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Numero do processo: 10850.905914/2009-58
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF.
O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
Numero da decisão: 9202-007.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETO-LEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária.
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ISENÇÃO. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. DECRETOLEI 1.510/76. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 12/2018. EFEITO VINCULANTE. ART. 62, §1º, II, 'C' DO RICARF. O contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 59 14 /2 00 9- 58 Fl. 321DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201001.618, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de pedido de ressarcimento ou restituição eletrônico – PER/DCOMP (fls.178/180) de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, apresentado pela inventariante do espolio do contribuinte ora identificado, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 140.430,81, recolhido 31/08/2004 (DARF fls. 33), relativo a ganho de capital apurado na alienação de participação societária na Usina São Domingos – Açúcar e Álcool S/A. Fundamentou seu pedido no disposto no art. 4°, d, do DecretoLei 1510/76, revogado pela Lei nº 7.713/88, que previa a não incidência do imposto de renda nas alienações efetivadas após o decurso do prazo de cinco anos da data da aquisição da participação. O pedido foi indeferido pelo Despacho Decisório de fl. 176, sob a fundamentação de inexistência de crédito e contra o qual foi apresentado Manifestação de Inconformidade de fls. 01/12. A DRJ/SDR, às fls. 183/188, julgou pela improcedência da manifestação de inconformidade. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 191/214. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 233/241, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS. DIREITO ADQUIRIDO. DECRETOLEI Nº 1.510/76. Não incide imposto de renda quando na alienação de participações societárias adquiridas há mais de cinco anos contados do início de vigência da Lei nº 7.713/88, em decorrência do direito adquirido. Recurso Voluntário Provido. Às fls. 244/252, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. Ganho de capital. Participação societária. Revogação da isenção concedida no DecretoLei nº 1.510, de 1976. Enquanto o acórdão recorrido, analisando a questão da alienação de participação societária adquirida sob a égide do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 1976, após decorridos cinco anos da aquisição, assevera não constituir operação tributável, ainda que realizada sob a vigência de nova lei revogadora do benefício, sob o argumento de direito adquirido, o acórdão paradigma, a seu turno, a respeito da mesma situação fática, afirma não haver direito à isenção, visto que esta pode ser modificada ou revogada, por lei, aplicandose a lei vigente na data da alienação, quando ocorre o fato gerador da obrigação tributária. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10850.905914/200958 Acórdão n.º 9202007.514 CSRFT2 Fl. 10 3 Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 254/256, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação apenas em relação à seguinte matéria: Ganho de capital. Participação societária. Revogação da isenção concedida no DecretoLei nº 1.510, de 1976. Cientificado à fl. 259, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 268/286, reiterando as argumentações de mérito. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de pedido de ressarcimento ou restituição eletrônico – PER/DCOMP (fls.178/180) de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, apresentado pela inventariante do espolio do contribuinte ora identificado, referente ao exercício de 2005, no valor de R$ 140.430,81, recolhido 31/08/2004 (DARF fls. 33), relativo a ganho de capital apurado na alienação de participação societária na Usina São Domingos – Açúcar e Álcool S/A. Fundamentou seu pedido no disposto no art. 4°, d, do DecretoLei 1510/76, revogado pela Lei nº 7.713/88, que previa a não incidência do imposto de renda nas alienações efetivadas após o decurso do prazo de cinco anos da data da aquisição da participação. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Ganho de capital. Participação societária. Revogação da isenção concedida no DecretoLei nº 1.510, de 1976. O Contribuinte defende que muito antes da edição da Lei n° 7.713, de 1988, revogando a isenção do IRPF, já possuiria direito adquirido por ter cumprido a única condição imposta para o gozo do benefício fiscal, que seria a manutenção da participação societária por cinco anos. Assim, cingese a discussão acerca do direito a não incidência do IRPF, se este já estava consagrado e fazia parte do patrimônio jurídico do contribuinte. E se a garantia desse direito lhe seria advindo do transcurso do tempo protegido indiscutivelmente pelo texto constitucional pátrio. Em oportunidades anteriores inclusive, manifestei meu posicionamento contrário ao pleito do Contribuinte, por entender que embora injusto, as isenções tributárias possuem uma conotação temporal imediata, nos seguintes termos: Fl. 323DF CARF MF 4 No caso específico, o fato gerador do imposto de renda sobre o ganho de capital ocorreu no momento da alienação, ou seja, em 31 de outubro de 2003. Portanto, na vigência da Lei n° 7.713, de 1988. Cabe informar que a isenção, conforme a doutrina clássica, adotada pelo Supremo Tribunal Federal, é a dispensa legal de determinado tributo devido, podendo ser concedida de forma geral ou específica, mediante lei. No que tange, especificamente, à sua revogação ou modificação, o Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 178 A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, pode ser revogada ou modificada por lei, a qualquer tempo, observado o disposto no inciso III do art. 104. (Redação dada pela Lei Complementar nº 24, de 7.1.1975). O inciso III do artigo 104 diz expressamente que a isenção pode ser revogada ou modificada por lei, entrando em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação, quando se refere a impostos sobre o patrimônio ou a renda, conforme se vê a seguir: Art. 104. Entram em vigor no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorra a sua publicação os dispositivos de lei, referentes a impostos sobre o patrimônio ou a renda: III – que extinguem ou reduzem isenções, salvo se a lei dispuser de maneira mais favorável ao contribuinte, e observado o disposto no artigo 178. Isso quer dizer que, em se tratando de isenção, prevalece a regra da revogabilidade a qualquer tempo, salvo nos casos de isenção condicional e concedida a prazo certo, que não é a situação em análise. Por fim, citase a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, especifica em relação à matéria com o advento da Lei nº 7.713, de 1988, conforme reproduzida na ementa abaixo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. ALIENAÇÃO DE AÇÕES SOCIETÁRIAS. DECRETOLEI 1.510/76. ISENÇÃO. REQUISITOS PARA IRREVOGABILIDADE. ART. 178 DO CTN. NÃO OCORRÊNCIA. LEI 7.713/1988. REVOGAÇÃO. POSSIBILIDADE. 1. A irrevogabilidade da isenção concedida, nos termos do art. 178 do CTN, só ocorrerá se atendidos os requisitos de prazo certo e condições determinadas. Situação não configurada nos autos. 2. O art. 4º, "d", do DecretoLei 1.510/76 fixa o termo inicial do benefício fiscal (após cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação), não determinando o termo final, ou seja, é isenção por prazo indeterminado, revogável, portanto, por lei posterior. 3. Com o advento da Lei 7.713/88 operouse a revogação da isenção. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental não provido. (Agravo Regimental no Recurso Especial n° 1.164.494/RS 09 de fevereiro de 2010) Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10850.905914/200958 Acórdão n.º 9202007.514 CSRFT2 Fl. 11 5 Assim sendo, considerando que o DecretoLei nº 1.510, de 1976, foi expressamente revogado, deve ser aplicada a Lei nº 7.713, de 1988, aos fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. Todavia, como muito bem ressaltado em julgamento recente neste colegiado, em voto da relatoria da Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, proferida nos autos 10830.723738/201352, o Superior Tribunal de Justiça ao manifestarse sobre a matéria em sede de julgamento de repetitivo de controvérsia aponta entendimento diverso, totalmente favorável ao Contribuinte. Tal entendimento restou recepcionado pela consultoria jurídica da Procuradoria da Fazenda Nacional que, com base na Portaria PGFN nº 502/2016, fez constar no item 1.22 do rol da lista dos "Temas com dispensa de contestar e/ou recorrer" a alínea 'u' que expressamente reconhece o direito adquirido à isenção prevista no Decretolei nº 1.510/76: 1.22 Imposto de Renda (IR) u) Alienação de participação societária Decretolei 1.510/76 Isenção Direito adquirido Precedentes: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1164768/RS, AgRg no REsp 1141828/RS e AgRg no REsp 1231645/RS. Resumo: A Primeira Seção do STJ fixou entendimento no sentido de que o contribuinte detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária. Em 27 de junho de 2018, foi publicado o Ato Declaratório PGFN nº 12/2018 comunicando a aprovação do Parecer SEI nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda. Referido ato declaratório possui o seguinte teor: O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI Nº 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, Fl. 325DF CARF MF 6 contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).” JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp 1.241.131/RJ, EDcl no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR. O Ato Declaratório em questão altera significativamente o deslinde da questão, agora em favor dos Contribuinte, no sentido de que este quando detentor de quotas sociais há cinco anos ou mais antes da entrada em vigor da Lei 7.713/88 possui direito adquirido à isenção do imposto de renda, quando da alienação de sua participação societária Registrese que tal parecer quando assinado pelo Ministro de Estado vincula os Conselheiros deste colegiado, conforme RICARF, art. 62. Diante do exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional para no mérito negarlhe provimento nos limites do Ato Declaratório PGFN nº 12/2018. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721807/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.766
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 80 7/ 20 15 -8 2 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 16682.721807/201582 Resolução nº 3201001.766 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 16682.721807/201582 Resolução nº 3201001.766 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 306DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.723502/2014-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Após a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é devida a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), pois se trata de duas penalidades para duas condutas distintas.
Numero da decisão: 9202-007.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010, 2011 MULTA ISOLADA DO CARNÊ-LEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Após a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é devida a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), pois se trata de duas penalidades para duas condutas distintas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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CONCOMITÂNCIA. Após a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007, no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, é devida a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), pois se trata de duas penalidades para duas condutas distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 35 02 /2 01 4- 11 Fl. 3096DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201003.523, proferido na Sessão de 16 de março de 2018, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 DEDUÇÕES COM LIVRO CAIXA. DESPESAS DE CUSTEIO. SERVIÇOS DE CARTÓRIO. A dedução a título de livro caixa depende da comprovação das despesas declaradas, mediante documentação idônea, devidamente escrituradas em Livro Caixa. Somente são dedutíveis as despesas de custeio pagas, necessárias e indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. CONCOMITÂNCIA. Não procede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas. IRPF MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA JUSTIFICATIVA A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. TAXA SELIC. CABIMENTO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula 1° CC nº 04). A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) considerar na base de cálculo do imposto apenas os rendimentos omitidos, caso não tenham sido deduzidos do livro caixa, os valores recolhidos a título de taxa judiciária e FUNDESP/TJ; ii) restabelecer a dedução das despesas com alimentação; iii) excluir a aplicação da multa isolada; e iv) desqualificar a multa de ofício aplicada. Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10120.723502/201411 Acórdão n.º 9202007.715 CSRFT2 Fl. 3 3 O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: exoneração da multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Sessão do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 2.983 a 2.987). Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que a falta de pagamento antecipado do carnêleão e a falta de pagamento do imposto devido quando do ajuste anual configuram infrações distintas, portanto, sujeitas a penalidades diferentes; que, nessas circunstância, não há óbice à aplicação da multa isolada pela falta de recolhimento do carnêleão com a multa de ofício; que não se configura neste caso bis in idem. Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 15/08/2017 (AR, efls. 3009), a Contribuinte apresentou as Contrarrazões de efls. 2012 a 2017 nas quais sustenta a impossibilidade da exigência cumulativas das multas isolada e de ofício, com base, em síntese, nos mesmos fundamentos do Recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, a matéria em discussão diz respeito à possibilidade de convivência simultânea da multa pela falta de pagamento do carnêleão com a multa regulamentar pela omissão e rendimentos quando do ajuste anual. Registrese, de plano, por relevante, que o lançamento da multa isolada neste caso referese apenas aos fatos geradores ocorridos em 2010 e 2011, já na vigência da alteração introduzida no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 pela Lei nº 11.488, de 2007. Na redação anterior o inciso I previa a incidência de multa de 75% "sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" e o § 1º do mesmo artigo previa que essa multa poderia exigida juntamente com o imposto ou isoladamente. Confirase: Art. 44 [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; Fl. 3098DF CARF MF 4 II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; A Lei nº 11.488, de 2007 introduziu modificação fundamental na definição dessa penalidade, ao prevê uma multa de 75% pela "falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata" e outra de 50% pela falta de antecipação do pagamento mensal. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Pois bem, em relação à multa na vigência da legislação anterior este Conselho já havia firmado entendimento no sentido da impossibilidade da exigência concomitante da penalidade pela falta de antecipação do imposto e pela omissão em oferecer os rendimentos à tributação quando do ajuste anual, tendo ambas a mesma base de cálculo. Registro por oportuno que este Conselheiro sempre abraçou essa tese. Vejamos: Acórdão nº 9202002.297, proferido na Sessão de 09/08/2012, de relatoria dio Conselheiro LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA BASE DE CÁLCULO IDÊNTICA. Não pode persistir a exigência da penalidade isolada pela falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na hipótese em que cumulada com a multa de ofício incidente sobre o imposto apurado em razão da omissão de rendimentos de fonte Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10120.723502/201411 Acórdão n.º 9202007.715 CSRFT2 Fl. 4 5 situada no exterior, pois as bases de cálculo das penalidades são as mesmas. Acórdão nº 2202002.350, proferido na Sessão de 20/06/2013, de Relatoria do Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa: MULTA ISOLADA DO CARNÊLEÃO E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada (art. 44, § 1º, inciso III, da Lei nº. 9.430, de 1996), quando em concomitância com a multa de ofício (inciso II do mesmo dispositivo legal), ambas incidindo sobre a mesma base de cálculo O fundamento, pelo menos deste conselheiro, era o de que não se tratava de penalidades distintas, mas de uma mesma penalidade, ora exigida isoladamente, ora exigida juntamente com o imposto. Assim, no caso de falta de recolhimento do carnêleão, caso se exigisse a multa pela falta de antecipação do pagamento, a base de cálculo deveria ser suprimida para a aplicação da multa pela falta de recolhimento do imposto quando do ajuste anual, de modo a se eliminar a dupla incidência. A situação mudou com a alteração introduzida pela Lei nº 11.488, de 2007. O dispositivo instituiu uma penalidade nova e específica pela falta de recolhimento do carnêleão. E tanto são penalidades distintas que os percentuais são diferentes: 50% e 75%. Assim, se o contribuinte deixou de recolher antecipadamente o imposto devido a título de carnê´leão e, da mesma forma, omitiu esses rendimentos quando do ajuste anual, estará sujeito a ambas as penalidades, uma para cada infração. Ante o exposto, conheço do recurso interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 3100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721329/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/12/2006
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96.
PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA.
As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
Numero da decisão: 3201-005.038
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.721329/201349 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201005.038 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PROFARMA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS FARMACEUTICOS SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2006 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A partir de 31/10/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, em razão da vigência do disposto no art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/96. PIS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 13 29 /2 01 3- 49 Fl. 283DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, que não foram integralmente homologadas em face da glosa de créditos realizada pela RFB, conforme Despacho Decisório que instrui os autos. Inconformado com o não reconhecimento integral do crédito pleiteado, o Interessado apresentou manifestação de inconformidade, julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14058.649. Devidamente cientificada desta decisão, a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário ora em apreço, onde alega, em síntese que: (i) o presente processo administrativo tem por objeto a declaração de compensação de crédito de PIS, relativo a pagamento indevido ou a maior, com débitos de outros tributos; (ii) reavaliou os critérios por ela adotados para apuração de seus créditos de PIS, tendo constatado que, por um lapso, havia deixado de aproveitar determinados créditos, mais especificamente, relacionados às despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (iii) efetuou a reapuração da contribuição por ela devida com o aproveitamento dos referidos créditos, o que resultou na ausência de débito dessa contribuição na competência; (iv) procedeu à retificação do DACON e da DCTF, de modo que, em tais declarações, para a competência, passou a constar a inexistência de qualquer débito de PIS; (v) tendo havido a redução do débito de PIS na competência, o pagamento realizado pela Recorrente tornouse indevido ou a maior, correspondendo a crédito a ser por ela utilizado na quitação de outros tributos; (vi) apresentou, então, Declarações de Compensação (DCOMP), nas quais pretendia a utilização do crédito de PIS relativo a pagamento indevido ou a maior, para quitação de tributos; Fl. 284DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 4 3 (vii) as autoridades administrativas passaram a analisar os créditos apurados pela Recorrente, os quais foram deduzidos na apuração dessa contribuição e concluíram que a recorrente não faria jus a uma parcela dos créditos; (viii) por essa razão, as autoridades administrativas refizeram a apuração da contribuição, tendo apurado um suposto débito, enquanto a Recorrente não declarou qualquer débito dessa contribuição em tal competência em DCTF; (ix) sem que houvesse a constituição desse débito, as autoridades administrativas pretenderam alocar uma parte do valor pago, por meio de DARF, para quitação do débito por elas apurado. (x) realizouse um "encontro de contas" entre o débito apurado pelas autoridades administrativas e não constituído pela recorrente com o valor por ela pago através de DARF; (xi) como consequência do aproveitamento dessa parcela do montante indevidamente pago por meio do DARF, as autoridades administrativas entenderam que a Recorrente não faria jus à integralidade do direito creditório pleiteado como pagamento indevido ou a maior nas DCOMP's, resultando no reconhecimento de apenas uma parte desse crédito e na homologação parcial das DCOMP's apresentadas; (xii) não se pode admitir que a autoridade administrativa possa efetuar revisão no âmbito de um processo de compensação e pretenda, por meio de um "encontro de contas" utilizar o crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior) para quitação de um débito que não foi sequer constituído, seja pela Recorrente, que não o declarou, seja pela autoridade administrativa, que não lavrou o auto de infração; (xiii) havendo discordância da base de cálculo utilizada para a apuração da contribuição devida no mês, é dever da autoridade fiscal promover o respectivo lançamento, não lhe sendo permitido, em substituição a este, promover a glosa de créditos em pedidos de ressarcimento ou de compensação; (xiv) caso as autoridades administrativas, em processos de compensação, verifiquem a existência de eventuais débitos de PIS/COFINS, devem proceder a formalização de eventual exigência tributária, por meio de lançamento formal, não cabendo a mera glosa de créditos pleiteados pelo contribuinte por meio de "encontro de contas"; (xv) tendo sido incorreto o procedimento adotado, o qual resultou em indevido não reconhecimento da integralidade do direito creditório pleiteado, é evidente que deve ser reformada a decisão, para que tal crédito seja totalmente reconhecido e como consequência haja a homologação integral das DCOMP's; (xvi) o mérito da discussão referese à possibilidade ou não de aproveitamento dos créditos em questão, na medida em que, caso esses créditos tivessem sido aceitos, a apuração de tal competência, conforme realizada, estaria correta e, consequentemente, o crédito relativo a pagamento indevido ou a maior teria sido reconhecido integralmente; Fl. 285DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 5 4 (xvii) não merece prevalecer o entendimento acerca da impossibilidade de apuração de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete nas operações de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico, que foram adquiridos para revenda; (xviii) a Solução de Consulta COSIT nº 64, de 19 de maio de 2016 já reconheceu que as receitas de venda de produtos sujeitos à tributação concentrada incluemse no regime de apuração nãocumulativa e, consequentemente, há a possibilidade de apuração de créditos sobre os custos, encargos ou despesas vinculados a receitas auferidas pela revendedora dos produtos; (xix) que possui precedente do CARF em seu favor, no âmbito da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF; e (xx) não há dúvida de que o art. 3º, inc. IX das Leis nº's 10.637/2002 e 10.833/2003, permite o aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre as despesas com frete relativo à operação de venda dos produtos adquiridos para revenda, sujeitos ao regime monofásico. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.031, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.906116/201212, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.031): "Para melhor compreensão do caso, passase a análise individual das matérias, conforme posto na peça recursal. (i) Da insubsistência do procedimento adotado pela Autoridade Fiscal e da necessidade de constituição do débito apurado e da impossibilidade de confissão de dívida de débitos apurados pela Autoridade Fiscal e não declarados pela Recorrente No presente tópico entendo que não assiste razão aos argumentos tecidos pela Recorrente. Preceitua o art. 74, § 6º, da Lei nº 9.430/1996, com a redação conferida pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, in verbis: Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013). (....) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)." As declarações de compensação em análise foram transmitidas após 31/10/2003, constituindo, portanto, confissão de dívida, conforme texto legal antes reproduzido. Nessa situação, é dispensada a constituição do crédito tributário confessado por meio de lançamento de ofício. Este tem sido o entendimento uníssono deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Vejamos: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 (...) DÉBITO TRIBUTÁRIO. CONSTITUIÇÃO. DCOMP. O crédito tributário também resulta constituído nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como é o caso da Declaração de Compensação. Recurso voluntário negado." (Processo nº 10120.911740/201121; Acórdão nº 3402004.318; Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz; sessão de 25/07/2017) "CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 7 6 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento." (Processo nº 12448.726715/201268; Acórdão nº 3302004.908; Relatora Lenisa Rodrigues Prado; sessão de 26/10/2017) "Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2003 a 30/11/2003 DCOMP. CONFISSÃO. INEXISTENCIA DECADÊNCIA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, portanto, incabível a alegação de decadência do valor cobrado." (Processo nº 10730.008171/200851; Acórdão nº 3402 006.001; Relator Conselheiro Rodrigo MIneiro Fernandes; sessão de 29/11/2018) No mesmo sentido tem trilhado o Poder Judiciário: "Embargos à execução fiscal. declaração de compensação. PRESCRIÇÃO. honorários de sucumbência. 1. A entrega da DCOMP constitui definitivamente o crédito tributário, dispensado o lançamento dos créditos não compensados. (...)" (TRF4, AC 500113637.2016.4.04.7016, SEGUNDA TURMA, Relator RÔMULO PIZZOLATTI, juntado aos autos em 05/12/2017) Salientese, ainda, que o CARF tem o posicionamento de que o lançamento é indevido quando o débito é declarado em DCOMP, conforme decisões a seguir transcritas: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2006, 30/11/2006 DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. COBRANÇA EM PROCESSO ADMINISTRATIVO PRÓPRIO. LANÇAMENTO INDEVIDO. Débito declarados em declaração de compensação DCOMP apresentada antes do início da Fiscalização, são considerados como confessados e não devem ser objeto de Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 8 7 lançamento de ofício pela Autoridade Fiscal, ainda mais quando já se encontram em análise e exigência em procedimento próprio.A declaração do Sujeito Passivo quanto à existência de obrigação tributária constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, sendo improcedente o lançamento dos referidos valores por parte do Fisco." (Processo nº 19515.007790/200848; Acórdão nº 9303 003.897; Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; sessão de 19/05/2016) Diante do exposto, não é de se prover o recurso por tais argumentos. (ii) Do aproveitamento de créditos de PIS e de COFINS sobre fretes relativos à operação de venda de produtos sujeitos ao regime monofásico Tem razão a Recorrente. Com relação ao tema, é de se consignar que a Recorrente no processo nº 16682.720005/201393, obteve decisões favoráveis no âmbito do CARF, tanto em sede de Recurso Voluntário, quanto em Recurso Especial, cuja transcrição das ementas é necessária, in verbis: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Crédito Tributário Exonerado. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão nº 3402002.520; Relator Conselheiro João Carlos Cassuli Junior; sessão de 15/10/2014) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 289DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 9 8 Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/01/2008 a 31/12/2010 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003." (Acórdão nº 9303 004.311; Relatora Conselheira Érika Costa Camargos Autran; sessão de 15/09/2016) A matéria possui outros precedentes no CARF, conforme a seguir consignados: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. Também para as mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência da COFINS não cumulativa, há Fl. 290DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 10 9 o direito de descontar créditos relativos às despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, da Lei n°. 10.833/2003." (Processo nº 10480.725293/201109; Acórdão nº Relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello; 9303006.219; sessão de 24/01/2018) "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 PIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. As mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário Provido." (Processo nº 10882.720554/201082; Acórdão nº 3302004.605; Relator Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator designado Conselheiro Walker Araújo; sessão de 26/07/2017) Assim, em relação a tal tópico em razão de a própria Recorrente possuir precedentes em seu favor e este ser o entendimento prevalente do CARF é de se prover o Recurso Voluntário interposto. Diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 291DF CARF MF Processo nº 16682.721329/201349 Acórdão n.º 3201005.038 S3C2T1 Fl. 11 10 Fl. 292DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13771.720573/2015-69
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.846
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
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DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente GILBERTO ANDRE PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 1. 72 05 73 /2 01 5- 69 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13771.720573/201569 Acórdão n.º 2002000.846 S2C0T2 Fl. 81 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 18/21), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2013. Essa alteração implicou na redução do imposto a restituir de R$2.501,39 para R$257,06. A notificação aponta a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$9.974,80, consignando (fl.19): Impugnação Cientificada ao contribuinte em 13/10/2015, a NL foi objeto de impugnação, em 5/11/2015, às fls. 2/33 dos autos, na qual o contribuinte requereu o cancelamento integral da glosa. Explicou que o valor de R$874,80 foi recebido de sua fonte pagadora a título de assistência préescolar e repassado integralmente a mãe de seu filho Gabriel Felipe Pereira. No tocante aos valores pagos ao filho Octavio Guilherme Pereira, informou que a separação ocorreu em 2001 e, dado o tempo decorrido, os dados foram alterados. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/FOR que, por unanimidade, julgoua improcedente (fls. 46/50). Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 3/8/2018 (fl. 57), o contribuinte, em 14/8/2018 (fl. 60), apresentou recurso voluntário, às fls. 60/72, no qual alega, em apertado resumo, que: sua ficha financeira junto a sua fonte pagadora demonstraria os créditos e os descontos a título de assistência escolar. os documentos anexados demonstrariam depósitos em favor da mãe do alimentado Gabriel Pereira. ainda que não esteja previsto no acordo judicial homologado, ele teria dado o destino correto aos valores recebidos. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13771.720573/201569 Acórdão n.º 2002000.846 S2C0T2 Fl. 82 3 no tocante ao filho Octavio, a determinação judicial seria de pagamento de 25% de seus proventos, deduzidos os encargos obrigatórios. a teor do acordo homologado, faria jus a deduzir a pensão mensal de até R$1.196,73, visto que suas receitas perfaziam R$5.762,61 e os encargos, R$1.005,69. teria acertado a diminuição da pensão com a mãe do seu filho e ao longo do tempo, teria alternado a guarda do filho. ainda que a conta bancária não coincida com aquela consignada no acordo, o pagamento da pensão poderia ser confirmado por meio dos comprovantes de depósitos apresentados e pelo cruzamento de informações, visto que a mãe do alimentado teria declarado a pensão recebida. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão alimentícia judicial informada pelo recorrente. A glosa do valor de R$874,80 foi assim fundamentada na autuação: Gabriel Felipe Pereira Valor glosado de R$874,80: não consta do acordo apresentado a previsão do ônus, para o contribuinte, das despesas com instrução do alimentando. Glosa por falta de amparo legal. Na apreciação da impugnação, a DRJ manteve essa glosa, consignando: Quanto à despesa de instrução com o alimentado Gabriel Felipe Pereira, no valor de R$ 874,80, devese esclarecer ao impugnante que este tipo de despesa só pode ser deduzida do imposto de renda se houver determinação expressa no acordo judicialmente homologado. O acordo de separação, fls. 8/9, não traz qualquer determinação de que o alimentante deve arcar com despesas de instrução do alimentado Gabriel Felipe Pereira . A homologação do acordo consta no processo 13005.721725/201793, que está incluído do eprocesso. Observese o que dispõe a Lei 9.250/95 sobre a dedução de despesas médicas e de educação dos alimentados, quando realizadas pelo alimentante: Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13771.720573/201569 Acórdão n.º 2002000.846 S2C0T2 Fl. 83 4 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: (...) f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) ) (...) § 3o As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II do caput deste artigo. (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (grifei) Portanto, não havendo, no acordo judicialmente homologado, determinação para que o alimentante seja responsável pelas despesas de instrução do alimentado, não se pode aceitar esse tipo de dedução do IRPF. Em seu recurso, o recorrente reconhece que não consta do acordo homologado determinação acerca das despesas com instrução, mas defende a dedutibilidade do valor recebido a título de assistência préescolar, uma vez que repassou os valores para a mãe do alimentado. Sem reparos a se fazer à decisão de piso nesse tocante, uma vez que somente são dedutíveis o pagamento com instrução do alimentado se previsto no acordo judicial homologado, o que o recorrente admite que não ocorreu. Ademais, vejase que sequer foram comprovados os pagamentos a título de instrução. A teor da legislação de regência, citada na autuação e parcialmente reproduzida na decisão recorrida, são dedutíveis as despesas com instrução. Em verdade, o recorrente quer ver deduzido valor que ele recebeu a título de auxílio préescolar de sua fonte pagadora. Ainda que conste o repasse desse valores para a mãe do alimentado (fl.63), inexiste previsão legal para sua dedução da base de cálculo do IR, seja a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13771.720573/201569 Acórdão n.º 2002000.846 S2C0T2 Fl. 84 5 título de pensão judicial, seja a título de despesas com instrução, mostrandose correta sua glosa. No tocante a glosa do valor de R$9.100,00, a fundamentação consignada foi: Octavio Guilherme Pereira o contribuinte não apresentou comprovação de depósito da pensão alimentícia na conta bancária nº21.0222, agência 0500 da CEF, como previsto no acordo homologado judicialmente. Do mesmo modo, o contribuinte não apresentou determinação judicial alterando a conta do depósito, bem como os comprovantes de transferência apresentados não indicam o nome do favorecido. Glosa efetuada por falta de comprovação do pagamento da pensão alimentícia. Na apreciação do feito, a DRJ decidiu: De acordo com o comprovante mensal de rendimentos do impugnante, fl.15, referente ao mês de jan/2013, considerando se o soldo ali apresentado de R$ 3.597,00 e subtraindose o IRRF e a contribuição previdenciária, estimase que a pensão mensal fixada seria de aproximadamente R$ 730,00 mensais. Portanto, o valor máximo de pensão a ser paga no ano seria de R$ 8.760,00 (para dedução do IRPF). Devese esclarecer que o valor que pode ser deduzido do imposto de renda a título de pensão alimentícia fica limitado ao valor determinado no acordo de separação, qualquer valor excedente decorre de liberalidade do contribuinte e não pode ser deduzido do IRPF. Como documentação probatória do pagamento da pensão alimentícia o contribuinte apresentou comprovantes de transferência bancária, fls. 10/13, com a movimentação (transferência) entre duas contas correntes da Caixa Econômica Federal, que totalizam R$ 9.230,00. No entanto, há dois problemas no relatório de transferência bancária apresentado: 1º) A conta corrente/agência dos depósitos não coincide com a indicada no acordo se separação, fl.7. 2º) Não se consegue identificar os titulares das contas de débito e crédito referentes às transferências bancárias. Entendo que o 1º problema seria superável caso não existisse o 2º problema. Não há como se verificar se o débito foi feito na conta corrente bancária do alimentante e, nem sequer, se o crédito foi feito em conta corrente do alimentado ou de sua responsável. Portanto, fica mantida a glosa da pensão alimentícia referente ao alimentado Octávio Guilherme Pereira. Quanto ao valor da pensão previsto no acordo judicial, a DRJ manifesta entendimento de que o recorrente faria jus a deduzir o montante máximo de R$8.760,00, desde Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13771.720573/201569 Acórdão n.º 2002000.846 S2C0T2 Fl. 85 6 que comprovado seu pagamento. Em seu recurso, o recorrente contesta esse limite, discriminando os valores que entende devidos e defendendo que faria jus a deduzir valor superior ao declarado, de R$9.100,00. Nesse tocante, merece reparo à decisão de piso. Isto porque se trata de questão não ventilada na autuação, que efetuou a glosa somente pela falta de comprovação do pagamento, não tendo tecido considerações acerca do valor determinado no acordo judicial homologado judicialmente. Entretanto, no que tange à comprovação do pagamento, remanesce sua ausência. Tanto a autuação quanto a decisão recorrida apontam que os comprovantes bancários apresentados não permitem verificar o titular da conta creditada (fls. 10/13). O recorrente poderia ter sanado tal deficiência buscando, por exemplo, declaração da instituição financeira acerca do titular da conta bancária creditada ou ainda apresentando documento relativo a essa conta contendo indicação do seu titular (extrato, cartão, comprovante de depósito). No entanto, não o fez. Como manifestado na decisão de piso, o fato de a conta bancária não ser aquela indicada no acordo homologado judicialmente poderia ser superado, desde que o recorrente tivesse demonstrado que a conta favorecida teria como titular seu filho ou a mãe dele. Diante da ausência de provas nesse sentido, é de se manter a decisão recorrida. Conclusão Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.004851/2005-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos à DRJ para que seja proferido novo julgamento na instância de piso, tendo em vista a nulidade anteriormente detectada neste CARF, no Acórdão n. 3401-00.570.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Relatório
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos à DRJ para que seja proferido novo julgamento na instância de piso, tendo em vista a nulidade anteriormente detectada neste CARF, no Acórdão n. 340100.570. Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado, fls. 09 a 11 e 581 a 583, para cobrança de PIS/Pasep e Cofins nos anos de 2000 a 2004, não todos os meses. Os autos de infração foram lavrados em virtude da não homologação dos pedidos de compensação por não ter sido acatado o pedido de restituição de crédito de CSLL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 10 .0 04 85 1/ 20 05 -7 6 Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.766 2 paga a maior no ano calendário de 1995, processo 10410.002485/200197, de acordo com o Parecer nº 167/03. Inconformada com as autuações a empresa apresentou impugnação, fls. 1015 e sgs., onde alega em síntese que as contribuições apuradas em 31/05/2001 e 31/07/2001 foram objeto de compensação no processo anteriormente citado, que estava pendente de decisão final. A DRJ Recife, Acórdão nº 1123.381, de 11/08/2008, por unanimidade de votos julgou procedente os lançamentos, fls. 2350 e sgs., restando assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/03/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 30/09/2002, 01/02/2004 a 31/03/2004 PRELIMINAR DE NULIDADE. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista nos incisos IV e V do art.151 da Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966 CTN, somente se aplica nos casos de concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Na ausência destas, a ação fiscal deverá prosseguir no seu curso normal com a conseqüente execução da cobrança do crédito lançado, de acordo com as normas processuais pertinentes. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. DIREITO À COMPENSAÇÃO. A compensação é opção do contribuinte. O fato de ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercida a compensação antes do início do procedimento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2000, 01/09/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 31/07/2001, 01/01/2002 a 28/02/2002, 01/07/2002 a 31/10/2002, 01/12/2002 a 31/12/2002 PRELIMINAR DE NULIDADE. Quando presentes todos os requisitos formais previstos na legislação processual fiscal, não se cogita da nulidade do auto de infração. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Fl. 2766DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.767 3 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista nos incisos IV e V do art.151 da Lei n° 5.172, de 25 de Outubro de 1966 CTN, somente se aplica nos casos de concessão de medida liminar em mandado de segurança ou de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial. Na ausência destas, a ação fiscal deverá prosseguir no seu curso normal com a conseqüente execução da cobrança do crédito lançado, de acordo com as normas processuais pertinentes. MULTA DE OFÍCIO. A multa a ser aplicada em procedimento exofficio é aquela prevista nas normas válidas e vigentes à época de constituição do respectivo crédito tributário, não havendo como imputar o caráter confiscatório à penalidade aplicada de conformidade com a legislação regente da espécie. DIREITO A COMPENSAÇÃO A compensação é opção do contribuinte. O fato de ser detentor de créditos junto à Fazenda Nacional não invalida o lançamento de ofício relativo a débitos posteriores, quando não restar comprovado ter exercida a compensação antes do início do procedimento de ofício. A empresa apresenta Recurso Voluntário, fls. 2380 e sgs., onde repete basicamente a impugnação, solicitando preliminarmente, a nulidade do lançamento no que se refere aos períodos de apuração de maio e de julho de 2001, sob o argumento de que tais débitos foram objeto de pedido de compensação que, não obstante tivesse sido não homologado pela Unidade de origem, ainda se encontra com decisão final pendente de julgamento em face da apresentação de manifestação de inconformidade, de sorte que a alegada inadimplência ainda não se consumou, o que impediria, inclusive, a aplicação da multa de ofício. Outro argumento utilizado para considerar nulo o lançamento desses dois períodos é o de que o dispositivo no qual se baseou IN SRF n° 210/2001 foi revogado. Assim, entende a Impugnante que a cobrança desses valores somente poderia ser feita mediante a remessa da declaração de compensação à PFN e não mediante o lançamento, mas, ainda assim, somente após o trânsito em julgado do processo administrativo onde se discute a compensação. No mérito, a Impugnante aponta, inicialmente, equívoco no montante das diferenças apuradas pela fiscalização em relação a vários períodos de apuração, fazendo juntar, para demonstrálo, um documento intitulado Comentário, elaborado pelo contador da empresa, às fls. 525/531. Aduz, por fim, que, na parte em que o lançamento se fundou no § 1 do artigo 3º da Lei n° 9.718, de 27/11/1998, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições devidas ao PIS e à Cofins, o mesmo deveria ser cancelado, visto que não podem ser tributadas pelas ditas contribuições as suas receitas outras que não o faturamento. Neste ponto, baseiase na recente decisão do STF que considerou inconstitucional aquele dispositivo. Informa também que foi cientificada do despacho decisório da DRF que indeferiu o pedido de compensação em 31/10/2005 e a ciência dos dois autos de infração ocorreu anteriormente, em 27/10/2005. Com isso, quis a Recorrente ressaltar que a instância de piso não considerou em seu voto a existência de uma Manifestação de Inconformidade contra tal indeferimento, de sorte que, a seu ver, foi desrespeitada a regra constante do §11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que trata do rito processual nesses casos. Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.768 4 O processo foi julgado pelo CARF, em 03/02/2010, Acórdão nº 340100.570, anulando parte da decisão da DRJ: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2000 a 31/03/2004 NULIDADE PARCIAL DE ACÓRDÃO DA DRJ. FALTA DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTOS TRAZIDOS PELA DEFESA. É nula a parte da decisão da instância de piso que ignora os argumentos trazidos pela Impugnante, nos quais eram apontados supostos equívocos da autoridade fiscal na determinação dos valores exigidos por meio dos autos de infração, mormente quando tais argumentos contenham indícios de veracidade. Decisão da DRJ anulada em parte. E também determina o envio do processo a DRF para aguardar a decisão final no processo 10410.002485/200197, com posterior retorno ao CARF: Em face de todo o exposto, voto por anular parcialmente a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em seu lugar, desta vez, enfrentando a todos os argumentos trazidos pela Impugnante no documento de fls. 525/531. Voto também para que o presente processo permaneça a Unidade de origem e somente retorne a julgamento neste Colegiado após ter sido prolatada decisão definitiva acerca do pedido de restituição e de compensação constantes do processo administrativo n° 10410.002485/200197, a qual deverá ter sua cópia devidamente anexada a este processo, ocasião em que serão discutidas todas as matérias constantes dos presentes autos de infração. Em 28/06/2018 a DRF informa a decisão definitiva no processo 10410.002485/200197, fazendo o apensamento do mesmo, e retornando o processo ao CARF para prosseguir o julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O juízo de admissibilidade do recurso voluntário já foi a seu tempo aferido, quando do primeiro julgamento realizado (Acórdão nº 340100.570). Verificando o Acórdão CARF nº 340100.570, apesar do questionamento referente aos períodos de maio e junho de 2001, para PIS/Pasep e Cofins, vemos que foi decidido que se aguardasse o julgamento do processo 10410.002485/200197, para que então se analisasse todos os períodos lançados: De outra parte, não há como se julgar apenas uma parte do lançamento, isto é, sobrestar esses dois períodos de apuração e se prosseguir no julgamento das matérias envolvendo os demais períodos, de maneira que a minha proposição aos demais colegas de Turma é Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.769 5 que todo o julgamento fique na dependência do que for decidido no referido processo administrativo n° 10410.002485/200197. Entretanto o Acórdão CARF enfrentou de ofício uma preliminar de preterição de direito de defesa, por entender que a instância de piso não analisou os documentos juntados pela empresa, decretando a nulidade parcial da decisão recorrida: Mas, enquanto se aguarda o desfecho da referida lide, penso que, em homenagem ao princípio da eficiência administrativa, poderíamos enfrentar e deliberar acerca de matéria que, de ofício, suscito aos meus pares. Tratase do que a Recorrente chamou em suas impugnações de "equívocos cometidos pelo agente da fiscalização", os quais, devidamente apontados e especificados em documento da lavra do contador da empresa, sequer foram objeto de relato por parte da DRJ, quiçá de uma análise mais apurada. Ora, no referido documento de fls. 525/531, o contador da empresa aponta os seguintes tipos de ocorrências, que, somadas, atingem a totalidade do valor lançado a título de PIS/Pasep e a quase que totalidade do valor lançado a título de Cofins, o que demandaria no cancelamento da exação. São eles: 1) erro no preenchimento da DCTF; 2) valor lançado a maior pelo fiscal; 3) base de cálculo declarada a menor; 4) indeferimento de pedido; 5) base de cálculo apurada equivocadamente pelo fiscal; 6) pedido de compensação; 7) valor inferior a R$ 10,00; 8) valor recolhido conforme Darf; e 9) valor recolhido a maior conforme Darf. Como se observa e tirante, em princípio, os tipos "indeferimento de pedido", "pedido de compensação" e "valor inferior a R$ 10,00", os argumentos da Recorrente mereciam, no mínimo, ser rebatidos com argumentos firmes e objetivos e não da maneira genérica como o foram no Voto da instância de piso, que, a bem da verdade, sequer os mencionou em seu Relatório. Vejase trecho do voto em que, supostamente, foram "rechaçados" os argumentos da Recorrente: "28. Estando, pois, comprovados os valores constantes dos autos de infração pelas planilhas apresentadas, cujos valores correspondem ao efetivamente escriturado nos livros fiscais, conforme afirmado pelo Autuante, na descrição dos fatos e não tendo a contribuinte em sua defesa, juntado qualquer documento que demonstrasse erro na base de calculo da contribuição, é de se manter o lançamento." (grifos meus). Ora, como dito acima, foi sim juntado um documento demonstrando erro na base de cálculo, mas, no entanto, o mesmo sequer foi apreciado pela instância de piso, fato este que configura cerceamento ao direito de defesa, em afronta, portanto, ao disposto no artigo 31 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 19722, o que me obriga aqui a suscitar, de ofício, a nulidade parcial da decisão recorrida. E adiciona que deverá ser proferida outra decisão no lugar da parte anulada pelo acórdão CARF: Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.770 6 Em face de todo o exposto, voto por anular parcialmente a decisão de primeira instância, para que outra seja proferida em seu lugar, desta vez, enfrentando a todos os argumentos trazidos pela Impugnante no documento de fls. 525/531. Não consta no processo que a DRF atendeu ao determinado pelo Acórdão CARF, pois entendo que ficou decidido que o processo devia permanecer na unidade de origem até que fosse decidido definitivamente o pedido de restituição e compensação constante no processo 10410.002485/200197, e após fosse enviado à DRJ para que proferisse nova decisão relativa a parte anulada pelo Acórdão, claro que levando em consideração o que foi decidido pela DRF, tudo em prol da garantia do direito de defesa. Concluo pela devolução do presente processo à DRJ para que seja cumprido o decidido no Acórdão nº 340100.570. Em tempo informo que no processo 10410.002485/200197 apensado a esses autos consta o Acórdão DRJ nº 1159.649, de 25/04/2018, em que foi reconhecido o direito creditório do contribuinte após a reanálise do processo pela DRF. Trata o presente processo de Pedido de Restituição (fl. 31), apresentado em papel, relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apresentado em 21/06/2001, do anocalendário 1995, no valor de R$ 53.035,89. Para o referido PER, foram apresentados Pedidos de Compensação (fls. 5 e 54). 2. O Despacho Decisório de fls. 7273 acolheu os termos do Parecer nº 167/03 e indeferiu o Pedido de Restituição, tendo em vista ter considerado que o contribuinte ultrapassou o prazo de 5 anos que lhe era permitido para requerer a restituição (31/12/2000). 3. Devidamente cientificado da decisão em 31/10/2005, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 8090) em 28/11/2005 com as seguintes justificativas, em resumo: 3.1. Esclareceu, preliminarmente, que o Pedido de Restituição não se refere ao saldo credor da CSLL apurado no ano calendário de 1995 (exercício 1996), e sim do saldo relativo ao ano calendário de 1996 (exercício de 1997), no valor R$ 30.903,94, de forma que, quando da apresentação do Pedido de Restituição, em 22/06/2001, deveria ter anexado ao pedido a Declaração do Imposto de Renda do ano calendário de 1996 e não aquela relativa ao ano calendário anterior (1995). 3.2. Discorreu sobre a legislação tributária e apresentou decisões judiciais do Superior Tribunal de Justiça para sustentar que é de 10 anos o prazo para a apresentação de Pedidos de Restituição de tributos sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso da CSLL. 3.3. Requereu o provimento de sua defesa, para, acatando a retificação do valor e da origem do crédito utilizado, reformar o Despacho Decisório proferido pela DRF/Maceió e homologar as compensações. 4. O processo foi remetido para a DRJ/Recife (PE) e distribuído para a sua 2ª Turma, a qual, fundada na premissa que o prazo para apresentação de Pedidos de Restituição e Declarações de Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10410.004851/200576 Resolução nº 3401001.823 S3C4T1 Fl. 2.771 7 Compensação formalizados anteriormente a 09/06/2005 é de 10 anos (e não 5 anos, tal como considerado na decisão recorrida), decidiu devolvêlo à DRF/Maceió (AL), para que aquela unidade apreciasse questões relativas a: admissibilidade da retificação do PER, disponibilidade do crédito e homologação das compensações. 5. Em atendimento, a DRF/Maceió (AL) exarou o Parecer acostado às fls. 254 256, no qual se pode extrair: (i) a sua expressa concordância pela admissibilidade da retificação do Pedido de Restituição; e (ii) que deveriam ser homologadas as compensações dos débitos relativos à Cofins e ao PIS/Pasep dos períodos de apuração maio e julho de 2001, conforme acervo probatório (fls. 228250) e cálculos (fls. 251253) anexados ao presente processo. (grifos nossos) ... 9.2. Os mencionados relatórios demonstram que o crédito indicado é suficiente para a extinção dos débitos informados, sobejando ainda um saldo credor, após o aproveitamento das sobreditas compensações, no valor de R$ 7.514,86. Ou seja, do crédito indicado no Pedido de Restituição foi utilizado o valor original de R$ 23.389,08. 10. Cientificado deste resultado, o sujeito passivo não se manifestou. 11. Diante da análise levada a efeito pela unidade de origem, a qual relata ter se baseado em documentos contábeis do sujeito passivo e demais informações coletadas dos sistemas corporativos da RFB (Dossiê Eletrônico, DIPJ etc.) é de se concordar com o deferimento do pleito em favor do sujeito passivo. 12. Ante o exposto, VOTO pela procedência da manifestação de inconformidade e pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 23.389,08. Pelo exposto, voto para que seja remetido o processo à DRJ para que seja proferido novo julgamento na instância de piso, tendo em vista a nulidade anteriormente detectada neste Carf, no Acórdão nº 340100.570. Mara Cristina Sifuentes Relatora (assinado digitalmente) Fl. 2771DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721489/2013-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN.
A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97.
Numero da decisão: 9202-007.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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CUSTEIO. NFLD. ABONO. REMUNERAÇÕES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. CARÁTER HABITUAL E VINCULADO AO SALÁRIO. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO 16/2011 DA PGFN. A importância paga, devida ou creditada aos segurados empregados a título de abonos não expressamente desvinculados do salário, por força de lei, integra a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.528/97. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 14 89 /2 01 3- 98 Fl. 3061DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Cuidase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 2401004.761, proferido na sessão de 06 de abril, de 2017, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2011 PRELIMINAR DE NULIDADE DE DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. O indeferimento do pleito quanto a juntada de documentos não tem o condão de macular a decisão exarada em primeira instância, em face do livre convencimento da autoridade julgadora na apreciação da prova formadora de sua convicção. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O Auto de Infração foi devidamente motivado e em consonância com o estabelecido no art. 145 do CTN, não devendo que se falar em nulidade do ato. VERDADE MATERIAL. AUTO DE INFRAÇÃO. Não vejo equívoco no auto de infração diante dos levantamentos comprovados através dos cruzamentos DIRF x GPS, após o confronto com a documentação apresentada pelo contribuinte e a devida exclusão de valores. A postulante não se exonerou em afastar o restante levantamento apurado. GRATIFICAÇÃO DE CONTINGENTE. INCIDÊNCIA. Integra a remuneração, bem como o saláriodecontribuição do segurado empregado, a parcela devida a título de Gratificação Contingente, cuja previsão de pagamento repetese de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. A parcela que corresponde a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador não caracteriza desvinculação do respectivo salário. GRATIFICAÇÃO EXTRAORDINÁRIA GERENCIAL. INCENTIVO À PARTICIPAÇÃO ACIONARIA. BÔNUS DE DESEMPENHO. Nítido caráter salarial. Esta cristalina a natureza remuneratória destes, como forma de incentivo ao desempenho funcional, sendo concedidos, “pelo” e não, “para”, o trabalho. A decisão foi assim registrada: Fl. 3062DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 9202007.725 CSRFT2 Fl. 3 3 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso, e, por voto de qualidade, negarlhe provimento. Vencidos a relatora e os conselheiros Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial para excluir do lançamento os valores relativos à gratificação de contingente. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O recurso visava rediscutir as seguintes matérias: a) Gratificação de Contingente; b) Gratificação Extraordinária Gerencial e c) Incentivo à Participação Acionária e Bônus Desempenho, porém, em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Quarta Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo apensa em relação à matéria “a” Gratificação de Contingente. Em suas razões recursais, relativamente à matéria Gratificação de Contingente, a Contribuinte aduz, em síntese, que, da leitura do acórdão recorrido, é fácil perceber o equívoco do órgão julgador acerca da desnecessidade da habitualidade nos ganhos de pecúnia para que estes integrem o campo de incidência das contribuições previdenciárias; que a gratificação de contingente é pagamento feito pela Recorrente aos empregados sem respectiva contraprestação pelo trabalho; que se trata de quantia paga em decorrência de previsão do Acordo Coletivo de Trabalho, não havendo qualquer correlação direta com a prestação de serviço; que como se pode observar os Acordos Coletivos de Trabalho anexos aos autos, suas cláusulas são expressas ao determinar que a gratificação de contingente não integra os salários dos empregados, deixando claro, ainda, que não consiste em contraprestação do trabalho realizado pelos mesmos; que os conselheiros vencidos afastavam a incidência da contribuição sob o argumento de que tais importância são expressamente desvinculadas do salário, pelo que não se encontram presentes os requisitos estabelecidos no art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 1991. A Fazenda Nacional, tempestivamente, apresentou contrarrazões nas quais aduz, em síntese, que a interpretação conjunta dos artigos 195 e 201, § 11 da Constituição leva à conclusão que o termo “folha de salário”, para efeito de cálculo da contribuição para a seguridade social, abrange não somente salários, no sentido estrito do termo, mas o quantum total efetivamente pago, devido ou creditado ao empregado em razão do contrato de trabalho; que em consonância com essa diretriz, a Lei nº 8.212, de 1991 estabelece a base de cálculo da contribuição social sobre a folha de salários nos artigos 22 e 28; que o que define a natureza remuneratória da parcela não é o seu nome, mas a sua natureza; que, no caso, a gratificação de contingente não está desvinculada do salário, eis que corresponde a um percentual sobre a remuneração normal do trabalhador; que embora devida de uma só vez aos segurados empregados durante o período de vigência do respectivo ACT, a previsão de pagamento repete se de maneira sistemática em todos os acordos firmados; que não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção; que é nítida, no presente caso, a natureza remuneratória da gratificação contingente, paga com a finalidade de retribuição pelo trabalho prestado à empresa. É o relatório. Fl. 3063DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Quanto ao mérito, entendeu o Acórdão Recorrido que o abono, denominado Gratificação de Contingência, integra a remuneração e sobre ele incide a contribuição social previdenciária, uma vez que o pagamento do abono repetese de maneira sistemática nos acordos coletivos de trabalho, caracterizando a habitualidade e, portanto, não atenderia a, pelo menos, esse requisito para sua exclusão da base da tributação. Não estaria satisfeito, portanto, um dos requisitos definidos no parecer PGFN nº 2114, de 2011 e do Ato Declaratório PGFN nº 16/2001, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. Sobre o ponto, reproduzo o seguinte fragmento do voto condutor do julgado (voto vencedor): Com efeito, esclarece o Relatório Fiscal que a verba é decorrente de cláusula expressa inserta nos Acordos Coletivos de Trabalho (ACT), com previsão no ACT/2007, vigência de 1º de setembro de 2007 até 31 de agosto de 2009; no ACT 2009, vigência de 1º de setembro de 2009 até 31 de agosto de 2011; e ACT 2011, vigência de 1º de setembro de 2011 até 31 de agosto de 2013 (fls. 353/354). Embora devida de um só vez aos segurados empregados durante o período de vigência do respectivo ACT, conforme cláusula da negociação coletiva, a previsão de pagamento repetese de maneira sistemática em todos os acordos firmados. Não é eventual o pagamento efetuado pela empresa quando caracterizada a habitualidade, pela recorrência da situação ao longo do tempo sem interrupção. Tampouco as parcelas recebidas estão desvinculadas do salário, eis que correspondem a um percentual aplicado sobre a remuneração normal do trabalhador. A contribuinte se insurge contra a decisão aduzindo que o abono em questão é pago sem contraprestação pelo trabalho e com previsão em acordo coletivo de trabalho e que a própria PGFN reconhece a existência de decisões judiciais reiteradas nesse sentido, tanto que expediu o Ato Declaratório nº 16, de 2011, com base no Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011, pelo qual orienta no sentido de se submeter à decisão judicial, não interpondo recursos em relação a esta matéria e desistência do recursos já interpostos. Pois bem, a matéria está disciplinada no art. 28, I e § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, de 1991. Confirase: Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 16682.721489/201398 Acórdão n.º 9202007.725 CSRFT2 Fl. 4 5 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; [...] e) as importâncias: [...] 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; Conflitos sobre a interpretação do dispositivo foram solucionadas pelo Superior Tribunal de Justiça que, em decisões reiteradas, consagrou o entendimento de que abonos pagos por força de Convenção Coletiva, quando expressamente desvinculadas do salário e com eventualidade não integram a base de cálculo da Contribuição Social. Essas decisões levaram a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional a editar o Parecer PGFN/CRJ nº 2114/2011 e, com base neste, o Ato Declaratório nº 16/2011 pelos quais autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante” sobre os referidos abonos, observadas as condições acima referidas. Diante desse quadro, para a solução da lide não há outro caminho que não o de verificar se o abono em questão satisfaz essas condições, quais sejam, terem sido pagas por força de convenção coletiva, serem pagas com eventualidade e serem desvinculadas do salário. No presente caso, conforme informação prestada pela própria empresa, a “gratificação de contingência foi negociada nos ACT de 2007/2008 (cláusula 96ª), no Termo Aditivo do ACT de 2007 (cláusula 3ª), no ACT de 2009/2010 (cláusula 5ª), no Termo Aditivo do ACT 2009 (cláusula 3ª) e no ACT de 2011/2012 (Cláusula 4ª). Vejamos a cláusula 96ª do ACT de 2007/2008: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2007 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2007, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor correspondente a 80% (oitenta por cento) de sua remuneração nominal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias. Vejamos também a cláusula 5ª do ACT de 2009/2010: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2009 e que estejam em efetivo Fl. 3065DF CARF MF 6 exercício em 31 de agosto de 2009, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) de sua remuneração nominal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias. E a cláusula 3ª do ACT de 2011/2012: A companhia pagará de uma só vez a todos os empregados admitidos até 31 de agosto de 2011 e que estejam em efetivo exercício em 31 de agosto de 2011, uma Gratificação Contingente, sem compensação e não incorporada aos respectivos salários, no valor correspondente a 100% (cem por cento) de sua remuneração nominal, excluídas as parcelas de caráter eventual ou médias, ou R$ 6.000,00 (seis mil reais), o que for menor. Como se vê, a referida verba foi paga, pelos menos, nos anos de 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012, o que, a meu juízo, lhe retira o caráter de eventualidade, embora os ACT afirmeM o contrário. Convenhamos que o pagamento, em SEIS anos consecutivos (pelo menos) de uma vantagem aos empregados não pode ser tida como algo eventual! Finalmente, sobre a desvinculação do salário, verificase que o referido abono é fixado como um percentual deste, e, portanto, proporcional ao salário recebido pelos empregados, o que indica sua vinculação ao salário do empregado. Ao se fixar o abono como percentual do salário, tendo este, portanto, como base de cálculo, o acordo o vincula definitivamente um ao outro. O que se percebe é que o abono, da forma como concedido, representa, efetivamente uma parcela do salário. O presente caso, portanto, não se enquadra na hipótese de exclusão da incidência da contribuição sobre o abono prevista no inciso art. 28, § 9º, alínea “e”, item 7, da Lei nº 8.212, tampouco na situação referida na PGFN/CRJ nº 2114/2011 e no Ato Declaratório nº 16/2011. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 3066DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10835.000721/2006-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-007.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
1.0 = *:*
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 07 21 /2 00 6- 54 Fl. 550DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 28/56, contra o acórdão nº 2102004.07, proferido na sessão do dia 04 de dezembro de 2009, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002IRPF DECADÊNCIA RECONHECIMENTO DE OFÍCIOTendo em vista que o procedimento administrativo tributário se pauta pela legalidade e pela verdade material, a decadência porventura detectada no julgamento do Recurso Voluntário deve ser reconhecida de oficio, ainda que não alegada pela parte Interessada.IRPF LANÇAMENTO MATÉRIA NÃO IMPUGNADADeve ser considerada como não impugnada a parcela do lançamento sobre a qual a parte interessada não se insurge, bem como a parcela sobre a qual informa que efetuou o pagamento do crédito tributário correspondente. IRPF DEDUÇÕES DESPESA MÉDICA Comprovado o seu pagamento através de recibos idôneos trazidos aos autos, e confirmada a efetividade do serviço prestado por meio de atestados, fichas médicas ou declarações, não pode prevalecer a glosa da despesa médica.Recurso provido em parte.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Conforme relatado pela Câmara a quo: Cientificada do lançamento em 13.07.2006, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 158/166, à qual anexou diversos documentos e requereu que fossem considerados idôneos os recibos apresentados pelos profissionais Eithima Soares Ribeiro Pivaro, Jose Emilio Pivaro, Patrícia Alessandra de Castro, Antonio Fernandes Ferrari e Ana Luiza Pires Batista Echeverria (quanto ao anocalendário de 2000), bem como aqueles emitidos por Jose Ernilio Pivaro e Paulo Kozar (ano calendário 2001). Pugnou, ainda, que as despesas com os profissionais Antonio Kemp Fernandes e Alexandra Biazon fossem excluídas do lançamento, uma vez que apresentara Declaração Retificadora, excluindo os valores deduzidos com tais profissionais em momento anterior ao início do procedimento fiscal (em 27.08.2004). Na análise de suas alegações, os membros da DRJ em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento. Consideraram como não impugnadas as glosas com as profissionais Najana Pioch Carlos (2000), Maria Francisca Xavier (2000) e Vera Lucia Altavini Arantes (2001), pois contra elas a contribuinte não se manifestara e havia súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz quanto aos recibos por elas emitidos. O mesmo ocorreu em relação à Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10835.000721/200654 Acórdão n.º 9202007.641 CSRFT2 Fl. 551 3 glosa das despesas com a profissional Maria Izabel de Souza Faleiros, pois a contribuinte não se manifestou quanto às mesmas. (...) A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 285/291, por meio do qual alegou que: recolheu DARF no montante de R$ 1872,28, em 30.05.2007, valor relativo ao imposto devido em razão da glosa das despesas com os profissionais Antonio Kemp Fernandes e Alessandra Silmara Silva Blazon; efetuou depósito administrativo de outra parte do valor lançado, por questão de cautela, mas alertou que o fato de ter efetuado o depósito não significava que estaria concordando com o lançamento; a legislação vigente não prevê a microfilmagem de cheques e/ou a comprovação dos pagamentos para que uma determinada despesa médica seja passível de dedução no IR; tal prova somente se faz necessária quando o contribuinte deixa de apresentar o respectivo recibo; o recibo firmado pela Dra Patrícia Alessandra de Castro foi acostado aos autos juntamente com uma declaração firmada pela profissional, atestando que os serviços haviam sido efetuados; o recibo firmado por Antonio Fernandes Ferrari também preenchia os requisitos da lei e ainda haviam sido juntadas aos autos suas fichas de paciente e, por meio da qual se poderia verificar a efetiva realização da consulta para a qual o pagamento fora efetuado (com coincidência de data); a decisão recorrida deveria ter analisado em conjunto os documentos apresentados, sob pena chegar à conclusão diversa daquela demonstrada por tais documentos; os recibos e laudos relativos aos serviços prestados por Ana Maria Batista Echeverria e Paulo Roberto Kozar foram acostados aos autos, não havendo motivo para a manutenção da glosa quanto aos mesmos; os recibos firmados por Jose Emilio Pivaro e Eithinia Ribeiro Pivaro se referem a tratamentos feitos Neuza e Divana, suas filhas — que à época também eram suas dependentes; Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe o presente recurso visando a reforma do acórdão em relação a: (i) decadência e (ii) a preclusão em relação a apresentação de provas e (iii) despesas médicas. Conforme despacho de admissibilidade de efls. 308/311, confirmado pelo reexame de admissibilidade, foi dado seguimento parcial ao Recurso Especial, somente em Fl. 552DF CARF MF 4 relação (ii) preclusão para apresentação das provas relacionadas ao profissional Paulo Roberto Kozar, cujas despesas médicas foram restabelecidas no acórdão recorrido. Houve a tentativa de intimação do contribuinte para apresentar Contrarrazões, via Correios (efls. 545) e por edital (efls. 547). É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e entretanto não preenche os requisitos de admissibilidade, pois o paradgima apresentado fala em ressarcimento de ipi em situações fáticas totalmente distintas da presente. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Exercício: 2001 Ementa: RESSARCIMENTO. ESCRITURAÇÃO FISCAL. REGULARIDADE. NECESSIDADE. A manutenção em ordem dos livros e demais elementos fiscais é imprescindível para o deferimento do pedido de ressarcimento de IPI. PROVA. PRECLUSÃO. De acordo com o PAF, o momento para juntada de provas é o da realização do pedido, nos processos de iniciativa do contribuinte, e na impugnação, nos de iniciativa do Fisco. Recurso negado. Veja que os pedidos de ressarcimento ao fisco, revestemse de natureza diversa da questão colocada, de apresentação de documentos para comprovação de despesas médicas. Nesse sentido, voto por negar conhecimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.722785/2015-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO.
Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais.
PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO.
É lícita a utilização de provas colhidas em investigação criminal, obtidas por meio de autorização judicial, para subsidiar a apuração de caráter tributário.
Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AFRFB. COMPETÊNCIA.
Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade tributária para imputação da responsabilidade solidária, no momento da constituição do crédito tributário.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA.
A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP.
Aplica-se às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une.
PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE.
Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório.
MULTA QUALIFICADA.
Mantém-se a qualificação da multa se resultar evidente a intenção de reduzir os tributos devidos.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN.
RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135 DO CTN.
Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada.
ADMINISTRADORES DE FATO. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição de responsabilidade pessoal aos administradores de fato da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN.
MANDATÁRIOS. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI VINCULADA AOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA.
A falta de comprovação do interesse comum, do poder de gestão sobre a pessoa jurídica autuada e da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, vinculados aos fatos geradores das obrigações tributárias, afasta a imputação da responsabilidade tributária.
MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
Numero da decisão: 1302-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários quanto à exigência e à aplicação da multa qualificada; e, ainda, quanto à imputação de responsabilidade solidária; por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de Maria de Fátima Butara Ferreira Adul Massih, Andrea Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Adul Massih e Nemr Adul Massih, votando pelas conclusões os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Dario Aprígio da Silva, vencidos Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva, Rogério Aparecido Gil e Flávio Machado Vilhena Dias; e, por maioria, em dar provimento ao recurso dos srs. Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Adul Massih e Paulo Roberto dos Santos Mina, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator); por unanimidade em dar provimento ao recurso do sr. João Shoiti Kaku; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas: Dov ÒleoVegetais Ltda, Farelo Comércio Prod. Alimenticios Ltda, FAS Empreend. E Incorporação Ltda, FN Assesoria Empresarial Ltda .EPP, Sina Com e Exp. Prod Alimenticios Ltda, Sina Industria de Alimentos Ltda e Sina Industria de Óleo Vegetais Ltda, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. É lícita a utilização de provas colhidas em investigação criminal, obtidas por meio de autorização judicial, para subsidiar a apuração de caráter tributário. Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AFRFB. COMPETÊNCIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade tributária para imputação da responsabilidade solidária, no momento da constituição do crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplica-se às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. MULTA QUALIFICADA. Mantém-se a qualificação da multa se resultar evidente a intenção de reduzir os tributos devidos. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135 DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada. ADMINISTRADORES DE FATO. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição de responsabilidade pessoal aos administradores de fato da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. MANDATÁRIOS. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI VINCULADA AOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. A falta de comprovação do interesse comum, do poder de gestão sobre a pessoa jurídica autuada e da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, vinculados aos fatos geradores das obrigações tributárias, afasta a imputação da responsabilidade tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários quanto à exigência e à aplicação da multa qualificada; e, ainda, quanto à imputação de responsabilidade solidária; por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de Maria de Fátima Butara Ferreira Adul Massih, Andrea Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Adul Massih e Nemr Adul Massih, votando pelas conclusões os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Dario Aprígio da Silva, vencidos Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva, Rogério Aparecido Gil e Flávio Machado Vilhena Dias; e, por maioria, em dar provimento ao recurso dos srs. Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Adul Massih e Paulo Roberto dos Santos Mina, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator); por unanimidade em dar provimento ao recurso do sr. João Shoiti Kaku; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas: Dov ÒleoVegetais Ltda, Farelo Comércio Prod. Alimenticios Ltda, FAS Empreend. E Incorporação Ltda, FN Assesoria Empresarial Ltda .EPP, Sina Com e Exp. Prod Alimenticios Ltda, Sina Industria de Alimentos Ltda e Sina Industria de Óleo Vegetais Ltda, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO. Não se encontram presentes no feito elementos ensejadores de nulidade, seja por motivos de competência da autoridade lançadora, seja por violação a preceitos constitucionais. PROVAS LÍCITAS. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. PROCEDIMENTO INVESTIGATÓRIO PRÉVIO À AUTUAÇÃO FISCAL. PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. É lícita a utilização de provas colhidas em investigação criminal, obtidas por meio de autorização judicial, para subsidiar a apuração de caráter tributário. Não há previsão legal para sobrestamento do processo administrativo até a decisão judicial definitiva quanto à licitude das provas obtidas em investigação criminal. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AFRFB. COMPETÊNCIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade tributária para imputação da responsabilidade solidária, no momento da constituição do crédito tributário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 72 27 85 /2 01 5- 10 Fl. 11587DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.588 2 Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. MULTA QUALIFICADA. Mantémse a qualificação da multa se resultar evidente a intenção de reduzir os tributos devidos. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Demonstrada a existência de um grupo econômico de fato, integrado por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes, porém com administração única, estrutura e atuação operacional comum e confusão patrimonial, procedente a atribuição de responsabilidade solidária prevista no art. 124, I do CTN. RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. ART. 135 DO CTN. Nos termos do art. 135 do CTN, responde pelos tributos devidos pela pessoa jurídica o administrador por atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, o que resta caracterizado pela comprovação da atividade essencialmente ilícita do empreendimento da fiscalizada. ADMINISTRADORES DE FATO. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. O interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores dos tributos lançados, bem assim, a prática de infrações à lei ou contrato social, enseja a atribuição de responsabilidade pessoal aos administradores de fato da pessoa jurídica, nos termos dos arts. 124, I, e 135, III, do CTN. MANDATÁRIOS. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI VINCULADA AOS FATOS GERADORES. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INEXISTÊNCIA. A falta de comprovação do interesse comum, do poder de gestão sobre a pessoa jurídica autuada e da prática de atos com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato social, vinculados aos fatos geradores das obrigações tributárias, afasta a imputação da responsabilidade tributária. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 11588DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.589 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento aos recursos voluntários quanto à exigência e à aplicação da multa qualificada; e, ainda, quanto à imputação de responsabilidade solidária; por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de Maria de Fátima Butara Ferreira Adul Massih, Andrea Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Adul Massih e Nemr Adul Massih, votando pelas conclusões os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso do responsável solidário Sr. Dario Aprígio da Silva, vencidos Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca e Luiz Tadeu Matosinho Machado, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Ailton Neves da Silva, Rogério Aparecido Gil e Flávio Machado Vilhena Dias; e, por maioria, em dar provimento ao recurso dos srs. Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Adul Massih e Paulo Roberto dos Santos Mina, vencido o conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (relator); por unanimidade em dar provimento ao recurso do sr. João Shoiti Kaku; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso das pessoas jurídicas: Dov ÒleoVegetais Ltda, Farelo Comércio Prod. Alimenticios Ltda, FAS Empreend. E Incorporação Ltda, FN Assesoria Empresarial Ltda .EPP, Sina Com e Exp. Prod Alimenticios Ltda, Sina Industria de Alimentos Ltda e Sina Industria de Óleo Vegetais Ltda, votando pelas conclusões os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimarães da Fonseca e Flávio Machado Vilhena Dias. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Fl. 11589DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.590 4 Relatório Para a devida síntese do processo em exame, transcrevo o relatório da DRJ/SPO, complementandoo ao final: Tratase de autos de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), fls. 2/33, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), fls. 34/65, de Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 66/85, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), fls 86/105, referentes aos anos calendário 2011 e 2012. Lançados os tributos discriminados no quadro a seguir, bem como multa qualificada de 150%. Dos Fatos No Termo de Verificação Fiscal (fls. 106/125) consta que pesquisa nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), detectou receita bruta de venda, em 2011 e em 2012, da ordem de 400 e 350 milhões de reais, respectivamente. Constatado ainda que a DIPJ anocalendário 2011 contém apenas dados cadastrais e a receita total de vendas e que não foi entregue à RFB, a DIPJ AC 2012. Apresentadas apenas as DACON e DCTF relativas aos meses de janeiro a março de 2011, com valores declarados bastante inferiores aos que seriam devidos em razão das notas fiscais eletrônicas emitidas no biênio 2011 e 2012 (fls. 126/623). Após a intimação do início do procedimento fiscal, constatouse que a contribuinte ocupava um pequeno estabelecimento, com três funcionários, duas empregadas e o terceiro, Carlos Eduardo Tadeu Craveiro, contador da pessoa jurídica. Requerido, via postal, prazo de 180 dias para a manifestação da contribuinte porque a documentação fora apreendida pela SefazSP. Posteriormente, em julho de 2014, foram apresentados 8 livros fiscais em meio papel, com dados da Fl. 11590DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.591 5 matriz e nenhuma informação relativa à filial. Entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015 outros livros contábeis e fiscais relativos à matriz e à filial, também incompletos, foram entregues. Do Arbitramento do Lucro O art. 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), Decreto 3.000, de 26/03/1999, disciplina o arbitramento do lucro. Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; A causa do arbitramento é, primordialmente, a omissão na entrega de livros contábeis e de livros fiscais. No caso concreto, corroborando com esta causa principal, encontramse as próprias declarações da empresa fiscalizada, com informações prestadas de qualidade duvidosa, incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas e, a falta de apresentação, mesmo intimada especificamente, dos Lalur, dos Livros de Registro de Inventário e dos Fcont (Controle Fiscal Contábil de Transição) dos anoscalendário 2011 e 2012. O arbitramento não é uma penalidade, mas sim a única consequência possível a uma situação consumada, que é a não apresentação, para exame, dos necessários livros contábeis e fiscais. É simplesmente um critério adotado para o cálculo do lucro. Quando conhecida a receita, no presente caso obtida pela soma das notas fiscais eletrônicas de vendas emitidas (Anexo I, fls. 126/623), aplicamse percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, inclusive, para respeitar os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. Da Qualificação da Multa Em 2011 e em 2012, a contribuinte não confessou em DCTF qualquer valor devido nem de imposto de renda (lucro presumido) nem da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) e, apresentou DIPJ com os campos zerados. Com relação à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e ao programa de Integração Social (PIS), limitouse a informar valores ínfimos nos meses de janeiro a março de 2011, como indicado a seguir, observandose que em março de 2012 as Dacon transmitidas apresentavam os campos relativos a estes tributos zerados. Fl. 11591DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.592 6 Fl. 11592DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.593 7 Estas tabelas demonstram que a pessoa jurídica além de omitir diversas declarações, ora não confessou qualquer receita tributável em DCTF, ora informou nos Dacon valor muito aquém do apurado via notas fiscais eletrônicas (tabela 6). Nos casos de falta de declaração ou de declaração inexata, a lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44, inciso I, §1º dispõe que o percentual de 75% será Fl. 11593DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.594 8 duplicado quando demonstrada a existência de conduta dolosa definida no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, (sonegação), tipificada penalmente nos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137, de 1990. À luz destes dispositivos legais, na caracterização da sonegação, é suficiente a omissão de informações na declaração ou omissão da própria declaração a que está sujeito o contribuinte. O dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, está presente quando a consciência e a vontade do agente para a prática da conduta (positiva ou omissiva) são evidenciadas pela reiteração de atos que tenham por escopo, inegavelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias à sua mensuração. O artifício de declarar sistematicamente e reiteradamente, à Fazenda Nacional valores menores do que aqueles que de fato seriam os verdadeiros, além de retardar o conhecimento do elemento quantitativo do fato imponível por parte da autoridade administrativa, ainda faz supor que aquele contribuinte está cumprindo com suas obrigações. A reiteração da prática de informar dados falsos à Fazenda Pública constituise em sonegação. A caracterização de sonegação assim como do elemento volitivo na conduta do contribuinte ao declarar, reiteradamente, valores inverídicos ao Fisco, aquém do efetivamente devido, torna cabível a qualificação da multa, conforme dispõe o art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996. E mais, a qualificação da multa é motivada não apenas pela ocorrência da sonegação, como também pela ocorrência, em tese, da fraude e conluio, tipificados nos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Da Sujeição Passiva Elementos coletados no curso da Operação Yellow executada pelo Estado de São Paulo (Secretaria da Fazenda e Ministério Público) combinados com os elementos obtidos no curso da fiscalização comprovam que a Multióleos e Farelos Ltda. pertence ao grupo econômico ora identificado como “Grupo FN” que se subdivide em dois segmentos denominados Segmento Soja e Segmento Ovos, estando a fiscalizada inserida no Segmento Soja. Este grupo é composto por diversas pessoas jurídicas, cada uma com atribuição precípua. Grupo FN – Segmento Soja Holding informal: FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (CNPJ 04.350.935/0001 59), com a função de exercer, através de procuração ou via uso de interpostas pessoas, a administração das pessoas jurídicas comerciais. PJs patrimoniais: FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (CNPJ 03.752.053/000157) e Modena Agropecuária, Incorporações e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (CNPJ 10.637.365/000185), detentoras do patrimônio do Grupo, parte locado às PJs industriais. PJs industriais e exportadoras: Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (CNPJ 06.348.804/000243); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (CNPJ 10.156.658/000140) e Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. Fl. 11594DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.595 9 (CNPJ 09.374.458/000185); prestandose as primeiras para industrializar, por conta e ordem das comerciais, oleaginosas (principalmente soja em grãos). PJs comerciais: Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (CNPJ 05.055.406/000140); DOV Óleos Vegetais Ltda (CNPJ 05.262.304/000140); Multioleos Óleos e Farelo Ltda (CNPJ 06.247.827/000180); Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda ME (CNPJ 06.247.822/000158); Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda (CNPJ 11.326.673/0001 52); W.A.S. Comércio de Alimentos Ltda (CNPJ 12.369.189/000173); Orted Óleos e Cereais Ltda (CNPJ 14.041.985/000108) e Petry Comércio, Importação & Exportação Ltda (CNPJ 14.465.186/000169); responsáveis pela comercialização, no mercado interno, dos produtos oriundos das industriais e responsáveis pela maior fatia de tributos gerados pelo Grupo. Este Grupo atuou, nos anoscalendário 2011 e 2012, como uma única grande empresa por segmentos e cometeu diversas infrações tributárias, resultando em elevados valores lançados de tributos (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) e sua estrutura e modo de agir faz com que haja obrigações tributárias solidárias pelos tributos lançados, nos termos do art. 124, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Em paralelo, também foi detectado que a atuação do Grupo era dirigida por pessoas que ostentavam três qualidades de vínculos: a) Reais administradores (verdadeiros donos do negócio) Pessoas físicas que, utilizandose de interpostas pessoas (“testas deferro”, "offshore", e/ou procuradores) administravam todo o conjunto empresarial de forma oculta. Eles organizavam toda a atividade do Grupo, decidiam, empreendiam, idealizavam, coordenavam e se beneficiavam das atividades desenvolvidas, enfim, todos praticavam atos de gestão. Estes administradores, no entanto, na maioria dos casos, não pertenciam aos quadros societários das pessoas jurídicas acima identificadas e, também, para não declarar e não pagar a totalização dos tributos devidos pelas pessoas jurídicas do Grupo (o que, em tese, se configura sonegação fiscal), bem como se afastarem da solidariedade/responsabilidade tributária em relação a tais tributos, se valeram de alguns expedientes, a exemplo de: Utilização de interpostas pessoas (físicas – “testasdeferro” ou jurídicas – “offshores”) nos quadros sociais de suas pessoas jurídicas, que responderiam pelas obrigações destas, no lugar deles; Esvaziamento patrimonial das pessoas jurídicas do Grupo (auditadas), pois o patrimônio ficava centralizado (“blindado”) junto às PJs patrimoniais FAS e Modena – para não serem alcançados por obrigações das demais; Dissolução irregular de sete das onze pessoas jurídicas auditadas, as quais deixaram de funcionar em seu domicílio fiscal, sem qualquer comunicação, conforme disciplina a Súmula 435 do STJ. Fl. 11595DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.596 10 “Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente.” b) Sócios formais São as pessoas cujos nomes compunham os quadros societários das pessoas jurídicas do Grupo. b.1) ora, pessoas físicas, sem estofo patrimonial, conhecidas por testasdeferro; pessoas sem conhecimento e capacidade econômica para empreender, que cediam seus nomes mantendo ocultos os reais administradores, aparecendo no contrato social como sócios ou sócios administradores. b.2) ora, pessoas jurídicas constituídas fora do Brasil "offshore" (SAFIs), desprovidas de finalidades societárias de fato, adquiridas pelos reais administradores, também com o intuito de se ocultarem, bem como ocultarem possíveis bens, vez que é “notória a dificuldade de acessar o patrimônio enviado para o exterior, com a utilização dessas empresas “estrangeiras”, situadas em “paraísos fiscais”(decisão judicial em Agravo de Instrumento 0015886 63.2013.4.03.0000/SP – TRF 3º região). c) Procuradores Pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores. Nestas condições, verificouse que os reais administradores, associados aos sócios formais e aos procuradores, além de terem nítido interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, ainda cometeram diversas infrações a leis, restando evidente a existência de obrigações tributárias solidárias e responsabilizações pessoais nos termos dos artigos 124, I, e 135, II e III, do CTN. Entre as diversas infrações a dispositivos legais cometidas, que estão explicitadas no Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas do Grupo FN (fls. 431/511), destacamse: 1 Os reais administradores se associaram aos sócios formais (os quais cediam seus nomes para compor o quadro societário das pessoas jurídicas – sócios “testasdeferro”) e aos procuradores (que cediam seus nomes para assumirem os compromissos das pessoas jurídicas), para cometer, em conluio, as diversas infrações legais. Assim agindo, os reais administradores, em tese, também infringiram o art. 288 do Código Penal (DecretoLei nº 2.848, de 1940). “Quadrilha ou Bando”/”Associação criminosa” Art. 288. Associaremse mais de três pessoas, em quadrilha ou bando, para o fim específico de cometer crimes: (Redação dada pela Lei nº 12.850,de 2013). (...) Fl. 11596DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.597 11 2 – Os reais administradores, em acordo com os sócios formais e procuradores, ao integrarem ao quadro societário de suas pessoas jurídicas sócios “testasdeferro” e/ou “offshore”, modificaram, uma característica essencial dos fatos geradores: a sujeição passiva. Agindo assim, infringiram o artigo 299 do Código Penal (Decreto Lei nº 2.848, de 1940), cometendo, em tese, falsidade ideológica. Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante (...) 3 – Os reais administradores não pagaram e não declararam/confessaram a totalidade devida pela contribuinte dos tributos fiscalizados, no anocalendário 2012, reduzindoos na DCTF – Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (declaração que constitui confissão de dívida Decretolei 2.124/1984, artigo 5°, parágrafo 1°). Desta forma, não houve apenas o mero inadimplemento (falta de pagamento de tributo devido já confessado ao Fisco), mas, sim, reiterada omissão dolosa, sonegação, em tese, objetivando o não pagamento dos tributos devidos. Assim, os reais administradores infringiram os artigos 71, 72 e 73 do Código Penal (sonegação, fraude e conluio) e os art. 1º e 2º da Lei 8.137, de 1990 (crimes contra a ordem tributária). Enfim, detectouse, nos anoscalendário 2011 e 2012, quanto à contribuinte, os responsáveis/solidários pelos créditos tributários lançados indicados no quadro a seguir. Fl. 11597DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.598 12 Foram lavrados Termo de Sujeição Passiva Solidária para cada um deles (pessoas jurídicas do grupo, sócios administradores, reais administradores) . Fl. 11598DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.599 13 Observese que os elementos probatórios que evidenciam a atuação das pessoas físicas e offshores foram anexados aos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária/Responsabilidade Tributária. Da Base De Cálculo. A receita bruta para apuração dos tributos devidos foi apurada mensalmente, a partir das notas fiscais eletrônicas emitidas pela contribuinte. As que correspondem à receita bruta de vendas estão relacionadas no Anexo I (fls. 96/146). A partir do cálculo da receita bruta, para apuração do IRPJ e da CSLL, aplicaramse os percentuais legais para apuração do lucro, base de cálculo destes dois tributos. Contestações A contribuinte Multióleos Óleos e Farelos Ltda., intimada do lançamento por edital (fl. 9533) apresenta impugnação (fls. 9877/9905), e, alega, inicialmente, que provará que detinha documento/dados suficientes para a realização de uma trabalho de fiscalização correto, portanto sem necessidade de arbitramento. A própria fiscalização afirma ter recebido a contabilidade da impugnante, e sem razão não a utiliza. Esta documentação dá lastro a crédito tributário total de R$ 9.091.536,04, e o Fisco Federal apurou R$ 53.465.497,06 (demonstração ilustrativa). Fl. 11599DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.600 14 O auto de infração, ato administrativo, deve pautarse pelos princípios reguladores da Administração Pública e os princípios constitucionais, entretanto todo o procedimento fiscal foi realizado de modo a cercear o seu direito de defesa. As provas decorrentes da Operação Yellow da SefazSP e de processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, são ilícitas porque obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, conforme entendimento do STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF – não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo. Aduz ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alega que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, o que não há. A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas é ilegal, se deferida antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observa que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Não há qualquer razão para a qualificação da multa para 150%, conforme art. 44, § 1º, porque inexistem omissão de receitas e conduta dolosa. Finaliza, requerendo as preliminares do cerceamento do direito de defesa e de nulidade do procedimento fiscal, a diminuição da multa para o patamar comum exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e a improcedência do arbitramento que acarretou um lançamento desproporcional. Também apresentam impugnações as pessoas físicas e as pessoas jurídicas enquadradas na sujeição passiva (responsabilidade solidária) a seguir indicadas. Fl. 11600DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.601 15 Dário Aprígio da Silva (fls. 9685/9715), sócio administrador da contribuinte, contesta a sua notificação como responsável solidário acerca da lavratura de autos de infração contra pessoas jurídicas, alegando, inicialmente, que as “provas” foram obtidas de apenas duas fontes: relatório da Operação Yellow da SefazSP e processo judicial tramitando na 7ª Vara Federal da Comarca de São Paulo, e o processo administrativo fiscal apresenta diversos documentos retirados do relatório Yellow, cujas provas foram obtidas por meio ilícito, sem observância da lei, porque, conforme entende o STJ, em sintonia com a Súmula Vinculante nº 24 do STF, “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137, de 1990, antes do lançamento definitivo do tributo.” Alega ser inaceitável a autorização de qualquer procedimento cautelar invasivo, a exemplo de interceptação telefônica, antes do lançamento definitivo do crédito tributário. Incabível a investigação criminal para fundamentar a ação fiscal. Também alega que a ação penal e o procedimento prévio investigatório pressupõem que haja decisão final sobre o crédito tributário, o que não há. A busca e apreensão feita pela SefazSP, bem como a quebra de sigilo de ligações telefônicas é ilegal, se deferida antes de configurada a condição objetiva de punibilidade de delito. Enfim, estas ações não foram lícitas. Observa que o próprio Relatório da Operação Yellow não é prova e, no mínimo, apenas, após ele ser declarado como prova no procedimento judicial instaurado pela parte, a responsabilização solidária poderia ser imputada aos impugnantes. Não há provas aptas que fundamentem o direito pleiteado pela RFB. Fl. 11601DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.602 16 Alega ainda que nos termos dos art. 124, I, e 137, ambos do CTN, a responsabilidade pela multa de ofício não pode ser repassada aos impugnantes, porque não é obrigação principal nem eles se enquadram como responsáveis pessoais (art. 137). O art. 124, I, deve ser analisado conjuntamente com o art. 135, III, portanto, é necessário que a pessoa física tenha participado de atos de gerência e de administração em relação à DOV, ou, de outro modo, tenha dado causa à atividade geradora do fato imponível, porque o interesse comum (art. 124, I) não se resume ao econômico, sendo necessário haver o interesse jurídico. Sequer houve a comprovação da alegada prática, assim como são insuficientes presunções, apontamentos infundados ou participação em empresas que se relacionam para configurar o enquadramento na sujeição passiva, conforme artigos 124, I, e 135, III. Finaliza, requerendo a preliminar de nulidade do procedimento fiscal, a exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e a anulação do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por medida de justiça. Reais administradores da Multióleos Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih (fls. 9840/9871), Andréa Ferreira Abdul Massih (fls. 9579/9611), Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (9614/9644), e Nemr Abdul Massih (fls. 10037/10068) apresentam impugnações com o mesmo teor da de Dário Aprígio da Silva, sócio administrador da contribuinte, inclusive quanto aos pedidos – acolhimento da preliminar de nulidade do procedimento fiscal; exclusão de sua responsabilidade sobre a multa e anulação do Termo de Sujeição Passiva – acima relatada . João Shoiti Kaku, qualificado pela fiscalização como real administrador da Multióleos, representado por procurador (fls. 10023/10024), em sua impugnação (fls. 9974/10022), alega que não existe qualquer tipo de vínculo entre ele e o fato gerador da obrigação tributária, portanto injustificável sua permanência no pólo passivo dos Autos de Infração. Ademais é impossível abordar matéria relativa ao crédito tributário constituído porque ausentes documentos indispensáveis para isto. A sua inclusão como responsável solidário fere o princípio da segurança jurídica, cerceia a sua defesa porque nem lhe foi solicitado qualquer esclarecimento a respeito da existência de vínculo com a Multióleos, que repete inexistir, nem é possível atribuirlhe o rótulo de “verdadeiro dono do negócio”. Sequer tem informações sobre esta empresa. Inexistem no processo quaisquer documentos que lhe permitam aferir a veracidade das informações constantes nos Autos de Infração, que ficam maculados por estas falhas. Atua como consultor financeiro para a FN Assessoria Empresarial Ltda. sem qualquer relação com os fatos apurados pela fiscalização. É dever da administração pública buscar a verdade material e atender aos princípios que a norteiam. Alega que inexistem provas da infração tributária, a exigirem sua nulidade, a exemplo da ausência das notas fiscais eletrônicas emitidas pela Multióleos o que impede o exercício pleno de seu direito de defesa e do contraditório, também cerceado na fase investigatória. O lançamento agride ainda o princípio da motivação, descritor do motivo do ato. Indevida a sujeição passiva Fl. 11602DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.603 17 porque não é sócio nem administrador da empresa autuada, sendo inaplicável ao caso concreto o art. 135, III, do CTN, e alega que só à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional compete redirecionar a responsabilidade para quem não seja o sujeito passivo. Nulo o Termo de Solidariedade Passiva porque lavrado por autoridade incompetente, o AFRFB. Não entende porque o seu conhecimento da estrutura societária de um grupo empresarial o torna responsável pessoal e solidário pelo pagamento do tributo devido por empresa que supostamente integra tal grupo. Aduz ainda que inexiste qualquer relação com o crédito tributário lançado porque não é empregado, dono do negócio nem tampouco diretor financeiro, apesar da fiscalização inferir isto porque mantinha “contato com diretores de bancos, para tratar de assuntos do Grupo”. Afirma inexistir qualquer elemento probatório que comprove ser ele gerente ou diretor financeiro da empresa autuada ou mesmo empregado e a relação de confiança com a família Abdul Massih, não é condição para a sua responsabilização solidária e pessoal pelas obrigações tributárias da empresa autuada. Insurgese contra as multas aplicadas porque exorbitantes, posto que não podem ser confiscatórias, e há julgado de STF que reputa como abusiva multa de 25% e, mesmo que estabelecidas na legislação, devem ser excluídas ou reduzidas. Solicita a nulidade do auto de infração, por causa de irregularidades do procedimento fiscal, a exemplo de ausência de ciência de instauração do procedimento fiscal e de documentos comprobatórios, e anulação do Termo de Sujeição Passiva e da responsabilização tributária, e o sobrestamento do feito até a conclusão definitiva da ação penal. Finaliza requerendo a suspensão do andamento do processo até decisão definitiva na ação penal na 1ª Vara Criminal da Comarca de Bauru. Mandatários Paulo Roberto dos Santos Mina, em sua impugnação (fls. 9559/9576), aduz ser funcionário da empresa Faróleo, como comprova com cópias de sua CTPS, e como tal estava alocado à empresa FN Assessoria Empresarial para a execução de trabalhos de interesse de sua empregadora. Não participa de nenhuma das sociedades envolvidas e, mesmo assim, a fiscalização, sem qualquer pedido de esclarecimento e alterando a verdade dos fatos, concluiu que ele agia ostensivamente frente a terceiros, mantendo ocultos os reais dirigentes de diversas empresas. Não há qualquer descrição de sua conduta que resulte em sua alegada responsabilidade solidária e, ao contrário, há provas de que ele era assalariado e recebia ordens. Aduz que o assessoramento financeiro que fazia não influenciou a autuação (omissão de receita). Os mandatos de subestabelecimento a ele outorgados são específicos, limitados e em conjunto, sempre lhe vinculando ao controle e comando do outorgante, e sem previsão de gestão ou poder para administrar, para dispor de patrimônio, declarar tributos nem administrálos. Os poderes outorgados são específicos para o monitoramento financeiro. Afirma que a RFB baseouse em ideia com origem em trabalho equivocado do fisco paulista, ressaltando que não há Fl. 11603DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.604 18 qualquer responsabilização sua nos autos da Operação Yellow, nem nos Autos de Infração lavrados pela Fazenda Estadual. A responsabilidade tributária é vinculada à lei e deve ser comprovada pelo ente tributante. Inaplicável tanto o art 124 (solidariedade) como o art. 135, II (responsabilidade), ambos artigos do CTN. Nenhum ato seu deu causa à supressão de tributos, e mesmo inexistindo qualquer interesse seu na obrigação tributária nem qualquer ato contrário à lei, o art. 137 do CTN, em seu inciso I, ressalva a prática no exercício regular de administração, mandato, função, cargo ou emprego, ou no cumprimento de ordem expressa emitida por quem de direito, ou seja, excetua mandatários agindo em cumprimento de ordens emitidas pelo empregador e outorgante, como no caso em concreto. Inexiste fundamento fático na afirmativa de que agia para ocultar os reais administradores, porque nunca geriu a empresa, agindo apenas no limite do mandato outorgado por ela, fazendo operações nas suas contas bancárias. Daí, indevida a solidariedade tributária, a impor a procedência de sua impugnação. Nabil Akl Abdul Massih (fls. 9505/9515 e 9518) representado por procurador (fls. 9516/9517) alega ter sido funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda., de 2001 a 2013, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho, e aduz que não foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no grupo FN. Observa que tanto a fiscalização como a autuação foram feitas em períodos posteriores ao seu desligamento da empresa, razão pela qual entende estar claro ser impossível figurar no pólo passivo da obrigação tributária. Nunca foi sócio nem administrador das empresas do suposto grupo FN. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. José Agostinho Miranda Simões (fls. 9536/9556) aduz também ser funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2001 a dezembro de 2014, como comprova com cópias de sua CTPS, e que não foi intimado a prestar esclarecimentos sobre sua suposta participação no grupo FN. Observa que agia cumprindo ordens de seu chefe, proprietário da FN, Nemr Abdul Massih. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. Luiz Alberto Panaro, (fls. 9947/9958) argumenta que foi funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2005 a dezembro de 2015, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho. Continua sua impugnação na mesma linha da de Paulo Roberto dos Santos Mina. Pessoas Jurídicas do Grupo FN Nas suas impugnações, as empresas Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 9647/9677); Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda. (fls. 9718/9748); Sina Comércio Importação e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda. (fls. 9758/9788); FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda. (fls. 9796/9827); Sina Indústria de Alimentos Ltda. (fls. 9908/9938); FN Assessoria Empresarial Ltda. EPP (fls. 10096/10099) e Dov Óleos Vegetais Ltda (fls. 10119/10154), apresentam impugnações bastante similares à de Dário Aprígio da Silva (fls. 9685/9715), sócio administrador da Multióleos, já relatada em parágrafos anteriores (fl 10223). Fl. 11604DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.605 19 Todas se opõem às infrações constantes dos autos de infração e ao termo de sujeição passiva. Aduzem que não possuem qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a contribuinte Multióleos Óleos e Farelos Ltda. e contestam a legalidade das provas utilizadas, porque ilícitas, sem observância da lei e em desobediência ao critério temporal, posto que obtidas antes do lançamento, contrariando a Súmula nº 24 do STF (Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei 8.137/90, antes do lançamento do tributo). Sequer havia fiscalização. Incabível a realização de investigação criminal para fundamentar uma ação fiscal. Alegam que sem crédito constituído não há crime. Quanto ao item Do Termo de Sujeição Passiva Solidária as pessoas jurídicas argumentam que a única justificativa para a responsabilização solidária decorre do fato de cada empresa, supostamente, pertencer ao denominado Grupo FN porque inexiste qualquer elemento apto a imputarlhe esta responsabilidade. Não há qualquer causa para a alegada solidariedade tributária em decorrência de suposto esquema fraudulento alegado pela fiscalização, ou seja, não há clara indicação do motivo para as impugnantes sejam sujeitos passivos. Inexiste no processo administrativo qualquer prova de que as empresas tenham qualquer ligação, vínculo administrativo ou gerencial com a Multióleos. Afirmam que a conduta fiscal beira o excesso de exação e que a multa aplicada tem efeito confiscatório. Finalizam, pedindo o sobrestamento do julgamento até o Poder Judiciário pronunciarse sobre a legalidade das provas, oriundas da Operação Yellow (ação penal); a nulidade da responsabilização tributária das impugnantes, ou ao menos do relatório da operação Yellow; reconhecimento da ilegitimidade das impugnantes para figurarem como responsáveis solidários; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. A FAS Empreendimentos, adicionalmente, aduz que seu capital social provém exclusivamente da sócia fundadora, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih e de empréstimos pagos pela própria FAS, portanto, este patrimônio não se comunica com as infrações tratadas neste processo contra a Multióleos. Ademais, não obteve qualquer vantagem com o eventual ilícito tributário, fatos que não dão suporte à sua inclusão como responsável solidária. Modena Agropecuária Incorporação e Empreendimentos Imobiliários Ltda. (fls. 9444/9463) também apresenta impugnação para oporse às infrações constantes nos Autos de Infração e ao Termo de Sujeição Passiva tributária lavrado contra ela. Inicialmente, alega a tempestividade de sua defesa com base no art. 3º da Lei 9.784, de 1999, porque tomou conhecimento da responsabilização através de terceiros, quando se dirigiu ao Posto da Receita Federal em Tupã, para obter cópia do processo. Referese às “transcrições duvidosas de interceptações telefônicas”, muitas incompletas, utilizadas como principal fundamento. Alega que órgãos administrativos, alheios ao processo penal, não têm competência para analisar a legalidade destas provas. Apenas a conclusão do processo penal ora em andamento na Comarca de BauruSP, concluirá pela legalidade ou não das provas. Tais fatos impõem o sobrestamento da ação fiscal. Observa também que a inexistência dos áudios destas interceptações é vício Fl. 11605DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.606 20 insanável que impõe a nulidade e o afastamento da solidariedade dos peticionários por absoluta ausência de provas. Nulo, portanto, o lançamento fiscal ou, no mínimo os elementos de convicção correspondentes ao relatório da operação Yellow. Aduz que as ações do peticionário, Marcel Rodrigues Ferraz, sócio da Modena, e que sequer foi indiciado criminalmente, não permitem atribuirlhe a denominação de testa de ferro nem a responsabilização tributária pretendida. Observa que inexiste qualquer relação jurídica ou efetiva entre a Modena e os fatos geradores apontados pela fiscalização. Há inaceitável menção genérica e sem suporte fático de suposta prática de blindagem patrimonial a impor a solidariedade. A suposta blindagem nada tem a ver com a atribuição da condição de prestadora de serviços da Modena e menos com os fatos geradores dos tributos. Sequer há causa de solidariedade nem há ato especificamente realizado para o seu enquadramento no art. 124, I (CTN). Afirma que a multa aplicada é confiscatória e afronta o princípio da capacidade contributiva. Requer o sobrestamento do processo administrativo fiscal até o julgamento da ação penal; a nulidade da responsabilização tributária da impugnante, por não haver provas materiais (transcrições); reconhecimento da ilegitimidade da impugnante para figurar como responsável solidário; declaração de nulidade da imposição de solidariedade e exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório. Não apresentaram impugnação a sócia Megistis S/A bem com as seguintes empresas integrantes do grupo: Dofar Distribuidora de Rações e Farelos Ltda; Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda; WAS Comércio de Alimentos Ltda; Orted Óleos e Cereais Ltda e Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda. Após análise dos argumentos lançados pela fiscalização, pelo contribuinte e pelos responsáveis, a DRJ exarou o seguinte acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011, 2012 ARBITRAMENTO DO LUCRO. ESCRITA NÃO APRESENTADA. A falta de apresentação da escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou então do Livro Caixa, no caso de empresa habilitada ao lucro presumido, autoriza o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, com base, no caso concreto, nas receitas declaradas pelo próprio contribuinte ao Fisco Estadual. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. PIS/PASEP. Aplicase às contribuições sociais, no que couber, o que foi decidido para a obrigação matriz, imposto de renda, dada a íntima relação de causa e efeito que as une. Fl. 11606DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.607 21 IRREGULARIDADE NA REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. ILEGITIMIDADE DE PARTE. O não atendimento à intimação para sanar irregularidade de representação processual decorrente da não apresentação de documento de identidade do representante do contribuinte, ou do responsável solidário, configura a ilegitimidade de parte. A ausência das formalidades legais retira da peça apresentada a condição de impugnação válida, não se instaurando o contencioso. PAF. PROVA EMPRESTADA. VALIDADE. Há previsão de mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações e, uma vez observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Cabível a aplicação da multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) quando caracterizado o evidente intuito de fraude pela ocorrência de ação dolosa tendente a impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência das circunstâncias materiais do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a evitar o seu pagamento. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. MULTA QUALIFICADA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. A cominação da penalidade qualificada baseada em conduta dolosa que denote sonegação, fraude ou conluio com repercussões, em tese, na esfera criminal, enseja a responsabilização dos mandatários, prepostos e empregados diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica à época da ocorrência dos fatos geradores. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 11607DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.608 22 Inconformados com a referida decisão, alguns dos responsáveis, bem como o contribuinte, interpuseram recursos voluntários, nos quais, em síntese, reafirmaram os argumentos expendidos em sede de impugnação. Tais pontos serão detalhados quando da análise dos referidos recursos, por questão de economia processual. O contribuinte principal – MULTIOLEOS E FARELOS LTDA, argumentou, em síntese, a ilegalidade da utilização de prova emprestada, oriunda de interceptação telefônica advinda de processo criminal. Alegou, ainda, que não se poderia investigar a empresa antes da constituição do crédito tributário. Por fim, aduz que o agravamento da multa não cabe no presente caso, por entender não haver provas de sonegação. Na mesma linha, seguem os Recursos Voluntários de Andrea Ferreira Abdul Massih, Dario Aprigio da Silva, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Faroleo Comercio de Produtos Alimenticios Ltda, FAS – Empreendimentos e Incorporações LTDA, FN Assessoria Empresarial Ltda EPP, Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, Sina Industria de Alimentos Ltda, Sina Industria de Óleos Vegetais Ltda e DOV Óleos Vegetais Ltda. Os citados no parágrafo anterior acrescentaram, em sua defesa, a tese de que não teriam responsabilidade sobre o crédito tributário. As pessoas jurídicas aduziram, em síntese, não ter qualquer ligação com os fatos geradores. Já as pessoas físicas alegaram não terem praticado atos de gerência e Administração. Os senhores(a) Paulo Roberto dos Santos Mina, Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, apresentaram defesas semelhantes, argumentando, em resumo, que não possuíam poderes de gestão. Pelo tanto, aduziram pela sua ilegitimidade passiva. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Da admissibilidade A tabela a seguir indica as pessoas imputadas que apresentaram recurso voluntário. Vejamos: INTERESSADO INTIMADO RECURSO Fl. 11608DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.609 23 Multióleos óleos e farelos ltda 06/04/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Dov ÒleoVegetais Ltda 05/04/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Andreia Ferreira Abdul Massih 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Dario Aprigio da Silva 25/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Farelo Comércio Prod. Alimenticios Ltda 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO FAS Empreend. E Incorporação Ltda 28/03/2017 24/04/2017 TEMPESTIVO FN Assesoria Empresarial Ltda .EPP 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO João Shoiti Kaku 27/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO José Agostinho Miranda Simões 27/03/2017 26/04/2017 TEMPESTIVO Luiz Alberto Panaro 28/03/2017 24/04/2017 TEMPESTIVO Maria de Fátima b. Ferreira Abdul Massih 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Nemr Abdul Massih 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Paulo Roberto dos Santos Mina 24/03/2017 24/04/2017 TEMPESTIVO Simon Nemer Ferreira Abdul Massih 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Sina Com e Exp. Prod Alimenticios Ltda 24/03/2017 25/04/2017 – TEMPESTIVO Sina Industria de Alimentos Ltda 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Sina Industria de Óleo Vegetais Ltda 24/03/2017 25/04/2017 TEMPESTIVO Nabil Akl Abdul Massih 09/05/2017 02/05/2017 TEMPESTIVO E ainda, não apresentaram impugnação a sócia Megistis S/A bem com as seguintes empresas integrantes do grupo: Dofar Distribuidora de Rações, Farelos Ltda; Cromais Distribuidora de Produtos Industrializados Ltda; WAS Comércio de Alimentos Ltda; Orted Óleos e Cereais Ltda e Petry Comércio, Importação e Exportação Ltda. Feitas essas considerações, conheço dos recursos voluntários conforme a tabela acima. Das preliminares Do Cerceamento do Direito de Defesa. Possibilidade de Utilização de Prova Emprestada Advinda de Processo Criminal Inicialmente, cumpre enfrentar a nulidade arguida nos Recursos Voluntários. Os recorrentes insurgemse quanto às provas relacionadas ao Relatório da Operação Yellow (SefazSP), investigação criminal, cujo conteúdo e procedimento estão sendo discutidos judicialmente, entendendo que houve constrangimento ilegal e agressão à segurança jurídica, quando seria dever da fiscalização (Fazenda Pública Federal) caracterizar e provar a infração lançada. Aqui, cabe registrar que o lançamento tomou como base as receitas brutas de vendas declaradas ao Fisco Estadual embasadas nas notas fiscais relacionadas no Anexo I (fls. 126/623) do Termo de Verificação Fiscal. Contudo, como corretamente apresentado no acórdão atacado, não assiste razão aos recorrentes. A decisão recorrida assim se debruça sobre o tema, verbis: Fl. 11609DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.610 24 Observase ainda que informações foram obtidas pela RFB mediante convênio entre as Fazendas Estadual e Federal, observandose que o art. 199 do Código Tributário Nacional permite a mútua assistência entre as entidades da Federação (Estado e União), em matéria de fiscalização de tributos, autorizando a permuta de informações, desde que observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio. Há ainda o entendimento jurisprudencial (STF) de que não se pode negar valor probante à prova emprestada, colhida mediante a garantia do contraditório, o que ocorreu no caso em concreto. E é justamente no referido art. 199 do CTN, combinado com o art. 7º do mesmo diploma legal, que se fundamenta o Termo de Cooperação Técnica (convênio), firmado em 22/05/2013 (fls. 1121/1125), pela União, por intermédio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o Estado de São Paulo, representado por sua Secretaria da Fazenda e publicado no DOU Seção 3 (fl. 1126) cujos objetos são o intercâmbio de informações econômicofiscais e a prestação de mútua assistência na fiscalização dos tributos que administram. Portanto, perfeitamente legal a “prova emprestada” e inexistente qualquer ilicitude na sua utilização. Tampouco é cabível discutir a legitimidade e a licitude das notas fiscais eletrônicas, base do lançamento, emitidas pela empresa. Incabível ainda questionar, sem qualquer elemento probatório, que o trabalho fiscal realizado não foi bastante para detectar eventual infração tributária. A questão da utilização da prova emprestada é plenamente aceita pelos tribunais pátrios, e matéria já consolidada no CARF. Nesse sentido, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. PRELIMINARES. NULIDADE. As causas de nulidade são aquelas previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/1972. PRELIMINARES. VÍCIO NO MPF. O MPF é instrumento de controle interno da administração, qualquer irregularidade formal apurada não é causa de nulidade. PRELIMINARES. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. É licito ao Fisco valerse de informações e provas colhidas em outros processos, desde que guardem pertinência com os fatos cuja prova se pretenda oferecer. Fl. 11610DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.611 25 CRÉDITOS DO REGIME NÃO CUMULATIVO. INEXISTÊNCIA DE OPERAÇÕES. IMPOSSIBILIDADE. Deve ser glosado o crédito de COFINS apurado pelo contribuinte decorrente de compra de mercadorias e prestação de serviço quando ficar demonstrado que estas operações não ocorreram. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. CONSTATAÇÃO. POSSIBILIDADE. Constatandose que as glosas dos créditos decorrem da contabilização que não ocorreram de fato e foram documentadas apenas possibilitar a tomada de créditos, comprovase a fraude e mantémse a qualificação da multa. RECURSO DE OFÍCIO. DESISTÊNCIA DO RECURSO EM RELAÇÃO AOS DÉBITOS. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício tendo em vista que o contribuinte desistiu da contestação dos débitos do processo que estavam abrangidos pelo recurso de ofício. (Acórdão nº 1401003.102 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NÃO CONHECIMENTO. RAZÕES E DOCUMENTOS JUNTADOS APÓS PRAZO DE INTERPOSIÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Em observância à legislação regente do processo administrativo fiscal federal e ao princípio da preclusão, não se conhece de razões e documentos juntados após o prazo de interposição do recurso voluntário, mormente quando não havia impeditivo para sua colação anterior, e não se tratando de fato ou direito superveniente. NULIDADE. DECISÃO DRJ. FUNDAMENTAÇÃO. Estando devidamente circunstanciadas na decisão de primeiro grau as razões de fato e de direito que a fundamentam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade, devendo ser as questões relacionadas à valoração das provas analisadas quando do exame do mérito das razões recursais. UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE. RESPEITO AO PRINCÍPIO DO Fl. 11611DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.612 26 CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. COLABORAÇÃO PREMIADA. A disponibilização de conjunto probatório produzido em processo criminal ao qual a fiscalização obteve acesso mediante autorização judicial, está de acordo com o ordenamento jurídico, podendo ser utilizado para caracterizar a existência de fato gerador de imposto de renda pessoa física.) À colaboração premiada, negócio jurídico processual, não se aplicam os eventuais efeitos da sentença judicial no âmbito administrativo. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. FATO GERADOR ANUAL. DECADÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. Desde o advento da Lei nº 8.134/90, o imposto de renda pessoa física, ainda que devido mensalmente, tem fato gerador anual que se aperfeiçoa ao final do respectivo anocalendário, regendose o prazo decadencial, no caso de lançamento de ofício com imposição de multa qualificada, pelo art. 173, inciso I, do CTN. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PREPONDERÂNCIA DE ATUAÇÃO ILÍCITA. RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. Estando demonstrado que os pagamentos recebidos pelo contribuinte, via pessoa jurídica interposta, foram essencialmente fundamentados em atuação ilícita e pessoal, indistinguível de circunstancial prestação de serviços daquela derivada, deve imposto de renda ser apurado considerando tais pagamentos como rendimentos daquele, real beneficiário dos valores recebidos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. HIPÓTESES DE SONEGAÇÃO E FRAUDE. POSSIBILIDADE. A omissão de rendimentos na declaração de ajuste anual, comprovada a ocorrência de sonegação e fraude, hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, autoriza a qualificação da multa de ofício. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. PERDA DE RECURSOS EM COLABORAÇÃO PREMIADA. Fl. 11612DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.613 27 A perda de recursos em colaboração premiada é evento posterior ao fato gerador do imposto de renda, e que não se confunde com pagamento de tributo. RECLASSIFICAÇÃO DA RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA. Devem ser compensados na apuração do crédito tributário os valores arrecadados sob códigos de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi reclassificada e reconhecida como rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de ofício. (Acórdão nº 2202004.869 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) (grifo nosso) Também não restam dúvidas da possibilidade de existir investigação criminal antes da constituição do crédito tributário. As decisões judiciais acostadas pelos recorrentes se encontram há muito superadas. O atual entendimento do Supremo Tribunal Federal é o exposto no seguinte julgado: EMENTA HABEAS CORPUS. PROCESSO PENAL. SUBSTITUTIVO DE RECURSO CONSTITUCIONAL. INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. CRIMES FISCAIS. QUADRILHA. CORRUPÇÃO. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA. DENÚNCIA ANÔNIMA. ENCONTRO FORTUITO DE PROVAS. INCONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE DE TRIBUTOS TIDOS COMO SONEGADOS. 1. Contra a denegação de habeas corpus por Tribunal Superior prevê a Constituição Federal remédio jurídico expresso, o recurso ordinário. Diante da dicção do art. 102, II, a, da Constituição da República, a impetração de novo habeas corpus em caráter substitutivo escamoteia o instituto recursal próprio, em manifesta burla ao preceito constitucional. 2. Notícias anônimas de crime, desde que verificada a sua credibilidade por apurações preliminares, podem servir de base válida à investigação e à persecução criminal. 3. Apesar da jurisprudência desta Suprema Corte condicionar a persecução penal à existência do lançamento tributário definitivo (Súmula vinculante nº 24), o mesmo não ocorre quanto à investigação preliminar. 4. A validade da investigação não está condicionada ao resultado, mas à observância do devido processo legal. Se o emprego de método especial de investigação, como a interceptação telefônica, foi validamente autorizado, a descoberta fortuita, por ele propiciada, de outros crimes que não os inicialmente previstos não padece de vício, sendo as provas respectivas passíveis de ser consideradas e valoradas no processo penal. 5. Fato extintivo superveniente da obrigação tributária, como Fl. 11613DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.614 28 o pagamento ou o reconhecimento da invalidade do tributo, afeta a persecução penal pelos crimes contra a ordem tributária, mas não a imputação pelos demais delitos, como quadrilha e corrupção. 6. Habeas corpus extinto sem resolução de mérito, mas com concessão da ordem, em parte, de ofício. (HC 106152, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Primeira Turma, julgado em 29/03/2016, PROCESSO ELETRÔNICO DJe106 DIVULG 23052016 PUBLIC 24 052016) Não há o que se falar quanto a cerceamento de defesa, posto que não se configurou nenhuma das nulidades previstas no artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Logo, não procede o pedido de nulidade do feito, devendo a preliminar arguida ser rejeitada. Da ausência de intimação no curso do procedimento fiscal O Recorrente João Shoiti Kaku, a exemplo do que já fizera na Impugnação, sustenta a nulidade dos autos de infração lavrados, posto que, "em nenhum momento o Recorrente, incluído como devedor solidário do crédito tributário, foi notificado e chamado a prestar esclarecimentos durante a fase investigativa a fim de averiguar a efetiva existência de vínculo com a empresa Autuada, ou alguma parcela de culpa pelas supostas irregularidades atribuídas a ela, bem como checar se realmente prospera o rótulo dado ao Recorrente de 'verdadeiro dono do negócio' do Grupo". A decisão recorrida rejeitou a alegação, sob o fundamento de que "somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em contraditório e ampla defesa". Assim, a ausência de ciência e intimação aos responsáveis durante o procedimento fiscal "não significa cerceamento do direito de defesa, porque concedida aos responsáveis solidários, na fase de impugnação, a oportunidade de contestar as imputações, conforme demonstra as contestações apresentadas tempestivamente, ora analisadas". A conclusão do julgador é, no meu entender, irretocável. Não assistindo razão ao Recorrente. Como sabido, a análise das nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal deve ser realizada à luz do art. 59, inciso I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A questão, portanto, sempre vai se cingir à avaliação da competência das autoridades que praticam os autos ou da preterição do direito de defesa dos sujeitos passivos. No caso sob análise, os autos de infração e os Termo de Sujeição Passiva Solidária foram lavrados pela autoridade competente e não se vislumbra qualquer prejuízo à defesa da Recorrente, que pudesse ensejar a aplicação do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, Fl. 11614DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.615 29 já que, como pontuado pela DRJ, os procedimentos anteriores ao lançamento constituem apenas fase inquisitorial, sendo a ampla defesa garantida aos contribuintes a partir exatamente da ciência da lavratura do auto de infração, momento no qual se estabelece a fase de apresentação dos recursos, assegurado o contraditório e a ampla defesa aos Recorrentes. Não se acolhe, portanto, a preliminar invocada. Da ausência de documentos essenciais O Recorrente João Shoiti Kaku alega, ainda, a nulidade do lançamento, por suposta violação ao art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, uma vez que não teriam sido juntadas aos autos "quaisquer obrigações acessórias e/ou notas fiscais eletrônicas a fim de que o Recorrente possa aferir se realmente procedem os números apontados pelos AFRFB". O Julgador a quo entendeu que "nos autos de infração, há a descrição da infração imputada e da fundamentação legal que baseou a autuação, bem como de todos os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada e o cálculo do imposto a pagar. Os impugnantes, portanto, tiveram conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, sem dar margem a dúvidas quanto às matérias tidas como infringidas, inexistindo, assim, qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa. Enfim, no procedimento fiscal que deu origem aos lançamentos de tributos e multas, ora impugnados, a autoridade fiscal agiu com estrita observância aos princípios norteadores da administração pública, entre os quais, legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório". De fato, a observação dos documentos constantes do processo administrativo revelam não proceder a alegação do sujeito passivo, posto que as autoridades responsáveis pela constituição do crédito tributário foram extremamente cuidadosas na reunião e organização do acervo probatório, permitindo, com clareza solar, aos autuados o conhecimento das acusações formuladas, e dos elementos que comprovam os ilícitos apurados. Quanto, especificamente, às declarações apresentadas pelo sujeito passivo principal, não é verídica a afirmação de que não constam dos autos, Por fim, em relação às notas fiscais eletrônicas (NFe) que embasaram a apuração das receitas auferidas e dos montantes devidos, embora não constem dos autos cópias impressas de tais documentos, no Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, há a descrição minuciosa de todos os dados constantes nas NFe, inclusive, com as chaves de acesso, que permitem ao sujeito passivo a consulta aos documentos. Inexiste, portanto, como alegado qualquer prejuízo ao direito de defesa do Recorrente, razão pela qual rejeito também esta alegação de nulidade. Da nulidade da imputação de responsabilidade O Recorrente João Shoiti Kaku sustenta a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, uma vez que apenas a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional deteria a competência para a imputação da referida responsabilidade. A alegação não foi acatada pelo Acórdão da DRJ, uma vez que "conforme dispõe o art. 142 do CTN e o art. 10 do PAF, o auditor é a autoridade administrativa competente para constituir o crédito tributário em todos os seus aspectos". Fl. 11615DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.616 30 A competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) para a constituição do crédito tributário é indubitável e provém do referido art. 142 do CTN, combinado com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 2002. Neste sentido, importa examinar o dispositivo do Código Tributário Nacional: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." (Destacouse) Como se constata, dentre os aspectos envolvidos na constituição do crédito tributário está o aspecto pessoal, com a identificação do sujeito passivo, o que, indubitavelmente, conforme literalidade do art. 121 do CTN, envolve tanto o contribuinte (sujeito passivo principal ou direto), quanto o responsável (sujeito passivo indireto). Assim, não há qualquer sentido em se negar a competência do AFRFB para, no momento da constituição do crédito tributário, realizar a imputação da responsabilidade. A competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), como até mesmo o Recorrente afirma será para "redirecionar a responsabilidade pela assunção da dívida, num cenário onde esteja tramitando executivo fiscal". Ou seja, no instante do lançamento, compete ao AFRFB a identificação e imputação do responsável, até para que este tenha direito pleno ao contencioso fiscal. Após a constituição do crédito tributário, em especial, durante a execução fiscal, será de competência da PGFN o redirecionamento. O julgado do CARF trazido pelo Recorrente, para subsidiar a sua tese, data de outubro de 2011, tratandose de entendimento, há muito, superado, seja na esfera administrativa seja na esfera judicial. É que, durante algum tempo, de fato, uma série de dúvidas envolveu o procedimento de imputação da responsabilidade solidária, existindo aqueles que defendiam que se tratava de matéria adstrita à execução fiscal, inclusive negando aos responsáveis o direito ao contraditório. Hoje, a matéria está pacificada, conforme atestam os seguintes julgados, inclusive, da Câmara Superior de Recursos Fiscais: "INCOMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO PARA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Nos termos do artigo 121 do Código Tributário Nacional o sujeito passivo da obrigação tributária compreende os contribuintes e responsáveis. Inquestionável, portanto, a competência da autoridade fiscal para imputação da Fl. 11616DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.617 31 responsabilidade solidária." (Acórdão CARF nº 1201 002.092, 1ª Seção / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, julgado em 15 de março de 2018) "IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA A TERCEIROS. ATIVIDADE INCLUÍDA ENTRE AQUELAS DE COMPETÊNCIA DOS AUDITORES FISCAIS. A autoridade fiscal lançadora tem perfeita competência legal para imputar responsabilidade tributária a terceiros. Ela não só pode como deve identificar corretamente o sujeito passivo da obrigação tributária, tanto na condição de contribuinte, quanto na condição de responsável." (Acórdão CSRF nº 9101003.427, 1ª Turma, Relator Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, julgado em 06 de fevereiro de 2018) Além disso, a Súmula CARF nº 71 tem como corolário que o AuditorFiscal possui a competência para a imputação da responsabilidade: "Todos os arrolados como responsáveis tributários na autuação são parte legítima para impugnar e recorrer acerca da exigência do crédito tributário e do respectivo vínculo de responsabilidade." Assim, também não há respaldo para acatar as alegações do recorrente neste ponto. Do mérito O Contribuinte alegou no mérito a improcedência da ação fiscal em razão do arbitramento de lucro realizado, por entender que teria acarretado em um lançamento desproporcional. Na mesma linha, seguem os Recursos Voluntários de Andrea Ferreira Abdul Massih, Dario Aprigio da Silva, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Faroleo Comercio de Produtos Alimenticios Ltda, FAS – Empreendimentos e Incorporações LTDA, FN Assessoria Empresarial Ltda EPP, Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda, Sina Industria de Alimentos Ltda, Sina Industria de Óleos Vegetais Ltda e DOV Óleos Vegetais Ltda. Os citados no parágrafo anterior acrescentaram, em sua defesa, a tese de que não teriam responsabilidade sobre o crédito tributário. As pessoas jurídicas aduziram, em síntese, não ter qualquer ligação com os fatos geradores. Já as pessoas físicas alegaram não terem praticado atos de gerência e Administração. Os(A) senhores(a) Paulo Roberto dos Santos Mina, Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, apresentaram defesas semelhantes, argumentando, em resumo, que não possuíam poderes de gestão. Pelo tanto, aduziram pela sua ilegitimidade passiva. Fl. 11617DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.618 32 As questões levantadas pelos demais responsáveis solidários que apresentaram Recurso Voluntário, notadamente no que se refere a aplicação do artigo 124, I e art. 135 do CTN ao presente caso, serão apreciadas em momento posterior do presente voto. Não há reparos a fazer a decisão de 1ª instância quanto as questões acima suscitadas. Assim, nos termos do art. 57, §3º, do RICARF, adoto as razões de decidir da DRJ que abaixo transcrevo, verbis: (...) Cabe ainda registrar que todos os atos normativos regularmente editados gozam de presunção de legitimidade e legalidade. Ademais, devido a este pressuposto de legalidade, resta ao agente da Administração Pública aplicar os atos vigentes. Neste contexto, as autoridades administrativas, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua validade. Em verdade, o julgamento administrativo, segundo o sistema de autocontrole da legalidade dos atos administrativos, consiste em examinar se os lançamentos fiscais são consentâneos com as normas legais vigentes. Destaquese que, nos autos de infração, há a descrição da infração imputada e da fundamentação legal que baseou a autuação, bem como de todos os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributada e o cálculo do imposto a pagar. Os impugnantes, portanto, tiveram conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, sem dar margem a dúvidas quanto às matérias tidas como infringidas, inexistindo, assim, qualquer embaraço ao exercício do seu direito de defesa. Enfim, no procedimento fiscal que deu origem aos lançamentos de tributos e multas, ora impugnados, a autoridade fiscal agiu com estrita observância aos princípios norteadores da administração pública, entre os quais, legalidade, motivação, ampla defesa e contraditório. A respeito da requerida apresentação posterior de elementos de prova, registrese que, o Decreto n º70.235, de 06/03/1972, dispondo sobre o Processo Administrativo Fiscal especifica, no art. 16, inciso III, que a impugnação deve mencionar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir” e a prova documental deve ser apresentada quando da sua interposição (art. 16, § 4º), precluindo o direito dos impugnantes fazêlo em outro momento processual. Aqui cabe observar que, durante o procedimento fiscal, a contribuinte e os responsáveis não disponibilizaram qualquer documentação contábil, e, mesmo agora, na impugnação, não há apresentação de qualquer elemento probatório para refutar as constatações da fiscalização relatadas no Termo de Verificação Fiscal. Tampouco, nada traz para corroborar a crítica ao procedimento fiscal realizado. Efetivamente, a documentação disponibilizada pela SefazSP, via convênio, e as informações constantes na base de dados da RFB permitiram à fiscalização constatar a omissão de tributos decorrentes das receitas bruta de venda no exercício, base da autuação. De fato, detectouse DCTF (janeiro a março de 2011) confessando valores ínfimos de tributos devidos, o que motivou o lançamento de ofício Fl. 11618DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.619 33 do IRPJ com base no lucro arbitrado, fundamentandose no inciso III do artigo 530 (RIR/1999), como explicitado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 110/113), inicialmente, porque intimada, frisese, a fiscalizada não apresentou à RFB os documentos e livros de sua escrituração comercial e fiscal, bem como, quando transmitidas, as suas declarações continham dados incongruentes com as notas fiscais eletrônicas de venda emitidas (SefazSP), obtidas em virtude de convênio como explicitado anteriormente. Diante da hipótese de arbitramento do lucro, critério adotado para o cálculo do lucro quando a pessoa jurídica não apresenta os livros contábeis e fiscais necessários à apuração do lucro real, ou o livro caixa, caso tenha optado pelo lucro presumido, fazse necessário identificar o montante da receita bruta. No presente caso, a receita bruta conhecida foi apurada com base nas informações prestadas pela própria Contribuinte à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, conforme Demonstrativo de Notas Fiscais relacionadas no Anexo I (fls. 126/623) do Termo de Verificação Fiscal, que expressam e constituem as receitas tributáveis mensais indicadas no Auto de Infração IRPJ (fls. 14/15), para fins de apuração do imposto sobre o lucro arbitrado trimestralmente (fl. 32). A base de cálculo do imposto – o lucro arbitrado – foi obtida pela utilização do percentual de 9,6% (percentual do lucro presumido, de 8%, acrescido de 20%), sobre a receita bruta conhecida. Dos montantes do imposto de renda (e adicional) deduzidos dos valores porventura declarados em DCTF pela contribuinte. Quanto aos Autos de Infração de CSLL, PIS e COFINS, todos decorrentes dos mesmos fatos descritos no Auto de IRPJ, em se tratando de tributação reflexa, deve ser observado o que foi decidido para o Auto de Infração principal. A apuração dos demais tributos está indicada em demonstrativos que integram o respectivo auto de infração: CSLL (fls. 34/65), PIS (fls. 66/85) e COFINS (fls. 86/105), registrandose que valores quando confessados (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS) foram deduzidos para obtenção dos valores devidos e lançados. Quanto à alegada injustiça das punições aplicadas, cabe observar que a multa aplicada está prevista no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sendo exigida, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A exclusão da multa ou sua redução somente ocorre com suporte na legislação tributária. A Lei nº 9.430, de 1996, no inciso II do art 44, transcrito a seguir, prevê a aplicação do percentual de 150% para ilícitos dessa natureza: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento , nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de Fl. 11619DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.620 34 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Por sua vez, a Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, assim define fraude: Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” (grifamos) Os artigos 1º e 2º, inciso I, da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, assim dispõem: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I – omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendária; II – fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; III – falsificar ou alterar nota fiscal, fatura, duplicata, nota de venda, ou qualquer outro documento relativo a operação tributável. Art. 2° Constitui crime da mesma natureza: I fazer declaração falsa ou omitir declaração sobre rendas, bens ou fatos, ou empregar outra fraude, para eximirse, total ou parcialmente, de pagamento de tributo;” Registrese que a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150%, está prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, e, na medida em que a contribuinte, visando impedir ou retardar, total ou parcialmente, que a autoridade fazendária tomasse conhecimento da ocorrência do fato gerador, não apresentou a DIPJ anocalendário 2012, e confessou em DCTF valores insignificantes de tributos, quando o total das NFe emitidas totalizou cerca de R$ 400 e R$ 350 milhões (receita bruta de vendas nos anoscalendário 2011 e 2012). Tal procedimento evidencia tanto o intuito doloso como o objetivo de sonegação de tributos, previsto no artigo 71 da Lei nº 4.502, de 1964, evidenciando a prática de crime contra a ordem tributária. (...) A sujeição passiva que foi constatada durante o procedimento fiscal, instrumentalizado com os autos de infração, não significa cerceamento do direito de defesa, porque concedida aos responsáveis solidários, na fase de impugnação, a Fl. 11620DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.621 35 oportunidade de contestar as imputações, conforme demonstram as contestações apresentadas tempestivamente, ora analisadas. Ademais, antes da impugnação não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pela Administração Fazendária. O ato do lançamento é privativo da autoridade, e não uma atividade compartilhada com os sujeitos passivos (CTN, art.142). No que diz respeito à alegada nulidade da responsabilização tributária das impugnantes, ou ao menos do relatório da operação Yellow, mais uma vez registrase que os termos de Sujeição Passiva não foram lavrados por pessoa incompetente, nem houve preterição do direito de defesa dos impugnantes, que puderam apresentar suas contestações. Ressaltese que as informações obtidas pela RFB, como anteriormente, observado, decorrem de convênio entre as Fazendas Estadual e Federal, que permite, inclusive, a permuta de informações. Há ainda o entendimento jurisprudencial (STF) de que prova emprestada, colhida mediante a garantia do contraditório, vale como prova porque inexistente qualquer ilicitude na sua utilização. Quanto ao pedido de reconhecimento da ilegitimidade dos impugnantes para figurarem como responsáveis solidários nenhum dos impugnantes apresentou elementos comprobatórios para fundamentar este pleito. Registrese que o sujeito passivo da obrigação tributária é identificado como contribuinte ou responsável, conforme o art. 121 do CTN. É contribuinte a pessoa que tenha relação direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador, no caso concreto, a Multióleos; e responsável aquele que, sem se revestir da condição de contribuinte, tem sua obrigação decorrente de lei. Daí, necessário identificar, no lançamento, não só o contribuinte, mas também o responsável, inclusive apontando os elementos necessários para caracterizar a responsabilidade solidária, a fim de trazer o responsável para dentro da relação jurídica tributária. Alguns dos responsáveis solidários alegam que seria incabível a sua responsabilização quanto à multa de ofício, assim como questiona o percentual, que a torna confiscatória. Registrese que a solidariedade abarca tanto os tributos como a multa de ofício e os juros moratórios. A Responsabilidade Tributária tratada no Capítulo V do CTN diz respeito ao crédito tributário, conforme explicitado nos art 128 e 135. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (...) Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A multa é devida pela falta de pagamento ou recolhimento, ou, em outras palavras, pelo descumprimento da obrigação principal, independentemente de quem seja o sujeito passivo ou de sua intenção. O aspecto subjetivo, qual seja, a intenção Fl. 11621DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.622 36 dolosa, é causa tão somente de qualificação da multa, o que também ocorreu no presente caso. Quanto à exclusão da multa em razão de seu caráter confiscatório, como já explicitado anteriormente, ela está especificada no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, sendo aplicável, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A multa é devida pela falta de pagamento ou recolhimento, ou, em outras palavras, pelo descumprimento da obrigação principal, independentemente de quem seja o sujeito passivo ou de sua intenção. O aspecto subjetivo, qual seja, a intenção dolosa, é causa tão somente de qualificação da multa, o que também ocorreu no presente caso. Enfim, a exclusão da multa ou sua redução somente pode ocorrer com suporte na legislação tributária. Cabe ressaltar que, as questões levantadas pelos demais responsáveis solidários que apresentaram Recurso Voluntário, notadamente no que se refere a aplicação do artigo 124, I e art. 135 do CTN ao presente caso, serão apreciadas em momento posterior do presente voto. Assim, nego provimento aos Recursos Voluntários. Da responsabilidade tributária Segundo a DRJ a responsabilidade solidária resta caracterizada pelos seguintes motivos, litteris: “A fiscalização fundamentou a responsabilidade solidária dos sócios, dos reais administradores e das empresas do grupo, na prática de sonegação, enquadrando a sujeição passiva no art. 124, I, combinado com o art. 135, III, do CTN, no caso das dez pessoas físicas (sócio,administrador, reais administradores e mandatários): “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” (...) “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 11622DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.623 37 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Cabe observar que norma de responsabilidade tributária tem o objetivo de garantir o crédito tributário e, por motivos de conveniência e necessidade, a lei elege um terceiro para ser o responsável pelo pagamento do tributo, em caráter pessoal, subsidiário ou solidário. O art. 124, do CTN, trata da responsabilidade solidária das pessoas expressamente designadas por lei e das que tiverem interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O interesse comum do art. 124, I, do CTN, significa haver liame inequívoco entre as atividades desempenhadas pelos integrantes do grupo econômico, inclusive as pessoas físicas. Inexiste autonomia das unidades, pois a atuação é complementar mesmo que a aparência seja de unidades autônomas. O interesse comum também pode ser demonstrado com a existência de confusão patrimonial ou vinculação gerencial ou coincidências de sócios e administradores, etc. Registrese que há decisões judiciais (fls. 1245/1256) reconhecendo a existência do grupo econômico formado por pessoas jurídicas do Grupo FN, entre as quais a própria contribuinte, Multióleos Óleos e Farelos Ltda., e outras empresas enquadradas na sujeição passiva como responsáveis solidárias, a exemplo das FAS Empreendimentos e Incorporações Ltda., Sina Indústria de Óleos Vegetais Ltda., Sina Comércio e Exportação de Produtos Alimentícios Ltda., Sina Indústria de Alimentos Ltda., Dov Óleos Vegetais Ltda. e Faroleo Comércio de Produtos Alimentícios Ltda. e Modena Agropecuária Ltda. As empresas, mesmo formalmente independentes, realizavam, de forma complementar, as situações configuradoras dos fatos geradores e também atuavam sob comando único, com objetivo e estruturas comuns e com intercomunicação patrimonial. No Relatório de Solidariedade (fls. 703/783), se demonstra que a direção centralizada do grupo se caracterizava pelo gerenciamento detalhado das empresas, com instruções ou diretivas. O grupo mantinha, de fato, uma estrutura única “setorizada” em diversas pessoas jurídicas, cabendo à direção unitária decidir pela própria realização das operações e negócios das demais sociedades, bem como administrar os encargos deles decorrentes, como é a atividade consistente no pagamento de tributos e cumprimento de obrigações acessórias, caracterizando o interesse comum e justificando o enquadramento no art. 124, I, do CTN. A omissão de informações na declaração apresentada e/ou a omissão das declarações, a exemplo de DCTF, representam ofensa à lei, materializada na sonegação. O dolo ficou caracterizado pela reiteração de atos tendentes, inegavelmente, a impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, assim como de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. Detectada a infração à lei, sonegação fiscal, há a responsabilidade dos sócios e dos administradores da empresa, ao tempo do fato gerador, Fl. 11623DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.624 38 segundo as disposições do art. 135, III, do CTN, dada a infração de lei, a qual acarretou a falta de recolhimento do tributo devido, pela ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. Com efeito, a pessoa jurídica é uma ficção da lei, sendo incapaz, portanto, de implementar suas ações por si própria, mas sim por meio da atuação dos seus diretores, gerentes e representantes ou dos seus mandatários, prepostos e empregados, pessoas que demonstram capacidade de expressar vontade, elemento subjetivo necessário para caracterizar o ato ilícito, do qual resulta a responsabilidade.” Em brevíssimo resumo, as pessoas imputadas e as quais tiverem o recurso voluntário conhecido, alegaram em síntese, não haver interesse nem comum nem relação com o fato gerador, não sendo possível a aplicação do art. 124, I, CTN. Alegam ainda a inexistência de qualquer relação jurídica ou efetiva entre elas, recorrentes, pessoas físicas e jurídicas, e os fatos geradores apontados pela fiscalização. No caso em análise, resta configurada a responsabilidade tributária. Vejamos: Em relação à responsabilidade prevista no artigo 135, enquadramse os senhores José Agostinho Miranda Simões, Dario Aprigio da Silva, Paulo Roberto dos Santos Mina, Nakil Abdul Massih e Luiz Alberto Panaro. Estes atuaram como procuradores, mandatários e sócios administradores, de forma a fraudar a lei, como perfeitamente detalhado nos autos, em especial, no Termo de Verificação Fiscal e no Termo de Sujeição Passiva. Já em relação aos reais administradores, quais sejam, os senhores Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih e João Shoiti Kaku, também cabe incidir a responsabilização tributária. A fiscalização demonstrou sobremaneira que estes eram os verdadeiros administradores do grupo econômico, através de farta documentação, que indicou ordens diretas vindo destes, tomadas de decisões estratégicas, e clara intenção em praticar os autos que resultaram no dano ao erário público. Desta feita, correta a aplicação do artigo 135, III, para caracterizar a responsabilidade tributária das pessoas físicas indicadas. Nesse sentido, tomase por base trecho do acórdão recorrido: Dario Aprígio da Silva, assim como, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Simon Nemer Ferreira Abdul Massih (9614/9644) e Nemr Abdul Massih argumentam apenas aspectos já abordados anteriormente (ilicitude das provas advindas da operação Yellow, inclusive, as interceptações telefônicas e a inaplicabilidade da responsabilização pela multa de ofício). Fl. 11624DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.625 39 Paulo Roberto dos Santos Mina, afirma que como funcionário da Faroleo, estava alocado à empresa FN Assessoria Empresarial, recebia ordens para executar trabalhos de interesse de sua empregadora, entretanto, nada apresenta para corroborar o que alega e, assim, afastar a conclusão da fiscalização, ressaltese, fundamentada em provas (fls. 8523/8540), a exemplo de procuração da Multióleos para a FN, que por sua vez, substabeleceu todos os poderes a ela conferidos pela Multióleos, ao impugnante, entre os quais estão contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes. Luiz Alberto Panaro, para afastarse da responsabilização também argumenta era apenas funcionário da empresa FN Assessoria Empresarial Ltda. de 2005 a dezembro de 2015, como comprova com cópias de sua CTPS e Comunicação de Dispensa do Ministério do Trabalho, entretanto há também procurações da Multióleos para a FN (fl. 8797 e 8801), que por sua vez, substabeleceu (fl. 8798 e 8800) todos os poderes a ela conferidos pela Multioleos, ao impugnante, entre os quais estão contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes. Enfim, há comprovação de que estes dois mandatários agiam em comum acordo com a família Abdul Massih, ostensivamente frente a terceiros, mantendo ocultos os reais dirigentes de diversas empresas para a prática de atos que deram origem às autuações. Quanto à alegação de Nabil Akl Abdul Massih, de que ambas, fiscalização e autuação, foram feitas em períodos posteriores ao seu desligamento da empresa, registrase, de pronto, que a sua CTPS, contraria esta assertiva, pois nela há registro de que o desligamento da empresa FN – Assessoria Empresarial ocorreu em 08/08/2013 (fl. 9251), data posterior ao período fiscalizado. José Agostinho Miranda Simões busca eximirse da responsabilidade solidária, alegando que agia para cumprir ordens de seu chefe, proprietário da FN, Nemr Abdul Massih, entretanto, além de ser formalmente funcionário da FN, assim como outro mandatário, Paulo Roberto dos Santos Mina, ele agia perante instituições financeiras por ordem dos reais administradores, mesmo que em nome de pessoas do grupo, utilizando procurações da DOV para a FN que substabeleceu todos os poderes a ela conferidos pela DOV, ao impugnante, entre os quais estão contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes (fls. 8546/8563). Enfim, mantidas a responsabilização solidária do sócio pessoa física da Multióleos, dos reais administradores (cinco)e dos mandatários (quatro). Fl. 11625DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.626 40 Noutra banda, a redação do art. 124 do CTN é expresso ao vincular apenas os casos de responsabilidade solidária “de direito”, objeto do inciso II, à necessidade de designação por lei. Acerca do alcance da expressão “interesse comum”, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão de cuja ementa extraise: O instituto está previsto no art. 124 do CTN, em que o inciso determina a solidariedade quando os sujeitos estão na mesma relação obrigacional. Deve ocorrer interesse comum das pessoas que participam da situação que origina o fato gerador. Conseqüentemente, passam à condição de devedores solidários. (AgRg nos Edcl Resp n. 375.769/RS, Rel. Min.Humberto Martins, 2ª Turma, j. 04/12/2007, DJ 14/12/2007). Também interpretando o interesse comum, o CARF já entendeu pela possibilidade de responsabilização solidária da pessoa física na condição de verdadeira sócia da pessoa jurídica, com fundamento no artigo 124, I do CTN: “RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal.” (Processo nº 13603.002869/200301, Recurso nº 148917, Sessão de 16 de agosto de 2006, Acórdão nº: 10708692) Nesse sentido, segue decisão do CARF: Processo nº 10932.720133/201442 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302002.293 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de junho de 2017 Matéria IRPJ e CSLL Recorrente SPARTACO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE METAIS LTDA. Fl. 11626DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.627 41 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2009 INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCEDIMENTO Quando no Termo de Verificação Fiscal estão contidas todas as informações a respeito dos valores apurados das infrações, as quais lhe foram imputadas,bem como a maneira como foram extraídas as informações, as quais deram ensejo ao presente Auto de Infração, acompanhada da capitulação legal das irregularidades detectadas no curso da fiscalização, não há que se falar em nulidade do procedimento. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE NO PROCESSO De fato, o erro de aplicação do direito; ou a contradição; ou o cerceamento do direito de defesa tanto no procedimento quanto do processo administrativo fiscal; não se amoldam ao rol de hipóteses aptas a gerar a nulidade do ato administrativo. Observase que a causa de pedir do contribuinte e responsáveis, ou seja, os fatos por eles descritos cumulados à fundamentação que entendem aplicável ao caso concreto, é que não implicam na nulidade do auto de infração e/ou nulidade do acórdão de primeira instância. Isto porque, reforçase, nenhum dos fatos se coaduna com a previsão do art. 59 do Decreto lei n.º 70.235/72. CUSTOS. FIRMA INIDÔNEA. GLOSA. ART. 217 DO RIR/99 Restou comprovada a inexistência das operações de aquisição de mercadorias, à evidência da situação irregular da suposta fornecedora das mercadorias. Nesse sentido, o art. 217 do RIR/99 dispõe que não produzirá efeitos tributários, em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido considerada ou declarada inapta. Fl. 11627DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.628 42 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Da análise de todo o aparato probatório, fica claro não se tratar de uma simples apuração de omissão de receita, pois foi procedida de forma ardilosa com emissão de cheques que revelavam uma falsa operação aos olhos dos Fiscos Estadual e Federal; bem como nos autos deste processo restou clara a comprovação de simulação das operações. DECADÊNCIA. HIPÓTESE DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO.INÍCIO DA CONTAGEM DO PRAZO A existência de dolo, fraude ou simulação, afasta a possibilidade de homologação do pagamento de que trata o § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e remete a contagem do prazo decadencial para a regra geral prevista no art. 173, inc. I, do mesmo diploma legal, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. FORNECIMENTOÀ ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal.(STF, RE 601314/SP, Sessão de 24/02/2016 Repercussão Geral). RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Comprovado nos autos os verdadeiros sócios da pessoa jurídica, pessoas físicas, acobertados por terceiras pessoas (laranjas) que apenas emprestavam o nome para que eles realizassem operações em nome da pessoa jurídica, da qual tinham ampla procuração para gerir seus negócios e suas contas correntes bancárias, fica caracterizada a hipótese prevista no art. 124, I do Código Tributário Nacional, pelo interesse Fl. 11628DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.629 43 comum na situação que constituía o fato gerador da obrigação principal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Neste ponto, entendo que deve ser aplicada a responsabilização as pessoas físicas Simon Nemer Ferreira Abdul Massih, Maria de Fátima Butara Ferreira Abdul Massih, Andréa Ferreira Abdul Massih, Nemr Abdul Massih, José Agostinho Miranda Simões, Dario Aprigio da Silva, Paulo Roberto dos Santos Mina, Nabil Abdul Massih e Luiz Alberto Panaro com base no art. 124, I e 135, III do CTN. Em quem pese o entendimento deste Relator, a maioria dos conselheiros me acompanharam pelas conclusões, por entenderam que no presente caso a responsabilidade de Dario Aprígio da Silva é a prevista no art. 135, III do CTN, haja vista não estar caracterizado o interesse comum exigido pelo art. 124 do CTN. Da responsabilidade da pessoa jurídica Relativamente à formação do grupo econômico, a autoridade fiscal apurou o seguinte: Durante os trabalhos, evidenciouse que tais pessoas jurídicas integravam um grupo econômico de fato, o qual denominamos Grupo FN, atuando em dois grandes ramos econômicos: processamento de oleaginosas (grãos principalmente soja) e processamento de ovos. (...) O Grupo FN revelase um desdobramento do denominado “Grupo Abdul Massih”, ou“Grupo Sina”, cuja história, há muito, vem sendo escrita em execuções fiscais junto à Justiça Federal e revela, como característica marcante, a utilização de interpostas pessoas, nos contratos sociais de suas pessoas jurídicas, com a finalidade – principal de afastar a solidariedade/responsabilidade tributária dos reais beneficiários: a própria família Abdul Massih e pessoas próximas. (...) O Grupo FN atuava, nos períodos auditados, por meio de diversas pessoas jurídicas, como uma única grande EMPRESA (por segmento) entendida esta como atividade econômica organizada, cuja estrutura pode ser resumida, basicamente, em quatro pilares: Fl. 11629DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.630 44 Os pilares possuem, dentro do Grupo, atividades precípuas (especificadas abaixo), as quais, reciprocamente, se complementam para a realização das situações configuradoras dos fatos geradores dos tributos lançados: a) aquisição de renda (IRPJ); b) auferimento de lucros (CSLL); e c) auferimento de receita (Cofins e PIS). Não se pode perder de vista que a caracterização do interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária é condição imprescindível à configuração da responsabilidade solidária em corolário do disposto em lei, isto é, no art. 124, I, CTN. Isto porque, o direito tributário impõe à administração fiscal a obediência aos primados da tipicidade e estrita legalidade tributária, máxime no que tange à cobrança dos tributos. A jurisprudência desse tribunal entende que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente a ensejar a responsabilidade tributária. Só com a efetiva comprovação de fraude perpetrada pelos responsáveis solidários é que atrai a atribuição de responsabilidade tributária a todos os “angariadores” dos negócios do devedor principal. Conforme orienta Paulo de Barros Carvalho (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17ª ed., São Paulo: Editora Saraiva, 2005, p.317), a expressão interesse comum, sendo vaga, “não é um roteiro seguro para a identificação do nexo que se estabelece entre os devedores da prestação tributária”, ou seja, para efeito da solidariedade deve prevalecer o critério de que duas ou mais pessoas estejam colocadas sob uma mesma hipótese de incidência tributária, como ocorre no caso do IPTU incidente sobre um mesmo imóvel, pertencente a várias pessoas”. Em outras palavras, não basta que haja um suposto interesse genérico, mas sim um interesse jurídico, no qual há direitos e deveres comuns entre as pessoas situadas em um mesmo lado da relação jurídica que constitua o fato gerador da obrigação tributária. Fl. 11630DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.631 45 Logo, a solidariedade que se refere o inciso I, do art. 124, do CTN pressupõe que não haja bilateralidade no centro do fato jurídico tributário, ou seja, pressupõe que os partícipes do fato tributado não estejam em posições contrapostas, com objetivos antagônicos. No caso em análise, a fiscalização demonstrou de forma robusta que todas as pessoas jurídicas inseridas no grupo econômico de “fato”, atuaram ativamente no tocante à fraude tributária. O Termo de Sujeição Passiva demonstra cabalmente que o citado grupo já foi alvo de diversas investigações, e que por vezes, desconstitui um grupo econômico e forma outro, na única tentativa de fraudar o fisco. Ainda conforme demonstrado pela fiscalização, o Grupo FN atuava, nos períodos auditados, como uma única grande EMPRESA (por segmento) entendida esta como atividade econômica organizada. Assim, sob comando único, com objetivos e estruturas comuns e com intercomunicação patrimonial, o Grupo realizava as situações configuradoras dos fatos geradores dos tributos lançados: a) aquisição de renda (IR); b) auferimento de lucros (CSLL); e c) auferimento de receita (Cofins e PIS), valendose de uma estrutura jurídica composta por diversas pessoas jurídicas formalmente independentes. Nessa estrutura, a empresa FN Assessoria Empresarial LTDA EPP funciona como a real administradora das demais empresas do grupo, o “centro de comando”. A pessoa jurídica FAS atua como PJ patrimonial, que possui todos os imóveis do grupo. Abaixo delas, PJs industriais – elencadas no quadro acima , que, embora sendo as principais geradoras de riqueza do Grupo, são tratadas como prestadoras de serviços. Por fim, temos as PJs comerciais, também já elencadas. Há ainda a Sina Exportação, responsável por tais atividades. A documentação acostada delineia o esquema fraudulento: a) Por meio da FN, os reais administradores – evitando se exporem diretamente e procurando afastar suas responsabilidades, concentravam a gestão administrativa, comercial, financeira e trabalhista das demais pessoas jurídicas do grupo; b) Paralelamente, as pessoas jurídicas do Grupo (por meio dos sócios testas deferro ou representantes das sócias offshore), ainda outorgavam procurações com amplos poderes de gestão (especialmente para movimentação bancária) à FN, com cláusula de substabelecimento; Há diversos documentos nos autos em especial no Relatório de Sujeição Passiva, que demonstra que o comando das pessoas jurídicas do grupo era centralizado. A FAS por sua vez tinha como única função praticar a blindagem patrimonial de imóveis e instalações industriais do Grupo, com o intuito de afastálos de débitos financeiros das demais pessoas jurídicas deste. Uma vez mais, há robustas provas disso, advindas da operação Yellow. Logicamente, os parques industriais atuavam em imóveis do Fl. 11631DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.632 46 Grpo. Logo, as PJs responsáveis pela produção e comercialização não tinham patrimônio próprio, para responder aos seus vultosos débitos tributários. A ligação da FAS com o grupo econômico é pormenorizada nesse trecho do Relatório de Sujeição Passiva: Acontece que os elementos probatórios colhidos, no entanto, são mais do que suficientes para demonstrar que na realidade todo o patrimônio imobilizado que estava em nome da FAS, era do Grupo FN e utilizado a serviço deste, fomentando a geração da renda, da receita e do lucro (fatos geradores dos tributos lançados) de todo o Grupo: a) ora, diretamente, pelo uso dos próprios prédios e maquinários: a.1) SINA Alimentos Bauru: planta industrial de propriedade da FAS ANEXO 05. a.2) SINA Alimentos Orlândia: adquirida em leilão pela FAS ANEXO 05. a.3) SINA Indústria de Óleos Vegetais Santo Anastácio: planta industrial locada pela FAS da empresa Monte Mor S/A – ANEXO 04. a.4) Fama Ovos – Diadema: propriedade da FAS ANEXO 14. b) ora, indiretamente, servindo para afiançar empréstimos tomados de instituições bancáriasem benefício do Grupo, fomentando a alavancagem financeira do Grupo, como revela a Carta de Fiança em que a FAS aparece como fiadora das empresas DMR, DOV, DOVOS, FN Assessoria,FAMA OVOS, FARÓLEO, MULTIÓLEOS entre outras, visando a garantia de todas e quaisquer obrigações decorrentes de operações de crédito com o Banco Itaú BBA S/A, no valor total de R$ 60.000.000,00 (sessenta milhões de reais), com vencimento em 12/06/2015. ANEXO 39 c) ora, ainda, servindo ao Grupo com empréstimos diretos, formalizados através de contratos de mútuos, dos quais são exemplos os empréstimos prestados para a DOV (4 milhões), FAROLEO (3,5 milhões) e MULTIOLEOS (2 milhões) todos datados de 22/12/2009 e todos com vencimento em 21/12/2013. ANEXO 40: “A quantia pecuniária ora emprestada (...) deverá ser devolvida (...) no prazo de quarenta e oito (48) meses, ou seja, no dia 21/12/2013 (...)” Em relação às pessoas jurídicas industriais e comerciais, resta caracterizado que estas eram as responsáveis pelas fontes geradoras de renda do Grupo. Fl. 11632DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.633 47 Restavam protegidas de execuções fiscais, posto que, como demonstrado, seu patrimônio integrava outra pessoa jurídica, a FAS, caracterizando claro intuito fraudulento. A receita bruta das pessoas jurídicas comerciais auditadas foi extraída das Notas Fiscais Eletrônicas – NFEs, individualizadas nas planilhas constantes nos autos. Desta forma, nas pessoas jurídicas comerciais ficava registrada a maior parte da renda do Grupo, refletindo, evidentemente, sobre estas, montantes tributários devidos expressivamente maiores de Cofins, PIS, IRPJ e CSLL, relativamente às demais pessoas jurídicas do Grupo. Contudo, reiteradamente, as pessoas jurídicas comerciais não confessavam, ao Fisco, a totalidade devida de tais tributos; confessavam, apenas, ínfimos valores. Isto ocorria, tudo indica, pois, no caso de possíveis lançamentos de ofício, o débito tributário recairia sobre estas pessoas jurídicas comerciais, que não possuíam mínimo patrimônio ou capacidade financeira ou econômica para saldar qualquer dívida – enquanto os bens do grupo estariam blindados junto à FAS. Além disto, as repercussões penais pela sonegação (em tese) recairiam sobre os sócios testasdeferro, também sem patrimônio, afastando a responsabilização dos reais administradores. Citando elucidador trecho do Relatório da Sujeição Passiva, resta demonstrando a existência do “objetivo comum”, elemento indicado pelo artigo 124, I, CTN, apto a ensejar a responsabilidade solidária: Como já salientado, as pessoas jurídicas auditadas se dedicavam, preponderantemente, às mesmas atividades econômicas (por segmento: industrialização e venda de derivados de grãos e/ou industrialização e venda de derivados de ovos), conforme bem ilustra os seguintes fragmentos extraídos dos excertos acima expostos: “(...) O Grupo Sina atua no setor alimentício e químico, atendendo os mercados nacionais e internacionais. Especializada em esmagamento de grãos, produção de derivados e produção de formulações especiais para indústria, varejo e food service, a Sina tem como objetivo levar o melhor para a mesa e para a vida das pessoas (...) Sina consolidava sua presença no mercado especializando se em esmagamento de grãos e produção de derivados (...) O Grupo adquire a unidade de Diadema e lança a Fama Ovos para atuar no seguimento de pasteurização de ovos. Com esta planta a Sina passou a ser uma das maiores produtoras do país, com capacidade de processamento de 80 mil caixas de ovos por mês (...)”. Fl. 11633DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.634 48 Desta maneira, juntas, tais pessoas jurídicas combinavam recursos e esforços para realizarem seus objetivos comuns, todos voltados ao empreendimento de derivados de grãos ou ovos. Assim, como exaustivamente foi visto, à holding informal (FN) cabia centralizar a administração geral do Grupo; e às PJs patrimoniais (FAS e Modena) cabia a gerência do seu patrimônio imobilizado. No campo propriamente operacional, às PJs industriais cabia a industrialização dos produtos comercializados pelo Grupo; e às PJs comerciais a comercialização de tais produtos; Como expresso no acórdão recorrido, o “interesse comum”, estabelecido no art. 124, I, do CTN, como dito anteriormente, está demonstrado no Relatório de Solidariedade, e seus anexos, no qual se descreve a estrutura do Grupo FN. Este modo de agir deu causa a diversas infrações a dispositivos da legislação tributária. Detectadas ainda empresas offshores, sócias diretas de diversas empresas do grupo, assim como diversas pessoas físicas relacionadas às empresas, sócios e reais administradores, conforme comprovado na Operação Yellow da SefazSP e do MPESP. Como se sabe, somente é possível sustentar a responsabilidade solidária por interesse comum (art. 124, I do CTN) nos lançamentos fiscais se a Autoridade Fiscal demonstrar que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato gerador ou desfrutaram de seus resultados em caso de fraude, situação evidenciada no presente caso. Nesse sentido é o entendimento do STJ (Resp. 884.845/SC). Vejamos a Ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO.SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço."6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei." Fl. 11634DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.635 49 7. Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220) 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). 11. In casu, verificase que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tãosomente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são Fl. 11635DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.636 50 pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deuse entre o tomador e a empresa arrendadora. 12. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A. (Grifei) Como se pode observar por tudo já exposto, as pessoas jurídicas do grupo cumpriram tais requisitos, posto que participaram ativamente os atos que levaram a ocorrência do fato gerador, e se beneficiaram da fraude perpetrada. Ante o exposto, nego provimento aos recursos voluntários das pessoas jurídicas. Da responsabilidade de João Shoiti Kaku A configuração da responsabilidade tributária do referido contribuinte é realizada no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a partir dos seguintes fatos: a) documentos apreendidos na "Operação Yellow" mostram o Sr. João como Diretor Financeiro do Grupo FN; b) interceptações telefônicas revelam que o Sr. João conhecia com profundidade a forma de organização do citado Grupo, inclusive o modo de relacionamento entre as pessoas jurídicas, bem como a atuação da FAS, na blindagem patrimonial; c) mensagens eletrônicas mostram intenso contato do Sr. João com instituições bancárias na condição de responsável pela decisões financeiras do Grupo FN; d) interceptações telefônicas e mensagens eletrônicas expõem a autuação do Sr. João atuando na supervisão de demonstrações contábeis das pessoas jurídicas e do próprio Grupo FN, inclusive, pessoalmente, promovendo alterações nas mesmas, de acordo com os interesses do referido Grupo. Os elementos de prova reunidos demonstram, de fato, o poder de gestão do Sr. João Kaku em relação à área financeira e contábil do Grupo FN. Tal fato, contudo, a meu ver não é suficiente para a configuração do interesse comum necessário à responsabilização com base no art. 124, inciso I, do CTN, uma vez que, diferentemente dos responsáveis anteriores, não há a comprovação de qualquer envolvimento do Sr. João Kaku nas decisões de cunho operacional das pessoas jurídicas do Grupo, o que o vincularia aos fatos geradores das obrigações tributárias. Fl. 11636DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.637 51 Por igual modo, apesar de, em tese, o material apreendido revelar a prática de infrações à lei praticadas pelo contribuinte em questão, não há provas da prática de infrações diretamente relacionadas aos créditos tributários constituídos nos presentes autos, como se exige para a imputação da responsabilidade com base no art. 135, inciso III, do CTN. Deste modo, entendo que o Sr. João Shoiti Kaku deve ser excluído do rol dos responsáveis solidários, no presente caso. Da responsabilidade pela multa de ofício As pessoas físicas e jurídica cuja responsabilidade foi mantida, alegam em seus recursos voluntários, que a solidariedade do art. 124, inciso I, não envolveria a multa de ofício. Pela sua argumentação, apenas a obrigação principal, conforme a literalidade do mencionado dispositivo. A questão é solucionada pelo próprio texto do art. 121 do CTN, segundo o qual o "sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária". Ou seja, não há dúvidas de que a obrigação tributária, que é de que trata a solidariedade do art. 124 do CTN, inclui não apenas o tributo, mas também a penalidade pecuniária (da qual é espécie a multa de ofício). O próprio argumento dos Recorrentes, portanto, ao limitarem a solidariedade à obrigação principal, serve para fundamentar que a multa de ofício aí está incluída. Estranhamente, os Recorrentes alega, ainda, que o dispositivo do art. 137 do CTN também não respaldaria a responsabilização pela referida multa. Contudo, tal dispositivo, em nenhum momento é invocado pelas autoridades responsáveis pelo procedimento fiscal, não merecendo ser apreciado tal argumento. Caso se entenda que os Recorrentes desejavam se referir à responsabilidade do art. 135 do CTN, mais uma vez não lhes assiste razão, uma vez que esta abrange "os créditos correspondentes a obrigações tributárias", não havendo como se entender que as multas pecuniárias, uma vez que compõem o conceito de obrigação tributária principal (art. 128) e o crédito tributário decorre desta e tem a mesma natureza desta (art. 139 do CTN). Por tudo isto, rejeito a alegação dos Recorrentes. Da Multa Qualificada O Recorrente João Shoiti Kaku sustenta a inconstitucionalidade da multa de ofício aplicada, que violaria a vedação de utilização de tributo com efeito de confisco, constante do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Neste ponto, cabe invocar a Súmula CARF nº 2 (de observância obrigatória pelos membros do CARF, nos termo do Art. 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015), que dispõe que "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.". Fl. 11637DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.638 52 Também não se poderia simplesmente deixar de aplicar a referida multa, já que prevista em lei plenamente vigente, posto que tal conduta contraria o Art. 62 do Anexo II do RI/CARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade." O descumprimento do referido preceito, inclusive, constitui causa de perda do mandato de Conselheiro junto ao CARF, conforme Art. 45, inciso VI, do RI/CARF. Conclusão De todo exposto, voto por: 1) rejeitar as preliminares suscitadas, para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários dos abaixo enumerados: INTERESSADO Multióleos óleos e farelos ltda. Dov ÒleoVegetais Ltda Andreia Ferreira Abdul Massih Dario Aprigio da Silva Farelo Comércio Prod. Alimenticios Ltda FAS Empreend. E Incorporação Ltda FN Assesoria Empresarial Ltda .EPP José Agostinho Miranda Simões Luiz alberto Panaro Maria de Fátima b. Ferreira Abdul Massih Nemr Abdul Massih Paulo Roberto dos Santos Mina Simon Nemer Ferreira Abdul Massih Sina Com e Exp. Prod Alimenticios Ltda Sina Industria de Alimentos Ltda Sina Industria de Óleo Vegetais Ltda Nabil Akl Abdul Massih 2) Dar Provimento Parcial ao Recurso Voluntário do sujeito passivo João Shoiti Kaku, afastando a responsabilidade tributária a ele imputada com base nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN; Destaco que além dos referidos sujeitos passivos, permanecem as responsabilidades dos demais solidários que não apresentaram impugnação, bem com daqueles que não interpuseram recurso voluntário. É como voto. Fl. 11638DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.639 53 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 11639DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.640 54 Voto Vencedor Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Redator designado Em que pese o Voto proferido pelo Relator, com o seu usual brilhantismo, cabe discordar parcialmente das suas conclusões, no que fui acompanhado pela maioria dos meus pares. A divergência se volta, exclusivamente, ao vínculo de responsabilidade tributária atribuído aos contribuintes Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Adul Massih e Paulo Roberto dos Santos Mina. A defesa dos referidos responsáveis foi sintetizada pelo Relator, nos seguintes termos: "Os(A) senhores(a) Paulo Roberto dos Santos Mina, Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Abdul Massih, apresentaram defesas semelhantes, argumentando, em resumo, que não possuíam poderes de gestão. Pelo tanto, aduziram pela sua ilegitimidade passiva." O Relator fundamentou, então, a manutenção do vínculo, do modo a seguir: "Estes atuaram como procuradores, mandatários e sócios administradores, de forma a fraudar a lei, como perfeitamente detalhado nos autos, em especial, no Termo de Verificação Fiscal e no Termo de Sujeição Passiva." E, após transcrever parte dos referidos documentos, concluiu pela imputação da responsabilidade tanto com base no art. 135, inciso II, do CTN, quanto do art. 124, inciso I, daquele Código. Com a devida vênia, entendo que a análise mais aprofundada dos elementos contidos nos autos conduz a conclusão diversa. Em primeiro lugar, a imputação de responsabilidade a cada um dos referidos responsáveis foi realizada no respectivo Termo de Sujeição Passiva Solidária, sob a seguinte justificativa (o teor é o mesmo, alterandose apenas o nome do responsável): "7 Neste contexto, quando do surgimento das obrigações tributárias do sujeito passivo MULTIOLEO, ora lançadas, Luiz Alberto Panaro (sujeito passivo solidário) foi identificado integrando o Grupo na qualidade de procurador, tendo recebido amplos poderes para representar a pessoa jurídica MULTIOLEO, especialmente junto a instituições financeiras. Tais poderes foram substabelecidos pela pessoa jurídica F.N. Assessoria Empresarial, conforme documentos anexos. 8 – Desta maneira, restou evidente a existência de solidariedade/responsabilidade tributária do mesmo, pelos tributos devidos pela pessoa jurídica Multioleos Oleos e Farelos Ltda, nos termos dos artigos 124, I e 135, II do CTN:" Fl. 11640DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.641 55 Não há, no referido documento, nem no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 106 a 125, qualquer fato que comprove especificamente o envolvimento das pessoas físicas em questão quanto aos fatos geradores das obrigações tributárias de que tratam os autos de infração sob exame (de modo a demonstrar o interesse comum exigido para a responsabilização na forma do art. 124, inciso I), nem, ainda, qualquer comprovação de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, na condição de mandatários (exigência para a responsabilidade de que trata o art. 135, inciso II). No TVF, a referência é genérica ao grupo "Procuradores", onde foram inseridos os Recorrentes: "c) Procuradores: pessoas físicas que recebiam procurações para agirem, ostensivamente, em nome de algumas pessoas jurídicas do Grupo, mantendo ocultos os reais administradores; Nestas condições, verificouse que os reais administradores, associados aos sócios formais e aos procuradores, além de terem nítido interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores dos tributos lançados, ainda cometeram diversas infrações a leis, restando evidente a existência de obrigações tributárias solidárias e responsabilizações pessoais nos termos dos artigos 124, I e 135, II e III do CTN: (...) procuradores (que cediam seus nomes para assumirem os compromissos das pessoas jurídicas), para cometer, em conluio, as diversas infrações legais. (...) os reais administradores, em conluio com os sócios formais e procuradores, ao integrarem ao quadro societário de suas pessoas jurídicas sócios “testasde ferro” e/ou “offshore”, modificaram, fraudulentamente, as características essências dos fatos geradores: a sujeição passiva. Agiram, desta forma, com infração à lei 2.848/1940 (DecretoLei), Código Penal, artigo 299, cometendo, em tese, falsidade ideológica" Por fim, o TVF remete o detalhamento das condutas dos responsáveis ao Relatório de Solidariedade Tributária das Pessoas Jurídicas Integrantes do Grupo FN (fls. 703 a 784). No referido Relatório, apontase o substabelecimento de procuração emitida pela Multióleos em favor da pessoa jurídica FN, para os "Procuradores" (dentre os quais os Recorrentes), que receberam "amplos poderes de gestão e agiam ostensivamente frente a terceiros, especialmente instituições financeiras, mantendo ocultos os reais administradores". As demais referência no citado documento aos Recorrentes se prestam apenas a comprovar o comando dos "reais administradores" sobre eles. Tratam de instruções para a prática de atos ordinários da gestão da pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico. Fl. 11641DF CARF MF Processo nº 10825.722785/201510 Acórdão n.º 1302003.388 S1C3T2 Fl. 11.642 56 Ora, o mero fato de as pessoas físicas terem sido mandatários da pessoa jurídica autuada, sem que se comprove os elementos exigidos pela legislação, conforme acima apontados, não pode ser vir, ao meu julgar, para a atribuição do vínculo de responsabilidade. Qual o interesse comum dos referidos senhores nos fatos geradores das obrigações tributárias que embasaram o lançamento? Em que fatos geradores específicos estiveram eles envolvidos? Quais os atos praticados por eles, com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatuto? Não há nenhuma comprovação nos autos. Nem a autoridade fiscal, nem os julgadores a quo, nem o Relator conseguem identificar. Vejase que os fundamentos trazidos pela decisão recorrida, para a manutenção da responsabilidade são genéricos, referindose sempre a práticas do Grupo FN e dos procuradores, sem qualquer delimitação. O único ponto mais concreto apontado é exatamente o substabelecimento recebido pelos Recorrentes, nos quais se incluem os poderes de "contratar, emitir Cédulas de Crédito, abrir e movimentar contas correntes". Nada há de ilegal em relação ao exercício dos referidos poderes, os quais são consentâneos com a condição de pessoas que atuavam no Grupo Econômico sob subordinação aos seus efetivos proprietários. Deste modo, entendo que deve ser DADO PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS de Luiz Alberto Panaro, José Agostinho Miranda Simões, Nabil Akl Adul Massih e Paulo Roberto dos Santos Mina, de modo a excluílos do rol de responsáveis pelos créditos tributários constituídos nos presentes autos. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 11642DF CARF MF
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Numero do processo: 10565.000290/2008-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 12/03/2004, 17/06/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO.
Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo.
Numero da decisão: 9303-008.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 846; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10565.000290/200815 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303008.396 – 3ª Turma Sessão de 21 de março de 2019 Matéria MULTA REGULAMENTAR Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ASSOCIAÇÃO CULTURAL KINOFORUM ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 12/03/2004, 17/06/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 56 5. 00 02 90 /2 00 8- 15 Fl. 1060DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3202000.620, da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa (Destaques meus): “ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 12/03/2004, 17/06/2004 ADMISSÃO TEMPORÁRIA. CONDIÇÕES. PROVA DA REGULAR REEXPORTAÇÃO. O beneficiário do regime aduaneiro especial de Admissão Temporária deve atender aos requisitos previstos na legislação para fruição do regime, dentre os quais requerer à unidade da RFB, mediante a apresentação dos bens dentro do prazo previsto, o regular processamento do despacho de Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10565.000290/200815 Acórdão n.º 9303008.396 CSRFT3 Fl. 3 3 reexportação através do registro da DSE Declaração Simplificada de Exportação. Em decorrência do descumprimento de condições e requisitos inerentes ao regime de Admissão Temporária deve ser constituído o crédito tributário para a cobrança dos tributos suspensos e das respectivas multas. MULTA POR EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO. TIPICIDADE. Não constitui embaraço a ação da fiscalização o fato do contribuinte não concordar com o teor da cobrança efetivada pela fiscalização. O contribuinte tem direito ao devido processo legal, ao contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (artigo 5º, inciso LV, CF/88), podendo insurgirse contra as imposições do Fisco nos termos da lei que regula o processo administrativo tributário federal (PAF Decreto nº 70.235/72).” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · A contribuinte não cumpriu a intimação fiscal, sem qualquer justificativa plausível – enquadrandose na conduta prevista na alínea “c” do inciso IV do art. 107 do DecretoLei 37/66; · Em nenhum momento o acórdão recorrido afirmou que a contribuinte atendeu de fato à Intimação nº 311/2004, havendo mera inferência de que a informação já havia sido prestada antes, o que sequer justificaria deixar de responder à intimação que lhe fora encaminhada Em Despacho às fls. 1043 a 1045, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional para ressurgir com a discussão acerca da aplicabilidade da multa de R$ 5 mil por embaraço à ação da fiscalização prevista no art. 107, inciso IV, da alínea “c” do DecretoLei 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Em Ofício enviado ao Grupo de Arrecadação e Cobrança do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário da Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos, o sujeito passivo apresentou comprovante de pagamento dos débitos Fl. 1062DF CARF MF 4 provenientes do auto de infração lavrado em 2.6.08. Requereu, assim, a extinção desse feito. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constante do art. 67 do RICARF/2015 – com alterações posteriores. O que concordo com o exame de admissibilidade de Recurso. Primeiramente, importante recordar que o Colegiado a quo deu provimento parcial nos seguintes termos: · Manter a cobrança das seguintes multas: (i) multa de 30% calculada sobre o valor aduaneiro por importação de mercadoria desamparada de Licença de Importação ou documento equivalente, prevista no artigo 169, inciso I, alínea "b" e § 6°, do Decretolei n° 37, de 1966, com a redação dada pelo artigo 2º da Lei n° 6.562/1978; (ii) multa de 75% sobre a totalidade do Imposto de Importação pela falta de recolhimento tributo em razão do descumprimento do regime de Admissão Temporária, prevista no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96; (iii) multa de 10% do valor aduaneiro das mercadorias submetidas ao regime aduaneiro especial de Admissão Temporária, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime, de acordo com o disposto no artigo 72, inciso I e §1° da Lei n° 10.833/2003; · Afastar a cobrança da multa de R$ 5.000,00, por embaraço à ação da fiscalização, prevista no Art. 107, inciso IV, alínea "c" do DecretoLei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n ° 10.833/03. Sendo assim, a cobrança feita no momento da ciência do resultado do julgamento não abrangeu a multa que o Colegiado a quo afastou. O que afasto, primeiramente, o pedido do contribuinte “para a extinção desse feito” ao informar que efetuou o pagamento da cobrança das r. multas ao ser intimado do resultado. Fl. 1063DF CARF MF Processo nº 10565.000290/200815 Acórdão n.º 9303008.396 CSRFT3 Fl. 4 5 Vêse que o contribuinte recebeu intimação com o resultado de julgamento do Colegiado a quo somente com a cobrança das multas mantidas pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção. Ventiladas tais considerações, importante trazer que o cerne trazido em recurso abrange a discussão acerca da aplicabilidade da multa de R$ 5 mil por embaraço à ação da fiscalização prevista no art. 107, inciso IV, da alínea “c” do DecretoLei 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03. Em relação à essa matéria, importante trazer que esse Colegiado já apreciou essa discussão, tendo sido consignado no acórdão 9303007.827 da relatoria do nobre Dr. Andrada Márcio Canuto Natal (voto vencedor) – o que segue: “Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/09/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. FALTA DE ATENDIMENTO A INTIMAÇÃO. Não ocorre o embaraço à fiscalização quando o termo de intimação não deixa evidente que o contribuinte deveria apresentar alguma resposta por escrito, no caso de não concordar com o recolhimento exigido no referido termo. ” Eis o que traz o nobre conselheiro: “Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas discordo de suas conclusões a respeito do presente processo. A multa em discussão no recurso especial fazendário é a prevista no art. 107, inc. IV, alínea "c" do DecretoLei nº 37/66, abaixo transcrito: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ... c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Fl. 1064DF CARF MF 6 Ocorre, que concordo com a decisão recorrida, pois a intimação EQDEI nº 311/2004, transcrita acima no voto do relator, não exige qualquer resposta do intimado. Observe que ela intima o contribuinte para efetuar dois procedimentos: 1) efetuar o pagamento do crédito tributário no prazo de 30 dias, e 2) comprovar o recolhimento da multa prevista no inc. I do art. 72 da Lei nº 10.833/2003. Por óbvio que o contribuinte tem o direito de discordar dos recolhimentos compulsórios exigidos na intimação. Em não concordando, não tem como ele apresentar os documentos de arrecadação solicitados. Além do mais, não consta na intimação de que o contribuinte deveria respondela no caso de discordância com os recolhimentos nela apontados. Acrescentese que o contribuinte já havia informado em 26/01/2004, fl. 39, que, no seu entender, já havia cumprido a obrigação tributária ao ter efetuado a devolução das mercadorias ao exterior. Por economia processual, adoto também os fundamentos do acórdão recorrido ao tratar desse assunto, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional.” Sendo assim, adoto como razões de decidir o já concluído por esse colegiado. Em vista do exposto, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 1065DF CARF MF Processo nº 10565.000290/200815 Acórdão n.º 9303008.396 CSRFT3 Fl. 5 7 Fl. 1066DF CARF MF
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