. VOTO por rejeitar as preliminares e, no mérito, por dar provimento ao Recurso de Ofício. Sala de Sessões, 19 de março de 2015. Ricardo Paulo Rosa Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 p or RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/11/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Numero do processo: 16327.001320/2004-76
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2002
EMENTA:
PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC
Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), admite-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF nº 37)
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9101-002.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum, suplente convocado, declarou-se impedido.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2002 EMENTA: PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE INCENTIVOS FISCAIS PERC Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), admitese a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (Súmula CARF nº 37) Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. O Conselheiro Ronaldo Apelbaum, suplente convocado, declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 20 /2 00 4- 76 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de 175/183, contra Acórdão nº 110100.182, de 27 de agosto de 2009, fls. 166/171, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos seguintes termos: IRPJ — INCENTIVOS FISCAIS — PERC — DEMONSTRAÇÃO DE REGULARIDADE FISCAL — Para a concessão ou o reconhecimento de qualquer incentivo ou beneficio fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, considerase atendida a condição de comprovação da quitação de tributos e contribuições federais se, no curso do processo, o contribuinte junta certidões que, no momento da respectiva juntada, estivessem válidas. O recurso foi interposto com fundamento no art. 67, inciso II, do Regimento Interno Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, apresentando como acórdão paradigma o de nº 10809.111, que recebeu a seguinte ementa: INCENTIVOS FISCAIS A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo, ou benefício fiscal relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da regularidade fiscal. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS APRESENTADA FORA DO EXERCÍCIO DE COMPETÊNCIA,COM ALTERAÇÃO DE VALORES DA OPÇÃO A pessoa jurídica que apresentar declaração de rendimentos original ou retificadora fora do exercício de competência, com alteração dos valores a serem aplicados em incentivos fiscais regionais, não fará jus a essa opção, mesmo com imposto parcial ou totalmente recolhido no exercício correspondente. PAF — REVISÃO DA NEGATIVA DO DIREITO A FRUIÇÃO DE INCENTIVO FISCAL — O despacho do PERC só será favorável ao contribuinte, com a correspondente emissão da OEA, caso este contribuinte esteja com situação regular perante a SRF, isto é, se estiver em condições de receber certidão negativa ou positiva com efeito de negativa nos termos da IN n. 93, de 26/1/93, na data do despacho". (Norma de Execução SRF/Cosar/Cosit n. 4, de 26/02/97, item 5.4.10). A data da comprovação da regularidade é a do despacho no PERC. Tratando de incentivo fiscal, cabe ao próprio concedente estabelecer as regras pertinentes ao procedimento. De acordo com a Recorrente, o contribuinte em epígrafe não deve ter seu PERC analisado, uma vez que, tanto à época do exercício da opção pelo benefício, como da prolação do despacho decisório, ele possuía débitos federais. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 16327.001320/200476 Acórdão n.º 9101002.161 CSRFT1 Fl. 221 3 Para demonstrar a divergência, transcreve trechos da decisão recorrida para demonstrar que foi aceita uma Certidão Conjunta Positiva com efeito de Negativa (fl. 161) apresentada por ocasião do Recurso Voluntário para reconhecer a regularidade fiscal, enquanto que, no paradigma, a regularidade fiscal devia ser verificada no momento do despacho que analisa o pedido. Pede, por fim, que não seja reconhecido o direito do contribuinte à análise de seu PERC, ou o direito à fruição do correspondente benefício fiscal. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 110100.210, de 2010, fls. 187/188, havendo o interessado apresentado as Contrarrazões de fls. 191/197, por meio das quais, em síntese, pede que a regularidade fiscal seja comprovada a qualquer tempo, junta jurisprudência do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes que está de acordo com o acórdão recorrido, transcreve a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 2007 a respeito da prova de regularidade fiscal e pede para que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, por conseguinte, para que seja mantida a decisão proferida pela Primeira Câmara, ora recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. A respeito desta matéria, desde dezembro de 2009, temse a Súmula CARF nº 37, que dispõe, verbis: Súmula CARF nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Uma primeira leitura desta súmula permite interpretála no sentido de que é possível comprovar a quitação dos tributos a qualquer momento, mas essa prova deve demonstrar que, ao tempo da opção (declaração), o contribuinte possuía regularidade fiscal. Ocorre que, analisando os acórdãos que fundamentaram a súmula, identifico que as situações convergem para o entendimento de que a exigência da prova da quitação deveria ser a do momento da opção porém, como ninguém acosta aos autos uma “fotografia” da regularidade fiscal relativa à data da declaração e, da mesma forma em que se admite a verificação dessa regularidade a posteriori, devese admitir a prova da quitação em momentos posteriores. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 4 Dessa forma, se consta dos autos uma certidão negativa ou positiva com efeito de negativa posterior ao período da entrega da Declaração, a teor da súmula, esta deve ser aceita para que o sujeito passivo usufrua do benefício. Analisando, então, a decisão recorrida, verifico que a mesma aplica exatamente o entendimento da súmula, pois dispôs: De acordo com a jurisprudência desta Primeira Câmara, se no curso do processo a interessada apresenta certidões negativas (ou positivas com efeitos negativos) dos três órgãos com seus prazos de validade não vencidos, atendeu o requisito para a concessão do beneficio. Mesmo que, eventualmente, a obtenção e juntada de qualquer delas se dê quando outra ououtras, obtida(s) e juntada(s) anteriormente, já tenha(m) perdido a validade. O que importa é que, no curso do processo, o contribuinte tenhã juntado certidões de cada um daqueles órgãos e que tais certidões, no momento da respectiva juntada, não estivessem vencidas. ......................................................................................................... Por outro lado, nesta fase recursal a Recorrente juntou a Certidão Conjunta Positiva com efeito de Negativa (fls. 161). Assim, constando dos autos a certidão acima mencionada, com destaque em relação aos débitos da contribuinte que se encontram com a exigibilidade suspensa, suprido se encontra o óbice alegado para o indeferimento do pedido da interessada, razão pela qual dou provimento ao recurso. Como, de fato, consta à fl. 161 certidão conjunta positiva com efeitos de negativa de débitos relativos aos tributos federais e à dívida ativa da União e, como à fl. 62 constava a certidão negativa do FGTS, e à fl. 64, a da Previdência Social, entendo que o contribuinte logrou demonstrar a prova de quitação dos débitos em um período posterior do processo. Em face de todo o exposto, voto no sentido de aplicar a Súmula CARF nº 37 ao caso em apreço, para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 223DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 12898.000094/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA
O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Nos termos da Súmula CARF nº 99, o pagamento antecipado caracteriza-se pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, razão pela qual os fatos geradores devem ser considerados isoladamente.
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-003.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, relativamente à decadência, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Patrícia da Silva Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Nos termos da Súmula CARF nº 99, o pagamento antecipado caracteriza-se pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, razão pela qual os fatos geradores devem ser considerados isoladamente. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
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DECADÊNCIA O prazo decadencial para os lançamentos sujeitos a homologação obedece ao art. 150, § 4º, do CTN, quando houver antecipação do pagamento, mesmo que parcial, e ao art. 173, I, do CTN, quando não houver pagamento do tributo. Nos termos da Súmula CARF nº 99, o pagamento antecipado caracterizase pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, razão pela qual os fatos geradores devem ser considerados isoladamente. MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 00 94 /2 00 8- 12 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 308 2 no. 449, de 2008. Estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, relativamente à decadência, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidas as Conselheiras Patrícia da Silva (Relatora), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martinez Lopez, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor quanto ao mérito o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Patrícia da Silva – Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda em face do Acórdão nº 2403002.192, fls., que, por unanimidade, negou provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para, em preliminar, reconhecer a decadência no período de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN e, no mérito, determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, conforme art. 35, da Lei nº 8.212/91. A decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que Fl. 308DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 309 3 parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. IMUNIDADE. ISENÇÃO. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 55 DA LEI N. 8.212/91. CANCELAMENTO. A imunidade da contribuição previdenciária patronal assegurada às entidades filantrópicas, conforme o art. 195, § 7º, da Constituição, tem sua manutenção subordinada ao atendimento das condições previstas na legislação ordinária, art. 55 da Lei 8.212/91, vigente à época dos fatos geradores. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. MULTA. RECÁLCULO. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ART. 35 DA LEI 8.212/91. ALTERAÇÕES DECORRENTES DA LEI 11.941/09. COMPARATIVO ENTRE MULTA DE MORA E MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. NATUREZA DIVERSA. Impõese o recálculo da multa de mora aplicada para as competências anteriores à 12/2008, na forma do art. 61 da Lei 9.430/96, limitada a 20%. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Na origem, tratase de Auto de Infração lavrado em 19/12/2008 e notificado o contribuinte em 28/08/2009, que tem por objeto contribuições devidas a terceiros, parte patronal, relativas ao período de 01/2003 a 12/2003, devidas pela perda do direito a isenção tributária anteriormente prevista no art. 55, da Lei nº 8.212/91 com a expedição do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 002/2005 em 19/04/2005, retroativo à data de 01/01/1994. Foram apurados créditos tributários no montante total de R$ 1.323.926,64 (Um milhão, trezentos e vinte e três mil, novecentos e vinte e seis reais e sessenta e quatro centavos), englobando as contribuições, os juros e a multa de mora. A decisão proferida pela 11ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil deu parcial provimento à impugnação para reconhecer a decadência da competência 10/2003, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Interpostos Recurso de Ofício e Recurso Voluntário, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF negou provimento ao Recurso de Ofício e deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: a) reconhecer a decadência das competências de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003 por entender que a antecipação do pagamento de uma Fl. 309DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 310 4 única contribuição previdenciária atrai a regra do art. 150, § 4º, do CTN a todas as rubricas relacionadas, independente de ter ou não havido antecipação do pagamento em todas elas; b) determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, com base no princípio da retroatividade benigna. No Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 202), alegouse que o termo inicial do prazo decadencial deve ser considerado com base em cada fato gerador isoladamente e que, in casu, o dispositivo aplicável seria o art. 173, I, do CTN. Alegou, ainda, a existência de divergência jurisprudencial, colacionando acórdão paradigma no sentido de que: (...) o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Concernente à aplicação retroativa do art. 35, da Lei nº 8.212/91, alegou que o referido dispositivo apenas se aplica nas hipóteses em que o tributo é recolhido espontaneamente pelo contribuinte e, havendo lançamento de ofício, aplicase o art. 35A, da referida lei, colacionando acórdão com o seguinte teor: (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI Nº 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica se a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei (...) Recurso Voluntário Negado. (AC 240002.453) Ao final, requereu a reforma do acórdão para aplicar o prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, restabelecendo o crédito tributário com relação às competências das competências de 01/2003 a 09/2003 e 11/2003, e da aplicabilidade da norma mais benéfica ao caso em cotejo com a incidência do art. 35A, da Lei nº 8.212/91. Nas contrarrazões recursais, o Contribuinte alega a aplicabilidade do art. 35, da Lei nº 8.212/91, por ser a multa mais benéfica, e do art. 150, § 4º, do CTN, argumentando que o prazo decadencial de cinco anos começa a fluir a partir do fato gerado quando da antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, seja total ou parcial. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 311 5 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva, Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional cumpre com os requisitos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. O presente recurso tem como objeto a discussão sobre a regra aplicável para o termo inicial de contagem do prazo decadencial das contribuições relativas às competências 01 a 09/2003 e 11/2003 e sobre a multa aplicável no caso em tela. Quanto ao prazo decadencial, o r. acórdão entendeu que as competências 01 a 09/2003 e 11/2003 foram atingidas pela decadência, pois “para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, 4o, do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, §4o, do CTN”. (Grifei) A Fazenda Nacional argumenta que no caso em tela devese utilizar o prazo previsto no art. 173, I, do CTN, colacionando acórdão paradigma divergente no sentido de que deve haver distinção entre cada período e os respectivos fatos geradores, aplicando o art. 150, § 4º, quando tenha havido pagamento antecipado e o art. 173, I, na falta de pagamento. Pois bem. Observase que a regra do art. 150, do CTN, destinase aos lançamentos por homologação com pagamento de tributo. Assim, o lançamento realizado pelo contribuinte fica sujeito à verificação pelo Fisco e, não sendo constatada nenhuma irregularidade no pagamento efetuado, o crédito é extinto, nos termos do § 1º, do referido artigo. Todavia, verificandose a existência de irregularidade no pagamento, é dever do fisco realizar o lançamento suplementar, ato este que deverá ser realizado no período de 5 (cinco) anos a contar da data do fato gerador, nos termos do § 4º, do mesmo artigo. Diferentemente ocorre nos casos de lançamento por homologação sem pagamento do tributo, situação na qual não há o que se homologar. Nesse caso o Fisco deve realizar o lançamento de ofício no prazo de 5 (cinco) anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do CTN. Nesse sentido, aduz Ricardo Lobo Torres que “não cabe cogitar de homologação se inexistiu o autolançamento ou o pagamento prévio. O que a Administração controla é o ato do contribuinte, o pagamento por ele antecipado. Inexistindo este, inexistirá a possibilidade de homologação (...)”.1 O Superior Tribunal de Justiça tem entendimento pacífico nesse sentido, vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. NÃOCARACTERIZÇÃO. ADEQUAÇÃO DA 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário, p. 283. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 312 6 VERBA HONORÁRIA EM RAZÃO DA ALTERAÇÃODA SUCUMBÊNCIA. POSSIBILIDADE. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO PORHOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DODIREITO DE O FISCO CONSTITUIR CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL.ART. 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOSARTS. 150, § 4º, e 173 do CTN. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. O prazo decadencial para tributos lançados por homologação obedece à seguinte lógica: a) não ocorrendo pagamento antecipado, incide o art. 173, I, do CTN, por absoluta inexistência do que homologar; b) havendo pagamento antecipado a menor, aplicase a regra do art. 150, § 4º, desse mesmo diploma normativo. In casu, como não foi feita a antecipação do pagamento, atraise o disposto no art. 173, I, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário extinguese após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 4. Agravo Regimental não provido. (STJ AgRg no AREsp: 105771 SC 2012/00074876, Relator: Ministro HERMAN BENJAMIN, Data de Julgamento: 16/08/2012, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 24/08/2012) Nesse mesmo sentido, é o Acórdão paradigma nº 230102.627 trazido pela Fazenda Nacional para comprovar a divergência jurisprudencial, vejamos: (...) DECADÊNCIA. PRAZO DE CINCO ANOS. DISCUSSÃO DO DIES A QUO NO CASO CONCRETO. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). O prazo decadencial, portanto, é de cinco anos. O dies a quo do referido prazo é, em regra, aquele estabelecido no art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), mas a regra estipulativa deste é deslocada para o art. 150, § 4º do CTN )data do fato gerador) para os casos de lançamento por homologação nos quais haja pagamento antecipado em relação aos fatos geradores considerados lançamento. Constatandose dolo, fraude ou simulação, a regra decadencial é reenviada par o art. 173, inciso I do CTN. Na ausência de pagamentos relativos ao fato gerador em discussão, é de ser aplicada esta última regra. (...) Portanto, com a devida vênia, temos que a tese utilizada no r. acórdão ora recorrido para reconhecer a decadência das competências 05, 06 e 07/2004, chocase com a Fl. 312DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 313 7 jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e com os precedentes deste Conselho, não podendo se admitir que os pagamentos realizados em algumas competências possam abranger as competências nas quais não houve antecipação do pagamento, pois se originam de fatos geradores distintos. Não bastasse, viola frontalmente o entendimento da Súmula CARF nº 99, a qual expressamente estabelece que o pagamento antecipado caracterizase pelo recolhimento de valor na competência do fato gerador, vejamos: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Por conseguinte, considerando que os fatos geradores devem ser considerados de forma isolada e que, in casu, não houve antecipação de pagamento nem declaração do contribuinte nas competências de 01 a 09/2003 e 11/2003, o prazo decadencial deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN. Com relação à multa aplicável no caso em tela, devese levar em consideração a lei vigente à época da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144, do CTN, ou “a lei que comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática”, conforme disposto no art. 106, do CTN. Haja vista que à época inexistia a figura da multa de ofício do art. 35A, da Lei nº 8.212/91, a qual foi criada pela Medida Provisória nº 449/2008, e que o art. 61, da Lei nº 9.430/96, veio a instituir penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente no momento da ocorrência do fato gerador, correto foi o entendimento do r. acórdão quanto à aplicação do princípio da retroatividade benigna no caso em tela. Desta forma, deve ser mantida a r. decisão no que tange à aplicação da multa mais benéfica, qual seja, de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do art. 61, da Lei nº 9.430/96. Diante do exposto, conheço e dou parcial provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda para restabelecer o crédito tributário com relação às competências 01/2003 a 09/2003 e 11/2003. É como voto. (assinado digitalmente) Patricia da Silva Fl. 313DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 314 8 Voto Vencedor Com a devida vênia à posição da relatora quanto ao mérito recursal e ao entendimento esposado no recorrido relativo à matéria, ouso discordar. Notese permanecer em litígio, quanto ao mérito, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou, quanto à matéria de mérito, por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35, caput, da Lei nº 8.212, de 1991, já na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009 (art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996). Entendo a propósito que, em verdade, o referido art. 35 da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008 (convertida na Lei nº 11.941, de 2009), duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter, agora a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo tanto a constatação, através de procedimento de ofício, de falta de pagamento, como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 315 9 Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também Fl. 315DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 316 10 fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 317 11 Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. No caso sob análise, verifico que permanece em litígio, quanto à aplicação da retroatividade benéfica a multa aplicada aos débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no, 449, de 2008, constantes do AI 37.199.9138 (débitos de obrigação principal). Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado, agora ao caso sob análise, entendo que, para todos os débitos cujos fatos geradores ocorreram antes da vigência da MP no. 449. de 2008, devase, limitar a soma das penalidades aplicáveis à cada competência a título de descumprimento de obrigação principal e de obrigação acessória, esta última referente ao preconizado no art. 32, IV, §4o. e 5o, da Lei no. 8.212, de 1991, ao percentual de 75% dos valores devidos a título de obrigação principal, aplicandose assim a incidência do art. 35A da Lei no. 8.212, de 1991, sem que se deva falar em comparação segregada de multa para qualquer auto de obrigação principal, consoante proposto pelo vergastado. Este percentual é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática posteriormente estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 12898.000094/200812 Acórdão n.º 9202003.715 CSRFT2 Fl. 318 12 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de determinar que a análise da norma mais benéfica aplicável ao caso seja verificada em cotejo com a incidência do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991. Heitor de Souza Lima Junior – Conselheiro Fl. 318DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 11020.002025/2004-68
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO
Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Recurso Especial da Fazenda negado.
Numero da decisão: 9303-003.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Joel Miyazaki- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente).
Nome do relator: JOEL MIYAZAKI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1925; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 269 1 268 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11020.002025/200468 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.342 – 3ª Turma Sessão de 10 de dezembro de 2015 Matéria Cofins Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SAN MARINO MÓVEIS LTDA (antiga Chies Chies & Cia Ltda) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 COFINS NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR. BASE DE CÁLCULO. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS.EXPORTAÇÃO Nos termos do §2º do art. 62 do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, não incidem as contribuições para o PIS e a Cofins em relação a valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Recurso Especial da Fazenda negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Joel Miyazaki Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Gilson Macedo Rosenburg, Demes Brito, Rodrigo da Costa Pôssas, Valcir Gassen (substituto convocado), Joel Miyazaki, Vanessa Cecconello, Maria Tereza Martínez Lopez e Carlos Alberto Freitas Barreto (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 20 25 /2 00 4- 68 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 2 Relatório Os fatos foram assim narrados no acórdão recorrido: “Tratase de recurso voluntário (fls. 120/135) interposto pelo contribuinte acima identificado, em 11/02/2008, contra acórdão n° 1014.742 — 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre/RS, datado de 20 de dezembro de 2007, que indeferiu o pedido de ressarcimento, bem como não homologou as compensações efetuadas pela recorrente, nos termos da ementa do acórdão (fls. 112), abaixo transcrita: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CESSÃO DE ICMS — INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS. Rest/Ress. Indeferido — Comp. não homologada. Em 30/08/2004, a contribuinte apresentou Pedido de Restituição de crédito da COFINS não cumulativa, com fulcro nos §§1° e 2°, do art. 6°, da Lei n° 10.833/2003, no valor total de R$ 103.412,63, relativo ao mês de junho de 2004, referente à ilegalidade da inclusão das cessões de créditos de ICMS na base de cálculo da contribuição, e, ao fim, requer a subseqüente compensação dos valores recolhidos a maior, com débitos existentes, conforme DComp's, constantes dos autos (fls. 01/46). A autoridade local, por considerar a cessão de créditos de ICMS a terceiros como auferimento de receitas, base de cálculo da contribuição para a COFINS, glosou os referidos valores, reconhecendo parcialmente o direito creditório da contribuinte, no valor de R$ 91.404,76, homologando parcialmente as compensações efetuadas (fls. 47/51), tendo esta interposto Manifestação de Inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, suscitando, preliminarmente, a inexistência de lançamento para a cobrança do suposto débito, nos termos do art. 142, do CIN e, no mérito, informa que a Lei n° 10.833/2003, juntamente com a IN SRF 600 de 2005, que regulamentam a compensação e ressarcimento de créditos oriundos da contribuição para COFINS, estabelecia que as pessoas jurídicas que realizassem exportações, com esse firn especifico, poderiam compensar débitos vencidos ou vincendos junto à Secretaria da Receita Federal (fls. 78/98). Por fim argumenta que a legislação é precisa ao tributar apenas as RECEITAS auferidas pelo contribuinte, ressalvando as DESPESAS, inclusive as decorrentes de pagamentos a fornecedores através de transferência de saldo credor de ICMS. A DRJ/POA indeferiu a solicitação, nos termos da Ementa já transcrita. Inconformada com a decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes, aduzindo, em suma, ser ilegal a inclusão do crédito do Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002025/200468 Acórdão n.º 9303003.342 CSRFT3 Fl. 270 3 ICMS cedido a terceiros como receita da mesma, incidindo assim a COFINS, pugnando pelo reconhecimento integral do crédito pleiteado bem como a homologação das compensações efetuadas.” A Câmara a quo deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, o qual foi julgado nos termos do Acórdão nº. 380100.428, de 25/05/2010 (efls.170/175), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência da COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial, não se constituindo receita. Recurso Voluntário Provido. Contra o acórdão acima mencionado, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional apresentou recurso especial (efls. 178/196), o qual logrou seguimento, nos termos do despacho de exame de admissibilidade constante às efls. 207/208. Regularmente intimado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões ao apelo fazendário, às efls. 218/231. É o Relatório. Voto Conselheiro Joel Miyazaki, Relator Preenchidas as condições de admissibilidade do recurso especial, dele tomo conhecimento. A teor do relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão, na base de cálculo do PIS/COFINS, dos valores auferidos pela contribuinte a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS gerados na exportação. A discussão encontrase superada no âmbito deste CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, nos termos do art. 543B da Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil). O Recurso Extraordinário nº 606.107, que trata da matéria, foi interposto pela Fazenda Nacional, contra decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, o qual decidiu que o PIS e a COFINS não incidiam sobre os créditos de ICMS obtidos em razão do benefício Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 4 fiscal de que trata o art. 25 da LC 87/96, porquanto não constituíam receitas, mas sim custo recuperável sob a forma de compensação ou restituição. Em 22/05/2013, o STF proferiu decisão acerca da matéria, cujo teor restou assim ementado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de Fl. 272DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11020.002025/200468 Acórdão n.º 9303003.342 CSRFT3 Fl. 271 5 modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuida se de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII – Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditar se do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII – Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX – Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (Rel. Min. Rosa Weber. Publicação: 25/11/2013, DJE nº. 231, Trânsito em julgado: 05/12/2013) Por outro lado, dispõe o §2º do art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF/2015: Art. 62. ............................................................................................ §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos art.s 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 1963 – Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, in casu, não pode se furtar o julgador deste Tribunal Administrativo de reproduzir a decisão definitiva proferida pelo STF, na sistemática prevista no art. 543B do CPC/1973, que julgou inconstitucional a incidência das contribuições para o Fl. 273DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI 6 PIS e a COFINS sobre os ingressos relativos à cessão onerosa de créditos de ICMS decorrentes de operações de exportação, conforme demonstrado linhas acima. Com essas considerações, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. É como voto. Joel Miyazaki Relator Fl. 274DF CARF MF Impresso em 18/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CA RLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 14041.000709/2009-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2005
CPMF. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRIBUINTES. CARACTERIZAÇÃO.
O reconhecimento da não incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF, prevista no art. 8º da Lei nº 9.311/96, exige que a instituição financeira adote determinadas providências, estabelecidas em atos normativos próprios, para caracterização e enquadramento dos beneficiários dentre as entidades arroladas naquele dispositivo.
CPMF. CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS. INCIDÊNCIA.
As caixas de Assistência dos Advogados direcionam-se ao provimento de benefícios pecuniários e assistenciais dos seus participantes, não guardando suas atividades pertinência com a atribuição principal da autarquia a que vinculada, razão pela qual lhe é exigida personalidade jurídica própria, de maneira que não goza da não incidência tributária destinada às autarquias, estatuída no art. 8º, I da Lei nº 9.311/96.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Robson José Bayerl - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos - Presidente Robson José Bayerl - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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NULIDADE. DECLARAÇÃO. DESNECESSIDADE. A teor do art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, quando puder decidir do mérito em favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. PROVA DOCUMENTAL. JUNTADA. MOMENTO PROCESSUAL. Nos termos do art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outra oportunidade processual, de modo que, uma vez não produzidas, torna se despiciente debater o meritum causae de situações jurídicas que demandam a comprovação de observância às determinações legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2005 CPMF. NÃO INCIDÊNCIA. CONTRIBUINTES. CARACTERIZAÇÃO. O reconhecimento da não incidência da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, prevista no art. 8º da Lei nº 9.311/96, exige que a instituição financeira adote determinadas providências, estabelecidas em atos normativos próprios, para caracterização e enquadramento dos beneficiários dentre as entidades arroladas naquele dispositivo. CPMF. CAIXAS DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 07 09 /2 00 9- 80Fl. 643DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 2 As caixas de Assistência dos Advogados direcionamse ao provimento de benefícios pecuniários e assistenciais dos seus participantes, não guardando suas atividades pertinência com a atribuição principal da autarquia a que vinculada, razão pela qual lhe é exigida personalidade jurídica própria, de maneira que não goza da não incidência tributária destinada às autarquias, estatuída no art. 8º, I da Lei nº 9.311/96. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Waltamir Barreiros, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, relativo aos períodos de apuração 28/12/2004 a 31/12/2005. Tendo em conta a peculiaridade do lançamento, tomo por empréstimo o relatório da decisão de primeira instância administrativa: “De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, durante a fiscalização, foi constatado que a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, na qualidade de responsável tributário (art. 5°, inciso I, da Lei n° 9.311/96) pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza financeira CPMF, incidente sobre lançamentos a débito em contas correntes de depósito, em contas de depósito de poupança e em contas correntes de empréstimos, bem como a incidente sobre os lançamentos a crédito em contas correntes que apresentaram saldos negativos, até o limite do valor da redução dos saldos devedores (art. 2º , incisos I e II da Lei n° 9.311/96), no período de 17/06/1999 a 31/12/2002 (art. 20 da Lei n° 9.311/ 96 c/c art. 1º da Lei n° 9.539/97), deixou de realizar a retenção/recolhimento da referida contribuição nos lançamentos efetuados em 312 (trezentos e doze) contas, sem que houvesse embasamento legal para tal procedimento. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 11 3 Informou a autoridade fiscal que as contas que deixaram, indevidamente, de sofrer retenção da CPMF estão relacionadas individualmente na ‘Planilha I – Contas Autuadas por Grupo’ (Anexo I), estando agrupadas, para fins didáticos, pelos seguintes motivos que levaram a autuação dessas contas. Grupo A Contas de titulares declarados como entidades beneficentes Este grupo destaca as contas para as quais a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL foi intimada a apresentar a documentação para fins de isenção da CPMF, porém não apresentou nenhuma declaração ou Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social relativos ao ano de 2005, além de não constarem, como entidade certificada, nos bancos de dados do CNAS. Grupo B Contas com não retenção motivada por medida judicial As contas deste grupo foram autuadas porque não foram apresentadas as medidas judiciais que amparavam o direito. Grupo C Contas de titulares declarados como administração pública direta e indireta Neste grupo, o sujeito passivo autuado, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, incluiu contas em que os titulares estão cadastrados junto à Receita Federal como pessoas físicas, empresas públicas, sociedades de economia mista, entidades empresariais e afins, empresas de educação ou congêneres, entidades de previdência privada, cartórios e demais atividades jurídicas, fundações privadas, organizações religiosas, sindicatos, organizações políticas, associações, cooperativas e outras formas de organizações sem fins lucrativos. Grupo D Contas de titulares declarados como entidades referidas no inciso III do art. 8º da Lei n° 9.311/96 e entidade públicas Titulares não cadastrados na CVM e BACEN. Grupo E – Contas de Cooperativas de Crédito Este grupo destaca as contas de supostas cooperativas de crédito. Grupo F – Contas de Poupança Simplificada Contas sem comprovação de serem poupança. Grupo G – Contas de Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas Contas cujos titulares não se enquadram na definição de Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentares. Grupo H – Contas de Pessoas Físicas Contas cujos titulares não são contemplados pelo inciso VI, alíneas “d” e ‘e’ do artigo 3º da Lei nº 9.311/96. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 4 DA IMPUGNAÇÃO PARCIAL Cientificado do lançamento em 17/12/2009, o sujeito passivo apresentou a impugnação parcial às fl. 307/347, e anexos, em 18/01/2010. A seguir consta um resumo do teor da impugnação, organizado pelos tópicos apresentados pelo contribuinte: 1. Valores pagos A CEF efetuou diversos pagamentos, porém questiona possíveis divergências na apuração da CPMF. No caso em tela, haveria divergência quanto à definição do período de apuração do tributo, principalmente nos casos em que na semana do término do período tenha ocorrido feriado nacional, local ou bancário na quinta ou sextafeira (ou em ambas). Assim, pugna pela revisão do lançamento, pois, não seriam devidas as diferenças por ela apontadas. 2. Autarquias Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas Foram incluídas nas contas autuadas, alguns Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas que, nos termos do parágrafo 6º, do art. 58 da Lei 9.649/98, por constituírem serviço público, são classificados como autarquias e, por isso, gozam de imunidade tributária total em relação aos seus bens, rendas e serviços. Então, na forma do art. 3º, inciso I da Lei 9.311/96, não cabe a retenção da CPMF em suas contas. Em relação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em que pese o parágrafo 9º do art. 58 prever que o parágrafo 6º citado não se aplica a esta instituição, o art. 44, combinado com o § 5º, do art. 45, ambos da Lei 8.906/94, estabelece a mesma regra de imunidade para a OAB. Além disso, as Caixas de Assistência dos Advogados, por serem órgão da OAB (extensão do ente principal, sem autonomia em relação a este), nos termos do inciso IV do art. 45 da Lei 8.906/94, gozam de mesmo tratamento tributário. Votovencedor exarado pelo Senhor Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Franciulli Netto (no Conflito de Competência 36.557MG 2002/01051589) sacramenta ser a Justiça Federal competente para julgar ações em que seja parte a Caixa de Assistência dos Advogados, o que autoriza concluir que esta é uma autarquia, nos termos do art. 109, I, da Constituição Federal (CF). Segundo a Impugnante mister se faz excluir as contas tituladas por autarquias, uma vez que a contribuição não incide, nos termos do inciso I, do art. 3º, da Lei 9.311/96. 3. Outras contas com declaração de Isenção Tratamse de contas autuadas que possuem declaração de isenção de CPMF válidas para o período, motivo pelo qual devem ser excluídas do auto. 4. Contas com decisão judicial Fl. 646DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 12 5 Os titulares dessas contas possuem decisão judicial para não retenção. Esclarece que a CAIXA não foi parte em nenhuma das ações e medidas, assim, não tomou conhecimento de eventuais cassações de liminares e/ou decisões terminativas cassando o direito à não retenção. Não se verifica do acompanhamento processual das referidas ações ofícios expedidos à CAIXA, assim, não pode ser compelida ao pagamento da contribuição. 5. Instituições securitizadoras As tituladas pela CIBRASEC devem ser excluídas, nos termos do art. 8º, III, da Lei nº 9.311/96 e art. 4º, VIII da IN SRF 450/04. 6. Contas de entidades beneficentes de assistência social Foram autuadas contas de entidades beneficentes de assistência social sob o argumento de que a CEF não apresentara declarações dessas entidades ou que as apresentara desconformes com a regulamentação legal. O que se tem é que as Entidades efetivamente declararam, sob as penas da Lei, sua condição de enquadramento legal para obtenção do beneficio de não incidência de CPMF, restando, pois, afastada a responsabilidade da CEF por eventual tributo devido por essas entidades. Além disso, foi utilizado extremo rigor na desqualificação das declarações, pois a falta de um ou outro quesito não retira delas seu valor probante e declaratório. A declaração serve tão somente para que a CEF possa marcar a conta corrente para que não haja cobrança da CPMF, pois na realidade as entidades já possuem na lei os requisitos para o benefício. Ou seja, tais entidades não perdem sua qualidade pelo simples fato de uma declaração não preencher os requisitos de forma. Está sendo privilegiada a forma em detrimento da juridicidade da informação. Ressaltese por fim, a total desnecessidade de apresentação de declaração para cada conta titulada por uma entidade, ou seja, se esta possui cinco contas em uma agência, não há necessidade de uma declaração para cada conta. 7. Contas pagas pelo titular – (tópico X) Constam do lançamento contas cujo CPMF foi cobrado, mas que não foram informadas no arquivo disponibilizado à fiscalização. Junta a identificação dos contribuintes, as movimentações das contas, extratos bancários e cópias de documentos de débitos. Logo tais valores devem ser excluídos, sob pena de ocorrer bitributação (documentos às fl. 6753/7031). DA DILIGÊNCIA Em despacho (fls. 553/561) exarado, em 03/05/2011, pelo exJulgador desta Turma, André Mendes de Moura, os autos do processo foram encaminhados à DRF/Brasília/DF para que, em diligência, a CEF Fl. 647DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 6 elaborasse demonstrativo especificando os lançamentos impugnados decorrentes de PA incorreto. DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA Cumprida a diligência, a autoridade fiscal apresentou os seus resultados e os esclarecimentos solicitados por meio do Relatório de Diligência de fls. 575. Esclareceu a fiscalização ter observardo exatamente os PA previstos na legislação de regência da CPMF para apuração das bases de calculo da referida contribuição.” A DRJ Brasília/DF manteve o lançamento através de decisão assim ementada: “CPMF. INCIDÊNCIA. CONJUNTO PROBATÓRIO Verificada a incidência da CPMF compete à instituição financeira, acompanhada das provas hábeis, demonstrar o motivo da não retenção. ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO. INCIDÊNCIA. As Caixas de Assistência dos Advogados são entidades, de direito privado, destinadas a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados e não podem ser consideradas órgãos de qualquer autarquia uma vez que possuem personalidade jurídica e patrimônio próprios gozando de autonomia financeira e administrativa.” Em recurso voluntário o contribuinte sustentou nulidade da decisão de piso em razão da ausência de manifestação acerca das divergências ocasionadas pela definição dos períodos de apuração e, também, pela singeleza do argumento de falta de prova para configuração das hipóteses de não incidência da contribuição. No mérito, com alguma variação, repetiu a argumentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Preambularmente, no ponto atinente à ausência de decisão sobre questão posta em recurso, assiste razão à recorrente, pois, de fato, não houve manifestação sobre a alegação de equívoco na delimitação dos períodos de apuração. Entretanto, reza o art. 59, § 3º do Decreto nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 8.748/93, que, quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Neste sentido, a questão em comento já havia sido antecipada e motivou a conversão do julgamento em diligência, tendo o Relator (da DRJ Brasília/DF) originário consignado a procedência do raciocínio engendrado pela recorrente, verbis: Fl. 648DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 13 7 “Ou seja, no caso em tela, tendo a contribuinte demonstrado que, por um equívoco na delimitação do período de apuração, efetuou o pagamento da CPMF antecipadamente, não cabe o lançamento de ofício. No exemplo apresentado, restou caracterizado que o valor lançado de ofício referente ao PA de 29/12/2004 a 05/01/2004, de R$ 4,71, referese exatamente à CPMF apurada em 29/12/2004, que já foi recolhida pela impugnante ao adotar como período de apuração as datas de 23/12/2004 a 28/12/2004.” Entretanto, à época, optouse pela diligência, em razão da generalidade da alegação da recorrente, que insinuava repetir o problema em toda a autuação, o que, por não se compaginar com o art. 16, III do Decreto nº 70.235/72, exigia a especificação dos períodos de apuração em que esta ocorrência teria se verificado, tendo a recorrente apontado e demonstrado apenas os dois casos relacionados na impugnação e no recurso voluntário. É certo que a delimitação dos períodos de apuração elaborada pela fiscalização está correta, como reconhece a própria recorrente, sendo seu o erro de definição das datas, contudo, na linha do que já antecipara o julgador de primeiro grau, à época da diligência, aludido equívoco não redundou em prejuízo à Fazenda Nacional, de modo que, isoladamente considerado, não pode ser tomado como infração à legislação, mas tão somente um lapso de apuração. Assim, ultrapassando a nulidade argüida, entendo que devam ser excluídos do lançamento os valores de R$ 4.71, relativo ao “PA 53”, e R$ 3,60, relativo ao “PA105”, conforme Anexo III do lançamento. Tocante à impossibilidade de rejeição dos argumentos da recorrente pela ausência de provas, é tese que, nada obstante tratada em recurso como preliminar, guarda pertinência com o próprio mérito do lançamento, haja vista que boa parte da exigência fiscal está calcada na falta de demonstração, através de documentação hábil, da condição de beneficiário da não incidência tributária de uma série de clientes do contribuinte. A recorrente, por seu turno, aduz que caberia a conversão do julgamento em diligência para a apresentação desta documentação, cingindose, na oportunidade, a apresentar planilhas com a relação destes clientes, sem, no entanto, trazer qualquer princípio de prova que a corroborasse, mas apenas alegações, frisando que os seus argumentos de direito deveriam ser enfrentados. Ocorre que a prova da satisfação dos requisitos para fruição da não incidência atribuída a determinados clientes, por ocasião da ocorrência dos fatos geradores, é questão que se antepõe à discussão de mérito, que, em não se verificando, por via oblíqua, acaba por ser prejudicada. Com efeito, de que adiantaria debater se instituições beneficentes de assistência social têm ou não direito à não incidência da CPMF se não existe no processo qualquer elemento que prove, por mais singelo que seja, que aludida entidade realmente se qualifica como tal (assistência social). Fl. 649DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 8 Nestes casos, a recorrente se limitou a alegar que todas as entidades que não sofreram a incidência do tributo estavam amparadas na legislação, no entanto, como já enfadonhamente repetido, não há prova alguma nesse sentido. Aliás, esta foi a razão principal do lançamento, valendo aqui a remissão ao adágio jurídico consoante o qual alegar e não provar é o mesmo que nada alegar. Acentuese que a recorrente foi instada a produzir a prova documental desde o transcurso do procedimento fiscal, passando pela decisão recorrida e, até o presente momento, não se desvencilhou de seu ônus. Os únicos elementos coligidos pela recorrente, mesmo assim em sede impugnatória, são planilhas por ela própria confeccionadas onde listados os pretensos documentos que respaldariam a não incidência, porém, nenhum deles, isto é, nenhum dos indigitados documentos, foi até agora apresentado. Notese, as planilhas, listas e demonstrativos, para o escopo da autuação, não tem valor probatório algum, haja vista que não demonstram qualquer fato ou situação jurídica que embasasse a razão para a não incidência da CPMF aos fatos geradores relacionados no lançamento. Também não servem como princípio de prova porque, como já antecipado, não se caracterizam como “documentos”, assim entendidos quaisquer escritos, instrumentos ou papéis, públicos ou particulares com relevância jurídica para demonstração de fatos ou situações jurídicas que interessam ao processo, ou seja, sirvam de prova1. Mais uma vez, as planilhas não servem de prova e tampouco podem ser tomadas como princípio de prova, revelandose como simples alegação, desprovida de qualquer respaldo probatório. A decisão sob vergasta está em linha com o disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, no que tange ao momento da produção da prova documental: “Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) 1 Soilbeman, Leib. Enciclopédia Jurídica, Volume I, Editora Rio. pág. 264. Fl. 650DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 14 9 § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Averbese, ainda, que o caso vertente não se enquadra em quaisquer das exceções previstas nas alíneas “a” a “c”, do parágrafo quarto. O cerne originário da questão, a bem da verdade, reside na medida da responsabilidade da instituição financeira pela observância dos requisitos e condições necessários à fruição da não incidência do tributo, pelos seus beneficiários. Tudo o mais acaba, de alguma forma, atrelado a esta definição. A fiscalização asseverou que as Instruções Normativas (SRF) nºs 44/2001, 531/2005 e 544/2005, bem assim, o Ato Declaratório nº 69/2001, regularam as providências a serem observadas pelas instituições financeiras no cadastramento da não incidência da CPMF sobre contas titularizadas por entidades beneficentes de assistência social, com lastro no art. 3º, V da Lei nº 9.311/96, inovando a IN SRF 531/2005 ao exigir, além da declaração instituída pela IN SRF 44/2001, também a cópia autêntica do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social CEBAS, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social CNAS, nos termos do Decreto nº 2.536/1998, válido para o período objeto da não incidência da contribuição, que deveria ser arquivada juntamente com aludida declaração. Intimada a apresentar tais documentos, a recorrente restringiuse a afirmar que a legislação de regência lhe exigia tãosomente a declaração, firmada pela entidade, de atendimento aos requisitos legais que a qualificavam como tal, para a promoção da não Fl. 651DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 10 incidência da CPMF. Contudo, verificase, como dito linhas atrás, que a IN SRF 531/2005 passou a exigir, além da declaração, também o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, sendo obrigação da instituição financeira a exigência de tal documento: “Art. 1º Para efeito do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 9.311, de 1996, a entidade beneficente de assistência social deverá apresentar à instituição responsável pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira (CPMF), declaração, na forma do Anexo I, assinada pelo seu representante legal. § 1º A declaração será emitida em duas vias, devendo a instituição responsável pela retenção da contribuição arquivar a primeira via e devolver a segunda via ao interessado, como recibo. § 2º A instituição responsável pela retenção da contribuição deverá exigir do interessado cópia autenticada do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social nos termos do Decreto nº 2.536, de 6 de abril de 1998, válido para o período objeto da não incidência da contribuição, que será arquivada juntamente com a declaração de que trata este artigo. § 3º O disposto no § 2º deverá ser observado pela instituição responsável pela retenção da contribuição em relação às entidades beneficentes de assistência social que já tenham apresentado a declaração de que trata o art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 44, de 2 de maio de 2001. § 4º A apresentação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social pelo interessado, de acordo com o disposto no § 3º, deverá ser efetuada no prazo de 90 (noventa) dias, contados da publicação desta Instrução Normativa. (...)” Há ainda a afirmação, repetida da impugnação, que estaria sendo acostada a documentação comprobatória da condição de entidade beneficente, contudo, esta “documentação”, na verdade, resumese à planilha alhures referida, o que, como dito, não é suficiente para se tomar como procedente a alegação da recorrente. Inferese, pelo quadro estampado, que a recorrente não observou os atos normativos baixados pela Secretaria da Receita Federal. No que tange às contas beneficiadas por medidas judiciais que impediram a cobrança da CPMF, a mesma situação se repete, uma vez que a recorrente não apresentou as cópias das sobreditas decisões judiciais, argumentando que não seria parte no processo, mas apenas terceiro obrigado ao seu cumprimento, além do que, não fora cientificada da cassação destes provimentos. Ocorre que não se está a discutir se, à época dos fatos, havia cassação de decisão ou não, mas tão somente se havia prova da existência destas medidas judiciais, o que não foi demonstrado. Mesmo na planilha com indicação das medidas judiciais, os dados dela constantes se referem ao número da agência, conta beneficiada, CNPJ/CPF e titular, não informando sequer o número do processo judicial respectivo. Da mesma forma, não há como acolher a pretensão da recorrente quanto à exclusão de tais valores do lançamento, por completa ausência de prova do atendimento à condição para não incidência do tributo. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 15 11 Concernente à pessoa jurídica CIBRASEC – Companhia Brasileira de Securitização, CNPJ 02.105.040/000123, relacionada na planilha de fl. 257, cuja inclusão na autuação foi especialmente questionada no recurso voluntário, alega a recorrente que foi qualificada como instituição pertencente ao sistema financeiro nacional e que a não incidência estaria resguardada pelo art. 8º, III da Lei nº 9.311/96 e art. 4º, VIII, “b” da IN SRF 450/2004. Já a autuação erige, como justificativa de lançamento, a inexistência de cadastro na Comissão de Valores Mobiliários – CVM ou no Banco Central do Brasil – BACEN, conforme Termo de Verificação Fiscal (fl. 29). Entretanto, em consulta à página virtual da Comissão de Valores Mobiliários – CVM (www.cvm.gov.br), realizada em 11/03/2015, relativamente à CIBRASEC, encontrase a seguinte situação: Denominação Comercial : CIBRASEC Endereço : Avenida Paulista, nº 1439 2ª sobreloja Bairro : Cerqueira César Cidade : SÃO PAULO UF : SP CEP : 01311200 DDD : 011 TEL : 49493000 FAX : 49493011 CNPJ : 02.105.040/0001.23 Data de Registro : 31/05/1999 Código CVM : 18287 Diretor de relações com investidores : ONIVALDO SCALCO Endereço (Diretor) : AVENIDA PAULISTA, Nº 1439 2ª SOBRELOJACERQUEIRA CÉSAR UF (Diretor) : SP CEP (Diretor) : 01311200 DDD (Diretor) : 11 TEL (Diretor) : 49493000 FAX (Diretor) : 49493011 EMail (Diretor) : CIBRASEC@CIBRASEC.COM.BR Mercado : BALCÃO ORGANIZADO Atividade : SECURITIZAÇÃO DE RECEBÍVEIS Auditor : DELOITTE TOUCHE TOHMATSU AUDITORES INDEPENDENTES CGC do Auditor : 49.928.567/0001.11 Controle Acionário : PRIVADO Situação : ATIVO Data Situação : 31/05/1999 Categoria de Registro : Categoria B Data Início na Categoria : 22/05/2012 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL 12 Como se vê, sendo a pretensa falta de registro na Comissão de Valores Mobiliários – CVM a única razão para a exigência, em relação ao beneficiário da não incidência da CPMF, mostrase improcedente o lançamento, haja vista que se encontra cadastrado naquele órgão desde 1999, na condição de regulado “ATIVO”. Relativamente à outra pessoa jurídica elencada na planilha de fl. 257, ACREDITE – Alto Vale do Itajaí, CNPJ 04.786.686/000149, qualificada como sociedade de crédito, de fato, não consta o seu registro no BACEN. Em pesquisa à rede mundial de computadores (Internet), página virtual www.bancoacredite.com.br, constatase que seu nome comercial é “Acredite Banco de Microcrédito”, destacando seu Balanço Social de 2008, único disponível, que se trata de uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, sem finalidade lucrativa e que não possui Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, sendo o nome da instituição “Agência de Crédito Especial do Alto Vale do Itajaí”. Consta ainda que é entidade associada à Associação das Organizações de Microcrédito de Santa Catarina – AMCRED, cujo estatuto social a define como organização civil, pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e econômicos. O Banco Central do Brasil – BACEN regulou a atividade de microcrédito através da Resolução nº 2.627/1999 e Circulares BACEN nºs 2.915/99 e 2.898/2000, sendo que o primeiro documento dispõe sobre a natureza, constituição, capital mínimo e sua integralização, seu marco operacional, limites individuais de crédito, proibições, postos de atendimento e supervisão das Sociedades de Crédito para o Microempresário, assim como os direitos do Banco Central em relação às mesmas. Consoante art. 2º da Resolução BACEN nº 2.627/99, A expressão sociedade de crédito ao microempreendedor deve constar da denominação social das sociedades desta natureza, sendolhes vedada a adoção da palavra banco, verbis: “Parágrafo 2º A expressão sociedade de crédito ao microempreendedor deve constar da denominação social das sociedades de que trata o ‘caput’, sendolhes vedada a adoção da palavra banco.” Considerando que a pessoa jurídica em questão se autodenomina, para fins comerciais, como “banco”, e não possui a expressão “sociedade de crédito ao microempreendedor”, não se encontrando registrada no BACEN, não há como considerála instituição financeira ou sociedade de crédito, para a finalidade do art. 8º, III da Lei nº 9.311/96, como asseverado pela fiscalização, devendo sua movimentação ser mantida na autuação. Respeitante à possível quitação de parte do crédito tributário, no tópico intitulado “Contas pagas pelos titulares”, também aqui não há qualquer elemento de prova, ressalvadas as planilhas de fls. 179 e 259, que demonstre esse fato, mas apenas a alegação que, apesar de não constar dos arquivos digitais fornecidos à fiscalização, os valores foram debitados às contas correntes dos clientes, bem assim, que teriam sido coligidos extratos bancários e cópias de documentos de débitos, em um anexo, que, porém, não foi localizado no processo. Por fim, restou a discussão acerca da não incidência da CPMF sobre as Caixas de Assistência dos Advogados, que, a meu sentir, foi exaustivamente enfrentada pelo colegiado a quo. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 14041.000709/200980 Acórdão n.º 3401003.014 S3C4T1 Fl. 16 13 Nesta senda, ainda que tomada a Ordem dos Advogados do Brasil como uma autarquia profissional de regime especial, o fato do art. 45 da Lei nº 8.906/94, que dispõe sobre o Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), catalogar a Caixa de Assistência dos Advogados como um de seus órgãos, não significa que goze do benefício da não incidência de CPMF. A uma, porque indigitada não incidência está imbricada com a atividade principal da autarquia, no caso, aquela descrita no art. 44 daquele diploma legal, sendo que a atividade da caixa de assistência consiste em prestar assistência aos inscritos no Conselho Seccional (OAB) e promover a respectiva seguridade complementar; a duas, porque a lei prevê que possua personalidade jurídica própria, em relação à Ordem dos Advogados do Brasil, condição esta que não se compagina com a natureza jurídica de “órgão”, tal qual admitido pelo direito administrativo, como já asseverado pela decisão de piso. Logo, neste ponto, a decisão não merece reparo. Com estas considerações, voto por dar provimento parcial ao recurso para excluir as divergências originadas pela incorreta delimitação do período de apuração (R$ 8,31 – “PA53” e “PA105”), bem como, excluir do lançamento os valores referentes à movimentação da pessoa jurídica CIBRASEC – Companhia Brasileira de Securitização, CNPJ 02.105.040/000123. Robson José Bayerl Fl. 655DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 07/01/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado dig italmente em 07/01/2016 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10865.000679/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa:
DECADÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO §4° DO ART. 150 DO CTN.
No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de haver antecipação do pagamento, utiliza-se a sistemática prevista no § 4° do o art. 150 do Código Tributário Nacional (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543-C do CPC c/c art. 62 do RICARF), devendo o termo inicial da decadência ocorrer no último dia daquele ano-calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38.
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de o contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referem-se a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA.
A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal.
Numero da decisão: 2201-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no ano-calendário de 1997, atinentes ao lançamento com base em depósitos bancários. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração (lançamento com base em depósitos bancários) o valor de R$ 10.205,16, R$ 8.751,79, R$ 11.994,99 e R$ 19.374,00, referentes aos anos-calendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah Presidente-Substituto e Relator.
EDITADO EM: 14/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. APLICAÇÃO DO §4° DO ART. 150 DO CTN. No caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, na hipótese de haver antecipação do pagamento, utilizase a sistemática prevista no § 4° do o art. 150 do Código Tributário Nacional (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62 do RICARF), devendo o termo inicial da decadência ocorrer no último dia daquele anocalendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MOMENTO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. SÚMULA CARF Nº 38. “O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário”. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM DOS RECURSOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 06 79 /2 00 3- 71 Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 O fato de o contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INOCORRÊNCIA. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Tributário Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto na Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1997, atinentes ao lançamento com base em depósitos bancários. No mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração (lançamento com base em depósitos bancários) o valor de R$ 10.205,16, R$ 8.751,79, R$ 11.994,99 e R$ 19.374,00, referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – PresidenteSubstituto e Relator. EDITADO EM: 14/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa da Cruz. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 06/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.998.575,17, calculados até 31/03/2003. A fiscalização apurou omissão de rendimentos da atividade rural, glosa de despesas da atividade rural e omissão de rendimentos proveniente de depósitos bancários. Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 3 3 Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: PRELIMINAR DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. 4.1 O sigilo bancário do impugnante foi quebrado ilegalmente, pois o direito fundamental à intimidade e à vida privada está inserido como cláusula pétrea na Constituição Federal. Dessa maneira, a supressão da ordem judicial na quebra do sigilo bancário não poderia ter sido feita por lei complementar. Em outras palavras, a Lei nº 105/2001 não pode dispor contra a Constituição Federal na parte em que consagra direitos fundamentais insuscetíveis até mesmo de emendas constitucionais. Também merece destaque a inadmissibilidade do fato de uma lei complementar conferir competência às autoridades fiscais, sejam elas Federais, Estaduais ou até Municipais, lhes assegurando poderes de verificação de informações e dados sigilosos que, até então, só poderiam ser quebrados mediante determinação do Poder Judiciário, contrariando assim o Princípio da Inviolabilidade do Sigilo de Dados, inserido no inciso XII do artigo 5º da CF (Para reforçar seu entendimento, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema, algumas posteriores à edição da LC nº 105/2001); PRELIMINAR DE ILEGALIDADE DA AÇÃO FISCAL PELA IRRETROATIVADE DA LEI. 4.2 a lei nº 105/2001 está impregnada de inconstitucionalidade, uma vez que fere o princípio e garantia constitucional da irretroatividade das leis, pois não poderia ser aplicada a fatos geradores anteriores a 2001. O entendimento da LICC já é pacificado no sentido de que, uma lei, após promulgada, tem efeito imediato e geral (nunca retroativo), contudo, deve sempre respeitar o ato jurídico perfeito, o direito adquirido ou a coisa julgada. A retroatividade é tema de tal excepcionalidade que é tratada somente em âmbito constitucional, sendo permitida apenas em relação à lei penal que seja mais benigna ao réu. No caso do MPF ora impugnado, foi justamente esta prática abusiva a adotada pelo órgão fiscalizador, uma vez que, valendose da LC nº 105/2001, foi violado o sigilo bancário do ano de 1998. E com a inobservância do princípio da irretroatividade das leis, também foi abalada a segurança jurídica (para reforçar sua argumentação, transcreve várias decisões judiciais sobre o tema);. NO MÉRITO. 4.3 o lançamento de imposto de renda tendo como base apenas a movimentação financeira é totalmente incorreto, por ser apenas presunção, suposição ou indício, pois é da consciência jurídica que, tanto para pessoas físicas quanto para as pessoas jurídicas, mera movimentação financeira não indica hipótese de incidência de imposto de renda, ainda que faça nascer o fato gerador da CPMF. Cita a Súmula 182 do antigo Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Tribunal Federal de Recursos e transcreve várias decisões administrativas; 4.4 conforme o artigo 849, §2º, item I, do Regulamento do Imposto de Renda, não são considerados, para efeito da determinação de receita omitida, os valores decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Ocorre que, nas contas objeto de levantamento fiscal, existem transferências de recursos do próprio impugnante através de valores devidamente debitados em suas contas correntes, relacionadas no Anexo I (fls. 550553); 4.5 embora a legislação do imposto de renda determine expressamente, no artigo 71 do RIR/99, que à opção do contribuinte, o resultado da atividade rural limitarseá 20% da receita bruta, a partir da elaboração das Declarações de Rendimentos de pessoas físicas por meio eletrônico, essa “opção” deixou de existir na prática, pois o programa preenche automaticamente o campo destinado ao valor tributável, que de acordo com Manual de Preenchimento da Declaração, é o menor valor entre a diferença entre receitas e despesas e prejuízo de exercícios anteriores e 20% da receita bruta. Ao simplesmente tributar à alíquota máxima de 27,5% sobre o valor dos depósitos bancários, que no entender do agente fiscal tratavamse de omissão de rendimentos, tais lançamentos não foram corretamente elaborados, pois estes ensejam a elaboração de nova Declaração de Rendimentos, utilizandose o manual e o programa de cada anocalendário e deduzindose os valores lançados pelo contribuinte, constando novos valores do imposto de renda devido. Tal não aconteceu, visto que o agente fiscal não observou nem o manual e muito menos o programa elaborado pela Receita Federal. Assim, apresenta os cálculos que entende como corretos (fls. 621636). A 6ª Turma da DRJ em São Paulo/SPOII julgou improcedente a Impugnação apresentada, conforme ementas abaixo transcritas: PRELIMINAR. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF, sobretudo quando o próprio contribuinte apresenta os extratos bancários à fiscalização. Preliminar rejeitada. PRELIMINAR. LANÇAMENTO LASTREADO EM INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA (BASE DE DADOS DA CPMF). IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2.001 E DA LEI Nº 10.174/2.001. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. Preliminar rejeitada. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 4 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, devendo ser excluídos da base de cálculo os depósitos que, comprovadamente, sejam originários de outra contacorrente de mesma titularidade do contribuinte. GLOSA DE DESPESAS DA ATIVIDADE RURAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, ou com a qual o contribuinte concorda. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL. TRIBUTAÇÃO PELO ARBITRAMENTO DE 20% DA RECEITA BRUTA. Na apuração da omissão de rendimentos decorrente da atividade rural, de acordo com o Demonstrativo de Apuração da Atividade Rural, anexo à Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física, a tributação deve ser o menor valor entre 20% da receita bruta e a receita líquida obtida pela diferença entre o total das receitas e o total das despesas, sendo que, no presente caso, a opção deve ser pelo arbitramento de 20% da receita bruta, por ser este o menor valor. Intimado da decisão de primeira instância em 13/03/2009 (fl. 653), Camillo Cesare Scotoni apresenta Recurso Voluntário em 13/04/2009 (fls. 659/767), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, que não foram consideradas, tanto pela autoridade julgadora quanto pela autoridade recorrida, todas as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilha e documentos carreados aos autos. O processo em apreço foi julgado em 18 de junho de 2013 e os membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2201000.154, decidiram converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Em sua peça recursal alega o recorrente que não foram consideradas transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilhas e demais documentos carreados aos autos. De início, verifico que o contribuinte junta ao recurso planilhas (Anexo I e II) contendo a exclusão de todas as transferências entre contas de mesma titularidade, conforme se observa às fls. 852/859processo digital. Em uma primeira análise constatase que de fato houve algumas transferências entre contas de mesma titularidade que não foram consideradas quando da formalização da exigência. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 6 Isto posto, proponho a conversão do processo em diligência para adoção das seguintes providencias: a) intimar o contribuinte para que no prazo de 30 dias providencie todos os extratos faltantes que, de acordo com sua peça recursal, já foram solicitados às instituições financeiras. O recorrente deverá elaborar planilha contendo todos os valores relativos às transferências entre contas, acompanhada os respectivos extratos; b) a planilha apresentada deverá ser objeto de auditoria pela fiscalização, que lavrará relatório circunstanciado, justificando a manutenção ou exclusão do crédito questionado; c) do relatório acima, deverá a autoridade lançadora dar ciência ao contribuinte para, querendo, manifestarse. Concluída a diligência, a fiscalização pronunciouse por meio do Relatório de Diligência Fiscal, fls. 1624/1718pdf. Em resposta ao Relatório de Diligência Fiscal o recorrente questionou, individualmente, as transferências bancárias não consideradas pela autoridade fiscal, conforme Manifestação de Inconformidade de fls. 1729/1736. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Relator O recurso reúne os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia, nesta segunda instância, à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. Em seu apelo, fls. 659/767, alegou o recorrente as seguintes preliminares: inconstitucionalidade e irretroatividade da Lei nº 10.174/2001; falta de motivação, em contrariedade ao previsto na lei 9.784/99 e no decreto 3.724/2001; Decadência para o exercício de 1997 e período de Janeiro a Março de 1998; Decadência Parcial o art. 42, da lei 9430/96. Posteriormente, apresentou o contribuinte Requerimento de fls. 1606/1607pdf, pelo qual desiste de questionar a “Não configuração em renda dos depósitos bancários (art. 42, Lei 9430/1996)” e a “nulidade do Auto de Infração pela inconstitucionalidade da lei 10.174/2001, da aplicação da LC 105/01”. Contudo, reiterou a preliminar de “Decadência para o exercício de 1997 e período de Janeiro a Março de 1998”. No que tange à alegação de decadência, impende esclarecer que a legislação do imposto de renda ao atribuir à pessoa física e jurídica a incumbência de apurar o imposto, sem prévio exame da autoridade administrativa, classificou essa modalidade de constituição do crédito tributário como “lançamento por homologação”, cujo fato gerador se completa no enceramento do anocalendário, por ser do tipo complexivo. No caso de pagamento ou antecipação do recolhimento do IRPF, aplicase o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (CTN), devendo o termo inicial da decadência somente ocorrer no último dia daquele ano calendário, quando se aperfeiçoa o fato gerador. Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 5 7 Como o contribuinte antecipou o recolhimento do IRPF, confirmado no próprio cálculo da autuação, fl. 10, e também na Declaração de Ajuste, fl. 102, aplicase para o anocalendário de 1997, o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional (Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62 do RICARF). Assim, o fato alusivo ao ano calendário de 1997 se aperfeiçoou em 31 de dezembro daquele ano. Contados cinco anos a partir dessa data, o lançamento decairia em 31/12/2002. Como a ciência da exação ocorreu em 29/04/2003 (fl. 07), o lançamento relativo ao anocalendário de 1997 já havia sido atingido pela decadência. Ressaltese que não há como considerar a decadência mensal do período de janeiro a março de 1998, pois a tributação do imposto só se torna definitiva com o ajuste anual, na forma dos artigos 2°, 10º e 11º da Lei n° 8.134/1990. E, no caso de omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, este Órgão já editou Súmula. Tratase da Súmula CARF nº 38: Súmula CARF nº 38: O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. Dessarte, não operou a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no mês de janeiro de 1998 a março de 1998. No mérito, alega o recorrente que não foram consideradas transferências entre contas de mesma titularidade, conforme planilhas e demais documentos carreados aos autos. Em razão dos documentos e/ou planilhas constantes dos autos, fls. 852/859pdf, o julgamento foi convertido em diligência para manifestação da autoridade lançadora. Concluída a diligência, a fiscalização pronunciouse por meio do Relatório de Diligência Fiscal, fls. 1624/1718pdf, cujo trecho transcrevese: Os critérios adotados para que os valores apontados de crédito e de débito sejam considerados correspondente à mesma operação financeira são os seguintes: a) Coincidências entre valores e datas do crédito e do débito. b) Coerência entre os históricos das operações de crédito e de débito, a saber: crédito depósito em cheque; débito cheque compensado; crédito depósito em dinheiro; débito saque no caixa (em dinheiro ou em cheque); credito transferências entre agências, débito transferências entre agências c) Coincidência no número do documento no caso de transferências ocorridas na mesma instituição bancária. ANEXO I PLANILHA DE CRUZAMENTO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS ACEITAS COMO DE MESMA TITULARIDADE Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 8 (...) 17) Data 15/01/98 Valor R$ 1.500,00 conta creditada HSBC CJ610368 Histórico: dep ch conta debitada BradescoCJ 682330 Histórico: cheque compensado 7786 Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 18) Data 16/01/98 Valor R$ 3.000,00 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: depósito em cheque conta debitada HSBCCJ610368 Histórico: cheque Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 19) Data 02/02/98 Valor R$ 276,84 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: BDN transf entre ag. 1844054. conta debitada BradMaurInd143 855 Histórico: BDN transf entre ag. 1844054. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes.ACEITO PELA DRJ. 20) Data 10/02/98 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: deposito em cheque conta debitada HSBCCJ610368 Histórico: cheque Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 21) Data 20/02/98 Valor R$ 93,68 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: BDN transf entre ag. 184406. conta debitada BradMaurInd143855 Histórico: BDN transf entre ag. 184406. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes.ACEITO PELA DRJ. 22) Data 20/02/98 Valor R$ 200,00 conta creditada BradescoInd615277 Histórico: depósito em dinheiro, conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 23) Data 27/02/98 Valor R$ 100,00 conta creditada BradescoInd615277 Histórico: depósito em dinheiro, conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 24) Data 10/03/98 Valor R$ 3.000,00 conta creditada HSBC CJ610368 Histórico: dep. ch conta debitada BradescoCJ 682330 Histórico: cheque compensado 901042. Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 25) Data 08/04/98 Valor R$ 500,00 conta creditada HSBC CJ1182650; Histórico: dep ch conta debitada BradescoCJ 682330 Histórico: cheque compensado 901044. Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 26) Data 14/04/98 Valor R$ 1.000,00 conta creditada HSBC CJ1182650; Histórico: dep ch conta debitada BradescoCJ 682330 Histórico: cheque compensado 901043 Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 27) Data 04/05/98 Valor R$ 150,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: autodepcc outra ag conta debitada Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 6 9 BradMaurInd143855 Histórico: débito por saque BDN Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 28) Data 04/05/98 Valor R$ 250,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 151083 conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1847083 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 29) Data 01/06/98 Valor R$ 500,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 151832. conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647832. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 30) Data 01/06/98 Valor R$ 1.000,00 conta creditada HSBC CJ1182650 Histórico: dep ch conta debitada BradescoCJ 682330 Histórico: cheque compensado 901046 Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 31) Data 28/07/98 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: lib desb cheque conta debitada BradescoCJ68233 Histórico: cheque compensado 901053 Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 32) Data 18/08/98 Valor R$ 500,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: cheque COMP 138202 conta debitada BradescoCJ68233 Histórico: DocDnão incidente CPMF 138202 Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. 33) Data 25/09/98 Valor R$ 100,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: cheque COMP 178485 conta debitada BradescoCJ61527 Histórico: débito transf fdos Doc 78485 Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. 34) Data 07/12/98 Valor R$ 250,00 conta creditada BrasilCJ 1.3374 Histórico: cheque COMP 270493 conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: DocDnão inc CPMF 270493 Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. 35) Data 15/01/99Valor R$ 3.150,00 conta creditada BradescoInd615277 Histórico: depósito em dinheiro, conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 36) Data 04/02/99 Valor R$ 430,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: cheque COMP 355938 conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: débito transf fdos Doe e 355938 Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 10 37) Data 08/02/99 Valor R$ 100,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151446 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647446 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 38) Data 17/02/99 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf entre ag. Dinh conta debitada Bradesco CJ682330. Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 39) Data 26/02/99 Valor R$ 200,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151145 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647145 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 40) Data 01/03/99 Valor R$ 100,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151922 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647922 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 41) Data 18/03/99 Valor R$ 200,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151837 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647837 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 42) Data 25/03/99 Valor R$ 100,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151429 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647429 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 43) Data 15/04/99 Valor R$ 400,00 conta creditada Bradesco 615277 Ind Histórico: transf autorizada entre c/c 0151730. conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre c/c 0151730. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 44) Data 02/06/99 Valor R$ 123,58 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1969575. conta debitada BradMaurInd14385 Histórico: transf autorizada entre ags 0151575. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. Aceito pela DRJ. 45) Data 09/06/99 Valor R$ 300,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: DEP COMP 549412. conta debitada BradescoCJ68233 Histórico: transf fdos DOC e 549412. Motivo: Históricos correspondentes, com datas e valores coincidentes. 46) Data 09/06/99 Valor R$ 100,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151799. conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 164799. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 7 11 47) Data 09/06/99 Valor R$ 1.173,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf entre ag. Dinh. conta debitada Bradesco CJ682330. Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 48) Data 07/07/99 Valor R$ 200,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf entre ag. Dinh conta debitada Bradesco CJ682330. Histórico: cheque (saque no caixa). Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 49) Data 22/07/99 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1969356 conta debitada BradMaurInd143855 Histórico: transf autorizada entre ags 0151356 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 50) Data 06/09/99 Valor R$ 400,00 conta cref :tada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1969907 conta debitada BradMaurInd143855 Histórico: transf autorizada entre ags 0151907 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 51) Data 06/10/99 Valor R$ 416,61 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1969664. conta debitada BradMaurInd143 855 Histórico: transf autorizada entre ags 0151664. Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. Aceito pela DRJ. 52) Data 06/10/99 Valor R$ 100,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: crédito via compensação 770179. conta debitada BradMaurInd143855 Histórico: transf fdos Doce 770179. Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes — Aceito pela DRJ. 53) Data 28/01/00 Valor R$ 3.500,00 conta creditada Santander 604252 Indiv Histórico: dep ch 24h conta debitada Banespa CJ37489 Histórico: COMP MAIOR Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 54) Data 14/04/00 Valor R$ 350,00 conta creditada Bradesco 615277 Ind Histórico: transf autorizada entre c/c 0151286 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre c/c 0151286 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 55) Data 17/04/00 Valor R$ 500,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151646 Conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647646 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. 56) Data 10/11/00 Valor R$ 600,00 conta creditada Bradesco 61.5277 Histórico: docCamillo Scotonni 0774 conta debitada Brasil CJ1.3374 Histórico: Doe on line 0111001 Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Motivo: Históricos correspondentes com datas e valores coincidentes. Aceito pela DRJ. 57) Data 21/11/00 Valor R$ 750,00 conta creditada Bradesco 61.5277 Histórico: doc Camillo Scotonni 0591 conta debitada Brasil CJ1.3374 Histórico: Doc on line 6112102 Motivo: Históricos correspondentes com datas e valores coincidentes – Aceito pela DRJ. 58) Data 19/12/00 Valor R$ 3.000,00 conta creditada Santand 4458772 ind Histórico: dep ch 24h 828362 conta debitada Brasil CJ1.3374 Histórico: cheq comp Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 59) Data 11/01/01 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: DOC online 11101 conta debitada BradescoCJ76643 Histórico: DocCred. Automat 640 Camillo Motivo: Históricos correspondentes, com datas e valores coincidentes. Deferido pela DRJ. 60) Data 25/01/01 Valor R$ 300,00 conta creditada BradescoCJ68233 Histórico: DocCred. Automat 307 Camillo conta debitada BrasilCJ1.3374 Histórico: DOC online 12501. Motivo: Históricos correspondentes, com datas e valores coincidentes. Deferido pela DRJ. 61) Data 14/03/01 Valor R$ 780,00 conta creditada Bradesco 7.6643 Histórico: transf autorizada entre ags 0151690 conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autorizada entre ags 1647690 Motivo: Mesmos históricos com datas e valores coincidentes. Deferido pela DRJ. 62) Data 25/10/01 Valor R$ 15.000,00 conta creditada Nordeste 61.527 Histórico: Créd doc 86516. conta debitada Brasil CJ169005 Histórico: Doc C EMIT 86516. Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS NÃO ACEITAS COMO DE MESMA TITULARIDADE (...) 8) Data 26/01/98 Valor R$ 1.300,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf entre ag ch conta debitada HSBCCJ610368 Histórico: cheque Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 9) Data 06/04/98 Valor R$ 300,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf entre ag ch 430151 conta debitada BradMaurInd143855 Histórico: BDN transf. entre ag. 184488 Motivo do Indeferimento: Não há coincidência entre os campos de documento. 10) Data 15/06/98 Valor R$ 100,00 conta creditada HSBC CJ1182650 Histórico: dep ch conta creditada BradMaur 143855 Histórico: autodep transf entre ag, por saque BDN. Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 8 13 11) Data 29/06/98 Valor R$ 100,00 conta creditada Bradesco CJ682330 Histórico: transf autoriz entre c/c 151030 conta debitada BradMaur143855 – Histórico: telesaque. Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 12) Data 07/07/98 Valor R$ 1.100,00 conta creditada Brasil CJ1.3374 Histórico: Lib dep bloq conta debitada Bradesco CJ682330 Histórico: cheque (no Caixa) Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 13) Data 23/07/99 Valor R$ 400,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf entre ag dinh 1130151. conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: cheque de mesma titularidade 901060. Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 14) Data 15/03/00 Valor R$ 5.000,00 conta creditada Bradesco CJ68233 Histórico: dep ch 0103129. conta debitada BradMaurInd14385 Histórico: cheque compensado 000494. Motivo do Indeferimento: Não há correlação no campo numeração de documentos. Denegado pela DRJ 15) Data 30/03/00 Valor R$ 150,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf entre ag dinh 1240151 conta debitada Bradesco CJ68233 Histórico: cheque compensado 13641. Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 16) Data 04/04/00 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco CJ68233 Histórico: Deposito em c/c BDN 029494 conta debitada Bradesco CJ7.6643 Histórico: cheque compensado 0001840 Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações, tampouco no campo numeração de documentos. 17) Data 06/06/00 Valor R$ 3.487,99 conta creditada Bradesco CJ7.6643 conta debitada Bradesco CJ7.6643 (Poupança). Valor R$ 3.487,99 O resgate da poupança foi constatado, no entanto a origem deste valor, isto é, o depósito de R$ 3.500,00 na conta poupança em 05/06/00, não foi demonstrado. 18) Data 20/06/00 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco Ind61.5277 Histórico: transf entre agen cheque 1011841 conta debitada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf fdos doce 1374424 Motivo do Indeferimento: Não há correlação no campo numeração de documentos. 19) Data 18/01/01 Valor R$ 1.600,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: transf entre ag cheque 1250151 conta debitada B.adesco CJ169005 Histórico: cheque compensado 850024 Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 20) Data 22/01/97 Valor R$ 2.700,00 conta creditada BradescoCJ76643 Histórico: BDN transf entre Agencia Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 14 Camillo. conta debitada BradescoCJ682330 Histórico: cheque compensado 2370 Motivo do Indeferimento: Não há correlação entre a natureza das operações. Deferido pela DRJ. 21) Data 23/01/01 Valor R$ 10.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.6643 Histórico: Deposito em C/c BDN 0792321 conta debitada Bradesco CJ169005 Histórico: cheque compensado 850037 Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. (...) Para o ano calendário de 2001 outras origens foram apontadas, sendo analisadas a seguir. ANO CALENDÁRIO 2001 TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS ACEITAS COMO DE MESMA TITULARIDADE 1) Data 15/01/01 Valor R$ 1.500,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque Bloqueado conta debitada Bradesco CJ 7.664—Histórico : Cheque compensado 002.360. Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 2) Data 16/01/01 Valor R$ 2.500,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque Bloqueadoconta debitada Bradesco CJ 7.664— Histórico : Cheque compensado 002.361. Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 3) Data 28/08/01 Valor R$ 1.500,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque Bloqueado. conta debitada Bradesco CJ 7.664— Histórico : Cheque compensado 002.842 Motivo: Históricos coerentes com datas e valores coincidentes. 4) Data 03/05/01 Valor R$ 308,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Dep compensado 7862 conta debitada Bradesco CJ 14.385— Histórico : Doc transf fdos doce 7862 Motivo: Históricos correspondentes, com datas, valores e campos de documento coincidentes. TRANSFERÊNCIAS BANCÁRIAS NÃO ACEITAS COMO DE MESMA TITULARIDADE 1) Data 10/01/01 Valor R$ 1.070,00 conta creditada Bradesco Ind61.527 Histórico: depósito c/c BDN; Documento: 29111 conta debitada Bradesco CJ7.6643 Histórico: cheque compensado 2344 Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações, tampouco no campo numeração de documentos. 2) Data 25/01/01 Valor R$ 6.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Autodep. Transf. entre ag. 4042297 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico : Cheque compensado 000.190. Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 3) Data 26/02/01 Valor R$ 600,00 conta creditada Bradesco Ind61.527 conta debitada Bradesco CJ7.6643 não foi matéria do Auto de Infração. Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 9 15 4) Data 15/03/01 Valor R$ 1.700,00 conta creditada Bradesco Ind61.527 Histórico: depósito c/c BDN; Documento: 303188 conta debitada Bradesco CJ7.6643 Histórico: cheque compensado 2551 Data: 16/03/01 Motivo do Indeferimento: Datas não coincidentes. 5) Data 23/01/01 Valor R$ 1.600,00 conta creditada Bradesco Ind61.527 Histórico: DOC conta debitada Banco Brasil 1.337 Motivo do Indeferimento: Não há débito em 23/01/01 na conta n° 1.337 no Banco do Brasil com este valor. 6) Data 09/02/01 Valor R$ 2.400,00 conta creditada Bradesco Ind61.527 Histórico: DOC conta debitada Banco Brasil 1.337 Motivo do Indeferimento: Não há débito em 09/02/01 na conta n° 1.337 no Banco do Brasil com este valor. 7) Data 23/01/01 Valor R$ 2.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: DOC Credito automático Camillo C Scotoni conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico : Parte Pg Div R$ 3.618,00. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de histórico e de valor entre crédito e débito. 8) Data 20/04/01 Valor R$ 3.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: transf. entre ag. 1290151 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico : Cheque compensado 000.261 Motivo do Indeferimento: Não há correlação de histórico entre crédito e débito. 9) Data 02/05/01 Valor R$ 2.500,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: transf. entre ag. 1030151 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico : Cheque compensado 850.002 Motivo do Indeferimento: Não há correlação de histórico entre crédito e débito. 10) Data 11/05/01 Valor R$ 2.500,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN. 41433 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico : Cheque compensado 000.190 Motivo do Indeferimento: Não há relação entre a natureza das operações. 11) Data 21/06/01 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: transf. entre ag. 1011841 conta st cada Banco Brasil 1.337 Histórico : Cheque compensado 850.039 Motivo do Indeferimento: Não há correlação de histórico entre crédito e débito. 12) Data 19/06/01 Valor R$ 4.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN 792307 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque compensado 850.037 data 20/06. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de data entre crédito e débito. 13) Data 13/08/01 Valor R$ 2.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN 792798 conta debitada Banco Brasil 1.337Histórico: Cheque compensado Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 16 850.047 data 14/08. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de data entre crédito e débito. 14) Data 14/08/01 Valor R$ 500,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN 41165 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico: Parte de saque R$ 600,00 Motivo do Indeferimento: Não há correlação de valor entre crédito e débito. 15) Data 16/08/01 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN 793744 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque compensado 850.060 data 17/08. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de data entre crédito e débito. 16) Data 27/08/01 Valor R$ 2.900,00 conta creditada Bradesco CJ7.664 Histórico: Dep. em c/c BDN 29024 conta debitada Banco Brasil 1.337 Histórico: Cheque compensado 850.058 data 28/08. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de data entre crédito e débito. 17)Data 20/02/01 Valor R$ 1.000,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Dep on line 054764 conta debitada Bradesco CJ 7.664 Histórico: Doc n incid cpmf 2054764 Não foi matéria do Auto de Infração. 18) Data 20/03/01 Valor R$ 1.400,00 conta creditada Banco Brasil 1.337 Histórico: Dep on line conta debitada Bradesco CJ 7.664 Histórico: Cheque compensado 002.558 data 19/03. Motivo do Indeferimento: Não há correlação de histórico e de data entre crédito e débito. 20) Data 24/04/01 Valor R$ 250,00 conta creditada Banco Brasil 1.337Histórico: Dep on line conta debitada Bradesco CJ 7.664 Histórico: não há. Motivo do Indeferimento: Não há débito em 24/04/01 na conta n° 7.664 no Bradesco com este valor. Do exposto, verificase que a análise da autoridade fiscal foi bastante criteriosa e, no que tange às transferências bancárias aceitas como de mesma titularidade, apuradas após a diligência, só resta reiterar e adotar os fundamentos transcritos acrescentando que, no caso em apreço, nos termos do disposto do inciso I do § 3º do art. 42 da Lei 9.430/1996, para efeito de determinação da receita omitida, não serão considerados os créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. Ressaltese que os valores de R$ 100,00, datado de 27/02/98; R$ 3.150,00, datado de 15/01/99; R$ 400,00, datado de 15/04/99; R$ 3.500,00, datado de 28/01/00; R$ 350,00, datado de 14/04/00 e R$ 3.000,00, datado de 19/12/00, constantes da relação de depósitos de fls. 22 e 25, por se tratar de conta individual, devem ser excluídos de forma integral. Em relação aos valores remanescentes, como se referem à conta conjunta com Maurício Lemos Mendes da Silva (Termo de Constatação Fiscal – fls. 22/36), deverão ser excluídos à proporção de 50%. Nessa conformidade, devese excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração os valores de R$ 7.075,00; R$ 6.201,50; R$ 7.100,00; R$ 10.404,00, referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 10 17 Frisese que, relativamente ao anocalendário de 1997, como foi reconhecida a decadência do crédito tributário, tornase despiciendo qualquer manifestação. Quanto às transferências bancárias não aceitas pela fiscalização, insurge o recorrente alegando, em sua Manifestação de Inconformidade de fls. 1729/1736, que, relativamente ao Anexo I e ao anocalendário de 2001, o indeferimento não merece prosperar, já que o número do documento na conta creditada nunca vai ser igual ao número do cheque depositado. Além do mais, o próprio histórico constante do extrato demonstra uma nítida relação entre a natureza das operações. E, no que toca ao Anexo II, alega que, independentemente da não apresentação do extrato da conta nº 79.20000 no momento da constituição da exigência, em homenagem ao principio da verdade real “... não pode a Autoridade Fazendária escusar esforços no sentido de buscar a realidade dos fatos enquanto perdurar o tramite administrativo”. Pois bem, no que tange às transferências bancárias não aceitas pela fiscalização constante do Anexo I, penso que assiste razão ao contribuinte, relativamente ao item 14, datado de 15/03/00 no valor de R$ 5.000,00; item 16, datado de 04/04/00 no valor R$ 1.000,00; item 17, datado de 06/06/00 no valor R$ 3.487,99 e item 21, datado de 23/01/01 no valor R$ 10.000,00, conforme discriminado na Manifestação de Inconformidade de fls. 1729/1736, já que a discriminação constante do extrato indica tratarse de transferência bancária, em que pese o histórico divergente de um banco para outro. Quanto às transferências bancárias não aceitas pela fiscalização, relativas ao anocalendário de 2001, penso que também assiste razão ao suplicante, relativamente ao item 01, datado de 10/01/01 no valor de R$ 1.070,00; item 10, datado de 11/05/01 no valor de R$ 2.500,00, conforme discriminado na Manifestação de Inconformidade de fls. 1729/1736, já que a operação ocorreu na mesma data, além do histórico das instituições financeiras constarem “cheque compensado” e “depósito”. Com efeito, a alegação de que o depósito foi efetivado após as 16 horas e, consequentemente, o banco de destino registrou o crédito no dia seguinte, esbarra, essencialmente, na ausência de prova dessa ocorrência. Ressaltese que o valor de R$ 1.070,00, datado de 10/01/01, constantes da relação de depósitos de fls. 25, por se tratar de conta individual, deve ser excluído de forma integral. Em relação aos valores remanescentes, como se referem à conta conjunta com Maurício Lemos Mendes da Silva (Termo de Constatação Fiscal – fls. 22/36), deverão ser excluídos à proporção de 50%. Portanto, devese também excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração os valores de R$ 4.744,99 e R$ 7.320,00, alusivos aos anoscalendário de 2000 e 2001, respectivamente. Sobre a alegação de que o fato de não ter apresentado, no momento da constituição da exigência, o extrato da conta nº 79.20000, não pode ser impeditivo do conhecimento das operações de transferências de mesma titularidade efetuadas na citada conta, cumpre esclarecer que mesmo tendo sido intimado a apresentar todas as contas bancárias que deram origem a sua movimentação bancária, anos calendário de 1997, 1998, 1999 e de 2000, o recorrente não apresentou a movimentação financeira da conta nº 79.20000. Assim sendo, como o contribuinte omitiu a citada movimentação financeira, sua desídia não pode advir vantagem para si. Ademais, como a conta nº 79.20000 não foi objeto de lançamento, não há como atestar a veracidade da informação prestada pelo contribuinte, já que não passou pelo crivo da fiscalização. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 18 Quanto ao Anexo V, carreado pelo recorrente em seu apelo, fl. 730, verifica se que o valor de R$ 300,00, datado de 22/02/00, fl. 538, tratarse de erro, ou seja, o valor constante da relação de fl. 37, referese à transferência para poupança e não depósito bancário. Em relação ao valor de R$ 2.000,00, datado de 11/09/00, fl. 27, com base apenas no extrato de fl. 551, não é possível concluir que se trata de transferência de valor de mesma titularidade. Quanto ao depósito em cheque no valor de R$ 3.600,00, lançado em 02/10/1998, fl. 32, verificase sua devolução em 05/10/1998, conforme extrato de fl. 429. No que tange ao valor de R$ 2.192,32, datado de 09/12/1998, fl. 440, penso que não é possível, apenas com base no extrato, concluir que se trata estorno de depósito. No que tange ao valor de R$ 130,00, datado de 13/01/99, fl. 444, verificase tratarse de erro, ou seja, o valor constante da relação de fl. 33, referese à cheque emitido e não a depósito bancário. No que tange ao valor de R$ 600,00, datado de 25/01/99, fl. 445, verificase tratarse de erro, ou seja, o valor constante da relação de fl. 33, referese à cheque emitido e não depósito bancário. No que diz respeito aos valores de R$ 883,39, datado de 09/02/99 e R$ 1.487,19, verificase tratarse de erro, ou seja, o valor constante da relação de fl. 33, referese à resgate Aplic. Faq Curto Prazo e não depósito bancário. Quanto ao depósito em cheque no valor de R$ 2.000,00, lançado em 03/05/1999, fl. 34, verificase sua devolução em 05/05/99, conforme extrato de 456. No que tange ao valor de R$ 1.939,73, datado de 15/11/99, fl. 440, não é possível, apenas com base no extrato, concluir que se trata estorno de depósito. Quanto ao depósito em cheque no valor de R$ 3.300,00, lançado em 22/08/01, fl. 24, verificase sua devolução em 05/05/99, conforme extrato de fl. 217. Quanto ao depósito em cheque no valor de R$ 2.660,32, lançado em 24/04/98, fl. 22, verificase que o valor foi estornado no próprio dia 24/04/98, conforme extrato de fl. 162. Em relação aos valores de R$ 1.600,00, datado de 23/01/01 e R$ 2.400,00, datado de 09/02/01, com base apenas no extrato de fl. 282, não é possível concluir que se trata de transferência de valor de mesma titularidade. Assim sendo, como tratase de conta conjunta, devese excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração o valor de R$ 3.130,16, R$ 2.550,29, R$ 150,00 e R$ 1.650,00, referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente. Quanto ao Anexo VI , fls. 732/766, não foi possível considerar como comprovado o deposito bancário apenas com a indicação da origem do recurso. Com efeito, o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova , como já mencionado, recai exclusivamente sobre o contribuinte. Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10865.000679/200371 Acórdão n.º 2201002.907 S2C2T1 Fl. 11 19 Sobre a alegação de que a totalidade dos valores que transitaram por sua conta corrente referese à atividade rural, cumpre esclarecer que o fato de o contribuinte ter informado em sua Declaração de Ajuste receita com atividade rural, não permite concluir que todos os depósitos existentes em sua conta referemse a essa mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Quanto ao alegado caráter confiscatório da multa aplicada, temse que, por se tratar de questão de constitucionalidade, não é cabível sua análise na instância administrativa, pois, falece competência legal a esta autoridade julgadora para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade das normas legais, regularmente editadas segundo o processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. O exame da obediência das leis tributárias aos princípios constitucionais (vedação ao confisco e da proporcionalidade) é matéria que não deve ser abordada na esfera administrativa, conforme se infere da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, registrese que o contribuinte apresentou desistência parcial do recurso voluntário e efetuou o parcelamento Lei 11.941/2009, fl. 1612, conforme processo nº 10865.002219/201234 e Termo de transferência de crédito à fl. 1609. Ante a todo o exposto, voto por acolher a preliminar de decadência em relação aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1997, atinentes ao lançamento com base em depósitos bancários. No mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do item 03 do auto de infração o valor de R$ 10.205,16, R$ 8.751,79, R$ 11.994,99 e R$ 19.374,00, referentes aos anoscalendário de 1998, 1999, 2000 e 2001, respectivamente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15374.966748/2009-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA.
Em se tratando de impugnação intempestiva, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). Conforme o Ato Declaratório da COSIT nº 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100 e seu inciso I do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
Numero da decisão: 1301-001.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Em se tratando de impugnação intempestiva, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). Conforme o Ato Declaratório da COSIT nº 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100 e seu inciso I do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator. EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
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PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Em se tratando de impugnação intempestiva, não chega a instaurar a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, forte nos arts. 14 e 15 do Decreto 70.235/72 (PAF). Conforme o Ato Declaratório da COSIT nº 15/96, que integra a legislação tributária (art. 96 do CTN) como norma complementar das leis e dos decretos (art. 100 e seu inciso I do CTN), apresentada defesa fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 67 48 /2 00 9- 42 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 2 EDITADO EM: 27/01/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15374.966748/200942 Acórdão n.º 1301001.923 S1C3T1 Fl. 92 3 Relatório SUPERMERCADOS MUNDIAL LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de tempestividade e deixou de conhecer da Manifestação de Inconformidade. Este processo versa sobre Pedido de Compensação nº 32354.16546.l80809.1.3.047453, transmitido em 18/08/2009, por meio da qual o interessado alega deter crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), efetuado em 31.01.2008, a ser compensado com débito que ali indica. Por meio do Despacho Decisório n° 848609177, de 07.10.2009 (fls.5), a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária no Rio de Janeiro DERAT não homologou as compensações declaradas, sob o fundamento de que o DARF de características idênticas ao do indicado já fora “integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Às fls.08/09, foram juntadas a consultapostagem e a cópia de aviso de recebimento do sobredito Despacho Decisório. O interessado apresenta, em 23/08/2010, a Manifestação de Inconformidade (fls.1012), à qual junta os documentos de fls.13/36, alegando, entre outras razões, que "o Despacho Decisório foi recebido por pessoa que não possui poderes para receber documentos oriundos de órgãos públicos, pois de acordo com os estatutos da empresa, somente os sócios com poderes de administração estão legalmente autorizados a receberem tais correspondências, daí, a plena tempestividade da presente peça.” A DRJ/RJ1, por unanimidade de votos, não conheceu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela recorrente por entender que a mesma era intempestiva, sendo o respectivo acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 SÚMULA CARF N° 9. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicilio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRAZO LEGAL. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 4 É intempestiva a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do despacho decisório que não homologou a compensação declarada. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A manifestação de inconformidade intempestiva não comporta julgamento em primeira instância. Através da Comunicação de Nº 67/2011 (fls. 60), foi dada ciência, ao Contribuinte, em 18/02/2011, do Acórdão de Manifestação de Inconformidade. Em 28/08/2014, portanto dentro do prazo legal de 30 (trinta) dias, o contribuinte protocoliza Recurso Voluntário sob o argumento de que o acórdão faz ressalva expressa no sentido de que a autoridade julgadora tem o poderdever de rever de ofício suas decisões nos termos do artigo 32 do Decreto nº 70.235/72 e artigos 145, II e 149, VIII do CTN. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15374.966748/200942 Acórdão n.º 1301001.923 S1C3T1 Fl. 93 5 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O Recurso Voluntário é tempestivo. Todavia, face à intempestividade da manifestação de inconformidade, reafirmada adiante, deve ser negado. Discutese nos autos a possibilidade de interposição de recurso voluntário em processo administrativo contra decisão que não conhece da impugnação à notificação de infração, por intempestividade. O DRJ/RJ1 confirmou a intempestividade da impugnação à notificação da infração, bem como corroborou o entendimento de que a não apresentação da impugnação no prazo legal configura revelia e impede a instauração da fase litigiosa do processo administrativo. É o que se infere da leitura do seguinte excerto do voto condutor da decisão recorrida: O Aviso de Recebimento (AR), às fls.09, comprova que a ciência do Despacho Decisório em tela se deu em 20.10.2009 (fls.08/09), terçafeira, conforme calendário às fls.40. Iniciado em 21.10.2009, quartafeira, o prazo de 30 (trinta) dias para o interessado apresentar Manifestação de Inconformidade expirou em 19.11.2009, quintafeira. No entanto, a Manifestação de Inconformidade em tela só foi apresentada em 23.08.2010 (fls.l0), sendo, portanto, intempestiva. A Manifestação de Inconformidade intempestiva não instaura a lide e, por conseqüência, não submete a julgamento a matéria questionada, tal como ratifica o já citado Ato Declaratório Normativo (ADN) n° 15, de 12 de julho de 1996: (...) sendo que eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Com efeito, os arts. 14 e 15 do Decreto nº 70.235/721, assim regulam o efeito e o prazo para a impugnação à notificação da infração em sede de procedimento administrativo fiscal. 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES 6 Destarte, pelo que se pode depreender da interpretação aos citados dispositivos legais, a falta da impugnação da exigência no prazo de trinta dias obsta a instauração da fase litigiosa do procedimento, de maneira a autorizar a constituição definitiva do crédito tributário. Sendo assim, correto o entendimento da autoridade fazendária ao entender como intempestiva a impugnação do contribuinte. Nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO POSTAL. FALTA DE CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. OFENSA AOS ARTS. 458 E 535 DO CPC AFASTADA. I O Tribunal a quo realizou a prestação jurisdicional invocada, não havendo que se falar em omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido, visto ter se manifestado acerca da necessidade da intimação postal por meio do ciente do próprio contribuinte, afastandose, com isso, a intempestividade do recurso administrativo interposto em momento posterior. II Conforme prevê o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, inexiste obrigatoriedade para que a efetivação da intimação postal seja feita com a ciência do contribuinte, exigência extensível tão somente para a intimação pessoal, bastando apenas a prova de que a correspondência foi entregue no endereço de seu domicílio fiscal, podendo ser recebida por porteiro do prédio. III Impugnação ao procedimento administrativo fiscal protocolizada em momento posterior ao prazo legal do art. 15 do citado Decreto. Intempestividade verificada. IV Recurso especial provido. (REsp 1.029.153/DF, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 25.3.2008, DJe 5.5.2008.) Ademais, não vejo como aplicar ao presente caso concreto, os ditames do artigo 32 do Decreto nº 70.235/72, haja vista que o mesmo se refere a inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos do julgador de primeira instância, os quais podem ser corrigidos de ofício. Não trata o referido artigo de questão prejudicial à própria análise da inconformidade, qual seja, a sua intempestividade. Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Da mesma forma, os artigos 145 e 149 do CTN não protegem o interessado, uma vez que os mesmos não tratam da situação da intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, se não vejamos: Art. Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 15374.966748/200942 Acórdão n.º 1301001.923 S1C3T1 Fl. 94 7 II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Não há nestes autos qualquer fato que deva ser conhecido seja pela autoridade lançadora ou de primeira instância a ensejar a revisão do lançamento de ofício. Cuidam os autos de situação onde não se formou a lide, por força de protocolização intempestiva de manifestação de inconformidade pelo interessado. Diante do exposto, e porque intempestiva a Manifestação de Inconformidade, entendo que não houve a formação da lide, razão pela qual deixo de conhecer o Recurso Voluntário interposto. Sala das Sessões, em 22 de janeiro de 2016. (documento assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Fl. 97DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 15504.725275/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer do recurso voluntário, por intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Kleber Ferreira de Araújo - Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1576; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 91 1 90 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.725275/201117 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.709 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente COMPLETA ENGENHARIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO FORA DO PRAZO LEGAL. NÃO CONHECIMENTO. O recurso apresentado, após o trigésimo dia da ciência da decisão a quo, não merece ser conhecido. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer do recurso voluntário, por intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 52 75 /2 01 1- 17 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 02 41.725 de lavra da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Belo Horizonte (MG), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir Auto de Infração AI n.º 51.009.2438. O crédito em questão referese à aplicação da multa pela conduta do sujeito passivo de apresentar a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções/omissões. De acordo com o relatório fiscal, fls. 06/08, o sujeito passivo deixou de informar nas GFIP, no período de 01/2008 a 12/2008, remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais relacionados no anexo I, fl. 112 do processo 15504.725273/201128, e constantes das folhas de pagamento. Em decorrência da infração, foi aplicada multa, no valor de R$ 6.000,00, com fundamento no artigo 32A, inciso I, da Lei 8.212/1991, acrescentado pela MP 449/2008 e alterado pela Lei 11.941/2009. O contribuinte teve ciência da autuação em 22/11/2011, e apresentou impugnação em 20/12/2011, fls. 43/46, onde alega que prestou todas as informações de interesse do INSS e do Conselho Curador do FGTS de forma correta, só deixando de indicar na GFIP verbas que não devem integrar a base de cálculo da contribuição. Pede o acolhimento da impugnação, cancelando a multa por descumprimento de obrigação acessória, pugnando pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, bem como a juntada de novos documentos. O órgão de julgamento de primeira instância decidiu converter o julgamento em diligência, conforme despacho de fls. 62/63, para que o fisco esclarecesse o motivo de haver aplicado no AI conexo n.º 37.353.2598 (COMPROT 15504.725273/201128) multa com base no art. 35A da Lei n.º 8.212/1991 (75% da contribuição devida), uma vez que esta penalidade absorve também a multa por de falhas relativas à GFIP. Na informação fiscal de fl. 70, consta que este AI para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi decorrente da falta de declaração dos valores pagos a pessoas físicas pela prestação de serviços frete. Acrescenta que a empresa recolheu os valores tomando como base de cálculo a taxa de 11,71% sobre o valor do serviço. Afirma que a diferença entre a base correra (20%) e a base recolhida (11,71%) foi exigida no AI n.º 37.353.2598, tendo havido a comparação para imposição da multa mais benéfica apenas sobre a mencionada diferença (20% 11,71% = 8,29%). Dessa informação o sujeito passivo tomou conhecimento, mas não se manifestou. A DRJ não acatou a alegação da empresa de que teria declarado todos os fatos geradores. Consignouse que não foram declarados os pagamentos referentes a serviços de transporte executados por pessoas físicas. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15504.725275/201117 Acórdão n.º 2402004.709 S2C4T2 Fl. 92 3 Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 85/88, no qual alegou que a sua impugnação é tempestiva, posto que tomou ciência do acórdão de primeira instância em 25/04/2013. Depois afirma que não pode ser compelido a pagar a multa exigida, posto que os valores que supostamente teria deixado de informar não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ao final requer: a) o cancelamento da multa; b) a produção de todos meios de prova em direito admitidos; e c) a intimação no endereço de seus advogados de todos os atos do processo administrativo. É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Verificase que o sujeito passivo, para comprovar a tempestividade do recurso, alega que foi intimado na decisão da DRJ em 25/04/2013, todavia, a realidade dos autos é outra. O AR de fl. 83 demonstra que a intimação no seu domicílio tributário ocorreu em 24/04/2013 (quartafeira), tendo o prazo de 30 dias para interposição do recurso expirado em 24/05/2013 (sextafeira). O recurso foi protocolizado no dia 27/05/2013, portanto, fora do prazo legal previsto no Decreto n.º 70.235/1972, que disciplina o contencioso administrativo tributário de exigência de tributos administrados pela RFB, o qual fixa em trinta dias, contados da ciência da decisão a quo, o prazo para interposição de recurso, nos seguintes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Assim, o recurso não merece conhecimento, em face de sua intempestividade. Conclusão Voto por não conhecer do recurso em razão da sua intempestividade. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10980.724660/2011-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO
Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
REPASSE DE AÇÕES EM TESOURARIA. RETRIBUIÇÃO POR SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Malgrado haja contrato de doação entre a empresa e seus diretores para a transferência de ações em tesouraria para estes, as evidências dos autos conduzem à conclusão de que os repasses tiveram como causa jurídica o vínculo de prestação de serviço entre a autuada e seus diretores, revelando o caráter remuneratório das parcelas.
PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS UNICAMENTE PELOS EMPREGADOS. APORTES EFETUADOS PELA EMPRESA EM BENEFÍCIO DE DOIS DIRETORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Verificando-se que a empresa não participava do custeio de planos de previdência disponível aos segurados a seu serviço, os aportes efetuados em benefícios de apenas dois diretores é equiparado a prêmio pela prestação do serviço, devendo sofrer a incidência de contribuições.
FORNECIMENTO DE CARTÕES PARA COMPRA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS A DIRETORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS PAGAMENTOS SE INSEREM NA SISTEMÁTICA DO PAT. INCIDÊNCIA.
Os valores fornecimentos mediante cartões a diretores para compra de alimentos sujeitam-se a incidência de contribuições, posto que a empresa os fazia em desrespeito à legislação do PAT.
CARTÕES PARA DESPESAS COM VEÍCULOS. INCLUSÃO NO SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO
Os valores repassados aos diretores mediante cartões para pagamento de despesas com veículos devem sofrer a incidência de contribuições, posto que a empresa não demonstrou que os veículos eram utilizados para o trabalho e nem houve comprovação das despesas.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2402-004.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores apurados no AI n.º 37.195.544-0, referentes às competências de 05/2007 a 13/2008. Vencidos os Conselheiros Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Marcelo Oliveira, que negavam provimento neste item. II) por unanimidade de votos, com relação às demais questões, negar provimento ao recurso.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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IMPROCEDÊNCIA. São improcedentes os lançamentos de ofício em que o tributo exigido esteja com a exigibilidade suspensa, por força de depósito do seu montante integral. Decisão que se alinha ao entendimento firmado em decisão definitiva do Superior Tribunal de Justiça adotada sob o rito do art. 543C do CPC, conforme determina o art. 62A do RICARF. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) a título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições, por não haver norma que preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. REPASSE DE AÇÕES EM TESOURARIA. RETRIBUIÇÃO POR SERVIÇOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Malgrado haja contrato de doação entre a empresa e seus diretores para a transferência de ações em tesouraria para estes, as evidências dos autos conduzem à conclusão de que os repasses tiveram como causa jurídica o vínculo de prestação de serviço entre a autuada e seus diretores, revelando o caráter remuneratório das parcelas. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. CONTRIBUIÇÕES EFETUADAS UNICAMENTE PELOS EMPREGADOS. APORTES EFETUADOS PELA EMPRESA EM BENEFÍCIO DE DOIS DIRETORES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 46 60 /2 01 1- 16 Fl. 663DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Verificandose que a empresa não participava do custeio de planos de previdência disponível aos segurados a seu serviço, os aportes efetuados em benefícios de apenas dois diretores é equiparado a prêmio pela prestação do serviço, devendo sofrer a incidência de contribuições. FORNECIMENTO DE CARTÕES PARA COMPRA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS A DIRETORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS PAGAMENTOS SE INSEREM NA SISTEMÁTICA DO PAT. INCIDÊNCIA. Os valores fornecimentos mediante cartões a diretores para compra de alimentos sujeitamse a incidência de contribuições, posto que a empresa os fazia em desrespeito à legislação do PAT. CARTÕES PARA DESPESAS COM VEÍCULOS. INCLUSÃO NO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO Os valores repassados aos diretores mediante cartões para pagamento de despesas com veículos devem sofrer a incidência de contribuições, posto que a empresa não demonstrou que os veículos eram utilizados para o trabalho e nem houve comprovação das despesas. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA SOBRE OS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS ADMINISTRADOS PELA RFB. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA DECLARAÇÃO DE GFIP. INFRAÇÃO Apresentar a GFIP sem a totalidade dos fatos geradores de contribuição previdenciária caracteriza infração à legislação previdenciária, por descumprimento de obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 665DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 06 40.672 de lavra da 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Curitiba (PR), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir os Autos de Infração – AI a seguir: a) AI n.º 37.195.5432: exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, incidentes sobre remunerações pagas a contribuintes individuais, as quais não foram declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP; b) AI n.º 37.195.5440: exigência de contribuições destinada ao SEBRAE, não declarada em GFIP e incidente sobre remunerações pagas a segurados empregados; c) AI n.º 37.195.5416: aplicação de multa pelo fato da empresa haver descumprido a obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias na GFIP. Nos termos do Relato Fiscal, as contribuições foram agrupados em cinco itens de apuração (levantamentos), conforme a seguir detalhado: a) TE Terceiros: contribuição destinada ao SEBRAE à alíquota de 0,6% incidente sobre as remunerações dos segurados empregados não declaradas na GFIP; b) HD Honorários da Diretoria: valores pagos a diretores sob a rubrica "Participações nos Lucros e Resultados", os quais não se referem à distribuição prevista na Lei n.º 6.404/1976, posto que não tem como contrapartida contábil a conta "Lucros Acumulados", mas é lançada contra a conta de "Salários a Pagar". Afirma também que os pagamentos não foram efetuados com base na Lei n.º 10.101/2000, conforme informação prestada pela própria empresa; c) AT Ações em Tesouraria: contribuições sobre os valores correspondentes a ações em tesouraria concedidas aos diretores Atilano de Oms Sobrinho e Natal Bressan, conforme contratos colacionados. Foram incluídos também na apuração fiscal os valores correspondentes a doações de ações em tesouraria efetuadas a três filhos do diretor Di Marco Pozzo, bem como a César Romeu Fiedler, Diretor Administrativo da Inepar S/A Indústria e Construções, que é empresa integrante do mesmo grupo do qual faz parte a autuada; d) PP Planos de Previdência: contribuições sobre aportes em plano de previdência privada dos diretores Jauvenal Oms e Di Marco Pozzo, que no entender do fisco representa benefício pessoal, pois a empresa não subsidiava o plano de previdência complementar de seus empregados o INEPREVS; e e) VV Visa Vale: contribuições incidentes sobre valores creditados em cartões eletrônicos para compra de alimentos e despesas com veículos, os quais eram disponibilizados a membros da diretoria e pessoas eles vinculadas, em valores fixos e sem necessidade de comprovação das despesas. Fl. 666DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 665 5 Cientificada do lançamento em 12/09/2011, a empresa apresentou três peças de defesa. A primeira se refere ao AI para exigência de contribuição aos terceiros, fls. 417/424, na qual apresenta os argumentos abaixo enunciados. Alega que efetuou depósitos judiciais da contribuição destinada ao SEBRAE, contra a qual ajuizou ação visando afastar a exigência desse tributo. Por esse motivo não poderia o fisco lançar a contribuição sob destaque. Advoga que a taxa de juros Selic não pode ser utilizada para fins tributários. Ao final, requereu a declaração de improcedência do AI n.º 37.195.5440. A impugnação de fls. 484/499, voltase contra o AI no qual é exigida a contribuição patronal incidente sobre a remuneração dos contribuintes individuais. Nesta peça, o sujeito passivo inicia contestando a inclusão na base de cálculo da rubrica participação nos lucros e resultados paga aos diretores. Alega que não pode sofrer a incidência de contribuições, posto que não se subsume ao conceito de remuneração. Para reforçar seu entendimento cita a alínea "j" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Depois, afirma que as ações em tesouraria foram dadas em doação a apenas algumas pessoas, a titulo de merecimento, não havendo o que se falar em caráter de retribuição por trabalho realizado. Essa distribuição de ações representa mera liberalidade da empresa, conforme previsão dos art. 538 c.c. art. 540, ambos do Código Civil. Argumenta ainda que essa doação aconteceu apenas uma vez, por isso é um ganho eventual, que é excluído do saláriodecontribuição pelo item 7 da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Quanto ao plano de previdência privada (Ineprev), esclarece que não é base de cálculo de contribuições sociais, posto que disponibilizado a todos os segurados a serviço da empresa, conforme alínea "p" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Os aportes no plano de previdência Brasilprev não podem sofrer incidência de contribuições, posto que pagos de forma eventual, não representando remuneração pelo trabalho executado em favor da empresa. Alega que o cartão Visa Vale referese ao fornecimento de parcela in natura em conformidade com o Programa de Alimentação do Trabalhador, por isso é excluído da tributação previdenciária, nos termos da alínea c do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Também são improcedentes as contribuições sobre o cartão "FlexCard", posto que visa a ressarcir despesa do empregado com uso de veículo próprio, havendo, inclusive, necessidade de prestação de contas. A base legal para sua isenção é a alínea "f" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Voltase mais uma vez contra a aplicação da taxa de juros Selic e pede que o AI n.º 37.195.5432 seja cancelado. Na impugnação contra o AI para aplicação de multa em razão de omissões de fatos geradores na GFIP, foi apresentada a defesa de fls. 533/549, na qual trouxe as mesmas Fl. 667DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 alegações lançadas para se contrapor às contribuições para a Seguridade Social e pediu o cancelamento do AI n.º 37.195.5416. Na decisão de primeira instância, os lançamentos foram mantidos na íntegra. Para a DRJ a existência dos depósitos judiciais não teria o condão de impedir a lavratura fiscal, todavia, a Fazenda não poderia praticar quaisquer atos visando à efetiva exigência das contribuições até o trânsito em julgado da ação proposta pelo sujeito passivo para não se sujeitar à contribuição destinada ao SEBRAE. A rubrica participação nos lucros foi mantida na base de cálculo, pois o órgão a quo entendeu que não se trata de distribuição de lucros, posto que não foi lançada contra "Lucros Acumulados". Por outro lado, mencionouse que inexiste previsão legal para exclusão da parcela para os diretores não empregados, além de que não houve a comprovação de que tenha sido seguido o rito da Lei n.º 10.101/2000 para pagamento da verba. Acerca da suposta doação de ações em tesouraria, a DRJ concluiu que a própria empresa reconheceu que se tratava de prêmio por merecimento, portanto, relacionada à prestação de serviço, fato que tornaria os valores envolvidos sujeitos à incidência das contribuições. Para reforçar sua conclusão, a DRJ argumentou que a Lei de Custeio da Previdência Social, ao enumerar taxativamente as hipóteses de exclusão do saláriode contribuição, não contemplou as doações por merecimento. O órgão de primeira instância considerou que os aportes feitos pela empresa nos planos de previdência privada de alguns trabalhadores deveriam ser tributados, posto que efetuados em desconformidade com a Lei n.º 8.212/1991, a qual condiciona a isenção ao fato do plano ser disponibilizado a todos os empregados e diretores. Para a DRJ, agiu bem o fisco quando incluiu os valores repassados mediante o cartão Vale Visa na base de cálculo, posto que a empresa não apresentou comprovação de adesão ao PAT, além de que os pagamento foram efetuados em quantias acima do que prevê a legislação que regula o benefício. Quanto aos valores creditados em cartão para despesas com veículos, a DRJ manteve o lançamento, sob a justificativa de que a empresa não demonstrou que os beneficiários apresentaram comprovantes das despesas efetuadas. Diante dessas conclusões, foi também considerado procedente o AI lavrado por descumprimento da obrigação acessória de declarar os mencionados fatos geradores na GFIP. Não foi enfrentado o argumento de inconstitucionalidade da taxa Selic, por se entender que esta matéria não estaria na competência dos órgãos de julgamento administrativo. Inconformado com essa decisão, o sujeito passivo apresentou três recursos, individualizados por lavratura, nos quais se requer a reforma da decisão do órgão de julgamento da RFB. O teor dos recursos é o mesmo constante das impugnações. É relatório. Fl. 668DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 666 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade Os recursos merecem conhecimento, posto que atende aos requisitos de tempestividade e legitimidade. Contribuição ao SEBRAE No AI n.º 37.195.5440 é exigida apenas a contribuição ao SEBRAE, a qual segundo a empresa foi objeto de ação judicial para desobrigála do seu pagamento, além de que teria efetuado o depósito judicial das quantias lançadas. Compulsando os autos, pude observar que as contribuições apuradas no presente AI foram, para o período de 05/2007 a 13/2008 integralmente depositadas pelo sujeito passivo, conforme guias de depósitos judiciais às fls. 453/478. Para as competências de 01 a 04/2007 verificase que os depósitos efetuados não foram suficientes para quitar as contribuições apuradas. Valho da jurisprudência do STJ para solução desse ponto da contenda. O entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de lançamento fiscal quando o tributo encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. É o que se pode ver da ementa do Julgamento do REsp n.º 1140956, Relator Ministro Luiz Fux, Primeira Seção. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1.O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. Fl. 669DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 670DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 667 9 Esta decisão deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF, por força do que dispõe o § 2.º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, verbis: "Art. 62(...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF." Diante dessas considerações, devem ser expurgadas do AI n.º 37.195.5440 as competências de 05/2007 a 13/2008, mantendose o período anterior em face da inexistência de depósito do montante integral. Participação nos lucros Andou bem o fisco quando incluiu na base de cálculo do lançamento as quantias repassadas aos administradores não empregados a título de participação nos lucros. Tenho me manifestado reiteradas vezes aqui neste colegiado que a exclusão da participação nos lucros recebida por diretores não empregados da base de cálculo das contribuições sociais não encontra amparo constitucional, tampouco legal. Para mim, a tributação para a Seguridade Social alcança os pagamentos de PLR aos administradores (diretores não empregados), enquadrados no Regime Geral de Previdência Social RGPS na condição de contribuintes individuais. Vale ressaltar que essa discussão em nosso Tribunal Administrativo encontra decisões nos dois sentidos. Uns entendem que a exclusão dessa parcela do saláriode contribuição tem guarida no que dispõe a Lei das S/A (Lei n.º 6.404/76). Há os que, de modo diverso, afirmam que a única lei a regular essa matéria seria a Lei n.º 10.101/2000, a qual, por tratar apenas do pagamento de PLR a empregados, não exoneraria da tributação as verbas pagas a título de PLR aos contribuintes individuais. Filiamonos a segunda corrente. De fato, a própria Corte Constitucional reconheceu que a PLR, somente a partir da edição da MP 794/1994, por várias vezes reeditada e finalmente convertida na Lei n.º 10.101/2000, passou a não integrar a base de cálculo das contribuições previdenciárias. É o que se observa do julgado (RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO): EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Fl. 671DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator): ”Há três precedentes monocráticos na Corte.Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim,e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP n.º 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 também se refera à Lei n.º 6.404/1976. De se concluir que a Lei n.º 8.212/1991 ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei n.º 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. A Lei da PLR em nenhum momento trata do pagamento da verba a trabalhadores não empregados, por outro lado, em seu art. 2.º é expressa em se reportar às pessoas físicas que mantém com o empregador o vínculo de emprego. Eis o texto: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: Icomissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; IIconvenção ou acordo coletivo. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 668 11 Vêse, assim, que a lei da PLR não contempla o pagamento de participação nos lucros aos contribuintes individuais. Toda a instituição e regulamentação do pagamento visam ao segurado empregado. Outra evidência que vem reforçar essa tese é que o art. 7. da Constituição Federal é, fora de dúvida, dirigido aos trabalhadores que se vinculam ao empregador por vínculo de emprego. Ao lado do da participação nos lucros estão os direitos tais como: seguro desemprego, FGTS, férias, horas extraordinárias, aviso prévio, etc. Por esse motivo uma interpretação sistemática do texto constitucional leva à conclusão de que o inciso XI daquele dispositivo não alcança os administradores não empregados, mas apenas os trabalhadores que laboram sob a proteção da CLT. Mesmo que se entendesse que as disposições da Lei da PLR poderiam ser estendidas aos administradores não empregados, sequer a empresa demonstrou cumprir os requisitos desse diploma para efetuar os pagamentos em questão, posto que não houve apresentação de qualquer prova de negociação entre as partes. Por fim, não há o que se falar em aplicação da Lei n.º 6.404/1976 (Lei das S.A.), posto que a contabilização dos pagamentos não foi realizada à conta de Lucros Acumulados, mas de despesa de salários. De se concluir pela incidência de contribuições sobre esta parcela. Doações de ações em tesouraria Acerca dessa parcela, a recorrente afirma que se trata de doação por merecimento, prevista no art. 540 do Código Civil. Advoga que, tendo sido incorporada ao patrimônio do donatário por mera liberalidade do doador, não pode ser equiparada ao conceito de remuneração. De fato, apreciando os contratos colacionados pelo fisco, fls. 53 e segs., verificase na "Cláusula Terceira" que as partes declaram que a doação é de natureza pessoal, sendo expressamente desvinculada de qualquer prestação de serviço ou salário. Pela tese apresentada pela empresa, não haveria contribuições a serem cobradas, haja vista que a causa jurídica de incorporação das ações em tesouraria ao patrimônio dos diretores foi uma doação por merecimento e não prestação de serviços. Apreciando a questão com zelo, verifico que, malgrado haja um contrato formal de doação, esse repasse de ações dissimula uma vontade oculta de retribuir o segurado pela prestação de serviço. Nos termos do Código civil, arts. 538 a 540, a doação pode ter como causa o merecimento do donatário, a remuneração por um serviço prestado por este ou o cumprimento de um encargo. Eis os dispositivos mencionados: Art. 538. Considerase doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra. Art. 539. O doador pode fixar prazo ao donatário, para declarar se aceita ou não a liberalidade. Desde que o donatário, ciente do Fl. 673DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 prazo, não faça, dentro dele, a declaração, entenderseá que aceitou, se a doação não for sujeita a encargo. Art. 540. A doação feita em contemplação do merecimento do donatário não perde o caráter de liberalidade, como não o perde a doação remuneratória, ou a gravada, no excedente ao valor dos serviços remunerados ou ao encargo imposto. Para a doutrina civilista, a doação por merecimento decorre de liberalidade do doador que atua no sentido de beneficiar alguém em razão de seu desempenho em uma área que aquele julgue importante. A doação remuneratória visa à retribuição por um serviço, cuja a cobrança não poderia ser feita ou não o foi no tempo devido. Já a doação com encargo, obriga o donatário a executar alguma ação em benefício do próprio doador, de um terceiro ou da comunidade em geral. No caso sob apreço, a própria recorrente reconhece que as ações foram doadas em razão do merecimento dos beneficiários. Essa causa ao meu ver tem inteira vinculação com o trabalho executado para a empresa. Não faz sentido que as ações fossem repassadas, digamos, para premiar a performance do donatário na área dos esportes ou da cultura. Isso não é crível. O que se afigura mais plausível é que os diretores foram contemplados com as ações pelo fato de haverem atingido os objetivos traçados pelos acionistas, ou seja, a doação tem como causa um fator vinculado à prestação de serviço pelos contribuintes individuais. Assim aplicase ao caso o inciso III do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, segundo o qual para os contribuintes individuais a contribuição da empresa incide sobre as remuneração paga a esses trabalhadores pelos serviços prestados. Eis o texto legal: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; (...) Outra alegação que não merece acolhida é aquela que quer dar a interpretação de que as ações representam ganhos eventuais e assim estaria fora do campo de tributação por força do que dispõe o item 7, da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, assim redigido: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 674DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 669 13 e) as importâncias: (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (...) Para mim, a "doação" de ações, antes de representar uma parcela recebida eventualmente, referese a um ganho repassado aos diretores como reconhecimento pela seu esforço na condução dos negócios da empresa. Não é parcela eventual, posto que não depende de evento incerto e futuro. O pagamento dessa verba, ao contrário, surge da existência de um contrato entre empresa e seu diretor para lhe repassar, digamos um prêmio, como forma de reconhecer o seu merecimento. O dito benefício não foi pago por um infortúnio (uma eventualidade), por exemplo, uma doação no caso de força maior, mas é na verdade uma concessão negociada, uma retribuição, um agrado, ou qualquer outro nome que se queira dar, que nasce de uma relação entre segurado obrigatório da Previdência Social e a organização para qual presta serviços. Não há dúvida de que, no caso concreto, as ações em tesouraria foram repassadas aos diretores em razão do vínculo contratual estabelecido entre empresa e aqueles. Deve ser mantida a incidência de contribuições sobre os valores correspondentes às ações em tesouraria repassadas aos diretores. Aporte em plano de previdência privada Depreendese do autos que o plano de previdência complementar disponibilizado a todos os segurados a serviço da recorrente era o INEPREVS. Verificase ainda que os aportes para o plano eram efetuados exclusivamente pelos beneficiários, inexistindo participação patronal em seu custeio. A tributação, conforme se verifica do relatório fiscal, incidiu sobre contribuições adicionais feitas em benefício dos diretores Jauvenal Oms e Di Marco Pozzo. A empresa para afastar a tributação alega que foram tratamse de aportes esporádicos e, assim, por lhes falta o requisito da não eventualidade estariam livre da incidência de contribuições nos termos do item 7, da alínea "e" do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Mais uma vez não irei a acolher o argumento de que os pagamentos, por serem eventuais, não poderiam estar incluídos na base de cálculo do lançamento. A eventualidade não se fez presente neste caso, haja vista que se trata de pagamento efetuado em razão do vínculo de trabalho entre o beneficiário e a empresa. Como afirmei acima, é de se reconhecer a eventualidade para fins de exclusão de determinada parcela do saláriodecontribuição quando percebese que o pagamento não guarda relação com a prestação de serviço, a exemplo de um auxílio para tratamento de saúde ou como auxílio em qualquer outra situação danosa experimentada pelo trabalhador. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 Equiparo esses aportes em plano de previdência a um prêmio dado ao trabalhador como forma de incrementar o valor de futuro benefício a ser usufruído pelo diretor ou por sua família. Afastando o caráter de eventualidade da verba, encaminho pela sua manutenção na base de cálculo do lançamento. Pagamento mediante crédito em cartão Neste tópico trataremos das parcelas pagas a diretores e pessoas a eles vinculadas mediante os cartões utilizados para pagamento de gêneros alimentícios e de despesas com veículos. Não tenho dúvida que esses pagamentos são prestações que não estão entre as hipóteses legais de exclusão do saláriodecontribuição, previstas no § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. Os créditos para compra de alimentos devem se submeter a incidência de contribuições, posto que a empresa não comprovou a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, tampouco que as parcelas eram repassadas de acordo com a legislação que rege a matéria. Como bem salientou a autoridade fiscal, o PAT foi instituído para favorecer os trabalhadores de baixa renda, todavia, nos casos de concessão a trabalhadores com renda mais elevada o benefício deve ser repassado de forma isonômica. Isso pode ser verificado na Portaria n.º 03 do Ministério do Trabalho, de 01/03/2002, a qual dispõe: “Art. 3º As pessoas jurídicas beneficiárias poderão incluir no Programa, trabalhadores de renda mais elevada, desde que esteja garantido o atendimento da totalidade dos trabalhadores que percebam até cinco saláriosmínimos, independentemente da duração da jornada de trabalho. Parágrafo único. O benefício concedido aos trabalhadores que percebam até cinco saláriosmínimos não poderá, sob qualquer pretexto, ter valor inferior àquele concedido aos de rendimento mais elevado.” Assim, os valores envolvidos, que eram disponibilizados principalmente aos diretores, deve sofrer a incidência de contribuições posto que representam acréscimo patrimonial para os beneficiários. Quanto ao cartão Flex Car, utilizado para pagamento de despesas com veículos, não pode, como quer a recorrente, ser tratado como indenização. Para que uma despesa seja considerada indenizatória, a empresa necessariamente deve demonstrar que os valores eram repassados aos trabalhadores para ressarcir custos, que no caso em apreço teriam ocorrido pela utilização de veículos particulares para efetuar o trabalho. Considerando que a recorrente não trouxe aos autos qualquer prova de que os beneficiários utilizavam o veículo para o trabalho, nem que houve apresentação pelos diretores da comprovação das despesas, entendo que essa verba deve ser tratada como remuneração. Multa por descumprimento de obrigação acessória Fl. 676DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10980.724660/201116 Acórdão n.º 2402004.896 S2C4T2 Fl. 670 15 Tendo concluído que as parcelas acima têm natureza salarial é imperioso o reconhecimento de que a multa pela falta de declaração desses fatos geradores é procedente, posto que, ao deixar de incluir na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP essas rubricas, a empresa atentou contra o disposto no inciso IV do art. 32 da Lei n.º 8.212/1991. Juros SELIC Quanto à inaplicabilidade da taxa de juros SELIC para fins tributários, é matéria que já se encontra sumulada nesse Tribunal Administrativo, nos termos da Súmula CARF n. 04: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Nesse sentido, sendo a Súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos temos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF1., não pode esse colegiado afastar a utilização da taxa de juros aplicada às contribuições lançadas no presente lançamento. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, decidiu com base na sistemática dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC) que é legítima a aplicação da taxa SELIC aos débitos tributários, o que faz com que essa discussão tornese, até certo ponto, desnecessária. Eis a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543C DO CPC. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃOOCORRÊNCIA. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. JUROS DE MORA PELA TAXA SELIC. ART. 39, § 4º, DA LEI 9.250/95. PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. Não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a prestação jurisdicional, o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. 1 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 677DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. 4. Recurso especial parcialmente provido. Acórdão sujeito à sistemática prevista no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ. (REsp 1111175 / SP, Relatora Ministra Denise Arruda, DJe. 01/07/2009) Devem, portanto, ser mantidos os juros aplicados no lançamento. Conclusão Voto por conhecer do recurso, para darlhe provimento parcial para excluir do AI n.º 37.195.5440 as competências de 05/2007 a 13/2008. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/02 /2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15540.720021/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-003.946
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento, nos termos do relatório e voto
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Art. 36 da Lei n° 9.784/99. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento, nos termos do relatório e voto (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Maria Cleci Coti Martins e Carlos Henrique de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 72 00 21 /2 01 2- 57 Fl. 6324DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pela recorrente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 1.541 e seguintes). Adotase trechos, com destaques nossos, do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 1.543 e seguintes), que bem resumem o quanto consta dos autos: Do Lançamento de Ofício Tratase de lançamento de ofício referente ao período de 01/2007 a 12/2008, com ciência pessoal do contribuinte em 27/01/2012, formalizado através do AI no 37.085.4160, no valor de R$ 1.274.567,15, mais encargos moratórios, relativo às contribuições previdenciárias patronais (Empresa e SAT). Do Relatório da Fiscalização 2. Do que consta do Relatório Fiscal, os seguintes fatos merecem destaque (fls. 05/24): 2.1. foram apuradas divergências entre as folhas de pagamento e GFIP, relativas aos valores pagos aos servidores não estatutários (empregados, comissionados, prefeito e viceprefeito), regidos pelo RGPS, e aos contribuintes individuais, trabalhadores sem vínculo empregatício; 2.2. quanto aos empregados, foi apurada a diferença entre a folha de pagamento e a GFIP; ao passo que, no caso dos contribuintes individuais, a empresa omitiu todos os pagamentos feitos a esses segurados; 2.3. as bases de cálculo do ano de 2007, referentes aos empregados, comissionados, prefeito e viceprefeito, foram obtidas pelos resumos das folhas de pagamento dos segurados denominados “extraquadros”, que excluem os estatutários vinculados ao regime próprio do município, e compreendem as rubricas constantes da “Tabela 2” (fls. 08/09); 2.4. as bases de cálculo do ano de 2008, por ser outro o formato da folha, foi apurada de acordo com o tipo de rubrica e a forma de seu lançamento, se remuneração (1), se desconto (1), conforme “Tabela 3” (fls. 09/10); 2.5. a “Tabela 4” (fls. 12) revela o total, por competência, das bases de cálculo dos segurados denominados pelo contribuinte como “extraquadros”, obtidas pela soma dos valores das tabelas anteriormente mencionadas; 2.6. as bases de cálculo relativas aos contribuintes individuais encontram se discriminadas na “Tabela 5” (fls. 13); Da Impugnação do Contribuinte Fl. 6325DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.720021/201257 Acórdão n.º 2401003.946 S2C4T1 Fl. 482 3 3. Em 28 de fevereiro de 2012 o contribuinte impugnou a exigência, alegando, em síntese, que (fls. 1.524/1.528): 3.1. diversas rubricas integrantes da “Tabela 2”, elaborada pela fiscalização, elencadas na peça defensiva (fls. 1.526), não poderiam integrar a base de cálculo das contribuições exigidas, por se tratarem de direitos conferidos aos servidores estatutários, através da Lei Municipal no 526/84 (Estatuto do Servidor Público do Município de Niterói; 3.2. o erro na apuração da base de cálculo e no cálculo do montante do tributo devido torna o crédito tributário inexigível, porquanto despido de liquidez e certeza; (...) Como afirmado, a impugnação apresentada pelo recorrente foi julgada improcedente, mantendose o crédito tributário lançado. A recorrente foi cientificada do julgamento, tendo apresentado, tempestivamente, o recurso de fls. 1.555 e seguintes, no qual alega, em apertada síntese, que: ‐ Reconhece que os valores recolhidos pela recorrente foram calculados com base na folha de pagamento dos servidores “extraquadros”, compreendendo, nesta nomenclatura, os servidores exclusivamente ocupantes de cargos em comissão. Todavia, o número de rubricas arroladas pelo Município seria consideravelmente menor que aquelas levadas em conta pela autoridade fiscal. Durante o procedimento fiscal, em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal da Receita Federal, emitido em 12/04/2011, o Município teria alertado que o documento relativo à apropriação contábil geral de vencimentos e descontos de pessoal não vinculado ao regime próprio de previdência (servidores comissionados) do ano de 2007 estava consolidado com os servidores efetivos, sendo que as rubricas de lançamentos dos servidores não vinculados são aqueles que constam na tabela de “rubrica/eventos”. Para provar o alegado, anexa folhas de pagamento dos servidores unicamente comissionados (“extraquadros”) do ano de 2008, mês a mês, com a indicação das rubricas que integram suas remunerações (Anexo III). Aduz que não junta as folhas de pagamento do exercício de 2007 no formato da apresentada para 2008, porque os dados por rubrica das folhas de pagamento de 2007 eram mantidos por um sistema informático contratado pela empresa PRODERJ que, ao fim da avença, não disponibilizou à Prefeitura as informações que possuía, mas que é possível verificar qual a base de cálculo aferida pelo Município para o pagamento da contribuição. É o relatório. Fl. 6326DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 Voto Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Discriminação Imprecisa. A recorrente reconhece que valores recolhidos pela recorrente foram calculados com base na folha de pagamento dos servidores “extraquadros”, compreendendo, nesta nomenclatura, os servidores exclusivamente ocupantes de cargos em comissão. No entanto, insurgese contra o lançamento alegando excesso e imputa o suposto equívoco à fiscalização com o simplório argumento de que alertou que o documento fornecido conteria bases sem incidência, sem explicar ao certo porque o documento relativo ao pessoal não vinculado ao regime próprio de previdência (servidores comissionados) do ano de 2007 estava consolidado com os servidores efetivos e que não junta as folhas de pagamento do exercício de 2007 no formato da apresentada para 2008, porque os dados por rubrica das folhas de pagamento de 2007 eram mantidos por um sistema informático contratado pela empresa PRODERJ que, ao fim da avença, não disponibilizou à Prefeitura as informações que possuía, mas que seria possível verificar qual a base de cálculo aferida pelo Município para o pagamento da contribuição. A decisão de origem já havia rebatido tais argumentos com base na questão relativa ao ônus da prova da recorrente e calcado nos fatos constantes dos autos. Vejamos: 7. Compulsandose os autos, verificase que a fiscalização intimou a empresa, através do TIF no 2, de fls. 60, a exibir, dentre outros documentos, os resumos das folhas de pagamento dos segurados não vinculados ao regime próprio de previdência e a correspondente tabela de eventos com a indicação das rubricas integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. 8. Em atendimento à intimação, o contribuinte apresentou o documento de fls. 72, intitulado “TABELA DE EVENTOS DA FOLHA DE PAGAMENTO INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS”, com os códigos de eventos dos anos de 2007 e 2008, bem como os resumos das folhas de pagamento do pessoal denominado “extraquadro” lotado em cada uma de suas secretarias (fls. 73/577). 9. Verificase que as Tabelas 2 e 3 do relatório fiscal (fls. 08/11), com os eventos de folha apurados pela fiscalização, possuem um número de rubricas superior ao informado pela empresa no documento de fls. 72. Por sua vez, no item “3.7” do seu relatório (fls. 08) a autoridade fiscal esclarece que levou em consideração o fato de os resumos das folhas de pagamento apresentados se referirem ao pessoal “extraquadro”, porquanto tal denominação excluiria o pessoal estatutário vinculado ao regime próprio do município. 10. A questão que se coloca, portanto, é saber se os trabalhadores contemplados pelos resumos das folhas de Fl. 6327DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.720021/201257 Acórdão n.º 2401003.946 S2C4T1 Fl. 483 5 pagamento apresentadas pelo contribuinte, classificados como “extraquadro”, de fato, são tão somente os não vinculados ao regime próprio de previdência do município, conforme asseverado pela fiscalização. Frisese, no ponto, que o contribuinte não se manifesta a respeito desta afirmativa em sua defesa. 11. Cumpre destacar, ainda, que o mero fato de o Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Niterói (LM 526/84) outorgar direitos de natureza remuneratória aos seus trabalhadores estatutários, por si só, não constitui óbice para que estes direitos também sejam conferidos aos trabalhadores regidos pela CLT. Assim, não basta, simplesmente, examinar o texto legal para que se chegue a uma conclusão a respeito da presente controvérsia. 2. De acordo com o art. 333, incisos I e II, do CPC, cabe ao autor comprovar o fato constitutivo, ao passo que, ao réu, cumpre demonstrar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito autoral. No mesmo sentido, o art. 9. do Decreto 70.235/72 dispõe que: “Art. 9. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei no 11.941, de 2009)” 13. Notese que no TIPF (fls. 57), no TIF no 1 (fls. 59) e no TIF no 2 (fls. 60) a autoridade fiscal exige do contribuinte o resumo geral da folha de pagamento em meio papel de todos os “segurados” do município. O contribuinte, por sua vez, atendendo à intimação, forneceulhe os resumos gerais de fls. 73/579, sem fazer quaisquer ressalvas a respeito da natureza do vínculo mantido com os trabalhadores ali incluídos. 14. Ora, sabese que o termo “segurado” é típico do ramo do Direito Previdenciário, e não abrange qualquer tipo de trabalhador. Muito pelo contrário, abarca exclusivamente as pessoas físicas que, nos termos da lei, estejam vinculadas ao Regime Geral de Previdência Social – RGPS. Desse modo, a intimação feita pela fiscalização se dirigiu especificamente aos resumos relativos aos trabalhadores que ostentavam esta condição. 15. Ademais, nos termos do art. 225, inciso I e § 9., do Decreto 3.048/99, a folha de pagamento deve contemplar a remuneração paga, devida, ou creditada a todos os “segurados” a serviço da empresa, agrupandoos por estabelecimento, obra de construção civil ou tomador de serviço, com a correspondente totalização (ou seja, o próprio resumo). 16. Destarte, tendo a fiscalização exigido os resumos das folhas de pagamento que são de confecção obrigatória e devem ser Fl. 6328DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 elaborados de acordo com os padrões previstos na legislação e tendo o contribuinte lhe fornecido os mesmos sem informar que ali estavam incluídos também os servidores estatutários vinculados a regime próprio – frisese, que não são “segurados” do RGPS , salvo prova em contrário, as rubricas expressamente consignadas naqueles documentos deverão se sujeitar à incidência da contribuição previdenciária devida, independentemente da denominação “extraquadro”. 17. Aliás, ainda que o contribuinte tivesse confeccionado de forma equivocada as folhas de pagamento – incluindo em um mesmo resumo os valores pagos aos segurados obrigatórios e aos servidores estatutários vinculados a regime próprio , o que se admite somente para efeito de argumentação, tal fato permitiria que a autoridade fiscal lançasse as bases de cálculo por aferição indireta, com fulcro no art. 233, “caput” e parágrafo único, do Decreto 3.048/99, invertendose o ônus da prova em desfavor da empresa. “Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. (G. N.) 18. Assim, a meu ver, ao contribuinte caberia, nesta fase litigiosa, o ônus de demonstrar que os referidos resumos abrangeram, indevidamente, valores pagos a trabalhadores não vinculados ao RGPS, instruindo sua impugnação, por exemplo, com os resumos das folhas de pagamento corretamente confeccionados, nos termos da legislação tributária, com prova documental acerca do seu conteúdo. A mera descrição das rubricas em sua defesa (fls. 1.526) não é suficiente para se desincumbir do referido ônus probatório. Assim, tendo o fisco se empenhado em esclarecer os fatos e deixando a recorrente de apontar com precisão as razões de seu inconformismo e de apresentar provas de eventuais equívocos no lançamento, cumpre invocar o aforismo jurídico “allegatio et non probatio, quasi non allegatio”. Alegar e não provar é o mesmo que não alegar. No processo administrativo, há norma expressa a respeito: Lei n° 9.784/99 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 6329DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 15540.720021/201257 Acórdão n.º 2401003.946 S2C4T1 Fl. 484 7 Por tudo que se expôs até aqui, não há como se dar guarida ao inconformismo da recorrente. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 6330DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 09/ 01/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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