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Numero do processo: 10880.020406/99-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01.
COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO.
O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos.
Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO.
Declaração de compensação deve, para ser considerada homologada, atender ao que determinam os art. 170 e 170-A do CTN, bem como legislação tributária específica.
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA.
Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento pronunciar-se sobre matéria relativamente à apreciação de compensação havida por não declaradas.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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COMPENSAÇÃO Recorrente ESPORTE CLUBE PINHEIROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre a mesma matéria, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF nº 01. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. PROVA DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. O artigo 170 do CTN prescreve que a lei pode autorizar a compensação de tributos, desde que os supostos créditos sejam líquidos e certos. Não havendo a certeza ou liquidez do crédito, que deve ser demonstrada pela interessada conforme procedimentos previstos na legislação infra legal, não é possível a compensação de tributos. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Declaração de compensação deve, para ser considerada homologada, atender ao que determinam os art. 170 e 170A do CTN, bem como legislação tributária específica. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Não compete às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento pronunciarse sobre matéria relativamente à apreciação de compensação havida por não declaradas. Recurso Voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 02 04 06 /9 9- 17 Fl. 1629DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Gilberto Moreira de Castro Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Tatiana Midori Migiyama e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório O presente litígio decorre de pedido de restituição e compensação, apresentado em 14/07/1999 (efls. 8/ss), da Contribuição para o PIS em decorrência de supostos créditos discutidos no bojo de ação judicial não transitada em julgado (processo nº 1999.61.00.0242521 no TRF da 3ª Região), onde o contribuinte pleiteia junto ao Poder Judiciário o reconhecimento do direito de restituir/compensar os valores recolhidos de PIS – folha de pagamento por entendêla indevida às instituições sem fins lucrativos, até o advento da Lei nº 9.715/98 (efls. 274). Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Cuida o presente processo de pedido, protocolizado em 14/7/1999 (fls. 1 a 3), de restituição/compensação de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), no valor de R$1.573.787,85 — que foi retificado, em 16/8/1999, para R$1.860.598,49 (fls. 154) —, relativamente a pagamentos realizados a maior de PIS — segundo alega o interessado —, nos períodos de agosto de 1989 a fevereiro de 1999, consoante o que se apresenta às fls. 44 a 99 (código da Receita 8301, é dizer, PIS — FOLHA DE PAGAMENTO). Concernentes aos mesmos supostos créditos do interessado frente à Fazenda Nacional, posteriormente, outros pedidos de restituição/compensação foram apresentados: em 15/9/1999 (fls. 136 e 137); em 15/10/1999 e 18/10/1999 (fls. 140 e 141); em 12/11/1999 (fls. 143 e 144); em 15/12/1999 (fls. 146 e 148); em 9/6/2000 (fls. 151); em 14/1/2000 (fls. 152); em 15/2/2000 (fls. 153); em 16/8/1999 (fls. 155 e 156); em 5/71/2000 (fls. 158); em 17/7/2000 (fls. 159); em 12/5/2000 (fls. 160); em 12/4/2000 (fls. 161); em 14/3/2000 (fls. 162); em 10/11/2000 (fls. 163); em 10/10/2000 (fls. 165); em 12/12/2000 (fls. 170); em 9/2/20001 (fls. 172); em 2/3/2001 (fls. 174); em 10/1/2001 (fls. 176); em 11/4/2001 (fls. 178); em 9/8/2001 (fls. 211); em 8/5/2001 (fls. 215); em 12/6/2001 (fls. 218); em 5/7/2001 (fls. 222); em 4/9/2001 (fls. 224); em 2/10/2001 (fls. 226); em 8/11/2001 (fls. 228); em 5/12/2001 (fls. 230); em 9/1/2002 (fls. 232); em 5/2/2002 (fls. 234); em 5/3/2002 (fls. 237); em 4/4/2002 (fls. 240); em 6/5/2002 (fls. 243); em 5/6/2002 (fls. 246); em 3/7/2002 (fls. 249); em 5/8/2002 (fls. 252), ern 4/9/2002 (fls. 255); em 4/10/2002 (fls. 258); em 5/11/2002 (fls. 261); em 7/8/2000 (fls. 270); bem como relativos aos processos apensados de n.° 11831.007759/2002 27, protocolizado em 5/12/2002 (fls. 642); de n.° 11831.000215/200315, em Fl. 1630DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10880.020406/9917 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 2.495 3 13/1/2003 (fls. 573); de n.° 11831.000820/200396, em 5/2/2003 (fls. 627); de n.° 11831.001497/200378, em 6/3/2003 (fls. 647); de n.° 11831.002215/200350, em 2/4/2003 (fls. 667), e de n.° 11831.003139/200308, em 6/5/2003 (fls. 657). Ademais, foram apresentados PER/DCOMP consoante disposto as fls. 283 a 284. Consta, ainda, que há processo (de n.° 1999.61.00.0242521), no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em que o interessado pleiteia o reconhecimento do direito, dentre outros, de compensar créditos que afirma possuir — vide petição As fls. 100 a 134 —, [...] decorrentes do pagamento indevido do PIS alusivo aos fatos geradores verificados até janeiro de 1999, inclusive, como comprovado nos autos, face a mesma Contribuição ao PIS vincenda [fls. 134], vez que alega que [...] essa cobrança fezse, data venha, francamente indevida até os fatos geradores de fevereiro de 1999 [fls. 100]. Eis que, para tal processo, foi proferida sentença, mas carece do trânsito em julgado (fls. 704). 2. Por meio de Despacho Decisório As fls. 285 a 294, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort), da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Sao Paulo (Derat), decidiu: i) indeferir os pedidos de restituição e de compensação apresentados; ii) não homologar as declarações de compensação que foram apresentadas até 30/12/2004; iii) haver por não declaradas as compensações apresentadas após essa data. 2.1. Eis, a seguir, o que se destaca do referido Despacho Decisório, ipsis verbis: SOBRE AS COMPENSAÇÕES E A NECESSIDADE DO TRANSITO EM JULGADO DA AÇÃO JUDICIAL 12. O interessado [...] buscou assegurar, no Poder Judiciário, o direito à restituição/compensação. [...] 14. Porém, o ordenamento jurídico não contempla a dualidade de jurisdição, não podendo haver, sob nenhuma hipótese, a sobreposição da decisão administrativa à sentença judicial [...] 15. O exercício dessa faculdade [a que alude o item 12 imediatamente acima] produz como efeito processual obrigatório a perda do direito a litigar na esfera administrativa, ou seja, importa renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa. [...] Assim, não cabe decisão administrativa cujo mérito verse exclusivamente sobre matérias sub judice e que se encontrem pendentes de julgamento na esfera judicial. 20. [...] a compensação visada pelo contribuinte, de supostos créditos de PIS com a própria contribuição devida em períodos posteriores, somente poderia ser confirmada ou não, em decorrência do pronunciamento judicial, após o trânsito em julgado, quando, então, haveria de ser comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente Enquanto não cumprido esse requisito, não pode ocorrer o reconhecimento da extinção do crédito tributário por compensação. DA NÃO CONVERSÃO DOS PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO EM DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO 21. No caso em concreto, os pedidos de compensação de supostos créditos tributários advindos de decisão judicial não transitada em julgado, utilizados para compensar débitos tributários não se transformam em DCOMP 22. O Parecer PGF/CDA/CAT n° 1.499/05 aborda muito bem o assunto [...]. 23. Inexistindo conversão em declaração de compensação dos pedidos de compensação que têm por objeto [...] crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado [...], não há que se falar em homologação tácita de Fl. 1631DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 4 compensações que envolvam referidos créditos, mas sim em deferimento ou indeferimento pela RFB desses Pedidos de Compensação. 3. Irresignado com o proferido no Despacho Decisório as fls. 285 a 29 em 12/6/2008, foi regularmente cientificado (fls. 296), encaminhou o interessado manifestação de inconformidade As fls. 385 a 421, protocolizada em 10/7/2008. 3.1 No que toca à manifestação de inconformidade as fls. 385 a 421, cabe ressaltar o seguinte, ipsis verbis: 9. [...] o contribuinte pretendeu valerse da possibilidade que lhe era deferida pela redação original do artigo 74 da lei 9.430/96, de postular diretamente perante a própria Administração o reconhecimento do direito à compensação postulada, ao mesmo tempo em que exercia seu direito de impetrar mandado de segurança para receber proteção judicial ao encontro de contas. 11. Se reconhecido esse direito creditício pela Administração na forma postulada, o mandado de segurança naturalmente perderia o objeto, o que importaria em solução consensual para o litígio e em economia processual no âmbito judicial. [...] 12. [...] nada impediria, notadamente quando da propositura do presente pedido de restituição por via de compensação, que a própria Administração reconhecesse o indébito independentemente da decisão judicial, desde logo e a requerimento do contribuinte como procedido [...] 45. Rogase [...] abstenhamse V.Sas. de representar à DRF de Fiscalização em Silo Paulo para fins de imposição da multa isolada quanto às compensações consideradas "não declaradas". [...] 55. [...] não seria cabível que o recorrente, tendo formalizado o presente processo à luz do direito vigente em meados de 1999, houvesse de ser surpreendido pela aplicação da legislação superveniente, até mesmo com relação aos pedidos de compensação formalizados antes de janeiro de 2001, como aqui ocorreu [...] [...] 57. não se pode, data vênia, opor ao contribuinte o óbice de que a ação judicial ainda não transitou em julgado como impeditivo à apreciação do mérito do pedido e, mas ainda, para indeferilo, e por conseguinte rejeitar as compensações pretendidas [.. .]. No presente caso, a ação judicial, tanto quanto o presente pedido, foram propostos em 1999, e o artigo 170A é ulterior, de 2001, tanto mais o sendo os demais dispositivos da legislação tributária que estabeleceram esse impeditivo. 58. Outra não há de ser a sorte da aposição de "compensação não declarada", concessa vênia, com lastro no § 12°, inciso II, alínea "d" do artigo 74 da lei 9.430/96, exatamente porque esse dispositivo somente sobreveio para a contar de janeiro de 2005 (lei 11.051/04DOU de 30.12.2004, em seu artigo 4°), sendo notório, a luz das razões acima, que não poderia alcançar processo com pedido inicial formalizado em meados de 1999, vale dizer, cerca de cinco anos e meio antes disso. 59. 0 mesmo se diga do § 4° do artigo 18 da lei 10.833/03 (que alude a aplicação de multa isolada para as compensações versadas no inciso II do § 12° do artigo 74 da lei 9.430/60), o qual também foi, por primeiro, introduzido em nosso ordenamento jurídico pela précitada lei 11.051, veiculada em 30 de dezembro de 2004 tão somente, ou seja, vários anos após o inicio dos processos administrativo e judicial em tela. 62. Outro ponto a abordar reside nos itens 21 e 22 do decisório recorrido, quando se afirma que os pedidos de compensação não se transformaram em DCOMP. Fl. 1632DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10880.020406/9917 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 2.496 5 [...] 66. Notese que a lei não distinguiu entre pedidos de compensação de certa origem frente a outros, procedentes ou, por hipótese de argumento apenas, improcedentes: todos foram convertidos em declaração de compensação [...] 72. [...] tanto os pedidos de compensação formalizados anteriormente a 1° de outubro de 2002, convertidos ex vi do § 4° do artigo 74 da lei 9.430/96 em declarações de compensação, quanto as próprias DCOMPs ofertadas posteriormente a essa data, e até 13 de junho de 2003, devem ser consideradas tacitamente homologadas [...]. [...] 74. Como a decisão sob recurso foi cientificada ao contribuinte em 13 de junho de 2008, todos os pedidos de compensação e DCOMPs protocolados ou enviados eletronicamente até 13 de junho de 2003 (cinco anos antes) devem ser considerados tacitamente homologados pelo transcurso do referido prazo [...] 81. [...] vigente com efeitos imediatos a medida judicial reconhecendo o direito à compensação, não pode o contribuinte ser penalizado, seja pela rejeição da compensação sob as variadas formas assinaladas no decisório, seja sobretudo pela imposição de multa isolada pelo encontro de contas, ainda que posterior a 30 de dezembro de 2004, o qual, hoje, encontrase judicialmente respaldado: o particular não pode, naturalmente, ser multado se se encontra ao abrigo de decisão judicial. 3.2. Por fim, requer o interessado que seja reformado o Despacho Decisório às fls. 285 a 294, para que: i) sejam apreciados os pedidos de restituição/compensação; ii) sejam homologadas as declarações de compensação; iii) sejam havidas por declaradas as demais compensações; iv) abstenhase a Administração Pública de protocolizar representação [...] para fins de aplicação da multa isolada de que trata o artigo 18, § 4° da Lei n.° 10.833, introduzido no ordenamento jurídico pela lei 11.051 publicada em 30 de dezembro de 2004, e com relação às DCOMPs ofertadas desde então. É o relatório. A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo proferiu o Acórdão n.º 1619.386 de 11 de novembro de 2008 (folhas e706/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Exercício: 1988, 1989, 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998, 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO DE SENTENÇA. IMPOSSIBILIDADE. DE APRECIAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. INDEFERIMENTO. Em relação à apreciação de pedido de restituição/compensação, descabe falarse, em sede de julgamento administrativo, em conhecerse matéria objeto de idêntico questionamento no âmbito judicial, em observância ao principio da unicidade de jurisdição, consagrado no inciso XXXV do art. 5° da Constituição Federal de 1988, assentado em legislação tributária especifica. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA DE TRANSITO EM JULGADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO. Fl. 1633DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 6 Declaração de compensação deve, para ser considerada homologada, atender ao que determinam os art. 170 e 170A do CTN, bem como legislação tributária especifica. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Descabe as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento pronunciaremse sobre matéria relativamente à apreciação de compensação havida por não declaradas. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E/OU ILEGALIDADE DE NORMAS TRIBUTÁRIAS. ÂMBITO ADMINSTRATIVO. Falece competência à autoridade administrativa julgadora para apreciar inconstitucionalidade ilegalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico pátrio. DECISÕES DOS ÓRGÃOS SINGULARES OU COLETIVOS DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. As decisões administrativas, mesmo quando proferidas por órgãos colegiados, ausente lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares da legislação tributária, não podendo ser estendidas genericamente a outros casos que não aquele objeto de sua apreciação; vinculando, dessa forma, apenas as partes envolvidas no respectivo litígio (ex vi art. 96 e art 100, II do CTN). Solicitação Indeferida A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – São Paulo em 01/12/2008 (efolha 2163) interpôs Recurso Voluntário em 11/12/2008 (efls. 2166/ss), onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. A controvérsia que restou para análise neste litígio referese à possibilidade de restituição/compensação de valores pagos a título do PIS – folha de pagamento pela Recorrente no período de agosto/1989 a fevereiro/1999 com valores vincendos da mesma contribuição. Ocorre que a interessada ingressou com ação judicial (processo nº 1999.61.00.0242521) onde discute justamente o reconhecimento do direito de restituir/compensar os valores recolhidos de PIS – folha de pagamento, sob o fundamento de que o tributo não poderia ser cobrado das instituições sem fins lucrativos, até o advento da Lei nº 9.715/98 (efls. 274). A citada ação judicial ainda não transitou em julgado, conforme atestei em consulta ao site do TRF da 3ª Região (www.trf5.jus.br), em 30/07/2014. Deste modo, como exaustivamente já argumentado tanto no Despacho Decisório como na decisão da DRJ – São Paulo não há como deferir o pedido da Recorrente. No mérito, entendo que o recurso não deve ser conhecido na esfera administrativa por haver identidade de matéria – direito à restituição/compensação dos valores Fl. 1634DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10880.020406/9917 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 2.497 7 recolhidos de PISfolha de pagamento e de partes, entre este processo administrativo e o processo judicial objeto de ação judicial impetrada pela Recorrente. Este é o teor da Súmula CARF No. 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Destarte, em face de existência da ação judicial deve prevalecer a opção efetuada pela via judicial, cumprindose o que lá foi decidido. Por outro lado, a ação judicial ainda não transitou em julgado, portanto, inexiste direito de crédito líquido e certo passível de compensação até o presente momento. A compensação de tributos é hipótese de extinção do crédito tributário (art. 156, inciso II, CTN), nos termos do que dispõe o artigo 170/CTN, verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Neste diapasão, a Lei nº 8.383/91, em seu artigo 66 estabeleceu as condições para a exclusão do crédito tributário por meio da compensação. A partir de 1996, a matéria passou a ser tratada pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, cujo art. 74 assim dispôs: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I previstas no § 3o deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II em que o crédito: a) seja de terceiros; b) refirase a "créditoprêmio" instituído pelo art. 1o do DecretoLei no 491, de 5 de março de 1969; c) refirase a título público; d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou e) não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF A IN SRF nº 21, de 10/03/1997, vigente à época dos fatos, estabelecia que os pedidos de compensação de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal SRF, bem assim os procedimentos administrativos a eles relacionados, seriam efetuados de conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa Fl. 1635DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA 8 (artigo 1º). O artigo 12, § 3º, desta Instrução Normativa prescrevia que os créditos, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, a serem compensados com débitos do contribuinte, devem ser formalizados com base em “Pedido de Compensação”. Por sua vez, o artigo 17 da Instrução Normativa, indicava que para efeito de compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deveria anexar ao pedido uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição ou a compensação. Por fim, o art. 170A do CTN, inserido pela Lei Complementar nº 104/01, veio espancar qualquer dúvida quanto à possibilidade de compensação de créditos ainda não transitados em julgados, verbis: Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Destarte, a meu ver, não restou comprovada a “certeza e liquidez” dos supostos créditos da Contribuição para o PIS, pleiteados pela Recorrente. Isto porque o Poder Judiciário não se manifestou de forma terminativa sobre o pleito do contribuinte, fazendo coisa julgada, de modo que o crédito discutido ainda não dispõe dos atributos de certeza e liquidez. Ademais, conforme muito bem destacado no voto vencedor do acórdão recorrido, “temse que, quanto aos pedidos de compensação apresentados pelo interessado até data anterior a 1°/10/2002 — data em que passou a vigorar o disposto no § 4º do art. 74 da Lei n.° 9.430/96, por conta da inclusão levada a cabo pelo art. 49 da Lei n.° 10.637/2002, ex vi o inciso I do art. 68 da Lei 10.637/2002 —, não foram convertidos em declarações de compensação, devendo ser tratados os pedidos de compensação em consonância com a legislação vigente até essa data (ex vi o caput do art. 170 do CTN; a redação original do art. 74 da Lei n.° 9.430/96; IN SRF n.° 21/97). Destarte, não havendo — como, de facto, foi verificado às fls. 282 e 704 —, desde o tempo da protocolização do pedido de compensação às fls. 1 a 3, decisão judicial definitiva a amparar as pretensões do interessado; consequentemente, não possuem os eventuais créditos a serem objeto de compensação os atributos de liquidez e certeza exigidos pelo disposto no caput do art. 170 do CTN”. Depreendese, portanto, que não há “crédito líquido e certo”, como prescreve o artigo 170/CTN, possível de ser compensado, uma vez que a Recorrente não obteve em definitivo o reconhecimento do indébito tributário junto ao Poder Judiciário. Deste modo, devese indeferir os pedidos de restituição/compensação apresentados até a data anterior a 1º/10/2002. Quanto às declarações de compensações apresentadas a partir de 1º/10/2002, até a data anterior a 30/12/2004, quando passou a vigorar o disposto na alínea "d" do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei n° 9.460/96, por conta da inclusão levada a cabo pelo art. 4° da Lei n° 11.051/2004, ex III do art. 34 da Lei 11.051/2004—, em observância ao disposto no § 4° do art. 7 9.430/96, devem ser tais declarações tratadas em consonância com a legislação vigente até data anterior a 30/12/2004. Destarte, estando as declarações de compensação sob a égide do que determina o art. 170A do CTN, bem como o disposto na IN SRF n° 210/2002 e na IN SRF n° 460/2004, devem ser tais declarações havidas por não homologadas. Em relação às compensações havidas por não declaradas, não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade, nos termos do que dispõem os §§ 12 e 13 do art. 74 da Lei n° 9.630/96, verbis: Fl. 1636DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 10880.020406/9917 Acórdão n.º 3202001.167 S3C2T2 Fl. 2.498 9 § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (...) § 13. O disposto nos §§ 2o e 5º a 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Ante o exposto, conheço parcialmente do Recurso posto que presentes os requisitos de admissibilidade, na parte conhecida voto por manter integralmente a decisão recorrida que indeferiu os pedidos de restituição/compensação apresentados, não homologou as declarações de compensação a que se converteram os pedidos de compensação e que houve por entender não declaradas as demais compensações. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 1637DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/09/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 10183.722093/2011-41
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
NULIDADE.
Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF).
O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Ad Hoc Designada
Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: VIVIANI APARECIDA BACCHMI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 NULIDADE. Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumpri-los ou impugná-los no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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Não há que se falar em nulidade em relação aos atos administrativos que instruem os autos, no case em foram lavrados por servidor competente com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilos ou impugnálos no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ATRASO NA ENTREGA DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS (DCTF). O atraso na entrega da DCTF pela pessoa jurídica obrigada enseja a aplicação da penalidade prevista na legislação tributária. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 20 93 /2 01 1- 41 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 107 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Redatora Ad Hoc Designada. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Ad Hoc Designada Composição do colegiado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Selene Ferreira de Moraes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrada a Notificação de Lançamento, fl. 42, com a exigência do crédito tributário no valor de R$30.573,25 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 15.05.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 08.01.2008. Consta Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos Fatos Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. Enquadramento Legal Art. 7º da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0518, com as alegações a seguir transcritas: 2. Do DIREITO 2.1 DA NULIDADE DA PRESENTE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO A Impugnante entende que não poderia subsistir a presente Notificação de Lançamento, uma vez que a multa aplicada revelase desproporcional, consoante veremos. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 108 3 A falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada não pode prosperar, na medida em que se consegue apurar o quanto que foi pago aos cofres públicos na oportunidade. A tentativa da Fazenda Federal em aplicar uma multa vinculada aos meses em atraso e o total do imposto devido ad;:ir>nò >o todas as cominações legais, não pode ser ratificada como uma pe alio de por descumprimento de obrigação acessória, pelo mero atraso no fornecimento das informações. Há que se indagar se é legítima a aplicação de multa por mero descumprimento de obrigação acessória de forma proporcional à obrigação principal correspondente. [...] Ilustre Julgador, a situação da Impugnante é clara: tratase de uma situação de entrega tardia da DCTF e que foi reparada antes de qualquer notificação ou iniciativa por parte do Fisco, de modo que até questionável se houve descumprimento de obrigação acessória. No entanto, e principalmente, não há que se falar em falta ou ausência de pagamento de imposto ou descumprimento de obrigação principal, visto que foram recolhidos todos os tributos declarados na DCTF em atraso. No âmbito do Direito Tributário, devese distinguir a obrigação principal da acessória, por serem obrigações de naturezas distintas e com objetos distintos. A obrigação tributária principal corresponde a um dever do sujeito passivo que encerra uma obrigação de dar, cujo objeto é o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, ou seja, sua prestação consiste na entrega de dinheiro ao Estado, que se extingue juntamente com o crédito decorrente dessa obrigação. É, portanto, uma prestação de natureza nitidamente patrimonial, pois implica o recolhimento de seu valor pecuniário aos cofres públicos. Já a obrigação tributária acessória revela uma prestação de cunho não patrimonial, decorrente da legislação tributária, tendo por objeto os chamados deveres instrumentais, sem conteúdo patrimonial, ou seja, as prestações positivas ou negativas previstas na legislação tributária no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo, podendo as mesmas estar consubstanciadas num fazer, não fazer ou tolerar como, por exemplo, prestar declarações, emitir nota fiscal, escriturar livros, entre outros. Traduz, então, uma obrigação cujo objeto é o cumprimento de uma prestação diferente do pagamento, abrangendo todas as prestações exigidas na legislação tributária, com exceção daquelas referentes à prestação pecuniária que, conforme já salientado, é tida como obrigação tributária principal [art. 113 e art. 115 do Código Tributário Nacional]. [...] Da leitura conjunta desses dois artigos temse que obrigação acessória existe, via de regra, em função da obrigação principal, servindo para registrar a ocorrência do fato jurídico tributário e assim fornecer à Autoridade Autuante os elementos necessários para a sua atuação. São meros deveres instrumentais. Pois bem, se a obrigação acessória deve ser satisfeita no interesse do cumprimento da obrigação principal, é evidente que, uma vez cumprida a obrigação principal, a obrigação acessória perde muito da sua relevância, não podendo o seu descumprimento ser tratado como se fosse o descumprimento da própria obrigação principal. [...] Fl. 108DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 109 4 Assim, a Fazenda Pública utilizase de uma base de cálculo vinculada às obrigações principais para exigir uma multa proporcional por descumprimento exclusivo de obrigação acessória. Conforme se verificou pela excelente doutrina transcrita, esta pretensão é inadmissível. Ressaltese que, nenhum dano foi causado ao erário vez que adimplida a obrigação principal, devendo a multa ser cominada de forma proporcional ao prejuízo causado ao Fisco. Além disso, não pode prosperar uma multa proporcional calculada sobre o valor da obrigação principal da Impugnante. [...] Ademais, o Princípio da Razoabilidade está implícito na Constituição Federal e explícito no artigo 2 o , parágrafo único, inciso VI da Lei Federal n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo federal. O referido princípio visa proibir o excesso e objetiva aferir a compatibilidade entre os meios e os fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas por parte da Administração Pública. [...] Está claro, no presente caso, que não houve qualquer prejuízo financeiro causado ao Erário Público. Em momento algum a Impugnante deixou de recolher o tributo devido. Repitase: não tendo havido prejuízo material à Fazenda Pública, uma vez que não se trata de falta de recolhimento de tributo devido é flagrantemente desarrazoado e desproporcional o valor da multa aplicada. Nesse sentido, conforme se demonstrou exaustivamente, é evidente que a referida multa deve ser relevada pelo Ilustre Julgador. Ou ainda, que a exigência pelo pagamento da multa seja realizada de maneira proporcional. 2.2. Da Diminuição Proporcional da Multa A Medida Provisória 16/2001 foi convertida na Lei n° 10.426/2002, cujo artigo 7o estabelece: [...] Observase que o dispositivo, ao mesmo tempo em que comina multa, desarrazoada e desproporcional, vinculada aos meses em atraso e ao total do imposto, também prevê a aplicação de penalidade mais branda, no valor de R$ 500,00. Aplicável, portanto, a multa prevista no § 3 o , inciso II, do dispositivo em apreço, posto que a lei tributária que comina penalidades deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, caso haja dúvida quanto à graduação da multa aplicável, consoante o dispõe o art. 112 do CTN. Importante frisar que caso o contribuinte, de forma evasiva, apresentasse a declaração com valores inferiores aos dos tributos efetivamente apurados, receberia penalidade mais branda ou, até mesmo, a pena m ma quando comparado ao contribuinte cuja declaração está em conformidade com os tributos efetivamente recolhidos. Evidente, pois, a desproporcionalidade da multa aplicada, vez que confere tratamento mais benéfico ao contribuinte que agiu de forma ilícita ao apresentar a DCTF com os valores zerados. Isto posto, pedese provimento ao recurso para anular o lançamento, ora efetuado, vez que discutível a graduação da multa cominada. Ou ainda que na eventual hipótese de não ser considerado o argumento acima defendido seja reduzida Fl. 109DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 110 5 a penalidade à R$500,00 (quinhentos reais), dessa forma deixandoa proporcional e razoável. 2.3. DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A Impugnante espera que o exame do presente caso, tanto no que se refere aos fatos, como no que se refere ao direito, seja realizado com especial zelo e atenção para garantir o princípio da verdade material. Como se sabe, foi verificada uma irregularidade que já foi sanada, sem prejuízo para quaisquer das partes. A Impugnante manifesta sua crença no processo administrativo e acredita no seu funcionamento justo e imparcial, nos estritos lineamentos demarcados pelo Direito. Mas disso não decorre que fatos inexistentes ou erros evidentes prosperem em detrimento da verdade material, princípio básico e supedâneo do próprio Direito AdministrativoTributário. Também, e de igual modo, devem ser sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo próprio Fisco. [...] Pedese, pois, que corrigida a falha apontada, em tempo, não há que se falar em multa, tampouco multa excessiva como pretende imputar a Autoridade Autuante. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: A Impugnante requer o integral provimento desta Impugnação para que seja julgado improcedente a presente Notificação de Lançamento, e, conseqüentemente, seja cancelada a multa indevida por ele cominada. Requer, outrossim, para que na hipótese de não ser julgado improcedente, seja aplicada multa proporcional, vez que não houve dano ao erário e as obrigações tanto acessória como principal foram cumpridas pela Impugnante. Por fim, requer, na hipótese de não ser observada a nulidade do presente Notificação de Lançamento nem sua improcedência, seja aplicada multa proporcional, sendo assim mais branda, no valor de R$500,00 (quinhentos reais) conforme alude o artigo 7° da Lei 10.426 de 2002, bem como o artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Sem prejuízo de todo o alegado, a Impugnante protesta pela posterior juntada de documentos que eventualmente não tenham sido acostados a presente, conforme dispõe o art. 16, §4° do Decreto n° 70.235/72. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0427.306, de 07.02.2012, fls. 7274: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS DCTF. OBRIGATORIEDADE. ATRASO NA ENTREGA. MULTA. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 111 6 Comprovada que a declaração foi entregue fora do prazo legal, estando a empresa obrigada à sua apresentação, é de se manter a multa aplicada, sendo defeso em sede administrativa discutirse a legalidade ou constitucionalidade de lei em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 08.03.2012, fl. 100, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 09.04.2012 (segundafeira), fls. 8295, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na impugnação. Suscita que: 3. Do DIREITO 3.1 DA NULIDADE DA PRESENTE NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO A Recorrente entende que não poderia subsistir a presente Notificação de Lançamento, devendo ser dado integral provimento ao Recurso, uma vez que a multa aplicada revelase desproporcional, consoante veremos. A falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada não pode prosperar, na medida em que se consegue apurar o quanto que foi pago aos cofres públicos na oportunidade. A tentativa da Fazenda Federal em aplicar uma multa vinculada aos meses em atraso e o total do imposto devido adicionando todas as cominações legais, não pode ser ratificada como uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória, pelo mero atraso no fornecimento das informações. Há que se indagar se é legítima a aplicação de multa por mero descumprimento de obrigação acessória de forma proporcional à obrigação principal correspondente. [...] Ilustre Julgador, a situação da Recorrente é clara: tratase de uma situação de entrega tardia da DCTF e que foi reparada antes de qualquer notificação ou iniciativa por parte do Fisco, de modo que é até questionável se houve descumprimento de obrigação acessória. No entanto, e principalmente, não há que se falar em falta ou ausência de pagamento de imposto ou descumprimento de obrigação principal, visto que foram recolhidos todos os tributos declarados na DCTF em atraso. No âmbito do Direito Tributário, devese distinguir a obrigação principal da acessória, por serem obrigações de naturezas distintas e com objetos distintos. A obrigação tributária principal corresponde a um dever do sujeito passivo que encerra uma obrigação de dar, cujo objeto é o pagamento do tributo ou penalidade pecuniária, ou seja, sua prestação consiste na entrega de dinheiro ao Estado, que se extingue juntamente com o crédito decorrente dessa obrigação. É, portanto, uma prestação de natureza nitidamente patrimonial, pois implica o recolhimento de seu valor pecuniário aos cofres públicos. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 112 7 Já a obrigação tributária acessória revela uma prestação de cunho não patrimonial, decorrente da legislação tributária, tendo por objeto os chamados deveres instrumentais, sem conteúdo patrimonial, ou seja, as prestações positivas ou negativas previstas na legislação tributária no interesse da arrecadação ou fiscalização do tributo, podendo as mesmas estar consubstanciadas num fazer, não fazer ou tolerar como, por exemplo, prestar declarações, emitir nota fiscal, escriturar livros, entre outros. Traduz, então, uma obrigação cujo objeto é o cumprimento de uma prestação diferente do pagamento, abrangendo todas as prestações exigidas na legislação tributária, com exceção daquelas referentes à prestação pecuniária que, conforme já salientado, é tida como obrigação tributária principal. [art. 113 e art. 115 do Código Tributário Nacional] [...]. Da leitura conjunta desses dois artigos temse que a obrigação acessória existe, via de regra, em função da obrigação principal, servindo para registrar a ocorrência do fato jurídico tributário e assim fornecer à Autoridade Autuante os elementos necessários para a sua atuação. São meros deveres instrumentais. Pois bem, se a obrigação acessória deve ser satisfeita no interesse do cumprimento da obrigação principal, é evidente que, uma vez cumprida a obrigação principal, a obrigação acessória perde muito da sua relevância, não podendo o seu descumprimento ser tratado como se fosse o descumprimento da própria obrigação principal. [...] Assim, a Fazenda Pública utilizase de uma base de cálculo vinculada às obrigações principais para exigir uma multa proporcional por descumprimento exclusivo de obrigação acessória. Conforme se verificou pela excelente doutrina transcrita, esta pretensão é inadmissível. Ressaltese que, nenhum dano foi causado ao erário vez que adimplida a obrigação principal, devendo a multa ser cominada de forma proporcional ao prejuízo causado ao Fisco. Além disso, não pode prosperar uma multa proporcional calculada sobre o valor da obrigação principal da Recorrente [...]. Ademais, o Princípio da Razoabilidade está implícito na Constituição Federal e explícito no artigo 22 , parágrafo único, inciso VI da Lei Federal n? 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo federal. aferir a compatibilidade entre os meios e os fins, de modo a evitar restrições desnecessárias ou abusivas por parte da Administração Pública. [...] Está claro, no presente caso, que não houve qualquer prejuízo financeiro causado ao Erário Público. Em momento algum a Recorrente deixou de recolher o tributo devido. Repitase: não tendo havido prejuízo material à Fazenda Pública, uma vez que não se trata de falta de recolhimento de tributo devido é flagrantemente desarrazoado e desproporcional o valor da multa aplicada. Nesse sentido, conforme se demonstrou exaustivamente, é evidente que a referida multa deve ser relevada pelo Ilustre Julgador. Ou ainda, que a exigência pelo pagamento da multa seja realizada de maneira proporcional. 3.2. DA DIMINUIÇÃO PROPORCIONAL DA MULTA. A Medida Provisória 16/2001 foi convertida na Lei n9 10.426/2002, cujo artigo 79 estabelece: [...] Fl. 112DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 113 8 Observase que o dispositivo, ao mesmo tempo em que comina multa, desarrazoada e desproporcional, vinculada aos meses em atraso e ao total do imposto, também prevê a aplicação de penalidade mais branda, no valor de R$ 500,00. Aplicável, portanto, a multa prevista no § 39 , inciso II, do dispositivo em apreço, posto que a lei tributária que comina penalidades deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, caso haja dúvida quanto à graduação da multa aplicável, consoante o dispõe o art. 112 do CTN. Importante frisar que caso o contribuinte, de forma,/asiva, apresentasse a declaração com valores inferiores aos dos tributos efetivamente apurados, receberia penalidade mais branda ou, até mesmo, a pena mínima quando comparado ao contribuinte cuja declaração está em conformidade com os tributos efetivamente recolhidos. Evidente, pois, a desproporcionalidade da multa aplicada, vez que confere tratamento mais benéfico ao contribuinte que agiu de forma ilícita ao apresentar a DCTF com os valores zerados. Isto posto, pedese provimento ao recurso para anular o lançamento, ora efetuado, vez que discutível a graduação da multa cominada. Ou ainda que na eventual hipótese de não ser considerado o argumento acima defendido seja reduzida a penalidade à R$500,00 (quinhentos reais), dessa forma deixandoa proporcional e razoável. 3.3. DA VERDADE MATERIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. A Recorrente espera que o exame do presente caso, tanto no que se refere aos fatos, como no que se refere ao direito, seja realizado com especial zelo e atenção para garantir o princípio da verdade material. Como se sabe, foi verificada uma irregularidade que já foi sanada, sem prejuízo para quaisquer das partes. A Recorrente manifesta sua crença no processo administrativo e acredita no seu funcionamento justo e imparcial, nos estritos lineamentos demarcados pelo Direito. Mas disso não decorre que fatos inexistentes ou erros evidentes prosperem em detrimento da verdade material, princípio básico e supedâneo do próprio Direito AdministrativoTributário. Também, e de igual modo, devem ser sanadas as falhas, omissões e enganos eventualmente cometidos pelo próprio Fisco. [...] Pedese, pois, que corrigida a falha apontada, em tempo, não há que se falar em multa, tampouco multa excessiva como pretende imputar a Autoridade Autuante. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante todo o exposto, requer a Recorrente: a) Seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário para que seja julgada improcedente a presente Notificação de Lançamento, e, conseqüentemente, seja cancelada a multa indevida por ele cominada. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 114 9 b) Requer, outrossim, para que na hipótese de não ser julgado improcedente, seja aplicada multa proporcional, vez que não houve dano ao erário e as obrigações tanto acessória como principal foram cumpridas pela Recorrente. c) Por fim, requer, na hipótese de não ser observada a nulidade do presente Notificação de Lançamento nem sua improcedência, seja aplicada multa proporcional, sendo assim mais branda, no valor de R$ 500,00 (quinhentos reais) conforme alude o artigo 1° da Lei 10.426 de 2002, bem como o artigo 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional. Sem prejuízo de todo o alegado, a Recorrente protesta pela posterior juntada de documentos que eventualmente não tenham sido acostados a presente, conforme dispõe o art. 16, §49 do Decreto n9 70.235/72. Determina a Portaria de fl. 105: O PRESIDENTE DA QUARTA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, no uso da atribuição que lhe confere o § 3º. do Artigo 63 do Regimento Interno do CARF, baixado com a Portaria MF nr. 256, de 22 de junho de 2009, publicada no Diário Oficial do dia seguinte, RESOLVE: DESIGNAR relatora “ad hoc” a Conselheira CARMEN FERREIRA SARAIVA para o fim de formalizar o Acórdão nº 1803001.516, prolatado pela Terceira Turma Especial da Quarta Câmara da Primeira Seção, na sessão realizada no dia 02 de outubro de 2012, no julgamento do Processo nº 10183.722093/201141, de interesse do contribuinte POIT LOCADORA DE EQUIPAMENTOS LTDA., em face de a relatora original não mais ocupar o cargo de Conselheira. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162, fl. 228: Aos dois dias do mês de outubro do ano de dois mil e doze, às nove horas, pauta de julgamento dos recursos das sessões ordinárias a serem realizadas nas datas a seguir mencionadas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 5º Andar, Sala 506, em Brasília Distrito Federal, reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes SELENE FERREIRA DE MORAES (Presidente), WALTER ADOLFO MARESCH, MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, SERGIO RODRIGUES MENDES, VIVIANI APARECIDA BACCHMI e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VIVIANI APARECIDA BACCHMI Processo: 10183.722093/201141 Nome do Contribuinte: POIT LOCADORA DE EQUIPAMENTOS LTDA Acórdão 1803001.516 Acórdão: Por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 115 10 Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Ad Hoc Designada O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, a Notificação de Lançamento pode ser lavrada sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 116 11 de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, a Notificação de Lançamento, fl. 42 e o Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CGE/MS nº 0427.306, de 07.02.2012, fls. 7274, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser 2 Fundamentação legal: art. 179 da Constituição Federal, art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, § 2º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 117 12 formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda do procedimento de ofício. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). Ademais, a imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9º do Código Tributário Nacional). O Ministro da Fazenda pode instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais, cuja competência foi delegada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) (art. 5º da DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984 e art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999). No exercício de sua competência regulamentar a RFB pode instituir obrigações acessórias, inclusive, forma, tempo, local e condições para o seu cumprimento, o respectivo responsável, bem como a penalidade aplicável no caso de descumprimento. A dosimetria da pena pecuniária prevista na legislação tributária deve ser observada pela autoridade fiscal, sob pena de responsabilidade funcional (parágrafo primeiro do art. 142 do Código Tributário Nacional). Além disso, os atos do processo administrativo dependem de forma determinada quando a lei expressamente a exigir (art. 22 da Lei nº 9.784, de 29 de dezembro de 1999). O documento que formalizála, comunicando a existência de crédito tributário, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 118 13 referido crédito. O adimplemento das obrigações tributárias principais confessadas em DCTF não tem força normativa para afastar a penalidade pecuniária decorrente da entrega em atraso ou a falta de apresentação da mesma DCTF. Ademais, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 136 do Código Tributário Nacional). Regulando a matéria, a Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, ordena: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 119 14 I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; II a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Vide Lei nº 11.727, de 2008) I R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. §4º Considerarseá não entregue a declaração que não atender às especificações técnicas estabelecidas pela Secretaria Receita Federal. §5º Na hipótese do § 4º, o sujeito passivo será intimado a apresentar nova declaração, no prazo de dez dias, contados da ciência à intimação, e sujeitarseá à multa prevista no inciso I do caput, observado o disposto nos §§ 1º a 3º. A tipicidade se encontra expressa na legislação de regência da matéria e por essa razão a autoridade fiscal não pode deixar de cumprir as estritas determinações legais literalmente, não podendo alterar a penalidade pecuniária. Desse modo, o sujeito passivo que deixar de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), nos prazos fixados pelas normas sujeitase às seguintes multas: (a) de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento; (b) de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. Para efeito de aplicação dessas multas, reputase como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. As multas serão reduzidas: (a) em 50% (cinqüenta por cento), quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; (b) em 25% (vinte e cinco por cento), se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. A multa mínima a ser aplicada deve ser: (a) R$200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa jurídica inativa; Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 120 15 (b) R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos7. Em relação à DCTF, cabe esclarecer que todas as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, devem apresentála centralizada pela matriz, via internet: (a) para os anoscalendário de 1999 e 2004, trimestralmente, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. (b) para os anoscalendário de 2005 a 2009: (b.1) semestralmente, sendo apresentada até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso daquela relativa ao primeiro semestre e até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso daquela atinente ao segundo semestre do anocalendário anterior; (b.2) mensalmente, de acordo com o valor da receita bruta auferida pela pessoa jurídica, sendo apresentada até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de ocorrência dos fatos geradores; (c) a partir do anocalendário de 2010, mensalmente, com apresentação até o décimo quinto dia útil do segundo mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores8. Cabe esclarecer que o obrigação acessória é desvinculada da obrigação principal no sentido de que a obrigação tributária pode ser principal ou acessória. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária9. Sobre os pagamentos que a Recorrente diz que extingue os tributos então confessados, temse que as obrigações acessórias decorrem diretamente da lei no interesse da administração tributária. É autônoma e sua observância independe da existência de obrigação principal correlata. Os deveres instrumentais previstos na legislação tributária ostentam caráter autônomo em relação à regra matriz de incidência do tributo, uma vez que vinculam inclusive as pessoas jurídicas que gozem de imunidade ou outro benefício fiscal. 10 Por essa razão o pagamento dos tributos devidos não têm força normativa de afastar a multa de ofício isolada aplicada em função da falta ou atraso na entrega da DCTF. 7 Fundamentação legal: art. 113 e 138 do Código Tributário Nacional, art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, Portaria MF nº 118, de 28 de junho de 1984, art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999,e art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002, alterada pela Lei nº 11.051, 29 de dezembro de 2004 e Súmulas CARF nºs 33 e 49. 8 Fundamentação legal: Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, Instrução Normativa SRF nº 255, de 11 de dezembro de 2002, Instrução Normativa SRF nº 583, de 20 de dezembro de 2005, Instrução Normativa SRF nº 695, de 14 de dezembro de 2006, Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, Instrução Normativa RFB nº 974, de 27 de novembro de 2009 e Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. 9 Fundamentação legal: art. 113 do Código Tributário Nacional. 10 Fundamentação legal: art. 175 e art. 194 do Código Tributário Nacional. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 121 16 Consta na Descrição dos Fatos, fl. 42, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: Descrição dos Fatos : Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa de 2% (dois por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na declaração, ainda que tenham sido integralmente pagos, reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) e o valor mínimo de R$200,00 (duzentos reais) no caso de inatividade e de R$500,00 (quinhentos reais) nos demais casos. No presente caso, restou comprovado que o lançamento fundamentase na aplicação da multa de ofício isolada por na entrega em 15.05.2011 da Declaração de Débitos e Créditos Tributário Federais (DCTF) do segundo semestre do anocalendário de 2008, cujo prazo final era 08.01.2008. Não há previsão legal para redução da penalidade pecuniária aplicada. A aplicação da multa de ofício isolada foi de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante de tributo a pagar, como se verifica no caso concreto. Além disso, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato e por essa razão a alegação de boafé não pode ser oposta à Fazenda Nacional, nos termos do art. 136 do Código Tributário Nacional. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso11. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade12. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. 11 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 12 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10183.722093/201141 Acórdão n.º 1803001.516 S1TE03 Fl. 122 17 Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 122DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 31/10/2 014 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 16327.915411/2009-03
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 CPMF. PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. PER/DCOMP. ERRO MATERIAL. RETIFICAÇÃO. DÉBITO. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. A manifestação de inconformidade e o recurso voluntário não constituem veículos idôneos para a retificação do débito informado no PER/DCOMP pelo sujeito passivo. Não obstante o erro ocorrido, uma vez constituído o débito por meio da PER/DCOMP, a sua retificação deve ocorrer mediante documento retificador específico, antes da intimação do despacho decisório, que será apreciado pela autoridade competente da Receita Federal em conjunto com o pedido de restituição, ressarcimento, reembolso ou de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 54 11 /2 00 9- 03 Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Efetuou sustentação oral pela recorrente a Dra. Priscila Fernandes Dalla Costa, OAB/SP nº. 306.114. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1.483/1.497), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 17430.49514.250608.1.3.043184), pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915411/200903 Acórdão n.º 3802003.694 S3TE02 Fl. 1.538 3 decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184, objeto deste processo referese exclusivamente ao DARF de nº 3266590321, período de apuração 08/01/2007, código de receita 5869, no valor original de R$ 132.795.609,11, data de arrecadação 08/01/2007. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando aproveitamento de R$ 333.337,77] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF dos clientes listados em tabela presente no despacho decisório, assim como dos correspondentes estornos, em um total de R$ 3.166,50. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 3.166,50, [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 333.337,77, [..] Na PER/DCOMP n° 41739.50333.170107.1.3.043327, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP n° Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 17430.49514.250608.1.3.043184 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 248.215,74, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP n° 17430.49514.250608.1.3.043184. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 333.333,76 que tem origem em retenções indevidas sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados documentos que comprovam retenções indevidas que, somadas, atingem R$ 26.093,08, 88% do crédito aproveitado na DCOMP sob exame; c) houve equívoco da contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP em relação a alguns clientes ao indicar como o DARF do pagamento a maior ou indevido o DARF de R$ 132.795.609,11, do período de apuração de 31/12/2006, quando o correto seria o ADRG de R$ 181.327.720,27 do período de apuração 20/12/2006,k recolhido em 28/12/2006; d) desta forma, resta demonstrada a existência do crédito pleiteado de forma que, em respeito ao princípio da verdade material, deve o despacho decisório deve ser reformado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 24/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1.502). Inconformada, a mesma apresentou, em 10/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1.504/1.510, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) a DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório, mantendo o argumento de que não haveria crédito disponível para a homologação pleiteada nestes autos, fundamentando o seu entendimento não pela análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. b) justifica o seu entendimento em razão da impossibilidade de alteração das informações prestadas no PER/DCOMP, principalmente em suas características, que não podem ser alteradas após o despacho decisório; c) da leitura da decisão recorrida, constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915411/200903 Acórdão n.º 3802003.694 S3TE02 Fl. 1.539 5 restringiase ao erro na DCTF. Destaca o voto do relator e ressalta o objeto da demanda do CARF, qual seja, que a Delegacia de origem apurasse a existência material do indébito; d) ressalta que apresentou a documentação contábil e fiscal necessária à comprovação do recolhimento a maior, inclusive a demonstração da assunção do ônus financeiro relativo à CPMF; e) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, cuja discussão era totalmente independente desta, discutida em outro processo; f) esclareceu que uma parcela dos R$ 26.093,08, não conhecida pela Delegacia de origem, teve como fonte em um estorno de CPMF que compunha DARF de outro período, o qual o Recorrente deixou de informar no pedido de compensação em referência; g) o simples fato de ter mencionado equivocadamente um PER/DECOMP inicial em seu pedido de compensação, fez com que toda documentação acostada perdesse a importância, pois, muito embora tenha comprovado R$ 26.093,08 de crédito original, por ter mencionado no PER/DCOMP inicial (nº 41739.50333.170107.1.3.043327), que teria R$ 248.215,74 e que referido montante teria sido totalmente consumido naquele DCOMP já homologado, perdeu direito ao restante do crédito; h) a autoridade fiscal, ao analisar a documentação comprobatória limitada a um único pedido de compensação, atrelouo a todos os pedidos transmitidos com o mesmo DARF, embora cada pedido de compensação possuísse discussão autônoma e com a documentação pertinente acostadas aos processos correspondentes, que na hipótese de não homologação definitiva do crédito, ocorreu ou ocorrerá em processo próprio. i) todos esses esclarecimentos já haviam sido feito antes da prolação do 2º despacho decisório e que com base nessas informações a Unidade Origem poderia ter retificado de ofício as informações, conforme disposto no art. 147, § 2º, do CTN; j) requer a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Por fim, de todo o exposto, alega que restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requer que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 24/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 10/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 17430.49514.250608.1.3.043184, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que fora transmitida pela internet DCTF retificadora. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.723 (fls. 70/74), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório (fls. 1.383/1.386), que no texto, a autoridade fiscal reconhece que o Recorrente comprova um crédito de pagamento indevido em valor inferior ao total dos débitos compensados, conforme abaixo transcrito: (...) A DCOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 3266590321, período de apuração 08/01/2007, código de receita 5869, no valor original de R$ 132.795.609,11, data de arrecadação 08/01/2007. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação DCOMP: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF]. Na sequência, conclui o despacho decisório que: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 3.166,50, [...] mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 333.337,77, [..] Na PER/DCOMP n° 41739.50333.170107.1.3.043327, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP n° 17430.49514.250608.1.3.043184 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 248.215,74, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP n°17430.49514.250608.1.3.043184. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915411/200903 Acórdão n.º 3802003.694 S3TE02 Fl. 1.540 7 Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega a DRJ decidiu pela manutenção do despacho decisório, mantendo o argumento de que não haveria crédito disponível para a homologação pleiteada nestes autos, fundamentando o seu entendimento não pela análise da documentação comprobatória apresentada, mas sim, no fato de o Recorrente ter indicado em seu PER/DECOMP uma compensação inicial na qual todo o crédito informado já havia sido consumido. Justifica o seu entendimento em razão da impossibilidade de alteração das informações prestadas no PER/DCOMP, principalmente em suas características, que não podem ser alteradas após o despacho decisório. Aduz que da leitura da decisão recorrida, constatase que a autoridade julgadora retorna a análise de condições formais para o deferimento da compensação, ignorando o que já foi decidido pelo CARF, que privilegiou a comprovação da existência de crédito – Princípio da Verdade Material – em detrimento do erro da Declaração, que, na oportunidade, restringiase ao erro na DCTF. Destaca o voto do relator e ressalta o objeto da demanda do CARF, qual seja, que a Delegacia de origem apurasse a existência material do indébito. Ressalta que apresentou a documentação contábil e fiscal necessária à comprovação do recolhimento a maior, inclusive a demonstração da assunção do ônus financeiro relativo à CPMF; Alega ainda que no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, cuja discussão era totalmente independente desta, discutida em outro processo e esclarece que uma parcela dos R$ 26.093,08, não conhecida pela Delegacia de origem, teve como fonte em um estorno de CPMF que compunha DARF de outro período, o qual o Recorrente deixou de informar no pedido de compensação em referência. E que o simples fato de ter mencionado equivocadamente um PER/DECOMP inicial em seu pedido de compensação, fez com que toda documentação acostada perdesse a importância, pois, muito embora tenha comprovado R$ 26.093,08 de crédito original, por ter mencionado no PER/DCOMP inicial (nº 41739.50333.170107.1.3.043327), que teria R$ Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 248.215,74 e que referido montante teria sido totalmente consumido naquele DCOMP já homologado, perdeu direito ao restante do crédito. Por fim, argumenta que todos esses esclarecimentos já haviam sido feito antes da prolação do 2º despacho decisório e que com base nessas informações a Unidade Origem poderia ter retificado de ofício as informações, conforme disposto no art. 147, § 2º, do CTN, e que desta forma requer, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184, com a exclusão da informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN. Registrese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/01/2007 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como motivação que o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado que as características do direito de crédito compensado estariam integralmente comprometidos na absorção de débito declarado em outra DCOMP. O Recorrente, em seu recurso, reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação no PER/DECOMP, vejase trecho abaixo reproduzido: (...) no caso em tela, de fato, o Recorrente incorreu em equívoco no preenchimento do PER/DECOMP, ao indicar em sua declaração de compensação uma DECOMP inicial, cuja discussão era totalmente independente desta, discutida em outro processo (...). (...) que uma parcela dos R$ 26.093,08, não conhecida pela Delegacia de origem, teve como fonte em um estorno de CPMF que compunha DARF de outro período, o qual o Recorrente deixou de informar no pedido de compensação em referência. E prossegue no final de seu recurso: (...) requer, a retificação de ofício do PER/DECOMP nº 17430.49514.250608.1.3.043184, com a exclusão da Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915411/200903 Acórdão n.º 3802003.694 S3TE02 Fl. 1.541 9 informação acerca do PER/DECOMP inicial, nos termos do artigo 147, § 2º, do CTN Observese que em sede de manifestação de inconformidade (fl. 1.398), reafirma a existência de pagamento a maior, mas admite erro na informação do DARF contendo o direito de crédito em seu PER/DCOMP, vejase: (...) houve equívoco da contribuinte no preenchimento do PER/DCOMP em relação a alguns clientes ao indicar como o DARF do pagamento a maior ou indevido o DARF de R$ 132.795.609,11, do período de apuração de 31/12/2006, quando o correto seria o DARF de R$ 181.327.720,27 do período de apuração 20/12/2006, recolhido em 28/12/2006. Ou seja, o Recorrente apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal (por estar inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação), não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. Em referência a este fato, vejase trecho do Acórdão recorrido: Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 31), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº 41739.50333.170107.1.3.043327. Confirase: (...). Esse último documento traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 248.215,74 (fl. 1.339), como se vê na sequência (...). Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). E prossegue, concluindo: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 248.215,74, inteiramente consumida na própria DCOMP nº 41739.50333.170107.1.3.04 3327 (g.n). Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnature o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observamse vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro formal. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo, que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915411/200903 Acórdão n.º 3802003.694 S3TE02 Fl. 1.542 11 investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Conclusão Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 13128.000412/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES.
Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-003.590
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 12.369,00, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DEDUÇÃO. DIRPF. CONDIÇÕES. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). Cabe ao contribuinte fazer prova da obrigação definida em juízo e comprovar seu efetivo pagamento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer dedução a título de pensão alimentícia no valor de R$ 12.369,00, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 12 8. 00 04 12 /2 00 8- 11 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 81 2 Relatório Contra o contribuinte identificado foi lavrada, em 14/07/2008, Notificação de Lançamento, conforme fl. 5, onde se verifica lançamento do Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, do exercício de 2006, anos calendário de 2005, no valor de R$ 1.657,24, com multa proporcional de 75 % e mais juros de mora calculados pela taxa Selic. Na descrição dos fatos, relata a Autoridade Fiscal que constatou as seguintes infrações (fl. 6/7): 1 – Dedução Indevida de Despesas Médicas Conforme disposto no art. 73 do Decreto n. ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas A comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento à Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.345,13, deduzido indevidamente a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação.(destaquei) 2 Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Conforme disposto no art. 73 do Decreto n ° 3.000/99 RIR/99, todas as deduções pleiteadas na Declaração de Ajuste Anual estão sujeitas à comprovação ou justificação. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu à Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 13.506,35, deduzido indevidamente a titulo de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação.(destaquei) Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação (fl. 2), que conhecida, foi assim tratada pela DRJ, como transcrevo da fl. 44 e seguintes: ... depreendese que, a fim de fazer jus dedução de Pensão Alimentícia, cabe ao contribuinte, a juízo da autoridade lançadora, apresentar a decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, bem como a comprovação do efetivo pagamento. ... No caso em concreto, o Impugnante acosta a comprovação do pagamento da pensão alimentícia no Comprovante de Rendimentos (fl. 09), contudo não apresentou documento requerido pela legislação tributária: a integra do Acordo Homologado Judicialmente ou a Decisão Judicial, contendo os termos da obrigação. No tocante às despesas médicas, apresenta Comprovante de Rendimentos, onde há menção do quantum pago a esse titulo (R$ 1.345,13). Assim, considerase o gasto idôneo e habilmente Fl. 81DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 82 3 comprovado, devendo ser considerada insubsistente a glosa efetuada. Dessa forma, deuse a decisão de 1ª instância para: ... julgar procedente em parte a impugnação, para restabelecer, a titulo de Despesas Médicas, o valor de R$1.345,13, bem como para manter as demais infrações apuradas,...; Cientificado dessa decisão em 05/11/2010, conforme Aviso de Recebimento na folha 53, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/12/2010, protocolo na folha 55. Em sede de recurso, apresenta as seguintes razões, em síntese: 1 – a declaração do imposto de renda em litígio foi elaborada em conformidade com o comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora; 2 – são valores dedutíveis a título de pensão alimentícia R$ 12.369,00 e a título de despesas médicas R$ 1.345,13; 3 – a glosa relativa à pensão alimentícia é improcedente uma vez que a dedução está amparada em decisões judiciais, anexas. Entre as folhas 57 e 67, constam anexadas cópias de peças processuais que tratam do pagamento de pensão alimentícia pelo Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) .(in Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 83 4 ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269) Bem, primeiramente, destaco que o lançamento referiuse a duas infrações, quais sejam: glosa de dedução com pensão alimentícia (R$ 13.506,35) e glosa de dedução com despesas médicas (R$ 1.345,13). Após a decisão de 1ª instância, que restabeleceu a dedução com despesas médicas, o contribuinte indica em seu recurso que as despesas cabíveis são “aquelas constantes de seu comprovante de rendimentos”. Trataremos, portanto, da glosa da dedução com pensão alimentícia, que o recurso aponta ser cabível no importe de R$ 12.369,00, lembrando que o valor declarado na DIRPF/2006 (fl. 29) e integralmente glosado pelo Auditor Fiscal, foi ligeiramente maior, importando em R$ 13.506,35. O Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, em seu artigo 78, traz que na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais, reproduzindo a Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II. Considerando que o artigo 73 do RIR/1999 comanda que todas as deduções pleiteadas na DIRPF estão sujeitas à comprovação e justificação, a juízo da autoridade lançadora, é possível identificar que sejam necessários documentos a comprovar o efetivo pagamento da pensão e que este se deu em virtude de determinação judicial ou acordo homologado judicialmente, e não por mera liberalidade do alimentante. Nesse sentido, tem se posicionado esta Turma Especial. Vejamos nos vários Acórdãos, à guisa de exemplo: 2801003.350 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2014 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Somente são dedutíveis os pagamentos de pensão alimentícia quando o contribuinte provar que realizou tais pagamentos, e que estes foram decorrentes de decisão judicial. Recurso Voluntário Negado 2801003.082 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de junho de 2013 PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 84 5 São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de pensão alimentícia, as importâncias pagas em face das normas do Direito de Família quando em cumprimento de acordo homologado judicialmente. Recurso Voluntário Provido Voto (...) Por ocasião da impugnação o Interessado já havia juntado aos autos os recibos de fls. 28/39, supostamente assinados por sua ex cônjuge, totalizando o montante de R$ 3.600,00 pagos a título de pensão alimentícia no decorrer do ano calendário de 2005 (12 recibos de R$ 300,00). Embora entendendo que os recibos apresentados não fazem prova inequívoca do efetivo pagamento da pensão alimentícia, penso que a glosa relativa à pensão da ex cônjuge Etelvina deve ser restabelecida, uma vez que, em relação a ela, a decisão de piso julgou improcedente a impugnação exclusivamente pelo fato de que não foi apresentada a cópia da decisão judicial ou do acordo homologado judicialmente,... 2801002.836 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2013 DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução de pensão alimentícia está condicionada à comprovação de que foi estabelecida em decisão judicial ou em acordo homologado judicialmente e que os pagamentos ocorreram, dentro dos limites estabelecidos judicialmente. 2801002.925 – 1ª Turma Especial Sessão de 20 de fevereiro de 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. O direito à dedução de pensão alimentícia na Declaração Anual de Ajuste do alimentante é condicionado à prova inequívoca do cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente. 2801002.727 – 1ª Turma Especial Sessão de 16 de outubro de 2012 PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUÇÃO. São dedutíveis, na declaração de ajuste anual, as importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Voto (...) Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 85 6 Apesar de o acordo homologado judicialmente ter determinado que os valores pagos ao cônjuge virago, a título de pensão alimentícia, também fossem depositados em conta corrente (fl. 14), o acórdão recorrido restabeleceu a glosa relativa a tais valores, que foram comprovados mediante a apresentação dos recibos de fls. 32/43. Delimitada a lide e feitas essas considerações, passemos ao caso concreto do recurso. Na folha 58 consta decisão proferida pelo Juiz da Comarca de Valparaíso de Goiás, e audiência ocorrida em 7 de maio de 2004, determinando que o contribuinte Edivaldo da Silva tivesse descontado de seus rendimentos brutos, o valor de 30% para pagamento de alimentos definitivos a seu filho menor RONAN, retroativos á data de ajuizamento da Ação. Na folha 66, consta decisão do Juiz de Direito da Vara de Família em Brasília/DF, que homologou acordo entre as partes, determinando, com data de 05 de novembro de 1985, desconto no rendimento bruto do contribuinte no importe de 25%, em favor de seu filho VICTOR. Não consegui verificar, nos autos, a data de nascimento do filho VICTOR, que recebia pensão alimentícia desde 1984, mas fato é que houve a determinação judicial e o devido pagamento, comprovado pelo desconto efetuado pela fonte pagadora, no ano de 2005. Assim, o pagamento dos alimentos não cessou em virtude de eventual maioridade do beneficiário. No ano de 2005, em questão, o valor dos rendimentos brutos percebidos pelo Recorrente foi de R$ 28.857,29. Trinta por cento equivalem a R$ 8.657,19 e vinte e cinco por cento equivalem a R$ 7.214,32. A dedução pleiteada, portanto, está em conformidade com o determinado pela Justiça. Assim, as pensões foram determinadas/homologadas judicialmente e a efetividade do pagamento está demonstrada pelo comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, com desconto “em folha”. Pelo todo aqui exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer na DIRPF do contribuinte a dedução no R$ 12.369,00 a título de pensão alimentícia. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 13128.000412/200811 Acórdão n.º 2801003.590 S2TE01 Fl. 86 7 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721834/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE.
Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
Numero da decisão: 2301-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Pedro Henrique Braz Siqueira. OAB: 37.996/DF
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Pedro Henrique Braz Siqueira. OAB: 37.996/DF Marcelo Oliveira - Presidente. Adriano Gonzales Silvério - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério.
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Recorrente DUILIO PEREIRA MARCOZZI ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 RECURSO. NÃO CONHECIMENTO. INTEMPESTIVIDADE. Inadmissível o processamento de recurso que não atende o requisito da tempestividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Pedro Henrique Braz Siqueira. OAB: 37.996/DF Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva, Daniel Melo Mendes Bezerra e Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 18 34 /2 00 9- 60 Fl. 660DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Relatório Tratase de auto de infração de obrigação acessória, lavrado contra a ratase de auto de infração de obrigação acessória, lavrado contra a empresa em epígrafe, em razão de a mesma ter infringido o dispositivo previsto no inciso I, alínea "a", do artigo 30, da Lei 8.212/91 e alterações posteriores, no art. 4º, caput, da Lei n.º 10.666/03 e no art. 216, inciso I, alínea “a”, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 06/17, a empresa deixou de arrecadar as contribuições dos segurados, mediante desconto das respectivas remunerações, as quais foram consideradas como base de cálculo de contribuições previdenciárias e lançadas no Auto de Infração n.º 37.213.3959 O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em apertada síntese o seguinte: i) nulidade do auto de infração; ii) que a empresa é optante do Simples; iii) que não apresentou contrato social por ser empresário individual; iv) que não incide contribuição previdenciária sobre alimentação e transporte; e v) que a multa aplicada é confiscatória. A DRJ julgou improcedente a impugnação, mantendo o Auto de Infração tal como lançado. Inconformado o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando os argumentos. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso não reúne uma das condições de admissibilidade, qual seja, a tempestividade e, portanto, dele não conheço. Isto porque, conforme se extrai dos autos o contribuinte foi intimado da decisão da DRJ em 20 de julho de 2010 (AR de fl. 646). Contandose o prazo, nos termos dos artigos 5º e 33 do Decreto nº 70.235/721, verificase que o dies a quo se deu em 19 de agosto de 2010. Ocorre que o recurso somente foi protocolado na repartição competente em 24 de agosto de 2010, conforme fl. 622 dos autos, ou seja, no 35º quarto dia após o início do prazo recursal, em dissonância, portanto, com o já mencionado artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 661DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 10166.721834/200960 Acórdão n.º 2301004.143 S2C3T1 Fl. 653 3 Diante dessas considerações, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 662DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 21/11 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000305/2009-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
Coisa Julgada. Processo Judicial. Decorrência.
Auto de infraçao lavrado para previnir a decadência, em razão de discussão judicial.
Com a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a imunidade, decorre a necessidade de cancelamento do presente auto de infração.
Numero da decisão: 1401-001.210
Decisão: Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Coisa Julgada. Processo Judicial. Decorrência. Auto de infraçao lavrado para previnir a decadência, em razão de discussão judicial. Com a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a imunidade, decorre a necessidade de cancelamento do presente auto de infração.
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decisao_txt : Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
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Processo Judicial. Decorrência. Auto de infraçao lavrado para previnir a decadência, em razão de discussão judicial. Com a decisão judicial transitada em julgado que reconheceu a imunidade, decorre a necessidade de cancelamento do presente auto de infração. Por unanimidade de votos dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 05 /2 00 9- 00 Fl. 919DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 3 2 Tratase de recurso interposto pelo contribuinte contra acórdão que julgou parcialmente procedente o auto de infração. Por bem resumir a questão ora examinada, adoto e transcrevo o relatório do órgão julgador a quo: Tratase de Lançamento de Ofício efetuado em Instituição de Educação, referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2007, autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e tributos decorrentes, com os valores abaixo demonstrados: TRIBUTOS CÓD. PRINCIPAL JUROS DE MORA (*) MULTA TOTAL AI fls I RPJ 2932 649.531, 09 192.526, 96 0, 00 842.058,05 233/236 PISIPASEP 2986 19.331,92 5.915,61 0,00 25.247,53 237/244 CSLL 2973 267.673,76 81.909,81 0,00 349.583,57 253/263 COFINS 2960 89.224,53 27.303,22 0,00 116.527,75 245/252 TOTAL 1.025.761,30 307.655,60' 0,001.333.416,90 (*) Juros calculados até 27/02/2009 2. De acordo com o Termo de Verificação de Infração, fls. 213/214, foi efetuado o lançamento, nos termos do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a fim de prevenir a decadência dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa, devido à medida cautelar concedida na ADIN nº 18023, uma vez que a entidade fiscalizada não considerou como receita tributável os rendimentos e ganhos de capital, auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável (Lei nº 9.532/97, art 12, § 1º). 2.1. As receitas financeiras consideradas foram as contabilizadas na Conta 26761, título Receitas Financeiras de Mantenedora, por trimestre do respectivo anocalendário, que não foram tributadas nos termos da Lei nº 9.532/97, por estarem com a exigibilidade suspensa. 3. Consta em cada Auto de Infração a devida fundamentação legal. 4. Inconformada, a Impugnante, que tomou ciência do lançamento em 31/03/2009, fls. 234, apresenta impugnação ao Auto de Infração de IRPJ, fls. 270/281, em 28/04/2009, na qual, em síntese, alega: Dos Fatos alegados pelo Agente Autuador e Do Direito 4.1. O Fiscal, mesmo ciente de que a Impugnante detém em seu favor sentença judicial proferida no Mandado de Segurança nº 2001.50.01.0025509, confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, cita como norma violada o disposto no artigo 12, § 1º, da Lei nº 9.532/97 e deixa claro que o referido lançamento deuse com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a fim de prevenir a decadência. 4.2. Por serem os referidos rendimentos revertidos para o desenvolvimento e manutenção do próprio objeto social da Impugnante, não devem submeterse à tributação pretendida, conforme será demonstrado a seguir. Fl. 920DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 4 3 4.3. Não obstante a indubitável imunidade que assiste à Impugnante, a mesma foi obrigada a impetrar, em 2001, o Mandado de Segurança n° 2001.50.01.0025509, com o escopo de afastar a imposição dos bancos de reter na fonte o imposto sobre a renda que teoricamente deveria incidir sobre os rendimentos auferidos em aplicações financeiras, sendo proferida sentença concedendo a segurança, que posteriormente foi confirmada pelo TRF da 2ª Região. 4.4. A sentença afasta o mesmo fundamento utilizado pelo Auditor Fiscal para realizar o lançamento tributário objurgado, que é a aplicação do artigo 12, § 1º da Lei nº 9.532/97. Além disso, o próprio STF já se manifestou sobre o tema, suspendendo a eficácia do referido dispositivo legal, através de decisão liminar proferida na ADIN nº 18023, sendo a Jurisprudência uníssona e farta sobre o tema. Da Impossibilidade de Lançar para prevenir a Decadência por Ausência de Fundamento Legal que dê lastro à Tributação. 4.5. A Administração Pública não pode aplicar dispositivo legal que teve sua vigência suspensa, como é o caso do artigo 12, § 1º, da Lei nº 9.532/97. 4.6. No caso da legislação tributária, se uma Lei que institui o tributo, delineando a regra matriz de incidência, tem sua vigência suspensa através da cautelar em ADIN, certamente os efeitos legais dessa decisão judicial irradiam seus resultados, ou seja, a perda da vigência imediata. A partir da concessão da liminar na Cautelar em ADIN n° 1.8023, a vigência da Lei ficou suspensa para todos indistintamente, inclusive para a Administração Pública, sendo banida de imediato do ordenamento, até o julgamento definitivo. Este efeito atinge especialmente a Administração Publica, na prática de atos vinculados, afinal, se há vinculação obrigatória à Lei, e esta perde a vigência, obviamente não pode servir de motivação para qualquer ato, quiçá lançamento para constituição de crédito tributário, como pretende o agente fiscalizador. Do Pedido 4.7. Requer seja acolhida a Impugnação, e a exigência fiscal julgada improcedente. 5. Na mesma data, apresenta Impugnação ao Auto de Infração – CSLL, fls. 430/439, na qual, em síntese alega: 5.1. O Auditor Fiscal deixa claro que o referido lançamento deuse com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a fim de prevenir a decadência. 5.2. Por serem as receitas financeiras revertidas para o desenvolvimento e manutenção do próprio objeto social da Impugnante, não devem submeterse à tributação pretendida, conforme será demonstrado a seguir. 5.3. A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) está abrangida pela isenção, nos termos do art. 15 da Lei 9.532/97. 5.4. O artigo 12 da referida lei, por sua vez, estabelece os requisitos necessários para as instituições de educação ou de assistência social se beneficiarem da isenção. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 5 4 5.5. Estando as instituições de educação ou de assistência social enquadradas nos requisitos estabelecidos pelo artigo 12 da Lei 9.532/97, poderão se beneficiar da isenção da CSLL. A Impugnante preenche todos os requisitos previstos no referido artigo. 5.6. Concluise, portanto, que além de fazer jus à imunidade constitucionalmente prevista no art. 150, inciso VI, “c”, a Impugnante é isenta quanto ao pagamento da Contribuição Social sobre Lucro Líquido, por expressa disposição legal. 5.7. Conforme já mencionado, o Auditor Fiscal afirma que o presente Auto de Infração está suspenso por força da liminar proferida pelo STF na ADIN nº 18023. Registrese que, no caso da Impugnante, além da liminar proferida na ADIN em questão, ela possui sentença judicial no mesmo sentido. 5.8. Chamase a atenção para o fato de que a sentença (confirmada pelo TRF da 2ª Região) afasta a aplicação do artigo 12, § 1º da Lei 9.532/97, que assim prescreve: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. (Grifouse) 5.9. A redação do dispositivo, cuja aplicação já foi afastada pelo STF (no caso da ADIN 18023) e pelo TRF da 2ª Região (no caso do acórdão proferido no Mandado de Segurança ajuizado pela Impugnante), é praticamente idêntica à do art. 15, § 2°, da Lei nº 9.532/97, que traz a isenção da CSLL: Art. 12. (...) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. (Grifouse) Art. 15. (...) § 2° Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável.(Grifouse) 5.10. A jurisprudência é uníssona e farta sobre o tema e não deixa dúvida quanto à impossibilidade de tributação dos rendimentos auferidos por meio de aplicações financeiras, quando o seu produto é revertido para a manutenção e desenvolvimento do próprio objeto social da instituição, como é o caso da Impugnante. 5.11. Não resta dúvida quanto à impossibilidade de aplicação do disposto no art. 15, § 2°, da Lei n° 9.532/97. Somase a isso o fato de os rendimentos Fl. 922DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 6 5 decorrentes das receitas financeiras destinaremse a viabilizar e custear a consecução das atividades da Impugnante. 5.12. Dessa forma, o Auto de Infração é Insubsistente. 6. Apresenta também, na mesma data, Impugnação ao Auto de Infração – COFINS, fls. 580/590, na qual argumenta: Dos Fatos alegados pelo Agente Autuador e Do Direito 6.1. O Fiscal deixa claro que o referido lançamento deuse com base no artigo 63 da Lei nº 9.430/96, a fim de prevenir a decadência. 6.2. Por serem as receitas financeiras revertidas para o desenvolvimento e manutenção do próprio objeto social da Impugnante, não devem submeterse à tributação pretendida, conforme será demonstrado a seguir. 6.3. A Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, que permanece em vigor, trouxe disposições relevantes para as Instituições de Educação e de Assistência Social no artigo 14, inciso X, que estabelece que, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. 6.4. O artigo 13 da referida medida provisória enumera as entidades contempladas pela isenção. 6.5. O artigo 12 da Lei 9.532/97, por sua vez, estabelece os requisitos necessários para as instituições de educação ou de assistência social se beneficiarem da isenção. 6.6. Estando as instituições de educação ou de assistência social enquadradas nos requisitos estabelecidos pelo artigo 12 da Lei 9.532, poderão se beneficiar da isenção da COFINS. A Impugnante preenche todos os requisitos previstos no referido artigo. 6.7. Concluise, portanto, que, além de fazer jus à imunidade constitucionalmente prevista no artigo 150, VI, “c”, a impugnante é isenta quanto ao pagamento da COFINS, por expressa disposição legal. Nesse sentido é o entendimento já exarado da jurisprudência, em procedente do Egrégio TRF da 1ª Região. Do Lançamento para Prevenir a decadência – art. 63 da Lei 9430/96 6.8. O Fiscal afirma que o Auto de Infração está suspenso por força de liminar proferida pelo STF na ADIN 18023. A Impugnante, além da liminar proferida na referida ADIN, possui sentença judicial que afasta a aplicação do artigo 12, § 1º, da Lei 9.532/97, sendo a jurisprudência uníssona e farta sobre o tema, não deixando dúvida quanto à impossibilidade de tributação dos rendimentos auferidos por meio de aplicações financeiras quando o seu produto é revertido para a manutenção e desenvolvimento do próprio objeto social da instituição, como é o caso da Impugnante. 6.9. Assim, não resta dúvida que a renda obtida em aplicações financeiras não configura desvio de finalidade, porquanto não dissociada da atividade fim da Impugnante. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 7 6 7. Apresenta ainda, Impugnação ao Auto de Infração – PIS, fls. 728/737, em que, além dos argumentos das Impugnações anteriores, alega que: 7.1. A Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001, que permanece em vigor, trouxe disposições relevantes para as Instituições de Educação e de Assistência Social, no artigo 13. O art. 12 da Lei 9.532/97, por sua vez, indica as instituições de educação ou de assistência social que farão o pagamento do PIS/PASEP, conforme o art. 13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001. 7.2. Desta forma, estando as instituições de educação ou de assistência social enquadradas nos requisitos estabelecidos pelo art. 12 da Lei n°. 9.532/97, deverão efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP nos termos previstos no art. 13, ou seja, com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. A Impugnante é uma instituição de Educação, conforme previsto no art. 12 da Lei n°. 9.532/97. 7.3. Concluise, portanto, que, além de fazer jus à imunidade constitucionalmente prevista no art. 150, VI, "c", a Impugnante deve efetuar o pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. No caso da Impugnante, portanto, a base de cálculo para Contribuição ao PIS/PASEP é a folha de salários e não a receita, não havendo que se falar em PIS/PASEP incidente sobre receitas financeiras. Em face de tais argumentos, entenderam os membros da 15ª Turma da DRJ/RJI, por unanimidade de votos, dar parcial provimento a impugnação, para considerar procedentes apenas os lançamentos relativos ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cancelando, por via de consequência, os lançamentos referentes à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e à Contribuição para o PIS/PASEP. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 11.941/2009). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 IRPJ. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Os rendimentos de aplicações financeiras auferidos pelas instituições de educação sem fins lucrativos não estão abrangidos pela imunidade do art 150, inciso VI, alinea “c”, da Constituição Federal (art. 12, § 1º, da Lei nº 9.532/1997). Fl. 924DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 8 7 SUPSENSÃO DA VIGÊNCIA DO ART. 12, § 1º, DA LEI Nº 9.532/1997 (MEDIDA CAUTELAR NA ADIN Nº 18023). LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. CABIMENTO. A medida cautelar deferida no âmbito da ADIN nº 18023 suspendeu apenas a vigência do art. 12, § 1º, da Lei nº 9.532/1997, mantendo íntegra a eficácia da norma. É válido, portanto, o lançamento efetuado com base no referido dispositivo legal, no intuito de prevenir a decadência, observada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO APENAS SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DOS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. As instituições de educação sem fins lucrativos recolhem a contribuição para o PIS/PASEP sobre sua folha de salários (art. 13, inciso III, da Medida Provisória nº 2.15835/2001). Se não houve descaracterização da condição de entidade sem fins lucrativos, descabe a exigência de contribuição sobre os rendimentos de aplicações financeiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 COFINS. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS.ISENÇÃO SOBRE AS RECEITAS DECORRENTES DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. As instituições de educação sem fins lucrativos gozam de isenção da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias (art. 14,inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/2001). Uma vez que a legislação conceitua receitas de atividades próprias como sendo apenas aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais (art. 47, § 2º, da Instrução Normativa SRF nº 247/2002), há de se concluir que os rendimentos de aplicações financeiras estão sujeitos à incidência da Cofins. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE OS RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. As instituições de educação sem fins lucrativos são isentas de pagamento da CSLL (art. 15, caput e § 1º, da Lei nº 9.532/1997). Se não houve Fl. 925DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 9 8 descumprimento dos requisitos para gozo da isenção, descabe a exigência de contribuição sobre os rendimentos de aplicações financeiras. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em face do referido acórdão de Primeira Instância a FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA E EDUCAÇÃO FAESA interpôs Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Maurício Pereira Faro Conforme descrito no relatório, tratase, na origem, de Auto de Infração de Imposto e Renda de Pessoa Jurídica e tributos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS) lavrado referente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2007, tendo em vista que a Recorrente considerou como receita tributável os rendimentos auferidos em aplicações financeiras. O lançamento ocorreu com intuito de previnir a decadência, nos termos do artigo 63 da Lei 9430/96, tendo em vista que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa e, razão da ADIN 18023 (suspendeu a vigência do artigo 12, paragrafo primeiro da Lei 9532/97) e decisões favoráveis no MS nº 2001.50.01.0025509 (trânsito em julgado em 24.04.2012). No julgamento da DRJ, foram anulados os lançamentos referentes ao PIS e a CSLL, restando em curso apenas a discussão referente ao IRPJ e a COFINS. Assim, o presente Recurso Voluntário possui como objeto a discussão no sentido de que não seria devido o IRPJ e a COFNS, tendo em vista a imunidade prevista no artigo 150, VI, “c” da Constituição Federal. Assim, passemos aos pontos abordados no Recurso Voluntário do contribuinte item a item. Da coisa julgada Primeiramente, entendo que não há problema quando a Receita Federal utiliza o dispositivo constante no artigo 63 da Lei 9430/96 para realizar o lançamento com intuito de prevenir a decadência, tendo me vista que a lei assim a faculta: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 10 9 § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. No presente caso, fora respeitado a falta de lançamento de multa, motivo pelo qual entendo que os requisitos e pressupostos da lei foram respeitados. Seguindo adiante, lembro que a discussão aqui gerada versa sobre a vigência do artigo 12, paragrafo primeiro da Lei 9532/97, a qual houve a suspensão do dispositivo em, decorrência da Medida Cautelar obtida nos autos da ADIN 18023DF Em consulta ao site do Supremo Tribunal Federal, percebese que ainda não houve o julgamento definitivo daquela ADIN, conforme se depreende do relatório abaixo transcrito: ADI 1802 AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE (Processo físico) Origem: DF DISTRITO FEDERAL Relator: MIN. DIAS TOFFOLI REQTE.(S) CONFEDERAÇÃO NACIONAL DE SAÚDE HOSPITAIS ESTABELECIMENTOS E SERVIÇOS CNS ADV.(A/S) BRAZ LAMARCA JÚNIOR E OUTROS INTDO.(A/S) PRESIDENTE DA REPÚBLICA INTDO.(A/S) CONGRESSO NACIONAL Data Andamento Órgão Julgador Observação Documento 30/03/2010 Conclusos ao(à) Relator(a) 29/03/2010 Juntada PG nº 17074/2010, da ProcuradoriaGeral da República, reportandose às razões já deduzidas. 29/03/2010 Recebimento dos autos da ProcuradoriaGeral da República. 26/03/2010 Petição PG nº 17074/2010, da ProcuradoriaGeral da República, reportandose às razões já deduzidas. 22/02/2010 Vista à PGR 19/02/2010 Juntada PG nº 7718/2010, do AdvogadoGeral da União, apresentando defesa. 18/02/2010 Petição PG nº 7718/2010, do AdvogadoGeral da União, apresentando defesa. 17/12/2009 Vista ao AGU 10/12/2009 Despacho Em 7/12/2009:"Vistos.Observase que não houve, ao tempo, manifestação do AdvogadoGeral da União, nos termos do art. 103, § 3º, da Constituição Federal.Assim, abrase vista ao AdvogadoGeral da União, no prazo de 15 dias e, em seguida, ao ProcuradorGeral da República, no mesmo prazo." Fl. 927DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 11 10 23/10/2009 Substituição do Relator, art. 38 do RISTF MIN. DIAS TOFFO Contudo, em que pese o fato da referida ADIN nº 18023DF, ainda não ter sido julgada definitivamente, entendo que não assiste razão ao Fisco Federal. Isto porque, no curso do presente processo administrativo fiscal, houve o transito em julgado (fls.917) da decisão concedida nos autos do Mandando de Segurança nº 2001.50.01.0025509, no qual a Recorrente objetiva o afastamento da cobrança de Imposto de Renda sobre as receitas financeiras de organizações imunes. A referida decisão foi confirmada nos autos do RE nº 585.724, ocasião em que o mesmo transitou em julgado em 27/04/2012, com a seguinte ementa: DECISÃO: Tratase de recurso extraordinário (art. 102, III, b, da Constituição federal) interposto de acórdão, prolatado por Tribunal Regional Federal, cuja ementa possui o seguinte teor: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL E EDUCACIONAL SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 150, VI, `C´, DA CF/88. ART. 14 DO CTN. LEI 9.532/97. 1. A Constituição da República de 1988, em seu art. 150, VI, `c´, concedeu imunidade tributária sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive das fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. A lei, referida pela Constituição, é a lei complementar, tendo em vista o disposto no artigo 146, II, porque regulará uma imunidade tributária, que é uma limitação ao poder de tributar. 2. A impetrante atendeu as condições impostas pelo art. 14 do CTN de nãodistribuição de renda e patrimônio e aplicação integral, no país, dos recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, além de comprovar que foi declarada de utilidade pública federal e estadual e que possui certificado de entidade de fins filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social. 3. A Lei n.º 9.532/97 pretende excluir da imunidade constitucional concedida às instituições de educação e assistência social os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras. Ao regulamentar matéria que trata de restrição e perda de imunidade constitucional, através de lei ordinária, a referida norma invade seara de lei complementar. 4. O Supremo Tribunal Federal, apreciando a ADInMC n.º 1802 3DF, pacificou o entendimento de que o §1o do art. 12, assim como o art. 13, caput, e o art. 14 da Lei n.º 9.532/97 não podem ser aplicados, ao suspender a eficácia de tais dispositivos legais. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 12 11 5. Apelo e remessa necessária conhecidos e desprovidos.” (fls. 265) Alegase violação do disposto no art. 150, VI, c, e § 4º da Constituição federal. O recurso não merece seguimento. Esta Corte já decidiu que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição federal também abrange os investimentos financeiros das entidades a que se refere. Nesse sentido: RE 183.216AgRED (rel. min. Marco Aurélio, DJ de 02.06.2000); RE 232.080AgR (rel. min. Nelson Jobim, DJ de 31.10.2001); RE 230.281AgR (rel. min. Gilmar Mendes, DJ de 01.08.2003) e RE 424.507AgR (rel. min. Carlos Velloso, DJ de 22.10.2004). Ademais, este Tribunal, no julgamento de medida cautelar na ADI 1.802, considerou inconstitucionais os arts. 12, §§ 1º e 2º, f; 13, caput, e 14 da Lei 9.532/1997 e por isso os suspendeu. Confirase a ementa do referido julgado: “I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): 'instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei': delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2º (salvo a alínea f ) e 3º, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2º, f ; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1º do art. 12, da lei questionada. Fl. 929DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 13 12 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida — como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados ou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput , da L. 9.532/97 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta.”(ADI 1.802MC, rel. min. Sepúlveda Pertence, Tribunal Pleno, DJ de 13.02.2004 grifos originais) A partir do referido precedente, esta Corte vem reiteradamente aplicando o mesmo entendimento no julgamento imediato de recursos extraordinários e agravos de instrumento que versem sobre o tema. Confiramse: “CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO DE RENDA SOBRE RENDIMENTO E GANHOS DE CAPITAL. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. ARTIGO 12, § 1º, DA LEI 9.532/97. EFICÁCIA SUSPENSA. ADI 1.802 MC/DF. MEDIDA CAUTELAR. EFEITO `ERGA OMNES´. 1. Esta Suprema Corte, ao julgar a ADI 1.802MC/DF, deferiu, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do § 1º do artigo 12 da Lei 9.532/97. 2. Conforme dispõe o artigo 11, § 1º, da Lei 9.868/99, a medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade é dotada de eficácia contra todos. 3. O julgamento de medida cautelar em ação direta de inconstitucionalidade permite a análise imediata de recursos que tratem da matéria nela debatida. Precedente. 4. Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 480.021AgR, rel. min. Ellen Gracie, Segunda Turma, DJ de 08.02.2011) “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE [ART. 150, VI, `C´, DA CONSTITUIÇÃO do BRASIL]. ENTIDADE FILANTRÓPICA. AUSÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. ARTS. 12 A 14 DA LEI N. 9.532/97. INCONSTITUCIONALIDADE FORMAL. A imunidade das entidades de assistência social prevista no artigo 150, VI, `c´, da Constituição do Brasil, abrange rendimentos em aplicações financeiras enquanto não houver regulação do disposto no § 4º do artigo 150 da Constituição do Brasil por Lei Complementar. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” (AI 769.613AgR, rel. min. Eros Grau, Segunda Turma, DJ de 09.04.2010) “1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Art. 12, § 1º, da Lei 9.532/97. Inconstitucionalidade. Decisão mantida. Agravo regimental improvido. O Plenário da Corte entendeu pela inconstitucionalidade formal e material do art. 12, 1º, da Lei Fl. 930DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 14 13 9.532/97. 2. RECURSO. Agravo Regimental. Erro material. Conhecimento. Devemse corrigir erros materiais, ainda que sua correção não implique alteração do teor decisório do acórdão.” (AI 739.800AgR, rel. min. Cezar Peluso, Segunda Turma, DJ de 18.09.2009) No mesmo sentido: RE 612.618 (rel. min. Cármen Lúcia, DJ de 16.06.2010); AI 734.802 (rel. min. Ellen Gracie, DJ de 01.03.2010); RE 446.286 (rel. min. Gilmar Mendes, DJ de 13.10.2005); AI 509.052 (rel. min. Eros Grau, DJ de 25.11.2004); RE 424.506 (rel. min. Cezar Peluso, DJ de 31.05.2006); RE 475.571 (rel. min. Eros Grau, DJ de 03.08.2006) e AI 519.185 (rel. min. Cármen Lúcia, DJ de 12/06/2008). Dessa orientação não divergiu o acórdão recorrido. Do exposto, nego seguimento ao recurso extraordinário. Como dito, a decisão transitou em julgado em 27/04/202, conforme noticiado na certidão de fls. 917 dos autos. Assim, acredito que o lançamento para evitar a decadência, nos termos do artigo 63 da lei 9430/96 já cumpriu o seu propósito até o momento que era possível, ocasião em que agora já não possui mais efeitos. Ainda que não julgado definitivamente a ADIN 18023DF, entendo que negar provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte seria o mesmo que violar a coisa julgada obtida em decisão judicial, a qual, no presente caso foi favorável ao contribuinte. Sobre a coisa julgada, o nosso Código de Processo Civil assim dispõe: Art. 467. Denominase coisa julgada material a eficácia, que torna imutável e indiscutível a sentença, não mais sujeita a recurso ordinário ou extraordinário. Art. 468. A sentença, que julgar total ou parcialmente a lide, tem força de lei nos limites da lide e das questões decididas. Art. 469. Não fazem coisa julgada: I os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte dispositiva da sentença; Il a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença; III a apreciação da questão prejudicial, decidida incidentemente no processo. Art. 470. Faz, todavia, coisa julgada a resolução da questão prejudicial, se a parte o requerer (arts. 5o e 325), o juiz for competente em razão da matéria e constituir pressuposto necessário para o julgamento da lide. Art. 471. Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo: Fl. 931DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 15 14 I se, tratandose de relação jurídica continuativa, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte pedir a revisão do que foi estatuído na sentença; II nos demais casos prescritos em lei. Art. 472. A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não beneficiando, nem prejudicando terceiros. Nas causas relativas ao estado de pessoa, se houverem sido citados no processo, em litisconsórcio necessário, todos os interessados, a sentença produz coisa julgada em relação a terceiros. Ou seja, entendo que houve coisa julgada no presente momento, ocasião em que o lançamento para prevenir a decadência, tornouse inócuo, ante o transito em julgado da decisão que beneficia o contribuinte, motivo pelo qual o lançamento merece ser cancelado. Do lançamento da COFINS No que tange a COFINS entendo que, por ser um lançamento reflexo, o mesmo deverá seguir o principal, ou seja no presente caso a exoneração do credito tributário. No mais, como já afirmado, a Recorrente atende todos os requisitos especificados no artigo 14 do CTN, razão pela qual a mesma faz jus a imunidade do artigo 150, inciso VI, “c”, da CF. A medida Provisória nº 2.15835 de 24.08.2001 assim dispõe: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; Assim, toda a receita da Recorrente é destinada ao incremento das atividades e execução do objeto social da instituição. Nessa linha, a isenção estabelecida na Medida Provisória nº 2.15835/2001, abrange todos os fatos geradores posteriores a fevereiro de 1999, conforme disposto no artigo 14, motivo pelo qual enquadrase nos requisitos estabelecidos pelo artigo 12 da lei nº 9532/97, razão pela qual dou provimento ao Recurso Voluntario para a exoneração do crédito tributário pertinente a COFINS. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, e exonerar o crédito tributário pertinente ao IRPJ e a COFINS, confirmandose a parte favorável da decisão de primeira instância. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 15586.000305/200900 Acórdão n.º 1401001.210 S1C4T1 Fl. 16 15 É como voto. Maurício Pereira Faro Relator Fl. 933DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO, Assinado digitalmente em 07/10/201 4 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10183.720374/2007-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ADA, MITIGAÇÃO. A averbação tempestiva das áreas de reserva legal, preservação permanente e de interesse ecológico, em função de Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta do contribuinte com o órgão ambiental -IBAMA- supre a necessidade de apresentação de ADA para efeitos de isenção de ITR.
PERÍCIA. DEFERIMENTO. Conforme art. 145 da Lei 5.869/73, o deferimento de perícia está relacionado com a necessidade de conhecimento técnico ou científico especializado para o entendimento da prova apresentada. No caso dos autos, autoridades lançadora e julgadora, como operadoras do Direito Tributário, detêm conhecimento necessário ao entendimento e análise das provas apresentadas no processo.
Numero da decisão: 2101-002.593
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (a) afastar as preliminares de nulidade suscitadas e o pedido de realização de perícia e (b) no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para considerar 7.273,902 ha como área de reserva legal e 1.326 ha como área de interesse ecológico.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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E COM. S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 ADA, MITIGAÇÃO. A averbação tempestiva das áreas de reserva legal, preservação permanente e de interesse ecológico, em função de Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta do contribuinte com o órgão ambiental IBAMA supre a necessidade de apresentação de ADA para efeitos de isenção de ITR. PERÍCIA. DEFERIMENTO. Conforme art. 145 da Lei 5.869/73, o deferimento de perícia está relacionado com a necessidade de conhecimento técnico ou científico especializado para o entendimento da prova apresentada. No caso dos autos, autoridades lançadora e julgadora, como operadoras do Direito Tributário, detêm conhecimento necessário ao entendimento e análise das provas apresentadas no processo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em (a) afastar as preliminares de nulidade suscitadas e o pedido de realização de perícia e (b) no mérito, dar provimento em parte ao recurso, para considerar 7.273,902 ha como área de reserva legal e 1.326 ha como área de interesse ecológico. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 03 74 /2 00 7- 82 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, EIVANICE CANARIO DA SILVA, MARA EUGENIA BUONANNO CARAMICO, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEAO Relatório Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão 04 19.288 I' Turma da DRJ/CGE que manteve o crédito tributário do contribuinte relativamente ao exercício 2003 para o imóvel rural denominado Agropecuária São Vicente, NIRF 23412186, com área total de 14.549,8ha, localizado no município de Nova Lacerda/MT. A ciência do Acórdão de Impugnação ocorreu em 11/05/2010. A interposição do Recurso Voluntário ocorreu em 11/06/2010. O contribuinte informa que, da totalidade da área rural, 7.274,902ha. estão cobertos por florestas de reserva legal, 3.248,4378ha. estão cobertos por florestas de preservação permanente, e outros 1.326ha correspondem à área de interesse ecológico. Apresentou documentos contendo averbação AV4/1.425 de efolha 56 dos autos, feitas em 31/05/94, conforme Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta, firmado em 11/04/94 entre a proprietária e o IBAMA, aonde consta que 50% da área do imóvel rural fica gravada como de utilização limitada, para RESERVA LEGAL. Também consta averbação AV05.1425, de 01/11/99 de Termo de Responsabilidade de Averbação de Estação Ecológica, firmado em 30/07/1998 entre a proprietária e o IBAMA Superintendência Cuiabá MT, de 1.326ha gravada como de utilização limitada, destinada à estação ecológica. Conforme averbação AV2/1.125, de 21/02/2005 foi efetuada retificação imobiliária Georreferenciamento de imóveis rurais da propriedade para 14.549,8041ha. Tal área foi aceita pela autoridade fiscal por ocasião do lançamento de ofício. Em preliminares o recorrente pugna pelo reconhecimento da nulidade do julgamento em decorrência de cerceamento de defesa, tendo em vista o equivocado entendimento posto na decisão de que, na hipótese, há repartição do ônus probatório adotado pelo Decreto 70.235/1972. O Contribuinte solicitou perícia para permitir que a autoridade fiscal verificasse, in loco, a regularidade dos dados postos na declaração. Tal procedimento traria aos autos a verdade real dos fatos. O recorrente colaciona decisões judiciais para argumentar que: a) não há necessidade de apresentar ato declaratório e nem matrícula atualizada do imóvel para excluir da base de cálculo do ITR as áreas de preservação permanente e de reserva legal; b) cabe à Administração, e não ao contribuinte, demonstrar a falta de veracidade da declaração prestada. Mais ainda, na visão do recorrente, a existência de averbação da área, na data do fato gerador do ITR, não constitui condição essencial para o aproveitamento da isenção, já que a Lei 9.393/96 não impõe expressamente tal contrapartida específica ao proprietário rural. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720374/200782 Acórdão n.º 2101002.593 S2C1T1 Fl. 3 3 Ao final, pugna pela reforma da decisão recorrida para que seja decretada a nulidade do processo para realização de diligência; ou que seja decretada a nulidade ou improcedência do auto de infração com reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O Recurso Voluntário é tempestivo, atende aos requisitos legais e dele conheço. As situações de nulidade do procedimento fiscal estão definidas no art. 59 do Decreto 70235/72, conforme a seguir. Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O auto de infração do processo administrativo fiscal foi lavrado por autoridade competente e ao contribuinte foi dado o direito de defesa conforme mandamento Constitucional (inc.LV, art. 5, CF /88). Conforme o art. 14 do Decreto 70235/72, a impugnação tempestiva instaura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal. Ao contribuinte é permitido apresentar quaisquer provas admitidas em direito tendo em vista contraargumentar os fatos do lançamento fiscal. O direito de defesa consiste na apresentação de quaisquer provas idôneas e legais que justifiquem as informações lançadas pelo contribuinte no preenchimento da declaração relativa ao imposto. Não poderia o legislador deixar ao alvitre da autoridade fiscal buscar a comprovação das informações utilizadas pelo contribuinte. A inversão do ônus da prova nesse aspecto garante o direito de ampla defesa ao contribuinte dentro do processo administrativo fiscal. O recorrente alega cerceamento de defesa porque não lhe foi deferida perícia para que a autoridade lançadora/julgadora constatasse in loco os dados lançados na declaração de ITR. Conforme art. 145 do Código de Processo Civil Brasileiro (Lei 5869/73), o deferimento de perícia está relacionado com a necessidade de conhecimento técnico ou científico especializado para o entendimento de prova apresentada. Observase que, no caso deste processo, o conteúdo probatório é composto de documentos técnicos emitidos por serventias judiciais, órgãos públicos, profissionais devidamente qualificados e idôneos para produzir laudos e vistorias. A compreensão dos conteúdos dessas provas independe de conhecimento técnico ou científico especializado. Tanto a autoridade fiscal quanto as autoridades julgadoras, como operadores do Direito Tributário, possuem o conhecimento necessário para entender tais documentos e proceder a análise necessária à decisão no processo administrativo fiscal. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Conforme já repisado no Acórdão de Impugnação, existe sim a necessidade de apresentação de ADA para efeitos de isenção do tributo para áreas de preservação e de reserva legal. No caso de área de reserva legal, ainda é necessária a averbação da área destinada à reserva, na matrícula do imóvel. Tanto o ADA quanto a averbação devem ser tempestivos, i.e., terem sido feitos à época do fato gerador. Essa é a prova incontestável da contemporaneidade desses fatos. Ocorre que, sendo o ITR um tributo cujo lançamento é por homologação, a autoridade fiscal não interfere por ocasião do lançamento espontâneo do tributo. É o contribuinte o responsável por declarar o tributo e efetuar o pagamento sujeito à homologação pela Receita Federal num prazo de 5 anos, conforme art. 10 da lei 9.393/96. Não é necessário que o contribuinte, antes de fazer o lançamento e o pagamento do tributo apresente esses documentos à Receita Federal. Tal procedimento visa facilitar o recolhimento do tributo, evitando burocracia desnecessária ao contribuinte num primeiro momento. Entretanto, caso exigido pela autoridade fiscal, deverá comprovar as informações da declaração. A autoridade fiscal tem o poderdever de, em encontrando alguma irregularidade/inconsistência, intimar o contribuinte para comprovar as informações prestadas ao fisco por ocasião do lançamento por homologação. Importante considerar que, muito embora o esforço do recorrente em apresentar julgados sobre o assunto, as decisões judiciais ou administrativas possuem efeito interpartes e, portanto, somente aproveita aos litigantes no processo específico. Relativamente à área de Reserva Legal, entendo que o Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta gravou 50% da área da propriedade como de utilização limitada. Desta forma, considerando a adequação do tamanho da propriedade dado o georreferenciamento, tal área teria ficado reduzida para 7.273,902ha. A averbação de efl. 56 dos autos é anterior ao fato gerador e, portanto, deve ser considerada. Da mesma forma, a área averbada como de Estação Ecológica, de 1.326 ha. Essas duas áreas foram apartadas no registro do imóvel rural, por exigência do órgão ambiental IBAMA, tendo em vista Termos de Responsabilidade e Preservação da Floresta. O Ato Declaratório Ambiental é uma exigência legal, conforme disposto no art. 17O da Lei nº 6.938/1981, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165/2000, e visa municiar o órgão ambiental com informações para o planejamento do cumprimento das normas ambientais pelos contribuintes. Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...) § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, , de 2000) No caso dos autos, considero que o órgão ambiental IBAMA está ciente da existência de tais áreas e pode proceder a fiscalização, podendo ser mitigada a exigência do Ato Declaratório Ambiental para fins de isenção de ITR. Muito embora já tratado no Acórdão guerreado, enfatizo que a obrigatoriedade da averbação de reserva legal está consignada no parágrafo 8o., art. 16, da Lei nº 4.771/1965 (Código Florestal), conforme a seguir. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10183.720374/200782 Acórdão n.º 2101002.593 S2C1T1 Fl. 4 5 § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. Diante do exposto, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para considerar 7.273,902ha como área de reserva legal e 1.326 ha como área de interesse ecológico, ambas averbadas conforme Termo de Responsabilidade e Preservação da Floresta firmado entre o contribuinte e o órgão ambiental IBAMA. Recurso provido em parte. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 160DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 30/10/ 2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012294/2008-20
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-003.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvidas quanto à prestação dos serviços. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para comprovar a efetividade dos serviços e dos correspondentes pagamentos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Carlos César Quadros Pierre e Flavio Araujo Rodrigues Torres. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 22 94 /2 00 8- 20 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Acórdão n.º 2801003.816 S2TE01 Fl. 85 2 Trata o presente processo de notificação de lançamento que diz respeito a Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), referente ao exercício de 2007, por meio da qual se exigiu do contribuinte o credito tributário de R$ 11.473,87. O lançamento é decorrente da apuração de dedução indevida a título de Despesas Médicas, no valor de R$21.450,00, e dedução indevida de incentivo, no valor de R$150,00. Em sua impugnação, a Contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do acórdão recorrido: Inicialmente, faz um breve relato dos fatos. Em sede preliminar, diz não concordar com o posicionamento do auditor fiscal posto que os recibos emitidos pelo Dr. Mauri do Carmo Ceolin estão em conformidade como disposto no regulamento do IR. Diz que, ademais, não encontrou em todo o ordenamento jurídico brasileiro, lei que estipule a obrigação de manter conta corrente, tão pouco a obrigação de manter microfilmagens de cheques emitidos anexados aos recibos dos pagamentos que efetua, sejam a que título for, também não encontrou tal orientação no regulamento do IR no concernente às despesas dedutíveis. Com relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, no valor de R$150,00, pagos aos Instituto Cidadania Unimed BH, via lei Rouanet, este devidamente comprovado pela documentação anexa, foi deduzido conforme previsão legal do artigo 12, inciso II e § I o , da Lei n° 9.250/95; artigo 22 da lei n° 9.532/97, artigo 18 e 26 da Lei 8.313/91, com alterações pela Medida Provisória n° 2.2281, artigo 87 inciso II e § I o do Decreto n° 3000/99 RIR/99, estando portanto equivocado o auditor fiscal ao glosar tal dedução. Ressalta que o Termo de Intimação Fiscal de n° 2007/606346276261025 foi devidamente respondido, não podendo ser penalizada. Entende que os serviços que utilizou no ano de 2006 e lançou em sua declaração, a título de dedução de despesas médicas, enquadramse perfeitamente neste fundamento legal. Ressalta que no artigo 8o , parágrafo 2o , alínea "a", III, da Lei 9.250/95, o legislador deixou claro que na falta dos recibos a dedução poderia ser feita através de indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Cita jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. Diz que o auditor desvirtuou seu entendimento ao glosar as referidas despesas odontológicas, pois notase que há previsões legais e jurisprudências favoráveis ao contribuinte. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Acórdão n.º 2801003.816 S2TE01 Fl. 86 3 Alega que consta que o Dr. Mauri do Carmo Ceolin fez os recolhimentos do carne leão, o qual comprova que realmente foi prestado o serviço à sua pessoa, e que os valores foram oferecidos a tributação do IR, pelo prestador dos serviços. No mérito diz que os recibos em tela preenchem os requisitos de admissibilidade, pois, cumprem as limitações dispostas no artigo 80, § 1ºº , inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/99), essenciais para sua validade. Alega que o Código Civil Brasileiro em seu artigo 320 também tratou desse tema. " . Em relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, no valor de R$150,00, pagos aos Instituto Cidadania Unimed BH, via lei Rouanet, preenche também os requisitos de admissibilidade, e está devidamente comprovado pela documentação anexa, foi deduzido conforme previsão legal do artigo 12, inciso II e § I o , da Lei n° 9.250/95; artigo 22 da lei n° 9.532/97, artigo 18 e 26 da Lei 8.313/91, com alterações pela Medida Provisória n° 2.2281, artigo 87 inciso II e § I o do Decreto n° 3000/99 RIR/99. Conclui que não pode prevalecer o entendimento da delegacia de falta de comprovação do efetivo pagamento, pois sentese injustiçada, primeiro, porque os serviços lhe foram prestados e apresentou os recibos, bem como suas declarações de IR e sua movimentação financeira são condizentes com seus gastos. Segundo, porque jamais foi orientada, seja por esta delegacia da Receita Federal seja pelo ordenamento jurídico, a guardar extratos bancários e microfilmes dos cheques que emite e dos saques que efetua em sua conta corrente. Em relação ao comprovante da doação efetuada ao projeto de incentivo à cultura, foi deduzido conforme previsão legal já citada e glosada sem a observância do auditor fiscal da legislação vigente, tendo em vista que foi entregue uma cópia do comprovante ora citado em oportunidade anterior a esta delegacia. Solicita que os recibos devidamente identificados, datados e assinados, conforme determina o art. 80, § I o , II e III, bem como o recibo de incentivo à cultura, conforme artigo 12, inciso II e I o , da lei 9.250/95; artigo 22 da lei 9.532/97, artigo 18 e 26 da lei 8313/91 com alterações da Medida Provisória 22281, artigo 87 inciso II e § I o , do Decreto n° 3000/99 RIR/99, sejam acatados como documentos idôneos que são, e que sejam seus valores restabelecidos em sua declaração de Imposto de Renda como deduções da base de cálculo do Requer seja acolhida a impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. A 5ª Turma da DRJ/BHE/MG julgou procedente em parte a impugnação para restabelecer a dedução de incentivo. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Acórdão n.º 2801003.816 S2TE01 Fl. 87 4 Regularmente cientificada daquele acórdão em 16/01/2012 (fl. 51), a Interessada interpôs recurso voluntário de fls. 53/56, em 17/01/2012 (fl. 71). Em sua defesa, repete os argumentos da impugnação. Conforme Resolução 2801000.292, às fls. 73/76, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que se juntasse ao processo o(s) termo(s) de intimação para comprovação do efetivo pagamento e o(s) comprovante(s) de ciência da contribuinte. Cumprida a referida diligência, conforme documentos de fls. 79/82, os autos retornaram ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguimento. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. De acordo com a descrição dos fatos constantes da notificação em apreço, às fls. 10/11, a Contribuinte, após ser devidamente intimada, não apresentou os documentos hábeis (p. ex.: cópias de cheques nominais, extratos ou depósitos bancários, ordem de pagamento, entre outros) para comprovar os efetivos pagamentos a Mauri do Carmo Ceolin (CPF 134.858.73691), cirurgião dentista, no montante de R$21.450,00. Como não se encontrava, nos autos, a intimação que solicitou à Contribuinte a comprovação do efetivo pagamento das referidas despesas médicas, o julgamento foi convertido em diligência à unidade de origem para que se juntasse ao processo o(s) termo(s) de intimação para comprovação do efetivo pagamento e o(s) comprovante(s) de ciência da contribuinte. Em atendimento, foram anexados, às fls. 79/81, o Termo de Intimação para comprovação do efetivo pagamento ao profissional Mauri do Carmo Ceolin e o correspondente comprovante de ciência da Contribuinte. Por sua vez, a Interessada, desde a fase impugnatória, requer o reconhecimento da comprovação das despesas médicas em discussão sem, contudo, aditar os elementos de provas que demonstram a efetividade dos correspondentes pagamentos. No caso sob exame, como a Recorrente não carreou aos autos as provas consideradas necessárias pela autoridade lançadora, denota que o procedimento fiscal foi acertado, porquanto indique a inexistência das despesas, ressalvada a comprovação contrária, que o interessado não logrou produzir, salientandose que, na análise de prova, à instância julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Acórdão n.º 2801003.816 S2TE01 Fl. 88 5 Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Salientese que não se trata de exigências descabidas ou ilegais, já que a legislação que rege a matéria dispõe que todas deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, conforme se depreende dos dispositivos abaixo, cabendo à Contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). O que não cabe aqui é admitirse a dedução de despesas médicas em valor significativo, como na espécie, sem tais comprovações. Assim, tão importante quanto o preenchimento dos requisitos formais do documento comprobatório da despesa, é a constatação da efetividade do pagamento direcionado ao fim indicado. Isto quer dizer que os documentos relacionados às despesas permitidas como dedução da base de cálculo do imposto sobre a renda não representam uma presunção absoluta e inquestionável, pois, sempre que necessário, a autoridade tributária poderá exigir do sujeito passivo a comprovação da sua efetividade/pagamento. Portanto, a exigência de comprovação do efetivo pagamento encontrase amparada na legislação e nos elementos fáticos existentes, razão pela qual deve ser mantida a glosa correspondente, ainda que o contribuinte demonstre disponibilidade de recursos para o pagamento das despesas glosadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10680.012294/200820 Acórdão n.º 2801003.816 S2TE01 Fl. 89 6 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10675.906648/2009-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 307 1 306 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.906648/200959 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.060 – 3ª Turma Data 13 de novembro de 2013 Assunto REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO Recorrente BANCO TRIANGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 06 64 8/ 20 09 -5 9 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906648/200959 Resolução nº 9303000.060 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 294DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906648/200959 Resolução nº 9303000.060 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.906648/200959 Resolução nº 9303000.060 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 296DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10972.000086/2010-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1301-000.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do disposto no parágrafo 1º do art. 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
documento assinado digitalmente
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento, nos termos do disposto no parágrafo 1º do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. “documento assinado digitalmente” Valmar Fonseca de Menezes Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 72 .0 00 08 6/ 20 10 -1 7 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.242 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 2005, formalizadas em razão da imputação das seguintes infrações: i) omissão de receitas, apurada a partir da análise de depósitos bancários não contabilizados; ii) apropriação do resultado de despesas tidas como indedutíveis (brindes); iii) apropriação no resultado de perdas no recebimento de créditos sem observância dos requisitos legais; e iv) insuficiência de recolhimento do imposto e da contribuição social sobre o lucro líquido. Inconformada, a contribuinte interpôs impugnação parcial (fls. 638 e seguintes), por meio da qual argumentou: que a eventual falta de escrituração de alguns depósitos bancários não constitui, necessariamente, omissão de receitas; que, no presente caso, a falta de escrituração de alguns depósitos bancários constitui apenas uma mera irregularidade formal, a qual ocorreu, única e exclusivamente, por uma falha cometida pelo setor de controle financeiro e pelo contador daquela época; que tal fato não trouxe qualquer reflexo na tributação das receitas auferidas pela empresa; que a falta de escrituração de alguns depósitos bancários não constitui omissão de receitas porque os valores dos referidos depósitos não se referem a entradas de valores ainda não tributados. que possui um sistema de controle financeiro, denominado "FLUXO DE CAIXA MENSAL", o qual se constitui num "espelho" do extrato bancário com o ACRÉSCIMO de informações que identificam a ORIGEM de todos os valores que são creditados/depositados na conta, bem como informa a destinação de todos os valores que saem da referida conta; que parte deste controle foi apresentado ao Fisco durante a Fiscalização e aceito para a comprovação da origem de outros depósitos, conforme podese constatar pelas suas cópias fartamente juntada aos autos; que a partir deste sistema de controle foi possível identificar as ORIGENS dos recursos relativos aos depósitos tidos pelo Fisco como não contabilizados; que, com base nas informações deste sistema, elaborouse o "ANEXO I DEMONSTRATIVO DAS ORIGENS DOS RECURSOS DEPOSITADOS EM BANCOS", no qual se identifica e comprova as ORIGENS dos valores que foram depositados nas várias contas bancárias, para os quais a Fiscalização não localizou os lançamentos contábeis pertinentes, ficando evidenciada a inocorrência de omissão de receitas; Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.243 3 que por este Demonstrativo constatase que os depósitos tidos como não contabilizados, no valor total de RS 145.831,96 tiveram as seguintes origens: R$ 96.475,04 referemse ao recebimento de notas fiscais de vendas emitidas por ela própria, cuja receita foi corretamente contabilizada nos Livro Registro de Saídas e Diário e regularmente oferecida à tributação; R$ 35.000,00 referemse a transferências bancárias, via TED, entre contas dela própria, constituindose, assim, apenas em mutação patrimonial sem qualquer reflexo no resultado tributável; e R$ 14.356,92 referemse a meros depósitos de valores que se encontravam na conta caixa e foram transferidos para os bancos. que, por tais razões, como demonstrado no referido ANEXO I, a falta de escrituração de alguns depósitos bancários não caracteriza omissão de receitas. que, na remota e improvável hipótese de remanescer qualquer valor a tributar como omissão de receita, não cabe a incidência de PIS e COFINS sobre os respectivos montantes, pois cumpre esclarecer que os produtos (adubos e fertilizantes), bem como suas matérias primas, classificados no Capítulo 31 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, por força do disposto no art. 1° da Lei n° 10.925/2004, tiveram as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0 (zero), a partir de julho de 2004; que, assim, constatase que toda a sua receita advém da comercialização de produtos não sujeitos a incidência de PIS e COFINS; que, em razão do exposto, ainda que se apurasse qualquer valor a título de omissão de receita, este não estaria sujeito a incidência de PIS e da COFINS. A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora, Minas Gerais, apreciando as razões trazida pelas defesa, decidiu, por meio do acórdão nº 09 43.087, de 14 de março de 2013, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizamse omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. PIS. COFINS. ISENÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADOS. Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.244 4 Não tendo o contribuinte logrado comprovar a origem de parte dos recursos ingressados em sua conta corrente, não há como acolher a tese de que se tratam de operações isentas e/ou não tributadas pela legislação do PIS e da Cofins. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase no que couber aos litígios decorrentes, no caso relativo à CSLL, PIS e Cofins, quanto à mesma matéria fática. Irresignada, a contribuinte apresenta recurso voluntário de fls. 1.166/1.179, por meio do qual renova a argumenta expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.245 5 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Diante das disposições regimentais vigentes, aprecio a possibilidade de prosseguimento do julgamento da lide. Para tanto, sirvome do laborioso estudo efetuado pelo ilustre Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, o qual transcrevo a seguir. Dentre as matérias afetas ao julgamento do presente processo, no que diz respeito ao princípio da legalidade do qual a autoridade administrativa não pode se afastar, está questão inerente ao acesso dos dados bancários, sem ordem judicial, por parte da autoridade fiscal. Em 15 de dezembro de 2010, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, por maioria, proferiu decisão que pode ser sintetizada na ementa abaixo transcrita, publicada no DJe086 em 10052011. Ementa SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto no inciso XII do artigo 5º da Constituição Federal, a regra é a privacidade quanto à correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações, ficando a exceção – a quebra do sigilo – submetida ao crivo de órgão equidistante – o Judiciário – e, mesmo assim, para efeito de investigação criminal ou instrução processual penal. SIGILO DE DADOS BANCÁRIOS – RECEITA FEDERAL. Conflita com a Carta da República norma legal atribuindo à Receita Federal – parte na relação jurídicotributária – o afastamento do sigilo de dados relativos ao contribuinte. À luz do artigo 26A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, a seguir transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o fundamento de inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade da norma. Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). .... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.246 6 Ocorre que o acórdão exarado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido de modificação da decisão. Pelo que apurei em pesquisa realizada em 28/01/2012, os citados embargos foram recebidos por despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontramse pendentes de julgamento. Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível, nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº 105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001. A questão relacionada à alegação de impossibilidade de acesso aos dados bancários também está em pauta no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG. Em 20/11/2009, ao examinar o Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, relatado pelo Ministro Ricardo Lewandowski, o Supremo Tribunal Federal reconheceu, quanto à matéria, a existência de repercussão geral, nos termos do artigo 542B, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão: EMENTA: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. Fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao fisco, sem prévia autorização judicial (lei complementar 105/2001). Possibilidade de aplicação da lei 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral. O tratamento a ser dispensado aos processos com repercussão geral encontrase no artigo 543B, do CPC, o qual transcrevo: Art. 543B. Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica controvérsia, a análise da repercussão geral será processada nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, observado o disposto neste artigo. (acrescentado pela Lei 11.418, de 2006). § 1º Caberá ao Tribunal de origem selecionar um ou mais recursos representativos da controvérsia e encaminhálos ao Supremo Tribunal Federal, sobrestando os demais até o pronunciamento definitivo da Corte. (grifei). § 2º Negada a existência de repercussão geral, os recursos sobrestados considerarseão automaticamente não admitidos. § 3º Julgado o mérito do recurso extraordinário, os recursos sobrestados serão apreciados pelos Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais, que poderão declarálos prejudicados ou retratarse. § 4º Mantida a decisão e admitido o recurso, poderá o Supremo Tribunal Federal, nos termos do Regimento Interno, cassar ou reformar, liminarmente, o acórdão contrário à orientação firmada. Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.247 7 § 5º O Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal disporá sobre as atribuições dos Ministros, das Turmas e de outros órgãos, na análise da repercussão geral. Observo que reconhecida a repercussão geral, à luz do parágrafo único do artigo 543B, do CPC, cabe ao tribunal de origem, isto é, aos tribunais “a quo”, sobrestar os demais processos. O fato dos tribunais estaduais ou regionais poderem remeter ao STF um ou mais processo representativo da situação de repercussão geral não quer dizer que em relação aos demais exista necessidade de ato específico para que sejam sobrestados. O sobrestamento decorre da lei. Não se pode confundir o ato de selecionar processos representativos da controvérsia, para que o STF tenha pleno conhecimento da matéria, com o ato de sobrestamento dos demais processos. São duas situações distintas tratadas no parágrafo único do artigo 543B. O sobrestamento dos processos pendentes de julgamento nos tribunais estaduais ou regionais decorre da lei, isto é, no caso do STF, do artigo 543B, parágrafo único e, no caso do STJ, do art. 543C, parágrafo único, do CPC. Conforme observado anteriormente, cabe aos tribunais de origem suspender o processamento dos recursos especiais ou extraordinários quando versarem sobre matéria com repercussão geral reconhecida. Porém, não adotada tal providência, o relator poderá determinar formalmente que se a observe. Isto que está previsto no § 2o. do artigo 543C, que se refere ao STJ, mas igualmente adotado pelo STF que já expediu atos neste sentido. Do Regimento Interno do STF Quando da entrada em vigor dos artigos 543B e 543C, ambos do CPC, existia pendente de julgamento no STF e no STJ processos já admitidos pelos tribunais de origem. Em relação a estes processos ou a todos quanto chegarem ao STF tratando de matéria em relação a qual for reconhecida repercussão geral, aplicase o disposto no artigo 328 do Regimento Interno, a seguir transcrito: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (grifei). Quando do reconhecimento de repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, não identifiquei pronunciamento do relator ou do Presidente da Corte determinando a devolução de processos com a mesma matéria para que aguardassem o desfecho do citado Recurso Extraordinário. Quanto ao sobrestamento, na origem, dos processos com a mesma matéria, esta decorre do disposto na segunda parte do § 1o., do artigo 543B, CPC, que ao se reportar aos tribunais de origem usa as expressões “sobrestando os demais processos até o pronunciamento definitivo da corte.” (grifei). Fl. 1247DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.248 8 Há que se perceber a diferença entre: a) sobrestar os demais processos na origem (art. 543B, parágrafo único, do CPC) e; b) determinar a devolução dos demais aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil (art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno do STF). O sobrestamento na origem diz respeito aos processos que ainda não foram remetidos ao STF. A devolução de que trata o Regimento Interno do STF dáse quando os processos já estiverem no STF e este entender que eles devam ser devolvidos à origem até decisão daquele em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral. Importante observar que o sobrestamento é para os processos ainda não remetidos ao STF. Quanto aos processos que se encontram no STF podem ocorrer duas situações: devolução à origem ou julgamento pela Corte. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, que inobstante tratar sobre matéria para a qual já havia sido reconhecido repercussão geral (RE 601.314/MG), foi julgado pela em 15122010. Ainda sobre o tema, o Ministro Ricardo Lewandowski, relator do processo acerca do sigilo bancário em relação ao qual foi reconhecida repercussão geral, em 19/10/2010, quando do exame do Agravo de Instrumento nº 765.714, proferiu decisão com o seguinte conteúdo: “Tratase de agravo de instrumento contra decisão que negou seguimento a recurso extraordinário interposto de acórdão, cuja ementa segue transcrita: “TRIBUTÁRIO. SIGILO BANCÁRIO. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO DA LEI 9.311/96 (ART. 11, § 3º). APROVEITAMENTO DE DADOS PARA CONSTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A Lei 4.595/64 permitia o acesso aos agentes fiscais tributários de documentos, livros e registros de contas de depósitos quando houvesse processo instaurado e quando tais documentos fossem considerados indispensáveis pela autoridade competente. A jurisprudência se manifestou, afirmando que o processo seria o judicial e a autoridade competente seria a judiciária. 2. Em 2001, essa matéria foi alterada, tendo sido editada a Lei Complementar 105. Não há inconstitucionalidade nessa legislação, pois, na coexistência de dois bens ou valores protegidos constitucionalmente, devese sobrepor o que visa atender ao interesse público e não ao interesse privado. Os direitos fundamentais não são absolutos e podem sofrer abalo se colocados em conflito com outro valor que deva ter preferência. 3. A fiscalização pela autoridade administrativa é instrumento de arrecadação tributária pelo Estado, que, por sua vez, visa atender ao princípio da capacidade contributiva (tributando quem capacidade detém) e ao da isonomia (tributando todos aqueles que podem ser tributados), corolários dos objetivos da República de construção de Fl. 1248DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.249 9 uma sociedade justa e solidária e de redução das desigualdades sociais. 4. Diante do princípio da irretroatividade das leis, a utilização dos dados da CPMF para apuração de eventual crédito tributário relativo a tributos diversos é vedada para anos anteriores ao de 2001. Fatos ocorridos e já consumados não se regem por lei nova, mas sim pelas leis que vigoravam no seu tempo. Leis novas valem para o futuro. 5. Na redação original do art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96, o legislador impunha à Secretaria da Receita Federal “o sigilo das informações prestadas” e vedava sua utilização para a constituição de crédito relativo a outros tributos. Tratavase de norma que impunha o sigilo e vedava a constituição de outros tributos com a utilização dos dados da CPMF, resguardando um direito do contribuinte, e sendo, portanto, norma material ou substantiva e não processual ou adjetiva sobre a qual se aplicaria o art. 144, § 1º, do Código Tributário Nacional. 6. Apelação provida em parte” (fls. 4950). No RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição, alegouse ofensa, em suma, ao art. 5º, X e XII, da mesma Carta. No caso, o recurso extraordinário versa sobre matéria sigilo bancário, quebra. Fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes diretamente ao Fisco, sem autorização judicial (Lei complementar 105/2001, art. 6º). Aplicação retroativa da Lei 10.174/2001, que alterou o art. 11, § 3º, da Lei 9.311/96 e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência cuja repercussão geral já foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal (RE 601.314RG/SP, de minha relatoria). Isso posto, preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dou provimento ao agravo de instrumento para admitir o recurso extraordinário e, com fundamento no art. 328, parágrafo único, do RISTF, determino a devolução destes autos ao Tribunal de origem para que seja observado o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso extraordinário discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314RG/SP. (grifei). A devolução dos autos ao Tribunal de origem para que se aguarde a decisão do RE 601.314/MG, nos termos do 543B, do CPC, nada mais é do que o sobrestamento, atribuição que nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, é do relator ou do Presidente da Corte. Quanto ao processamento e julgamento junto ao Carf, o artigo 62A, § 1º e 2º, do Regimento Interno, assim dispõe: Art. 62 ...... § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B, do CPC. Fl. 1249DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES Processo nº 10972.000086/201017 Resolução nº 1301000.172 S1C3T1 Fl. 1.250 10 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, prevê que nos casos em que se verificar a subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, tanto o relator quanto o Presidente do Tribunal podem determinar a devolução dos demais processos aos tribunais de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. No caso do AI 765714/SP, o relator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, processado pelo regime da repercussão geral, determinou o retorno à origem para que os autos do AI 765714/SP ficasse sobrestado, observandose o disposto no art. 543B do CPC, visto que no recurso discutese questão idêntica à apreciada no RE 601.314 RG/SP. No momento em que o Ministrorelator do Recurso Extraordinário nº 601.314/MG, com repercussão geral, no A.I. 765.714/SP determinou o retorno dos autos à origem para observarse o disposto no artigo 543B, do CPC, a conclusão a que chego é que tal procedimento corresponde ao sobrestamento previsto no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do Carf. Acolhendo, por inteiro, a conclusão esposada no estudo acima reproduzido, conduzo meu voto no sentido de SOBRESTAR os presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1250DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 06/1 2/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MEN EZES
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