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Numero do processo: 15374.923453/2009-81
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 19/04/2010
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/89, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970. A exclusão do Icms pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.979
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 19/04/2010 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/89, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970. A exclusão do Icms pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 19/04/2010 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/89, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao “valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970. 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(assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 92 34 53 /2 00 9- 81 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 19/04/2010 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA Demonstrados no despacho decisório, com absoluta clareza, os fatos que ensejaram a nãohomologação da DCOMP e a sua correta fundamentação legal, é de se rejeitar a preliminar argüida, por total falta de fundamento. PERÍCIA/DILIGÊNCIA Indeferemse as perícias ou diligências solicitadas quando a autoridade julgadora as entende desnecessárias e prescindíveis em face dos dispositivos legais em vigor. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS Conforme explicita o art. 47, II, "a", do CTN, a base de cálculo do IPI é dada pelo "valor da operação de que decorrer a saída da mercadoria”. O ICMS, conforme já explicitado pelo Parecer CST nº 39/70, como "parte integrante" do valor da operação, se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. INEXISTÊNCIA DE SALDO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada e demonstrada nos autos a inexistência do saldo do pagamento supostamente indevido utilizado como lastro da DCOMP, é de ser não homologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., pleiteia a reforma do acórdão recorrido, sustentando que mesmo não estaria amparada pelas novas decisões proferidas pelos Tribunais relativas à exclusão do Icms base de cálculo do PIS/Pasep, Cofins e IPI. É o relatório. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923453/200981 Acórdão n.º 3802002.979 S3TE02 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 08/12/2011 (fls. 72), interpondo recurso tempestivo em 29/12/2011 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. A base de cálculo do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), de acordo com o art. 14, II, da Lei n.° 4.502/1964, na redação do art. 15 da Lei n.° 7.798/1989, e com o art. 47, II, a, do Código Tributário Nacional (CTN), corresponde ao “valor total da operação de que decorrer a saída do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial”, compreendendo as despesas acessórias (Parecer Normativo CST nº 341/1971) e o ICM, de acordo com o Parecer Normativo CST nº 39/1970: “IPI CÁLCULO DO IMPOSTO VALOR TRIBUTÁVEL É o preço da operação de que decorrer o fato gerador, excluídas tão somente as parcelas expressamente autorizadas na lei; o ICM, como "parte integrante" desse preço (DL no 406, de 1968, art. 2o , § 7o ), se inclui, consequentemente, no valor tributável do IPI.” Embora o Parecer Normativo CST nº 39/1970 refirase ao ICM, o mesmo aplicase ao atual Icms, na linha do que ensina o eminente Professor José Roberto Vieira, ao ressaltar que “[...] se o montante do ICMS integra o valor da operação (DecretoLei n. 406/68, art. 2o, I e § 7o) e se este valor é a base de cálculo do IPI, axiomático é o cálculo deste imposto sobre aquele” 1. Na mesma linha, cumpre destacar os Acórdãos nº 3802001.968, desta Turma, e o nº 3302002.159, da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara: “IPI. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O ICMS compõe o valor da operação de que decorre a saída de mercadoria de estabelecimento contribuinte do IPI, logo, integra a base de cálculo deste. Recurso Voluntário Negado.” (CARF. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.968. Rel. Conselheiro Paulo Sergio Celani. P. 19/11/2013, g.n.). “[…] BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. VALOR TOTAL DA OPERAÇÃO. A base de cálculo ou valor tributável do imposto corresponde ao valor total da operação da qual decorra a saída de produtos nacionais do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial, compreendendo o preço do produto, acrescido do 1 VIEIRA, José Roberto. A regramatriz de incidência do IPI: texto e contexto. Curitiba: Juruá, 1993, p. 117 e ss. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 valor do frete e das demais despesas acessórias, cobradas ou debitadas pelo contribuinte ao comprador ou destinatário (art. 131 do RIPI/2002). EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO. Por falta de previsão legal é incabível excluir da base de cálculo o ICMS, incluso no valor da nota fiscal, por compor o preço do produto. […] Recurso Voluntário negado” (CARF. 3ª S. 2ª T.O. 3ª C. Acórdão nº 3302002.159. Rel. Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó. P. 02/09/2013, g.n.). Portanto, o conhecimento do alegado direito de crédito do Recorrente pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade (nãorecepção) da inclusão do Icms na base de cálculo do IPI, matéria que, como se sabe, de acordo com a Súmula CARF nº 02, não se insere no âmbito de competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, ressalvadas as hipóteses do art. 62 do Regimento Interno: “Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993.” Portanto, não estando o caso em exame inserido em qualquer das hipóteses do art. 62 do Regimento Interno, incide a Súmula CARF nº 02, o que inviabiliza o reconhecimento do alegado direito creditório do Recorrente. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 15374.923453/200981 Acórdão n.º 3802002.979 S3TE02 Fl. 123 5 Fl. 125DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917837/2011-31
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3802-000.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn.
Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por maioria, em converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem certifique se as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. Designado para redigir a resolução o Conselheiro Solon Sehn. Vencido o Conselheiro Waldir Navarro, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral Dr. Maurício Bellucci, OAB/SP 161.851. Relatório e Voto RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 83 7/ 20 11 -3 1 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917837/201131 Resolução nº 3802000.177 S3TE02 Fl. 132 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG, que, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada em face da nãohomologação de compensação. Aduziu a Recorrente que a origem do crédito seria decorre da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo STF (Supremo Tribunal Federal). Informa que a contribuição em tela foi apurada sobre a “receita bruta”, com base no dispositivo referenciado ainda em vigor. Com a declaração de inconstitucionalidade do parágrafo acima, que promoveu o alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS, houve por bem a recorrente efetuar uma revisão contábil interna, ocasião em que se constatou recolhimento a maior da contribuição no período mencionado. Sustenta ainda que a decisão do STF deve ser reproduzida pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no artigo 62A, Regimento Interno (Portaria MF nº 256/09). Aduz a prescindibilidade da retificação da DCTF, apresentando, ao final, documentação contábil e fiscal, bem como demonstrativo do débito. Ao final, requer que seu recurso seja conhecido e provido, reformandose o acórdão recorrido e subsidiariamente, caso não seja esse o entendimento deste colegiado, o retorno do autos a DRJ de origem para que, em instancia inicial, proceda a análise de toda documentação apresentada, pugnando pela juntada posterior de documentos, bem como, sendo necessária, a conversão do julgamento em diligência. É o Relatório. Por conter matéria de competência deste Colegiado, estando o crédito pleiteado dentro do seu limite de alçada e presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte. Como se sabe, o §1º do art. 3o da Lei no 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE no 346.084/PR: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.917837/201131 Resolução nº 3802000.177 S3TE02 Fl. 133 3 classificação contábil adotada. (STF. T. Pleno. RE 346.084/PR. Rel. Min. ILMAR GALVÃO. Rel. p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO. DJ 01/09/2006). Esse entendimento foi reafirmado pela jurisprudência do STF no julgamento de questão de ordem no RE no 585.235/RG, decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B), no qual também foi deliberada a edição de súmula vinculante sobre a matéria: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (STF. RE 585235 RGQO. Rel. Min. CEZAR PELUSO. DJ 28/11/2008). Assim, apesar de ainda não editada a súmula vinculante, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno, o que implica o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998. Não é possível, entretanto, o exame das demais questões de mérito sem que as receitas especificadas nas contas juros recebidos, juros s/ aplicações, descontos obtidos, royalties, franquias e venda de sucata foram efetivamente incluídas na base das contribuições do PIS/Pasep e Cofins. Entendese, assim, que o julgamento deve ser convertido em diligência para que a unidade de origem verifique se as receitas contabilizadas nas contas em questão foram efetivamente incluídas na base de cálculo da contribuição, intimando o contribuinte e a Fazenda Nacional para se manifestarem. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 21/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 12893.000070/2007-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2002
PIS/COFINS. REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAY-TRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL.
O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços.
Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência de PIS/Cofins, as receitas financeiras - tais como ganhos com operações day-trade, juros ativos e variações monetárias ativas -, além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, quando o objeto social não alcança a atividade locatícia.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE.
Na apuração da base de cálculo da Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pelo contribuinte, pois o valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito ao PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça.
A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontra-se em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 3403-002.928
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Relator
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REGIME CUMULATIVO. LEI 9718/98. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DAS RECEITAS FINANCEIRAS. APLICAÇÕES DAYTRADE. JUROS ATIVOS. VARIAÇÃO MONETÁRIA ATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. ALUGUEL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência de PIS/Cofins, as receitas financeiras tais como ganhos com operações daytrade, juros ativos e variações monetárias ativas , além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, quando o objeto social não alcança a atividade locatícia. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DO ICMS. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE. Na apuração da base de cálculo da Cofins não se pode excluir o valor do ICMS pago pelo contribuinte, pois o valor constante da nota fiscal, pelo qual se realiza a operação de venda do produto, configura o faturamento sujeito ao PIS/Cofins, de modo que, ainda que o recolhimento do ICMS aconteça em momento concomitante à operação de venda, isto não altera o valor da operação de compra e venda. Precedentes deste Conselho e do Superior Tribunal de Justiça. A possibilidade de se excluir o ICMS da base de cálculo da Cofins pelo argumento de obediência ao conceito constitucional de faturamento, previsto no art. 195, II da Constituição, exigiria pronunciamento quanto à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 70 /2 00 7- 14 Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 constitucionalidade das leis de regência, o que extrapola a competência do Conselho (Súmula CARF nº 2). Encontrase em andamento o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785 e da ADC nº 18, não se podendo dizer que já exista decisão do Supremo Tribunal Federal quanto ao tema. Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de pedido de restituição (fl. 01) apresentado pelo contribuinte em 09/05/2007, por meio do qual pleiteia a restituição de valores recolhidos a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativo ao período de apuração de 04/2002. O motivo do pedido, conforme informado pelo contribuinte, foi o seguinte: Tratase de pedido de restituição de valores de PIS incidentes sobre as receitas acrescidas à base de cálculo da contribuição pela Lei 9.718/98 uma vez que tal ampliação de base de cálculo foi julgada inconstitucional pelo STF no Recurso Especial 346.084, bem como incidente sobre o valor do ICMS indevidamente incluído na base de cálculo da referida contribuição. Esclarecemos que a parcela do Pis objeto do presente pedido de restituição foi quitada à época de seu vencimento com créditos oriundos do processo 13851.000919/200113 (doc. 1). Esclarecemos, ainda, que o presente pedido de restituição está sendo efetuado neste formulário tendo em vista que o formulário eletrônico PER/DCOMP não prevê a possibilidade de sua utilização para os casos de créditos oriundos de compensações efetuadas indevidamente ou a major, o que como visto é o caso.” (fl. 1). Com o pedido, o contribuinte apresenta uma planilha (fl. 03) demonstrando os valores do “faturamento”, do ICMS e das “outras receitas”. Na apuração da base de cálculo, o Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 467 3 contribuinte não adiciona o valor das “outras receitas” e em relação ao “faturamento” exclui o valor correspondente ao ICMS. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Araraquara/SP (DRF) proferiu decisão negando o direito do contribuinte (fls. 11/16), pelas seguintes razões sintetizadas em sua ementa: Assunto: RESTITUIÇÃO/PIS Ementa: BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo do PIS devido pelas pessoas jurídicas é o faturamento da empresa, correspondente à sua receita bruta, assim entendida a totalidade das receitas por ela auferidas, conforme determinação legal. PIS BASE DE CÁLCULO ICMS INCLUSÃO O ICMS compõe o preço da mercadoria e faz parte do faturamento, integrando a base de cálculo do PIS. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE – APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA – IMPOSSIBILIDADE – A declaração de inconstitucionalidade de lei é atribuição exclusiva do Poder Judiciário, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "h" da Constituição Federal. No âmbito administrativo fica vedado aos órgãos julgadores afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de lei em vigor. Crédito Indeferido. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 19/25) argumentando (a) que o Plenário do Supremo Tribunal Federal já declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que servia de fundamento legal para a ampliação da base de cálculo, e que este entendimento já era adotado por este Conselho, citando precedentes judiciais e administrativos, (b) e que em relação à exclusão do ICMS da base de cálculo, já teria havido pronunciamento favorável do Ministro Marco Aurélio no julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785, em julgamento pelo Plenário do STF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto/SP (DRJ), por meio do Acórdão 1422.955, de 6 de abril de 2009 (fls. 35/41), negou provimento à manifestação de inconformidade, mantendo a decisão de indeferimento da restituição, pelas seguintes razões constantes de sua ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/05/2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A argüição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. PREVISÃO LEGAL. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 A base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, que corresponde à receita bruta, entendida como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Somente as parcelas legalmente autorizadas podem ser excluídas da base de cálculo, não se enquadrando nessa situação os valores devidos a título de ICMS. Solicitação Indeferida. O contribuinte interpôs então recurso voluntário (fls. 44/54) reafirmando que seu direito se apóia na “indevida inclusão na base de cálculo da contribuição para o PIS de valores estranhos ao conceito de faturamento”, visto que não poderiam compor tal base de cálculo os valores correspondentes a aplicações financeiras e ao ICMS. Este Conselho, por meio da Resolução nº 340300.090, de 30 de setembro de 2010 (fls. 73/74), converteu o julgamento em diligência para que a Unidade de origem obtivesse as informações e documentos necessários à demonstração das receitas financeiras que o contribuinte alega, bem como verificar e informar quanto à homologação da compensação utilizada pelo contribuinte para o pagamento do débito que é objeto do pedido de restituição. Depois de apresentados esclarecimentos e documentos pela contribuinte (fls. 84/176) foi lavrado Relatório de Diligência Fiscal (fls. 177/181 o qual atestou o seguinte (fls. 179/181): (...) Fl. 211DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 468 5 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Por meio do Termo de Constatação e Informação (fls. 185), também se constatou ter sido homologada pela RFB a compensação que foi utilizada anteriormente pelo contribuinte para o pagamento do PIS do período de apuração 04/2002, vencimento em 15/05/2002, no valor de R$30.460,39. Intimado a respeito do resultado da diligência, o contribuinte apenas manifestou que “Considerando que os montantes das "outras receitas", não enquadradas ao conceito de faturamento, indicados no referido quadro demonstrativo são os mesmos que constam no Demonstrativo das Contas Contábeis, anexado à petição protocolada em 25.3.2011, (...), a requerente não tem nada a acrescentar ao resultado da diligência fiscal” (fl. 189), reiterando o pedido de reconhecimento do seu direito de crédito. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti O recurso é tempestivo, motivo pelo qual dele conheço. O contribuinte alega que houve recolhimento a maior de PIS/Cofins por duas razões: primeiro porque incluiu indevidamente na base de cálculo valores de “outras receitas”, as quais não configuram faturamento, conforme decisão do STF que declarou a Fl. 213DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 469 7 inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e a segunda porque o valor do ICMS deveria ser excluído da base de cálculo. O recurso deve ser provido quanto ao primeiro fundamento mas negado em relação ao segundo. 1) A inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pretendido pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, em julgamento sintetizado na seguinte ementa: “CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio) Este entendimento do Plenário do STF deve aplicado em relação ao presente caso concreto, com amparo no art. 62, p.u., I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que dispõe o seguinte: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 214DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” Com razão, portanto, cuidou a Câmara Superior de Recursos Fiscais de aplicar o mesmo entendimento de mérito em âmbito administrativo, concluindo categoricamente que “A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006” (Acórdão nº 0203.757, j. 11/02/2009). Neste mesmo sentido também já entendeu esta Eg. Câmara nos seguintes precedentes: BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. (Acórdão 340300.312, Processo 10580.002107/200402, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, j. 29/04/2010) (...) BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DISTINTAS DO FATURAMENTO. A base cálculo para apuração do PIS e a COFINS se restringe tão só ao faturamento da empresa, conforme decisão do Egrégio Supremo Tribunal Federal – STF, que declarou inconstitucional o art. 3º da Lei 9.718/99, que promoveu o alargamento da base de cálculo destas contribuições. (...) (Acórdão 3403000.816, Processo 10680.720418/200500, Rel. Cons. Domingos de Sá Filho, j. 04/02/2011) PIS, ART. 3º, § I' DA LEI 9.718/98, AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO, MANIFESTAÇÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. REPERCUSSÃO GERAL, EXISTÊNCIA, Em sede de reafirmação de jurisprudência em repercussão geral, o Supremo Tribunal Federal já se manifestou pela inconstitucionalidade do conteúdo do § I" do art. 3' da Lei n° 9.718/98, conhecido como alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, o que permite a este Conselho Administrativo aplicar esta interpretação, com fundamento no art. 26A, § 6°, I do Decreto n° 70,235/72, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09. Recurso Provido em Parte Fl. 215DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 470 9 (Acórdão 340300.471, Processo 10384.003078/200595, Rel. Cons. Robson Jose Bayerl, j. 01/07/2010) PIS. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. RECEITA FINANCEIRA. ALUGUEL. SUBVENÇÕES E INCENTIVOS FISCAIS. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência das contribuições, as receitas financeiras – assim compreendidos os descontos obtidos, dividendos e os ganhos de aplicações financeiras, bem como, em relação às “Outras Receitas Operacionais”, os valores correspondentes a locação, créditos presumidos de IPI e de ICMS e outros subsídios. (Acórdão 340300.566, Processo 10410.004617/200204, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 29/09/2010) (...)PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. VARIAÇÃO CAMBIAL. O Plenário do STF declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, afastando o alargamento pretendido por este dispositivo e assim restringindo a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da Cofins ao faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços. Não configuram receita da venda de bens e serviços, assim não se submetendo à incidência das contribuições as variações cambiais. (...) (Acórdão 3403000.081, Processo 18471.002940/200222, Rel. Cons. Ivan Allegretti, j. 03/02/2011) O efeito prático da declaração de inconstitucionalidade pelo STF, como visto, é o de apenas permitir que se inclua na base de cálculo de PIS/Cofins, apurados no regime cumulativo da Lei nº 9.718/98, o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias, não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira. Neste caso concreto, a incidência não deveria ter acontecido sobre os valores das receitas financeiras – tais como ganhos com operações daytrade, juros ativos e variações monetárias ativas –, além de descontos incondicionais obtidos e de receitas de aluguel, visto que o objeto social não alcança a atividade de locação de móveis ou imóveis. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 Entendo, pois, que assiste razão ao contribuinte na parte em que alega que incluiu indevidamente na incidência de PIS/Cofins receitas que não estariam abrangidas pelo conceito de faturamento, na forma do regime cumulativo previsto na Lei nº 9.718/98, devendo ser reconhecido o direito de indébito nesta parte, conforme apurado pela autoridade de origem em relação ao PIS de abril de 2002 na fl. 181. 2) A impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo de PIS/Cofins. O segundo fundamento do contribuinte é de que o valor do ICMS não deveria compor a base de cálculo de PIS/Cofins, pois seu valor não configuraria faturamento. No plano em que o enfrentamento das razões de recurso impõe o pronunciamento sobre a constitucionalidade de dispositivos das leis, cumpre esclarecer que refoge à competência deste órgão julgador administrativo pronunciarse a este respeito, conforme disposto no artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (Portaria nº 256, de junho de 2009). Com efeito, dispõe o artigo 62 do Anexo II do RICARF que “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. A propósito deste mesmo tema também já foi uniformizado o entendimento jurisprudencial deste Conselho, pela edição da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A propósito da questão da exclusão do ICMS na base de cálculo de PIS/COfins, este Conselho já se manifestou reiteradamente no sentido da impossibilidade de tal pretensão, conforme se verifica, exemplificativamente, nas seguintes ementas: COFINS INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. BASE DE CÁLCULO Irreparável a exigência fiscal, cuja base de cálculo guarda conformidade com as determinações contidas nos artigos 2º e 7º da Lei Complementar nº 70/91. Recurso ao qual se nega provimento. (Acórdão nº 20308745, Relatora Maria Teresa Martínez López, j. 18/03/2003 – grifo editado) COFINS BASE DE CÁLCULO INCLUSÃO DO ICMS A base de cálculo da COFINS é a receita bruta de venda de mercadorias, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas na lei. O ICMS está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. Não havendo nenhuma autorização expressa da lei para excluir o Fl. 217DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 471 11 valor do ICMS, esse valor deve compor a base de cálculo da COFINS. MATÉRIA CONSTITUCIONAL É vedado aos tribunais administrativos apreciar a constitucionalidade ou legalidade dos atos legais regularmente editados pelo Poder Legislativo. ENCARGOS LEGAIS Não há como contestar sua cobrança, quando constituídos de acordo com as normas legais que regem a matéria. Recurso negado (Acórdão nº 20309618, Relator Valdemar Ludvig, j. 15/06/2004 – grifo editado) COFINS. EXCLUSÃO DO ICMS.O ICMS compõe o faturamento da empresa, não existindo previsão legal que possibilite sua exclusão legal da base de cálculo para a Cofins, como já definido pelo Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº REsp 152.736/SP, com acórdão publicado no DJU, Seção I, de 16/02/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. Não há previsão legal para excluir da base de cálculo da Cofins a parcela do ICMS cobrada pelo intermediário (contribuinte substituído) da cadeia de substituição tributária do comerciante varejista. O ICMS integra o preço da venda da mercadoria, e, estando agregado ao mesmo, incluise na receita bruta ou faturamento. Recurso negado. (Acórdão nº 20216994, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, j. 28/03/2006) COFINS BASE DE CÁLCULO ICMS O ICMS integra a base de cálculo da COFINS por compor o preço do produto e não se incluir nas hipóteses elencados no parágrafo único do art. 2 da Lei Complementar nº 07/70. MULTA Reduzse a penalidade aplicada, por força do art. 106, inciso II, do CTN, c/c o art. 44, inciso I, da Lei nr. 9.430/96. Recurso provido em parte. (Acórdão nº 20171269, Relator Expedito Terceiro Jorge Filho, j. 09/12/1997) COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO ICMS. A parcela referente ao ICMS, por ser cobrada por dentro, incluise na base de cálculo da Cofins. Precedentes jurisprudenciais. Recurso negado. (Acórdão nº 20401837, Relator Jorge Freire, j. 18/10/2006) Fl. 218DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 Também no âmbito do judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, exercendo seu papel de uniformização da jurisprudência, consolidou entendimento no sentido de que o ICMS não pode ser excluído da base de cálculo de PIS/Cofins. Confirase, exemplificativamente, os seguintes julgamentos: TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. 3. Recurso especial improvido. (REsp 501626/RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 07.08.2003, DJ 15.09.2003 p. 301) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98, ART. 3º, § 2º, III. VALORES TRANSFERIDOS A OUTRA PESSOA JURÍDICA. NORMA DEPENDENTE DE REGULAMENTAÇÃO. REVOGAÇÃO PELA MP Nº 199118/2000. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97, IV, DO CTN. INCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. SÚMULAS NºS 68 E 94, DO STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que desproveu agravo de instrumento em face de acórdão a quo segundo o qual não são possíveis de exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores repassados a outras pessoas jurídicas. Asseverou, também, com base nas Súmulas nºs 68 e 94 do STJ, estar pacificado o entendimento de que a parcela relativa ao ICMS se inclui na base de cálculo do PIS e da COFINS. 2. Se o comando legal inserto no art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9718/98 previa que a exclusão de crédito tributário ali prevista dependia de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, é certo que, embora vigente, não teve eficácia no mundo jurídico, já que não editado o decreto regulamentador, a citada norma foi expressamente revogada com a edição de MP nº 1.99118/2000. Não comete violação do art. 97, IV, do CTN o decisório que em decorrência deste fato não reconhece o direito de o recorrente proceder à compensação dos valores que entende ter pago a mais a título de contribuição para o PIS e a COFINS. 3. In casu, o legislador não pretendeu a aplicação imediata e genérica da lei sem que lhe fossem dados outros contornos como pretende a recorrente, caso contrário, não teria limitado seu poder de abrangência. 4. Pacífico o entendimento nesta Corte de que a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL (e, Fl. 219DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 12893.000070/200714 Acórdão n.º 3403002.928 S3C4T3 Fl. 472 13 conseqüentemente, da COFINS, tributo da mesma espécie) e também do PIS. Súmulas nºs 68 e 94/STJ, respectivamente: “a parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS” e “a parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do Finsocial.” 5. Precedentes desta Corte Superior. 6. Agravo regimental nãoprovido. (AgRg no Ag 750.493/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.05.2006, DJ 08.06.2006) TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI nº 9.718/98. MEDIDA PROVISÓRIA N.º 199118/2000. REVOGAÇÃO. SÚMULAS 68 E 94/STJ. SÚMULA 83 DO STJ. 1. A jurisprudência firmada na 1ª Seção desta Corte é a de que o ICMS compõe a base de cálculo da COFINS e do PIS. Súmulas 68 e 94/STJ (AG 520431, Rel. Ministro João Otávio Noronha, 2ª Turma, DJ 24.05.04; AGREsp 463.629/RS, Rel. Ministro Humberto Gomes de Barros, 1ª Turma, DJ 06/01/03). 2. "A exclusão prevista no art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98 não chegou a produzir efeitos no mundo jurídico, visto que condicionada a regulamento do Poder Executivo, o qual não veio a ser editado até o advento da Medida Provisória n.º 1.991 18/2000, que, por sua vez, a revogou (cf. REsp 502.263/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 13.10.03; REsp 512.232/RS, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, DJ 20.10.03)". (RESP 641377, Rel Min. Franciulli Neto, 29/11/2004) 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 667.170/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18.08.2005, DJ 12.09.2005 p. 224) Sabese que a pretensão de exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins ganhou novo fôlego com o julgamento do Recurso Extraordinário n° 240.785, ainda em andamento, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Ocorre que ainda não houve desfecho deste julgamento, não se podendo ainda dizer que exista decisão do STF quanto à inconstitucionalidade do cômputo do ICMS na base de cálculo da Cofins e do PIS. De outro lado, conforme ilustrado acima, é entendimento consolidado das Câmaras deste Conselho de Contribuintes e do Superior Tribunal de Justiça que não há respaldo legal para a exclusão do ICMS. Somese a isto, conforme esclarecido no início do voto, que este tribunal administrativo não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei. Deve, pois, prevalecer o entendimento sedimentado na jurisprudência, de que o ICMS integra o preço do produto, de sorte que o valor total da nota fiscal deve ser tomado como faturamento, sofrendo a incidência de PIS/Cofins. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 Assim, nada obstante o ICMS componha parte do valor que se recebe pela venda do produto, isto não implica em redução do preço de venda, e é este preço de venda que compõe o faturamento sobre o qual incide PIS/Cofins. Por tais razões, nego provimento ao recurso quanto a este segundo fundamento. 3. Conclusão. Voto pelo provimento parcial do recurso, reconhecendo o direito de indébito apenas em relação à inclusão das receitas financeiras e outras receitas na base de cálculo, conforme os valores apurados em diligência pela Unidade de origem. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 221DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 10540.000956/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONFIRMAÇÃO.
Comprovada a tempestividade da impugnação, nova decisão de primeira instância deve ser prolatada apreciando adequadamente todas as alegações suscitadas na inicial.
Numero da decisão: 1803-002.096
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que nova decisão seja prolatada pela primeira instância, superando a preliminar de intempestividade da impugnação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONFIRMAÇÃO. Comprovada a tempestividade da impugnação, nova decisão de primeira instância deve ser prolatada apreciando adequadamente todas as alegações suscitadas na inicial.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que nova decisão seja prolatada pela primeira instância, superando a preliminar de intempestividade da impugnação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto.
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SERVIÇOS E COMERCIO DE RECICLÁVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONFIRMAÇÃO. Comprovada a tempestividade da impugnação, nova decisão de primeira instância deve ser prolatada apreciando adequadamente todas as alegações suscitadas na inicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que nova decisão seja prolatada pela primeira instância, superando a preliminar de intempestividade da impugnação, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 09 56 /2 00 8- 13 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório RECICLA IND. SERVIÇOS E COMERCIO DE RECICLÁVEIS LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ SALVADOR (BA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de autos de infração do Simples Federal (fls. 04/43), exigindo o crédito tributário no valor de R$ 19.863,23 segundo demonstrativo à folha inicial. Os lançamentos contemplam o valor dos tributos devidos, acrescidos da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora. A fiscalização teve inicio em 16/04/2007, data em que a contribuinte foi cientificada por AR do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) de folhas iniciais e do Termo de Inicio de Fiscalização (fls. 56/57), que a intimava para apresentar documentos. A autuação se refere ao anocalendário de 2004, em face da verificação de diferença de base de cálculo, decorrente do confronto entre valor da receita bruta declarada na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica (R$ 262.011,32) e a informação de compras efetuadas pela Empresa Penha Papéis e Embalagens Ltda, CNPJ n° 03.990.321/000179 (R$ 419.528,83), conforme demonstrativo intitulado "Anexo ao Auto de Infração' (fls. 44/55). Em 19/05/2008, a PJ autuada foi cientificada por AR (fls. 438/439). Em 20/06/2008, a contribuinte interpôs a impugnação de folha 440, dita tempestiva, requerendo a improcedência da exigência fiscal, uma vez que os valores apurados pela Fiscalização foram declarados na DSPJSimples do anocalendário de 2004, conforme declaração retificadora apresentada em 08/06/2007, e parcelados em 31/07/2007 (após o início da ação fiscal). A DRJ SALVADOR (BA), através do acórdão nº 1522.249, de 29 de janeiro de 2010 (fls. 459/460, não conheceu da impugnação, ementando assim a decisão: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10540.000956/200813 Acórdão n.º 1803002.096 S1TE03 Fl. 483 3 A impugnação apresentada após o prazo regulamentar não instaura a fase litigiosa do procedimento e dela não se toma conhecimento, salvo se suscitada a tempestividade, como preliminar. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão em 08/04/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 467), apresentou o recurso voluntário em 22/04/2010 fls. 468/470, onde suscita como preliminar a tempestividade da impugnação apresentada na primeira instância e reiterando a insubsistência do lançamento uma vez que os valores constantes do auto de infração foram parcelados. É o relatório Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração SIMPLES FEDERAL (Lei nº 9.317/96), lavrados em decorrência de diferenças apuradas pela falta de inclusão do total da receita bruta na DIPJ Simples do ano calendário 2004. Alega a recorrente em síntese: a) Preliminarmente de que a impugnação não foi apresentada fora do prazo devendo ser conhecida; b) Que é indevida a exigência dos valores lançados de ofício pois apresentou declaração retificadora e parcelou os débitos constantes dos autos de infração. Assiste razão à interessada no tocante à tempestividade da impugnação. O cerne da questão relativa à tempestividade decorre da divergência de datas constantes do Aviso de Recebimento – AR (fl. 438). Aposta a caneta consta a data de 19/05/2008 e que foi tomada como base para o convencimento da DRJ Salvador (BA). No entanto, consta o carimbo de data do recebimento como sendo 23/05/2008, conforme alegado pela recorrente. A recorrente apresenta em sede de recurso voluntário o rastreamento dos correios do Aviso de Recebimento – AR (fl. 473) e o envelope (fl. 474) onde consta como data de entrega o dia 23/05/2008. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Assim, considerada a data de 23/05/2008 como ciência do auto de infração e considerando a data do protocolo da impugnação o dia 20/06/2008 (fl. 440) apresentase tempestiva a impugnação. Destarte, impõese que nova decisão seja prolatada pela primeira instância apreciando integralmente as razões da impugnação. Diante do exposto, voto no sentido de parcial provimento ao recurso voluntário para que seja prolatada nova decisão pela DRJ Salvador (BA), apreciando integralmente as razões da impugnação e superando a prejudicial de intempestividade. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 491DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 19/03/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10920.003261/2006-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DEFINIÇÃO. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL.
O Decreto editado com a finalidade de regulamentar Lei que define hipótese de incidência tributária deve ser interpretado em conformidade suas disposições, não podendo restringir ou ampliar sua abrangência.
CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA.
Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos.
Numero da decisão: 3201-001.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES - Relator.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mara Cristina Sifuentes, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino.
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DEFINIÇÃO. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. O Decreto editado com a finalidade de regulamentar Lei que define hipótese de incidência tributária deve ser interpretado em conformidade suas disposições, não podendo restringir ou ampliar sua abrangência. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificam-se como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR. INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior corresponde à hipótese de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000, com as alterações da Lei 10.332/2001. CIDE ROYALTIES. DIREITOS AUTORAIS. INCIDÊNCIA. Os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. A autoria necessariamente recai sobre a pessoa natural que cria o bem ou a obra, não sendo considerado autor a pessoa jurídica detentora dos direitos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. DEFINIÇÃO. DECRETO. IMPOSSIBILIDADE. RESERVA LEGAL. O Decreto editado com a finalidade de regulamentar Lei que define hipótese de incidência tributária deve ser interpretado em conformidade suas disposições, não podendo restringir ou ampliar sua abrangência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 32 61 /2 00 6- 57 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 2 Vencido o conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. JOEL MIYAZAKI Presidente. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki (presidente), Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Mara Cristina Sifuentes, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Winderley Morais Pereira e Daniel Mariz Gudino. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, , às fls. 110/120, incidente sobre a remessa de valores para o exterior para pagamento de royalties, relativa aos anoscalendário de 2002 a 2004, que exige R$ 977.684,29 de contribuição, R$ 733.263,11 de multa de ofício, além dos acréscimos legais, tendo como enquadramento legal os arts. 2º e 3º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, com as alterações da Lei nº 10.332, de 19 de dezembro de 2001, e art. 4º da Medida Provisória nº 2.15970, de 2001. Cientificada do lançamento em 28/11/2006 (fl. 554), a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 605), apresentou a impugnação de fls. 563/604, em 22/12/2006, tecendo as argumentações que a seguir estão sintetizadas. Contesta o valor apurado pela fiscalização, alegando que os incisos I e II da MP asseveram que o valor do crédito será determinado com base na contribuição devida e que o mesmo somente poderá ser utilizado para fins de dedução da contribuição incidente em operações posteriores. Diz que a interpretação dada diverge da prevista formalmente pelo consectário legal, pois considerou para fins de crédito ao contribuinte o valor pago, quando deveria ter creditado o valor da contribuição devida. Acresce que, não sendo o legislador feliz na redação da Lei nº 10.168, de forma clara, não cabe ao intérprete conferir ao dispositivo interpretação extensiva ou diversa, em detrimento da segurança jurídica e dos princípios da garantia do contribuinte. Ressalta que o art. 2º da MP nº 2.159 70/2001 faz clara referência que o direito de crédito está condicionado à ‘incidência sobre a contribuição devida/apurada’, sendo esta a terminologia adequada e que efetivamente deve ser utilizada pelo fisco. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 690 3 Noutro ponto, ressalta que, ao contrário da fundamentação da infração dada, realizou pagamentos de royalties pelo uso de personagens sob a forma de estampas e bordados em artigos da empresa, porém, em muitos pagamentos, apontados pelo agente fiscalizador como remessa de valores ao exterior, são de fato e de direito pagamentos realizados diretamente às empresas representantes beneficiárias, aqui do Brasil. Concluindo que não há, portanto, que se falar em remessa de valores a título de royalties para exterior, pois grande parte dos pagamentos foi realizado em solo nacional (filiais das empresas beneficiárias, sediadas em território nacional). Alega que o agente fiscalizador incorreu em alguns equívocos quando da análise dos registros contábeis, ao entender que a contribuinte não teria recolhido CIDE, já que, nos quadros demonstrativos apresentados, realmente constam pagamentos de royalties, por pagamentos efetuados a beneficiários no exterior; no entanto, diz que não foram considerados os pagamentos realizados em território nacional, como também ignorado que o valor incidente para fins de creditamento, no tocante especificamente aos exercícios financeiros de 2002/2003, correspondem exatamente ao percentual de 100% do valor da contribuição devida. E que não concorda com a forma colocada pelo fisco de nãorecolhimento, pois não houve total falta de recolhimento, e sim, no máximo, de cumprimento parcial da obrigação tributária. Em item específico, “Da Inconstitucionalidade da Exigência da CIDE”, argumenta: 1) a necessidade de Lei Complementar, ou seja, para a criação das contribuições previstas no art. 149 da CF seria necessária a edição de lei complementar, não para definir a espécie tributária (contribuição), mas seu fato gerador, base de cálculo e contribuintes; 2) que as contribuições são exigências que se qualificam pela finalidade objetivada com a sua instituição, devendose partir sempre do pressuposto de que a contribuição de intervenção no domínio econômico atrelase à finalidade sugerida para sua instituição, não podendo se distanciar do seu objetivo fim, sob pena de ser declarada sua inconstitucionalidade; 3) a natureza temporária da CIDE; 4) que a Lei nº 10.168/2000 viola o princípio da isonomia, na medida em que licenciados que pagam royalties a licenciantes locais não estão sujeitos ao pagamento da contribuição; o devido de finalidade, já a Lei estendeu o âmbito de incidência a contratos que tenham por objetivo serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes, que são caracterizados exatamente pelo fato de não envolverem transferência de tecnologia e, por isso, não serem objeto de averbação perante o INPI ou registro junto ao Banco Central; 6) a inadequação da CIDE à sua função de estimular o desenvolvimento tecnológico nacional; 7) a inadequação de sua base de cálculo; 8) que a Lei nº 10.332/2001 introduziu ‘nova’ hipótese de incidência da CIDE, relativa à ‘royalties a qualquer título’, enquanto o Decreto nº 4.195/02 exclui claramente a incidência da CIDE sobre royalties a qualquer título; e 9) os efeitos adversos na economia nacional obtidos com a CIDE. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 4 Por fim, contesta a aplicação da taxa Selic como juros moratórios e a onerosidade excessiva da multa de ofício exigida. Tendo em vista a alteração de competência, conforme Anexo V da Portaria SRF nº 179, de 13/02/2007, veio o processo para julgamento. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ não conheceu da defesa apresentada, conforme decisão DRJ/CTBA n.º 21.561, de 01/04/2009: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Período de apuração: 01/01/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/12/2003, 01/04/2004 a 31/10/2004, 01/12/2004 a 31/12/2004 CIDE. FATO GERADOR. A CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso firmados com residentes ou domiciliados no exterior e incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a título de remuneração decorrente dessas obrigações. DIREITO DE CRÉDITO EM OPERAÇÕES SUBSEQUENTES. O valor do crédito instituído pela legislação de regência será calculado com base no valor da contribuição devida, entendendose como tal, o valor da CIDE incidente sobre a operação (alíquota multiplicada pela base de cálculo) subtraído do valor dos créditos oriundos de operações anteriores. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A falta de recolhimento ou de pagamento da contribuição apurada em procedimento de ofício sujeita o contribuinte à aplicação da multa de 75% e dos juros de mora com base na taxa Selic, por força de expressa previsão legal. Lançamento Procedente. Cientificado o contribuinte, apresenta recurso voluntário. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 691 5 Como bem se verifica do processo, discutese o lançamento de CIDE sobre Royalties pagos pela recorrente para empresa no exterior. E que pese entenda plausível o entendimento proposto no lançamento, entendo que, interpretando a legislação como um todo, este não se mantém. Isso porque a norma que trata da CIDE é a Lei n.º 10.168/2000, nestes termos: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2odeste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Fl. 693DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 6 Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Quando do lançamento, a sua fundamentação foi a de que ocorreram pagamentos a título de royalties, o que, em face do parágrafo segundo, seria tributado pela CIDE. Da LC n.º 95/98 A Lei Complementar n.º 95/98 é a norma que trata da forma de edição das normas legais. Art. 1 A elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis obedecerão ao disposto nesta Lei Complementar. Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens.(grifo nosso) O que vemos é de que é ilegal utilizarse de um parágrafo de um artigo para instituir a cobrança de uma nova forma de contribuição, que diverge da prevista no caput. Isso é o que ocorreu com o §2º do art. 2º da Lei n.º 10.168/2000: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes Fl. 694DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 692 7 ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no §2º deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Assim, na medida em que o §2º do art. 2º d a Lei n.º 10.168/2000 destoa da previsão constante do seu caput, descabida a exigência ora prevista:. Ainda que assim não o fosse, em realidade, aqui tratamos de direito autoral. Do direito autoral A Lei n.º 9.610/1998 é clara ao conceituar direito autoral: Art. 7º São obras intelectuais protegidas as criações do espírito, expressas por qualquer meio ou fixadas em qualquer suporte, tangível ou intangível, conhecido ou que se invente no futuro, tais como: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 8 I os textos de obras literárias, artísticas ou científicas; II as conferências, alocuções, sermões e outras obras da mesma natureza; III as obras dramáticas e dramáticomusicais; IV as obras coreográficas e pantomímicas, cuja execução cênica se fixe por escrito ou por outra qualquer forma; V as composições musicais, tenham ou não letra; VI as obras audiovisuais, sonorizadas ou não, inclusive as cinematográficas; VII as obras fotográficas e as produzidas por qualquer processo análogo ao da fotografia; VIII as obras de desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética; IX as ilustrações, cartas geográficas e outras obras da mesma natureza; X os projetos, esboços e obras plásticas concernentes à geografia, engenharia, topografia, arquitetura, paisagismo, cenografia e ciência; XI as adaptações, traduções e outras transformações de obras originais, apresentadas como criação intelectual nova; XII os programas de computador; XIII as coletâneas ou compilações, antologias, enciclopédias, dicionários, bases de dados e outras obras, que, por sua seleção, organização ou disposição de seu conteúdo, constituam uma criação intelectual. (grifo nosso) Como vemos do inciso VIII, as obras desenho, pintura, gravura, escultura, litografia e arte cinética são considerados direito autoral. O que temos neste processo é justamente isto, já que a recorrente nada mais faz do que se utilizar de um desenho para colocálo em seus produtos (malhas, camisetas etc). Sendo um direito autoral, não há como imputar a cobrança de CIDE sobre estes pagamentos. Isso sem contarmos o fato de que a Lei n.º 4.506/64 é clara ao determinar que os direitos autorais não são classificados como royalties quando pagos diretamente ao autor ou criador do bem ou da obra: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como:(Vide DecretoLei nº 2.287, de 1986) a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; Fl. 696DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 693 9 c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. (grifo nosso) Ora, havendo expressa determinação legal de que direito autoral não se configura como royalties quando pagos ao detentor da obra, como é o caso e bem descrito no lançamento, descabe a sua tributação. Ademais, de ressaltar que, forte no art. 110 do CTN, é vedada à lei tributária alterar os conceitos de direito civil, como é o caso de definição de direito autoral: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Por fim, de lembrarmos que o art. 10º do Decreto n.º 4.195/2002, ao regulamentar a Lei da CIDE, é clara ao não incluir o direito autoral como tributável pela contribuição: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. Neste sentido, inclusive, este Conselho já expôs este entendimento, como vemos nas razões de decidir do voto vencedor do Acórdão 30238.763, proferido pelo Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, às fls. 355 e seguintes do Processo n.º 13896.003705/200263, abaixo transcrito: Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira, Relator Designado Discordo o nobre relator, pois entendo que a recorrente tem razão em seus argumentos, pelos motivos que passo a avaliar. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 10 Não há qualquer transferência de tecnologia, que constitui o âmago da exação prevista no artigo 2" da Lei n" 10.168, de 29 de dezembro de 2000, que justifique a incidência da ('IDE nestes autos. O texto legal referido é o seguinte: Art. 2° Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de • tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1°A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n. 11.452, de 2007) § 2° A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados,entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput deste artigo. § 3° A alíquota da contribuição será de dez por cento. § 4° O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador. § 2° A partir de 1 o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior (Redação da pela Lei n" 10.332, de 19.12.2001) § 3° A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(redação pela Lei 77"10.332, de 19.12.2001) §4°A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação pela Lei n" 10.332, de 1 9.12.2001) § 5° O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subsequente ao mês de ocorrência do fato gerador. (Parágrafo incluído pela Lei 10.332, de 1 9.12.2001) Fl. 698DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 694 11 Nem mesmo ocorreu a chamada "transferência presumida" de tecnologia, pois é certo que não se pode presumir tal transferência para efeitos tributários, ou ocorre transferência ou não. No caso em exame, o que existe é a simples cessão de direito de exploração de obra artística, nada mais e sobre o pagamento relativo aos respectivos direitos autorais (e sua remessa ao exterior) não incide a CIDE. Por força do artigo 22, alínea "d", da Lei n°4.506, de 30 de novembro de 1964, ficam excluídos do conceito de royalty, os pagamentos feitos "diretamente ao autor ou criador da obra ou do bem", portanto, para que fosse possível a exigência do tributo a fiscalização deveria ter analisado (e comprovado) que valores remetidos ao exterior foram pagos diretamente ao autor ou ao criador para exclusão destes da base de cálculo, não o fazendo equivocase e torna inaceitável o lançamento. Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 1 0..168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. A leitura do dispositivo legal acima não deixa margem a dúvidas, pois o pagamento a residente ou domiciliado no exterior de direito autoral, mesmo que possa ser incluído na rubrica de royalties (ou seja, não esteja inserido na exceção de pagamento ao autor ou criador da obra ou bem), não ensejará a incidência da CIDE. Na via estreita do processo administrativo, não cabe juízo sobre a constitucionalidade do referido Decreto, devendo a autoridade fiscal, em sua atividade vinculada, aplicar seus comandos legais enquanto não houver sua revogação ou decisão judicial em contrário. (...) Dos pagamentos Ainda que sejam entendidos como royalties os pagamentos feitos em face da utilização das imagens, ainda assim não poderia ser tributado pela CIDE. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 12 Isto porque a CIDE, quando da sua hipótese de incidência, dispõe que somente serão tributados os pagamentos remetidos ao exterior: (...) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2odeste artigo. (...) Como os pagamentos foram todos feitos no Brasil, e para empresas no Brasil, não há a subsunção do fato à norma. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Luciano Lopes de Almeida Moraes Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Tratase o presente processo de Auto de Infração de Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE, incidente sobre a remessa de valores para o exterior para pagamento de royalties. A questão inicial, e o motivo da discordância em relação ao voto da eminente relatora, trata da incidência da CIDEroyalties sobre o pagamento de direitos autorais. A hipótese de incidência tributária em comento encontrase prevista no artigo 2º da Lei nº 10.168/2000, com a redação dada pela Lei nº 10.332/2001, vigente à época dos fatos geradores deste processo, que assim dispõe: Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 695 13 § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2 o deste artigo. § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador. (grifo nosso) Da leitura do dispositivo acima constatase que a CIDERoyalties é devida sempre que houver pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. Ressaltese, em se tratando da hipótese prevista no §2º do artigo 2º desta lei, ser desnecessário que os contratos impliquem transferência de tecnologia para que ocorra a incidência da Contribuição. Neste ponto, esclarecese que o fato gerador do tributo não se restringe a remessa de royalties ao exterior. O mesmo abrange o pagamento de royalties a residentes no exterior, como ocorre no presente processo, sendo desnecessário que estes valores sejam efetivamente remetidos ao exterior. O termo royalty tem origem na Ciência da Economia, sendo conceituado por Arthur Seldon nestes termos: ROYALTY. Pagamento feito, por uma pessoa, física ou jurídica, ao dono de propriedade ou ao criador de um trabalho original, para o privilégio de explorálo comercialmente. É, essencialmente, um método de partilhar o rendimento das vendas de um produto entre os que concorrem com o financiamento e a habilidade de comercialização e os que contribuem com a propriedade intelectual sob a forma de uma realização original. O sistema de royalty é comumente usado, por exemplo, quando um autor ou tradutor é pago por um editor segundo uma percentagem do preço de capa de um livro; quando um proprietário fundiário é pago por uma companhia mineradora para o privilégio de explorar o subsolo da sua terra; quando o dono de uma patente é pago por um fabricante pelo direito de reproduzir sua invenção. (Dicionário de Economia, Editora Bloch) Fl. 701DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 14 O pagamento de royalties, portanto, objetiva partilhar o rendimento de um produto entre aquele que detém a propriedade intelectual deste e aquele que efetivamente explora este produto, colocandoo no mercado consumidor. O conceito de royalties para fins tributários encontrase previsto no artigo 22 da Lei nº 4.506/64: Art. 22. Serão classificados como "royalties" os rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, fruição, exploração de direitos, tais como: a) direito de colhêr ou extrair recursos vegetais, inclusive florestais; b) direito de pesquisar e extrair recursos minerais; c) uso ou exploraçâo de invenções, processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; d) exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou obra. Parágrafo único. Os juros de mora e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento dos "royalties" acompanharão a classificação dêstes. (grifo nosso) Do exposto, extraise que o conceito legal de royalties corresponde a rendimentos de qualquer espécie decorrentes do uso, da fruição, ou da exploração de direitos. O professor Alberto Xavier, em análise ao tema, esclarece que: À luz do direito interno, o royalty é uma categoria de rendimentos que representa a remuneração pelo uso, fruição e exploração de determinados direitos, diferenciandose assim dos aluguéis que representam a retribuição do capital aplicado em bens corpóreos, e dos juros, que exprimem a contrapartida do capital financeiro. [...] No direito interno, os direitos que dão lugar à percepção de royalties são o direito de colher ou extrair recursos vegetais , inclusive florestais; o direito de pesquisar e extrair recursos minerais; o uso ou exploração de invenções , processos e fórmulas de fabricação e de marcas de indústria e comércio; a exploração de direitos autorais, salvo quando percebidos pelo autor ou criador do bem ou da obra (art. 22 da Lei 4.506, de 1964). (Direito Tributário Internacional do Brasil. Rio de Janeiro, Forense, pg. 617/618) Dito isto, temos que os rendimentos decorrentes da exploração de direito autoral classificamse como royalties, salvo se recebidos pelo autor ou criador da obra. Em relação a esta ressalva, esclarecese que o artigo 11 da Lei nº 9.610/98, que regula os direitos autorais, restringe o conceito de autor à pessoa física criadora da obra: Fl. 702DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 696 15 Art. 11. Autor é a pessoa física criadora de obra literária, artística ou científica. Parágrafo único. A proteção concedida ao autor poderá aplicar se às pessoas jurídicas nos casos previstos nesta Lei. Do exposto, resta claro que os pagamentos efetuados a empresas residentes no exterior devidos pelo uso de personagens sob a forma de estampas e bordados em artigos da empresa correspondem ao pagamento de direitos autorais, enquadrandose como royalties, a luz da alínea “d” do artigo 22 da Lei nº 4.506/64 quando efetuados a pessoa jurídica detentora dos direitos. Este entendimento, inclusive, encontrase em sintonia com o decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão nº 930301.864, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2002, 31/03/2002, 30/04/2002 CIDEROYALTIES. REMESSA DE ROYATIES PARA RESIDENTE OU DOMICILIADO NO EXTERIOR INCIDÊNCIA. O pagamento, o creditamento, a entrega, o emprego ou a remessa de royalties, a qualquer título, a residentes ou domiciliados no exterior são hipóteses de incidência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico criada pela Lei 10.168/2000. Para que a contribuição seja devida, basta que qualquer dessas hipóteses seja concretizada no mundo fenomênico. O pagamento de royalties a residentes ou domiciliados no exterior royalties, a título de contraprestação exigida em decorrência de obrigação contratual, seja qual for o objeto do contrato, faz surgir a obrigação tributária referente a essa CIDE. (Ac 930301.864. sessão de 6/3/2012. relator Conselheiro Henrique Pinheiro Torres) Por fim, restam necessários ainda alguns esclarecimentos acerca do Decreto nº 4.195/2002, que regulamenta a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001. O artigo 10 deste Decreto apresenta rol de espécies contratuais passíveis de incidência da CIDERoyalties, nestes termos: Art. 10. A contribuição de que trata o art. 2o da Lei no 10.168, de 2000, incidirá sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de royalties ou remuneração, previstos nos respectivos contratos, que tenham por objeto: I fornecimento de tecnologia; II prestação de assistência técnica: a) serviços de assistência técnica; b) serviços técnicos especializados; Fl. 703DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO 16 III serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes; IV cessão e licença de uso de marcas; e V cessão e licença de exploração de patentes. O dispositivo acima citado teve como objetivo afirmar que, após as alterações promovidas pela Lei nº 10.332/2001, também sujeitamse a CIDERoyalties todas as remunerações pagas em decorrência de serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior (artigo 2º, §2º da Lei nº 10.168/2000), inclusive aqueles onde não ocorre a transferência de tecnologia. Não se trata, contudo, de um rol taxativo, como defende a recorrente, mas sim de lista meramente exemplificativa de contratos que ensejam na incidência da contribuição. Isto devido ao citado Decreto tratarse de ato emitido pelo Presidente da República, e não pelo Congresso Nacional. Como se sabe, a Constituição Federal, ao delegar competência a União e as demais pessoas políticas para definir a regra matriz de incidência de cada tributo, determinou que o exercício desta competência deve ser feito por meio de Lei, ato este de competência do Poder Legislativo. Em se tratando de matéria tributária, o Decreto, mesmo quando dotado de conteúdo normativo, restringese a regular a fiel execução das leis. Isto por tratarse de ato administrativo formal de competência privativa do Presidente da República. O Decreto, contudo, não pode inovar no ordenamento jurídico; limitase a esclarecer o conteúdo das leis, sem lhes aumentar ou restringir o espetro de incidência. Ademais, a hermenêutica ensina que a análise de um dispositivo normativo deve ser feita com atenção às demais normas previstas no ordenamento jurídico, não devendo um texto incluído em um ato normativo ser interpretado de forma autônoma e independente. Desta forma, em tendo a Lei nº 10.168/2000, com as alterações promovidas pela Lei 10.332/2001, estabelecido a base de cálculo da CIDERoyalties de forma ampla, abrangendo o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, não poderia um decreto presidencial limitar a hipótese de incidência tributária por meio de um rol taxativo de contratos passíveis de incidência. Por fim, a recorrente alega ser devida a incidência dos juros de mora sobre as multas aplicadas, por falta de previsão legal. Em relação ao tema, entendo ser devida a Taxa Selic nos cálculos dos débitos dos contribuintes para com a Fazenda Pública Federal, independente de tratarse de obrigação principal decorrente da ocorrência de fato gerador ou decorrente da aplicação de penalidade pecuniária. O artigo 43 da Lei nº. 9.430/96, que sustenta a exigência, assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Processo nº 10920.003261/200657 Acórdão n.º 3201001.640 S3C2T1 Fl. 697 17 Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, resta claro que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Assim, descabe razão à recorrente quando afirma não haver previsão legal para a incidência dos juros de mora sobre as multas que lhes foram aplicadas, visto que o crédito tributário quer ele se refira a tributo, quer seja relativo à penalidade pecuniária não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento, Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto – Redator designado Fl. 705DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 25/09/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por LUCIANO LOPES DE ALME IDA MORAES, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.728711/2011-83
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2007
DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL.
A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE.
A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita - EFD - Contribuições, no âmbito do SPED - Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, b, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária.
Recurso ao qual se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.405
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim Presidente
(assinado digitalmente)
Solon Sehn - Relator
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios Redator designado
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. DESCRIÇÃO SUFICIENTE DOS FATOS. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA DA AUTUADA. CAUSA DE NULIDADE NÃO MATERIALIZADA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. A nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a autoridade fiscal, de forma suficiente, demonstra os motivos pelos quais lavrou o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa que são assegurados ao sujeito passivo pela Constituição Federal, retratado nas alegações aduzidas na sua peça recursal. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 DACON. LEGITIMIDADE. MULTA DECORRENTE DO ATRASO NA ENTREGA. PREVISÃO LEGAL. A multa pela apresentação em atraso do DACON está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. SUPERVENIÊNCIA DE NORMA QUE EXTINGUIU ALUDIDA DECLARAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. INAPLICABILIDADE. A extinção do DACON se deu, unicamente, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014, permanecendo, contudo, a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 87 11 /2 01 1- 83 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 obrigatoriedade de sua entrega quanto aos fatos geradores anteriores, já que as informações correspondentes ainda não se encontravam plenamente supridas pela Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita EFD Contribuições, no âmbito do SPED Sistema Público de Escrituração Digital, o que só veio a ocorrer plenamente a partir de 2014. Incabível, pois, a aplicação da retroatividade benigna prescrita pelo artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional, uma vez que a realidade não se subsume à hipótese elencada pela aludida norma tributária. Recurso ao qual se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto vencedor que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira e Solon Sehn (relator), que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Francisco José Barroso Rios. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim – Presidente (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios – Redator designado Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que manteve a exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), assentado nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: OBRIGAÇOẼS ACESSÓRIAS Anocalendário: 2007 NULIDADE. Não procedem as arguições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Impugnação Improcedente Fl. 58DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10580.728711/201183 Acórdão n.º 3802003.405 S3TE02 Fl. 58 3 Crédito Tributário Mantido A Recorrente, em suas razões recursais de fls. 34 e ss., alega que o dispositivo legal invocado como fundamento da infração (art. 7º da Lei nº 10.246/2002) inexiste no ordenamento jurídico, o que implica a nulidade do auto de infração, na forma do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/1972. Sustenta a ocorrência de preterição do direito de defesa e a consequente nulidade da decisão (Decreto nº 70.235/1972, art. 59, II), requerendo a reforma do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão se deu no dia 09/10/2013 (fls. 33) e o protocolo do recurso, em 24/10/2013 (fls. 34). Tratase, portanto, de recurso tempestivo que pode ser conhecido, uma vez que versa sobre matéria da competência da Terceira Seção e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972. Inicialmente, embora intempestiva a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), cumpre destacar que este foi extinto pela Instrução Normativa RFB nº 1.441/2014: “Art. 1º Fica extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014. Parágrafo único. O disposto no caput aplicase também aos casos de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total que ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 2014. Art. 2º A apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso. Art. 3º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 4º Fica revogada a Instrução Normativa RFB nº 1.015, de 5 de março de 2010.” Ao extinguir o demonstrativo, a IN RFB nº 1.441/2014 fez com que a sua não apresentação e sua transmissão extemporânea deixassem de ser tratadas como contrárias à exigência de ação prevista nas INs RFB nº 1.015/2010, nº 940/2009 e nº 590/2005, que, como se sabe, estabeleceram, entre 2005 e 2014, a obrigatoriedade desse dever instrumental. Assim, à medida que não se trata de ato definitivamente julgado, fraudulento ou que tenha implicado a falta de pagamento de tributo, deve ser aplicado deofício o disposto no art. 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo;” Com efeito, a revogação da regra de obrigatoriedade do Dacon implica a desoneração da multa decorrente do seu descumprimento. Isso ocorre porque toda violação de um dever instrumental constitui uma infração. Logo, a extinção do dever afasta também a infração. Há, na linha do que ensina Paulo de Barros Carvalhos, uma equivalência entre as alíneas “a” e “b”, o que também é ressaltado pela doutrina de Hugo de Brito Machado e Sacha Calmon Navarro Coêlho: “As duas primeiras alíneas dizem quase a mesma coisa. Toda a exigência de ação ou de omissão consubstancia um dever, e todo o descumprimento de dever é uma infração, de modo que foi redundante o legislador ao separar as duas hipóteses.” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. 16 ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 94). “Não conseguimos ver qualquer diferença entre as hipóteses da letra ‘a’ e da letra ‘b’. Na verdade, tanto faz deixar de definir um ato como infração, como deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão.” (MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 1999, p. 77). “Dáse que o contribuinte praticou o ato vedado ou não praticou o ato obrigatório. Cometeu em qualquer dos casos uma infração. Lei posterior risca do mapa jurídico o dever de fazer que foi descumprido ou o dever de nãofazer que, não obstante, foi exercido. A lei posterior e nova, pois, aplicase retroativamente para apagar os deveres, as infrações e as penalidades às infrações. Por que punir o desrespeito a algo que, se reconhece, nao era assim tão importante, tanto que pôde ser desjuridicizado?” (COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Curso de direito tributário brasileiro. 5. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2000, p. 566). Votase, assim, pelo conhecimento e provimento do recurso voluntário, com a consequente afastamento da multa pelo atraso na entrega do Dacon. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Voto Vencedor Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator designado: O litígio trata da exigência de multa por atraso na entrega do DACON de agosto de 2007. Em função da edição da IN RFB nº 1.441, de 20/01/2014, cujo artigo 1º extinguiu o demonstrativo em tela, entende o i. relator que a não apresentação e a transmissão extemporânea da declaração deixaram de ser tratadas como contrárias à exigência da correspondente ação por parte do sujeito passivo. Assim, uma vez que não se trata de ato definitivamente julgado, votou o nobre relator pela desoneração da multa objeto da lide, com fundamento no artigo 106, II, “b”, do Código Tributário Nacional. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10580.728711/201183 Acórdão n.º 3802003.405 S3TE02 Fl. 59 5 Com efeito, entendimento similar ao seu encontra guarida na jurisprudência: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. ATRASO NA COMPROVAÇÃO DA ENTREGA DE 'TORNA GUIAS' DESTINADAS A DEMONSTRAR A CONCLUSÃO DE OPERAÇÃO DE TRÂNSITO ADUANEIRO, NOS TERMOS DA IN SRF N. 84/89. NORMA SUPERVENIENTE (IN SRF Nº 70/97) QUE DESOBRIGA O BENEFICIÁRIO DESSA COMPROVAÇÃO. RETROATIVIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA MAIS BENIGNA (ART. 106, II, "A" OU "C" DO CTN). 1. Execução fiscal que tem origem em auto de infração lavrado com aplicação de multa por atraso na comunicação da conclusão de trânsito aduaneiro simplificado, com fundamento no art. 521, III, "c", do Regulamento Aduaneiro então vigente (Decreto nº 91.030/85). 2. A Instrução Normativa SRF nº 70/97 suprimiu o dever instrumental tributário (a "obrigação acessória") de comprovar, na origem, a entrega dos bens no destino. Encargo que foi transferido para a própria repartição de destino (e não mais ao beneficiário do trânsito aduaneiro). 3. Se a conduta em questão deixou de ser obrigatória e, por extensão, não mais autoriza a imposição de qualquer sanção, impõese reconhecer a retroatividade da lei tributária mais benigna a que se refere o art. 106, II, "a", do CTN. Precedente da Turma. 4. Podese argumentar, é certo, que não se trata, propriamente, de um ato que deixou de ser uma infração, mas de um ato que se tornou desnecessário por força da norma superveniente. Ainda assim, tais fatos estariam subsumidos à hipótese do art. 106, II, "c" do CTN, isto é, em que a norma superveniente deixa de tratar o fato "como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo". 5. Condenação da União em honorários de advogado. 6. Apelação a que se dá provimento. [nota: na verdade, a transcrição da alínea “c” corresponde à alínea “b” do inciso II do art. 106 do CTN] (TRF 3ª Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº 1.648.600. Relator: Renato Barth. Data do acórdão: 14/06/2012. Publicado em 22/06/2012) (Grifos nossos) Porém, com a devida vênia, penso de forma diferente, vez que o caso presente me parece ter uma peculiaridade que o torna distinto da jurisprudência supra, a ponto de o mesmo não se subsumir è hipótese de que trata o artigo 106, II, “b”, do CTN. A IN RFB nº 1.441, de 2014, com efeito, extinguiu o demonstrativo em comento, mas apenas em relação “aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014” (artigo 1º). Tanto isso é verdade que o artigo 2º da norma em tela prescreve que “a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, conforme o caso”. Assim, a nova instrução normativa, em relação aos fatos geradores anteriores a 2014, não deixou de tratar o ato omissivo como contrário à exigência de sua apresentação, de sorte que é inaplicável, à presente realidade, o disposto no artigo 106, II, “b”, do CTN. De fato, a extinção do DACON a partir de 1º de janeiro de 2014 foi motivada pela implantação da Escrituração Fiscal Digital das Contribuições Incidentes sobre a Receita Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 6 – EFD Contribuições, no âmbito do SPED – Sistema Público de Escrituração Digital. Tal implantação vem ocorrendo de forma paulatina desde de 1º de janeiro de 2012, seguindo o cronograma traçado pela IN RFB nº 1.252, de 1º/03/2012. Na EFD Contribuições passaram a ser detalhadas as informações que outrora eram disponibilizadas no DACON, tornando esta obsoleta a partir de então. Tanto isso é verdade que, relativamente aos períodos anteriores a 2014 (quando o SPED ainda não operava plenamente), ainda há necessidade de se utilizar programa gerador do DACON no caso desta não haver sido transmitida, ou, ainda, na hipótese de retificação da declaração. Logo, não se cogita de que a norma tenha deixado de tornar obrigatória a apresentação do DACON com respeito aos períodos anteriores a 2014, motivo pelo qual, penso, é inaplicável ao caso a retroatividade benigna prevista no CTN. No mais, a multa pela apresentação extemporânea da obrigação tributária acessória do DACON, instituída por instrução normativa da Receita Federal, está prescrita em lei (Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com a redação dada pelo artigo 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004), sendo legítima, pois, sua exigência. O fato de a Lei nº 10.426, no auto de infração, haver sido grafada erroneamente (como Lei nº 10.246 – v. fls. 07), não leva à nulidade do lançamento, uma vez que tal erro não se reveste em cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, como ressaltado na decisão de primeira instância, a clareza na descrição dos fatos que, por sinal, faz menção ao artigo 19 da Lei nº 11.051/2004, cujo caput remete ao artigo 7º da Lei nº 10.426/2002, asseguram plenamente o exercício do direito de defesa da autuada, razão pela qual não há que se falar em prejuízo a aludido direito. E a ausência de prejuízo impede seja acolhida a tese da nulidade, e isso em vista do princípio pas de nullité sans grief. Com efeito, o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade julgadora. De fato, a doutrina pátria é pacífica quando entende que a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Segundo o princípio pas de nullité sans grief (que, literalmente, significa: não há nulidade sem prejuízo), não se declarará nulo nenhum ato processual quando este não causar prejuízo à parte ou ao acusado. Inaplicável a retroatividade benigna e constatada a legitimidade do lançamento, deverá o mesmo ser mantido. Com efeito, a dispensa do cumprimento de obrigação acessória há que ser interpretada literalmente, a teor do disposto no artigo 111, inciso III, do CTN. Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 10580.728711/201183 Acórdão n.º 3802003.405 S3TE02 Fl. 60 7 Fl. 63DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 16/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Numero do processo: 15956.720114/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Matos acompanharam pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Antônio Bezerra Neto e Fernando Luiz Gomes de Matos acompanharam pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes De Mattos e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausente justificadamente a Conselheira Karem Jureidini Dias. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 56 .7 20 11 4/ 20 11 -1 9 Fl. 4126DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO Trata o presente feito de autos de infração de IRPJ e CSLL, decorrentes de glosa de despesas registradas nos meses de setembro, outubro e novembro de 2009, conforme bem relatado pela DRJ: A pessoa jurídica acima qualificada teve contra si lavrado o auto de infração (AI e demonstrativos às fls. 3.872 a 3.879) relativo ao Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (IRPJ) do anocalendário 2009, e à multa isolada quanto ao mês de novembro, desse mesmo anocalendário, conforme abaixo: a) Infração nº 001: impostos, taxas e contribuições (não dedutíveis); b) Infração nº 002: multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada. Esse lançamento resultou em R$ 15.467.171,25 de imposto, R$ 23.200.756,87 de multa proporcional de ofício (150%) e R$ 2.333.996,14 de juros de mora calculados até 29 de julho de 2011, bem como R$ 7.684.409,01 de multa isolada, totalizando R$ 48.686.333,27. Foram também lavrados os autos de infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 3.863 a 3.871), do mesmo período de apuração, com os seguintes fundamentos: a) falta de recolhimento da CSLL; b) multa isolada pela falta de recolhimento da contribuição social sobre a base estimada. Os lançamentos relativos à CSLL resultaram em R$ 5.576.821,66 de contribuição, R$ 8.365.232,49 de multa proporcional de ofício (150%) e R$ 841.542,38 de juros de mora calculados até 29 de julho de 2011, assim como R$ 2.770.347,24 de multa isolada, totalizando R$ 17.553.943,77. O total do crédito tributário lançado foi de R$ 66.240.277,04. A descrição do procedimento efetuado e, bem assim, da infração e o seu enquadramento legal encontramse nos autos de infração e no Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal acostado às fls. 3.880 a 3.906. Houve a lavratura de Termos de Sujeição Passiva apontandose como sujeitos passivos os senhores Arnaldo José Missiato e Armando Missiato (fls. 3.909 a 3.914). A ciência quanto aos lançamentos ocorreu, por via postal, em 5 de setembro de 2011, conforme Aviso de Recebimento à fl. 3.962. Os indicados como responsáveis receberam cópia dos termos e dos autos de infração (ARs às fls. 3.961 e 3.963). Fl. 4127DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 4 3 Em 3 de outubro de 2011, foi protocolada a impugnação (fls. 3.965 a 3.988) apresentada pela pessoa jurídica contribuinte, firmada por procurador, na qual foi aduzido, em apertada síntese, que: a) o procedimento de fiscalização não se pautou pela impessoalidade: a.1) “O motivo do lançamento é um pedido do Procurador da Fazenda Nacional em São Carlos, que supostamente consta em um processo administrativo que embora diga respeito e seja de interesse do Contribuinte, o próprio contribuinte não conhece”; a.2) o MPF tinha por objeto a verificação de IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2006 a 2009 e, no entanto, sucessivas intimações foram efetuadas em 2010, que foram atendidas; a.3) as intimações foram feitas pelos senhores Renato e Gabelloni, relativamente a documentos de 1997 a 2007, tanto de IPI, dos créditos de IPI, da forma de lançamento contábil dos créditos de IPI, dos efeitos contábeis destes créditos etc., sendo que a Srª Sabrina só se interessou pelos documentos de 2006 a 2009; a.4) “se todos os fatos estão nos autos e foram elaborados e constituídos a pedido da fiscalização, certamente todos os fatos deveriam fazer parte da motivação do auto de infração, mas não, apenas os documentos ‘julgados’ interessantes à Sra. Sabrina”; a.5) “resta evidente que a fiscalização no presente caso, passou longe da impessoalidade que se espera de todo ato administrativo e decorre do desvio de finalidade do ato administrativo primeiro, qual era, verificar a existência e a baixa do prejuízo fiscal e base negativa utilizados pelo contribuinte em decorrência do quanto previsto na Portaria Conjunta PGFN/FRB 9/2009, para o lançamento de IR e CSLL em 2009”; b) a ação fiscal reconheceu expressamente que o prejuízo registrado contabilmente produziu os efeitos da MP nº 470 e atendeu ao quanto disposto no art. 11 da Portaria Conjunta n° 9/2009. Assim, para atendimento do quanto solicitado pelo Procurador da Fazenda Nacional, o escopo da ação fiscal teria se exaurido com essa constatação; c) “para o Fisco, as exclusões do contribuinte são indevidas, mas as adições são devidas, ou seja, para excluir da base de cálculo do IR e da CSLL os ajustes do contribuinte são impertinente, porque decorrentes de ajustes de meses anteriores, mas para adicionálos na base de cálculo do IR e da CSLL eram possíveis, mesmo que ajustes de exercícios anteriores”; d) “o fato de que IPI não é despesa, mas tributo deduzido da receita, não o torna elemento apto a constituir fato gerador de IR e CSLL, é mais do que absurdo, pois se se está discutindo o efeito do estorno dos créditos de IPI, o estorno desses créditos é na receita, sempre foram lançados como receita ao longo de 10 anos (1997 a 2007), o estorno desses créditos que equivalem exatamente ao valor do IPI devido no período, por isso o enquadramento do Contribuinte nos termos da MP 470/09, não ode leválo a ao pagamento de IR e CSLL sobre o débito de IPI, sem antes se averiguar se na escrita contábil dos últimos 10 anos (1997 a 2007) o contribuinte teve efetivamente base de cálculo de IR e CSLL com lucro tributável”; e) “o fundamento para a adição ou a glosa dos ajustes no exercício de 2009, não têm base legal, ou seja, o fundamento legal para a glosa do reflexo das exclusões no exercício Fl. 4128DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 5 4 de 2009 é a menção aos itens 51 a 53 do Programa Perguntas e Respostas da Receita Federal, publicado ano a ano, vide fls. 18 do Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal”; f) “No que se refere ao IPI, a motivação para adicionálo na base de cálculo de IR e CSLL no exercício de 2009 é sob o seguinte fundamento, fls. 17: ‘...(o IPI não é uma despesa em momento contábil algum)...’”; g) “Se retroagirmos o estorno dos créditos de IPI na contabilidade, nos balancetes do Contribuinte de 1997 a 2007 veremos que o efeito do estorno da Receita é o prejuízo equivalente ao prejuízo acumulado pelo contribuinte no período”; h) “Verificase que, excluindo os créditos de IPI da conta recuperação de impostos, método de contabilização dos créditos utilizado até 2002, e da conta receitas diversas, método utilizado após 2002, verificaremos que o impacto é exatamente o valor lançado de prejuízo acumulado de anos anteriores. Não fosse assim, os resultados tributáveis já influenciaram na tributação, conforme planilha que demonstra os efeitos dos créditos de IPI no resultado da Impugnante”; i) “o que se pode verificar é que o contribuinte, não tinha lucro operacional para produzir os resultados que produziu ao longo de 10 anos, sem que tornasse os créditos de IPI como uma receita, logo, excluindose os créditos de IPI da Receita, automaticamente seu prejuízo antes do IR e da CSLL, seria superior ao constatado ao longo dos 10 anos”; j) “o estorno do IPI leva a empresa ao prejuízo de exercício anteriores que lançou, mas em virtude de qual fato, em virtude de suas despesas, as dedutíveis e que não foram questionadas pela Fiscalização, serem superiores a seu lucro Bruto, portanto, seu lucro antes do IR e da CSLL, sempre seria menor do foi até 2007”; k) “o total das despesas de exercícios anteriores que teve seu impacto mitigado pela consideração dos créditos de IPI como receita, foram postergadas e por isso, o prejuízo fiscal e a base negativa foram diferidos, ou seja, quando por uma questão legal, renunciase a todo o crédito de IPI apropriado no período, automaticamente, a contabilidade tem que ser revista, pois esses elementos tem que ser trazidos ao presente, pois impossível alterar a escrita contábil dos exercícios anteriores”; l) “Diferentemente do quanto alegado pela Agente Fiscal, o CPC 23 não exclui os efeitos tributários dos ajustes de anos anteriores, afirma sim que a correção de erros produz efeitos tributários e que serão disciplinados pelo CPC 32, em consonância com os arts. 249 e 250 do RIR, e decisões administrativas colacionadas”; m) “O CPC 32, determina que a divulgação dos resultados da Companhia deve conter, as despesas tributárias, inclusive aquelas decorrentes de erros passíveis de retificação de erros”; n) “no relatório da Agente Fiscal, quando fez menção ao item 52 do Perguntas e Respostas, faltou reconhecer que na segunda parte da referida resposta, interpretação à que a Agente Fiscal estava diretamente vinculada, consta: ‘OS AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES QUE NÃO TENHAM REPRESENTADO A POSTERGAÇÃO DO IMPOSTO PODEM TER REFLEXO NO RESULTADO DO EXERCÍCIO’. Pouco há a acrescentar, quando a própria situação prevista no Perguntas e Resposta é verificada na prática, mas que por ser favorável ao contribuinte, a Agente Fiscal "fechou os olhos", mas em verdade deveria aplicar a referida regra, e se não o fez, quando sabia ou devia saber que o tributo era Fl. 4129DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 6 5 indevido, incorreu em ação peculiar a ser apurada pela Administração, pois aqui o interesse público norteador da ação administrativa faltou”; o) “o não estorno da receita da Impugnante, antes da base de cálculo do IR e da CSLL, na proporção direta do IPI que tinha lançado contra si pela RFB, ao longo de 10 anos (1997 a 2007), gerou uma postergação do aproveitamento do Prejuízo, reduzindo, portanto, o lucro dos períodos anteriores, é certo que seu lançamento em 2009, em virtude de erro de exercícios anteriores, é plenamente possível e legalmente permitido”; p) “Não resta dúvidas, que o estorno das exclusões e das adições realizadas pela Agente Fiscal são ilegais e que tributar os valores de IPI baixados com o benefício da MP 470/09 é ilegal à medida que não tem base legal, visto que os débitos de IPI já influenciaram quando da dedução da receita a época própria, portanto, se não são despesas também não podem ser base de cálculo tributável”; q) não poderia ser aplicada a multa de ofício no percentual de 150%, uma vez não estar comprovado que a contribuinte seja “autora de uma eventual fraude ou dolo”; r) não pode haver cumulação de lançamentos das multas de ofício e isolada; s) não pode o sócio administrador ser responsabilizado porque “não está diretamente relacionado ao fato gerador, nos termos que determina a Lei, em especial os arts. 121 e seguintes do CTN”. Ao final, é requerido o acolhimento da preliminar determinandose a anulação do lançamento. Caso isso não ocorra, que seja o auto de infração desconstituído em face de os lançamentos da contribuinte terem sido legais. Não acatados os pedidos acima, requer a baixa dos autos para realização de perícia “para a reavaliação dos efeitos da exclusão da receita da impugnante dos créditos de IPI de todo o período, na mesma proporção da dívida lançada quando da opção pelo parcelamento da MP 470/09”. Subsidiariamente, requerse a redução da multa para 75% e anulada a multa isolada. Requer, por fim, intimação do patrono subscritor acerca da data de julgamento com o fim de seja oportunizada a sustentação oral. O feito foi submetido à apreciação da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campo Grande/MS, que houve por bem julgar totalmente improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. O acórdão de fls. 4050/4065 restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Observadas as normas pertinentes ao processo administrativo fiscal, tendo o auto de infração sido lavrado por agente competente e não tendo havido cerceamento do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. Fl. 4130DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 7 6 PRODUÇÃO DE PROVAS. SUSTENTAÇÃO ORAL. PERÍCIA. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não há previsão para sustentação oral e a perícia só é deferida nos casos em que haja necessidade dessa providência. IRPJ. AJUSTES DE EXERCÍCIOS ANTERIORES. O lucro líquido do exercício não deve sofrer influência de efeitos que não pertençam ao próprio exercício. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Mantémse a multa qualificada no percentual de 150% em face de a conduta estar em tese enquadrada no art. 71 da Lei nº 4.502,64. MULTA ISOLADA E MULTA ACOMPANHADA DE TRIBUTO. CONCOMITÂNCIA. Por se referirem a infrações distintas, a multa de ofício exigida isoladamente sobre o valor da contribuição apurada por estimativa no curso do anocalendário, que deixou de ser recolhido, é aplicável concomitantemente com a multa de ofício calculada sobre a contribuição devida com base no lucro real anual igualmente nãorecolhida. CSLL. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DAS RAZÕES DE DEFESA. Aplicamse à CSLL os mesmos argumentos esposados para o IRPJ em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de defesa. SÓCIOGERENTE. RESPONSABILIZAÇÃO. Estando presentes os requisitos prescritos no art. 135 do CTN, correta a responsabilização dos sóciosadministradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face do referido acórdão, a Recorrente interpôs o recurso voluntário. É o relatório. Fl. 4131DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 8 7 VOTO O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Em relação ao mérito, entendo desnecessária a discussão acerca da correta contabilização do montante de IPI reconhecido pela Recorrente como devido em 2009. Isso porque discutese nos presentes autos se o saldo apurado de prejuízo fiscal em 2009 está correto. Dessa forma, contabilizar a “dívida reconhecida de IPI” em conta de resultado do exercício ou resultado de exercícios anteriores em nada altera o efeito na apuração do prejuízo fiscal, sendo este o montante apurado na demonstração do lucro real e registrado no Lalur. Portanto, se a dívida reconhecida pela Recorrente em 2009 deveria ser contabilizada em conta de resultado ou diretamente em conta de lucros ou prejuízos acumulados não altera o que deveria ser registrado no Lalur, que é a base da apuração do prejuízo fiscal. É importante levar em consideração que a Recorrente lançava os valores relativos ao crédito presumido de IPI, que entendia ter direito, debitando IPI a recolher (reduzindo seu passivo) em contrapartida de crédito no resultado. Todavia, em 2009, a Recorrente entendeu por bem reconhecer a inexistência daqueles créditos presumidos e, portanto, que havia recolhido a menor o IPI devido ao longo do período de 1997 a 2009. Neste cenário, ficam estabelecidas as seguintes premissas: a) se, durante os exercícios em que a Recorrente lançou os valores relativos aos créditos presumidos de IPI no resultado (como receita), excluiu tais valores no Lalur, significa que aqueles créditos, que posteriormente se demonstram inexistentes, não compuseram o resultado tributável. Logo, no momento do reconhecimento da obrigação tributária, tais valores também não deverão ser reduzidos do resultado tributável. Ou seja: se entender que essa despesa comporia o resultado do período, deveria ser adicionada no Lalur, e, se entender que se trata de resultado de exercícios anteriores, não deveria constar no Lalur. É dizer, qualquer entendimento que se adote acerca da contabilização de tais valores (resultado do período ou de períodos anteriores), eles não devem gerar efeitos tributários. b) se, durante os exercícios em que a Recorrente lançou os valores relativos aos créditos presumidos de IPI no resultado, não os excluiu no Lalur, significa que aqueles créditos, que posteriormente se demonstraram inexistentes, compuseram o resultado tributável. Logo, no momento do reconhecimento da obrigação tributária, tais valores deverão reduzir o resultado tributável. Ou seja: se entender que essa despesa comporia o resultado do período, não deveria constar no Lalur, e, se entender que se trata de resultado de exercícios anteriores, deveria ser excluída no Lalur. É dizer, qualquer entendimento que se adotar acerca da contabilização de tais valores (resultado do período ou de períodos anteriores), eles devem ser reduzidos do resultado tributável, seja pelo fato de já estarem reduzindo o resultado do período, seja pelo fato de serem excluídos no Lalur. Fl. 4132DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 9 8 Expostas as premissas, constatase que, como detalhado pela DRJ (fl. 4.060), a Recorrente, até outubro de 2007, efetuava exclusões na apuração do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL(hipótese a). De novembro de 2007 a dezembro de 2009, não efetuou exclusões (hipótese b) . Ocorre que, conforme afirmado pela Recorrente em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 47/20111 (fl. 266): “os lançamentos na conta (37907) 3.1.3.9.01.01.01.01 – IPI Processo nº 2001.61.09.0044842, foram efetuados até 31/10/2007. De 11/2007 em diante passamos a recolher integralmente o IPI gerado, portanto a conta acima, ou seja, (37907), a partir daquela data não recebeu mais lançamentos contábeis.” Em virtude dessa afirmação, constatase que: durante o período que a Recorrente creditou a conta de resultado 3.1.3.9.01.01.01.01 – IPI Processo nº 2001.61.09.0044842 (até outubro de 2007), tais valores não compuseram o Lucro Real, já que foram excluídos no Lalur. Assim, quando do reconhecimento dos tributos devidos, tais valores não devem gerar efeitos tributários, não podendo compor o prejuízo fiscal. Nos anos posteriores, não houve crédito na conta de resultado 3.1.3.9.01.01.01.01 – IPI Processo nº 2001.61.09.0044842, já que a Recorrente passou a recolher integralmente o IPI. Assim, não há que se falar em composição do prejuízo fiscal, também nessa hipótese. Conforme adiantado acima, a resolução do presente caso está relacionada ao tratamento tributário dado pela Recorrente aos créditos de IPI que entendia ter direito. Pelo fato de o relatório de constatação apresentado pela Recorrente (emitido pela KPMG) afirmar que no período de 1997 a 2004 não identificamos qualquer lançamentos na parte A dos Lalurs qualquer apontamento a título de Exclusão denominada “Créd. IPI Proc. N. 2001.61.09.0044842, proponho a conversão do presente feito em diligência para que a Recorrente apresente a cópia dos Lalurs do período de 1997 a 2005, bem como demonstre que tais créditos foram apropriados como receita naqueles períodos. Após tais procedimentos, determino que a autoridade fiscal competente se manifeste acerca da demonstração de que os valores foram lançados a crédito no resultado e compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL (não sendo, portanto, excluídos no Lalur), elaborando parecer conclusivo acerca do resultado da diligência. Saliento que, conforme pode ser extraído da fl. 213, os livros ora requisitados foram apresentados pela Recorrente, entretanto não consegui encontrálos nos presentes autos. Além disso, apesar de o relatório de constatação emitido pela KPMG informar que a cópia dos livros ora solicitados estavam anexados (fazendo parte daquele memorando), tais folhas não constam do relatório entregue pela Recorrente. Em virtude do exposto, baixo o feito em diligência para i) que seja verificado nos arquivos da fiscalização se constam os Lalurs do período de 1997 a 2005; caso contrário, ii) intimar a Recorrente para que proceda a juntada dos referidos livros; iii) determinar que a Recorrente comprove o lançamento em conta de receita dos créditos de IPI que entendia fazer jus nos períodos de 1997 a 2005, bem como que tais créditos compuseram a base de cálculo do IRPJ e da CSLL naqueles períodos; e, ainda, iv) a autoridade fiscal competente elaborar parecer conclusivo acerca do resultado da diligência. Fl. 4133DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 15956.720114/201119 Resolução nº 1401000.301 S1C4T1 Fl. 10 9 Ao final, elaborar relatório conclusivo que deverá ser notificado ao Contribuinte para se pronunciar, no prazo de 30 dias. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 4134DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000243/2003-00
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA
O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede remissão de débitos. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2801-003.572
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico.
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RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. ATIVIDADE DA AUTORIDADE PREPARADORA O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede remissão de débitos. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por ausência de litígio, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Marcio Henrique Sales Parada e Mara Eugenia Buonanno Caramico. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 02 43 /2 00 3- 00 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 92 2 Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2000, anocalendário de 1999. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física, de R$ 708,35, sem multa de ofício, e com juros de mora, calculados pela taxa Selic. A manifestação da Autoridade preparadora, na folha 68, bem descreve os autos, pelo que a transcrevo em partes, para relatar a situação: Trata o presente de Auto de Infração de IRPF, exercício 2000, ano calendário 1999, lavrado com exigibilidade suspensa for força de medida judicial. 2. O contribuinte em epígrafe fez sua declaração de IRPF do exercício 2000, ano calendário 1999, nos termos da liminar concedida nos autos da ação civil pública n° 2000.61.00.0124759, impetrada pela OAB/SP, que determinou a correção da tabela progressiva para o cálculo do IRPF dos advogados a ela inscritos. Utilizandose da tabela ajustada, segundo seus cálculos, o contribuinte faria jus à restituição de R$ 330,55. 3. No entanto, sua declaração foi revisada automaticamente pelo sistema da RFB que corrige erros de cálculos e/ou preenchimentos detectados pelo processamento; dessa forma, os cálculos apresentados pelo contribuinte foram alterados, resultando em um IRPF a pagar de R$ 442,53, conforme extrato de fls.05. 4. O contribuinte impugnou tal cobrança, formalizado no processo administrativo n° 10855.000832/200118. 5. De acordo com a minuta de cálculo às fls. 14 e termo de verificação fiscal de fls. 15/16, apurouse um IRPF a pagar de R$ 708,35. Dessa forma, em 21/01/2003 foi lavrado o Auto de Infração no valor de R$ 1.021,93, sendo R$ 708,35 de principal e R$ 313,58 de juros de mora (fls. 20). Entretanto, considerando que o contribuinte fazia jus à restituição de R$ 330,55, se apurado o IRPF nos termos da liminar concedida, o Auto de Infração foi retificado de ofício, passando a ser no valor de R$ 1.519,28, sendo R$ 1.038,90 de principal (composto por R$ 708,35 de IRPF apurado mais R$ 330,55 a restituir) e R$ 480,38 de juros de mora. Despacho Decisório DRF Sorocaba n° 02/2003 retificou de ofício o lançamento (fls.35) O contribuinte teve ciência do referido Despacho Decisório em 26/03/2003, conforme faz prova o Aviso de Recebimento AR juntado às fls. 36. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 93 3 7. Inconformado, em 31/03/2003 o contribuinte impugnou, tempestivamente, o referido Auto de Infração (fls. 37/38), alegando: a) que faz jus à restituição no valor de R$ 330,55, com a devida atualização, posto que efetuou sua declaração de IRPF nos termos da decisão judicial; b) que os juros moratórios são indevidos, pois só poderiam ser cobrados após o trânsito em julgado da ação judicial; c) que, caso a sentença seja desfavorável ao contribuinte, o valor correto do tributo seria de R$ 442,53, conforme extrato emitido pela Receita Federal.(sublinhei para destacar) (...) Em relação à Ação Civil Pública, processo n° 2000.61.00.0124759, sentença de 1o grau, publicada no Diário Oficial em 23/05/2007, julgou improcedente o pedido, revogando a liminar concedida (fls. 50). Da decisão apelou a OAB/SP, e os autos encontramse conclusos no TRF 3a Região, aguardando julgamento (fls. 64/65). Diante do exposto, podese concluir: a) a liminar que autorizou a correção da tabela progressiva do IRPF nos autos da ação civil pública n° 2000.61.00.0012475 foi revogada pela sentença de 1o grau publicada em 23/05/2007, sendo que ainda não há decisão judicial definitiva, posto que os autos encontramse conclusos no T R F 3a Região; b) não houve julgamento da impugnação do contribuinte citado no parágrafo 7o acima; c) não houve a concretização da restituição tratada no processo de representação n° 10855.002460/200326, conforme parágrafo 12 supra. 19. Posto isto, proponho: a) a juntada por apensação do processo de representação n° 10855.002460/200326 ao presente Auto de Infração; b) transferência do controle dos créditos tributários aqui tratados para o SIEF Processos, bem como a alteração para a situação "Em Impugnação"; c) encaminhamento para a DRJ, ante a impugnação tempestiva apresentada pelo contribuinte. (sublinhei) Conhecida, a Impugnação foi tratada pela DRJ – 1ª instância, nos seguintes termos, em suma (fl. 78 e seguintes): “Em sua defesa, o contribuinte contesta a incidência dos juros de mora, alega fazer jus à restituição do valor de R$ 330,55 e que o valor correto do imposto seria de R$ 442,53, conforme extrato emitido pela Receita Federal”. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 94 4 “Das informações extraídas do processo em tela, constatase que a restituição de R$ 330,55 pleiteada pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual não lhe foi restituída e que a ação civil pública de n.° 2000.61.00.0124759 teve sentença proferida, revogando a liminar concedida e julgando improcedente o pedido” (fl. 50) Quanto ao questionamento dos juros de mora, ressaltou que as reclamações não poderiam prosperar, uma vez que o contribuinte estava a insurgirse contra disposições expressas em lei. Explicou que tais juros são calculados sobre o tributo não pago a título de ressarcir o Estado pela não disponibilidade do dinheiro, representado pelo crédito tributário. Eles não são sinônimo nem de tributo nem de penalidade, nem tampouco sujeitos à delimitação de 12% ao ano. Ademais, disse que a Lei n.° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispensa apenas a incidência da multa de ofício na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência. Já em relação ao imposto a pagar, entendeu que assiste razão em parte ao contribuinte. Assim, não poderia ser exigida a sua devolução, conforme determinado no auto de infração de fls. 30/32, mas mantida a dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 996,08, devendo ser apurado o imposto devido no anocalendário 1999 conforme descreveu. E concluiu que: “Isto posto, voto no sentido de considerar procedente em parte a impugnação, mantendo parcialmente o imposto a pagar apurado pelo auto de infração de fls. 30/32, conforme demonstrado abaixo, acrescido de juros de mora calculados à data do pagamento:”(sublinhei) IMPOSTO EXIGIDO R$ 1.038,90 EXONERADO R$ 330,55 MANTIDO R$ 708,35 Assim, decidiu aquela instância de julgamento pela procedência parcial do lançamento tributário e manutenção do crédito supracitado. Cientificado dessa decisão em 10/05/2011 (AR na folha 83), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 09/06/2011 (folha 84), onde assim expressa suas razões: “A Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009, alterou a legislação tributária federal relativa ao parcelamento ordinário de débitos tributários e concedeu remissão nos casos em que específica. No que pese a possibilidade de cobrança executiva, com encaminhamento do processo à Procuradoria da Fazenda Nacional, o débito deve ser enquadrado no artigo 14, parágrafo primeiro, inciso IV, da Lei 11.941/2009, com o reconhecimento da remissão dos débitos perante a Fazenda Nacional. Posto isto, requer a seja PROVIDO o presente RECURSO para declarar a REMISSÃO do débito, nos termos da Lei 11.941/2009”. Assim, anexa cópia do artigo 14 do citado dispositivo legal. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 95 5 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (arquivo.pdf) Argumento, em princípio, em relação à remissão prevista na MP 449, convertida na Lei nº 11.941/2009, artigo 14, suscitada no recurso, que se o contribuinte requer a aplicação do favor legal a seu caso, é porque não questiona a certeza e liquidez do crédito tributário lançado. Aliás, desde a Impugnação, conforme aqui relatado, já se observa que admite em parte o valor do tributo lançado, questionando totalmente apenas a aplicação dos juros de mora. Esclarecidas pela 1ª instância as aplicações legais do artigo 161 do Código Tributário Nacional e do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, e efetuado novo cálculo do imposto devido, o recurso não contradiz o que foi exposto pelo Julgador a quo e traz nova alegação: a remissão. Na lição clássica de Carnelutti, para que haja lide ou litígio é necessário que ocorra “um conflito de interesses qualificado por uma pretensão resistida”, sendo a pretensão “a exigência de uma parte de subordinação de um interesse alheio a um interesse próprio” (Apud THEODORO JR. Humberto, Curso de Direito Processual Civil, 41 ed, Forense, Rio de Janeiro: 2004, p. 32) assim, importante estudar os contornos da lide. Segundo Marcos Vinicius NEDER e Maria Teresa Martinez LOPÉZ: “Para a solução do litígio tributário deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Esses limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro, pela resistência do contribuinte, expressos respectivamente pelo ato de lançamento e pela impugnação....(grifei) .(in Processo Administrativo Fiscal Comentado. 2ª ed,. Dialética, São Paulo, 2004, p. 265/266) ...esclarece Alberto Xavier que “nos caos em que o ato do lançamento impugnável seja ‘cindível’, a impugnação pode ser apenas parcial, de tal modo que o impugnante poderá individualizar o objeto do processo, especificando as ‘questões ou pedidos parciais’ que pretende impugnar, ficando as demais, em virtude da renúncia á impugnação, sujeitas á preclusão”(XAVIER. Alberto. Do lançamento...2ª ed. Forense, São Paulo, 1997, p. 333, Apud NEDER, Op. Cit, p. 269) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 96 6 PRELIMINAR. DA REMISSÃO. Inicialmente, aqui não se pode aplicar o art. 14 da Lei nº 11.941/2009, que resultante da Medida Provisória nº 449, de 03 de dezembro de 2008, considera remitidos os débitos com a Fazenda Nacional, inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de 2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). A aplicação da remissão é atividade a ser executada pela autoridade preparadora, na Delegacia da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte (precedentes: Acórdão: 2101001.985, Acórdão 2101001.984, Acórdão 2102002.276, Acórdão 2102001.249, Acórdão 2801 003.426 e Acórdão 2802002.524, dentre outros). Encontramos no Acórdão 2101001.985, proferido em 21 de novembro de 2011, pela 1ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, o perfeito enquadramento da situação aqui em caso, pelo que transcrevemos as razões de seu Voto, que adotamos para aqui também decidir, com os devidos ajustes: De acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, o recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, prestase a contestar a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que tenha mantido, no todo ou em parte, o crédito tributário dele exigido, a teor do artigo 73 do Decreto n.° 7.574, de 2011, a seguir transcrito: “Art. 73.O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto n. 70.235, de 1972, art. 33).” Não é o que se observa no presente processo. Em sua peça recursal o contribuinte não questiona, em momento algum, a decisão de primeira instância, que manteve ... o crédito tributário dela exigido. Pelo contrário, não se manifestando quanto ao mérito da decisão, pede que se reconheça a remissão da sua dívida, por ser de pequeno valor, ... .. Com efeito, as questões suscitadas pela recorrente não são dirigidas à infração apontada pela autoridade lançadora: ..., mantidas no julgamento a quo. (...) O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 587, de 2010, estipula a competência quanto ao controle dos valores relativos à extinção de créditos tributários, assim prevendo, em seu artigo 220: “Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, Fl. 96DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 97 7 compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários”. Nesse sentido já decidiu este Tribunal Administrativo: “REMISSÃO. ART. 14 DA LEI Nº 11.941/2009. AUSÊNCIA DE LIDE NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Não cabe a esta Turma de Julgamento deferir, ou não, o pedido de remissão, à luz do art. 14 da Lei nº 11.941/2009. No momento em que o contribuinte pede a aplicação da remissão, está indiretamente reconhecendo a liquidez e certeza do crédito tributário lançado, pedindo que sobre ele incida a remissão legal, ou seja, não há contencioso sobre a procedência do lançamento, mas apenas o pedido do favor legal. Assim, não cabe à Turma de Julgamento deferir, ou não, tal benefício, o qual deve ser apreciado pela autoridade preparadora que jurisdiciona o contribuinte (Delegacia da Receita Federal do Brasil). Recurso não conhecido.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma da 1ª Câmara, Acórdão 210201.249, de 15/04/2011, grifouse) CONCLUSÃO Face ao exposto, VOTO por não conhecer do recurso, que não questiona a decisão de 1ª instância, cabendo à DRFB de origem verificar aplicação da remissão requerida nos termos do artigo 14 da Lei nº 11.941/2009. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 97DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10855.000243/200300 Acórdão n.º 2801003.572 S2TE01 Fl. 98 8 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 21/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19 /08/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 19515.002113/2006-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3402-000.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma / 4ª Câmara, da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente em exercício (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente Substituto), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, PEDRO SOUSA BISPO (Suplente), FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA (Suplente), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 02 11 3/ 20 06 -7 1 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 678 ___________ Relatório Tratase o processo de autos de infração relativos a diferenças de recolhimento apuradas quanto a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, referentes ao período cumulativo de 01/2001 a 01/2004 e não cumulativo do período de 02/2004 a 06/2006, no valor de R$ 1.802.663,68, incluídos neste valor o principal (R$ 234.853,35 e R$ 424.783,31), a multa de 75% (R$123.297,89 e R$ 223.011,14) e os juros de mora (R$355.567,69 e R$ 441.140,30), em face do entendimento da fiscalização de que a isenção de COFINS se dá apenas às receitas de atividades próprias de instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações a que se refere o art. 15 da Lei 9.532/97, tendo como base a MP 1.858/99 e suas reedições, bem como o Parecer Normativo CST 05/92, mas tributando todas as demais receitas, com amparo nos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98 e, a partir de 01/02/2004, na Lei 10.833/03. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 06/10/2006, o contribuinte apresentou em 03/11/2006,as fls. 275 e ss. (numeração eletrônica) sua Impugnação Administrativa, e, como bem narra a DRJ: “Em 3/11/2006 há impugnação (fls. 266 a 280, anexos até fl 301). A procuradora diz: há receitas de mensalidades escolares destinadas à assistência e educação; há 73 anos a entidade é beneficente, assistencial, educacional e de utilidade pública e é imune (art. 195, § 7º, CF/88 e art. 12, Lei 9.532/97); pede cancelamento; invoca jurisprudência do STF e administrativa; atende aos requisitos do art. 14 do CTN e de imunidade do art. 55, Lei 8.212/91 (fl 275, item 18); ad argumentandum, separar receitas próprias e não próprias é inconstitucional; suas receitas não são de vendas, mas de atividade educacional e religiosa; o art 10 da MP 2.15835/01 reconhece a imunidade e prevaleceria, quando muito, a alíquota de 3% a partir de fevereiro de 2004, sobre atividade não própria; a receita financeira sobre receita de atividade própria é imune (SC SRF 364, de 14/11/95); as "Outras Receitas" são de aluguéis e, se revertidas em proveito próprio, o STF tem decidido pela imunidade. Toda renda custeia os objetos sociais em proveito da entidade, como comprovam a escrituração e as certificações, não desnaturando a imunidade, conforme transcrição de decisão do STF. As receitas financeiras a partir de 2004, se estivesse sob nãocumulatividade, são nãopróprias, mas a alíquota foi reduzida a zero pelos Decretos 5.164/04 e 5.442/05, devendo ser excluídas. Pede anulação. Anexou documentos (fl 281301), dentre os quais certificado de ser Entidade Beneficente e Assistência Social entre 1/1/2001 e 31/12/2003 (fl 296) e declarada de utilidade pública federal até 30/4/2007 (fl 301).” Fl. 678DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3402000.679 S3C4T2 Fl. 679 3 DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1), houve por bem considerar improcedente a Impugnação apresentada, tendo proferido Acórdão nº. 1629.367, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006 NULIDADE. Se o ato administrativo obedece as suas formalidades essenciais não cabe declarar sua nulidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País não podendo negarlhe execução e sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade haja vista que tais matérias estão adstritas ao âmbito judicial. O controle de constitucionalidade encontra no Poder Judiciário seu foro apropriado. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas no prazo de impugnação, não se admitindo a produção posterior de provas nos casos em que não fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, não se referir a fato ou direito superveniente ou não se destinar a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2006 ENTIDADE EDUCACIONAL, ASSISTENCIAL, FILANTRÓPICA, RECREATIVA, CULTURAL, CIENTÍFICA OU ASSOCIAÇÃO. ATIVIDADE NÃO PRÓPRIA. COFINS. INCIDÊNCIA. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, a MP 1.858/99 determina isenção da Cofins apenas para as receitas de atividades próprias das associações, instituições de educação, assistência social, filantrópicas, recreativas, culturais e/ou cientificas. Receita de atividade própria não advém de contraprestação direta (IN 247/02). COFINS. ENTIDADE SUJEITA AO REGIME NÃO CUMULATIVO. ALÍQUOTA. É aplicável a alíquota de 7,6 %, a partir de fevereiro de 2004 (art. 2°, Lei 10.833/2003). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em apertada síntese, a DRJ/SP1rejeitou a alegação de nulidade do lançamento, por não se enquadrar em qualquer das hipóteses do art. 59 do Decreto 70.235/72, não reconhecendo os argumentos de inconstitucionalidade por serem de competência privativa do Judiciário. Acerca da alegação de imunidade, afirma que o contribuinte não atende aos requisitos do art. 55 da Lei 8.212/91, e que nas DIPJ´s do período autuado declarou ser isenta, Fl. 679DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3402000.679 S3C4T2 Fl. 680 4 e não imune, como alegou em sede de impugnação. E, afastada a imunidade, afirmou ser devida a Cofins pelo regime não cumulativo a partir de fevereiro de 2004. Afirmou que a isenção determinada pelos arts. 13, IV e 14, X da MP nº 2.158 35/2001, se restringe as receitas de atividades próprias, e com base na IN SRF 247/2002, considerou que “receita de atividade própria não advém de contraprestação direta”, tal como entendeu a autuação. Ainda, manteve a tributação sobre os aluguéis, por ser contraprestacional e direta, envolvendo direitos e obrigações recíprocas entre os contraentes, observando que as receitas financeiras, a partir de agosto de 2004, não mais foram tributadas em função dos Decretos nº 5.164/04 e 5.442/05, que reduziu a zero as alíquotas do PIS e COFINS. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado em 17/10/2011 do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 11/11/2011 repisando os argumentos trazidos em sede de Impugnação e acrescentando: a decadência dos fatores geradores entre janeiro e setembro de 2001. a nulidade decorrente de erro conceitual no Auto de Infração, por não ser simplesmente uma instituição isenta enquadrada no inc. IV do art. 13 da MP 2.15835/2001, mas uma entidade beneficente de assistência social, promovedora da educação e cultura, gozando da imunidade da COFINS, com base no art. 195, § 7º da CF. que os requisitos da imunidade são unicamente os do art. 14 do CTN, havendo necessidade de lei complementar para tanto para veiculálos. não haver acusação de descumprimento do art. 55 da Lei 8.212/91. colaciona jurisprudência do CARF e STF favorável, afirmando que as receitas de atividades atípicas do sujeito passivo também são abarcadas por essa imunidade. que a autuação desprezou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Por fim, pediu o acolhimento das nulidades indicadas, ou, caso contrário, o cancelamento integral do lançamento, solicitando ainda a anulação do acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem para produção de provas. DO JULGAMENTO DE 2ª INSTÂNCIA A decisão de 2ª Instância (fls. 671675), de data de 31 de Janeiro de 2013, levando em conta o art. 62A do RICARF, votou pelo sobrestamento do julgamento ate ́que o STF decida sobre a inconstitucionalidade ou não dos requisitos estabelecidos no art. 55 da Lei nº8.212, de 1991. Fl. 680DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3402000.679 S3C4T2 Fl. 681 5 DA DISTRIBUIÇÃO Em face da revogação da Portaria MF n. 545/2013, e do desligamento do Relator original dos quadros do CARF, o processo foi distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, pelo que vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado – eletronicamente até a folha 676 (seiscentos e setenta e seis), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3402000.679 S3C4T2 Fl. 682 6 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Retornam os autos de diligência proposta pelo Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que determinou o sobrestamento do processo, com fulcro no§ 2º do art. 62Ado Anexo II do RICARF, até o trânsito em julgado do RE 636.941RS, onde se decidiria sobre a inconstitucionalidade ou não dos requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Do julgamento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no referido Recurso Extraordinário, se extrai que as entidades beneficentes que atenderem aos requisitos do referido dispositivo fazem jus a concessão da imunidade do PIS, restando consignado que a pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos os artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. Portanto, uma vez reconhecida à constitucionalidade do referido dispositivo, entendo que a questão posta nos autos cingese à matéria probatória, na medida em que a decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento não apreciou as provas da recorrente que tinham o objetivo de ver reconhecida sua condição de entidade imune. É de se esclarecer que a própria autoridade fiscal trouxe aos autos a informação de que a recorrente é constituída de acordo com seu Estatuto sob a forma de uma sociedade civil de direito privado, de caráter filantrópico, beneficente, educativo, cultural e de assistência social, sem fim lucrativo,tendo por finalidade precipuamente executar serviços e ações no campo especifico da promoção social,promover assistência social, orientação profissional, amparo à juventude e ajuda aos pobres e desamparados e tratar da fundação de colégios, destinados ao desenvolvimento da instrução. Vejase que, a motivação da manutenção do afastamento da condição de entidade imune no julgamento DRJ, foi o fato de que a Recorrente não teria comprovado o cumprimento cumulativamente de todos os requisitos (do art. 55, da Lei nº. 8.212/91) em todos os períodos, bem como o fato de a Recorrente ter cometido equívoco ao se declarar entidade filantrópica isenta do IRPJ em sua DIPJ, porém, em sua defesa alega ser entidade imune. Ou seja, partiu a DRJ do pressuposto de que, como a Recorrente em sua DIPJ preencheu o “campo” de isenção das referidas contribuições, como tal deveria ser considerada, deixando de tratála como entidade possivelmente enquadrável na condição de imune. Todavia, observo que por diversas vezes a Recorrente se insurgiu no decorrer do Processo Administrativo Fiscal, no intuito de comprovar o cumprimento dos requisitos condicionadores da imunidade pleiteada. Ademais, a própria autoridade fiscal reconheceu ser a Recorrente isenta no momento que em que deixou de cobrar a COFINS sobre as receitas sem caráter contraprestacional, passando a tributar somente as receitas denominadas de “não próprias”. Assim sendo, dando cumprimento ao Princípio da Verdade Material que norteia esta Corte Administrativa, quando do julgamento dos seus recursos, necessária se faz que toda Fl. 682DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 19515.002113/200671 Resolução nº 3402000.679 S3C4T2 Fl. 683 7 a documentação juntada pelo Recorrente seja devidamente analisada, mesmo que tenha sido apresentada após a apresentação de sua impugnação. Somente através de diligência, com o fim de análise dos documentos acostados pelo Recorrente, é possível verificar se esta preenchia ou não os requisitos ensejadores da imunidade pretendida no período autuado. Estas situações podem ser confirmadas pela autoridade julgadora, se entender que tais informações são necessárias para a formação de sua convicção, segundo o art. 29, do DecretoLei nº 70.235/72, verbis: “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias.” Portanto, tenho que as alegações da recorrente somadas com os documentos trazidos no curso do processo servem como “início de prova” desta realidade, de modo que entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo, pelo que proponho seja o mesmo convertido em diligência, para que a Autoridade Preparadora adote as seguintes providências: 1 – Manifestarse quanto ao cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN, 12 da Lei 9.532/97 e art.55 da Lei nº. 8.212/1991, durante o período autuado; 2 Descrever quais as receitas consideradas pela autoridade lançadora como sendo próprias bem como quais seriam as receitas consideras “nãopróprias” que compuseram o lançamento, fazendoo para todo o período autuado; 3 Após, seja dado vistas do “Relatório Final da Diligência” ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 683DF CARF MF Impresso em 17/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 19/08/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10980.000062/2010-69
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1989 a 31/12/1990
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO EXCEDENTE. ANÁLISE. NÃO CABIMENTO.
Nos processos referentes a compensação, é incabível a análise de direito creditório que exceda ao montante necessário à realização das compensações.
Numero da decisão: 3403-003.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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DIREITO CREDITÓRIO EXCEDENTE. ANÁLISE. NÃO CABIMENTO. Nos processos referentes a compensação, é incabível a análise de direito creditório que exceda ao montante necessário à realização das compensações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 62 /2 01 0- 69 Fl. 740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente processo sobre PER/DCOMP (no 05415.71141.180507.1.3.572764) transmitido em 18/05/2007 (fls. 4 a 71) para compensar créditos decorrentes de ação judicial (processo no 94.00063032/PR, com trânsito em julgado em 23/10/2006), no valor de R$ 599.837,07 (de um crédito total indicado de R$ 168.616.986,73), com débito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao primeiro decêndio de maio de 2007. Seguemse a tal declaração de compensação outras (fls. 8 a 313, com lista detalhada às fls. 614/615), também derivadas da referida ação judicial, a serem compensadas com diversos tributos, referentes a diferentes períodos. Extratos e peças da ação judicial se encontram às fls. 316 a 490, sendo o pedido de habilitação do crédito (fls. 492 a 518), datado de 26/02/2007, deferido (sem verificação do montante R$ 167.809.401,91) em 07/05/2007 (fls. 519/520). Analisando a referida ação judicial, no bojo do processo administrativo no 10980.002211/200729, a unidade local da RFB conclui, em 17/11/2009 (fls. 559 a 565), que: (a) ocorreu trânsito em julgado no processo de conhecimento (em 30/10/2006), de forma favorável à empresa, sendo os valores originais homologados pelo juízo (planilhas do processo administrativo de acompanhamento no 10980.005163/9427, coluna “VLR PRÊMIOMOEDA NACIONAL”); (b) muito embora os cálculos periciais também tenham se aventurado a determinar a correção monetária e juros de mora, tais acréscimos não foram reconhecidos na sentença, que se limitou a homologar os valores da referida coluna “VLR PRÊMIOMOEDA NACIONAL”; (c) a própria sentença determinou os índices aplicáveis, que foram adotados pelo fisco na atualização, chegando a R$ 115.274.930,77, atualizados até fevereiro de 2007 (e não aos R$ 167.809.401,91, indicado no pedido de habilitação, também em fevereiro de 2007); e (d) a razão de tal discrepância (de R$ 52.534.471,14) pode estar relacionada à conclusão do perito da PGFN, também naquele processo no 10980.005163/9427, de que o autor teria aplicado a variação da UFIR até o ano de 2000, contrariando a sentença, o que resultou na aplicação da correção monetária mais a Taxa SELIC no período de 01/1996 a 12/2000. Assim, a unidade local intimou a empresa em 12/08/2010 (fls. 592 a 594) a detalhar os cálculos efetuados, e, a partir da resposta apresentada pela empresa (fls. 595/596), chegouse à conclusão (em 26/05/2011 fl. 597) que não são mais passíveis de discussão os valoresbase, devendo ser reconhecido o crédito, corretamente atualizado a partir de tais valoresbase, resultando em R$ 115.274.930,77. Contudo, surge no parecer de fls. 598/599, emitido ainda pela unidade local da RFB (em 15/04/2011), a posição de que as alíquotas aplicadas no cálculo do benefício fiscal não foram as referentes a ônibus, caminhões e peças (0% e 5%), e que o perito da PGFN não respondeu a contento os quesitos (sobre as alíquotas) porque entendeu que estaria totalmente inadimplido o compromisso de exportação. No despacho decisório referente ao presente processo, emitido em 16/06/2011 (fls. 613 a 617), até se menciona o segundo parecer (que desejava a rediscussão das alíquotas), mas se acolhe a posição externada inicialmente, de que devem ser reconhecidos os montantes originais concedidos em juízo, a eles se aplicando a correção monetária definida na sentença, o que resulta nos R$ 115.274.930,77. Cientificada do despacho decisório em 21/06/2011 (cf. AR de fl. 619), a empresa apresenta manifestação de inconformidade em 20/07/2011 (fls. 624 a 634), alegando, em síntese, que: (a) o valor referido no pedido de habilitação, em 26/02/2007, era R$ 167.809.401,91, enquanto que o valor indicado no PER/DCOMP, em 18/05/2007, era R$ 168.616.986,73, pois estava corrigido pela taxa SELIC, conforme determinação judicial; (b) o despacho decisório subtrai valores de datas diferentes (R$ 168.616.986,73/maio de 2005 de R$ 115.274.930,77/fevereiro de 2007), sem tomar em conta a atualização, chegando a um valor 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10980.000062/201069 Acórdão n.º 3403003.202 S3C4T3 Fl. 741 3 distorcido em relação ao montante indeferido (R$ 53.342.055,96, ao invés do valor anteriormente encontrado de R$ 52.534.471,14; (c) a não homologação das compensações, assim, deveria ser no montante de R$ 4.045.491,70, e não de R$ 4.049.921,87, pois os R$ 115.274.930,77 deveriam ser comparados com o total de compensação à mesma data (R$ 119.320.422,47), sendo a diferença nada mais do que a correção pela Taxa SELIC de fevereiro a maio de 2007 (da data da habilitação à data do primeiro PER/DCOMP); (d) a planilha de cálculo apresentada (fls. 649) demonstra ainda que com o crédito reconhecido no valor de R$ 115.274.930,77 (para fevereiro/2007) haveria saldo para compensar, após as atualizações pela Taxa SELIC (nas diferentes datas das compensações), todos os débitos indicados nas DCOMP, restando ainda saldo de R$ 1.163.488,87; e (e) no que se refere ao valor que excedeu o valor deferido de R$ 115.274.930,77, entende a empresa que a planilha toda era parte da decisão, e não somente a coluna referente a “VLR PRÊMIOMOEDA NACIONAL”, e que a aplicação da variação da UFIR em conjunto com a Taxa SELIC (até 2000) não contraria a sentença, mas cumpre estritamente seu teor, que separa a metodologia de aplicação de atualização monetária, que não se confunde com a aplicação de juros de mora (tratados de forma isolada na sentença). Em 06/08/2013 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 674 a 684), no qual se decide unanimemente pela procedência parcial da manifestação de inconformidade, no que se refere à atualização da parcela deferida de R$ 115.274.930,77 (pois o valor reconhecido se refere a fevereiro/2007, e os valores compensados são em períodos posteriores), destacando que o processo se refere a compensações e a habilitação de crédito decorrente de decisão judicial, não havendo que se falara em ressarcimento de eventual saldo credor. No que se refere à cumulatividade entre a atualização pela variação da UFIR e pela Taxa SELIC, a DRJ entende que, por contrariar o entendimento dos tribunais e o Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal, aprovado pela Resolução no 242, de 03/06/2001, da presidência do Conselho de Justiça Federal, a cumulatividade deveria ter sido expressamente mencionada na decisão de primeira ou segunda instância, no caso concreto, para produzir o efeito desejado pela empresa. Ao final da decisão, a DRJ imputa os valores atualizados às compensações (tabela de fl. 683), chegando à conclusão de que restaria parcialmente não homologada a compensação referente a 09/2007, ficando ao desamparo de homologação as compensações referentes a 10/2007, 11/2007 e 09/2009. Cientificada da decisão de piso em 17/10/2013 (fl. 707), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/11/2013 (fls. 708 a 722), no qual informa que efetuaria o pagamento (DARF com somatória de R$ 2.742.871,90 fl. 713), e expressamente renunciava ao seu direito recursal sobre o tema da não homologação dos débitos compensados, permanecendo o contencioso somente em relação ao não reconhecimento do direito creditório em relação à parcela que não foi objeto de compensação (“pedido de ressarcimento”). Sobre tal tema, que passa a protagonizar a peça recursal, informa a empresa que o despacho decisório expressamente se manifestou no sentido de que não reconhecia o “alegado direito creditório no valor de R$ 53.342.055,96”. E a manifestação de inconformidade em relação ao tema foi apresentada com base no art. 66 da IN SRF no 900/2008, que o permitia em relação a não reconhecimento de direito creditório. Assim, não poderia a DRJ ter se negado a apreciar o tema, demandandose que o CARF promova o retorno dos autos àquele tribunal para apreciação. No mérito, a recorrente reitera que a decisão judicial lhe concede explicitamente a cumulação da atualização pela variação da UFIR com os juros de mora (rubrica diversa) à Taxa SELIC, destacando que embora hoje tal decisão pudesse causar estranheza, à época diversos julgados expressamente reconheciam a cumulatividade (transcrevendo excerto de julgado do TRF4, a título exemplificativo), e que a fixação da metodologia foi expressamente observada Fl. 742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 pela União, que se insurgiu contra outras matérias, não reclamando especificamente da referida cumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator A peça recursal apresentada é tempestiva, passando a ser analisada quanto aos demais critérios de admissibilidade. Surpreendentemente, a única matéria que resta contenciosa no presente processo (ressarcimento) após o recurso voluntário sequer figurava explicitamente ao início, no pedido de compensação da empresa. Nos pedidos apresentados pela empresa (fls. 4 a 313), declarase no campo “tipo de documento” que se tratava de “declaração de compensação”. Em processo administrativo diverso (de no 10980.002211/200729 cópias às fls. 492 a 520), há a habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, com base na IN SRF no 600/2005, na qual a unidade local da RFB informa (fl. 519), ao deferir a habilitação, que: “Cumpre observar que o valor habilitado não foi objeto de verificação por parte do fisco, sendo que o valor referese ao montante apurado pelo próprio sujeito passivo sob sua própria conta e risco, ficando sujeito a auditoria quando for apresentada a Declaração de Compensação ou Pedido de Restituição. Ressaltese, ainda, que a presente habilitação não implica na (sic) homologação da compensação ou no deferimento do pedido de restituição ou ressarcimento, ou seja, no reconhecimento formal do crédito, sendo apenas um exame de admissibilidade para que o contribuinte venha solicitar a compensação ou restituição do mesmo através (sic) da apresentação de “Pedido Eletrônico” (via INTERNET) ou de processo administrativo específico.” (grifo nosso) E, no presente processo, não há pedido de restituição, mas somente protocolo de compensações. No despacho decisório de fls. 613 a 617, a unidade local conclui que: “À vista de todo o exposto, proponho deferir parcialmente o pedido de ressarcimento no valor de R$ 115.274.930,77, calculado conforme planilha e relatório emitidos pela EQCRE (fls. 342/386), que ficam fazendo parte integrante desse despacho, pleiteado a título de “crédito prêmio”, instituído pelo artigo 1o do Decretolei no 491, de 05/03/1969 e em cumprimento sentença exarada nos autos do processo judicial no 94.0006303 2. Quanto as compensações proponho também a homologação Fl. 743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10980.000062/201069 Acórdão n.º 3403003.202 S3C4T3 Fl. 742 5 parcial das mesmas (sic) até o limite ora proposto para deferimento.” (grifo nosso) E a partir de tal conclusão, decide (fl. 616): “Em face do exposto e com base no art. 59 da IN SRF no 900, de 31/12/2008, resolvo: a) reconhecer parcialmente o direito creditório referente ao Créditoprêmio de IPI, referente aos períodos de 06/07/1989 a 30/06/1990, no valor de R$ 115.274.930,77 (...); b) indeferir o valor de R$ 53.342.055,96 conforme item 4 acima (...); c) homologar parcialmente a compensação dos débitos constantes do processo de cobrança no 10980.722514/201067 até o limite ora deferido: R$ 115.274.930,77; d) não homologar a compensação de débitos excedentes ao valor reconhecido no valor original de R$ 4.049.921,87 conforme extrato do processo de cobrança no 10980.722514/201067.” (grifo nosso) E a decisão foi mal interpretada pela postulante ao crédito, levandoa a crer que o despacho decisório analisava inclusive seu direito ao ressarcimento de quantias que excedessem as compensações apresentadas. Tal não ocorre nem poderia ocorre, pois configuraria decisão além do pedido. Se o despacho decisório manifestase sobre o valor indeferido e as compensações homologadas, o faz tão somente porque o montante deferido foi insuficiente para cobrir os débitos indicados nas compensações. Houvesse crédito suficiente para saldar as compensações, e ainda créditos excedentes, por certo não se asseguraria no despacho o ressarcimento (que sequer foi objeto de pedido específico). Aliás, a Ordem de Intimação (fl. 617) ao final do despacho decisório é acompanhada de intimação para pagamento do débito indevidamente compensado, ou apresentação de manifestação de inconformidade, informandose que não efetuado o pagamento, nem manifestada a inconformidade, os débitos seriam encaminhados para inscrição em dívida ativa da União. Na manifestação de inconformidade, afirma a empresa (fl. 625) que transmitiu em 18/05/2007 “Pedido de Ressarcimento” (fls. 2 e 3), no montante de R$ 168.616.986,73, com base na IN SRF no 600/2005. Afirma ainda (fl. 626) que transmitido o “Pedido de Ressarcimento”, iniciou as legais declarações de compensação (fls. 2 a 156 e 387 a 400), em valor total de R$ 119.320.422,47. Vejase que os documentos de fls. 2 e 3 são ao mesmo tempo chamadas de pedido de ressarcimento de declaração de compensação, em que pese ali estar indicado como tipo de documento: “declaração de compensação”. Daí ter a DRJ destacado ao início da apreciação da manifestação de inconformidade (fls. 676/677), que não há no presente processo nenhum “pedido de ressarcimento”, explicando que este não se confunde com “pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial”. E não há em tal afirmação nulidade ou cerceamento do direito de defesa, pois a matéria sequer consta do pedido da empresa, sendo irrelevante eventual terminologia inadequada usada em despacho decisório. Contudo, apesar de tal afirmação inicial, a DRJ, tendo em vista ter sido o crédito reconhecido insuficiente para saldar as compensações, acaba por se manifestar em relação ao montante do crédito não reconhecido (ao menos na parcela que seria eventualmente suficiente para saldar a integralidade das compensações), informando que a atualização dos Fl. 744DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 créditos judiciais obedeceu ao comando da sentença, o que endossa com o entendimento expresso no Manual de Orientação de Procedimentos para os Cálculos na Justiça Federal. Por certo, também este CARF analisaria a matéria, com a preocupação de identificar se havia crédito suficiente para saldar as compensações. Mas a recorrente, ao mesmo tempo em que pede que se analise a integralidade do crédito (inclusive no que supera o valor objeto das compensações), afirma que efetuaria o pagamento (DARF com somatória de R$ 2.742.871,90 fl. 713), e expressamente renunciava ao seu direito recursal sobre o tema da não homologação dos débitos compensados, permanecendo o contencioso somente em relação ao não reconhecimento do direito creditório em relação à parcela que não foi objeto de compensação (“pedido de ressarcimento”). Saldando a recorrente a integralidade dos débitos referidos nas compensações, e expressamente renunciando ao direito recursal sobre o tema, este processo deixa de ter objeto, pois trata de compensações, não restando agora mais nenhuma compensação a analisar. Assim, a matéria que se busca discutir é alheia ao presente contencioso administrativo, que trata de compensação. E o despacho decisório proferido, como se destacou, analisou o pedido de ressarcimento tão somente na medida em que o crédito era necessário às compensações, não podendo eventuais equívocos terminológicos ali presentes permitirem a inauguração de contencioso diverso no presente processo, sugerindose que a unidade local teria analisado além do solicitado pela empresa. Nos processos referentes a compensação, é incabível a análise de direito creditório que exceda ao montante necessário à realização das compensações. Diante do exposto, voto no sentido de não tomar conhecimento do recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 745DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
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