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Numero do processo: 18471.000272/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005
NORMAS PROCESSUAIS. CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL.
Tendo sido apresentados dois acórdãos paradigma para discussão da totalidade do crédito tributário em litígio, por fundamentos diferentes, e comprovada a divergência jurisprudencial em relação a um deles, o recurso deverá ser conhecido, ainda que não haja comprovação de divergência com relação ao outro acórdão paradigma apresentado.
IRRF. RENDIMENTOS PAGOS A BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE COMPLEMENTAÇÃO DE CHAMADAS TELEFÔNICAS. BASE DE CÁLCULO
O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica.
Os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte.
No presente caso, ficou demonstrado o fato gerador do tributo, com a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, pelo recebimento dos serviços por serviços prestados, que devem integrar a base de cálculo do tributo em questão, motivo da negativa de provimento do recurso.
NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO. ADOÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS JURÍDICOS. AUSÊNCIA.
O Art. 146 do CTN determina que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.
No presente caso não houve modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, pois órgãos do contencioso não são responsáveis pelo exercício do lançamento e decisões em solução de consulta restringem-se ao consulente, motivo da negativa de provimento do recurso.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer integralmente do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que conheceram parcialmente do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Declarou-se impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa.
(Assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
Presidente
(Assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator Designado
EDITADO EM: 08/04/2013
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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CONHECIMENTO DE RECURSO ESPECIAL. Tendo sido apresentados dois acórdãos paradigma para discussão da totalidade do crédito tributário em litígio, por fundamentos diferentes, e comprovada a divergência jurisprudencial em relação a um deles, o recurso deverá ser conhecido, ainda que não haja comprovação de divergência com relação ao outro acórdão paradigma apresentado. IRRF. RENDIMENTOS PAGOS A BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE COMPLEMENTAÇÃO DE CHAMADAS TELEFÔNICAS. BASE DE CÁLCULO O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte. No presente caso, ficou demonstrado o fato gerador do tributo, com a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, pelo recebimento dos serviços por serviços prestados, que devem integrar a base de cálculo do tributo em questão, motivo da negativa de provimento do recurso. NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO. ADOÇÃO DE NOVOS CRITÉRIOS JURÍDICOS. AUSÊNCIA. O Art. 146 do CTN determina que a modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 02 72 /2 00 7- 11 Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. No presente caso não houve modificação nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento, pois órgãos do contencioso não são responsáveis pelo exercício do lançamento e decisões em solução de consulta restringemse ao consulente, motivo da negativa de provimento do recurso. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer integralmente do recurso. Vencidos os Conselheiros Marcelo Oliveira (Relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire, que conheceram parcialmente do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Declarouse impedido o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, substituído pelo Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício Presidente (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator Designado EDITADO EM: 08/04/2013 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 01145, interposto pelo sujeito passivo contra acórdão, fls. 01124, que decidiu negar provimento a seu recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005 IRF RENDIMENTOS PAGOS A BENEFICIÁRIOS NO EXTERIOR PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE COMPLEMENTAÇÃO DE CHAMADAS TELEFÔNICAS FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO Tendo as empresas internacionais de telecomunicações prestado serviços à empresa de telecomunicação sediada no Brasil, no tocante à implementação de chamadas no exterior, a base de cálculo do IRF será o valor do preço de tal serviço, sendo irrelevante se, quando da remessa ao exterior, tenham sido compensados valores de crédito que porventura possua junto à beneficiário do numerário. A disponibilidade dos rendimentos líquidos para o beneficiário, ou seja, após a compensação dos débitos e os créditos recíprocos, é evento superveniente ao fato gerador, que não faz parte do seu núcleo, e, como tal, não é capaz de influir na incidência da norma tributária de regência ou interferir no valor da base tributável. LANÇAMENTO MODIFICAÇÃO DE CRITÉRIOS JURÍDICOS VEDAÇÃO A norma proíbe a revisão ou a realização de outro lançamento tributário pelo fisco para alterar aquele já realizado segundo os critério jurídicos praticados anteriormente, não se aplicando a lançamentos posteriores e que tratem de fatos geradores diversos. PROCESSO ADMINISTRATIVO DE CONSULTA EFEITOS – Conforme as determinações das normas que regem a matéria, as possíveis conseqüências do procedimento de consulta aproveitam somente ao sujeito passivo interessado. ACRÉSCIMOS LEGAIS DISPENSA ARTIGO 100 DO CTN – O preceptivo do artigo 100 do CTN somente se aplica em se tratando de decisões administrativas, a que a lei atribua eficácia normativa, não sendo o caso de decisões judiciais, sobretudo se os efeitos da sentença se referem fatos geradores não alcançados pelo lançamento de oficio. As chamadas praticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas são aquelas que ocorrem reiteradas vezes na Administração, adotando certo procedimento, com notável freqüência, acabando por gerar urna fonte formal secundária do direito tributário. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Não se dando tal abrangência As soluções de consulta, para sujeito passivo não consulente. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, vencida a Conselheira Silvana Mancini Karam ,que dava provimento parcial para excluir a multa de oficio e apresentará declaração de voto. Declarouse impedido, em razão da parte, o Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka. Como esclarecimento inicial, o litígio em questão versa sobre: a) Definição de base de cálculo a ser utilizada; e b) Lançamento com suposto novo critério jurídico. Em seu recurso especial o sujeito passivo alega, em síntese, que: 1. Desenvolve atividades de telecomunicações de longo curso, ou seja, interurbanas e internacionais; 2. Quando uma ligação telefônica para o exterior é efetuada a partir do Brasil, tal ligação iniciase na rede telefônica da RECORRENTE, e esta rede conectase com redes telefônicas do pais de destino da ligação; 3. A partir dessa conexão a empresa estrangeira de telefonia ("operadora internacional") presta serviços à RECORRENTE de finalização de ligação telefônica iniciada no Brasil; 4. Por estes serviços a RECORRENTE remunera a operadora internacional, contabilizando a respectiva despesa ("despesa de trafego sainte"); 5. Em face de consulta formulada pela RECORRENTE a Secretaria da Receita Federal manifestou entendimento, através da Solução de Consulta n.° 229/99 (processo n.° 10768.002.248/9973), de 26 de agosto de 1999, no sentido de ser aplicável às denominadas remessas decorrentes do "tráfego sainte" a regra exonerativa firmada pelo art. 6° do RTI (item 40.4 da referida solução de consulta — Decisão 229), motivo pelo qual as remessas em questão seriam exoneradas da incidência do Imposto sobre a Renda somente a partir de 19 de setembro de 1998; 6. Considerando seu entendimento no sentido de que as remessas em questão seriam exoneradas da incidência do Imposto sobre a Renda somente a partir de Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 4 5 19.10.1998, a Secretaria da Receita Federal lavrou Auto de Infração, em dezembro de 1999, constituindo, mediante lançamento, créditos que entendia devidos, a titulo de IRRF, relativos aos períodos base de janeiro de 1995 a setembro de 1998; 7. Em face da autuação, o sujeito passivo impugnou o lançamento, tendo sido prolatado Acórdão pela DRJ, que manifestou o entendimento de que, nos termos do disposto no art. 745 do RIR/1994 a matéria tributável estaria limitada aos valores efetivamente disponibilizados às operadoras estrangeiras (após encontro de contas), que, em última análise, correspondem ao acréscimo patrimonial referido no artigo 43 do Código Tributário Nacional como elemento caracterizador do fato gerador do Imposto sobre a Renda; 8. Em dezembro de 2002, a Solução de Consulta n.o 229/99, acima referida, foi revogada pela Solução de Consulta n 293/2002, por força de um novo entendimento manifestado pelo Fisco Federal no sentido de entender inaplicável às remessas relativas ao "tráfego sainte" a regra exonerativa prevista no artigo 6° do Regulamento Administrativo de Melbourne, sem, contudo, fazer qualquer referência à definição da matéria tributável; 9. Por sua vez, o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, em decisão prolatada em 12/2003, nos autos do processo administrativo em que se discutia o lançamento do IRRF incidente sobre as remessas relativas ao "tráfego sainte", declarou que este somente incidiria sobre os valores efetivamente remetidos às operadoras internacionais, ratificando o já manifestado posicionamento adotado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro; 10. Em 15 de outubro de 2004 a Secretaria da Receita Federal fez publicar o Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 25/2004, acerca da definição da base de cálculo do Imposto sobre a Renda e da CIDE, manifestando, pela primeira vez, entendimento no sentido de que o IRRF e a CIDE incidiriam sobre o valor total da operação e não apenas sobre o saldo liquido resultante do encontro de contas envolvendo débitos e créditos entre o tomador e o prestador dos serviços; Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 11. Em face da alteração do critério jurídico até então adotado pela Secretaria da Receita Federal, perpetrada pela publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.° 25/2004, a RECORRENTE efetuou, em 11/12/2004, a extinção dos créditos relativos ao período base de 24/01/2003 a 24/11/2004, sobre o saldo liquido resultante do encontro de contas envolvendo débitos e créditos entre o tomador e o prestador dos serviços; 12. Relativamente ao período de 13/10/2004 a 27/12/2004, em 03 de março de 2005, a RECORRENTE efetuou o recolhimento com base na nova interpretação trazida pelo referido Ato Declaratório, sobre o valor total da operação; 13. Contudo, em que pese o regular cumprimento de suas obrigações tributárias, a RECORRENTE foi surpreendida com a lavratura de uma nova autuação, no dia 26 de março de 2007, objeto do presente Recurso Especial, tendo a RECORRENTE sido intimada na mesma data; 14. Nesta autuação foi constituído crédito fiscal de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre a diferença entre o valor total das despesas faturadas resultantes da prestação de serviços de telecomunicações iniciados em território nacional e completados em outros países, serviços estes denominados "tráfego sainte", e o valor efetivamente recolhido pela RECORRENTE; 15. Apesar de contestado nas esferas administrativas, a DRJ e a turma do CARF, a quo, decidiram pela procedência do lançamento; 16. A decisão recorrida é divergente ao acórdão 10613741, que decidiu que a incidência do IRRF sobre pagamentos feitos por operadoras de telefonia no Brasil, nos serviços prestados (tráfego sainte) por operadoras situadas no exterior, ocorre sob a disciplina do regime de caixa, sem prejuízo da escrituração e controle contábil dos serviços prestados, conforme o regime de competência. Assim, as datas e montantes tributáveis são definidos com base nos rendimentos efetivamente remetidos aos beneficiários no exterior; 17. Isto posto, conclui se que o IRRF regese pela disciplina do regime de caixa, motivo pelo qual somente ocorre a incidência do tributo quando da efetiva disponibilização jurídica e econômica dos valores ao beneficiário no exterior; Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 5 7 18. Ademais, destaquese mais alguns acórdãos, dentre os vários existentes que demonstram que é totalmente nula a autuação fiscal na medida em que o Imposto de renda retido na fonte somente é devido e retido quando do pagamento dos rendimentos, ou seja, quando da efetiva disponibilização jurídica e econômica dos valores ao beneficiário, conforme pacifico entendimento a respeito da matéria; 19. Ressaltese, ainda, que o acórdão recorrido foi proferido de forma contrária ao entendimento firmado no âmbito deste conselho, na medida em que a Autoridade Lançadora somente poderia exercer seu dever de lançamento, com base em um novo critério jurídico, distinto daquele definido no Acórdão 106 13.741, relativamente a fato gerador ocorrido posteriormente à alteração, sob pena de insubisistência do ato de lançamento, em face da violação à norma insculpida no artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN); 20. Conforme se pode inferir dos acórdãos paradigmas relacionados, o CARF pacificou o entendimento de que o artigo 146 do CTN impede que se exija o pagamento de tributos referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente à alteração do entendimento pela Administração Pública (Acórdãos 30130892 e 302 35783); 21. O. Acórdão recorrido foi proferido de forma contrária ao entendimento firmado no CARF, na medida em que a observânicia ao art. 100, parágrafo único, do CTN exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo; 22. O Acórdão recorrido foi proferido de forma contrária ao entendimento firmado no âmbito do CARF, na medida em que a observância ao art., 106, inciso I, do Código Tributário Nacional exclui a imposição de penalidades ao contribuinte que, face à impropriedade da norma, que reclamou norma interpretativa, teria agido em desacordo com a nova interpretação; 23. A decisão ora recorrida manteve o lançamento por entender que "a disponibilidade dos rendimentos líquidos para o beneficiário, ou seja, após a compensação dos débitos e os créditos reciprocos, é evento superveniente ao fato gerador, que não faz parte do seu núcleo, e, como tal, não capaz de influir na Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 incidência da norma tributária de regência ou interferir no valor da base tributável; 24. Não obstante, verificase que o IRRF somente seria retido e devido aos cofres públicos se e quando do efetivo pagamento disponibilização jurídica e econômica , nos exatos termos do decidido no Acórdão paradigma 10613,741; 25. Verificase que, como acima amplamente demonstrado, o IRRF deve ser recolhido, como de fato o foi no presente caso, inclusive no caso de despesas relativas aos prestadores domiciliados em países com tributação favorecida, sobre o valor das remessas feitas, ou seja, sobre o valor liquido apurado após a dedução do valor devido à administração estrangeira do crédito que a RECORRENTE tinha a receber da mesma em decorrência do trafego entrante; 26. Isto posto, requer o cancelamento da autuação. Por despacho, fls. 01260, deuse seguimento parcial ao recurso especial, somente nas divergências relativas a base de cálculo e à realização de lançamento com base em novo critério jurídico. A Presidência do CARF analisou o despacho sobre o seguimento parcial do recurso e manteve seu entendimento, fls. 01265. A Procuradoria apresentou suas contra razões, fls. 01268, argumentando, em síntese, que: a decisão recorrida deve ser mantida na integra. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Como já destacado, o litígio em questão versa sobre definição de base de cálculo a ser utilizada e lançamento com suposto novo critério jurídico. O lançamento referese a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), pelo inadimplemento parcial referente a pagamentos efetuados a residentes ou domiciliados no exterior, a operadoras estrangeiras de telefonia, em virtude da prestação de serviços de telecomunicações. O sujeito passivo pagou por serviços de empresas de telecomunicação internacionais para efetivar chamadas do país para o exterior, chamado "tráfego sainte", e recebeu por serviços prestados para ligações do exterior, "tráfego entrante". Quanto à admissibilidade, há questão, em um ponto a ser analisado, que devemos analisar, referente ao argumento sobre suposto novo critério jurídico utilizado no julgamento. O sujeito passivo alega, em síntese, que a administração utilizou novo critério jurídico, que o prejudicou, pois não respeitou a regra determinada no Código Tributário Nacional (CTN). CTN: Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. O sujeito passivo alega que a administração pública DRJ e CARF (Acórdão 10613.741) – tinham decidido em lançamento com os mesmos fatos, jurídicos e fáticos, que se está discutindo nos autos, que o critério utilizado foi o correto, decidindo pela improcedência do lançamento anteriormente efetuado. Assim, em síntese, segundo o sujeito passivo, a administração pública, devido a elaboração da presente autuação, utilizou novo critério jurídico, o que é vedado pela legislação citada. Para comprovar a divergência de decisões, requisito obrigatório segundo o Regimento Interno do CARF, para a admissibilidade de seu recurso especial, o sujeito passivo apresentou os Acórdãos 30130.892 e 30235.783. O acórdão paradigma 30130.892 analisou, conforme voto, o seguinte caso: Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 “No caso dos autos, as autoridades fiscais com base na Nota n.° 106/2001, emitida pela COANA/DITEC/DINOM, efetuaram revisão aduaneira das Declarações de Importação registradas no ano de 1999, pois entenderam que os veículos importados pela Recorrente através das referidas DI's possuem as características de camionetas, classificandoos, portanto, no "EX" 01 da subposição 8704.21 da TEC. A seu turno, sustenta a Recorrente que no momento em que se realizou a importação dos referidos veículos, o Fisco já havia se posicionado quanto à sua classificação fiscal, em posição diferente daquela constante da Nota acima citada. A fim de comprovar o alegado, colaciona aos autos cópia do FAX n.° 467, de 16/09/99, emitido pela Divisão de Controle Aduaneiro da SRRF/7 a RF (fls. 349), onde consta o posicionamento daquela Divisão e a determinação do Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória para que seja adotado aquele entendimento e dado ciência à interessada dos termos do referido "FAX". Tendo em vista que a Nota n.° 106/2001, emitida pela COANA/DITEC/D1NOM, e o FAX n.° 467, de 16/09/99, emitido pela Divisão de Controle Aduaneiro da SRRF/7 a RF, apresentam opiniões distintas sobre o tipo de veículos importados pela Recorrente, o que culminou na cobrança dos tributos aduaneiros incidentes na importação, mister se faz analisar de início se houve alteração do critério jurídico pela d. autoridade lançadora.” E chega a seguinte conclusão: “Assim, considerando as razões acima expendidas, e na esteira da jurisprudência dos Tribunais Superiores que não pode deixar de ser observada pela Administração Pública Federal, consoante o determinado no Decreto n.° 2.346, de 10/10/97, resta claro que houve mudança de critério jurídico anteriormente adotado pelo Fisco, devendo, portanto, ser cancelada a exigência fiscal consubstanciada no Auto de Infração.” Como é de fácil constatação, o acórdão paradigma trata de situação totalmente distinta da constante do acórdão recorrido, impedindo o conhecimento por ausência de divergência, como determina o RICARF. O acórdão paradigma trata de situação fática e jurídica divergente, já que trata de critérios jurídicos conflitantes expressos em Nota n.° 106/2001, emitida pela COANA/DITEC/D1NOM, e FAX n.° 467, de 16/09/99, emitido pela Divisão de Controle Aduaneiro da SRRF/7ª RF. As duas posições da administração foram divergentes, possibilitando a aplicação do Art. 146 do CTN. Já no acórdão recorrido o sujeito passivo alega que o conflito ocorre entre decisões expressas no contencioso administrativo. Para que a divergência fosse comprovada, seria necessário que o sujeito passivo apresentasse paradigma em que se decidiu que decisões da DRJ e do CARF são consideradas como formadoras de critérios jurídicos e que lançamentos que não a respeitem seriam improcedente. Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 7 11 Como não é essa a decisão divergente apresentada, não há demonstração de divergência e o recurso não deve ser admitido, com base no acórdão paradigma 30130.892. Já em relação ao segundo paradigma apresentado, para a alegação de introdução de novo critério jurídico, Acórdão 30235.783, a decisão possui os seguintes fundamento e decisão: “Pelo que se observou, ou a empresa importou, pela DI 315866/96, a máquina de marca OSHITANI, descrevendoa como outra, de marca MARTIN, objeto do processo que foi encerrado pelo integral pagamento dos tributos e multas lançados, ou a empresa importou com subfaturamento a máquina de marca MARTIN, posteriormente dando saída dela sem Nota Fiscal, e, também, introduzindo clandestinamente no País a máquina de marca OSHITANI. É impossível terem acontecido as duas ocorrências simultaneamente. Está evidente que o segundo Auto de Infração, objeto deste lançamento ora em julgamento, foi lavrado com flagrante mudança de critério jurídico, contrariando o disposto no Art. 146 do CTN, o qual se aplica a casos em que a revisão fiscal é feita, não para reparar uma ilegalidade, mas para alterar elementos que a Lei deixa à escolha da Autoridade administrativa no exercício do lançamento, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. Ou seja, é impedida a migração de um critério legalmente válido para outro igualmente legítimo, porém mais gravoso. Considerandose o encerramento do processo anterior, que se referia a importação de uma máquina, registrada pela DI 315866/96, com o pagamento de todo o crédito tributário lançado, não cabe mais discutir neste julgamento qual procedimento seria mais acertado ou adequado naquele processo, partindose da descrição indevida da mesma máquina trazida do exterior registrada naquela DI. Face ao exposto, nego provimento ao Recurso de Oficio.” Novamente, como também é de fácil constatação, o acórdão paradigma trata de situação totalmente distinta da constante do acórdão recorrido, impedindo o conhecimento por ausência de divergência, como determina o RICARF. O acórdão paradigma trata de situação fática e jurídica divergente, já que trata de critérios jurídicos conflitantes em lançamentos de classificação de mercadorias na importação. As duas posições da administração foram divergentes, possibilitando a aplicação do Art. 146 do CTN. Já no acórdão recorrido o sujeito passivo alega que o conflito ocorre entre decisões expressas no contencioso administrativo. Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 12 Para que a divergência fosse comprovada, seria necessário que o sujeito passivo apresentasse paradigma em que se decidiu que decisões da DRJ e do CARF são consideradas como formadoras de critérios jurídicos e que lançamentos que não a respeitem seriam improcedente. Como não é essa a decisão divergente apresentada, não há demonstração de divergência e o recurso não deve ser admitido, com base no acórdão paradigma 30235.783. Cabe destacar a regra para admissibilidade de recurso especial, expressa no Regimento Interno do CARF (RICARF). RICARF: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Destarte, como, me nosso entender, não ficou demonstrada a obrigatória divergência em interpretações da legislação, voto em não conhecer do recurso parcialmente, pois não conheço da questão sobre lançamento com base em novo critério jurídico. Por ter meu voto, acima, sido vencido na questão da admissibilidade sobre a alegação de lançamento com base em novo critério jurídico, apresento minha análise e decisão quanto aos dois pontos em litígio. DA BASE DE CÁLCULO. O sujeito passivo fundamenta sua alegação no argumento de que a base de cálculo deveria ser a que goza de disponibilidade econômica ou jurídica, motivo pelo qual aqueles valores compensados com os devidos pela empresa internacional não se configurariam como fato gerador do tributo. Para chegarmos à conclusão sobre a correta base de cálculo, devemos verificar o que determina a legislação. Lei 9.779/1999: Art. 7o Os rendimentos do trabalho, com ou sem vínculo empregatício, e os da prestação de serviços, pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento. Como é fácil de se notar, os rendimentos das prestações de serviços sujeitam se à incidência do IRRF, fato esse que o sujeito passivo não contesta, pois, inclusive, realizou recolhimentos parciais, aceitando que há o fato gerador do tributo. O que o sujeito passivo contesta é a base de cálculo, pois, para ele, a base deve ser o resultado entre o “encontro de contas”, referente a serviços adquiridos e serviços prestados. Em nosso entender a legislação acima também define a questão, pois, como definidos, os rendimentos serão os pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos. Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 8 13 Ora, na própria lógica da recorrente o que ocorre é que ela creditase do que deveria pagar, e paga a diferença, caso tenha adquirido serviços em maior valor que seu crédito. Suponhamos que a recorrente tenha mais “créditos” com as operadores internacionais do que obrigações a pagar. Perguntamos, esse fato descartaria a existência do fato gerador, da obrigação? Em nosso entender não, o fato gerador existiria – com o conseqüente surgimento da obrigação tributária principal e a recorrente seria obrigada a pagar o tributo correspondente, já que o fato gerador é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência (Art. 114, CTN). A situação ocorreu, portanto o fato gerador existiu, assim como a obrigação principal tributária. Importante destacar a definição do fato gerador em questão. CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Ora, a recorrente quando presta serviço adquire disponibilidade econômica ou jurídica, pois fica com crédito, utilizado, com as operadoras internacionais. O fato desse crédito ser recebido com encontro de contas ou pagamento não desvirtua o fato gerador da obrigação. Cabe destacar pontos do acórdão recorrido, de autoria da nobre Ana Neyle Olímpio Holanda, seguidos por unanimidade pela turma a quo, que muito bem define a questão: “Sob este pórtico, tendo as empresas internacionais de telecomunicações prestado serviços à EMBRATEL, no tocante à implementação de chamadas no exterior, a base de cálculo do IRF será o valor do preço de tal serviço, sendo irrelevante se, quando da remessa ao exterior, tenham sido compensados valores de credito que porventura possua junto beneficiária do numerário. A disponibilidade dos rendimentos líquidos para o beneficiário, ou seja, após a compensação dos débitos e os créditos recíprocos, é evento superveniente ao fato gerador, que não faz parte do seu núcleo, e, como tal, não capaz de influir na incidência da norma tributária de regência ou interferir no valor da base tributável. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 14 Por outro lado, advoga a recorrente a não realização do fato gerador da incidência tributária dado que o IRF somente com o efetiva remessa do valor ao exterior — quando se perfaria a sua disponibilização jurídica e econômica, ou seja, a concomitância das situações. ... A inteligência da norma predica que qualquer das duas situações – a disponibilidade econômica ou a disponibilidade jurídica da renda ou proventos de qualquer natureza, é capaz de desencadear a incidência legal, não há a exigência de que ocorram em conjunto, como quer a recorrente. Assim, qualquer das hipóteses que ocorra desencadeará a incidência tributária.” Portanto, em nosso entender, não há razão na alegação da recorrente nesse ponto, motivo de negar provimento ao recurso nesta questão. DO LANÇAMENTO COM BASE EM NOVO CRITÉRIO JURÍDICO. Quanto ao segundo ponto, lançamento com suposto novo critério jurídico, melhor sorte não merecem os argumentos da recorrente. O sujeito passivo alega que deve ser respeitada determinação contida no CTN. CTN: “Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução.” Como esclarecimento, a Secretaria da Receita Federal, em 12/1999, lançou crédito tributário referente ao IRF, tendo como base de cálculo o valor do serviço prestado pela operadora no exterior, desprezando o chamado “encontro de contas”. As decisões administrativas desse lançamento citado, tanto na DRJ quanto no Conselho, entenderam que o tributo incidiria sobre o valor efetivamente remetido às operadoras internacionais, por corresponder ao efetivo acréscimo patrimonial. Já em 2004, a Secretaria da Receita Federal publicou o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 25, de 15/10/2004, que veicula o entendimento de que o IRF incidiria sobre o valor total da operação, e não apenas sobre o saldo liquido resultante do encontro de contas. O sujeito passivo alega que a suposta mudança de critério jurídico na apuração da base de cálculo da incidência do tributo sobre o pagamento dos serviços do chamado "tráfego sainte" deve ser aplicado somente a partir da publicação do Ato Declaratório Interpretativo SRF n°25, de 15/10/2004. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 9 15 Claro que a determinação do Art. 146 do CTN faz bem em buscar proteger os sujeitos passivos de alterações em suas decisões. Ocorre que a própria norma define que a modificação introduzida deve ter como origem à autoridade administrativa, que no caso em questão é a Secretaria da Receita Federal do Brasil. Decisões administrativas precárias, DRJ, ou decisões administrativas de órgão distinto, CARF, da autoridade administrativa que atua no lançamento, SRFB, não são consideradas para efeito de aplicação do artigo 146. A recorrente afirma que, devido a consulta formulada por ela, no processo administrativo fiscal n° 10768.002248/9973, a autoridade administrativa (SRFB) manifestou entendimento, através da Solução de Consulta n° 29, de 26/09/1999, de que é aplicável às denominadas remessas decorrentes do "tráfego sainte" a regra firmada pelo artigo 6° do RTI, motivo pelo qual, as remessas em questão seriam exoneradas da incidência do imposto sobre a renda a partir de 19/09/1998. Ocorre que não há prova de que a consulta tenha sido interposta pela recorrente, e, conforme as determinações legais, as possíveis conseqüências das soluções de consulta somente aproveitam o consulente. Decreto 70.235/1972: Art. 46. O sujeito passivo poderá formular consulta sobre dispositivos da legislação tributária aplicáveis a fato determinado. ... Art. 47. A consulta deverá ser apresentada por escrito, no domicílio tributário do consulente, ao órgão local da entidade incumbida de administrar o tributo sobre que versa. Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II de decisão de segunda instância. Art. 49. A consulta não suspende o prazo para recolhimento de tributo, retido na fonte ou autolançado antes ou depois de sua apresentação, nem o prazo para apresentação de declaração de rendimentos. ... Art. 51. No caso de consulta formulada por entidade representativa de categoria econômica ou profissional, os efeitos referidos no artigo 48 só alcançam seus associados ou filiados depois de cientificado o consulente da decisão. Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 16 Como está claro na legislação, a consulta só favorece ao consulente, não podendo ser tomadas como prática reiterada da autoridade administrativa, com abrangência geral, a todos os sujeitos passivos interessados pelo assunto consultado. Devido a análise e decisão acima, nego provimento ao recurso do sujeito passivo, também, neste argumento. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em não conhecer da questão relativa a novo critério jurídico utilizado no lançamento, e, como fiquei vencido neste ponto, voto em negar provimento ao recurso de forma integral, nos termos do voto. (Assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 18471.000272/200711 Acórdão n.º 9202003.097 CSRFT2 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Em que pesem a clareza e objetividade do voto do Ilmo. Conselheiro Relator, conhecendo em parte do recurso, peço vênia para divergir, apenas quanto a sua conclusão. Foram apresentados dois paradigmas, o primeiro tratando de “alteração de critérios jurídicos” e o segundo determinando a tributação do Imposto de Renda na Fonte, por “tráfego sainte” somente pelo valor líquido pago, creditado ou remetido a beneficiário no exterior. Com efeito, o primeiro paradigma não se presta para comprovar qualquer divergência, pois trata de situação completamente distinta daquela tratada nos autos. Nesse sentido, somente haveria divergência se fosse apresentado paradigma em que, em face de auto de infração, decisões anteriores não definitivas de órgãos julgadores no âmbito do Processo Administrativo Fiscal ou Soluções de Consultas relativas a contribuintes diversos tivessem sido efetivamente consideradas como critérios jurídicos a serem observados, nos termos do art. 146 do Código Tributário Nacional. Assim, se o único paradigma apresentado fosse esse, em meu entendimento o recurso não deveria ser conhecido. Ocorre que, o pedido – ao fim e ao cabo – foi apenas o de reconhecimento da cobrança do Imposto na fonte, pelo valor líquido pago e, para isso, efetivamente houve comprovação de divergência com apresentação do segundo paradigma. Ora, seja pela impossibilidade de alteração de critério jurídico, seja pela efetiva correção da cobrança do tributo pelo valor líquido, o recorrente requer a tributação da operação pelo valor líquido pago. Dessa forma, considerando o princípio translativo do recurso, uma vez conhecido do pedido, qualquer fundamento poderá ser utilizado pelo julgador, para dirimir a lide. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, A ssinado digitalmente em 22/04/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10882.002755/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri May 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
RECURSO INTEMPESTIVO. FALTA DE REPRESENTATIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente ou com falta de representatividade do firmatário.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Considera-se definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal.
NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE.
Incabível a aplicação da multa isolada, pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, quando todo o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado. A multa isolada somente se aplica no caso da apuração do lucro pela sistemática do lucro real.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos.
Numero da decisão: 1202-001.155
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos sócios da autuada e, quanto ao recurso apresentado pela empresa, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir, de ofício, a aplicação da multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 RECURSO INTEMPESTIVO. FALTA DE REPRESENTATIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso voluntário apresentado intempestivamente ou com falta de representatividade do firmatário. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada na peça recursal. NÃO RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. LUCRO ARBITRADO. INAPLICABILIDADE. Incabível a aplicação da multa isolada, pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, quando todo o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado. A multa isolada somente se aplica no caso da apuração do lucro pela sistemática do lucro real. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. Subsistindo o lançamento principal, devem ser mantidos os lançamentos que lhe sejam decorrentes, na medida que os fatos que os ensejaram são os mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos voluntários apresentados pelos sócios da autuada e, quanto ao recurso apresentado pela empresa, em considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 27 55 /2 01 0- 02 Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.207 2 ofício, a aplicação da multa isolada, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e seus reflexos na CSLL, no PIS e na Cofins, relativos ao ano de 2006, com a aplicação da multa de ofício, no percentual agravado de 112,5%, da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. Foi também lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária para o sócio gerente da empresa autuada, Sr. Cícero Constantino dos Santos, em razão da empresa ter sido baixada pela condição de inapta (art. 54 da Lei nº 11.941, de 2009), fls. 487/488 e fls. 569. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, de fls. 473 a 485, o lucro da pessoa jurídica foi arbitrado face a não entrega, depois de regularmente intimada, dos livros e documentos contábeis e fiscais, tendo sido apurada a presunção da omissão de receitas pela existência de depósitos bancários sem origem comprovada. Os extratos bancários foram obtidos mediante Requisição de Movimentação FinanceiraRMF, fls. 22 e seguintes, enviadas aos Bancos Safra, J. Safra, do Brasil, HSBC, Unibanco, Itaú, Bradesco, Santander Sudameris, Santander Banespa, Santander Meridional e CEF, conforme relatado em trecho do Termo de Verificação Fiscal, que abaixo se reproduz, fl. 477: “Tendo em vista a declaração do contribuinte , em Termo de Comparecimento de 24/02/2010, demonstrando a não entrega dos extratos bancários, este Auditor Fiscal promoveu a obtenção das RMF’s para os bancos abaixo citados , todas outorgadas em 04/03/2010, com data de resposta e contas bancárias informadas pelos requisitados:” Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever o relatório do Acórdão nº 1432.640 da DRJ/Ribeirão Preto, de fls. 544 a 552, o qual também adoto: “O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 473/485 descreve a ação fiscal, informando que os dados constantes do dossiê revelam movimentação financeira incompatível com a receita declarada, mesmo considerandose somente os créditos em contacorrente presumivelmente decorrentes de receitas omitidas. Intimada, a contribuinte informou que constatou vários lançamentos que não fazem parte de faturamento e outros indevidos, que não podem ser comprovados porque todos os documentos pertinentes foram extraviados. Em conseqüência, apurouse omissão de Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.208 3 receitas em decorrência dos valores creditados em contas bancárias não esclarecidos e comprovados. Como a contribuinte deixou de apresentar quaisquer livros contábeis ou fiscais obrigatórios, ainda que intimado e reintimado, procedeuse ao arbitramento do lucro, tomando por base o montante dos créditos bancários de origem não comprovada. A contribuinte optou pelo pagamento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, nos termos da Lei n° 9.430, de 1996, art. 2 ° e §§, deixando de recolhêlo espontaneamente, sendo, portanto, constituída a multa isolada correspondente, incidente sobre os valores informados na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). O lançamento foi efetuado com multa agravada para 112,5%, por considerar a fiscalização a caracterização do nãoatendimento pela contribuinte às intimações da fiscalização. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 487/488), em face do senhor Cícero Constantino dos Santos, sóciogerente da empresa. Notificada do lançamento em 30/09/2010, conforme autos de infração, a interessada, representada pelo advogado Marcos Borges Ananias (procuração de fl. 531), ingressou, em 29/10/2010, com a impugnação de fls. 523/530, alegando, em suma: • Compareceu à Receita em todas as vezes que foi chamada, não se esquivando de apresentar explicações, apenas não pôde prestar maiores informações porque demais minúcias e informações da declaração daquele exercício só poderiam ser prestadas com os livros contábeis e demais documentos da empresa; • Conforme informado por seu representante, assim como é relatado no Boletim de Ocorrência n° 2373/2007, feito no 33 ° DP de Pirituba da Capital, os documentos fiscais daquela época foram extraviados; • A ocorrência da perda dos documentos fiscais havia sido feita antes mesmo da entrega da declaração e, conforme legislação, o contabilista encarregado dos livros fiscais tem obrigação, juntamente com a empresa, de fornecer explicações dos apontamentos da Receita, em especial do motivo pelo qual não lançou na declaração o recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI); • O contabilista não foi encontrado para prestar esclarecimentos, tampouco apresentou os livros escriturais, falta com a ética, o dever contratual e legal, não sendo certo aplicação de qualquer penalidade, considerando ainda que a Receita, por si só, possui outros meios conferir o recolhimento dos tributos; • Diante dessas explicações, não haveria sentido ou amparo legal para aplicação da multa de 112,5%; • No exercício de 2006, não houve nenhuma importação de motocicleta e a cobrança de imposto sobre esse bem é equivocada, dada a ausência de qualquer negócio dessa mercadoria; • Os impostos foram devidamente pagos, uma vez que, por conta de sua natureza empresarial, já existe uma rigorosa fiscalização por parte da Receita desde quando inicia as negociações no exterior, de tal forma que as mercadorias adquiridas somente são liberadas mediante o pagamento dos tributos incidentes; Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.209 4 • Transação internacional de mercadorias tem que ser precedida das normas da Receita; assim, para que toda e qualquer empresa de importação comece a comercializar uma mercadoria estrangeira, previamente os valores da mercadoria, seguros, transporte, impostos, tem que haver reserva em "dinheiro” depositada em conta para arcar com todos estes custos; • A arrecadação desses impostos é feita em um único ato, pelo sistema Siscomex, de tal forma que todos os impostos são debitados automaticamente da conta; • É impossível o recolhimento isolado de um tributo, ou seja, se foram recolhidos os demais tributos pelo sistema, necessariamente foi recolhido o IPI; • A forma de cálculo de impostos pela Receita sobre a movimentação financeira, considerando as exposições anteriores, leva à existência de pagamento em duplicidade de impostos, que é vedado pela lei, ou seja, a empresa recolherá novamente imposto sobre as mercadorias que havia importado; • o que ocorreu foi mero esquecimento do contabilista de inserir no campo próprio como sendo a Vix contribuinte de IPI; • a impugnante se encontra com suas atividades de comércio encerradas e nem ela ou seus sócios possuem quaisquer condições de pagamento de tributos e multas; • A Receita Federal, considerando a forma controlada de arrecadação supra mencionada, reúne condições de uma nova análise, por meio de seu banco de dados, para encontrar o recolhimento do imposto, considerando a fundamentação manifestada pelo seu representante de não poder fornecer documentos e livros; • A simples verificação dos bancos de dados da Receita supre a apresentação de livros, haja vista a forma peculiar de arrecadação de tributos incidentes na importação; • Caso não haja possibilidade de a Fazenda rever as informações pelo seu sistema ou de apresentar cópias de informações de arrecadação, a Constituição Federal (CF) confere a garantia de a Vix promover a exibição de tais informações por meio de habeas data, justificando a impossibilidade de provar por outros elementos; • Mesmo que existisse fundamentação legal para propositura de execução, não haveria efeitos práticos para concretizar o recebimento, dado que nem a empresa nem seus sócios possuem condições de arcar com o pagamento do tributo vultoso arbitrado pela Receita. Requereu: "seja declarada a quitação do Imposto de Renda, e pagamento indevido de multa do processo em referência", uma vez que a empresa foi contribuinte do IPI, uma vez que, conforme fundamentações, não haveria possibilidade do não recolhimento do tributo, haja vista que o mesmo é pago junto com demais tributos debitados em conta pelo Siscomex; seja realizada análise nos bancos de dados da Receita para confirmar e validar o recolhimento do respectivo tributo; sejam fornecidas cópias de informações pertinentes aos recolhimentos de tributos; seja suspenso e anulado o auto de infração.” Na sequência, ao examinar o litígio, a DRJ/Ribeirão Preto emitiu o Acórdão nº 1432.640, de fls. 544 a 552, reduzindo o percentual da multa de ofício aplicada para 75%, Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.210 5 bem como reduziu a multa exigida isoladamente para R$ 35.583,11, contendo o seguinte ementário: LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE A BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor da estimativa sujeita a pessoa jurídica à multa de ofício isolada prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. MULTA AGRAVADA. REDUÇÃO. Deve a multa de ofício aplicada, majorada em 50%, ser reduzida ao percentual de 75%, quando não se encontram materializados nos autos, de forma inequívoca, os pressupostos previstos na legislação tributária para sua majoração. INFRAÇÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente u do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Os principais fundamentos utilizados no acórdão recorrido podem ser assim sintetizados: a defesa não questiona a situação fática que originou o lançamento combatido (arbitramento do lucro e apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários). Seus protestos voltaramse apenas contra a multa agravada e a alegações de que os tributos já teriam sido recolhidos por ocasião da operação de importação. não se exige no presente processo os tributos incidentes na importação, mas sim tributos incidentes sobre o lucro e sobre a receita bruta, apurados sobre a receita omitida, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. a possibilidade de ser considerada, na aplicação da lei, a condição pessoal do agente não é admitida no âmbito administrativo, ao qual compete aplicar as normas nos estritos limites de seu conteúdo, sem poder apreciar argüições de cunho pessoal. o lançamento da multa isolada se baseou na Lei n° 9.430, de 1996, art. 44, § 1 0, IV, e que, já por ocasião do lançamento, havia sido publicada a Lei n° 11.488, de 2007, que Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.211 6 também constou do enquadramento legal e que alterou a redação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, para reduzir para 50% o percentual da multa isolada incidente sobre as estimativas não pagas. não aplicável o agravamento da multa de ofício, pois a não apresentação dos livros solicitados e da comprovação da origem de depósitos bancários não pode ser justificativa para a majoração da multa em 50%. Assim, cabe reduzir a multa de oficio de 112,5% para 75%. O resultado do julgamento, Acórdão DRJ/Ribeirão Preto nº 1432.640, foi encaminhado ao sóciogerente (responsável solidário), Sr. Cícero Constantino dos Santos – CPF 469.585.92468, com ciência em 21/03/2011, AR. de fls. 562, bem como ao outro sócio, Sra. Fernanda Volpato Machado CPF582.965.81604, com ciência em 21/03/2011, AR. de fls. 563. Já a empresa foi cientificada da decisão proferida no referido Acórdão mediante edital, afixado em 26/04/2011, fls. 566. Irresignados com a decisão, a autuada, e os dois sócios referidos no item anterior, apresentaram recurso voluntário a este CARF, em 09/05/2011, mediante arrazoado, de fls. 568 a 574, assinado por procurador, instrumento de fls. 531, repisando praticamente os mesmos argumento trazidos na peça recursal. Em sessão de , esta Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 1202 000.127, sessão de 08 de agosto de 2012, sobrestando o julgamento do recurso, com fundamento no disposto no art. 62A, § 1º do Anexo II da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009 e Repercussão Geral no RE n° 601314, que trata de matéria referente a constitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Na seqüência, foi publicada a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, a qual revogou os §§s 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Por essa razão, os autos retornaram a este Colegiado para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Inicialmente, cabe analisar o cumprimento dos pressupostos processuais para conhecimento do recurso voluntário. Dentre eles, encontrase aquele que se refere ao prazo. Os arts. 5º e 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972 estabelecem a forma de contagem e o prazo para apresentação do recurso voluntário: Art. 5º. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.212 7 (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifei) No presente caso, a ciência da decisão de primeira instância, Acórdão DRJ/Ribeirão Preto nº 1432.640, ao responsável solidário, Sr. Cícero Constantino dos Santos (sóciogerente) e à sócia Sra. Fernanda Volpato Machado dos Santos, ocorreu em 21/03/2011, uma segundafeira, ARs. de fls. 562 e 563. Assim, o termo inicial da contagem de 30 dias se iniciou no dia seguinte, em 22/03/2011, uma terçafeira, e o termo final se encerrou no dia 20/04/2011, uma quartafeira. Em que pese a sócia Sra. Fernanda Volpato Machado dos Santos constar nominada no recurso voluntário, contra essa sócia não foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, de modo que a mesma sequer apresentou impugnação ao lançamento fiscal, fls. 523. Não figurando legalmente no pólo passivo da obrigação tributária é de não se conhecer do recurso voluntário apresentado. Já o responsável solidário, Sr. Cícero Constantino dos Santos (sóciogerente), apresentou recurso voluntário a este colegiado, em 09/05/2011, fls. 568, portanto, após o prazo de 30 dias legalmente previsto para a sua apresentação. Registrese que o órgão preparador mencionou o fato em despacho da fl.590, o que vem a confirmar a intempestividade ora verificada. As garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa são asseguradas a todos aqueles que exercem o seu direito no prazo fixado nas normas legais. Não bastasse o já mencionado, registro que não localizei nos autos procuração firmada pelo Sr. Cícero Constantino dos Santos e Sra. Fernanda Volpato Machado atribuindo poderes ao advogado Marcos Borges Ananias OAB/SP 233.668, que subscreve o recurso voluntário, para representálos no presente litígio. Dessa forma, constatado que o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente e sem representatividade pelo responsável solidário, Sr. Cícero Constantino dos Santos (sóciogerente), e sem representatividade/sujeição passiva da sócia Sra. Fernanda Volpato Machado, voto no sentido de que não se tome conhecimento do recurso quanto a esses dois sócios, nos termos do já referido art. 33 do Decreto n° 70.235/72, combinado com o art. 63, inciso I, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Já com relação ao recurso voluntário apresentado pela empresa autuada, de fls. 568 a 574, verifico que o mesmo é tempestivo (fls. 566 e 568) e nos termos da lei. Portanto, dele tomo conhecimento. Como já relatado, o presente processo trata de lançamento fiscal para exigência do IRPJ e reflexos face a presunção da omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430, de 1996), ao ser constatado, pela fiscalização, a existência de movimentação financeira bancária, em nome da autuada, sem comprovação da origem. Os Bancos foram instados a apresentar os extratos com a movimentação bancária mediante a emissão, pela autoridade fiscal, de Requisição de Informações sobre Movimentação FinanceiraRMF, nos termos do art. 6° da Lei Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.213 8 Complementar n° 105, de 10 de janeiro de 2001, regulamentado pelo Decreto n° 3.724, de 10 de janeiro de 2001, fls. 235 e seguintes. No recurso voluntário, a defesa limitase a historiar os fatos ocorridos, reforçando os argumentos de que o representante legal da empresa prestou os esclarecimentos solicitados e que os documentos fiscais foram furtados, conforme Boletim de Ocorrência que menciona. Aduz que não ocorreu nenhuma importação de mercadorias no ano autuado, de 2006, e que todos os impostos foram pagos. Menciona que na sistemática de recolhimentos de tributos nas operações de importação, estes são recolhidos previamente, de maneira quea Fazenda Nacional dispõe de todas as informações a respeito. Requer, ao final, que seja declarada a improcedência do débito fiscal e, em razão das várias inconsistências das informações apontadas na autuação, que seja suspenso e anulado o processo administrativo. Como se percebe do breve relato acima, a recorrente não se defende, expressamente, do mérito do lançamento fiscal. A apuração da omissão de receitas (art. 42 da Lei 9.430, de 1996), pela existência de movimentação financeira bancária, em nome da autuada, sem comprovação da origem, não foi contestado pela recorrente. Em frases esparsas, menciona que os documentos fiscais teriam sido furtados, citando a existência de boletim de ocorrência do fato (fls 532/533), mas também não contesta, expressamente, a relação existente entre o extravio, a omissão de receitas e o arbitramento do lucro efetuado pela fiscalização. Essa questão ficou muito bem abordada pelo acórdão recorrido (fls. 551/552), cujas razões de decidir transcrevo e também passo a adotar: “A impugnante não questiona a situação fática que originou o lançamento combatido (arbitramento do lucro e apuração de omissão de receitas com base em depósitos bancários). Seus protestos voltaramse apenas contra a multa agravada e a alegações de que os tributos já teriam sido recolhidos por ocasião da importação. Esclareçase, de plano, que não se exige no presente processo os tributos incidentes na importação, mas sim tributos incidentes sobre o lucro e sobre a receita bruta, apurados sobre a receita omitida, com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Tampouco fundamenta o lançamento o fato de a empresa não ter se declarado como contribuinte do IPI no campo próprio da DIPJ, como afirmou a impugnante. Tal constatação constou do TVF, mas não serviu de fundamento para o lançamento, que, como se viu, decorreu da nãocomprovação de depósitos bancários e da falta de apresentação de escrituração, além da constatação da falta de recolhimento do IRPJ devido com base em estimativas mensais. A apuração da omissão de receitas teve como base o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Tratase de uma presunção legal de que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, não comprovados com documentação hábil e idônea, constituem receita omitida. Tal imputação não foi combatida pela impugnante. O arbitramento do lucro foi efetuado com base na RIR/1999, art. 530, I, segundo o qual o lucro será arbitrado quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.214 9 Assim, despiciendo, no presente processo, saber se houve negócio com motocicleta ou se houve o pagamento dos impostos incidentes na importação. Tampouco há que se falar em duplicidade de impostos. O fato gerador dos tributos ora exigidos é diferente do fato gerador dos tributos incidentes na importação. Portanto, não cabe nova análise por parte da Receita, uma vez que esta já fez a prova que lhe cabia: nãocomprovação de depósitos bancários (omissão de receitas), não apresentação de escrituração (arbitramento) e falta de recolhimento do IRPJ (multa). Quanto às alegações de que nem ela nem os sócios possuem capacidade financeira para o pagamento de tributos e multa, ponderase que, consoante o Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, parágrafo único, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não podem os servidores, seja o lançador, seja o arrecadador, seja o julgador, agregar a seus atos funcionais suas convicções pessoais ou seus estados anímicos subjetivos se estes colidirem com as normas veiculadas pelos textos legais.” Com efeito, concluise que a recorrente deixou de se manifestar, expressamente, na peça recursal, das matérias relativas ao mérito dos lançamentos fiscais, inclusive os acréscimos legais decorrentes, motivo pelo qual essas matérias são consideradas definitivamente julgadas, na esfera administrativa, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (destaquei) Entretanto, em relação a aplicação das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, em que pese o contribuinte não ter se manifestado a respeito, cumpre dizer que essa multa somente é aplicável na tributação pela sistemática do “lucro real” (arts. 2º, 30 e 44 da Lei n° 9.430/1996). No caso, como todo o lucro da pessoa jurídica foi “arbitrado” pela fiscalização, inexiste suporte legal para manter dita penalidade. Reconhecese, de ofício, a não incidência das multas, pois não se pode exigir tributo/multa que se sabe indevidos (art. 316 do Código Penal). Tratase de questão de ordem pública, que tem como objetivo a preservação e estabilidade do ordenamento jurídico, o que confere a todos os contribuintes o acesso à uma ordem jurídica justa. Em face do exposto, voto no sentido de que não se conheça dos recursos voluntários apresentados pelos sócios da autuada e, quanto ao recurso apresentado pela empresa autuada, que sejam consideradas definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, no mérito, que seja dado provimento parcial ao recurso, para que seja excluída, de ofício, a aplicação da multa isolada. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10882.002755/201002 Acórdão n.º 1202001.155 S1C2T2 Fl. 1.215 10 Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 16/05/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10140.721241/2012-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue May 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Léo Meirelles do Amaral, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 40 .7 21 24 1/ 20 12 -9 7 Fl. 604DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente AI de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.338.6001, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, referentes as diferenças de contribuições declaradas em GFIP, considerando a exclusão da empresa do SIMPLES. Os fatos geradores compreendem o no período de 07/2007 a 12/2008, inclusive 13 salário. Conforme descrito no relatório fiscal, fls. 16 e seguintes, diante da constatação e caracterização de grupo econômico de fato e da consideração da receita bruta do grupo, elaborouse representação fiscal, propondo a exclusão do contribuinte Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda do regime tributário Simples Nacional, previsto na Lei Complementar 123, de 14/12/2006. O Ato Declaratório Executivo ADE n°. 15, de 21/05/2012, publicado no Diário Oficial da União n°. 99, Seção 1, de 23/05/2012, estabeleceu a exclusão do contribuinte do Simples Nacional com efeitos retroativos a partir de 01/07/2007. O ADE estabeleceu ainda o prazo de 30 dias, contados da ciência deste, para a apresentação de manifestação de inconformidade. A ação fiscal estendeuse a todas as empresas, as quais são geridas pelo casal Arthur Lemos Nogueira e Deyse Liliana Faccin, com suporte técnico do contador Luiz Fernando Ferreira da Silva. São elas: 1 Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP; 2 Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda – ME; 3 ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda – ME e 4 ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 28/05/2012, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 29/05/2012. Consta informação fiscal fls. 423, acerca da cientificação dos sujeitos passivos – grupo econômico, onde consta a seguinte informação: No dia 24/05/2012 foram entregues as cópias dos ADE´s nº 11, 12, 13, 14 e 15, de 21/05/2012, e da "Representação Fiscal Exclusão do Simples" e seus anexos a Arthur Lemos Nogueira (Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, CNPJ 04.716.037/000171, e Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME, CNPJ 09.555.050/000100) e a Deyse Liliana Faccin Nogueira (Contafacil Serviços Expressos Ltda– EPP, CNPJ 06.253.153/000127, Contafacil Fl. 605DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 4 3 MS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.467.807/000155 e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, CNPJ 11.471.415/000160), conforme atestam os "Termos de Entrega de Cópia de Documento". Isto ocorreu na rua Rachid Neder, nº 115, Bairro Monte Castelo, Campo GrandeMS, endereço onde mantêm escritório comercial. 2. No dia 29/05/2012, conforme anteriormente agendado, compareci neste mesmo endereço para colher ciência nos autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra estas empresas. Desta feita, entretanto, Arthur Lemos e Deyse Liliana informaram que receberiam apenas os autos e termos das empresas Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, Maisfacil Consultoria e Assessoria Empresarial Ltda ME e ContafacilMS Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME, conforme orientação recebida de seu advogado. 3. Diante disto, os autos de infração e termos de sujeição passiva solidária lavrados contra as empresas Contafacil Serviços Expressos Ltda – EPP e ContafacilES Cobranças Atendimentos e Serviços Ltda ME foram encaminhados por via postal para o endereço cadastral das sedes destes contribuintes, qual seja, rua Gonçalves Luiz Martins, nº 371, Centro, JaraguariMS. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou defesa, fls. 433 a 453. 1 A autoridade fiscal autuou, por solidariedade passiva tributária, os impugnantes ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, porque ambos seriam "sóciosadministradores" da empresa ora, também, impugnante, sem, contudo, descrever os fatos que implicariam a atribuição de responsabilidade tributária a suas pessoas; 2 – a exclusão de ofício das empresas optantes pelo SIMPLES NACIONAL deverá ocorrer em observância à forma regulamentada pelo CGSN (Art. 29, § 3o). Ainda, a lei complementar assinala o marco a partir do qual são aplicáveis as regras gerais da tributação no caso das empresas excluídas: a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão (Art. 32, caput); 3 – de acordo com as disposições regulamentares a exclusão das microempresas e empresas de pequeno porte do SIMPLES NACIONAL somente se torna eficaz a partir do seu trânsito em julgado administrativo, isto é, a partir do momento em que houver decisão administrativa definitiva e desfavorável ao contribuinte. Isto, para o caso de o contribuinte ter impugnado o termo de exclusão; 4 a autoridade autuante constituiu o crédito tributário contra os impugnantes com base nas normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sem que ela estivesse sujeita ao regime jurídico geral da tributação. A primeira impugnante, quando da lavratura do auto de infração, sujeitavase ao regime do SIMPLES NACIONAL e não às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas; 5 a autoridade fiscal autuou a primeira impugnante por violação à legislação tributária geral quando ela estava sujeita às normas do Fl. 606DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 5 4 regime simplificado. De fato, ela pretendeu conferir à representação fiscal, mera proposta de exclusão, efeitos jurídicos que ela não possui; 6 tendo a primeira impugnante apresentado tempestivamente sua manifestação de inconformidade contra a exclusão, esta não produz efeitos enquanto não se tornar definitiva a decisão favorável ao Fisco, caso ocorra. Assim, a primeira impugnante continua sujeita às normas do SIMPLES NACIONAL; 7 o Art. 75, § 5o, da Resolução CGSN n. 94/2011 prevê expressamente que é condição sine qua non para que se aperfeiçoe a exclusão de qualquer micro ou pequena empresa, que esta exclusão seja registrada no Portal do Simples Nacional na internet, sem o que não produz qualquer efeito; 8 a exclusão da primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL, no caso em tela, é ineficaz, ainda não se tornou efetiva, na forma do Art. 32, caput c.c Art. 75, § 3o, da Resolução CGSN n. 94/2011. Em consequência, autuação é ilegal, pois que fundada em normas legais inaplicáveis, no caso, o regime geral da seguridade social previsto na Lei n. 8.212/91 e seu regulamento. DAS MULTAS DE MORA E DE OFÍCIO. 9 – há que se reconhecer a impossibilidade de aplicação aos impugnantes da multa prevista pelo Art. 35 da Lei n. 8.212/91, como pretendido pela autoridade fazendária; Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 10 uma vez excluída a empresa do SIMPLES NACIONAL, ela ficará sujeita ao recolhimento dos valores tributários devidos acrescidos, tão somente, de juros de moras, consoante Art. 32, § 1 o , da LC 123/2006; Art. 32. As microempresas ou as empresas de pequeno porte excluídas do Simples Nacional sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. § 1º Para efeitos do disposto no caput deste artigo, na hipótese da alínea a do inciso III do caput do art. 31 desta Lei Complementar, a microempresa ou a empresa de pequeno porte desenquadrada ficará sujeita ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando efetuado antes do início de procedimento de ofício. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 6 5 11 – existe procedimento específico para a exclusão da ME ou EPP do SIMPLES NACIONAL. Primeiro, há que se excluíla, desenquadrála efetivamente, ou seja, com uma decisão definitiva no âmbito administrativo desfavorável ao contribuinte (Art. 75, § 3o , RCGSN 94/2011). Ato subsequente, à empresa deverá ser concedido prazo de 30 dias, na forma do Art. 160, caput, do CTN, já que não há previsão legislativa expressa a respeito, para que se efetue o pagamento "da totalidade ou da diferença dos respectivos tributos, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência", o que deverá ocorrer acrescidos, tãosomente, de juros de mora; 12 há que se instaurar, de modo sucessivo dois procedimentos administrativos distintos, quais sejam: O primeiro, visando a exclusão da ME ou da EPP do SIMPLES NACIONAL e, o segundo, na eventualidade de, tendo sido definitivamente excluída a empresa, e transcorrido in albis o prazo para pagamento do crédito tributário devido com o acréscimo dos juros de mora, a fiscalização de ofício, visando a aplicação das penalidades pecuniárias cabíveis, sendo que este último é absolutamente dependente do primeiro. 13 ilegal e indevida a aplicação das multas de mora e de ofício, pois embora proposta sua exclusão do SIMPLES NACIONAL, ela ainda não se tornou definitiva, já que impugnada; e se tivesse sido efetivamente excluída, a LC 123/2006, regulamentada pela RCGSN n.94/2011, impõe como procedimento obrigatório, que se fixe o prazo para pagamento do crédito tributário eventualmente devido acrescido tão somente dos juros de mora. Somente depois disso, se escoado o prazo referido sem o pagamento na forma como prevista pelo Art. 32, § 1 o , da LC 123/2003, poderseia falar em procedimento fiscalizatório de ofício com a consequente aplicação das penalidades. 14 a autuação fiscal é improcedente, por ausência do fato antecedente a fundamentarlhe a imputação do crédito tributário na forma como pretendida e por violação ao Art. 29, I c.c § 3 o e Art. 32, caput e § 1 o , ambos da Lei Complementar n.123/2006, os quais disciplinam o procedimento de exclusão das ME's e EPP's do SIMPLES NACIONAL. DA SOLIDARIEDADE 15 as contribuições para o custeio da seguridade social, instituídas com suporte nos Arts. 149 e 195 da Constituição Federal de 1988, têm natureza tributária, de modo que se submetem às limitações constitucionais ao poder de tributar e às normas gerais de direito tributário. Desta forma, o inciso IX do Art. 30 da Lei n. 8.212/91 não guardou observância aos critérios estabelecidos no Art. 128 do CTN para fins de atribuição de responsabilidade tributária solidária ao pagamento de tributos, o qual exige que, para tanto, a terceira pessoa a qual se atribua a sujeição passiva por responsabilidade tributária tenha, obrigatoriamente, vinculação com o fato gerador da respectiva obrigação, conforme se depreende do texto do dispositivo; 16 não se pode responsabilizar qualquer terceiro pela arrecadação e recolhimento de tributos devidos à Seguridade Social, ainda que por norma legal expressa, ín casu, norma de solidariedade trazida pelo inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91, a fim de atribuíla às empresas Fl. 608DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 7 6 que integrem "grupo econômico", sem qualquer verificação de efetivo vínculo com o fato gerador das contribuições em questão; 17 a lei pode atribuir vínculo de solidariedade aos responsáveis tributários — salvo naqueles casos em que o CTN já tenha estabelecido de modo diverso, como acentuado pela doutrina e pela jurisprudência — porém, o Art. 128 do CTN impõe um limite a tanto: exige a vinculação do terceiro responsável com o fato gerador do respectivo tributo; 18 não é qualquer tipo de vínculo com o fato gerador que pode ensejar a responsabilidade de terceiro; é necessário que esse vínculo seja de tal sorte que permita a esse terceiro, elegível como responsável, fazer com que o tributo seja recolhido sem onerar seu próprio bolso. 19 a imputação de solidariedade no pagamento das contribuições devidas à Seguridade Social requer a prova inequívoca de que as empresas envolvidas, de fato, configuram grupo econômico e que se encontram vinculadas ao fato gerador das contribuições ora imputadas; 20 o ônus da prova de configuração de grupo econômico é da Administração, sob pena de nulidade da autuação. In casu, a autoridade fazendária restringiuse a alegações desprovidas de provas, baseandose em meras suposições que acabaram por lastrear o ADE n. 12/2012, que excluiu a primeira impugnante do SIMPLES NACIONAL; 21 o inciso IX do Art. 30, da Lei n. 8.212/91 está eivado de ilegalidade, por inobservância dos requisitos essenciais estabelecidos no Art. 128 do CTN, lei complementar de caráter nacional, o que veda ao legislador ordinário alterálos ou suprimilos para atribuição de responsabilidade solidária a terceira pessoa, in casu, sem relação com o fato gerador das contribuições sociais; 22 a autoridade fazendária sequer logrou demonstrar que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME configuram grupo econômico, quanto menos juntou aos autos prova inequívoca de que referidas empresas praticaram conjuntamente todos os fatos geradores referentes às contribuições sociais em questão, o que revela a inaplicabilidade do dispositivo, a despeito de sua ilegalidade; 23 a autoridade fiscal não provou a configuração de grupo econômico, justamente porque não há grupo econômico, nem de fato, nem de direito, na circunstância ora tratada. Há, sim, sociedades distintas que exercem, cada qual, atividades específicas: Uma exerce atendimento, outra exerce cobrança, outra presta serviço de senhas, outra lida com leituras — que foram criadas por diferentes indivíduos Fl. 609DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 8 7 para desenvolverem atividade de prestação de serviços em diferentes localidades. Uma exerceu atividade em alguns municípios do Estado do RJ, do Mato Grosso, do Mato Grosso do Sul, ou do Espírito Santo — e para diferentes clientes — concessionárias de fornecimento de energia, concessionárias de fornecimento de água e coleta de esgoto, empresas privadas de diferentes naturezas —realizadas por pessoas da mesma família, aproveitando do networking de negócios criado pelos seus membros; 24 o auto de infração DEBCAD n. 37.338.6001 é nulo, seja por ausência absoluta de fundamentação legal, em face da ilegalidade do inciso IX, do Art. 30 da Lei n. 8.212/91; seja por ausência de prova inequívoca de que as empresas (i) CONTAFÁCILMS COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDAME, (ii) PAGUEAQUI RECEBIMENTO E SERVIÇOS LTDA EPP, (iii) CONTAFACIL SERVIÇOS EXPRESSOS LTDA EPP, (iv) MAISFACIL CONSULTORIA E ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA ME e (v) CONTAFACILES COBRANÇAS ATENDIMENTOS E SERVIÇOS LTDA ME, CNPJ 11.471.415/000160 formam grupo econômico de fato e, ainda, praticaram em conjunto todos os fatos geradores das contribuições sociais ora discutidas. SOLIDARIEDADE DOS SÓCIOSADMINISTRADORES 25 a autuação fiscal imputou responsabilidade solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, sócioadministrador da impugnante, e a DEYSE LILIANA FACCIN, quem não possui qualquer vínculo com a impugnante; 26 – qt à imputação de solidariedade a DEYSE LILIANA FACCIN por ser "sócioadministrador" da impugnante, não há dúvidas de que não procede. A prova é o contrato social e sua última alteração consolidada, corroborada pela própria narrativa da autoridade fiscal no relatório fiscal e na representação fiscal para fins exclusão do Simples Nacional que acompanharam a autuação; 27 no que se refere a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA, embora de fato sócioadministrador da primeira impugnante, é indevida, na situação, a imputação de responsabilidade tributária com vínculo de solidariedade com a impugnante e demais pessoas jurídicas arroladas como grupo econômico de fato; 28 o Art. 135 do Código Tributário Nacional enumera em três incisos os casos em que a responsabilidade tributária será pessoal dos terceiros ali previstos. Veicula regra que, mais propriamente, caberia no capítulo seguinte, que trata da responsabilidade por infração. 29 a característica individual que atrai a aplicação da responsabilidade tributária na forma do Art. 135, III, do CTN, é ser administrador "diretor, gerente ou representante" de pessoa jurídica de direito privado, e não ostentar a natureza de sócio; 30 fica afastada, portanto, qualquer intenção (ou confusão) de se afirmar haver solidariedade ou subsidiariedade na obrigação dos administradores prevista pelo Art. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 9 8 135, III, do CTN. Solidariedade e subsidiariedade, recordese, consistem em graus de responsabilização entre coobrigados pelo adimplemento da relação jurídica. 31 a obrigação de efetuar o pagamento do tributo é do responsável tributário e só dele, eximindo, assim, a pessoa jurídica de direito privado da relação jurídica tributária; 32 – a responsabilidade tributária veiculada pelo art. 135, III, do CTN decorre de ter o administrador praticado "atos com excesso de poder, infração de lei, contrato social ou estatuto". Ou seja, a situação que configura a hipótese de incidência desta responsabilidade é a prática, pelo administrador da pessoa jurídica de direito privado, de ato ilícito contra a sociedade, agindo voluntária e dolosamente contra ou em desacordo com os poderes e atribuições que lhe foram outorgados; 33 apenas se comprovadas as seguintes condições é que se estará diante da hipótese configuradora da responsabilidade tributária pessoal do "diretor, gerente ou representante da pessoa jurídica de direito privado" de que trata o art. 135, III, do CTN: (i) o sujeito responsável deve ser o administrador da sociedade; (ii) é imprescindível que o administrador tenha agido "com excesso de poder, em infração de lei, contrato social ou estatuto" da sociedade por ele gerida, sendo que o mero inadimplemento das obrigações tributárias não se presta a caracterizar o fato da "infração de lei" de que fala o dispositivo legal; e (iii) em decorrência da "infração a lei" tenha ocorrido um evento tributável que tenha feito surgir uma obrigação tributária para a pessoa jurídica; 34 ao impugnante ARTHUR LEMOS NOGUEIRA não se pode imputar responsabilidade tributária, tanto menos vinculandoo em nível de solidariedade com a primeira impugnante e com as outras empresas do suposto "grupo econômico de fato" à qual alude a autoridade fiscal; 35 embora ARTHUR LEMOS NOGUEIRA exerça a função de administrador da primeira impugnante, Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, a autoridade autuante não logrou êxito em demonstrar a ocorrência de ato "com excesso de poder, infração à lei, ao contrato social e ao estatuto" da empresa; 36 enfim, é absolutamente ilegal a atribuição de responsabilidade tributária solidária a ARTHUR LEMOS NOGUEIRA e DEYSE LILIANA FACCIN, na forma e nos termos como efetuado na autuação fiscal. Seja porque, nos casos disciplinados pelo Art.135, III, do CTN não é possível falar em solidariedade; seja porque a impugnante Deyse não é, nem nunca foi administradora, formal ou faticamente, da primeira impugnante; e também porque não restou demonstrada a situação autorizadora prevista na hipótese do Art. 135, III, do CTN, qual seja, a ação praticada com "excesso de poder, infração de lei, do contrato social ou do estatuto" da Pagueaqui Recebimentos e Serviços Ltda EPP, da qual tenha resultado em obrigações tributárias a ela. Do Pedido Os impugnantes requerem: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 10 9 1 – Seja anulado o auto de infração DEBCAD n.37.338.6001, afastandose, por conseguinte, a cobrança dos valores exigidos; 2 protesta provar o alegado por todos os meios em direito admitidos, especialmente pela juntada de novos documentos, diligências e, se necessário, testemunhas, a fim de alcançar a verdade material e a legalidade objetiva que informam o processo administrativo tributário; 3 o acolhimento da impugnação para excluir do processo administrativo em questão a pessoa do ora impugnante, eximindo assim sua responsabilidade solidária pelos débitos apontados. O recorrente anexou a sua impugnação cópia da manifestação de inconformidade no processo n. 10140.721137/201201, no qual questiona a sua exclusão do SIMPLES, fls. 466 a 480. Foi exarada a Decisão de 1 instância que confirmou a procedência do lançamento, fls. 493 a 520, destacando àquela autoridade que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRF, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Transcrevese abaixo, ementa do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES Os procedimentos atinentes ao ato de exclusão de empresas do programa Simples Nacional devem ser contestados em processo próprio, ou seja, em manifestação de inconformidade apresentada em razão do Ato Declaratório Executivo que determinou a exclusão. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Empresa integrante de Grupo Econômico de Fato responde, solidariamente, pelo crédito tributário lançado, conforme determina o inciso IX do artigo 30 da Lei 8.212/91. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. Não cabe apreciação, pela instância administrativa, de alegações de ilegalidade e ou inconstitucionalidade de leis e atos normativos em vigor, a qual incumbe ao Poder Judiciário. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO ADMINISTRADOR. SÓCIO DE FATO. Caracterizada a intenção de ocultar do Fisco receitas auferidas em razão da atividade comercial da empresa, responde o sócio pela obrigação tributária. Provada a condição de sócio de fato, responde este, da mesma forma, pela obrigações fiscais. MULTAS DE MORA MULTA DE OFÍCIO. Excluídas do Simples Nacional, as empresas sujeitarseão, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, sendo que os Fl. 612DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 11 10 créditos tributários apurados serão acrescidos, tãosomente, de juros de mora, quando o pagamento for efetuado antes do início de procedimento de ofício. JUNTADA POSTERIOR DE PROVA O prazo para apresentação de provas no processo administrativo fiscal coincide com o prazo de que o contribuinte dispõe para impugnar o lançamento, salvo se comprovada alguma das hipóteses autorizadoras para juntada de documentos após esse prazo Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Foi emitido termo de Revelia para as empresas MAIS FÁCIL CONS E ASSESS EMPRESARIAL LTDA E CONTAFÁCILES COBRAN E ATEND. E SERV LTDAA, FLS. 522. A DRF apresentou embargos ao acórdão proferido, fl. 524. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela empresa PAGUEAQUI RECEBIMENTOS E SERVIÇOS LTDA, ARTHUR LEMOS NOGUEIRA E DEYSE LILIANA FACCIN, conforme fls. 571 a 596, contendo em síntese os mesmo argumentos da impugnação, quais sejam: (i)preliminarmente, improcedência da autuação em razão razão da falta de definitividade da exclusão da primeira recorrente do SIMPLES NACIONAL, conforme Arts. 29 c.c. 32 da Lei Complementar n. 123/2006 e Art. 75, §§ 3o e 4o da Resolução CGSN 94/2011; (ii) aplicação indevida das multas de mora e de ofício, por inobservância ao devido processo legamente estabelecido para exclusão e autuação das MEs e EPPS, em contrariedade ao Art. 32, § 1o , da lei complementar n. 123/2006; (iii) indevida atribuição de responsabilidade solidária às empresas do suposto "grupo econômico de fato", por ausência de provas e inobservância aos limites previstos no Art. 128 do CTN; (iv) indevida atribuição de solidariedade aos sóciosadministradores, por falta de amparo legal e em violação ao Art. 135, III, do CTN. A DRFB encaminhou o processo para julgamento no âmbito do CARF. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA Processo nº 10140.721241/201297 Resolução nº 2401000.343 S2C4T1 Fl. 12 11 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 598. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório e na Representação de Exclusão, face a caracterização de grupo econômico de fato. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, destacando que embora exista manifestação de inconformidade referente a sua exclusão do SIMPLES, ainda pendente de julgamento perante a DRFB, tal fato não representa óbice ao lançamento do crédito tributário, podendo este ser anulado em caso de decisão transitada em julgado a favor do contribuinte. Todavia, ao contrario do que entendeu referido julgador e mesmo considerando terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. À decisão da procedência ou não do presente auto de infração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Contudo, após pesquisas no sistema do CARF, não se identificou decisão final a respeito das mesma, ou mesmo ter sido o processo distribuído. Em ´pesquisa ao sistema e processo foi possível identificar a existência de despacho determinando o arquivamento do processo, porém existe pedido de juntada de documentos em aberto, onde conta recurso voluntário do recorrente. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da presente autuação e de todas as suas correlatadas. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo à DRFB jurisdicionante, devendo o auto de infração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201 seja julgado no âmbito do CARF, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este autodeinfração até o transito em julgado da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10140.721137/201201. Do resultado da diligência, antes de os autos retornarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindose prazo normativo para manifestação. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 614DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 04/04/2014 por ELAINE CRISTIN A MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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Numero do processo: 10930.904555/2012-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/08/2010
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso.
PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3803-004.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 10 1 9 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10930.904555/201227 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3803004.905 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de novembro de 2013 Matéria PIS/COFINS Recorrente A.M.R. GONCALVES & CIA LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. Para a homologação da DCOMP transmitida pelo sujeito passivo, é necessária a demonstração da liquidez e certeza do crédito de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/08/2010 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte a apresentação de livros de escrituração comercial e fiscal ou de documentos hábeis e idôneos à comprovação do crédito alegado sob pena de desprovimento do recurso. PROVAS. PRODUÇÃO. MOMENTO POSTERIOR AO RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. O momento de apresentação das provas está determinado nas normas que regem o processo administrativo fiscal, em especial no Decreto 70.235/72. Não há como deferir produção de provas posteriormente ao Recurso Voluntário por absoluta falta de previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 45 55 /2 01 2- 27 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP, transmitido pelo contribuinte, em que pretende compensar apontado crédito de natureza tributária para com débito por ele apurado, ambos indicados em PER/DCOMP (efl 2/6), referente aos períodos e valores ali descritos e analisados no bojo deste processo. O pagamento foi identificado, mas constatouse que o mesmo foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, segundo dados do Despacho Decisório, dessa forma, o direito creditório não foi reconhecido e a compensação declarada resultou não homologada. Intimado a recolher o crédito tributário decorrente da não homologação da compensação, o contribuinte manifestou a sua inconformidade tempestivamente, argumentando o que se segue: a) Afirma seu direito ao recebimento do recurso, bem assim o regular processamento dos autos para julgamento pelo órgão competente; b) Alega que o despacho decisório está eivado de nulidades, pois não houve esclarecimentos quanto à suposta indisponibilidade de crédito e não foi analisada qualquer situação que legitima o crédito postulado; c) Alega não ter meio de se defender por desconhecimento da indisponibilidade e que o despacho decisório não dispõe de qualquer esclarecimento, inclusive em relação ao significado de “disponibilidade de crédito”, o que lhe parece se tratar do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entre o débito recolhido através do Darf e o Crédito declarado em DCTF. Não restando crédito disponível para ser restituído; d) Alega o cerceamento ao seu direito de ampla defesa, pois não foi intimado a fazer os esclarecimentos necessários e a autoridade administrativa não motivou sua decisão, a qual não passou pelo crivo de um Auditor Fiscal para confirmar a suposta indisponibilidade, dessa forma a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, sendo assim o crédito sequer foi apreciado; e) Afirma, quanto ao mérito, que utilizou de valores que indevidamente integravam a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior; f) Alega que não há como apresentar os documentos comprobatórios do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a interessada, devendo ser aplicada a regra autorizadora de produção posterior das provas. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904555/201227 Acórdão n.º 3803004.905 S3TE03 Fl. 11 3 A 3ª Turma da DRJ/CTA julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, ementando sua decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO [...] NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. A ausência de pedido de esclarecimentos na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. COFINS. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. Aplicase a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, pois a decisão foi em Recurso Extraordinário e não em ADIN, só aproveitando, por isso, às partes envolvidas, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o sujeito passivo protocolou recurso voluntário, por meio do qual repete os argumentos expostos em manifestação de inconformidade, chegando a afirmar tratarse de um acórdão eletrônico, à semelhança do despacho decisório, sem que tenha sido submetido ao crivo de um auditor fiscal/colegiado para analisar essas situações. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Dos pedidos de nulidade. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 O contribuinte defende a nulidade do despacho decisório e do acórdão da DRJ por falta de motivação de seus atos, o que impossibilitou sua defesa. Entendemos que não seja obrigatória, na fundamentação do despacho decisório, a indicação expressa dos dispositivos legais e constitucionais em que se sustenta, desde que haja consonância dos argumentos utilizados com a jurisprudência e com o ordenamento jurídico vigente. Ressaltamos que o despacho decisório é processado de forma eletrônica, realizando o encontro dos valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil RFB. Como confessado pelo próprio contribuinte sua DCTF do período estava erroneamente preenchida, e esta informação estava inserida no sistema da RFB, ou seja, de fato o contribuinte não possuía créditos a serem ressarcidos no confronto dos valores declarados como devidos (DCTF) e daqueles que efetivamente foram recolhidos (DARF). As principais nulidades no processo administrativo fiscal estão disciplinadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.2351, de 1972, não identificamos nenhuma das hipóteses de nulidade presente no despacho decisório, muito menos ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tanto que o recorrente pode fazer sua defesa de forma ampla e teve a oportunidade de provar seu direito creditório em pelo menos duas oportunidades distintas, uma quando da manifestação de inconformidade e outra quando interpôs recurso voluntário. O Despacho Decisório aponta como enquadramento legal os artigos 165 e 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96. Tanto o artigo 170 do CTN quanto o 74 da Lei 9.430/96, reforçam o direito do contribuinte em compensar os seus débitos com crédito líquidos e certos, fica claro que a liquidez e certeza do crédito tributário é que ficou comprometida ante as informações prestadas pelo contribuinte, em especial no confronto da DCTF com o DARF recolhido, portanto, entendemos que não há que se falar em nulidade do Despacho Decisório por falta de fundamentação. Da mesma sorte, não identificamos qualquer hipótese de nulidade no acórdão proferido pela DRJ. A manifestação de inconformidade foi devidamente submetida ao crivo de um colegiado que fundamentou coerentemente sua decisão com base no Decreto 70.235, de 1972, além de trazer decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais do então Conselho de Contribuintes. Dessa forma a recorrente poderia usufruir do direito ao contraditório e à ampla defesa. Não identificamos qualquer cerceamento à defesa do contribuinte. Mérito e comprovação do crédito. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904555/201227 Acórdão n.º 3803004.905 S3TE03 Fl. 12 5 As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo da contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, a interessada deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” O recorrente afirma que utilizou de valores que indevidamente integraram a base de cálculo do tributo, conforme teses já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal, e que por esta razão postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior. Apesar de se referir a algumas teses de forma genérica, o contribuinte não expôs com exatidão quais delas teria usado para justificar a redução da base de cálculo. Muito menos demonstrou quais os valores que acredita não integrarem a referida base de cálculo, o que de fato impede a análise dos argumentos expostos e não prova a disponibilidade de crédito. Na mesma esteira, admitindose por hipótese, o direito subjetivo do contribuinte, o que não é o caso, mais uma barreira se ergueria em desfavor da requerente, qual seja, a absoluta falta de provas da existência do crédito requerido. O inciso III do artigo 16 do Decreto 70.235/72 determina que as provas que justifiquem as alegações do contribuinte devem ser trazidas na impugnação. Não há nos autos qualquer elemento de prova que ateste o crédito pretendido, não identificamos Notas Fiscais, Escrita Fiscal, Escrita Contábil, Livro de Apuração, Livro Diário, Livro Razão, planilhas demonstrativas, ou qualquer outro documento que possibilite, minimamente que seja, a sua aferição. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 330 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Quem alegou a existência de crédito foi o contribuinte, portanto, cabe a este provar o alegado crédito e não transferir tal ônus para a RFB. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, entretanto, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos. Não há como deferir o pedido do contribuinte por produção de provas posteriores a este ato, por absoluta falta de previsão legal. Conclusão. Pelo exposto, rejeito as preliminares de nulidade e no mérito NEGO PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 10930.904555/201227 Acórdão n.º 3803004.905 S3TE03 Fl. 13 7 João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/03/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 10950.724620/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PROVA.EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário: 2008
JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS.
Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados.
MULTA QUALIFICADA.
Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64.
Numero da decisão: 1202-001.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, considerar definitivamente julgadas as matérias não expressamente contestadas e, quanto à matéria contestada, relativa à qualificação da multa de ofício, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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DE PAULA PNEUS – EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROVA.EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento fiscal, considerar definitivamente julgadas as matérias AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 46 20 /2 01 2- 02 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 756 2 não expressamente contestadas e, quanto à matéria contestada, relativa à qualificação da multa de ofício, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, João Bellini Junior, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Relatório Tratase o presente processo de três Autos de Infração: (i) o primeiro (fls. 433 a 447) relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à Contribuição Patronal Previdenciária, todas calculadas em observância às normas relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, em face de insuficiência de recolhimento para os fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2008; (ii) o segundo (fls. 486 a 500) relativo à COFINS, Contribuição Patronal Previdenciária, CSLL, IRPJ e PIS, pelos mesmos motivos mencionados acima, e relativamente a fatos ocorridos no ano calendário de 2008; e (iii) o terceiro (fls. 541 a 579) relativo ao IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, e Contribuição Patronal Previdenciária, calculados pela sistemática do SIMPLES para os fatos geradores ocorridos durante o ano calendário de 2008, em face da constatação da existência de depósitos bancários não escriturados e insuficiência de recolhimento em relação à prestação de serviços. Os Autos de Infração foram lavrados em 08/12/2011, abrangendo o ano calendário de 2008, formalizando o crédito tributário no valor total de R$ 957.565,10, com os acréscimos legais cabíveis (multa qualificada e juros) até a data da lavratura. Segundo a Fiscalização, os fatos que levaram à autuação e à multa qualificada, em síntese, são os seguintes: (i) o contribuinte teve depósitos efetuados em suas contas correntes, conforme relação de depósitos não comprovados (valores mensais), e, regularmente intimado e Fl. 756DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 757 3 reintimado em diversas oportunidades, não comprovou a origem dos valores depositados com documentação hábil e idônea. Valor total dos depósitos não justificados, conforme relação: R$ 3.247.087,56, rendimentos declarados no SIMPLES NACIONAL: R$ 547.859,15. (ii) após a apresentação dos Livros Diário e Razão, a Fiscalização não detectou a contabilização de sua movimentação financeira. Sendo assim, a Fiscalização considerou que tal prática demonstra intenção deliberada de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, configurando a hipótese prevista no art. 71, I da Lei 4.502/64, cabendo a aplicação da multa qualificada, estabelecida no § 1º, art. 43, da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. A ciência do lançamento ocorreu via postal (AR fl. 581) em 09.10.2012, sendo assim a Recorrente apresentou Impugnação (fls. 586 a 598) em 08.11.2012, alegando, em síntese, o seguinte: (i) preliminarmente, arguiu a nulidade do lançamento, tendo em vista a quebra de sigilo bancário por meio da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), uma vez que o Fiscal obteve as informações sem prévia autorização judicial. (ii) deve ser aplicada decisão exarada no RE 389.808, do STF, que decidiu pela inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário sem ordem judicial, como prevê o art. 62A, do Regimento Interno do CARF. (iii) ainda em sede preliminar, arguiu cerceamento de defesa, sendo que a fiscalização não entregou no momento da lavratura e intimação da Impugnante os documentos que instruíram a atuação. (iv) no mérito, questiona a aplicação da multa qualificada em 150%, pois ausentes os pressupostos para tanto. Os autos foram encaminhados para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela Recorrente, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PROVA.EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. SIGILO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA . EFEITOS. Os efeitos da jurisprudência judicial e administrativa no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil somente se aplicam às partes nelas envolvidas, não possuindo caráter normativo exceto nos casos previstos em lei. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 758 4 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa quando os relatórios integrantes da autuação oferecem à Impugnante todas as informações relevantes para sua defesa, confirmada por meio de impugnação na qual demonstra conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. MULTA QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada no percentual de 150% quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase em pelo menos um dos casos previstos nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão supra, a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 740 a 751), utilizando, em síntese, os mesmos argumentos da Impugnação. Oportunamente os autos foram encaminhados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator Como o recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Passo à análise das preliminares de nulidade argüidas pela Recorrente. I – PRELIMINAR DE NULIDADE Preliminarmente a Recorrente alega que a utilização de informações de movimentação financeira caracterizaria violação ao sigilo bancário, tomando por base a decisão do Supremo Tribunal Federal STF, no RE 389.808/PR. Inicialmente cumpre mencionar que a discussão da legalidade do art. 6º da Lei Complementar 105/2001 encontrase em repercussão geral no STF, no RE nº 601.314/SP, conforme ementa: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS Fl. 758DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 759 5 REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL”. A Portaria MF nº 545 de 2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, permitindo que o CARF passe a analisar assuntos pendentes de julgamento definitivo pelo STF sem ter que sobrestar os respectivos processos. O artigo 42 da Lei 9.430 de 1996 dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não houver comprovado. Desse modo, com base na Lei n°. 9.430 de 1996, a não comprovação dos recursos que foram utilizados para liquidar compras não contabilizadas permite que o Fisco presuma existir omissão de receitas para fins de tributação. Assim, presumese que os recursos utilizados para o pagamento das compras que deixaram de ser contabilizadas são provenientes de receitas anteriormente omitidas. Contudo, no presente contexto, a Lei Complementar nº 105/2001 regula a solicitação de informações às instituições financeiras. Dispõe o artigo 6º da referida lei: “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Assim, os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que com isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei (artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001). A decisão do Recurso Extraordinário 389.808/PR, de relatoria do Ministro Marco Aurélio, não deve ser aplicada ao caso em discussão. Conforme bem explicado no Acórdão da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR): “(...) em relação às decisões judiciais e administrativas citadas na peça recursal, é imperioso observar o disposto nos art. 102, § 2°, e 103A da Constituição Federal (DOU de 31/12/2004), com redação dada pela Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, além do artigo 8° desta Emenda. 10. O artigo 102, § 2°, da CF/1988 determina que: Fl. 759DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 760 6 As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. 11. Já o artigo 103A estipula que: O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 12. Por fim, o artigo 8º da Emenda Constitucional n.º 45/2004 preconiza que “As atuais súmulas do Supremo Tribunal Federal somente produzirão efeito vinculante após sua confirmação por dois terços de seus integrantes e publicação na imprensa oficial”. 13. Por essas normas constitucionais, apenas as súmulas vinculantes supramencionadas deverão ser observadas pela Administração Pública e aquelas decisões judiciais em que o contribuinte se configure como parte. 14. Mesmo em relação ao entendimento e às súmulas (não vinculantes) dos Tribunais Superiores, data vênia sua respeitabilidade, não submete o administrador em seus julgados, já que não faz parte da legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do CTN. Diferentemente seria se tratasse de súmulas vinculantes, mas tais comandos jurisprudenciais não foram trazidos pelo contribuinte. Esse também é o atual entendimento do CARF. Vejamos: MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (2201002.291 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 20.11.2013) Conforme demonstrado acima, não há irregularidade do Fisco perante a norma tributária na lavratura dos Autos de Infração, ainda que seja discutida a constitucionalidade da referida Lei Complementar. A Recorrente alega ainda ter sido cerceado seu direito de defesa, uma vez que a fiscalização não entregou no momento da lavratura e intimação os documentos que instruíram a autuação, sem verificar se tais documentos poderiam instruir sua defesa. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 761 7 Conforme se verifica nos autos, a Recorrente foi cientificada dos documentos integrantes do lançamento, tendolhe sido conferido tempo hábil para apresentar seus questionamentos, consubstanciados na Impugnação, na qual demonstrou conhecer plenamente a infração que lhe foi imputada. Em nenhum momento foi impedido o exercício do direito à ampla defesa. Caso desejasse obter algum dos documentos que instruem o processo, a Recorrente poderia ter solicitado cópia do processo, durante o prazo da Impugnação, o que não ocorreu. Os documentos referidos pela Recorrente são arquivos enviados pelas instituições financeiras, obtidos por meio de RMF, que apenas espelham a realidade das contas bancárias no período fiscalizado. Sendo assim, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa. Diante do exposto, rejeito as matérias em sede de preliminar e passo a analisar as alegações no mérito. II – MÉRITO No mérito, a Recorrente questiona a aplicação de multa qualificada de 150% incidente sobre a omissão de receita. No Relatório da Ação Fiscal (fl. 372), a autoridade justificou claramente a qualificação da multa nos seguintes termos: “Em decorrência desta atitude do contribuinte, não registrando em seus assentos contábeis as contas bancárias de sua titularidade, a fiscalização considerou que tal prática demonstra intenção deliberada de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Assim, no entendimento desta fiscalização, esse procedimento do contribuinte configura a hipótese prevista no art. 71, I, da Lei 4.502/64, cabendo a aplicação da multa qualificada estabelecida no § 1o, art. 42, da Lei 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007.” Dispõe o artigo 71, I, Lei nº 4.502: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Uma vez que parece restar configurada a hipótese prevista no art. 71, I da referida Lei, é aplicável a multa qualificada de 150%, conforme § 1º, I, da Lei 9.430 de 1996: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 762 8 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A intenção de impedir ou retardar o Fisco, presente no art. 71 da Lei 4.502, 1964, ficou claramente demonstrada ao considerarmos que para uma receita bruta total apurada durante o ano de 2008, no importe de R$ 3.456.265,90, a Recorrente declarou apenas R$ 543.114,18. Como bem explicado no Acórdão recorrido: “(...) 60. No caso concreto, a autoridade lançadora apontou fatos, sem que haja qualquer justificativa ou prova em contrário por parte do contribuinte, que levaram à qualificação da penalidade em virtude da prática dolosa. 61. A par disso, a conduta dolosa já se configura quando do lançamento por homologação do tributo, isto é, quando o sujeito passivo, tendo o dever legal de prestar informações acerca dos fatos geradores ocorridos e antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, omite fatos e sonega tributos. Houvesse a administração tributária confiado passivamente nas informações prestadas pelo sujeito passivo, tanto à época da ocorrência dos fatos geradores quando da investigação fiscal, indiscutivelmente, tal inércia resultaria em perda irremediável do crédito tributário exsurgido em decorrência do procedimento de ofício. (...)” Esse é o posicionamento deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos do dolo, que impliquem em sonegação ou fraude, aplicase a multa de ofício qualificada, de 150%, prevista o art. 44, da Lei 9.430/1996, por tipificar as ocorrências previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. A conduta reiterada do contribuinte, consistente em omitir deliberadamente informações que deveriam ser prestadas à Administração Tributária, ou inserir elementos inexatos nessas informações quando prestadas ao fisco, justifica a penalidade qualificada. Recurso Especial do Procurador provido.”(Acórdão nº 9101001.843, 1ª Turma, Sessão de 10.12.2013). Fl. 762DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 10950.724620/201202 Acórdão n.º 1202001.111 S1C2T2 Fl. 763 9 Sendo assim, entendo que deve ser mantida a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430 de 1996. Como em sede de Recurso Voluntário não houve questionamento quanto aos tributos e multa de ofício regulamentar (75%) lançados, considerase definitivamente julgado o mérito relativo a essas exigências objeto da decisão da DRJI, nos termos do artigo 17 do Decreto 70.235/72. Portanto, tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 763DF CARF MF Impresso em 12/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 03/05/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 10980.722887/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 15/01/2008, 19/03/2008, 28/08/2008, 28/06/2009, 29/06/2009, 21/07/2009, 28/07/2009, 13/08/2009, 17/09/2009, 02/10/2009, 18/10/2009, 17/11/2009, 14/12/2009, 20/01/2010
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CRÉDITOS DE TERCEIROS. FALSIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS DESCRITAS NA LEI 4.502/64. INOCORRÊNCIA. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE.
Aplica-se a multa isolada no percentual de 75% no caso de transmissão de declaração de compensação não homologada, mesmo que comprovada a falsidade, mas ausentes as condições especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64.
Não socorre ao contribuinte o fato de as operações terem sido levadas a efeito por preposto contratado para implementação de planejamento tributário, se as evidências demonstram que ele, sujeito passivo, conhecia ou deveria ter conhecimento de que tratava-se de uma operação fraudulenta.
MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA. MULTA DE MORA. INCLUSÃO.
A base de cálculo da multa isolada aplicada em razão da não homologação da compensação declarada com informações falsas é o valor do débito indevidamente compensado, incluindo-se neste os juros e a multa de mora que sobre o débito incidem.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-002.165
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa para o percentual de 75%. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti, que negava provimento.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 05/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa para o percentual de 75%. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti, que negava provimento. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama.
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CRÉDITOS DE TERCEIROS. FALSIDADE. CIRCUNSTÂNCIAS DESCRITAS NA LEI 4.502/64. INOCORRÊNCIA. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. Aplicase a multa isolada no percentual de 75% no caso de transmissão de declaração de compensação não homologada, mesmo que comprovada a falsidade, mas ausentes as condições especificadas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Não socorre ao contribuinte o fato de as operações terem sido levadas a efeito por preposto contratado para implementação de planejamento tributário, se as evidências demonstram que ele, sujeito passivo, conhecia ou deveria ter conhecimento de que tratavase de uma operação fraudulenta. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. JUROS DE MORA. MULTA DE MORA. INCLUSÃO. A base de cálculo da multa isolada aplicada em razão da não homologação da compensação declarada com informações falsas é o valor do débito indevidamente compensado, incluindose neste os juros e a multa de mora que sobre o débito incidem. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa para o percentual de 75%. Vencido o Conselheiro José Paulo Puiatti, que negava provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 28 87 /2 01 1- 19 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 2 (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 05/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Paulo Puiatti, Andréa Medrado Darzé e Adriana Oliveira e Ribeiro. Ausente, justificadamente, a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo do auto de infração de fls. 02/11, que exige o recolhimento de R$ 1.181.690,51 a título de multa de ofício isolada, em decorrência de compensação indevida efetuada em declarações de compensação apresentadas pela contribuinte, consideradas não declaradas. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 597/603, que é parte do auto de infração, a autuação ocorreu devido a compensações de débitos fiscais da interessada, com crédito descrito como “crédito de sucedida”, que adviria de cisão parcial da empresa de CNPJ nº 07.909.105/000107, que teria ocorrido em 15/04/2007, conforme as seguintes Dcomp: 02305.85846.150108.1.3.048506; 06734.28305.190308.1.3.042296; 01446.78730.280808.1.3.045657; 11221.10157.280609.1.3.048663; 23145.56383.280609.1.3.042719; 27118.01051.290609.1.3.040176; 30927.77958.210709.1.3.043904; 37027.91750.280709.1.7.043904; 17843.31667.130809.1.3.044005; 21985.94613.170909.1.3.047305; 23388.89515.021009.1.3.046772; 19452.11945.181009.1.3.041970; 39678.92425.171109.1.3.042036; 38577.18973.141209.1.3.047502; 04412.54359.200110.1.3.049573. Tais compensações, perfazendo o montante de R$ 787.793,65, foram analisadas no âmbito do processo administrativo nº 10980.720129/201166 (cópia integral às fls. 12/571), e, com base no art. 74, § 12, II, “a”, da Lei nº 9.430, de 1996, incluído pelo art. 4º da Lei nº 11.051, de 2004, foram tidas como não declaradas, posto que se apurou que o alegado crédito não seria de sucedida, mas sim de terceiro, não tendo a interessada logrado comprovar a existência de operação de sucessão. Do Relatório Fiscal ainda consta que a multa foi qualificada, por ter sido constatada a ocorrência de fraude, sendo aplicada no percentual de 150% sobre o montante dos débitos indevidamente compensados. Segundo informação também contida no precitado Relatório Fiscal, foi formalizada representação fiscal para fins penais (processo nº 10980.722903/201173). Cientificada em 09/06/2011 (fl. 604), a interessada, em 06/07/2011, por meio de procurador (mandato de fls. 636/638 e 977), apresentou a impugnação de fls. 607/633, instruída com os documentos de fls. 634/974, cujo teor é sintetizado a seguir. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.722887/201119 Acórdão n.º 3102002.165 S3C1T2 Fl. 3 3 Nos itens “I. Dos fatos”, “II. Do processo administrativo fiscal nº 10980.720129/201166”, “III. Da documentação de aquisição dos créditos” e “IV. Das retificações”, alega que no início de 2008 foi abordada por um grupo de profissionais que lhe ofereceu uma modalidade de ‘planejamento tributário’, que, então, pareceulhe vantajosa, tendo com ele celebrado contrato (junta cópia aos autos); tal grupo disse ser possuidor de ‘vasto crédito tributário’, que poderia ser utilizado para compensação imediata com tributos federais administrados pela RFB; apresenta demonstrativo com as Dcomp (que teriam sido transmitidas, entre 15/01/2008 e 02/01/2010, pelos supracitados profissionais), indicando os valores compensados e os valores equivalentes relativos à compra de crédito, objeto do referido contrato; salienta que tais fatos já haviam sido informados ao fisco, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF) nº 10980.720129/201166; enfatiza que agiu e age com boafé, colaborando com o fisco e prestando os esclarecimentos pertinentes e fornecendo os documentos de que dispõe. No item “V. Das retificações das obrigações acessórias”, relativamente às divergências apontadas pelo fisco entre Dcomp e DCTF, esclarece que fez o envio das DCTF originais, mas que, em face do preparo e envio das Dcomp pelos precitados profissionais, estes também elaboraram e enviaram DCTF retificadoras, nas quais simplesmente ‘zeraram’ os números que nelas originalmente constavam. No item “VI. Da necessidade do parecer do Ilmo. Auditor Fiscal”, diz que contra decisão que considerou não declaradas as precitadas Dcomp, apresentou recurso no PAF nº 10980.720129/201166, no qual teria pleiteado efeito suspensivo, sendo que o mesmo estaria pendente de apreciação; lembra que caso fizesse as devidas retificações em DCTF, buscando harmonizálas às Dcomp, fala que “imediatamente seriam lançados no sistema ‘novos’ débitos tributários, supostamente devidos” e acrescenta que: “por mais boafé que tenha, e tenha sido demonstrada pelo contribuinte, a regularização das DCTFs originariam ‘novos’ débitos em seu desfavor e, sem poder vincular tais débitos às Dcomps ainda em processamento, a empresa seria punida, vivenciando a incomum situação de ter débitos pendentes de pagamento ao mesmo tempo em que estes débitos foram objeto de compensação ainda não julgada definitivamente.”. Nos itens “VII. Da conclusão do auditor fiscal – intuito de fraude – da aplicação da multa de 150%”, e “VIII. Da efetiva realidade fática – da inexistência do intuito de fraude”, argumenta que não tendo “pleno domínio do vasto arcabouço normativo que rege o direito tributário pátrio”, contratou com ‘profissionais’ (terceiros) a realização de compensações e retificações de declarações, os quais haviamna convencido da viabilidade e legalidade das operações efetuadas; diz que em face do elevado número de normas que regem a seara tributária, e sua constante evolução, não há como presumir que a classe empresarial, ao descumprir uma determinada norma, esteja fraudando deliberadamente o fisco; acrescenta que “para o descumprimento das regras, existem sanções expressas. Ocorre que, a configuração de eventual intuito de fraude (em sua acepção criminal) depende de outros fatores, completamente distintos da mera inadequação legal (por mais óbvia que possa vir a ser aos olhos da autoridade fiscal)”; transcrevendo alerta emitido pela RFB, intitulado “Receita Federal do Brasil alerta para fraudes envolvendo títulos da dívida pública brasileira”, afirma que se o próprio fisco federal emite esse tipo de ‘alerta’, é porque restaria claro o reconhecimento de que há diversas ‘soluções’ sendo vendidas aos contribuintes (que seriam leigos), por profissionais supostamente conhecedores da legislação pertinente, ou seja, “se essa cognição fosse de conhecimento geral do ‘homem comum’ (empresário, leigo), não haveria necessidade de quaisquer alertas por parte da RFB, posto que a ilegalidade seria evidente a todos”; entende que se Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 4 no caso houve fraude, tanto o fisco como a própria interessada foram vítimas de tal ato, sendo que o sujeito passivo já será obrigado a pagar o valor integral dos débitos, cumulado com multas e juros pelo atraso, em face da previsão legal, sanções que já se revelam punitivas e onerosas, não sendo correto, entretanto, imputarlhe uma conduta criminosa, com a incidência de multa de 150%. Nos itens “IX. Da Inexistência de prejuízo à fazenda pública e da sanção ao contribuinte”, “X. Da responsabilidade do agente no direito tributário”, “XI. Da inexistência de presunção legal de fraude”, “XII. Dos requisitos para a configuração da fraude”, a interessada desenvolve argumentos no sentido de sustentar que o fisco não teria comprovado que agiu com dolo (máfé), não caracterizando sua conduta conforme os tipos penais indicados no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996, pelo que seria indevida a qualificação da multa aplicada; reafirma que, no caso, assim como o fisco, também foi vítima da ação de terceiros, os quais teriam, de fato, preparado a documentação de compensação, posteriormente considerada como nãodeclarada; quanto a isso fala: “Por corolário, se a própria DCOMP configuraria a confissão do débito e instrumento hábil e suficiente para a exigência de tributos declarados como indevidamente compensados e, ainda, aliandose esta constatação à postura absolutamente diligente do contribuinte, no cumprimento de todas as solicitações da RFB (comprovando sua boafé), no intuito de esclarecer a totalidade da situação fática, fica evidente a descaracterização de qualquer ato fraudulento.”. No item “XIII. Da impossibilidade de cumulação de multa de ofício com multa de mora”, elabora argumentação no sentido da impossibilidade da cobrança da multa isolada de ofício cumulada com a multa de mora no percentual de 20%, o qual é assim finalizado: “considerando que no crédito consolidado para fins de exigibilidade, está incluída a multa de mora de 20%, sua cumulação com a multa isolada configura ilegalidade que deve ser afastada (...) desse modo, as multas de mora devem ser afastadas dos débitos exigidos, pelo fato de no caso estarse aplicando a multa isolada, sob pena de improcedência do presente auto de infração.”. No item “XIV. Da aplicação da multa apenas sobre o principal e não sobre os juros e multa e do caráter confiscatório da multa confisco”, diz que, no caso, teria havido aplicação da multa isolada sobre o principal, sobre os juros e sobre as próprias multas que já existiam e que foram listadas nas Dcomp, e a isso acrescenta o seguinte argumento: “somese a este fato a constatação, do próprio agente da RFB, que existiam débitos que foram compensados em duplicidade e, ainda, os valores compensados já possuíam multa e juros na própria compensação, o que reforça o caráter de dupla punição (confisco).”; reafirma ser confiscatória a aplicação de multa isolada sobre as multas de mora indicadas nas Dcomp; diz haver jurisprudência do STF no sentido de considerar confiscatória a multa que for fixada em percentual superior a 100%. Por fim, formula o seguinte pedido: “diante de todo o exposto, requerse o conhecimento da presente impugnação, posto que tempestiva, suspendendose a exigibilidade do débito questionado, e, em bem apreciando o caso em tela, os argumentos ora apresentados sejam acolhidos (ilegalidade de cumulação da multa isolada com a multa de mora; ilegalidade em aplicarse a multa isolada sobre o valor do principal, cumulado com multa e juros – caráter confiscatório da multa), de modo a julgarse improcedente o auto de infração lavrado, determinandose seu imediato cancelamento. Caso assim não se entenda, requerse seja reduzida multa isolada, que fora aplicada no patamar de 150% (cento e cinqüenta por cento), para 75% (setenta e cinco por cento) posto que inexistente o ‘evidente intuito de fraude’ por parte do contribuinte e evidenciada sua boafé, restando claro que o mesmo foi, na realidade, ludibriado por terceiros.”. Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.722887/201119 Acórdão n.º 3102002.165 S3C1T2 Fl. 4 5 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 15/01/2008, 19/03/2008, 28/08/2008, 28/06/2009, 29/06/2009, 21/07/2009, 28/07/2009, 13/08/2009, 17/09/2009, 02/10/2009, 18/10/2009, 17/11/2009, 14/12/2009, 20/01/2010 COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. MULTA ISOLADA. Exigese multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. COMPENSAÇÃO NÃODECLARADA. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. O evidente intuito de fraude, consistente na inserção de informação inverídica em declarações de compensação, visando à extinção de débitos fiscais, enseja a aplicação da multa de ofício qualificada. MULTA ISOLADA. FORMA DE CÁLCULO. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual reproduz os argumentos apresentados na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso Voluntário. No corpo do Recurso Voluntário, a Recorrente informa ter sido procurada, no início do ano de 2008, por um grupo de profissionais que se disse possuidor de “vasto crédito tributário passivo (sic) de compensação imediata com tributos federais”, e ofereceulhe “uma modalidade de ‘planejamento tributário’ deveras vantajosa”. Celebrou com eles contrato de prestação de serviços, cópia encartada à impugnação ao lançamento – folhas 661 a 665 eProc. O objeto do contrato foi o “Planejamento tributário visando compensação dos débitos tributários do CONTRATANTE (Imposto de Renda, PIS, COFINS e Contribuição Social sobre o Lucro) vencidos em 2005 e saldo de 20041”. O valor pago pelos serviços, conforme Termo Aditivo, foi de quase cinqüenta e quatro mil reais (R$ 53.782,82). 1 Houve prorrogação do prazo por Termo Aditivo Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Conforme dado do Relatório que precede o vertente Voto, o valor compensado com base nos créditos disponibilizados pela contratada foi da monta de mais de 787 mil reais. A empresa apôs nas Dcomp informação de que o crédito era de terceiro e adquirido de sucedida. Assim consta na Intimação nº 04/11, folha 659 eProc. 2. Pelo que consta nas DCOMP, o crédito utilizado na compensação é oriundo de pagamento indevido ou a maior, já informado em DCOMP anterior, no caso, a 16907.22441.210507.1.3.044784 (que pertence a terceiro), e adquirido de sucedida com CNPJ 07.909.105/000107 (o terceiro ao qual pertence a tal DCOMP). 2.2 – Entretanto, analisandose o cadastro de V.Sa, nesta RFB, não se confirma tal sucessão, o mesmo acontecendo, como não podia deixar de ser, no da suposta sucedida (CNPJ 07.909.105/000107). Estas informações, por sua vez, não são condizentes com as encontradas nas DCTF apresentadas pela Recorrente, conforme consta no Relatório Fiscal do Auto de Infração contestado. 3.4.2 Prova disto é o fato de o contribuinte ter informado, nas DCTF, a compensação realizada, com isto colocando os débitos na condição de quitados (mesmo que sob condição resolutória da posterior homologação da compensação), conforme se pode comprovar nas DCTF, de fls. 572 a 595, apenas como amostragem. Nesta amostragem se pode comprovar, também, que a informação que o contribuinte inseriu nas DCTF, quanto ao crédito utilizado na compensação, é de que ele se referiria a pagamento indevido ou a maior daquele mesmo tributo, e próprio, como é o caso, por exemplo, do débito de IRPJ2089, PA 2°Trim/2009, no valor de R$ 50.631,41, compensado na DCOMP 30927.77958.210709.1.3.043904 (fl. 114), em relação ao qual o contribuinte informou, na DCTF (fl. 581 a 583), que o crédito utilizado seria também daquele mesmo tributo e PA, recolhido mediante DARF, e próprio, já que o CNPJ informado (fl. 582) é o seu. Isto, como está claro, contraria a informação posta na DCOMP inicial, a 02305.85846.150108.1.3.048506 (fl. 13), onde está posto que o crédito seria de incorporada, CNPJ 07.909.105/000107, o que, como também se comprovou, também não é verdade. Diante de tais evidências, concluiuse que, ou a empresa sabia o que estava se passando, ou foi assustadoramente negligente em terceirizar, sem o necessário controle, uma importante fração de suas obrigações perante o Fisco Federal. A esse respeito, que se diga que não pode prosperar a exclusão de sua responsabilidade sob o argumento de que os atos foram praticados por terceiros. Cabe ao contribuinte cercarse de todos os cuidados para que ocorrências dessa natureza não se consumam, acautelandose, inclusive, pelo controle das ações praticadas por seus prepostos. Fossem alegações deste viés acolhidas, e restaria inviável a punição das pessoas envolvidas em fraudes desta natureza. Bastaria sempre que a responsabilidade fosse transferida à empresa contratada. Não há evidências probatórias de que as ações que, digase, eram de responsabilidade da Recorrente, tenham sido levadas a efeito por outro e sem o seu conhecimento. E que não se perca de vista. Propostas boas demais exigem maior cautela. Superado isso, também não vejo como possa socorrer à Recorrente os problemas descritos para retificação das Declarações de Débitos e Créditos Tributário Federais DCTF emitidas. Houvesse procedido de forma regular e nenhum entrave haveria de oporse a seus interesses. Não há previsão legal que dê efeito suspensivo para as Declarações de Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.722887/201119 Acórdão n.º 3102002.165 S3C1T2 Fl. 5 7 Compensação às quais se atribui a condição de não declaradas, a teor do disposto no artigo 74 da Lei 9.430/96. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5o a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) No que se refere à contestação de cumulação de multa de ofício com multa de mora, de se observar a modificação legislativa introduzida pela Lei 11.488/07 em relação ao texto presente na Lei anterior, nº 11.196/05, a seguir, em ordem cronológica. § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado, quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose os percentuais previstos: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) I no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) II no inciso II do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) (grifos meus) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) Visivelmente, a Lei nº 11.488/07, ao dar nova redação ao parágrafo 4º da então vigente Lei nº 11.196/05, fez suprimir a menção às outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Salvo melhor juízo, depreendese que a cumulação, antes autorizada, foi vedada. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA 8 Embora parte das compensações tenhase processado na vigência de uma e parte na vigência de outra Lei, aplicarseia, no caso, a retroação benigna da norma que comina penalidade menos severa. A despeito disso, o problema é que esse não é assunto desse Processo. Observese. A precedência é, indubitavelmente, da multa isolada. Sua exigência é que poderá excluir a exigência de outras multas, nunca o contrário. Assim, haveria de se discutir a possibilidade de que fosse exigida, cumulativamente com essa, a multa de mora. Contudo, ela não está sendo neste discutida. O litígio carece desse objeto. Não se pode decidir a respeito. Quanto à multa de ofício, uma vez que tenha como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado, correto que nele sejam incluídos os acréscimos moratórios, uma vez que estes constituamno, por serem apenas instrumentos de correção/compensação pelos efeitos da demora no pagamento. Noutro giro, necessário perquerir quanto à possibilidade de agravamento da multa exigida do contribuinte. O texto legal: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (grifos meus) (...) § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) (...) § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (grifos meus) O parágrafo primeiro do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) E, por sua vez, os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10980.722887/201119 Acórdão n.º 3102002.165 S3C1T2 Fl. 6 9 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Não vejo como enquadrar a situação específica em nenhuma das situações descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 9.430/96. Finalmente, em relação à base sobre a qual se deva calcular a multa de ofício isolada, uma vez que ela deva incidir, a teor do § 2º do artigo 18 da Lei 10.833/03, sobre o valor do débito indevidamente compensado e este, sob pena de enriquecimento ilícito, é corrigido pela aplicação dos acréscimos moratórios previstos em Lei, penso que correto o critério utilizado pelo Fisco, acrescendo, à base imponível, a multa de mora. VOTO por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reduzir a multa aplicada ao percentual de 75% do valor declarado. Sala de Sessões, 27 de fevereiro de 2014. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/05/2014 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 06/05/2014 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10410.720808/2009-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007
DEPUTADO ESTADUAL. VERBAS DE GABINETE. NATUREZA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR.
Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, somente não se incluem no conceito de renda quando comprovado que foram despendidos no exercício da atividade (recursos para o trabalho e não pelo trabalho).
Ocasião em que a autuação decorreu de operação instaurada pela Polícia Federal (Operação Taturana), acompanhada pelo Ministério Público Federal, que resultou em confecção de Laudo de Exame Contábil em face do contribuinte, o qual constatou: (i) a ausência de prestação de contas da destinação dada aos valores recebidos a título de verbas de gabinete; e (ii) que houve excesso de pagamento mensal de verba de gabinete ao contribuinte, acima do limite permitido pelas normas da Assembleia legislativa do Estado de Alagoas (art. 2° da Resolução n° 392/95 da ALE/AL, alterada pela Resolução 428/2002, 462/2006 e 471/2007).
Contribuinte que não comprova que o dispêndio dos recursos intitulados verbas de gabinete se deu no exercício de sua atividade. Manutenção do lançamento de IRPF ante a constatação de que os gastos ocorreram em benefício exclusivo da própria pessoa do parlamentar e não da função parlamentar, revelando que tais rendimentos possuem natureza tributável.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
Numero da decisão: 2102-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Informações Adicionais: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente.
Assinado digitalmente.
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator.
EDITADO EM: 04/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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VERBAS DE GABINETE. NATUREZA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE QUE OS VALORES FORAM UTILIZADOS NO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE PARLAMENTAR. Os valores recebidos pelos parlamentares, a título de verba de gabinete, necessários ao exercício da atividade parlamentar, somente não se incluem no conceito de renda quando comprovado que foram despendidos no exercício da atividade (recursos para o trabalho e não pelo trabalho). Ocasião em que a autuação decorreu de operação instaurada pela Polícia Federal (Operação Taturana), acompanhada pelo Ministério Público Federal, que resultou em confecção de Laudo de Exame Contábil em face do contribuinte, o qual constatou: (i) a ausência de prestação de contas da destinação dada aos valores recebidos a título de “verbas de gabinete”; e (ii) que houve excesso de pagamento mensal de verba de gabinete ao contribuinte, acima do limite permitido pelas normas da Assembleia legislativa do Estado de Alagoas (art. 2° da Resolução n° 392/95 da ALE/AL, alterada pela Resolução 428/2002, 462/2006 e 471/2007). Contribuinte que não comprova que o dispêndio dos recursos intitulados “verbas de gabinete” se deu no exercício de sua atividade. Manutenção do lançamento de IRPF ante a constatação de que os gastos ocorreram em benefício exclusivo da própria pessoa do parlamentar e não da função parlamentar, revelando que tais rendimentos possuem natureza tributável. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 08 08 /2 00 9- 85 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 211 2 O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Informações Adicionais: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS – Presidente. Assinado digitalmente. CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA – Relator. EDITADO EM: 04/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), Núbia de Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Alice Grecchi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 188 a 206, interposto contra decisão da DRJ em Recife/PE, de fls. 175 a 184, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 2 a 15 dos autos, lavrado em 17/11/2009, relativo aos anoscalendário 2005, 2006 e 2007, com ciência do RECORRENTE em 27/11/2009 (fl. 158). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 472.832,57, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fls. 05 a 09, o lançamento teve origem na seguinte infração: “001 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 212 3 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO COM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, apurada conforme o Termo de Verificação Fiscal anexo à fls. ..., sendo que o contribuinte, uma vez intimado a comprovar a efetiva utilização dos valores recebidos a titulo de verba de gabinete no fim previsto na legislação especifica, não logrou a comprovação, ou seja não comprovou a prestação das contas. Por conta disso o mesmo foi autuado por falta de prestação de contas e por recebimento em excesso ao limite estabelecido pelas resoluções 428/2002, 362/2006 e 471/2007, da Assembléia Legislativa do Estado do Alagoas. (...) Enquadramento legal: Arts. 1° a 3° e §§, da Lei n°7.713/88; Arts. 1º a 3° da Lei n°8.134/90; Art. 43 do RIR/99; Art. 1° da Lei n° 11.119/05; Art. 1° da Lei n° 11.311/06; Art. 1° da Lei n° 11/482/07.” De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 16 a 27, o lançamento decorreu de operação instaurada pela Polícia Federal (Operação Taturana), acompanhada pelo Ministério Público Federal, que resultou em confecção de Laudo de Exame Contábil em face do RECORRENTE (fls. 75 a 84), objetivando comprovar a regularidade (ou irregularidade) nos pagamentos e na prestação de contas da verba indenizatória de gabinete instituída pela Resolução ALE/AL nº 369/1993, destinada ao RECORRENTE. Referido Laudo Contábil foi elaborado pela Polícia Federal mediante o exame de documentação obtida da Diretoria Financeira da Assembleia Legislativa de Alagoas referentes às verbas de gabinete em nome do RECORRENTE, dos anos 2005, 2006 e 2007 (fls. 74 e 75) em conjunto com as informações bancárias, fiscais e telefônicas do RECORRENTE, cuja quebra de sigilo e compartilhamento de informações à Receita Federal foi autorizada pelo Tribunal Federal da 5ª Região nos autos do processo n° 2005.05.00.0125684 (INQ1471/AL – fls. 94 a 117). Mediante as informações contidas no Laudo de Exame Contábil elaborado em face do RECORRENTE, a autoridade lançadora instaurou Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 28 a 34), oportunidade em que foi solicitada a comprovação de que as verbas de gabinete tiveram como destino o pagamento de despesas para o exercício da atividade parlamentar, esclarecendo que os valores não comprovados dentro dos limites máximos previstos nas Resoluções da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas n° 369/93, 392/95, 428/2002, 462/2006 e 471/2007 (fls. 122 a 130), bem como os valores excedentes aos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 213 4 referidos limites máximos caracterizamse como omissões de rendimentos, sujeitos a lançamento de oficio nos termos do art. 43, inciso X, do Decreto 3.000/99 (RIR/99). Durante a fiscalização, o RECORRENTE não apresentou os documentos relativos à prestação de contas das verbas de gabinete, sob o argumento de que havia entregue tais documentos à Assembleia Legislativa de Alagoas (fls. 36 a 40). A Assembleia Legislativa de Alagoas, por sua vez, foi intimada para apresentar os referidos documentos, no entanto argumentou que não mais possuía as prestações de contas em razão da busca e apreensão destes documentos realizada pela Polícia Federal quando da Operação Taturana; ademais, afirmou que não seria possível extrair cópia das prestações de contas em seu sistema interno. Ainda assim, afirmou que o RECORRENTE realizou a prestação de contas (fls. 49 a 52). Por meio do Termo de Constatação de fl. 60, os auditores da Receita Federal verificaram, na própria Delegacia da Polícia Federal em Maceió, que dentre as caixas de documentos apreendidas da Assembleia Legislativa de Alagoas referentes ao RECORRENTE, não continha qualquer documentação relacionada às prestações de contas das verbas de gabinete. Ante a ausência de comprovação da destinação das verbas de gabinete com despesas na atividade parlamentar, e também em razão de o RECORRENTE ter recebido tais verbas em valores acima do limite permitido pelas normas da Assembleia legislativa do Estado de Alagoas (art. 2° da Resolução n° 392/95 da ALE/AL, alterada pela Resolução 428/2002, 462/2006 e 471/2007), foi realizado o lançamento do imposto de renda sobre tais verbas. Assim, após promover o ajuste na declaração de rendimentos do RECORRENTE, foi apurado imposto a pagar de R$ 233.645,07, sobre o qual incidem os juros de mora e a multa de ofício de 75%. DA IMPUGNAÇÃO Em 23/12/2009, o RECORRENTE, através de procurador constituído à fl. 171, apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 159 a 170, alegando, em síntese, que: I. verba de gabinete não pode ser considerada como rendimento do trabalho assalariado e assemelhado, tanto é assim, que não está relacionada no rol de rendimentos tributáveis previstos no art. 43, do RIR/99; II. tratandose de verba sujeita à prestação de contas, não se enquadra no disposto no art. 43, do CTN; III. a verba de gabinete possui caráter indenizatório sendo, portanto, não tributável pelo imposto de renda; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 214 5 IV. o RECORRENTE afirma que apresentou as prestações de contas não pode trazer qualquer prejuízo o fato de os documentos relativos à prestação de contas terem sido extraviados da Assembleia Legislativa de Alagoas; V. não é atribuição da Secretaria da Receita Federal do Brasil determinar o valor da verba de gabinete dos parlamentares federais, estaduais e municipais; VI. é atribuição dos Tribunais de Contas, da União, dos Estados e dos Municípios, quando for o caso, a fiscalização da aplicação da verba de gabinete, inclusive a aplicação de multas pelo desvio de sua finalidade; Portanto, o RECORRENTE requereu fosse julgado improcedente o presente lançamento. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 175 a 184 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006, 2007 VERBAS DE GABINETE. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. CONDIÇÕES. Constitui condição indispensável ao reconhecimento do caráter indenizatório dos recebimentos a titulo de verba de gabinete a comprovação de sua efetiva destinação por meio da devida prestação de contas. Descumprida essa condição, o valor recebido configura acréscimo patrimonial sujeito à incidência do Imposto sobre a Renda. VERBAS DE GABINETE. LIMITE. TRIBUTAÇÃO. Recebimentos a título de verba de gabinete em montante superior ao fixado na legislação que a disciplina implicam descaracterização de sua natureza indenizatória, constituindo rendimentos sujeitos à incidência do Imposto sobre a Renda. IMPOSTO SOBRE A RENDA. INCIDÊNCIA. A incidência do Imposto sobre a Renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 215 6 SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. IRPF. A Secretaria da Receita Federal do Brasil é competente para fiscalizar e arrecadar o Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 08/11/2011, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 187, apresentou em 07/12/2011 O Recurso Voluntário de fls. 188 a 206, através de procurador habilitado à fl. 171. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE argumenta que as verbas de gabinete possuem caráter indenizatório e que, portanto, não se sujeitam ao imposto de renda. Ademais, citou precedentes judiciais e administrativos neste sentido. Assim, requereu a reforma da decisão recorrida. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fls. 05 a 09 e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 16 a 27 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE não ter comprovado a destinação dos recursos Fl. 215DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 216 7 recebidos da Assembleia Legislativa de Alagoas sob a rubrica “verbas de gabinete”, no valor total de R$ 849.618,42, durante os anoscalendário 2005, 2006 e 2007. As afirmações dos auditores têm por base operação instaurada pela Polícia Federal justamente com o objetivo de averiguar a destinação das verbas de gabinete pagas aos Deputados Estaduais de Alagoas. Além de receber os valores de verba de gabinete nos limites máximos previstos nas Resoluções da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas n° 369/93, 392/95, 428/2002, 462/2006 e 471/2007 (fls. 122 a 130), o RECORRENTE recebeu da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas outros valores excedentes aos referidos limites máximos. De acordo com o Parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) n° 1084 de 05/07/2007 (fls. 134/152), os valores que tiverem destinação similar à “verba indenizatória do exercício parlamentar”, como “verba de gabinete”, por exemplo, são verbas de caráter indenizatório e que estão fora da incidência do imposto de renda, pois não implicam em acréscimo patrimonial. Para tanto, tais “verbas de gabinete” devem ser obrigatoriamente: (i) utilizadas nas destinações especificas necessárias às atividades do parlamentar; (ii) objeto de prestação de contas; e (iii) recebidas dentro dos limites de valores previamente determinados. Ocorre que, no presente caso não existe qualquer comprovação de que o RECORRENTE utilizou os valores recebidos a titulo de “verbas de gabinete” no exercício de sua função parlamentar. Não há prestação de contas, notas fiscais de serviços tomados, notas de débito, recibos etc. Ao contrário. A constatação da infração de omissão de rendimentos praticada pelo RECORRENTE decorreu de operação de investigação (Operação Taturana) realizada conjuntamente pela Polícia Federal, Receita Federal, Banco Central, Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (COAF/MF) e Ministério Público Federal, tudo para averiguar movimentações financeiras atípicas envolvendo membros do Poder Legislativo do Estado de Alagoas. Portanto, o RECORRENTE, na qualidade de deputado estadual de Alagoas, foi uma das dezenas de pessoas investigadas na operação. Durante a fase de fiscalização instaurada pela Receita Federal, o RECORRENTE não comprovou que as verbas recebidas a titulo de “verbas de gabinete” foram despendidas no exercício de sua função parlamentar. A Assembleia Legislativa de Alagoas, por sua vez, afirmou que não mais possuía as prestações de contas apresentadas pelo RECORRENTE e que tais documentos estariam de posse da Polícia Federal, tendo em vista que esta realizou a busca e apreensão dos mesmos. No entanto, de acordo com o Termo de Constatação de fl. 60, os auditores da Receita Federal verificaram na própria Delegacia da Polícia Federal em Maceió que, dentre as caixas de documentos apreendidas da Assembleia Legislativa de Alagoas referentes ao RECORRENTE, não existia qualquer documentação relacionada às prestações de contas das verbas de gabinete. Desta forma, não há nenhuma comprovação de que tais verbas foram despendidas no exercício da função parlamentar. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 217 8 Ademais, importante observar que o RECORRENTE recebeu as verbas de gabinete em valores superiores aos previstos nos limites máximos previstos nas Resoluções da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas n° 369/93, 392/95, 428/2002, 462/2006 e 471/2007 (fls. 122 a 130). Entre janeiro de 2005 e novembro de 2006, o limite máximo da verba de gabinete era de R$ 15.220,00 (nos termos da Resolução nº 428/2002 – fls. 126/128). Entre dezembro de 2006 a março de 2007, o limite subiu para R$ 20.000,00 (Resolução nº 462/2006 – fl. 129). Já para o período de abril de 2007 em diante, o limite máximo foi de R$ 29.100,00 (Resolução nº 471/2007 – fl. 130). Contudo, de acordo com as planilhas de fls. 30 a 34 (sintetizadas às fls. 23 a 24), o RECORRENTE recebia valores mensais em muito superior ao limite máximo estabelecido para as verbas de gabinete. Tal constatação corrobora a tese de que os valores recebidos pelo RECORRENTE como “verbas de gabinete” são tributáveis pelo imposto de renda. Para que as verbas de gabinete sejam consideradas indenizações e, portanto, não tributáveis pelo imposto de renda, deve restar demonstrado de forma indubitável que tais valores foram despendidos nas destinações especificas necessárias às atividades do parlamentar. No caso dos autos, há comprovação de que o RECORRENTE não efetuou a necessária prestação de contas perante a Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas, além de restar demonstrado que o RECORRENTE recebeu tais “verbas de gabinete” em valor superior ao limite máximo estabelecido nas Resoluções da Assembleia Legislativa do Estado de Alagoas n° 369/93, 392/95, 428/2002, 462/2006 e 471/2007 (fls. 122 a 130). Portanto, no presente caso, não foram observados os ditames previstos nos itens 25 e 26 do Parecer da PGFN n° 1084/2007 (fl. 149). Sendo assim, as verbas recebidas pelo RECORRENTE não podem ser tratadas como de caráter indenizatório, pois: (i) não há comprovação de que foram utilizadas nas destinações especificas necessárias às atividades do parlamentar; (ii) não foram objeto de prestação de contas; e (iii) foram recebidas acima dos limites máximos de valores previamente determinados. O RECORRENTE ainda poderia no atual momento processual ter acostado aos autos documentos hábeis e idôneos que comprovassem que teve despesas necessárias às atividades de parlamentar durante o período, a fim de afastar (ao menos que parcialmente) o lançamento. No entanto, não há, nos autos, documentação comprobatória capaz de rebater o constatado pela fiscalização. As alegações do RECORRENTE desacompanhadas de quaisquer meios de provas que as dê sustentáculo não podem ser acolhidas. Este é um “princípio” de qualquer rito processual, seja na esfera administrativa ou na judiciária, e não é diferente a postura deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, como se pode perceber da análise dos seguintes acórdãos, verbis: Fl. 217DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10410.720808/200985 Acórdão n.º 2102002.881 S2‐C1T2 Fl. 218 9 “RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. Recurso negado. (recurso voluntário nº 156896; 2ª Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 08/09/2008)” “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: ALEGAÇÕES DE DEFESA. PROVAS. Não são acolhidas as alegações de defesa desacompanhadas de elementos de prova que as corroborem. Nos seus efeitos, alegar sem provar equivale a não alegar. Recurso Voluntário Negado. (recurso voluntário nº 149637; 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes; julgamento em 30/05/2008)” Ante o acima exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de manter a decisão proferida pela DRJ. Assinado digitalmente. Carlos André Rodrigues Pereira Lima – Relator. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 04/05/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 27/05/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10380.014146/2002-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2002
Ementa:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração não são meio adequado para se discutir o acerto do julgado.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 3403-002.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESE DE CABIMENTO. Os embargos de declaração não são meio adequado para se discutir o acerto do julgado. Embargos de declaração rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
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score : 1.0
Numero do processo: 11080.935111/2009-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE.
O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
Numero da decisão: 3803-005.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1967; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 482 1 481 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.935111/200959 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803005.980 – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de março de 2014 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA ESTADUAL DE GERAÇÃO E TRANSMISSÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CONTRATOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. ÍNDICE DE REAJUSTE. IMPOSSIBILIDADE. O preço predeterminado em contrato não perde sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei nº 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com cláusula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que não se confunde com o preço predeterminado. Precedentes judiciais e administrativos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer que os reajustes de preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado, que convertia o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 51 11 /2 00 9- 59 Fl. 482DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Esta Contribuinte transmitiu a Declaração de Compensação utilizando como crédito pagamento a maior da contribuição para o PIS nos períodos de apuração julho a dezembro de 2004, maio de 2005 e julho a dezembro de 2005. Tais indébitos fundamse na apuração da contribuição pela sistemática da cumulatividade, sobre as receitas de contratos de fornecimento de bens e serviços a preço predeterminado, auferidas sob contratos com prazo superior a um ano, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, conforme previsão contida no inciso XI, b, do artigo 10 e inciso V do artigo 15 da Lei nº 10.833/2003, e de acordo com orientações emanadas da Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL. Despacho Decisório proferido pela DRF/Porto Alegre reconheceu parte do direito creditório, porém, não pelas razões que estão na base do direito invocado pela declarante das compensações, mas por identificação de pagamentos a maior justificados por seus próprios critérios de apuração. Os fundamentos da declarante foram rejeitados pela DRF/Porto Alegre, sob o argumento de que os contratos dos segmentos de Geração e de Transmissão, nos períodos fiscalizados, não preenchem o conceito de preço predeterminado. No seu entender, a correção do preço pelo IGPM não se amoldaria à disciplina do art. 109 da Lei nº 11.196/2005[1]. Irresignada, a Interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento do seu pleito, sustentando que: a) existem exceções à regra da não cumulatividade, especialmente a prevista no inciso XI, b, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003[2]; b) o IGPM enquadrase no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 9.069/95[3], consubstanciado no IPCr, uma vez que o substituiu; transcreve doutrina e jurisprudência que corroboram o entendimento de que a correção monetária do valor das tarifas não descaracteriza a condição de preço predeterminado; c) suas receitas foram tributadas pelo regime cumulativo até a primeira alteração de preço efetuada em suas tarifas, e, após este fato, pela não cumulatividade; 1 Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. 2 Art. 10. [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...]l; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; 3 Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 3803005.980 S3TE03 Fl. 483 3 d) a ANEEL, autarquia federal que regula o setor elétrico, firmou entendimento, por meio da Nota Técnica nº 224SFF, de 19/06/2006, de que os reajustes efetuados preenchiam os requisitos legais disciplinados pelo art. 10, XI, b da Lei nº 10.833/2003; e) em nenhum momento foram aferidos os custos de produção do contribuinte no período fiscalizado. Nesse caso, mesmo considerando que o IGPM desfigura o conceito normativo de preço predeterminado, não poderia ter sido ignorada outra prerrogativa legal, a qual estabelece um percentual não superior ao acréscimo do custo de produção; f) existem nulidades, como a ausência dos valores cobrados das contribuições, não expressos no despacho decisório de forma específica, e do montante do débito não homologado. Em julgamento da lide, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre/RS, julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Manifestante, com base nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 PRELIMINAR DE NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o Despacho Decisório foi formalizado de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação ao disposto no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não deve ser acatado o pedido de nulidade formulado. PREÇO PREDETERMINADO. IGPM. ÍNDICE GERAL. Nos termos do disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. O IGPM não é índice que obedeça ao disposto no art. 109 da Lei nº 11.196/2006, por ser índice geral de reajuste de preços. Cientificada da decisão em 10 de outubro de 2012, irresignada, apresentou recurso voluntário em 8 de novembro de 2012, em que maneja os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Relator Fl. 484DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A controvérsia gira em torno da aplicação do disposto no art. 10, XI, “b” da Lei nº 10.833/2003, que mantém no regime cumulativo de apuração do PIS e da Cofins as receitas decorrentes de: (i) contratos para fornecimento de bens ou serviços; (ii) firmados antes de 31 de outubro de 2003; (iii) com prazo superior a 1 (um) ano;e (iv) a preço predeterminado. Reza o dispositivo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...) XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...) b) empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Vêse que os três primeiros requisitos legais são objetivos, ao passo que a disputa se dá sobre o quarto item, que envolve um aberto e impreciso conceito: o de preço predeterminado. A Recorrente é Sociedade de Economia Mista; com participação mínima de 51% do capital social do Estado do Rio Grande do Sul, prevista no Estatuto Social, tem seus contratos regidos pela Lei nº 10.192/2001[4], que dispõe sobre medidas complementares ao Plano Real e dá outras providências, e regula a forma como os contratos administrativos são reajustados, verbis: Art. 2º. É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano.[grifei] Art. 3o. Os contratos em que seja parte órgão ou entidade da Administração Pública direta ou indireta da União, dos Estados, 4 E subsidiariamente pela Lei nº 8.666/93. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 3803005.980 S3TE03 Fl. 484 5 do Distrito Federal e dos Municípios, serão reajustados ou corrigidos monetariamente de acordo com as disposições desta Lei, e, no que com ela não conflitarem, da Lei nº 8.666/93.[grifei] A proficiente e rígida regulação macroeconômica do Plano Real, que pôs sob controle a histórica inflação brasileira, permitiu – nos termos do art. 27, I, da Lei nº 9.069, de 1995 , a correção da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994 em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico , desde que se desse pela aplicação do Índice de Preços ao Consumidor, Série r/IPCr. Alternativamente, poderia haver reajuste em função do custo de produção ou variação de índice que refletisse a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, verbis: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I. omissis II. aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; A citada lei, em seu art. 8º e § 1º, extinguiu o IPCr e permitiu a sua substituição por índice de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano: Art. 8º A partir de 1º de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografía e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1º Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1º de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. A Nota Técnica SFF nº 224, de 19/06/96, da ANEEL[5], destaca que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica, bem como nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), calculado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. No entanto, a Instrução Normativa SRF nº 468/04, em regulamentação do inciso XI do art. 10 da Lei no 10.833/03, viabilizou uma definição de preço predeterminado, dispondo: 5 35. Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei n° 9.069/95. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 IN SRF 468/04: Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º. Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º. Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art 1º. § 3º. Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art 1º. Por essa disciplina, os atos de restaurar o equilíbrio econômicofinanceiro do contrato ou de aplicar sobre o preço da geração e transmissão de energia elétrica índice visando à recomposição do poder de compra, corroído pelo efeito da inflação, resultariam na submissão das receitas ao regime não cumulativo das contribuições PIS/Pasep e Cofins, por se descaracterizar o preço predeterminado. Em suma, o regulamento define preço predeterminado como preço fixo, uma condição que estabelece para que as receitas fossem mantidas no regime cumulativo de apuração. Entendo que a IN SRF nº 468/04 inovou a ordem jurídica, por extrapolar o seu poder regulamentar ao disciplinar a norma de preço predeterminado na Lei nº 10.833/03, Visando a estancar a disputa suscitada pelo limitado e controverso conceito de preço predeterminado por ela trazido foi introduzido entre as inúmeras disposições tributárias, na Lei nº 11.196/05, o art. 109, que dispôs, pontualmente, sobre o reajuste de preço na circunstância que indica. Da norma deflui que o ato do reajuste, por si, não descaracteriza o preço predeterminado. Aditese que esta norma do art. 109 não traz conceito novo de preço predeterminado, como aludido na decisão administrativa, uma vez que o seu efeito retroage para a data de início de vigência do regime da não cumulatividade da Cofins. Não há direito novo com efeito retroativo fora das hipóteses do art. 106 do Código Tributário Nacional. Veja se o seu teor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado.[grifei] Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 3803005.980 S3TE03 Fl. 485 7 Todos estes elementos acima instanos a enfrentar o nó de aferir em que medida foi acertada a decisão recorrida ao considerar improcedente a manifestação de inconformidade contra o despacho decisório da DRF/Porto Alegre, que descaracterizou como preço determinado as receitas dos contratos da Companhia Estadual de Geração e Transmissão de Energia Elétrica, pela utilização do índice de reajuste IGPM, sob o argumento de ferir a disposição do art. 27, § 1º, II, da Lei nº 9.069/95, referido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, na linha da antecedente decisão da Autoridade administrativa, verbis: Nesse passo, importa identificar três formas de fixação de preços nos contratos em andamento: a repactuação ou revisão, a recomposição e o reajuste. A autorizada doutrina de Marçal Justen Filho define o que vem a ser recomposição e reajuste. “A recomposição é o procedimento destinado a avaliar a ocorrência de evento que afeta a equação econômicofinanceira do contrato e promove adequação das cláusulas contratuais aos parâmetros necessários para recompor o equilíbrio original. Já o reajuste é procedimento automático, em que a recomposição se produz sempre que ocorra a variação de certos índices, independentemente de averiguação efetiva do desequilíbrio” [6] A recomposição, também chamada de revisão, decorre de fatos imprevisíveis: caso de força maior, caso fortuito, fato do príncipe ou álea econômica extraordinária. O reajuste objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômico. A repactuação visa à adequação dos preços contratuais aos novos preços de mercado e, no âmbito da Administração Pública Federal, encontrase regulamentada no art. 5º do Decreto nº 2.271, de 7 de julho de 1997[7]. A possibilidade de repactuação prevista neste decreto não se faz acompanhar de disciplina acerca dos seus efeitos tributários, valendo a citação apenas para destacar a definição do signo repactuação. Em reforço à definição do termo reajuste, quanto ao seu propósito de manter o equilíbrio financeiro do contrato, vejase o que está assentado pelo Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO – CONTRATO ADMINISTRATIVO REAJUSTE DE PREÇOS AUSÊNCIA DE AUTORIZAÇÃO CONTRATUAL DESCABIMENTO. 6 Filho, Marçal Justen. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. São Paulo: Dialética, 10. ed., 2004, p. 389. 7 Art. 5º Os contratos de que trata este Decreto, que tenham por objeto a prestação de serviços executados de forma contínua poderão, desde que previsto no edital, admitir repactuação visando à adequação aos novos preços de mercado, observados o interregno mínimo de um ano e a demonstração analítica da variação dos componentes dos custos do contrato, devidamente justificada. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 1. O reajuste do contrato administrativo é conduta autorizada por lei e convencionada entre as partes contratantes que tem por escopo manter o equilíbrio financeiro do contrato. 2. ... STJ – Resp. 730568 SP 2005/00363158. Aqui se está a tratar de reajuste, não de recomposição nem de repactuação. Ora, sob a égide da execução do Plano Real os contratos podiam ser reajustados sem ferir os cânones da estabilização econômica, desde que, obrigatoriamente, por meio do índice legalmente fixado, o IPCr, segundo o art. 27, caput, da Lei nº 9.069/95. Se, acaso, a empresa se obrigasse a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, a obrigatoriedade do caput seria desconsiderada se o reajuste fosse efetuado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme o § 1º, inciso II, deste mesmo artigo. Esta última alternativa de reajuste, art. 27, § 1º, inciso II, da Lei nº 9.069/95, claramente flexibiliza a regra do caput para permitir que o ajuste se dê a maior ou a menor que o índice oficial preconizado, podendo ser favorável a uma ou à outra parte contratantes. Este entendimento imanta a interpretação que a norma do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 veio trazer[8][9]: impedir que se interprete a simples aplicação de reajuste como critério para descaracterizar o contrato a preço predeterminado. Assim, o reajuste de preço é possível, e na circunstância indicada é ato que não descaracteriza o preço predeterminado. A Instrução Normativa nº 658/06, ao disciplinar o dispositivo legal acima, segregou o parâmetro tomado como referência reajuste de preços em função do acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos – de meros reajustes contratuais e ajustes contratuais para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro. No entanto, o teor de sua disciplina modifica os signos da regra legal, de “reajuste de preços em função” para “reajuste de preços em percentual não superior”. Ao fazêlo de modo aparentemente imperceptível dá ensejo a nova significação, vale dizer, para que o reajuste não perca o caráter de preço predeterminado tem que haver a demonstração pelo interessado de que o percentual não se deu em número superior aos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos. E isso não é o que está legalmente estabelecido: IN/SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, assim dispôs: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou 8 Por isso o seu efeito retroativo a novembro de 2003, 9 Combinando a norma das alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei nº 10.833 com a do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 3803005.980 S3TE03 Fl. 486 9 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Dito isso, temse que índices de preços são números que agregam e representam os preços de determinada cesta de produtos. Sua variação mede, portanto, a variação média dos preços dos produtos dessa cesta. Podem se referir, por exemplo, a preços ao consumidor, preços ao produtor, custos de produção ou preços de exportação e importação10. O IGPM[11], segundo informa a Fundação Getúlio Vargas, registra a inflação de preços de matériasprimas agrícolas e industriais, e bens e serviços finais. Não obstante seja um índice geral está abarcado pela previsão da Lei nº 10.192/2001 para os contratos da espécie, como retrocitado. Entre os índices de preços este é o que é concebido com a maior carga de ponderação, eis que é composto com pesos diferenciados do Índice de Preços no AtacadoIPA (60%), Índice de Preços ao ConsumidorIPC (30%) e Índice Nacional de Custo da Construção CivilINCC (10%). Os índices que o integram, IPA e o INCC, por sua vez, são compostos por subíndices e grupos, respectivamente. Pelos fundamentos acima, convençome de que o reajuste dos contratos efetuados pelo IGPM cumpre o ditame do art. 109, não desnaturando o caráter de preço 10 Fonte: Banco Cenral do Brasil. http://www4.bcb.gov.br/pec/gci/port/focus /FAQ%202 %20%C3%8Dndices%20de%20Pre%C3%A7os%20no%20Brasil.pdf.<acesso em 30.10.2013.> 11 O IGPM é uma média ponderada de outros índices: o IPA, com peso de 60%, o IPC, com peso de 30%, e o INCC, com peso de 10%. A definição dos pesos, estabelecida quando da implantação do cálculo do índice, foi justificada com base no objetivo de reproduzir aproximadamente o valor adicionado de cada setor (atacado, varejo e construção civil) no PIB. O IPA é um índice de preços no atacado de abrangência nacional. Além do índice geral, o IPA desdobrase em outros subíndices, divididos em dois conjuntos: ∙ segundo a origem de produção: agropecuários, com peso de 24,2%, e industrial, com peso de 75,8%; ∙ segundo estágios de processamento: bens finais (36,0%), bens intermediários (39,9%), e matériasprimas brutas (24,2%); Sua pesquisa de preços desenvolvese diariamente, cobrindo sete das principais capitais do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília. O índice geral é composto por sete grupos: alimentação; habitação; vestuário; saúde e cuidados pessoais; educação; leitura e recreação; transportes e despesas diversas. A cesta de consumo, a partir da qual se definiram os bens incluídos no índice e sua respectiva ponderação, foi selecionada da Pesquisa de Orçamentos Familiares POF, elaborada pelo IBRE no biênio 2002/2003 O INCC mede a evolução mensal de custos de construções habitacionais, a partir da média dos índices de sete capitais (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Porto Alegre e Brasília). A lista de itens componentes do INCC e respectivos pesos atualizados é feita com base em orçamentos de edificações previstas pela ABNT (materiais e equipamentos, serviços e mãodeobra). Além do índice geral, o INCC desdobrase em dois grupos: mãodeobra (16 itens) e de materiais, equipamentos e serviços (51 itens). Fl. 490DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 predeterminado e alinhome às decisões judiciais na matéria[12] e as no âmbito desta Corte, conquanto suas conclusões tenham se ancorado em outros fundamentos e premissas. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, para reconhecer que os preços do fornecimento de bens e serviços, pelo IGPM, de contratos firmados antes de 31 de outubro de 2003, com prazo superior a 1 (um) ano, reajustados pelo IGPM, não perdem o seu caráter de preço predeterminado. Sala das sessões, 26 de março 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa 12 TRF 3ª Região. AMS 200561000030246. DJ 06/12/2007, TRF 4ª Região. AMS 200572000072027. DJ 15/05/2007, TRF 3ª Região. AG 234522.DJU 21/03/2007, TRF 1ª Região. REOMS 200536000125322. DJ 9/3/2007. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 11080.935111/200959 Acórdão n.º 3803005.980 S3TE03 Fl. 487 11 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/05/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 16327.721234/2011-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008
ARRENDAMENTO MERCANTIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO.
Conforme entendimento assentado pelo STF (RE no 592.905/SC), em questão de reconhecida Repercussão Geral, a partir das disposições da Lei Complementar no 116/2003, o arrendamento mercantil constitui prestação de serviço.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal.
Numero da decisão: 3403-002.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa deste acórdão. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leandro Bettini, OAB/DF no 34.515.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 ARRENDAMENTO MERCANTIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. Conforme entendimento assentado pelo STF (RE no 592.905/SC), em questão de reconhecida Repercussão Geral, a partir das disposições da Lei Complementar no 116/2003, o arrendamento mercantil constitui prestação de serviço. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício de que trata o art. 44 da Lei no 9.430/1996, por carência de base legal. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa deste acórdão. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, que negou provimento na íntegra. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leandro Bettini, OAB/DF no 34.515. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 34 /2 01 1- 11 Fl. 759DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente processo sobre Autos de Infração (lavrados em 27/9/2011 – fls. 94 a 98, e 114 a 1181) para exigência de créditos tributários referentes à COFINS e à Contribuição para o PIS/PASEP, relativas a fatos geradores ocorridos entre 31/7/2006 a 31/12/2008, acrescidos de juros de mora e de multa de ofício. No Termo de Verificação Fiscal (fls. 80 a 85, e 100 a 105), narrase que a recorrente impetrou o Mandado de Segurança no 2006.61.00.0016886, buscando recolher as referidas contribuições somente sobre receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços, afastando a aplicação do caput e do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998. O TRF da 3a Região Fiscal entendeu superada a discussão sobre a base de cálculo das contribuições, em face da manifestação do STF no RE no 346.084/PR, que declara a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, por ampliação do conceito de faturamento. A fiscalização alega que as rendas decorrentes da intermediação financeira efetuada pelas instituições financeiras, como a recorrente, se referem a atividades típicas, traduzidas na prestação de serviços, e que o provimento jurisdicional afasta a aplicação do § 1o, mas não do caput do art. 3o da Lei no 9.718/1998. Assim, a recorrente poderia excluir, na apuração das contribuições, somente as receitas não operacionais. Cientificada das autuações em 27/09/2011 (fls. 95 e 115), a empresa apresenta impugnação em 26/10/2011 (fls. 121 a 143). Na impugnação, alegase que a matéria é objeto do questionamento judicial, que trata das receitas que não decorram diretamente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, e que os autos de infração devem ser cancelados, por se fundarem em interpretação equivocada da decisão judicial. Afirma ainda a recorrente que as receitas de arrendamento mercantil não se caracterizam como receitas de prestação de serviços (mas como remuneração de capital), fundada em precedente do STF (RE no 116.121/SP), que caracteriza os serviços pela existência de obrigação de fazer relacionada a esforço humano que gere utilidade material ou imaterial a terceiro. Acrescenta que a Lei Complementar no 116/2003 não enquadrou tais receitas como prestação de serviços para fins de tributação pelo ISS (o que não se coaduna com conceituação diversa exclusivamente para fins de tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS). E conclui que a ampliação do conceito de faturamento para abarcar a atividade da empresa ofende ainda o art. 110 do CTN. Em relação ao entendimento da fiscalização de que as receitas auferidas pela recorrente são operacionais, esta defende, alicerçada em parecer de jurista, que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras no exercício de suas atividades típicas não configuram faturamento. Especificamente em relação às operações de arrendamento mercantil, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 760DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Acórdão n.º 3403002.918 S3C4T3 Fl. 760 3 sustenta a recorrente que também não há prestação de serviço, pois o arrendatário recebe o bem pagando uma prestação pelo seu uso, podendo ao final exercer o poder de compra. Sustenta por fim a recorrente que a exigibilidade do crédito está suspensa em função da ação judicial, não podendo ser exigida a multa de ofício, tampouco juros sobre o valor desta. No julgamento de primeira instância, efetuado em 27/2/2012, resumese (fls. 322 e 323) o andamento do processo judicial (MS no 2006.61.00.0016886). Na sentença, proferida em 4/9/2006, assegurase à recorrente o direito de “não recolher a COFINS e PIS sobre as receitas que não resultaram da venda de mercadoria, prestação de serviço ou combinação de ambos, conforme previsto no § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, bem como em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 02/1999 (COFINS) e 01/2000 (PIS) para posterior e eventual exercício do direito à compensação, observada a prescrição quinquenal”. No acórdão prolatado pelo TRF da 3a Região, fazse referência à declaração, pelo STF (RE no 346.084/PR), da inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei no 9.718/1998, sem adentrarse à discussão de serem ou não as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras e equiparadas suscetíveis de integrar a base de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP. A recorrente, ao ingressar em juízo, não questionou especificamente sobre as receitas decorrentes de arrendamento mercantil. Tais atividades são reguladas pela Lei no 6.099/1974, e são consideradas como serviços (e tributadas com o ISSQN) pela Lei Complementar no 116/2003 (Lista Anexa, item 15.09), e pelo STF (Pleno, RE no 547.245/SC). Acrescenta o julgador a quo que as receitas financeiras de instituições financeiras têm natureza de serviços, como endossa o teor do Parecer PGFN/CAT no 2.773/2007 (por sua vez apoiado no Anexo 5 do Acordo sobre Serviços Financeiros do Acordo Geral sobre Comércio de Serviços GATS e no Código de Defesa do Consumidor). O julgador a quo mantém ainda a multa de ofício, por não estar comprovadamente suspensa a exigibilidade dos créditos tributários, e, apesar de a situação não se manifestar nos presentes autos, informa sobre o cabimento da aplicação de juros de mora sobre multa de ofício. Cientificada do resultado do julgamento em 22/3/2012 (AR de fls. 335), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 16/4/2012 (fls. 337 a 369), defendendo que: (a) o provimento obtido em juízo pela recorrente é no sentido de inclusão na base de cálculo das contribuições tão somente das receitas auferidas em decorrência direta da venda de mercadorias, da prestação de serviço ou de ambos; (b) portanto, a decisão judicial contempla a matéria discutida administrativamente (na petição inicial, apesar de não se fazer remissão expressa ao arrendamento mercantil, sua equiparação às receitas financeiras é óbvia); Fl. 761DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 (c) o STF já se posicionou sobre o conceito de serviço no RE no 116.121/SP, ao tratar da incidência de ISS na locação de guindastes, no qual definiu que somente há uma prestação de serviço quando se verificar uma obrigação de fazer relacionada a um esforço humano, que gere utilidade material ou imaterial a terceiro; (d) a Lei Complementar no 116/2003 não enquadrou as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras ou equiparadas como prestação de serviços para fins de tributação pelo ISS (não comportando o ordenamento jurídico conceituações diversas para um mesmo instituto em razão de suas diferentes utilizações); (e) o arrendamento mercantil não se confunde com a prestação de um serviço, e nem mesmo o eventual pagamento pelo exercício da opção de compra do bem pode ser considerado como receita de venda de mercadoria; (f) é inaplicável a utilização do Código de Defesa do Consumidor e do GATS na conceituação de serviços para fins tributários; (g) estando a exigibilidade do crédito suspensa em função da ação judicial, e não tendo ocorrido infração, não pode ser exigida a multa de ofício; e (h) os juros de mora não incidem sobre a multa de ofício e, mesmo não estando relacionados na autuação, são objeto de exigência na fase de execução administrativa do acórdão. Por meio da Resolução no 3.403000.406, de 27/11/2012, esta turma demandou a baixa em diligência (por voto de qualidade, vencido este relator), para que fosse intimada a recorrente a, no prazo de 15 (quinze) dias, (1) informar por escrito sobre a percepção, no período autuado, de receitas originadas de contratos de leasing operacional, como tal considerada a modalidade disciplinada pela Resolução BACEN no 2.309/96, artigo 6o; e (a2) comprovar, mediante sua escrituração contábil, ou por meio de outros elementos idôneos, o montante das receitas referidas no item anterior em cada período mensal de apuração da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS compreendidos na autuação. De posse das informações e documentos obtidos, a DRF de origem deveria preparar relatório circunstanciado, a fim de demonstrar, mês a mês, a decomposição da base de cálculo objeto da autuação segundo a modalidade de arrendamento mercantil originadora, classificando as respectivas receitas entre (i) receitas de leasing operacional e (ii) receitas de leasing financeiro / leaseback. Concluídos estes procedimentos, a autoridade de origem daria ciência à recorrente do conteúdo do relatório elaborado, facultandolhe manifestação em 10 (dez) dias, devendo ser os autos posteriormente remetidos a este colegiado para conclusão do julgamento. No Relatório de Diligência Fiscal de fls. 735/736 (cientificado à recorrente em 20/01/2014), informase que não foi possível atender ao determinado pela Resolução no Fl. 762DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Acórdão n.º 3403002.918 S3C4T3 Fl. 761 5 3.403000.406, pois a recorrente não consegue segregar as informações relativas a contratos de leasing operacional e de leasing financeiro / leaseback. A recorrente se manifesta sobre o Relatório de Diligência Fiscal no documento de fls. 738 a 740, no qual sustenta que: (a) comprovou a composição de suas receitas mensais por meio de escrituração contábil; (b) em razão de limitações sistêmicas, inviabilizouse a segregação das receitas oriundas de leasing operacional e leasing financeiro; (c) mesmo que todas as receitas sejam de leasing financeiro (e, adotandose o RE no 592.905), a base de cálculo é ilíquida e incerta, pois o contrato de arrendamento é complexo (devendo a base de cálculo ser restrita ao valor das contraprestações, excluindose o valor residual garantido, seguro obrigatório e juros). É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O contencioso no presente processo se resume à identificação ou não da atividade de arrendamento mercantil como prestação de serviço. Sendo o arrendamento mercantil uma prestação de serviço, o pleito judicial não ampararia a recorrente, e não haveria que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário, cabendo a aplicação de multa de ofício. Não constituindo o arrendamento mercantil uma prestação de serviço, suspensa estaria a exigibilidade do crédito tributário, e incabível seria a multa de ofício aplicada. Por fim, apresentase questão adicional referente ao cabimento ou não da aplicação de juros de mora sobre multa de ofício. A seguir, analisase detalhadamente cada um desses tópicos. Arrendamento mercantil e prestação de serviço A conceituação de arrendamento mercantil pode ser encontrada no parágrafo único do art. 1o da Lei no 6.099/1974 (com a redação dada pela Lei no 7.132/1983): “Considerase arrendamento mercantil, para os efeitos desta Lei, o negócio jurídico realizado entre pessoa jurídica, na qualidade de arrendadora, e pessoa física ou jurídica, na qualidade de arrendatária, e que tenha por objeto o arrendamento de bens adquiridos pela arrendadora, segundo especificações da arrendatária e para uso próprio desta.” A conceituação de serviços, por sua vez, pode ser obtida a partir da Lei Complementar no 116/2003, que dispõe sobre o imposto sobre serviços de qualquer natureza (ISSQN): Fl. 763DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 “Art. 1o O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador a prestação de serviços constantes da lista anexa, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador. (...) § 2o Ressalvadas as exceções expressas na lista anexa, os serviços nela mencionados não ficam sujeitos ao Imposto Sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS, ainda que sua prestação envolva fornecimento de mercadorias. (...) § 4o A incidência do imposto não depende da denominação dada ao serviço prestado. Art. 2o O imposto não incide sobre: (...) III o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras.” (grifo nosso) A lista anexa à Lei Complementar no 116/2003, que relaciona os serviços sobre os quais incide o ISSQN apresenta, em seu item 15, os serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, nos quais inclui expressamente o arrendamento mercantil de quaisquer bens: “15 Serviços relacionados ao setor bancário ou financeiro, inclusive aqueles prestados por instituições financeiras autorizadas a funcionar pela União ou por quem de direito. (...) 15.09 Arrendamento mercantil (leasing) de quaisquer bens, inclusive cessão de direitos e obrigações, substituição de garantia, alteração, cancelamento e registro de contrato, e demais serviços relacionados ao arrendamento mercantil (leasing).” (grifo nosso) Não se vê, assim, controvérsia significativa sobre a matéria. A Lei Complementar explicitamente relaciona como serviço o arrendamento mercantil. Entendese improfícua, a partir do exposto, a busca analógica do conceito de serviços para fins tributários internos no GATS ou no Código de Defesa do Consumidor, pois a própria Lei Complementar que trata do ISSQN (cumprindo tarefa constitucionalmente atribuída art. 156, III da CF) apresenta elementos direcionadores para o deslinde do feito. O Supremo Tribunal Federal, no RE no 547.245/SC (já apresentado na decisão do julgador de primeira instância) e no RE no 592.905/SC (reproduzido abaixo), trilha o mesmo caminho: Fl. 764DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Acórdão n.º 3403002.918 S3C4T3 Fl. 762 7 “EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. DIREITO TRIBUTÁRIO. ISS. ARRENDAMENTO MERCANTIL. OPERAÇÃO DE LEASING FINANCEIRO. ARTIGO 156, III, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O arrendamento mercantil compreende três modalidades, [i] o leasing operacional, [ii] o leasing financeiro e [iii] o chamado leaseback. No primeiro caso há locação, nos outros dois, serviço. A lei complementar não define o que é serviço, apenas o declara, para os fins do inciso III do artigo 156 da Constituição. Não o inventa, simplesmente descobre o que é serviço para os efeitos do inciso III do artigo 156 da Constituição. No arrendamento mercantil (leasing financeiro), contrato autônomo que não é misto, o núcleo é o financiamento, não uma prestação de dar. E financiamento é serviço, sobre o qual o ISS pode incidir, resultando irrelevante a existência de uma compra nas hipóteses do leasing financeiro e do leaseback. Recurso extraordinário a que se dá provimento. 2” (grifo nosso) Destaquese que o Acórdão proferido em relação ao RE no 592.905/SC representa o julgamento de questão submetida a Repercussão Geral (reconhecida em 17/10/2008). Assim, no âmbito deste tribunal administrativo, por força do disposto no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009, com a redação dada pela Portaria MF no 586, de 21/12/2010), reproduzse integralmente o posicionamento da Suprema Corte. Inibese assim também eventual argumentação proveniente de entendimento doutrinário ou jurisprudencial que chegue a conceito diverso do explicitado na Lei Complementar. Tais entendimentos, para acolhida, demandariam considerar inconstitucional a norma da Lei Complementar, o que não é expressamente suscitado pela recorrente, mas mesmo que o fosse encontraria limitação neste tribunal administrativo, em função do disposto na Súmula CARF no 2. Assentado que o arrendamento mercantil constitui prestação de serviço, decorre que a decisão judicial que ampara a recorrente não abarca a matéria discutida nos autos de infração para exigência de COFINS e de Contribuição para o PIS/PASEP, visto que não exclui a receita de prestação de serviços da base de cálculo das referidas contribuições. A diligência buscava possibilitar à recorrente um detalhamento das modalidades de arrendamento praticadas, para melhor enquadramento ao precedente do STF. Contudo, restou frustrado tal objetivo, pois a recorrente expressamente afirma que não consegue segregar as informações relativas a contratos de leasing operacional e de leasing financeiro / leaseback. Ao se manifestar sobre o relatório de diligência, a recorrente confirma a impossibilidade de segregar as informações relativas a contratos de leasing operacional e de leasing financeiro / leaseback, passando a propugnar pelo desmembramento das receitas do leasing (ainda que todo financeiro) excluindose o valor residual garantido, seguro obrigatório e juros (matéria não tratada no recurso voluntário apresentado). 2 STF, Pleno, RE 592905, Relator Min. EROS GRAU, maioria, julgado em 02/12/2009, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe040 DIVULG 04032010 PUBLIC 05032010 EMENT VOL0239205 PP00996 LEXSTF v. 32, n. 375, 2010, p. 187204 JC v. 36, n. 120, 2010, p. 161179. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 Nem a decisão do STF (com repercussão geral reconhecida) nem a Lei Complementar no 116/2003 (que relaciona os serviços sobre os quais incide o ISSQN item 15.09) fazem (ou sugerem admitir) tal detalhamento (inauguralmente proposto em sede de manifestação sobre diligência) para fins de exclusão do conceito do serviço de arrendamento, como um todo. Cabível, então, a exigência do crédito tributário lançado na autuação, acrescido da multa de ofício, pois o montante que deixou de ser pago não estava com exigibilidade suspensa. Da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 8.981/1995, em seu art. 82, tratou de acréscimos moratórios, referindose somente a tributos e contribuições: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: (...)” (grifo nosso) (A Lei no 9.065, de 1995, em seu art. 13, dispõe que a Taxa será a SELIC) A Lei no 9.430/1996, não parece ter trilhado caminho diferente, estabelecendo, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, Fl. 766DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Acórdão n.º 3403002.918 S3C4T3 Fl. 763 9 serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a Fl. 767DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso, e o exegeta não pode alargar o comando da lei para impor ônus ao sujeito passivo da obrigação. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo reiteradamente adotada por esta Turma (v.g. Acórdãos no 3403002.367, de 24/07/2013; no 3403002.585, de 26/11/2013, no 3403002.634, de 27/11/2013; e no 3403002.891, de 27/03/2014). Da mesma forma já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais3, em caso semelhante ao presente, no qual a matéria sequer era manifestada na autuação. Conveniente, para maior compreensão, transcrever excertos do voto vencedor: “Em primeiro lugar, há de se examinar a questão de a (sic) possibilidade ou não de se conhecer da matéria ‘atualização da multa de oficio’. Segundo o ilustre e competente relator, a matéria diz respeito à execução do acórdão, não sendo ‘lícito as instancias judicantes administrativas examinarem recursos dos sujeitos passivos contra a execução do acórdão’. A priori, sobre a questão de ‘conhecer ou não da matéria’ devemos nos lembrar que no processo administrativo fiscal há certa tolerância em relação à observação de formalidades. Se a cobrança de juros sobre multa é ato comum da administração quando da execução dos julgados, calarse sobre isso sob o argumento de que não faz parte do lançamento pode deixar a contribuinte sem instrumento na instância administrativa para se defender de uma cobrança por ela reputada, em desconformidade com a lei e, portanto, ilegal. Cabe lembrar que a função administrativa não é exercida por interesse da autoridade administrativa, e sim, no cumprimento de um dever jurídico de aplicar a lei, isto é, de investigar e decidir se a lei está sendo corretamente obedecida pelo seu administrado, no caso, a contribuinte. No mais, faz parte do direito de petição, garantia constitucional. E o direito de obter do Poder Público a manifestação sobre o que lhe for indagado. Demais disso, em respeito ao principio da economia processual, se a questão pode ser enfrentada de pronto, não há motivo para que se aguarde outro momento para fazêlo (vide Ac. 10194.442). [...] Em direito tributário, quando falamos em juros, estamos a nos referir aos moratórios, que consistem em uma indenização pelo atraso no pagamento de uma divida. Ou seja, a Fazenda Pública, que tinha previsão de receber o pagamento do tributo, ficou privada da utilização dessa importância que permaneceu, indevidamente, em poder do contribuinte. Em decorrência do 3 CSRF, Segunda Turma, Acórdão 0203.133, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, maioria, Sessão de 05.mai.2008. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 16327.721234/201111 Acórdão n.º 3403002.918 S3C4T3 Fl. 764 11 retardamento do pagamento, deve a Fazenda Pública ser remunerada por meio da aplicação dos juros moratórios, aplicados na forma que a lei assim dispuser. No entanto, em relação à multa de oficio, esqueceuse o legislador de disciplinar a matéria (Lei n. 9.430/96). [...] 0 artigo 61 da Lei n. 9.430/96 prevê a incidência de juros sobre ‘os débitos a que se referem o artigo’, ou seja, o valor principal do tributo, de acordo com o caput do artigo. Não há, portanto, guarida na legislação para que a administração exija juros sobre a multa de oficio quando da cobrança do crédito tributário”. Acolhese então a argumentação da recorrente pela inaplicabilidade dos juros de mora sobre as multas de ofício, no presente processo. Assim, dáse provimento parcial ao recurso voluntário tãosomente para afastar a aplicabilidade dos juros de mora sobre as multas de ofício, mas tal provimento parcial não afeta (nem parcialmente) o montante constituído nas autuações, destinandose apenas a garantir que na fase de execução administrativa seja cumprida fielmente a decisão exarada no acórdão deste colegiado. Pelo exposto, voto pela procedência parcial do recurso voluntário, mantendo se integralmente as autuações, mas afastando eventual exigência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de execução administrativa deste acórdão. Rosaldo Trevisan Fl. 769DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por ROSALDO TREVISAN
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